?ltima atualiza??o: 24/07/26
Descri??o
Por s?culos, a Ordem Jedi temeu uma profecia esquecida: dois amantes, destinados a lados opostos da For?a, poderiam trazer equil?brio ? gal?xia ou conden?-la ? escurid?o.
Em 944 ARR, Mestre Tarla Kesyk, um Jedi antigo, reservado e marcado por perdas, acredita j? conhecer todos os caminhos da ren?ncia. Rum'ea Olphen, sua nova Padawan, chega ao Templo carregando feridas profundas, uma for?a inquieta e uma resist?ncia que nem mesmo o medo conseguiu apagar. O que come?a como treinamento logo se transforma em algo imposs?vel de ignorar: um v?nculo secreto, intenso e invis?vel aos outros, como se a pr?pria For?a tivesse unido suas almas.
Entre miss?es, prova??es e os limites r?gidos da Ordem, Tarla e Rum'ea precisar?o enfrentar uma verdade perigosa: o amor pode ser queda, salva??o ou ambas as coisas ao mesmo tempo. E, quando a profecia enfim despertar, a escolha entre luz e trevas poder? mudar n?o apenas o destino dos dois, mas o futuro de toda a gal?xia.
Prólogo
"Dois unidos pela Força, pensamentos protegidos por ela;
Um cairá em trevas, o outro permanece na luz.
Uma união testada pela distância, morte e esquecimento
Quando uma criança roubada escolher o que é certo
E a criança do gelo conhecer o abandono de tudo que esperou para amar.
Em vida, trilham o mesmo caminho,
Em morte, seguem lados separados.
Verde se torna vermelho nos olhos e na lâmina;
E, mesmo assim, a metade não se apaga, a amálgama não se desfaz...
Nem luz
Nem trevas
E, por isso, renegados por ambos.
Nunca um sem o outro podem ser,
Temidos por todos que os cercam."
Capítulo 1
O vento cortava os penhascos de Ossus como uma lâmina invisível. Não havia cidades ali, nem o brilho constante das rotas hiperespaciais, nem o rumor distante de guerras entre sistemas. Apenas pedra antiga, poeira dourada e as ruínas silenciosas do primeiro conhecimento Jedi, enterradas sob eras de abandono.
No alto de uma escadaria semidestruída, uma figura avançava lentamente sob a luz fria das luas. O manto pesado ocultava-lhe o rosto, mas não o cansaço nos movimentos. Cada degrau parecia carregar o peso de séculos.
As portas do antigo cofre já estavam abertas.
Isso, por si só, era impossível.
Os mecanismos daquela câmara haviam sido selados antes mesmo da formação da República moderna. Não respondiam a chaves comuns, nem a códigos, nem mesmo à maioria das técnicas da Força conhecidas pelos Jedi contemporâneos. Ainda assim, alguém entrara.
O interior cheirava a pergaminho queimado e chuva antiga.
Holocrones partidos repousavam espalhados pelo chão, alguns ainda emitindo fragmentos de vozes há muito mortas. As paredes circulares estavam cobertas de inscrições em idiomas esquecidos - símbolos que nem mesmo os arquivistas de Coruscant ousavam traduzir sem autorização do Conselho.
No centro da sala havia apenas um pedestal de pedra negra.
Vazio.
A figura encapuzada permaneceu imóvel diante dele durante vários segundos. Então, ergueu lentamente uma mão enluvada, passando os dedos pelo sulco deixado pelo objeto desaparecido.
Um livro.
Não um holocron.
Um livro físico.
As Escrituras de Ashla.
O último texto proibido da Primeira Ordem Jedi.
Atrás da figura, outra presença emergiu da escuridão.
— Então era verdade… — disse uma voz feminina, baixa e cautelosa. — Achei que fosse apenas mais um mito entre milhares.
A figura não se virou.
— Mitos não assustam o Conselho.
Ela observou o pedestal vazio.
— O que havia aqui?
O silêncio demorou a responder.
Quando veio, trouxe consigo algo semelhante à hesitação.
— Uma profecia.
As luas iluminaram parcialmente o rosto da recém-chegada: uma mulher ainda jovem, trajando vestes Jedi simples, embora o olhar carregasse uma inquietação incomum para alguém treinado, desde a infância, a esconder emoções.
— Sobre o Escolhido?
— Não.
A resposta saiu seca.
— Então, sobre guerra?
— Não.
Ela franziu a testa.
O homem finalmente virou o rosto. Era velho. Muito mais velho do que aparentava à distância. Cicatrizes cruzavam-lhe a pele como rachaduras em pedra antiga.
E havia medo em seus olhos.
Medo genuíno.
— Todas as grandes profecias Jedi falam sobre equilíbrio, queda, fome, morte ou redenção. Algumas mencionam impérios consumidos pelo orgulho. Outras descrevem eras inteiras mergulhadas em trevas. — Ele respirou devagar. — Mas apenas uma fala sobre amor.
O vento invadiu a câmara naquele instante, fazendo os pergaminhos espalhados se agitarem violentamente.
A jovem sentiu um arrepio percorrer-lhe os braços.
— Amor?
A palavra soava errada naquele lugar. Errada nas bocas dos Jedi.
O velho caminhou lentamente até uma parede coberta de inscrições apagadas pelo tempo. Com a ponta dos dedos, ativou símbolos antigos, que começaram a brilhar em azul-pálido.
Duas figuras surgiram projetadas na pedra.
Uma envolta em luz.
Outra cercada por sombras.
Mas ambas estendiam as mãos uma para a outra.
— "Dois unidos pela Força, pensamentos protegidos por ela; Um cairá em trevas, o outro permanece na luz. Uma união testada pela distância, morte e esquecimento. Quando uma criança roubada escolher o que é certo, e a criança do gelo conhecer o abandono de tudo que esperou para amar. Em vida, trilham o mesmo caminho; em morte, seguem lados separados. Verde se torna vermelho nos olhos e na lâmina; e, mesmo assim, a metade não se apaga, a amálgama não se desfaz..." — recitou ele, em tom quase ritualístico. — "...Nem luz. Nem trevas. E, por isso, renegados por ambos. Nunca um sem o outro podem ser, temidos por todos que os cercam."
A jovem permaneceu imóvel.
— O que isso significa?
— Ninguém sabe.
A projeção tremeluziu.
Por um breve instante, as figuras pareceram se abraçar.
Então, transformaram-se em ruínas flamejantes.
Planetas em colapso.
Frotas destruídas.
Corpos celestes partidos ao meio.
A jovem sentiu o coração acelerar involuntariamente.
— O Conselho acredita que seja uma advertência. — Continuou o velho. — Que um dos dois arrastará o outro para seu lado. Se a luz vencer, haverá equilíbrio. Se as trevas vencerem...
Ele não terminou.
Não precisava.
As imagens de destruição ainda queimavam nas paredes.
— E alguém roubou isso.
— Sim.
— Um Sith?
O velho demorou a responder.
Muito tempo.
— Não sei o que me preocupa mais... um Sith procurando essa profecia... — Os olhos dele voltaram lentamente para o pedestal vazio. — ...ou um Jedi.
Capítulo 2
O chamado chegou a Mestre Tarla Kesyk quando a luz de Coruscant ainda era uma coisa indistinta além das janelas altas do Templo Jedi, dissolvida em névoa, tráfego distante e no brilho interminável de uma cidade que nunca conhecia noite verdadeira. Ele estava no arquivo oeste, diante de uma fileira de mapas estelares antigos, comparando rotas mortas da Orla Média com registros migratórios de espécies sensíveis à Força, quando o pequeno sinal luminoso do comunicador sobre a mesa vibrou uma única vez. Não havia urgência no toque. Não havia explicação. Apenas o selo do Alto Conselho.
Tarla permaneceu imóvel por alguns segundos.
Chamados do Conselho não o inquietavam havia muito tempo. A inquietação era coisa de jovens, de Cavaleiros recém-promovidos, de Padawans que ainda confundiam o peso de um olhar com julgamento e a demora de uma resposta com reprovação. Ele tinha cento e cinquenta anos-padrão, e a maior parte dos seres humanos que cruzavam seu caminho o tomaria por um homem de quarenta, talvez quarenta e cinco, se fossem generosos com a prata discreta que corria por alguns fios de seu cabelo longo. Para sua espécie, aquilo não era estranho. Para os keshtaret, o tempo se movia como se a vida obedecesse a invernos mais longos, como se o corpo lembrasse os ciclos de Keshtara: as três luas lentas, os montes gelados sob céus violetas, os lagos escuros e imóveis como vidro negro e as Luzes Dançantes cruzando o firmamento em ondas de rosa, dourado e verde.
Ele quase não se lembrava do frio.
Essa era uma das crueldades pequenas que a memória lhe concedia. Lembrava-se da cor das luzes sobre a neve. Lembrava-se do contorno do rosto de Maree, sua mãe, embora as cartas semanais que ela ainda escrevia tivessem envelhecido mais do que a lembrança. Lembrava-se da voz do pai, Vinis, grave e paciente, dizendo que os lagos tinham congelado cedo naquele ano. Lembrava-se das histórias sobre Elyria, a irmã que nascera muito depois de sua partida e que já era crescida, embora ele jamais tivesse tocado sua mão. Mas o frio, o verdadeiro frio de Keshtara, aquele que mordia os pulmões e tornava cada respiração uma promessa, esse havia se tornado uma ideia.
Fora levado ao Templo havia cento e vinte anos. Tinha trinta anos-padrão, mas era uma criança aos olhos dos seus, pequeno de corpo, lento em certas compreensões, ainda preso à idade física e mental que os humanos associariam a oito anos. O Conselho da época o recebera como recebia todos os younglings raros: com reverência, cautela e a certeza tranquila de que a Ordem saberia moldar aquilo que a Força entregava.
Tarla acreditara nisso por muito tempo.
Ainda acreditava, na maioria dos dias.
Ao atravessar os corredores altos do Templo, seu manto claro roçou o piso polido sem pressa. Ele era alto mesmo entre espécies de constituição alongada, um metro e noventa e quatro de serenidade aparente, ombros amplos sob túnicas de tecido cru e mantos de lã leve, o cabelo castanho-acinzentado solto até abaixo dos ombros. Seus olhos verdes, levemente caídos nos cantos, davam ao rosto uma expressão de mansidão permanente, quase melancólica, que muitos confundiam com indulgência. Não era indulgência. Era apenas o modo como seu rosto havia sido feito. Tarla podia ser firme como pedra de montanha, e Oppo Rancisis, seu antigo Mestre, soubera disso antes de qualquer outro.
Quando as portas da sala do Alto Conselho se abriram diante dele, a luz da manhã entrou por trás das torres de Coruscant como uma lâmina dourada, atravessando o círculo de assentos elevados. Mestre Yoda estava em seu lugar, pequeno e antigo como uma raiz exposta do próprio Templo. Mestre Yaddle, serena e silenciosa, observava a sala com olhos que pareciam guardar mais perguntas do que respostas. Mestre Oppo Rancisis repousava enrolado em sua cadeira, as mãos dobradas diante de si, e, por um instante, Tarla sentiu, como sempre sentia diante dele, a sombra distante de sua juventude. Mestre Tyvokka, imenso, coberto pela presença grave dos wookiees e por uma autoridade que não precisava de palavras, ocupava outro assento. Mestre Dookan, para surpresa de Tarla, estava de pé junto a uma das janelas, o perfil nobre recortado contra a cidade, as mãos unidas às costas, a postura impecável demais para parecer repouso. Havia outros Mestres presentes, mas a atenção de Tarla se prendeu primeiro aos rostos que conhecia melhor, depois ao espaço vazio no centro da câmara.
Não. Não vazio.
Havia alguém ali.
Uma jovem.
Ela era pequena a ponto de parecer quase engolida pela vastidão circular da sala. Teria pouco mais de um metro e meio, talvez um metro e cinquenta e três, pensou Tarla com precisão involuntária, pois a diferença entre eles era tão grande que parecia ter sido desenhada para constranger qualquer tentativa de equilíbrio visual. Tinha os cabelos longos, negros, ondulados e selvagens, caindo ao redor do rosto e dos ombros como se pente algum tivesse conseguido domá-los. Os olhos eram grandes, desproporcionalmente expressivos, de um tom avelã profundo, e havia neles algo que o fez pensar nos Fathiers que vira uma vez em registros de corrida: criaturas belas, velozes, assustadas e prontas para fugir antes mesmo de entenderem a mão que se aproximava. A pele dela era pálida, não com a palidez delicada de quem fora poupada do sol, mas com a palidez dura de quem vivera sob céus hostis, poeira fria e dias sem ternura. Ainda usava roupas de Catadora: camadas escuras, gastas, ajustadas por cintos práticos demais para qualquer estética do Templo, tecido marcado por uso, luvas, fivelas, botas pesadas, uma capa que parecia ter conhecido lama, cinza, metal oxidado e noites ao relento. Havia nela uma beleza selvagem, não domesticada, quase desconfortável de se perceber naquele salão feito de disciplina, linhas limpas e silêncio.
E havia a Força.
Tarla parou antes que qualquer Mestre falasse.
A assinatura dela não se apresentava como as assinaturas costumavam se apresentar. Em younglings, a Força vinha como uma chama instável; em Padawans, como água aprendendo a encontrar leito; em Cavaleiros, como uma nota sustentada por vontade e treino; em Mestres, como uma paisagem. Naquela jovem, porém, a Força parecia chegar através de uma tempestade. Havia uma estática ao redor dela, uma interferência áspera, quase atmosférica, como se o próprio ar do planeta de origem tivesse entrado em sua carne e se recusasse a soltá-la. Não era escuridão. Não era corrupção. Era ruído. Uma brutalidade ambiental ainda colada ao campo vivo dela, mascarando a assinatura como neblina carregada de eletricidade.
Mas, por baixo...
Por baixo, algo brilhava.
Não como uma vela. Não como lâmina. Como uma estrela vista através de nuvens pesadas, distante, imensa, impossível de apagar.
— Mestre Kesyk — disse Yoda, inclinando a cabeça. — Chamado, você foi. Por vir, agradecemos.
Tarla curvou-se primeiro ao Conselho, depois, com a mesma medida de respeito, à jovem no centro da sala.
Ela percebeu.
O corpo dela reagiu antes do rosto. Os ombros se prenderam, os dedos se fecharam em torno da beira da própria capa, o peso mudou quase imperceptivelmente para a perna de trás. O olhar dela passou por ele, depois pela porta, depois pela distância até a janela, depois pelas mãos dele. Rotas de fuga. Ângulos. Altura. Alcance. Pontos vulneráveis. A Força ao redor dela estalou como gelo fino sobre lago escuro.
Tarla não avançou.
— Mestres. — disse ele, com a voz baixa, macia, carregada por um sotaque antigo que sobrevivera aos anos no Templo como sobrevivem certas canções de infância. — Recebi o chamado.
Mestre Dookan voltou o rosto para ele. Havia avaliação em seus olhos, não frieza exatamente, mas a precisão austera de alguém que preferia verdades desconfortáveis a consolos inúteis.
— Mestre Kesyk, esta é Rum'ea Olphen. Chegou há três dias ao Templo, trazida por uma equipe de reconhecimento da Orla Exterior. Vem de Kyrmora.
Tarla buscou o nome na memória e encontrou apenas silêncio.
Kyrmora.
Nenhuma rota lhe veio à mente. Nenhum tratado. Nenhuma batalha. Nenhum registro diplomático lembrado das aulas antigas. Era raro que um planeta habitado escapasse inteiramente ao tecido de mapas que um Jedi de sua idade carregava dentro de si. Raro, mas não impossível. A galáxia era grande o bastante para humilhar qualquer arquivo.
— Não conheço esse mundo — admitiu Tarla.
A jovem não disse nada, mas o queixo dela se ergueu uma fração, como se estivesse acostumada a ouvir aquela ignorância como insulto.
— Poucos conhecem — disse Yaddle, suavemente. — Sua atmosfera interfere com varreduras, comunicações e navegação de aproximação. Tempestades eletromagnéticas constantes. Naves caem com certa frequência, tendo todos os sistemas desligados sem aviso prévio. Solo instável. Ecossistemas agressivos. Colônias quebradas. Gerações isoladas.
— A assinatura dela na Força permaneceu escondida por isso — completou Oppo Rancisis, e a voz de seu antigo Mestre fez Tarla voltar os olhos para ele. — A atmosfera brutal e estática de Kyrmora a mascarou por vinte anos. Sentíamos ecos, às vezes, mas nada que pudesse ser localizado com segurança. Nada que sobrevivesse ao ruído.
Rum'ea virou o rosto apenas o suficiente para olhar Oppo de lado.
— Vocês falam como se eu fosse uma transmissão defeituosa — disse ela.
Foi a primeira vez que Tarla ouviu sua voz. Era mais baixa do que ele esperava, rouca nas bordas, como se tivesse sido usada pouco para pedir e muito para resistir. Não havia reverência nela. Também não havia insolência simples. Havia uma faca escondida sob cada palavra, uma espécie de prontidão amarga.
Tyvokka emitiu um som grave, não exatamente uma risada, mas algo que suavizou, por um instante, a tensão da sala. Dookan, porém, não se moveu.
— Falamos de fenômenos, não de valor pessoal — respondeu ele.
A mão de Rum'ea se fechou com mais força.
Tarla sentiu o movimento antes de vê-lo. Não pela visão. Pela Força. A estática ao redor dela saltou e, por baixo daquilo, veio uma coisa clara, rápida, dolorosa: não ataque, não raiva, mas medo. Medo real. Medo de homem. Não de Dookan especificamente, não dele ainda, nem de Tyvokka por ser grande e talvez sequer pertencente à categoria "homem", mas de uma ameaça geral que a mente dela aprendera a reconhecer antes da razão. A suavidade não a acalmava; a suavidade a fazia travar. Uma voz masculina baixa, educada, gentil podia ser pior do que um grito, porque o corpo dela parecia saber que muitas armadilhas começavam com brandura.
Tarla respirou devagar.
E então aconteceu.
Não houve som. Não houve luz. Nenhuma das cadeiras se moveu, nenhum dos Mestres ergueu a cabeça, nenhum sensor oculto do Templo registraria coisa alguma. Ainda assim, entre um batimento e outro, a Força abriu um caminho direto entre eles.
Não foi como tocar uma mente durante uma técnica ensinada em meditação. Não foi como enviar uma impressão a um aliado em combate. Foi mais antigo, mais íntimo e mais estranho. Uma porta que não deveria existir se abriu sem dobradiças. Tarla sentiu a presença de Rum'ea não diante dele, mas ao lado de seu próprio pensamento, abrupta, desconfiada, luminosa sob ruído e cheia de lâminas erguidas.
Ela arregalou os olhos.
Quem está aí?
O pensamento dela não veio em palavras perfeitamente formadas, mas Tarla o compreendeu como se tivesse sido falado dentro de uma sala pequena. Havia pânico nele e fúria imediata por ter demonstrado pânico.
Tarla manteve o rosto imóvel.
Tarla Kesyk, respondeu, também sem mover os lábios. Não estou invadindo você.
O olhar dela se fixou nele com força. As pupilas pareciam maiores.
Mentira.
Eu também acharia.
Saia.
Não sei como.
Então aprenda. Rápido.
O quase humor da resposta, mesmo envolto em ameaça, teria feito outro homem sorrir. Tarla não sorriu. Ela teria interpretado um sorriso como triunfo, condescendência ou isca. Em vez disso, baixou levemente o olhar, não em submissão teatral, mas para diminuir a pressão direta entre eles.
Yoda observava os dois.
Não. Observava a sala. Observava a respiração de cada um, talvez a maré da Força. Mas não o vínculo. Tarla sentiu isso com uma certeza impossível. O caminho entre ele e Rum'ea estava oculto, não por habilidade dela, nem por disciplina dele, mas por algo maior, por uma camada de silêncio que a própria Força parecia colocar ao redor dos dois. Como neve fresca cobrindo pegadas antes que alguém pudesse lê-las.
Eles sabem? Rum'ea perguntou.
Não.
Como você sabe?
Porque Mestre Yoda teria olhado diferente.
Houve uma pausa mental, cheia de estática.
O pequeno verde?
Tarla quase perdeu a serenidade.
Sim. O pequeno verde.
O pequeno verde macho ou o pequeno verde fêmea?
Macho.
Ah.
— Mestre Kesyk. — disse Oppo, e Tarla ergueu os olhos. — O Conselho debateu longamente a situação de Rum'ea Olphen. Sua idade tornaria a aceitação formal no treinamento Jedi incomum em qualquer circunstância. As condições de sua vida antes da chegada tornam a situação ainda mais delicada. Ela não pode ser tratada como youngling. Não pode ser inserida entre iniciados. Tampouco seria prudente deixá-la sem orientação.
— Faz sentido. — disse Tarla.
Rum'ea não olhou para ele ao ouvir sua voz em alto e bom som, mas a reação dela veio pelo vínculo como uma mão procurando uma parede no escuro.
Sua voz é diferente fora da cabeça.
Isso é ruim?
Ainda não decidi.
Yaddle inclinou-se um pouco para a frente.
— A Força nela é forte. Crua, ferida pelo ambiente, mas forte. Há instinto. Há resistência. Há uma sensibilidade incomum para perigo, intenção e sobrevivência. Mas há medo também. Medo profundo.
Rum'ea olhou para Yaddle com uma espécie de traição contida.
— Eu estou aqui. — disse ela. — Podem falar comigo, não sobre mim.
O silêncio que se seguiu não foi de reprovação. Foi algo mais difícil: reconhecimento.
Yoda assentiu devagar.
— Correta, você está.
Dookan observou a jovem por um instante, e sua expressão mudou quase nada.
— Então falaremos diretamente. O Conselho considera que você deve ser treinada. Não como uma criança do Templo, porque já não é uma. Não como uma prisioneira, porque não o é. Não como uma ameaça, embora sua falta de treinamento possa tornar-se perigosa para você e para outros. A proposta diante de nós é estabelecer um vínculo formal de Mestre e Padawan.
Rum'ea ficou imóvel demais.
O pânico não apareceu no rosto dela de maneira óbvia. Não havia lágrimas, nem súplica, nem recuo dramático. Mas Tarla sentiu quando o corpo dela se transformou em cela. O ar desapareceu primeiro. Depois veio a matemática desesperada: quantos homens havia na sala, quem estava mais perto da porta, quantos passos até a saída, se conseguiria quebrar o nariz de alguém baixo com o joelho, morder uma mão, arranhar olhos, chutar uma articulação. Imagens soltas, não desejos. Planos de sobrevivência. A palavra "Mestre" não era neutra para ela. A palavra "pertencer" era pior.
E então veio, pelo vínculo, afiada e pequena:
Não.
Tarla não respondeu de imediato.
Não, não, não, não.
Do lado de fora, ela apenas respirava, rígida.
Oppo olhou para Tarla com uma gravidade que nele pesava mais do que qualquer ordem.
— Mestre Kesyk, desejamos que aceite Rum'ea Olphen como sua Padawan.
A sala pareceu distanciar-se.
Setenta anos.
O número não passou por Tarla como cálculo; passou como rosto. Um menino de quatorze anos, mãos pequenas tentando parecer firmes ao ajustar o sabre no cinto, trança de Padawan presa com cuidado excessivo, sorriso contido de quem queria que o Mestre visse coragem e não expectativa. Kairn. A missão. A chuva ácida naquele mundo sem importância. O erro de leitura. Coragem demais. Compaixão demais. Vontade de salvar demais. Três segundos de atraso. O corpo leve demais em seus braços. Catorze anos. Um Padawan que confiara nele para voltar. Oito vidas salvas em troca da dele.
Tarla não aceitara outro desde então.
O Conselho soubera não pedir. Oppo soubera não pedir. Yoda, que raramente aceitava a palavra "nunca" sem examiná-la por todos os lados, deixara o silêncio permanecer. Cavaleiros vieram e foram. Iniciados cresceram. Guerras pequenas nasceram, consumiram sistemas e foram registradas em arquivos. E Tarla ensinara em salas, aconselhara missões, negociara rendições, curara medos, enterrara amigos, mas nunca mais caminhara com uma trança de Padawan ao seu lado.
Rum'ea o fitou.
Talvez tivesse sentido algo. Não a lembrança inteira, pois Tarla não a entregou. Mas o peso dela, sim.
Você também tem medo, ela disse.
Tenho.
A resposta pareceu surpreendê-la mais do que qualquer explicação teria feito.
De mim?
Por você.
Isso é uma frase bonita para dizer que não confia em mim.
Não. É uma frase simples para dizer que lembro o que é perder alguém que estava sob meus cuidados.
A estática dela recuou uma polegada invisível, não por confiança, mas por desorientação.
Tyvokka falou pela primeira vez em uma sequência grave de shyriiwook, profunda o suficiente para vibrar no peito de Tarla. O tradutor da cadeira não era necessário para quem o compreendia, mas a cadência da língua pareceu preencher a sala com casca de árvore, vento e distância.
— Mestre Tyvokka lembra — traduziu Yaddle em voz baixa, embora muitos ali não precisassem — que pares de Mestre e Padawan entre sexos opostos não são impossíveis, mas exigem discernimento, sobretudo em casos de idade incomum, trauma e adaptação tardia.
Rum'ea ouviu aquilo, e o pânico se tornou mais gelado.
O rosto dela não mudou, mas a mente gritou:
Não. Não com um homem. Não vou dormir onde ele possa entrar. Não vou ficar de costas. Não vou deixar que ele toque em mim. Eu arranco sangue se ele tentar.
Tarla baixou as mãos lentamente, mantendo-as visíveis, dedos relaxados, palmas sem ameaça. Não olhou para o Conselho ao responder; olhou para ela, mas não direto demais.
— Antes que eu responda, há algo que Rum'ea Olphen deve ouvir.
Dookan ergueu ligeiramente uma sobrancelha.
— Prossiga.
Tarla respirou uma vez. A lembrança de Keshtara lhe veio de súbito, inesperada e clara: o lago sob três luas, sua mãe falando das Luzes Dançantes, as histórias dos keshtaret que entregavam o coração uma única vez na vida, não por voto moral, não por proibição, mas porque a própria espécie parecia reconhecer o amor romântico como um alinhamento raro, absoluto, nascido apenas sob o céu natal, quando as luzes rosa, douradas e verdes cruzavam o gelo e duas almas se escolhiam sem retorno. Um costume? Uma biologia? Uma espiritualidade? Para os de fora, talvez tudo isso parecesse superstição. Para Tarla, era apenas verdade herdada.
— Entre meu povo — disse ele, devagar — vínculos românticos não se formam como se formam entre muitas espécies da República. Os keshtaret amam dessa maneira uma única vez. Desejam apenas uma única vez. E apenas sob as Luzes Dançantes de Keshtara. Não voltei ao meu planeta desde que fui trazido ao Templo, há cento e vinte anos.
Rum'ea estreitou os olhos.
O Conselho permaneceu em silêncio.
— Isso não significa que sejamos incapazes de ternura. — continuou Tarla. — Ou cuidado. Ou afeto. Ou lealdade. Significa apenas que não há, em mim, a possibilidade que talvez a preocupe. Não por disciplina. Não por virtude. Por natureza.
Você está dizendo isso para eles ou para mim? ela perguntou.
Para você. Eles já sabem.
Em voz alta?
Para que não pareça segredo.
Ela não respondeu. Mas a mente dela parou de correr por meio segundo.
Yoda apoiou as mãos no cajado.
— Verdadeiro é o que diz. Conhecida do Conselho, a natureza dos keshtaret é.
Dookan, sempre preciso, acrescentou:
— Ainda assim, Mestre Kesyk, a ausência de risco romântico não elimina as demais dificuldades. Rum'ea não confia na Ordem. Não confia em hierarquias. Sua relação com a autoridade é, pelo que observamos, combativa.
— A autoridade me encontrou tarde demais para fingir que é sagrada. — disse Rum'ea.
Yaddle não desviou o olhar dela.
— Talvez isso a proteja de algumas ilusões.
A frase pousou na sala com uma delicadeza inesperada. Mesmo Dookan pareceu considerá-la sem refutar.
Tarla deu um passo — apenas um — e parou antes que a distância se tornasse ameaça. Rum'ea percebeu a medida. Ele soube que ela percebeu porque o olhar dela caiu brevemente para os pés dele, depois para o espaço que ainda havia entre ambos.
— Rum'ea Olphen. — disse ele em voz alta. — Se o Conselho me pedir que a aceite, eu aceitarei apenas se você compreender uma coisa. Ser minha Padawan não significará que me pertence. Não significará que deve abandonar sua vontade na minha mão. Não significará que sua obediência vale mais do que sua consciência. Haverá disciplina. Haverá regras. Haverá treinamento, estudo, silêncio quando o silêncio for necessário e resposta quando a resposta for exigida. Mas eu não serei seu dono.
A palavra dono fez algo se romper dentro dela.
Não para fora. Para dentro.
A Força sob a estática brilhou, e, por um instante, Tarla viu a estrela sem nuvens. Era feroz. Bela. Faminta de céu.
Todos dizem isso de algum jeito, ela murmurou no vínculo. Ninguém usa essa palavra, mas todos querem ser.
Eu não quero.
Porque é Jedi?
Porque já enterrei uma criança que confiou em mim. Porque tive um Mestre que me ensinou que guiar não é possuir. Porque minha mãe ainda me escreve toda semana, embora eu não veja o rosto dela há cento e vinte anos. Porque meu pai me conta sobre lagos que talvez eu nunca toque. Porque minha irmã me chama de irmão em cartas, mesmo sem nunca ter ouvido minha voz fora de uma gravação. Nada que importa de verdade para mim nasceu de posse.
Rum'ea ficou em silêncio.
Pela primeira vez desde que ele entrara, ela pareceu não encontrar resposta pronta.
Oppo Rancisis observava Tarla com uma expressão que teria parecido neutra a qualquer outro. Tarla, porém, conhecia seu antigo Mestre. Havia uma tristeza branda ali e orgulho também, ambos escondidos sob o controle impecável de décadas.
— Rum'ea... — disse Oppo. — O Conselho não ignora sua resistência. Nem sua idade. Nem a violência do mundo de onde veio. Se houver treinamento, ele exigirá consentimento e adaptação. Mas a Força a trouxe ao Templo, e sua presença nela não é pequena. Sem instrução, o que a protegeu em Kyrmora pode feri-la em outros mundos.
— E se eu disser não? — perguntou ela.
Yoda respondeu antes dos outros.
— Forçada, não será.
Rum'ea o encarou, procurando mentira.
— Vocês me deixariam ir?
A pergunta era simples demais para ser simples. Havia nela ruas sem nome, noites escondidas, fome, perseguição, talvez anos aprendendo que portas abertas eram apenas outra forma de armadilha. O Conselho inteiro sentiu a densidade daquilo, embora não o vínculo.
— Ir, sim. — disse Yoda. — Mas, sem ajuda, não desejaríamos que fosse. Caminhos, ofereceríamos. Escolha, sua seria.
Rum'ea respirou pelo nariz. A mão direita dela relaxou, depois se fechou de novo, como se relaxar fosse descuido.
Eles mentem? ela perguntou a Tarla.
Ele poderia ter dito não. Poderia ter escolhido a resposta devota, institucional, esperada. Mas o vínculo entre eles era novo demais e antigo demais para sobreviver a uma mentira inaugural.
Eles acreditam no que dizem.
Não foi isso que eu perguntei.
Eu sei.
Os olhos dela se fixaram nele.
Você mente?
Às vezes.
A surpresa dela veio como um clarão.
Agora?
Não.
O canto da boca de Rum'ea quase se moveu. Quase. Não chegou a ser sorriso. Talvez apenas o corpo dela lembrando, de modo remoto, que expressões assim existiam.
Dookan deu um passo para longe da janela.
— Mestre Kesyk, sua resposta?
Tarla olhou para Oppo.
Por um instante, o Alto Conselho desapareceu, e ele voltou a ser um Padawan diante do Mestre serpentino que o havia ensinado a pensar antes de erguer o sabre, a escutar antes de interpretar, a desconfiar do medo quando ele se vestia de prudência. Oppo nada disse. Não precisava. O passado entre eles era longo o bastante para conter a pergunta e a despedida.
Tarla voltou-se para Rum'ea.
A jovem de Kyrmora parecia pequena no centro do Conselho, mas não frágil. Nada nela era frágil. Ela era sobrevivente de um mundo que escondera sua estrela sob estática, e talvez fosse por isso que a Força a havia trazido ali: não para ser polida até perder as arestas, mas para aprender que lâmina alguma precisava cortar tudo que se aproximava.
Eu não vou tocar em você sem pedir, disse ele pelo vínculo. Não vou ficar atrás de você, se puder evitar. Não vou fechar portas sem avisar. Não vou exigir que confie em mim antes que eu mereça. E, se algum dia minha voz suave a fizer procurar uma saída, eu esperarei até que encontre uma.
A resposta dela demorou.
Isso é ridículo.
Provavelmente.
Você é alto demais.
Já me disseram.
Eu posso chutar seu joelho antes de você sacar o sabre.
Eu acredito.
E morder.
Também acredito.
E arrancar seus olhos se você entrar no meu quarto.
Não entrarei.
Rum'ea sustentou o olhar dele por um tempo longo. Depois, bem devagar, desviou-se para o Conselho.
— Eu não aceito coleira. — disse ela em voz alta, antes de Tarla responder.
Yaddle inclinou a cabeça.
— Ninguém lhe ofereceu uma.
Rum'ea olhou para Tarla de novo.
— E se eu aceitar... Eu posso mudar de ideia.
Tarla assentiu.
— Pode.
— E se eu fugir?
— Eu a encontrarei se estiver em perigo. Não a caçarei por orgulho ferido.
— E se eu quebrar alguma coisa?
— Dependerá do que quebrou.
Dessa vez, o quase sorriso dela foi um pouco mais real, mas desapareceu depressa, como uma criatura selvagem recuando para dentro da mata.
Yoda observou os dois por um momento longo demais e, ainda assim, não viu o que havia entre eles. Tarla sentiu a proteção da Força ao redor do vínculo como sentia, em lembranças antigas, a cortina luminosa de Keshtara escondendo estrelas menores sob seu brilho. O Conselho via uma escolha difícil, uma jovem ferida, um Mestre relutante e a possibilidade de treinamento. Não via a ponte mental. Não via a estrela tocando o gelo. Não via a primeira linha de uma profecia que nenhum deles, naquele momento, saberia nomear.
— Então, Mestre Kesyk? — perguntou Yoda.
Tarla curvou a cabeça.
— Aceito Rum'ea Olphen como minha Padawan, se ela aceitar caminhar comigo.
A palavra Padawan não pareceu suavizar a sala. Tornou-a mais pesada. Mais verdadeira.
Rum'ea permaneceu parada, pequena, pálida, envolta em roupas de Catadora que pareciam uma afronta viva ao mármore impecável do Templo. Seus olhos grandes passaram por Yoda, Yaddle, Dookan, Tyvokka, Oppo, pelos outros Mestres, pela porta, pelas janelas, pelas mãos de Tarla, pelo espaço entre eles. Ela ainda estava pronta para fugir. Ainda estava pronta para ferir. Ainda estava pronta para não sobreviver ao que todos chamavam de salvação.
Mas a estrela sob a estática brilhou outra vez.
Se você mentiu, ela disse apenas para ele, eu vou saber.
Espero que saiba.
E se eu odiar você?
Então treinaremos com honestidade.
Rum'ea ergueu o queixo.
- Eu aceito. - Disse ela em voz alta.
Nenhum sino tocou. Nenhuma visão tomou a sala. Nenhuma das três luas de Keshtara apareceu no céu de Coruscant, e nenhuma Luz Dançante atravessou o Conselho em rosa, dourado e verde. Ainda assim, para Tarla, houve uma mudança quase imperceptível na Força, como o primeiro estalo de um lago congelado antes da primavera, como se algo antigo tivesse ouvido uma palavra esperada havia muito tempo.
Oppo Rancisis fechou os olhos por um breve instante.
Yaddle sorriu com tristeza.
Dookan observou em silêncio, talvez já avaliando consequências que ninguém mais desejava nomear.
Yoda apoiou as duas mãos no cajado e inclinou a cabeça, grave.
- Então decidido está. Mestre Tarla Kesyk, Padawan Rum'ea Olphen. Com ambos, que a Força esteja.
Rum'ea estremeceu ao ouvir o título antes do nome, e Tarla sentiu a onda de desconforto atravessar o vínculo. Não corrigiu o Conselho. Não ali. Haveria tempo para descobrir quais palavras ela suportava, quais a feriam, quais poderiam um dia se tornar abrigo.
Quando as portas se abriram para que saíssem, Tarla deu passagem primeiro a ela.
Rum'ea não se moveu de imediato.
Você vai andar atrás de mim?
Posso andar ao seu lado.
Ela olhou para a largura da porta, calculou o espaço entre o corpo dele e a parede, depois franziu a testa.
Você ocupa metade do corredor.
Tentarei ocupar menos.
Isso também é ridículo.
Provavelmente.
Ela passou por ele com cautela, sem lhe dar as costas por completo até o último instante possível. Tarla esperou. Quando entrou no corredor ao lado dela, manteve distância suficiente para que a respiração dela não mudasse. O Templo se estendia à frente, luminoso, antigo e cheio de regras que Rum'ea ainda não conhecia e talvez jamais aceitasse sem luta.
A jovem olhou de lado para ele, os cabelos negros caindo sobre o rosto, avelã e desconfiança sob cílios escuros.
- Eu tenho que usar essas roupas marrons?
Tarla considerou a pergunta com a solenidade de uma negociação diplomática.
- Eventualmente.
Ela fez uma careta.
Eu odeio marrom.
Há tons piores.
Isso era para ajudar?
Ainda estou decidindo.
Pela primeira vez, o sorriso dela apareceu de verdade, pequeno, rápido e perigoso como uma faísca no escuro. Durou menos de um segundo. Mas Tarla viu.
E, sob toda a estática que Kyrmora ainda deixara nela, a estrela respondeu.
Continua...
Nota da autora: Sem nota.
Qualquer erro nesta fanfic ou reclama??o, somente pelo e-mail da beta.