CAPÍTULOS: [Capítulo único]









Capítulo Único


Those fingers in my hair
That sly come-hither stare
That strips my conscience bare
It's witchcraft


1255

Silas estava sentado no chão, do lado de fora de sua casa, distraidamente brincando com um cachorro, quando escutou a porta da cabana vizinha abrir e depois fechar-se de uma vez, causando um estrondo.
Muriel vestia um poncho preto, com um capuz, para se proteger do frio.
Mas a menina que celebrava naquele dia seu décimo aniversário, sequer olhou para a casa do melhor amigo, ao lado da sua, contrariando seus costumes.
— Muriel, onde você está indo? — Silas saiu correndo atrás da amiga, ao ver que ela ia em direção à floresta que dava na Sorella. Ela parou logo na borda, onde as árvores se embrenhavam, tampando o interior da Farffala, a floresta assombrada. Ela se virou para Silas, esperando até o momento em que ele a alcançou.
— Para o norte. — Indicou com o dedo indicador, a mata atrás de si.
— Mas você sabe que não pode entrar aí! — Ele bateu o pé e arregalou os olhos. Como uma garota tão indefesa quanto Muriel se embrenharia em um mundo tão temido como Farffala? — E é seu aniversário!
— Sim! É por isso que preciso ir até lá! — Ela sorriu.
— Você está louca? Farfalla acaba na Sorella! Na terra proibida! — Ele insistiu.
— Mamãe está me esperando lá, Silas. Não posso me atrasar! Me desculpe, mais tarde a gente conversa.
Ele ficou estagnado, apenas observando a amiga se perder no interior negro da floresta. Se perguntou desde quando ela era tão destemida a ponto de largar Kirn e ir para Sorella, onde as bruxas habitavam. Não havia uma história sequer que envolvesse as bruxas nórdicas que terminasse bem. Aliás, não tinham fim, já que todos que entravam na Farfalla nunca voltavam.
Muriel só podia estar ficando louca.
E ele mais louco ainda, a partir do momento em que deu as costas para Farffala, largando Muriel à mercê.
Jamais imaginou que seria covarde a ponto de abandonar a proteção de uma pessoa importante. Mas só em ouvir o nome “Sorella”, ele já se arrepiava. Não entraria na floresta para resgatar Muriel.
E ele nem havia lhe desejado parabéns...
Entrou em casa e se ajoelhou em frente ao santuário da mãe, pegou o terço e o segurou com toda a sua força, para compensar sua falha.
Rezou tanto que perdeu a noção do tempo, até a hora em que alguém bateu na porta de sua cabana. Ainda não era a hora dos pais voltarem do trabalho, e visitas naquela hora eram impossíveis.
Receoso, ele abriu a porta, e se deparou com os olhos curiosos e alegres de Muriel.
— Eu consegui!
Ela estava viva!
— Conseguiu o quê? — Ele perguntou tão empolgado quanto ela.
— Passar no teste! Agora sou uma nórdica!

And I've got no defense for it
The heat is too intense for it
What good would common sense for it do?


1261

— Não é como se existisse bruxa do mau e bruxa do bem, Silas. — Muriel rolou os olhos, ao tentar explicar pela enésima vez ao amigo.
— Então por que ninguém nunca volta de Sorella? Só você e sua mãe!
— Eu já te disse! Somos nórdicas. — Bateu as mãos, impaciente.
— Todo mundo em Sorella é! Mas ninguém de Kirn volta de lá, muito menos uma nórdica vem para cá. — Rolou os olhos e chutou uma pedra. Quando o adolescente ergueu os olhos, se deparou com a mãe adentrando a clareira, mas era tarde demais para correr.
— Silas! — Ela gritou e começou a correr até o filho. Ele apenas deu um passo para o lado, se afastando de Muriel. — quantas vezes terei que repetir que não pode andar com esse tipo de gente? — Olhou torto para Muriel, e puxou o filho pelo antebraço. — Vamos para casa, agora! — Ordenou, ainda olhando feio para Muriel, que nem se incomodou. Já estava acostumada com Sayer tratando-a assim.
— Tipo de gente? — Silas retrucou, e puxou o braço para se esquivar do aperto da mãe.
— Nórdicas! — Ela rolou os olhos, e novamente o agarrou e continuou a arrastá-lo até a pequena casa. — E não ouse levantar o tom de voz para mim! — Deu um tapa no braço do menino, e lhe pôs de castigo no milho. — Estava querendo virar ingrediente de bruxa, era?

xx

O sol não demorou a se esconder, e logo o silêncio reinava a pequenina vila, localizada na clareira das bordas da Farffala. Silas rolava de um lado para o outro em sua cama, tentando pegar no sono, mas em vão. Não conseguia nada... Não conseguia esquecer do nojo no tom de voz da mãe ao se referir a Muriel...
Logo ela, que era tão doce. Ele nem conseguia entender como era possível ter uma amizade assim com uma garota que há seis anos havia se tornado uma nórdica... Imaginou que no dia seguinte ao décimo aniversário dela, ela se mudaria para Sorella com a mãe, que lhe garantiu a linhagem nórdica, e nunca mais dariam as caras em Kirn.
Mas estava redondamente enganado. Elas iam cedo à Sorella, e antes do pôr do sol, já estavam em casa.
Ele sentiu um frio na espinha ao escutar barulhos de pedras em sua janela.
Há quantos anos aquilo não acontecia?
Será que Muriel estava realmente jogando pedras na janela dele, para chamá-lo?
Sem querer alimentar suas esperanças, ele abriu a janela com cautela, para que a madeira não rangesse e despertasse os pais.
Se deparou com os olhos acinzentados da garota e sorriu ao ser dominado pela nostalgia. Era uma sensação gostosa, que até dava mais leveza ao seu corpo, parecia que seus pés nem tocavam mais o chão.
— O que veio fazer aqui? — Perguntou, extasiado.
— Despedir... — ela entortou os lábios.
— Despedir?
— Sim... mamãe ouviu quando a senhora Sayer disse que você não pode andar com “esse tipo de gente”, — fez aspas com os dedos e torceu o nariz, sentindo repulsa somente em dizer aquilo — e ela concorda. Vamos aproveitar e partir na madrugada para Sorella. Só que dessa vez, não tem volta. — Ela abaixou a cabeça e olhou para os pés, que a sustentavam firmemente para ficar na ponta dos dedos para ficar à altura da janela.
— Vo-você vai me deixar? — Ele arregalou os olhos.
— Sinto muito, Silas. Não há escolha. — Deu de ombros.
Mas pela primeira vez sentiu a vontade de desafiar as regras...
Pegou impulso e ficou sentada no beiral da janela, com as pernas ainda para fora da casa de madeira. Silas recuou e analisou Muriel de cima à baixo, fascinado com sua roupa.
Era um casaco negro como o céu, e feito este, tinha vários pontos, parecendo estrelas.
Muriel estendeu a mão, convidando o amigo a pegá-la. Receoso, ele entrelaçou seus dedos. Confiava plenamente em Muriel, até mesmo de olhos fechados. Seu medo era que as outras nórdicas o usassem como ingrediente. Sabe-se lá, não é? Geralmente praga de mãe pegava...
Mas a garota apenas o puxou de uma só vez, fazendo-o tropeçar em seus próprios pés, e pôr a mão na janela para não cair. Um barulho foi produzido, porém ignorado pelos dois. Recompôs a postura, e ao erguer a cabeça, deparou com os lábios de Muriel à milímetros de distância dos seus.
Ela inclinou mais um pouco, e deixou seus lábios se tocarem brevemente. O estômago de Silas afundou, e parecia que não existia mais nada ao seu redor.
A boca de Muriel era tão macia e suave quanto seda.
Ela, mais esperta e atenta, escutou o barulho de uma porta se abrindo. Pela fresta abaixo da porta do quarto de Silas, ela notou a luz de uma vela oscilar. Só então o garoto percebeu, e correu para sua cama, para fingir que estava dormindo. Ainda da janela, Muriel ergueu a mão direita em direção ao amigo e moveu os dedos, oscilando de forma aleatória. Murmurou algumas palavras em latim, e reuniu a energia suficiente em sua mão, para logo depois soltá-la na direção de Silas, que a observava curioso. Ele não teve tempo de raciocinar, pois logo em seguida, as ondas luminosas brancas vieram em sua direção, e ele caiu na cama, adormecido.
— Me desculpe, Silas. Mas você não conseguiria seguir sem mim. — Ela grunhiu e pulou de volta para o lado de fora.
Nunca havia feito um feitiço de esquecimento antes, mas esperava do fundo de seu coração que aquele funcionasse.
E apenas com um movimento de sua mão esquerda, ela fez as janelas se fecharem, segundos antes da senhora Sayer adentrar o quarto do garoto, em busca do som agudo que a despertou.
Puxou o capuz de sua capa e cobriu seu rosto parcialmente, indo ao encontro de sua mãe, que a aguardava na divisa entre Kirn e Farffala.

Cause it's witchcraft, wicked witchcraft
And although I know it's strictly taboo
When you arouse the need in me
My heart says “Yes, indeed” in me
“Proceed with what you're leading me to”


1261

— Você tem um minuto para me mostrar em qual casa a tal Sayer mora. — Nora cutucou as costas de Muriel com um graveto, empurrando-a para a borda de Farffala.
O sol começava a aparecer no horizonte, dando início a um novo dia. Logo, Sayer já sairia de casa para ir trabalhar na casa do senhor feudal, e Muriel não teria mais como fugir.
Acidentalmente, ela deixou escapar em Sorella que haviam mudado para lá devido os olhares tortos que recebiam dos vizinhos, mas que uma em questão havia as insultado como “aquele tipo de gente”.
Tal informação chegou aos ouvidos de Nora, a líder das bruxas nórdicas, e esta não ficou nem um pouquinho contente. Fez com que Muriel a guiasse até a culpada por aquilo, pois ela seria devidamente punida.
De todos os feudos localizados nos arredores de Sorella, Kirn era a maior pedra no sapato das nórdicas. Eles sabiam incomodá-las como ninguém. Talvez por ser o maior feudo fornecedor de soldados para o rei, e estes, achando que tinham bravura e força suficientes para derrotá-las, viviam invadindo Sorella e incendiando suas cabanas, mas de nada adiantava, pois bruxas de verdade não queimavam, e nada que um feitiço para proteger as cabanas não resolvesse. No final, o rapaz tinha a ilusão de que tudo queimava, entretanto não existia fogo algum.
— Por favor, madame Nora... não faça nada com a casa deles. — Muriel se virou para encarar a bruxa, e tentar mais uma vez reduzir a punição.
— Por que não, garota? Eles merecem.
— Não, não merecem! Tem alguém importante para mim lá dentro, e ele, pelo contrário, nunca me julgou.
Nora olhou com asco para Muriel, mas viu o desespero estampado nos olhos da menina, e se sentiu de volta há anos atrás, quando a antiga líder sacrificou o camponês cujo qual Nora era apaixonada. Não sabia se o mesmo se aplicava à jovem Muriel, mas sabia que a perda nunca era boa.
— Só me mostre o verme.
Muriel pôde sentir o suor minando em sua testa, aliviada por ter conseguido livrar Silas daquilo. Infelizmente, de forma alguma não conseguira o mesmo para a mãe do amigo.
Ela assentiu e se virou de volta à vila, e no mesmo instante, pôde notar mesmo de longe a porta da casa de Silas se abrir, e dona Sayer sair para mais um dia de trabalho.
Palavras não foram necessárias para Nora perceber que aquela era a culpada. Muriel jamais conseguiria mentir, e quando a bruxa tomou a frente em direção à Sayer, tudo que ela pôde fazer foi engolir seco e torcer para que Nora não fosse tão cruel.
Em questão de segundos, Nora já estava no meio da vila, com Muriel em seu enlaço. No momento em que o primeiro morador viu as duas mulheres estranhas adentarem a vila, ele gritou. Usando vestimentas pretas que as cobriam da cabeça aos pés, com um capuz de brinde para esconder seus rostos, todos já sabiam que se tratava das nórdicas. E ninguém era trouxa a ponto de ficar no caminho delas.
Porém, Sayer estava de costas, e não notou que o movimento na clareira havia acabado. Continuou caminhando tranquilamente em direção a moradia do senhor feudal, sem imaginar que estava sendo seguida.
Nora esticou a mão direita em direção a mulher, tirou a luva preta que a protegia, e logo Sayer já estava totalmente contorcida.
Bruxas mais poderosas eram capazes de executar poderes caladas, para não se denunciarem ao inimigo. Nora girou a mão, fazendo com que os pés de Sayer se desprendessem do chão.
Ela flutuava, enquanto sua coluna formava um perfeito “U” de cabeça para baixo. A cabeça dependurada de Sayer estava pálida, e ela sequer tinha forças para gritar por socorro.
Nora puxou o seu dedo indicador em sua direção, para que o corpo de Sayer a seguisse. Muriel havia se refugiado em sua antiga casa, tendo que assistir tudo da varanda.
A bruxa guiou o corpo de Sayer até o meio da clareira, e a fez permanecer na mesma posição sem precisar de sua mão para executar feitiços para mantê-la ali.
Todos estavam acordados, e observavam das janelas de suas casas a cena no meio da vila. Ninguém ousou a piscar, sequer dar um suspiro para atrair a atenção da bruxa, por mais que estivessem seguros dentro de suas cabanas.
Quem se recusava até então de acreditar em bruxaria, agora tinha a prova concreta de que ela existia. Sayer estava torta e gemendo, flutuando no ar, como se cordas segurassem seu corpo. Mas não existiam fios invisíveis. Existia feitiço de bruxa para fazer uma pessoa voar.
— Sabe o que acontece quando meros humanos ousam desafiar as nórdicas? — Nora vociferou, girando ao redor de seu próprio corpo, olhando para cada janela que tivesse algum curioso espiando. — Eles morrem.
Ela estalou os dedos, e o urro de Sayer foi ouvido por toda a vila. Seu corpo se curvou ainda mais, mesmo que todos achassem que aquilo fosse impossível.
Muriel tampou os ouvidos, e puxou ainda mais o capuz, para tampar totalmente sua visão, e não ter que assistir aquilo. Pode não ter sido a maior simpatizante de Sayer durante seu período que fora amiga de Silas, mas sabia que aquela mulher não merecia aquilo.
Silas estava certo. Bruxas ruins existiam sim.
— E que essa cidadã sirva de exemplo para vocês. Estamos fartas de termos nossas cabanas e colegas queimadas... — fez um teatro, ainda gritando — teoricamente, claro. Pois bruxas de verdade controlam o fogo, não se queimam, e nem permitem que as coisas queimem caso seja da nossa vontade... Entretanto, agora é hora de vocês verem do que realmente somos capazes. Conheçam o poder de quem realmente controla o fogo. — Finalizou, e com outro estalar de dedos, o corpo de Sayer foi consumido pelas chamas.
Os berros da mulher penetraram os ouvidos de cada pessoa ali presente. Inclusive de Silas, que acordou com os gritos, e saiu correndo para fora de casa, empunhando a arma do seu pai.
Ele esperava que todo o treinamento que havia recebido lhe fosse útil dessa vez.
Chutou a porta de sua cabana, e correu em busca daquele que sofria. Só não esperava que aquela pessoa fosse sua mãe.
Correu em sua direção, e tentou desesperadamente puxá-la para o chão pela manga de sua blusa, mas se queimou, e logo soltou.
Começou a implorar por socorro, também gritando.
Um vulto à sua esquerda lhe chamou a atenção, e ele brevemente olhou para o lado, esperançoso.
Porém, seu mundo caiu ao reconhecer aquele traje. Somente as nórdicas os usavam...
E por falar nelas, ele viu uma no topo da vila, na beirada de Farffala, olhando para sua mãe com nojo.
Novamente ele procurou pela outra bruxa, que estava mais próxima dele, e só conseguiu visualizar uma grande cabeleira vermelha.
Ele não sabia de onde, mas já havia visto tais cachos cor de fogo em algum lugar.
Lágrimas rolavam pelo seu rosto, e quando ele se lembrou da arma que empunhava, já era tarde demais para atirar. As bruxas já haviam partido.
E sua mãe despencou no chão, totalmente carbonizada.

It's such an ancient pitch
But one I wouldn't switch
Cause there's no nicer witch than you


1268

Silas já havia se adaptado à vida na selva.
Não era todo homem que era bravo o suficiente para trocar uma vida de tranquilidade no feudo, abrindo mão de ter uma casa, mulher e filhos, para se aventurar na floresta.
Aventurar, não.
Caçar.
Uma presa difícil, porém, valiosa.
A primeira vez que Silas exibiu uma cabeça de bruxa decapitada no feudo, foi motivo para comemorar. Finalmente alguém foi capaz de ir até Sorella e voltar vivo para Kirn.
Silas foi automaticamente nomeado caçador de bruxas, mas por uma decisão própria tomada há sete anos atrás, aquela já era sua meta. Vingar sua mãe, que foi cruelmente assassinada na sua frente, por uma nórdica.
Na época, era um mero moleque de dezesseis anos... No momento, já era um homem formado, com vinte e três.
Sete anos no ramo, e já perdera a conta de quantas bruxas morreram através de suas mãos... E nenhuma delas era a que ele procurava.

O sol havia acabado de se pôr quando ele adentrou Farffala para mais um dia de caça.
Ele nunca chegava a Kirn, sempre dava um jeito de atrair suas presas para a floresta, onde caíam em suas armadilhas. Às vezes, sequer era preciso atraí-las. Muitas bruxas penetravam no meio das árvores para procurar elementos para prepararem suas poções, feitiços, ou sabe-se lá o quê. E outras vezes, nem era preciso passar a noite toda acordado, pois mal atingia a beirada de Sorella e já achava algumas presas em suas estratagemas. Mas quando ele precisava segui-las, feito pega-pega, não tinha um companheiro mais fiel do que seu arco e suas flechas.
Como não localizou nada no raio de alcance de suas obras, subiu à sua árvore costumeira, um freixo.
Ele sabia que aquela era a favorita das bruxas, por produzir frutos pequenos que elas usavam, e principalmente as folhas, cujo até os humanos faziam bom uso, para chás. Curava algum mal. Geralmente era só alguém ficar com o pé inchado e com dor, que a pessoa ingeria o chá e depois de dias, seu pé já estaria de volta ao normal.
Horas haviam passado, e caso não tivesse enganado, o sol raiaria em pouco tempo. Noites paradas como aquela lhe faziam pensar se ele não devia largar o ofício e voltar a sua vida normal... Se sete anos não foram suficientes para encontrar a maldita nórdica e sua companheira ruiva, não seria naquele momento que o milagre aconteceria.
Porém, Silas estava completamente enganado.
Discreta como um gato, rápida como um leopardo, ela correu até o freixo, o maior de Farffala, e mais próximo de Sorella. Cravou suas enormes unhas no casco da árvore, e se pôs a escalar. De galho em galho, ela se apoiava para chegar ao topo, não fazendo sequer um ruído. Era lá que os melhores frutos ficavam, pois as primeiras eram sempre o maior alvo dos animais.
Ele estava cochilando quando ela pulou na ponta do grande galho que ele dormia. Ela sequer o notou, estava focada em se sustentar no casco para pegar as sementes do galho acima, quando ela pisou em falso e agarrou o estreito ramo cujo qual ela colhia as pequenas iguarias. No mesmo instante ele se despertou, e sequer esperou sua visão adaptar com o escuro para procurar se defender. Levou as mãos até suas costas para pegar o arco que ficava dependurado em seu corpo, e logo já empunhava uma flecha, mirando na mulher dependurada a sua frente.
Ela se assustou com o movimento, e uma de suas mãos se desprendeu da rama, ficando a mercê da outra, cujo segurava seu saco com as sementes e a árvore.
— Po-por favor, me ajude. — ela grunhiu. Maldito momento em que as superiores quiseram ensiná-la o feitiço de levitação e ela recusou. Agora sua vida estava nas mãos de um homem, que provavelmente acertaria a flecha no meio de sua testa.
Neste exato momento, para sua sorte, o vento soprou nas galhadas acima, afastando-as e deixando a luz do luar penetrar no meio do freixo, iluminando ambos os rostos.
Ele, assustado, se arredou para trás, se chocando contra o tronco da árvore, abaixando o arco. Aquele rosto não lhe era estranho... E novamente, com a ação do vento, este arrancou o capuz da face da mulher, revelando longos fios vermelhos.
Ah, sim...
Nenhuma bruxa teria cabelos daquela cor. Ele sabia que aquela era a maldita, cúmplice da que matou sua mãe.
Por um instante, ele voltou a mirar no rosto dela, mas uma ideia passou em sua cabeça, fazendo-o dependurar o arco novamente em seu corpo.
Ela seria perfeita para guiá-lo até a velha... Ah, como seria!
Engatinhou sobre o largo galho até a altura da mulher, e quando ia puxá-la para perto de si, ela perdeu todas as suas forças ao reconhecê-lo. Por um breve segundo, ela havia esquecido de como respirar.
— Um arco e flecha, Silas? Sério? Você mal conseguia usar um estilingue. — Debochou em alívio. Não seria naquele dia que ela morreria.
— Como sabe o meu nome? Como sabe isso tudo sobre mim? — Ele gritou, e recuou até se esbarrar no tronco.
Será que além de cumplice, a maldita andava o espiando desde... sempre?
Ela engoliu seco, e não teve tempo de fazer mais nada, pois o suor na palma de sua mão a fez escorregar, e logo ela ia em encontro com o chão.
Em um lapso, ela resolveu tentar algo, e torcer para que aquele feitiço a ajudasse. Bastou um estalar de dedos para que um escudo invisível surgisse ao seu redor. Normalmente, ele seria útil para desviar feitiços ou qualquer objeto que fosse lançado em sua direção. Ela fechou os olhos fortemente ao notar o chão, se encolheu, e esperou pelo impacto. Ou melhor, pela morte. Mas nada ocorreu. O escudo amortecera sua queda, e ela se encontrava há trinta centímetros do chão. Suspirou aliviada, e então desfez a proteção para que pudesse escapar. Ela nem ligou para o baque, já que poderia ter sofrido um muito pior. A dor era relevante, nada que fosse causar danos. Quando retornasse à sua cabana, aplicaria alguma erva nos arranhões. Logo que se pôs de pé, viu Silas atingir o solo, logo à sua frente. Ele desceu da árvore mais rápido do que nunca, para não perder a ruiva de vista. Ela não sabia se corria para um abraço, ou se corria para Sorella.
— Quem é você?! — ele gritou. Muriel estreitou os lábios, queria poder voar no pescoço dele. Talvez desconhecesse a palavra discrição. Aquele grito era capaz de acordar todas as nórdicas, e se alguma bruxa que não fosse ela o visse ali, ele com certeza não escaparia com vida. Mas ela se limitou a correr até ele e tampar os lábios carnudos do rapaz com a palma de sua mão, chocando o corpo dele no freixo, e consequentemente, seu corpo no peitoral forte do homem.
Ele arregalou os olhos e tentou pegar uma faca na sua calça para escapar, mas a ruiva tinha o reflexo melhor que o dele, e logo o imobilizou.
— Se você gritar, lhe transformo num sapo. — Ameaçou, e notou seu pomo-de-adão mover-se desconfortavelmente. Após ter certeza que ele ficaria calado, ela o soltou, e deu dois grandes passos para trás, para ficar na defensiva.
— Quem é você? — Ele sussurrou, inclinando o corpo na direção dela. Muriel rolou os olhos e estalou os dedos. No mesmo instante, lembranças invadiram a visão de Silas, e ele viu todos os anos que passou com Muriel passarem por sua mente em questão de segundos. Suas pernas perderam a força, e seu joelho o traiu, levando seu corpo a cair. Ele conseguiu se apoiar a tempo de evitar uma queda. Piscou diversas vezes para ver se havia sonhado ou falecido, mas se deparou com os olhos cinzas da pessoa que costumava ser sua amiga. E mais do que nunca, ele não conseguia pensar em outra coisa a não ser a lua, quando se perdia nos olhos de Muriel.
— O-o que aconteceu? — Ele se ergueu e encostou na planta, mas estava tão atordoado que deixou seu corpo escorregar até alcançar a terra. Ela se sentou de frente para ele, com as pernas cruzadas. Só então teve tempo para fechar seu saco e constatar que não havia perdido nenhuma folha, que eram medicinais, e nem mesmo uma semente, essenciais para poções.
— Fiz o que deveria ser feito... O melhor para você. Mas parece que não adiantou. — Como assim? Ela bufou. Aquilo seria muito mais complicado do que ela imaginava. Na verdade, ela nem imaginou que aquilo poderia ocorrer. Quando o enfeitiçou, planejava manter o menino longe das nórdicas. — Quando eu te abandonei... — ela mordeu o lábio. Bem, ela não havia abandonado ninguém, só havia seguido seu coração — eu lancei um feitiço de esquecimento em você, para que você não se lembrasse de mim, e não tivesse motivo para se meter com as nórdicas. Mas não resolveu. Por que está aqui, Silas? Você mesmo disse inúmeras vezes que era perigoso.
— Fala sério, Muriel. — Ele apoiou a cabeça nas pernas e começou a mexer nos pedregulhos ao seu lado. — desde quando uma matou a minha mãe, essa é minha vida. Caçar bruxas.
Caçar bruxas. Caçar bruxas. Caçar bruxas.
Aquilo ecoou na cabeça de Muriel, e em um pulo ela já estava de pé, caminhando de costas, se afastando de Silas. Quando ele notou o medo estampado no rosto dela, ele caminhou suavemente em sua direção, para tentar explicar, mas não adiantou. Muriel lhe deu as costas e usou toda a sua energia para correr mais rápido do que nunca, em direção a Sorella. Silas resmungou. Achou que aquela fosse ser uma noite de paz... Nunca se sentiu tão estúpido antes. Balançou a cabeça e voltou a se embrenhar na floresta, seguindo Muriel. Não podia perdê-la de vista.
Somente no meio da correria, ele se lembrou do propósito daquilo tudo. Vingança.
E Muriel sabia quem havia matado sua mãe... Ela havia sido a cúmplice. Ele podia jurar que sentiu seu sangue ferver ao ligar os pontos. Era como se ele fosse explodir. Usou isso como impulso e apertou o passo, diminuindo a distância entre Muriel e si.
Estava tão focado em pegá-la, que sequer viu a floresta acabar. Não eram mais árvores que o rodeavam, e sim, diversas cabanas. Ele entrou na aldeia das bruxas em Sorella sem perceber, mas se já havia chegado até ali, ele não voltaria. Anos precisara de um impulso para achar aquela nórdica, não a deixaria escapar logo agora. Muriel dobrou a sua esquerda e entrou na segunda cabana, que era bem maior e mais distante das outras. Silas até escutou barulho de águas na região, e se espantou ao concluir que tinha um rio ali. Quando ela estava prestes a fechar a porta para se proteger, Silas pôs o pé no espaço que ainda restava, e lhe impediu de fechar. Com uma força desnecessária, já que ele era muito mais forte que Muriel, ele empurrou a porta e entrou. Mesmo de costas, ele deu um chute na porta, selando os dois lá dentro. Não precisou somar um mais um para concluir que estavam trancados ao escutar um trinco metálico ranger, logo após a porta se fechar. — Não se aproxime. — Ele ergueu a cabeça e deu de cara com um vareto apontado diretamente em seu rosto, quase tocando seu nariz. Muriel o segurava na ponta dos dedos, ficando o mais distante possível. — Você acha mesmo que eu te mataria? — Ele rolou os olhos, e sem imaginar que aquilo se tratava de uma varinha mágica, a tomou da mão da bruxa, que mal pôde tentar barrá-lo. Em um piscar de olhos, ele segurou ambas as pontas do objeto mágico com cada mão, e ergueu a perna dobrada, chocando-o contra sua coxa, partindo o pedaço de madeira ao meio. Ela deixou um soluço alto escapar ao ver uma pequena explosão de cores quando a varinha foi quebrada. Silas se assustou, não imaginava que aquilo pudesse acontecer, e jogou os pedaços aos pés da bruxa, que olhou com os olhos marejados para a varinha inutilizável. Ela se abaixou, pegou ambos os pedaços e tentou inutilmente uni-los. Tentou um feitiço de reparo, que não funcionou. Tentou um feitiço para colar, que geralmente era usado para fixar alguém no chão, que também não deu muito certo. Resmungou algumas palavras em latim em vão, e ergueu-se. Ao olhar em direção do culpado, ela mal o via... Sua visão estava vermelha, e pela primeira vez na vida, entendeu o significado do ditado “ver sangue nos olhos”. — Você... quebrou... a varinha... da minha mãe! — disse pausadamente e numa altura consideravelmente baixa, exceto a última, que era um grito carregado de ódio. — era a única lembrança que eu tinha dela! — Lembrança? — É! Algum desgramado a matou na floresta... Tudo que eu encontrei foi o seu corpo, e sem a cabeça. Ele engoliu seco. Oh oh... Só havia arrancado a cabeça de apenas uma bruxa até hoje... Seria essa uma tamanha coincidência? Ele estaria fodido! — E pra completar, você me mataria! Silas, eu era sua amiga, e você apontava uma flecha no meio da minha testa! — Urrou, e ele se encolheu de medo. Uma bruxa sozinha ele até daria conta... Mas se aqueles berros acordassem o resto do bando, ele com certeza seria janta de bruxa na próxima noite... talvez fizessem um picadinho com sua carne. Após o longo silêncio, quando ele tinha certeza que nenhuma outra nórdica se juntaria Muriel, ele aproveitou o breve segundo de bravura para se sobressair.
Cause it's witchcraft, that crazy witchcraft And although I know it's strictly taboo When you arouse the need in me My heart says “Yes, indeed” in me “Proceed with what you're leading me to”

— Eu nem sabia quem era você! Por sua culpa. — ele caminhava em direção a ela, focado em seus olhos acinzentados. Não perceberam o limite da cabana, e logo as costas de Muriel se chocaram contra as paredes amadeiradas. Ela tentou engolir, mas sentiu o bolo ficar preso em sua garganta. Silas estava perto demais para seu próprio bem. Estava encurralada em seu próprio território, perdida na imensidão dos olhos dele. Ela não se lembrava que era capaz de esquecer da vida quando olhava diretamente nas íris dele. Ela não se lembrava que aquilo lhe trazia a sensação de conforto, algo tão parecido quanto deitar no colo da mãe, quando criança. Ela sequer percebeu seu corpo trôpego inclinar na direção do peitoral definido de Silas. As caças fizeram muito bem para seu físico, e ela não deixou de notar que era muito mais definido do que a maioria dos soldados do rei, pelo que ela lembrava da sua infância, quando eles visitavam o feudo.
Ele colocou as mãos na cintura dela, para ajudá-la a se apoiar, evitando uma queda. Ela pousou a mão esquerda sobre o ombro do rapaz, e dedilhou o local, perplexa demais para se dar conta do que ocorria.
Ele nem imaginava que a amiga ficaria com curvas tão delineadas quando ficasse mais velha. Por toda sua infância, jurou que ela era a única pessoa apta ao cargo de sua esposa, mas foi uma tremenda decepção ao constatar que teria que se casar com uma nórdica... Tanto que quando Muriel estava na idade de casar, ela não o fez. Com ninguém. E agora ele não conseguia desviar o olhar do vale formado entre o decote do longo vestido dela. A proeminência era muito convidativa e tentadora, e a leve cócega que ele sentia em seu ombro, apenas o deixava ainda mais instigado. — É Deus no céu, você na Terra, e o diabo no inferno... Só não espero que eu vá parar lá por esse pecado. — Ele murmurou, desviando o olhar da saliência dela, focando em seus olhos, que também eram muito dignos de receberem sua atenção.
— Qual pecado? — sua voz estava arrastada.
Muriel não sabia, mas estava totalmente à mercê de Silas.
E sua resposta veio como o maior sorriso safado que o mundo já havia visto até então. E a pobre Muriel ficou encarando o rosto dele, sem sequer imaginar o que estava por vir.
Eram raras as exceções, mas elas existiam, e Silas não necessitava de muito trabalho para encontrá-las. Por ter renunciado a vida padrão no feudo, ele supria suas necessidades masculinas com poucas empregadas dos senhores feudais da região, que raras as vezes fugiam às regras da igreja para alimentar o prazer carnal.
Muriel estava com uma interrogação estampada na testa. Aquela possibilidade sequer passava por sua cabeça, pois como ela não se casaria, já havia descartado há tempos a possibilidade de perder sua pureza. Ela só buscou tal pensamento no fundo de sua mente, quando percebeu que estava deitada em sua cama, com Silas sobre si.
— O q-que você vai fazer? — ele soltou um risinho e escorregou o nariz pelo pescoço dela, deixando-a arrepiada.
— Te tornar mulher. — ele se sentou sob a púbis dela, e desmanchou o laço de sua capa, deixando-a aberta na cama, debaixo de seus corpos.
— Já sou mulher desde meu primeiro sangramento. — Ela tentou se defender, mas sua voz saíra tão baixa que mal foi ouvida. Seu peito subia e descia descompassadamente, e sua situação só piorou quando ela sentiu uma pressão na região de seu colo. Uma sensação de ardor consumiu o meio de suas pernas, e ela tentou a todo custo friccioná-las para aliviar a tensão, mas Silas estava sentado de uma maneira que deixava suas pernas imobilizadas. Ergueu um pouco a cabeça, e notou um volume entre as pernas dele, que estava bem acima da região que coçava. Ela olhou para cima e arqueou o corpo, buscando mais contato com aquele volume, que deixava a coceira ainda mais gostosa.
— Sangramento só serve para te deixar impura, mas eu já deixei de acreditar nas coisas que a igreja prega... — deu de ombros. Finalmente ele havia dito algo que ela compreendesse, pois as bruxas também não ligavam para nada que o catolicismo pregava. Mas não estava na sua época impura, para sua infelicidade.
Ou seria felicidade? Ela ainda não sabia como julgar aquilo. Era um errado muito gostoso.
Ela soltou um muxoxo, e em resposta, Silas ergueu seu corpo, liberando o de Muriel por um breve segundo, pois logo já havia a virado para deixá-la de costas, e se manteve ajoelhado, com os joelhos ao lado da cintura dela. Se inclinou levemente, e raspou os lábios pela escápula da bruxa, fazendo com que o coração dela perdesse o ritmo das batidas. Ela podia jurar que qualquer momento ele escaparia por sua boca.
Virou o rosto para um lado, para tentar respirar melhor, mas ainda se sentia abafada. Quando sentiu os dedos de Silas escorregarem de sua nuca até a lombar, e logo em seguida se embrenharem no laço do espartilho, ela prendeu a respiração.
Seu corpo parecia ter alergia do dele. Cada mero toque a deixava completamente arrepiada. E então, sem o peso dele sob seu corpo, ela começou a esfregar sua bacia na cama, para aliviar a coceira no meio das penas. Seus olhos giravam sem controle algum, e sua boca formava um “O” perfeito.
— Mas você já está assim? Nem te possuí ainda. — Ele provocou e ela tentou rir, mas logo em seguida engoliu seco.
Ele terminou de soltar a fita do espartilho e a jogou longe. Virou-a novamente, agora deixando seu peitoral para cima.
Com o cuidado de como estivesse despindo uma criança, ele puxou o espatilho, e liberou os seios dela. Também o arremessou em um canto qualquer e ficou hipnotizado, encarando aquela obra-prima. Era o mais rechonchudo que ele já havia visto em toda a sua vida. Cobriu cada um com uma mão, e se inclinou para selar seus lábios, mas ela reuniu todas as suas forças para freá-lo.
— Você não vai me beijar.
— Por quê? — Fincou a testa, mas continuou buscando o toque com o corpo dela, para não perder sequer uma chance de provocar nela qualquer tipo de estímulo.
— Porque não é o momento adequado para receber um beijo de uma bruxa. — Ela resmungou, e se contorceu debaixo dele.
Ele riu com a reação dela, mas não deu muita importância para o beijo. Sabia diversas outras formas para sentir prazer, e deixá-la com prazer. Desceu, e rapidamente tirou a saia dela, deixando-a completamente exposta. Ele ficou ajoelhado no pé da cama, tirando seu arco do redor do corpo, casaco, blusa e calça.
Enquanto isso, ela aproveitou da liberdade para guiar sua mão em direção ao sul do seu corpo, e com os dedos finos, começou a coçar sua intimidade, fechando os olhos e se contorcendo de prazer. As unhas grandes lhe incomodavam um pouco, mas ela escorregou os dedos sob um local úmido e inchado até que somente a pele o tocasse, livrando-a do incômodo causado pela unha.
Silas voltou a se aproximar, já livre de suas vestimentas. Ele passou suas mãos por debaixo dos joelhos de Muriel, e os flexionou até que ficassem firmes, sustentados pelos pés dela. Ela soltou um gemido de aprovação quando este avançou ainda mais, e raspou seu membro, também úmido devido ao lubrificante natural, no local que ela estimulava. Sua mão abandonou sua região sexual, e foi diretamente ao encontro dos fios de cabelo de Silas, e o puxou levemente pela cabeça em direção ao seu corpo.
— Só tente não gritar para não acordar suas amigas... Não estou afim de virar picadinho de bruxa. — Ele avisou, mas ela não o deu muita bola. Julgava ser impossível gritar por prazer. E elas não acordariam, já que sua cabana era protegida por um feitiço silenciador, já que ela vivia fazendo poções experimentais, que quase sempre explodiam.
E aquele foi o seu último aviso, antes de possuí-la de vez.
Por um breve tempo, ela jurou que perdera todos os sentidos, exceto o tato. Seus olhos se fecharam, nenhum som foi emitido por eles ou pelo exterior. Tudo que ela sentiu inicialmente foi uma leve dor, e logo em seguida, o membro de Silas preenchendo seu interior. Quando saiu do estado lancinante, ela urrou.
— É, eu sei... Todas gritam comigo. — Silas riu, e só então começou a se mover.
Ela não tirou as mãos do cabelo dele por sequer um segundo, e à medida que ele entrava e saía de si, pouco a pouco ela se acostumava com a dor, a ponto de ignorá-la.
Ele a segurou pela cintura, e puxou esta para mais próximo de si. Sem parar os movimentos dentro dela por momento algum, deixou a posição inclinada e ficou com a coluna ereta, sustentando a bacia de Muriel com seus braços musculosos. Ela levantou as pernas, e cruzou os pés por trás da nuca de Silas, achando uma posição para que seu corpo ficasse firme à medida em que ele estocava.
Ela não sabia explicar como ou o quê, mas ele achou um lugar magnífico dentro dela, e naquela posição, ela parecia insaciável. Era como se toda a coceira do mundo nunca fosse ser o suficiente para aliviá-la daquilo, se é que ela queria ser aliviada.
Ela ergueu ainda mais o corpo, sempre indo em direção a ele. Nunca imaginou que ter outra pessoa dentro de si teria um significado tão bom. Ela se contorceu, e soltou um alto gemido; o nome de Silas.
— Ai, Muriel... Como você é apertada... Será coisa das nórdicas? Se for, deixo todo esse tabu de lado, quero sentir o interior de todas. — Grunhiu.
— O único interior... que você sentirá... daqui pra frente, será o meu, Silas. Não sei quanto tempo aguentarei ficar sem atingir esse estado de torpor. — Ela disse pausadamente e com a voz arrastada. Ela não conseguia raciocinar direito com Silas dentro de si, provocando estímulos tão incríveis.
Ela sentiu uma leve pressão na região debaixo do seu umbigo, no interior, e logo em seguida, todo o seu corpo tremia, em puro êxtase. Ela não foi capaz de enxergar nada, por mais que estivesse com os olhos bem abertos. Ela não ouviu o seu próprio grito, e nem percebeu suas pernas perderem as forças e caírem desfalecidas ao lado do corpo de Silas. Seu peito subia e descia numa frequência muito maior do que o normal, em busca do ar, que estava tão difícil de ir para seus pulmões. Era algo inédito, e ela com certeza queria sentir aquilo novamente.
Ele se moveu com maior intensidade e chamou o nome dela diversas vezes, até de desmanchar e preencher o interior da garota com seu líquido. Jogou seu corpo ao lado do dela, e esperou para que seu organismo voltasse ao normal.

It's such an ancient pitch
But one I'd never switch
Cause there's no nicer witch than you


— Onde você está indo? — Muriel se ergueu de uma vez, ao ver Silas se dirigir à porta.
— Tenho uma vingança a cumprir, bonitinha... — Sorriu, virando somente o rosto de lado para ver Muriel perifericamente, e ajustando o arco ao redor do seu corpo, para que ficasse na posição mais acessível.
— Vingança? — Ela correu até ele, terminando de dar o laço do espartilho nas suas costas.
— É... e preciso de você. — Ele se virou totalmente para ela, e sorriu maroto.
— Como posso te ajudar? — Ela arqueou a sobrancelha
— Me leve até a bruxa que matou minha mãe.
Ela engoliu seco.
Droga, será que ele não tinha um pedido mais fácil? Ele queria mesmo ir atrás da soberana, madame Nora?
Ele realmente não tinha noção do perigo.
— Silas... Ela é... Tipo a rainha, sabe?
— Eu não ligo. Não posso torturá-la como ela fez com minha mãe, mas só de vê-la morta eu já estarei com minha missão cumprida. Aí eu paro de matar as bruxas, sabia? — Ele piscou para ela. — só entrei nessa atrás dela, e sério, Muriel, após sete anos, você vai mesmo se recusar a me levar até ela?
Ela bufou e rolou os olhos.
— Vou te contar um segredo... — ela disse, e passou na frente dele, indo até a porta. Com a mão no trinco, ela se virou e disse — Eu sou louca para vê-la morta. Oh, velha chata!
E feito a criança que ele costumava conhecer, ela saiu correndo, o largando para trás. Ele saiu e fechou a cabana, e viu a amiga entrar em uma cabana, pé ante pé. Naquela hora, o sol começava a subir no horizonte. Seria lindo vê-la morrer no mesmo horário em que matou sua mãe.
Ele não perdeu tempo, e caminhou até ela em passos altos e largos. Ficou assustado com tamanha feiura, e por esse mesmo motivo, quis fazer seu serviço logo.
— Madame Nora? — Ele a chamou, com uma voz musical. A velha abriu os olhos, e espantada, quase caiu da cama. Não teve tempo de reagir, Silas tinha um ótimo reflexo. — Eu só queria me vingar. — ele puxou uma flecha e a mirou na testa da bruxa. — Se lembra quando queimou minha mãe viva? — A bruxa não esboçou reação alguma. — Não importa, mas espero que você não vá para o mesmo lugar que ela. — Deu de ombros, e soltou a flecha. Em segundos, o rosto da bruxa começou a petrificar, devido ao efeito do veneno. — Sabe, o inferno te espera. — Deu as costas.
— Você vai deixá-la aqui? — Muriel perguntou rindo, logo atrás dele.
— Você acha mesmo que vou carregar? Olha pra isso! — Apontou o corpo com escárnio.
— Suas sujeiras sempre sobram para mim limpar, não é, Silas? — Ela rolou os olhos e o empurrou, passando até a bruxa. Fez o mesmo feitiço de levitação que ela usou anos atrás na mãe de Silas, Sayer, e chamou o homem com o indicador.
— Então é assim que você mata as bruxas? Com uma flecha envenenada?
— Esse é apenas um dos jeitos... — ele disse, quando entravam numa mata rasteira. O som das águas ficava mais intenso a cada passo. — O que fará com ela?
— Jogaremos o corpo no rio. — Deu de ombros — sabe o que acontece quando alguém mata a soberana?
— Não faço ideia. — Ele riu.
— A pessoa assume o cargo. Parabéns, você é o mais novo soberano nórdico.



Fim!



Nota da autora:não sei o que dizer, só sentir huehuehueuh
Nunca mais pego um ficstape de última hora :~ Sofri horrores pra me virar nos trinta, e como sempre, recorri a Mari para uma help.
Migaaaaa, brigada por ser minha “mentora” nesse mundo louco das fics, me salvando com ideias, sugestões, sendo sincera as hell e sempre me guiando. Obrigada por me ajudar em encontrar um “tabu perfeito”, e num tema que você curte. Espero que a fic tenha ficado à altura, escrever ficção não é nada easy heuuhshusuh
Obrigada também pelas micro-aulas de feudalismo HIOEHOEIHIOSEHIOSEHIOEHIO
E obrigada a cada leitora. Espero que vocês tenham gostado!
Aguardo vocês nas minhas outras fics ;)

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Outras fics:

01. Best Song Ever, com Mayara Braga — Ficstape Midnight Memories, One Direction / Finalizada

02. Story of my Life — Ficstape Midnight Memories, One Direction / Finalizada

08. Happily, com Mandie — Ficstape Midnight Memories, One Direction / Finalizada

05. Unconditionally — Ficstape Prism, Katy Perry / Finalizada

04. Neon Lights — Ficstape DEMI, Demi Lovato / Finalizada

06. Nightingale — Ficstape DEMI, Demi Lovato / Finalizada

02. Who’s That Boy — Ficstape Unbroken, Demi Lovato / Finalizada

10. Give Your Heart a Break — Ficstape Unbroken, Demi Lovato / Finalizada

Vide — Restrita / Em andamento

Sleeping in Wonderland — Outros / Em andamento

1989 Diaries — Outros / Finalizada

Próximo Passo, com Mandie — Outros / Em andamento (HIATUS)


Beijos mil,

Berrie.






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