Finalizada em: 10/07/2018

Capítulo Único


James estava nervoso, ele não queria que acontecesse a mesma coisa de 2014. Foram quatro anos, quatro longos anos com ele sentindo-se culpado, e ele rezava para que isso não acontecesse novamente.
A imagem da copa de 2014 ainda estava presa em sua mente. A torcida chorando, os jogadores tristes, e ele, bem, ele estava arrasado. Lembrava claramente das palavras de Davi Luiz encorajando-o, tentando fazer com o que ele se sentisse melhor, avisando-o que logo teria outra copa e ele poderia compensar. James acreditou nisso, ou melhor, acreditava, até hoje.
Oitavas de final, Colômbia contra Inglaterra, e ele não estava presente em campo para ajudar seu time, muito menos no banco de reserva. Após a lesão contra Senegal, James estava sentado na arquibancada vendo todo o jogo.
O som do apito do juiz fez o coração do colombiano parar de bater. Um a um, empate, eles teriam que ir para os pênaltis. James foi até o banco de reservas, sentando-se ali. Não conseguiria ficar longe do campo e de seus companheiros em um momento tão decisivo.
Os pênaltis começariam com a Colômbia, e James desejava estar dentro de campo para poder salvar sua seleção. Falcão foi o primeiro da seleção colombiana a bater, acertando o meio da rede. James comemorou, mas a comemoração acabou assim que Kane chutou a bola no canto da rede, empatando.
James respirou fundo, ainda tinham mais quatro cobranças, tudo daria certo e eles iriam para as quartas de finais. E o otimismo só aumentou quando a bola de Cuadrado foi de encontro ao gol, causando animação na torcida colombiana. Rashford chutou a bola no canto da rede, fazendo James estralar os dedos das mãos enquanto tentava distrair o nervosismo que sentia.
Muriel chutou a bola de encontro à rede, causando a comemoração colombiana que aumentou ainda mais quando Henderson chutou a bola e Ospina agarrou, mas ela acabou assim que Uribe chutou a bola diretamente na trave.
Trippier chutou, adquirindo a mesma tática dos dois primeiros e acertou o canto da rede, causando apreensão aos colombianos. Mas James sentiu o coração para de bater quando Pickford defendeu a bola de Bacca. O colombiano sabia que ali era o fim, e constatou isso com o com de Dier.
Quatro a três para a seleção inglesa.
James sentiu o coração parar de bater e as mãos suarem frio, enquanto a visão tornava-se turva devido às lágrimas que ele tentava não derramar. Ele esperou quatro anos, quatro longos anos, para poder reparar o erro da última copa, e ele não conseguiu. James queria gritar, chorar, bater sua cabeça na parede por ser tão estupido e deixar que sua seleção fosse eliminada novamente, mas ele só deslizou o corpo no banco, enquanto deixava que as lágrimas escorressem por seu rosto e formassem um rastro.
A torcida colombiana não estava muito diferente. O telão mostrava a torcida, onde um pai chorava copiosamente com uma mão no rosto, enquanto o filho tentava acalma-lo. James não conseguia fazer nada além de chorar, enquanto encarava fixamente a comemoração dos ingleses.
Se ele tivesse se esforçado mais. Se ele não tivesse se machucado contra Senegal. Se ele estivesse jogando. Eram tantos ‘se’ em sua cabeça, que o colombiano perdeu a noção de quanto tempo estava sentado sozinho no banco.
James não queria ver a comemoração dos ingleses, principalmente quando era ele quem devia estar comemorando, mas também não queria sair dali e encarar sua seleção, muito menos seu país. Ele não sabia como encararia seus torcedores, ele tinha pisado na bola outra vez. Obviamente no sentido figurado, pois no literal ele sequer tinha encostado na bola, e sabia que esse era o problema.
James encarou o campo uma última vez, antes de levantar-se e cumprimentou rapidamente o resto da seleção. No campo James podia ter uma visão melhor da torcida colombiana, e ao encara-los, sentiu seu coração seu coração despedaçar-se ao ver a tristeza dos torcedores. Mas ali, no meio de todo aquele choro e tristeza, James podia ver uma colombiana sorrindo e balançando a bandeira em direção ao campo, como se o resultado final do jogo não lhe importasse.
estava ali, comemorando e mostrando que independentemente da vitória ou da derrota, ela sempre estaria ali. A colombiana não se importava com o placar do jogo, nem com a derrota e muito menos com a eliminação, a única coisa que possuía sua importância, estava chorando no meio do campo acreditando que era o culpado.
⚽ ⚽

James não achava que ele era o melhor do mundo, ele sequer comparava-se ao Cristiano, mas ele sabia que a sua falta de presença no jogo não tinha ajudado sua seleção. Ele sabia que se estivesse no jogo, poderiam batalhar juntos por aquela vaga. Ele sabia que a lesão que o impossibilitara de estar no jogo hoje, não era sua culpa, mas James não conseguia diminuir o peso que estava em suas costas.
- Nossa, você já está aqui.- James tentou sorrir assim que entrou no quarto e viu ali.
- Vim assim que você saiu de campo.- a colombiana aproximou-se do jogador, passando a mão levemente pelo rosto vermelho do homem.- Você não sabe o quanto eu queria pular a droga daquela grade e te abraçar.
- Você não sabe o quanto eu queria que você fizesse isso.- ele admitiu e abaixou o olhar, fazendo morder a bochecha enquanto recriminava-se por dizer aquilo.
- Ei, desculpa, eu sei que agora não é uma boa hora para falar sobre isso.- a mulher acariciou novamente o rosto do jogador, fazendo-o levantar o olhar.
- É minha culpa a seleção ter perdido, é minha culpa termos que nos esconder.- James falou com a voz vacilante enquanto tentava não voltar a chorar.- Eu não faço nada direito.
- Céus, não fala isso.- segurou o rosto do homem com as duas mãos, enquanto sua voz saía sofrida.- Nada disso é sua culpa, nada.
- Se eu estivesse em campo, eu poderia ter feito o pênalti que nos salvaria.- o homem falou, desistindo de segurar as lágrimas.- Ou melhor, eu poderia ter impedido a Inglaterra de nós levar para os pênaltis.
- Mas você não estava em campo, meu amor, e isso não é sua culpa.- secou as lágrimas de James e selou seus lábios rapidamente, mantendo seus rostos próximos.- Você não é culpado por estar lesionado.
- Mas se...
- Não tem ‘mas’ nem ‘se’.- a colombiana o interrompeu.- Você não estava em campo para ajudar o seu time, mas você não tem culpa nisso. Um time não consiste em só uma pessoa. Você jogando podia muito bem classificar nossa seleção, como podia não mudar o resultado.
- Mas eu sei...
- Não, você não sabe de nada, anjo.- interrompeu o jogador outra vez.- Você supõe que se estivesse em campo, a situação seria outra, mas nós não sabemos. Sua lesão podia impedir seu desempenho ou até mesmo ficar mais séria.
- Mas eu me sinto tão culpado, tão imponente, sentado em um banco sem poder fazer nada.- James assumiu com a voz fraca e encostou suas testas, fazendo carinho nas bochechas do homem.
- E eu me sinto mal de te ver assim, como se eu não pudesse te ajudar.- a mulher falou com a voz fraca, fazendo o colombiano fechar os olhos fortemente ao escutar aquilo.
- Mas não é sua culpa, amor.- tentou consola-la, repetindo o carinho que a mulher fazia.
- Igual não é sua culpa a eliminação.- tombou a cabeça para o lado, sorrindo de lado para o jogador.
- Certo, nessa você me pegou.- James riu fraco, vendo a mulher dar de ombros.
- Eu só quero que você entenda que você não teve culpa da sua lesão, ou de estar fora de campo e muito menos da eliminação.- sorriu sincera e selou seus lábios rapidamente.- Eu não quero te ver carregando a culpa por algo que você não é culpado.
- Eu não sei o que eu fiz para te merecer.- James sussurrou roçando os lábios nos da mulher.- Sabe, foi até estranho te ver animada no meio de uma torcida devastada.
- Eu admito que fiquei triste pelo resultado, acredito que igual todo colombiano, mas seu bem estar é mais importante para mim que uma vitória na copa.- sorriu abertamente, sendo retribuída por James.
- Saiba que você não vai me ver chorando mais uma vez hoje, não importa o que a senhorita fale.- o jogador brincou e a mulher riu, já percebendo a melhora no humor do homem.- Quer dizer então que eu sou mais importante do que ser classificado?
- Claro!- a torcedora respondeu de imediato, arrancando um sorriso do jogador.- Eu não me importo se ganhamos ou perdemos, o que me importa é você. Minha vontade era abraçar todo mundo que decidiu te deixar fora desse jogo.
- Posso saber o motivo?- o colombiano perguntou visivelmente confuso.
- Você jogando poderia nos classificar, mas também podia piorar sua lesão e ficar não sei quanto tempo sem jogar. A lesão podia se tornar algo realmente sério.- sorriu fraco, vendo um sorriso enorme abrir nos lábios de James.
- Eu te amo, e amo sua preocupação comigo.- James selou seus lábios outra vez, porém em um beijo forte, diferente dos outros.
- Eu te amo, e não me importo com resultado nenhum de jogo, a única coisa que atrai minha atenção é você.- a colombiana falou assim que partiram o beijo.
- Você está tão fofa hoje, acho que nunca te vi assim.- James falou, rindo em seguida da cara de indignada da mulher.
- Ver você chorando me faz querer te colocar no colo e te proteger de todo mundo, você parece um neném.- deu de ombros e viu o jogador revirar os olhos.- Você tinha que ver minha reação ao te ver chorando na Copa do Mundo de 2014. Eu queria ser o próprio David Luiz para te consolar.
- Não sabia que você sempre acompanhou minha trajetória.- James falou e riu fraco, negando com a cabeça.
- Eu não acompanhava, eu mal via futebol. Eu só vi a copa pelo fato de ser a Copa do Mundo.- riu da cara de indignado de James e piscou.- Aliás eu fui descobri quem era você naquele dia. Fiquei com muito dó de você chorando.
- Acho que perder aquela copa foi algo bom.- James falou e a colombiana arqueou a sobrancelha.- Fez com o que você descobrisse quem eu era.
- E cá estou eu, quatro anos depois te consolando pessoalmente.- sorriu de modo sincero, demonstrando toda a felicidade que sentia por estar perto daquele homem.
- Eu pensei que você ficaria chateada pelo fato da Daniela ter vindo para cá.- James falou com a voz baixa e mordeu o lábio inferior.
- Eu não vou mentir para você, admito que odeio a imprensa insinuando que vocês dois estão juntos. Mas ela é a mãe da sua filha, Salomé precisava ver o pai dela arrasando na copa.- sorriu sinceramente, arrancando um sorriso ainda maior do homem.
- Você é maravilhosa, ainda acho que eu não te mereço.- o colombiano riu fraco, fazendo encará-lo de cara fechada.- Certo, amor, eu sei que eu te mereço.
- Saiba que eu não quero mais te ouvir falando que não me mereço e nem se culpando pelo jogo.- a colombiana falou de modo sério, fazendo o jogador encara-la com a sobrancelha arqueada.- Estou falando sério, James David Rodríguez Rubio.
- Não precisava ter usado meu nome completo.- ele revirou os olhos e abraçou a mulher, mantendo-a colada ao seu corpo.- Daniela estar aqui não te incomoda mesmo?
- Não, amor.- a voz da mulher saiu abafada devido ao abraço.- Eu só não gosto das suposições da imprensa.
- Certo, podemos resolver isso.- James afastou sutilmente a mulher, de modo que pudesse encará-la nos olhos.
- E como você vai fazer isso?- questionou tentando não transparecer toda a animação que sentia.
- Você quer ir comigo para Munique quando eu voltar para o Bayern?- o jogador propôs sorrindo.
- Você está falando sério?- murmurou a única frase que tinha em sua cabeça.
- Sério igual minha lesão.- falou rindo, recebendo um olhar repreendedor de .- Eu estou falando sério, quero que você saia comigo da Rússia e fique comigo na Alemanha. O que você me diz?
- É claro que sim.- jogou-se nos braços do homem, diminuindo o pouco espaço entre eles.- Nunca se sabe quando você vai precisar que eu te console novamente. Não posso fazer isso estando do outro lado do oceano.
⚽ ⚽

- Tudo pronto para irmos embora?- questionou encarando James terminando de fechar a mochila.
- Tudo guardado.- o jogador sorriu para a mulher, aproximando-se do espelho com o celular na mão e chamando com a mão livre.- Vamos tirar uma foto antes de ir. Deixar registrado.
- Outra foto para nossa pasta de fotos que ninguém nunca vê?- murmurou e sorriu fraco para o homem, indo até ele abraçando-o.
James mordeu o lábio inferior ao escutar a fala da mulher e respirou fundo, cansado de tudo aquilo. Ignorando todas as orientações que lhe foram dadas e fazendo o que realmente queria, James virou a colombiana de frente para ele, entregando o celular para ela. encarou-o com a sobrancelha arqueada, pegando o aparelho do jogador e não contendo o sorriso enorme ao ver a tela do celular mostrando a foto de segundos atrás. Mas o sorriso da colombiana não estava ali, não inteiramente, por causa da foto, e sim das circunstâncias. O celular estava aberto no Instagram, com a foto dos dois colombianos se abraçando, onde se podia ler na legenda:
@jamesrodriguez10: Posso não ter ganhado o jogo e nem a copa, mas ganhei no amor e me sinto eternamente sortudo por isso. Estando com ela, não importa a vitória ou a derrota, apenas nosso amor 💕💕




FIM



Nota da autora: Admito que ver o James chorando partiu meu coração, mas ao escrever ele sentindo-se culpado, meu coração foi esmigalhado. Eu sei que a história ficou curtinha, mas eu espero que vocês tenham gostado de ler igual eu gostei de escrever. Admito que tenho ideia para quase todos os países que saíram e até mesmo para alguns que continuam, mas tudo depende do feedback de vocês.





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