Última atualização: 04/11/2017

Capítulo Único

As duas mulheres observavam o casal de amigos dançando lindamente na pista. Todos os olhares estavam focados neles, mas também, como não estariam? A noite era deles e assim como os outros, as duas mulheres estavam felizes com a união de seus amigos. Principalmente , que amava casamentos e sempre se emocionava.
- , está tudo bem? – a voz da mulher ao lado dela perguntou, fazendo a loira tirar seus olhos da pista e encarar a morena.
- Tá sim, , não se preocupe. – ela respondeu, sorrindo para a mulher. – Sabe, eu sempre me emociono eu casamentos, ainda mais sendo o da minha melhor amiga. – concluiu, se referindo a Alícia.
assentiu. Ela estava feliz, mas não com o casamento em si, apenas. A felicidade estampada no rosto de Alicia e Joshua era visível e, como no altar horas atrás, os dois se olhavam apaixonadamente. Apesar de não ir a muitos casamentos por não ser muito fã, ela estava feliz por Alícia que, apesar de não a conhecer há muito tempo, tratava a morena como se ela fosse uma amiga de infância, assim como .
- , vamos dançar? – perguntou após longos minutos enquanto a loira ao seu lado continuava encarando as outras pessoas na pista. estava se cansando de ficar lá sentada.
Ela continuava olhando para , aguardando uma resposta que veio segundos depois.
- Agora não, , não estou com vontade. – respondeu sem tirar os olhos da pista de dança, fazendo bufar e se levantar.
- Vou pegar uma bebida. – disse, saindo de perto da mesa e se dirigindo a ilha onde ficava o bar, no centro do enorme salão.
A morena pediu uma bebida forte, e ficou lá por um tempo até que sentiu a presença se alguém ao seu lado.
- Pensei que estaria na pista, foi no primeiro lugar que te procurei. – virou seu rosto, encarando Alícia. Ally encarou o balcão do barzinho e fez uma careta ao ver vários copinhos de tequila vazios. – Se embebedando no meu casamento, ? Esperava mais de você. – ela brincou, fazendo um coque em seu cabelo castanho que grudava em seu corpo.
riu.
- O que a fez dessa vez? – Alicia perguntou, e pediu ao barman mais uma dose de tequila para ela e .
bufou, se jogando no pequeno banco onde estava sentada.
- Ela tá estranha, só isso.
- sempre tá estranha, isso não é nenhuma surpresa, você sabe. – falou Ally, fazendo concordar e encarar a amiga que bebia. – Mas se, hoje em especial, essa estranheza dela te fez tomar quinze shots de tequila, sugiro que você converse com ela.
- Não sei se ela quer conversar comigo, sabe? Ela tá ocupada demais vendo você e Joshua dançando apaixonadinhos. – respondeu fazendo graça.
- A senhorita por um acaso está com ciúmes, dona Klye? – Ally gargalhou. – Você sabe muito bem que não faz meu tipo.
Por longas horas as duas mulheres ficaram ali conversando e rindo de coisas bobas. Quem passasse ali e não conhecesse as duas, provavelmente diria que eram amigas de longa data, o que não era verdade visto que Alicia e se conheciam há menos de um ano. Tudo havia começado no natal do ano anterior quando, num jantar com Alicia, Josh e outros amigos, apresentou como sua nova namorada.
Aquilo não havia sido um choque para os amigos, já que há cerca de cinco anos se assumira ser bissexual, e o namoro das duas foi recebido com muita alegria pelos amigos.
A relação de e já durava dois anos e, mesmo com todas as brigas e diferenças, elas permaneciam juntas. amava .

A festa durou até as seis da manhã e as garotas, após uma longa despedida, foram embora para o hotel onde estavam hospedadas.
foi direto para o banho assim que entrou no quarto, enquanto a aguardava deitada na cama e pensando na cena que viu enquanto conversava com Alicia horas antes.
- Eu quero montar uma família. – a garota falou assim que ouviu a porta do banheiro se fechar e deitar ao seu lado.
- Como?
virou-se para a namorada que estava com seus longos fios loiros prendidos no alto da cabeça e com um pijama.
- Hoje, quando eu estava no bar com a Ally, eu vi um casal. Eles estavam abraçados na cadeira enquanto assistiam a filha correr entre as pessoas na pista de dança. – a morena falou. - O casal olhava tão lindamente pra garotinha, com tanto amor que eu invejei. – ela continuou. olhava ainda sem entender. – Ai eu imaginei eu e você no lugar deles, vendo nossos garotos correrem, se divertir e, se eles caíssem, nós íamos até lá e com todo nosso amor maternal diríamos que cair faz parte, mas para que eles não ficassem tristes. Diríamos que amávamos eles. Assim, eles nos lançariam sorrisos, diriam que nos amam também e sairiam correndo novamente entre as pessoas e nós ficaríamos lá, sorrindo para eles e pensando no quão sortuda éramos por ter filhos tão lindos. – ela completou, sentindo seus olhos lacrimejarem.
encarava a namorada completamente assustada e sem saber o que dizer. Ela não sabia como reagir.
As lembranças do passado voltaram, fazendo a loira levantar-se da cama rapidamente, pegar seu celular e sair correndo quarto, deixando estática em cima da cama.

A luz forte do sol fez despertar e rolar na cama. Sua cabeça doía muito por causa da bebedeira da madrugada. Ela abriu seus olhos, que demoraram um pouco para se adaptarem com toda a claridade que entrava pela enorme janela do quarto.
A morena se levantou, indo até o banheiro e lavou seu rosto. Encarando seu reflexo ela viu o quanto estava acabada, por isso, resolveu tomar um longo banho. Meia hora depois, saiu de lá renovada e pegou seu celular pela primeira vez naquele dia, e se assustou ao ver a hora. Já se passava das quatro da tarde.
se jogou novamente na confortável cama do hotel, e quando viu o sapato de jogado do outro lado do quarto, lembrou-se do acontecimento de mais cedo. A morena bufou, precisava fazer alguma coisa.
A mulher saiu do quarto e foi ao primeiro lugar que veio em sua mente. Pegou o elevador que a levou ao décimo andar. Segundos depois lá estava ela, no enorme corredor. Andou por lá até encontrar o quarto 1082 e bateu na porta, apreensiva.
- Ela está ai? – perguntou a Alícia, que em segundos abria a porta para a amiga. A garota negou, dizendo que havia saído de lá há cerca de meia hora.
- Mas entra, precisamos conversar. – Ally disse e entrou, se deparando com um quarto quase duas vezes maior que o seu. Roupas estavam espalhadas por lá e o vestido de noiva estava em cima de uma enorme poltrona lindamente.
Após uma bela encarada na suíte principal, sentou-se na cama, um pouco envergonhada.
- O que eu fiz de errado, Alícia? – questionou ela, encarando o chão e sentindo o olhar da amiga, que estava de pé na porta, sobre ela.
Alicia sorriu, indo se sentar ao lado da mulher.
- Pra mim, segundo me disse, você não fez nada de errado e nem pra ela, acredite, mas, tem algumas coisas que aconteceram na vida da que você não sabe. – ela respondeu, pegando a mão de e fazendo-a encarar seus olhos azuis. pode perceber a maquiagem ainda borrada no rosto de Alicia e seus cabelos castanhos, como de costume, estavam presos num rabo de cavalo. Seu olhar, apesar de cansado, exibia um brilho de felicidade.
- Que seria...?
- Se a não te contou, sinto muito, , mas não sou eu quem vai contar. Quando mais nova ela sofreu muito. – Ally respondeu, vendo o olhar de ir para o chão novamente. – Desculpe não te contar, mas eu sou uma das únicas pessoas a quem confiou em contar esse segredo e me fez jurar que nunca diria a ninguém. Não posso simplesmente estragar isso.
assentiu e, apesar de toda a curiosidade, entendeu. Se tinha uma coisa que odiava, era traição, de qualquer tipo que fosse.
- Sempre imaginei que ela compartilharia esse sonho também. Sabe, formar uma família.
Alícia concordou, apertando a mão de .
- Até os quinze anos, ela sonhava. Lembro dela dizer na época do colégio que no futuro quando terminasse sua faculdade, teria um apartamento e moraria sozinha nela com uma criança. sempre imaginou isso, pra falar a verdade. – Ally dizia. – Mas, quando ela tinha dezessete anos, sofreu um trauma muito grande. Acabou deixando se levar e sofreu demais, por anos ela se guardou. Até que você apareceu. – Alicia encarou a amiga que a escutava atentamente. – , você mudou a vida da . Você trouxe luz onde, por muito tempo, predominou a escuridão e eu te agradeço muito. – as duas sorriram. – Mas agora, minha amiga, você quer mais. E eu te entendo. Ah, seu eu pudesse ficar aqui por mais um tempo, eu construiria minha família com Joshua agora mesmo. – Ally falou e lembrou-se que na próxima semana Alicia iria para o Iraque, onde serviria o exército por um ano como cirurgiã geral. - Só que... Não adianta nada só você querer algo mais enquanto a não quer.
soltou a mão da amiga e começou andar pelo espaçoso quarto.
Seus pensamentos estavam a mil, cheio de dúvidas e desejos.
- Você acha que um dia ela vai querer? – a morena perguntou após alguns minutos, parando na janela e observando a bela praia lá fora.

...


bufou e se jogou na cama, sendo acompanhada pelo amigo.
- Deuses, será que eu fiz uma bobagem? – a loira perguntou, virando o rosto para encarar Josh, que negou.
- Tu se assustou, é comum.. Visto o que você passou. – ele disse.
A mulher assentiu.
- É só que.. Isso é novo pra mim, Josh. Nunca imaginei que ela desejava tanto aquilo, nunca havia dito nada a respeito.
- Vai ver ela não sabia que queria tanto aquilo até presenciar. – murmurou o loiro.
- Pode ser. – falou, sentando-se na cama. – Não sei o que fazer, como encará-la.. To me sentindo uma estúpida.
- Você não é uma estúpida, . – Joshua disse, abraçando-a por trás. – Você é humana e está com medo, isso é normal, vai entender.
- E se ela não entender? E se ela desejar tanto uma família a ponto de desistir de mim? Sabe, se isso acontecer, eu não vou culpá-la. – a loira despejou, assustando Josh.
- não vai fazer isso, nunca. Ela te ama, ! – a garota sorriu, virando-se para o amigo e o abraçando.
- Eu estou com medo. – murmurou ela, ainda grudada ao rapaz.
Josh riu.
- Collins com medo, isso é novo pra mim. – falou surpreso. E era verdade, Josh nunca havia visto a amiga daquele jeito, acuada e assustada. Nem mesmo quando ela entrava na sala de cirurgia sentia aquilo. De certa forma, Josh gostou. Era bom ver esse lado de .

...


As horas se passaram. Já era quase sete da noite quando ouviu alguém bater na porta do quarto, assustando ela e Josh, que haviam dormido.
A loira se levantou e foi até a porta, esperando que fosse o serviço de quarto já que ela estava morrendo de fome, mas foi surpreendida ao ver Alícia e do outro lado.
e se encararam, uma parada no corredor e a outra do lado de dentro do quarto, e ficaram ali por o que pareceram horas.
- Hey, vim resgatar meu nam.. ops, marido! – quebrou o silêncio Ally, entrando no quarto e vendo Josh colocando os sapatos. Alícia sorriu e foi até o marido, beijando-o.
Algumas pessoas provavelmente se assustariam ou pensariam horrores ao ver o parceiro dentro do quarto de seu melhor amigo, mas aquela cena era tão comum para os dois casais que eles não se importavam mais. Pra falar a verdade, achavam até engraçado.

Segundos depois os dois saíram do quarto, enquanto isso esperava lá fora.
- Boa sorte. – desejou Ally a morena. sorriu em agradecimento e voltou seu olhar a , que ainda estava com seu vestido do dia anterior.
- Eu esqueci o cartão aqui no quarto. – foi a primeira coisa que conseguiu dizer. – Por isso não voltei antes, não sabia se estava aqui.
assentiu, dando espaço para namorada entrar.
- ...
- ...
As duas falaram juntas e riram em seguida. estava sentada no sofá enquanto a morena estava de pé no centro do quarto.
- Pode falar você primeiro. – falou educadamente. Apesar de seu discurso de pedido de desculpas estar pronto, sua educação falava mais alto.
abaixou sua cabeça, pensando na conversa que teve com Alícia durante a tarde e colocando seus pensamentos e sentimentos em ordem.

- Você acha que um dia ela vai querer? – a morena perguntou após alguns minutos, parando na janela e observando a bela praia lá fora.
- Ela te ama, , não tenha duvidas disso.. – Alícia se levantou e foi até a amiga.
- Mas..
- Mas não crie esperanças. pode ser pediatra, operar crianças, mas tudo o que ela não quer é ter uma.
- , você me ama? – ela perguntou, ainda com a cabeça baixa encarando o chão branco do quarto.
- Claro que te amo. – a resposta foi imediata, automática.
- Então, por que não formar uma família comigo? – perguntou, agora olhando para a loira. – Por que não desejar isso também?
- Somos diferentes, . – levantou-se e caminhou até a namorada. – Eu não sinto vontade nenhuma de ter filhos nem me casar. Ao longo dos anos eu aprendi que isso definitivamente não é pra mim. – ela explicou, enquanto balançava sua cabeça negativamente.
- Nós nem tentamos..
vacilou por um instante e voltou a se sentar na cama.
- Eu já tentei. – ela falou, lembrando-se de acontecimentos de dez anos atrás. Seus olhos lacrimejaram. – E não deu certo.
- As coisas mudam. – murmurou , olhando para os olhos marejados da namorada. – Eu não sei o que você passou, mas tenho certeza que com a gente vai ser diferente. – ela foi até a cama, sentou-se e colocou suas mãos no rosto da namorada que chorava.
negou, sentindo as lágrimas passearem pelo seu rosto.
- Não posso, . – ela tirou as mãos da morena do rosto dela, enquanto encara o olhar confuso de . – Não adianta me forçar, tentar me fazer mudar de opinião, isso não vai rolar.


Then expecting me to change
Tryna fix me up but i’m not broken


- Então o que eu devo fazer? – , agora chorando, questionava. Ela não devia ter dito aquilo a , sentia que algo terrível estava por vir.
- Você deve me deixar.

...


Dois meses haviam se passado.
A vida das duas mulheres continuavam, um término de relacionamento não conseguia fazer aquelas duas pararem, por mais difícil que tivesse sido.
estava em hora do almoço em seu apartamento, que ficava próximo ao hospital onde trabalhava em Los Angeles, quando resolveu checar as correspondências que havia recebido.
Tinham duas, sendo uma de Alícia – que na semana anterior havia desembarcado no Iraque, onde ficaria por um ano e que, sempre que podia, enviava cartas a amiga –, e uma que não havia remetente. estranhou, mas abriu após de olhar fotos do exército que Alícia lhe enviara.
A loira se surpreendeu ao ver quem lhe enviara, já que o nome estava na primeira linha.

“Hey, . Sou eu, .
É muito estranho eu estar escrevendo isso, depois que tudo aconteceu, mas como você não responde minhas mensagens, resolvi mandar-lhe uma carta. Você adora cartas e por ser muito curiosa, definitivamente não ia conseguir viver sem ler essa. Okay, talvez eu esteja exagerando, anyway.
, vim te dizer apenas uma coisa por essa humilde carta: Obrigada. Esse obrigada tem um importante significado, e por mais irônico que seja, eu vou lhe escrever. Sinto que preciso dizer isso a alguém.
Collins, eu lhe agradeço do fundo do meu coração por ter terminado comigo. Você deve estar rindo, e eu também, confesso. E é ótimo rir após passar duas semanas chorando por você.
Mas de verdade, eu te agradeço por ter colocado um fim em nós duas. Por mais lindo que fosse o nosso relacionamento, quando ele acabou eu pude perceber o quanto eu e você estávamos intoxicadas. Ao longo da nossa relação, nós vivíamos uma pela outra, nunca você por você e eu por mim. Alguns podem chamar de amor, mas tanto eu quanto você sempre fomos muito individuais e o nosso relacionamento fez com que deixássemos de ser. Isso foi ruim, ao menos pra mim, nas três primeiras semanas após terminarmos. Creio que havia ficado mal acostumada.
Por isso eu te agradeço. Graças ao nosso fim, eu consegui voltar a ser eu mesma e você também, você voltou a crescer, Collins (SIM, EU VI SUA INDICAÇÃO AO HARPER AVERY, PARABÉNS!!).Eu estou tão feliz por você!
E aqui estou eu, sentada na varanda observando a praia, gargalhando novamente. Mas agora é porque eu nunca imaginei que estaria escrevendo isso pra você. Eu pensei que ficaríamos juntas para sempre, visto que na minha concepção nós éramos almas gêmeas.
Talvez somos em outra vida.
Eu te amo, . Sempre vou te amar e espero que você me ame para sempre também. Eu te desejo muita luz na sua vida, não deixe as sombras voltarem, está bem?

PS: Eu consegui, ! EU TO GRÁVIDA!
Com amor, Klye.”


Ao terminar de ler, abriu um sorriso. Um sorriso enorme, como se tivesse recebido a melhor notícia de sua vida.
Olhou para o relógio, vendo que já se passava das trezes horas. Ela estava atrasada. Pegou seu jaleco que estava no banco do balcão e saiu do apartamento, levando consigo a carta de .


Fim.



Nota da autora: Olá galera! Tudo bem?
Bom gente, é com essa fanfic que eu estreio no mundo dos ficstapes e confesso que estou um pouco nervosa, talvez muito hahaha!
Anyway, espero que vocês tenham gostado dessa obra, foi a primeira que eu escrevi envolvendo um casal lésbico. Então, por favor, qualquer coisa, comentem, tá bem? Isso é muito importante.
PS: Não sou boa com datas mas, se eu não estou enganada, ainda nesse mês vai entrar o ficstape da Dua Lipa aqui no site e adivinhem: VAI TER SPINN-OFF DA ALLY E JOSH <3

Surtos e nervosismo a parte, obrigada por lerem até aqui. Não se esqueçam se comentar e, até a próxima!!



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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