Villain Or Good Girl?
Autora: Jessica Peixoto
Beta-Reader: Amy Moore

Capítulo 1

Em todas as escolas tem sempre aquela menina que se sobressai entre as outras por sua beleza, que quando ela passa vários murmúrios surgem, e que nem sempre é bem vista pelos demais alunos. E na tradicional Wimbledon School of English não seria diferente, só que o problema - ou solução -, é que essa garota aí, essa aí mesmo, muitas vezes vista como metida, sou eu. Exatamente, EU, .
Eu sou uma das figuras mais importantes do colégio. Bom, entre os alunos, eu afirmo com toda certeza de que sou a mais importante, mas isso não significa que eu seja a pessoa mais querida. Pelo contrário, às vezes acho que nem minhas "amigas" sejam verdadeiras e gostem realmente de mim. Hoje isso não me incomoda mais, pois sei que tem gente que me ama de verdade. Podem até não serem muitos, mas são reais.
- Filha, tá na hora da escola. - Meu pai bateu na porta do meu quarto, como ele sempre fazia. Desde pequena ele me acorda, e mesmo hoje, eu com meus 17 anos, ele não perde esse costume, mas sinceramente eu não quero que ele perca.
- Só mais cinco minutos, pai – falei, ainda meio sonolenta, e assim como ele, segui exatamente com a mesma frase de quando eu era criança.
- Só mais cinco minutos - ele disse, e provavelmente deve ter ido acordar meus irmãos. Eu continuei deitada por mais uns dois minutos, despertando quase por completo. Estava com medo de me atrasar. Levantei e fui para o banheiro. Escovei os dentes, fiz minha limpeza de pele, tomei banho e me enrolei na toalha. Logo que saí do banheiro ouvi meu celular tocar. Dei uma leve corrida e o atendi. Já sabia quem era, afinal apenas uma única pessoa me liga às 05:35hs todos os dias.
- Bom dia. Já acordou? - Ouvi a voz linda e carinhosa do MEU namorado, do meu amor, , do outro lado da linha.
- Já. Até tomei meu banho, daqui a pouco estou pronta – falei, com um tom de voz meloso, que eu só exibia entre os amigos ou em casa.
- Seu pai já deve estar preocupado com seu atraso, meu amor. Estarei te esperando no portão daqui a dez minutos. Traz um pedaço daquele bolo da tia Grace - disse, todo fofo, como sempre é comigo. E é isso mesmo que vocês entenderam, como se já não bastasse a marcação serrada dos meus irmãos, eu ainda arrumei um namorado que marca em cima, assim como eles, ou até mais.
sempre foi muito educado, por isso chama minha mãe de tia. Antes minha mãe não se importava, mas desde que assumimos nosso namoro, ela pede para ele parar de chamá-la de tia. Ela acha que vão achar que somos primos mesmo. Não, brincadeira, ela não liga, mas prefere que ele a chame pelo nome.
- Tá, to indo. Daqui a dez minutos eu to pronta. Beijo - disse e corri, porque de manhã a hora voa, e de foguete, ainda por cima. E pra piorar, eu ainda não tinha nem decidido com que roupa eu iria.
Prontinho, já estava pronta. Como era primeiro dia de aula, optei por uma roupa mais simples e deixei a atenção voltada para os meus pés, que estavam com um Scarpin rosa chiclete, que caiu super bem com a minha saia jeans escura e uma regata branca lisa. Desci para o café, e no meio da escada pude ouvir os risos do povo da minha família. Bom, menos um deles; Willian. Esse acabou de passar por mim, correndo feito um bicho, com seu inseparável skate nas mãos.
- Bom dia, família! - falei num tom caloroso para todos. É isso mesmo, são exatamente 05:59 da manhã e estão todos bem alegres e falantes, e é assim todo santo dia.
- Filha, eu acho que você já está atrasada - meu pai disse, assim que eu me sentei à mesa.
- Hum... O está me esperando – respondi, com a boca cheia.
- Ala, a fala de boca cheia e ninguém fala nada - Derick me dedurou, em protesto.
- É, . Você está regredindo, por um acaso? Nem quando você era criança fazia essas coisas - minha mãe falou, com tom de voz sério, mas com nuances de maternidade, como ela sempre dizia quando estava chateada com a gente por algum motivo.
- Ah... Foi mal, madresita – disse, afastando um pouco meu corpo da cadeira e dei um beijo na testa dela.
- E por que o não entrou? Lá fora está frio - meu pai disse. Ele gosta muito do , mas no início foi muito difícil. Meu pai é do tipo sério e não queria que eu namorasse, mas com o tempo ele foi cedendo e hoje tá aí, todo apaixonado pelo MEU NAMORADO. Vou confessar pra vocês que quando eu e o brigamos ele sempre vai lá pra o defender ou me fazer entender o lado dele.
- Pai, você sabe que quando ele quer, ele entra. Hoje ele disse que só quer o bolo da minha mãe - expliquei e pude ouvir minha mãe dizer que sabia que ele não iria resistir ao bolo dela.
- É, mãe, ele não resistiu. Por isso vai cortando aí pra mim, por favor, que ele já deve estar quase me matando, e eu ainda tenho que pegar meu material - eu disse e saí correndo pro quarto. Ouvi meus pais reclamando, já meio longe. Meu pai dizia que eu só sei subir as escadas correndo e que eu só ia ficar feliz quando eu caísse, e minha mãe reclamava que sempre sobrava pra ela.
Da mesma maneira que subi, desci com meu material. E agora sim meu pai falou para eu ouvir, e disse pra eu tomar cuidado, como sempre. Fingi pra ele que estava ouvindo e peguei a tigela com um pedaço generoso de bolo e uma maçã.
- Mãe, talvez eu vá me atrasar para ir com a senhora, então pode ir andando - falei e dei um último gole no meu suco de laranja.
- Tchau gente, benção pai, benção mãe – disse, saindo de casa. Todos me responderam e, já da porta, pude ver pela fresta do portão um pedaço do carro dele.
Abri o portão e encostado no carro estava o meu boyband preferido, o meu namorado. Ele estava todo lindo e MEGA charmoso, com um óculos escuro estilo anos 80(Wayfarer) preto, um cachecol preto com cinza, uma blusa preta com um desenho colorido estampado, casaco azul e uma calça jeans. Exibindo um sorriso cativante e sua mono covinha, que aparece principalmente quando ele sorri, e é na maioria das vezes o que causa as nossas brigas. Não a covinha em si, porque essa eu amo, o problema é que as "fãs" ficam usando ela pra se aproximarem mais do que o limite, se é que vocês me entendem.
- Bom dia, meu amor! - eu disse, lhe dando um selinho demorado.
- Bom dia. Dormiu bem, meu amor? - ele perguntou, comigo ainda abraçada em sua frente. Ele me olhava de um jeito tão encantador.
- Não muito, você não tava lá - disse e ele abriu um sorriso convencido. Lentamente aproximou o rosto do meu, encarando os meus lábios, e com calma encostou seus lábios finos e macios nos meus. Aprofundou o beijo com a intensidade de saudade que estávamos sentindo. Afinal, nessa última semana nos vimos menos, pois ele e os meninos optaram por resolverem as coisas da banda antes das aulas voltarem, para que um não atrapalhasse o outro.
- Vamos logo, antes que seu pai apareça por aí. - me soltou e eu entrei no carro. E antes de ele entrar pude perceber que ele olhava pra casa com bastante atenção. Será que tem alguém aí com medo?
Tínhamos que sair cedo de casa para ir pra escola, WSE ficava há uma hora e quinze minutos de onde morávamos, isso se fossemos de carro.
Olhei para , todo concentrado no trânsito e me lembrei de quando começamos a namorar. Como havia dito, eu não era muito querida pelo pessoal da escola, e o se incluía nesse pessoal. Ele nunca gostou muito de mim, me achava metida, autoritária, arrogante, prepotente, pretenciosa, fútil. É, eram muitos os adjetivos, ele realmente não gostava de mim. Só que antes de casar com a minha mãe, meu pai engravidou uma mulher, e o filho dessa mulher - meu meio-irmão - era amigo do e tocava com ele, e como eu e meu meio-irmão sempre fomos muito unidos, já que meu pai não deixava ele se afastar por muito tempo da gente, sempre fomos mais unidos do que com os nossos outros irmãos.
me defendia quando começava a falar de mim. Ele dizia que o só falava aquilo porque não me conhecia de verdade, e que eu não era como ele achava, então meu querido irmãozinho começou a mostrar para ele quem eu realmente era. Daí por diante, a cada show que a banda fazia, nós ficávamos mais próximos. Mas não foi nenhuma aproximação extraordinária, porque o grande ápice foi um trabalho que tive que fazer com a turma dele, e o professor não hesitou em pôr o nerd com a boa menina, que tirava notas altas, e aí sim ele me conheceu além das fronteiras da escola. Ele conheceu a , a menina estudiosa, que usa óculos, a menina sem maquiagem, de moletom, a menina que anda descalça pela casa, que está sempre disposta a ajudar quem for, e principalmente a menina amorosa com sua família e seus poucos amigos. E então, quando nos demos conta, já era tarde demais. Já estávamos apaixonados, encantados e embriagados um pelo outro. Já era tarde demais para voltarmos atrás.
- O que houve? - me perguntou, colocando suas mãos sobre a minha perna, todo carinhoso, me tirando do transe.
- Nada, só estava lembrando de como começamos – eu disse, olhando para ele e vendo que eu estava feliz com ele e ele comigo. Ele gargalhou ao lembrar.
- Como eu era idiota. Como não pude ver o quão apaixonante você é? - ele disse com um sorriso, pensativo.
- Você não era idiota, só não me conhecia direito - falei com sinceridade em cada uma das minhas palavras e acariciei seu rosto devagar. Era absolutamente normal a reação dele, afinal, eu era tida como a vilã, e não via o menor problema nisso. Eu melhorei um pouco, mas não deixei de fazer as minhas "maldades".
Chegamos à escola, o local que mais nos distanciávamos, pois tínhamos coisas totalmente distintas para fazer. E assim que botamos os pés na escola, as meninas do time de líderes de torcida vieram correndo pra me puxar o saco. andava alguns passos a minha frente, carregando o meu material e o dele. Ele fazia isso para que eu não tivesse que explorar os outros alunos.
- Não aguento mais essas garotas me bajulando - eu disse, enquanto me sentava na mesa onde e os meninos estavam.
Eu sempre tive um jeito meio animado com os garotos, mas diferente das demais líderes de torcidas, eles me respeitavam, até porque nenhum deles queria arrumar qualquer tipo de problema com . Meu pai me colocou no mesmo colégio que o para ele me proteger, mas nunca precisei disso, e se bobear, eu é que protejo ele.
- , você sabe que elas são assim e continua andando com elas porque quer. – E esse abusado que está falando comigo é o meu irmão, , ele é o único que tem coragem de falar comigo assim. E quanto ao sobrenome dele, ele usa mais o nome da mãe dele.
- Eu tenho que andar com elas e você sabe muito bem disso – falei, dando um abraço fraternal e saudoso nele. Eu estava com muitas saudades dele, já que nas férias ele foi viajar com a irmã por parte de mãe.
- E aí, meninos, como foram as férias de vocês? - perguntei a todos eles, e como não poderia deixar de ser, todos eles me deram atenção. começou, contando as suas férias todas, sem deixar escapar um detalhe, cada lugar que ele visitou, cada loucura que ele fez na viajem e cada menina que ele pegou na ida dele pra Argentina. Logo em seguida , que disse bem menos detalhado que o como foram suas férias na casa de praia da família dele, com a nova namoradinha. Quanto ao e ao eu já sabia, foi pro Hawai com a OUTRA irmã dele, e como todos os dias nos falávamos via internet, eu sabia exatamente tudo que tinha acontecido naquelas praias nem sempre tão maravilhosas como são mostrada em filmes. E o , ah, o ... ficou aqui na Inglaterra comigo, me ajudando nos meu projetos em orfanatos. Eu o ajudava na preparação de músicas para o novo cd da banda, ele entrou na academia para ficarmos mais tempo juntos, e em menos de três meses emagreceu 5kg. Ele me deu aulas de piano e eu ensinei alguns golpes de muay-tay para ele, fora alguns passos de dança que ensinei a ele. Foi melhor que quaisquer férias que já tive fora do país.
- , vem aqui! - Ouvi uma voz masculina me chamar ao longe. Me virei, encontrando Bob - o capitão do time de futebol da escola. E quando já me encaminhava até ele, pude perceber o olhar descontente de meu namorado sobre mim.
- Vem aqui você, isso se for muito importante! – falei, meio autoritária. Bob veio até mim, e nesse momento nos olhava com o rosto mas leve, menos tenso, e continuava me abraçando.
- , teremos reunião do time, só que o técnico quer que você esteja lá também - Bob falou e não desviou o olhar e nem desgrudou de mim, nem por um segundo.
- Tá, estarei lá. Às cinco, né? - perguntei indiferente, e Bob acenou que sim com a cabeça e saiu, sumindo logo do meu campo de visão.
- Não gosto desse cara. Eu sei que se eu der bobeira com você ele vai vir correndo tomar o meu lugar - disse, me abraçando por trás, apoiando seu queixo em meu ombro.
- Ninguém nunca vai roubar o seu lugar, meu amor. Você é único, é o meu primeiro, você é o meu primeiro e único grande amor! - Me virei pra falar cada uma daquelas palavras, para atingir bem no fundo da alma dele, e para ele saber que tudo aquilo era verdade, que ele é o que eu quero e o que eu preciso.
Algumas pessoas acham que eu me aproveito dele, que só estou com ele por ele ser nerd, mega inteligente e por me "ajudar" com as provas, outros acham que ele se aproveita de mim por conta da minha popularidade. Os únicos que acreditam no sentimento que temos um pelo outro são os nossos amigos, ou melhor, os amigos dele. Como disse antes, não tenho muitos amigos, mas como também disse, eu só me importo com quem gosta de mim de verdade.
- Adoro quando você me diz essas coisas - falou, me beijando como se não tivesse mais ninguém ao nosso redor. Só que como vocês já sabem, escola não é lugar de pegação, então de repente... Começou uma tempestade de bolinhas de papel sobre nossas cabeças e gritos como "Aqui não é lugar de putaria!" e "Vão para um motel!".
Decidimos parar com a nossa sessão de amassos e rimos com eles, isso porque quando eu estava com o ao meu lado eu ficava muito mais calma, porque senão já teria mandado todos os três pro raio que os parta.
- , é melhor você ir, já tá quase na hora da sua primeira aula - falou de um jeito lindo e completamente fofo, tirando minha franja dos meus olhos e ajeitando atrás da minha orelha. Meu namorado é sempre tão fofo, tão carinhoso... Ele sempre é tão perfeito. Bom, mas voltando ao assunto...
- Melissa! - Gritei para a novata, que já estava tirando uma com os outros alunos.
- Oi?- Ela veio correndo até mim, e a menina veio até humilde. Adoro pessoas inteligentes, essa já sacou que não pode tirar onda comigo.
- Pega aí o meu material e leva lá pra minha turma de matemática. - Não pedi, nem sugeri. MANDEI. Sabe, esse é o meu jeito de dar trote, e com novatos marrentos é pior ainda! Ah, tadinha dessa aí, vai penar na minha mão. Ai, sou tão má.
- Tchau, gente. Tchau, meu anjo. - Despedi-me dos garotos, dei um beijo curto em e saí, indo em direção a minha turma. Me virei rapidamente para dar uma última olhada no meu namorado. Ele estava rindo, creio que ele deveria estar pensando que eu não tenho jeito. Voltei ao meu rumo e Melissa continuava na minha cola, tipo sombra, sabe. Às vezes sinto pena, mas logo em seguida vejo que tenho que fazer isso, pra não prejudicar a minha coluna, e nem dar ousadia pra esse povinho, principalmente essa menina, e enquanto ela estiver com essa marra e arrogância eu irei explorá-la sem dó.


Capítulo 2

Todas as minhas obrigações do dia já haviam sido cumpridas, então eu teria tempo livre pra ficar sozinha comigo e com os meus doces. Sim, ficaria se alguém muito do inconveniente não resolvesse fazer uma visitinha à 00:06hs.
- , o Sr. veio lhe visitar. – Soraia, nossa auxiliar do lar, como é conhecida aqui em casa, anunciou o , enquanto eu pegava uma taça de salada de frutas com bastante chantilly por cima. vinha logo atrás dela.
- O que houve? Aconteceu alguma coisa? - Eu estava preocupada, nunca tinha vindo assim, tarde da noite, e sem avisar antes.
- Saudade. Foi isso o que aconteceu. - me abraçou forte e me deu um beijo cinematográfico que eu amei, mas estranhei.
- Nossa, você estava com saudade mesmo – falei, sem folego. Eu estava completamente surpresa e confusa com aquela atitude dele.
- Se importa se eu dormir aqui com você hoje? - ele perguntou, com um tom de voz meio carente, me olhando apoiada na pia, enquanto comia a minha salada de frutas.
- Hã... Claro que não – falei, ainda com a boca cheia. Ah, se a minha mãe visse isso. Pra mim não tinha realmente o menor problema, mas para o meu pai...
Subimos e foi logo pro banheiro tomar um banho, e assim que ele saiu, eu entrei. Enquanto tomava o meu banho, analisava as atitudes de , e se eu bem conhecia o meu namorado, algo estava acontecendo e ele não queria me contar. O que significa que o que quer que seja que esteja acontecendo é extremamente grave, senão ele já teria me contado.
Depois que saí do banheiro, me deparei com uma cena inédita, pelo menos para mim. , meu namorado, um dos caras mais centrados que já vi, chorava feito uma criança que se perdeu dos pais.
- O que houve? – perguntei com a voz firme, mas ainda assim carinhosa. Eu não estava aguentando ver o meu namorado, o cara que eu amo, daquele jeito e não fazer nada.
continuou com a cabeça baixa, chorando sem dizer uma palavra sequer, então percebi que o que ele precisava era de mim, e não de desabafar, afinal as lágrima dele já eram de desabafo, um desabafo doloroso. Aproximei-me dele em silêncio e o abracei, encostando sua cabeça em meu peito, e naquele gesto ele desmoronou, suas lágrimas deslizavam rapidamente pelo seu rosto, ele soluçava sem parar e aquilo começava a me assustar.
- Minha avó... - Ele tentava falar em meio aos soluços, brigando para que as lágrimas não caíssem.
- O que tem a sua avó? – perguntei, preocupada. Sabia que ele a amava muito, ele sempre foi muito apegado a ela, e algo grave teria acontecido a ela.
- Ela tá com câncer no seio - ele me explicou, com dificuldade de pronunciar aquela frase tão doída para ele.
- Calma, vai ver é só um câncer benigno e ela vai se curar – falei, tentando acalmá-lo e passar positividade para ele. Passava uma de minhas mãos sobre a cabeça dele, em forma de carinho.
- Não ela está em fase terminal - ele terminou de falar, voltando a chorar feito criança. Ele estava realmente muito abalado, e eu não tinha mais o que dizer. A avó do sempre foi cheia de vida, alegre, espontânea, extrovertida, jovem, corajosa, e até safada. Ela é uma comédia, sem deixar de ser avó, sem deixar de ser carinhosa, protetora e conselheira. Lucy, como gosta de ser chamada, é incrível, e sem sombra de dúvidas seria uma perda muito grande para o e todos nós.
adormeceu em meus braços, e um pouco depois dele também adormeci.
No horário de sempre meu pai passou batendo na porta para que eu acordasse. Eu e nos levantamos, fizemos nossa higiene matinal e descemos para o café. Nos sentamos a mesa e fomos recebidos com olhares irados, surpresos e curiosos dos meus familiares. Algo absolutamente normal, afinal, além de mim e da Soraia, ninguém sabia que o tinha dormido aqui em casa.
- O que está acontecendo aqui? O sr. dorme aqui e ninguém me fala nada? – meu pai disse, sério e ríspido. Eu e meus pais tínhamos um acordo, de que o só dormiria aqui se eles soubessem e permitissem.
- Pai, agora não - disse calmamente, tentando sinalizar de que não era hora para aquilo e de que não estava bem. estava de cabeça baixa e não encarava ninguém da mesa.
- Eu exijo uma... - Meu pai dava um ar autoritário à frase, que foi interrompida pela minha mãe.
- Depois, Michael - minha mãe disse, pondo sua mão sobre o ombro do meu pai, que se tocou de que algo estava acontecendo e se calou.
- , fiz aquele bolo que você adora. - minha mãe disse, empolgada, tentando animá-lo, mas foi surpreendida por um singelo aceno negativo de com a cabeça.
- Amor, come alguma coisa – pedi, fazendo um carinho no braço dele, e todos na mesa se entreolharam. recusando o bolo da minha mãe é algo inimaginável.
- Mãe, põe um pedaço de bolo e uma fruta aí pro pra mim, por favor – pedi, enquanto pegava a chave do carro. Não deixaria dirigir naquele estado.
- Mãe, hoje não vou pro escritório, ok? Vou ficar com o - comuniquei a ela, que entendeu.
- Vocês não estão cansados de ficarem juntos não? - meu pai disse, num sarcasmo macabro, que me irritou profundamente. Todos perceberam que o não estava bem e meu pai estava fazendo graça. Sim, porque todos perceberam - até o Derick, que tem só 8 anos, percebeu. Nem se ele fosse doente teria o direito de falar daquele jeito.
- Tchau, gente - disse, completamente sem graça, e saiu em direção a parte exterior da casa.
- Tchau - foi a única coisa que fui capaz de dizer, até porque se eu abrisse minha boca pra falar mais alguma coisa, seria bem provável que o clima ficaria bastante tenso naquela casa, e como o meu namorado estava precisando de mim, saí sem pronunciar absolutamente nada.
- Eu dirijo hoje! - falei em um tom brincalhão, sacudindo a chave que estava na minha mão, enquanto estava apoiado no lado direito do carro, me observando. Nós entramos no carro e seguimos para a escola.
- Nicholas e Ícaro, venham aqui - gritei aos novatos assim que chegamos à escola. Não deixaria meu namorado, que não estava bem, carregar os nossos materiais, né.
- Olha, como eu sou legal com vocês, chamei os dois. Assim vocês podem continuar conversando e ainda dividem o peso - falei com ironia e percebi a revolta no olhar dos dois, enquanto eles pegavam os nossos materiais. Nossa, que MEDO!
Assim que eles saíram, pude voltar todas as minhas atenções para a única coisa que me importava naquele momento, meu namorado, que por sinal... Vocês perceberam que ele não reclamou da forma que eu tratei os meninos? A doença da avó está realmente acabando com ele.
Como eu só sei dirigir acima de 80km/h, chegamos meia hora mais cedo na escola, então fomos para o campo de futebol, que a essa hora estaria vazio. Eu estava sentada e estava deitado na arquibancada, com a cabeça deita nas minhas pernas. Meu celular tocou, e vi que era o . Já haviam oito ligações não atendidas dele, e como ele estava insistindo muito, resolvi atendê-lo.
- Oi, seu chato – atendi, sem deixar de brincar com os fios lisos do cabelo do como em um cafuné.
- Onde vocês estão? - perguntou em meio a risadas, deveria estar brincando com algum dos meninos enquanto falava comigo.
- Aqui no campo de futebol – respondi, olhando para o campo vazio.
- Hã... E o , está bem? - ele perguntou, agora sua voz era séria e lucida.
- Bem, por quê? – perguntei. Não falaria sobre a avó do . Era algo que ele deveria falar, não eu.
- Sua mãe me ligou meio preocupada, perguntando se eu sabia o que estava acontecendo com ele - falou, parecendo estar preocupado também.
- Não muito, mas a gente fala sobre isso depois – falei em código e percebeu que ele não estava bem.
- Tchau. A gente já está indo para aí. - Encerrei a conversa, rindo, para que não desconfiasse que estávamos falando dele.
- Meu amor, os meninos estão procurando por você – disse, enquanto descia as minhas mãos delicadamente pelo rosto triste dele.
- Não. Quero ficar aqui quietinho, com você e mais ninguém. - Ele acariciava a minha mão, que acariciava o rosto dele.
- É uma proposta tentadora, mas acho que seria ótimo pra você ficar um pouco com os seus amigos e espairecer um pouco – falei, descendo sutilmente minha mão do rosto para o peito dele.
- Não, não... - Ele falava com um sorriso triste no rosto, fazendo pirraça como criança. Dei um sorriso simples ao ver que ele já sorria, e isso já era um bom sinal.
- Sim, sim... A gente tem todo o tempo do mundo pra ficarmos juntos. Vai ficar com eles. - Agora quem "fazia" pirraça era eu, imitando ele.
- Tá, eu vou - ele disse, num tom de derrota, e sentou-se, ficando do meu lado.
- Eba! Vamos, vamos. - Me animei, sabia que com os amigos ele estaria melhor e bem mais alegre.
- Mas não fala nada pra eles não, tá - ele me pediu, segurando o meu queixo. Eu apenas balancei a cabeça de cima pra baixo e ele me deu um beijo. Nos levantamos e nos encaminhamos para onde os garotos estariam nos esperando. Andamos pela arquibancada.
- EU TE AMO, ! - gritei no meio do campo de futebol e vi um MASTER sorriso surgir no rosto dele.
- EU TE AMO, ! - ele gritou da arquibancada e desceu correndo até mim, me pegou no colo e girou comigo em seus braços. Ele me desceu lentamente, ambos riamos. Nos encaramos em silêncio, era como se estivéssemos nos apaixonado novamente. Duas coisas eram evidentes em nossos rostos: nossos olhares apaixonados e nossos sorrisos sinceros. Tínhamos certeza que nos amávamos, independetemente do que diziam a respeito do que sentíamos um pelo o outro.
depositou uma de suas mãos em minha cintura, trazendo-a o mais próximo possível de seu corpo. Dei um sorriso safado ao sentir um volume encostando em meu corpo. Entrelacei os meus braços ao redor do pescoço dele, fechamos os nossos olhos e nos beijamos. Sua boca macia e doce encostou na minha e pedia passagem com a língua para que pudéssemos aprofundar o beijo. A mão dele subia para a base das minhas costas e ele cessou o beijo.
- Te amo... Pra sempre. - ele sussurrou próximo ao meu ouvido, com o rosto colado no meu. Sorri, emocionada. não pôde ver. É tão bom você ouvir que é amada, principalmente por quem você ama.
- Te amo além do sempre... - disse e me permiti deixar cair uma lágrima de meus olhos, sem que ele percebesse. Encostei minha cabeça no peito dele, que me abraçou e me deu um beijo no topo da minha cabeça.
De mãos dadas, fomos até o canteiro no pátio da escola, onde os garotos estavam sentados. Como os três rapazes estavam sentados, apenas um banco estava vago, afinal, eles são mais moça que eu às vezes. se sentou no banco e me puxou para o seu colo.
- E aí, cunhado, como você está? - perguntou descontraído, dando dois tapinhas no ombro do .
- To bem. - Foi apenas o que o respondeu, sendo até meio seco na resposta, mas nada que deixasse eles perceberem que algo estava errado.
- O quê que vocês estavam fazendo lá atrás sozinhos, hein? - perguntou, cheio de maldade na mente.
- Estávamos... - Fui interrompida pelo , que parecia não estar muito afim de saber o que estávamos fazendo.
- Não, eu sinceramente não estou nem um pouquinho afim de saber o que minha irmãzinha e o namorado dela estavam fazendo sozinhos no campo - disse, sério, o que foi até engraçado, porque ele nunca tinha se pronunciado a respeito, e outra, ele nunca falava sério.
- Ficou com ciúmes, Jonnes? - zoou meu irmãozinho, que estava meio vermelho.
- Ah! Não faz assim com o meu maninho, não, . - Levantei e dei um beijinho na testa do enquanto falava e dei um pedala no , que gemeu e riu ao mesmo tempo. -
O que houve, ? – perguntei, vendo o menino olhar para um ponto fixo atrás de mim e de .
- Nossa, essa daí eu pegava fácil - falou, embasbacado, olhando pra menina que passava como se ela tivesse o hipnotizando. Ela era uma siri (novata) e realmente era bonita.
- Quer ela? – perguntei, olhando pra ela e depois olhei para ele com apenas uma das minhas sobrancelhas levantadas e um sorrisinho discreto no rosto.
- Vai desenrolar pra mim? - ele me perguntou, todo empolgado com a ideia.
- Se você quiser. – falei, com um sorriso daqueles de quem não tá nem aí.
- Claro! - falou alto e bem claro, sendo bastante objetivo, e eu sorri de verdade.
- Já é sua! - afirmei e batemos as mãos em um cumprimento típico nosso.
- Sabia que eu me surpreendo às vezes com vocês? - disse, com um tom de voz meio incrédulo.
- Qual é, , eu só quero ficar com a menina e a só quer me ajudar, que mal tem nisso? - perguntou, rindo do , que estava surpreso com a gente.
- É, amor, que mal tem nisso? - perguntei e me virei para ver a reação dele.
- Nenhum, só que vocês falam como se a menina fosse um objeto à venda, e vocês nem sabem se ela tem namorado. - estava se irando e isso era visível, seu rosto estava ficando vermelho.
- Ai, amor, não esquenta – falei, sem dar tempo dele retrucar, logo o beijando.
- Sério que vamos ter que assistir a pegação de vocês? - perguntou.
- Ah para, - falei, mas paramos.
- Cadê a ? - perguntou, ao dar por falta da namorada do amigo.
- Ela dormiu na casa da irmã, então vai se atrasar - ele explicou, meio triste. e a namorada estavam sempre juntos, e isso era algo que me confortava e me deixava muito feliz, já que eu e tivemos um rolo. Ele era como o meu reserva. Quando eu não estava sério com ninguém eu ia me refugiar nele. Bom, ele nunca foi o meu reserva, ele sempre foi o meu refúgio; mas agora que tenho o , não preciso mas de refúgio. já é tudo pra mim, meu refúgio, meu abrigo, meu consolo. É bom saber que ele está com alguém que goste dele do jeito que ele merece. Ele é um garoto que gosto muito, de verdade. Essa menina, a , é muito bonita e bem simpática, ela é o que ele precisa.
- Eu e juntos, e essa menina, na batalha... E você, meu irmão? - perguntei e todos os olhares se voltaram para .
- E eu? E eu fico fora dessa! - afirmou convicto, achando que com essa resposta seca eu deixaria ele quieto.
- Fala quem você quer, aponta, que eu trago. Qual é a loira da vez? Eu trago a menina mais bonita pra você - falei em tom de brincadeira, mas todos ali sabiam que eu falava sério.
- Ninguém! - ele disse, rindo como os outros.
- A menina mais linda nada, porque ela já tem namorado e ainda por cima é irmã dele - disse, me dando um beijo no ombro que estava de fora, por causa do modelo da blusa.
- Que brega, amor... – disse, rindo. – Lindo, mas brega – falei, ainda com um sorriso idiota no rosto e dei um selinho nele.
O sinal tocou e cada um foi pra sua sala, mas eu ainda tinha uma missão: ajudar o com a siri. E pra minha sorte ela fazia Educação Física comigo.
- Siri, né? - perguntei, mais como uma afirmação do que uma pergunta. Afinal, estava na cara dela que ela era um peixinho fora d'água, sem trocadilhos.
- Sim, e você é , certo? - ela me respondeu e emendou logo uma pergunta, que parecia mais uma confirmação.
- Nossa, fico admirada com a minha popularidade – falei, dando um beijinho no meu ombro, de um jeito até meio arrogante. Eu realmente me acho, e não tenho o menor problema com isso.
-Então, você já sabe que eu sou a capitã do time de torcida, né? – perguntei, enquanto prendia meu cabelo em um rabo-de-cavalo para a aula. Ela prestava bastante atenção nas minhas palavras, e balançou a cabeça positivamente em resposta a minha pergunta.
- Você gostaria de fazer parte do time? – perguntei, sentando-me ao lado dela no banco do vestiário.
- Sim – respondeu, com um sorriso estampado no rosto. Ela falava pouco e isso já era um ponto positivo, assim não me perturbaria com idiotices.
- Hoje tem ensaio, se você quiser aparecer por lá seria ótimo, assim você já teria uma certa vantagem sobre os outros novatos na hora do teste para entrar na nossa equipe - falei em um tom de voz amigável, enquanto nos levantávamos para irmos pra quadra de vôlei.
- Que horas é o ensaio? - perguntou, se mostrando bastante interessada, e isso facilitava bastante o meu trabalho.
- Às duas horas, na quadra de basquete. Sabe onde é? – perguntei, chegando já na porta da quadra.
- Sei, sim - ela falou sorridente, feliz como um cachorrinho que acaba de receber um carinho do dono.
- Então... Tá tudo bem legal, mas eu ainda não sei o seu nome – falei, sendo bem simpática. No começo eu era bem simpática com as pessoas, depois é que era o problema.
- Fontinelly - ela disse, se apresentando.
- Vou te chamar de . Sabe, aqui na escola todos temos apelidos, principalmente quem é da equipe de torcida, e como você vai ser da minha equipe, tem que começar a se acostumar. Apelidos são muito importantes. tem várias; agora é só você. E é por isso que no nosso uniforme são os nossos apelidos que estão em destaque, e não os nossos nomes - expliquei o porquê do apelido, enquanto nos aquecíamos.
O professor interrompeu nossa conversa, para começar a aula e como era por duplas, ela foi a minha dupla.
O sinal do intervalo bateu, fui logo para o vestiário tomar o meu banho e me arrumar. Chamei ela para vir comigo, mas não era porque eu queria que ele ficasse com o meu amigo que seria boazinha com ela, afinal ela ainda era um sirizinho, e eu era justa. E outra, eu tinha que continuar a minha saga.
- , quer vir comigo, pra se enturmar com os veteranos? Seria ótimo pra você. - A convidei, sem mostrar minhas reais intenções, que era escravizá-la um pouquinho.
- Claro! - Ela disse, alegre e ingênua. Ah! Coitadinha.
- Então toma aqui e vem comigo. - Eu dei meu material pra ela e vi um olhar confuso, furioso e decepcionado, mas como já disse isso era normal, ou será que ela pensou que era minha amiga?
- Você não pensou que fugiria das minhas boas vindas, não é? - Fui bem sarcástica, ela abaixou a cabeça, desviando o olhar. Ai, eu sou tão má. E o pior é que adoro isso.
- , temos que ensaiar o 4, 5 e 6, eles estão... - Gabby veio toda eufórica que nem percebeu a presença da querida .
- Quem é essa daí? - Gabby perguntou, olhando a pobrezinha da de cima a baixo.
- Essa é , minha siri particular - respondi. Gabby olhou a garota com desdém e continuou falando sem parar, enquanto íamos até os meninos.
- Gabby, agora já deu, né? Pode ir, quero ficar com meu namorado e meus amigos. - Dispensei Gabby, ou melhor, expulsei a chata, puxa saco, me despedindo com um simples e seco “bye bye” com as mãos. Ela mal virou as costas e eu já tinha corrido pro abraço, literalmente. Fui logo beijando o meu namorado, e assim que voltei o meu olhar para os demais, o primeiro que vi foi , que tinha um olhar de gratidão estampado na cara. Apresentei a todos e vi o espertinho do já se aproximando da garota. Ai, gente, fazer boas ações de vez em quando é tão bom, mas só de vez em quando, e principalmente para os nossos amigos.
- Posso te ajudar? - perguntou, sendo prestativo, ou melhor, sendo um cavalheiro. Tá, como se eu não soubesse quer era só pra puxar assunto com a , só que se aproveitar do meu material pra puxar assunto não era uma boa ideia.
- Não! Nem pensar! - Tive que interromper o beijo que eu e meu namorado perfeito estávamos tendo pra permitir que ele não cometesse essa loucura.
- O quê? - perguntou, meio assustado e confuso. Ops! Acho que assustei o gatinho.
- Nem ouse a tirar o meu material das mãos dela. Ela é caloura e isso é normal. - Eu estava um pouco alterada. Não suportava nem a ideia de passarem por cima de uma ordem minha.
- Não é nada de mais . - insistia em ajudá-la, e já ia pegando o material.
- , você não vai querer passar por cima de uma ordem minha, não é? - disse em um baita tom ameaçador. Ele olhou pra com um olhar de desculpas e olhou pra mim, abaixando a cabeça.
- , acho que não é pra tanto. - se meteu, e aquilo me deixou MEGA irada, mas eu já havia me estressado muito por um dia, então o melhor que tive a fazer foi respirar fundo contar até três...zentos e abstrair lentamente, o mais lento possível, antes que eu perdesse o controle de mim mesma.
- , eu poderia simplesmente dizer pra você que não é da sua conta, e mandar você ir tomar no seu... Mas não como eu estou bem boazinha hoje, vou te responder por que precisa tanto. Precisa tanto porque eu não fico tirando a autoridade de nenhum de vocês aqui. E outra, eu não posso e nem quero dar liberdade pros outros, principalmente se esses outros forem calouros, sendo mulher então agrava mais a situação – falei, tentando me acalmar, pra não me exaltar e acabar descontando a minha raiva em alguém que não tivesse culpa.
Tenho que confessar a vocês, ser boazinha é difícil. Eu estou tentando EVOLUIR como pessoa, para mostrar pro meu namorado que eu posso ser "normal" ou "legal" com as pessoas da escola que não gostam de mim, não que o ou os meninos não gostassem de mim, só que eu mal conhecia a menina e não precisava ser "boazinha" ou "amiguinha" dela por isso. O clima depois da nossa "conversa" ficou meio estranho, então , como sempre, ficou de graça pra descontrair.
O sinal tocou, anunciando que o intervalo havia acabado. e já estavam bem entrosados, e riam de alguma coisa que eu não fazia a menor ideia do que era, e voltava da cantina com dois copos de suco nas mãos. Ele me deu o de laranja e tomou o de maçã. Tomamos nossos sucos e ele me acompanhou até a minha turma, que teria aula de sociologia 2. Ele me deu um beijo e em seguida deu espaço pra passar com o meu material.
- No final da aula venho aqui pra irmos para minha casa - ele falou, com as mãos no meu rosto e olhando nos meus olhos.
Não, amor, eu tenho ensaio hoje e vai até às duas e meia. - Dei um leve sorriso. Achei graça de ele ter esquecido, ele nunca esquecia nada que dizia respeito a mim.
- Ah, é! - Ele virou o rosto e abaixou a cabeça, dando um tapinha testa. - Tenho permissão pra assistir ao ensaio, capitã? - ele perguntou, brincando, pondo a mão na testa, como um soldado, e eu acenei que sim com a cabeça, rindo da brincadeira dele. Nossa, como eu sou idiota. Isso que ele fez foi ridículo, mas eu achei engraçado. Aposto que se fosse outro eu ia achar ridículo, tosco, e outros adjetivos "carinhosos", mas é o meu namorado, então eu mereço crédito, né. Ele me beijou, seus lábios encostaram nos meus, sua língua doce atravessava a minha boca, que ansiava pelo carinho e prazer que ele transmitia ao me beijar. Suas mãos estavam perdidas pelo meu corpo, a mão direita estava no meu cabelo, a esquerda segurava a minha cintura, minha mão direita estava no braço esquerdo dele e meu braço direito pendurado em seu pescoço.
O professor vinha ao fundo do corredor, e então paramos. me deu um último selinho, ele já estava dez minutos atrasado pra aula.
- Não deixa o professor brigar com você, fala que a culpa foi minha – falei, séria e ele sorriu, como se achasse aquilo um absurdo.
- Tá, qualquer coisa eu mando um sinal pra minha super heroína vir me salvar. - Ele debochou da minha cara, eu dei um tapa nele e nós dois rimos. O professor chegou na porta e foi embora. Eu entrei na sala com o professor.
Assisti todas as minhas aulas direitinho. Apesar de ser meio contraditório, eu sou uma líder de torcida que estuda bastante e é esforçada. Tenho até que ser esforçada, porque eu não sou nenhum gênio da matemática, nem da ciência. E estudar era algo que me acalmava. Porém, não há calmaria que resista a um dia de ensaio. Minha calma foi toda por água abaixo quando cheguei à quadra de basquete, onde o time de torcidas treinava. Todos da equipe já estavam lá a minha espera e aquilo lá era uma zona total, estavam todos dispersos.
- Gente, atenção aqui, por favor! - Falei alto, literalmente, chamando a atenção para começar o ensaio, o que foi uma tentativa frustrada, e isso me deixou terrivelmente revoltada. percebeu isso e apertou minha mão, tentando controlar o meu nervosismo. Olhei para ele, respirei fundo, abstraí e fui colocando a musica pra tocar.
- Quem quiser e estiver disposto a ensaiar vem, os demais... Eu peço educadamente que se retirem - falei pausadamente pra não sair de mim e perder o controle. Todos ficaram e enfim eu pude começar o ensaio. Parecia que realmente tinham parado, até que um grupinho se dispersou de novo e eu tive que mostrar porque eu é que era a capitã e não nenhum deles, e acho que isso serviu para todos, porque depois disso eu pude seguir com a coreografia sem interrupções desse tipo. Me afastei do grupo para observar melhor, e de fora até me assustei. Pude ver erros pequenos e gigantes, alguns passos errados. Sério, algumas pessoas ali precisavam de mais ensaios. Vi na porta da quadra, fiz sinal com a mão para que ela entrasse e sentasse na arquibancada na primeira fileira.
O ensaio continuou e agora eu estava fazendo as mudanças e apontando os erros. Mostrei o esquema que faríamos no dia do campeonato de torcidas.
- Então é isso. Vocês já estão dispensados. Menos Greg, Chuck, Sarita, Fe, Let, Drika e Lu, e você, . Vocês estão com dificuldades em alguns passos, então terão ensaios extras, na quinta e na sexta, às oito da noite, no estúdio de dança da minha avó - falei sem arrogância ou qualquer recriminação, fui até gentil com eles.
- , não dá pra mim. Tenho compromissos às sextas. - Drika parecia meio insegura, parecia temer a minha reação.
- E às quintas? – perguntei, paciente e disposta a ajudá-la.
- Quinta dá pra mim. - ela falou, com um brilho no olhar.
- Então tá, você chega lá uma hora antes dos outros e trabalhamos os passos que você está com dificuldades. Mas aqui, gente, se vocês quiserem continuar na equipe, vão ter que se esforçar. Não são só vocês que estão tendo que abrir mão de alguma coisa, eu também, só que a diferença é que eu já sei e não precisava disso, mas estou aqui pro bem da equipe e a vitória do time. Então eu adoraria que vocês estivessem no estúdio nos dias marcados, principalmente você, , que ainda não sabe a coreografia. - disse, finalizando, e dispensei-os.
- Amor, vou tomar um banho e já volto pra irmos embora, tá? – disse, enquanto pegava minhas coisas que estavam ao lado dele, e já que estava ali, aproveitei pra matar a saudade e dei um beijo rápido no meu amorzinho. Nossa, isso foi ultra brega, acho melhor eu ir logo!
Saí do banho e a quadra estava vazia e silenciosa. A única pessoa na quadra era o . Ele estava completamente distraído com alguma coisa no celular, tão distraído que nem deu pela minha presença. Fui a passos silenciosos até ele, sentei-me ao lado dele e dei uma leve mordida no lóbulo da sua orelha. Ele deu um sorriso lindo e malicioso. Sei que ele estava gostando, aquele sorriso safado... Eu desci da orelha para o pescoço, passei meu nariz sobre o pescoço dele, inalando seu perfume embriagador. Eu já disse que ele é muito cheiroso? Tá, mas isso não importa. Dei um beijo no queixo dele, provocando-o. Ele ainda sorria e parecia se controlar. Puxei o rosto dele em direção a mim, encarei ele com um sorriso de lado, aquele “by Edward Cullen”. Aproximei-me bastante do rosto dele, voltei a olhá-lo e o encarei provocativamente. Passei meu nariz pelo dele com carinho e calma, comecei a beijá-lo; beijei a testa, a bochecha, os olhos, a ponta do nariz, mais uma vez no queixo. Afastei meu rosto alguns milímetros do dele, passei carinhosamente minha mão na boca fina e rosada dele, olhei o seu rosto e ele me observava com os olhos brilhando. Calma e lentamente me aproximei de sua boca e o beijei. Minhas mãos estavam no rosto dele, as dele estavam separadas pelo meu corpo, uma estava na minha nuca e a outra estava na minha perna. Uma das minhas mãos descia vagarosamente pelo corpo dele, ela delineava seu peito e abdômen, chegando à parte de baixo. tirou minha mão, que pousava sobre o membro dele, e me deitou cuidadosamente na arquibancada. O corpo dele estava sobre o meu, ele pôs as minhas mãos para cima, me encarou e começou a beijar de forma intensa, porém delicada o meu pescoço, desde a altura da minha nuca, desceu mais um pouco com os beijos, beijando a parte descoberta pelo decote da minha blusa, do meu colo, ele ia em direção aos botões da minha calça, com o mesmo cuidado que ele teve na minha primeira vez.
- ... Acho melhor irmos. - A minha pronuncia saiu mais como uma pergunta do que afirmação. Eu queria tanto aquilo quanto ele, mas estávamos na escola, e a qualquer momento poderia chegar alguém e nos pegar daquele jeito. Mas o pior foi a carinha com que ele me olhou, era uma mistura de sentimentos: frustração, irritação, desejo. Esse mix deixou ele com uma carinha de criança que quebrou o brinquedo preferido, aquilo cortava o meu coração e o pior era que eu sabia que quem tinha começado com aquilo era eu. Quase me rendi, mas meu namorado é inteligente e sabia que ali não era o melhor local. Ele se levantou, respirou fundo, me ajudou a levantar, me abraçou, um abraço forte e firme, passou os dedos ao redor da minha boca, como se limpasse algo, provavelmente o meu batom, que deveria estar borrado. Pegou minha bolsa e desceu da segundo fileira para a quadra. Eu dei uma ajeitada bem superficial no cabelo, só pra não perceberem o que estava rolando ali, dei minha mão pra ele e fomos embora de mãos dadas.
Fomos para a casa dele. Íamos passar o dia lá, pois não havia ninguém em casa. A mãe dele estava com a avó dele no hospital e a irmã dele estava na escola. Estávamos com a casa só para a gente.
Eu fui pra cozinha preparar algo pra gente comer, e ele subiu pra tomar banho. É, eu já era íntima da casa dele.
- O que tem aí pra gente comer? - perguntou, sentando no banco da bancada. Ele estava sem blusa e exibia sua boa forma e sua tatuagem.
- Macarrão e almondegas, que é prático – disse, sem ao menos olhar pra ele; estava muito atenta à panela de macarrão.
- Deixa eu ver se esse macarrão tá bom. - Ele veio por trás de mim e meteu a mão na panela, pegando um fio e levando direto à boca.
- Hum.. Tá quente! - ele disse, fazendo cara feia e eu ri, ri muito, era óbvio que estava quente, eu ainda nem tinha apagado o fogo.
- Bem feito – falei, rindo, e me virei, ficando de frente pra ele e de costas para o fogão, ele me roubou um beijo e eu dei um tapa (carinhoso) no ombro dele.
- Nossa, você só me maltrata e me bate. Eu me queimo e você diz “bem feito”. To bem mesmo de namorada. - Ele resmungou que nem velho e eu ri.
- E o que eu posso fazer pra reparar esse meu erro? – perguntei, entrando na brincadeira.
- Você poderia começar me dando um beijinho pra melhorar. - Ele propôs num tom de voz meio infantil.
- Tá doendo? Quer um beijinho pra melhorar? – perguntei, com a voz super melosa e ele respondeu que sim com a cabeça. Dei um beijinho no dedo dele e ele olhava atentamente pra mim, e como uma cobra dando o bote, fui em direção a boca dele e o beijei. Acabei perdendo noção do tempo, esqueci das panelas e só fui me dar conta delas por causa do cheiro de queimado que começou a empestar a casa. Eram as almôndegas, algumas delas queimaram e eu tive que pôr mais umas ou teríamos que comer almôndegas carbonizadas. Com esse desastre fiquei agitada, perdida e descontrolada. Isso fazia o rir, e ele rir dessa situação me deixava com raiva, mas ele continuou rindo, só que pelo menos me ajudou, né.
O resto dia passamos realmente como um casal. Almoçamos, e ele ficou ainda mais feliz após receber o telefonema da irmã, que disse que iria dormir na casa de uma amiga. Eu fiz um doce que ele adorava, um doce que aprendi com a minha bisavó quando eu ainda era criança. Minha bisa era brasileira, toda a minha família materna é brasileira. Eu e meus irmãos somos daqui da Inglaterra mesmo, mas a minha mãe não, e como ela sempre foi muito apegada a avó dela (minha bisa), íamos para lá sempre que podíamos. E em uma dessas idas ao Brasil aprendi a fazer o legitimo brigadeiro.
Fiz o brigadeiro para comermos enquanto assistíamos um filme, que por milagre dessa vez não era Star Wars. Depois que o filme acabou, pedi a ele que tocasse um pouco de piano pra mim. Ele se sentou e tocou um pouco de Falling in love. Eu adora vê-lo tocar, quando ele estava próximo da música ele estava bem, ele ficava ainda mais lindo, sua voz era suave e encantadora. Eu o observava orgulhosa, praticamente babava vendo-o tocar, ele me olhava enquanto tocava.
- Te amo - sussurrou ao pé do meu ouvido, sem deixar de tocar, e eu sorri feito uma idiota.
terminou de tocar e me beijou. Suas mãos começaram a passear sobre o meu corpo, e eu segurei suas mãos, antes que ele atingisse o seu alvo. Ele parecia não entender a minha atitude.
- , quero ir para o seu quarto - falei e ele ficou muito feliz, tão feliz que me levou no colo. Eu gritava para que ele me descesse, mas ele se recusava.
- Já que é pra fazer, vamos fazer direito - ele disse, me segurando como recém casados em lua-de-mel.
Entramos no quarto dele. Ele me pôs na cama cuidadosamente, me olhava de uma forma que em outras circunstâncias seria até assustadora, mas não naquela. Ele tirou minha blusa, parecendo o tempo todo preocupado se estava me incomodando. Parecia estar com medo de me machucar.
- Amor, eu sou toda sua. Nesse momento só sou eu e você. - Parecia que ele só precisava disso, pois foi o necessário para que ele tomasse domínio da situação. Talvez repetir pra ele a frase que ele me disse na minha primeira vez tenha mostrado que eu queria muito estar com ele e que ele não precisava mas se preocupar com nada, e foi o que aconteceu, o mundo parou naquele instante. Éramos só eu e ele, o mundo lá fora era algo de que nós não fazíamos mais parte naquele momento. Tínhamos um ao outro, éramos um só corpo e aquilo era o que mais nos importava e o que mais precisávamos.
Havíamos nos esforçado muito, estávamos exaustos, sem forças, cansados e sem fôlego. entrelaçou seus braços em meu corpo e dormimos abraçados. Acordei e me assustei com a hora no relógio, já eram dez da noite. Eu havia dormido umas quatro horas e meu pai deveria estar morrendo, já que eu nem tinha ligado falando que me atrasaria para o jantar. Levantei-me bruscamente da cama e fui para o banheiro tomar um banho. , que dormia, acordou com a minha agitação e também se levantou.
Terminei meu banho e fui pro quarto, pedir que me levasse em casa, mas ele não estava no quarto. Provavelmente ele deveria estar no banheiro social, então nem dei muita importância e continuei a pegar minhas coisas que estavam espalhadas pela casa toda.
Ótimo, tinha perdido o meu celular e não conseguia achar no meio daquela bagunça.
- Já está pronta? - me perguntou, entrando no quarto.
- Tô, mas não estou achando meu celular – falei, enquanto procurava o meu celular feito louca.
- Deve esta lá embaixo - ele disse, me puxando pela mão e me tirando do quarto.
- Olha lá na cozinha que eu olho aqui. - Ele me indicou a cozinha e procurou no sofá. Eu fui correndo pra cozinha, mas não estava achando. Aquilo já estava me dando dor de barriga, sempre que acontecia algo do tipo me dava dor de barriga. Pior que a hora só passava e eu tinha que ir embora, mas também não podia deixar meu bebê longe de mim.
-Achei! - gritou e eu corri até ele, que já estava com a mão estendida para cruzar com a minha.
Corremos até a varanda da casa e nos deparamos com uma chuva que caía fortemente, mas ele não nos intimidou. Continuamos a correr sem parar, chegamos no carro exaustos e arrancou o carro com tudo.
Finalmente chegamos. me deu um sorriso e eu retribui com um abraço, seguido de um beijo rápido. Peguei minhas coisas que estavam no banco traseiro e me despedi dele com mais um beijo.
- Onde você estava que não podia nem atender o celular? - meu pai me perguntou, enquanto eu tentava passar por trás dele sem que ele percebesse. É, mas apesar de estar super concentrado no jogo que assistia, ele percebeu a minha entrada.
- Tava com o . - Passei logo pro meu quarto antes que começasse o interrogatório.
Troquei minha roupa por uma seca e vi minha mãe entrando no quarto e sentando na minha cama. Ela queria alguma coisa, ou então queria apenas me dar uma lição de moral. Eu sequei o meu cabelo naturalmente, esperando que ela tomasse alguma iniciativa.
- , o que aconteceu com o ? - Ela me olhava fixamente, parecia aflita.
- A avó dele está com câncer – disse, e no rosto da minha mãe logo surgiu uma expressão espantada. - Mas não é pra contar para ninguém, ouviu? O ainda tá muito abalado. - Alertei, antes que ela contasse pra alguém.
- Nossa! Não, eu não vou falar nada. Imagino como ele deva estar, tadinho - ela falou, ainda chocada com a notícia. - Oh, mas seu pai não gostou nada dele ter dormido aqui sem avisar. Ele ficou uma fera e ficou o dia inteiro resmungando que nem um velho. - Ela me avisou. Sabia que provavelmente de manhã ele teria uma conversa comigo. Enquanto ela falava, eu pegava o meu material. Não estava com tempo pra aturar as crises do meu pai.
- Sim, mãe, entendo o meu pai, mas o precisava de mim, e ontem a gente nem fez nada. Ele só chorou, a noite inteira. - Deixei bem claro pra ela que nada havia acontecido e dei uma risada discreta. Tipo, meu pai louco achando que a gente tinha feito alguma coisa, sendo que o pobrezinho do meu namorado só chorava.
- Mãe, agora que já te expliquei, a senhora poderia me deixar só? Tenho milhares de trabalhos pra fazer. - Pedi educadamente que ela se retirasse.
- Tá, tudo bem... Não precisa expulsar duas vezes - minha mãe disse, levantando-se da cama e fazendo um melodrama, típico de mãe.
- Não, mãe, sabe que não estou te expulsando. - Me expliquei, antes que ela começasse a acreditar que eu estava a expulsando.
- Sei que não... - Ela deu um sorriso tímido no meio do quarto e seguiu andando.
- Mãe... Te Amo! - disse quando ela ia saindo. Ela sorriu, pensativa.
- Eu sei... Também te amo! - Ela sorria babona ao dizer que me amava, e saiu fechando a porta.

– Betado por Andie


Continua...

***

n/a : E ai girls? tão gostando da fic? espero que sim! já descobriram se ela é vilã ou mocinha? creio que esteja dificil de saber ainda neh? meninas mas acalmem- se sei que umas devem estar gostando e outras ñ muito, mas lermbro á vcs que isso é apenas o começo, tem muita história ainda por vir. aguardem os próximos capitulos! ah! e só mais uma pergunta vcs realmente acreditam nesse amor deles??
deixem seus comentários e façam sua autora feliz =D
estarei no twitter tbm @peixoto eu sigo de volta ;D

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Nota da Beta: Comentem. Não demora, faz a autora feliz e evita possíveis sequestros - só um toque. Qualquer erro encontrado nesta fanfiction é meu. Por favor, me avise por email ou Twitter. Obrigada. Amy Moore xx