Postada: 13/07/2017

“New York surprise me...”



O pocket show tinha terminado há pouco e todos já estavam do lado de fora, e enquanto Larry distribuía as long necks de cerveja eles decidiam o que fazer depois, já que voltar para o hotel e dormir nunca seria uma opção. Não quando se está pela primeira vez em Nova York, divulgando seu primeiro EP de trabalho, no vigor dos vinte e poucos anos.
Stuart, manager e amigo de longa data dos rapazes, colocava os equipamentos menores no carro com a ajuda de Phil no momento em que algumas pessoas chegavam ao redor deles para cumprimentá-los pelo show. Animados, eles começaram a atender um por um, conversando e posando para fotos. Um grupo chegou logo depois, acompanhado pelo gerente da casa de show, que prontamente as apresentou para os músicos. Assim que viu a cara dos mais novos para as três jovens mulheres, Stuart riu, chamando atenção de Phil.
– Vai ser difícil ser um cara comprometido nos próximos dias, cara. – ele continuou rindo, fazendo o outro o acompanhar enquanto colocava a última caixa no bagageiro – Vai cumprimentar seus fãs. – apontou com a cabeça, abrindo a própria cerveja.
Phil se aproximou e logo estava enturmado entre o pequeno grupo de pessoas que estava curioso sobre a banda, seus próximos trabalhos e estado civil dos membros. Larry e Andrew eram os mais animados. Phillip e tentavam deixar o assunto no campo profissional, mas aquilo parecia impossível. Era impossível também não sentir certa adrenalina com a situação. Não que não tivessem algo parecido com aquilo em Leeds ou Londres, ou qualquer cidade que já tinham visitado no Reino Unido, mas estavam na América, e estavam sendo elogiados, bajulados e recebendo convites de pessoas que tinham acabado de ouvir meia dúzia de músicas suas.
Era meio insano até e teve vontade de rir ao ver a cara de Phillip quando uma das mulheres apresentadas pelo gerente do lugar, que tinha enormes box braids em degradê do preto ao cinza, colocou a mão em seu ombro e se ofereceu para levá-los a uma festa naquela noite.
– Podemos acompanhar vocês hoje? – ela sorriu amigavelmente, ao que pousava a mão sobre o ombro do baixista – Conhecemos um lugar com uma boa festa essa noite.
Phillip sorriu um pouco nervoso, ao que Larry e Andrew concordaram prontamente, dizendo que eles estavam mesmo discutindo para onde iam. se limitou a concordar brevemente, observando de canto de olho que uma das mulheres o observava mais atentamente e não parecia se importar em esconder. As outras pessoas foram se despedindo aos poucos, pois foi como se as três lindas mulheres tivessem tomado completamente a atenção dos músicos.
– Como é a primeira vez de vocês em NYC existem alguns lugares que vocês não podem passar direto – a ruiva, incrivelmente alta, falou – A gente pode levar vocês.
– Claro! – Larry se adiantou em responder – Acho que temos lugar na van, se vocês não se importarem em ficarem um pouco apertadas...
Ele começou, fazendo Phillip rir pela falta de jeito dele, especialmente por ele parecer tão afobado. Elas riram, e a loira entre elas, com cabelos lisos e compridos, falou, ainda sem tirar os olhos de .
– Não precisa! – ela sorriu – Estamos de carro. Podemos ir na frente e vocês nos seguem, que tal? – ela então olhou para os outros, recebendo resposta positiva.
Stuart os chamou brevemente, combinando com eles alguns detalhes do dia seguinte, tentando fazê-los não se acabarem antes do fim da tour, e as meninas se afastaram até o carro em que estavam.
Estava perto das uma da madrugada quando eles se espalharam pelo local quente e com pouca iluminação que pareceria um pub se não fosse pela pista de dança. Notion , do Kings Of Leon tocava e no caminho para o bar as três mulheres apresentaram os britânicos ao grupo que já as esperava, em uma mesa cheia de bebidas.
Não demorou muito para que as iniciais formalidades fossem deixadas de lado e os interesses, alguns deles já perceptíveis desde a apresentação mais cedo, formassem pares ao redor da mesa. Phillip, no entanto, se esquivou o máximo que pode e, enquanto não estava no celular enchendo Leslie de mensagens, conversava com o casal de rapazes que também estava na mesa, e que riam dele, mas o encorajavam a ser um bom namorado e permanecer quieto.
não conseguiu se esquivar, e em uma rápida reflexão percebeu que sequer tinha motivo para isso. Toda a merda que acontecera em Leeds antes que ele viesse precisava ficar lá, junto com ela e sua imaturidade irritante.
– Eu devo presumir que você é o the quiet one e profundo, que diz que se expressa melhor escrevendo músicas? – a loira o olhou divertida e apoiou o queixo em uma das mãos, aproximando-se mais dele.
riu e tomou um gole da cerveja antes de se aproximar mais também.
– Falando assim parece meio entediante e pedante, mas acho que me encaixo nessa descrição – riu fracamente, pegando da mesa um cigarro com o isqueiro e virou a cabeça para o lado para acendê-lo.
– Esses costumam serem meus preferidos... – ela continuou o olhando de perto e estendendo uma das mãos para pedir o cigarro – Posso? – o músico prontamente entregou, enquanto virava para o lado para expelir a fumaça – Acho que escolhi certo... – ela voltou ao assunto anterior antes de tragar.
– Escolheu? – com uma sobrancelha arqueada, e achando divertido como ela era sincera, ele perguntou.
– Tiara e Felicity tiveram apenas que acatar quando eu apontei para você no palco e disse: esse é meu. – ela falou pausadamente, e se sua intenção era parecer extremamente atraente, ela havia conseguido com sucesso – Não fomos atrás de vocês no final do show por acaso.
gargalhou. Era divertido como ela era completamente direta. Ele gostava demais daquilo.
– Espero corresponder suas expectativas... – ele se interrompeu incapaz de lembrar o nome dela.
– Emily – ela se adiantou para dizer, sorrindo antes de deslizar até encostar sua coxa na dele e puxar seu rosto para perto e beijá-lo como queria fazer desde que o vira no palco mais cedo.
estava pronto assim que ela deslizou seus dedos compridos por seus cabelos, o envolvendo completamente em sua atmosfera atraente. Ele estava prestes a aprofundar ainda mais o beijo quando ela separou suas bocas ao ouvir a intro de Reptilia .
– Eu não sei passar por essa sem dançar – ela explicou, sorrindo, antes de levantar e virar o corpo de para frente, para que se encaixasse entre suas pernas enquanto curtia música. No segundo seguinte ela começou a cantar com Casablancas.
O local todo tinha se animado com a escolha da música, mas nem conseguiu olhar ao redor depois que Emily começou a cantar e movimentar os braços para cima. Era definitivamente uma das melhores visões que ele já teve e ela parecia saber disso, pois cantava olhando para ele e deixando suas pernas roçarem a todo o momento.
Yoooooou're no longer laughing… I'm not drowning fast enooooooooough…
Inclinando-se sobre ele, Emily cantou a música e pegou o cigarro entre seus dedos, levando até seus lábios pintados de vermelho, tragando assim que o solo começou. Ela jogou a cabeça para trás, completamente imersa na atmosfera que a música criara e movimentando-se de acordo com a guitarra. Assim que o solo acabou ela tragou o cigarro novamente, abaixando-se para soltar a fumaça lentamente na boca de , unindo seus lábios em um beijo logo depois.
Sem poder se conter, ele a segurou pela cintura e a impediu de se afastar, beijando-a imediatamente. Sorrindo sobre sua boca, Emily apertou-se a ele, deixou que começasse a criar em sua mente o quão maravilhosa seria a noite que teriam pela frente.

“And Emily just phoned for me to smoke with her
And on her furniture
Discuss how love has been”



resmungou assim que acordou e se remexeu na cama. Sua cabeça pesava e sua garganta ardia como um inferno. Revirou na cama até ficar atravessado e com a cabeça para fora do colchão, esperando que daquela forma a dor fosse se dissipar um pouco. Tomou um susto ao abrir os olhos naquela posição e encontrar Larry deitado no carpete, dormindo abraçado a um travesseiro. Perguntou-se por um momento o porquê dele não estar em sua cama no quarto ao lado, mas deixou pra lá por preferir a mente vazia.
Ainda resmungando, resolveu despertar de uma vez. Sentou-se com as costas apoiadas na cabeceira da cama e tirou a calça jeans, irritando-se por ter dormido com aquilo. Alcançou o celular e coçando os olhos ativou a rede, observando as notificações piscarem na tela, uma após a outra. Viu as mensagens de sua mãe primeiro e prometeu ligar mais tarde. Em seguida abriu a conversa com Emily. A norte-americana vinha sendo sua companhia desde a noite em que se conheceram, mas ele estranhou sua mensagem naquela manhã. Era apenas um “Você está melhor? Fiquei preocupada.”. olhou para o próprio corpo a procura de algum hematoma, mas ele estava perfeitamente bem, exceto pela ressaca. Respondeu para ela que estava bem e rindo pelo estranhamento, andou até a cozinha.
– Bom dia – murmurou para Phillip e Stuart que já estavam no pequeno cômodo, comendo silenciosamente.
Eles responderam e o mais velho empurrou as caixas de leite e cereal em sua direção assim que ele se sentou.
– Tá melhor, cara?
riu brevemente, despejando leite na tigela à sua frente.
– Por que estão me perguntando isso? Por acaso eu vomitei nos meus próprios pés ontem e não lembro?
Phillip o olhou como se estivesse analisando o amigo, para saber se ele realmente havia esquecido o incidente da noite anterior ou se estava fingindo esquecer para não ter que tocar no assunto.
– Você deu vexame na festa de ontem, – Stuart começou – Puxou briga com um cara enorme por um motivo que ninguém entendeu direito.
– Além de ter bebido feito um desgraçado. Você tava puto com...
então balançou a cabeça afirmativamente, lembrando. Ele ainda não lembrava completamente da briga, mas lembrava do motivo que o fez agir como um idiota. , como sempre.
– Eu falei alguma merda pra Emily?
A garota foi a primeira coisa que passou pela sua cabeça em seguida. Emily vinha sendo incrível com ele, e a ideia de ofendê-la ou fazer qualquer coisa do tipo o irritava profundamente.
– Não que eu tenha visto, mas ela ficou preocupada. Você tava ridículo. – Phil concluiu, fazendo-o rir amargamente – E sobre o que você ouviu ontem, a Leslie-
– Não importa, Phil – ele sorriu, colocando mais uma colherada de cereal na boca – Realmente não importa.
Ele queria que não importasse, então preferiu não falar mais no assunto.
No minuto seguinte seu celular começou a tocar e ele se sentiu envergonhado ao ler o nome de Emily na tela. Caminhou para a varanda na sala ao atender.
– Hey, bom dia! – tentou parecer animado, mas só soou desconcertado.
– Oi . Tudo bem? – do outro lado da linha, a mulher mordeu a pontinha das unhas enquanto esperava a resposta.
estava completamente descontrolado na noite anterior e não parecia em nada com o rapaz que ela conhecera há uma semana. Tudo bem que uma semana não é suficiente para se conhecer alguém de verdade, mas ele não lhe parecia o tipo de cara problemático. Só parecia ter um problema a resolver e Emily estava curiosa quanto a isso.
– Eu estou bem, sério. – passou a mão pelos cabelos, pensando em como explicar – Sobre ontem eu... Não sei nem o que dizer. – ele riu – Desculpe pelo vexame. Fiz algo de errado com você? – perguntou cauteloso e carinhoso.
– Não passou nem perto disso, relaxa – ela sorriu pela preocupação – Seus amigos não deixaram você vir comigo por causa do seu estado e você ficou puto com isso, mas acredito que tenha sido melhor...
– Eu só ia te dar trabalho. – riu, concluindo.
– Você está livre hoje, né? Quer vir pra cá?
ponderou se era uma boa ideia, ele achava que ainda não seria uma boa companhia. Percebendo sua hesitação, Emily argumentou.
– A gente não precisa extrapolar em nada. Tiara e Felicity não estão em casa. A gente pode só comer alguma coisa, fumar na varanda... – ela sorriu ao ouvi-lo rir do outro lado da linha – E então? Quero te ajudar a relaxar.
O tom carinhoso que ela usou não deixou que ele recusasse e em cerca de uma hora estava em sua porta com sacolinhas de um restaurante chinês nas mãos.
Emily sorriu ao vê-lo e riu ao notar sua feição envergonhada. Puxou-o pela mão para dentro e beijou seu rosto brevemente, sendo abraçada por ele. Ela pensava que tinha sorte de que ele estaria fora de Nova York em poucos dias ou corria sério risco de se apaixonar. tinha aquela beleza pouco convencional, que parecia mais charme do que qualquer outra coisa, além de toda aquela vibe de integrante de banda de indie rock que era seu fraco. O jeitinho de bom moço, no entanto, era seu trunfo com ela.
entregou as caixinhas de comida e ficou observando-a ir até a cozinha despejar tudo em tigelinhas coloridas para que pudessem comer. Bad Decisions tocava baixinho no notebook que estava na mesinha de centro e ele olhou ao redor, prestando atenção na decoração legal que o apartamento das meninas tinha. Era bem... Artístico, na opinião dele.
Cantarolando a música, Emily trouxe a comida e a arrumou na mesinha, colocando o notebook na poltrona ao lado, e sentou ao lado dele no sofá maior.
– Você prefere coca-cola ou eu deveria pegar um dos sucos detox da Felicity pra você? – ela sorriu divertida, voltando para a cozinha e abrindo a geladeira.
– Prefiro a coca – sorriu de volta, pegando uma das tigelas para começar a comer.
Logo Emily voltou e deixou dois grandes copos da bebida com gelo na mesa e sentou-se ao lado dele para comer.
– Vocês têm muitos quadros de pinturas aqui. – começou uma conversa, olhando ao redor novamente – Quer dizer, acho que são pinturas, né? Não entendo muito de arte. – ele riu.
– Alguns são. – ela respondeu aconchegando-se melhor no sofá – Todas nós trabalhamos com algum campo artístico, então acontece.
Ela deu de ombros e lembrou dela ter contado sobre trabalhar com design. Emily havia começado a faculdade de História da Arte, mas largou a graduação no meio para começar o próprio negócio.
– Esse aqui é incrível! – ele apontou com o hashi para um quadro com desenhos de várias máscaras africanas em cores vibrantes.
– Esse é um desenho da Tiara. Incrível, né? – ela sorriu, tomando um pouco de refrigerante – Ela trabalha com gravuras da diáspora africana e seus desenhos quase sempre refletem essa realidade. Ela é muito talentosa.
O rapaz assentiu, mastigando a comida e voltando a olhar para ela.
– E Felicity?
– Ah, ela é um pouco mais sofisticada – riu – Ela estuda para ser design de jóias na joalheria da família.
surpreendeu-se, mas por um lado percebeu que aquele trabalho combinava muito com a ruiva. Ela era muito elegante e ele não sabia o que diabos ela tinha visto em Andrew. Ele ainda ia comentar alguma coisa sobre as garotas, mas desistiu assim que ouviu mais atentamente a música que tocava. Não conhecia, mas gostou muito.
– Ei, que música é essa? – ajeitou-se no sofá, olhando para o notebook tentando ler o nome.
– Você não conhece The Struts? – Emily se surpreendeu – Porra, os caras são seus conterrâneos! E são incríveis! Luke Spiller é até minha tela de bloqueio! – rindo, ela mostrou no celular a foto de um cara de cabelos compridos e maquiagem pesada.
– Esse nome não me é estranho, mas nunca ouvi essa música, ou me lembraria.
– Chama Mary Go Round e é minha preferida deles. Você precisa ouvir o álbum todo! Queria tanto que eles viessem pra cá logo!
riu do bico que ela fez, achando completamente adorável, mas atraente também.
– Pra você conquistá-lo também, imagino. – ele brincou, rindo.
– Seria um sonho! – ela riu também – Mas ele namora uma modelo linda e eu não me meto em relacionamento alheio.
– Garota esperta! – ele sorriu – Melhor fugir dos problemas.
Ele terminou de comer em silêncio e Emily pensou se deveria tocar no assunto da noite anterior. Não queria chateá-lo, mas estava curiosa.
– Você parece melhor hoje – ela deixou escapar, percebendo que ele baixou a cabeça, voltando a parecer envergonhado – Quer me contar o que houve ontem?
Ela deixou sua tigela de lado e ele logo fez o mesmo, tomando mais um gole da coca.
– Nem eu me lembro direito – ele riu fraco, mentindo – Só exagerei na bebida e agi como um estúpido. No geral isso não acontece, mas acho que misturei coisas demais. – ele coçou a nuca, percebendo que ela o observava atentamente – Tem certeza que não disse nenhuma merda pra você?
Emily riu e se inclinou para deixar um beijo leve em seus lábios. Encostou a cabeça no sofá e olhou para ele ternamente.
– Já disse que não. Você só disse que eu era melhor que alguém e apesar de eu não gostar de receber elogios que diminuem outra mulher, isso passou longe de ser uma ofensa. E você só parecia confuso demais.
se xingou mentalmente por ter falado de para ela. Não tinha nada que meter Emily naquele assunto.
– Você deixou alguém em Leeds. – ela concluiu – E pelo visto foi algo não resolvido.
O músico se mexeu desconfortável no sofá. Queria esquecer aquele assunto, mas ficava irritado só de pensar na noite anterior e a forma como Emily o olhava o fazia ter vontade de desabafar.
– Se você quiser me contar... – ela começou, aproximando-se mais dele e pousando uma das mãos em sua coxa, fazendo carinho ali com os dedos – Talvez desabafar com alguém de fora possa ajudar.
riu sem jeito.
– Não vai parecer estranho eu falar de outra mulher pra você? Sério, Emily, não quero te aborrecer com isso.
– Você não vai. – ela riu – Vem aqui.
A mulher levantou e o puxou pela mão até a varanda. Pegou a carteira de cigarros e o isqueiro na cozinha e se sentou em uma das cadeiras que estavam ali. A varanda os dava uma bela vista da cidade, junto com uma brisa fresca gostosa daquele início de tarde. se sentou em seguida. Emily acendeu o próprio cigarro e entregou a carteira e o isqueiro para ele fizesse o mesmo.
Ele ainda olhou as fumaças se misturarem no ar antes de soltar um suspiro e pensar em como começar a falar. A situação era estranha, mas Emily lhe dava certa sensação de conforto e relaxamento. Era incrível estar com ela, mesmo que ele soubesse que no final dos dias os seus pensamentos eram sempre voltados para outra pessoa, mesmo que ele fingisse que não.
– Ontem, antes da gente se encontrar, o Phil estava conversando com a Leslie pelo Facetime. Eu tava no quarto ao lado, mas como as portas estavam abertas eu consegui ouvir ela perguntar por mim e como eu estava. – ele riu amargamente e tragou o cigarro uma vez antes de voltar a contar – Phillip falou algumas besteiras e perguntou como minha ex-namorada estava. Com um pensamento infantil eu quis que Leslie dissesse as mesmas coisas que o Phil disse sobre mim, que eu parecia ter superado, mas que ainda pensava nela mais do que gostaria de admitir.
– Mas ela não disse.
Emily concluiu, olhando compreensiva para o rapaz. Ele assentiu.
– Aparentemente ela está ótima. Ela trabalha como DJ em Leeds, tá começando ainda, mas tem chamado atenção na cidade. O trabalho sempre foi mais importante pra ela então aparentemente eu estar longe e não estarmos mais juntos não é e nunca foi um problema.
– Você ficou puto porque ainda gosta dela.
A careta de a fez rir e esticar o braço para segurar a mão dele, entrelaçando à sua.
– Não acredito que estamos falando sobre isso.
Emily ignorou o comentário e voltou a perguntar.
– Por que vocês terminaram?
Olhando para a rua abaixo, as pessoas e os carros, ele começou a contar.
– Acho que nunca fomos compatíveis. Achei que a gente teria tudo a ver por causa dos nossos trabalhos, nosso amor pela música, mas ela nunca esteve cem por cento no nosso relacionamento. – ele desabafou, expelindo a fumaça lentamente.
– E como você sabe disso?
voltou a rir amargamente. Em seguida ele começou a contar sobre como queria consolidar o namoro, levar para conhecer sua família para além de sua mãe, como queria que ela estivesse com ele nos momentos importantes para a banda e que pudessem encontrar, juntos, uma forma de se amarem para além das vidas agitadas que tinham. Emily entendeu tudo antes mesmo que ele terminasse de contar, e apesar de perceber que tinha sim sua parcela de culpa pelo relacionamento ter dado errado, não conseguiu não achar adorável como ele era mais sentimental do que parecia.
– Eu tenho uma pergunta – disse assim que ele se calou. balançou a cabeça afirmamente para que ele prosseguisse enquanto acendia mais um cigarro – Ela já não era exatamente desse jeito que você descreveu quando se conheceram?
riu, percebendo onde ela queria chegar.
– Pior que era. E você vai dizer que eu deveria esperar tudo isso.
– Não exatamente tudo isso. – ela começou – O jeito como ela agiu esquivando de uma solução não ajudou vocês em nada, obviamente, mas , você esperava que ela se tornasse uma namoradinha apaixonada que fosse seguir você pra todos os lugares?
Ele fez uma careta. Ele não queria isso, mas talvez tivesse agido como se quisesse, mas talvez também, lá no fundo, ele quisesse sim.
– Da mesma forma que algumas mulheres insistem em achar que podem mudar hábitos horríveis dos homens pelos quais se apaixonam, suas atitudes machistas e tudo mais, vocês acham que podem transformar a gente em suas fantasias de mulher perfeita. – ela riu, balançando a cabeça negativamente – O pior é que essas fantasias às vezes são totalmente contraditórias. Foi por essa mulher explosiva que você se apaixonou, como diabos você queria que ela mudasse depois? Sinceramente, me parece mais uma da velha estória de Tom e Summer. O cara fica puto por causa de uma coisa que a mulher nunca disse que ia dar pra ele!
riu também, olhando para ela, que lhe olhava de uma maneira divertida, como se o achasse ingênuo.
– Você está certa. Eu fui um idiota, não fui?
– Sim, você foi. – ela riu mais ainda – Mas ela também. Inclusive ela me parece alguém um tanto insegura com sentimentos. – ela divagou, pendendo a cabeça para um lado – Eu posso estar errada, mas por que ela recusaria estreitar os laços de vocês se não fosse por isso? Se for esse o caso, não é que ela não ligue pra você e ligue mais pro trabalho de DJ, mas ser DJ é mais fácil que ser uma mulher apaixonada.
– Uau! – riu, olhando para ela admirado, apertando sua mão com a sua – Você é boa nisso!
Emily riu, levantando-se e indo até a cozinha.
– Eu sou muito boa em ler as pessoas. Isso me ajuda em não me meter em roubadas. – falou enquanto voltava com das latinhas de cerveja.
– Talvez você devesse me ensinar um pouco disso. – ele brincou, pegando a cerveja e abrindo para um gole.
– Não ia dar certo com você. – Emily estreitou os olhos – Como quase todos os músicos, você é muito mais coração que cabeça, .
– Talvez por isso eu tenha pirado ontem.
– Você ainda gosta dela.
Emily sorriu, aproximando sua cadeira da dele e esticou uma das mãos para arrumar o cabelo bagunçado dele.
– Espero que vocês se resolvam em Leeds, mas se eu posso te dar um conselho... – ela pausou, esperando ele assentir e sorrir de volta – Se os problemas voltarem a serem maiores que os momentos que satisfação, cai fora. Vai ser melhor pra você e pra ela.
– Eu vou me lembrar disso. – ele sorriu, levantando uma das mãos para afastar uma mecha do cabelo loiro escuro dela – Obrigado. Você é incrível. Provavelmente a melhor coisa que Nova York me proporcionou.
Emily sorriu, achando bonitinho como ele sempre tinha bons modos para elogiá-la.
– Acho que agora a gente pode esquecer esse assunto um pouquinho. – ela mordeu o lábio inferior, já sentindo falta de beijá-lo.
– Por favor! – implorou exageradamente, fazendo-a rir.
Emily levantou e foi até a sala, aumentando o volume da caixinha do computador, que tocava Itch , de Nothing but Thieves. Na volta, ela deixou a latinha de cerveja de lado e se sentou no colo de , subindo um pouco o tecido de seu vestido leve e solto, deixando o espaço livre para que ele a tocasse. Passou as mãos pelos cabelos dele e sorriu, vendo-o fazer o mesmo.
– Eu tinha planos incríveis pra ontem, mas você resolveu me atrapalhar – ela fez bico, falsamente chateada – Mas não é nada que não possamos fazer agora.
riu, beijando seu pescoço lentamente.
– Já disse que você é incrível hoje?
Emily riu.
– Já. E eu sei disso. Mas você pode dizer mais vezes, eu não me importo.
Ela respondeu sorrindo, antes de beijá-lo e fazê-lo esquecer qualquer preocupação ou aborrecimento. Os problemas de Leeds ele resolveria em Leeds. Em New York, Emily era a solução de tudo.

Fim.



Nota da autora: Eu tô estudando muito pra ser a Emily, e vocês?
Foi muito divertido escrever essa fic curtinha e muito engraçado como ela espontaneamente surgiu enquanto eu escrevia 11. Outside. Como eu disse na outra nota, as letras do Van são uma historinha pronta! <3
Escrever pra esse ficstape me deixou com uma saudade enorme do show da banda no Lolla desse ano! Torçam junto comigo para que eles voltem logo! :’)
E quem ainda não ouviu, por favor, não percam mais tempo! Espero que vocês tenham gostado das musiquinhas que deixei no meio da fic ;)
Obrigada por lerem e dêem muito amor às outras fics que surgiram desse álbum maravilhoso!
xx
Thainá M.

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Nota da Beta: Ah, minha meta é ser a Emily, que mulher maravilhosa! E que trilha sonora igualmente maravilhosa você nos deu ao longo dessa short, Thai, muito obrigada. Achei uma delícia essas fics e seria muito legal ter uma long da Emily viu, fica a super dica aí.
Quero ver todo mundo espalhando amor aqui embaixo nos comentários e lendo as outras fics desse lindo ficstape. Xx-A




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