Finalizada em 16/01/2026

Capítulo Único

Você sempre acreditou que algumas pessoas entram na nossa vida apenas para nos ensinar a perder.
Kim Taehyung foi assim.
Não porque o amor entre vocês fosse pequeno — pelo contrário. Foi grande demais, intenso demais, verdadeiro demais para dois jovens que ainda não sabiam como lidar com tudo aquilo. Amar Taehyung era como tentar segurar água com as mãos: quanto mais força você fazia, mais rápido escorria. Vocês se conheceram em um período estranho da vida, quando tudo parecia provisório. Você estava começando a se estabelecer profissionalmente, tentando provar a si mesma que podia construir algo sólido. Taehyung, por outro lado, vivia entre voos, compromissos, câmeras e expectativas que nunca eram totalmente dele.
Mesmo assim, o amor aconteceu.
Aconteceu nos intervalos curtos, nos cafés tomados às pressas, nas madrugadas silenciosas em que ele deitava a cabeça no seu colo e suspirava como se ali fosse o único lugar onde conseguia descansar de verdade.
— Com você, tudo fica mais simples — ele dizia, os olhos fechados, a mão brincando distraidamente com a barra da sua blusa. Você acreditava.
Acreditava quando ele prometia tentar estar mais presente. Acreditava quando dizia que o silêncio não significava distância. Acreditava porque amar, para você, sempre foi um ato de fé. Mas, aos poucos, as ausências começaram a pesar.
As mensagens demoravam mais a chegar. As ligações eram curtas demais. As promessas se acumulavam sem serem cumpridas. E você começou a aprender uma nova forma de solidão: aquela que existe mesmo quando se ama alguém. A noite em que tudo acabou não foi marcada por gritos.
Foi silenciosa.
Taehyung estava sentado no sofá da sua sala, as mãos unidas, o olhar perdido em algum ponto do chão. Você observava cada pequeno gesto, sentindo um aperto estranho no peito, como se já soubesse o que estava por vir. — Eu não sei mais como fazer isso — ele disse, por fim. Você piscou, tentando entender. — Fazer o quê? — Amar você do jeito que você merece.
A frase caiu entre vocês como um peso impossível de ignorar.
— Então não me ame pela metade — você respondeu, a voz mais firme do que se sentia. — Mas não me deixe achando que a culpa é minha. — Ele levantou o olhar, os olhos brilhando de algo que parecia arrependimento. — Nunca foi você. — Mas ele se levantou. Pegou o casaco. E foi embora. E você ficou.
Ficou com as perguntas, com as noites longas demais, com as músicas que doíam mais do que deveriam. Ficou tentando entender como alguém podia amar tanto e, ainda assim, escolher partir. Os anos passaram como passam todas as coisas que não pedem permissão.
Você reconstruiu sua vida com cuidado, como quem aprende a andar novamente depois de uma queda feia. Mudou de apartamento, de rotina, de sonhos. Aprendeu a sorrir sem esperar mensagens que não viriam mais. Aprendeu, principalmente, a não procurar Taehyung em cada rosto desconhecido.
Até o dia em que o destino resolveu ser cruel.
Você estava em um pequeno evento de arte, desses discretos, longe do burburinho habitual. O ambiente era aconchegante, com luz baixa e conversas suaves preenchendo o espaço. Você se sentia bem. Em paz.
Até ouvir a voz.
— Você ainda gosta desse tipo de lugar. — Não foi uma pergunta. Seu corpo reagiu antes da mente. O coração acelerou, os dedos ficaram frios, e você levou alguns segundos a mais do que o normal para se virar.
Taehyung estava ali.
Mais maduro. Mais sério. Mas com o mesmo olhar que você nunca conseguiu esquecer. O tempo tinha sido generoso com ele, mas você percebeu, quase de imediato, que havia algo diferente — um cansaço silencioso que não existia antes.
— Taehyung — Você disse, sentindo o nome pesar na língua. — Eu não sabia se você ia querer falar comigo — ele confessou. — Mas achei que devia tentar.
Você cruzou os braços, mais como proteção do que como defesa. — Depois de tanto tempo? — Ele assentiu devagar. — Depois de tempo demais.
Vocês se afastaram do barulho, encontrando um canto mais tranquilo. O silêncio entre vocês não era confortável, mas também não era hostil. Era carregado de tudo o que nunca foi dito. — Eu pensei em você muitas vezes — ele começou. — Em como as coisas terminaram… e em como eu fui covarde. — Você respirou fundo. — Você foi embora sem explicar nada. — Porque eu não sabia como explicar sem admitir que estava com medo — ele respondeu. — Medo de falhar, de não dar conta, de te machucar ainda mais ficando. — E ir embora não machucou? — Ele sorriu, triste. — Machucou. E machuca até hoje. — As palavras dele não soavam como desculpas. Soavam como confissões tardias. — Eu nunca quis que você achasse que não foi suficiente — Taehyung continuou. — A verdade é que eu não era. — Você sentiu algo dentro de si se mover, como uma peça finalmente encaixando no lugar. Durante anos, você carregou a sensação de ter sido deixada para trás por não ser o bastante. Ouvir aquilo não apagava a dor, mas a ressignificava. — Eu precisei de muito tempo pra entender isso — Você disse. — E pra parar de me culpar. — Eu sei. — Ele abaixou a cabeça. — Eu não vim pedir nada. Só… dizer a verdade. Porque você merecia ouvir. — Por um instante, você pensou em tudo o que poderia dizer. Em todas as noites em claro, em todas as vezes em que segurou o choro ao ouvir músicas que lembravam vocês dois. Mas, surpreendentemente, não sentia raiva. Sentia algo mais suave. — A verdade importa — você disse. — Mesmo quando chega tarde. — Ele levantou o olhar, esperançoso e receoso ao mesmo tempo. — E… existe alguma chance de…— Você o interrompeu com um sorriso pequeno. — Eu não sei. — E essa foi a resposta mais honesta que poderia dar.
Vocês caminharam juntos até a saída. Do lado de fora, o ar estava frio, e Taehyung enfiou as mãos no bolso do casaco, como fazia antes.
— Eu ainda me importo com você — ele disse, baixinho. — Isso também é a verdade. — Você o encarou por alguns segundos antes de responder. — Eu também me importo. Mas, desta vez, eu preciso escolher a mim mesma.
Ele assentiu, compreendendo. Não houve promessa. Não houve beijo. Só um abraço longo, apertado, daqueles que dizem adeus sem apagar o que foi vivido.
Quando você se afastou, percebeu que, finalmente, o amor não doía como antes.
Talvez algumas histórias não precisem de um recomeço para terem um final bonito. Às vezes, tudo o que falta é a verdade.
E, naquela noite, ela foi dita.


FIM



Nota da autora: eu achei essa música totalmente a cara do nosso piloto monegato, então espero que tenham gostado <3

Outras Fanfics:
Consigliere
Além do Acaso
The Justice and Me
Trovão de Konoha
The Time We Have Left
My Lovely Lover


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