CAPÍTULO: [Único]









Capítulo Único


Bullying é um anglicismo utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos, causando dor e angústia e sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder.1 O bullying é um problema mundial, sendo que a agressão física ou moral repetitiva deixa marcas para o resto da vida na pessoa atingida.



“Ser gorda em uma sociedade magra infelizmente é o motivo que pessoas usam e fazem para que uma garota se sinta uma piada pronta. Na verdade, você é apenas mais uma no meio de tantas outras que sofrem pelo mesmo motivo: A ditadura da beleza. Onde dizem que você só é feliz quando é igual a todas. Não existe um problema em você, e, sim, na cabeça de todas essas pessoas que acham que tem o direito de inferiorizar alguém pelo seu peso ou por não ser igual. Não escute o que essas pessoas sujas dizem porque tudo que sair de suas bocas serão imundices que não vão acrescentar nada positivo em sua vida.” – Mayara Braga

“This is a story that I've never told
I gotta get this off my chest to let it go
I need to take back the light inside you stole
You're a criminal
And you steal like you're a pro
All the pain and the truth I wear like a battle wound
So ashamed so confused
I was broken and bruised”


ALGUNS ANOS ATRÁS…


Lágrimas rolam sem parar. A sensação de ser uma piada pronta é horrível… Pior de tudo é ser humilhada por não ter o corpo perfeito diante dos olhos dessa sociedade suja. Quantas meninas não passam pelo mesmo drama que eu? Como se já não fosse difícil ter que lidar com o nosso corpo ainda vem a sociedade com seu preconceito, com essas piadas.
Não aguento mais um único dia nessa escola, com todas essas pessoas. Ninguém pergunta como você se sente em relação a tudo, ninguém tenta descobrir porque você está assim ou, então, em como sua vida está uma porcaria e eles colaboram pra piorar o que já é ruim.
E no final do dia escondida atrás da última prateleira da biblioteca porque ali pude chorar e não dar mais um motivo para ser a piada, o alvo fácil de ser atingido.

— Não deve chorar tanto. — A voz rouca chama minha atenção e enxugo de pressa as lágrimas.
Merda!
— Diz isso porque a sua vida é maravilhosa, não essa porcaria que a minha é.
— É exatamente isso que todos querem quando…
— Me humilham? Tacam as coisas em mim? Fazem montagens escrotas e colam pela escola toda? Ou então…
— Calma, garotinha. — Ele sorri e mostra seus dentes perfeitos e brancos.
— Sou uma piada pronta, não é isso que todos dizem?
— É isso que eles querem fazer com que acredite, mas sabe que não é isso.

Por que conversamos? Justamente com o capitão do time de futebol que pertence ao grupinho dos “vamos zoar ”? Com certeza, ele vai correr e contar pra eles que choro e me escondo na biblioteca.
Merda!
— Detenção. — Ele chama minha atenção e noto um espanador em sua mão. — Dirigir em alta velocidade em área escolar… Durante um mês vou visitar a biblioteca depois das aulas. — Ele sorri.
— Vai ser o recorde de dentro de uma biblioteca. — Deixo escapar e ele sorri.
— Você tem razão, garotinha.
— Para de me chamar assim. — Rosno e novamente ele sorri.
Esse cara tem sérios problemas porque tudo ele ri.
— Então como devo chamá-la?
— Estudamos juntos desde o maternal e você não sabe meu nome? — Franzo o cenho e sacudo a cabeça negativamente.
Recolho meus livros, caminho e me afasto, mas sua voz me chama atenção.
! — Sua voz rouca e firme se faz presente. — Por algum motivo acho engraçado vê-la irritada, então…
— Você é um idiota! — Franzo o cenho.
— Até amanhã?
— Como assim?
— É pra cá que você vem quando os outros lhe chateiam e durante um mês é pra cá que vou vir cumprir minha detenção.
Novamente ele sorri, sacudo a cabeça negativamente e marcho em direção a saída.


- - * - -


atrasou e, com certeza, fez de propósito. O que eu pensei quando aceitei esse convite? Na certa quis zoar comigo.
Seguro firme os ingressos do cinema e caminho em direção a lixeira, afinal não tem sentido guardar os ingressos de um filme que nem vou assistir.
— Precisamos dos ingressos para assistir ao filme, garotinha. — Sua voz rouca se faz presente e meu mundo para ao analisá-lo com calma e cuidado.
Seu cabelo levemente bagunçado, o mesmo sorriso cretino nos lábios, jeans surrados… Esqueço o que é respirar por alguns segundos e ele percebe porque logo sua risada me chama a atenção e coro.
Ótimo, !
— Canso de dizer que não gosto quando me chama assim. — Rosno, ele sorri e pega os ingressos da minha mão.
— Não canso de dizer que gosto de te irritar. — Provoca.
— Vamos antes que mude de ideia?
— Primeiro as damas. — Ele sorri e libera o caminho.
— Obrigada, cavalheiro, pela gentiliza. Ah, não posso esquecer de agradecer pelo atraso de quase quarenta minutos.
— Quer me ver tanto assim, ?
— Ah, , vai comprar pipoca e para de encher meu saco.
— Não muda de assunto, garotinha. — Provoca.
— Para de me chamar assim.
— Pra você parar de ficar irritadinha comigo? Nunca! — Ele sorri e caminha em direção a fila da pipoca.

Foi a estreia de “Marley e eu” e tentou trocar os ingressos por um filme de ação, mas esperei por aquele filme muitos meses e não mudei de ideia. Ele se rendeu e aceitou e tive certeza que não se arrependeu porque o filme mesclou o humor com muitas coisas emocionantes.
O filme terminou e tentei me recuperar do rio que desceu dos meus olhos e algumas pessoas olharam e outras riram.
— É só um filme, . — sorriu.
— Não, ... — lágrimas rolaram pelos meus olhos — o Marley é um membro importante da família e tem noção o quanto aquilo afetou a todos?
Seus braços envolveram meu corpo e suas mãos afagaram meus cabelos. Seu perfume, seu corpo tão próximo, meu coração bateu acelerado e o choque dos seus lábios esmagados contra os meus. Sua língua circulou pela minha boca e deu início a uma sincronia perfeita. Minhas mãos afagaram seus cabelos e as suas seguraram firmes em minha cintura. O chocar das nossas bocas, a sincronia das nossas línguas foi tudo perfeito.


- - ** - -


O hipertireoidismo é um problema no qual a glândula da tireoide produz hormônios em excesso.



Quando a detenção do acabou fiquei com muito medo dos nossos encontros ter um fim, mas ele me surpreendeu e me encontrou todos os dias no mesmo lugar, na mesma hora… E ai eu me apaixonei.
Checo pela última vez meu vestido e meus cabelos e me sinto feliz comigo diante do espelho. faz com que me sinta feliz por ser do jeito que eu sou e ele não se importa com quantos dígitos tenho na balança ou qualquer coisa que incomoda tanto as pessoas que me maltrata.
Desço a escada e encontro no sofá e ele conversa com meus pais. Olho de longe por alguns segundos antes de ser notada. Um sorriso lindo se forma nos lábios dele e retribuo com um sorriso frequente nas últimas semanas.
— Você está linda, ou melhor, é linda. — sorri e deposita um beijo em minha bochecha.
— Você não está nada mal. — Sorri e selo nossos lábios.
— Tudo bem, garoto. — Meu pai sorri quando nota , deixando transparecer que está nervoso pelo meu selinho inesperado. — Só não faz a minha garotinha chorar que aí sou obrigado a fazê-lo conhecer o inferno.
— Pai! — Sorri.
— Ele está certo, linda. Apenas cuida da sua menininha.
— Um garoto, inteligente. — Meu pai sorri.
, leve — minha mãe entrega um buquê em minhas mãos. — A senhora deve gostar de flores.
— Ela ama, senhora . — sorri e entrelaça nossas mãos.
O caminho até a casa de foi divertido, cantamos um dos sucessos do The Fray e foi maravilhoso descobrir que assim como eu ele curte a banda e até combinamos de ir ao próximo show deles. E pouco a pouco fui descobrindo um diferente de tudo que pensei ser.
abriu a porta do carro e me ajudou a sair. Segurei o buquê com uma das mãos e a outra entrelaçada com a mão dele. Trocamos um sorriso que significou tudo pra mim e adentramos sua casa.
— Mãe, pai. — chamou pelos pais que logo adentraram a sala de visitas. Julgar pelo sorriso doce da senhora , me senti acolhida e o medo de ser rejeitada foi embora. — Essa é a .
— A famosa ? — Senhor sorriu. — Um prazer tê-la conosco.
— Famosa? — Sorri.
— Talvez porque nas últimas semanas comentei um pouco sobre você. — sorriu de uma forma tão adorável que quis beijá-lo naquele momento, mas não fiz. Respeitei seus pais ao nosso lado.
— Obrigada pelo convite, senhor e senhora . — Sorri e entreguei o buquê para a mãe de . — Ideia da minha mãe.
— Amo flores. E sinta-se convidada para me ajudar com o meu jardim qualquer dia.
— Amo jardins. — Sorri.
— Querida, sem formalidades. Que tal começar a chamar pelos nossos nomes? — Senhor sorriu. — Sou o Bill.
— E eu sou a Anne.
— Tudo bem. — Sorri.
Ajudei Anne a colocar o jantar na enorme mesa já arrumada e em seguida nos sentamos todos na mesa e nos servimos.
Os pais de são pessoas incríveis e Bill sempre solta uma piadinha mesmo que pra irritar Anne. O irmão gêmeo de não está em casa porque, diferente do irmão, gosta de estudar e sempre o vejo em projetos, aulas extras. é o oposto de .
Uma comida caseira e pessoas divertidas tornaram a refeição maravilhosa.
, como ficaram bonitinhos vestidos de super-homem. — Anne contou a história de uma festa fantasia que levou os garotos quando ainda crianças.
— Por que gostar de vestir gêmeos iguais? — questionou, arrancando risadas de todos. — Todas as vezes que olhei pro foi como ver meu reflexo no espelho.
— Amor, mas a graça de ser gêmeo e vestir roupinhas iguais. — Brinquei.
— Só não vou me chatear por uma coisa.
— Por quê?
— Me chamou de amor. — Um sorriso doce estampou seu rosto.
— Chamei? — corei e ele assentiu. — Mas você é, certo?
— Sim. E você é o meu amor. — Beijou minha bochecha e sorriu.

Uma torta de chocolate é a escolha de sobremesa e preciso dizer que a Anne cozinha muito bem. E uma conversa gostosa se iniciou e compartilhamos momentos de nossas vidas e experiências. E me sinto em casa como quem se conhece a vida inteira.
— Querido, mostra a casa pra ela. — Anne sorri e assente.
O quintal é enorme e tem uma piscina enorme que me faz jurar um dia vir passar o dia com ele, mas o que me chama atenção é o jardim da senhora . Tão lindo, tão bem cuidado e me encanto por completo.
— É tão lindo. — Digo, e sinto as mãos de em minha cintura, ele apoia sua cabeça em meu ombro.
— Minha mãe ama flores e se diverte, se acalma quando cuida das suas flores. — sorri.
— Quem olhar pra esse jardim vai perceber o quanto sua mãe ama flores porque é tudo tão perfeito e ele exala amor, carinho, dedicação.
— E os meus pais, linda?
— Amei conhecê-los, são pessoas maravilhosas.
— Os seus também são. Adoro aquele papo do seu pai sobre me fazer conhecer o inferno. — caímos em uma risada coletiva.
Nos sentamos em uma enorme poltrona na varanda da casa de , deito, me apoio em seu peitoral e sinto suas mãos percorrerem meus cabelos. Ora ou outra, nossos lábios se chocam e não troco esse momento por nada.

, o que aconteceu pra se afastar de todos? — me olha com calma. — Desculpe, fui intrometido demais e…
— Na quinta série minha menstruação ficou sem vir dois meses seguidos e aí comecei a perder muito cabelo, sabe? Ao ponto de acordar e perceber uma quantidade considerável na fronha, ao pentear. Mas aí começou aquela história de “ah, não é nada”; “é normal acontecer isso”. Mas não foi normal…

— E aí começou o ganho de peso em excesso, tremor nos dedos e nas mãos, mudanças no humor de feliz pra raiva em segundos. Não me reconheci, . E pressenti algo prestes a ser descoberto e eu senti que não seria nem um pouco fácil.
— Você se afastou, ficou sentada sem falar com ninguém e depois alguns dias sem aparecer nas aulas.
— Passei noites com muitas dificuldades pra dormir, as faltas de ar constantes e senti fraqueza e aí… — o choro contido se fez presente — meus pais, preocupados, me levaram no médico e minha mãe disse: “Apenas uma anemia e tudo vai ficar bem, querida.” E quando contamos a médica todos os sintomas, ela me levou para uma sala de exames e pensei ser um simples exame de sangue, mas os resultados revelaram as taxas de hormônio no meu sangue…
— Linda, se não quiser contar tudo, sem problemas. — me abraça forte. E quem eu quis enganar? Precisei me libertar disso e aceitar o que aconteceu. Descobri fazer parte dos 15% afetados por esse mal, por essa doença.
— Fui diagnóstica com Hipertireoidismo. Resumindo: produzo hormônios em excesso e a partir daquele dia tive que me cuidar, passei a acompanhar de perto porque é uma doença que requer muitos cuidados. E comecei a tomar uma droga chamada metimazol que, segundo a minha médica, é a mais indicada para meu tratamento. E foi assim que ela diminuiu a quantidade de hormônios.
… — afaga meus cabelos. — Mas você conseguiu se curar?
, é uma doença sem cura, que vou carregar comigo pra sempre. Desenvolvi muitas coisas devido a doença: minha frequência cardíaca é acelerada, mas graças a Deus aprendi a conviver com a doença.
Lágrimas rolam pelo meu rosto porque tocar naquele assunto é muito complicado pelas consequências de uma alteração hormonal na minha vida toda, no passado e no presente.
— O que houve, linda? — Sinto o tom preocupado na voz de .
— Foi difícil encarar o espelho e perceber que meu corpo teve mudanças, meu peso aumentou e foi muito complicado aceitar que engordei no início da adolescência. E começaram as rejeições com meu corpo, com a confusão na minha cabeça devido as piadas de mau gosto só fez tudo piorar. Muitos dias a comida não desceu ou não consegui sentir cheiro de qualquer alimento porque todas as vezes que olhei para qualquer tipo de comida lembrei que falaram que ela foi a culpada por estar assim, mas não foi, . Eu tive um problema. E o que todos fizeram por todos os anos? Pisar, maltratar, humilhar, mas nunca ninguém perguntou porque tudo isso aconteceu, ninguém se preocupou com a garotinha triste que se isolou do mundo. Doeu, mas aprendi que o mundo não parou pelo meu sofrimento…
me abraça forte e o aperto contra meu corpo. Deixo as lágrimas rolarem, finalmente libertando-as de uma vez por todas.

— Eu estou com você. — Diz, firme. — Nunca mais alguém vai tirar esse seu sorriso lindo porque você é um exemplo, você é uma guerreira.
Toma minha boca em um beijo doce. Sua boca explora a minha com calma e aquilo parece um sonho de tão maravilhoso.
É real, talvez não vá durar pra sempre, mas, por ora, é meu, e sou sua. Se quiser ir embora vou deixar. Mas eu o amo mais que tudo e isso é algo que nunca vai mudar.


- - ** - -


As semanas passaram e cada vez me aproximei ainda mais de e sua família. Jantares, idas a casa de fim de semana da família e em uma dessas viagens minha irmã, , foi com a gente e o inesperado aconteceu: a encontrei aos beijos com , meu cunhado, irmão gêmeo de , na cozinha, mas fingi que não vi nada e voltei pro meu quarto, rindo da cena.
Bom… para comemorar nosso aniversário de namoro, decidiu me trazer pro parque que chegou na cidade e fazia tanto tempo sem ir em um que senti a diversão garantida.

, você quer pipoca doce ou salgada? — Pergunto sem olhar pra trás.
— Quero…
? — Ouço a voz de Anabele e as risadas já conhecidas por mim.
— Anabele! — Encaro totalmente sem jeito e envergonhado(?).
Não sei porque, mas algo em mim sente uma pontada de dor.
, você quer doce ou salgada?
— Cair tanto o nível pra que, ? — Anabele debocha e meu namorado permanece calado. — Porra, ! ? Castigo ou promessa?
me olha e diz crueldades seguidas por crueldades.
— Minha vida anda parada, então brincar com a gorda traz algum tipo de agito. — debocha e não o reconheço.
— E a virgindade? — Anabele debocha.
… — praticamente imploro.
— Não faço nada pela metade, gata. — E ele tem um sorriso cínico em seus lábios.
... — o chamo e ele não olha.
— Gorda, ele dá uns beijos, aproveita e te come... O que quer mais? Agora você pode voltar pra sua vida mais ou menos.
— O que temos não é real? Porque sinto que é. — grito e ele paralisa.
Alguns segundos e ele, enfim, toma coragem e vira para me encarar.
— O que a gente tem? Garotinha, não temos nada porque é apenas diversão. Fazer a gorda achar que alguém quer estar com ela.... Agora volta pra sua vida.
— Você está mentindo, eu sei que está. — choro sem me importar.
, você precisa parar de acreditar em tudo que ouve porque senão…
— Você é um babaca, um imbecil e eu te odeio muito. Você não merece o amor de ninguém, você é sujo, . E agora prefiro beijar uma lixeira do que beijar você, imbecil.
Taco as pipocas em cima dele e corro o mais rápido que eu posso, desesperada, choro e sinto cada centímetro do meu corpo doer, minha alma está machucada, meus sentimentos pisados, minha vida bagunçada, a verdade vira mentira.
Não que antes não doeu ser pisada por aquelas pessoas, mas dessa vez foi diferente porque foi ele, o cara que eu me apaixonei que me humilhou. E superar? Nunca.
Ando sem pressa, deixo as lágrimas rolarem pelo meu rosto e coloco pra fora toda a minha dor ou parte dela já que vai demorar muito tempo para cicatrizar essa ferida.
. — sorri, simpático.
— Eu e o vamos ao cinema, não quer ver se o quer vir…
— Hoje não, . — Minha voz está fraca e minha irmã me olha com calma.
— Você está chorando? O que há de errado?

Um silêncio se faz presente e lágrimas começam a rolar pelo meu rosto enquanto recordo os acontecimentos da noite. Sinto os braços da minha irmã envolver os meus e ela sussurra: “vai ficar tudo bem, .” “Estou com você pra sempre”. Mas hoje tudo que preciso é ficar comigo, sozinha e chorar o tempo que for preciso.
— Bom cinema pra vocês. — Forço um sorriso. — , cuida da minha irmã, por favor, ela não merece sofrer.
— Vou cuidar, . — sorri. — E eu sinto muito pelo meu irmão ser esse babaca.
— Eu também sinto muito. — Subo as escadas o mais rápido possível.
Tranco a porta e eu choro por horas arrastadas por horas. Lembro de tudo que devo esquecer.
Então isso é amar? Se ver desesperada quando é decepcionada?
Eu não quero amar nunca mais.



“Now I'm a warrior, now I've got thicker skin
I'm a warrior, I'm stronger than I've ever been
And my armour is made of steel, you can't get in
I'm a warrior
And you can never hurt me again”


DIAS ATUAIS…


Coloco meus fones de ouvidos, fecho os olhos e me preparo emocionalmente para voltar a Liverpool, depois de fugir por muitos anos desse lugar e por consequência os piores anos e humilhações de toda a minha vida. Um belo dia, minha irmã me liga e vem com o papo: , vem para Liverpool, tenho novidades e não aceito contar por facetime ou por telefone.” E depois de quase duas horas tentando me convencer, ela e conseguem e aceito ir visitá-los. Sim, minha irmã ainda está com meu ex-cunhado e agora moram juntos. E eu torço pra não ser mais uma das incontáveis tentativas falhas em me fazer conversar com .
E, por ironia do momento, “Always In My Head” do Coldplay começa a tocar no meu ipod e começo a rir sozinha. O medo volta para me assustar porque há tanto tempo meus sentimentos estão adormecidos, e eu sei que basta vê-lo para tudo voltar, mas dessa vez é diferente e que se foda esses sentimentos.
faz parte do seu passado. E agora você é uma mulher madura, independente e não existe mais nada daquela garota de alguns anos.
Fugi para os Estados Unidos com a desculpa de querer passar mais tempo com minha avó materna quando, na verdade, tive meu coração destruído aos dezesseis anos e não quis encarar todas aquelas pessoas.
Às 02:00 p.m., com uma pontualidade que sinto falta por morar nos Estados Unidos, o avião pousa no John Lennon Airport e seguro firme minha bagagem de mão, respiro fundo e me preparo para os próximos dias.
! — Ouço o grito da minha irmã que corre ao meu encontro.
Quando seus braços envolvem meu corpo percebo o quanto sinto a falta dela. Não nós vemos desde o natal passado, em uma rápida passagem pelos Estados Unidos junto de em uma visita super agradável.
— Que saudade! — deixo escapar e a abraço ainda mais forte.
— Eu sinto tanto sua falta. — sorri.
— Não acredito que não ganho nem um abraço. — brinca e o abraço forte.
é um cara maravilhoso e cuida da minha irmã e a faz muito feliz.
Não entendo porque ele foi o gêmeo que ninguém quis ficar perto quando, na verdade, ele é um cara que vale a pena ser amigo, estar sempre junto.
— Nunca, cunhadinho. — Uma risada escapou.

Enquanto caminhamos em direção ao estacionamento, escuto minha irmã contar detalhadamente todas as novidades dos nossos conhecidos e depois jura de pé junto “não sou fofoqueira” e imagine se não. empurra meu carrinho e minha irmã continua contando sobre tudo e todos. “Georgia terminou com o noivo”; “Anabele foi presa por se envolver com drogas” e é muita informação, mas a de Anabele não me surpreende. Porém esqueço o que é respirar quando encaro o homem alto e com os cabelos emaranhados… Mesmo de cabeça baixa não tem como não o reconhecer.
!
Olhei feio para , que sussurrou: “ele que quis vir”. Passei por sem ao menos olhar pra ele e quando coloquei a mão na maçaneta da porta, sua voz me chamou a atenção.
! — Sua voz continuou rouca, mas eu não senti nada.
Pelo menos é nisso que quis acreditar, pelo menos enquanto estiver em Liverpool. O ignorei e entrei no carro sem sequer olhar pra trás. O escutei bufar, a porta do outro lado foi aberta e jogou seu corpo ao meu lado.
Eu não sei o que quer com trazê-lo ou ele pedir pra vir junto, mas de uma coisa eu sei: surpresas desagradáveis eu dispenso.
A viagem até a casa dos meus pais, onde vou ficar, demora mais que o normal. Passamos pela Catedral Metropolitana de Liverpool e admiro a beleza do local que considero um dos melhores e mais bonitos lugares de Liverpool. E quase meia hora depois o carro de estaciona em frente à casa dos meus pais e, acompanhada por , adentro a casa e sou recebida com uma festa surpresa com meus familiares que há muito tempo não vejo.
— Minha princesa em casa. — Meu pai me abraça forte e retribuo seu gesto.
Deus, como sinto saudade desse velho reclamão e rabugento.
— Querida, você está belíssima. — Minha mãe me analisa e em seguida me envolve em um abraço apertado.

Cumprimentei meus tios e meus primos e soube que alguns vieram de longe para me visitar.
Adoráveis!
E não tenho o que reclamar da família que é a melhor de todo o mundo. Lógico que, como qualquer família, tem a sua minoria que não são muito sociais, mas por sorte essa parte da família prefere se manter afastada o que é o melhor, afinal, aturar gente chata é uó.

— Jogo do silêncio? — debocha enquanto pego alguns salgadinhos.
— Jogo do vai se foder e me deixa em paz, conhece? — Rosno e ele sorri.
— Não fica irritada, Garotinha. — Debocha e a raiva me preenche.
— Nunca mais me chama assim.
— Do que, Garotinha? — Debocha e se faz de desentendido.
Filho da puta! Sonso!
Viro meu copo de suco em cima da sua cabeça e seu olhar de raiva me faz gargalhar.
Algumas coisas mudaram desde a última vez que nos vimos, inclusive o fato que no passado gostei todas as vezes que me chamou de “garotinha”. Hoje o ideal é não dirigir a palavra a mim.
O restante da noite foi tranquila. Muitas fotos, conversas e, por sorte, entendeu que se manter afastado é o melhor a ser feito.
E agradeci mentalmente quando pude relaxar na banheira e dormir para repor minhas energias para os próximos dias longos.


“Out of the ashes, I'm burning like a fire
You can save your apologies
You're nothing but a liar
I've got shame, I've got scars that I will never show
I'm a survivor in more ways than you know
'cause all the pain and the truth
I wear like a battle wound
So ashamed so confused
I'm not broken nor bruised”


Uma semana que cheguei em Liverpool e tive que aturar os programas horríveis, mas que na companhia do se tornaram ainda piores. E e sempre arranjaram desculpas esfarrapadas: “Ah, ele se convidou”; “Que tal superar o passado?”
E agora para piorar a minha situação estou no banco traseiro do carro de e com um roncando ao meu lado a quase quarenta minutos.
O que eu fiz pra merecer isso?
cantarolando uma música qualquer da rádio e fazendo companhia a namorida… E quis me socar por logo hoje esquecer os fones de ouvidos.
— Quanto tempo pra chegar na casa de campo dos pais do ? — Perguntei e torci para uma resposta positiva.
— Mais uma hora e chegamos.
Uma hora? Ah, que maravilha! Tudo que pedi em meus sonhos.
Só que não.

- - ** - -


e foram passear e “acidentalmente” esqueceram de nos avisar, ou seja, acharam que nos deixar em uma casa, sem testemunhas, fora uma decisão correta. Com certeza acharam que nos aproximaríamos novamente.
Iludidos!

Pego uma revista na minha bolsa, deito em um dos sofás e agradeço por não ver nenhum sinal de . Enquanto folheio as páginas da revista, sinto um peso no sofá e, com um sorriso imbecil nos lábios, liga a televisão.
— Com dois sofás você escolhe justamente o que estou? — Rosno.
— Se incomoda? — Debocha.
Ai, santo Deus! Dai-me a paciência que eu não tenho porque se me der força eu juro que estrangulo.
— Abaixa essa porcaria que eu sei que não está assistindo.
— Não! — Sorri.
— Abaixa essa porcaria, .
— E se eu não quiser? — Faz birra.
Quantos anos ele tem? 9?
— Eu faço isso. — Puxo o controle da sua mão e desligo a televisão.
— Para de ser escrota.
— Escroto é você, infeliz.
— Ah, já sei, você quer um motivo pra discutir e decide usar a televisão como o pretexto.
— Vai se foder. — Rosno.
— Porque em vez de me mandar ir me foder não diz tudo que quer dizer?
— Quer mesmo ouvir, então vou fazer o que você quer. — Grito. — Você é um cara vazio, imbecil, imaturo, cretino…
— Seus insultos me dão sono. — Boceja.
— Você é um moleque que não pensa nas consequências dos seus atos. Não pensa que as pessoas tem sentimentos, coração e que é tão cruel uma decepção que vem da pessoa que ama. E é algo que demora muito tempo para esquecer.
— Passado, ! — Grita. — Tanto eu quanto você mudamos tanto, me arrependo e…
— É passado porque não é você que carrega nas lembranças humilhações de pessoas desprezíveis e mal-amadas ao ponto de fazer mal a alguém por não ser magra ou não ter a beleza padrão imposta por essa sociedade tão suja quanto pessoas como você, como Anabele e seu grupinho.
— Anos que eu não ando com essas pessoas e naquela época ser popular e…
— Ficar com a gorda coloca em risco sua popularidade. — Começo a rir. — Você me dá nojo.
Meus olhos ardem, mas nada de chorar na frente dele.
A proximidade do seu rosto e sua respiração tão próxima, sinto que ele vai me beijar, mas quando sua boca quase encosta na minha viro rosto e levanto depressa.
— Acha mesmo que quero esse beijo? Olha pra você — aponto — você é um mentiroso e odeio pessoas falsas.
Subo as escadas com pressa, me tranco em meu quarto e deixo meu corpo deslizar pela porta até cair no chão duro e frio. Deixo as lágrimas rolarem e molharem meu rosto por completo.
Segurei essas lágrimas por tanto tempo que muitas das vezes cheguei a pensar não saber mais chorar, porém novamente soube o que por muito cheguei a pensar não saber…
Deito na cama, me enrolo debaixo dos cobertores quentinhos e choro baixinho. Coloco a dor pra fora e sinto meus olhos pouco a pouco se fechando por completo.


“Cause now I'm a warrior, now I've got thicker skin
I'm a warrior, I'm stronger than I've ever been
And my armour is made of steel, you can't get in
I'm a warrior
And you can never hurt me”


tagarela sem parar enquanto termina de me maquiar.
Guardo a maquiagem em minha necessaire e calço meus saltos.
, cala a boca! — Digo impaciente.
— Ah, , por que tão irritadinha? É só me dizer o que aconteceu ontem quando…
— Você e o deram uma de cupido e nos deixaram sozinhos? — Ela assente. — Aconteceu que discutimos, ele tentou me beijar, depois brigamos mais e subi pro meu quarto. — Checo meu cabelo e dou um sorriso, gosto do resultado.
— Calma aí, volta um pouquinho — sorri. — Ele tentou beijar você?
— Porra, eu disse várias coisas e você só absorveu que o cretino tentou me beijar?
— Ah, , é que o mudou tanto e…
, ele me HUMILHOU na frente de todos os seus amiguinhos idiotas e…
— Ele foi um idiota, babaca e todos os sinônimos, mas esse foi o passado dele, olha como você mudou: e com um corpão de dar inveja. E depois de tudo ele mudou de verdade…
— Bar, beber, ! Esse papo acabou com minha paciência.
— Continuar fugindo? Ótimo! — bufa e sai do quarto sem me encarar.

O que era pra ser divertido se tornou uma chatice total. A cerveja estava quente, e dançavam uma música melosa e dançava com uma garota sem sal. Não sabia o que esse babaca via nessa garota que praticamente se jogava em cima desde a hora que chegamos. E, pra completar, tinha nenhum homem gostoso nessa porcaria de bar.
Me diz que bar não tinha pelo menos um homem bonito? Só o desse fim de mundo mesmo.

— A gatinha está sozinha? — Um ogro diz e sua voz está embolada devido ao seu nível de embriaguez.
Odeio esses caras que enchem a cara e depois começam a agir como:“sou gostoso e quero pegar você.”
— E pretendo continuar. — Digo firme e bebo minha cerveja.
— Ah, meu pau está latejando pela sua bocetinha. — O abusado diz e sua mão aperta meu bumbum.
Eu quero entender de onde esses projetos de homens acham que meia dúzia de palavras sujas vão levar alguma mulher pra cama deles? Idiotas.
Minha mão estala forte em seu rosto e percebo uma movimentação perto da gente.
— Algum problema aqui? — diz firme e olha para o homem com raiva.
— A gatinha é nervosinha, mas pode deixar que sei domar…
— Esse babaca vem dizer umas coisas sujas e ainda tem a ousadia de apertar minha bunda.
— O quê? — grita e segura o homem pela camisa. — Você o quê, infeliz?
— Ah, essa putinha quer tanto quanto… — O homem é calado por um golpe forte em seu rosto. está irritado e pode matar o homem, então tenho que fazer algo.
— o puxo, mas ele reluta em soltar o homem. Seguro seu rosto e pela primeira vez o encaro de verdade, como há alguns anos. — Não vale a pena, por favor, solta esse babaca.
Ele respira fundo e o puxo pela camisa até um canto mais reservado do bar. E pede ao garçom duas cervejas.
— Obrigada por me ajudar com aquele babaca. — Sorrio fraco.
— Não posso mudar o passado, mas hoje tenho como me redimir pelo menos um pouco.

Uma cerveja depois outra e outra. E agora estou na pista de dança com colado ao meu corpo e suas mãos seguram firmes em minha cintura, o chocar dos nossos corpos, nossos perfumes se misturam…
Eu sei que amanhã vou querer me socar por beber tanto, por dançar, por deixar as mãos de me tocar de um jeito que faz o corpo inteiro se arrepiar, mas deixa tudo isso pra amanhã.
Nossos corpos se movem conforme o ritmo da música e algumas vezes noto minha irmã olhar incrédula para a cena, mas nessa noite não quero me julgar ou me culpar por me divertir, por dançar com o homem que odeio por tudo do passado.
E então sua boca procurou pela minha e eu cedi, deixei sua língua circular dentro da minha boca. Suas mãos me apertaram contra seu corpo e segurei firme os seus cabelos. O puxei pela mão e caminhamos em direção a mesa da minha irmã e . Ambos fingiram estar em uma conversa, mas no quesito atuação: péssimos.
— Deu a nossa hora. — Disse.
— Cara, tem como levar meu carro? Bebi demais. — jogou as chaves para , que pegou rapidamente.
Caminhamos até a saída e por sorte um táxi parou em frente ao bar e deixou pessoas. Adentramos no carro e passamos o endereço pro motorista.
Uma parte de mim gritava para não fazer o que meu corpo gritava e implorava, mas tinha o caminho até em casa para me decidir.

— Eu quero você agora. — diz com pressa quando, enfim, abre a porta da casa.
Sua boca faz uma trilha de beijos por toda extensão do meu pescoço e aquilo é demais pra mim, não consigo negar, não agora com sua boca fazendo com que sinta uma excitação crescer dentro de mim.
Com certa dificuldade conseguimos subir as escadas e quando entramos em seu quarto, o empurro e o corpo cai em cima da cama, me sento em seu colo e coloco uma perna de cada lado.
Abro o zíper do meu vestido e o tiro. Estendo a mão para tirar a sua camiseta e revelo um abdome definido. O homem ficou um puta de um gostoso. Suas mãos ágeis abrem meu sutiã com pressa e o joga pra longe, nos permitindo ficarmos pele contra pele. Então segura firme os meus seios, um com cada mão, e esfrega o polegar em cada mamilo enrijecido.
Suas mãos grandes sabiam exatamente o que faziam e isso era ótimo, melhor impossível. sabia como me tocar e não sabia porque me sentia feliz porque ele lembrava os pontos certos a serem tocados.

— Caralho, você é tão gostosa — Sussurra. — Quero me enterrar dentro de você agora.
Deslizo-me para longe dele e me levanto. Tiro os saltos e retiro minha única peça de roupa: a calcinha. permanece sentado e me olha como quem quer dizer que sou a coisa mais fascinante do mundo. E eu me sinto ainda mais poderosa. Eu sei que sou gostosa, tenho espelho em casa, mas sentir um olhar quente sobre o meu corpo me faz ter pensamentos nada puros.
— Tira a roupa. — Falo sem deixar de olhar descaradamente a ereção que cresce em seus jeans.
levanta com pressa e o analiso com calma e faço questão de guardar cada memória da única noite que me permito fraquejar. Tira sua roupa e torna a afundar o seu corpo na cama e me puxa junto.
— Quero cavalgar em você. — Um sorriso malicioso surge em meus lábios e me beija com vontade, com intensidade, e isso quer dizer que esse é o seu limite.
Mas essa noite tudo que vou fazer é com um único objetivo: meu próprio prazer. Está na hora de mostrar a ele quem é e do que ela é capaz.
Olho para baixo e suas mãos seguram a base do seu pau. Apoio-me em seus ombros e de uma única vez sento em seu membro e o deixo me preencher por completo.
— Caralho, garotinha… — deixa escapar um gemido.
Seus olhos analisam meu corpo e com certeza meu objetivo é cumprido. Deixo minha marca nesse cretino e vou fazer ele se arrepender de ter me perdido e com que deseje todos os dias sentir minha carne quente se afundar em seu pau.
Esfrega a cabeça do pau de um lado pra outro da minha fenda. E sinto que quer me provocar, mas vai ser preciso muito mais que isso. Cravo minhas unhas em suas costas nuas.
— Sua bocetinha está tão molhadinha. Porra. — Rosna.
A expressão devassa dos olhos desse homem aciona um botão dentro de mim. Quero que ele lembre de mim, que lembre da melhor transa da sua vida. Então inclino meu corpo pra frente e o espero esfregar novamente. Então me sento com um só golpe e grito bem alto quando sinto seu pau completamente em mim.
Delícia!
— Puta que pariu! — Grita.
— É apenas o começo.
Quem está no comando sou eu. Ele tenta abrir a boca para dizer algo, mas o calo com um beijo urgente enquanto subo meu quadril e torno a afundá-lo novamente com mais força em cima do seu pau. O seu gemido e sentir seu corpo se arquear debaixo do meu me dá a sensação de que estou fazendo a coisa certa. Cavalgo mais depressa e com mais força. A minha região mais sensível dói com o estiramento da penetração, mas uma dor gostosa pra caralho.
— Puta que pariu! Amo tanto essa casa.
Suas mãos passam a ditar qual é o ritmo e não vai ser nada mal deixá-lo aproveitar um pouquinho. E ele me levanta e me abaixa muito rápido e forte. Das nossas bocas saem gemidos e todos os palavrões existentes.
O meu orgasmo está cada vez mais próximo. Poucas estocadas e vou desfalecer em cima do seu corpo musculoso, mas quero que ele goze também, então começo a rebolar sem parar e deixo meus gritos altos escaparem.
— Vou gozar, .— Digo e sinto uma onda de prazer crescer em mim.
— Porra, garotinha, que delícia. — Rosna.
Então despenco acompanhada por ele, juntos pelo mesmo intenso precipício. Seu corpo se arqueia e um calor invade minha boceta e ele está gozando. Grito e seguro firme em seus cabelos e deixo meu orgasmo chegar com uma intensidade inédita.

, eu quero dizer algo e…
— Foi apenas uma noite, .
Levanto da cama, visto minha roupa e seguro firme os meus sapatos. Não olho pra trás e caminho em direção a porta, mas sua voz me chama a atenção.
— Sério isso? — Gritou. — Você virou as costas e foi embora como se o que acabou de acontecer não teve qualquer significado.
— Ah, por favor, . — Debocho e sacudo a cabeça em sinal negativo. — Não significou nada, foi apenas sexo.
O deixo parado sem esboçar reação, bato forte a porta do quarto e corro para o meu.

Se ler os meus pensamentos, com certeza vai perceber que não é apenas sexo, tem um significado importante, mas ele não merece saber isso. Pego um pijama em minha mala e adentro o banheiro. A roupa desliza pelo meu corpo, ligo o chuveiro e deixo a água quente cair sobre meu corpo. Fecho os olhos e lembro dos beijos, e enquanto passo o sabote no meu corpo lembro das mãos de e a forma que toca cada parte do meu corpo.
Droga!
Me enfio debaixo dos cobertores e, novamente, vem roubar meus pensamentos... Mas não posso deixar isso acontecer novamente porque sei como isso acaba.


“There's a part of me I can't get back
A little girl grew up too fast
All it took was once, I'll never be the same
Now I'm taking back my life today
Nothing left that you can say
'cause you were never gonna take the blame anyway”


Adentro a cozinha e encontro cozinhando enquanto o ajuda com os legumes. Passo por e não o cumprimento.
O que é uma noite de bebedeira e sexo casual? Nada!

, dormiu bem? — Minha irmã pergunta e ela sorri.
Na certa achou que conversei com , transamos e vivemos felizes para sempre.
— Melhor impossível. — Digo e pego um copo de água. — Pensando bem em uns acontecimentos me fez querer apagar alguns.
levanta e sai da cozinha com uma cara de poucos amigos. Alguém está irritadinho?
Ótimo!
— Amor, pra você tudo bem terminar o almoço sozinho? — assente com a cabeça e faz sinal para segui-la.
Sentamos nas espreguiçadeiras em frente a piscina e minha irmã me olha com calma e percebo estar sem paciência.
O que eu fiz?

“Pensando bem em uns acontecimentos me fez querer apagar alguns.” — Minha irmã despeja sua raiva e entendo o motivo de estar sem paciência.
Tudo por que deixei o cunhadinho dela irritadinho? Ah, por favor.
. — Bufo, impaciente. — Isso foi entre mim e o .
— Deixou de ser quando isso passou a afetar todos a sua volta. — Digo, impaciente. — Imaginou no meu casamento ter que vigiar pra um não matar o outro? Ou então ter que escolher um dos dois para um almoço em família? Pelo amor de Deus!
— Caramba, você achou o que quando inventou essa viagem? Não foi fácil ser obrigada a conviver com um cara que me destruiu. Tudo bem pra , foi fácil porque ela se evolveu com o gêmeo fofo, carinhoso, mas fui eu que namorei com o gêmeo babaca, idiota e cretino.
— Exatamente! Você namorou, ou seja, passado.
O silêncio se fez presente.

— Passado? — Debocho. — Tem noção do que é pensar todos os dias que sem aquela humilhação… Estar com . Morar juntos e até mesmo planejar nosso casamento, procurar a nossa casa e até mesmo pensar em filhos.
, você diz que não quer nada disso. — Minha irmã me olha com calma.
— Algumas vezes dizemos as coisas para acreditar naquilo, mas você acha mesmo que eu não quero isso? Um parceiro, um melhor amigo, um futuro marido e pai dos meus filhos? Esse é o meu sonho que nunca vou realizar.
, eu sei dos seus sonhos e..
— Você nunca pergunta. Na verdade, ninguém. Então, por favor, toma conta da sua vida e deixa essa bagunça que é a minha que eu tomo conta.

Andei pela enorme propriedade dos e vi tudo exatamente igual. Ainda existe o galinheiro que me rendeu uma verdadeira guerra e briguei com as senhoras galinhas para pegar os ovos, mas nessa casa eu vivi tantas coisas boas, tantos momentos que jamais fui capaz de esquecer, mas aí fez tudo desaparecer, mas algo nem mesmo o tempo foi capaz de fazer sumir: o sentimento.
Caramba, eu amo esse homem de uma forma que jamais vou conseguir amar outro. Amo esse sorriso que mostra seus dentes alinhados e perfeitamente brancos, amo esses olhos que são escuros e intensos. Amo.

Quando chego a casa, quase meia hora depois, minha irmã arruma a mesa e checa os últimos detalhe do almoço. está no sofá e assiste qualquer coisa que não dou importância.
Vejo a cumplicidade da minha irmã com e eu sinto vontade de ter essa sorte. Não é inveja, não sou capaz de sentir isso por qualquer pessoa, mas eu quero saber o que é ser tão feliz assim.
? — chama a minha atenção e percebo que estou viajando em meu mundo particular.
— Ah, desculpa. — Sorrio envergonhada. — Quer alguma coisa?
— Pode escolher uma garrafa de vinho na adega? — sorri e assinto.
Volto alguns minutos depois com uma garrafa de vinho e todos já estão sentados. E não reconheço o que está na minha frente porque ele ri, é o oposto de horas atrás. Sento-me ao seu lado e me sirvo com um pedaço da lasanha feita por . E depois de encher com vinho todas as taças, menos a de , pede um brinde em favor da felicidade.
O almoço foi tranquilo e pudemos conversar como pessoas civilizadas.
Descubro que está trabalhando na empresa de turismo do pai e agora é um excelente administrador. conta animada sobre seu trabalho com as crianças do jardim de infância da escola que leciona e cheio de orgulho do seu recente e primeiro livro publicado, e como leitora digo que é realmente ótimo.
Parecíamos uma família de verdade. Gostava daquilo.

— Então levantamos cedo, fomos ao mercado e a louça é de vocês. — abraça minha irmã.
— Justo. — Sorrio.
— Seco a louça. — diz.
— Tanto faz, .
e saem da cozinha e pego um avental para não molhar minha roupa. Respiro fundo e começo a ensaboar os pratos e copos.

— Sem conversas, .
Enxaguo os pratos e copos. E seca todos e guarda nos armários. A louça está quase toda lavada e guardada quando ele decide, novamente, quebrar o silêncio.
— Precisamos conversar. — Diz firme.
— Não.
— Pode ficar calada, mas algumas coisas cansaram de estar presas.
Dou de ombros e continuo lavando o restante das louças.
— Eu paguei muito caro por muitos anos. — Digo e não paro de lavar a louça. Preciso me ocupar com algo para não explodir. — Anos convivendo com a culpa por magoar uma pessoa maravilhosa. Eu fui o mais cretino, a pessoa mais suja. No dia que cheguei na escola e não encontrei você, meu mundo desabou, . Eu afastei você por anos, mas não fui capaz de afastar o sentimento.
Não o encaro e coloco no suporte os últimos talheres. Permaneço apoiada na pia, sem forças para encarar .
— ele me puxa —, por favor, por acaso é pedir demais para me encarar?
— Você me humilhou. — Grito. — Porque não fui como suas amigas, por não ter o corpo perfeito. Você me usou, me fez acreditar que eu fui especial, você fodeu a minha vida e agora que mudei, magra, sem aqueles óculos que cobriam meu rosto inteiro achou ter o direito de voltar pra perturbar a minha vida?

— Você foi a pior coisa que aconteceu na minha vida e por isso fugi de Liverpool, porque eu olhei pra você e tive nojo, muito nojo.
— Ontem à noite você não teve nojo né? — Rosna.
— Eu bebi além da conta e tive uma atitude infantil aliada com a ilusão de que você não foi um babaca, mas sem problemas porque uma boa trepada e esqueci do pesadelo que foi ser sua. — Debocho.
— Gostei da gorda, e não da puta. — Destila todo o seu veneno.
— O quê? — Grito.
— P-U-T-A. Entendeu agora? — Debocha.
— Matar você. Claro. — Seguro em seu pescoço, mas a voz da minha irmã me assusta e larguo o idiota.
— Acabou! — grita.
— Amor, calma, por favor. — tenta tranquilizar minha irmã, que está muito alterada.
— Viemos contar da gravidez e vi isso. — Minha irmã diz e noto as lágrimas nos seus olhos.
— O quê? — Digo ao mesmo tempo que .
— Essa viagem foi pra contar pra vocês. Quis convidar pra ser padrinho e madrinha do bebê. — Minha irmã chora e aquilo parte meu coração. — Mas vocês dois agiram como loucos. Brigar é tudo que fizeram desde o primeiro dia. Nada disso perto do meu bebê. Sem confiança em dois adultos que agiram como duas crianças.
faz sinal negativo com a cabeça e enxuga suas lágrimas. Nesse momento, a culpa me atinge em cheio.
Merda! Fodeu muito!
e caminham até a saída da cozinha, mas volta e sua feição denuncia que está tão chateado quanto minha irmã.
— Burros! — Diz firme e volta para fazer companhia a minha irmã.

Deslizo meu corpo pela parede até encontrar o chão frio e ali desabo e deixo as lágrimas rolarem pelo meu rosto. E faz o mesmo. Ambos choramos e não dizemos uma única palavra.
Acabamos de estragar um momento especial para nossos irmãos. E realmente tem razão: “Deixa de ser um problema entre vocês quando isso passa a afetar todos a sua volta.” Até quando vou deixar meu passado interferir no meu presente? Chega de bancar a menina que chora pelos cantos e relembra o passado para se torturar.
Acabou.
Fecho meus olhos e respiro fundo.
— Naquele dia do parque, eu chorei tanto que fiquei com dor de cabeça — digo —, jamais pensei em sofrer tanto, mas aí eu descobri que existe algo pior do que todos os insultos na escola: ser decepcionada. Jurei a mim mesma que depois de chorar tudo que estava preso dentro de mim JAMAIS derramaria uma única lágrima por você.
— Eu amei você — diz. — Nada vai justificar porque o que eu fiz é injustificável, mas eu sofri, . Aquele foi um moleque que ficou com medo de perder a popularidade e seus amigos. Idiota, mas mudei.
Precisei pensar por alguns segundos sobre o certo a ser dito.

, eu não prometo que em todo o tempo não vou querer socar você, mas por nossos irmãos, por esse bebê eu quero tentar ser sua amiga. — Digo e as lágrimas rolam e molham meu rosto.
— Faremos isso dar certo — diz —, eles merecem isso, não é? E tem um pirralho que vai chegar e ele merece um padrinho e madrinha que não tentam se matar a cada vez que se encontram.
Caímos na gargalhada. Em seguida, seus braços envolvem meu corpo e o aperto contra meu corpo. Deixo a dor desabar e ele faz o mesmo.
O passado vai ficar no passado porque os seus problemas não são apenas seus quando afetam as outras pessoas. E ninguém é tão perfeito que não vai errar uma única vez, mas isso não significa que o arrependimento não existe porque hoje eu vejo que ele existe.
— Nosso passado pertence a mim e a você. — diz.
— E não podemos interferir no presente das pessoas que amamos.
Ele sorri e o aperto ainda mais forte contra meu corpo.
Perdoar é um ato de amor. E eu nunca vou ser capaz de odiá-lo mesmo com a crueldade da sua atitude. O ódio é algo que jamais vou ser capaz de sentir por qualquer pessoa. Perdoar não é esquecer, é seguir em frente com um coração leve, sem culpa e sem sentimentos negativos.


“Now I'm a warrior, I got thicker skin
I'm a warrior, I'm stronger than I've ever been
And my armour is made of steel, you can't get in
I'm a warrior and you can never hurt me again
You can never hurt me again”


ALGUNS MESES DEPOIS…


Por que aceitei o convite de para passar o final de semana na casa dos seus pais? No interior? quase parindo e aceitei o convite dele.
Padrinho e madrinha desnaturados.
Desde que decidimos esquecer o passado, há algumas semanas começamos a sair e acabou acontecendo uma vez, duas, três, quatro vezes… E aí redescobrimos juntos a nossa paixão adormecida dentro dos nossos corações.
E como eu previ, ligou e disse que nossa querida e linda sobrinha nasceu e senti pena de o tanto que ele ouviu enquanto voltamos do interior para o centro porque quis estar presente no momento, mas foi por um bom, ou melhor, ótimo motivo.
O anel de compromisso em meu dedo me lembrou o quanto valeu a pena.

, não leva toda a loja de ursos. — brinca enquanto eu procuro pelos ursos mais fofos e lindos para minha sobrinha e afilhada mais linda do mundo.
— Olha quem fala, o cara que compra a floricultura inteira. — Brinco e ele sorri.
Seus braços envolvem meu corpo, fecho os olhos e inalo seu perfume. Sabe quando algo não parece real? Que está tão feliz que parece ser um sonho?
Meu sonho.
— Eu te amo. — diz.
— Eu te amo. — Selo nossos lábios e seu polegar faz um carinho em meu rosto.

Minhas pernas tremem, minha mão está entrelaçada com a de . Estamos cada vez mais perto do quarto onde está. Agora temos nossa sobrinha e afilhada para cuidar e ensinar algumas coisas divertidas que os papais caretas não vão ensinar.
E mesmo ainda na barriga da minha irmã, a minha sobrinha e afilhada me devolveu a alegria, o amor.

— Tem espaço pra dois tios babões? — diz e assente.
Colocamos as flores e os ursinhos em cima da mesa no canto do quarto.
E aí meus olhos pousaram em uma princesa tão pequena, frágil, usando uma touca rosa e reconheci que aquela roupa e touca foram o meu primeiro presente. Apesar da feição cansada, minha irmã sorri olhando a coisa mais perfeita que ela já fez em toda sua vida. Essa criança foi o nosso milagre. Nossa salvação.
, quer pegar sua sobrinha e afilhada? — Assenti e enxuguei as lágrimas.
me ajudou e aconcheguei Angel em meus braços. Chorei de tanta alegria em ter em meus braços a minha anjinha.
— Padrinhos são os segundos pais de um bebe. — diz e olha para mim com sua filha em meus braços e pro seu irmão que me abraça de lado.
— Nunca vamos ser capazes de abandoná-la. — diz e segura a pequena mãozinha de Angel.
Angel em meus braços ao meu lado que, assim como eu, está emocionado. Nove meses de espera por essa princesa e agora é real, ela está com a gente, ela vai iluminar nossas vidas e trazer alegria pra todos.
— Não acredito no que vejo. — brinca.
— Nove meses e aprendemos a ser os tios e padrinhos que a Angel merece.
— Só isso? — brinca e troca um olhar cúmplice com minha irmã.
— Aprendemos que conviver um com o outro não é tão mal assim. — Brinco e nino Angel, que dorme tranquilamente em meus braços.
— E vamos casar! — sorri e aponta para o anel em minha mão.
— Meu Deus! — Minha irmã sorri. — Vocês dois debaixo do mesmo teto é briga na certa.
— Não digo briga… — sorri malicioso.
Tarado!
! — Repreendo e tapo os ouvidinhos de Angel.
— Respeita minha filha. — diz e tem um ar paternal, protetor.
Já tenho pena dos futuros namoradinhos de Angel porque vão ter que passar por duas muralhas: e .

A vida é uma montanha-russa que deu muitas voltas, mas em uma delas eu me vi obrigada a encarar o que fugi. Não foi fácil reencontrar a pessoa que me humilhou, mas, por algum motivo, nossas vidas foram ligadas por muitas coisas e no meio de tantas ligações encontrei justamente nele o que jamais pensei em viver.
Pessoas falham, pessoas erram e não cabe a ninguém julgar porque em algum momento da vida você vai falhar.
Não sei o que isso vai dar, não sei se esse casamento vai durar seis meses ou muitos anos, mas vou unir a minha vida com a dele, vou casar com o homem que eu amo.

AVISO: Essa fanfic está registrada na Fundação Biblioteca Nacional, Escritório de Direitos Autorais. A cópia não autorizada de qualquer conteúdo dessa página vai de encontro a LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998, estando o plagiador sujeito a detenção (de 3 meses a 1 ano) ou multa.




Fim



Nota da autora: ”Ser gorda em uma sociedade magra infelizmente é o motivo que pessoas usam e fazem para que uma garota se sinta uma piada pronta. Na verdade, você é apenas mais uma no meio de tantas outras que sofrem pelo mesmo motivo: A ditadura da beleza. Onde dizem que você só é feliz quando é igual a todas. Não existe um problema em você, e, sim, na cabeça de todas essas pessoas que acham que tem o direito de inferiorizar alguém pelo seu peso ou por não ser igual. Não escute o que essas pessoas sujas dizem porque tudo que sair de suas bocas serão imundices que não vão acrescentar nada positivo em sua vida.”
Agradeço a cada leitora por dar uma oportunidade a essa história tão especial. Porque esse é um assunto que já abordei outra vez e me sinto muito feliz por novamente abordar esse tema que, infelizmente, vejo em poucas histórias.
Agradeço as betas desse ficstape que amei participar.
Agradeço a Berrie pelo convite e por me ajudar sempre.
Opiniões, críticas construtivas, elogios ou algo que queira dizer só escrever na caixinha de comentários, ok?
Até o próximo Ficstape, jujubinhas. Beijos.

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