Finalizada em: 02/06/2017




Capítulo Único



Ergui os olhos para o grande espelho à minha frente. Há quanto tempo eu não reparava mais naquelas olheiras? Eu não sabia e apenas agora notei que era como se eu estivesse dez anos mais velha.
Eu ainda era jovem, entretanto, toda a minha rotina era exaustivamente puxada e a cada nova turnê as horas de sono se tornavam escassas. No começo, pensei até mesmo em desistir, achei que não aguentaria. No entanto, aqui estava eu: a garota que foi invisível durante toda a vida, mas que agora tinha o mundo na palma da mão.
Parecia até mesmo uma ironia. Por anos, costumei me vestir como todo mundo. Tentava falar como eles, eu queria ser como aquela gente. E, mesmo com todos meus esforços, eles estavam dispostos e me colocar pra baixo. Antes que pudesse me afogar, agarrei-me a minha... como foi mesmo que chamaram? Ah, é claro!
Ilusão.
Encheram a minha mente de maus pensamentos, disseram que eu era fraca e tola. Até que, em certo momento, tapei meus ouvidos e trilhei pela estrada que um dia julgaram ser impossível.
Eu cresci.
E meu sonho cresceu comigo.
Eu o alcancei e percebi que não precisava ser como ninguém. Acabei descobrindo uma verdade: deveria ser eu mesma.
Respirei fundo, sentindo meu peito inflar. Ao mesmo tempo, mãos trabalhavam em meus cabelos, penteando-o para mais uma noite. Mais um dia para brilhar. Tinha certeza de que eles estariam lá, que veriam o que me tornei e que morderiam suas línguas, pois estiveram errados por todo esse tempo. Provei a todos que para sonhar não há limites.
Eu era diferente deles e gostava disso.
Assim que as mãos hábeis deixaram minhas madeixas, virei o rosto para o lado e me deparei mais uma parte de minha nova realidade. Porque sonhar era muito bom. Realizar tal sonho era ainda melhor. Todavia, para toda escolha existe consequências e as minhas estavam lá. A cada dia me deparava com um novo obstáculo que parecia crescer cada vez mais. E fitar a capa daquela revista evidenciava isso.

“Bomba: e terminam relacionamento!”


Consegui me livrar dos demônios de meu passado, no entanto, novos chegaram. E desses não poderia me libertar. Faziam parte do que eu escolhi e sempre entendi tal inconveniente. Aquela vida estava longe de ser perfeita, longe de ser um mar de rosas. Mas eu não me importava.
O mundo continua me testando. Eles tentam me fazer perder o controle, perder a fé. E quando penso que me esqueceram, lá estão, buscando uma nova maneira de me atingir. Não ligaram quando quase perdi minha voz, nem quando chorei por um familiar e agora eles não se importavam com meu coração partido. Só queriam uma nova manchete.
Mas eu aprendi a não me importar. Se quisessem ser intrometidos, que fossem. Que conseguissem suas fofocas. Pois eu fico mais esperta e estou pronta para amar o bem e viver o mal. Agora eu entendi: basta fazer o melhor que puder.
Deixei que cuidassem do meu rosto, que escondessem minhas marcas de expressão. Naquele momento, deixei meus problemas para trás. Quando o delineador marcou meus olhos, reconheci minha figura. Aquela era , a menina sonhadora e lutadora e ninguém poderia me roubar isso.
Me levantei, pegando o microfone que me estenderam, continuando a me encarar, tendo a ampla visão da mulher que eu era. Tinha noção de que precisava de amor, de onde quer que ele viesse. Porém, não seria uma dependente e esperaria. Enquanto isso, viveria meu sonho. Minha pequena ilusão que se tornou minha grande realidade.
- , cinco minutos! – ouvi atrás de mim.
- Já estou indo. – respondi.
Olhei o espelho outra vez, mas agora um sorriso enfeitava meus lábios, me fazendo ter certeza de que estava fazendo o certo.
- Basta fazer o melhor que puder... – murmurei para mim mesma.
Apertei o microfone com força e segui para fora do camarim. No começo, ouvia apenas o som de minhas botas contra o piso. Mas, quanto mais eu me aproximava do palco, mais vozes tomavam meus ouvidos. E quando gritaram o meu nome, o sorriso se alargou. Eu havia conseguido e, mesmo com dias de chuva, provei que tudo é alcançável, basta esperar o sol brilhar.

“Às vezes é luz do sol, e às vezes é chuva. Eu estou mais esperta e agora eu entendi: basta fazer o melhor que puder.”




Fim.





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