Finalizada em: 02/01/2018
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Capítulo Único


Se me perguntassem, não saberia dizer como cheguei ali, mas fazia pelo menos dez minutos que estava parado no meio da estação de Ttukseom, de pé sem qualquer objetivo além de olhar as pessoas ao redor. Não eram muitas devido ao horário, mas eu já havia feito muito aquilo, olhar as pessoas ao redor, especialmente em Ttukseom. Não sabia exatamente o que havia naquele lugar, ou porque sempre terminava ali, mas era o que acontecia sempre que eu tinha coisas demais na cabeça, ou quando era pego por essa coisa de odiar a mim mesmo.
Costumava acontecer com muita frequência no começo. Odiar a mim mesmo, odiar absolutamente tudo que eu fazia. Tinha dias que odiava até mesmo as sugestões que eu dava e odiava mais ainda quando gostavam. Não queria que gostassem, mesmo que no fundo tudo que eu mais quisesse fosse reconhecimento pelo que fazia.
Sempre vi a vida como um filme. Cada um de nós tem o seu, cada um é protagonista da própria história e também o diretor. Tinha dias que eu gostava do que minha história estava se tornando, dias que eu ficava satisfeito comigo mesmo, mas os dias que eu odiava a mim mesmo ainda eram mais frequentes do que os dias bons.
De alguma forma, eu sabia que sentir aquilo era errado. Sabia que talvez fosse a hora de pedir ajuda, mas quando estava em crise era mais difícil de ver uma saída. Quando estava em crise, só conseguia odiar a mim mesmo e pensar que ninguém poderia fazer nada para me salvar de mim mesmo.
E eram nesses dias de crises, nos piores deles, que terminava em Ttukseom. Não na estação de Ttukseom, normalmente era no parque, onde podia ver as pessoas rindo e se divertindo. Costumava chegar pela manhã, via crianças brincando, adultos bebendo. Pessoas no geral, pessoas falando alto, pessoas felizes enquanto sentia o medo pegar a minha mão.
Era estranho, pois sabia que em tese, deveria estar feliz. Minha vida tomava o rumo que sempre quis, mas de alguma forma aquilo aumentava também a pressão que eu criava sobre mim mesmo. Aquele medo de não ser o suficiente, de viver a sombra de outras pessoas. Antes dos meus familiares e depois dos companheiros de grupo. Temia ser sempre a sombra de alguém e me afundava na escuridão criada por mim mesmo.
Mas dessa vez era diferente. Eu estava parado no mesmo lugar, mas a sensação era totalmente nova.
Ao contrário das outras vezes, era realmente noite, mas não sentia nada além de melancolia ao estar ali. Como se aquela fosse a prova que bastava para meu coração, suspirei em alto e bom som, sentando-me no banco que havia no local.
De alguma forma era como se pudesse ver a mim mesmo parado em frente a plataforma, esperando o trem para a ilha com a cabeça sempre pensando em milhares de loucuras. Ainda me lembrava da sensação, de me sentir tão mal a ponto de querer gritar, mas não saber o que dizer, o que falar, porque simplesmente não sabia explicar o que estava sentindo. Sabia apenas que não era certo estar daquela forma e de volta àquele lugar sem sentir nenhuma daquelas coisas, sorri repentinamente, sozinho, sem deixar de ver a mim mesmo na plataforma e me comparar àquela versão do passado, tão perdida e sem rumo.
Não sabia dizer direito quando havia melhorado. O mais irônico da depressão e das crises era que eram todas tão repentinas que você não percebia quando vinham até que tivessem passado, mesmo que no fundo soubesse que era uma crise.
E tudo bem ser uma explicação confusa. Tudo era muito confuso. As vezes estava bem e de repente não estava mais.
Mas o fato de estar ali e me sentir leve fazia com que eu quisesse chorar. Não de uma forma ruim, muito pelo contrário. Me fazia querer chorar de uma forma boa. Boa demais, como se tudo estivesse certo depois de tanto tempo.
Olhei para o espaço entre os muros da plataforma e a cobertura, que lhe permitia ver o céu estrelado de Ttukseom. Era simples, não havia nada demais, mas era reconfortante perceber que mesmo depois de ter estado tantas vezes ali, aquela era a primeira vez que eu olhava o céu.
Fazia com que eu me se sentisse livre e sabia que essa era a forma correta de me sentir assim. Já tinha tido as piores idéias de liberdade nos momentos de crise, mas havia descoberto que o verdadeiro conceito de liberdade não era estar livre da vida, era sentir-se bem com ela exatamente como me sentia. Era me livrar da sombra que sentia me perseguir dia após dia.
Aquilo sim era liberdade, a melhor forma dela e eu me sentia livre.
Meus amigos me fizeram sentir livre e sorri novamente apenas pela menção a eles.
Algumas pessoas entram na nossa vida no momento certo para fazer a diferença e eles fizeram a diferença mesmo nos mais mínimos gestos. Não havia sido proposital, eles nunca souberam a verdade, ou como me sentia. No início, todos me intimidavam. A forma como pareciam melhores do que eu, mas a verdade era que eu deixava aquilo acontecer. Deixava que todos me intimidassem, que todos parecessem melhores. Eu não via meu valor, mas eles me fizeram ver.
Me mostraram que cada pessoa é importante a sua forma e que eu também era. Me mostraram que, mesmo que eu não enxergasse, haviam pessoas ao meu redor que se importavam comigo. Pessoas que queriam meu bem.
Naquele momento, enquanto refletia sobre tudo, acabei rindo ao me dar conta de que a ansiedade havia me feito destruir minha própria analogia.
Se a vida é um filme, deveria ser óbvio que cada uma seria diferente da outra, independente das semelhanças. Deveria ser óbvio que independente do quão bom fosse, sempre haveria alguém para criticar assim como sempre haveria alguém para ver o lado bom mesmo nos lados mais ruins.
E eles haviam me feito enxergar o lado bom. O meu lado bom, o meu valor quando eu não era capaz de fazer isso.
Eu precisava de ajuda, e eles foram minha ajuda sem se dar conta.
- Enlouqueceu? – uma voz familiar soou no local e só então notei que não estava sozinho. De que havia uma pessoa parada exatamente no mesmo lugar para onde eu olhava. tinha um olhar desconfiado no rosto e olhava de mim para um ponto qualquer atrás de si mesmo, tentando ver sentido daquela coisa de olhar para o nada. De alguma forma, a posição em que ele se encontrava, a cabeça levemente inclinada para o lado, me fez rir e ele apenas estreitou os olhos, ficando ainda mais confuso com a atitude. – Está rindo do quê?
- De você, é obvio. – respondi, o vendo deixar seu queixo cair enquanto levava as mãos para a cintura, sendo tão dramático quanto apenas podia ser.
- E o que eu te fiz? – quis saber e eu apenas neguei com a cabeça, dando de ombros antes de me levantar.
- Nada. – respondi, acenando para que ele me acompanhasse e ainda desconfiado, o fez.
- Então por que está me olhando assim? – insistiu, acompanhando meu gesto quando passei um dos braços sobre seus ombros para sairmos dali e pareceu ainda mais desconfiado quando eu ri.
- Não estava olhando pra você, estava olhando para o nada. – respondi e olhou por sobre os ombros, para o local que eu olhava antes, como se tentasse ver algum sentido nisso.
Meneando negativamente, puxei sua cabeça de volta para frente e ele fez uma careta emburrada para a atitude.
- Nunca mais venho atrás de você. – falou mal humorado e eu sorri. – Estávamos todos nos perguntando de você depois de ter sumido. Deveria ter te deixado aqui. – resmungou, mas eu sabia que aquela última parte era apenas implicância. Não era aquela parte que importava.
Pequenos gestos como aquele, de notar o sumiço de um companheiro ou de se dar ao trabalho de ir atrás dele, foram o que me fizeram levantar. Na época eu não podia ver a diferença que faziam. Sequer podia reparar neles porque meu problema não me deixava ver as pessoas ao meu redor de verdade.
Eu ia para Ttukseom apenas para observar as pessoas, mas não observava as que estavam a minha volta. Não via o que faziam por mim diariamente.
Se a pessoa fala pra você levar a blusa ao sair de casa, ela não quer ser chata, ela está se preocupando com você, porque se importa. Se a pessoa faz o seu café quando você acorda pela manhã, ela não o está fazendo por obrigação, está fazendo porque lembra de você, porque se importa. E não faz sentido tentar agradar quem não lembra que você existe. Não faz sentido ficar mal porque uma pessoa te despreza quando outra, em algum lugar, se importa com você.
Foi isso que aprendi com eles, a considerar apenas quem me considerava. A não me preocupar em agradar quem me diminuía.
E isso abriu portas para que eu descobrisse também que antes de pensar na opinião dos outros sobre mim, deveria pensar na minha opinião porque a única pessoa que era obrigada a conviver comigo mesmo, era eu. Quem tinha que gostar de mim mesmo, era eu e isso veio logo depois que parei de me importar com o ódio gratuito que algumas pessoas direcionavam a outras. Pessoas que provavelmente passavam pelo mesmo problema, mas que tinham formas diferentes de lidar com ele e hoje não sentia raiva delas. Não sentia porque sabia o que elas passavam diariamente, havia superado e independente de todo o mal que causavam, desejava que superassem também, exatamente como eu havia feito.
- Eu te amo, sabia? – perguntei a , sem me importar se ele iria se afastar e dar escândalo porque sabia que ele entenderia apesar disso. Porque ele não precisava dizer para que eu soubesse que era recíproco. Éramos uma família, éramos irmãos.
Tudo o que eu queria quando ia para Ttukseom era poder me amar e hoje eu podia. Podia porque havia descoberto que me amar não dependia da quantidade de pessoas que me amavam, dependia de mim mesmo. Dependia de fazer o que me deixava bem, de me dedicar ao que eu amava. De estar com as pessoas que desejavam o melhor para mim, não o contrário e, principalmente, de não me importar com as críticas, para palavras maldosas porque elas não faziam bem, porque nada garantia que fossem verdade.
Tudo o que eu queria quando ia para Ttukseom era encontrar o meu lugar, e eu havia encontrado. Meu lugar era onde eu queria estar e eu estava exatamente onde queria porque havia conquistado isso. Conquistado por mim mesmo.


Fim.



Nota da autora: Confesso, assim que vi a letra da música, tive receio de escrevê-la. Soa meio pesado, depressivo e não queria deixar ninguém dessa forma após ler. Tentei seguir um rumo diferente, e espero ter conseguido passar uma boa mensagem. Algo que remeta superação, e não ao contrário.
Espero que tenham gostado.
Xx
Mayh.



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