15. Blue



Finalizada em: 10/06/2017
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Capítulo Único


Madrid, Espanha
05 de Junho de 2016


caminhava de um lado para o outro pela casa esperando que seu marido chegasse sabe lá Deus de onde quer que ele estivesse. Ela sabia que não demorava tanto para chegar em casa, principalmente por saber que ela carregava sozinha a barriga de quase seis meses de gestação, uma barriga que pesava exaustivamente e que tirava seu sono. repassava mentalmente tudo o que diria para o marido, com quem era casada há quase dez anos, assim que ele cruzasse a porta da sala.
Sua mente perturbada pela falta de sono imaginava vários objetos para tacar contra a parede assim que ele lhe dissesse boa noite, era desumano deixá-la em casa naquele estado, mas o marido parecia fazer pouco caso da situação, sempre achando que seus colegas de elenco mereciam mais atenção que sua esposa grávida de seis meses.
ouviu o portão externo da casa se abrir, e ela sabia que era chegada a hora de ser forte por ela e pelo bebê que carregava dentro de si. Ela não aguentava mais aquela vida que eles levavam, tudo o que ela precisava era de um pouco de paz. Havia conhecido com 16 anos, quando começaram a namorar, e aos seus 20 anos recebeu a proposta mais maluca e também a que ela mais esperava que viesse. lhe pediu em casamento e ela simplesmente não conseguiu negar. Na sua cabeça de conto de fadas, ele era o homem da sua vida, e se casar com ele seria como realizar um de seus maiores sonhos, mas agora ela sabia que devia ter dado razão a voz insistente de sua mãe, que lhe dizia que era loucura casar com um jogador de futebol. A mãe insistia em lhe dizer que, num futuro próximo, deixaria de estar com ela para viver as delícias do mundo que havia perdido por ter se casado tão jovem, mas a pobre jovem insistia em dizer que a mãe estava errada. Viviam seu próprio conto de fadas enquanto dividiam a casa e a vida em Sevilha. a queria dia sim, dia sempre, nem que fosse para lhe contar as coisas mais banais do dia a dia, mas tudo mudou quando a proposta para vir jogar em Madrid lhe tentou a alma. sabia que o marido tinha o sonho de jogar pelo e ela não pensou duas vezes antes de lhe dizer para perseguir seu sonho, enquanto ela abria mão de todos os próprios pela felicidade de seu príncipe.
Os anos passaram enquanto se apagava cada dia um pouco mais. No começo era maravilhoso conhecer os amigos do marido, suas esposas, viver aquele luxo todo, mas ela, que sempre fora uma jovem simples, logo se sentiu um peixe fora d'água. Aquilo não era um terço do que havia sonhado para si própria, e cada dia que se arrastava no calendário, fazia com o desejo crescente de voltar a viver em Sevilha lhe parecesse tentador o suficiente para questionar se ainda valia a pena viver com o homem de sua vida.
— Ainda acordada, princesa? — a voz tão conhecida a tirou de seus devaneios, trazendo-a de volta a realidade.
— Sim, estava esperando meu marido, que só Deus sabia onde havia se enfiado. — respondeu firme, sentindo cada terminação nervosa de seu corpo se eriçar.
— Eu disse que ia sair com os meninos depois do treino, achei que você tivesse me ouvido. — respondeu, enquanto largava a bolsa de treino de qualquer jeito na sala.
, — ela recitou seu nome inteiro e só ele sabia o quanto aquilo significava problema. — já passam de uma da manhã, e isso que seu treino acabou três horas da tarde. Eu só te vi pela manhã, quando você me deu um beijo tão suave antes de sair, que eu podia jurar que havia sido um sonho. Eu te liguei por quase três horas seguidas, e você sequer teve coragem de me mandar uma mensagem para dizer que estava tudo bem.
— Amor, se acalma, o bebê. — ele tentou dizer, pacificamente, mas sabia que seria impossível, estava transtornada.
— Foda-se o bebê, . Você nunca se importou com a minha gravidez de qualquer forma. — respondeu ríspida, enquanto cuspia cada palavra contra o rosto que tanto amou.
— Não diga isso, . Não seja injusta. — não sabia dizer em qual momento do seu acesso de raiva conseguiu chegar tão perto, mas aquilo pouco lhe importava.
— Injusta? Você jura? E se afasta de mim, por favor, esse cheiro de álcool e perfume barato está embrulhando meu estômago já tão castigado. — ela respondeu, tampando o nariz para evitar o cheiro de derrota.
— Eu posso te explicar tudo o que aconteceu. — estava disposto a consertar o que quer que estivesse errado àquela altura.
— Nem gaste a sua saliva, querido. Dispenso. Eu vou dormir, porque amanhã tenho um vôo logo cedo, de volta para o lugar de onde eu não devia ter saído. — respondeu, fazendo com que a encarasse alarmado, antes que ela marchasse em direção ao andar superior da casa, mais precisamente para o quarto de hóspedes.

ficou encarando o vazio que a esposa havia deixado a sua frente, a bebida ainda agindo fortemente em seu cérebro bagunçado pela chuva de mensagens que havia deixado no ar. Para onde ela iria e, principalmente, para onde levaria seu filho? só conseguia pensar no desejo que havia deixado no ar, quando falava de passar um tempo em Sevilha. Ele sabia que a esposa não vinha passando por momentos fáceis, principalmente pela gravidez, mas ele não sabia que havia se tornado tão impossível assim.
demorou alguns minutos até entender que precisava ir atrás dela, quando o choque o livrou do torpor da bebida, e ele subiu a escada pulando de três em três degraus para ir atrás de , a mulher que sempre amou e sempre amaria. Abriu a porta do primeiro quarto da casa, aquele que era o refúgio pessoal e particular de ambos, mas não encontrou o corpo da mulher estirado na cama, como ela deveria estar naquele instante. Ele sabia que , como a chamava algumas vezes, estava quebrada, mas ele esperava poder resgatá-la, enquanto também se resgatava. procurou pela esposa em cada canto do cômodo, mas não a encontrou em lado algum. A próxima porta era o quarto que ainda estavam mobiliando para o bebê que esperavam. Ele apertou a maçaneta com um pouco mais de vontade antes de forçá-la para baixo, e se surpreendeu quando a porta abriu com facilidade, rangendo lentamente para ele. acendeu a luz com pressa, e encontrou o cômodo vazio de pessoas, mas recheado de sonhos. O berço ainda meio montado, o armário meio vazio, a cômoda cheia de caixas com presentes infinitos que haviam ganhado, e que precisavam ser organizados. Ela não estava ali, e ele chegou a cogitar seguir até a área do telhado, que a mulher havia decorado como um porto seguro para ambos, mas ele sabia que ela não estaria lá também.
sentia a veia do pescoço saltar, enquanto caminhava suavemente em direção ao quarto de hóspedes. Ele queria e precisava ser sutil ao chegar aquele cômodo, não podia assustar ainda mais a mulher que, sem que ele soubesse, chorava todas as lágrimas que havia guardado para si, encolhida no centro da cama. se aproximou da porta, onde deixou algumas batidas fracas, esperando que a pessoa ali dentro lhe respondesse, sem nenhum sucesso. Ele então levou a mão a maçaneta forçando-a para baixo, mas nada aconteceu, a porta estava trancada.
, eu sei que você está aí dentro, me deixa falar com você. — ele pediu baixinho, sem saber se a mulher poderia lhe escutar. — Por favor, , me deixa te explicar, me deixa te entender. - ele tentou mais uma vez, suplicante.
— Me deixa em paz, , eu não quero saber de mais desculpas. — respondeu, a voz cortada devido a todo choro que havia derramado.
, eu posso sentir as lágrimas na sua voz, por favor, me deixa falar com você. — pediu, sentindo as lágrimas brotarem em sua face também.
— Não há porque seguir afundando essa história, , amanhã eu vou embora para casa, e você poderá se sentir livre para viver o que quiser. — uma voz fraca respondeu do outro lado, fazendo com o homem atrás da porta se quebrasse em mil pedaços.
— Você está indo embora? Você vai realmente me deixar? — ele questionou, o choro totalmente presente em sua voz.
— Sim, , eu vou embora. — ela respondeu fria, ainda que quebrada. — Sim, eu vou te deixar. — a voz saiu mais frágil, abalada, enquanto ela pronunciava as palavras que nunca pensou que precisaria ou poderia dizer.
se sentia frágil, vendo seu casamento se quebrar diante dos seus olhos, sem que ela pudesse fazer nada para congelá-lo, para restaurá-lo. Suavemente ela puxou a aliança dourada para fora do dedo, sentindo as pedras pinicarem contra seus dedos finos, e a segurou contra seu peito, como se segurasse o coração de seu marido contra o seu. Em sua mente, as promessas do dia do casamento se repassavam, como um looping eterno de um filme que não tinha a menor pretensão de seguir para a próxima cena. Ela ainda podia ouvir as batidas do marido contra a porta, suas promessas de que não desistiria dela, de que não a deixaria ir tão fácil, mas ela apenas se concentrou nas próprias batidas do coração, enquanto permanecia com a mão apertada ao peito, adormecendo no meio de um pesadelo, que ela não fazia nenhuma questão de vivenciar.
entendeu o silêncio repentino do outro lado da porta como um sinal de desistência. havia realmente jogado a toalha, e ele simplesmente sabia que era o único culpado de tudo aquilo ter acontecido. Ele sabia que havia descuidado, havia deixado a mulher se escurecer diante de seus olhos, mas não fizera nada para restaurá-la. Ele não sabia dizer se a dias ou a meses, não tinha mais o sorriso iluminado de diamantes, como ele tanto gostava. Não fazia a mínima ideia de quando os programas com seus colegas e esposas deixaram de ser tão interessantes para a mulher. Ele não sabia dizer quando ela havia se transformado apenas em uma sombra, mas reparar nisso tão tarde fez seu peito arder. Ela se silenciou por ele, se esgotou por ele, se apagou por ele, e ele sequer havia reparado. Tudo que ele queria era voltar no tempo para restaurar a esposa, mas sabia que não havia como. Tudo o que lhe sobrava era o futuro, e a reconstrução de quem eles eram, quando se conheceram aos dezesseis anos em Sevilha, quando se casaram aos vinte e poucos anos ainda em Sevilha, o quanto se amaram ao longo dos quase quinze anos que se conheciam. E ele a restauraria, como restauraria a si mesmo.
caminhou suavemente de volta para o quarto, enquanto puxava o telefone do bolso, pensando em que poderia chamar aquela altura para lhe ajudar a entender o que estava acontecendo. Milhares de números se faziam presente em sua lista de contatos, mas não sentia confiança em nenhum nome ali para chamar, até que o contato de Rene apareceu diante de seus olhos. Ele sabia que era tarde para contactar o irmão, mas também que ele era uma das poucas pessoas em quem confiava, e um dos únicos que não julgou sua escolha de se casar com a mulher que havia escolhido para amar.
A conversa com o irmão fora mais extensa do que ele havia imaginado, porque Rene resolveu acrescentar Miriam a chamada, já que ambos sabiam que ter a participação da irmã, como a romântica que era, seria de grande valia para as ideias que apresentava. Ele não sabia bem como levaria toda aquela ideia maluca adiante, mas a irmã lhe garantiu que transformaria seus desejos em realidade e que o ajudaria a ter a renovação de votos mais bonita que já se viu na Espanha, enquanto o irmão lhe prometeu uma nova lua de mel espetacular.
Eles apenas precisariam focar em um único detalhe, será que gostaria de se casar novamente com o ?!

(...)


Sevilha, Espanha
12 de Junho de 2016


não sabia mais o que fazer em Sevilha. Já havia visitado todos os lugares que sentia falta, comido várias vezes em seus restaurantes preferidos, aproveitado para dar uma volta em Cádiz com a irmã e a afilhada, algo que sempre fazia quando estava na cidade, passeado com Serena por algumas lojas, principalmente as de criança, e agora apenas via o tempo passar na varanda do apartamento da mãe. se negava a ficar no apartamento que ela e tinham na cidade, alegando para todos que se ele quisesse viajar até ali, teria aquele lugar que era dele, para permanecer, e ela se sentia confortável na casa da mãe, já que se sentia levemente culpada por tê-la deixado viver sozinha naquele apartamento, principalmente depois que seu pai falecera.
, fiz um chá pra ti, daquele jeito que você gosta. — ela ouviu a voz da mãe atrás de si, e virou meio rosto para encontrá-la com sua caneca preferida nas mãos.
— Eu disse que não precisava se preocupar com nada mamá, eu ia fazer meu chá mais tarde. — respondeu, enquanto pegava a caneca quente das mãos de dona Paloma.
— Me deixa mimar minha própria filha, ao menos dessa vez? É sempre assim, . Eu nunca posso fazer nada por ti. — Paloma explodiu em palavras ríspidas, enquanto encarava a filha.
— Desculpa, mamá, eu não disse nada. — respondeu com a voz embargada, enquanto colocava a caneca em cima da mesa de vidro da varanda.
— Desculpa, filha, eu não quis te fazer chorar. É só que eu não aguento mais te ver nessa tristeza. É a mesma coisa todos os dias, e eu só queria fazer algo que pudesse colocar um sorriso nesse seu rosto, e que iluminasse um pouquinho mais os seus dias. Sinto falta do teu sorriso de diamante. — a mãe respondeu, enquanto se ajoelhava para ficar da altura da filha.
— Mas eu não tô nessa tristeza, mãe. Eu já saí com a Sol e a Perla para ir a Cádiz, já fui passear com a Serena, já fui aos meus restaurantes favoritos…
— Mas sempre que chega em casa, eu vejo o vazio presente no seu olhar, enquanto você se esconde no quarto que sempre usou para pensar no . — sua mãe respondeu séria, tentando clarear a mente da própria filha.
— Eu queria que ele tivesse vindo atrás de mim, sabe?! Feito alguma coisa para não me deixar ir. Mas ele, simplesmente, se fechou no quarto, e deixou que eu fosse. — respondeu baixinho, sentindo seu peito se quebrar mais uma vez, ao relembrar da cena que encontrara no dia seguinte a última briga que tiveram. Tudo estava igual, nenhum pedido, nenhuma súplica. Apenas o ronco sutil do marido, passando pela porta fechada do quarto.
— Ele deve ter os seus motivos filha, dê tempo ao tempo. — Paloma respondeu, e a filha a encarou boquiaberta.
— A senhora está realmente defendendo o ? O que aconteceu nesse tempo em que eu vivi em Madrid? Que santo fez o milagre? — questionou, arrancando risadas da mãe, que seguia ajoelhada a sua frente.
— Um santo que habita dentro da sua barriga, minha filha. Crianças têm o dom de pacificar o mundo, achei que soubesse disso. — Paloma respondeu sutil, acariciando a barriga da filha. — E por falar em criança, descobriram se vem meu primeiro neto ou minha segunda neta?
— Não, mãe, mas amanhã eu vou com a Serena em uma ultra que eu remarquei para acontecer aqui, e ela vai ser a única a saber, e preparará um chá revelação para nós. Ela pediu para que eu permitisse, e a senhora sabe que eu não nego nada a minha melhor amiga. Então, ficaremos assim. — ela respondeu, e a mãe lhe sorriu, enquanto ambas ouviram a porta abrir suavemente.
Hadita! — uma voz sutil gritou pela porta, e ela nem precisou virar o rosto para saber que se tratava de sua afilhada.
Bebé! — respondeu, assim que viu sua pequena pérola correr até onde ela estava, não sem antes dar um beijo na avó.
— Que bom que encontrei vocês aqui, tenho uma coisa para te entregar, querida . — Sol comentou, assim que se aproximou da irmã e da mãe, que agora já estava de pé. — E Perla, saia já de cima da sua madrinha, você pode machucar seu primo.
— Deixe minha bebé aqui comigo, eu estava morrendo de saudade da minha pequena pérola preciosa, e você não vai afastá-la de mim. — respondeu firme, abraçando a afilhada pela cintura, enquanto a menina ria por ter de volta sua fada preferida.
— Bom, como quiser , agora vamos ao que interessa. Sabe quem eu encontrei esses dias na porta do meu prédio? — Sol questionou, fazendo com que levantasse a sobrancelha.
— Quem?
— A Miriam, sua cunhada. — Sol respondeu, fazendo questionar ainda mais o que aquilo significava.
— Mas ela sabe que estou na casa da minha mãe, porque não veio aqui me procurar? — A jovem questionou, tentando entender porque até a própria cunhada, que ela tanto adorava, estava mantendo distância dela.
— Porque ela queria que eu te entregasse isso. — Sol estendeu um envelope pardo para a irmã, e ela prontamente agarrou aquilo.
não se importou de rasgar a borda colada de qualquer jeito, e pode ouvir sua mãe bufar tamanha pressa. Suas mãos tremiam temendo que aquele pudesse ser o fim decretado do relacionamento. Ela não havia falado em separação, queria apenas um pouco de distância do marido, mas e se ele tivesse cogitado aquela hipótese? Ele não teria coragem de lhe procurar para comunicar que resolvera se separar dela?
sentia sua mente girar, antes de puxar um envelope menor e mais refinado de dentro do maior, sem entender onde aquilo tudo levaria. apertou os dedos no entorno do envelope creme-perolado, e se lembrou do envelope que havia escolhido para seu casamento, quase dez anos atrás. Ela poderia jurar que aquele era o envelope escolhido. Abriu o selo dourado que servia de fecho para o envelope, e puxou um papel dobrado, deixando o resto no espaço que tinha entre a barriga e a afilhada, abrindo o papel com tamanha pressa, que quase acabou por rasgá-lo pela metade. Assim que colocou seus olhos na folha, reconheceu a letra da cunhada, a letra que escolheram para usar no convite e nos envelopes naquela época.

“ Oi cunhada-irmã, tudo bem?
Eu sei que você deve estar passando por alguns momentos bem difíceis nesse tempo separada do meu irmão, e eu te peço desculpas por não ter te procurado antes, mas fora um pedido dele, um dos tantos que ele fez, em tão pouco tempo. Antes que você o culpe, saiba que foi ideia minha que ele te deixasse partir, sem te pedir para ficar. Pode me xingar, irmã, não tem problema, eu te perdôo, como sei que você também me perdoará quando souber o que está acontecendo.
Peço-te para que, com cuidado, você retire o convite de dentro do envelope e que se permita. Se permita sorrir, amar, sentir… Se permita viver.
Estaremos te esperando no local do convite. Não precisa se preocupar com traje, viu, estará tudo lhe esperando. E digo o mesmo para sua mãe, sua irmã e sua afilhada.
Um forte abraço, cheio de saudade, carinho, respeito e admiração.
Da sua cunhada-irmã,
Miriam.”


não esperou nem mais um segundo antes de largar a folha de qualquer jeito, e puxar o que agora ela sabia ser um convite, de dentro do envelope. Letras formais a convidavam para algo que ela duvidava que pudesse vir a acontecer. Seu nome e o nome de pareciam piscar no centro do envelope, em uma coloração que ela não reconhecia. Logo abaixo de seus nomes estava o significado daquela festa, a celebração de seus dez anos de casados.
não sabia ao certo o que pensar, enquanto estendia o convite na direção a irmã, que a encarava com curiosidade, já que ela sabia que estava claro em sua face, o tamanho do choque que sentiu ao ver do que se tratava tudo aquilo. Era por isso que não havia lhe procurado, era por isso que ele mantinha toda aquela distância, ele lhe preparava algo maior às escondidas, sua chance de tentar renovar tudo o que tinham.
— Você já percebeu que a festa é amanhã, certo, ? — Sol chamou sua atenção, fazendo com que ela piscasse algumas vezes para o convite que agora era estendido a sua frente.
— Amanhã? — ela questionou alarmada, já que não havia se atentado aquele pequeno detalhe.
— Sim, amanhã. O que você vai fazer? Onde vamos arrumar o vestido, o sapato… Onde vamos nos arrumar? — Sol parecia ter assumido novamente o modo automático para bridezilla, enquanto ria de sua reação.
— A Miriam disse que tudo estará nos esperando, irmã, se acalme, a gente só precisa ir até o endereço. — respondeu tranquila, enquanto suavemente empurrava a afilhada para fora de seu colo. — Vou ligar para ela, pra entender realmente o que está acontecendo.
não esperou uma resposta da família para seguir até a parte interna do apartamento. Caminhou apressada até seu quarto, buscando o telefone que ficara esquecido dentro da bolsa, já que a única ligação que ela esperava receber, não havia acontecido. Suas mãos ainda tremiam suavemente, enquanto ela procurava o número da cunhada no celular, e assim que o encontrou, tratou de iniciar a chamada.
? — a voz de Miriam soou pacífica, após o terceiro toque.
— Oi, Miri, tudo bem? — respondeu doce, sentia falta da cunhada, não poderia negar.
— Tudo ótimo, e com você? Já me perdoou pelo que eu fiz? — a cunhada questionou alarmada, fazendo a outra soltar um riso fino como resposta.
— Quando eu não te perdôo, não é mesmo? Acho mais fácil eu permanecer brigada pelo resto da eternidade com o seu irmão, do que contigo. Mas não estou ligando para falar sobre isso. — respondeu, e pode ouvir um raspar suave de garganta do outro lado da chamada, e sabia que aquela era a forma que Miriam tinha de se preparar para iniciar uma conversa séria.
— Imagino que queira falar sobre o convite maluco que você acabou de receber para as suas bodas de estanho, amanhã. — a voz do outro lado da linha respondeu em meio a um riso culpado, arrastando para a mesma risada.
— Sim, exatamente sobre isso. Como vocês inventam uma renovação de votos para mim e para o , sem saber em que pé estamos e, principalmente, sem saber se eu vou aparecer? — respondeu, e a falta de som do outro lado da chamada, lhe mostrava que em momento algum eles haviam pensado naquilo. — Eu sei que a ideia foi do seu irmão, e ele confia tanto nele mesmo, que ele tem certeza de que eu vou aparecer.
— E você vai, não é mesmo? — Miriam questionou baixinho, e sabia que ela estava com medo da resposta.
— Eu não devia, porque fiquei esperando seis dias por um único telefonema do seu irmão, e nada aconteceu. Eu até entendo porque ele me deixou ir em Madrid, ele sabia e respeitou a minha necessidade por espaço, mas se fosse o oposto, eu estaria dormindo no hall de entrada do nosso prédio, apenas esperando ele me atender. Eu teria feito uma infinidade de chamadas, uma outra infinidade de surpresas, eu simplesmente não teria sumido. Entendo que foi um pedido seu, talvez para deixar tudo mais romântico, mas sabe qual foi a primeira coisa que eu pensei quando encarei o envelope pardo que minha irmã me estendeu? Eu pensei que aqueles eram os papéis do nosso divórcio, e que ele seria covarde o suficiente para te pedir para entregar o envelope para a minha irmã, para que ela me entregasse. Que ele era covarde e não que não seria capaz de me encarar nessa hora. — respondeu firme, como forma de desabafo.
, você tem todo o direito de não aparecer amanhã na Catedral, mas eu espero que você tome a decisão certa. Eu estarei te esperando na sacristia, com seu vestido nos braços, para, novamente, ver o amor que você e meu irmão sentem um pelo outro ser apresentado a Deus. Te vejo lá, minha irmã. — Miriam respondeu apressada, e então o único barulho que preenchia a linha do telefone era o som de ocupado, indicando a chamada havia sido terminada.
entendia bem o que aquilo significava. Ela só sabia tomar uma decisão, quando as opções eram expostas e impostas contra si, para que ela decidisse o que era melhor, não apenas para ela, mas para todo mundo. Ela ainda ficou encarando a tela acesa do telefone, a foto mais bonita que ela tinha em todo seu rolo de câmera. A foto trazia depois de um gol no minuto 93, daqueles que ele adorava fazer, com a bola por dentro da camisa, anunciando a chegada do primeiro herdeiro do casal. Na imagem, ele segurava a bola escondida com a mesma gana que segurava a barriga de sua esposa e beijava-a como havia feito quando havia descoberto que agora seriam três.
passou o dedo pela imagem algumas vezes, antes de bloquear a tela para acendê-la mais uma vez, encontrando outra de suas fotos preferidas. lhe beijava a testa, depois de terem sido declarados marido e mulher. Ele havia lhe dito uma vez, logo que começaram a namorar, que ele sempre lhe beijaria a testa antes dos lábios, em sinal de todo o respeito que sentia por ela. E vê-lo repetir aquele gesto no casamento, onde ele prometera respeitá-la pela eternidade, foi como selar a promessa silenciosa que ambos faziam naquele instante, se amar e se respeitar acima de qualquer coisa.

(...)


não parava de caminhar de um lado para o outro, sempre encarando a porta à sua frente procurando qualquer sombra que pudesse indicar que sua mulher estaria ali, a espera dele, como ele estava a espera dela. Suas mãos suavam frio, enquanto seu rosto devia estar vermelho, já que ele o sentia em chamas. Os convidados o encaravam como se ele fosse alguma espécie de animal, enjaulado, esperando apenas a hora de se ver livre para atacar.
— Se acalme, , desse jeito você só vai gastar seu sapato e o tapete da igreja, pelo amor de Deus. — Paqui disse, se aproximando do filho pela décima vez, para tentar acalmá-lo. O que ela não sabia é que aquilo apenas o deixava mais nervoso.
— Eu estou tentando, mãe, eu juro que estou, mas eu simplesmente não consigo me acalmar. — respondeu, uma oitava acima do necessário tamanho nervoso que sentia, fazendo com o padre lhe encarasse de cara feia.
— Pelo amor de Deus, irmão. No seu casamento mesmo você estava um poço de calma, por que isso agora? — Rene disse baixinho, se aproximando do irmão e da mãe.
— Simplesmente porque no meu casamento eu sabia que ela casar comigo, e agora eu acho que tudo o que ela vai fazer é romper porta adentro, com a fúria de um furacão quando toca o solo, e ela só não vai dizer nenhum palavrão porque respeita a casa de Deus. — respondeu rápido, fazendo o irmão gargalhar, enquanto recebia uma nova cara feia do padre.
Enquanto todos mantinham a atenção na conversa de , Rene e Paqui, tentando decifrar que tanto eles falavam, Miriam e Sol abriram a porta com pressa, fazendo um barulho mais alto do que haviam imaginado, e sentindo seus rostos corarem assim que todos os presentes as encararam de forma estranha, questionando-as do motivo de toda aquela pressa.
— A noiva está pronta. — elas disseram juntas, assim que cruzaram o olhar com o noivo suado em cima do altar.
— Graças a Deus. — levantou as mãos para o céu, agradecendo pela graça atendida.
— Eu te avisei, meu filho, eu te avisei. — Paqui disse, sem conseguir conter o sorriso que apareceu em seu rosto, tamanha era a felicidade que sentia ao ver os olhos de seu menino brilharem novamente.
Todos caminharam apressados em direção ao altar, enquanto a porta ao fundo da igreja voltava a se fechar. podia jurar ter visto a silhueta de por trás dos vidros que ornamentavam a porta de entrada da Catedral, o que ele não sabia é que ainda não havia saído da sacristia ali ao lado, pensando seriamente se deveria ou não aceitar a renovação de votos e voltar a viver com o marido. tentava passar em sua mente todos os momentos felizes que viveu ao lado de , e desejava que sua mente parasse de trazer a tona só os pensamentos negativos dos últimos dias.
Dentro da barriga, seu bebê se agitava, como se soubesse que era de suma importância se fazer presente naquele instante, mostrando a mãe que aquele era o motivo de maior felicidade pelo qual ela deveria se juntar a seu pai no altar, sem questionar o que poderia acontecer dali para frente.
— Ainda não colocou o véu, meu amor? — se assustou quando a voz sutil da mãe reverberou pelo cômodo em que estavam. — Estão todos te esperando.
— Eu não sei se consigo, mamá. Eu não sei se quero. — respondeu frágil, enquanto encarava a mãe pelo reflexo do espelho. — Eu queria um casamento como o seu e o do papá, cheio de amor, carinho, respeito, cuidado, paixão.
— Filha, o meu casamento com o seu pai não foi nenhuma maravilha, nenhum casamento de filme, viu? Nós tínhamos muitos problemas, mas os deixávamos dentro de casa, escondidos onde apenas nós poderíamos ver. A gente brigava, mas a gente se amava com a mesma força, e eu sempre tentei te ensinar o que era o amor verdadeiro. O amor verdadeiro não é perfeito e nunca vai ser. Se você quer uma perfeição assim, precisará se casar com um boneco. Casamento é concessão, é espaço vago, é entrelinhas. Casamento às vezes é vazio, e às vezes é tão cheio que sufoca. Casamento é mergulhar no escuro, confiando que a outra pessoa estará lá para te segurar. Casamento é andar no escuro, as coisas podem te acertar, mas você precisa confiar em quem caminha contigo. Você precisa confiar em quem escolheu para entregar seu coração. E se você confiou no há dez anos atrás para lhe entregar não apenas seu corpo, mas sua alma, não apenas seus sentimentos, mas o seu coração, você precisa encontrar aquela confiança de antes. Sem confiança não há amor, sem amor não há harmonia, sem harmonia não haverá casamento forte o suficiente para suportar todos os ventos do caminho. Confie, suporte, conceda. Ame. A si mesma e a ele, e a esse bebê que vive dentro de você e que sela todo o amor que vocês não imaginaram que pudessem ter. — Paloma disse sutil, enquanto abraçava a filha pelas costas, sem nunca desviar o olhar do dela.
— Haverá uma chance para nós dois? — questionou, sentindo os olhos marejados.
— Sempre haverá, minha princesa. Lembre-se é amor e concessão. Vá atrás do seu amor, e se conceda a oportunidade de voltar a ser feliz. — a mãe lhe respondeu, antes de depositar um beijo no ombro desnudo da noiva, e se afastando para buscar o véu, que logo estava no seu devido lugar. — Agora vamos logo, que tem um noivo impaciente te esperando no altar.
— Eu te amo. — disse, assim que passou o braço pelo da mãe, para caminhar em direção a porta de entrada.
parou na frente da porta, e de onde ela estava, tinha uma visão quase que privilegiada do que acontecia do outro lado do vidro. Ela reconheceu a silhueta do marido, que parecia mais inquieto do que ela própria imaginava. segurou com ainda mais força o braço da mãe, quando os acordes da marcha nupcial começaram a ressoar pela enorme catedral a sua frente. Sempre fora seu sonho se casar ali, mas era quase que impossível conseguir um dia que fosse para que isso acontecesse, e não lhe surpreendia o fato de ter ido atrás de realizar seu sonho. Com os pensamentos presos a imagem de seu pai, que fora que a levou ao altar da primeira vez em que se casara com o homem a alguns passos de distância, iniciou a caminhada assim que as portas se abriram. Ela resolveu focar o olhar em qualquer coisa que não fosse no marido visivelmente emocionado no altar. Era como se ela tivesse sido envolta pelas memórias do dia em que se tornaram um perante os olhos de Deus, e algo lhe dizia que permitia reviver aquele momento.
encarava a esposa do alto, com uma visão privilegiada de onde estava, enquanto se lembrava da primeira vez que a vira em um vestido branco parecido com o que ela trajava agora. Ele ainda sentia o coração palpitar firme no peito, a fraqueza nas pernas, e o sorriso bobo que não lhe sairia nunca dos lábios. podia jurar para quem quer que fosse que desejava congelar o mundo inteiro naquele instante, no instante em que finalmente cruzou seu olhar com o dele. O mundo se movia mais lento para , era como se ele só visse a mulher a sua frente. Colorida, em preto e branco, uma mistura de memórias, enquanto ela caminhava suavemente na direção dele. Sua , a do sorriso de diamante estava ali, e ele finalmente se sentia pleno, depois de seis dias se afogando em águas turbulentas. Se sentia como se pudesse ouvir os anjos cantando nas nuvens, e ele sabia que o único lugar em que gostaria de permanecer naquele instante era em seu olhar, era no sorriso lindo que havia prendido seu olhar.
Nenhum saberia dizer, caso lhes questionassem, quanto tempo levaram até conseguirem juntar suas mãos no altar. Em determinado momento poderiam responder que foram segundos que os separaram no espaço do corredor da Catedral. Em outro momento poderiam dizer que tal ato levou horas para finalmente acontecer. Mas ambos tinham certeza de que estavam ali por inteiro, e de que, finalmente, estavam reencontrando o sentimento que parecera perdido ao longo dos anos.
— Estamos aqui reunidos para celebrar a renovação de votos de e , depois de dez anos do primeiro casamento. É de livre e espontânea vontade que ambos estão reunidos aqui hoje? — o sacerdote iniciou a benção, fazendo com que ambos o encarasse.
— Sim. — eles responderam juntos, de uma só vez, fazendo com que um sorriso brotasse de ambos os lábios.
— É de livre e espontânea vontade, querer renovar os votos hoje? — o sacerdote continuou os questionamentos.
— Sim. — eles responderam juntos mais uma vez, fazendo os presentes no altar rirem.
— Então eu lhe pergunto, , você aceita novamente e lhe promete ser fiel, amá-la e respeitá-la, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, por todos os dias de sua vida?
— Sim, eu aceito. — respondeu, enquanto virava de frente para a esposa.
— E você , aceita novamente e lhe promete ser fiel, amá-lo e respeitá-lo, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, por todos os dias de sua vida?
— Sim, eu aceito. — respondeu baixinho, enquanto sorria para o marido, que lhe olhava emocionado.
— Bom, eu preciso das alianças de vocês, ou haverá um novo par? — o sacerdote perguntou, encarando a , e ele lhe sorriu, enquanto puxava uma nova caixinha de veludo vermelho de dentro do bolso do paletó que vestia, e logo depois puxou a própria aliança do dedo e a estendeu ao sacerdote, para que ambas fossem abençoadas, enquanto seguia seus passos. — Eu abençôo essas alianças, e desejo que elas sejam o elo que os unirá, pela eternidade. — o sacerdote recitou, antes de jogar água benta em cima da almofada onde as havia depositado, fazendo com que sorrisse mais largo. — Podem trocar as alianças.
, receba essas alianças, como prova do meu amor e da minha fidelidade. — foi o primeiro a se manifestar, enquanto pegava a antiga aliança dourada e a nova feita de estanho, e passava ambas pelo dedo da esposa.
, receba essas alianças como prova do meu amor e da minha fidelidade. — seguiu o gesto do marido, e também lhe passou ambas as alianças pelo dedo.
— Agora vamos aos votos. — o sacerdote passou o microfone para mão do primeiro que lhe requisitou.
— Resolvi começar porque, primeiramente, eu não faço a mínima ideia do que está acontecendo aqui. Eu sei, eu disse que estava aqui por livre e espontânea vontade, desde que isso inclua receber um envelope pardo ontem, com o convite da minha renovação de votos que eu não fazia ideia de que estava para acontecer. Isso faz algum sentido para vocês? Porque para mim não faz nenhum. , eu não faço a mínima ideia do que essa sua cachola cheia de minhocas está imaginando para a próxima página, mas eu sei que posso fechar os olhos e confiar em ti, me entregar de peito aberto e a alma livre, porque eu sei que você não vai me deixar cair. Pouco antes de entrar por esse corredor, eu estava na sacristia, decidindo se eu realmente caminharia até você ou não. Sim, eu não sabia se eu queria continuar casada contigo, até que a mulher que nunca foi sua maior fã, fez com que eu tomasse a minha decisão. — optou por começar sua fala, antes que o marido fizesse um discurso que lhe arrancasse lágrimas, e ela não conseguisse dizer o que queria. — Eu sempre achei que casamento era lindo, era leve, era fácil, porque era assim que eu via o casamento dos meus pais. Forte, resistente, como um castelo cheio dos mais grossos tijolos, mas acabei descobrindo que o casamento deles era, na verdade, um castelo de cartas, frágil e pronto para ruir, mas o que não lhe permitia cair, era a força que ambos tinham para driblar as mais fortes ventanias e manter o castelo em pé. Hoje, ouvindo da boca da minha mãe que o casamento deles era frágil, eu entendi porque eu me sentia assim em relação ao nosso. Pode ser que muitos achem que uma relação de quase quinze anos já signifique o começo de uma eternidade, mas a gente sabe que não é. Ouvindo da minha mãe que eu precisava entender que casamento é difícil, foi quando eu entendi onde estávamos errando. Queria te dizer aqui, na frente de todos, que estar casada com você é a maior prova de resistência que já precisei enfrentar. Eu preferiria uma prova de mil obstáculos, seria mil vezes mais fácil, lhe juro, mas não teria o mesmo sabor de vitória no final. É difícil conviver com seus roncos, seus uniformes espalhados pela casa, a forma espalhada com que você ocupa não apenas metade do sofá, mas metade da nossa cama. É difícil conviver com o cheiro predominante de suor quando você chega do treino, mesmo que tenha tomado banho no centro de treinamento. E é ainda mais difícil conviver com você depois de uma falha, uma expulsão ou uma derrota. Você se torna um porre quando perde. Mas eu amo todas essas coisas. Eu amo saber que sou seu porto de paz, de conforto, de carinho. Amo quando você chega em casa depois de uma derrota e pede para que eu simplesmente lhe abrace dizendo que apenas isso pode mudar seu dia. Amo quando você vem manhoso e diz que precisa de mim para seguir adiante. Amo quando você me usa como espelho, como escudo, como suporte, como base, como proteção. Eu amo cada mínimo detalhe seu, e lhe prometo nunca mais desejar correr uma maratona de mil obstáculos, se isso significar viver na sua presença, pela eternidade que nos for permitida. Eu te amo. — encerrou seus votos com o rosto banhado em lágrimas, que era refletido no rosto inundado do homem à sua frente.
, , , a menina do sorriso de diamante. Quando eu penso no nosso relacionamento, lá no começo, eu penso na quantidade de coisas que superamos para estar aqui hoje, sendo uma só carne, compartilhando e dividindo dez anos de casados, quinze anos de um relacionamento com altos e baixos, e apenas esperando para que nossa família possa aumentar um pouco mais. Cada vez que eu fecho os olhos, minha mente é bombardeada com lembranças dos momentos que compartilhamos juntos, como nosso primeiro encontro, o primeiro abraço, o primeiro beijo, o pedido de namoro, seu pai me expulsando da sua casa quando você nos apresentou, aquele título importantíssimo que dividimos juntos, o pedido de casamento, a luta constante para que seus pais me aceitassem, a cara de contrariado do seu Santiago enquanto te trazia até mim no altar, e a forma com que ele me agradeceu por fazer de tudo para colocar um sorriso no seu rosto, pouco antes dele falecer. Eu fiz uma promessa ao seu pai, minha lua, e eu vou cumpri-la até meu último dia de vida. — dizia seus votos pacientemente, enquanto as lágrimas escorriam livres por seus olhos, vendo sua esposa chorar na mesma intensidade. — Sei que fiz coisas erradas por muito tempo, sim, eu admito que fiz muita coisa errada, mas tudo o que eu queria era acertar, era te manter ligada a mim. Você sabe , eu preciso do seu amor, eu preciso do seu toque, das suas palavras doces. Você tem total ciência de que me tem na palma da sua mão princesa, de que é capaz de brincar com as minhas emoções, minha mente e meu coração, você me tem para si, com suas opiniões fortes e seu desejo de que eu seja sempre melhor, para você e para mim. Para a nossa família, que crescerá ainda mais. Eu prometo te amar incondicionalmente, se você prometer me amar também. Meu astro preferido, lua iluminada. Meu diamante azul. Eu te amo. — terminou os votos com o rosto colado no da esposa, fazendo com que seus olhares se misturassem, tornando toda a imagem que via a sua frente, em uma só coisa.
— E depois desses votos lindos, é com todo o poder concedido a mim que eu vos declaro, mais uma vez, marido e mulher. — o sacerdote fez alguns gestos com a mão enquanto os abençoava, e puxou para um beijo apaixonado.
Ambos sabiam que aquele beijo selava todo o amor, o carinho, o respeito e a admiração que tinham um pelo outro, trazendo a suas faces os melhores sorrisos encantados que eles poderiam ter. lhe ofereceu o braço direito, que segurou com carinho, para que ambos pudessem sair unidos da catedral, enquanto todos os presentes lhes saudavam com palmas.
Era possível tocar a felicidade tamanha força e presença que ela possuía. Era possível abraçar e se envolver em todo o sentimento que emanava do casal, quando ambos cruzaram a porta da catedral, em direção ao carro que os esperava para levá-los até o lugar onde celebrariam a nova união. O entorno da catedral estava cheio de pessoas dispostas a uma única tentativa de ver de perto o ídolo de longa data, e sorriu animada quando sentiu a onda de amor e carinho que os envolveu naquele instante. Eles eram só sorrisos. Sorrisos e amor, como sempre seriam.
ligou o carro, e seguiu pelas ruas de Sevilha, cumprimentando as pessoas a volta do casal, já que não era comum um famoso aparecer por aquelas ruas em um carro conversível com roupas de quem recém havia casado. permanecia ao seu lado, com o rosto banhado em lágrimas e envolto em seu melhor sorriso, um passo à frente na sua felicidade. O que ela não sabia era o que porta malas estava carregado de roupas novas, e que o porta luvas guardava o mapa que daria início ao novo começo que eles traçariam.
, para onde estamos indo? — questionou, assim que viu a placa que indicava os limites de Sevilha.
— Rumo a nossa felicidade, . — respondeu, sem tirar os olhos da estrada.
— Eu tô falando sério amor, onde vamos agora? De volta para Madrid? Mas eu nem me despedi das pessoas. — continuou, alarmada por não poder se despedir da mãe, da irmã e da afilhada, de quem sempre morria de saudades.
— Abra o porta luvas e descubra, amor. — respondeu, virando levemente o rosto para ver , sempre curiosa, abrir o espaço a sua frente com pressa.
puxou um mapa de toda a Europa daquele pequeno espaço, e quando o abriu encontrou algumas cidades circuladas no mapa, com algumas setas que ligavam a várias referências. As cidades riscadas eram Sevilha, Verona, Viena, Skagen, Paris e Madrid, e todas pareciam formar um trajeto longo, mas cheio de significados, segundo as anotações que ela sabia que haviam sido feitas por , cada cidade com uma cor diferente, para que ele não confundisse com as escolhas.
— O que vamos fazer nesse tanto de cidade, , você ficou louco? — questionou, enquanto ainda traçava o desenho do mapa com a ponta dos dedos.
— Seja bem vinda a nossa lua de mel, minha querida .
Isso fora tudo o que disse, antes de tirar o mapa da mão da esposa, e guardá-lo embaixo do volante do carro. agradeceu por ter encontrado um óculos de sol no porta luvas, e apesar de se sentir incomodada com o vestido rendado que lhe pinicava levemente, ela resolveu aproveitar o trajeto escolhido pelo marido, sabendo que aquilo havia lhe tomado algumas horas, entre uma escolha e outra.
colocou a mão sobre a coxa da esposa, e ela lhe segurou a mão, como se lhe disse silenciosamente que estaria ali, sempre, e ele respondeu ao aperto, não verbalizando o mesmo sentimento que possuía. Aquele era como o sonho deles, irem juntos rumo ao novo início de felicidade que os esperava, além da próxima curva.



Fim.



Nota da autora: Oi gente linda, tudo bom?!
Então, falar sobre essa fic é um pouco complicado porque confesso que nem eu acredito que ela, finalmente, ficou pronta… Levei alguns muitos dias para decidir ideia, roteiro, achar o casal perfeito e escrever. Confesso que nem eu acreditei quando vi que realmente ia conseguir colocar em prática… Eu sou acostumada a um casal fixo, mas não achei que a história deles aqui se encaixaria, e foi nesse ponto em que descobri que eu precisava não só de novos ares, como também de um novo jogador de futebol pra chamar de meu, e foi nesse ponto exato que o Sergio Ramos apareceu… Quem me conhece ou conhece minhas fics sabe que eu tenho a mania de enfiar a França em tudo que eu escrevo, mas foi um prazer enorme desenrolar essa história na Espanha. E, caso vocês tenham percebido, eu deixei ali um espaço pra uma “parte 2”, só depende de vocês viu?!
Enfim, espero que tenham gostado, porque essa fic me roubou mais tempo que o esperado, mas foi bem prazeroso escrevê-la, e eu espero que vocês se encantem como eu me encantei.
Bom, caso queiram conversar, falar sobre a fic, ou, simplesmente, divulgar algo que vocês escrevam, é só me mandar nas redes sociais aí embaixo. Vou ficar muito honrada com o retorno!
Vejo vocês na próxima!
Um beijo, um queijo e um cheiro,
Ju ❤

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