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Fanfic finalizada.

Capítulo Único

— E aí, cara? Você não vai beijá-la? – diz meu amigo Derek, enquanto eu encaro me olhando com aqueles grandes olhos que eu tanto sentia falta.
Vocês devem estar se perguntando por que eu escolhi começar a contar a história por aí, certo? Ah, o mundo não tem muita lógica, isso é algo que eu aprendi com o tempo. Porém, se para o entendimento de vocês ficaria melhor eu começar do, hã, começo, então tudo bem.

20 horas do dia 19 de agosto de 2030

A noite já tinha caído e eu me encaminhava para casa. O dia tinha sido cansativo, tive muito trabalho na antiga loja do meu pai, que hoje era minha. Era uma loja de conveniência localizada no meio da estrada que dividia a cidade de Outbrooks da Insidebrooks.

Sim, os nomes são parecidos, pois eram uma cidade só, chamada Herebrooks, até que há muito tempo as famílias que comandavam a região brigaram e resolveram fundar cidades diferentes. Eu morava em Outbrooks desde que eu nasci, mas eu estudei minha vida inteira em Insidebrooks. Nunca fiz faculdade pelo simples motivo de que tive que ficar aqui para cuidar do meu pai. Na época, ele descobriu que estava com tuberculose e ia de mal a pior. A nossa cidade é bem pequena, só tinha um hospital – o que já era um grande avanço para nós.
Meu pai se safou dessa, porém eu arquei com as consequências: perdi a oportunidade de estudar fora desse ovo que era Outbrooks. Sem falar que não tínhamos dinheiro para uma faculdade, então eu resolvi ficar com o meu velho por aqui mesmo, ajudando-o sempre que possível.
Depois dessa grande digressão, vamos voltar para a história. Muito bem, lá estava eu dirigindo o carro, e lembrando da época do colégio. Porque exatamente isso me veio à cabeça, eu não sei, mas eu estava me lembrando de alguns amigos meus que foram para a cidade grande, viver suas vidas... E uma delas era .
Ah, .
Essa é parte da história que o início dela começa a fazer sentido. Bem, não exatamente. Apenas a parte que eu explico quem era a garota que Derek queria que eu beijasse.
. A bela e doce .
Ela era simplesmente a garota mais maravilhosa que eu já conheci. Na época eu não sabia que ela poderia ser o grande amor da minha vida, então eu guardei essa paixão platônica para mim mesmo e segui com a minha história.
Hoje ela é uma escritora de sucesso e viaja por todo o país a trabalho, enquanto eu permaneço exatamente onde eu fiquei, anos atrás. Ela nunca soube que eu gostava dela, na verdade, ela nunca soube que eu existia.
Ah, se eu pudesse voltar no tempo, com certeza eu faria tudo diferente. Mas é como dizem, quem vive de passado é museu. Então continuei a dirigir meu carro em direção a minha boa e velha casa, onde meu pai me esperava para jantar.
— Alô? – meu celular havia tocado e eu o atendi. Eu sei que é errado falar no telefone enquanto dirigimos, mas, ei, eu estava no viva-voz. – Sim, sou ele... O quê?! Eu estou indo para aí imediatamente. Obrigado!
Apertei o pedal e acelerei o carro. Meu pai havia tido um ataque cardíaco enquanto voltava do mercado. Um garoto o socorreu e o levou para o pronto-socorro. Ele tinha me ligado naquela hora e disse que ficaria ali até eu chegar.
Mas eu nunca cheguei.
No caminho para o pronto-socorro eu atravessei a estrada e depois a cidade sem me importar com o limite de velocidade ou semáforos. Então aquele maldito gato apareceu no meio da rua. Ou ao menos eu achava que era um gato. Não sei exatamente o que apareceu no caminho, mas eu tive que desviar, chovia, o carro derrapou e antes dele cair da ponte foi como se o tempo parasse.
O carro atravessou a grade, quebrando-a, e foi lançado em direção ao rio. Tudo em câmera lenta.
Eu finalmente entendi o que as pessoas sempre diziam sobre a sua vida passar em um piscar de olhos quando se está prestes a morrer. Isso só acontece porque você está procurando algo para se agarrar em. Procurando algum momento que preferia ter feito diferente para que a morte não seja a única opção naquele momento.
Mas eu não tinha saída. Era aquilo e somente aquilo.
— Qual é, cara, para quê tanta preocupação? – uma voz disse para mim na minha cabeça e fez com que a cena parasse de se movimentar. Eu procurei com os olhos, desesperado, para encontrar a quem pertencia aquela voz. Então, sentado do meu lado, estava...
Noah Centineo?! – eu perguntei quase que gritando.
Como eu sabia quem era ele? Bem, ele era o sonho de todas as garotas da minha época do colégio. Lógico que ele, atualmente, era um cara de quase quarenta anos, mas continuava, hum, charmoso. Aquele era, no entanto, sua versão jovem, como de “Para todos os garotos que já amei”.
— Cara, você precisa relaxar. – Ele disse novamente e eu olhei em pânico para o rio que parecia se aproximar. – Todo mundo morre um dia.
— Tá, mas... Mas... Mas...! – Eu tentei dizer, apontei para em volta de nós e Noah apenas riu.
— Você não entendeu. Não tem como evitar isso agora... Quer dizer, ainda não chegou a sua hora. Acredite, eu sei o que eu estou falando.
— Cara, cala essa boca, não percebe que não tenho escolha?! – Eu gritei olhando para o rio. Ele apenas colocou a mão no meu ombro e sorriu, como se estivesse chapado – e eu não duvidaria nada que ele realmente estivesse.
Então Noah estalou os dedos e voltamos eu e ele para a ponte. Eu olhei em volta e passei a mão pelo meu tronco, para ter certeza que eu estava ali, inteiro.
— Como... Como... Como...? – eu disse rápido e atravessado.
— Não vê? Não era a sua vez. Era talvez a vez de outro cara, mas não a sua.
— Eu não estou entendendo absolutamente porra nenhu...
— Calma. Eu já disse para você ficar calmo! – Ele tirou sua mão do meu ombro e começou a caminhar. Eu o observei dar alguns passos, até que ele se virou para mim. – Você não vem?
Assenti depois de certo tempo pensando se aquilo era um sonho ou um pesadelo – porque realidade não era.
— Ok, você pode me dizer...?
— O que eu estou fazendo aqui, junto de você? – ele riu de novo. – Bem, para começar eu não sou O Noah Centineo. Eu só tomei essa forma, porque, ah, sejamos sinceros, as garotas amam.
— Tá. – Eu respondi ríspido, ainda confuso. – E por quê...?
— Eu te salvei? Já disse, não era a sua vez. – Ele chutou uma pedra do caminho. — Você ganhou um presente do Grande Cara.
— Grande Cara?
— Ah, eu me esqueci, vocês gostam de chamar ele de como mesmo...? Pai? Senhor? Eu não me lembro, era alguma coisa com F talvez?
— F? Você quer dizer...?
— Deus! Agora sim. Deus é a palavra. — Parei de andar e Noah parou junto, me olhando. – O que foi?
— Ah, tá! Você quer dizer que “Deus” – fiz aspas com os dedos – te enviou aqui para me dar um presente d’Ele?! Por que raios, com tanta coisa que Deus poderia fazer para esse mundo, Ele resolveu me dar um presente e não morrer agora?!
— Aí que você erra por não me deixar continuar. – Ele falou tranquilamente. – Você não é o primeiro nem o último a ganhar esse presente de Deus. Pessoas ao redor do mundo já ganharam. Até famosos. Como Britney Spears, Keanu Reeves, e Meryl Streep.
— Meryl Streep?
— Ah, não, esquece, acho que foi Dwayne Johnson.
— O quê?!
— Sabe? The Rock?
— Eu sei quem é o Dwayne Johnson! – Eu disse irritado. Não me culpem, eu sei que o cara estava sendo extremamente gentil comigo, porém eu estava maluco naquele instante sem entender absolutamente nada.
— Tudo bem, tudo bem. Você tem um propósito nesse mundo, . E ele não é tão pequeno assim.
Então Noah Centineo me abraçou de lado e continuamos a caminhar pela cidade. Ele me disse que muitas pessoas dependiam daquele momento em que eu quase morri, que minhas decisões a partir de agora fariam com que muitas coisas mudassem. Eu respirei fundo antes de continuar.
— Tudo bem... Mas o que exatamente eu tenho que fazer?
— Aí que está: Ele não me disse. Apenas que você tem que voltar para agora. – Noah tirou do bolso um espelho e ajeitou o cabelo, se olhando nele. Ele me entregou o objeto e quando eu me vi refletido tive um susto. Aquele era eu ainda, mas na minha versão adolescente.
— Espera... Voltar para agora? Quer dizer que...?
— Você recebeu outra chance, . Você só precisa descobrir agora o que fazer com ela. – Ele piscou para mim. – E eu estou aqui para te ajudar.
Quando eu percebi, estava parado em frente da minha casa. Noah tinha sumido do meu lado e eu só pude ouvir uma última fala dele: “Boa Sorte!”.
7 horas do dia 20 de agosto de 2018

Entrei em casa sem fazer muito barulho. Subi as escadas nas pontas dos pés e corri silenciosamente até meu quarto. Olhei para dentro dele, pois, se eu me lembro bem, numa hora dessas, eu estava dormindo na minha cama.
— Ufa. – Eu digo baixo. Só queria ter certeza de que eu tinha voltado mesmo para aquele tempo ou se eu teria que conviver no segredo, já que o meu eu do passado estaria lá – o que não era o caso.
— Filho? – ouvi a voz do meu pai me chamar e eu olho para ele.
— Pai! – o abracei com força. Ele não estava entendendo nada, parecia eu mesmo há minutos.
— Nossa, para que todo esse amor? – Ele disse rindo e eu o soltei, feliz.
— Só... Estava com saudade.
— Caramba, só passamos algumas horas separados, filho. – Ele riu de novo. Eu assenti. – Vou fazer seu café da manhã, o que quer? Ovos? Panquecas? Bacon? Ah, bacon com certeza! Vem, hoje eu começo o emprego novo!
Ele saiu andando pelo corredor e eu o observei descer as escadas. Aproveitei para entrar no meu quarto e perceber meus pôsteres de bandas de rock colados na parede – já não os tinha há muito tempo. Troquei-me correndo quando notei que estava atrasado para a escola, que era onde eu imaginava que deveria ir.
Desci as escadas com a mochila nas costas e peguei uma panqueca da mesa.
— Tenho que ir, pai!
, espera aí! – Ele disse e eu me voltei para ele.
— O que foi?
Meu pai jogou as chaves para mim e eu as peguei no ar. Espera. Aquele dia foi o dia que eu ganhei meu primeiro carro. Meu pai ficou esperando uma reação animada e eu apenas fiquei olhando para o molho de chaves, até que eu me empolguei e o agradeci.
Entrei na garagem e vi o meu grande amigo: o Ônix vermelho. Liguei o som e Wildest Dreams da Taylor Swift estava tocando. Resolvi deixar ali mesmo, porque quem não gosta da Taylor, não é?
Assim que cheguei na escola, estacionei o carro em uma das vagas ao lado do estacionamento. Logo que dei o alarme, o carro de Jason apareceu ao meu lado.
Jason. O maior babaca da escola.
Ele era o típico popular, sabe? Jogador de futebol americano, ótimo aluno e...
— Jason!
se aproximou dele com seus livros no braço e com suas amigas em volta. Ele sorriu, aquele maldito sorriso branco e perfeitamente babaca dele. Os dois se abraçaram e... Se beijaram.
Jason tinha também a garota mais maravilhosa de todas. O foda era que ela era linda e tinha o cara mais popular do colégio e eu, o quê, dirigia um Ônix. Uau.
— Não se preocupe. Eu tenho um plano. – Noah disse ao meu lado e eu o olhei, depois de me segurar do pequeno susto que tive ao ouvir a voz dele.
— Ah, e qual é o seu plano? Eu nunca vou vencer ele, se é isso o que você está pensando. – Eu disse, já derrotado. Noah revirou os olhos.
— Não, é verdade. Mas ele não tem a mim, como você. – Ele piscou para mim como da outra vez e sumiu. Ótimo.
12 horas do dia 20 de agosto de 2018

Tive que aguentar as aulas mais chatas da minha vida. Eu não pude pular essa parte chata, mas seguimos firmes e fortes.
Na hora do almoço, eu estava andando em direção ao refeitório quando me deparo com um cartaz: seja parte do time de futebol da escola! Go Lions!
Noah apareceu do meu lado bem nessa hora e me abraçou, como fez quando nos conhecemos.
— Veja, aqui está uma chance que você não pode deixar escapar.
— Eu sou péssimo em futebol.
— Qual é, você nunca teve raiva de alguém? Tudo o que você precisa saber é correr e bater, digo, empurrar alguns caras. Não é tão difícil assim.
— Você diz isso, porque olha o seu porte físico! Agora olha o meu! – Eu disse apontando para ele discretamente, sem que as pessoas percebessem que eu estava falando com um fantasma.
— Cara, relaxa! Você só precisa treinar um pouco e pronto! Você já tem ombros largos, o resto vem fácil.
— Aham, sei. – Eu disse e ele me virou em direção à cantina.
— Ali está a garota dos seus sonhos. – Noah mudou totalmente de assunto. Olho para e não posso evitar o meu coração pular de um jeito esquisito dentro de mim. – Eu fiquei presente enquanto ela falava com as amigas e descobri que ela ama namorar um jogador de futebol. Tá aí a sua chance, cara.
Observei a linda se sentar com suas amigas e com o idiota do Jason. Ela deu um beijo nele e o abraçou logo em seguida, voltando a conversar com os outros presentes na mesa. Foi aí que eu notei que eu realmente queria estar com essa garota.
Eu não queria somente estar com ela. Eu queria merecer ela.
— Beleza. O que eu preciso fazer?
A partir daí, os meus dias foram puxados. Eu estudei feito um louco para conseguir ser o melhor aluno da classe e treinei todos os dias na academia e na educação física para o fatídico dia da seleção do time de futebol.
15 horas do dia 19 de setembro de 2018

— Você devia ver a cara do idiota do Baker quando eu o joguei no chão! Foi hilário! – Jason disse caminhando pelo vestiário com um dos seus capangas.
— Você está nervoso? – escutei Noah dizer para mim enquanto me olhava no espelho e colocava o uniforme do colégio para jogar.
— Nah! Eu nasci pronto. – Disse colocando o capacete. Eu realmente me sentia pronto. Tinha me esforçado de verdade para esse dia.
Só que não foi exatamente como eu imaginava.
Eu fiquei a maior parte do tempo sentado no banco, vendo os outros meninos jogando. A minha vez chegaria, eu tinha certeza, mas esperar estava me dando nos nervos. Eu só queria impressionar e assim poder voltar para a minha nova vida no presente... Ou no futuro? Ah, não sei.
— Ei, ! – o treinador me chamou. Eu me levantei e estava pronto para entrar no campo. – Vá pegar mais água para eles!
Olhei indignado para ele, mas o obedeci. Corri até o vestiário ainda de capacete e sem ver muito bem por onde eu passava. Eu só precisava chegar inteiro até lá e conseguir pegar...
— AI!
Trombo com um corpo que quase cai no chão, mas eu o seguro antes.
— Ah, me desculpe! Você está...? – eu digo e paro assim que percebo que era saindo do vestiário masculino. -... Bem?
— Tô, tô, só um pouco com dor... Caramba, você é forte, não é? – ela disse e logo em seguida riu do que disse. – Desculpe o atrevimento, ai, ai, eu sou uma boba, mesmo.
— Não! Quer dizer, você não é uma boba, não. – Eu disse a soltando e ela ajeitou a camiseta. Fiquei a observando por um tempo, cada detalhe daquele rosto que, devo dizer, não era nada demais, mas que com a personalidade dela ficava maravilhoso. Era como se eles se completassem.
— Ah, olha só, um jogador de futebol misterioso que não me acha uma boba. Essa é nova. – Ela disse e foi aí que eu percebi que seu rosto estava todo vermelho, como se ela tivesse chorado.
— Você está bem, de verdade? – Eu perguntei me aproximando dela novamente, mas ela apenas balançou a cabeça.
— Cara, olha para ela. Cê acha mesmo que ela tá bem?! – Noah disse de repente atrás de mim e eu tomei um susto, para variar.
— Estou... Só queria saber quem é esse jogador misterioso que se preocupa tanto comigo. – Ela disse dando um sorriso de lado de matar qualquer um. Fiquei quieto sem saber o que dizer. Não queria a decepcionar, mas eu tinha que fazer alguma coisa.
— Vai, cara! Tira o capacete! – Noah sussurrou.
— Ah! – quando eu fui tirar o capacete, Jason saiu do vestiário como se nada fosse e parou assim que me viu conversando com .
— Ei, . Esse cara está te incomodando? – Ele se aproximou autoritário e revirou os olhos, virando-se para ele.
— Não venha bancar o super protetor agora, Jason! Afinal, você que terminou comigo, lembra?!
– O quê? Eles terminaram?! – Noah gritou do meu lado. O mandei calar a boca discretamente.
— Tá, mas eu disse que continuaríamos amigos e amigos cuidam um dos outros. – Ele não tirava seus olhos de mim, como se fosse me bater a qualquer instante.
— Não desse jeito, Jason! Ah, você precisa mesmo ser um homem das cavernas? – Ela disse e eu segurei a risada.
— Tá rindo do quê, cabeção? – Ele disse simulando um soco no ar.
! As águas! – escutei a voz do treinador me chamando e lembrei o propósito daquilo.
— Bom, eu vou deixar vocês se resolverem, eu tenho que pegar ág...
— Ah, olha só, esse daí é o garoto da água! – Jason começou a rir de mim e se irritou.
— Eu tenho certeza que ele vai virar o capitão logo, logo, Jason. – Ela se colocou do meu lado e entrelaçou meu braço no dela. Dali em diante eu não entendi mais nada, fiquei vidrado naquele pequeno gesto que ela cometeu.
Eu.
De braços dados.
Com .
Aquilo era um sonho ou o quê?
, qual é, você não vai trazer as águas? – Derek, um dos garotos que estava também jogando, apareceu e parou ao meu lado. – Está tudo bem por aqui?
— Tá sim, Derek. – Eu respondi e me soltei de . – Já vou pegar as águas.
bufou e saiu andando com Jason em seu encalço. Derek se virou para mim.
— Tá tudo bem, mesmo? – Ele perguntou para ter certeza. Noah tinha sumido já. Fiz que sim e Derek e eu pegamos as águas para o treinador.
Então chegou a minha vez de jogar.
Entrei em campo ainda pensando no que tinha acontecido agora há pouco. Então e Jason terminaram? É algum sinal seu, Grande Cara? Acho que esse presente que Você me deu é realmente um presentão.
! – o treinador gritou, mas não deu tempo. O jogador, que eu não faço ideia de quem seja, acertou-me em cheio e eu caí no chão. Apaguei por alguns segundos.
Quando recobrei a memória, estavam todos em volta de mim. Um dos meninos me ajudou a me levantar e o treinador perguntou se eu queria sair. Eu obviamente disse que não. Ainda não tinha provado o meu ponto.
O jogo continuou e eu estava meio tonto, devo admitir. Mas continuei firme até que me entregaram a bola. Escutei alguns gritos e comecei a correr o máximo que pude. Pulei alguns caras no caminho e desviei de outros até que finalmente marquei o touchdown. Foi assim que entrei para o time.
E eu só estava começando.
12 horas do dia 20 de setembro de 2018
Parecia que só porque eu agora estava no time era como se meu status de zé ninguém mudou para popular iniciante.
E o que confirmou tudo foi me procurar na hora do almoço.
— Ei, ! – Ela disse e eu logo me virei para ver de quem era a voz. Surpreendi-me quando vi que era dela e sorri instantaneamente.
— Ei...! Ei, como sabe que eu sou o ? Você não viu meu rosto ontem. – Eu disse e começamos a caminhar em direção a uma das mesas do refeitório.
— Eu faço minhas pesquisas. – Ela sorriu de lado novamente e eu me derreti. – Então... Eu tenho uma proposta para te fazer.
Sentamo-nos nas cadeiras e eu sorri para ela. Qualquer que fosse a proposta, eu estava disposto a dizer sim.
— Claro! Por favor, diga. – Eu disse e ela riu fraco.
— Ok. Não sei como dizer isso, mas... Acho que devíamos namorar.
— CARACA. – Noah apareceu ao meu lado sentado. – Por essa eu não esperava.
— Fica quieto. – Eu sussurrei.
— O quê? Quer que eu fique quieta? – Ela estranhou e eu fiz que não igual a um desesperado.
— Não! Não, não é você! Ah, deixa para lá. – Eu disse e joguei um olhar em Noah que estava agora bem pianinho. – Eu adoraria ser seu namorado, é claro! Mas... Por que isso?
— Veja, não vamos namorar de verdade! – Ela disse rindo e dando um leve tapa no meu braço. – É de mentirinha!
— Ah... – Eu disse ainda confuso.
— Deixa eu te explicar. – Ela pigarreou. – Eu vi que você é um garoto cheio de ambições. Notei que você tem se destacado nos estudos e agora entrou para o time de futebol. Entenda, eu não quero te atrapalhar em nada. Só quero que você finja ser meu namorado e em troca você será o garoto mais popular do colégio.
— Tá... Mas o que você ganha com isso?
— Ah, não é nada demais. Eu só quero que o Jason perceba o que ele fez e que venha rastejando de volta para mim. – Ela disse com a visão distante. Nesse momento cheguei a duvidar se ela era realmente maravilhosa como eu pensava, mas logo tirei esse pensamento da cabeça. Era claro que ela era.
— Se é só isso, então tudo bem... Querida. – Eu disse esticando a mão para ela que riu e a segurou.
E o que ela disse que aconteceria aconteceu de verdade.
Com o passar do tempo eu fui me tornando cada vez melhor no futebol, virei quarterback e minhas notas subiram. continuava a garota mais popular do colégio e eu continuava com o meu bom e velho Ônix vermelho. No entanto, Jason teimava em estar sempre ali, aonde quer que eu fosse. E isso estava me assustando um pouco. Mas Noah disse para eu não me preocupar. Foi o que eu fiz.
Eu só via no colégio, o que estava começando a levar suspeitas do nosso namoro, se ele era real ou não, entre os estudantes de Insidebrooks School. Noah teve a grande ideia de me fazer perguntar a ela se não gostaria que saíssemos, você sabe, fora da escola.
— Ah. É, pode ser. – Essa foi a resposta dela, enquanto caminhávamos pelo corredor do colégio. Um garoto passou por nós e segurou rapidamente a minha mão. O menino sorriu para ela e para mim e seguiu andando. – Você acha que as pessoas estão começando a duvidar do nosso relacionamento?
sussurrou para mim. Eu, obviamente, não respondi imediatamente. Apenas continuei caminhando pelo corredor de mãos dadas com ela, até que, então, ela me cutucou forte.
— Ai! – eu disse baixo ainda sorrindo amarelo e agora olhando para ela.
— Responde, ! – Ela disse e eu suspirei. Olhei para um lugar seguro para conversarmos e a puxei para um corredor vazio. – E aí?
— Olha, eu não só acho, como tenho certeza. Derek veio me questionar ontem se eu já tinha sequer te beijado. A gente não se beija em público, ! Como eles vão acreditar que somos um casal?
, eu não vou te beijar, qual é... – ela disse olhando para os lados, procurando alguém. – Não se pode fazer esse tipo de coisa no colégio, você sabe.
, você beijava Jason...
— Shhhhhh! – Ela me mandou ficar quieto.
— Ok, vocês se beijavam o tempo inteiro. É sério. Era toda hora. Com desculpas de um filme pornô. – Eu disse e ela rolou os olhos. ficou em silêncio olhando para um ponto distante atrás de mim e eu aproveitei para segurar seu rosto com um das mãos, a fazendo olhar para mim novamente. – Escuta, eu só peço para sairmos uma vez. Uma única vez deve já dar certo.
Ela respirou fundo antes de me responder.
— Tá. Mas tem que ser em um local público. – Ela disse e então sorriu como se tivesse uma ideia. – Carla vai dar uma festa na sexta-feira. Esse é o momento perfeito para irmos como casal!
— Perfeito, então...
— Mas... – ela me interrompeu – ... Sem beijos! Segurar a mão já é o bastante.
— Qual é, por que eu não posso te dar...?
— Porque não, !
Olhei para ela e soltei seu rosto.
— Tá bom. Mas exijo uma dança. Pelo menos uma juntos. – Eu disse e ela sorriu de lado.
— Fechado!
Eu comecei a contar os dias até sexta-feira. Estávamos ainda na segunda e eu não via a hora de chegar logo essa festa da tal da Carla. Eu podia não conhecer essa garota, mas com certeza ela estava me ajudando um monte com esse encontro fora do colégio.
19 horas do dia 12 de outubro de 2018
Então chegou o dia. O grande dia.
Estava dirigindo meu Ônix vermelho em direção a casa de . Eu ia buscá-la lá e em seguida iriamos para a festa.
Assim que cheguei, disse que não íamos para a festa no meu carro e sim no dela – que, pasmem, era uma BMW. Uau, por essa eu não esperava, hein.
— Dá a seta! — disse apontando para a esquerda e eu a obedeci.
— Calma! – eu disse rindo e ela respirou fundo.
— Calma, nada. Depois a gente bate ou cai da ponte e aí eu quero ver você dizendo calma quando você encontrar o carinha de lá de cima. – Ela apontou para o teto do carro e eu ri. Ah, , você não faz ideia de como é isso.
Finalmente chegamos à casa de Carla, e entramos. She Looks so Perfect do 5 seconds of summer tocava em alto e bom som, enquanto os adolescentes daquele lugar dançavam, usavam drogas e se embebedavam – além de, é claro, fazer outras coisas, hã, meio sexuais no banheiro.
— Ei, ! Você veio! – uma garota de cabelo cor laranja e piercing no septo apareceu com um copo cheio nas mãos. – E trouxe o namoradinho, vejam só!
— Oi, Carla! — a cumprimentou. Em seguida Carla me abraçou por um tempo longo demais e logo me largou, dando um grande gole em sua bebida. – A festa está bem maneira!
— Maneira? – ela riu. – O que você é, uma senhora de setenta anos?
— Ai, ai, Carla, só você! — riu junto, o que me surpreendeu, porque se fosse eu ficaria com a maior cara de cu para esse comentário. Então outra música começou a tocar, acho que era What The Hell da Avril Lavigne, o que fez Carla dar um grito animado.
— Ah, eu adoro essa música! Vem, , vamos dançar! – e a puxou para longe de mim. Fiquei observando o local enquanto balançava a cabeça no ritmo da música.
— Sozinho? – Noah apareceu do meu lado, mas eu já não tomava mais sustos.
— Imagina, como eu ficaria sozinho na sua presença, não é mesmo? – eu disse e sorri para um cara que sorriu de volta, continuando a andar pelo recinto.
— Uou, sabe do que você precisa? De um cigarro. E vodka. Muita vodka. – Ele me segurou pelo ombro e me guiou em direção a cozinha. Havia um grupo de caras tomando bebidas e fumando, então Noah me empurrou na direção de um deles. – Vai, pede um toco.
Olhei para Noah que assentiu e voltei meu olhar para o cara. Levantei a minha mão e ele me entregou o cigarro.
Dei uma tragada e em seguida comecei a tossir. O garoto falou para eu dar outra tragada mais forte e foi o que eu fiz. Minutos depois comecei a me sentir muito relaxado e como se tudo tivesse mais graça do que o normal. Aquilo era mesmo um cigarro normal?
! – Derek apareceu sorrindo e se encaminhou para o meu lado, me cumprimentando. – Vejo que já está se enturmando com os maconhistas.
— Maconhistas? – eu perguntei rindo e ele pegou um cigarro da mão de um dos caras. Noah tinha sumido já.
— Vem, vamos conversar um pouco.
Então passei a festa conversando com Derek e alguns garotos aleatórios. Derek me perguntou como estava meu pai. O pai de Derek trabalhava com o meu pai na mina de carvão, portanto ele sabia o que era ter problemas respiratórios e surdez. Meu pai estava ficando cada vez pior com a sua tuberculose, e eu sabia que eu tinha que cuidar dele. Mas não sabia como fazer isso e ter sucesso nesse presente que o Grande Cara me deu.
Foi quando uma música mudou para outra do Bruno Mars. Eu avistei já bêbada dançando Versace on The Floor na pista de dança improvisada. Eu via que ela cantava junto e um sorriso involuntário surgiu nos meus lábios. Droga, como aquela garota conseguia ser tão linda?
se virou e seu olhar se encontrou com o meu. Ela apontou para mim e me chamou com um dedo. Eu ri e apontei para mim, como se perguntasse se era eu mesmo que ela queria. fez que sim e começou a puxar uma corda imaginária, me chamando. Eu me levantei e caminhei lentamente na direção dela.
Cheguei até ela, que levantou as mãos, e eu aproveitei e entrelacei nossos dedos. Ela se aproximou de mim como se fosse me beijar – coitado de mim, meu coração já não aguentava mais -, porém ela se afastou e se virou de costas, fazendo com que meus braços a abraçassem.
— Você faz de propósito, não é? – eu disse no pé do ouvido dela. riu e fez que não.
— O quê? Isso? Não foi nada, meu bem. – Ela disse e começou a se movimentar no ritmo da música.
— Você sabe como me deixar louco, droga. – Eu disse mais para mim mesmo, constatando como eu era um ingênuo por acreditar que ela poderia estar realmente gostando de mim. continuou a dançar, até que ela se virou para mim e eu a fiz dar um giro. Voltamos a nos encontrar e ela pegou as minhas mãos e as colocou na sua cintura, me abraçando o pescoço. – Não olha agora, mas eu acho que todos estão olhando para você.
sorriu e aproximou seu rosto do meu.
— E o Jason? Ele está?
Foi nesse momento em que eu broxei totalmente.
— Vish, cara. Essa doeu até em mim. – Noah disse e eu o ignorei.
— Eu não sei. E não importa. – Eu disse e continuei a dançar com ela.
— Claro que importa! – Ela respondeu e olhou discretamente em volta. – Onde ele está?
— Eu não sei, . – Me soltei dela e ela me olhou confusa. – Eu vou voltar a pé para casa.
Virei-me e comecei a andar em direção a porta. Não acreditava que ela realmente estava querendo Jason naquele momento tão íntimo entre nós. Coloquei meu capuz, pois estava chovendo lá fora.
! O que foi? – Ela disse atrás de mim e eu me virei, dando de cara com . Ela continuou a me encarar sem entender nada e eu não me segurei. Aproximei meu rosto do dela e esperei que ela fizesse qualquer coisa para me impedir. Mas ela não fez.
Então eu a beijei.
Ah, mas beijei mesmo.
Senti o gosto de frutas cítricas junto a chiclete. Eu a segurei delicadamente pela cintura, dando leves apertadas lá quando ela sugava a minha língua. Pode parecer nojento, mas ela fazia de um jeito que era a coisa mais gostosa da minha vida. Como eu sempre sonhei com isso, meu Deus!
— Boa, cara! – Noah disse e então eu acordei do sonho com um tapa no rosto.
Olhei sem entender nada para , enquanto eu massageava o local atingido. Eu não estava compreendendo o que acabara de acontecer.
— Mas que porra...? – eu comecei e ela deu um leve grito.
— O que eu disse sobre beijos? – ela disse baixo, irritada. Soltei uma risada irônica e balancei a cabeça negativamente.
— Cansei. – Disse apenas isso e me virei para ir embora. Esperei para ouvir ela me chamando, mas isso não aconteceu.
11 horas do dia 30 de novembro de 2018
Estava jogado na minha cama.
Meu pai estava trabalhando e eu continuava a ficar jogado na minha cama, como um imprestável ao som de Adele.
Esse emprego novo do meu pai estava o matando, eu sabia, mas eu também sabia que daqui a pouco ele poderia se safar dessa. Só precisava de alguém que cuidasse dele. E eu precisava achar esse alguém rápido.
Entre mim e tudo estava acabado. Assim que eu saí naquele dia da festa, ela nunca mais falou comigo. Mas parece que a ajudou a voltar com Jason, pois eles estavam juntos no dia seguinte. Ótimo. Que eles fiquem juntos para sempre.
— Qual é, cara, vai ficar aí o dia inteiro? – Noah estava sentado na cadeira da escrivaninha, girando-a sem parar. Bufei simplesmente como resposta. – Vai, você tem que fazer algo de especial, lembra? Presente do Grande Cara?
— Eu não ligo para esse presente! Não estou entendendo o que eu preciso fazer, porque pelo visto não é ficar com .
— Como sabe? Você tem uma vida inteira pela frente até descobrir o que você tem que fazer. – Ele respondeu o que me fez pensar.
Esse era o último dia de aula, e eu claramente o tinha matado. Não queria ir ver a que-não-posso-nomear com o babaca grandalhão lá. Mas Noah tinha razão. Eu ainda tinha tempo até descobrir o que fazer com essa volta no tempo. E iria aproveitá-lo o máximo que poderia.
Então eu me levantei e peguei meu skate. Comecei a andar por Outbrooks, onde nenhuma poderia estar, nenhum Jason, nem mesmo Derek. Eu estava sozinho e talvez eu devesse procurar alguém para conversar. Eu tinha Noah o tempo todo comigo, mas ele poderia ser um pé no saco às vezes – sem contar que ele não era uma pessoa de verdade.
Peguei a estrada para a loja de conveniência e entrei nela, pulando do skate. A loja ainda não pertencia ao meu pai, o dono era Josh Carter, um empresário falido de Outbrooks. Mas assim que meu pai melhorar iremos comprá-la.
O que eu não contei para vocês é que Carter tinha uma filha, . Eu nunca dei muita bola para ela, ela sempre fora uma chatinha sem noção. Até esse dia.
— E aí, já conseguiu diferenciar o cabo HDMI do USB? – eu disse assim que entrei. revirou os olhos enquanto soltava todo o ar de dentro dela.
— Ora, ora, se não é o garoto mais chato de toda Outbrooks. – Ela estava com uns papéis na mão, eu me aproximei para ver o que era, e ela logo os guardou atrás de si. – Não é correspondência para você, não, seu bisbilhoteiro.
— Qual é, , quando é que você vai parar de ser tão chata?
— Só quando as vacas tossirem. – Ela guardou os papéis em uma gaveta com chave. se apoiou no balcão e olhou para mim com um sorriso amarelo. – No que eu posso te ajudar?
— Nada. Eu só vim pegar uma breja. – Dei um arroto e me aproximei da geladeira.
— E quando você vai fazer isso? Ah, é mesmo, quando você tiver idade para beber. – Ela se colocou na frente da geladeira. já tinha terminado a escola, mas nunca tinha aplicado para a faculdade. No passado verdadeiro – que agora não existe mais, ou que ainda pode acontecer... Caramba, que confuso! –, ela se mudou de Outbrooks para Nova Iorque tentar ganhar a vida como cantora. Ela nunca conseguiu, pelo o que eu saiba, pois eu nunca ouvi mais falar dela assim que se mudou.
— Qual é, zinha, isso ficará entre nós. – Eu sorri para ela galanteador. Talvez com o meu porte físico e minha popularidade no colégio a faça mudar de ideia e cair no meu charme.
— Entre nós e a polícia, isso sim. – Ela disse e eu suspirei.
— Sempre estraga prazeres. – Eu disse e ela riu voltando para o balcão assim que eu saí da frente da geladeira. De repente uma trovoada atingiu a cidade assustando a nós dois.
A televisão estava baixa, mas logo aumentou o som. Estava uma reportagem passando, falando de um furacão que estava prestes a atingir nossa pequena região. A repórter disse para todos se prepararem o mais rápido o possível, pois ele estava chegando.
— Ah, que ótimo. – A luz apagou na loja e eu olhei para ela. parecia muito brava. – Rápido, me ajude a fechar a loja.
Eu, como uma boa pessoa que sou, a ajudei. Reforçamos as janelas e portas e quando percebemos estávamos trancados para dentro da loja. Mas não estávamos sozinhos.
— A senhora precisa de ajuda? — disse a senhora que estava olhando a sessão de grãos. – Sabe o que está acontecendo?
— Sei, sim, filha. Você pode me ajudar a me sentar um pouco? – ela disse baixinho e eu logo me coloquei antes de para ajudar a senhora a se sentar.
— Sabe, nem tudo é uma competição, . – Carter disse. Eu sorri.
— Com você é, sim, minha cara. – Eu respondi e outra trovoada apareceu. Resolvemos nos sentar junto a senhora.
— Aqui é seguro? – a senhora perguntou e fez que sim.
— Mas acho melhor irmos para o quarto de pânico. Lá temos suprimentos. – Carter disse e então fomos todos para o quarto nos fundos do estabelecimento. Eu já conhecia esse quarto do pânico, pois quando a irmã de trabalhava na loja, ela me levava até lá para darmos uns amassos. Mas ela foi morar com a mãe em Los Angeles e nunca mais a vi.
— Então... – Eu disse para quebrar o silêncio. – Como anda?
— Como anda o quê? – ela perguntou irritada.
— Calma, eu só fiz uma pergunta. – Eu disse levantando os braços e ela se virou para mim.
— Com você nunca é só uma pergunta, meu caro. – Ela respondeu. Touché.
— Eu tive uma ideia! – Peguei meu celular do bolso e coloquei One Last Time da Ariana Grande para tocar. – Perfeito para a ocasião, não acha?
— Olha, você é um sem noção mesmo. – Ela disse.
— Eu me referia ao clipe da mús...
— Eu sei! – me cortou. A senhora continuava em silêncio e resolvemos a seguir. Até que ela tossiu e eu a ajudei um pouco a melhorar.
— Vocês namoram há quanto tempo? – a senhora perguntou e eu gargalhei na hora. me repreendeu com o olhar e eu parei de rir.
— Não somos namorados, senhora...?
— Pode me chamar de Denise. – A senhora abraçou o pulso de Carter. sorriu. – Que pena. Vocês têm muita química.
— Química?! – dissemos em uníssono. A senhora riu.
— Me lembram muito de um namorado que eu tive quando era da idade de vocês... – ela tossiu mais um pouco. – Acho que era Terence o nome.
A senhora começou a contar suas aventuras amorosas com Terence a partir de então. Eu e — e, como sempre, Noah – estávamos ouvindo com toda a atenção do mundo. Eram histórias engraçadas, algumas que eu nunca sonharia ter na vida. Eu não sou exatamente o cara mais romântico do mundo, mas quando percebi, estava prestando atenção em como estava toda derretida pelas histórias. Fiquei me perguntando se ela já teve alguém que fizesse esse tipo de coisa, mas Noah fez o favor de responder para mim: não. Eu o mandei calar a boca, claro, mas ele não parou.
— Por quê, cara? Está interessado nela agora? E a ? – Ele começou a me cutucar e eu simplesmente passei a ignorá-lo.
Não, era óbvio que eu não estava interessado em . Mas pensar em outra garota um pouco me fazia bem. Eu estava enjoado de pensar em , porque toda vez eu lembrava que ela estava com aquele...
— E foi assim que demos nosso primeiro beijo. – A senhora disse e riu logo em seguida, acompanhada por Carter. – Sinto falta de momentos assim.
— Ah, mas a senhora aproveitou muito! — respondeu e Denise sorriu.
— Aproveitei mesmo! – Ela disse e tossiu.
— Vou ver se está tudo bem... — se levantou. Já havia passado umas três horas desde que estávamos lá dentro.
— Eu vou com você! – Eu disse me levantando também.
— Não! – Ela se virou para mim e disse baixo – Alguém tem que ficar cuidando dela.
Olhei para Noah que revirou os olhos.
— Ela está em boas mãos. – Eu disse. não entendeu exatamente o que eu quis dizer, mas me acompanhou mesmo assim. Fomos até a loja e parecia que ainda estava tendo o furacão. O barulho de ventania era muito forte. Eu estava assustado até que um barulhão de algo caindo me deu o maior susto de todos e eu gritei.
— Ah! Não acredito que você se assustou com um xampu caindo! — começou a rir feito louca. Eu a olhei com os olhos semicerrados.
— Quer motivo para dar risada? Eu vou te dar motivo! – Comecei a fazer cócegas nela, mas ela logo começou a me bater de volta.
— Para, seu retardado! – Ela disse ainda me batendo e eu segurei um de seus pulsos.
— Ou o quê? – Eu disse e ela parou na hora. Carter revirou os olhos e se soltou de mim.
— Se pensa que algo entre nós vai rolar, pode esquecer. – Ela disse simplesmente e começou a caminhar para a porta que dava ao quarto de pânico.
— Ei! Como assim? Eu te odeio tanto quanto você me odeia...!
— Eu vi como você me olhava enquanto Denise contava as histórias dela. Isso – ela apontou para mim e para ela – não vai rolar MESMO!
— Ah, qual é! Era você que ficou imaginando nós dois de mãos dadas por aí! – Eu respondi. Não sei se acreditava mesmo nisso, só queria encher o saco dela. Carter riu de novo.
— Tá. Vamos voltar para lá...
— Espera! – Eu disse e ela se virou instantaneamente para mim, trombando com o meu corpo. Uma meia luz atravessava o local e deixava em evidência aqueles lábios dela carnudos. Eu nunca tinha reparado como ela tinha lábios tão grandes. era bem diferente dela, seu lábios eram finos e macios. Eu me perguntei se os de eram também.
Então ela me beijou.
O beijo mais quente que eu já tive em toda a minha existência, tinha certeza. Era uma mistura de ódio e desejo que eu nunca tinha experimentado antes. Ainda dava para escutar a Ariana cantando de fundo enquanto nos pegávamos, mas aí Noah me lembrou da senhora e paramos com aquele momento quente.
A partir daí eu e nos tornamos inseparáveis.
9 horas e 43 minutos do dia 10 de fevereiro de 2019
Ah, pulei alguns meses, mas logo você entenderá por que eu resolvi vir para esse dia de 10 de fevereiro de 2019.
Então minha vida estava ótima. Eu não precisava de nenhuma e finalmente eu tinha entendido que poderia ser o grande amor da minha vida. Sério.
Nós éramos como unha e carne, e eu nunca tinha imaginado que eu poderia ser assim com alguém. e eu costumávamos a brigar diariamente ou simplesmente nos provocar. Agora essa provocação era com outra conotação, se é que vocês me entendem.
Eu e ela tínhamos mesmo uma química incrível como Denise tinha dito.
Engraçado, eu me pergunto o que uma garota mais velha como ela estava querendo com um garoto remelento como eu era, quer dizer, como eu sou. Ou era, dependendo de quando você acha que eu estou contando a história.
Enfim, de qualquer maneira, passávamos os dias conversando e sempre depois do expediente dela tomávamos sorvete e ficávamos contando os carros da estrada que passavam – eu ficava com os do lado direito e ela, do lado esquerdo. Assim ela me contava curiosidades sobre ela e eu contava as bobices que me aconteciam na escola.
Um dia fomos ao cinema de Insidebrooks e, como o Grande Cara tem seu humor, encontramos com Jason. Eu logicamente me escondi atrás de , o que a fez me perguntar qual era o problema. Eu não queria causar uma briga que com certeza teríamos se eu dissesse que eu não queria encontrar , então eu simplesmente sai do meu esconderijo e, dando a mão para , caminhei pelo corredor do cinema. logo me viu e arqueou uma das sobrancelhas, me desafiando. Olhei para Carter e a puxei para um beijo. Despois que nos soltamos, e Jason tinham sumido.
Eu ignorei essa parte e entrei na sala com . Devo dizer que ela era uma mulher muito madura. Menos quando se tratava de filme de terror. Ah, aí ela voltava a ser uma criança.
Não porque ela tinha medo, muito pelo contrário, ela era fascinada por filmes de terror. Por isso mesmo ela parecia uma criança em uma loja de doces. Mas dessa vez ela não parecia nem um pouco interessada no filme.
começou com a sua mão em meu joelho, então passou a me provocar, como diariamente fazia. Porém ela nunca tinha feito enquanto assistíamos um filme de terror. Isso me fez questionar se seu gesto tinha algo a ver com e Jason terem aparecido. De qualquer maneira ela continuou as provocações até que eu não me aguentava mais.
— Vamos para a sua casa. – Ela sussurrou no meu ouvido.
Entramos em casa e, sem poder dar um último respiro, lá estava me beijando novamente. Ela me empurrou em direção ao sofá e se sentou em cima de mim, colocando uma perna de cada lado do corpo. Agora eu poderia dizer como ela era uma mulher maduro, ah, sim.
Ela voltou a me beijar enquanto arranhava minha barriga com as unhas. Eu mordi seu lábio sem querer quando ela me arranhou mais forte, o que a fez reclamar. Ainda bem que ela ignorou isso e continuou o trabalho.
Carter tirou minha blusa e logo foi a vez da dela cair no chão. Antes dela continuar, saiu de cima de mim e foi até o aparelho de com. Ela conectou com o celular dela e logo Into You da Ariana Grande começou a tocar.
— Uma homenagem para quando nos beijamos pela primeira vez. – Ela disse e eu ri. Levantei-me e puxei para perto de mim, a beijando novamente.
Não tínhamos tempo para voltar ao sofá, então eu empurrei algumas coisas de cima da mesa e a coloquei sentada lá, ficando entre suas pernas. Resolvi mostrar a ela que eu sabia o que eu estava fazendo – não porque eu já tinha feito isso, afinal, naquela época eu nunca tinha tocado em uma mulher desse jeito, mas sim pela minha experiência de um cara de 30 anos que, querendo ou não, ainda levava comigo.
Passei a distribuir os beijos pelo seu colo e assim que cheguei em seus seios um barulho grande de porta abrindo apareceu, dando um susto em mim e nela. se escondeu atrás de mim assim que meu pai apareceu na sala com compras de supermercado.
— Ah, me desculpem! Mas também aqui não é lugar para isso, não é, pessoal?! – Meu pai disse bravo e eu comecei a rir junto a Carter. Não foi esse dia que aconteceu o que eu queria.
Mas esse episódio não é sobre esse dia e sim sobre o dia 10 de fevereiro de 2019.
Eu estava na loja de conveniência quando aconteceu. estava no caixa e eu estava lendo uma revista sentado no balcão, só passando o tempo. Ela disse para eu olhar as coisas, pois ela iria ao banheiro.
Eu sei que eu não deveria me intrometer nas coisas dos outros, no entanto, lá estava a gaveta com chave aberta, expondo alguns papéis. Ela estava me chamando, dizendo “Ei, , venha me descobrir!”. E vocês já perceberam que eu sou mesmo um intrometido, não é?
Inclinei-me para enxergar melhor o que estava escrito e lá estava o que eu nunca imaginei que estaria.
“Julliard School”.
Olhei para o banheiro para verificar se já tinha saído e desci do balcão. Peguei a carta e percebi que já estava aberta.
“Prezada, Senhorita Carter,
É com grande honra que...”
— O que você está vendo aí, ?
Pulei do chão e guardei a carta atrás de mim. Sustentei o olhar de por um certo tempo, pensando no que eu diria para ela agora. Eu sei. Ela já sabe que eu sei. O que eu faço?
— Então? – Ela repetiu.
— Então o quê?
— Olha... — começou.
— Não precisa dizer nada. Você tem que aceitar. – Eu disse e ela balançou a cabeça negativamente.
— Você não entende. Não é tão simples assim.
— Claro que é! – Eu me aproximei dela.
— Não, não é, ! – Ela me olhava de uma maneira diferente da qual sempre olhou. – Você quer que eu faça o quê? Deixe meu pai aqui, o abandone, e simplesmente vá fazer o que eu bem entender? E se não der certo?
...
— Não é tão simples! – Ela disse mais alto agora. Notei que ela tremia. Olhei para a carta na minha mão e depois para o chão.
O que ela não entendia era que o pai dela morreria logo e ela iria para Nova York de qualquer jeito. Eu sabia. Sabia, pois foi o que eu ouvi falar no futuro. Mas como convencê-la de que é o certo a se fazer sem mencionar essa parte de que eu vim do futuro?
Carter. Você é a mulher mais capaz que eu já conheci nessa vida. Esse é o seu sonho. Sempre foi, . – Eu esperei para ver seu protesto antes de a abraçar, mas ele não aconteceu. Então eu a abracei bem forte. – Eu tenho certeza que seu pai irá entender. Não só entender, como ele saberá que é certo.
Ficamos em silêncio, apenas ouvindo a rádio tocar One Call Away do Charlie Puth, e seu choro ecoar pela loja – que, ainda bem, estava vazia. Foi assim que eu perdi . Sabe, Deus, Você tem um senso de humor engraçado. Ou eu deveria dizer nada engraçado.
19 horas do dia 22 de fevereiro de 2019
É, ela foi embora mesmo. Mas não vou ser o tipo de cara que é o empecilho na vida profissional de uma mulher, não. Mesmo porque se eu tivesse no lugar dela, escolheria Julliard sem pestanejar.
Confesso que fiquei ouvindo muito Honestly do Hot Chelle Rea por alguns dias, tentando ficar um pouco bravo com ela, ou simplesmente fingir que tivemos uma briga e por isso ela foi embora. Mas era muito boa para esse tipo de coisa.
Continuei minha vida por alguns dias me perguntando para Deus qual era a Dele e o que Ele tinha preparado para mim, porque, honestamente, eu estava no escuro. Não era , não era , não era eu melhorar no colégio como aluno... É, eu não fazia ideia.
Passei a me concentrar no futebol e, por incrível que pareça, eu era muito bom. Ser quarterback era um desafio no início, mas depois eu fui pegando a prática e logo me tornei tão bom quanto Jason. Mas não melhor que ele.
E querem saber? Eu não ligo. Eu sabia desde o início que eu não seria melhor que ele, porém, apesar de eu ter entrado nessa para ter o coração de , eu me dediquei de verdade. Não me importava de não ser o melhor no que eu fazia, mas eu sabia que eu era um dos melhores, e isso já bastava.
Nesse dia aconteceu a final do futebol americano e eu fiz o passe mais lindo de toda a temporada. Ao menos foi o que todos disseram. Meu pai resolveu dar uma festa para mim e assim que cheguei em casa, todos gritaram “Surpresa!”.
Todos do colégio estavam lá, alguns vizinhos e colegas de trabalho de meu pai. Papai estava melhor, mas ainda reclamava das tossidas. Noah vivia me lembrando de eu conseguir encontrar alguém para cuidar de meu pai, mas eu ainda não tinha pensado em ninguém além de mim.
Assim que saí do campo, o treinador me chamou e disse que havia “pessoas” interessadas em me entregar uma bolsa de esportes para a faculdade. Eu quase aceitei na hora, mas Noah fez questão de me lembrar da situação de papai. Então disse que iria pensar e dava a resposta ainda nesse final de semana.
Mas voltando para a festa, eu fiquei realmente surpreso. Eu não esperava que tantos aparecessem em minha casa. A verdade era que isso sim poderia acontecer, afinal, eu estava sendo o cara mais popular do colégio, competindo com Jason e...
! – Escutei Derek dizer ao passar do meu lado. Eu estava conversando com algumas garotas do colégio quando notei que ela estava lá. Puxa, e como ela estava bonita.
— Ei, Derek! Como vai? – eu me aproximei deles discretamente e passei a prestar atenção na conversa que eles teriam. As garotas não se importaram, continuaram a falar e falar sem parar. – Grande jogo hoje, hein?
— Ah, foi mesmo... Mas você está incrível! Quem diria que ficar sem...
— Não diga o nome desse insano! – ela riu. – Ainda bem que terminamos... E foi para valer dessa vez!
— De verdade? – Ele perguntou.
— De verdade.
— Quer que eu busque uma bebida para você? – Derek disse e aceitou. Uma música do Ed Sheeran estava tocando, acho que era How Would You Feel. O clima estava perfeito, estava sozinha. Essa era a minha chance.
— Meninas, eu já volto, tudo bem? – eu disse e elas aceitaram numa boa.
As garotas saíram de perto de mim e eu virei os calcanhares na direção de . Lá estava ela, dançando no ritmo da música, como naquele dia que eu a beijei pela primeira e última vez.
— Qual é, cara? Você vai mesmo atrás dela? – Noah disse se colocando na minha frente.
— E qual é o problema?
— Ela sequer quer conversar com você. Tem certeza que quer passar por isso de novo, ainda na sua própria casa? – Noah colocou sua mão sobre meu ombro. Olhei para ela e depois para ele. Suspirei. Ele tinha razão, o que estava na minha cabeça?
Desisti e me virei para procurar algo para fazer. De repente aquela festa ficou um grande saco.
— Sozinho?
Eu me virei rapidamente na direção de . Ela sorria de lado como eu adorava.
— É... – Eu ri envergonhado. Noah tinha sumido. – Você?
— Idem. – Ela respondeu e juntou as mãos na frente do corpo, se balançando sobre os pés. – Parece que o meu possível companheiro foi buscar uma bebida e nunca mais voltou.
Eu assenti. Todos os casais estavam dançando a música em nossa volta, eu me senti extremamente desconfortável. Quando percebi, a mão de estava erguida na minha direção.
— Me concede esta dança, ?
— Absolutamente sim, .
Então começamos dançar. Ela colocou minhas mãos na sua cintura e abraçou meu pescoço, do jeito que fez da outra vez. Dançávamos como um só. Foi a coisa mais engraçada de todas, pois era como se só existisse nós dois no recinto.
olhou dentro dos meus olhos e eu sabia que eu tinha o consentimento dela. Inclinei-me para finalmente a beijar...
... Mas não estávamos sozinho no lugar, e eu não cheguei a beijá-la.
— Quem você pensa que é, hein?! – Jason disse me empurrando e colando seu rosto no meu. Eu já estava com vontade de bater nesse cara há um bom tempo.
— Jason, sai, ele não estava fazendo nada que lhe diz respeito. — começou, mas ele a ignorou.
— Você é só um pedacinho de merda, . Sempre querendo o que eu tive, rastejando por minhas sobras...
— Ei! Cuidado com o que você fala! – Eu disse o empurrando e ele me empurrou de volta.
— Ou o quê? Você se acha mesmo, não é? Se enxerga, seu...
Não deixei que ele continuasse e dei um soco no seu rosto. Todos pararam ao redor de nós e só pude ouvir gritar quando Jason partiu para cima de mim.
Eu tentei revidar, mas ele era mais forte, comecei a sentir cada soco em um lugar que eu nem sabia que existia no meu corpo. Consegui ouvir a voz do meu pai perguntando o que estava acontecendo e alguém tirou Jason de cima de mim. Logo meu pai disse que a festa tinha acabado.
22 horas do dia 22 de fevereiro de 2019
— Você quer mais gelo? — disse. Eu estava com um pacote de brócolis congelado no meu rosto inchado e vermelho. Fiz que não e ela suspirou. – Desculpe pelo o que aconteceu, é tudo minha culpa...
. Não é possível que você ache mesmo que é sua culpa o cara ser um babaca... Aí! – Eu disse e senti minha mandíbula doer.
— É, mas eu não deveria ter namorado um psicopata para começo de conversa. – Ela disse e eu ergui a sobrancelha. – Ele já está no meu passado.
estava do meu lado do balcão e a música da festa ainda continuava. Alguns amigos do meu pai continuaram lá em casa e o ajudaram a limpar tudo, enquanto estávamos cuidando desses hematomas.
— Ei. – Eu ergui seu rosto em minha direção. – Você está bem?
— Estou, é que... – Ela disse e engoliu o choro. – Eu fui uma idiota com você, . Não devia ter te tratado como eu o fiz.
— Qual é, eu fui o grande panaca da história...
— Não, não foi, e Deus sabe disso. – Ela disse. Achei engraçado ela mencionar Deus numa hora dessas. estava muito próxima de mim. Uma lágrima escorreu de seu olho e eu involuntariamente limpei com o meu polegar. Lover da Taylor Swift começou a tocar. De quem era o celular, eu não faço ideia. Mas que a seleção estava boa, ah, estava. riu. – Que oportuna essa música, não?
Eu ri.
— E por quê?
Ela apenas sorriu para mim e eu grudei nossos lábios. Senti sua língua quente encontrar a minha e uma pequena dança entre elas se iniciou, lenta e agradavelmente.
desgrudou nossos lábios e me puxou na direção da escada. Eu larguei o saco de brócolis em cima da bancada da cozinha e a segui. Chegamos até meu quarto, onde ela lançou um olhar para mim antes de entrar.
— Uau. Você é fã mesmo da Taylor Swift. – Ela disse e riu. Ei, eu disse que meus pôsteres eram de rock no meu quarto, mas não eram, ok? Sem julgamentos, por favor.
— Só... Cala a boca. – Eu disse sorrindo e a puxei para perto, selando nossas bocas. Assim que o beijo se intensificava, mais me arranhava na nuca.
Ela começou a puxar a bainha da minha blusa e logo ela estava no chão. me empurrou para a minha cama e se sentou em cima de mim – o que me fez ter uma nota mental: adoro quando as mulheres fazem isso.
Ela se aproximou da minha orelha e mordeu o lóbulo dela de leve. voltou a me beijar e eu a virei contra o colchão. Puxei seu vestido para cima e acariciei sua coxa com vontade. Distribui meus beijos por todo o seu tronco assim que seu vestido já não estava mais em seu corpo. Desci até sua calcinha e percebi como ela já estava molhada. Olhei para ela, que estava com os olhos transbordando desejo. Tirei a calcinha começando com os dentes e depois o resto com a mão. Olhei para seu clitóris inchado e comecei a chupá-lo, dando beijos de vez em quando. Logo sua mão estava em meus cabelos, guiando meus movimentos. Coloquei um dedo e depois outro em sua vagina e ela apertava contra meus dedos. A outra mão foi ao encontro de um de seus seios ainda cobertos pelo sutiã. Fiz algumas vezes o movimento de vai-e-vem enquanto ainda chupava seu clitóris, quando ela me puxou para cima e me virou contra a cama. Ela abriu o zíper e eu a ajudei a tirar a minha calça, jogando-a no chão com pé.
sentou novamente em cima de mim, agora bem em cima da minha ereção. Ela começou a chupar meu pescoço enquanto rebolava, bem devagar, quase me matando. Dava para ouvir a música lá de baixo e agora era Dangerous Woman da Ariana Grande que tocava. Eu estava enlouquecendo, até que ela disse no pé do meu ouvido “Camisinha?” e eu peguei com uma das mãos a carteira na minha calça, entregando a ela. tirou de dentro dela a camisinha e a abriu, colocando os restos em cima da mesa de cabeceira. Eu a virei novamente enquanto ela me acariciava na barriga. Ela tirou o pequeno de dentro da cueca e sorriu maliciosamente para mim.
— Caraca, você tá muito gostoso. – Ela disse sorrindo enquanto colocava a camisinha e eu não pude conter uma risada, logo a beijando ferozmente. puxou meu lábio com os dentes bem de leve e eu entrei nela de uma vez, a fazendo arfar.
Não foi nada selvagem. Apenas romântico, apesar dos sons que ela e eu fazíamos. Como a falta de ar e às vezes um gemido baixo. Eu fui o primeiro a ter o orgasmo, mas continuei com os movimentos até sentir que ela também tinha tido – soltar todo o ar de dentro dela me deu uma dica.
— Uau. – Ela disse assim que eu me deitei ao seu lado na cama, sem ar. – Isso foi...
— Eu sei. – Eu disse e ela riu. – Shhhh.
— Desculpe – Ela riu baixo e eu sorri. Abracei-a e depositei um beijo no topo da sua cabeça. foi a primeira garota que eu tive. Bem, tecnicamente, pois com essa idade eu não tinha transado com ninguém – e isso inclui .
Fico feliz que tenha sido com ela. Querendo ou não, foi o meu primeiro amor e deixar esse momento tão especial para ela foi uma coisa boa que eu fiz. Adormecemos assim, abraçados, e pensando um no outro.
Pelo menos era o que eu acreditava.
10 horas do dia 19 de agosto de 2030

Acordei no dia seguinte sem entender nada, pois não estava mais ao meu lado. Olhei para a janela do quarto e percebi que devia ser tarde para se acordar, mas que se dane, era sábado... Certo?
— Por que eu tô com a sensação de que eu não estou mais...
— No passado? – Noah disse e eu me cobri rapidamente com o cobertor. – Relaxa cara, não é como se eu nunca tivesse visto um pênis, eu tenho um, lembra?
— Cala a boca. – Eu disse e me sentei na cama ao notar que meus pôsteres da Taylor Swift não estavam mais lá. – Ah, não. Espera. Eu voltei mesmo? Que dia é hoje?
— 19 de agosto de 2030. – Ele disse calmamente como se fosse normal eu viajar no tempo dessa maneira. Eu levantei da cama e me olhei no espelho, vendo como eu estava mais velho.
— Meu Deus... O que aconteceu?
— Parece que você conseguiu. Fez o que tinha que fazer, sei lá... – Ele disse olhando para as suas unhas. Sorri.
— E como está a minha vida agora?
— Descubra você mesmo... – Ele disse e sumiu.
— Pai!
Olhei para a porta e lá estava uma garotinha de aparentemente uns 4 anos. Pai? Eu sou pai?
— Hã, sim?
— Pai, mamãe já foi embora e eu tô com fome! – Ela disse subindo na minha cama com dificuldade. Eu sorri para ela. – Por que você está pelado?
— Ah... – Eu disse e corri para o closet, onde eu encontrei uma calça qualquer e uma camiseta. Coloquei a roupa e voltei para o quarto. – Assim está melhor, querida?
— Está sim! – Ela soltou uma risadinha. – Eu tô com fome, pai!
— E... Vamos brincar antes do papai te preparar algo para comer?
— Eba! Tá bom! – Ela estava pronta para sair da cama, mas eu a impedi.
— Vamos lá. Já sabe escrever seu nome?
— Claro que sei, pai! Não sou tão pequena assim! – Ela riu.
— Então ótimo. A brincadeira é a seguinte: diga palavras que comecem com as letras do seu nome em sequência! Preparada?
— Tá!
— Já! – Eu disse.
— Banana, Elevadro – eu segurei a risada quando ela disse “elevadro” –, Amor, Te... Ah, muito difícil, pai! Não gostei dessa brincadeira.
— Ora, Bea... – Eu disse e ela balançou a cabeça negativamente com raiva. – Beatrice!
— Pai! – Ela cruzou os braços na altura do peito. – Não quero brincar, ué!
— Tá bom, Bea. – Eu disse e acariciei o topo de sua cabeça. – Vá descendo que eu já vou, ok?
— Tá bom... – Ela disse emburrada e desceu da cama, indo em direção a porta. Assim que Beatrice foi embora eu suspirei, sem acreditar.
Eu tenho uma filha. E a minha esposa era ? Procurei por retratos em cima da cômoda para saber e lá estava um de de vestido branco e eu de terno, os dois rindo com uma taça de vinho na mão. É, acho que eu me casei com .
Qual é, Grande Cara, então era isso? Ficar com ? Poxa, eu precisei perder um ano para conseguir isso? Por que não ficamos juntos naquela festa da Carla?
? – escutei uma voz vinda lá de baixo. Desci as escadas e encontrei Carla, agora com o cabelo moreno e sem piercings. Fiquei chocado quando vi, mas tentei me manter sem reação, como se eu tivesse visto apenas uma nuvem no céu.
— Ah, oi, Carla. – Respondi.
— Desculpa vir aqui assim, pediu para eu dar uma passadinha para pegar a receita de torta flambada de coco e depois eu tenho que ir correndo para...
— Como você está? – Eu perguntei, interrompendo-a. Ela me olhou estranho.
— Como assim?
— Como você anda? Sabe... Queria saber. – Coloquei as mãos nos bolsos da frente da calça. – Faz tempo que não te vejo.
— Como assim, ? Nos vimos ontem, bem aqui na sua casa, não se lembra? Hello, almoços aos domingos são sempre...
— E Derek? Como ele está?
Carla parou de falar por um tempo e ficou me olhando.
, Derek...
O telefone de casa começou a tocar bem quando ela falava. Pedi licença e atendi o telefone.
— Alô? Sim, sou eu mesmo. – Era uma voz diferente, nunca tinha escutado antes. – O quê?! Não é possível... Estou indo para aí imediatamente, obrigado!
Desliguei. Olhei incrédulo para Carla.
— Carla, você pode olhar Beatrice, por favor? Eu tenho que ir! – Corri para a porta.
— Calma, o que aconte...?!
— Meu pai! Passou mal e está no hospital! Tenho que ir correndo! Depois a gente se fala, tchau! – Peguei as chaves e fui embora.
Estava dirigindo sem entender nada, para variar. A cidade não estava me ajudando em nada, todos os faróis estavam vermelhos! Acabei passando por um acelerando e tudo aconteceu muito rápido.
De novo.
Vi os vidros voando por todo o lado. Perdi o controle da direção e era como se meu estômago estivesse sendo esmagado.
— É, acho que você não conseguiu. – Noah estava agora do meu lado dizendo isso para mim. Eu não consegui responder por meu crânio estar sendo esmagado também. – Calma, é melhor sairmos daqui.
7 horas do dia 20 de agosto de 2018

De repente eu estava de novo na ponte.
Inteiro.
Olhei para os lados a procura de Noah, só o encontrei no fim da ponte, olhando para trás com as mãos nos bolsos do casaco.
— Você não vem? – Ele disse.
— Espera. Que dia é hoje?
— Como assim “que dia é hoje”? 20 de agosto, ora essa.
— Tá, mas de que ano?
Noah olhou para mim com tédio.
— 2018, ué.
Ah, não.
— Eu vou ter que passar por isso de novo?! – Coloquei as mãos bagunçando meu cabelo. – Não é possível...!
— Calma, aí, garotão, você tem que descobrir o que tem que fazer, afinal, o Grande...
— Tá, tá, tá, já sei! O Grande Cara me deu esse presente, já entendi! Mas eu estava no futuro já! – Eu disse balançando os braços no ar. – Eu não acertei?!
— Nop. – Noah disse simplesmente. – Mas fique tranquilo, será mais uma jornada comigo! Será divertido!
18 horas do dia 22 de fevereiro de 2019

Não foi divertido.
Ao menos pude fazer as coisas da maneira certa. Eu aceitei sim namorar com , mas dessa vez ela terminou comigo por outro motivo: Jason finalmente estava rastejando por ela.
Mas é isso o que eu não entendo: eu fui para o futuro! Passei a virada do ano toda pensando nisso... Até que cheguei a uma conclusão.
Noah tinha dito que muitas vidas dependiam disso. E me lembrei de . Ela foi para Julliard na outra versão da minha vida, talvez eu tenha acertado nisso. E por causa disso eu fiquei livre para ter de novo.
Certo.
Afinal, foi depois de ter ficado com ela que eu voltei para o futuro. Um novo futuro. Então eu acertei nisso também. Que outras vidas dependiam de mim?
— Cara, você jogou muito hoje, de verdade! Parabéns! – Derek tirou o capacete e colocou a mão no meu ombro.
— Obrigado, cara. Você também! – Eu disse e ele assentiu, indo para o vestiário. Eu estava andando confuso pelo campo e pensando muito em tudo o que eu tive que viver e como nada até agora me levou ao futuro de novo.
— Talvez tenha a ver com o dia de hoje... – Noah apareceu do meu lado. Olhei para ele.
— Mas o que aconteceu hoje além de eu ficar com ?
! Venha aqui! – o treinador me chamou e fomos eu e Noah até ele. – Tenho que te apresentar algumas pessoas.
O treinador me apresentou a um monte de gente importante que queria que eu entrasse na universidade deles por uma bolsa esportiva. Noah bateu no meu peito assim que eles terminaram de falar.
— Cara, é isso! Talvez você tenha que aceitar a bolsa!
— Sério? É... Faz sentido. – Eu disse baixo enquanto o treinador conversava com o pessoal. – Tá certo. Vou fazer e ver no que dá.
10 horas do dia 19 de agosto de 2030

Acordei com uma gritaria vinda de uma mulher que entrou no meu quarto abrindo todas as cortinas. Olhei para ela sem entender nada.
— Vamos, . Você tem aquela sessão de fotos hoje, lembra? Não acredito que você perdeu o horário! Ah, sempre assim, não acredito...
— Calma. Quem é você? Onde eu estou? – Olhei em volta sem entender o que estava acontecendo. O quarto era imenso! Aquela não era a minha casa, eu tinha certeza.
— O que você está falando?! Ah, ainda bebeu ontem, que ótimo! Anda, toma um banho para tirar isso de você e vamos logo. Eu tive que ser agente de um quarterback, eu hein?!
Ela disse indo embora do quarto, me deixando sozinho. Levantei da cama e me olhei no espelho. De volta para o futuro, novamente.
— É, acho que agora foi, hein? – Noah disse jogando uma bolinha na cesta de basquete que tinha no quarto, só para vocês verem a plenitude do lugar que eu estava.
— Cara, me diz que você sabe onde eu tô...? – eu disse observando como a minha pele estava ótima.
— Cara, você está na sua casa. – Ele disse fazendo outra cesta. Virei-me para ele, totalmente incrédulo.
Essa é a minha casa?
— É. Foi o que você conseguiu depois de descobrirmos que você tinha que aceitar a proposta daqueles caras.
— Caramba... — Eu disse. Isso tudo era... Meu?
Espera. E ?
Troquei-me rapidamente e desci aquelas escadas enormes correndo, quase tropeçando no final. Vi a mesma mulher de minutos atrás sentada no sofá com um tablet na mão.
— É...? – Tentei inventar um nome para ela, mas nada me vinha na cabeça.
— Ah, aí está você. Nós estamos atrasados! – Ela se levantou.
— E aonde vamos mesmo? – Eu perguntei e ela riu.
— Querido, você está em Nova Iorque, 2030. – Ela disse como se fosse óbvio. Nova Iorque? – Vamos, ! Estamos atrasados, de verdade!
— Tá. – Eu a acompanhei e Noah foi comigo.
Sentamo-nos no carro – uma bela Mercedes – nos bancos de trás. Um motorista estava na frente e a mulher sentou-se no passageiro, ainda com o tablet na mão.
Passeamos por Nova Iorque, eu sem acreditar onde estava.
Nova Iorque. Uau.
— Então...? – eu comecei, mas ela estava falando no telefone.
— Alô, Jessica Parker. – Ela disse e eu me senti aliviado por finalmente saber o nome dela. Esperei que ela desligasse o telefone para continuar.
— Então, Jessy...
— Você adora um apelidinho, não? – Ela disse concentrada no aparelho eletrônico.
— Você sabe onde está... ? – perguntei com medo da resposta.
— Quem é ?! – ela disse e eu gelei. Oh, não. Não acredito que não estava mais na minha vida.
— Minha, hã, namorada? – eu disse e ela riu.
— Você quer dizer Carter? – Jessica disse e parecia que eu tinha achado um artigo antigo na bagunça do meu quarto. – Ela estará na sessão de fotos, é claro! Olha, se essa for uma namoradinha que você arranjou, eu juro que te mato, garoto! Você sabe que para o mundo você namora e me vem com essas garotas sempre depois do fim de semana! Homens! – Ela bufou.
Então era minha namorada?
Chagamos na sessão de fotos e Noah Centineo realmente ficava bem na frente das câmeras. Ele ficou brincando enquanto tirávamos as fotos, me irritando, é claro. Não estava acreditando na minha vida atual.
— Então, ... O que aconteceu com , você sabe?
? – Ela sorriu enquanto pegava uma garrafinha da mão de uma das moças que estavam nos servindo. – Achava que você saberia melhor do que eu, não é? Vocês namoraram no colégio.
— Hã, sim. É verdade. – Eu olhei para o chão. Então minha cabeça se iluminou. – Você acha que ela ainda está em Insidebrooks?
, você está bem? – Ela disse e se aproximou. – Eu entendo completamente se você quer dar uma fugidinha para Insidebrooks e ver ela, mas você tem que ser discreto.
— O quê? – Eu perguntei e ela balançou a cabeça negativamente sorrindo com a linha da boca.
— Sabia que você sempre fora apaixonado por ela.
Ficamos em silêncio enquanto ela digitava no celular alguma coisa. Então eu lembrei que eu tinha o meu e pesquisei no Google. Lá estava ela, uma escritora de sucesso que vivia em Insidebrooks. Suspirei alto e percebeu.
. – Ela disse e eu olhei para ela.
— Será que meu pai está bem? E Derek? Carla...? – Eu disparei e ela não entendeu nada.
. Seu pai faleceu ano passado. – Ela disse com pesar na voz e então olhou para o chão. – E Derek, bem, ele...
Antes dela terminar eu desmaiei.

7 horas do dia 20 de agosto de 2018
Acho que meu corpo não estava bem mesmo, talvez o do futuro não tenha cuidado muito bem dos seus órgãos internos.
Quando acordei, estava no meu quarto. De novo. Eu já tinha entendido onde eu estava, ou melhor, quando eu estava. Sentei-me na cama e vi Noah na minha cadeira, girando.
— O que foi dessa vez? – Eu perguntei e soltei um barulho gutural, deitando-me de volta na minha cama e colocando o travesseiro no meu rosto.
— Filho? Você vai se atrasar para escola! – Escutei meu pai do outro lado da porta. – Vamos logo, ou eu também vou me atrasar para o novo emprego!
— Já vou! – Respondi.
— É, acho que você não sacou quais vidas dependem disso. Ou melhor, qual. – Noah disse.
— Como assim, qual? – Eu me sentei novamente na cama, olhando para ele.
— Não sei. Foi a dica que eu recebi do Grande Cara. E olha, eu penei muito para conseguir essa dica. Então é melhor você acertar dessa vez! – Ele disse me olhando sério e sumindo logo em seguida.
Perfeito.
19 horas do dia 22 de fevereiro de 2019
No começo eu fiquei revoltado.
Não sabia o que eu tinha que fazer. Esse negócio de ir e voltar no tempo estava me deixando furioso. Por que eu?! Caramba, o que eu fiz para merecer isso?
Fiquei pensando ainda no que Noah disse. Eu ajudei várias pessoas! virou escritora de qualquer jeito, talvez esse seja o futuro dela mesmo. Já eu sabia que eu tinha que ficar com ela para a incentivar a ir para Julliard. Tudo bem que eu estava me referindo as mesmas duas pessoas, mas não eram elas que tinham que ser salvas?
Foi aí que eu comecei a pensar. E eu? O que eu ganho com isso? Talvez fosse para eu também ser salvo. Então continuei a treinar e a me dedicar aos estudos, mas quanto mais chegava o dia da final da temporada, mais eu me desanimava. Percebi que talvez essa não era a resposta que Deus queria que eu chegasse. Afinal, da última vez que eu tentei isso, não deu exatamente certo...
Mesmo assim o dia do jogo chegou. Eu dei o meu melhor e ganhamos! Como sempre.
Cheguei na festa que meu pai tinha feito para mim e aproveitei o começo dela para pensar. Claro, estava uma barulheira, eu mais queria era me divertir, porém eu tinha que chegar a uma conclusão rápido.
Vi conversando com uma garota e resolvi ir falar com ela. Só por pura vontade mesmo.
— Então... Você por aqui, hein? Quem diria, a garota que quebrou meu coração... – Eu disse todo teatral e riu.
— Não diga isso... Eu fui uma boba. – Ela sorriu para mim. – Agora eu entendo.
Sorri de volta e notei que seu copo estava vazio.
— Quer que eu busque uma bebida para você? – Perguntei e ela fez que sim. Peguei o copo dela e fui até a cozinha procurar pelas bebidas.
Não estava encontrando nenhuma, até que meu pai apareceu e perguntou se eu não podia comprar mais.
— Filho, eu sei que a festa é para você, se fosse qualquer outra pessoa eu também pediria, mas estamos realmente precisando. – Ele disse e eu suspirei sorrindo.
— Claro. Eu vou.
Lá estava eu dirigindo meu Ônix vermelho, pensando em como eu voltaria para o futuro e finalmente seguiria com a minha vida. Parecia que nada do que eu tentasse daria certo!
Comecei a pensar nos que me cercavam e no que eu poderia influenciar nas suas vidas. , , Derek, até Justin... Mas lembrei de Derek mais uma vez.
E pensei que nunca me disseram o que tinha acontecido com ele no futuro. Era engraçado porque ele me lembrava muito Noah, no seu jeito de falar, de brincar, de viver... Espera.
Noah e Derek nunca estiveram no mesmo lugar ao mesmo tempo. Lembrei-me de Noah dizendo:
— Não vê? Não era a sua vez. Era talvez a vez de outro cara, mas não a sua.
Outro cara?
Foi aí que eu freei bruscamente e um carro no cruzamento passou buzinando para mim.
— Ei, presta atenção no farol! – O cara de dentro do carro disse bravo.
Agora tudo fazia sentido.
Não era para Derek estar agora indo buscar as bebidas que faltavam para a festa? Pelo menos na primeira versão era isso.
E, realmente, nunca soube o que tinha acontecido com Derek na minha vida original. Sempre pensei que ele estivesse decolado na carreira ou algo assim.
— Caraca, você demorou para sacar essa, hein?
Noah me olhava, sentado no banco do passageiro. Ou melhor, Derek me olhava.
— Como... Como... Então quer dizer que...?
— Eu sou o Derek? É, é isso mesmo, meu chapa. – Ele disse. – O Grande Cara não me disse exatamente quem eu era, mas logo saquei quando eu nunca podia aparecer para você quando esse cara estava junto. É, acho que era a minha vez, fazer o quê?
Balancei a cabeça negativamente.
— Não vê que Ele quis que você não morresse, cara? Não era a sua vez. Não ainda. – Eu disse e ele sorriu para mim.
— Você tem que ir atrás da garota. – Ele disse. – Foi legal enquanto durou, mas sabe o que dizem, tudo o que é bom...
— Dura pouco. – Eu completei e ele riu.
— Até mais, seu otário! Paz! – Ele ergueu os dois dedos médios fazendo o sinal da paz e sumiu.
Quando eu voltei para casa, encontrei Derek conversando com . Fui para a cozinha para deixar a bebida e quando me virei, lá estava ele vindo na minha direção.
— Ah, que ótimo que você trouxe mais bebida, cara! Eu preciso... – Ele disse, mas parou.
— Pegar uma bebida para ? – perguntei cruzando os braços.
— É... Quer dizer, se estiver tudo bem para você, é claro! – Ele disse rapidamente e eu passei a olhar para ela de longe, observando como ela estava naquela noite.
Simplesmente impecável. Linda, linda, linda. Como sempre.
Mas ela não era para mim. Se eu tinha que deixar Derek vivo e se tornar uma grande escritora, eu tinha que deixar ela ir.
Eu ainda a encarava quando ela estava olhando para o lugar, dançando ao som da música. Então seu olhar cruzou com o meu.
— E aí, cara? Você não vai beijá-la? – diz meu amigo Derek, enquanto eu encaro me olhando com aqueles grandes olhos que eu tanto sentia falta.
Eu queria. Queria muito.
— Não, cara. Ela é toda sua. – Eu disse e peguei uma cerveja, abrindo-a no balcão. Derek pareceu não entender de primeira, sorriu e me agradeceu, logo indo na direção de com as bebidas na mão.
Tomei um gole de liberdade. Finalmente eu dormiria essa noite e acordaria na minha vida perfeitamente normal em Outbrooks.
7 horas do dia 20 de agosto de 2018
Mas não foi o que aconteceu.
Acordo e olho em volta. Ainda estão os pôsteres da Taylor colados por todo o quarto. Olho desesperado no relógio.
20 de agosto de 2018.
— Ah, merda! – Eu digo alto. – O que o Senhor quer que eu faça, então?! Salve o planeta todo?!
— Ei, ! O que está acontecendo aí?! – meu pai grita de seu quarto.
— Hã, nada, pai! É só um vídeo! – Penso rápido e digo. Escuto os passos de meu pai vindos do corredor e logo ele aparece na porta.
— Você não vai se atrasar? Desse jeito até eu vou chegar atrasado no...
— ... Emprego novo, tá, já sei. – Eu digo e ele sorri.
— Bem, as minas me esperam! – Ele diz sorridente e sai para o seu quarto.
Espera aí.
De repente todas as versões da minha vida vêm até a minha mente e eu começo a analisar tudo. E foi aí que eu saquei.
Era ele.
Era meu pai que faltava.
— Pai! – Eu grito. Ele volta correndo para meu quarto.
— Diga.
— É... – Eu precisava inventar uma desculpa rápida. – Eles mandaram uma carta dizendo que infelizmente a vaga já foi preenchida.
— Ah, é? – Ele pergunta desconfiado. – E cadê essa carta?
Engulo a seco.
— Está na minha gaveta, você não vai querer... – eu começo, mas ele logo entra no quarto e vai em direção à escrivaninha. Ele abre a gaveta e olha para mim. Surpreendentemente ele tira de dentro dela uma carta e rola os olhos por ela, lendo baixo.
Meu pai olha para mim.
— É. Você tem razão. Mas que merda! – ele diz chateado e coloca a carta em cima da mesa. – Bom, acho que vou ter que procurar outro emprego, então... Se arruma logo!
Ele diz essa última parte bravo e sai batendo o pé. Não acredito no que acabou de acontecer.
Levanto-me e vou até a escrivaninha. Pego a carta e a leio do começo ao fim. No rodapé estava escrito:
G.C. Nazareth
— Grande Cara. – Eu sorrio. – Por que não disse que era tão fácil assim?!
16 horas do dia 20 de agosto de 2030
Just hold on, we are going home – cantarolo a música que passava na rádio – muito antiga a música, eu diria – enquanto dirigia o meu carro novamente.
Então se passaram doze anos depois de eu ter finalmente acertado o que eu devia fazer. Eu não os vivi, mas acredito que o meu eu que viveu esse tempo deve ter aproveitado e feito tudo direito, pois eu voltei para o futuro e sobrevivi um dia inteiro nele.
Hoje era terça-feira, eu estava indo para a loja de conveniência de meu pai. Ele abriu outras lojas pelas estradas que ligavam a Flórida, descobri isso ontem. Só pela minha nova Mercedes eu sabia que estávamos bem de vida.
Descobri também que foi para Julliard e se tornou uma das cantoras mais populares dos Estados Unidos. Derek sobreviveu e se tornou o Linha Ofensiva mais bem pago de toda a liga. estava viajando pelo país para divulgar seu novo livro de suspense. Jason desapareceu, se mudou para o Canadá e por lá ficou. Meu pai, bem, sem problemas respiratórios. E rico. Muito rico.
Eu? Não aceitei a proposta de bolsa esportiva, mas aceitei a bolsa de estudos que me ofereceram para a Universidade de Outbrooks. Estudei administração e economia e agora eu ajudo meu pai a cuidar de suas lojas.
— Gave you everything I loved – estaciono em frente à loja e saio do carro. Tínhamos ampliado a loja, ela estava bem maior do que antes e infinitamente mais bonita e arrumada. Eu tinha orgulho do que conseguimos fazer. O que todos conseguimos fazer.
Às vezes eu sentia saudade da presença de Noah, digo, Derek, mas eu matava essa saudade ligando para ele e de vez em quando ele voltava para Insidebrooks, então estava tudo bem.
Cumprimento os funcionários da loja e estava indo para meu escritório que ficava em cima, quando eu escuto uma voz familiar.
— Olá, você sabe onde eu posso encontrar ?
Paro de andar e me viro para trás. Lá está ela, perguntando para Joanna, a funcionária que estava na caixa registradora, sobre mim.
— Pode deixar que eu cuido dela, Joanna. – Eu digo e Joanna assente. A mulher que me procurava está me olhando com aqueles olhos grandes que eu conhecia muito bem.
Troco de lugar com Joanna e digo para ela ir descansar por alguns minutos. Fico atrás do balcão, sem desviar o olhar dela, e apoio nele. Então sorrio.
— Uau. Vocês mudaram muito por aqui, hein? — diz sorrindo de lado. Eu retribuo seu sorriso e solto uma risadinha.
— Pois é. E você não mudou nadinha.
ri e coloca uma mexa do cabelo atrás da orelha. Ela volta a me olhar e ficamos assim, nos percebendo por alguns segundos.
— Como está, ? – ela diz finalmente e eu dou de ombros.
— Nunca estive melhor. Soube que você terminou o namoro com... Como é mesmo o nome dele?
— Noah Centineo. Sim. – Ela ri. desvia o olhar por um segundo e respira fundo. – Queria saber... Como foi a sua vida?
— Engraçado você me perguntar isso. – Eu digo. Queria que ela soubesse tudo o que eu fiz nesses dias, por tudo o que eu passei e tive que passar. As viagens no tempo, Derek, ela, , meu pai, o Grande Cara. Em vez disso eu sorrio. – Acho que isso daria uma boa conversa para um café.
Uma música conhecida e antiga começa a tocar. ri novamente.
— You Belong With Me da Taylor Swift? Logo agora? – ela sorri. – E aí, você ainda tem aquela paixão secreta por ela?
Eu balanço a cabeça negativamente.
— Quem disse que era secreta? – eu respondo e ela ri. – O que me diz sobre o café?
olha para mim ainda com o sorriso e desvia o olhar para baixo, tímida. Sorrindo de lado ela assente.
É, acho que eu nunca vou entender o que o futuro guarda para nós.





Fim!



Nota da autora: Sem nota. xx Frankie.



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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