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09. Count 'Em One, Two, Three






Finalizado em: 13/08/2017

Único



12:45


— Eu odeio ele!
A garota berrava alto depois de ler a mensagem no celular dizendo que seu namorado tinha ido jogar futebol, mas bem no dia em que eles faziam 3 anos de casamento, isso fazia a garota ficar irada, iria mata-lo.
A relação dos dois sempre foi esse amor e ódio, já que se odiavam antes mesmo de namorar, mas, sem dúvida o amor e a atração superavam esse ódio. Ele era a pessoa mais amável no mundo quando queria e especialmente quando ela estava brava com ele, porém, não ficava para trás no quesito provocação. Era um relacionamento difícil, mas completamente cheio de amor mútuo, tanto que já se passaram anos sem nenhum término.
queria enfiar a bola garganta abaixo do marido, ele sempre arranjava um jeito de irrita-la. Resolveu que iria até o jogo e iria trucida-lo na frente de todos os seus amigos, por conta do calor ela resolveu colocar uma roupa fresca e simples, não precisava estar chique para bater em , pegou sua bolsa e seus óculos de sol já indo em direção ao carro.
— Cara, você está tão ferrado – Um dos amigos de apontou para o horizonte e a silhueta de sua esposa que descia do carro.
Ela estava brava, bem brava, ele notou isso com o pisar forte no chão e as mãos apertadas em forma de soco, ela ficava linda com aquela cara de brava, ele estava ferrado.
— Amor — Ele disse de braços abertos — Que bom que veio!
— Que bom que veio? — Ela falava com raiva – Você é um bosta sabia? Sabe que dia é hoje por acaso?
— Sábado? — Ele sabia que fariam 3 anos, mas a raiva dela era impagável.
— Meu deus, eu vou te matar, sério seu otário!
Um murro veio em direção a ele que segurou os braços da namorada, quanto mais ela tentava bater mais ela ficava imóvel já que era muito mais forte que a moça, envolveu-a em um abraço e começou a depositar beijos aleatórios, o que a deixava mais brava ainda.
— Desgruda! — Ela se debatia.
— Promete que não vai mais me bater?
— Não! — Ele a beijou mais — Ok! Me solta!
— Amor, eu sei que hoje é nosso aniversário, mas eu avisei que ia jogar hoje.
— Mentiroso!
— Lógico que avisei, e você ainda concordou.
Ela tinha uma vaga lembrança dessa conversa já que quando ele disse isso a garota estava ocupada demais recebendo carinhos dentro do chuveiro que ele mesmo fazia.
— Seu maldito, aquela hora eu não estava em condições de responder nada você sabe!
— É definitivamente eu sei — Ele falou com um tom malicioso levantando risadinhas dos amigos.
A garota ficou sem graça, ela realmente tinha deixado, mas ele perguntou na pior hora sabendo que ela aceitaria tudo, manipulador, tinha vontade de enforca-lo.
Ele se despediu dos amigos e foi em direção ao carro da namorada que estava estacionado, vieram o caminho todo discutindo para ver quem tinha razão daquela vez, nenhum dos dois cedia, era sempre assim uma briga para provas onde estava a razão, se é que existia uma.
— Obviamente eu ia aceitar , eu não estava em condição nenhuma para declinar algo.
— Se você deixou então eu fui jogar, como eu ia saber que você não estava em condições.
— Você é um manipulador, sabia que eu não ia conseguir declinar já que eu estava muito ocupada.
— Dane-se.
Ele não aguentou ver a cara de brava da esposa emoldurada por aquele corpo curvilíneo que estava tentadoramente dentro de um short curto demais para o autocontrole de um homem. A agarrou na porta de casa mesmo, enquanto ela tentava enfiar as chaves, estava de tarde e provavelmente alguma criança brincava na rua. Ele mesmo enfiou as chaves bateu a porta atrás de si pegando a esposa no colo, colocando-a em qualquer superfície sólida que encontrasse, o corpo da mulher se esparramou na mesa de visitas e com a mesma pressa que ele já tirava a sua blusa e a do seu cônjuge passando suas unhas de leve em seu abdômen olhando com desejo para aquele com quem se casara. tirou o resto da roupa da moça que estava agora completamente nua na mesa, observou esse momento e queria guarda-lo para sempre, mas a moça o puxou pelo cós da calça em sua direção e a desabotoou enquanto distribuía beijos em seu pescoço. Não havia tempo para preliminares quando aquele desejo emanava dos dois e em um ato carnal ele a penetrou sentindo todo o seu corpo se contrair nele e por ele. Era difícil se controlar desse jeito, a moça com seu corpo perfeito se contorcia de prazer pedindo por mais, se movimentavam a ponto de quererem se fundir um com o outro, aquele desejo carnal transpirava pelos poros dilatados de cada um. Não demorou até a moça atingir seu ápice e ele se deixou levar em seguida, estavam ofegantes e cansados, o rosto da moça tombou para o lado ao observar o marido gravando cada detalhe de seu rosto perfeito, amava muito aquele homem e seu olhar de amor era correspondido na mesma intensidade, o sentimento ali era forte, tão forte que poderia ser palpável, se amavam com todas as forças.
— Eu te amo.
— Eu também te amo, com todo o meu ser .
Levantaram e se envolveram em um abraço, caminharam em direção ao chuveiro e ficaram ali curtindo a presença um do outro, apaixonando-se cada vez mais e cada dia mais.

19:30


olha a hora! — O homem dizia impaciente olhando o relógio de pulso enquanto aguardava a esposa se arrumar.
— Espera! – Ela gritou do andar de cima
Estavam se preparando para ir a festa do melhor amigo de , o mesmo que juntou os pombinhos, resolveram comemorar o aniversário outro dia pois não podiam perder essa festa, ficaria arrasado caso eles não fossem, mas a moça já estava 30 minutos atrasada.
O tempo de espera foi compensado quando ele viu a morena descer com um vestido rendado cor creme e os cabelos ondulados destacando seus olhos de ascendência japonesa, as pernas grossas se destacavam graças ao salto alto.
— Me dê um motivo para não repetir o que fiz de manhã e te agarrar nessa mesma mesa.
— Porque eu demorei uma hora para me arrumar, e você não quer ter que esperar de novo.
Ele deu o braço para a moça a conduzindo até o carro, dirigiu tentando ao máximo se concentrar na avenida e não nas pernas desnudas da esposa tornando a tarefa de chegar lá uma missão árdua.
Ao chegar na festa a música ribombava nos ouvidos antes mesmo do casal entrar, a casa noturna havia sido fechada especialmente para a festa, indicaram o lugar que e o resto dos amigos estavam, uma mesa lotada de bebidas e com alguns rostos desconhecidos nela. Até que ela o viu, o mesmo olhar de desprezo de anos atrás atravessara as entranhas de . Edward está lá.
Flashback
acordara de súbito, olhou para o relógio que marcava 4 da manhã, sua cabeça ainda doía, resultado da briga que teve com Edward. Se ele não queria aquele filho ela iria dar um jeito e cuidaria de dele sozinha.
Sentiu uma pontada forte na barriga junto com um súbito enjoo, notou o colchão molhado e por isso levantou os lençóis observando a enorme poça de sangue que vinha dela, procurou por algum corte e não achou.
Tentou ligar para o namorado, mas ele ficar feliz em saber que ela estava abortando, decidiu ir sozinha para o hospital, pegou as chaves do carro e saiu de casa, ainda na garagem viu seu odioso vizinho chegar de alguma festa, seu dia não poderia estar pior, tentou abrir a porta do carro, mas desfaleceu antes de entrar.
Acordou em um lugar claro demais para seus olhos se adaptarem, aos poucos viu que haviam flores na cômoda do lado e do outro estava , seu vizinho, lendo alguma revista.
— Oi. — Ele disse — Bom dia, como você está se sentindo?
— O que aconteceu?
— Você estava sangrando e desmaiou, eu te trouxe para o hospital de madrugada.
— Bom dia, senhorita Evans — Um homem de jaleco entrou no quarto – Eu sou o Dr. Ford, médico ginecologista de plantão, ele é seu namorado?
— Não, não sou — falou um pouco sem graça — Vou esperar lá fora.
— Bom senhorita, como você se sente?
— Eu estou bem, um pouco cansada, mas bem.
— Você sofreu um aborto espontâneo noite passada, perdeu bastante sangue o que justifica o cansaço, infelizmente, como o bebê ainda era pequeno não conseguimos salva-lo.
O coração da moça de despedaçou naquele momento, era uma gravidez recente, mas ela já se sentia mãe, seus olhos se encheram de lágrimas e o coração afundou mais ainda, não seria mãe.
— O aborto foi causado por um stress muito grande — Lembrou da briga com Edward — E infelizmente seu útero sofreu uma lesão, isso a impossibilitará de ter filhos futuramente. Vou chamar sua visita e temos atendimento psicológico caso necessite.
Ela não conseguiu mais segurar o choro, que agora saia descontrolado e descompassado, sua respiração falhava. Ela não poderia mais ser mãe no final das contas, isso é um choque para uma mulher com apenas 18 anos, pensar que nos anos seguintes jamais seria contemplada pela maternidade. Ela sentiu um braço envolve-la, apesar de ser seu vizinho ela aceitou o consolo e desabou aos prantos, permitiu que toda a dor e tristeza saíssem naquele choro forte e cheio de dor, e ele ficou silencioso apenas deixando os sentimentos da moça fluírem sem abandona-la. Explicou como seu namorado não queria o bebê e a briga que tiveram, ele a ameaçou chegando a ponto de elevar sua mão para ela, ainda a torturou psicologicamente falando que falaria para todos que o filho não era dele e que ela era só mais uma vadia.
— Mas que porra é essa? — Edward entrou no quarto e viu a moça em prantos abraçada com outro — Mas você é mesmo uma vadia, mal terminamos e você já correu para dar para outro, e eu ainda fiquei preocupado quando soube que estava no hospital, você é uma...
A fala foi interrompida por um soco certeiro no nariz de Edward e se encolhia, a sequência de socos continuava em diferentes lugares até que o homem já desfalecia no chão.
— Eu só não te mato em respeito a disse com uma raiva inigualável — Se dependesse de mim você não ia mais ter tempo para amadurecer seu bosta.
Edward se levantou e saiu do quarto cambaleando e lavava as mãos ensanguentadas na pia.
— Me desculpa — Ele disse olhando para a moça na cama — Eu não queria ter feito isso, mas eu não me aguentei, não podia deixar ele falar essas coisas. Sei que a gente não se fala muito, na verdade brigamos muito, mas eu não ia deixar isso acontecer.
Ela não falou nada, só o abraçou e agradeceu mentalmente o que ele tinha feito, dali em diante ele ajudou a superar seus traumas, mesmo com enormes diferenças ele ainda davam certo, muito certo. ”
Fim do flashback
— Por que você convidou esse babaca? — puxou pela blusa.
— Ele é meu cunhado bro, está tudo bem entre vocês?
— Não, não está.
Foi quando ele olhou para e viu suas pernas fraquejarem e os olhos ficarem marejados, ela estava revivendo tudo aquilo de novo, cada detalhe excruciante passava por sua memória.
— Vamos sair daqui – Ele puxou ela para fora da balada e ela desabou, chorou tudo o que tinha para chorar.
Ele a levou para o carro e começou a dirigir, sabia que agora ela precisava ficar sozinha por um tempo com seus pensamentos.
Ela estava desolada de novo, se lembrava dos traumas do passado e de quanto fora afetada por um relacionamento abusivo, mas quando o viu novamente suas feridas sangraram de novo e a alegria de estar na festa de um de seus melhores amigos se perdeu em meio a tristeza que agora se fazia presente, chorou no carro tudo o que precisava chorar, o que em anos ficara guardado.
Passaram algumas horas até que ela percebesse que estava em uma rodovia, perguntou aonde estavam indo já que se passava da meia noite, seu esposo deu um meio sorriso e continuou seguindo caminho, colocando no rádio a música preferida dela ainda da época em que sua banda não era tão conhecida.
You count 'em one, two, three Você conta um, dois, três Look so cute when you get that mad Fica tão fofa quando fica bravinha You drain the life from me, and it feels oh so good Você tira a vida de mim, e isso é, oh, tão bom The looks you give are so contagious Seus olhares são tão contagiantes The way we move is so outrageous O jeito que a gente se move é tão escandaloso Just let me in, wasting time, just let me in Apenas me deixe entrar, perdendo tempo, me deixe entrar Lets make it right Vamos fazer isso direito.
Ela começou a cantarolar o refrão novamente voltando a alegria anterior, e na última repetição ela já cantava em plenos pulmões. Seguiu cantando o resto das músicas e aos poucos se esquecendo do ocorrido.
— Fecha os olhos — disse.
— Eu não vou fechar, o que você quer?
— Meu deus, só fecha o olho por favor.
— Me fala o que é que eu fecho o olho.
— Você me irrita muito, fecha o olho por favor.
— Você que me irrita quando não fala as coisas.
Mesmo relutante a garota fechou os olhos, e a mão de encobriu os mesmos caso ela tentasse espiar.
— Conta até 3.
— 1, 2, 3.
Eles estavam em uma praia, ela tirou os sapatos e pisou lentamente o pé na areia fina que estava fria pelo vento noturno, seguiu um caminho de pedras que dava para um muro, entregou a chave da casa e ela abriu, se deparou com uma enorme casa branca, com janelas largas e altas, parecia uma casa de vidro. Só aquilo já roubara seu fôlego, mas ao subir até o primeiro andar viu o luar refletindo no mar a sua frente com a brisa salgada balançando seus cabelos.
— Essa não é a surpresa — disse encostado na parede.
Ele levou ela para o segundo andar que estava repleto de velas e pétalas de rosa, um caminho cuidadosamente marcado com flores levava a uma cama baixa com champanhe. Ela caminhou até lá com os olhos já marejados. Ela o beijou com necessidade, com paixão, sua tristeza não existia mais, só a paixão arrasadora que dominava os dois naquele beijo desesperado, puxou-o para a cama. Parou o beijo para observar o champanhe e os morangos cuidadosamente posicionados, ele deu um sorriso e ela começou a abrir a bebida que espumou em sua mão, ao se servir foi interrompida.
— Não, não mocinha — Ele tirou a garrafa da sua mão e puxou um espumante da Barbie — Sem álcool para você
— Você é idiota – Ela dizia em meio a risos — Dá logo essa garrafa.
— Essa é a surpresa da noite — Ele disse entregando um papel — Lembra do exame de sangue que você fez semana passada? Pedi para sua médica adicionar um exame a mais.
, palavras não seriam possíveis para descrever o que sinto por você, é o sentimento mais forte que já senti em toda minha vida, mas infelizmente eu vou ter que dividir ele com alguém, espero que não incomode, mas um bom pai ama seu filho.
Parabéns Mamãe”.
Ela começou a chorar, a alegria transbordava seu ser de forma absurda, ela seria mãe. Tinha um marido que a amava de forma inigualável e que amaria seu filho da mesma maneira, ele cresceria com amor. Foi o melhor presente que poderia receber.
só beijou seu marido, ela o amava, e o amor dos dois sintetizou essa maravilha que agora descansava tranquilo em seu ventre.


Epílogo



A família cresceu, nascendo uma linda menina, houve uma pequena discussão sobre o nome, já que a discussão fazia parte daquele relacionamento, por fim decidiram colocar Eleanor, já que uma avó se chamava Elena e a outra Nora.
Edward acabou sendo preso depois de bater em outra namorada que teve, a mesma fundou uma ong para ajudar mulheres em relacionamentos abusivos onde chegou a palestrar sobre seu relacionamento antigo e o atual, essa foi a melhor forma de superar seus traumas e ainda ajudar muitas que passam por isso. Infelizmente, ao tentar fugir da prisão junto com outros presidiários Edward foi baleado e hoje está em uma cadeira de rodas sendo cuidado pela mãe, a única mulher que ainda o ama.
se casou com a irmã de Edward, que repudiava as atitudes do irmão e atualmente ajuda na ong.

FIM.



Nota da autora: Oi gente!! Essa short tem objetivo não somente de entreter vocês, mas também alertar, saiam de um relacionamento abusivo e caso você presenciar um, alerte a polícia, o silêncio mata! E para as que vivem um relacionamento assim saiba que sempre haverá esperança e uma pessoa boa vai saber te amar de verdade, não importa quanto tempo demore.
Beijinhos.




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