Finalizada em: 12/12/2017

Capítulo Único

soube que estava perdido quando sua primeira reação ao ver foi a de esconder e Logan. Não foi proposital, tampouco uma atitude pensada. Foi algo que ele fez por puro instinto.
Já estava ciente de que seus sentimentos por ela haviam tomado proporções maiores do que deveriam, mas ainda assim se dar conta de que escondera e Loggie foi um choque para ele. Era como se até seu subconsciente soubesse que o que ele estava fazendo, se deixando apaixonar por outra pessoa, era errado, mesmo que nunca tivesse realmente sido uma opção ou que ele nunca tivesse tido uma escolha de fato. Quando viu, já tinha acontecido e precisou conter a vontade de simplesmente pegar uma das taças de champanhe sendo servidas para virá-la de uma única vez.
Mas deveria ter se dado conta de que, mesmo não o fazendo, não teria qualquer dificuldade em notar que havia algo errado.
- , você parece prestes a vomitar. – ela falou em tom de zombaria. Apesar dele realmente se sentir daquela forma, sabia que era apenas nervosismo, o que ela também não teria dificuldade nenhuma em perceber. Eram melhores amigos há mais tempo do que poderiam contar.
E estavam casados há anos, mesmo que o relacionamento amoroso não fosse de verdade.
- Eu estou perfeitamente bem. – ele mentiu, agradecendo mentalmente o fato de ser um dia importante para ele. Pelo menos assim teria uma desculpa para a atitude. – Quantas taças de champanhe eu posso tomar antes das pessoas acharem estranho? – perguntou, a fazendo rir por isso.
A mulher segurou em seus ombros e o fez se virar para ela, encarando-o com toda a calma do mundo e um sorriso brincando nos lábios.
- , você ensaiou por horas, vai ser capaz de fazer isso. É só uma simples apresentação.
- De um projeto importante pra p... – ele começou a falar, mas se calou sob o olhar de reprovação que ela lançou a ele devido a presença de Loggie, o filho de que criara como se fosse seu.
Era seu, mesmo não sendo.
A verdade era que, aos dezessete anos e uma família humilde, não tinha muitas opções. Engravidou após um descuido e se os pais dela não a matassem, a própria garota o faria tentado interromper a gestação de todas as formas possíveis. E não duvidava que se jogasse de uma ponte para isso, já que dificilmente teria condições de sustentar a criança, que dirá de pagar por um aborto mesmo que clandestino.
não aceitou a ideia de tê-lo assumindo a criança, obviamente. Preferia fazer aquilo sozinha e do seu jeito, sempre foi assim mesmo que ele precisasse dela para tomar qualquer decisão, mas naquele caso foi mais rápido, soltou a notícia sem que ela tivesse chance de negar.
Já estavam casados há quatro anos agora e nunca, em momento nenhum, se arrependeu do que havia feito. Logan era a maior preciosidade de sua vida e sem ao seu lado, não teria conquistado metade do que ele tinha hoje, não teria conseguido a independência necessária para seguir seu próprio caminho sem que os pais lhe ditassem o que fazer. Ela, em contrapartida, não teria tido as oportunidades que o nome dele oferecia, ou mesmo a condição necessária para crescer e conquistar sozinha seu próprio espaço. Completavam um ao outro, sempre foi assim, mas de repente estava apaixonado e caramba, ele não tinha ideia do que fazer.
No papel, ele era casado e mesmo que não se envolvesse daquela forma com , ainda seria traição de qualquer forma.
- , você me ouviu? – perguntou e só então ele se deu conta de que olhava para ela com a boca aberta, de queixo caído mesmo, e mordeu o lábio inferior ou vê-la com uma sobrancelha erguida.
- Desculpa, eu estava focado demais em não vomitar. – desconversou e ela revirou os olhos.
- Para de frescura, . – ela o repreendeu com o mesmo tom que usava para Loggie e ele precisou conter uma risada, ciente de que ela o xingaria por isso. Até ser mãe, era aquela pessoa que ninguém jamais conseguiria imaginar sendo mãe, ou cuidando de alguém que não fosse ela mesma, até porque, era péssima em cuidar de si mesma. A maternidade a mudou completamente naquele aspecto e mesmo depois de anos, ele ainda achava graça quando usava aquele instinto maternal com ele. – São tipo três frases e você ensaiou na frente do espelho.
- E mesmo assim consegui errar. - observou o óbvio e ela, mais uma vez, revirou os olhos.
- Sendo você, seria uma surpresa se não tivesse errado. - comentou e ele lhe encarou chocado.
- Era para eu me sentir melhor?! – exclamou e deu de ombros, soltando seus ombros para arrumar sua gravata, que ela apertou um pouco mais do que o necessário. – Ai. – ele resmungou, soltando suas mãos dele. - Você me viu rindo, né? -perguntou ao se afastar, afrouxando a gravata, e ela sorriu cínica.
- Eu vi. – ela piscou. – Mas é sério. Se você não parar com essa frescura, vai subir no palco sem metade dos dentes.
- Anotado. - devolveu o mesmo sorriso que ela o lançara há pouco.
- Ótimo. – ela respondeu, o fazendo conter mais uma risada dessa vez.
- ... – ela falou, em tom de aviso, e ele arregalou os olhos preocupado.
- Não fiz nada!
- Ele ia rir! – Loggie denunciou e se voltou chocado para o garoto.
- Até você?! – perguntou, pasmo, e viu o menino rir. – Traidor! – exclamou, mas sua atenção se desviou da conversa quando, mais uma vez, viu ao longe, sentindo toda a tensão voltar para ele novamente em um único segundo. Ela conversava com a editora chefe da revista na qual trabalhavam e a forma como seu coração vacilou simplesmente em vê-la deixou claro para o que deveria ser feito, antes mesmo do seu olhar de encontrar com o de e ela sorrir.
E céus, era o melhor sorriso que ele já tinha visto.
a cumprimentou com outro sorriso e meneou com o cabeça, a chamando com a mão em seguida. Ele sabia que ia doer, mas apresentaria sua esposa a ela. E seu filho. Destruiria qualquer esperança e chance que poderiam ter um dia. Aquilo era tão necessário quanto certo para todos os envolvidos. para enfiar na própria cabeça que aquilo simplesmente não podia acontecer, para levantar sua guarda e se afastar como ele sabia que faria e por , que era sua esposa, mãe do seu filho e mulher a quem ele devia fidelidade acima de tudo.
Mas por mais que ele soubesse do fundo do coração que era o certo, também não queria. Ele não queria acabar com suas chances com . Ele não queria perder e se arrependeu de tê-la chamado antes mesmo que ela chegasse até eles.
Dizer que estava linda era muito pouco, o vestido que usava valorizava seu corpo de forma que nenhum outro poderia fazer. O vermelho do tecido combinava com ela de forma que nenhuma outra cor faria e tudo em que ele conseguia pensar enquanto a via se aproximar era em tocá-la. Em poder dizer o que sentia, em poder tê-la em seus braços como mulher.
Ele estava perdido. Perdido de uma forma que se quer era capaz de descrever.
- . – cumprimentou com um sorriso e ele fez o mesmo, sem saber como reagir. Depois de tantos anos de convivência, já era expert em saber o que ele estava pensando sem que fosse necessário muita coisa e deixar que ela pegasse no ar o que sentia era tudo o que ele não precisava fazer. – Você está ótimo. – ela falou e meneou com a cabeça positivamente.
- Você, uhm... – mordeu o próprio lábio inferior em nervosismo, sem saber como proceder. Já estava difícil demais simplesmente não descer o olhar para o corpo dela, para o vestido. Ter que elogiá-la na dose certa parecia um pecado, especialmente quando ele não conseguia pensar em nada além do quão extraordinária ela havia ficado naquela peça de roupa. Viu erguer uma sobrancelha para ele, de forma divertida, e pigarreou. – Você também. – disse apenas e riu, concordando com a cabeça. Ela desviou o olhar para ao seu lado e suspirou, ciente de que agora era a hora e quanto antes o fizesse, melhor. – , esses são , minha esposa e Loggie, meu filho. – disse ele sem vacilar, puxando o curativo de uma só vez, e viu a surpresa estampada em seu olhar.
- Ah. – ela soltou simplesmente antes de sorrir dois segundos depois, após se recuperar do choque. Já fazia quase um ano que haviam sido colocados para trabalhar juntos e nunca, em nenhum momento, havia comentado sobre aquele detalhe, mesmo que isso o deixasse com crise de consciência todo dia quando abria a porta do apartamento onde moravam. – É um prazer conhecê-los. – falou cordialmente, mas ele não teve dificuldade em notar a decepção contida em suas palavras. Seu olhar, que antes brilhava em satisfação, repentinamente pareceu cabisbaixo e enquanto sorria recebia o impacto daquela constatação.
- Igualmente. – falou com educação, mas só conseguia olhar para com o coração apertado de forma no mínimo dolorosa.
- Eu... Uhn... – começou, sem jeito, e apontou para trás brevemente enquanto olhava de um para o outro com um sorriso ligeiramente sem graça. – Tenho que ir. – falou e concordou por , ainda paralisado a encarando.
sentia o mesmo que ele e não foi o único a sair machucado com aquela simples apresentação. Manter em segredo havia custado muito mais do que poderia imaginar, havia criado esperanças que não deveriam existir e, se antes se sentia culpado, agora se sentia péssimo.
Fez esperar por um amor que jamais poderia corresponder.

+++


tinha que dizer apenas algumas poucas frases em cima do palco montado especialmente para aquele dia, mas após sua recente descoberta, bom, ele conseguiu falar merda ainda assim. Estava focado demais em para conseguir lembrar do que havia ensaiado, mesmo sendo tão pouco, e ao tentar se apegar no que já havia decidido dizer, acabou perdendo tempo demais, no caso, o que poderia ter utilizado para falar qualquer outra coisa e evitar a vergonha que acabou passando.
Não que passar vergonha não fosse algo comum para ele. Até mesmo Loggie riu, e o menino tinha só quatro anos.
- Olha pelo lado bom. – começou enquanto seguiam o caminho para o carro e , realmente curioso com o fato dela ter encontrado algo bom para tirar dali, ergueu uma sobrancelha em sua direção, esperando que ela continuasse. – Ninguém jamais vai se esquecer desse discurso. – ela riu enquanto ele a encarava perplexo, sem acreditar na fala da mulher. – Foi memorável.
- Eu preferia que não tivesse sido! – ele exclamou o óbvio ao parar de andar ela apenas riu mais uma vez.
- Para de frescura, a festa tava entediante, você pelo menos fez as pessoas rirem.
- Ah, nossa. Eu estou me sentindo bem melhor agora, obrigado. - ironizou, não que se importasse.
- Disponha. – ela falou, rindo mais uma vez enquanto caminhava de mãos dadas com Logan.
Foi então que, ao longe, avistou . Ela havia passado o dia todo o evitando. Se ele chegava perto, ela se afastava e saber o motivo apenas deixava ainda pior. Havia deixado aquilo ir longe demais. Tentou se preservar e acabou não vendo o que fazia com a própria .
Ela era tão boa em absolutamente tudo que chegava a parecer inalcançável para ele. Jamais poderia imaginar que ela se sentia assim.
Mas o pior ainda era saber que as coisas estavam melhor daquela forma, com ela o evitando.
- Vai dizer tchau, eu e Loggie esperaremos no carro. – se pronunciou, fazendo com que ele lhe encarasse surpreso. Não tinha se dado conta de que observava até falar e se amaldiçoou mentalmente por isso.
Puta merda, ele não dava uma dentro.
- N... não, eu...
- Vai logo. – revirou os olhos e ele olhou de uma para a outra. que prendia Loggie na cadeirnha do carro e que se despedia de uma colega de trabalho.
Respirando fundo para tomar coragem, optou por ir atrás de . Não tinha ideia do que dizer, ou se deveria dizer algo, mas quando se deu conta, já andava em sua direção. Sabia, no fundo, que seria melhor se as coisas fossem daquele jeito, mas ele não conseguia simplesmente aceitar que fossem. Eram amigos também, afinal, e ele sentia que não podia só deixá-la ir daquela forma, mesmo que não pudesse contar a verdade sobre o que estava acontecendo ou referente a sua relação com .
E eles teriam que se acertar de um jeito ou de outro simplesmente porque tinham que se aturar. Antes de serem amigos, eram companheiros de trabalho. era fotógrafo de e na segunda-feira mesmo já teriam um trabalho que implicaria em horas de viagem de carro e uma noite em um quarto de hotel. Não no mesmo quarto, obviamente, mas no mesmo hotel.
se aproximou em tempo de ouvir a mulher com se despedir antes de se afastar e se assustou em vê-lo ao se virar de frente para seu carro. estava entre eles, parado bem em frente a porta.
, com a mão no coração, suspirou ao vê-lo ali.
- ... – soltou junto com o ar que saía de sua boca. – O que houve? – perguntou.
- Nada. – ele respondeu, não esperando pela pergunta. Na verdade, não esperava por nada, não sabia o que esperar. Merecia uma bronca, talvez uns gritos, mas não era como se algo assim fosse do feitio dela. Jamais seria. – Só queria saber se está tudo bem. - completou, decidindo que aquela era sua melhor opção.
- E por que não estaria? – ela devolveu com uma pergunta, tirando a mão do peito. Seu tom de voz soava um tanto quanto rude, mas ela manteve a educação mesmo assim. Se não soubesse exatamente o que havia feito, talvez nem desconfiasse de que tinha algo a mais contido naquela frase. – Não tenho nenhum motivo, tenho?
- Não. – ele respondeu, mesmo sentindo-se um tanto quanto incerto, afinal, ela tinha na verdade. Todos os motivos do mundo, aliás. – Mas sinto que está me evitado.
- Jamais. – ela respondeu um tanto quanto irônica dessa vez, segurado-o pelo braço a fim de afastá-lo da porta de seu carro. – É só impressão sua. – disse ela, mas seu tom deixava bem claro que não, não era apenas impressão. E ele não insistiria para que ela sentisse a necessidade de expressar a verdade verbalmente.
tinha muito o que dizer, que explicar, mas ciente de que não havia muito a ser feito, apenas concordou com a cabeça, afastando-se da porta para não torturá-la mais com aquele assunto. Torturar aos dois. Naquelas condições, talvez ignorar o problema fosse melhor, pouparia ambos de mais dor de cabeça.
Tentando esconder a decepção que não teve dificuldade nenhuma em notar, parou de pé atrás da porta do veículo após abri-la e o encarou como se esperasse mais. Uma explicação, uma justificativa, qualquer coisa. Eles tinham algo, agora ele sabia que o sentimento era mútuo, mas nada parecia justo com e ele apenas deu um passo para trás, sentindo seu coração se afundar em angústia.
- Me desculpa. – falou em um sussurro, certo de que ela entenderia e apenas negou com a cabeça. Não era como se não o desculpasse, mas sim como se não acreditasse em suas palavras. Sem dizer nada, ela apenas entrou de vez no carro, batendo a porta e o deixando para trás com uma única certeza. A de que havia estragado tudo.

+++


imaginou que o dia seria longo quando se deu conta de que nenhuma mulher da agência ficava há menos de dois metros de distância dele, ou que só lhe dirigiam a palavra quando era totalmente necessário. Nenhuma delas quis ir para a locação no mesmo veículo que ele e em pouquíssimo tempo já era alvo das piadinhas dos colegas. Por sorte, além dele havia somente mais dois homens na redação, pois eles que fizeram a piadinhas. As mulheres apenas optaram por ignorá-lo e infernizá-lo, mas só até a metade do dia, pois foi quando começou a piorar e ele nem esperava que fosse possível até então.
sentia como se todas tentassem se vingar e não era como se ele já não fosse atrapalhado o suficiente sem ajuda. Mas claro que, apesar de tudo, ele ainda preferia que tentassem confundí-lo a transformá-lo no cara dos cafezinhos. Três anos de estudo, dois de estágio e um de carreira impecável para uma das mais famosas revistas do país e ele havia virado o cara do cafezinho.
E ele não havia sido o cara co cafezinho nem no estágio. Isso era o pior.
Com todo o cuidado do mundo, empurrou a porta da sala alugada para as fotos que precisavam fazer com os ombros. Tinha noventa por cento de certeza de que derrubaria pelo menos uma das duas bandejas que levava de café em algum momento, só não esperava que fosse demorar tanto. Provavelmente, só não havia acontecido ainda porque havia tido ajuda no térreo, e também nos elevadores, mas na sala já não tinha tanta certeza.
Entrou com cautela, se deparado com a mesma bagunça com a qual estava mais do que acostumado.
Pessoas correndo de um lado para o outro enquanto arrumavam o cenário; outras correndo com figurinos e afins; algumas com acessórios e sapatos; modelos parcialmente vestidas ou com roupas remendadas, nada muito fora do comum com exceção do fato de que normalmente, estaria ajudando uma delas, provavelmente a equipe de cenários, mas aquele não era o caso pois era o único homem naquela equipe e as mulheres, no geral, pareciam todas prestes a assassiná-lo.
- O café chegou! – uma delas gritou e arregalou os olhos, encolhendo-se em seguida quando viu todas aquelas pessoas avançarem em sua direção.
“Pelo menos não vou ter que distribuir um a um”, tentou pensar no lado positivo, mas só durou o tempo necessário para chegarem até ele e precisar lutar para se manter em pé, ficando surpreso por ter conseguido.
Quando sentiu o peso diminuir em suas mãos, suspirou aliviado, mas tão rápido quanto veio o alívio desapareceu. jamais saberia dizer quem havia sido a última pessoa a pegar um dos copos em suas mãos ou se havia feito de propósito, mas ela bateu na bandeja e o copo de café ainda ali caiu sobre ele.
pulou de susto quando a bebida quente escorreu por seu peito e puxou a camisa branca que vestia para longe imediatamente, afastando-a o máximo possível de sua pele sem tirá-la. Infelizmente, apesar de seus esforços, não foi capaz de fazê-lo rápido o suficiente para evitar que o líquido queimasse sua pele e fez uma careta por isso.
- Droga. – reclamou enquanto tentava chacoalhar a camisa para fazer vento sem soltar o último copo de café ainda em suas mãos.
- ! – ouviu seu nome e procurou a dona da voz, sentindo–se apreensivo pelo simples fato de ser uma voz feminina. Elas havia se juntado para transformar seu dia em um inferno e ele só torcia para que acabasse logo, antes que enlouquecesse. – Olha a bagunça que você fez. – uma outra fotógrafa o repreendeu, como se tivesse alguma espécie de autoridade sobre ele o que não tinha e precisou conter a vontade de revirar os olhos. – Antes de limpar essa bagunça, aproveita que não está fazendo nada e segura isso pra mim.
- O quê...? – ele começou a perguntar, mas ela já jogava um cordão de luzes sobre ele, semelhante com os de natal. precisou segurá-las para que não fossem ao chão e quase derrubou o último copo de café por isso. Tentando se equilibrar enquanto segurava as duas coisas, escorregou no chão molhado e caiu sobre a poça de café, urrando revoltado ao se ver completamente sujo e ainda por cima enrolado nas luzes que provavelmente não pegariam agora que estavam molhadas. Irritado, deixou o café no chão e tentou se soltar das luzes, mas bufou quando terminou apenas ainda mais enroscado nelas e desistiu.
- Como é possível alguém ser tão atrapalhado? – ouviu a voz já tão conhecida de se pronunciar e ergueu o olhar para ela, vendo-a parada de pé de frente para ele.
Como se precisasse de mais alguma coisa para se sentir um idiota.
- Obrigado, é sempre ótimo ter um pouco de apoio. – resmungou, sem se importar com o fato de já ter estragado tudo com ela de forma considerável para ainda ser irônico. Não dava para estar nas condições que ele estava e ainda se importar. – Precisa de alguma coisa? Por que eu definitivamente não vou conseguir te ajudar agora. – falou sem encará-la e a ouviu suspirar.
- , me desculpa. – ela pediu, abaixando-se no chão a sua frente para ajudá-lo com as luzes. – Eu só perguntei para a Kim se sabia que você era casado e de repente todas estavam assim. Me desculpa. – falou sincera, passando uma parte do cordão sobre sua cabeça para livrá-lo dela. – Você nunca contou isso pra ninguém! Não pode julgá-las por te julgar. Você nem ao menos usa aliança!
- também não! – ele devolveu no mesmo tom, inconformado. – A apresentei para todos no sábado, na primeira oportunidade que tive e se não estivessem tão preocupadas me crucificando, teriam notado isso.
- Ninguém espera que um casal de marido e mulher não use aliança.
- Mas não usamos por escolha dela. Não minha. - se defendeu, ainda emburrado.
- Tudo bem, você não precisa falar dessa forma comigo. – respondeu e ele suspirou, finalmente se focando nela a sua frente, desenrolando dele a última parte do fio das luzes.
Ela tinha seu cabelo preso em um coque que já não estava mais tão bem preso como deveria, fazendo com que os cabelos caíssem nos olhos. sabia que ela não gostava de usá-los daquela forma, pelo menos em público, pois para ela e apenas para ela, ficava feia daquela forma, independente de quantas vezes ele tivesse dito que não conseguiria aquela proeza nem se tentasse. somente usava o cabelo daquela forma quanto era totalmente necessário devido a algo que fazia, ou quanto estava estressada demais para ainda ter que lidar com o cabelo nos olhos. No entanto, ele gostava e precisou conter a vontade de tirar uma mecha de seu rosto quanto ela, após perceber que ele lhe encarava, abaixou o olhar, fazendo os fios caírem em sua testa.
- Desculpa, eu só estou irritado. - voltou a falar antes que a situação ficasse ainda mais estranha do que já estava entre eles e viu soltar os cabelos, incomodada. – Estou o dia inteiro sendo tratado como a droga de um estagiário simplesmente porque decidiram tomar a dores de uma mulher que não conhecem, mesmo sabendo que não podem dizer que eu fui infiel. Nunca passei dos limites com ninguém.
- Não? – ela perguntou, sentando-se no chão há uma distância segura dele, fugindo do café derrubado e se calou. Sabia que nunca tinha passado dos limites, mesmo com , mas entendia o ponto onde ela queria chegar. Nunca havia faltando com respeito e educação, mas havia ultrapassado limites emocionais ao deixar que ela se aproximasse tanto dele. – Elas não estão tomando as dores de uma pessoa que não conhecem, estão tomando as minhas. – admitiu de uma vez. – E você sabe o que fez, sabe que passou dos limites sim, ou não teria me pedido desculpas no sábado, . Você ocultou um detalhe importante demais da sua vida, ocultou uma família, seu filho e deixou que eu me aproximasse.
- ... – ele começou, mas ela negou com a cabeça.
- Eu sei que você nunca avançou nenhum sinal. Quase um ano, nunca tomou nenhuma atitude e eu confesso que muitas vezes, me perguntei o por quê. Eu achava, de verdade, que era correspondida e me via confusa sempre que tínhamos oportunidade de ficarmos sozinhos e nada acontecia, mas eu sei que não me iludi sozinha, . Eu não sou cega, eu vejo os olhares e todas elas vêm também. Você pode não ter feito nada diretamente, mas deixou que eu me iludisse sozinha ao ocultar um detalhe tão importante e é isso que deixou todas tão inconformadas. Que me deixou inconformada, decepcionada.
sentiu as consequências daquelas palavras imediatamente. Havia visto a decepção em seu olhar bem claramente no outro dia, mas ouví-la falar em voz alta tão abertamente, enquanto expressava também o que sentia por ele, o deixou arrasado.
- , é mais complicado do que isso. – ele respondeu em um sussurro, ciente de que aquilo era tudo o que ele podia fazer. Queria, mais do que tudo, contar a verdade, mas não podia. Não quando aquilo remeteria tão diretamente e negativamente na vida de duas pessoas tão importantes para ele. Mais uma vez, sentiu aquela mesma angústia crescer em seu peito, fazendo-o doer de forma no mínimo deprimente.
Era um dilema maior do que ele esperava um dia enfrentar. Jamais havia pensado na possibilidade de amar outro alguém quando pediu a mão de sua melhor amiga.
- É um casamento, . É claro que é complicado. – ela respondeu simplesmente, levantando-se de onde estava. – Levanta daí, procura outra camisa lá atrás para vestir. A sessão de fotos já vai começar e não é como se pudessem te tirar disso. – falou, mas ele se manteve onde estava, olhando para cima para poder encará-la.
- , não foi bem isso que eu quis dizer. - tentou se justificar, mesmo que não houvesse nada que ele pudesse dizer de fato
- Deixa isso para lá, . – ela falou, sorrindo para ele. O mesmo sorriso que aquecia seu coração sempre que direcionado para ele e se viu perguntando como era possível se sentir daquela forma por um simples sorriso. Por uma outra pessoa. – Vamos só continuar nosso trabalho, pode ser? É só isso que eu te peço.
Sem esperar para ouvir uma resposta, deu as costas e começou a se afastar. , mais do que tudo, quis levantar dali e correr atrás da mulher, puxá-la pelo braço e beijá-la exatamente como imaginava fazer há tempo demais, mas apenas se manteve ali, ciente de que a realidade o impedia de consumar o ato.
Para todos ali, era casado afinal.

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Depois da conversa com , tudo ficou infinitamente mais fácil durante o evento. ainda não estava feliz, isso era óbvio. Não tinha como ficar feliz depois das palavras que tinham trocado, de ter a verdade do que havia feito jogada na sua cara, mas as pessoas pararam de tratá-lo como um nada, facilitando, pelo menos, o seu trabalho.
não precisava da ajuda de ninguém para se sentir um lixo de qualquer forma. Só queria terminar logo o que precisava fazer para voltar para sua casa, se trancar no quarto e ficar um bom tempo lá mesmo que ainda tivesse muito o incomodando independente de , como o fato de não poder ser sincero com a melhor amiga.
E ele sabia que só precisaria vê-lo para saber que não estava tudo bem, o que se comprovou assim que chegou em casa. Ela o cumprimentou e tentou ter a mesma animação que a mulher utilizou com ele, mas independente de seus esforços, não teve.
desejou que o seguisse até o quarto, que batesse na porta e o obrigasse a ter educação, mas como sempre ela apenas respeitou o seu espaço. O conhecia bem o suficiente afinal e apenas se odiou ainda mais por isso. O que estava fazendo com ela não era justo. O que estava fazendo com as duas, aliás.
Ele era uma pessoa terrível, estava cada vez mais convencido disso e foi por esse motivo que, no dia seguinte, ele pelo menos tentou compensá-la de alguma forma, não que realmente esperasse que qualquer gesto pudesse ser grande o suficiente para apagar o que estava fazendo.
levantou cedo pela manhã. tinha o costume de acordá-lo, mas naquele dia, não foi necessário, ele decidiu responsabilizar a si mesmo por organizar o café da manhã. Não era tão bom nisso quanto ela, jamais seria, mas se esforçou ao máximo.
, sem dúvida nenhuma, ficaria ainda mais desconfiada com a atitude, cozinhar não era uma das coisas na lista de tarefas que gostava de fazer, mas o fez mesmo assim e se o confrontasse, pelo menos não teria mais nenhuma desculpa para evitar contar a verdade, dizer o que se passava. Ele precisava contar, afinal. Ela sempre foi parte importante de sua vida e se sentia culpado por, pela primeira vez, estar escondendo algo dela. Especialmente quando era algo tão importante.
Pela primeira vez estava apaixonado e não tinha ideia de como lidar com a situação.
deu dois passos para trás, olhando a mesa posta do café da manhã. Não podia dizer com certeza que o gosto estava bom, mas certamente era uma mesa bonita que por um instante, o fez sorrir satisfeito, mas durou apenas o tempo necessário para que ele se lembrasse do motivo daquilo e sentisse seu estômago embrulhar.
Sem esperar que acordasse, pegou as chaves do carro, o blazer sobre o sofá e seguiu até a garagem, decidindo que não podia encará-la ainda e quase riu ao se dar conta do que tinha feito, quer dizer, ele pensou mesmo que fazer o café fosse mudar alguma coisa? Que mudaria o fato de ter voltado para a casa e ido dormir sem dizer uma palavra a ela? Pior, achava que um café da ma manhã resolveria todos os seus problemas, que mudaria o fato de estar escondendo toda a verdade dela? Que mudaria o fato de não estar mais presente naquela família?
Ele estava errado em mais formas do que poderia sequer pensar, expressar em palavras e, para piorar, fugiria de como um covarde, mais uma vez, ao invés de contar o que estava acontecendo. Provavelmente apenas mandaria uma mensagem com alguma desculpa para a única pessoa para quem ele jamais havia mentido até então.
Ele tinha vergonha da pessoa que havia se tornado.

+++


se sentia sufocado quando chegou na editora aquela manhã, pelo menos uma hora antes do seu horário. Uma chuva torrencial caia do lado de fora, uma que no mínimo seguraria metade dos funcionários em casa. Os poucos que já haviam chegado, ainda estavam sonolentos andando pelos corredores e precisando de uns minutos de paz, seguiu até sua sala, surpreendendo-se em encontrar ali também, antes do horário exatamente como ele havia feito.
Pensou seriamente em dar meia volta, nenhum pouco disposto a lidar com ela, mas assim que deu um passo, derrubou o vazo que ele se quer havia notado, mas que estava posicionado bem atrás dele. abaixou a cabeça para que ela não visse sua clara expressão frustrada, fugindo de tudo e de todos simplesmente porque não conseguia aguentar a bagunça que ele mesmo havia criado.
A cada segundo se sentia ainda mais patético.
- Volto mais tarde, vou te deixar trabalhar. – falou a ela, mas para seu completo desespero, ela negou com a cabeça, bocejando antes de gesticular para que ele entrasse na sala.
Relutante, ele o fez.
- Estou justamente olhando as suas fotos. – falou e ele abriu a boca em um “oh”, fechando a porta atrás de si para se juntar a ela. tirou o blazer de sua costas, colocando-o atrás da cadeira antes de se sentar ao lado de , sentindo cada mínimo detalhe de sua presença o atormentar de forma no mínimo torturante. Seu perfume, o brilho de seus cabelos, a cor de seus lábios, a postura imponente que havia tomado quando ele entrou, mesmo sonolenta e preguiçosa depois de horas ali. E podia apostar que eram horas. A conhecia o suficiente para saber. Até mais do que o necessário, mais do que o considerado saudável, especialmente quando ele era casado e não podia se envolver com outras pessoas.
- E ai? – ele perguntou, tentando ignorar as mil coisas rondando em sua mente ao se inclinar em direção a tela do computador para evitar que seu olhar se caísse sobre o dela. Era ainda mais difícil agora que ele sabia o que ela sentia. Difícil demais, quase agonizante.
- Elas estão ótimas, como sempre. – respondeu. Ele pôde ouvir, em sua voz, que ela sorria. Pode sentir, mesmo sem olhá-la, que ela fazia isso com ele, mas não desviou o olhar da tela, mantendo toda a seriedade que havia conseguido reunir para aquele momento. Devido a sua falta de reação, a escutou pigarrear, como que para se conter e mais uma vez se amaldiçoou por tudo que havia causado. – Quer escolher quais vamos utilizar? – perguntou por fim. – Eu gosto dessas. – levando a mão até o mouse, ela passou por algumas fotos previamente separadas por ela, como de costume. Todas combinando com suas idéias para o artigo. – Você pode escolher outras se preferir também.
- Não. – ele negou. – Essas estão ótimas. Eu confio no seu bom gosto. – falou, tentando se livrar o mais rápido possível daquele assunto. Pela primeira vez, a encarou e viu o olhar confuso de sobre ele.
Não podia culpá-la. Estavam bem quando a van a deixou em casa no dia anterior.
- , o que houve? – ela perguntou e ele passou as mãos pelo rosto antes de passá-las pelo cabelo, não aguentando mais a situação que havia causado.
- E... eu... - se interrompeu, levantando-se da cadeira antes de finalmente deixar as mãos caírem ao lado de seu corpo e surpresa com o movimento repentino, ela fez o mesmo, se colocando de pé enquanto analisava o rapaz de costas para ela.
- ...? – ela o chamou confusa e repentinamente, ele se voltou para ela, aproximando-se pelo menos três passos para ficar de frente para ela, muito mais próximo do que o considerado saudável e, principalmente, correto.
Daquela distância, ele podia ver cada mínimo detalhe de sua expressão, agora assustada; de seus olhos, ligeiramente surpresos com a proximidade repentina; de seus lábios, brilhantes após terem sido recentemente umedecidos. Nunca antes quis tanto tocar seus lábios com os dele, por mais tentado que já estivesse estado para isso e sentiu o desejo que mantinha por ela há meses lhe consumirem como nunca antes, mais fortes do que qualquer culpa, do que qualquer outro pensamento que ele pudesse manter em sua mente. soube, naquele momento, que ele precisava dizer o que sentia por ela, precisava por aquilo para fora antes que enlouquecesse tentando manter aquele sentimento para si, preso e enjaulado dentro de seu peito como vinha fazendo há tempo demais.
- O que você disse aquele dia, você está certa. – começou finalmente, sem ter ideia se o que estava fazendo, era o certo. Muito provavelmente não era. Muito provavelmente, sentiria as consequências daquilo assim que saísse da sala, mas se guardasse tudo novamente, não tinha certeza de que sobreviveria mais um dia. – Você não se iludiu. – confessou, certo de que ela entenderia a referência. E ficou bem obvio em seus olhos arregalados que ela entendeu, especialmente quando negou com a cabeça, espalmando seu peito em uma tentativa de afastá-lo. Ao invés de deixar que ela o fizesse, segurou sua mão e a tirou dali, dando mais alguns passos para frente enquanto a coagia a acompanhá-lo com passos para trás. parou apenas quando a parede atrás dela bloqueou seus movimentos e se viu presa entre ele e a parede. Olhou para trás, como se precisasse fazê-lo para se garantir de que estava mesmo presa e segurou em seu queixo para fazê-la lhe encarar, erguendo o olhar de até os seus enquanto colocava a mão livre ao lado de sua cabeça, não tocando seu corpo com o dela por uma questão mínima de poucos milímetros de distância.
podia sentia a respiração dela em seu rosto, seu corpo tenso com a proximidade e mesmo quando ela voltou a tocá-lo em uma tentativa de afastá-lo, não o fez pois queria aquilo tanto quanto ele, por mais errado que fosse.
- ... – ela falou em reprovação, mas sua voz saiu como um simples sussurro. fechou a mão em seu peito ao redor de sua camisa, e quanto se inclinou em sua direção, prendeu a respiração.
Se ele tivesse o mínimo de decência, se afastaria. Aquilo não pesaria apenas na consciência dele, mas como na dela também. Especialmente na dela, que não sabia toda a verdade por trás do casamento. deveria poupar os dois da bagunça ainda maior na qual seriam arremessados se continuassem o que ele tinha começo, mas lá estava ele, novamente tomando a pior decisão que poderia tomar no pior momento possível.
- Você não sai da minha cabeça, . – ele sussurrou contra seus lábios, tocando-os com os seus levemente e a viu fechar os olhos, fazendo o mesmo em seguida. roçou o seu nariz no dela, e deslizou a mão em seu queixo até seus cabelos, entrelaçando seus dedos entre os fios. levou a mão livre até suas costas, e pela camisa, o puxou ligeiramente para mais perto. Não era exatamente uma novidade o que sentiam um pelo o outro, mas satisfeito com a atitude, finalmente cobriu os lábios dela com os seus, não sendo necessário pedir passagem para que os tivesse abertos, esperando por ele. Não depois de tanto tempo que haviam esperado um pelo outro, que havia imaginado aquilo, aquele contato, aquela proximidade. havia imaginado aquele momento em sua mente muitas mais vezes do que deveria, do que era capaz de admitir e para sua surpresa a realidade conseguia ser ainda melhor do que a fantasia criada em sua mente.
O sabor real de sua boca, a maciez real se seus lábios, a textura de seu cabelo, que ele tocava enquanto a beijava. desistiu da mão ainda parada contra a parede para mantê-la ali e a levou até sua cintura, a puxado para mais perto com cuidado, como se qualquer movimento brusco pudesse destruir aquele momento. Era assim sempre que imaginava aquele momento, afinal. Algo chamava sua atenção e ele era obrigado a deixar a fantasia de lado.
Mas aquilo era real. Finalmente era real e enquanto movia sua língua contra a dela, tudo no que conseguia pensar era no quão certo aquilo soava, mesmo sendo tão errado.
Era certo pelos dois, pelo que sentiam, pela forma como aquele beijo refletia em seu corpo, nos batimentos de seu coração. Ele não queria que aquele momento acabasse, não queria ter que se afastar e cair em uma realidade onde não podiam ser um do outro. E algo dentro dele gritava desesperadamente tentando lembrá-lo que não podia fazer o que estava fazendo, lembrando-o de . Algo dentro dele que tentava desesperadamente conter e ignorar, mas que veio a tona com toda força quando , claramente mais forte do que ele jamais seria, fez o trabalho que ele deveria ter feito.
Era ele o comprometido, não ela. Era ele quem deveria ter vergonha por sua atitude, mas não tinha. Quando ela se afastou, ligeiramente ofegante, mordeu seu lábio inferior, olhando para sua boca com uma vontade quase absurda de repetir o gesto.
Mas antes que o fizesse, negou com a cabeça, desacreditado com o que havia feito.
Podia não ter uma real relação romântica com , mas para o mundo ainda eram casados, ainda era traição e ele sentiu a culpa lhe consumir, negando com a cabeça desacreditado e decepcionado consigo mesmo.
- Droga, eu não... – ele começou, passando as mãos pelos cabelos e a viu negar enquanto o encarava com certo choque.
- ... – ela falou, estática. Sua voz falhando no percurso. – V...você... – tentou novamente, mas ele apenas negou mais uma vez, repetindo o gesto sem conseguir deixar de imaginar o que pensaria se soubesse. Ficaria brava, decepcionada, ele não saberia dizer, mas estava frustrado consigo mesmo e, apenas deu um passo para trás, colocando-se em uma distância segura dela.
- Me desculpa. – disse apenas, reprovado a si mesmo pela sensação de djavú que havia causado com mais um pedido de desculpas direcionado a ela. – Só... – insistiu, mas negando uma última vez ele deu as costas, deixando-a para trás sem que a mulher tivesse a oportunidade de lhe direcionar uma única palavra.

+++


Jae-beom vagou na chuva por pelo menos dez minutos antes de finalmente conseguir lembrar onde havia estacionado o carro, com coisas demais na cabeça para que pudesse se focar por mais de um minuto em algo, como na tarefa de localizar o veículo, por exemplo. Quando o encontrou, abriu a porta e sem se importar muito, sentou-se no banco do motorista, fechando a porta atrás de si para fugir da chuva que caia.
De alguma forma, infelizmente, aquilo apenas piorou a situação na qual se encontrava. Talvez fosse o frio vindo junto com a chuva, ou o vento gelado, mas era mais difícil conseguir pensar do lado de fora. Ele ainda tremia por conta do mal tempo, mas dentro do veículo quente sentia-se confortável o suficiente para ser tomado por todos os dilemas que rondavam sua mente prestes a devorá-lo.
Ainda sentia os lábios de sobre os dele, o sabor deles em sua boca. Ainda sentia seu toque, seu beijo e não era capaz de simplesmente evitar o enorme desejo que sentia em voltar lá para dentro para beijá-la novamente. Ele precisava disso, precisava dela e nem sabia que precisava antes, mas aparentemente isso era o mesmo que achar que um relógio para saber a hora, ou que não precisava daquele tipo de amor para se sentir completo.
Sentindo-se angustiado, abaixou a cabeça no volante por alguns instantes, fechando seus olhos e naquele instante ele soube o que fazer. Era o certo a ser feito. Não existia de fato outra escolha. Ele amava , mas era um amor fraternal, nunca passaria disso por parte e nenhum deles assim como Loggie também nunca deixaria de ser seu filho independente das circunstancias.
Ele precisava conversar com e acabou rindo fraco quando percebeu que ela era a única pessoa que poderia, e iria, ajudá-lo, jogando-se para trás a fim de se encostar no banco. Ele havia decido esconder logo da melhor amiga que estava apaixonado. A única pessoa além dele que sabia a verdade sobre o que estavam fazendo, a única que o entendia perfeitamente nos mínimos detalhes.
E pensar nisso o fez se perguntar se ela já não sabia. sempre sabia de tudo.
Jae-beom colocou o cinto e ligou o carro, olhando as horas no relógio em seu pulso para decidir aonde ir. Havia saído cedo demais de casa e provavelmente estaria trocando Loggie para levá-lo a escolinha antes de ir trabalhar.
Casa. Ela estava em casa e foi para lá que dirigiu após dar partida no carro, no dobro da velocidade permitida apenas para não correr riscos de não encontrá-la.
Assim que chegou, se deparou com na porta, carregando seu casaco em uma mão, junto com a chave do carro e o celular e, na outra, a mochila de Loggie, quem ela esperava para poder sair.
- ! O que houve? – ela perguntou alarmada ao vê-lo completamente ensopado, literalmente pingando na porta de casa.
- Você vai querer vestir o casaco. – apontou para a peça de roupa em suas mãos. – E levar um guarda chuva.
- O seu casaco não parece ajudar em muita coisa. – ela respondeu, o olhando de cima a baixo. – Entra, você precisa de um banho quente... – começou, o puxando para dentro, mas se interrompeu, fazendo-o parar onde estava. – Não. – disse, olhando por sobre os ombros para dentro do apartamento. – Loggie! – gritou. – Traz uma toalha!
- Já vai! – o menino respondeu, mas antes que surgisse com o que havia sido pedido, Jae-beom segurou pelos ombros e a fez entrar novamente em casa, entrando junto com ela.
- ! – a mulher exclamou, olhando para seus pés que molhavam o chão, mas ele segurou seu rosto para que o encarasse e foi estapeado por isso. – Olha a bagunça que você está fazendo! – ela se soltou dele, o estapeando novamente.
- Precisamos conversar. – disse de uma vez e ela revirou os olhos.
- Depois que você se secar. – respondeu. – Loggie! A toalha! – gritou novamente.
- ! – insistiu, mas não conseguiu conter uma risada apesar do nervosismo. – O assunto é sério, depois eu limpo isso.
- Nós dois sabemos que não vai! – ela retrucou, ainda incomodada.
- ! Por favor! – pediu e ela bufou.
- O quê?! – perguntou impaciente, querendo saber o motivo da insistência, mas se calou quando finalmente o encarou direito, atenta a sua expressão. – Ah, finalmente decidiu me contar sobre ? – disse ela e abriu a boca em um “oh”, surpreso. – Por favor, ... – revirou os olhos.
- Mãe, mãe! Aqui! – Loggie voltou a sala, carregando a toalha que ela havia pedido com pulos animados que a mulher não notou.
- Volta para o quarto, Loggie. – os dois falaram juntos, e e o garoto parou onde estava, olhando perplexo de um para o outro mesmo que sequer soubesse o que significava um olhar de perplexidade.
- Logan. – sua mãe insistiu, virando-se para encará-lo de forma brusca e resmungando insatisfeito, ele o fez, batendo os pés para andar.
- Logan. – o repreendeu também e o garoto arrumou a postura, mas não disse mais nada, seguindo silenciosamente para o quarto exatamente como o instruído. – Como...? – começou assim que o garoto se afastou, mesmo que já desconfiasse, mesmo que fosse um tanto quanto obvio e como que para deixar isso claro, revirou os olhos mais uma vez, dando as costas para ele em seguida. - ? - chamou, confuso, enquanto a via seguir até o armário sob a televisão na sala. Ela abriu a gaveta, tirou de lá uma pasta escura e após fechá-la, se voltou para ele já abrindo a pasta, o entregando um conjunto de folhas que o fizeram arregalar os olhos ao bater o olho na primeira linha. - Divórcio?!
- , por favor… - ela começou, falando como se tentasse explicar algo muito simples a Loggie, que não via nada de simples naquilo. Ela usava muito aquele tom com ambos e normalmente Jae-beom ria quando escutava. Não dessa vez. Quem riu, na verdade, foi . Um segundo depois. - Esse casamento só existe no papel, . E só o mantemos por comodidade. - ela sorriu. - Teríamos terminado no mesmo apartamento de qualquer forma, durante a faculdade, mesmo que as coisas não tivessem sido dessa forma. Eu precisei de ajuda, você me ajudou, e a situação nunca atrapalhou nenhum de nós dois, até agora. Você gosta dela, então assina isso e conta de uma vez o que está acontecendo, antes que a perca.
- , nós dois sabemos que não é mais tão simples. Não é só assinar um pedaço de papel.
- Loggie é seu filho, sempre vai ser. E não é porque não seremos mais casados no papel que você vai se livrar da gente. - ela disse, assumindo uma postura divertida em seguida que o deixou desconfiado, para se dizer o mínimo.
- O que você fez, ? - ele perguntou, rindo, e ela fez o mesmo. já estava prevendo aquilo, já tinha planos previamente organizados e o alívio que sentiu era algo que ele nunca conseguiria expor, nem mesmo para si próprio.
- Talvez eu também tenha comprado um apartamento... – ela confessou, mordendo o lábio inferior como se não fosse nada demais e ele arregalou os olhos, desacreditado.
- Você o quê?! – exclamou, completamente chocado. Sabia que precisava contar a verdade e que as coisas não poderiam mais ser as mesmas, mas divórcio, novo apartamento? Assim do dia para a noite?
- No andar de cima, . – ela piscou para ele, atirando uma caneta em sua direção. fez malabarismo para pegá-la, ainda surpreso demais com tudo e, quando o fez, piscou duas vezes enquanto olhava para o objeto. - Vai, assina logo. Você não pode correr atrás de outra mulher enquanto está casado. Não seja tão cafajeste.
- V... você... – começou, chacoalhando a cabeça. – Como?
- Eu te conheço há anos, idiota. Você acha mesmo que eu não notaria que estava apaixonado? – perguntou. – Mas claro que eu só descobri por quem na festa. – fez uma careta em seguida e ele estreitou os olhos, sem entender exatamente o motivo. – O jeito que você olha pra ela é ridículo. Você podia pelo menos disfarçar melhor para que o mundo todo não achasse que eu sou corna. Babaca. – xingou e, dessa vez, ele acabou rindo, como se só então o entendimento caísse sobre ele.
sabia o tempo todo. Ele definitivamente deveria saber que ela sabia. Porra, como ele não sabia?
- Eu sou um idiota. – falou, ainda rindo devido ao alívio e coçou a nuca com a cabeça enquanto ela, mais uma vez, revirava os olhos.
- Idiota e patético. – sorriu cínica.
- Eu te amo. Você sabe disso, não sabe? - perguntou e ela apenas gesticulou para o papel novamente.
- Assina logo, . – ela insistiu, mas ele não o fez.
- Você tinha que responder que me ama. – provocou e, dessa vez, ela riu.
- !
- E o Loggie? Como vão ser as coisas com o Loggie? – ele perguntou, voltando a ficar sério, e fez o mesmo.
- Não dormimos no mesmo quarto e vamos continuar, os dois, o vendo todos os dias. Ele não vai sentir diferença. – ela respondeu, sorrindo em seguida. – Ele sempre vai ter os dois pais. – falou, o fazendo sorrir também por isso antes de se voltar para os papéis para assiná-los. Passou os olhos rapidamente pelo conteúdo, sem realmente se importar muito o com o que estava escrito, mas arregalou os olhos ao ver a data expressa nas folhas.
- Isso é de antes da festa! - exclamou e ela deu de ombros com um certo ar de superioridade.
- Eu não sou cega, . E eu disse que já sabia, antes da festa. Lá eu apenas soube quem. - respondeu. – Talvez eu só seja um pouco iludida, sabe? Achando que você ia me contar antes. Não consigo decidir se você é muito fiel ou muito frouxo, na verdade. - brincou, se fazendo de pensativa. - Demorou demais pra beijá-la.
- Uhm? – se fez de desentendido, mas sabia que ela não teria qualquer dificuldade em notar.
- Ah, sério?! – exclamou, comprovando seu pensamento. - Vai mesmo fingir que essa sua crise existencial não foi isso?
- Eu definitivamente te amo. – respondeu, aos risos e ela bufou.
- Vai logo atrás dela, Lim Jae-beom. - falou e ele riu novamente, aproximando-se dela que arregalou os olhos em resposta. - , você está molhando a casa! - exclamou, mas ele não deu qualquer indício de se importar. - Jae-beom! - gritou, tentando se afastar, mas já era tarde. a envolveu nos braços apenas para provocá-la, erguendo a garota do chão antes de roubar um beijo em sua bochecha. - , eu ainda tenho que ir pro serviço! - gritou, o estapeando, mas riu quando ele a soltou. - Idiota. - xingou, o empurrando para longe para passar por ele. - Loggie, vamos! Estamos atrasados! - gritou, já seguindo até a porta. - E você, limpa esse chão antes de ir atrás da garota, idiota.
- Que garota? - Loggie perguntou, mas apenas o puxou pela mochila para que continuasse andando.
- Vamos, aula. - falou, rindo uma última vez quando acenou em despedida.

+++


Lim Jae-beom não se importou com as pessoas que o xingaram no percurso até a sala que dividia com . Sala onde a havia deixado, onde a havia beijado e primeiro lugar onde pensou em procurá-la.
Não havia tido o trabalho de se secar antes de correr de volta até ela, ou de pegar um guarda-chuva para correr o caminho do carro até o prédio embaixo daquela chuva e deixou um rastro molhado por todo seu trajeto, mas no final todo o esforço havia sido em vão.
Deveria ter esperado que ela não fosse mais estar lá. Não havia motivos para que estivesse, ou para que o esperasse.
Para , ele era casado e mesmo assim havia tido a atitude desprezível de beijá-la. Gesto que ela, mesmo ciente disso, retribuiu.
xingou baixo, condenando-se mais uma vez pelo que havia feito sem antes se explicar. Tinha medo que tudo que tentasse dizer agora para se justificar soasse como uma desculpa vaga e esfarrapada, mas, ainda assim, precisava tentar.
Na pior das hipóteses, se desse errado, ele poderia deixar que o tempo provasse sua história.
Dando meia volta, Jae-beom saiu da sala com a mesma pressa com a qual havia chegado, esbarrando em algumas pessoas insatisfeitas no caminho de volta até o seu carro, rumo a casa de do outro lado da cidade.
E o caminho nunca antes pareceu tão longo.
estacionou o veículo de qualquer jeito em frente a casa da mulher e saiu de lá em tempo recorde. Não podia dizer, com certeza, se havia trancado a porta, mas já era surpreendente o simples fato de ter ao menos lembrado de levar consigo as chaves.
Sem dar a si mesmo tempo para pensar sobre o que dizer ou sobre o que fazer, tocou a campainha e esperou, embaixo da chuva, que ela o atendesse. O que não fez.
- Ah, mas que inferno. – ele reclamou, batendo os pés impaciente. Não era possível que tudo fosse conspirar contra ele agora que finalmente havia se pego disposto a dar um jeito na vida. – ! – voltou a bater na porta, mas teve a impressão de que sua voz havia sido neutralizada pelo trovão que soou do céu. – , me diz que está em casa, por favor! – insistiu, olhando ao redor a procura do seu carro. O encontrou do outro lado da rua e tendo certeza de que ela estava lá, voltou a bater. Agora mais confiante.
- , eu sei que está ai! – falou, firme. – Não vou embora até que não abra essa porta para conversarmos. – insistiu e voltou a esperar ali, dando-lhe tempo de chegar até a porta para abri-la. Quando nada aconteceu, bateu novamente, conciliando a fala com cada uma delas. – , por favor! Vou bater a noite inteira se for preciso!
ouviu o trinco da porta e deu um passo para trás, mas apesar daquela pontinha de esperança, também teve medo que fosse outra pessoa, que não ela, abrindo a porta. Sabia que morava com uma irmã, podia ser ela do outro lado, mas para sua surpresa foi mesmo quem apareceu.
Diferente da roupa social que costumava usar no escritório, vestia uma blusa branca de moletom onde facilmente caberia dois dele. O comprimento ia até pouco acima dos joelhos, deixando o restante de suas pernas a mostra e seus cabelos estavam molhados, como se também tivesse tomado chuva. Assim que o viu, cruzou os braços na frente do peito, cuidando de manter uma expressão séria e neutra em sua face, mesmo que seus olhos denunciassem que ela estava se segurando para não chorar.
- Que merda você quer aqui, ? – perguntou de forma rude e deu um passo para trás quando ele deu outro para frente, esticando um dos braços para colocá-lo entre eles em seguida. – Fica longe de mim. – ordenou com a voz vacilante e sentiu toda sua determinação se esvair ao deparar-se com as consequências do seu ato tão imprudente.
- ... – ele falou em um suspiro, abaixando a cabeça por um segundo antes de voltar a erguê-la em sua direção. – Caramba, eu não tenho ideia de como consertar isso. – ele riu, agora nervoso com aquela constatação, temendo tê-la perdido de uma vez depois de ter demorado tanto.
- Traição não é exatamente algo que tenha conserto, . – ela respondeu e ele passou a mãos pelos cabelos molhados, tirando-os da testa antes de continuar.
- A questão é exatamente essa, . – falou, tentando se aproximar novamente, mas parou quando ela apenas deu mais um passo para trás. – Não foi traição, . – foi direto ao ponto e ela soltou uma breve risada nasalada e sem humor.
- Eu tenho certeza que a sua mulher discorda. – falou e ele negou, quase rindo da ironia já que não, ela não discordava mesmo.
- , eu não tenho nem ideia de como começar a te explicar tudo isso sem parecer uma desculpa, mas eu não fui, eu não sou o cafajeste que você está pensando. – ela abriu a boca para interrompê-lo, mas avançou repentinamente para impedi-la. tentou se afastar como vinha fazendo, mas antes que conseguisse, ele segurou seu braço, a trazendo para mais perto. Por mais que ele quisesse colar seu corpo ao dela, manteve alguns centímetros de distância, ciente de que não era lá uma das melhores idéias quando tudo ainda estava tão confuso em relação aos dois. – Eu sei que você não concorda, mas também não sabe a história toda. – falou, perto demais enquanto ela mantinha seu corpo inclinado para trás, mesmo que seu olhar estivesse focado nele, lhe dando a atenção que queria. - é uma pessoa especial para mim, mas não como você pensa.
- Ela é sua esposa, as palavras saíram da sua boca. – ela respondeu, puxando seu braço agressivamente para se afastar e ele não se opôs.
- No papel, sim. – falou e ela, mais uma vez, riu debochada. deu as costas, pronta para voltar para o aconchego de sua casa. Estava frio, estava chovendo e nada do que ele falava fazia sentido. havia se defendido, mas não explicado o que acontecia em uma ordem que pudesse fazer sentido. Antes que ela fechasse a porta, então, ele continuou a falar, mantendo-se no lugar enquanto apenas torcia para que chamasse sua atenção. – Nos conhecemos desde os dez e ela engravidou aos dezessete, mas não foi de mim. – começou de uma vez e precisou controlar a vontade de suspirar aliviado quando a viu parar onde estava. – Loggie é meu filho, mas não fui eu quem o colocou no mundo, infelizmente. Poucas pessoas sabem disso. A família dela não podia saber.
- E ai você se casou para assumir o bebê? – perguntou e, devido ao trovão que soou no mesmo momento, ele não soube dizer ela havia deduzido aquilo em um momento de entendimento, como se tudo fizesse sentido, ou se sua fala era pura ironia descrente.
- Ela preferiria se matar a ter que contar que não conhecia o pai da criança então eu assumi sem dar a ela a chance de pensar sobre o assunto. – respondeu como se fosse a coisa mais simples do mundo. Pareceu ser quando tomou a decisão, na verdade. Apenas recentemente havia se complicado. – Eu nunca me arrependi do que eu fiz. E nunca vou me arrepender. Ser o pai de Loggie é uma das melhores coisas que já me aconteceu na vida e morar com minha melhor amiga nunca antes foi um problema. Mas eu também nunca esperei me apaixonar por outra pessoa. Nunca cogitei isso, nunca pensei na possibilidade até acontecer. E caramba, , eu tentei evitar. Eu tentei todos os dias durante esse ano porque eu sei que independente de tudo, eu e éramos casados no papel. Porque eu sei que eu devo respeito a ela como marido mesmo que não tenhamos essa relação de homem e mulher, mas... É tão difícil ficar longe. Tão difícil...
- , o que você quer? – perguntou por fim, virando-se para ele novamente. – Vocês não têm uma relação de homem e mulher, ok. E daí? Vocês ainda são casados. Vocês ainda têm uma vida, uma família. O que você quer de mim? Eu não me importo se o seu casamento é um faz de conta porque ele ainda é um casamento e eu não vou me envolver nisso mais do que eu já me envolvi.
- Que eu te envolvi. – assumiu, suspirando decepcionado. – Eu errei, eu sei disso. Comecei errando por não te contar que era casado desde o início, não ter permitido que se precavesse contra mim. Errei em deixar que isso fosse tão longe quando eu sabia a verdade e sabia que não tinha te contado, que estava errado. Errei quando, mesmo sentindo tudo isso, me mantive em silêncio com , deixando as coisas como estava quando a situação já estava insustentável. Eu errei tantas vezes, em tantas coisas que eu jamais saberia como começar a me desculpar, mas eu não podia só deixar tudo como estava. Eu precisava contar. Precisava pelo menos tentar começar a me redimir, arrumar a bagunça que causei porque eu sei que não posso te deixar ir. Porque pela primeira vez eu estou sentindo o que estou sentindo e não posso ignorar mais, não consigo. Não vou pedir que espere, nem que se envolva, mas o primeiro passo para fazer qualquer coisa era contar aos envolvidos o que está acontecendo. foi a primeira, e agora você.
- Contou a ela? – perguntou em um sussurro, como se ainda absorvesse as palavras ditas por ele e sorriu em retorno.
- Ela tinha os papeis do divórcio guardados há semanas porque, na verdade, já sabia. – riu. - Eu deveria imaginar que ela sabia. Sempre sabe e como sempre também, facilitou meu trabalho dando o primeiro passo. – com cuidado, tentou se aproximar novamente, lentamente, e dessa vez não se afastou dele, apenas o observou atentamente enquanto o fazia, sem tirar os olhos dos dele. – Sei que é cedo para nos envolvermos. São coisas demais para resolver no caminho, mas eu vou fazer isso na esperança de que possamos ficar juntos. Não vou pedir que espere, . Não é justo, mas se ainda me quiser depois, vou estar aqui, disposto a brigar por isso porque é por você que eu estou fazendo isso. – falou, tocando sua bochecha delicadamente com uma das mãos. Sem dizer mais nada, ele sorriu e, diante da falta de reação dela, se inclinou para beijar sua testa, vendo os olhos da mulher se fecharem com o gesto.
- ... – ela falou, mesmo sem ter nada a dizer, e ele não teve dificuldade para notar isso, limitando-se em manter o sorriso no rosto enquanto se afastava.
– Eu não menti quando disse que não consigo te tirar da cabeça. – falou, aumentando o tom de voz devido a chuva entre eles. Andava de costas, olhando para ela que ainda se mantinha petrificada no lugar. Acabou rindo por isso. – Engraçado... Não sei porque, mas eu tenho essa sensação meio louca de que apesar de tudo, alguém vai esperar por mim. – piscou, e sem dizer mais nada, finalmente deu as costas para ela, entrando novamente no carro.
Não podia dizer o que aconteceria dali por diante, ou se estava certo quanto ao fato dela esperar, mas não importava porque o simples fato de poder contar a verdade já lhe tirava um peso enorme dos ombros, lhe dava a sensação de que poderia finalmente seguir adiante mesmo nunca tendo se sentido preso antes.
Ele realmente precisava dela em sua vida, e agora sabia. Não a deixaria partir.


Fim.



Nota da autora: Sabe que pra quem estava quase desistindo da música, eu até que gostei? Hahaha E vocês, gostaram também?
Comentem, pls!
Xx
Mayh.



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Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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