Eram os últimos dias de outono. Apesar do clima não muito bom, com o ar pesado pela poluição – que só piorava nos meses mais frios –, e o céu cinzento que cobria a cidade, o colorido das árvores ao redor era um espetáculo à parte. As folhas amarronzadas, avermelhadas e alaranjadas estavam prontas para a queda, mas ainda assim pareciam muito bonitas de onde as olhava, pelo vidro bem polido da janela daquele luxuoso hotel.
Estava de volta à cidade para o último show da turnê. Mais algumas gravações para programas de TV e ele estaria de folga para os feriados de final de ano. A melhor parte nisso, no entanto, era que finalmente estaria com novamente.
Precisava admitir que sentira falta dela nos dois meses que passou fora e o fato de que a última despedida dos dois não havia sido muito amistosa intensificava tal sentimento. Fora um alívio ela não apresentar qualquer resistência para que se encontrassem e naquele momento ele só conseguia revezar o olhar entre a rua lateral e o relógio no pulso, esperando pela hora em que ela apareceria, enquanto deixava a mente vagar entre os momentos dos dois.
não tinha certeza sobre quanto tempo fazia desde que ela o havia xingado por quase derrubar seus equipamentos de filmagem, no primeiro dia de gravação do videoclipe do primeiro single de seu último álbum. era a estudante de cinema assistente de Emma, sua diretora. Ele riu ao lembrar como ela se assustou logo após olhá-lo e perceber que havia gritado com “a estrela” do set, mas disfarçou muito bem, mantendo a postura e dizendo a ele que se alguma daquelas coisas quebrasse, ele iria precisar tirar uma boa grana do bolso. Com isso, ele havia gostado dela de cara. Não como alguém que queria seduzi-la e beijá-la, como poderia ser o enredo mais comum, mas por ela ser alguém legal com quem ele poderia conversar por ali durante os três dias de gravação, alguém além dos staffs já conhecidos e que já não aturavam seus papos furados e só queriam fazer seus trabalhos em paz, na maioria das vezes.

Gravação: 2º dia – 5 AM

– Imagino que gravar videoclipes não seja o que você quer pra sua vida de cineasta.
falou, entre risos, ao ver soltar um palavrão. Sua expressão não era muito boa e ele não sabia se era pelo horário ou porque ela estava detestando estar ali. Chegou perto para tentar animá-la e também porque precisava conversar para afastar o sono que ainda sentia. Ela fez uma careta antes de rir.
– Já estive em trabalhos piores, se quer saber. – falou, ainda virada para a câmera e a ajustando – E gosto da dinâmica de videoclipes, apesar de não ser a minha especialidade. Então se você está se referindo à minha cara feia – ela apontou pro próprio rosto, franzindo-o –, além de ser a única que eu tenho, é só sono mesmo. Detesto acordar tão cedo! Essa hora é sempre fria mesmo nos verões!
– Culpe a Emma! – ele riu, bebericando seu café e acomodando-se em um banco de madeira ao lado, observando-a trabalhar – Ela disse que só ficaria perfeito se madrugássemos aqui.
– E ela está certa. – o olhou sorrindo. Emma sempre sabia o que estava fazendo – Você vai ficar muito enigmático olhando para esta belezinha – ela apontou para a câmera – no meio do nevoeiro e da pouca claridade do amanhecer.
Os dois riram juntos e ela se sentou ao seu lado, pegando um grande copo de café com seu nome escrito em uma fita grudada na tampa, que uma das staffs gentilmente havia deixado ali para ela. Bebeu e soltou um suspiro antes de voltar a falar.
– Me conte sobre a sua especialidade. – ele se virou para ela, sorrindo amigavelmente – Você disse que não são videoclipes, o é que então?
– Documentários. – ela sorriu, movendo-se no banco após fazer um breve suspense, como quem entra em um assunto de seu interesse – É o meu gênero preferido de todas as formas de criação audiovisual.
– Parece combinar com você. Mas também não tem nada a ver com o que você está fazendo agora. – ele concluiu rindo, vendo-a rir junto.
– Em alguns pontos, realmente não. Mas enquanto eu não me especializo de fato, preciso experimentar os outros gêneros. E a oportunidade de trabalhar com Emma é inegável pra qualquer estudante da área.
– Emma é certamente uma das diretoras que mais gostei de trabalhar. Estou realmente feliz desde ontem. – achou adorável aquela confissão, era bom saber que o trabalho da equipe era apreciado pelo artista – Como vocês se conheceram? Sei que ela é bem famosa no meio.
– Ela é! – ela confirmou, empolgada – Foi um alvoroço quando ela destinou uma vaga para estágio na equipe dela para a minha turma de graduação. Tem sido incrível trabalhar com ela desde então. – ela sorriu novamente, então olhando para o relógio que levava no pulso – Mas, estamos quase no horário. Se não estou errada, ela deve te chamar a...
, por favor! Maquiagem! Devemos começar em alguns minutos! – Emma gritou a alguns metros de distância deles.
– Eu ia dizer a qualquer momento. – riu junto com ele, se levantando para ir até a diretora.
– Vamos trabalhar então! – ele sorriu, correndo um pouco até a tenda do outro lado.
apenas checou novamente a câmera fixa e caminhou até a equipe, puxando as mangas do cardigan de lã para esconder as mãos ainda frias da brisa gelada do quase amanhecer. Ouviu mais uma vez Emma ditar as orientações para as cenas que gravariam logo mais, dando-lhe a atenção dobrada quando seu nome era dirigido a alguma tarefa específica, mesmo que ela já soubesse de cor o que deveria fazer. Ouviu a mulher desejar bom trabalho a todos e então foi checar todo o material de filmagem, vendo os colegas irem um para cada canto, colocando tudo em ordem e seguindo o que a diretora orientara. Quando ela relaxou atrás de uma das câmeras fixas, viu chegar ao lado de Emma, que começara a falar, apontando para onde ele deveria olhar e repetindo todo o roteiro e repassando os movimentos. Quando eles finalmente terminaram, a equipe de maquiagem fez seus últimos retoques e todos foram para seus lugares, aguardando pela ordem final da mulher no comando.
riu quando piscou em sua direção e mostrou os polegares para ele, que sorriu de volta. Emma chegara ao seu lado no mesmo instante.
– Vocês se deram bem, não é? – a diretora sorriu, acertando os óculos e olhando para o rapaz pela tela na parte de trás da câmera.
é um cara legal. Desculpe a franqueza, mas achei que trabalhar com ídolos musicais populares como ele fosse ser um saco. – ela riu meio sem jeito.
– Algumas vezes é mesmo. – a mais velha riu também, virando-se para ela – Mas ele parecer ser um bom garoto. Ainda.
riu pela forma como ela terminou a frase e assumiu a câmera quando ela lhe sinalizou. O grito de gravando ecoou pela quadra aberta e o próximo single de foi ouvido no instante em que ele virou para uma das câmeras. Com os olhos fixos na tela, quase sentiu como se ele estivesse olhando diretamente para ela. Continuou com os olhos fixos nele, que caminhava atordoado pela quadra com aspecto abandonado e decidiu, em um breve desvio de pensamento, que até poderia achá-lo bonito e atraente. Ou era isso mesmo, ou Emma sabia muito bem como colocar um artista em uma ótima visibilidade de vídeo com o cenário perfeito mesmo sem a edição.

[...]


Ainda com muita coisa em mente, ele quase não ouviu o barulho característico do celular vibrando sobre o criado mudo. levantou da cama, acendendo as luzes. Já havia anoitecido e a notificação no celular lhe avisava que já estava subindo. Quase não deu tempo para dar um jeito nos cabelos antes da campainha tocar. Colocou o celular no bolso e caminhou para a sala, imaginando o que encontraria do outro lado da porta. Não exatamente o que, mas que sentimentos traria consigo, já que da última vez ela não parecia muito satisfeita com o que eles estavam tendo. Ele sentia sua falta, mas sabia que sua rotina não podia dar a ela muito mais do que havia oferecido dois meses atrás.
Abriu a porta lentamente, com o receio e a pressa dividindo-o. Ela estava como costumava estar: linda aos olhos dele, como sempre. sorriu, meio na defensiva, meio aliviada e um tanto ansiosa, mas não sabia não tentar estar sempre no controle da situação.
– Eu trouxe vinho chileno! – ela levantou a sacola de papel nas mãos, olhando para ele – Espero que você tenha pedido pizza. A não ser que tenha preparado um jantar romântico ou algo do tipo. – ela fingiu espiar o cômodo quando ele lhe deu espaço.
riu, fechando a porta. Estava aliviado por vê-la bem humorada novamente.
– Eu deveria ter preparado? – ele se aproximou devagar, seu olhar se tornando carinhoso e cauteloso conforme seu tom de voz baixava – Ainda devo te pedir desculpas pela última vez?
colocou o vinho na mesinha de centro da sala e largou a bolsa no sofá, virando-se para ele novamente, que aguardava sua resposta.
– Você já me pediu desculpas.
– E você me mandou parar de encher a porra do saco. Exatamente nessas palavras.
– Isso por que você estava pedindo desculpas demais quando eu já havia dito que estava tudo bem! – ela riu, gesticulando.
– Eu só estava com medo de que você não quisesse mais me ver.
Era justamente por isso que haviam brigado da última vez. sabia desde o início que não deveria se envolver demais. estava cada vez mais em ascensão, shows, premiações, programas de TV e isso tudo em vários lugares do mundo. Ela estava ali, correndo atrás de patrocínio e apoio para seu primeiro documental depois de formada, tentando fazer seus primeiros contatos para alavancar em um gênero do cinema nem um pouco comercial. Não havia muita convergência na rotina de ambos, muito pelo contrário. Era bom ficar com ele, mas sem grandes apegos, sem saudade sufocando o peito, sem paixões de comédia romântica, só a boa e velha vida real que vai se desenrolando conforme as oportunidades existem. Mas ela não era de ferro, especialmente quando ele era tão apaixonante como estava sendo no momento.
... – ela chamou, em um suspiro – Para de tentar me amolecer. Você não precisa. – ela abanou as mãos, sorrindo – Será que podemos falar sobre isso depois? Eu já saí da defensiva, saia também e pare de fingir que não quer me beijar logo. Também estou com saudades, caso não dê pra perceber.
Ele gargalhou com sua franqueza e venceu o espaço entre ambos rapidamente, envolvendo-a com os braços pela cintura, enquanto ela apertava as mãos em seus braços.
– Eu estava com muitas saudades! – ele colocou o rosto em seu pescoço, inalando seu perfume e deixando alguns beijos enquanto subia para seu rosto.
riu e inclinou-se para beijá-lo, sentindo uma espécie de alívio muito gostoso. Apertou-se contra ele e deixou que ele a ajudasse a impulsionar o corpo para que logo estivesse em seu colo, com as pernas ao redor se sua cintura. deu alguns passos e jogou o corpo no sofá, caindo sentado e se acomodando com ela ainda sobre si. Tateou suas coxas, ainda beijando-a e sorriu quando ela lhe apertou a nuca, sentindo uma sensação muito boa no final.
Separaram suas bocas o mínimo possível no final do beijo. se ajeitou sobre ele e passou as mãos por seu rosto, arrumando seus cabelos e o admirando. relaxou no sofá, apoiando a cabeça no estofado, esperando pelo momento em que ela se inclinaria e distribuiria beijos pela sua pele, o que não demorou nada para acontecer. sorriu para sua cara de deleite e lhe deu um beijo curto antes de sair de seu colo para se sentar no sofá ao lado dele, mantendo apenas as pernas sobre suas coxas.
– Estou feliz que você veio. – ele disse antes de virar a cabeça para o lado e olhar para ela, sorrindo – Sério.
– Eu fiz um drama tão grande assim da última vez pra você achar que a gente não se veria nunca mais? – ela fez careta, fazendo-o rir.
– Você chegou a dizer que talvez fosse melhor a gente não se ver mais – ele riu fraco, passando a deslizar os dedos pelas pernas dela.
– Eu não queria me apegar, você sabe. Mas você não facilita! – ela riu, se levantando, e foi até a cozinha e abriu o armário para procurar taças.
– Eu não percebi que estava brincando com seus sentimentos. – ele disse quando ela voltou com para a sala.
colocou as taças sobre a mesinha e deu a ele o saca-rolhas para que abrisse o vinho, o que ele prontamente fez.
– Eu sei que você não estava fazendo de propósito, mas nós estávamos vivendo como um casal de namorados, sendo que havia um consenso de que não seríamos um. –ela disse enquanto ele lhe servia a bebida – Eu estava me envolvendo demais e ia ser uma merda depois.
– E aí você ficou puta naquela noite da festa quando eu beijei a Jay. – ele tomou um gole, acomodando-se no sofá.
riu e cobriu o rosto com uma das mãos. – Você ta vendo? Eu devia te pedir desculpas por isso.
– Você sabe que não precisa.
– Estávamos há um tempo juntos e eu não havia ficado com ninguém desde então. Devia ter tido o mínino de sensibilidade.
– É, deveria. – ela riu novamente – Mas isso não importa mais. Depois daquilo você saiu em turnê e foi ótimo pra colocar os pensamentos no lugar.
– E? – ele indagou, puxando as pernas dela para cima das suas coxas novamente. – E aí que gosto de estar com você, nos damos bem juntos. Podemos fazer isso sem grandes expectativas, né?
Parecia uma pergunta retórica, mas ela realmente queria que ele respondesse.
– Eu quero ficar com você, . – ele se aproximou o suficiente para tocar o rosto dela, contornando seus lábios antes de abaixar a mão para agarrar a outra mão livre dela – Você conhece minha vida, minha rotina, você sabe como é. Nada pode ser mais complicado do que já é. – ele riu fraco, vendo-a assentir.
– Nunca fui mesmo fã de dramas e corações partidos. – ela riu – Fico satisfeita desde que não façamos promessas que não vamos cumprir.
– Exatamente isso. – ele colocou sua taça sobre a mesinha e se arrastou ainda mais para o lado dela – Sem promessas.
Ele tomou o rosto dela em suas mãos e a beijou novamente, logo emaranhando os dedos em seus cabelos curtos. Movê-los fazia aquele cheiro gostoso de morango chegar mais forte em seus sentidos e ele adorava como ela era um mistura incrível de cheiros e gostos e ele estava ansioso para experimentar tudo de novo. Mal podia aguentar para tê-la novamente.
sorriu quanto ele desceu os lábios para seu colo, deixando zonas arrepiadas em sua pele. Desceu a mão livre para a barra da camiseta dele e dedilhou a pele macia, subindo por suas costas, levando o tecido consigo. Ele logo se livrou da peça, observando-a deixar sua taça de vinho na mesinha e voltar para ele, sorrindo divertida.
– Ainda tem uma coisa, . – ela foi para o colo dele novamente, colocando os joelhos no sofá e sentando sobre suas coxas – Você precisa ter cuidado. – ela aproximou seus rostos ligeiramente – Se você se apaixonar de verdade, me avise. A gente vai precisar se preparar.

Fim



Nota da autora: Uma fic curtinha e levinha só pra eu não deixar de participar do Ficstape desse álbum tão maravilhoso! Essa é uma das minhas 3 músicas preferidas e espero que vocês tenham gostado!
Obrigada por lerem! <3
xx
Thainá M.

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Nota da Beta: Poxa, Thai! Adorei esse casal, queria muito mais. Mas achei amorzinho e fiquei muito feliz de tu ter participado desse ficstape lindeza, só manda mais, por favorzinhoo! Xx-A




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