Última atualização: Finalizada

Capítulo Único


- Eu não vejo porque a gente não podia deixar isso para amanhã. – reclamou, tão rabugento quanto o sono exigia, ao aceitar a xícara de café que sua noiva lhe estendia, usando apenas uma blusa grande demais para ela, já que, bem, pertencia ao homem, mas eles estavam sozinhos em casa e não havia nenhum motivo para ela estar vestindo qualquer coisa além daquilo, especialmente quando gostava tanto de vê-la daquele jeito.
Eles estavam na cozinha do apartamento de , depois de , usando toda sua determinação, ter acordado o homem para começar a guardar suas coisas nas caixas, já que fora para isso que ela foi até lá na manhã do dia anterior, afinal de contas.
- Você disse isso ontem. – retrucou simplesmente, bebendo da própria xícara, provavelmente algum chá com um quilo de açúcar, já que detestava café embora fizesse um delicioso, o que , honestamente, não entendia de jeito nenhum, fazendo bico para suas palavras ao em vez de perder tempo pensando naquilo. Ele dissera mesmo aquilo e ia continuar enrolando enquanto pudesse porque era preguiçoso demais para não o fazer.
- E deu certo, não deu? – Arqueou, esperançoso, as sobrancelhas e olhou feio para ele, fazendo o homem suspirar pesadamente antes de se aproximar dela, puxando a mulher para seus braços e escondendo a cabeça em seu ombro. – Estou cansado, Brubs.
- Você está com preguiça, é diferente. – Sua futura esposa retrucou e se afastou para lhe encarar, parecendo muito mais ofendido do que realmente estava. rolou os olhos, muito bem familiarizada com cada um dos truques que ele poderia tentar para fugir daquilo. Fazia dias, afinal de contas, que ela estava tentando fazer o homem deixar de lado a preguiça para empacotar suas coisas, já que faltava exatamente uma semana para o casamento e, por consequência, para que os dois estivessem morando juntos na casa que já haviam comprado e deixado parcialmente preparada para recebê-los. Uma casa grande, confortável e perfeita para construir uma família, muito diferente do apartamento de solteiro que ele vivia ou mesmo do loft que a mulher dividia com um casal de amigos, o que, honestamente, era ainda pior, parando para pensar.
fez bico, segurando a risada e olhou feio para ela pela ironia.
- A culpa, na verdade, é sua. – Murmurou, fazendo arquear as sobrancelhas para ele, como se perguntasse que história era aquela agora. – Eu não estaria com tanto sono se não estivesse tão empenhada em acabar comigo na noite passada. Você estava especialmente agitada, amor. – explicou, dando de ombros como se aquilo tirasse dele toda e qualquer responsabilidade pela situação. riu verdadeiramente ao ouvir, o empurrando para longe e seguindo para a sala de estar do futuro marido.
- Pelo menos se esforce mais da próxima vez, . – Provocou, se jogando no sofá de couro do homem com uma caixa de plástico em mãos, pronta para abrir e começar o trabalho já que, se fosse por , eles não começariam nunca. – Nós dois sabemos que você adora quando eu acabo com você.
- Chata. – Ele reclamou, se jogando ao seu lado no sofá com um bico, claramente insatisfeito por não ter conseguido fugir daquela vez, ignorando completamente o comentário final da noiva simplesmente por não ter argumentos contra aquilo. beijou o bico que ele provavelmente nem notara que fazia, rindo ao notar seu bico ficar maior por isso. – Continua chata. – Ele avisou, como se quisesse deixar claro que o beijo não mudava nada, fazendo a mulher rolar os olhos em resposta.
- Menos choramingo, mais caixas, por favor. – Falou e, resmungando, se levantou, se arrastando até o quarto de hóspedes onde havia enfiado várias caixas vazias para guardar seus pertences quando não conseguisse mais fugir da dolorosa tarefa que era empacotar suas coisas.
De repente, odiou ter tantas coisas.
- Pronto, chata. – Ele resmungou, como se estivesse muito mais contrariado do que realmente estava ao voltar para a sala com algumas caixas em mãos.
Estava, na verdade, louco para sair daquele apartamento e morar com num lugar com a cara dos dois, acordar todos os dias com ela ao seu lado, porém era preguiçoso demais para fazer o que precisava fazer antes, como, por exemplo, empacotar suas coisas. Seria mais fácil se pudesse levar só uma mochila com algumas mudas de roupa.
- Pare de me olhar assim, você sabia que essa hora ia chegar. – A mulher resmungou sob o olhar inconformado dele, que suspirou e se jogou ao seu lado no sofá, sem nenhuma disposição para se mover o mínimo que fosse, mesmo sabendo que ela não ia permitir que ele ficasse parado enquanto fazia todo o trabalho. – Chegou a chamar o seu primo para ser seu padrinho? – Ela perguntou depois de algum tempo em silêncio, mexendo tranquilamente na caixa que tinha em mãos para decidir o que ficaria e o que iria para o lixo.
- Ele não vai poder, já tem compromisso. – mentiu, mesmo odiando mentir pra ela. O problema era que estavam há exatamente uma semana do casamento e ainda não tinha um padrinho, mesmo que tivesse opções. A única pessoa que ele sempre soube que ia querer como padrinho quando aquele momento chegasse, no entanto, já estava fora de sua vida há tempo demais. , no entanto, estava completamente alheia a isso. Sequer sabia da existência de , o mais antigo e mais significativo amigo de . Se é que ele ainda tinha o direito de chamá-lo de amigo, depois de tudo.
- Eu posso falar com o Edward. – Ela tentou, sem saber se devia. Edward – namorado da melhor amiga de e madrinha de seu casamento – e se davam, sim, bem, diferente do que podia parecer, mas eles sequer andavam juntos e só se falavam quando estavam com as mulheres. podia fazer melhor que aquilo e, segundo , ia precisar. Ela tinha certeza absoluta que ele ia surtar e querer fugir no grande dia, e, por isso, precisava de uma pessoa que fosse lembrá-lo quão maravilhosa era sua futura esposa e do enorme idiota que ele seria se simplesmente desse o cano nela no dia do casamento deles. Palavras dela, não dele. não acreditava naquilo e até mesmo tinha feito uma aposta com sobre o assunto. Ele fizera o pedido e não se via desistindo, por mais certa que ela estivesse que aquilo ia acontecer.
- Vou encontrar alguém; não se preocupe. – Ele garantiu, sorrindo maldoso ao abraçar a mulher de lado e morder, de leve, um de seus ombros. – Não vejo a hora de me casar, Brubs. – Falou, arrancando um sorriso da mulher em seus braços, mas ela virou o rosto antes que ele pudesse ver.
- Você diz isso agora. – Provocou, o empurrando para longe. riu, encarando a mulher com um misto de humor e satisfação. Ele nunca achou que se daria tão bem. – E pare de enrolar, . Temos muito trabalho a fazer. – Avisou e, resmungando, ele concordou, puxando para si a caixa em suas mãos.
- Eu cuido disso, então.
estreitou os olhos para ele, mas não retrucou. Ele havia roubado dela a tarefa mais fácil e aquilo era de se esperar também, então deixou passar. Pelo menos o homem, finalmente, estava fazendo alguma coisa. A mulher se levantou e foi tirar da parede os quadros que tinha ali, que ela, particularmente, adorava e, segundo , aquilo era o que a tornava a esposa perfeita. Um quadro era uma montagem sensacional com ícones de Quentin Tarantino, outro um mais simples, porém igualmente maravilhoso, dos Beatles e, por fim, dois outros de super-heróis. Um com os Vingadores, da Marvel e outro com a Liga da Justiça, da DC. Ambos em versão HQ.
De qualquer forma, enquanto tirava os quadros da parede e os deixava no chão, recostados a parede com todo cuidado do mundo, mexia na caixa que pegou com ela, jogando fora coisas que nem sabia como sobreviveram até aquele dia e guardando outras. Até encontrar uma foto. Não era uma foto que poderia destruir o casamento, de uma ex namorada que faria repensar passar o resto da vida com , uma ex namorada com essa capacidade nem existia, na verdade. A foto, pasmem, era talvez a salvação do problema de com a ideia do padrinho. Ele só não sabia disso ainda. No momento, a foto só o fazia sentir um desconforto de culpa e nostalgia no estômago.
Na foto, ele estava com , o melhor amigo que ele se lembrava de já ter tido, com um dos braços em volta de seus ombros e os dois riam verdadeiramente, provavelmente de alguma besteira que falara antes que a foto fosse tirada. Aquela foto fora tirada cerca de um mês antes de ir embora, sem se despedir. Toda vez que pensava naquilo, ele sentia vontade de ligar e tentar falar com outra vez, como já fizera, por vários dias logo que deixara a cidade natal dos dois, mas ele nunca atendeu e depois de algum tempo, parou de ligar, perdendo as esperanças. O caso, no entanto, é que não era, nunca fora, a pessoa mais amigável do mundo e fora uma das poucas que o conquistara, com quem ele, de fato, se sentia à vontade. Os dois passaram por muita coisa e nunca esqueceu daquele amigo em especifico, mesmo tendo perdido tantos outros depois.
- ? – chamou, confusa, ao vê-lo parado encarando a foto, se aproximando por trás para ver do que se tratava e franzindo o cenho, ainda mais confusa, ao ver o futuro marido e um rapaz do qual nunca escutara falar junto com ele. – O que foi?
- Esse é . – explicou, suspirando pesadamente ao virar a cabeça para lhe encarar. – Um velho amigo.
Se perguntassem a , ela não ia saber dizer porque exatamente abraçara naquele instante, passando os braços por seu pescoço, mas algo no olhar do homem fez com que ela sentisse que devia. Ela não conhecia , nem ouvira falar dele antes, mas havia algo ali. Algo importante e significativo, ela podia ver. Conhecia muito bem para não ver.
- Quer me contar? – Perguntou, suavemente, sabendo que não era preciso fazer nenhuma pergunta muito mais especifica que aquela. Se quisesse contar, aquilo seria o suficiente e ela não o pressionaria se não quisesse. Não era assim que as coisas funcionavam entre eles.
suspirou outra vez, pensando a respeito, o que deu a tempo para dar a volta no sofá, aninhando-se ao seu lado e rapidamente lhe abraçou, ainda sem ter certeza se queria falar sobre aquilo. Fora um motivo estúpido que os afastara, que fizera os dois garotos brigarem aos dezoito, dezenove anos e pararem de se falar, que fizera não se despedir de quando foi embora com os pais. Ele se arrependia daquilo, tentara consertar, mas aparentemente já era tarde demais quando o fez. Devia ter mesmo perdido o único melhor amigo que tivera.
- Acho que sim. – Ele murmurou por fim e ergueu o olhar, esperando. fechou os olhos e respirou fundo, tentando encontrar a coragem para falar do assunto. Ele nem se lembrava de já ter falado daquilo com alguém. – Conheci quanto tinha quinze anos. Meio que salvei ele de um assalto.
- Um assalto? – riu, surpresa e ele assentiu, sorrindo nostálgico ao lembrar daquele dia. sorriu mais por isso, sentindo algo nela se aquecer com a expressão do homem. – Me conta.
Em resposta, desviou o olhar e, focado num ponto fixo qualquer, começou a falar.

Bradford, oito anos atrás

andava com as mãos enfiadas dentro dos bolsos da calça, vestindo um moletom por cima da camiseta para suportar a manhã gelada daquele inverno na Inglaterra. Ele nascera e crescera naquele lugar, teoricamente estava até acostumado, mas certos dias eram frios demais até para ele.
O garoto passou numa banca a fim de comprar um cigarro e logo depois seguiu seu caminho, andando tranquilamente pelas ruas que conhecia como a palma da mão. Ele começara a fumar com doze anos, não era fácil simplesmente parar e agora, com quinze, já nem pensava em tentar. Um instante depois, no entanto, foi obrigado a parar de andar, ao ouvir gritos, xingamentos, e alguém grunhindo de dor num beco, estreitando os olhos ao virar para olhar só para dar de cara com alguns rapazes, pouco mais velhos que ele, chutando um outro no chão. mordeu o lábio, olhando a cena por um breve segundo antes de, por fim, correr para ajudar.
Fora uma atitude impulsiva e idiota, sem sombra de dúvidas, mas ele tinha o elemento surpresa e empurrou os dois caras, gritando para que fossem embora e, assustados, muito provavelmente por estarem cometendo um crime e não por ser, de fato, intimidador, já que ele obviamente não era, eles saíram correndo e pode ajudar o garoto a se levantar, fazendo uma careta para seu olho roxo e o sangramento na testa.
- Você está péssimo. – Resmungou e o garoto estreitou os olhos, parecendo levemente ofendido.
- Eu ia te agradecer pela ajuda, mas depois dessa você nem merece. – Resmungou e riu, lhe encarando como se o garoto fosse louco, o que, é claro, não importou para ele. Ele meio que estava acostumado aquele tipo de olhar. – . Você?
- . – Aceitou a mão que ele estendia, trocando um leve aperto com o garoto. – Por nada, aliás. – Falou e deu de ombros, mexendo a mão como se fizesse pouco caso da ajuda do outro, mesmo que não fizesse. Aquele só era o jeito de . Destrambelhado e descabido na maior parte do tempo.
- Merda, eles levaram minha carteira. – resmungou depois de um tempo, tateando nos bolsos e rolou os olhos enquanto seguia com ele para fora do beco. A carteira era o último de seus problemas agora.
- Você está com o olho roxo. – Lembrou. – E sangrando.
- Estou com fome. – resmungou, como se aquilo fosse muito mais importante, fazendo balançar a cabeça, desacreditado. Aquele garoto era louco.
- Você devia ir para casa cuidar dos seus ferimentos. Depois você come, em casa, já que não tem dinheiro para pagar comida. – Retrucou, falando o que devia ser obvio, mas não chegou a lhe levar realmente a sério, fazendo que não antes de virar para lhe encarar.
- Ou você podia me pegar um lanche. – Falou e arqueou as sobrancelhas, como se perguntasse porque ele achava que ele, logo ele, dois minutos depois de lhe conhecer, ia simplesmente lhe pagar um lanche. bufou. – Qual é, eu fui assaltado.
- É, e eu te salvei. – retrucou. – Você que devia me pagar um lanche.
- E eu com certeza faria isso se não tivessem, você sabe, levado minha carteira. – retrucou, como se aquilo lhe garantisse a vitória naquela discussão que, aliás, nem sabia como fora se enfiar. Aquele garoto era maluco. – E então, onde fica o McDonalds mais próximo? – perguntou, passando um braço por seus ombros como se fossem velhos amigos e olhou para seu braço, então para seu rosto, tentando entender da onde saíra aquilo.
ignorou e rolou os olhos por isso.
- Vou levar você no Luke. É mais barato. – Avisou, cedendo de uma vez, e fez uma careta, como se estivesse muito insatisfeito com aquele desfecho, muito mais para irritar do que qualquer coisa.
- Pão duro. – Acusou e rolou os olhos, o empurrando de lado para que ele ficasse quieto, rindo quando xingou, levando a mão as costelas machucadas.
- Opa. – Provocou e olhou feio para ele.
- Eu não gosto de você, . – Avisou e deu de ombros, indicando que não se importava.
- Eu não gosto de você também.

De volta aos dias atuais

acabou rindo com o final da história, assim como . Depois daquilo, ele e ficaram inseparáveis, o que era no mínimo irônico levando em conta aquela primeira conversa que tiveram.
- Então você se tornou tipo herói da cidade por ajudá-lo? As garotas ficaram louquinhas por você no colégio? – quis saber, cutucando o noivo, que riu verdadeiramente daquilo.
- Bem que eu queria. – Falou. – Levamos uma surra dos caras que assaltaram dois dias depois. E, por mais que pareça na sua cabeça, o visual machucado não é assim tão irresistível. – Ele murmurou e deu de ombros, indicando que não se importava. adorava lhe provocar por achar caras com o olho roxo ou um ferimento de leve, especialmente na boca, sensuais, mas ela nem ligava mais. Já passara daquela fase. Seu futuro marido era sensual e irresistível do jeito que era, sem nenhum ferimento e perfeitamente saudável.
- Então, vocês eram melhores amigos? – Quis saber, curiosa sobre o tal . nunca falara dele e os dois já se conheciam há bastante tempo, iam casar, caramba.
- Éramos, depois disso, sim. – respondeu, abraçando direito a mulher quando ela encostou a cabeça em seu peito, sentindo-se levemente contaminada pela preguiça de . Ele fazia muito aquilo, mas dessa vez nem comemorou por estar temporariamente livre de empacotar as coisas, ainda pensando nos velhos tempos em Bradford, com . – sempre foi completamente louco, mas era um amigo e tanto. Ele chegou a trocar o creme facial de uma garota, a minha primeira namorada, por creme depilatório quando descobriu que ela tinha me traído, anos atrás. Ela ficou sem sobrancelha por meses e foi revigorante, preciso admitir. – Comentou e riu, assentindo com a cabeça.
- Meio cruel, mas justificável. – Murmurou e ele assentiu, concordando com a cabeça também.
- É. – Murmurou. – A gente se divertia muito.
- Você devia ligar para ele. – murmurou em seguida, sentindo enrijecer atrás dela e virou de frente para ele por isso, procurando seus olhos. – Ele, obviamente, é seu melhor amigo, . E você vai casar. Ele devia estar aqui.
- É mais complicado que isso. – murmurou simplesmente e fez uma careta.
- O que aconteceu?
- Foi idiota, mas nem importa mais, é... É tarde demais agora. – murmurou, desconfortável e suspirou quando o viu se levantar, sabendo que aquele era o fim da conversa. não ia contar mais nada, não importava o quanto quisesse saber e ela nem tentou forçar nada, ciente que aquilo provavelmente acabaria irritando o homem. Ainda não estava satisfeita com aquele desfecho, mas tentaria de novo depois.
- Tudo bem. – Ela suspirou também, se alongando ao se pôr de pé também. – Vamos voltar ao trabalho. Ainda falta muito para terminar.

+++


, de fato, tentou de novo depois. contou algumas outras histórias sobre , mas não contou da briga que os afastara. Bem, mesmo sabendo que, seria melhor para ela e para todo mundo se ela soubesse toda a história, para seguir em frente com o que estava fazendo, ela ignorou toda a lógica e procurou, as escondidas, por .
Agora, estava num aeroporto, prestes a ir atrás do garoto em Londres, onde descobrira que ele morava agora. Sabia que aquilo podia dar muito errado, mas também podia dar muito certo e, por isso mesmo, decidiu arriscar. Mesmo com lhe olhando feio em todo caminho até o aeroporto.
- Você vai se casar no sábado. – Ela disse, inconformada quando lhe olhou impaciente, como se pedisse para ela falar de uma vez o que tanto queria.
rolou os olhos.
- Estou ciente, muito obrigada.
- ! Você não pode passar dois dias fora, na porra de outro continente, na semana do seu casamento! Eu nem sei o que você está indo fazer lá e sou sua melhor amiga, que droga! – soltou, exasperada, e suspirou, no fundo sabendo que em seu lugar provavelmente estaria agindo da mesma forma.
- . – Chamou, pousando uma mão em seu ombro. – Você é a melhor madrinha de todos os tempos. Vai dar tudo certo. – Falou tranquilizadora e olhou desacreditada para ela pela tentativa que chamaria de mequetrefe de lhe manipular com elogios. Como se ela já não soubesse de tudo aquilo.
- O sabe disso, não é? Por que, eu juro por Deus, se parecer que você fugiu quatro dias antes de casar...
- É claro que ele sabe. – rolou os olhos, interrompendo a amiga. Nem conseguia imaginar de onde tirou aquilo, era a semana do casamento deles, pelo amor de Deus, é claro que não ia viajar e não falar para ele. Claro, mentira sobre o motivo, mas tinha uma boa justificativa e pretendia voltar para Vancouver trazendo ela consigo. Ele, na verdade. precisava de um padrinho, afinal de contas e finalmente descobrira o candidato perfeito. Não ia deixar aquilo passar. – Olha, vai por mim, . Vai dar tudo certo. Eu volto depois de amanhã e vou estar em casa a tempo da minha despedida de solteira, o que, aliás, é perfeito, ou íamos quebrar nosso pacto.
- Que pacto? – perguntou sem entender, olhando para a amiga, agora repentinamente pensativa.
- Eu e o combinamos de só transar depois do casamento, você sabe, para deixar a lua de mel tão incrível quanto deve ser. Nossa última vez como noivos foi no sábado. – Explicou e rolou os olhos, mas não disse nada. Aquilo era bem a cara deles e, mesmo que fosse falar algo, a chamada pelo voo de despertou as duas mulheres.
suspirou.
- Espero que você seja uma madrinha tão boa quanto eu quando chegar minha vez. – Murmurou, estendendo para seus documentos e ela sorriu, assentindo.
- Vou ser melhor. – Garantiu antes de roubar um beijo na bochecha da amiga. – Estou de volta na quinta! Amo você!
apenas rolou os olhos, observando a mulher correr pelo aeroporto, rindo quando ela quase caiu ao passar para um pedaço do estabelecimento em que o piso era derrapante, o que, aliás, era a cara de . Nem conseguia acreditar que aquela mulher maluca que só tinha ideias propensas a darem errado, mas, de alguma forma, davam certo, ia se casar.

+++


Londres era gelada e chovia uma garoa leve quando finalmente pegou um taxi para o hotel. A noite passou rápido graças ao cansaço pela viagem, mas pela manhã do dia seguinte, seguiu com seu plano, indo atrás do endereço que se orgulhava de falar que descobrira sozinha ser o de . Aquele, na verdade, era o seu trabalho, investigar e encontrar pessoas. Ela era detetive em Vancouver e fora assim que conhecera , mas não era hora para essa história. Ela precisava encontrar .
Se soubesse o que ela estava fazendo agora provavelmente entrariam numa briga gigantesca e, por um instante, um breve e doloroso instante, teve medo que aquilo fosse representar uma ameaça ao casamento, mas tão rápido quanto veio, passou. Ela amava e sabia que ele lhe amava também. Aquilo devia ser suficiente.
Quando finalmente chegou ao endereço de , deu sorte de não encontrar um porteiro para lhe impedir de entrar e correu para pegar o elevador, agindo de maneira casual enquanto assoviava a música de abertura de uma de suas séries favoritas, esperando que o elevador parasse no andar do ex-melhor amigo de seu noivo e, com sorte, futuro padrinho.
- Anh... Eu te conheço? – O garoto da foto perguntou depois de três toques na campainha, fazendo pular de susto por estar bem atrás dela e não dentro de casa como ela esperava. Olhando bem, ele mudara, mas não o suficiente para não ser reconhecido por uma garota que só o vira numa foto de quatro ou cinco anos atrás. Ele parecia ter mais tatuagens, usava o cabelo de um jeito diferente, mas os olhos, os traços do rosto, tudo aquilo meio que lhe denunciava.
- Não, mas eu conheço você. E o . – Ela soltou de uma vez, fazendo uma careta quando a expressão de passou de confusa para fechada, mordendo o lábio enquanto esperava por uma resposta dele. Não achava seguro falar qualquer coisa a mais sem uma resposta ao menos um pouco reveladora. Ela precisava ter certeza da abordagem que ia usar.
- Ah. – murmurou depois de um instante, estragando as esperanças de de ter uma resposta ao menos um pouco reveladora. – O que tem ele?
- Ele vai se casar. – soltou num fôlego só, sorrindo levemente sob o olhar surpreso que não conseguiu esconder. – Comigo.
- V-o... Você? – perguntou, sem conseguir se conter. Já era surpresa o suficiente uma mulher que nunca vira na vida aparecer em seu apartamento e mencionar , agora dizer que ia casar com ele?! De repente, se sentia extremamente perdido. – O-o... O quê... Como isso foi acontecer? – Conseguiu perguntar, fazendo uma careta para as tentativas falhas e sorriu outra vez.
- Eu explico, se me pagar um lanche. – Falou e estreitou os olhos para ela, mas assentiu, fazendo sinal para que ela esperasse um pouco em seguida, enquanto ia pegar algo dentro de casa.
ficou esperando do corredor, mas não conseguiu conter uma espiada dentro do apartamento, tentando ver como era o lugar onde , o suposto melhor amigo de seu noivo, morava. Uma das paredes era verde e havia um quadro igual ao de , dos Vingadores, o que fez sorrir, perdendo tempo demais olhando, já que voltou logo em seguida, fechando a porta atrás de si.
- Vamos? – Ela perguntou e ele assentiu, embora ainda parecesse um tanto confuso sobre o que estava acontecendo ali. não o culpava, mas já ia explicar tudo, de qualquer forma.

Os dois foram para um café não muito longe de onde morava e contou tudo a ele sobre sua história com . Quando se conheceram, ela estava em expediente, o procurando, já que os amigos de na época, não o viam a três dias. riu daquilo e disse que, se fosse ele no lugar dos tais amigos, os dois nunca teriam se conhecido, porque adorava sumir por dias e ele estava perfeitamente habituado com a mania. fez uma careta por isso e continuou a contar, explicando que, desde aquele dia, quando se viram pela primeira vez, os dois acabaram se dando verdadeiramente bem, levando em conta que, mesmo sendo terrivelmente inapropriado, ela não conseguiu conter a risada para as piadas de sobre seus amigos terem, realmente, chamado a polícia por causa dele. No final das contas, ele chamou a garota para sair e, por algum motivo, aquilo surpreendeu .
- Ele deve ter gostado mesmo de você. – Comentou – Eu sempre tinha que convencer a ir atrás das garotas que ele queria.
- Bom, não tinha como ele não gostar de mim. Eu sou um amor. – Ela deu de ombros e riu verdadeiramente daquilo.
- Claro que é. – Ironizou, bebendo seu latte antes de responder. – Por que está aqui, afinal? Faz anos que não nos falamos.
- Você é o melhor amigo dele. – retrucou, como se fosse obvio. Não dava para imaginar não ter seus melhores amigos em seu casamento, não queria que aquilo acontecesse com . – Devia estar no casamento. Vim te convidar.
- Nós não nos falamos há muito tempo, e eu... Eu acho melhor não. – balançou a cabeça, mas era boa em ler as pessoas. De novo, por conta de seu trabalho. Ela conseguiu notar que queria, de fato, ir. Ele queria estar lá quando o amigo estivesse se casando.
- Não vai ser a mesma coisa sem você. – insistiu e rolou os olhos, sem realmente acreditar naquilo.
- Você acabou de me conhecer.
- Eu sei, mas o não. sempre te conheceu, vocês sempre foram amigos e ele vai precisar de um bom amigo lá, . É um momento importante, importante demais, e ele nem tem um padrinho, porque não chamou ninguém. Ele ficou inventando desculpas para mim, mas eu sei quando mente. não chamou ninguém para ser padrinho do casamento porque, no fundo, ele queria que fosse você. Ele quer que seja. – Falou, olhando em seus olhos numa tentativa de fazê-lo ver a importância daquilo, ver que ela acreditava mesmo no que dizia.
suspirou pesadamente, sentindo um incomodo no peito por ter que falar daquilo. Ele sempre agiu como se não significasse tanto, ter se mudado, mas o fato de ele ter feito aquilo da forma que fez, de sequer ter pensado em se despedir, aquilo foi o que mais doeu. Ele já fora abandonado por vezes o suficiente, não precisava daquilo, especialmente vindo de um amigo. Seu melhor amigo. Ele confiava muito em e foi por isso que nunca atendeu suas ligações ou retornou. Tinha medo de abrir aquela ferida outra vez.
- Eu, realmente, desejo toda a felicidade do mundo para ele, . E para você também, você parece legal, mas eu não devia fazer parte disso. Nós tomamos rumos diferentes há muito tempo, não tem sentido tentar reaver uma amizade de tanto tempo atrás agora. – Falou por fim, esperando fazê-la desistir, mas apenas rolou os olhos, sabendo que ele só estava fazendo o que achava mais seguro, com medo de se machucar no fim das contas.
- Está tentando convencer a mim ou a si mesmo disso? – Quis saber, com uma pontada irritação, graças a paciência diminuindo cada vez mais. – , vocês são melhores amigos. Quando o fala de você, quando ele fala... Eu sei que você ainda é muito importante para ele. – Murmurou, tentando colocar aquilo de uma vez na cabeça do outro, que suspirou, abrindo a boca para argumentar, mas então sorriu, ao ver uma tatuagem conhecida em seu braço. Já vira aquilo antes, em . – Tatuagem legal. – Murmurou e piscou, surpreso, olhando da tatuagem para ela, lembrando em seguida de quando fizer aquilo, junto com . Os dois estavam muito bêbados.
- tem uma igual. – Ele murmurou, sabendo no que ela estava pensando e a mulher assentiu. – Isso não muda nada. – Insistiu, fazendo a mulher rolar os olhos.
- Me conta a história. – Pediu, fazendo lhe encarar com uma pontada de confusão no olhar. – Da tatuagem. Me conta a história da tatuagem.

Bradford, seis anos atrás

Os dois amigos tinham certeza que estavam em Londres, encarando a London Eye depois de meia hora no carro dos pais de , que, por algum milagre, estava inteiro. pegara, sem permissão, o carro depois que os pais haviam ido dormir e batera na porta de , carregando o amigo contra a sua vontade para um passeio com nenhuma chance de dar certo, isso porque, claro, queria mostrar a o bom motorista que ele já havia se tornado depois de duas semanas de autoescola.
Depois de algum tempo de amizade, parara de tentar impedir de fazer besteiras, nunca dava certo e ele sempre terminava ouvindo algo como Não seja tão bundão, . Você só vive uma vez, cara. tinha argumentos contra aquilo, muitos até, mas decidira que não valia a pena. ia continuar dizendo a mesma coisa até convencê-lo a fazer o que ele queria, no fim das contas. O garoto era mestre naquilo.
De qualquer forma, eles, na verdade, sequer haviam chegado a sair de Bradford e estavam olhando para um parque de diversões fechados, com uma roda gigante bem mequetrefe para ser comparada a London Eye, mas os dois estavam bêbados demais para notar qualquer uma daquelas coisas.
- Eu posso apostar com você que consigo chegar no topo dela! – exclamou, com a voz embolada e riu verdadeiramente ao ouvir.
- Eu acredito em você, cara. – Falou e soltou uma exclamação animada em resposta, se pondo de pé e tropeçando nos próprios pés ao tentar seguir até o parque. riu outra vez por isso, se levantando para ajudá-lo e os dois quase foram ao chão no percurso. – Não foi o que eu quis dizer, . Acredito que possa fazer, mas não precisa. Você está sempre escalando alguma coisa quando fica entediado.
- É verdade. – murmurou, parecendo refletir sobre o assunto. – Você percebeu!
- É claro, cara. – riu e fez o mesmo, então os dois voltaram a se sentar no capô do carro, tendo alguma dificuldade até mesmo para isso. – Você é o meu melhor amigo. – comentou ao jogar o corpo para trás e riu, assentindo enquanto encarava distraído o céu. As estrelas pareciam estar formando a imagem de alguma coisa.
- Você também, mas olha... As estrelas. – Apontou, cutucando que seguiu, confuso, seu olhar.
- Ei, elas estão formando um dragão! – murmurou, surpreso e assentiu, virando animado para encarar o céu novamente.
- Cara, que legal. – Os dois murmuraram juntos, olhando hipnotizados para o céu. – A gente devia, tipo, totalmente tatuar isso. – murmurou e riu.
- Com certeza.

De volta aos dias atuais

- Porra, eu não acredito. – murmurou, chocada, rindo quando o fez, meneando com a cabeça como se confirmasse. Ela balançou a cabeça, ainda em negação. – Não é possível, . Não, vocês não viram um dragão no céu, e não, de jeito nenhum, estavam sob o efeito apenas de álcool. – Falou, fazendo o homem rir verdadeiramente por isso.
- Justo. – Falou. – A gente tinha fumado um pouco de maconha naquele dia. Qual é, você acha mesmo que estávamos em Londres? Depois de meia hora no carro?
- Eu não, mas vocês com certeza sim e, qual é, , um pouco? – Provocou e ele riu, fazendo que não.
- Ok, talvez mais que um pouco.
- Perfeitamente compreensível então. – murmurou, puxando o braço de para examinar a tatuagem, chocada que ela estivesse perfeitamente bem-feita, com traços finos e incríveis. Meu Deus, eles estavam bêbados quando fizeram aquilo. – Quem foi o maluco que tatuou vocês? – Quis saber, erguendo, curiosa, o olhar para .
- Eu realmente não me lembro. – falou, rindo junto com em seguida. – Mas, bem, pelo menos o cara era bom. Ouvi dizer que as sessões para se livrar de uma tatuagem são caras pra caramba e doem como o inferno.
- É, vocês deram sorte. – murmurou, agradecendo ao garçom quando ele, finalmente, levou o lanche dos dois. Ela estava faminta. – O que você faz da vida, ?
- Estou trabalhando numa loja de discos, por que?
- Estava pensando se, sei lá, você não podia ligar no trabalho e dizer que alguém da sua família morreu. Tirar uma semana de folga. – A mulher murmurou, sem encará-lo e rolou os olhos, não precisando de mais que aquilo para entender onde ela estava querendo chegar.
- , eu agradeço o convite e aprecio o que está tentando fazer, mas não vou para Vancouver com você. Acredita em mim, é melhor deixar isso de lado, muito tempo já passou. – Ele falou e bufou, largando seu lanche para encarar , sem mais nenhuma paciência para aquele joguinho completamente desnecessário entre ele e quando era tão obvio que os dois deviam dar uma chance a amizade que nunca deveria ter acabado.
- disse que vocês brigaram por um motivo estúpido. – Murmurou, arqueando as sobrancelhas como se desafiasse a negar. Ele bufou.
- Eu sei. – Falou. – Brigamos mesmo.
- Por que você nunca retornou nenhuma das ligações dele então? – Ela insistiu e bufou, sem acreditar que ela estava mesmo fazendo aquilo. Porra, que garota chata.
- É mais complicado que isso. – Resmungou simplesmente e imitou, fazendo uma voz exageradamente afetada para tal. , novamente, rolou os olhos, mas antes que pudesse falar alguma coisa, a mulher o fez:
- Tudo bem, não precisa me contar. Não é da minha conta. – Ela falou e, em resposta, estreitou os olhos, desconfiado. Ela não ia simplesmente desistir. Ele conhecia a garota a pouco menos de uma hora e já sabia que ela não ia desistir tão facilmente. – Vou parar de perguntar se vier para Vancouver comigo. – Ela acrescentou em seguida, provando que estava certo e o homem rolou os olhos.
- Bela tentativa.
- Qual é, . – Ela resmungou, impaciente. – Ele é seu melhor amigo e nem adianta mentir, porque eu sei que é. Vocês compartilham uma tatuagem! Com que outro amigo você tem uma tatuagem?
- Ninguém, mas isso não quer dizer nada. Estávamos chapados. – retrucou, sem entender a lógica da garota, que bufou.
- , fala sério. – Resmungou. – Vocês precisam resolver isso ou vão passar a vida toda arrependidos, se perguntando como seria, sentindo falta um do outro. Ele quer você nos momentos importantes da vida dele e eu sei que você quer ele por perto também.
- Como sabe disso? – retrucou, teimoso e rolou os olhos.
- Ele é seu melhor amigo. – Falou, como se fosse resposta o suficiente. E era, infelizmente para , que suspirou. era seu melhor amigo e ele sentia falta dele. Já pensara, é claro, em retornar suas ligações, mas nunca tomou coragem. Não quando ele fora embora sem se despedir, quando lhe abandonou exatamente como seu pai fizera antes. Aquelas coisas traumatizaram e ele sabia que devia a si mesmo pelo menos um desfecho aquela história com , já que não teria com seu pai. – Vem comigo para Vancouver? – pediu novamente, lhe encarando pedinte e grunhiu, frustrado.
- Céus, eu odeio você. – Resmungou, irritado e bateu palmas ao se dar conta que aquilo era um sim.
- Você só precisa conversar com o , . Só isso. – Disse. – Se depois disso, não quiser vir ao casamento, então tudo bem, mas precisa dar uma chance. Promete dar uma chance?
- Eu já disse que vou, . – Ele resmungou, rolando os olhos e ela sorriu mais.
- Você não disse, mas tudo bem. Disse agora. – Falou, animadamente e suspirou, já se perguntando quantas pílulas ia precisar tomar para dormir todo o vôo até Vancouver.
- Realmente odeio você. – Falou, mas ignorou, começando a fazer perguntas sobre a história da tatuagem, como, por exemplo, como diabos os dois garotos foram enxergar a London Eye num parque de diversões de Bradford e, pouco depois, convencendo a contar outras histórias dos velhos tempos também.
+++
Bradford, cinco anos atrás

Aos dezenove anos, quis montar uma banda e adorava cantar, então topou. Era uma coisa simples, eles nunca haviam feito um show de verdade, mas, por incrível que pareça, eles eram bons. tocava bateria e guitarra, mas todos cantavam um pouco também. O baixista se chamava Dylan e no teclado estava Alec. Fora e , os outros não eram exatamente amigos, conversavam sobre assuntos da banda e música no geral, no máximo, mas eles funcionavam bem juntos.
Exceto naquele dia.
Eles estavam tentando uma coisa nova, uma música com a qual não estavam habituados e acabou por errar o acorde pela terceira vez, fazendo uma careta quando bufou, impaciente.
- Desculpe. – Murmurou antes que ele ou os outros garotos reclamassem. – Ainda não peguei o jeito dessa música.
- Bom, isso é obvio. – resmungou, mal-humorado e olhou pelo canto do olho, confuso, mas ignorou. – Vamos. Do começo.
Os garotos recomeçaram, mas, no mesmo pedaço da música, não só errou novamente o acorde como Alec perdeu a deixa para trocar a nota no teclado, fazendo jogar as baquetas para o alto, se pondo de pé, irritado e olhando para os garotos como se perguntasse o que havia de errado com eles. estreitou os olhos, lhe encarando com, praticamente, a mesma expressão.
- Mas qual é o seu problema hoje, cara?! – Perguntou, assustado, especialmente quando viu empurrar a bateria e quase desmontá-la toda para sair do lugar. – !
- Vai se ferrar, ! A gente não conseguiu acertar essa droga de música nenhuma vez por sua causa! – Reclamou, deixando sem ação por um instante e os outros garotos viraram rapidamente para lhe encarar, esperando sua reação.
- É mais difícil do que parece. – Ele retrucou, tentando evitar uma briga, mas , aparentemente, queria exatamente aquilo.
- Ah, deixa de ser bundão, . – Reclamou, rolando os olhos e rangeu os dentes.
- , já chega. – Falou e arqueou as sobrancelhas, virando para ir em sua direção, fazendo Dylan rapidamente ficar em alerta, colocar de lado a guitarra e se preparar para impedir que os dois entrassem num confronto físico. Dylan era atleta, então estava sempre por aí impedindo brigas. e até tinham feito uma aposta; se a banda não desse certo, Dylan ia se tornar policial ou diplomata?
- O que foi, ?! Você vai chorar para sua mamãe?! – O garoto riu, irônico. – Que merda, cara, você faz tudo errado e não quer assumir! Porra!
- ! – gritou, tentando fazê-lo parar. – Porra digo eu, qual é o seu problema, cara?! Olha as merdas que está falando!
- É tudo verdade! – gritou de volta, furioso e todo mundo ali notou que não tinha jeito de o único problema causando tudo aquilo ser a banda. Todo mundo, exceto , que estava sendo aleatoriamente atacado pelo melhor amigo.
- É você que vive agindo sem pensar e eu tenho que te livrar das confusões que arruma! – Retrucou, irritado e riu, como se ele houvesse acabado de contar uma piada, realmente, muito engraçada.
- Você é demais, ! De verdade, você é demais, incrível! – Falou, ainda rindo de maneira um tanto perturbadora e apenas um encarou, sem entender o que estava acontecendo ali e, pior, cada vez menos propenso a tentar. – Olha, vamos encerrar o ensaio e dar a um descanso porque ele é tão, mas tão incrível, pessoal. – murmurou, irônico e rolou os olhos.
- Vai a merda, . Nós dois sabemos que se não fosse por mim você teria se fudido metade das vezes que decidiu arrumar briga com alguém grande demais para você enfrentar. – Retrucou, sem a menor paciência para aquele surto sem motivo, absolutamente do nada.
- Pelo menos eu faço as coisas! – gritou, em resposta. Ele era pura tensão e se não houvesse tanta merda acontecendo em sua vida ultimamente ele com certeza teria notado quão perturbado parecia por estar gritando com , que todos sabiam ser seu melhor amigo, por causa de um ensaio idiota de uma música idiota. – Você precisa de mim até para conseguir garotas, ! Nunca faz nada sozinho porque tem medo demais para tentar, o tempo todo! Sua irmã pode até estar morta, mas ela viveu muito mais do que você vai conseguir um dia!
não precisou de mais do que aquilo para saber que não queria e não iria ficar mais nenhum minuto ali, dando as costas a e aos outros sem falar mais nada, saindo da garagem sem olhar para trás.

De volta aos dias atuais

não conseguia parar de pensar naquela discussão, já se sentindo um tanto nauseado no avião, a caminho de Vancouver, cada vez mais certo que concordar em ir com encontrar fora uma péssima ideia. Ele já nem tinha certeza se merecia todo o rancor que ele guardara, se devia mesmo ter ignorado todas as tentativas do homem de lhe contatar novamente anos atrás.
, naquele dia, estava com a vida virada de cabeça para baixo. Sua mãe começava a entrar em depressão e parecia que não havia nada que ele pudesse fazer para ajudar, sua irmã o ignorava e fazia uma merda diferente a cada dia e, honestamente, ele sentia que estava prestes a explodir o tempo todo. Claro, nada daquilo era justificativa para trazer à tona a irmã mais velha de , que morrera dois anos antes daquela discussão, num acidente de carro, mas ele fizera aquilo mesmo assim e nunca contou que estava indo embora de Bradford. Nunca se despediu ou falou com ele de novo depois daquilo.
Carrie, a irmã de , tinha vinte e três anos quando morreu, a idade de agora. Ela estava bêbada, voltando de uma festa, quando seu amigo, que dirigia também bêbado, bateu num caminho. Os dois morreram na hora. Carrie, na verdade, era inconsequente e irresponsável, mas sempre admirou a irmã por fazer o que queria, quando queria, sem ligar para mais ninguém. Ele sempre quis ser como ela, embora, na opinião de , ele fosse muito melhor que ela jamais seria. O caso é que sabia disso, sabia como se sentia em relação a irmã, sabia quão errado era mencioná-la numa discussão como aquela e começou a pensar se teria feito o mesmo que em seu lugar, se teria ido embora sem se despedir. Os dois eram muito parecidos, na maioria dos aspectos, eles pensavam iguais e embora aquilo pudesse ser ótimo as vezes, em outras vezes era o que levava a problemas como aquele. Um sabia que acabaria fazendo exatamente o que o outro havia feito em seu lugar.
De qualquer forma, eles, por sorte, chegaram a Vancouver não muito depois. Sorte, pelo menos, até lembrar que agora faltava menos ainda para rever . Ele não tinha certeza se estava pronto para aquele momento.
- Não se preocupe, amor. Eu entendo. – falava ao telefone quando os dois entraram no táxi, logo depois de ajudar o motorista com as malas. – Que tal se eu passar aí para almoçar? – Ela sugeriu e virou para lhe encarar ao entrar no carro, com a leve impressão que sabia para onde aquilo estava indo e com certo medo. – Ótimo, só vou passar em casa para deixar as malas e te encontro. Beijos, amo você. – Ela falou antes de desligar, cantarolando distraidamente ao guardar o celular na bolsa e arqueou as sobrancelhas para ela por isso, como se perguntasse se ela achava mesmo que ele ia ignorar aquela ligação. – Era o . – Ela disse, como se aquilo não fosse óbvio e ele rolou os olhos.
- Jura?!
- O que é? – Ela riu, sem parecer entender qual era o problema. – Combinamos que você ia falar com ele.
- Você podia ter me dito que isso aconteceria assim que chegássemos. – retrucou, incomodado e rolou os olhos.
- Está com medo? – Provocou e ele imitou, com a voz afeminada, por falta de argumento melhor. A garota deu de ombros, como se não ligasse. – Vocês precisam disso e já adiaram por tempo demais, . Não enche o saco.
- Você não enche o saco. – Ele retrucou, de maneira no mínimo infantil e riu por isso, mas não falou mais nada. Ia dar a algum tempo para se acostumar com a ideia de ver , privilegio que, aliás, seu noivo não teria. Esperava que ele lhe perdoasse por isso.

+++


- Ei! – sorriu ao ver , abrindo os braços para ela, que sorriu e se aninhou em seu abraço, só então se dando conta que sentira falta dele mais do que era de se esperar numa viagem de dois dias. Os dois nunca passavam um dia sem se falar, afinal de contas, estavam se preparando para morar juntos. Aquilo não devia ser tão surpreendente. – Senti sua falta. – O homem murmurou, beijando o topo de sua cabeça e sorriu, se afastando e beijando-lhe os lábios antes de responder.
sorriu contra sua boca e retribuiu o beijo, segurando em seus cabelos conforme ele ganhava intensidade e mordeu sua boca, se afastando. Cedo demais, na opinião de . Ele queria poder matar as saudades de verdade, mas ainda estavam no prédio onde trabalhava. Ia ter que se contentar com o almoço.
- Eu também senti sua falta. – murmurou, sorrindo com a testa contra a sua e ele sorriu também por reflexo, roubando lhe outro beijo. Ela sorriu contra sua boca, se afastando ou esqueceria de esperando do lado de fora. – Mas menti para você sobre essa viagem. – Ela confessou de uma vez, tentando se concentrar. Tinha um propósito, afinal de contas.
Ficou apreensiva vendo estreitar, confuso, os olhos.
- Como assim? – Perguntou, sem parecer entender o que ela estava falando e estendeu a mão para ele, que pegou, confuso. – …? – Ele perguntou enquanto a noiva lhe arrastava para a saída do prédio.
- Tudo que eu vou pedir é que, por favor, antes de ficar bravo comigo, converse com ele. – falou, virando novamente para encarar , pousando as mãos espalmadas em seu peito com o olhar pedinte sob o seu. Ele devia ter entendido do que aquilo se tratava assim que ela falou aquilo, mas não o fez, assentindo ainda confuso para suas palavras, só para, em seguida, deixar que a boca se abrisse ligeiramente com o choque de ver aparecer bem atrás de sua noiva.
- ? – Perguntou, sem conseguir acreditar no que seus olhos lhe mostravam.
- Oi, cara. – murmurou, sem jeito, enfiando as mãos no bolso e se afastou de , saindo do meio dos dois.
- Vou deixar vocês dois conversarem. – Murmurou, fazendo virar para lhe encarar, como se perguntasse como ela foi fazer aquilo. soltou um pequeno e culpado sorriso em resposta. – Eu precisei. Vocês dois deixaram isso rolar por muito tempo, . – E, sem falar mais nada, ela deu as costas, entrando no táxi que não havia notado que esperava por ela até então, lhe obrigando a virar para novamente.
- Podemos conversar? – perguntou por fim, depois de o que lhe pareceu uma eternidade com lhe encarando em silêncio, sério demais. Nunca, em um milhão de anos, ele imaginaria que fosse ser ele a ir atrás do amigo, mesmo que, na verdade, houvesse feito a coisa toda acontecer, nem desconfiava quando pegou o avião para Vancouver, sabendo que ele iria vê-lo.
assentiu e os dois seguiram caminharam um pouco, sem seguir para nenhum lugar especifico. só achava mais seguro ficar ao ar livre, começando a se sentir claustrofóbico mesmo assim. Não estava preparado para aquilo.
- Eu sinto muito. – falou por fim, depois de pelo menos uns três minutos em silêncio, um silêncio pesado e incomodo, para se dizer o mínimo. – Eu nunca devia ter dito aquilo sobre a sua irmã. Sei como se sente em relação a ela, mas, , quanto a isso, você estava errado. Ela nunca foi melhor que você. – Falou, fazendo olhar pelo canto do olho para ele, sentindo o peito afundar inevitavelmente por pensar em sua irmã, naquela briga com . Tudo estava se misturando rápido demais, de maneira intensa demais dentro dele. – Cara, na sua idade ela nem sabia o que queria fazer da vida. Eu juro que não estou tentando ofendê-la, , mas olha onde você está. – Ele apontou para o homem, que não falou nada por um instante. Ele não tinha certeza, na verdade, de como devia reagir aquele momento. – A é incrível. Vocês vão casar, você está muito bem empregado. E você tem a idade que ela tinha quando morreu. – falou, cuidadoso. Ele, realmente, não queria ofender , mas precisava falar aquilo, para o caso de ele não saber ainda. De ele ainda se perguntar porque sua irmã era tão melhor que ele. Ela não era. nunca entendeu porque ele achou que ela era quando a garota só estava perdida e descontrolada e, claro, ele se sentia mal por ela ter morrido tão cedo, por não ter conseguido se encontrar, sabia o que aquilo fizera com , que a admirava tanto, mas ele precisava entender aquilo. Precisava entender que ela não era melhor que ele. Nunca foi.
- Me desculpe por não ter me despedido. Eu realmente devia. – falou por fim, optando por isso ao em vez de continuar a falar de sua irmã ou de sua morte, de tudo que sentira. – Sei que já foi difícil o suficiente para você quando seu pai fez isso, mas eu... – parou, fungando e olhando em volta antes de parar de andar para ficar de frente para . Se iam fazer aquilo, tinham que ser honestos e olhar nos olhos um do outro. Falar tudo que tinham para falar. – Eu não conseguia encarar você depois de ter dito aquelas coisas e eu nem sabia de onde tinha surgido nada disso. O que me deixou mais frustrado talvez tenha sido isso. Eu me senti traído , por você ter preferido brigar a falar comigo. Éramos amigos, não éramos? – Ele encarou o homem à sua frente como se perguntasse e respirou fundo, sentindo um gosto amargo na boca.
- Minha mãe... – parou, engolindo em seco. Ele nunca falara sobre sua mãe com ninguém antes. – Ela estava entrando em depressão naquela época. Eu não sabia o que fazer, mas estava com raiva. Raiva de tudo, de todo mundo. – Explicou, pensando em como fora praticamente impossível fazer sua mãe levantar da cama por vários dias, até ele encontrar os exames. – Eu não sabia porque, sabia que não tinha nada a ver com o meu pai, ele já tinha deixado a gente há tempo demais, mas eu não conseguia imaginar outro motivo. Até encontrar os exames médicos dela. – fechou os olhos por um instante, como se procurasse forças para continuar a falar sobre o assunto. – Pouco depois de você ir embora, descobri que ela tinha câncer. Ela foi uma guerreira incrível, na verdade, morreu há um ano e meio e eu... Eu odiei passar por aquilo sozinho. Minha mãe estava morrendo, . Ela estava morrendo e eu tinha que ser forte e fingir que não esperava o pior, que tinha certeza que ela ia ficar bem. Eu tinha que acreditar para ela acreditar.
Aquilo foi como um soco no estomago para , que se sentiu péssimo, para se dizer o mínimo. Ele devia saber, conhecia , afinal. Imaginou, ainda por cima, que havia algo de errado com ele, mas se deixou magoar e dar as costas ao amigo quando ele mais precisava. se odiou por um instante.
- Eu sinto muito, . – murmurou por fim, sem saber o que mais podia dizer ou fazer àquela altura. – Eu sinto muito de verdade.
- Eu sei. – falou, erguendo o olhar para o céu e sorrindo triste. soube sem precisar de muito mais que ele estava tentando não chorar por pensar na mãe. – Depois que você foi embora, que ela morreu... – parou, fungando. – Esquece.
- Fala. – insistiu, duvidando que pudesse sentir piro àquela altura.
- Eu deixei muita coisa boa passar, eu perdi umas garotas incríveis por medo de me envolver e eu, eu fiquei tentando recomeçar, eu fiz muita coisa para isso, mas, no fundo, eu só queria que tudo voltasse a ser como era antes. Lutei uma batalha perdida, várias batalhas perdidas e foi uma droga. – murmurou e respirou fundo.
- Parece que você precisava de um amigo. – Falou e assentiu, sem olhar para ele. sorriu triste. – Eu sinto muito por não ter estado lá.
- Eu devia ter retornado suas ligações. – murmurou por fim. – Não teríamos precisado que sua noiva voasse até Londres na semana do seu casamento para me encontrar. – Comentou e riu, assentindo. riu também, num breve momento de descontração antes que soltasse. – Você demorou demais para desistir de ligar. Eu não sei se teria feito isso.
- Eu nunca duvidei de mim mesmo, não em relação a nossa amizade. Me arrependi no instante em que cheguei em Vancouver por não ter falado com você. – murmurou, voltando a ficar tenso, inevitavelmente. – Mas eu duvidei de você e em algum momento só cansei de olhar para mim mesmo pelo retrovisor, de só ver quem eu era em Bradford, com você, a sua sombra, a sombra de Carrie... Eu precisava me entender comigo mesmo. Parei de ligar ao notar isso. – Falou e assentiu, sem dizer nada por um instante. sorriu de leve em seguida. – E você teria, sim, feito o mesmo. Somos iguais, .
sorriu, virando novamente para encará-lo.
- Acho que somos. – Disse e os dois se encaram por um instante antes que abrisse os braços para , que, finalmente, o abraçou. passou os braços em volta do amigo, escondendo a cabeça em seu ombro enquanto era atingido por todo seu passado, pela história de sua amizade. Aquilo nunca devia ter acabado da maneira que acabou e os dois mantiveram o abraço por mais um longo instante, tentando unir o passado e o presente, deixar ir toda a merda que acontecera entre eles. – Então, isso quer dizer que você, finalmente, tem um padrinho? – perguntou quando se afastaram e riu verdadeiramente ao ouvir, assentindo com a cabeça.
- Acho que sim. – Falou, sorrindo quando o fez. – Obrigado por vir com ela, cara.
- Obrigado por estar aqui. – falou, aliviado que, no fim das contas, pudesse sim reaver aquela amizade, de tanto tempo atrás.

+++


riu baixo ao adentrar o quarto onde estava, na igreja onde aconteceria seu casamento, vendo o amigo andar nervoso de um lado para o outro e pegou o celular no bolso, digitando uma mensagem para . ‘’Ele surtou’’, avisou, já que a mulher, em algum momento, havia contado a ele sobre a aposta dos dois, convencendo a lhe contar se ele surtasse e quisesse desistir.
- Ei, cara. – chamou, fazendo se virar imediatamente para ir em sua direção, pousando as mãos em seu ombro.
- , até que enfim. – Murmurou. – Eu não posso fazer isso, cara. Tem que me tirar daqui. – Pediu, fazendo rolar os olhos.
- Não seja bundão. – Disse simplesmente, saindo de perto dele. – Acabou de perder sua aposta, aliás. O que ganhou de você, hein? – Virou, curioso, para encarar o amigo ao chegar perto da janela e o olhou como se perguntasse do que diabos ele estava falando, levando um instante para lembrar da aposta.
- A posição que faríamos pela primeira vez na lua de mel. – Ele falou, fazendo uma careta ao pensar naquilo. Ele tinha umas posições verdadeiramente boas em mente, droga. – Mas isso não importa, nem vai haver uma lua de mel. – Retrucou, lembrando que estava surtando e riu verdadeiramente ao ouvir aquilo.
- Quer dizer que vai perder a chance de conhecer o Caribe? Que idiotice. – retrucou, sem levá-lo a sério e o olhou furioso por isso.
- Porra, ! Estou falando sério aqui! – Reclamou e rolou os olhos, abrindo a porta em seguida e fazendo sinal para que fosse até lá. – O que é?! – perguntou, sem entender, se aproximando.
- Só vem comigo. – Chamou e, desconfiado, o seguiu, sem saber que , na verdade, o estava levando até a suíte onde estava. Quando abriu a porta, praticamente escancarando, no entanto, gritou de lá de dentro e se pôs em sua frente, tentando esconder a noiva de .
- , qual é o seu problema?! Isso dá azar! – Reclamou, irritada e rolou os olhos, fazendo pouco caso, embora se encolhendo atrás dela, tentando inutilmente esconder seu vestido gigantesco fosse um tanto cômico.
- , meu amorzinho, esses dois foram feitos um para o outro. Não tem como uma superstição idiota estragar isso. – Ele disse simplesmente e não pôde retrucar contra aquilo, então passou pelos dois, seguindo em direção a , que prendeu o ar por reflexo.
- Caramba, você está linda. – Ele sussurrou, sorrindo de maneira idiota em seguida e a garota fez o mesmo, sem conseguir se conter, os olhos marejando simultaneamente e a cerimônia ainda nem começara.
- Eu te amo. – Ela sussurrou, limpando os olhos com as costas da mão e rolou os olhos atrás dos dois ao ver isso.
- Vou ter que refazer a maquiagem dela. – Resmungou baixinho. – Muito obrigada, . – Cutucou as costelas do homem, que riu e apontou o casal.
- Você, definitivamente, vai. – Falou, já que eles estavam aos beijos e grunhiu, indo afastá-los.
- São só mais algumas horas, pelo amor de Deus, vocês são o que, animais?! – Reclamou, mas nenhum dos dois prestou atenção, focados nos olhos um do outro. teve mais certa do que nunca que ela era a pessoa certa, que queria aquilo e não conseguiria mais, nem que tentasse, imaginar sua vida sem ela.
- Eu também te amo. – Sussurrou por fim e ela sorriu.
- Vejo você daqui a pouco. – Falou e ele assentiu, deixando que o arrastasse para fora em seguida, com os olhos colados aos da futura esposa até que a porta fosse fechada e o contato visual do casal quebrado, mas não ligou. Aquilo era o suficiente, aquilo e pensar que poderia olhar para ela pelo resto da vida. Iria aonde ela quisesse, quando quisesse, se pudesse olhar para ela.

As long as you look me in the eyes
I'll go wherever you are, l follow behind




FIM



Nota da autora: Gente, socorro, que eu escrevi, mas amei ela inteirinha! Espero que tenham gostado também! Escrever mais focada na amizade do que no romance foi uma experiência nova, mas deliciosa. Claro que a música ajudou, levando em conta que é sobre Zouis, não tentem me dizer o contrário porque não vou aceitar hahaha
Enfim! Espero que tenham gostado da história tanto quanto eu gostei de escrevê-la! Por favor, comentem e me digam o que acharam, nem que seja para baixar minha bola, é válido também hahaha
Beijão <3







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