Postada: 20/12/2017

Capítulo Único

Era tudo novo. Até ontem, eu era alguém que hoje não sou mais. Fui uma pessoa que até ontem se reconhecia como Bella, a menina meiga e estudiosa que se formou há seis meses e já havia ingressado em Harvard, para cursar Linguagem e Literatura. Agora, eu era Isabella, a mulher de dezenove anos, estudante de Linguagem e Literatura, presidente do Grêmio Acadêmico e... A mulher que estava vivendo o subjetivismo de sua vida.
Era como se agora eu não me reconhecesse. Mas a verdade profunda, era que eu estava, mais do que nunca, descobrindo uma nova Isabella Schuster. Meus pais achavam que eu estava louca. Queriam me levar em um psicólogo ou psiquiatra, mas eu sabia que estava num conflito interno comigo mesma e mais do que nunca precisaria da compreensão de todos aqueles que me rodeavam.
Eu era, sou e sempre serei Isabella Schuster, a menina, a mulher sonhadora e batalhadora de dezenove anos, com um nome a defender.



Acabara de me levantar, por dois milésimos de segundos eu não perdi a hora de começar a me aprontar para mais um dia. Levantei e tirei minha camisola, correndo para o banheiro, iniciando meu ritual matinal: banho de dez minutos contados no relógio, escovar os dentes, lavar o rosto e secar meus cabelos na potência máxima do secador.
Em seguida me troquei, colocando meus famosos jeans skinny, sapatilhas e uma camiseta. O cabelo solto, rímel e o gloss rosê eram de lei. Peguei minha bolsa com todo o material necessário, minha agenda – que era basicamente uma Isabella ambulante – e as chaves do quarto. Saí do dormitório e me dirigi a cafeteria, pedindo um duplo com creme e canela. A vendedora já me conhecia, eu nem precisava repetir meu pedido.
Oito horas em ponto. Metade dos alunos já haviam entrado na sala. Olhei pela porta, meu lugar estava vago e meus amigos já estavam lá: Norah, Zoey e John. Entrei. Caminhei como se nada houvesse acontecido na noite passada. Cumprimentei meus amigos, dei um gole em meu café e segurei o copo com as duas mãos, apreensiva.
– E vamos lá, Bella! O que aconteceu? Como foi ontem? Você está calada demais! – esta foi a primeira coisa que Norah soltou. Eu sabia que ela não se aguentaria por tanto tempo.
– Nori, meu bem, ontem não aconteceu absolutamente nada. Todos nós fomos à festa e agora estamos aqui prontos para mais uma aula de Literatura, estudar mais um pouco sobre o Dickens. – dito isso, a professora entrou em sala, começando a lecionar e explicar toda a semântica da obra de Charles Dickens.
Uma hora e meia depois, estávamos caminhando em direção ao pátio quando eu a vi. Estava linda, rabo de cavalo, os pequenos brincos em sua orelha, um de cada cor. O vestido na altura das coxas e a bolsa de lado. A vista de onde eu estava, daquele ângulo especifico, era maravilhosa e eu não estou exagerando. Ela era Madison Stevens, vinte e um anos, aluna do primeiro semestre de Economia.
Eu compreendia a curiosidade de Nori, porque ela também era amiga de Maddie. Entretanto, não estava pronta para contar. Não era o momento. Queria contar quando tivesse a mais absoluta certeza de que estaríamos bem e confortáveis com tudo aquilo que era tão novo para mim.
– Hey, Isa! ¬– ela me chamou, tirando-me de meus pensamentos sobre ela – Como você está hoje? ¬¬– senti seus braços me envolverem em um abraço caloroso e seus lábios encostarem em minha bochecha, gesto este que retribui.
¬– Oi, Madd! Estou bem e você? – questionei enquanto nos afastávamos uma da outra.
– Estou bem! Como passou a noite? Soube que saiu bem tarde da festa ontem, coisa que não foi diferente comigo! – eu ri. Afinal, tínhamos saído juntas de lá.
– Dormi bem, obrigada. Sem ressaca, por sinal! – e me calei. Sabia que se eu ou ela falasse mais alguma coisa sobre a noite passada todos saberiam.
Vi meus amigos se afastarem e então ficamos sozinhas. Segurei em sua mão e saímos do pátio, indo diretamente para a área dos dormitórios. Para o meu dormitório.
Assim que entramos, Madison me olhou confusa. Eu sorri. Não havia muito para dizer. Quer dizer, havia sim. Minha mente estava rodeada de perguntas que, possivelmente, nem ela seria capaz de responder. Mas eu precisava dela ali, naquele momento. Comigo.
A puxei para minha cama e me deitei, recostando minha cabeça em seu peito. Ela, por sua vez, passou o braço por mim e me olhou de soslaio – Vamos, Bella! Sem mistérios, eu sei que você quer falar algo... O que tá tirando seu sono e sua paz?
A olhei e recuei. Olhei novamente e suspirei.
– Você tira meu sono, minha concentração. Você não sai da minha cabeça desde a primeira vez que te vi. Naquela festa, eu só conseguia pensar em como você estava linda e em como eu jamais conseguiria alguma coisa. – desembestei a falar.
– Calma! Respira, não pira! Estou aqui, não estou? Olha, eu imagino que pra você isso seja difícil, ok? Nem todo mundo consegue definir seus sentimentos por alguém da noite para o dia. – ela continuou – Sei que sua família é extremamente conservadora e que tudo é novo, mas estou aqui para te ajudar. Para ser sua companheira. Não é como se fossemos assumir um relacionamento ou algo do tipo.
– Então você... não aceitaria ter algo comigo? – questionei ainda mais incerta.
– Não, eu não disse isso em momento algum. Mesmo porque agora é muito cedo para te dar muitas respostas. Mas, a princípio, eu quero estar aqui com você para te apoiar e te ajudar a superar qualquer barreira. – aquilo me deu uma sensação de comprazer, me fez rir. E então ergui um pouco minha cabeça e num ato sereno juntei nossos lábios. Apesar da minha enorme vontade de beijá-la, aquele gesto não era urgente. Não era voraz. Era tranquilo, era doce, era terno. Sentir seus lábios macios em contato com os meus, sua língua sem nenhuma urgência, me tranquilizava e era somente aquilo que eu precisava naquele momento. Separamos nossas bocas e fitei seus olhos:
– Obrigada por isso, Madison. Pelas palavras, por seu apoio. Enfim, obrigada por estar aqui por mim. – sorri e toquei seu rosto, acariciando a região.
– Não precisa agradecer, não mesmo! – ela sorriu e afastou minha mão de seu rosto – Eu preciso ir agora, ok? Tenho aula nos próximos quatro períodos e não posso me atrasar. Depois terei que estudar para um exame amanhã, mas te mando uma mensagem antes de pegar no sono, ok? – eu assenti e senti um rápido encostar de lábios nos meus, antes que ela saísse porta afora.
Fiquei ali, parada em minha cama. Meus dedos corriam por meus lábios, onde os dela estiveram minutos atrás. A sensação era completamente nova e me fazia carregar no rosto um sorriso bobo. Quando estivera no ensino médio, eu via algumas garotas tão bem decididas quanto a sua sexualidade que eu as admirava bastante. Entretanto, naquela época, eu estava apenas com garotos. Estes que muitas das vezes nem valiam o esforço. Talvez estive com alguns para manter o conservadorismo da família e não escandalizar meus pais. Todavia, em breve tudo aquilo acabaria. Eu teria que enfrentá-los.

Acordei no dia seguinte e a primeira coisa que fiz foi checar o celular. Nenhuma mensagem, nenhuma ligação, nenhum sinal de vida. Sabe quando você espera ansiosamente por algo e chega a sentir um frio idiota no estômago? Então era aquela sensação que eu vinha sentindo nas últimas doze horas. Mas nada, ela não mandou nada. Madison havia esquecido. Suspirei pesadamente e joguei o edredom para o lado, me levantando em seguida.
Fiz o processo repetitivo de todos os dias e dei graças aos céus por estar mais frio naquele dia. Vesti minha roupa e um casaco, colocando o celular no bolso. Não assistiria aula alguma. Estava com a cabeça cheia e precisava esvaziá-la: chocolate quente com creme, um croissant amanteigado e uma caminhada sozinha por um dos principais parques de Boston. Era tudo o que eu precisava para sentir-me melhor.
Em algumas horas teriam ligações e mensagens de uma Zoey e uma Nori completamente preocupadas com o fato de eu não ter comparecido à aula. Não adiantaria inventar desculpas, mas daquela vez realmente não havia motivo. Entrei na pequena e aconchegante cafeteria, retirando meu gorro e casaco em seguida. Caminhei até o balcão e fiz meu pedido e sentei numa mesa mais ao fundo, o garçom iria levá-los para mim até lá.
Minutos depois eu já estava me deleitando com o sabor maravilhoso do croissant amanteigado. Aquilo era... Era como se fosse a oitava maravilha do mundo, só que em forma de comida, o que era melhor ainda. Dei um gole na bebida quente – quente demais, por sinal – e senti o celular vibrar no bolso. Peguei o objeto com a mão livre e olhei o visor. Madison. Era uma mensagem de Madison. Não precisei abrir a mesma.

“Isa, me perdoa! Sei que fiquei de mandar uma mensagem ontem, mas eu dormi em cima dos livros! Nos vemos depois?”

Ficara tentada a responder, mas não iria. Não naquele momento. Não queria parecer a desesperada, apesar de ter contado os minutos para poder vê-la desde ontem. Ela poderia esperar. Talvez aquele momento em que eu estava ali, naquela mesa, fosse o tempo que eu teria para pensar de fato em tudo o que estava me acontecendo. Talvez aquele fosse o momento em que eu obtivesse as respostas que eu ainda não tinha.
Minha caminhada pelo parque tinha sido mais longa do que eu planejava. Mas o clima nublado e frio só colaborava para que eu não retornasse tão cedo ao campus. Fiquei ali, sentada num banco, observando a monotonia que era a vida de algumas pessoas que passavam por ali. Vi uma senhora que aparentava ter uns sessenta anos sentada no banco oposto ao meu. Minha dedução era que se tratava de uma viúva sem filhos. Solitária.
– Qual é o seu nome, minha jovem? – aquela voz fez meu olhar se levantar. Era a senhora, era uma negra e se não fosse pelos cabelos grisalhos eu nem teria deduzido sua idade. Levantei e me sentei ao seu lado.
– Isabella, – respondi para que somente ela ouvisse – e o da senhora?
– O meu nome não é muito importante, Isabella. O nome só rotula as pessoas – ela explicava enquanto o meu cenho se franzia, sem que eu compreendesse onde queria chegar – Você é muito mais que seu nome, querida. Suas atitudes, suas escolhas, seu nome ou o sobrenome de sua família, este que você carrega, não definem quem você é ou quem você quer ser.
– O que a senhora quer dizer com isso? Digo... Eu nem cheguei a contar nada da minha vida ¬– questionei ainda mais confusa.
¬– Você não é a única pessoa observadora deste lugar, Isabella. Enquanto você me observava, eu analisava você e suas pupilas perdidas. – ela segurou minha mão – Fui psicóloga, sei analisar as pessoas muito mais a fundo do que possa imaginar. Hoje sou aposentada, moro sozinha aqui perto mesmo. Mas o passado não importa. Não se você tiver vivido com intensidade. Eu aproveitei cada minuto. Nunca me casei, mas por opção própria. Na época, era um absurdo uma moça da sua idade não estar planejando o casamento e mais absurdo ainda uma negra PhD em psicologia. Mas aqui estamos, não? – eu sorri – Olha, Isabella, eu não sei e nem quero saber nada da sua vida, mas fiquei um pouco preocupada com seus olhos perdidos. Seja lá o que estiver passando por essa sua cabecinha de jovem, viva o presente sem se preocupar com o que os outros pensam. Se tiver vontade de cortar seu cabelo bem curtinho, corte. Se tiver vontade de fazer uma tatuagem, faça. Se tiver vontade de pintar seu cabelo e fazer um arco-íris nele, faça também. ¬– ela apertou minha mão com suas duas mãos – Mas jamais deixe que alguém dite o que você pode ou não fazer, ok? E se precisar conversar, pode me procurar. Estou aqui todos os dias nesse mesmo horário.
– Obrigada, eu acho... – falei tão baixo que nem soube se ela foi capaz de ouvir. E então ela saiu dali. Eu não precisava da aprovação de ninguém, só precisava me sentir feliz. E se fosse Madison que me fizesse feliz naquele ponto da minha vida, era com ela que eu ficaria.

Peguei o celular e abri a mensagem de Madd. Eu queria mais do que nunca vê-la. Eu não iria pedi-la em namoro ou casamento. Até porque era cedo demais pra assumir qualquer compromisso. Eu só queria ficar com ela naquele momento que minha mente estava límpida quanto às minhas escolhas.

“Hey, Maddie! Está tudo bem e sim, podemos nos ver mais tarde. Onde?”

Enviei e comecei a caminhar em direção ao campus, enquanto aguardava sua resposta. Neste percurso, comecei a refletir em como Maddie era linda. Seus olhos claros, o cabelo cor de mel, a forma quando sorria de alguma piada. Ela era adorável.

Entrei no território universitário e segui para o dormitório. Entrei em meu quarto e liguei o notebook, entrando no Skype em seguida. Precisava conversar com meus pais. Havia chegado à hora de contar a eles tudo o que eu vinha sentindo nas últimas quatro semanas.
Minha mãe prontamente atendeu a chamada de vídeo, feliz em me ver. Meu pai estava logo atrás dela, provavelmente resolvendo alguma coisa do trabalho
– Oi mãe, oi pai! – eu acenei rapidamente assim que ele apareceu ao lado de mamãe, dando total atenção a mim, desta vez – Como vocês estão? – contei até dez mentalmente, pois estava nervosa.
– Estamos bem, querida, e você? – minha mãe questionou e eu assenti, num gesto positivo, garantindo que tudo estava sob controle.
– Bem, nós precisamos conversar! – soltei logo, eu odiava quando enrolavam para me contar algo. Alguns culpavam minha ansiedade – Não é algo sério, quero dizer, eu espero que vocês não surtem e nem mudem comigo por conta do que tenho a contar. – vi meu pai fazer menção de falar, mas não deixei – Olha, eu tenho pensado nisso há semanas, talvez seja uma fase, talvez não. Mas não estou preocupada com o que vocês vão pensar de mim porque, nesta altura do campeonato, eu estou muito feliz e mesmo que vocês não concordem, não mudarei de ideia. Até porque nós não mandamos no coração. – respirei fundo mais uma, duas, três vezes – Também peço a vocês que não me rotulem como a maioria das pessoas fazem por aí dando “especificações” para as outras. Somos todos seres humanos, certo? Então sem rótulos taxativos. Eu sempre respeitei muito vocês dois e continuo respeitando, claro. Espero também que depois disso vocês não mudem comigo. – engoli em seco – Pai, mãe... Eu estou gostando de uma garota. O nome dela é Madison, ela cursa economia e é maravilhosa... Estou feliz com ela, não temos nenhum relacionamento assumido e eu gostaria de ter contado isso pessoalmente, mas não pude demorar até o recesso de inverno.
Finalmente calei minha boca. O rosto de mamãe estava inexpressivo e seus olhos estavam marejados. Meu pai? Bem, ele me olhava com uma mistura de desaprovação e incredulidade.
Eu até que conseguia compreender meus pais. Afinal, aquilo era tão novo para eles quanto para mim. Eu não esperava uma aprovação deles a curto prazo, queria dar a eles um tempo para processar.
– Bem, eu preciso desligar agora. Preciso estudar para alguns testes e não posso forçá-los a me responder agora... Então benção mãe e pai, fiquem com Deus. Eu amo vocês – acenei lentamente e encerrei a chamada.
Deixei o notebook ligado com as anotações em aberto e peguei um dos cinco livros que eu tinha para ler. Iria fazer aquele resumo naquele momento, até porque precisava ocupar minha mente com algo que não fosse minha vida pessoal ou enlouqueceria.


Final de semana. Sem aulas, sem pessoas chatas da sala me importunando, sem pressão. Fazia mais ou menos uma semana que havia contado aos meus pais e até então não obtivera respostas. Naquele dia, eu não tinha visto Madison e ela não tinha ido atrás de mim também, o que me deixava um pouco mais mexida que o normal. Mas eu realmente deveria me sentir daquela forma?
Afrodite era a deusa do amor, da beleza e do erotismo. Nos tempos de Platão, os gregos davam a ela dois atributos distintos: primeiramente era a Afrodite sublime, do amor supremo e homossexual, a Afrodite Urânia. E depois a do amor comum, que efluía o amor e desejos carnais, a Afrodite Pandemos.
Haveria outra festa naquele sábado e dessa vez era de Halloween. Minha fantasia? Iria de Afrodite. Uma Afrodite 2.0. Cabelos soltos, um pouco cacheados, talvez. Meu vestido seria branco e curto, com transparências o suficiente. Nos olhos eu carregava um degradê que ia de um tom dourado bem claro até o mais escuro, chegando ao preto. O batom era de um tom mais nude e sandálias de salto com tiras prateadas. Ninguém precisava entender minha escolha. Eu sabia e era o suficiente.
Segui para o local da festa. Um galpão fora do campus, um pouco distante, mas o carro estava ali. Assim que cheguei, estacionei próximo, porque uma mulher prevenida é uma mulher prevenida, né?
Entrei por fim. Muita gente, música alta e muita bebida. Caminhei até o bar e pedi um shot de tequila. Se era pra festejar, tinha que ser direito. Só não podia ficar bêbada ou dar PT. Isso não. Virei de uma vez na boca, após o rito do sal e limão.
A música eu não sei o nome, mas a letra era mais ou menos assim:

Do I wanna know?
If this feeling flows both ways
Sad to see you go
Sort of hoping that you'd stay
Baby we both know
That the nights were mainly made for saying things
That you can't say tomorrow day

É claro que na hora eu me lembrei dela. A letra fazia muito sentido quando parei para analisar. Peguei um outro copo de bebida e saí andando, com a finalidade de encontrar alguém conhecido. Não precisei andar muito para ver a cena mais improvável do mundo. Madison estava fantasiada de gladiadora. Eu realmente não esperava aquilo, ela não era de comparecer a festas, ainda mais à fantasia. Porém a imagem mais icônica era ela estar dançando em cima de uma mesa, movendo seu corpo no ritmo da música que parecia nunca terminar.
Mais do que nunca eu desejava aquela mulher. Caminhei a passos lentos até ela, puxando pela mão para que pudesse descer da mesa. Segurei em sua cintura com firmeza e a beijei com desejo e volúpia. Não me importei com quem estava olhando. Esqueci o resto do mundo que estava a nosso redor. Eram apenas eu e ela. Senti suas mãos me tocarem atrás da nuca e sua língua em contato com a minha. Eu não saberia descrever o quanto aquilo durou ou como foi exatamente. Mas eu sabia que queria mais. Eu precisava de muito mais de Maddie.
Ela apanhou minha mão e me tirou dali do meio, carregando-me a um lugar mais reservado, similar a um corredor com duas portas. Uma no final e outra no começo. Sabe-se lá o que faziam ali. De repente, senti minhas costas contra a parede e os lábios dela roçarem nos meus. Suas mãos passeavam em meus braços, como se sua intenção fosse dedilhar a minha pele. O beijo continuava. Suas mãos, em minha cintura, seus lábios desceram para meu pescoço, prendi a respiração. Minha pele estava arrepiada.
– Precisamos sair daqui – ela sussurrou em meu ouvido e quando me viu assentir passou o braço por minha cintura, guiando-me para fora da festa.
Seguimos até meu carro e assim que destravei a porta ela entrou do lado do passageiro e eu do motorista. Senti sua mão firme puxar minha nuca, sua língua passeava por minha boca enquanto minhas mãos estavam à procura de algum lugar fixo para ficar. Achei então suas coxas, um tanto a mostra por conta do comprimento de seu vestido. Apertei aquela região com uma das mãos enquanto a outra segurava seu pescoço.
Acredito que eu estava ludibriada por seu toque. Era delicado e preciso. Era como se ela pudesse ler minha mente e soubesse exatamente o que eu queria e onde queria ser tocada.
Talvez fora por esse motivo que em seguida eu tenha sentido sua mão no interior de minha coxa, dedilhando minha pele vagarosamente com suas carícias. A cada parte que a ponta de seus dedos tocava em minha pele eu sentia uma sensação completamente diferente.
Meu corpo estava reagindo ao seu tato, uma vez que aquilo parecia ser o certo.

(Um mês depois...)

Sabe o que me encantava nos dias frios? Era o fato de poder dormir até mais tarde e não sentir a claridade do dia incomodar as vistas. Além disso, quem não gosta de ficar abraçado com a pessoa que gosta em dias como esses?
Assim que acordei, estava quentinha por causa dos edredons, mas a cama estava vazia. Aliás, o lado que Madison ocupara na noite anterior.
Sentei na cama e senti o ar gelado bater em minhas costas, fazendo subir aquele frio desconfortável na espinha. Ouvi o barulho do chuveiro, chegando à conclusão de que ainda não estava sozinha no recinto.
Sorri enquanto pensava no que Maddie significava para mim. Era muito mais do que a mulher por quem eu sentia atração. Aquilo que tínhamos eram laços que eu mesma não podia compreender.
Meu coração pulsava de uma forma tão forte que naquele momento eu tive a certeza de que Madison deveria ser muito mais pra mim. E aquilo me impulsionou a fazer o inimaginável.
Estávamos “juntas” – por assim dizer – há mais ou menos três meses, o suficiente para termos a certeza do que queríamos. Até porque tive muitas dúvidas quanto aos meus sentimentos por ela. Tive medo de arriscar. Mas agora eu tinha criado uma coragem e me sentia pronta. Iria pedir Madison em namoro.
Ela saiu do banheiro, infelizmente vestida, e se jogou ao meu lado na cama.
– Bom dia! – ela sussurrou antes de me dar um selinho – Quer ir tomar café? Ou quer somente ficar aqui trancafiada o dia todo? – foi seu questionamento.
– Eu quero conversar com você seriamente, Mad! – senti seus olhos pousarem sobre meu rosto com certo ar de preocupação.
– Então vamos lá... Converse – ela se aproximou de mim, deitando sua cabeça em meu colo.
– Eu estive refletindo, sabe? Sobre o que tem acontecido nos últimos meses... Sobre nós, Meddie. E eu acho que estou pronta. Aliás, tenho a plena certeza de que estou pronta e quero saber de você – soltei sem nem respirar direito.
– Ok... – ela assentiu – E o que você quer saber especificamente?
– Madison Stevens, você quer namorar comigo? – foi a minha pergunta final antes de ver o quarto se iluminar com o seu sorriso.

All these years I've been searching
For who I'm supposed to be
All this time I've been wasting
'Cause I was right in front of me
Oh, it's a crooked old tradition
By a masterful magician
But in the all this trouble I've met
I haven't got one single regret, no


FIM



Nota da autora: Nem acredito que – finalmente – consegui terminar isso aqui. Acho que foi um dos meus maiores desafios, tendo em vista que sempre que começo a escrever alguma coisa, eu deixo pela metade. Enfim, isso não vem ao caso.
Essa história pode parecer bobinha, mas tem um significado enorme pra mim e enquanto eu escrevia e conversava com algumas pessoas, percebi que o medo de se relacionar com alguém é real. O medo de ser você mesmo existe porque, infelizmente, vivemos num mundo onde o preconceito é enorme e assustador. Sei que isso aqui não é nada comparado a vida real, mas eu espero de verdade que vocês encontrem a Bella interior de vocês e encontrem uma Madison também. Meus agradecimentos vão para minha melhor amiga que me deu o maior apoio moral para escrever e não quis ler enquanto eu não terminasse de escrever e pra todas as autoras desse Ficstape que me ajudaram muito com as opiniões e afins. E claro, Anny, obrigada pela super paciência. Você merece um chocolate por isso.
Espero que vocês, leitoras, tenham gostado da história. Beijos de borboletas e até uma próxima.

Nota da beta: Eu quero meu chocolate agora mesmo! Tô um pouco carente por não ter uma Madison na minha vida, ajuda aí @deus! 😂 Mas a fic ta uma graça, Lari, parabéns e obrigada por ter participado desse ficstape comigo 💜 Xx-A

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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