Última atualização: 11/01/2018

Capítulo Único

Olhei para o celular pela milésima vez, me sentindo ainda mais estúpida. Já fazia quase quarenta e oito horas que tinha saído daqui e dito que iria me mandar mensagem para marcamos a próxima saída, mas repetindo, já fazia quase quarenta e oito horas que ele tinha dito isso e não tinha dado sinal de vida, para mim pelo menos, já que ele estava super ativo no stories do seu Instagram.


- , você tá me dando dó – falou com a boca cheia de pipoca.

Soltei um suspiro, deslizando minhas costas até deitar no sofá e joguei as pernas em cima da minha melhor amiga.

- Eu vou matar o – murmurei, desbloqueando a tela do celular de novo. – Por que é tão difícil pra ele pegar o celular e mandar um oi?
- E por que você não manda? – ela arqueou as sobrancelhas.
- Porque eu comecei a última conversa – suspirei, olhando para ela. – Não vou mostrar que estou desesperada.
- Mas você está.
- Mas ele não precisa saber! – olhei novamente para o celular. – Argh, eu odeio ele!

E em seguida arremessei o celular do outro lado da sala, sem nem saber o que tinha me dado pra fazer isso, porém me arrependi quase que imediatamente e já corri para ver se ele estava vivo.

- Ele apagou, . Socorro – choraminguei, apertando no botão para reiniciar o celular, mas ele continuava apagado.
- Bem feito – ela riu, vindo até mim com a tigela de pipoca na mão. – Pelo menos assim você não fica louca esperando por mensagem.

Fiz careta.

- Não tem graça! – choraminguei, continuando a tentar reiniciá-lo.
- Talvez foi um sinal divino te mandando ficar longe do .
- Olha, eu sei que eu to patética trancada nessas quatro paredes e fazendo drama por ele não me ligar, tá?
- Você tá, digo mesmo. Não é a que eu lembro – comeu mais pipoca. – Virou mais trouxa que o tio do Harry Potter.
- Você é uma amigona, hein?
- Ué, fizemos o voto de sermos sinceras, amor.
- Eu vou levar para o e ver o que ele consegue fazer – falei, levantando do chão com meu pobre e inocente celular que tinha levado a pior por causa de .

Eu estava vestindo apenas uma camiseta larga do meu pai que eu usava como pijama e minhas meias 7/8, mas como já era mais de meia-noite, o corredor do prédio já estava silencioso e vazio, então não me importei muito em sair assim, até porque o apartamento de era do lado do meu. Apertei a campainha e esperei.

- Já vai! – escutei ele gritar e logo em seguida a porta foi aberta. – Oi, .
- , eu acabei jogando meu celular no chão e ele não liga mais – expliquei, levantando meu celular. – Você consegue arrumar?
- Jogou? – ele me olhou desconfiado, pegando o celular de mim. – Entra aí.

Fechei a porta e o segui até seu quarto.

- Eu estava com raiva.
- Por causa do ? – perguntou, me olhando de lado.
- Até você sabe daquele idiota? – fiquei surpresa.
- Eu ouvi vocês brigando um dia desses – sorriu, piscando para mim. – Ele é um cara legal, só passou por maus bocados nos relacionamentos anteriores.
- E aí a culpa sobra pra mim? – me joguei na cama, observando enquanto ele sentava em frente à escrivaninha.
- Ele vai se tocar que você é diferente, – ele me olhou rápido.

Sorri para ele, me perguntando por que eu não poderia gostar de caras fofos, lindos e descomplicados como o .

- Você e a vão para o festival de amanhã? – perguntou, se concentrando no que estava fazendo no celular.
- Não conseguimos o ingresso – fiz um bico triste. – Você vai?
- Eu vou, to louco por isso há meses – falou, sorrindo animado. – Pensei que a tinha conseguido os ingressos. Ela tava falando com o Tyler um dia desses.
- Nem conseguiu, tentamos de tudo.
- Prontinho! – girou sua cadeira até ficar de frente para mim e me entregou o meu celular que estava vivíssimo. – Era só a bateria que ficou folgada.
- Eu sou muito idiota. Nem pensei em checar isso – ri, pegando o celular. – Muito obrigada, .
- Vou colocar na sua conta – piscou para mim.
- Ai, pior que ela tá enorme, né? – perguntei, me lembrando de todas as vezes que eu já havia recorrido a quando tive problemas com meus eletrônicos.
- Tá sim – riu, beliscando de leve a minha coxa. – Deixa eu ver uma coisa aqui, espera.

Dito isso, ele entrou no closet e me deixou sozinha no quarto. Desbloqueei meu celular e fui até o WhatsApp na esperança de que tivesse dado sinal de vida durante esses minutos foras, mas não, ele não tinha dado, mas estava online e ainda nem tinha visualizado o meu oi com três is. Eu não era patética assim, então por que estava agindo como uma idiota?
Eu realmente odiava .

- Ei, e se eu dissesse que tenho ingressos extras para o festival? – voltou do closet, sorrindo para mim.
- Eu provavelmente beijaria seus pés! – deixei o celular de lado, me esquecendo de .
- Eu preferiria que você beijasse outro lugar – riu, o que me fez rir também. – Porque eu realmente tenho os ingressos e são de vocês duas, se quiserem.
- Nossa, eu te beijo real sim! – gritei já animada. – Como os ingressos brotaram, ?

Ele continuou a rir e veio deitar ao meu lado na cama.

- Eu tinha comprado para minha ex e a amiga dela logo que o primeiro lote saiu, mas como terminamos, eu fiquei com os ingressos e como elas não pagaram por eles, é todo seu e da , se quiserem – sorriu. – Eu me esqueci deles até agora.
- Eu nem falei com ela, mas queremos sim! A gente juntou o dinheiro por um tempão, te damos até à vista, se quiser – eu mal esperava para contar para que tínhamos conseguido o ingresso.
- Não esquenta com o dinheiro, vocês podem me dar quando for melhor para vocês – deu de ombros.
- Eu nem acredito que a gente vai! – agarrei pelo pescoço e estalei um beijo em sua bochecha. – Já to imaginando nós bem lindos pulando lá no happy holi no dia 1 e no neon lights no dia 2!
- Vai ser ótimo sim – riu, colocando a mão na minha cintura e me abraçando de volta. – Nós vamos ficar na casa que os pais do John têm lá perto. Acho que dá pra vocês duas também.
- Sério? Vou falar com ele para ver se dá mesmo. Não reservamos nada e minha barraca ficou na casa dos meus pais – fiz uma careta. – , eu não posso nem te agradecer direito. Você fez meu dia!
- Coloco na sua conta também – sorriu de lado.

Mordisquei o lábio, olhando para os olhos castanhos de e em seguida para o meu celular, não vendo nenhuma notificação de , mas como estava com raiva dele e decidi que já havia feito papel de trouxa demais por um dia, empurrei o celular para longe e virei para .

- Talvez eu possa começar a quitar essa dívida agora – sorri, aproximando o rosto do de .

Ele semicerrou os olhos, apertando sua mão na minha cintura quando rocei meus lábios nos seus e o beijei em seguida. Afundei uma mão em seus cabelos e ele me puxou para perto, me segurando contra seu corpo. Não demorou muito até que eu estivesse em seu colo e para que minha camiseta estivesse jogada no chão do quarto assim como todas as outras peças de roupas que tiramos em seguida.


- Você tá maravilhosa, ! – gritou, escandalosa como sempre, mas eu ri e a puxei comigo para frente do espelho para tirarmos uma foto.
- Nós estamos, né?! – bati na bunda dela e beijei sua bochecha, tirando a foto nesse momento. - Tô tão ansiosa!

E eu realmente estava. Antes tinha perdido as esperanças quanto a ir para o festival, mas depois de ontem, graças a , eu estava tão animada que mal dormi e estava até conseguindo esquecer bem o fato de que ainda não tinha me respondido.

- Também! Já comecei a esquentar – sorriu, levantando o cantil que eu não tinha visto com ela.
- Me dá isso, por favor – peguei da mão dela e dei um gole longo, quase engasgando com o gosto forte e puro da vodka. – Aliás, falou com o John? Eles já tão vindo?
- Estão sim. Passaram para pegar a Sabine e já, já estão aqui – sorriu, pegando o cantil de mim antes que eu tomasse mais. – Já chega, . Você é fraca demais e ainda temos aquela bebida maravilhosa que o fez.
- Chata – revirei os olhos e peguei o celular para checar as notificações mais uma vez.

Eu realmente não esperava uma mensagem de , mas ao mesmo tempo esperava. Eu estava ficando louca e cada vez mais irritada com aquele idiota. Estava bem perdida sobre o que sentir sobre ele e só queria mandar ele para o diabo tomar de conta.

- Nada do ? – ela perguntou.
- Nadinha – estalei os lábios, jogando o celular na cama. – E eu já estou cansando.
- Ele é um idiota.
- Eu sei – concordei com ela. – Mas por que eu gosto tanto dele?
- Porque você é você, .

A campainha tocou e logo depois ouvimos a porta abrir e a voz de anunciando sua chegada.

- Estamos aqui no quarto da , gritou.

entrou no quarto com seus cachos dourados e sorriso enorme, usando um óculos de sol aviador que combinava muito com ele.

- Bom dia, meninas – ele beijou minha bochecha e em seguida a de . – Estão prontas? Se sim, vamos esperar pelo John lá embaixo.
- Estamos prontíssimas! – saltitou, envolvendo um braço ao redor do pescoço de . – Quero beijar umas bocas.
- A Winter vai – riu, olhando sugestivo pra .
- Eu sei! Tô morrendo de saudades daquela mulher maravilhosa – ela suspirou sonhadora, o que me fez rir.
- e seu crush eterno pela Winter mesmo sabendo que ela é hetero – zombei, beliscando a cintura dela.
- Pelo menos ela me responde sempre que eu falo com ela – retrucou, rindo da minha cara de indignação por seu comentário.
- Caralho, que fora, hein? Vou até me calar depois dessa... – peguei minha mochila e já ia saindo do quarto enquanto os dois riam, mas me puxou.
- Meu amor, eu te amo, tá? – ela beijou minha bochecha. – Todos nós somos trouxas em algum momento da vida. Você já fez muita gente de trouxa e seu momento de ser chegou. É a vida.
- Pois é, . Temos duas certezas na vida: que vamos morrer e que vamos ser trouxa em algum momento – também veio me abraçar de lado.
- Eu não sou trouxa, tá? – me soltei deles, fazendo cara feia. – Vou provar.

Peguei meu celular e procurei a conversa de no WhatsApp, quando achei, apertei para gravar um áudio.

- Oi, . Olha, eu já te disse que eu gosto muito de você, né? Mas eu gosto mais de mim e não vou ficar sofrendo enquanto te espero, beleza? Se você pensa que eu vou ficar aqui aborrecida e sozinha, você tá enganado. Eu vou sair e você já deve saber que eu sou meio perigosa, então se eu sair com alguém e gostar, a culpa vai ser toda sua. Tchauzinho.

E enviei o áudio. Olhei para e que me olhavam surpresos. Eu realmente não entendia a cara deles já que ambos me conheciam o suficiente pra saber que eu poderia fazer isso.

- Tão esperando o quê? Vamos curtir esse festival como se deve.


P.O.V

- Você tá de quatro por essa garota, por que tá agindo como um babaca? – May perguntou.
- Porque ele é um babaca e acha que ela vai fazer como a Kaya – Carter falou.
- Eu não estou de quatro por ela – resmunguei, olhando para o lado para ver se a fila andava. – E também não sou babaca e não é por causa da Kaya.

Talvez eu estivesse de quatro por ela e talvez eu realmente fosse um babaca por estar fingindo que não, só que eles não precisavam saber, mas precisava. Eu tinha realmente usado minha irmã para me manter ocupado e não falar com ela durante os últimos três dias. May tinha chegado à cidade há uns dias, depois de quase seis meses fora e me ajudou a me distrair de , mesmo que só superficialmente porque ela ainda estava na minha cabeça quando eu parava.

- Se você não tá, me explica o que a gente veio fazer nesse festival depois de você ter recebido a mensagem dela? – May insistiu, tentando acompanhar meu passo. – E para de correr!
- Me bateu vontade de vir – dei de ombros.
- Você tem noção de que pagou por três ingressos em cima da hora e que vai precisar de pelo menos seus próximos dois salários para pagar por eles, não é? – Carter lembrou.
- Eu sei – resmunguei.
- Você sabe onde ela tá ou a gente só tá andando para esperar encontrar com ela em algum lugar aqui? – minha irmã perguntou.
- disse que eles estavam no happy holi perto do palco B e da roda-gigante – falei, lembrando do que ela tinha dito na mensagem que eu mandei, depois de ter me xingado algumas vezes por ser babaca com a .
- E qual é o seu plano? – ela continuou perguntando.
- Que plano? – franzi a testa.
- Você vai simplesmente chegar lá e esperar que ela te aceite? – ergui uma sobrancelha.
- Eu não vou pedir ela em namoro! – fiz uma careta.
- E o que nós viemos fazer aqui? – Carter cruzou os braços. – Porque se você não conhece a , eu conheço.

Mas é claro que eu conhecia a e sabia que pelo áudio que ela tinha me mandado, ela estava puta comigo e é claro que eu não a culpava.

- Eu vou improvisar – falei, esperando que fosse suficiente para eles.
- Suas improvisações são uma bosta, maninho – May passou o braço ao redor do meu pescoço. – Você vai ferrar com o que quer que vocês tenham.
- Mas é isso que você quer, não é? – Carter falou e olhei para ele. – Ferrar isso para ter uma desculpa para cair fora.
- Vocês não estão me ajudando! - bufei, me afastando dos dois.

Eu tinha sentimentos realmente confusos em relação à . Kaya havia fodido com meus sentimentos e mesmo que já fizesse quase dois anos que terminamos, eu ainda tinha medo de acabar do mesmo jeito se tentasse de novo.
Quando conheci , pensei que fosse ser apenas mais um lance. Nós ficávamos e era suficiente para nós dois até que mesmo sem perceber, acabou ficando mais sério. Conversávamos todo dia, saíamos quando dava, ela dormia lá em casa e eu na dela. Quando eu percebi que gostava demais dela, meu primeiro instinto foi me afastar e isso nos levou até aqui.

- Aquilo são elas? – Carter apontou para um grupo de pessoas que pareciam estar se divertindo demais e mesmo de longe reconheci os cabelos ruivos de .
- São sim – assenti.
- E o espetáculo começa – May cantarolou, entrelaçando o braço no meu e já me puxando em direção a elas.

foi a primeira a me ver, depois John, Winter e Tyler acenaram para nós três, mas estava muito ocupada sorrindo e conversando toda animada com , mas seu olhar encontrou o meu quando ela virou para frente e seu queixo caiu, o que me fez sorrir sutilmente.

- Não sabia que vocês vinham – John falou quando nos aproximamos.
- Acredite, nem nós – Carter riu.
- Foi de última hora – sorri para ele. – Essa é a May, minha irmã. Não sei se lembram dela. Ela me monopolizou esses dias.
- Claro que eu lembro dela! – sorriu. – Você é a garota do body shot da .
- Meu Deus, você é mesmo a garota do body shot! – riu, incrédula.
- Sou eu mesma – May sorriu. – E você é a garota do meu irmão! Ter a sorte de lamber o corpinho dos gêmeos não é para qualquer um, hein?
- Fui muito mais sortuda em lamber o seu do que o do seu irmão – retrucou, me olhando brevemente. – Mas é ótimo te rever, May.
- Outch – coloquei a mão no peito como se tivesse sido machucado pelas palavras de . – Posso falar com você?
- Não! – ela respondeu, sorrindo em seguida. – Vai falar com as minhas mensagens que você não respondeu.
- Eu passei o tempo com a May desde quando ela chegou, – suspirei, sabendo que todo mundo estava olhado para nós dois agora.
- E fez muito bem. Ela é sua irmã e passou um tempão fora – ela deu de ombros, parecendo indiferente. – Mas agora eu estou ocupada também e vou com o pegar nossas bebidas na freezer que alugamos.

E dito isso, ela saiu com o , sem nem me dar a chance para nada.

- Eu amo essa garota – Carter caiu na risada.
- E você mereceu – piscou para mim, depois olhou para May. – Você tá ainda mais bonita que antes, May. Qual foi a sua receita?

Revirei os olhos e dei as costas para May e que começaram a conversar.

- Eu falei que você precisava de um plano – deu de ombros.


Eu estava realmente tentando me divertir e tinha momentos que eu conseguia sim, mas isso era só até ver a flertando com outros caras. Primeiro tinha sido , mas ele e Winter começaram a se engraçar e outros foram aparecendo. Sempre que eu tentava falar com ela, ela me afastava e eu estava quase enlouquecendo, então resolvi jogar na mesma moeda e agora estava dançando com Alessia, uma garota muito simpática que tinha vindo falar comigo.

- Eu vou comprar algodão-doce, já volto – avisou para , me fuzilando com o olhar.

Esprei ela se afastar um pouquinho e me afastei de Alessia, puxando Carter pela mão.

- Faz companhia para ela, já volto – sorri para os dois antes de sair correndo.

Olhei para os lados para tentar ver o caminho que tinha ido e assim que vi seus longos cabelos ruivos, corri até ela, a puxando pelo braço para fazê-la parar.

- Ei, ei – chamei, parando na frente dela. – Será que pode falar comigo agora?

Os olhos verdes dela estavam obviamente transparecendo a raiva que ela sentia.

- Não! – semicerrou os olhos e puxou o braço, voltando a andar.

Bufei e corri até ela de novo, parando em sua frente e bloqueando o caminho.

- Tá, eu mereço, eu sei.
- É claro que merece – cruzou os braços. – Eu sei que você tava com a May e eu superentendo isso, mas é claro que você tinha tempo para enviar pelo menos um “olha, to com a minha irmã aqui e vou ficar sumido, beleza?”. É claro que eu não ia fazer espetáculo por isso. Eu ia entender e seria bem melhor do que me deixar no vácuo. Sem contar que você desligou na minha cara um dia desses, . Eu posso gostar de você, mas não aturo atitude babaca para cima de mim não.
- Eu fui babaca – admiti, sabendo que soava bem pior quando ela dizia em voz alta. – E eu não desliguei na sua cara. Eu tava na estrada e o sinal ficou ruim e caiu.
- Você é babaca – ela retrucou. – E não me importa se a droga do sinal caiu. Você foi um filho da puta idiota.
- Eu sou babaca – sorri e me aproximei dela, colocando a mão na sua cintura. – Mas eu gosto de você, só que eu me saboto porque não sou bom nisso.
- Eu também sou péssima em relacionamentos, tanto que nunca tive um, mas eu gosto de você, , e isso me assusta e também me irrita porque você não colabora e eu só quero te mandar para casa do caralho! – ela desabafou, me olhando.
- Eu só quero ficar com você – segurei em seu queixo, ainda a olhando. – E eu odeio te ver com esses caras.
- Você sabe que só tá me vendo com eles porque quer, né? – ela colocou uma mão na minha bochecha. – Porque eu já deixei bem claro que eu sou louca por você mesmo você sendo babaca, e eu não sou a Kaya, . Você precisa entender que nem todas as mulheres que você vai conhecer depois dela serão igual a ela.

Eu sabia de tudo isso, mas por que eu ainda sentia como se isso entre e eu ainda fosse acabar mal para mim? Provavelmente porque eu sabia que eu estava gostando demais dela e possivelmente até mais do que eu gostava da Kaya antes, e isso porque e eu saímos só há quatro meses, então eu estava sim muito assustado.

- Eu sei que eu já te disse isso milhares de vezes, mas é complicado, – fechei os olhos e encostei a testa na dela.

Ouvi ela suspirar também e de repente meu corpo foi empurrado para a parede do trailer da lanchonete que estávamos do lado e antes que eu abrisse os olhos para perguntar o que estava acontecendo, senti a boca dela na minha e esqueci o que quer que eu estivesse pensando.
Segurei sua nuca com uma mão e abracei sua cintura com a outra, a trazendo ainda mais para perto. Uma das mãos dela se embrenhou pelo meu cabelo e eu sorri porque adorava quando ela fazia aquilo. Seus lábios eram tão macios e seu beijo tão gostoso que eu percebi agora o quanto tinha sentido falta disso nos dias que fiquei longe dela. mordeu meu lábio e então espalmou as mãos no meio peito, se afastando de mim.

- Me procura quando descomplicar, tá? – ela falou, virando as costas e se afastando daqui.

Eu queria me bater até que meus miolos tivessem saído pelo nariz.


Depois do momento com , eu tinha passado um tempo sozinho para tentar colocar meus pensamentos no lugar e quando voltei, o happy holi tinha começado e todo mundo tava se melando de zim, então só entrei na onda e peguei um dos pacotes que May tinha comprado.

- Ei – ela reclamou, mas soprei pó azul na cara dela.
- Eu te compro outro – sorri, jogando mais pó nela.

E eu tentei realmente me divertir com o pessoal e com , que ainda estava terminando de comer o seu algodão doce enorme. Carter tinha se dado bem demais com Alessia e eu até fiquei feliz por isso. já que eu não tava mais no clima de ficar com ninguém depois de .

- Ei, bonitão – ouvi a risada de e olhei para trás a tempo de ver ela jogar zim vermelho em mim. – Vermelho combina com você.

Balancei o cabelo para tirar o excesso e pó acabou caindo nela também.

- Sério? Azul também fica ótimo em você, vem cá testar – e joguei zim nela também.
- Eu to ficando preta de tanta cor misturada – ela riu, se desviando quando peguei o zim roxo para jogar nela. – Já chega!

Mas quando ela tentou fugir, a puxei pela cintura e joguei mais pó em cima dela enquanto nós dois riamos e ela tentava fugir.

- , sua mãe vai perder um dos gêmeos se você não me soltar agora – ria, batendo nos meus braços para que eu a soltasse, mas não soltei.
- Vai, é? – beijei a bochecha dela, sentindo que metade do zim tinha ficado na minha boca. – E quem vai matar? Porque você não alcança.
- Seu viado! Não fala da minha altura, não, viu? – e daí ela mordeu meu braço e se soltou.
- Volta aqui, – balancei meu braço para aliviar a dorzinha dos dentes dela e tentei puxá-la pelo braço, mas no momento, o cara que ela tava mais cedo apareceu em sua frente e me bloqueou.

Eu observei enquanto ele jogou zim nela e a puxou para perto, coisa que eu gostaria de estar fazendo, mas não podia porque estava fodidamente confuso. Me virei para sair de lá, em parte para respirar ar puro longe de tanto pó e em parte porque era amargo ver ela com outro.


Já era quase noite agora e eu não tinha voltado para perto do pessoal depois de ver e outro cara. Eu estava realmente odiando a mim e a minha confusão no momento.

- Cara, o que você tá fazendo?

Virei para trás e dei de cara com .

- Como assim? – franzi a testa.
- Com a . Olha, eu sei que a Kaya ferrou contigo, todo mundo sabe, mas a não é a Kaya como você bem deve ter percebido. Ela não quer te magoar e com certeza não se sentiria bem se fizesse isso. Ela realmente gosta de você, cara – começou. – Mas você tá magoando ela quando fica esse tempão sem dar notícias e age todo indiferente. Você vai acabar magoando ela como a Kaya fez contigo e então vai perdê-la porque tá com medo de se machucar de novo, mas se você realmente gosta dela como diz que gosta, vai se magoar também e vão ser dois corações partidos no final disso e o culpado vai ser você.

Encarei , pensando no que ele tinha me dito e no porquê dele ter me dito. Nós não éramos lá tão próximos e ele era a fim da , isso todo mundo sabia, menos ela. Eu não fazia ideia do por que dele está me dando conselhos para ficar com ela se ele poderia se beneficiar se eu não ficasse.

- E por que você tá dizendo isso? – perguntei.
- Porque eu gostei da por um tempão e sei como é estar no lugar dela e mesmo que eu esteja em outra agora, ela merece ser feliz com quem ela quiser e se ela quer você e você quer ela... – deu de ombros. – O único empecilho é você pensando em algo que pode nem vir a causar problemas. Pensar que isso vai acabar mal antes mesmo de tentar é o que vai fazer o lance a acabar mal.

Pisquei os olhos, absorvendo tudo que ele tinha dito e percebendo que eu tinha ficado ainda mais confuso.

- Obrigado... – murmurei.
- Ela foi pra roda-gigante com o tal Pierre. Se eu fosse você, eu ia correndo lá agora. O sonho da é beijar um cara no topo de uma roda-gigante. Seria uma pena pra você se ela se apaixonasse por ele por causa disso.
- Você já me convenceu, – sorri quando ele falou da roda-gigante e já me virei para correr.

Na verdade ele não tinha me convencido, mas meu corpo inteiro me dizia para correr até e fazer alguma coisa, a fazer o que eu queria fazer, que era ficar com ela. Então eu iria ignorar todos os meus mecanismos de defesa que estavam armados até os dentes até segundos atrás e ia atrás da garota que eu queria porque perdê-la por medo de me machucar seria sim a maior burrada que eu já fiz.
A fila não estava grande, a maioria do pessoal estava espalhado pelos palcos, mas quando me aproximei, vi que e o tal Pierre tinham acabado de entrar.

- Que droga... – resmunguei, coçando a nuca.

Esperar ela descer de lá não era uma opção e meus planos sempre eram terríveis, mas lembrei de Diário de Uma Paixão, um dos filmes que May tinha me feito assistir ontem com ela, e sorri, já sabendo o que iria fazer. Olhei para as cadeiras da roda-gigante e vi que elas caberiam três pessoas ali, então quando minha vez chegou e eu estava esperando uma cadeira vazia, vi a cadeira de se aproximar. Pulei por cima da cordinha que separava as pessoas da roda-gigante e corri até a cadeira de , aproveitando que ainda estava perto do chão, daí me segurei na trave e entrei por baixo dela, sentando no meio dos dois.
estava com os olhos arregalados, totalmente surpresa por eu estar ali, assim como o cara ao seu lado.

- O que você tá fazendo aqui, ? – ela questionou, indignada.
- Porque eu to pronto pra esquecer tudo o que a Kaya me fez, pra poder ficar com você. Eu sou um babaca e fiz tudo errado, mas eu gosto de você e quero ficar contigo. Desculpa se demorou pra eu tomar vergonha na cara e se te custou muita raiva, mas como eu te disse quando a gente começou, eu sou complicado.

continuou me encarando chocada, o que me deixou apreensivo.

- Demorou, hein, idiota? – ela bufou, revirando os olhos.

Eu tive que rir.

- Demorou – concordei, segurando o rosto dela entre as mãos e a beijei.

sorriu entre o beijo e tocou na minha bochecha. Já nos beijamos várias vezes antes e provavelmente nos beijaríamos outras vezes mais, mas aquele eu ia lembrar como o beijo que me fez esquecer de todo o medo desse sentimento que tinha ficado em mim depois de um relacionamento de merda.

- Gente, eu to aqui do lado – o tal do Pierre falou.

e eu nos afastamos um pouquinho só para rir mesmo.

- Desculpa, Pierre – ela falou.

Mas em seguida voltou a me beijar.





Fim



Nota da autora: E aí, gente? Eu queria muito escrever com essa musica e tive vários bloqueios escrevendo, então espero que mesmo assim vocês tenham gostado. Não deixem de falar o que acharam. Beijos!



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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