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Última atualização: 23/05/2020

Capítulo 1

6:45 am

Provavelmente mais um dia de bosta começaria.
Não vou mentir, eu amo o curso que escolhi! Mas desde aquele dia fatídico nada nunca mais foi como antes.
Lu ,minha amiga desde que estávamos na barriga de nossas mais e Tree, minha colega de faculdade, sempre me apoiam e me motivam a seguir em frente, mas as vezes é simplesmente impossível.
- Bom dia mãe.
- Bom dia. Vai querer algo pra comer?
- Sem fome hoje.
- Sem fome hoje, sem fome amanhã e sem fome ontem. Quando você vai recuperar a sua alimentação? - me olhou com um olhar cansado - , já se passaram 5 anos!
Peguei uma maçã que estava em cima do balcão pra evitar mais qualquer tipo de discussão e saí de casa sem trocar mais uma palavra com minha mãe.
De verdade, seria mais fácil pegar um dos quatro carros que meu pai tinha na garagem, mas de um tempo pra cá decidi que eu deveria colocar essas pernas pálidas e magras pra se movimentar pelo menos por alguns minutos do meu dia.
– Universidade Complutense de Madrid. Esse era o lugar em que eu passava boa parte dos meus dias, com os olhos enterrados em livros tentando esquecer os assuntos em que teria que falar sobre horas com meu psiquiatra.
Sempre dou de cara com desde que entrei no curso. E mesmo que ele seja todo marrento, é impossível não rir com nossas trocas de olhares.
é meu melhor amigo desde que eu coloquei os pés aqui. Nossa amizade começou desde que ele me ofereceu um cigarro e eu nunca tinha nem sequer colocado um na boca.
, minha mãe nem sonha que você que me influenciou a fumar. Mesmo que eu tenha parado dois dias depois por simplesmente não aguentar o gosto na minha boca, continuo amando o cheiro quando se mistura com seu perfume em qualquer um de seus casacos da Ralph Lauren.
Eu e Tree sempre brincamos que provavelmente vai morrer antes dos 60 por câncer de pulmão, já que eu nunca vi alguém fumar mais que ele. E preciso admitir que além disso, foi um dos caras mais gatos que eu tive o privilégio de ver em meus 22 anos de vida. Mesmo que eu sutilmente duvide de sua sexualidade.
- Bom dia, raio de sol.
- Vai se fuder, .
- Não se pode nem mais ser cavalheiro nesse mundo? - disse com um cigarro entre os lábios antes de acendê-lo.
Apenas ri e beijei sua bochecha deixando seu perfume amadeirado invadir minhas narinas.
- Escuta, sei de um lugar pra irmos hoje a noite, eu e você... - acho que ele percebeu meu olhar de dúvida, já que coçou a nuca - E a Tree.
- É quarta-feira, o que você tá inventando, ?
- Festa a fantasia já que o halloween está chegando. 100 euros o ingresso por pessoa com open bar de gin. - ele disse com um olhar malicioso. - Eu sei que você não diz não a gin.
- Eu vou, se você for no shopping escolher uma fantasia comigo.
- Fechado. Quer ir de fantasia combinando? - ri com seu comentário
- Vou pensar no seu caso. Agora apaga essa droga de cigarro pra irmos pra aula.
- Você sabe que não precisamos realmente ir, não é? - fiz uma cara de dúvida e ele entendeu que deveria continuar. - É só nossos pais conversarem com a reitoria e dar alguns trocados e puf - ele fez um sinal com as mãos- nosso diploma aparece.
- , ser uma arquiteta competente é uma das únicas coisas que me restam a fazer na vida, não vou jogar isso no lixo só porque você quer ir transar comigo na quadra dos fundos. - ele me olhou assustado e logo abriu um sorriso
- Olha, eu não tinha pensado e nem mencionado nada disso - nesse exato momento me arrependi de ter aberto minha boca e corei - mas eu estou disposto se você quiser. - ele disse me puxando pela cintura, mas o que eu não esperava era que isso me arrepiasse inteira.
- Te-temos que ir . - não posso deixar de admitir que ele mexe comigo de um jeito que eu não estava disposta a demonstrar, fala sério, é muito difícil eu ficar sem palavras!
Acho que ele também sentiu a tensão sexual no ar e apenas jogou seu cigarro no chão, pegou sua mochila e seguimos em direção à sala.
Talvez seja coisa da minha cabeça, mas eu me senti a aula inteira como se eu estivesse queimando, graças ao seu olhar, . Conheço esse garoto há 4 anos e eu não fazia ideia que ele tinha esse efeito sobre mim. E graças a alguma força do demônio, Tree não tinha vindo pra aula hoje.
Decidi que ia sair dessa aula e iria terminar de estudar em casa, já que a voz da professora só estava piorando minha dor de cabeça causada pelo efeito colateral do antidepressivo e eu não queria trocar nenhum tipo de flerte com . Não hoje, pelo menos.
Estudar era a única coisa que estava me tirando dos meus pensamentos ultimamente, além das festas em que me arrastava e que eu sempre acabava voltando bêbada pra casa, sem me lembrar de pelo menos 40% do dia anterior.
E era isso que eu iria fazer agora, enfiar a cabeça nos livros pra depois ir naquela droga de festa que meu melhor amigo inventou.


Capítulo 2

2:35 pm

Cheguei da faculdade um pouco antes do horário do almoço e desde então não tive forças pra fazer qualquer outra coisa além de ler um artigo gigante indicado pela professora Margaret.
Me levantei do sofá e peguei um sanduíche pra comer de almoço antes de pegar meu celular.

“Mas pra onde caralhos você foi?” A
você não desistiu de ir à festa, não é?” A
“Eu já estava até pensando em ir de Rio e você de Tokyo” A

Não pude deixar de rir, antes de responder.
Não importa o momento, ele sempre consegue me fazer rir.

“Na verdade, eu nem posso ser a Tokyo porque não estou afim de cortar meu cabelo” K

Menos de um minuto depois ele respondeu

“Deixa de ser idiota, ninguém vai ligar pra isso. Te pego às cinco.” A

Óbvio que essa frase teve um duplo sentido, mas eu mesma não sabia se queria que tivesse ou não.

[...]

- Achei que esse Audi fosse do seu irmão. - disse entrando no carro em que tinha vindo me buscar.
- Fala sério Débora, eu já fui com meu carro no shopping, não quero repetir carro. - revirei os olhos e dei um soco em seu braço.- Ué, que foi? É a mesma coisa quando você me arrasta pra comprar roupa na Dolce & Gabanna porque não quer repetir vestido em festa.
Não abri a boca já que sabia que era verdade, apenas ri e aumentei o volume do som. Cantarolamos até a entrada do estacionamento e não pude deixar de notar alguns olhares de canto sobre mim vindo do motorista gostoso que estava do meu lado.
Depois de muita luta, discussão e risada resolvemos mesmo ir de personagens de La Casa de Papel. Mas ele iria de professor e eu de inspetora.
- Você fica bem pra caralho de vermelho, já eu pareço uma cereja ambulante. - falei enquanto seguimos para o carro. gargalhou em seguida.
- Fala sério, você fica bem com qualquer coisa. - piscou e abriu a porta do carro pra mim.
me largou em casa e eu corri pra comer alguma coisa antes de tomar um banho, já que eu queria fazer luzes em meu cabelo pra ficar mais parecida com a personagem. Aproveitei para mandar uma mensagem para Tree.

acabou de me largar em casa. Se não comprássemos fantasias combinando ele ia ter um ataque epilético. Como você vai?” K

Supus que ele tivesse mandado mensagem convidando ela, como ele disse que faria mais cedo.

“O filho da puta do me avisou faz no máximo uns 15 minutos, vou ver o que minha irmã tem em casa e vou improvisar algo.”

Não pude deixar de rir antes de me despir e entrar no banho pra tirar a tinta do meu cabelo.
Fiz minha higiene e ao olhar no espelho posso dizer seguramente que eu amei o resultado. Além de dar uma bela iluminada no meu cabelo me deixou com cara de mais velha, já que todos dizem que me dariam no máximo 18.
chegou às oito horas na minha casa já que Tree combinou de nos encontrar direto lá. Ele insistiu pra que passássemos em algum drive thru antes, então saímos mais adiantados.
- Wow, o que você fez no cabelo? - perguntou assobiando logo depois
- Iluminei um pouco, quis entrar no personagem. Gostou? - pisquei pra ele, na intenção de provocar.
- Quero saber se você vai entrar no personagem mesmo depois de alguns copos de gin. - ele piscou de volta e deu partida no carro.
Fingi que não tinha entendido a resposta e apenas sorri tímida. Em menos de 20 minutos já estávamos lá, porém o caminho inteiro depois de que passamos no drive thru do Mc Donalds - na verdade eu nunca entendia como ele gostava de comer essas coisas gordurosas e cheias de aditivos - tive que ouvir como estava animado e blá blá blá, tudo isso de boca cheia, cuspindo migalhas do seu hambúrguer em todo o painel do seu Porsche.
Na verdade eu ficava feliz vendo ele animado, tive que conter meu sorriso algumas vezes. Já que se não fosse pra agradar ele eu estaria atirada no sofá afundada em meus pensamentos ruins.

Chegando lá deu pra ver que a casa era gigante, provavelmente de um dos amigos ricassos de . Estava tudo iluminado com luzes coloridas e tocava uma música que eu não conhecia.
Descemos do carro enquanto um chofer foi estacionar o carro de e ele pegou na minha mão me guiando até a entrada.
Encarei seu semblante de lado enquanto ele olhava pra frente e ele estava agindo como se fosse uma atitude comum entre nós dois. Mas eu estava tão nervosa com essas atitudes inéditas da parte dele que estava rezando para minha mão não começar a suar.


Capítulo 3

11:38 pm

Na verdade eu não sei o que misturaram com o gin, mas estava incrível. Perdi a noção de quantos copos tinha tomado depois de umas duas horas de festa.
Pra mim, o auge até agora foi ver Tree chegando fantasiada de abelha com restos de roupas que sua irmã tinha, ela estava até com as anteninhas.
Agora estávamos vendo jogar beer pong com seus amigos. A cada bolinha que acertassem dentro do copo, 50 euros de cada participante da mesa eram seus.
E pra ser sincera eu não sei que chá de atitude foi esse que esse garoto tomou, mas a todo instante ele me olhava com um olhar travesso e mordia o copo. você não sabe como é difícil resistir a você, garoto.
- Posso jogar? - perguntei chegando perto da mesa, depois da décima quinta olhada do meu amiguinho gostoso.
- Claro que sim, inspetora. - um garoto que eu não fazia ideia de quem era fez uma reverência e abriu espaço. Eu só ri e coloquei 50 euros em cima da mesa.
Primeira tentativa e nem eu mesma acreditava que tinha conseguido acertar dentro de um copo. Tree e vários dos garotos que estavam jogando vieram a minha volta, fazendo festa e gritando pra mim. Alguns tentaram me dar beijos nas bochechas, mas logo a seguir senti uma mão fria me puxando.
Após sair da multidão olhei e só concretizei minha certeza de que era o .
- Que foi, curly? Eu queria jogar mais - falei fazendo manha por conta da bebida enquanto ele ainda segurava meu pulso.
- O que houve hein? Você só me chama assim quando quer algo, o que é normal, ou quando está extremamente amorosa, o que é raro. Aposto que foi essa mistureba de bebidas. O que você tomou?
- Gin com alguma mistura que eles fizeram e essa cerveja amarga do beer pong. - Fiz uma careta só de lembrar do gosto em que estava em minha boca - Vamos jogar, curly... - falei dengosa acariciando seu braço.
- Até parece que você não viu, aqueles machistas do caralho estavam tentando te beijar, aproveitando que você está alterada. - ele revirou os olhos, em seguida olhando pro lado e dando um gole em sua bebida
- Eu não estou alterada, . - falei me soltando completamente dele.
- Tudo bem então. Vai se lembrar de tudo amanhã? - perguntou erguendo uma sobrancelha
- É óbvio que vou. - falei cruzando os braços
- Então espere que se lembre disso...
Depois de poucos milésimos de segundos grudou seus lábios nos meus. E logo depois me senti como uma adolescente em seu primeiro beijo. Tantas bocas que eu beijei apenas pelo ato de beijar alguém que eu nem me lembrava mais como era sentir borboletas no estômago.
De verdade, até ele me beijar eu não tinha a mínima ideia do efeito que ele tem sobre mim, e que eu realmente posso estar caidinha pelo meu melhor amigo.
Pra falar a verdade, fazia muito tempo que eu não beijava alguém que beija tão bem assim. Eu podia sentir desejo saindo do seu corpo e entrando no meu, mas mesmo assim ele me beijava lentamente, fazendo carinho em minha nuca.
Depois de alguns minutos eu nem sabia mais descrever o que eu estava sentindo, então ele parou, terminando com alguns selinhos.
Abri a boca pra falar várias vezes mas meu cérebro não processava as palavras que eu queria dizer, já que eu não tinha a mínima noção de nenhuma.
Então simplesmente, começou a rir, com um sorriso sapeca. E eu agradeci mentalmente por ele ter cortado o clima tenso pós beijo.
Sem demora, me rendi ao seu ato e comecei a rir também, eu estava tão energizada que não sentia mais nenhuma gota de álcool no meu corpo.
Então automaticamente peguei em sua mão e entrelacei nossos dedos.
- O que você quer fazer agora? - perguntou perto do meu ouvido, mas olhando em meus olhos e fazendo carinho em minha bochecha. PORRA NÃO FODE!
- O que você quer fazer? - lancei de volta pra ele, em seguida lhe dando um selinho demorado. Ele se surpreendeu no começo mas logo senti sua mão em minhas costas nos aproximando mais
- Podemos ir para meu apartamento, tenho vários planos pra nós. - rebateu e começou a rir, logo o acompanhei
- E a Tree? - perguntei apontando pra ela com a cabeça
- Ela está em boas mãos. - se referiu ao seu amigo Dan, que estava conversando com ela.
- Podemos esperar até anunciarem o prêmio de melhor fantasia? - perguntei igual uma criança espera por seu presente de natal e sorriu concordando, antes de me dar um beijo.
- Você fica fofa quando bebe.
- Eu sou fofa, amor. - falei sendo irônica.
- Sei... - ele rebateu e pegou um cigarro na mão, apontando com a cabeça que ia lá fora.
Eu apenas concordei com a cabeça e logo ouvi Tree me chamando.
- Amiga, o Valério tá oferecendo pra todo mundo pra dar uma volta na Lamborghinhi dele, e como eu sei que você... - nem esperei ela terminar de falar e fui atrás dele
- Valério, deixa eu dar uma volta por favor! Meu pai não deixa eu andar na dele porque é seu xodó, mas por favor - frisei a última parte da palavra juntando as mãos. - Juro que não estou bêbada. - levantei as mãos em sinal de rendição.
- É toda sua. - ele disse levantando a chave, peguei e fui correndo na direção do carro.
- Tree, entra aqui agora! - gritei pra minha amiga do lado de fora
- Amiga, só vai com calma pelo amor de Deus.
- Relaxa, vai ser rápido.
Meu Deus eu nem estava acreditando que meu sonho de infância estava se concretizando. Nunca fui de gostar muito de carros, mas uma Lamborghini simplesmente não tem como!
Só de pisar e sentir o motor eu me sentia energizada! Manobrei para sairmos do condomínio e pisei fundo. Eu estava tão pilhada que esqueci totalmente de chamar .
- eu quero estar viva para pegar meu diploma ano que vem! - Tree gritou se segurando em todos os lugares possíveis, não consegui segurar a risada.
- Amiga, só coloca o cinto. - informei e vi o ponteiro da velocidade girar quase em 360°.
Até que eu vi uma luz perto demais de nós, quando fui freiar o salto do meu coturno não permitiu e então eu ouvi um estouro enorme e um corpo no chão.


Capítulo 4

3:56 am

Minhas pernas não paravam de balançar um segundo. Eu não sabia mais o que era ter unhas nos dedos.
Sala de espera de hospital pra mim sempre foi a maior tortura inventada por um ser humano.
- ? - um médico me chamou e eu levantei automaticamente.
- Sim, senhor? - perguntei totalmente sem jeito, estava tão nervosa que essa foi a primeira coisa que saiu da minha boca.
- O quadro de seu primo é regular. - nesse momento eu não consigo nem descrever quantas toneladas foram retiradas de cima de meus ombros, mas ao mesmo tempo sentia que deveria fazer alguma coisa.- A secretária me contou que você é uma prima distante e não tem muitas informações recentes sobre ele.- fiz que sim com a cabeça
- Sim... Nos afastamos um pouco por brigas de família. Não sei nada do há anos. - nesse exato momento me senti merecedora de um oscar. E o prêmio de melhor mentira para uma quase assassina vai para... .
- Então, tive a liberdade de procurar o histórico de seu primo... Seus pais morreram em um acidente aéreo há 3 anos atrás. - tentei conter minha expressão de choque mas foi praticamente impossível- Ele vive sozinho em Barcelona há poucos meses e o único bem que ele tem, ou tinha, é a moto. - ele deu uma pausa, mas meus pensamentos não, um turbilhão de pensamentos atropelavam meu cérebro por segundo.

Depois de uns 10 minutos conversando com o médico entendi várias coisas: era um garoto totalmente sozinho, sua única responsável - mesmos que ele já tivesse 24 anos - era sua avó de 83 anos que mora em Valência. Ele vive aqui de favor há pouco tempo, sozinho e sem bens. Amanhã depois do meio dia ele poderá receber visitas e vão rever seu caso. Mas pelo o que averiguaram sua perna esquerda foi quebrada e eles fizeram uma cirurgia de emergência. Também foi necessário colocar um pino para ajustar o fêmur. Muitas escoriações foram encontradas em seu corpo e o lado esquerdo do rosto estava bem roxo, o impedindo de abrir um pouco o olho.
Ao mesmo tempo que tentava digerir tudo o que aconteceu nas últimas horas, tive uma ideia que poderia parecer doida, mas ajudaria-o e inconscientemente a mim também.
Peguei meu celular do bolso depois de horas sem nem toca-lo e ignorei todas as mensagens e chamadas de e Tree.
“Pai, como está a Tailândia? Espero que bem. Também espero que você me traga um presente bem bonito.” K
Falei tentando deixar um clima leve antes de soltar a bomba
“Preciso avisar você sobre uma coisa... Eu me sinto louca e sufocada dentro de nossa casa, e preciso urgentemente criar projetos novos. Decidi comprar um apartamento perto do centro da cidade para ter meu próprio espaço. Depois te mando toda a papelada, mas já vou tentar fechar negócio agora. Se cuida, eu te amo.” K
Depois de algumas horas sentada naquela cadeira dura da sala de espera e com muitas ligações para os contatos que meu pai havia me fornecido, comprei um apartamento. E talvez isso resolvesse grande parte dos meus problemas.
Na verdade ter uma família podre de rica resolvia grande parte dos meus problemas.
Meu celular apitou.

“Amiga, eu voltei pra festa e expliquei exatamente tudo pro . Tive que segura-lo para ele não ir até você. Mas consegui convencer ele de ir pra casa e esperar você lá. Por favor, se cuide e não faça bobagem. Eu te amo.” T

“Não tenho como te agradecer por tudo. De verdade. Não estou com cabeça pra falar com ninguém, mas garanta a que estou bem e logo voltarei pra casa. Te amo infinitamente, Teresa” K

- Senhorita ? - uma enfermeira baixinha me chamou
- Sim?
- já pode receber visitas - ela disse com o maior sorriso no rosto
Aquele momento que eu jurei que queria que chegasse finalmente chegou e a única coisa que eu queria era sair correndo por aquela porta da frente. Puta que pariu o que eu falaria pro cara? Ai olha só eu te atropelei e quase te matei, mas tá tudo certo, sabe?
Balancei a cabeça tirando esses pensamentos e segui a enfermeira sorridente. Agradeci e encarei a porta por alguns segundos antes de abrir.
estava deitado com um acesso no braço e parecia estar desacordado. Ele estava despido e me esmurrei mentalmente por ter reparado como ele era bonito,mesmo com o rosto machucado, e tinha um físico atlético, em um momento daqueles.
Sua perna estava engessada e pendurada pra cima e tinha um curativo enorme que ia da barriga até o fêmur, eu suponho, já que tinha um fino lençol o cobrindo. Sentei do lado de sua cama e fiquei o observando. Minha vontade de chorar aumentou cada vez mais. Mas de repente ele abriu os olhos, ou pelo menos tentou, e algo dentro de mim se abriu também.
- Quem é você? - ele disse confuso, olhando vagarosamente para todos os lados.
- O-Oi, é, eu sou a . - ele voltou a me encarar com seus olhos azuis piscina que mesmo sem peso nenhum neles, conseguiam me intimidar. - Você sofreu um acidente, ontem a noite. - antes de ele me responder olhou para todo seu corpo machucado, para seu acesso e ao mexer a parte inferior do corpo gemeu de dor, o que me partiu o coração.
- E por que caralhos você está aqui? - seu tom, mesmo com sua voz fraca, me assustou um pouco, mas eu continuei.
- Me-Meus amigos e eu estávamos no carro que bateu em você. - ele sorriu sarcástico olhando pra cima
- Eu deveria ter imaginado, você tem cara de marquesa. - não entendi se isso era bom, mas seu tom dizia que aquilo era horrível. - 5 playboyszinhos bêbados dentro um carro de luxo depois de usar vários tipos de droga, não foi isso? - ele perguntou me intimidando, eu simplesmente não consegui responder, estava tremendo.
- E que porra de hospital de burguês é esse? - ele disse olhando para os lados.
- Olha, eu fui a única que fiquei com você até a ambulância chegar, estou arcando com os custos do hospital e o médico falou comigo sobre sua situação... - falei com meu tom mais calmo e meigo possível, e então seu olhar mudou completamente.
- O que ele disse? - perguntou preocupado mas ao mesmo tempo curioso
- Ele me contou sobre seus pais, já que pra vir com você e ficar aqui eu disse que era sua prima. - confessei e juro que pude ver um sorrisinho de canto e um brilho nos olhos dele, que não durou muito tempo.
- É, agora você já sabe que eu sou um fudido. - ele riu sem humor- agora em cima dessa cama só vai piorar tudo. - ele tentou passar a mão no rosto, porém sem sucesso por conta dos machucados.
- Ei, cuidado. - me aproximei por impulso e coloquei a mão no braço dele. Naquele momento jurei que pude sentir uma corrente elétrica ali
- E você é a marquesa mais legal que eu conheci até agora. - ele disse com um sorriso sapeca no rosto e eu não pude deixar de sorrir também.


Capítulo 5

3:56 am

Minhas pernas não paravam de balançar um segundo. Eu não sabia mais o que era ter unhas nos dedos.
Sala de espera de hospital pra mim sempre foi a maior tortura inventada por um ser humano.
- ? - um médico me chamou e eu levantei automaticamente.
- Sim, senhor? - perguntei totalmente sem jeito, estava tão nervosa que essa foi a primeira coisa que saiu da minha boca.
- O quadro de seu primo é regular. - nesse momento eu não consigo nem descrever quantas toneladas foram retiradas de cima de meus ombros, mas ao mesmo tempo sentia que deveria fazer alguma coisa.- A secretária me contou que você é uma prima distante e não tem muitas informações recentes sobre ele.- fiz que sim com a cabeça
- Sim... Nos afastamos um pouco por brigas de família. Não sei nada do há anos. - nesse exato momento me senti merecedora de um oscar. E o prêmio de melhor mentira para uma quase assassina vai para... .
- Então, tive a liberdade de procurar o histórico de seu primo... Seus pais morreram em um acidente aéreo há 3 anos atrás. - tentei conter minha expressão de choque mas foi praticamente impossível- Ele vive sozinho em Barcelona há poucos meses e o único bem que ele tem, ou tinha, é a moto. - ele deu uma pausa, mas meus pensamentos não, um turbilhão de pensamentos atropelavam meu cérebro por segundo.
Depois de uns 10 minutos conversando com o médico entendi várias coisas: era um garoto totalmente sozinho, sua única responsável - mesmos que ele já tivesse 24 anos - era sua avó de 83 anos que mora em Valência. Ele vive aqui de favor há pouco tempo, sozinho e sem bens. Amanhã depois do meio dia ele poderá receber visitas e vão rever seu caso. Mas pelo o que averiguaram sua perna esquerda foi quebrada e eles fizeram uma cirurgia de emergência. Também foi necessário colocar um pino para ajustar o fêmur. Muitas escoriações foram encontradas em seu corpo e o lado esquerdo do rosto estava bem roxo, o impedindo de abrir um pouco o olho.
Ao mesmo tempo que tentava digerir tudo o que aconteceu nas últimas horas, tive uma ideia que poderia parecer doida, mas ajudaria-o e inconscientemente a mim também.
Peguei meu celular do bolso depois de horas sem nem toca-lo e ignorei todas as mensagens e chamadas de e Tree.
“Pai, como está a Tailândia? Espero que bem. Também espero que você me traga um presente bem bonito.” K
Falei tentando deixar um clima leve antes de soltar a bomba
“Preciso avisar você sobre uma coisa... Eu me sinto louca e sufocada dentro de nossa casa, e preciso urgentemente criar projetos novos. Decidi comprar um apartamento perto do centro da cidade para ter meu próprio espaço. Depois te mando toda a papelada, mas já vou tentar fechar negócio agora. Se cuida, eu te amo.” K
Depois de algumas horas sentada naquela cadeira dura da sala de espera e com muitas ligações para os contatos que meu pai havia me fornecido, comprei um apartamento. E talvez isso resolvesse grande parte dos meus problemas.
Na verdade ter uma família podre de rica resolvia alguns de meus problemas.
Meu celular apitou.
“Amiga, eu voltei pra festa e expliquei exatamente tudo pro . Tive que segura-lo para ele não ir até você. Mas consegui convencer ele de ir pra casa e esperar você lá. Por favor, se cuide e não faça bobagem. Eu te amo.” T
“Não tenho como te agradecer por tudo. De verdade. Não estou com cabeça pra falar com ninguém, mas garanta a que estou bem e logo voltarei pra casa. Te amo infinitamente, Teresa” K
- Senhorita ? - uma enfermeira baixinha me chamou
- Sim?
- já pode receber visitas - ela disse com o maior sorriso no rosto
Aquele momento que eu jurei que queria que chegasse finalmente chegou e a única coisa que eu queria era sair correndo por aquela porta da frente. Puta que pariu o que eu falaria pro cara? Ai olha só eu te atropelei e quase te matei, mas tá tudo certo, sabe?
Balancei a cabeça tirando esses pensamentos e segui a enfermeira sorridente. Agradeci e encarei a porta por alguns segundos antes de abrir.
estava deitado com um acesso no braço e parecia estar desacordado. Ele estava despido e me esmurrei mentalmente por ter reparado como ele era bonito,mesmo com o rosto machucado, e tinha um físico atlético, em um momento daqueles.
Sua perna estava engessada e pendurada pra cima e tinha um curativo enorme que ia da barriga até o fêmur, eu suponho, já que tinha um fino lençol o cobrindo. Sentei do lado de sua cama e fiquei o observando. Minha vontade de chorar aumentou cada vez mais. Mas de repente ele abriu os olhos, ou pelo menos tentou, e algo dentro de mim se abriu também.
- Quem é você? - ele disse confuso, olhando vagarosamente para todos os lados.
- O-Oi, é, eu sou a . - ele voltou a me encarar com seus olhos azuis piscina que mesmo sem peso nenhum neles, conseguiam me intimidar. - Você sofreu um acidente, ontem a noite. - antes de ele me responder olhou para todo seu corpo machucado, para seu acesso e ao mexer a parte inferior do corpo gemeu de dor, o que me partiu o coração.
- E por que caralhos você está aqui? - seu tom, mesmo com sua voz fraca, me assustou um pouco, mas eu continuei.
- Me-Meus amigos e eu estávamos no carro que bateu em você. - ele sorriu sarcástico olhando pra cima
- Eu deveria ter imaginado, você tem cara de marquesa. - não entendi se isso era bom, mas seu tom dizia que aquilo era horrível. - 5 playboyszinhos bêbados dentro um carro de luxo depois de usar vários tipos de droga, não foi isso? - ele perguntou me intimidando, eu simplesmente não consegui responder, estava tremendo.
- E que porra de hospital de burguês é esse? - ele disse olhando para os lados.
- Olha, eu fui a única que fiquei com você até a ambulância chegar, estou arcando com os custos do hospital e o médico falou comigo sobre sua situação... - falei com meu tom mais calmo e meigo possível, e então seu olhar mudou completamente.
- O que ele disse? - perguntou preocupado mas ao mesmo tempo curioso
- Ele me contou sobre seus pais, já que pra vir com você e ficar aqui eu disse que era sua prima. - confessei e juro que pude ver um sorrisinho de canto e um brilho nos olhos dele, que não durou muito tempo.
- É, agora você já sabe que eu sou um fudido. - ele riu sem humor- agora em cima dessa cama só vai piorar tudo. - ele tentou passar a mão no rosto, porém sem sucesso por conta dos machucados.
- Ei, cuidado. - me aproximei por impulso e coloquei a não no braço dele. Naquele momento jurei que pude sentir uma corrente elétrica ali
- E você é a marquesa mais legal que eu conheci até agora. - ele disse com um sorriso sapeca no rosto e eu não pude deixar de sorrir também.


Capítulo 6

7:12 am

O médico entrou aqui assim que viu acordado. Eu não preguei os olhos nem por um segundo. Na verdade acho que nem quisesse conseguiria.
Agora tinha pegado no sono de novo por conta do efeito dos remédios pra dor e eu decidi finalmente sair do quarto e retornar as ligações de .
- Alô? - ele falou com uma voz rouca de sono linda e sedutora, e pelo o que eu conhecia dele, não tinha se dado ao trabalho de olhar o visor pra identificar quem era
- Curly? - falei receosa do outro lado da linda
- ??? PORRA NÃO ME VENHA COM ESSA DE “CURLY”! O QUE CARALHOS ACONTECEU? EU TE DEIXEI SOZINHA DOIS MINUTOS PRA IR FUMAR E VOCÊ QUASE MATA UM CARA? - estava gritando tanto que precisei afastar meu telefone de perto do ouvido.
- Ei, espera! ME ESCUTA PORRA - nesse momento ele finalmente parou de gritar comigo - , foi um completo acidente! Eu juro que não queria fazer nada do tipo, mas eu to arcando com tudo agora.
- Eu acredito em você, mas caralho, foi muita irresponsabilidade da sua parte.
- , por favor, eu não quero levar xingão do meu melhor amigo uma hora dessas... - reclamei manhosa - Eu estou exausta, não preguei o olho e estou nessa função de hospital há horas.
- Tudo bem, me desculpa . - ele disse suspirando
- Olha, escuta... Você é a única pessoa pra quem eu quero contar isso agora, mas por favor não grita comigo, não me ameaça de morte e nem nada do tipo. - pedi enquanto me sentava no corredor do hospital.
- Tá bom... Pode falar - pelo seu tom de voz ele também parecia cansado, e preocupado
- O cara é um fudido, e o único jeito que eu encontrei de ele não me processar nem nada do tipo foi comprar um apartamento - menti
- Como assim, ? O que você comprar um apartamento muda na vida do cara?
- Eu vou abrigar ele lá... - falei fechando um dos olhos e fazendo uma careta, já esperando o xingão que viria do outro lado da linda.
- Co-Como assim? ISSO É LOUCURA! VOCÊ VAI DEIXAR A PORRA DE UM ESTRANHO VIVER DE BAIXO DO MESMO TETO QUE VOCÊ E... - pelo barulho no fundo conseguia ouvir os passos pesados de de um lado para outro, sabia que ele fazia isso quando estava extremamente nervoso, então o interrompi.
- Escuta! Vai ser só por um tempo, depois do que eu fiz ele tá totalmente incapacitado e eu me sinto na obrigação de fazer isso. Eu quase acabei com uma puta vida de merda que ele tinha e com ele nesse estado tudo só piorou! Minha consciência não vai ficar limpa até ele ficar 100% de novo.
- Mas por que caralhos você tá se importando tanto com isso? - perguntou raivoso e eu simplesmente não tive coragem de abrir a boca pra tocar naquele assunto
- Olha , você se tornou uma das pessoas mais importantes da minha vida, mas ninguém vai fazer eu mudar de ideia sobre isso. É mais do que só abrigar um estranho, é como uma cura pra mim mesma. Por favor não fica bravo comigo e não comenta nada com meus pais, juro que isso vai passar logo. Eu amo você. - nem deixei ele terminar e desliguei o telefone.
Uma das piores coisas do mundo é ter que agir desse jeito com o , que sempre esteve do meu lado e sempre fez de tudo por mim.
Mas essa situação ultrapassa nossa relação de amizade, é uma questão de perdoar a mim mesma.
E tenho certeza que isso só seria possível quando eu deixasse esse garoto bem de novo.
Voltei para o quarto e estava acordado com a maior cara de sono do mundo, e por incrível que pareça, ele sorriu ao me ver.


Capítulo 7

8:40 am

- Você sabe que não tem a obrigação de ficar aqui, não sabe? - ele disse desviando o olhar para a TV em sua frente
- Na verdade, depois de ontem eu acho que tenho obrigação de várias coisas com você. - terminei a frase me sentando na poltrona e pude jurar que vi um ponto de interrogação na testa de
- Eu não tô entendendo porra nenhuma, marquesa.
- Sendo sincera eu acho que depois de tudo isso eu tenho a obrigação de te ajudar. - deu um sorriso travesso
- Pra mim não seria nada mal ter uma gata assim me ajudando a tomar banho, mas... Eu nunca fui dependente de ninguém e você deve ter coisas bem mais importantes pra fazer, como gastar 20 mil euros em uma tarde no shopping com suas outras amigas marquesas. - é sério que ele queria dar em cima de mim a essa altura do campeonato?
- O que eu tenho que fazer pra você parar com esse apelido estúpido? - disse revirando os olhos - Ninguém disse que você vai ficar dependente de mim, eu só quero te ajudar por enquanto. Larga de ser mal agradecido garoto. - me arrependi de ter falado aquilo assim que fechei a boca, mas não tanto quando reparei que depois disso baixou a guarda.
- E qual é o plano, morarmos juntos até eu melhorar? - ele disse rindo depois de um tempo de silêncio, mas parou logo em seguida quando viu minha expressão de surpresa. - Tá falando sério? É esse o plano?
- Na verdade o médico disse que seu único bem era a moto e você morava em Barcelona... Acredito que o melhor a fazer vai ser ficar por aqui mesmo, eu tenho um apartamento perto do centro daqui de Madrid, então não será um problema. - falei como se fosse a ideia mais óbvia e normal do mundo
- Você até que é bem ousada pra uma marquesa. - ele riu e senti que o clima tenso tinha evaporado
- Mas me conta, você não é daqui, não é? não é um nome comum aqui na Espanha.
- Eu nasci na Inglaterra, mas quando eu tinha 8 anos nos mudamos pra cá por causa do trabalho do meu pai.
- Então você fala inglês e espanhol? - perguntou levantando uma sobrancelha, sorrindo em seguida
- Felizmente sim. - sorri sincera pra ele
Eu achei que seriam mais horas e horas de tédio naquele hospital até ser liberado às seis da tarde. Mas felizmente eu estava errada. Sobre o tédio e sobre a personalidade de .
Entendi que aquele jeito que ele estava se comportando era como um escudo. Obviamente porque eu praticamente o assassinei!
Mas logo depois que eu voltei pro quarto conversamos sobre várias coisas da vida. Ele me contou que é de Valência e trabalhava servindo o exército espanhol. Praticamente toda sua renda era pra ajudar sua vó e pagar prestações de sua moto, o que me deixou desconfortável por lembrar que eu estraçalhei uma coisa que amava.
Descobri que ele tem 24 anos e já quase se casou com uma mulher 15 anos mais velha. Ele sempre trabalhou muito e não tinha uma relação muito amigável com seus pais. Mas ficou muito abalado quando o piloto perdeu o controle do voo deles quando voltavam da Alemanha.
Seus corpos foram encontrados em um rio próximo daqui e só tinham quatro pessoas no enterro. Ele, sua avó e seus pais mortos.
Troquei de assunto no mesmo segundo em que ficamos em silêncio depois de eu balbuciar um “sinto muito”.
Naquele momento senti vontade, e quase uma necessidade, de contar tudo pra ele de uma vez, mas eu não podia, não agora.
- Você deve realmente estar me achando uma doida por te propor isso.- eu comentei rindo e corada.
- Pra falar a verdade eu te conheço a poucas horas e você já fez muito mais por mim do que algumas pessoas que tem o mesmo sangue que eu.
- Fico feliz em ajudar. - sorri com ternura para ele
- Ei, não vi você comer nada desde que te conheci. - riu de sua piada ruim mas logo fechou a cara - Isso faz mal, sabia?
- Depois de tudo o que aconteceu, comida é a última coisa que passa pela minha cabeça. - disse me ajeitando em cima da poltrona.
- Minha mãe também tinha distúrbios alimentares... - disse isso com a maior naturalidade do mundo, mas ouvir isso em alto e bom som é como uma pancada no estômago pra mim - Mas eu posso te ajudar com isso ao longo da nossa... convivência. - ele falou sem jeito
- Obrigada . - sorri de novo, e sem jeito, de novo

Eram seis em ponto quando os enfermeiros liberaram . Ouvi cuidadosamente todas as suas recomendações e paguei o aluguel de uma cadeira de rodas e duas muletas.
sentou na cadeira de rodas depois de muita insistência, já que ele afirmava estar super bem pra andar com as duas muletas.
- Você não sabe como é humilhante estar sendo carregado por você nessa cadeira de rodas enquanto eu queria estar do seu lado segurando sua cintura- Oi? Eu ouvi direito?
- , da pra sossegar? Já estamos chegando no carro. - ignorei totalmente as segundas intenções de seus comentários e apenas o ajudei a sentar no banco da frente do carro. Era impressionante a intimidade que pegamos depois de apenas algumas horas de conversa
- Seu carro compra umas 10 casas do estilo em que eu morava, fala sério! - apenas revirei os olhos e dei partida no carro, rumo ao meu novo “lar” com um gostoso que eu conhecia há apenas algumas horas
Graças a Deus, e a popularidade do meu pai, ao chegarmos lá a casa já estaria toda mobiliada. Duas suítes, uma sala de estar, uma de jantar, lavanderia, um espaço para fazer exercícios, uma cozinha, um closet e um banheiro extra.
Depois de muito insistir, praticamente arrancou as muletas do porta malas e se arrastou até a porta do apartamento. Homens e sua necessidade de mostrar que são autossuficientes.
- Tá de brincadeira né? Isso é seu “apartamento”? Cacete isso é uma mansão. - exagerou do ponto, talvez porque o apartamento tivesse dois andares ou só porque sua realidade é bem diferente da minha.
- Ei, não senta aí não. - falei atirando minhas coisas na mesa de jantar - Vou te
- levar direto pro quarto. - terminei de tirar o casaco e me deparei com um sorriso malicioso em seus lábios. - Juro que eu só não te bato porque você está nesse estado. - disse me aproximando de e arrumando ele entre meus braços para subirmos as escadas.


Capítulo 8

10:46 pm
Depois de mostrar pro o quarto em que ele ficaria alojado e de arrumar seu corpo de um jeito em que ficasse confortável na cama, peguei uma maçã na cozinha e fui direto pro banho depois de comer.
Agora me encontro deitada na minha cama enorme e confortável, porém sem sono nenhum.
Me virei de bruços pra tentar alcançar meu celular, porque só tinha uma pessoa que eu queria falar naquele momento.
.

“Só queria dizer que eu não queria estar com ninguém além de você nesse momento.” K

Me arrependi dois segundos depois de ter enviado a mensagem. Tinha a certeza de que eu estava literalmente fudendo com nossa amizade, mas eu não ligava de estar caidinha pelo meu melhor amigo.

“Só queria dizer pra você avisar seu porteiro que daqui a 20 minutos estarei aí.”

Li e reli essa frase tantas vezes enquanto estava estática, que ela só pareceu verdade quando eu ouvi passos no corredor do prédio.
Corri pro espelho pra tentar dar uma ajeitada naquilo que no momento estava uma juba e em seguida ouvi umas batidas na porta.
Fui atender e não achei que precisasse tanto do sorriso do até vê-lo em minha frente. Automaticamente o abracei e o puxei pra dentro de casa.
- Eu não acredito nisso, . - falei me referindo ao se ato de vir até minha casa só por causa de uma mensagem
- Você sabe que faço tudo por você, gatinha. - e se atracou em meus lábios antes que eu pudesse responder qualquer coisa
Apenas algumas horas se passaram mas eu já estava sentindo falta do calor do seu corpo no meu. Não pude deixar de sorrir entre o beijo, por não acreditar que tinha ele do meu lado depois de tanta burrada que fiz na vida.
- Vem, vamos subir. - falei surrando e puxando seu braço.
- Por que você está sussurrando? POR QUE TEM UM INTRUSO DENTRO DA SUA CASA? - ele berrou de propósito enquanto passávamos na frente do quarto que estava ficando, corri para tapar sua boca
- , deixa ele em paz! Tenho coisas melhores pra te oferecer lá em cima. - sorri maliciosa pra ele e ele retribuiu do mesmo jeito
Subi a escada correndo e imitou minha ação. Logo tirando o casaco e se atracando em minha boca. Quando vi já estávamos atirados na minha cama.
Seu beijo era quente e cheio de desejo, podia sentir tudo o que ele queria transmitir apenas com seu toque. Tirei sua camiseta e ele sorriu malicioso pra mim, logo depois imitando meu ato. Não pude deixar de perceber que ele ficou surpreso ao ver meu corpo, talvez porque da última vez em que ele me viu na festa da piscina de nossa amiga Lu, eu não estivesse tão magra.
O puxei de volta pra mim beijando seus lábios rapidamente, não queria que ele tocasse em qualquer assunto do tipo. Sem demora puxei meu short pra baixo e ele me ajudou a fazer o mesmo com sua calça jeans.
Nos deitamos de volta na cama, cada vez sentia seus beijos mais quentes e seus toques mais fortes, e eu sabia que estava totalmente entregue a ele.
Porém, do nada senti uma pontada forte do lado esquerdo da cabeça. Não consegui disfarçar, colocando a mão no local e me sentando logo em seguida.
- Ei, o que foi? - perguntou preocupado, rapidamente se sentando em minha frente e segurando meu pulso
- Me deu uma pancada muito forte na cabeça. - disse de olhos fechados, eu sabia muito bem o que significava aquilo, mas não quis dizer nada pra não preocupa-lo
- Onde tem remédio pra enxaqueca aqui? - ele disse se levantando rápido e eu pude encarar seu corpo despido, e eu nunca superaria e beleza dele
- Na verdade eu nem sei se tem, nem precisa... Eu só quero que você fique aqui comigo. - falei manhosa puxando sua mão
- Você não pode dormir assim, pode ser algo mais sério e... - o beijei e ele não terminou a frase.
- Ultimamente, você tá sendo meu remédio pra tudo. - confessei me deitando e jurei que seus olhos tinham brilhado enquanto ele sorria
Logo ele se deitou do meu lado, estirando seu braço para que eu deitasse em seu peito. Fiquei mexendo em sua argolinha da orelha e não demorou muito pra eu pegar no sono, mesmo com mil lembranças do acidente na cabeça, o cafuné que estava fazendo em meu cabelo ajudou muito.


Capítulo 9

7:02 am

acordou com seu despertador. Eu não sabia dizer há quanto tempo já estava acordada, mas fiz de tudo pra ficar imóvel, apenas admirando a beleza dele.
- Bom dia. - ele me olhou sorrindo, logo depois coçando seus olhos.
- Bom dia, curly - deixei um beijo em sua bochecha e me levantei
Não pude deixar de sentir meu corpo queimando com o olhar de sobre ele. Na verdade não sabia dizer se era um olhar de admiração ou de preocupação. Ou um misto dos dois.
- E-eu posso ficar aqui com você hoje.
- Não, tudo bem. - falei me sentando de novo do lado dele - Eu preciso que alguém me passe as matérias que eu vou perder. - ri sem humor e ele me deu um selinho demorado
- Escuta, tem coisas pra você tomar café na geladeira... Eu quero ficar aqui na cama até meu corpo implorar por comida ou pra fazer xixi. - confessei rindo e ele riu também
- Tá tudo bem, eu tomo café na faculdade. Mas, escuta, você vai me ligar se precisar de algo? - ele perguntou segurando meu rosto e eu assenti - Então, fica bem! E se esse cara fizer alguma gracinha, você me avisa na hora! - ele disse autoritário e eu não pude deixar de rir
- Pode deixar, meu herói. - ironizei antes de me deitar e ele me dar um beijo na testa. - Boa aula! - ri sapeca pra ele
- Há há há! Como você é querida. - ele foi sarcástico antes de sair e piscar pra mim

Não sei por quanto tempo eu dormi, só sei que estava sentindo um rombo em meu estômago. Tomei vergonha na cara e levantei e tomei um banho quente antes de descer até a cozinha.
Me deparei com todo desajeitado com suas muletas, sem camisa -importante ressaltar- tentando pegar algo na geladeira.
- A-Ahn, bom dia. - falei sem graça, coçando a cabeça.
- Ah, oi, bom dia. - ele se sentiu sem graça também, já que ficou vermelho.
- Desculpa a demora pra acordar... - disse me aproximando - Sei que eu deveria estar te ajudando a fazer as coisas, mas eu estava morta de cansaço.
- Você não precisa se preocupar com isso, de verdade. - ele disse sincero - Você já está me ajudando, até demais... - ele sorriu
- É o mínimo que eu posso fazer! - falei me perdendo no azul de seus olhos - Então, achou alguma coisa pra comer? - perguntei curiosa.
- Eu ia fazer ovos... - confessou e eu não pude deixar de rir, já que ele estava todo atrapalhado.
- Espera, vem cá. - cheguei perto dele, e fiz menção para que ele se apoiasse em mim. Acho que ele também sentiu o mesmo que eu, já que nossas peles se arrepiaram com o toque. Levei ele até o sofá e ajeitei uma poltrona pra que ele colocasse sua perna em cima. - Sei de um delivery que faz entrega de café da manhã, o que acha, huh? - sugeri levantando uma sobrancelha
- Pra mim tá ótimo. - ele sorriu pra mim
Algum tempo depois o entregador chegou com nossas panquecas, ovos, bacon, pães e bolos. Também com algumas geleias, manteiga, café e suco de laranja.
- Espero que você goste do que veio, sempre peço isso quando estou com meus pais. - falei sincera enquanto espalhava as coisas pela mesinha de centro ao lado dele
- Uau - ele pareceu realmente surpreso - Pode acreditar, eu como até pedra. - ele sorriu e eu consequentemente também
Nesse pouco tempo que estive com percebi que é impossível ver ele sorrir e não sorrir também. Era como uma doença contagiosa.
Depois de uns 10 minutos ele já tinha devorado quase tudo, seus lábios estavam cheio de geleia e eu me bati mentalmente por ter imaginado o gosto deles.
Dois segundos depois meus pensamentos foram interrompidos por limpando sua boca com as costas da mão. Ri e o entreguei um guardanapo, o que fez ele rir com vergonha.
- Eu não quero ser indiscreto - ele começou a falar depois de engolir um último pedaço de pão - Mas ontem o cara que tava aqui era... seu namorado?
- O que? Não! - me surpreendi com a pergunta - Ele é meu melhor amigo, fazemos faculdade juntos.
- Ah sim... Ele estava junto no acidente? - quase engasguei com mais uma pergunta
- N-Na verdade não...
- Ei, tudo bem, não precisa ficar sem graça não. - ele riu fofo e segurou minha mão. Ou seja, infartei pela terceira vez no dia em menos de 2 minutos
- Eu sei que você acha que eu estou fazendo muito por você e tudo mais, mas me desculpa, de verdade. Não queria que isso tivesse acontecido.
- Vamos fingir que isso não aconteceu? Você me ajuda e eu te ajudo. - ele sugeriu e piscou
- Fechado. - apertei sua mão que já estava segurando a minha
Horas se passaram e eu e ficamos vendo alguns filmes novos no Netflix, conversávamos e riamos muito. O clima estava muito leve já que estávamos adquirindo muita intimidade, até eu ter um pensamento estranho e me lembrar que ele tinha que tomar banho.
- Ahn... Minha vez de fazer uma pergunta indiscreta. - cocei a cabeça e ri
- Pode mandar, .- ele desviou seu olhar da TV pra mim
- Você sabe que em algum momento vai ter que tomar banho, não é? - apenas moveu a cabeça e riu
- Não se preocupe com isso. - ele riu mais ainda - Eu me viro.
- Ai meu Deus, eu fico preocupada! - falei sincera
- Tive uma ideia! Me ajuda a ir até o banheiro? - ele perguntou fazendo menção de levantar
- Claro!
- Mas antes, vamos precisar de uma cadeira e duas sacolas plásticas.
- Eu te levo até lá e depois volto pra pegar as coisas.
- Tá bom. - terminamos o diálogo e ele se apoiou em mim pra irmos até o banheiro. Além de bonito, e gostoso, esse menino era cheiroso pra cacete! O que me perdoe, mas é muito difícil resistir a esse menino assim.
Deixei esperando sentado na cama enquanto voltava pra pegar os negócios que ele me pediu.
- Aqui, uma cadeira e duas sacolas de plástico. - falei entrando no quarto e indo em direção ao banheiro
- Obrigado. - ele sorriu de canto e eu retribui. - Agora você pega uma camiseta daquelas que comprou - sim, eu me prestei a catar um site de roupas masculinas pra pegar várias pro , já que isso seria muito mais fácil do que ir até o apartamento dele só pra pegar algumas camisetas. Vantagens de ter uma carteira recheada. - e deixa ela separada. Você fica aqui fora enquanto eu tiro a roupa e enrolo as duas sacolas plásticas no meu gesso da perna e no meu curativo do fêmur. - assenti com a cabeça enquanto ele se movia até o banheiro e fechava a porta - Deu, agora enrola a minha camiseta nos seus olhos e entra aqui. - depois de alguns minutos ele se pronunciou, me assustando com sua voz grave
- O que? Por que?
- Ué, porque eu tô pelado. - ele riu - A não ser que você queira me ver pelado, por mim, sem problemas...
- Já coloquei! - terminei a frase desesperada só por pensar naquela possibilidade e entrei no banheiro
- Segura o meu braço, pra me dar apoio pra sentar na cadeira, por favor. - ele falou e eu fui tateando o ar te segurar em seu braço
- Pronto, pode ir! - falei e ouvi o barulho da cadeira no chão do box, indicando que ele tinha sentado.
ligou o chuveiro e ficava me pedindo auxílio pra entregar o sabonete, shampoo, enfim.
- Pode chegar mais perto, por favor? Eu não consigo alcançar em uma parte das costas... - pediu manhoso e eu fiz o que ele pediu
Não sei se aquele garoto estava me testando ou não, mas peguei a esponja e tive que tatear seu corpo até eu achar o lugar que ele queria.
- Mais pro lado. Agora um pouco mais pra baixo... - ele parecia estar adorando aquilo
- em que droga de lugar é pra eu lavar? - falei claramente nervosa, não aguentava mais sentir seu corpo definido e não fazer nada
- Por que você parece nervosa? - não conseguia enxergar, mas pelo som de sua voz acho que ele estava sorrindo
Enquanto eu lavava com pressa suas costas o tempo parecia ter congelado, eu estava extremamente nervosa com aquela situação. Pra me ajudar, respirava bem perto do meu pescoço - meu ponto fraco - e eu rezava pra não ficar arrepiada.
- você não tá ajudando! - falei irritada por conta do nervosismo
- Por que? Eu causo efeitos em você, ? - ele sussurrou, colocando sua mão quente em minha cintura.
- Menos do que você gostaria. - menti, tentando permanecer firme perante toda àquela situação
- Não é isso que seu corpo diz. - ele disse passando a ponta dos dedos pelo meu braço e eu arrepiei toda. MERDA MERDA MERDA! riu por meu corpo estar cooperando com ele
- Escuta, você vai terminar de tomar banho sozinho! Você já me deixou encharcada. - falei reclamando e ameaçando tirar a camiseta dos olhos
Num impulso, me puxou para sentar em sua coxa que não estava machucada, e segurou a lateral do meu pescoço, deixando nossos rostos muito próximos, já que mesmo de olhos fechados eu conseguia sentir sua respiração descompassada.


Capítulo 10

2:45 pm

encostou seus lábios vagarosamente nos meus e eu senti como se fogos de artifício estivessem explodindo dentro do meu peito.
Na verdade eu não sabia que queria tanto beija-lo até isso acontecer. E a água caindo em cima de nós só aumentava o efeito de tudo aquilo.
Me ajeitei em seu colo e correspondi o beijo dando passagem para sua língua enquanto segurava sua nuca, fazendo um leve carinho ali.
- Você nem imaginava o quanto eu queria isso desde quando eu abri os olhos e você estava do meu lado no hospital. - ele disse entre o beijo e eu o senti sorrindo e eu sorri de novo
Dessa vez eu tomei a iniciativa e puxei seus lábios contra os meus. me beijava com vontade e apertava minha cintura, o que estava me fazendo arfar involuntariamente.
. Pensa no , cacete!
- A-Ahn, eu acho melhor você se secar... - falei saindo rápido de cima de seu colo e o deixando no banheiro
Me sentei toda molhada mesmo na cama de e tirei sua camiseta de meus olhos. Apoiando meus cotovelos em meus joelhos e com as mãos na cabeça eu não parava que pensar que porra tinha acabado de rolar.
Eu era mesmo uma filha da puta.
Não podia negar que eu realmente estava curiosa e queria sim beijar o , mas eu nem sabia direito o que estava rolando entre mim e o .
Me levantei e sem pensar fui pro meu quarto enquanto me trancava e tomava outro banho.
Mil pensamentos se passavam pela minha cabeça, que porra eu falaria pro , se eu não falaria nada, ou simplesmente com que cara eu iria olhar pra cara do assim que eu descesse.
Na verdade também pensei que eu deixei lá sozinho, pelado e molhado. Mas não teria condições de ajudar aquele garoto sem pular em cima dele, literalmente.
Decidi ligar pra Tree e contar tudo pra ela.
- , todos nós sabíamos que isso ia acontecer! Mesmo com a cara arrebentada dava pra ver que o cara é um gostoso. Vocês dois na mesma casa não ia prestar nunca.
- TREE! - gritei louca de vergonha pelos meus atos e por saber que tudo o que ela falou era verdade - E que porra eu vou dizer pro ?
- Ué? Nada?! Vocês se casaram e eu não fui convidada? - Tree disse como se estivesse ofendida
- Amiga ontem ele veio dormir aqui e a gente ia transar, e um dia antes eu liguei pra ele do hospital e disse que amava ele.
- Mas você cava a sua própria cova, hein? - Tree disse irritada - Mas você disse isso como amiga, não?
- Com que outro tipo de status eu diria, Tree? A gente se beijou só uma vez. - falei revirando os olhos
- Ué, então pronto! Se ele vier te cobrar fala que ele entendeu errado.
- Tá bom, eu vou pensar no que eu faço, mas por enquanto, fica entre nós, pelo amor de Deus!
- Amiga, relaxa! Já estou acostumada a guardar seus segredos. - ela disse e eu jurei que ela tinha piscado e depois riu
Minutos depois eu e Tree desligamos e eu estava respirando fundo no começo da escada antes de ter que olhar pra cara de depois do acontecido.
Eu desci e ele estava no quarto. Agradeci mentalmente por isso.
- ? - droga! achei que iria sair ilesa dessa
- Eu?! - falei parando o caminho que eu estava fazendo
- Você sabe que eu vou ter que dormir na sua cama né? Você encharcou a minha - ele disse com um sorriso sapeca enquanto eu entrava no quarto
- Sabia que você é um abusado? - sorri de volta e ele se movimentou pro lado enquanto sorria, me dando espaço pra sentar
- Você não precisa ficar sem jeito, foi só um beijo... - então pra ele não tinha significado nada demais? Engoli essa frase, mas não do jeito que eu imaginava
- Claro, tá tudo bem. - forcei um sorriso e ele se deitou, olhando pro teto
- Você já namorou? Não que eu esteja interessado... - ele perguntou se perdendo nas palavras
- Não tem problema se estiver interessado - ri, entrando em seu joguinho, enquanto ele ficava surpreso - Sim, três.
- Uau, e eu me achando porque já tive uma. - eu ri e me deitei do seu lado, olhando pro teto também
- Como ela é? - perguntei fingindo interesse, não queria saber informações sobre as mulheres que tinha se envolvido. Espero que isso não seja nenhum tipo de ciúmes
- 15 anos mais velha. - ele disse e riu - Mas durou uns 6 meses só, ela era muito mandona. - ele completou e eu ri também - E os seus como eram? Porque vocês terminaram?
- O primeiro era bem bonitinho, mas nós éramos muito novos na época, terminamos porque ele vivia me mentindo. O segundo foi simplesmente incrível comigo a relação inteira, eu não tenho o que reclamar dele, mas eu não tava no momento sabe? Terminar com ele foi uma das coisas mais difíceis que eu já fiz. - falei enquanto todas as lembranças vinham a tona - E o terceiro descobriu que era gay quando estávamos há uns 3 meses namorando - completei e ri, com me acompanhando
- É sério isso? - ria feito uma criança
- Eu juro, acho que ele queria mais o do que eu. - fechou a cara enquanto ouviu o nome do .
- Você e ele já ficaram? - ele perguntou me olhando sério
- Por que você tá tão preocupado com isso? Acho que é você que quer o agora. - falei tocando em seu abdômen com os dedos, fazendo uma pequena cócega
- Deixa de ser idiota. - ele riu já que viu que o clima estava ficando pesado.
- Não se preocupa com isso, ele é meu melhor amigo. Às vezes a gente fica sim, mas nesse momento eu tô focada em outra coisa... - falei focada em sua boca, e acho que ele entendeu o recado
De verdade, em muitos momentos da minha vida eu não me entendia, então não podia exigir que alguém fizesse isso. Há alguns minutos eu estava preocupadíssima com o e agora eu só penso nesse gostoso que está aqui na minha frente com sua boca muito longe da minha.
sorriu antes de me puxar pra mais perto de seu corpo e colar seus lábios nos meus. Senti todo seu desejo emanando pelo quarto enquanto ele me segurava firme, mas ao mesmo tempo carinhoso.
Segurava a lateral de seu rosto enquanto aprofundávamos o beijo, fazendo um carinho lento ali.
Perdi a noção do tempo enquanto estávamos nos beijando e trocando carícias, já que tivemos que nos afastar por conta da falta de ar.
colou nossas testas e ficamos nos encarando enquanto sorríamos.
O tempo passou tão rápido e seu carinho estava tão bom que quando vi já tinha adormecido em seu peito.


Capítulo 11

6:32 pm

- Tree me prometa que não vai fazer escândalo - falei olhando pra ela e em seguida olhei pro - e você, seja legal com ele, ouviu?
- Vou tentar. - os dois falaram em uníssono
Ontem a noite resolvemos por uma chamada no FaceTime que os dois viriam aqui hoje pra conhecer “o desgraçado que estava se aproveitando da minha moradia”, segundo .
- ? - disse enquanto entrávamos em casa
- Que porra é essa de “”? - disse me puxando e fazendo aspas com os dedos
- Ué, os dois adquiriram intimidade, algum problema, ? - Tree o olhou com aquele seu olhar único e intimidador, o que fez me soltar e apenas bufar
Quando entramos estava sentado no sofá com seu pé pra cima olhando TV e quando nos viu - lê-se me viu -abriu um sorriso.
- Achei que fossem demorar mais... - ele disse se inclinando pra me dar um selinho, mas eu o dei minha bochecha, ficando vermelha logo em seguida. Evitei de olhar para mas sentia seu olhar em mim
- Então... Eu sou a Teresa, mas me chame de Tree. - disse cortando o clima tenso e apertando sua mão
- Prazer, Tree. - ele sorriu simpático e logo olhou pra - Então você que é o famoso ? - ele sorriu, mas não pude reconhecer o que seus olhos estavam transmitindo
- Famoso? - ele disse sem descruzar os braços
- É sim, fala bastante de você. - senti seu olhar sobre mim e sorri sincera
sentou do meu lado e entrelaçou nossos dedos. Do nada. Senti minhas bochechas queimarem e tudo só piorou quando começou a alternar seus olhos sobre nós dois e nossas mãos dadas.
Arregalei meus olhos tentando pedir socorro pra Tree que felizmente reconheceu o sinal.
- , o que vamos comer? Posso te ajudar em algo? Vamos pra cozinha! - ela disse se levantando com animação
- O que vocês quiserem. - levantei em seguida ficando em pé na frente dos meus dois pretendentes (risos) - O que vocês querem meninos? Pizza?
- Por mim tanto faz. - disse sem parar de encarar dos pés a cabeça
- Por mim também. - respondeu enquanto sorria sarcástico, referente aos olhares de . Corri pra cozinha com Tree
- Por que caralhos inventamos essa janta mesmo? Eu tô suando em lugares que nem imaginava que suavam. - falei me apoiando no balcão
- Amiga não podemos deixar esses dois lá na sala não, é provável que eles se comam com os olhos!
- E como que eu vou voltar lá? Se eu sentar do lado do , fica brabo comigo, se eu sentar do lado do o se levanta e vai embora... - falei colocando as mãos na cabeça
- Então senta do meu lado ué. - Tree falou como se fosse óbvio e assim voltamos pra sala.

A noite foi bem tensa, pedimos pizza e assistimos a alguns filmes, já que era arriscado demais jogar qualquer tipo de jogo com aqueles dois juntos.
Ninguém falava muito, só quando a Tree puxava algum assunto bobo e nós respondíamos pra não deixar a coitada falando sozinha.
Não fazia ideia de quantas calorias eu tinha perdido de tanto suar com os olhares dos dois sobre mim e com a situação toda.
Finalmente em algum momento da noite Tree reclamou de sono, pedindo pra que lhe desse uma carona, e mais uma vez eu agradeci mentalmente à Tree.
- Obrigada por terem vindo... - falei me levantando e sorrindo sincera
- Foi um prazer conhecer você... Vocês. - completou depois da cotovelada em que dei eu seu braço, sabia que ele ia se referir só à Tree.
- Igualmente . - Tree o abraçou rindo baixinho, e entendi que ela fez isso pra pegar no pé do .
- , posso falar com você rapidinho? - pediu, apontando pra porta com a cabeça
- Claro. - falei e antes de andar olhei pra , que me olhava receoso
- Você não pretende voltar pra faculdade? - perguntou inseguro com a resposta, com as mãos dentro dos bolsos
- Pretendo sim, assim que tudo, você sabe... se normalizar. - dei de ombros
- você sabe que está jogando tudo pro alto por causa de um cara que conheceu há alguns dias, não sabe?
- Olha, eu entendo sua preocupação, mas vai dar tudo certo, okay? - perguntei segurando sua mão
- Acho que você não entende nem a metade. - ele disse fazendo um carinho ali
Antes que ele pudesse dizer mais nada lhe dei um abraço apertado. E não sei se era bom ou ruim, mas eu não conseguia explicar o que aquilo significava.
Alguns segundos depois Tree apareceu, me despedi dos dois e eles foram embora. Mas antes de dobrar o corredor, me lançou um olhar que não saiu da minha cabeça pelo resto da noite.


Capítulo 12

3:25 pm

Um dia depois do nosso - não tão agradável encontro - Tree tinha me ligado falando sobre as coisas da faculdade. Depois de umas duas horas conversando por FaceTime ela me contou que o francês que fazia intercâmbio aqui na Espanha e ela tinha conhecido por um site de relacionamento decidiu terminar - seja lá o que eles tinham - antes de voltar pra casa, alegando que relacionamento a distância não era a praia dele.
Ela estava furiosa e eu conseguia sentir isso por sua entoação e por seus olhos, mas ao mesmo tempo sabia que ela estava triste.
- Você ainda tá me ouvindo? - ela disse estralando os dedos
- Sim, tô sim. - afirmei com um sorriso travesso
- Eu te conheço, que sorriso é esse? - ela disse desconfiada
- Eu sei uma coisa que pode te ajudar. - falei animada com a mão no queixo, como se estivesse pensativa
- Desembucha! - ela praticamente gritou
- morava em um apartamento que o amigo dele emprestava... O que acha de eu pedir pro chamar ele e você vem aqui também? Amanhã!
- Vocês ficaram pela primeira vez há dois dias e você já quer fazer um encontro duplo com um cara que eu nunca vi nem o rosto?
- Ai meu Deus Tree, pense que é só um encontro entre amigos...
- Tá bom, então eu topo. - ela disse suspirando - Qualquer coisa pra tirar aquele sotaque francês da cabeça.
Eu apenas ri e desliguei a chamada pra descer e falar com . Ele estava na sala vendo TV enquanto tomava uma cerveja long neck.
- Ô folgado! Já tá se sentindo em casa? - sentei do seu lado e ele envolveu minha cintura com seu braço. Graças a Deus ele não falou absolutamente nada da noite passada
- Não é essa a intenção? - ele disse sorrindo sapeca e logo depositou um selinho em meus lábios
- Ei, sabe o que eu tava pensando? - ele negou e olhou atento pra mim, enquanto colocava minhas pernas em cima das suas, era incrível como já tínhamos intimidade - Você ainda tem contato com aquele seu amigo né? O que te emprestava o apartamento...
- Sim, a gente troca mensagens sempre, por quê?- ele me olhou confuso enquanto segurava minha mão, ai meu Deus como ele é carinhoso! Poderia apostar que meus olhos brilharam com seu ato
- A Tree me ligou toda chorosa falando que o cara que ela tava ficando terminou com ela, então pensei em apresentar os dois, ele pode vir aqui em casa beber com a gente e tudo mais, o que você acha?
- Nos beijamos pela primeira vez antes de ontem e você já quer que eu te apresente pro meu melhor amigo? - ele disse debochado, eu fingi uma cara de indignação
- Então vai ser assim? Esquece. - ameacei levantar do sofá e ele rapidamente me puxou de volta para seu colo pela cintura
- Você é a marquesa mais marrenta que eu conheço. - ele riu, colocando a mão no meu pescoço, aproximando nossos rostos
- Quando que você vai parar com esse apelido estupido? - eu comentei enquanto botava minha mão em cima da sua, queria parecer estar brava, mas em um momento desses eu não conseguiria nem se quisesse
- Eu não acho estupido... Pra mim é um apelido carinhoso - ele deu de ombros e isso foi suficiente pra que eu começasse um beijo lento e carinhoso
era o sonho de consumo de qualquer garota. Um físico atlético, olhos azuis, algumas sardinhas e um sorriso encantador. E eu sabia que era sortuda por ter ele só pra mim, debaixo do meu teto.
Ele me beijava de um jeito que eu amava, sempre me fazendo carinho, mas sabia o momento certo de intensificar as ações.
Mas mesmo assim, não conseguia tirar meu melhor amigo e colega de faculdade da cabeça. Mais especificamente na situação em que estávamos.
Ficamos um tempo trocando carícias e vendo um filme bobo de suspense na TV até anoitecer.
- Sabe, - comecei a dizer enquanto fazia carinho em seu bíceps - eu acho que semana que vem vou voltar pra faculdade...
- Você já tá sentindo falta? Se eu fosse você, fugiria enquanto dá tempo - ele riu, enquanto fazia carinho na minha cabeça
- Só falta um ano pra gente se formar, e eu queria me formar com meus amigos, sabe? - falei olhando nos olhos dele
- Mas uma semana ou duas não vão te afetar nisso, né?
- Espero que não. - não falei mais nada depois de perceber que aquele assunto por algum motivo tinha incomodado
- Ei, eu não vi você comer nada hoje, mocinha. - ele disse se separando um pouco de mim enquanto me repreendia
- Não começa, . Eu não to com fome. - reclamei e me deitei pro outro lado
- Olha, eu praticamente não sinto mais nada de dor no fêmur então é de boa pra ficar em pé e com o gesso no chão, posso fazer macarronada de janta. Leonard sempre diz que a minha é a melhor. - ele disse se gabando
- Espera, quem é Leonard? - eu disse me levantando
- Meu amigo que você quer que namore com a Tree. - ele riu e se levantou também, com ajuda das muletas
- Quem falou em namorar? Como você exagera, ! Eu só quero que ela supra seus desejos
- Entendo. - ele disse enquanto sacudia a cabeça e ria, logo seguindo em direção a cozinha
- Então você realmente vai fazer a tal macarronada? - falei seguindo ele, enquanto segurava em sua cintura pra lhe dar apoio
- Eu cumpro com o que eu digo, . - ele piscou, provocativo
- Uii, tá bom então! Me surpreenda. - eu falei enquanto me encostava no balcão e encarava ele tentando, todo desajeitado, pegar as coisas - Eu pego o que precisa e você faz, ok? - comentei me aproximando e rindo
- É melhor mesmo. - ele disse enquanto se apoiava no balcão, desajeitado
Depois de uns quarenta minutos de muita risada e bagunça, o cheiro da macarronada estava por todo o apartamento.
- Já arrumei a mesa, - falei voltando pra cozinha e ajudando a ir até a sala de jantar - Agora podemos comer? O cheiro tá ótimo.
- Sim. - ele sorriu orgulhoso - Só pega as coisas que eu deixei em cima do fogão.
- Tá bom. - saí em direção a cozinha enquanto ele se ajeitava na cadeira
Depois de uns 15 minutos nós tínhamos devorado toda a macarronada.
- Acho que nunca tinha te visto comer tanto. - ele comentou com os olhos arregalados e riu
- Isso tá incrível! - eu disse com a boca cheia, o que fez rir e me entregar um guardanapo - Obrigada. - sorri envergonhada - É oficial! - disse me levantando da mesa enquanto fingia estar com um microfone na mão - , você foi convocado a ser o mais novo cozinheiro da residência NorDeau. - gargalhou
- Você realmente juntou nossos dois sobrenomes? - ele disse limpando as lágrimas que escorreram de seus olhos
- Que foi? Não gostou? - perguntei fazendo cócegas em seu abdômen definido
- Gostei, mais do que você imagina. - ele puxou meu braço lentamente me fazendo chegar mais perto dele, me dando um selinho demorado
Eu sabia o quanto eu estava gostando da nossa relação desse jeito. Eu imaginei que teríamos uma boa convivência, mas nada nem perto da conexão que temos.
Inconscientemente eu sabia que ele era muito agradecido pelo o que eu estava fazendo por ele, e ele tentava fazer de tudo pra me agradar.
Mal ele sabia que só de tê-lo perto de mim era melhor do que qualquer agradecimento que ele podia fazer.


Capítulo 13

10:56 pm

Eu realmente queria ser aquele tipo de pessoa que demora pra se entregar em qualquer tipo de relação. Que sabe esconder o que sente e fica confusa em relação aos sentimentos.
Mas eu simplesmente não sou assim. Eu sou do tipo que conhece a pessoa e no mesmo eu dia eu já trato ela como se fosse minha amiga de décadas.
Talvez isso explique o porque eu tenho uma conexão e uma intimidade tão forte com . era igual a mim. Nos conhecemos há poucos dias em uma situação super improvável e agora agimos como um casal.
Mesmo que nenhum de nós tocasse no assunto sobre o que estava rolando, sabíamos que o sentimento era recíproco.
Imersa em mil pensamentos fui “acordada” quando meu celular bipou.
Não posso deixar de admitir que torci pra que fosse , mas era Tree.

“Tudo de pé pra amanhã?” T

“Sim!! Venha arrumadinha, amiga. me mostrou uma foto do boy e ele é bem gatinho” K

“Pode deixar! Anda falando com o ?” T

Imediatamente senti uma pontada no estômago

“Não, desde aquela noite, não... E você?” K

“Eu vejo ele na faculdade às vezes. Ele aparece lá só quando quer, fuma duas vezes mais e anda bem abatido.”

Meus olhos se encheram de lágrimas, eu sabia que isso era culpa minha.

“Eu me culpo por isso, sabe? Infelizmente é a única pessoa que eu não entendo o que sinto, não sei se sinto falta dele, não sei em qual intensidade gosto dele, e por aí vai...” K

Desembuchei tudo de uma vez

“Você não tem culpa nisso! Mas acho que deveriam conversar.” T

“E vamos, mas não agora...” K
“Minha cabeça tá explodindo, vou dormir. Boa noite amiga, beijos” K

“Fica bem amiga! Boa noite, beijos” T

Se eu já não conseguia tirar da minha cabeça, depois dessa conversa com Tree isso só piorou tudo.
Entrei em sua conta no Instagram com os olhos marejados e vi que não tinha nada de novo ali. Cliquei em uma foto nossa que tiramos juntos na festa da virada do ano e meu coração apertou.
As lágrimas vieram com mais força e eu não consegui conter. O sorriso dele parecia tão verdadeiro que eu conseguia sentir sua felicidade pelo outro lado da tela. Minha careta não deixava esconder o quanto eu estava feliz com a companhia dele.
Ao lado de eu sempre pude ser quem eu sou. E o melhor disso tudo era que ele me ama mesmo assim. Ou amava.
Sempre fazia as coisas sem pensar muito e foi isso que eu fiz no momento em que abri nossa conversa pra lhe mandar uma mensagem.

“Sinto sua falta” K
“Como estão as coisas?” K

Bloqueei o celular, sabendo que ele não iria me responder tão cedo.
Me remexi duzentas vezes na cama até tentar achar uma posição boa pra dormir, e imersa em mil pensamentos finalmente peguei no sono.


[...]

Acordei com uma claridade enorme entrando no quarto. A burra tinha esquecido as cortinas abertas.
Aproveitei pra ir tomar um banho quente e lavar o cabelo.
Coloquei uma roupa confortável e desci pra ver se meu príncipe encantado - risos - tinha acordado.
- ? - perguntei abrindo a porta do quarto, encontrando apenas uma cama desarrumada
- Eu? - ele respondeu da cozinha e um cheiro maravilhoso invadiu minhas narinas
- Tá fazendo panqueca? - perguntei chegando perto dele
- Já esqueceu que você me promoveu como cozinheiro? - ele perguntou rindo, enquanto mexia na frigideira, enquanto eu apenas ria - E cadê meu beijo de bom dia? - ele perguntou abrindo os braços
- Já tá com saudades dos meus beijos? - perguntei me aproximando dele, enquanto ele colocava suas mãos grandes em minhas costas
- Menos do que você gostaria - ele me provocou usando as mesmas palavras que eu usei antes do nosso primeiro beijo
- Você sabe que eu não sou de ninguém, certo? - provoquei ele, esfregando nossos lábios - Não se apegue, Miguelito. - arrastei minhas unhas conta sua nuca e pude sentir ele se arrepiar
- Você acha que engana quem? - ele apertou minha bunda enquanto nós dois ríamos
Logo depois começamos um beijo quente e cheio de desejo. Era incrível o fato de que mesmo com a perna quebrada era bom em várias coisas. E eu estava louca para experimentar todas elas.
Ele apertava minha cintura com força enquanto eu puxava seu pescoço pra tentarmos ficarmos mais colados, quase que em um corpo só.
Pude sentir uma elevação vindo da parte de dentro da calça dele e não pude deixar de rir entre o beijo. As coisas estavam esquentando, e eu realmente conseguia sentir um cheiro de queimado...
- , AS PANQUECAS! - gritei enquanto me separava dele, tentando apagar o fogo o mais rápido possível. Ele riu e não fez uma mínima menção de me ajudar - Vai ficar parado aí enquanto nosso café da manhã queima? - perguntei indignada
- Você não sabe o quanto eu odeio essas panquecas... - acho que por terem estragado o nosso momento “mais quente”, pensei e ri sozinha
- Vem, vamos comer! - falei lhe dando apoio e logo voltando pra pegar condimentos
Um tempinho depois já tínhamos devorado tudo e estávamos conversando na sala de jantar.
- Sabe, eu acho que seria uma boa contratarmos alguém pra fazer comida, limpar aqui e tudo mais... - falei antes de dar um gole no meu suco
- Lembra daquele dia saindo do hospital que eu falei que minha mãe também teve problemas alimentares? - eu assenti, engolindo em seco - Eu também disse que ia cuidar de você! - ele complementou pegando na minha mão - E eu acho que cozinhar é o mínimo que eu posso fazer pra te ajudar e agradecer pela hospitalidade. - ele sorriu sincero, mal ele sabia que ontem mesmo eu estava pensando que eu não precisava de nenhum agradecimento, só seu sorriso pra mim já bastava - Mas eu tive uma outra ideia... - ele disse escondendo um sorriso
Uma hora depois eu estava arrastando por um shopping de Madrid, tentando encontrar uma petshop.
No momento em que citou a palavra “cachorrinho” eu posso apostar que meus olhos brilharam. Como eu nunca tinha pensado nisso antes?
Minha mãe evitava ter cachorros lá em casa porque ela tem uma puta alergia a pelos, mas agora era a oportunidade perfeita!
- Eu disse pra gente pegar uma cadeira de rodas! - reclamei da demora pra chegarmos até a petshop, já que era meio atrapalhado pra andar com as muletas
- Deixa de ser reclamona! Já estamos chegando. - ele olhava concentrado pro chão enquanto eu ria da coloração avermelhada de suas bochechas por conta do esforço
Chegando lá vimos uma grade no chão, com vários filhotinhos dentro dela. Alguns dormiam e eu pude jurar que quando um deles nos viu, seus olhinhos brilharam.
- Ei, fofinho. - falei me aproximando da grade e ele imediatamente ficou “em pé” pra tentar me alcançar
- Acho que já escolhemos, né? - disse e sorriu quando eu olhei pra cima e ele estava parado admirando a cena
Antes de adotarmos assinamos alguns papéis e compramos tudo o que era necessário pro nosso novo bichinho.
O caminho inteiro fomos discutindo nomes enquanto ele olhava curioso para todos os lados do carro no colo de .
- Eu quero Bernard! - protestou
- Como que você vai dar nome de gente pra um cachorro, ? - perguntei indignada - Eu tenho um primo chamado Bernard! O que você acha que ele vai pensar quando descobrir o nome do nosso cachorro? - bati na testa e riu
- Então o que você sugere? - ele perguntou enquanto levantava nosso bichinho, enchendo-o de beijos e eu pude jurar que meu coração ia derreter ali mesmo
- Eu queria um nome mais curtinho... - falei pensando - O que acha de colocarmos o começo do nome que você queria? Tipo... BENNY! - gritei animada por ter pensado em um nome que me agradava tão rápido
- Eu gostei! - disse sorrindo - E você gostou, Benny? - ele levantou o cachorrinho e ele colocou a língua pra fora, como se tivesse aprovado
- Então vai ser esse! - falei animada antes de dar um beijinho em sua pequena cabeça
Antes de chegarmos em casa passamos em um mercado pra comprarmos algumas bebidas pra quando Tree e Leo chegassem.
- Vem cá, meu amorzinho. - falei pegando Benny do colo de - Vou te mostrar onde você faz xixi.
Coloquei um tapetinho que tínhamos comprado na pet shop, já que a vendedora garantiu que o cheiro faria ele fazer xixi ali, na varanda junto com seus potinhos de água e ração.
- Onde tá o brinquedinho dele? - perguntei olhando pro
- Aqui! - ele tirou de dentro de umas sacolas - Benny! Vem cá! - ele balançou o brinquedo chamando a atenção da pequena bolinha de pelos cor caramelo na nossa frente - Pega lá garoto! - ele jogou o brinquedo longe, jurando que ele ia correr atrás, enquanto isso Benny nos olhava curioso com a linguinha pra fora
E foi assim o resto da tarde inteira, tentando ensinar Benny a pegar o bichinho enquanto eu ria e tirava várias fotos dos dois.


Capítulo 14

8:24 pm

Leonard já tinha chegado, ele era um cara super educado na verdade, achei que todos os amigos do fossem desbocados igual a ele.
Ele ficou super preocupado com o amigo o tempo todo, perguntando várias coisas, e quando fui pra cozinha ele se referiu a mim como se ele tivesse ganhado na loteria. “Gata pra caralho e ainda tá fazendo tudo isso por você... Eu casava!”. Essas foram as palavras que eu ouvi enquanto chegava na cozinha e em seguida ri com as bochechas coradas.
Uns 15 minutos depois de ficarmos conversando na sala, tomando gin tônica e comendo alguns petiscos que tinha inventado de comprar, a campainha tocou.
Fui até a porta com um pouco de pressa já que eu sabia que Teresa Sintinati provavelmente estaria nervosa. Abri a porta e ela me olhava assustada. Não consegui segurar a risada.
- Amiga, relaxa! Você tá linda. - puxei ela pelo braço e dei um beijo em sua testa - Entra!
Não posso negar que achei a Tree tão fofinha nervosa com a situação. Mas logo depois ela super se enturmou na conversa. Léo estava sendo bem querido com ela.
Eu e nos entreolhávamos e sorríamos, acho que ele também estava se sentindo um cupido. Logo depois ele me deu um selinho demorado que fez com todos os pelos do meu corpo se arrepiassem.
- Então, o que vamos comer? - perguntou logo depois de entrelaçar seus dedos nos meus
- Por que você não faz macarronada de novo? - falei com os olhos brilhando só de lembrar o gosto
- Você fez macarronada pra ela? - Léo nos olhou perplexo
- O que tem de mais nisso? - Tree perguntou dando um gole no líquido em seu copo
- Toda a vez que fez macarronada foi porque ele tav... - Leo foi falar mas foi brutalmente interrompido por
- Acho melhor nós pedirmos pizza. - ele se ajeitou no sofá, claramente sem graça
- O que? Agora eu quero saber! - falei claramente curiosa
- Esquece, não é nada de mais! - ele fuzilou Léo com os olhos - Vamos pedir logo? - decidi não tocar mais no assunto, enquanto trocava olhares com a Tree

Depois de uma meia hora a pizza chegou e eu continuava encafifada com aquilo que Léo tentou dizer. De várias maneiras eu esperava que aquilo fosse algo bom.
- GENTE! Eu totalmente esqueci de apresentar o Benny pra vocês. - falei quando percebi tudo em casa muito quieto. Provavelmente ele estava dormindo na minha cama depois da canseira que deu nele
- Quem é Benny? - Tree perguntou confusa
- Nosso filho. - falou recebendo olhos arregalados do novo casal e nós dois rimos alto
Fui até meu quarto pegar minha pequena bolinha de pelos e assim que cheguei na sala os dois se derretam de amor pronunciando um coro de “own”.
Depois de muitas fotos, carinhos e brincadeiras com Benny eu decidi ir no banheiro. Alguns copos de gin tônica já estavam fazendo efeito no meu cérebro e vários pensamentos se juntaram ao mesmo tempo.
Peguei meu celular do bolso e não tinha me dado nenhum sinal de vida. O que fez eu me preocupar. Liguei pra ele e desisti na décima chamada, sabendo que ele não iria me atender.
Abri meu Instagram e mandei uma selfie minha com o Benny pra ele e algumas outras amigas, com a legenda “adotei um cachorrinho” com um coração no final. Fiz xixi, lavei o rosto e desci de volta pra sala.
- Você tá bem? - perguntou assim que eu sentei de volta do seu lado, segurando minha cintura
- Sim, tudo certo! - forcei um sorriso e deixei um beijo em sua bochecha
Os três estavam envolvidos em uma conversa enquanto meu pensamento pairava única e exclusivamente em uma pessoa. Senti meu celular vibrar e automaticamente o peguei.

@andermuñoz: uau, o relacionamento de vcs já chegou nesse nível???

Filho. Da. Puta.
Ele estava vendo as mensagens que eu mandei e a chamada que eu fiz e simplesmente me ignorou. Ele sabia o quanto eu odiava quando as pessoas não respondiam as mensagens mas estavam on-line em outra rede social. E respondendo esse story da maneira mais sarcástica possível ele esfregou isso na minha cara.
Resolvi não responder nada. Sabia o quanto ele odiava quando aparecia o “visualizado” e mais nada além disso.
Joguei o celular pra longe de mim, de modo em que ele caísse no outro sofá e coloquei as mãos sobre minhas têmporas.
- Ei, o que houve? - me olhou preocupado
- Só estou um pouco tonta. - menti, enquanto tentava me aconchegar em seu peitoral
- Ahn... Então, acho que tá na minha hora. - Léo se pronunciou assim que viu que eu estava tensa
- Eu vou com você. - Tree respondeu docemente
- Gente, vocês podem ficar aqui o quanto quiserem, ok? Não deixem meu mau humor atrapalhar. - falei e logo depois sorri, sendo acompanhada pelos três
- Tá bom então. - os dois se sentaram de novo e logo depois colocamos um filme
Eu tentava lutar contra meu próprio sono, mas aquele carinho que estava fazendo não ajudava nada. Benny pulou em cima de nós dois e adormeceu poucos minutos depois, assim como eu.
Acordei um tempo depois com uma claridade vindo da TV, com o clássico “você ainda está assistindo?” do Netflix.
Olhei ao redor e dormia com a boca entreaberta, o que me fez rir. Tree e Leo estavam dormindo abraçados no outro sofá também. Sorri com a cena, orgulhosa por ter sido um dos cupidos.
Acendi a tela do meu celular e vi que era 8 da manhã. Fiquei espantada pelo tempo passar tão rápido.
Tree coçou os olhos e levantou a cabeça procurando algo que eu não sei decifrar. Quando seu olhar se encontrou no meu, ela sorriu e fez sinal com a cabeça para sairmos.
Com cuidado, levantamos do sofá e subimos até meu quarto.
- Ai amiga, to tão feliz por você! - Tree disse sorridente se atirando em minha cama
- Ué, por quê? - falei confusa deitando em seu lado
- Porque dá pra ver de longe que o te faz bem! E você acha que eu não reparei que suas pernas estão mais grossas? - ela sorriu sapeca dando um pequeno beliscão ali
- Ai,Tree! - reclamei da ardência resultante de seu ato - É por que é impossível não comer a comida do , sério! Você tem que experimentar.
- Um dia eu vou... - ela sorriu, dava pra ver o quanto ela estava feliz por mim. Eu sabia que ela também estava feliz porque sentia que fazendo o que eu estava fazendo por , eu inconscientemente estava me perdoando.
- Como estão as coisas na faculdade? - eu sabia que só estava perguntando isso para saber de alguma notícia do
- Chatas. A professora Carla não para de nos atolar de trabalho. - pude sentir uma pancada na cabeça só de pensar que eu teria que fazer tudo depois - AH! Como eu pude esquecer? Lério vai fazer uma festa semana que vem, você vai, não? - Tree perguntou animada
- Não sei... - comentei, levemente nervosa - Acho que não tô muito em clima de festa. Além de que é complicado levar o com a perna desse jeito.
- Amiga, vamos, por favor! Vai ser legal! - ela afirmou feliz
- Prometo que vou pensar, tá bom? - falei sorrindo de canto
- Pensa bem amiga... Aliás, pensa em mim e no gin quando for decidir! E que você tá devendo uma lamborghini pro Lério.- Tree zombou, o que me fez rir
Uns dez minutos depois nos acomodamos abraçadas em minha cama e pegamos no sono de novo.


Capítulo 15

3:27 pm

A semana passou voando, em diversos aspectos. Talvez porque e eu estávamos cada vez mais próximos e eu me sentia extremamente leve com a sua companhia ou porque passamos praticamente o tempo todo tentando impedir o Benny de comer nossos calçados.
Hoje iríamos no hospital pra tirar o gesso e colocar a bota ortopédica. O médico tinha ficado orgulhoso de como o tornozelo dele estava bem cuidado e o gesso sem nenhum trincado, indicando que ele raramente tinha colocado o pé no chão. Nesse mesmo momento corei, ao sentir um olhar brilhante e um sorriso sincero sobre mim.
De verdade, eu me sentia tão feliz podendo ajudá-lo que meu coração não aquecia assim há muito tempo. Tirando o fato de que ele se comporta como um príncipe comigo.
Juro que pude sentir um suspiro de alívio vindo da boca de quando seu gesso foi cortado. Assim que saímos da sala fui até a recepção pagar o aluguel da bota e já fomos caminhando até o carro.
Felizmente ele já conseguia caminhar, meio lento e torto, mas conseguia. O que indicava que ele não seria tão dependente de mim a partir de agora. Isso me deixava aliviada, mas ao mesmo tempo triste, e não sei explicar exatamente o porquê.
- , amanhã vai ter uma festa do pessoal da faculdade... - comecei a falar meio acuada - Agora que você tá com a bota, o que acha de irmos? - forcei um sorriso e senti um tenso do meu lado
- Ahn... - ele coçou a cabeça - Você acha que é uma boa ideia? Porque, você sabe, eu não tô com a perna 100% e não conheço ninguém lá... - ele falou receoso
- Olha, você conhece eu e a Tree - dei um sorriso sem graça - E você pode chamar o Léo, se a Tree já não tiver feito isso... Mas escuta, tudo bem se você não quiser ir, eu super entendo o seu lado. - sorri sincera
- A gente pode ir sim, se você fizer questão. - ele colocou a mão na minha coxa antes de prosseguir - Mas eu prefiro muito mais ficar deitado no sofá com você enquanto enchemos o cu de doce. - ele riu entre o meu pescoço e eu me arrepiei, logo depois rindo também
Decidi não tocar mais no assunto, não via motivos para irmos se não estava confortável com isso. Apesar de que eu queria muito ver o pessoal da faculdade. Especialmente ele. .
Eu estava com saudades de ele ficar pegando no meu pé o tempo todo, do seu cheiro amadeirado misturado com o cheiro de seu cigarro, de tocar em seus cabelos cacheados e...
- O que você vai querer jantar? - estava tão imersa em meus próprios pensamentos que não pude deixar de levar um susto quando se pronunciou depois de algum tempo
- O que você quiser, tô sem fome. - dei de ombros, me punindo internamente por estar pensando em com ali do meu lado, super preocupado e atencioso comigo
- Não começa com isso, gatinha. - ele deu um pequeno beliscão em minha barriga me fazendo rir - O que acha de macarronada?
Sorri abertamente, macarronada do era sempre uma ótima ideia. Inclusive lembrei que eu precisa descobrir o que Léo queria falar aquele dia sobre isso. Anotei mentalmente sobre perguntar isso pra Tree e continuei focada no trânsito até chegarmos em casa.
A noite foi complemente tranquila. Depois da nossa, maravilhosa, janta vimos dois filmes deitados no sofá e nos empanturrando de doces, como de costume.
Essa foi a primeira noite que conseguiu subir as escadas e deitamos na minha cama. Eu me fiz de difícil dizendo que ele não podia dormir ali, mesmo sabendo que isso já iria acontecer.

[...]

Horas depois acordei com um peso em cima de mim. tinha colocado sua perna machucada sobre as minhas sem dó. Meus pequenos gravetos acordaram doloridos e eu tentei me mexer o mínimo possível pra não acordá-lo.
Fui fazer ovos mexidos pro café da manhã e desisti assim que vi a bagunça que estava na pia. Abri o aplicativo pra pedir algumas coisas para comermos e fazer uma supresa para .
Alguns minutos depois eu já tinha colocado a mesa e estava linda. Frutas, pães, panquecas, sucos, algumas geleias e manteigas estavam espalhados pela mesa. Fiz questão de colocar algumas velas e peguei a rosa que estava em cima da mesa na mão assim que ouvi os passos de na escada.
- Uau, que mesa bonita! - ele disse claramente impressionado e se aproximando de mim
- Gostou? Fiz tudo correndo antes de você acordar... - pisquei, tentando enganar de que eu tinha realmente feito tudo aquilo
- Sei... No caso demorou pra você achar a padaria no aplicativo? - ele disse mordendo levemente minha bochecha
- ! Você poderia pelo menos fingir que eu sou tão boa na cozinha quanto você? - me fiz de ofendida e assim que terminei a frase ele levantou suas mãos em sinal de rendição - Isso é pra você.
Ele abriu um sorriso do tamanho do mundo quando viu a rosa em minhas mãos. Automaticamente ele a pegou da minha mão enquanto cheirava. Logo em seguida me guiando pela sala e deixando-a em cima da mesa, me dando um beijo demorado na sequência.
Depois de estar finalmente com as duas mãos livres, coloquei-as por baixo de sua camiseta sentindo a temperatura alta de suas costas, deixando um breve carinho ali, o que fez arrepiar.
Sem perder tempo e se aproveitando da situação ele rapidamente tirou a camiseta enquanto me jogava no sofá, começando outro beijo apaixonado. Só de sentir seu toque, tanto das mãos quanto dos lábios, meu corpo já entrava em êxtase.
Estava praticamente tirando minha calça e pude ver um sorriso malicioso em seus lábios. Sexo matinal sempre foi o meu favorito. Eu estava louca pra senti-lo dentro de mim.
De repente, meu estômago roncou tão alto que senti vontade de cavar um buraco tão grande no chão que me levasse até a Holanda. Claramente fiquei corada e sem graça e percebeu isso, sorrindo de um jeito fofo, logo depois estendendo a mão pra mim.
- Vem, vamos comer, magrela! Depois terminamos isso. - deu uma piscadela enquanto segurava minha mão e me guiava até a mesa
- Ei! Magrela? Que isso? - perguntei indignada
- Você é magrela sim! Tá doida? Só não sei como uma pessoa tão pequena e magra consegue ter peitos tão grandes e uma bunda tão redonda. - ele afirmou enquanto se inclinava pra trás e deixava um apertão em minas nádegas
- ! - gritei enquanto dava um tapa em sua mão, logo depois rindo da expressão que ele fez - Você realmente não presta. - dei uma gargalhada
- Tem certeza que sou só eu que não presto? - ele me puxou forte e rapidamente contra seu corpo, deixando claro que havia uma ereção ali, me fazendo olhar para baixo - Foi o que eu pensei... - ele sorriu vitorioso
Incrédula com como aquele garoto poderia ser extremamente fofo, mas ao mesmo tempo safado, fui me sentar na mesa com ele. Logo depois devorando tudo o que tinha ali.

[...]

- Vamos , por favor!
Com uma prancheta cheia de perguntas escritas numa folha, implorava para jogar um quiz de One Direction comigo, enquanto estávamos deitados um pra cada lado com as pernas esticadas, nos tocando apenas pela sola dos pés. Segundo ele a sua dor aliviava em contato com a minha pele, por isso ele tinha dormido com a perna sobre as minhas na noite passada. Não pude deixar de soltar um suspiro apaixonado e sorrir logo depois dessa informação.
- Por que você quer tanto isso? Eu conheço sei lá, umas duas músicas dos caras? - ele disse dando de ombros
- Porque eu amo eles, ué! E quero ver as respostas absurdas que você vai dar. - soltei uma gargalhada divertida e ele me acompanhou
- Tá bom! Mas só algumas... - ele se deu por vencido
- UHUU! Obrigada . - enchi seu rosto de beijinhos, enquanto ele sorria e me abraçava e logo voltei pra nossa posição inicial - Tá, vamos lá! Que ano a banda foi formada?
- Ahn, sei lá, 2012? - ele disse meio alheio
- Quaaase, 2010. - disse animada, e riu
- Cite o nome dos 5 integrantes. - terminei a frase e fingi um choro, por agora serem apenas 4, e pude jurar que vi um ponto de interrogação na testa de
- Você quer me fuder? Eu só ouvi falar do Harry, o resto eu não faço ideia! - ele bufou e eu não pude deixar de rir
- Quero! - pulei em cima dele, com um olhar travesso
- Quer o que? - ele me olhou confuso
- Te fuder, ué! - falei como se fosse óbvio
deu um sorriso safado de orelha a orelha e se atracou em meus lábios logo depois.
De verdade não sabia como mesmo com a bota ortopédica ele conseguiu inverter nossas posições em questões de segundo. Muita prática, talvez. E só de pensar nisso meu estômago já se embrulhou.
Afastei meus pensamentos e senti beijos quentes no meu maxilar, descendo até meu pescoço. Soltei um gemido baixo, agradecendo mentalmente por estar sentindo aquilo.
Puxei seu rosto pra perto do meu e fiquei admirando-o por longos minutos. Seus olhos azuis penetravam no fundo de minha alma, me passando uma tranquilidade imensa. Passei meu polegar vagarosamente por suas sardinhas até chegar em seus lábios, acariciando-os e por fim deixando um beijo ali.
Começamos um beijo cheio de desejo e pude jurar que podia ouvir nossos corações batendo juntos. Que coisa clichê. Mas juro que era verdade.
tirou sua camiseta e eu ri por isso ter acontecido mais cedo também, e o imitando, também tirei a minha. Comecei a beijar seu pescoço e a passar minhas unhas por sua nuca, fazendo arrepiar e instintivamente agarrar fortemente meus seios. Arfei baixo com seu ato.
Desabotoei meu short e não teve problemas em tirar seu, já que ele não era jeans. Logo ele começou a distribuir beijos pela minha barriga e rezei mentalmente pra ele continuar, indo mais pra baixo.
E assim ele fez, baixando minha calcinha e lambendo minha vagina sem dó. Gemi algo enquanto eu puxava seu cabelo, o guiando. Pude sentir meu ápice chegando depois de alguns segundos sentindo a língua de dentro de mim e cheguei a conclusão de que ele era realmente bom.
Ele ia enfiar seus dedos em mim, porém não aguentei mais um segundo e inverti nossas posições, tirando sua cueca e a jogando em alguma parte do quarto.
Acho que viu o quanto eu fiquei chocada pelo tamanho de seu pênis, já que riu baixo da minha expressão. Calculei rapidamente se ele caberia na minha pequena vagina antes de começar a chupá-lo.
Assim como eu, ele segurou fortemente meus cabelos, auxiliando meus movimentos. gemia consideravelmente alto, então pude concluir que estava fazendo um bom trabalho.
Eu estava o tempo todo preocupada se estava gostando, se estava me achando bonita mesmo toda descabelada que achei que estava perdendo minha virgindade de novo. O que isso quer dizer, eu não faço a mínima ideia, só espero que não esteja apaixonada.
Antes mesmo de eu perceber, havia me puxado pra cima, me ajeitando em seus quadris. Instintivamente encaixei seu pênis dentro de mim e nós dois gememos juntos.
Senti uma onda de prazer inigualável me atingindo, eu imaginei esse momento tantas vezes quando via sem camisa quando ou dávamos beijos mais quentes e agora finalmente posso senti-lo dentro de mim.
Cheguei a conclusão que iria fazer todo o trabalho bruto, já que não tinha muita mobilidade com essa bota, e ele não poderia tirar nos primeiros três dias. Mas eu não me importava nem um pouquinho com isso.
Quicava em cima de seu pênis rapidamente, alternando a velocidade em alguns momentos. apertava minhas nádegas com força e gemia em meu ouvido, assim como eu.
Algum tempo depois já estava suada e também, ele dava impulsos com seus quadris e isso fazia com que eu sentisse seu pênis cada vez mais dentro de mim, fazendo com que eu gemesse alto. Eu sabia que já tinha gozado várias vezes, mas não compartilhei isso com ele.
Senti que estava prestes a gozar dentro de mim e desencaixei nossos membros. Logo depois ele gozou e eu chupei todo o líquido quente que escorria ali, fazendo-o gemer.
Sem coragem de olhar em seu rosto apenas deitei em seu lado, sentindo seus braços me envolverem logo depois.
- Nossa... - ele se pronunciou, ofegante, e mesmo sem olhar em seu rosto sabia que ele estava sorrindo - Nunca achei que perguntas sobre One Direction resultariam numa transa desse nível. - ele completou e eu explodi em uma risada escandalosa, assim como ele.


Capítulo 16

10:20 am

Abri meus olhos vagarosamente, sentindo uma luminosidade intensa, indicando que hoje seria um belo dia de sol, entrando pelo quarto. Benny já corria animado pela casa, o que me fez rir.
Olhei para o lado e repetia o mesmo ato que eu, e ao me olhar abriu um sorriso que automaticamente esquentou meu peito.
- Bom dia! - ele disse me puxando pra perto dele e encaixando seu rosto entre meu pescoço
- Bom dia, ! - acariciei seus cabelos - Como está a perna?
- Depois de ontem, muito bem! - ele sorriu sapeca e me deu um beijo demorado, me fazendo corar - O que você acha de sairmos hoje? - ele disse olhando para o lado, provavelmente admirando o belo sol que entrava pela janela
- Você consegue? Tipo caminhar e tal? - falei preocupada, ainda fazendo carinho em seu cabelo
- Claro, consigo sim! - ele disse animado
- Então vamos! Tem alguma ideia de lugar?
- Nenhuma. - ele riu nasalado e eu também - E você?
- Acho que a gente pode ir nos Jardins do Retiro e almoçar por lá, o que você acha? - sugeri, distribuindo beijos pela sua bochecha, fazendo rir
- Poucos dias comigo e você já tá colocando a comida como prioridade. Gostei! - ele levantou uma de suas mãos, comemorando, o que me fez rir
- Corrigindo: colocando a sua comida como prioridade. - eu ri e ele selou meus lábios
Minutos depois nos levantamos e depois de fazer muita lambança pra escovarmos os dentes juntos, fomos nos arrumar pra sair.
Coloquei uma calça jeans mais clara Calvin Klein, uma blusa preta térmica da Nike, minha jaqueta grossa e peludinha da mesma cor da Dolce & Gabbana por cima, e mais um cachecol da Versace, junto com meu Vans plataforma (eu esperava ficar um pouco menos baixa com ele, já que era no mínimo 20 centímetros mais alto que eu). Passei um corretivo na região das olheiras, esfumei meu contorno, iluminei algumas partes estratégicas do meu rosto e pra finalizar passei máscara de cílios. Pra mim esse era o “kit” perfeito de maquiagem pro dia a dia.
Catei meus brincos de ouro que tinha ganhado de presente de aniversário no ano passado juntamente com meu relógio da Tommy. Penteei meus cabelos pretos e longos e passei um pouco do meu queridinho: La Vie Est Belle.
Desci as escadas e encontrei saindo do quarto. Ele estava com uma blusa branca básica e com uma jaqueta marrom por cima, uma calça preta justa e botas de cano baixo cinza.
Pude jurar que babaria ali mesmo, aquele garoto era muito gato, pelo amor de Deus! Ele automaticamente sorriu ao me ver e me admirou dos pés a cabeça.
- Tá gata demais! - ele falou chegando perto e apertando minha bunda
- Eu que o diga! E ainda por cima cheiroso. - dei uma longa fungada em seu pescoço, fazendo-o arrepiar - Vamos?
- Vamos! - ele esticou sua mão pra mim e entrelaçamos nossos dedos, o que me fez sorrir
Tirei o carro da garagem e seguimos em direção aos jardins. Colocamos na rádio e seguimos cantarolando juntos até lá. Com um bônus de várias trocas de olhares e sorrisos sinceros.
Chegando lá estacionei o carro no estacionamento mais perto possível pra facilitar a vida de , e consequentemente a minha, e fomos em direção às lindas árvores que víamos.
- Uau. Bonito e chique ao mesmo tempo. Parece você - brincou enquanto chegávamos mais perto, ainda caminhando de mãos dadas, me fazendo rir alto
- O que? Você nunca tinha vindo aqui? - falei incrédula
- Não. Só tinha passado algumas vezes de moto. - ele deu de ombros
- Então vem, quero te mostrar os laguinhos mais de perto! - fiz menção de puxá-lo pelo braço mas desisti assim que lembrei de sua perna, fazendo nós dois rirmos
Passamos horas vendo as árvores, as flores e os lagos por ali. Fiz tirar várias fotos comigo e minhas, principalmente. Ele ria o tempo todo e implicava com minhas poses.
Sentamos na grama perto de um dos lagos, obviamente ele teve um pouco mais de dificuldade que eu, mas nada que o impedisse. abriu suas pernas enquanto se encostava em uma árvore e fez menção pra eu sentar entre elas e me encostar em seu peito, e assim o fiz.
Me aconcheguei e peguei em sua mão, então ele entrelaçou nossos dedos. Em nossa volta tinham várias crianças correndo atrás de pássaros que só tentavam pegar migalhas de pão, o que me fez sorrir. Estava tão perfeito que eu me perguntava se tudo era real.
- Escuta... O que nós... Nós temos, Katie? - gelei por completo, porque eu realmente não sabia a resposta pra aquela pergunta e porque fazia muito tempo que alguém não me chamava desse jeito
- Ahn... N-Não sei... Você sugere algo? - falei, sorrindo amarelo, tentando quebrar um pouco do meu nervoso
- O que você quiser, tá bom pra mim... Desde que a gente fique juntos. - ele disse firme, olhando em meus olhos, e instintivamente me virei para ele
- Ei, claro que estamos juntos, ! Só vamos deixar as coisas rolarem, tá bom? - fiz um leve carinho na lateral de seu rosto, e ele o apoiou em minha mão
- Tá ótimo. - ele sorriu sincero antes de eu selar nossos lábios
Seguimos caminhando abraçados até o carro, sugeri que fôssemos embora porque não queria que ele tivesse problema com dores no tornozelo depois.
Fizemos o mesmo caminho para o estacionamento mas achamos um pequeno restaurante antes disso. Decidimos almoçar por ali mesmo, já que mesmo pequeno ele era aconchegante e o aroma que vinha da cozinha estava ótimo.
Eu pedi carne com risoto e pediu um hambúrguer com batatas. Depois de algum tempo já tínhamos comido e eu paguei a conta para irmos embora.

[...]

Já estava anoitecendo e eu nem tinha percebido. Nosso dia foi tão bom e leve que eu não tinha visto o tempo passar.
Estávamos assistindo Bates Motel, deitados no sofá e eu senti meu telefone vibrar.

“Ei, amiga! Como estão as coisas? Você vai hoje, não é?” T

“Oie, Tree! Estão muito boas, e aí? Acho que não vou... Caminhamos muito hoje e está cansado, ele não pode abusar mesmo com a bota ortopédica. Mas aproveite por mim!” K

“Mas por que você não vai, tipo... sozinha? Falei com e ele disse que quer falar com você lá.” T

Meu coração automaticamente errou as batidas e eu gelei, pela segunda vez no dia. O que caralhos ele queria falar comigo depois de ter me ignorado várias vezes?

“Eu não tenho nada pra falar com ele” K

Tree me metralhou de mensagens depois disso e eu apenas ignorei, agora mesmo que eu não iria naquela droga de festa!
percebeu que eu estava tensa mas acho que optou por não perguntar nada, já que me olhou por longos minutos e não se pronunciou, apenas me puxou para deitar em seu peito.

[...]

Olhei para o relógio que marcava onze horas em ponto. Fazia uma hora que tinha começado aquela bendita festa.
Desde que Tree me mandou aquela mensagem eu não conseguia parar de pensar no que ele queria me falar. No porque ele tinha me ignorado e se afastado.
Eu e já tínhamos deitado pra tentar dormir, já que ele comentava sobre a série comigo e eu só concordava, já que estava totalmente alheia à tudo e imersa em meus pensamentos.
Benny estava deitado, praticamente adormecido no meio de nós dois e eu fazia carinho nele, tentando manter o mínimo de contato visual com .
De repente ouvi um barulho estrondoso na sala e olhei assustada para , que me olhava confuso. Levantei rapidamente e fui ver o que tinha acontecido, sendo acompanhada por um Benny curioso.
Me deparei com uma figura alta, desengonçada e provavelmente bêbada na minha frente.
- ? Que porra você tá fazendo aqui? - perguntei completamente confusa e acuada
- Você ainda pergunta? Eu quero que você vá na festa, ...comigo! - ele disse manhoso, chegando perto de mim
já estava de pé, em frente à porta de seu quarto, e eu fiz menção pra ele não vir até mim, já que com claramente bêbado, eu queria evitar qualquer tipo de confusão.
- ... Precisamos conversar. - falei calma, olhando em seus olhos, tentando decifrar que mensagem eles estavam tentando passar
- Sim, precisamos. - ele disse, tentando se recompor. Fui até e falei com ele, tentando ser o mais calma possível - Escuta, nós vamos lá em cima conversar, quero tentar evitar o mínimo de confusão e com vocês no mesmo cômodo provavelmente não vai ser possível. Eu já volto! E não se preocupa, eu sei que mesmo bêbado ele nunca me machucaria. - dei um beijo em sua bochecha e peguei pelo pulso, e juro que pude sentir uma corrente elétrica ali, para subirmos a escada
- É cara, não se preocupa, eu não vou roubar ela de você... ela já é minha! - ele riu debochado para , eu o fuzilei com os olhos e rezei para que não avançasse nele
Subimos pro meu quarto e eu empurrei para que ele caísse sentado na minha cama, sinalizando que ele tinha muita coisa pra ouvir.
- Mas que merda tá passando pela sua cabeça de me ignorar por dias e depois chegar aqui no meu apartamento praticamente colocando a porta a baixo? - perguntei, em um tom alto e claramente irritada
- Escuta , eu não queria fazer isso, de verdade... - ele começou envergonhado, eu não sabia qual dos acontecimentos ele se referia - Quando eu vi que nada ia mudar a sua cabeça de deixar esse cara aqui eu simplesmente decidi deixar de lado, sabe? Eu sempre estive do seu lado e sempre quis que você me notasse, mais do que um amigo... Acho que você já entendeu... - ele se perdeu nas palavras já que falava muita coisa rapidamente e eu automaticamente ri nasalado - E quando isso finalmente aconteceu esse cara apareceu e acabou com tudo. - ele disse sem olhar em meus olhos, claramente com raiva - Esquece, você não entende.- ele disse alheio
- O que? , você que não entende! - falei com raiva - Em nenhum momento você me perguntou se era isso que eu queria, se eu queria que você se afastasse. Eu não sei o que aconteceu mas desde o acidente com o você só pensa em você mesmo e age como se fosse meu dono. Isso soa completamente estranho pra mim já que você sempre concordava comigo e com a Tree em todos os debates feministas que fazíamos! Você ficou obcecado em me ter pra você e nem sabe o que tem por trás do acidente! - gritei a última frase e me arrependi dois segundos depois, de novo eu tinha falado demais
- Como assim o que tem por trás do acidente? - ele perguntou confuso
Automaticamente comecei a chorar desesperadamente e se levantou rápido, tentando me abraçar mesmo sem jeito com a situação e claramente preocupado.
- , você não faz ideia mesmo, não é? - eu perguntei soluçando e vi um preocupado negando com a cabeça - Eu só tenho distúrbios alimentares, pontadas na cabeça e crises de ansiedade por algo que aconteceu quando eu tinha 17 anos... - afirmei tentando me acalmar, enquanto continuava com as mãos em minhas costas, passando levemente seus dedos ali, na tentativa de me acalmar - Meu pai estava louco pra que eu começasse a dirigir, ele odiava ter um motorista e queria que eu dirigisse pra ele quando nós fôssemos em festas, já que ele sempre foi viciado em bebidas alcoólicas. - ri sem humor e continuei - Ele inventou que tínhamos que ir até uma estrada perto de um lago pra eu aprender a dirigir e tirar a carteira logo. Ele me deu um de seus Porches mais potentes e eu acelerei tanto que senti meu pescoço doer ao colidir com o banco - dei uma pausa, tentando estabilizar minha respiração pra não ter outra crise de pânico enquanto várias imagens e lembranças vinham à tona - Até que uma curva mais apertada apareceu e eu dei com tudo em um tronco gigante de árvore. Eu acordei do coma dois dias depois com meu pai do meu lado com o braço quebrado, e ele me disse que meu irmão tinha morrido. Ele estava sem cinto, no banco de trás e voou pra fora do para brisa com a colisão. EU MATEI MEU IRMÃO! - gritei tão alto que pude sentir todo meu ar ir embora. Me joguei em seu peito e comecei a chorar e me debater que pude jurar que ele ficaria roxo. - Agora você entende porque eu me cobro tanto pra ajudar o ?! Por que eu preciso me perdoar , e ninguém mais pode fazer isso por mim! - novamente gritei e senti seus braços me apertarem com mais força
Ele sussurrava que tudo iria ficar bem e que eu não tinha culpa de nada, quando na verdade eu sabia que meu irmão morreu única e exclusivamente por minha irresponsabilidade.
Ficamos, eu suponho. 10 longos minutos abraçados. Os braços de ao redor de mim me traziam tanta tranquilidade que meu choro já tinha cessado eu já estava bem mais calma. Olhei para o rosto dele e não pude deixar de notar um misto de pena com pavor.
Nossos rostos estavam tão perto que eu podia sentir seu hálito quente quando ele abria e fechava a boca em busca de palavras indicadas para aquele momento. E eu sabia que ele não as tinha.
estava se aproximando do meu rosto, e eu estava ficando cada vez mais nervosa. Ele encheu meu rosto de pequenos beijos e eu apenas fechei os olhos, aproveitando a sensação e depois encarou minha boca por alguns segundos e eu agradeci por seus braços estarem em volta de mim, se não tinha certeza que cairia ali mesmo, pelo jeito que minhas pernas estavam bambas.
Então ele fez o que eu imaginava, encostou seus lábios quentes contra os meus. Eu estava com tanta saudade de tê-lo perto de mim, de sentir seu toque, seu beijo, então instintivamente segurei seu rosto e o aproximei mais de mim, quase nos transformando em um só.
Foi aí que eu ouvi um barulho na porta e uma frase que me partiu meu coração em mil pedaços.
- Estou voltando para casa do Leonard amanhã. - se pronunciou, frio como uma pedra, antes de virar as costas e descer as escadas e me deixar ali, com meu coração partido e confuso


Capítulo 17

12:40 am

Jurei que meu coração poderia ser arrancado ali mesmo que não faria a mínima falta. O olhar frio e decepcionado de me deixou envergonhada e arrependida do que fiz no mesmo segundo.
Não demorou muito para eu descer correndo as escadas e ir até a porta do quarto dele, batendo várias vezes ali.
- ! Por favor, vamos conversar! - balbuciei várias frases em meio de minhas lágrimas enquanto era totalmente ignorada
Desisti depois de uns 15 minutos tentando, sabia que ele não queria me ver nem pintada de ouro depois de ver aquilo. Me sentei em frente à sua porta e abracei meus joelhos, chorando ali mesmo.
Pensei no nosso passeio na mesma tarde daquele dia e pensei em como fui estúpida e egoísta. Como pude beijar mesmo depois de confirmar pra que sim, estávamos juntos?
Isso deixava claro pra mim mesma que mexia comigo mais do que eu gostaria. E como se tivéssemos uma transmissão de pensamento, ele desceu as escadas procurando por mim. E assim que me viu, se agachou rapidamente em minha frente, colocando suas mãos em meus joelhos.
- ... - choraminguei - Por favor, vai embora! - apontei para a porta com minha cabeça - Estava tudo tão bem antes de você vir aqui e bagunçar minha vida. - chorei mais ainda com meu próprio drama, que infelizmente era verdade.
Com um olhar culpado, depositou um beijo em minha testa e deixou meu apartamento. Me deixando novamente ali com meu coração triste e meus pensamentos confusos. Que droga de Déjá Vu!
Como já sabia que não iria abrir a porta de jeito nenhum pra falar comigo, e comigo chorando em sua porta ele só iria ficar mais irritado, subi para meu quarto.
Joguei meu corpo sobre minha cama e permaneci numa posição desconfortável por horas, logo após senti várias pancadas fortes na minha cabeça, mas não fiz questão nenhuma de levantar pra tomar algum remédio. Sentia que, pelo menos naquele momento, merecia sentir dor, já que sabia que eu era realmente uma grande filha da puta.
A palavra “filha” ecoou por minha mente me lembrando que eu trocava apenas mensagens esdrúxulas com meus pais nos últimos meses, não me preocupando nem um pouco de ir visitá-los de vez em quando. Realmente eu era uma bosta de amiga, de filha e de sei lá o que eu era do .
Imersa em meus pensamentos e praticamente afogada em minhas próprias lágrimas, peguei no sono quando o sol já entrava pelas janelas do meu quarto.

[...]

Levantei minhas pálpebras com muita dificuldade, sentia uma dor horrível, tanto na cabeça quanto nas costas, resultado da noite de ontem. Minha barriga roncava, mas eu não tinha a mínima vontade de comer.
Levantei para ir ao banheiro já que não tinha como me esquivar disso e pude jurar que fiquei ali por horas.
Com as mesmas roupas do dia anterior e uma aparência horrível, desci com uma mínima esperança de que estaria ali.
Fiquei triste vendo que o apartamento estava vazio e sem vida, indicando que já tinha saído dali. Benny estava deitado atrás da porta, como se esperasse que ele voltasse, assim como eu esperava. O peguei no colo e o enchi de carinho, sabia que ele estava triste e confuso como eu.
Me permiti entrar em seu quarto extremamente arrumado, diferentemente do meu, e deitei sua cama, sentindo seu perfume adentrar minhas narinas sem nenhuma precaução de como isso afetaria meus sentimentos. Como se Benny me entendesse perfeitamente, deitou em meu lado e fechou seus olhinhos.
Tentei não chorar diante de tudo aquilo mas o nó que permanecia na minha garganta era extremamente sufocante. Ouvi meu telefone tocando e corri para atender, jurando que seria ele.
- Ah... Oi Tree. - minha voz não disfarçava meu desapontamento
- Nossa, quanta animação ao falar com sua melhor amiga! - ela se fingiu de ofendida - Tá tudo bem? me mandou uma mensagem pedindo pra eu falar com você, mas não me deu mais detalhes.
- Você pode vir pra cá?- perguntei, já meio chorosa
- Em 20 minutos estou aí!
Como dito, Tree estava realmente batendo em minha porta depois de 20 minutos. Ao abrir a porta vi minha melhor amiga com um olhar preocupado, logo depois abrindo os braços para um abraço apertado.
Por incrível que pareça eu não chorei, talvez porque meu corpo já tivesse desidratado ou porque ela me passava uma tranquilidade inexplicável.
- Amiga me permita dizer que você está horrível! - Tree disse segurando meu rosto - Abatida e descabelada. - Tree riu e fez um carinho no meu cabelo, me fazendo rir fraco também
Minutos depois ela já tinha feito um sanduíche pra mim, porque ela provavelmente sabia que se dependesse de mim, meu estômago ficaria vazio por muito tempo.
Depois de alguns minutos eu já tinha comido tudo e Tree estava sentada no sofá com Benny no colo, fazendo um sinal para que eu começasse a contar tudo.
- Eu e estávamos super apaixonadinhos, e isso você já sabia... Mas nesses últimos dias, foi diferente,sabe? Eu senti algo que eu realmente não sabia explicar. - suspirei antes de continuar - Nós tínhamos dormido juntos há uns dias atrás e nos conectamos bastante, sendo que no outro dia nós transamos, - Tree arregalou os olhos e sorriu - e foi muito bom. No dia seguinte nós passamos a tarde nos Jardins do Retiro e foi tudo completamente perfeito. Então ele me perguntou o que nós tínhamos e meu coração gelou na hora, mas logo em seguida garanti que sim, estávamos juntos. - completei e Tree bateu com a palma da mão na testa - Aí você me mandou aquela mensagem que me deixou totalmente confusa e desde então eu senti que estava diferente com ele. Depois de um tempo entrou aqui praticamente arrombando minha porta e rolou tudo... Ele fez algumas provocações pro , e eu tentando evitar briga tive a brilhante ideia de subir com ele pro meu quarto, para conversamos lá. Eu fiquei tão abalada com a situação que contei tudo o que aconteceu com meu irmão. Ele ficou super chocado, obviamente, e tentou me consolar a todo o momento, aí acabou que a gente se beijou e o viu. - resumi a última parte, já cansada de falar
- Como assim o viu? E o que ele fez? - Tree perguntou alterada e confusa
- Ele disse que no outro dia, hoje no caso, iria voltar para a casa do Léo. Ele não te falou nada? - perguntei com uma ponta de esperança
- Não, ainda não... - creio que ela estava com aquela expressão pois tentava assimilar tudo - E meu Deus por que você beijou o ? - ela perguntou indignada
- Meu Deus Tree, eu não sei! - cobri meu rosto com minhas duas mãos - Eu simplesmente quis, sabe? Foi um ato totalmente natural! Ele tem um efeito muito grande sobre mim e eu descobri isso ontem da pior maneira possível. - terminei de falar e me deitei no sofá, totalmente exausta e envergonhada de toda essa situação
- Amiga essa situação é realmente uma bosta! - Tree suspirou sincera - Eu vejo o quanto você gosta dos dois... Mas se eles não quiserem formar um trisal, você vai ter que escolher!
- Teresa! - ri alto e bati em seu ombro - Você tá louca? Eu até desconfio que o é bi, mas o é muito hétero pra isso. - ri alto pensando na situação e Tree me acompanhou
Passamos o resto do dia vendo bobagens na TV e Tree tentava me entupir de porcarias. Isso só me fez ficar mais pra baixo porque era exatamente o que eu e fazíamos.
- Amiga por que parece que mesmo comigo aqui parece que você só tá mais tensa? - Tree me olhou preocupada e eu cocei o cabelo, realmente tensa, antes de responder
- Eu não sei... Acho que porque na maioria do tempo ficávamos aqui, nós dois, juntos, fazendo exatamente o mesmo que nós duas agora. - subitamente Tree se levantou e quase vi uma lâmpada acender em cima de sua cabeça
- Então eu sei exatamente do que você precisa! - ela sorriu sapeca e me arrastou até meu quarto
Duas horas depois eu estava de banho tomado, sentada na cama esperando que Tree escolhesse alguma roupa pra mim, enquanto mandava mais mil mensagens para .
Eu não estava com a mínima vontade de colocar o pé fora de casa, mas Tree era a única pessoa que conseguiria me convencer.
Alguns minutos depois ela colocou uma meia calça arrastão, junto com um short preto da Calvin Klein, um cropped amarelo queimado da Versace e meu Vans plataforma na minha frente.
Segurei o meu sorriso, já que eu realmente tinha gostado do look escolhido. Minha melhor amiga tinha muito bom gosto.
Minutos depois eu já estava vestida, deixando com que Tree me maquiasse do jeito que bem entendia enquanto eu olhava fixamente para meu celular, esperando qualquer sinal dele


Capítulo 18

10:43 pm

Tree estava dirigindo meu carro e estávamos a caminho do The Underground, onde teria essa tal festa.
Me olhando no retrovisor, realmente estava me sentido bonita. Depois de um dia totalmente jogada como uma mendiga, essa combinação do look lindo mais a maquiagem maravilhosa que Tree havia feito ajudou muito na minha auto estima.
Chegando pertinho para estacionarmos o carro, já podia ouvir um som alto e várias pessoas espalhadas pela calçada.
Antes de entrarmos Tree parou para cumprimentar algumas pessoas que eu não fazia ideia de quem eram, então só sorri simpática e esperei que eles terminassem de conversar.
Olhando pelo local vi que tinha uma iluminação bem baixa, um bar grande e movimentado e o local estava bem cheio, principalmente em volta dos grandes sofás vermelhos.
Decidi que iria tentar chegar perto no bar, já que nada melhor do que encher a cara depois do acontecido. Me aproximei do barman, que foi bem simpático o tempo todo e engatamos em uma conversa, ali mesmo.
Pedi tropical Gin e o gosto que queimou minha garganta indicou que eu estava mal acostumada com álcool. Depois de um tempo descobri várias coisas legais sobre o bairro que se encontrava o pub e gostei tanto que prometi que iria voltar.
- Uau.. Não esperava ver você aqui. - jurei que se eu não tivesse o reflexo de ter segurado no balcão, eu teria caído pra trás enquanto estava em cima da banqueta na frente do bar - Tudo bem? - pela sua expressão imaginei que eu estaria pálida
- S-Sim... Tudo sim, . - ele abriu um sorrisinho, que eu não pude decifrar, depois de minha resposta
- Podemos conversar? - ele coçou a nuca, claramente nervoso, assenti indicando para irmos para a rua
Jurei que minhas pernas cairiam ali mesmo de tanto tremer, e parecia que o trajeto até a rua durou horas.
Chegamos em uma parte em que eu intitulei como fumódromo, já que tinham várias pessoas fumando ali e não deixou de fazer o mesmo segundo depois. Gostaria de dizer que ele estava fumando por estar nervoso, mas fumava por absolutamente qualquer coisa que acontecia.
Me encostei em uma das paredes do lado de fora do pub e me permiti admira-lo por alguns segundos. Ele estava com uma camiseta branca da Versace, com uma jaqueta jeans por cima dos ombros e uma calça jeans clara da Calvin Klein, com seus tênis brancos da Adidas e com seus anéis clássicos que provavelmente valiam o meu carro em seu mindinho e seu anelar.
Percebi que ele não me olhava diretamente nos olhos e seus cabelos estavam levemente bagunçados, sorri ao observar isso, já que ele sempre mexia nos cabelos quando estava nervoso ou pensativo.
- Então? - chamei sua atenção, indicando que ele começasse a falar
- Ahn... Como estão as coisas? - ele olhou em meus olhos e rapidamente olhou para o lado de novo, dando outra tragada
- Na mesma. foi embora e agora estamos só eu e Benny lá em casa. - dei de ombros e ri sem humor
- Escuta, eu não queria causar tudo isso... - ele coçou a cabeça - Se você estava feliz com ele, eu não acho que tinha o direito de atrapalhar. Mas eu acabei bebendo demais e eu não conseguia tirar você da cabeça, como sempre - enrijeci a postura na hora - Então tive a brilhante ideia de ir lá e falar com você. - ele disse, sendo sarcástico
- Eu não entendi porque você não estava respondendo minhas mensagens, você sabe como eu odeio isso! - falei, de braços cruzados
- Eu sei, eu sei... Me desculpa! - ele jogou seu cigarro no chão com força, como se estivesse bravo com suas próprias ações, ou a falta delas
- Tudo bem, . Vamos deixar isso pra lá. Você sempre foi meu melhor amigo e sempre esteve comigo! Eu não conseguiria ficar brava com você por muito tempo. - despejei de uma vez, já que eu sabia que tinha uma parcela de culpa nisso e eu realmente não conseguia ficar muito tempo sem falar com ele
Automaticamente ele me abraçou. E meu Deus, como eu sentia falta daquilo. Me senti totalmente acolhida ao redor de seus braços e me permiti sentir seu perfume amadeirado. Era incrível como o cheiro de cigarro não deixava ele menos cheiroso, e eu não me importaria se deixasse.
Antes de nos separarmos deixou um beijo em minha testa. Sorrimos um para o outro e voltamos com os braços dados para a festa.
Tree sorriu ao mesmo tempo sincera e maliciosa pra mim, ela sabia que tínhamos nos acertado. Por um momento desconfiei que eles tinham armado tudo isso, mas não dei bola pra isso logo em seguida.
Nós três estávamos em volta do bar enchendo a cara com algumas doses de tequila e eu me sentei logo depois do quinto, já que sentia tudo girar.
Meus dois amigos dançavam em minha frente, o que me fazia sorrir. tinha tirado um óculos vintage de algum lugar e agora ele se encontrava em seu rosto, o deixando exatamente sexy.
Balancei a cabeça tentando afastar esses pensamentos sobre ele e relaxei de novo no sofá, olhando os dois.
Começou a tocar Ritmo do J Balvin (podem colocar pra tocar enquanto leem, se quiserem) e automaticamente olhou pra mim e sorriu. Ele sabia o quanto eu amava dançar aquela música! Eu balançava a cabeça negativamente e sorria boba com toda àquela situação. Eu não iria levantar pra dançar!
Como se lesse meus pensamentos tentou me puxar pelo braço e eu fiz peso pra baixo, não cedendo fácil. Segundos depois ele conseguiu me tirar do sofá sem esforço nenhum e logo já estávamos nós dois dançando desajeitados, por conta da bebida, e sorridentes.
- Tú sabes como hacemo, baby! - cantou olhando em meus olhos, enquanto dançávamos
- Baby, tonight’s like fuego, we bout to spend the dinero! - rebati, sem tirar meus olhos dos seus
- LA ROSALÍA! - gritamos juntos antes de começarmos a rir (gente eu JURO por Deus que escrevi isso antes de bombar aquele vídeo da Danna Paola e o Jorge Lopez fazendo exatamente a mesma coisa kkkk)
Senti seu hálito quente e alcoólico bater contra minha bochecha. O jeito em que ele mexia seu corpo e em conjunto seus dedos apontavam pra mim enquanto ele cantava era extremamente sensual e intrigante.
Em um impulso puxei sua nuca pra perto e juntei nossos lábios. Sentia meu corpo queimar por dentro. Eu sabia que não deveria fazer aquilo, mas pelo menos naquele momento não me importava nem um pouco com isso.
Quase como um impulso ele colocou suas mãos em minha cintura e me puxou mais pra perto de si.
Nosso beijo era quente, e quase desesperado. Tínhamos tanto desejo um pelo outro que se pudéssemos, juntaríamos nossos corpos ali mesmo.
Por impulso parei nosso beijo e me olhou confuso. Passei meus olhos por todos os lugares do pub e sorri ao achar meu alvo. Arrastei pela pista e entramos no banheiro.
Ele sorriu malicioso antes de me beijar ferozmente. Ele apertava minha bunda de um jeito tão gostoso que me fazia arfar. E pra piorar, ele mordia meu lábio inferior, o que me deixava louca.
Cansada da provocação desci os beijos da sua boca para seu maxilar e depois seu pescoço, sentindo-o arrepiar. Coloquei minha mão debaixo de sua camiseta e pude sentir a leve definição de seu abdômen, passei minhas unhas por ali e senti arfar.
Segundos depois ouvi Tree aos berros do lado de fora da porta e tentei me recompor o mais rápido possível antes de a abrir.
- Amiga, meu Deus, o que houve? - perguntei com a mão no ombro de Tree enquanto via seu rosto girar
- Eu estou me sentindo super mal, preciso ir pra casa, agora! - ela me puxou rápido e lançou um olhar para antes de sairmos
Antes de ser completamente arrastada pra fora do pub dei uma última olhada para que encarava tudo confuso e sem reação.
- Você tá ficando louca? - Tree furiosa perguntou ao entrarmos no carro
- Do que você tá falando? - rebati no mesmo tom, mas super confusa
- Você ia transar com naquele banheiro depois de tudo o que aconteceu?
- O que? - perguntei mais confusa ainda - Você não queria isso?
- Tá falando sério? Óbvio que não! Eu queria que vocês dois se acertassem, não se comessem. Meu Deus, você não pensou em nenhum momento em ?
- Eu penso em a cada segundo. - admiti me jogando no banco - Por que você acha que eu enchi a cara? Eu queria esquecer ele a todo o custo e achei que era uma boa ter pra isso. Mas espera, você gosta do ?
- O QUE? Amiga eu não pegaria o nem se ele fosse o último garoto do mundo! Eu conheço ele desde criança e ele definitivamente não faz meu tipo, já que eu não aguento nem seu cheiro - ela fez uma careta - e você acha que engana quem? - ela falou sarcástica - Tava clara a tensão sensual entre vocês. Você sabe que uma hora ou outra você vai ter que escolher, não é? - Tree falou mais calma e esse fato me atingiu mais do que eu gostaria
- Teresa, eles não são como dos doces na vitrine que eu tenho que escolher pra levar pra casa, por mais que ambos sejam deliciosos! - ri alto, e sabia que era por conta do álcool - E essa ideia que eu tô de que você talvez possa gostar do por algum motivo já embrulha meu estômago. - admiti, também por conta da bebida
- , você sabe que eu sou a pessoa mais sincera do mundo e eu não pegaria o por nada, mesmo! Eu não vejo ele como nada mais que um irmão mais novo. Além de que eu já tenho meu gatinho Léo! - ela piscou e eu fingi que ia vomitar por conta da última frase
- Vocês já estão nesse nível? - perguntei, sarcástica
- Olha quem falando! Você e o agiam como se tivesse namorando há no mínimo 3 meses. - ela rebateu e eu não pude deixar de sorrir, lembrando de alguns dos momentos incríveis que tivemos juntos. Meu Deus, ele era realmente um príncipe e eu era uma ogra.
Tentei varrer qualquer tipo de pensamento sobre eles até chegarmos em minha casa.
Tree decidiu que ia dormir por lá mesmo e eu me joguei na cama sem nem tirar os tênis, logo apagando.


Capítulo 19

2:37 pm

Minha cabeça doía tanto que se eu pudesse arrancaria ela e deixaria em qualquer lugar do quarto. Meus pés também estavam doendo e depois de alguns minutos que fui perceber que ainda estava de tênis.
Encontrei Tree ainda dormindo desmaiada do outro lado da cama e aproveitei para tirar toda a roupa e encher minha banheira.
Me olhei no espelho e não pude deixar de fazer uma careta, já que eu estava quase pior do que o dia que foi embora. No caso ontem. Quanto drama.
Mas infelizmente era verdade. Se fosse qualquer outro domingo eu sabia que ele teria levantado antes pra fazer panquecas e tentar me agradar de algum jeito.
Suspirei forte, tentando engolir o choro e tentando entender o porque eu me auto sabotava. Estava tudo tão bem e tão perfeito que eu mal conseguia acreditar. Até eu beijar aquela maldita boca. Maldita e linda.
Dei um tapa em minha testa tentando espantar qualquer tipo de pensamento bom em relação a . Eu lembrava que tinha desculpado ele, e que isso tinha tirado um peso de nossas costas. Mas eu sabia que o melhor seria se nos afastássemos.
Sabia que se eu quisesse ter qualquer tipo de segunda chance com eu teria que excluir da minha vida, mas eu ainda não tinha decidido se queria isso.
Tirei minha maquiagem com demaquilante e algodão, logo depois passando uma água termal e me sentando naquela água maravilhosa e quentinha. Era tudo o que eu estava precisando.
Não sei dizer quanto tempo fiquei ali. Nem quantos pensamentos passaram por minha cabeça. Mas podem ter certeza que ele só girava em torno de duas pessoas. Três, contando comigo.
Me levantei contra minha própria vontade e abri o ralo, esvaziando minha banheira. Me sequei e senti como se um peso saísse de mim depois daquele banho.
- Quer saber? - falei, assustando Tree assim que saí do banho - Eu preciso ter um tempo pra mim. Chega de garotos, de verdade! Vou focar no meu skincare e no último ano da faculdade! - falei decidida e Tree riu alto
- Amiga eu não duvido da sua independência e seu amor por si própria, mas eu sei o quanto você ama garotos, mais especificamente o que eles tem entre as pernas.
- Não seria mais fácil se o homem nascesse só com pênis? Aí eu só ia ter que escolher entre os centímetros. - me referi a situação que estava, entre escolher um príncipe sarado que me tratava super bem, ou meu amigo gostoso de anos que sempre esteve ali por mim
- Amiga! - Tree exclamou e nós duas começamos a rir desesperadamente
- É bom ter você aqui comigo! - falei, depois de limpar minhas lágrimas por conta do riso
- Eu amo você amiga, amo sua companhia e as bobagens que você fala. - Tree deitou sua cabeça em meu ombro logo após
- Eu também te amo, Tree. - apertei a pontinha de seu nariz antes de sorrir para ela
- Escuta, eu posso ficar aqui se você quiser... - ela disse se esticando pela cama e pegando Benny no colo - Não me importo nada de ficar nessa mansão com você cozinhando pra mim.
- Há há há. Engraçadinha você, hein? Eu não cozinhava nem pro e você acha que vou cozinhar pra você? - falei sendo sarcástica e fazendo carinho na pequena cabeça do Benny
- Mas é óbvio! Eu sou sua amiga e ele era só um macho que te fodia bem. - ela riu e eu o acompanhei
- Eu fico pensando por que tenho que ser tão burra, sabe? - falei mudando totalmente a onda da conversa - Eu acho que nunca tive um cara tão bom pra mim, em tão pouco tempo e eu fui lá e fiz isso...
- Amiga, eu não acho errado você ter desejos, sabe? Você teve vontade de beijar e foi lá e fez. O que cagou tudo foi porque você e tinham conversado sobre a relação de vocês horas antes. - Tree falou sincera
- É, eu sei. Eu acho que ele não quer falar comigo, pelo menos não agora, já que ele não retornou nenhuma das minhas mensagens e ligações. Mas vou dar tempo ao tempo, acho que se for pra ficarmos juntos isso vai acontecer.
- Fico orgulhosa vendo você falar desse jeito. - Tree sorriu pra mim e eu não pude deixar de sorrir de volta
Conversamos por tanto tempo que nem vimos o tempo passar. Tree fez alguns sanduíches pra comermos e fomos dormir cedo, por conta da ressaca. E eu estava decidida, voltaria para a faculdade no dia seguinte.

[...]

Sete e meia da manhã de segunda-feira. Me arrependi na hora de ter tido a ideia de voltar pra faculdade, já que odiava acordar cedo.
Esbravejei antes de pegar o celular e checar se tinha alguma coisa fora do comum. E como sempre, nada. Só uma mensagem da minha mãe. E claro, as milhares de mensagens que me deixou e continuava deixando desde ontem.
Decidi que iria passar na casa dos meus pais mais tarde. Eu devia uma explicação a eles, e fazia quase um mês que não via os dois.
Balancei Tree de um jeito nada gentil e logo já estávamos prontas pra ir pra faculdade. Quando descemos ela me forçou a comer uma maçã que pesou em meu estômago vazio, mas ignorei e fomos em direção ao carro.
Tive que secar minhas mãos várias vezes enquanto segurava no volante, já que estava claramente nervosa de encontrar na faculdade depois de tudo.
Estacionei o carro em um lugar bem perto de onde teríamos aula, evitando que eu tivesse qualquer tipo de contato com , já que sabia que ele sempre ficava um pouco mais afastado enquanto fumava.
Sentamos nas poltronas mais de cima e mais afastadas do professor, já que eu não queria chamar muita atenção. A aula já tinha começado há uns cinco minutos e eu finalmente tinha relaxado na poltrona.
- Olha só, quem é vivo sempre aparece! Tirou férias fora de época, senhorita ? - o senhor Nunies perguntou, com seu tom mais sarcástico, e automaticamente minha postura se enrijeceu de novo e meu corpo gelou com no mínimo 80 olhares sobre mim. Péssimo momento pra ser super conhecida naquela faculdade, obrigada pai.
- Problemas pessoais, senhor Nunies. - rebati sem tentar demonstrar nenhum tipo de emoção e senti um olhar específico sobre mim
Ele fez uma careta meio indecifrável e continuou com a aula, e eu ainda me sentia sendo observada.
A aula inteira foi um tédio, o professor só falava e falava e depois de faltar tantas aulas perdidas eu estava boiando.
Tentei não pensar nem em nem em mas era praticamente impossível já que de cinco em cinco minutos meu colega de faculdade se virava para me olhar.
- E essa semana começa a FAAU, Feira Artística de Arquitetura e Urbanismo. Eu queria que vocês fizessem um artigo de no mínimo 90 páginas sobre a história da arquitetura, mas a coordenadora decidiu que vai ser mais uma feira de integração, em que vocês poderão mostrar seus talentos, como dança, desenho, enfim. - ele revirou os olhos, claramente contrário a opinião de sua chefe, e todos nós vibramos e soltamos suspiros de alívio ao ouvir a última parte. - É importante que todos vocês participem, isso vai valer 45% da nota na minha cadeira, ouviu, senhorita ? - revirei os olhos
- Sim, senhor Nunies. - respondi sem vontade nenhuma
Assim que todas as aulas do dia terminaram eu apressei o passo até o carro, para não ter que conversar com , que tinha ido atrás de nós algumas vezes durante as aulas.
Deixei Tree ali mesmo já que ela não voltaria pra minha casa e fui direto pra casa dos meus pais.
Foi sufocante quando eu estacionei em frente à minha antiga casa, principalmente porque eu sabia que teria que contar tudo.
Meus pais me receberam muito bem, minha mãe tinha feito um almoço muito cheiroso e bonito, e estavam fazendo várias perguntas sobre a faculdade.
Como eu não era de ficar enrolando, logo depois de engoli o último pedaço de carne despejei toda a história sobre eles.
Minha mãe ficou em estado de choque e logo depois começou a gritar em várias línguas diferentes, isso era clássico de quando ela ficava nervosa. Meu pai disse que já esperava que eu tinha feito alguma merda quando pedi pra ele comprar o apartamento pra mim.
- Mãe, você não precisa ficar assim, tá bom? Já tá tudo certo, inclusive eu tava praticamente namorando com ele. - soltei como se fosse algo super normal e eles praticamente me comeram com os olhos - Ei, eu disse só praticamente, tá bom? Ele já voltou pra casa do amigo dele e eu pra faculdade, vocês não precisam se preocupar com isso. Já está tudo resolvido. - me atirei de volta na cadeira e bebi um pouco do meu suco
- E você? Como você está com isso? - quase engasguei com o líquido já que eu sabia muito bem a o que ele se referia
- Tudo bem, pai. Obrigada. - sorri e fiz uma expressão que eu nem sabia decifrar, não sabia por qual das milhares de coisas eu estava agradecendo.
Pelo resto da noite ficamos conversando sobre coisas totalmente aleatórias e eu agradeci muito por eles não terem mais tocado naquele assunto.
Antes de eu ir embora minha mãe me deu um pote gigante cheio de bolo, provavelmente super preocupada com o que eu estava comendo morando sozinha, já que ela sabia muito bem como eu era.
Os dois me deram um abraço aconchegante e por um longo momento eu agradeci por tê-los na minha vida.
Entrei no carro e dei partida, pensando o caminho inteiro como eu ficaria sozinha em casa, sem ele.


Capítulo 20

10:34 am

A semana tinha sido uma bosta. Fiquei atolada de coisas fazendo milhões de trabalhos que eu tinha perdido e minha única companhia foi o Benny.
Hoje era o último dia da FAAU e felizmente eu e Tree já tínhamos apresentado um poema qualquer que achamos na internet, já que só de apresentar pra faculdade metade da nossa nota já estava garantida.
A presença todos os dias também contava pra ter a nota inteira inteira, e se não fosse por isso eu teria ficado em casa colocando meu sono em dia, por ter perdido ele fazendo todos aqueles trabalhos.
Agora era a vez de se apresentar. Ele tinha feito um grupo com mais dois caras da nossa turma que sempre andavam com ele. E pelo o que estavam arrumando no palco, eles iriam apresentar alguma música.
- Ahn... Então, eu sou o e esses são Pablo e Juan. Hoje nós vamos apresentar um rap que construímos juntos. - pude jurar que ele me olhou depois de terminar essa frase
Meu coração gelou por alguns segundos depois de sua fala e então a música começou.
levou o microfone até a boca e começou a cantar (podem dar play em SIGO, se quiserem)

Sigo buscándola, eh
Sigo buscándome a mí mismo a ver si doy con esa shorty
Sigo matándome, yeh
Sigo buscando las maneras de tenerte y no sufrirte
Sigo llamándola, eh
Sigo dejándote mensajes esperando tu respuesta
Sigo muriéndome, yeh
Porque no sé qué hacer, porque no sé qué hacer

Pude jurar que meu coração tinha parado assim que ouvi sua voz rouca saindo por todas as caixas de som do auditório.
Automaticamente segurei forte o braço de Tree, e ela me encarava sem disfarçar, procurando decifrar o que eu sentia. Mas nem eu mesma sabia o que estava sentindo.
Agora era a vez de um dos outros dois cantarem mas eu não conseguia tirar os olhos dele. Ele estava cabisbaixo, e por seu cabelo bagunçado, sabia que ele estava nervoso.
Eu o encarava como uma bobinha e ele me lançava olhares indecifráveis a cada momento.

Sigo buscándola, eh
Sigo buscándome a mí mismo a ver si doy con esa shorty
Sigo matándome, yeh
Sigo buscando las maneras de tenerte y no sufrirte
Sigo llamándola, eh
Sigo dejándote mensajes esperando tu respuesta
Sigo muriéndome, yeh
Porque no sé qué hacer, porque no sé qué hacer

Dessa vez eles cantaram todos juntos, mas pra mim só existia eu e ali.
Depois de alguns minutos eles terminaram de cantar e toda a plateia foi a delírio, como se eles fossem famosos.
Andei rapidamente pra fora do auditório, secando as lágrimas que insistiam em descer.
Me apoiei no carro e me permiti chorar. Por que eu demorei tanto pra ver que gostava de mim? E por que quando eu percebi já estava em minha vida?
Quis chorar por toda a situação. Por eu me sentir culpada por gostar do e por não ter aproveitado quando tive tempo.
Vi sua silhueta de longe e me apressei pra entrar no carro. Não queria que ele me visse chorando e não queria conversar com ninguém agora.
Cheguei em casa e abracei Benny com força antes de levá-lo para o sofá e ficar chorando por horas. Aquela droga de música que tinha feito pra mim desencadeou tudo o que ele causava em mim. Amor, raiva, carinho, arrependimento. Eu mesma não sabia explicar.
Em um impulso peguei meu celular e fiz o que eu deveria ter feito há alguns dias.

“Você pode vir aqui? Por favor!” K

No máximo 15 minutos depois ouvi a campainha tocar. Abri a porta e senti um calor vindo de seu corpo, mesmo ele estando todo encolhido por causa do frio e eu sorri com aquilo.
O puxei pela gola e fiz o que eu deveria ter feito há muito tempo. Sóbria, é claro. E era impressionante que mesmo com frio seus lábios continuavam quentes.
Em um impulso ele segurou minha cintura e me puxou pra mais perto. Sorrindo entre o beijo. Eu fiz um leve carinho na lateral do seu rosto, brincando com a argola em sua orelha logo depois.
- Eu senti muito sua falta, mais do que gostaria de admitir. - confessei, de olhos fechados enquanto a ponta do meu nariz encostava na ponta do seu
Ele abriu um sorriso tão grande pra mim que eu senti uma vontade de arrancar meu coração do peito e entregar pra ele ali mesmo.



Continua...


Nota da autora: oiii gente!! espero que vocês estejam gostando da história ❤️ se vocês quiserem ficar mais pertinho da história eu criei um instagram pra Kath (é @kathnormann) assim vocês podem visualizar melhor os acontecimentos e também ficar por dentro dos spoilers! Não esqueçam de comentar se estão gostando e até breve! beijos


Essa fanfic é de total responsabilidade da autora. Eu não a escrevo e não a corrijo, apenas faço o script.
Qualquer erro no layoult ou no script dessa fanfic, somente no e-mail.


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