Fanfic finalizada.

Capítulo Único

Parte um


Termino de ajeitar meu cabelo e escuto o barulho do chuveiro, ainda está no banho e decido preparar o café da manhã para podermos aproveitar um pouquinho o tempo juntos, já que ultimamente vem sendo bem difícil conciliar nossos horários de trabalho.
— Amor, vou fazer o café da manhã pra gente — abro a porta do banheiro, o vejo através do boxer e ele sorri malicioso em minha direção — tem tempo de comer ou algum compromisso logo no primeiro horário?
— Só tenho reunião depois do almoço — fecha o chuveiro e enrola uma toalha em sua cintura — e pra você eu sempre tenho tempo.
Segura meu braço e me puxa para si selando nossos lábios, faz menção de aprofundar o beijo, mas eu sei onde isso terminará se continuar e infelizmente, na parte da manha tenho aulas agendadas e não posso me atrasar por mais tentadora que seja a ideia.
— Duas aulas — digo e ele sorri antes de passar por mim e ir separar suas roupas — te espero na cozinha.
Coloco a água para ferver e já separo as xícaras colocando-as em cima da mesa. O cheiro de café invade o apartamento e ao me sentar na cadeira para esperar por pego o meu celular para ler algumas mensagens, um lembrete aparece na tela do aparelho lembrando-me que falta poucos dias para completarmos oito anos de namoro e me pego rindo ao lembrar do começo de tudo.


Minha irmã corria atrás de mim pelos corredores da faculdade enquanto eu gargalhava por vê-la com uma feição de raiva, acabei deixando escapar no meio dos nossos amigos que ela gostava de e o pior foi que o mesmo chegou na hora ouvindo tudo. E só deu tempo de levantar da cadeira e correr porque no segundo seguinte a mesma veio atrás de mim correndo em uma velocidade absurda.
! — me chamou aos berros e continuou correndo atrás de mim enquanto eu não conseguia para de rir.
O que eu não contava era um garoto com uma pilha de livros na metade do caminho, não consegui parar a tempo derrubando-o no chão com suas coisas, e caí em cima do mesmo e sem coragem de abrir os olhos não percebi que continuava em cima do garoto.
— Desculpa — disse sem graça e ele sorriu.
O ajudei a recolher as suas coisas e me esperava encostada em um dos armários.
! — O garoto estende sua mão e a aperto e continuo envergonhada pelo ocorrido.
! — digo e ele sorri — e eu sinto muito por derrubar você e suas coisas.
— Nos vemos por aí? — ele pergunta e apenas sorrio.
— Sim. — Respondi e me vi sorrindo para o desconhecido que pouco a pouco sumiu da minha vista.
Fui obrigada a voltar a realidade porque minha irmã me dava tapas no braço, repetindo que ia acabar comigo e eu só conseguia rir deixando a mesma com mais raiva ainda.
, então esse era o seu nome.



E não consigo segurar o sorriso ao lembrar-me do dia que derrubar um garoto mudou toda a minha vida, lembro que passei por aquele corredor dias e mais dias em busca de encontrá-lo mesmo sem entender o que estava acontecendo comigo, eu era apenas uma caloura que queria aproveitar as festas, gostar de alguém não estava em meus planos, porém me vi perdidamente apaixonada no meio do semestre, sempre almoçávamos juntos, íamos ao cinema e sempre arrumava uma desculpa para me dar uma carona e quase oito anos se passaram. Ambos já formados, trabalho em uma escola de música e ele é CEO na empresa da família dele e o que todos chamavam de loucura por irmos morar juntos com um ano de namoro está aí até hoje.
— Que sorriso lindo — adentra a cozinha com sua gravata na mão — pensando no seu namorado maravilhoso?
Uma risada escapa e selo nossos lábios, pego a gravata de suas mãos e a amarro com perfeição adquirida nos anos de namoro.
— Eu me lembrei de quando te conheci — digo já com uma xícara de café em mãos e me sento em uma das cadeiras — e no mico que eu paguei.
— Desmarcou todas as páginas dos meus livros — faz uma careta e ri em seguida — mas valeu a pena ao te ver sorrir.
— Você sempre fala do meu sorriso — digo envergonha e ele serve um pouco de café em sua xícara — é como qualquer outro.
— Ele é o seu sorriso — senta ao meu lado e segura minhas mãos — o seu sorriso.
O abraço e suas mãos acariciam meus cabelos. Um dos meus maiores medos era que o tempo destruísse tudo que sempre me atraiu em , mas o tempo só aumentou ainda mais seu carinho, seu companheirismo e até mesmo nosso sentimento se fortaleceu muito mais.
— Amor — grito do quarto e ele responde — você viu minha pasta com…
— Na mesa da sala — escuto e corro até a mesma pegando-a.
passa pela porta e aperta o botão do elevador, enquanto tranco a porta e caminho até ele aguardando o elevador, quando o mesmo abre as portas sorrimos para os vizinhos e permanece respondendo algumas mensagens, e me mostra uma foto de com , e o meu sobrinho ambos combinando as roupas e achei a coisa mais fofa do mundo.
— Não é a típica família de comercial de margarina? — Brinco e concorda.
A porta do elevador abre e ele segura a minha mão, caminhamos pelo estacionamento até o seu carro. E durante o percurso até a escola me vi pensando em uma família, como nunca aconteceu. — Não te incomoda eu não pensar em casamento ou filhos? — Pergunto e me encara sem entender.
Para o carro em frente a escola em que dou aula e parece pensar antes de responder.
— Não. — Admite. — Por mais que eu tenha vontade de casar e ter filhos, eu respeito e entendo os seus motivos e você deixou claro antes mesmo de começarmos a namorar.
— Obrigada por me entender — sorrio e ele segura minha mão — e por decidir ficar.
— Não precisa agradecer — beija minha mão e me encara com curiosidade — mas por que a pergunta?
— Nada. — Digo e antes de sair do carro dou um selinho em seus lábios.
sorri e aceno para ele antes de vê-lo dar partida no carro e adentro a escola cumprimentando alguns alunos que caminham pelo pátio.




+ +





Já passava das cinco quando desci do táxi correndo, passei com pressa pelo portão da creche onde meu sobrinho fica boa parte do dia e fui direto até a sala da diretora. Dei duas batidas na porta e ouvi uma voz pedindo que entrasse e assim fiz. O encontrei no colo de uma mulher que identifiquei como a professora e ele estava quieto o que não era normal.
— Boa tarde! — Digo e as mulheres sorriem. — Vim o mais rápido que pude.
— Senhora , certo? — A diretora perguntou e apenas assenti que sim.
— O Enzo está um pouco febril — a professora explicou — e boa parte do dia ficou quieto, não quis brincar com os coleguinhas e não quis comer o lanche.
Levantei e estendi os braços para o pequeno a minha frente, veio para meu colo e aninhou o pequeno corpinho ao meu colo. E ao colocar a mão em sua testa percebi que estava febril, provavelmente um resfriado pelas mudanças bruscas de temperatura que o afetava demais.
— Surgiu um problema na família do meu cunhado e eles precisaram ir as pressas para ajudar — explico e a diretora me encara — e me ligou na hora do almoço, disse que já tinha deixado avisado que viria para buscá-lo porque ela não conseguiria voltar hoje.
— Realmente ela avisou — a mulher explica — mas a professora o observou ao logo dia e quando notou que ele estava febril decidimos avisá-la.
— Muito obrigada — digo e me levanto com meu sobrinho em meu colo — meu namorado chegou e levaremos Enzo à emergência para ele ser examinado.
— Melhoras para ele. — A professora diz e apenas sorrio para a mulher.
Meu sobrinho costuma ser bem animado e vê-lo tão quieto faz o meu coração apertar, beijo sua testa e suas mãos estão em volta do meu pescoço e caminho apressada encontrando na metade do caminho, entrego as coisinhas de Enzo para ele e deixa um beijo na testa do meu sobrinho.
— Vai ficar bom logo, logo, campeão. — brinca com Enzo ao abrir a porta do banco traseiro.
Costumamos passear bastante com Enzo e até mesmo buscá-lo na creche quando ou se enrolam no trabalho então, temos sempre uma cadeirinha para levá-lo sempre em segurança. E o coloco na mesma, afivelo o cinto e me sento ao seu lado não soltando a sua pequena mão que segura a minha desde a hora que o peguei do colo da professora.
— Podemos ir, amor. — Digo e da partida no carro.

Meu sobrinho trouxe para nossas vidas uma alegria que há muito tempo não sentíamos, eu e crescemos em meio a brigas, uma cuidava da outra, tentando ao máximo proteger a minha irmã mais nova eu presenciei muitas coisas e ao longo dos anos, não sentia a vontade de casar ou constituir uma família. Dizem que os filhos são reflexos dos seus pais e eu não queria ser responsável por causar a um ser inocente o que eu e minha irmã passamos.
— Vou pegar uma roupa pra ele — digo ao deixar Enzo no colo de — o médico disse para dar um banho gelado e o anti-térmico.
— Tudo bem, amor — sorri e acaricia os cabelos de Enzo.
Com ajuda de consegui tirar as roupas de Enzo e ele chorou ao sentir a água quase fria cair sobre o seu corpo e partiu o meu coração, mas era para o seu próprio bem. Enxuguei o seu corpo e vesti o seu pijama colocando uma meia em seus pés.
— Quem é? — Perguntei ao ver no celular enquanto esfriava a comida no prato.
! — Disse e caminhou até o sofá entregando-me o aparelho e ajeitou meu sobrinho em seu colo para tentar fazê-lo comer.
Sentei no sofá ao lado e levei o celular até o ouvido e minha irmã estava aos prantos.
chorava e eu ouvia tentando acalmá-la — como o Enzo está?
— O levei na emergência e o pediatra disse que é o início de um resfriado — expliquei — mas já o medicou e a febre abaixou depois do banho, inclusive ele está comendo nesse momento.
— Eu sou uma péssima mãe — minha irmã não parava de chorar — eu me odeio.
Não consegui conter uma risada, porque é tudo menos uma péssima mãe.
— Para com isso — digo e ela continua chorando — você é uma mãe maravilhosa e não podemos esquecer que ele tem apenas dois anos, criança fica resfriada e você não tem culpa disso.
— Obrigada — já não chora mais — pode me ligar a qualquer hora, se ele chorar, se ele chamar por mim, se a febre volta, se ele não conseguir dormir.
— Eu ligo — digo — e cuidaremos dele.
— Meu pequeninho precisando de mim e eu aqui resolvendo problema dessas irmãs do . — reclama.
— O que elas aprontaram dessa vez? — Pergunto e sorrio vendo fazendo aviãozinho com a comida para Enzo comer.
— Brigaram em um supermercado — bufa e sacudo a cabeça — agrediram a funcionária e ela deu queixa por agressão.
— Certa ela — afirmo — essas duas só arrumam confusão e depois ligam para o para limpar a sujeira que deixam pelo caminho.
— Ah, mas já avisei a ele que cansei disso — minha irmã diz cansada — da próxima vez elas resolverão isso sozinha porque não dá pra parar nossas vidas a cada problema que elas arrumam.
— Você está certa — sorrio para mostrando o prato vazio — já são adultas e precisam crescer.
— Concordo com você.
vou ter que desligar, mas Enzo está bem, a febre passou e conseguiu fazer ele comer — tento tranquilizá-la — vou ficar com ele para tomar um banho, veio direto da empresa.
— Muito obrigada — minha irmã agradece — qualquer coisa, qualquer hora pode me ligar.
— Pode deixar. — Digo.

Estendo as mãos para o bebê que pula para meus braços se acomodando com a cabeça em meu ombro enquanto canto para ele e percebo que seus olhos me encaram. E caminho com ele pelo meu apartamento sem deixar cantar, era a música preferida de quando criança. Vejo seus olhos lutando para permanecerem aberto e mesmo ao notar que já está dormindo continuo ninando por mais um tempo. O deito no meio da minha cama e coloco travesseiros para que não caia e vou para a cozinha colocando uma lasanha no microondas.
— Amor — me abraça por trás e beija meu pescoço — pode tomar banho que eu vigio.
— Obrigada — colo nossas bocas rapidamente e corro em direção ao banheiro.
A água quente cai pelo meu corpo e me sinto aliviada em vê-lo bem, quando a diretora me ligou não pensei duas vezes larguei tudo para ir até meu sobrinho e consigo imaginar como minha irmã se sentiu ao estar longe em um momento como esse.
— Titia te ama — sento na cama e faço carinho em seus cabelos — e vai sempre cuidar de você.
Ajeito a manta para deixá-lo bem aquecido e sorrio ao vê-lo dormir tão serenamente em minha cama.
Encontro sentado no sofá com um prato no apoio do sofá, vejo que está assistindo a um episódio de uma série policial que vem acompanhado e me junto a ele. E deito apoiada em seu peitoral e com suas mãos fazendo cafuné.
— Eu te amo muito — digo quando ele desliga a televisão — e muito obrigada por hoje.
— Eu te amo mais — brinca e me dá um selinho — e não precisa agradecer.
O puxo para mais perto e nossas bocas se encontram, minhas mãos seguram firme em seus ombros e suas mãos intercalam entre minha cintura e minha bunda apertando-a. Porém escuto o choro de Enzo d começa rir, levanto do seu colo e ele me acompanha.
— O que houve, meu amor? — Pergunto ao me deitar ao lado de Enzo e o trago para perto de mim.
— Mamãe! — O bebê choraminga e o coloco mais perto, e me encara com seus olhinhos azuis vidrados em mim,
— Brilha Brilha Estrelinha quero ver você brilhar — Enzo segura na minha mão, minhas mãos acariciam seus cabelos — Lá no alto, lá no céu, num desenho de cordel.
E me surpreende ao sentar do meu lado e cantar animado me fazendo companhia.
— Brilha Brilha Estrelinha, baila linda bailarina — não consigo não olhar apaixonada para cena, as mãos de dão tapinhas no bumbum de Enzo enquanto continua cantando — Brilha Brilha Estrelinha quero ver você brilhar.
Os olhinhos de Enzo já estão fechados, ele dorme tranquilamente aninhado em meu peito e percebo com seu celular em mãos e ele tira uma foto minha com o meu sobrinho. E vejo em seus olhos que ser pai é um sonho bem vivo dentro dele e ele seria o melhor. Uma lágrima escorre pelo meu rosto e ele a enxuga com a ponta do dedo.
— Não pensa nisso — deposita um beijo em minha testa — eu te amo, .
— Eu te amo — digo e aperto sua mão — muito.
deita ao lado de Enzo que está entre nós dois. Seus olhos me encaram e em silêncio agradeço por tê-lo ao meu lado, por ser um amigo, um namorado, maravilhoso e por me entender mesmo quando eu mesma não consigo.



+ +



Encarava o caderno a minha frente e tentava encaixar a letra da música na melodia, mas não estava funcionando, porém não desistiria. Estava empenhada em deixá-la perfeita por representar alguém tão especial que me mostrou que amar alguém não é doloroso como eu costumava pensar. E uma ideia surge em minha cabeça e corro para fazer a anotação, e percebo que encaixou na melodia e sorrio ao ver que essa será a música mais especial dentre todas as minhas composições e diferente das outras, essa será pessoal, não deixarei que ninguém grave porque vai fazer parte de algo único.
— Professora, posso entrar? — Reconheço a voz de e sorrio para minha irmã.
Enzo dorme no carrinho enquanto minha irmã me encara com curiosidade, tenta olhar o caderno, mas fecho rapidamente e ela entende que é algo muito pessoal.
— Prometo que quando terminar eu te mostro — aponto para o caderno — mas você por aqui?
— Fui levar o Enzo ao pediatra — explica — e como está quase na hora almoço pensei em vir convidar minha irmã para me fazer companhia.
— Sabe que eu não resisto a comida — brinco, guardo meu caderno na bolsa e tiro o celular do carregador colocando-o na bolsa.
Vejo quando Enzo chora e minha irmã corre até o carrinho, ajoelha de frente para o filho, e acaricia suas bochechas e ele abre um largo sorriso para a mãe. E tomo coragem de fazer a pergunta que há dias pra ser mais exata desde a noite em que cuidamos do meu sobrinho.
— Quando se sentiu pronta? — Pergunto e chamo a atenção da minha irmã que me encara sem entender. — Ter uma família.
sorri e se aproxima de mim, me encara e vejo um sorriso diferente em seus lábios, na verdade, muitas vezes tentara conversar sobre o assunto, mas eu a cortava, não dando abertura e não responde as suas perguntas.
— Nunca. — Minha irmã sorri ao ver minha cara de quem não entendeu absolutamente nada e se explica. — Quando me pediu em casamento eu não contei a ninguém, mas eu corri do apartamento dele e me tranquei em casa, chorando por horas seguidas.
! — Seguro sua mão e percebo que ela está chorando.
— Ah, — minha irmã olha para Enzo e me encara novamente — nos duas sofremos tanto. Éramos as únicas que praticamente imploravam para os pais ir as reuniões na escola, esperávamos ansiosas nas apresentações, raras vezes iam e quando não brigavam eles não desgrudavam do celular. E aí eu senti medo de um dia meu relacionamento se tornar igual e eu fiquei muito assustada e então no dia seguinte quando eu encarei o eu percebi que ele não era o papai e muito menos eu era a mamãe.
Abaixo a cabeça e uma série de imagens passa diante dos meus olhos, as brigas constantes, os gritos, a forma que um tratava o outro e essa foi a nossa vida por muitos anos até nossos pais se separem. Descobriram que podiam ser pessoas e pais melhores separados, e eles conseguem, mas o trauma não permaneceu apenas comigo, vejo que o carrega assim como eu.
— Eu acho que na verdade, eu sempre quis uma família — afirmo e ela sorri — e que não querer casar ou ter um bebê foi a minha forma me defender por medo de machucar vivendo em um relacionamento como os nossos pais.
— Eu entendo você, minha irmã — sorri e enxuga minhas lágrimas — e acredite se quiser quando eu casei eu passei a controlar ainda mais o anticoncepcional porque eu não queria, eu não suportaria ver um filho meu presenciar brigas, ausência dos pais e tudo que nós duas sofremos. E ai quando o assunto filhos surgia, eu mudava de assunto, eu coloquei uma barreira sabe?
— Sim — concordo com ela — é como dizer a si mesma: “meu limite é aqui.”
sorri e concorda, vejo novamente ela encarar meu sobrinho e conclui seu pensamento.
— E o que eu aprendi nesses dois anos de maternidade é que você nunca vai se sentir pronta, você vai se assustar quando descobrir a gravidez, vai surtar e achar que não vai dar conta — sorri e a acompanho na risada — quando ele chorar você vai fazer o mesmo, você vai acordar a madrugada inteira, na primeira febre vai correr desesperada pro hospital aos prantos, mas acima de qualquer coisa você vai olhar para a pequena vida a sua frente tão dependente de você, e pra ele você é tudo, e a única coisa que você pensa é em amá-lo como não foi amada, em cuidar, em acompanhar o seu crescimento e receber em troca o amor mais puro do mundo.
A abraço forte e ela me aperta contra si e eu sei que nunca estarei sozinha pois a tenho ao meu lado.




Parte dois



cortava os tomates, estava animado enquanto preparava o molho para o macarrão. E o observava me sentindo a mulher mais sortuda do mundo, levo minha taça de vinho até a boca e aproveito para anotar mais uma ideia no meu caderno. E ele me encara com um sorriso, mas logo volta sua atenção para a panela mexendo a carne moída dentro da mesma. Gosto de observá-lo cozinhar, separa cada ingrediente com calma, suas caras e bocas ao provar os sabores e com certeza, de nós dois ele é o melhor nesse quesito já que sou conhecida como a mestre em comidas congeladas. E ele lembro que ele literalmente me conquistou pelo estômago porque ele nosso primeiro encontro ele decidiu preparar um jantar no apartamento que dividia com minha irmã.
— Trabalhando em algo novo? — pergunta colocando o macarrão na travessa, jogando o molho por cima e entrego o queijo para colocar em cima.
— Talvez. — Sorrio e ele me dá um selinho antes de colocar a travessa no forno para o queijo gratinar.
— Misteriosa a minha garota — brinca e se ajeita entre as minhas pernas — mas eu gosto.
— Gosta? — Pergunto e o puxo pela camisa beijando-o, sua boca procura a minha com intensidade, minhas mãos apertam firme seus ombros. Desce os seus beijos até meu pescoço e suas mãos espalmadas em minha coxa. Seus braços envolvem meu corpo, e quando percebo já estou em cima da bancada da cozinha e não perco tempo tirando sua camisa e admiro a visão minha.
— Na cozinha? — Pergunta e ataco seus lábios novamente responde sua pergunta.
levanta meu vestido com urgência deixando-me apenas de calcinha e sutiã. Não perco tempo abaixando a sua calça de moletom com os pés enquanto seus lábios tomam os meus com urgência, aprofundo nosso beijo e minhas unhas percorrem suas costas fazendo-o soltar um palavrão. E uma das coisas que mais amo em nossos momentos,é quando nossos olhares se encontram conseguindo enxergar a intimidade que construímos juntos ao longo dos últimos oito ano.

— Mais vinho? — Pergunto e estende a taça em minha direção e encho a mesma.
Trouxemos o jantar para a sala, o macarrão ficou tempo demais no forno porque nos empolgamos esquecendo que o mesmo estava no forno apenas para gratinar o queijo. Tivemos uma crise de risos ao lembrarmos e ainda estava pelado quando correu até o forno, tirando a travessa com pressa e com certeza, é um das cenas que jamais esquecerei.
— Sabia que você fica linda na minha blusa? — acaricia minha perna que está em cima da sua e convencida acabo assentindo que sim.
— Sabia — brinco e ele faz careta — e eu amo que você seja alto porque elas ficam grandes do jeito que eu gosto.
— Às vezes desconfio que namora comigo mais pelas blusas — brinca — tem várias nas suas gavetas de tanto que você as usa.
— Descobriu meu segredo? — Brinco e dou um selinho em seus lábios.
Passamos o restante da noite conversando sobre nós, gostava dos nossos momentos mesmo que devido a correria do dia a dia acontecessem com pouca frequência, porém depois de muitas brigas desnecessárias percebemos que uma boa conversa resolveria tudo. Fomos sinceros, expomos nossas insatisfações e estamos trabalhando em quando tivermos nos dois focarmos em nós, não em trabalho ou coisas desagradáveis.
só vacila — gargalhava ao contar da visita surpresa de a empresa e do pequeno barraco que presenciou — e aí sua irmã chegou na hora que ele deixou cair café em cima da secretária dele.
— Meu Deus! — Não conseguia conter o riso ao imaginar a cena porque minha irmã sempre foi muito ciumenta.
— E aí ela viu quando ele pegou o guardanapo e entregou para a secretária — não conseguia parar de rir e colocou mais vinho em nossas taças — e eu não entendi nada quando escutei os gritos no corredor e encontrei sua irmã mandando um segurança segurar a criança que ela tinha um marido para bater.
Sacudi a cabeça ao imaginar a cena desastrosa na empresa, trabalha como diretor jurídico da empresa da família de e com sua postura séria e firme sempre conseguiu o respeito de todo mundo na empresa, mas depois dessa visita com certeza, não o verão mais com os mesmos olhos.
— Minha irmã é maluca — digo e meu namorado concorda — já disse pra que ela precisa pensar antes de agir porque por mais engraçado que seja, ciúme em excesso é a chave para o fracasso de um relacionamento.
— Concordo. — admite e continua alisando minha perna. — Mas eles se resolveram, saíram de mãos dadas com direito a sorrisinhos para lá e pra cá.
— Não sei quem é o pior — sacudo a cabeça e subo em seu colo — perder tempo com ciúmes e briga boba quando se pode fazer muitas coisas interessantes.
— Tempo não se perde — aperta minha bunda — se aproveita.
Rebolo em seu colo e ele fecha seus olhos jogando a cabeça para trás. Inclino-me e beijo sua boca sendo correspondida com intensidade, o levo a loucura rebolando sobre sua ereção em meio aos nossos beijos. Rapidamente levanta comigo em seus colo caminhando com pressa até o nosso quarto e me joga na cama arrancando um sorriso de mim.
— Eu te amo, garota! — Sua voz rouca me leva a loucura e ele tira sua calça de moletom e os meus olhos brilham.
— Oh, visão maravilhosa — digo — eu te amo, seu gostoso.
Sua boca ataca a minha com urgência e ali em seus braços encontro o meu abrigo.




+ +





Passeava pela sala observando atentamente o desempenho da minha turma de piano avançado, apenas oito alunos com uma dedicação impecável, donos de um talento único e eu tinha orgulho em poder ajudá-los nessa caminhada no mundo da música. E muitas vezes me vejo neles, no começo de tudo, nos tantos sonhos que eu cultivei dentro de mim, muitos realizados, alguns ainda não e acredito que ainda tantos outros me esperando ao longo da minha vida. Com certeza, o musical de fim de ano da escola será emocionante e recompensador ao ver meus alunos brilhando depois de um trabalho duro.
? — Um homem uniformizado e o reconheci de uma floricultura próxima ao meu apartamento. Assenti que sim e o homem se retirou da sala, não entendi nada e meus alunos já haviam finalizado a música, conversavam entre si.
O homem adentrou a sala carregando em um dos braços um urso gigante, e um lindo buquê de rosas vermelhas, minhas preferidas. E ele me entregou as flores e o urso, retirando-se da sala e ouvi as risadas dos meus alunos e estava um pouco envergonha, mas sorri ao sentir o cheiro das rosas.
— Professora — uma das minhas alunas chamou minha atenção e a encarei — tem uma carta pendurada no urso.
Sorri ao reconhecer a letra de no envelope e não consegui conter a minha ansiedade para ler.
— Obrigada. — Agradeço e ela sorri. —E estão liberados, mas não esqueçam de praticar para a próxima aula porque teremos a visita da diretora da escola.
— Trabalharemos duro, professora . — Um dos alunos responde e apenas sorrio.
E quando a sala já está vazia, coloco o urso em cima da mesa ao lado das flores e com cuidado solto o envelope tirando a carta de dentro do mesmo. E já prevejo que me fará chorar com suas palavras, o safado consegue ser bom com as mesmas.




Não pude passar todos os seus aniversários ao seu lado, mas de sete anos pra cá o dia de hoje se tornou o mais especial dentre todos os outros porque é o dia em que nasceu o amor da minha vida. E nesse oitavo aniversário, problemas nos negócios me impediram de estar fisicamente ao seu lado, jogando um balde de água fria em meus planos de um dia perfeito e pensando no que podia fazer para alegrar um pouco do seu dia lembrei de quando me contou que seu sonho de infância era um urso gigante, e pensando sobre o que poderia dar de especial para alguém mais especial ainda, eu escolhi realizar um dos seus muitos sonhos e não achando suficiente eu decidi nessa carta deixar registrado que a partir de hoje a ajudarei realizar seus sonhos um a um. Eu te amo, minha menina, melhor amiga, minha companheira e minha mulher. E eu sinto muito estar tão longe, há vários dias, mas eu prometo que quando voltar terá de mim meus melhores abraços, beijos, o melhor de mim que só você consegue extrair.
Com amor, .



Não consigo me conter e me vejo em lágrimas olhando para o urso a minha frente, mesmo sendo de uma família com condição financeira estável para ter meu sonho realizado, meus pais jamais conseguiram realizar esse e alguns outros sonhos, esses que na maioria das vezes nem dinheiro envolvia, mas como um presente chegou em minha vida, ajudando-me a realizar um a um, mesmo que não saiba. E eu o amo tanto que sinto que uma vida inteira não será suficiente para fazê-lo sentir, mas passarei o resto da vida que temos juntos mostrando que ele é amado verdadeiramente e eu sei que é recíproco.
Pego o meu celular na bolsa, no quarto toque ele atende minha chamada de vídeo e a vontade de abraçá-lo aumenta ainda mais, o vejo sorrir enquanto tira a gravata e seus olhos voltam sua atenção até a mim, percebendo minhas lágrimas e sou mais rápida que ele.
— Obrigada — enxugo minhas lágrimas, o celular treme em minhas mãos, mostro as flores e o urso em cima da mesa — você é o melhor namorado do mundo.
— Repete — ele brinca e não consigo evitar e sorrio — preciso gravar uma poesia dessa, melhor que isso é ouvir dizer que me ama.
— Eu te amo — as lágrimas voltam com força e seu dedo toca a tela do telefone, como se as enxugasse — você é um presente que eu ganho todos os dias, um sonho que realizo ao acordar e ao dormir.
— Amor, — percebo que assim como eu ele chora — não aumenta mais à vontade que estou de te abraçar, de te beijar e te sentir bem perto de mim.
— Volta logo pra casa — peço e ele assente que sim — estou com saudade da minha conchinha.
— Vou voltar mais rápido que você pensa — afirma e sorrio — e não esquece que eu te amo.
— Nunca. — Ouço sua risada e encerro a ligação para que ele possa descansar do dia cansativo que teve, mesmo que ele insista dizendo que não está cansado, vejo em seu rosto que precisa de boas horas de sono para se recuperar do trabalho exaustivo que surgiu em uma das empresas do grupo.

Ao chegar em casa encontro minha irmã com Enzo em seus braços e segura um balão escrito feliz aniversário e pela segunda vez no dia me sinto a pessoa mais sortuda do mundo. Deixo as flores e o urso em cima do sofá, corro para abraçar minha irmã e o pequeno em seus braços se mexe, o pego enchendo-o de beijos arranco sorrisos da criança que eu tanto amo. Abraço meu cunhado, agradeço pelo carinho que tem por mim, por cuidar da minha irmã e sempre fazer o mesmo por mim.
— Não sabíamos o que dar de presente — brinca e mostra a mesa um pequeno bolo, salgadinhos e uma garrafa de refrigerante — e aí sua irmã lembrou que você ama comida, mas, mesmo assim, eu comprei esse balão que disse ser infantil, mas achei sua cara.
Sorrio ao ver minha irmã revirar os olhos, sacudo a cabeça ao ver que um completa o outro e realmente um é a tampa da panela do outro.
— O meu presente é esse — aponto para eles já abraçados e para o bebê que está em meu colo — vê-los felizes e cuidando da vida que foi confiada a ambos.
me abraça e percebo que minha irmã chora, sorrio e meu sobrinho encara a mãe sem entender o porque de suas lágrimas. pega o celular em seu bolso, me abraça e coloco Enzo entre nós duas e sorrimos para a selfie.
— Mandei pro explica e minha irmã leva os salgadinhos para o micro-ondas — ele me fez jurar que íamos preparar algo bem especial pra você.
— Ele é maravilhoso — digo apaixonada e meu cunhado faz careta — e não adianta me olhar desse jeito porque é do mesmo jeito com minha irmã.
— Ouvi meu nome — volta com copos e os coloca na mesa.
— aponto para o mesmo digitando algo no celular, mas atento a nossa conversa — elogiei o e ele fez uma careta.
Minha irmã gargalha e pega o celular do bolso, procura por algo e vira o aparelho em minha direção. E um vídeo aparece na tela e meu cunhado chora como uma criança de quatro anos enquanto apenas sorri da cena.
— O dia que contei da gravidez — continua com um sorriso, guarda o aparelho na sua bolsa — e ele apenas chorou por mais de vinte minutos e achei fofo nos primeiros dez minutos, mas o filho de uma égua nem me abraçou.
— Em minha defesa eu descobri que seria pai — da ênfase a última palavra — e qualquer pessoa faria o mesmo no meu lugar.
— Meu amor, — dá um rápido selinho nele — eu acho lindo esse seu jeito e de verdade, não quero que mude, mas a questão não é essa e sim, a parte que você zoa a quando você consegue ser mais manteiga derretida que nós duas juntas.
E ele faz uma careta e entrego meu sobrinho em seus braços e acompanho até a cozinha. Pego as travessas com os salgadinhos no micro-ondas e percebo minha irmã me encarar em silêncio. Vejo se tem algo de errado com minha roupa e ela solta um sorriso.
— O quê? — Pergunto e ela vira para pegar algo no balcão.
Entendo ao ver o meu caderno em sua mão, minha irmã e essa mania de ler as minhas composições e com certeza, meu trabalho recente e que tem tirado as minhas noites de sono.
— É linda! — Minha irmã me entrega o caderno e sorrio para a minha maior fã.
Lembro de vê-la nas primeiras fileiras dos meus consertos, com cartazes e com sorrisos orgulhosos direcionados a mim. E ao seu lado sempre meu namorado e meu cunhado meus maiores fãs.
— Você não conta — me olha e finge uma irritação e então me explico — é a minha irmã, minha maior fã e presidente do fã clube .
gargalha e segura a minha mão.
— Realmente eu te amo e não é pouco, faço questão de te aplaudir em tudo que você faz, de mostrar que estou aqui sempre — minha irmã é a minha melhor amiga, a pessoa que confio de olhos fechados e somos muito unidas — e eu sou sincera em relação ao seu trabalho, você é uma compositora talentosa e vejo que coloca a sua alma no que faz. E além de escrever como ninguém, tem essa voz maravilhosa e de uma dedicação impecável com os instrumentos que toca.
E eu a abraço o mais forte que posso, minhas lágrimas descem e pela primeira vez no dia eu me permito desabar pela falta de atenção dos nossos pais, não recebi uma ligação ou uma simples mensagem como essas que recebemos no facebook com uma exclamação no final. E entre os soluços, as mãos de fazem carinho em minhas costas e enxuga as minhas lágrimas.
— Vinte e oito anos, — digo e me encara com atenção — e a mesma sensação de quando tinha oito e mesmo assim nenhum dia sequer eu sinto raiva deles pelo contrário, eu amo tanto que eu sinto falta do que não conseguimos ser como família.
— No fundo — minha irmã aponta para meu coração — você é apenas uma menina com um coração gigante.
— Será? — Brinco e me abraça.
O restante da noite foi maravilhosa com direito a vela no bolo e com quem será, fez uma videochamada e de uma forma participou do momento com a gente. E na hora de ir embora Enzo chorou porque não quis sair do meu colo e deixou sua mãe enciumada. Eu e o meu cunhado apenas rimos da careta que a mesma fez e tive um ótimo aniversário graças às quatro pessoas mais importantes da minha vida.

Parte três




As lágrimas rolam pelo meu rosto, encaro o espelho diante de mim, sentada na cadeira de frente para a minha penteadeira noto os círculos pretos formados abaixo dos olhos. Com força puxo o prendedor do meu cabelo deixando-os bagunçados assim como os sentimentos dentro de mim, abro uma das gavetas, encontro o pacote de lenços para tirar a maquiagem e enquanto limpo a confusão em meu rosto as palavras ecoam em minha cabeça, encontrei toda a explicação para a minha vida em uma conversa que se pudesse escolher jamais teria tido a mesma. Minhas mãos tremem, encosto minha cabeça na penteadeira, um filme passa pela minha cabeça, tudo começa a encaixar e não vejo sentido em nada.
— Amor, eu trouxe vinho — ouço a voz de , animado e não consigo responder ou me mover de onde estou, as lágrimas continuam com força — ?
Apoiada em meus braços sinto minhas lágrimas rolando pelo meu rosto, não consigo responder meu namorado que chama por mim ou sequer levantar para me jogar em seus braços.
Ouço o barulho da porta, corre até onde estou e sua mão toca meu braço. E me esforço e consigo levantar a cabeça para encará-lo. Seus olhos estão preocupados e me jogo em seus braços sentindo seu abraço aquecer o meu corpo. Meu corpo treme, as mãos dele fazem carinho em meus cabelos e todas as vezes que tento falar as palavras engasgam em minha garganta, tão dolorosas de ouvir ainda muito mais de repeti-las.
, — consigo falar e ele me encara com atenção — tiraram tudo de mim.
Jamais sentir algo perto disso tudo e eu me sinto sozinha pela primeira vez na vida.
— Meu amor — segura meu rosto, tenta enxugar as lágrimas, mas elas vem com força — o que fizeram com você? Por favor, me ajuda te ajudar.


As minhas pernas tremiam e as mãos geladas denunciavam minha ansiedade em tocar pela primeira vez em um teatro. E quando minhas mãos tocaram o piano pela primeira vez, observei na primeira palestra minha irmã com um cartaz com meu nome e um eu te amo bem grande. Com meus dezesseis anos muitas das vezes a minha irmã mais nova com apenas seus quatorze anos se mostrava dona de uma maturidade invejável e sempre que eu precisava lembrar o motivo da minha força olhava para seu sorriso.
— Eu te amo — disse de cima do palco no final da apresentação — muito.
— Meu orgulho — gritou e algumas pessoas a encaravam — meu orgulho.



Respiro fundo, encaro a parede branca e as palavras saem.
— A minha irmã, — passo a mão em meu rosto e ele segura minha mão — tiraram ela de mim, tiraram,
? — perguntou nervoso. — Aconteceu alguma coisa?
Apenas sacudi a cabeça, negando, levei as minhas mãos até meu rosto, as lágrimas embaçavam minha vista, a garganta parecia ter um nó, mas respirei fundo e com as mãos tremendo consegui falar.
— Não tenho irmã, — misturo as palavras e ele me encara sem entender — eu sou fruto de uma mentira, minha mãe comprou um bebê e sou eu.
segurou minha mão e tentou me sentar na cama, mas eu soltei sua mão e arremessei o vaso na parede, meus gritos assustaram meu namorado, dei dois passos para trás e acabei pisando em um caco de vidro, porém nada chegaria perto da dor que carregarei comigo pelo restante dos meus dias.
— Minha mãe deu o golpe da barriga — grito e ele me encara assustado — fingiu estar grávida, comprou tudo, teste de gravidez, exames de pré natal, usava uma barriga de pano e me comprou, . Como se eu fosse um sapato ou uma das suas bolsas.
Puxa-me para si, seus braços me apertam forte, soco o seu braço enquanto eu choro e ele deixa. Não fala nada, apenas deixa que eu sinta minha dor, mas sabendo que tenho seus braços para me acalmar.
— Eu te amo — repete próximo ao meu ouvido — e eu estou com você.
— Dói saber que meus próprios pais me venderam, que quem eu chamei de mãe a vida inteira me comprou para conseguir um casamento bom — digo entre minhas lágrimas — e que meu pai nunca foi capaz de me amar porque descobriu tudo quando eu era uma recém-nascida, ele disse que não me ama, . Que ele olha pra mim e vê a razão para uma vida infeliz.
— Olha pra mim — segura meu rosto e assim como eu ele chora — você é o meu mundo, , e se ele te acha a razão de infelicidade eu discordo porque você é felicidade.
Sacudo a cabeça e me afasto, pego a foto de ainda criança na minha carteira e com as mãos trêmulas encaro a mesma e coloco-a próxima do meu coração, fecho meus olhos e lembro de tirar a foto na sua formatura da alfabetização.
era tudo que eu tinha — grito e aponto para a foto, andando de um lado para o outro — ele tirou tudo de mim, tudo.
As mãos de tocam as minhas e tento sair, mas ele me abraça pela cintura, posso ouvir suas lágrimas.

— Amor — as palavras engasgam em minha garganta e meus gritos colocam a minha dor pra fora — pra que me contar? Eu prefiro viver com as lembranças de uma infância com brigas, sem amor dos meus pais, do que a realidade de não ter a minha irmã, .
será sempre sua irmã — meu namorado me aperta ainda mais forte — e isso não mudará em nada a relação de vocês.
— Eu vou perder a , ela vai me odiar por saber que o papai nunca a amou por pensar que era mais uma mentira da nossa mãe, mesmo com exames de DNA comprovando a paternidade dela — seu abraço me apertou ainda mais forte — eu vou perder a minha irmã, eu não posso, eu não vou conseguir sem ela, .
Virei-me para encará-lo e apertei seu corpo, seus braços me prenderam contra si e o medo falava e agia por mim. Eu não consigo sem a minha irmã, sem sua amizade, sem ter em quem confiar, sem o meu sobrinho que eu vi nascer, que eu amei no primeiro choro.
— Não, meu amor — me sentou na cama e se ajoelhou na minha frente — você não vai perder sua irmã porque ela te ama muito e esse laço não pode ser desfeito por erros cometidos por outras pessoas.
— segura minha mão e a aperta — preciso de um calmante.
E ele vai até a cozinha, volta com um copo de água em mãos e um vidro de calmante. Com cuidado coloca um comprimido na minha boca e me ajuda com a água. Deito em nossa cama e seu corpo abraça o meu, acariciando meus cabelos, e sei que mesmo que depois de adormecer ele permanecerá na mesma posição.
— Não sairei do seu lado — sua voz é calma — descansa tranquila.
Assinto que sim, os olhos estão pesados, desisto de lutar contra e sinto os olhos fechando.

Abro os meus olhos, e levo as mãos até minha cabeça e sinto-a doer bastante. Percebo que já amanheceu pois raios de sol invadem o quarto, sinto uma mão segurando a minha e sei que não é a de e demoro alguns para tomar coragem de encarar a minha irmã. E levanto apoiando as costas no travesseiro e a encaro, minhas lágrimas falam por mim e assim como eu ela chora, não solta as minhas mãos um segundo se quer.
me ligou — minha irmã toma a iniciativa e continua — e foi horrível ter que esperar você acordar para ver com meus próprios olhos que estava “bem”.
Abaixo minha cabeça e encaro o cobertor, respiro fundo e em meio as lágrimas digo o que tem martelado em minha cabeça desde de ontem.
— Por favor — praticamente imploro e chora ao me encarar — não me deixa.
Seus braços puxam-me para si, aperta-me forte contra seu corpo, me desfaço, desabo acompanhada pela pessoa que eu amei desde o primeiro choro, que mesmo sem precisar dividia o meu quarto, meus brinquedos e cresci com a sensação de saber uma era o tudo da outra.
— O nosso amor não é algo que possa ser destruído por um laço sanguíneo ou não — as pontas dos seus dedos enxugam minhas lágrimas, faço o mesmo com as suas — é a minha irmã mais velha, o meu porto seguro, quem cuidou de mim por uma vida inteira, a pessoa que em todos os momentos permaneceu ao meu lado e sempre será a minha irmã. Como Enzo e todos os filhos que eu tiver serão os seus sobrinhos e nada disso vai mudar. Nada.
A aperto ainda mais forte contra meu corpo, eu a amo mais que qualquer coisa nesse mundo, ela é o meu coração que bate fora do meu corpo.
— Eu te amo — digo e ela sorri — ouvir ter sido comprada, fazer parte de uma mentira, doeu muito, porém não passou perto do medo de te perder, minha irmã.
— A partir de hoje — segura minha mão e continua — você é a minha família e quando alguém perguntar sobre nossos pais simplesmente diremos que não temos porque não é uma mentira. E que nossa família estamos construindo aos poucos, ao lado dos homens que amamos e nunca alguém será capaz de tirá-la da minha vida.
— Nunca. — A abraço forte e enxuga as minhas lágrimas.
Minha barriga me denuncia com um forte barulho, gargalha e percebo que estamos rindo como se nada tivesse acontecido. E realmente não aconteceu porque as verdades foram jogadas no ventilador, fortalecendo muito mais nossa relação.
— Vamos — disse ao me ajudar a levantar e unir nossas mãos — os rapazes estão preparando o café da manhã.
Assinto que sim e sorrio em sua direção, a minha irmã mais nova para sempre.




+ +





Caminho em direção a que me encara de cima a baixo, seus olhos brilham ao notar meus lábios marcados em um tom vermelho e sorrio de volta para ele. E lentamente dou uma pequena volta dando a ele a visão do vestido que cai por todo meu corpo, mas seus olhos permanecem vidrados em minhas pernas, cada passo dado uma leve abertura entre elas deixa evidente uma fenda.
— Linda! — Segurou a minha mão e depositou um beijo em minha testa.
O observo de perto, como de costume ajeito a gravata e me aproximo mais para sentir o seu perfume. Meu nariz roça de leve em seu pescoço, deixo um beijo, subo até chegar em seus lábios selando os mesmos, sendo retribuída com intensidade e de fato eu era uma mulher de sorte.
— Eu te sujei — sorrio e pego um lenço em minha bolsa, tiro o batom de seus lábios e limpo o pescoço que tinha uma marca evidente de beijo.
— Não me importo com isso — sua mão aperta minha cintura e acaricio seu rosto com as pontas dos dedos — quero borrar o seu batom pelo resto da minha vida.
O abraço em meio aos meus sorrisos e me aperta contra si, me acalma.
— Vamos? — Entrelaço nossas mãos e ele assenti que sim.
Como um perfeito cavalheiro abre a porta, e vem logo atrás de mim e novamente une as nossas mãos.
? — Já dentro do elevador viro-me para encará-lo ainda na porta.
— O quê?
— Eu te amo. — Sorrio em sua direção e ele adentra o elevador.
A porta fecha, seguro em seu braço e seus olhos já estão atentos aos meus.
— Eu te amo. — Digo e sua mão toca meu rosto.

O Hotel Maison foi o escolhido como local da festa de fim de ano, os funcionários e seus familiares circulavam pelo enorme salão de festas com sorrisos e uma alegria contagiante. E costumava dizer que essa era a forma de agradecer aos seus fiéis funcionários pelo trabalho duro ao longo ano, por contar com a lealdade e com a ajuda de todos porque segundo ele uma empresa não se faz apenas por um CEO, cada um é importante desde o porteiro a pessoa com o cargo mais alto.
— Titia — ouço a voz da minha irmã e a vejo perfeita em seu vestido, mas meus olhos focam no bebê de terno em seu colo — cheguei.
Não pensei duas vezes em abrir os braços e Enzo se remexeu no colo da mãe, ansioso para vir pro colo da tia e apertei em meus braços, beijando sua bochecha e arrancando muitos sorrisos dele.
— Não acredito que vestiu uma criança com um terno — sorrio e ajeito a pequena gravata que a louca da minha irmã havia colocado — e me diz se não é a coisinha mais fofa do mundo?
— Meu filho — se gaba — já ouvi dizer que filho de peixinho…
— Idiota! — Sorrio e minha irmã aponta a mesa próxima ao palco.
Nos sentamos na mesa reservada para a nossa família e observo de longe acompanhado por e outros homems em uma conversa animada. E encaro o meu CEO que enche essa namorada de orgulho todos os anos.
— Babador — debocha e reviro os olhos em sua direção — quer um do Enzo emprestado?
Observo se há alguém nos olhando, tapo com uma mão os olhos do meu sobrinho e levanto o dedo do meio em sua direção fazendo minha irmã gargalhar.
— Babo mesmo — digo e um garçom deixa duas taças de suco em nossa mesa — porque ali é só orgulho.
concorda e leva a taça de suco até a boca. E de longe joga um sorriso em minha direção, retribuo e volto minha atenção até a minha irmã que pega Enzo do meu colo para dar mamadeira a criança.
— Quanta fome é essa, titia? — Brinco com Enzo que toma a mamadeira no colo da mãe.
— E ele jantou antes de virmos — Minha irmã fala e o bebê segura a sua mão — essa criança tem uma fome de outro mundo.
— Deixa a criança — faço uma careta em sua direção — puxou a titia e sabe o que é bom dessa vida.
— Com certeza — concorda — na parte de comer parece que é o seu filho, quer comer tudo que vem pela frente.
E me vejo rindo das histórias de e fico feliz que nada tenha mudado. E percebo que tenho tudo, mas faltam duas partes importantes para completar e tenho certeza que ao lado de realizarei esse sonho que descobri ter.

— Com a palavra, o CEO — o homem sorriu em direção a já posicionado no palco.
Todos no salão estavam de pé, observavam com atenção e sorri em sua direção quando pegou o microfone para fazer seu pequeno discurso. E enquanto fala o orgulho em mim aumenta, mesmo com o cargo que ocupa não o vejo desmerecer ninguém, pelo contrário meu namorado é dono de uma humildade invejável assim como a sua família. E sem dúvidas essa é a fórmula do sucesso, por anos seguidos e eu sou grata em ter uma pessoa como ele em minha vida, por essa pessoa dormir ao meu lado e ser a primeira que vejo ao acordar.
— E antes de finalizar eu preciso agradecer a você, que é a chave para o meu sucesso — já emocionada, as primeiras lágrimas rolam pelo meu rosto — essa mulher é o meu verdadeiro braço direito. E quem embarcou na loucura que foi assumir a empresa da minha família recém-formado, muitas vezes pensei em jogar tudo pro alto e ela veio com um abraço, e dizendo que não me deixaria desistir ou então, me daria uns bons tapas. Brincadeiras a parte quero agradecer a minha mulher e que fazer parte da sua vida é o meu maior presente.
Sussurro um “eu te amo” em sua direção e ele responde com um também. E um sorriso largo em minha direção e me derrete inteira.
não faz umas coisas dessa — faz uma careta, sorrio e dou um gole no suco.
E escuto a risada de atrás da gente e dando tapinhas no braço de que sacode a cabeça na direção da minha irmã.
— Vem com a titia — pego o meu sobrinho no colo — e vão aproveitar um pouco a festa.
— Sério? — Minha irmã pergunta e assinto que sim.
A mesma não pensa duas vezes e puxa o marido pelas mãos, sorrio ao vê-los abraçados passeando pelo salão e Enzo chama a minha atenção ao se remexer sem parar em meu colo.
— Cansou da titia foi? — brinca e pega ele do meu colo.
— Eu fui trocada? — Seguro a mão de Enzo e ele gargalha em minha direção fazendo rir.
— Sim — me zoa e me dá um selinho rápido — trocada com sucesso.
E com meu sobrinho ainda seus braços, gargalhava ao ver o bebê sorrir com os meus dedos que o atacavam em sua barriga, fazia cosquinhas arrancando aqueles sorrisos gostosos de ouvir vindo de Enzo.
— O melhor som do mundo, o sorriso de uma criança. — Ouço a voz de , mãe de e viro-me para encará-la.
! — A abraço e ela me aperta forte em seus braços.
— Cada dia mais linda, . — A minha sogra me elogia e fico sem graça em meio aos seus elogios. Por mais que tente não consigo me acostumar com eles.
— Acho que minha nora não gosta de mim — brinca e sorrio em sua direção, o abraço e o provoca.
— Aceite que eu sou a preferida — me abraça e sussurra no meu ouvido que me ama — e ponto final.
— Amo os dois — digo e levanto as mãos — e igualmente.
— Pai — chama a atenção do pai — não tente competir com uma mulher, não temos força para isso.
me acompanha em uma risada e se vê obrigado a concordar com o filho.
E com a proximidade das festas de fim de ano, a conversa gira em torno de onde comemoraremos a data e como sempre faz questão de reunir todos em sua casa. Não consigo resistir ao seu convite, desde de que comecei a namorar com , sua mãe me chamou para uma conversa dizendo que havia ganhado uma mãe, um pai, uma família e que jamais estaria sozinha novamente. E o mesmo valia para a minha irmã, que mesmo não sendo sua nora a considerava uma filha e nem preciso dizer que e são apaixonados por Enzo, o chamam de neto e vivem mimando a criança.
— Vem com a vovó — estende os braços e Enzo não pensa duas vezes — como está lindo nesse terninho.
Concordamos e assisto encantada meus sogros brincando com meu sobrinho, abraça a minha cintura e seus olhos brilham em minha direção. E só consigo pensar em como eu amo esse homem.
O salão do hotel já vazio apenas algumas pessoas arrumavam tudo, e foram embora porque Enzo precisava dormir e meus sogros tinham compromissos pela manhã e foram na mesma hora que eles. E antes de ir embora preferiu checar algumas coisas importantes e me sentei para aguardá-lo.
— Um brinde? — chama a minha atenção, me entrega uma taça de champanhe e brindamos.
— A nós, meu amor. — Digo já abraçada ao seu corpo.
— Sempre. — Sela nossos lábios.






Parte quatro





Antes das oito já estou de pé enquanto ainda dorme, as sextas-feiras ele costuma sair de casa as nove e vou até a cozinha e preparo um café da manhã para meu namorado. Arrumo uma bandeja com frutas, torrada e café e para decorar uma rosa vermelha. Pego uma folha e deixo um recado para vir direto do trabalho.
— Eu te amo, meu amor — digo, acaricio seus cabelos e lhe dou um selinho, mas ele não acorda — muito.

Confesso que trabalhar foi difícil porque a minha cabeça só conseguia pensar em hoje a noite, para comemorar os oito anos de namoro decidi inventar algo novo, muito mais detalhado, do jeito que merece. E para me deixar ainda mais ansiosa, não parava de mandar fotos das coisas que havia chegado em sua casa, planejei durante dias e esconder as coisas do meu namorado é bem complicado então, decidi colocar a entrega para a casa da minha irmã e fiz jurar que não contaria uma vírgula para o melhor amigo.
— Professora? — Uma aluna chama a minha atenção e percebo que ela está com um caderno em mãos.
— Oi, meu amor — digo, a menina tem doze anos e escreve uma coisa mais linda que a outra — tem algo novo?
Ela assenti que sim e abre o caderno, estende em minha direção e me encanto com pureza de suas palavras, e em uma das partes tem um trecho que chama minha atenção: “amor é o café da manhã que a mamãe faz”. E á vi algumas vezes a mãe trazendo-a para as aulas, o beijo na bochecha e o abraço que ela dá na menina antes da mesma entrar para a aula.
— Minha mãe disse que gostou — sorri timida e me vejo sorrindo de volta — e você o que achou professora?
— Eu amei — digo e entrego o caderno em suas mãos — e por que não escreve essa música para o musical do fim de ano?
A menina nega com a cabeça, o rosto fica vermelho e sorrio diante da cara que ela faz.
— Não, professora — nega e se explica — minhas mãos já suam só de imaginar.
Seguro a mão da menina e me aproxima mais, me encara e escuta com atenção.
— Vou te contar o meu segredo — a menina me encara — a minha irmã é a pessoa que eu mais amo no mundo ela é como a sua mãe, entende?
— Sim, professora — a menina sorri — e ela tem um bebê fofo.
Sorrio com a menina e continuo.
— Quando sentir medo, as mãos soarem, um frio na barriga ou a perna tremendo — digo e me encara com atenção — olha para sua mãe, apenas para ela e você verá como ver uma pessoa especial em nossa vida pode nos encorajar.
— Obrigada professora — a menina me abraça e retribuo — você é a melhor.
A menina pega sua mochila e vai embora correndo pelos corredores, vejo sua mãe no final do corredor esperando por ela e o sorriso que abre ao ver a filha se aproximar e lhe abraçar forte. E o meu celular vibra em meu bolso chamando minha atenção, vejo o nome de no visor e vejo que provavelmente essa hora já está em meu apartamento adiantando as coisas.
! — está animada, escuto um barulho de panelas e ela até que tampa o celular, mas escuto ela brigar com meu sobrinho para não mexer nas panelas.
Gargalho ao imaginar a cena, mais barulhos de panela e me vejo rindo na porta da sala enquanto meus alunos da última aula do dia adentram a mesma e me cumprimentam.
— chamo e ela coloca o telefone no viva voz — tudo certo por aí?
— Sim — escuto mais uma vez ela brigar com Enzo e continua — vou aproveitar e colar os balões de coração porque está impossível ficar na cozinha, meu filho não para de mexer em suas panelas, jogou todas no chão mais de duas vezes.
— Ele é uma criança — alerto e ela resmunga algo.
— não defende, .
— Sim, senhora — brinco e ouço sua risada — muito obrigada pela ajuda e já, já chego aí, só tenho essa aula e vou pra casa.
— Fica tranquila — minha irmã tenta me acalmar — temos tempo suficiente e foca na sua aula.
— Ok! — Agradeço e encerro a chamada.
Fecho a porta da sala, cumprimento os alunos com um “boa tarde” e acompanho o desempenho da música em que estamos trabalhando, é uma turma de violão para iniciantes e vejo muita dedicação em cada um. E isso me deixa feliz porque música é amor e dedicação.

Abro a porta do apartamento, pego as sacolas do mercado no chão e encontro minha irmã dando mamadeira para Enzo, vejo os balões de coração colados no teto e mesa do jantar já está arrumada e sorrio para antes de caminhar até a cozinha.
— Quanta coisa. — entra na cozinha com a mamadeira vazia, vai até a pia e lava a mesma.
— Fiquei indecisa no que cozinhar — admito, minha irmã ri e coloca a mamadeira na bolsa de Enzo — e no final, adivinha?
— Lasanha! — Minha irmã adivinha e continuo separando oque vou precisar.
— A comida preferida dele — digo e jogo os ingredientes no liquidificador para a sobremesa — e mousse de maracujá que ele ama.
— Tão bonitinha, ela — me zoa e mostro a língua para ela — toda apaixonadinha.
— Estou mesmo — admito e coloco o mousse na tigela, cubro com o plástico filme e levo até a geladeira.
Aproveito para colocar a conversa em dia com minha irmã, e ela me conta que e ela estão pensando em aumentar a família e fico muito feliz por vê-los tão felizes, são pais maravilhosos e já imagino mais um bebê para mimar. E acabo dando detalhes da reforma da nossa casa, fica feliz em saber que conseguimos encontrar um terreno do jeito que queríamos, com bastante espaço para termos uma piscina. E tinham alguns anos que planejávamos construir nossa casa, gostamos do prédio que moramos, mas certas regras como horários, não ter um quintal nosso, sempre nos desanimava e enfim, conseguimos encontrar um terreno do jeito que procurávamos, com uma casa que só precisava de uma reforma.
— Teremos festa na piscina — brinca e assinto que sim.
— Muitas — minha irmã bate as mãos animadas — e muita cerveja gelada.
— Já tem previsão da entrega? — Assinto que sim e respondo animada.
— Começo do ano que vem — digo, tampo a travessa com um pano de prato já que ainda é cedo para levá-la ao forno — e faremos uma festa de inauguração.
— Teremos novidades nessa festa? — Pergunta curiosa e sorrio, mas não respondo. — você por acaso está grávida e vai contar no jantar?
Nego com a cabeça e começo a rir das suas teorias.
— Não, — gargalho e vejo a frustração com misto de curiosidade — é uma surpresa.
— Isso é maldade. — Faz uma careta e apenas sorrio.
— No momento certo você saberá. — Digo.

Ouço a porta abrir, sento no banco de frente para o piano, já preparada para a minha surpresa, espalhei pistas pela casa inteira que levam até onde estou e escuto o seu sorriso que tanto amo. E o encaro com as pistas em sua mão, e mando um beijo em sua direção e ele retribuí. A introdução da música já pode ser ouvida, amo tocar piano e sei o quanto gosta de me ouvir. — O nome dessa música é “me acalma” — continuo com o piano e seus olhos me encaram com atenção — enquanto refletia sobre o nosso relacionamento, me dei conta que em oito anos jamais escrevi sobre, mas espero que escute com atenção porque é o meu presente para você, meu amor.


“Eu penso quando penso em você Se só eu te vejo assim Se gosto de quem gosta de mim” “Eu tento quando tento não pensar E fazer algo pra esquecer Esse seu jeito lindo de ser”



E não desvio o nosso olhar, canto com paixão e vejo que chora, e descubro que posso me apaixonar ainda mais por ele. Sua sensibilidade em mostrar seus sentimentos, não se importa com o que dizem, ele chora, sorri, se emociona e não tem vergonha de demonstrar que é uma pessoa de verdade.


“Me devora, me consome Quando some Eu fico louco a procurar. Vou na sombra, Mergulho na escuridão E sem aviso você volta pra me iluminar” “Pois só você que tem esse poder Só você faz meu dia amanhecer Só você faz minha estrela brilhar no céu Vem acordar minha alma, me acalma”

leva suas mãos até o rosto, seus olhos estão vermelhos por suas lágrimas e ainda mais lindo. E quando canto a última frase da música, pego a caixa de veludo com as alianças e a escondo em minha mão. E seguro em suas mãos e quando abro minha mão, encara sem entender, sinto as minhas lágrimas pelo meu rosto e deixo as palavras que jamais em toda minha vida imaginei dizer para alguém.
— A palavra “casamento” sempre passou longe da minha vida e quando nos conhecemos a oito anos, relacionamento, casamento, formar uma família não era o meu sonho e simplesmente não queria. — Encaro os olhos de , sou apaixonada por seus olhos, me lembra um par de esmeraldas. — E mesmo deixando claro desde o início, você me aceitou do meu jeito, e mesmo tendo sonhos como casamento e filhos, nunca me cobrou ou fez pressão, apenas me amando.
… — enxugava suas lágrimas e continuei.
— E o que mais admiro em você é que nunca me propôs mudanças apenas me aceitou — enxuga minhas lágrimas — e o que eu percebi escrevendo sobre você, se existe uma pessoa no mundo que eu me casaria, esse alguém é você. O homem que eu amo com todo o meu coração, que vivendo debaixo do mesmo teto por sete anos, conseguiu me mostrar que casamento não é apenas uma festa ou cerimônia, sim, ser a eterna namorada de um homem incrível com quem eu quero tudo. Deixar os meus medos de lado, viver um casamento, uma família grande e cheia de amor.
não diz uma palavra se quer e suas lágrimas me dizem tudo que eu preciso ouvir, tomo coragem, pego a caixa em minhas mãos e me joelho diante dele, tenta fazer com que levante, mas não permito e com os olhos cheios de lágrimas, e a voz falhando, olho no fundo dos seus olhos e abro a caixa.
— levanto a caixa e ambos choramos — quer casar comigo e ser o pai dos meus filhos?
ajoelha ficando de frente para mim, e sua mão toca o meu rosto, e vejo que veio para me acordar da escuridão, hoje eu enxergo isso. E é clichê dizer que trouxe cor para minha vida, mas é a pura verdade.
— Sim — coloco a aliança em seu dedo e ele sorri apaixonado em minha direção — mil vezes sim.
coloca a aliança em minha mão, e ajoelhados no meio da sala caímos em uma crise de risos, beija a minha mão e o abraço forte contra meu corpo.
— Eu te amo, . — Digo perdidamente apaixonada.
— Eu te amo, . — Ajeita o meu cabelo atrás da orelha.
E me ajuda a levantar, já de pé não perde tempo e sinto seus lábios se chocarem contra os meus, retribuo apaixonada. Minhas mãos apertam seus ombros, as suas estão em minha cintura enquanto nossas bocas se encontram com intensidade, o mundo para quando estou em seus braços e parece que só existe nós dois. E ainda me sinto mais apaixonada do que a oito anos quando embarquei em um relacionamento, mesmo sem experiência alguma, mesmo esperando que durasse poucos meses afinal, não queria dar passos que alguém em um relacionamento hora outra acaba dando.
Eu me sinto como a mocinha no final de um filme, quando se declara para o homem que ama, e ela a beija como jamais qualquer outro faria porque é amor de verdade. E ele escolheu estar ao meu lado, juntos, passamos muitas coisas ao longo dos oito anos, não somos perfeitos, duas pessoas pensam de formas totalmente opostas e tem horas que isso gera certos conflitos, porém sempre conversamos, fomos sinceros e lutamos pelo que sentimos. E eu o amarei pelo restante das nossas vidas sabendo que sou amada.
Minha calma.




Fim!



Nota da autora: Uma alegria em finalizar mais uma história, a letra dessa música é coisa mais fofinha do mundo e amei poder escrevê-la. E gostei da experiência em escrever o cotidiano de um casal, que mesmo após anos continuam se amar com a mesma intensidade. E posso confessar que eu queria um protagonista desse na minha vida?
Agradeço pela oportunidade de escrever uma história baseada nessa música, as meninas envolvidas na organização, a beta, a capista e a todas as colegas que escreveram suas histórias.
E tem outra história de minha autoria no ficstape: 14.Problema.
Uma ótima leitura e obrigada por dar uma chance a minha história. E lembrando que estou sempre aberta a críticas construtivas e elogios também.
Beijinhos. <3 <3



Outras Fanfics:
SE NÃO HOUVER, APAGUE

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


comments powered by Disqus