A'Busson
Última atualização: 22/04/2018

Capítulo 01

22 de outubro
― E hoje estamos aqui para avisar que muitos machos gostosos chegarão em breve ― anunciou em voz alta de maneira forçadamente nasalada, usando o punho fechado como microfone, rodeada por uma dezena de alunas eufóricas ― garotas, enfim vocês poderão saciar o cio! ― completou, batendo palmas ― Ouviu, não é, Georgia?! Agora você não precisa mais tentar abrir as pernas para os nossos pais. ― fitou de maneira provocativa a loira de olhos castanhos, erguendo uma sobrancelha.
― Por que você não vai se foder, ? ― gritou em retribuição, se retirando da sala de aula em passos firmes ao som de risadas. Estava exausta de brincadeiras daquele tipo.
Isso só fez com que a ruiva adquirisse uma feição triunfante, suspirando em falso cansaço. Desceu lentamente da mesa dos professores e voltou a sentar-se em sua carteira, cruzando as pernas e encostando-se confortavelmente na madeira acolchoada. Todas sabiam que Georgia era uma vadia, a menina mais fácil que já havia passado por ali, sempre que tinham intercolegial com o A'Busson masculino ela arrumava um modo de transar com, pelo menos, metade dos garotos. E, bem, ninguém mandou ela se envolver com o meio-irmão de , traindo-o com o melhor amigo dias depois, não é mesmo? Não era difícil para ela fazer da vida da jovem francesa um inferno. Na verdade, estava engajada nessa tarefa.
A porta foi aberta de maneira inesperada e a professora de história entrou, fazendo com que os murmúrios cessassem de imediato. Ao seu lado estava Amélia Busson, atual dona do internato. Era ridículo como ela tentava disfarçar os mais de setenta anos com tinturas de cabelo e plásticas cada vez mais desastrosas. Graças a um desses procedimentos sua voz estava tão fina que doía os ouvidos, um apito era mais suportável. Por outro lado, tornava-se muito mais hilário imitá-la.
― Em primeiro lugar, gostaria de enfatizar que nesta escola qualquer tipo de piada ofensiva está estritamente proibido. Prezamos o respeito aos seus iguais acima de tudo. ― cruzou as mãos atrás do corpo, fitando diretamente ― Caso tenha esquecido, senhorita , posso fornecê-la uma cópia das regras escolares.
― Eu adoraria. ― sorriu cínica, recebendo meramente um olhar repreensivo em resposta. A senhora A'Busson já conhecia a russa muito bem e não iria perder tempo com ela.
― E hoje estamos aqui para avisar ― interrompeu-se ao notar risadas contidas que surgiram em resposta às lembranças da perfeita imitação teatral de minutos atrás, prosseguindo assim que pararam espontaneamente ― ... que os alunos da A'Busson B chegaram. É com imenso prazer que os recebemos em nossas instalações. ― forçou-se a parecer contente, quando a verdade era totalmente oposta.
Meses atrás havia sido obrigada a aceitá-los, em uma conversa nada agradável com o ex-marido que agora comandava a outra instituição. Que bela burrice casar com comunhão total de bens! Havia sido obrigada a deixá-lo com o colégio e há anos tinha a nauseabunda tarefa de suportá-lo.
Lembrava-se nitidamente do quão desagradável fora a situação.

20 de agosto
O homem tragou a saliva e pôs a mão na testa, esforçando-se para manter uma paciência que, de fato, nunca tivera. Estava estressado e os cabelos grisalhos se encontravam levemente molhados por conta do suor. Uma hora! Há uma maldita hora a reunião havia começado e a mulher com a qual tentava fechar o negócio fez questão de desligar o ar-condicionado e selar qualquer abertura de ar fresco. Mirava-o desafiadora e nenhuma proposta dada por ele lhe agradava. Existia um jogo ali e ele teria que ganhar.
— Então você quer que eu abra as portas da minha escola para os seus alunos marginais?!
— Não são marginais, Amélia. — retrucou, cansado.
George empenhava-se em fazê-la aceitar a transferência provisória dos alunos da A'Busson B para a A'Busson A, a sede feminina. Caso contrário, as aulas seriam canceladas e choveriam processos. A consequência mais desastrosa seria a iminente perda de dinheiro. Porém, a tentativa se caracterizava como uma verdadeira missão impossível. Sua ex-mulher queria puni-lo, visivelmente.
Superar algumas traições era tão difícil assim?
— Eles colocaram fogo nos dormitórios! São terroristas! — chocou a mão contra a mesa de seu luxuoso escritório em mogno — Nunca deixarei que abalem a harmonia de minhas meninas.
— Harmonia? — riu de escárnio — Nós dois sabemos que isto aqui é um verdadeiro pandemônio.
A verdade residia no fato de que ambos eram incontroláveis. Obviamente os garotos podiam ser considerados mais extremistas, todavia, não havia muita diferença. Cuidavam dos herdeiros revoltados que os pais ricos estavam ocupados demais para cuidar.
— Não seja estúpido. Saia! — apontou para a porta escura, mas George não se moveu. Queria escorraçá-lo desde que colocou os pés ali.
— Eu não desejava ter que fazer isso, mas, ou você permite a instalação do meu internato aqui ou suas informações sigilosas e translações criminosas vazarão para a mídia misteriosamente. — ameaçou-a, aconchegando-se mais na desconfortável cadeira infantil de plástico que Amélia mandou colocar especialmente para ele.
— Se eu cair, você cai comigo! — disse entredentes, começando a verdadeiramente irritar-se. O seu patrimônio representava tudo o que mais presava na vida. Colocá-lo em risco seria como matar um filho.
— Não me importa, portanto que você seja estraçalhada. — suspirou vitorioso — E então?
— Dou apenas dois meses para vocês. Nada mais.



― Não é necessário repassar as regras que vocês já conhecem bem. Lembro-lhes que é proibido qualquer contato físico que ultrapasse o amigável, caso contrário a punição será a expulsão. Mas isso vocês já conhecem bem. ― observou, referindo-se à uma aluna que havia sido expulsa anos antes por ter sido pega em um momento... indecente.
― Mas dessa vez a punição servirá para todos os envolvidos, senhora Busson? ― indagou de maneira despretensiosa, fazendo menção indireta ao mesmo caso, onde apenas a garota havia sofrido com as consequências. O garanhão que acreditou que transar no banheiro do ginásio durante o campeonato dos colégios era uma boa ideia chamava-se Cazenueve, filho do primeiro-ministro da França na época. Ele saíra ileso simplesmente por ser herdeiro de alguém importante.
― Minha querida, ― suspirou exausta ― não tenho culpa de decisões envolvendo o diretor da A'Busson B. Se ele optou pela não expulsão do Cazenueve, nada posso fazer. ― explicou-se, entendendo a decisão do diretor, afinal, Bernard Cazenueve era um homem poderoso ― Entretanto, aqui as regras servirão para todos, sem exceção.
― Quero mesmo ver ― Gaia, uma italiana possuidora de longos cabelos cacheados que caíam por suas costas negras ― aumentando ainda mais seu aspecto de personalidade marcante ―, sussurrou para suas colegas, revirando os olhos.
― O que disse, senhorita Bergamo? ― a professora inquiriu, com o olhar desconfiado por cima dos óculos-fundo-de-garrafa.
― Que os quero ver. ― soltou um meio sorriso despreocupado.
― Pois bem, todas levantem-se em fila e calmamente se dirijam ao auditório, os garotos já estão lá nos esperando junto com as outras meninas e lhes informaremos conjuntamente como as coisas funcionarão. ― Amélia ordenou, saindo na frente, sendo seguida por trinta meninas, que, por sua vez, eram seguidas pela professora Sharman.

Em poucos minutos todas chegaram ao imenso salão com pouca iluminação natural por conta das grossas cortinas que tampavam as enormes janelas de vidro. O lugar possuía um palco de madeira clara que se estendia de uma lateral a outra, rodeado por duas alas de cadeiras de cor preta acopladas e enfileiradas, separadas por uma longa escada marrom. Cada fileira estava um degrau acima da outra, de forma que todos os alunos pudessem ver sem dificuldade. Restavam apenas alguns lugares vagos, tendo cerca de setecentos alunos.
As jovens estavam demasiadamente entusiasmadas em ver todos aqueles meninos ali, as avaliando como um comprador avalia uma carne suculenta em um açougue. Todavia, era um ato nitidamente mútuo, já que elas procuravam sentar em locais perto dos mais bonitos, mesmo que a maioria já estivesse ocupado. Realmente eram cadelas no cio, pensou , que calcorreava o lugar atrás de uma pessoa específica. Sabia que ele teria guardado um canto para ela. Quando enfim o encontrou, não demorou a subir até onde ele estava.
― Dá licença, querida, este aqui é o meu lugar ― informou, afastando pelo ombro uma das alunas do primeiro ano que estava mais do que feliz em sentar entre dois gatos, segundo ela.
― Até onde sei não existe lugar marcado, então me dê licença você! ― a empurrou de volta, enfiando-se em sua frente, almejando conseguir passar, esgueirando-se por todas as pernas esticadas ali.
― Escuta aqui, garota, quem você pensa que é? ― puxou-a pelo braço bruscamente, fazendo-a recuar dois passos e seu blazer preto descer alguns centímetros.
― Quem você pensa que é? ― enfatizou o “você”, aproximando-se mais da russa.
― Vai querer descobrir? Porque se quiser, te mostro rapidinho, lindinha. ― sorriu, carregando consigo um olhar que beirava a perversidade, acabando com a distância que as separavam de forma desafiadora.
― Garotas, não briguem por nós! ― levantou-se, interrompendo-as ― Tem um para cada, mas infelizmente só uma pode ficar ― lamentou falsamente, fazendo um biquinho digno de uma criança de quatro anos.
― Não seja ridículo. ― retrucou de maneira áspera. Apesar de já estar acostumada com seu ego tão grande que mal cabia entre os muros do internato, ficar calada era inconcebível.
― Também senti saudades, meu amor ― piscou, dobrando imperturbado as mangas de sua camisa social branca até os cotovelos, suspirando em seguida ― gatinha, sinto informar que aqui não tem lugar para você ― olhou de maneira pesarosa para a garota que competia com ― porém, se quiser me conhecer mais particularmente, ficarei feliz em atende-la. ― sorriu de maneira cafajeste e voltou a acomodar-se na cadeira como se nada houvesse acontecido.
afastou-a com uma nada sutil batida de ombros. Era ultrajante que alguém a enfrentasse daquele modo, com tamanha petulância, sem receber nada em troca. Ao passar por , chutou seus pés, postos em seu caminho propositalmente. Ser humano detestável. Sentou-se ao seu lado e ao lado do motivo de ter ido até ali: seu irmão, que tinha a cabeça caída para o lado apoiada em uma das mãos, visivelmente entediado.
― Oi, , fico feliz em finalmente vê-lo depois de meses e mais feliz ainda em constatar o quão alegre você também está. ― cruzou os braços, irritada por ele nem ao menos se importar com sua presença ou tomar suas dores com autoridade, mandando aquela ninfeta procurar outro lugar para se enfiar.
― Sabe que eu a amo ― depositou um beijo em sua bochecha.
― Agora sei como Jesus se sentiu ao receber o beijo de Judas.
apenas a ignorou, prosseguindo.
― Mas sinceramente, irmãzinha, não sou louco de esquentar minha cabeça com as confusões que você arruma.
― Ah, comigo é assim?! Engraçado que você corre atrás do como um cachorrinho domesticado e parece até o guarda-costas dele. Ele compra uma briga e você vai lá como um herói prestar socorro. ― ficava enojada por tamanha devoção dedicada à um babaca. E a ela, que era sua irmã, não recebia apoio nenhum? Ademais se sentia traída, ao ter esperado uma comoção maior por parte dele ― Aposto que anda com uma cestinha pra se certificar de segurar as bolas dele se caírem.
Levantou uma das mãos categoricamente, como se pedindo permissão para se pronunciar.
― Queria dizer que esses fatos são inverídicos e caluniosos. ― voltou-se para ela, falando mais baixo e próximo ao seu ouvido, zombeteiro ― Ele não precisa se preocupar com isso, minhas bolas sempre estão bem firmes aqui, hoje mesmo uma loirinha conferiu pra mim ― colocou a mão sobre a boca de maneira devassa, como se, ao mencionar, assistisse a cena mentalmente ― e ela me pareceu saber muito bem o que estava fazendo.
― Então por que você não sai logo daqui e volta a comer ela em algum buraco escondido por aí? ― retrucou, sem se virar para olhá-lo ― Só toma cuidado para não ser pego dessa vez.
― Não, não... ― pareceu ponderar um pouco ― pensando bem, estou ótimo aqui.
, cala a boca ― revirou os olhos e mordeu a língua contendo um sorriso ― e você também. ― prosseguiu, fitando seriamente a irmã através de seus impassíveis olhos verdes. A ruiva pretendia protestar, entretanto ele se antecipou ― Sem showzinhos. Estou muito bem, as férias foram ótimas e eu senti sua falta.
Os garotos obtiveram mais meses em casa do que qualquer garota que estava ali pôde ter, graças ao incêndio que causaram. aproveitou os dias para ficar com seus parentes no Brasil. Aquele dia era o primeiro de seus anos letivos, enquanto elas estavam lá há quase dois meses.
― E por favor, deem um tempo. Quantos anos vocês têm?
Estava mais do que habituado àquela tola troca de farpas constante. Era sempre daquele jeito, desde que o garoto havia começado sua amizade com em seu primeiro ano no internato. De início os dois conviviam relativamente bem, até que começaram a se estranhar e em pouco tempo as provocações se tornaram frequentes. Ele agradecia aos céus pela mistura entre as duas instituições se resumir à, no máximo, duas semanas a cada semestre.
Contudo, não seria tão breve assim dessa vez. Ele estava fodido e com a sua sanidade mental em risco. Quanto de paciência lhe restaria?
O silêncio se instalou assim que o coordenador acadêmico começou a discursar algumas baboseiras. olhou de relance para seu irmão, constatando o quanto ele estava mudado... amadurecido. Os cabelos negros e lisos arrumados em um topete banhado por gel, com uma mecha caída próximo à charmosa falha diagonal perto do final de sua sobrancelha esquerda. Os olhos de cor verde-mar contrastando com a pele um tanto bronzeada. Havia deixado a barba crescer e essa estava devidamente aparada e delineada de maneira harmônica com seu queixo triangular. A farda lhe deixava ainda mais galante, composta por uma calça social preta, em conjunto com uma camisa também social de cor branca e um blazer escuro com o emblema AB fechado até onde estava o meio da gravata. Ele era um verdadeiro exemplar de deus grego: bonito, alto, corpulento e um maravilhoso partido ― isso ela podia dizer com toda convicção do mundo. ― A garota sentiu uma pontinha de orgulho ao observar o grande homem que ele estava se tornando.
Em comparação a ele parecia apenas uma menina. Na realidade, poucos diriam que se tratava de um par de irmãos. Ela, ruiva natural, com sardas minguadas espalhadas pela pele alva, olhos castanhos e olhar felino ― seu irmão uma vez a caracterizou como possuidora dos, de acordo com ele, majestosos, “olhos de cigana oblíqua e dissimulada”, elogio torto tirado diretamente de seu livro preferido ― além de uma boca carnuda; corpo pequeno, não passando dos 1,63, em um meio termo entre franzino e robusto. Rosto quadrado e nariz diminuto sutilmente arrebitado. Seus cabelos desciam em algumas ondulações até a cintura e alguns fios ficavam presos em seus ombros. A culpa dessa diferença gritante de aparência era de seu querido pai. Ele era brasileiro e, assim que começou a decolar no mundo das multinacionais, foi chamado à Rússia para fechar um negócio. No percurso conhecera a mãe de e encantou-se por ela. Como nos filmes hollywoodianos, esse amor floresceu e se casaram. Em dois anos ela descobriu estar grávida e ele teve que voltar ao Brasil por poucos meses para resolver algumas burocracias, mas, antes de retornar para a sua esposa certificou-se de deixar um presente nos solos brasileiros: .
Nasceram com algumas semanas de diferença e foi um escândalo. ao menos havia sido homem o suficiente para assumir a criança, que acabou sendo levada para a Rússia assim que nasceu, tendo a mãe biológica morrido no parto. O bebê foi criado sem nenhuma discriminação por , que sabia que o menino não tinha culpa dos erros do pai. particularmente admirava muito sua mãe por aquele gesto justo e fraterno. Os dois cresceram lado-a-lado e, apesar de incontáveis inconsequências, foram mandados pelos pais para o A'Busson não como forma de castigo, mas sim para receberem a melhor educação possível. O casal estava confortável na Eurásia e os filhos encarcerados na Grã-Bretanha.
Até parece que, na prática, não queriam se livrar deles.
Direcionou seus olhos curiosos discretamente para a figura ao seu lado direito. Ele estava concentrado, ou pelo menos forçava-se a ficar e isso era percebido graças à pequena ruga vertical formada entre suas sobrancelhas. Os penetrantes olhos azul-piscina se mantinham fixos em um ponto qualquer do palco, sem desvio de atenção. Aparentemente ele não havia mudado tanto assim. Os músculos dos braços, até então cruzados, eram delineados pela camisa de tecido fino que estava ensacada na calça escura perfeitamente alinhada em seu corpo, presa por um cinto de mesma cor. Seus cabelos eram de um loiro escuro e estavam mais curtos nas laterais, no entanto, o topete característico ainda estava lá, nivelado naturalmente. A boca rosada, apesar de não possuir lábios tão grossos, era perfeitamente desenhada. Sardas claras pintavam delicadamente o seu o rosto quadrado em pontos demarcados: nariz e bochechas. A linha de sua mandíbula era graciosamente moldada, juntamente com um suave furinho em seu queixo que aparecia algumas vezes, presenteando-o com o aspecto monumental que o precedia.
Tinha que admitir que ele era lindo. Um lindo idiota.
De supetão virou-se e fitou-a com uma expressão dúbia pairando sobre sua face, tento a plena noção que a ruiva o secava descaradamente. até que tentou disfarçar, inutilmente. Cazenueve arqueou a sobrancelha esquerda e reprimiu um sorriso, sussurrando para ela:
― Acho que perdeu alguma coisa em mim. Estou certo, ruivinha?


Capítulo 02

A diretora agora havia tomado a palavra, introduzindo explicações sobre as instituições para os novatos. O A'Busson, originalmente um colégio misto, fora fundado a fim de abrigar os filhos das pessoas mais importantes do mundo, dando-lhes a melhor educação disponível e evitando o surgimento de polêmicas adolescentes que prejudicassem os nomes dos pais. Após desentendimentos e problemas de conduta transformou-se em dois, ainda situados na Escócia, entretanto, assentados em lugares distintos e longínquos, afastados da movimentação de cidades. Um dos pré-requisitos para o aluno ser aceito era dominar perfeitamente o inglês. Tendo em vista a integração de jovens de diferentes nacionalidades e culturas, esse havia sido o idioma adotado e falado por trás dos muros do local. achava aquela uma jogada e tanto, uma verdadeira amostra da globalização e um diferencial que colocava o nome do estabelecimento de ensino no topo. Porém, aquele falatório era maçante e repetitivo. Todos os anos exatamente igual, podia até mesmo dublá-la. Mas a ruiva mantinha-se vidrada no palco mesmo assim. Depois da pergunta insinuativa de e de o ignorar, não se atreveu mais a vacilar o olhar.
Amélia deu espaço para George, que empeçou a citar as novas normas escolares: haveriam agora duas turmas de cada série, todas amálgamas; os dormitórios que antes abrigavam dois, abrigariam três; qualquer aproximação indevida seria castigada com horas de serviço no âmbito escolar; caso fossem pegos em momentos com algum nível exacerbado de intimidade, a expulsão seria imediata; o número de inspetores estava duplicado e estes instruídos a serem mais rígidos do que nunca. E, por fim, informou que as investigações para descobrir o culpado ou os culpados pelo incêndio progrediam. Encerrou sua fala e a palestra com um “boas aulas” mordaz, ao som de protestos e cochichos.
― Estão liberados para as salas de aula. Os nomes de vocês estarão listados na porta da qual pertencem. ― a senhora Busson esclareceu, retirando-se.
― Não acredito nisso! Já é ruim o bastante ter que dividir o quarto com uma estúpida, agora dividirei com duas?! ― uma garota comentou próximo a , torcendo o nariz ao levantar indignada. A ruiva concordou mentalmente, erguendo-se e saindo após ― Vou solicitar uma ligação para o meu pai urgentemente!
― Quanta futilidade ― guinchou, deixando claro que não só as havia ouvido ― Escuta, Jessica Rabbit, essa saia não está muito curta, não?! ― a voz de soou em suas costas, fazendo-a virar entediada, encontrando-o sério.
― Não.
― Até onde sei elas devem estar abaixo do joelho, a sua está, no mínimo, dois palmos acima. ― prosseguiu, cruzando os braços ao parar e recebendo xingamentos por atrapalhar o trânsito no local. A garota revirou os olhos. Embora o regulamento dissesse isso, nenhuma delas o seguia, a saia mais curta era muito mais bonita e a senhora Busson já havia se conformado em vê-las sendo usadas de modo quase unanime com dobras na cintura. Afinal, eram todas meninas, que mal teria?
Bom, isso antes.
― Meu Deus, não enche ― baixou a cabeça institivamente, mirando o fardamento: em seus pés havia um par de mocassins pretos, harmonizando com a saia plissada, o blazer e a gravata de mesma cor. O recomendando seria ter uma meia calça ali, mas, quem se importa? O símbolo da A'Busson também estava presente, exatamente no mesmo lugar do uniforme dos garotos. Era basicamente igual ao masculino, diferenciando-se no fato de que a camisa social que usavam era lilás. E a de estava aberta até o início dos seios, com a gravata frouxa colocada de modo desleixado. O oposto de , vestido impecavelmente. Como sempre.
― Eu estou ótima assim, . Vai mesmo querer bancar o irmão ciumento? ― uma pedra no sapato era tudo o que ela não precisava. conseguia ser insuportável quando queria. Estava ali para fiscalizá-la, por acaso?! Sobreviveu três anos sem ele ali dentro, sua presença não faria diferença, sabia muito bem cuidar de si mesma.
― Eu posso, sou o mais velho.
― Não é, não. Eu fui feita primeiro.
― Mas eu nasci primeiro. Atrasou porque quis.
Touché.
Automaticamente revidar à altura tornou-se questão de honra, ele havia vencido uma batalha, não a guerra. Sorriu marota, afastando-se até dois garotos que conversavam, acompanhada pelo olhar curioso de seu irmão. Irritá-lo era sua segunda atividade preferida, a primeira era... bem, ela ainda não havia decidido.
― Olá, meninos ― sorriu docemente, mas logo sua expressão se fechou ― e . ― acrescentou, a contragosto. Ele se juntara a eles segundos antes dela.
― Se manter afastada de mim é tão difícil assim? ― questionou, enfatuado.
― Na verdade, queria que vocês me ajudassem a saber se minha roupa está boa. Meu irmão tem dúvidas... ― deu ombros. A essa altura já havia se aproximado.
― Em minha opinião você está toda boa ― o rapaz negro que ali estava sorriu sagaz, analisando-a de cima a baixo.
― Tem certeza? ― mordeu o lábio inferior, girando o corpo a fim de mostrar todos os ângulos. No ato brusco sua saia levantou brevemente, mostrando o minúsculo short de tecido que usava por baixo.
― Sem dúvida alguma ― segurou sua mão esquerda, depositando um beijo e rodando-a novamente.
olhou desafiadora para seu irmão.
― Está vendo? O único incomodado aqui é você.
― Não acredito que está se prestando a esse papel, negou com a cabeça.
― Você nã...
― Acho que deveríamos ir para a sala ― Cazenueve os interrompeu antes de qualquer outra frase e jogou os braços nos ombros dos dois, juntando-os a si, locomovendo-se e os forçando a fazer o mesmo. Não estava em clima de presenciar a briga que sucederia a provocação idiota. Acabaria tendo que aturar um ranzinza.
Se ao menos a motivação fosse interessante...
, o que acha do meu uniforme? ― inquiriu ao passarem pela porta após caminharem em completo silêncio, sorrindo provocativa.
― Ruivinha, não me envolva nisso ― a advertiu ― mas, já que você insiste tão desesperadamente, tenho a desgostosa tarefa de informar que nada do que eu vi aí me impressionou. ― respondeu-a simples, com semblante despreocupado. Em consequência recebeu uma cotovelada no estômago.
― Idiota. ― resmungou, soltando-se dele.

chegou sozinha ao corredor que possuía salas de aula de uma extremidade a outra em toda a sua extensão, deixara Cazanueve e seu irmão para trás e os dois se encontravam rodeados de meninas sedentas por atenção. Enfiou-se entre o amontoado de pessoas e pôs-se a procurar seu nome nas duas listas do último ano, constatando rapidamente que, graças ao Johnnie Walker, não havia sido movida de sua turma original ― por falar nisso, se tinha algo que de fato amava, o nome era Blue Label; o aroma amadeirado era capaz de lhe sossegar em seus piores dias ―. Entrou e se direcionou ao seu canto: primeira fileira e terceiro lugar. Gaia já estava sentada ao lado, olhando entediada para as meninas alvoroçadas que entravam para recolher seus pertences e os levar ao novo local em que assistiriam aula.
― Já descobriu quem vai ficar no nosso quarto? Ou será que nós duas seremos deslocadas? ― a ruiva questionou e Gaia se virou para ela, dando ombros. As duas eram colegas de dormitório desde que chegaram ali.
― Dei uns trocados à uma iniciante* para ela ir até o nosso bloco colher informações, mas até agora a espertinha não apareceu ― suspirou contrariada.
O A'Busson A possuía quatro blocos: o primeiro, situado em uma majestosa e repaginada construção vitoriana, abrigava a administração no térreo e possuía salas de aulas distribuídas por quatro andares, estando o auditório localizado no quinto. Ele era o carro chefe; o segundo e o terceiro, posicionados atrás do principal, comportavam os apartamentos das alunas e funcionários, respectivamente; e o último havia sido desativado com o desmembramento do colégio nos anos cinquenta, sendo reativado exclusivamente para a chegada dos garotos, trazendo de volta a organização original. A mudança no número de jovens por quarto se dava ao fato de que os dez inspetores não estariam mais alojados no bloco dos funcionários, dando lugar aos professores da outra instituição.
― Você foi passada para trás?! Por uma pirralha?! ― reprimiu um riso.
― Por que você não fica na sua? ― rosnou.
― Ah, por favor ― desdenhou, jogando a cabeça para o lado ― o que acha de ser útil e me dizer quem é aquele? ― indicou com um gesto um rapaz encostado no birô com as pernas cruzadas e mãos nos bolsos. Enfastiada, teve a atenção capturada por ele e dificilmente sua visão sairia dali.
. Você nunca o tinha visto? ― negou ― Onde você estava todos esses anos? ― ela parecia chocada.
― Não sei ― se perguntava a mesma coisa. Onde estava com a cabeça que não o enxergou em um dos vários jogos escolares?
― Olha a baba, ruivinha ― passou a mão no queixo da ruiva como se limpasse algo, recebendo um tapa na mesma hora ― selvagem. Eu gosto disso.
― O que você está fazendo aqui?
― Sentando. ― disse como se fosse óbvio ao ocupar o lugar vazio atrás dela, sorrindo.
― Você não tem amigos, não, ?
― Porra, deixa de ser chata garota. ― Gaia a cortou, rolando os olhos.
Uma professora baixinha e rechonchuda de cabelos desgrenhados e dourados fez com que todos se calassem assim que entrou na sala de aula. Senhora Hudler, de ética. Com expressão dura e braços junto ao corpo passeou pelo ambiente, olhando-os como um policial sondando um suspeito em um interrogatório, aparentemente tentando atravessar suas almas. Todos os adolescentes entreolhavam-se discretamente, atemorizados e ameaçados, sem exceção. Temiam que houvessem sido descobertos e fossem punidos. Mesmo que nada demasiadamente errado tivesse sido feito em conjunto ainda, tal situação lhes forçava a pensar o pior.
― Saibam que em minhas aulas vocês serão tratados com pulso firme, não darei brechas para que tornem isto aqui ― pisou forte no chão ― uma bagunça sem tamanho. As meninas já me conhecem muito bem. Estejam cientes de que lecionarei a minha matéria com maestria, se não tiver a ajuda de vocês por bem, a conseguirei por mal. E dividirei a disciplina com o professor que veio do A'Busson B.― a repugnância em sua voz ao pronunciar essa última frase era notória.
Todavia, estava muito ocupada apreciando cada parte de . Os cabelos castanho-claro que caíam em cachinhos em sua testa; as sobrancelhas naturalmente arqueadas; o rosto afilado e o maxilar marcado que lhe deixavam excepcionalmente másculo ― aspecto reforçado pelo que ela calculou ser quase dois metros de altura; olhos azul-céu e um sorriso de canto que, por Deus, sugava todo o ar. Além daquela roupa que o fazia parecer ainda mais gostoso. Um pecado. E que pecado.
― Se quiser eu posso te ensinar um truque para conseguir chamar a atenção dele ― sussurrou em seu ouvido, fazendo-a se arrepiar e sobressaltar ao mesmo tempo.
Por que ele não poderia deixá-la cobiçar em paz, sem se intrometer nos seus agradáveis devaneios?
― Não, eu não quero a sua ajuda ― sussurrou de volta, virando-se para ele, que mantinha a cabeça baixa ― espera, isso é um... celular?! ― arregalou os olhos, sem acreditar no atrevimento do loiro. Se Hudler o pegasse ele passaria quatro semanas limpando a biblioteca.
― Claro que não ― encarou-a austero e franziu o cenho ― é uma espaçonave, não está vendo?
― Vai se foder! ― alterou o tom de voz e se arrependeu logo em seguida, olhando cuidadosa para a professora.
― Dá pra calar a boca? ― repreendeu-a seriamente, voltando a mexer no aparelho telefônico. O orgulho pretendia não deixá-la trocar mais nenhuma palavra com ele, no entanto, a curiosidade a impediu de segurar a língua.
― Onde você conseguiu isso?
― Cala a boca.
― Você sabe que é proibido, não sabe?
― Cala a boca.
― Se você for pego estará ferrado.
― Incrível! ― ergueu o rosto, como se falasse com o céu em uma súplica, e bufou ao voltar a olhá-la ― Você não sabe ficar quieta?
― Há algum problema entre vocês dois, e...? ― a professora os interceptou repentinamente e, ao atenderem ao seu chamado, constataram que todos os seus colegas agora prestavam atenção na cena.
― Cazenueve ― corrigiu tranquilamente sua postura e discretamente escondeu o celular dentro do bolso. Claramente nada o tirava de sua pose pomposa, pensou, ele não tinha noção?
Hudler aquecia suas pregas vocais para dar um dos seus amados sermões quando a porta outra vez foi escancarada. Uma garota entrou timidamente e os rumorejos tiveram início assim que ela pôs os pés ali. Em primeiro momento não entendeu o que estava acontecendo, até que uma memória reluziu em sua mente. Os grandes e brilhantes olhos castanhos, a pele morena e os longos cabelos escuros... como não a reconhecera?
Relutou por um instante antes de se virar para Cazenueve. Mordeu o lábio inferior a fim de controlar a imensa vontade de falar algo, não sabendo se deveria. O garoto mantinha os olhos semicerrados e fixos naquela morena, inexpressível. Podia sentir os pés dele balançando ferozmente embaixo de sua carteira. Ele estava nervoso? Pelo visto não era tão inabalável como transparecia e por mais que tentasse suprimir a emoção, era impossível. arqueou a sobrancelha assim que chegou àquela conclusão. Desistira de se conter.
― Está nervoso?! Por quê? Não esperava que a garota que foi expulsa por sua culpa voltasse? ― apesar da provocação, ele não demonstrou nenhuma reação, o que a frustrou e a fez persistir no assunto ― Acho que o seu papai perdeu o poder aqui dentro e suas vontades têm prazo de validade...
Bateu a mão no caderno fortemente e tão inesperadamente que assustou a todos, mas não se importou.
― Escuta aqui, não fale sobre o que você não sabe, está me entendendo, mimadinha do caralho? ― colocou o dedo indicador em seu rosto e o estapeou de imediato.
― Tire esse seu dedo da minha cara, seu merda! ― exigiu, ríspida, como ele.
― Se abrir essa sua boca mais uma vez para fazer insinuações, esteja ciente que não ficará por isso mesmo. ― seu tom de voz era tão ameaçador que ela apenas deixou que ele prosseguisse. Não esperava causar aquilo.
se levantou e saiu, simplesmente, deixando-a sem reação e Hundler enfurecida. A ruiva tinha noção de que acertara bem na ferida do jeito que queria, mas, teria exagerado?
Não sabia muito bem como se portar diante da cena, entre eles os nervos só haviam se alterado daquele modo uma vez. Fitou ao redor relutante e percebeu que a encarava, dedicando-lhe um sorriso lascivo assim que os olhares se encontraram. esqueceu completamente do breve momento de ― mínimo ― arrependimento pelo que havia dito. Não iria perder tempo. Que culpa tinha ela, se ele não sabia lidar com a verdade?
Pensando pelo lado positivo estava certo, afinal, ele poderia, sim, ajudá-la com . E ajudou muito bem, com o teatro que o fez parecer ridículo ― não que ele não fosse realmente ― e chamou a atenção necessária. Iria fazer questão de agradecê-lo por isso depois.
“Hey, , obrigada por passar vergonha”
Certamente a convivência se tornaria insustentável, mas estava disposta à arriscar. O karma chega para todos, ele merecia um troco e...
Gontcharov , retire-se da sala de aula.


― Eu não tive culpa, senhora Busson, pelo amor de Deus, leve a minha palavra em consideração, estamos juntas há tanto tempo ― suplicou, em pé, encarando a mulher sentada atrás da mesa da diretoria.
― Primeiro dia de aula com os garotos e você já se envolveu em problemas. Saliento que é a segunda vez só hoje e a centésima desde o início do ano letivo. ― cruzou as mãos em frente ao rosto, apoiando os cotovelos na papelada amontoada ali ― Além disso, você conhece a Hundler.
Tradução: você conhece Johanna Hundler, a mulher mais mal-amada do mundo.
― Mas eu fui uma vítima! ― contestou ― Eu não queria dizer nada, mas a senhora sabe que meu irmão é muito amigo do e por isso eu sei dos probleminhas que ele tem ― apontou discretamente para baixo, dando ombros em uma melancolia simulada ― por isso é tão instável.
― Probleminhas?
― Virilidade... essas coisas ― recebeu um olhar de censura imediato ― tá, tudo bem, desculpe, mas a senhora nunca percebeu? Ele é pertubadinho, teve um ataque hoje do nada, sem motivo nenhum, todos viram.
― Você não fez nada?
― O quê? Eu?! ― ofendida, abriu exageradamente a boca em uma reação teatral ― Como pergunta isso? É lógico que não! Percebi que ele anda mais estressado que o normal... sinto até pena, coitadinho. Antes só com homens era mais fácil, mas agora... uh!
― Senhorita ! Controle-se!
― Ah, vamos lá, admita que o tem um histórico mais duvidoso que o meu. Por falar nisso, onde ele está? Apenas eu serei punida?! Injustamente, devo ressaltar.
― Já mandei localizá-lo. De qualquer forma, não me importa de quem é a culpa, vocês terão muito tempo para resolverem suas desavenças. ― sorriu friamente.
― O que a senhora quer dizer com isso? ― sentou-se involuntariamente, amedrontada com a possível resposta.
― Você também é inocente do incidente com a Georgia Dousseau? ― ignorou a pergunta anterior, arqueando a sobrancelha.
― Foi apenas uma brincadeirinha, eu adoro a Georgia, acho que ela me interpretou mal.
― Ah, então são amigas?! ― levou os dedos nodosos ao queixo, observando-a atentamente.
Amigas é uma palavra muito forte, não acha? ― remexeu-se na cadeira, rezando mentalmente para que sua eloquência estivesse suficientemente afiada. Tinha a leve impressão de não estar indo muito bem ― talvez se...
― Esteja às dezesseis horas na biblioteca. Em ponto. ― impingiu, fazendo anotações em seu relatório escolar.
― Mas...
― Saia. Agora.
Retornou ao corredor das salas resmungando consigo mesma em uma revolta quase silenciosa, dando de cara com os outros alunos em retirada. A porra da aula havia acabado. Chutou com violência uma bolinha de papel jogada no chão, seguindo o seu trajeto com os olhos e assistindo-a bater nos sapatos de , que ria descontraído com outros garotos. Ao vê-la sua expressão se fechou. tinha a certeza de que o sentimento que a dominava naquele momento estava mais do que evidente em sua face, porque ele se aproximou.
― O que houve? ― indagou, puxando-a pela mão para um lugar mais tranquilo, sem a balbúrdia em que os corredores haviam se transformado.
― Onde está o ? Por culpa dele eu peguei detenção! Por culpa do seu amiguinho descontrolado! Se ele sair ileso eu quebro esse colégio! ― trovejou, gesticulando energicamente.
― Pode me explicar o que aconteceu? ― pediu, sereno, segurando-a pelos ombros.
― Ele deu um chilique hoje, simplesmente porque não aguentou ver aquela garota outra vez.
― Que chilique? Que garota?
― Um chilique ridículo só porque eu fiz uma pergunta. E a que foi expulsa, ou achávamos que havia sido expulsa ― respondeu, impaciente.
― Victoria? ― arregalou os olhos e ela assentiu ― Tem certeza?
― Não, , estou brincando com você, não está vendo os palhaços completando o show aí atrás? ― bufou rabugenta assim que o moreno realmente se virou para a porta fechada às suas costas ― Francamente.
― Desculpe. ― sentia-se um idiota ― Você não tem mesmo noção de onde ele possa estar? ― , mais do que ninguém, tinha ciência de que e Victoria juntos não era um bom pressagio.
― Não, querido, você é a babá dele, não eu. Agora me dê licença. ― disse, indócil, saindo à passos firmes e rápidos. O que custava por um instante se importar somente com ela?
Podia até estar errada, mas jamais admitiria isso.
! ― gritou, porém sua voz se transformou em um eco a acompanhar os cabelos de fogo que desciam as escadas desembalados.
Se ela achava que ele iria atrás dela, estava muito enganada. apenas suspirou e voltou aos seus amigos, dando um tapa monumental na nuca de Adjo ― o africano que conversara com sua irmã horas antes ― ao ouvi-lo elogiá-la libidinosamente.
― Caralho, ! Doeu! ― alisou, acabrunhado, a pele fustigada.

*Iniciante: Apelido dado à todos os alunos do fundamental.




Continua...



Nota da autora: Obrigada por todos os comentários, meus amores, fiquei muito feliz com eles <3 (e agradeço pela indicação também) espero que gostem desse segundo capítulo, estarei atualizando assim que der. Beijosss a todos.



Nota da beta: Dei altas gargalhadas com essa att, mas fiquei intrigada com o pp, amigo do irmão da pp, e a tal garota que foi expulsa. Estou ansiosa para os próximos capítulos.


Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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