On The Road To Find Out

By Juliana


Beta-Reader: Mari Morgon

Capítulo 1

Eram duas da tarde e o aeroporto já estava lotado. Todas as pessoas andavam de um lado para outro, como se estivessem nervosas com aquela situação de tentar andar e não conseguir sair do lugar, sem ao menos parar para se dar conta de que se parassem um pouco de se mexer ajudariam o trânsito. Mas parecia que a pressa era maior do que qualquer outra coisa.
, com um certo medo dessa multidão toda, preferiu ficar sentada em um dos bancos da área de desembarque tendo como passatempo observar essas criaturas estranhas enquanto esperava as amigas que estavam para chegar. Ela fora dois meses antes por maior disponibilidade. Conseguira acabar as provas da faculdade e assim poder trancá-la para fazer a viagem tão sonhada. As outras só puderam se livrar disso tudo agora. Nesses dois meses deu tempo de conhecer alguns lugares, alugar um apartamento, arrumar um emprego simples que pudesse sustentá-la e até encontrar um primo que crescera com ela mas que, por forças maiores, havia se distanciado. Agora já não estavam mais tão distantes assim, estavam se dando muito bem e era a única companhia que ela tinha para sair e passar o tempo livre.
Aquela voz de mulher sensual que saía dos autos falantes do aeroporto anunciou o número do vôo de suas amigas, finalmente. Já não agüentava mais ficar ali sentada na angústia de ver elas de novo. Levantou-se e foi até a porta por onde sairiam. Demoraram alguns poucos minutos para elas aparecerem – o que para pareceu muito mais tempo- e então foram em direção à esteira de malas. Ela só as acompanhava com os olhos e com um sorriso bobo de orelha a orelha no rosto. Estavam lá: , e. Quando elas a viram, retribuíram exatamente da mesma maneira o sorriso bobo de orelha a orelha – a convivência fez com que pegassem alguns trejeitos umas das outras.
Ao passarem da porta foi aquela gritaria, até parecia que não se viam há séculos. Abraçaram-se e ficaram um tempo ali, paradas, falando alto e fino ao mesmo tempo em que sorriam, tentando falar todas as novidades ao mesmo tempo. Pareciam umas gralhas, era o que deviam pensar as pessoas que antes estavam correndo em volta. Até que pararam pra respirar um pouco e caíram na gargalhada só de perceber a situação que estavam fazendo naquele aeroporto que parecia transbordar.
- Bom, – respirou e começou – Temos uma surpresa pra ti, .
- Pra mim? – fez uma cara de quem não estava entendendo muita coisa.
- É, mas tu precisa vir com a gente até um terminal ali naqueles guichês. – falou com uma cara de quem aprontou alguma coisa e sentia orgulho disso, sendo imitada por e .
-‘Tá bom – disse com um sorriso desconfiado.
E lá foram elas, atravessando aquela multidão para buscar a tal surpresa. Chegaram lá e se dirigiu a um dos guichês enquanto as outras duas ficaram tentando distrair .
- , e ai? Cadê? – disse saindo da rodinha de conversa formado por e .
- A moça foi buscar- respondeu.
puxou em direção à . Então, ao ver aquela gaiola gigante ao lado de uma menor, uma feição de felicidade surgiu no rosto dela. Era nada mais nada menos que sua fiel companheira, Lady, uma cadela Labrador amarela e ao seu lado o fiel companheiro de , Bili, um bichon frisé branquinho.
-Caras, eu não acredito que vocês trouxeram eles. – falou quase chorando de alegria enquanto Lady e Bili estavam agoniados querendo sair de suas gaiolas.
- Ah, que isso, não foi nada! – disse se achando.
- Ô, , nem vem se achar. – interrompeu a gabação de , que mostrou a língua para ela – Não foi idéia nossa, . Foi tua mãe que perguntou se a gente não se importava em trazer ela porque pensou que tu poderia estar sozinha e sentindo falta da companhia dela e também porque a Lady tava bem tristonha sem a tua presença lá. Daí a resolveu trazer o Bili também. Assim poderiam fazer companhia um para o outro nas várias horas de viagem que tivemos.
- Mas obrigada mesmo assim, fizeram uma mais feliz ainda. – agradeceu abraçando e dando um beijo em cada uma das amigas enquanto os cachorros eram soltos de suas gaiolas e pulavam em cima de suas donas. estava sendo atacada por uma cadela, que mais parecia um urso, mas não se importava, fazia carinho nela e ela lambia todas as partes possíveis do seu corpo.



Capítulo 2

Ao chegarem ao apartamento de colocaram suas malas num canto, soltaram as coleiras dos cachorros – que correram adoidados para conhecer aquele lugar novo - e se jogaram no sofá da pequena, porém aconchegante, sala + sala de jantar. Até que perceberam que não poderiam ficar morando ali com ela.
-Desculpa, gurias, mas o apartamento é um pouco pequeno pra todas nós. – falou inconsolável. – Mas foi a única coisa que eu pude pagar com meu salário de baby-sitter. E também porque eu não ia alugar um big apartamento só pra mim, iria me sentir muito sozinha, mesmo com o Thiago vindo me visitar quase todos os dias.
- A gente entende, , nem te preocupa. – disse – Sei disso por experiência própria, morar sozinha num big apartamento não dá certo. Mas quem é Thiago, hein?? – falou mudando completamente a expressão para uma de safada.
- Ãi, , é meu primo. – falou cortando seus naipes.
-Ah, aquele primo das tuas festinhas de aniversário de criança? – perguntou um pouco surpresa. e se conheciam desde criança e eram as amigas mais antigas do grupo.
- É, esse mesmo. Fazia séculos que a gente não se via. Daí eu encontrei ele aqui, por acaso, numa cafeteria, ele trabalha lá como garçom. Ele me disse que conheceu um monte de gente só de trabalhar ali. Falou que ia me apresentar uns amigos até. Já conheci alguns, mas têm os outros que estavam viajando. Parece que iam voltar hoje, se eu não me engano. – falou com segundas intenções e as amigas retribuíram o olhar, rindo depois.
Ficaram por horas ali sentadas na sala, umas no sofá, outras no tapete, conversando e colocando os assuntos em dia. Até Bili e Lady pareçam participar das animadas conversas. Falaram de homens: terminara um relacionamento que nem se chamava de namoro, bem curto, antes mesmo de ir para Londres, já terminara um namoro longo, de dois anos, , por sua vez, não estava a fim de se juntar com ninguém, achava que as pessoas que namoravam por muito tempo estavam juntos por acomodação mesmo e não por amor, e saiu do Brasil com um rolo que tinha há um tempo, mas nenhum dos dois dava satisfação para o outro do que fazia ou deixava de fazer, era o famoso estepe. Falaram também dos outros amigos, das faculdades, famílias, de tudo que lembravam na hora – ou seja, muita coisa, que até chegavam a se interromper e começar uma pequena discussão que logo depois seria esquecida e assim prosseguiriam o diálogo. Quando se deram conta já era quase meia noite.
- Nossa, cara! Ainda bem que amanhã é meu dia de folga. – disse apavorada ao olhar pro relógio – Podemos aproveitar pra vocês conhecerem a cidade e procurar empregos também, eu deixo vocês se atulharem aqui em casa até se arranjarem.
- Credo, não me dei conta da hora mesmo. Ainda não me acostumei com o fuso horário – disse no meio de um bocejo.
- E nem tinha como tu te acostumar, chegou hoje mesmo aqui. - debochou da amiga, fazendo as outras rirem. - Acho melhor a gente dormir. Assim ficamos inteirinhas amanhã pra bater perna. –falou animada, apesar do sono que estava batendo.
- sempre animada para bater perna – disse com os olhos fechados se acomodando no sofá para dormir.
- Calma, – falou rindo e cutucando a amiga - vou armar acampamento pra vocês.
Logo depois de tudo estar pronto, as amigas já estavam capotadas, dormindo como crianças. Duas na sala e uma no quarto com . Bili e Lady estavam dormindo no tapete que tinha quarto. A viagem tinha, realmente, cansado a todos.



Capítulo 3

Ao acordar, encontrou e na cozinha, preparando um café para todas, enquanto continuava dormindo no quarto de .
- A ainda está dormindo? – perguntou com o rosto ainda amassado.
- ‘Tá. – respondeu com uma voz rouca – Vou chamá-la para o café. – estava indo em direção ao quarto até parar no meio do caminho e voltar-se para as meninas – , tu já não tinha um negócio certo aqui em Londres pra trabalhar?
-É, tenho sim, – gritou da mini-cozinha – me esqueci de falar ontem.
chegou no quarto mas já estava no banheiro se arrumando, então só deu o aviso do café e voltou a se juntar com as outras amigas.
- Ai, gurias, que bom ver todas nós reunidas de novo! E ainda por cima aqui, em Londres. – deu um sorriso que chegou até a espantar a cara de sono. As amigas retribuíram o carinho com um beijo em sua bochecha. , ao chegar na cozinha e ver aquela demonstração de afeto, se sentiu no direito de beijá-la também.
Tomaram o café, comeram biscoitinhos de milho e um bolo de chocolate feito por um dia antes especialmente para as amigas. Ao terminarem de comer, colocaram uma roupa adequada para a temperatura que fazia. Era início de outono e o frio começara a aumentar a cada dia. Colocaram um casaco de moletom em cima de uma roupa um pouco mais leve e pegaram as coleiras dos cachorros, que ao verem a ação começaram a pular feito loucos em volta de e , iriam juntos conhecer a cidade.
Ao chegar à portaria do pequeno prédio, sentiram um vento frio bater nos seus rostos. Achavam aquela sensação maravilhosa. Então foram em direção à rua e começaram as suas “pernadas”. Uma mais feliz que a outra, conversando e ao mesmo tempo observando tudo que tinha em volta.
Foram em todos os lugares que puderam ir, almoçaram em um restaurante perto da praça, onde ficaram um tempo antes para descansar um pouco. Logo depois passearam mais ainda, e compraram jornais com classificados para a procura de empregos que iriam fazer. Até que o Big Ben bateu sete horas.
- Caras, vamos comer no Mc? – perguntou mostrando o sorriso de piedade ao ver aquele “M” gigante em cima do estabelecimento – ‘To morrendo de fome.
- Isso, vamos!! – falou entusiasmada com a idéia.
- Ah, gurias, com tanta coisa pra comer vocês vão querer Mc? – falou um pouco inconformada.
- Tudo bem, vamos lá. –disse – a com a sua fome de leão não vai agüentar nem um Mc lanche feliz, melhor que sobre um Mc lanche feliz do que um sanduichão do subway. - fez uma cara de coitada e todas riram dela e da ironia de .
Deixaram os cachorros amarrados em um poste e entraram.
Chegaram em casa e todas se aprontaram para dormir, tomaram banho, deram água e comida para os cachorros, que aparentavam estar cansados também depois do longo dia de diversão.



Capítulo 4

tateava a mesinha ao lado da cama a procura do aparelho que fazia aquele barulho que a irritava. Pegou o celular e apertou no botão soneca. assentiu a ação e se virou para aproveitar os próximos dez minutos de sono.
Ok, agora não tinham mais escolha, tiveram que se levantar. Ao chegar à sala assistiram a mesma cena que acontecera a poucos minutos no quarto: desligava o alarme do celular, enquanto já estava de pé arrumando a cama improvisada no sofá-cama.
-Bom dia, caras! – disse animada terminando de dobrar o lençol de elástico que insistia em não ficar direito.
-Bom dia! – responderam as outras sorrindo.
- Então, prontas para o trabalho? – Perguntou .
- Quando eu achar um, sim – riu e concordou.
- Ah, eu já tenho o meu. – disse já arrumando seu café da manhã. – Vou agorinha lá ver o que eles têm pra mim na empresa. Alguém quer aproveitar minha carona?
- Eu vou dar uma passeada com a Lady antes de ir pra casa dos Turner cuidar do filho deles. – disse acabando de tomar sua xícara de café e indo em direção à coleira de Lady.
- , espera! Vou contigo, levar o Bili também – disse imitando a ação da amiga.
- Eu quero, , - respondeu ainda tomando seu toddynho. – quero achar uma coisa pra fazer o quanto antes. Vamos como?
- Estava pensando em ir de metrô. Lá na estação mostra o mapa direitinho de onde temos que descer. – disse .
- Ok! Vamos lá! – mandou um beijo para as outras que ficaram em casa e seguiu , que já estava com a porta aberta esperando-a.
Logo depois e fizeram o mesmo. Ao sair do prédio sentiram que o frio estava um pouco maior, mas como ontem, não se importaram. Seguiram a passear com seus companheiros. Deram uma volta no parque perto do prédio e resolveu voltar e deixar Bili em casa para então começar seu trajeto em busca do emprego, deixando ali com Lady, que ainda tinha uma hora de folga.
Ao sair do prédio, abriu o jornal que tinha comprado no dia anterior e viu o primeiro anúncio circulado: Restaurante numa rua não muito longe dali, dava para ir a pé. Chegou lá, falou com o dono e este não deu uma resposta muito certa, mas pediu para que ela deixasse o número de telefone com ele. Ela não levou muita fé, então continuou a andar e ir aos outros lugares marcados nos classificados. Chegou até a ver trabalho como cozinheira, mas era óbvio que não iriam aceitá-la, afinal de contas, ela há pouco aprendera como fazer arroz no fogão, porque antes só sabia “fazer” aquelas comidas prontas congeladas, só colocar no microondas e estava pronta para comer. “Eles não sabem o que estão perdendo”, pensou fazendo uma careta e logo após rindo de si mesma pela idiotice que acabara de pensar. Estava sentada em um banco de uma praça ainda olhando o jornal, só lhe faltava uma opção: uma loja de livros e revistas que ficava a umas duas quadras dali. Preferiu esperar um pouco. ‘Tava bem bom sentir aquele clima e observar como os londrinos se vestiam bem. Viu de longe um garoto vestindo uma calça jeans larga, uma camisa xadrez coberta por um casaco de couro e com um violão/guitarra nas costas caminhando de uma maneira engraçada. Seguiu ele com os olhos, “interessante”, pensou ela com um sorriso no rosto. Até ele sumir no meio da multidão. Decidiu, então, seguir seu caminho.

Ao descer do metrô, se despediu de , que foi para o lado oposto com um jornal na mão. Caminhou até o outro lado da rua e entrou num prédio alto, que aparentava ter uns quinze andares. Seu pai tinha contatos em muitos lugares no mundo e conseguira esse trabalho para ela. se identificou na portaria e o porteiro pediu para que ela seguisse ao quinto andar. Lá, falou com a recepcionista, que pediu para que ela sentasse nas cadeiras que tinham logo em sua frente. Esperou uns vinte minutos e foi chamada. Logo depois, foi mandada para o oitavo andar. Já estava ficando nervosa com aquele empurra-empurra que estavam fazendo com ela. Quando chegou lá encontrou uma sala com uma mesa que tinha em cima um telefone, alguns papéis e um computador, porém a cadeira estava vazia, não havia ninguém sentado ali para recepcioná-la. Esperou um pouco e então apareceu um homem de uns cinqüenta anos, alto, magro e um pouco calvo. estava um pouco receosa, mas não hesitou ao sinal que o homem fez para que entrasse em sua sala e se sentasse.
- Eu sou Windsor, Robert Windsor, prazer, ...?
- , . – respondeu ela retribuindo a simpatia do homem – O prazer é todo meu.
- Bem, a senhorita foi indicada pelo senhor , o empresário do Brasil, certo?- falou o homem olhando uns papéis.
- Certo! – respondeu agora mais calma e confiante. Não sabia o porquê, mas Robert Windsor passava uma certa tranqüilidade a ela.
- E em que a senhorita pretende trabalhar? Veio para Londres com alguma intenção?
- Pois bem, vim para Londres para achar algum rumo, criar experiências novas. Trabalho com o que o senhor tiver disponível para mim.
- Ótimo, temos um trabalho simples de secretária. A senhorita precisa saber falar bem inglês, saber o básico do computador e ser simpática com todos que precisarem de sua assistência.
- Eu achei perfeito, senhor Windsor. Quando posso começar? – perguntou ansiosa.
- Amanhã mesmo, estou necessitado de uma secretária eficiente. –respondeu a ela com um sorriso e um aperto de mão, como um sinal de negócio fechado. - Das 8:30 AM até as 4:00 PM, com intervalo para o almoço ao 12:00 AM a 1:00 PM. Certo?
-Perfeito! - retribuindo o aperto de mão. – estarei aqui as 8:30 amanhã. Muito Obrigada, senhor Windsor.
saiu empolgada do prédio. Era um trabalho simples, mas poderia se sustentar e ter alguma coisa para fazer, sem ficar lagarteando o dia inteiro num tédio danado. Estava andando distraída até o ponto do metrô para voltar para casa de e aprontar um almoço pra si. Atravessou a rua só seguindo o fluxo, pois não viu se o sinal estava realmente fechado. Ao chegar do outro lado da rua esbarrou em um garoto que nem tinha visto que passava por ali, fazendo com que uma pasta com algumas folhas caísse das mãos dele, espalhando as folhas no chão. Voltou à vida real e então olhou envergonhada para o garoto. Viu que era bem bonito, vestia uma camisa com suspensórios, uma jaqueta e uma calça jeans, era bem alto e tinhas olhos azuis bem penetrantes, tão penetrantes que não conseguia parar de olhar para eles. Saiu do transe ao ouvir o garoto pedir desculpas e se abaixar, fazendo-a se abaixar também para ajudá-lo. Quando se levantaram, ela, ainda meio abobada, pediu desculpas. O garoto sorriu, agradecendo as desculpas e seguiu seu caminho. o acompanhou até ele virar a esquina da outra quadra, atrapalhando o trânsito de pedestres que atravessavam a grande rua.

batia pernas de um lado para outro, bastante atucanada por não achar nada que prestasse, ou se achava, não a aceitavam. Fora em tudo que pudesse imaginar, mas sentiu que na maioria dos lugares em que foi recusada existia um pequeno preconceito por ser brasileira, mas não levou isso em conta. Estava determinada a achar alguma coisa.
Já estava perto do meio dia e a sua fome de leão magricelo já estava batendo. Foi agora em busca de um restaurante que aparentasse ser bom e não muito caro, pois não podia gastar muito, afinal, ela ainda não era uma assalariada e não podia relaxar e comer no restaurante que tivesse vontade. Avistou um simples, mas com anúncios na frente que a atraíram.
- Vai ser nesse mesmo, – disse acariciando sua barriga – não vou agüentar bater mais perna com a barriga vazia.
Ao ver uma garota falando sozinha, o garoto que passava ao seu lado estranhou. Ele parecia atucanado também. Era alto e se vestia de um jeito estiloso com uma mochila nas costas. Ele parou e a observou. No momento, não deu muita bola para ele, “Pode pensar o que quiser de mim”, pensou ela. Mas ao ver de canto que o garoto ainda a olhava, resolveu perguntar qual era o problema. Virou-se e deu de cara com um sorriso que parecia perguntar se estava tudo bem, mostrando uma covinha na sua bochecha esquerda. Não resistiu e deu um sorriso bobo também.
- Oi, - o garoto começou - ‘tá tudo bem?
- Oi, - respondeu ainda com o sorriso bobo, querendo morder aquela bochecha da covinha – eu só estava vendo se aquele restaurante prestava, estou morrendo de fome.
- Ah, aquele? – apontou para o estabelecimento. – É bem gostoso, parece comida caseira. Recomendo.
- Obrigada. – respondeu ela já se despedindo.
- Não tem de quê. – ele falou continuando seu trajeto e demonstrando novamente atucanação.

ia se distanciando aos poucos enquanto o parque começava a encher. As pessoas em Londres pareciam gostar de fazer uma caminhada antes de trabalhar. continuou seu passeio, atravessou uma ponte em cima de um lago bonito, podendo ver alguns peixes de vários tipos nadando por ali. Ela parou um pouco para observá-los e Lady sentou ao seu lado arfando um pouco.
- Cansou, Lady? – perguntou admirando sua cadela. Ela realmente estava sentindo sua falta, esses passeios pela manhã eram agradáveis demais para se deixar no Brasil. Resolveu continuar, senão iria se atrasar pro trabalho.
Pararam novamente, mas agora para Lady fazer suas necessidades. Enquanto juntava as fezes da cadela com um saquinho, – afinal, não ia ajudar a sujar aquele bonito parque, estava fazendo sua parte – Lady a puxava esticando a guia, pois havia visto um outro cachorro e queria ir até ele cheirá-lo. fazia força ao mesmo tempo em que tentava limpar o local.
- Lady, calma, – Falou-lhe já irritada – me deixa juntar aqui que nós já continuamos. - Mas Lady não cooperava. Quando ela finalmente conseguiu juntar tudo, ela lhe puxou com toda a força que a fez cair de bunda no chão. Agora o cachorro e seu dono já estavam próximos, satisfazendo a vontade de Lady de conhecer o novo amigo, o que era recíproco pela parte do cachorro.
- Nossa, você está bem? – perguntou o garoto que segurava a guia do cão que Lady queria tanto cheirar. Coincidentemente era de mesma raça que ela, porém, marrom.
- Ah, tudo bem, não se preocupe. – respondeu pegando na mão que ele a ofereceu pra se levantar e batendo de leve em sua calça para tirar a sujeira. Quando estava totalmente de pé reparou no garoto. Era um tanto quanto interessante, com olhos azuis e um sorriso fofo no rosto. Vestia uma calça jeans de número aparentemente maior que o dele, pois fazia parte de sua cueca aparecer e um casaco de moletom vermelho fechado, sem dar chances de ver a camiseta que vestia por baixo.
- Parece que se deram bem. – disse ele com o olhar sobre os cachorros que se cheiravam enlouquecidos. – Não sei qual a moral de ficar se cheirando dessa maneira.
- Pois é, quem entende, não é? – soltando uma risada tímida. Logo após deu uma olhada em seu relógio, já estava atrasada, mudando completamente as feições do rosto – Meu Deus! Eu preciso ir. – se despediu do garoto já correndo em direção ao seu prédio e acabando com a empolgação dos cachorros, puxando Lady consigo.
Ainda bem que conseguira chegar a tempo de pegar os senhores Turner em casa. Estava ofegante pela corrida que fizera para que não se atrasasse.
- Bom, , temos que ir trabalhar. O Jimmy está dormindo ainda, às dez, você sabe, hora da mamadeira dele. Chegaremos no horário de sempre: 4:30 PM. – disse a senhora Turner.
- Podem ficar tranqüilos, farei todo o combinado a partir da rotina do Jimmy. Os senhores sabem bem que pra mim é um prazer cuidar de seu filho.
Os Turner agradeceram com um sorriso e saíram, deixando ali naquela casa silenciosa, até o Jimmy acordar, claro, porque aquela criança gostava de um fuzuê.



Capítulo 5

se dirigiu até a loja de livros e revistas, porém, quando chegou na frente viu que estava fechada. Tinha uma placa pendurada na maçaneta de dentro da porta de vidro da loja, mostrando ali o horário de funcionamento. Entendeu o porquê de estar fechado, já era meio dia e só abriria a uma da tarde. Decidiu ir para casa de almoçar, depois voltaria para falar com o dono da loja. Chegou lá e ouviu um barulho vindo da cozinha, alguém já devia estar fazendo o almoço. Seguiu no pequeno corredor que dava na sala, e que antes desta apresentava uma entrada para a cozinha, parando nesta entrada. viu que era que estava lá, arrumando o balcão que dava para a sala, colocando um descanso de panela onde já estavam um prato, os talheres e um copo.
- Oi, ! – falou chamando a amiga.
- !! – a olhou surpresa – Nem vi que tu tinha chegado. Então, já almoçou ou quer almoçar também? – já colocando um prato a mais para a amiga.
- Vim pra cá justamente para isso. –riu e se dirigiu ao banco alto em frente ao balcão. – Depois eu tenho que voltar numa loja que eu ainda não vi se tinha emprego disponível pra mim.
- E os outros que tu viu? Nada?
- Nada. – respondeu se fazendo de coitada. – Mas ‘to achando que nessa loja de livros e revistas vai dar certo. E tu? O que deu lá?
- Ah, deu tudo certinho! – respondeu levando o garfo à boca com um sorriso no rosto. - começo amanhã mesmo.
- Que bom, !! Fico feliz por ti, tomara que tu goste! – disse já terminando sua comida, dando um beijo na amiga e indo de direção à porta de saída.
A loja ainda estava fechada, mas dessa vez já estava preparada para isto. Havia chegado dez minutos antes da hora prevista. Sentou no banco que tinha na frente e abriu uma revista de moda para ler, adorar e criticar o que fosse preciso. Até que um homem não muito alto, gordinho, de óculos, vestindo uma calça social, camisa, suspensórios e um casaco de lã – tudo em tons pastel - chegou ali e abriu todas as fechaduras existentes da porta da loja. No letreiro em cima da porta estava escrito “Oscar’s Books and Magazines”, nome nem um pouco criativo. “Aquele deve ser o Oscar”, pensou indo em direção ao homem.
-Boa tarde – disse ao homem – o senhor é o Oscar?
- Boa tarde! Sou eu, sim – respondeu com um sorriso simpático e um olhar por cima dos óculos – E a senhorita, quem é?
- Eu sou , prazer – Estendeu a mão para o homem gordinho – Eu li nos classificados que estão precisando de vendedora na sua loja. Vim me candidatar.
- Ah, claro! Por favor, me acompanhe – Oscar fez um sinal com a mão para que ela entrasse em uma sala logo atrás do balcão de atendimento.
Conversaram mais do que imaginava. Que assunto teria ela com um dono de livraria? Pois bem, parece que tinha bastante. Deram-se muito bem e Oscar parecia adorá-la, contratou-a de cara.
- A senhorita pode começar amanhã pela manhã. Abrimos a loja às 9:00 AM, neste horário a senhorita pode comparecer e começar seu serviço.
- Combinado, então! – agradeceu e se despediu do homem – Até amanhã, seu Oscar.
Ele respondeu com um aceno e o mesmo sorriso que a recebeu com o olhar por cima dos óculos.
Ao sair da sala do homenzinho, viu que a livraria já estava lotada. Os vendedores não eram muitos, mas pareciam bem eficientes, tentando atender todos os clientes que chegavam. Ficou um tempo ali observando aquela movimentação atrás do balcão. Nem viu que um garoto falava com ela.
- Por favor, tu pode me ajudar? – perguntou o garoto em frente a . - Quanto é esta revista?
- Oi? – não estava entendendo. Mas viu que o garoto era aquele mesmo que caminhava engraçado e que carregava um(a) violão/guitarra nas costa que vira na praça.
- Esta revista? Quanto custa?
- Ah, desculpa! – agora entendendo a confusão do garoto. – Eu ainda – dando ênfase no ainda - não trabalho aqui, mas se quiser uma ajuda pra saber o preço é só olhar ali em baixo do código de barras, ‘tá escrito ali. – e deu um sorriso.
- Ah, não acredito! – falou o garoto rindo de si mesmo de uma maneira mais engraçada do que o seu caminhar. – Obrigada!
- De nada! – riu da maneira do garoto e o admirou novamente, era mais interessante ainda de perto. E logo depois seguiu o rumo de casa.

acabou o seu almoço e se dirigiu ao caixa para pagar o que tinha saído mais barato do que ela imaginava. Também, bufê à quilo para era a melhor opção para pagar menos. Pagou para um homem aparentemente rabugento e foi embora para procurar o que faltava. Tinha circulado vários anúncios no jornal, já vira quase todos, mas faltavam três ainda.
Sem sucesso, voltou para casa triste e cansada, mas ainda determinada a conseguir alguma coisa. Abriu a porta e viu e sentadas no sofá rindo de alguma coisa que se passava na TV.
- Oi, caras! – falou desanimada.
- Oi, ! – responderam as amigas – O que deu?
- Nadica, não consegui nem um mísero emprego de manicure. – disse sentando no meio delas.
- Ah, não desanima! Vai dar tudo certo. – consolou – Enquanto esperamos a vamos ver esse programa, é muito engraçado.
- É, tu pode até ir comigo na livraria amanhã pra ver se o seu Oscar tem um emprego pra ti também, ele é bem simpático. – disse abraçando – Aliás, quando a chega?
- Acho que ela deve estar chegando por agora. – respondeu .
Não demorou muito entrou pelo corredor de entrada saudando todo mundo e se juntando às amigas na sala, tendo que ficar sentada no tapete e encostar na base do sofá.
- Passei na cafeteria do Thiago e trouxe um capuccino pra cada uma. – falou entregando a cada uma um copo de isopor, o que agradou bastante à todas.


Capítulo 6

Já tinham colocado todos os assuntos em dia e agora todas riam das palhaçadas que passava no programa da TV.
- Vamo lá, gurias! – disse se levantando – Vamos nos arrumar porque nós vamos sair.
- Como assim? Agora? – perguntou confusa.
- É! O Thiago nos convidou pra ir num pub hoje. Vamos conhecer os amigos tão falados dele. – respondeu.
- Mas nós temos que acordar cedo amanhã, . – falou recebendo a concordância de .
- Eu sei, mas nós não vamos ficar até muito tarde. É só pra conhecer os garotos. – falou dando uma piscadinha para as amigas.
As garotas gostaram da idéia e foram logo se arrumar. Quando terminaram, foram para a sala, pararam e se olharam, estavam todas muito bonitas, porém não exageradas, simples e bonitas.
Entraram no carro que havia comprado há umas poucas semanas, quando seu salário foi suficiente para dar uma entrada, ainda faltavam várias parcelas para pagar. O carro cheirava a novo ainda e ela tentava se acostumar com a direção do lado oposto do que achava ser o normal. Ligaram o som e foram cantando animadas até o pub marcado com Thiago.
Estacionaram quase na frente do lugar e desceram do carro, observando sua beleza. Era uma construção antiga, souberam bem cultivar seus traços e adicionar um toque de modernidade. A porta de vidro fumê não deixava ver o que tinha por dentro e nem a acústica deixava que o som saísse. Resolveram entrar, pois não iam ficar a noite inteira ali fora passando frio e só admirando a arquitetura. Lá dentro não era muito diferente, as paredes de tijolos, tudo parecendo rústico, porém, as mesas, cadeiras, balcões, etc. davam seu toque moderno. Tinha um palco mais para o fundo do lugar já com os instrumentos colocados, como se a qualquer momento que tu quisesse tocar era só subir no palco e começar. Era agradável o som que saía das caixas de som posicionadas em lugares estratégicos.
Estavam passando os olhos por tudo, para conhecer bem, até que avistou Thiago.
- , não é o Thiago ali? – disse apontando para uma mesa onde se encontrava ele mais quatro garotos e uma garota.
- É ele sim! – disse puxando as amigas para que fossem com ela até o lugar onde se encontrava o primo.
Quando se aproximavam, Thiago as avistou e acenou para que sentassem com eles.
- Oi, ! – disse ele animado – Esses são meus amigos que ‘tavam viajando, que te falei, e essa a minha namorada, que tu já conhece, Emily. – e apontou para uma garota que tinha uma carinha de boneca, tinha cabelos longos e pretos, era pequena e magra, um pouco sem graça na opinião das amigas, no entanto não deixava de ser bonita, e os amigos, que agora pararam o que faziam para olhar para elas.
Todos se olharam surpresos e de um jeito como se já tinham se visto em algum lugar. E realmente haviam se visto, seria impossível esquecer uma pessoa tão bonita, pensaram. Thiago percebeu as trocas de olhares.
- Vocês já se conhecem?
- Acho que já nos trombamos mais cedo – disse envergonhada olhando para o garoto alto de olhos azuis que também olhava para ela.
- É, acho que sim – respondeu ele.
- E nós já trocamos uma idéia sobre restaurante – disse o garoto que quando ria mostrava sua covinha tendo a concordância de .
- Nossos cachorros fizeram com que nós nos vissemos mais cedo também – disse o garoto de olhos azuis que sentava ao lado do que pechara com olhando para .
- E eu vi ele na livraria que eu vou trabalhar. – disse apontando para o garoto que sorria engraçado.
As amigas se entreolharam como se falassem “como tu não me disse que tinha visto um cara lindo desses” ao mesmo tempo em que sorriam confusas – elas tinham mania de se comunicar por olhares.
- Nossa, que coincidência! Então pelo jeito nem vou precisar apresentar. – falou Thiago já se sentando na cadeira que ocupava antes.
- É que na verdade a gente não se conhece, não... Só trocamos um breve diálogo. – disse .
- Ah, tudo bem. Aqui vai, então: – Thiago começou a apresentação – Esse é o Tom, esse é o Danny, Dougie e Harry. E essa é , minha prima e as amigas dela. – agora falando para os amigos.
- Minhas amigas têm nome, Thiago. – falou puxando risadas dos outros – Essa é , e . – sorriam.
Ficaram conversando por horas, pareciam ter se dado muito bem. E, claro, riram da situação que os fizeram se encontrar mais cedo. Para poderem conversar com todo mundo, sentaram intercalados, Emily ao lado de Thiago, ao lado , depois Tom, e Danny, e Dougie e e Harry; formando um círculo em volta da mesa que estava pequena para todos. Acabou que, como Thiago e Emily estavam quase se comendo ali do lado, a conversa ficou entre os parzinhos que se formaram. Assim, enquanto bebiam alguma coisa alcoólica, as conversas iam ficando cada vez mais animadas e empolgantes. Mas, como havia prometido, não podiam ficar até muito tarde.
- Gurias, temos que ir. – falou olhando para seu relógio.
- Mas já? – perguntou Danny com cara de piedade.
- É, infelizmente, temos mesmo. – disse já se levantando e se despedindo dos garotos e da namorada de Thiago com dois beijinhos. – Precisamos trabalhar amanhã. Foi um prazer!
Todos se despediram e as garotas foram rumo a casa de, que mesmo tendo bebido foi dirigindo o carro, torcendo para que nenhuma blitz pegasse ela. Chegaram sãs e salvas em casa, sendo saudadas pelos cachorros que pareciam as esperar impacientes.



Capítulo 7

- Hey, girls! Vamos acordar!!! – gritava ao passar por todos os cômodos da casa – que não eram muitos – a fim de acordar as outras.
- ‘Tá bom, já to indo! – dizia do quarto ainda com olhos fechados e com o travesseiro cobrindo a cabeça. – Só pára de gritar que minha cabeça ‘tá explodindo.
- Acho que a bebida tava boa ontem. – disse passando pela sala pra ir para a cozinha.
- Pois é, essa dor de cabeça é só da bebida ou tem um Tom causador também? – falou debochada.
- Ah, convenhamos, gurias, eles são lindos! – dizia com cara de safada sendo seguida de uma se abanando.
- Ô se são! – todas riam, até mesmo que já estava de pé tomando um remédio pauleira para sua dor de cabeça infernal.
- Ok, chega de brincadeiras que eu tenho que trabalhar. – disse mostrando um ar sério.
- Ui, ui, ui, como sou importante – debochou jogando uma almofada nela. devolveu a almofadada e assim começou uma pequena guerra.
Logo já estavam prontas pra sair. desceu junto com e Lady no seu passeio matinal, as outras esperaram um pouco mais para saírem e irem até a livraria. começaria o trabalho e veria se arranjava alguma coisa. Afinal de contas, a loja só abriria às nove horas mesmo. Ficaram lá com Bili, vendo TV e comendo qualquer coisa.

e caminharam juntas até o outro lado da praça, onde seguiu caminho até a estação do metrô e deu meia volta e continuou caminhando com Lady. fizera exatamente o mesmo caminho para não se perder, porém, não resistiu e parou na banca de revistas para comprar a revistinha de palavras cruzadas. “Em inglês essas palavras cruzadas ficam mais emocionantes”, pensou ela. Ao passar os olhos pelas revistas do lado, teve a impressão de ter visto algum rosto conhecido. Voltou o olhar pelo mesmo caminho que fizera e avistou uma revista um pouco escondida, era uma revista teen, talvez até com esse nome mesmo, e viu que não era apenas um rosto e sim quatro, por sinal, muito bonitos.
- Não acredito! – disse surpresa chamando atenção das pessoas em volta. – São os guris de ontem! E eles são famosos! Harry, Tom, Dougie e Danny – falou ainda boquiaberta apontando para cada um.
- Precisa de ajuda? – perguntou a mulher que devia ser a dona da banca.
- Não, só estava olhando essa revista. – falou virando-se para a mulher. – vou levá-la, e mais essas palavras cruzadas, por favor.
- Fã deles também? – disse a mulher agora apertando os botões da máquina de calcular em cima do balcão improvisado. – Eles são a banda do momento. Nem começaram direito e já tão famosos.
- São ótimos! – disse disfarçando um sorriso. A mulher nem imaginava que tinha conhecidos eles no dia anterior e nem fazia idéia de que eram famosos.
Saiu de lá ainda meio confusa em relação aos garotos.

sentou um pouco antes de voltar pra casa e deixar Lady junto com Bili. Não muito distante dali deu pra ver um pequeno bolinho de três ou quatro garotas em volta de alguém. “Deve ser alguém famoso”, pensou se contorcendo pra ver se conhecia essa tal pessoa. Quando aquelas garotas saíram de volta dela, pode ver quem era e não acreditava. Era Dougie com seu cachorro, amigo de Lady, dando autógrafos para garotas enlouquecidas.
- Hey! – disse se aproximando do garoto. – Conheci um famoso e nem sabia?- Dougie riu envergonhado, enquanto os animais também pareciam se cumprimentar.
- Elas me fazem passar por cada situação. – disse ele apontando para as garotas que iam se distanciando e berrando coisas como “Ai, como ele é lindo!!”. – Eu, Danny, Harry e Tom temos uma banda: Mcfly. Sou o baixista.
- Pelo jeito adorado pelas garotas. – riu sendo seguida por Dougie, tímido – Parabéns pelo sucesso da banda, qualquer dia quero ver um show de vocês.
- Já está convidada para o próximo.
- Olha que eu vou, hein? – Dougie afirmou com a cabeça. – Tenho que ir agora, nos falamos depois.
- Tchau! E eu vou cobrar a presença no show! – Dougie falava mais alto já que estava mais distante, fazendo um sinal de joinha seguido de um sorriso sincero.
- Caras! Ainda bem que vocês ‘tão em casa ainda! – falou com cara de quem descobriu o mundo para as amigas que estavam prontas para sair.
- O que foi?? – perguntou curiosa.
- Vocês não vão acreditar o que eu descobri! – continuou.
- Meu Deus!! Fala logo! Quer nos matar de curiosidade? – agora foi a vez de parar tudo para ouvir o que a amiga tinha para dizer.
- ‘Tá, eu vou falar! – parou para respirar.
- Então fala, cacete! – já estava apreensiva. E riu da situação.
- Não ri, ! Fala logo, eu não vou agüentar a curiosidade!! _ falava com piedade.
- Ok: Harry, Tom, Danny e Dougie tem uma banda chamada Mcfly, e pelo jeito são super famosos, e Dougie me convidou pro próximo show. – falou rapidamente.
- Ah é?? Sério? – não acreditava.
- Sério! Todas nós vamos.
- AAAAAAAH! – gritava e pulavam em círculos abraçadas.
Precisavam sair senão iriam se atrasar.
- Mais tarde nos falamos melhor, ou melhor, surtamos melhor – disse já saindo de casa e pegando o carro para não se atrasar.- Dou uma carona pra vocês.



Capítulo 8

O carro saiu patinando depois de ter largado e na frente da livraria, estava com bastante pressa e era notável. A loja tinha recém aberto e Seu Oscar já estava atrás do balcão com o mesmo tipo de roupa do dia anterior, e as olhou por cima dos óculos, como sempre.
- Bom dia, senhorita ! – disse ele – Trouxe uma amiga?
- Bom dia, Seu Oscar. O senhor pode me chamar só de , por favor. – ela disse envergonhada. – Essa é a .
- Bom dia, prazer Seu Oscar. – estendeu a mão. – Desculpe incomodar, mas eu estou precisando de um emprego e me falou daqui.
- Ah, sinto muito, filha. – respondeu o homem de forma paternal, o que fez entristecer. – Mas o que eu ganho com essa loja não dá para pagar muitos funcionários. Sinto muito mesmo. Mas posso te indicar um lugar que estão precisando de funcionário.
- É mesmo? Onde? – voltou a sorrir.
- A locadora de filmes aqui do lado. – Oscar apontou para sua direita. – Na verdade, tem uma outra loja entre as nossas. Mas vá ali, filha, tenho certeza que vão gostar de você.
- Muito obrigada, Seu Oscar, vou lá sim! - falou se despedindo dele com um aperto de mão e da amiga com um beijo na bochecha. – Até mais tarde, - E seguiu a direita da loja.

- Bom dia! Posso ajudar? – perguntou um rapaz não muito mais velho que .
- É que... bem... eu estou à procura de um emprego e Seu Oscar da livraria aqui do lado me indicou essa locadora.
- Claro! Estou precisando de uma ajudante mesmo. – falou o rapaz animado. – Meu pai abriu essa locadora, mas no fim quem cuida dela sou eu. Meu nome é Philippe e o seu, qual é?
- , prazer. – esticou a mão para o garoto, charmoso, por sinal. - Adoraria trabalhar aqui, amo filmes! – Agora observava bem o local. Tinha uma estante nas duas paredes laterais que a cobria quase toda, devia ter umas sete ou oito prateleiras, sem contar a estante no meio da loja, que tinha cinco prateleiras de cada lado e uma sessão de filmes impróprios para menores de dezoito anos que ficava mais para o fundo da loja, formando uma pequena “salinha”. Pra ser uma locadora familiar possuía vários filmes.
- Prazer, . Se não se importar, pode começar hoje mesmo.
- Não me importo mesmo, só preciso de ajuda para me localizar nesse mar de filmes. – os dois riram e Philippe começou a mostrar tudo para ela.

O telefone tocava sem parar e já começava a ficar nervosa. Seu primeiro dia no trabalho e o telefone não estava cooperando. Mas ao passar das horas ela foi se acostumando com aquele som impertinente e pegando o jeito com o aparelho. Estava gostando do trabalho, apesar disso, mas precisava falar com as amigas sobre a revista que comprara mais cedo antes de ir para lá.
Finalmente tinha chegado a hora do almoço. Foi até a livraria em que ia começar a trabalhar. Ela havia falado para onde ficava.
- Oi, , já pode sair pra almoçar? – perguntou ao entrar na loja e ir em direção a amiga.
- Ah! – olhou surpresa para o relógio. – Posso, sim. Nem percebi que já estava na hora.
- E a ? Não conseguiu o emprego aqui? – falou acompanhando a amiga até o dono da loja.
- Seu Oscar, estou saindo para o almoço, ok? – falou para o homem, que consentiu, se despedindo e logo se virando de volta para a amiga. - Não, mas ela ia ver um emprego quase certo aqui na locadora do lado. Vamos ali ver.
- Essa livraria é muito legal, vou vir te visitar mais vezes. – falava olhando ao seu redor e observando os livros.
Chegaram na frente da locadora, que tinha o nome de “The Best Movies”, e viram lá dentro, lendo um papel como se estivesse decorando alguma coisa.
- Oi, ! Que bom que conseguiu um emprego! – disse assustando a amiga.
- É, ainda mais numa locadora – brilhou os olhos.
- Gurias! Nem vi vocês entrarem! – falava largando o papel no balcão. – Sim, o Philippe foi super legal comigo, ele é o dono daqui. ‘Tô aqui tentando decorar os filmes que tem em cada prateleira.
- Deve ser difícil. – falou lendo alguns deles. – Então, vamos almoçar?
- Vou ver com o Philippe se eu posso, um minuto. – ela foi até o garoto charmoso e de onde as outras estavam deu para ver que ele assentiu com a cabeça de uma maneira muito simpática. – Ok, vamos! E a ?
- Podemos ligar pra ver se ela pode ir com a gente. – disse discando um número em seu celular.
As três estavam sentadas numa mesa para quatro conversando alto e animadamente. Até que apareceu na porta do restaurante.
- Hey, caras! Sorte que hoje os Turner foram almoçar em casa e eu pude vir até aqui. – chegou sentando-se no lugar vago. – A já sabe da novidade?
- As gurias me contaram, mas eu já sabia. Achei que ia contar uma novidade pra vocês. – falou fazendo cara de coitada e abrindo a revista que comprara na página em que os garotos apareciam.
- Ah, não te faz! – falou dando um tapinha na amiga. – Pelo menos tu nos disse o que cada um faz na banda. – riram.
- Ah é, eu só sei que o Dougie é baixista. E os outros, o que fazem? – virava-se para , que agora estava empolgada porque ia contar uma novidade.
- O Tom e Danny tocam guitarra e são vocalistas e o Harry é baterista.
- Eles têm cara de fazer o que fazem. – falou fazendo as amigas rirem. – Sabe que a primeira vez que eu vi o Danny ele tava com uma guitarra nas costas e eu nem me dei conta de que ele poderia ter uma banda? ou se tinha, era desconhecida, foi o que eu pensei. Legal isso. – as outras continuaram a rir da fala sem nexo da amiga.
- Gosto de guris de banda. – disse com olhar um pouco safado.
Elas riam e continuavam a fazer as caras de safadas até e , que estavam de frente para a porta, pararem de falar e olharem surpresas em direção desta, fazendo as outras pararem e fazerem o mesmo. Quem estava entrando? Sim, eles mesmos. Harry, Dougie, Tom e Danny passavam pela porta procurando uma mesa para se sentar, até passarem os olhos pela mesa das garotas. Olharam e acenaram, fazendo com que as garotas os chamassem para sentar com elas, juntando a mesa que estava vaga do lado, formando uma grande mesa de oito lugares.
- Hey! Como vão? – perguntou Tom se sentando junto com os amigos.
- Bem, e vocês? – respondia apreensiva e sem muita reação.
- Ótimos! – Harry respondeu fechando os olhos e dando um sorriso sem mostrar os dentes. – Que bom ter encontrado vocês aqui.
- É... Legal mesmo. – falou sem jeito.
- E então, quando vai ser o show? – tomou coragem pra falar o que as outras queriam. Rapidamente Dougie olhou para .
- Nossa, tu é rápida, hein? – falou para ela, fazendo-a corar.
- Nós vimos vocês numa revista também – disse tentando amenizar o lado da amiga.
- Ok, ok... A gente acredita. – disse Danny rindo delas. – O show vai ser nessa sexta num pub perto daquele que a gente foi ontem.
- Mas vocês vão mesmo, né? – Tom perguntou preocupado.
- Claro, vamos sim, né, gurias? – voltou-se para as amigas esperando suas afirmações.
- Que bom, a gente vai adorar ver vocês lá. – disse Dougie animado.
A conversa foi ficando cada vez melhor com o passar do tempo, mas não poderia durar muito, infelizmente. As garotas tinham que voltar para o trabalho e então deixaram os garotos lá sentados. Dava para ver de longe, enquanto elas pagavam a conta no caixa, que eles ainda estavam animados, conversando coisas que qualquer um morreria de vontade de saber o que era. Se curiosidade matasse, elas já estariam mortas naquele momento. Era, realmente, atraente aquela conversa deles.



Capítulo 9


Sexta-feira nunca foi tão esperada. Na manhã desse dia as garotas estavam mais ansiosas do que nunca. Não tinham percebido o quanto queriam ver aqueles garotos de novo. O dia de trabalho foi mais longo do que o normal, mas quando conseguiram sair de lá, foram direto pra casa se arrumar. Durante a semana não viu mais Dougie e seu cachorro, o que a deixou mais ansiosa para vê-lo. Devia estar ensaiando para o show, foi o que ela pensou.
Faltava menos de uma hora para estarem lá e elas ainda não tinham terminado. A casa tinha virado uma zona: uma correndo do banheiro pro quarto, do quarto pro banheiro; uma procurando o bendito rímel, que nem se lembrava onde tinha colocado; uma atordoada trocando mil vezes de blusa e às vezes colocando uma que já tinha colocado antes, fazendo um bolo de roupas em cima da cama. Não sabia qual ficava melhor, já estava tendo um piripaque e dizendo que não tinha roupa decente; e uma xingando todo mundo de tudo que é nome, pois já estava pronta e as outras não. Ela corria de um lado pra outro também, no fim só atrapalhando mesmo, então decidiu andar de um lado pra outro junto com elas só que com uma máquina na mão, tirando fotos. Eram flashes que vinham do nada e xingamentos de alguém depois que esses apareciam.
- Puta que pariu, !! Já te disse que esses flashes vão dar câncer nos meus olhos – falou indignada. – Cacete! Onde eu coloquei a porra do rímel?
- ‘Tá lá na tua mala, do lado esquerdo, perto das camisetas de mangas curtas, bem enfiado pro fundo. – gritou do banheiro, já com uma blusa escolhida. – E, , eu acredito na teoria da , imagina se nós ficarmos com câncer nas córneas? – todas riram. – Mas pode continuar com as fotos, só que sem flashes. - Ela deu uma piscadinha e um sorriso para a amiga, fazendo-a bater uma foto.
- , tu me dá medo. – disse ao sair do quarto, já pronta e se juntando à . – Como tu sabe onde tava o rímel da ?
- Ah, sei lá... Só me lembro de ter visto ele ali. – respondeu com cara de desinteresse enquanto as outras a olhavam assustadas.
Finalmente estavam prontas e incrivelmente bonitas. Também, depois da produção toda, tinham que estar mesmo. Fecharam o look com um sobretudo, um mais bonito que o outro, e então foram embora, deixando em casa uma Lady e um Bili desolados por ter que ficar sozinhos. Antes de chegar ao pub, passaram na casa de Thiago que havia ficado sem carona para ir pra lá. Ele também estava bem arrumado e perfumado, deixando o carro todo com aquele cheiro agradável.
- Mas vocês demoraram, hein? – Thiago reclamou enquanto entrava no carro.
- Que perfume bom! – falou , sem dar bola para o que ele havia falado, cheirando o ar e chegando com o nariz mais perto de Thiago, que havia sentado ao seu lado.
- É a minha tática de atrair garotas. – Thiago fez cara de convencido.
- Eeei, e a Emily? – perguntou lá da frente, enquanto segurava o volante.
- Não sei... Acho que eu não quero falar sobre isso por enquanto. – logo depois que ele falou, o carro silenciou. Mas o silêncio não durou muito tempo, estavam muito animadas para ficarem quietas.
Conseguiram chegar na hora marcada. Em cima da hora, mas conseguiram. Esse pub parecia maior que o outro que tinham ido e conseguia ser mais charmoso ainda. Os garotos já estavam impacientes, sentados numa mesa perto do palco onde tocariam. Eles pareciam ter se produzido bastante também, só não sabiam se era pro show ou pra elas. Elas preferiam a segunda opção. Depois de todos se cumprimentarem e trocarem olhares de aprovação pela produção, Tom decidiu falar.
- Caras, nós precisamos ir, já ‘ta na hora do show.
- Calma, Tom. As pessoas não vão morrer se esperarem alguns minutos só. – falou Harry sem tirar os olhos de .
- É, Tom. Tu é muito neurótico. – Dougie também falou olhando para .
- Mas se ‘ta na hora, é melhor irem. – falou quebrando o constrangimento de todas pelos olhares dos garotos.
- Vão lá, é melhor vocês agradarem o público. – falou Thiago dando um tapinha nas costas de Danny, o fazendo desgrudar do chão e ir em direção ao palco.

As luzes do palco foram ligadas e agora o único foco das pessoas era para esse local. De repente apareceram os quatro rapazes, cada um pegando seu instrumento e se posicionando nos lugares certos. Começaram o show tocando uma música que deveria ser o hit, todos cantavam juntos. Logo que a música acabou, eles falaram qualquer coisa, se apresentando, agradecendo a presença de todos, principalmente a das garotas e a do amigo que estavam sentados na mesa ali perto e apontaram para o local, o que fez todos se virarem para lá e as garotas corarem e acenarem timidamente, enquanto Thiago acenava sem nenhuma preocupação para os amigos.
O show pareceu passar muito rápido, talvez porque estivesse bem bom. Logo que acabou os garotos desceram e foram direto para a mesa em que estavam Thiago e as garotas. Estavam suados e aparentemente muito felizes.
- E então, como fomos? – perguntou Danny secando o rosto e olhando de maneira fixa para eles, esperando uma resposta.
- Nossa, foi demais! – respondeu Thiago de maneira engraçada.
- Não perguntamos pra ti, panaca! – Danny cortou o amigo, fazendo-o emburrar. – Tu já viu outros shows. Quero saber o que as garotas acharam. – Agora mudando a expressão para uma tentativa de sexy.
- Foi ótimo mesmo! – falou.
- É, arrasaram! – foi a vez de falar.
- As músicas são super boas e vocês têm uma presença de palco incrível! – falou sorridente.
- É, foi super bom! – falou envergonhada, pois Danny não tirava os olhos dela.
- Nossa, que bom que vocês gostaram! – Harry falou se aproximando com uma garrafinha de água nas mãos e uma toalhinha pendurada em um dos ombros.
- É, ainda estamos no início da banda, precisamos evoluir um pouco. Faz dois anos que começamos, mas só agora estamos sendo mais reconhecidos. É ótimo saber que estamos agradando. – Tom falou sentando na cadeira ao seu lado.
- No início? Imagina se estivessem há tempos já tocando... – falou impressionada.
- E vocês não precisam da nossa opinião para saber que estão agradando, é só olhar em volta e ver esse monte de garotas gritando por vocês. – falou apontando para aquelas garotas em volta, suadas de tanto pular e cantar as músicas junto com eles.
- É que a opinião de vocês vale muito mais. – Dougie falou sorrindo para .
- Ok, depois desse show maravilhoso vocês merecem um brinde. Vou lá buscar umas bebidas pra gente. – falou se levantando da cadeira.
- Eu vou com você. – Tom seguiu a garota, fazendo as amigas se olharem e rirem baixinho.
Eles voltaram conversando animadamente, com um balde de gelo com uma garrafa de champanhe dentro e Tom com as taças.
- Mas que falta de cavalheirismo, Tom. – Harry falou indo ajudar com o balde. – Deixou o mais pesado para a trazer.
- Não, ele se ofereceu para trazer o balde, eu é que não aceitei. Se trago as taças elas iriam certamente se espatifar no chão e voar vidrinhos pra tudo que é lado desse pub. – falou se mostrando desajeitada e Tom olhou para os outros dando de ombros, fazendo todos rirem da situação.
Dessa vez a noite durou bastante, ninguém tinha hora para voltar para casa. Todos conversavam alegremente e de vez em quando iam até a pista para dançar. A garrafa de champanhe ia sendo substituída sempre que uma acabava. Sem perceberem, já tinham bebido umas dez garrafas.
Tom e haviam ficado na mesa conversando e terminando mais uma garrafa, enquanto os outros estavam na pista dançando loucamente.
- É engraçado ver eles dançando. – falava em meio de gargalhadas, o álcool estava fazendo efeito.
- É! Os guris são desengonçados! – Tom também gargalhava.
Continuaram ali, conversando e gargalhando até que pararam de falar e ficaram se olhando. Não repararam quanto tempo ficaram assim, mas não foi pouco. Seria um pouco constrangedor se não estivessem afetados pelo álcool. Então seus rostos começaram a se aproximar sem eles perceberem, até um sentir a respiração do outro muito próxima. Nesse momento, Harry e voltaram da pista e chegaram à mesa conversando e rindo alto, fazendo e Tom se distanciarem rapidamente. Quando se deram conta do que estava acontecendo, se olharam com cara de “Putz! Estragamos tudo!”, mas logo depois começaram a rir. Em seguida os outros riram também, só que um riso tímido.
- Foi mal, cara! – Harry falou um pouco enrolado, sentando-se numa cadeira vazia, sendo seguido de .
- Não foi nada. – Tom falou baixo, mais pra ele do que pra Harry.
- Vocês acabaram com uma garrafa sozinhos? – falou puxando a garrafa do balde, tendo a intenção de se servir um pouco.
- É, acabamos! – riu com o rosto vermelho e os olhos um pouco cerrados, fazendo-os rirem. – Garçom, traz mais uma pra gente, por favor! – pediu apontando para a garrafa vazia para um garçom que passava por ali.

Na pista, Dougie, , e Danny dançavam freneticamente, sem vergonha nenhuma, apesar dos garotos estarem bastante esquisitos dançando daquela forma – o que o álcool não faz com uma pessoa, não é? - e Thiago tinha sumido, provavelmente estava se agarrando com alguma garota.
- Vamos buscar uma bebida pra nós. Querem? – Dougie falou para o outro casal, puxando consigo, sem ao menos perguntar pra ela se ela queria. Mas nessa altura do campeonato ela não se importava com mais nada, era óbvio que ela ia querer mais uma bebida.
- Não, obrigada. – falou fazendo um sinal com a mão.
Logo que os dois saíram a música animada acabou, fazendo e Danny pararem um pouco para respirar e rir, claro, que era o que eles mais faziam. A música que começou agora era mais lenta – sinal de que a festa já estava terminando – e sem muitos rodeios os dois se juntaram e começaram a dançar coladinhos, se mexendo em sincronia com a música. A sensação era ótima, encostou sua cabeça no ombro de Danny e sentiu seu perfume. Ele cheirava bem, apesar de todo aquele suor. Danny, por sua vez, encostou a cabeça na cabeça de e sentiu o perfume dos cabelos, passou a mão por estes e percebeu o quão macios eles eram. , ao sentir o toque dele, fechou os olhos parecendo estar em êxtase. Danny também fechou os olhos, assim parecia apreciar melhor aquele momento. Os casais em volta estavam na mesma sincronia, alguns se beijando e outros só aproveitando a música.

Ao chegar ao bar, procurou se sentar logo num banco vago, precisava muito se sentar. Dougie chegou com dois copões de alguma coisa muito boa, que fez sorrir ao tomar o primeiro gole.
- Gostou? – Dougie perguntou aproximando um banco que estava distante e sentando-se em frente à ela.
- Nossa, muito bom! O que é? – respondeu tomando mais outros goles, agora com mais vontade.
- Melhor ir com calma. – ele riu vendo se atracar no canudinho. – É a especialidade da casa. – sem dar muitas explicações. Ela nem se interessou muito em saber o que era realmente aquilo até entrar na paranóia que aquilo podia ter alguma droga. Dougie poderia ter colocado ali para dopá-la, afinal, o conhecia há pouco tempo.
- Tu colocou alguma coisa aqui? Algum sossega leão? – falou apavorada e rapidamente depois de ter esse pensamento.
- O que eu poderia colocar aí? – Dougie ria alto. – E o que te faz pensar que eu quero te dar um sossega leão?
- Sei lá... Pode fazer muitas coisas comigo dopada. – falou ainda apavorada.
- Eu não ia querer fazer nada contigo inconsciente. Muito pelo contrário, prefiro que tu esteja bem consciente do que quer fazer. – ele falou com cara de sacana, fazendo corar e trocar a expressão de apavorada do rosto por um sorriso tímido.
Ficaram ali parados se olhando por alguns minutos, tomando aquela bebida gostosa até que se levantou rapidamente, se desequilibrando um pouco.
- Bom, vamos lá ver se a e o Danny tão bem sem a gente.
- É, vamos lá. – Dougie pegou o braço de , engatando no seu.
Quando eles chegaram na pista e viram os dois dançando naquele clima, preferiram ficar de longe observando-os sem atrapalhar. Mas não durou muito tempo, Danny avistou eles e logo se afastou de , que se deu conta em seguida e corou.
- Não queríamos atrapalhar o casal. – Dougie falou rindo. Eles não falaram nada, somente seguiram com eles até a mesa, se juntando com os outros.
- Cadê a e o Harry? - perguntou olhando para e Tom que estavam ali sozinhos conversando.
- Não sei, saíram. disse que ia ao banheiro e Harry depois saiu também. – deu de ombros.

Ao sair do banheiro, se deparou com um Harry encostado na parede.
- Estava me esperando? – perguntou.
- Ahn? – Harry parecia acordar de um transe - Ah, é... Preferi sair lá da mesa e deixar o casalzinho sozinho. - riram
- Então vamos? – fez sinal com a mão.
- Vamos... – Harry respondeu mas não se mexeu, nem tinha se mexido. Ficaram ali, mas não pareciam se importar com aquilo.
Harry pegou na mão de e ficou a admirando por um tempo e brincando com seus dedos, fazendo um certo carinho nela. deixou, estava gostando daquilo, apesar de ficar envergonhada com a situação. Então Harry cruzou seus dedos por entre os dela e finalmente olhou em seu rosto.
- Ok, vamos! – e puxou-a, ainda com as mãos dadas.
Chegaram à mesa da mesma maneira que saíram de onde estavam e viram todos reunidos conversando, menos Thiago. Estes, por sua vez, os viram e olharam confusos para suas mãos. As garotas imediatamente olharam para como se perguntassem se tinha rolado alguma coisa.
- E o Thiago? – Harry perguntou desviando a atenção de todos para ele.
- Deve estar se pegando com alguém. – respondeu Danny, rindo.
- Acho que já vamos, né, gurias? – falou em meio de um bocejo.
- É, vamos, mas eu não tenho condições de dirigir. – falou consciente de seu estado alcoólico e de sono.
- Nós levamos vocês. – Dougie falou se levantando e os outros concordaram.
- Mas vocês também não estão em condições de dirigir. – falou.
- E quem disse que nós vamos dirigir? – Tom falou também se levantando. – Vamos todos a pé.
Todos se levantaram e concordaram, mesmo não achando aquilo uma boa idéia. Talvez fosse divertido fazer essa aventura de noite.
- Mas e o Thiago? – perguntou quando já estavam todos na porta.
- Ele dá um jeito depois. - Harry falou com descaso.
Quem via aquele grupo de longe até acharia que eram quatro casais de namorados, estavam caminhando em uma fila de dois em dois e conversando somente com o seu respectivo par. Chegaram em frente ao prédio de e se despediram com uma certa vontade de continuar ali, mas o sono realmente estava batendo e as garotas subiram, deixando os quatro ali parados observando elas entrarem e só foram embora assim que eles tivessem certeza que elas estariam sãs e salvas dentro do hall do prédio.


Capítulo 10

A claridade incomodava , que colocou o travesseiro no rosto para conseguir se desvencilhar daquela sensação horrível. Sua cabeça parecia rodar e aquela luz ajudava ainda mais a latejar, parecia que tinha aqueles macaquinhos de corda batendo no tambor que ele leva nos ombros dentro de sua cabeça. Soltou um gemido que fez , que também estava se irritando com a claridade, acordar por inteiro, porque antes ela estava meio lá meio cá, num cochilo um pouco mais profundo. Ela se levantou e cambaleou um pouco, sua cabeça estava mais pesada que o corpo e foi em direção a janela fechá-la.
- Por quê diabos eu esqueci essa porra de janela aberta? – Disse ela puxando a veneziana e deitando-se na cama novamente, ou melhor, capotando na cama.
Logo depois que elas pegaram no sono novamente um barulho invadiu o sonho delas. Era algo tipo uma britadeira.
- Caralho! Quem é que faz obras em pleno sábado às sete da manhã? – resmungou virando-se para o lado e colocando novamente o travesseiro sobre sua cabeça.
- Nem sete horas são ainda. – também resmungou olhando para o relógio e se levantando. Fechou o vidro da janela, mas não funcionou muito, agora além da britadeira tinha um martelo batendo junto e seu som ecoava por todo o quarto. – Ah, inferno! – se levantou de novo e foi em direção a cozinha, tomar um copo de água, já que tinha acordado mesmo. Passou pela sala e viu que e pareciam estar dormindo com os travesseiros na cabeça como , o barulho devia ter irritado elas também. Quando voltou da cozinha percebeu que o som havia parado.
- Graças a Deus!! - falou levantando os braços em sinal de agradecimento.
- Tava incomodando vocês também, né? – falou com voz rouca.
- Minha cabeça ia explodir a qualquer momento. Vocês iam ver pedacinhos do meu cérebro por todo o canto dessa casa e iam ficar traumatizadas. – tirou o travesseiro do rosto, fazendo as outras rirem do que falara.
Parecia estar tudo maravilhoso. Todas estavam dormindo tranquilamente. Seus sonhos eram tranqüilizantes. Suas cabeças não doíam mais – até elas acordarem de novo, claro. A maravilha toda não durou muito, o barulho do martelo havia voltado. Era só ele, mas era infernal. Aquele barulho constante numa seqüência sem fim era insuportável.
- Porra! Não tem outra hora ou outro dia para trabalhar, não hein? – foi a vez de se levantar e xingar os homens da obra da esquina, que olharam pra ela e ainda tiveram a cara de pau de dar uma assobiada e dar umas cantadas de pedreiros- só podia, pois eles eram pedreiros.
- Se a madame não trabalha sábado, bom pra ela. Nós estamos aqui porque precisamos disso pra sobreviver. – foi a resposta de um deles depois das cantadas.
Isso a fez lembrar que ela trabalhava em uma locadora e, normalmente, locadoras abrem no sábado.
- Puuuutz! Eu tenho que trabalhar! – falou se jogando pra trás e caindo na cama, consequentemente em cima de que tentava dormir apesar do barulho e, agora, de um peso em cima dela.
- Ai, ! Tu pode ser magrinha, mas não é uma pluma, viu? – empurrou a amiga pro outro lado da cama e virou se desvencilhando dela. – Vai te arrumar logo, então. E chama a , é provável que a livraria também abra no sábado.
revirou os olhos e se levantou. Já eram quase nove horas e no sábado os estabelecimentos comerciais abrem às dez. Foi até a sala e chamou .
- , nós temos que trabalhar, vamos lá.
- Cala a boca, ! Hoje é sábado. – nem abriu os olhos para falar com a amiga.
- E a livraria do Seu Oscar não abre sábado? Pelo meu entender qualquer loja abre no sábado. – falou com ar de vitória. Óbvio que ela não ia se ferrar sozinha. só riu de canto e logo recebeu uma travesseirada na cara.
- Fica rindo das desgraças dos outros, é? – se levantou e começou a se arrumar.

As moscas devem ter uma vida muito inútil. Ficar voando numa locadora sábado de manhã só podia ser para seres que não têm nada pra fazer. Se bem que elas vivem só vinte e quatro horas, elas precisam aproveitar o seu tempo de vida. Mas numa locadora vazia? Somente habitada por uma observando as moscas que pousavam no balcão e esfregavam suas patinhas, encostada no balcão segurando sua cabeça e quase dormindo e um Philippe sentando numa cadeira em frente a uma máquina registradora observando o movimento da rua – ou o não-movimento da rua, girando pra cá e pra lá.
já havia voltado do almoço e o movimento continuava o mesmo. As pessoas não sairiam tão cedo para alugar filmes. Novamente observava as moscas que continuavam ali.
- Tedioso, né? – Philippe quebrou o silêncio, fazendo despertar do seu quase sono.
- Nah... Nem tanto – falou no meio de um bocejo.
- Ok, pode falar a verdade. – ele riu da maneira que a garota havia falado.
- É, na verdade ‘tá bem tedioso mesmo. – riram juntos.
Por incrível que pareça, um assuntou iniciou a partir do diálogo besta e o tempo foi passando, as pessoas começaram a habitar aquela locadora que antes parecia um deserto, elas decidiram, finalmente, alugar filmes. Conversaram de tudo um pouco, começando com as moscas dali, passando por clima, por pessoas estranhas que chegavam ali, por política, por culturas e chegando em música. Na música acabaram vendo que tinham gostos bem parecidos e citou McFly.
- Fui num show eles ontem. Nunca tinha ouvido, eles não chegaram no Brasil ainda.
- Ah, tenho ouvido falar bastante deles, mas nunca ouvi direito uma música.
- Recomendo. – ela fez sinal de joinha e logo em seguida olhando para o relógio. – Que horas tu fecha, Philippe?
- Com pressa? – riu da cara de envergonhada de . – É brincadeira. Fecho... – deu uma olhada no relógio – agora!
- Passou rápido. Nem meu almoço foi tão rápido quanto. – riram. – Então, eu posso ir?
- Claro, ‘tá liberada. Eu fico aqui até mais tarde. Normalmente chegam mais clientes à tardinha. – Philippe falou se levantando e organizando as coisas pelo balcão. – E pode me chamar de Phil, acho que uma semana já dá pra dar a liberdade.
- Ok, Phil. – falou já com sua bolsa no ombro, dando ênfase no “Phil” e soltando uma risadinha depois. – Até segunda!
- Até. – ela sentiu que ele a acompanhara com o olhar até entrar na livraria do lado.

Diferente de , o dia de não passou nem um pouco rápido e o almoço foi a melhor parte do seu dia. As duas almoçaram juntas e sem querer dormiram alguns minutos encostadas na mesa do restaurante. Essa foi a melhor parte do dia por ter podido dormir um pouco, pois seus olhos pesavam a todo o instante naquele marasmo que estava a loja. Nem as moscas que habitavam a locadora, fazendo companhia para e Phil, estavam ali para distrair . Seu Oscar, por sua vez, não era a melhor companhia, pois ao contrário dela, não se intimidou e dormiu sentando na sua cadeira na salinha que tinha atrás do balcão.
apareceu na porta da livraria fazendo a amiga acordar do sono de olhos abertos.
- Então, vamos embora? – falou aparentando estar mais feliz do que da última vez que a viu.
- Já estava na hora. – se levantou, pegou sua bolsa e avisou o velhinho que até ela chamar continuava dormindo na salinha. – Nunca achei que seria tão tedioso trabalhar numa livraria. – riu seguida de que riu sem muita vontade.
- Não passou ninguém aqui? – falou quando já estavam na rua caminhando rumo à casa.
- Ah, até que passaram umas pessoas, mas quando se está com sono nada presta.
- Pra mim, depois do almoço, passou bem rápido. As pessoas que estavam dormindo de manhã resolveram alugar alguns filmes e depois eu e o Phil ficamos conversando um monte.
- Uuuui, já ‘tá com essa intimidade toda? Conversando com o Phil – falou debochando da amiga ao falar “Phil”. revirou os olhos e soltou uma risada.

Entraram em casa e viram duas ociosas deitadas no sofá, quase dormindo, vendo um filme e comendo um balde de pipoca.
- Ficaram nessa folga toda o dia inteiro? – perguntou se jogando no meio das duas.
- Nem tanto. Descemos pra passear um pouco com o Bili e a Lady. – respondeu colocando algumas pipocas dentro de sua boca.
- Nossa! Que trabalhão, hein? – debochou, também se jogando no sofá, mesmo não tendo muito espaço pra mais uma.
- Querem? – , sem se mexer muito, mostrou o balde para as amigas, que pegaram um punhado de pipoca. – Só essa pipoca mesmo pra fazer minha dor de cabeça passar. Acho que a mistura de champanhe e especialidade da casa não me fez bem.
- Especialidade da casa? – perguntou confusa.
- É, um troço que o Dougie me ofereceu. Nem sei o que tinha dentro daquele copo. – respondeu em meio de uma risada.
- É bem doida mesmo... Aceitar uma bebida que nem sabe o que é. – falou também rindo.
- Foi bom ontem, né? – levantou sua cabeça que estava apoiada no encosto do sofá e riu maliciosa para as amigas.
- Muito bom! – suspirou lembrando da noite e logo em seguida todas riram e concordaram.
- Ô, , tu nos deve uma explicação daquelas mãos dadas com o Harry. – falou se animando. – Vocês ficaram?
- Ai, gurias... Não foi nada de mais, ele só é um fofo. – respondeu envergonhada puxando uns suspiros debochados das amigas. – A gente não ficou não. Diferente da e do Tom, né, ? – se virou para a amiga mudando a expressão, fazendo as outras ficarem curiosas.
- Ah, a gente tava feliz. – falou rindo – Mas a gente também não ficou. A que tem que explicar essa especialidade da casa que o Dougie deu pra ela.
- Pois é, . Não deve ter sido do nada. – falou maliciosa.
- Não sei se foi do nada ou não, mas a intenção dele foi das melhores, ‘tá? – falou dando a língua. – Acho que a também tem que explicar o climão que tava entre ela e o Danny na pista dançando juntinhos. - As garotas se direcionaram para ela, esperando sua resposta.
- Foi tão lindo! – disse de maneira meiga.
Elas ficaram ali, apertadas no sofá, porém confortáveis, se divertindo lembrando dos acontecimentos da noite anterior. O filme que passava na TV agora estava esquecido, pois a conversa era muito mais atraente.

Já era de madrugada e, apesar do sono, elas não queriam dormir.
- Vamos fazer brigadeiro? – falou animada.
- Vamooos! – responderam as outras também animadas.
- Sorte nossa que eu tenho na despensa varias latas de leite condensado, aqui é uma raridade – falou se levantando para preparar o apreciado doce.
O cheiro começou a tomar conta e as garotas que estavam na sala foram até a cozinha dar uma espiada na panela. Mesmo que seja só pra ver, pois aquele cheiro mandava que elas fizessem alguma coisa.
- Já que não dá pra comer porque não ’tá pronto ainda, ficamos admirando. – disse quase subindo em cima de para olhar aquela iguaria.
- Ai, gurias!! Desçam de cima de mim, daqui a pouco vai ter uma de nós aqui dentro dessa panela. – falou dando tapinhas tentando espantar elas dali e levando a panela até a mesa. - ‘Tá pronto! – e todas comemoraram. Como é possível gostar tanto de um doce tão simples? Pois é, elas gostam e acho difícil achar alguém que não goste.
Comeram aquilo como se fosse a última comida do universo. Quando terminaram estavam praticamente desmaiadas no sofá-cama da sala.
- Acho melhor irmos para o quarto, . – disse sem se mexer.
- É, também acho. – também não se mexeu.
Acabaram que dormiram as quatro apertadinhas naquele sofá. Não estava muito confortável, mas elas não ligavam.




Capítulo 11

Uma música começou a tocar no fundo do sonho. Não sabia de onde ela vinha, só sabia que lhe era familiar. Sim, seu celular! abriu um pouco os olhos e no primeiro instante não entendeu onde estava, depois se deu conta que na noite anterior não conseguira ir pra cama e dormira li mesmo com as amigas. Procurou com a cabeça o celular e o encontrou no balcão da cozinha. Caminhou meio cambaleante até lá.
- Alô? – falou com voz rouca fechando os olhos novamente e se sentando num espaço mínimo do sofá.
- Te acordei? – uma voz masculina falou do outro lado da linha. Ela ficou um tempo em silêncio para raciocinar quem era. – É o Dougie. – a voz falou percebendo que ela não o tinha reconhecido.
- Ah! Oi! – despertou e falou um pouco assustada. – Que horas são? – porem ainda com a voz rouca.
- Dez e meia. – ele respondeu.
- É, me acordou. – ela deu um sorriso, mesmo ele não podendo ver.
- Ah, desculpa... Tu quer que eu te ligue mais tarde?
- Não, não. Agora que já acordou pode falar. – riram.
- É que nós não temos nada pra fazer hoje. Vocês não querem fazer alguma coisa?
- Tipo...?
- Ah, sei lá... Ir num parque? Dá pra levar a Lady, o Flea e o Bili também. – Dougie falou animado.
- Por mim tudo bem, um programinha light. Vou falar com as gurias. – também se animou.
- A gente passa aí ao meio dia, pode ser? Daí podemos fazer um piquenique. Estamos levando refri, cerveja e salgadinhos.
- Ok, então. A gente leva mais outras coisas. E que saudáveis vocês, hein? – soltou uma risada, sendo seguida de Dougie. Aquela risada era boa de ouvir. – Só uma coisa... Como tu conseguiu meu número?
- Ah, o Thiago que me deu. Ele só tinha o teu, daí depois a gente se troca os outros.
- Thiago fofoqueiro. – ela falou em meio de uma risada. – Brincadeira, adorei o convite. Estaremos prontas ao meio dia. Beijo
- Beijo.
Ao desligar o telefone as amigas já estavam sentadas na cama esperando que ela falasse alguma coisa.
- E aí?? Quem era? – não agüentou o silêncio.
- Era o Dougie. – sorriu.
- Uiuiuiuuuui. – as amigas debocharam.
- O que ele queria? – perguntou.
- Eles nos convidaram pra ir num parque levar o Bili e a Lady e fazer um piquenique. – respondeu se levantando animada.
- Oba! Então vamos nos arrumar. – seguiu a amiga.
Em pouco tempo já estavam prontas. Estavam separando algumas comidas para levarem. Pegaram bolachas, brownies e fizeram sanduíches de presunto e queijo. Cortaram os sanduíches em cubinhos e colocaram num pote, em outro colocaram os brownies e tudo isso numa bolsa grande. Essa história de cestinha de piquenique é só em conto de fadas mesmo. Separaram também uma toalha grande quadriculada – isso não é só em conto de fadas- tinha uma bem bonita vermelha e branca. Até que a campainha tocou. Ao abrir a porta, deu de cara com um Dougie, um Harry, um Tom e um Danny arrumados e cheirosos e um Flea sentado ao lado de Dougie.
- Bom dia! – Danny falou já entrando na casa.
- Tudo bem, podem ficar à vontade. – debochou e os outros garotos riram e seguiram Danny, cumprimentando todo mundo.
- Na verdade, já estamos prontas, podemos ir. – falou colocando a bolsa no ombro.
- Ah, agora que eu me sentei? – Dougie disse já acomodado junto com Harry no sofá enquanto seu cachorro deitava no tapete, Danny olhava pela sacada e Tom, tímido, ficava parado logo após a porta esperando as garotas.
- Mas que folgados. Vamos, vamos lá. Levantem e vão saindo. – botou ordem na casa, fazendo todos rirem.
foi até a área de serviço e pegou as guias dos cachorros, que saíram da sala onde estavam confraternizando com o amigo novo, que não era tão novo assim, para pular em volta dela.
Chegaram a um parque grande, cheio de árvores e pessoas sem criatividade fazendo o mesmo que eles: piquenique. Arrumaram uma toalha no chão e colocaram todas as comidas organizadinhas em cima. As bebidas ficaram num isopor ao lado da toalha. Os garotos não se intimidaram e começaram a comer logo que já estava tudo pronto. As garotas, depois de ver aqueles trogloditas comendo como se fosse acabar a comida do mundo, também não se intimidaram. Enquanto comiam conversavam alguma coisa, o papo estava bom demais, mas não conseguiam parar de comer, principalmente os meninos.
- Não sei como vocês conseguem ser magros. – falou meio apavorada com a maneira que eles comiam.
- É que hoje nós acordamos com fome. – Harry respondeu com a boca cheia fazendo todos rirem.
Chegou um momento que a comida terminou. E todos se deitaram na grama.
- Credo! To me sentindo uma gorda. Só comi porcaria. – falou passando a mão na barriga.
- Deixa de ser fresca. Vai dizer que não gostaram. – Danny levantou um pouco a cabeça para ver as respostas.
- Eu adorei! Por mim, vivia disso. – falou olhando para Tom que estava do seu lado.
- Eu gostei, mas que não é nada saudável, não é. – Tom retribuiu o olhar de .
- ‘Tá bom, ‘tá bom. Chega desse assunto. Engordamos e antecedemos nossa morte, mas ‘tava ótimo! – falou colocando seu casaco embolado embaixo de sua cabeça como travesseiro. – Dia agradável hoje, né? – mudou de assunto.
- Muito, não tinha dia melhor para nosso piquenique. – concordou, fazendo o mesmo com o seu casaco. Por volta do meio dia o clima era mais quente, o sol batia mais forte e eles não precisavam dos casacos.
Estavam quase dormindo quando Harry levantou de supetão e falou alto.
- Vamos alugar essas bicicletas duplas?? – ele parecia bem entusiasmado.
- Vamos!! – parecia mais entusiasmada que ele.
- E onde deixamos os cachorros, gênio? – Dougie falou olhando para estes que estavam bem belos deitados pegando um sol.
- Vocês ficam com eles, eu e a vamos. – Harry riu debochando dos amigos.
- Nós vamos também. – falou Tom puxando pra ir com ele.
- Quem disse que eu quero? – falou com tom de preguiça. Tom só olhou com cara de pedinte e ela não agüentou. – Ok, ok, eu vou com vocês.
E lá se foram os quatro, cada dupla numa bicicleta. No começo não se deram muito bem, desequilibravam quase caiam e começavam tudo de novo. Até que pegaram o jeito. Enquanto isso Danny, Dougie, e riam só de observar a cena dos quatro desajeitados.
- Ah, queria ir também. Acho tão divertidas essas bicicletas – disse se deitando novamente.
- Outra hora a gente vai. – Dougie falou se aproximando dela.
Do outro lado, Danny e conversavam entre si, bem próximos também. Passou alguns minutos e os quatro haviam pegado no sono. Aquele cochilo parecia lhes fazer muito bem, o sol era agradável, o vento batia de vez em quando e os pássaros cantavam nas árvores. Parecia cena de conto de fadas, só faltava a princesa começar a cantar com os pássaros e a cesta de piquenique ali presente, claro. De repente, uma coisa gelada e molhada atacou e Dougie em seus rostos, que acordaram assustados. Eram seus cães queridos.
- Acho que eles combinaram isso. – Dougie falou se referindo a atitude dos cachorros e sentando-se.
- Devem estar querendo passear. - também se sentou.
- Então vamos. – Dougie levantou completamente e puxou , pegando as guias deles.
- E eles? – apontou para e Danny que dormiam juntos com Bili entre eles.
- Deixa eles aí, parecem estar super bem assim. – Dougie falou em meio de um sorriso.
Começaram a caminhar pelo parque e conversar coisas aleatórias que aconteciam em volta deles. Aquele dia estava agradável demais mesmo. Perfeito para passear, ainda mais em ótima companhia. e Dougie já estavam caminhando há quase meia hora e o físico deles não ajudava muito.
- ‘Tô precisando me exercitar mais. – disse sentando num banco vago próximo de onde estavam antes.
- Exercícios longe de mim. - Dougie riu puxando uma risada de . – Esses gordos também precisam se acostumar com caminhadas. – falou olhando para os cachorros que estavam atirados no grama arfando.
- Precisam de água, pobrezinhos. Se eu achasse um pote pra colocar água pra eles... – falou olhando em volta para ver se achava um.
- Esse serve? – Dougie pegou um que estava ao seu lado no chão, parecia aqueles de sorvete só que um pouco menor.
- Perfeito! Agora é só encher ali no bebedor. – falou pegando o pote e caminhando alguns passos para frente, onde se encontrava o bebedor. Dougie, sentado, observava a garota encher aquele pote com uma certa concentração. Não era necessária tanta concentração para encher um pote de água, mas ela ficava bastante bonita dessa maneira. Ela podia se concentrar sempre, pra fazer qualquer coisa, só para ele poder admirá-la. Quando terminou, se voltou para o garoto e ao perceber que ele a observava intensamente, ficou sem jeito, o que fez ele perceber a intensidade de que olhava para ela e também ficar sem jeito. Ela sentou sem falar nada e colocou o pote à disposição dos cães, que bebiam desesperadamente aquela água sagrada. Ficaram um tempo em silêncio observando-os.
- E quando a água terminar, o que vai ser deles? – Dougie falou um assunto qualquer para quebrar o silêncio.
- Vão morrer, com certeza. – respondeu rindo, porém ainda sem graça. Os dois ficaram se encarando por um tempo, deixando o clima mais pesado que antes, mas pareciam não conseguir desviar os olhares. Seus rostos começaram a se aproximar devagar, a mão de Dougie pousou na nuca de enquanto a outra ele usava para se apoiar no banco. Ele afastou uma mecha do cabelo dela de seu rosto e parou para poder vê-la mais de perto. Ela sorriu envergonhada. Quando começaram a se aproximar mais, sentiram dois ursos babões pular em cima deles, molhando-os. Sim, eram de novo seus cães queridos.
- Ah, Lady que legal! Me babou toda a roupa!- ria junto de Dougie, tentando limpar aquela baba nojenta em seu braço e se desvencilhar dos dois monstros desengonçados de cima deles. Quando conseguiram, decidiram voltar para onde estava formado o piquenique.

Finalmente conseguiram pegar o jeito daquela bicicleta diferente. Os quatro estavam sincronizados, cada dupla em sua bicicleta. Harry e iam à frente de Tom e .
- Vamos ultrapassar eles? – Tom olhou com cara meio safada pra trás encontrando , que olhava da mesma maneira para ele, concordando com o ato. Nem pensaram duas vezes e começara a pedalar mais rápido.
- Uhuu, passamos você-ês! – falou para Harry e mostrando a língua e rindo ao mesmo tempo enquanto Tom também ria, mas olhava para frente concentrado para não bater em nada. Continuaram pedalando mais rápido para adquirir certa distância deles. Não demorou muito apareceram os dois de novo.
- Ah é? É corrida então?? – Harry falou em tom de disputa. só balançou a cabeça concordando com ele e olhando para os dois com a mesma cara de safada que o Tom fez para minutos atrás. Eles tinham mais pique, fato. Aos poucos, Tom e foram ficando para trás.
- Droga, o Harry sempre ganha nessas disputas. – disse Tom cansado diminuindo o ritmo do pedalar.
- Harry é um atleta! E a ainda consegue acompanhar o ritmo dele! Dois atletas. – riu, também cansada. Resolveram parar um pouco para tomar uma água e descansar.
Acharam um quiosque ali perto e sentaram a uma mesa vazia. A água não demorou muito a chegar e estava bem gelada. Mataram a sede e ficaram batendo papo, mesmo quando a água já havia terminado.
- Sabe... – Tom falou olhando para , mas hesitou continuar.
- Sabe o que?- perguntou esperando que ele continuasse.
- Sei lá. – respondeu desviando o olhar para sua mão que estava em cima da mesa mexendo com os dedos nervoso.
- Ah, não, Tom! Agora continua, vai.
- Ah, não sei... – o olhou com repreensão. – ‘Tá bom, eu falo. – falou com medo do que ela poderia fazer com ele depois daquele olhar - É que eu acho que a gente tinha que terminar o que começamos naquela festa. – finalmente conseguiu dizer.
- E o que a gente começou? – ela se fez de desentendida.
- Não te lembra?
- Não... – agora fez cara de pensativa. – Acho que tu precisa refrescar minha memória. – os dois se olharam profundamente e sorriram.
- Ok, então. Refrescarei. – Tom falou puxando delicadamente o rosto da garota próximo do seu e selaram os lábios, logo após o beijo se intensificou. Quando se afastaram, se olharam de maneira carinhosa e ele acariciou seus cabelos.
- Putz! Temos que devolver a bicicleta! – falou assustada, assustando Tom também e se levantando para pagar as águas.
- Eu pago. – Tom disse impedindo que a garota continuasse. – Ajeita a bicicleta pra gente lá. - Foi o que fez. Voltaram pedalando rápido para não precisar pagar mais uma hora inutilmente. Chegaram cinco minutos depois do combinado, mas o cara das bicicletas era legal e deixou que eles pagassem só uma hora.

olhava para trás, mas não via mais Tom e . Eles tinham adquirido bastante distância mesmo.
- Nossa, nem vejo mais eles!
- É que nós somos bem melhores que eles. – Harry falou se achando. Estavam no mesmo ritmo ainda, não haviam cansado, por incrível que pareça.
- Harry, vamos pedalar mais rápido? Ver até onde a gente consegue? - falou animada.
- Nem precisa pedir. – ele começou a acelerar e ela o acompanhava.
-Olha, eu não enxergo nada na nossa frente... – ela falou um pouco preocupada.
- ‘Tá com Harry, ‘tá com Deus. , nem te preocupa, eu vejo tudinho! - ao falar isso fechou os olhos rapidamente para sentir o vento no rosto. Foi só abrir que viu uma senhora passeando com um cachorro minúsculo – alguma coisa parecida com chiuaua – bem na sua frente. – ! Pára de pedalar e freia, rápido!! – falou desesperado. Não tinha pra onde desviar, só se saísse da ciclovia.
- Oi? – falou bem calma sem ouvir direito o que ele disse. – É pra pedalar mais? – assim que disse isso começou a pedalar mais. – Assim ‘tá bom? É o meu máximo, não consigo mais.
- Não, ! É pra parar! PÁRA!! – ao falar isso, eles já estavam próximos demais da senhora, que só agora ela se deu conta da situação de perigo em que estava e Harry colocou um pé no chão para ajudar a frear. A bicicleta derrapou um tanto quanto desengonçada, pois ela era bem grande e parou bem na frente da senhora e uma voou pra frente, mais além ainda de onde estavam. – Nossa, !! Tu ‘tá bem? Te machucou??
- Ai, Harry! – deu uma gemida estirada no chão. – Podia ter me avisado, né? ‘Quem ‘tá com Harry, ‘tá com Deus’ – imitou o garoto com voz chata e colocou uma de suas mãos num cotovelo.
- Mas eu avisei!! Tu que não me ouviu. – Harry falou com cara triste. – ‘Tá bem? Deixa eu ver teu cotovelo. – pegou o braço da garota delicadamente e assoprou para tirar a areia que tinha em cima do machucado. – Esfolou, tem que fazer um curativo.
- Meu Deus! Vocês são loucos? Dois irresponsáveis andando dessa maneira! – a senhora falou chegando perto deles – Se machucaram? – mudando o tom de voz ficando mais preocupada.
- Acho que ralei meu joelho também. – falou tentando puxar a calça jeans para ver se tinha realmente esfolado, porém. sem sucesso. A calça parava na batata da perna e não subia mais.
- Desculpa, senhora... Nós estávamos distraídos. Mas vamos ficar bem, obrigado. – Harry falou para a senhora ao mesmo tempo em que ajudava a se levantar. – Vamos achar um bebedor para lavar esses machucados.
- Tem que pegar a bicicleta também.
- Deixa ela ai, depois os carinhas vêm buscar. – ele falou sério, estava preocupado com o que tinha acontecido. Não caminharam muito e acharam um bebedor. Ele delicadamente limpou o cotovelo dela.
- Não faz isso, vai sujar tua camiseta! – o impediu de secar o machucado com sua camisa. – ‘Tá sangrando...
- Não faz mal, depois é só lavar. – seguiu o cuidado com ela. Parecia bem compenetrado no que fazia. estava achando aquilo fofo demais e ficou olhando com uma cara meiga para ele. Quando Harry terminou olhou pra ela, que tinha um sorriso bobo no rosto. Logo depois ela corou e sorriu timidamente pra ele. – ‘Tá melhor agora?
- Depois desse cuidado todo, não podia estar melhor. – ela respondeu ainda olhando para ele e sorrindo. Após alguns segundos, caíram na gargalhada só de lembrar da cena dos dois idiotas não se entendendo e depois da voando. – Foi bem engraçado... Imagina quem viu isso de longe? Se eu tivesse visto alguém fazer isso ia me mijar de rir. – e continuaram rindo.
- Ainda bem que já está tudo bem. – Harry falou abraçando a garota, que no primeiro instante estranhou porque não esperava, mas depois retribuiu o abraço. Ficaram um tempo ali, abraçados ao lado do bebedor, ‘tava tão bom que não queriam se desgrudar.
- Brigada. – agradeceu se afastando um pouco para poder olhar para ele, que sorriu como se respondesse ‘não tem de quê’. Então decidiram que era melhor voltar, já havia se passado bastante tempo. Seguiram caminhando abraçados e mancando um pouco.

Deitados embaixo de um sol super agradável, com uma brisa correndo sempre, juntos e cochilando. Não tinha como estar melhor. abriu um pouco seus olhos e viu, bem próximo de seu rosto, um Danny dormindo tão bonitinho. Ficou admirando cada traço seu. Quando ele fez menção de que ia acordar, ela rapidamente fechou os olhos para fingir que estava dormindo. Logo depois fingiu acordar como se nada do que tinha acontecido minutos antes realmente aconteceu e viu que ele a olhava com ternura. Sorriu para ele.
- Boa tarde! - ele disse fazendo carinho em seu rosto.
- Boa tarde! - ela respondeu rindo. - 'Tava boa a soneca?
- Ótima! Ainda mais aqui do teu lado. - ao falar isso, puxou pela cintura para ficar mais próximo dele e expulsando um Bili incomodado por ter atrapalhado seu sono.
- Outch! Essa grama pinica. - falou ao ser arrastada para desviar um pouco o olhar profundo dele nela, mas pelo visto não adiantou. Ele nem deu bola para o que ela tinha falado. Ficaram um tempo naquela posição, até se sentir a vontade e encostar sua cabeça no peito de Danny. Danny, por sua vez, adorou a iniciativa dela e começou a fazer cafuné em sua cabeça, bagunçando um pouco seu cabelo. - Isso me lembra aquela festa... – ela falou com os olhos fechados, apreciando o carinho do garoto.
- É... E ‘tá tão bom quanto. – ele respondeu também de olhos fechados.
- Putz, acho que a gente sempre chega em má hora, . – e Danny abriram os olhos e deram de cara com um Dougie e uma de mãos dadas e seus dois cachorros ao lado de seus respectivos donos e logo depois um Bili indo confraternizar com eles.
- Isso também me lembra a festa. – Danny falou e todos riram e dessa vez nem se deram o trabalho de se separar, continuaram abraçados.- Sentem aí. – nem precisou falar, os dois já estavam se sentando mesmo.
- Ó, trouxemos um pouco de água pro Bili. – falou colocando o pote perto do cachorro. – Os outros não apareceram ainda?
- O Tom e a tão vindo ali. – apontou para trás de e Dougie, que se viraram para vê-los. – E pelo jeito bem animados. – ela fez cara de maliciosa e todos riram.
- Tão rindo de quê? – falou sorrindo, acompanhando todos sem nem saber do que era e se sentando e Tom fez o mesmo.
- Nada, nada... – Dougie falou ainda rindo.
- Ah, agora a gente quer saber. – Tom falou indignado colocando a mão na cintura.
- Não é nada demais. – disse parando de rir. Fazendo Tom e emburrarem. – Mas a e o Harry sempre chegam depois, hein? – mudando de assunto.
Não demorou muito eles apareceram, caminhando abraçados e ainda mancando.
- É só falar que eles aparecem, parece transmissão de pensamento. – Danny falou olhando para a mesma direção que Tom e apareceram.
- , o que aconteceu?? – levantou e foi até a amiga ao ver que ela mancava.
- Só um tombinho. – ela respondeu.
- Um tombinho?? – Harry olhou para ela com cara de quem não acreditava no que ela tinha dito. – Foi um tombão, isso sim. Ela voou da bicicleta. – foi só falar isso que todos caíram na gargalhada.
- Ei, não ri!! Machucou, tá? – falou com cara de triste e mostrou o cotovelo.
- Ai, parece ter machucado mesmo... – falou como se ela sentisse a dor. – Mas é que só de imaginar a cena dá vontade de rir.
- Eu sei, e foi engraçado mesmo. – mudou sua expressão e começou a rir também, junto de Harry, que estava se agüentando para não rir antes.
- Tá ficando friozinho, né? – falou pegando seu casaco para colocá-lo.
O tempo ia passando e papo ia fluindo cada vez mais. Nunca foi tão agradável passar o domingo fazendo piquenique. Agora todos já estavam de casaco, pois o sol estava indo embora.
- Tá realmente ficando frio. – disse já de casaco, mas ainda sentindo frio. – melhor a gente ir pra casa.
- É mesmo, depois fica escuro e sabe-se lá o que acontece nesse parque de noite. – Tom concordou.
Arrumaram tudo nas mochilas e foram até os carros. Harry, Danny e Dougie foram em direção ao carro de Danny; , e foram em direção ao carro de ; e Tom ficaram pra trás.
- Eu quero uma despedida mais legal. – Tom disse puxando para perto, a abraçando pela cintura e colocando os braços dela no seu pescoço.
- Mais legal como? – ela perguntou já aproximando do rosto dele. – Assim? – e lhe deu um selinho.
- Não. – ele se afastou. – Assim. – e a beijou de maneira mais intensa, fazendo suas línguas se encontrarem. Logo depois foram ao encontro dos outros que estavam ansiosos pelo sumiço deles.
- Pô, demoraram, hein? – Danny falou encostado na porta do lado do motorista, que estava aberta.
- E ainda fazem a gente esperar... – estava na mesma posição só que no carro estacionado atrás do de Danny. – Vamos logo, . – os dois só riram e se despediram com um selinho, fazendo todos se olharem um pouco espantados e rindo ao mesmo tempo e se separaram para ir para seu respectivo carro.
No carro de era um tititi só, todas querendo saber de o que tinha acontecido, mesmo isso sendo óbvio. Foram pra casa só comentando o fato. E não foi diferente no carro dos garotos, só que o tititi era mais masculino.



Capítulo 12

A semana ia passando e a rotina não mudava. Aliás, se encontrar Dougie e Flea num passeio matinal era rotina, tinha mudado sim. Já era quarta-feira e não tinha mais os visto. Na semana passada achou que era por causa do show, que estavam ensaiando ou alguma coisa do tipo. Mas ele continuou não indo. E aquilo realmente a angustiava, sempre esperava vê-lo, mas ele não aparecia mais.
O dia de trabalho de quarta-feira havia acabado. Estavam as quatro em casa preparando um jantar bonitinho. e estavam preparando a comida, enquanto e arrumavam a mesa, até porque não eram grandes chefs na cozinha, preferiam fazer aquilo mesmo, era mais fácil. Logo estavam todas na mesa comendo uma massa bem gostosa e tomando um vinho caro – vinhos caros sempre são bons e como elas não entendem nada de vinho resolveram comprar o caro. Claro que caro na medida do bolso delas.
- Gurias, vocês viram alguma coisa na faculdade sobre a transferência antes de vir pra cá? – perguntou.
- Olha, tava sendo encaminhado a última vez que eu vi. – respondeu.
- É, disseram que iriam informar qualquer coisa. – completou.
- Mas mudando de assunto... E o Tom, ? Não falou mais com ele? – falou curiosa.
- Ah, ele me ligou ontem. – falou sorrindo envergonhada. – Ele ‘tava até dizendo pra fazermos alguma coisa na sexta ou no sábado.
- A gente é tu e ele ou todos nós? – perguntou esperando que fossem todos para ver uma desculpa para ver Dougie.
- Eu entendi que seríamos nós todos. – fez cara de maliciosa. – É o que vocês querem, né? – as outras não responderam, mas pelas suas feições dava para ver que era isso mesmo que queriam.
- Sabe, vou falar. – começou. – ‘To super angustiada que não vejo mais o Dougie de manhã. Eu acho que to gostando dele. – terminou um pouco tímida.
- Aaai, que linda! – falou com cara meiga.
- Vou ter que confessar que também to gostando do Harry, apesar de ele ter me jogado longe da bicicleta. – todas riram.
- É, eu entendo tua angústia... Também quero ver o Danny. – também confessou.
- Aliás, queria ver todos, eles são tão divertidos. É tão boa a companhia deles. – falou sorrindo. – Mas a que ‘tá realizada com aquele Tom de uma covinha só.
- Ai, eu to. – confessou. – Ele é tão querido! – sorriu com os olhos fechados, lembrando de algo bom. O que poderia ser, hã?
O jantar acabou e elas decidiram se arrumar para dormir. Estavam cansadas e precisariam estar inteiras para trabalhar no outro dia.

A quinta-feira amanheceu bonita, com passarinhos cantando e um sol aconchegante, parecia mais primavera do que outono, mas as folhas secas no chão não enganavam. acordou primeiro e decidiu sair com Bili, junto com e Lady. Então foi acordá-la logo, para fazer o passeio matinal.
- ! – entrou no quarto calmamente. – Vou contigo levar o Bili no passeio matinal.
- Uhum. – resmungou .
- Vamos, . O dia ‘tá tão bonito!
- Já vou.
- Vai lá, . – falou empurrando a amiga, se lembrando daquele sábado que ela teve que ir trabalhar enquanto a outra ficava dormindo bem feliz.
- Ai, ‘tá bom, ‘tá bom. Vamos lá. Mas to indo mais porque a Lady precisa desse passeio. Nem pensem que é porque vocês tão me mandando. – mostrou a língua para elas que riram.
- E porque tu precisa ver se encontra um certo Dougie também. – continuou rindo.
- Já perdi as esperanças de ver ele lá. Aquele folgado deve estar dormindo até tarde. Vida de músico...
As duas estavam conversando animadas junto com seus cachorros. Até pareciam aquelas tias que saem para passear com seus cachorrinhos, só para encontrar outras tias e bater papo.
- , acho que te dou sorte. – falou olhando para um ponto fixo.
- Ãhn? Por que? – não estava entendendo nada, mas foi só olhar para o ponto em que ela olhava para entender. – Obrigada pela tua sorte, ! – lá estava um certo Dougie e um certo Flea parados. Dougie parecia esperar alguém. Estava olhando para o laguinho, possivelmente para os peixes que tinham lá e Flea ao seu lado, sentado observando o movimento. Ele estava tão bonito, com uma calça jeans e um moletom azul da Hurley. Era o normal dele, mas o normal dele é tão bonito. Elas estavam paradas o admirando, mas ele deve ter sentido que estava sendo observado e se virou para elas. Elas abanaram. Com uma expressão de surpresa e felicidade, ele foi se aproximando.
- Bom dia, gurias! – ele cumprimentou elas como se tivesse acordado com o melhor dos humores.
- Nossa, que bom humor! – falou. – Andava sumido, hein?
- Sentiu minha falta? – Dougie falou se achando, o que deixou a garota tímida.
- Sentiu, sim, né, ? – completou com a timidez da garota, que queria enterrar a cabeça num buraco.
- É senti. – falou baixinho com a cabeça baixa, fazendo carinho em Flea, que estava agitado, para disfarçar. – e a também sentiu do Danny. – levantou a cabeça e olhou para retrucando.
- Ah, acabei de deixar o Danny na casa dele, ele dormiu lá em casa. Se soubesse que a estaria aqui, não deixava ele ir pra casa. – Dougie deu uma pausa. – Até porque, ele não iria querer ir pra casa se soubesse. – um silêncio reinou ali onde estavam. – Mas como eu tinha certeza que a estaria aqui, eu vim.
- Então tu também sentiu minha falta. – foi a vez de se achar.
- É, também senti. – respondeu colocando as mãos no bolso, se mostrando um pouco tímido também.
- Podia vir antes então.
- É, mas eu tenho uma certa dificuldade em acordar cedo. – ele falou meio sem jeito, coçando a cabeça com uma das mãos deixando a outra no bolso e elas riram. – E também porque é complicado vir pra cá.
- Mas tu não mora por aqui? – perguntou confusa.
- Na verdade, não é tão perto não. – elas ficaram mais confusas ainda. – A primeira vez que eu vim ‘tava na casa de uma tia que mora naquele prédio. – apontou para um prédio do lado oposto do parque. – Como eu tava viajando, deixei o Flea lá com ela e naquele dia fui buscar ele.
- E por que continuou vindo depois? – perguntou querendo muito saber a resposta.
- Ah, sei lá... Gostei daqui, de passear com o Flea pela manhã... – deu uma pausa e abaixou um pouco a cabeça, pois não ouviu o que tanto queria. – E também porque eu queria ver mais vezes a pessoa que conheci aqui. – sorriu. Sim, era isso que ela queria ouvir.
- Ahn... Legal. – ela ficou sem palavras. – Bom, acho que ‘tá na hora da gente ir trabalhar, né, ?
- É, acho que ‘tá. – respondeu.
E as duas seguiram até o prédio ali perto e Dougie e Flea continuaram parados ali as observando. Elas entraram em casa e e ainda estavam lá. se atirou no sofá suspirando.
- Iiih, o que aconteceu com ela? – perguntou para já imaginando que se relacionava com Dougie.
- Deve ter encontrado o dito cujo. – falou da cozinha.
- É, encontramos ele lá. E ele falou algumas coisas queridas pra ela. – terminou de falar e se virou para sorrindo.
- Ganhei meu dia hoje. – Ela falou suspirando de novo. – E a também! O Dougie disse que se o Danny soubesse que ela estaria lá comigo iria junto com ele pra lá. – concordou sorrindo com jeito meigo.
- Ai, que lindos!! Queria ver o Tom também. – falou com ciúmes.
- É, mas o dia não acabou ainda. Temos que trabalhar, vamos lá. – Falou dando tapinhas de leve na amiga, que já estava de pé, para ela ir andando. – E aproveita pra ir de carro e nos dar uma carona. – terminou de falar e as outras já estavam concordando com um sorrisão no rosto.
- ‘Tá, vamos lá, suas preguiçosas. – falou pegando sua bolsa e a chave do carro.

chegou cedo na livraria. Ir de carro adiantava bastante. Não fazia cinco minutos que Seu Oscar tinha chegado, quase chegaram juntos até. Como sempre, o senhor foi simpático e paternal com ela. Ela ajudou a terminar de abrir a loja e começou a organizar os livros e revistas nas prateleiras. Pegou os jornais do dia e, antes de organizá-los na sua prateleira, leu os cabeçalhos das notícias da capa.
- Hum... Nada de interessante – falou sozinha e continuou a arrumação, se agachando para pôr nas prateleiras mais baixas.
- Falando sozinha? – Rupert, o outro vendedor contratado pelo Seu Oscar, chegou de surpresa, fazendo se assustar.
- É, tava vendo se tinha alguma coisa interessante nesses jornais. – respondeu sorrindo e olhando para cima, para encontrar o olhar do colega.
Ela se levantou e, com a ajuda dele, terminou a arrumação, não precisando mais do trabalho de Seu Oscar, que foi para sua salinha arrumar alguma coisa sobre as finanças. A manhã foi passando e a loja estava bastante movimentada.
- Será que o Jasper não vem hoje? – Rupert comentou com ao mesmo tempo que passava algumas revistas de um cliente na máquina registradora.
- Pois é, não apareceu até agora... A ajuda dele seria uma mão na roda agora. – falou logo depois de indicar a um cliente um livro que ele havia pedido. – A livraria ‘tá super cheia.
- E as entregas, como vão ficar? É ele que faz e sem ele vai ficar complicado.
- ! – Seu Oscar chamou-a de sua sala com o telefone na mão. – Venha aqui, por favor.
- Vai lá, eu ajudo o cliente. – Rupert falou compreensivo.
- Com licença. – foi entrando na sala. – O que o senhor deseja?
- O Jasper não chegou ainda? – ele perguntou com o olhar preocupado.
- Nem sinal dele.
- Então vou ter que te pedir para fazer o trabalho dele, pelo menos nesse pedido.
- E o que seria?
- Um cliente antigo da loja está precisando que seja entregue o jornal The Sun e alguns livros na casa dele. Ele disse que precisa logo e não pode sair de casa, parece que está atulhado de serviço. É aqui perto, então pensei que tu poderias ir até ali fazer a entrega.
- Claro, posso ir. Mas e o Rupert? Vai ficar sozinho atendendo os clientes?
- Não, não... Eu vou ali ajudá-lo. Aqui está o pedido, o endereço e o nome do rapaz. – ele entregou um papel para ela.
saiu da loja um pouco desengonçada, tentando ver o papel que seu chefe tinha dado e ao mesmo tempo segurar o jornal com os livros, que não eram poucos, ainda por cima deviam ter umas 400 páginas cada um. Não era muito longe dali mesmo, mas com aquele peso não estava muito legal caminhar. Com a moto do Jasper seria muito mais fácil.
- O Jasper invés de ajudar, não... Resolveu ficar dormindo em casa e me deixar fazendo o trabalho dele. – bufou sozinha, entrando no prédio de número escrito no papel. Parou na portaria para largar a encomenda e ver o número do apartamento.
- Qual o apartamento, senhorita? – um porteiro surgiu do nada de trás de uma folhagem. Devia estar colocando água nela, pois estava com um pote vazio na mão.
- 702. É uma encomenda para o senhor... – olhou de novo para o papel, para confirmar o nome - Edward Bass. – ela respondeu e colocou o papel no bolso e pegando novamente a encomenda. Nesse mesmo instante, o porteiro interfonou para o apartamento e falou o que ela tinha dito e logo que colocou o interfone no gancho deu autorização para que ela subisse, indicando os elevadores.
Chegou em frente ao apartamento e a porta estava entreaberta. Olhou para cima procurando o número. 702, era esse mesmo. Bateu na porta e deu uma espiada para ver se poderia entrar.
- Pode entrar, ‘tá aberta. – uma voz surgiu de lá de dentro.
- Que ‘tá aberta eu já vi. – falou baixinho como se fosse óbvio o que ele tinha dito. – Com licença. Edward Bass? – entrou de vez e sorriu, mas a pessoa nem se deu o trabalho de se virar. Um rapaz estava de costas para ela, digitando alguma coisa no computador, com uma garrafa térmica e uma caneca do lado. Devia ser de café. Ficou parada esperando que ele se virasse, mas ele parecia nem se lembrar que a mandou entrar. – Onde eu deixo a encomenda?
- Ah, sim! Desculpa, tinha me esquecido que tu estava aqui – sim, ele realmente se esqueceu. Finalmente se levantou e virou para ela. Estava em sua frente um cara de estatura normal, mas perto de ficava bem alto, vestido de qualquer jeito, com uma regata branca por baixo de um casaco quadriculado meio cinza e uma calça jeans velha, – ele possivelmente estava com roupa de ficar em casa – tinha o cabelo liso e escuro, um pouco bagunçado, e a barba rala por fazer. Era visível que ele estava atulhado de trabalho. Era bastante bonito e charmoso, mesmo daquele jeito meio mendigo, tinha os olhos castanhos e sobrancelhas marcantes. – Pode deixar em cima dessa mesa. – apontou para uma mesa atrás do sofá, que era mais pra decoração do que pra colocar alguma coisa em cima.
- Ok. – respondeu colocando o jornal e os livros em cima da mesa que ele indicou, mas não se mexeu mais. O garoto era bonito demais para desviar o olhar dele.
- Quer um café? – Ele perguntou pegando a térmica e vendo que ela não se mexia.
- Ah não precisa, obrigada... – percebeu que não tinha mais nada para fazer ali, mas não queria ir embora. – Não quero atrapalhar.
- Não atrapalha. Aceita um café que vai me ajudar, isso sim. To precisando desgrudar um pouco desse computador. - ele falou com sinceridade, queria a companhia dela. Ela sorriu e aceitou. - Não é teu trabalho entregar as encomendas da livraria, né? – ele tentou puxar assunto.
- Não... É do Jasper, só que ele não apareceu hoje e Seu Oscar me pediu para fazer o serviço dele. – ‘que não foi sacrifício nenhum’ concluiu em seu pensamento.
- Vou ter que agradecer ao Jasper da próxima vez. Muito melhor ser interrompido por ti do que por aquele cara retardado que nem sabe o que ‘tá entregando. – eles riram após Edward falar isso, mas sentiu uma segunda intenção na fala dele. Claro que ela nem se importou.
- Também não me importei de fazer o trabalho do Jasper... – Edward olhou para ela malicioso. – Para mudar um pouco meu ambiente de trabalho, é legal isso. – ela falou para disfarçar o que tinha dito antes.
- Então, o café ‘tá bom?
- ‘Tá, sim! – sorriu, mas não conseguiu disfarçar que não tinha gostado.
- Pode falar a verdade. ‘Tá ruim mesmo, ‘tá frio já. – ele fez cara de nojo.
- É, não ‘tá dos melhores. – riram juntos. – Bom, eu tenho que voltar pra livraria antes que Seu Oscar me despeça antes de eu ganhar meu primeiro salário.
- Ah, tu é nova lá então? – ela concordou. – Por isso não te conhecia. Se quiser ficar mais tempo, eu não me importo.
- Eu gostaria, mas não posso mesmo. Não vou arriscar meu emprego.
- Ok, ok. ‘Tá certa, não dá pra arriscar.
- Então ‘tá... Tchau, Edward! Até mais! – foi saindo, mas Edward a impediu.
- Mas eu nem sei teu nome ainda.
- , prazer. – sorriu e estendeu a mão.
- Prazer, . Até mais! – ele a acompanhou até a porta e a fechou logo que ela saiu.
voltou para a loja pensando completamente diferente de quando estava indo para o prédio de Edward. “Graças a Deus o Jasper faltou hoje!”, rindo sozinha. Chegou na loja e parecia trabalhar com o melhor dos ânimos. Logo depois do almoço Jasper resolveu aparecer.
- Ô, cara. Pra que fazer isso? A teve que fazer uma entrega porque tu não apareceu mais cedo. Cadê a tua responsabilidade? – Rupert falou dando uma lição de moral no garoto.
- Ah, tive alguns problemas... – começou a falar algumas desculpas, mas logo o interrompeu.
- Não tem problema, Jasper. Não foi sacrifício nenhum fazer teu trabalho. – sorriu e os dois garotos não entenderam nada, mas por Jasper ficou tudo bem. Logo em seguida seu celular tocou e na tela mostrava o nome de Danny. Um certo peso na consciência bateu nela, se sentiu culpada por estar se sentindo daquele jeito por Edward enquanto tinha um Danny maravilhoso do outro lado. Mesmo que eles não tivessem nada, ela se sentiu assim.
- Oi! – ela disse com a voz baixa.
- Hey! ‘To atrapalhando? – Danny percebeu sua voz.
- É que eu to no meio do meu expediente de trabalho, mas pode falar.
- Não, é que eu só queria te dar um oi. O Dougie me disse que encontrou tu e a hoje de manhã e eu fiquei com inveja dele. – soltou uma risada moderada. E se sentiu mais culpada ainda. Aquele garoto querido ligando só pra dar oi! ‘Ai, que fofo!’, pensou.
- Ah, pois é, nos encontramos. – riu também.
- Então ‘tá... Nos vemos fim de semana?
- Claro! – já estava mais animada.
- Ok, não quero te atrapalhar, depois nos falamos melhor. Beijo.
- Beijo.



Capítulo 13

O horário de ir embora já estava se aproximando, mas nem percebeu, tamanha era sua concentração no serviço. Era papel pra cá, telefone tocando pra lá, computador com quinhentas janelas abertas. Não podia dizer que era super organizada, mas estava se saindo super bem. Robert já a elogiou várias vezes e dizia que não saberia o que fazer sem ela ali.
- Senhorita ? – uma voz masculina vindo do telefone por viva voz a desconcentrou do trabalho.
- Sim, senhor Windsor? – apertou o botãozinho para falar com o chefe.
- Ah, a senhorita ainda está aqui? – ele respondeu surpreendido.
- Sim, estou. O senhor deseja alguma coisa?
- Ah, seu horário já acabou. Mas já que ainda está ai, desejo sim. Se não for pedir demais, poderia ir até o décimo sexto andar e comprar um expresso para mim? Lá tem uma lanchonete pequena.
- Tudo bem. Vou lá agora mesmo. – se levantou e foi direto para frente dos elevadores, apertando o botão para chamá-lo, esperando que um desses chegasse logo. Não passou nem um minuto e o da esquerda já estava ali. Ele sempre chegava antes. Era raro pegar o da direita. Fez uma pequena viagem de elevador. Claro, metade do que seria se ela pegasse desde o térreo. Logo que a porta abriu não viu nada, só uma parede azul. Saiu e olhou para direita: viu os banheiros masculino e feminino. Depois olhou para a esquerda: ali estava ela. As portas de vidro permitiam mostrar o que tinha lá dentro. Algumas poucas mesas espalhadas, uma televisão pendurada na parede para quem estivesse sentado pudesse vê-la e, à esquerda da porta, um balcão com alguns bancos altos. Não dava pra ver além disso, só entrando mesmo para saber o que mais tinha lá dentro. Logo que entrou se sentou em um dos bancos, agora dava para ver o que tinha para trás do balcão: uma máquina registradora no canto, salgados e doces expostos naquelas ‘vitrines’ que mantém a temperatura adequada para o alimento e mais para trás uma máquina de café, ao lado de uma portinha que devia dar para a cozinha.
- O que deseja? – uma moça a fez tirar seus olhos de onde estavam para se direcionar a ela.
- Por favor, um expresso. – respondeu se acomodando melhor no banco.
- Certo! Um minuto. – e a moça loira com sorriso bonito e um sinal marcante a cima da boca se virou para aprontar o café. Chamou-lhe atenção as covinhas que a moça tinha nas bochechas, davam um toque de fofo na mulher bonita e que poderia ser titulada sexy, usava uma maquiagem forte nos olhos. – É para levar? – ela se voltou para , que afirmou com a cabeça. Para esperar, decidiu ver um pouco de televisão, mas, ao se virar, viu o que tinha mais para o fundo da lanchonete. Era uma janela gigante toda envidraçada que dava para a frente do prédio. Não resistiu e foi até lá ver.
- Nossa, é alto aqui. – falou sozinha, impressionada. As pessoas pareciam formiguinhas lá em baixo, caminhando feito loucas. Riu consigo mesma. A vista era bem bonita. Aquele era um dos prédios mais altos da redondeza, então podia ver mais além da rua. Via um parque cheio de árvores, uma rua com apartamentos baixos residenciais e dava pra ver também uma torre de uma igreja. Começou a observar as pessoas lá embaixo. Parou em um que tinha algo familiar, não sabia o que era, mas devia conhecer aquela pessoa. Era difícil reconhecer qualquer pessoa lá de cima, mas dava para ver o jeito dela e a cor da roupa que vestia. Era um garoto, estava parado, encostado num poste em frente à entrada do prédio, vestia um casaco meio camisa – um pouco indecifrável – xadrez azul, cinza e marrom, era o que dava para ver. Continuou observando-o, até que finalmente descobriu quem era. – Harry! – falou mais alto em tom de ‘descobri o mundo’ – Mas o que ele ‘tá fazendo aqui?
- O café, moça. – a atendente a chamou e ela foi até lá ainda besta de ter visto Harry lá de cima. – É bonita a vista, né? – concordou com a cabeça sorrindo ainda embasbacada. – Viu alguém interessante? – a moça riu.
- É, vi um amigo lá em baixo. – sorriu também. – Obrigada. Coloca no nome de Robert Windsor.
- De nada. – pegou o copo de isopor. – Você é a nova secretária do senhor Windsor?
- Sim, eu mesma.
- Ah, prazer em conhecê-la, . Eu sou Rosalie. – estendeu a mão para um aperto. – Venha mais vezes aqui, gostei de ti.
- Vou vir mesmo. Descobri hoje essa lanchonete e já adorei. – sorriu. – Tchau, Rosalie, tenho que ir, senão levo um xingão do chefe. - A moça apenas sorriu.
Chegou na sala de Robert e bateu já entrando.
- Com licença. Seu expresso.
- Ah, obrigada, . – ele sorriu simpático para ela. – Já pode ir embora. Já peguei muito do seu tempo hoje.
- O que é isso, senhor Windsor. Gosto do meu trabalho. – não quis se mostrar cansada. – Mas vou aceitar sua ordem. – riu. - Até amanhã!
- Até, senhorita! – ele levantou a mão no ar em sinal de abano e sorriu.
se arrumou correndo e desceu até a entrada. Dentro do elevador se deu uma olhada pelo espelho e uma arrumadinha no cabelo, afinal, era o Harry que estava lá a esperando. Saiu do elevador como se não soubesse de nada e passou pela porta automática calma e bela. Harry a viu e atravessou a rua meio correndo.
- Hey, ! – ele se aproximou sorrindo.
- Oi, Harry! O que tu ‘tá fazendo por aqui? Passeando? – se fez de desentendida.
- ‘Tava te esperando sair. – coçou a cabeça. - Por sinal, demorou, hein?
- É, tinha um monte de serviço hoje.
- E ai? Como ‘tá o cotovelo e o joelho? – falou com ar de preocupação.
- Ah, ‘tá tudo bem. Passei anti-séptico e fiz um curativo bem bonito. Agora nem dói mais.
- E pra quê um curativo bonito se ninguém vai ver?
- Ai, Harry, é maneira de dizer! – fez cara de ‘dã-ã’.
- Ah bom. – sorriu sem graça, fazendo rir dele. – Bom, quer companhia pra ir pra casa?
- Claro, seria agradabilíssimo! – riram. Seguiram caminhando e conversando até o metrô.
- Vamos descer nessa estação, é uma antes da que eu desço normalmente. – falou já se levantando.
- Mas por quê? – Harry perguntou não entendendo muito bem. – Quer caminhar mais?
- É que aqui a gente pode passar na locadora que a trabalha e na livraria que a trabalha.
- Aaah, ok! – sorriu e seguiu . Desceram do metrô e subiram as escadas que davam para a rua. Logo que chegaram lá em cima bateu um vento frio e se encolheu.
- Nossa, cada dia que passa fica mais frio. E ainda nem chegamos no inverno... Acho que vai ser congelante.
- Vai te acostumando, esse é nosso outono. – Harry riu. – Tu ‘tá com frio?
- Um pouquinho. – ela respondeu ainda encolhida com os braços cruzados. Ao falar isso, Harry a abraçou na tentativa de esquentá-la. Ela parecia estar nas nuvens, aquele garoto alto, lindo, cheiroso e querido andando do seu lado abraçado nela. Ela encaixava diretinho em seus braços.

estava colocando em uma prateleira filmes que tinham recém sido devolvidos quando uma cliente chegou na loja. Philippe estava lá para dentro, então ela mesmo o atendeu.
- Precisa de uma sugestão? – chegou até a moça que tinha cara de confusa.
- Preciso. Estou em dúvida entre dois filmes, mas tenho que levar só um. Se pudesse levava os dois. – deu uma risadinha.
- E quais são? Posso te dizer qual é o melhor. Daí outro dia tu vem aqui e pega o outro.
- “Orgulho e Preconceito” e “Em Busca da Terra do Nunca”. – a moça que regulava de idade com a olhou com desespero. – Qual é o melhor?
- Ai, meu Deus! – também a olhou com desespero. – Os dois são tão lindos! – e elas riram juntas. – Assim ó, se tu quer chorar leva “Em Busca da Terra do Nunca”, é linda a história, só que têm partes tristes, mas se tu quer te apaixonar leva “Orgulho e Preconceito”, nesse tu te apaixona pelo Mr. Darcy. – sorriu, mas logo depois viu que não ajudou muito.
- Difícil... – a moça olhou para as capas pensando por alguns segundos. – Vou levar esse! Pronto! – e apontou para a capa de “Orgulho e Preconceito” – semana que vem venho buscar o outro.
- Boa escolha! Bem, eu diria boa escolha para qualquer um dos dois. – sorriu e a levou até o caixa. – Já é cadastrada?
- Ainda não. É a primeira vez que venho aqui. Trouxe até o comprovante de residência.
- Ok, vamos começar então. – ela começou a escrever algumas coisa no computador e fazer umas perguntas para a moça. Ao terminar, colocou o DVD em uma sacola e entregou junto com a nota fiscal para a cliente.
- Obrigada!
- Eu que agradeço! Volte sempre! – ao falar isso, viu um Tom encostado no batente da porta a observando. – Nossa, tu ‘tá há muito tempo aí?
- Nem sei, ‘tava tão bom te observar que nem vi o tempo passar. – se aproximou e fez sorrir. – E então, já ‘tá na tua hora de ir embora, não? – ela olhou para o relógio e concordou.
- É, ‘tá mesmo! Vou falar com o Phil. – se virou até a porta que dava lá para dentro e falou um pouco mais alto. – Phil, eu já vou indo, ok?
- Tudo bem, já ‘tá na hora mesmo. – falou aparecendo na loja e vendo Tom ali de seu lado. – Oi! – falou só para ser educado para Tom, que também não simpatizou muito e só levantou a mão como um abano e sorriu fraco. – Até amanhã, então.
- Até! – se virou e pegou a mão de Tom para irem para fora, enquanto Phil ficava para trás, sentado no banco atrás do balcão.
- Não gostei dele. – Tom falou baixinho para ele não ouvir.
- Por que? Ele é tão simpático.
- Por isso mesmo. Achei muito sem limites. – falou meio emburrado.
- Ai, Tom, que bobagem. Vem, vamos embora. – puxou-o para fora da loja. Então ele a puxou para um abraço e a olhou sorrindo, passou a mão por seus cabelos e a beijou.

Harry e estavam quase chegando quando avistaram um casal de mãos dadas saindo da locadora “The Best Movies”. Já na rua, o garoto puxou a garota pelo braço para um abraço e a beijou.
- Que lindos. – comentou sorrindo. À medida que se aproximavam, começaram a ver que conheciam o casal. – São o Tom e a !
- Nossa, o Tom ‘tá todo apaixonadinho. – Harry comentou um pouco surpreso também. – Hey, casal! – falou quando estavam bem próximos e eles nem tinham percebido.
- Heeey! – Tom falou depois de desgrudar de .
- Oi, caras! – sorriu maliciosa para , que também sorriu maliciosa ao ver Harry abraçado nela.
- Bom, vamos juntos pra casa então? – falou abraçando Tom pela cintura e aconchegando sua cabeça no ombro dele.
- Vamos, né? Fazer o que? Já que a gente encontrou essas malas aí no meio do caminho. – Harry falou brincando. E os quatro seguiram até a livraria de , que já estava se aprontando para sair. Foram os cinco para casa e, para não ficar chato para , os casais se separaram. Chegaram em frente ao prédio, olharam para cima e depois para a vaga de estacionamento de .
- A não chegou ainda... Estranho. – comentou vendo as janelas fechadas e a vaga vazia.
- É estranho mesmo, ela ‘tá de carro, devia chegar antes da gente. Mas ela deve estar chegando. – falou formando uma rodinha entre eles.
- Então... Estão entregues. – Harry falou.
- Ah! Sábado nós vamos fazer uma festinha para poucos lá em casa. Estão convidadas. – Tom deu uma piscadinha e um joinha. – Falem pra também. – logo que terminou, um carro começou a se aproximar e entrar na vaga de . Era ela mesmo chegando. Desceu do carro e cumprimentou todo mundo.
- Heey! Estão aqui. – ela falou feliz. – Me atrasei lá no serviço.
- É, viemos deixar tuas amigas em casa. – Harry falou.
- Ninguém foi me buscar... – falou fingindo triste, depois deu uma risada, seguida dos outros.
- , estávamos falando pra gurias que vai ter uma festinha lá em casa sábado. Vocês vão, né? – Tom falou esperando a resposta.
- Sim, sim... A comentou com a gente que tu queria fazer alguma coisa no fim de semana. – respondeu.
- Ok, nos vemos lá então. – Harry falou e todos se despediram.
Mais tarde estavam as quatro capotadas em casa, felizes por seus dias.



Capítulo 14
A música ficava cada vez mais alta. O carro onde as garotas estavam se aproximava da casa cujo endereço foi dado por Tom, o dono da tal casa. A festa parecia animada. Elas estacionaram bem em frente a casa. Estranho era que não tinha mais carros estacionados na rua, só um na garagem, que devia ser do Tom. A casa era grande e de cor clara. Bem bonita. Tocaram a campainha e esperavam que alguém ouvisse e fosse atendê-las. Por incrível que pareça, alguém ouviu e foi rapidamente abrir.
- Heeey! – Tom abriu a porta já bem feliz. Deviam ter começado a beber já.
- Oi, Tooom! – falou na mesma animação e foi entrando dando um abraço no amigo. E foi seguida por e . ficou para trás esperando que elas passassem para cumprimentar mais direitinho o garoto.
- Ué, mas ‘tão só vocês aqui? – perguntou confusa ao ver Harry, Danny e Dougie no sofá bebendo.
- Não, tem eu também. – Thiago apareceu numa porta que parecia ser do banheiro. – E daqui a pouco chega Katey, eu fiz eles convidarem.
- Oi, Thiago! – foi abraçar o primo. – ‘Tava ficando com saudade já... Nem nos vimos direito essa semana. – logo depois foi cumprimentar os outros garotos.
- O Tom e o Harry disseram que ia ser uma festa pra poucos, mas não imaginava que era pra tão poucos. – riu chegando na sala com Tom.
- É que não é bem uma festa. É uma reuniãozinha. – Dougie deu uma pausa. – Só pros mais legais. – sorriu e teve a impressão de que tinha segundas intenções em seu sorriso.
- Ok. Vamos nos divertir, então! – disse pegando algumas cervejas para si e para as amigas.
A diversão estava a toda. A música era boa, a conversa também e a companhia nem se fala. Não demorou muito Katey já estava enturmada, dançando e conversando com todo mundo. Era uma peguete qualquer do Thiago, mas parecia boa gente.
- Não tem nada pra comer aqui, hein? – Danny falou esfregando a barriga.
- Ah, cara, só vendo lá na despensa. – Tom respondeu sem vontade de satisfazer a vontade do amigo.
- Vou dar uma olhada, também ‘tô com fome. – falou e foi para a cozinha.
- Vou contigo. – seguiu a amiga.
- Legal, o Tom não tem nada de bom aqui na despensa. – falou fechando as portas do armário embaixo da pia e colocando uma mão na cintura. – Vê se tem alguma coisa aí na geladeira. – falou pra .
- Bingo! Tem nuggets no congelador. Quatro caixinhas – falou feliz mostrando as caixas.
- Então será isso que nós vamos comer. – fez um sinal de joinha, pegando algumas formas do armário e arrumando os nuggets nelas e depois colocando no forno, que por sinal era bem grande e cabia tudo dentro. Ficaram um tempo conversando e tomando alguma coisa enquanto esperavam ficar prontos. – Cara, preciso ir ao banheiro. Muita cerveja dá nisso, né? – e deu uma risada.
- ‘Tá, mas e os nuggets?
- Cuida enquanto eu ‘tô lá.
- Mas ... Eu não sei cuidar.
- Ai, ! Eu não agüento mais. Preciso ir. Quando eles ficarem dourados e crocantes é porque ‘tá pronto. – saiu rapidamente da cozinha, deixando uma confusa e com medo, parada em frente ao forno. Danny por coincidência estava olhando para a cozinha no momento em que saiu correndo e teve a genial idéia de ir pra lá. Se só estavam ela e na cozinha, logicamente estava sozinha agora. Levantou do sofá sorrindo e foi até lá. Harry, que estava ao seu lado percebeu a malicia e cutucou para dividir com ela a descoberta. Os dois só riram.
- Sozinha? – Danny entrou na cozinha assustando , que não desgrudava os olhos do forno cuidando os nuggets. – Achei que a ‘tava aqui contigo. – fingiu não estar ali por causa dela e foi pegar uma cerveja na geladeira.
- Ela foi ao banheiro e me deixou na difícil missão de cuidar disso aqui.
- Eba! Comida? – Ele falou rindo retardadamente. – E eu posso te fazer companhia enquanto ela não vem?
- Claro, seria ótimo... Mas só se tu me der uma cerveja também. – ela falou sorrindo. Ele sorriu também e pegou mais uma na geladeira.
- Ok, eu faço esse favor pra ti. Toma. – estendeu a mão com a long neck, oferecendo-a.
- Brigada. – sorriu meigamente, mas quando foi pegar a garrafa Danny levou a mão para trás, não deixando pegá-la. Ela sorriu e tentou novamente, mas ele foi pra trás impedindo de novo ela de pegar a garrafa. – Legal, Danny. Agora me dá essa garrafa!
- Vem pegar. – sorriu abobado oferecendo de novo a ela, que tentou ser mais rápida, mas não conseguiu. Quando perceberam estavam correndo de um lado a outro da cozinha, rindo feito abobados. não conseguia ser mais rápida que Danny, sempre quando ele parava e fingia que ia dar realmente a garrafa, ela tentava, mas não conseguia pegar. O que deixava com mais ‘raiva’ e determinação de pegar aquela maldita garrafa das mãos de Danny. Já era o orgulho batendo nela. – ‘Tá, tudo bem... eu te dou ó. – parou e estendeu a mão.
- E tu acha que eu vou cair de novo? Tu não vai me dar. – ela respondeu cruzando os braços.
- Ok, se tu não quer eu bebo, então. – fez menção de levar a garrafa à boa e se grudou na garrafa rapidamente.
- Há! Consegui! – falou ela, mas ainda não tinha conseguido tirá-la das mãos dele, somente agarrá-la.
- Tem certeza que conseguiu? – ele ficou olhando para ela e aproveitou que ela estava praticamente empoleirada em seu braço e puxou-a para um beijo. Largou as garrafas que tinha na mão – a sua e a que ela tentava pegar – na mesa em que ele se encostava para poder abraçá-la melhor. Ela passou suas mãos no pescoço dele, permitindo o beijo que ele começara. Ele a abraçou forte pela cintura, não deixando muito espaço entre eles, ou melhor, nenhum espaço entre eles.
- ! Os nuggets!! – gritou sem nem perceber o que estava acontecendo e foi direto desligar o forno. – Ah, droga! – falou olhando para os nuggets escurinhos. – Mas acho que está comível até. – falou mais calma, cutucanto eles e finalmente olhou para o casal e percebeu o que tinha acontecido, pois eles estavam abraçados ainda, só que olhando para ela um pouco apavorados. – Ops, desculpa. – sorriu sem graça. – Vou levar eles lá pra sala, se vocês quiserem é só ir até lá. – mostrou as formas com os nuggets e se dirigiu até a sala.
Chegou até a sala e o clima continuava o mesmo, todos bebendo e conversando animados.
- Por que sou sempre eu que interrompo o Danny e a ? – falou ainda sem graça do que tinha acontecido, colocando as formas com os nuggets na mesinha que tinha em frente aos sofás e logo se sentou em um deles, ao lado de Dougie.
- Interromper o que? – perguntou curiosa.
- Isso mesmo que vocês estão pensando. – riu após colocar um nuggets na boca. – Eles ‘tão se pegando lá na cozinha.
- Uuuh. Mas essa gente é rápida. – Harry comentou comendo um nuggets também. Logo depois eles chegaram de mãos dadas para se juntar a comilança.
- Tive que vir comer, né? Fui eu que pedi. – Danny soltou uma risada e se sentou no chão perto da mesinha e ao lado dele.
- Acho bom, né? Quase deixaram queimar os pobrezinhos, agora têm que comer. – falou fingindo estar braba, mas logo riu. As formas ficaram vazias em menos de cinco minutos. Dez pessoas, sendo cinco gulosos – ênfase na letra ‘o’ que denomina o gênero - não poderiam durar muito tempo mesmo.
- Acho que vamos deixar vocês continuarem a conversa, porque temos que terminar uma coisa que começamos lá na cozinha, né, ? – Danny falou se levantando e dando a mão a ela para que se levantasse também, que aceitou, mas seu rosto ficou mais vermelho que um pimentão. Os outros só olharam maliciosos para Danny que riu balançando a cabeça afirmativamente. Seguiram para o quintal da casa.
- A noite ‘tá bem bonita hoje, né? – falou tentando puxar um assunto e se sentando numa cadeira de PVC para tomar sol que tinha em volta da piscina.
- É, ‘tá mesmo. Mas acho que tu tá mais bonita ainda que a noite. – Danny falou se sentando na mesma cadeira dela, a deixando um pouco sem graça, mas é óbvio que amou o elogio. foi um pouco para o lado, deixando espaço para ele se sentar, que não perdeu tempo e já foi abraçando-a e começando um beijo devagar, porém intenso. Ficaram ali, curtindo o momento, fazendo carinho um no outro e se beijando entre um carinho e outro. Mais tarde já estavam deitados na cadeira, abraçados olhando para o céu e falando qualquer coisa sobre estrelas. Ficaram um bom tempo ali, sozinhos, sem interrupções conseguindo fazer o que tanto desejavam há um tempo.

Capítulo 15

Na sala estavam só Harry, , Dougie e . Thiago e Katey tinham subido para algum quarto fazer sabe-se lá o que – ‘tá, a gente sabe o que eles foram fazer - e Tom e foram para a salinha da televisão que era quase junto da sala que os outros estavam, era dividida por uma parede com uma grande abertura imitando uma porta, mas sem a porta, só para terem mais privacidade. Ao passar do tempo e das garrafas de cerveja, a conversa começou a se separar. Harry e conversavam sobre uma coisa em um sofá e e Dougie sobre outra no outro sofá.
- Pois é, naquela música que vocês tocaram no final eu vi a cara de vocês... Achei que tinha alguma coisa errada. – falou em tom de descoberta e rindo.
- É, erramos umas notas e nos olhamos, mas as pessoas que ouvem nem percebem. – Dougie também ria. Era visível a alteração que estavam após muitas garrafas de cerveja. A geladeira já estava quase vazia. – Ahn... , acho que estamos atrapalhando alguma coisa. – ele falou apontando com a cabeça e fazendo uma cara engraçada para Harry e que conversavam baixinho e bem próximos.
- Iiih, sobramos. – falou um pouco mais alto para que eles ouvissem, mas não adiantou muito.
- Vamos lá pra fora, deixar os pombinhos sozinhos aí. – Dougie levantou e puxou pela mão, que ao se levantar sentiu uma certa tontura. Quando chegaram no quintal, viram Danny e abraçados e se beijando numa espreguiçadeira a borda da piscina.
- Tudo bem, podem continuar. Não quero interromper mais uma vez. – falou antes que eles percebessem a presença dela e de Dougie ali. – Vamos pra lá. – e apontou para o fundo do quintal, onde tinha uma churrasqueira e algumas mesas e cadeiras. Quando eles viram nem deram bola dessa vez, apenas riram e concordaram.
falava alguma coisa sobre a cidade enquanto Harry a ouvia atentamente, ou parecia ouvir. Ele parecia compenetrado na conversa. Viram Dougie e saírem dali e falarem alguma coisa, mas não estavam com vontade de saber o que era, com certeza nada de importante.
- Mas quando eu vi aquela vista lá de cima do prédio que eu trabalho, me encantei mais ainda com aqui. Sério, muito lindo! – falou empolgada, esperando alguma resposta dele. – Não acha?
- É... – Harry respondeu sem responder, parecia que nem tinha prestado atenção no que ela tinha falado.
- Tu nem ouviu o que eu falei, né, Harry? – falou cruzando os braços.
- Pra falar a verdade, não mesmo. – Ele falou voltando ao normal.
- Chato! Me deixou falando sozinha que nem uma pateta. – fez beiço.
- Mas é porque eu tava prestando atenção em uma coisa bem melhor. – ele sorriu, mas ela continuou com beiço.
- E o que era mais interessante que minha conversa super legal?
- Quer saber mesmo? – ao falar isso ele se aproximou e colocou uma mão no rosto dela, afastando seu cabelo. Ela afirmou com a cabeça. – Você. – ela sorriu, desfazendo o beiço e ele ainda ficou um tempo olhando para ela até se aproximar mais, vagarosamente, e selar seus lábios.
- A desculpa foi meio podre, mas eu gostei da iniciativa. – falou após se separarem e riu.
- Ah, dei o máximo do meu lado sedutor. – ele falou debochado levantando uma sobrancelha e riram, depois se beijaram novamente.

Na salinha da TV, e Tom já estavam deitados no sofá, se beijando, abraçados. Ás vezes paravam para conversar alguma coisa, mas estavam mais a fim de se curtir mesmo.
- Tom, que filmes tu tem aí? – falou olhando para o rack que tinha alguns DVDs na prateleira abaixo do aparelho de DVD.
- Ah, alguns. – ele respondeu já sabendo que ele que teria que pegar os DVDs para ela ver.
- Vamos ver um? – ela falou animada.
- Mas a essa hora, ?
- E o que tem? Nós não estamos numa festa? Festas vão até tarde. – ela riu da desculpa idiota que deu. Mas ele concordou e foi pegar alguns para ela escolher. – Hum... “De Volta Para o Futuro”, “Tartarugas Ninjas”... – ela foi lendo enquanto ia passando as capas. – Não tem nada de bom?
- E isso não é bom? – Tom falou ofendido.
- Ai, Tom... Só tem ficção e ação aqui. Nenhum romance, drama, suspense.
- Mas meus filmes são super bons, ´tá? Não preciso dessas coisas frescas aí. – continuou ofendido.
- Óóóun, ‘tá bom, são bons. Põe “Tartarugas Ninjas” então. – ela falou dando para ele colocar no aparelho. O filme começou a rodar, mas quem estava mais animado era Tom, que antes não estava muito a fim de ver filme. já estava com os olhos pesados. Claro que no meio do filme ela já estava dormindo. Ele não agüentou muito também e se rendeu ao sono. Dormiram ali no sofá mesmo, abraçados.

estava com a cabeça encostada na mesa, falando devagar. O sono estava batendo, mas Dougie parecia não ter percebido, continuou falando alguma coisa que nem ela mais estava entendendo. Ele conseguia se interromper e mudar de assunto a cada minuto. Conseguiu parar de falar quando viu e Danny se levantarem e irem para dentro de casa, logo que eles entraram ele foi comentar alguma coisa com , mas quando a viu, ela estava com os olhos quase fechados.
- , tu ‘tá com sono? – ele perguntou se abaixando para falar mais próximo dela, passando a mão em seus cabelos.
- Não, imagina... Pode continuar. – ela respondeu sem nem perceber o que estava falando.
- Tudo bem, . ‘Tá na cara que tu ‘tá com sono, vamos lá pra dentro. O Tom tem vários quartos, tu pode ficar num. – ele pegou sua mão e ela se levantou, com muito sacrifício, e foram lá para dentro. Quando entraram, viram no sofá da sala e Harry dormindo abraçados, no sofá da sala da TV Tom e . Dougie olhou para TV e viu o fim do filme e reclamou.
- Poxa, viram “Tartarugas Ninjas” e nem me chamaram. – fez cara de emburrado, mas Tom e nem se mexeram e já estava quase dormindo em pé ao seu lado. – Ok, vamos lá pra cima. Senão tu dorme aqui mesmo.
- É bom, é bom... – ela respondia meio dormindo. Entraram no primeiro quarto e estavam Thiago e Katey dormindo cobertos por um edredom, nem queriam saber se debaixo daquele edredom eles estavam com roupa ou não. No segundo, e Danny dormiam de qualquer jeito, a impressão é que eles chegaram ali e se atiraram, pegando no sono do jeito que caíram. Só restou o terceiro.
- , só tem mais esse quarto, tu te importa que eu durma aqui contigo? Posso dormir no chão se tu quiser.
- Uhum. – ela resmungou alguma coisa que parecia uma negação, ela não se importava e então se atirou na cama e finalmente conseguiu pegar no sono profundo. Dougie queria que aquilo fosse uma negação e se não fosse, ela não iria perceber que ele estaria ali. Deitou-se ao seu lado e dormiu também.



Capítulo 16

acordou com um braço em volta de sua cintura, ficou com medo de virar para trás e ver quem era que estava ali com aquele braço intrometido. Apesar do medo, resolveu se virar e viu um Dougie super fofo, dormindo como uma criança. Deu vontade de apertar, mas preferiu só admirar. Com o movimento que ela fez para se virar, Dougie despertou. Quando finalmente abriu os olhos e viu o olhando. sorriu meigamente.
- Bom dia! – ele falou com a voz rouca.
- Bom dia. – ela respondeu sem muito animo, pois ainda estava querendo saber o que tinha acontecido. – Olha, eu bebi ontem, mas não foi a ponto de não lembrar dos meus atos... – ela falou tentando fazer com que ele explicasse aquela situação.
- Ah, vai dizer que não lembra da nossa noite. – Dougie fingiu ofendido e ficou um pouco apavorada. – Não, ‘to brincando. – ele riu. – Tu só tava com sono e capotou na cama, e como todos os quartos e sofás estavam ocupados, eu vim dormir aqui contigo. E tu concordou, nem vem.
- Ah, me lembro de ver todo mundo agarrado nos sofás e camas, e lembro de tu falar alguma coisa quando eu me deitei, mas não consegui ouvir o que era. – ela falou com cara de que estava se lembrando. – Nossa, preciso de um banho... Será que o Tom deixa eu tomar banho aqui?
- Claro que deixa. A gente sempre toma quando dorme aqui. Tem toalhas reservas ali no armário. – ele falou apontando para o armário que tinha na frente da cama. – Só deixa eu escovar meus dentes antes de tu entrar pro banho. O Tom também tem escovas reservas – fez sinal de joinha e entrou no banheiro. - Vou descer pra ver se tem alguma coisa pra comer, pra te deixar tomar banho em paz. – falou quando saiu do banheiro.
- Ok. – ela falou se levantando e pegando uma toalha. Entrou no banheiro e ouviu a porta do quarto sendo fechada, então nem se deu ao trabalho de fechar completamente a porta do banheiro. Tomou um banho rápido, se vestiu no banheiro mesmo com as mesmas roupas e tirou a toalha enrolada da cabeça para secar os cabelos.
- Tu fica muito sexy tomando banho. – Dougie falou sentado na cama em direção de onde saía .
- O que? Tu me viu tomando banho?? – ela falou apavorada e muito vermelha. – Mas que tarado! – atirou a toalha no rosto dele.
- Caalma, . É brincadeira. – ele falou rindo, fazendo-a ficar mais vermelha ainda. - Acabei de chegar no quarto, vim te chamar pra comer alguma coisa. ‘Tá todo mundo acordado te esperando.
- Acho bom. – ela falou emburrada e sentando ao seu lado.
- Ah, vai. Não fica assim. Foi só uma brincadeira. – ele falou tentando fazê-la tirar a cara amarrada.
- ‘Tá, tudo bem. ‘Tá desculpado. – ela falou tentando segurar um sorriso.
- Mas que eu queria ver, queria. – ele falou rindo com jeito sacana e levou mais uma toalhada. – Ai, ! Que braba.
- Queria ver se fosse contigo.
- Eu ia adorar. – fez cara de sacana de novo e ficou olhando para ela. E ela não agüentou, teve que rir. Quando perceberam, já estavam bem próximos um do outro e dessa vez não tinha nenhum cachorro para babar e atrapalhar. Beijaram-se e ficaram ali, sem perceber o tempo passar. Finalmente conseguiram estar sozinhos e ficar com tranqüilidade. Quer dizer, não eram para estar com tranqüilidade, pois tinha gente esperando eles para comer. Claro que o pessoal que estava esperando não ia ficar à mercê deles.
- E aí, hein? Vão demorar muito? – entrou no quarto falando e logo viu o que eles estavam fazendo e deu um sorriso tímido. – É que ‘tá todo mundo esperando por vocês.
- A gente já vai. – falou para a amiga, que concordou e saiu do quarto, fechando a porta novamente. – Ok, melhor a gente ir. ‘Tô com fome.
- É, eu também ‘tô. – riram baixinho e se levantaram para descer. Chegaram lá em baixo e estavam todos sentados à mesa conversando, menos Katey, que já tinha ido embora.
- Bom dia, casal! – Tom falou quando viu eles descendo de mãos dadas e claro que já teria falado o que viu. – Eu fiz o almoço hoje. Apreciem sem moderação.
- Ai, Tom. Quer que a gente engorde? – falou sentando-se no lugar vago e Dougie sentou-se ao seu lado. – Mas se tiver bom eu com certeza vou apreciar sem moderação. – todos riram.
- Pode ter certeza que ‘tá bom. – Tom falou se gabando, ouvindo “uiuiuis” de todos.
Realmente estava bem gostosa a comida que ele fizera. Terminaram e ficaram um tempo em volta da mesa sem tirá-la, conversando. Até que se prontificou e foi levar os pratos e talheres para a pia. Ninguém mais se prontificou e ela parou na porta da cozinha e se virou para eles.
- Ninguém vai me ajudar? – todos se entreolharam e ninguém se afetou.
- A vai. – falou dando um cutucão na amiga que estava ao seu lado.
- Por que eu? – falou surpresa.
- Porque tu é uma amiga querida que gosta de ajudar. – falou, fazendo-a levantar e ajudar . Os garotos não estavam entendendo muito bem o porquê que elas queriam tanto que fosse ajudar . Assim que elas desapareceram na cozinha, e se entreolharam e afirmaram alguma coisa com a cabeça.
- ‘Tá, eu falo. – começou e os garotos já estavam começando a ficar curiosos. – Seguinte, já estamos em outubro e o aniversário da e da tá chegando, elas fazem bem perto uma da outra.
- Ah, legal. – Danny falou animado.
- Calma, não é isso, Danny. – cortou o garoto.
- É, te acalma. – concordou, querendo falar logo antes que as amigas voltassem da cozinha. – E eu e a estávamos confabulando e resolvemos fazer uma festa surpresa pra elas. – ao terminar, abriu um sorrisão e a imitou.
- Eba! Adoro festas surpresas! – Harry falou animado e um pouco mais alto do que deveria.
- Cala a boca, Harry! – deu um chute de leve nas canelas dele por baixo da mesa. – É surpresa, elas não podem saber.
- Ai! ‘Tá, desculpa. – ele falou passando a mão na perna que foi chutada. – E como, quando e onde vai ser?
- Legal, também gosto de festas surpresas. Posso ajudar com qualquer coisa. – Thiago se mostrou à disposição.
- Pois é, é aí que temos um problema e vocês vão nos ajudar. – falou. – Vamos fazer sem ser nessa semana na outra, faremos bolinho, docinho, salgadinho, colocaremos balões e chapéuzinhos de aniversário, tudo bem bonitinho. Maaaas... – deu uma pausa, deixando todos na expectativa. – Precisamos de um lugar para fazer.
- Ah, sem problemas. Pode fazer em qualquer uma de nossas casas. É tudo aqui nessa rua mesmo. Dá até para escolher. – Dougie falou com descaso.
- Pode ser na minha, sem problemas. – Harry falou levantando uma mão. – Tenho que agradar, né? – e deu um sorriso.
- Ah, mas eu também quero agradar a . A minha também ‘tá a disposição. – Danny falou se sentindo injustiçado.
- Uiuiui, tentando conquistar as guriazinhas. – Thiago debochou.
- Aiii... Já vi que vai dar problema. – Tom falou apoiando o cotovelo na mesa e a cabeça em sua mão enquanto Harry e Danny continuavam com a discussão.
- Deixa que eles se entendam. Pelo menos já temos um lugar. – falou encostando a cabeça no ombro de Tom. De repente, as duas voltaram da cozinha e todos pararam de falar, ficando óbvio que tinha alguma coisa a ver com elas, que se olharam confusas.
- Podemos saber o que vocês estavam falando de tão interessante que a gente deve ter atrapalhado porque pararam assim que nos viram? – falou cruzando os braços e voltando a sentar em seu lugar.
- Gostaria de participar da conversa também. – fez o mesmo que a amiga.
- Ah, nada de mais. Só nos assustamos quando vocês apareceram. – Dougie tentou consertar.
- Somos tão feias assim pra assustar vocês? – perguntou ainda querendo saber o que era.
-Nada a ver, . Tu é linda. – Harry falou romântico dando um beijo em sua bochecha e se derreteu toda, esquecendo que queria saber do assunto.
- Mas mesmo que não seja nada demais, quero participar da conversa. – não se deu por vencida.
- Só estávamos falando sobre a festa de ontem, que... – deu uma pausa para pensar em alguma coisa. – o Thiago e a Katey sumiram super cedo. Estávamos tirando com ele. Só isso. – sorriu e respirou aliviada.
- É, estavam tirando com a minha cara. – Thiago tentou reforçar.
- Ahã... sei. – respondeu não muito satisfeita. – ‘Tá, agora vamos todo mundo levantar a bunda dessa cadeira e me ajudar a tirar o resto das coisas da mesa. – como bons paus mandados, todos levantaram e ajudaram, até porque não queriam ver reclamando de novo.
Arrumaram tudo e decidiram ver um filme. Thiago preferiu ir embora.
- Ah, vamos ver Tartarugas Ninjaaaas!! – Dougie implorava.
- Mas esse a gente já viu ontem. – Tom falou puxando o DVD da mão dele.
- É, viram e nem me convidaram. – emburrou e sentou no sofá. – Nem quero mais ver filme agora.
- Óóún, depois eu sou a brabinha, né? – falou se sentando ao lado dele e dando um selinho, fazendo o garoto sorrir.
- Se eu soubesse que nós iríamos ver filme, trazia um decente lá da locadora. – também se sentou no sofá, desistindo de escolher um filme.
- Nem vem, , meus filmes são super bons! - Tom falou dando a língua e sentando-se ao seu lado.
- Vamos ver Star Wars!! – falou animada ao ver a capa do filme.
- Ah, não... Muito ruim. – reclamou, tentando achar outro filme que fosse melhor, mas não conseguiu, pois por quase unanimidade o filme escolhido foi o sugerido por , que sorria vitoriosa. – Aff... Não acredito que vou ter que ver esse filme. – cruzou os braços e sentou no chão, apoiando as costas no sofá inconformada.
- Não precisa ver se não quiser. – Danny sentou-se ao seu lado com olhar malicioso. – Podemos fazer coisa mais interessante. - ela só riu e deitou a cabeça em seu peito, sendo abraçada por ele. colocou o DVD no aparelho e foi correndo se ajeitar ao lado de Harry, que também estava no chão encostado no sofá.
No meio do filme, já estava dormindo no peito de Danny, estava com cara de entediada procurando alguma coisa melhor para ver em volta, também entediada cutucava Tom para conversar, mas ele estava compenetrado no filme, assim como Harry, Dougie, Danny e . Claro que os mais compenetrados eram Tom, Dougie e , era um dos filmes favoritos deles.
- Ai, . Deixa eu ver o filme. – Tom falava quando o cutucava. E assim que ouvia isso, olhava para para se mostrar entediada também.
- Sai da frente, . Eu quero ver. – Dougie falava quando colocava a cabeça na sua frente para olhar para .
- Nem pra ser delicado. – voltava para o seu lugar com os braços cruzados, mas Dougie nem dava bola. Ela tentou trocar olhares de tédio com , que estava em baixo dela e assim não atrapalharia Dougie, mas ela já estava dormindo. Não tinha mais nada pra fazer, tinha que terminar de ver o filme mesmo. E assim fez também, parou para assistir o final – ainda bem – do filme.
- Acabou? – acordou com o movimento de todos.
- E aquela hora que o Luke Skywalker faz aquele golpe? – Dougie, de pé, falava animadamente imitando o golpe do personagem.
- Sim, muito bom!! – Tom concordava.
- É, acho que terminou. – deduziu sem receber resposta.
- Não perdeu nada, . – falou ouvindo a amiga falar sozinha e a olhando ainda com cara de tédio.
- Eu sei. – riu.
- Melhor é quando Darth Sidious fala aquele negocio lá... – imitava o personagem falando a tal fala dele.
- Nossa... Nem vi essa parte. – olhava para desolada.
- Ah, cara, Jedis são legais. – Harry falou vendo a cara das três.
- E o código dos Jedis então: "You are one." – Danny tentava imitar Mestre Jedi Luminara Unduli.
- ‘Tá bom. Vocês já viram o filme umas quinhentas vezes... Já sabem até de cor as falas, mas nós não precisamos “ver” de novo. – falou interrompendo todo mundo e fazendo sinal de aspas na palavra “ver”.
- Ai, mas que gente sem emoção. – Falou Tom, guardando o DVD na prateleira. – Star Wars é o melhor filme, ‘tá? Só perde pra De Volta Para o Futuro.
- Suuuper bom. – falou ironicamente.
- Ah, nem vem, . Tu assitiu todo o filme. – Dougie falou.
- Assisti porque não tinha mais nada pra fazer. E quando eu tentava fazer uma coisa diferente tu me cortava. – falou emburrada e Dougie deu um abraço tentando tirar o beiço dela.
- ‘Tá bom, ‘tá bom. Agora podemos fazer alguma coisa que vocês gostem. – Danny falou animado.
- Agora nem dá mais. Temos que ir pra casa, já ‘tá ficando tarde e o cachorros tão sozinhos lá sem comida. – falou e as outras concordaram um pouco tristes.
- É, a Lady e o Bili devem estar loucos lá. – falou já arrumando as coisas para ir embora.
Arrumaram toda a bagunça, pegaram suas bolsas e foram embora, deixando quatro garotos sem nada para fazer, só olhando um para a cara do outro num final de domingo monótono.

Capítulo 17

Elas não precisavam falar nada uma para a outra, mas todas sabiam que estavam felizes e adorando essa nova fase da vida. Foram para Londres, estavam ficando com caras lindos e legais que tinham uma banda super boa, estavam trabalhando e estavam juntas, compartilhando desse momento. O que mais elas queriam? Estava indo bem para todas.
chegou na frente da locadora onde trabalha. Tinha finalmente conseguido sair para almoçar, afinal, os Turner não deram folga na semana que passou depois do fim de semana da festinha na casa do Tom, almoçaram todos os dias fora e só nessa terça-feira apareceram em casa para almoçar e assim ela conseguiu dar uma passadinha no trabalho de .
- Psiu, . – estava praticamente sussurrando.
- Oi, ! – também estava quase sussurrando.
- Sem querer me intrometer, mas eu posso saber por quê vocês estão falando tão baixinho? – Phil as olhava sem entender.
- Shhhhh! – recebeu das duas ao mesmo tempo. – Estamos numa missão impossível. – respondeu, falando baixo ainda.
- Acho que vocês estão vendo filme demais... E olha que faz pouco tempo que tu ‘tá trabalhando aqui, hein? – Phil voltava ao trabalho, ignorando a loucura delas.
- Vamos almoçar, . – , ainda falando baixo, puxou a amiga até a porta. Parou, encostou as costas na parede esquerda da loja pra quem saia dela, espiou para o mesmo lado esquerdo da rua e fez sinal de que poderiam ir.
- Já volto, Phil. – gesticulou, ao mesmo tempo que falava baixo, claro, para que ele entendesse, pois ela já estava mais longe dele. Ele só concordou com a cabeça e com uma expressão estranha no rosto. Então seguiu para o lado direito da rua. Seguiram em passos largos, como se estivessem com pressa. Ao dobrar a esquina, pareciam conseguir relaxar e pararam um pouco.
- Ok, estamos indo praí. – desligou o celular, já podendo falar mais alto. – Eles estão num restaurante aqui perto. – e seguiram na mesma rua, umas duas quadras dali.
- Hey! – eles falaram quando viram elas entrarem no restaurante.
- Olá, queridos! – deu um beijo na bochecha de cada um e um selinho em Dougie. fez o mesmo, mas claro, deu um selinho em Tom.
- Nossa, finalmente, hein? – Harry falou quando ja estavam todos sentados e comendo.
- ‘Tava presa no trabalho, desculpem. Semana passada foi infernal, não consegui folga um segundo. Mas cá estamos. – soltou um suspiro.
- É, cá estamos. Vamos começar. – falou. – Já decidimos onde vai ser a festinha supresa das gurias?
- Pois é... – Tom falou, coçando a cabeça com uma cara não muito boa.
- Que foi? – o olhou com medo.
- Não decidimos. – Tom finalmente falou.
- Na verdade, o Harry e o Danny que não decidiram. – Dougie falou com uma expressão de quem não aguentava mais esse assunto.
- Eu disse pro Harry que minha casa seria melhor, mas ele insiste na dele. – Danny falava, querendo parecer superior.
- Claro que eu insisto. A minha é mil vezes melhor, tem uma sala grande, um quintal grande, uma cozinha grande e vários quartos. – Harry falou mostrando, ou fingindo, não se afetar.
- Ai, meu deus! A gente tem que decidir logo isso. – suplicava, e recebia olhares cansados de Tom e Dougie, que já tentaram de tudo para que eles aceitassem qualquer casa. – ‘Tá, não vai ser em nenhuma das de vocês dois. Ponto.
- Já tentamos isso. – Tom falou desanimado.
- Mas não tem essa de não aceitar, vamos fazer na do Dougie então. – falou apontando para o garoto.
- Mas a minha... A minha não tem nada. – Dougie falou, assustado quando sentiu um dedo apontando para ele.
- A minha de novo não – Tom falou quando percebeu olhares em cima dele.
- Assim vocês não ajudam. – falou, colocando os cotovelos na mesa e apoiando sua cabeça entre as mãos, tentando pensar em alguma solução. – Ok, então vamos decidir no ‘par ou ímpar’. Vamos lá, a casa que faremos a festa vai ser a do ganhador. – todo mundo concordou, mas Danny estava um pouco duvidoso e Harry com ar de vitorioso antes do tempo.
- Par! – Harry falou.
- Ímpar. – foi a vez de Danny.
- Um, dois, três e... já! – falaram juntos. Danny pôs três, Harry, um. Quatro, quatro é par.
- Ganheeeei!! – Harry pulava no meio do restaurante, chamando a atenção de todos.
- Droga, não sei porque aceitei isso. O Harry sempre ganha qualquer jogo. – Danny falava indignado.
Logo Harry foi puxado para sentar de novo e parar com aquele escândalo.
- Sinto muito, Danny. – o olhava com pena. – Agora que nós ja sabemos o lugar, vamos decidir o dia. Sexta ou sábado?
- Vamos fazer sexta. – Dougie sugeriu.
- É que no sábado de manhã eu e a trabalhamos. – falou um pouco desanimada.
- Então sábado. – Tom resolveu.
- Mas o aniversário da é amanhã, e o da domingo, ficaria muito mais perto do da do que do da . Fica injusto. Acho melhor sexta. – falou.
- É, concordo. – Harry levantou a mão em sinal de que estava com .
- Por mim pode ser sexta também. – Danny falou, ainda indignado.
- ‘Tá, tudo bem. Isso não vai nos matar. – falou. – Também prefiro sexta.
Depois de decidirem isso, o resto foi bem mais fácil. Anotaram o que precisariam comprar para comer, beber e para decorar a festa. Sim, a decoração era o mais importante. E decidiram, também, dar o presente juntos, o que foi outro sacrifício para concordarem, mas logo decidiram por dar um box da série Gossip Girl para e para um bonsai de espécie rara que ela tanto queria, a Cercis Canadensis, as garotas já queriam dar há um tempo, mas era muito caro para comprarem em poucas pessoas. Claro que esses presentes foram sugeridos pelas garotas que conheciam bem mais as duas do que eles. Tudo resolvido, fecharam a conta e foram embora. já estava atrasada, os Turner deviam estar aflitos esperando por ela. E para estava tranquilo, Phil não era tão rígido e deixava ela passar um pouco do horário.

No dia seguinte agiram normalmente. Todas deram parabéns à . Ela fora para o trabalho como num dia qualquer e lá descobriram que estava de aniversário e deram parabéns à ela. Na improvisação, compraram um brownie na lanchonete de Rosalie e cantaram um parabéns. Os garotos apareceram na casa de à tardinha para parabenizá-la também, e acabaram fazendo um jantar com direito a bolinho e tudo. E dê-lhe bolinho. Não deram o presente e não quis demonstrar, mas ficou um pouco chateada que não tinha recebido nada. Apesar disso, estava feliz pelo pouco tempo que estava na cidade, eles já demonstraram carinho por ela. Cedo os garotos foram embora, não queriam atrapalhá-las para descansar do dia de trabalho e acordar cedo no outro dia.

Na manhã de sexta-feira, e sairam para o passeio matinal com Lady e Bili. Ao sair do prédio, sentiram um certo frio que as fez hesitar por alguns segundos a seguir em frente, mas continuaram. ‘Antes de ir pro trabalho coloco um casaco mais grosso’, as duas pensaram a mesma coisa. Passeavam calmas e sem conversar muito, mas nada desagradável. Era bom ficar um pouco em silêncio às vezes. Quando pararam, sentiram alguém encostar em seus ombros. Se viraram e viram não só Dougie com Flea, mas também Danny com um filhote de beagle nos braços.
- Hey! Um membro novo para a trupe de cães? – perguntou logo depois de dar um selinho em Danny.
- É, esse é o Bruce. – Danny falou com um sorriso bobo no rosto. – Deêm 'oi' para o Bruce! – ele falou, levantando a patinha do cachorro e acenando com ela.
- Oi, Bruce. – e falaram juntas, com voz meiga, fazendo carinho no pequeno filhote.
- Ei, eu não recebo um 'oi'? – Dougie falou, quase excluido da roda, pois as duas estavam em cima do filhote falando coisas como “que coisa querida”, “que lindinho”.
- Ah, claro, Dougie. Oi! – deu um beijo em sua bochecha.
- Hum, não sei se merece. – fez cara de pensadora, mas logo sorriu e deu um selinho no garoto. Ficaram passeando com seus cachorros mais alguns minutos, Danny e abraçados de um lado e e Dougie abraçados do outro. A diferença dos casais era que o caminhar do primeiro era tranquilo e o do segundo, com dois brutamontes puxando-os pelas guias, era desengonçado e um pouco mais rápido.
– Ah, não dá mais. A Lady fica louca quando vê o Flea. – disse e eles riram ao observar os dois se cheirando e lambendo. – Já ’tá na hora de a gente ir mesmo.
- É, ‘tá mesmo. – falou um pouco inconformada. – Nos vemos mais tarde, ok? – ao falar isso, Danny, Dougie e se entreolharam sorrindo maliciosos e estranhou.
- Sim, nos vemos. – Danny respondeu ainda sorrindo. Todos se despediram e voltou encucada com aqueles olhares, mas logo que o tempo foi passando no serviço, já tinha esquecido. No meio do expediente recebeu uma mensagem: “Foi ótimo te ver logo pela manhã. Meu dia começou muito bem. Beijos, Danny”, o que a deixou feliz e a fez esquecer de vez dos olhares e sorrisos maliciosos.

Capítulo 18

Os preparativos estavam mais por conta dos garotos, que não tinham nada para fazer durante o dia, ao contrário delas que trabalhavam em serviços fixos e com horários certos. Claro que, por telefone, elas tentavam ajudar e também já haviam comprado coisas essenciais, sem e perceberem. A casa de Harry tava uma bagunça e o trabalho ia ser duro, mas logo depois do almoço já começaram a arrumar tudo.
- Eu disse que se fosse na minha casa ia ser melhor. – Danny falava enquanto ia guardando objetos inúteis e quebráveis que estavam espalhados pela casa num quartinho dos fundos. – A minha é muito mais organizada.
- Danny, te conforma. – Tom falava, juntando os restos de comida ou vestígios como caixas de pizza que tinham pela sala, cozinha e caminho da sala para cozinha. – Agora já estamos aqui arrumando tudo.
- A próxima pode ser lá na tua casa. – Dougie empurrava alguns móveis para o canto para dar mais espaço para o circular de gente. – Mas agora é melhor se conformar mesmo e arrumar logo isso.
- Mas eu queria fazer a festa da na minha casa. – Danny voltava do quartinho para buscar mais objetos.
- Mas nós estamos fazendo na minha. – Harry o olhava orgulhoso, juntando suas roupas sujas, casacos esquecidos ali e até toalhas molhadas que estavam atiradas nos sofás. – E a festa não é só da , é da também.
- Eu sei, eu sei. Mas ela ia ficar tão mais à vontade na minha casa. – Danny já olhava mais malicioso.
- Vocês vão ficar com esse assunto até quando, hein? – Dougie falava, um pouco ofegante após empurrar um armário pesado para o canto.
- Acho que até a morte, Dougie. – Tom falava, um pouco cansado, com um saco de lixo na mão quase cheio.
Continuaram arrumando animados, embora Danny ainda estivesse inconformado em ter perdido o par ou ímpar, mas desistiu de reclamar e tentou levar na boa, acabou que também estava animado para a festa. Quando se sentaram para descansar depois da arrumação, faxina e organização de móveis, a campainha tocou. Eram e , cheias de sacola e atucanadas. Já estavam arrumadas para a festinha.
- Então? Fizeram a parte de vocês? – ia entrando e colocando as sacolas no meio da sala, no chão mesmo, já que o lugar estava praticamente vazio.
- Claro, somos ótimos donos de casa. – Dougie falava, se achando e logo dando um beijo em , que se levantava após colocar as sacolas no chão.
- Pelo jeito, se puxaram mesmo, hein? – acompanhou para colocar as suas sacolas no mesmo lugar e foi direto cumprimentar Tom também. Logo olhou em volta, admirando o trabalho deles.
- Nem foi tão dificil assim. – Harry falou, desinteressado.
- Ah, foi sim. – Danny dedurava o amigo. – Tua casa tava uma bagunça.
- É, Harry, tava mesmo. – Tom falava, abraçado em . – Mas deu pra fazer tudo direitinho.
- Mas como vocês despistaram as gurias? – Danny perguntava, curioso.
- Nem vimos elas chegarem, deixamos um bilhetinho dizendo que íamos encontrar Dougie e Tom e logo estaríamos em casa. – falava, tirando algumas coisas das sacolas.
- Ah, ! – falou como se tivesse se lembrado de algo. – Tem que pegar os presentes delas lá no carro. A arvorezinha da tem que ser bem cuidada porque não vamos entregar um negócio morto para ela, né?
- É verdade! – falou, indo buscar os presentes. – Compramos hoje mesmo para não ter problema de o bonsai morrer.
Assim que voltou com os presentes, já havia tirado tudo das sacolas: balões, chapeuzinhos, fitas mimosas, barbantes, alguns cds e letrinhas. As comidas e bebidas já estavam na geladeira desde cedo.
- Gurias, nós convidamos mais gente pra dar mais animação pra festa, tem problema? – Harry falou enquanto enchia um balão.
- Nenhum. Melhor mesmo. – falou já com a boca branca do pozinho do balão.
- É, ainda não conhecemos quase ninguém aqui. Vocês têm os contatos, convidem quem vocês acham legais. – acabara de fazer um nó no balão que estava em sua mão.
- Convidamos os caras do Son Of Dork, uma banda amiga, o Thiago, que vocês também convidaram, disse que vai trazer uma tal de Amy e mais alguns amigos que na hora apresentamos pra vocês. – Tom explicou enquanto espalhava os balões vazios no chão, no meio da roda que eles fizeram para o ritual de encher balões.
- Thiago sempre com uma guria diferente. – comentou sobre a atitude do primo.
- Ai, saco! – Dougie reclamou, chamando a atenção de todos. – Não consigo dar nó nessa bosta. – ele ainda estava com o primeiro balão enquanto os outros já tinham enchido vários. Lutava com a pontinha que não queria de jeito nenhum formar um nó.
- O Dougie não sabe dar nó em um balão!! – Danny gargalhava, apontando para o garoto que já estava constrangido. Mas ninguém deu bola pro seu constrangimento e riram também.
- Dá aqui que eu faço pra ti. – pegou o balão de sua mão, ainda rindo.
- Ai, ... Até tu rindo de mim. – Dougie falava com a voz baixa, se fingindo triste.
- Desculpa. – ela agora tentava segurar o riso. – ‘Tá, vai enchendo outros e me dando pra eu dar o nó pra ti.
O ritual continuava firme e forte, com tendo um trabalho dobrado enchendo e dando nó no seu e no de Dougie também, mas começou a ser visível a falta de fôlego de todos, principalmente de .
- Ai, caras! Não consigo mais. – falava ao jogar o balão que recém enchera para o montinho dos enchidos. – ‘Tô ficando tonta.
- Se não consegue não precisa mais, . – Tom falava, preocupado e passando a mão em seus cabelos.
- ‘Tá, já que vai parar de encher, dá nó nos balões do Dougie. – falou e todos deram um risinho preso, lembrando que Dougie não sabia dar nós em balões. Dougie alcançou então o seu recém enchido.
- Eeeew, Dougie!! ‘Tá todo babado! – falou com nojo, mas mesmo assim deu o nó e não deu outra, todos riram de novo do garoto.
- O Dougie não sabe encher balão!! – Harry fazia o mesmo movimento de quando Danny disse que ele não sabia dar nó.
- Sei sim, ‘tá! – Dougie emburrava e cruzava os braços junto ao peito.
- Mas se baba todo!! – foi a vez de Tom gozar dele.
- Vamos parar de tirar comigo?? Achem outro alvo. – Dougie ainda estava emburrado.
- Aaai, Dougie! Não fica assim... É só uma brincadeirinha. – se aproximava do garoto, dando um beijo carinhoso nele, fazendo-o sorrir de leve. – ‘Tá, gente, vamos mudar de assunto.
Falaram qualquer coisa engraçada para se distrair enquanto enchiam os balões intermináveis. só dava nós nos balões babados de Dougie. Quando acabaram, viram o mar que tinha se formado de balões coloridos. Não deu outra, comaçaram a brincar com eles ao invés de arrumar a casa. Harry pegava um e batucava com qualquer coisa que desse para imitar uma baqueta, enquanto os outros pulavam e jogavam os balões pra cima que nem criança. Quando Dougie avistou Harry batucando, se juntou à ele e ficaram fazendo um som sincronizado, dando para se confundir com uma música. Tom, Danny, e faziam um jogo de vôlei numa rede e quadra imaginárias. Tom e de um time e Danny e de outro, até que Danny deu um corte no balão, que foi direto na direção do rosto de e estourou uns centímetros antes de chegar nela.
- Aaaaaaah, Danny!! – ela berrou, se assutando. – Tu vai ver! – ela começou a jogar com força os balões na cara dele, sem muito sucesso pois eles não chegavam com a força que ela mandava e nem estouravam na cara dele. Assim se tornou uma guerrinha de balões entre os times de vôlei, mas logo Tom sentiu uma almofadada na cara, vinda de uma direção diferente. Era Harry que havia parado de batucar para se juntar a eles, só que numa guerra mais emocionante. Claro que agora eles trocaram os balões pelas almofadas. Mas não durou muito, o celular de tocava em cima da mesinha que era pra ser de centro e que estava em um canto da sala.
- Alô? – falou um pouco ofegante.
- ! Onde tu ‘tá? Vai demorar pra chegar? – falava apreensiva do outro lado da linha.
- Ah, eu ‘tô com o Dougie. Daqui a pouco eu ‘tô indo. – ainda ofegante.
- , o que tu ‘tava fazendo que ‘tá com essa voz aí? – perguntou, imaginando coisas obscenas e ouviu debochar no fundo.
- Ai, , nada demais. – corou e já falava normalmente.
- ‘Tá, ok. ‘Tô te esperando pra jantar. Sabe da ?
- Ela tá com o Tom, vou pegar ela quando tiver saindo daqui. Chegaremos juntas.
- ‘Tá bom. Então nós esperaremos vocês duas pra jantar. – e desligou.
- Ufa, quase morri. Não sei mentir direito, mas acho que convenci elas. – largava o celular na mesinha de volta e soltava um suspiro de alívio. – Vamos lá, nós estamos atrasados agora. – falou ela, batendo algumas palmas para agitar todos.
Agora todos corriam para arrumar ligeiro tudo e dar tempo de estar tudo pronto na hora combinada. Penduraram os balões e as fitas mimosas no teto, na parede junto à mesa do bolo com duas velinhas de vinte, branquinho e negrinho que elas mesmo fizeram com o estoque de leite condensado, salgadinhos de frango, carne e queijo, pratinhos e garfinhos de plástico para comerem o bolo e a cadeira que estava do lado com os presentes embrulhados bonitinhos, estava escrito com letrinhas coloridas “Happy Birthday, e ”. As bebidas na geladeira, os copos na cozinha para quem quisesse se servir e os chapéuzinhos na cabeça. Estavam prontos. tirou o chapéuzinho para poder ir buscar as garotas sem causar desconfiança. Seria bem estranho chegar em casa com chapéuzinho de festa na cabeça.

já estava entediada com a espera, passava canal por canal da televisão sem nem perceber o que se passava neles. desistiu de ver TV e foi dar uma olhada no laptop que estava na mesa perto da televisão. Acordaram de uma monotonia quando ouviram as chaves na porta e a movimentação de Bili e Lady para receber os recém chegados. Finalmente tinha chegado.
- Cadê a ? – estranhou a ausência da amiga.
- Ficou lá. – respondeu ao entrar em casa e fechar a porta logo atrás de si.
- Lá onde? – perguntava, se levantando da frente do computador.
- Lá onde nós vamos. Se arrumem. – ordenou. E, por incrível que pareça, elas foram se arrumar sem reclamações e indagações, mas ainda estavam confusas. – E não demorem.

- ‘Tá, estamos prontas, agora pode nos dizer onde a gente vai? – falou ao sair do quarto arrumada para uma reuniãozinha, sendo seguida de no mesmo estilo, também querendo saber.
- Vamos pra casa do Harry. – falou, já abrindo a porta para que já fossem para a rua e um sorriso surgiu no rosto de .
Não demoraram muito para chegar. estava, realmente, com muita pressa. A casa estava quieta e bem iluminada por fora. E quando e perceberam, ela já não estava mais ali, estava entrando na casa e fechando a porta.
- Credo, a ‘tá muito estranha. – falou, ao observar a atitude da amiga.
- Muito é pouco. – falou séria, mas logo riu de sua frase.
Então seguiram para a casa, fechando o carro. Em frente à porta, não sabiam se tocavam a campainha ou entravam logo. Resolveram pela primeira opção, mais educada. Ninguém respondeu, então tocaram de novo. Novamente ninguém respondeu. Resolveram entrar, sabiam que estavam todos ali. Quando entraram, viram que estava completamente escuro, ao contrário da rua. tateou a parede para ligar a luz e quando achou o interruptor, a luz se acendeu e elas estavam realmente surpresas com que viam.
- SURPREEEEESAAAAA! FELIZ ANIVERSÁRIO, GURIAAAS! – todos gritavam em coro. Elas colocaram as mãos na boca, em sinal de espanto, e logo riram da situação, observando toda a decoração. Eram seis grandalhões com chapéuzinhos de festa de criança fazendo uma festa surpresa para elas!
- Cara, não acredito nisso! – estava embasbacada.
- Muito menos eu! – estava na mesma posição e postura que ela.
- Pois é, bolamos tudo bem direitinho. – falou, se achando.
- Bem que nos achamos a muito estranha. – falava, descobrindo o motivo da maneira com que a amiga agiu.
- E os olhares e sorrisos hoje de manhã!! – também descobria o motivo.
- É, tudo pra vocês. – Danny falou, se aproximando de e dando um beijo nela.
- Só porque gostamos muito de vocês. – Harry também se aproximou e deu um beijo em , logo depois cumprimentando . Todos se abraçaram e as garotas agradeceram.
- E daqui a pouco chega a festa realmente. – Dougie falava animado.
Ao terminar a frase, a campainha tocou.
- E estão aí os convidados. – Tom falou, indo atender a porta.

Capítulo 19

A casa de Harry estava consideravelmente cheia, gente desconhecida estava dançando e bebendo à vontade. Comendo já não estavam mais porque acabaram super rápido com tudo, principalmente os negrinhos e branquinhos que eram super novidade para os britânicos frequentadores da festa. O bolo foi devorado no começo, antes que o pessoal mais estranho chegasse, eles não poderiam deixar o bolo ser atacado sem que eles comessem um pouquinho. A bebida foi mais por conta dos garotos, que compraram mais sabendo que vinha bastante gente, então tinha de sobra. Quer dizer, nem tanto de sobra, porque pelo que se podia ver, essa gente gostava de beber. E eles também, não podiam negar.
- Hey! Então tu que é a aniversariante? – um cara que lembrava vagamente o Danny se juntou a , que estava largando uma garrafa vazia de cerveja numa mesinha qualquer.
- É, sou eu e a . – se voltou para o garoto e apontou para , que dançava junto com e Dougie.
- Ahn... Parabéns então! – ele falava olhando para ela.
- Na verdade, meu aniversário é domingo, e o da foi quarta.
- Tudo bem, parabéns adiantado então. – eles riram. – Eu sou James Bourne, prazer.
- Prazer, .
- Pelo jeito já se conheceram. – Danny chegava sorrindo e passando o braço pelos ombros de . James sorriu sem vontade ao ver que a garota estava acompanhada.
- É, acabei de conhecer o James. – falava alegre.
- Ele é um dos integrantes do Son of Dork, uma banda amiga que nós temos aí. Uns malas que grudaram na gente, sabe? – Danny debochava do amigo e os outros riam do que ele dizia.
- E eu não vou conhecer o resto da banda? – perguntava interessada.
- Claro, vou chamar eles aqui. – James foi até um grupo de quatro garotos e os trouxe para onde estava antes. – Esses são Dave, Chris, Steve e Danny Hall, o xará do Danny, mais fácil chamá-lo de Hall. – apontou para quatro caras com cabelos diferentes e com muito charme. – Essa é a , uma das aniversariantes. A outra é a .
- Hey! Parabéns! – disseram em coro.
- Obrigada! Pode me chamar de . – ela falou tímida. Estava sendo o centro das atenções, isso causava uma certa timidez.
- Mas vamos dar parabéns pra também. Quem é ela? – Dave falou, procurando alguém na pequena multidão.
- É aquela ali, dançando com a e o Poynter. – Danny falou, apontando para eles. – E agora o Harry. - adicionou quando viu Harry se juntar a eles.
- Ok, obrigado. – Dave falou, indo em direção para onde ele havia apontado. Os outros o seguiram. – Hey, aniversariante? – ele perguntou para , ao cumprimentar Harry e Dougie num aperto de mão amigável.
- Não, não. São ela e a . – falou rindo da confusão e apontando para e depois para .
- Ah, pra nós já demos parabéns. Viemos dar pra agora. – Steve falou, interrompendo Dave, que coçava a cabeça envergonhado. – Parabéns, !
- Parabéns! – o coro dos outros quatro foi dito antes de Steve acabar de falar.
- Obrigada! – tinha parado de dançar para conversar com eles. – Mas como vocês sabem meu nome? Eu conheço vocês?
- Eles são o Son of Dork, uns amigos nossos. – Harry explicava para as garotas e olhou como se dissesse “ah, são esses então?”, lembrando do que eles tinham dito pra ela enquanto arrumavam a casa. – Steve, Dave, James, Danny Hall e Chris.
- Prazer. – disse Chris, levantando uma mão como um aceno. – Sabemos teu nome porque a e o Danny nos falaram.
- Ah, bom. Prazer. – levantava a mão no mesmo gesto que Chris.
- E essa é a . – Dougie falou, mostrando a garota para eles que deram seus devidos “prazer”. – A tá com o Tom em algum lugar por ai. Ela é nossa amiga também.
Os Sod, carinhosamente apelidados, – ou foram apelidados assim para ficar mais prático mesmo para se referir a eles - resolveram ficar com os quatro, logo Danny e se juntaram a eles também. Aos poucos, um ou outro foi saindo para buscar bebida, ir ao banheiro ou dar uma volta e o grupo ia diminuindo, até que não tinha mais ninguém na pista improvisada.
e Tom, que estavam no canto de um sofá perto da cozinha, foram interrompidos por um cutucão no ombro de Tom, que por início ficou irritado, não era hora de ser interrompido. Mas logo viu Danny Hall de pé ao seu lado, abanando como uma criança feliz e umas garrafas de cerveja, três na outra mão e outras duas apoiadas entre o corpo e o braço dele.
- Hey, cara! – Hall falou, e Tom esqueceu a irritação ao ver o amigo dando um aperto de mão amigável igual ao que os outros deram. Devia ser aqueles cumprimentos inventados entre amigos. – Não vai me apresentar? – falou, apontando para , que estava sentanda observando os dois se cumpirmentarem daquela maneira diferente e quando ouviu seu nome pareceu acordar e dar um sorriso.
- Hey! Essa é a . – Tom falou, puxando delicadamente para se levantar.
- Prazer, . Eu sou Danny Hall.
- , por favor. Prazer, Danny. – ela sorriu simpática.
- Me chama de Hall, pra não ter confusões com o Danny Jones. – Hall deu uma psicadinha e sorriu.
- , ele é do Son of Dork, aquela banda que nós falamos pra vocês. – Tom explicava para garota enquanto Hall balançava a cabeça em forma de afirmação.
- Ah, sim. E os outros, cadê? – falava curiosa.
- Vamos lá que levo vocês onde os outros ‘tão. – Hall os conduzia para um lugar mais movimentado. Chegaram onde os outros estavam, junto com Danny, e entregou uma garrafa para cada, menos para Danny, que não estava ali antes para pedir uma garrafa também, e fez as devidas apresentações. decidiu se juntar às garotas que estavam juntas conversando em outro canto, deixando Tom ali com eles. No meio do caminho encontrou Thiago um pouco perdido, devia ter recém chegado.
- Oi, Thiago! – falou, enconstando no braço do amigo para ele se situar.
- Oi, . Recém cheguei... ‘Tô meio perdido. Onde ‘tá todo mundo? – ele perguntava, ainda meio perdido, olhando em volta para ver se achava alguém.
- As gurias, o Harry e o Dougie ‘tão ali. – falou apontando na direção que estava seguindo antes de parar para cumprimentar o garoto. – E Tom, Danny e os Son of Dork ‘tão pra lá. – apontou de onde vinha.
- Ah! Os caras do Sod ‘tão aqui também? – Thiago pareceu surpreso e feliz. Ele devia conhecer eles também. – Legal, vou lá falar com eles.
- Thiago! – o chamava antes de ele ir. – Não ia vir uma guria contigo? A Amy?
- Ah, ela vai chegar daqui a pouco, parece que vem com uma amiga. – ele falou, já se distanciando, e seguiu até as amigas.
Ela se sentou ao lado do grupinho de amigos, ou melhor, se jogou feliz da vida no puff que estavam sentados e Harry abraçados, que era o mais próximo que ela viu, se esmagando. Dois num puff já era bastante, imagina três.
- Ai, ! – reclamou quando a garota se jogou, esfregando a mão em seu braço que parecia ter sido esmagado por ela. – Vai lá se sentar com a que tá sozinha. Aqui já tem dois. E abraçou Harry, dando um sorriso para ele e logo depois um selinho.
- Ai, que mal-agradecida. – falou, emburrando e indo sentar com . – Não sabe o que tá perdendo com a minha companhia. - Os outros só riram.
- Cadê o Tom, ? – Dougie perguntou depois que trocou de lugar.
- Ficou lá com Danny e os guris da outra banda. Ah! E o Thiago chegou, foi pra lá também.
- Mas que imbecil! Nem veio me cumprimentar! – reclamou, tentando colocar a mão na cintura, mas sua posição naquele puff não ajudava muito. – E a guria que vinha com ele? Como ela é? – Já mudando de expressão para uma curiosa.
- Ela não chegou ainda. Ele disse que ela vai vir com uma amiga.
- Vamos lá com os guris, cara? – Harry falava para Dougie, que concordou e deu um beijinho em . Harry fez o mesmo em , se levantando e indo até lá.
Quando ficaram sozinhas, as garotas pareciam mais gritar num tom agudo do que conversar, na verdade, até tinham que gritar, pois o som era alto demais para se conversar num tom baixo. Só não precisava ser agudo. Comentavam de todos que passavam em seus campos de visão. A festa não fazia pouco que começara, mas também não fazia muito e as pessoas já estavam bêbadas, caindo no chão e correndo até o banheiro vomitar, só que alguns não chegavam a tempo. Isso era bem nojento. Queria ver limpar isso depois. Só de pensar elas já se sentiam enjoadas. Tinham vários casais já se esfregando nos sofás e outros nas paredes, já que não tinha mais lugar nos sofás. Dava pra ver também casais subindo para o andar de cima, onde ficavam os quartos, gente apressada essa. Era bem divertido observá-los. Enquanto bebiam e riam falavam deles, comentavam sobre roupa, atitude e até discutiam o nível de álcool que a pessoa devia ter ingerido. Só não percebiam que também estavam ingerindo bastante álcool.
- Aposto que aquele guri não consegue ficar com aquela guria. – falava apontando para um casal conversando, o guri dando aquela cantada e ela se fazendo de difícil.
- Ele ‘tá visivelmente bêbado. Mas acho que consegue, sim. – comentava.
- Ela ‘tá se fazendo de difícil, mas ‘tá doidinha pra beijar logo ele. – disse com certeza.
- Eeeeeew!! Ela vomitou no pé dele!!! Que nojo!! – nem pôde dar sua opinião, porque quando foi falar a garota alvo vomitou. – Ele ‘tá visivelmente bêbado e foi ela quem vomitou!!!
- Que nojo!! Acabou com todo o romantismo! – falava rindo.
- Agora o bêbado desistiu da bêbada pior que ele! – também ria. – Coitado, ‘tava investindo bastante.
- Coitada dela! Que vergonha, imagina. – ria, mas tinha uma pontinha de pena.
Logo o casal bêbado e vomitado foi esquecido, pois algo chamou a atenção delas. Uma garota alta, linda, praticamente modelo, se não era realmente uma, entrou na casa e se destacou pela multidão. Tinha os cabelos escuros e compridos com ondas ao final, olhos claros e magra, simplesmente linda. Ela passou entre o bolinho que se formava logo na entrada e parou ao lado, junto com uma amiga, procurando alguém. A amiga era mais baixinha, menos modelo, mas ainda assim bonita. Parecia mais aquelas que faziam mais sucesso entre os garotos e as garotas não achavam tudo isso, era loira, com cabelo longo, bem longo, e escorrido, estatura mediana, mais para baixa, corpinho “gostosa” não muito magra, bem o contrário da que acompanhava.
- Nossa! Que guria linda! – comentou ao ver a modelo parando logo após entrar.
- Muito! Me senti lixo perto dela. – falava sem tirar os olhos dela.
- Será que ela é a do Thiago? – perguntou embasbacada.
- Não, acho que a loirinha deve ser dele. Não desmerecendo o Thiago, mas é que ela é linda demais! – respondia sem tirar o olhar delas também. – A loirinha faz mais o estilo dele... – comentou, sabendo o gosto do primo. As outras concordaram, mesmo não conhecendo tão bem o garoto quanto ela conhecia.
Mas o que surpreendeu elas foi que a garota alta, linda e modelo, era realmente a do Thiago. Ele logo apareceu, dando um beijo nela e deixando-a feliz por não estar mais perdida.
- Coitadinha dela. Ela é tão bonita pra ser uma peguete qualquer do Thiago. – comentava com uma certa tristeza.
- É, e além do mais parece tão simpática. Ela se sairia uma amiga legal. – concordava com .
- Realmente. Seria um desperdício pegar e depois jogar ela fora. – foi a vez de falar inconsolável.
- ‘Tá, vamos parar de falar porque eles ‘tão vindo em nossa direção. – cortou as amigas.
- Oi, gurias! – Thiago falou ao chegar perto delas. – Essas são Amy e Casey. – apontou para a lindona e a bonitinha. – A Casey acabei de conhecer e a Amy é a minha acompanhante.
- Oi, eu sou a , prima do Thiago. – se levantou para cumprimentá-las.
- Eu sou a . – se levantou também.
- E eu a . – imitou as amigas.
- E eu sou a . – também imitou as amigas.
- Prazer, gurias! – Amy falou sorrindo simpática para elas e abraçando Thiago pela cintura. Casey nem se deu o trabalho de falar alguma coisa. De perto parecia meio nojentinha.
- Os guris ‘tão lá ainda? – perguntou para Thiago, apontando para o último lugar que tinha visto os garotos.
- ‘Tão, sim... Vamos lá, vou apresentar as gurias pra eles. – ele falou convidativo.
Elas o seguiram e logo encontraram os garotos numa rodinha conversando, cada um com uma garrafa de cerveja na mão, claro, o que as fizeram lembrar que as suas tinham acabado e foram de duas buscar mais algumas para depois se juntar ao grupo. Um tempo de conversa foi o suficiente para achar os garotos do Sod e Amy bem legais, e Casey uma chatinha atiradinha. Ela conseguia dar em cima de todos os garotos na cara dura, mesmo em cima dos que estavam acompanhados. Só não dava em cima de Thiago, pelo menos a amiga ela tinha que respeitar. As garotas já a olhavam torto, agarrando seu “bofe” pra tentar colocar respeito ali. Eles, para variar, disseram nem perceber, mas era óbvio que percebiam e estavam gostando, apesar de mostrar preferirem as suas garotas. Os Sod sim que não escondiam gostar, estavam ali, solteiros, ou pelo menos aparentavam estar solteiros. Sabe-se lá se deixaram as namoradas em casa. Danny, Harry, Tom e Dougie não estavam solteiros nem namorando, mas estavam acompanhados e não faziam o tipo de ficar com várias numa mesma festa, ainda mais quando já estavam ficando com as garotas há alguns dias seguidos.
- Caras, nós estamos organizando uma festa de Halloween pro próximo fim de semana. – James começou.
- Dia 31 cai na terça, nós não faríamos no meio da semana porque a maioria das pessoas não são como nós, que não temos hora para acordar e trabalhamos normalmente à noite, então faremos no sábado. – Chris continuou.
- E vocês estão convidados! – Hall falava feliz, fazendo um gesto engraçado com a mão.
- Escolham fantasias bem legais pra festa, todos nós vamos fantasiados. – Dave falou animado e malicioso por já ter uma fantasia em mente, mas pelo jeito queria manter em segredo.
- Claro, estaremos lá! – Danny falava mais feliz ainda.
- Que legal! Festa de Halloween! – estava deslumbrada.
- Que? Vocês nunca foram em uma festa de Halloween? – Harry, que a abraçava pelo pescoço, olhou pra ela incrédulo.
- No Brasil não tem dessas coisas. Só quando a gente é criança, na escola. – explicava.
- Legal! Adoro fantasias! – parecia já pensar em alguma.
- Já até sei uma!! – falou logo depois de desviar o olhar que estava fixo em algum lugar, como se estivesse pensando. – Mas não vou contar, vai ser surpresa. – sorria e dava um beijo em Danny, que a olhava chateado, já estava curioso para saber qual era a idéia genial que tinha tido.
Os garotos gostaram de vê-las daquela maneira e fazer uma coisa diferente para elas. Não eram bem eles que estavam fazendo, mas proporcionaram à elas. Começaram a se formar conversas paralelas, até que ficou só entre os casais e Casey se viu excluída. As garotas se deram conta e se entreolharam ao mesmo tempo, mostrando-se felizes por deixar a vagabundinha excluída. Deram um sorrisinho maléfico e continuaram com suas conversas com seus garotos. Os Sod conversavam entre si, deixando a Casey atiradinha mais só ainda. Os casais decidiram ir para lugares mais adequados para as “conversas” que queria ter, se dividindo.

Harry se apertava no sofá para dar espaço à . Os casais do lado eram bem espaçosos e já estavam quase tirando as roupas ali mesmo, sem nem se dar ao trabalho de ir para o tal lugar mais reservado. Conseguiram um cantinho porque um casal desistiu de tentar fazer o que queria ali e subiu à procura de um quarto.
- De onde vocês conhecem essa gente? – perguntava quando conseguiu se ajeitar. – Eles são bem... ahn, saidinhos? – Harry riu.
- Pra falar a verdade, não conheço a metade. – o olhou sem entender. – Esperava bem menos gente pra essa festa. Eles são os amigos dos amigos dos amigos, entende?
- Ahn... entendo. Mas tu não fica incomodado com isso aqui na tua casa?
- Um pouco, mas já me acostumei com isso. É sempre assim.
- O pior é ter que limpar tudo isso depois. – olhou em volta e viu os vômitos. Avistou um vomitando do lado da escada. – Eeew! E imagina como devem estar os quartos? Como tu tira aquelas pessoas de lá?
- Limpar é brabo mesmo, mas tirar os caras de lá é facil. Entro no quarto, ligo a luz e puxo as cobertas, mandando ir embora porque a festa já acabou. Quando estão cobertos, também. – ria imaginando a cena.
- Pior é quando tu encontra teu quarto com gente se comendo e ainda por cima vomitado! – se lembrava do casal bêbado vomintando no pé do outro.
-Nojento mesmo! Acho que vou ter que pedir ajuda para limpar tudo isso. – ele ria, já sabendo que puxaria os garotos para essa tarefa.
- Os guris não vão gostar nada. – parecia adivinhar seus pensamentos.
- Eles já limparam minha casa antes da festa, vai ser quase a mesma coisa. – o olhou espantada, imaginando que a casa dele fosse sempre cheia de vômitos. – Claro que ao invés de vômitos tinha restos de comida, roupas sujas e outras coisas coisas nojentas por ai. – ele falou, esclarecendo.
- Que bom que tu sabe o que é lixo e cesto de roupa suja. – eles riram.
- Mas acho que a gente podia parar de falar dessas coisas agora. Deixa essa gente estranha se vomitar e se comer, prefiro ficar prestando atenção em ti. – agora ria timidamente, passando as mãos pelo rosto de Harry e depois escorregando para sua nuca, o puxando para um beijo longo. Harry tinha as mãos por sua cintura, deixando o braço apoiar em sua barriga e outra atrás dela, apoiado no encosto do sofá até que resolveu puxar ela mais para perto, para intensificar o beijo. Aquilo era bom demais, não imaginava que Harry a fizesse se sentir dessa maneira. E nem ele imaginava isso. Não falava muito, e tentava não demonstrar, mas ela causava uma certa fraqueza nele.

Nos puffs, e Dougie comentavam sobre os balões, lembrando do fato dele não saber encher e dar nós. Ela ria às suas custas. Ria mais do que devia, com certeza, o álcool fazia o seu trabalho.
- , tu é muito má. – Dougie falava, estreitando os olhos.
- Nem tanto. Mas tu tem que concordar que é engraçado ver um cara desse tamanho não saber encher nem dar nó em balões. – ela, que já tinha parado de rir, começou tudo de novo. Era só lembrar que ela desatava.
- Mas eu seeei encher balão. – ele falava manhoso. – Só não sei dar nó.
- Todo descoordenado e babão. – ria mais ainda, até que levou um cutucão na barriga, como uma cóssega. – Ai! Isso não vale.
- Ah, não? Tu não quer rir do descordenado babão? – ele falava, estreitando os olhos de novo, só que dessa vez com olhar safado de quem quer aprontar.
- Mas isso é covardia. Eu já ‘tô rindo normalmente, não precisa incentivar. – ela dizia em meio de risadas com as cóssegas tímidas de Dougie.
- Covardia é rir de um pobre garoto descoordenado e babão. – Dougie enfatizava o adjetivo dado para ele imitando a voz dela, ou tentando imitar. Intensificou as cóssegas e parecia não conseguir mais respirar.
- Ai, Dougie!! Pára!! – ela falava entre gargalhadas. – Preciso respirar!! – ao falar isso ele parou, ficou com medo de matá-la sem querer. Ela estava vermelha e respirando forte. – Quer me matar?
- Desculpa. – ele falava meio apavorado. Mas ela sacaneou ele também e se vingou. Era a vez dela fazer cóssegas. – Trapaceira!! Tu vai ver!! – ele falava rindo.
- Vou ver o que, hein, senhor descoordenado babão? – ela falava em tom superior. Ela só não esperava que ele fosse mais forte que ela, o que era praticamente óbvio.
- Isso! – ele rapidamente pulou pra cima dela, imobilizando e fazendo suas cóssegas que conseguiam ser piores que as delas.
- ‘Tá bom... ‘Tá bom... – ela arfava. – Tu venceu! Eu me rendo.
- É assim que eu gosto. – Dougie falou se achando e parando.
- Babão! – ela mostrou a língua, fingindo estar emburrada.
- Adoro te ver emburradinha. – ele sorriu, e ela não aguentou e sorriu também. Não era fácil ver aquele sorrisinho fofo tão de perto e ainda mais olhadno pr’aqueles olhos azuis perfeitos. Ele foi se aproximando, ainda em cima dela e a beijou intensamente. A posição foi cansando e logo estavam numa mais confortável, não tão chamativa.

abraçava Tom pela cintura, com cabeça descançada em seu peito, entrelaçando os braços quase apertando, ou estava mesmo apertando-o. Ele parecia não se importar. Passava suas mãos pelos ombros dela, fazendo carinho em seus cabelos com a mão que descançava em seu ombro esquerdo. Eles estavam ecostados em uma mesa que parecia ser a de jantar, que estava em baixo do “Happy Birthday & ” com algumas letras caídas, cheia de garrafas, copos, pratinhos e garfinhos de plástico e papéis e restos de comida, menos o que tinha no começo da festa.
- Espero que o Hall não nos interrompa agora. – Tom falava olhando para o horizonte.
- Nem outro qualquer. – completava e Tom sorria, vendo que ela entendia o que ele queria dizer. – Eles são legais, mas agora seriam inconvenientes.
- Muito.
- Assim como foi aquela Casey atiradinha.
- Atiradinha? – ele perguntou sem entender.
- Vai dizer que não percebeu? – agora olhava para ele com cara de quem não acreditava.
- Perceber o que, ?
- Ai, Tom! Ou tu te faz muito ou é muito tonto! – deu uma pausa para ver a reação do garoto. – Ela dava em cima de todos vocês. Descaradamente!
- Ai, . Ela só tentou ser simpática. – ele tentava defender a garota.
- Simpática? Aquilo pra mim é vagabunda. – ele a olhou espantado. – Nem respeitou eu e as gurias. Pelo menos a Amy ela respeitou, se não respeitasse seria muito imbecil.
- ‘Tá com ciúmes? – ele falou rindo.
- Não é isso. – ela tentou desviar o assunto. – só acho que se fosse pra dar em cima de alguém, que desse nos Son of Dork que ‘tavam sozinhos.
- Mas até que ela é bem bonita. – Tom provocou.
- Mas bem vadia também. – agora estava emburrada, tentando não demonstrar isso, mas era impossível, pois ele havia falado aquilo propositalmente para vê-la desse jeito.
- Não respondeu minha pergunta.
- Não.
- Não respondeu ou não ‘tá com ciúmes?
- Os dois.
- Me engana, .
- Cala a boca, Tom. – ela ficava cada vez mais emburrada e ele se divertia ainda mais.
- Eu também ficaria com ciúmes de ti se um cara bonito ficasse te cantando. – ele falou, tentando fazer com que ela adimitisse.
- Mas nem bonita ela é. – não queria admitir, mas Tom tinha certeza que ela estava. Ele só olhou para ela esperando mais alguma coisa. – ‘Tá tudo bem, ela não é bonita, mas me incomodou ver ela dando em cima de ti.
Tom preferiu não falar nada. Ficou apenas olhando para como se tivesse ganhado o jogo.
- Que foi? – ela perguntou, ao ver que ele a olhava sem desviar.
- Nada. Só estou te admirando. – ela não conseguiu continuar com sua cara amarrada, ele conseguia ser encantador. Ao dar um sorriso, Tom se sentiu autorizado para beijá-la e assim ficar por um longo tempo. Ele gostou de saber que ela se sentia incomodada com outra garota em relação a ele. E ela gostou de ouvir que se fosse o contrário ele também sentiria ciúmes. Era pouco tempo que estavam ficando, mas já tinha uma forte ligação entre eles.

A cozinha foi o único lugar em que Danny e conseguiram achar um lugar para sentar. As cadeiras em volta da mesa estavam livres, pelo jeito só eles pensaram nessa possibilidade. Danny estava ao lado de , que falava sem parar sobre a festa de Halloween e ele a ouvia com vontade, achando aquela animação toda o máximo.
- Arranjar uma fantasia criativa é a coisa mais genial do mundo. – fala de maneira efusiva. – Já tenho uma idéia em mente, mas tenho que aprimorar alguns detalhes. – ela estreitava os olhos e colocava a mão no queixo, apoiando o cotovelo na mesa como se estivesse vendo sua fantasia bem na sua frente.
- E qual vai ser? – Danny estava curioso de verdade.
- Já disse que é segredo. Não vou contar. – ela apertava a boca, mostrando que não sairia nada dali.
- Ai, , não custa nada!
- Não vou falar. – agora ela passava os dedos pelos lábios como se fechasse ainda mais a boca.
- Só pra mim. – ele implorava.
- U-hum – ela negava balançando a cabeça e fechando os olhos como se tivesse tranquila em relação a isso.
- Eu juro que não conto pra ninguém. – ele sorria com esperanças de que ela falasse.
- Não sai nadica da minha boca. – ela continuava tranquila.
- E se eu te contar a minha fantasia? – ele deu uma pausa, vendo suas feições. – Tu me contaria a tua?
- Hum... – ela se mostrou pensativa e demorou um pouco para falar. – Conta aí.
- Yes! – ele vibrou contente. – Na verdade, eu ainda não sei do que eu vou, mas to pensando em alguma coisa como um espantalho assustador, alguma coisa assim.
- Criativo! – ela ria imaginando Danny daquela maneira. E ele esperava que ela falasse a dela.
- ‘Tá, agora é tua vez.
- Não vou falar, já disse.
- Mas tu promenteu!
- Não prometi nada. Só disse que tu podia falar a tua, não falei que eu diria em troca. – ela o olhava vitoriosa.
- Jogo sujo, hein? – ele parecia decepcionado. E ficaram um tempo em silêncio.
- Sabe, eu gosto de cozinhas... – ela falou e ele a olhou sem entender. O assunto não tinha nada a ver com que eles falavam antes. – Elas não te lembram nada? – ela percebeu que ele não entendia e resolveu facilitar, mas pelo jeito Danny lesado não entendeu.
- Gosta de cozinhar? – ele chutou.
- Ai, Danny, às vezes eu tenho que concordar com os guris, tu é muito lerdo!
- Ah! – ele pareceu se lembrar e sorriu, quase retirando o que tinha falado. – Isso me lembra que eu to com fome. Tu também deve estar, né? – não, ela não retiraria o que falara.
- Lesado! – repetiu, revirando os olhos. Desistiu de esperar que ele entendesse e, delicadamente, abraçou-o pela nuca e se aproximou devagar, devagar para ele entender que ela queria beijá-lo. Pelo jeito para essas coisas ele não é lerdo, entendeu direitinho e aproximou sua cadeira da dela e a pegou pela cintura, beijando-a num beijo calmo e longo. Danny podia ser lesado, mas aquilo era o charme dele. gostava daquela lerdeza de entender as coisas. E para Danny, que nem se dava conta disso, não parecia tão mal assim, pelo menos ele via que ela estava afim dele mesmo, e não podia negar que também estava afim dela.

Capítulo 20

Quando acordou, e já tinham saido para trabalhar. Claro já era meio dia e elas sairam cedo da manhã.
ainda estava dormindo, mas não demorou muito para ela acordar também ao ouvir barulhos de na cozinha.
- Bom dia! – falou com a voz rouca, entrando na cozinha.
- Boa tarde, né? – deu uma risadinha. – O que acha de almoçarmos uma torta de batatas?
- Maravilha. – sorriu sem mostrar os dentes e sentou-se no banco mais alto que tinha em frente a bancada. – Quer ajuda?
- Não precisa, a parte mais dificil eu já fiz que foi cortar as batatas. Agora é só montar e colocar no forno.
- Que bom, então. ‘Tô sem a mínima vontade de cozinhar. – riu colocando uma mão na cabeça como se sentisse alguma dor, e de fato estava sentido uma certa dor de cabeça devido a festa do dia anterior.
Durante o almoço, as garotas lembravam da noite anteiror, até se lembrar de uma coisa bem importante.
- Cara! Eu tenho que ir buscar meu carro. Deixei ele lá como uma boa motorista que não dirige quando bebe. – lembrou e as duas riram.
- Um pretexto para ver os guris. – gostou da idéia. – Vamos a pé?
- A pé? – fez manha.
- O que custa? Assim conhecemos melhor o caminho de pedestre. – tentava convencer a amiga.
- ‘Tá bom, ‘tá bom! – se deu por vencida.
- ‘Tá, então se arruma bonitinha pra ver teu Dougie que eu vou me arrumar bonitinha pra ver meu Harry. – falou sorrindo enquanto arrumava a louça para lavá-la. Ao acabar, já estavam na rua batendo papo enquanto caminhavam. Quando perceberam, já estavam na frente da casa de Harry.
- Ok, ou a gente caminhou muito rápido, ou a gente se distraiu muito enquanto caminhava ou... A casa do Harry é super perto! – falava impressionada.
- Viu, nem caiu um pedaço por ter vindo a pé. – falou ao tocar a campainha. Um Harry com um avental abriu a porta e pode se ver lá dentro da casa os outros três também de avental, e um Danny que, além do avental, estava com um lenço na cabeça. Estavam todos com algum objeto de limpeza em mãos. Não tinha como não rir da cena. e não conseguiam nem falar um ‘oi’ de tanto que riam. Nem sequer entraram na casa.
- Oi pra vocês também, gurias! – Harry falava um pouco indignado.
- Ai... – retomava o fôlego. – Oi, Harry! – deu um selinho no garoto. – Desculpa, mas a cena ‘tá ótima!
- É... – também retomava o fôlego. – ‘Tá ótima mesmo. ‘Tão limpando a casa da sujeira de ontem? – disse entrando na casa para cumprimentar os outros.
- Estamos. – Dougie fez cara de entediado. – Se vocês ajudassem não seria nada ruim.
- Tudo bem, nós podemos ajudar. – foi arranjando alguma coisa pra fazer.
- Eeeew. Eu vou ter que limpar vômitos? – fazia cara de nojo. – Eu vim aqui só pra pegar meu carro.
- Não, isso nós já fizemos. E com muito sacrificio. – Tom falava com a mesma cara de nojo de .
- Não que o trabalho agora não seja pesado também. – Danny limpava a testa com suor.
- Lerê lerê lerêlerêlerê – as garotas cantavam ao ver Danny naqueles trajes com uma vassoura na mão. Os garotos não entenderam nada, mas deixaram por isso mesmo. Como eles iriam entender alguma coisa relacionada com novela brasileira?
- Tudo bem, vamos ao trabalho. Já que eu apareci por aqui vou ser educada. – concordou com em ajudar os garotos.
- E vocês vieram até aqui sóóó por causa do carro?? – Dougie fazia manha.
- Hum... – fingiu estar pensando - É.
- Mentira, a gente veio ver vocês também. – desmentiu a amiga, que sorria concordando.
- Acho bom, né? – Harry dizia segurando um espanador com uma mão e com o outro braço abraçando . Dougie sorriu e deu um beijo em .
Elas se juntaram a eles e ao figurino de empregada que eles vestiam. Não sabiam de onde Harry tirara tantos aventais. Com a ajuda das garotas, a limpeza acabou rápido e por sorte delas não foi a limpeza nojenta. Quando acabaram se jogaram no sofá cansados.
- Bom, acho que já vamos...Já ajudamos vocês, já vimos vocês e já podemos levar o carro. – falava enquanto encostava a cabeça no ombro de Harry.
- Ah! Não vão embora. Fiquem um pouco mais. – Dougie quase implorava, abraçando pela cintura e colocando a cabeça em seu peito, como se estivesse prendendo ela ali. - Ninguém sabe fazer o que vocês nos fazem. – ao falar isso, olhou para sorrindo, que não resistiu ao seu lindo sorriso e deu um beijo no garoto.
- Isso dá uma música, hein? Jogo sujo! Mas é exagero, tenho certeza. – falou um pouco tímida. – Tudo bem, nós ficamos. Mas vamos fazer alguma coisa de interessante.
- Nem é exagero. Vocês são ótima companhia mesmo. Só falta as gurias aqui pra completar. – Danny falava, obviamente pensando em .
- Nós vamos ensaiar lá na casa do Dougie, que tem nosso estúdio particular. – Tom falava. – Querem assistir?
- Claro! Isso pode ser bem mais legal do que um show. – falou animada. – Onde é a casa do Dougie?
- Aqui do lado. – Harry falou com desinteresse.
- Que longe, han? – se levantava para sair, assim que Dougie a soltou. – Então, vamos!
Foram para casa de Dougie depois da longa viagem, foram recepcionados por um Flea hiperativo e entraram numa porta em baixo da escada. Essa porta dava para um estúdio bastante grande para o que parecia, tinha uma bateria dourada com glitter com o nome da banda escrito no bumbo no fundo da sala, do lado direito tinha um baixo rosa apoiado, com glitter também – pelo jeito eles gostavam bastante de glitter – e com luzes, que estavam apagadas no momento, no braço do instrumento e um tripé com microfone, no meio, uma guitarra cor ocre com um detalhe preto e também um tripé com um microfone e bem à esquerda outra guitarra de cor vinho e outro tripé com microfone. Estava bem organizado, era só chegar ali, pegar os instrumentos e começar a tocar. A sala tinha uma boa acústica, era como um estúdio mesmo, quase uma gravadora. Só faltava o gravador.
- Então, esse é o lugar em que ensaiamos. – Dougie apresentou, orgulhoso de ser em sua casa.
- Nossa, super legal. – falava enquanto se aproximava dos instrumentos.
- Esse baixo tem luzes? – parecia incrédula.
- Tem! Legal, né? – Dougie parecia mais animado que elas.
- Mas não foi com esse que vocês tocaram naquele show, foi? – tentava se lembrar. – Não me lembro de ter visto luzes.
- Não, não foi. O Dougie tocou com o amarelo. – Danny esclarecia.
- Ok, vamos parar de falatório e vamos mostrar pras gurias do que somos capazes. – Tom falava, pegando sua guitarra e se posicionando em frente ao seu microfone.
- Fiquem à vontade, gurias. – Harry falou, apontando um lugar para elas se sentarem e foi correndo se sentar em frente a sua bateria enquanto os outros também se posicionavam em seus devidos lugares. E as garotas se sentaram para assistir ao show particular.
Harry batia as baquetas e eles começaram com a mesma música que abriram o show da última vez, depois tocaram mais umas seis músicas, algumas mais animadas e outras mais calmas. Em alguns momentos, as garotas se balançavam ao ritimo do som que saia das caixas de som. Em meio de algumas músicas eles paravam para ajeitar alguma coisa ou até para fazer alguma piadinha, até que chegaram na última música, deixando as garotas querendo mais. Era realmente muito boa as músicas deles.
- Gostaram? – Danny perguntou, ainda no microfone.
- Nossa, demais! – disse .
- Como vocês conseguem fazer músicas tão agradáveis? – perguntou .
- Ah, sei lá. Tem que nascer com o dom. – Tom se exibia e todos riram.
- Precisamos conhecer todas as músicas de vocês. Seremos as melhores fãs que vocês já tiveram. – disse animada. – Já têm CD?
- Ainda não... Estamos ensaiando exatamente para isso. – Harry explicava.
- Vamos começar a gravar. – Dougie completou.
- Que ótimo! Vai ser um cd super bom, garanto. – falou com certeza.
- Esperamos. Mas não é tão facil assim, precisamos dar tudo de nós para dar certo. – disse Danny coçando a cabeça.
- E quando vocês vão na gravadora? – perguntou .
- Fim do mês. – Douige falou. – Para comemorar meu aniversário.
- Jura? Teu aniversário já é agora? – perguntava com uma sincera alegria e Dougie concordou com um sorriso no rosto.
- Falando em aniversário, amanhã é o da . Vocês vão aparecer lá em casa pra comer um bolinho, né? – perguntava ao mesmo tempo que convidava os garotos.
- Claro! – Danny respondia feliz.
- Mas vocês vão nos entupir de bolo? – Tom falava rindo.
- Ah, aniversário sem bolo não tem graça. – falou .
- E agora, falando na , ela deve estar saindo do serviço, né? – Danny perguntou com segundas intenções.
- Deve sim. Por quê? – falou, pegando o pulso de para ver as horas.
- Acho que vou lá buscar ela.
- Vou contigo. A sai no mesmo horário. – Tom falou, arrumando os instrumentos para sair.
Os dois sairam rápido para poder pegar as garotas lá ainda, antes que tivessem ido embora, e deixaram na casa de Dougie: o próprio, Harry, e , que já estavam na sala jogados no sofá sem uma idéia do que fazer. Ficaram um tempo quietos, olhando pra frente, até que Dougie, que já estava incomodado com o silêncio, tomou uma iniciativa.
- Querem ver um filme? Sei lá, vamos fazer alguma coisa...
- Não, eu e a vamos lá pra casa. – Harry levantou rapidamente, puxando consigo.
- Se tu diz... – seguia o garoto, dando um abaninho para os que ficavam.
Agora e Dougie ficaram sozinhos na casa silenciosa de Dougie.
- Ok, não ‘tá tão ruim assim, pelo menos a gente ‘tá junto. – falou, quebrando o pequeno silêncio que ficara depois de Harry e sairem, abraçando o garoto e dando um selinho.
- É, não ‘tá nem um pouco ruim. – Dougie sorriu malicioso e intensificou o beijo. Não só o beijo foi intensificado, ao passar do tempo e dos beijos, o clima também se intensificou, estava cada vez mais calor ali. O casal já estava se deitando no sofá, mas Flea, que ainda estava hiperativo, não estava muito afim de deixá-los em paz. Ele ficou fuçando os dois até que resolveram parar.
- Acho que o Flea ‘tá com ciúmes. – falou rindo.
- Ai, Flea, tem que sempre atrapalhar? – Dougie falava rindo para o cachorro.
- Podemos pegar a Lady pra fazer companhia pra ele. – tentava achar uma solução.
- É uma boa idéia. Vamos lá, então! – Dougie falou, se levantando e pegando a guia de seu cachorro e indo em direção ao carro de , que estava em frente à casa de Harry ainda. – A casa ‘tá quieta... os dois devem ‘tá que ‘tá aí dentro. – os dois riram baixinho para as pessoas de dentro da casa não ouvirem nada.

Esse sábado até que estava bastante movimentado na livraria de Seu Oscar, trabalhava sem parar e se não tivesse ajuda dos outros vendedores, não conseguiria dar conta. Para variar, Jasper não tinha aparecido de novo, mas felizmente – ou não, dependendo da entrega – não teve nenhuma entrega durante o dia. Finalmente seu horário estava acabando, Rupert teve que avisá-la, senão continuaria ali até Seu Oscar expulsá-la. Rupert era um garoto legal, um bom amigo, seu jeito querido encantava qualquer um, e com aqueles cabelos ruivos e sardinhas também não tinha quem não se encantasse. Ele parecia sempre preocupado com , aquilo o deixava mais simpático e querido ainda. Um laço de amizade estava se formando ali.
- Bom, então eu vou indo. Nos vemos segunda. – se despediu.
- Até segunda. – Rupert respondeu.
- Ah, Rupert! – se virou para o garoto. – Vai ter uma festa de Halloween fim de semana que vem, não ‘tá afim de ir?
- Ah, desculpa, ... Não sou muito fã desse tipo de festa. E também não conheço ninguém. – os dois fizeram uma cara meio tristonha. – Mas obrigado pelo convite. – ele sorriu e ela concordou, se virando de volta para a rua.
- !! – ela ouviu alguém a chamar quando já estava na rua, se virou e deu um sorriso maior que o rosto. Era Danny correndo para alcançá-la. – Quase não te pego aqui. – ele completou.
- Veio me buscar? – ainda sorria.
- É, as gurias ‘tavam lá na casa do Dougie, daí eu e Tom decidimos deixar eles sozinhos. Sabe como é, né? – eles riram e logo depois se beijaram.
- Cof cof – alguém fingiu uma tosse enquanto Danny e se agarravam no meio da rua.
- Ah, oi, Tom! – disse meio tímida, vendo que o garoto estava ali junto de , que devia ter recém saido do serviço também. – Vocês ‘tão indo pra casa?
- É, a quer ver Heroes, e é claro que não vai ser sacrificio pra mim ver também. – Tom falava enquanto concordava com a cabeça sorrindo.
- Vai dar um especial de Heroes, um atrás do outro. – disse empolgada.
- A gente podia deixar os pombinhos sozinhos e dar uma passeada, que tu acha? – Danny sugeriu para .
- Acho uma boa idéia. Vamos no cinema? ‘Tá passando um filme que eu ‘tô a horas pra ver.
- Vamos! – Danny concordou e os dois se despediram de e Tom, que seguiram para casa.
Em casa estava tudo fechado e desligado, menos a Tv, claro. Tom e vidrados na tela que passava a série tão amada, até que Lady e Bili sinalizaram que alguém estava chegando. , Dougie e Flea entraram pela porta e estranharam a escuridão. Acenderam a luz para conseguir enxergar direito, mas não foram bem recebidos com isso.
- Não!! Desliga!! – gritou no segundo que tocou no interruptor.
- Assim fica podre! Desliga! – Tom falava junto com .
- ‘Tá bom, calma. – desligou e levantou as mãos em sinal de ‘não faço mais’. – Só vim buscar a Lady pra dar umas voltas.
- Ssshhh! – os dois fizeram juntos.
- Credo, que gente mal educada. – Dougie se sentia ofendido por .
- Deixa eles. – falou mais baixo e saiu do apartamento com Lady na guia, agitada e brincando com Flea.
- Agora que deu o intervalo vocês po... – falou, mas logo viu que não tinha ninguém, nem percebeu que eles haviam saido.
- Eles já foram. – Tom esclareceu.
- Nossa, nem deram tchau.
- Claro, depois da nossa recepção. – os dois riram e se sentiram culpados pelo que fizeram.
- Ah, Tom!
- Hum?
- Não sei se tem problema... Acho que não...
- O que?
- É que eu convidei uma pessoa pra ir na festa de Halloween...
- Ah, não em problema. Todo mundo leva mais alguém. É assim que a festa fica legal. Quem tu convidou?
- O Phil. – falou um pouco receosa, esperando alguma reação de Tom.
- Aquele da locadora?? – Tom mudou sua expressão e pareceu não ter gostado.
- É, ele é meu amigo...
- Amigo? Só pra ti mesmo. ‘Tá na cara que tem segundas intenções contigo.
- Ai, Tom. Tu que fica com essa paranóia aí. Não tem nada a ver.
- Ahã... – Tom preferiu acabar com o assunto. Não tinha motivos para cobrar nada dela.
Depois que o intervalo acabou, os dois, principalmente Tom, já tinham esquecido da conversa anterior. Incrível como eles ficavam vidrados naquele programa.

Já estava anoitecendo e e Harry precisavam fazer alguma coisa diferente além de ficar se agarrando no sofá da casa dele. O pior era que era muito difícil se desvencilhar daquele garoto maravilhoso abraçado nela, a beijando e ainda por cima estavam deitados num sofá mega confortável. Mas Harry deu uma sugestão.
- Já que ‘tá anoitecendo e eu não estou a fim de me separar de ti, ‘tá afim de jantar fora?
- Uuuh, super adorei a idéia! Óbvio que eu não quero ir pra casa ainda. Onde?
- Ah, sei lá... Quem sabe um restaurante... árabe?
- Nossa, que chique! Não tem nada de peixe nisso, né? – Harry negou. – Então feito! Detesto peixe. – fez uma cara de quem fosse vomitar colocando um dedo dentro da boca e Harry riu. - Mas eu preciso me arrumar, não vou assim.
- Restaurantes diferentes são legais... Pra falar a verdade, nem sei direito o que tem lá, mas deve ser bom. Eu te levo em casa pra tu te arrumar. – riu e fez joinha, se levantando para pegar seu casaco.
Foram até em casa e encontrarm e Tom ainda vendo Tv. Sim, são uns viciados. E por incrível que pareça, ainda estava dando Heroes. Era realmente um especial de um atrás do outro. E uns vários atrás de outros vários. Devia ser a temporada inteira num dia só.
- O que vocês ‘tão assistindo? – perguntou ao passar por eles para ir ao quarto, enquanto Harry sentou no banco alto da bancada da cozinha pra esperá-la, já que no sofá o casal estava deitado e concentrado no seriado.
- Sshh! – dessa vez tentou ser mais delicada, mas ainda assim foi meio grossa. – Heroes.
- É um especial. – Tom completou. Os outros dois nem falaram mais nada porque sabiam que se falassem seriam linchados dali.
tomou um banho rápido e se vestiu com uma roupa casual. Super bonita, na opinião de Harry que babava ao ver a garota com um vestido até o joelho por cima de uma meia calça preta e nos pés um sapato fechado com salto médio. Logo depois colocou um casaco combinativo que completou a beleza da roupa.
- Nossa, me senti um mendigo agora perto de ti. – Harry falou, ainda olhando para , que já estava envergonhada de tanto que o garoto olhava.
- Ainda temos tempo. Passa lá na tua casa e te arruma, bonitão.
- Quer dizer que tu acha que eu ‘tô um mendigo?
- Não... Não é isso.
- Ssssshhh!! – Tom e interromperam, estavam começando a se irritar.
- Ok, vamos indo. – não queria mais incomodar. Harry decidiu passar em casa de novo para colocar uma roupa mais ajeitadinha.

O fim de sábado foi maravilhoso para todos. nunca imaginaria ficar passeando com Lady de tardezinha, anoitecendo. Isso é muito perigoso no Brasil, não que não seja em Londres também, mas com certeza é bem menos. E na companhia de Dougie tudo ficava tranquilo e seguro. e Tom não desgrudaram um minuto da televisão, o que para eles foi maravilhoso, não sei se para outros seria. e Danny no cinema? Maravilhoso! Vendo um filme divertido e de vez em quando trocando carinhos e beijos. E e Harry experimentando novos tipos de comida num jantar super romântico, é óbvio que também foi maravilhoso.
deixou Dougie em casa, mas o garoto não estava muito a fim de se separar dela. Ficou enrolando no carro.
- Tudo bem, já entendi. – captou a mensagem de Dougie de não querer se separar. – Deixa o Flea aí e vamos pra minha casa. Ficamos no quarto pra não atrapalhar aqueles dois viciados em Heroes.
- Ok, um minuto, então. Deixo o Flea e voltou correndo.- Dougie sorriu, dando um selinho rápido e adorando o fato de continuar mais um tempo com .
Voltaram para casa e preparou um macarrão instantaneo para os dois que comeram no quarto, pois e Tom estavam na sala, só que agora dormindo depois da longa jornada de Heroes.
- Como tu não me disse que toca violão? – Dougie falou ao ver um violão preto encostado na parede do quarto.
- Tu nunca me perguntou. – respondeu rindo.
- Toca uma música aí. – Dougie alcançou o violão para ela que, um pouco envergonhada, começou tocar e cantar Yesterday, dos Beatles. Dougie ficou só observando e acompanhou ela, cantando somente mexendo os lábios, sem sair som.
- Eu acho essa música tão linda. – falava enquanto colocava o violão ao lado da cama e se deitava.
- Muito linda mesmo. – Dougie também se deitou. – Queria ter sido o compositor dela.
- Se tu fosse o compositor, eu ia amar estar do teu lado nesse momento.
- Então tu não ama estar do lado de um baixista que não compôs Yesterday? – ele perguntou indignado.
- Claro que amo. – ela ria enquanto abraçava-o para dar um beijo. – Mas eu amaria mais ainda se tu fosse o compositor de Yesterday.
- Hum... ‘tá. – Dougie fechou um pouco a cara.
- Compõe uma música linda também?
- Só se for pra ti. – os dois sorriram e ficaram se olhando por alguns instantes. , com uma mão na nuca de Dougie, brincava com seu cabelo, enquanto Dougie fazia carinho em seu rosto.

Na frente do prédio estacionava um carro. Danny e haviam voltado do cinema e ficaram dentro do carro conversando um pouco.
- Adorei o filme! – falava animada. – Nossa, ri um monte.
- É, eu também adorei. – Danny concordava. – Mas adorei ainda mais poder ficar contigo.
- Foi ótimo mesmo. – se aproximava para dar um beijo no garoto. Era incrível como ele podia ser tão conquistador. Aquilo arrasava com o jeito durona dela.
- Sabe, ... – Danny interrompia o beijo. – Acho que eu ‘tô gostando de alguém.
- E de quem é que tu ‘tá gostando? – se sentiu ofendida e sua expressão ficou triste pelo garoto dizer que gostava de outra na sua frente. Como ele teria coragem de fazer aquilo com ela depois dessa noite super legal e de dizer que adorou ficar com ela? Muito cara de pau, ela pensava nos segundos enquanto esperava a resposta dele.
- É de ti,sua boba. – ele respondeu rindo da confusão dela e ela desfez a cara triste e deu um sorrisão. – Que eu não vou me esquecer nunca.
- Credo, isso parece uma despedida. – ela ficou um pouco assustada pelo fato de ‘não vou me esquecer nunca’.
- Não é despedida. Só queria que tu soubesse que eu gosto e que eu nunca vou me esquecer de ti, aconteça o que acontecer. – ele parecia sincero. Era tão lindo.
- Eu também gosto de ti. Muito. – talvez mais do que tu possa imaginar, completou em pensamentos. E voltou ao beijo, só que dessa vez mais apaixonado.
Pelo espelho retrovisor do carro um reflexo de um farol de outro carro bateu em seus rostos e estacionou atrás deles. Do carro saíram e Harry, que deu a volta no carro para se despedir dela com um beijo bem longo. e Danny resolveram descer do carro também para encontrar os amigos.
- Hey, casal! – Danny falava ao se aproximar do casal que se beijava.
- Ah, são vocês! – falou ao ver quem tinha saído do carro em frente ao deles.
- É. Recém voltamos do cinema.
- Ah, legal! Nós fomos num restaurante árabe, super bom. Recomendo. – Harry falou.
- Sabe se as gurias tão em casa? – perguntou.
- Olha, a e o Tom ‘tavam vidrados na TV quando a gente passou por aqui, mas a não ‘tava. – respondeu olhando para a entrada do prédio.
- Mas aquele não é o carro da ? – Danny apontava para o carro que estava na vaga da garagem do prédio.
- É sim! Vamos subir então. – olhou para onde Danny apontava para conferir e convidou os garotos, que não pensaram duas vezes ao aceitar o convite.
Lá em cima encontram o mesmo que e Dougie: Tom e dormindo de conchinha no sofá, e pela porta entreaberta viram Dougie e deitados na cama.
- Vamos ter que atrapalhar o momento casal. – deu uma batidinha e logo depois abriu por completo a porta. – É que nós estamos a fim de dormir e nossa cama ‘tá ocupada… O que a gente faz?
- Expulsa eles de lá, ué. – Dougie foi curto e grosso.
- Mas é que daí a tem que vir pra cá. – se intrometeu. E concordou com jeito triste olhando para Dougie.
- Tudo bem, vou aproveitar que os guris ‘tão aqui pra me dar uma carona de volta. – Dougie ia se levantando. – Harry? – perguntou para o amigo como se pedisse carona pra ele, que assentiu.
- , precisamos na nossa cama. – tentava acordar . - E o Tom tem que ir pra casa.
- Hum? – acordava devagar. – ‘Tá, vamos lá, Tom.
- Uhum. – o garoto respondia esfregando os olhos.
- Ele pode ir comigo, já que não veio de carro. – Danny se referia a Tom.
Quando estavam de pé, olhou para a TV ligada e se lembrou do que estavam vendo.
- Não acredito, Tom!! A gente perdeu o final de Heroes!! – ela quase chorava.
- Putz!! Não acredito! – Tom batia a mão na testa.
- ‘Tá, gente, isso repete vinte mil vezes depois. Vocês podem assistir de novo. – falou ao sair do quarto.
- É, agora vamos lá. As gurias devem estar querendo descansar. – Harry falou se despedindo e os outros fizeram o mesmo. Assim que eles saíram, elas capotaram na cama, realmente precisavam dormir.

Capítulo 21

O domingo passou rápido, infelizmente. Estava bom demais passar mais um dia com os garotos comemorando o aniversário de . Claro, com bolo e parabéns, tudo como manda o figurino. Já a segunda passou bem mais devagar e chegou mais tarde em casa.
- Chegou mais tarde, ? – falava olhando para o relógio.
- É, descobri uma quadra de tênis lá perto dos Turner... Acho que eu vou começar a jogar antes de trabalhar. Não quer jogar também, ? – se virou para . Elas jogavam Juntas no Brasil, só que tiveram que parar para viajar.
- Até queria, cara, mas antes de trabalhar não sei dá tempo pra mim.
- Ah, é só acordar mais cedo. – falou rindo, sabendo que a garota não ia aceitar. – Mas se mudar de idéia, já sabe, vou estar lá. – fez joinha.

Na manhã seguinte, a primeira pessoa a levantar foi , que levou Lady na rua para fazer suas necessidades sem muitos passeios e logo depois colocou uma roupa de esporte e na mochila outra roupa para tomar banho quando chegar no serviço. Prendeu o cabelo num rabo de cavalo e saiu animada para jogar tênis, era um dos poucos esportes que ela realmente gostava de praticar. Para ajudar, o tempo não estava tão frio, uma exceção no meio do outono britânico. Tudo bem que não parecia verão nem primavera, mas estava bem diferente dos dias normais de outono.
parecia flutuar na quadra. Estava amando voltar a jogar e aquilo a deixava leve e feliz. Tinha que concordar que não estava na forma ideal, precisaria de muito condicionamento físico que foi perdido nesse tempo que estava parada. Terminou o jogo mais cansada do que terminaria se tivesse jogando todos os dias. Mas aquilo não a intimidou, foi pra casa dos Turner feliz da vida, suada, vermelha e toda desleixada, mas feliz da vida. Colocou a mochila num ombro e a bolsinha da raquete por cima. No prédio decidiu entrar pelo elevador na garagem, para evitar aparecer daquela maneira no hall do prédio chique de seus patrões. Quando a porta estava fechando, percebeu que alguém tinha entrado na garagem, mas não estava a fim de segurar o elevador. “Pega quando voltar”. – pensou . Era somente um elevador, pois os apartamentos eram de um andar inteiro e se tivesse mais elevadores os moradores teriam problemas em codificar seus andares. Mas uma mão apareceu na pequena fresta da porta ainda aberta, fazendo-a abrir. Ela estava com cara de bunda, pois não queria ninguém dividindo o elevador com ela. Mas quando viu a pessoa que entrou, teve que mudar de opinião. Era um garoto mais ou menos de sua idade, talvez um pouco mais velho, lindo. “Bendita hora que esse guri aparece, olha o jeito que eu ‘tô” – ela pensava enquanto ele entrava e se posicionava bem em sua frente e ainda por cima voltado para ela. Ele era alto, bem alto, magro, com cabelos bem escuros, praticamente pretos, e os olhos claros, um verde meio mel. Nossa, era demais para uma pessoa que acabou de fazer um exercício físico, o coração não agüenta.
- Oi! – ele falou simpaticamente. Sua voz era doce, muito agradável de se ouvir.
- Oi! – respondeu tímida.
- ‘Tá quente hoje, né?
- Pois é...
- Bom pra fazer exercícios. – e apontou para ela, percebendo que ela recém voltara de um exercício, fazendo-a corar. Se bem que nem dava para perceber que ela corara, pois já estava vermelha do cansaço.
- É. – ela continuava tímida e sem saber o que falar. – Ainda bem que tem um ventinho... – credo, que ridículo! Ela falou em pensamento.
- É... – ele respondeu logo que o elevador parou. Era o sétimo andar, ela não iria esquecer o andar. – Bom, até mais, então! – ele levantou um pouco a mão como se abanasse para ela.
- Tchau! – ela imitou o garoto. Logo depois, no décimo andar, o elevador parou de novo. Era o apartamento dos Turner.
Ao entrar no apartamento, viu que estava tudo calmo, os pais de Jimmy já haviam saído e Nancy estava na cozinha arrumando qualquer coisa. Nancy era a empregada. Ela dormia ali e fazia todo o serviço da casa, para não ficar tão pesado, para ela os Turner decidiram contratar uma baby-sitter, . Nancy era uma mulher de meia idade, com seus cinqüenta e muitos anos, simpática, mas sem muita conversa. entrou na cozinha para cumprimentar a mulher.
- Bom dia, Nancy! – falou ao entrar na cozinha, vendo que ela não tinha percebido sua presença ali. A mulher se virou um pouco assustada.
- Oi, . Chegou agora?
- Sim. Vou tomar um banho enquanto Jimmy não acorda. ‘Tô praticando esportes agora pela manhã. – ela falou sorrindo e apontando para a mochila que tinha nos ombros, foi respondida por um outro sorriso.
- É bom. – foi a única coisa que Nancy respondeu após o sorriso. Como já dito, ela não é muito de papo.
O dia passou rápido, hoje Jimmy estava mais tranqüilo, sem manhas como da outra vez. Jimmy era um bebê de um ano e meio mais ou menos. Às vezes sentia falta dos pais. Tinha um irmão mais velho, Johnny, de seis anos. Ele já estava no colégio, então era uma criança a menos para cuidar. Foi Nancy que cuidou de Johnny quando ele era menor, mas foi bem difícil fazer todos os serviços domésticos e cuidar de um bebê que precisava dela a qualquer momento, foi por isso que decidiram contratar uma pessoa só para isso. No começo Nancy não aceitou bem, por mais que fosse um trabalho pesado, não admitia uma pessoa estranha cuidado do pequeno Jimmy. Ela era empregada há tempos da família, daquelas que viram o fulaninho crescer. Mas aos poucos foi gostando de e viu que poderia ser melhor dessa maneira.
Quando percebeu, Johnny e os pais entraram pela sala. Por mais que se vissem pouco, Johnny e se davam bem. Sempre quando chegava da escola ia correndo brincar com ela e contar as coisas que tinham acontecido de legal lá. estava com Jimmy sentando em sua frente no chão, enquanto os dois brincavam com aqueles brinquedos de montar, para as crianças irem assimilando tamanho e forma. Claro que Johnny não deu bola para o irmão e quis logo a atenção da baby-sitter.
- Olá, Johnny! – falou abraçando o garoto que se jogara em suas costas. – Como foi a escola hoje?
- Foi legal! – o garotinho respondeu, sentando ao lado do irmão para ficar de frente para . Jimmy parecia prestar atenção em Johnny. – Hoje eu brinquei com a Taylor de pega-pega, mas o Trent foi brigar comigo porque eu ‘tava brincando com a namorada dele. Eu nem queria ela como namorada mesmo.
- Mas tu ficou sem brincar com ela? – perguntou preocupada.
- Fiquei. Mas depois a Lizzie apareceu e eu brinquei com ela. Foi bem mais legal.
- A Lizzie é a tua namoradinha?
- É. – o garotinho pareceu um pouco tímido. – Vamos brincar de carrinho? – ele ficou entusiasmado mudando de assunto.
- Ah, Johnny... Não posso. Tenho que ir embora, mas a amanhã a gente brinca sem falta, ‘tá?
- Ah... Tudo bem. – ele pareceu meio triste. – Amanhã sem falta, hein?
foi embora muito tranqüila. Começou o dia bem, fez seu passeio matinal com Lady, porém reduzido, praticou o esporte preferido, encontrou um cara lindo no elevador, apesar de estar horrível depois de suar feito um porco, depois foi trabalhar num lugar que ela amava, pois cuidar de criança era mais um divertimento do que trabalho e, para terminar o dia de trabalho, Johnny chegou, a deixando mais feliz. O que mais podia acontecer naquele dia tão bom? Bom, tinha uma coisa que poderia a deixar mais feliz sim: Dougie. Nem interessava cara bonito no elevador essas horas, ela não se agüentou e mandou uma mensagem para o garoto. O celular apitou de volta, enquanto rumava a sua casa: “Achei que tinha esquecido de mim. Tava morrendo de saudade.” E ela respondeu: “Como eu poderia esquecer de ti? Tá a fim de sair hoje?” ele: “Claro, te pego ai na tua casa daqui há uma hora.” Ela: “Feito!”

Na gráfica Thomson Johannsen, o prédio de mais ou menos quinze andares, anotava um recado aqui, ligava marcando reunião para o Senhor Windsor ali, atendia telefonema com pedidos de camisetas, capas de CD, capas de livros, etc. Era realmente muito movimentada aquela empresa. Não era a toa que era conhecida por seu pai no Brasil, era uma das gráficas mais famosas de Londres. Quando deu uma pausa nos serviços, resolveu subir na lanchonete para tomar um capuccino.
- Olá, Rosalie! – cumprimentava a bela moça atrás do balcão. A moça era sempre simpática e não conseguia ser diferente com quem era assim consigo.
- Oi, ! – se virando para ver quem estava ali. – Posso te chamar assim, né?
- Claro. – respondeu, se sentando em um dos bancos altos. – Me vê um capuccino, por favor, Rosalie.
- Se eu posso te chamar de , tu pode me chamar de Rose. – elas sorriram e Rosalie foi preparar seu capuccino.
Sem perceber, as duas ficaram conversando por tempo demais. já havia terminado seu capuccino, mas o papo era tão bom que se distraiu.
- Nossa, preciso voltar! O senhor Windsor vai me matar. – falou, se levantando logo após olhar o relógio na parece da lanchonete.
- Ele é um homem bom, não vai te matar. Talvez só xingar um pouquinho. – as duas riram e se despediram.
E não foi diferente do que Rosalie dissera, senhor Windsor xingou-a delicadamente, sem ser grosso. Deu um pequeno sermão de não poder se atrasar mais e se desculpou, voltando aos seus afazeres. No final do expediente seu celular tocou.
- Oi, bem! – falou meiga ao ver o nome de Harry na tela.
- Que bom ser atendido assim. – Harry falou sorrindo do outro lado da linha, e não pode deixar de fazer o mesmo.
- Só atendo assim quem merece.
- Nossa, me achei agora. – os dois riram. – E aí? Já saiu do serviço?
- ‘Tô me arrumando pra sair. Por quê?
- É que eu queria te ver... Sei lá... – Harry estava um pouco sem jeito.
- Então, ‘tá. Vem pra cá e a gente faz alguma coisa.
- Tu me espera? Vou sair agora aqui de casa.
- Espero sim. Vou ficar ali na praça em frente ao prédio. Vou ver se acho um banquinho pra me sentar.
- Ok, nos encontramos ali então. – a voz de Harry estava alegre. – Beijo.
- Beijo.
não precisou esperar muito, Harry fora bem rápido. Pelo jeito ele estava realmente a fim de vê-la e logo apareceu do seu lado no banco da praça.

Phil não estava muito exigente hoje, trabalhava mais no balcão registrando as entregas e retiradas de filmes no computador. De vez em quando tinha um tempo livre. Normalmente começo de semana não é tão movimentado. Nos tempos livres, ela e Phil conversavam alguma coisa. Ele era um cara legal, além de bem bonito. Era alto, não tanto quanto Tom, mas do lado de ficava bastante alto, tinha cabelo num tom castanho e os olhos verdes. Tinha um corpo atlético, musculoso até um ponto bom, nada de músculos enormes saindo para fora da camiseta. Era definido. Não tinha como não achar o garoto bonito, pois além de tudo tinha um charme irresistível. Podia ser facilmente comparado ao Tom Welling. Pois é, muito irresistível! Mas para era só um garoto bonito, não tinha segundas intenções. Até porque, estava super bem com o Tom. O Fletcher, pra ficar bem claro.
- Já te falaram que tu parece muito o Tom Welling? – perguntou para Philippe depois de um assunto acabar.
- Não, tu é a primeira. – Philippe respondeu um pouco surpreso. –Posso levar isso como um elogio?
- É, pode ser. – ela respondeu timidamente. – Tom Welling é bem bonito. – na verdade, achava Tom Welling um deus grego, mas não iria falar aquilo para o garoto, ele iria se achar demais.
- Então vou normal para a festa, fantasiado de Tom Welling. Talvez colocar a roupa do Super Homem e ir de Smallville. – ele mesmo assim se achou e os dois riram.
- Ah, sem graça... Tem que ir com uma fantasia criativa.
- ‘Tô brincando... Já tenho uma idéia do que vou. Mas nem adianta me perguntar o quê.
- Ok, ok. Também sei como vou e não quero falar. Nem as gurias sabem. – ela tinha um olhar sacana.
Do nada aparece uma em sua frente, no balcão. Ela nem percebeu a garota entrar na loja.
- Oi, ! Não acabou teu expediente ainda? – falou, fazendo olhar para ela e a ver ali.
- Hum... – olhou para o relógio. – É, acabou. – e sorriu sem mostrar os dentes.
- Vamos juntas, então?
- Claro. – se aprontava para sair e Philippe consentiu. – Tchau, Phil. Até amanhã!
- ‘Tô com vontade de fazer alguma coisa hoje. Não quero ir pra casa. – falou quando elas já estavam na rua. – O dia ‘tá tão bonito.
- É, sem uma nuvem no céu. – falou logo após olhar para o céu. – Acho que vou ligar pro Tom. Liga pro Danny, pra fazer alguma coisa também.
- É, vou ligar. – ficou pensando um pouco. – Não! Melhor, acho que vou até lá na casa dele. Fazer uma surpresa. – sorria consigo mesma pensando no garoto.
- Ok, vou pra casa depois vejo o que vou fazer com o Tom.
- ‘Tá, se a não tiver lá, dá comida pros cachorros... Eles devem estar com fome. – fez joinha e mudou a direção, indo para o lado oposto de .
Ela foi caminhando com o sorriso no rosto sem perceber as coisas que aconteciam a sua volta. Foi se dar conta de onde estava quando viu logo à frente o prédio em que fizera uma entrega alguns dias atrás. Era o prédio de Edward, o bonitão compenetrado naquele computador. Continuou seu trajeto, nem veria ele mesmo. Ele parecia ser daqueles caras que trabalham em casa e nem se dão ao trabalho de sair dela. Quando estava chegando em frente ao prédio, uma pessoa saiu rapidamente da porta, como se estivesse com pressa e esbarrou nela, sem nem vê-la. E, por incrível que pareça, era ele. Edward parou e pediu desculpas para , olhando-a rapidamente para seguir seu caminho, mas logo voltou o olhar para ela, como se tivesse a reconhecido. Parou e olhou com calma, ela já começava a ficar envergonhada.
- Não foi nada. – ela falou para desviar o olhar.
- Hey! – ele falou sorrindo. – , certo?
- É, sou eu. E você é o Edward, né?
- Ahã. Que bom te ver de novo. – ele ficou parado, olhando-a como se tivesse esquecido que tinha qualquer coisa para fazer.
- É. Parece com pressa... Muito serviço ainda?
- Ah, é! ‘Tô com pressa mesmo. Serviço de monte. – ele fez cara de cansado e finalmente se lembrou que tinha coisas para fazer. – Desculpe, tenho que ir. – ele apontou para a direção que estava indo ao esbarrar nela e seguiu, olhando pra trás para vê-la de vez em quando. Ela ficou parada ali por um momento, até ele começar a caminhar mais rápido, ou melhor, quase correr e não olhar mais para trás. Aquele garoto era hipnotizante. finalmente se lembrou para onde ia: ver Danny. O sorriso voltou ao rosto e continuou a caminhar.
Quando Danny abriu a porta de sua casa, um sorriso maior do que de surgiu em seu rosto. Ai, aquele sorrisão... Era muito melhor do que qualquer outra coisa. Era gratificante ver que sua surpresa lhe agradou.
- !! – ele falou ao abraçar ela. – Nossa, ‘tava pensando em ti! – se afastou um pouco para beijá-la.
- Eu também. – ela respondeu em tom obvio.
- Entra, vem. – puxou ela para dentro de casa e logo fechou a porta atrás de si.

Ao chegar em casa, viu que não havia ninguém, e fez o que havia pedido, deu comida para os cachorros que realmente estavam esfomeados. Parecia que não comiam há séculos. Viu a pequena árvore que elas deram a perto da janela da cozinha e decidiu alimentá-la também com um pouco de água ao ver que a terra começava a secar. Sentiu-se útil ao fazer isso. Sentiu uma certa necessidade de ter seu próprio “filhote” também. Mas depois resolvia esse assunto, agora queria ver Tom. Pegou o telefone e ligou para o garoto.
- Hey, ! – Tom atendeu ao telefone alegre, mas sua foz parecia ofegante.
- Oi, Tom! – ela respondeu do mesmo jeito alegre. – O que tu ‘tá fazendo?
- ‘Tô correndo até tua casa pra te ver. – eles riram. – Não consegui chegar há tempo de te pegar na saída do serviço.
- Acho que tivemos algum tipo de transmissão de pensamento. – os dois riram de novo. – Não precisa correr, te espero o tempo que precisar.
- Agora já estou aqui em baixo mesmo. – ele pareceu mais ofegante. – Abre pra mim?
- Claro! ‘Tô descendo.

Capítulo 22

O apartamento de estava mais bagunçado do que nunca. Eram quatro garotas vestindo suas fantasias correndo de um lado para o outro e apressando uma a outra para terminar logo. Tinha rastros de fantasias por toda a casa e kits de maquiagem deixados em qualquer lugar. , para variar, foi a primeira a ficar pronta. Ela precisava de pouca maquiagem, somente uma base mais clara, mas não era a fantasia mais fácil de se produzir. A mais fácil com toda a certeza era de . Ela estava de Peter Pan, uma calça justa, quase uma legging, verde e por cima uma blusa com pontas na bainha, que ia até abaixo do quadril e nas mangas, com um ‘v’ na gola, também verde. Em sua cintura tinha um pequeno cinto com um projeto de adaga pendurado – óbvio que não era de verdade. Na cabeça uma touquinha verde-claro, com uma grande pena vermelha, e nos pés um sapatinho marrom fechado, pontudo, com a lingüeta dobrada para fora. Ela acabara de se arrumar logo depois de , que não conseguia nem sentar de tanta ansiedade. Ela estava de Willi Wonka. Muito elegante, com seu sobretudo vinho. Perfeita, podia fazer qualquer um pará-la para pedir um autógrafo achando que era o Johnny Depp – tudo bem que o Johnny Depp não sairia vestido de Willi Wonka pela rua, mas de Johnny Depp pode se esperar tudo. Por baixo do sobretudo estava vestindo um colete abotoado, aqueles que os homens usavam antigamente em baixo do blazer, com uma correntinha caída do bolso. A correntinha era de um relógio antigo de ouro – ‘tá, não era de ouro, era imitação. Em baixo do colete, uma camisa – aparecendo só a gola, praticamente – azul-escuro com algumas estampas coloridas. Uma calça social, uma cartola com detalhes em vermelho e por baixo da cartola uma peruca com cabelo chanel preto e liso, luvas pretas, óculos escuros moscão de armação branca e, para dar um toque feminino, um scarpin preto. Estava segurando um bastão comprido com uma bola onde colocava a mão, praticamente uma bengala, e em um dos bolsos no peito do sobretudo podia-se ver um pedaço do bilhete dourado do chocolate Wonka.
- Gurias, daqui a pouco os guris ‘tão aí! Vamos logo! – reclamava.
- Daqui a pouco não é agora. E, se eles chegarem, podem esperar um pouco. – retrucava do banheiro.
- , se tu fosse o Johnny Depp eu te agarrava. – chegou perto da garota enquanto colava um bigodinho em seu rosto agora branco.
- Ainda bem que eu não sou.
- Mas bem que poderia ser. – Foi a vez de se manifestar olhando-a com olhar malicioso e logo depois levou um tapinha da amiga. – , tu ‘tá demais! – Falou depois de receber o tapa de , ao ver a amiga de Chaplin na sua frente.
- Obrigada. – Ela dizia se achando fazendo uma reverencia com sua bengala à mão.
Realmente estava demais, o Charles Chaplin em pessoa na sua frente. Ela usava uma camisa branca em baixo de um colete meio xadrez e uma gravata borboleta. Um blazer de terno preto de um número menor, propositalmente, com aqueles rabinhos de pianistas que os empurram para trás para se sentar no banquinho [N/a: é, eu não sei o nome disso, mas vocês sabem o que é, né?] e com uma flor branca no bolso. Uma calça social também preta e um sapato preto de número maior, também propositalmente. Ela havia maquiado seu rosto todo de branco e pintou suas sobrancelhas de preto, engrossando-as. A volta dos olhos também estava pintada de preta, para realçá-los, e colou um pequeno bigodinho no meio do buço. Para completar a fantasia de Chaplin, na cabeça de estava um chapéu coco e em suas mãos, uma bengala.
- , só falta tu!! – berrou. Estavam todas a postos perto da porta de saída. E logo em seguida a campanhinha toca.
- Ai, caramba! Já vou!! Acha que é fácil se maquiar desse jeito? – gritava ainda do banheiro. – Abre pra eles que eu já ‘tô acabando. – Ao falar isso ia andando até a sala e avistou quatro garotos fantasiados olhando para as três amigas e, logo que perceberam sua presença, para ela, pasmos.
- Vocês têm uma grande criatividade, tenho que admitir. – Harry falou quebrando o silêncio que tinha ficado depois de ter gritado do banheiro.
estava de noiva cadáver. Uma bela noiva cadáver, se isso é possível e a única fantasia feminina presente ali. Era um vestido branco de noiva meio esfarrapado, tomara-que-caia. Tinha um corpete detalhado e com mini-flores azuis nas bordas que terminava em ‘v’ nos quadris, tinha um pequeno rasgo no lado direito do tórax. A saia era caída num tecido fino e leve, com alguns detalhes em azul na bainha, aberta na frente, formando uma grande fenda e a parte de trás arrastando no chão. Usava longas luvas brancas também rasgadas e uma grinalda com as mesmas mini-flores azuis do vestido em volta. Por trás da grinalda, caía um véu longo, não tão longo a ponto de arrastar no chão, e também esfarrapado, mais rasgado do que as bordas da saia do vestido. Nos pés tinha um sapato branco com meias de nylon rasgadas azuis claras caídas sobre os sapatos. A maquiagem do rosto era toda branca, assim como o da , mas tinha uns detalhes na bochecha esquerda e na testa imitando sujeira e um efeito nas bochechas que ressaltava os ossos, um batom rosa nos lábios e os olhos pintados, com um rímel dando volume aos cílios. Nas mãos tinha um pequeno buquê das mesmas flores que enfeitavam seu vestido e grinalda. Ela só não conseguiu deixar seus cabelos azuis, mas fez uns ondulados bagunçados para parecerem desleixados.
- Nossa, me senti idiota com essa fantasia simples. – Tom falou, olhando para si mesmo. Ele estava de Frankenstein, pintado de verde, e uma continuação de testa que parecia de borracha, como aquelas máscaras que se vende em lojas de fantasias e um cabelo preto que fazia parte da “máscara”. Tinha parafusos grudados em cada lado do pescoço e em volta dos olhos pintado de preto, como olheiras. A roupa era uma camiseta marrom com um blazer preto por cima, uma calça preta mais curta, aparecendo as botas de cadarços nos pés.
- Tu é um idiota, Tom! – Danny aproveitou a oportunidade para tirar com alguém, já que ele era sempre o tirado. Ele realmente estava de espantalho assustador, como havia dito para . Nem precisava se fantasiar muito, colocou sua camisa xadrez vermelha que usava seguido, uma calça jeans e um chapéu de palha. Pelas mangas e bainhas da camisa e calça, saia um pouco de palha e em seu ombro direito tinha um corvo preto de mentira, claro, grudado. Na calça, costurou alguns retalhos e no rosto maquiou umas olheiras.
- Quem falando, né, Danny! O mais lesado de todos! – Tom respondeu.
- Nem ‘tá idiota, Tom! ‘Tá super legal. – incentivava o garoto dando um selinho.
- Brigado, ! – ele retribuiu o selinho e abraçou um Peter Pan. – ‘Tá linda de Peter. – Ela só sorriu.
- Então, vamos minha noiva cadáver? – Dougie oferecia o braço à . Ele estava de múmia-zumbi, ou alguma coisa parecida. Estava com roupas rasgadas: um casaco marrom por cima de uma camiseta branca suja e uma calça meio cinza; e algumas faixas de múmias enroladas de qualquer jeito em volta da cabeça, umas no braço e outras na perna. No rosto, pintou alguns “machucados” em volta do olho, na bochecha, ao lado da boca e cortes na testa. Dougie tem uma tara por zumbis. Vai entender...
- Vamos. – a noiva aceitou o braço do zumbi.
- Então, vamos. Eu, , e Dougie vamos no meu carro. No do Tom, vai a , o Danny e a . Pode ser? – Harry perguntava com um braço em volta dos ombros de Chaplin, os outros concordavam e saíam do apartamento. Ele estava de esqueleto. Com aquelas roupas inteiras pretas com desenho de ossos, um macacão meio justo de esqueleto. Tinha uma máscara também, mas esconderia todo seu belo rosto e ninguém o reconheceria, preferiu não colocá-la. Aparentava mais magro do que era, ou então ele era bem magro e ninguém tinha percebido. [N/a: dgidgidgi bem magriiinho. Não me mata, . :B]
Entraram todos juntos numa casa enorme, maior do que as dos garotos. Própria para festa, podia se dizer. As garotas não sabiam de quem era a casa, só sabiam que era de um dos Son Of Dork, mas nem se importavam muito com isso. A decoração estava propícia para a ocasião. Tinha balões roxos, pretos e laranjas, alguns morcegos pendurados e um efeito de luz quase profissional. Conseguiam ver todo tipo de fantasia, das mais criativas às mais idiotas. Elas, modéstia a parte, se encaixavam nas criativas. Enquanto cada uma estava de mãos dadas ao seu respectivo par, uma mão pega no ombro de Danny, que estava atrás de todos, fazendo-o virar e cumprimentar o amigo de forma escandalosa, fazendo todos virar também para ver quem era. Viram um curinga sorrindo para eles e demoraram até se dar conta que era nada mais nada menos que James. Ele vestia um sobretudo roxo e por baixo dava para ver um colete verde, seu rosto era branco com a volta dos olhos preta e a boca vermelha, maior do que o normal, pintado até as bochechas, como se a boca tivesse rasgada. Os cabelos estavam molhados e caídos no rosto. Nossa, um Johnny Depp de um lado e de outro Heath Ledger. Pena que eram de mentira.
- Hey, caras! – James-curinga falava animado, já aparentava estar um tanto bêbado. – Chegaram agora?
- É, chegamos. Onde estão todos? – Dougie falava sorrindo.
- Ah, ‘tão por ai... Gurias, as fantasias de vocês ‘tão o máximo! – James respondia olhando para elas.
- Que gay, James! – Harry debochou do amigo, que nem deu bola e voltou para a festa. – Vamos procurar os outros. – E seguiram mais adentro da casa.
- Uau! Um Edward mãos de tesoura!! – apontava para um carinha.
- E um Jack Sparrow! – apontava para outro.
- E um Willi Wonka! – levantava o dedo se mostrando sorrindo.
- É, Johnnys Depps bombando por aqui. – falou rindo.
Logo em seguida encontrara um grupinho dos amigos. Estavam lá Dave, Steve e mais alguém que não reconheciam. Aproximaram-se e foi a única a reconhecer o desconhecido, mas, mesmo espantada, preferiu ficar quieta e deixar que as apresentações fossem feitas. Dave estava de drácula. Era uma fantasia simples, porém bem produzida. Era uma roupa preta, com uma longa capa também preta com uma gola alta, quase cobrindo sua cabeça, só não cobria porque seu cabelo loiro era alto demais para isso. Por dentro da capa, podia-se ver um vermelho-sangue. Ele fez olheiras também e pintou um sangue escorrendo pela sua boa. E colocou uma dentadura de vampiro. Steve estava de Elvis, super engraçado com uma peruca de topetão e suíças enormes que desciam ao lado das orelhas. Sua roupa era toda branca aberta no peito inteiro, um ‘v’ que ia até a cintura tendo dos lados grandes botões dourados. Na cintura, abaixo do término do decote, tinha uma faixa dourada amarrada e a calça abria no fim em grandes bocas-de-sino, um pouco mais curta, mostrando os sapatos brancos com detalhes pretos e com uma pequena plataforma preta. No final das mangas compridas tinha um seguimento dourado e mais aberto. Na gola, dobrava uma parte também dourada, mas de tecido mais endurecido.
- Hey! Demoraram! – Steve chegava mais perto para cumprimentar todos.
- Pois é, achei que vinham mais cedo! – Dave fazia o mesmo e o desconhecido o seguia. – Esse é Edward, um amigo meu. Podem chamá-lo de Ed que ele não se importa. – O garoto só sorriu, principalmente para , que ainda não acreditava que o via ali.
- Sabe como são as mulheres, né? Demoram sempre pra se arrumar. – Tom falava recebendo cumprimentos. – Prazer, Ed!
- Ei, a gente nem demorou! – que estava de braço com ele deu um leve tapinha nele.
- Prazer é meu. – Edward falava calmamente, olhando para todos e parando em . – Mas acho que nós já nos conhecemos, né, ? – Danny olhou desconfiado para a garota.
- É, já fiz uma entrega de livros para ele. Tudo bom, Edward? – Ela falava envergonhada, já que todos os olhares estavam nela. Danny parecia não ter gostado da maneira que o garoto havia falado com ela.
- Tudo bem, sim. Mas o Dave já disse que eu não me importo que me chamem de Ed. – Ele estava vestido de gângster. Um terno escuro todo em risca de giz, uma camisa preta e uma gravata branca por dentro do blazer fechado do terno. Tinha em mãos uma arminha de brinquedo e um chapéu preto na cabeça. Colou um fino bigode postiço para completar.
Hall e Chris estavam próximos e logo que os viram ali, foram cumprimentá-los. Chris vinha com um cachimbo na boca e uma lupa na mão. Estava de Sherlock Holmes. Vestia um sobretudo xadrez em tons marrons, por cima de um terno sem blazer preto, uma camisa branca e uma gravata, também preta. Na cabeça, o típico chapéu, com as duas abas: uma para frente e outra para trás; era marrom, mais claro que o sobretudo, e tinha as abas do lado dobradas para cima e presas com um botão no alto do chapéu, onde se encontrava um pequeno pompom – não tão gay como parece. Do seu lado vinha o capitão Gancho. Hall vestia um sobretudo vermelho com detalhes laranjas fechado, uma grande gola branca saindo por ele e nas mangas uma outra manga dobrada por cima, marrom. Tinha calças justas e meias brancas longas que cobriam suas canelas. O sapato era preto com um botão dourado e a lingueta dobrada para fora. Tinha o grande chapéu roxo com a gigante pena lilás. Colocou uma peruca de cabelos mais compridos pretos e um fino bigode que fazia uma voltinha nas pontas. Em uma das mãos segurava uma espada de plástico e na outra, escondida na manga, mostrava o tão importante gancho. Atravessado no ombro tinha pendurado o “porta-espada”.
- Hey, que bom que vocês chegaram! – Chris falou ao chegar ao lado deles.
- Fiquem a vontade, bebidas estão na cozinha. – Hall fez joinha.
- Ah, vamos lá pegar algumas! – Danny logo se prontificou, puxando consigo e a afastando de Ed. Os outros os seguiram, menos e Dougie, que ficaram conversando com os que ali permaneciam. Uma mão tocou no ombro de , que logo ouviu uma voz no ouvido contrário do ombro.
- E a noiva cadáver esqueceu do primo soldado cadáver?
- Thiaaago!! – A garota se virou rapidamente ao ouvir “primo”. - Até parece que combinamos!
- Transmissão de pensamento. – ele sorriu e retribuiu o abraço. Ele vestia uma roupa toda rasgada de soldado do exército que tinha acabado de voltar da guerra, morto. Seu rosto estava branco com alguns detalhes vermelhos, imitando sangue. Segurando em um dos braços junto com o corpo, tinha um capacete camuflado, assim como a roupa. – Hey! Como estão? – falou cumprimentando os outros.
- Chegou agora? – Dougie perguntou.
- Ahã. Vim com a Amy e a Casey. – apontou para as garotas que estavam um pouco atrás dele.
- Ah... – não gostou muito de ver a vagabundinha da Casey. – Então é sério com a Amy?
- Não sei ainda. Gosto dela. – Ele sorriu e as garotas foram se aproximando.
- Oi! Tudo bem? – Amy foi simpática, cumprimentando todos, diferente de Casey, que cumprimentou todos, menos . Casey estava de diabinha, suuuper criativa. Vestia um vestido curtíssimo e justíssimo de tecido parecido com vinil, aqueles brilhosos, vermelho. Tinha as guampinhas vermelhas na cabeça juntas da tiara preta e na mão um pequeno garfo vermelho. Por trás do vestido podia-se ver uma cauda vermelha saindo de sua bunda, com uma flecha no fim, Os sapatos eram também de vinil e altíssimos. Amy estava de rainha de copas. Com um vestido preto mostrando suas lindas e longas pernas. Por baixo do vestido, tinha um tule preto que dava volume à saia e um charme no acabamento. O vestido tinha um corpete e era frente única, desenhando o belo corpo magro da garota, tinha detalhes de copas por todo o vestido. Vestia uma capa com gola alta, vermelha e preta mais longa. A maquiagem era linda, os olhos pintados, uma sombra fumê em dégradé e um batom vermelho na boca.
- Oi, Amy! Que bom te ver aqui. – foi igualmente simpática com ela e igualmente antipática com Casey, sem nem olhar para sua cara.
- É bom te ver também, . – Amy falou sorrindo e abraçando Thiago.
- Oi... – Casey se direcionou sedutoramente a Edward mostrando interesse no belo rapaz.
- Edward, prazer. – Ele respondeu secamente.
- Prazer, sou Casey. – Ela enrolava uma ponta do seu longo cabelo loiro, tentando continuar a seduzí-lo, mas pelo jeito sem muito sucesso. Ele nem deu bola e saiu da roda, parecendo procurar alguém. Logo as pessoas haviam se dispersado também e o casal, e Dougie, ficaram sozinhos curtindo um ao outro.

e Tom saíam da cozinha com uma garrafa de cerveja nas mãos. ficava na ponta dos pés para olhar mais de cima o local, enquanto Tom a abraçava pelos ombros.
- Que foi, ? O que tu ‘tá procurando?
- É que o Phil disse que vinha e ainda não apareceu.
- Ah, ! Não acredito que tu ‘tá esperando esse viadinho.
- Ai, Tom, não fala assim dele. Ele é legal. Já te falei que é meu amigo. Respeita, poxa... – parecia realmente chateada com o que Tom dissera.
- Desculpa. – Ele se sentiu culpado ao ver a maneira que ela reagiu, mas não mudou sua idéia sobre Phil. – Vamos sentar ali. Daqui a pouco ele aparece. – Falou, apontando para um sofá liberado recentemente, e concordou.
Do sofá onde eles estavam dava para ver a entrada da casa, e não aquietava até ver Phil entrar por ela. Tom tentava distraí-la dando beijinhos e fazendo alguns carinhos. Puxava seu queixo para ela olhar para ele e a beijava. Ela não recusava, mas tratava de quebrar logo o beijo para poder olhar de novo em direção à porta. Óbvio que Tom estava começando a se irritar, mas preferiu ficar quieto. Finalmente Phil aparece naquela bendita porta que atraía tanto a atenção de , que foi correndo recepcioná-lo e deixar Tom com cara de tacho ali no sofá. Ele resolveu ir atrás dela, não ia dar sopa para esse mané.
- Oi, Phil! Achei que tu não vinha mais... – ela disse alegre, cumprimentando o amigo.
- Eu realmente não sabia se vinha. Só conheço tu aqui, não sei se vai ser tão divertido.
- Ah, vai sim. Tu vai ver! Tu conhece minhas amigas também.
- Ah, mas não conta. Até pensei em trazer um amigo, mas ele não quis vir.
- Que pena. Mas tu vai te divertir, tua fantasia ficou super legal! Cheguei a acreditar que tu vinha de Smallville. – Eles riram. Philippe estava de francês. Era uma roupa social, calça preta, sapato também preto, camisa branca e um colete preto listrado de branco. Mas o que deixava ele bem francês era o bigodinho fino e com a voltinha para cima e a boina de lado na cabeça, com aquele fio grosso saindo do meio dela.
- Ficou mesmo? Eu fiz as pressas porque não tinha certeza se vinha mesmo.
- Oi, Phil. Tudo bom? – Tom chegou sério por trás de , passando um braço por seus ombros e a outra mão estendeu para cumprimentar o garoto.
- Oi! – Philippe respondeu, meio sem vontade. – Bom, vou pegar uma bebida então. Onde é?
- É... – começou, mas foi interrompida.
- É ali! – Tom respondeu rapidamente apontando para a cozinha.
- Obrigado. – Ele respondeu mais sem vontade ainda, por ver que Tom fazia questão que ele saísse dali, e seguiu até onde ele apontara.
- Ai, Tom, que grosso! – se virou para ele para falar.
- Grosso por quê? Cumprimentei o garoto e respondi à pergunta dele. Nada de mais.
- Mas esse teu jeito aí... – Tom deu de ombros e desistiu de discutir. – ‘Tá vamos dançar um pouco, vem! – Ela o puxou para onde estavam todos dançando ao som da música que saía das grandes caixas de som.

Harry e também estavam na pista, dançando juntinhos, já que a música que tocava agora era mais lentinha. encostava sua cabeça no peito de esqueleto de Harry, que abaixava a cabeça para encostar na dela. Ficaram sem falar nada, somente curtindo o momento. Ela podia sentir os batimentos do coração dele, que estavam um pouco acelerados. O que fez ela se afastar, olhar para ele e sorrir, fazendo-o corar, pois sabia do que ela estava sorrindo. Ela ficou na ponta dos pés para dar-lhe um selinho demorado, praticamente se pendurando em sua nuca, o que fez ele sorrir também. Ao se afastar dele e voltar a sua altura normal, olhou de relance para um lugar que a fez voltar o olhar, pois viu alguma coisa que a chamou atenção. Era uma chapeuzinho vermelho acompanhada de um Hitler. A chapeuzinho era uma garota com cabelos loiros e ondulados, Rosalie. Ela usava um vestidinho curto, mostrando suas pernas, que eram bem bonitas por sinal, sem ficar vulgar. Ele era soltinho e com bolsinhos perto da bainha. Amarrada no pescoço tinha a capa, com capuz posto na cabeça vermelha, que ia mais além da altura do vestido. E segurava uma cesta de vime. O Hitler vestia uma roupa marrom típica do Hitler, com a camisa branca por baixo e uma gravata também marrom por dentro do casaco de oficial. No casaco tinha algumas medalhas, daquelas que se ganhavam depois de uma guerra, e no braço esquerdo tinha uma faixa vermelha com a suástica preta no meio de um círculo branco, o símbolo nazista. O cabelo loiro escuro, que ficava mais escuro ainda com o gel era lambido para o lado e no rosto tinha o pequeno bigode que o fazia ser reconhecido por Hitler. Rosalie logo a viu também e pareceu do mesmo jeito surpresa. Acenou e foi se aproximando. se afastou de Harry para cumprimentá-la.
- Nossa, tu por aqui! – Rosalie falou quando os cumprimentou.
- Estou tão surpresa quanto tu. – Elas riram. – Sou amiga do James, Dave, Chris, Steve e Hall. E tu?
- Ah, eu vim com meu irmão. – Ela apontou para o Hitler do lado dela que acenou. – Mitch. Ele conhece um desses também.
- Prazer, Mitch. – e Harry falaram simpáticos.
- Esses são e... – Rosalie parou apontando para Harry.
- Harry – ele completou sorrindo.
- Prazer. Eu sou amigo do Hall. Vocês sabem onde ele ‘tá? – Mitch finalmente se pronunciou.
- Olha, ele estava com a gente a pouco tempo... Agora ele deve estar por aí. – Harry falou, apontando para a multidão.
- Ok, brigado. Vou procurá-lo. – e saiu sendo seguido por Rosalie.
ficou observando o garoto. Ele, apesar de estar de Hitler, parecia bem bonito. Era bem magro, quase seco e alto, tinha olhos verdes e algumas sardinhas sobre o nariz e as bochechas. Resumindo, tinha um charme singular e não era nem um pouco parecido com Hitler, para falar a verdade. Mas logo voltou a atenção a Harry, que a puxava para um canto para poder ficar mais sossegados e sem interrupções. Ele se apoiou na parede e a colocou entre as pernas, beijando-a intensamente. Ficaram por um tempo ali, quase escondidos de todos.

- , eu não gostei daquele Ed. – Danny falou ao pegar duas garrafas de cerveja da geladeira. Ela não falou nada, ainda estava um pouco chocada em ver ele naquela festa. – Tu não acha?
- O quê? – ela perguntou se voltando a ele e pegando uma garrafa de suas mãos.
- Aquele Ed... Não gostei dele. É meio estranho.
- Sei lá... Nada demais pra mim. – Mentiu ela, porque na verdade o garoto mexia um pouco com ela, sim.
- Vai dizer que não percebeu que ele ‘tava dando em cima de ti.
- Nada a ver, Danny. Ele é cliente antigo da loja. Só foi simpático.
- Sei não...
- Deixa ele pra lá. Vamos lá pra festa. – Ela deu um selinho nele e logo depois o puxou para a sala aonde vinha a música.
Ficaram por lá dançando todas as músicas que tocavam, tanto as agitadas quanto as lentas. Conversavam entre uma e outra qualquer coisa que os faziam rir.
- Não, e além disso a mulher ainda teve que ser internada porque acharam que ela ‘tava louca por falar aquilo. – Danny terminava uma história que parecia engraçada.
- Hahaha, coitada! – ria.
- Desculpa atrapalhar o casal... – Dave chegou ao lado deles. – Mas vocês viram o Ed por aí?
- Não. – Danny parou de rir e cortou logo o amigo.
- Não vimos não, Dave. – tentou amenizar e ser mais simpática.
- Ah, tudo bem. Obrigado. – Dave sentiu que Danny mudara a expressão do rosto e preferiu não atrapalhar mais.
- Que saco, até quando esse cara não ‘tá presente ele estraga tudo.
- Mas ele não estragou nada, Danny. O Dave só ‘tava procurando o amigo dele. – não entendia o motivo de tanto ódio do garoto. – Podemos continuar nossa conversa, nossa dança, nossos beijos... – Ao falar isso ela foi se aproximando e passando os braços pela nuca de Danny que se rendeu e sorriu, passando seus braços pela cintura dela. Aproximaram os rostos e selaram os lábios num beijo que aos poucos foi se intensificando.

Encostados perto da porta da cozinha estavam e Dougie com garrafas nas mãos. Na verdade quem estava encostada era , Dougie estava em sua frente conversando alguma coisa.
- Eu acho que é um bom filme, só acho que o sangue tinha que aparecer no chão e, se as pessoas virem mais de uma vez, começam a enxergar muitos erros... Mas é um ótimo filme! – Dougie comentava sobre o filme 300.
- Ai, Dougie! Que tolinho! É pra ser assim, um negócio computadorizado, coisas de quadrinhos. Tu vê sangue no chão em quadrinhos?
- Não, mas... Ah, sei lá. – ria do garoto. – Ah, mas legal é aquela parte que eles dão uma risadinha no meio da guerra e dizem que agora não era hora de fazer aquilo, se referindo ao sexo. – Ele mudou de assunto e ria. – Que viados!
- Pior, os Espartas eram todos viados. – também ria. – Mas o Leônidas era lindo. Não, lindo mesmo é o Rodrigo Santoro.
- Quem?? Roudrigou Sentóurou?? – ele se atrapalhou para falar o nome.
- O que fez Xerxes, ele é um ator brasileiro.
- Ah, outro viado. Fica todo nervosinho quando é acertado pela lança do Leônidas na cara. – Dougie ria ainda mais.
- Ah, nem é viado. – Ela ficou um pouco ofendida. – No filme até pode ser, mas de verdade... – Suspirou ao lembrar do ator e Dougie não gostou.
- Deve ser viado na vida real também. – Ele falou cruzando os braços.
- Fala isso porque tem inveja.
- Então quer dizer que tu não me acha bonito? – Ele fazia cara de coitadinho.
- Ah, claro que eu acho. – falou puxando-o delicadamente para mais perto dela e passou os braços pelo seu pescoço e ele sorriu, achando que tinha ganhado a disputa. – Mas ele é mais. – Dougie fechou a cara e ela riu. – ‘Tô brincando, lindo! Vem cá, vem! – E ela puxou-o para mais perto ainda não deixando um espacinho entre eles. Na verdade tinha um espaço, sim. Entre suas bocas, mas Dougie rapidamente fez questão de acabar com ele.
- Aaai, que lindos!! – Alguém passou a mão na cabeça de Dougie que se afastou de para ver quem era o imbecil que tinha atrapalhado.
- Ah, é tu. – Dougie falou ao ver o Elvis bêbado ao seu lado. Steve estava rindo ao ver a cara que o casal fazia.
- Atrapalhei o lindo casal morto?
- Não, imagina. – Dougie foi irônico.
- Olha, reuniãozinha? – O James curinga que vinha junto com Chris gancho e mais uma guria vestida de gatinho preto – eita gente com criatividade – se juntaram a eles.
- Na verdade não era reuniãozinha... Mas pelo jeito agora já é. – também não tinha gostado muito daquela intromissão, mas os outros nem pareciam perceber. As pessoas foram se juntando, depois de um tempo Dave estava ali também, com Edward junto dele. Eles conversavam, e e Dougie só se olhavam, parecendo conversar com os olhos. Rapidamente Dougie entendeu o sinal que ela fazia e a puxou para fora da rodinha, o que chamou a atenção do grupo, mas logo depois foram esquecidos. Ele a puxou para a parte de fora da casa. Um quintal bem bonito era apresentado para o casal “fugitivo”. Tinha pouca gente ali e algum gênio teve a idéia de colocar sofás espalhado pela grama. Eles encontraram um vazio e bem escondido.
- Acho que aqui ninguém nos atrapalha. – Dougie se sentou puxando para o seu lado beijando-a assim que ela ficou na sua altura.

Um sofá vago sugava Tom e que estavam cansados de dançar. puxava junto consigo , que por conseqüência vinha junto com Danny. Os quatro se apertaram no sofá e ficaram conversando, com bebidas recém recicladas. As garrafas estavam suadas e bem geladas, fazendo Tom beber quase de uma vez só de tanta sede que estava.
- Tom, isso não é água pra beber assim. – falava com ar de mãe.
- Ai, ... ‘Tô com sede. – ele falava um pouco enrolado já e ela revirou os olhos, fazendo Danny e rirem da cena.
- Vocês viram onde se meteram Harry, , e Dougie? – Danny mudou de assunto.
- Eu vi o Harry e a na pista de dança, mas depois eles sumiram... – falou gesticulando.
- Já a e o Dougie ‘tão desde o começo da festa sumidos. – comentou fazendo uma cara maliciosa.
- e Dougie se pegaaando. – Tom estava bastante alterado pela bebida.
- Tom, quanto tu bebeu, hein? – ria da maneira que o garoto falava. Ela também estava um pouco alterada, mas não no ponto dele, estava alegre assim como os outros.
- Sei lá. – Ele disse rindo, e deu-lhe um cutucão para ele se portar bem. – Ai, . Doeu!
- Nem doeu, fica quieto – ela disse firmemente, mas logo depois começou a rir.
- Olha lá o Thiago. Vou lá falar com ele. – Danny se levantou deixando os três conversando bobagens.
O tempo foi passando e e Tom começaram a se trocar manhas o que estava fazendo segurar vela ali.
- Ai, Tom já disse que quando tu sorri e mostra essa covinha fica lindo? – Ela mordiscava sua bochecha da covinha.
- Eu sou lindo, .
- Tu é lindo, sim. Mas essa covinha te deixa mais ainda.
- Oun, tu também é, minha linda. – Ele virou mais para dar um beijo em sua boca.
- Oi, eu ainda estou aqui. – acenava para o casal.
- Oi, . – Tom falava rindo entre os beijos.
- Tudo bem, podem ficar a vontade que eu vou atrás de alguém que não me deixe de castiçal. – Ela se levantou e se enfiou no meio da pequena multidão.
Era engraçado ver aquele monte de gente fantasiado dançando, se abraçando e se beijando. Passava de tudo por ali: uma Mortícia beijando Gomez – com certeza era um casal de namorados que tinha combinado –, uma gueixa dançando com um Rocky Balboa, um Shrek dando em cima de uma Docinho e logo do lado uma Fiona abraçada em um Incrível – Fiona e Shrek separados, que pena. Até o Peter Pan e o Frankenstein que ela vira há pouco tempo era engraçado. Ela como Wonka beijando um espantalho também deveria ser bem engraçado. riu sozinha imaginando.
- Rindo do quê? – uma voz interrompeu seus pensamentos. Ela virou para ver quem era.
- Ah, oi... – falou sem jeito ao ver Edward gângster parado em sua frente. – ‘Tava observando as fantasias.
- Algumas são bem engraçadas. – ele comentou. – A tua ‘tá muito criativa. Caiu super bem em ti.
- Brigada. – ela falou sorrindo e quando se deu conta o garoto já estava bem perto dela. Ele havia se abaixado um pouco para ficar da sua altura e seus rostos estavam próximos. – Edward... preciso ir. – ela falou, desconcertada.
- Por favor, , Ed.
- Desculpa, Ed. – Enfatizou o apelido do garoto e se virou para sair.
- Peraí, vamos conversar. – Ele a puxou pelo braço.
- Com licença, eu preciso ir mesmo. – Ela falou tentando soltar-se das mãos dele. Ele continuava a segura-la e tentar se aproximar novamente. – Ed, não! – Falou um pouco mais alto, mas o garoto não soltou.
- Ah, ... Qual o problema? – Ele conseguia ser perturbador, mas um lado dela ainda tentava se desvencilhar dele enquanto outro parecia se deixar ser puxada.
- Quer soltar ela, por favor? – A voz alta de Danny apareceu atrás dela. Edward soltou-a e levantou as mãos sorrindo, era aparente seu estado alcoólico. Danny pegou pelo braço e a levou dali com uma certa pressa e raiva transbordando em seus olhos. Pararam no quintal, perto de uma mesa de PVC com um guarda sol fechado no meio dela e cadeiras também de PCV em volta. Ele a soltou e ficou quieto, com uma mão na cintura olhando para um ponto fixo, que era o mais distante possível dela. olhou para ele esperando que falasse alguma coisa, mas ele não disse nada com a boca, somente com os olhos que pareciam que ia explodir.
- Danny... – ela começou, mas ele logo a interrompeu.
- Não quero explicações. – Ele falou ríspido.
- Eu não ia dar explicações... – ela ficou confusa. - Ia agradecer.
- Agradecer o quê?
- Por ter me tirado dali.
- E vai me dizer que não estava gostando? – ele falou mais furioso ainda e ela ficou quieta ouvindo o que ele dizia e esperando o que estava por vir. – Tu ‘tava praticamente beijando o cara, !
- Eu não queria, Danny. Ele que me puxou.
- Não era isso que aparentava. Tu olhava pra ele como se desse autorização para ele fazer aquilo, nem fazia força para sair dali.
- Isso é mentira! – mentia mais para si própria, porque na verdade ela realmente tinha vontade de responder ao beijo que não chegou a acontecer. – Eu queria sair dali sim, ‘Tava indo te procurar. – Ela estava com os olhos cheios de lágrimas.
- Nem sei por que te tirei de lá. – Ele não deu ouvidos ao que ela tinha falado. – Atrapalhei os pombinhos.
- Danny, pára de falar bobagem! – ela insistia e agora uma lágrima corria por seu rosto, mas ela logo secava rapidamente com as costas da mão. Não queria se mostrar fraca para ele e lágrimas seria um sinal de fraqueza.
- Pode voltar pro Ed, . Eu não me importo. Até por que a gente nem tem nada mesmo. Vai lá. – ele agora era grosso e não conseguia controlar o choro. Danny saiu dali e a deixou sozinha. Ela desabou na cadeira mais próxima apoiando os cotovelos nas pernas e deixando os braços caírem por entre elas, que estavam um pouco abertas e olhou para o chão, num ponto fixo e deixou as lágrimas correrem.

- Harry, vou no banheiro um minutinho, ‘tá? – falou se afastando do garoto que concordou e deu um piscadinha.
- Vou ver se tem lugar no sofá pra gente sentar. – Ele disse apontando pro cômodo em que os sofás ficavam e ela seguiu até perto das escadas, onde tinha uma porta que aparentava ser o banheiro. Realmente era, mas estava ocupado. Ela ficou esperando a pessoa sair encostada na parede que dava para a frente da porta. Estava demorando demais e resolveu bater. Esperou mais um pouco e nenhum sinal.
- ‘Tá tudo bem aí dentro? – Ela bateu de novo.
- ? – Uma voz conhecida vinha lá de dentro.
- Sim, sou eu. – A porta se abriu e uma pessoa a puxou rapidamente para dentro fechando novamente a porta. – Oi, ! ‘Tá tudo bem? – ela se deparou com uma um pouco pálida.
- Não sei. ‘To meio tonta. – Ela falou, colocando a mão na cabeça e com a outra se apoiando na pia. – Já lavei meu rosto, já tentei vomitar. Mas nada funcionou.
- Bebeu muito?
- Nem tanto, mas é que eu não comi nada.
- Ai, ! Que inteligência!! – parecia ralhar com a amiga, que fazia cara de cachorro que aprontou e foi para chuva se molhando e que agora estava arrependido querendo voltar para o quentinho da casa. [N/a: ok, eu inventei isso agora. :p] – Tu sabe que não pode fazer isso.
- Mas eu não ‘tava com fome. Não tinha por que comer.
- Claro que tinha, tu vinha para uma festa e era óbvio que ia beber, né?
- Ai, ... Não fala assim comigo. – já tinha sentado no vaso devido a sua tontura.
- Claro que falo, tu tem que aprender, oras. – estava na frente dela com as mãos na cintura. Parecia sua mãe. – Agora levanta daí que eu quero fazer xixi. Depois tu vai lá pro sofá que eu te levo um refri pra ver se melhora.
E foi o que elas fizeram. foi para o sofá e foi em direção à cozinha.
- Droga, mas que casa de bebum!! – comentava quase dentro da geladeira. – Não tem um refrizinho aqui. – Mexeu mais um pouco levantando todas as cervejas e vendo lá no fundo, depois nas gavetinhas de baixo. – Aaaah, tu ‘tá aqui, hã? – Ela falou sozinha olhando para a latinha de coca na mão e foi para a sala encontrar no sofá.
- Opa! Desculpa. – Uma Cleópatra esbarrou nela no meio da confusão da pista de dança, fazendo a latinha cair no chão.
- Ai, meu refri! – Ela colocou as mãos na cabeça ao ver a latinha rolando até os pés de alguém.
Ela tentou ir até onde a lata havia parado, mas tinha muita gente dançando, todos muito juntos. Tinha pouco espaço para ela chegar até lá. Até que a pessoa que tinha a lata em seus pés percebeu e se abaixou para pegar. Olhou a latinha um pouco incrédulo, normalmente aquelas pessoas da festa não bebiam refri, e depois olhou em volta para ver de quem era. viu um Hitler mostrar a latinha para um Gancho, como se perguntasse se era dele. Era Hall e seu amigo, o irmão da Rosalie, Mitch. Hall fez sinal de negação e Mitch olhou em volta para ver se achava o dono da latinha. Ela ficou parada tentando fazer sinal de que era dela, mas ele não via. Poxa, ela não estava tão longe assim para ele não enxerga-lá, então começou a abanar freneticamente para chamar mais atenção, até que finalmente ele a viu e largou um sorriso que faria qualquer uma derreter. Charmoso demais. Aproximou-se dela.
- Isso é teu? – Ele falou com o mesmo sorriso no rosto.
- É, caiu das minhas mãos. – Ela respondeu com um sorriso no rosto também, mas esse era mais tímido.
- Coca-cola então? Não bebe?
- Bebo, mas é pra uma amiga que não ‘tá se sentindo muito bem.
- Ahn... Achei que era um ET aqui no meio desses bebuns. – eles riram.
- Pois é, essa foi a única latinha que eu encontrei naquela geladeira cheia de cervejas. – riram mais e logo depois ficaram quietos. A latinha ainda estava nas mãos de Mitch e tinha as mãos nos bolsos da sua calça de Chaplin. O silêncio começou a incomodar.
- Acho que temos um bigode em comum. – não entendeu. – Os nossos bigodes. – ele apontou para o seu e logo depois para o dela. – São iguais.
- Aaah, pois é. – O que faz a falta de assunto. E ficaram quietos novamente, ele parecia não querer entregar a latinha para ela. – Ahn... Bom, eu... Tenho que levar o refri pra minha amiga. – Ela apontou para a latinha nas mãos de Mitch.
- Ah! Claro! Nossa, nem me dei conta que eu ‘tava com ela ainda. – Ele falou, constrangido, e entregou a ela com um sorriso um tanto quanto fofo.
- Brigada.
- De nada.
- A gente se vê. – Ela disse, se afastando, e ele só concordou acenando.
Ela avistou o sofá onde estavam , Tom e Harry. Estava com um pequeno sorriso no rosto, quase imperceptível. Nem ela percebeu que estava.
- Nossa, ! Demorou, hein? Até passou minha tontura. – falava abraçada em Tom.
- Ah, é? – a olhou com cara de “como assim?” – Aquela geladeira não tinha uma latinha, fiz um baita esforço pra conseguir achar uma pra ti. – Agora ela tinha cara de triste.
- Ah, ... Na verdade eu ‘tô um pouquinho tonta, sim. Dá aqui. – falou estendendo o braço para pegar a lata de coca. Bebeu um golinho e ofereceu para os outros. Tom recusou, mas Harry não. Tomou quase tudo de uma vez só, o que fez as garotas o olharem incrédulas.
- Harry!! Esse refri era da ! – deu um tapinha no braço dele ao pegar a latinha e ver que estava praticamente vazia.
- Poxa, Harry, a latinha que a fez um esforço pra pegar pra mim. – pegou a latinha para verificar se estava mesmo vazia.
- ‘Tá, ‘tá, desculpa... É que eu tava com sede. – Ele deu um sorrisão ao acabar a frase.
- Tudo bem, agora se a quiser mais que vá buscar. – falou sem resistir ao sorrisão Harry abraçando-o.
- Droga, só porque eu ‘tô com sede. – bufou se levantando.
- Deixa, . Eu busco pra ti. – Tom a impediu e tentou se levantar, mas estava meio cambaleante.
- Vamos juntos, então. – Ela disse ajudando ele e rindo junto.

No sofá do quintal e Dougie estavam numa pegação, como dissera Tom. Eles estavam deitados, Dougie em cima dela. Eles se beijavam com vontade e as mãos viajavam por seus corpos, digamos que, por muitos caminhos. A fenda do vestido dela ajudava a mão dele a vagar por sua coxa, fazendo carinho para cima e para baixo delicadamente, mas ao mesmo tempo com desejo e segundas intenções. As mãos dela passavam por suas costas, por baixo da camisa. Dougie beijava o pescoço dela com vontade, era provável que ficaria marca ali, ao mesmo tempo em que tentava achar o fecho de seu vestido. Quando achou, o impediu.
- Melhor não, Dougie. Aqui não.
- Mas por quê? – Ele perguntou, ofegante e com a boca vermelha.
- Porque não. Estamos na rua, numa casa que eu nem sei de quem é.
- Não seja por isso, vamos pr’um quarto. E essa casa é do James. – Ele falou voltando a beijá-la. – Viu, agora já sabe. – Falou com a boca colada na dela.
- É sério, Dougie. Agora não. – O impediu novamente.
- Tudo bem. – Eles se sentaram no sofá, se recompondo. – Só espera um minutinho. – Ele falou quando ela levantou. Ela não entendeu muito bem, mas quando viu que ele tinha uma almofada em seu colo, compreendeu e ficou um pouco envergonhada, se virando para olhar para outro lugar.
Voltaram para dentro de casa de mãos dadas, mas perto da porta viram uma pessoa com a cabeça entre as mãos.
- Peraí, é a ! – falou se aproximando da garota. – , ’tá tudo bem?
- Oi, . – falou levantando a cabeça e olhando para ela. – Tudo bem sim.
- Tudo bem nada. Tu ‘tava chorando, olha tua cara!
- Ah, ... Nada de mais. Depois a gente conversa. – Ela falou olhando para Dougie que ficou quieto com cara de preocupado de pé atrás de , que estava agachada para ficar na mesma altura dela.
- Ok. Então vamos entrar e chamar as gurias pra ir embora. – compreendeu e puxou a amiga para dentro. Ela se deixou ser puxada.

Elas já estavam todas reunidas e preparadas para irem embora. Só não encontravam Danny para se despedir. e Dougie se olharam entendendo a situação.
- Bom, guris, vocês dêem um beijo no Danny por nós. – disse dando um selinho em Dougie.
- Eu não vou dar beijo em ninguém. – Harry debochava.
- Ai, Harry, tu entendeu. – também dava um selinho do garoto.
As garotas se despediram de Thiago e Amy que estavam ali também e os garotos as acompanharam até a porta. No meio do caminho Phil cutuca .
- Phiiil!! Tu sumiu a festa inteira! – Ela falou ao ver o garoto, o que fez Tom revirar os olhos.
- ‘Tava tentando me divertir... Não queria te incomodar também.
- Que isso, não me incomoda. Podia ter ido atrás de mim. – Ela falava, vendo que o grupo de amigos se afastavam, só Tom estava com ela. – Bom, tenho que ir.
- Ok, nos vemos segunda. – Ele disse levantando o braço num aceno.
- Tchau, Phil! – ela deu um abraço nele e isso sim irritou Tom, que a puxou para ir embora.
- Vamos, . Tchau, Philippe. – foi mais grosso do que no começo da festa, o olhou com reprovação e então seguiram os outros.
- Vou levar elas em casa depois eu volto. – Harry falou para os amigos enquanto entrava no carro sendo seguido delas que acenaram uma última vez.

Capítulo 23

O almoço foi quieto. Estavam todas ao redor da mesa só se olhando para ver quem começava a falar. continuava com uma expressão triste e ela ainda não tinha contado o que tinha acontecido. Acabaram de comer e, finalmente, alguém resolveu se pronunciar.
- , o que aconteceu ontem? Tem ligação com o sumiço do Danny, né? – falou e a garota só balançou a cabeça, afirmando.
- Ele fez alguma coisa idiota? – perguntou.
- Deve ter sido sério, porque quando eu te encontrei tu ‘tava péssima. – falou, acariciando o braço da amiga que estava ao seu lado.
- Não foi ele o idiota. Fui eu. – finalmente falou alguma coisa e deu uma pausa, fazendo as amigas ficarem atentas e esperando saber mais. – O Edward quis me beijar e o Danny chegou bem na hora.
- O amigo do Dave que ‘tava de gângster? – perguntou , tentando associar o nome à imagem.
- É. – Respondeu ela.
- Mas se foi ele que quis te beijar, houve um mal entendido, . Tu não foi idiota não. – disse, levantando as sobrancelhas, como se o problema tivesse solução.
- Fui idiota, sim. – Ela continuou. – Eu ‘tava tentando resistir, mas alguma coisa me puxava pra ele. Nós estávamos quase nos beijando quando Danny nos interrompeu.
- Mas então vocês não se beijaram! Danny faz tempestade em copo d’água. – disse, encostando-se à cadeira.
- Se fosse contigo tu não diria isso. Tu ia ficar chateada também. – falou para , que teve que concordar.
- É, ele ficou mega chateado. E o Edward ‘tava completamente bêbado, chegou até ser meio grosso. – falava um pouco mais alto.
- Idiota foi esse Edward. – falou, indignada.
- Pelo menos deu pra ver que o Danny gosta de ti. – disse com um sorriso, tentando consolar a amiga.
- Cala a boca, . – Recebeu um pedala de .
- Gostava... Agora deve me odiar. – encostou o cotovelo na mesa e apoiou o queixo na mão. – Mas eu não sei o que o Edward tem... É alguma coisa que mexe comigo. – Ela falou, depois de uma longa pausa.
- Te decide, cara. Ou Danny ou Edward. – falou como se fosse óbvio.
- Eu sei... Mas com o Danny é diferente. O Edward é só atração.
- Se bem que ele é bem bonitinho mesmo. – falou maliciosa quebrando o clima triste, fazendo as outras rirem.
- Ok, vamos aproveitar esse domingo bonito pra passear e esquecer dos problemas. Segunda é dia pra resolvê-los. – falou, se levantando da mesa rapidamente e recolhendo a louça.
- É isso aí. Vamos levar Bili e Lady. Eles também querem esquecer os problemas. – disse fazendo carinho neles, que perceberam a movimentação e já estavam alegres, enquanto todas riam.
Elas saíram para dar umas voltas, mas logo voltaram para casa, deixando os cachorros lá. Por quê? Porque tiveram a genial idéia de ir ao shopping fazer algumas compras. Nada melhor para esquecer coisas tristes. Só não se lembraram que era domingo e que a maioria das lojas estavam fechadas. Mas a maioria não são todas, algumas poucas faziam as pessoas felizes nesse domingo. E deu, então, pra comprar algumas coisinhas. Conseguiram, pelo menos naquele instante, fazer um pouco mais feliz. Mas logo tiveram que voltar para casa, pois o domingo estava acabando e tinham uma semana pela frente.

Uma nova semana que, para , não começou nada bem. Acordou segunda-feira com olheiras um tanto grandes embaixo de seus olhos. Dava para ver que não conseguiu dormir muito bem. Mas teve que enfrentar o cansaço para ir trabalhar. E, diferente dos últimos dias, essa segunda estava bem devagar e o trabalho que tanto gostava não tinha muita graça naquele dia triste.
- , ‘tá tudo bem contigo? – Rupert amigavelmente acordou de um transe.
- Ahn? Ah... Tudo sim. Só um pouco cansada. – Ela sorriu amarelo para o garoto, que não pareceu se convencer muito, mas preferiu não insistir.
O telefone tocava insistentemente na sala de Seu Oscar. Aquilo conseguia ficar bastante irritante num dia não muito bom de . Ela deu uma espiada para dentro da sala e viu seu chefe dormindo em sua cadeira, sentado com a cabeça caída para frente. Só faltava babar e roncar. “Ótimo!”, pensou ela.
- Seu Oscar ‘tá dormindo e alguém precisa atender esse telefone. – Ela falou para os colegas.
- Deixa que eu vou. – Rupert se mobilizou. - Será que ele vai ficar brabo? – Ele parou na porta antes de entrar, se virando para os outros. Preferiu bater na porta aberta, fazendo Seu Oscar acordar assustado. Os outros que assistiam soltaram uma risada abafada e Rupert teve que se controlar pra não rir também. – Desculpa, Seu Oscar, mas é que o telefone ‘tá tocando sem parar. Deve ser um pedido de encomenda.
- Nossa, nem percebi. Obrigado, rapaz. – Ele conseguiu ser simpático naquele momento, quando certamente pouca gente seria. Rupert se retirou e voltou ao trabalho.
Um momento depois, ouviu ser chamada pelo chefe. Olhou receosa para Rupert e Jasper, que estavam perto dela.
- Sim? Me chamou? – Ela colocou a cabeça para dentro da sala.
- Chamei, sim. Entre. – Ele fez sinal com a mão para que seguisse. – Temos uma encomenda e preciso que você a faça.
- Eu? Mas o Jasper ‘tá aí... – Ela falou confusa - Pra quem é?
- Para Edward Bass. – Aquele nome a fez lembrar do seu desânimo. – Ele pediu para que seja a senhorita. Gostou do atendimento da última vez.
- Desculpa, Seu Oscar, mas esse é o trabalho do Jasper. Ele tem a moto pra fazer justamente isso. Prefiro trabalhar aqui na loja. – ela flava em tom de súplica.
- É que é um pedido de um cliente antigo, não gosto de contrariá-lo... – Ele deu uma pausa e rezava para ele mudar de idéia. Não queria encontrar Edward muito cedo. – Mas tudo bem, a senhorita tem razão. Seu trabalho é aqui na loja e se não quer ir, não posso forçá-la. – Ela agradeceu mentalmente. – Avise Jasper, então.
- Ok! – Ela falou saindo da sala e logo em seguida avisou o colega, entregando o papelzinho com as informações.

- Sabe, Rosalie... Eu não esperava mesmo te encontrar naquela festa. – falava animadamente em frente ao balcão em que Rosalie se encontrava.
- , me chama de Rose.
- Ok, então tu me chama de . – Elas riram.
- Tudo bem, . Mas tu sabe que eu também nem fazia idéia que tu conhecia algum dos amigos do meu irmão. Nem eu os conheço. Fui porque ele me arrastou junto. – Elas continuaram a rir.
- É nessas horas que eu digo que esse mundo é muito pequeno.
- Sim, muito. Mas a festa tava bem divertida, né?
- Ahã! Adorei. Ver as fantasias dos outros era o melhor. – continuava sua conversa animada.
- Oi, gente! – Clear, outra secretária do prédio, chegou na lanchonete para conversar com as outras. – Falando do quê?
- Oi, Clear! – Rosalie foi simpática com ela, sorrindo. – Estávamos falando de uma festa de Halloween onde nos encontramos no sábado.
- É, incrível como esse mundo é pequeno. – continuou. – Acredita que o irmão dela conhece os amigos de uns amigos meus? E por isso nos encontramos lá?
- Nossa, pequeno mesmo. – Ela falou se sentando no banco alto. – Me vê um café, Rose.
- Amigos, ? – Rosalie sorriu enquanto ia preparar o café de Clear. – E aquele bonitão que ‘tava contigo, vai me dizer que é só amigo?
-Ah... – Deu uma pausa. Realmente não sabia o que o Harry era dela. - É uma amizade colorida, ué. – Elas riram e tinha o rosto vermelho de vergonha. Nem um minuto depois, o celular de toca. Ela atende rindo e ainda envergonhada. – Oi, Harry!
- Olha a amizade colorida aí, ó! – Rosalie debochou ao ver a cara de , que mandou a língua pra ela abanando o ar. Se afastou um pouco para elas não atrapalharem a conversa.
- ‘Tô no meu intervalo. Por quê?
- É que eu ainda não almocei e eu ‘tava pensando se tu não queria vir comigo.... – Ele falou enrolando um pouco.
- Claro! Eu ia adorar! Ainda não almocei. Só ‘tava aqui conversando com umas amigas.
- Convidei os guris também. Eles disseram que iam chamar as gurias.
- Ótimo! Aonde vamos?
- Naquele lá perto do trabalho da e da .
- Ok, vou indo pra lá então.
- Podemos ir juntos. ‘Tô aqui em baixo te esperando.
- Mas já? E se eu não pudesse sair agora?
- Ia te esperar até o final do teu expediente. – Quando ele disse isso, ela sentiu um sorriso surgir em seu rosto, um sorriso que foi percebido pelas garotas, que estavam só a observando.
- Então, ‘tô descendo.
- Não sairei daqui. – Ele disse, desligando o celular.

Chegaram ao restaurante e encontram Tom e falando sobre alguma coisa que não parecia agradar Tom, e Dougie ao seu lado com cara de tédio.
- Hey, ! – Harry falou cumprimentando que foi seguido de , que cumprimentou os outros também.
- E os outros? – perguntou sentando-se e pegando o cardápio para escolher alguma coisa para comer.
- A não podia sair. Ela me trocou por aquele bebê imbecil. – Dougie falou cruzando os braços.
- Ai, Dougie! Não fala assim do bebê. – o repreendeu. – A não quis vir. – Ela fez uma cara triste, que fez entender o motivo.
- O Danny também não quis. – Tom respondeu também, vendo o cardápio.
- É, a coisa parece não estar boa entre eles. – Harry comentou, olhando o mesmo cardápio de . – No domingo, o Danny não queria fazer nada. Ficou trancado em casa sozinho.
- Tadinho... – falou, sem tirar os olhos do menu. – Da também... Pelo menos nós conseguimos a distrair um pouquinho.
- Bom, vamos comer? ‘Tô com fome e segurando vela. – Dougie disse, chamando o garçom. – Não quero que isso dure muito.
- Que insensível, Dougie. A gente aqui quer. – falou, dando um selinho em Harry.
- Oooun, que bonitiiinhos. – Dougie disse irônico.
- Só porque tu ‘tá sem a não precisa ser estraga prazeres. – Tom falou, fazendo o mesmo com .
- Obrigado por me lembrar que eu ‘tô sozinho aqui. – Dougie disse depois que o garçom saiu com os pedidos. – Mas é que eu realmente ‘tô com fome.
- Novidade... – Harry comentou, fazendo os outros rirem.
Para desgosto de Dougie, o almoço demorou a acabar. Bom, no ponto de vista dele, porque no ponto de vista dos outros foi rápido demais.

- Ai, Tom... Só acho que tu não precisava agir daquela maneira com o Phil. – falava enquanto os dois caminhavam abraçados até a locadora.
- Eu também acho que tu não precisava agir com o Phil daquela maneira. – Ele falou, tentando imitá-la.
- Que maneira?
- Ora, que maneira, ? – Ele parou e se virou para ela, parecendo incrédulo. – ‘Tava toda queridinha com ele.
- Ele é meu amigo, qual o problema? E, além disso, é meu chefe. E fui eu que o convidei pra festa. Tinha que dar uma atençãozinha, né?
- É, mas aquele abraço que tu deu nele no final só deu abertura pra ele chegar em ti.
- Mas no final da festa eu já ‘tava felizinha com as cervejas que eu tomei... E também não foi nada demais. Só um abraço. – Ela falou, seguindo em frente e passando os braços pela sua cintura para continuarem abraçados.
- A bebida entra e a verdade sai. – Tom disse sem olhar para ela, como se fosse um comentário à toa. – Vai ver era isso que tu queria fazer mesmo, ficar com ele.
- Tom, não começa. Se eu quisesse ficar com ele, já tinha ficado há muito tempo. Mas não, eu tô contigo. – falou um pouco mais séria, e ele ficou um tempo quieto, fora vencido.
- Tudo bem, não quero brigar também. – Eles pararam na frente da loja e ele se virou para ela, pegando os braços dela e colocando em sua nuca, e os seus em sua cintura. Ficaram um momento se olhando, sem falar nada. Até que levantou um pouco, ficando nas pontas dos pés, e o beijou, fazendo carinho em seus cabelos. Ao quebrarem o beijo, Tom abraçou-a mais forte, não queria deixá-la ir.
- Tom, eu preciso ir. – Ela sussurrou em seu ouvido.
- Não. – Ele gemeu entre seus cabelos.
- É sério. Também queria ficar, mas preciso trabalhar. – Ela se afastou dele, o olhando com piedade.
- ‘Tá bem. – Ele deu um selinho rápido. – Mas toma cuidado com esse teu chefe. – Falou baixinho, para que ninguém ouvisse. Ela só revirou os olhos, entrou na loja e viu que Tom continuava ali fora com as mãos para trás, observando cada movimento seu. Até que, quando viu atender alguém, foi embora.

Como o movimento estava fraco, decidiu ler uma revista que estava na prateleira ao seu alcance. Passou algumas páginas só olhando as figuras, e, em algumas, lendo o cabeçalho de algumas reportagens. Mas parecia que nada era tão bom para lhe chamar a atenção. Trocou de revista, para uma teen. O que ela poderia achar de bom ali nem ela sabia, mas precisava se distrair. Talvez fosse engraçado ler essas coisas de adolescentes. Por incrível que pareça, essa chamou mais a atenção de . Ela realmente achou engraçado lê-la, ria das mensagens de pedidos de ajuda com ficantes e paqueras que as meninas mandavam. Quando chegou no meio da revista se deparou com uma foto das duas páginas inteiras do McFly e dizia:

“A boyband recém lançada faz sucesso entre as meninas.”

“Boyband?”, pensou, não gostando da palavra. Ela continuou, estava curiosa para saber o que falavam deles.

“Os lindos garotos, que nem CD lançado já têm, conseguiram conquistar as meninas, fazendo apenas shows em casas noturnas. Hoje elas já se dizem apaixonada por eles.”

“Apaixonadas? Credo... que groupies!”, comentou em pensamentos.

“Tendo como vocalistas e guitarristas Danny Jones e Tom Fletcher, baixista, Dougie Poynter e baterista, Harry Judd, a banda tem músicas que encantam qualquer um. De estilo pop rock, daquelas que você não consegue parar de cantar. E parece que, finalmente, vai sair um CD para daqui a pouco. Esperaremos ansiosos.”

Ela resolveu pular um pouco os parágrafos. Viu que só teriam bobagens, apresentações e não iam parar com os elogios, puxando o saco e dizendo que eram bonitos e blá, blá, blá. Foi para o último.

“Ainda não sabemos se os guys têm namoradas, mas que estamos curiosos, estamos. Se tiveram, gostaremos de saber quem são as sortudas e óbvio que avisaremos vocês, girls!”

parou de ler e sentiu um vazio dentro de si. Aquela frase a deixou um pouco triste e a lembrou do que Danny tinha dito para ela no dia da festa. “A gente nem tem nada mesmo.” Agora aquela fala de Danny martelava em sua cabeça, lembrar do que ele tinha dito a fez desencadear toda a lembrança da festa e não conseguir mandar embora o “a gente nem tem nada mesmo.” Eles realmente não tinham nada, mas ela gostava muito dele e pelo visto ele também gostava. Lembrou também daquele dia depois do cinema que ele falou que gostava dela. O que foi que ela tinha feito? Estragou tudo. É, agora ele devia odiá-la. Sentiu uma lágrima escorrer pela sua bochecha e logo a secou. Voltou então à vida real da livraria.
- Hey, ! Tem um cliente que quer falar contigo. – Rupert falou lá da frente da loja.
- Já vou. – Ela se recompôs, secou os olhos e respirou fundo. – Tenho que trabalhar. Vamos lá, . – Ela disse baixinho pra si mesma, se incentivando.
Não conseguia acreditar no que via. Não tinha parado para pensar que poderia ser ele. Edward estava parado com as mãos nos bolsos da calça bem perto da entrada da loja, encostado na parede. Ai, céus, largando aquele charme todo. Como ele conseguia? Tinha uma cara de gostosão, só podia fazer de propósito... Ele tinha noção da sua beleza, impossível não ter. Fazia de propósito, com certeza.
- Oi, . – Ele finalmente disse alguma coisa.
- Oi. – Foi a única coisa que conseguiu falar.
- Podemos conversar?
- Eu estou trabalhando.
- É bem rapidinho. – Ela ficou pensando um pouco, talvez fosse melhor acabar com isso logo. Olhou para Rupert, que fez um sinal de joinha para que ela fosse, que ele cuidava de tudo.
- Tudo bem. – Ele sorriu. – Mas é rapidinho.
- ‘Tá, vamos. – Ele pegou sua mão para sair da loja. - Já que tu não foi até mim, eu vim até ti. – Ele disse, quando já estavam numa Starbucks perto dali.
- Vamos logo ao assunto, Edward.
- Já te disse que é Ed.
- Por favor, o que é? Não posso demorar.
- Ok. É que eu percebi que fiz bobagem na festa... – Ele olhava para ela, mas ela evitava o olhar. Ela não aguentaria se ficasse olhando nos olhos dele. – E queria te pedir desculpas.
- Hum... – Ela murmurou, não sabia o que dizer.
- Tu me desculpa, ? Eu ‘tava bêbado, fiz tudo sem pensar.
- Não sei, Edwa... Ed. – Corrigiu.
- Por favor, . Eu nunca faria aquilo contigo se estivesse são.
- Mas fez, mesmo que estivesse bêbado, fez. – Ela disse engasgada. Não, não podia chorar ali.
- Eu te machuquei? – Ela negou com a cabeça. Fisicamente, ele não machucou mesmo. – Tudo bem que a gente nem se conhecia direito, mas eu fiquei atraído por ti desde aquele dia que tu foi lá na minha casa. Aquele dia que eu ‘tava atucanado e tu conseguiu melhorar tudo. Não precisa mais me ver, se não quiser. Mas pelo menos me desculpa. Assim posso ficar em paz. – ele deu uma pausa. – Não quero continuar minha vida sabendo que tem alguém muito chateada comigo. – agora o silencio reinava ali. Ele preferiu deixar pensar.
- Tudo bem, Ed. – ela disse não muito convincente.
- Isso é um sim? Tu me perdoa? – Ele falou entusiasmado.
- Sim. – Ela disse após um suspiro de cansaço. – Agora, por favor, me deixa sozinha.
- Obrigado, ! – Ele se aproximou para beijá-la a bochecha, mas ela se afastou. – Tudo bem. Eu vou indo, então. Tchau! – Ela não respondeu, nem se mexeu, nem o viu sair da cafeteria. Ficou ali parada pensando em tudo que estava acontecendo. Desculpou Ed mais para poder se livrar dele, se livrar daquele poder dele sobre ela. Não ia conseguir ficar muito tempo no mesmo lugar que ele. E até porque quem mais tinha culpa nessa história era ela, que poderia ter impedido tudo.
Tentou ligar para o Danny, quem sabe não conseguiriam conversar e acabar com tudo aquilo. Já tinha passado da etapa Ed, agora tentaria a etapa Danny, que era muito mais importante. Chamou, chamou, e ninguém atendeu. Ligou de novo e nada. Na terceira tentativa ele desligou o celular. Parecia não querer conversar. Ela olhava o copo de isopor a sua frente vazio e depois para o celular. O guardou e chamou o garçom.
- Por favor, um frappuccino. – Ela falou para um garçom, que estava perto e foi bastante eficiente trazendo em poucos minutos o seu pedido. Terminou aquele frappuccino e pediu outro. Não tinha vontade de voltar para o serviço, muito menos para casa. Os frappuccinos perderam a graça, precisava de alguma coisa a mais para ajudá-la a esquecer um pouco toda aquela história.
Saiu da cafeteria rapidamente e foi ao boteco ao lado. Comprou uma garrafa de vodca. Sim, era aquilo que ela precisava. Não que ela fosse uma alcoólatra, mas nada melhor para afogar as mágoas. Voltou para a Starbucks e pediu mais um frappuccino, nem sabia quantos tinha pedido. Discretamente juntou o conteúdo da garrafa escondida em sua bolsa com o do copo de isopor, que estava na mesa em sua frente. Repetiu aquela ação até o conteúdo da garrafa acabar.

Já começava a escurecer e recém conseguira sair do serviço. Atravessou a praça em frente ao seu prédio quase se arrastando. Fazer exercícios pela manhã e trabalhar quase o dia todo ainda mais com hora extra não era nem um pouco fácil. Não percebeu quando alguém parou a sua frente. Pra ela aquele ser tinha surgido do nada. Soltou um pequeno grito de susto que fez as poucas pessoas em volta a olharem, e a pessoa da frente, rir.
- Nossa, sou tão feio assim? – Dougie ainda ria da reação da garota.
- Claro que não! Só não precisa aparecer do nada na minha frente quando eu estou distraída. – Agora ela ria junto, mas com a mão no peito tentando acalmar seus batimentos, que estavam agitadíssimos com o acontecido.
- E eu não mereço um cumprimento mais carinhoso? – Ele sorriu, com suas mãos no bolso do casaco.
- Merece. – Ela falou, um pouco melosa, se aproximando dele e colocando suas mãos em seu rosto, como se o segurasse. Ele, prontamente tirou suas mãos do bolso para abraçá-la com vontade. E assim, iniciaram um longo beijo. Quando se afastaram, ficaram se olhando e Dougie pôs sua mão no rosto dela, acariciando com o dedão.
- Fiquei segurando vela hoje, sabia?
- Oun, tadinho. Mas eu juro que se eu pudesse, eu ia. Desculpa?
- Não sei. Vou ter que pensar no teu caso.
- Ah, vai... O Jimmy ‘tava terrível hoje e os Turner ainda decidiram chegar mais tarde. Tenho razões pra tu me perdoar.
- Hum... – Ele ainda fingia pensar.
- Ai, Dougie. Só porque não é tu que trabalha feito doida com uma criança que não pára e volta pra casa destruída.
- Tu ‘tá destruída? – Ele perguntou preocupado e ela afirmou com a cabeça, fazendo cara de coitadinha. – Oun, ‘tá bom, então eu te perdôo. – Ele sorriu e deu um selinho longo nela.
- O que eu mais preciso agora é de um banho e uma cama.
- Mas a essa hora tu já quer dormir? Nem ficar um tempinho com o Poynter aqui? – Ele falou, apontando para si.
- Só se tu ficar deitadinho comigo vendo TV lá em casa. – Ela sorriu, acompanhada dele.
- Só deitadinho? – Ele perguntou, malicioso.
- Dougie! – Ela deu um tapinha no braço dele, enquanto começavam a caminhar em direção ao prédio. Ele só riu e esfregou o braço no qual ela havia batido.

- Hey, girls! – Dougie falou para e , que estavam na bancada da cozinha comendo alguma coisa, ao entrar no apartamento, enquanto fechava a porta.
- Hey, Dougie! – Elas falaram juntas.
- Oi, ! Demorou hoje. – falou levando seu prato à pia.
- Nem me fala. Jimmy me torturou hoje. E a , não chegou ainda?
- Nem sinal. Até achei que vocês iam voltar juntas. – falou, fazendo o mesmo que e estranhando o sumiço da amiga.
- Estranho. Mas daqui a pouco ela deve chegar. – falou se jogando no sofá. – Vem , Dougie. – Ela bateu no sofá para que Dougie sentasse lá com ela.
- Ih, sobramos. – falou para .
- Vamos ali pro quarto na outra televisão.
- Ah, eu tenho que checar meus e-mails também. Enquanto tu vê TV, eu fico no computador. – Ela concordou com a amiga e elas foram pro quarto deixando o casal sozinho.
Os dois deitaram no sofá de conchinha vendo qualquer desenho que estava dando no primeiro canal que apertou. E, claro que não demorou muito para ela dormir.
- Eu adoro esse episódio do Dexter. É tão legal. A Didi sempre consegue acabar com o que ele faz. Se a minha irmã fosse assim, eu ia bater bastante nela. ‘Tá, como se eu não fizesse isso normalmente. – Dougie riu e não recebeu resposta. – Não acha, ? Tu não gosta de Dexter? – E o silêncio continuou. Ele levantou um pouco para olhar para ela e a viu no décimo sono já. Fez uma cara de desânimo. – Droga... Mas tudo bem, pelo menos nós estamos juntos. – Ele abraçou mais forte sua cintura e continuou a assistir o desenho, que atraía seu interesse no momento.

- Gurias, a ainda não chegou! Que horas são? – toda descabelada apareceu no quarto assustada. Dougie apareceu logo depois atrás dela.
- Meu Deus! Já são onze horas. – falou, ao ver a hora no computador.
- Liga pra ela. Deve ter acontecido alguma coisa. – falou preocupada. E foi o que fez. Ninguém atendia.
- Ela não atende!! – andava de um lado para o outro, apavorada. – Ai, minha amiguinha perdida em Londres! – Ela começava a chorar já.
- , calma. Não deve ser nada. – Dougie tentava acalmar ela. – Ela só deve ter dado uma volta depois do trabalho, daqui a pouco ela chega.
- É, . Daqui a pouco ela chega. – tentava manter a calma para acalmar , mas na verdade estava bem preocupada também. preferiu ficar quieta, quase comendo os dedos esperando que conseguisse falar com .
O tempo passou e ela não tinha aparecido. Todos já estavam mais que preocupados. Era madrugada e não faria uma coisa dessas sem avisar, ainda mais que tinha que trabalhar no outro dia cedo da manhã. Então, decidiram ligar para os amigos. Olhavam pela janela para ver se a viam chegar, mas o movimento era zero. Ninguém, nem uma alma ali. Dava para ver uma parte da praça, mas não tinha ninguém lá também. Dougie ligou para Harry e Tom, que estavam dormindo e não faziam idéia de onde ela poderia ter se metido, nem a tinham visto naquele dia.
- Vamos ter que ligar pro Danny. Quem sabe eles não resolveram conversar? – falou.
- Liga. – deu o celular para Dougie.
- Danny? – Dougie falou depois de um tempo. – Te acordei?
- Claro, né? Olha a hora.
- Ah, desculpa... É que a sumiu e a gente pensou que ela podia estar contigo.
- Quê?? A sumiu?? – Danny parecia ter acordado de uma hora para outra. – Não, a gente nem ‘tá se falando, cara. Não faço idéia de onde ela possa estar.
- Putz! – Dougie deu uma pausa e olhou para as garotas que o olhavam apreensivas. – Ok, pode continuar dormindo. Vamos procurar ela.
- Como eu vou conseguir dormir agora? ‘Tô indo praí. – Ele falou e desligou o telefone.
- Ele tá vindo pra cá. – Dougie disse entregando o telefone para .
- Vamos descer, ver se ela ‘tá por aqui pelo menos. – disse colocando um casaco.
- Vamos. Se ela não estiver, nosso segundo lugar é perto do serviço. – concordou e também colocou um casaco.
Todos desceram aflitos e olharam a rua deserta, passaram os olhos por todas as partes da rua. Tentavam ver se conseguiam enxergar alguma coisa, ou melhor, alguma , na praça, mas estava bastante escuro.
- Hey, algum sinal? – Danny apareceu rapidamente.
- Acho que aquilo é um sinal. – apontou para um canto da praça. Tinha um vulto sentando num banco escondido atrás de uma árvore.
Correram até lá e, para a felicidade de todos, era ela. Nem tanta felicidade, pois era ela bêbada e praticamente sem sentidos. Se olharam assustados.
- Ela não é de fazer isso. – falou, espantada.
- Danny? – falou enrolado quase incompreensível. Eles se olharam e logo olharam para Danny.
- Sim, sou eu. – Ele falou agachando perto dela. – Porque tu fez isso, ? – Ele perguntou passando a mão pelos seus cabelos, mas ela não respondeu. Só deu um gemido.
- Vamos levar ela pra casa. – disse, quebrando o momento quase romântico deles.
- Eu levo ela. – Danny pegou-a no colo, e ela pode sentir movimentos diferentes, o que a fez abrir um pouco os olhos e ver Danny bem perto de si. Só conseguiu encostar sua cabeça no peito dele e pode sentir este se expandir num suspiro.
- Brigada, Danny! – disse, se despedindo do garoto. – Brigada tu também, Dougie! Tu foi super querido, ficando até essa hora aqui com a gente.
- Que nada. Fiquei preocupado também. – Dougie falou com os braços pelos ombros de .
- Dêem notícias dela depois. – Danny tinha uma expressão triste ao se despedir das amigas.
- Pode deixar. Brigada, de novo! – se despediu e eles saíram porta afora.
levara para a cama e foi dormir as poucas horas que restavam com , no sofá da sala.
- ‘Tá se sentindo bem, ? Não quer vomitar? – perguntou ao deitar-se ao seu lado.
- Já... – Ela respondeu, dando a entender que já tinha vomitado e já estava bem. Pelo menos foi isso que entendeu. Preferiu deixá-la descansar, seria o melhor naquele momento.

Capitulo 24

Ela corria para a primeira entrada que encontrava, era agoniante. Na verdade havia mais de uma entrada e aquelas paredes não terminavam mais. O teto era alto e as paredes iam até lá. Não tinha por onde sair. Encontrava algumas proteínas em algumas das entradas. Depois se deu conta de que estava num jogo de fases. Quanto mais proteína conseguia uma porta se abria para outra fase. Mas as fases não acabavam. Encontrou uma escada que dava para um andar abaixo do seu. Tinha que ir com cuidado, pois os musgos nela a faziam escorregar facilmente. Conseguia ver, a partir de um ponto da escada, que teria que entrar na água. O andar de baixo era água e, estava aí uma nova fase. Achou em seu bolso um canudinho preto, ele a ajudaria a respirar, colocando um lado na boca e outro lado para fora da água.
- ? ? – ouvia alguém a chamar. Seria o fim do ‘jogo’? Estão chamando o nome dela por que acabou? Mas ela tinha muitas proteínas ainda para pegar naquela água cheia de algas. - ! – agora sentia alguém a tocar e o chamado era mais forte. – , acorda! Precisamos saber se tu ‘tá bem. – estava começando a reconhecer aquela voz e aquilo não parecia mais fazer parte do jogo. Seu corpo parecia mais pesado e o cenário aquático começou a sumir. – Ela não quer acordar. – aquela voz parecia falar com outra pessoa e o seu corpo pesava a medida que acordava. Pesava cada vez mais, principalmente sua cabeça, que podia explodir a qualquer momento. Tentou abrir seus olhos, mas o peso das pálpebras não ajudava. Abriu e deu de cara com uma claridade imensa, o que a fez fechá-los novamente. – Finalmente! – agora sim reconhecia a voz melhor. estava sentada na cama ao seu lado.
- Ai. – foi a única coisa que conseguiu dizer, mesmo sentindo sua garganta seca arranhar. Aos poucos, conseguiu se adaptar com a luz e abrir de vez seus olhos. - Então, . Como tu ‘tá te sentindo? – se aproximou mais dela, seguidas das garotas que estavam perto da porta antes.
- Mal. – ela disse com as mãos na cabeça, tapando os olhos.
- Acho que vamos ter que ligar pro seu Oscar e dizer que ela ‘tá doente, sem condições pra trabalhar. – se manifestou.
- Acho que sim. Ela mal consegue falar. – disse.
- É, vou ligar. Ouviu, ? Daí tu pode ficar dormindo e se recuperando do porre de ontem. – disse, tentando fazer gracinha. – Depois tu vai nos contar tudinho sobre isso, ok? – ela disse saindo do quarto.
- Uhum. – concordou, ainda na mesma posição. – Desliga a luz. – ela reclamou.
- ‘Tá desligada. - parou na porta e se voltou para a amiga. - Acho que é do sol que ela ‘tá falando. – disse para as outras, enquanto se dirigia até a janela, fechando-a. – Tem uma aspirina e um copo d’água aí na mesinha de cabeceira, quando acordar, toma. Tu vai precisar. – agora encostava a porta do quarto, deixando uma fresta, sem esperar resposta de .

- Senhorita , por favor, compareça a minha sala. – a voz do Sr Windsor saía pelo viva voz do telefone na mesa de .
- Estou indo, senhor Windsor. – ela falou, apertando um botãozinho do aparelho e arrumando o que terminava de fazer. Levantou-se e foi para lá.
- Bom, , preciso que me faça um favor.
- Claro! O que o senhor deseja?
- Preciso que vá até a outra filial e entregue esses documentos para a senhora Carmen Rathbone do décimo segundo andar do prédio. – ele pegou um papel e um pouco de dinheiro lhe entregou. – Aqui está o endereço e o dinheiro para locomoção. E pegue uma pasta com outros documentos que ela lhe entregará também.
- Certo. Farei tudo o que o senhor me disse. – ela já saia da sala.
- Obrigado, .
Ela andava distraída pela rua, como era de costume, mas o motivo era para conseguir decorar o endereço e todos os dados pedidos pelo seu chefe. Pegou o ônibus que foi recomendado pelo mesmo e, nesse momento, ficou bem atenta a todo o caminho para não se perder. Não era um caminho longo, logo teve que descer do ônibus. O problema mesmo foi encontrar o tal prédio. Andou para onde indicava no papelzinho que ela tinha, mas em algum ponto do caminho ela deve ter se desviado, pois não existia aquele prédio onde ela estava. Voltou até a parada e fez de novo o caminho. Acabou no mesmo lugar. Não era possível, ela não podia ter errado duas vezes a mesma coisa. O papelzinho estava errado. Ela voltou novamente para a parada de ônibus sentou em um banquinho que havia ali. Abriu todo o papelzinho que já estava dobrado em vinte – papéis nas mãos de não conseguem ficar dobrados em uma vez só. – e olhou atentamente para aquelas coisas escrita com uma letra um pouco confusa.
- E agora? Pra onde eu vou? Nem entendo o que ‘tá escrito nessa bosta. – falou sozinha, gesticulando com o papel quase amassado na mão.
- A senhorita precisa de ajuda? – uma voz perto de seu ouvido interrompeu seus pensamentos altos.
- Harry!? – ela estava surpresa ao mesmo tempo em que estava feliz por ver o garoto ali, abaixado para ficar a sua altura.
- Não gostou de me ver? – ele fez cara triste.
- Claro que gostei! Só não esperava te ver aqui. Só isso. – ela se levantou, dando um beijo no garoto, abraçando-o.
- Na verdade, eu também não esperava te encontrar aqui. – ele riu ao se afastar o rosto do dela, continuando abraçados. – Nós estávamos voltando da gravadora.
- Ah! Legal, começaram a gravar o CD já? – ela perguntou, com um sorriso no rosto. - Os guris ‘tão contigo? – nem esperou ele responder a primeira pergunta e olhava em volta para procurá-los.
- Calma! Uma pergunta de cada vez. – ele deu uma pausa, como se pensasse. – Não e sim. – mais uma pausa, ela esperava ele acrescentar alguma coisa. – Viemos fazer os últimos ajustes pra começar a gravação, começamos no fim da semana. E os guris estão ali na cafeteria do Thiago.
- Ah, a cafeteria que o Thiago trabalha é por aqui? – ela parecia mais surpresa de quando viu ele ali. Ele só concordou com a cabeça e apontou para o outro lado da rua. – Então eu sei onde eu ‘tô. – ela sorriu, vitoriosa.
- E tu, para onde estava indo?
- Pr’um prédio que é pra ser perto daqui, mas eu não entendo a letra do Sr. Windsor. – ela mostrou o papel para ele. – Tenho que entregar esses documentos e pegar outros lá.
- Hum... – ele lia o que estava escrito no papel. – Esse prédio é o número 2589, do lado da gravadora. – ele sorriu e devolveu o papel para ela. – Ali ó. – e apontou para um grande prédio do outro lado da rua.
- Meu Deus! Isso é um 9? Jurava que era 0! – ela olhou de novo para o número. – E eu aqui do lado errado. – ela fez cara de tédio.
- Então, não tem um tempo para um café com a gente? – ele perguntou de uma maneira conquistadora, impossível de recusar.
- Ai, Harry! Eu não poderia... – ele a olhou com piedade. – Mas eu vou. Tem que ser rápido, se não o chefe lá me estrangula. – eles riram e atravessar a rua abraçados. - Oi, ! – os garotos sentados à uma bancada cumprimentaram a garota que entrava com Harry na cafeteria.
- Olá! – ela sorriu e deu um rápido abano.
- , como ‘tá a ? – Danny nem esperou a garota se sentar.
- Parecia bem mal hoje mais cedo, mas acho que ela se recupera. – ela respondeu, já sentada no banco ao lado deles.
- Ai, tomara que ela melhore mesmo. – Dougie falou. – Afinal o estado dela ontem ‘tava horrível.
- Onde ela ‘tava, afinal? - Tom perguntou, curioso.
- A gente não sabe ainda. – deu ênfase na última palavra. – Mas quando e a gente encontrou ela, ela ‘tava na praça ali na frente de casa.
- Hey! Do que estão falando? – Thiago se aproximou pelo outro lado do balcão.
- Oi, Thiago! Estávamos falando da , que ‘tava num estado bastante alcoólico ontem.
- Ah, a chegou a me falar alguma coisa hoje mais cedo pelo telefone. Ela ‘tá bem agora?
- É, mais ou menos... Mas vai ficar bem, sim. – ela respondeu, colocando os cotovelos no balcão. – Agora me vê um cappuccino rapidão aí, porque eu nem devia estar aqui. Mas como eu iria resistir a um pedido do Harry?
- Eu sou muito sedutor, vocês sabem... – Harry colocou a mão no peito, se achando. Levou um tapinha leve de .
- Não era pra tu te achar. – ela disse, recebendo o seu cappuccino. – Então, o Harry me falou que vocês vão começar a gravar o CD no fim da semana, né?
- É!! Estamos muito ansiosos. – Tom respondia, animado.
Todos pareciam bem animados falando do CD tão esperado, na verdade. Menos Danny, que depois de perguntar sobre não parecia estar presente no mesmo mundo que os outros.
- Bom, nos vemos mais tarde. Agora eu preciso voltar ao trabalho. – dizia, pagando seu café, mas Harry a impediu, pagando para ela.
- Eu que te convidei e te tirei do trabalho, então eu que pago.
- Ok, nem vou insistir mesmo. – ela ria, puxando risada dos outros também. Afastou-se acenando a todos e Harry a acompanhou até a rua.
- Bom trabalho! Me liga quando sair. – Harry a puxava para um beijo.
- Brigada. Vou pensar se te ligo ou não. – ela deu uma risadinha e ele fez bico, que só fez dar vontade de apertá-lo e então puxou a para mais um beijo. – Tchau, Harry. Te ligo sim, não te preocupa. – ela riu e seguiu em direção ao grande prédio, que era seu rumo antes.

Parecia sina. Novamente, depois de seu exercício matinal, encontrou o garoto maravilhoso no elevador, enquanto ela estava horrível, toda suada. disfarçava num canto do elevador, mas o garoto era bastante indiscreto. Olhava fixo para ela, querendo falar alguma coisa.
- Faz exercícios todas as manhãs? – ele quebrou o silêncio com sua voz doce.
- Quando tenho tempo. – ela não estava a fim de papo.
- É bom para a saúde.
- É.
- Tênis? – ele perguntou, olhando a bolsinha da raquete em suas costas.
- Uhum. – ela respondeu tímida. Aquele garoto era lindo demais para ficar observando-a daquela forma. Podia puxar papo, conversar, falar o que quisesse, mas não naquela hora. Numa hora que ela tivesse arrumadinha, limpinha e não num elevador. Finalmente o elevador parou no andar do garoto. Pelo jeito morava ali. Mas porque chegava aquela hora da manhã em casa? Devia estar saindo de casa, não chegando... Era estranho, fato.

A salinha estava escura, a única luz que a iluminava era a que saía da televisão. estava sentada em uma cadeira bem em frente dela. A TV, por sua vez, estava em um apoio na parede, ficando suspensa por ele, virada para baixo, para que a visão fosse melhor para quem a assistisse. Ela estava sozinha na sala, Philippe estava atendendo as pessoas lá na frente da loja. Ela tinha os pés em cima da cadeira, apoiando sua cabeça nos joelhos, juntos ao corpo. As lágrimas corriam pela sua face, ver Justin chorando a perda de Tessa, sua mulher grávida era bastante doloroso. Ele teve duas perdas ao mesmo tempo, de sua mulher e de seu filho que nem tinha vindo ao mundo ainda. sempre chorava ao ver esse filme, o final, então, era o pior! Pior no sentido de triste, porque achava o filme maravilhoso. ‘O Jardineiro Fiel’ era um dos seus filmes preferidos e sempre que voltava de uma locação ela se dispunha a assistir para ver se estava tudo direitinho, se não tinha nenhum arranhão.
- Chorou de novo, ? – Philippe falou ao ver o rosto inchado de , que saía da sala com o DVD em mãos.
- É tão triste... – ela colocou o DVD na prateleira de volta.
- Não vou mais deixar tu ver, se te deixa triste. – ele falou, meio rindo.
- Mas por isso que tu tem que me deixar ver. Adoro filmes assim. – ela riu também.
- Masoquista. – ela falou entre risos.
- Só um pouco... – deu uma pausa, parecia querer falar alguma coisa, mas não sabia como. – Phil...
- Hum? – ele perguntou enquanto tinha os olhos fixos no computador.
- É que eu queria me desculpar.
- Pelo que? – ele virou para ela, um pouco surpreso.
- Pelo Tom, na festa. Ele foi tão antipático contigo.
- Ah, ... Nem notei nada. Não esquenta. – óbvio que ele tinha notado, mas falou aquilo para agradá-la.
- Mas desculpa mesmo assim. Porque eu notei que ele foi.
- Tudo bem, então. – ele riu, sua cara mostrava felicidade. Ela havia se importado com ele e isso o deixou feliz.
Continuaram a fazer o que tinham que fazer quietos, uma hora ou outra atendia as pessoas que chegavam e eles nem tiveram muita oportunidade de conversar mais.

acordava novamente, agora por livre e espontânea vontade. Mesmo sendo difícil abrir os olhos; a dor de cabeça não havia passado, seu corpo ainda pesava e ela parecia não ter força para movê-lo. Apenas olhava para o teto daquele quarto escuro e silencioso. O único barulho que ouvia eram as respirações dos cachorros, que estavam fazendo companhia para ela. Afinal, não era sempre que alguma pessoa ficava em casa naquela hora, eles estavam aproveitando. Bili estava deitado aos seus pés na cama e Lady, por ser muito grande, no tapete ao lado da cama, no chão. Ouvia alguns zunidos também, mas isso era de sua cabeça, que parecia explodir. Teve uma vaga lembrança de falando eu tinha uma aspirina e água na mesinha de cabeceira e, com dificuldade, virou sua cabeça para confirmar sua lembrança. E lá estava o seu salvador. Tomou o remédio e decidiu se levantar. De pé, sentiu o chão balançar e sua cabeça pesar mais ainda, mas aos poucos foi se adaptando e caminhou até a cozinha, encostando-se às paredes.
- Nunca mais bebo na minha vida. – ela falou sozinha. Papo de quem está de ressaca. Abriu a geladeira e pegou a jarra de água, sem perceber bebeu quase tudo de uma vez só. Aquilo aliviou sua garganta seca. Mas ainda faltava alguma coisa para melhorar um pouco mais. Na verdade duas: tomar um banho e comer alguma coisa. Não comia desde o almoço do dia anterior e agora já estava na hora de almoçar, ou seja, praticamente 24 horas sem comer.
Fez tudo que tinha que fazer e pode se sentir bem melhor, apesar da dor de cabeça, que ainda não tinha passado. Ainda com os cabelos molhados pegou seu celular na bolsa e se sentou no sofá da sala, ligando a televisão. Sem exageros, tinha umas 50 chamadas não atendidas e umas 10 mensagens.
- Uou! – ela se assustou ao ver tudo isso. – Não ouvi nada disso ontem.
Começou a conferir ao mesmo tempo em que fazia carinho em Bili, que agora estava no sofá ao seu lado. Uma hora ou outra conversava com ele alguma coisa. As chamadas eram todas da noite anterior, das gurias. Até do Dougie tinha. As mensagens eram: , onde tu ta? Vai demorar? Beijo, .”, Às onze da noite; , responde! Onde tu ta?”, às onze e meia; , pelo amor de Deus! Pelo menos atende esse celular!”, meia noite e vinte; , tu quer nos matar do coração?! Estamos todos atrás de ti, dá um sinal de vida”, uma e dez; “se tu não responder ou atender, vamos chamar a polícia. Tu não é de fazer isso, caramba! ONDE TU TÁ??”, duas horas.
- Meu Deus! Tadinha das gurias... – ela falou, colocando a mão na boca. Viu mais algumas que diziam mais ou menos a mesma coisa. Mas viu que tinham duas que eram de hoje: , querida, como está? Melhorzinha? Olha só, quando acordar molha a Bella pra mim, que eu esqueci? Beijos, . – Bella? – ela fiou pensativa. – Ah, sim! Deve ser o bonsai dela... – e se levantou para fazer o que a amiga tinha pedido, antes que se esquecesse.
Sentou-se novamente para ler a outra mensagem, a última. “Tu tem noção do que tu nos fez passar? E do perigo que tu passou? Não faz mais isso, pelo amor de Deus.”, era do Danny. Ela suspirou e se lembrou vagamente de sentir seu perfume, de encostar sua cabeça no peito dele. Sim! Ele a levou para casa.
- Ai, Danny! Desculpa... Nem eu sei por que eu fiz isso. – ela colocou o celular na mesinha de centro e ficou com a cabeça baixa, além de sua cabeça pesar com a dor, sua consciência também estava pesando.

- Nancy, sabe quem é aquele garoto do sétimo andar? – perguntou ao entrar na cozinha, depois de ter colocado Jimmy para dormir.
- Sétimo? – ela ficou pensando. – Que eu saiba o sétimo andar ‘tá pra vender. Esse garoto deve ter ido ver para comprar.
- Eu encontrei ele mais de uma vez no elevador quando eu ‘tava chegando. Achei estranho ele chegar essa hora em casa. Ou nem é a casa dele... Sei lá. – ela deu uma pausa e Nancy não falou nada. – Mas nem me interessa também saber da vida dos outros. – concluiu, indo ajudar Nancy com que ela estava fazendo.
Minutos depois, puderam ouvir os sininhos que tinham na porta tocarem, alguém estava entrando. Olharam-se e logo em seguida viram os Turner passar pela cozinha, parando na porta.
- Boa tarde! Viemos almoçar em casa hoje. – A senhora Turner falou.
- Boa tarde, senhora Turner! – foi educada.
- Se quiserem, podem tirar essa hora de folga. – ela disse, entrando na cozinha, enquanto seu marido ia em direção ao quarto. – Principalmente a , que gosta de almoçar junto com os amigos.
- Obrigada! Gosto mesmo. – agradeceu, deixando o pano de prato em cima da mesa. – Se não se importam vou me ajeitar para sair. – ela somente concordou com um sorriso no rosto.
- E tu, Nancy? - Ah, obrigada, senhora Turner, mas eu já almocei. Não faço questão de almoçar fora também. – ela sorriu e continuou o trabalho.
Pouco tempo depois, já estava pronta, saindo do apartamento, em uma hora e meia tinha que estar de volta. Pegou o celular e discou o número de Dougie, enquanto entrava no elevador. Era óbvio que o sinal se perderia lá dentro, mas insistiu. O elevador parou. Adivinha em qual andar? Sétimo. E quem entrou? O garoto bonito. Agora sim, poderia ser observada pelo garoto, estava direitinha, de banho tomado.
- Desce? – ele perguntou depois de ficar estático olhando para ela. Claro que sim, se o sinalzinho apontava para baixo. Mas ele tinha que falar alguma coisa para disfarçar a maneira que estava, como se ele se importasse com isso, pois nos outros encontros, ele fez questão de olhar fixamente para ela. Mas dessa vez, ele deve ter achado ela mais bonita ainda. Ela estava com o cabelo solto e uma roupa mais bonita, que a valorizava mais. Ela sentiu seu rosto corar.
- Sim. – ela respondeu, tirando o celular do ouvido.
Ele parecia constrangido agora. Vai entender, quando ela está melhor ele não olha direito. Parece que faz para ela se constranger mesmo. E diferente das outras vezes, também, não puxou papo. Nem de tempo, nem de nada. Ao sair do elevador caminhou rápido até um carro que tinha estacionado quase em frente ao prédio. Era um Audi azul escuro, se ela não se enganava. , por sua vez, saiu lentamente, ainda com o celular na mão. Até que este começou a tocar e ela voltou ao mundo real. Era Dougie. Ela sorriu e o colocou no ouvido.
- Me ligou? – ele disse, um pouco entediado.
- Liguei sim. Só que eu entrei no elevador e perdeu o sinal, daí caiu a ligação. Tudo bem? – ela respondeu mais animada que ele.
- Tudo indo.
- Ai, que desânimo, Dougie! – ela disse, esperando que ele falasse alguma coisa, mas ele só soltou um resmungo qualquer. – Então, te liguei pra avisar que eu estou livre agora e quero almoçar contigo. Só contigo, mais ninguém.
- Jura? – ele pareceu se animar. – Lembrou de mim, finalmente! Só eu que lembro mesmo.
- Não vou explicar de novo, né? Tu sabe por que eu não posso todos os dias.
- ‘Tá bom, ‘tá bom.
- Mas quando eu posso sempre lembro de ti. Até quando eu não posso lembro. – ela sorriu e teve a impressão de que ele também havia sorrido do outro lado da linha.
- Me espera aí que eu vou passar aí de carro pra gente ir num restaurante bem legal.
- Ok! Mas vem rápido, não posso me enrolar muito. – ele concordou e desligou rapidamente.

- Ueba! Horário de almoço! – comemorou consigo mesma ao ver a hora. Subiu até o décimo sexto andar, como era de costume agora, para falar com Rosalie. – Heey! – ela disse fazendo Rosalie tomar um susto.
- Nossa, quanta felicidade! – ela disse, rindo.
- É que meu dia começou bem hoje.
- Hum... – ela sorriu maliciosa. – Acho que sei quem é que fez teu dia começar bem hoje. – só sorriu, mas aquilo fez Rosalie ter certeza de que era quem estava pensando mesmo.
- E tu? Não parece estar muito bem. Aconteceu alguma coisa?
- É, na verdade aconteceu sim. – ela se sentou no banco próximo ao de . – Meu irmão perdeu o emprego e o negócio lá em casa ‘tá ficando difícil.
- Putz... São só vocês dois na tua casa?
- Sim. E o meu salário é pouco para nos manter.
- Que droga! Se eu souber de alguma coisa te falo. Prometo! – sorriu, tentando aliviar a amiga.
- Obrigada, . – ela sorriu em agradecimento.
- De nada. Bom, preciso almoçar. - disse se levantando. – Quer alguma coisa lá de fora?
- Não, obrigada.
- Ok, então. Até mais tarde. – ela disse, saindo da lanchonete, depois do acendo de Rosalie.

Finalmente e Phil arranjaram um tempo para conversar. O movimento tinha baixado um pouco e os dois estavam sentados um de frente para o outro, falando de alguma coisa que parecia muito interessante, pois nem viram Tom entrar na locadora. Ele parou logo atrás de e cruzou os braços.
- Phil, mas eu já te disse que eu gosto desse tipo de filme.
- Mas, , eu não gosto de te ver chorando. – Philippe disse, apoiando o cotovelo no balcão, ficando mais próximo de .
Ela ia começar a falar, discordando do que ele havia dito, mas Phil fez uma cara um pouco insatisfeita, olhando para trás dela. Ela seguiu seu olhar e viu um Tom aparentando fúria, com os braços cruzados, olhando para os dois.
- Oi, Tom!! – ela foi abraçá-lo animada, mas ele a impediu.
- Oi, . – ele falou, seco.
- Ai, não me chama assim. O que aconteceu? – ela começou a ficar preocupada com a reação dele.
- O que aconteceu, ? – ele parecia mais furioso, mas preferiu não continuar. Virou-se e começou a sair da loja.
- Tom! Peraí! – falou mais alto e depois se virou para Phil, que não estava com uma cara muito agradável, mas a liberou para ir atrás dele. Ela correu até a rua e o alcançou. – Peraí, Tom! O que foi?
- , pode voltar pro seu amiguinho. Ele precisa de ti, né? É seu chefe, afinal.
- Eu não ‘tô entendendo.
- “Mas, , eu não gosto de te ver chorando” – ele falou, fazendo uma voz enjoada.
- Ai, Tom de novo isso? – ela falou, em um suspiro cansado.
- Parece que eu ‘tô te travando pra ficar com ele, né? Então pode ir lá. Eu não incomodo mais.
- Já te falei que isso é bobagem, quero ficar contigo. – ela o seguia, caminhando rápido, pois ele não queria parar.
- Não é o que parece.
- Mas é o que eu te digo! ‘Tá muito difícil acreditar em mim? – ela disse em tom brabo e ele parou de andar. Ficaram um tempo quietos, ele a frente dela, de costas e de cabeça baixa e ela olhando para ele, esperando que ele falasse alguma coisa. Ela caminhou até ele devagar e ficou ao seu lado, ainda o olhando. Ele ainda aparentava muito ódio e, simplesmente, olhou para ela e seguiu em frente. Ela suspirou e preferiu não o seguir mais. Voltou para a locadora com uma aparência não muito boa. Tinha os braços caídos ao lado do corpo e a cabeça baixa. - Ele brigou contigo? – Philippe parecia preocupado com ela.
- É, a gente brigou.
- Desculpa.
- Que isso, Phil! Eu que te peço desculpa... De novo.
- Tem onde almoçar? – ele perguntou, mudando de assuntou e ela negou com a cabeça. – E aceita almoçar comigo? – ela hesitou um pouco, mas aceitou. Não tinha que se privar das coisas por causa de Tom. Ainda se tivesse traindo ele... Nem tinha como trair também, qual o compromisso que eles tinham? – Então, vamos a um restaurante aqui perto que eu acho delicioso. – ele falou, interrompendo os pensamentos dela e fechando a porta da locadora.

voltou ao trabalho e parecia que a pilha de papéis em sua mesa tinha aumentado alguns centímetros. Deu uma olhada em tudo para ver onde começava o trabalho. Avistou no meio da papelada a pasta de documentos que o Sr. Windsor havia pedido para pegar na filial da empresa.
- Como eu ainda não dei isso ao senhor Windsor? – ela falou consigo mesma. – Quando eu voltei eu fui até a sala dele avisar, mas eu tinha a impressão que tinha entregado essa pasta. – ela estava confusa, mas foi ate a sala do chefe, batendo antes de entrar. – Com licença.
- Pode entrar, . – ele disse concentrado em seu computador.
- Desculpa, senhor Windsor, mas eu acho que me esqueci de lhe entregar esses documentos que trouxe da filial mais cedo.
- Ah, é mesmo! Eu que lhe peço desculpas! – ela o olhou confusa. – É que eu me esqueci de lhe pedir que levasse a outro prédio.
- E onde é esse prédio? – tentava não mostrar seu desgosto por isso.
- Acho que estou precisando de um office-boy. – ele falou, ignorando a pergunta dela.
“Um office-boy? Seria uma boa...”, ela pensou.
- Então, enquanto o senhor ainda não tem um office-boy, onde eu entrego esses documentos? – ela perguntou chamando a atenção dele, que já estava viajando pelos seus pensamentos.
- Ah, sim. Sinto muito mesmo, . Sei que te contratei como secretária. – ela sorriu concordando, como se aceitasse as desculpas. Claro que só fez isso para ser educada. – Aqui ó. – ele lhe entregou outro papel. – Esse é mais perto, pode ir a pé até lá.
- Tudo bem. Farei o mais rápido possível para terminar o serviço que está na minha mesa ainda hoje.
- Obrigada e desculpa novamente. – ele foi extremamente simpático com ela.

já se sentia melhor, já era de tarde e ela esperava ansiosa suas amigas chegarem. Estava se sentindo sozinha sem ninguém para conversar. Tudo bem que, às vezes, conversava com Bili e Lady, mas eles não respondiam. Achou um pacote de biscoitos amanteigados no armário e preparou uma caneca de chá para acompanhar. Sentou no sofá e começou a assistir seu Box de Gossip Girls pela vigésima vez – sim, é exagero, mas ela tinha assistido várias vezes desde que ganhara – comendo aqueles biscoitos com chá.
- Ai, Chuck, que problema tu é! – ela falava com o personagem com uma cara sacana, como se ele pudesse ouvir.
O tempo foi passando, e os episódios do seriado também. As garotas estavam para chegar a qualquer momento. Mas ela nem percebeu isso, pois estava bem compenetrada na televisão. Estava chorando a perda do pai de Chuck.
- Tadinho! Ele não se dava bem com o pai dele, mas amava ele. Cafajestes também amam. – ela secava as lágrimas, enquanto fungava.
A campainha tocou, desconcentrando-a.
- Ué, será que alguém esqueceu a chave? – ela perguntou, olhando para os cachorros que tinham as orelhas em pé, alertas para a porta. Deu pause no DVD e se levantou. Chegou em frente a porta, afastando os cachorros que estavam ansiosos para ver quem estava atrás dela. Quando se livrou deles abriu e deu de cara com alguém que ela não esperava. Ficou estática, boquiaberta olhando para ele, que não se moveu também. Ficaram um tempo se olhando, sem saber o que dizer nem o que fazer. Ela não sabia se ria, chorava, fechava a porta na cara dele ou se escondia.
- Oi. – Danny finalmente falou, coçando a cabeça.


Capítulo 25

ainda não conseguia raciocinar o que fazia. Eles continuaram parados na porta e Danny ainda tinha uma mão nos cabelos e outra no bolso da calça.
- Ahn... – ela falou depois de se sentir constrangida com o silêncio. – Oi.
- Queria saber se tu tinha melhorado... – ele falava, ainda coçando a cabeça. - Ah... ‘Tô bem. – baixou a cabeça.
O silêncio reinou novamente e a garota parecia ter achado alguma coisa muito divertida em seus pés, pois não tirava os olhos deles.
- Então... Que bom. – Danny falou, fazendo-a olhar para ele. – Vou indo embora, então. – ele disse já se virando para sair dali.
- Não, Danny! – ela falou, finalmente, quando ele estava pronto para entrar no elevador. Ele parou imediatamente e virou para a porta, onde ela ainda estava o observando. – Espera. Quer entrar um pouco? Fiz chá, quer uma caneca? – ela deu um sorriso convidativo.
- Hum... Ok. – ele sorriu e entrou no apartamento.
- Senta aí que eu já trago tua caneca.
Quando ela voltou, ele estava olhando a capa do box de Gossip Girls, atentamente e logo depois olhou para a televisão, onde mostrava uma cena de um bilhete em cima de uma mesa de cabeceira, pausada.
- Interrompi tua sessão Gossip Girls? – Danny falou ao ver se aproximando.
- Já vi tantas vezes... – ela lhe entregou uma caneca.
- Que bom que tu gostou do nosso presente... – ela sorriu, concordando. – Mesmo sendo idéia das gurias, nós também te demos, né? – eles riram e pararam de falar, ficaram olhando aquela cena pausada na televisão.
- Biscoitos? – ela ofereceu-lhe o pacote e ele meteu a mão de qualquer jeito dentro dele, como fosse um morto de fome, recebendo comida depois de séculos. Novamente o silêncio no ambiente. Só se ouvia o barulho do mastigar dos dois e do plástico sendo mexido do pacote de biscoitos.
- Desculpa. – ele falou olhando para o conteúdo da caneca.
- Ãhn?
- Por eu ter agido daquela forma contigo na festa e também não ter atendido tuas ligações, ontem.
- Eu queria tanto que aquilo não tivesse acontecido...
- Eu sei. Desculpa, por favor.
- Tu acha que eu não te desculparia depois das ligações de ontem? Eu queria falar contigo, resolver essa situação. Claro que eu te desculpo, Danny!
- Eu ainda mato aquele Ed.
- Deixa o Ed de lado. – ela sorriu, olhando para ele. Ele não a odiava. – Eu prometo que isso nunca mais vai acontecer.
- Isso do Ed ou isso da bebedeira? – ele riu.
- Os dois. – ela ria também.
- Fiquei desesperado quando o Dougie me disse que tu não tinha chegado em casa, ainda. E quando eu te vi deitada naquele banco? – ele balançava a cabeça, negativamente.
- Desculpa. – falou baixo, aquilo ainda pesava na sua consciência. - Vamos parar com essas desculpas. O que passou, passou. – Danny levantou a cabeça rapidamente olhando para ela, falando mais alto.
- Ok. O que passou, passou. – ela sorriu, concordando.
Ele largou a caneca na mesinha de centro onde já estava a de e pegou o pacote de biscoitos que estava entre eles no sofá e colocou-o lá também. Sentou-se mais próximo dela e colocou suas mãos em volta de seu rosto, que parecia minúsculo perto de suas grandes mãos; fez carinho em sua bochecha com o dedão e a puxou para um beijo. Um longo beijo. Ela o envolvia pelo pescoço e ele, logo em seguida, tirou as mãos de seu rosto para pôr em sua cintura, puxando-a mais próximo ainda.
Ficaram um bom tempo agarrados, não querendo se soltar mais. Podia ser que, se soltassem, não voltassem mais. O tempo foi passando e os dois continuavam ali, naquele sofá, em frente à televisão ligada e pausada. o puxou para deitar ali, por cima dela. Ele já passava as mãos por dentro da blusa dela, a blusa chinelona de ficar em casa, ela nem tinha percebido que estava daquele jeito quando Danny chegara. Mas agora já era tarde para se trocar. Ele tentava tirar aquela blusa de qualquer maneira e suas respirações eram falhas. Ela também não ficava atrás, passava suas mãos pelas costas do garoto, por baixo da camisa xadrez , de vez em quando, ela bagunçava seus cabelos até sua mão chegar ao rosto do garoto, fazendo-o se afastar dela para poder respirar um pouco. Claro que Danny não perderia tempo; enquanto ela respirava, ele beijava seu pescoço com vontade e sua mão insistia em ficar em baixo da blusa dela.
- Opa. – entrou, se assustando com a cena.
Os dois pararam rapidamente e se sentaram. Tinham a boca vermelha e a respiração ofegante.
- Desculpem, podem continuar. Eu saio. – ela deu uma risadinha constrangida. – Acho que vocês têm um problema comigo, né? Ou eu tenho um problema com vocês.
- Tudo bem, . – Danny se levantou. – Não precisa sair da tua casa. Eu já ‘tava de saída mesmo.
- A gente se fala mais tarde. – acompanhou-o até a porta e deu um beijo de despedida.
- Ah, ! – gritou, alegre, depois de fechar a porta.
- Cala a boca, ! Ele ainda deve ‘tá ai fora. – ela falou envergonhada. – Ouviu tudo.
- Deixa que ouça! – ria feliz pela amiga. – Tu tem muita coisa pra me contar. Tudo acontece tão rápido, meu Deus...
- Ai, . – ria, mais envergonhada ainda, sem poder estar mais vermelha. – A gente se acertou. – ela agora ria, feliz, dando pulinhos e logo se juntou a ela, abraçando-a.
- Que bom, ! Mas tu ainda tem que me contar toda essa história da bebedeira e dessa reconciliação ótima aí!
- Conto, sim. – ela ria. – Vem cá. – puxou para o sofá e começou toda a história.

- Hey!
- Não disse que te ligava? – falava ao celular enquanto esperava o elevador.
- Disse sim. – Harry sorria do outro lado da linha. – Então, como foi o trabalho?
- Foi bom... Quer dizer, cansativo. Depois daqueles trabalhos fora do prédio.
- Ah, aquilo é trabalho para um motoboy, não para uma secretária linda que nem tu.
- Ai, Harry. – ela falava, envergonhada. – Assim tu me deixa sem graça.
- Mas é verdade. – ele ria da timidez da garota. – O senhor Windsor tem que arranjar logo um motoboy pra te preservar desses trabalhos mais cansativos. Tu não pode fazer isso, cansa tua beleza.
- É mesmo, cansa. – ela ria também. O elevador tinha chegado e ela entrou, torcendo para que a ligação não perdesse o sinal. – Podíamos almoçar juntos amanhã.
- Cl... ro p..emo... sim. O.. ach... daq...est..ante... –pois é, estava perdendo o sinal. A ligação estava falhada.
- Harry, eu não te entendo. – ela dizia, o interrompendo.
- Aqu...e...ert...loc...ra...livr...ia... – ele continuava, deve ter falhado para ele também e nem ouviu o que tinha dito.
O elevador chegou ao térreo e ainda tentava, sem sucesso, conversar com Harry. Quando a porta se abriu, Mitch, irmão de Rosalie, estava parado em frente a ele. se desconcentrou um pouco e nem tentava mais falar com Harry.
- Oi. – ele disse. – Lembra de mim, né? Sou irmão da Rosalie.
- Oi, claro. Lembro, sim. – ela disse, saindo, e dando espaço para ele entrar.
- Vou subir – disse, apontando para cima. - Tchau, então. Até mais!
- Tchau. – ela abanou e a porta se fechou. O elevador foi em direção ao décimo sexto andar. “Mitch, irmão da Rosalie precisando de emprego e senhor Windsor precisando de um office-boy!”, ela pensou, ao ver o elevador se distanciando.
- ? Ainda ‘tá ai? – Harry continuava na linha. – Com quem tu ‘tava falando?
- Ah, Harry! Finalmente. Eu não ‘tava conseguindo falar contigo. Entrei no elevador e o celular perdeu o sinal.
- Com quem tu ‘tava falando? – ele repetiu, com uma entonação mais forte.
- Era o irmão da Rosalie.
- Ah... – ele mudou a maneira de falar, estava mais brabo.
- Almoçamos amanhã então?
- Sim. Passo aí na tua hora de almoço. – ele respondeu rápido. – Beijo. – e desligou, sem esperar a resposta da garota.
estranhou a maneira que o garoto havia se despedido. Era sempre tão querido, carinhoso. Vai entender... Seguiu em direção ao metrô, não via a hora de chegar em casa e descansar.

Os últimos fechamentos estavam sendo feitos por , antes de ir embora. Phil ajeitava os filmes nas prateleiras. Ela estava sentada na frente do computador sem muita concentração. Aliás, ela não conseguiu se concentrar mais no serviço depois da discussão com Tom.
- ? – Phil chegava perto dela. – Não ‘tá me ouvindo?
- Desculpa, Phil. ‘Tava distraída.
- Já ‘ta na tua hora. Pode ir.
- Ah, ok. – ela foi pegar suas coisas para ir para casa. Quando estava pronta para sair, virou-se para ele. – Brigada pelo almoço, Phil. Não precisava ter pagado pra mim, tu já paga meu salário.
- Foi um prazer pra mim, . – ela só sorriu e saiu da locadora.
Não caminhou muito e deu de cara com Tom, sentado no banco mais próximo da locadora. Estava esperando por ela. chegou até o lado dele e se sentou.
- Desculpa, . Eu fui um idiota hoje.
- Se tu prometer que acredita em mim e não encher mais o saco com essa história do Phil... Posso pensar no teu caso. – ela sorriu pra ele, que tinha uma feição triste.
- Eu prometo. – ele disse e ela lhe deu um beijo na bochecha. Ele logo se virou para lhe dar um longo selinho.
Ao se afastar ele a puxou para o carro dele que estava estacionado ali perto. - Pra onde a gente ‘tá indo? – ela perguntou, com um sorriso no rosto.
- Já vai ver. – ele também sorria, olhando para frente concentrado no trânsito. – Avisa as gurias pra não se preocuparem que tu vai chegar mais tarde em casa. Depois do acontecimento com a é melhor precaver.
- Ok. – ela falou rindo, confusa e curiosa. – Mas, Tom...
- Shh. – ele a interrompeu. – Estamos quase chegando.
Chegaram. Era nada mais, nada menos que a casa do garoto.
- Era muito difícil dizer que era pra tua casa que nós estávamos indo? – ela falou, ao sair do carro.
- Era. – ele sorriu, misterioso.
- O que tu ‘tá aprontando, Tom? – ele não respondeu.
- Senta aqui e espera. – ele falou, colocando-a no sofá da sala. – E não me pergunta mais nada. – ele disse, ao ver que ela iria começar outra pergunta.
- Mas eu to curiosa. – ela riu e ele saiu da sala, deixando-a sozinha e ansiosa ali.
O tempo foi passando e não podia estar mais curiosa. Ela estava prestes a levantar dali e ir atrás de Tom. Mas não, ele pediu para ela ficar ali, esperando; era ali que ela ia ficar. Mexia nas unhas enquanto balançava freneticamente as pernas. Seu esmalte já estava todo descascado.
- Tom? – ela gritou.
- Já vai, espera. – ele gritou de algum lugar da casa. Não era do segundo andar, isso ela podia confirmar.
Mais alguns minutos de espera, muito longos para . Mas, finalmente, Tom apareceu na sala, encostado na parede, com as mãos nos bolsos e um sorriso de quem tinha aprontado alguma coisa.
- Deu? – ela perguntou, se levantando rapidamente e ele concordou com a cabeça, sem tirar o sorriso dos lábios. – Agora eu posso saber o que o senhor estava aprontando? – falou quando chegou à sua frente.
- Sim, senhora. – ele respondeu e ela começou a andar na direção que ele tinha chegado. – Peraí. Tem pedágio. – ele a impediu e ela sorriu, dando um selinho rápido. – Nossa que pressa. - Me fez esperar esse tempo todo, ‘tô curiosa, oras! – ele riu e pegou sua mão, levando-a até a sala de jantar.
A sala estava à meia luz. Na verdade estava com a luz apagada, mas as luzes dos cômodos em volta estavam todas ligadas, fazendo a sala ficar à meia luz. Na mesa tinha um prato de macarrão no meio e dois pratos colocados um em frente ao outro. Tinha taças de vinho e os talheres colocados ao lado dos pratos. - Desculpa, não tinha vela. – ele respondeu quebrando o silêncio. Ela olhava aquilo surpresa, não esperava. – E não tinha vinho também. Pode ser refri, né?
- Tom... Que lindo! Claro que pode. – ela riu, abobada.
- Sabe como é... Fiz tudo agora, de última hora.
- ‘Tá lindo! – ela falou, indo se sentar à mesa.
- É... E pode estar um pouco cedo pra jantar também, mas a idéia veio de repente e eu decidi fazer isso, pra tu me perdoar. – ele também ia se sentando à mesa.
- Eu já tinha te perdoado.
- Mas agora me perdoa mais ainda. – eles riram.
O jantar era improvisado, mas era realmente lindo. Tom servia para cozinheiro, a comida estava ótima e a companhia não podia ser melhor. Nas taças, tomavam coca como se fosse vinho. Era tão fino tomar nas taças e ele não iria quebrar a fineza de um jantar romântico quase à luz de velas.
- Ai, ! ‘Tô super feliz por ti. – falava, depois de ter ouvido toda a história da amiga. – Prometo não te interromper da próxima vez. – as duas riram.
E, então, o celular de toca dentro de sua bolsa, fazendo a menina se levantar do sofá para buscá-lo.
- Quem é? – perguntou, ao ver que a garota lia uma mensagem.
- A . – terminou de ler. – Parece que vai demorar pra chegar em casa. E é pra gente não se preocupar. – ela sorriu, maliciosa.
- Tom. – falou, apontando para a amiga e dando uma piscadinha.
- Exato!
- Ai, já ‘tô com saudade do Dan.
- Tu acabou de ver ele! – ria da amiga.
- É que... – ela deu uma pausa, lembrando-se do momento e sorrindo. – Tu acabou com tudo, né? – ela lançou-lhe um olhar ameaçador.
- Ah, eu já pedi desculpas... Não foi de propósito. – olhava para baixo, fazendo cara triste.
- Tudo bem, cara. A gente tem todo o tempo do mundo agora. – ela sorria.
O celular de tocou novamente.
- Mas que pop essa . – disse, ao ver a amiga indo buscá-lo de novo. – Agora, com certeza, não é a , nem , nem ninguém. – ela falou ao ver a cara da amiga.
- Ninguém, só o Dougie. – ela falou, fingindo descaso, sorrindo e se jogando no sofá. Era uma mensagem do garoto: “Adorei ser lembrado nesse almoço. Melhor ainda é ter ficado sozinho contigo. Já to com saudades, beijos” – Ai, ai... – ela suspirou.
- Garanto que também ‘tá com saudade dele. – interrompeu seus pensamentos.
- Cara, ‘tô gostando de verdade dele.
- Eu sei, cara. Eu também ‘tô... Do Danny.
As duas ficaram atiradas no sofá, suspirando, sorrindo e lembrando de algumas coisas, que só elas poderiam saber o que era. A televisão estava ligada, para nada, pois nem uma das duas assistia.

estava no metrô, pensando na última conversa com Harry. Não tinha entendido por que o garoto ficara daquela maneira do nada. “Será que ele não gostou porque eu ignorei ele? Deve ter sido... Tadinho, eu não precisava ter feito aquilo.” Ela pensava, enquanto olhava para o celular, que estava em sua mão. Decidia se ligava de novo ou não. “Se ele ‘tá brabo comigo, nem vai querer sair pra almoçar. Droga! Mas ele disse que passava lá pra me pegar. Ele vai almoçar, sim.” Decidiu que devia ligar para tirar a dúvida.
- Oi. – ela disse, num tom baixo, quando ele atendeu ao telefone.
- Oi. – ele disse, parecendo de bem com ela.
- Tudo bem? – estava confusa.
- Tudo, sim. Algum problema? – agora Harry era quem estava confuso.
- Não, nenhum...
- Hum...
- É que eu queria saber se o almoço ainda ‘tá de pé.
- Claro que sim. – ele foi extremamente feliz ao dizer aquilo.
- Então ‘tá bom. Até amanhã.
- Até. Beijos.
- Beijos.
Ok, ele não estava brabo. Aquilo era só uma impressão errada que ela tivera. Que bom! Ela sorriu sozinha. Quando deu por si, sua estação tinha passado.
- Droga. – falou baixinho.
Desceu na próxima e teria de caminhar algumas quadras para chegar em casa. Aquele não era o melhor dia para ter que caminhar mais, estava exausta. Passou pela frente de um supermercado e decidiu entrar. Lembrou que tinha algumas coisas faltando na despensa do apartamento, não iria perder a caminhada.
Já era bem tarde quando se deu conta que passara um tempão naquela mesa, comendo e conversando com Tom. Os dois nem se deram conta que passaram tanto tempo assim sentados ali.
- Preciso ir, Tom. Já ‘tá ficando tarde.
- Não mesmo! Tu não avisou as gurias que ia demorar pra chegar em casa? Então vai ter que demorar de verdade.
- Mas eu já demorei. – ela riu, levantando para levar a louça para a cozinha.
- Deixa isso aí, . Vem cá comigo.
Ele a levou para a sala da TV e colocou um DVD qualquer, se acomodou no sofá com ela e a beijando.
- Esse filme, Tom? Definitivamente eu vou ter que trazer filmes melhores pra ti. – ela disse depois do beijo.
- A gente não precisa ver. – ele a beijou novamente, de forma mais intensa.
- Então por que colocou?
- Pra te distrair. – ela riu e continuou beijando ele.
Os beijos foram se intensificando, ele beijava seu pescoço de vez em quando; o filme nem era mais lembrado.
Ela tirou o casaco para ficar mais acomodada e também para facilitar os beijos, isso deu abertura para Tom beijá-la mais perto de seu colo. Eles se deitaram no sofá, deixando ele em cima dela.
- Tom, desliga essa TV. – ela disse entre beijos, lembrando que ela estava ligada sem ninguém ver.
- Deixa ela quietinha aí.
- ‘Tá gastando energia. – ele riu e procurou o controle, desligando-a.
- Pronto. – ele falou continuando os beijos.
A mão dele já abaixava, indo a procura de suas pernas. As dela continuavam em seus cabelos, fazendo um cafuné um pouco mais agressivo, digamos. Ela seguiu com a mão até o rosto de Tom, fazendo carinho. Depois foi descendo para seu peito, onde parou um instante. Ele a abraçou mais forte, juntando seus corpos ainda mais e fazendo as mãos dela terem que ir para suas costas. Ela desceu até a barra da camiseta do garoto, que eram duas, uma de manga curta sobreposta a outra de manga comprida. As mãos de já entravam para dentro dessas, levantando-as. Tom terminou o serviço, tirando rapidamente. Ele se afastou para passar as camisetas pela cabeça e pegar um pouco de ar, para poder continuar logo. Agora ele tentava tirar a blusa de , sem muito sucesso. Ela se levantou um pouco, conseqüentemente, o fazendo levantar também. Já que estava quase de pé, levou-a até o segundo andar, mais especificamente para seu quarto. Lá ficariam mais a vontade.
, que já estava sem a sua camiseta, assim como Tom, foi delicadamente empurrada na cama; Tom parecia impaciente, foi logo procurando o fecho de sua calça jeans. A pressa é inimiga da perfeição, certo? Pois é, ele não se lembrava desse dito. Não conseguiu abrir a calça dela e ela logo se prontificou, rindo dele, e abriu, facilmente. Enquanto ela abria sua calça, Tom fazia o mesmo com a sua. só de lingerie abraçava um Tom, só de boxers, que a beijava em todas as partes possíveis de seu corpo com muita vontade. Ela tentava ir com mais calma, talvez para provocá-lo um pouco, passando as mãos pelas costas nuas do garoto. Ele também passava as mãos pelas costas nuas dela, mas para procurar o fecho do sutiã. Assim, que conseguiu tirar, foi logo para a parte de baixo, tirando sua calcinha com mais delicadeza. Afastou-se um pouco dela, para abrir a gaveta do criado mudo, tirando uma camisinha de lá. Em pouco tempo ele também estava sem suas boxers e com a camisinha devidamente colocada. Os dois entraram numa sintonia perfeita por alguns minutos seguidos, bastantes minutos até. E, então, caíram cansados um do lado do outro.

Ao chegar em frente ao prédio, já havia escurecido. estava carregada de sacolas e subiu o pequeno lance de escadas com uma certa dificuldade. Entrou no apartamento e largou as sacolas de qualquer jeito perto da porta da cozinha.
- Oi, gurias. – ela falou, ao ver e jogadas no sofá.
- Oi, . – elas disseram em coro.
- Ajudem aqui, por favor. Comprei algumas coisas no super.
- Ah, agora? – perguntou, manhosa.
- Deixa de ser preguiçosa, . Vamos lá. – puxou para ajudar .
- E a ? – perguntou, enquanto todas levavam as compras para cozinha.
- Disse pra não se preocupar, que ia chegar tarde. – disse, fazendo a mesma cara de maliciosa, que tinha feito ao receber a mensagem dela.
- Ahh, sei... – entendeu e deu uma risadinha.
- Sabia que a se acertou com o Danny? – disse, entregando uma caixa de leite, para pôr na geladeira.
- Sério? Que bom, ! – ela deixou o leite na geladeira e foi abraçar a amiga. – E nunca mais aquela bebedeira, hein? – elas deram uma risadinha.
- Até interrompi um momento quente da reconciliação deles. – ria, indiscreta, ao entregar uma caixa de suco, dessa vez.
- Nossa, que reconciliação boa essa! – ria também.
- Seria melhor se a não interrompesse. – que, antes, estava envergonhada com o rumo que a conversa tinha tomado, também ria, agora.
- Sabe, ... – disse, depois de um silêncio, ao fechar a geladeira. – ‘Tava vendo um apartamento pra eu alugar...
- Ah, vai nos abandonar? – a interrompia.
- Tu mesmo disse, quando a gente chegou aqui, que isso era provisório.
- Eu sei, mas eu ‘tava gostando da nossa aglomeração. – ela riu, pensando na situação.
- Pois é, eu também. Mas o espaço é pequeno, né? – continuava. – Então... Eu ‘tava vendo alguns apartamentos e adivinha onde eu achei o melhor?
- Hum? – perguntou, arrumando o armário da despensa.
- Aqui, no prédio. No andar aqui de cima. – ela sorriu.
- Eba! Vai ficar pertinho da gente! – comemorou.
- E eu tenho que tomar vergonha na cara e procurar um também. – disse, ao colocar todas as sacolas vazias dentro de uma outra, que ficava dentro de um armário.

estava quase adormecendo deitada com a cabeça no peito nu de Tom, bem pertinho da sua estrela. Tom mexia em seu cabelo carinhosamente e aquilo estava dando mais sono ainda.
- ! – ele disse de repente, despertando-a.
- Hum?
- Eu não fiz esse jantar à toa. – ele parou de falar e ela esperava que ele continuasse. – Bom, é que...
- O que, Tom? – ela se sentou na cama, olhando para ele.
- É que eu me senti um idiota te cobrando fidelidade e tal. Ficando com ciúmes de ti e do Phil.
- Sem razões. – ela o interrompeu.
- E a gente nem tem um compromisso pra eu poder te cobrar, entende? – ele não deu bola para o que ela havia dito e nem esperou resposta. – Não que eu queira te cobrar isso, mas queria ter... Ahn...
- Tom, dá pra ser mais claro? – parecia confusa com a conversa dele.
- Eu queria ter motivos pra poder ter ciúmes. Não, não motivos de tu e ele... Ahn... Ele dar em cima de ti. – ela continuava confusa, com razão. – Quer namorar comigo, ? – ele disse, rapidamente, deixando tudo mais claro. Ela ficou sem palavras, surpresa. – Se não quiser, tudo bem. Eu vou entender. Tu pode fazer tuas escolhas, porque...
- Tom, fica quieto. – ela o fez parar de falar, colocando seus dedos indicador e médio na boca dele. – Deixa eu responder antes de tirar tuas conclusões.
- Ok. – ele respirou fundo. - E então?
- Claro que eu quero. – ela abriu um sorriso que ia de orelha a orelha e ele não pode deixar de fazer o mesmo. Ela abraçou-o, beijando de uma forma apaixonada.




Capítulo 26

Estavam , Harry, , Danny, e Dougie em frente ao restaurante, à espera de Fernanda e Tom. Certamente, esperando há mais de uma hora do combinado. Era sexta, oito da noite. Eles decidiram fazer um programa diferente para comemorar os últimos acontecimentos. Escolheram o Outback, restaurante australiano, para isso.
- Ai, cara. ‘Tô morrendo de fome e esses dois não chegam! A comida australiana me chama, preciso comer. – Dougie falava, impaciente e o olhou mal-humorada. – É sério. Meu estômago ‘tá roncando. Toca aqui. – ele puxou a mão dela para sua barriga, vibrando ao som do ronco do estômago.
- Vai te acostumando, . Ele é assim mesmo. – Harry falou, sentado a uma muretinha ao lado de .
- Nem vem. Tu também deve estar com fome. – Dougie retrucou.
- Cara, eu ‘tô mesmo. – Danny se meteu na conversa.
- Saco, esses dois que não chegam. – falou, impaciente. – Eu ‘tô dizendo, esse restaurante ‘tá enchendo e nós tínhamos que ter colocado nossos nomes na lista de espera. Vamos esperar mais uma hora lá dentro.
- ‘Tô ficando com frio. – disse abraçada a Danny, que estava encostado em um pilar.
- Viu? Fome e frio. Tem coisa pior? – Dougie ainda resmungava de um lado para o outro. – Eu mato o Fletcher.
- Calma, Dougie. Já ligamos pra ele. Eles devem estar chegando. – disse, tentando acalmá-lo.
Um carro parou em frente à entrada e desceu e o carro logo seguiu.
- Finalmente! – Harry levantou as mãos para cima, agradecendo. – E o Tom?
- Foi estacionar. – disse ao se aproximar, vendo as caras de poucos amigos das pessoas à sua frente. – Desculpa, gente. Mas Tom ‘tava uma noiva hoje. – fez cara de impaciente.
- O Tom é uma noiva. – Danny riu.
Logo, se pôde ver Tom, correndo ao encontro dos amigos.
- Então, já colocaram o nome na lista pra pegar uma mesa logo? – ele perguntou.
- Não. Estávamos te esperando. – falou.
- Mas vocês têm titica na cabeça? Vamos ter que esperar muito!
- Eei, eu não tenho titica. Falei pra gente fazer isso, mas ninguém achou necessário. – disse, ofendida.
- Ah, não! Mais tempo pro meu adorável estômago esperar. - Dougie falou inquieto. o puxou para sentar-se a mesma mureta de Harry e , para se aquietar um pouco, enquanto Tom, brabo ia ver se conseguia uma mesa.
- Tom, nem vem ficar brabinho porque o culpado é tu, que age que nem uma noivinha. – Harry falou, mal-humorado, quando o garoto voltou com um aparelhinho na mão que avisaria, quando uma mesa fosse liberada.
- Ai, gente... Não vamos ficar desse jeito hoje. É um dia feliz, viemos aqui comemorar. – disse, vendo as caras emburradas de todo mundo.
- É verdade, não tem por que ficarmos assim. Vamos nos alegrar, vamos! – disse, se levantando. – Enquanto esperamos, podemos conversar.
- Melhor, podemos fazer um joguinho. – Danny se alegrou rapidamente com sua idéia genial.
- Qual? – Dougie disse, ainda desanimado, sentado com os braços em volta da barriga, enquanto fazia carinho em seus cabelos.
- Pong! – , falou de repente.
- É, pong! – concordou, feliz.
- O que é pong? – Harry perguntava confuso, sendo seguido dos amigos. - Assim, a gente vai contando, cada um de uma vez, e toda vez que chegar em um número com três ou divisível por três temos que dizer ‘pong’, substituindo o número que teria de ser dito. – explicava para eles, que pareciam ansiosos para o jogo, formando uma rodinha.
- Ok, posso começar? – perguntou, tendo o consentimento de todos. – Um.
- Dois. – disse Danny ao seu lado, depois do cutucão de para que continuasse.
- Pong. – .
- Quatro. – Tom.
- Cinco. – .
- Pong. – Harry.
- Seis. – Dougie.
- Erroooou! – todos apontavam para Dougie, que saíra da roda, triste.
- Era pra ser sete, Dougie. – explicou para ele.
- Ah, eu nunca tinha jogado isso antes. – ele disse, cruzando os braços.
- Depois tu volta. – ela disse, dando-lhe um selinho.
- Há! Não fui eu o primeiro a sair. – Danny falou, comemorando.
- Claro, tu teve que falar dois. Muito difícil. – Dougie implicou. - ‘Tá, vamos continuar. – recomeçou. – Um.
- Dois. – .
- Tr... – Danny parou. – Não, é... Ahn... Pong?
- Demorou demais. ‘Tá fora. – disse, sem dó.
- Ah, eu não sabia dessa regra. Tu inventou agora. – Danny falou, brabo.
- Não inventei não. – falou e concordou ao ver que ele olhava para ela. Foi se juntar a Dougie que ria do garoto, apontando para ele. As caras emburradas tinham ido embora e aquela confusão toda esquecida. Todos pareciam se divertir com o joguinho. - Um. – .
- Dois. – Tom.
- Pong. – .
- Quatro. – Harry, um pouco hesitante, mas sem demorar muito.
- Cinco. – .
- Pong. – .
- Sete. – .
- Oito. – Tom.
- Pong. – .
- Dez. – Harry, mais confiante.
- Onze. – .
- Pong. – .
- Treze? – Tom falou confuso.
- Nãão, Tom. Era catorze. – disse, com mais humildade, ao garoto.
- Isso é confuso. – Ele disse, se juntando a Danny e Dougie.
- Um. – começou de novo.
- Dois. – Harry.
- Pong. – .
- Quatro. – .
- Cinco. – .
- Pong. – Harry.
- Sete. – .
- Oito. – .
- Nove. Pong! Pong! – tentou se corrigir, mas teve que sair do jogo.
Os que estavam de fora prestavam atenção no jogo, como se estivessem nele ainda. Os quatro continuavam firmes, sem errar.
- Pong. – Harry falava feliz.
- Dezenove. – .
- Vinte. – .
- Vinte e um. – disse calmamente, só depois de um tempo se deu conta que errara, dando um tapa em sua própria testa. E então saiu da roda. – Droga!
Os três agora estavam mais firme ainda. Iam tão rápido que os outros não acreditavam. Harry que era iniciante estava se saindo bem, muuito bem.
- Vinte e nove. – .
- Pong. – falou pensando no que teria que dizer.
- Trinta e um. – Harry.
- Trinta e dois. – .
- Trinta... PONG! – falou suplicando. Não tinha jeito, errara. Saiu do jogo também.
- Como é possível?! O Harry é muito bom! – dizia, olhando o garoto responder rápido, logo depois de .
- Ei, a é muito boa também! – Dougie defendia a garota.
- Também, Dougie, mas é que o Harry nem conhecia o jogo e ‘tá no final com a . – dizia, incrédula.
- Cento e um. – .
- Pong. – Harry.
- Pong. – .
- Cento e quatro. – Harry.
- Pong.- .
- Pong. – Harry.
- Cento e sete. -
- Pong. – Harry.
- Pong. – .
- Cento e dez. – Harry.
Agora as respostas estavam mais devagar, pois eles tinham que pensar bem se o número era ou não divisível por três.
- Pong. – .
- Cento e doze. – Harry.
- Pong. – .
Quando foi a vez de Harry, que parecia muito confuso e pensar no que falar com uma cara de espantado, o aparelhinho na mão de Tom vibrou acendendo uma luzinha vermelha.
- Hey! Já temos mesa! – ele gritou, desconcentrando a dupla jogadora e fazendo o jogo parar ali.
- Ah, Tom. Estragou o jogo. – Harry falou, quando se direcionavam à mesa.
- É, Tom. Só porque eu ia ganhar do Harry. – , falou com ar vitorioso.
- Ia nada. Nem deu tempo de eu responder. – ele respondeu, ofendido.
- A tua cara de atrapalhado já revelava a tua derrota. – ela falou, dando a mão a Dougie, que concordava com a cabeça.
A grande mesa os esperava. Era de canto e as cadeiras eram sofás, onde cabiam quatro e cada lado. Tinham duas luminárias que caíam sobre a mesa. A luz amarela era o que faziam enxergar o que tinha no cardápio e a comida que iriam comer, pois as luzes do restaurante eram fracas demais, dando um ar confortável e super bonito. A decoração toda era linda. Tinham a impressão de estar realmente na Austrália, mesmo nunca estando lá.
Quando todos estavam sentados, Tom e , ao lado de Harry e de um lado e Danny e , ao lado de Dougie e do outro, uma garçonete com um avental preto chegou para atendê-los.
- Eu quero aquele chope grandão. – Danny logo se pronunciou, fazendo o tamanho do copo de chope com as mãos.
- Eu também! – Dougie concordou.
- E eu. – Tom também falou.
- Eu quero um desses também. – Harry levantou a mão.
Começava o furdunço para escolher as bebidas e comidas. A garçonete não poderia estar mais atrapalhada.
- Assim... Sssshhh! – virou para os amigos, pedindo silêncio quando conversava com a garçonete. – São quatro chopes grandes e quatro pequenos. De refil.
- Ok. – a garçonete respondeu, anotando em um bloquinho. – E as comidas? Quais vão ser?
- Batatinhas, cebolão e a costelinha com aquele molhinho especial. – dizia, olhando para os amigos. – Acho que aquela costelinha dá pra dois, né? – ela disse e as garotas concordaram. Diferente deles. - Não! Credo! Quer que eu passe fome? – Dougie disse indignado. – Quero uma costelinha só pra mim!
- Eu também! – Danny concordou.
E claro, o furdunço começou de novo e a garçonete já se arrependera de ter perguntado das comidas. Depois de demorar mais alguns vários minutos, tudo foi resolvido. , novamente, se virou para a garçonete, agora sem precisar pedir silêncio e falou tudo o que tinham decidido. Ela se retirou e logo em seguida trouxe os chopes deles. Danny já levava o copão à boca, quando o impediu.
- Temos que brindar, oras. Não pode beber antes.
- Ah, é mesmo. – ele falou rindo, puxando risadas de todos pela maneira engraçada com que ele dissera.
- Um brinde ao nosso CD que começou a ser gravado hoje! – Tom falava, encostando o seu copo em todos os outros suspensos no ar.
- Êêê. – todos diziam, enquanto brindavam.
- E ao nosso namoro também! – completava, de forma meiga e tímida e os copos continuavam a se bater.
- Êêê. – todos diziam, enquanto brindavam.
- E a minha reconciliação com a . – Danny falou, ainda batendo os copos.
- Êêê. – todos diziam, enquanto brindavam.
- E ao Dougie que ‘tá de aniversário amanhã! – falou, puxando um sorrisão e olhando para o garoto.
- Êêê. – todos diziam, enquanto brindavam.
- Ah, também quero um motivo pra brindar por mim... – falava cabisbaixa.
- Eu também... – falava para a amiga.
- Então tá... – Harry começou olhando para Dougie, como se confabulasse algo.
- Um brinde à e à também! – Dougie e Harry falaram em uníssono, fazendo-as rirem. E, claro, todos encostaram seus copos novamente.
- Êêê. – todos diziam, enquanto brindavam.
- O Harry ficou sem brinde. – dizia, ainda insatisfeita, fazendo todos rirem.
- Não seja por isso...- Dougie começou.
- Ah, já ‘tô cansado de dizer ’êêê’. – Tom falou, entediado.
- Um brinde ao Harry gay! – Dougie falou sem dar bola para Tom e levou um soco de Harry no braço.
- Concluindo... – disse, impedindo que Danny tomasse o seu chope, que estava quase em sua boca. – Um brinde a todos nós! – ela disse, de maneira mais alegre e os copos brindaram mais uma vez, mas dessa vez um brinde bastante animado combinando com a fala.
- Sem ‘êêê’! – Tom falou em tom imperativo.
- Agora podemos beber? – Danny perguntou antes de levar o copo à boca. – Se tiver mais um brinde o chope esquenta.
- Pode, Danny, pode... – dizia, rindo junto com todos.
Depois que um refil já havia sido trocado, a comida chegou. Não precisa nem dizer que os garotos se jogaram em cima dela, não é?
- Preciso ir ao banheiro. – disse se levantando, assim que terminou de comer.
- Vou contigo. – tentava levantar também, mas Tom e Harry tiveram que fazer isto pra que ela pudesse passar. – Muito chope, muita vontade de fazer xixi.
- Mania de irem juntas ao banheiro... – Tom falava, quando voltava ao seu lugar.
Depois das duas, e também foram ao banheiro e, na volta, viram que a garçonete já havia tirado tudo da mesa, inclusive os copos.
- Mas... – falava, enquanto se sentava em seu lugar. – Já?
- Não vamos comer a sobremesa? – encarou todos, com os olhos brilhando para os amigos.
- É, vamos! – concordava pegando o cardápio.
- Mas eles têm que fechar daqui a pouco. – Harry dizia, olhando para o relógio. – Eles sempre fecham cedo aqui.
- Quero ver se eles vão nos expulsar. – disse, olhando o cardápio também.
Com sutileza, uma garçonete se aproximou da mesa deles após terem terminado de comer a sobremesa.
- Sinto muito, rapazes, mas temos que fechar.
Eles olharam em volta e só restavam eles no restaurante.
- É, eles tiveram coragem de nos expulsar. – disse baixo e logo depois riu e os outros a acompanharam, já no estacionamento.
- Não quero ir pra casa. – falou, fazendo beiço. – Vamos fazer alguma coisa?
- Ah, cara eu e a Fe temos que trabalhar amanhã cedo. – disse, se dirigindo ao carro.
- É... Temos mesmo. E esses últimos fins de semana têm sido bem cansativos pra gente. – concordou, fazendo Danny e Tom ficarem com beiço também.
- Ok, eu levo vocês em casa. – Tom disse, quando já estava ao lado de seu carro.
- Vamos lá pra casa, . – Harry perguntou, de maneira indecente.
- Vamos, mas pode tirar teu cavalinho da chuva. Nem me olha desse jeito. – ela falou, dando um tapinha nele e rindo.
- E nós podíamos seguir a idéia deles, né, ? – Dougie a abraçou por trás, beijando-lhe o pescoço.
- Qual idéia, de ir pra tua casa ou de fazer sacanagem? – ela falou, se virando para ele, ao mesmo tempo que ria.
- Se tu quiser fazer sacanagem, seria um ótimo programa.
- É, mas eu acho a idéia de ir pra tua casa melhor.
- Sobrei? – Danny perguntava, no meio do estacionamento. – Como eu volto pra casa? Vim de carona hoje.
- Vem com a gente, ué. – Tom falou, como se fosse óbvio. – Daí tu fica mais tempo com a também.
Ele entrou no carro, no banco de trás se juntando com , enquanto Tom dirigia e Fe ia no banco do carona. Os outros dois casais nem perceberam o curto diálogo de Danny e Tom, pois estavam muito ocupados para isso. Só foram se lembrar dos amigos quando eles se despediram.
A porta da casa foi fechada com força e as luzes nem foram ligadas. Dougie empurrava para o sofá da sala, enquanto a beijava intensamente, deitando por cima dela.
- Dougie! – ela falou ao desgrudar do garoto, espantada.
- Que foi? – ele pareceu desentendido, voltando a beijá-la.
- Esse não foi o combinado.
- E qual foi o combinado? – ele falou, entre beijos.
- De virmos pra tua casa. – ela respondeu, empurrando-o para poder falar com ele normalmente.
- Ok. Estamos na minha casa. – Dougie respondeu como se fosse óbvio, tentando beijá-la novamente, porém sem sucesso, pois ela continuava com as mãos em seu peito, impedindo-o.
Ela conseguiu levantar do sofá. Parecia bastante atordoada. Passou as mãos pelos cabelos, deixando um Dougie confuso sentando no sofá.
- Me deixa respirar um pouco. – ela disse, percebendo o garoto confuso olhando para ela.
Ele deu de ombros e se levantou também, ficando a sua frente.
- Deu? – ele perguntou envolvendo-a pela cintura.
- Deu o que?
- Já respirou? – ele perguntou, de uma maneira inocente e ela riu. – Que foi? – ele não entendeu.
- Nada. – lhe deu um longo selinho, passando os cabelos dele por entre seus dedos.
Óbvio que ele não se contentou só com um selinho. Aproveitou a iniciativa dela e começou tudo de novo, apertando-a contra si e massageando sua cintura. Ele estava bem animado. E quando digo bem animado, é bem animado.
- O que tu tem, Dougie? – ela falou, ofegante.
- Quer mesmo saber o que eu tenho? – ele disse, de um jeito bastante safado, fazendo ela abrir a boca, espantada com o que estava pensando. – Hormônios. Eu tenho hormônios. – ela deu um sorriso bobo e ele voltou a beijá-la, conduzindo-a ao sofá.
- Ai, Dougie... – resmungou.
- Eu que te pergunto o que tu tem, . – Dougie falou um pouco impaciente, largando-a. Os dois se sentaram no sofá.
- Eu não sei. – ela falou abaixando a cabeça, ficando um silêncio entre eles. – Não quero ser tão fácil.
- Fácil? - ele perguntou um pouco incrédulo. – Que bobagem, . Não sei o que tu considera fácil, mas isso não é ser fácil pra mim.
- Não?- ela perguntou, levantando o olhar, que estava em suas mãos, para ele, que negava com a cabeça.
- Vamos aproveitar que estamos aqui na minha casa e sozinhos. – ele falou sorrindo. – No lugar e no momento certo dessa vez. – ela também sorriu.
- Ainda ‘tá animado? – ela perguntou, maliciosa.
- Pra ti? Sempre. – ele falou, se aproximando dela com a mesma cara maliciosa. – Vamos fazer direitinho, então. – falou após um beijo, puxando ela para seu quarto.
Subiram as escadas recuperando a animação, o que não foi nada difícil. Dougie abriu rapidamente a porta do quarto, fechando logo em seguida e prensando contra ela. Agora ela estava mais relaxada e mostrava muito mais interesse. Ele tirou o próprio casaco, fazendo o mesmo com o dela, largando eles no chão mesmo. Ela, então, levou as mãos para a barra da camiseta dele, logo as colocando para dentro desta e fazendo movimentos de sobe e desce pelas costas do garoto, enquanto ele beijava seu pescoço. Passou suas mãos para o peitoral dele, ainda por dentro da camiseta, levantando-a e em seguida tirando-a. Ele também tinha uma de suas mãos para dentro da blusa de , massageando suas costas, perto do fecho do sutiã, enquanto com a outra, ele segurava a perna dela, apertando delicadamente sua coxa. Quando soltou a perna, foram os dois até a cama. se deitou por cima e ele a agarrou pela cintura um pouco mais forte. Ela se sentou em cima dele e tirou a blusa que vestia, ficando só de sutiã. Dougie, rapidamente, inverteu as posições, ficando por cima agora. Ela sorriu ao ver a cara de safado que ele fizera involuntariamente. Não demorou muito, estava apenas de calcinha e Dougie de boxers, que por sinal tinha estampas bonitinhas. Ele a beijava pelo corpo inteiro, descendo até chegar abaixo de seu umbigo. Olhou para ela, que sorriu, e então tirou sua calcinha, deixando-a completamente nua. puxou-o pelos cabelos voltando a beijar sua boca, deixando-o mais louco. Então, ela foi descendo suas mãos até tirar as boxers dele.
- Cacete, onde eu deixei minhas calças? – ele perguntou olhando para o chão ao lado da cama e logo em seguida para o outro lado, onde a encontrou. Tirou de dentro do bolso sua carteira e de dentro da carteira, um pacotinho de camisinha. Ela tirou o pacotinho de suas mãos e ela mesma colocou nele. Isso, só ele sabia, o fez ficar com mais vontade ainda. Ele a deitou e ficou em cima dela e ficaram num movimento bom por alguns minutos, que terminou com os dois deitados um ao lado do outro, Dougie caído de qualquer jeito, com uma mão na cabeça dela, fazendo um leve cafuné. E ela, deitada de lado, abraçada nele com um leve sorriso nos lábios. Dormiram ali, daquela maneira, felizes.

O carro de Tom parou em frente ao prédio e ninguém se mexeu. Todos estavam quietos dentro do carro, como se não quisessem acabar com aquele momento. Eles não se olhavam, tinham o olhar parado em qualquer ponto. Mas estava claro que não queriam sair dali. - Ok. – começou. – Temos que ir.
- É... – concordava sem a mínima vontade.
- Então ‘tá... – Danny disse olhando para .
- Até amanhã, então. – Tom falou, dando um selinho em Fe.
- Tchau. – as duas disseram se despedindo de seus garotos com um beijo.
Desceram do carro e eles ficaram ali, as observando. Elas pararam no portão e olharam para trás, dando um rápido aceno. E então entraram. Danny e Tom ainda ficaram olhando por onde elas entraram, sem falar nada. Até que Tom se pronunciou.
- Não vou ficar de motorista, vem pra frente. – isso foi praticamente um
mandamento para Danny, que seguiu a ordem do amigo e sentou no banco do carona, sem falar nada.
Não conseguiam sair dali, olhavam para o portão e logo em seguida entre si. - Que inveja dos guris... – Danny comentou. – Eles ‘tão na boa lá com as gurias deles...
- É... – Tom concordou. – Não queria ir embora daqui.
- Nem eu...
Alguns minutos se passaram em silêncio, até que uma música começa a tocar e Tom sente seu bolso vibrar. Sorriu alegre ao ver o nome da Fe no visor.
- Querem subir? – ela falou.
- Como sabe que a gente ‘tá aqui ainda? – ele perguntou, confuso.
- Janelas servem para quê? – ela riu e ele também.
A porta estava entre aberta para eles entrarem e as duas estavam na sala, sentadas no sofá, esperando eles.
- Não ia conseguir dormir. – disse, ao ver que eles entraram.
- E eu não ia conseguir sair daqui da frente do prédio. – Danny disse, ao fechar a porta atrás de si.
Tom e não disseram nada, apenas foram para o quarto de , deixando e Danny sozinhos na sala. Os dois do quarto namoraram um pouco, mas em seguida apenas dormiram juntinhos. Já os dois da sala ficaram no amasso por um tempo. Pelo jeito, Danny queria terminar o que tinha interrompido e naquela hora tinha quase certeza que ela não os interromperia novamente. - Não, Danny. – impediu-o de continuar. – Eu te chamei aqui pra fazer companhia pra mim. Eu ainda tenho que trabalhar amanhã.
- Ah, ... – ele resmungou.
- Vem aqui, vamos dormir bonitinhos. – ela o puxou para deitarem em conchinha. Ela ficou fazendo carinho no cabelo dele, até que ela dormiu e ele teve que se contentar em dormir também.

A porta da casa foi fechada com força e as luzes nem foram ligadas. Harry empurrava para o sofá da sala, enquanto a beijava intensamente, deitando por cima dela.
- Harry! – ela falou ao desgrudar do garoto, espantada.
- Que foi? – ele pareceu desentendido, voltando a beijá-la.
- Esse não foi o combinado.
- E qual foi o combinado? – ele falou entre beijos.
(sim, tu estás tendo um déjà vu)
- Eu te falei que era pra tirar teu cavalinho da chuva, lembra? – ela disse, empurrando um pouco ele que a beijava o pescoço.
- Mas eu só ‘tô te beijando... Nada de mais. – ele parou de beijá-la. – Nunca fizemos isso antes?
- Ai, Harry... Mas tu tem segundas intenções, ‘tá na cara. – ela falou, rindo um pouco.
- Ok, então vamos ver um filme. – ele levantou e ela se surpreendeu um pouco com a facilidade que foi convencê-lo. – Quer pipoca?
- Credo, Harry! Acabamos de jantar. – ela se levantou do sofá, acompanhando-o até o rack onde tinha a televisão e os DVDs organizados numa ordem alfabética.
Eles olhavam todas as capas, desfazendo a ordem e bagunçando todos os DVDs em cima da TV, outros largados no chão, outros na prateleira do rack mesmo. Até que se decidiram por um. Colocaram e se deitaram ali no chão mesmo, pegando umas almofadas do sofá para usar como travesseiro, o que foi logo dispensado por , que usou o peito de Harry para isso. O tapete que Harry tinha na sala era muito confortável, fofinho e parecia ter recém voltado da lavanderia, pois cheirava bem e não é sempre que um tapete cheirava bem.
Os dois já estavam sem casacos, pois dentro de casa tinha calefação e eles se lembraram disso. Harry a abraçava pela cintura, tentando discretamente levantar sua blusa. Ela também tinha uma mão diretamente na pele de Harry, sobre a barriga magra dele, mexendo os dedos de leve, deixando-o arrepiado. Era engraçado. Ela soltou um riso baixo.
- Que foi? – ele perguntou, percebendo que ela ria e que não tinha nada no filme que fizesse alguém rir.
- Nada.
- Ah... Fala. O que foi? – Harry insistiu.
- Tu ficou todo arrepiado. – disse, envergonhada, deixando-o envergonhado também.
- É bom... Continua. – ele disse por fim, dando um beijo no topo de sua cabeça.
Ela olhou para cima, ao encontro dele e com uma mão em seu rosto o puxou para um beijo.
- Gosta é? – ela perguntou ao romper o beijo, com um ar de quem queria aprontar. Ele afirmou com a cabeça, mas um tanto hesitante. Assim, que viu a confirmação dele começou a mexer os dedos ainda na barriga, fazendo-o se arrepiar de novo. Mas ela não ficou por ali, foi subindo numa trilha pelo seu peito e chegando em sua cintura, fazendo, agora, cócegas. Pulou por cima dele e as cócegas foram ficando mais forte. Ele tentava prender o riso, para se mostrar forte. E ele conseguia ter um certo controle que outra pessoa não teria tão fácil. Ela insistia, mas ele era valente, não queria rir e tentava tirá-la dali. Podia estar com lágrimas nos olhos e com a boca apertada, mas não ria. – Ah, assim não tem graça. - ela se sentou ao lado dele, cruzando os braços com uma cara emburrada.
- Só porque eu não tenho cócegas? – ele perguntou, se achando.
- Tem, sim. Só não quer admitir. - ela disse, ainda emburrada.
- Não tenho.
- Tem!
- Não tenho!
- Tem, tem e tem!
- Não tenho, não tenho e não tenho! – Harry disse finalizando a discussão e deixando que o silêncio pairasse no ambiente.
- Tem. – disse num sussurro, rindo.
Ele virou para ela de repente, rindo, e ficou por cima dela, agarrando-a pela cintura. Olhou profundamente em seus olhos e os dois pararam de rir por um instante. Então, assustando , ela a beijou de modo intenso. Assim, que se desfez do susto, ela passou a mão por seus cabelos e ele continuou com as mãos em sua cintura. “Era óbvio que ele não desistiria facilmente”, ela pensou, ao sentir as mãos dele subirem e levarem consigo a blusa dela. estava tentada, mas impedia a mão boba, que voltava para a cintura. Não demorava muito e a mão boba descia, em direção as suas coxas. E ela puxava a mão de volta. Mas ele não queria desistir mesmo, a mão agora ia em direção ao cós de sua calça, à procura do fecho. Ela, então, colocou suas mãos nos braços de Harry empurrando com força. Sua expressão era braba e ela pôde ver um pouco de medo na expressão dele, que tinha a boca vermelha – não devia ser diferente da dela.
- Eu já disse que eu não quero! – disse, empurrando-o para o lado e se levantado.
- Ah, ... Vem cá, vem. Pára com isso. – Harry pegou seu braço, quando ela se levantou, tentando puxá-la de volta, mas ela puxou com mais força e se desvencilhou dele.
Ela pegou seu casaco, que estava em cima do sofá e começou a procurar a bolsa, que não conseguia se lembrar onde tinha deixado.
- Se não quer me respeitar, eu vou embora. – ela disse, enquanto procurava.
- Não vai, ! – ele falou, em tom de súplica. – Eu prometo ficar quietinho. – ele caminhava atrás dela, que ainda procurava a bolsa.
- Tu prometeu antes e não cumpriu. – ao dizer isso, avistou a bolsa ao lado da porta de entrada e foi ao seu encontro, colocando-a no ombro e abrindo a porta. - Espera! – ela pegou seu braço, impedindo. E dessa vez ela não teve força suficiente para tirar o braço das mãos dele. Olhou para ele, impaciente. – Desculpa... – ela ainda o olhava impaciente, como se aquilo não tivesse mudando em nada. – Eu prometo de verdade agora, é sério. Não vai.
- Harry...
- Desculpa, por favor. – ele largava um olhar impossível de não se derreter, aqueles olhos lindos olhando para ela daquele jeito... – Nem tem como tu voltar pra casa a essa hora. Não vai, fica aqui comigo. A gente dorme quietinho sem segundas intenções. – Harry agora largava junto com seu olhar um sorriso convidativo.
- Tudo bem. – ela se rendeu. – Mas se não cumprir a promessa, não vai ter segunda chance.
- Ok! – ele sorriu feliz.
Os dois entraram e viram na TV que já estava passando os créditos do filme. Desligaram e decidiram subir para o quarto, dormir. Sem segundas intenções.

Capítulo 27

Ela tentou se mexer, mas sentiu que tinha alguma coisa que a impedia. Abriu os olhos devagar para se acostumar com a luz natural do dia. Um braço envolvia pela cintura e ela pode sentir uma respiração muito próxima de sua nuca, batendo de leve em seu cabelo, e um corpo junto ao seu. Só então percebeu que segurava a mão de Dougie que pousava em sua barriga. O relógio, ao lado na cabeceira, marcava nove e meia. Delicadamente, tirou o braço de cima de si e se afastou dele, levantando da cama e tentando não fazer nenhum barulho para não acordá-lo. Colocou sua calcinha e a camiseta de Dougie, porque estava mais perto. Que ironia, ela sempre achou super clichê colocar a camiseta do guri depois de acordar nua ao lado dele. Foi ao banheiro fazer sua higiene matinal e então desceu as escadas com certa pressa.
Chegou até a cozinha, com os pés descalços e sentiu a frieza do chão subir pelo seu corpo, mas mesmo assim seguiu até a geladeira. Abriu e, como ela esperava, estava praticamente vazia. Procurou alguma coisa com a qual pudesse fazer um café da manhã: num canto tinha uma caixinha de leite aberta, no outro um pote de margarina. No mais tinha refrigerante, água, algumas latinhas de cerveja e sobras de comidas que ela não conseguiu identificar o que eram. Fechou a geladeira e foi até a despensa: pão de sanduíche quase acabando, achocolatado, geléia de morango, farinha e outras coisas que ela não precisaria para fazer o café.
Não teve outra escolha, juntou tudo e fez o melhor que poderia ser feito. Dos pães, fez torrada. Colocou a geleia e a margarina num potinho bonitinho e, antes de misturar o achocolatado no leite, verificou se este estava bom. Sim, estava. Sorte. Fez panquecas e, do que sobrou do achocolatado, fez uma calda bem apetitosa para por em cima. Achou uma bandeja por ali e decorou da maneira que pode. “Bem que o Dougie poderia ter flores aqui na casa dele”, ela pensou, querendo deixar mais bonito e romântico. Mas claro que Dougie não tinha uma flor em casa. Achou um vasinho na mesa que tinha no hall da casa e olhou pela janela. O jardim da casa dele também não tinha flores, mas o do vizinho, que não era nem Tom, nem Harry, nem Danny, tinha. Ela olhou de um jeito sacana e abriu a porta sem nem ligar para o clima frio e para suas vestes, sorte dela que a rua estava vazia. Foi pelo gramado mesmo, molhando todo seu pé, pois havia chovido e o chão estava todo molhado. Era o caminho mais rápido que tinha, pulou o pequeno murinho e roubou, rapidamente, uma rosa vermelha da casa ao lado e voltou mais depressa do que foi.
- Pronto! Agora ‘tá perfeito! – ela disse, olhando para sua bandeja, orgulhosa. – Tudo bem, perfeito, perfeito, não ‘tá, mas com o que tinha aí eu até que consegui fazer um negócio bem bom – riu consigo mesma.
subiu as escadas ainda sorrindo e olhando para sua bandeja. Estava bastante feliz, e não era só pelo café da manhã que fizera. Entrou no quarto devagar e viu que Dougie ainda dormia e estava na mesma posição que ela o deixara. Ela deixou a bandeja em cima da mesa de cabeceira ao lado dele e se sentou na cama, de modo que ficasse nas costas dele. Colocou uma mão em cada lado do corpo dele para se apoiar na cama e se aproximou lentamente beijando-lhe a nuca e em seguida fazendo uma trilha de beijinhos até sua orelha. Quando chegou nesta, Dougie se encolheu arrepiando-se e soltou um gemido.
- Feliz aniversário, Poynter! – sussurrou em seu ouvido ao ver que ele estava acordando. Ele sorriu ainda de olhos fechados.
- Bom dia, ! – ele se espreguiçou, se virando para ela. – Brigado - ele continuou sorrindo e olhando para ela meio abobado.
- Que tal um café da manhã especial feito por mim nesse dia tão feliz? – ela riu.
- Tu fez pra mim? – ele falou, maravilhado, quando olhou para o lado vendo o que ela tinha preparado para ele.
- Ah, não é muita coisa. Eu fiz com que tinha aí, que era quase nada – ela deu uma pausa vendo ele se sentando, dando um rápido selinho nela e arrumando a bandeja na sua frente, acordando de vez. – Ah! Por sinal, tu não tem mais nada na despensa. O pouco que tinha eu acabei.
- Como tu adivinhou que eu acordo sempre com fome? – ele a ignorou e começou a comer com os olhos brilhando. Não era sempre que ele tinha um café da manhã tão bom assim.
- Tu ‘tá sempre com fome, Dougie – eles riram.
- Amo panquecas!
- Imaginei. – ela sorria olhando para ele que estava, literalmente, atracado na comida.
- Hmm. Geléia de morango! Nem sabia que tinha aqui em casa.
- De nada – ela falou quando ele terminou de comer.
- , tu fez tudo isso pra mim? – ele perguntou besta e satisfeito. Ela concordou balançando a cabeça afirmativamente. – E eu não deixei nada pra ti! Tu já comeu? – ele mudou sua expressão ficando, agora, preocupado.
- Não se preocupa comigo, Dougie! Tu é o aniversariante hoje – ela riu, fazendo-o ficar mais tranqüilo e também rir.
- E onde tu conseguiu esse vaso com a flor? Eu não tenho flor em casa...
- Ah, a flor eu roubei da casa aqui do lado – e apontou com o dedão para o lado esquerdo – e o vaso eu peguei ali do hall, em cima daquela mesinha, sabe?
- Tinha um vaso ali? – ele parecia confuso. – Deve ter sido a minha mãe que o colocou lá... Não sei com que propósito – ele ficou pensativo.
- Que bom que tu sabe as coisas que tem na tua casa – ela riu, e ele sorriu agradecido. Poderia parecer um ogro esfomeado e mal-agradecido, mas no fundo tinha amado aquela surpresa logo de manhã.
Após um pequeno tempo de silêncio, ele pôs de volta a bandeja na cabeceira e levou as mãos ao rosto de , como se o segurasse. Ela sorriu e colocou uma mão em sua nuca e a outra se apoiava na cama. Aproximaram-se lentamente e selaram os lábios como se fosse a primeira vez que estavam se beijando. Com a permissão dela o beijo ficou mais intenso, fazendo suas línguas se encontrarem e ficarem daquela maneira por alguns poucos minutos, até cansarem daquela posição, que não estava nada confortável. Quebraram o beijo e ele olhou para a roupa que ela usava.
- Gostou da camiseta? – Dougie perguntou apontando em um sinal com a cabeça para a sua camiseta no corpo da garota, que, por sua vez, sentiu o rosto corar e sorriu envergonhada. – Tudo bem, ela parece ficar bem melhor em ti – falou, com um sorriso malicioso no rosto. – Mas melhor mesmo seria sem ela – e sorriu mais malicioso ainda, se é que isso era possível, e a puxou para mais um beijo, agora a deitando ao seu lado e passando uma mão por dentro da camiseta, colocando esta para cima e com a permissão de , que levantou os braços, a tirando completamente.

Ao abrir os olhos, deu de cara com um Harry olhando fixamente para ela. tomou um susto com a proximidade dos dois e por um momento não se lembrava que tinha dormido com ele.
- Bom dia! – ele disse com um sorriso fofo no rosto.
- Bom dia! – ela respondeu, também sorrindo depois do susto. – Tu ‘tá muito tempo assim? Me olhando?
- Pra ser sincero, nem sei. Eu nem percebo o tempo passar quando fico te admirando. – Ela sorriu.
- Brigada por ter cumprido a promessa!
- Quando eu prometo, eu cumpro. – ele sorriu, convencido.
- Que horas são? – perguntou, depois de um longo selinho.
- Deve ser umas dez e pouco.
- Vamos comer alguma coisa.
- Desculpa te desapontar, mas acho que não tem nada pra comer – ele disse, fazendo uma careta engraçada.
- Tudo bem, vamos numa cafeteria comer alguma coisa então – ela riu, se levantando.
- Que tal a Starbucks na rua de trás? – ele se levantou também.
- Ótimo!
- Não te importa com a chuva? – Harry falou apontando para a janela onde podia se ver que começava a chover novamente.
- A chuva não impede que eu mate minha fome.
Os dois se arrumaram rapidamente e foram até a cafeteria. Sem perceber, demoraram mais do que pretendiam. Mesmo tendo terminado o café, ficaram por algumas horas conversando ali. Pessoas chegavam e iam embora e eles continuavam sentados à mesa conversando e nem se quer percebendo que essas pessoas chegavam e iam embora. O que interessava estava ali, entre eles.
- E tu tinha que ver naquele aniversário, os guris todos bêbados! – ele ria e o acompanhava. – Foi lá que conhecemos melhor o Thiago, ele também ‘tava podre de bêbado. Eu nunca faço festa, mas naquele ano resolvi fazer e foi muito boa!
- Deve ter sido mesmo – fez uma pausa parando de rir. – Falando em aniversário, o do Dougie não é hoje?
- É, é sim! – Harry respondeu como se tivesse o recordado.
- E ele não vai fazer nada?
- Acho que vai, ele sempre faz – ele ficou pensativo. – Podemos ir lá almoçar com ele. Chamamos os guris e as gurias.
- É, vamos fazer uma surpresa – ela sorriu animada.
- Mas a casa do Poynter não tem nada de comida, acho que temos que levar alguma coisa.
- Novidade – ela riu.
- Mas na do Tom deve ter alguma coisa. Vamos até lá.
Os dois se levantaram e seguiram até a rua onde todos eles moravam. Tocaram a campainha da casa do amigo e nada. Entraram – sim, eles tinham essa liberdade, só tocaram a campainha para serem mais educados – e não encontraram ninguém. Acharam estranho porque na noite anterior ele ia deixar as gurias em casa e depois ia para a dele. Pensaram então que ele poderia ter dormindo no Danny. E lá foram eles para a casa ao lado, que ficava na frente da casa de Harry. Ninguém também.
- Será que as gurias não resistiram ao charme deles? – Harry perguntou, fazendo rir.
- Pode ter sido. Liga pra eles.
Os dois sentaram no sofá da casa de Danny, já que estavam ali mesmo e Harry sacou seu celular do bolso e ligou para Tom, enquanto abraçava , que tinha a cabeça apoiada em seu ombro.
- Hey, cara! Onde tu ‘tá? – Harry falou ao ouvir o amigo atender com voz de quem recém havia acordado. – É que hoje é aniversário do Dougie e eu e a estávamos pensando em invadir a casa dele e fazer um almoço lá – ele balançava a cabeça concordando com o que Tom dizia. – Ok! A gente passa ali no mercado, compramos algumas coisas, e vocês buscam a e a . Até mais, cara! – e desligou.
- E então? – , mesmo tendo uma idéia da conversa, quis saber o que eles tinham decidido.
- Vamos ter que comprar as coisas do almoço enquanto eles buscam as gurias no trabalho. Daí a gente se encontra lá na casa do Dougie. A deve ‘tá lá, né?
- Certamente. – sorriu pensando na amiga.

Danny e Tom andavam lentamente, logo após estacionar o carro numa vaga, pela calçada do quarteirão das lojas das garotas, pois ainda era cedo para elas saírem. Estavam conversando coisas aleatórias e, automaticamente, sentaram ao mesmo tempo no mesmo banquinho que eles sempre sentavam para esperá-las, era um pouco antes de chegar na livraria.
Alguns minutos depois, apareceu com uma bolsa no ombro, se direcionando à loja da direita, provavelmente ao encontro de . Os dois se levantaram e caminharam, quase correndo, até ela.
- Hey, ! – Tom gritou e ela se virou.
- Heey! – ela sorriu acenando. Quando chegaram perto, cumprimentou Danny com um selinho. – Acordaram há pouco, garanto – falou mais para Danny, pois Tom estava indo atrás de .
- É... – ele falou meio tímido. – Nem vi quando vocês saíram – e riu baixinho.
- ‘Tava tão lindinho dormindo que nem tive coragem de acordar.
Enquanto os dois ficavam nessa ‘melosidade’, Tom e voltavam abraçados.
- Vamos? – disse, interrompendo-os.
- Onde? – perguntou confusa.
- Ah, não te disse ainda – Danny riu retardadamente, o que fez os outros rirem também. – É aniversário do Dougie hoje, daí vamos chegar lá na casa dele pr’um almoço.
- Ah! É verdade! É aniversário dele! – ela disse sorrindo. – Vamos lá então.
Os quatro seguiram até o carro de Tom, estacionado no outro quarteirão. Caminhavam falando alto, rindo de alguma coisa. Chegaram na rua de suas casas e conseguiram ver Harry e chegando em frente a casa de Dougie com algumas sacolas nas mãos. Estacionaram o carro e foram ajudar os amigos.
- Hey! Bem na hora. – falou, cumprimentando-os e dando algumas sacolas para os garotos. Claro, ia poupar as amigas.
Adentraram a casa sem ao menos bater. A surpresa tinha que ser completa.
- Tu faz, né, Tom? – Harry perguntava enquanto arrumava as coisas na cozinha.
- Fazer o quê? – Danny se meteu.
- A comida, anta! – Tom respondeu sem piedade. – Faço, sim – respondeu normalmente para Harry.
- Ei! Não fala assim com ele! – defendeu o garoto, que sorriu convencido quando ela o abraçou, afundando o rosto em seu peito.
- Posso ajudar – se disponibilizou levantando a mão e sorrindo.
- A gente arruma a mesa – falou enquanto ia ao encontro da louça.

No andar de cima, , que tinha sua cabeça apoiada no peito de Dougie, acordava com o barulho que vinha do andar de baixo.
- Dougie! – ela falou baixinho, cutucando-o. – Tem gente aqui.
Mas o garoto não acordou somente se mexeu um pouco.
- Dougie! - falou um pouco mais alto.
- Hum?
- Tem gente aqui. Não ‘tá ouvindo o barulho?
- Uhum – ele afirmou sem vontade.
- E tu fala isso com essa calma?? – já falava mais alto e se sentando na cama, de frente para ele.
- Deve ser os guris, . Fica calma. – ele disse, sendo obrigado a acordar. – Vem cá, vem – e a puxou para se deitar novamente.
- Mas se são eles, nós devíamos descer para recebê-los, não?
- E desde quando eu tenho que receber esses merdas? – Dougie disse rindo. – Mas tudo bem, vamos ver o que eles querem – ele falou ,se levantando e indo atrás de suas roupas, e fez o mesmo.
Eles desceram as escadas ouvindo o barulho de gente conversando cada vez mais alto. Apareceram na cozinha de mãos dadas olhando aquele furdunço todo. Ninguém percebeu a presença deles ali.
- Oi? – Dougie disse atraindo a atenção, agora.
- Dougieee! – falou sorrindo. – Feliz aniversário! – e foi abraçar o garoto.
- Hey, Poynter, Feliz aniversário!! – fez o mesmo que a amiga assim que ela se soltou do garoto.
- Ficando mais velho, então? Parabéns, cara! – não fez diferente.
Os garotos também o cumprimentaram, de maneira mais... Como posso dizer? Indelicados, talvez. Se jogando em cima dele, quase fazendo um montinho. O que só fez as garotas rirem da cena de todos em cima do pequeno Doug.
- Brigado, gente! – ele disse após ser libertado dos amigos.
- Ah, cara... Não compramos nenhum presente – Tom falou coçando a cabeça, o que foi imitado, inconscientemente, pelos outros dois garotos.
- Tudo bem, caras. Já ganhei o melhor presente que se poderia ganhar. – Dougie falou sorrindo e abraçando , que, óbvio, ficou corada e sorriu também.
As garotas a olharam como se perguntassem se tinha acontecido alguma coisa e ela olhou de volta sorrindo, confirmando. Claro, isso só foi notado entre elas mesmas. As conversas de olhares que só elas entendiam. Todas sorriram junto com a amiga e logo depois continuaram seus afazeres.
- Estamos fazendo um almoço pra ti. – Harry disse apontando para as panelas no fogão.
- Eba! Comida! – ele disse puxando risadas de todos. – Acho que o meu presente desse aniversário vai ser só comida. – ele falou e sentiu um tapa de na sua barriga. Olhou para ela e viu uma cara incrédula em seu rosto. – Aaai! Não era disso que eu ‘tava falando – ele tentou se explicar, sincero. – Foi do café da manhã.
- Ah, bom – ela corou, desviando o olhar, fazendo todos rirem.

- Olá! – falou, ao entrar em casa e ser recebida por Lady e Bili frenéticos. – Quanto tempo né, gorda? – falou com sua cadela. E viu e sentadas no sofá, vendo alguma coisa na televisão.
- Oi, ! – elas responderam em coro.
- A não chegou ainda?
- Não... Parece que ela ia num parque com o Harry – explicou.
- Hum... E vocês? O que estão fazendo paradas aí?
- Vendo TV, ué – disse sem entender.
- Vamos se arrumar. Tem festa do Dougie hoje.
- Ah, mas falta muito tempo ainda pra festa – disse, preguiçosa.
- Falta nada! Já são sete e meia. Até todo mundo se arrumar... – convenceu , que nem tinha se ligado no horário, porque, se tivesse, já estaria se arrumando. Mas teve de ser puxada para se levantar daquele sofá.
- Vamos lá, ! – foi a vez de chamar a amiga.
- Oii! Vamos lá, ! – entrou em casa e já entrou no espírito de tirar a preguiça de .
- Oi, ! Estamos tentando tirar essa preguiçosa da frente da TV – explicou.
- ‘Tá bom, já ‘tô indo – disse levantando as mãos, se dando por vencida.
- Acho bom! – falou rindo.
Até que demoraram menos do que pensavam. Os banhos foram rápidos e o dilema de roupas não durou muito. Estavam todas muito arrumadas, lindas para um bom admirador. vestia um vestido preto até o joelho tomara-que-caia bastante sensual e com meia calça também preta (veja o look). , uma calça jeans skinny e uma blusa mais compridinha, listrada em tons degradê, com um laço na cintura e um decote nas costas (veja o look). usava uma skinny também, porem a sua era preta e sua blusa era justinha, preta com alças grossas e um laço na cintura e ela ia até o cós da calça (veja o look). também usava um vestido, só que o seu era balonê azul marinho com bolinhas pequenas azuis mais claras, justo na cintura e sua meia calça era azul marinho, mais escuro que o vestido (veja o look). O frio da noite pedia um casaco quente para todas. Assim que todas estavam prontas, desceram até o carro e seguiram para a festa.
O lugar da festa estava cheio e dessa vez não era na casa de ninguém. Os garotos conseguiram alugar de última hora um salão para isso. Tentaram achá-los, sem muito sucesso. Estava bastante difícil andar, cada passo que davam uma pessoa as empurrava. Depois de um tempo, conseguiram chegar numa parte mais vazia e encontraram Hall sentado a uma mesa com vários lugares vazios. Então foram até lá.
- Hey, Hall! – disse quando chegaram perto, surpreendendo o garoto.
- Oi, gurias! – ele falou, faceiro.
- Sabe onde ‘tá todo mundo? – perguntou após cumprimentar o garoto.
- Danny, Harry, Tom e Dougie devem estar lá fora na mesa especial deles – elas riram. – Sim, eles têm uma mesa especial. E os outros foram buscar bebidas, outros foram ao banheiro. Daqui a pouco ‘tão de volta.
- Tem parte de fora também? – ficou surpresa e ele afirmou com a cabeça.
- Ah, ok... Acho que vamos lá fora encontrar os guris da mesa especial – disse, soltando uma risadinha baixa.
Quando estavam saindo, esbarrou em um garoto.
- Desculpa – ela disse, sem jeito.
- Heey! – o garoto a reconheceu.
- Mitch! – pareceu surpresa. – Tudo bom? O que faz aqui?
- Sou amigo do Hall, lembra? – Mitch falou e deu uma piscadinha.
- Ah, é mesmo!! E Rose, veio contigo?
- Ela não quis vir dessa vez.
- Ah, que pena...
- , vamos? – , que estava junto das outras garotas mais a frente, a chamou.
- Vamos – disse à . – Nos vemos por aí – se voltou ao Mitch.
- Ok! – ele sorriu um pouco amarelo e ela o beijou na bochecha.
Na parte da rua, conseguiram ver os garotos em sua mesa especial. Por incrível que pareça, também estava cheio nessa parte.
- Se perderam? – Dougie se levantou, indo dar um beijo em.
- Pode parecer brincadeira, mas sim – disse, e todos riram.
- Aqui dentro... Demorarmos pra encontrar vocês – falou, já sentada ao lado de Tom, que tinha seu braço sobre os ombros dela.
- Vocês deviam ter nos ligado quando chegaram. A gente ia buscar vocês lá na frente – disse Tom.
- Agora já estamos aqui. Sem problemas – disse , que ainda estava de pé.
A festa foi passando sem problemas. Os oito ficaram por muito tempo ali, juntos e bebendo. Mas nem tudo é um mar de rosas. Os SOD apareceram na porta e foram em direção a eles. O problema não estava neles, e sim em Dave. Não, também não era bem no Dave o problema, e sim de quem estava o acompanhando, Ed. Danny não pode segurar sua expressão de raiva e, assim que viu Ed, olhou para Danny sem ter idéia do que fazer. As garotas, sabendo da história toda, olharam para ela com perguntas em seus olhares aflitos.
- Hey, caras! – James se aproximou puxando uma cadeira.
- Tua festa ‘tá ótima, cara! – Dave falou para Dougie.
- Eu sei, eu sempre faço festas boas.
- Oi, gente! – Ed acenou para todos, olhando fixamente para , o que fez Danny ficar mais brabo ainda.
- Calma, Dan. – falou baixinho para ele, esfregando sua mão no antebraço do garoto, em sinal de carinho.
- Como calma, ? Esse cara veio aqui pra te ver! Cara de pau! – ele disse baixinho também, mas quase espumando.
- Mas eu não vim pra ver ele. Ignora – ela disse, olhando de canto para Ed, e Danny suspirou.
- Sentem aí, caras! – Harry falou para os outros que estava de pé, inclusive para Mitch, que estava com Hall, mesmo sem muita vontade.
- Oi, – Mitch sentou ao lado dela e Harry ao ver isso a puxou num abraço, fingindo não ter ouvido nada. sorriu sem graça para o garoto.
Era visível que o clima ali tinha mudado, tanto para Danny quanto para Harry. Claro, o primeiro era muito mais visível - Harry ainda tentava disfarçar. Ed permanecia quieto, sem querer provocar nada ali, mas Mitch, aparentemente alterado pela bebida, insistia em puxar papo com .
- Vamos dançar, ? – Harry mais afirmou do que perguntou, puxando a garota.
- Vamos então, né? – ela disse.
- Nós vamos com vocês – Danny disse, puxando consigo.
Fernanda e só se olharam, rindo da situação.
- Que bom que o Phil não ‘tá aqui. – Tom comentou baixo.
- Tom! – o repreendeu.
- ‘Tá bom, ‘tá bom. Não falei nada – ele levantou as mãos e depois deu um selinho longo nela.

Harry dançava com uma cara meio fechada e Danny já estava mais tranqüilo. Ficar a sós – ou quase a sós – com já estava perfeito. Mas isso não funcionava para Harry.
- Que foi, Harry? – perguntou, preocupada.
- Nada, ... ‘Tô meio nervoso, só.
- Com o quê?
- Nada de mais.
- Não gosto de te ver assim.
- Já vai passar.
- Promete? – ela sorriu colocando suas mãos no rosto dele, que afirmou com a cabeça, e ela então deu um selinho nele.
- Ando te prometendo muita coisa – eles riram e então se beijaram.
conseguiu descontrair um pouco os ânimos, e eles ficaram mais alegres, conversando e dançando na pista, sem nem lembrar do casal do lado.

- Vou pegar uma bebida, ok? – perguntou ao Danny assim que a música que estavam dançando acabou.
- Não – ele respondeu, e ela franziu o cenho. – Vou contigo, não confio nessas pessoas daqui.
- Não confia no Ed, tu quer dizer – ela riu, puxando-o pelo braço até o bar.
- Falando no demônio... – Danny falou baixinho ao ver Ed encostado no balcão do bar.
- Ignora, lembra? – ela disse antes de chegar.
- Oi, – Ed não ajudou.
- Oi – ela tentou ignorar.
- Tudo bem contigo? – ele insistiu e Danny parecia querer voar no pescoço dele.
- Ahã. – foi educada e segurou Danny. Também não tinha como não ser educada com o garoto, ele estava sendo um amor e continuava sendo lindo demais.
- Ahn... ! – ele a chamou, pois ela já ia para mais longe. – Queria pedir desculpas de novo.
- Já pediu e já foi desculpado, Ed.
- É que eu queria pedir pro Danny também – falou meio receoso, olhando para o garoto.
- Então pede – ela apontou para Danny ao seu lado, que ainda estava a ponto de pular em seu pescoço.
- Desculpa, cara. Aquele dia eu ‘tava meio bêbado e tal...
- Ok – Danny disse, seco. – Agora vamos – puxou .
- Brigado, cara. Tchau! – Ed falou, sem ter certeza se tinham ouvido, pois já haviam saído de perto dele.

Assim que Danny e voltaram para pista, e Harry perceberam a cara de poucos amigos de Danny.
- Que foi? – perguntou à .
- Ed – ela falou, quase sem soltar som, e teve de ler seus lábios.
- Vou buscar uma bebida. Quer vir comigo, ? – Harry interrompeu a conversa com a amiga.
- Não, te espero aqui.
- Ok – ele deu um beijo no topo de sua cabeça e saiu.
Péssima escolha. ficou segurando vela. e Danny ora conversavam, ora dançavam, ora se beijavam. Mas até que não ficou sozinha por muito tempo. Mitch apareceu do nada.
- Segurando vela? – ele falou brincando e ela riu confirmando. – Posso te fazer companhia, então?
- Pode, claro – ela disse. Um silêncio chato reinou entre eles. – Então, conseguiu um emprego? – ela quebrou o silêncio.
- Pior que não. ‘Tá difícil a coisa lá em casa. Foi até por isso que a Rose não veio, ‘tá toda desanimada.
- Tadinha. Ela me disse lá no trabalho.
- Mas logo eu acho um.
- Eu acho que tenho uma solução.
- Mesmo?? – ele sorriu involuntariamente, fazendo-a sorrir também.
- Sim. É que o senhor Windsor, meu chefe, ‘tá precisando de um office-boy...
- Seria perfeito. Qualquer trabalho que aparecer, ‘tô topando.
- Que ótimo! Vou falar com ele, daí tu aparece segunda por lá. – ela falava animada com ele.
- ‘Tá bom o assunto? – Harry chegou, interrompendo os dois.
- Oi, Harry. Esse é o Mitch, lembra, né? – tentou quebrar o clima chato.
- Lembro, sim – ele falou, sério, passando os braços sobre seus ombros. – Vamos pra mesa?
- Ahn... – olhou para Mitch e depois para Harry. – Vamos.
- Estamos indo para a mesa. – Harry falou ao casal do lado.
- Ah, vamos com vocês – disse .

- Quando dá aquela parte do Timão e Pumba animando o Simba!! Adoro! – Tom falava animado com . Eles estavam sozinhos na mesa.
- Sim, Hakuna Matata é a melhor música do Rei Leão! – também estava super animada. – Hakuna Matata, é lindo dizer - ela começou a cantar.
- Hakuna Matata, sim, vai entender – Tom continuou.
- Os seus problemas você deve esquecer! – chegou cantando junto.
- Isso é viver. É aprender – também.
- Hakuna Matata! – cantaram em coro e depois riram.
- Vocês deveriam gravar um CD! – Danny debochou.
- Cadê e Dougie? – Harry perguntou ao se sentar.
- Saíram. O Dougie ‘tá fazendo a social. – Tom respondeu rindo do “’tá fazendo a social”
- O Thiago e a Amy ‘tavam aqui até há pouco. – disse , tomando um gole de sua bebida.
- Parece que esses se acertaram, né? – comentou.
- E adivinha quem veio junto? – perguntou, com uma cara cínica.
- Quem? – perguntou com medo da resposta.
- Casey – respondeu com nojo na voz, e as outras fizeram a mesma cara cínica que Fernanda tinha feito antes.
- Qual o problema da Casey? – Danny perguntou desentendido.
- Como assim qual o problema dela? Ela é uma puta – respondeu, como se fosse óbvio, e eles só reviraram os olhos.

Dougie conversava com um e com outro, o que já estava deixando entediada. Até que avistou Thiago perto do bar e foi até lá conversar com ele.
- Olá, priminho! – ela falou feliz.
- Que felicidade é essa? É o Poynter a razão disso? – Thiago falou rindo.
- Pode ser até – ela riu também. – E a Amy?
- Foi no banheiro com a Casey.
- Ah, ela ‘tá aqui? – disse com um certo nojo.
- Tu não gosta dela?
- ‘Tá na cara, né?
- ‘Tá – os dois riram
Ficaram conversando os dois, depois Amy chegou e entrou na conversa também. Casey percebeu – até que não é tão burra – que estava sobrando e saiu, provavelmente atrás de algum macho. decidiu buscar Dougie, pois a festa parecia estar acabando.
- ‘Tá todo mundo indo embora já – ela falou, assim que Dougie terminou um assunto com um cara.
- É verdade... – ele disse num suspiro. – ‘Tô ficando cansado já.
- Eu também.
- Vamos lá pra mesa falar com os outros.
Os dois foram e encontraram os seis meio quietos na ‘mesa especial’. Pareciam cansados também.
- Estão cansados também, né? – falou ao chegar perto dos amigos.
- Muito – Harry disse apoiado na mesa.
- Cara, já ‘tá amanhecendo! – Danny comentou ao olhar para o céu.
- Vamos embora? – perguntou , quase suplicando. Isso só não foi preciso porque todos concordaram de imediato.

Estavam próximos ao carro de , quando Tom quebrou o silêncio.
- A vai comigo.
- Ahn? Vou? – ela perguntou confusa.
- Vai.
- Então ‘tá – ela disse rindo e se direcionando ao carro do garoto.
- Não quer ir comigo também, ? – Dougie perguntou para ela.
- Assim tu vai enjoar de mim. Passamos o dia inteirinho juntos.
- Não enjoo de ti.
- Fica pra próxima, ‘tá bem? – ela deu um selinho longo e fez um carinho no rosto do garoto. – Feliz aniversário mais uma vez.
- Esse foi o melhor aniversário que eu tive – Dougie falou, pensativo. – Não, tirando aquele dos meus onze anos que eu ganhei o Zukie.
- Que bom! – ela ria. – Boa noite – e deu um beijo mais carinhoso no garoto.
As outras conversavam com seus respectivos garotos também, provavelmente explicando que estavam cansadas e queriam ir pra casa. Harry e deram um beijo longo e então se separaram. Ela e ficaram esperando no carro.
- Já disse que gosto muito de ti? – Danny falava abraçando a garota.
- Disse, mas eu não me canso de ouvir – ela sorriu.
- E já disse que odeio aquele Ed?
- Ai, Danny... De novo com isso?
- É que ele me incomoda muito – ele insistiu e ela largou um olhar repreensor. – Ok, ok. Boa noite, linda! – ele deu um beijo delicado nela.
- Boa noite, Dan!
Ela entrou no carro e logo este saiu lentamente da vaga do estacionamento, rumo à casa e ao tão querido sono.

Capítulo 28

O frio daquela manhã era o mais rigoroso desde o primeiro dia da estadia das garotas em Londres. Elas nunca tinham passado por um clima tão frio. Era o inverno londrino. “Sejam bem vindas ao inverno londrino, garotas!” – era o que elas ouviam em seus subconscientes. As cobertas tapavam até as orelhas e nenhuma tinha vontade de sair de baixo destas para trabalhar. O relógio tocou pela segunda vez. , com muito custo tirou seu braço de baixo do edredom para desligá-lo.
- Saco! ‘Tá tão bom aqui – ela disse num resmungo. – Deve ‘tá tão frio lá fora.
- Ai, cara, nem fala! – , ao seu lado, estava com o mesmo ânimo.
- Puta que pariu! Como esses cidadãos conseguem sair da cama num dia assim? – apareceu na sala enrolada num cobertor.
- Nem pensar em jogar tênis hoje, né? – veio logo atrás dela da mesma maneira.
- Óbvio que não! – soltou uma risada irônica.
- Vocês ‘tão hilárias assim! – dizia em meio de risadas, junto com , ainda debaixo do seu edredom.
- Merece até foto. Pena que a máquina esteja tão longe de mim – disse em tom de preguiça e todas riram.
- Juntem-se a nós! – disse num sorriso e as duas nem pensaram duas vezes, cada uma pegou um cobertor e se enrolou, ficando só com o rosto de fora.
- Agora tu pode pegar a máquina e tirar uma foto. ‘Tá de pé – falou para , com a intenção de tirar uma foto delas daquele jeito.
A diversão começou e várias fotos foram batidas, até se esqueceram do frio que estava. Esqueceram também que precisavam sair para o trabalho, item muito importante.
- Aaah! Já ‘tá quase na hora de sair e a gente nem começou a se arrumar ainda! – falou ao ver o relógio, entre uma foto e outra.
- Merda! O banheiro é meu! – entrou correndo no banheiro, não deixando ninguém chegar antes.
Saíram correndo do prédio, mas não conseguiram continuar. Tiveram um baque ao sair para a rua. O frio estava pior ainda. Elas usavam casacos muito grossos, mas ainda sentiam o clima gelado. Abraçaram o próprio corpo e esfregaram uma mão na outra, na tentativa de se aquecer, e seguiram em frente. deu uma carona de carro para as amigas, primeiro porque todas estavam atrasadas, e segundo porque dentro do carro tinha aquecedor. Os termômetros marcavam seis graus negativos. A rua toda tinha uma camada de gelo e por mais pressa que as garotas tinham, não conseguiam ir muito rápido, devido ao gelo no asfalto que poderia provocar um acidente.
Depois de ter deixado e em seus trabalhos, parou em frente ao grande prédio que trabalhava. Esta, com muita dificuldade saiu do carro se despedindo da amiga, que seguiu para a casa dos Turner, rumo ao trabalho duplo, pois Johnny entrara de férias na escolinha. subiu até o seu andar, deu bom dia ao chefe e sentou-se na sua cadeira, começando o árduo trabalho de organizar todos os pedidos que eram feitos para a gráfica. Começou pelos emails.
- Nossa! Quantos! Por que essa gente tanto precisa de uma gráfica? – ela riu consigo mesma, abrindo o primeiro email.
Tinham alguns sobre dúvidas, coisas freqüentes como preços, serviço, qualidade, etc. Outros eram pedidos mesmo, tais como cartazes, outdoors, capas de revistas, livros e CDs. E, claro, reclamações, sugestões, elogios e os chamados ‘descartáveis’, aqueles que pessoas inúteis mandavam falando bobagens sem nexos. Sempre têm esses. Fez o que tinha que fazer, respondeu os que podia e encaminhou os pedidos para seu superior, pois no cargo em que ela estava não poderia fazer muita coisa. Passou, então, para as correspondências. Essas não eram muitas e eram praticamente as mesmas coisas. O que dava trabalho mesmo era o maldito telefone, esse não parava nunca. De vez em quando apareciam pessoas para conversar ao vivo com o senhor Windsor.
- Hey, ! O senhor Windsor me chamou. Vou ali, ok? – Mitch entrava, desconcentrando do seu trabalho.
- Hey, Mitch! – ela falou levantando a cabeça para ele. – Claro, pode entrar lá.
O trabalho de office-boy que estava vago foi preenchido por Mitch, graças à . Não era sacrifício nenhum encontrá-lo todos os dias por ali. Uma vez que outra ela observava-o, às vezes cruzavam olhares um pouco constrangedores. Mas podia ter certeza que ele estava sempre olhando para ela. Só quando estava de costas não, óbvio.
- O chefe me liberou hoje – ele saiu da sala com um sorriso no rosto.
- Por quê? - perguntou.
- Porque eu sou o melhor funcionário dele – Mitch debochou e riu. – Brincadeira. Porque ‘tá muito frio pra ficar andando de um lado para o outro.
- Mas que folga! Também quero! – ela cruzava os braços, indignada e rindo ao mesmo tempo.
- Fazer o quê? O Mitch aqui merece – ele falou, se achando, mas logo riu.
- Ah, eu também mereço... ‘Tava um frio enorme quando sai de casa hoje mais cedo. Queria tanto ter ficado em casa...
- Claro que merece. Mas a vida é assim – ele tentou consolá-la. – Ei! Não ‘tá na hora do teu almoço?
- É mesmo! Nem percebi... – ela disse ao olhar para o relógio. – Mas eu não queria sair nesse frio pra almoçar.
- Se não se importar com a minha companhia podemos ir ali do décimo sexto e comer alguma coisa com a Rose.
- Claro que eu não me importo. Só vou ali avisar o chefe.

A calefação da loja era a melhor coisa ali. Não dava vontade de sair de lá. O trabalho, mais monótono impossível. Também, quem seria o insano a sair de um lugar quentinho só para comprar alguma revista? estava sentada na poltrona escondida que tinha no fim da loja, esperando alguma alma viva entrar lá. Entediada, recorreu ao seu divertimento: ler as revistas.
- Rupert! – quase berrou, assustando o garoto que quase dormia sentado na cadeira do balcão. – Como tu não em avisa que McFly saiu na capa dessa revista?
- Ah, sei lá... Achei que tu sabia – ele respondeu calmo.
- Como eu ia saber se eu não organizei as revistas hoje? – ela foi um pouco grossa, mas não era sua intenção. Estava surpresa ao ver os garotos ocupando a capa inteira. Não era como na outra revista que ela leu em que eles nem estavam na capa. Ou então naquela em que elas os descobriram. Tudo bem, naquela, eles até estavam na capa, mas dividiam ela com mais outras mil bandas. Ok, mil é exagero, mas para o estado em que se encontrava, tudo era motivo para exagero.
- Ah, desculpa então. Só achei...
- Tudo bem, Rupert. Eu que peço desculpa pela grosseria. Fiquei nervosa, só – ela o interrompeu e sorriu, e o garoto desculpou-a com um sorriso também, muito querido por sinal. – Ah! Essa deve ser aquela entrevista que eles deram há uma semana mais ou menos – ela falava mais calma mais para si mesma, lembrando que eles haviam dito para elas que fizeram uma entrevista para uma revista teen.
Na capa dizia: MCFLY: CD saindo do forno. Ela abriu a revista que, por coincidência, era a mesma que ela tinha lido a outra vez. Não perdeu tempo lendo outras reportagens, foi direto na que interessava. Começava assim: “Finalmente o CD dos nossos queridos Dougie, Tom, Harry e Danny, tão esperado por todos nós, está sendo finalizado, e o lançamento está previsto para começo de fevereiro. Conversamos com os garotos do McFly sobre o CD, sobre as fãs, vida amorosa e mais um monte de coisas. Pois é, girls, prometemos que traríamos notícias sobre eles estarem namorando ou não e agora estamos cumprindo. Mas temos a triste notícia de que o fofinho do Tom está comprometido, os outros guys não falaram no assunto. Será que podemos ter esperanças?”
- “Será que podemos ter esperanças?” lia retardadamente, como se aquilo fosse a coisa mais idiota que lera na vida. - Fofinho do Tom? Credo! Essa gente é muito retardada!
Terminou de ler a entrevista que nada lhe acrescentou, pois ela já sabia de tudo. Dizia que as fãs estavam cada vez mais atrás deles – isso ela sabia por experiência própria, sempre quando saiam para um lugar mais movimentado vinha alguma guriazinha pedir foto e autógrafo -, que era o primeiro CD deles e eles estavam muito ansiosos, que a banda é unida e bla bla bla. No final da entrevista tinha mais algumas fotos deles. Tinha até foto do Tom com a com a legenda explicando que aquela era a namorada sortuda do vocalista/guitarrista.
- Meu Deus!! Como eles conseguiram essa foto? – ela falava, espantada. Era uma foto pessoal.
Mas o espanto veio depois. Ela viu uma foto sua com Danny. Aquilo sim era apavorante. Era uma foto tirada por um paparazzi: os dois caminhando pela rua abraçados e, aparentemente, conversando alguma coisa, pois sua boca estava aberta e suas sobrancelhas erguidas. A legenda era: “Será que é só o Tom que está namorando? Quem será a gatinha?”.
- Gatinha?? – falou, fazendo cara de nojo. - Será que o Danny sabe disso? – falou referindo-se a foto. – Ou ele é muito alto ou eu sou muito baixinha. Olha onde eu bato nele! – ela falava sozinha depois um tempo pensando e analisando as fotos, apontando para sua foto com o garoto.
Era óbvio que compraria aquela revista para mostrar para todos e guardar de recordação.

No quartinho escuro da loja ao lado um filme monótono passava pela televisão suspensa na parede. , sentada à frente dela, lutava contra seus olhos, que queriam fechar insistentemente. O filme não prendia atenção, mas ela tinha que vê-lo todo para conferir se estava tudo certo. Phil entrou na sala ligando a luz, o que ofuscou a vista de , que colocou o braço na frente dos olhos.
- Aaai, Phil, apaga essa luz! – disse ela.
- Desculpa, mas é que ‘tá na hora do teu almoço e eu to vendo que tu não ‘tá conseguindo ver o filme.
- Como não ‘tô conseguindo? ‘Tô aqui atenta a ele.
- Dormindo?
- Eu não dormi – afirmou certa daquilo. - Dormi? –ficou pensativa por um instante e ele fez que sim com a cabeça.
- Vai lá. Deixa que eu termino de assistir.
- Lá aonde? – ela ainda estava meio abobada do sono.
- Almoçar, .
- Ah! – deu uma pausa. – Não quero.
- Como assim não quer? Tu tem que almoçar! – Phil parecia um pai quase mandando ela comer.
- Não ‘tô com fome e esse frio não me anima pra sair.
- Vou chamar a pra ir contigo. Tu precisa comer, .
- Ai, Phil... – ela falou num suspiro enquanto Philippe saia da loja e se direcionava a loja do lado.
- Que bom que tu foi lá me chamar, Phil! Eu ia vir aqui do mesmo jeito. – entrava na locadora junto com o garoto, sem parecer dar bola para o frio de cortar pelo qual tinha atravessado no trajeto de sair de uma loja e entrar na outra. – , tu tem que ver isso!!
- O quê? – ela começava a ficar curiosa.

O quarto dos brinquedos estava mais bagunçado que o normal. não conseguia dar conta das duas crianças em cima dela. A televisão estava ligada num canal de desenho, mas quem estava mais entretida no programa era ela. Jimmy ainda conseguia ficar calmo, brincando com algum joguinho de cores e formas no tapete, mas Johnny estava impossível. Ele puxava para um lado e para outro, mas ela não podia deixar o outro sozinho, pois era menor e de total responsabilidade dela naquele momento.
- Tia !! Vamos lá brincar de lutinha. Deixa o Jimmy aí, ele ‘tá quietinho. – Johnny falava, enquanto pegava sua espada de plástico do baú.
- Johnny, querido – ela suspirava para manter a calma. – Eu não posso deixar teu irmão sozinho. Se tu quer brincar, vamos brincar aqui e sem violência.
- Ah, que droga! – ele cruzava os braços. – Tudo bem, então! Eu sou o mocinho e tu é o vilão. Eu tenho que te matar.
- ‘Tá bom, mas toma cuidado, hein? Esse vilão é muito perigoso. – se levantava para começar a brincadeira.
Quem via daquela maneira dava a mesma idade de Johnny a ela; os dois brincavam alegres, mesmo Jimmy puxando a barra da calça dela pedindo alguma coisa. Então a brincadeira era interrompida e Johnny emburrava. Mas logo, conseguia reanimá-lo e a lutinha começava de novo. Eles batiam as espadas de leves uma na outra e de vez em quando um deles ameaçava enfiar a espada na barriga do outro. A brincadeira foi interrompida mais uma vez, mas dessa vez não era Jimmy, e sim a campainha.
- Não se preocupe, . Eu atendo. – Nancy saia da cozinha para atender a porta.
- Bom dia, Nancy, querida! – uma voz masculina que ela já ouvira antes falava carinhosamente com a empregada.
- Will, querido! Seus tios não chegaram ainda. Nem sei se vêm para almoçar.
- Tudo bem, vim porque não tinha nada para fazer. Os pestinhas estão por aí? – aquela voz... já tinha ouvido aquela voz antes.
- Estão, sim! Lá no quarto dos brinquedos.
Ela começou a ouvir passos se aproximando e, não sabia por que, começou a ficar nervosa a cada vez que os passos ficavam mais próximos. Não olhava diretamente para a porta, disfarçava brincando com as crianças. Mas conseguiu ver que um homem alto, magro e de cabelos morenos parou no batente. Johnny se virou para ele e sorriu.
- Wiiiill!! – E então pulou em seu colo.
foi obrigada a olhar. E com quem se depara? O garoto do elevador. Sim, ele mesmo. Lindo, alto com aquele sorriso magnífico nos lábios. Como não tinha reconhecido sua voz? Aquela voz doce. Mas que diabos ele fazia ali? Ela deu por si quando viu Jimmy tentando chegar ao garoto. Sentiu que estava meio abobada olhando para ele.
- Er... Oi! – ela disse, tímida, ao mesmo tempo em que ajudava o garotinho a cumprimentar o tal Will.
- Oi! – ele disse um pouco tímido também, parecia não esperar por aquilo. – Tu trabalha aqui?
- É, trabalho – ela ainda estava tímida. – Cuido desses pestinhas – apontou para as crianças que estavam no colo dele.
- Ah, meus tios sempre falam de ti, mas eu nunca tinha te visto – ele sorria, como se tudo se encaixasse. – Tu é a , certo?
- É, sou. – Aquelas respostas estavam ficando bem idiotas.
- Prazer, Willian – ele estendeu o braço. – Minha mãe é irmã do tio Math. Esses pestinhas são meus primos.
- Prazer – pegou a mão do garoto e sorriu. – Bem, eu preciso dar o almoço pra eles e depois fazer Jimmy dormir. Se não se importa – ela falou apontando para as crianças que ainda estavam no colo dele.
- Ah! Claro – e soltou os dois.
- Vamos comer, meus gurizinhos? – ela falou para eles, se abaixando para ficar na sua altura. E eles concordaram, faceiros.

voltava rapidamente para sua sala, havia passado um pouco do horário. Era sempre assim quando ia ver Rosalie. Ficavam conversando tanto que não viram a hora passar. Chegou à sua sala um pouco destrambelhada e encontrou um homem sentado na cadeira de espera.
- Me desculpe, senhor, por fazê-lo esperar – ela falou, se ajeitando em sua mesa.
- Tudo bem, eu cheguei mais cedo mesmo – o homem, de terno com um sobretudo pendurado em seu braço, sorriu simpático.
- Então, o que o senhor deseja?
- Bom, é que eu não marquei um horário com o senhor Windsor, então não sei se a senhorita pode me encaixar agora.
- Vou verificar. Um minuto, por favor. – pegou o telefone para falar com seu chefe. Falou algumas coisas rápidas e desligou. – Desculpe, senhor, mas vai ter que esperar alguns minutinhos. O senhor Windsor está em reunião.
- Ah, tudo bem.
- Enquanto isso eu posso começar o trabalho preenchendo essa ficha – ela pegou um papel padronizado e começou as perguntas. – Qual o produto que o senhor deseja fazer?
- Um CD.
- E o nome do responsável?
- Universal.
- É só capa, ou tem conteúdo interno?
- Tem sim, um livrinho com as letras das músicas.
- O senhor tem um molde do que quer ou terá que desenhar?
- Tenho a foto da banda e o logo. Mas os detalhes teria que desenhar.
- Ok. O senhor tem aí esse conteúdo?
- Claro, aqui. – O homem pegou um envelope e tirou de lá uma foto e um pedaço de papel e lhe entregou. Quando viu foi impossível conter o sorriso de surpresa. – Alguém problema, senhorita?
- Não, nenhum. – guardava a foto e o logo da banda junto com o papel que preenchera as informações em um envelope que seria entregue ao chefe assim que representante da Universal pudesse entrar. – O senhor pode aguardar agora que quando o senhor Windsor puder irá atendê-lo. – E, ainda com o sorriso no rosto, apontou para as cadeiras de espera. O homem, então, seguiu a ordem de .
Ela não podia acreditar na coincidência. A gráfica em que ela trabalhava iria produzir o design do CD do McFly.

Após conseguir fazer Jimmy dormir, voltou para a sala dos brinquedos e encontrou Will sentado de qualquer jeito no sofá confortável, e Johnny ao seu lado quase dormindo. se sentou ao lado do garotinho, deixando-o no meio dos dois. Na televisão ainda passava desenho.
- Acho que ele dormiu – Will falou, apontando para o garoto.
- É, ficou cansado de tanto brincar – deu uma risadinha passando de leve a mão na testa de Johnny, afastando o cabelo.
O silêncio permaneceu e Will mudava de canal sem nem ver direito o que estava passando em cada um, parecia nervoso.
- ‘Tá bem frio, né? Acho que daqui a alguns dias neva – ele quebrou o silêncio.
- Vem cá, a gente só consegue conversar sobre tempo? – ela falou de repente e eles então riram.
- Ok, do que tu gostaria de conversar?
- Ah, sei lá... – ela ficou pensativa e ele a observava, deixando-a um pouco constrangida. – O que tanto tu fazia no sétimo andar?
- Tu lembra do andar que eu ficava? – ele perguntou, surpreso, fazendo a garota corar. – É que meus pais estão querendo vir morar nesse prédio. E o apartamento do sétimo estava para vender. Eu vim acertar algumas contas.
- Hum... E tu entende dessas coisas?
- É, alguma coisa, sim. Sou formado em administração.
- Legal. E por que teus pais querem vir pra cá?
- É que eles ‘tavam na Itália e resolveram vir pra cá e aproveitar para ficar no mesmo prédio do irmão da minha mãe.
- Itália?? – ela falou um pouco mais alto, surpresa e depois tapou a boca para não acordar Johnny. – Nossa, que legal! Amo a Itália.
- É, meu pai é italiano.
- Sério? Ainda caso com um italiano. – ria, estava mais descontraída.
- Serve eu? – ela olhou sem entender, corando um pouco. – Nasci lá.
- Legal! – Agora estava um pouco constrangida novamente.
- Meu nome inteiro é Willian Turner di Luca.
- Que lindo teu nome! Will Turner, que nem no Piratas do Caribe! – ela sorria.
- É, que nem no Piratas do Caribe. – ele ria como se ele ouvisse aquilo o tempo todo.
- Qual o nome do teu pai?
- Gianluigi di Luca.
- Que nem do Buffon?? – estava cada vez mais encantada. – Tua família só tem nomes conhecidos!
- Gosta de futebol, é?
- Adoro! Ainda mais se tratando do futebol da Itália! Buffon é o melhor goleiro do mundo!
- Adoro o futebol de lá também. Topa assistir? ‘Tá passando na Rai.
- Claro! É a Eurocopa, né? – ele concordou com a cabeça sorrindo animado. Parece que tinha ganhado uma companheira para assistir futebol.

- Eu não acredito! Não a-cre-di-to!! – andava de um lado para o outro, estava, ao mesmo tempo que surpresa, possessa! – Como eles pegam uma foto minha e do Tom assim e publicam sem nossa autorização??
- Calma, ! – Phil tentava acalmá-la.
- Não tem como ter calma!! E ainda vêm esses paparazzi e tiram foto sem a gente perceber!! É invasão de privacidade, isso!! – estava puta da cara.
- , agora a gente não pode fazer nada. Já publicaram! – dizia, mas calma que a amiga.
- Eu vou processá-los.
- Tu tem que entender que os guris ‘tão ficando famosos. Isso vai acontecer direto agora – disse sentando-se em um banco, tentando se conformar.
- Vocês precisam almoçar – Phil tentava mudar de assunto.
- Eu não quero almoçar, Phil! Que saco! – respondeu ríspida.
- Mas pior que eu ‘tô com fome mesmo, . – falou receosa, com medo de levar uma patada.
- Então vamos pedir alguma coisa porque eu não vou sair nesse frio e com a raiva que eu ‘tô.
- Ok. Posso? – perguntou para Phil apontando para o telefone e ele assentiu.

- Tom, olha isso!! – nem deu oi direito para o namorado, entregou a revista indignada, enquanto caminhavam até o carro do garoto.
- O que, ? – ele estava confuso. Olhou para a capa da revista. – Ah! Essa foi aquela entrevista que a gente deu, lembra que eu te falei?
- Lembro! Mas não é disso que eu tô falando. Abre a revista – ela mandou.
Entraram no carro e antes de Tom ligá-lo abriu a revista na página da entrevista. Leu tudo e viu as fotos.
- Mas que abuso! – ele disse, enquanto ela olhava fixamente para ele esperando sua reação.
- E não é?? Onde eles conseguiram essa foto?
- Eles pegaram a e o Danny no flagra!!
- Aaai, Tom! Não era dessa que eu ‘tava falando! Tudo bem, achei ridículo essa invasão de privacidade também, mas e a nossa foto? É uma foto pessoal!
- Ah, fui eu que dei pra eles. – ele disse calmamente e ela o olhou estupefata, fazendo uma careta.
- Tu deu??
- Sim, eles pediram e eu não vi problema nenhum em mostrar pra todo mundo minha namoradinha linda – ele falou se aproximando dela e lhe dando um beijo carinhoso. Ela continuava com a careta e ele deixou a revista em seu colo, ligando o carro para deixá-la em casa.
Tom dirigia o carro devagar e não falou mais nada, ficou olhando para frente, sem conseguir desfazer sua careta. Tom olhou rapidamente para ela, percebendo seu estado.
- Algum problema, ?
- Claro que tem problema, Tom! – ela falou sem dar muito tempo depois dele perguntar e ele a olhou surpreso.
- O que foi?
- Essa foto é nossa, Tom. Podia perguntar pra mim se eu aceitava que ela fosse parar numa revista pra adolescentes loucas.
- Ah, ... Achei que tu não ia se importar.
- Mas eu me importei!
- Desculpa – ele estacionou na frente do prédio em que ela estava morando com , e os dois ficaram um tempo em silêncio, Tom esperando as desculpas serem aceitas, e ela pensando se desculparia ele. – Eu queria que todos soubessem que eu ‘tô namorando contigo. E naquela foto tu ‘tá tão linda – tentou aprimorar seu pedido de desculpa.
- ‘Tá bom, Tom - ela disse finalmente. – A gente se vê amanhã. – E deu um rápido selinho no garoto e então desceu do carro, sem esperar ele falar nada.

- Quando eu abri o envelope, adivinha o que tinha lá dentro? – falava para , que estava intrigada com a história.
- O quê??
- A foto dos guris e um logo escrito McFly. – dizia como se fosse uma coisa bombástica e ouvia da mesma forma, abrindo sua boca em formato de O.
- Jura? Que máximo!
entrou no apartamento batendo a porta com tanta força que assustou as garotas que estavam sentadas no sofá conversando.
- Oi, ! – falou receosa, vendo a cara da amiga.
- Oi – ela disse, sem vontade.
- Aconteceu alguma coisa? – perguntou preocupada, e atirou a revista para elas.
Elas abriram e logo entenderam a chateação da amiga.
- Putz! – foi a única coisa que disse.
- A viu isso? – disse, quando a amiga se sentou com elas no sofá com uma caneca de café com leite.
- Viu e também não gostou muito – ela deu uma pausa e as outras garotas continuaram vendo a revista. – Mas sabe o que mais me chateou?
- Hum? – as duas se viraram rapidamente para .
- O Tom que deu essa foto nossa pra revista. Sem nem me perguntar se eu não me importava – ela desabafou, um pouco engasgada, e as amigas preferiram não falar nada.
- Brigada, Dan! Agora pode ir pra tua casa te aquecer – chegava em casa, se despedindo de Danny.
- Hey, girls! – ele enfiou a cabeça dentro do apartamento abanado para elas, que retribuíram o abano sorrindo. – E não dá bola pra esses paparazzi, ‘tá? Eles só estão fazendo o trabalho deles. – Ele se voltou para .
- Trabalho que invade nossa privacidade – ela disse, cruzando os braços. – Mas tudo bem, vai lá. – E lhe deu um beijo.
Entrou em casa e se sentou junto das amigas no sofá suspirando, sem precisar dizer nada. Todas entendiam.

Capítulo 29

O domingo amanheceu mais frio que os dias anteriores. As garotas não dormiram em casa. Cada uma amanheceu ao lado de seu par, na casa de cada um deles, depois da sessão de cinema na noite anterior.
foi a primeira a acordar naquela gelada manhã. Deixou Harry adormecido e desceu para comer alguma coisa. Usava uma calça e uma blusa fresquinha, pois dentro de casa não estava a mesma temperatura que na rua. Passou, ainda sonolenta, pela sala e foi para a cozinha, onde preparou algumas torradas e um café com leite. Depois de comer, já totalmente acordada, voltava para o quarto, mas, ao passar pela sala, algo do lado de fora na janela chamou sua atenção. Chegou mais perto e abriu a boca num espanto, seus olhos brilharam e um sorriso se formou em sua boca aberta. Colocou uma mão na frente dessa e correu para o andar de cima. Acordou Harry de uma forma destrambelhada e ansiosa.
- Harry!! Acorda! Harry!!
- Que foi, ? – ele resmungou com um pouco de mau humor.
- Já olhou pra rua? – ela disse com o mesmo entusiasmo, sem se deixar abater com o mau humor do garoto.
- Acabei de acordar, como poderia ter olhado pra rua?
- Então olha! – falou pegando seu celular ao mesmo tempo que apontava para a janela.

Com a cabeça afundada no pescoço nu de Dougie, foi despertada ao som de uma música que, na sua opinião, já estava começando a enjoar. Ela sempre a acordava. Desafundou o rosto do pescoço do garoto e se virou para a cabeceira para atender seu celular.
- Oi, – falou sem vontade, esfregando os olhos.
- ! Tu acordou agora? Já olhou pra rua? Olha! Sério, é demais!
- Tá, vou ver o que tem de tão espetacular. Peraí. – Levantou-se, curiosa. – Meu Deus! – disse ao chegar à janela. – Dougie, vem ver isso! – falou para o garoto, que estava mais ou menos consciente.
- Hum? – resmungou.
- Vou pra rua! – falou para a amiga que estava no telefone ainda e desligou. – Vamos, Dougie!
Começou a colocar a roupa e desceu rapidamente as escadas, indo direto para a rua. parecia ter feito o mesmo. Estava uma do lado da outra olhando embasbacadas para aquela branca rua. O chão, os carros, as casas, as árvores, os postes, tudo estava coberto pela neve que caia. Olharam-se finalmente.
- Tá nevando, cara! – disse a amiga.
- Agora me diz o que isso tem de mais? – Harry apareceu na porta de sua casa.
- Tudo! – respondeu.
As duas, sem combinar, correram para as casa da frente onde se encontravam as outras amigas. Primeiro apareceu Tom meio sonolento esfregando os olhos, com o cenho franzido, sem entender muita coisa e segundos mais tarde, atrás dele da mesma maneira. Na casa ao lado a porta foi aberta por que também tinha o cenho franzido, mas que logo se desfez ao olhar a cara de felicidade das amigas e depois a rua repleta de neve.
- Cara! – foi a única coisa que conseguiu dizer.
- É neve!! – também não conseguiu falar outra coisa.
Novamente sem combinar, as quatro saíram pulando pela rua, rindo e jogando neve para cima, enquanto Harry e Dougie observavam sem ver aquela emoção toda. Mas logo depois, quando Danny chegou e Tom entendeu o que estava acontecendo, foram contagiados pela felicidade das garotas, juntando-se a elas.
- Isso é mágico! – falou deitada no chão fazendo anjinho.
- Vocês nunca viram neve na vida? – Dougie perguntou como se neve fosse a coisa mais normal do mundo, o que para eles, que moravam em Londres, realmente era.
- Não – elas responderam em coro.
- Ô, anta! Elas são do Brasil, e no Brasil não neva! – Tom respondeu, dando um pedala no amigo.
- Ah, mas tem lugares da serra catarinense e gaúcha que neva em alguns invernos – Danny comentou, e todos olharam para ele espantados.
- Danny, é tu que tá ai? – perguntou, se aproximando do garoto.
- Sim, por que não seria? – ele não estava entendendo o motivo de tanto espanto.
- Esse teu comentário foi muito inteligente, não pode ter sido tu. – disse .
- Isso é verdade mesmo? – Harry não conseguia acreditar.
- Pior que é! – respondeu.
- Serra o quê? – Dougie perguntou confuso.
- Eu sou inteligente, caras. – Danny agora havia entendido tudo e se achava.
- Ah, nem vem, Danny! – o cortou. – Tu só sabe disso porque apareceu no jornal esses dias os lugares que dificilmente nevavam, mas que no último inverno esse fenômeno aconteceu.
- Ah, tinha que ser! Não podia ser o Danny de verdade... – Dougie disse, dando um pedala no garoto.
- Quê? Pelo menos eu leio jornal. Não sou que nem vocês, que ficam com preguiça de ler as matérias. – Danny tentou se explicar.
- Se tu lê jornal, qual foi o jornal que mostrou essa matéria? – Harry o encurralou.
- Foi o... Peraí, deixa eu lembrar... O... – Danny tinha a mão no queixo, em forma pensativa. – Tá, eu desisto. Minha vó comentou esses dias quando não tinha assunto nenhum e o único que veio foi sobre o clima.
- Esse sim é o Danny que nós conhecemos! – Tom ria, junto com todos, dando mais pedalas no garoto que estava encolhido para se proteger.
- Pelo menos ele lembrou o nome das serras. – tentou defender o garoto.
Nessa tentativa de defesa, leva uma bolada de neve na orelha.
- Outch! – reclamou e olhou pra o lado, onde tinha uma com cara de que aprontou alguma coisa. – Foi tu, né? – Ela preparou uma bolinha e jogou na amiga.
É claro que a partir daí iniciou-se uma guerrinha de neve. Os casais se dividiram em times e a diversão continuou vários minutos. Até Danny ter uma idéia não muito genial.
- Eeei!! – Harry reclamou. – Isso doeu, cara! – ele olhou para Danny, que preparava outra bolinha com um sorriso no rosto.
Jogou esta em Tom, que era do mesmo time de Harry.
- Cara! Pára com isso! – Tom disse ao receber uma bolada nas costas. – Dói!!
- O que tu tá colocando nessas bolinhas? – perguntou ao receber uma bolada também.
- Danny, é sério! Isso dói! – reclamou.
, e Dougie não estavam entendendo o que estava acontecendo, apenas observavam.
- Isso é trapaça, Danny! – Tom falou com um pouco de raiva.
- Danny, o que tu tá fazendo? – perguntou baixinho para ele. Mas ele não respondeu. Apenas continuava com seu sorriso maléfico.
- Ele tá colocando pedras dentro das bolinhas de neve! – gritou correndo, junto com todos do seu time.
Os três do time do trapaceiro o olharam repreendendo-o, mas logo sentiram uma bolada com pedra dentro vindo do time adversário. No fim todos estavam correndo uns dos outros, virou cada um por si.
- Tá, chega!! – levantou o braço caindo no chão, exausta. – Eu me rendo!
- Eu também! – a imitou.
Então, todos caíram no chão, cansados e rindo bastante. Deitaram todos de barriga para cima. olhou para os lados e viu que seu anjinho tinha sido destruído.
- Ah, sem graça... Ele tinha ficado tão bonito. – ela comentou, cruzando os braços.
- Não seja por isso, faça outro! – Tom disse fazendo um também.
Logo, todos estavam fazendo anjinhos e comparando um com o outro. Dizendo sempre que o seu era mais bonito.
- Ai, que lindo isso. – comentou ainda observando os anjinhos na neve. – Pra mim isso só existia em filmes.
- Vamos fazer um bonequinho de neve?? – falou subitamente com cara de louca, como se “só existia em filmes” a lembrasse disso.
- Vamos!! – todos responderam em coro.
Juntaram um bolo enorme de neve e fizeram a parte de baixo do corpo, para fazer a parte de cima foi um pouco mais complicado, mas, mesmo ficando um pouquinho torto, conseguiram. A cabeça, como era menor, não tiveram tanto problema. Para os olhos juntaram duas pedrinhas que fossem quase idênticas e colocaram em seu rosto.
- Precisamos de uma cenoura para o nariz. – disse olhando para o boneco, pensativa.
- E de um cachecol. – disse .
- Eu não vou colocar um cachecol meu aqui, nem me olhem. – Tom sentiu olhares em si.
- Tá, eu pego um meu. – Harry disse, levantando.
- Já pega uma cenoura. – o lembrou.
- Precisamos dos galhos também, para os braços. – lembrou , e Dougie apareceu logo com dois perfeitos.
Quando terminaram, se afastaram e olharam orgulhos para seu novo amiguinho.
- Ele ficou tão simpático! – comentou sorrindo.
- Ele precisa de um nome! – disse Tom.
- Joe? – Dougie sugeriu.
- Não, Joe é muito normal. – disse, dando um tapinha no ar.
- também é, tá? – Dougie falou ofendido. – Joe é meu amigo imaginário – falou mais baixo, abaixando a cabeça.
- Óun! Joe é lindo, Doug. – lhe reconfortou, abraçando e lhe dando um beijo na bochecha e Dougie deu a língua para , que retribuiu.
- Eu sou mais Macói – disse Danny, que estava pensativo há alguns minutos.
- Ótimo! Adorei! – disse entusiasmada.
- Até que às vezes tu pensa legal, Danny – Harry disse debochando do amigo, que sorriu orgulhoso.
- O Macói merece uma foto – disse , pegando sua maquina fotográfica.
Após algumas fotos, todos perceberam que precisavam trocar de roupa. Estavam molhados e sujos de terra.

- Harry, amanhã é teu aniversário, vamos fazer alguma coisa – disse, enquanto entrava na casa do garoto.
- Ah, ... Não gosto dessas coisas.
- Mas por quê?? É tão divertido comemorar aniversário – ela sorriu, tentando lhe convencer.
- Mas quem comemora um aniversário na segunda-feira?
- Não precisa ser segunda.
- O fim de semana que vem é muito depois.
- Mas quem disse que vai ser no próximo fim de semana? Pode ser hoje.
- Hoje tá muito em cima. E amanhã todo mundo trabalha – Harry tentava convencer a garota.
- Harry, querido, eu falei em comemorar de noite?

- Ah, Harry! Acho que seria uma ótima idéia. – falou quando encontraram os amigos de novo.
- Mas que graça vocês veem em comemorar aniversário? A gente só tá fazendo um ano a mais.
- Então. Motivo de comemoração – Dougie falava sorrindo.
- E no que vocês pensaram? – Tom perguntou curioso.
- O Harry gosta muito de golfe, seria uma possibilidade de ele se divertir – disse.
- Mas ninguém sabe jogar golfe – fez uma careta.
- Eu sei jogar mini-golfe! – disse entusiasmada. – Quase sempre ganhava nos campeonatos da praia. – Todos olharam para ela de uma maneira não muito legal, o que fez a garota tirar o sorriso do rosto e ficar quieta.
- O que vocês acham de esquiar? – Danny disse após um silêncio.
- Boa, Dan!! – Tom apontou para o garoto, sorrindo.
- Tá inspirado hoje, hein, Danny. – lhe deu um tapinha nas costas e o garoto sorriu, convencido.
- Mas, caras... – Harry começou a falar e todos tiveram a atenção nele, que estava quieto desde a hora que se juntaram de novo. – Para esquiar temos que ir pra outra cidade, e já tá muito em cima da hora.
- Que nada, Harry! Ainda é cedo, e a cidade é aqui do lado. Almoçamos e em meia hora estamos ali – Dougie falou, já se aprontando.
Todos concordaram e Harry finalmente se convenceu em ir comemorar seu aniversário lá.

Foram em dois carros e, como Dougie havia dito, foi uma viagem rápida. Chegaram e estacionaram os carros no estacionamento próprio do lugar. O lugar era muito bonito, tinha um teleférico que levava as pessoas para cima do morro, e de lá elas desciam, ou em esquis ou em pranchas de snowboard. Antes de chegar ao teleférico, tinha uma casinha onde se tinha rápidas instruções, outra que parecia uma lojinha de souvenir e, ao lado dessa, uma de conveniências com lanchonete junto.
- Ai, quero comprar uma lembrancinha!! – disse animada.
- Depois, . Quando a gente estiver indo embora – disse com ar autoritário.
- Gente, eu não sei esquiar. – olhava para cima do morro com medo expressado em seu rosto.
- Como tu diz isso só agora? – Tom falou meio apavorado.
- Mas eu também não sei – disse com menos medo que .
- Ah, mas eles ensinam. Vocês vão adorar – Danny falou animado.
- É, não é difícil – Dougie concordou.
- Tudo bem, vamos lá! – Harry agora parecia mais animado.
Os oito, então, foram até a casinha que tinha a breve instrução e saíram de lá prontos, pelo menos por fora, com roupas apropriadas, para praticar esqui. continuava apavorada com o que ia fazer.
- Não acredito que eu tô fazendo isso – ela dizia enquanto o teleférico a levava para cima do morro.
- , te acalma. Se tu cair não vai morrer – parecia calma.
- Ai, eu vou caiiir!! – ela se apavorava ainda mais depois da fala de .
- Ai, meu Deus! Não devíamos ter trazido ela pra cá – Dougie dizia impaciente.
- Eu te protejo, – Tom, que estava ao lado da garota, tentava acalmá-la.
Ao chegarem lá em cima, Danny não pensou duas vezes, nem esperou ninguém para descer correndo aquele morro que parecia lhe chamar. Gritava algo como “uhuuul”, enquanto deslizava em zigue e zague numa facilidade incrível. ficou parada olhando para ele desamparada.
- Nem me esperou... – ela falou baixinho. – Nunca fiz um negócio desses – disse se referindo ao esporte.
- Vem com a gente, então, – Harry falou, de mãos dadas com , já preparados para descer.
- Dá a mão aqui – lhe esticou a mão.
Os três desceram mais devagar, já que nunca tinha feito aquilo e não era nenhuma expert. Uma hora ou outra caia de bunda no chão e dava uma desequilibrada, o que era motivos de risadas para Harry, e que depois foi para elas também. Atrás deles vinham e Dougie. O garoto passou voando pelo trio e logo atrás numa velocidade rápida também, porém desengonçada.
- Dougie, espera!! – ela gritava enquanto tentava se equilibrar.
- , cuidado!! – gritou logo quando a amiga passou por ela.
Mas o aviso não funcionou. bateu de cara na haste da bandeirinha que fica pelo caminho. Como a haste é flexível, ela deu uma cambalhota e saiu rolando morro abaixo. O trio que ficou para trás parou, ficaram olhando, pasmos e preocupados, cair.
- Será que ela se machucou? – falou preocupada quando perdeu a amiga de vista.
- Acho que não – Harry falou, não muito certo daquilo.
- Tomara que não... – disse com a mesma cara de pavor.
- Vamos descer logo, então, para ver se tá tudo bem – Harry sugeriu, e as amigas concordaram indo um pouco mais rápido, mas com mais cuidado que anteriormente.

Lá em cima, Tom tentava convencer a descer. O que já estava ficando irritante. Tom estava prestes a perder a cabeça, quando , que estava de frente para descida e olhando para esta, arregalou os olhos e abriu a boca.
- Meu Deus! A !! – ela disse um pouco histérica.
Tom se virou rapidamente para ver o que estava acontecendo e só conseguiu ver alguém rolando.
- Agora mesmo é que eu não vou! – cruzou os braços.
- Nós precisamos ir, !! – Tom parecia um pouco apavorando também.
- Não vou! Imagina se eu saio rolando assim? Eu morro!
- Ai, !! – Tom trincava os dentes e tentava não perder o controle. – Vai deixar tua amiga lá? Não quer ver como ela tá?
- Mas e se eu cair também? – dizia ela com voz melosa e uma cara de confusa, sem saber mais o que escolher.
- Tu não vai cair! – Tom falava pausadamente.
- Não dá pra descer pelo teleférico?
- Não!
- Mas, Tom...
- Não, ! Vamos descer por aqui. – ele agarrou o pulso dela e a puxou para o declive do morro.
- Não, Tom! Não! Pelo amor de Deus! Não!! Aaaaaaaaah! – ela gritava, chamando atenção de todos da volta. Parecia que estavam levando ela para o abate.
Tom ignorou seu chilique e continuou puxando.
- Crava teu bastãozinho na neve e vai devagar que nada vai te acontecer – ele a instruía, tentando não brigar.
- Ai, Tom! Por favor! Me deixa descer pelo teleférico!! Eu não quero mais descer por aqui!! – ela quase chorava agarrada no braço do garoto.
- Tá, – ele disse.
- Posso descer pelo teleférico? – ela parou de dar chilique e sorriu olhando para ele.
- Não – ele disse secamente e ela desfez o sorriso. – Vem na minha garupa – ele se virou de costas para a garota, que num pulo subiu em suas costas, satisfeita.

parou, finalmente de rolar e ficou estatelada no chão. Sem ter alguma reação, as pessoas chegaram perto dela para ver se estava tudo bem. Dougie percebeu que ela não chegara com ele e voltou para ver o que tinha acontecido. Quando viu o tumulto se apavorou e correu em sua direção. Ele atravessou a multidão e se abaixou perto dela. Danny vinha logo atrás dele, sem entender muita coisa. Para variar.
- ! Tá tudo bem? – Dougie passava a mão pelo rosto da garota, que tinha os olhos arregalados, mas não dizia nada. - Fala comigo!
- Ai, meu Deus! , como tu tá? Se machucou? – chegou junto de Harry e e também se abaixou perto da amiga.
- Deem espaço aí, gente! – Harry afastava as pessoas curiosas.
- Ela não fala nada – observava a amiga e seus olhos encheram de lágrimas.
- O que tá acontecendo? – Danny perguntou perdido.
- Não tá vendo, sua anta? A caiu – Dougie foi grosso com o amigo.
- Ah, e será que ela tá bem? – ele perguntou se aproximando.
- É o que todos querem saber – Harry o olhou sem paciência, enquanto e , que tentavam falar com , já estavam quase chorando.
- Cadê a ?? – desceu rapidamente das costas de Tom assim que chegaram onde todos estavam.
- Vamos levar ela pra algum hospital, sei lá... Chamar a ambulância daqui. – Assim que Tom disse isso, um barulho de sirene tocou próximo deles.
de repente respirou profundamente e pareceu voltar à consciência.
- ?? ?? – disse Dougie impaciente, mas logo foi afastado pelos paramédicos.
- Com licença. O que aconteceu com ela? – um dos pára médicos perguntou.
- Ela caiu lá de cima rolando – Harry disse.
- Aaai – gemeu e todos prenderam a atenção nela.
- ? Como tu tá se sentindo? – , que agora também tinha lágrimas nos olhos, perguntou.
- Gelada – ela respondeu simplesmente, e todos respiraram aliviados.
- Precisamos aquecê-la e fazer alguns exames aqui na ambulância mesmo para ver se não teve nenhuma pancada muito forte – o outro paramédico, que parecia mais experiente, falou ao colocá-la na maca, e logo em seguida na ambulância. – Se ela tiver algum problema mais sério teremos que levá-la a um hospital.
Ao falar a palavra hospital, todos tremeram com medo do que poderia ter acontecido com .
- Eu vou ficar com ela. – Dougie entrou na ambulância.
- Mas eu também queria ficar. – falou, seguindo o garoto.
- Só um acompanhante. – o primeiro paramédico a impediu.
- Deixa o Dougie ficar, . – Danny pegou sua mão.
- Me solta. Não quero falar contigo – ela ainda estava chateada com o garoto.
- O que eu fiz dessa vez? – Danny perguntou confuso. – Sempre eu. Nem sei o que foi, mas sou sempre eu.
- E ainda nem sabe o que fez. Agora sim eu não quero falar contigo. – Ela cruzou os braços e voltou onde os amigos estavam.
Harry, , Tom, , e Danny estavam sentados em volta de uma mesa tomando um chocolate quente e conversando. ainda ignorava Danny, sem ele ao menos saber o que era.
- Já que a não me diz o que aconteceu, alguma alma caridosa, por favor, sabe por que ela tá assim comigo? – Danny desistiu de perguntar a garota e se voltou aos amigos.
Todos se entreolharam e em seguida olharam , que estava inexpressiva.
- Ah, Danny. Tu foi um idiota descendo o morro sem nem esperar a , ou pelo menos falar com ela – decidiu falar.
- É, cara, tu chegou lá em cima e nem deu bola para ninguém. Tu sabia que a nunca tinha esquiado antes. Podia ajudar ela ou alguma coisa do tipo – Harry completou.
- Simplesmente esqueceu do mundo à tua volta – comentou mais baixo, mas o garoto conseguiu ouvir.
Danny, ao entender a situação, se sentiu culpado e ficou quieto. Sentiu uma vontade imensa de se defender, mas sabia que não tinha nada para falar. Se encolheu um pouco e baixou a cabeça. continuava do seu lado quieta e com os braços cruzados. Ele a olhou e assim ficou por um tempo, parecia pensar em algo.
- Desculpa? – ele disse finalmente.
- Agora tu entendeu o que é, seu lerdo, imbecil, retardado?! – falou com menos raiva.
- Desculpa, por favor. Não fiz por mal... Sou tudo isso que tu disse mesmo. – ele praticamente suplicava e os outros só assistiam, esperando a resposta de .
- E eu aqui preocupada com minha amiga, tenho que pensar nessa bobagem toda que tu fez – ela falou, mais calma ainda, e olhou para ele, que lhe jogava um olhar imperdoável. Ele conseguia ser fofo às vezes. – Tudo bem, Danny. Já esqueci.
- Brigado, ! – ele lhe deu um beijo estalado na bochecha e os amigos que antes assistiam a cena sorriram aliviados.
- Pelo jeito essa minha comemoração de aniversário não teve muito sucesso – Harry falou. – Eu disse que não era pra comemorar. Agora a tá lá entre a vida e a morte.
- Cala a boca, Harry! – Tom o repreendeu. – A nem tá tão mal assim, eu espero.
- É, Harry. Não fica assim... A vai ficar bem e isso não tem nada a ver com teu aniversário. Até que foi divertida a parte que não teve acidente – consolava o garoto e ria lembrando dos momentos pré-embolotamento de , fazendo-o rir também.
- Hey, gente! – uma voz interrompeu a conversa do grupo. apareceu abraçada em Dougie ao lado da mesa em que estavam.
- !! – se levantou rapidamente. – Tu tá bem??
- Ai, ! Que bom te ver falando! Tá se sentindo bem? – também levantava. Logo estava um bolo em volta da garota.
- Calma, gente! – dizia num sorriso. – Eu estou super bem.
- Foi só um susto. O médico disse que ela ficou estática por causa do estado de choque e do frio. Mas nem precisa ir a hospital nenhum. – Dougie explicou para os amigos.
- Ah, que bom! – Danny se mostrava mais preocupado.
- É mesmo. Bom te ver de pé – Tom falou sorrindo.
- Mas por ordens médicas alguém vai ter que me pagar um chocolate quente. – brincou. – Por causa do frio que eu passei, né? Preciso me aquecer. – Todos riram, e logo se deliciava com seu chocolate quente bem cremoso. Do jeito que gostava.
- Viu, Harry?! – falou do nada. – Foi divertido o teu aniversário. Nada de ruim aconteceu e fizemos uma coisa que nunca tínhamos feito antes. Foi bem legal.
- Tu diz isso porque não teve que aguentar a dando chiliquinho de medo lá em cima – Tom falava, de jeito irritado.
- Aaai, Tom! Vai dizer que eu sou estraga prazeres agora? – se sentiu ofendida.
- Vou.
- Nem sou, tá? Há pouco tempo tu mesmo tava rindo, se lembrando de algum fato engraçado – ela rebateu.
- Mas que tu incomodou, incomodou – ele disse rindo, vendo que a garota se irritara com aquilo.
- Tá, tudo bem... Foi divertido – Harry falou depois de rir do casal brigando. Todos ficaram quietos. – Brigado – ele falou timidamente quebrando o silêncio.
- Ah, cara! Que isso! Nós estamos aqui pra isso. Vamos estar juntos por que der e vier, se divertindo, levando susto, comemorando aniversários meio desastrosos. Mas estaremos aqui – Dougie filosofou.
- Nossa, que lindo isso – Danny falou retardadamente e todos riram.
- Esse clima de amizade, amor e tudo mais me fez lembrar o natal... – falou, depois de se mostrar pensativa.
- É verdade, depois de amanhã já é a véspera – disse, caindo na realidade. – Vocês já compraram os presentes?
- Nadica – falou e todos negaram com a cabeça.
- Mas afinal, o que ficou combinado? – perguntou. – Vocês vão passar com a família de vocês ou tudo junto? – Se referiu aos garotos, pois elas com certeza passariam juntas.
- Pois é, conversamos e achamos melhor passar a véspera todos juntos e depois no outro dia cada um ver a sua família – disse Harry. – O que vocês acham, gurias?
- Ah, nós não temos que achar nada... Somos as metidas da história – disse sem jeito.
- Queremos passar o natal com vocês também. Até porque vocês estão sem a família aqui e tal. Serviremos para preencher esse vazio – Danny falou compreensivo e logo depois se achando um pouco.
- Óun, que lindo! Me deu até vontade de chorar. – se abraçou mais ainda em Dougie.
- Vocês são uns amores – disse, emotiva também. – E onde vai ser a reunião da véspera então?
- Lá na casa do Danny. Já que ele fez aquele chilique todo no aniversário da e da . Vamos dar essa chance pra ele – Tom falou rindo. – E, , tu vai comigo ver minha família, pode ser? Quero te apresentar pra eles – falou com a garota que estava ao seu lado, deixando o restante falando outras coisas.
- Quê? – se apavorou. – Tom, não sei se... Ah, não sei.
- Não sabe o que, ?
- Será que teus pais vão gostar de mim?
- Claro que sim, né? Quem não iria gostar de ti? – Tom falou se aproximando da garota e lhe dando um beijo carinhoso.
- Eu tenho vergonha – ela falou depois do beijo.
- Vai ter que perder.
- O casal não vai parar com essa melação aí? – Dougie interrompeu os dois.
- Vocês concordam, então? – Harry disse por fim.
- Claro, pra gente fica ótimo – respondeu por todas.
- Então combinado. E todos comprando os presentes amanhã, hein? – Danny falou apontando para os amigos, como se fosse uma ordem.
- Tá ficando tarde já. Daqui a pouco escurece. – disse ao olhar para o relógio e logo em seguida para a rua.
- Vamos indo então. Temos uma pequena estrada pela frente. – Tom falou se levantando.
- É. E eu preciso de repouso – se fez de doente. – Me leva no colo, Dougie? – estendeu os braços para o garoto.
- Ah, não, ! – ele disse em tom de preguiça.
- Tá me chamando de gorda? – ela imediatamente se levantou e colocou as mãos na cintura.
- Não, , não é isso.
- O médico disse que eu levei um susto muito grande e preciso de repouso, não posso me esforçar muito – falou manhosa.
- , fica quieta que tu já tá bem. Pára com esse drama todo aí. – a cortou.
- Metida – mostrou a língua para a garota.

Capítulo 30

A casa de Danny estava movimentada. Mesmo tendo apenas oito pessoas e quatro cachorros – os cachorros pareciam mais calmos que as pessoas, o que não é normal. Depois de outra longa discussão, entenderam que seria o momento da casa de Danny ser o lugar da festa de natal. Alguns arrumavam a mesa para ceia, outros arrumavam a árvore de natal com os devidos presentes e outros só perambulavam pela casa atrapalhando os que realmente estavam trabalhando, incluindo neste último os cachorros.
- Precisamos de mais luzinhas na árvore... ‘Tá muito apagada! – (veja o look) dizia olhando para a árvore que terminara de arrumar.
- Não temos mais luzinhas, . Vai ficar assim. – Danny falava mal humorado. Ele era um dos que perambulavam sem fazer nada e aquilo estava irritando-o, estava se sentido perdido em sua própria casa.
- Ai, só queria enfeitar mais a arvorezinha. – falou abaixando a cabeça.
- Põe bolinhas de isopor pra imitar neve. – (veja o look) sugeriu e a amiga sorriu adorando a ideia.
- Onde eu acho isopor?
- Sei lá. Por aí. – Danny desistia de perambular e se sentou no sofá de braços cruzados.
- Ah, naquela caixa que veio o som novo! Lá deve ter ainda. – se lembrava e ia atrás da caixa.

Danny sentiu um corpo se atirando do seu lado. Era Dougie que não parecia mal humorado como o amigo.
- Desisti de tentar fazer alguma coisa. – Dougie falou calmamente quando o amigo o olhou.
- É, eu também! – disse Danny ainda de braços cruzados.
- Vamos cantar? – Dougie perguntava animado. – É natal, cara!
- Cantar o quê, Poynter?
- Músicas de natal, oras!
- Canta sozinho. – Danny se levantou e foi para cozinha, deixando um Dougie cantando sozinho, sem se afetar.
- Jingle bell, jingle bell, jingle bell rock. Jingle bells swing and jingle bells ring. Snowing and blowing up bushels of fun. Now the jingle hop has begun… - Dougie cantava se balançando de um lado para outro e os braços entre as pernas.

Na cozinha, (veja o look), (veja o look) e Tom zanzavam com pratos e comidas de um lado para outro, colocando na mesa, ou tirando do forno, ou colocando no forno. Nem perceberam Danny chegar e se sentar à pequena mesa, apoiando sua cabeça em sua mão, que por sua vez estava encostada na mesa.
-Tom, dá uma olhada no peru lá no forno. – falava enquanto saia da cozinha para por o prato de arroz à grega na mesa da sala de jantar.
- ‘Tá! – Tom respondeu quando passou por ela no sentido contrário.
- Acho que deve ‘tá na hora de virar ele. – opinava enquanto montava um bonito prato de saladas. – ! Trás algum prato que caiba as frutas! – ela se virou para a porta e gritou para a amiga antes que ela voltasse. Nesse movimento rápido viu Danny sentado olhando para nada. – Danny?
- Hum? – disse ele sem vontade.
- Que aconteceu?
- Nada.
- E por que tu ‘tá aqui sem fazer nada?
- Porque não tem nada pra fazer. – Danny falou um pouco irritado.
- Como não tem nada pra fazer, cara?? Não ‘tá vendo nossa atucanação aqui? – Tom falou indignado ao ouvir o amigo dizer aquilo.
- Mas parece que não precisam da minha inútil ajuda. – disse Danny amargurado.
- De onde tu tirou essa bobagem, Danny? – disse sentando-se ao lado do garoto, tentando entender o que estava se passando.
- Eu só atrapalho as pessoas. Caminho pra lá, esbarro na que quase derruba as taças no chão, caminho pra cá tropeço nos presentes que o Harry ‘tá arrumando lá na árvore.
- Que papo mole é esse aí, hein? – voltou com um grande prato nas mãos. – Danny, deixa de bobagem, tu é o nosso lesado preferido. – ao passar pelo garoto lhe deu um beijo no topo da cabeça.
- Não sei se isso foi um elogio ou uma ofensa, mas obrigado mesmo assim. – ele riu fraco.
- Já sei o que tu pode fazer! – levantou o dedo indicador mostrando ter tido uma idéia genial.
- O quê?
- Contar piada pra gente! Daí faz a gente relaxar um pouco.
- Grande coisa essa, hein? – Danny disse levantando as sobrancelhas.
- Ué, pelo menos tu fica aqui sentadinho sem esbarrar em ninguém e nos diverte. – completou lá de perto do fogão, ao lado de Tom, que fez uma careta engraçada.
Sendo assim, Danny aceitou a proposta e ficou contando piada atrás de piada, fazendo as meninas rirem. Tom se segurava para não dar o braço a torcer, mas no fim já estava rindo junto.

Na sala, sentado no sofá, Dougie continuava com sua cantoria. Perto dele Harry, e terminavam de arrumar a árvore.
- He knows if you've been bad or good. So be good for goodness sake! – Dougie cantava e apontava para os amigos que estavam ali.
- O! You better watch out! You better not cry. – Harry continuou a música, deixando os presentes de lado e se juntando ao amigo no sofá.
- Better not pout, I'm telling you why. Santa Claus is coming to town. Santa Claus is coming to town. – os dois cantavam juntos sorrindo e se balançando de um lado para o outro.
As meninas riam ao olhar a cena.
Nesse momento Tom sai da cozinha para arrumar alguma coisa na sala de jantar e ouve os amigos cantando.
- Agora essa: - Dougie dizia empolgado. - Deck the halls with boughs of holly.
- Fa-la-la-la-la, la-la-la-la – Harry e as garotas, que agora haviam se juntado à cantoria continuavam.
- 'Tis the season to be jolly. – Dougie cantava sozinho.
- Eeei, nem me chamaram pra cantar!! – Tom chegou reclamando.
- Fa-la-la-la-la, la-la-la-la – os outros ignoraram o amigo.
- Don we now our gay apparel. – Tom se juntara a Dougie, não dando bola por ter sido ignorado.
- Fa-la-la, la-la-la, la-la-la.

- Qual o nome do homem que perdeu o carro no México? – Danny perguntava animado.
- Hum? – e disseram juntas ao mesmo tempo em que faziam outras coisas.
- Carlos. – Danny falou sorrindo. – Car loss. Entenderam? – ele ria e os amigos pra não deixá-lo chateado riram também, mesmo sem achar muita graça.
- Acho que ‘tá tudo pronto. – disse largando o pano de prato no balcão depois que Danny terminou a piada.
- É, só falta o peru terminar de assar e deu! – concordava.
- Querem mais uma?? – Danny se empolgara.
- Troll the ancient Yule-tide carol. – as vozes de Tom e de Dougie podiam ser ouvidas da cozinha.
- Olha, os guris estão cantando músicas natalinas! – sorriu e apontou para a sala.
- Sim, o Dougie ‘tá cantando desde a hora que saí de lá. – Danny falou com cara de entediado.
- Fa-la-la, la-la-la, la-la-la. – as vozes dos outros amigos também podiam se ouvir.
- Aaaah! Vamos lá também!! Quero cantar! – começava a se empolgar também.
- Isso me lembrou que eu trouxe um CD com músicas natalinas que eu gravei. ‘Tá na hora de colocar! – disse, se levantando da cadeira ao lado de Danny, que teve de fazer o mesmo.

passou saltitando pela sala e se dirigiu para o novo som de Danny, chamando a atenção dos que cantavam. Colocou um CD e esperou começar a música. Todos a olhavam em silêncio, esperando também o que estava por vir.

Sleigh bells ring, are you listening
(Os sinos do trenó tocam, está ouvindo?)
In the lane, snow is glistening
(No caminho, a neve está brilhando)
A beautiful sight
(Uma bela vista)
We're happy tonight
(Estamos felizes essa noite)
Walking in a winters wonderland
Caminhando no país das maravilhas no inverno)


A música começava e cantava junto animadamente.

Gone away is the bluebird
(Indo embora é o pássaro azul)
Here to stay is a new bird
(Aqui pra ficar é um novo pássaro)
He's singin the songs
(Ele está cantando as músicas)
And moving along
(E continuamos indo... )
Walking in a winters wonderland
(Caminhando no país das maravilhas do inverno)


chegou pulando da cozinha e cantou a próxima parte da música.

- Eei! Eu conheço essa música! – Dougie se animou também, estava muito animado com músicas de natal. – Tinha me esquecido dela...

In the meadow we could build a snowman
(No meio do caminho podemos comprar um homem de neve)
And pretend that he is Charlie Brown
(E fingir que ele é Charlie Brown)
He'll say: are snoopy?
(Ele diria: você é o Snoopy?)
We'll say: no man
(E nós diríamos: não, cara!)
But we'll let ya know if he's in town
(Mas te diremos quando ele estiver na cidade. )


As duas cantavam juntas e Dougie que tentara cantar junto se confundiu com a parte modificada da música original.

Later on, we'll conspire
(Mais tarde, vamos conspirar)
As we dream by the fire
(E sonharemos em frente à lareira)
And face unafraid,
(Enfrentaremos sem medo,)
The plans we have made,
(Os planos que fizemos,)
Walking in a winters wonderland
(Caminhando no país das maravilhas no inverno)

In the meadow we could build a snowman
(No meio do caminho podemos comprar um homem de neve)
And pretend that he's a circus clown
(E fingir que ele é um palhaço de circo)
And we'll have lots of fun with mister snowman
(E teremos muita diversão com o Senhor Homem de Neve)
Until mean old Lucy knocks him down
(Até que a velha Lucy malvada o destrua)


Todos cantavam juntos agora. Até Danny, que estava emburrado por terem trocado as piadas engraçadas dele para se juntar ao abobado do Dougie.

When it snows
(Quando está nevando)
Ain't it thrilling
(Não é emocionante?)
Though your nose gets a chilling
(Parece que seu nariz está congelando)
We'll frolic and play
(Vamos fazer travessuras e brincar)
The eskimo way
(Como eskimós)
Walking in a winters wonderland
(Caminhando no país das maravilhas no inverno)
Walking in a winters wonderland
(Caminhando no país das maravilhas no inverno)
Walking in a winters wonderland
(Caminhando no país das maravilhas no inverno)


- Ai, essa música retrata tanto o que estamos passando. – comentou quando a música acabou, e todos se calaram, deixando a próxima música natalina tocar.
- É, é linda! – tinha os olhos brilhando. – Londres é nossa Winters Wonderland.
- Mas essa não é a original! – Dougie disse muito entendido de músicas de natal.
- Não, Dougie, não é. É da banda Hellogoodbye. – esclareceu. [n/a: isso foi uma sugestão. Pra quem não conhece, ouça Hellogoodbye! (y)]
- Aaah, bem que eu vi na hora do Charlie Brown ali. – Harry comentou.
- Podíamos gravar músicas de natal também, né? Já que esses caras gravaram... – Tom dava a idéia e os garotos concordaram rindo e começando um burburinho sobre que música seria e se mudariam alguma coisa.

Estavam todos em volta da mesa, que agora tinha o peru bem no meio, fazendo todos babarem. A ceia foi divertida, todos conversavam alto e riam. Thiago chegara um pouco atrasado, mas pelo menos a tempo de comer junto com todos e de se trocar presentes mais tarde. Amy não tinha ido dessa vez. Era a primeira vez desde que Thiago começara a sair com a garota que ela não ia junto com ele em algum lugar. Ele parecia um pouco chateado com isso.
- Aconteceu alguma coisa, Thiago? – perguntava para o primo, enquanto os outros conversavam sobre outras coisas.
- Ah, nada demais... – deu uma pausa, mas viu que não se contentaria só com aquela frase. – É que a Amy não pode vir.
- Mas por que ela não veio?
- Ela disse que tinha que passar com a família.
- É compreensível. – falou, mas ele não respondeu nada. – Mas um saco também ficar longe de quem a gente quer por perto sempre. – ele concordou os dois riram.
- Eu ia pedir ela em namoro. – disse Thiago num momento de silêncio na mesa, fazendo todos ouvirem.
- O quê?? O Thiago vai namorar a Amy? – Harry foi o primeiro a se pronunciar.
- É o que eu quero... Só não sei se ela vai aceitar. – Thiago falou envergonhado.
- Claro que vai, Thiago!! – falava animada.
- Ela é super legal,’tá aprovadíssima. – disse , batendo palminhas.
- O que não precisa é vir de presente uma Casey nojenta, né? – cortou o barato.
- Aaah, é verdade!! Thiago, proíbe a Amy de levar a Casey nos mesmos lugares que a gente! – falou indignada. – Não entendo como uma pessoa tão legal como a Amy consegue ser amiga daquelazinha.
- O que vocês têm contra a Casey? – Dougie perguntou meio alheio.
- Tudo. – respondeu.
- Mas é uma pessoa normal... – Danny falou levantando os ombros sem entender.
- Se o normal for se atirar pra todo mundo, tudo bem, ela é uma pessoa normal. – foi a vez de falar mal da garota.
- Nossa, como vocês exageram. Ela só é simpática. – Tom falou, defendendo a garota.
- Simpática só com vocês que são homens, com a gente ela é super mal-educada. Toda tarada. – falou indignada.
- Calma, . Vocês que têm uma implicância com ela. – Danny também defendeu Casey, deixando as meninas brabas e um Thiago rindo da situação.
- Gente, já é quase meia-noite!! – Dougie falou ao olhar o relógio no pulso de Danny, que estava ao seu lado.
- É verdade! Temos que trocar os presentes! – falou, se levantando e começando a tirar a mesa. – Todos já comeram, né?
- Sim, sim. Mas deixa a mesa pra depois. Vamos nos posicionar pra começar o ritual. – Tom falou, tirando os pratos que tinha em mãos e colocando de volta na mesa.
Os presentes não eram nada de muito grandioso, até porque ninguém tinha muito dinheiro para comprar presentes bons para oito pessoas. O legal mesmo era o ritual e a surpresa de cada presente aberto. Após tudo isso acontecer estavam todos atirados no chão da sala onde tinha a árvore de natal. Até Lady, Bili, Flea e Bruce, este já mais crescidinho, estavam atirados no meio deles. Ninguém desperdiçava fotos, eram flashes para todos os lados, registrando todos os momentos daquele divertido natal. Chegou então um momento em que todos ficaram em silêncio, apenas os barulhos das pessoas mexendo em suas taças de vinho podiam ser ouvidos. A alegria era visível no rosto de cada um. O silêncio não incomodava ninguém, apenas era um momento intelectual de todos.
- Brigada. – quebrou o silêncio e ninguém entendeu por que ela agradeceu.
- Pelo quê? – Harry, que estava com a cabeça deitada no seu colo, perguntou.
- Por esse momento maravilhoso. – ela disse dando uma pausa. Todos esperaram que ela continuasse. – Eu achei que não ia ser muito fácil sair do Brasil e vir morar em Londres sem muito rumo, sem muita certeza de nada. Na verdade não é muito fácil, mas com a gente foi um pouco diferente. Tenho certeza que as gurias concordam comigo, então falo em nome delas também. – ela olhou para as amigas que tinham sorrisos em seus rostos. – Não sou muito boa com as palavras, mas o que eu quero dizer é que vocês apareceram nas nossas vidas e fizeram-nas mais coloridas. Nem eu e, creio eu que nem as gurias, imaginávamos chegar aqui e acontecer tudo isso. Foi rápido demais, esperávamos passar momentos de solidão longe dos nossos pais e amigos, e sim, passamos, mas não foi tão intenso como imaginávamos. Estávamos preparadas para ter um natal solitário, que acabaria logo depois de todas se felicitarem e trocarem seus presentes. Mas foi diferente. E é por isso que eu agradeço a vocês por esse natal incrível que estamos comemorando. – finalizou emocionada e viu que as garotas também estavam. tinha até lágrimas nos olhos.
- Fiquei até sem palavras. – Tom falou um pouco surpreso. E não era só ele surpreso, os outros também estavam.
- De nada, então. – Danny falou sem saber direito o que dizer.
- E brigado a vocês também, né? – Dougie falou e olhou para os amigos para ver se eles concordavam. – Vocês também são bastante importantes nas nossas vidas.
- Que momento lindo! – Thiago falava sorrindo. – Mas eu que mereço o grande agradecimento. Eu causei tudo isso, estão lembrados?
- Ah, claro que sim. Quando a gente agradece os guris, tu ‘tá incluído também. – não deixou o amigo de lado.
- Tu é o nosso grande companheiro, cara! – Harry se levantou do colo de e pulou em cima do garoto, causando um montinho e acabando com o momento sentimental; recomeçando o momento de brincadeiras. O que era muito mais divertido, mesmo que isso que tinha dito tenha dado mais certeza de tudo para todos. Mas nem sempre vivemos só de momentos sérios, precisamos descontrair também.

Passando o momento divertido, o momento sentimental e o momento divertido de novo, começa o momento pegação. Os casais que já tinham terminado várias garrafas de vinho começavam a se beijar mais intensamente, fazendo Thiago se sentir excluído.
- Bom, caras. Não quero atrapalhar esse momento de vocês. – falou rindo um pouco. – Vou nessa. Ver se consigo encontrar a Amy só pra dar um beijo nela.
- Ficou com invejiiiinha!! – Danny tirava com o amigo.
- Fazer o quê, né? – ele respondia pegando seu casaco. – Tchau pra todos. Feliz natal! – se despediu.
- Tchaaaau! – todos responderam num coro muito feliz.

- , acho que ‘tá na hora de comemorarmos sozinhos, né? – Dougie perguntou malicioso deitado no sofá com a garota nos braços.
- Acho que merecemos uma comemoração muito mais interessante que essa. – aceitou a malícia do garoto e se despediu de todos, indo para casa da frente junto com Dougie. – Feliz natal, caaaras! E, gurias, se quiserem podem pegar meu carro, ele está às ordens. – se virou para os amigos antes de sair e pegar a guia de Lady para lavá-la junto consigo. Dougie fez o mesmo com Flea.
- Acho que nós também vamos nos recolher, né, ? – Tom, mais romântico, fez o mesmo convite para .
- É, vamos sim. ‘Tô começando a ficar com sono. – ela respondeu num sorriso.
- Mas eu não pretendia dormir... – Tom falou mais baixo para os outros não ouvirem, mas não funcionou muito.
- Ô, , é tão ruim assim pra querer ir dormir direto? – Harry tirava sarro do amigo, fazendo-os corar.
- O Tom não sabe fazer essas coisas, é só olhar para a cara dele pra saber! – Danny ria .
- Pelo menos eu consegui fazer alguma coisa. – Tom respondeu, cortando os garotos que pararam de rir imediatamente. o olhou com reprovação e e ficaram sem reação.
Os dois saíram de casa deixando o silêncio e o constrangimento pairando no ar.
- Acho que nós vamos também, né, ? – foi a única saída que encontrou.
- É, vamos sim. ‘Tá na hora já.
- Não, gurias. Não vão. Fiquem aqui. – Harry quase implorava.
- Vocês já dormiram aqui tantas vezes. Podem ficar hoje também. – Danny tentava convencê-las.
- Não, não precisa, Danny. Nós vamos pra casa hoje. – se levantava e dava um selinho no garoto.
- Não deem bola pro que o Tom disse, ele ‘tá bêbado. – Harry disse.
- Não é isso, nós estamos com sono mesmo. Foi ótimo o nosso natal, de verdade. – disse juntando suas coisas para ir embora.
- Nós não vamos fazer nada que vocês não queiram, não vamos forçar. – Harry continuava tentando convencer elas. – Nós nunca forçamos, vocês sabem.
- A gente sabe, Harry. – disse já pronta. – Obrigada de novo pelo natal, a gente amou mesmo.
- Ah, ... Fica. – Danny chegou perto da garota e fazia uma cara de pidão que fazia tremer na base. Mas ela resistiu, não respondeu nada, apenas o olhou de uma forma que desse para entender que não era mais para insistir. – Tudo bem. Boa noite, então. – falou sem vontade e deu um beijo demorado na garota, enquanto Harry fazia o mesmo com , já na rua.

se arrumava para dormir, sem falar nada. Tom sentado na cama, tapado só nas pernas, esperava ela falar alguma coisa. Ela ia de um lado para outro. E, finalmente, deitou se cobrindo e virando para o lado contrário de Tom.
- ? – Tom perguntou um tempo depois que ela tinha desligado a luz de sua luminária.
- Hum? – nem se mexeu.
- Tu ficou braba?
- Não, Tom.
- Então por que ‘tá assim?
- Porque eu ‘tô com sono e quero dormir.
- Achei que a gente fosse terminar nosso natal de um jeito melhor.
- O natal não terminou ainda.
- Mas amanhã a gente vai lá pra casa dos meus pais, nem da pra fazer nada lá.
- É por isso mesmo que a gente tem que dormir. Temos que acordar cedo amanhã. – ela falou e o silêncio reinou por alguns segundos.
- ? – Tom perguntou de novo.
- Hum? – ela respondeu mostrando mal-humor, e de novo não se mexeu.
- Tem certeza que não ficou braba comigo? Tu mudou completamente, ‘tava toda feliz e foi só a gente sair da casa do Danny que tu ficou desse jeito.
- Ai, Tom. – finalmente se virou para o garoto. – Só acho que teu comentário foi desnecessário.
- Mas eles ‘tavam tirando com a minha cara!
- Podia sair superior a tudo aquilo sem responder nada.
- Mas eu não podia deixar daquele jeito.
- Tu além de me constranger, constrangeu as gurias também.
- Desculpa.
- Tudo bem, mas tu vai ter que pedir desculpas pras gurias também. Foi muito chato tudo isso.
- Eu vou pedir, sim. – ele disse cabisbaixo. – Só me dá um beijo de boa noite. – ele pediu depois de um tempo e ela se virou novamente para beijar o garoto.
- Boa noite, Tom! – ela, ao mesmo tempo em que foi carinhosa, foi seca também.

As roupas faziam trilha até a cama de Dougie. Começavam da entrada do quarto até a beira da cama. O clima estava bem diferente do que da casa à frente. estava deitada sobre o peito nu de Dougie, que fazia carinho em sua cabeça.
- Dougie, já dormiu? – perguntou quando sentiu a mão do garoto relaxar.
- Ainda não. – ele respondeu um tempo depois.
- Que horas tu vai pra casa da tua mãe amanhã?
- Não sei, vou pra almoçar... Não muito cedo. Por quê?
- Pra saber a hora que eu tenho que ir embora. – falou aquilo mas na verdade queria mesmo é que ele fizesse que nem Tom e a convidasse para ir junto conhecer a família dele e apresentá-la pra todos.
- Hum. – foi a única coisa que ele respondeu. Ficou um tempo em silêncio.
- Boa noite então. – ela falou se virando para o lado contrário, um pouco chateada.
- Boa noite. – ele estranhou um pouco a reação dela e lhe deu um beijo no topo da cabeça.

Capítulo 31

Já era noite quando entrou em casa seguida de Tom. As três amigas estavam espremidas no sofá, vendo filmes e comendo porcarias, e tapadas até o pescoço com um edredom bem grande e confortável. No rack da televisão dava para ver a pilha de dvds já assistidos e em seus colos estavam potes de pipoca, pacote de chocolate e biscoitos abertos.
- Oi, gurias! – falou animada.
- Oi, ! – elas falaram em coro. – Oi, Tom! – falaram, ao ver que o garoto estava junto da amiga.
- Olá! – disse ele, abanando.
- Sentem aí. – convidou.
- Se tivesse espaço, né, . – riu. – A gente senta nas cadeiras mesmo.
- É, ‘tá bem difícil de arranjar dois lugares pra vocês aqui. – falou rindo.
- Então, como foi o natal de vocês? – se pronunciou.
- Ah, foi muito legal!! – começou entusiasmada.
- A minha família adorou a . – Tom falou, com um sorriso no rosto.
- Eles são uns amores. – ela completou, olhando para o namorado.
- Ai, que bom, ! Foi aprovada então? – falou interessada.
- Acho que sim, né? – olhou para Tom esperando a confirmação.
- Claro que foi! A minha família só faltou beijar os pés dela. – Tom falou e todas riram. – Minha mãe e minha irmã não desgrudavam. Parecia que tinham se esquecido de mim.
- Óóóuuun, o Tom ficou com ciumiiinho. – brincou com o amigo.
- Ah, não é ciúme...
- Não tenta consertar, Tom. – disse e Tom desistiu de continuar.
- Mas mudando um pouco de assunto... Vocês sabem se os guris já chegaram?
- O Harry me ligou há pouco dizendo que tinha chegado e que a gente ia se ver amanhã. – falou.
- Nem sinal do Dougie e do Danny. – disse .
- Bom, vou indo então. Precisava falar com eles a respeito do nosso CD. Vou lá esperá-los na casa do Harry. – disse Tom se levantando.
- O CD é pra fevereiro, né? – perguntou .
- É, mal posso esperar. E a nossa turnê também é em fevereiro, pra divulgar o CD. – Tom deu uma pausa. – E é sobre isso também que eu queria conversar com eles.
- Ah, é... a turnê. – disse, um pouco triste.
- Vai ser só um mês, . Passa rapidinho. – Tom falou, dando um selinho na garota. – Tenho que ir mesmo. Nos vemos amanhã. Tchau, gurias! – Tom abanou e foi retribuído pelas três, cabisbaixas pelo último assunto.
- Tchau, amor. – falou, levando-o até a porta. Ao fechar a porta se voltou para as amigas e se jogou no sofá, procurando um mínimo espaço para se aconchegar junto delas. – E o natal de vocês, como foi? – falou de repente.
- Hoje era natal? – brincou.
- Só vimos filme o dia inteiro. – falou, como se fosse óbvio.
- E comemos porcarias. – mostrou o pacote de biscoitos que tinha nas mãos.
- Pelo menos vocês tinham umas as outras. – tentou melhorar a situação, mas a resposta das amigas foi só um oferecimento de comida para ela, que aceitou e terminou de ver os filmes com elas.

Aquele dia amanheceu com um sol tímido. A primeira a acordar foi , que se direcionou para a cozinha, onde batia o pouco do sol. Foi na área de serviço ver como estava Bella, sua bonsai que ganhara de aniversário. Devia estar na hora de molhá-la um pouco.
- Aaaaaaaaaaai, que liiiiiinda!!! – berrou ao ver Bella.
- ? – a chamou da cama.
- Olha isso, !! Vem cá!! Olha!
- Meu Deus, o que foi? – chegou na área meio sonolenta para ver o que achara de tão lindo.
- Olha a Bella, que linda!! – falava emocionada apontando para a bonsai.
- Gurias, ‘tá tudo bem aqui? – chegou na cozinha assustada seguida de .
- A Bella... – disse apontando para a bonsai.
- Não é linda? – ainda estava emocionada. – Ela colocou uma florzinha pra mim!! – falou, juntando as mãos ao rosto.
- Linda. – disse num suspiro.
– Oi, Bili. – falou para o cachorro, que se juntava à reuniãozinha na cozinha. – Cadê a Lady? – Se abaixou para fazer carinho nele.
- Deve estar dormindo ainda. Aquela não se afeta por nada. – disse, rindo fraco devido ao sono.
observava a relação de suas amigas com seus ‘mascotes’, e sentiu novamente falta de um para ela também. Viu conversando com a pequena árvore ao mesmo tempo que a molhava e e conversando com seus cachorros enquanto se aprontavam para o passeio matinal.
- Vocês vão enfrentar esse frio? – ela perguntou para as amigas, que colocavam o casaco para sair.
- Temos que enfrentar. – enfatizou a palavra ‘temos’.
- Liga pro Dougie pra ele levar o Flea. O Danny combinou de trazer o Bruce hoje. – falou para . – Agora o Bruce já pode passear, ‘tá maiorzinho.
- Jura que o Dougie vai acordar pra sair com o Flea nesse frio? – riu. – Mas vamos ver se ele me surpreende.
Ela pegou seu celular e ligou para o garoto que demorou um tempinho para atender. Quando atendeu, se ouviu bem a voz de sono.
- Oi, Dougie! – falou depois de seu alô sem vontade. – Te acordei, né? – nem esperou resposta e continuou a falar. - Mas é que eu ‘tava pensando em nós passearmos com a Lady, o Flea, o Bili e o Bruce juntos. Até o Danny vem.
- Hum... – ele respondeu, mas na verdade estava pensando seriamente em ir.
- Não quer vir? – insistiu.
- Ah, , ‘tá tão frio...
- É, imaginava que essa seria tua resposta. –ela deu uma risada sem vontade.
- Mas olha só. – ele falou parecendo mais acordado. – O filme ‘Marley e Eu’ estreou esses dias no cinema, e, como eu sei que tu gosta, pensei em a gente ir hoje de tarde. O que tu acha?
- Vamos! – disse feliz de repente. – ‘Tava louca pra ver esse filme.
- Sabia que tu ia gostar. Só pra recompensar a minha não ida para o passeio matinal.
- Tudo bem, já te perdoei. – ela riu.
- E o natal, como foi? – ele realmente parecia acordado agora.
- Ah, bom. Eu e as gurias ficamos vendo filmes. – falou, tentando convencê-lo de que se divertiu. – E o teu?
- Foi bom também. ‘Tava com saudades da minha mãe e da pentelha da minha irmã e, claro, dos meus lagartos também. Resolvi que vou trazer eles pra cá pra casa.
- Que bom então. – ela sorriu sincera. – Agora eu preciso ir, porque o Danny já chegou com o Bruce. Beijo.
- Beijo. Até mais tarde!
Ao desligar o celular somente balançou a cabeça negativamente para a amiga, que já esperava essa resposta. As duas desceram e encontraram Danny e Bruce em frente ao prédio.

- ‘Tô a fim de viajar. – disse do nada, enquanto ela e assistiam TV.
- Tu ‘tá viajando. Do Brasil para Inglaterra. – riu.
- Nãão. Fazer uma viagem curta, conhecer outro lugar daqui.
- Mas pra onde?
- Não sei... Alguma praia talvez.
- ‘Tá louca? Praia com esse frio?
- É, né? Melhor então ir pra montanha, ficar naquelas cabaninhas, sabe? – olhou para a amiga sorrindo.
- Sim, aquelas que têm lareira! – entrou no sonho da amiga.
A porta se abriu e entrou com Bili e Lady.
- Ué? – disse, ao ver a amiga com cara de tédio.
- Vela. – simplesmente respondeu.
- Aaah. – e responderam em coro.
- Eles resolveram almoçar juntos, daí eu subi com os cachorros. – se juntou as amigas. – Mas eu não ‘tô nem aí mesmo. Vou no cinema com o Dougie mais tarde. – Abriu um sorriso.
- ! – disse de repente.
- Hum?
- Vou me mudar semana que vem. Já ‘tá tudo certo com o proprietário do apartamento.
- Mas semana que vem é ano novo! E tu precisa estar com a gente no ano novo!
- Sim, mas vou me mudar depois do ano novo.
- Ain, , não se vá! – agarrou a amiga em um abraço apertado e se juntou no abraço, deixando uma quase sem ar.
- Falando em ano novo... Alguma coisa resolvida do que vamos fazer? – se soltou de .
- A sugeriu o tal do Mahiki. – também soltou a amiga.
- Ah, sei! Parece ser um pub muito legal! E eles fazem festas especiais no ano novo. – completou.
- Incrível como a sabe de tudo... – comentou aleatoriamente.

- ‘Tô pronta, onde tu ‘tá? – se sentou no banco alto perto da bancada.
- ‘Tô chegando! – Dougie respondeu e logo um latido pode ser ouvido ao fundo.
- Dougie, esse latido foi do Flea? Não acredito que tu ‘tá em casa ainda!
- Já ‘tô saindo, juro! ‘Tô pegando as chaves de casa e do carro. Agora saí de casa e fechei a porta. ‘Tô indo em direção do carro, o abri e entrei. Liguei o carro e tô indo voando praí! Agora vou desligar, porque falar ao telefone dirigindo dá multa. – os dois riram. – Beijo! ‘Tô saindo com o carro.
desligou o telefone rindo e se aproximou dela.
- Vai sair também? – perguntou.
- Ahã! Não aguento ficar mais de um dia longe do Harry. – ela sorriu.
- Sei bem.
- Ai, ... – suspirou depois de um momento de silêncio.
- Diga o que te aflige, .
- Não sei bem. É que eu ‘tô bem com o Harry, não quero estragar isso, mas também não sei se eu quero ficar nessa situação.
- Que situação?
- Essa de sem compromissos, mas ao mesmo tempo com compromissos.
- Hum... Quer dizer tu quer namorar com ele.
- É, acho que é. – deu uma pausa. – E, sabe, antes eu ‘tava meio que cortando os baratos dele, mas agora eu já acho que ‘tá na hora de avançar um pouco mais. Se é que tu me entende.
- Vocês ainda não transaram? – perguntou um pouco surpresa.
- Não. – respondeu corada. – E no finalzinho da festa de natal o Tom fez uma brincadeirinha de mau gosto que nos deixou meio sem jeito. E, querendo ou não, ficou uma pressão.
- Tom fazendo brincadeirinhas? – ficou confusa.
- É, ele ‘tava meio bêbado.
- Se isso te incomoda acho que tu podia ter uma conversa com o Harry, , sei lá, falar que tu quer mais. – terminou a frase, rindo do que falara. – Bom, tu entendeu.
- Ah, mas é difícil conversar sobre essas coisas, né, ! – também ria.
O celular de tocou e logo parou.
- Bom, amiga, o Dougie chegou. Vou descer. – deu um beijinho na bochecha de . – Conversa com o Harry, é a melhor opção.
- Ok, vou tentar. Bom cinema!
ficou pensativa e nem percebeu que havia chegado.
- Oi, ! – ela chegou perto da amiga. – ?
- Ah! Oi, ! – deu um sorriso - Como foi o almoço?
- Super bom. Fomos num restaurante maravilhoso! Vocês têm que ir um dia. – ia andando pela casa largando a bolsa e tirando o sapato e o casaco. – Vai sair?
- Vou, ‘tô esperando o Harry.
- Só porque eu cheguei...
- A ‘tá lá no quarto. Ela pode te fazer companhia. – esboçou um sorriso.
- Ai, , nem sabe. O Danny me disse que a Vicky, a irmã dele, quer me conhecer! Fiquei super ansiosa agora.
- Que legal, ! Isso é sinal de que ele falou de ti pra família dele no natal. – disse animada.
- Ótimo sinal!
O celular de vibrou na bancada. Agora era a vez de ela descer.
- Vou lá, ! – atirou um beijo no ar para a amiga.

A sala de cinema ainda estava escura, mas podiam-se ouvir vários soluços, inclusive o de , que parecia mais alto que todos. Ela molhava todo o ombro de Dougie com suas lágrimas e ele a envolvia pela cintura. As luzes foram acesas e podiam ver muita gente limpava o rosto. continuou sentada agarrada em Dougie.
- , vamos indo. – ele dizia.
- Aaai, pobrezinho do Marley!! – ela chorava cada vez mais alto, ou o silêncio cada vez maior da sala que ia se esvaziando ajudava para ter essa impressão.
- , foi só um filme. – Dougie tentava acalmar a garota.
- Não é só um filme! A história é real! – ela disse braba. – Eu li o livro...
- Tu já sabia até do final. Não precisa mais chorar. – disse ele. – Inclusive me contou muitas partes do filme. – falou mais baixinho e ela o olhou rapidamente, um pouco braba.
- Mas é tão triste! – ela se afastava do ombro dele e enxugava as lágrimas. – E nem vem que eu te vi chorando também.
- É, foi triste, sim. Mas o filme já acabou. – Dougie pareceu um pouco envergonhado, achava que tinha conseguido ser discreto. – Vamos embora agora.
- ‘Tá... – ela se levantava colocando sua bolsa no ombro. Ele sorriu vitorioso. – Mas eu mereço um agradinho. – sorriu como se pedisse alguma coisa.

- ‘Tô com frio. Vamos pra algum lugar quentinho? – agarrada em Harry olhava para cima a fim de enxergar seu rosto.
- Qualquer lugar que quiser. – ele bateu continência. – Aquela cafeteria me parece bem aconchegante. – apontou para um logo mais a frente.
- Eu sou mais de ir pra tua casa. – ela sorriu maliciosa.
- Tem certeza? – ele sorriu duvidoso.
- Não disse que era pra onde eu quisesse? – ela o olhou, e ele concordou. – Vamos pra tua casa.
- Como queira, senhorita! – ele bateu continência de novo e os dois riram.

A campainha tocou e e , praticamente abrindo a porta para sair, se entreolharam. abriu e deu de cara com Danny dando um sorriso torto, com as mãos nos bolsos do casaco.
- Olá! Bateu a saudade! – ele disse dando um beijo estalado em e logo depois um na bochecha de .
- Como se tivessem séculos sem se ver. – comentou rindo.
- Nem vem, . Tu e o Tom são um grude. – Danny respondeu ao seu comentário.
- Entra, vem. – abriu espaço para o garoto entrar. – Quase não nos encontra em casa.
- Onde estavam indo sem mim, posso saber? – sorriu.
- Fazer compras. Mas elas podem esperar.
Os dois se sentaram no sofá e se sentiu sobrando, o que era raro, pois normalmente ela que fazia os outros sobrarem. Ela deu um tchauzinho discreto e foi para o quarto.
- Ai, tadinha da . Sobrou. – ficou olhando para o lugar que a amiga estava, agora vazio.
- Melhor pra gente. – ele sorriu malicioso e a puxou para um beijo longo.
- Mas, Dan... – interrompeu o beijo e ele revirou os olhos. – Quem sabe tu não chama o Tom pra vim pra cá também? – ela sorriu, esperando uma resposta do garoto.
- Prefiro ficar te beijando. – E voltou a beijar a garota.
- Danny! É sério, chama o Tom. – ela falou mais firme. – A gente pode ficar se beijando do mesmo jeito. – eles sorriam.
- ‘Tá bom! – ele tirou seu celular do bolso e sorriu parecendo ter uma brilhante ideia. – Posso pedir pra ele trazer o vídeo game?
- Pode, Dan. – ela sorriu revirando os olhos. Ele fez um gesto engraçado e ligou para o amigo.

- Huuum... – parecia apreciar muito o sorvete que colocava na boca. – Isso ‘tá uma delícia! Tem certeza que não quer um pouquinho? – oferecia para Dougie.
- Obrigado, . Pode comer. Já comi bastante. – ele respondeu sorrindo.
- Se tu diz... – falou com a boca cheia e ele ficou a admirando com um sorriso no rosto. – Que foi? – ela perguntou depois de um tempo.
- Nada.
- Não, tu ‘tá me olhando. Quero saber o que foi? – ela falou mais séria.
- Nada, . ‘Tô só te admirando.
- Eu sei que não é isso, Dougie! Tu ‘tá olhando eu comer que nem uma porca e ‘tá pensando como eu sou gorda. – falava barba e em seguida fez cara de quem ia chorar.
- Não, ! É sério, tava te admirando, vendo como eu tenho sorte de ’tá aqui contigo.
- Desculpa esfarrapada. – ela disse com a boca cheia de novo e com lágrimas nos olhos.
- Aaah, !! Não chora, vai! – Dougie disse pegando suas mãos, que tinham soltado do pote de sorvete para enxugar a lágrima. Mas não funcionou seu pedido, a garota voltou a chorar. – Eu juro que não ‘tô pensando que tu é uma gorda!
- Mas eu sei que eu sou! – ela chorava ainda mais e ele olhava para cima procurando, não sei aonde, uma ajuda.
- Não é! É linda! – ele ainda tentava de alguma forma fazê-la parar de chorar. Sentou na cadeira ao seu lado, segurando sua cabeça e lhe dando um beijo carinhoso, depois a abraçou. Pronto, agora era a vez de molhar o outro ombro.
- Ai, mas o Marley não podia ter morrido!! – ela chorava mais forte.
- Céus! – ele falou baixinho olhando para cima de novo. As pessoas que passavam por ali olhavam curiosas. – , todo mundo um dia morre. Ele já ‘tava velhinho, era a hora dele.
- Eu não sou uma criança, Poynter. – ela falou braba. – Eu sei que todo mundo morre um dia.
- Eu sei que tu não é criança, só ‘tô tentando te consolar. – ele já não sabia mais como agir.
- Me chama de criança e gorda. Ótimo! A é uma porca gorda que não sabe que um dia todo mundo morre! – ela havia parado de chorar, mas estava furiosa. Cruzou os braços e virou a cara.
- ... – Dougie tentava virar seu rosto para olhá-lo, sem sucesso.
- Para com isso, Dougie. – ela pegou a bolsa, levantou e começou a caminhar rápido, chamando mais ainda a atenção das pessoas.
Dougie pegou as coisas deles que tinham ficado na mesa e foi atrás dela. Ele já estava ficando sem paciência. Alcançou ela e a puxou pelo braço.
- Qual é o problema afinal, ?
- Não fala assim comigo! E me solta. – ela dizia, tentando se soltar dele.
- Não te solto até tu me dizer: qual é o problema? – ele continuou segurando o braço dela e ela desistiu, cruzando os braços. - Desde quando eu te chamei de gorda e criança? Te trouxe no cinema pra fazermos um programa diferente, escolhi o filme que eu achava que tu ia gostar...
- E eu gostei. – ela falou baixinho.
- ‘Tô aqui na melhor das intenções tentando te agradar – ele não deu bola para o que ela tinha falado e continuou seu sermão – e tu me vem com essas histórias absurdas sem pé nem cabeça de que eu te chamo de gorda e criança? ‘Tava lá pensando comigo mesmo de como eu não mereço uma garota que nem tu, linda, querida, divertida e tu inventa essas baboseiras? Pô, ... Não tenho tanta paciência assim. – ele terminou e soltou seu braço, ela tinha a cabeça baixa e as pessoas continuavam a olhar quando passavam.
- Desculpa. – disse baixinho.
Eles ficaram em silêncio por um tempo, até que levantou a cabeça e o abraçou forte, ele retribuiu o abraço. Ela então começou a lhe dar vários selinhos seguidos.
- Desculpa, desculpa, desculpa. – ela insistia.
- ‘Tá bom, . ‘Tá desculpada. – Dougie sorriu e a beijou de forma com que suas línguas se encontrassem e fizessem um movimento em sintonia, uma sintonia perfeita.
- Acho que é a TPM. – ela disse logo após que terminaram o beijo.
- Suspeitei. – ele riu e ela acompanhou. – Vamos pra casa? – ela assentiu com a cabeça.

A campainha tocou novamente no apartamento das garotas, o que não fez e Danny se desgrudarem. Ninguém atendeu. Tocou novamente.
- ! – gritou da sala, mas a garota já estava a caminho antes de ela terminar de chamar.
- Ninguém atende essa porra? – falou braba.
- É pra ti mesmo... – falou, mas não deu tempo de a garota ouvir tudo, abriu a porta e Tom apareceu por ela.
- Toooom! – ela pulou no colo do garoto.
- Depois é a gente que parece que faz séculos que não nos vemos... – Danny comentou, retrucando o que tinha dito quando ele chegara.
- Oi, pessoal! – Tom falou animado, largando no chão e tirando uma mochila das costas.
- Agradece a mim, . – Danny se exibia. – Eu que chamei o Tom. E o vídeo game também!! – ele saltou do sofá no momento em que Tom mostrou a mochila.
- Acho que não foi boa idéia eu aceitar essa condição do Danny. – disse ao se ver abandonada.
- Legal! Tenho e não tenho meu namorado ao mesmo tempo. – cruzou os braços vendo os dois instalarem o aparelho na televisão.

- Bem melhor aqui dentro. – disse agarrada em Harry.
- E pode ficar melhor ainda. – ele sorriu e a puxou para um beijo.
Os dois ainda estavam de pé, perto da porta de entrada da casa de Harry. Iam caminhando devagar até a escada mais próxima, na verdade a única que havia ali, ainda se beijando. , que estava de costas, bateu o calcanhar no primeiro degrau da escada e deu um gemido baixo. Harry pôs uma mão sob o corrimão, enquanto a outra segurava fortemente a cintura de . Essa por sua vez estava praticamente pendurada no pescoço do garoto para, talvez, facilitar a subida.
Chegaram à porta do quarto e Harry, com a mão que estava no corrimão abriu ligeiro a porta e logo a fechou com um pé. Mas por nenhum momento se desgrudavam. já havia bagunçado o pouco cabelo do garoto e descia a mão para a barra do moletom. Ele agora tinha uma mão na coxa dela e outra em sua nuca, fazendo um emaranhado nos seus cabelos. Levantou delicadamente a perna de fazendo-a deitar na cama. O moletom dele já estava praticamente fora de seu corpo, só faltava passar pela cabeça. Para isso eles se afastaram um rápido minuto e logo voltaram a se beijar fortemente. Harry acariciava a coxa de , subindo e descendo. Até subir definitivamente e colocar sua mão por baixo da blusa dela, agarrando sua cintura. Ela passava as mãos pelas costas nuas de Harry, chegando de vez em quando no cós de sua calça, enquanto ele beijava seu pescoço. Quando Harry começou a tirar a blusa de o telefone tocou. Ele não parecia se importar e continuou massageando a cintura da garota, subindo cada vez mais a blusa dela. Mas para , aquele barulho era irritante.
- Harry, atende o telefone. – ela disse um pouco ofegante.
- Deixa tocar. – ele disse sem tirar os lábios de seu pescoço.
- Não dá, Harry! Me desconcentra. – ela insistiu e ele soltou um suspiro forte e atendeu.
- Alô. – ficou um momento ouvindo com cara de poucos amigos. – Não cara, não vou pra casa das gurias. - mais um tempo ouvindo. – Porque eu ‘tô na minha casa com a . – ele balançava a cabeça inquieto. – Não quero jogar vídeo game agora. É, outra hora. ‘Tá. Tchau. – ele desligou rapidamente e voltou a beijar , mas já tinham perdido o clima.
- Desculpa, Harry. – ela se afastou dele. – Não consigo mais.
- Ah, não vai deixar que o telefone estrague tudo, né?
- Não é só o telefone... – ela falava meio hesitante.
- Ah, não! Tu não ficou pressionada por aquela bosta do Tom, ficou? – ele entendeu a situação.
- Não... Quer dizer, não sei. – ele caiu do lado dela na cama.
- Eu nunca te obriguei a nada, . E o Tom é um saco bêbado. – ele tentou resolver a situação.
- Eu sei, Harry. Nem ligo muito pro Tom, pra falar a verdade. – ela deu uma pausa. – ‘Tá não vou dizer que eu não me deixou chateada, aquela brincadeirinha.
- Então! Por que a gente não continua de onde parou? – ele se aproximava dela dando beijo em seu pescoço.
- Porque eu... – ela deu um tempo tentando achar o que ia falar. – Não sei. – soltou um suspiro. Ele a olhava com uma sobrancelha levantada, esperando que ela dissesse mais. – Eu quero, mas...
- Ó, vamos continuar então! – ele a interrompeu.
- Calma, Harry. – ela o afastou um pouco e sentou na cama. – É que essa nossa situação ‘tá estranha, sabe?
- Que situação?
- Essa de ficarmos juntos, mas não estarmos namorando. – ela olhou para ele e ele aparentava confuso. – Isso me confunde um pouco. Temos ou não temos um compromisso?
- Ãhn... – ele começou a responder, interrompendo-a.
- Não, não precisa me responder, só me ouve. Eu gosto de estar contigo, não quero estragar isso que eu não sei o que é, mas que a gente tem. Mas me sinto meio amarrada.
- Ninguém ‘tá te amarrando aqui, . Tu pode ficar com quem tu quiser. – ele interrompeu de novo, um pouco ofendido.
- Não ‘tô falando nesse sentido, Harry. Nem quero ficar com outra pessoa. ‘Tô dizendo que gosto de estar contigo. E é esse o problema.
- O problema é gostar de estar comigo? – ele perguntou confuso.
- O problema é que quando alguém me pergunta o que a gente é eu não sei o que dizer. – ela concluiu e ele ficou um tempo sem dizer nada, só raciocinando o que ela tinha dito.
- Tu ‘tá querendo dizer que tu quer oficializar? Quer que isso que a gente tem se torne um namoro? – ele fez sinal de aspas na palavra “isso”.
- Acho que é. – ela respondeu de cabeça baixa. Agora ele também estava sentado na cama.
- ... – ele começou, mas deu um tempo, talvez não soubesse o que ou como falar. – Bom... – começou a frase de novo. – Também gosto muito de estar contigo, muito mesmo. Não tenho vontade de ficar com outra pessoa, mas não acho que esteja na hora de oficializar. Não sei, tive um namoro conturbado antes de te conhecer e não quero que se repita.
- As pessoas são diferentes, Harry. – ela lhe lançou um olhar ainda de cabeça baixa.
- Só não me pede pra namorar. Pode ser que as pessoas sejam diferentes, mas eu ainda tenho na cabeça que o namoro vai ser sempre igual. Vamos continuar assim, ‘tá bom demais, não ‘tá? – ele levantou seu queixo para poder ver melhor seu rosto e ela apenas assentiu com a cabeça dando um sorriso fraco, o que não convenceu muito. Mas ficou por isso mesmo.
Os dois deitaram novamente e ficaram em silêncio, ele a puxou para um abraço e ela apoiou sua cabeça no peito ainda nu dele.

dormia no sofá enquanto Tom e Danny jogavam vídeo game animadíssimos e olhava o nada com cara de tédio. Uma hora ou outra, ela olhava para à procura de uma distração, mas ela continuava dormindo.
- Cara, eu sou melhor, admite! – Tom se achava depois de vencer outro jogo.
- Eu ainda quero revanche! – disse Danny dando um soquinho no braço de Tom
. - É, mas melhor ficar pra outro dia. Precisamos ir pra casa. – Tom disse olhando pra janela e depois para .
- Precisamos? – ela perguntou. Ela não estava alheia à conversa como eles pensavam.
- Sim, tu vai lá pra casa.
- Mas vou deixar a sozinha? – perguntou olhando para a amiga dormir encolhida no sofá.
- Não, eu fico aqui com ela. – Danny disse se levantando do chão.
- Tudo bem, então. Vamos logo que eu não aguento mais ficar aqui parada. pegou algumas coisas e saiu com junto de Tom. Danny ficou um tempo parado olhando dormir. De alguma maneira, conseguiu abrir e arrumar o sofá para os dois dormirem ali. Apagou todas as luzes e se juntou a ela.
As horas se passaram e Danny não havia conseguido dormir. Até porque era meio cedo para ele. Ficou passando as mãos pelos cabelos de delicadamente, para não acordá-la. Mas pelo jeito não deu certo. Ela se mexeu e deu uma resmungada e ele automaticamente parou, ficando estático.
Demorou um tempo para se situar, até ela sentir o perfume do garoto. O cheiro penetrou suas narinas deixando-a um pouco tonta, mas sorriu ao sentir a mão dele a puxar para mais perto. Ela então achou seu rosto e o puxou para um beijo. O espaço entre eles foi diminuindo até não haver nenhum, e o clima ficando mais quente. A mão dele apertava sua cintura por baixo da blusa e ela ficou por cima dele em um rápido instante. As respirações eram ofegantes e os dois pareciam ter um pouco de pressa. Quando percebeu, já estava sem a blusa. Danny então se virou para tirar a sua camiseta. parou por um instante.
- Estamos sozinhos, né?
- Sem ninguém pra interromper dessa vez. – Danny respondeu com um sorriso malicioso.
Então continuaram o que estavam fazendo. As calças também não estavam mais no corpo de nenhum dos dois. Danny, com mais pressa ainda, foi à procura do fecho do sutiã dela, lutou um pouco para abrir e quando conseguiu dirigiu sua boca até o peito dela, fazendo uma trilha de beijos desde o pescoço. Ele, então, acariciava a coxa de , pegando o elástico de sua calcinha para tirá-la. As mãos dela passavam pelo tórax definido do garoto, mas quando deu por si, elas já estavam nas boxers de Danny, empurrando-a para baixo. Os dois estavam completamente nus e se juntaram mais ainda num movimento que fazia a cabeça de Danny cair para trás de tanto prazer. Isso durou alguns bons minutos até os dois caírem no sono, cansados.

Capítulo 32

O Mahiki estava lotado quando as garotas chegaram. Pelos últimos telefonemas já eram para os garotos estarem lá. Elas passavam pelas pessoas tentando não se encostar muito para não amassar a roupa. Elas tinham caprichado no visual. Logo que deram poucos passos tiveram que tirar seus casacos, pois a diferença de temperatura do lado de fora e de dentro era bem grande.
Pelo seu lado esquerdo, pôde ver Thiago.
- Olha, o Thiago tá ali! – ela apontou para o garoto.
- Junto com a Amy. – comentou não de maneira hostil, mas sim gostando do que via.
- Ela tá linda! – comentou.
- Pra variar... – completou.
Ela vestia um vestido verde tomara-que-caia, acinturado e logo depois da cintura vinha com um pouco de volume. Ia até os joelhos, mais ou menos. Lindo! Perfeito para ela. Em um braço carregava seu casaco preto, que mesmo naquela posição parecia bonito também e na mão tinha uma bolsa roxa pequena. Seu sapato era alto e brilhante. (Veja o look.) Ela já era alta, com aquele salto já dá para imaginar como ela ficou. Sorte dela que o Thiago também era alto.
se dirigiu, correndo, até o primo, e as amigas foram atrás.
- Heeey! – ela chegou animada, abraçando ele.
- !! – Ele retribuiu o abraço.
- Tudo bem, Amy? – ela sorriu para a garota e a cumprimentou. – Tu tá linda! – Não pôde deixar de comentar.
- Obrigada, tu também tá linda – ela falou tímida.
- Realmente, . Caprichou. – Thiago falava soltando um sorriso orgulhoso.
estava vestindo um macaquinho tomara-que-caia verde meio dourado – difícil de distinguir a cor -, com um laço na cintura. Um sapato azul escuro alto e uma bolsa de mão com detalhes em dourado. Carregava seu sobretudo de lã creme nos braços. (Veja o look.)
Ela sorriu em agradecimento. Logo viu suas amigas, que tinham terminado de cumprimentar Thiago e Amy, indo à procura de mais conhecidos, e foi logo atrás dando um breve aceno para os que ficavam.
- Será que a Casey não veio? – perguntava para as amigas, quando todas estavam juntas.
- Tomara que não – disse quase como uma súplica.
Mas suas esperanças foram por água abaixo. Em direção contrária à sua, Casey caminhava como se todos tivessem a olhando, rebolava mais que a mulher melancia dançando Créu – ok, isso não existe na Inglaterra. Estava indo em direção ao casal que recentemente elas deixaram para trás.
- É, ela veio. – suspirou e revirou os olhos.
- E veio vestida para “arrasar” – fez movimentos com os dedos indicando as aspas.
Seu vestido prateado de um ombro só e curtérrimo – para variar – chamava atenção de muitos homens, o que só fazia ela rebolar mais. Segurava uma bolsa de mão em formato de coração e seu sapato salto agulha altíssimo fazia com que ela ficasse mais alta e chamasse mais atenção. (Veja o look.)
- Essa guria me dá ânsia – comentou quando ela passou por elas e fingiu não conhecer ou não ver.
- Bom, não quero saber dela. Cadê esses guris que não aparecem? – estava ansiosa, procurando sobre as pessoas.
- Tá toda se querendo pro Harry. – comentou, se rindo toda.
- Eu me querendo? Tu te arrumou toda pro Danny que eu sei – ela retrucou, mas ainda assim soltou uma risadinha.
estava vestindo um vestido roxo de um ombro só também, mas, claro, não vulgar como o de Casey. Era elegante. Uma faixa fina passava pela sua cintura, deixando mais justo naquela região. Segurava uma bolsa preta de veludo com um laço no meio. Seu sapato também era alto, o que ajudava bastante para chegar perto da altura de Danny. Também carregava seu casaco de lã nos braços. (Veja o look.)
- Vamos pro outro lado, eles devem estar por lá – sugeriu.
- Já são dez horas, não quero passar a meia noite longe do Dan! – resmungou, indo atrás das amigas.
Elas apenas olharam para ela sem precisar dizer nada sobre seu último comentário. O olhar dissera tudo.
Em seguida ela pôde sentir alguém atrás de si passar as mãos pelos seus olhos. A pessoa lhe deu um beijo no pescoço, e ela rapidamente adivinhou quem era.
- Dan! – ela se virou feliz e se pendurou no pescoço dele, dando-lhe um beijo.
- Danny! Tá sozinho? – estranhou.
- Eu estava voltando do banheiro à procura dos guris – ele respondeu.
- Então estamos no mesmo barco – falou, fazendo joinha.
- Eles devem estar pra lá, perto do bar. – Danny apontou para a direção em que elas seguiam antes de ele aparecer.
Elas então se direcionaram para perto do bar. Por que elas não procuraram ali antes? Era tão óbvio que eles estivessem perto do bar.
Dito e feito. Lá estavam eles com taças de champanhe na mão conversando e rindo. De repente Tom enxerga elas e para, perplexo, olhando diretamente para , que não pôde deixar de se sentir constrangida, pois todos os olhares se direcionaram para ela. Ele seguiu até ela antes que elas chegassem, ainda com um olhar perplexo, mas com um sorriso na boca.
- Oi, Tom. – Ela lhe deu um beijo assim que ele chegou perto. – Que foi?
- Só tô impressionado com a beleza da minha namorada – ele falou, e ela revirou os olhos, fazendo as amigas em volta sorrirem.
estava com um vestido preto e branco tomara-que-caia, com um cinto marcando sua cintura. Ela não havia tirado o casaco ainda. Ele era preto e aberto. O sapato também era preto e bem alto. A bolsa de mão também preta. Ela, apesar de estar monocromada, estava muito chique. (Veja o look.)
- Ai, Tom, achei que fosse alguma coisa séria – ela disse corada.
- É sério – ele disse, sem rir. – Vamos lá com os guris.
Ele nem precisou falar com as gurias, pois elas já tinham se encaminhado até eles no meio da conversa entre ele e . Eles chegaram e Harry estava com uma cara um pouco emburrada.
- Que foi, cara? – Tom perguntou ao se sentar no banco em que ocupava antes das garotas chegarem.
- Bobagem dele. – ria da situação.
- Bobagem nada! Não dá um minuto que eu desvio o olhar que já tem um cara olhando pra – Harry disse, indignado.
- Eu não tenho culpa se olham pra mim.
- Tu não tem, mas eles têm.
- Deixa de ser ciumento, Harry! – se intrometeu na conversa. - Deixa a ser feliz e se arrumar bonitinha.
- É, Harry! Ela demorou séculos pra escolher a roupa só pra te agradar. – completava e corara com o ultimo comentário, desnecessário na opinião dela.
Harry deu uma olhada por inteiro na garota que estava em seus braços. Ela vestia um vestido xadrez verde, marrom e bege. Era todo de abotoar, e vestia por baixo uma meia calça preta. Um sapato quase de bonequinha, de veludo bordô, com um salto fino e alto. Sua bolsa tinha uma alça curta, era cinza e tinha um laço no meio. O casaco que já tinha pendurado na cadeira era marrom muito bonito. (Veja o look.)
- Se quis me agradar, conseguiu. – Ele sorriu pra ela, que ainda estava corada, e logo depois a beijou.

Já havia passado um tempo desde que as garotas chegaram e ainda faltava bastante para a virada de ano. Estavam todos reunidos ali perto do bar, inclusive Thiago, Amy e Casey, que haviam se juntado pouco depois das garotas.
Agora que pararam para ver como o lugar era bonito. Era temático. Estava escrito numa parede bem grande “Polynesian Paradise”. Tinha mais um andar para cima que elas ainda não tinham ido conhecer. Tinha luzes coloridas perto do bar, que oferecia vários coquetéis diferentes. Havaianos, pelo que parecia. A iluminação se dava por meia luz e velas nas mesas. Era um lugar bem romântico.
- Hey!! – Danny gritou, abanando para algum lugar. – Os SOD vieram! – ele falou para os amigos e todos olharam para o grupo de garotos que chegavam.
- Heeey, caras! – chegou James na frente dos outros.
observou cada integrante dos SOD, todos estavam. Parou em Dave, deu uma olhada em volta como se estivesse faltando um integrante da banda.
- Procurando alguém? – falou mais baixo, percebendo o olhar da amiga.
- Não, ninguém – tentou disfarçar.
- Eu vi tu parando o olhar no Dave... – cutucou.
- Credo, ! Dave é só um amigo.
- Não é bem do Dave que tô querendo falar, ...
- É, o Ed não veio com ele – ela se deu por vencida.
- Ai de ti se o Danny percebe que tu tava procurando pelo Ed.
- Ele não vai perceber porque eu nem procurei – mentiu e voltou aos amigos que conversavam animados.

- Vocês já conheceram o andar de cima? – perguntou interessada.
- Já, é bem bonito lá – Dougie respondeu.
- Queria ver como é. Vamos comigo? – sorriu para o garoto.
- Ah, ... – ele fez uma careta.
- Tu é um preguiçoso mesmo, né, Poynter? – fechou a cara.
- Eu vou contigo, . – se ofereceu. – Também quero ver como é lá em cima.
- Também vou. – se juntou as amigas que já se encaminhavam as escadas no fundo do pub. – Vamos, ?
- Não, obrigada. Sou preguiçosa também. – Ela riu. – E quero ficar com meu Tommy. – Virou para o namorado e deu um beijinho de esquimó. – Sem deixar meu homem solto perto dessa Casey – falou baixinho pra si mesma e olhou torto para a garota que estava no meio da roda, enrolando seu cabelo com um dedo e rindo descaradamente.
- Falou alguma coisa, amor? – Tom perguntou atencioso.
- Não... Mas se quiser pegar alguma coisa pra beber eu aceito. – Ela sorriu, aproveitando a situação. Ele fez uma careta e levantou. Voltou do bar com um coquetel com dois canudos.
- Vamos experimentar esse coquetel. Vi o barman entregando pra um cara do meu lado.
- Parece bom. – aceitou.
Pelas costas de Tom ela pôde perceber o olhar invejoso de Casey sobre eles. Logo que a garota viu que tinha percebido seu olhar, desviou para os outros garotos. Ela era a única mulher entre eles, estava se achando mais do que nunca. Enquanto e Tom apreciavam seu coquetel um pouco afastado do grupo, Thiago e Amy tinham saído para dançar. Dos SOD estavam apenas Chris, Dave e Steve ali. Os outros saíram “à caça”, como eles próprios disseram. Ela dava em cima de cada um, sem discrição nenhuma. Dave e Steve até que gostavam. Uma hora Dave sumiu e ela também. Todos sabiam bem o que estava acontecendo. Steve resolveu dar umas voltas também. Restou Danny, Dougie e Harry, que fecharam uma rodinha para conversar. Danny tinha nas mãos uma garrafa de cerveja, depois de tomar algumas taças de champanhe. Logo Casey voltou e se juntou ao grupo dos três garotos. Dave não apareceu depois como o esperado. E, claro, ela não perdeu tempo. Se atirava para eles. a cuidava mesmo estando com Tom.
- Essa vadia não vai pegar os homens das minhas amigas – ela comentou baixinho, e Tom se virou para ver o que ela olhava.
- Tu tem uma implicância com a Casey. – ele comentou voltando a sua posição anterior, de costas para os amigos.
- Nem vou discutir contigo, Tom. Vocês não entendem ou se fazem muito.
Dava para ver que Harry não estava gostando muito, tanto que saiu dali depois de um decorrido tempo. Dougie era indiferente, bebia seu champanhe, de vez em quando olhava em volta, respondia alguma pergunta da garota. Danny já estava mais simpático, ria com ela, puxava mais assunto e até tocava no ombro dela, como se fossem mega íntimos.
- Diz pro Danny parar de beber – falou e Tom revirou os olhos ao ver que ela continuava olhando para trás dele. – Isso vai dar merda.
- , a vida é dele, não vou me intrometer – ele respondeu e suspirou. – Quer fazer o favor de prestar atenção em mim e deixar essa garota pra lá? – ele tocou seu rosto, fazendo-a olhar em seus olhos e, então, a puxou para um beijo.

- É lindo aqui, né? – quase gritava, devido à música mais alta no andar de cima.
- Lindo! Não sei como a gente não veio aqui antes! – olhava maravilhada para a decoração.
- Gurias, vamos descer? - falou parecendo agoniada com alguma coisa.
- Por quê, ? Tá tão legal aqui. – falou sorrindo.
- Ela não quer passar a virada de ano longe do Dan – disse , imitando a amiga quando disse “Dan”, e fazendo as outras rirem.
- Também – disse. – Mas não sei, alguma coisa me diz que eu tenho que voltar pra lá.
- Tá bom, então vamos. – não entendeu direito, mas preferiu concordar com a amiga.
No meio do caminho, parou de repente.
- Que foi, ? – perguntou preocupada, observando a amiga que olhava para um lugar fixo, para onde ela e olharam também, mas não viram nada de mais a não ser pessoas.
- Olha quem tá aqui! – falava surpresa, colocando uma mão no roso.
- Meu Deus, quem? – perguntava impaciente.
- O Will – ela responde,u ainda com o olhar fixo no mesmo lugar.
As amigas olharam novamente para onde ela sustentava o olhar e puderam ver um garoto surpreso sorrir e se levantar da mesa caminhando em direção a elas.
- do céu, quem é Will? – falava mais baixo, pois o garoto se aproximava.
- , que surpresa te ver aqui! – O garoto alto, moreno e de olhos verdes chegou perto delas.
e discretamente olharam-no de cima a baixo e depois se entreolharam.
- Eu que o diga! Como vai? – pareceu mega simpática, fazendo as amigas ficarem mais curiosas ainda.
- Tô bem. Veio passar o ano novo aqui? – sempre com suas perguntas idiotas.
- Pelo que parece sim, né? – Eles riram. – Deixa eu te apresentar – puxou as amigas para mais perto. – Essas são e . Gurias, esse é o Will, primo do Jimmy. – As garotas sorriram, tentando disfarçar toda aquela curiosidade/surpresa/confusão, e ele sorriu de volta. – É primo, né? – se virou para Will querendo confirmar o que tinha dito.
- É, isso mesmo.
- Então, nunca mais apareceu lá no prédio.
- Pois é, andei bastante ocupado. Mas depois desse feriadão de natal/ano novo eu volto pra fazer uma visita lá.
- É, eu também volto a trabalhar depois do feriadão.
- , precisamos descer. – interrompeu a conversa.
- Ah, é. Desculpa, Will, tenho que ir. Nos vemos por aí. – sorriu sem graça e abanou para o garoto.
- Tudo bem. Nos vemos sim – ele falou com certa certeza a última frase.
As amigas seguiram em silêncio até a escada. Mas pararam assim que chegaram no meio, onde tinha uma divisão de um lance para outro.
- Me explica isso direito, por favor. – disse .
- Ele é sobrinho dos Turner e eu o conheci um dia lá enquanto eu cuidava das crianças. Simples. – tentava fazer pouco caso.
- Hum... Sei. – não se convenceu muito.
- Tá, eu já tinha cruzado várias vezes com ele no elevador. Mas é só.
- Ele é bem bonito. – disse, rindo baixo.
- Ô se é! Imaginem eu toda suada, descabelada, vermelha depois de voltar da minha jogada de tênis encontrando esse cara no elevador! – se animara com a conversa e as amigas riram da situação contada.
- Mas parece que não afetou em nada – disse , maliciosa.
- Ele parecia caidinho por ti, . – completou.
- Ai, gurias, nem é...
- Oi, interrompo? – Harry chegou do nada, assustando as garotas.
- Claro que não. – sorriu e abraçou o garoto. – O que faz vagando por aí?
- Vim te procurar. Deu saudade. – Ele sorriu, e ela se derreteu toda.
e se olharam e resolveram deixar o casal se beijando sozinhos.
- Meia-noite, todos juntos, hein? – avisou quando passou pelo casal.

Ao chegarem no grupinho, que já continha e Tom de novo, elas viram Casey se esfregando nos garotos. Nos seus garotos. Correram sutilmente até eles se abraçaram como se dissesse “esse é meu, querida”. Ela fez uma careta e desviou para conversar com Amy, que junto com Thiago também já estava no grupo.
- Como a Amy, tão querida do jeito que é, pode ser amiga de uma pessoa assim? – fez cara de nojo.
- Elas se conhecem há anos. Parece que estudaram juntas na escola. – Thiago tentava explicar algo que não esperava explicação.
não disse nada.
- A não tava com vocês? – Dougie perguntou depois de contar todo mundo e ver que faltava alguém.
- É, tava, mas o Harry raptou ela – respondeu.
- Ah, é! O Harry também não tá aqui! – ele disse como se tivesse feito uma grande descoberta e então levou um pedala de Danny. – Olha quem, me dando pedala!
- Pelo menos não fui eu que falei essa idiotice! – Danny falou se gabando, dessa vez com um coquetel na mão.
- É bom esse coquetel, Dan? Não tô a fim de tomar champanhe, vou tomar só no brinde pra não fazer desfeita.
- Nossa, super bom!! – ele disse animado. – Provei outros três já, mas esse é melhor!
- Credo, Danny! Essa mistureba não vai te fazer bem!
- Eu sou forte, . Ainda vou experimentar todos do bar. – Ele sorriu e beijou a garota. – Quer que eu pegue um pra ti?
- Queeero. - Falou manhosa.
- Ai, não tô a fim de ficar parada. Vamos passear um pouco, Dougie? – parecia inquieta ao ver o movimento em volta. – Não tem essa de tá com preguiça, vamos! – disse antes de o garoto poder responder.
- Quem disse que eu ia negar? Tô afim de dar umas voltas também – ele disse, levantando de seu banco e pegando a mão da garota.
- Eba! – ela o puxou para um beijo e então sumiram no meio da multidão.
- Será que o Bili ‘tá bem sozinho em casa? – se juntou a Tom e , que estavam numa mesa separada, mas ao mesmo tempo perto dos outros, enquanto esperava seu coquetel.
- Ele tá bem sim, . A Lady e a Bella tão fazendo companhia pra ele. – respondeu querida.
- Mas eu queria que eles estivessem com a gente comemorando – reclamou.
- Eles quem? – Danny chegou com dois coquetéis, um para ele e outro para .
- Bili, Lady e Bella. – respondeu.
- Ah, também queria o Bruce aqui com a gente. Mas não dá, né? – ele fez uma cara de quem queria consolar, mas não deu muito certo.
então voltou sua atenção ao coquetel e a Danny, com quem conversava baixinho e trocava selinhos de vez em quando. pareceu ficar pensativa.
- Ficou pensativa. – Tom chegou mais perto dela, beijando-a carinhosamente.
- É... Mas nem vem ao caso agora. Estamos no meio de uma festa – ela respondeu, depois do beijo.
- Não vem me dizer que é sobre a Casey. – Tom meio que se afastou.
- Nãão, nem é! – falou tranqüila, e Tom voltou a se aproximar. – É só que eu sou a única que não tenho bichinho pra me preocupar.
- A tem bichinho? – Tom perguntou tentando lembrar de mais algum bicho dentro do apartamento.
- A bonsai. É quase um bichinho. – eles riram. – Mas deixa pra lá. Vamos atrás da e do Harry antes que eles passem a meia-noite longe da gente. – Ela se levantou estendendo o braço, convidando-o para ir junto. Ele agarrou sua mão e a puxou para mais próximo, andando abraçados.

- Ah, vamos dançar essa música, vem!! Eu gosto tanto dela! – puxava Dougie para a pista de dança. - , eu sou péssimo em danças. – ele parecia tímido.
- Ninguém é péssimo em nada, Dougie! Vem de uma vez. – Ela puxou e começou a dançar perto dele que se balançava de uma maneira engraçada. – Viu? Tá ótimo! – ela falou depois que ele se soltou um pouco.
- Nossa, ótimo! – ironizou ele, depois riu.
Assim que a música acabou, Dougie tentou sair da pista de fininho tentando levar junto.
- Nem pensar, quero dançar essa também. – Ela percebeu e logo cortou os baratos dele, fazendo-o ficar mais ali.
- Eu tô com sede, . Vou ali no bar – arrumou uma desculpa para sair, e ela estreitou os olhos, mas aceitou.
dançava animada no meio da pista que por sinal estava bastante cheia. Então ela sentiu alguém por a mão em seu ombro.
- Que rápido! – ela se virou e viu que não era Dougie quem estava ali.
- Eu rápido? Pensou que eu fosse demorar pra te procurar? – Will soltava um olhar mais sorriso encantadores.
- Desculpa, achei que fosse outra pessoa. – sorriu sem graça.
- Eu imaginei. – Ele riu. – Posso te fazer companhia?
- Claro. – Talvez ela não tivesse certeza daquilo.
Mas os dois ficaram dançando na pista, ela relaxou depois de um tempo. Ele levava jeito para a dança e óbvio que ela percebeu isso. As músicas iam passando e ela se esquecera totalmente que Dougie tinha ido ao bar. Para ajudar começa a tocar uma música lenta e todos os casais da volta se juntaram para dançar. olhou em volta e depois para Will que olhava para ela com aqueles olhos verdes maravilhosos num convite para se juntar. Ela sorriu tímida e em seguida passou os braços pelo pescoço dele, mas não se aproximou tanto. Já ele passou as mãos em sua cintura puxando-a para mais perto.
- Posso falar uma coisa? – ele perguntou ao seu ouvido e ela se arrepiou toda.
- Pode – falou fraco.
- Tu tá ainda mais linda hoje.
Ela na respondeu, mas pôde sentir suas bochechas corarem. Sorriu e agradeceu por ele não poder ver seu rosto.
- Atrapalho? – uma voz fez com que saltasse para longe de Will.
- Dougie! – ela falou, sem ter nada para dizer.
- ! – ele tentou imitá-la no tom de voz. – Podem continuar ,se atrapalho. Eu volto para o bar, não se preocupem.
- Não, Dougie. Peraí! – quase gritou para o garoto que lhe dava as costas. – Desculpa, Will. – Ela virou para o garoto, que continuava parado e balançou a cabeça num assentimento.
então foi atrás de Dougie, que estava quase sumindo na multidão, só se via seu cabelo loiro. Ai, aquele cabelo que ela era louca. Ela então o alcançou e gritou seu nome de novo. Ele virou sem paciência.
- Por favor, Dougie. Não era nada demais.
- Nada demais? – ele parecia incrédulo.
- A gente só estava dançando, não fizemos nada além disso.
- Dançando colados, tu quer dizer. Ainda por cima com qualquer um.
- Ele não é qualquer um. O nome dele é Will, é sobrinho dos Turner, a família que eu trabalho.
- Hum... – ele não disse mais nada.
- Por favor, Dougie. Não quero brigar contigo em pleno ano novo. – Ele continuou quieto. – Era só uma dança... Tudo bem, eu sei que não precisava aquela proximidade toda...
- É, não precisava. – ele disse rabugento e ela ficou o olhando, sem saber o que dizer mais. – Tá, . Também não quero começar o ano brigado contigo. – Ele abriu um sorriso torto sem vontade e ela, ao contrário, abriu um sorriso com muita vontade.
- Vem cá, vem. – Ele estendeu o braço ainda com o sorriso torto no rosto, porém agora com mais vontade, e ela pegou sua mão, então ele a puxou delicadamente, abraçando-a e depois de olhar bem nos olhos dela lhe deu um beijo intenso que durou alguns minutos adoráveis.

Capítulo 33

Quando e Dougie chegaram ao grupo, todas as pessoas já estavam reunidas. Pareciam estar à espera deles.
- Até que enfim! Achei que fossem passar a virada longe da gente. – Thiago falou assim que eles se acomodaram em um banco.
apenas sorriu e então percebeu as caras emburradas de e Harry.
- O que aconteceu? – ela perguntou para a amiga que estava ao seu lado.
- O Harry de novo com essa ciumera chata! – ela despejou rapidamente, fazendo os outros ouvirem também.
- Ah, não acredito!! – disse Danny que já se mostrava bastante afetado pelo álcool. – Vamos todos fazer as pazes! Não podemos passar a virada brigados!
- É, Harry!! Deixa de bobagem, vai! Garanto que nem foi nada demais. – Tom dizia ao amigo, que parecia inquieto.
- Viu, todos concordam comigo – disse a Harry, cruzando os braços.
- Eles nem sabem do que se trata! – ele falou emburrado.
- Mas nós sabemos que a não faria nada para te aborrecer. Ela é um doce de pessoa. – Dougie completou, tentando convencer o amigo.
- Brigada, Dougie! – falou meiga e ele sorriu para ela de volta.
- Viu, Harry? Vamos lá, faltam poucos minutos pra meia noite. – Danny olhava para seu relógio de bicheiro. – Dá um beijo nela logo e façam as pazes!
- Primeiro façam as pazes, depois dá um beijo nela – corrigiu , fazendo todos rir, inclusive o casal.
- Tudo bem. Já tá tudo esquecido. – Harry levantou os braços como quem se rende. – Agora é a hora do beijo, virem pra lá. – Ele brincou com os amigos e beijou suavemente.

Todos se reuniam no meio do pub para a contagem regressiva.
- Dez, nove, oito, sete... – Mahiki gritava em uníssono.
- Te amo, sabia? – Tom disse ao ouvido de , com quem estava abraçado, ela de costas para ele.
- Também te amo, mas presta atenção na contagem, Tom – ela virou e lhe deu um breve selinho e voltou a contar.
- Quatro, três, dois...
- UUUUMM!! ÊÊÊÊ!!
- Feliz ano novoooo! – Danny saiu gritando enquanto abraçava todo mundo.
- Feliz ano novo, Dan! – o abraçou com força e ele a suspendeu no ar e a beijou intensamente.
Assim que ele a soltou, foi abraçar Casey, que estava abraçando todos que via pela frente. sentiu seu sangue subir à cabeça, mas se controlou. Afinal era ano novo, vamos ser felizes e deixar que os outros sejam também, nem que seja por alguns breves segundos.
Após todos se abraçarem, os casais voltaram a se formar e ir para sua mesa perto do bar. Todos pareciam mais animados ainda, o barulho era grande em todo o pub. Já tinha começado uma nova música após o DJ desejar feliz ano novo para todos os presentes e muitos voltaram a dançar no meio da pista. viu Will entre eles e ele também a viu. De longe se desejaram feliz ano novo, apenas com leitura labial e um aceno. Dougie viu a cena, mas preferiu não falar nada.

- Danny, não acha que foram coquetéis, cervejas e champanhe demais? – se preocupava com o garoto, que tinha os olhos vermelhos e ria descontroladamente, falando muitas bobagens com frequência, porque falar bobagens ele sempre fala.
- É, cara, quem sabe você não para por aqui? – Thiago que estava próximo sugeriu, também preocupado.
- Que nada, tô super bem. – Danny respondeu, enrolando um pouco a língua e apenas soltou um suspiro.
- , vamos dançar? – a convidava, animada.
- Não, . Prefiro ficar aqui. – E direcionou o olhar a Danny, e a amiga entendeu, seguindo junto com os outros para a pista.
Dougie, Casey, Amy, Thiago e Dave ficaram com eles. Dougie já tinha passado da conta também, ria e falava bobagens junto com Danny. Dave tentava mais alguma coisa com Casey, pelo que se podia perceber, mas sem muito sucesso, pois a garota queria outro. A fila anda e ele já tinha passado. Então com sua última e frustrada tentativa desistiu e foi para a pista junto com os outros.
- Droga, preciso ir ao banheiro! – resmungou baixo.
- E por que não vai? É logo ali, ó. – Danny quase gritou, apontando para as portas que havia num canto um pouco longe dali. Ela não respondeu.
Ficou observando o terreno. Thiago e Amy se agarravam, Casey dava em cima de Dougie e Danny, mesmo com ela ali. Não tinha condições de sair dali e deixar a vadia sozinha com eles. Estavam todos se divertindo, e ela ali de babá de um bebum chato que ela não queria entregar de mão beijada para uma garota nojenta e atirada. O bebum chato era seu bebum chato e ninguém tascava. se balançava inquieta, trocando o peso do corpo de uma perna para outra, tentando fazer a vontade de ir ao banheiro sumir. Ela queria na verdade era que essa loira sumisse! Mas não dava mais, ela não aguentaria ficar mais nem um minuto se segurando.
- Peloamordedeus, Dougie! – se virou de repente e falou muito rápido. – Cuida do Danny pra mim, não deixa ele fazer nenhuma bobagem!! Nenhuma, ouviu? – ela quase implorou para o garoto e então correu para o banheiro.
- O que foi que ela disse? – Dougie virou confuso para Danny apontando para que já tinha sumido dali.
- Sei lá, nem dá bola! – Danny soltou uma risada alta.
- Só ouvi o “nenhuma, ouviu?”... Mas nenhuma o quê? – Dougie ficou pensativo e deu de ombros. – Sei lá também. Me vê mais uma cerveja, cara! – se virou para o bar.

chegou tão rápido no banheiro que as pessoas que estavam ali se assustaram com a chegada repentina dela. Para ajudar, havia duas garotas esperando para usar as cabines. Ainda bem que eram duas. Ela sentiu estar naquele banheiro há horas, mas havia se passado poucos minutos. As meninas na frente dela já estavam usando o banheiro e ela agora esperava a primeira cabine liberar. Batia o pé impaciente no chão e as meninas que estavam fora das cabines a olhavam com mau humor.
- Toda apressadinha essa daí. Acha que o banheiro é só dela. – ela ouviu uma comentar para outra. Mas preferiu não dar bola, porque se fosse levar em conta teria dado um bofetão na cara dela para se calar. Apenas respirou fundo e finalmente viu uma porta se abrir.
A garota de dentro da cabine demorou um pouco para sair, parecia pegar sua bolsa do cabide que tinha atrás da porta e dar mais uma arrumada na sua calça. “Vamos logooo!!”, falava em pensamentos. E então, a garota saiu e ela correu para a cabine, ouviu ela dizer alguma coisa ao sair, mas não prestou atenção, não devia ser importante.

Thiago e Amy haviam sumido e Dougie se sentia incomodado ali por algum motivo que não sabia dizer qual era. Ainda tinha na cabeça o que tinha dito para ele, mas não conseguia entender o que ela havia lhe pedido.
De onde estava conseguia ver os outros amigos na pista e ficou observando dançar. Como pode ser tão bonita?
- Cara, a tá muito linda hoje! – ele comentou com Danny, mas não ouviu resposta. Mas ele nem queria resposta mesmo, queria ir até e se juntar aos amigos. Assim pelo menos passava seu incômodo.
Levantou-se sem nem olhar para o amigo e seguiu até onde eles estavam.
Danny olhou para ele, desviando sua atenção de Casey, que falava sem parar e não deu tempo de perguntar o que ele havia dito. Voltou então para Casey que lhe deu um sorriso provocante. Ele sorriu malicioso.
- O que tu tava falando mesmo? – Danny quis retomar o assunto.

Na cabine do banheiro, conseguiu aliviar um pouco de sua aflição, mas não a maior. Vestiu-se direito e tentou abrir a porta. Quem disse que a porta abria?
- Droga! – ela gritou dando um chute na porta.
Continuou tentando abrir, mas o trinco não queria ceder. Batia o corpo contra a porta, mas não conseguia nem arrombar. Ouviu alguém dizer:
- Com a pressa que entrou nem ouviu a outra dizer que não podia trancar essa porta.
- Droga! Droga! Droga! – ela reclamou mais baixo. – Alguém pode me ajudar em vez de ficar falando mal de mim? – ela falou para as que permaneciam do lado de fora da cabine.
- Só arrombando... – Ouviu uma que parecia mais simpática falar.
- Isso não me adianta muita coisa – ela respondeu com os dentes trincados.

Casey passava as mãos pelo peitoral de Danny e se aproximava cada vez mais, falando coisas que pareciam deixar o garoto louco. Não tinha momento melhor do que aquele para Casey conseguir o que queria. Estava sozinha com Danny, era só aproveitar.
- Opa! – Danny dizia rindo e percebendo as intenções da garota, tirando a mão dela que já tinha subido para o seu pescoço.
- Não tá gostando? – ela continuava a provocar, mas Danny tentava se manter forte.
Sem perceber suas mãos foram parar na cintura de Casey.
- Meu Deus! – ele piscou várias vezes e depois passou as mãos no rosto. Era visível o seu descontrole e o controle de Casey.
- Ah, Danny, vamos lá. Não quer se divertir um pouco?
- Eu já tô me divertindo...
- Se divertir de verdade. – Ela voltou a subir suas mãos do peito para o pescoço do garoto.

olhava em volta. O espaço por baixo não era grande o suficiente para conseguir passar, olhou para cima e viu o espaço que tinha. Era por ali que ela sairia. Subiu na privada e escalou a porta, deixando as garotas boquiabertas ao verem a cena de pendurada na porta.
- Se não tem outra maneira vai essa. Não posso ficar aqui a vida toda – ela disse assim que ficou no chão, arrumando a saia do vestido e os cabelos.
Saiu sem querer ouvir mais nada dentro daquele banheiro, só pensava em Danny no seu estado alcoólico e Casey no seu estado permanente de puta.

Danny não conseguia mais segurar a garota ela chegava cada vez mais perto, agora com o rosto, porque com o corpo não dava mais. Ele respirava forte e seu olhar era inquieto, ora olhando para os lados procurando uma saída, ora olhando para a boca de Casey que se aproximava lentamente da sua.

empurrava todos em sua volta até conseguir finalmente chegar a sua mesa, à mesa em que estava Danny. Parou estática ao ver o que ela queria evitar e achava que poderia ser bobagem de sua cabeça. Queria que fosse bobagem de sua cabeça, uma coisa impossível de se acontecer. Mas não era. Ela estava completamente certa ao ficar aflita em deixa Danny sozinho com a vagabunda. Onde estava o Dougie? Era para ele ter ficado ali! Mas não era hora de colocar a culpa nos outros. Danny estava a sua frente com a boca grudada na de Casey. Ele a agarrava com força, podia ver uma mão boba na bunda dela, quase pele a pele, pois aquele vestido era mais curto que um cinto. Ela estava pendurada nele, segurando seus cabelos com força também. O sangue subiu novamente para sua cabeça, só que dessa vez não tinha como controlar, era muito mais forte e muito mais cabível e não ia deixar passar. A raiva era tanta que ela chegou até eles sem nem pensar duas vezes e puxou a garota com uma força que ela não soube de onde tirou, o que fez Casey quase voar em cima da mesa. Danny a olhou apavorado, tentando falar alguma coisa, mas só saia gaguejos e palavras inexistentes.
- Não precisa falar nada, Danny, eu vi muito bem o que aconteceu – ela falava com os dentes cerrados de tanta raiva. Ele continuava tentando falar alguma coisa. – Isso não tem explicação, isso sim é motivo pra eu fica com muita raiva tua. – Ela enfatizou bastante a palavra “isso” nas duas vezes em que ela apareceu, lembrando da briga por causa de Ed.
- , foi ela que me agarrou – ele finalmente disse alguma coisa.
que já se virava para pegar suas coisas e sair se virou para ele com o rosto mais vermelho ainda. Não sabia como não tinha chorado ainda, a raiva tinha a tomado. Casey continuava no mesmo lugar em que a deixou, um pouco apavorada com a reação dela. Ela chegou perto de Danny, fechando a mão num punho e então, quando viu, Danny se contorcia de dor com as mãos na frente do nariz. Assim que ele afastou as mãos pode ver o sangue que saia de uma narina. Sentiu sua mão latejar de dor. Virou as costas e percebeu a plateia que acompanhava a briga. Ignorou e passou pelo meio dela batendo forte o pé.
Quando o grupo de amigos chegou à cena da briga, já havia saído e Danny continuava no mesmo lugar, olhando para sua mão ensanguentada.
- O que aconteceu? – se aproximou assustada. Olhou Casey como uma estátua de um lado, e Danny agredido de outro. Procurou por e não a encontrou. – A fez isso?
- Acho que sim... Não consegui ver direito. Quando vi meu nariz já tava doendo – Danny disse, gemendo ao final da frase.
- Sabia que ia dar merda! Sabia! – dizia, balançando a cabeça negativamente.
- Eu vou atrás da . – pegou suas coisa e saiu à procura da amiga.
- Acho que a festa acabou... – disse Harry chateado.
- Acho que sim. Não podemos deixar a sozinha – falava diretamente para ele.
- É, da última vez foi triste. Nem é bom lembrar – Dougie falou, sentando em um dos bancos.
- Tudo por causa dessa vagabunda. – falou baixo olhando Casey ser atendida por Amy.
- Nós vamos também – Thiago se pronunciou, pegando Amy pela mão. – Alguém quer uma carona?
- É bom levar a vad... – se interrompeu. - Casey pra casa, os guris levam Danny.
Os SOD ficaram sem dizer nada, apenas perplexo com a cena toda. Dave parecia mais frustrado ainda porque não tinha conseguido ficar mais com ela, e o seu amigo tinha ficado também, provocando todo aquele escândalo.
Infelizmente, a festa de ano novo acabou cedo para todos, os garotos não tinham mais vontade de ficar lá depois que as garotas haviam ido embora. E precisavam levar Danny para casa também, não iam deixar ele todo mal ali.


Capítulo 34

A rotina voltara. O feriadão acabara. O dia amanheceu frio, mas com sol, por incrível que pareça. não tocara no assunto da festa de ano novo e nem as garotas quiseram mexer nisso. Ela parecia bastante triste já, não iam deixá-la pior ainda. Nas noites seguidas da festa, pode ouvir o choro baixo da amiga. Aquilo não era certo. Danny errou e feio com . Doía-lhe bastante ouvir o choro dela e a deixava mais triste saber que Danny era o causador disso. Mas não tinha nada para fazer. Ele era seu amigo, amigo de Harry, ela o via seguidamente e não queria estragar sua amizade, pois o ocorrido não tinha nada a ver com ela. e pensavam o mesmo, continuaram agindo normalmente com o garoto. Depois de uma semana passada, parecia ter melhorado um pouco. Conversava mais, saia com as amigas, mas ainda evitava encontrar Danny.
- Que dia bonito, hoje! – se espreguiçou na cozinha.
- Ahã! – falou de boca cheia.
- Deixa de ser mal educada! – brincou com .
- Nem neva hoje, né? – parecia aleatória. Era o sono.
- A previsão diz que não – respondeu. – E pelo sol pode-se concluir que a neve não aparece por hoje mesmo. – Deu uma risadinha ao olhar pela janela.
- Bom, vou me arrumar. – saiu do balcão da cozinha.
Ela voltou rápido à sala, vestida com jeans, camiseta, moletom e mais um casaco a mão, que colocaria na hora que fosse enfrentar o frio da rua. Calçou suas botas quentinhas na sala mesmo (veja o look). As amigas a observavam, ainda preocupadas com seu humor. Logo as outras também se arrumaram, senão se atrasariam para o trabalho.
- Vamos? – perguntou perto da porta.
- Como assim, vamos? – perguntou confusa.
- Tu vai nos dar uma carona hoje – ela respondeu simplesmente.
- Mas eu nem ia de carro pro trabalho hoje.
- Como não? Tá frio e você vai nos levar. – Era quase uma ordem.
- Me esperem! – chegava até as amigas, pulando em um pé só para colocar suas sapatilhas rosa-bebê.
- Mas que menina chique, essa! – falou ao chegar depois dela.
- Preciso ficar arrumadinha para atender os clientes do senhor Windsor – ela respondeu, dando um sorrisinho após colocar seu cachecol (veja o look).
- Então tá, todas prontas? Vamos lá! – nem esperou resposta, e já foi abrindo a porta para sair e colocando os óculos escuros, seguida pelas amigas. – Já que me escalaram pra dar carona, tem que ser no meu horário.
- Prontinhas! – bateu continência.

No carro, passava as estações na rádio rapidamente.
- Não tem nada que preste nessas rádios – ela comentou, cruzando os braços depois de deixar em qualquer uma.
- Também, o que vai tocar de bom de manhã? Ninguém ouve rádio a essa hora. – olhava para frente, concentrada no trânsito.
Depois de um curto silêncio elas começaram a ouvir uma música que lhes era familiar. Entreolharam-se e sorriram.
- Five colooours!!! – gritou do banco de trás.
- Que liiindo! A música dos guris ‘tá tocando na rádio!! – queria tirar o olhar do trânsito para olhar as amigas.
- O que vai tocar de bom de manhã? – imitou a amiga. – McFly toca de manhã! – Elas riram.
Todas cantavam junto até que o celular de tocou e ela voltou a atenção a sua bolsa. Viu no visor o nome de Tom e anunciou para as amigas sorrindo.
- Oi, amoor! – ela quase gritou. – Claro que ‘tô ouvindo, ó! – E direcionou o celular ao radio, sem pensar que o som não saia dali e sim das caixas de som. – Parabéns! Tão lindo ouvir tua voz no rádio – ela falou manhosa. – Tá no estúdio já? Ok, amor, tenho que desligar porque já tô chegando à locadora. Beijos. Também te amo. – Ela desligou e seguiu , que já saia do carro.
- Brigada pela carona, . – jogou um beijinho no ar.
- !! – a chamou antes que ela fechasse a porta. – O cachecol. - E lhe entregou o cachecol que tinha caído no chão do carro. – Não vai sentir frio com essa roupa?
- Agora não adianta mais, já saí de casa. – Ela riu e agradeceu às amigas, se juntando a .
Realmente, sentiu o vento frio batendo contra seu corpo. O casaco que vestira era muito fino e o blusão não dava conta de esquentar (veja o look).
- Ah, lá dentro é quentinho – ela falou pra si mesma, ainda com um sorriso no rosto pela música dos garotos ter tocado na rádio.

estacionou o carro logo em frente ao elegante prédio dos Turner, ainda sem acreditar que ouvira McFly na rádio. Era tão bom para eles isso. Já tinham fãs antes de ter CD e tocar em rádios, imagina agora que tá sendo mais divulgado! Antes de descer do carro, mandou ma mensagem para Dougie. Ela entrou no apartamento meio perdida em pensamentos, largou a bolsa junto com seu casaco, touca e cachecol no cabide e foi ver os meninos, que pareciam que ainda estavam dormindo (veja o look).
Ao passar pelo quarto dos Turner, pôde ver Nancy arrumando algumas roupas, a cumprimentou e seguiu para os quartos das crianças. Dito e feito, eles ainda estavam dormindo. Voltou para o quarto dos patrões e ofereceu ajuda à Nancy, já que não tinha nada para fazer. Até que não demorou muito para que Jimmy choramingasse de sua cama e então foi atendê-lo.
A manhã pareceu se estender por bastante tempo. Johnny estava um pouco doente e Jimmy insistia em querer brincar com o irmão. , durante uma tentativa de distrair o pequeno Jimmy, se pegou pensando em Will. Ele disse que ia aparecer depois do feriadão, e até agora nada dele.
Ela ouviu o barulho da porta se abrir e pensou que pudesse ser ele, mas logo ouviu a voz da senhora Turner falar com Nancy. Bom, pelo menos ela poderia sair para almoçar.
- Oi, . Como estão meus garotinhos? – ela chegou, pegando Jimmy no colo.
- Jimmy está bem, mas Johnny acordou um pouco doentinho, acho que pode ser gripe. – falou, olhando para o garoto que estava deitado no sofá.
- Já deram algum remédio?
- Ainda não. Estava esperando falar com a senhora antes.
- Então tá, . Se quiser sair para almoçar, pode ir. Eu cuido do Johnny.
- Obrigada, senhora Turner. Até logo. – se levantou e pegou suas coisas para sair. Assim que saiu do elevador, pegou seu celular e ligou para Dougie.
- Hey! – ela falou animada.
- Oi, ! – Dougie respondeu do mesmo jeito.
- Adivinha! Tô livre na hora do almoço, vamos almoçar?
- Desculpa... Mas estamos todos no estúdio fazendo uns ajustes finais. Nem sei que horas vou sair daqui hoje.
- Ahn... – ficou muda por um momento. – Tá bom então. Boa gravação pra vocês.
- Ah, , não fica assim! Quantas vezes eu tava livre pra almoçar e tu não podia?
- Tudo bem, já me conformei. Juro. – Ela até soltou uma risadinha fraca.
- Prometo recompensar quando a gente se vir. – Ele disse malicioso.
- Ui! Mal posso esperar! – ela riu com mais vontade. – Bom, então eu vou lá almoçar com as gurias, eu acho.
- Ok, mande beijos pra elas.
- Mandarei. Ah, foi muito legal ouvir vocês na rádio hoje mais cedo!
- Não consegui ouvir, mas o Tom me falou quando eu cheguei aqui e depois vi tua mensagem. Fiquei emocionado do mesmo jeito. – Eles riram. – Beijo. E não se esquece da recompensa, hein?
- Nem precisa pedir. Beijo.
encostou-se no carro e ficou pensativa. Quando deu meia volta para entrar neste, ouviu alguém lhe chamar.
- Heey! – ela abriu um sorriso ao ver Will. – Até que enfim apareceu – falou, quando o garoto já estava próximo dela.
- Sentiu minha falta?
- Não, é que tu disse que ia aparecer depois do feriadão... – ela falou sem jeito.
- E hoje não é depois do feriadão? – Will riu, seguido por ela. – Então, saindo pra almoçar?
- Ahã.
- E seria muito incômoda a minha adorável companhia? – ele brincou.
- Hum... – fingiu pensar. – Seria ótimo!

estava concentrada em seu trabalho quando foi interrompida por um barulho irritante. Parecia de martelo, mas quem martelaria dentro do escritório de uma gráfica? Assim que desviou o olhar para o lugar de onde vinha o barulho pode ver Mitch saindo da sala ao lado com uma maleta que parecia de ferramentas.
- Oi, ! – ele a cumprimentou ao passar por ali.
- Mitch! – ela o chamou antes que ele sumisse de novo. – O que tá acontecendo aqui?
- É que o encanamento do banheiro estragou, daí eu tô ajudando o pessoal da obra abrir a parede.
- Ótimo momento para se estragar o encanamento. – Ela riu.
- Aliás - ele voltou –, tu tá muito bonita hoje. – Ele sorriu tímido e continuou.
- Brigada. – ela disse, tímida também, antes que ele pudesse sumir.
Já fazia um tempo que ela percebera Mitch dando em cima dela. Quer dizer, desde sempre ele dá em cima dela. Só que ultimamente tem sido mais descarado. Não que aquilo não fosse bom para o ego dela, mas era constrangedor ouvir aquilo no trabalho. Questão de ética.
- Droga, já é hora de almoçar e eu nem consegui terminar isso daqui. – reclamava consigo mesma. – Vai ter que ficar para volta, meu estômago não aguentaria esperar mais.
Resolveu ligar para , não sabia por quê, pois ela nunca saía para almoçar. Mas naquele dia deu vontade, nem que seja para conversar um pouco com a amiga. Parou do outro lado da rua e catou o celular da bolsa. Sorte que aquela bolsa não era tão grande. Ela nunca achava o celular muito fácil, parecia que ele – o celular – ficava de brincadeira com ela. Esconde-esconde era a sua favorita. Como demorava para achar o celular, criou uma forma de não se irritar durante a procura deste: ficava pensando bobagens, até criar essa teoria. É, até que dessa vez foi mais rápido, menos de dois minutos. Discou para a amiga então.
- Oi, querida!
- Nossa, quanto amor. O que tu tá querendo de mim, hãn? – brincou.
- Ai, não posso ser carinhosa com a minha amiga que já pensam que eu tô sendo interesseira. – riu.
- Tudo bem... Oi, amada! Tudo bom contigo? – mudou seu tom de voz para um bem animado e riu.
- Tudo bom, sim... Queria saber se tu vai sair para almoçar hoje.
- Já saí, bem.
- Como assim já saiu? Dougie te raptou antes de mim?
- Não... ahn... Tô almoçando com o Will – falou sem jeito, parecendo não querer tocar no nome de Dougie.
- QUÊ? COM O WILL? AQUELE DO ANO NOVO?
- , querida, não grita – falou baixinho constrangida, com medo de que o garoto à sua frente pudesse ouvir o berro da amiga do lugar em que estava. – É, esse mesmo.
- Como assim, ? E o Dougie?
- , só saí pra almoçar. O Will me convidou e eu aceitei. Só almoço, sacou? – tentava não falar muito.
- Tudo bem, depois em casa tu me conta direito essa história. – pareceu se acalmar. – Já que tu me trocou, vou ligar pro Harry.
- Nem adianta. Eles tão no estúdio e não saem de lá tão cedo.
- Droga, fiquei abandonada...
- Vai até as gurias, oras. Elas vão aceitar tua companhia, tenho certeza.
- É, vou lá. Beijinho, .
- Beijo.
- E vai me contar tudinho, hein? – riu e concordou para desligar logo o telefone.
aproveitou que o celular ainda estava na mão e ligou para uma das amigas para combinar o almoço, então seguiu até o metrô para ir atrás de e .

- ! – entrou cantarolando na livraria, depois se deu conta de que tinha mais gente ali dentro e voltou ao seu tom de voz normal. – Vamos almoçar?
- Vamos sim, . Só deixa eu terminar de arrumar essa prateleira que aqueles pirralhos acabaram de bagunçar.
- Prateleira das revistas teens? – perguntou, ao pegar uma revista, e assentiu com um movimento de cabeça. – Hum, alguma interessante que fale dos guris?
- Nem li nada. Mas se tem, é a mesma coisa de sempre.
- É, pelo que o Tom me disse, eles não fizeram mais entrevistas.
- Bom, vamos? – terminou e se pôs a postos para sair.
- Ah, a ligou. – se lembrara de repente. - É pra esperar, porque ela vai almoçar com a gente.
- Ok, mas vamos esperar ali fora.

As três já haviam terminado de comer, mas continuaram no restaurante conversando. Até tocarem no assunto delicado.
- , sabe... O Danny queria falar contigo. – falava um pouco hesitante sem saber como a amiga agiria.
- Que fique querendo – ela respondeu com desdém.
- Quando era tu que queria falar com ele na última vez, tu não pensava assim. Dá uma chance pra ele se explicar. – já não hesitava tanto.
- Dessa vez foi bem diferente, . Eu o vi beijando a vadia. E eu nem fiz nada de mais com o Ed. – enfatizou o “bem”.
- Mas ele tá querendo se redimir. Tu nem deixa ele chegar perto, nem atende os telefonemas dele... – insistia.
- Gurias, não dá. Pra mim, aquilo não tem como perdoar.
- Talvez se tu ouvisse ele... – fez um comentário, na intenção que a amiga a levasse em consideração.
- Não adianta insistir. – parecia mais irritada, e então as outras preferiram terminar com aquele assunto.
- Bom, já tá na minha hora. – ia se levantando. – Mais tarde a gente se fala, e vocês me ajudam a terminar de encaixotar as minhas coisas.
- Ai, nem me lembra que tu vai nos abandonar. – disse cabisbaixa.
- E olha que eu adiei a mudança, hein? – agora as amigas a seguiam até o caixa. – E vocês podem me ver todos os dias. Eu só vou para o apartamento de cima.
- Mas vai fazer falta lá no apartamento da , oras. – disse .

Ao chegarem de volta ao apartamento dos Turner, e Will foram ver as crianças. Eles chegaram animados conversando um pouco alto, até Nancy lhes chamar a atenção. - Eles estão dormindo, façam menos barulho.
- Desculpa, Nancy – disse Will, rindo baixo.
Os dois então foram até a sala da televisão e acabaram vendo um jogo de futebol. Will parecia animado ao ver que também gostava.
- Sabe, eu tava querendo ir num jogo de futebol aqui na Inglaterra. Nunca fui. – ele disse olhando para ela. – Não quer ir comigo?
- Jura? Claro que eu quero! Tem um do Arsenal contra Liverpool. Vamos nesse?
- Fechado. – Ele se encostou de volta no sofá e sorriu.
- Queria ver também um jogo na Itália. É legal lá?
- Nossa, é muito bom os jogos de lá. Te levo um dia.
- , acho que o Jimmy tá chamando. – Nancy apareceu no batente da porta.
- Ah, vou lá ver ele.
Chegou de volta à sala de TV com o menino no colo.
- Que tal a gente lagartear um pouco nesse sol? – perguntou para Jimmy e Will ao mesmo tempo. – Tá tão gostoso o dia.
- Acho uma boa idéia, né, rapagão? – Will levantou imediatamente do sofá e fez carinho na bochecha do garoto, que ainda estava com cara de sono.
Os três desceram, Jimmy entrouxado de roupa para não sentir frio e se gripar que nem o irmão. Foram até a pracinha mais perto e se sentaram em um banco, deixando Jimmy brincar com as outras crianças que estavam ali. Os dois observavam o garotinho com muita afeição e sorriam cada vez que ele mostrava alguma brincadeira nova.
- Ele tá tão crescido – Will comentou.
- Nem me fala. Comecei a cuidar dele não faz um ano, e ele já cresceu horrores. Tá lindão! – Ela riu.
- O filho de vocês é muito adorável – uma senhora que estava próxima deles comentou.
- Ah, ele não é nosso filho. – falou sem jeito. – Eu sou a babá dele.
- É, e eu sou o primo.
- Ah, me desculpem! – a senhora ficou constrangida com o erro cometido.
- Somos muito jovens ainda pra pensar em filho. – tentou descontrair.
- Isso mesmo, aproveitem enquanto são jovens! – a senhora se despediu e continuou seu rumo.
Não deu meio metro que ela se distanciou, e e Will caíram na gargalhada.

Estava acabando o expediente, quando viu Jasper voltando de uma entrega e comentando alguma coisa sobre o cliente. Ela arrumava suas coisas para ir embora, mas ficou de orelhas em pé para ouvir o que o colega falava.
- O cara não para um instante. Tem sempre uma garrafa térmica cheia de café do lado do computador.
rapidamente lembrou de Ed. Não tinha nem como esquecer de Ed. Lembrou do dia em que o viu pela primeira vez, da mesma maneira que Jasper comentou. Trabalhando sem parar com seu café do lado. E a barba por fazer, as roupas desleixadas, o cabelo bagunçado... Aquilo tudo podia caracterizar um mendigo, mas em Ed ficava tão perfeito.
- É o tal do Edward Bass, ele sempre pede alguma coisa da livraria – Jasper respondeu a alguma pergunta de outro colega.
Era realmente ele.
Quando deu por si, já estava praticamente vazia a loja. Só tinha ela e o senhor Oscar, que parecia muito cansado.
- Não vai para casa, senhorita? – o velho foi carinhoso como sempre.
- Já estou indo, seu Oscar. Só terminei de arrumar isso aqui. – Ela sorriu para ele e foi retribuída. – Boa noite!
- Boa noite, querida!
- Achei que não fosse sair nunca. – a esperava do lado de fora.
- O Tom não veio te buscar hoje?
- Não, ele ainda tá no estúdio.
- Ah...
- O Danny perguntou por ti – falou rapidamente.
- De novo com isso, ?
- Só tô te falando que ele perguntou por ti, não tô dizendo que é pra tu fazer alguma coisa.
- Ok. Responda a ele que eu estou super bem. – sorriu, e a amiga estranhou. Ela pensou de novo em Ed. – Vamos logo que eu tô congelando.

esperava por em frente ao enorme prédio da gráfica. Sentiu alguém se aproximando, e viu Mitch sorrir para ela.
- Já tá indo? – ele perguntou, e ela afirmou com a cabeça. – Quer uma carona? Tô de moto.
- E a Rose? – perguntou. – Que eu saiba só cabe duas pessoas em uma moto. – Mitch riu.
- Ela vai ficar até mais tarde hoje. Disse que eu podia ir embora já.
- Ah! Mas nem precisa se incomodar. Tô esperando a , ela vai passar aqui.
- Mas não é incômodo. Vamos lá, vem. – Ele ofereceu um capacete para ela. Ela hesitou, olhou para sua saia e sorriu fraco.
- Não acho que seria uma boa idéia, Mitch. Mas muito obrigada!
- Tudo bem, de nada. – Ele pareceu triste, e se sentiu culpada e o olhou com piedade.
Ia começar a falar alguma coisa, mas ouviu uma buzina e enxergou dentro do carro estacionado.
- Tchau, Mitch! Obrigada de novo. – Ele só abanou.

O apartamento estava bem bagunçado. Não sei se “bagunçado” seria a palavra certa. Ele estava cheio de caixas e malas, isso sim. As quatro amigas arrumavam tudo para a mudança de no sábado. Estavam todas atordoadas sem saber onde colocar as coisas até que uma música invadiu o espaço deixando-as mudas.
- É o meu! – pulou uma caixa e foi até a bolsa, e então as outras três continuaram o que estavam fazendo.
- Ain, Tominus, não faz assim – dizia, melosa. – Já passei quase toda a semana contigo. Hoje prometi que ia ajudar a . – Ela se sentara no banco alto. – Eu sei que a gente nem se viu hoje, mas amanhã a gente se vê bastante e eu vou dormir aí. – Ela parecia ter convencido o garoto. – Viu, nem adiantaria eu ir praí. Tu tá super cansado. Vai descansar, amor. Amanhã, eu prometo. Beijinhos.
- Tom te querendo lá? – falou, ao ver a amiga desligar o celular.
- É.
- A daqui a pouco se muda pra casa do Tom. – falou rindo. – Ele te quer todo o dia lá. Tu tem casa, oras. – Ela colocou a mão na cintura, fazendo as amigas rirem.
- É, ... Vai sobrar só nos duas nesse apartamento. – disse, depois de empurrar uma mala para a parede perto da porta.
- E ai de ti se me abandonar. – fingiu ser rude e elas todas riram e então voltaram ao trabalho de arrumar as caixas/malas.

Capítulo 35

O sábado começou cedo para todas, inclusive para e , que costumavam dormir até tarde. Mas esse sábado estava sendo diferente, pois a mudança de começara. se disponibilizou para ajudar a amiga. Harry estava lá também. Os três subiam e desciam as escadas com malas e caixas. Tinham desistido do elevador, pois um vizinho já tinha reclamado que eles estavam trancando-o.
- Merda, essa proprietária é uma retardada ou o quê? – reclamou, limpando o suor da testa, depois de subir com tudo.
- É uma anta! Onde já se viu deixar dois sofás pedindo pra que alguém leve o velho até a garagem do prédio? – concordava com a amiga.
- Ainda por cima deixa tudo fora do lugar. Ou isso era a decoração dela? – Harry se meteu a decorador. – Tudo mal distribuído. Temos que dar um jeito nisso. – Colocou uma mão na cintura e a outra segurando o queixo, observando o ambiente, e as garotas riram.
- Ô, decorador! – o chamou. – Quem sabe tu para de olhar e vem nos dar uma ajudinha? – ela e empurravam o sofá novo para o lugar certo, em frente a uma parede em que eles empurrariam o rack.
- Ei, o que vocês pensam que estão fazendo? – ele disse, parecendo incrédulo.
- Colocando os móveis no lugar – respondeu, como se fosse óbvio.
- Mas assim não combina com a mesinha do telefone que tem que ficar naquele canto – Harry disse rapidamente. – A tomada tá lá, ó. – Apontou para o lugar.
- Harry, eu nem vou ter telefone fixo por enquanto. Então não precisamos nos preocupar com isso – disse calmamente, e o garoto fez uma careta emburrada, fazendo elas rirem.
- Tá, mas e quando tu tiver?
- Eu mudo. E não pretendo ter tão cedo.
- Mas...
- Quietinho, Harry! – o cortou.
- Não ajudo mais então. - Ele cruzou os braços.
- Ajuda sim! – falou com tom brabo.
- Não ajudo, não.
- Ajuda sim!
- Não ajudo!
- Ajuda!
- Não!
- Vocês querem parar? – interrompeu a discussão besta dos dois, que ficaram de braços cruzados e cara fechada, sem se olhar. – Em vez de ficarem aí discutindo, poderiam me ajudar. Pelo que eu sei, é por isso que vocês estão aqui. – Os dois continuaram parados na mesma posição. - E sem essa de ofendido, Harry. Vai ajudar sim! – impôs ordem no recinto e sorriu vitoriosa. Harry lhe mandou a língua e continuou o serviço.

- Eu não sei por que eu tô vindo aqui contigo. – Dougie reclamava enquanto caminhava ao lado de Tom e Danny, este último quieto desde a hora que saíram de casa.
- Porque tu tava lá se fazendo de abandonado – Tom disse.
- Isso não quer dizer que eu queria vir contigo entregar esse presente pra .
- Podia parar de reclamar e me agradecer por te tirar do tédio.
- Eu nem saí do tédio.
- Então por que não foi ajudar a na mudança? – Tom revirou os olhos, enquanto continuavam a caminhar.
- Porque eu não queria, oras.
- Então para de reclamar, Poynter!
- Eu não posso ter direito de escolha?
- Dougie, quer ficar quieto? – Danny se pronunciou e os dois que discutiam pararam para olhá-lo. Por um instante eles se esqueceram da presença de Danny. – Nem eu sei por que eu tô vindo aqui.
- Ah, não! Mais um! – disse Tom revirando os olhos.
- Ah, nem vem, Nariz de Batata! Tu veio aqui pra falar com a – Dougie tirou com o amigo.
- Ah, cara, não fala do meu nariz. – Danny disse chateado, tapando o nariz ainda inchado do soco de .
- Ela vai rir da tua cara quando te vir desse jeito – Dougie continuou tirando com ele.
- Ela já o viu assim – Tom entrou na brincadeira e os dois riram.
- Mas nem olhou pra minha cara – ele falou cabisbaixo.
- Com razão, né? – Tom falou sério, e Danny o olhou torto. – Tudo bem, não tá mais aqui quem falou.

Na locadora, andava de um lado para o outro, inquieta. Phil parecia incomodado com aquela agitação toda, mas ela não parecia se importar. Quando clientes chegavam para alugar algum filme, ela tentava disfarçar um pouco para atender direito, mas quase sempre deixava transparecer seu nervosismo.
- , esse filme não é comédia – Phil disse, ao ver a garota colocar o filme do Indiana Jones na seção comédia.
- Ah, é! – ela disse, ao olhar para a capa do DVD.
- , também não é drama!
- Ai, droga! – reclamou baixinho.
- O que tá acontecendo? Tu tá com algum problema?
- Ai, Phil. Nem sei direito o que é.
- Desse jeito não tem como trabalhar, .
- É, eu sei, tô tentando me acalmar – ela sorriu fraco. – Acho que é porque a vai ser mudar, não sei... – disse com dúvida na fala.
Os dois ficaram um tempo em silêncio.
- Ahn, Phil! – o chamou, e ele apenas olhou para ela, esperando que ela continuasse. – Posso ir ali falar com a rapidinho?
- Se não demorar, pode.
- Brigada, Phil! – ela sorriu e saiu rápido da loja.

- , ! – entrou correndo, indo diretamente à amiga, que estava no fundo da loja.
- Meu Deus, ! O que aconteceu? – ela perguntou assustada.
- Não sei. – riu. – É que o Tom me mandou uma mensagem dizendo que vinha pra cá.
- E que novidade tem nisso? – parecia confusa.
- Não sei.
- Quer parar de dizer “não sei”?
- Mas é que eu não sei mesmo.
- E tu veio aqui pra me dizer o quê, afinal?
- Que o Tom tá vindo pra cá.
- , tu deve estar terrivelmente doente, com febre de 40 graus.
- Ai, . Não fala assim de mim.
- Mas o que tu tá me dizendo é a coisa mais normal do mundo.
- É que ele disse que tinha uma surpresa pra mim – ela sorriu.
- Por que tu não me disse isso antes? – pareceu esclarecida.
- Não sei. – soltou um risinho e revirou os olhos, rindo depois.
- E tu não tinha que estar trabalhando?
- Sim, tinha. E tu também.
- Se tu me deixar.
- Ai, mal-educada. – lhe mandou a língua e depois sorriu, se direcionando para a porta da livraria.

- Cara, não sei se foi uma boa ideia. – Danny estava reclamando dessa vez.
- Tu nunca tem boas ideias, Danny. – Tom começava a ficar sem paciência.
Eles estavam quase chegando à locadora e livraria. Danny estava mais nervoso que nunca. Parecia uma noiva na véspera do casamento. Dougie, que tinha as mãos no bolso da calça e a cara amarrada, percebeu uma movimentação na diagonal deles. Cutucou Danny, que com seu nervosismo virou rápido para olhar o que o amigo queria. Tom continuava tranquilo, um pouco à frente deles, carregando o tal presente de . Ouviram barulhos de cliques e perceberam que eram paparazzis.
- Cara! É a primeira vez que eu os vejo tirando fotos de mim – Danny falou rindo.
- E tu vai sair na foto com o nariz super bonito – Dougie ria do amigo.
Tom nem ouviu o que se passava com os dois atrás dele, já adentrava a locadora, animado. Na verdade ele não entrou até onde estava, para não criar problemas com Phil. Segurou o presente em suas costas, para ela não ver, e a chamou até a porta. Esperou do lado de fora enquanto a namorada chegava saltitando e lhe dando um longo beijo.
- O que tu tem aí atrás? – perguntou curiosa.
- Um presente.
- Sério? O que é? – sorriu, mais curiosa ainda.
- Só vendo. – Tom fez charminho para entregar o presente.
- Então me deixa ver, Tom! – ela tentou olhar pelas costas dele, mas ele desviou, deixando uma indignada. – Veio aqui pra me deixar curiosa?
- Calma, . – Ele riu e então devagar foi trazendo o presente para frente dele, a fim de a garota poder enxergar o que era.
- Aaaaaaai, Tom!!! Que amoooor! – ela gritou ao ver o que ele tinha em mãos.
- Sentiu falta de um bichinho, aqui está o teu companheiro.
- Ele é lindo, amor! Amei! – agora segurava um saquinho cheio de água com um peixinho dentro, nadando de um lado para o outro.
- É um Dourado – Tom disse, com um sorriso de ponta a ponta, ao ver a felicidade da namorada.
- Mas eu não tenho aquário! – ela se deu conta, e ele logo mostrou uma sacola em sua outra mão, que tinha um aquário redondo e alguns potes de comida. – Tu é um amor!
- Ele precisa de água na temperatura de 10 para 26°C, ele originou na China em 1758 e pode durar de 6 a 20 anos – Tom falou calmamente.
- Como tu sabe de tudo isso?
- Pesquisei bem antes de comprar – ele sorriu, e ela lhe deu um selinho carinhoso. – Queria comprar um peixe palhaço, o Nemo, mas ele não serve para aquário. – Eles riram.
- Mas eu amei esse. Mesmo. – Ela olhava o peixinho com afeição. – O nome dele vai ser Bernardo.
- Bernardo? – Tom fez uma careta.
- É. Algum problema?
- Não, só é... diferente – ele riu.
- É lindo, tá! E ele vai ser muito amado.
- Que bom que tu gostou do presente. Tava tenso pra escolher algum que te agradasse bastante.
- Agradou muito!
- Ei, casal! Já terminaram a melação? – Dougie perguntou impaciente, sentado em um banco perto dali.
- Tirou o dia pra ser chato hoje? – Tom respondeu de onde estava. – Cadê o Danny? – ele sentiu a falta do amigo e Dougie apenas apontou para a livraria, dando de ombros.

O novo apartamento de estava realmente novo. Bem mais organizado e limpo. e Harry passaram praticamente a manhã inteira e pedaço da tarde lá ajudando naquele inferninho que agora era um paraisinho – é, não fui feliz com a comparação.
- Tô podre! – se atirou no sofá novo.
- Eu que o diga! – Harry sentou-se no encosto do sofá.
- E ainda temos que levar esse sofá lá para baixo. Podem se levantando pra me ajudar. – fazia movimentos com a mão para que os dois andassem logo.
- Aaai, . Não exija mais de mim! Preciso tomar um banho e sair, senão vou me atrasar. – continuou atirada no sofá.
- Pode deixar, . Eu ajudo a com o sofá. – Harry respondeu, se levantando.
- Que amor, Harry. Já fez as pazes comigo então?
- Não, é só pra te mandar embora pra nós dois ficarmos sozinhos.
- Seu retardado! - lhe mandou a língua. - Eu aqui ajudando, super caridosa, e ainda me expulsam daqui como se eu tivesse atrapalhando. – Eles riram.
- Ajudou muito mesmo, . Obrigada! – dando um abraço na amiga que já estava de pé. – Mas, aliás, pra onde tu vai?
- Cara, nem contei pra vocês!! – pareceu se lembrar de repente. – Vou num jogo de futebol. Arsenal e Liverpool.
- Quê? Tu vai ver Arsenal? Merda! Quero ir junto. – Harry quase teve um troço.
- Sinto muito, queria tanto ficar sozinho com a . Desejo atendido – falou irônica.
- Mas tu convenceu o Dougie a ir contigo? – Harry ficou confuso. – Ele odeia futebol.
- É... Ahn... Não, na verdade eu vou com um amigo – ela respondeu sem jeito. – Bom, tô atrasada – disfarçou e mandou beijos no ar para os dois, que ficaram um pouco confusos.
- Amigo? – Harry perguntou.
- Nem me pergunta. Boiei legal. – ficou parada no mesmo lugar. – Mas vamos ao trabalho então. – Se movimentou rapidamente, assustando Harry.
- Eu pego desse lado e tu pega do outro – disse Harry, apontando para o sofá.
Os dois saíram do apartamento com uma grande dificuldade. Ora viravam o sofá de lado, ora na diagonal, ora de ponta cabeça. Mas não tinha jeito daquele sofá sair. Até que, virando ele na diagonal e depois saindo de lado, conseguiram que ele ficasse fora do apartamento. Para passar para as escadas, foi a mesma dificuldade, mas deram o mesmo truque e lá estavam eles descendo degrau por degrau lentamente.
- Ai, vamos parar um pouquinho? Tá muito pesado. – disse, apoiando a sua ponta no chão e encostando-se na parede. Harry fez o mesmo, mas não parecia tão cansado como ela.
- Quer que eu vá aí pra baixo? – ele perguntou preocupado, pois quem ficava na ponta que estava mais embaixo tinha que fazer um pouco mais de força para sustentar o peso do sofá.
- Não precisa, eu aguento. – Ela fez um movimento mostrando o músculo do braço, e eles riram. – Vamos continuar.
Eles desceram um pouco mais rápido dessa vez e sem interrupções. Só faltava um lance de escada para chegarem à garagem. olhava para o chão cuidadosamente para não cair, andar de costas é sempre um perigo, principalmente para ela. Quando ia colocar o pé no último degrau, deu um pulo, deixando o sofá cair, dando um baque que ecoou escada acima.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! – ela berrou com todas as forças. –AAAAAAAAAAAH! AAAAH! AAAH!
- , o que foi? – Harry perguntou, apreensivo com os gritos da garota.
- UM RAAATO! AAAAH! TIRA, TIRA, TIRAAA! – quase chorava de desespero, enquanto o rato, muito pequeno por sinal, se encolheu num canto, assustado com os gritos dela.
- Eca, um rato? – Harry fez cara de nojo.
- PARA DE TER NOJINHO E ME TIRA DAQUI! – ela continuava berrando e tentando sair de perto do ratinho, mas estava presa por um sofá. Não tinha um espacinho pelos lados. – AAAI, SAI DAQUI, RATO NOJENTO!
- Calma, . Ele não vai fazer nada contigo. Ele tá até com medo de ti. Olha a cara de assustado dele.
- NÃO QUERO OLHAR PRA ELE! QUERO SAIR DAQUI!
- Vem cá, sobe pelo sofá. – ele estendeu a mão para ela, e ela agarrou rapidamente, se pendurando nele e escalando o sofá caído no meio da escada. Quando conseguiu chegar até onde Harry estava, se pendurou nele.
- Ai, que nojo! Vamos sair daqui. Não quero que esse rato chegue perto de mim de novo – ela dizia, com o rosto afundado no pescoço de Harry.
- Mas e o sofá?
- Deixa ele aí. Aquela proprietária retardada dá um jeito.
- E se alguém quiser passar por aqui?
- Ninguém vai querer passar por aqui. Tem um rato lá em baixo! – ela disse, apontando para baixo, indignada. – Ele quase encostou em miiiiim! – E afundou de novo o rosto no pescoço do garoto.
- Ele nem chegou perto de ti – Harry disse com indiferença.
- Cala a boca! Ele quase me engoliu. – ficou mais indignada ainda. – Vamos sair daqui!!
- Ai, exagero... – ele comentou baixinho, e ela o fuzilou com os olhos.

Danny entrou na livraria um pouco hesitante. Olhou em volta e viu todos os vendedores que já tinha visto outras vezes, mas não viu .
- Posso ajudar? – Rupert chegou para atendê-lo.
- Eu queria falar com a – Danny respondeu.
- Um momento. - disse Rupert, já esperando essa resposta, e foi até o fundo da loja à procura da garota.
Danny perdeu o garoto de vista quando ele entrou em uma salinha. A espera que ele saísse de lá com pareceu longa. Mas até que enfim ela apareceu ao lado de Rupert, de braços cruzados e cara de poucos amigos. Ela parecia estar sendo obrigada a ir ao encontro do garoto. Até que com muito esforço, estava em frente a ele.
- Oi. – Danny coçou a cabeça e ela não respondeu. – Podemos conversar?
- Já estamos conversando – ela respondeu, ríspida.
- Não esse tipo de conversa. Quero te pedir desculpas, te explicar algumas coisas...
- Explicar algumas coisas? – pareceu incrédula. – Vai explicar pra tua amiguinha. Bom, de amiguinha não tem nada, aquela vadia.
- , por favor. Me dá uma chance. Só pra conversar. – Ele não conseguia esconder o nervosismo e também não, mas preferiu ficar quieta.
- Danny, por favor. Me deixa em paz e vai cuidar dessa bosta desse teu nariz, porque tá tão inchado que parece uma batata. – Ele já ouvira aquela comparação antes.
- Foi tu que fez isso com ele.
- Fiz e faço de novo se tu ficar insistindo em conversar comigo. E não penso duas vezes – ela falou, cruzando os braços novamente e olhando furiosamente no fundo dos olhos dele. – Preciso trabalhar. – Deu meia-volta e voltou para a sala que tinha saído antes.
Danny ficou parado por algum tempo, sem reação. Por mais que esperasse isso de , não conseguia aceitar. Tinha que pedir perdão, não ficaria em paz se ela não o ouvisse e o perdoasse de uma vez por todas. Ele tinha consciência da grande burrada que fizera, só ele sabia o quanto se arrependia daquilo. Tudo bem que a garota era gostosa demais e estava se vazando muito, mas ele não tinha o direito de fazer aquilo com . E sabia muito bem daquilo, ainda mais depois da outra briga que terminou em um porre. Por isso estava ali, tentando arrumar a bosta que fez.
- Precisa de ajuda? Um copo d’água? – Rupert novamente chegou até ele. Ele era um garoto simpático, mas simpatia tinha limite.
- Cara, não quero tua ajuda, ok? – Danny respondeu grosseiramente e saiu da loja.
A sala em que recém entrara era para estar ocupada pelo senhor Oscar, mas por sorte dela ele havia dado uma saída. Aproveitou para se atirar em uma cadeira e chorar descontroladamente, sozinha. Precisava por aquilo para fora de alguma maneira, nem que fosse daquele jeito.

Danny se sentou ao lado de Dougie e os dois permaneceram calados. Dougie preferiu assim, pela cara do amigo a conversa não tinha sido nada boa.
- O Tom vai demorar muito? – Danny perguntou com a voz muito baixa, depois de um tempo em silêncio.
- Esqueceu que o Tom é uma noiva?
- Mas ele nem tá se arrumando pra ser noiva.
- É o modo de dizer que ele demora pra tudo... – Sua anta. Era o que queria dizer, mas o estado do amigo não estava propício para gozações.
- E então? – Tom chegou rápido até. – Como foi a conversa? – Dougie o olhou, repreendo a pergunta.
- Não dá pra perceber? – Danny levantou o olhar para o amigo que estava de pé e ergueu uma sobrancelha.
- Hum... – ficou sem palavras. – Bom, vou lá no apartamento da deixar o Bernardo lá. Vamos comigo?
- Ber... o quê? – Dougie perguntou confuso.
- Bernardo. O nome do peixe. – Tom apontou para o saquinho que tinha o peixe dentro, e Dougie balançou a cabeça, afirmando.
- Não, cara. Vou pra casa. – Danny levantou, ainda de cabeça baixa. – Hoje já deu tudo que tinha que dar, preciso ir pra casa agora.
- Ok, cara. Te cuida, hein? Não faz nenhuma bobagem. – Tom deu um tapinha nas costas do amigo, que seguia em direção contrária à direção deles.
- Vamos, então? Quero aproveitar pra ver a . – Dougie se levantou, e começaram a caminhar juntos rumo ao prédio tão frequentado.

Agora que o apartamento estava todo arrumado, e Harry estavam deitados no sofá, se beijando e conversando qualquer coisa. A sós e sem ratos para atrapalhar nada.
- Vou ter que contar a história do rato pros guris, eles vão se matar rindo – Harry ria, se lembrando da cena.
- Isso porque não foi tu que quase foi engolido por um rato. Eu bem vi tua cara de nojo quando eu disse que tinha um rato ali – retrucou.
- Ratos são nojentos mesmo, mas eu nunca faria um escândalo daqueles. Sorte tua que eu tava ali pra te proteger.
- É, meu herói! – brincou e deu um beijo no garoto.
De repente o beijo se intensificou, e os amassos começaram.
- O que tu acha de a gente estrear teu apartamento em grande estilo? – Harry cortou o beijo, mas não o espaço entre eles.
- Eu acho uma ótima idéia! – sorriu maliciosa. – Mas tem que ser na minha cama nova.
- Como quiser, minha ratofóbica! – eles riram e se levantaram sem desgrudar muito.
Andaram até o quarto e, com calma, por incrível que pareça, fecharam a porta e continuaram a se beijar. O clima foi esquentando e a camiseta de Harry já estava pronta para ser tirada, era só eles se afastarem para passar pela cabeça. Enquanto isso, Harry desamarrava o cordão da calça de abrigo dela, que, assim que fora afrouxada, caiu ao chão. Andaram mais um pouco em direção à cama e mesmo tirou sua camiseta, ficando só de lingerie. Quando deitaram, ficaram mais um tempo se beijando e explorando um o corpo do outro, até as mãos de pararem no cinto da calça de Harry, que foi um pouco complicado de abrir. Mas depois de aberto, sem esforço, a calça já não estava mais no corpo dele. Harry, discretamente e incrivelmente calmo, abriu o fecho do sutiã dela, jogando para longe depois. de repente se lembrou de algo muito importante. Levantou rapidamente e pegou em sua necessaire um pacotinho de preservativo e Harry, que até então estava confuso, sorriu, aprovando sua ação. Não demorou muito e sua calcinha já estava perto de seu sutiã jogado num canto e as boxers de Harry do outro lado. Com delicadeza, Harry espalhava beijos pelo colo da garota, até que chegou em sua boca. Parou e a olhou, esperando uma confirmação para ir adiante. Ela sorriu e isso bastou para que ele avançasse, tranquilo de que estava fazendo certo. O momento prazeroso foi curtido com intensidade, em movimentos sincronizados num encaixe perfeito. Até que terminou com os dois deitados, olhando para o teto do quarto e parecendo ter desvendado o segredo que faltava para se completarem. suspirou e segurou a mão de Harry, que estava em seu ombro.
- Ótima estreia essa – ela falou.
- Se quiser pode ter muito mais – ele olhou para ela, sorrindo.
- Por hoje chega. – Ela demonstrou cansaço, não só pelo último feito, mas por todo o trabalho de arrumar o apartamento desde cedo. - Amanhã, quem sabe? – ela sorriu de volta.

pôde ouvir barulho no corredor e logo identificou de quem eram as vozes. Em seguida a campainha tocou, mas nem foi preciso se levantar e ir abrir a porta. Como de costume, Tom entrou no apartamento como se morasse ali. Tocar a campainha era só um sinal de que eles estavam entrando, como faziam entre eles mesmos em suas casas. Parece que já tinha adquirido intimidade suficiente para fazer isso no apartamento de .
- Olá, ! – Tom entrou primeiro seguido de Dougie atrás, que se precipitou em ir até ela lhe dar um beijo saudoso.
- Olá, queridos – ela sorriu do sofá. – O que é isso, Tom? – perguntou ela, vendo o garoto levar alguns “trambolhos” para o balcão e começar a organizar alguma coisa.
- O presente que ele deu pra – Dougie respondeu por ele.
- É o Bernardo. – Levantou o saquinho para ela ver melhor o peixe. – A pediu pra eu trazer aqui, já que ela não ia sair agora do serviço.
- Que amor! Tu deu um peixinho pra ela? – fez uma cara meiga e Tom assentiu com a cabeça, com a mesma cara meiga. – É tão a cara dela.
- Conheço minha namorada – Tom se exibiu.
Mais barulho vindo do corredor pode ser ouvido de onde estavam. Dessa vez a campainha nem foi tocada. Harry e entraram abraçados no apartamento. Os dois com sorrisos satisfeitos nos rostos, o que só foi percebido por , que a olhou sorrindo. Essa foi retribuída por olhares confusos do casal.
- Ué, ! – estranhou. – Não ia ao jogo?
- Ia. Mas foi cancelado porque a previsão é de neve. Ainda não foi definida a nova data. – pareceu esclarecida.
- Da próxima vez eu vou contigo. – Harry se candidatou, levantando a mão que antes estava no bolso.
- Ia sozinha? – Dougie estranhou. – Tu não me falou nada.
- Ah, eu ia combinar com alguém – ela disfarçou, mas percebeu que não engoliu a resposta. – Não te falei porque sei que tu não gosta. – Mas ao Dougie pareceu convencer.

- ! O Tom não vem te buscar hoje? – perguntou ao encontrar a amiga saindo da locadora.
- Não, ele veio antes, naquela hora que eu fui conversar contigo – ela disse, e relacionou com a visita de Danny. - Adivinha qual era a surpresa!
- Hum? - elas começavam a andar pelo mesmo caminho de sempre.
- Um peixinho! Tão lindo, ! Ele se chama Bernardo. – tinha um sorriso imenso no rosto, mas não conseguia retribuir tamanha felicidade. – O Tom já tá lá em casa me esperando, levou o Be e arrumou tudo do aquário.
- Que amor, ! – tentou ficar feliz. – Agora tu também tem um mascote.
- É, agora todas nós temos. E sabe, eu não tinha dito diretamente pro Tom que eu queria um. Na verdade eu não tinha dito pra ninguém, mas ele adivinhou. Não é um amor? – continuava a falar, mas parecia distraída com outra coisa, o que não afetou a felicidade da garota.
O que distraía nesse momento não era mais a visita de Danny, e sim quem ela via vindo na direção contrária da delas. Não podia ser, era muita coisa para um dia só. Mas era a pura realidade. Ed estava caminhando distraidamente, com as mãos no bolso do casaco preto. Quando chegou perto parou sem saber o que fazer, talvez esperando que ela parasse também. Mas não parou, continuou andando com a amiga, que não percebeu nada do que estava acontecendo, e apenas o seguiu com os olhos, deixando um Ed parado na rua sustentando um olhar sobre ela também.
- Vai dizer que isso não é a coisa mais perfeita do mundo? – perguntou e não fazia idéia do que a amiga falava. – ? Tu ouviu o que falei? – estranhou a amiga ter olhado para trás e seguiu a direção do olhar dela, mas a única coisa que viu foram pessoas caminhando. Ed já havia saído dali, por sorte. Ou não...
- Sim! Ouvi, sim! É perfeito mesmo. – Tentou disfarçar.
- Para o que tu tava olhando, ?
- Nada, só achei ter visto um conhecido da loja passando por mim. Mas eu acho que nem era.
- Bom, mas vamos mais rápido que eu tô congelando. E deve tá todo mundo reunido lá em casa pra pizza de mais tarde. – pareceu convencida e as duas apressaram o passo.

Capítulo 36 em diante

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