A Love To Pretend

Última atualização: 17/08/2025

Primeiro Capítulo


A vida na Coreia do Sul definitivamente não era como nos dramas que ela assistia, mas já estava se acostumando com isso, afinal de contas ela já ia para seu terceiro ano vivendo no país. E sim, Seul era caótica, de dia e de noite.
No começo, tudo parecia como um sonho distante. O intercâmbio foi uma oportunidade única, mas quando o contrato estava prestes a terminar, se viu diante de uma decisão difícil. O que mais a atraía na Coreia era a energia vibrante da cidade, o ritmo acelerado que combinava perfeitamente com sua própria personalidade, mas também havia algo a mais: ela se sentia em casa aqui. O fato de que o idioma ainda era um desafio, que as diferenças culturais eram intensas e que o clima severo podia ser implacável, nunca a desanimaram completamente.
Foi durante o último semestre do seu intercâmbio que ela começou a ponderar sobre a possibilidade de ficar. Os dias se passavam e, aos poucos, foi construindo sua vida em Seul. Fez amizades que pareciam mais com famílias e encontrou um emprego temporário, o que a ajudou a perceber que a Coreia não era só um destino, mas uma parte importante de sua identidade.
Quando o fim do intercâmbio se aproximou, soubera que não estava pronta para partir. Por mais que os pais tivessem suas reservas sobre a decisão, ela sabia que precisava tentar. Então, começou a pesquisar formas de estender sua estadia. Entre muitas conversas com outros estrangeiros, ela descobriu que poderia solicitar um visto de trabalho ou estudo, dependendo do que decidisse fazer. Mas os caminhos não seriam fáceis.
Após semanas de planejamento, conversas com consultores de imigração e muita documentação, conseguiu um emprego em uma empresa local que estava disposta a patrociná-la para um visto de trabalho. Ela sabia que teria que se dedicar mais do que nunca, mas a ideia de continuar ali, em meio à correria de Seul, era o suficiente para motivá-la a dar esse passo. A parte mais difícil foi lidar com os trâmites burocráticos, mas, após longos meses de espera, o visto foi finalmente aprovado.
Agora, dois anos depois, ela sabia que sua vida não tinha mais um destino definido. Seul, com toda sua intensidade e caos, havia se tornado seu lar, e ela não pretendia deixar isso para trás tão cedo.

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O metrô balançava levemente, mas não o suficiente para impedir que mantivesse o equilíbrio, mesmo espremida entre dezenas de pessoas que pareciam ter o mesmo destino que ela: qualquer lugar, contanto que fosse rápido. Segurando firme na barra metálica acima da cabeça, ela olhou discretamente para o relógio de pulso. Quinze minutos de atraso. Suspirou baixinho, sabendo que, em Seul, a pontualidade era quase uma obrigação.
A bolsa pendurada em seu ombro começou a vibrar. O celular. Pela terceira vez em menos de dez minutos. Ela fechou os olhos por um instante, tentando ignorar o incômodo, mas a vibração persistente parecia zombar de sua situação. Com a outra mão, tentou alcançar a bolsa, mas a quantidade de gente ao seu redor tornava impossível qualquer movimento brusco.
O homem ao seu lado segurava uma maleta que cutucava seu quadril a cada freada, enquanto uma jovem, aparentemente a caminho da escola, tinha os olhos grudados no celular, alheia ao mundo ao redor. Por um momento, pensou em pedir licença para tentar pegar o telefone, mas desistiu rapidamente. O espaço era tão apertado que qualquer tentativa só resultaria em olhares impacientes.
Ela bufou, resignada, enquanto o metrô fazia mais uma parada. A porta abriu e fechou em segundos, trazendo ainda mais passageiros para dentro. se espremia mais um pouco, mal conseguindo mexer os pés, mas já estava acostumada com essa rotina caótica. "Deve ser alguma mensagem do trabalho", pensou, embora a possibilidade de ser um amigo ou mesmo sua mãe preocupada também cruzasse sua mente.
A vibração parou por alguns segundos, apenas para recomeçar logo em seguida. revirou os olhos, mordendo o lábio para segurar a frustração. "Assim que eu sair daqui, vou responder," prometeu a si mesma. Por enquanto, tudo o que podia fazer era suportar o aperto e torcer para que o próximo aviso no alto-falante anunciasse sua estação.

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O alto-falante anunciou a próxima estação, e sentiu uma pequena onda de alívio. Sua parada finalmente estava próxima. A vibração do celular continuava, agora intercalada com um silêncio irritante, como se até o aparelho tivesse perdido a paciência com sua falta de resposta.
Quando o metrô parou, houve um empurra-empurra generalizado. se esforçou para abrir caminho, desviando de cotovelos e mochilas até finalmente conseguir sair do vagão. Ao pisar na plataforma, soltou um suspiro profundo e ajustou a alça da bolsa no ombro.
Caminhou rapidamente até as escadas rolantes, aproveitando a oportunidade para abrir a bolsa e, finalmente, alcançar o celular. Assim que desbloqueou a tela, seu coração quase parou.
3 chamadas perdidas – Chefe Lim Jaebeom.
"Ah, não... Eu tô ferrada," pensou, sentindo o estômago revirar. Não era só o atraso. O fato de ele ter ligado tantas vezes já era um péssimo sinal. Ela sabia que Jaebeom não era exatamente a pessoa mais paciente do mundo.
Subiu as escadas em um ritmo apressado, já pensando em como explicar a situação. Chegando à rua, seus dedos rapidamente começaram a digitar uma mensagem.
"Bom dia, Sr. Lim. Mil desculpas pelo atraso! Estou a caminho do escritório e devo chegar em poucos minutos. Mais uma vez, peço desculpas pela demora."
hesitou antes de enviar, mordendo o lábio inferior. Poderia ter explicado o motivo, mas não havia muito tempo para justificativas. Afinal, o chefe provavelmente estava mais interessado em resultados do que em desculpas. Com um suspiro, ela enviou a mensagem e começou a caminhar em direção ao escritório.

O dia mal havia começado, e ela já sentia que precisaria de um café duplo para sobreviver às próximas horas.

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Na enorme sala com paredes de vidro que ofereciam uma vista espetacular de Seul, Lim Jaebeom bufou levemente ao ler a mensagem no celular. Ele passou a mão pelos cabelos bem penteados, sentindo a pontada familiar de frustração.

“Estou a caminho do escritório e devo chegar em poucos minutos…" – Ele murmurou as palavras para si mesmo, tentando não se irritar mais do que o necessário.

Apesar do atraso, ele sabia que raramente cometia erros. Ainda assim, o hábito de depender tanto dela para coordenar reuniões, organizar documentos e, basicamente, manter sua agenda sob controle começava a pesar.

Jaebeom largou o celular sobre a mesa de madeira impecavelmente organizada e recostou-se na cadeira de couro. A enorme sala de reuniões ao lado, vazia, parecia um lembrete constante de sua rotina frenética. Às vezes, ele se perguntava quando havia perdido o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Mas então olhava para os números no relatório mais recente e lembrava por que havia se dedicado tanto à vida corporativa.

Apesar disso, não conseguia evitar a sensação de que estava exagerando. Ele suspirou, seus olhos caindo sobre a pequena pilha de documentos na mesa que provavelmente teria organizado antes de sair no dia anterior. Era um lembrete de por que ele a mantinha ali: era, de longe, uma das secretárias mais competentes que ele já havia contratado.
Imprevistos podiam acontecer. Ele sabia disso. Mas estava tão acostumado a ter tudo funcionando perfeitamente que qualquer deslize parecia maior do que realmente era. Ele fechou os olhos por um momento, forçando-se a relaxar.

"Preciso ser menos dependente dela para tudo," pensou, mas mesmo enquanto formulava a ideia, sabia que era mais fácil falar do que fazer. tinha um talento único para organizar o caos que era a vida dele, e, por mais que quisesse negar, ele sabia que ela era essencial.

Enquanto refletia, seu celular vibrou novamente, desta vez com uma notificação do calendário. Reunião em 15 minutos. Ele soltou mais um suspiro, olhando para o relógio na parede. "Espero que ela chegue a tempo."

Jaebeom se levantou, ajeitando a gravata, e caminhou até a janela. Lá fora, a cidade não parava, assim como sua rotina. Talvez fosse hora de reconsiderar como equilibrava as coisas – para ele e para quem trabalhava ao seu lado.

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desceu apressada do táxi e parou por um instante para admirar a fachada imponente do edifício onde ficava a empresa de Jaebeom. Não era algo que ela fazia com frequência, mas naquele momento, entre a pressa e a preocupação, a visão do prédio lhe trouxe uma mistura de admiração e nervosismo.
Respirou fundo, ajustou a bolsa no ombro e caminhou apressadamente pelas portas automáticas. O ar-condicionado gelado contrastava com o calor abafado da rua, mas ela mal teve tempo de apreciar o alívio.
– Bom dia, ! cumprimentou o recepcionista com um sorriso educado.
– Bom dia, Sungjin, respondeu rapidamente, enquanto acenava também para a colega ao lado.
Sem diminuir o ritmo, se dirigiu ao hall dos elevadores. O painel eletrônico mostrava uma fila de números piscando, indicando que todos os elevadores estavam em uso e demorariam alguns minutos para chegar ao térreo.
Ela franziu a testa, olhando para o relógio. Não tinha tempo para esperar. Seus olhos se voltaram para a porta da escadaria. Com um suspiro resignado, tomou sua decisão.
– Vamos lá, isso também conta como exercício – murmurou para si mesma, empurrando a porta e começando a subir as escadas.
Os primeiros andares foram fáceis, mas ao chegar ao quinto, já sentia as pernas queimarem levemente. "Ótimo. Além de atrasada, vou chegar suada," pensou, apertando o passo mesmo assim. Não podia perder tempo se preocupando com detalhes agora.
A cada lance de escadas, repetia mentalmente o discurso que faria a Jaebeom. "Desculpe o atraso, foi um imprevisto... Não, isso soa muito genérico. Talvez: 'Prometo que não vai se repetir.' Isso parece sincero."
Antes que percebesse, estava empurrando a porta que dava acesso ao andar da empresa. Com a respiração levemente acelerada e tentando manter a compostura, ela caminhou até a recepção do escritório, pronta para encarar o chefe.
Assim que atravessou as portas de vidro da empresa, ajeitou os cabelos rapidamente com os dedos, tentando disfarçar os sinais de sua corrida. A recepcionista do andar, Jihyo, ergueu os olhos de um tablet e lançou-lhe um sorriso simpático, mas ligeiramente curioso.

– Bom dia, . Tudo bem?

– Bom dia, Jihyo – respondeu com um aceno rápido, tentando soar casual. – Estou ótima, só... um pouco atrasada.

Jihyo riu baixinho, mas não fez mais perguntas. seguiu em frente, caminhando pelo corredor impecável até chegar à porta da sala de Jaebeom. Parou por um instante, respirou fundo e ajustou a postura antes de bater levemente.

– Entre – a voz firme e controlada veio de dentro, fazendo seu coração acelerar um pouco mais.

Ela empurrou a porta, entrando com passos rápidos, mas não apressados, mantendo o máximo de profissionalismo que conseguia. Jaebeom estava de pé ao lado da mesa, analisando alguns papéis, mas ergueu os olhos na direção dela assim que ouviu o som da porta.

– Bom dia, Sr. Lim – disse , inclinando levemente a cabeça em respeito. – Peço desculpas pelo atraso. Foi um imprevisto, mas prometo que não vai se repetir.

Jaebeom a observou por alguns segundos, o rosto inexpressivo, antes de finalmente soltar um leve suspiro.

– Você está quinze minutos atrasada... – começou, a voz calma, mas carregada de autoridade. – E, normalmente, eu não toleraria isso. Mas reconheço sua eficiência, . Só não torne isso um hábito.

Ela assentiu rapidamente, aliviada por não ouvir um tom mais severo.

– Obrigada pela compreensão, Sr. Lim! – respondeu.

Ele fez um gesto para que ela se aproximasse, entregando-lhe uma pasta de documentos.

– Temos uma reunião importante em dez minutos com os representantes da Hanseong Corporation. Preciso que revise esses pontos rapidamente e garanta que todos os arquivos para a apresentação estejam prontos.

– Deixe comigo... – respondeu ela, segurando a pasta firmemente.

Antes de sair, Jaebeom a chamou novamente, dessa vez com um tom mais ameno.

– E, ... Tente não se sobrecarregar. Sei que você sempre faz mais do que o necessário, mas imprevistos acontecem.

Ela parou na porta por um instante, surpresa com a mudança de tom, antes de sorrir de leve.

– Vou lembrar disso, Sr. Lim.

Com isso, ela saiu da sala, já mergulhando mentalmente na lista de tarefas que tinha pela frente. A manhã não tinha começado da melhor forma, mas ainda havia muito tempo para colocar tudo nos eixos.


Segundo Capítulo


Enviou o arquivo para o e-mail do chefe e então clicou para imprimir as folhas e saiu em direção à impressora. Ajustou a saia cinza no corpo que havia subido um pouco por ela ter ficado muito tempo sentada, e esperou pacientemente que todas as folhas fossem impressas.

Logo em seguida pegou as mesmas e voltou para sua mesa, bateu as folhas na mesa fazendo-as ficarem todas do mesmo tamanho e então grampeou as mesmas, colocando-as dentro de um saquinho plástico e logo em seguida dentro de uma pasta.

respirou fundo, certificando-se de que tudo estava perfeitamente organizado dentro da pasta. Alisou discretamente a saia cinza, garantindo que estava alinhada, e pegou a pasta com firmeza. Seus saltos ecoaram suavemente pelo piso de mármore enquanto caminhava com passos decididos até a sala de Jaebeom.
Ao chegar à porta de vidro, bateu levemente duas vezes com os nós dos dedos.
— Entre — a voz grave e controlada de Jaebeom soou do outro lado.
girou a maçaneta e entrou, encontrando-o de pé ao lado da mesa, folheando alguns documentos. A luz suave que entrava pelas enormes janelas destacava o ambiente sofisticado da sala.
— Sr. Lim — ela chamou com um tom respeitoso, estendendo a pasta organizada. — Aqui está o relatório completo para a reunião com a Hanseong Corporation. Incluí os pontos de discussão atualizados e os dados financeiros do último trimestre, como o senhor solicitou.
Jaebeom levantou os olhos, analisando a pasta antes de pegá-la. Seus dedos deslizaram pela capa plástica, inspecionando a organização com um olhar atento.
— Ótimo trabalho. — Murmurou, folheando rapidamente as primeiras páginas. Ele percebeu como tudo estava meticulosamente separado, sem margem para erros.
permaneceu de pé, esperando por alguma instrução adicional.
— Prepare também uma cópia digital desses documentos para apresentar na tela da sala de reuniões. E garanta que a equipe de TI já fez a verificação no sistema de projeção.
Ela assentiu prontamente.
— Vou verificar isso agora mesmo, senhor.
Antes que ela pudesse se virar para sair, Jaebeom a observou por mais um instante.
— Ah, e … — chamou novamente, fazendo-a parar. — Avise o departamento de marketing que quero um breve resumo das últimas campanhas. Não mais que duas páginas.
— Pode deixar que já verifico com eles imediatamente.
Com um leve aceno de cabeça, ela girou nos calcanhares e saiu da sala, sentindo o peso da responsabilidade, mas também o alívio por estar voltando ao seu ritmo habitual.
O dia ainda prometia ser longo, mas estava pronta.
pegou a agenda de capa preta que repousava sobre sua mesa, conferiu rapidamente os compromissos do dia e a colocou debaixo do braço. Sem perder tempo, saiu da sala com passos firmes, já mentalizando a lista de tarefas que precisava cumprir. Cada minuto contava, e ela sabia disso.
Enquanto a porta se fechava suavemente atrás dela, Jaebeom permaneceu em silêncio por alguns segundos, os olhos fixos nos documentos que acabara de entregar. Ele virou algumas páginas, avaliando dados e análises com atenção, mas sua concentração foi interrompida pelo toque discreto de seu celular sobre a mesa.
Ele franziu levemente a testa ao ver o nome piscando na tela. Era o diretor financeiro da empresa, Sr. Park.
Atendeu com a voz firme e direta.
“Sim, Sr. Park?”
"Bom dia, Sr. Lim. Desculpe incomodar, mas surgiu uma situação urgente. Precisamos conversar pessoalmente. O senhor consegue me encaixar por quinze minutos ainda hoje?"
A voz do diretor carregava um tom de urgência incomum.
Jaebeom olhou de relance para o relógio no canto da mesa e pensou nos compromissos apertados antes da reunião com a Hanseong Corporation.
"Tenho uma brecha agora, antes da reunião. Suba para a minha sala em cinco minutos."
"Perfeito, estarei aí."
Jaebeom desligou a ligação com um leve suspiro. Não gostava de mudanças de última hora, mas sabia reconhecer quando algo exigia sua atenção imediata.
Fechou a pasta de documentos, organizou as folhas sobre a mesa com um gesto automático e ajeitou o relógio no pulso. Seja lá o que fosse, precisava ser resolvido rapidamente.

🌹🌹🌹

voltou apressada, equilibrando a agenda e alguns papeis em mãos. Parou diante da porta da sala de Jaebeom e bateu duas vezes, firme.
— Entre! — Ele autorizou, sem desviar o olhar dos documentos.
Ela entrou com passos cautelosos.
— Sr. Lim, aqui estão as informações que o senhor solicitou. O departamento de marketing já está preparando o resumo das campanhas e a equipe de TI confirmou que o sistema de projeção está pronto para a reunião.
Antes que Jaebeom pudesse responder, a porta se abriu novamente. O Sr. Park apareceu com expressão tensa, ajustando a gravata.
— Com licença, Sr. Lim. Estou aqui para conversarmos sobre aquele assunto urgente.
Jaebeom fez um leve gesto com a mão.
— Entre, Sr. Park. , fique. Quero que tome nota de tudo, caso precise registrar algo.
assentiu rapidamente e se sentou ao lado do Sr. Park, abrindo a agenda e pegando uma caneta.
Jaebeom cruzou os braços, impaciente.
— Então, o que aconteceu?
O Sr. Park umedeceu os lábios antes de falar, visivelmente desconfortável.
— É sobre a negociação com a Daehan Group. Eu... sinceramente, não acredito que vamos conseguir fechar o acordo.
Jaebeom franziu o cenho.
— E por quê?
— A Daehan é uma empresa extremamente conservadora, com fortes raízes cristãs. Eles exigem que as empresas parceiras compartilhem dos mesmos valores. Pediu-se discrição, mas essa exigência pesa muito para eles.
Jaebeom inclinou-se para frente, irritado.
— E o que isso tem a ver conosco? Disse a eles que também somos cristãos, mesmo que nós não sejamos? Às vezes precisamos entrar no jogo Sr. Park.
— Disse… — o Sr. Park respirou fundo. — Mas não adiantou. O problema é... o senhor.
Jaebeom arqueou a sobrancelha.
— Eu?
— Sim. Eles acharam estranho que o senhor, com mais de trinta anos, ainda não seja casado. Para eles, é um sinal de instabilidade ou falta de comprometimento. É um ponto que pesou muito na decisão deles.
Jaebeom soltou uma risada baixa, descrente.
— Então agora eu preciso ser casado para fechar um contrato?
O Sr. Park pigarreou, desviando o olhar.
— Para ser sincero, senhor, eu disse a eles que o senhor já está noivo. Que os preparativos para o casamento começariam ainda este ano.
O silêncio tomou conta da sala. arregalou os olhos, surpresa, mas rapidamente abaixou a cabeça para disfarçar.
Jaebeom o encarou, incrédulo.
— Você fez o quê?
— Eles querem marcar uma reunião com o senhor... e com a sua noiva.
A tensão pairou no ar. Jaebeom passou a mão pelo rosto, frustrado, enquanto tentava digerir a informação, já prevendo a confusão que isso causaria.
Jaebeom estreitou os olhos, sua expressão endurecendo.
— Você mentiu sobre um assunto sério desses sem falar comigo antes, Sr. Park? — Sua voz saiu firme, carregada de irritação.
O Sr. Park engoliu seco, visivelmente desconfortável, ajustando a gravata com nervosismo.
— Senhor, me desculpe, mas a situação estava saindo do controle. Se não apresentássemos uma solução imediata, a Daehan poderia recuar. E, com todo respeito, se desistirem, há grandes chances de começarem a manchar nossa reputação no mercado. Eles têm influência... e podem usar isso contra nós.
Jaebeom reclinou-se na cadeira, passando a mão pelo queixo, ponderando. Sabia que o Sr. Park não estava exagerando. A Daehan tinha o poder de fechar portas e dificultar futuras negociações.
— Para quando marcaram essa reunião? — perguntou, com a voz mais contida, mas ainda carregada de tensão.
— Sexta agora. Um jantar formal com o CEO da Daehan e a esposa dele. Eles querem conhecer o senhor... e sua noiva.
O silêncio se instalou por alguns segundos. Jaebeom respirou fundo, sentindo o peso da situação.
— Saia, Sr. Park. Preciso pensar.
O diretor apenas assentiu rapidamente, levantando-se com pressa.
— Mais uma vez, desculpe, senhor. — Ele fez uma breve reverência e saiu da sala, fechando a porta atrás de si.
Jaebeom ficou imóvel, encarando o vazio por alguns segundos. Depois, apoiou os cotovelos na mesa, entrelaçando os dedos diante do rosto.
permaneceu em silêncio, sentindo a tensão no ar.
Ele soltou um longo suspiro, a mente trabalhando a mil. Precisava encontrar uma solução rápida. E sexta-feira estava mais perto do que gostaria.
Jaebeom permaneceu em silêncio por alguns segundos, olhando fixamente para o nada. A tensão em seu semblante era evidente.
Sem desviar o olhar, ele falou com a voz baixa, porém firme:
, pode sair também.
Ela piscou algumas vezes, surpresa, mas logo se recompôs.
— Claro, senhor. — Respondeu rapidamente, levantando-se com cuidado.
Pegou a agenda e a caneta com movimentos suaves, evitando qualquer ruído que pudesse incomodá-lo. Antes de sair, lançou um breve olhar para ele, como se quisesse oferecer algum tipo de ajuda, mas pensou melhor.
Ao alcançar a porta, ela a abriu com cuidado e saiu, fechando-a atrás de si com discrição.
Agora, Jaebeom estava sozinho.
Ele recostou-se na cadeira, passando as mãos pelo rosto. A ideia de inventar uma noiva parecia absurda, mas pior ainda era perder a negociação. Precisava encontrar uma solução... e rápido.

🌹🌹🌹


O restante do dia passou de forma arrastada para Jaebeom. A reunião com os diretores aconteceu como o planejado, mas sua mente permanecia ocupada com a situação envolvendo a Daehan. Ele tentou focar nos relatórios e nos contratos acumulados sobre a mesa, mas as palavras pareciam embaralhadas. Nenhum documento conseguia prender sua atenção por muito tempo.
Depois de mais algumas tentativas frustradas, Jaebeom suspirou pesado e decidiu encerrar o expediente mais cedo. Não era algo que costumava fazer, mas naquele dia abriria uma exceção.
Ao sair de sua sala, caminhou em direção aos elevadores e percebeu que também estava se dirigindo para lá, segurando a bolsa e alguns papeis junto ao corpo.
Antes que o elevador chegasse, o celular dela vibrou dentro da bolsa. revirou os olhos discretamente e atendeu rapidamente.
“Alô? Sim, senhor Kang… eu sei, estou ciente…”— ela olhou de canto para Jaebeom, percebendo sua presença, mas virou-se levemente para o lado. — “Eu vou conseguir o dinheiro dos empréstimos o mais rápido possível, só preciso de mais alguns dias, por favor.”
Jaebeom, mesmo tentando não prestar atenção, não pôde deixar de ouvir.
O elevador chegou, e ambos entraram em silêncio. O ambiente ficou desconfortavelmente quieto por alguns segundos, até que Jaebeom, sem tirar os olhos do painel à frente, quebrou o silêncio:
— Problemas financeiros, senhorita ?
sentiu o rosto esquentar, surpresa pela pergunta direta. Apertou os lábios, ponderando se deveria responder ou não. Ela hesitou por um momento, antes de soltar a resposta, quase como se fosse uma confissão não planejada:.
— Alguns...
Jaebeom a observou em silêncio, sua expressão pensativa. Algo na maneira como ela havia respondido o fez começar a formular uma ideia, uma que ele não tinha considerado até aquele momento. Ele sabia que não deveria se meter nos problemas financeiros dos outros, mas o cenário estava começando a se encaixar de forma estranha na situação em que ele se encontrava.
A simples menção aos empréstimos e ao esforço dela para conseguir o dinheiro de volta o fez pensar em algo. Talvez, se ele pudesse fazer algum tipo de acordo, isso poderia resolver os dois problemas — o dele, com a Daehan, e o dela, com as dívidas que pareciam estar pesando.
O elevador chegou ao andar de baixo, interrompendo seus pensamentos.
deu um leve suspiro de alívio ao sair, mas Jaebeom permaneceu em seus passos, ainda com aquela ideia se formando na mente. Ela não percebeu, mas ele já estava calculando as possibilidades.
— Tenha um bom resto de noite, senhorita — foi o que ele disse, com um tom mais calmo, mas algo em seu olhar entregava que ele estava longe de terminar a conversa.
Jaebeom saiu do prédio com passos firmes, a mente ainda girando em torno da conversa no elevador. Ele caminhou até o estacionamento, onde sua moto estava estacionada, e a ligou, o ronco do motor quebrando o silêncio da noite.
Com o capacete na cabeça e as mãos firmemente segurando o guidão, ele começou a acelerar pelas ruas de Seul, mas sua mente estava longe da cidade movimentada. Ele revisitou a ideia que começava a tomar forma em sua cabeça, suas ideias se ajustando aos poucos. Havia algo intrigante em , algo que ele ainda não conseguia definir, mas que parecia oferecer uma solução prática — uma forma de resolver sua situação com a Daehan sem comprometer mais do que ele já havia se comprometido.
— Ela pode ser minha salvação… — Jaebeom murmurou para si mesmo, como se tivesse chegado a uma conclusão definitiva.
A noite fria batia em seu rosto enquanto ele acelerava, mas algo dentro dele se aquecia com a possibilidade. Ele sabia que estava prestes a entrar em um território desconhecido, mas também sentia que a decisão poderia mudar tudo.
O vento cortava seu rosto, mas ele estava decidido. O capítulo daquela noite estava prestes a se fechar, e um novo começava a se escrever em sua mente.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.
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