CAPÍTULOS: [introdução] [I] [II] [III] [IV] [V] [VI] [VII] [desfecho]





10. A Year Without Rain






Can you feel me
When I think about you?
With every breath I take
Every minute
No matter what I do


INTRODUÇÃO


Saudade

/au,a-u/
substantivo feminino

1. sentimento melancólico devido ao afastamento de uma pessoa, uma coisa ou um lugar, ou à ausência de experiências prazerosas já vividas (freq. us. tb. no pl.).


Saudade é aquela coisinha maldita que dilacera alguém desde o interior mais profundo da alma até a ponta do fio do cabelo, literalmente falando. Eu mesma já arranquei fios de cabelo devido a saudade. Já chorei, esperneei, e aguardei até ela passar. Infelizmente, algumas não passam, e infelizmente não podemos mudar isso, não está ao nosso alcance.
Mas a saudade também é uma das mais belas formas de expressar o amor. Foi com ela que eu me toquei o quão eu amava certas pessoas, situações, lugares, coisas, culturas, histórias...
Quando abri os meus olhos, acordando após um sono, notei que estava numa posição terrível, totalmente desconfortável. Só então me lembrei; eu não estava na minha cama. E sim, dentro de um avião, sobrevoando o oceano, me levando pra outro lado do mundo. Eu amava voar.
Mas meu coração doeu em pensar tudo que larguei para trás.
Doeu de saudade.
Não devia passar de cinco horas que deixei o Brasil. Mas já doía.
E as lágrimas escorriam pelas minhas bochechas.
Era cedo demais, sua maldita saudade! Poderia ter esperado mais um pouco!
Vi minha vida de meros dezoito anos e cinco meses e nenhum dia a mais passando toda diante dos meus olhos.
Flashbacks recheados de felicidade, amor, paz, amizade, tranquilidade. Mas também vi tristeza, rancor, medo, ódio...
Foi ali que eu decidi expressar em palavras o quê eu sentia. O quê cada um daqueles flashbacks faziam-me pensar.
E aqui eu trago pra vocês detalhadamente cada saudade que eu sinto desde o momento em que esse avião decolou, ou mesmo antes disso, mas que vieram à tona ali, naquele momento de reflexão.

“Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão; poderá morrer de saudades, mas não estará só.” - Amyr Klink


My world is an empty place
Like I've been wandering the desert
For a thousand days
Don't know if it's a mirage
But I always see your face, baby

I
O Amor Indefeso


Indefeso

/ê/

adjetivo
1. Que não foi ou não está defendido, protegido, resguardado, preservado.
3. fig. Que não tem meios, armas para se defender; desprotegido, fraco, inerme.


O primeiro de todos será um pouco complicado de abordar, já que nem todo mundo têm os pais como amor indefeso. Mas, vamos lá.
Recentemente descobri que o pai de uma amiga estava com câncer. Isso explicava o motivo dela ter passado o dia todo com um comportamento estranho.
Mas, até então ela o odiava devido seu passado na família, pois ele era alcoólatra e batia na mãe dela. Nisso, me fiz uma pergunta; se ela o odiava, por que estava tão abalada com essa situação?
Você pode até pensar “nossa, quanta frieza! Ele é o pai dela!”. Você está certíssima. Mas só vendo como ela era em relação a ele pra você entender.
Acontece que naquele dia, após ela deitar, fiquei sabendo que eles estavam se reconciliando. Que há pouco ela o perdoou. Que abriu novamente seu coração para ele.
Afinal de contas, não tem nada melhor que pai e mãe, não é, gente? Ou seja lá quem for. Existe aquele amor que não tem como a gente lutar contra. Aquele indefeso, natural. Aquele que já nasce com você, você não pode nem negar.
Estou cansada de ouvir histórias de pessoas que falaram logo após perder o pai/a mãe que tinham inúmeros arrependimentos para com eles. Que não deveriam ter brigado tanto, que deveriam ter ouvido mais os seus conselhos, que deveriam ter passado mais tempo ao seu lado.
E vocês não têm noção quão contraditório é para mim escrever isso. Eu mesma não dou muito certo com meu pai, porque tanto eu quanto ele, somos mega estressados e atrevidos. Então, já viu, né? Sai faísca toda santa hora. Toda. Santa. Hora. MESMO.
E aí eu penso; “caraca, eu devia mudar isso. Não quero ser vítima do ‘tarde demais’, não mesmo!”. Mas… é tão complicado pôr em prática, enquanto falar é a coisa mais fácil do mundo.
Aqui, longe dele, pensei se a distância e a saudade seriam fatores que apagariam esses gênios fortes que só sabem bater de frente. Mas isso eu só vou saber quando estiver passando um tempo no novo país em que irei residir. Infelizmente.
Podia não ter sido assim.
Mas foi.
E agora precisamos abraçar a causa enquanto é tempo. Ao contrário dessa amiga, que está correndo contra o relógio para reconciliar a relação pai e filha.
Mesmo assim, não está sendo tarde.
Nunca é tarde demais enquanto os corações continuam batendo.
O amor indefeso te deixa de guarda baixa, te deixa vulnerável e sem palavras.
O amor indefeso te deixa confuso, louco, possesso.
Mas ele é indefeso.
Não há nada que você possa fazer para que ele acabe.
Ele pode até se apagar, mas uma brasa ficará acesa, por mais oculta que seja.
Pois quando se trata dele, você está sem proteção alguma.
No meu caso, são meus pais. Aqueles que criam os filhos com todo o amor e carinho.
Eu também sei que existem casos e casos. Mas, qual for que seja, você tem sempre um fator que lhe mantém preso à alguém. Aquele porto-seguro que você pode contar sempre, seja o pai de sangue, mãe adotiva, cachorro, gato, papagaio, avó, avô, tia, madrasta, etc. Ou até mesmo um amigo que é mais irmão do que amigo. Há sempre um amor indefeso em todo mundo.
Tanto que até mesmo os vilões têm um ponto fraco, certo?

“Errei, mas errei porque sou completamente humano e totalmente indefeso contra aquilo que não vejo, quando vejo entro num estado em que perco a existência do mundo ao meu redor. Perco a capacidade e a noção do que é ser humano, de entender que o errado é errado, e de que as pessoas ainda existem e que o amor é eterno pra quem ama. Errei, errei sim, se um gesto vale mais que mil palavras então eu possa ter alguma chance de começar de novo e acreditar que sonhar é possível, e assim me torno a ser humano novamente e ter a razão de volta em seu lugar e ser o que nasci para ser... Feliz!” - Pedro Victor Andrade


I'm missing you so much
Can't help it, I'm in love
A day without you is like a year without rain
I need you by my side
Don't know how I'll survive
A day without you is like a year without rain


II
O Amor Familiar


Familiar

adjetivo de dois gêneros
1. Relativo à ou próprio da família, do lar; familial, doméstico.
2. Considerado como membro da família; íntimo.
3. Que se conhece ou presume conhecer.
substantivo masculino
4. Pessoa da família.


Alguns consideram família somente pai, mãe e irmãos.
Se eu levasse esse pensamento comigo, eu seria bastante solitária.
Raramente vejo meus amigos e conhecidos comentarem comigo sobre seus parentes. Enquanto eles sabem o nome de todos os meus, por mais que nunca tenham se visto.
Mãe, pai, avós, avôs, tias, tios, primas, primos, noras, genros, cunhada, cunhado… Todo mundo têm. Mas nem todo mundo os têm unidos, juntos e prontos para enfrentar qualquer desafio que envolva qualquer membro deste laço.
Quando uma conhecida ficou sabendo da minha mudança continental, a primeira coisa que disse foi:
— Como você tem coragem de ir assim e largar todo mundo pra trás?
Eu recuei na hora. Espera aí, todo mundo quem? Porque o mundo tem mais de 7 bilhões de pessoas e eu não conheço nem 0,0001% disso.
— Defina ‘todo mundo’. — eu pedi. Provavelmente não estava pensando como ela.
— Oras, sua família, amigos… Sua vida! Você tem um negócio aqui.
Às vezes eu mesma me taxo de louca. Mas para que você também não faça isso (já basta eu), aqui estão algumas coisas que você precisa saber:
1- Eu sou sagitariana. Não me prendo a lugares, tenho espírito aventureiro.
Certo, é só isso.
Eu olhei para a cara dela e falei na maior sinceridade do mundo.
— Estamos no século XXI. Existe uma invenção chamada internet, que conecta as pessoas ao redor do mundo. Eu não estou deixando ninguém para trás, pois nossa vida seguirá normalmente, com a única diferença de que não teremos contato físico.
Minha prima se mudou para os EUA há dois anos para fazer o seu doutorado.
Ela era a prima mais próxima de mim. Se eu chorei horrores? Chorei, claro. Não sou de ferro. Mas não passava mais do quê uma semana sem que comunicássemos. Talvez conversamos mais com ela lá do quê quando ela ainda morava aqui. Só que agora ela tem uma vida pra lá de ocupada e não tem muito tempo pra mimimi. Mentira, comigo ela sempre dá um jeito.
Mas isso não quebrou o nosso laço, amizade, companheirismo… Me lembro até hoje, quando ela me contou que estava namorando, uns seis ou sete anos atrás, acho, eu passei o resto do dia chorando porque ia perdê-la para o namorado (ela é dez anos mais velha que eu).
Para minha felicidade e surpresa, o namorado dela também virou amigo meu. E a gente não pode ficar junto, se não só sai bobagem e nós três com os fígados desopilados (Desopilar o fígado é uma expressão popular que significa ‘ficar de bom humor’).
Ou seja; sempre fui muito conectada à minha família. Muito mesmo. Tanto a família materna quanto a paterna é super unida.
Ou seja 2; eu não entrei nesse avião deixando para trás minha querida e enorme família:
Uma mãe,
Um pai,
Duas avós,
Quatorze tias,
Onze tios,
Dezoito primas,
Quinze primos,
E mais oito brindes, os(as) namorados(as) dos(as) primos(as) que eu também considero família.
Então, querida, nosso laço é forte demais pra ser quebrado. Juntos já superamos crises financeiras, conjugais, depressões, e mais um bocado.
Ou seja, eu não estou deixando ninguém para trás.
Mas sim, levando essas setenta pessoas comigo. Dentro de mim.
Vou morrer de saudade de abraçar cada um deles, mas sei que sempre posso contar com eles pra qualquer barra que vier.

“Quando gostamos muito de alguém - seja um familiar, um amor ou até mesmo uma amizade - preferimos, muita das vezes, sentir a dor que ela está sentindo ao invés de simplesmente observá-la.
E quando fazemos isso, é a mesma coisa que Jesus fez com a gente na cruz.
A diferença é que Ele fez por todos nós.” - Ricey Cerqueira


The stars are burning
I hear your voice in my mind
Can't you hear me calling?
My heart is yearning
Like the ocean that's running dry
Catch me, I'm falling


III
O Amor Partido


Partir

verbo intransitivo e prominal
11. euf. Perder a vida; morrer, finar-se.


A primeira grande perda pela qual eu passei, foi por volta dos meus meros um ou dois anos de vida. Um tio. O mais bonito de todos eles, parecia um galã que saiu da TV.
Como eu posso sentir saudade de uma pessoa que eu sequer lembro de sua presença em minha vida?
Fotografias e vídeos mantinham aquela memória fresca. Um primo amante das Belas Artes tinha uma das filmadoras mais tops em VHS daquela época. Recordava cada aniversário meu em vídeo-cassetes.
Lá estava ele; lindo e sorrindo comigo pequena em seu colo, assustada com tanta gente gritando casa afora. Diziam ser meu aniversário de um ano. Tinha Minnies e Mickeys para todos os lados enfeitando a festa.
Mas nenhum detalhe chamava tanto a minha atenção quanto aquele sorriso.
A segunda veio um pouco depois, acho que por volta dos meus cinco anos. Meu avô materno.
Eu o amava.
Mas morria de ciúmes dele.
Tenho várias lembranças do meu fofo com a sua ‘caçulinha’, mas infelizmente, as mais vivas são as de quando ele partiu.
Lembro de sua fase debilitada, onde precisava de assistência o tempo todo. E quando minha mãe precisava dar-lhe um apoio para caminhar, eu ia atrás dela e a puxava para mim.
Não faço ideia quanto tempo depois disso veio aqueles acontecimentos. Eu passava muito tempo na casa dos meus avós, era como uma casa pra mim.
Um médico chegou e o examinou. Em seguida, veio o desespero, todo mundo correndo pra chamar a ambulância. Em minutos, ele estava imobilizado por aquela cama e os paramédicos o levavam para longe dali. Fiquei no alpendre assistindo até o barulho da ambulância cessar, já estava distante.
A partir daquele dia, a próxima lembrança era no hospital. Eu era viciada em capuccino e não saía daquele hospital sem tomar um da máquina de expresso instantânea. Se não me engano, diziam que era meu avô que mandavam para mim.
Um dia, a linda notícia chegou aos meus ouvidos; eu poderia vê-lo! Crianças eram liberadas para visitar os pacientes somente se já tivessem dez anos. Eu tinha a metade. Mas a enfermeira chefe sabia do estado dele, coisa que eu não tinha malícia pra entender, e autorizou a minha subida após ele pedir inúmeras vezes para ver sua netinha caçula.
No quarto, eu não alcançava a altura dele na maca. Não podiam me colocar sentada nela, “estava infectada”. Levantei o braço e agarrei a mão dele.
Depois, mais um borrão, mais um espaço de tempo.
Estava de volta na casa dele. A família toda reunida, coisa que eu só estava acostumada em ver nas ocasiões festivas.
Mas todos choravam.
E eu não suportava ver as pessoas que eu amava chorando.
Eu não entendia o porquê das lágrimas, mas ia de pessoa em pessoa dando um abraço e querendo saber o motivo daquilo tudo.
Outro borrão.
Estavam o levando para um buraco no meio da terra. Eu queria sair correndo e empurrando cada um que estava entre nós dois para impedir que ele ficasse naquele buraco horroroso. Não lembro quem me segurava em seu colo, só me lembro de uma parente distante que eu nunca tinha visto na vida mandarem aquela pessoa me tirar dali, “que não era bom que eu ficasse ali por causa da poeira”.
Me levaram.
E quando eu percebi, ele tinha ficado pra trás.
Depois disso, eu o visitava todos os anos no feriado de finados. Mas eu ficava tão melancólica que não estava me fazendo bem. Parei de ir.
Então o outro avô se foi. Quatorze anos. Eu achava que morreria antes de alguém querido. Eu queria morrer antes das pessoas que eu amava para não sofrer. E já tinha se passado tantos anos após a última, me enganei quando achei que não teria mais nenhuma.
Minha prima tinha fama de mentirosa. Ligava para Deus e o povo pra tirar onda. Quem ia esperar que naquela tarde enquanto minha mãe passava roupa e eu fazia uma maquete ela ligaria para nós aos prantos? Ela morava no mesmo prédio que ele, ficava mais na casa dele no que na dela. Deu o horário de buscar minha avó no serviço e ele não apareceu. Ela o encontrou no banheiro, com a mão no peito.
Infarto agudo no miocárdio, os médicos do SAMU disseram.
Alguns acreditam que foi até bom que ela não tivesse conseguido ligar pra minha avó ou seu pai na hora, pois eles eram as maiores vítimas de suas pegadinhas. Já minha mãe, a instruiu com as devidas precauções. Mas já era tarde.
Me lembro que nunca vi a família paterna totalmente reunida. Sempre faltava algum, antes.
Ainda mais no interior.
Lembro que uma tia materna chegou lá, junto à seus filhos e minha avó. Quando eu a vi atravessar a rua, corri até ela e pulei em seu colo. Quase fomos as duas para o chão.
Não sei se era medo de perdê-la, ou se ela era a única avó em sã consciência. Mas era a que eu mais amava.
Ah, como eu a amava. Minha parceira no crime, assim posso dizer, por mais que não cometêssemos crime algum.
Naquela noite, eles voltaram para a capital. Eu ainda ficaria ali mais uma noite, burocracias a cuidar, eles disseram.
A casa da tia que morava na cidade estava entupida, não comportava mais ninguém. Eu fiz o favor de ir para a casa de uma amiga na mesma rua.
Pior erro de todos. “Dormi” sozinha e longe de alguém para me confortar.
Liguei para minha mãe em plena três horas da manhã. Queria ir embora, queria ficar com ela, mas não queria acordar ninguém dali. Dormi sofrendo. Na manhã seguinte, ela me buscou assim que acordou. Foi um alívio.
Quando você achava que havia superado uma, vinha outra pior.
Minha parceira em crime estava fraca, com hiponatremia e hipocalemia. Ficou internada e pegou a maldita super-bactéria. Leitoras assíduas reconhecerão essa facilmente; dona Eleanor, fanfic Vide. Mortes iguais, sofrimentos iguais. Eu só não recebi uma fortuna, que nem minha personagem.
Mas havia perdido as tardes de roubar jabuticaba do pé do vizinho que invadia o muro dela, havia perdido a graça em comer abacate com açúcar, havia perdido a graça no baralho. Mais uma vez, quis cuidar daquelas tias. Mais uma vez, todos se reuniram para algo infeliz. Vieram os tios de São Paulo, a madrinha de Tocantins… Ajudei todos, me fazia de durona. Me recusei a entrar em seu velório para vê-la, já que não foi boa a experiência em que fiquei ao lado do meu avô paterno. Falei a mim mesma que teria lembranças boas dela, não sua imagem em um caixão. Prometi a mim mesma que a homenagearia. Que toda vez que eu olhasse para o céu, buscaria a estrela Sirius, a estrela mais brilhante no céu noturno, localizada na constelação de Canis Majoris. Pode ser vista a partir de qualquer ponto na Terra, sendo que, no Hemisfério Norte faz parte do Hexágono do Inverno. Olhe para o céu e a confundirá com Júpiter.
De alguma forma, eu aprendi a localizá-la. Tinha um aplicativo que mapeava as constelações conforme onde eu apontava o celular. Depois foi desnecessário, eu sabia qual era a Sirius. E não honrei. Me perdoe, querida, mas passei tantas noites sem buscá-la no céu. Agora, nesse avião, estou minimamente mais próxima à você, mas não posso vê-la, não estou próxima à janela. Devo aprender a localização nova quando habitar o novo país, quem sabe assim eu volte a buscá-la.
E espero um dia estourar pipoca com meus netos, colocar milho em excesso na panela e quando elas estourassem, espalhariam por toda a cozinha. Espero ensiná-los o ABC, assim como você fez comigo. Espero revê-la um dia, novamente. Espero um dia tirar um atraso com todos os crimes que não cometemos.

“Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não para pra que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar.
Portanto, plante seu jardim e decorre sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores.” - Veronica Shoffstall


It's like the ground is crumbling underneath my feet
Won't you save me?
There's gonna be a monsoon when you get back to me, oh, baby


IV
O Amor Animal


Animal

substantivo masculino
1. bio zoo design. Comum aos organismos do reino Animalia, heterotróficos, multicelulares e com capacidade de locomoção.
Animal irracional.
·B gado cavalar, esp. o macho.
·PE égua.
·RS cavalo inteiro; garanhão.
adjetivo de dois gêneros
4. Próprio de animal.
· Relativo a irracional, que tem as qualidades dos irracionais, esp. mais próprio do animal que do homem.
· Irracional em sua voluptuosidade; lascivo.
adjetivo de dois gêneros
5. Obtido ou extraído de um animal.


Adotei uma gatinha um mês após a decisão de ir para o exterior. Acho que minha mãe só deixou por ser um argumento que a ajudaria a me convencer a ficar, pois passei o ano todo, de janeiro à agosto, pedindo um gato.
Além do amor felino da minha vida, eu tinha uma cadelinha. Só que a traíra gostava mais dos meus pais do que de mim. Como vocês já perceberam, eu sou a louca do ciúmes.
Entrou na minha vida quando eu estava prestes a fazer nove anos. Passei nove anos atormentando meus pais para me darem um yorkshire, mas veio uma poodle. Não poderia ter sido melhor.
Ela não dormia dentro de casa, a primeira noite conosco foi um horror. Até dentro do armário a gente a colocou para ver se ela parava de chorar. Só sossegou no terreiro. Estava acostumada. Quis dormir com ela para que não sentisse frio, pois antes tinha os pais e dois irmãos para dormir junto.
Ela fazia ninhos com meu cabelo, chorava pra chamar a atenção e roubava minha coleção de Polly Pocket. Quando ia algum colega em casa para fazer trabalho de escola e a gente fechava a porta do quarto, ela fazia cocô na porta, só pra chamar a atenção. Uma vez matou um peixe beta meu e me levou, também, achando lindo.
Ela foi crescendo, e ficou chata. E fresca. Neurótica. Mas é a minha louquinha que eu sempre vou amar.
Mas aí, ela apareceu.
Resgatada na rua, tinha fungos, toda estropiada. Uma boa alma a colheu e a regenerou para depois doá-la. A maior benção da minha vida foi ter sido a pessoa quem adotou alguém tão pura e amorosa quanto ela.
Motivo de brincadeira entre os parentes que tinham gatos, todos queriam trocar os seus por ela. Parecia mais um cão do que um felino. Só ficava no meu colo, ronronando, esfregando a cara em mim no meio da noite pedindo atenção, e acreditem ou não, até dormindo de conchinha comigo (tem foto pra provar!).
Eu disse para um monte de gente que meu maior desafio enquanto estivesse fora seria lidar com a saudade dela, pois um dia longe eu já fico toda detonada. Arrisquei dizer que provavelmente cancelaria meu intercâmbio mais por saudade dela do quê qualquer outro fator. Eu não queria nem pensar morar longe do meu raio de sol.
Quando ia a Pompéu, passar apenas o fim de semana, era um horror. Eu ficava triste, sentindo sua falta. Meu coração chegava a doer tanto que eu sempre pensava se alguma coisa ruim estava acontecendo com ela.
Quando eu mudei de casa, não pude levá-la, pois tinha um quintal enorme rodeado de cerca americana (pra quem não sabe, é aquela cortante em forma de mola). Mas, às vezes ela me visitava. Num lindo dia, minha madrinha se achou a rainha da cocada branca e soltou minha pretinha pela casa. A danada aprendeu a aventurar e de noite eu a achei no meio da cerca.
Meu estômago afundou. Minha boca ficou seca. Mil calafrios me percorreram. Eu comecei a chorar porque estava com medo dela se cortar quando saísse dali ou alguém a tirasse. Corri pra dentro de casa e rezei a ave maria e a salve a rainha na cabeça da minha madrinha até ela voltar com a minha miau. Estava em meu colo sã e salva e safada.
Naquela madrugada, ela fugiu. Afinal, tinha aprendido durante o dia, né? Achou a janelinha da minha suíte aberta e vazou.
Eu estava inconsolável. Eu chorava mais do quê quando algum ente querido morreu. Mais do que chorei quando minha partner in crime se foi. Pra ajudar, minha mãe ME XINGOU quando eu liguei pra contar pra ela. Fiquei com tanta raiva que quase tasquei meu celular na parede.
Só que ela tinha o hábito de nos responder. Se a gente miasse pra ela, ela miava de volta.
Minha mãe miou até e a achou debaixo da telha da vizinha.
Vivemos felizes para sempre.
Ela prefere a mim do que aos meus pais. HÁ!! se mata, Berrie
Até eu sair daquele país.
Acho que eu quero voltar pra ver meu bebê.

“Hoje em dia não pensamos muito no amor de um homem por um animal; rimos de pessoas que são apegadas a gatos. Mas se pararmos de amar aos animais, não estaremos na iminência de pararmos de amar os humanos, também?” - Alexander Solzhenitsyn


I'm missing you so much
Can't help it, I'm in love
A day without you is like a year without rain
I need you by my side
Don't know how I'll survive
A day without you is like a year without rain


V
O Amor Distante


Distância

substantivo feminino
3. Espaço muito grande que separa dois seres, dois lugares ou dois objetos; lonjura.
4. Ato ou efeito de distanciar(-se); afastamento, separação.


Esse aqui quase todo mundo conhece, né? Hoje em dia é impossível não ter uma amizade que nasceu pela internet e que reside longe de você. Ou também que foi morar longe. O mundo ficou curto com tanta evolução, não acha?
Acima eu falei de uma prima que foi virar doutora nos EUA. Mas ela teve motivo em peso pra ir. Não posso jamais comparar o amor que eu sinto por ela com o que ela sente pela pessoa que a levou até lá.
Eles estudaram o bacharelado juntos, o mestrado em diferentes áreas e tempos, mas ele teve um convite perfeito e foi virar doutor antes dela. Não demorou muito pra que ela fosse também. Inicialmente, um na Carolina do Norte e o outro no Texas. Mas agora já estão juntos e são meu otp mais amorzão ever. A gente apronta horrores. Prima, sua louca, um dia eu vou atrás de vocês pra causarmos por aí também. Quem sabe eu consigo arrastar vocês dois pra Vegas e encher a cara dele de álcool para finalmente ver se sai esse casório? Jesus, preciso urgentemente jogar conversa fora que nem só nós sabemos fazer sobre o -não tão- parecido com o homem aranha hihihi (piadinha interna).
A outra, foi pra Tocantins. Pra ajudar um bocado, não tem vôo direito e as passagens para lá são um roubo, acho que compensa mais ir pra Buenos Aires do que pra Palmas, mas o amor já me levou à Palmas umas cinco ou mais vezes e nenhuma pra Buenos Aires. LOL.
Quem no mundo tem a madrinha perfeita, levante a mão. Eu já tive crise pré-adolescente de xingar minha mãe por ter me dado uma madrinha que tem um relacionamento comigo feito cão e gato. Pra ajudar, a gente se via uma vez por ano. Mas, pré-adolescência deve ser a pior fase ever. Porque quando eu era criança, chorava de saudade, escondia debaixo da mesa quando ela chegava do aeroporto derrotada só pra pular no pescoço dela, ou gritar e espernear quando a chegada era uma surpresa pra mim. Ainda bem que essa crise não durou e lá pelos quinze a gente voltou a se amar muito.
Alguém trás minha tia-madrinha de volta pra Minas, por favor?
Opa. Espera… Eu não estava mais em Belo Horizonte. Droga.
Fiquei ainda mais longe e a passagem ainda mais cara pra gente se ver. Ainda bem que eu fiz todas as tias aderirem ao whatsapp.
Terceira e última, the bestest friend que alguém pode ter. Pra quem não fala inglês, bestest seria algo tipo “mais melhor”, que a gente sabe que não existe. Mas eu criei esse posto e a coloquei lá porque sim. Não questionem minhas doideras, porque eu não sei explicar.
Tinha tudo pra ser A amizade do século. Mas ela morava em Salvador e era o enrolamento em pessoa. Acho que marcamos coisas juntas umas mil vezes mas ela só não deu pra trás na primeira, quando eu fiz uma escala em SSA enquanto ia pra Porto Seguro. Teve uma chuva do caralho durante o vôo e tive um atraso de quase uma hora. Ou seja, a hora que eu ficaria com ela, fiquei no avião jogando Candy Crush tentando não permitir que a ansiedade me matasse. Não matou. Mas eu fiquei com ela só por dois minutos. A gente nem se curtiu direito, só chorou. HEUEHUEHE.
Mas ela pode me dar quantos bolos ela quiser (mentira!!), porque é uma amigona e me atura durante meus porres, durante as FaceTimes pós péssimos beijos, e me xinga quando eu estou sendo errada e chata (convenhamos que quem não me conhece direito, me acha a rainha da chatisse).
Eu tenho ciúmes dela pra caralho. Eu sei que ela é perfeita, mas não vendo, não alugo e não empresto. Sequer divulgo seu nome, porque ela é só minha. Tirem os olhos.

“Pessoas que levam a frente um amor distante são fortes, o que não quer dizer que os casais que estão próximos sejam fracos, é que eles são sortudos e não que os que estão distantes não tenham sorte, é que a deles ainda há de vir.” - Maria Helena Fernandes


So let this drought come to an end
And make this desert flower again
I'm so glad you found me
Stick around me,
Baby baby baby oooh


VI
O Amor Colegial


Colegiado

adjetivo
1. Que está reunido com outros em colégio; que forma colegiada.
adjetivo substantivo masculino
2. Diz-se de ou órgão dirigente cujos membros têm poderes iguais.


2011 e anos anteriores.
Eu não tinha amigos e me iludia com as únicas que sempre arrumava. Todas idênticas, só serviam para me fazer de “cachorrinha”. Quem não conheceu a “eu” dessa época e descobre essa história, deve ficar se perguntando de onde eu tirei tanta confiança.
2012.
Uma novata que quase virou cachorrinha de uma das minhas “ex-amigas” resolveu se aproximar de mim. Do nada.
Era a lerdeza em pessoa. Eu a apelidava de Demi Lovato (entendedores das antigas entenderão) e ela odiava.
Minha mãe alertou que aquela leseira, inocência e castidade em excesso era uma máscara. Eu achava impossível, queria pagar pra ver.
Você provavelmente reparou que eu me entregava à alguém com muita facilidade. Pois bem.
Aquela dupla desajustada só podia atrair mais desajustados. Não demorou muito pra o gordinho da sala se aproximar da gente e ficar mega amigo meu. Não demorou nada pra então titulada de estranha se juntar à nós.
Eu devia ter percebido desde então que eles ficavam mais próximos a mim do que com a outra.
2013.
Nos separaram.
Colocaram o gordinho e a Demi no primeiro ano A e eu e a esquisita no B. Engraçado era que eles separavam como quisessem, não utilizavam critério algum.
Mas Deus e o céu podia trocar de sala para ficar com os amigos. Menos nós quatro. Talvez porque tacamos o terror no nono ano, começando a rebeldia de mexer no celular durante a aula, passando cola e conversando SIM. No ensino médio não tinha quem nos segurasse.
Eu e o gordinho éramos os pobres fascinados pela Apple. Quando ele ganhou um iPhone, eu vivia pedindo ao professor para ir no banheiro só pra ir na sala dele pegar seu celular. Coitado, eu mexia mais que ele. E não demorou muito para os professores perceberem. Tarde demais, eu já era muito rebelde pra uma regrinha me segurar. No meio do ano eu ganhei o meu.
Quem acha que as coisas melhoraram se enganou feio, pois até FaceTime no meio da aula a gente fazia. Sim! Ligávamos um para o outro na maior cara de pau pra zoar sobre a primeira coisa que aparecesse. Quando o professor de matemática descobriu nossas chamadas de vídeo, ele zombou pra caralho e a sala inteira ficou sabendo. Peace was over.
2014.
Uniram as turmas novamente, aleluia! Eu tinha pedido pra Demi durante as férias sentar-se ao meu lado para não ter problemas em formar duplas. Só que eu sempre sentei na primeira mesa, porque sou baixinha, tenho miopia e TDAH. E ela tinha “vergonha”. Quem acabou sentando do meu lado? Um chocolate pra quem disse “gordinho” (gente, eu sei que parece bullying, mas na verdade esse nome é um trocadilho com o nome dele heooeheohoe). O caos se instaurou e a gente sempre burlava as regras pra sentar junto e fingir que não estava tendo aula e falar muitas merdas. Inclusive, quando eu comecei a escrever Vide, ele e meus mais novos dois amigos me davam altas ideias. Coitado dos professores (aliás, de nós), se eles escutassem as conversas explícitas e discussões que a gente tinha sobre sexo.
Não podemos esquecer da Demi! Foi só aqui que eu quebrei a cara com ela!
Ela arrumou um namorado e do nada alegou que eu estava com ciúmes. HAHAHAH faça-me o favor. Eu fico melhor sozinha do quê acompanhada, querida. Aqui eu já era 99% confiante e 1% vadia (vai, safadão!). Nossa “amizade” foi pro ralo e ela acabou terminando com o carinha. Eu só não ria na cara dela porque eu tinha um tiquinho de senso.
2015.
Pior ano de todos.
Começou lindo. Eu era 101% foco no ENEM, e um dos novos amigos do ano passado também. Mas nossa querida Demi já tinha mostrado as garras antes e quis mostrar de novo. Ela não curtia a ideia que eu e ele passávamos todas as tardes estudando juntos e se jogou pra cima dele. Eu só não tenho raiva porque eu já dei um fora nele, antes. Aí eles começaram a namorar e ela fez a cabeça dele para que ele me odiasse. SIM! E ela passou a ser inocente novamente e queria restaurar nossa amizade. Seriously?
A pior decepção do ano, foi perder a amizade dele. Do “gordinho” que já não era mais gordo porque ele malhava.
“Eu acho--eu acho quando tudo acabar, voltará em forma de flashes, sabe? É como um caleidoscópio de memórias. Tudo volta. Mas ele nunca. Eu acho que parte de mim sabia no segundo que eu o vi que isso aconteceria. Não é nada que ele disse, ou nada que ele fez. Foi o sentimento que veio com isso. E a coisa louca é que eu não sei se eu voltarei a me sentir daquela forma novamente. Mas eu não sei se eu deveria. Eu sabia que o mundo dele movia muito rápido e queimou muito brilhante. Mas eu simplesmente pensei, como o diabo pode te puxar em direção à alguém que se parece muito com um anjo quando sorri? Talvez ele soubesse aquilo quando me viu. Eu acho que perdi meu equilíbrio. Eu penso que a pior parte de tudo não foi perdê-lo. Foi me perder.” - Taylor Swift (I Knew You Were Trouble)
Sabe, eu não consigo aceitar a forma que você tratou nossa amizade como um pedaço de algo qualquer e a desligou com o coração frio que você sempre foi.
Eu tento me afastar do passado mas você está constantemente em minha mente, vinte quarto horas por dia, sete dias na sema, de alguma forma.
Eu poderia dizer que tudo que me faltava agora, era a nossa amizade, de nos conseguir de volta. Mas o quê é passado, é passado e você é frio demais pata se preocupar com isso.
Graças a Deus você não sabe meu pseudônimo e jamais achará essa história. Não preciso que você veja quão fraca eu sou por continuar sentindo sua falta após o que você nos fez.
Eu tento usar argumentos feministas pra superar isso, mas nossa amizade foi mais forte do que meu feminismo.
Durante o ano, e por sua causa, eu disse a quem quisesse ouvir que eu mal via a hora de formar para deixar todos vocês pra trás, só levaria comigo a “esquisita”, que de esquisita não tinha nada e foi a única que nunca me feriu.
Obrigada por continuar sendo minha única amiga no meio daquele caos e após ele também. Eu sinto sua falta mais do que de qualquer outro deles.

“Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir. Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. E com confiança no que diz.” - Carlos Drummond de Andrade


It's a world of wonder with you in my life
So hurry, baby, don't waste no more time
I need you here, I can't explain
But a day without you is like a year without rain (oh, whoa)


VII
O Amor Docente


Docente

adjetivo de dois gêneros
1. Referente ao ensino ou àquele que ensina.
substantivo de dois gêneros
3. m.q. PROFESSOR (subst.).


Recentemente alguém me perguntou como andava as amizades do colégio. Como eu disse acima, só ficou uma.
Então começou o questionamento: “por que você escolheu se afastar deles?”
Simples. Porque eu fico melhor longe deles, assim eles não me machucam.
Mas o melhor, foi ouvir minha tia vir em minha defesa. Não lembro se foi exatamente ali que ela disse tal frase.
“Ela nunca foi muito de ser amiga de colegas. Ela era mais apegada aos professores.”
Atire uma pedra quem nunca disse “odeio meu/minha professor(a)” ou até todos eles.
Todos os meus colegas odiavam os professores que eu mais gostava. Hilário, não?
Sinceramente, não posso sair listando e falando sobre cada um que já foi querido pra mim, se não essa parte ficaria maior que qualquer outra.
Então vou me limitar aos mais recentes, que coincidentemente foram os mais importantes e queridos.
Ao meu querido Brad Pitt, que de Brad ou bonitão, não tinha nada. Não me perguntem de onde eu tirei esse apelido, porque eu também não sei.
Não tenho boas lembranças quanto a sua saída da escola. Ainda bem que dessa vez estamos saindo juntos, não vou precisar olhar para outro(a) professor(a) de biologia e pensar que você poderia estar ali. Uma parte em meu coração derreteu completamente quando você falou que sairia novamente da escola, porque, como eu já o disse anteriormente, eu voltaria para rever você! Onde vou te achar agora? Me lembro muito bem o tanto que chorei quando você saiu da primeira vez. Senhor, parecia que o mundo estava acabando! E agora não está muito diferente. Passei o ensino médio torcendo para que nenhum professor meu saísse antes que eu finalizasse essa etapa, porque você, melhor do que qualquer outro, sabe bem como eu fico, e tenho um carinho enorme pela maioria. Infelizmente, alguns saíram... mas tudo bem, superei. Agora eu que estava saindo. Acho que é muito pior, pois dessa vez não é só um que fica para trás, são vários. Passei com você muito mais tempo do que com os outros, mas não acho que isso tenha influenciado meu carinho por você, já que desde a primeira vez que você foi meu professor, eu já te adorava. Isso não mudou, só aumentou, mas, eu já não sou mais tão grudenta quanto antes ahahahah. Você foi muito especial para mim. Desde cada vez que eu ia a coordenação atrás de você até às perguntas idiotas que eu fazia em sala, sendo que você já tinha falado a resposta enésimas vezes antes. Ou quando eu fazia perguntas tão extremas que você não dava conta de responder. Quero te agradecer, por tudo! Por ter paciência comigo, por tirar minhas dúvidas durante a prova (não sou nem um pouco cara de pau, né?), por conversar comigo com dedicação sempre que eu te procurava, por qualquer coisa que fosse… Não quero dizer adeus, mas acho que é inevitável… além do mais, uma despedida é sempre necessária para que ocorra um reencontro.
Pompeano? Confere. Gente fina demais? Confere. Um dos melhores professores que já tive? Confere. Um dos meus preferidos? Confere. Locutor de rádio? Error 404 not found. (acho que fiquei um mês pensando que era verdade). Querido Pompéu, já é uma da manhã, já escrevi ~acho~ que umas cinco cartas enormes para outros professores, ~sim, eu deixei pra cima da hora~ então, por favor não repara se a sua não estiver aquelas coisas. O que vale é a intenção. Eu quis deixar a sua por último, sabendo que ela ficaria grande. Maior erro da história das cartas. Eu já perdi a conta de quantas vezes você me matou de raiva ou vice e versa. Tinha hora que ficávamos que nem cão e gato porque eu estava ultra indignada com a correção de alguma questão, ou então só para não perder o costume mesmo. Este ano de 2015, está sendo, de longe, o mais tumultuado para mim. Aí eu invento aquela decisão quanto ao intercâmbio e deixo todos de cabelo em pé. Você foi o primeiro professor que ficou sabendo, eu tinha acabado de fazer sua prova e ido mega mal, daí fui me justificar daquilo. As palavras que você me disse jamais sairão de minha cabeça: “essa escolha de dar uma pausa nos estudos é uma atitude muito responsável”. Pronto, babei. A primeira reação positiva que recebi #Aleluia. Outro fato marcante daquele ano foi quando eu virei para você e disse que me sentia na obrigação de tirar total em uma prova sua (agora eu estou aqui, passei raspando), e você acatou aquilo todo disposto em me ajudar com tal meta. Me desculpe em desapontá-lo. Hoje eu já me arrependi de todos os baldes que chutei durante meu estudo.
Por último e não menos importante, e sim, o melhor de todos, Ton Ton.
A aluna que sempre tirou notas altíssimas em química resolveu chutar o balde e precisou colar na última prova. Aliás, ela não precisava, já tinha sido aprovada, mesmo. Foi só pra não perder a pose com as notas altas. Ela só não esperava que fosse ser pega no ato. Você é, de longe, meu professor preferido. (voltamos ao ponto onde eu falei que não sabia por onde começar). Se eu pudesse ter escolhido em desapontar algum, você, com toda a certeza, seria o último. Não foi a primeira vez que eu colei (em Química foi a primeira), mas, definitivamente, a última. Como disse Iolanda Valentim “E é assim que a gente vai vivendo, sabe? Errando pra aprender. Se decepcionando pra se proteger. Se machucando pra crescer. Chorando pra sorrir. A gente cai uma vez, pra aprender a se levantar em outra. No fim, tudo que for bom, verdadeiro, tudo o que realmente nos fizer bem, permanece”. Eu sabia sua “fama” de professor que não dava total pra ninguém mesmo antes de ser sua aluna. Então, meu primeiro desafio com Química, era único e exclusivo de tirar um 10 ou 12 em pelo menos uma prova sua. Bati na trave umas quinhentas vezes com 9,9; 11,7; 11,8; 11,9! Mas nunca o maldito 10 ou 12. O terceiro ano era minha última chance, mas eu falhei e me arrependo disso. Eu morro de saudade sua e já falei uma porrada de vezes que iria na escola te ver, acabei enfiando nesse avião sem fazê-lo. Acho que eu já te adorava, mas depois do jeito que você reagiu à minha cola, eu te admirei ainda mais. Você é o melhor professor que qualquer pessoa pode ter, ainda bem que eu tive essa honra. Obrigada por ser quase um “tio” pra mim.
Agora aos melhores coordenadores que alguém já teve. Ele, me ajudava com suas técnicas de coaching e das palestras que dava ao redor daquele Brasil imenso. Ela, com sua sabedoria de pedagoga e psicóloga aguentando as barras do meu emocional nos três últimos meses de estudo, quando ele saiu e eu desesperei, achando que não seria amparada por ela. Você não só me amparou, mas fez de mim e da minha mãe suas amigas. Levava a gente pra sua sala, naquele caos desorganizado que ele deixou pra você arrumar e batia papo como se fosse um chá das seis. Enquanto meus colegas se fecharam em te odiar pois você estava voltando a escola para os eixos, eu passei a te amar. Você me ajudou com o episódio da cola, me ajudou com quem apontou o dedo pra mim mas fazia igual, e o melhor de tudo, me ajudou nas decisões sobre meu futuro. Se estou aqui, dentro desse avião, devo isso aos seus ensinamentos. Me dói o coração saber que lhe pedi que me prometesse apenas uma coisa; para que não perdêssemos o contato. Você prometeu, me deu todas as vias para procurá-la. Quem falhou fui eu. Entrei nesse avião sem também revê-la, quando havia esta sido minha promessa a você.

“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina” - Cora Coralina


I'm missing you so much
Can't help it, I'm in love
A day without you is like a year without rain


DESFECHO


“Existem mais mistérios entre o céu e a Terra do que julga nossa vã filosofia” - William Shakespeare


I need you by my side
Don't know how I'll survive
A day without you is like a year without rain


Fim.



Nota da autora (25/04/16): Esse enredo é um dos mais especiais que eu já criei em toda minha vida.
O plano era realmente escrevê-la dentro do avião, com os sentimentos à flor da pele. Ela seria publicada capítulo por capítulo. Mas eu tinha história com a música "A year without rain". Eu canto essa música pra mim mesma sempre que sinto saudades de quem quer que seja. Então não havia motivos que me impediam de publicá-la aqui.
Pode não ter ficado tão sentimental quanto eu queria, ou passar isso pra vocês, mas ficou pelo menos um pouquinho. Eu chorei enquanto escrevia a maioria dos capítulos. E chorei MUITO.
Precisei fazer vários cortes pra caber aqui HEIOWHIOEWIO talvez eu os poste depois, separadamente.
Talvez seja a melhor coisa que eu já escrevi e escreverei em toda minha vida!
Caso se interessem, aqui estão minhas outras fics e abaixo meus contatos.

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Minhas histórias:
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Beijos mil,
Berrie.




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