Finalizada em: 03/07/2017




It’s too much to bear, so I swear... That this timet this is the end.
(É demais para suportar, então eu juro... Que desta vez, esse é o fim)


Capítulo Único


Cheguei”.
Uma mensagem com uma palavra, foi isso que escreveu e enviou para suas amigas no grupo do aplicativo de mensagens que elas possuem.
Olhou a tela do celular por alguns segundos, querendo enviar mais alguma coisa, alguma frase imensa ou informação que fosse fazer suas três melhores amigas festejar aquele momento consigo. Mas, ela não tinha o que escrever, enviar, pensar ou falar. Era aquilo. Ela estava ali. O carro já tinha sido estacionado em frente ao prédio recém-reformado em uma das ruas de Londres. Seu segurança, que naquela noite também fazia papel de seu motorista, a olhava pelo retrovisor central do carro e ela sentia o olhar do homem mais velho em si.
O problema era que ela não conseguia encará-lo de volta. Se o olhasse, ele entenderia como uma resposta positiva e em questão de segundos estaria do lado de fora do carro, abrindo a porta para que ela saísse do veículo.
E mesmo tendo esperado aquele momento por dias. Meses. não se sentia pronta. Talvez estivesse, mas o nervoso que tomava conta de si naquele momento era maior que a excitação por estar ali.
Procurando se acalmar e se preparar mentalmente para sair do carro, a menina bloqueou a tela de seu celular e ergueu seu olhar para a janela ao seu lado. Como uma pessoa realmente apaixonada por Londres e por seu clima, ela sorriu quando viu que a neve ainda caia calma do céu. Ao contrário do que muitos diziam e rebatiam quando confessava seu amor pelo vento gelado, pelos flocos de neve e pela chuva, ela amava aquele clima. E não o trocaria por três dias de verão. Mesmo que estivesse se referindo ao verão da Inglaterra.
Seu aparelho celular vibrou em seu colo, a dando um pequeno susto que tirou do seu rosto o pequeno sorriso que ela dava para a neve. Mas, um novo sorriso se formou quando viu que havia recebido uma nova mensagem.
Uma mensagem dele.
digitou a senha de quatro dígitos o que desbloqueou a tela do aparelho. Clicou na notificação de segundos atrás e riu baixo e para si, quando viu a mensagem composta por cinco palavras.
Acho que levei um bolo”.
Ela riu um pouco mais alto quando escutou perfeitamente a voz do menino lhe dizendo aquela frase.
Riu porque achou engraçada a mensagem. E porque ela sabia que não existia no mundo alguém capaz de dar um bolo no dono daquela mensagem.
Quem seria a garota louca o bastante para fugir de um jantar com ele? De perder algum tempo olhando aqueles olhos, aquela pele e aquele sorriso? Quem iria se dar ao luxo de perder a oportunidade de ter uma conversa pessoalmente com ele podendo ouvir sua voz calma ao vivo, ao invés de ouvi-la gravada em áudios? Em que mundo, ano, século ou década, seria capaz de não comparecer a um encontro marcado há um mês? Ela não poderia se dar esse luxo.
Não podia e não queria.
Desde que se entendia por gente, agarrava todas as oportunidades da vida com unhas e dentes. Unhas que se transformavam em garras quando o assunto era algo a ser conquistado. E ela acreditava que tudo tinha um propósito. As coisas e as pessoas. Se algo lhe acontecia, é porque tinha que acontecer e mesmo que fosse algo negativo, ela sabia e se convencia (por mais difícil que fosse no momento) que uma explicação havia. E se alguém entrava ou saia de sua vida, ela também esperava a explicação que a vida sempre se encarregava de dar.
E aquele jantar e aquele garoto, que a esperava e achava que ela não iria, eram vistos como oportunidade. Uma nova oportunidade. De algo que ela logo entender cem por cento. Não queria mais pensar o que significava a chegada do menino em sua vida e não saber o que ele veio fazer consigo. queria respostas. Queria exatidão. Queria olhar para ou talvez contar a história deles dois no futuro e poder dizer com palavras certeiras o que ele significava, o que a ensinou e como sua vida mudara desde que o conheceu.
Ela sabia que para isso, para ter as respostas e a exatidão que buscava, ela tinha que sair daquele carro, atravessar a rua e entrar naquele restaurante. Ela não poderia saber como e para que serviria a chegada do garoto em sua vida se continuasse dentro daquele carro enquanto ele pensava que ela não iria aparecer.
Pensando nisso, bloqueou seu celular e o jogou de qualquer jeito dentro de sua bolsa preta. Tirou o cinto de segurança e pegou seu sobretudo cinza que tinha sido dobrado e colocado no estofado do banco ao seu lado e o vestiu. Colocou a peça com o cuidado que o espaço do carro pedia e com a pressa de quem não podia ficar ali dentro mais um minuto.
Ela precisava de respostas.
A menina passou suas mãos por seu pescoço e em seguida fez um movimento que tirou seu cabelo solto de baixo do sobretudo. Arrumou os fios por cima de seus ombros, colocou a alça prata da bolsa em seu ombro e respirou fundo antes de, finalmente, olhar para seu segurança pelo retrovisor.
Levou segundos para que Alex, o segurança-motorista, estivesse do lado de fora do carro abrindo a porta e segurando a mão de , que pisou no chão da rua e saiu do veículo com cuidado para não cair. Ela passou as mãos por seu vestido preto, conferindo rapidamente se não havia amassado demais o cetim no caminho até ali. Vendo que estava tudo okay com a peça, ergueu a cabeça e entre olhar para o prédio do restaurante e para Alex, ela sorriu.
Era agora.
atravessou a rua com cuidado para não agarrar o salto fino de suas sandálias pretas em um dos espaços dos paralelepípedos. Segurou a mão de Alex que a levou até a porta do restaurante e a esperou entrar no local para que ele pudesse voltar para o carro, onde a esperaria até que pudessem ir embora para o hotel que os dois estavam hospedados junto com o resto da equipe da menina.
se sentiu um pouco aliviada quando uma menina com um uniforme preto a abordou já na entrada do restaurante, que com certeza tinha o clima mais quentinho que o do lado de fora. Ela sorriu simpática para a menina que começou a sorrir para si no momento em que a viu adentrar o lugar.
- Boa noite. Em que posso ajudá-la?
- Boa noite. Eu te...
- Ela está comigo. – A voz grossa e máscula que a interrompeu não era conhecida por si, mas o rosto que viu quando olhou para o homem que apareceu ao seu lado quase, atrás de si, era. – Eu a levo, obrigado.
Robert, o segurança dele foi quem a interrompeu e estendeu a mão como quem indica passagem para ela. Foi ele quem seguiu por dentro do lugar, passando dentre algumas mesas e cadeiras. Alguns casais, grupos de amigos ou pessoas sozinhas que conversavam, bebiam, olhavam ainda o menu ou apenas mexiam em seus celulares provavelmente esperando seu pedido ou mais alguém.
O lugar era acolhedor e isso não era apenas sobre o quentinho que os aquecedores espalhados pelo lugar ofereciam. Era porque o interior do restaurante tinha uma luz baixa, não tão forte quanto os olhos lugares que já frequentara. Os móveis que ficavam no meio do salão eram de madeira, mas as poltronas dos cantos eram de algo que parecia muito convidativo e lembrava um sofá confortável de casa quando olhado. As cortinas de cores claras, as paredes também em tom claro e com alguns desenhos que, para , pareceram detalhados e delicados demais para terem sido feitos a mão. Garçons andavam de um lado para o outro, sempre tendo cuidado para não esbarrar em quem estava acomodado em algum lugar e nem em quem andava por ali.
Robert levou até um lugar onde existiam mesas vazias demais se comparado ao espaço próximo à entrada do restaurante. O silêncio ali era mais forte, e a música baixinha que ecoava por todo o restaurante desde a entrada podia ser ouvida com mais clareza.
E foi entre três mesas vazias e outras três ocupadas por casais, que ela o enxergou.
Ele estava ali.
Ele ainda estava ali.
A ideia de levar um bolo não foi o suficiente para fazê-lo ir embora, e vê-lo ali mesmo já tendo visto seu segurança, fez com que ficasse aliviada e sentisse o quentinho do interior do restaurante se alojar em algum lugar do seu interior.
- Estarei em alguma mesa lá na frente. Ele tem meu número. Qualquer coisa, me liguem.
Robert informou e ela sorriu agradecida por ter sido levada até ali e também pela privacidade que ele os oferecia.
Foi quando se viu sozinha, o encarando de longe e parada sem saber como reagir, que quis outra vez, desta vez mais do que nunca, saber o que aquele garoto que estava olhando a tela de seu celular fixamente, veio fazer em sua vida.
Seus passos foram dados com firmeza pelo caminho que a levaria até a mesa onde ele estava. Seus olhos fixos na figura dele e em como, mesmo sentado com a cabeça baixa, ele lhe parecia tão belo em um terno preto e com seu cabelo arrumado em um topete, que dava vontade de ser bagunçado por seus dedos que depois não se importariam em acariciar seu couro cabeludo.
Para a sorte ou azar de , quando faltavam menos de dez passos para que ela chegasse à mesa dele, ele ergueu a cabeça e a viu. E tão rápido quanto o olhar dele encontrou o seu, seu corpo se levantou da cadeira e ele a esperou de pé até que ela tivesse do lado da mesa.
- Oi. – Ele sussurrou, ainda a encarando.
- Oi. – Ela o respondeu e sorriu envergonhada.
Tímida. Pequena. sentiu suas bochechas esquentarem e agradeceu pela iluminação do lugar não ser tão clara assim. Ele não precisava saber que um simples “oi” e seu olhar bastava para deixá-la constrangida.
- Eu não pedi nada, estava te esperando para vermos o que iríamos pedir. Juntos.
Ele explicou, passando por trás dela e pegando no encosto da cadeira que ficava do outro lado da mesa deles e bem de frente para a cadeira dele. Depois de puxar um pouco a cadeira para ela, ele a olhou novamente e entendeu que era ali onde ela iria ficar.
De frente para ele.
tirou seu sobretudo após tirar a alça da bolsa do seu ombro, dobrou a peça de roupa de frio ao meio e a pendurou no encosto de uma outra cadeira que também fazia parte da mesa deles. Sua bolsa foi colocada no estofado da mesma cadeira em que ficou seu sobretudo. Ela se sentou na cadeira que ele puxou e ainda segurava para ela. Um pequeno puxão foi dado para que seu corpo estivesse mais próximo da mesa. Ele não demorou a se sentar novamente em sua cadeira, e seus olhares também não demoraram a se encontrar.
- Desculpa pela demora, tive alguns problemas. - Ela se desculpou ao que cruzou suas pernas por debaixo da mesa e se lembrou de sempre manter a postura ereta.
- Está tudo bem? Algo grave? – Ele a perguntou, parecendo genuinamente preocupado, o que fez a garota se sentir um pouco mal pelo jeito que sua frase soou.
- Sim, agora está tudo bem. – o assegurou e ele sorriu. - Então... Já sabe o que vai pedir?
- Não, nem olhei as opções deles. Estava pensando em como sair daqui com dignidade depois de levar um bolo.
E pela primeira vez na noite, menos de dez minutos de sua chegada ali, estava rindo junto com ele que não aguentou em apenas sorrir enquanto via a menina a sua frente rir de sua confissão. Era confissão, porque era uma verdade.
- Tão exagerado. Nem atrasei tanto. Uns dez minutos, talvez? - Ela perguntou, rindo e cobrindo sua boca para que sua risada não incomodasse as outras pessoas que não precisavam saber o quão escandalosa ela era.
- Dez minutos que pareceram horas. – Ele a respondeu e ela sorriu, movimentando sua cabeça negativamente enquanto o fitava.
- Eu já me desculpei. – lembrou e fez um pequeno bico com seu lábio inferior. Não foi de caso pensado, ela apenas tinha essa mania de fazer manha quando queria algo. Só esqueceu que aquele não era o momento para um bico e quando percebeu já o tinha feito e já estava o desmanchando.
- Valeu a pena de qualquer jeito.
Ela não soube exatamente o que aquela frase dita naquele tom baixo por ele poderia significar, mas preferiu não perguntar ao que pegou o menu erguido por ele, que já tinha o seu em mão.
Um garçom parou ao lado da mesa deles assim que a menina abriu o menu com algumas páginas, aquilo parecia um pequeno livro o que a deixou um pouco confusa na hora de escolher a categoria correta do que ela poderia pedir.
Em outros lugares poderia se esforçar em pedir uma salada como entrada, mas aquele era um restaurante italiano, em sua cabeça não fazia sentido comer um monte de folhas se no minuto seguinte estaria comendo o macarrão que já tinha se interessado na página três. Fora o risco que ela corria de ficar com um pedaço de verdura nos dentes.
- Podemos pular a entrada? - Ela o ouviu perguntar e tirou o menu da frente de seu rosto a tempo de ver que ele tinha perguntado para o garçom, que fez um movimento positivo com a cabeça.
o agradeceu mentalmente.
- Eu vou querer esse prato aqui. – Ele disse e , que também já sabia o que pedir, abaixou o menu, o deixando aberto para quando fosse sua vez de pedir. Observou o garoto mostrar seu prato no menu para o garçom, que anotou com uma caneta no bloquinho de folhas que tinha em mãos.
- O meu é o número treze da parte de prato principal, por favor.
Seu pedido foi anotado na mesma folha que o pedido dele. Ela fechou o menu que usou e o colocou em cima da mesa, ao lado do que ele usou.
- Alguma bebida? – O garçom perguntou simpático e olhou para o seu acompanhante aquela noite.
- Eu não posso beber hoje, tenho sh... Compromisso amanhã. – Ele falou, olhando para ela que quase riu por ele quase ter falado que tipo de compromisso ele faria no dia seguinte. O problema não era ela saber que ele era um cantor, era o garçom saber e sair espalhando pelo restaurante que havia um cantor jantando ali aquela noite e essa informação fosse vazada para a mídia.
sabia que ele faria um show no dia seguinte. Sabia que seria na Arena O2, que os ingressos tinham sido esgotados em poucos minutos, que o menino estava ansioso e que se ela quisesse poderia aparecer por lá para assisti-lo. Ele mesmo a contara tudo isso e a convidara. Ela não soube por tabloides, foi por ele mesmo. Por mensagens e ligações mandadas e feitas por ele desde o dia da confirmação da data do show dele ali em Londres.
- Hm, podemos beber água por agora. – sugeriu e o garçom anotou em seu bloquinho. – Quando os pratos chegarem, a gente vê o que pedir.
- Obrigado.
Ele agradeceu ao garçom e a ela, que deu de ombros como quem não fez grande coisa.
- Ainda muito ansioso para amanhã ou um pouco mais calmo? – Ela questionou quando o garçom já tinha os deixado a sós.
- Calmo? Rá. – Ele se aproximou e respirou fundo. – Quanto mais perto fica, mais nervoso eu me sinto. Parece que meu estômago vai sair do meu corpo a qualquer momento. –Confessou com o corpo um pouco mais para frente, com o tom de voz mais baixo que o normal e com as palavras saindo com mais velocidade.
admitiu par si que ele ficava adorável nervoso pessoalmente. Muito mais do que ela imaginava que ele ficava quando recebia suas mensagens e ligações em momentos que ele se sentia tão ansioso com esse show que precisava falar com alguém sobre isso. E ele sempre escolhia ela.
- Sei como é. Mas, eu já disse; você vai mandar muito bem. Não tem como nada dar errado.
- E se eu esquecer a letra de uma das músicas? Da minha própria música! – Ele argumentou, parecendo um pouco mais aflito. Talvez aquela cena tivesse se repetindo na mente dele a todo o momento. Uma cena que ainda não aconteceu.
- Fácil, coloca o microfone para a multidão, gesticula com os lábios e volta a cantar na parte que lembrar. – sugeriu e deu de ombros.
- Você já fez isso? – Ele a perguntou, parecendo um pouco assustado, e ela riu porque por um segundo se sentiu uma criminosa que tinha sido pega em flagrante.
- Uma ou duas vezes, nada além disso. Isso não é um crime, ok? As vezes acontece de esquecermos as letras das músicas. – Explicou.
O garçom chegou com as taças de água e servindo o liquido no segundo seguinte, por isso o casal ficou em silêncio até que o funcionário do restaurante acabasse o seu serviço por ali e sorrisse educado antes de deixa-los novamente a sós.
- É, mas eu não acho correto esquecer a letra da minha própria música, ! Não no meu primeiro show de volta a Londres. No primeiro show da minha turnê, na verdade.
O menino continuou enquanto dava um gole em sua água e fez um grande esforço para não se engasgar com o líquido quando foi chamada pelo apelido que ele mesmo a deu em alguma das milhares mensagens trocadas. Não era um apelido incomum para o seu nome, muito pelo contrário, suas amigas às vezes a chamavam assim e até seus familiares, mas, ouvir aquele apelido na voz dele, fez com que a palavra se tornasse um pouco mais encantada. Bonita. Leve.
- E eu não estou dizendo que é correto. – A menina parou e pigarreou baixo quando notou que sua voz saiu em um tom baixo demais. E então, continuou: - Eu estou apenas dizendo que se por acaso isso acontecer, você pode contar com os seus fãs. Eles vão estar lá para você, como sempre estiveram. Esquecer a letra de uma música não é crime, como eu já disse, é normal. Ainda mais em um momento de nervoso. Você está voltando aos palcos agora e parece que nunca pisou em um. – Ela riu ao que o olhava e ele tentou, mas não conseguiu segurar o sorriso que surgiu em seus lábios. – Vai dar tudo certo. Já deu tudo certo. Você não pode ir até lá pensando negativo, muito pelo contrario, tem que pensar sempre de forma positiva. Seu álbum está muito bem nos chats. Primeiro lugar se tornou a sua casa, e isso não é surpresa pra mim. Você é bom no que faz, e não vai ser uma letra esquecida ou um tombo que vai acabar com tudo que foi construído até hoje.
- Você acha que eu vou cair no palco?! – Ele a perguntou baixo, mas por sua expressão facial soube que sem querer, colocou mais um medo na cabeça do menino.
- Eu acho que você vai se sair muito bem. – o garantiu enquanto sua mão esquerda parava em cima da mão direita do menino a sua frente. Sua mão apertou a dele, e ela concluiu: - Eu acredito em você. Você deveria começar a fazer o mesmo.
Logo o garçom chegou com suas comidas pronto para servi-los. tinha pedido macarrão ao molho branco com pedaços de frango e bacon. Seu acompanhante tinha pedido um prato mais simples; a massa com molho e uma pimenta em cima que não foi ingerida pelo menino, que sorriu cúmplice para , antes de tira-la de cima de seu macarrão.
Ele era alérgico a pimenta. E é claro que sabia desse detalhe.
Eles acabaram pedindo um refrigerante para acompanhar a comida. O menino não podia beber e não é do tipo que faz muita questão de ingerir bebida alcoólica, ainda mais sem companhia.
Sem que perguntasse novamente sobre o show do dia seguinte, ele começou a contar como estava sendo organizado. ficou sabendo detalhes do palco que teria três telões e uma passarela. De uma lua que possivelmente poderia aparecer no centro da arena. Soube do figurino que seria algo bem a cara do menino a sua frente; casual. E vinte minutos depois, ela estava escutando histórias da banda que ele tinha. Ela estava sabendo de tudo. Soube também da cabeleireira e até viu uma foto, que ele tinha como proteção da tela de seu celular, da filha de sua estilista que era sua afilhada.
estava se sentindo verdadeiramente à vontade quando começou a falar de seu próximo show para ele. Não seria em Londres, seria em Los Angeles. Falou mais de suas melhores amigas que faziam parte de sua equipe e mostrou foto de cada uma delas para o garoto que a ouvia com atenção. E juntos eles riram quando ela entrou no assunto de coreografias e começaram, automaticamente, a compartilhar momentos que viveram quando desafiaram seus corpos a fazer passos de dança.
O macarrão descia leve e ainda mais gostoso enquanto os dois compartilhavam momentos de suas vidas e sentiam a diferença de conversar por mensagens ou ligações e pessoalmente. A diferença era gritante. E nada, poderia ser comparado ao fato de estarem se olhando nos olhos, se tocando com as pontas dos dedos com toques sutis quando se encostavam. Nada poderia substituir a voz falada ao vivo, a expressão facial capturada no exato momento da mudança.
E por estarem tão concentrados em aproveitar aquele momento e na história que contava do dia que foi ao zoológico com sua prima e o macaco jogou coco na criança, que ele, que ria da história da menina, demorou a sentir seu celular vibrar em seu bolso.
- Oi. – Ele atendeu a ligação de seu segurança, ainda olhando e sorrindo para ela que bebia o último gole de seu refrigerante. – Ah, ok. Tá. Tchau.
o observou bloquear a tela do celular e suspirar. Ela sabia o que aquilo significava; o segurança do menino tinha ligado para ele e eles precisavam ir embora.
- Tudo bem. – Ela falou no momento em que ele abriu a boca para avisa-la do que se tratava a ligação. – Você tem show amanhã. Eles também me colocam cedo na cama no dia anterior a um compromisso.
- Sinto muito. – Ele se desculpou e ela negou com a cabeça ao que ele levantou a mão e olhou em volta a procura de um garçom.
Quando a conta chegou o garçom teve que esperar alguns minutos até que recebesse o dinheiro que pagasse todo o valor. Claro que insistiu para pagar a metade, e ele insistiu em ser cavalheiro e pagar tudo. Porém, foi mais rápida e pegou a nota da mão dele, dividiu o valor em uma conta feita em sua mente e pegou de sua bolsa a quantia da metade antes que ele conseguisse pegar seu cartão de sua carteira que estava em seu bolso ao que insistia em dizer para a menina que aquilo não era necessário.
Eles deixaram a mesa após agradecer ao garçom, que saiu sorridente por ter visto a gorjeta que ganhou.
Eles dois andavam lado a lado na direção da entrada do restaurante. A porta da entrada era a mesma da saída. sentia as pontas dos dedos dele encostarem no final de sua coluna por cima do tecido de seu vestido. Ela via algumas pessoas os olharem e enxergou também uma menina mirar o celular em sua direção com um flash sendo disparado em seguida. Demorou, mas, eles tinham sido reconhecidos por alguém, afinal.
Quando estavam próximo da recepção, viu seu segurança ao lado do segurança dele. Ambos conversaram entre si ao que estavam virados para a porta.
Olhar na direção da porta do lugar foi inevitável.
Eles tinham mesmo sido descobertos.
Uma pequena gritaria e movimentação era ouvida vindo do lado de fora.
sabia o que isso significava; paparazzis.
- Eu sinto muito. – Ele repetiu, desta vez em um tom baixo e mais próximo de seu ouvido.
Ela virou seu rosto e encarou os olhos dele antes de sorrir para ele.
- Está tudo bem. - o assegurou.
Eles não conseguiram dizer mais nada um para o outro, eles precisavam sair dali o mais rápido possível. E com a maior segurança possível. E foi por isso que ficaram quietos até o momento em que Alex avisou que seria a primeira a sair dali. Ele sairia depois com Robert e o mesmo segurança do restaurante que ajudaria Alex e a menina.
Lidar com os flashes extremamente fortes das câmeras profissionais era algo que se acostumou lá no seu primeiro ano de carreira. Ela já tinha entendido que o melhor a se fazer nessas situações, era abaixar a cabeça e colocar sua mão na frente de seus olhos. Como ela fazia naquele momento. Porém, se tinha algo que ainda não sabia lidar muito bem, era com as frases que os homens das câmeras jogavam em sua direção. Quase nunca eram elogios ao seu trabalho, a um álbum recém-lançado, alguma capa de revista, show lotado ou ação caridosa, na maioria das vezes, os paparazzis só queriam saber o que significava a saída dela com determinada pessoa. Mesmo que ela estivesse saindo com o seu melhor amigo que era homossexual, se os paparazzis a encontrassem eles perguntavam se ela e o menino estavam namorando.
E era isso que ela ouvia naquele momento enquanto andava com Alex e o segurança do restaurante ao seu lado.
Os paparazzis queriam saber o que ela tinha ido fazer naquele restaurante com ele.
Por que vocês jantaram sozinhos? Estão namorando? Quando começaram? Podemos ter uma foto de vocês dois? Você sabe que ele não presta, não sabe? É verdade que foi com você que ele traiu aquela modelo? Aquela música ele fez para você? E o casamento? Fala com a gente, ! Ei, ! ! Você merece coisa melhor, garota!
Quando finalmente adentrou o seu veículo e viu Alex se sentar no banco do motorista para ligar o carro e sair dali; respirou fundo e bufou sozinha no banco de trás.
Eles não podem dizer que ele não presta, sem conhecê-lo além das notícias que eles mesmos inventam sobre o garoto?
Procurando não pensar nos paparazzis e sim no jantar maravilhoso que havia tido, desceu do carro assim que Alex estacionou o carro na garagem. A neve já tinha parado de cair quando a menina fechou a porta do veículo e olhou para Alex que a olhou de volta e sorriu do jeito que ele faz desde que começou a trabalhar com ela; de forma paternal.
se sentia abençoada por ter transformado sua equipe em sua segunda família. Afinal, não é fácil deixar a casa de sua família de sangue e sair viajando com outras pessoas que aparecem em sua vida para ajudar na sua carreira. Ela se sentia grata por saber que essas pessoas que a acompanhavam, cuidavam de si do mesmo jeito que seus familiares genéticos.
Ela encostou sua cabeça no braço do segurança quando estavam dentro do elevador que ia em seu ritmo até o décimo quinto andar do prédio. Fechou seus olhos e suspirou, já sentindo o sono aparecer e lembra-la de que ela havia dormido poucas horas na noite passada graças a um show na cidade de Nova Iorque.
O barulho agudo e o som das portas de metais se abrindo fizeram com que abrisse os olhos e caminhasse para fora daquele espaço pequeno. Alex a acompanhou e foram para portas diferentes. Afinal, cada um tinha um quarto.
- Obrigada, Alex. – Ela o agradeceu ao que pegava o cartão da porta de seu quarto de sua pequena bolsa e equilibrava o sobretudo em seu ombro.
- De nada. – Ele respondeu e piscou para ela. – E, . – Ela o fitou após ter conseguido abrir sua porta e segurando a maçaneta pronta para adentrar o cômodo. – Vocês dois formam um casal bonito.
riu de seu segurança e apenas lhe fez um movimento positivo com a cabeça ao que mordeu seu lábio inferior, se sentindo extremamente envergonhada.
Ela adentrou seu quarto quando Alex já tinha entrado no seu.
Fechou a porta atrás de si e a primeira coisa que fez após jogar o cartão da porta na mesinha do canto e acender a luz do quarto foi tirar os santos e suspirar de alivio ao sentir seus pés livres no chão gelado do quarto. sentiu seu celular vibrar em sua bolsa, mas antes de ver do que se tratava, caminhou em direção à cama apressada para deixar o sobretudo jogado em cima do colchão com sua bolsa e ir em direção ao banheiro fazer xixi.
Porém, o susto que levou quando olhou para sua cama tirou sua atenção de seu xixi e a levou para seu coração que acelerou.
A menina colocou a mão sobre seu peitoral e deu meia volta ao que tentava se acalmar.
- Vocês querem me matar do coração?! – Ela gritou com as três pessoas que estavam em sua casa. Todas de pijamas de moletom, duas deitadas e uma sentada, todas muito bem confortáveis no colchão e no quarto da menina que sentia sua musculatura tremer. – Meu Deus!
- Que exagero. – , falou rindo de que a olhou.
- Exagero?! Vocês aparecem aqui do nada e não querem que eu me assuste?! Eu quase morri! – reclamou com um tom de voz alto, ainda sentindo seu coração acelerado e seu corpo tremendo.
- Não podemos te matar antes de sabermos de tudo. – falou animada, abraçando um travesseiro e erguendo uma sobrancelha para a cantora que a encarava.
- Saber tudo? – questionou e jogou o sobretudo no espaço vago na beira do colchão da cama.
- Claro. Ou, você acha mesmo que não queremos saber como você e foram parar no mesmo restaurante hoje? Na mesma mesa?
ficou calada com as perguntas de .
- Nós queremos saber o que aconteceu antes dessa foto aqui, babe. – ficou de joelhos no colchão e se aproximou de com um celular em mãos. A menina sorria quando mostrava a tela do aparelho.
Na tela, aparecia uma foto de e de dentro do restaurante. Eles estavam parados ali na recepção do lugar. Na imagem era possível ver a mão dele parada no final das costas da menina, que não sabia como começar a contar para as três meninas como aquilo tinha acontecido.
- E então? – perguntou e suspirou.
- Não precisa se preocupar com o tempo. Nós temos todo o tempo do mundo, e você também. Afinal, não temos show amanhã.
Com isso, queria dizer que não teria show e as três não teriam que ajuda-la a se arrumar. E ela estava certa, o único erro era que tinha sim um show no dia seguinte, um show que considerava tão importante quanto qualquer show seu.
suspirou e se sentou no colchão. Suas amigas abriram espaço e deixou que a menina se acomodasse do jeito que quisesse.
E quando estava mais calma e com tudo organizado em sua mente, começou a contar.
Ela contou tudo para as meninas que a ouviam atentamente. Respondeu algumas perguntas, riu de alguns exageros e se sentiu acolhida quando escutou que elas estariam ao seu lado independente de para onde aquela história com a levasse.
Mesmo sabendo de tudo as meninas fizeram mais algumas perguntas depois que tomou banho e voltou para o quarto sem maquiagem, de pijama e indo apagar a luz para que fossem dormir.
A cama ficou apertada para as quatro garotas, mas, não era como se aquela fosse a primeira vez que dormiam juntas na mesma cama. Elas já estavam acostumadas.
suspirou e fechou os olhos sentindo o cansaço chegar com força em seu corpo que estava o mais perto do confortável possível sob o colchão.
Por segundos ela viu nas pálpebras escuras de seus olhos fechados alguns flashes do jantar com .
Ela não sabia o que ele tinha vindo fazer em sua vida.
A única certeza que tinha; era que não tinha aparecido em sua vida à toa.

+++


Quando e Alex chegaram a Arena O2 acompanhados por , que aceitou o convite da amiga para o show, eles tiveram que esperar alguns bons minutos até que fizesse uma ligação rápida para , avisando que a entrada do carro deles já estava liberada no estacionamento do local.
Se eles tivessem chegado ali mais cedo, no mínimo uns trinta minutos mais cedo, não precisariam ter esperado o tempo que esperaram até que adentrassem o estacionamento da Arena. Isso, se as duas garotas não tivessem demorado a entrar num consenso sobre as roupas que deveria usar naquela noite. A menina queria ir confortável, de tênis, jeans e uma camisa de mangas básica. Porém, que além de melhor amiga era a estilista da cantora, se recusou a deixar que saísse do hotel com essa vestimenta. Afinal, “você está indo para o show de um dos cantores mais comentados do momento! Me recuso a deixar que te vejam assim, meu nome e minha carreira estão em jogo por aqui. E você deveria saber que no inicio de relacionamento todo mundo se arruma ainda mais para o outro”, e foi com essa última frase que a discussão se intensificou o que fez com que e gritassem e mandassem as duas irem se arrumarem do jeito que achavam melhor.
entendia quando falava que ela deveria atender aos pedidos da menina que além de melhor amiga era sua estilista desde que começara sua carreira. Ela sabia que agora que terminara a faculdade de moda, tudo parecia mais intenso e real para ela. Fazer parte da equipe de era maravilhoso (algo dito várias vezes pela garota), o mundo observava o seu trabalho como estilista e aos poucos, alguns convites para vestir outras famosas surgiam (alguns eram aceitos, porém, somente em datas que não tivesse que estar com ). Porém, não conseguia entender a parte do relacionamento. Ela e eram apenas amigos. Eles se falaram por mensagens, ligações e chamadas de vídeo por um tempo, e tiveram um jantar na noite passada, é verdade. Mas, foi apenas isso. Nada mais do que isso. Eles nem ao menos se abraçaram, se tocaram de jeito excessivo ou se beijaram. Eles eram amigos. E pensar que uma de suas melhores amigas achava que eles dois estavam em um relacionamento além disso e que ela deveria se arrumar para agradar o menino a deixou incomodada. Ela não sabia descrever ao certo em que ponto a chateou, mas, ela o fez. E era por isso que as duas se arrumaram em silêncio. se arrumou sozinha para o show, fez sua maquiagem com detalhes leves e suaves do jeito que aprendeu quando tinha quinze anos. Soltou seus cabelos, colocou uma gargantilha preta fina, um par de brincos pequenos e vestiu sua calça jeans preta. Colocou uma blusa branca de tecido mais grosso, uma jaqueta de couro em tom rosa claro com dois ou três detalhes de zíper e uma espécie de pompom nas beiradas da peça. Calçou com cuidado o par de botas de salto fino também pretas e por fim colocou seu celular no bolso de trás da calça antes de sair de seu quarto e ir para o corredor do hotel esperar , que saiu poucos minutos depois de si.
E agora, olhando para descer do carro pela outra porta da parte de trás do veículo, ela se sorriu disfarçadamente para si. Sua melhor amiga conseguia ficar mais e mais linda a cada combinação de roupa que fazia. E foi por isso que não pensou duas vezes em chamá-la para a sua equipe quando sua carreira começou, não existia outra pessoa no mundo que ocupasse melhor o cargo de estilista do que . E tinha total ciência disso. Observando e analisando melhor a roupa de para o show, sentiu o orgulho (mais uma vez como das outras tantas vezes) tomar conta de seu coração e fazê-la esquecer de qualquer coisa ruim que existia entre as duas. Elas tinham opiniões diferentes, mas, isso não seria o suficiente para fazer ficar horas e horas sem falar com . Afinal, ela sabia que não estaria calma como estava se não tivesse a menina ali consigo. E foi com esse pensamento em mente, que se aproximou de sua melhor amiga e segurou sua mão, entrelaçou seus dedos e deixou um beijo na têmpora da menina que sorriu e sussurrou um “me desculpa” que foi brevemente respondido com um “está tudo bem”.
Alex acionou o alarme do carro e chegou perto das duas garotas e juntos começaram a acompanhar o segurança de . Não era Robert quem os recebia daquela vez, era um cara tão alto e tão sério quanto ele, porém, esse se chamava Daniel.
Os quatro caminharam pelo espaço até que chegassem aos bastidores do show. E como em todas as situações como aquela e que os três já estavam mais do que acostumados, Alex, e nãos e espantaram ao verem pessoas apressadas de um lado para o outro, seguranças por todos os cantos, caixas ali e aqui, instrumentos sendo levados para o palco e várias portas fechadas.
E uma das portas que estavam fechadas era a do camarim dele. E foi até lá que Daniel os acompanhou. O segurança da equipe do garoto abriu a porta para os três, falou um “estão aqui” e deu passagem para que eles passassem.
O camarim de não era tão diferente dos que pede quando vai fazer algum show. Sofás, televisão, vídeo-game (sim, a menina pede isso para si também), inúmeras garrafas de água, algumas frutas e comidas leves. E dentre todas essas coisas e algumas cortinas, estava sentada de frente para a penteadeira cheia de produtos de cabelo e maquiagem com uma mulher escovando e formando seu topete, atrás de si.
A penteadeira, por estar próxima da porta, deixou com que enxergasse o sorriso que ele deu em sua direção através do espelho.
- Hey, finalmente! Pensei que fosse levar um bolo. – Ele falou sorrindo, quase rindo, e foi para um dos sofás disponíveis e levou consigo.
- Você tem que parar com essa ideia de que não irei comparecer a algo que marquei. – O respondeu e se sentou no braço do sofá, colocando uma de suas pernas em cima do estofado. Sua melhor amiga sentou-se ao seu lado e Alex permaneceu em pé olhando alguma coisa em seu celular.
- Não posso fazer nada se você me deixa ansioso e demora em aparecer. – argumentou e ela sentiu o olhar de em sua direção. encarou a menina que agora tinha as bochechas avermelhadas (provavelmente, se sentindo culpada pela demora da menina) e piscou para ela.
- Esse é meu charme. – Brincou e ele riu. – Agora que estou aqui, já pode se acalmar e se concentrar no show.
- Vou tentar. Mas, está difícil. - respondeu e piscou.
entendeu que ele se referia ao fato de estar tão nervoso que se concentrar para o show estava sendo difícil.
Isso foi o que ela entendeu.
Um segurança entrou no local e foi direto falar com . sabia que aquele era um dos vários momentos em que a equipe de segurança e produção vão até os seus artistas e explicam como será sua entrada, saída, troca de roupa, ida e vinda e tudo que for feito durante o show. E acha engraçado quando isso acontece consigo antes de alguma apresentação, porque eram detalhes que ela já conhecia e já havia ensaiado nos ensaios. Mas, ela sabia que era algo importante. Por isso, deixou que o menino ouvisse o cara que falava consigo e resolveu tirar uma foto de com o seu celular.
Com o celular em mãos, a câmera já acionada e uma distraída ao seu lado, fotografou a amiga que se assustou com o flash que estava ligado e passou despercebido.
As duas meninas riram alto atraindo algumas atenções para si. Mas, os olhares foram ignorados porque elas riam olhando para a outra, incrédulas com a burrice da cantora.
foi uma das pessoas que as encarou e observou por algum tempo. Tempo o suficiente para que Ben, o chefe da equipe de segurança, o chamasse e pedisse para prestar atenção em tudo que era dito pelo homem.
- Fica em pé ali, me deixa tirar uma foto sua. – pediu baixo para que se levantou e foi para frente da parede branca do camarim que estava sem nada na frente.
As duas meninas tiraram diversas fotos; juntas sendo selfies ou com a ajuda de Alex que serviu de fotografo, e também tiraram fotos individuais onde cada uma foi a fotografa da outra. Juntas decidiram qual foi saiu melhor para ser postada em suas redes sociais e sorriram e comentaram entre si os comentários que começaram a ganhar quando não tinham nem um minuto de foto postada. Elas estavam distraídas com isso enquanto tinha seu cabelo finalizado e foi levado para o outro camarim, onde ficava seu figurino para o show.

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Depois de pronto, retornou para o camarim onde deixara as meninas e ao contrário de quando saiu dali, o cômodo estava mais ocupado. Seus amigos de infância tinham chegado, sua mãe, seu pai e suas irmãs que tiravam fotos com e , e sua equipe que estava praticamente toda ali dentro.
Então, era isso.
Depois de dois anos afastado dos palcos. Depois de meses escrevendo o melhor de si em papéis ou em tablets, computadores e celulares (sua criatividade nem sempre vem quando você está dentro de seu quarto com caderno de anotações). Depois de dias, horas, minutos e milhões de segundos dentro de estúdio de gravação. Reuniões com sua gestão. Ensaios com sua banda composta por cinco pessoas. Um álbum lançado. Era isso. Aquele era o momento. Os olhares que ele recebia naquele momento, o silêncio de todos que o encarava e o sorriso que eles tinham nos lábios o dizia que; era isso. Aquela era a hora. Ele iria voltar para cima de um palco. Mas, dessa vez, seria diferente da última vez que subiu em um. Naquela noite se sentia bem. Ele tinha se encontrado e estava bem com tudo ao seu redor, tão diferente do último show que fez em que se sentia tão perdido dentro de si que não sabia mais dizer quem ele era.
Naquela noite, ele sabia dizer quem ele era e o que ele iria fazer.
Ele abraçou sua família e seus amigos. Tirou fotos com eles e com sua equipe. Ficou entre e ao que foi fotografado com as meninas. Riu com todos e de todos. Fez algumas piadinhas e riu de outras. Gravou aquele momento em sua memória e pediu, em silêncio, que o show fosse tão memorável quanto aquele momento em que tinha todas as pessoas mais importantes de sua vida ali consigo. Bebeu um pouco de água. Agradeceu aos desejos de boa sorte. Suspirou dezenas de vezes, respirou fundo mais algumas vezes e fechou seus olhos por alguns segundos. Quando levantou suas pálpebras, viu que seu camarim estava vazio. Todos tinham saído e provavelmente estavam sendo levados para a área vip da arena. Um lugar onde eles poderiam assistir ao show do melhor ângulo possível.
Olhou ao seu redor, respirou fundo, fez uma curta oração dentro de si e, saiu dali.
Três de seus seguranças estavam em frente a porta do camarim, todos sérios e concentrados. Como de costume. Robert estava entre eles, e foi dele que recebeu um sorriso confortante.
Ele caminhou pelos corredores do backstage do show, sentiu seu coração acelerar (ainda mais) de jeito alucinado quando chegou embaixo do palco e ouviu a gritaria que acontecia lá fora. Seus fás; eles estavam ali.
sorriu os ouvindo cantar seu último single lançado e até cantarolou baixinho junto com eles enquanto o aparelho do microfone e do retorno era colocado em si. Permaneceu parado enquanto arrumavam em si tudo que era preciso e pegou seu celular para gravar um curto vídeo em seu instagram. Depois de ter aberto o aplicativo, colocou na aba de “minha história”, colocou seu dedo na câmera e começou a filmar. O pequeno vídeo de segundos era escuro e tinha como som e destaque, seus fãs cantando sua música. Escreveu “estou indo” em cima do vídeo e o publicou.
Ele foi para a sua posição em cima da plataforma que iria subir devagar. Na primeira música, ele não usaria seu violão por isso estava sem o instrumento naquele momento. Respirou profundamente e soltou o ar devagar. Acenou positivo para sua equipe e eles entenderam o seu sinal. Era isso. Ele iria voltar aos palcos naquele momento.
A plataforma levou menos de um minuto para subir, mas, para , pareceram horas. Seu coração acelerado, suas mãos tremendo segurando o microfone, seu lábio inferior sendo mordido e seus olhos brilhando quando a altura na plataforma o deixou ver a multidão que o esperava.
A arena estava lotada. Completamente lotada.
Seus fãs gritaram quando o viram em cima do palco. E ele sorriu quando os viu ali, o esperando.
olhou de um lado até o outro da arena. Olhou para o público da pista e tentou gravar cada rosto que via. Todos a sua volta pareciam tão felizes em tê-lo ali quanto ele estava feliz em estar ali. E foi assim, sentindo uma felicidade sem precedentes que ele cantou a sua primeira música. não conseguiu sair da ponta da passarela ou ir para o palco antes de terminar a canção. Ele ainda estava sem acreditar no apoio que recebia. Era enlouquecedor saber que aquelas pessoas, os seus fãs, o esperava mesmo depois de meses.
- Obrigado! – Agradeceu em seu microfone ao que andava de costas pela passarela até chegar ao palco. – Obrigado por estarem aqui! Prometo fazer essa noite inesquecível para vocês! Porque com certeza, pra mim ela será! Obrigado!
Ele se virou rapidamente para sua banda e ainda sorriu assentiu quando o guitarrista começou os acordes da próxima canção. Quando se virou para a plateia, a viu.
Ali, parada na lateral do palco. Com um sorriso largo nos lábios, as mãos na frente do corpo e um brilho nos olhos que o lembrou das estrelas do céu. o observava com algo parecido com orgulho. E ele sorriu para ela sentindo gratidão. Ele era grato pela ida dela até ali, e por tê-la ao seu lado naquele momento, literalmente.
O show foi incrível. Magnífico. Algo que o mundo levaria meses para parar de falar sobre.
Era isso. tinha voltado aos palcos.

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tinha acabado de entrar na sala de uma rádio local em Nova Zelândia e estava cumprimentando a todos que estavam ali dentro. Apertos de mãos, sorrisos, abraços e algumas fotos foram distribuídos. Ela se acomodou em uma cadeira ao lado de um dos apresentadores do programa da rádio que ela faria parte aquele dia e desligou o som de seu celular. Observou que na tela havia notificações de mensagens, porém, não pôde lê-las ou respondê-las naquele momento.
O programa foi iniciado cinco minutos após sua chegada e algumas músicas foram tocadas antes de sua presença ser finalmente anunciada.
- E aqui conosco, senhoras e senhores, está ela! ! – Luke, o apresentador ao seu lado esquerdo, a anunciou.
- Hey! – falou próximo ao microfone que estava na sua frente e riu ao notar a bagunça que os outros fizeram ao ser anunciada ali.
- Animada por estar aqui? – Uma mulher que estava do outro lado da mesa redonda a sua frente a perguntou. Se lembrou de que ela se chamava Lola.
- Em Nova Zelândia ou aqui com a gente? – Ed (seu nome na verdade era Edward, mas, ele a pediu que fosse chamado pelo apelido, então), brincou e todos riram.
- Nos dois! – Lola respondeu e soube que aquela era sua deixa.
- Muito animada! Já estive aqui na Nova Zelândia ano retrasado e aqui com vocês também! – Comentou sua recordação ao que sorria satisfeita consigo ao ver todos aparentar felicidade por sua memória. – Amo estar aqui. É sempre muito bom.
- Eu pensei que você não fosse lembrar! Eu que te entrevistei na última vez em que esteve aqui! – Richard falou surpreso, apontando para ela que ria.
- Sim, eu lembro! Minha memória é boa!
- Preciso comentar que você está linda! – Lola comentou e a menina sentiu suas bochechas esquentaram como sempre acontece quando recebe um elogio. – Amei sua roupa e seu cabelo! Você sempre usa uma maquiagem tão leve.
- Obrigada, minhas meninas sempre arrasam! – Agradeceu. – Sim, não gosto de maquiagem muito carregada a menos que seja para uma premiação ou algo muito grandioso. Acho que quanto mais simples, melhor.
- Isso tem haver com a sua atitude de desde o começo querer transmitir para suas fãs que não é preciso muita produção para estar bonita? – Rick a perguntou e sabia que ele estava mencionando uma de suas respostas que ela o deu na entrevista que fez com ele anos atrás e em todas as outras que dera ao longo de sua carreira. Aquele era seu pensamento e nada iria muda-lo.
- Sim. Eu sei que meu público é jovem, que a maioria se encontra naquela fase de se descobrir e que a sociedade parece muito disposta em ditar para eles o que é lindo ou não. Eu acho que é muito importante dizer a elas ou a eles, que não precisam se encher de maquiagem ou roupas brilhosas e chamativas para estarem lindos. Não. Cada um é lindo do seu jeito e com o seu jeito. Eu não sou igual a você e você não é igual a mim. – Ela se explicava e todos ficaram calados enquanto a ouviam. Isso sempre acontecia quando falava sobre aquele assunto. As pessoas ao seu redor ficavam quietas admiradas com seu posicionamento. – Eu nunca fui do tipo que gosta de muita maquiagem, até porque, não tenho muita paciência na hora de remover. Então, desde o começo eu disse a que não usasse nada muito forte ou trabalhado em meu rosto ou cabelo. Pedi também a e que fossem simples em suas combinações de roupa. Claro que às vezes é necessário um vestido longo vermelho, uma maquiagem e penteado mais sofisticado. Mas, nunca diariamente ou em shows. Porque acaba também que quando você tira isso tudo ninguém te reconhece, nem você mesma. E em algum momento, você começa a pensar que só é bonita com muita maquiagem, um vestido vermelho e saltos agulha quando na verdade, você é ainda mais bonita sem tudo isso. E eu sempre digo isso aos meus fãs. Que eles são lindos do jeito que são. Que é okay se arrumar um pouco mais quando quiseram, mas, que nunca façam disso um hábito ou uma regra, entende? Temos que nos amar do jeito que somos. Com cabelo bagunçado pela manhã, rosto amassado de horas de sono e todo o resto. Temos que nos amar exatamente assim. Se nos olharmos no espelho depois de acordar e nos amarmos, então, nada mais importa.
- Isso aí, garota! – Lola gritou, batendo palmas para o discurso feito sem que percebesse que o fazia. Todos acompanharam a apresentadora nos aplausos e assobios.
Duas músicas foram tocadas após os aplausos e durante esse tempo aproveitou para publicar vídeos em seu snap e instastories avisando que estava ali dando entrevista. Bebeu água e deu língua para o fotografo da rádio que a chamou para tirar uma foto sua.
- Agora, nós iremos te fazer algumas perguntas, tudo bem? – Ed perguntou, a fitando e sorrindo.
- Oh meu Deus. Tá, tudo bem. – Ela suspirou e sorriu divertida para ele.
- Qual é a sensação de estar em turnê?
Essa foi a primeira de várias perguntas que recebeu sobre sua carreira.
Ela tinha começado sua nova turnê há dois meses e meio atrás. Sua agenda estava praticamente lotada, dias de folgas eram raros o que a deixava cansada e com sono. Mas, nada que não fosse esquecido sempre que subia no palco, dava entrevistas, conhecia seus fãs após os shows em seu camarim ou quando tinha um dia de descanso entre alguns shows. Ela já tinha se acostumado com a correria e sabia, desde o inicio de sua carreira, que seria assim. Agitado. Cansativo. Porém, gratificante em algum momento. nunca reclamava de sua vida. Nunca. Foi toda aquela agitação, cansaço e reconhecimento que ela buscara desde que aceitou o convite de seu produtor de entrar neste ramo. Era o que ela almejava e agora conseguira, não iria reclamar ou desistir agora. Jamais. Além do mais, estava viajando pelo mundo conhecendo outros países, ares, pessoas, culturas e até arriscando em alguns idiomas fora o seu. Estava sendo legal, apesar de todas as noites dormidas pela metade.
Ela não podia e nem pensava na possibilidade de reclamar de algo que a permitia fazer o que sabia de melhor; cantar. Estar em cima de um palco diante de uma multidão. não se sentia no direito de reclamar da rotina que estava tendo. Aquela era a sua vida. Seu sonho sendo realizado. Suas metas e objetivos sendo acalcados. Ela jamais reclamaria daquilo.
Entre umas perguntas e outras músicas eram colocadas. Beijos eram mandados para fãs que pediam no perfil da rádio no twitter, instagram ou facebook.
Não demorou muito para que outro assunto surgisse. Um assunto que nunca pediu a sua equipe que proibisse, afinal, ela não achava que deveria esconder do mundo como era sua vida pessoal em questão de relacionamentos. E era sempre engraçado ver a cara das pessoas depois que ela desmentia uma matéria de um suposto novo namoro que não existia, mas que vendia centenas de revistas, jornais e rendia milhares de acessos em sites de fofocas.
- Nós temos que fazer essa pergunta, caso contrário, irão nos matar! – Edward começou e continuou sorrindo tranquila como estava desde o começo da entrevista. – Como anda o coração, querida ?
- Oh. – Ela riu quando uma música romântica começou a tocar fazendo um fundo para aquela situação. – Gostei da música. Bem, meu coração está bem, na verdade. Tranquilo. E, é isso.
- Ele não tem acelerado, então? – Lola insistiu erguendo uma sobrancelha e sorrindo de lado, o que fez segurar a risada que quis soltar.
- Só pelos meus fãs, minha carreira, minha família e por tudo que tem dado certo. – Respondeu sendo sincera, porém, escapando da intenção real da pergunta da mulher.
- E por ? Seu coração não tem acelerado por ele? – A mulher questionou e todos viram quando a cantora olhou no rosto de cada um ainda sorrindo e riu.
- Eu sabia que receberia essa pergunta! Sabia! – explicou ainda rindo e apontando para todos que a entrevistava. Isso era uma verdade gigantesca, ela sabia que aquela pergunta seria feita. Já haviam se passado três meses desde o seu jantar com e desde então, todos os dias ela recebia perguntas sobre o menino em suas redes sociais e nas entrevistas que concedia. As pessoas estavam verdadeiramente interessadas em saber como havia sido o jantar, em comentar como eles pareciam próximos nas fotos que os paparazzis tiraram e aparecia com a mão nas costas da menina. Eles queriam saber se tinha namoro e até um possível casamento, o que sempre fazia rir e explicar a sua versão da história. A verdadeira versão. – Nós somos amigos. Então, yey, quando ele consegue algo, como o prêmio da semana passada, eu fico feliz por ele e meu coração dispara por saber que merece todo esse reconhecimento.
- Só por isso? – Rick perguntou e ela o fitou para respondê-lo.
- Sim, só por isso. – Assegurou sorrindo e mexendo, por debaixo da mesa, na barra de sua camisa de mangas compridas que separou para que ela usasse.
- Ah. – Lola fez muxoxo e biquinho.
- Triste, Lola? – Ed questionou. – Também estou.
- Muito. – A mulher respondeu e riu, colocando sua mão em frente ao seu rosto. – Mas, nos conte, como vocês se conheceram? Você e .
Tão rápido quanto a tristeza veio a curiosidade apareceu no rosto de Lola, o que fez dar de ombros e respondê-la.
- Pelo Twitter. Eu comentei que tinha acabado de ouvir a nova música dele e tinha amado. Ele me respondeu agradecendo e dizendo que amava o meu trabalho. Então, foi isso. – resumiu sem mencionar o fato de falar com por mensagens, ligações ou chamadas de vídeo todos os dias desde aquele dia do twitter.
- Foi a partir daí que a amizade começou?
- Sim. – Ela respondeu Lola e viu a mulher piscando para si.
- E como é manter uma amizade à distância? – Ed quis saber.
- É complicado. Sempre crio um laço muito forte com todos os meus amigos, e pra mim é muito incrível estar vivendo tudo o que eu tenho agora. Então, eu sempre estou querendo que eles estejam e viva junto comigo tudo isso. O que é muito complicado já que cada um deles tem a sua vida, seus compromissos e sonhos. Mas, sempre dou um jeito de trazê-los até onde eu estou, nem que seja por poucos dias, sabe? Eu sei que eles entendem que minha distância é necessária para que eu possa continuar fazendo o que eu amo, e eu também entendo quando eles não vão até a mim porque não podem sair de onde estão porque sua presença lá é importante para que seu sonho seja alcançado. Todos nós entramos em um consenso e temos sempre em mente que eu estou aqui para eles e eles estão lá para mim.
Respondeu não se referindo somente a sua amizade com , mas, sim a todas as suas amizades que deixou em sua cidade natal ou nos lugares que conheceu graças a sua carreira.
- Temos aplicativos de mensagens e chamadas de vídeos que ajudam nisso! – Rick comentou.
- Exatamente!
A entrevista acabou menos de dez minutos depois. precisava sair dali e ir para se arrumar para o show que faria ali na cidade naquele dia.
Ela se despediu de todos com abraços, beijos e agradecendo o tratamento que recebeu ali. Tirou fotos com cada um dos apresentados e com todos juntos. Autografou uma parede branca do corredor que já estava praticamente tomada pelos autógrafos e mensagens que cada artista deixava ali sempre que ia até a rádio e acenou mais uma vez, antes de sair do prédio.
parou para falar rapidamente com o máximo de fãs que conseguiu do lado de fora da rádio. Havia dezenas de pessoas ali a esperando, o que a deixou um pouco triste pois ela não sabia há quantas horas eles estavam ali esperando por ela e se estavam com fome. Se tivessem a avisado durante a entrevista que tinham fãs a esperando do lado de fora da rádio, ela teria pedido que dessem lanche a eles. Por isso, pediu desculpas a eles por não poder atendê-los com calma e nem por ter ido ali antes.
Já dentro do carro com Alana, sua produtora, ao seu lado no banco de trás e com Alex e o motorista na parte da frente do veículo, descansava alguns minutos mexendo em seu celular antes de chegar ao local do seu próximo show. Ela postou a foto que tirou com todos os apresentadores da rádio em seu instagram. Escreveu uma legenda os agradecendo novamente e dizendo que tinha sido divertido estar ali e que mal podia esperar para o show que faria dali algumas horas. Leu alguns comentários que surgiam em sua rede social e até os leu em voz alta para que Alana ouvisse e risse junto consigo de alguns que eram verdadeiramente engraçados em sua opinião.
O que não leu para Alana, fora a recente mensagem que chegara em seu celular. Uma mensagem de :
“Meu coração também acelera por você.”
Seu coração mais uma vez acelerou pelo menino. Mas, dessa vez, não tinha nada haver com algum reconhecimento que ganhara.

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Depois do show feito na Nova Zelândia já havia se passado um mês e foram precisos mais vinte e dois shows em cidades diferentes para que chegasse à Nova Iorque para o próximo show que seria dali algumas horas. Ela já estava em seu camarim que ficava nada mais e nada menos, do que nos corredores do Madison Square Garden. Seu show seria ali no MSG. E ainda não sabia como deveria se sentir em estar prestes a se apresentar, pela segunda vez em sua carreira, naquele lugar que fora algumas vezes assistir aos seus ídolos.
A animação corria por seu sangue. E isso a fazia ficar agitada a ponto de ter que ouvir gritando a pedindo ara que ficasse quieta e vestisse logo a peça de roupa que fora feita especialmente para ser usada pela primeira vez naquele show. Um novo figurino era algo tão animador quanto se apresentar no MSG.
se controlou durante o tempo que gastou em vestir o top branco de bojo com duas tiras nas alças, e na parte de baixo que consistia em uma espécie de calcinha grande cintura alta com uma saia de tecido fino transparente. gostou do que viu quando se olhou no espelho, a roupa toda em branco realçava o bronze que pegou na Califórnia dias atrás quando esteve lá para uma apresentação em um programa de televisão que durou a parte da manhã e a deixou livre durante à tarde para aproveitar a piscina maravilhosa do hotel que estava hospedada. As tiras do top que iam do espaço dentre os seus seios e iam até as alças da peça, dava um pequeno toque de sensualidade junto com a parte debaixo. Já o transpassar do top em si e a transparência da saia dava um ar de fofura. E gostava disso. Ela gostava de se sentir fofa e menina mesmo quando estava usando algo sensual. E ela amava e por sempre respeitarem essa sua necessidade sempre que escolhiam suas roupas.
calçou as botas, também brancas, de canos altos que iam quase até os seus joelhos. Ficou quieta para que amarrasse o cadarço e esperou paciente enquanto se aproximou das duas para passar creme nas partes do corpo da menina que estavam à mostra.
a chamou novamente e ela foi até a menina assim que foi dispensada por suas melhores amigas, que em sua opinião deveriam fazer uma marca de roupas, e teve seu cabelo retocado com o babyliss que fazia os cachos que Anne abria com seus dedos. chegou os olhos quando foi necessário que spray fixador fosse colocado em seu cabelo na parte da frente e fez bico ao que precisou ter o batom rosa claro retocado.
Sua família não pôde ir ao seu show, mas isso não quer dizer que seu celular não ficou lotado de mensagens e ocupado devido às várias ligações que recebeu antes de chegar o momento em que deveria subir no palco. E isso a deixava menos triste pela ausência deles ali. Ela sabia que mesmo sem estar ali fisicamente, estavam ali de outro jeito. Um jeito muito mais profundo e lindo.
Junto com sua equipe, orou antes de se posicionar atrás da cortina que a revelaria para o público após sua sombra aparecer ao que seu corpo ficaria contra uma luz que permitiria que sua sombra aparecesse na cortina. Ela respirou fundo. Segurou seu microfone com firme. Fez a pose que deveria fazer. E deu o seu okay para Charlie, o responsável da equipe de luz do seu show.
Foi questão de segundos para que todas as luzes do palco se apagassem. A platéia gritasse em expectativa. A luz atrás de si ligasse e sua sombra aparecesse.
Questão de segundos para que aquela noite fosse uma das mais especiais de toda a sua vida. E , ainda, não sabia que essa noite seria lembrada com tanto carinho apenas pelo maravilhoso show que estava prestes a fazer.
Quando acabou o show, foi difícil para deixar o palco e se despedir de todos aqueles que lotaram o MSG sem querer abraça-los. Porém, ela tinha que sair dali, pois tinha um avião privado a esperando no aeroporto mais próximo para levá-la até Londres. Ela teria uma entrevista e sessão de fotos na cidade.
Ela foi acompanhada de seus seguranças para o estacionamento do local. Vestiu apressada um casaco de moletom que Alex a entregou e pegou a garrafa de água que alguém a deu. batia nas mãos das pessoas de sua equipe que trabalhariam para o desmonte do palco que seria levado dali algum tempo para o próximo lugar onde seria seu próximo show; Paris.
Quando chegou ao estacionamento adentrou na van e suspirou ainda sorrindo após a corrida até ali. Olhou para suas melhores amigas, que estavam sentadas nos bancos a sua frente. Esperou até que o carro andasse e o gole de água que bebeu passasse por sua garganta para que pudesse soltar um suspiro de alivio, felicidade e gratidão.
sempre seria grata à vida pelas oportunidades que recebia.
Durante o trajeto até o aeroporto, comentários foram feitos sobre o show, vídeos e fotos mostrados, sorrisos espalhados no rosto de todos e suspiros de felicidade. Todos estavam felizes com o desempenho da menina, com a plateia incrível, o show e em como tudo saiu exatamente do jeito que planejaram.
A van parou na pista do aeroporto, só pôde ver que o avião já estava ali quando desceu do veículo com a ajuda de Alana, que segurou sua mão.
Quando saiu da van, ela também viu uma pessoa parada próximo ao avião que a levaria até Londres.
Seu coração acelerou quando reconheceu aquele corpo, aquele rosto e aquele cabelo.
Era que estava próximo ao avião. Ele que agora andava na direção da menina que era deixaria ali sozinha propositalmente por sua equipe que ia para o avião.
tinha seu coração acelerado enquanto olhava para o menino e o via andando até si com um sorriso no rosto, uma calça jeans e casaco de moletom vestindo seu corpo, tênis brancos calçando seus pés, seus cabelos sendo bagunçados pelo vento e um buquê de rosas em sua mão esquerda. Não eram rosas vermelhas, eram três tipos de rosas; lilás, champanhe e laranja. Suas cores preferidas de sua flor preferida.
Ela já tinha comentado sobre isso para , só não sabia que ele ainda se lembrava de uma informação que ela compartilhara nas primeiras mensagens que trocaram. Queria saber se ele também se lembrava de sua explicação sobre o porquê de gostar daquelas cores daquela flor. Mas, antes que perguntasse ou falasse qualquer coisa, já tinha se aproximado bastante de si e estava parado em sua frente.
se sentia presa no olhar do menino. Seus olhos brilhantes sempre fora algo que a deixava encantada, mais até do que seus lábios bem desenhados ou seu nariz delicado.
- Você foi incrível. – sussurrou e ela o ouviu perfeitamente devido à proximidade de seus rotos. Proximidade essa que acelerava ainda mais o coração da menina. – Eu não pude estar lá, mas assisti por um link que achei no twitter. – Ele explicou e ela sorriu imaginando rapidamente a cena. – Tenho muito orgulho de você. Sinto muito a sua falta e já estou com raiva, de verdade, das nossas agendas nunca se encontrarem.
Ela também sentia falta dele. E no fundo, também tinha raiva de nunca mais ter conseguido encontrá-lo em algum lugar do mundo. Qualquer lugar que fosse.
Mas não teve tempo para confessar isso para o menino a sua frente.
Os lábios dele estavam tocando os seus. Rápido e sem pedido ou qualquer outra coisa, a estava beijando ao que sua mão livre apertava levemente a cintura da menina.
E é verdadeiramente difícil dizer qual dos dois, no fundo, esperava mais por aquele momento.
Ou, nem tão no fundo assim.

+++


O beijo que não ultrapassou o jeito calmo e delicado do ato foi interrompido por um grito de , os chamando para a aeronave. sorria quando teve seus lábios separados dos do menino a sua frente e riu baixinho quando teve um curto beijo roubado.
Ele segurou sua mão para irem até o avião.
Dedos entrelaçados, corações acelerados, corpo aquecido e mentes marcadas com algo que acontecera segundos atrás antes de subirem as escadas do avião e se acomodarem lado a lado em dos assentos. segurava o buquê, o deixando deitado em seu braço que estava erguido enquanto afivelava o cinto na cintura da menina. Ela olhava o cuidado que ele tinha consigo e o agradeceu quando estava presa na cadeira do avião. também colocou o cinto de segurança e se acomodou, esperando que decolassem.
Não demorou muito para que o avião estivesse no ar e a viagem de mais de cinco horas começasse. sentia o cansaço dominar seu corpo que estava tão bem no macio do tecido do banco que já tinha sido inclinado para trás, a deixando deitada. insistia para que dormisse e descansasse um pouco. Ele sabia que a menina queria lhe fazer perguntas, e ele estava verdadeiramente disposto a respondê-las. Mas, para isso, ela deveria dormir antes.
- Você precisa dormir. – falou baixo, não querendo incomodar quem já dormia ou estava quase caindo no sono nos outros assentos do avião que já tinha suas luzes principais apagadas. – Quando chegarmos em Londres, a gente conversa. – Afirmou, fazendo carinho ao que colocava o cabelo da menina para trás deixando seu rosto livre o suficiente para que ele fizesse um caminho de beijos desde a sua bochecha até seus lábios. – Eu vou estar aqui quando você acordar.
viu assentir levemente com um movimento de cabeça e fechar os olhos.
- Você também precisa dormir. Eu sei que fez show hoje e que está cansado. – Ela sugeriu e ele concordou baixinho.
dormiu segurando a mão do menino e com o buquê de rosas ao seu lado. A poltrona do avião não era como a sua cama, mas, naquele momento estava tão confortável quanto. Sentiu uma coberta quentinha sendo colocada sobre seu corpo e não pôde agradecer quem quer que tenha a coberto.

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Quando o avião pousou na pista do aeroporto de Londres, ainda estava dormindo e por isso foi acordada por , que a chamou diversas vezes em um tom baixo. Talvez se ele tivesse a chamado falando um pouco mais alto, não teria sido gasto tantos minutos naquela ação, porém, ele não conseguiu gritar com a menina que estava nitidamente dormindo tão bem.
, sua equipe e , foram divididos em quatro carros pretos que os buscaram na pista de voo do aeroporto. As malas foram colocadas rapidamente nas partes de trás dos veículos que deixaram o aeroporto tão rápido quanto adentraram o lugar.
O hotel que tinha sido reservado para a estadia da menina na cidade ficava há pouco mais de vinte minutos do aeroporto, o que permitiu que despertasse o suficiente para não enrolar em ir tomar banho, colocar um pijama confortável e comer alguma fruta assim que chegou no quarto que seria seu. Como de costume o andar inteiro foi reservado para sua equipe. Questões de segurança.
E agora, deitada na cama de casal do quarto com o celular em mãos ela via que já se passava das quatro horas da manhã. As meninas mandavam mensagens e mais mensagens no grupo de conversa que tinha sido feito desde que baixaram o aplicativo.
, está namorando!”, “Eu serei a madrinha!”, “Eu já sou a madrinha!!!”, “Cala boca, , você nem gosta dele!”, “Uh, a fã número um se doeu” e então começou uma discussão idiota em que zoava o fato de ser fã de e se defendia dizendo que sabia apreciar uma boa música. resolveu agir como que mandou um “boa noite” junto com um emoji revirando os olhos, ignorando totalmente a discussão das duas e decidiu ir dormir para estar descansada dali algumas horas.
Colocou o celular debaixo do travesseiro e virou de lado para apagar a luz do abajur que estava ao lado da cama em cima do criado mudo. Suspirou e fechou os olhos.
Ela já estava no estado em que seu corpo está quase em sono profundo quando ouviu algumas batidas na sua porta. Demorou um pouco para perceber que ainda não se tratava de um sonho e que tinha realmente alguém batendo em sua porta. Levantou da cama rezando mentalmente para que não fossem e , às vezes elas tinham a mania de recorrer a para dizer quem estava certa sobre determinado a assunto e nunca se importavam com o horário.
Quando abriu a porta viu uma pessoa que não tinha nada a ver com suas melhores amigas. Foi que ela encontrou no corredor do andar, com um conjunto de moletom e meias.
- Tudo bem? – Ela o perguntou, pensando se ele tinha mesmo ido até ali fazer o que ela pensava que ele tinha ido fazer.
- Tudo. Eu só... – Ele suspirou e olhou por todo o quarto da menina, que o deu passagem para entrar e fechava a porta trás de si. – Posso dormir aqui com você? Prometo que não vou fazer nada, só... Dormir.
Ele parecia receoso com suas palavras enquanto se sentia surpresa com sua pergunta.
- Pode. – Ela o respondeu menos de um minuto depois, e pediu que seu cérebro gravasse em um lugar especial o sorriso que surgiu nos lábios dele.
Eles se arrumaram em cima do colchão em silêncio. Sabiam que deveriam conversar, mas decidiram fazer isso em outro momento. Depois os dois conversariam e acertariam tudo que deveria ser acertado. Naquele momento, estavam mais preocupados em deitarem no colchão, apoiarem suas cabeças nos travesseiros e se cobrirem com o edredom grosso do jogo de cama.
Quando já estavam acomodados e confortáveis, cada um fechou seus olhos e soltou um suspiro. Suspiro de alivio. Conforto. Segurança.
, apesar de ter dormido dentro do avião, foi a primeira a dormir, deixando acordado sozinho no escuro do quarto.
só conseguiu dormir quando já inconsciente pelo sono, se virou na cama e acabou deitando com sua cabeça em seu peitoral, apoiando uma mão na barriga dele que rodeou o braço pelo corpo da menina.
Ele dormiu cinco minutos depois de ter contra seu corpo.

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Por estarem tão preocupados em aproveitarem os momentos que tinham juntos, e não tinham parado para conversar seriamente sobre a situação deles dois. Mesmo já tendo passado dois meses desde que ele a buscara no aeroporto de Nova Iorque e a acompanhara até Londres, depois até Paris, eles ainda não tinha conversado. Estavam, apenas, curtindo os dias que conseguiam se encontrar em meio às agendas tumultuadas com shows, entrevistas, ensaios e tantas outras coisas que suas carreiras pediam.
Quando estavam juntos eles compartilhavam das experiências que estavam tendo até aquele momento do encontro. Contavam sobre os shows feitos e os próximos que viriam. Riam de situações que aconteceram e saiam para jantar, para alguma boate com a companhia de alguns membros de suas equipes ou, preferiam ficar em seus quartos no hotel que estavam hospedados. Tiravam algumas fotos e se duas já foram postadas em seus snaps ou instastories ao longo daqueles meses era muito. Juntos não viam necessidade de mostrar para o mundo o que estavam fazendo. Na verdade, o acordo de não mostrar ao mundo o que estavam vivendo veio de um acordo mudo onde eles apenas salvavam os vídeos e fotos nas memórias de seus celulares e o resto, em suas próprias memórias.
Se com apenas duas fotos postadas o número de perguntas sobre o que eles tinham já tinha aumentado imensamente, imagine se postasse vídeos como aquele em que terminara de gravar em que estava sentado no chão do quarto do hotel que estavam em Portugal, e tentou sem sucesso conseguir pegar uma pipoca que jogou para o alto com a boca.
- Você é péssimo, . – Ela o insultou rindo e vendo o menino insistir em jogar pipocas para o ar e pegar com a boca. – Você vai acabar com a pipoca e vai te matar quando elas chegarem aqui.
- Não vai, ela me ama agora. – se defendeu, jogando uma última pipoca e desistindo após sentir o milho batendo em sua testa e caindo no chão em seguida.
- Se eu fosse você, não abusaria desse amor. – sugeriu e foi pegar o balde de pipocas que tinham pedido no serviço de quartos para comerem enquanto assistiam a um filme que tinham combinado de ver junto com , e que deveriam estar chegando a qualquer momento.
- Aé? E o que você acha que eu deveria fazer enquanto esperamos suas seguidoras fiéis? – Ele perguntou, se referindo as meninas do mesmo jeito que uma vez se referiu. A menina riu, mas parou e gritou assim que segurou em seus pulsos e a puxou para si em um movimento rápido.
Com o puxão que recebeu acabou caindo em cima de e ficou deitada em cima do garoto que caiu deitado no chão. E mais uma vez, como vinha acontecendo muitas vezes recentemente, ela olhava nos olhos dele. E admirava o brilho que eles possuíam.
não esperou muito para beijá-la.
E o agradeceu, mentalmente, por isso.
Estar naquele envolvimento com não era tão fácil quanto parecia ser naquele momento em que tinha os lábios dele contra os seus. Era além. Era ter que ter uma resposta pronta e firme quando entrevistadores a perguntavam sobre eles dois e ignorar as perguntas de seus fãs. Era ler algumas pessoas dizendo que ela merecia alguém melhor do que ele e que não fosse capaz de quebrar seu coração como ele faria um dia. E essa era a parte que mais doía. não gostava de ler ou ouvir as pessoas lhe dizendo que aquele menino dos olhos brilhantes, sorriso fácil, beijo bom, toque macio e que a fazia se sentir em segurança, iria quebrar seu coração. E ainda mais difícil, era não poder respondê-los, pois se o fizesse, iria dar o que eles queriam; a confirmação de que ela e estavam juntos.
Ela queria ser como , que desde que se conheceram, conseguia escapar tão bem das perguntas sobre a menina que a deixava com um pouco de inveja. Ela queria ser como ele e pedir para sua equipe que proibissem perguntas sobre eles dois em suas entrevistas. Queria saber ignorar as criticas feitas a ele como ele ignorava as criticas feitas a ela. Queria não sentir vontade de publicar fotos e vídeos deles ou só dele. Queria poder assumir para o mundo o que ela sentia quando o tinha por perto. queria responder as perguntas dizendo que era bom com ela. Que ele a abraçava durante a noite e que sua presença a proibia de ter pesadelos. Que ele segurava a sua mão tão bem que às vezes ela olhava para seus dedos entrelaçados e pensava em quão perfeitamente eles se encaixavam. Queria contar que quando conheceu seus pais, o menino quase enfartou com medo de seu pai, mais que dez minutos depois já estava conversando sobre futebol e se faria sol no dia seguinte porque eles iriam pescar em algum lugar ali por perto. Que quando eles fizeram sexo pela primeira vez no hotel em Manchester, ela se sentiu respeitada e amada.

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Amada.
Amor. Foi esse o sentimento que percebeu sentir por cinco meses depois que o beijou pela primeira vez.
E ela não sabia como iria contar isso a ele ou se iria contar. Não sabia se deveria esperar que ele confessasse sentir esse isso por ela ou se poderia apenas soltar a frase de três palavras de uma vez enquanto olhava nos olhos dele.
O que ela sabia naquele momento, era que deveria se concentrar e parar de se olhar no espelho do hotel e ir se vestir logo, pois dali alguns minutos seria chamada para ir até o local de seu show que aconteceria naquela noite, antes de uma semana inteira de folga que sua produção separou para ela.
Durante essa uma semana ela iria pensar no que deveria fazer, e no que deveria falar.
Mas, antes, ela precisava sair daquele hotel e dar o seu melhor em cima daquele palco para a multidão de fãs de Dublin.
Assim como seus outros shows, os ingressos tinham sido esgotados em poucos dias e havia toda uma expectativa sobre sua primeira apresentação no lugar.
Antes do show, deu algumas entrevistas e fugiu com elegância das perguntas que eram feitas sobre o anel prata com uma pequena pedra preciosa que tinha em seu dedo anular da mão direita.
quem havia lhe dado aquele anel duas semanas atrás, na última vez em que o encontrou.
- Eu preciso que você feche os olhos. – pediu, e o olhou desconfiada. Eles estavam na casa do menino em Londres, local onde ele precisaria ficar por três dias para gravar sua participação em um programa de televisão e fazer algumas coisas em seu estúdio que ficava ali na cidade.
- E eu não sei se devo. – Ela o respondeu, erguendo sua sobrancelha e o olhando da cabeça aos pés.
Eles estavam no quarto do menino. Ela vestia uma camisa dele e tinha acordado há poucos minutos após terem dormido juntos enquanto assistiam a um filme de comédia que nem deveria ser classificado assim, pois não tinha graça alguma.
- Confia em mim. Por favor. – Ele pediu andando até a cama e engatinhando até que ficou em cima das pernas da menina e se sentou ali, com uma perna em cada lado do corpo dela e tento suas coxas como apoio.
- Tá. Só não demora. – fechou os olhos e suspirou. riu do jeito com que ela parecia extremamente fofa com raiva e por saber que ela não gostava de surpresas no primeiro momento.
teve cuidado ao tirar o objeto da caixa de veludo vermelha e em pegar na mão da garota que estava em cima da perna dele. Com cuidado ele colocou o anel que coube direitinho no dedo dela e deu um beijo em cima da pequena pedra azul clara que em sua visão, combinou perfeitamente com o tom de pele de .
abriu os olhos antes mesmo que a pedisse. Ela sabia que se tratava de um anel, afinal, sentiu o objeto ser colocado em seu dedo. O que ela não sabia é que encontraria um brilho mais forte nos olhos de quando os encarasse.

não cansava de admirar a pedra preciosa tão delicada. Na verdade, ela não parava de lembrar-se do momento em que a ganhou e nem de sorrir sempre que se lembrava.
Ela vestiu o primeiro figurino do show que já estava acostumada a usar, deixou que e arrumassem as peças e a ajudasse com a calçar as botas. arrumou seu cabelo e sua maquiagem. Seu microfone e retorno foram colocados por um membro de sua equipe já experiente nisso e esperou, pacientemente, o momento em que iria aparecer em cima do palco diante de sua plateia de fãs.
Sempre que subia no palco, se esquecia de qualquer problema ou dor que estava sentindo antes de estar ali. As milhares de vozes que faziam um lindo coral para suas músicas, os olhares que conseguia ver dali de cima, a animação que lhe contagiava, o sentimento de gratidão e orgulho a tomavam por inteiro. Não tinha como pensar em coisas ruins estando ali. Ela sonhara com aquele momento diversas vezes. E agora o estava vivendo exatamente como em seus sonhos. Ela era uma cantora mundialmente famosa. Estava em uma turnê que tinha todos os ingressos de todos os shows esgotados. Tinha a melhor banda e equipe que poderia pedir um dia. Tinha os melhores e mais leais fãs. Sua família e amigos a apoiava. E agora, ela tinha .
Estava tudo bem.
A vida sempre foi tão generosa consigo que não tinha do que reclamar.
Ainda.

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Por ser o último show antes de sua pequena folga, conseguiu trocar de roupa antes de deixar a arena de Dublin e ir para o jatinho particular que sua equipe alugou para leva-la para casa. Depois de meses sem pisar direito em sua casa, finalmente ela estava indo para Los Angeles. E já tinha feito uma promessa para si mesma que iria aproveitar ao máximo de sua piscina, e essa promessa não poderia ser quebrada.
, e iriam aproveitar essa semana de folga para fazerem um ou dois trabalhos em suas áreas. iria trabalhar para uma cantora que ganhou recentemente um reality show e iria se apresentar em Londres. e iriam ter uma reunião com Victoria Beckman sobre uma linha de roupas. E não poderia estar mais feliz por suas melhores amigas. Mas, também se sentia triste por não ter com quem conversar sobre o sentimento que percebeu dentro de si e por ter que ficar longe das três melhores meninas que já conheceu em sua vida e do resto de sua equipe. Como já falado antes, toda sua equipe era sua família agora. E ficar longe da família sempre machuca.
Depois de se despedir de todos com um abraço bem apertado, beijos, carinho e muito agradecimento por estarem consigo até ali, os deixou para trás e entrou no carro que a levaria até o aeroporto onde estava o jatinho. Como cada um de sua equipe iria para um lugar do mundo diferente, não tinha como leva-los até seus destinos usando um único avião, por isso, estava no jatinho e eles iriam em voos comerciais.
se jogou na poltrona da aeronave e sorriu vendo Alex sentar-se no banco ao seu lado. Ele não estava indo para cuidar da menina, pelo contrário, estava indo encontrar sua filha que iria se casar em LA no dia seguinte. O casório seria em uma praia de tarde. Um casamento ao céu aberto, todos sentindo áreas nos pés, vento nos rostos e cabelos e muito amor. Foi assim que visualizou o momento e Alex a fez rir quando contou sua versão de como seria; o casamento ao céu aberto com um possível risco de chuva, areia grudando nas roupas, maquiagens e penteados sendo desfeitos pelos ventos. Mas, yey, muito amor. E apesar de ter sido convidada por Alex para ir ao casamento, não iria. Ela tinha noção do ciúme que Pam, a filha de Alex, sentia dele com ela. Questão de respeito pela família do homem e um pouco de amor a vida também.
O voo teria um pouco mais de dez horas de duração. E o jatinho já estava no ar, as luzes principais apagadas, a baixa iluminação vindo das pequenas luzes que tinham acima das poltronas. O ronco baixo de Alex já podia ser ouvido, e já tinha sido gravado e enviado por no grupo de conversas que tinha todos os membros de sua equipe adicionados.
Com a poltrona já deitava, uma coberta felpuda e abraçando seu pequeno urso branco que ganhou de um fã que o jogou no palco aquela noite, abriu seu twitter e escreveu o quão feliz estava pelo show que tinha acabado de fazer e em estar indo para casa.
As respostas para seu novo tweet começaram a chegar em questão de milésimos de segundos. O problema e o que deixava a menina confusa, era que a noventa e nove por cento das pessoas a perguntavam se ela estava bem ou se já tinha visto o que quer que tinha saído a seu respeito recentemente.
Um dos grandes problemas de , e que as pessoas que a conheciam sempre diziam que esse era um de seus defeitos, mas que ela não tinha culpa, era sua curiosidade tão aguçada. Ela não conseguia esperar para ver o que quer que as pessoas quisessem mostrar. Ela precisava ir atrás, caçar links e ver do que estavam falando. Se era verídico ou não. Se era engraçado ou sério. Se era realmente sobre si ou sobre um assunto nada haver consigo, mas que colocavam seu nome apenas para ganhar acessos.
O problema era que daquela vez o assunto era sério. A notícia parecia bem verídica de acordo com as fotos e os vídeos anexados na matéria. E, infelizmente, o seu nome não estava ali para ganho de acessos.
Encolhida debaixo da coberta, abraçada ao urso, deitada na poltrona do jatinho que a levava para casa, lia a matéria escrita de jeito tão profissional que chegava a ser um pouco engraçado. As fotos e o vídeo com bastante nitidez, causavam uma dor sem igual em seu interior.
O amor dói. Não é o que dizem por aí?
Mas, para , o responsável pela dor nunca era o amor, e sim as pessoas que despertavam esse sentimento na outra sem a intenção de ser fiel a ele.
Então, o que lhe causava dor naquele momento não era o amor que descobriu dentro de si. Era a pessoa por quem ela sentia o amor.
.
.
Ele que a fazia sentir uma dor aguda e profunda. Que fazia com que lágrimas quentes deslizassem dos olhos pelas bochechas da menina. Que fazia seus dentes morderem seu lábio inferior e seu coração gritar, implorar, para que aquilo tudo fosse uma grande mentira. Um mal entendido. Algo do passado do garoto. Algo que acontecera antes de .
Porém, era recente. Bem recente. A tatuagem que ele a mandou foto enquanto a fazia e depois de tê-la feito um dia atrás estava aparecendo nos registros. O corte de cabelo dele era o mesmo que ele tinha quando fez a tatuagem.
As fotos e os vídeos que mostravam aos beijos com uma mulher de cabelos longos e pretos eram reais e recentes. As imagens dele com as mãos na bunda dela eram reais. E a foto que a mulher postou dele em uma rede social para se gabar por ter dormido com ele, era real.
tinha ficado com outra mulher enquanto descobria que o amava? Notícia real e recente.

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Dizem que quando você sente algum tipo de dor muito forte, você acaba dormindo de tanto chorar ou, após tomar algum remédio. Como a dor que sentia não tinha remédio que pudesse curá-la, ela acabou dormindo enquanto dava replay no vídeo pela décima vez e assistia tudo novamente. Ela sabia que aquilo tudo era real, mas uma parte de si queria encontrar alguma falha na filmagem que a fizesse acreditar que tudo não se tratava de uma montagem ou alguma coisa assim. No fundo, ela só não queria sentir aquela dor.

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Ela já estava em casa há dois dias. O imóvel não era tão grande como ela se lembrava, ou, era ela que não pisava ali há tanto tempo que se esqueceu de como era sua própria casa.
Seu celular tinha sido esquecido em algum canto do sofá da sala, e se ainda estava com carga ela não sabia. A última vez que o usou foi para mandar uma mensagem avisando as meninas e aos seus pais que havia chegado ali. Os mais velhos a respondeu com um “se cuida” e uma foto dos dois em algum lugar frio o suficiente para que fossem praticar ski.
E como o prometido para si, ela estava na piscina. Não dentro da água limpa e transparente, mas, sentada em uma cadeira ao lado da imensa quantidade de água. Com seu roupão branco, um guarda-sol aberto fazendo sombra em cima de si, um livro que nem sequer foi aberto e o céu límpido de Los Angeles sobre sua cabeça. E é claro que como companheira, ela tinha a dor.
Ah, a dor. O arrependimento. As perguntas de “por quê?” e muitas lágrimas que começavam a sair de seus olhos quando fitou o anel em seu dedo e se lembrou de tudo que viveu com o menino que a traiu.
Ela não conseguia entender o que tinha feito para que ele tivesse feito tudo aquilo. Foi por que ela não colocou um rótulo na relação deles? Por que não assumiu ao mundo que estava com ele? Ou por que disse que ele era um péssimo cozinheiro da última vez que se encontraram e ele tentou fazer um jantar como prova de que sabia se virar na cozinha, mas acabou tendo que pedir pizza, pois tinha queimado o macarrão?
Ou, por que não tinha dito que o amava dentro desses seis meses?
Foi isso? Ele ficou com outra mulher após ter dado a ela um anel que a fazia sorrir sempre que o olhava, porque ela não tinha dito as três palavras mágicas?
Mas, pensando assim, avaliando a situação com essas perguntas... percebeu que se foi por causa disso, então ela também podia ter ficado com outro homem, certo? Afinal, também não colocou um rótulo no que eles tinham. Ele nunca disse em uma entrevista, rede social ou para um fã que o encontrava na rua e o questionava sobre eles dois que eles estavam juntos. Ele já tinha a chamado de péssima jogadora de FIFA, mas, nem por isso ela ficou com outro cara. E o principal, nunca disse que a amava.
Ele poderia ter os olhos brilhando quando a olhava, um sorriso nos lábios e os braços apertos quando a encontrava, mas, só isso. Ele nunca tinha proferido as três palavras.
Então, isso não lhe dava o direito de agir como agiu. Caso contrário, poderia ter feito o mesmo.
Isso tinha algo a ver com o ser humano em si.
E não tinha nada haver com amor. Tinha tudo haver com a falta dele.

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No terceiro dia de folga, resolveu tomar um banho assim que acordou e abandonou o roupão. Vestiu um shorts jeans de cintura alta, com rasgos no pano e uns fios soltos na barra. Um cropped branco justo e um par de tênis Vans em tom vermelho sangue. Soltou seus cabelos e arrumou os fios que tinham ficado com uma forma ondulada cair por seus ombros, colocou um óculos de sol escuro, pegou sua bolsa e deixou seu celular carregando em casa antes de ir até a garagem e sair com seu carro para o mercado mais próximo. Precisava comprar comidas, principalmente o macarrão e o vinho que seriam seu almoço naquele dia.
Los Angeles é um lugar onde moram muitas pessoas famosas, por isso, é raro ver algum famoso cercado com dezenas de fãs a sua volta. Mas, é sempre fácil de encontrar alguns paparazzis fotografando o famoso. E para , não foi difícil perceber que estava sendo fotografada enquanto andava pelo estacionamento do mercado e entrava na loja. Ela tentou não pensar nos caras que provavelmente a esperaria do lado de fora, e nem prestou atenção em alguns olhares que recebia ao que andava pelos corredores do lugar a procura de seus alimentos. se concentrou nas embalagens de comidas e nos sabores dos potes de sorvete que comprara.
É claro que eles a perguntariam onde estava ou como ela estava se sentindo enquanto tiravam fotos dela andando com o carrinho do mercado e abria o porta malas do carro para guardar suas sacolas. É óbvio que os paparazzis a atiçavam com perguntas e frases que a deixavam no ponto de respondê-los, porém, não os respondeu. Em todo momento ela os ignorou perfeitamente bem, agiu como se estivesse sozinha e não cercada de pessoas inconvenientes que só queriam manchetes e fotos de si e não davam a mínima para como ela estava se sentindo de fato.
- Tchau, rapazes. – Ela falou, acenando para eles e entrando em seu carro.
A educação vem acima de tudo.
Quando chegou em casa, após deixar o carro na garagem e guardar as compras em seus devidos lugares na despesa e na geladeira. apoiou suas mãos na bancada da pia, colocou o óculos na pedra de mármore, respirou fundo e fechou seus olhos.
E então, ela chorou.
É fácil ignorar sua dor e mostrar indiferença quando se está em um lugar público e rodeada de pessoas. Difícil é fugir da dor quando está sozinha dentro de sua casa sem ninguém por perto.

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Na hora do almoço, enquanto esperava o macarrão cozinhar, pegou pela primeira vez, em dias, o celular. Esperou o aparelho ligar e rodeou um pouco de um lado para o outro com o banco que estava sentada enquanto esperava. Respirou fundo uma vez e viu todas as notificações de mensagens, ligações e chamadas de vídeo perdidas, feitas provavelmente antes de o aparelho descarregar, aparecer na tela do celular.
, , , seu pai, sua mãe, Alana, Alex, alguns amigos de infância e alguns do colégio, primas, primos, tios, tias e . Todos eles tinham ligado ou mandando mensagens para si.
Ela riu baixo da cara de pau do garoto.
E nem ousou abrir as notificações de todas as suas redes sociais. amava seus fãs, mas, naquele momento, ela não precisava da pena de ninguém. Já bastava a que sentia de si.
Quando abriu seu grupo com as meninas, sorriu de saudades e de amor pelas três garotas que tinham mandado dezenas de mensagens perguntando se alguma delas sabia como estava. E quis abraçar fortemente cada uma delas ao que leu as últimas mensagens e viu que elas a entendiam e que sabiam que ela precisava de seu tempo. sentiu amor quando viu as três últimas mensagens.
“Nós estamos aqui. Sempre estaremos”, “Eu posso matar ele e esconder o corpo, se você quiser” e “Alguns caras não sabem aproveitar o presente que a vida os dá (caso não tenha entendido, você é o presente, .
Ela amava as duas meninas e queria que elas estivessem ali agora.
“Eu amo vocês. Xx” – Ela digitou e enviou no grupo.

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Depois de ter almoçado e colocado as louças sujas no lava-louças, desejou continuar distraindo sua mente e já subias as escadas para o andar de cima quando o interfone tocou. Quando atendeu, seu coração acelerou ao ouvir do segurança que ficava na guarita do condomínio quem estava ali para vê-la.
Sabendo que precisava ter algumas respostas e querendo saber de onde ele tirara tanta coragem em aparecer na sua frente depois de tudo, autorizou a sua entrada.
Menos de dez minutos depois o som da campainha ecoou pela casa. E seu coração parecia bater em sua garganta quando ela abriu a porta e o encarou.
Então, ali estava ele.
E era incrível e ridículo como continuava tão lindo. Enquanto tinha visto olheiras embaixo de seus olhos quando se olhou no espelho pela manhã, o rosto dele estava perfeitamente perfeito do mesmo jeito que estava quando ela o viu pela última vez. E do mesmo jeito que apareceu nas fotos e nos vídeos.
Sentindo a dor aumentar drasticamente e as lágrimas surgirem em seus olhos, deu passagem para que ele entrasse e fechou a porta. Ela demorou alguns segundos para se virar pra ele e o encarar novamente.
É engraçado como a pessoa que quebra seu coração, é o mesmo e único que pode fazer os pedaços baterem de jeito acelerado.
- Me perdoa.
- Por quê?
Ela e ele falaram ao mesmo tempo.
O pedido do garoto pegou de surpresa e a deixou calada enquanto o encarava e tentava ler nos traços de sua expressão se aquilo era algum tipo de brincadeira.
- Eu fui um idiota. – continuou, respirando fundo e mexendo seus pés, suas mãos nos bolsos de sua calça jeans e sua cabeça um pouco de lado. – Um imbecil, na verdade. Eu não pensei, eu não... Me perdoa.
- Você não podia ter feito o que fez... – soltou em um murmuro, e continuou a olhando. – Você...
- Não, eu sei que não podia. Você não mereceu aquele tipo de atitude, eu fui um babaca enquanto você...
- Enquanto eu te amei! – Ela o interrompeu, o tom de sua voz assustando o garoto que nunca tinha visto a menina daquele jeito. – Eu te amei! Porra! Eu te amei!
a encarava enquanto a assistia derramar lágrimas e desistindo de limpá-las de seu rosto em algum momento. Ela estava diferente da última vez que se viram. Seus olhos estavam sem brilho. Sua voz ecoava como a voz de uma criança quando cai e sente dor.
- Eu pensei que fosse recíproco. Por uma questão de segundos, eu pensei que fosse recíproco. Que você me amava de volta. Que tudo que estávamos vivendo tivesse algum significado para você... Que eu significasse algo para você. – continuou e ele deu um passo em sua direção ao vê-la passar suas mãos por todo seu rosto e respirar fundo. – Não. Não se atreva. Não chegue perto de mim. Não toque em mim. – Ela o parou com sua voz trêmula e com sua mão erguida em sua direção. – Eu não mereço passar por isso. Eu não mereço essa dor que parece que nunca vai parar de doer. Eu não mereço me perguntar o que eu fiz para merecer isso e ouvir um “eu fui um idiota” quando você resolve aparecer! Eu não mereço que sintam pena de mim e nem que eu mesma sinta! Eu não merecia ter sido traída assim.
- Eu sinto muito. Me perdoa. – Ele a pediu mais uma vez, e ela o observou procurando algo no rosto do menino que, agora, parecia perdido pela primeira vez desde que aceitou a sua chegada em sua vida.
parecia alguém que entrara em uma festa sem ser convidado, um penetra. Um penetra que vinha, fazia sua palhaçada para se entrosar com os convidados, comia, bebia e até aparecia em algumas fotos com o aniversariante, mas, sempre sendo um penetra. Um alguém que não fora convidado e que no final de tudo tinha aparecido por ali e que logo iria embora sem deixar algum sinal.
entendeu. Naquele momento, o encarando parado no meio da sua sala e sentindo toda aquela dor que ele a causara. Ela entendeu que havia sido um penetra em sua vida. Ele chegou em sua vida, a fez se sentir bem com ele e consigo mesma. A fez sorrir e rir, a acalmou em diversos momentos, fez com que ela se sentisse amada e a escutou sempre que foi preciso. Ele estava na maioria do espaço da sua galeria de fotos no celular, ele teve seu apoio e sua atenção sempre desde que se conheceram. Mas, agora, precisava sair. precisava deixar a vida de após traí-la do mesmo jeito que um penetra deixa uma festa após roubar alguns salgadinhos.
Sua vida não tinha mais algum espaço que coubesse . Ele precisava ir embora.
- Eu também sinto muito. – Ela disse. – Acredite em mim, eu sinto muito, . Mas, isso uma hora vai passar. O bom da dor é que ela vem, mas uma hora, ela vai. Assim como algumas pessoas em nossas vidas; elas vêm nos ensinam algo e se vão.
- ...
- Eu não quero mais te ver. – Ela o interrompeu novamente e começou a tirar o anel de seu dedo. – Eu não quero mais falar com você. Acabou. Quero dizer, acabou pra mim porque pra você eu não sei nem se um dia começou. Não sei como acontece aí dentro de pessoas como você. Eu não me envergonho de estar sofrendo agora, isso quer dizer que eu sinto alguma coisa. Que tenho coração, sentimentos... Sabe? Você sabe ao menos o que é isso? Aqui, isso é seu. – estendeu o anel na direção do garoto e se virou de costas para ele assim que sua mão alcançou o objeto. Ela foi até a porta, girou a maçaneta e deixou a saída livre. – Eu quero dizer que, eu não me arrependo de ter te amado. De ter vivido tudo que vivi ao seu lado e nem de ter dedicado o meu tempo a você. Eu pensei que você fosse o cara certo, mas, a vida é feito de erros, certo? De cada erro tiramos uma lição e tudo bem. Semana que vem irei pedir para Alex buscar minhas coisas na sua casa. Se preferir outro dia, entre em contato com ele e acerte isso.
- Você não vai me ouvir? – Ele a perguntou, parado ao seu lado quase no batente da porta e fora de sua casa.
- Já ouvi e vi o suficiente. Adeus, .
Demorou alguns segundos para que o garoto passasse pela porta, a permitindo fechar a mesma e se sentar encostada na madeira.
Aquilo doía mais do que imaginava ser capaz.
Seu coração latejava, suas mãos tremiam, suas lágrimas voltaram a cair de seus olhos e seu corpo estava encolhido ao que ela abraçada suas pernas e apoiava sua testa em seus joelhos.
Isso vai passar. Vai passar. Essa dor vai parar. Isso vai passar.
Esse foi o mantra que repetia em sua mente por todos os outros dias de sua semana de folga. E nos próximos dias dos próximos meses também.

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O backstage do show daquela noite estava agitado. Muito mais agitado que o normal. Seria o último show da turnê que durou meses e meses. Enfim, o último show.
E enquanto todo mundo corria de um lado para o outro para fazer seu trabalho da melhor forma, estava sentada na cadeira em frente a penteadeira, bebendo água pelo canudo de sua garrafa e tendo seu cabelo alisado por que contava com o auxilio de uma prancha. A cantora vestia um roupão rosa claro e um conjunto de lingerie por baixo, tinha fones em seus ouvidos e assistia a um episódio de seu desenho animado preferido na internet.
usava a animação e graça do desenho para distraí-la da responsabilidade que era apresentar seu último show daquela turnê.
Depois de deixar o cabelo de completamente liso, se encarregou de fazer a maquiagem leve no rosto da menina que ficou quieta, pela primeira vez, para que base, pó, corretivo e todo o resto fossem aplicados em sua pele. Quando teve a maquiagem e cabelo finalizados, Edward foi até e que a ajudou no figurino.

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- Eu quero agradecê-los. – começou e sorriu sentindo vontade de chorar, mas sabendo que não poderia, pois iria estragar a maquiagem que lhe faz e não teria tempo de retocá-la porque estava a pouquíssimos minutos de subir no palco. – Obrigada pela turnê maravilhosa. Por todas as noites de sono mal dormidas, pelo empenho e esforço em tornar meus sonhos realidades. Obrigada por me entenderem e cuidarem de mim. Por me abraçarem tanto fisicamente quanto emocionalmente. Eu realmente não sei o que teria sido de mim sem vocês, principalmente, nos últimos dois meses. Foi difícil, mas, eu sei que se estou aqui hoje, bem do jeito que estou, é porque tenho pessoas maravilhosas como vocês ao meu redor. Muito obrigada. E saibam que jamais existiria sem cada um de vocês.
Todos se abraçaram em um grande circulo, e foi impossível que algumas lágrimas não fossem derramadas.

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O show estava sendo maravilhoso. E era imensamente emocionante para estar em cima daquele palco, recebendo aquela quantidade grandiosa de amor no último show de sua turnê que com certeza não seria a última. Era boa a sensação de se esforçar um pouco nas beiradas do palco e conseguir passar as pontas de seus dedos nas mãos de seus fãs. Era gostoso ver tanto sorrisos em sua direção. Era acolhedor ler alguns “eu te amo” em alguns lábios. Seus fãs eram os melhore do mundo e brigaria com unhas e dentes com quem quer que fosse que se atrevesse a dizer o contrário.
Faltava uma música para o fim quando fez a sua troca de roupa. Ela não poderia se apresentar com a roupa que estava, aquela canção pedia um novo figurino.
Depois de ter vestido a nova peça de roupa que e trabalharam uma semana para que os detalhes ficassem do jeito que descreveu, ela esperou mudar seu penteado partindo seu cabelo em duas partes e colocando a parte de cima para trás, alguns cachos largos foram feitos nas pontas dos fios.
trocou de sandálias e andou apressada, porém com cuidado, para o palco novamente. Teve que andar com ainda mais cuidado enquanto ia até um ponto da metade do palco que era onde estava seu microfone.
Seus fãs gritaram loucamente quando viram uma luz branca ir para cima da garota e mostra-la ali.
Não havia uma pessoa naquela arena que pudesse dizer que não estava linda naquele vestido longo. O tom dourado claro do tecido leve que tinha uma fenda que deixava a perna esquerda da menina à mostra, as alças finas e o corte delicado do decote que não ultrapassava a linha dos seios e a leve marcação na cintura a deixava com um ar de princesa.
sorria diante de toda aquela gritaria, e até se sentia um pouco envergonhada diante de toda aquela atenção extra.
- Bom, antes de tudo eu quero agradecê-los por estarem aqui. Por sempre estarem aqui. – Ela começou tendo que parar diante da gritaria que aquecia seu coração. – Eu tenho algumas coisas para dizer e precisaria que vocês me ouvissem, tudo bem? Serei breve, eu prometo.
A platéia gritou mais um pouco e usou esse momento para admira-los e se sentir a garota mais amada do mundo.
- Essa turnê foi maravilhosa e eu estou realmente triste por estarmos no último show. Porém, também estou muito feliz por todos os outros que aconteceram e por todo o caminho que percorremos até aqui. – Ela respirou fundo e sorriu nervosa sentindo que a qualquer momento começaria a chorar. – Devo começar a chorar daqui a pouco e quero pedi-los desculpas por minha voz que provavelmente irá falhar em algum momento. – Seus fãs riram e gritaram, e ela também riu de si. – Eu sou muito grata por tê-los comigo. Vocês tornam tudo muito mais fácil, obrigada. Bem... Antes de apresentar essa música que preparei para vocês, eu quero pedir uma coisa: se amem. Por favor. Se amem muito e não deixem que ninguém seja o responsável pelo amor que você mesmo deve ter consigo. Nunca sintam medo de tentar, mas saibam a hora de tirar alguém da sua vida. Se uma pessoa te fez mal, se ela te fez chorar e se perguntar se o erro foi seu, quando não foi, não a deixe permanecer. Não tenham em mente que você vai conseguir mudar alguém porque isso não existe. Ninguém muda por ninguém. As pessoas são o que são, e é apenas isso. Seja sempre verdadeiro com você mesmo. Com seus sentimentos, pensamentos e sonhos. Tenham sempre em mente e no coração de vocês, que tudo acontece por algum motivo. As pessoas e as coisas chegam e vão de nossas vidas por alguma razão. Acontecimentos nos ensinam e nos deixam mais fortes. E nunca, nem por um momento, sintam vergonha de suas lágrimas. Afinal, é depois da tempestade que vem o arco-íris, certo? Eu amo vocês e espero que continuem comigo porque eu vou continuar com vocês. Espero também que gostem dessa música da mesma forma que eu gosto dela. E saibam, sempre, a hora de dizer acabou. Alguns finais não merecem ser adiados.
A luz que focava em continuou a iluminando no momento em que no telão atrás de si começou a passar imagens de um céu bem azul com nuvens branquinhas.
A platéia gritava de expectativa e animação. E ela esperou até o momento que achou ser o certo.
apoiou suas duas mãos no microfone, fechou seus olhos por alguns segundos, suspirou e começou a cantar a música que compôs em uma madrugada que estava sem sono e que precisava tirar de si todo o acumulo que tinha guardado.

I can’t keep breaking up with you... (não posso continuar terminando com você)
You messed with my heart, babe (você mexeu com o meu coração, amor)
Now it’s Black and blue (agora ele está quebrado e ferido)
But love isn’t fair, So I swear (o amor não é justo, então eu juro)
That this time this is the end (que desta vez, esse é o fim)
And I can’t keep lying (e eu não posso continuar mentindo)
Lying to myself, oh (mentindo para mim mesma, oh)
Thinking that love me right (pensei que você me amaria direito)
But you never will (mas você nunca irá amar)
It’s too much to bear, so I swear (é demais para suportar, então eu juro)
That this timet this is the end (que desta vez, esse é o fim)
Said I’m gonna leave (Oh, disse que vou te deixar)
But I’m never leaving (mas, eu nunca deixo)
Now I know that I really don’t need you (agora eu sei que eu realmente não preciso de você)
Had your fun (teve sua diversão)
Now the party is done (agora a festa acabou)
And you beg on the floor as I walk out the door (e você implora no chão)
Boy, we’re through (garoto, nós terminamos)
All the tears I cried (todas as lágrimas que eu chorei...)
All the lonely nights (todas as noites solitária)
Boy, I lost my mind but now I’m sure (garoto, eu perdi a minha cabeça, mas agora eu tenho certeza)
(I’m sure, I’m sure, I’m sure...) (Eu tenho certeza, eu tenho certeza, eu tenho certeza...)
You can say all you want (você pode dizer tudo que você quiser)
But love isn’t here anymore (mas o amor não está mais aqui)
And I won’t be missing, missing you (e eu não vou sentir a sua falta, sua falta)
And no one can love you, the way I used to do (e ninguém vai te amar do jeito que eu amei)
But love isn’t fair (mas o amor não é justo)
And I swear (e eu juro)
That this time... This is the end... Oh whoa... (que desta vez... esse é o fim... oh)
I promise baby... (eu prometo, amor)
You know it’s the end, oh yeah (você sabe que é o fim, oh sim)
This is the end. (este é o fim)


Quando abriu os olhos após a última frase da música, ela sentiu uma leveza tão grande e profunda que jurava estar flutuando pelo palco.
Todos os presentes naquele lugar a aplaudia e gritavam seu nome. Ela era ovacionada por todos. E já sentia lágrimas escorrendo por suas bochechas.
Então, era aquilo.
O fim tinha finamente chegado.
Terminar a turnê era triste, mas terminar um sentimento dentro de si que lhe causara tanta dor, era animador.
Depois de noites sem dor, litros de lágrimas derramados, carinhos, olhares de pena e colos recebidos, tudo estava bem afinal.
Era impossível dizer que ela tinha esquecido completamente de e de tudo que viveram. Mas, era possível dizer que havia entendido que algumas pessoas não chegam em nossas vidas pra ficar para sempre. Algumas delas chegam, nos ensinam algo e vão embora. Tão rápido, tão forte e tão barulhento quanto um raio.
E mesmo tendo sentido toda aquela dor, desespero e vontade de gritar, se recusava a desistir do amor.
Se não foi com que tudo deu certo, seria com outra pessoa. Não importa o tempo que isso fosse levar, a pessoa certa iria chegar em sua vida.
E ela estaria pronta para viver o que fosse com essa nova pessoa.
E mal podia esperar para saber o motivo que traria a próxima pessoa para sua vida.
Porque você sabe... Nada acontece por acaso. Ninguém entra em nossa vida sem motivo.
Tudo tem um por que.

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O que não sabia é que entre aquela multidão de fãs que lotavam a arena de Miami, tinha alguém que estava parado em um lugar na área vip do lugar.
Ele estava ali. Usando um boné que cobria parte de seu rosto, calça jeans, blusa de mangas compridas de tom escuro e um par de tênis brancos. Ele estava ali.
Ele que pediu que um membro de sua equipe comprasse o ingresso para si e não teve problemas em adentrar a arena, pois o ingresso não era nominal. Ele que estava o tempo todo agindo de forma quieta para que não o descobrissem ali.
Ele que depois de ouvir a nova canção da menina, não se importava mais com o fato de ter sido ou não reconhecido.
Ele sentia orgulho da grande artista que era. Da linda voz que ela possuía e de como a música ficou perfeitamente linda cantada sem instrumento, apenas na acapella.
Ele sentia orgulho dela, e raiva de si.
Aquela música e todo aquele discurso antes da canção o deixaram entender de uma vez por todas que não havia mais chances para eles dois.
Ele que a amou. Mas, infelizmente percebeu este sentimento após ter feito sexo com uma mulher que nem lembrava o nome. Ele pensou em quando olhou para a mulher deitada ao seu lado na cama e se arrependeu no mesmo segundo. Ele não poderia ter feito o que fez. Ele nunca se perdoaria por aquela atitude. Por aquela burrice. A mulher não tinha o cheiro, o tom de voz, o toque, a risada ou o sorriso de . E seus olhos que se abriram e o fitaram eram tão sem brilhos, tão escuros, que ele quis sair correndo dali para ir até e olha-la novamente. Apenas para ver aquele brilho em suas iris.
Ele a perdeu por um erro que cometeu segundos antes de perceber que a amava. De perceber que o que ele sentia por ela não era um simples gostar. Era amor.
E ainda era.
Ele ainda a amava.
E enquanto a observava se despedir de vez de seus fãs para sair do palco do último show de sua turnê.
Ele desejou não ter sido burro o suficiente.
sabia que se ele não tivesse feito o que fez, ainda estaria com ela. Ainda teria seus lábios, corpo, voz, sorriso e risada. Ele ainda poderia olhar nos olhos de e enxergaria aquele brilho que iluminava tudo a sua volta.
O problema é que já tinha errado e já havia a perdido.
Agora, restava a ele aceitar o fim deles dois.



Fim.



Nota da autora: Eu nem acredito que saiu, but, SAIU!!!!! Espero que tenham gostado e absorvido algumas coisas, yey? (principalmente, os discursos da pp). Quero agradecer a Mayh que me chamou para fazer isso em um momento onde eu estava bloqueada de todos os jeitos na escrita. Obrigada, Mayh, por sem saber, me acender uma forte luz no fim do túnel. Tu é vrau!
Enfim, é isso!
Com muito amor, Jozi.
E, até a próxima <3.

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Minhas outras fics:
Cause You’re the Only One – One Direction/Em Andamento
Meeting – Cause You’re the Only One – One Direction/Finalizada




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