Estava chovendo.
Não chuviscando, garoando como se o céu estivesse simplesmente tentando amenizar um pouco do calor que levava a roupa a grudar contra a pele; estava era caindo um baita de um temporal.
Tentando enxergar alguma coisa pela janela do carro, grudei a testa contra o vidro, gemendo parte da minha frustração. Ao meu lado, digitava freneticamente sem por um segundo tirar a atenção da tela do celular. Duvido que ela soubesse que tinha companhia.
Estávamos há vinte minutos no táxi, o rádio tão baixinho que era impossível distinguir as letras contra a água que esmurrava o veículo, e eu estava cansada de não compreender nada. Talvez ajudasse o fato de que estavam todas em espanhol e, sabe se lá Deus por que, o meu continuava péssimo mesmo após anos de cursinho, mas seja como for eu não entendia uma palavra do que estava sendo dito e o ritmo tampouco fazia muito pela a minha animação.
Havíamos pousado há menos de uma hora em uma ilha paradisíaca no meio do Caribe, e o que nos esperava era a maldita de uma tempestade. Bufei novamente. Que jeito de começar a viagem de nossas vidas.

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Quando paramos em frente ao hotel, imediatamente três meninos vieram nos receber; um para cada mala e um responsável por abrir e fechar a porta do nosso taxi. Por estar acostumada a sair com o motorista do papai, eu não perdi dois segundos nisso, agradecendo e caminhando para o saguão antes de perceber que estava, na verdade, parada na frente deles, aparentemente refletindo se deveria ou não deixar que retirassem a sua mala.
- Não seja idiota, amiga, eles não vão te roubar.
- Mas você viu a idade deles? – perguntou ela, arqueando a sobrancelha. Continuava me seguindo, lenta que só. – Eles têm idade para serem meus filhos!
- Eles são pelo menos três anos mais velhos que você, , deixa de ser dramática.
Ainda chovia forte quando o taxi nos deixou, as árvores ao nosso redor balançando de um lado para o outro com a força do vento. Somente quando eu e finalmente pisamos no lobby, me dei a liberdade de processar o que meus olhos enxergavam. E, ok, Jesus, esse tinha sido mesmo um dinheiro bem gasto.
Por fotos, o lugar era absolutamente deslumbrante. Mas nada me prepararia para o que meus olhos encontraram assim que o salto de minha bota bateu contra o mármore do assoalho.
Por um segundo, fiquei congelada. O eco do meu passo ecoando pelo saguão. No segundo seguinte um sorriso se abria em meu rosto e eu mal conseguia conter a excitação que se alastrava por meu peito, praticamente dando pulinhos no mesmo lugar ao que meus olhos examinavam o que só podia ser descrito como uma obra prima da humanidade; luxuoso, exótico e paradisíaco.
Logo assim fizemos check-in nossas malas foram carregadas para a villa onde ficaríamos hospedadas. Precisei esconder meu rosto nas mãos quando , assim que pisou na sala que dividia nossos quartos, ignorou completamente o recepcionista em prol de gritar e sair correndo pelo lugar como a boa criança de seis anos que ela era.
Em sua defesa, eu estava quase fazendo a mesmíssima coisa. O espaço era realmente um sonho. O chão era revestido em lousa clara, os tons pastéis da decoração e as paredes externas eram quase todas de vidro panorâmico, abrindo-se para o Éden que era Aruba dezenas de quilômetros ao nosso redor. As cortinas brancas esvoaçavam no vento insistente, a claridade que passava por elas fazendo o chão brilhar e era tudo tão bonito. Um enorme arranjo de flores naturais dava cor e aroma para a saleta, e honestamente. Meu quarto era tão maravilhoso que eu queria morrer.
Depois de arrumarmos as nossas malas no quarto, trocamos de roupa – biquíni, ainda que a quantidade de água na nossa varanda fosse maior agora do que a da piscina que conseguíamos ver lá em baixo –, e nos encontramos com o resto de nossos amigos.
E foi então que como um raio maligno, de maxilar demarcado e sorriso safado, algo forte e urgente me atingiu na cabeça com força o suficiente para deixar minhas pernas bambas; relembrando-me com uma clareza absurda e na velocidade da luz o porquê de eu não querer viajar com o pessoal para começo de conversa... Fosse esse lugar o paraíso bíblico ou o inferno na terra.

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era o capeta.
O capeta que particularmente agora estava saindo da piscina como se em câmera lenta, embrenhando a mão pelo cabelo ensopado enquanto o sol brilhava sobre a sua pele, realçando ainda mais o bronzeado natural que sobressaia em meio a tantos americanos e europeus branquelos.
, que quando virava o rosto fazia saltar veias de seu pescoço, cujo abdômen parecia se contorcer com somente a sua respiração, cujas entradas realçadas pela bermuda que caia baixo sobre sua cintura levavam a imaginação a lugares muito, muito nebulosos.
, que sempre sorria meio tímido e meio malicioso - ao mesmo tempo -, e que sorria agora para a menina que havia lhe trazido uma Piña Colada como se o sol saísse de sua bunda.
, que cada vez que parava o olhar em minha direção, perdia o seu tempo, meu ar e sua noção, arrastando-o de cima abaixo pelo meu corpo para só então desviar para o outro lado e fingir que não estava me comendo com os olhos.
, que beijava como se quisesse te deixar louca de tal maneira, que cada pensamento sobre ele viria acompanhado de um arrepio, um calor que não importasse o quanto você tentava esquecer, simplesmente não ia embora.
, que voltava a namorar a ex de quatro anos uma semana depois ficar com você.
era o capeta.

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A semana passou como um borrão de sol, praia, álcool e, basicamente, um pouquinho de frustração.
Não era como se não estivesse tudo perfeito. Nunca em toda a minha vida eu havia me divertido assim, tão plenamente e por tanto tempo sem interrupções.
O resort era verdadeiramente um parque de diversões para a vida, nem um único metro quadrado desse pequeno pedaço do céu sem alguma coisa realmente incrível para fazer. Até mesmo no fatídico quarto dia, quando tivemos um alerta de tufão e precisamos passar dia inteiro do lado de dentro do grande hotel, a noite no cassino fez valer todas as outras noites que passamos na praia até então, margaritas em mãos e a certeza de que cada centavo de dólar perdido valia a pena. Mal percebemos que não podíamos sair.
As festas eram ainda outro nível. Eu ainda não havia frequentado todas as boates da minha cidade natal, menos ainda as do mundo inteiro, mas por alguma razão eu duvidava com tudo em meu coração que muitos outros lugares vinham acompanhados de macacos tequileiros e fontes de champanhe no meio da pista de dança. Ou detalhes como esses.
Então tudo estava perfeito. Com um único mínimo e quase insignificante detalhe que eu insistia em enxotar da minha mente e, até aquela altura, eu estava quase me convencendo de que o que eu queria que fosse diferente não era o que eu de fato queria que fosse diferente.

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Tudo começou a dar errado no domingo.
Era o sétimo dia desde que havíamos chegado e eu estava bêbada como uma gambá.
Estávamos em uma casa de praia, ou em algum lugar que parecia uma casa na praia bem no meio resort, uma festa estava acontecendo e eu havia perdido todos os meus amigos.
De alguma forma, eu me lembrava de estar em uma cozinha e pegar água, e de outra forma eu tinha arrastado meu traseiro para fora da casa e encarava agora a piscina que caia para encontrar o mar. Ou algo parecido com isso.
Não tinham muitas pessoas do lado de fora e acima de nós, o céu brilhava com milhares de estrelas. É engraçado como a gente nunca se dá conta do quanto perdemos do céu quando moramos em uma cidade grande, mas quando dizem por aí que o céu tem muito mais estrelas do que normalmente vemos, são muito mais estrelas mesmo.
Rindo sozinha da minha constatação, cambaleei até uma espreguiçadeira e deixei meu corpo cair sobre ela, jogando-me na almofada fofinha de tecido sedoso. Sentindo meu pé latejar, imediatamente me sentei e briguei com o fecho para tirá-las, cometendo o erro número um da noite ao abaixar a guarda pela primeira vez desde que o avião pousou.
Bem. A verdade é que toda vez que ficava sozinha eu acabava sendo encontrada, infelizmente não por minhas amigas que eu esperava mesmo que me encontrassem, mas por outra pessoa, e toda vez que certa outra pessoa me achava, a primeira coisa que eu fazia era dar um sorriso colado com uma desculpa e literalmente sair correndo, descaradamente fingindo não ter tempo de responder ao olhar quase suplicante que me perseguia como Judas beijou Jesus. Ou algo assim.
Então, basicamente o erro número dois foi somente uma extensão do erro número um, e por isso me peguei me embolando com a sandália por tempo demais para vê-lo – ou ouvi-lo – se aproximando, enquanto, para a minha infelicidade, sentava-se ao meu lado na espreguiçadeira.
Imediatamente senti o tão conhecido desconforto de tê-lo tão perto, os pelos da minha nunca se arrepiando ao que a ponta de seus dedos tocavam o meu braço.
Bufei e o puxei para perto de mim, fugindo do contato.
- O que você quer, ? – perguntei, irritada por que ele não me deixava em paz.
- Por que você tá fazendo isso, ? – respondeu ele com uma pergunta, a voz surpreendentemente baixa. – Eu pensei que fôssemos amigos.
Bufei mais uma vez, passando as duas mãos pelo meu rosto. Bêbada demais. Eu estava bêbada demais para isso.
- Nós somos amigos, . Você sabe que somos... – comecei, juntando forças para encará-lo antes de continuar. Seus olhos estavam levemente arregalados, mas sem foco, por que ele também estava bêbado. – Mas eu não acho que seja certo a gente ficar se falando toda hora enquanto estamos sozinhos. As amigas da sua namorada estão aí na festa, eu não quero ninguém achando nada. E nem você.
- Mas ninguém vai achar nada, ... Não tem nem ninguém aqui.
- Sim, elas não estão aqui, no caso, agora, mas-
A continuação ficou presa em minha garganta quando sua mão foi parar no meu rosto, seu nariz quase encostando no meu em fração de segundos, seus dedos ásperos radiando calor sobre a minha pele. Inspirei fundo, fechando os olhos, e exalando.
Quando os abri novamente, seus olhos estavam em minha boca.
- , , – falei engasgada, me afastando e balançando a cabeça como uma lunática. – Não, olha. – RESPIRA, INSPIRA. – Eu, eu... Estou indo, ok? Você está bêbado, tá fazendo merda, eu vou embora, e você vai ficar aí. Ok?
Ele continuou me olhando, um pouco perdido, eu diria, não sei realmente, e então balançou a cabeça, assentindo, e saiu. Cambaleando, batendo a canela ao tentar contornar a espreguiçadeira, mas sem por um segundo olhar para trás.
E eu, que estava prestes a fazer a mesma coisa, permaneci imóvel encarando suas costas e a maneira com que não parava de balançar a cabeça, as mãos entrando e saindo de seu cabelo como se nervosas para se agarrar em algo. Engoli a seco, sentindo meu rosto formigar aonde ele já sentia falta do contato.

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- Amiga, acho que não vou, estou ardendo muito – respondi de onde estava jogada no sofá.
O ar condicionado batia em minha pele sensível, o geladinho ajudando a diminuir a ardência que mal me deixava colocar roupas.
andava de um lado para o outro da sala só de biquíni, procurando a canga que ela sabia que tinha deixado por ali em algum lugar. Na verdade ela estava pendurada no banheiro, mas era muito engraçado vê-la procurando feito a louca afobada que era. Em cinco minutos se ela não achasse a bendita canga, eu mesma ia pegá-la.
- , acho que tem alguém na porta. Vai atender - gritou ela saindo do banheiro depois de um século, a canga em mãos, os dedos passando como pentes por seu cabelo molhado.
Eu não queria me mexer e não havia escutado batida nenhuma, e estava prestes a lhe dizer que ela precisava de uma visita ao médico quando abri a porta e de fato tinha alguém ali.
Senti olhos percorrerem meu corpo, minhas bochechas queimando com a atenção. Eu estava de top e short, as texturas grossas demais para uma pele a beira de uma queimadura de segundo grau.
- Oi, abriu um sorriso tímido, acenando com as mãos. – Eu vim buscar vocês.
- Oi, – respondi, ignorando o desconforto em meu estômago. – Entra aí, a já vai.
Senti seus passos me seguindo, mas não virei para encará-lo novamente até me jogar no sofá. A sensação do ar novamente batendo direto em minha pele quase me fazendo susprirar.
- ? E você? Não vai com a gente?
Todo mundo havia combinado de repetir o passeio de barco que tínhamos feito no dia seguinte ao chegar, e por mais que cerveja e mergulho em alto mar se encaixassem perfeitamente em minha ideia de aproveitar o paraíso, eu sabia que ia me arrepender amanhã.
- Não, eu estou ardendo demais para sair. Só deixo esse quarto quando o sol se por.
concordou com a cabeça, sentando-se ao meu lado no sofá. Institivamente me afastei um pouco, me apertando contra o lado oposto, mas eu sabia pela leveza de seus movimentos que ele não tinha percebido.
- Para falar a verdade eu também estava pensando em não ir. Você quer companhia?
- Não precisa, babe. Eu vou ficar bem.

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Eu não sabia como tinha acontecido, mas aqui estava eu deitada no recosto do sofá com os pés no colo de enquanto assistíamos Paper Towns.
Até o momento, seus punhos estavam parados em minha panturrilha de uma maneira completamente amigável, então sua mão se fechou em meu pé em um apertão que fez um raio percorrer meu corpo inteiro e um gemido quase inaudível deixar minha boca.
Imediatamente arrastei minhas pernas de volta, minha respiração se acelerando ao que sua risada ecoava pelo cômodo.
- O que? Eu pensei que eu era bom com massagem no pé.
Suspirei mais uma vez. Ele era terrível.
- Não é isso, eu só fico um pouco desconfortável. Só isso.
- É, eu sei. Você está sempre desconfortável perto de mim agora – comentou ele baixo, os olhos ainda na tela.
Eu podia e devia estar ficando louca, mas a leve tristeza que vi em suas feições realmente me parecia 100% sincera. Seus olhos continuavam na tela, mas ele estava mordendo o lábio inferior com os dentes, as mãos apertadas uma contra outra em seu colo. Seu peito subia e descia lentamente.
E isso não era justo. Não era justo que ele estivesse realmente triste por que nossa relação estava cagada. Não era justo por que não era eu quem estava tentando aproximação a porra da viagem inteira. Não era eu quem estava dificultando manter uma amizade de anos por que não conseguia controlar as próprias ações.
Não era justo que ele fosse tão atraente que eu estivesse lenta e efetivamente perdendo a lucidez. E não era nem um pouco justo que ele estivesse namorando de novo.
Não me dignei a responder seu comentário, e logo estávamos prestando atenção ao filme novamente. Quando alguns minutos depois, seu telefone tocou duas vezes seguidas sem que ele respondesse, não me controlei e tive que perguntar;
- Você não vai atender?
Seus olhos se demoraram no visor, o aparelho vibrando em sua mão.
- Não. – Dando de ombros, ele desligou o celular e o guardou no bolso.
não me olhou de novo, mas senti meu estômago afundar como uma âncora com a culpa de saber quem era.

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Era terça-feira. E eu já estava bêbada novamente.
Sabe Deus por que diabos, lá estava eu, novamente sozinha, um Sex on The Beach em mãos, e o garoto mais estupidamente medito que eu havia conhecido em toda a minha vida falando sobre a sua existência mergulhada em banho de ouro – gostaria que ele tivesse pelo menos a ideia do quanto eu não poderia me importar menos, mas eu não era nada senão pura educação e ele tapado demais para se tocar.
Estávamos sentados em uma cama ao ar livre, ele vestido de um terno Gucci branco para uma pool party e eu cogitando me afogar no meu próprio drink.
Mais essa noite e o dia de amanhã, e estaríamos voltando para a próxima etapa de nossas vidas e aqui estava eu, vendo a minha última noite ir para o ralo quando a única coisa que poderia fazer aquilo pior veio cambaleando e se jogando na cama ao meu lado, exatamente entre o metido e o que restava do meu espaço pessoal.
estava uma bagunça. Ele, como todo o resto, estava vestido de branco, mas sua bermuda estava molhada e consequentemente um pouquinho transparente, e sua blusa estava completamente aberta, revelando a camada de, se suor, ou água da piscina eu não sabia dizer, que fazia sua pele brilhar contra a iluminação fraca do local. Seu cabelo estava molhado e seguia para todos os lados, a pequena franja caindo por seu rosto e ele quase não tinha os olhos abertos, mas o sorriso em sua boca era tão grande e tão verdadeiro que eu não podia deixar de sorrir por que ele claramente estava tendo o momento da sua vida.
E então, não sei de que maneira, o metido havia sumido e éramos somente eu e ele novamente.
Ele sorriu mais uma vez para o céu e então desceu um pouco o olhar, olhando-me de onde sua cabeça ainda estava jogada no colchão. Sua mão foi parar em sua barriga, os dedos brincando com a pele, e eu soube o exato segundo que ele percebeu que meus olhos traçaram o movimento. Seu sorriso aumentou.
- Cara – ele riu, subiu um pouco o tronco e se apoiou nos cotovelos, virando um pouco a cabeça de lado. –, você tá muito gata.
- Que? – perguntei como uma idiota, minhas bochechas corando. – Cala a boca, .
- Não, é sério, me ouve – respondeu, se ajeitando mais uma vez e ele já estava a centímetros de mim de novo, e eu precisava parar de deixar isso acontecer toda hora. – Você, , você é uma garota muito foda. Eu não consigo, eu tô aqui – Mais uma risada. -, tô aqui, e meio que tem uma porrada de garotas lindas, e algumas delas dão em cima mesmo, oferecem sexo e os caralho, mas é tão fácil ignorar essas garotas e não me leve a mal, eu não faria nada mesmo por que tô namorando e eu não sou esse tipo de cara, mas elas são tão fáceis de simplesmente ignorar e aí, aí tem você e esse seu... – Mais uma risada, uma passada de mão pelo cabelo. – Esse seu jeito, eu sei lá. Eu olho pra você e não consigo não querer ficar com você, não consigo. Agora eu tô aqui, e você tá aí, e eu tô lembrando de quando a gente ficou e merda, eu quero muito te beijar agora.
- ...
- Eu sei, eu sei, eu sei que eu sou um idiota. Eu sei. Mas a , ela é uma garota muito legal, e eu não quero fazer nada que vá magoar ela, mas ao mesmo tempo eu... – Senti a sua hesitação quando seus olhos se demoraram nos meus, sua boca ligeiramente aberta e a sua respiração levemente acelerada não era nada, não era nada perto da minha.
Ele se aproximou mais, a ponta dos dedos tocando o meu pescoço e um arrepiou percorreu a minha espinha, meus batimentos acelerados dentro do peito. Arrastando-a com um toque quase fantasmagórico, cada pelo em meu corpo arrepiado, levou a mão para a minha nuca, os dedos se embolando em meu cabelo enquanto sua boca se aproximava da minha orelha.
Fechei os olhos e o ouvi tragar fundo, a ponta do nariz roçando pelo meu lóbulo. Eu podia sentir o meu batimento refletindo em minhas mãos, trêmulas em meu colo pela força que eu precisava fazer para pará-las. Quando ele finalmente soltou o ar, ouvi meu próprio gemido sair descontrolado pela sensação do hálito quente batendo em minha pele e então, senti a ponta da sua língua em meu pescoço ao mesmo tempo em que a outra mão alcançava o outro lado do meu rosto.
Apertei meus olhos e levei minhas mãos trêmulas até seus antebraços, tentando trava-los sem muita firmeza.
- Eu não consigo...
- – pedi uma vez, minha voz rouca e arrastada.
Ele não se afastou, seus lábios a centímetros da minha pele, a proximidade incandescendo o meu corpo a cada contato.
- Você tem namorada – falei, não mais que um sussurro. – Não é certo, por favor se afasta.
- Eu sei, mas...
- A gente vai continuar a ser amigos.
- Eu não sei se eu consigo ser seu amigo.
E isso foi como um banho de água fria. Antes mesmo da frase terminar, eu já tinha conseguido me afastar, por que o quê? Como assim ele não conseguia ser meu amigo?
Sua boca estava a centímetros da minha e nossas respirações se misturavam.
- É claro que você é meu amigo, ! – disse, as palavras atropelando o bolo em minha garganta, me afastando cada vez mais até que já estava quase fora da cama. – E eu não acho que você devia estar fazendo isso. Você tem namorada, uma que confia em você. E ela é uma garota legal, como você mesmo disse. E você não devia estar fazendo isso com ela.
À isso, ele pareceu acordar, imediatamente aumentando a distância. O observei pela milésima vez passar a mão pelo cabelo, e então as duas mãos foram parar em seu rosto, cobrindo-o por alguns segundos. Quando ele as tirou, seus olhos estavam muito mais brilhantes do que antes, lágrimas começando a se formar.
Ele engoliu a seco, e só então seu olhar se focou em mim. Suas palavras saíram emboladas;
- Me desculpa, , por favor. Me desculpa, eu não devia... Eu... Por favor, me desculpa.
E assim, mais uma vez sem me dar a chance de responder, ele se retirou.
E mais uma vez o observei cambaleando pela villa até sumir por uma das portas de entrada, meu coração acelerado no peito e as mãos apertadas contra a renda branca de meu vestido.

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Mais tarde àquela noite, meu celular não parava de vibrar em meu travesseiro. Grunhindo com jagmaster exalando do meu hálito, apertei o botão que fez a luminosidade da tela fazer meus olhos doerem.

Eu estou me sentindo péssimo. Por favor, me perdoa.
« 04:34 a.m.
Me perdoa?
« 04:39 a.m.
Eu não vou conseguir dormir. O que eu faço?
« 04:45 a.m.
?
« 04:47 a.m.
?
« 04:50 a.m.
, por favor, o que eu faço?
« 04:52 a.m.
Conversa comigo :'(
« 04:56 a.m.
Olha, , eu te perdoo. Relaxa e não se preocupa comigo. Agora sobre quanto a se sentir mal pelo o que você fez com a ...
«05:58 a.m.
Eu nem mesmo tinha certeza se era esse mesmo o nome dela.
Você tem duas opções: ou você lida com isso, ou você lida com isso. Boa noite xx
«04:59 a.m.

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Só quase três semanas depois, quando finalmente terminei de arrumar a mala que levaria para o dormitório e estava passando os olhos pelo meu feed no facebook, me permiti um breve momento de fraqueza para então descobrir que havia terminado com ela exatas vinte e quatro horas depois de chegarmos de Aruba.



The End


Nota da autora: Totis ♥
Primeira vez no ficstape e eu pego logo duas, né? haha Não tem como, essa Taylor escreve uma fanfic a cada música! I swear to god.
Então, petals, essa fic basicamente se escreveu sozinha em trinta minutos - às dez horas da noite depois de um dia inteiro trabalhando. Foi realmente muito rápido, tava eu no buso voltando de boas pra casa quando tive a ideia de pegar uma experiência que eu tinha acabado de adicionar à *minha lista de coisas que eu não gostaria de ter passado* e colocar em fanfic. Isso mesmo, meninas, essa fic foi baseada em fatos reais. *HIDE FACE ON THE FLOOR*
Obviamente ele não era nenhum da vida, nunca passei nem perto do Caribe, mas acreditem em mim quando eu digo que a coisa foi ainda mais dramática na vida real. Tirando todas as partes onde a vida nos sorri com lugares paradisíacos, dinheiro saindo do rabo e cantores pop internacionais, foi mais ou menos isso que aconteceu. HAHA Eu sei, migas, babado dos fortes. hahahaha
Espero que vocês tenham gostado da maneira que eu contei a história e espero também que vocês guardem essa historinha no coração. Peguem o conselho da tia Tay, juntem ao conselho da tia Jana, e nunca, nunca sejam a menina que vai fazer uma companheira de luta chorar. Somos todas irmãs, afinal, e humanas. Não importa o quanto você queira um menino (ou uma menina!), se ele/ela namora, você não vai querer ser o motivo para alguém sair triste. É dever de quem namora não fazer merda, mas é por respeito a você e a outra pessoa que é sempre bom ter em mente o quanto você não gostaria que fizessem isso com você.
Aquela coisa de não fazer com os outros o que não gostaríamos que fizessem com a gente? Então respeitem vocês mesmas, seu coraçãozinho puro que não precisa morrer de remorço e, por amor e fofura, sempre respeitem a girl at home.
É isso, minhas amoras,

beijos no coração.
J. x






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