null colocou os óculos, que estavam em cima de sua cabeceira, para ler, e estava os ajeitando. Odiava seus óculos, sua visão sempre foi ótima, porque teria que usar óculos justo agora? No auge da adolescência, como dizia sua tia Lilly, não devia nem se usar óculos, e nem aparelho! Isso se usa quando você é criança. null tinha dezessete anos, e, quando sorria, seu sorriso parecia iluminar um quarto de tão perfeito que era. Ela morava em uma cobertura em Manhattan, com seu pai, Jason, seu cachorro Billy null Jr – o verdadeiro Billy null faleceu por problemas no intestino que eram desconhecidos. null acha que foi o elástico que viu ele comendo e ficou com preguiça de tirar de sua boca nojenta e cheia de baba; seu gato - The Radio, e sua iguana - Barbie. Estudava em uma escola normal, tinha amigos normais e tudo que tinha direito de se ter morando em Manhattan. Mas parece que desde que recebeu notícia que propuseram uma oferta de trabalho incrível na Austrália, uma oferta impossível de rejeitar para seu pai, vai ter que ir morar com sua mãe no Kansas, em três dias. Não a leve mal. null ama sua mãe, mas, em primeiro lugar, decidiu morar com seu pai porque ama o jeito dele. O jeito como ele só se intromete na vida dela ao ponto de saber como vão seus estudos, com quem ela anda, e se tem algo com algum menino, fora isso a vida é dela e ela faz com ela o que bem desejar. Agora, sua mãe Carry, urgh, não conseguia agüentá-la, sempre se metendo em tudo que não a interessava, sempre andavam discutindo sobre tudo, e null tinha que esclarecer para ela tudo sobre tudo.
null não queria se mudar de Manhattan, ela amava sua cidade, ter que sair de Manhattan para viver em uma cidade de filme antigo, não estava nem perto da aventura que ela queria. Estava triste por ter que deixar sua melhor amiga null – mais conhecida como null –, e seu melhor amigo null, mas, com certeza, null e null iriam lhe visitar sempre que pudessem. Ia sentir falta de seu pai, e de seus animais, menos Billy null, quem ia com ela. null dava graças a Deus que nunca teria que se afastar da pessoa mais importante, null, ao menos que no Kansas não existissem computadores, ou energia. Todos que sabiam do segredo de null, que não tão segredo assim, a mandavam desistir, a avisavam que era impossível, nunca ia acontecer, que relacionamentos assim só em filmes, mas null tinha esperança, ela acreditava cem por cento em seu amor por null, e que algum dia eles ainda iam ficar juntos. null conheceu null três anos atrás.
null Black tem dezessete anos e conheceu null quando tinha quatorze anos, nunca o viu, nunca o beijou, nem sentiu seu cheiro, e essas coisas fazem falta, sempre fizeram. null estava acostumada a ouvir null falar sobre um site aonde você conhece pessoas, mas realmente são estranhos, você não coloca foto sua, e nem seu nome. Você é você, e ele é ele, e foi assim que acabou conhecendo null...
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null diz: null, que saudades! Tudo bem?
null diz: null, também estava com saudades, tudo sim, fora o fato de eu ter que me mudar. Mas e com você? Tudo bem?
null diz: Tudo sim, fora o fato de eu ter que me mudar também, daqui três dias...
null diz: Sério?! Eu também, na quinta? Para onde que você vai se mudar?
"null, vem jantar, agora!” null tremeu ao ouvir a voz de seu pai.
null diz: Esqueci o nome, eu tenho que ir jantar, amanhã a gente se fala null, te amo muito, muito mesmo!
null diz: Também null, mais que tudo. null offline.
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null acordou zonza, amarrou seu cabelo em um rabo meio que desarrumado, colocou as pantufas de patinhos no pé e foi as arrastando até a porta. Sentiu Billy null pular nela, então abaixou e o pegou no colo, ainda era bebê, tinha apenas quatro meses. Cutucou a casa de Barbie para saber se ela ainda estava lá e procurou Leite Desnatado, que, provavelmente, estava debaixo do sofá, amava brincar, mas nunca sabia a hora de parar.
- Bom dia pai! - null sorriu para seu pai, que estava sentado, já de terno, comendo pão com geléia.
- Bom dia null, vê se já deixa suas malas prontas para não esquecer nada amanhã! - null fez uma cara azeda.
- Ai pai! Nem me lembre que eu tenho que me mudar, você não está bem com esse trabalho que tem agora? - Ela perguntou quando, obviamente, sabia a resposta, e já tinha a ouvindo mais que um milhão de vezes. - Já sei, nem precisa responder isso! - Ela rolou os olhos, tirou o primeiro pão que viu da bandeja e começou a cortá-lo.
- Obrigado! - Ele disse.
- Eu só acho injusto... Só isso! Mas tudo bem... Esquece.
- É, esquece null, por favor. Você vai sair com as suas amigas hoje? - Ele questionou, mordendo forte seu pão com geléia e bebendo seu café favorito.
- Talvez. Talvez eu saia com a null e com o null, mas isso é um talvez! - Colocou em um copo azul um pouco de suco de laranja.
- Se você for sair, eu deixei o cartão em cima da mesa. - Jason tomou um gole do café forte.
- Ah, está bem... Obrigada. - Isso era o que mais gostava de seu pai, lhe dava dinheiro sem querer saber os detalhes, dos detalhes, dos detalhes de onde iria, e quem estaria lá, o que iria comer, e que horas estaria atravessando a rua para que ele pudesse passar na frente para vigiá-la.
- Só que deixe o celular ligado. - Ele completou.
- Ok! - Ela concordou. Ele se levantou para ir pegar a maleta prateada, a qual nunca saia de casa sem.
- Eu já estou indo. Antes de sair, se for sair, não se esqueça de dar comida para o Billy e para o Radio. - Ele lhe deu um beijo na testa antes de ir até a porta.
- Tchau pai. - Ela sorriu. E a porta se bateu. Olhou para BJ, quem corria atrás do próprio rabo, e para The Radio, quem a olhava por de baixo do sofá, e colocava a pata sobre os olhos, tentando se esconder, ela riu baixinho, e começou a guardar as coisas na cozinha. Quando terminou, foi tomar um banho. Ao sair do banheiro, com a toalha ainda amarrada no cabelo, ouviu o telefone tocar, e correu para pegá-lo, no último toque. - Alô? - Questionou null.
- null, bom dia flor do dia! - null se sentou no braço do sofá, e deitou-se para trás.
- null, bom dia luz do meu dia! Tudo bem com você? - As duas sempre eram assim felizes.
- Tudo sim, já que eu sei que está tudo bem com você, fora o fato de você ter que se mudar na quinta-feira, não vou nem perguntar. Mas então, vamos sair? Preciso ir comprar umas blusas na Banana República, e o null vai... Você sabe que ele ama fazer umas comprinhas, não é?! - As duas riram do amigo gay.
- Ai! Vamos sim, encontro vocês lá daqui à uma hora, ok? Ao meio dia, está bom para você? - Ela passava a mão entre os fios pretos do cabelo ainda molhado.
- Está ótimo, beijos null, até vou ligar para o null.
- Beijos coração! - E elas desligaram. null abriu o armário, procurando algo para usar, sem muita preocupação, tirou dele uma regata branca, e uma skinny jeans. Foi arrumar o cabelo e colocar a maquiagem. Antes de sair, pegou o cartão de crédito em cima da mesa, e deu comida a seu mini zoológico, como sua avó Lucy, costumava chamar seus animais. Trancou a porta e foi o mais rápido que pôde para o shopping.
- ! AQUI! - null virou a cabeça para ver null e null balançando os braços loucamente no ar, para chamar sua atenção. Ao ver os amigos, andou rapidamente.
- E aí gente! - Cumprimentou os dois amigos antes de perguntar o que estava acontecendo. - Meu Deus, mas o que está acontecendo aqui? É a Britney? Porque se for por causa dela de novo, eu juro que eu soco aquela louca, mas peço um autógrafo antes. - null falava enquanto tentava enxergar algo por cima das mil cabeças em sua frente.
- É que encontraram uma menina morta nessa esquina. Falaram que ela tem uma mordida enorme no pescoço, e que acham que foi um cachorro solto, mas não existem cachorros soltos em Manhattan. - Ela fez uma cara. Em frente dos Wells WAP shopping, um tumulto de pessoas tentando enxergar, ou até saber algo sobre o acontecimento perguntando para estranhos.
- Talvez foi um vampiro! Uh. - Eles riram e se calaram.
- Talvez, vem... Vamos entrar meninas. - Comandou null.
Na saída do shopping, null segurava cinco sacolas de marcas diferentes, null quatro, e null duas. O tumulto havia desaparecido pela hora que eles estavam indo embora. Os três decidiram pegar um filme, e comprar uma pipoca de microondas, e foram todos para a casa de null.
- Oi BJ. - BJ pulava de alegria no colo de null, por alguma razão, todos os animais de null amavam null, devia ser pela quantidade de vezes que ela dormiu na casa da amiga.
- Podem entrar! - null deixou a porta aberta e null fechou depois de ter entrado.
- Ai null! A sua casa é extremamente linda, é incrível! Vou me mudar para cá. - Ele sorriu e apontou. - - Acho que eu falei que a sua casa é extremamente linda e incrível todas as vezes que vim aqui. - Elas riram.
- Isso é um fato, ninguém ama mais a casa da null do que você. - Ele concordou.
- Vão se acomodando aí, que eu vou deixar o computador ligado, caso...
-O null entrar, blá, blá, blá, já sabemos dessa. - Falou null, e null e null riram. O filme que eles tinham escolhido era de terror, null era a única que tinha medo, null e null sempre se matavam de rir com o sangue falso, e a pobre jovenzinha em perigo. null agarrava o braço de null com medo, e não queria o largar de jeito nenhum.
- AAH! - null soltou um grito, e null acabou derrubando a pipoca que tinha na mão.
- MEU DEUS, VOCÊ VIU O CARA SEGURANDO A FACA ATRÁS DELA MEU, como que é possível você se assustar com isso? - null tentava limpar as pipocas do chão, antes que BJ pudesse comer todas, e null só sabia rir. null largou tudo quando ouviu um barulho vindo do computador.
- Ai null, uh null - Disse null. null se levantou e foi correndo sentar-se na frente do computador.
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null diz: null, você está aí?
null diz: Oi null, estou sim!
null diz: Ai! Que bom!
null diz: Por quê? Queria falar alguma coisa comigo?
null diz: Não, só queria falar com você...
null diz: Ah! Então tchau!
null diz: Brincadeirinha...
null diz: Que bom, não consigo ficar sem você!
null diz: Não sei como, fiquei sabendo esses dias, pela minha professora, que sou uma 'chata, mal educada'...
null diz: E ela deve ter problema mental!
null diz: Mas o que você fez para ela falar isso?
null diz: Er, eu tenho MESMO que falar?
null diz: Sim.
null diz: Ok, eu precisava muito ir ao banheiro me olhar no espelho (mas eu não falei que ia me olhar no espelho), então ela não deixou, então eu mandei ela, hum...
null diz: Mandou ela...
null diz: Eu não mandei, eu só falei que se eu fizesse xixi nas calças, ela que teria que limpar a minha urina.
null diz: !
null diz: Eu sei, eu sei... Não se pode falar 'vai limpar meu mijo' para uma professora grávida.
null diz: ELA ESTAVA GRÁVIDA? E SUAS PALAVRAS EXATAS FORAM, VAI LIMPAR MEU MIJO?
null diz: Foi! Não me mate!
null diz: HAHAHAHA... Não vou te matar, mas talvez você me mate de tanto que eu estou rindo nesse exato momento.
null diz: Não é engraçado, eu levei uma advertência!
null diz: Que lindo, hein null?!
null diz: Não é?! Duvido que o Senhor nunca levou uma advertência!
null diz: É... Não vamos falar nisso!
null diz: Viu?! Sabia!
null diz: O que você está fazendo?
null diz: Eu estava assistindo um filme de terror com a null e o null, e agora eu estou aqui... Falando com você!
null diz: Hm. Esse null é menina, não é?
null diz: Não!
null diz: É namorado da null?
null diz: Também não!
null diz: Só estão vocês em casa?
null diz: Sim, e o BJ, BD, e o TR...
null diz: Ah, seu zoológico!
null diz: Sim!
null diz: O que esse menino está fazendo aí sem um adulto por perto, e se ele for maluco?
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- COMO ASSIM E SE EU FOR MALUCO? Quem o moleque acha que é? Com licença, null... – null, que estava o tempo todo encostado na cadeira de null com null do lado, foi tirando a amiga da cadeira.
- Vocês estavam aí o tempo todo? - Ela questionou.
- Aí null! Eu não consigo ficar sem você... Te respondeu? - null riu, null rolou os olhos.
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null diz: Eu não sou maluco coisa nenhuma, viu meu rapaz?! Sou gay se quer mesmo saber.
null diz: Ah! Desculpa aí, é que eu tenho ciúmes, sabe.
null diz: Entendo! Também teria se eu namorasse uma menina tão linda, e gostosa quanto a nossa null, e nunca tivesse aqui para protegê-la dos perigos de Manhattan, você ouviu que uma menina foi achada morta na esquina com Rua 51? Dizem que foi um vampiro.
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- ! - null deu um tapa no ombro do amigo, e riu.
- O que? Ele tem que saber o que está perdendo.
- O que ele falou? - null perguntou, ela estava sentada brincando com BJ no chão do quarto de null.
- Falou para o null que eu sou linda e gostosa.
- Ah! Pensei que ele estivesse mentindo! - null olhou para a amiga que lhe lançou um olhar engraçado. null empurrou null da cadeira, e voltou a controlar o teclado.
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null diz: Ignore-o null, foi só uma menina que foi mordida no pescoço por um animal.
null diz: Eu só estou pensando na parte que ele falou que você é linda e gostosa...
null diz: MUITO, MUITO LINDA E GOSTOSA! Não sei como ela ainda não te traiu com os milhares de gatinhos que andam atrás dela.
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- ! Você tem que parar com isso! - Ela riu, e ele riu junto.
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null diz: Nossa! Já sou corno e ainda nem conheci a minha namorada.
null diz: Pois é.
null diz: Estou mesmo perdendo tudo isso?
null diz: Tudo isso nada, você não está perdendo nada.
null diz: Você quem pensa.
null diz: Porque você realmente não está perdendo nada!
null diz: EU JÁ VI ELA DE CALCINHA E SUTIÃ!
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- ! SAI DAQUI, vai embora! Vão lá assisti o filme! - Os dois riam descontroladamente.
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null diz: COMO ASSIM? Você está se mostrando para os meninos, null?
null diz: ELE É GAY!
null diz: Mesmo assim!
null diz: Eu já o vi pelado, se isso melhora...
null diz: O QUE? PIOROU!
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- É null... Essa foi a pior coisa que você falou o dia inteiro! - null, que agora estava sentada no colo de null, falou rindo.
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null diz: MAS ELE É GAY, e eu não fiquei olhando.
null diz: Ele sim, mas você não. E duvido que você não ficou olhando, null.
null diz: Ok! Talvez eu olhei, mas só um pouquinho...
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- Você ficou olhando para o Senhor Esvaldo? - Perguntou null.
- SENHOR ESVALDO? - null e null perguntaram juntas, antes das duas caírem na risada mais profunda que tiverem em anos.
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null diz: Viu?! Falei!
null diz: Hey! Eu não sabia que ela ficava olhando para o Senhor Esvaldo!
null diz: HAHAHA Senhor Esvaldo? HAHA (mijei aqui).
null diz: Pelo menos eu já a vi de calcinha e sutiã, só não vi pelada porque eu decidi ir pegar comida na geladeira incrível dela.
null diz: O que você está tentando fazer?! Me deixar com ciúmes?
null diz: Sim!
null diz: Parabéns! Você conseguiu! Eu estou me matando de ciúmes.
null diz: Obrigada por ter admitido a derrota...
null diz: Ok, agora deixa eu falar com a null!
null diz: Está bem! Foi legal te conhecer!
null diz: Idem...
null diz: Oi SENHOR ESVALDO!
null diz: HAHA.
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- Se vocês não pararem de rir do Senhor E., vou contar para ele que eu tirei sua virgindade. - Ele ameaçou.
- Pode contar! Eu não ligo... E duvido que ele vá ligar. - Quando null acabou de falar, tocou o telefone.
- Já volto!
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null diz: null foi atender ao telefone.
null diz: Ah, está bem.
null diz: Hey! Quer saber um segredo?!
null diz: Depende, vai me deixar com mais ciúmes do que já estou?
null diz: Olha, eu acho que sim, acho que você vai se rasgar de ciúmes. Mas a null falou que ela não liga se eu te contar, e disse que você também não vai ligar.
null diz: Então pode contar.
null diz: Você sabe que a null não é mais virgem, não é?
null diz: Como assim?
null diz: Ela perdeu a virgindade comigo, ano passado!
null diz: Vocês já namoraram?
null diz: Já, três anos atrás. Mas quando ela terminou comigo, eu fiquei muito triste e desisti das meninas, por isso que agora sou gay.
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- Eu não acho que você devia estar falando essas coisas para ele. - null avisou.
- Mas ela deixou. - Ele deu de ombros.
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null diz: Ela perdeu com você quando estavam namorando?
null diz: Não, ela perdeu comigo, quando eu já era gay. Eu concordei porque eu sou a única pessoa em quem ela confia, e eu amo muito ela, faria tudo por ela.
null diz: E é aí que eu acho que a inveja vai aparecer. Olha meu amigo, ela é boa. Ela é melhor que muitas e muitos por aí, com anos de prática. Quando eu falei para você que você não sabia o que você estava perdendo, eu estava falando sério. Eu quase voltei a ser heterossexual, e tive vontade de pedir ela em casamento, amigo.
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- Nossa null! Sério? Ou você está apenas zuando? - null ficou curiosa.
- Sério mesmo null, ela é boa assim mesmo, e um pouco mais.
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null diz: Nossa, boa assim?
null diz: Aquele tipo de boa inexplicável, incrível... Que faz você falar palavras em línguas que você nem conhece.
null diz: Não consigo nem imaginar.
null diz: Pois é.
null diz: Mas vocês têm a mesma idade?
null diz: Não, ela tem dezessete agora e eu tenho dezenove.
null diz: E quantas vezes vocês já... Sabe.
null diz: Ah, nem sei, perdi as contas.
null diz: Entendi!
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- Oi gente! Voltei, era a minha tia Lilly... Vocês estavam falando com ele? - Ela questionou.
- Eu falei para ele sobre a gente.
- MENTIRA? - Ela duvidou.
- Sério! Lê aí! - null lia a conversa em silêncio, e, quando terminou, virou-se lentamente para null.
- EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ FALOU ISSO, sério que eu sou tão boa assim? - null soltou uma risadinha de fundo, e null aliviou-se.
- Sério null, a melhor que tive em toda a minha vida.
---
null diz: Oi voltei, fique sabendo que eu não falei para ele falar isso, ok?! Só disse que eu não me importaria.
null diz: Tudo bem.
null diz: Agora finalmente sei o que estou perdendo.
null diz: Ele deve estar exagerando.
null diz: Duvido, se ele é gay e transou com você mais de uma vez, você deve ser boa mesmo.
null diz: Ok, mas isso não interessa.
null diz: Está certa.
null diz: Acho que vou sair porque eu ainda tenho que arrumar a minha mala.
null diz: Hm. Está bem, te amo muito! E fala tchau para os seus amiguinhos.
null diz: Eles estão mandando outro tchau, também te amo muito! Beijos, tchau... null offline.
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- Ai gente, isso foi... - null começou.
- Mega, super, hilário. - null terminou.
- O que será que ele deve estar pensando da gente agora? DE MIM, AGORA? - null olhou nos olhos da amiga e colocou a mão dele em seu ombro, e deu um tapinha de leve.
- Se ele for homem mesmo, estaria se masturbando, se não, ele deve estar achando que você é uma puta barata. , A PUTINHA DE MANHATTAN. - Todos riram enquanto null tirava a mala de rodinha, roxa, do armário.
- Ok! Agora vocês vão me ajudar a arrumar a minha mala,. - Enquanto null e null reviravam o armário de null de ponta cabeça, os três conversavam sobre como seria a nova escola de null, e Billy null pulava sem parar na cama de null, tentando ir o mais alto possível.
null e null foram embora quando eles tinham terminado de arrumar as malas. Eles prometeram estar na porta de null às seis horas da manhã para irem junto com ela ao aeroporto. O quarto de null já estava todo limpo e sem mais nada. As paredes livres para respirar de todos os pôsteres de filmes, bandas, letras de músicas e qualquer outra coisa que estava pendurada nela. Suas gavetas estavam limpas por uma vez na vida, e seu armário também. Até as coisas de BJ ela já tinha empacotado. Passou o resto da noite brincando com BD, LD, e o TR para se despedir, e quando seu pai chegou em casa, saíram para comer uma pizza junto com sua tia Lilly, e o filho da tia Lilly, que realmente era a coisa mais linda desse mundo, tirando o null que, mesmo sendo gay, ainda lhe dava um tesão danado. null e Nicholas, o filho de sua tia, já se beijaram algumas cem vezes, eles não eram mesmo primos, Lilly era adotada. null colocou um vestido branco tomara que caia, que ia até os joelhos, e um salto prateado que tinha ganhado de sua avó. Quando chegaram ao restaurante, viu de longe sua tia Lilly, que usava um vestido vermelho sangue, com as unhas combinando, e o cabelo solto.
- null, minha linda, como eu vou sentir sua falta! - A voz da tia de null era uma das vozes preferidas de null, não era irritante e nem muito lenta. Era exatamente perfeita. Lilly era sua tia favorita, era sua segunda melhor amiga, depois de null, sempre a contava tudo, ela sabia sobre null e sobre null, e sempre a ajudava quando estava com problemas.
- Ai tia Lilly! Também vou morrer de saudades. - null estava abraçando sua tia enquanto seu pai falava com Nicholas.
- Vem, vamos sentar. - Ela pegou a mão de null e a puxou para a mesa, onde estavam sentados.
- Oi null. - Nicholas estava a olhando com aqueles seus olhos de cor verde piscina. Ai! Como null amava seu primo! Ela riu em sua mente ao pensar nisso, ela amava o provocar, sempre fazia isso.
- NICK, que saudades do meu primo favorito. - null deu um beijo no quanto da boca de Nick, sem sua tia nem seu pai verem, e ele a apertou mais forte, fazendo com que ela sentisse que ele estava excitado. Pegou na sua mão, e a colocou em frente de sua cadeira, e foi sentar se na sua.
- A minha pequena null vai se mudar, não vai ter mais passeios ao shopping e tudo mais. - Sua tia a olhava com os olhos molhados.
- Pois é! Mas e você e o Alberto? - Perguntou o pai de null. Alberto era o “pai” de Nicholas, que chegava em casa de madrugada todas as noite, sempre bêbado, e sempre sem dinheiro.
- Ah Jason, vai indo, não é?! Ele volta para casa toda a noite... - O som da voz da tia Lilly desapareceu quando ela colocou a mão do lado da boca para que nem null nem Nicholas ouvissem o que ela estava tentando falar.
- Hum. Desculpa intrometer, mas eu vi que ali do outro lado da rua onde tem um shopping, e eu queria ver se o livro que eu queria comprar já chegou, eu posso ir lá dar uma olhada rapidinho?! Ai vocês podem conversar mais a sós. - null sorriu, e subiu o pé arrastadamente pela perna de Nicholas.
- É... E eu vou com ela, olhar a loja de videogames. - Ele sorriu suavemente.
- Ok... Podem ir, mas não voltem muito tarde porque se não a pizza já vai ter chegado e esfriado também. - Lilly sorriu e continuou falando com Jason enquanto eles se levantavam. Nicholas ajudou null a se levantar e colocou um dos braços por cima dos ombros dela. Quando estavam fora da pizzaria, null começou a falar.
- Estava com saudades de você, o que anda fazendo ultimamente? - Ele tirou o braço que estava no ombro de null e o encaixou na cintura da prima.
- Eu estou namorando. - null parou de andar.
- Com assim você está namorando, Nick? - Ela olhou para ele.
- Não exatamente namorando, na verdade, sim, é namorando, mas foi por causa de uma aposta, eu nem gosto da menina! - Ela voltou a andar.
- Ah! Que bom. - Ela sorriu, ele também. Quando chegaram ao shopping nem entraram, sentaram-se em um jardim vazio que tinha atrás dele, e começaram a meio que conversar. - Então você vai trair a sua namorada hoje? - Ela fez uma cara de safada.
- Se você deixar, talvez sim. - Ele sorriu e colocou as duas mãos na cintura dela. Eles estavam em pé, encostados em uma parede, grudados um no outro. - Então... - Nick beijou-lhe pescoço. - Ah null, se você não fosse minha prima. - Ele desceu a mão que estava na cintura. Ela o puxou mais perto, e desceu mais sua mão. Era incrível como Nicholas era comportado, incrível. - Cacete null! Você quer me deixar mais duro ainda? - Ela olhou para ele.
- Hm. Você está duro? - Ela brincou. Ele pegou sua mão e a colocou em cima de seu membro. – Ah! Estou vendo que você realmente está duro. - Ela pegou a mão dele e a colocou em cima do peito esquerdo. Que parecia estar saindo do vestido. - Olha como o meu coração está batendo rápido. - Ela chegou em seu ouvido e cochichou. Ela colocou uma das mãos por baixo das calças dele, mas só até a cintura e a outra na nuca. E, com tudo, lhe beijou. Eles ficaram se beijando por um belo tempo. As mãos trocavam de lugar a cada cinco segundos. Até null se afastar e dizer. - A pizza já deve ter chegado, vamos? - Ele a beijou mais uma vez.
- Ah! Sério? Agora que estava ficando bom? Só mais um pouquinho, null! - null tirou as mãos dele de sua cintura, e as mãos dela da nuca dele, o deu um último beijo na boca, intenso, e repetiu.
- A pizza já deve ter chegado, vamos! - Ele concordou, colocou as mãos na cintura dela enquanto null limpava a boca. Quando os dois estavam atravessando a rua, em frente do shopping, ouviu-se uma voz conhecida.
- ! - Eram null e null gritando para ela ouvir, eles deram uma corridinha, e null virou-se para trás quando os dois estavam parados na frente dela. Nicholas não tirou a mão da cintura de null, e null ficou olhando.
- Oi pessoal, o que vocês estão fazendo aqui? - null perguntou.
- Ah! A gente veio comprar uma coisa que a mãe da null estava precisando. - null falou, e null acrescentou.
- É... A gente até te ligou, mas ninguém atendeu ao telefone. Sabia que ia te encontrar aqui. - null se lembrou de apresentar Nicholas aos amigos.
- Ah, gente, esse é o Nicholas, e Nicholas esses são os meus melhores amigos, null e null.
- Oi! - Nicholas sorriu.
- Oi! - null e null falaram sincronizados.
- Espera Nicholas, Nicholas? - null perguntou, e null se interessou.
- Sim, meu primo... - null respondeu, e null deu um sorriso de canto.
- Queria saber se o null iria aprovar! - null olhou para null.
- Duvido! - Elas riram.
- Então... A gente vai indo porque se não a pizza vai esfriar, um beijo para vocês e até amanhã de manhã, hein?! - Ela foi se virando novamente para atravessar a rua.
- Tchau null e primo da null! - Eles se despediram, e só deu para ouvir o null de fundo.
- Espera... Aquele Nicholas de quem ela nos contou? - E null riu.
- Eles sabem sobre a gente? - Nicholas perguntou.
- Sim, mas só eles também! - Nicholas deu um beijo na testa de null. Quando chegaram a sua mesa, a pizza de quatro queijos já tinha chegado, e o rapaz estava a servindo.
- Chegaram a tempo, tinha o livro que você queria null? - Jason perguntou para a filha.
- Chegou, mas acabou hoje. - Ela deu espaço para o rapaz servi-la. Quando estavam acabando a segunda caixa de pizza, null falou. - Ah tia, eu e o Nicholas estávamos conversando, se talvez ele pudesse dormir lá em casa hoje... - Ela, novamente, subiu seu pé curvado, lentamente pela perna da Nicholas, e terminou a frase. - Porque assim ele vai ao aeroporto comigo amanhã, e o vídeo game que ele queria eu tenho... Que é o The Sims 3, então eu já empresto para ele, porque eu não o jogo muito. - Nicholas olhou para null de boca aberta, a segunda coisa que amava em null, ela podia impressionar qualquer um e sempre comandava tudo.
- Claro que pode! Aí quando você voltar, Nicholas, você liga para casa que eu vou te buscar.
- Imagina Lilly, eu o deixo em casa - Seu pai mordeu outro pedaço da pizza e todos estavam de acordo. null sorriu para ela mesma ao se lembrar que hoje era quarta-feira e que toda a quarta-feira seu pai saia à meia-noite, e só voltava às quatro horas da manhã.
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- Tchau tia, te amo muito, você tem que ir lá me visitar, promete que vai? - null abraçava sua tia.
- Vou sim minha flor, e você vê se liga! Te amo muito e estou aqui para qualquer coisa que precisar! - Ela se afastou da tia.
- Também te amo, tia. - E entrou no carro ao lado de Nicholas. Enquanto Jason conversava com a tia Lilly, null foi avisando.
- Hey! Você ainda está forte aí? Porque hoje é quarta-feira, meu pai sempre sai de madrugada na quarta-feira. - Ela apontou.
- Você é boa! Já disse que te amo? - Ele sorriu, ela riu baixinho. Quando chegaram em casa já eram mais de onze horas. null apontou para Nicholas onde estava o vídeo-game e o mandou arrumar e foi, antes de tomar banho, falar com seu pai que estava a chamando.
- null, eu tenho que dar uma saidinha, vocês vão ficar bem sem eu aqui?
- Ahm, caso alguma coisa acontecer, a gente grita, ou corre para a casa da Madalena, ou eu ligo para o Senhor. - Madalena era sua vizinha, uma mulher sem filhos que vivia comendo sorvete do pote, e comprando jantares para uma pessoa no mercadinho vinte e quatro horas.
- Está certo... Estou indo! Vocês podem dormir na cama de casal no quarto de visita, porque o seu está sem roupa de cama, já está tudo guardado. - Ele deu um beijo na testa da filha antes de sair. - Não vai dormir muito tarde! Tchau.
- Está bom! Tchau pai. - Quando seu pai saiu, null foi correndo para o quarto onde Nicholas estava montando o vídeo-game. - Vou tomar banho e já volto, ele já foi! Pára de montar esse troço. - Ela mandou. Ele largou o que estava fazendo e se levantou de boca aberta. null já estava com sua roupa no banheiro e foi direto tomar banho. null tinha trancado BJ e TR no seu quarto, então não ia ter como eles atrapalharem qualquer coisa que null estivesse fazendo. null usava shorts muito curto para ela, e uma blusa muito colada também. Quando entrou no quarto, Nicholas estava com os braços atrás da cabeça, e quando viu null vestida daquele jeito, deixou o queixo cair e levantou as sobrancelhas. null, antes de subir na cama, apagou as luzes. - Vou sentir a sua falta. - Ela cochichou no ouvido dele, quando já estava em cima dele, com uma perna para cada lado do corpo do garoto. As mãos de Nick passeavam pelas costas de null, tirando a blusa que ela usava em um movimento. null desceu até o samba canção de Nick e as tirou, encarando seu membro ereto. Ela lambeu a cabeça dele, fazendo Nick gemer baixinho. Ela o pegou com uma mão e o colocou na boca, chupando forte. Nick gemeu muito alto, e segurava os lençóis com força. null colocou a camisinha em Nick ao sentir que ele estava quase chegando lá. Ela subiu até a boca de Nick, o beijando e tirando seu próprio shorts. Ela se colocou em cima dele e se movimentava rapidamente. Nick passava as mãos pelas coxas de null e as apertava.
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- Cacete null! - null caiu para o lado, os dois estavam suando e respirando rápido.
- O que foi? - Ela perguntou, deitada do lado dele e olhando para o teto.
- Eu acho que o cara que falou aquilo sobre você estava sendo modesto, você é muito mais que isso. - Ela riu. - Você realmente é inesquecível, hein?! - Ela o beijou, e o olhou profundamente. - DE NOVO? - Ele questionou, ela balançou a cabeça concordando. - Tenho medo de enfartar e depois me apaixonar por você - Ele apontou.
- Meu pai só chega às quatro horas, Nick. - Ela sorriu. Ele quase virou os olhos ou ouvir isso.
- Quem é você? O que fez com a minha prima e, por favor, fique, para sempre! - Ela calou a boca dele com um beijo e se jogou para cima dele de novo, sem o deixar respirar.
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Quando null acordou, já eram cinco e trinta da manhã, Nicholas estava dormindo do seu lado, de um jeito calmo e muito sossegado, chegou a dar dó de ter que acordá-lo.
- Nick, Nick acorda! - Ele se virou e deitou em cima da mão de null, que estava tentando acordá-lo.
- null? - Ele sussurrou ainda dormindo, ela puxou sua mão e o cutucou.
- Nicholas acorda! Vamos. - Nicholas abriu os olhos e, ao ver o rosto de null, sorriu.
- Ai! Que bom que não foi um sonho! - Ela o levantou.
- Presta muita atenção, o que aconteceu entre a gente, nunca mais pode se repetir. Esqueça que aconteceu, está bem?! Não é por nada, mas agora que a gente vai se afastar, se a gente ficar se lembrando de como foi bom, vai ficar estranho. Imagina você, no seu casamento, lembrando de hoje?! - Ele concordou. - Então, foi ótimo enquanto durou, mas esquece. - Ele segurou o braço dela antes dela pular fora da cama.
- Você realmente é boa. - Ela sorriu, ele piscou. null pulou da cama e foi se arrumar. Seu pai já tinha posto o café da manhã na mesa.
- Bom dia pai, já estou indo me vestir! - Ela cumprimentou, tinha certeza que seu pai não tinha descoberto nada, limpou tudo, lembrou de vestir seu pijama normal antes de ir dormir, abriu a porta de seu quarto, e deixou o Playstation ligado.
- Bom dia null, então vai rápido que a gente sai às seis e trinta! - Ele se sentou e empurrou a cadeira para mais perto da mesa. Quando null já estava pronta e sentada na mesa, tomando café da manhã, tocou a campaninha.
- Ah, deve ser a null e o null! Deixa que eu atendo. - null se levantou para ir atender a porta. Ao abrir a porta, viu null segurando uma caixa menor que o tamanho de uma caixa de sapato, e null segurava uma caixinha pequenininha.
- Bom dia senhorita abandonadora de amigos. - null brincou.
- Também vou sentir sua falta, null! - null sorriu e deu um abraço na amiga.
- Não acredito que a minha própria Barbie vai embora. - null deu um beijo na testa de null antes de entrar.
- Sei que você vai morrer de saudades. - Eles riram, e ela deu um abraço no amigo.
- Compramos presentes para você, mas queremos que você só os abra no avião. – null pegou as caixas na mão.
- Ai gente! Obrigada, mas não precisava, entrem... Estamos tomando café, sentem-se. - Os amigos entraram e null foi colocar as caixas na bolsa.
- Bom dia tio Jason. - O pai de null se levantou para cumprimentar null. O pai de null já tinha se acostumado com null e null, eles já eram praticamente da família.
- Bom dia null. - Ela sorriu e sentou-se do lado de null.
- E aí J-man! - Falou null.
- E aí J-man! - O pai de null repetiu e sentou-se novamente. null sentou-se do lado de Nicholas, depois de cumprimentá-lo.
- Ah, null! Hoje é o nosso último dia juntas. - null lamentou.
- É verdade. - null lamentou.
- Nick, me ajuda a colocar as malas da null dentro do elevador? - Jason perguntou ao sobrinho, e Nicholas concordou. Quando os dois estavam no elevador, null puxou null para mais perto, e null também.
- Gente, o Nicholas dormiu aqui, e rolou. - null começou a rir.
- Ui rolou, então era redondo, não é? - Ela disse entre risadas.
- Ai! Como você é besta, null, ok, explica, ele é bom? - null queria saber.
- Eu dou, de zero a dez, cinco. Ele não é melhor que você, null. - null abriu um sorriso e null parou de falar quando seu pai a chamou para eles irem. - Estou indo pai, vou só me despedir do mini zoológico. - null foi até a sala e pegou The Radio, que estava novamente escondido em baixo do sofá, e a abraçou. - Radinho, vou sentir muito a sua falta, e logo depois que minha mãe conseguir o remédio para alergia a gatos, eu prometo que venho te buscar. - Ela colocou no chão.
null pegou BJ no colo. Pegou a chave em cima da mesa, e foi para trancar a porta. Dentro do carro, null foi atrás conversando com null e null, e seu pai foi dirigindo, conversando com Nicholas. Billy null Jr foi no seu colo, lhe mordendo de leve, até chegarem lá. O pai de null deixou os quatro na frente do aeroporto, e mandou-os esperarem que ele ia estacionar o carro. Enquanto null e null conversavam sobre a o Twitter, null chegou perto de Nicholas e o cutucou nas costas.
- Ela é boa, não é?! – Ele apontou.
- Ela te contou? – null balançou a cabeça concordando.
- Nem precisava, dá para ver na sua cara! – Os dois riram baixo.
- Meu, como é que ela consegue fazer aquilo daquele jeito? Ela é perfeita, o melhor de tudo é que... – null terminou sua frase.
- Quando termina, ela quer outra vez. – Nicholas balançou a cabeça concordando.
- Exatamente! – Os dois riram.
- E aquilo que ela faz com a língua? – Os dois falaram ao mesmo tempo, e riram novamente.
- Do que quê vocês tão rindo? – null chegou e abraçou null por trás.
- Nada não! – Nicholas mentiu.
- Eu não acredito que essa coisinha fofa vai embora, meu Deus do céu. – null brincava com Billy null, que segurava no colo.
- É... Eu não estou acreditando que essa coisa linda e fofa vai embora. – null jogou null para frente e a abraçou.
- Vamos crianças, essas coisinhas fofas têm um avião para pegar. – O pai de null apressou todo mundo. Jason empurrava as malas naqueles carrinhos de avião.
- Não estou acreditando que eu estou indo para o Kansas morar com a minha mãe, vou ser a nova Dorothy. – null andava rápido, tentando acompanhar os passos de seu pai. null segurava sua mão, e null abraçava null pela cintura, que estava com o braço em cima de seus ombros. - Corrigindo, não estou acreditando que eu estou indo para Kansas morar com a minha mãe e seu novo namorado... AAH, QUE SACO! – Ela exclamou.
- Eu não acredito que você vai me deixar aqui sozinha, quer dizer, não acredito que você vai me deixar aqui sozinha com o null esse, esse, MALUCO. - null riu. null espremeu mais a mão da amiga.
- Vôo 1675 com destino a Kansas City, embarque portão dois, piso um. – null tremeu ao ouvir o nome da cidade, eles pararam de andar e null apertou forte a mão da amiga novamente.
- Ok, é você, toma a sua passagem, o dinheiro e sua bolsa, quando sair do avião não se esqueça de pegar sua mala. Sua mãe estará esperando por você no aeroporto. - null deu um abraço apertado em seu pai e concordou, já com a bolsa na mão. Ela se virou para null, que começava a chorar e se jogou nos braços da amiga.
- Eu te amo, me liga todos os dias, e se divirta, ok?! Quando tiver um feriado, eu vou para lá. - null falava entre soluços, quer dizer, tentava falar entre soluços.
- Também te amo null, muito mesmo. - null falou e se virou para null, já com os olhos molhados. - null, eu te amo muito, você sabe, vou morrer de saudades de você, obrigada por tudo e não se esquece de me ligar. – Ela enxugava os olhos ainda nos braços do melhor amigo.
- Ai null... Não estou acreditando que você está indo, eu te amo muito também, e, sim, vou te ligar. – Ela deu um beijo da bochecha dele e ele um beijo na testa dela, e a soltou. null foi direto para o primo, quem estava tentando não chorar.
- Nick! – Ela abraçou o primo.
- Vou sentir sua falta, null, não se esquece de vim para cá me visitar! – Ele a apertou mais forte, mergulhando a cara em seu pescoço para não chorar.
- Vou vim sim. E cuidado com aquela sua namorada, hein?! – Eles riram. Ele acariciou seu cabelo, e ela se soltou. - AMO MUITO VOCÊS! – Foi o tempo de dar um tchau para todo mundo até o cara a apressar para entrar. null passou pelo detector de metal, que, graças a Deus, não apitou. Enquanto eles não chamavam para entrar no avião, null se sentou em uma cadeira de canto, com BJ no colo, e ficou lendo a nova Cosmo Girl que havia comprado antes de ontem, em uma banca de jornal na esquina de seu prédio. null tremeu ao sentir alguém olhando para ela, não conseguia sentir da onde vinha aquele olhar. Era um olhar poderoso, ela conseguia sentí-lo, mas não conseguia vê-lo. Quando o avião chegou, todo mundo se enfrentou para entrar primeiro. Até quando ela estava naquela fila, ainda conseguia sentir aquele olhar. null e Billy null foram os últimos a entrarem no avião.
- 9f, 9f, 9f, 9f, 9f é melhor ser na janela, hein Billy null Jr?! - null resmungava para si mesma enquanto procurava a cadeira 9f. – Aleluia! Achei, ahá! É na janela! - null parou de falar sozinha ao perceber uma velhinha a olhando torto, com uma das sobrancelhas levantadas. Ao sentar, null já estava tirando a revista da bolsa e colocando os pés em cima da poltrona ao lado, já estavam todos sentados no avião e parecia não ter mais ninguém, então o lugar ficaria vazio. Quando ela já estava confortável, ouviu uma voz firme se dirigindo a ela.
- Com licença, eu sou aqui. - A pessoa parecia não querer a incomodar, mas apontou para seu lugar, pois era onde estavam os pés e as coisas de null. Era um rapaz novo que falava com ela, dava para perceber pela voz. null tirou suas coisas e seus pés da cadeira, sem olhar para a cara do garoto. Colocou suas coisas no chão e se virou para pedir desculpas.
- Ah... - Porque que não saia som de sua boca? “FALA !”, ela gritava para si mesma em sua cabeça. Com certeza era um menino, idade? Chutando dezessete ou dezoito anos, absolutamente incrível, mais bonito que null e Nicholas juntos. null tentou respirar fundo, mas parecia que seus pulmões rejeitavam o ar. Ele era lindo, a pele dele era branca, e seus olhos brilhavam na luz. Suas covas se destacavam em seu rosto perfeito, seu peito estufado para trás, seus braços cheios e fortes, e seus olhos redondos a encaravam, e ela estava completamente paralisada.
- Oi? - Ele a questionou. Como ela era linda, seus cabelos longos até a cintura, seu rosto de anjo, seu perfume, tudo nela, absolutamente tudo era perfeito. Cada traço do rosto dela era absolutamente perfeito. Até seu jeito quando estava pensando era incrível. Ele ficou sem palavras. Sentou-se ao lado dela e tentou não demonstrar que estava nervoso. Tentou não dar bandeira e não olhar tanto. Tinha medo de se perder em seu olhar. Não conseguia saber o que ela estava pensando, sua expressão estava paralisada. Ele sentiu vindo dela um tipo de pureza, um tipo de confiança incomum.
- Ah, desculpa eu pensei que ninguém ia sentar aqui. - null tentou se desculpar. Era incrível como tudo nele era convidativo.
- Imagina, não foi nada. – Ele estava nervoso.
- Prazer null, null Black! - null colocou sua mão para cumprimentá-lo.
- Prazer null, null Machenelli. - Ele apertou sua mão. Ela retorceu, como se ele estivesse esmagando sua mão, mas não estava. Seu aperto de mão era leve, era porque sua mão estava gelada. null sentiu como se estivesse enterrando sua mão em gelo, cuja temperatura era muito negativa. Isso a fez lembrar-se de quando sua avó Lucy estava viva. Lembrou de quando Lucy a abraçava, era a mesma temperatura que null sentia vindo de sua avó.
- Nossa! Como você está gelado. - null arregalou os olhos. null colocou as mãos no bolso do casaco, e olhou para baixo.v
- Ah, hm, é que eu esqueci as minhas luvas em casa. – Ele tentou mentir, ela não acreditou. Olhou para o lado antes de responder, tinha certeza que ele tinha acabado de inventar essa resposta. “Não está tão frio assim para usar luvas.” Ela fez uma cara ao pensar.
- Entendi. - Finalmente falou. Tinha acabado de conhecê-la, não queria mentir. Mas sabia que ela não merecia a verdade, não merecia saber o que existia fora de sua realidade. Pelo menos não agora.
- Mas então, null é um nome bonito! – “ É UM NOME BONITO? Seu idiota, retardado, besta!” null bateu a cabeça no banco da frente ao se ouvir falar. Ela pensou antes de responder.
- Eu não gosto, para falar a verdade, minha avó quem escolheu, null é só um apelido, o nome é null. – Ela sorriu e continuou. - null também é bonito. - Ela se lembrou de null. Era incrível como os Daniels amavam a perseguir.
- Ah! Obrigada. - null olhava para as mãos de null, que tinha tirado o anel do dedo e brincava com ele, passando-o de mão em mão. - E quem é esse aqui? – null perguntou para null. Ele estava falando de Billy J., quem tinha intrusamente pulado no colo dele e balançava o rabo como se ele fosse comida, sem mais nem mesmo.
- Ai, me desculpa, esse intruso aqui é o Billy null Jr. – Ela sorriu, “olha esse sorriso!” Ele pensou.
- Ah, não... Tudo bem, quantos anos que ele tem? – Ele perguntou.
- Só tem quatro meses – Ela sorriu novamente.
- É Billy null Junior, não é? O que que aconteceu com o outro Billy null? O original? Se existir um original. – Ele acrescentou.
- Ah, o verdadeiro Billy null faleceu por problemas no intestino desconhecidos. Eu acho que foi o elástico que vi ele comer um dia e fiquei com preguiça de tirar de sua boca nojenta cheia de baba, agora me arrependo disso. – Ela admitiu.
- Entendi. – Billy brincava com o garoto, que o deixava morder seus dedos. - Então, você está indo para Kansas para passear? – Ele perguntou.
- Não, bem que eu queria que fosse para isso, estou indo morar com a minha mãe e o namorado dela. – Ela olhou para a janela.
- Eu também vou para morar, talvez a gente possa se ver algum dia desses. – Ele sugeriu.
- Claro! – Ela sorriu. “Eu ia amar isso.” Pensou e riu para si mesma.
- Você tem um sorriso muito, muito lindo, sabia? – Ele sempre falava as coisas mais lindas, e sempre se achava um idiota depois de ter falado.
- Nossa! Nunca ninguém me falou isso, fora o null e o meu pai, mas eles não contam! – Ela riu. A risada dela era doce e pura, como se fosse de um bebê.
- Quem é null? – Ela fez uma cara, e se lembrou de null novamente. - Desculpa, estou sendo muito intrometido, não é? – Ele perguntou. null negou.
- Não, nem um pouco. null é o meu melhor amigo aqui em Manhattan, só isso! – Ela olhava para ele.
- É um saco ter que deixar os amigos e tal, não é?! – Ele comentou.
- É, e o pior é que eu nem me dou muito bem com a minha mãe. – Ela acariciou o pêlo de BJ, que tinha voltado para seu colo.
- Por quê? – Ele perguntou.
- Ela é muito intrometida nas coisas que faço, e quer sempre saber todos os detalhes, de tudo o que faço e com quem ando, enche o saco demais. – null contou.
- Entendo, a minha era assim. – Ele falou.
- Ela também é chata? – null brincou, e riu.
- Era, ela faleceu. – null levou um choque.
- Ai meu Deus! Me desculpa, eu não tive a intenção, ai, desculpa. – null, mesmo acabando de conhecer o garoto, sentiu a liberdade de abraçá-lo. Seu corpo contra o dele o fez sentir seguro, o corpo dela encaixou diretamente no dele e ele sorriu. null se afastou quando Billy null começou a pular nos dois, tentando latir. - Como você é chato Billy J. – null riu baixinho, e colocou sua mão em cima da mão ainda gelada de null, e pediu novamente desculpas, mas com os olhos, dessa vez.
- BOA NOITE PASSAGEIROS! AQUI QUEM FALA É O SEU COMANDANTE, ADAM DOSER. APERTEM OS CINTOS, POIS VAMOS DECOLAR EM CERCA DE SEGUNDOS! – null paralisou, e lembrou que morria de medo de andar de avião.
- Ai meu Deus. - null olhou para a janela, e fechou os olhos de medo.
- Está tudo bem? Você precisa de alguma coisa? Uma água? - null se desesperou ao ver a cara de null ficar branca e absolutamente pálida.
- Eu tenho medo de andar de avião, eu morro de medo de andar de avião! – null se corrigiu. Ela tinha certeza que ele ia rir, mas não, ele fez absolutamente o contrário, ele fez a coisa mais linda e inesperada que qualquer pessoa podia ter feito pra ajudar null nessa hora. Não tinha como ficar mais perfeito que isso, na verdade, tinha, e ficou.
- Calma, olha para mim. - null pegou segurou as mãos de null. As batidas do coração dela estavam mais altas e mais rápidas que o motor do avião. Apertou as mãos dela suavemente contra seu peito, não para machucá-la, mas para mostrá-la segurança. Seus olhos estavam colados um no outro, e a respiração, sincronizada. O avião já estava no ar, e null nem tinha sentido a decolagem. Ela tinha se perdido, estava tentando se achar nos olhos de null, mas não conseguia enxergar nada fora ele, e não conseguia sentir nada, fora sua respiração. As mãos de null nas suas e a segurança que sentia quando estava com ele. Os dois chegavam mais perto um do outro, até que uma tremida do avião vez null derrubar o anel que tinha ganhado de sua avó Lucy, quando fez dez anos.
- Ai! Merda! – Ela olhava para o chão.
- O que foi? – null não queria acreditar que acabou de ter turbulência.
- O meu anel caiu no chão, e foi aquele que a minha avó me deu, eu não posso perdê-lo! - Ela juntou as sobrancelhas. null colocou sua mão de baixo do banco, na tentativa de recuperar o anel, quando sentiu uma dor enorme. - AI. - Ela arranhou, com a outra mão ajudava subir seu braço. null, ao sentir o cheiro do pulso de null, tampou o nariz. Seu pulso estava afogado em sangue. null rolou os olhos quase para trás da cabeça. – Ai! Eu me cortei, droga. - Ela segurava o braço com a mão. Ele tentava não olhar e nem respirar. Até ele não agüentar mais e levantou-se rapidamente, sem falar nada. – Espera! Onde que você vai? - A cara de confusa de null dominava. Segundos depois a aeromoça veio sentar na cadeira vazia que era de null, em sua mão, ela segurava.
- Oi! Um menino me mandou aqui, falou que tinha uma menina que tinha se machucado, estou vendo que é você, mas como que a moçinha conseguiu se cortar? - A aeromoça estava muito bem vestida e sua voz era doce e calma, apontando o forte sotaque irlandês.
- É, o rapaz que senta nessa cadeira. - null apontou e continuou. - É que o meu anel tinha caído de baixo da cadeira, e na tentativa de recuperá-lo, eu me cortei. Acho que tem algum parafuso solto, e eu raspei o meu pulso nele. - A aeromoça fez uma cara de suspeita, como se null estivesse mentindo.
- Ah sim, depois eu peço para darem uma olhada. Mas você disse que essa é a cadeira dele? - A irlandesa loira tentava não machucar null, que estava com a cara frustrada com a dor.
- É, por sinal, você sabe para onde que ele foi? - null olhava para a moça.
- Hum, não sei não. Quando me encontrou parecia estar com pressa. Mal consegui ouvir o que ele falava, pois ele tampava a boca. - null paralisou. Onde que ele poderia ter ido? Não podia sumir do nada e deixar null ali, sem mais nem menos. - Pronto, terminei. Agora tome cuidado com esse corte, está bem?! E desculpa pela inconveniência. Você deseja algo? - A aeromoça aplicou em sua cara um sorriso de ponta a ponta. null ainda estava paralisada, ela balançou a cabeça e sussurrou um 'obrigada'. null ficou pensando em null o tempo todo, não conseguia entender como que ele podia simplesmente desaparecer daquele jeito. Ela tinha se esquecido de ler, e de qualquer outra coisa, só conseguia pensar em um menino que mal conheceu. null olhava perdidamente pela janela, quando ouviu uma voz lenta e calma se direcionando à ela.
- Olá, a mocinha sabe se esta cadeira está ocupada? - null olhou para a dona da voz lenta e calma. Era uma velinha, cabelo naturalmente branco e curto, chalé bordado em cima da blusa branca, e uma saia florida até o pé.
- Ah, acho que não, pode se sentar se quiser. – null voltou a olhar para fora da janela, mas a velhinha, muito simpática, pareceu continuar a conversa.
- É que no lugar onde eu estava sentada, o rapaz que está sentado do meu lado, está dormindo e não para de roncar, e eu não consigo ouvir meus próprios pensamentos. – Ela sorriu. A velinha, agora peculiar, pareceu pegar a atenção de null.
- Esse lugar está vazio, o garoto que estava sentado aqui desapareceu quando a gente decolou, e não apareceu até agora. – null sorriu enquanto Billy null dormia no seu colo.
- E você gostou dele, não? Se não, não estaria tão preocupada com ele, pode contar para mim, se quiser. – A velinha intrometidamente ofereceu, null queria muito falar sobre o assunto com alguém, e parecia que a velinha realmente estava interessada, então null decidiu contar tudo a velinha de cabelo branco.
- É que ele é muito educado, e me tratou muito bem para alguém que acabou de conhecer. Eu só queria muito saber aonde que ele foi, porque a gente está em um avião, não tem muito lugar para se esconder. – A velinha parecia estar prestando atenção na história de null, ela ficou um pouco calada e depois falou.
- Sabe, eu me lembro de quando eu era pequena, da sua idade, querida. – Ela começou. null não queria ouvir histórias para fazer o boi dormir, mas não teve outra escolha. Ela continuou. - Meus pais tinham um sítio muito grande, com muitas árvores de maçãs, e eu costumava colher as maçãs todas as vezes que a gente ia para lá com a minha irmã, que era três anos mais velha que eu. – Ela pausou para respirar e logo continuou. - A minha irmã Miranda, que Deus a tenha em bom lugar, começou a ver um rapaz que, aparentemente, morava perto do nosso sítio, eu nunca o vi, mas ela dizia que ele não queria conhecer nossa família, e também não queria que Miranda conhecesse a dele. Ela me falou que ele nunca falava dele mesmo para ela, mas que ele era lindo, era branquinho, a pele dele era gelada como gelo, e que os olhos dele eram um verde muito peculiar. – null começou a se interessar e a ouvir mais de perto. A velinha contava a história com a voz baixa e calma. - Até que um dia a minha irmã ficou muito doente, ela começou a ficar gelada, e seus olhos a trocar de cor. Eu era pequenina, devia ter lá meus doze ou treze anos, quando ela virou para mim e falou exatamente com essas palavras: Nunca saia a noite, por qualquer razão, algo fora do seu conhecimento anda pelas árvores. Depois eu me lembro dela ter fechado os olhos por um momento e voltou a abri-los e terminou: Eu vou morrer, mas vou morrer por opção, em torno de horas eu vou andar pelas árvores a noite também, sempre a vigiando, Lucy. E naquela noite ela morreu. Eu não acho que ela morreu, mas que ela desapareceu, porque eu não vi seu corpo desde a última vez em que falei com ela. – null não entendeu muito a história, então resolveu perguntar.
- Mas a mataram? – A velinha olhou para null e respondeu.
- Eu ainda não terminei, minha querida. – null voltou a ouvir. - Nós só voltamos poucas vezes depois da morte de Miranda, mas, nessas vezes, conheci um rapaz cujo nome eu nunca vou me esquecer Trevor, pelo o que ele me falou. – null acariciava o pelo de BJ enquanto a velinha contava sua história. - Na semana em que gente voltou lá, eu fui colher maçãs, sem a minha irmã, e estava lá, quietinha no meu quanto, até eu ouvir as palavras mais constrangedoras da minha vida, vindo de um menino que parecia um anjo. Ele tinha cabelos dourados e olhos verdes, pareciam transparentes, eram os olhos mais lindos que já vi em toda minha vida. Ele estava encostado na árvore atrás da minha, e, quando ele falou comigo, levei um susto tão grande, que deixei cair quatro maçãs no chão. – null queria saber.
- O que ele falou?
- Ele se virou para mim, e falou: Meus pêsames pela sua irmã Lucy. – null ouvia atentamente, com a boca aberta. - Eu me assustei muito, os pensamentos corriam pela minha cabeça como gato atrás de rato. – Ela respirou. - Perguntei a ele como que conhecia minha irmã, e ele me contou que era irmão do menino que minha irmã estava namorando. Impressionei-me, pois não sabia que Miranda havia conhecido a família de quem dizia estar namorando. Também me lembro dele ter me ajudado a pegar as maçãs e ter me contado que gostava muito da minha irmã, então eu falei que ela não tinha me contado que conheceu a família dele, e ele revelou que ela sempre ia para a casa deles quando estava no sítio. Não queria acreditar que Miranda tinha mentido para mim. Eu fiquei um belo tempo conversando com o sujeito, e quando minha mãe me chamou para jantar, menti e falei que não estava com fome. Fiquei sentada na raiz da árvore junto com ele a tarde inteira, conversando sobre tudo possível. Toda a vez que ia lá me encontrava com ele, e nos ficávamos conversando na raiz da árvore. Até que um dia estava segurando uma faca, enquanto colhia as maçãs, pois tinha que cortar o galho delas, minha mãe falou que elas ficavam melhores assim. Esse dia sentei-me com ele, para conversarmos na raiz da árvore, e ele me beijou. Fiquei impressionada com a ação dele, que apertei de mais a faca na minha mão e acabei me cortando. Foi então que eu nunca mais o vi. Quero dizer, quando eu me afastei, pois tinha me cortado, foi o tempo de eu me levantar e ele desaparecer. Não voltei ao sítio depois daquele dia. – Antes de null comentar, a velinha acrescentou. - Minto, voltei sim, semana retrasada. Tive que pegar umas coisas que deixei lá, de quando eu era jovem, e falei com um rapaz, que era igualzinho ao Trevor, parecia uma cópia, com cabelos dourados e olhos verdes transparentes. O estranho era que o rapaz sabia o meu nome, me chamou, e falou para mim que sentia a minha falta, e depois se virou e foi embora. – null ainda estava de boca aberta, depois de minutos, finalmente consegui falar.
- Nossa! Essa foi, literalmente, a história mais legal e incrível que eu já ouvi em toda a minha vida. – A velinha sorriu. - Mas a senhora o amava? – Ela perguntou.
- Hoje posso admitir que sim. Mas hoje eu tenho meus filhos e meu marido Martin, que também amo muito. Não é lá aquela paixão incrível, mas eu o quero bem e agora que ele está doente, e não sai mais da cama, eu o deixei com uma enfermeira e estou indo visitar a minha família. – A velinha contou. null pensou, “se ela pode contar a sua história, também posso contar a minha.” Ela sorriu para si mesma.
- Sabe, quando eu tinha uns três anos, a gente também tinha uma fazenda em Little Rock muito linda. E a gente ia para lá toda a semana. Eu também conheci um menino que devia ser uns cinco anos mais velho que eu, seu nome era null. Os Daniels me amam. – Ela brincou e continuou. - A gente corria de um lado para o outro, brincando e conversando. E foi assim, até um dia ele me pedir em namoro, e eu gostava muito dele, se soubesse o que era amar nessa idade, não que eu sei cem por cento o que é hoje, mas eu diria que eu estava apaixonada por esse menino, e ele, por mim. Toda a semana eu ia para lá e a gente ficava junto. Até eu completar doze anos e os meus pais se separarem. A gente nunca mais voltou para a fazenda. Eu nunca mais falei com ele, nem o vi. – A velinha olhava e ouvia null contando a história, tão paralisada quanto null quando a velinha contou sua própria. - Eu ainda lembro de seu rosto, ele sempre me falava que iria, para sempre, ser meu. Essa foi a última coisa que eu ouvi dele. – A velinha olhou para o outro lado do avião.
- Algum dia você ainda o encontra, querida. – Ela sorriu docemente e se levantou. - Estou vendo daqui que o rapaz que estava dormindo, acordou. Vou voltar para o meu lugar. – Ela foi se levantando.
- Ok, foi bom a conhecer a Senhora...
- Lucy. – null se lembrou de sua avó.
- Lucy. – null sorriu, e a velinha se foi. null olhou para sua bolsa, e se lembrou dos presentes que null e null haviam lhe entregado. null se abaixou para pegar a bolsa que estava jogada no chão e nela, procurou as caixinhas ganhadas pelos amigos. Tirou primeiro a caixa que ganhou de null. Tirou, com cuidado, a fita vermelha que segurava a tampa da caixa e em seguida a tampa da mesma. Nela, havia um caderninho do tamanho de um caixa de DVD, todo roxo, com as bordas pretas, tinha as palavras “Preparada Para Seu Futuro?” meio que borradas na frente e estava lacrado com um cadeado dourado. null procurou dentro da caixa de null uma chave, mas não achou nada. – Ah! Esperta, hein null?! Me dá o cadeado sem a chave, great. – Ela fez uma carreta e procurou a caixa que ganhou de null, a menorzinha. Ela segurava a caixa na mão com cuidado. Arrancou dela o papel amarelo em volta e a abriu. Dentro, havia um colar de ouro com uma chave, também de ouro, pendurada. Nessa caixa, havia uma carta no fim, e null a leu em voz alta. – Cara null, aqui é o null, e a null. Resolvemos te dar de presente um diário, (e, sim, essa chave abre o cadeado do diário, duh.) porque temos certeza absoluta que durante essa sua mudança, muitas coisas vão acontecer, e eu e a null queremos saber de cada detalhe. Agora, preste muita atenção: NUNCA DEIXE NINGUÉM (fora a gente) LER, E NUNCA TIRE A CHAVE DO PESCOÇO, nem para tomar banho. Por favor, siga as regras. Quando o diário estiver cheio, você saberá o que fazer com ele, e aí te contaremos sua verdadeira utilidade, ou talvez você descobrirá antes. Te amamos muito, null e null. – Ela olhou confusa para a chave e para o cadeado, tirou uma caneta da bolsa, e abriu o diário com a chave que estava no colar. As folhas do tal diário eram recicladas, dava para ver pela cor e textura. Depois de pendurar a chave no pescoço, começou a escrever...
Dia 18 de Fevereiro de 2009
Caro diário,
Meu nome é null Black, tenho dezessete anos e morava em uma cobertura com os meus gatos, The Radio e meu cachorro Billy null Jr, minha adorável iguana Barbie, e meu pai Jason James Black. Morava, porque nesse exato momento, estou em um avião indo para Kansas City, morar com a minha mãe, Carry Colin, isso mesmo C.C. Seu novo namorado, cujo eu só sei o primeiro nome, que é Steve. E que eu acho que é apelido para Steven. Mas então, graças a um esforço do meu querido pai, vou levar comigo Billy null Jr e Barbie. Meus gatos tiveram que ficar, pois Steve é alérgico a gatos, já o odeio. Não tenho muito que escrever, então vou te contar sobre minha vida. Nasci sexta-feira, dia 13 de outubro de 1992, no hospital Saint Mercury em Manhattan, Nova Iorque. A minha infância foi calma, morrei com o meu pai e com a minha mãe até os doze anos, foi então que eles se divorciaram. Acho que foi o pior ano da minha vida, porque a minha avó favorita, Lucy, também morreu. Lucy era ótima, eu a amava muito. Ela era uma avó perfeita, fazia as melhores bolachas com pedaços de chocolates sempre que ia lá. Sua casa era linda, toda de tijolos, e quando chegava o Natal, íamos todos lá jantar. E depois, sentar perto da lareira comer marshmallows com chocolate, e ouvir as histórias de terror do meu tio Lue, que depois da morte da minha avó Lilly, ficou muito gordo, e está internado com problemas no coração. Ganhei meus dois gatos de presente da minha avó Lucy, antes dela morrer, e meu cachorro de meu pai. Barbie Doll foi uma escolha minha, quando a vi na loja, não resisti. Tenho dois melhores amigos, null, e null, e acho que é só, até agora. Não devia estar escrevendo isso aqui, mas o diário é meu, então vou escrever. Hoje, quando vim sentar na minha cadeira no avião, conheci um menino absolutamente lindo. Ele era carinhoso, era incrível, mas ele sumiu. Não sei aonde ele foi, e já estamos perto de Kansas e nada dele até agora, só achei que devia comentar algo sobre ele aqui. O avião já vai pousar, tenho que guardar tudo para segurar Billy null, eu escrevo mais quando tiver o que escrever.
null Black
- SENHORES PASSAGEIRO, MAIS UMA VEZ ESSE É O SEU PILOTO ADAM DOSER, ESPERO QUE TODOS TENHAM TIDO UM BOM VÔO, POIS VAMOS POUSAR EM CERCA DE SEGUNDOS. TEREMOS QUE APAGAR TODAS AS LUZES, POIS ESTAMOS COM UM PROBLEMA NOS CABOS, LIGAREMOS DE NOVO QUANDO O AVIÃO JÁ ESTIVER NO CHÃO. – null se apavorou de novo, segurava com uma mão Billy J com toda a força que tinha, e, com a outra, segurava a cadeira ao lado, com os olhos fechados. Quando desligaram as luzes e o avião se inclinou para baixo, null começou a tremer. Abriu os olhos por um segundo, mas não via nada, estava tudo muito escuro para isso, então os fechou rapidamente ao sentir o avião pegar velocidade. Quando null estava prestes a desmaiar de tanto tremer, ela sentiu alguém apertar sua mão, e acariciar seu rosto, e em seu ouvido, sussurrou.
- Calma null, eu estou aqui. Nada acontecerá com você enquanto eu estiver aqui, você está segura. Eu te amo. – null ficou gelada a ouvir aquela voz. Tinha certeza que era a de null, era a voz dele, o cheiro dele, e até aquelas mãos geladas dele. Então, ela falou rápido.
- null? É você? É você null? Porque você... – null parou de falar ao sentir o lábio de quem ela pensava que era null tocar o seu. Os lábios dele também eram gelados, iguais suas mãos, e seu beijo, inacreditável. null o agarrou pela nuca, e o beijou mais intensamente. Ela conseguia sentir as mãos dele em sua volta e Billy J sendo espremido pelos dois. Ela não conseguia pensar. Ela não conseguia respirar. Ela pertencia a ele. E ele estava no controle. Ele se afastou dela e sussurrou.
- Para sempre seu. – E null sentiu o avião bater com força no chão. As luzes piscaram duas vezes antes de voltar ao normal. null limpou a boca e olhou para o lado, isso, para encontrar ao seu lado, ninguém. null se apavorou, olhou para trás e se ergueu para olhar para frente, todos ainda estavam sentados. null colocou a mão na frente do rosto.
- Eu senti ele, ele estava aqui, não é possível. – Ela olhou para Billy J que olhava para ela. - Você também o sentiu, não sentiu Billy J? – Billy J raspava as patas no joelho de null. null foi a última a sair do avião, ela esperou para ver se via null em algum lugar, mas nada dele parecer. null segurou Billy J em uma mão e sua bolsa na outra, e quando saiu do avião, estava pensando nele, como que ele desapareceu assim? null passou por um tubo que ligava o avião com o aeroporto para ir pegar as suas outras malas, e Barbie Doll. Parou em frente de uma esteira preta, onde passava as malas e ficou esperando chegar as suas. Quando viu Barbie Doll em sua casinha preta, se aproximou para pegá-la.
- OLHA, PAPAI. – Ela ouviu uma menininha loirinha com duas tranças penduradas uma de cada lado, falando para seu pai, que nem se quer percebeu que a filha estava ali, falava com alguém no telefone, muito frustrado. Depois de ter pegado suas coisas, foi direto se encontrar com sua mãe. Quando se virou, viu o menino do avião a olhando e sorrindo. null sorriu de volta, e ele desapareceu entre as portas do aeroporto. null se perguntava se o veria novamente. Ela olhou para o lado, e foi andando até a sua mãe.
Fim!
Nota da Autora: VAI TER SEGUNDA PARTE CAAALMA! Não sou tão chata assim hehe. Gostaram, gostaram, gostaram? Esse é só o começo. Vou elaborar a historia até ficar AWSOME haha. Tipo essa historia é uma inteira. Ela já está pronta, menos a ultima parte, mais ela já está toda elaborada. Eu ia colocar tudo de uma vez mais ia ficar muito grande, e entediante para ler tudo então cortei ela em algumas partes. Anyways, se tiveram alguma critica, elogio, ou sugestão deixe um comentário, ou dá um hey para a @shakequake_le.
Nota da Beta: Qualquer erro que você encontrou, mande um e-mail diretamente para mim. Obrigada, Thai.