11. Hello Love

Finalizada

Capítulo Único

PARTE 1 – A DOR DESSE AMOR.

tinha aquele tipo raro de sorriso que nascia no canto da boca e terminava nos olhos. Era como se carregasse o sol nos cílios, e mesmo nos dias cinzentos, se pegava sorrindo de volta, feito reflexo. Eles moravam em um apartamento pequeno no centro da cidade, desses que tremem com o barulho dos ônibus passando, mas onde a luz da manhã entrava perfeita pela janela da sala.
Ele a amava nos detalhes. Na forma como ela dobrava os joelhos para alcançar os potes mais altos da cozinha, ou como deixava bilhetes colados no espelho com lembretes como “não esquecer de viver devagar”. colecionava xícaras de café sem par e histórias inventadas sobre elas — dizia que cada uma tinha sido roubada de um lugar onde ela nunca esteve.
Eles se encontraram numa livraria. Ela derrubou um exemplar de O Pequeno Príncipe em cima do pé dele e pediu desculpas rindo, como se fosse a coisa mais engraçada do mundo. Ele respondeu “tá tudo bem”, mas quis dizer “fica”. E ela ficou.
Nos finais de semana, preparava panquecas e colocava música no volume mais alto — dançava pela cozinha de pijama, girando, cantando errado as letras e derramando calda na bancada. Às vezes, ele parava de cozinhar só para observá-la, como quem registra um momento sem saber que será o último.
— Você me olha como se eu fosse feita de luz — ela disse uma vez, com a voz baixa, sentada no colo dele, as pernas cruzadas atrás das costas dele.
— É porque você é — ele respondeu, e ela o beijou com gosto de promessas eternas.
Havia algo neles que era além. Não era só amor, era como se seus corações se lembrassem um do outro desde antes de serem carne. Uma urgência de estar junto. Como se o tempo tivesse os separado uma vez e eles tivessem jurado: “da próxima, ficamos até o fim”.
falava muito sobre o destino. Achava que certas almas se encontravam de novo e de novo até finalmente acertarem.
— E se essa for a nossa última chance? — ela perguntou certa noite, enroscada nos lençois com os cabelos emaranhados no peito dele.
— Então vamos fazer valer — sussurrou, e a puxou mais perto, como se isso fosse possível.
Ele não sabia ainda, mas algumas promessas não são feitas para essa vida.
Era uma quinta-feira comum. O tipo de dia que ninguém esperaria para um fim. acordou com o lado dela da cama ainda quente e um bilhete colado na porta do armário:
“Saí antes de você acordar. Não me esquece até mais tarde. Te amo, sempre.”
Ele riu. Sempre. Era a palavra preferida dela.
Tomou café ouvindo o silêncio da casa e pensando em como tudo ficava menos cheio sem a risada da ecoando pelas paredes. Mas achou bonito o jeito como ela deixava saudade mesmo quando só ia até a esquina.
Era final de tarde quando o telefone tocou. O número era estranho. A sensação, pior ainda.
A voz do outro lado era fria, prática, mas não menos devastadora.
Um acidente. Um caminhão. A chuva. O cruzamento.
E o nome dela.
Repetido entre termos técnicos e condolências vazias.
não respondeu. Não chorou. Não entendeu.
Ele apenas ficou ali, com o celular ainda no ouvido, mesmo depois da ligação já ter terminado. A cabeça girando, recusando. O peito inteiro rangendo de dor. O tempo parou, e pela primeira vez em muito tempo… ela não estava mais nele.
tinha ido embora.
Não como quem vai e volta.
Mas como quem é arrancado do mundo e deixado apenas na memória de quem fica.
O apartamento parecia mais escuro naquela noite.
O sofá ainda tinha o casaco dela jogado, e no banheiro o cheiro do perfume resistia ao ar que não conseguia mais respirar.
— Isso não era pra acontecer — ele sussurrou, com a voz trêmula, encarando a porta. — A gente tinha um plano… você disse… sempre.
O mundo seguiu. Mas ele não.
O tempo passou, mas ficou preso naquele dia.
Começou a conversar com o vazio. Com o travesseiro dela. Com as fotos que ele não conseguia apagar.
— Onde você tá agora, ? Por que você foi sem mim?
E quando não conseguia resposta, ele gritava.
Gritava com o destino, com Deus, com o universo.
Com qualquer força que tivesse tido a crueldade de separar dois corpos que carregavam a mesma alma.
Porque amar era ter conhecido o céu. E perdê-la, agora, era caminhar pelo inferno com os olhos abertos.
A cidade seguiu em frente.
As pessoas riram nos cafés, correram nas calçadas, compraram flores e esqueceram de regar.
Mas ... ele parou.
O mundo, para ele, era só um eco dela.
Cada canto do apartamento era uma lembrança.
A caneca quebrada que ela nunca quis jogar fora. O livro que pararam na metade. O bilhete no espelho, que ele nunca mais teve coragem de tirar.
Os dias viraram um borrão.
Ele passou a andar pela casa como se estivesse pisando em estilhaços — cada passo doía.
O som da voz dela ainda vivia na secretária eletrônica, e por semanas ele ligava para si mesmo só para ouvir um “Oi, aqui é a ... deixa seu recado”.
Na primeira noite sem ela, ele dormiu no chão.
Na segunda, no sofá.
Na terceira, não dormiu.
Ele não conseguia visitar o lugar do acidente. Mas aprendeu de cor o nome da rua, o horário, o tempo que estava fazendo naquele dia.
Lia notícias, via fotos que não mostravam nada — como se estivesse procurando uma explicação, uma chance de mudar o passado se entendesse cada detalhe.
— Você mentiu — ele sussurrava nas noites em claro, encarando o teto. — Disse que ficaria comigo. Disse que era pra sempre.
E então chorava.
Não de soluçar. Mas daquele tipo de choro silencioso, que só se nota no travesseiro úmido ou no fundo do olhar apagado. A dor era constante.
Como se o corpo dele tivesse desaprendido a ser leve sem ela.
Os amigos tentaram.
Falaram sobre tempo, sobre recomeço. Mas como se recomeça quando a alma ainda está parada no último beijo, no último “volto já”?
passou a escrever para ela. Cartas que deixava embaixo do travesseiro. Desabafos que ninguém nunca leria. Palavras que talvez o céu devolvesse de algum jeito.
"Hoje vi uma mulher com o teu cabelo atravessando a rua. Meu coração disparou. Depois que percebi que não era você, ele só... parou de novo."
"Não sei onde você tá agora, mas se esse destino for mesmo o canalha que parece ser, espero que ao menos te deixou saber o quanto você foi amada."
"Volta. Nem que seja em sonho. Só volta."
Mas ela não voltava.
Só a ausência permanecia.
Até que, num sonho — ou num delírio — viu aquele sorriso de novo.
estava diante dele, com os olhos brilhando, como quem queria dizer algo mas não podia.
Ela só encostou a mão no peito dele e sorriu.
Foi ali que ele sentiu pela primeira vez desde sua morte… um fio de paz.
Como se algo dentro dele sussurrasse: “isso não é o fim.”
O tempo passou.
Não como cura — ele nunca curou.
Mas como um empurrão silencioso que obrigou a continuar respirando mesmo quando o peito não queria mais.
Os dias se arrastaram.
Depois, caminharam.
E com o tempo, correram.
O vazio nunca sumiu.
Ele apenas se acostumou com ele.
Aprendeu a fingir sorrisos, a agradecer conselhos que não pedira, a seguir em frente com o gosto amargo de quem queria estar em outro lugar — em outra vida.
estava em tudo, mas em lugar nenhum.
Na forma como ele ainda parava ao ouvir uma gargalhada parecida.
Nos cheiros que despertavam lembranças.
Nas músicas que ele não ousava mais ouvir.
Amou de novo?
Não.
Tentou?

Talvez.

Mas ninguém nunca foi ela.
E ele nunca mais foi inteiro desde que ela se foi.
Ainda escrevia cartas.
Menos frequente, mais resignado.
"Hoje vi um casal na estação. Eles riam do jeito que a gente ria. Fiquei ali parado, olhando. Quase pedi pra eles não se perderem, como a gente."
"Você ainda é meu pensamento antes de dormir. E, às vezes, no meio da noite, ainda me pego estendendo a mão pro seu lado da cama."
Os anos levaram os traços dela do travesseiro, mas não da alma dele. E quando a velhice chegou, trazendo rugas e cansaço, se permitiu sentar em paz pela primeira vez em décadas.
O amor dele não diminuiu.
Ele apenas aprendeu a amá-la em silêncio, a manter viva sua memória num canto sagrado do peito.
Na última noite, deitado em sua cama, o quarto escuro e o mundo quieto, ele sentiu algo.
Uma brisa.
Um calor familiar.
Um toque leve, como se mãos invisíveis acariciassem seu rosto.
E então, ele viu.
Por um instante, rápido como um suspiro, estava lá.
Do jeito que ele sempre lembrava. Sorrindo.
Esperando.
Ele fechou os olhos.
Sorriu de volta.
"Agora sim, amor. Agora eu volto pra casa."

PARTE 2: NEM O TEMPO APAGOU


"Como se eu tivesse esquecido de alguém que nunca conheci."

Ela nasceu numa manhã de chuva, como se o céu estivesse tentando dizer algo.
Os médicos sorriram, os pais choraram. Mas ali, tão pequena, tão nova, havia algo nos olhos da menina que ninguém soube explicar — uma espécie de tristeza quieta. Um peso suave, que não cabia naquela vida ainda por começar.
Deram a ela o nome de . E o nome lhe caiu bem, embora às vezes soasse irônico — porque carregava uma tempestade no peito.
Desde pequena, olhava para o mundo como se esperasse encontrar algo.
Parava nas ruas, encarava rostos desconhecidos, sorria para estranhos como se procurasse alguém que ainda não havia chegado.
Quando criança, dizia coisas como:
— Ele vai me encontrar um dia, mãe.
— Quem, filha?
— Eu ainda não sei o nome dele, mas vou saber quando olhar nos olhos.
Seus pais riam, diziam que era imaginação fértil.
Mas sabia que não era isso.
Era falta.
Era ausência de algo que ela nunca teve — ou pensava nunca ter tido.
E então cresceu.
E com os anos, o sentimento não sumiu.
Ele amadureceu.
Virou silêncio.
Virou perguntas que ela não sabia como fazer.
Ela seguiu a vida. Estudou, teve amigos, amores mornos e paixões que nunca queimaram o suficiente.
E em todas as despedidas, havia a mesma certeza:
"Ainda não é ele."
não sabia de onde vinha essa certeza. Só sabia que, quando fosse, ela reconheceria.

"Algumas ausências vêm com a gente, mesmo quando não lembramos de quem partiu."

nasceu em um dia comum.
Nada extraordinário.
Nada que marcasse o tempo como especial.
Mas, desde o início, havia algo diferente nos olhos dele.
Pareciam antigos.
Como se carregassem séculos de histórias não contadas.
Na infância, era quieto demais para sua idade.
Observador.
Vivia olhando para o céu, como se buscasse sinais — ou respostas.
— Por que você tá chorando, filho?
— Eu não sei... — dizia, e não sabia mesmo. Era como se o peito doesse por algo que não tinha nome.
Os outros meninos sonhavam com carros, aviões, aventuras.
sonhava com uma voz que não lembrava.
Com um sorriso que nunca viu.
Com uma presença que não existia — mas fazia falta, uma falta cruel, latejante, mesmo nos dias felizes.
Durante a adolescência, tentou ignorar.
Preencheu os vazios com arte, música, esportes, até relacionamentos.
Mas tudo era superficial.
Tudo parecia… menor do que deveria ser
. Ele se apaixonava fácil.
Mas nunca por completo.
Porque no fundo, nenhuma daquelas pessoas era ela.
E, ainda que ele não soubesse explicar, ele sabia:
Ela existia.
Não era esperança — era certeza.
Como se seu coração fosse metade de uma bússola quebrada, girando em círculos, esperando que o mundo parasse no lugar certo.

“Algumas almas se reconhecem no instante em que os olhos se cruzam — mesmo que a mente não compreenda.”

O dia não prometia nada.
O céu estava nublado, o vento dançava entre os galhos das árvores e as ruas estavam cheias daquele burburinho cotidiano. caminhava sem pressa, fones de ouvido tocando alguma música triste que ela nem lembrava de ter escolhido. Fazia parte da rotina: colocar o mundo no mudo e deixar o peito sentir.
Ela estava voltando da livraria, onde passava horas folheando romances que não terminava. Todos pareciam vazios. Ou talvez ela fosse.
Virou a esquina distraída.
E então, aconteceu.
vinha na direção oposta, os olhos no celular, uma sacola pendendo da mão.
Os corpos se esbarraram de leve.
— Desculpa — disseram os dois, ao mesmo tempo.
E o tempo… parou.
Não de maneira dramática, mas real. Como se o ar ao redor se contraísse. Como se algo invisível tivesse sido ativado.
olhou para ela.
Ela para ele.
E não era só beleza ou simpatia. Era reconhecimento.
Uma onda silenciosa que atravessava a pele e ia direto ao centro do peito.
— Você… — ele começou, mas não soube como terminar.
também sentiu. O arrepio na nuca. O estômago se contraindo como antes de um mergulho.
Ela não sabia quem ele era.
Mas também sabia.
— Eu te conheço? — ela perguntou, confusa.
— Acho que… não — ele respondeu, mas a voz saiu trêmula. E os olhos não desgrudavam.
Eles ficaram ali, alguns segundos, como se o mundo estivesse esperando que um deles lembrasse. Mas não lembraram. Ainda não.
, sem saber o porquê, sorriu. Um sorriso cheio de nervosismo e esperança.
— Eu sou .
.
Os nomes ecoaram um no outro como uma nota perfeita. E foi como uma promessa muda:
“Agora não vamos nos perder.”

“Alguns encontros são só a continuação de uma história que nunca terminou.”

. — Ele repetiu como se estivesse testando o gosto do nome na boca.
Como se aquele som pertencesse a ele.
Como se estivesse dizendo de novo depois de muito tempo em silêncio.
Ela sorriu sem entender.
— Parece que a gente se conhece, né?
— Parece — ele admitiu, encarando os olhos dela como se procurasse por uma lembrança que ainda não existia.
Não trocaram telefones.
Trocaram tempo.
Sentaram num banco qualquer da praça mais próxima, como se aquilo fosse natural — como se sempre tivesse sido assim.
E falaram.
Sobre tudo.
E sobre nada.
O tempo escorreu como água. E, quando a luz do fim da tarde tingiu o céu de laranja, disse:
— Preciso ir.
Mas nenhuma parte do corpo queria levantar.
Nenhuma parte do coração queria ir embora.
hesitou.
Depois se levantou junto.
— Posso te ver de novo?
Ela olhou pra ele, tentando entender por que aquela pergunta soava mais como um "posso te encontrar de novo, mesmo depois de tanto tempo?"
— Pode — respondeu.
E ele sorriu. Um sorriso meio aliviado, meio em paz.
Naquela noite, sonhou com mãos entrelaçadas.
Mas quando tentou olhar o rosto da pessoa, tudo ficou embaçado.
Acordou com o coração acelerado, uma sensação quente no peito e lágrimas no canto dos olhos.
também sonhou.
Com um campo de flores e um vestido voando com o vento.
Com um riso que ele reconheceria em qualquer lugar, mas não sabia de onde.
Na manhã seguinte, olhou o próprio reflexo e disse em voz baixa:
— Eu já te amei antes, não?
Mas não havia resposta.
Só aquela certeza silenciosa, crescendo no fundo da alma.

“O que é pra ser encontra o caminho. Mesmo que tenha que atravessar o tempo.”

Os encontros se tornaram rotina.
Sem pressa, sem cobranças.
Mas sempre cheios de algo que nem os dois sabiam nomear.
Caminhadas sem destino, conversas que iam madrugada adentro, trocas de olhares que diziam muito mais do que qualquer palavra conseguiria.
Era fácil com .
Era leve com .
E, ainda assim, era profundo. Como se cada instante tivesse peso de eternidade.
Na terceira vez que se viram, comentou:
— É estranho, sabe? Parece que a gente já passou por isso.
— Por isso o quê? — ele perguntou, mexendo distraidamente na manga do próprio casaco.
— Por esse começo.
riu, meio sem graça.
— Eu também sinto. Mas… parece mais um reencontro do que um começo.
Ela engoliu seco. Porque era exatamente isso.
Mas como explicar o que não se entende?
Alguns dias depois, estavam sentados juntos em um cinema vazio, o tipo de programa que costumava evitar.
Mas ao lado dele, tudo parecia diferente.
A certa altura do filme, ele segurou a mão dela — e algo nela destravou.
Um flash.
Rápido, incômodo.
Ela viu uma aliança.
Um altar.
E flores…
Muitas flores.
O coração acelerou.
Ela puxou a mão de volta sem perceber.
— Tá tudo bem? — sussurrou, preocupado.
Ela assentiu, mas a cabeça girava.
Era só um pensamento aleatório… certo?
Mas naquela noite, o cheiro de lavanda parecia estar em todos os lugares. E ela não usava perfume.
também passou por isso.
Durante um dia comum, dirigindo sozinho, foi atingido por uma dor súbita no peito — uma lembrança de estar em uma estrada, de um telefone tocando…
E de um grito.
Ele teve que parar o carro.
Respirar fundo.
Engolir um choro que não fazia sentido.
Mas fez.
Porque, pela primeira vez, ele sentiu medo de perdê-la.
E nem sabia o porquê.

“Nem toda memória precisa de permissão pra voltar.”

Era como se o tempo estivesse tentando avisá-los.
Como se o universo estivesse, aos poucos, empurrando as peças de volta pro lugar.
Naquele dia, estava em uma livraria antiga, onde entrou sem motivo.
Pegou um exemplar empoeirado de poesia e, quando abriu, caiu uma flor seca entre as páginas.
Lavanda.
Ela ficou olhando para aquilo por longos segundos.
Seu coração disparou.
E na mente, um sussurro que não era seu:
"Você me prometeu flores eternas."
As mãos tremiam.
Mas ela não entendia por quê.
Enquanto isso, caminhava por uma rua pouco movimentada, quando seus olhos bateram em uma loja de vestidos de noiva.
Ele congelou.
A vitrine mostrava um modelo leve, com mangas rendadas e tecido esvoaçante.
O mesmo que ela usava no sonho.
No altar.
Na lembrança.
A imagem ficou nítida, como se alguém tivesse ligado uma luz:
Ela rindo.
Ela entrando.
Ela dizendo "sim".
… — ele murmurou, como se pudesse alcançá-la só dizendo seu nome.
Naquela noite, os dois sonharam. Mas dessa vez, juntos.
O campo.
As promessas.
O casamento.
O acidente.
O silêncio.
E um ao outro, gritando por algo que não conseguiam alcançar.
acordou chorando.
também.
E foi ele quem mandou mensagem primeiro:
"Preciso te ver."
Quando se encontraram, havia uma urgência entre eles.
Como se o tempo tivesse se comprimido. Como se não houvesse mais espaço pra dúvidas.
— Eu tenho sonhado com você — confessou, com as mãos frias.
— Eu também.
— E... eu me lembro. De coisas que não aconteceram. Mas que parecem tão reais.
— Eu lembro de você antes de você ser você — ele sussurrou, a voz embargada. — E de mim. Com outro nome. Outro rosto. Mas o mesmo sentimento.
Eles choraram.
Se abraçaram.
Se reconheceram.
E naquele momento, souberam de tudo.
Mas então, como uma última peça sendo encaixada, veio o silêncio.
Como se uma porta tivesse sido aberta — e logo depois, fechada com força.
As lembranças se apagaram.
As memórias da vida passada se tornaram névoa.
E o reconhecimento se perdeu…
Mas o amor ficou.
O amor permaneceu.

“Eu não sei de onde você veio. Só sei que quero ficar.”

O tempo passou, mas a sensação não.
e seguiam juntos.
Sem entender exatamente por quê se amavam tão rápido, tão fundo.
Mas também sem a menor vontade de questionar.
Eles não lembravam mais das vidas passadas.
Do campo, da aliança, das promessas ou da dor.
Aquela clareza toda… havia desaparecido como se fosse um sonho esquecido ao acordar.
Mas havia algo que ninguém podia apagar: a certeza dentro deles.
Em uma tarde qualquer, estava sentada no chão da sala, com a cabeça encostada no joelho de , que mexia distraidamente nos cabelos dela.
— Sabe o que eu sinto às vezes? — ela disse, com a voz baixa.
— O quê?
— Que a gente se conhece há muito mais tempo do que realmente se conhece.
— Eu sinto isso o tempo todo — ele respondeu, sorrindo pequeno. — Às vezes olho pra você e… é como se eu já tivesse te perdido uma vez. E agora... não posso mais.
Ela o olhou, surpresa.
Um silêncio pairou entre eles, cheio de significados que nenhum dos dois sabia nomear.
— É meio maluco, né? — sussurrou.
— Não — disse. — É só amor.
Eles não lembravam da dor.
Não lembravam do fim.
Mas carregavam, no peito, um tipo de amor que não precisava ser explicado.
E todas as vezes que ele dizia "eu te amo", ela sentia que aquela frase já tinha sido dita, em outras vidas, outros tempos — e que sempre encontraria um jeito de ser dita de novo.
Até o fim.
Agora, sem interrupções.

EPÍLOGO


“E quando tudo se foi, ainda éramos nós.”

O vento soprava leve naquele fim de tarde. As árvores do jardim balançavam devagar, e o céu estava pintado com tons alaranjados que anunciavam o pôr do sol.
estava sentada em uma cadeira de balanço, coberta com um xale florido. Ao lado, ajeitava a manta nas pernas dela, mesmo que o calor fosse ameno.
— Sempre tão dramático com as mantas — ela brincou, com um sorriso cansado.
— Sempre tão teimosa com o cuidado — ele devolveu, beijando a testa dela.
As mãos enrugadas se entrelaçaram.
E ficaram ali, como se nada mais importasse.
Haviam se passado décadas desde o reencontro.
Desde aquele amor que nasceu como faísca e cresceu como incêndio.
Desde que se reconheceram sem saber exatamente como — e escolheram ficar.
Tiveram filhos, netos, perdas e conquistas.
Construíram uma vida cheia de riso e também de silêncio.
Mas sempre juntos.
Sempre um ao lado do outro.
— Você acha que a gente já se amou antes? — perguntou, com o olhar perdido no horizonte.
— Não sei — respondeu, apertando a mão dela com carinho. — Mas se não foi antes, vai ser depois.
Ela sorriu.
— E se um dia eu esquecer de tudo?
— Eu prometo te lembrar — ele sussurrou.
Ela encostou a cabeça no ombro dele. E, em silêncio, assistiram o sol se despedir, como já haviam feito tantas vezes.
Aquela era a última vida, sabiam disso.
Não com palavras, mas com o coração.
E pela primeira vez, não havia mais pressa. Não havia mais medo.
Porque dessa vez, o amor não precisaria mais lutar para existir.


Fim



Nota da autora: Olá Jiniers, como estamos? Esse com certeza é um dos meus casais e enredod favoritos. haha Espero que goste e não esquece de comentar, ok?

ps: Se quiser conhecer mais fanfics minhas vou deixar aqui embaixo minha página de autora no site e as minhas redes sociais, estou sempre interagindo por lá e você também consegue acesso a toda a minha lista de histórias atualizada clicando AQUI.
AH NÃO DEIXEM DE COMENTAR, ISSO É MUITO IMPORTANTE PARA SABERMOS SE ESTAMOS INDO PELO CAMINHO CERTO NESSA ESTRADA, AFINAL O PÚBLICO É NOSSO MAIOR INCENTIVO. MAIS UMA VEZ OBRIGADA POR LEREM, EU AMO VOCÊS. BEIJOS DA TIA JINIE.