Fanfic finalizada.

Capítulo Único

A primeira coisa da qual tive consciência foi de como meu batimento cardíaco estava acelerado. Imediatamente, meus olhos se abriram, como se meu corpo tivesse sido forçado a entrar em estado de alerta e identificar a origem do problema, fosse ele qual fosse.
A claridade incomodou minha retina, me forçando a fechar minhas pálpebras novamente, apertando-as para me livrar da dorzinha súbita e inconveniente, então as abri mais uma vez, procurando ser mais cautelosa e o fazendo de modo mais vagaroso.
Eu sabia que ainda levaria alguns minutos para que seus olhos se habituassem ao ambiente, mas não tivesse escolha a não ser forçar um pouco a situação para que conseguisse identificar onde diabos eu estava.
Percebi que me encontrava sentada em alguma cadeira pouco confortável e pela dor que eu sentia no pescoço e bem no meio da cabeça podia deduzir que havia dormido.
— Numa sala de espera de hospital? — questionei para mim mesma, analisando as pessoas que circulavam pelo ambiente e constatando que eu definitivamente estava em um hospital.
O que tinha acontecido para eu estar ali? Esperava por alguém que estava sendo atendido ou algo aconteceu comigo e eu aguardava atendimento?
Apalpei a mim mesma, procurando por qualquer coisa que alertasse um ferimento, mas aparentemente a única dor que eu tinha era causada pela má posição em que havia cochilado.
Tentei forçar minha mente a trazer qualquer memória que fosse me ajudar a responder minhas perguntas, mas para a minha enorme surpresa não havia nada.
Se antes meus batimentos estavam acelerados, naquele momento eu estava prestes a explodir.
Como eu não conseguia lembrar de como fui parar em um hospital? Eu havia batido a cabeça ou algo do tipo?
O nervosismo com toda a situação atrapalhou minha visão das coisas ao meu redor, porque eu só consegui localizar a mesa da recepção depois de alguns segundos murmurando para mim mesma que eu precisava me acalmar.
Levantei um pouco rápido demais, mas, ao contrário do que imaginava, não fiquei tonta, o que acabou facilitando meu trajeto até a recepção, onde eu poderia conseguir algumas respostas.
— Boa tarde… Holly? — comecei, após uma olhada rápida na direção do relógio de parede e do crachá da garota, que sequer olhou na minha direção enquanto digitava ferozmente em seu computador.
Soltei um pigarro, a fim de chamar sua atenção, mas ainda assim não obtive resultado. Não importava, aquela garota ia ter que me atender uma hora ou outra.
— Eu acabei de acordar ali na sala de espera e não lembro de nada. Será que você pode me ajudar? Eu, por acaso, fui atendida ou estou esperando alguém?
Ainda nenhum sinal de que ela ouvia as minhas palavras e aquilo começou a me irritar.
— Olha aqui, eu sei que vocês atendem vários e vários pacientes, então fica bem difícil lembrar de cada caso, mas realmente estou perdida e…
— Boa tarde, querida. Muito movimento hoje? — Uma mulher parou ao meu lado e para a minha surpresa Holly ergueu sua cabeça no mesmo instante.
Mas que porcaria era aquela?
— Boa tarde, Beverly. Até que está tranquilo — Pegou um bloco de papéis e estendeu para a tal Beverly, que imediatamente o assinou.
— Ei, como assim você finge que eu não falei contigo e ainda atende outra pessoa na minha frente? — Me meti, esperando atrair sua atenção.
— Obrigada, querida. — Sorriram uma para a outra.
Beverly entregou os papéis de volta, aceitando o adesivo que indicava que a mulher visitava alguém.
— Até mais — Holly sorriu simpática e voltou-se para o computador quando a mulher saiu.
— Olá? Eu estou aqui ainda, sabe? Não é possível que você não tenha me escutado nenhuma vez!
A ideia de que ela realmente não podia me ouvir me assombrou e só para fazer um teste eu abanei minha mão em seu rosto.
E mesmo prestes a levar um tapa na cara, Holly não se moveu.
O que era aquilo?
O que estava acontecendo?
De repente, parecia que o chão abaixo de meus pés havia sumido.
Saí do balcão da recepção e corri até a primeira pessoa que encontrei em meu caminho. Era uma senhora que, pelas roupas, também trabalhava no hospital.
— Por favor, me diz que você tá me vendo e me ouvindo! — implorei, sentindo a angústia subir pela minha garganta. A qualquer momento, eu desabaria ali mesmo.
E foi o que de fato aconteceu quando fui completamente ignorada mais uma vez.
— Alguém consegue me ouvir? Por favor! Alguém? — Entrei em desespero e quando me dei conta corria pelos corredores do hospital enquanto gritava. Meus olhos foram se enchendo de lágrimas e essas não tardaram a escorrer pelas minhas bochechas. Era como se eu fosse um fantasma.
— Céus! Será que eu estou morta? — questionei em voz alta, mesmo sabendo que nada havia mudado e ninguém iria me ouvir.
— Talvez esteja. Só dá pra descobrir isso achando sua forma física. — A voz masculina me assustou e eu olhei à minha volta, procurando de onde aquilo havia saído.
— Como assim? — Ainda estava perdida e surpresa por alguém ter finalmente notado a minha presença.
— Eu imagino que se você encontrar onde está o seu corpo, também descobre se ainda está viva ou se realmente essa é a sua versão de um fantasma — ele respondeu e finalmente consegui localizá-lo, encostado em uma das paredes de forma displicente enquanto me encarava com curiosidade.
Me surpreendi com o quanto ele era bonito. O tipo de cara que seria capaz de me conquistar em um piscar de olhos até sem querer.
— Isso quer dizer que você é um fantasma? — Não consegui controlar a vontade de perguntar.
— Não. Estou mais para algum tipo de projeção astral — explicou e eu não entendia absolutamente nada sobre esse assunto. — Minha forma física está em coma faz uns meses.
— Oh, eu sinto muito. — Me senti mal de repente, não esperava por aquilo e, sinceramente, ainda não tinha ideia de qual destino era pior: morte ou tortura?
— Tudo bem, não se preocupe. — Sorriu e, nossa, ele tinha um sorriso incrivelmente bonito.
Aquele homem tinha algum defeito?
— Sabe, você é a primeira pessoa com quem eu falo por aqui. Eu estava literalmente perdendo a cabeça sem ter com quem conversar — ele confessou.
— Tô surpresa por você não ter ficado completamente maluco. Experimentei por apenas algumas horas e senti como se já estivesse ficando maluca.
— A princípio, tive um surto muito parecido com o seu, mas com o tempo acabei acostumando. — Deu de ombros.
— Não sei se consigo passar meses aqui assim. — Fiz uma careta.
— No fim das contas, isso não depende de nós. Porém completamente entediada você não vai ficar.
— Ah é? — ergui uma sobrancelha, vendo-o sorrir de canto dessa vez.
— Eu conheço algumas coisas que podem ajudar. Me acompanha? — Estendeu a mão para mim e sem pensar muito eu a segurei. Meu rosto se contorceu porque era estranho tocar alguma coisa e não senti-la.
Me perguntei mentalmente se a dor na cabeça que senti antes não seria apenas ilusão minha.
— Espera! — murmurei, quando ele fez menção de caminhar e me guiar consigo. — Não vou sair por aí com um completo desconhecido. Me diz o seu nome!
. — Tive uma sensação estranha de familiaridade ao ouvir seu nome, mas talvez fosse apenas coincidência.
— É um prazer te conhecer, . Eu sou .
Permiti então que ele me levasse por todos os cantos daquele hospital. Ele conhecia cada pedacinho mesmo e eu quis perguntar há quanto tempo estava em coma, mas sentia receio de fazer isso e o rapaz acabar se chateando ou algo do tipo.

A pior parte de se estar naquela forma era que eu não podia simplesmente invadir um computador para descobrir alguma coisa sobre o que havia acontecido comigo. Então a solução era entrar de quarto em quarto.
Nós começamos pelos andares inferiores e não me encontrar em nenhum deles tão cedo era realmente frustrante. era sempre gentil comigo e procurava me acalmar, prometendo que nós descobriríamos tudo uma hora ou outra.
— Posso te fazer uma pergunta? — chamei atenção dele. O céu lá estava escuro devido ao cair da noite, então ele me levou até o último andar, um lugar incrível, de onde se tinha a melhor visão das estrelas.
— Claro que pode — respondeu de imediato.
— O que aconteceu com você? Você sabe? Imagino que sim, mas… — Fui ficando nervosa pela forma como ele me olhava.
— Acidente de carro enquanto eu vinha para o trabalho — contou. — Ouvi dizerem até que é um milagre eu estar vivo.
— Eu realmente sinto muito, . — Desviei meu olhar do céu para encarar o rosto dele.
— Vamos pensar pelo lado bom. Se não fosse por isso, nós nunca nos conheceríamos, não é? — Sorri feito idiota ao ouvir isso.
— Provavelmente não. — Acabei concordando.
Sendo completamente honesta, eu estava cada vez mais encantada por . Ele era o meu tipo de cara em todos os sentidos, então não me render totalmente a esse homem seria uma completa loucura.
Era como se o destino tivesse nos unido e de repente me peguei não querendo mais acordar do que estava acontecendo comigo, fosse o que fosse.
Pelo jeito que os olhos dele brilhavam na direção dos meus, talvez o que eu estava sentindo por ele fosse recíproco.
Vi que movimentou sua mão, então entrelaçou à minha e, mesmo que eu não conseguisse sentir o toque de sua pele, era como se vários fogos de artifício explodissem dentro de mim. Não entendia como era possível eu me render a alguém tão rapidamente.
— Não sei se isso tudo é mesmo real, mas eu estou feliz em ter te conhecido, .
— Que bom, . É recíproco.

Nós dois gostávamos de ficar observando os médicos e enfermeiras no refeitório durante seus intervalos. Era interessante quando comentavam alguma coisa sobre os pacientes que atingiam, mas confesso que também adorava ficar por dentro de tudo o que rolava por ali.
Então escutamos um dos médicos mencionar meu nome e permanecemos em alerta, ansiando por mais detalhes.
No fim das contas, foi apenas uma questão de seguir o médico em questão, porque ele mesmo mencionou precisar visitar a senhorita .
Hesitei diante da porta do quarto 513. Como se passar por ela fosse fazer tudo o que eu estava vivendo ali com desaparecer.
— Estarei contigo, — ele assegurou.
— Não quero perder isso aqui, — confessei e ele sabia ao que me referia. Não queria perder nós dois.
— Não vai perder — prometeu, sorrindo para mim e não vi como não retribuí-lo.
Adentrei então o quarto, encontrando a mim mesma em uma das macas. Havia vários fios conectados ao meu corpo enquanto monitores acompanhavam minha frequência cardíaca, entre outras coisas. Analisei meu rosto, notando alguns ferimentos e hematomas. Como , talvez eu estivesse em coma devido a um acidente.
— Quem será que está na maca ao lado? — perguntei para porque havia cortinas à sua volta.
Dei alguns passos, mas parei porque estranhei a ausência de respostas dele.
? — chamei por ele, então olhei em volta e senti meu estômago afundar.
havia sumido.
Como eu sobreviveria àquilo sozinha?
O ar me faltou, minhas mãos tremeram e de repente eu senti minhas pálpebras pesarem, me puxando para a inconsciência.

Quando meus olhos tornaram a se abrir bruscamente, eu quis gritar por , mas minha garganta estava seca e dolorida.
Tentei me mexer, mas estava imobilizada por vários fios plugados ao meu corpo, então me dei conta do que tinha acontecido.
Eu havia acordado do coma.
Procurei por ajuda de alguma enfermeira e ela me garantiu que acionaria meus familiares para avisar que eu havia acordado.
Não estava preocupada com isso. Só me importava naquele momento.
Voltei a pegar no sono lembrando do belo rosto dele e quando acordei novamente, percebi uma certa movimentação na maca ao lado. Me inclinei para espiar o que acontecia ali e as cortinas haviam sido abertas, indicando que quem estava ali não oferecia mais perigo.
E foi quando focalizei o rosto de meu colega de quarto que senti todas as coisas perfeitamente encaixadas. Porque era ele.
? — chamei, vendo-o virar o rosto em minha direção e sorrir.
.


FIM



Nota da autora: Espero que tenha gostado dessa história tanto quanto eu gostei de escrevê-la. Essa música é absolutamente TUDO pra mim.
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Beijos e até a próxima.
Ste.



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