I bet you didn't notice (Eu aposto que você não percebeu)
First time your heart was broken (A primeira vez que seu coração foi quebrado)
You called me up and we talked til the morning (Você me ligou e nós conversamos até a manhã)

23 de Janeiro de 2014


estava saindo da Apple Store com Anthony. Tinham acabado de adquirir os novos Macbooks. Os dois poderiam se proclamar o casal mais viciado na tecnologia da famosa marca da maçã. Seu segundo iPhone 5S começou a receber várias mensagens de uma só vez. Ela estranhou. Quando o pegou em seu bolso para lê-las, ele começou a tocar. Oliver estava lhe ligando.
Oliver, primo da Brittany? Aquilo era raridade. Ainda mais que ele tinha acabado de conseguir emprego numa clínica ao lado do apartamento que ganhou de seu pai no aniversário de quinze anos.
— Alô?
, a Brittany deu entrada no hospital há pouco.
Oliver falou rapidamente, sequer sem respirar direito.
— Não entendi nada... Fique calmo...
— Brittany. Muito mal. Hospital. — respirou fundo entre uma frase e outra.
sentiu suas pernas perderem a força e seu corpo ir de encontro ao chão, em plena Mayfair, super movimentada. As pessoas continuavam caminhando e tomando conta de suas vidas ocupadas demais para se importarem. Anthony se abaixou e ajudou a namorada a levantar, com muito custo. Ele só viu o desespero estampado no rosto dela e lágrimas rolando por suas bochechas rosadas devido ao frio.
— Em q-qual hospital? Vou pra lá agora.
Sua voz estava falha. Lançou um olhar pedindo socorro a Anthony. Ele a abraçou.
— College University. Já estou aqui.
— Te vejo em breve.
Desligou o telefone e ficou sem ação, ainda chorando nos braços de Tony.
— Para onde vamos?
— College University. Aconteceu algo com Brie.
As lágrimas vieram ainda mais intensas quando ela pronunciou aquilo. Não era de hoje que notava a amiga diferente. Ele afagou os cabelos de e a guiou por Londres até seu carro. Ela estava inerte, não dava notícia de nada que acontecia ao seu redor. Brittany não saía de sua cabeça... E o pior era pensar que já tentou levá-la diversas vezes ao hospital.

And the time that you were stranded (E aquela vez que você estava abandonada)
I was there before you landed (Eu estava lá antes de você desembarcar)
He was a no show, I made sure you got home (Ele não apareceu, eu cuidei para que você chegasse em casa)


— Co-como isso aconteceu?
puxou a mão de Brie da cama e a segurou entre as suas. Ela estava tão pálida, tão fraca... Oh, céus, se ao menos estivesse dado ouvidos a quando ela lhe avisou sobre as novidades ruins em sua saúde. Mas não, tinha que ser teimosa e insistir que estava super bem, normal. Olha só onde aquilo parou! não conseguia se conformar! Cruzar os braços e simplesmente aceitar aquilo estava fora de questão.
— Posso te contar um segredo? — ela titubeou. Sua voz estava fraca.
arriscaria dizer que nem era Brittany MacLeese ali.
— Todos. Quantos quiser. Aliás, desde quando temos essa formalidade? A gente sempre fala as coisas na lata. — fungou e deu de ombros.
Caralho, não podia chorar. Não ali, na frente dela. Brittany ensaiou um sorriso e tentou subir mais um pouco na cama, não conseguiu. a segurou pelos pulsos e sentou-se na maca da amiga, ao lado de suas pernas. Brie suspirou.
, estou com medo. — confessou após um grunhido.
se moveu desajeitadamente e abraçou Brie da maneira que pôde.
— Nada vai acontecer a você enquanto eu estiver aqui. — acariciou os cabelos ruivos de Brittany.
não queria confessar, mas também estava borrando-se. Mas ela sabia atuar. Brie jamais perceberia a insegurança na melhor amiga. Ela se mostraria forte para manter Brie forte no que quer que fosse que ela estivesse enfrentando. Nada derrubava Brittany Faye MacLeese. NADA.
— Você sabe que eu te amo, não sabe?
Brittany deixou as lágrimas vencerem e molhou o ombro da amiga. Estavam a sós no quarto, a pedido da paciente. Oliver relutou um pouco em ceder aquilo.
— Sei. Não só sei como digo que eu te amo mais. — sorriu. Brittany até se permitiu uma tentativa de gargalhar, mas acabou em tosse.
As duas ouviram batidas na porta e se afastou. Desceu da maca antes que tivesse problemas por aquilo, justamente na hora em que um médico entrou no quarto. Brittany terminava de enxugar as lágrimas.
Ele tinha uma expressão vazia.
Pesarosa.
Pena.
Foi isso que encontrou em seus olhos.
Pena.
A situação era digna de pena.
achou que suas pernas não seriam tão fortes, mais uma vez, quando ele revelasse o quê quer que fosse.
— Boa tarde, senhoritas. Brittany? Onde estão seus pais?
O médico pediu, visto que a menina ainda não tinha atingido a maioridade. também não aparentava ter dezoito anos. A mesma mordeu os lábios e olhou para o chão. Precisava tirar aquela responsabilidade pela resposta dos ombros da amiga, visto que a perda dos pais num acidente rodoviário na Irlanda ainda era uma ferida que não estava completamente cicatrizada.
— O responsável por ela foi ao banheiro, doutor.
Oliver cruzou a porta no mesmo instante e se identificou para o médico, que o chamou ao lado de fora para conversarem. enrugou a testa e Brittany buscou a mão da amiga, apertando com força.
— Será que estou tão ruim assim? — grunhiu.
geralmente era sincera e otimista, mas não queria enganar ninguém daquela vez, numa situação delicada. Preferiu se calar. Não era de ontem que vinha avisando pra amiga procurar ajuda médica e parar de ignorar todos os sintomas, principalmente as dores fortes. Brie sempre dizia que não era nada.
Ótimo. Para quem queria fazer medicina, estava começando com o pé esquerdo por ignorar seus próprios sintomas.
tinha suas suspeitas... Mas quem era ela na fila do pão para dar um diagnóstico? Por enquanto não se passava de uma aluna exemplar do ensino médio que era foda quando se tratava de biologia ou química. Só. Nenhum diploma.
Os dois homens voltaram para o quarto. Oliver entrou no ambiente com a cabeça baixa. Seus ombros moviam de forma descompassada e ele fungava. Ele ergueu a cabeça e olhou para a prima, seus olhos estavam vermelhos e cheios d'água. Quando seus olhares se cruzaram, ele resfolegou.
— Não consigo.
Deu as costas e saiu do quarto às pressas.
instintivamente se levantou da cadeira de acompanhante para ir atrás dele, mas a mão de Brittany continuava segurando-a. Brie deu um aperto mais forte nela e se freou.
Quem precisava de suporte naquele momento era ela. Aliás, Oliver também, mas nada comparável com o que Brie sentia. nem voltou a se sentar. Estava agitada demais para aquilo.
— Pode falar, doutor. — Brittany fungou. olhou para ela de relance, sequer havia percebido que a amiga estava chorando. Depois voltou ao médico, esperando seu aval. — É câncer, não é?
arregalou os olhos. Virou o rosto rápido demais pra Brie e seu pescoço até estralou. Droga, aquele também era um dos seus palpites, mas seu lado otimista gritava mais alto pra descartar o câncer.
O queixo do médico se pendeu. Os resultados de tantos exames em suas mãos não lhe deixavam enganar-se. Ele passou a língua pelos lábios e assentiu.
sentiu suas pernas perderem a força pela segunda vez no dia.
— Leucemia.

I've been right there (Eu estive ali)
For every minute (Por todo minuto)
This time, it's no different (Dessa vez, não é diferente)
Whatever happens you should know (O que quer que aconteça você deveria saber)

2 de Fevereiro de 2014


— Será que do outro lado tem pepsi?
e Oliver se entreolharam em meio àquela conversa.
— Que outro lado? — o primo perguntou.
— Dos mortos, ué. — deu de ombros.
— E pra quê o interesse? Você está do lado de cá e do lado de cá tem.
falou. Oliver estendeu a mão por debaixo da mesa para e eles fizeram um high-five. Ela riu.
— Mas todos nós sabemos que breve eu irei pro lado de lá. Eu não vou saber ficar sem pepsi!
— E vai saber ficar sem a gente, né? — Oliver fez bico e cruzou os braços. Brie fungou.
— Oliver! — repreendeu com um grito e pisou no pé dele, que gritou.
Céus, precisava de um amigo menos sincero.
— Eu já sinto falta de vocês...
Brie murmurou. viu seus olhos marejados e se levantou para ir até ela e sentar-se ao seu lado na mesa da lanchonete que estavam.
Elas se abraçaram e acariciou os cabelos alaranjados da amiga. Quando notou, um chumaço de fios soltou-se em sua mão. Seu corpo gelou na mesma hora e ela não conseguia fazer mais nada além de olhar o tufo de cabelo.
Oliver notou a boca aberta de e seguiu seu olhar. Ele se viu no lugar da amiga.
Céus.
Brittany amava aquele cabelo ruivo dela. Maldita quimioterapia.

Cause you're not alone, girl (Porque você não está sozinha, garota)
Look over your shoulder (Olhe sobre seu ombro)
You don't have to wonder (Você não tem que se preocupar)
Cause you know, you know, you know (Porque você sabe, você sabe, você sabe)
You're not alone, girl (Você não está sozinha, garota)
I'll be there to hold you (Eu estarei lá para te segurar)
I'll stay til it's over (Eu ficarei até que isso acabe)
And you know, you know, you know (E você sabe, você sabe, você sabe)
That you're not alone (Que você não está sozinha)
That you're not alone (Que você não está sozinha)
You’re not alone (Você não está sozinha)

5 de Fevereiro de 2014


— Que dia vamos pra Dublin, mesmo?
Os três estavam na casa do mais velho, Oliver, que porventura, era onde Brittany morava.
Ela foi morar em Londres com os pais quando era ainda criança, por volta dos três anos. Quando foi admitido em Oxford, Oliver foi morar com os tios. A leucemia levou a mãe de Brittany quando ela tinha treze anos. Logo em seguida, foi o pai, que alegava não viver sem sua mulher e tirou sua própria vida. Não adiantava dizê-lo que ele precisava ser forte por Brie, ele não enxergava a situação, só a sua própria dor.
Brie em seus dezessete, quase dezoito, estava com a mesma doença que a mãe teve.
E assim como a mãe, foi durona o bastante para achar que estava tudo perfeitamente bem consigo para evitar buscar ajuda médica e, quando o fez, já era tarde.
— Que chique... Tenho tanta vontade de conhecer a Irlanda.
A cabeleireira que cortava os fios alaranjados comentou.
Brie estava ficando careca. Fazia de tudo pra se concentrar em qualquer outra coisa menos no som da máquina de raspar o cabelo.
Mas era inevitável segurar as lágrimas.
Ela se via no espelho. Seu rosto inchado, perdendo todos os fios que tinham. Manchas roxas espalhadas por sua pele.
— Iremos assim que os médicos lhe liberarem da quimio.
Oliver caminhou até ela e abaixou-se no chão. Pegou uma mecha do cabelo ruivo e caminhou até .
— Você entende mais do que eu. — deu de ombros e mostrou os fios para . — será que conseguimos fazer uma peruca com isso?
puxou o cabelo para sua mão e ficou analisando.
— Tive uma ideia melhor.

All the days that you were stressed out (Todos os dias que você se estressava)
Feeling like pulling your hair out (Querendo arrancar seus cabelos)
They were all missing but I was here listening (Todos foram embora, mas eu estava aqui ouvindo)

8 de Fevereiro de 2014


— Olha, você recebeu um presente! — Oliver estendeu uma caixa roxa para a prima, que estava lacrada com um laço branco.
permaneceu do lado de fora do quarto, espiando os amigos pela fresta da porta. Brittany olhou pelo canto do olho para a caixa e a aceitou com relutância. Suas sobrancelhas estavam levemente arqueadas e a testa vincada. só imaginava o que passava naquela cabeça.
— Quem mandou? — ela escorregou os dedos pelo laço grosso, ensaiando um sorriso.
— Não sei... não tem identificação. — Oliver fungou e coçou o nariz. Do lado de fora, a observadora quis rir. Céus, ele era um péssimo mentiroso.
Brittany finalmente cedeu ao sorriso e puxou o laço por uma das pontas. Com todo o cuidado do mundo, ela puxou a tampa com leveza, apenas o suficiente para espiar o que tinha dentro, sem deixar Oliver ver. Ele ficou na ponta do pé e tentou espiar, mas a prima riu, logo em seguida, eles notaram seus olhos marejados.
Bem, pelo menos Oliver estava disfarçando bem. Não era como se ele já não soubesse de quem era o presente e o que era. se segurava para não entrar correndo no quarto da amiga e abraçar os dois.
— U-uma peruca? — Brie fungou.
Tirou a tampa completamente e a entregou para Oliver.
Era a peruca mais linda que já tinha visto na vida. A puxou com cuidado e a estendeu na frente de seus olhos.
Ela era num tom de castanho lindo. Tinha ondas perfeitas.
Céus, era idêntico ao cabelo de ! O cabelo que ela sempre sonhou em ter. Adorava seus cabelos lisos e alaranjados, mas amava as ondas castanhas da amiga.
Ela não via vantagem alguma em ter ficado careca, agora que seus fios ruivos já haviam caído por completo. Mas aquela peruca valeu tudo. Ia ter o cabelo que sempre quis!
— O-Oliver... Parece o cabelo da ! — ela sorriu e encostou a peruca em seu peito, abraçando-a. Um sorriso lindo e enorme estampou seu rosto pálido e inchado.
Oliver sorriu e se virou para a porta, acenando. Era a deixa para que a garota entrasse no quarto.
O sorriso de Brittany ao ver a melhor amiga com o cabelo na altura dos ombros foi a melhor coisa que já viu em toda a sua vida. Aquele sorriso fez tudo valer a pena.
Inclusive abrir mão do seu cabelo que praticamente batia na cintura. Mas aquele era o menor dos problemas diante uma batalha contra o câncer.

You gotta believe in me (Você tem que acreditar em mim)
Even if you can't see me there (Mesmo que você não me veja assim)
I'll catch you when you fall (Eu te pegarei quando você cair)

10 de Fevereiro de 2014


— Brittany! — escancarou a porta do quarto da amiga e entrou gritando. Brie arrastou a cadeira de estudos e se virou para ver . — Hoje eu tive uma ideia perfeita!
— Ideia pra quê? — cruzou os braços na altura do peito. se sentou na bancada de estudos ao lado dos livros da menina e cruzou as pernas.
— Então... é o seguinte... Hoje na hora que eu estava saindo do supermercado, tinha uma voluntária do Make-A-Wish na porta arrecadando dinheiro para realizar os sonhos das crianças...
— O quê é o Make-A-Wish? — interrompeu. bufou.
— Céus, se você ao menos me deixasse falar — estava pra lá de ansiosa.
— Ok, ok...
— Eles são uma organização sem fins lucrativos que realizam os sonhos de crianças que têm doenças que as coloquem em risco de vida. É muito legal.
— Mas eu não sou criança, .
— A menina era um pouco mais nova que nós e estava arrecadando porque têm uma amiga que está esperando para ter o sonho realizado. — ignorou a queixa e prosseguiu com sua ideia — tipo nós!
— Nós? — vincou a testa.
— É, cabeção. Aí eu já estava vindo para cá quando eu pensei em voltar lá e pedir à menina que me levasse à amiga dela, que dependendo eu podia ajudá-la a realizar o sonho da amiga, mas quando cheguei ao mercado ela já não estava mais lá.
— Que chato.
— É...
Elas ficaram em silêncio. Enquanto Brittany tentava entender onde queria chegar, encarava Brittany analisando e imaginando o que a amiga acharia daquilo.
— E o que isso tem a ver conosco? — Brie perguntou.
— Tem a ver que você tem uma doença terminal e eu sou sua melhor amiga que quer realizar seu sonho. — cruzou os braços.
Um lapso atingiu Brittany.
— Você não está falando em comprar o meu sonho, está?
— Claro que estou!
!
— Brittany!
— Não quero que gaste o seu dinheiro para realizar uma vontade minha! Se fosse para ter um desejo concedido, seria pelas organizações!
bufou.
— Vão precisar de um pedido dos seus tios, laudo dos seus médicos, depois uma equipe voluntária virá conversar com você para saber do seu sonho... É demorado. E eu só preciso usar o cartão de crédito do meu pai pra realizá-lo.
— O que eu quero o dinheiro não compra, . E eu já estou velha pra entrar nessas instituições.
bufou. Custava aceitar aquilo? Não ia doer no bolso de ninguém e ainda seria uma a menos na fila, onde poderiam realizar outros sonhos sem ser o de Brittany.
Bem, pelo menos de uma coisa estava certa... Se tornaria uma doadora mensal para a Make-A-Wish.
Se queria ajudar Brie a ter seu sonho realizado, teria que aceitar as condições da garota.
— Certo. Mas eles pegam desejos de pessoas até dezessete anos, então, minha querida Brie, você ainda está dentro.
Ela sorriu.
— Mas pelo amor de Deus, qual é seu desejo que o cartão de crédito do meu pai não pode comprar? — olhou pro teto, enquanto cruzava os dedos. Que fosse algo que ela pudesse comprar, que fosse algo que o dinheiro comprasse, que ela pudesse deixar a amiga feliz, amém.
— Quero conhecer o Big Time Rush.
ficou de queixo caído.
— Mas eles não estão de turnê agora, que você tinha dito?
— Mas eles não virão à Londres. Só na América.
— Então a gente vai pra América.
... — lamuriou. — eu não sei como te falar isso... diretamente, sabe?
— Não sei. — Brie riu.
A amiga fazia rir até no momento menos propício e quando ela não tinha vontade alguma.
— Então vou falar do seu jeito... Meu desejo para que você o realize por mim, é que me deixe ser uma adolescente normal de dezessete anos. Eu não sou rica que nem você ou meus tios, Oliver... Então vamos fazer as coisas como eu faria se não tivesse o dinheiro de vocês? Aliás, eu não tenho mesmo.
abaixou os olhos para suas mãos que repousavam em seu colo.
Assentiu.
Ia aprender com Brittany que o dinheiro não comprava tudo.

**Caso queira ler o desejo da Brittany sendo realizado, leia a fic 08. Confetti Falling, que entrou junto com essa! Mas lá ela é a principal interativa**

Cause I've been right there (Porque eu estive ali)
For every minute (Por todo minuto)
This time, it's no different (Dessa vez, não é diferente)
Whatever happens you should know (O que quer que aconteça você deveria saber)
Cause you're not alone, girl (Porque você não está sozinha, garota)
Look over your shoulder (Olhe sobre seu ombro)
You don't have to wonder (Você não tem que se preocupar)
Cause you know, you know, you know (Porque você sabe, você sabe, você sabe)
You're not alone, girl (Você não está sozinha, garota)
I'll be there to hold you (Eu estarei lá para te segurar)
I'll stay til it's over (Eu ficarei até que isso acabe)
And you know, you know, you know (E você sabe, você sabe, você sabe)
That you're not alone (Que você não está sozinha)
That you're not alone (Que você não está sozinha)
You’re not alone (Você não está sozinha)

15 de Março de 2014


Elas riam de alguma cena engraçada da comédia romântica que assistiam da Netflix, enquanto ficavam debaixo de cobertas e cobertas driblando o frio e comendo pipoca com pepsi porque sim.
Brittany amava pepsi.
amava Coca-cola. Até ser apresentada à concorrente de sua queridinha. Aí, a queridinha passou a ser outra.
Seu celular vibrou. Somente seu celular desviaria a sua atenção de um filme. Ou Anthony, claro, seu namorado.
E quando era Anthony no celular então... pf, nem se fala.
Ele mandou uma mensagem falando que a esperava em sua casa.
Anthony não costumava fazer aquilo. não podia simplesmente ignorar aquele fato. O filme continuaria na Netflix para que ela assistisse depois.
— Hmm... Brie?
— Shh. — ela gesticulou com as mãos para que se calasse.
— Mas é importante. E rápido...
Brie começou a tossir. Levou as mãos à garganta e ficou olhando para ela, pacientemente esperando pela crise se cessar.
Mas não cessou.
Brittany não teve tempo de ir ao banheiro, só de virar o rosto e regurgitar em qualquer lugar que não fosse sua cama.
Ela voltou a tossir e se recostou na cama. Quando olhou para para deixá-la dizer o que quer que fosse, a encarava de boca aberta, olhos arregalados e usou a mão pra tampar o “O” de sua boca.
Brie instintivamente levou a mão até a boca e a limpou.
Quando olhou para ela, estava coberta de sangue. Desviou rapidamente e olhou para o que havia regurgitado.
Sangue puro.
— Precisamos ir ao hospital! — comentou, pulando da cama e começando a arrumar as coisas da amiga.
— Ah, não!
— Ah, sim! Ligue para o Oliver agora e fale para ele que estou te levando. — jogou o celular na amiga.
— Não, não, não.
— Não existe “não”, Brie. Se eu não te levar no meu carro, eu ligo pra ambulância. — a outra arregalou os olhos — e aí, qual prefere?
Brittany bufou e ligou para o primo.
Até que seria bom, afinal, podia pedir os médicos para aumentarem a dose dos remédios para as dores.
Não que Brittany ou Oliver precisassem ficar sabendo que ultimamente estava voltando a senti-las. Havia coisas que preferia que ficasse guardada apenas para si e os médicos.
E olhe lá.

I'll be here for you no matter what (Eu estarei aqui por você independente do que)
Comes around the corner (Vier ao se passar pela esquina)
As long as I am breathing (Enquanto eu estiver respirando)
You won't have to worry no more (Você não terá mais que se preocupar)

25 de Março de 2014


— Brie... eu estava conversando com Oliver e seus tios mais cedo...
— Vá direto ao assunto, . — Brittany a interrompeu. Oliver olhou para ela com os olhos estreitos, repreendendo sua atitude, enquanto só queria ajudar dentro do seu alcance.
— Eu propus a eles que transfiramos você para o George Winters. — suspirou.
Brittany arqueou as sobrancelhas, seus olhos se exaltaram um pouco.
— Se você sempre evita ser atendida lá, por que eu deveria? — murmurou.
Estava fraca.
Tomando morfina.
Mais inchada que nunca.
Vomitando tudo que colocava na boca.
E para ajudar, o PICC havia infeccionado.
Não só ele.
A nutrição parenteral também não estava sendo bem aceita.
Oliver tomou a vez.
— Porque é o melhor hospital de Londres.
— Você sabe que meu motivo é outro. — murmurou e Brittany se calou. Naquele ponto, ambos estavam certos.
— Fico aqui mesmo. Já fiz até amizade com as enfermeiras. — cruzou os braços. Ninguém se atreveria a discordar.
A verdade era que ela temia se deslocar e algo pior acontecer.
Sabia que ia morrer. Ninguém poderia mudar aquilo.
Mas ela podia adiar, fazendo pequenas prevenções.

Cause you're not alone, girl (Porque você não está sozinha, garota)
Look over your shoulder (Olhe sobre seu ombro)
You don't have to wonder (Você não tem que se preocupar)
Cause you know, you know (Porque você sabe, você sabe)

27 de Março de 2014


A leucemia foi mais forte do que Brittany. Ela se foi enquanto seus dedos apertavam as mãos de Oliver e , cada um de um lado de sua cama. O apito da máquina que monitorava os batimentos não os deixava enganar. Ela respirou pela última vez às nove e quarenta e seis da manhã de uma quinta feira nublada. O céu estava cinza, de luto.
E como já dizia o seu ídolo, a Terra havia perdido uma vida, e o universo ganhado uma alma.

Cause you're not alone, girl (Porque você não está sozinha, garota)
Look over your shoulder (Olhe sobre seu ombro)
You don't have to wonder (Você não tem que se preocupar)
Cause you know, you know, you know (Porque você sabe, você sabe, você sabe)
You're not alone, girl (Você não está sozinha, garota)
I'll be there to hold you (Eu estarei lá para te segurar)
I'll stay til it's over (Eu ficarei até que isso acabe)
And you know, you know, you know (E você sabe, você sabe, você sabe)
That you're not alone (Que você não está sozinha)
That you're not alone (Que você não está sozinha)
That you're not alone (Que você não está sozinha)
That you're not alone (Que você não está sozinha)

29 de Março de 2014


Trajando seu vestido preto favorito da nova coleção de sua estilista favorita, Victoria, e calçando saltos com pedras do Jimmy Choo, cruzou a igreja caminhando confiantemente, como sempre.
Mas só quem a conhecia profundamente, feito Oliver e Anthony (e Brittany), saberia que era só uma casca.
estava destruída por dentro.
Era como se metade de seu coração estivesse inativo.
Como se tivesse perdido um rim.
A tal metade da laranja que todos diziam.
Alma gêmea ser o seu par de relacionamento era algo pífio e banal. Porque a alma gêmea de definitivamente não era Anthony, e sim, Brittany.
Anthony havia feito questão de comparecer ao enterro e à cerimônia fúnebre de Brie. Mesmo que isso significasse entrar em um avião com destino à Dublin, onde ela seria velada.
chegou ao púlpito e raspou a garganta. Ah, claro. Sem seus óculos de sol preto da Zanzan, ela não estaria ali para deixar que todos vissem suas olheiras de noites sequer dormidas. Já havia sido uma luta performar sozinha a maquiagem da Kim Kardashian para disfarçar o inchaço do rosto devido ao choro incessante.
Ela deu dois tapinhas com o indicador no microfone.
— Uma vez, Brittany havia faltado de aula e logo em seguida eu fui para sua casa. Na verdade, isso acontecia todos os dias; vivíamos uma na casa da outra. Mas aquele dia em questão foi marcante. Eu havia saído da aula de astronomia e estava empolgadíssima para compartilhar uma novidade. Minha professora falou que, para termos uma noção da infinidade do universo, bastava-nos pensar que haviam estrelas tão distantes de nós que sua luz sequer ainda chegou ao nosso planeta. Vale lembrar que não há nada mais veloz que a luz. Lembro-me que virei para minha querida Brie e lhe falei “sabia que existem tantas estrelas que ainda não podemos sequer enxergá-las? E estrelas que já morreram que a luz delas ainda está viajando no espaço?” ela assentiu. Ok, nunca fui forte em física. Mas seu complemento foi o que mais me marcou; “eu te amo tanto, , que o meu amor por você ultrapassa todas essas estrelas”. — parou para respirar fundo e limpar a lágrima que escorreu no canto do seu olho. — Eu queria tanto ser boa com as palavras, meu amor, mas quem tinha esse dom era você. — Lamuriou. Sua voz estava fina, distorcida devido às lágrimas. — Então, Brie, onde quer que você esteja, saiba que eu faço de suas palavras, as minhas. Mas eu te amo mais um pouco além daquelas estrelas. Eu te amo mais. Você foi a irmã que meus pais não me deram, mas que Deus me deu e a tirou tão rápido de mim. Nós duas tínhamos uma vida juntas pela frente... Medicina em Oxford, conhecer nossos ídolos e arrancar ao menos um beijo deles... Fico feliz que você conseguiu seu beijo. Agora, eu vou atrás do meu.

I bet you didn't notice (Eu aposto que você não percebeu)
First time your heart was broken (A primeira vez que seu coração foi quebrado)
You called me up and we talked til the morning (Você me ligou e nós conversamos até a manhã)


Fim







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