A'Busson
Última atualização: 23/03/2018

• Capítulo 01

22 de outubro
― E hoje estamos aqui para avisar que muitos machos gostosos chegarão em breve ― anunciou em voz alta de maneira forçadamente nasalada, usando o punho fechado como microfone, rodeada por uma dezena de alunas eufóricas ― garotas, enfim vocês poderão saciar o cio! ― completou, batendo palmas ― Ouviu, não é, Georgia?! Agora você não precisa mais tentar abrir as pernas para os nossos pais. ― fitou de maneira provocativa a loira de olhos castanhos, erguendo uma sobrancelha.
― Por que você não vai se foder, ? ― gritou em retribuição, se retirando da sala de aula em passos firmes ao som de risadas. Estava exausta de brincadeiras daquele tipo.
Isso só fez com que a ruiva adquirisse uma feição triunfante, suspirando em falso cansaço. Desceu lentamente da mesa dos professores e voltou a sentar-se em sua carteira, cruzando as pernas e encostando-se confortavelmente na madeira acolchoada. Todas sabiam que Georgia era uma vadia, a menina mais fácil que já havia passado por ali, sempre que tinham intercolegial com o A’Busson masculino ela arrumava um modo de transar com, pelo menos, metade dos garotos. E, bem, ninguém mandou ela se envolver com o meio-irmão de , traindo-o com o melhor amigo dias depois, não é mesmo? Não era difícil para ela fazer da vida da jovem francesa um inferno. Na verdade, estava engajada nessa tarefa.
A porta foi aberta de maneira inesperada e a professora de história entrou, fazendo com que os murmúrios cessassem de imediato. Ao seu lado estava Amélia Busson, atual dona do internato. Era ridículo como ela tentava disfarçar os mais de setenta anos com tinturas de cabelo e plásticas cada vez mais desastrosas. Graças a um desses procedimentos sua voz estava tão fina que doía os ouvidos, um apito era mais suportável. Por outro lado, tornava-se muito mais hilário imitá-la.
― Em primeiro lugar, gostaria de enfatizar que nesta escola qualquer tipo de piada ofensiva está estritamente proibido. Prezamos o respeito aos seus iguais acima de tudo. ― cruzou as mãos atrás do corpo, fitando diretamente ― Caso tenha esquecido, senhorita , posso fornecê-la uma cópia das regras escolares.
― Eu adoraria. ― sorriu cínica, recebendo meramente um olhar repreensivo em resposta. A senhora A’Busson já conhecia a russa muito bem e não iria perder tempo com ela.
― E hoje estamos aqui para avisar ― interrompeu-se ao notar risadas contidas que surgiram em resposta às lembranças da perfeita imitação teatral de minutos atrás, prosseguindo assim que pararam espontaneamente ― ... que os alunos da A’Busson B chegaram. É com imenso prazer que os recebemos em nossas instalações. ― forçou-se a parecer contente, quando a verdade era totalmente oposta.
Meses atrás havia sido obrigada a aceitá-los, em uma conversa nada agradável com o ex-marido que agora comandava a outra instituição. Que bela burrice casar com comunhão total de bens! Havia sido obrigada a deixá-lo com o colégio e há anos tinha a nauseabunda tarefa de suportá-lo.
Lembrava-se nitidamente do quão desagradável fora a situação.

20 de agosto
O homem tragou a saliva e pôs a mão na testa, esforçando-se para manter uma paciência que, de fato, nunca tivera. Estava estressado e os cabelos grisalhos se encontravam levemente molhados por conta do suor. Uma hora! Há uma maldita hora a reunião havia começado e a mulher com a qual tentava fechar o negócio fez questão de desligar o ar-condicionado e selar qualquer abertura de ar fresco. Mirava-o desafiadora e nenhuma proposta dada por ele lhe agradava. Existia um jogo ali e ele teria que ganhar.
— Então você quer que eu abra as portas da minha escola para os seus alunos marginais?!
— Não são marginais, Amélia. — retrucou, cansado.
George empenhava-se em fazê-la aceitar a transferência provisória dos alunos da A’Busson B para a A’Busson A, a sede feminina. Caso contrário, as aulas seriam canceladas e choveriam processos. A consequência mais desastrosa seria a iminente perda de dinheiro. Porém, a tentativa se caracterizava como uma verdadeira missão impossível. Sua ex-mulher queria puni-lo, visivelmente.
Superar algumas traições era tão difícil assim?
— Eles colocaram fogo nos dormitórios! São terroristas! — chocou a mão contra a mesa de seu luxuoso escritório em mogno — Nunca deixarei que abalem a harmonia de minhas meninas.
— Harmonia? — riu de escárnio — Nós dois sabemos que isto aqui é um verdadeiro pandemônio.
A verdade residia no fato de que ambos eram incontroláveis. Obviamente os garotos podiam ser considerados mais extremistas, todavia, não havia muita diferença. Cuidavam dos herdeiros revoltados que os pais ricos estavam ocupados demais para cuidar.
— Não seja estúpido. Saia! — apontou para a porta escura, mas George não se moveu. Queria escorraçá-lo desde que colocou os pés ali.
— Eu não desejava ter que fazer isso, mas, ou você permite a instalação do meu internato aqui ou suas informações sigilosas e translações criminosas vazarão para a mídia misteriosamente. — ameaçou-a, aconchegando-se mais na desconfortável cadeira infantil de plástico que Amélia mandou colocar especialmente para ele.
— Se eu cair, você cai comigo! — disse entredentes, começando a verdadeiramente irritar-se. O seu patrimônio representava tudo o que mais presava na vida. Colocá-lo em risco seria como matar um filho.
— Não me importa, portanto que você seja estraçalhada. — suspirou vitorioso — E então?
— Dou apenas dois meses para vocês. Nada mais.



― Não é necessário repassar as regras que vocês já conhecem bem. Lembro-lhes que é proibido qualquer contato físico que ultrapasse o amigável, caso contrário a punição será a expulsão. Mas isso vocês já conhecem bem. ― observou, referindo-se à uma aluna que havia sido expulsa anos antes por ter sido pega em um momento... indecente.
― Mas dessa vez a punição servirá para todos os envolvidos, senhora Busson? ― indagou de maneira despretensiosa, fazendo menção indireta ao mesmo caso, onde apenas a garota havia sofrido com as consequências. O garanhão que acreditou que transar no banheiro do ginásio durante o campeonato dos colégios era uma boa ideia chamava-se Cazenueve, filho do primeiro-ministro da França na época. Ele saíra ileso simplesmente por ser herdeiro de alguém importante.
― Minha querida, ― suspirou exausta ― não tenho culpa de decisões envolvendo o diretor da A’Busson B. Se ele optou pela não expulsão do Cazenueve, nada posso fazer. ― explicou-se, entendendo a decisão do diretor, afinal, Bernard Cazenueve era um homem poderoso ― Entretanto, aqui as regras servirão para todos, sem exceção.
― Quero mesmo ver ― Gaia, uma italiana possuidora de longos cabelos cacheados que caíam por suas costas negras ― aumentando ainda mais seu aspecto de personalidade marcante ―, sussurrou para suas colegas, revirando os olhos.
― O que disse, senhorita Bergamo? ― a professora inquiriu, com o olhar desconfiado por cima dos óculos-fundo-de-garrafa.
― Que os quero ver. ― soltou um meio sorriso despreocupado.
― Pois bem, todas levantem-se em fila e calmamente se dirijam ao auditório, os garotos já estão lá nos esperando junto com as outras meninas e lhes informaremos conjuntamente como as coisas funcionarão. ― Amélia ordenou, saindo na frente, sendo seguida por trinta meninas, que, por sua vez, eram seguidas pela professora Sharman.

Em poucos minutos todas chegaram ao imenso salão com pouca iluminação natural por conta das grossas cortinas que tampavam as enormes janelas de vidro. O lugar possuía um palco de madeira clara que se estendia de uma lateral a outra, rodeado por duas alas de cadeiras de cor preta acopladas e enfileiradas, separadas por uma longa escada marrom. Cada fileira estava um degrau acima da outra, de forma que todos os alunos pudessem ver sem dificuldade. Restavam apenas alguns lugares vagos, tendo cerca de setecentos alunos.
As jovens estavam demasiadamente entusiasmadas em ver todos aqueles meninos ali, as avaliando como um comprador avalia uma carne suculenta em um açougue. Todavia, era um ato nitidamente mútuo, já que elas procuravam sentar em locais perto dos mais bonitos, mesmo que a maioria já estivesse ocupado. Realmente eram cadelas no cio, pensou , que calcorreava o lugar atrás de uma pessoa específica. Sabia que ele teria guardado um canto para ela. Quando enfim o encontrou, não demorou a subir até onde ele estava.
― Dá licença, querida, este aqui é o meu lugar ― informou, afastando pelo ombro uma das alunas do primeiro ano que estava mais do que feliz em sentar entre dois gatos, segundo ela.
― Até onde sei não existe lugar marcado, então me dê licença você! ― a empurrou de volta, enfiando-se em sua frente, almejando conseguir passar, esgueirando-se por todas as pernas esticadas ali.
― Escuta aqui, garota, quem você pensa que é? ― puxou-a pelo braço bruscamente, fazendo-a recuar dois passos e seu blazer preto descer alguns centímetros.
― Quem você pensa que é? ― enfatizou o “você”, aproximando-se mais da russa.
― Vai querer descobrir? Porque se quiser, te mostro rapidinho, lindinha. ― sorriu, carregando consigo um olhar que beirava a perversidade, acabando com a distância que as separavam de forma desafiadora.
― Garotas, não briguem por nós! ― levantou-se, interrompendo-as ― Tem um para cada, mas infelizmente só uma pode ficar ― lamentou falsamente, fazendo um biquinho digno de uma criança de quatro anos.
― Não seja ridículo. ― retrucou de maneira áspera. Apesar de já estar acostumada com seu ego tão grande que mal cabia entre os muros do internato, ficar calada era inconcebível.
― Também senti saudades, meu amor ― piscou, dobrando imperturbado as mangas de sua camisa social branca até os cotovelos, suspirando em seguida ― gatinha, sinto informar que aqui não tem lugar para você ― olhou de maneira pesarosa para a garota que competia com ― porém, se quiser me conhecer mais particularmente, ficarei feliz em atende-la. ― sorriu de maneira cafajeste e voltou a acomodar-se na cadeira como se nada houvesse acontecido.
afastou-a com uma nada sutil batida de ombros. Era ultrajante que alguém a enfrentasse daquele modo, com tamanha petulância, sem receber nada em troca. Ao passar por , chutou seus pés, postos em seu caminho propositalmente. Ser humano detestável. Sentou-se ao seu lado e ao lado do motivo de ter ido até ali: seu irmão, que tinha a cabeça caída para o lado apoiada em uma das mãos, visivelmente entediado.
― Oi, , fico feliz em finalmente vê-lo depois de meses e mais feliz ainda em constatar o quão alegre você também está. ― cruzou os braços, irritada por ele nem ao menos se importar com sua presença ou tomar suas dores com autoridade, mandando aquela ninfeta procurar outro lugar para se enfiar.
― Sabe que eu a amo ― depositou um beijo em sua bochecha.
― Agora sei como Jesus se sentiu ao receber o beijo de Judas.
apenas a ignorou, prosseguindo.
― Mas sinceramente, irmãzinha, não sou louco de esquentar minha cabeça com as confusões que você arruma.
― Ah, comigo é assim?! Engraçado que você corre atrás do como um cachorrinho domesticado e parece até o guarda-costas dele. Ele compra uma briga e você vai lá como um herói prestar socorro. ― ficava enojada por tamanha devoção dedicada à um babaca. E a ela, que era sua irmã, não recebia apoio nenhum? Ademais se sentia traída, ao ter esperado uma comoção maior por parte dele ― Aposto que anda com uma cestinha pra se certificar de segurar as bolas dele se caírem.
Levantou uma das mãos categoricamente, como se pedindo permissão para se pronunciar.
― Queria dizer que esses fatos são inverídicos e caluniosos. ― voltou-se para ela, falando mais baixo e próximo ao seu ouvido, zombeteiro ― Ele não precisa se preocupar com isso, minhas bolas sempre estão bem firmes aqui, hoje mesmo uma loirinha conferiu pra mim ― colocou a mão sobre a boca de maneira devassa, como se, ao mencionar, assistisse a cena mentalmente ― e ela me pareceu saber muito bem o que estava fazendo.
― Então por que você não sai logo daqui e volta a comer ela em algum buraco escondido por aí? ― retrucou, sem se virar para olhá-lo ― Só toma cuidado para não ser pego dessa vez.
― Não, não... ― pareceu ponderar um pouco ― pensando bem, estou ótimo aqui.
, cala a boca ― revirou os olhos e mordeu a língua contendo um sorriso ― e você também. ― prosseguiu, fitando seriamente a irmã através de seus impassíveis olhos verdes. A ruiva pretendia protestar, entretanto ele se antecipou ― Sem showzinhos. Estou muito bem, as férias foram ótimas e eu senti sua falta.
Os garotos obtiveram mais meses em casa do que qualquer garota que estava ali pôde ter, graças ao incêndio que causaram. aproveitou os dias para ficar com seus parentes no Brasil. Aquele dia era o primeiro de seus anos letivos, enquanto elas estavam lá há quase dois meses.
― E por favor, deem um tempo. Quantos anos vocês têm?
Estava mais do que habituado àquela tola troca de farpas constante. Era sempre daquele jeito, desde que o garoto havia começado sua amizade com em seu primeiro ano no internato. De início os dois conviviam relativamente bem, até que começaram a se estranhar e em pouco tempo as provocações se tornaram frequentes. Ele agradecia aos céus pela mistura entre as duas instituições se resumir à, no máximo, duas semanas a cada semestre.
Contudo, não seria tão breve assim dessa vez. Ele estava fodido e com a sua sanidade mental em risco. Quanto de paciência lhe restaria?
O silêncio se instalou assim que o coordenador acadêmico começou a discursar algumas baboseiras. olhou de relance para seu irmão, constatando o quanto ele estava mudado... amadurecido. Os cabelos negros e lisos arrumados em um topete banhado por gel, com uma mecha caída próximo à charmosa falha diagonal perto do final de sua sobrancelha esquerda. Os olhos de cor verde-mar contrastando com a pele um tanto bronzeada. Havia deixado a barba crescer e essa estava devidamente aparada e delineada de maneira harmônica com seu queixo triangular. A farda lhe deixava ainda mais galante, composta por uma calça social preta, em conjunto com uma camisa também social de cor branca e um blazer escuro com o emblema AB fechado até onde estava o meio da gravata. Ele era um verdadeiro exemplar de deus grego: bonito, alto, corpulento e um maravilhoso partido ― isso ela podia dizer com toda convicção do mundo. ― A garota sentiu uma pontinha de orgulho ao observar o grande homem que ele estava se tornando.
Em comparação a ele parecia apenas uma menina. Na realidade, poucos diriam que se tratava de um par de irmãos. Ela, ruiva natural, com sardas minguadas espalhadas pela pele alva, olhos castanhos e olhar felino ― seu irmão uma vez a caracterizou como possuidora dos, de acordo com ele, majestosos, “olhos de cigana oblíqua e dissimulada”, elogio torto tirado diretamente de seu livro preferido ― além de uma boca carnuda; corpo pequeno, não passando dos 1,63, em um meio termo entre franzino e robusto. Rosto quadrado e nariz diminuto sutilmente arrebitado. Seus cabelos desciam em algumas ondulações até a cintura e alguns fios ficavam presos em seus ombros. A culpa dessa diferença gritante de aparência era de seu querido pai. Ele era brasileiro e, assim que começou a decolar no mundo das multinacionais, foi chamado à Rússia para fechar um negócio. No percurso conhecera a mãe de e encantou-se por ela. Como nos filmes hollywoodianos, esse amor floresceu e se casaram. Em dois anos ela descobriu estar grávida e ele teve que voltar ao Brasil por poucos meses para resolver algumas burocracias, mas, antes de retornar para a sua esposa certificou-se de deixar um presente nos solos brasileiros: .
Nasceram com algumas semanas de diferença e foi um escândalo. ao menos havia sido homem o suficiente para assumir a criança, que acabou sendo levada para a Rússia assim que nasceu, tendo a mãe biológica morrido no parto. O bebê foi criado sem nenhuma discriminação por , que sabia que o menino não tinha culpa dos erros do pai. particularmente admirava muito sua mãe por aquele gesto justo e fraterno. Os dois cresceram lado-a-lado e, apesar de incontáveis inconsequências, foram mandados pelos pais para o A’Busson não como forma de castigo, mas sim para receberem a melhor educação possível. O casal estava confortável na Eurásia e os filhos encarcerados na Grã-Bretanha.
Até parece que, na prática, não queriam se livrar deles.
Direcionou seus olhos curiosos discretamente para a figura ao seu lado direito. Ele estava concentrado, ou pelo menos forçava-se a ficar e isso era percebido graças à pequena ruga vertical formada entre suas sobrancelhas. Os penetrantes olhos azul-piscina se mantinham fixos em um ponto qualquer do palco, sem desvio de atenção. Aparentemente ele não havia mudado tanto assim. Os músculos dos braços, até então cruzados, eram delineados pela camisa de tecido fino que estava ensacada na calça escura perfeitamente alinhada em seu corpo, presa por um cinto de mesma cor. Seus cabelos eram de um loiro escuro e estavam mais curtos nas laterais, no entanto, o topete característico ainda estava lá, nivelado naturalmente. A boca rosada, apesar de não possuir lábios tão grossos, era perfeitamente desenhada. Sardas claras pintavam delicadamente o seu o rosto quadrado em pontos demarcados: nariz e bochechas. A linha de sua mandíbula era graciosamente moldada, juntamente com um suave furinho em seu queixo que aparecia algumas vezes, presenteando-o com o aspecto monumental que o precedia.
Tinha que admitir que ele era lindo. Um lindo idiota.
De supetão virou-se e fitou-a com uma expressão dúbia pairando sobre sua face, tento a plena noção que a ruiva o secava descaradamente. até que tentou disfarçar, inutilmente. Cazenueve arqueou a sobrancelha esquerda e reprimiu um sorriso, sussurrando para ela:
― Acho que perdeu alguma coisa em mim. Estou certo, ruivinha?




Continua...



Nota da autora: Gente, espero de coração que gostem da minha história. Comentem suas opiniões, aceito críticas construtivas, mas, por favor, não me façam pensar que estou escrevendo para ninguém. E, bem, os capítulos serão postados sempre que eu tiver tempo de escrever e mandar para a beta. É isso! Beijos e muiiiito obrigada por lerem.



Nota da beta: Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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