CAPÍTULOS: [Único]







Capítulo Único


Your little hand's wrapped around my finger
And it's so quiet in the world tonight
Your little eyelids flutter cause you're dreaming
So I tuck you in, turn on your favorite night light
To you everything's funny, you got nothing to regret
I'd give all I have, honey
If you could stay like that


13 de março de 1980, Hospital George , Londres, Inglaterra


Gisele segura o bebê com o maior cuidado, pensando que qualquer mínimo movimento mal executado pode quebrá–lo. Na verdade, é possível. Sua vida é outra agora. Ela não vive mais apenas para si mesma. Agora ela deve e precisa zelar pelo bem de uma pessoa frágil e indefesa que dependerá vinte quatro horas por dia dela. Não significa que ela não cuide dos outros. Na verdade, como médica, seu papel é exatamente aquele; procurar o bem do próximo.
aperta o dedo da mãe com toda a força que seu pequeno corpo lhe permite. É pequeno e indefeso; enquanto a mãe sustenta todo o seu corpo apenas com um braço, sua mão mal se fecha ao redor de um dedo dela.
Peter faz alguma cirurgia de alto risco no momento em andares acima. O maior hospital da Inglaterra é de posse da família , mas isso não é um empecilho para seu dono deixar de fazer aquilo que gosta; salvar vidas. Senhora Adams está deitada na mesa a sua frente. O pulsar de seu coração depende do sucesso da cirurgia, ou da anestesia. Ninguém quer que uma paciente tenha um choque anafilático.
Ele não sabe que o filho nasceu há minutos atrás.
Nem mesmo Gisele sabe dizer se aquilo era bom ou não. A partir do momento em que deitaram seu filho nos seus braços logo após nascer, ela soube que dali para frente era apenas ela e ele. e Gisele.
Peter e Gisele há tempos já não existe, mas ninguém entende ou sabe explicar o porquê.
Mas a resposta é a medicina.
O hospital.
A prioridade de sua vida se tornou outra desde o último ano no falecimento do pai, que deixou o maior bem da família para o único herdeiro.
O Hospital George - nome de seu fundador, bisavô de , avô de Peter - é o filho frágil cujo Peter deve e cuida.
Gisele precisa apenas de coragem para começar uma vida nova com seu filho.
Giane, sua irmã, atravessa a porta do apartamento em que Gisele e seu sobrinho estão. Sua maior vontade é livrá-la de Peter. Há coisas que ela sabe ao seu respeito mas não pode dizer, mas para ela, já ver a tortura psicológica que a irmã sofre nas mãos dele é o suficiente para que Gisele dê um grito. Ela não deve jamais deixar homem algum daquele jeito.
Giane já cansou de incentiva-la a seguir sua própria vida independente de Peter, mas de alguma forma, a irmã continua submissa a ele.
O que lhe resta fazer é dar as boas vindas ao recém-nascido e torcer para que um dia a irmã volte com ele para casa.
Para o Brasil.


23 de dezembro de 1982, Aeroporto de Heathrow, Londres, Inglaterra.

Gisele precisa se equilibrar em diversas funções. Puxar uma única mala de vinte e três quilos - contados, que leva apenas o necessário para os dois até se estabilizarem na nova casa. A bolsa que guarda todos os documentos está pesada, o ombro de Gisele dói, mas não há nada que ela possa fazer para reduzir o peso, a não ser colocar o filho de dois anos no chão e segurá-lo apenas pela sua pequena e escorregadia mão.
Ela corre contra o tempo.
Ela corre contra Peter.
Ela jura que o aeroporto de Heathrow nunca esteve tão cheio antes.
Ela corre se desviando de várias pessoas, pois sabe que em questão de minutos Peter estará ali para impedi-los de ir.
Quando finalmente chega à British Airways para despachar a mala, é surpreendida por uma fila quilométrica, que ia além da área reservada para tal.
O pequeno lhe cutuca na altura do joelho e aponta para uma menina tão pequena quanto ele, que acena dando um tchau. O olhar de Gisele segue para o local onde o filho aponta e é pega de surpresa.
Como não se lembrou da fila prioritária?
Impacientemente ela fica no guichê, esperando a atendente colocar o adesivo do destino na mala. Assina os papéis tremendo. Tem que se preocupar com uma criança de dois anos - que às vezes pode ser bastante inquieta -, com o tempo e principalmente, com Peter.
A moça finalmente lhe entrega duas passagens. A mala segue pela esteira até se perder de vista, para ser levada ao avião.
Gisele recoloca a bolsa no ombro mais uma vez. Ficou praticamente quinze minutos na fila, e aquilo pode lhe custar a liberdade.
não entende nada. Apenas segura a mão da mãe quando esta a estende em sua direção. Suas pernas estão cansadas de correr, mas a médica está com a cabeça a mil, preocupada com diversas coisas para se lembrar de carregá-lo.
Finalmente alcançam o embarque. O portão cujo o voo deles partirá é o mais movimentado. Entretanto, é salva mais uma vez para entrar na sala de embarque pela fila prioritária, sempre menor do que a normal.
Mesmo sendo uma fila mais rápida, há várias pessoas em sua frente. Ela aproveita para pegar os documentos de identificação dos dois em sua bolsa. Entrega as passagens para o pequeno e pede para segurá-las por um instante. Na bagunça de sua bolsa, é praticamente impossível encontrar o que precisa. Quando finalmente o faz, já é a décima na fila. Fecha a bolsa e quando se vira para pegar as passagens com o filho, escuta o que mais temeu.
— Gisele! — em meio ao barulho causado pelas vozes dos outros passageiros, ela ainda consegue reconhecer a voz de Peter.
Sua reação é instantânea e automática. Seu corpo gela, mas ela não pode se dar o luxo de ficar ali paralisada. Rápida como uma águia, ela analisa o ambiente e encontra Peter apenas a alguns metros de distância. Ela aperta ainda mais ao corpo tudo que está segurando e sai correndo puxando o filho. Ela fura a fila, mas não se importa. Ela finalmente está livre.
A mão de escorrega da sua, pois ele tropeça no pé de alguém. Gisele volta e se abaixa para pega-lo ligeiramente, pois cada segundo é precioso. Peter continua chamando pelo nome da esposa - em breve ex-, mas ela não se atreve a olhar. Todos da fila reclamam, mas preferem não intrometer. Com o filho no colo, passagens e documentos na mão, Gisele lança um olhar piedoso ao rapaz que confere as passagens, e de alguma forma ele entende o medo estampado no rosto dela.
Já na segurança da sala de embarque, ela escuta Peter chamá-la pela última vez.
— Papai! — grita e acena, inocentemente se despedindo. Peter soca o vidro que o separa da família, e logo em seguida Gisele o dá as costas.
Está livre.
— Agora somos apenas eu e você, . — ela sussurra e beija o topo da cabeça do filho., que se agarra ao seu pescoço. — estamos livres da garra do monstro. — conclui, e com isso ela sai em busca do seu portão de embarque dentro da enorme sala.
O mundo é enorme, problemas são inevitáveis. Ela só quer privar o filho de todos aqueles que ela conseguir barrar.
Quando chegassem ao Brasil, ela estaria oficialmente e psicologicamente divorciada.

Oh darling, don't you ever grow up
Don't you ever grow up, just stay this little
Oh darling, don't you ever grow up
Don't you ever grow up, it could stay this simple
I won't let nobody hurt you, won't let no one break your heart
And no one will desert you
Just try to never grow up, never grow up


14 de abril de 1986, Maternidade Santa Fé, Belo Horizonte, Brasil.


? — Giane chamou o sobrinho, que estava receoso em entrar no quarto. Ouviu a mãe e a tia recentemente dizerem que quando uma bebê chega, ela é muito frágil e delicada. Ele não queria fazer mal para a prima. — venha cá, querido!
Ele se apoia na porta e escondendo o corpo atrás desta, inclina a cabeça apenas para espiar dentro do quarto. Tio Felipe está em pé ao lado da maca de Giane, enquanto sua mãe está no lado contrário. Tudo que o pequeno consegue ver, é um embrulho cor de rosa nos braços da tia.
— O que foi, querido? — Gisele caminha até o filho e se agacha para ficar na mesma altura dele.
— Não quero fazer mal pra ela! — sussurra no pé do ouvido da mãe.
— Mas você não fará! Você não gosta dela? — ele assente.
— Mas você disse que ela era frágil. — dá de ombros. Gisele não consegue segurar a risada, mas é o mais discreta possível para não assustar o menino.
— Isso significa que precisa ter cuidado, e não ficar longe.
— Posso vê-la, então?
— Claro!
Gisele se levanta e puxa pela mão. Ele cumprimenta o tio e ao chegar na tia, fica na ponta dos pés tentando ver a bebê.
— Sente aqui do meu lado, para você ver. — Giane chama sorridente, batendo suavemente na cama com a mão. Ele pega impulso apoiado na beirada e pula, se sentando no local indicado, finalmente conseguindo ver a prima.
Nunca havia visto algo tão indefeso.
— Ela é bonita. — ele abre um enorme sorriso, de canto a canto do rosto. Os pais da menina retribuem. — vocês decidiram o nome? — ele ergue a cabeça e olha para a tia. Não é de hoje que ela tem a enorme dúvida quanto ao nome da filha.
— Ainda não... Estamos pensando em ou Jennifer. Qual você acha melhor? — o tio responde.
— Os dois são lindos. Mas acho que Jennifer combina mais com ela!
— Então será Jennifer! — Giane decide sorrindo. fica em êxtase por ter escolhido o nome para a prima, e naquele momento ele decide que ela seria sua melhor amiga. — você quer pegá-la?
— Pode? — ele olha para a mãe com receio.
— Claro, por que não?
Giane e Gisele ajudam o pequeno a segurar a prima em seu colo com segurança. Ele está hipnotizado com seu rosto. Bebês definitivamente são as coisas mais belas do mundo.
Jennifer se remexe e suavemente ela abre seus olhos, sem pressa. dá um sorriso pra prima enquanto diz:
— Seremos melhores amigos. Eu vou sempre cuidar de você!

You're in the car on the way to the movies
And you're mortified your mom's dropping you off
At 14 there's just so much you can't do
And you can't wait to move out someday and call your own shots
But don't make her drop you off around the block
Remember that she's getting older too
And don't lose the way that you dance
Around in your pj's getting ready for school


20 de agosto de 1994, Cinema Palladium, Belo Horizonte, Brasil.


Ele confere seu visual no mínimo dez vezes antes de sair de casa, não quer nenhum botão fora do lugar. Não sabe se deve levar uma rosa, um bombom ou nada. Não quer pagar mico, mas também não quer parecer muito afoito. Ele prefere que aquilo progrida em pequenos passos, pois se for para dar errado, pelo menos ele não terá se jogado de cabeça. No final, decide por levar um bombom Sonho de Valsa para ela.
Tinha duas opções: ir de ônibus até o cinema ou ir de carona com a mãe.
A primeira logo deixa de ser opção quando Gisele descobre que o filho está saindo. Ela bate o pé e insiste que o leva.
— Mãe, pode me deixar ali na esquina mesmo, tá?
— Por que, querido? O quarteirão é longo, você andará muito. — ela ergue a sobrancelha mas continua com o foco na direção do carro.
não poupa o rolar de olhos, muito menos o bufo. Ele deixa o corpo se afundar no banco do carro, enquanto pragueja mentalmente pensando na vergonha que passará na frente de Elena.
Por que ele não pode ter 18 anos logo? A vida deve ser tão mais fácil do que quando se tem 14 e fica preso na mãe... Mal via a hora de ter sua independência.
— Ah... já entendi! — Gisele faz um movimento brusco com o volante, e logo encosta o carro rente à calçada, freando de uma vez. — tenha um bom encontro. — diz seca, mas aproveita e inclina-se sob o corpo de , alcançado a trava e abrindo a porta do passageiro. Ele bufa mais discretamente.
— Me desculpe. — sussurra.
— Entendo que você está com vergonha da mamãe deixá-lo na porta do cinema em frente a garota. — ela dá de ombros e senta de volta em seu lugar, consertando a postura.
— Não é isso! É que... — se perde nas palavras.
— Jura? — ela franze a testa e arqueia as sobrancelhas. As bochechas do menino se esquentam, e logo ele se arrepende por ter feito aquilo. — eu só quero participar da sua vida. — ela dá de ombros. — você é tudo que eu tenho. — um sorriso falho toma conta de seus lábios e sua cabeça está dependurada. O coração dele se aperta, o espaço no peito não é suficiente.
— M-me desculpa — gagueja e toma a mão dela que repousa sob seu colo — não quis te magoar.
— Está tudo bem! — ela funga e ergue a cabeça. — conversamos sobre isso mais tarde.
Ela dá partida no carro e o guia até a porta do cinema. não diz nada, guarda seus sentimentos para si. Ele agradece pela carona, e mais uma vez pede desculpas.
Caminha com as mãos enfiadas no bolso das calças até a entrada do local. O combinado com Elena era para encontrá-la ali, mas ela ainda não está no lugar. Ele decide comprar uma pipoca para o tempo passar, porém o pensamento esvai assim que seus olhos caem sobre ela.
Uma tarefa difícil...
Assim que passou a estudar na nova escola, ficou encantado pela colega, mas levou vários meses para ela ser convencida a ir ao cinema com ele.
— Vi você descendo do carro de sua mãe — ela fala assim que o alcança, antes mesmo de cumprimentá-lo. — ela parece ser um amor.
Droga. Ela sabe como ele chegou ali.
— Sim... — sacode a cabeça para afastar o pensamento — ela é minha vida. — sorri, e suas bochechas não estão mais avermelhadas.
Ele a cumprimenta com um beijo no rosto e lhe entrega o bombom.

Oh darling, don't you ever grow up
Don't you ever grow up, just stay this little
Oh darling, don't you ever grow up
Don't you ever grow up, it could stay this simple
No one's ever burned you, nothing's ever left you scarred
And even though you want to, just try to never grow up


4 de setembro de 2004, Belo Horizonte, Brasil.


dirige seu carro com as pernas bambas, reflexo de seu medo.
Ou insegurança? Ansiedade? Nervosismo? Ou um misto de todos?
A caixinha de veludo vermelha em seu bolso não permite que aqueles sentimentos se afastem, na verdade, ela é a razão para cada reação do seu corpo.
Enquanto Elena regressa de uma viagem do interior a negócios, ele aproveita a data em que completam dez anos de namoro para darem um grande passo juntos em suas vidas.
Um buquê de orquídeas está deitado no banco do carona, junto a uma lata dos bombons Sonho de Valsa, o preferido dela.
O caminho até o sítio da família dela nunca parecera tão grande. Ela com certeza chegará primeiro que ele, o que dificulta seu plano para o pedido surpresa de casamento. Está contando com o irmão mais novo dela, Luca, para que tudo dê certo.
Tenta afastar os planos de sua cabeça para a ansiedade diminuir, consequentemente o distrai e o caminho parece menor. Graças aos céus ele tinha o cd da Spicy Girls para tocar no carro e fazê-lo cantar junto.
Então, em questão de minutos, ele estaciona o carro no pátio do sítio. Não há nem um sinal da presença do carro de Elena ali, muito menos dela.
Ele desce do carro mas mantém as coisas lá dentro, seguras do olhar curioso da namorada. Quando tranca o automóvel, sente uma colisão forte em suas costas, logo em seguida, braços finos o envolvem. Um tremor toma conta de seu corpo, já que a pessoa se sacode descontroladamente, deixando-o assustado. Ele se vira e se depara com Luca, o seu cunhado de 14 anos agarrando-se a ele fortemente, enquanto as lágrimas rolam livremente pelo seu rosto. Ele engasga em seguida, mal tendo trégua para respirar... parece estar a ponto de sofrer um ataque.
— Ei, ei... — dá tapinhas nas costas do garoto. — o que aconteceu?
— A-a E-Elena... — não se expressa muito bem, devido ao choro forte.
— O que tem sua irmã? — seu coração passa a bater mais rápido. Um calafrio percorre sua espinha, aumentando seu susto. — vamos, Luca. — pressionou-o dizer algo, já tremendo de pavor — o que aconteceu com sua irmã? — sacude o garoto pelo ombro, aumentando cada vez mais o desespero de ambos. Luca o aperta mais intensamente.
— Ela morreu. — diz em um sussurro inaudível.
— Oi?
— E-ela m-mo-morreu. — fala alto o suficiente para entender. — não d-deu nem pra salvar a bebê. — treme ainda mais, agarrando a blusa de .
— Hoje não é 1º de abril, Luca. Sem brincadeiras de mau gosto. — ri e dá tapinhas nas costas dele mais uma vez.
— Não é brincadeira, . — ele escuta a voz grossa do sogro. — um caminhão tirou a vida das nossas meninas. — o rosto dele está inchado e vermelho.
De alguma forma sobre-humana, em questão de segundos já não consegue sentir nada ao seu redor. Sua visão fica turva até escurecer e estar completamente negra, e seu corpo perde todas as forças, falhando em sustenta-lo e levando-o de encontro com o chão.

Take pictures in your mind of your childhood room
Memorize what it sounded like when your dad gets home
Remember the footsteps, remember the words said
And all your little brother's favorite songs
I just realized everything I have is someday gonna be gone


4 de outubro de 2004, Belo Horizonte, Brasil.


— O que você está fazendo aqui? — ele levanta sobressaltado ao ver Elena sentada na beirada de sua cama. Ela balança as pernas descontraidamente, como quem não quer nada.
Ele já é acostumado em vê-la em seus sonhos, sempre conversam. Mas aquele sonho ele percebe logo de cara que está diferente demais.
Aliás, sonhar com a namorada morta já é algo muito anormal.
Seu semblante está muito sério e rígido e aquilo o faz pensar se realmente é um sonho, se ele não está acordado. Ela sempre está tão alegre e radiante em todos os seus encontros pós morte, - até mesmo viva, ela vivia feliz - mas agora está totalmente ao contrário.
— Vim me despedir de você. — engole em seco enquanto passa sua mão pela cama, fazendo desenhos aleatórios com os dedos. Ela quer disfarçar que está prestes a chorar, enquanto ele nem sabe que ela é capaz daquilo. Almas choram? Ele não faz ideia, essa é sua primeira experiência.
Naquele momento seu coração se aperta e ele também quer chorar. Foi assolado por aquele clima pesado que está em seu quarto, e tudo que ele mais quer é que alguém o console e diga que tudo ficará bem.
Ele quer chorar como nunca chorou. Quer deixar suas lágrimas caírem, e provavelmente serão equivalentes ao tanto que chorou no último mês todo.
Ele entende o que ela quer dizer com aquilo.
Ela está definitivamente indo embora.
De novo.
E dessa vez, não voltará mais, nem mesmo em sonhos.
(...)
— Não se preocupe. — ela diz serena. É capaz de mudar seus sentimentos rapidamente para o ver feliz, e aquilo só aumentava a sua admiração por ela. — Um dia você conhecerá uma garota que irá mudar a sua vida. — sorri e ele rola os olhos. Não quer outra garota, quer ela. — E com ela, você terá tudo aquilo que tinha comigo e muito mais do que perdeu. — ela completa e se senta na cama de novo, porém agora mais próximo e de frente para ele.
— Não quero outra garota, quero você, Elena. — teima. Não consegue se ver na situação em que outra pessoa toma conta da sua vida.
— Você diz isso agora, mas um dia sua ficha cairá e então você perceberá que perdeu muito tempo de sua vida esperando por alguém que não podia voltar. Mas não faz mal, o destino sabe o que faz, se tiver que demorar, demorará e ponto. Siga em frente, .
(...)
— Queria poder te colocar no meu colo, acariciar seus cabelos e dizer que não há nada com que você deva se preocupar, que tudo ficará bem, assim como eu sempre fazia com você. — ele suspira. Aquela jamais será sua realidade novamente. Escuta sua risada fraquinha ao seu lado.
— Querido, não estou preocupada com nada. Tenho total ciência de que o lugar para o qual estou indo é muito melhor do que aqui. Eu quem deveria fazer isso com você, mas você sabe, você é pesado... — ela ri novamente e o contagia. Achava que não fosse possível dar uma risada sincera naquele momento, mas ali está Elena, o afetando desde sempre com aquela risada gostosa que o preenche de uma forma muito boa.
Aquele momento é tão único e a cara deles... Ele sente tanta falta daquilo.
Após algum tempo, percebe que ainda há uma última coisa a lhe perguntar.
— Elena, e quanto àquela garota que você disse que aparecerá em minha vida? Você estava apenas torcendo pelo meu melhor, estava prevendo o futuro ou o quê? — sua voz está hesitante, talvez não seja um bom ponto a ser explorado. Abre seus olhos para poder encará-la quando obtivesse sua resposta, mas ela não está mais ali.
Talvez ele tinha acabado de acordar, dando fim ao último sonho dos dois juntos.
Ou então, aquilo não é um sonho. Ela lhe visita para partir definitivamente.

* Trecho da fanfic 06. Nightingale (Ficstape DEMI — Demi Lovato) da própria autora.

So here I am in my new apartment
In a big city, they just dropped me off
It's so much colder than I thought it would be
So I tuck myself in and turn my night light on


14 de janeiro de 2007, Hospital Vila da Serra, Nova Lima, Brasil.


Gisele tem o olhar perdido sobre o arranjo de girassóis que o filho trouxe mais cedo. São suas flores favoritas.
— Me prometa uma coisa? — ela consegue finalmente falar uma frase sem ser interrompida por uma crise de tosse, mas dá uma pequena após terminar a fala.
— Depende... — ele ri fraquinho, apertando a mão dela ainda mais forte, como se ela pudesse a qualquer momento escapar.
— Amor não ocorre tão fácil, claro... mas... jamais desista do amor. Me prometa, , que um dia, você irá dar uma chance para alguém novamente? — ela não suporta ver como o filho tem mudado desde quando perdeu a namorada. Não é mais a mesma pessoa alegre que ela cria, que contagia todos ao seu redor com sua felicidade que ela achava ser inesgotável...
Mas a felicidade acabou quando Elena faleceu e levou também sua netinha. O tempo não foi suficiente para fazer uma cesárea de emergência na mulher, na época com seis meses de gestação.
A cabeça de cai, pois a força que lhe restava esvaiu no momento em que a mãe tocou na palavra “amor”.
— Prometo. — mente. Ele tentaria, mas não garante nada.
— Há outra coisa... — ela ainda quer lhe fazer um último pedido, o mais importante de todos. Mas a maldita crise de tosse mais uma vez vem à tona. Ele se levanta e pega um copo d’água para Gisele, entrega-o para ela o mais rápido possível. Ela tenta levá-lo à sua boca, mas novamente perde o controle com a tosse. Está cada vez mais forte. É uma sensação horrível, seu peito está pesado, uma dor insuportável toma conta cada vez mais de seus pulmões, e em um momento ela jura que sua garganta está fechada, pois mal consegue respirar.
a ergue um pouco na cama e dá leve tapinhas em suas costas, para aliviar o quadro. Mas ela não está engasgada, seu esforço é em vão. Gisele tenta explicar aquilo para o filho, mas não consegue falar. Ele nota e carinhosamente a coloca encostada mais uma vez na maca. Sua mão treme, e a água do copo cai, deixando-a molhada. Ele o pega da mão dela e o coloca sob a mesinha mais próxima.
O monitor ECG emite um apito agudo, que não se cessa. olha para todos os cantos do apartamento, e não sabe o que fazer. A cada momento o barulho se passa a ser mais frequente, irritando-o. Gisele sabe o que está acontecendo consigo... O suor frio, visão turva e palpitações não lhe deixam enganar. Conhecendo o filho e prevenindo seu desespero, ela já havia se preparado com o teleCARE, deixando-o sempre a seu alcance. Ela aciona o código azul, sem perceber. Ele está perdido, não sabe o que fazer... por fim, ele decide sair correndo e buscar por ajuda no corredor, o que acaba sendo desnecessário, pois vários médicos e enfermeiros adentram o quarto correndo, passando por e alguns esbarrando com ele na porta, atendendo a chamada do aparelho. Todos rodeiam a maca de Gisele e a ela é colocada em uma posição totalmente deitada, enquanto o filho se mantém de longe para não atrapalhar, mas está mal se contendo. Espia entre um profissional e outro para conseguir ver a mãe, mas não obtém grandes resultados. A equipe trabalha intensamente fazendo coisas que ele sequer tem noção... não foi atoa que ele virou engenheiro, fugindo das humanas e biológicas.
O apito se torna contínuo.
Acima de tudo, não desista de você mesmo.”
Ele consegue ver um enfermeiro fazendo compressões torácicas, enquanto o outro é responsável pelas insuflações, desde o momento em que chegaram.
Uma lágrima escorre do seu olho.
Não desista de você.”
— Desfibrilador.
— Seque o peitoral.
Ele não vê nada, apenas escuta as ordens. Seus olhos estão tomados pelas lágrimas.
— Vou dar o choque. — uma ordem atrás da outra. Todos se afastam para que a descarga elétrica seja feita — Sem resposta.
Não... desista
Eles reiniciam a massagem.
— Vou dar o choque — o homem repete. — sem resposta.
— Intubar.
— Adrenalina.
— Checar o pulso.
— Desfibrilador.
— Dez minutos.
— Já não há mais nada a fazer.
As palavras ecoam pela cabeça de .
Ele não consegue assimila-las, definir uma ordem.
Sente um bolo enorme em sua garganta e palpitações. Uma médica toca seu ombro para lhe pôr a par de uma situação que ele se renega a acreditar.
Ela não pode partir.
Ela não pode deixá-lo ali, sozinho.
Qual é o sentido em continuar vivo?


* TeleCARE é um equipamento cujo o usuário, por meio de botões ou sensores automáticos, emite sinais de emergência para uma central de monitores que localizam, auxiliam e acionam pessoas (enfermeiros, médios, fisioterapeutas...) e serviços mais adequados a cada ocorrência, propiciando atendimento de urgência.

28 de fevereiro de 2007, Pampulha, Belo Horizonte, Brasil.


Uma casa grande demais para uma pessoa só morar nela.
De repente, ele sentiu falta do Arizona. Afinal, ao menos ele tinha companhia na clínica de reabilitação.
Mas ele prefere isso do que ficar em seu antigo, pequeno e confortável lar, onde morava com a mãe antes dela vir a óbito.
Mas entre morar em um lugar onde teria inúmeras lembranças de Gisele e de Elena, ele prefere finalmente aceitar o velho presente de seu pai. Uma casa na Pampulha que este comprou há anos atrás na tentativa de reconquistar a ex-mulher e filho. Foi em vão, claro. Gisele é determinada.
Ou melhor, era.
Agora apenas precisa de forças para deixar aquele lugar mais parecido consigo, e vender a casa que a mãe deixou para ele.
Ele finalmente se lembra de ascender a luz, voltando para a realidade.

Wish I'd never grown up
I wish I'd never grown up


20 de agosto de 2012, UFMG, Belo Horizonte, Brasil.


— Bom, preferi adiar as apresentações para hoje, já que temos duas aulas seguidas. Sou , serei professor de vocês durante o primeiro período em química geral. Sou engenheiro de energia e mestre em química, estudei meu mestrado na Inglaterra e pretendo fazer meu doutorado brevemente. Tenho trinta e dois anos, sou inglês, mas me mudei para o Brasil antes de completar dois anos de idade. Meu pai é inglês e minha mãe brasileira, mas por ser inglês não significa que vocês tenham que me chamar de Senhor , por favor, estou longe de ser um senhor! — ele diz rindo, e seu sorriso é magnífico, o que faz a sala inteira rir junto. — gostaria que assim como eu, cada um de vocês falassem um pouco sobre si mesmo. É nossa primeira aula juntos, então vamos descontrair um pouco já que temos dois horários seguidos agora! E também gosto de interagir com meus alunos e saber o nome de cada um deles, mas já vou logo avisando que não vou gravar todos inicialmente. Comece você ai! — diz ele apontando para o rapaz ao lado de . — Conte-nos um pouco sobre você. Seu nome, idade, de onde você é e por que escolheu o curso de engenharia química! — finaliza e se senta na beirada da mesa do professor.
(...)
— Agora sua vez! — ele aponta para a pobre , dando um belo sorriso. Ela quase se esquece de como falar.
— Sou Delavoux. Tenho dezoito anos e escolhi engenharia química porque é um curso que abrange várias áreas que eu gosto, também por atuar em diversas áreas de pesquisa — odeia quando pedem para falar sobre si mesma, mas olhando diretamente naqueles olhos, ela simplesmente quer se mostrar confiante, e dá conta do recado direitinho.


25 de agosto de 2012, Casa do , Belo Horizonte, Brasil.


— Já começou a vida universitária dormindo com estranhos, ? — a amiga ri. — tente voltar para casa hoje, e quando descobrir onde está me avise. Tenho algumas coisas para estudar.
— Tá... — ela fala vagamente, mal entende o que a amiga diz. Tenta buscar alguma memória do dia anterior em sua mente, mas a última coisa que se lembra, é ir atrás do seu professor.
Não pode ser! Não pode ter dormido com seu professor!
Olha para seu corpo e percebe estar vestida com suas roupas íntimas... procurando ao redor, vê suas roupas dobradas em cima da mesinha de cabeceira ao lado da cama.
Lamentar não ajuda em nada... Resolve vestir suas roupas e ir atrás dele, já que está sozinha no quarto. Encontra sua blusa rasgada dobrada junto ao montinho. O filho da puta tinha rasgado sua blusa! Ela ama aquela blusa! Ah, mas ele vai se entender com ela por isso! Veste o short, ficando apenas com o sutiã na parte de cima.
Acha a dele jogada no chão, a pega e veste. É uma camisa de botões xadrez, azul escura. Melhor do que perambular casa afora apenas de sutiã, certo? Vai que tem mais alguém em casa...
Escuta barulhos vindos do lado de fora do quarto, pega seu celular e resolve ir atrás.
(...)
Ele está na cozinha, de costas para , cozinhando algo no fogão. Sem camisa.
?
— Ah, oi... Você acordou! Bom dia. Ou devo dizer boa tarde? — vira-se para poder observá-la.
— Bom dia... Dormi tanto assim? — ah deus, que corpo é esse?
— Já é quase meio dia.
— Ah... Bem... Vou pegar um táxi e vou embora ok?
— O quê? Claro que não!
— Anh... Tenho que ir embora, tenho coisas para fazer e...
— Insisto que fique! Pelo menos para o almoço, pode ser?
— Não quero dar trabalho...
— Imagina! Bem, não é um almoço exatamente, apenas macarrão, o estoque estava escasso. Preciso fazer as compras mensais.
— Tudo bem... — depois do almoço ela iria embora. Mas ainda não entendia... Como assim, fica com seu professor e ainda almoça na casa dele? Oi? Tem algo muito errado ai... — ah, espero que não se importe sobre eu estar usando sua blusa, mas você rasgou a minha e...
— Rasguei? — maldita mania de interrompê-la toda hora! Mas que saco!
— Bem, ela está rasgada, presumi que...
— Que fui eu? Eu não me lembro de nada sobre ontem.
— Excelente, somos dois. — ela diz ríspida. Está cansada de ser interrompida. Ele fecha os olhos, morrendo de ódio.
Como assim?
Como pôde ter dormido com sua aluna? Leva-la para sua casa?


27 de novembro de 2012, Casa do , Belo Horizonte, Brasil.


— Você está mesmo pensando nisso? — Ele confirma com a cabeça e ela ri mais ainda — ele não faz meu tipo.
— E como seriam homens que fazem seu tipo?
Você.
Mas é claro que ela não diz isso. Muito pelo contrário. Fica surpresa com a coragem que ele tem para lhe fazer essa pergunta.
, por que... — ele interrompe. Ela quer perguntar o motivo de tal pergunta, mas parece que ele lê seus pensamentos.
— Quero saber se tenho alguma chance com você.
É agora que ela fica vermelha ou deixa para depois?
Vamos, , seja corajosa como ele e diga a verdade!
— Todas. — sussurra. Ele escuta, mas tem medo de ter entendido errado.
— Perdão?
— Todas, . Você teria todas as chances comigo. E eu não digo isso somente por sua aparência.
Agora fora sua vez de deixa-lo calado. De onde ela tirou tanta coragem para dizer aquilo?
Ele solta todo o ar de seus pulmões de uma só vez, em um gesto claro de surpresa. Tão surpreso quanto ela.
— Mas... Se me permite a pergunta; — ele a olha e ela assente. — por que você me renunciou tanto?
— O quê?
— Você sabe... Após termos “ficado”, você nem olhou na minha cara mais.
— “Aquilo” foi um erro.
— Erro... — ele repete incrédulo. — e agora você me diz que eu tenho todas as chances com você?
— Aquilo foi um erro porque foi vergonhoso, nem sabemos se aconteceu! Foi fácil demais, estávamos bêbados! Eu mal conhecia você! uma semana de aula! E porque você é meu professor oras. Não sei se não te disseram antes, mas é proibido, sabe? Essa coisa de professor e aluno. — se exalta. Levanta-se da cadeira de uma vez, fazendo com que o objeto caia. Dá-lhe as costas. Não quer falar sobre isso com ele!
— Exatamente! Não sabe se aconteceu! — pôde escutar que ele também manda a cadeira longe.
— O quê? Não temos certeza! Isso não é obvio? Preferi remediar. — vira-se novamente para encará-lo. — pelo que eu me lembre, você disse no dia seguinte que era para sermos amigos!
— Puta merda, como você não entendeu? Eu ainda dei as dicas, te chamei de gostosa, acha mesmo que ia querer apenas amizade?
— Não foi isso o que você me disse! Devia ter dito explicitamente então, ora essa!
! isso não vem ao caso!
— Como não? Você mentiu.
— Eu já disse, eu não menti. Eu omiti. — sorte que não tem casa alguma por perto, porque a este ponto, ambos gritam como se não houvesse amanhã.
— Ah tanto faz! — ela diz mais baixo. Começava a ceder. — nada que você disser agora vai mudar que aquilo foi um erro!
— Não pense você que foi só do seu ponto de vista! — ele percebe e também fala mais baixo.
— Ah claro, então você deve estar muito acostumado em levar alunas para sua cama.
— Você foi a única. — ele sussurra. Mas ele vê que ela escuta e prossegue. — mas eu, ao contrário de você, não fugi dos meus erros! Fui maturo o suficiente! Eu estava disposto a continuar normal com você, a tentar algo! Eu ainda estou disposto! — E nada mais do que ele diz dali em diante é entendível para .


18 de janeiro de 2012, Casa do , Belo Horizonte, Brasil.


— Não exagera, Jen, eu te mando mensagem todos os dias!
— E eu respondo — ela fala, se afastando dele.
— Ao contrário de um certo alguém — bufa e fecha a porta atrás dela e vão para a sala.
— Como assim? Quem?
— Sua amiguinha, é claro! Quem mais seria? — bufa novamente, passando as mãos pelo rosto. Em um dia, ele a ignora, simplesmente por não se sentir confortável em falar sobre tal assunto, no outro ele a pede desculpas e ela diz que está tudo bem. Depois ele vai em sua casa, ficam juntos, divertindo, e depois ela some. Ah, sim, muito sensato.
— A ? Ah, somos dois, então. Ela sumiu desde o quinto dia na França. Deve estar curtindo a família.
— Eu até consideraria isso aceitável, caso esse quinto dia de viagem não fosse praticamente um mês atrás! Aliás, você que está sem respostas desde o quinto dia, eu estou desde o dia que ela foi! Ela foi dia vinte e dois de dezembro, Jennifer! Hoje já é dia dezoito de janeiro! — ele grita. Aquilo é o cúmulo. Inaceitável.
— Acho que você está exagerando... Ela está de férias, ! — e isso é argumento? Que ele saiba, quando se está afim de alguém, você tentava manter uma conversa.
— E isso a impede de me responder? —questiona. Quem sabe a prima não entende a cabeça daquela menina louca melhor do que ele?


13 de março de 2012, Épicure, Belo Horizonte, Brasil.


— Você está de carro? — ele pergunta educadamente, já do lado de fora do restaurante. Haviam acabado de sair.
— Não, não... Vim de táxi para cá. Minha prima precisou de uma ajuda minha com química, e minha tia foi lá em casa me buscar. Vim da casa delas.
— Ajuda em química? — ele ri.
— Ah, nem vem. — ela dá um soquinho no ombro dele. — quando não tenho você para me distrair, eu até mando bem. — ele sorri.
— Tudo bem, vou me lembrar disso quando você tiver prova comigo e peço outra pessoa para aplicar. — eles riem, enquanto caminham lado a lado na calçada. Ela sequer sabe para onde está indo. — mas até lá, não fica longe de mim, tá? — ele pega a mão dela que estava solta ao lado da sua, e a puxa para ficar de frente para ele.
Um choque percorre todo o seu corpo.
Ela havia se esquecido do poder que ele tem sobre ela.
É fascinante. Cada toque é único e magnífico, e sempre desperta a sensação de ser a primeira vez.
Ela abaixa o rosto para esconder o sorriso tímido, enquanto ele se aproxima dela, e ainda de mãos dadas, a faz recuar até se esbarrar em algo, em momento algum reduzindo a distância entre seus corpos.
Com a outra mão, ele ergue seu rosto suavemente, segurando-lhe pelo queixo.
Ele já quase havia se esquecido de quão deslumbrante aqueles olhos eram.
— Não é como se eu fosse conseguir ficar sem você, de qualquer jeito. — ela ri fraco e dá de ombros. Novamente desvia o olhar e se vê presa entre e a Range Rover dele.
O carro que ela tanto gosta.
Não mais do que do dono dele.
Ele solta todo o ar que está preso em seus pulmões de uma só vez, e sem hesitar, puxa o rosto dela novamente e cola seus lábios no dela.
Ela sente uma corrente de ar fria a envolver, é como se cada parte de seu corpo está entrando em ebulição, e de repente o ambiente está frio demais para seu corpo que está em chamas.
Suas línguas se massageiam em um ritmo calmo, porém intenso.
Ambos não se lembram de qual foi a última vez que aquilo ocorreu, mas uma certeza eles tinham; aquele está sendo o melhor de todos.
E se sexo de reconciliação fosse tão bom quanto beijo de reconciliação, ele não aguentaria mais esperar para tê-la completamente para si.
— Preciso parar de ter recaídas com você. — ela interrompe o beijo, suspirando. Suas testas permanecem coladas, e seus lábios se roçavam ao movimento de cada palavra que ela diz. — se for pra gente ter algo, quero que seja algo certo... — respira fundo e ergue a cabeça, para olhar no fundo daqueles olhos azuis que haviam se tornado seu mais novo vício. — digo, sem mistérios de sua parte, para eu não ter que ficar precisando recorrer a Jennifer cada vez que você agir estranhamente, para saber o que está acontecendo.
— Tudo bem, Delavoux. — diz após um breve tempo, e roça o nariz pelo trapézio dela, inalando seu perfume. Ah, como ele ama aquele cheiro... — eu te conto tudo.


14 de março de 2013, Casa do , Belo Horizonte, Brasil.


— Falei, é?
— A idade já está afetando sua memória, ?
— Não precisa ficar toda hora me lembrando disso. — rosna e ela ri. Já percebeu que aquele é um ótimo ponto fraco para brincar com ele.
— Para sua informação, homens mais velhos sempre fizeram meu tipo, tá? — Arqueia as sobrancelhas e lhe mostra a língua.
— Então não tenho que me preocupar com seus colegas...
— Ah, isso não significa que eu não os ache bonitos... — dá de ombros. Ele deixa a vasilha que preparava a massa sob a bancada e vai até , parando atrás dela e a prensando contra a pia.
— Sinto muito, senhorita Delavoux, mas a partir de agora você é minha namorada. — passa o nariz por trás da orelha dela, e instantaneamente ela se encolhe devido às cócegas que sente.
— Isso não me impede de achá-los bonitos... — ri, e remexe o ombro para tirar o nariz dele de seu ponto fraco. — espera... o quê você disse? — faz um pouco de força para se desprender dos braços dele, e o máximo que consegue é se virar e ficar de frente para ele, ainda encurralada pelo seus braços.
— Que você é minha namorada.
O queixo de Delavoux cai um pouco, e ela passa a olhar para cima, encarando-o nos olhos.
— Sou é? Não me lembro de ter lhe dito isso.
— Você disse que seria quando eu te conquistasse... — rouba um beijo dela, rápido, e morde levemente seu lábio. — e pelo que eu me lembre, ontem você me disse que eu havia te conquistado sendo um príncipe.
Seu coração bate descompassadamente.
— Pois é, . — deixa seu rosto dependurado. — você venceu.
Touchê! — comemora baixinho, e a puxa para um beijo.


* Trechos retirados da fanfic Vide, da própria autora.

Oh I don't wanna grow up, wish I'd never grown up
I could still be little
Oh I don't wanna grow up, wish I'd never grown up
It could still be simple
Oh darling, don't you ever grow up
Don't you ever grow up, just stay this little
Oh darling, don't you ever grow up
Don't you ever grow up, it could stay this simple
Won't let nobody hurt you
Won't let no one break your heart
And even though you want to, please try to never grow up
Oh, don't you ever grow up
Oh, never grow up, just never grow up


Uma vez um anjo lhe disse: “E com ela, você terá tudo aquilo que tinha comigo e muito mais do que perdeu.
Até então, tudo está muito bom, perfeito... Ele não gosta de fazer comparações entre as duas.
Entretanto, só falta duas coisas para ele ter com tudo que teve com Elena. E se o vento soprar em seu favor, será ótimo, pois ele não pretende em demorar muito a providencia-las.
E sua barriga é tomada por um friozinho gostoso.
Mal podia esperar para ver o muito mais chegar.


Fim.



Nota da autora: (30/10/2015)
Primeira fic que eu escrevo no presente... Não curti hehehehehe já estou viciada no passado e por mais que eu tenha feito duas revisões, tenho certeza que deixei algo escapar.
Antes de explicar sobre o meu erro com datas e derivados, vou dar um pequeno surto.
O MISTÉRIO DE 06. NIGHTINGALE FOI DESVENDADOOOOOOOOO.
Gente, tantas pessoas vieram curiosas para saber o segredo, mas ninguém fez teoria nenhuma #bolada. Agora quero saber o que vocês acharam, porque eu fiz muitas leitoras chorarem “matando-as”, mas na verdade era a Elena. KSDLKADKSALDALSDK
Se você não faz idéia do que eu estou falando, tem uma notinha na cena do sonho, que é basicamente a fic 06.Nightingale, só que lá, a cena está beeeem maior, com mais drama e chororô.
Agora sobre meu erro: Eu sou muito burra, não me matem HUEHUEHUEU.
Eu tinha anotado em algum lugar todas as datas, idades e fatos do passado do pp certinhas para não escrever nada diferente do planejado.
Entretanto, como eu fiquei 5 meses sem atualizar Vide, eu perdi a anotação. E quando eu precisei me virar nos 30 para fazer o capítulo 14 em uma semana, eu não achava o papel em lugar nenhum.
Mas acidentalmente eu estava outro dia mexendo em cadernos velhos e achei a fucking anotação.
Resultado? O spin-off está com as datas/idades/fatos totalmente diferentes de Vide (capítulo 14), já que eu estava com mega pressa para atualizar depois de um ~hiatus não intencional~ de cinco meses, pois eu já não lembrava mais nada.
Sim, eu vou reescrever os fatos lá. Mas não por agora, e nem sei quando. Pois há tempos tenho a intenção de reescrever a fic toda (mais uma vez), mas agora só o farei após finalizar a triologia ;D
Agradeço pela paciência, carinho e atenção de cada leitora linda. Porque pra aturar essa mente doida e esquecida da “Berrie”, é preciso muita paciência.
Aguardo você nas minhas outras fics e ficstapes que entraram junto com esse ;)

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Minhas histórias:
Best Nanny Ever | If Every Day Was Christmas Especial de Natal de Best Nanny Ever | Vide | Vide 2 | 01. Best Song Ever | 02. Story of My Life | 02. Who's That Boy | 04. Neon Lights | 05. Run Wild | 05. Unconditionally | 06. Nightingale Spin-off de Vide | 07. Fearless | 08. Confetti Falling Spin-off de Best Nanny Ever | 08. Forget Forever Spin-off de Best Nanny Ever | 08. Happily | 08. Never Grow Up Spin-off de Vide | 09. Olivia Especial de Ano Novo de Best Nanny Ever | 10. A Year Without Rain | 10. Give Your Heart a Break | 11. Witchcraft | 11. You're Not Alone Spin-off de Best Nanny Ever | 17. Superman


Beijos mil,
Berrie.




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