Always on my mind

Última atualização: 24/07/2020

Prólogo


estava sentada no chão do banheiro. Não acreditava no que lia, e ainda não conseguia se lembrar como chegara àquele ponto. 

O palito entre seus dedos, com um enorme positivo, parecia cegá-la cada vez mais. As lágrimas já molhavam sua regata preta e suas mãos tremiam, mal conseguindo segurar o palito. Sua voz parecia ter sumido, e ela podia jurar que desmaiaria a qualquer momento. 

. Como vou contar isto a ?
Era apenas o que passava na cabeça da jovem, e ela torcia para arrumar um bom discurso, mesmo sabendo que não seria fácil.


Capítulo 1 - Novo ano, com lembranças do passado.


4 semanas antes...
e não poderiam estar mais felizes, estavam a caminho de um dos lugares que as duas mais amavam ir juntas: Rio de janeiro. 

Era dia 30 de dezembro. Pegaram um certo trânsito em determinado ponto da estrada, pela insistência de de ir de carro por medo de avião, mas não tinha problema, porque a esta altura as duas ouviam a melhor playlist de músicas da Disney e cantavam “A whole new world” o mais alto que conseguiam. 

Eram amigas desde que se entendiam por gente, se tornaram vizinhas aos 2 anos, e seus pais criaram uma grande amizade, o que contribuiu muito para as duas se tornarem melhores amigas anos depois. Fizeram o ensino fundamental juntas, e no ensino médio mudou de escola, o que fez com que ambas conhecessem pessoas diferentes, mas nunca se separarem. Aos 15 anos, as duas tiveram a grande ideia de fazer uma festa para unir os dois grupinhos, o que fez com que conhecesse e conhecesse . 

Quando completou 17 anos, em seu terceiro ano do Ensino Médio, seus pais se divorciaram, o que a mesma nunca entendeu. Meses depois, perdeu seus pais em um acidente de carro, deixando todos extremamente abalados e as duas completamente devastadas. 

ainda era menor de idade, e a parente mais próxima era a tia, que sequer tinha condições de cuidar da garota por ninguém nem saber onde a mesma se localizava. Com medo de que fosse para um abrigo, Viviane, a mãe de , deu entrada em um processo de adoção, o que não demorou muito já que já tinha seus 17 anos e grande convívio com Viviane.

Foi um sonho para e . Elas dividiam o quarto, brigavam por coisas bobas e sempre voltavam a se falar como se nada houvesse acontecido.

Então, ambas começaram a faculdade. quis cursar Moda e Comércio Exterior. 4 anos depois, aos 22 anos de ambas, elas se formaram. começou a trabalhar em uma grande empresa, o que foi promissor para que morasse sozinha. , com muito apoio dos pais, abriu uma joalheria virtual, que carregava seu sobrenome: . 

Meses passaram e, de uma hora para outra, a joalheira se tornou um sucesso e também resolveu morar sozinha, em um apartamento em frente ao de . Foi quando Viviane tomou a decisão de morar na Argentina, o que foi muito apoiado por , que queria a felicidade da mãe.

E agora, aos 24 anos de ambas, trabalhava em uma grande empresa e se dedicava à , que crescia cada dia mais. 


Há quilômetros dali, sentia uma dor de cabeça enorme. Por Deus, por que havia bebido tanto na noite anterior? Ele precisava de analgésicos e paciência para aguentar quase uma hora em um avião para o Rio. 

o buscaria no aeroporto quando chegasse, e juntos iriam para casa alugada por seus amigos para o ano novo. 

Seria o quarto réveillon que todos passavam juntos. Ele não podia negar que sempre era muito divertido. 

nasceu em São Paulo. Quando ele tinha 6 anos de idade, sua mãe engravidou novamente de sua irmã, Victória, mas ele conseguia ver que o relacionamento de seus pais não era o mesmo. Seu pai sempre fazia questão de destacar os piores pontos de sua mãe, e quando sua irmã nasceu as coisas só pioraram. Sua mãe era agredida por seu pai diariamente, e ele pedia todas as noites para que aquilo acabasse, mesmo sendo tão novo. 

Essa rotina durou 3 anos, e um dia, após um surto, seu pai foi embora e nunca mais voltou. Ele não soube muito bem como reagir a isto, mas todos seguiram em frente. 

Aos seus 15 anos, se tornou modelo de revistas juvenis, o que contribuiu para adquirir um pouco de fama. 

Aos 17 anos, não sabia qual faculdade cursar, mas gostava muito de trabalhar com plataformas digitais, foi então que ele criou sua própria marca de roupas, chamada Sunset, com o dinheiro dos cachês de modelo. se tornou seu sócio. 

As seguidoras fiéis de se duplicaram e triplicaram, até atingirem mais de 3 milhões em seu instagram. 

Aos poucos, a empresa foi expandindo, e agora, aos 23 anos (quase 24), ele podia jurar estar na melhor fase de sua vida.


já estava com as malas na frente da saída do aeroporto, com um óculos de sol no rosto e a jaqueta pendurada em seu braço. A camiseta lisa preta havia sido uma péssima escolha, e ele se repreendia por ser tão burro e esquecer do calor do Rio de Janeiro.

Discou os números de seu melhor amigo enquanto revirava os olhos impaciente. Onde havia se enfiado? Era bom ter uma ótima desculpa. Pensou.

— Caralho, aonde você tá? — disse grosso ao telefone e escutou um longo riso do outro lado da linha. — Qual a graça, ? 

— Tá de TPM? Ou é ansiedade pra ver a ? — brincou e ajeitou o óculos no rosto, secando o suor da testa pela décima vez.

— Aonde você tá? — Perguntou novamente, quase se rendendo a pegar um táxi e mandar para puta que pariu.

— Tô atrás de você, deixei o carro no estacionamento. 

então se virou, encontrando seu sócio com um sorriso enorme no rosto. A situação se tornou engraçada, e os dois se abraçaram em meio ao riso.

— Vamos logo, preciso urgente de um analgésico. — afirmou, fazendo uma careta, e assentiu com uma risadinha. Ele imaginou que chegaria de ressaca, era engraçado como podia prever seu melhor amigo.


2 horas e alguns minutos depois.
e finalmente chegaram em Angra dos Reis na casa escolhida por Rachel e Clara, e cada um contribuiu com parte das despesas. Elas esqueceram de mencionar que a casa era quase uma mansão: cinco suítes, duas salas, uma cozinha enorme, sala de jogos e uma piscina gigante.

Eles estariam em 9 pessoas: , , Rachel, Clara, , , Lucas, Ana e Gabriel. Ana e Gabriel ficariam com um quarto, já que eram um casal. Clara e Lucas dividiriam outro. Rachel iria ficar sozinha, e dividiriam a quarta suíte, e a última. 

A realidade é que eles sabiam que, não importava a divisão de quartos, teriam dias que cada um acordaria em um canto, principalmente Rachel, que sempre amava dormir em qualquer sofá. 


Algumas horas mais tarde.
dirigia orando pra chegar logo. Por Deus, que viagem longa. Quando a placa de Angra dos Reis atingiu seus olhos, ela deu um grito. 

— O QUE ACONTECEU? — acordou, pulando no banco do passageiro, e se arrependeu de não ter filmado sua reação.

— CHEGAMOS! — Gritou e a sua melhor amiga a acompanhou. 

colocou o endereço da casa no GPS, e as duas seguiram atentamente a voz irritante do mesmo até à porta da enorme casa. 

Assim que entraram, deram de cara com Rachel com uma latinha de refrigerante na mão. As três garotas correram para se abraçar, e foi engraçado o quanto gritavam, se abraçavam e pulavam ao mesmo tempo. 

De tanta gritaria, Clara e Lucas apareceram na sala da casa, e riram ao perceber que se tratava das três. cumprimentou o casal de amigos, que raramente via pela correria do dia a dia, e riu quando Clara mordeu sua bochecha levemente.

— Caralho, eu tava com saudade de vocês! — disse, pegando o refrigerante da mão de Rachel, que riu da atitude da amiga.

— Cade o resto do pessoal? — perguntou e todos a olharam com um sorriso malicioso, sabendo que ela queria saber de uma pessoa especificamente. — Argh, eu odeio vocês! — Disse e riu logo em seguida.

e saíram para comprar umas cervejas, Ana e Gabriel estão arrumando as coisas deles lá em cima. — Respondeu Clara.

Conversaram um pouco mais sobre como tinha sido a longa viagem até o Rio e sobre como as duas estavam cansadas. Logo, afirmaram que iriam subir para arrumar as coisas no quarto e, assim que adentraram o local, pularam como duas malucas em cima das camas.

— Já sabe as regras né? — perguntou a , que se jogou para trás, ficando esparramada na cama.

As regras sobre a divisão de quarto haviam sido criadas quando ambas tinham 9 anos e viajavam juntas com suas famílias. Conforme o passar dos anos, elas acrescentaram algumas, como: Não trazer garotos para dormir enquanto a outra estiver; Não deixar a chapinha ligada em cima da cama; Colocar as toalhas penduradas no banheiro; Dividir sempre o shampoo e as maquiagens... E a regra principal: Não acordar a outra, se não for algo grave! 

— Óbvio, é nossa milésima viagem juntas. — respondeu e gargalhou, confirmando. 

Depois de alguns minutos das duas se acomodando no quarto, a porta foi aberta, revelando Ana e Gabriel bem sorridentes, e as duas foram abraçá-los. O casal era pouco visto por elas pelo fato de morarem no Rio. Algumas vezes, quando vinha a trabalho, ela arrumava um jeitinho de vê-los.

— Os meninos fizeram hambúrguer, desçam pra comer! — Avisou Gabriel.

— Já vamos! — afirmou. 


Minutos depois, as meninas haviam tomado banho a fim de tirar um pouco da exaustão causada pela viagem. vestiu um short com uma camiseta qualquer, e decidiu descer descalça mesmo e com os cabelos úmidos.

Quando terminou de descer o último degrau, suspirou por um segundo, encontrando ele, sem camisa, com uma bermuda verde água, e os cabelos despenteados. ria de uma coisa qualquer com , escorado no balcão da cozinha. 

! — disse, animado, assim que percebeu a presença da mesma na cozinha, assustando , que olhou para direção da garota.

— Oi, ! — Respondeu e em seguida deu um abraço em . 

adentrou a cozinha, abraçou e passou reto por que estava ali, indo diretamente aos hambúrgueres.

se virou e abraçou rapidamente , e logo foi na mesma direção de .


Capítulo 2 - O primeiro flashback.


Passava das duas da manhã, e estavam deitados em suas camas, olhando o teto e ambos pareciam estar perdidos em seus pensamentos. tentava se lembrar o porquê de não falar com ele, e se arrependia por ser tão babaca com . Se pudesse voltar no tempo, pensava. 


Flashback (três anos antes).
Era o dia da festa de comemoração de 3 anos da Sunset, marca de roupas de e . A festa seria sofisticada, dentro de um espaço alugado por eles. Algumas peças de coleções famosas da marca estavam expostas em manequins pelo salão e luzes escuras tomavam conta do lugar, deixando o foco apenas nas peças e no palco.

estava emocionado. Jamais imaginara que, com três anos de loja, teriam tanto sucesso a ponto de proporcionar uma festa daquelas. 

Eram 20h quando ambos adentraram o salão, vestindo a coleção exclusiva de aniversário da marca e sorrindo. Cumprimentaram algumas pessoas e foram em direção ao bar. tinha prometido a si mesmo que encheria a cara após o discurso, que seria às 22. No momento, ele tomaria apenas uma dose.

Pediram whisky com gelo e logo os copos foram colocados no balcão, levou aos lábios e sentiu o gosto forte do whisky. Desejava mais dez, e teve a certeza quando seus olhos encontraram os dela. 

— Parece que viu um fantasma! — Disse , e, quando olhou na direção de , entendeu o motivo da expressão do sócio. — A ... Tá loira? — Perguntou.

estava decidida a provocar, ninguém a tratava daquele jeito. Ele achava que ela era o quê? Um passatempo? era mais, e ela sabia disso. 

Naquela noite, colocou uma blusa frente única prateada, com uma saia preta justa e um salto alto preto. Deixou o cabelo solto, com cachos na ponta, havia feito algumas luzes na semana anterior que haviam dado um efeito radiante. O esfumado preto nos olhos completou o look da garota, que prometeu a si mesma mostrar o que ele havia perdido.

Quando adentrou o salão, seus olhares não demoraram a se encontrar. Ela fez a melhor cara de deboche que poderia fazer, caminhando até ele, que estava sentado no bar.

— Oi. — Deu um abraço em e em seguida abraçou . 

— Achei que não viesse. — Confessou no ouvido da garota, que riu de leve. 

— Só pelo que você disse sobre nunca sermos um casal? Eu nunca achei que seríamos. — Respondeu baixo.

O abraço se desfez, o garoto ficou completamente em choque. Havia feito merda e sabia disso. Teria de arcar com as consequências a noite toda, vendo ela linda, mas com raiva dele.

— Eu quero uma vodka, por favor. — Pediu ao barman, que logo a entregou. — Obrigada! — Piscou para o mesmo, que ficou com as bochechas coradas.

saiu pisando duro dali, indo em direção aos outros amigos, cumprimentando um por um. Enquanto do outro lado, sorria, escondendo o sentimento de tristeza e raiva por ter ouvido aquelas palavras de .

Tomou mais três doses de vodka enquanto conversava com uma mulher que se sentou ao seu lado. Respirou uma, duas, três vezes. E levantou, a fim de ir para perto do palco ouvir o discurso de e .

— Boa noite. — Começou . — Somos gratos por termos todos vocês aqui! — Sorriu, abraçando de lado.

— E, além de tudo, somos gratos por ter tanta gente que apoia nosso sonho. — Continuou e jurava que ele choraria ao fim do discurso. 

— A Sunset foi a minha salvação e a de , e espero que tenhamos muitas festas para comemorar muitos aniversários de sucesso! — Finalizou . 

— 3 ANOS DE SUNSET! — disse por fim, e confetes começaram a cair. 

e se abraçaram, descendo do palco e cumprimentando alguns fotógrafos presentes na festa. Quando finalizaram algumas fotos, foi atrás de e para o bar. 

No caminho do bar, ouviu o riso familiar e por reflexo virou a cabeça, encontrando conversando com um de seus amigos, Noah. 

Noah era o estilo de cara que conquistava qualquer uma. Tinha um papo legal, era bem bonito, e fazia todos rirem em momentos aleatórios. 

gostava muito de Noah, e já viu ele saindo com algumas garotas. Mas, por Deus, era a ali! Ele se sentia mal por ter dito que ambos nunca seriam um casal, e sabia que ela fingia ter lidado bem com aquilo. Ele queria acreditar que ela estava fingindo. 

Quando percebeu, seus passos o guiavam em direção aos dois, e quando chegou, Noah o abraçou. 

— Caralho, , Parabéns! — Disse Noah e não conseguiu conter um sorriso.

— Obrigado! Fico feliz que tenha vindo! — Agradeceu e revirou os olhos. — , vamos comigo até o bar? — Olhou para garota, que o fuzilava com olhar. 

— Não. — Respondeu , já sem paciência. 

— Por favor? — Tentou , mais uma vez observando a garota bufar.

— Volto já, Noah. — deu um beijo na bochecha de Noah, que parecia não estar entendendo nada daqueles dois. 

Pegou na mão de com força e o arrastou até o bar. Ela estava puta da vida, ele sabia disso. Quando chegaram, pediu outra vodka, e outro whisky. 

— Qual é? Quem você acha que é? A porra do meu dono? Acorda! — Disparou , após tomar um longo gole da vodka que fervia em seu sangue.

— Não acho nada, caralho! Só... — Começou.

— Só o quê? Só não consegue elevar isto né? Eu tenho que te esperar, até você decidir o que quer da vida. Mas isso — Fez um gesto indicando os dois. — Acabou. Independente do que seja. Eu cansei de jogar o seu joguinho! 

virou o resto da vodka e sem nem dar tempo para falar, saiu da festa sem olhar para trás, o deixando com a verdade e com a sensação ruim do arrependimento. 

Flashback off.


— Tá aí? — chamou a atenção de .

— Oi, que foi? — Respondeu , ainda olhando para o teto. 

— Você tava longe, huh? Tava pensando em quê? — Perguntou .

— Eu sou um merda. — bufou.

— Um dia vendo a e você já tá assim? — riu e sentiu vontade de sufocar o melhor amigo.

— Você tá todo bobão porque não quer saber de você! — Respondeu.

— Ok, somos dois idiotas. — Confessou e foi a vez de rir. — Mas, sério, , já tá na hora de você e a seguirem em frente, vocês dois parecem não cansar de sofrer... — Deu uma pausa. — Eu sei que eu e não somos exemplo, mas vocês já passaram muito mais coisas juntos do que nós. Tá na hora de parar de sofrer, cara, uma hora isso vai acabar com vocês! — Finalizou .

— Eu sei, mas não consigo. — passou às mãos pelo cabelo, irritado. — Eu gosto dela, eu sei que ela gosta de mim, e todas as vezes que tentamos romper... seja lá o que temos, algo nos une. 

— Cara, uma hora vai acontecer algo sério e vocês vão ter que decidir se vão ficar juntos ou não. — Disse e atirou um travesseiro em sua direção. — Outch! O que foi? — Reclamou.

— Você parece a Raven. — começou a gargalhar.

— Raven? — Perguntou confuso.

— É, de ‘As visões da Raven’, tá prevendo o futuro, sócio. — atirou o travesseiro de volta em , que resmungou. 

— Boa noite, Chelsea. — Respondeu , entrando na onda do melhor amigo, e os dois riam ainda mais.


Capítulo 3 - Escolhas.


A manhã não poderia estar melhor. Era dia 31 de dezembro e já estava de biquíni por baixo do short, já havia tomado café da manhã e agora terminava de arrumar suas coisas para encontrar os outros que já estavam na praia. 

Colocou por fim o protetor solar na bolsa, chamou Rachel e agora as duas caminhavam animadas até a praia, que não era longe por sinal. 

— Tomara que tenha uma budweiser bem gelada naquele cooler, sério! — Rachel disse e riu levemente.

— Não beba muito, temos a noite ainda! — Avisou .

— Pode deixar, baby, beberei o suficiente para entrar no mar e caçar meu tritão! — Piscou Rachel para , que gargalhou.

Quando chegaram, rapidamente acharam seus amigos, estendeu sua esteira ao lado de Clara e Ana, e estava decidida a pegar um bom bronzeado, enquanto tomava uma cerveja gelada que ofereceu.

As três engataram uma longa conversa sobre seus trabalhos, as suas rotinas, e logo a conversa caiu para casamento. não conversava frequentemente sobre seu ponto de vista em relação a isto, mas gostava de saber os planos de cada uma de suas amigas. Achava engraçado as perspectivas sobre como a vida deve ser: Casar; comprar uma casa; engravidar.

Das três, Ana era quem estava mais próxima do trajeto, fora pedida em casamento dois meses antes, e estava animada para o evento. Clara estava morando com Lucas, e esperava ansiosamente seu pedido de casamento. 

— Não tenho planos para casar, mas é meu sonho! — Clara anunciou e riu. — Qual é? Fico emocionada só de pensar em um vestido branco!

— Eu não quero uma enorme cerimônia, só quero oficializar! — Disse Ana. — Algo simples e bonito. Não queremos casar na igreja. E você, ? Quais seus planos? — Perguntou e riu levemente. 

— Não sei, não quero casar, é só um título pra mim. — Suspirou. — Não muda nada no relacionamento, certo? Digo, se você já mora com a pessoa. — Deu uma pausa. — Acho que só me casaria se estivesse muito apaixonada. 

— Credo, você é fria! — Ana disse e todas riram. — Quero uma madrinha bem sorridente! — Continuou e os olhos de se arregalaram. 

— Madrinha? Jura? — Perguntou, se sentando na esteira, e Ana a acompanhou. 

— Claro! Vocês todas! , vocês são nossa família, e isso nunca vai mudar. — Ana finalizou e as duas se abraçaram, puxando Clara também. 

— Assim eu choro. — disse baixinho, arrancando risadas das duas amigas.

— O gelo está derretendo! — Clara respondeu e todas riram.

Após o momento de carinho entre as amigas, terminou sua cerveja e caminhou até o cooler, que estava ao lado de . Levantou a tampa e logo a voz que ela não queria ouvir atingiu seus ouvidos.

? — Chamou o garoto. suspirou, contou até dez e olhou para o mesmo.

— O quê? — Perguntou enquanto pegava a garrafa de cerveja e fechava o cooler.

— Podemos conversar? — Perguntou o garoto, apreensivo, e por um momento pensou em negar o pedido, entretanto a curiosidade era maior.

— Podemos. — Respondeu, pegando o garoto de surpresa. — Vou daqui a pouco pra casa, se quiser, podemos conversar no caminho. 

— Ok. — Assentiu .

Ambos estavam apreensivos sobre como a conversa prosseguiria. Da última vez que conversaram, as coisas terminaram piores do que antes da conversa. sabia que logo o “casal prometido” teria de acabar, ou acabaria com os dois.

sentou-se novamente entre as garotas, que agora conversavam sobre seus planos para o próximo ano. Começou a sentir falta da , que não estava entre as amigas e nem entre os meninos, procurou e ele não estava em canto algum, imaginou o que havia acontecido...


Um pouco mais tarde, e trocaram olhares cúmplices, era a hora. levantou primeiro, e em seguida.

— Ei, já volto, esqueci meu celular e, vocês sabem, fico apreensiva de alguém importante me ligar. — Avisou e os amigos riram. 

— Quando voltar, traz a minha toalha? — Pediu Rachel e assentiu. 

— E você, ? — Perguntou Lucas e todos caíram no riso quando os olhos dele se arregalaram, entretanto ninguém questionou mais nada.

rapidamente vestiu o short, deixou a bolsa com as meninas e começou a caminhar com em seu encalço, o caminho de volta seria mais longo e ela sabia disso.

— Sobre o que você quer conversar? — Perguntou, apreensiva. 

— Eu sei que o que aconteceu da última vez não foi legal, nem pra mim, nem pra você. — riu, irônica, enquanto prendia seu cabelo em um coque. — Mas não precisamos trazer isso pra essa viagem, nem pra esse ano. Não somos as melhores pessoas um para o outro, , e eu não aguento mais nos ver sofrendo. Precisamos ser diferentes. — Suspirou, sentindo o peito doer.

— Eu quero que seja diferente também, precisa ser diferente. — respondeu, sentiu o coração apertado ao final da frase. Não haviam sido as melhores pessoas nos últimos anos, era tempo de mudar. 

— Eu sei que tenho sido um idiota, mas eu me importo, , me importo muito. Nunca quis que as coisas tivessem que terminar. — Suspirou, e só queria que aquela conversa acabasse logo, antes que as lembranças a machucassem ainda mais.

— Tudo bem, vamos fazer diferente. 

Concordou , se virando para e estendendo a mão, como se selassem um acordo. arqueou uma sobrancelha e ela quis rir, mas não fez. O garoto a puxou para um abraço e ela sentia que ia derreter a qualquer momento. Um sentimento de término rodeava os dois e eles tentavam se convencer que necessitavam daquilo, necessitavam do fim. 

O abraço se desfez, e perceberam que estavam em frente à casa. Entraram juntos, ouvindo um estrondo vindo de cima. 

— EU TE ODEIO! SAI! — A voz de era ouvida e os dois subiram correndo.

— Mas que porra tá acontecendo aqui? — disse, adentrando o quarto que e dividiam, encontrando desesperado enquanto a garota gritava.

— Viemos conversar e ela só sabe gritar e me jogar as coisas. — respondeu e sentou na cama com os braços cruzados.

— Vai se foder! Ele veio me pedir um aval, não conversar! — Disse .

— Você falou da Júlia pra ela, não é? — perguntou pra , que assentiu. — Puta que pariu, , sai daqui vai! 

— Júlia? — olhou para , que balançou a cabeça, dando a entender que explicaria depois.

Os garotos saíram do quarto, deixando as duas. foi em direção ao criado mudo, encontrando o celular. Apertou o botão power e as notificações começaram, haviam algumas mensagens que ela leu por cima, nada de importante, provavelmente sua mãe ligaria mais tarde. As fãs de , começaram a seguir , era toda vez assim, os números de seus seguidores dobravam quando estavam juntos, estava acostumada. 

Colocou o celular no bolso e voltou a atenção para , que agora chorava de raiva e um pouco de tristeza por . Odiava ver a irmã daquele jeito, sentou-se na cama ao lado de e a abraçou. 

— Ei, estamos no Rio! Amamos aqui! O ano novo é mais tarde, eu trouxe um colar da lindo pra você. Depois de amanhã ficamos tristes, hoje não! — Disse e secou as lágrimas. 

— Tudo bem, conversamos sobre isso depois. — Forçou um sorriso e , que já estava com o coração apertado, sentiu-o apertar ainda mais.


Capítulo 4 - Retrocesso?


se encarava no espelho com um sorriso. Tinha amado sua roupa, seu cabelo estava natural e as bochechas rosadas pelo sol. Tinha decidido não usar maquiagem alguma, e as joias douradas da com seu vestido branco contrastavam com a vermelhidão de sua pele causada pelo sol.

Mesmo com tudo “perfeito”, sabia o quanto doía lá no fundo, e o sorriso, que antes brilhava em seu rosto, murchou. Uma lágrima quis cair ao lembrar da conversa de horas antes, mas ela respirou fundo e prometeu entrar no novo ano com pensamentos felizes. Vai ficar tudo bem, pensou.

Abriu a porta do banheiro dando de cara com , ela estava animada com o Ano Novo. sabia que era para tentar esconder o fato de estar com outra pessoa, mas não falaria nada à irmã, que por sinal, estava linda. Usava um vestido rose longo, os cabelos estavam soltos em ondas que a mesma havia feito com babyliss, a maquiagem era leve mas com alguns brilhos. 

— Ei? Cadê seu sorriso? — Questionou , sorrindo, e sorriu no mesmo momento. — Senta aqui! — Puxou pelo braço, sentando-se uma de frente à outra na cama. — Você está linda! E eu sei que não é um momento pra falar disso, mas esse ano vai ser diferente. Eu sei que vai! — olhou pra cima enquanto respirava fundo, controlando as lágrimas. — Vai acontecer algo muito bom em nossas vidas, a melhor coisa! Vai ser o ano da decisão, . 

— Ano da decisão? — Questionou com a sobrancelha arqueada.

— Sim, ano da decisão. O ano em que vamos saber se é pra ficarmos com eles, ou não. — Respondeu , e achava aquela conversa muito estranha. — Eu sinto que é este ano! 

— Credo, ! Tô toda arrepiada! — Brincou , e riu.

— Minha mãe conversou comigo em um sonho! — Contou .

sabia que, quando a sua tia de consideração aparecia em alguns sonhos de , algo sempre acontecia em seguida. Ela não era ligada em religião alguma, mas acreditava que era uma forma de ter um contato com a mãe, e ambas sempre tentavam seguir os conselhos da mãe de . 

— O que ela disse? — Perguntou.

— Disse que algo muito bom vai acontecer, que precisamos ter calma, principalmente você! — terminou de contar e sorriu. — O ano da decisão, fui eu que senti.

— Algo bom... O que será que é? — Questionou. 

— Sei lá, mas, quando é algo bom, é algo bom! — As duas riram. 

— Temos que ir. — Alertou , levantando e puxando . — Vamos ser firmes! 

— Isso, firmes! — Bateram as mãos e fecharam a porta do quarto.


Era 22h00 quando chegaram na praia, haviam comprado alguns drinks e conversavam enquanto esperavam o horário da queima de fogos chegar. tinha trocado alguns olhares com , mas ambos tentavam evitar o contato visual. conversava com Rachel animadamente, ouvindo as histórias malucas da amiga sobre uma noite em Noronha. Enquanto estava animado conversando com Lucas e Clara sobre algo aleatório, e torcia para ter tido uma boa conversa com ele.

estava no quarto drink, tudo estava meio embaçado e ela ria abraçada a Rachel quando iniciaram a contagem regressiva. 

Dez... — A multidão começou e abraçou de lado, bêbada e saltitante.

— Eu amo vocês! — Rachel abraçou as amigas.

Nove...
— Eu odeio os homens! — fez uma careta e gargalhou. 

Oito...
— Eu vou morrer solteira! — Comemorou Rachel.

Sete...
— Eu quero pelo menos um filho pra não ser tão sozinha, ou uns cachorros. — Disse .

Seis...
— É, filho não! Talvez daqui uns 10 anos. — Repensou.

Cinco...
— Gato, ! — Lembrou .

Quatro...
— Tenho alergia! — Lembrou . — Acho que cachorros. 

Três!
— Vou estar com você pra qual você quiser! — Lembrou e as três formaram um abraço estranho.

Dois!
— Eu queria que ele também estivesse. — Sussurrou , de modo imperceptível para as duas amigas.

Um! Feliz ano novo!
As três correram para o mar, molhando os pés e fazendo uma “mini” guerra de água, o que não durou muito, já que voltaram para abraçar seus amigos.


(Super Trouper – Abba)
I was sick and tired of everything

Eu estava cansada de tudo
When I called you last night from Glasgow

Quando te liguei ontem a noite de Glasgow
All I do is eat, and sleep, and sing

Tudo que eu faço é comer, dormir e cantar
Wishing every show was the last show

Desejando que cada show fosse o último show
So imagine I was glad to hear you're coming

Então imagine como eu fiquei feliz em saber que você está vindo
Suddenly it feels alright

De repente sinto que está tudo bem
And it's gonna be so different

E tudo vai ser tão diferente
When I'm on the stage tonight

Quando eu estiver no palco esta noite

se sentia animada pelo álcool, e a falta que sentia dele era inevitável. Era a bebida e estava certa disso, mas não pensou muito no minuto seguinte. estava distraída com Rachel bêbada, quando aos poucos se aproximou de , ficando lado a lado a ele, que encarava o mar com um copo na mão. 

— Eu odeio você. — Disse a garota e riu no mesmo momento que terminou a frase. 

— Me odeia? — Questionou o garoto, irônico. 

— Sim, odeio. — Respondeu firme, cessando a risada e encarando o mar.

— Posso perguntar a razão? — respondeu.

— Tudo. — Colocou uma mecha de seu cabelo atrás da orelha. 

— Nem tudo foi minha culpa. — Disse, e então virou a cabeça e encarou a garota.

— Eu sei, e isso me deixa com mais raiva ainda. — Bufou e bebeu mais um gole de bebida.


Lights are gonna find me

Luzes vão me encontrar
Shining like the sun

Brilhando como o sol
Smiling, having fun

Sorrindo e me divertindo
Feeling like a number one

Me sentindo a número um
Tonight the

Esta noite
Super Trouper

Super trouper
Beams are gonna blind me

Raios vão me cegar
But I won't feel blue

Mas eu não me sentirei triste
Like I always do

Como sempre me sinto
'Cause somewhere in the crowd

There's you

Porque em algum lugar da platéia, está você.

— Podemos conversar amanhã, se quiser, eu e você estamos bêbados. — Disse e a garota o encarou de volta.

— Bêbado quanto? — Arqueou a sobrancelha, maliciosa. 

— Não, , eu te respeito! — Disse e a garota gargalhou.

— Era pra entrar no mar, pervertido. — Riu e puxou a mão do garoto.

— A água tá gelada! — Reclamou .

— Deixa as coisas com os chinelos. E vem! — Disse colocando os pés na água, que encharcava o vestido. 

! 

— Se você não entrar comigo, vou entrar sozinha! — Pirraçou e arrumou as coisas na areia, tirando a blusa e acompanhando a garota de vestido no mar.


Facing twenty thousand of your friends

Enfrentando vinte mil dos seus amigos
How can anyone be so lonely?

Como alguém pode ser tão solitário?
Part of a success that never ends

Parte do sucesso que nunca acaba
Still I'm thinking about you only

Ainda estou pensando somente em você
There are moments when I think I'm going crazy

Existem momentos que penso que estou ficando louca
But it's gonna be alright

Mas tudo vai ficar bem
And it's gonna be so different

E tudo vai ser tão diferente
When I'm on the stage tonight

Quando eu estiver no palco esta noite

sentia o coração pulsar mais forte vendo a menina sorridente adentrar o mar como uma doida em seu vestido longo. Ele sorria bobo, olhando como ela era linda em um momento tão aleatório. Quando chegaram em um ponto onde a água batia em seu ombro e no peito de , pararam de caminhar, ficando um de frente ao outro. 

— Feliz ano novo, Nemo. — Sussurrou.

— Pra você também, Dory. — Respondeu.

puxou a garota para mais perto e a mesma entrelaçou as pernas em sua cintura quando os olhares se cruzaram. O rosto de a milímetros do seu o fez se perder, e logo ambos não resistiram e seus lábios se encontraram. 

O que seria doce, aos poucos explodiu, se tornando algo mais quente. segurava o rosto de com força, e a mesma puxava seus cabelos. 

— Ei. — Disse , interrompendo o beijo, o que fez a garota sussurrar algo em protesto. — Conversamos hoje cedo sobre isso, não podemos... 

— Você que sabe, então. — o soltou e foi caminhando em direção à areia sem se lembrar do seu vestido branco.

— Ai, meu Deus. — correu rapidamente em direção à sua blusa, vestindo a garota rapidamente. Que bom que ela é baixinha, pensou. — Você faz muita pirraça bêbada. — Afirmou e a garota gargalhou.

— Tenho que tomar banho. — fez uma careta e assentiu. 


pensou em avisar os amigos, mas sabia que metade já deveria ter ido pra casa e a outra metade estava completamente bêbada. Segurou na mão de , que, mesmo depois de entrar no mar, ainda não estava sóbria, e juntos seguiram até a enorme casa. 

Quando chegaram, caminhou tranquilamente com até a escada, ouviram alguns gritos da piscina e deduziram que provavelmente alguns de seus amigos estavam lá. Ajudou a garota a subir degrau por degrau, e então chegaram à porta do quarto da .

— Entra e toma banho, ok? Vou buscar água pra você. — Disse e assentiu de uma forma engraçada, e adentrou o quarto. 

Entretanto, começou a pensar na possibilidade da garota tomando banho sozinha e, mesmo com o arrepio percorrendo sua espinha, achou melhor esperá-la no quarto, caso algo acontecesse. Já havia dado banho em inúmeras vezes, principalmente quando eram mais novos e estava sempre presente na noite da tequila. 


Flashback (5 anos antes).
— Você sempre me leva embora na melhor parte! — bufou como uma criança quando colocou a garota no sofá. 

— Não me irrita, , levei um soco por sua causa! — Retrucou , nervoso, tirando as botas de , que ria.

— Levou por se meter onde não foi chamado. — revirou os olhos.

— Ah, é? Você estava em cima da mesa de três caras tirando a roupa, com certeza você vai me agradecer amanhã. — Piscou para garota, que mandou um beijo.

— Ciúmes. 

— Ache o que quiser, vem, vamos tomar banho. — Puxou pela mão e a mesma tirou a saia. 

está aqui? — Perguntou.

— Não, estamos na minha casa. — Disse enquanto a ajudava a tirar a blusa dentro do banheiro. — Ok, agora vamos entrar no chuveiro. 

ligou o chuveiro no frio, sabia que na hora ela reclamaria, mas precisava ajudá-la a melhorar naquele momento. fez uma cara feia quando encostou na água, pulando rapidamente ao lado de .

— Eu não vou entrar aí! — Reclamou, cruzando os braços.

— Por favor, . — Pediu. 

— Não, porra! — A garota retrucou.

— Você não ajuda! — revirou os olhos e deixou escapar uma risadinha.

— Nossos filhos vão te odiar se você for chato assim. — Gargalhou e o garoto não aguentou e acabou rindo junto.

— Vamos ter filhos? — Questionou e assentiu seriamente.

— Claro, a Luísa e o Sky. — Afirmou. — Talvez Stella. Eu era ela das Winx. 

— Já temos até os nomes? Vem, vamos entrar no chuveiro. — Tentou puxar a garota mais uma vez e riu quando ela puxou o braço dele.

— Entra comigo? — Pediu e fez uma careta. — Pela Luísa e pelo Sky! 

— Tudo bem, vamos. — Concordou.

e entraram no chuveiro abraçados, de roupa mesmo, e de calcinha e sutiã. Ele auxiliou no banho e, quando saíram, deu uma camiseta e uma de suas cuecas pra ela, que vestiu. Ambos deitaram na cama de , mas ele sabia que logo teria que acordar para ajudá-la quando ela estivesse vomitando. 

Flashback off.


Naquele momento, não daria banho na garota. As coisas eram diferentes de quando tinham 19 anos, eram bem diferentes. 

Ele riu levemente com a lembrança e decidiu descer rapidamente para buscar água. Quando voltou, já tinha saído do banho e estava de toalha e com os cabelos molhados em pé. 

— Trouxe água pra você. — Disse.

— Obrigada. — Agradeceu e sentou-se na cama, levando as mãos ao rosto.

— Ei, o que foi? — Perguntou , sentando ao lado de .

— Eu fui atrás de você — começou a gargalhar e arqueou a sobrancelha, sem entender. — Eu prometi que nunca mais iria atrás de você. — Continuou a gargalhar, parando para respirar entre algumas palavras. — Você... você partiu meu coração, e agora estamos aqui...

... — Interrompeu-a.

— Não, não. — A garota recuperava o fôlego. — E nós nos beijamos. 

não tinha reação, apenas a encarava sem entender. Ele estava um pouco bêbado e já achava tortura cuidar da garota, mas ouvir dela que ele havia partido seu coração, também partia o dele. 

— Tudo bem, chega. — cessou o riso e olhou nos olhos de .

— Você é impossível. — Disse, se levantando da cama.

— Eu? — perguntou, se levantando também. 

— Sim, você. — Debateu.

— Qual é? Eu só bebi, você já fez coisa pior. — Disse a garota e arregalou os olhos. 

— Quer saber? Já chega pra mim! JÁ CHEGA! — saiu batendo a porta do quarto.

bufou e sentou na cama. Precisava de um roupa, lembrou. Caminhou até a mala, pegando o primeiro pijama que viu e vestiu-o logo em seguida. Não foi um processo rápido, já que mal conseguia se equilibrar.

Logo após, deitou em sua cama, fechando os olhos e adormecendo rapidamente. Álcool, claro.


Capítulo 5 - A última noite.


acordou se sentindo um pouco tonta, olhou para o lado e não havia chego ainda, então deduziu que não havia dormido muito tempo. Ainda se sentia um pouco alterada, e o que fez no segundo seguinte só confirmou isto. Saiu de seu quarto e foi até o fim do corredor, abrindo a porta do quarto de e se jogando na cama dele em seguida. Sentia o perfume do garoto em suas narinas, e isto fazia seu peito apertar levemente.
A porta do banheiro se abriu e o garoto tomou um susto quando a viu deitada em sua cama. Como ela tinha parado ali? E como podia ser tão bonita em momentos tão simples?
— Porra, , você não tem jeito. — Disse e deitou ao lado da garota, colocando um travesseiro entre os dois.
O olhar dos dois se encontrou no segundo seguinte. Ambos estavam alterados, um pouco menos, mas ainda estavam. E levantou o olhar, encontrando os olhos dele.
— Odeio quando você bate a porta. — Disse baixo.
— Eu sei, e eu odeio quando você enche a cara assim. — Retrucou e a garota revirou os olhos.
— Não odeia não, e por que o travesseiro? Tá com medo de mim? — Perguntou e riu em seguida.
— Sim, vai que você me agarra do nada. — Respondeu, rindo.
— Hm... — olhou, maliciosa, e sentiu um frio na espinha. Ela jogou o travesseiro no chão, aproximando seu rosto do garoto.
— Nem pense, , o dia foi longo pra nós, conversamos hoje. — Disse e a garota revirou os olhos, e em seguida, fingiu não ouvir.
Foi distribuindo beijos no pescoço do garoto, que estava em uma guerra com si mesmo, mas, quando os beijos de chegaram a boca dele, ele não se conteve. Sentia e mesma sensação de como foi a primeira vez que dormiram juntos, e, se não fosse pelo caminho que a relação deles seguiu após isso, poderiam ter algo melhor hoje em dia.
O resto da noite foi apenas dos dois, em um momento deles. Quando o dia começou a amanhecer, e sentiram o peito apertar, e prometeram que aquela seria a última vez que dormiriam juntos e que deveria ser esquecido. Mas como poderiam esquecer, se a única coisa que conseguiam sentir era uma sensação de término e saudade?

Dois dias depois...
e haviam acabado de chegar em São Paulo. A volta tinha sido tranquila e, agora, estavam jogadas no sofá da sala de esperando uma pizza chegar. Ainda não tinham conversado sobre o acontecido de duas noites atrás, mas sabia que logo teria de contar detalhe por detalhe pra .
Enquanto a pizza não chegava, decidiu tomar um banho, e ficou na sala procurando algo para assistirem. Quando retornou de cabelos molhados e pijama, observou assistindo um episódio de Grey’s Anatomy com um pedaço de pizza na mão, sorriu e se juntou à garota.
— Ei, tá na hora de conversarmos sobre o que aconteceu no ano novo... — Disse , encarando , que pegava um pedaço de pizza.
... — olhou para garota, que revirou os olhos.
— Anda, ! — Pediu e estremeceu.
— Você sabe o que aconteceu, e, pra ser bem sincera, eu nem lembro direito. — Respondeu indiferente, dando uma mordida na pizza.
— Pode até não lembrar de tudo, mas de alguma coisa você lembra. — Retrucou , já irritada.
— Ok. — Disse e respirou fundo. — Acho que fui atrás dele, mas não lembro o que eu disse, entramos no mar, isso eu sei porque meu vestido estava encharcado no outro dia. Lembro de voltarmos pra casa, e eu aparecer no quarto dele e transarmos. É tudo que eu lembro, não lembro nem das nossas conversas. — Balançou a cabeça, envergonhada. — Depois de transarmos, voltei pro nosso quarto e dormi!
— E como você está se sentindo com isso? — perguntou.
— Não sei... — Confessou. — Estou brava comigo mesma por ter ido até ele, e estou triste porque agora parece que é o fim mesmo, sabe? Eu só não quero pensar.
— Sei, isso significa que não podemos beber perto deles. — Riu e a olhou com a sobrancelha arqueada. — Não, não! Não aconteceu nada entre nós, ele tá com aquela tal de Júlia, e eu fiquei cuidando da Rachel, que vomitou no quarto dela inteiro...
As duas riram, era típico de Rachel o vexame de ano novo, e era sempre engraçado.
— Vou focar na . — Afirmou .
— Mas, , não fica adiando seu sofrimento, porque eu te conheço e sei que, quando você realmente se tocar do que aconteceu, vai sofrer o dobro. — Alertou e bufou, mordendo mais um pedaço da pizza.

e haviam chego no hotel, teriam de passar mais dois dias no Rio para um evento de publicidade. entrou em seu quarto e se jogou na cama, respirando fundo. Tentava apagar as memórias da noite de ano novo para evitar a tristeza de saber que acabou. Se convencia que conheceria outra pessoa, as coisas seriam mais leves e quem sabe até se casariam. Mas era estranho imaginar um futuro sem ela.

Uma semana depois.
— Eu vou jogar essa merda na parede! — Resmungou .
O celular da garota tinha apitado a manhã inteira, a maioria das notificações era do instagram da garota, com fotos dela e de , com diversas legendas, que ela revirava os olhos só de lembrar.
“O fim de e , o casal prometido”
e cortam relações”
“Uma fonte afirmou que ambos não se falam mais”

A garota, irritada, pensou em desligar o celular, mas logo pensou na e soube que não poderia desligá-lo. Então desligou as notificações do instagram rapidamente e voltou a atenção à arrumação de seu closet. Tinha decidido tirar algumas roupas que não usava para doá-las, e foi quando puxou um de seus casacos que uma caixa preta caiu, espalhando fotos, cartas, e algumas bugigangas.
havia esquecido completamente daquela caixa. Curiosa, pegou uma das fotos que estava caída e quis rir ao ver ela e com cinco anos de idade fantasiadas de princesas. estava de branca de neve e de Cinderella. Ela lembrava vagamente daquele dia, mas lembrava da briga com para ser a Cinderella. Atrás da foto, a letra da mãe de dizia: e , dia de fantasia na escola.”
Colocou a foto de volta na caixa e guardou as outras, que incluíam uma de com a mãe, uma do pai de dormindo com ela, outra dos pais, uma do porquinho da índia que tivera na infância, outra dela e de em uma piscina de plástico, e, quando achou que havia acabado, a última era dela e de , dois anos atrás.
A foto mostrava rindo e olhando pra ela segurando o riso. Ela lembrava perfeitamente deste dia e de como a foto tinha sido espontânea, Clara havia tirado enquanto os dois provocavam um ao outro. Atrás da foto havia um pequeno trecho de uma música escrito na letra de :
“I know times are getting hard
(Eu sei que os tempos estão ficando difíceis)
But just believe me, girl
(Mas apenas acredite em mim, menina)
Someday I'll pay the bills with this guitar
(Um dia pagarei as contas com este violão)
We'll have it good
(Nós vamos ter tudo de bom)
We'll have the life we knew we would
(Nós vamos ter a vida que sabíamos que teríamos)

Foi a primeira vez desde o ocorrido que sentiu vontade de chorar. Respirou fundo, contendo as lágrimas, e colocou a foto novamente na caixa. Começou a recolher as cartas, algumas eram de , outras de sua mãe, e uma parecia nunca ter sido aberta. respirou fundo e abriu a carta.

“Filha,

Sei que deve estar brava comigo por ter ido sem me despedir, mas espero que entenda até o fim desta carta. Vou explicar o porquê de eu ter ido.
Antes de começar, saiba que te amo independente do que ocorreu entre mim e sua mãe, você é a coisa mais importante da minha vida, e sempre vai ser prioridade em minhas escolhas. Sempre!
Eu e sua mãe nos conhecemos quando tínhamos apenas 16 anos, eu me apaixonei assim que a vi e, bom, acho que ela também. Aos 17 anos, sua mãe engravidou de você, e não foi fácil.
Éramos novos, nossos pais estavam furiosos e nos forçaram a casar. Eu era apaixonado pela sua mãe, mas casar era algo surreal pra nós dois naquele momento, mas, no fim, acabamos nos casando. Fomos morar juntos, e você nasceu. Quando vimos você pela primeira vez, parecia um sonho, você era linda, e só sabíamos agradecer.
Meses depois, começamos a perceber que o casamento havia sido precipitado. Nos amávamos, mas não o suficiente para um casamento. Não podíamos pedir o divórcio, tínhamos você para criar ainda, nossos pais não permitiriam, e aquilo nos deixava irritados um com o outro.
Mesmo com a irritação, fomos amadurecendo e percebendo que nem tudo sempre seria como um conto de fadas, e nosso relacionamento foi melhorando. Éramos ótimos amigos, tão amigos que nem nós demos conta quando o tempo passou e que já não tínhamos mais a preocupação com nossos pais. E foi aí que decidimos seguir em frente e ir em busca da nossa felicidade.
Eu conheci alguém especial, seu nome é ngela, e ela é com certeza o amor da minha vida. Não quero que pense que eu traí sua mãe, ou algo assim, foi uma escolha nossa, de nós dois. Ela sabia sobre a ngela e sua mãe sempre vai ser minha melhor amiga.
Não quero que fique sempre com raiva ou triste por termos nos separado! Quero que pense nisso de outra forma, que leve como uma lição sobre o amor.
Não se precipite. O amor vem na hora certa, em um tempo bom. O amor é leve, você não deve ficar por obrigação, nunca. Você sabe quando é amor, mas nem sempre isso quer dizer que o amor é fácil, porque não é.
Você é especial, , e eu sempre soube. Tenho muito orgulho de você, e sempre terei.

Papai.”


chorava sentada no chão do closet. Lembrava do dia que pegou a carta da cômoda de seu quarto, tinha percebido que sua mãe estava diferente aquele dia, como se quisesse agradá-la de alguma forma. Não havia lido por puro medo, medo do que seu pai pudesse dizer sobre a situação. Horas depois de esconder a carta, sua mãe lhe contou que seu pai havia ido morar em outro lugar, mas que estava tudo bem, não era necessário ficar triste por isso, seu pai nunca deixaria de amá-la, muito menos de ser seu pai.
O pai de sempre foi muito carinhoso, até os dias atuais, entretanto não se viam muito pela rotina de ambos. Ele realmente tinha se casado de novo, com ngela, e tinha uma relação boa com a mesma.
Discou rapidamente o número do telefone de seu pai, que atendeu alguns minutos depois.
— Alô. — Ouviu o homem dizer.
— Pai! — disse com a voz chorosa.
? Tá tudo bem? — Perguntou.
— Amo você, eu tô com muita saudade! — Respondeu e imaginava o sorriso de seu pai do outro lado do telefone.
— Eu também te amo, filha. Vem almoçar aqui semana que vem, temos novidades. — Disse e sorriu.
— Eu vou, que novidades? — Questionou e seu pai riu levemente do outro lado da linha.
— Terá que vir pra saber. — Brincou e soltou uma risada indignada.
— Tá bom então, eu vou! — Concordou por fim, sorrindo.

corria na esteira, tinha ido à academia do prédio pela primeira vez e notava o quanto ela era vazia. Ele não tinha costume de fazer academia sempre, mas algumas vezes na semana saía para correr em um parque que tinha ali perto. O barulho da esteira ao lado chegou aos ouvidos do garoto, que, por puro reflexo, virou a cabeça para olhar, encontrando uma garota loira de olhos castanhos. Assim que seus olhares se encontraram, ela sorriu, e retribuiu. Ele já sabia no que aquilo resultaria, e estava bom para o momento, precisava mesmo de alguma forma pra tentar tirar a garota da sua cabeça.


Capítulo 6 - Gravidez?


Estava atrasada, mais uma vez.
estava saindo correndo de casa, havia acordado atrasada e precisava ir para casa do seu pai, para o almoço.
Ligou o carro e uma música qualquer tocava no rádio, nem prestava atenção, estava morrendo de curiosidade sobre a novidade de seu pai. Ela o conhecia, e, para não ter contado algo por telefone, era porque realmente era importante.
A casa de seu pai era a 30 minutos exatos da casa da garota, e ela não via a hora de chegar logo. Além da saudade, estava morrendo de fome.
Estacionou em frente à casa e logo seu pai veio recepcioná-la. Ambos não conseguiam conter o sorriso de se verem pela primeira vez no ano. Deram um longo abraço, e logo Ângela apareceu atrás de seu pai e abraçou a mulher em seguida.
— Como vão as coisas? A ? — Perguntou o pai de enquanto caminhavam para dentro da casa.
— Tudo indo, estamos correndo com a nova coleção. — Afirmou e seu pai sorriu, orgulhoso.
A casa do pai de era enorme, ela nunca entendeu o porquê de uma casa tão grande se apenas os dois viviam ali. Não podia negar o quanto adorava a casa, que era super aconchegante mesmo contendo alguns traços modernos. Ângela e seu pai tinham bom gosto.
— Vou colocar a mesa! — Disse Ângela com um sorriso nos lábios.
— Quer ajuda? — Perguntou e a mulher negou com a cabeça.
— Pode ficar tranquila! Conversem, vocês dois! — Respondeu e sumiu pela porta da cozinha.
— E ? Por que não veio? — Perguntou o homem enquanto se sentava no sofá.
— Ela estava ocupada com o trabalho, mas mandou um beijo. — Respondeu e seu pai assentiu.
O pai de era bem parecido com ela, muitos diziam que ela era a cópia dele, mas ela sabia que era só fisicamente. Tinham temperamentos bem diferentes, ela nunca vira o homem levantar a voz uma vez sequer, ele tinha uma calma que às vezes achava de outro mundo. Ele ia em todas as reuniões de escola da garota, penteava seu cabelo, a colocava na cama, e sempre deixava um chocolate em sua mochila. Eram unha e carne, e sempre teve confiança de contar tudo pra ele, que sempre ouvia e tentava dar os melhores conselhos possíveis. Além de tudo, ele ajudou muito, financeiramente, quando decidiu abrir a , emprestou uma boa quantia, que pagara conforme os anos.
— Você vai ver a delícia que está a comida que preparamos!! — Disse Victor e riu.
— Eu imagino! — Disse, sorrindo. — Senti sua falta! — Afirmou e o homem a puxou para um abraço.
— Eu também, filha. — Disse e deu um beijo no topo da cabeça da garota. — Você parece triste, o que está acontecendo? É , não é?
— Não tem mais , pai. Acabou, pra sempre. — Respondeu , se soltando do pai e o olhando nos olhos.
, só vocês dois não veem. — Riu, lamentante. — Vocês se gostam, meu amor, esse não é o fim. — Afirmou e arqueou as sobrancelhas.
— Você e a mamãe se conheceram aos 17, se amaram, foram casados 17 anos e se separaram. Você achou que era amor, mas não era. Seu amor é a Ângela, pai. Por que seria diferente pra mim? — Perguntou.
— Filha, nosso caso foi diferente, nós tivemos que casar logo, sua mãe estava grávida, não podíamos não casar. — Afirmou e a assentiu. — Eu sempre soube que com vocês era amor. Você sempre falava dele de um jeito diferente, e, mesmo com os anos, as coisas não mudaram...
— Não mudaram? — Questionou.
— Vocês continuam brigando, mas você sempre fala dele de um jeito carinhoso. Repara, ! Não é porque é amor que vai ser fácil. — Afirmou e ficou pensativa.
— Prontinho, o jantar está na mesa! — Disse Ângela, passando pela porta e beijando a bochecha de Victor.
Os três se dirigiram à sala de jantar e o cheiro de lasanha se espalhava pelo ambiente, cutucando o estômago de , que estava morrendo de fome. Se sentaram e se serviram.
— Antes de comermos, queremos te contar uma coisa. — Disse Victor, segurando a mão de Ângela, e sorriu, o encorajando a contar. — Vamos ter um bebê!
mantinha a boca aberta por minutos e seu pai começara a ficar preocupado. Ela não entendia como isso podia estar acontecendo. Era seu pai! Seu pai ali! Tudo bem que ele tinha 41 anos apenas, e Ângela 36, mas ela nunca imaginaria que os dois teriam um filho nesta fase da vida. O choque estava presente na expressão da garota, que logo pareceu acordar.
— No-nossa... Parabéns! — Disse, desconcertada. — Você está de quanto tempo? — Perguntou à Ângela, que sorriu.
— Três meses! — Respondeu, animada, e sorriu com o entusiasmo. Queria apenas a felicidade do pai e, se isso o fizesse feliz, a faria também.
— Estou muito feliz por vocês! — Disse, sincera, e seu pai mal continha o sorriso.
comeu em meio às conversas sobre o bebê e mal podia esperar para segurar a criança em seus braços. Ela não tinha o sonho de ser mãe, como algumas mulheres tem, ela não se via trocando fraldas ou levantando no meio da noite. Entretanto, tinha curiosidade de sentir o amor incondicional que toda mãe diz sentir.
Foi embora com um sorriso de orelha a orelha, seu pai era merecedor de toda felicidade que pudesse sentir, e ela amava vê-lo tão feliz assim. Teria um irmão, e daria todo o apoio que ele precisasse.

Dias depois...
Eram 8 da manhã quando saíra de casa, era o dia da tão esperado da primeira prova de vestido das madrinhas para o casamento de Ana. Ela estava ansiosa, já que a noiva havia feito surpresa para todas sobre a cor que usariam, prometendo revelar apenas na primeira prova dos vestidos.
Assim que chegou, sorriu ao ver Rachel, e Clara sentadas, enquanto Ana estava de pé roendo as unhas e andando de um lado para o outro.
— Finalmente a princesa da disney chegou! — Bufou Rachel, ajustando os óculos escuros no rosto.
— Eu também estava com saudade, Rachel. — Disse , o que fez todas rirem.
— Ela está de ressaca, como sempre. — Disse , se referindo a Rachel, e riu, sentando-se ao lado da garota.
— Não me surpreende. — Disse e Rachel mandou o dedo. — Dia feliz, Rachel, dia feliz!
— Verdade, desculpa, Ana! — Respondeu, mandando um beijo pra Ana, que riu e revirou os olhos.
— Vocês são inacreditáveis! Mas eu estou muito feliz que vocês estejam aqui, sério!
— O prazer é nosso, amiga! — disse de forma carinhosa, segurando a mão de Ana.
— Assim eu choro! – Respondeu Ana com os olhos marejados. Emoção de noiva, pensou .
— Não, sem choro! Vamos falar sobre as coisas do casamento! — Respondeu Clara e todas se animaram.
— Está tudo caminhando, inclusive, já sabemos os padrinhos.
— E quem são? — Questionou .
— Amiga, olha, eu preciso me desculpar com você e com a , mas foi Gabriel que escolheu, e eu não posso impedir isto.
Quando Ana finalizou, já sabia do que se tratava, teria de ser par de e de . Entretanto, tinha em mente não questionar as decisões de Ana e Gabriel, teria de entender, afinal era o dia deles e não precisavam de um problema.
— Tá tudo bem, Ana, é seu dia! — Respondeu , tentando afastar as lembranças que insistiam em tomar sua mente.
— Sim, e faremos esse sacrifício! — Disse e todas riram.
— Vocês são as melhores madrinhas que eu poderia ter! — Sorriu. — Bem, antes de entrarmos na sala, a cor do vestido é azul serenity, o famoso azul bebê.
— Amiga, você tem muito bom gosto, sério! — Disse Rachel, sorrindo e batendo palma.
O resto da manhã as garotas provaram diversos vestidos. havia se apaixonado por um vestido em específico; era ombro a ombro, longo, com a parte de baixo franzida e levemente rodado, era aquele! Alguns ajustes seriam feitos e ela poderia buscá-lo dois dias antes do casamento, quando eles ligassem.
Logo, as garotas seguiram para o McDonalds, mas, por algum motivo, quando entrou o cheiro a deixou enjoada logo, o que era estranho, já que a garota comia sempre ali. Pediram os lanches e se sentaram, esperando que o número do pedido fosse chamado. Alguns minutos depois, estavam todas com seus lanches, mas não conseguia nem olhar para seu lanche direito.
— Tá sem fome, ? — Perguntou Clara e fez uma careta.
— Estou um pouco enjoada, sei lá. — Respondeu. — Devo ter comido algo que me fez mal.
— O que você acha que pode ter sido? — Questionou .
— Não sei, você sabe que minha alimentação não tem sido das melhores. — Disse, sincera, e deu de ombros.
, você tem certeza que não é outra coisa? — Perguntou Rachel, visivelmente preocupada, e franziu as sobrancelhas, confusa. — Gravidez.
ficou pálida, começou a pensar na sua última menstruação e percebeu que estava atrasada, começou a contar as semanas desde o ano novo e se assustou quando notou que já estavam em fevereiro.
? — Ana chamou sua atenção e ela acordou do transe.
— Eu não estou grávida. Isso é impossível! — Respondeu, visivelmente tensa.
— E o no ano novo, vocês usaram camisinha? — Questionou Rachel.
— Eu não lembro, Rachel, mas acho que sim! — começara a ficar impaciente. — Eu não estou grávida, tirem isso da cabeça de vocês!
Todas ficaram em silêncio, sabiam que estava em negação, mas logo a dúvida a levaria a realizar um teste, entretanto naquele momento o melhor era não questiona-lá mais.

Mais tarde, quando chegou em casa, tomou um longo banho e deitou em sua cama, com os cabelos molhados mesmo. Ligou a televisão e colocou em um dos seus filmes favoritos: Grease, nos tempos da brilhantina.
Entretanto, não conseguia se concentrar no filme. Sua cabeça só pensava na possibilidade de estar grávida de e em como aquilo soava surreal pra ela.

estava em um lugar todo branco, não sabia dizer onde. Ouvia um choro bem alto e sentia necessidade de segui-lo. Seus pés pareciam não obedecer seu comando e, quanto mais andava, mais se aproximava do choro. Passou pela primeira cortina, que ela nem sabia ao certo de onde havia surgido. Assim que a atravessou, , vestido de branco, sorria. Parecia estar lhe esperando, e a garota não tinha reação alguma.
— Até que enfim você chegou, tem alguém que quer te conhecer. — Disse e não entendia. — Vem.
O garoto segurou sua mão e juntos atravessaram a segunda cortina, onde deram de cara com uma criança que aparentava ter três anos de idade. Era uma mistura maluca de e , os olhos verdes como o do garoto e os cabelos escuros como os dela. não sabia ao certo se era um menino ou uma menina, mas sentia seu coração transbordar de amor, amava demais aquela criança, que, assim que a viu, estendeu os braços pedindo colo. Ela segurou a criança em seus braços e a abraçou, sentindo uma lágrima escorrer por seus olhos.
— Mamãe.


acordou assustada, olhando para os lados, pensando em como estava ficando maluca. Precisava tirar aquela dúvida, antes que enlouquecesse com outro sonho.


Capítulo 7 - Are you lonesome tonight?


Quando acordou, sentia que o dia estava diferente. Colocou uma regata preta e um short, escovou os dentes e prendeu o cabelo em um rabo de cavalo alto. Sua feição não estava das melhores, e ela não sabia o que sentir sobre si mesma. Calçou seus chinelos, pegou a carteira e saiu do apartamento.
Não estava certa do que ia fazer e sua cabeça estava longe enquanto caminhava até a farmácia mais perto de sua casa. Quando adentrou o local, pegou quatro testes de gravidez de marcas diferentes, respirou fundo e, quando se virou para o caixa, observou uma mulher, que aparentava ter em torno de 30 anos, com um bebê em seu colo. Só pode ser pegadinha, pensou.
Pagou os testes, e caminhava até sua casa lentamente. Sabia que quando chegasse teria os minutos mais tensos de toda sua vida, por mais que estivesse tentando colocar na cabeça que não estava grávida, algo dentro da garota dizia o contrário.

(Are you lonesome tonight? — Elvis Presley)
Are you lonesome tonight?
Você está solitária hoje?
Do you miss me tonight?
Sente minha falta essa noite?
Are you sorry we drifted apart?
Sente por nós termos nos distanciado?
Does your memory stray to a brighter summer day
Sua memória te leva para um dia claro e ensolarado
When I kissed you and called you sweetheart?
Quando lhe beijei e lhe chamei de querida?

A noite havia chego e a garota que estava jogada no sofá com o celular desligado, sentia que era a hora de fazer o que havia evitado o dia todo. Quando chegou da farmácia horas antes, evitou fazer os testes. Ela estava nervosa e com medo, nunca teve o sonho de ser mãe. Lembrava das noites da tequila quando tinha 19 anos, das baladas aos 20, festas da universidade, das ressacas aos domingos e de puxando sua orelha. Lembrava dele, e de todas as vezes que cuidavam um do outro em seus porres.
Sempre que era mencionada em papos sobre filhos, dizia sempre um talvez, que era mais para o não do que para o sim. Afirmava que seu sonho era o mundo, liberdade, a qual, de certa forma, sentia que já havia conquistado uma parte.
Pegou os testes e foi para o banheiro de seu quarto.

Do the chairs in your parlor seem empty and bare?
As cadeiras da sua sala parecem vazias e sem propósito?
Do you gaze at your doorstep and picture me there?
Você olha para porta e me imagina ali?
Is your heart filled with pain, shall I come back again?
Seu coração está cheio de dor? Será que voltarei?
Tell me, dear, are you lonesome tonight?
Diga-me, querida, você está solitária essa noite?

Quando terminou os quatro testes, andava de um lado para o outro, esperando os cinco minutos. Pareciam os minutos mais longos de sua vida e, quando finalmente o tempo acabou, ela virou o primeiro teste e, assim que leu positivo, as lágrimas vieram aos seus olhos imediatamente. O positivo a cegava, e ela se sentou encostando as costas na parede do banheiro.

I wonder if you're lonesome tonight
Eu me pergunto se você está solitária essa noite
You know someone said that the world's a stage
Sabe, alguém disse que o mundo é um palco
And each must play a part
E cada um deve atuar seu papel
Fate had me playing in love you as my sweet heart
O destino me fez atuar tendo você como minha amada
Act one was when we met, I loved you at first glance
O primeiro ato foi quando nos conhecemos, te amei à primeira vista
You read your line so cleverly and never missed a cue
Você leu suas falas tão brilhantemente e nunca perdeu nenhuma deixa
Then came act two, you seemed to change and you acted strange
Então veio o ato dois, você parecia diferente e atuou estranhamente
And why I'll never know
E o porquê, nunca irei saber

Sua regata preta começava a molhar por conta das lágrimas. A garota levantou rapidamente e virou os outros testes, que continham o mesmo positivo. Jogou seu perfume que estava em cima da pia contra a parede do banheiro, o observando partir e exalar o cheiro por todo local. Foi então à procura de seu celular, tentando respirar fundo e se acalmar, o que parecia improvável, já que não conseguia parar de chorar.

Honey, you lied when you said you loved me
Querida, você mentiu quando disse que me amava
And I had no cause to doubt you
E eu não tinha razão para duvidar de você
But I'd rather go on hearing your lies
Mas eu prefiro continuar ouvindo suas mentiras
Than go on living without you
A continuar a viver sem você
Now the stage is bare and I'm standing there
Agora o palco está inutilizado e eu estou aqui parado
With emptiness all around
Com o vazio à minha volta
And if you won't come back to me
E se você não vai voltar pra mim
Then make them bring the curtain down
Então faça com que abaixem as cortinas

Quando achou o celular, digitou rapidamente os números de , que atendeu no terceiro toque.
Oi, , fala! — Disse e soluçou. — Você está chorando? O que está acontecendo?
— Preciso que você venha pra cá! — Disse. — Rápido!
Estou saindo daqui.
, sentou-se no sofá, suas pernas tremiam, e ela não conseguia parar de balançá-las.

Is your heart filled with pain, shall I come back again?
Seu coração está cheio de dor? Será que eu voltarei?
Tell me, dear, are you lonesome tonight?
Diga-me, querida, você está solitária essa noite?

Alguns minutos depois, adentrou o apartamento, jogando a bolsa em qualquer canto, e, quando olhou para , seus olhos arregalaram.
— O que houve? — Perguntou e sentou-se ao lado da garota, a abraçando. — ...
— Eu estou grávida. — Respondeu, observando a feição de surpresa da sua amiga e de leve tristeza, mas tristeza por isso não era muito o perfil de .
— É de , não é?
— Sim. — Respondeu , assentindo.
, isso não é algo ruim!
— Como não, ? — A garota se levantou, colocando as mãos na cabeça. — Eu nunca quis engravidar! Ainda mais agora... Isso é surreal demais pra mim!
— E o que você pretende?
— Eu não quero ter esse filho. — Respondeu a garota e entendeu completamente o sentido da frase, entretanto sua feição era de espanto e tristeza. — Eu não estou pronta!
, você tem certeza disso? — Questionou , ficando de pé em frente a amiga.
— Eu não sei, ! — Disse em meio ao choro. — Eu estou com medo.
— Eu sei que está, mas não é uma decisão que possa ser tomada assim, você precisa pensar.
— Você é minha irmã, a pessoa que mais me conhece no mundo inteiro, eu preciso da sua ajuda. O que eu faço?
— No seu lugar, eu teria o bebê. — Suspirou. — Mas, , essa decisão não é de ninguém além de sua.
— E se eu for uma péssima mãe? Francamente, eu não sei trocar uma fralda! — Respondeu e riu levemente.
— Vem cá! — Disse, abrindo os braços, e logo as duas se abraçavam. — Você é a melhor pessoa que eu conheço, é impossível você ser uma péssima mãe. Eu vou estar com você, pra tudo, independente do que você escolha.
— Eu não poderia ter uma irmã melhor!

Dois dias depois...
e , depois de passar quase o dia todo dentro do apartamento de , resolveram sair para jantar. Estavam exaustas das maratonas de séries, que se dividiam em Grey’s Anatomy e Gossip Girl, mesmo com a insistência de para assistirem American Horror Story, que morria de medo. Não haviam conversado muito sobre a gravidez, e o pouco que conversaram foi suficiente para entender que sua melhor amiga estava evoluindo aos poucos no processo de aceitação, e que, uma hora, ela começaria a se animar com a ideia de ser mãe.
As garotas se arrumaram rápido, estavam famintas, e não demoraram a sair de casa e ir andando até a pizzaria ali perto. Sentaram-se e escolheram o sabor da pizza, estavam animadas, já que fazia algum tempo que não comiam ali.
— Quero te perguntar uma coisa. — Começou , e já imaginou do que se tratava. — Não me olhe com essa cara! — Repreendeu e riu levemente. —
Quando você vai contar para o ?
A garganta de secou e a garota respirou fundo, tentando se imaginar dando essa notícia ao garoto. Depois de tudo que já passaram, a promessa sobre não sofrer mais, como ela contaria que esperava um filho dele?
— Por que ele precisa saber? — Disse, jogando o cabelo para o lado casualmente. — O que faria?
— Será que por ele ser o pai? — Respondeu , arqueando a sobrancelha, como se fosse uma resposta óbvia. — Você sabe que ele jamais rejeitaria essa situação.
— E se ele rejeitar? — A feição de era triste, e a amiga sentiu o coração apertar.
— Você conhece melhor do que qualquer um, ele pode surtar no começo, mas não vai te deixar sozinha nessa.
, meu sonho nunca foi ser mãe, eu nem sei como reagir a isto. Você consegue me imaginar comprando roupas de bebê? Amamentando?
— Questionou , triste, e adotou a mesma feição da garota. — Eu preciso aceitar isso primeiro, preciso pensar. Eu prometo que vou contar pra ele, mas não agora.
— Eu sei, , me desculpe. — Respondeu e segurou na mão da amiga. — Eu vou respeitar seu tempo.
Logo a pizza chegou e as duas comiam enquanto conversavam sobre assuntos aleatórios. Ainda era confuso para elas imaginar que em alguns meses a vida da mudaria completamente, e a dúvida que ficava na cabeça das garotas era: Será que aguentaria tamanha mudança?


Capítulo 8 - Um macacão de zebra.


, você está de 6 semanas, meus parabéns! — O médico sorria de orelha a orelha e a garota não tinha reação alguma. — Bem, é um ótimo passo iniciar o pré-natal bem no começo, você fez muito bem. Você fará alguns exames, incluindo o ultrassom que faremos essa semana ainda, onde já poderemos escutar os batimentos cardíacos do bebê! Marcarei as datas e nos vemos logo. Parabéns, mamãe!

dirigia repassando as falas do médico. havia marcado a primeira consulta para ela, mas com a correria de seu trabalho não conseguiu acompanhar a garota, que acabou indo sozinha. As duas semanas desde que descobriu que estava grávida haviam sido um tanto complicadas; Não podia sentir cheiros fortes e os enjoos matinais eram terríveis. A ideia de ser mãe ainda não a agradava muito, entretanto ela já tinha aceitado sua condição atual e prometia dar o seu melhor para sua gravidez.
Um blog de fofocas anunciou que estava saindo com uma garota, e era a única notícia que havia tido dele, o que apertava seu coração. Não queria imaginar qual seria sua reação ao saber que seria pai, esperava que fosse positiva, mas tinha suas dúvidas quanto a isso.

Alguns quilômetros dali.
andava pelo shopping à procura de , já que haviam combinado de almoçarem juntos antes de irem para a empresa. O garoto havia focado no trabalho, decidido a não pensar nela. Mesmo que saísse com uma garota ou outra durante esse período, algo dentro dele dizia que havia alguma coisa diferente, que ele não conseguia descobrir o que era, mas torcia para descobrir logo.
Estava quase chegando na praça de alimentação quando avistou entrando em uma loja de roupas infantis, e não pensou duas vezes antes de seguir a amiga. Assim que adentrou a loja, tinha um macacão de bebê cinza com uma zebra desenhada em mãos e a vendedora lhe mostrava outro. Tocou no ombro da garota e, assim que ela se virou, deu um grito e arregalou os olhos, o fazendo rir brevemente.
? O que você...
— Te vi entrando aqui, quis te dar um oi. — Interrompeu e riu em seguida, quando a feição da garota relaxou.
— Que susto! — Respondeu , o abraçando em seguida. — Que bom te ver!
— É bom te ver também, mas... — Deu uma pausa, olhando em volta. — Aqui? Não me diga que você...
— Não! — respondeu rapidamente e riu. — É para... para uma amiga! — Finalizou, desconcertada.
— Ah, sim. Só te chamei para te dar um beijo, tenho que encontrar . — Disse. — Mas felicidade para sua amiga. — Finalizou, dando um beijo na bochecha da amiga e saindo da loja.
Por pouco, pensou .

resolvia algumas coisas da empresa pelo seu computador. Estava levemente atrasada com a nova coleção, e tentava resolver o máximo de coisas que conseguia para que fosse liberada logo. Logo a noite chegou e adentrou o apartamento com algumas sacolas na mão. Deu um beijo na testa de , que fechou o notebook, colocando-o de lado, e voltou a atenção à amiga, que mexia nas sacolas.
— Fiz algumas compras para sua alimentação, e... Tcharam! — tirou o macacãozinho de zebra da sacola e sorriu. — Não é a coisinha mais linda que você já viu?
— Você é incrível. — Respondeu, se levantando do sofá.
— Como foi a consulta de hoje? — Questionou , indo até a cozinha com as sacolas de compras.
— Estou de seis semanas e depois de amanhã será o primeiro ultrassom, vamos ouvir o coração do bebê. Tenho alguns exames que ele pediu. — fez uma careta enquanto observava começar a guardar as compras.
— Ótimo! — sorriu. — Você não sabe quem eu encontrei na loja de roupinhas de bebê!
contou detalhe por detalhe do seu encontro com e ouvia atentamente a história, ficava com o coração acelerado só de se imaginar contando pra ele sobre a gravidez, mesmo sabendo que esse momento estava cada dia mais próximo.
— Caraca, parece coisa de filme! — Respondeu.
— É melhor a senhorita se apressar, antes que chegue nele de alguma forma!
— Ainda não sei qual o melhor momento para contar, não é simples, você sabe.
— Eu acho que você vai virar a Donna, de Mamma Mia, isso sim. — Disse , com tom de brincadeira.
— Impossível, meu filho só pode ter um pai! — Respondeu , entrando na onda de , que riu alto.
— Não nesse sentido. Você só vai revelar que é pai do seu bebê quando o seu filho estiver se casando. — finalizou e gargalhava.
— Vou começar um diário, pra ser como o filme.
— Você é maluca!
As duas riam alto e conversaram mais um pouco antes de obrigar a jantar, e logo após ir embora. Agora, estava deitada em seu quarto, mas se sentia inquieta, o que a obrigou a levantar de sua cama e caminhar em direção à sala. Assim que acendeu as luzes, observou o pequeno macacão que comprara. A garota sentou-se no sofá, e pegou a pequena peça de roupa, olhando-a de perto. Sua melhor amiga tinha bom gosto, só era um pouco difícil imaginar o filho ou filha de e ali dentro.
Sorriu, segurando a peça, e caminhou até o quarto em frente ao seu no corredor. Raramente entrava ali, ela dizia que era o quarto de , já que tinha algumas coisas da garota no espaço. O quarto era simples, tinha uma cama de casal, uma escrivaninha, um espelho e uma cômoda. Mas agora ele seria diferente, era o quarto de seu bebê. Colocou o macacãozinho de zebra esticado em cima da cama e saiu dali, fechando a porta.

acordou com o celular tocando. Abriu os olhos devagar, tateando a cama em busca do aparelho. Quando achou, forçou os olhos para enxergar quem estava ligando e o nome de Ana piscava na tela, e atendeu rapidamente.
? — Ouviu a voz da amiga do outro lado da linha.
— Oi, Ana!
— Oi, madrinha de casamento! — Ana respondeu, empolgada, e as duas riram juntas.
— Amei! — disse, entrando na onda. — Mas então, noivinha, como estão os preparativos?
— Estão quase prontos, falta pouco. Te liguei porque faremos um ensaio amanhã, sei que é chato, mas é necessário, e precisamos de você lá! — Quando Ana terminou de falar, sentiu o coração acelerar, teria de encontrá-lo.
— Ah, sim. Não, tudo bem! Eu estarei lá, pode deixar. — Respondeu.
— Então até amanhã às 11h, te espero!
Quando desligou o telefone, passou as mãos pelos cabelos, preocupada, respirou fundo e se levantou da cama. Era o dia de experimentar seu vestido de madrinha para últimos ajustes e ela precisava se trocar para sair.
Tomou um rápido café da manhã, colocou um short preto com uma camiseta qualquer, calçou seus tênis, pegou a chave do carro e seu celular, e saiu de casa.
Ao chegar no ateliê, conversou com Lúcia, que era responsável pelo seu vestido, e logo iniciou a prova. Seu vestido estava lindo, um pouco longo demais, algo que seria ajustado em breve, e ela temia pela sua barriga até a data do casamento.
— Lúcia, está incrível, mas temos um pequeno detalhe. — Disse enquanto encarava sua barriga escondida no vestido.
— Qual? — Questionou Lúcia, prendendo um alfinete na parte traseira do vestido.
— Eu... Bem... Eu estou grávida. — Respondeu, e pelo espelho conseguiu observar Lúcia abrir um enorme sorriso, o que a fez sorrir amarelo.
— Meus parabéns, ! — A mulher a abraçou e ainda sorria amarelo. — Que ótima notícia!
— Ah, obrigada! — Agradeceu, se soltando do abraço. Lúcia encarou a barriga de , que estava a mesma coisa de sempre, e sorriu.
— Eu gostaria de saber se o vestido ficará bom até a data do casamento, já que vão sofrer algumas alterações em minhas medidas.
— Vai ficar, sim! — Lúcia disse prontamente e sorriu. — Bem, não diminuiremos muito o comprimento, por conta da barriga até lá. Mas, de qualquer maneira, teremos a prova final do vestido para eliminar qualquer dúvida.
— Ah, Lúcia, você é incrível! E ainda é segredo, você é a segunda a saber!
— Seu segredo está guardado, ! — Lúcia respondeu, rindo, e a acompanhou.


Capítulo 9 - My way.


cutucava , que se recusava a levantar da cama. Eram 8h00 da manhã e a garota detestava acordar cedo. Resmungou algumas vezes, e se levantou apenas quando ameaçou jogar um balde de água em seu rosto se não levantasse.
Era o dia do ultrassom, e logo após haveria o ensaio no salão onde seria o casamento de Ana, o que deixava tensa. Havia pedido muito para não ter enjoos ou qualquer sintoma que pudesse denunciar sua gravidez antes do tempo.
As duas tomaram um rápido café da manhã com a palestra de sobre se alimentar adequadamente durante a gravidez. Quando terminaram, vestiu sua calça jeans clara rasgada no joelho e uma camiseta branca. Pegou sua bolsa e saiu rapidamente, já que podia ouvir os gritos de ansiosa no corredor.
Quando chegaram à clínica onde seria feito o exame, se sentaram aguardando serem chamadas, o que não demorou muito, e logo estava deitada na maca com chorando ao seu lado.
— Por que você tá chorando? — Sussurrou e limpou as lágrimas.
— Eu estou emocionada, só isso! — Respondeu, limpando as lágrimas.
O ultrassom havia sido iniciado e ria de , que não parava de chorar. Estava distraída quando o som do coração do bebê começou a ser ouvido. Ela gelou, olhando para a tela onde o médico indicava ser o saco gestacional, os olhos dela encheram de lágrimas, e sua ficha parecia ter caído naquele momento. A garota fechou os olhos e as lágrimas escorreram, continuou ouvindo o som do coração de seu bebê e, logo, sentiu a mão de segurar a sua.

Flashback (4 anos antes)
e estavam em um momento bom. Ambos estavam jogados no tapete da sala de , assistindo Velozes e Furiosos, o filme preferido do garoto. Entretanto, sentia que ele estava quieto demais, e em alguns momentos o pegava distraído, como se ponderasse sobre algo importante. Cansada do silêncio entre os dois e da preocupação, sentou-se em frente a ele, que nem percebeu a manifestação da garota. Apenas quando ela passou a mão em seus cabelos, ele acordou de seu devaneio e seus olhares se encontraram.
— O que está acontecendo? — Questionou , com a voz doce, o observando sorrir de lado.
— Está tudo bem. — Respondeu, mas a garota sabia que não era verdade.
— Você sabe que pode contar tudo pra mim, não sabe? — O garoto assentiu. — Então, o que está havendo?
...
, eu sei que está acontecendo algo, não adianta negar, eu não vou acreditar. — A garota o interrompeu e o observou assentir e sentar-se em seguida.
— Aconteceu algo sim. — O olhar de era triste, o que fazia o coração de apertar. — Meu pai me ligou.
— Seu pai.... — A garota franziu a testa, confusa.
— Sim, nos abandonou. Eu, minha irmã e minha mãe. Mas, de alguma forma, ele conseguiu meu número, acho que ele sabe sobre a Sunset, me pediu dinheiro emprestado. Disse que está passando por uma crise financeira séria, que tinha vergonha de pedir pra mim, mas não tinha outro jeito. — Os olhos de encheram de lágrimas e segurou sua mão, o encorajando a terminar de falar. — Eu vi ele batendo na minha mãe, vi ele nos deixando quando eu tinha nove anos e a Victoria, três. E ele ainda tem coragem de me pedir dinheiro?
— E o que você disse? — Questionou e algumas lágrimas escorreram dos olhos de , que ela prontamente enxugou.
— Eu pensei em xingá-lo, em mandá-lo pra puta que pariu e dizer pra nunca mais me procurar. — Deu uma pausa. — Mas eu lembrei do único momento que eu lembro dele sendo um bom pai, lembrei dele jogando bola comigo quando eu tinha, sei lá, uns quatro anos. Então, eu disse que o ajudaria, desde que ele jamais me procurasse novamente. — soluçava e podia sentir o quanto aquilo era difícil para ele. — Ele concordou, e eu depositei uma boa quantia na conta dele, ele não vai passar fome tão cedo.
— Eu faria o mesmo. — Respondeu e abraçou o garoto, que enterrou o rosto na curva de seu ombro.
— Por Deus, eu não quero filhos, não quero ser como ele. — Disse e levantou seu rosto, o fazendo encará-la.
— Eu te conheço mais do que conheço a mim mesma, você não é como ele, você é bom.
nunca o via chorar, era raro, e aquilo com certeza havia mexido com ela. Suas histórias eram diferentes, e ela se sentia egoísta por ter sentido raiva quando seu pai saiu de casa, até porque ela sabia que, mesmo com a saída dele, seu pai continuaria presente na sua vida, ele se esforçava por , era carinhoso. A garota nem imaginava sua vida sem seu pai. havia tido uma infância difícil, mas ainda assim era uma ótima pessoa, e isto era perceptível pela sua relação com Victoria.
Ele sempre mandava dinheiro para irmã, a enchia de roupas da Sunset, levava-a para viajar, era carinhoso e, de alguma forma, sempre arrumava tempo para ela, o que sempre admirou.
— Eu estou aqui, ok? — Sussurrou no ouvido do garoto enquanto estavam abraçados e sentiu-o a abraçando mais forte.
— Não queria que fosse outra pessoa.
Flashback off.


Saíram da clínica e não havia dito uma palavra desde que escutaram o coração do bebê, o que começava a incomodar . Entraram no carro e estavam a caminho do ensaio de casamento de Ana, a garota parecia distraída, e sua melhor amiga começava a ficar preocupada.
— O que você está pensando? — Questionou , quebrando o silêncio.
— Minha ficha acaba de cair. — respondeu, com a voz baixa.
— E como você está se sentindo com isso?
— É a primeira vez que me sinto tranquila. — sorriu e a acompanhou. — E eu já sei o que você quer me perguntar. ‘Quando você vai contar pra ele?’ — Brincou , imitando a voz de , que riu e revirou os olhos. — Eu vou contar logo, prometo, vou chamá-lo e conversar com ele. Por mais que eu esteja com medo da reação dele, eu sei que é uma ótima pessoa e eu preciso parar de pintá-lo como alguém diferente do que ele é. O problema é que agora é tudo novo pra nós, e, se ele rejeitar isso, não vai existir perdão. — Finalizou , suspirando.
— Você realmente acha que ele é capaz de rejeitar isso? — perguntou e deu de ombros.
— A primeiro momento eu rejeitei, mas agora eu sinto que estou aceitando aos poucos.
— Eu estou muito orgulhosa de você. — sorriu e sorriu junto. — Você vai ser uma ótima mãe!
— Você podia engravidar também, aí seríamos parceiras de barriga! — Disse e engoliu seco, o que a fez estranhar a reação da amiga. — Ei, o que foi?
— Er... nada. — desconversou, fazendo franzir a testa, mas não insistir no assunto. — Estamos chegando!

Logo, estacionou o carro em frente à casa de Clara e as duas desceram do mesmo, indo em direção à porta. se sentia tensa em encontrar , mas tentava ao máximo disfarçar a situação. Foram recebidas por Ana, que parecia muito animada com a situação.
Ela e Gabriel haviam decidido fazer o casamento em São Paulo, e estavam hospedados na casa de Clara e Lucas.
— Só faltavam vocês! — A garota disse, abraçando as duas amigas em seguida. — Entrem!
Assim que entrou, cumprimentou cada um de seus amigos, e congelou ao vê-lo encostado no batente da porta da cozinha. Acenou levemente e o garoto retribuiu com um olhar compreensivo.
— Agora que estão todos aqui, posso explicar como vai ser nosso ensaio! — Disse Ana e todas as amigas pareciam animadas.
esforçava-se para se manter calma e concentrar nas palavras da amiga, mas parecia impossível, já que agora, além da sua cabeça voltada para o segredo que escondia de , um enjoo surgia, fazendo a garota respirar fundo mil vezes, a fim de não vomitar no meio de todos..
— Ok, estou entendendo Ana, mas tenho uma pergunta. — Ouviu a voz de Clara assim que Ana terminou de explicar, o que a fez acordar de seu leve transe. — está com , eu com Lucas, e ... E quem é o par de Rachel?
— Meu irmão! — Respondeu Gabriel, chamando atenção de todos.
— E cadê ele? — Rachel perguntou.
— Aqui! — Um garoto alto, moreno, dos olhos castanho-claros adentrou a sala, e quis rir com a cena que parecia um filme. Rachel mantinha a boca aberta, nenhuma das garotas imaginava que o irmão de Gabriel era tão bonito.
— Eu estarei bem acompanhada. — Disse Rachel e todos gargalharam quando ela piscou para o rapaz.
Foram ensaiadas as entradas de cada um, e, quando chegou a vez de e , a garota estava receosa de levantar-se do sofá e colocar todo café da manhã para fora. Levantou-se devagar, indo na direção de e entrelaçando seu braço ao dele. Olhou para , que mexeu os lábios em um “está tudo bem?”, o que a fez assentir disfarçadamente e dar início à sua parte do ensaio.
Andavam devagar pelo espaço que Ana determinou ser a entrada do salão até o altar, e continuava a mentalizar que não iria vomitar, como se fosse um mantra.
— Está ótimo, mas, , cadê seu sorriso? — Questionou Gabriel e a garota deu um sorriso forçado que arrancou risadas de todos.
— Ótimo, agora vem, Rachel! — Chamou Ana e soltou seu braço do de , que sentou-se ao lado de enquanto ela ia em direção ao banheiro disfarçadamente.
Assim que chegou ao local, trancou a porta correndo e colocou o café da manhã para fora. Só pode ser brincadeira, pensou.
Jogou uma água no rosto, lavou a boca rapidamente e saiu dali, voltando à sala e agindo como se nada houvesse acontecido. Ela e evitavam se olhar, o que, de certa forma, parecia impossível. Ela sentia o peito apertar sempre que olhava para o garoto de soslaio, e para ele as coisas não eram diferentes.
se esforçava para lembrar da promessa de ano novo, mas as lembranças não davam sossego à garota.
O ensaio logo acabou, Ana estava chorando pela segunda vez no dia, era a emoção de saber que logo se casaria. abraçou a amiga e logo se despediu, afirmando estar ansiosa e tudo incrível.
a deixou na porta de seu prédio e estava exausta. Já eram 16h00 da tarde e o dia havia sido cheio. Adentrou o apartamento e jogou a bolsa em um canto qualquer, estava morrendo de fome e foi direto para cozinha.
Preparou um rápido sanduíche e encheu um copo de suco de maracujá, e em seguida sentou-se no sofá. Quando estava prestes a morder seu lanche, a campainha tocou, fazendo-a levar um breve susto e resmungar antes de levantar para atender à porta.
Assim que a mesma foi aberta, se arrependeu de abri-la. Em frente a ela, o pai do seu bebê mantinha uma expressão séria, que a garota viu pouquíssimas vezes. Sentia um frio na espinha enquanto o olhar do casal não desviou um segundo sequer.
— Sei o que combinamos no ano novo, mas algo está acontecendo e você não pode negar. — disse e abria e fechava a boca tentando respondê-lo.


Capítulo 10 - 7 Things.


— Não tem nada acontecendo! — Respondeu , dando passagem ao garoto, que entrou, ficando parado no meio da sala, enquanto a garota fechava a porta. — De onde você tirou que algo está acontecendo? — Questionou, caminhando até e sentando-se no sofá, o observando sentar-se ao seu lado.
— Achei que não mentíssemos um para o outro. — Disse , fazendo rir, irônica.
— Você acha isso desde quando? Porque eu me lembro de uma história, de um cara que...
— Por que sempre temos que voltar ao passado? — Interrompeu-a. — Algo está acontecendo, a última vez que te vi quieta como hoje foi na semana que sua mãe foi pra Argentina! — suspirou e encarava o chão, como se ponderasse sobre algo.
— Por que isso importa pra você? — Questionou com a voz baixa.
— Porque, mesmo que você não acredite, eu me importo com você. Cometemos erros no passado, mas eu me importo. — Respondeu , com o mesmo tom de voz.
— Não está acontecendo nada. — disse mais uma vez e bufou. — Nós conversamos no ano novo, prometemos fazer tudo diferente, e agora você está aqui e estamos cometendo os mesmos erros!
, aquela promessa já foi quebrada no mesmo dia que foi feita! — O garoto respondeu, levantando do sofá aparentemente irritado. — Não dá pra fingir que nada aconteceu!
— Eu sei que não, até porque eu estou...
Ao perceber o que ia dizer, gelou, encerrando a frase imediatamente e observando a olhar de forma curiosa. Ela não contaria, precisava pensar, precisava se preparar para os dois tipos de reações possíveis que o garoto poderia apresentar.
— Está.... — incentivou.

(7 things — Miley Cyrus)
I probably shouldn't say this
Eu provavelmente não deveria dizer isso
But at times I get so scared
Mas às vezes eu fico tão assustada
When I think about the previous
Quando eu penso sobre o último
Relationship we shared
Relacionamento que compartilhamos

, esquece. — Disse e o garoto bufou mais uma vez. — Olha, eu sei que já quebramos a nossa promessa uma vez, mas temos que lembrar o motivo de ela ter sido feita. — a encarava e a expressão que antes era séria agora se tornava triste. — Desde meus 16 anos tudo se resume em nós dois, e no que sentimos. Foram momentos bons, e eu jamais vou esquecer, porque o que eu sinto por você, , é surreal. — Os olhos de estavam marejados e ela se segurava para não deixar uma lágrima teimosa escorrer.

It was awesome, but we lost it
Foi incrível, mas perdemos
It's not possible for me, not to care
Não é possível pra mim, não me importar
And now we're standing in the rain
E agora, estamos em pé na chuva
But nothing's ever gonna change until you hear, my dear
E nada vai mudar até você me ouvir, meu querido

— É tão surreal que me dói, e não é só o fato de que não vamos ficar juntos, são coisas pequenas. — Deu uma pausa. — É ver você é não poder dizer algo sem cair sempre nas lembranças de tudo que vivemos, é encontrar uma foto idiota nossa e não poder te mandar, é lembrar de todas as promessas que já fizemos e pensar que, não importa o que aconteça, você sempre vai ter uma parte dentro de mim!
não conseguia segurar as lágrimas que já escorriam livremente por seu rosto. estava estático, seu peito doía ao ver a garota daquele jeito, e ele não conseguia dizer nada.

The 7 things I hate about you
As 7 coisas que odeio em você
The 7 things I hate about you, oh, you
As 7 coisas que odeio em você, oh, você
You're vain, your games, you're insecure
Você é vaidoso, seus jogos, você é inseguro
You love me, you like her
Você me ama, você gosta dela
You make me laugh, you make me cry
Você me faz rir, você me faz chorar
I don't know which side to buy
Eu não sei de que lado comprar

...
— Não! — A garota interrompeu. — Me deixa terminar. — Pediu e assentiu, observando-a levantar e ficar frente à frente com ele. — Eu cansei de agir como se não estivesse sentindo nada, ou como se estivesse superando isso, porque eu não estou! E eu....
Antes de terminar, o garoto a beijou. No primeiro instante, ela tentou se desvencilhar daquele momento, mas depois acabou cedendo e envolveu os braços em torno do pescoço do garoto, que segurava firmemente em sua cintura.

Your friends they're jerks
Seus amigos, aqueles idiotas
When you act like them, just know it hurts
Quando você age como eles, só saiba que dói
I wanna be with the one I know
Eu quero estar com quem eu conheço
And the 7th thing I hate the most that you do
E a sétima coisa que mais odeio que você faz
You make me love you
Você me faz amar você

O beijo era diferente para , parecia algo mais apaixonado e sem pressa do que o último que ela se lembrava. Ela acreditava ser uma maneira do garoto dizer que o que ela sentia era recíproco, mas, por um momento, teve um estalo.
Parou o beijo, deixando sem entender. Sentou-se no sofá e limpou suas lágrimas, voltando o olhar para ele.
— Não pode sempre terminar assim. — Disse e voltou a fitar o chão.

It's awkward and silent
É estranho e silencioso
As I wait for you to say
Enquanto espero você dizer
What I need to hear now
O que eu preciso ouvir agora
Your sincere apology
Seu sincero pedido de desculpa
When you mean, it I'll believe it
E quando você disser isso, eu vou acreditar
If you text it, I'll delete it
Se você escrever isso, eu vou apagar
Let's be clear
Vamos ser claros
Oh, I'm not coming back
Oh, eu não estou voltando
You're taking 7 steps here
Você está dando sete passos até aqui

passou as mãos pelos cabelos e suspirou, aparentemente pensando no que responder a , que, neste ponto, queria apenas sair daquele momento.
— Sei que não pode ser pra sempre assim, e te peço desculpas por vir aqui e quebrar mais uma vez a ‘promessa’ — O garoto fez aspas com as mãos, frisando a última palavra. — E vou me esforçar para lembrar o motivo dela existir.

And compared to all the great things
E comparado com todas as grandes coisas
That would take too long to write
Isso levaria muito tempo para escrever

caminhou até a porta, mas, antes de girar a maçaneta, olhou pela última vez no sofá, que ainda fitava o chão parecendo absorver as últimas palavras de .
— E, ... — Chamou-a por fim, que olhou para o garoto com os olhos marejados mais uma vez. — É recíproco.
Finalizou, saindo pela porta, a deixando sozinha depois do momento embaraçoso. Ele ainda sentia que algo estava acontecendo com , mas sabia que não era hora de insistir no assunto, após tantas palavras dolorosas para os dois.
Quando fechou a porta, pareceu um baque para , que levantou-se e andava de um lado para o outro em sua sala. Não era momento em pensar nos dois como um casal, era momento de pensar no filho que teriam e, por alguns minutos, a garota havia esquecido disso, deixando-se levar por sua emoção.
Logo, a porta se abriu novamente, fazendo a garota levar uma das mãos ao peito devido ao susto.
, olha o que eu trouxe pra gen... — parou de falar assim que avistou a feição de . — O que houve? — Questionou, colocando as sacolas na mesinha ao lado do sofá.
me fez uma visita. — Respondeu e viu os olhos da melhor amiga se arregalarem.
— Você contou?
— Não, eu... Eu não sei o que deu em mim! — Suspirou, sentando-se no sofá. — Parecia que eu só conseguia lembrar do passado, e então ele me beijou e foi embora.
— Mas por que ele veio aqui?
— Me achou estranha mais cedo, ele está desconfiado que tem algo acontecendo. — Respondeu, passando as mãos pelos cabelos.
— Isso está virando uma bola de neve, e logo ele não vai gostar da maneira que descobrir. — Disse , agarrando uma das sacolas. — Trouxe lanches pra nós!
— Pelo menos algo bom no meio dessa loucura! Já sabe o que eu estou pensando, né?
— H2O meninas sereias, por favor! — juntou as mãos, fazendo rir e assentir.
— Me passa meu lanche!

Há alguns quilômetros dali.
— Algo não está certo, eu sei que não está! — Dizia enquanto andava de um lado para o outro no escritório de na sede da Sunset.
— Pra mim, você está caçando algo inexistente, a está bem, cara. — respondeu, enquanto encarava inquieto.
— Porra, quando você viu a tão quieta como hoje? Algo está acontecendo, tenho quase certeza, sócio! — bufou e o olhou com um olhar dramático.
— Sinceridade? — assentiu prontamente. — Vocês estão fazendo o de sempre, começa a se afastar, você surta e vai atrás dela, se envolvem e sofrem. É o mesmo ciclo, !
— Dessa vez não, eu sinto que tem algo estranho. — O garoto disse e sentou-se na cadeira à frente de .
— Cara, você escolhe se quer continuar o ciclo, mas realmente acho que você está colocando coisas na sua cabeça. — Finalizou e viu revirar os olhos, mesmo sabendo que o melhor amigo tinha razão. — Vamos, temos uma reunião.
— Obrigada pela ajuda. — Ironizou e riu alto, puxando o sócio pelo braço.


Capítulo 11 - Pai.


estacionava na frente da casa do pai, as mãos suavam e ela se sentia apreensiva. Havia marcado na semana anterior de ir à casa dele, alegando precisar contar algo importante.
Desceu do carro e tocou a campainha. Não demorou para Victor aparecer com um sorriso enorme no rosto, abrindo a porta e dando um longo abraço na filha.
— Espero que a senhorita não tenha aprontado algo sério. — Brincou e riu levemente seguindo o mesmo para dentro da casa.
— Onde está ngela? — Perguntou, se sentando no sofá acompanhada do pai.
— Ela foi visitar a mãe, mas logo está de volta.
— Ah sim, como ela está?
— Está bem filha, logo descobriremos se é menino ou menina, estamos ansiosos. — Os olhos de Victor brilharam ao falar da criança e sorriu, sentindo-se feliz pelo pai.
— Espero que seja um menino! — Desejou e Victor assentiu animado. — Bem, marquei com a mamãe uma chamada de vídeo agora, nós temos que conversar!
A garota ligou para mãe, que atendeu, cumprimentando Victor e alegando sentir saudade da filha.
— Mas então, o que nos traz a essa reunião importante? — Viviane brincou, arrancando risadas de Victor. — Espero que não seja algo grave, !
— Não é algo grave, mas é importante. — respondeu, sentindo um frio na espinha enquanto observava a feição atenta dos pais. — Não vou enrolar, vocês me conhecem, odeio fazer rodeios. Eu estou grávida.
A princípio, Victor sorriu, mas a feição de Viviane espantava a garota. Ela sabia o que viria a seguir, e custava a querer acreditar.
, francamente... Você tem 24 anos! — A mulher começou.
— Justamente, eu tenho 24 anos, tenho uma formação, tenho um apartamento, uma empresa! — Retrucou.
— Ter filho não é brincar de boneca, é responsabilidade, é cuidado! Você vai largar suas baladas? Vai se casar? — Viviane disse ríspida e a garota riu incrédula.
— Eu não estou ouvindo isso. — Deu uma pausa. — VOCÊ ENGRAVIDOU COM 17 ANOS, EU TENHO 24, E NÃO ESTOU LIDANDO COM MINHA AVÓ!
— ESTÁ LIDANDO COMIGO! — A mãe de tinha o mesmo tom da filha. — E TE GARANTO, TER UM FILHO NÃO É FÁCIL!
— E O QUE VOCÊ QUER QUE EU FAÇA? — Gritou, observando a mãe ficar vermelha. — Não vou ficar discutindo com alguém que foi morar na Argentina e lembra que tem filha uma vez no mês.
Finalizou, desligando o celular e colocando as mãos no rosto. Sentiu a mão de seu pai acariciar suas costas, e a garota levantou o olhar, encontrando seu pai emocionado. Os dois se abraçaram e um sentimento forte preenchia a garota, que deixava algumas lágrimas escorrerem.
— Você pode contar comigo, eu sei que vai dar conta, filha. — O homem sorria como forma de conforto. — Sua mãe vai voltar atrás, fica tranquila.
— Obrigada, pai, eu te amo muito. — Respondeu, se ajeitando no sofá e limpando o rosto. — E eu sei o que você quer saber. — Brincou, soltando uma leve risada, observando a feição brincalhona de seu pai. — É de , e, não, ele ainda não sabe.
— É um recomeço, , só não vê quem não quer. — Victor respondeu.
— Estou de 8 semanas, ainda tem tempo, não acha?
— Esse tempo passa mais rápido do que qualquer outro , não demore.

Alguns quilômetros dali.
trabalhava arduamente na nova coleção da Sunset, estava trancado em seu escritório durante a semana toda, era o modo que tinha de evitar o “ciclo” de que havia o alertado.
Já havia passado das cinco da tarde quando ouviu a porta do escritório ser escancarada revelando a irmã de , Victoria, sorridente e animada. Assim que a viu, o garoto levou um breve susto, e se levantou, recebendo um abraço apertado da mesma.
— Você não estava em Cancún até ontem? — Questionou, sentindo-a o apertar mais forte.
— Estava, voltei hoje!
Victoria levava uma vida agitada desde seus 16 anos, quando decidiu se tornar modelo. A garota possuía traços fortes, e não demorou a conseguir bons trabalhos com algumas marcas conhecidas. , por trabalhar um tempo na área quando novo, conseguiu ajudar a irmã no comecinho, mas ele sabia que ela era dedicada quando se tratava de algo que queria e que logo conseguiria estar onde sonhara.
Com a correria da empresa e da agenda conturbada de Victoria, era raro os dois conseguirem se ver por mais de duas horas, e sentia falta da irmã todos os dias.
— Caraca, vocês expandiram mesmo isso aqui, custei para achar seu escritório! — A garota disse se sentando na cadeira a frente do irmão.
— Te contei os planos que tínhamos! — Respondeu. — Como foi Cancún?
— Incrível! — Os olhos de Victoria brilharam levemente ao lembrar de viagem, o que fez sorrir junto. — E você, como estão as coisas? Pra você estar trancado em um escritório sexta-feira, algo está errado. E eu aposto que tem a ver com a .
— Por aqui está TUDO bem, e a senhorita deveria parar de achar que tudo que faço tem o dedo de ! — respondeu, fazendo Victoria gargalhar.
— Triste mesmo é ela ter razão. — Disse adentrando a sala.
! — A garota o abraçou, que riu, se divertindo com a cara de diante da cena.
— Sua língua não cabe dentro da boca mesmo, fofoqueiro. — Disse e observou o sócio fazer cara de ofendido, enquanto Victoria voltava a se sentar.
— Nem tente me esconder nada, você sabe que sempre descubro! — A garota piscou pra e gargalhou. — Agora chega de trabalhar e vamos comer pizza!
— Você não muda mesmo, pirralha! — Brincou, sorrindo largamente.

, e Victoria jantavam na pizzaria favorita dos três, no centro da cidade. A briga entre os garotos para decidir entre calabresa ou escarola fez a menina rir durante longos minutos, a ponto de sentir a barriga começar a doer. Agora, esperavam a pizza de pepperoni, que foi a decisão final, onde apenas Victoria opinou.
— Senti tanta falta de vocês dois no dia a dia, não importa quanto tempo passe, vocês não mudam. — A garota sorriu apertando a bochecha de e respectivamente.
— Nem a senhorita, e não posso negar que estou achando muito estranho você estar aqui, e ainda dizer que vai passar um tempo em São Paulo. — arqueou uma de suas sobrancelhas e a irmã suspirou, revirando os olhos. — O que está havendo?
— Podemos conversar sobre isso depois? — Victoria desconversou, fazendo ficar ainda mais intrigado.
— Não desconverse, Victoria, conheço cada truque seu, o que está havendo? — Insistiu, e a garota bufou.
— Não queria esfregar isso na sua cara, mas, bem, estou noiva!
ficou pálido ao observar sua irmã estender a mão revelando um anel de noivado em seu dedo. Poderia jurar que fosse qualquer outra coisa, menos esta. Nunca nem imaginara que ela estivesse em um relacionamento, quanto mais que fosse noivar aos 18 anos.
— Você tem 18 anos, Victoria, como pode estar noiva de uma hora para outra? A gente nem conheceu o cara! — O garoto estava incrédulo e a irmã já começara a perder a paciência.
— Não é porque você tem quase 24 anos e está encalhado, que eu tenha que estar. — Respondeu, observando começar a ficar vermelho.
— Você não vai se casar!
— Não venha dar uma de irmão mais velho a esta altura, eu vou me casar e você não tem nada a ver com isto. — Respondeu batendo uma de suas mãos na mesa.
— A mamãe sabe? — O garoto estava soltando faíscas, mal sabia o que viria a seguir.
— Sim, e o papai também.
— Papai? — questionou com a voz elevada, fazendo a menina bufar. — VOCÊ PROCUROU AQUELE IDIOTA?
— Não, , ele me procurou. — Victoria tinha o mesmo tom de , e estava tão nervosa quanto ele. — Não tenho mágoas dele, e você não tem que se meter nisso!
— Eu não passei minha adolescência inteira cuidando de você, enquanto a mamãe trabalhava, pra ouvir isso. — se levantou, visivelmente magoado. — Você pode ignorar o fato de ele ter ido embora, mas eu nunca vou esquecer.
O garoto saiu da pizzaria, deixando Victoria com os olhos marejados. Caminhou em direção ao seu carro, entrando e arrancando com raiva. Dirigia até seu apartamento, enquanto lembranças que ele tentava se livrar atingiam sua mente. Sua mãe era enfermeira, trabalhou muito durante a infância das crianças para que tivessem o máximo de coisas que ela pudesse oferecer. Estudaram em escolas boas, ganharam sempre presentes bons de aniversário, mas ele podia perceber o olhar cansado da mãe, e a tristeza toda vez que Victoria questionava o porquê da ausência do pai.
Quando chegou ao seu apartamento, discou os números da mãe, que atendeu rapidamente.
?
— Oi, mãe, como a Victoria tem contato com meu pai? — Despejou, ouvindo a mãe suspirar do outro lado da linha.
Ele a procurou, você sabe que não posso impedir isso. — A mulher respondeu, com a voz calma e paciente.
— Como não pode impedir? O que esse cara fez por nós a vida toda? Ele não tem direito de aparecer de uma hora pra outra!
Filho, quem pode e tem que decidir isso é a Victoria.

Eram 2h00 da manhã quando levantou da cama assustada com seu celular vibrando sem parar. Assim que o pegou, seu coração acelerou levemente, o nome de Victoria brilhava na tela, e fazia meses que nem ouvia falar da garota.
— Alô? — Atendeu, ouvindo um suspiro de alívio do outro lado da linha.
, desculpa o horário! — A mais nova começou. — está aí? Discutimos mais cedo, estou no apartamento dele e ele não está. Estou tentando ligar e ele não atende, estou ficando preocupada! — A voz de Victoria denunciava a preocupação da garota e, para ligar para , era porque realmente ela não fazia ideia de onde o irmão poderia estar.
— Ele não está aqui, mas fica tranquila que eu já imagino onde ele possa estar. Estou indo pra lá, te ligo assim que o encontrar. — Respondeu, ouvindo um Ok de Victoria do outro lado da linha, e desligou o telefone logo em seguida.
O frio de São Paulo fazia a garota querer matar , vestiu uma calça jeans preta, com o primeiro moletom que achou, calçou seus tênis e saiu de seu apartamento, indo em direção ao estacionamento.
Dirigiu por alguns minutos, chegando a um lugar que sempre costumava ir, não apenas quando estava nervoso, mas quando se sentia exausto da vida urbana.
Era uma espécie de praça, que, em seu ponto mais alto, dava para um pequeno bosque. E era ali que o garoto gostava de ficar. Sentado em um banco específico, encarando as árvores.
se aproximou devagar, sentando-se levemente ao lado de e encarando as árvores, como ele.
— Victoria te ligou? Ou ? — Ouviu-o questionar sério.
— Sua irmã, mas seu lugar continua secreto — Respondeu e assentiu. — O que está havendo?
— Aparentemente minha irmã irá se casar, e um dos convidados será meu pai. — Riu irônico.
— Eles estão se falando? — Questionou receosa e assentiu.
— E a única pessoa que vê um problema nisso sou eu.
— Você precisa ficar calmo e conversar com sua irmã depois, não adianta brigar com ela e vir pra cá, assim nada se resolve. — Respondeu e encarou a garota pela primeira vez, e ela pode perceber seus olhos inchados e vermelhos, indicando que ele havia chorado há pouco tempo.
Em um gesto de carinho, o abraçou, sentindo-o retribuir e enterrar o rosto na curva do ombro da garota, que acariciava seus cabelos.
Era fato que, quando algo sério relacionado a Victoria acontecia, isto afetava completamente , já que ele praticamente criou a irmã. Ele tinha um amor inexplicável pela garota e sabia que, mesmo não admitindo, ele se sentia mal por não se verem frequentemente.
— Vem, vamos embora. — disse, alguns minutos depois, e levantou, seguindo a garota até o carro dela e observando-a dirigir até o prédio da mesma.


Capítulo 12 - Minha coragem e sua irmã.


— Pode dormir neste quarto. — Disse , estendendo a xícara de chá de camomila para o garoto, que pegou, levando aos lábios logo em seguida.
Estavam no quarto de hóspedes do apartamento de , que achou melhor levá-lo para sua casa, pelo estado em que se encontrava. Havia ligado para Victoria, avisando que o irmão estava bem e que dormiria na casa dela.
— Vou pegar uma coberta pra você. — Afirmou, virando-se e pegando uma coberta dentro da cômoda, e, quando se virou novamente, seu coração parou ao vê-lo segurando o macacãozinho de zebra dado por .
Para sua surpresa, ele não disse nada a respeito, apenas esticou a mão entregando o item a garota, que sentia o coração no ouvido pelo susto. Pegou o macacão, receosa, e o colocou dentro de uma das gavetas da cômoda. Estava prestes a sair do quarto quando sentiu o garoto segurar sua mão, e, como reflexo, se virou pra ele, olhando em seus olhos.
— Obrigado. — Disse e assentiu, saindo do quarto em seguida.
Ao deitar na cama, não conseguia dormir, imaginava que pudesse estar assim no quarto ao lado, mas não queria imaginar demais. Sentia uma vontade desesperada de contar que o quarto em que ele dormia, em menos de 7 meses se tornaria o quarto do filho deles, mas ela sabia que aquele não era o melhor momento de dar esta notícia, precisava ter paciência e, de certa forma, criar coragem.
Levantou da cama devagar, caminhou até o espelho, e levantou a blusa encarando sua barriga. Parecia a mesma coisa de sempre, mas sabia que, em alguns meses, estaria completamente diferente, e só o pensamento deixava a garota tensa.
Ouviu um soluço vindo do outro quarto e, sem pensar, abaixou a blusa e caminhou até lá, abrindo a porta e encontrando andando de um lado para o outro no quarto enquanto lágrimas escorriam por seu rosto. nunca o viu chorar daquela forma, mas sabia que, quando se tratava de Victoria, o garoto era outro.
— Eu vi ele saindo com o carro quando nos deixou, eu vi ele batendo na minha mãe enquanto eu me escondia com Victoria de dois anos no colo. Ele não pode voltar como se nada tivesse acontecido. — despejou, sentando-se na cama.
não disse nada, apenas subiu na cama devagar, indo em direção ao garoto e o abraçando por trás. suspirou, limpando as lágrimas.
— Tá tudo bem. — A garota sussurrou e, de certa forma, ali com ela, ele sentia que estava. — Vamos dormir, já são 4 da manhã.
assentiu e então se deitaram. O garoto abraçava a cintura de , que acariciava seus cabelos, o observando fechar os olhos aos poucos. Era um péssimo dia para falar sobre pais, e ela refletia sobre a briga com a mãe mais cedo, o que, de certa forma, fazia seu coração apertar. Ela amava Viviane, mas não podia negar que a relação da duas sempre fora um tanto conturbada, principalmente na adolescência.
Victor, pai de , dizia que era por serem parecidas, mas a garota sempre achou o contrário disto. Sentia que algo sempre esteve oculto na relação das duas, mas nunca soube o quê.

acordou com um peso sobre sua barriga, e, assim que abriu os olhos, a mão de estava pousada sobre a mesma, enquanto o garoto ainda estava adormecido. Ficou observando a cena por alguns minutos, mas logo o enjoo matinal se fez presente e a garota levantou devagar, indo em direção ao banheiro e colocando tudo o que pôde pra fora.
Escovou os dentes e tratou de atravessar o corredor, entrando no apartamento de e indo em direção ao quarto da melhor amiga, que estava acordada mexendo em seu celular.
está em meu apartamento. — Suspirou, se jogando ao lado de na cama.
— Veio visitar o filho? — brincou e mandou o dedo. — O que aconteceu pra ele estar aí? Não me diga que...
— Não! — Interrompeu. — Problemas familiares de madrugada, Victoria me ligou, fui atrás dele, ouvi ele chorar de madrugada e dormimos juntos no quarto de hóspedes.
— E você não contou? — questionou com a sobrancelha arqueada jogando o celular ao lado.
— Não, mas ele viu o macacão de zebra e nem questionou nada. — A garota levou uma das mãos na testa. — E agora? Será que ele vai perguntar?
— Não acha que talvez seja melhor você contar? De uma vez?
— Depois de ontem, acho melhor esperar um pouco, pelo menos até os problemas dele com a irmã se resolverem. — afirmou e deu de ombros.
— Quanto mais você enrola, maior sua bola de neve fica.
— Você conhece quando se trata de Victoria, e o que rolou ontem mexeu muito com ele. Não acho que seja o momento. — finalizou colocando uma de suas mãos no rosto. — Eu não sei mais o que fazer. O que você faria?
Ao fazer a pergunta, notou uma certa tristeza no olhar de , o que a deixou levemente confusa.
? — Chamou e a amiga balançou a cabeça, como se acordasse do transe.
— Bom... Eu contaria! — Afirmou. — Contaria de uma vez, e lidaria com as consequências. É um filho, , ele merece saber, é algo pra vida inteira.
— Eu estou com medo. — Confessou e sentou-se na cama.
— Sinceramente, eu não te reconheço! — se levantou, parando em frente à amiga. — Você nunca teve medo de NADA. Se lembra quando fizemos a viagem pra colônia de férias no verão, e todas as noites você nos encorajava a fugir pra baladinha? No meu aniversário de 18 que você lotou a casa da sua mãe e levamos a maior bronca, mas, ainda sim, você teve coragem de dizer que a ideia era sua!
— Não sei onde está minha coragem. — Respondeu e suspirou.
— Está aí, e você precisa encontrá-la, porque sem sua coragem não é ! — finalizou e sorriu abraçando a amiga.

Ao voltar para seu apartamento, respirou fundo, caminhando até o quarto de hóspedes onde passara a noite com o garoto. Ao entrar, notou a cama vazia, com uma folha de papel em cima.

“Obrigada por tudo, mais uma vez. Você sempre me salva, e eu nunca serei grato o suficiente por isso.
XxX


Suspirou, colocando a carta em cima da cômoda, estava mais uma vez guardando seu segredo e sua coragem.

Ao adentrar seu apartamento, observou sua irmã mais nova, que parecia avoada diante um filme qualquer que passava na televisão. Ao notar a presença do irmão, suspirou, enquanto ele sentava-se ao seu lado no sofá.
— Não vou mais discutir com você sobre... Bem, sobre você sabe quem. — Começou e a garota assentiu atenta. — Você tem razão, já é maior de idade, e eu não tenho mais o direito de querer que você faça o que eu acho melhor. Mas sou seu irmão mais velho, e não vou admitir que ele te faça sofrer. — Finalizou, observando os olhos da garota marejarem.
— Me perdoe, , não pelo papai. — Victoria se levantou.
— O quê? — Franziu a testa, sem entender.
— Meu noivo é o .
não tinha reação, se levantou em pulo, levando as mãos à cabeça enquanto andava de um lado para o outro. Victoria já chorava, o que fazia achar a situação mais surreal ainda. Por Deus, eram como irmãos, como isso pôde acontecer?
— VOCÊ É INACREDITÁVEL! — Gritou olhando para garota. — ISSO É DEMAIS, VICTORIA, DEMAIS!
— Aconteceu! — A garota soluçava, mas ele já estava vermelho de raiva.
— COMO ACONTECEU? NÃO ERA PRA ACONTECER!
— Calma, ! — Pediu, tentando se aproximar do irmão, que desviou bruscamente.
— NÃO ME PEDE CALMA, ELE NÃO É UM DOS SEUS ROLOS, VICTORIA! — Respondeu e a garota fechou os olhos. — ELE É MEU SÓCIO, MEU MELHOR AMIGO!
— EU GOSTO DELE E, VOCÊ QUEIRA OU NÃO, EU VOU ME CASAR COM ELE! — Victoria disparou, fazendo bufar nervoso, estava incrédulo.
— Por isso a cara de sonso enquanto você falava sobre seu noivado ontem, e ainda a história do idiota que você cisma em chamar de pai. — soltou uma risada incrédula.
— Eu não tenho mais 7 anos de idade pra ouvir com quem eu devo ou não falar. — Retrucou, tão nervosa quanto o irmão.
— Quanto tempo vocês estão juntos? Você sabia que ele se envolve com uma tal de Júlia?
— Eu era a Júlia! — Admitiu baixinho, olhando para o chão, envergonhada.
— Vocês são dois mentirosos, e eu não quero mais olhar pra cara dos dois, NUNCA MAIS! — Respondeu, caminhando até seu quarto e se trancando no mesmo.


Capítulo 13 - A verdade dói!


“Parece que há um casal novo. Um dos donos da Sunset com a irmã do outro. Confuso, não?
Será a quebra de uma sociedade de 6 anos?
Aguardamos por mais notícias.
@Webfofocas”


estava incrédula, não apenas por Victoria e , mas por e por . Correu até o apartamento da melhor amiga, do outro lado do corredor, e, ao entrar, viu atirar o celular na parede.
— EU ODEIO ELE! — Gritou, fazendo levar uma de suas mãos no peito.
— Calma!
Fazia exatos três dias que havia dormido na casa de e, desde então, não teve notícias do garoto. Ela entrava no terceiro mês de gravidez, e tinha medo da barriga começar a crescer antes de contar, entretanto, sabia que as coisas estavam mais delicadas do que o normal.
— Aquela garota tem 18 anos! — retrucou e bufou em seguida. — Ele só pode estar louco!
— Só mesmo, vai matá-lo. — Completou, mas logo em seguida começou a pular. — Sem tempo ruim! Amanhã é o casamento de Ana, precisamos buscar nossos vestidos! — afirmou, batendo palminhas, animada.
— Eu vou ter que entrar com aquele idiota. — revirou os olhos, segurando uma risadinha ao ver saltitante.
— Vou me trocar e quando voltar quero você pronta pra sairmos daqui e resolvermos as coisas pra amanhã! — Ordenou, fazendo rir.
— Ok, mamãe do ano, já vou.

Uma hora depois, e faziam a última prova do vestido. Ao se olhar no espelho, sentiu vontade de chorar, o vestido era perfeito e o resultado estava incrível, estava ansiosa para ver a produção completa, e mais ansiosa ainda para o casamento de seus amigos.
Após provarem seus vestidos, as garotas decidiram ir ao shopping para escolha do sapato. Ao chegarem, comprou um salto prateado, e , um nude.
Decidiram almoçar no shopping, e, por mais que estivesse se divertindo com , era inevitável não pensar em como ele se sentia, queria que as coisas fossem como quando tinham 18 anos, sem problemas e sem um pingo de juízo. As coisas haviam mudado, e começava a temer a proporção da mudança.

X


A manhã do casamento de Ana estava ensolarada. As madrinhas e a noiva se reuniam no salão de beleza para iniciar a preparação para o evento. e Rachel recebiam uma massagem, enquanto Clara, Ana e faziam as unhas. O dia prometia ser emocionante e as garotas estavam animadas.
— Sempre achei que Clara fosse casar primeiro. — Confessou Rachel.
— Eu achei que você fosse chegar de ressaca aqui hoje. — Ana respondeu.
— Quero estar sóbria até o casamento para encontrar meu par. — Brincou e todas as meninas gargalharam. — Amiga, como você se sente? Tipo, você vai casar HOJE.
— Eu sei, parece surreal. Eu tô anestesiada ainda, mas eu me preparei muito pra isso, sempre foi meu sonho, vocês sabem. Eu tô muito feliz, e mais feliz ainda por dividir isso com vocês! — Os olhos de Ana encheram de lágrimas, fazendo todas ecoarem um “Onw”.
— Só não vale casar e sumir no Rio, você tem que vir pra cá também! — alertou e Ana assentiu sorrindo.
— E não pode esquecer das noites das garotas! — Rachel lembrou, e todas riram.
— Sinônimo de Rachel sempre vai ser álcool, não adianta! — Clara brincou.

A noite havia chego, se admirava no espelho, observando o vestido azul bebê, com as joias da e o salto prateado. O cabelo com tranças em uma lateral da cabeça, e os cachos que caiam perfeitamente. Se sentia deslumbrante, e com um desejo enorme de algodão doce. Era só o que me faltava, pensou.
Ao chegar no salão, cumprimentou algumas pessoas e, de longe, o avistou. Estava distraído, conversava com o pai de Gabriel, mantinha uma expressão terna, mas o olhar não enganava .
De relance, olhou para , que pode perceber ele pedir licença para o homem e caminhar em sua direção. A cerimônia começaria em poucos minutos e as pessoas começavam a entrar no salão e se posicionar nas cadeiras do local.
— Hey. — Deu um beijo na bochecha da garota. — Ansiosa?
— Um pouco. — Confessou. — E você, pronto?
— Nasci pronto. — Brincou e riu.
Ao se posicionarem para entrada, a tensão entre , e era presente, forçando os três a olharem apenas para frente, sem nem sequer cruzarem os olhares por um segundo.
Clara e Lucas foram os primeiros a entrar, logo após, Rachel e o irmão de Gabriel, e , e, por fim, e .
A caminhada até o altar foi tranquila para , que sorria e vez ou outra cutucava para que sorrisse também. Logo, a entrada de Ana se iniciou e podia sentir a emoção dos noivos, o que a fez derramar umas lágrimas também.
— É a primeira vez que te vejo chorando em eventos assim. — disse e limpou algumas lágrimas.
— Não é qualquer evento, é Ana e Gabriel, e somos os padrinhos! — Retrucou e o garoto sorriu.
Quando a cerimônia acabou, todos se dirigiram para festa e sugeriu um brinde dos padrinhos com os noivos, o que fez estremecer.
— O brinde não é um brinde comum, é pra simbolizar que agora a gente finalmente cresceu, e não somos mais os adolescentes que fugiam para as festas, sempre tiveram as férias mais loucas, puxavam a orelha de por sempre ser a mais maluca... — Deu uma pausa e todos gargalharam. — Acho que todos estamos muito felizes por vocês. Agora sim, saúde! — Finalizou , e o encontro de taças foi feito.
Disfarçadamente, colocou sua taça em cima da mesa, enquanto todos pareciam distraídos.
— Ei, , não vai beber? — Questionou Lucas e arregalou os olhos, devido ao susto.
— Eu... eu já bebi. — Mentiu, recebendo olhares de todos. — O que foi?
— É a primeira vez que não vejo você virar a taça. — Clara brincou e riu, na tentativa de disfarçar a tensão.
Em alguns minutos, todos se dispersavam pela festa, deixando apenas , , , e Rachel na mesa. Era claro que o clima não estava dos melhores, mas as meninas tentavam disfarçar conversando sobre o nervosismo da caminhada até o altar.
. — chamou e ignorou, fazendo as meninas cessarem a conversa na hora. — Cara, a gente tem que conversar, você me evitou a semana inteira. — Insistiu.
— Temos conhecimento na arte de evitar. — debochou. — Veja, você evitou contar que está noivo da minha irmã, e eu evitei falar com você. Somos bons nisso, né?
— Noivo? — frisou, levantando-se da mesa no segundo seguinte.
... — Rachel a seguiu, mas não conseguia se mover com medo de pular no pescoço do sócio.
— Pode lidar com isso como uma criança, mas uma hora teremos que conversar, não se trata apenas de mim e da sua irmã, se trata da nossa empresa, da nossa amizade! — lembrou e riu, incrédulo.
— Eu só não encho você de porrada porque respeito muito Ana e Gabriel, e, quanto à Sunset, resolveremos depois. — Rebateu.
, você acha mesmo que eu planejei me apaixonar pela sua irmã? — questionou e podia observar serrar os punhos.
— Você pediu minha irmã em casamento pelas minhas costas e quer vir com seu discursinho de merda sobre eu ser criança? Sobre não ter planejado? — O garoto começava a ficar vermelho. — Vai tomar no cu!
— Cara, eu não...
— Você é criança, você é covarde por não ter me contado, é um filha da puta por ter pedido alguém que você se envolve há pouco tempo em casamento! E, além de tudo, fingia pra mim que ainda gostava de . — se levantou e também. — Inventar uma tal de Júlia? O quão baixo você consegue chegar? E ainda acha mesmo que existe alguma chance de eu voltar a falar com você? Você quebrou minha confiança, , da pior forma possível.
— Você devia pensar na sua irmã.
Com essa frase de , agarrou o melhor amigo pelo colarinho, estava vermelho de raiva, e sabia que a situação tinha chegado em seu ápice. Correu para o lado do garoto, segurando suas mãos e suplicando para não abrir a boca.
, solta ele. — Pediu e mantinha as mãos segurando . — Não faça isso, Ana e Gabriel já virão aqui e ficarão chateados.
soltou , o olhando com desaprovação. Bufou, e por fim agarrou um copo de whisky da bandeja do garçom que passava, indo até o jardim, do lado de fora do salão.
— O que você fez com é triste, mas nem se compara com o que fez com . — A garota disse olhando pra .
— Ela terminou comigo, , há dois anos atrás. E tenho certeza que você nem imagina o porquê. — Respondeu arisco. — Sua amiga te contou o motivo do nosso término? Se eu estou noivo hoje, é por ter superado o que aconteceu.
A garota não entendia sobre o que falava, nunca havia explicado o motivo do término exato, e, no fim, não cobrou, já que via o sofrimento da melhor amiga. Não respondeu , apenas balançou a cabeça negativamente, indo atrás de .
Ao chegar, virava o copo de uma vez, enquanto olhava uma fonte que havia no local. estava receosa do que fazer, se sentia péssima por ter presenciado a discussão dos dois.
, eu realmente não quero ouvir sobre isso. tirou o resto da minha paciência. — O garoto disse, sem desviar o olhar da fonte.
— E você vai tirar a minha se me tratar assim. — Respondeu. — Preciso te contar uma coisa.
— O quê? — se virou, olhando nos olhos da garota, que estremeceu. Sua boca abria e fechava, quando a valsa foi anunciada.

(July — Noah Cyrus)
I've been holding my breath
Eu ando segurando meu fôlego
I've been counting to ten over something you said
Eu ando contando até dez por algo que você disse
I've been holding back tears
Eu ando segurado as lágrimas
While you're throwing back beers, I'm alone in bed
Enquanto você bebe cervejas, eu estou sozinha na cama

? — chamou e balançou a cabeça, acordando do transe rápido, enquanto observava Ana e Gabriel caminharem para o meio da pista.
— Temos que ir, é a valsa. — Saiu, puxando o garoto pelo braço, entretanto, parou.
— Não, eu quero saber, o que está havendo? Se isso for a resposta para você estar tão diferente, eu realmente preciso saber. — Afirmou e a garota engoliu seco.

You know I, I'm afraid of change
Você sabe que eu, eu tenho medo de mudanças
Guess that's why we stay the same
Acho que é por isso que ficamos na mesma
So tell me to leave
Então me diga para ir
I'll pack my bags, get on the road
Vou empacotar minhas malas, pegar a estrada
Find someone that loves you
Encontre alguém que te ame
— Euestougravida. — Disparou e o garoto franziu a testa.
— Você o quê? — Questionou, sem entender.
— Estou grávida. — Ela respondeu e parecia ter ficado sem ar. — Em fevereiro fiz o teste e deu positivo, fui ao médico e ele me disse que eu estava de 6 semanas de gravidez, sim, eu deveria ter contado de uma vez, mas eu fiquei com medo. Na verdade, eu estou com medo. Eu estou apavorada pra falar a verdade, nunca foi meu sonho ser mãe, você mais do que ninguém sabe.... — Disparou e seus olhos começavam a marejar.
— Eu fui na sua casa e você me falou sobre o acordo do ano novo, lá você já sabia? — mantinha a voz calma e assentiu. — E você não contou? Preferiu falar todas aquelas coisas pra mim?
— Na hora eu estava extasiada, , eu só pensei em nós dois, e em tudo. — As lágrimas já corriam dos olhos de e o garoto mantinha o olhar perdido em algum ponto atrás dela.
— Eu dormi na sua casa, peguei uma roupa de criança, e você também não lembrou? — Questionou mais uma vez e abria e fechava a boca, sem saber o que dizer.
, eu...
— Francamente, isso não é algo que se esqueça de falar.
Antes que pudesse responder, saiu andando, e a garota estava imóvel. Não conseguia mover um milímetro sequer do seu corpo, mas pôde observar quando ele deixou a festa, sem nem olhar para trás.

Feels like a lifetime
Parece o tempo de uma vida
Just trying to get by while we're dying inside
Tentando me virar enquanto morro por dentro
I've done a lot of things wrong
Eu fiz muitas coisas erradas
Loving you being one, but I can't move on
Te amar é uma delas, mas não consigo seguir em frente


Capítulo 14 - Promessas.


dirigia atordoado. Imagens da infância dolorida passavam na sua mente. As brigas de seus pais e o choro de Victoria. A adolescência cuidando da garota, que todas as noites pedia para dormir com o irmão. A vida adulta, as brigas com , a volta de seu pai, a traição de , e, agora, um filho.
Sentia vontade de gritar, de fugir, de sair daquela cidade para sempre. Ele não aguentava mais ser surpreendido.
Não queria um filho, não queria o sangue de seu pai, não queria que Victoria fosse tão cabeça dura e tão covarde. Mas, de certa forma, era o que tinha.
Ao chegar em seu apartamento, pegou a garrafa de whisky guardada no armário, removendo o lacre e colocou a bebida em um copo, enquanto arrancava a gravata borboleta com uma das mãos e em seguida tirava o paletó.
Se jogou no sofá e seu olhar parou em uma foto dele e de , em um evento da Sunset. Sem pensar duas vezes, atirou o copo na mesma, mas, pela péssima mira, acabou acertando a televisão.
Estava com raiva, mas ainda precisava da bebida, precisava esquecer seus problemas por algumas horas, para lidar com tudo depois. Praticamente se arrastou até a cozinha, pegando outro copo e o enchendo com o líquido amargo.
Ao ouvir o som da campainha, não se surpreendeu. Ele sabia quem era, e sabia no que aquilo resultaria. Não precisou caminhar até a porta para abri-la, já que a mesma estava destrancada e foi aberta no segundo seguinte, revelando , com os olhos vermelhos e com o salto em uma das mãos.
— Já tivemos inúmeras discussões, mas essa é diferente. Você não pode me deixar plantada, sem falar uma palavra, depois do que te falei. — A garota disse e virou o copo de whisky sem expressar emoção alguma.
— Não sei o que esperava de mim. — Respondeu, buscando a garrafa de whisky na cozinha, despejando mais líquido no copo.
— Esperava que você não fosse um idiota! — Retrucou, caminhando até ficar frente a frente com o garoto.
— Esperou demais.
— OLHA PRA MIM! — Ela gritou, arrancando o copo de de sua mão, colocando-o em cima da mesa de centro. — PODE GRITAR COMIGO, ME MALTRATAR, AGIR COMO O MAIOR BABACA, MAS EU TE CONHEÇO. — As lágrimas rolavam pelo rosto da garota, enquanto aderia uma expressão triste. — Eu te conheço, e eu sei que você não é assim. Você está com medo, está triste, está angustiado, se sente perdido.
... — Ele interrompeu, mas ela negou com a cabeça.
— Não adianta me pedir pra sair daqui, pra te deixar, ou dizer coisas horríveis pra mim. Eu não vou. Eu vou ficar, vou cuidar de você, e vou te ajudar. — Afirmou, limpando o rosto e abraçando garoto, que retribuiu, deixando algumas lágrimas escaparem.
Achava incrível como ela conseguia descrever exatamente o que ele sentia e como conseguia ser compreensiva, era algo que ele sempre admirou nela.
Desde que conheceu , ele nunca conseguiu sentir o mesmo por outra garota. Mesmo que tivessem mil e uma brigas, algo os trazia de volta, e olha que ele nem acreditava em destino.
Alguns minutos depois, se soltaram, foi para o quarto, tirando as últimas peças do smoking, colocando uma calça de pijama qualquer. Quando voltou, trouxe uma camiseta e um short para , que pegou as roupas, indo para o banheiro e se trocando. Teve um pouco de trabalho para sair do vestido, mas conseguiu. Aproveitou para lavar o rosto, já que a maquiagem estava borrada.
Quando voltou para sala, estava deitado no sofá, encarando a televisão quebrada. se aproximou e o garoto deu espaço para que ela se deitasse ao seu lado. Ao deitar-se, afundou o rosto na curva de seu ombro, abraçando sua cintura, enquanto ela acariciava seus cabelos.
— E aí, quer assistir um filme? — Brincou, vendo-o rir baixinho.
— Ele chamou, levantando a cabeça, encontrando o olhar da garota. — Obrigado. — Agradeceu baixo com as bochechas levemente rosadas.
sorriu, passando o nariz pelo dele devagar, e logo seus lábios se encontraram. Ambos pareciam querer sentir a presença um do outro, a calmaria era presente, mas partiu o beijo, o que deixou perdido. Ela não queria que a situação se complicasse mais ainda entre os dois, precisavam evitar o máximo de problemas possíveis.
— Acha que daremos conta? — Ele questionou, desviando o olhar para a barriga dela rapidamente.
— Espero que sim. — Respondeu. — Pizza? — Sugeriu e ele assentiu, rindo.
Alguns minutos depois, a pizza chegou, e comeu 4 pedaços sozinha, o que era inédito, já que nunca havia conseguido passar de dois, e gerou algumas risadas entre ela e . Quando terminaram, não demorou muito para acabarem pegando no sono e irem dormir.
Ambos sentiam a calmaria do mundo deles, haviam algumas coisas para lidarem, mas estava tudo bem, eles sentiam que tinham um ao outro, e isso parecia suficiente.

Na manhã seguinte, acordou sozinha na cama. Caminhou até a cozinha, encontrando preparando uma espécie de café da manhã.
— Comprei pão, bolo, pão de queijo e cookie. — Apontou para sacolas e ela riu, dando um beijo na bochecha dele.
— Está ótimo. — Afirmou sorrindo e o ajudando a levar as coisas para pequena mesa da varanda.
Sentaram-se e mordia um pedaço de cookie enquanto admirava o céu azul. Ele não estava diferente, a manhã realmente estava bonita, talvez fosse para compensar os acontecidos da noite anterior, pensava.
— Ainda não conversamos. — mencionou, receosa.
— Não vou fugir disto. — Respondeu, encarando a garota.
— Não é só o fato de fugir, é ser. Preciso de uma promessa. — Ela olhou nos olhos de , que assentiu para que ela continuasse. — Vamos prometer, que, mesmo que a gente brigue, não vamos deixar que o afete.
— Prometo. — Respondeu e estendeu o dedo mindinho, o que o fez gargalhar, mas selar a promessa. — Eu fiquei com raiva, fui um idiota, e ainda não caiu minha ficha, mas eu vou fazer de tudo pra ser alguém melhor, porque agora não depende só de nós dois. — Afirmou e estava pasma com as palavras do mesmo.

Flashback (1 ano antes)
— VOCÊ PROMETEU! — gritava no rosto de , que estava vermelho de raiva, e não acreditava que estava acontecendo de novo.
— QUAL É, PORRA, EU NÃO CONSIGO ENTENDER VOCÊ! — Respondeu e bufou, fazendo bico em seguida.
— A GENTE TINHA UM COMBINADO, , UM! — Ela continuou, dando tapas no peito do garoto, que segurou suas mãos.
— EU SEI, , EU SEI. MAS NÃO ESTAMOS JUNTOS, NÃO TE DEVO SATISFAÇÃO.
estremeceu, estavam na porta de uma balada, chamavam um pouco de atenção, mas não importava. Soltou bruscamente suas mãos das dele, o empurrando levemente para trás.
— Não é porque não estamos juntos, que eu não vá sentir nada ao ver você agarrado com duas garotas. Existem coisas que me machucam, e o mínimo que você podia ter era respeito e consideração.
— Você fala como estivesse sozinha. — Retrucou e a garota sentia o sangue ferver ainda mais.
— Não queira virar essa situação pra mim.
— CHEGA, ! — Ele pediu e ela assentiu com indiferença. — EU CANSEI!
— Quem cansou fui eu, cansei de te ver esfregando mulher atrás de mulher na minha cara. Cansei de tentar. Cansei de te pedir para parar. Cansei de sempre ser a mesma coisa. Cansei de imaginar que um dia vamos nos acertar, porque não vamos. Você nunca vai mudar, eu nunca vou mudar, e nós nunca vamos dar certo. — Finalizou, deixando o garoto para trás, assustado com as palavras dela, e com medo que ela estivesse certa.
Flashback off.


— Tudo vai mudar. — Afirmou, observando-o assentir. — Talvez fique bravo, mas vou perguntar do mesmo jeito. E quanto a e sua irmã?
suspirou, como se ponderasse rapidamente. Pegou um pão de queijo, mordendo em seguida e voltando o olhar para garota.
— Não sei... — Confessou. — Não estou puto por estarem juntos, é meio estranho, porque sempre esteve entre a gente, digo, como irmão, mas não estou bravo por isso. Estou bravo pelas mentiras! Porra, eles mentiram demais. Inventar uma garota aleatória, insistir que ainda gosta de ...
— Sei que está chateado, e tem todo o direito de estar, foi errado o que eles fizeram. Mas vocês tem a Sunset, anos de amizade, e a Victoria é sua irmã. — Respondeu e deu de ombros. — Além de que, os sites de fofoca estão a mil, logo você vai ter que se pronunciar.
— Essa é a pior parte. — Revirou os olhos. — Vou tratá-lo como sócio, nada além. Não quero ser um dos padrinhos daquela merda, muito menos ver meu pai entrando na igreja com minha irmã.
— É estranho imaginar os dois se casando. — fez careta. — Sempre imaginei com , e sempre achei que os dois voltariam. — Deu uma pausa. — !
— O que tem?
— Não liguei pra ela desde o casamento! — A garota colocou uma de suas mãos na testa. — Caramba, ela deve estar preocupada, meu celular está sem bateria alguma.
— Usa o meu.
desbloqueou o celular rapidamente, entregando para , que pegou, indo até os contatos e ligando para , que não demorou a atender.
Alô. — Ouviu a voz da melhor amiga do outro lado da linha.
— Oi, , sou eu.
! Eu vou te matar! quis rir ao imaginar a feição de , que deveria estar surtando. — O que aconteceu? Você sumiu do nada no casamento! Você contou?
— Vou te contar tudo depois, e, sim, contei. — Respondeu, olhando para , que devorava um pedaço de bolo.
Quero saber tudo, vem logo!
— Pode deixar, meu mel, já já estou de volta! — Brincou e ouviu rir do outro lado da linha. — Te amo, se cuida.
Também te amo, cuida do meu sobrinho.
Desligou o celular e devolveu para , que revirou os olhos ao ver algo no mesmo. Virou a tela para , que leu rapidamente o trecho de um site de fofocas.

“Parece que há uma tempestade no mundo da moda. Nosso foi visto saindo de um casamento nervoso, e, segundos depois, a garota das jóias o seguiu e sua feição não era das melhores.
Fontes afirmam que o garoto não quer perdoar o novo cunhado, mas o que tem a ver com isso? Seria um novo segredo?”


— E ainda tem essa! — afirmou.
— Só vamos anunciar mais pra frente, agora nem pensar. — completou. — Deixe que especulem.
Um pouco mais tarde, afirmou que precisava ir para casa. Precisava realmente ver e de um bom banho acompanhado de uma roupa limpa. ofereceu para levar a garota, que aceitou. Ao deixar na porta de seu prédio, ele agradeceu mais uma vez por tudo, e pediu para que o deixasse informado sobre tudo relacionado a gravidez, afirmou que não demorariam a se ver. Ela estava completamente perplexa com a mudança repentina de , e sentia-se, pela primeira vez desde que descobriu estar grávida, segura.
Se despediram e ela subiu, com o vestido azul e o salto prateado em suas mãos.


Capítulo 15 - Nosso lugar.


— Então você contou tudo? Caraca!
e estavam jogadas com as pernas para o alto no sofá do apartamento de . Fazia quase uma semana desde que havia contado tudo para , e ambos pareciam estar bem melhores após os acontecimentos da semana anterior.
— Agora que contei me sinto aliviada. — Confessou. — Como você está em relação a e Victoria?
— Não sei. — torceu a boca, incerta. — Estou triste, mas não é como se ele fosse me esperar a vida toda. Sem falar que tem algo que precisamos conversar.
sentou-se e franziu a testa. O assunto era sério, já que a expressão de sua melhor amiga era séria. Ela sentou-se, aguardando começar a falar.
— Fui promovida!
— E você fala assim? Precisamos comemorar! — sorriu, mas continuava séria. — O que foi?
— É pra empresa do Rio de Janeiro.
abriu a boca, formando um O. Estava chocada, nunca pensou nas duas morando em cidades diferentes, entretanto, ela não seria egoísta de pedir para deixar uma oportunidade grande passar.
— É o que você quer? Se for, eu estarei feliz, e te visitarei em todos os feriados. — Respondeu, segurando uma das mãos de , que sorriu.
— É o que eu preciso. Recomeçar. — A garota respondeu, deixando uma lágrima cair, e a abraçou.
— Quando você vai?
— Na próxima semana. — Ouviu responder e respirou fundo, impedindo algumas lágrimas teimosas de caírem.

X


sentia se irritado só de olhar pra , o que o obrigou a marcar uma reunião com urgência, para decidir o futuro da Sunset.
Por mais que amasse a empresa, ele sabia que aquela não era sua única renda, e que, com algumas ideias novas, ele poderia começar outra coisa tão boa quanto.
Adentrou a sala de reunião da sede da Sunset, cumprimentando algumas pessoas presentes no local, e sentou-se em uma das cadeiras, encarando com cara de poucos amigos.
— Precisamos falar sobre o futuro. — Afirmou e todos ficaram calados, aguardando as próximas falas do garoto. — Não vou ficar de enrolação. Quero vender a minha parte pra você. — Finalizou, olhando .
A expressão do sócio era de completo choque, assim como a de todos presentes na mesa. Ele se levantou, bufando e encarando .
— Nossos problemas pessoais não deveriam chegar aqui, isso é ridículo! — Deu uma pausa, incrédulo. — Eu não vou deixar que faça isso.
— Bem, não estou pedindo sua permissão. — Retrucou, se ajeitando na cadeira. — Criamos isso com um propósito, que não é o meu de hoje em dia.
— Você não pode deixar uma história de 7 anos, assim.
— 7 anos. — frisou e se levantou, caminhando até a máquina de café do espaço e se servindo. — 7 anos atrás eu não imaginei que você fosse casar com minha irmã.
As pessoas presentes na sala, mais precisamente o setor administrativo da empresa, estavam chocadas. Mantinham-se em silêncio, enquanto mantinha um olhar raivoso para , que se mantinha calmo, enquanto tomava seu café.
— O que você está fazendo é a coisa mais ridícula e tosca que já te vi fazer. — Cerrou os olhos. — Se você quer vender sua parte, ótimo. Eu compro!
— Então temos um negócio. — sorriu sarcástico. — Cuidado pra não acabar gastando parte da sua festa de casamento, Victoria ficaria chateada.
— Eu não sou a pra aguentar seu joguinho. — respondeu, mas se arrependeu assim que viu caminhar em sua direção, agarrando novamente sua blusa.
— Não toca no nome da , nunca mais. — Disse, vermelho de raiva. — O que acontece entre nós não te diz respeito, e não cabe a você julgar nós dois, depois do que fez com . — Finalizou, empurrando o sócio e saindo da sala.
Por mais que se sentisse nervoso, ele havia marcado com de almoçarem juntos em um restaurante que gostavam. Era uma ótima oportunidade pra se acalmar e tirar um tempo daquela loucura toda.
Se encontraram na porta do prédio de , que desceu com um vestido verde escuro soltinho e seu adidas. O cabelo estava preso em um rabo de cavalo desarrumado, e ela ajeitava o óculos de sol no rosto.
— Hey! — Ela sorriu, adentrando o carro do garoto, dando um beijo em sua bochecha.
— Oi. — Forçou um sorriso e franziu a testa:
— Dia ruim? O meu está péssimo. — Suspirou, colocando o cinto, e deu partida no carro.
— Então estamos na mesma. — Ele fez uma careta. — Vou vender minha metade da Sunset pra .
— O quê? — A garota questionou chocada, levantando o óculos. — Esse é o seu sonho, você está maluco?
— Não é loucura, , é recomeçar. — Ele afirmou, e desviou o olhar por um momento, como se pensasse em algo.
— Todo mundo quer recomeçar hoje, o que tá acontecendo? — Ela questionou e franziu a testa, sem entender. — vai morar no Rio.
— O quê? — Foi a vez de ele ficar chocado, e riu levemente.
— Recebeu uma proposta de emprego, é a chance dela recomeçar, e eu estou feliz por ela. — Confessou — Só vai ser estranho não vê-la todos os dias.
merece. — O garoto afirmou. — Ela lutou muito pra ter tudo que tem.
— Você também. É injusto ceder!
— Não é questão de ceder, .
, você e investiram anos das suas vidas ali! — A garota olhou pra ele, que mantinha os olhos fixos na estrada. — Vocês têm muita gente que acompanha o trabalho de vocês, se um dos dois sair, vai perder a magia.
— É hora de olhar pra frente, tá acontecendo tanta coisa! — suspirou.
— Você está querendo fugir, e eu não vou te apoiar nisso.
— Chegamos! — O garoto comemorou e quis rir. — Tinha esquecido como você era insistente.
Adentraram o restaurante, sentando-se em uma mesa próxima a uma janela que havia no local. O garçom trouxe os cardápios e notou , inquieta.
— Ei, tá tudo bem? — Perguntou e os olhos da garota encheram-se de lágrimas.
— Eu não posso me imaginar comendo nada disso. — Ela respondeu, choramingando. — Só de pensar nesses pratos, eu já quero correr pro banheiro e colocar tudo pra fora. O que é triste, porque eu amo comer aqui.
— Ei, não precisa chorar por isso! — Respondeu, calmo, e ela negou com a cabeça, colocando as mãos no rosto. — Podemos ir em outro restaurante, tem milhares aqui perto.
— Eu quero um pastel. — A garota levantou o rosto, limpando as lágrimas, e ele assentiu.
— Tudo bem, vamos comer um pastel então.
tentava entender que aquilo eram os hormônios da gravidez falando, o que ainda era estranho pra ele, já que ainda não havia caído sua ficha que teriam um filho.
Saíram do restaurante e estava mais calma. Entraram no carro novamente, e, quando chegaram a uma feira, pararam, sentando-se em uma barraquinha.
— Você quer do quê? — Perguntou e a garota abriu o maior sorriso que ele já havia visto.
— Queijo!
Pediram os pastéis, e devorou o dela em menos de 5 minutos, o que fez rir e tirar uma foto da menina com a boca suja.
Ao terminarem, resolveram ir até a praça de , e, juntos, estavam sentados no banco, encarando as árvores.
— Quando a gente vem pra cá, eu me sinto com 17 anos. — Ela confessou, e riu. — E me sentir com 17 anos me lembra muita coisa.
— Tipo?
— Era nossa praça antes de se tornar sua praça. — Ela sorriu triste, e ele a encarou. — Nosso primeiro beijo foi aqui.
— A chamávamos de código 14. — Ele riu levemente e o acompanhou. — Ela não se tornou minha, continua sendo nossa.
— Eu não venho pra cá com tanta frequência quanto você. — A garota o encarou, e ele deu de ombros, fazendo seus olhares se encontrarem.
— Eu não venho sempre. — Afirmou. — Venho quando está tudo tão sufocante, que só preciso de ar. Então, eu sento nesse banco, e vejo tudo que esse lugar já fez por mim, olho as árvores, e, de certa forma, isso me acalma. — Sorriu e a garota passou uma das mãos por seu rosto.
— Aonde foi que nos perdemos? — Disse baixinho, mas não o suficiente para que ele não ouvisse e a abraçasse.
Se soltaram, mas ainda estavam bem próximos. Tão próximos, que ela podia sentir a respiração dele batendo em seu rosto. Ele mantinha os olhos fechados, enquanto ela acariciava seu rosto. chegou mais perto, e eles deram um selinho demorado, que logo se tornou um beijo.


Capítulo 16 - Our last summer.


, você me surpreende cada dia mais. — Rachel dizia, se jogando no tapete da sala de estar de , que devorava um balde de pipoca.
— Vocês duas me surpreendem! — afirmou, enchendo a mão de pipoca. — grávida, você saindo com o irmão de Gabriel. Qual é, a vida de vocês parece uma novela!
— Não é como se a sua não parecesse. — Rachel rebateu e riu. — Você vai amanhã para o Rio de Janeiro, receber uma fortuna com sua promoção.
— Que seja! — deu de ombros. — Conte sobre sua relação com o irmão de Gabriel!
— Ahhh, Augusto é inexplicável. — Suspirou. — Pela primeira vez em anos, eu sinto que isso possa evoluir, e, de certa forma, não quero sair correndo, o que já é um grande passo pra mim.
— Com certeza. — brincou e Rachel mandou o dedo. — Eu fico feliz, de verdade.
— E você, grávida? Está quieta demais. — Rachel chamou atenção de , que balançou a cabeça, voltando a atenção às amigas.
— Eu tô bem... — Sorriu levemente.
— E ? Como está com tudo isso? — Questionou e deu de ombros.
— Ele reagiu melhor do que eu, pra falar a verdade. O que está pegando é a briga entre ele e . — fez uma careta. — Ele está pensando em vender a parte dele da Sunset. — Ao finalizar, viu a expressão chocada de Rachel, assim como a sua, quando deu a notícia na semana anterior.
— Aquela loja vende pra caralho, não é possível que realmente venda pra .
— No começo eu duvidei, mas agora ele está com uns papos de seguir em frente, arrumar um novo rumo. Eu acho muito provável que ele faça isso.
foi um filho da puta com , e as fofocas estão começando a correr pela internet. — acrescentou e assentiu.
— Não vou mentir que acho um pouco de exagero vender metade de uma empresa por isso. — afirmou e Rachel concordou. — Mas, por outro lado, não conseguiria conviver com depois de tudo isso. Ele é rancoroso, principalmente em questões familiares.
— É complicado, mas logo as coisas vão melhorar. O primeiro bebêzinho do grupo vem aí! — Rachel sorriu, passando a mão pela barriga de . — Quem diria, depois de tantas idas e vindas, barracos, porres, viria um bebê do rolo de vocês?

Mais tarde
, e Rachel terminavam de arrumar a última mala de para o Rio. Ela não tinha um prazo para voltar, o que deixava tensa, entretanto, ela havia prometido que estaria em São Paulo quando o bebê nascesse, o que era, de certa forma, um conforto para .
A última vez que haviam se separado por tanto tempo foi dois anos atrás, antes de terminar de vez com , e passar quase dois meses viajando com ele.
Fora isso, nunca haviam ficado mais de alguns dias sem se ver.
Mesmo com o coração apertado, sabia que a melhor amiga precisava disto, e, independente da demora a se ver, ela estaria feliz por qualquer decisão de .
— Ok, agora vamos tomar um refrigerante, por favor. — Rachel pediu e as amigas riram, caminhando até a cozinha.
Rachel bebia uma coca-cola, enquanto e bebiam um suco de laranja integral, que era um vício para as duas há um tempo.
Quando terminaram, estavam exaustas. Tiveram a ideia de ver um filme, que acabou com as três dormindo na cama de , em dez minutos.

Quando o dia amanhecia, as três se levantaram, preparava o café, enquanto tomava banho e Rachel arrumava a cama.
iria com seu carro, e todas sabiam que o caminho seria longo, o que as obrigou a levantar enquanto o sol nascia.
Um sentimento de tristeza e saudade já começava a ocupar , que prometia a si mesma não chorar, o que parecia um pouco difícil com os hormônios da gravidez, mas ela fazia o possível.
O café foi tomado com um sentimento estranho entre as garotas, que, assim que terminaram, desceram até o estacionamento, acompanhando . Era inevitável não começar a chorar, e já se debulhava em lágrimas, quebrando sua promessa em pouco tempo.
puxou as amigas para um abraço, deixando algumas lágrimas teimosas escorrerem.
— Ei, eu prometo que venho quando o bebê nascer. — Afirmou, segurando a mão de , que assentiu. — E, por favor, valorize o que você está tendo, ok? Lembra do que minha mãe disse? No meu sonho? Precisamos manter a calma! Sei que já está aceitando bem melhor o que está passando, mas você ainda precisa olhar isto com outros olhos. Eu te amo muito, e, por favor, não faça besteiras. — Finalizou, dando um beijo na bochecha de , a abraçando em seguida.
Ao se soltarem, suspirou, limpando as lágrimas, e caminhou até Rachel dizendo algumas palavras e a abraçando. Em seguida, entrou em seu carro lotado de coisas, e acenava para as amigas, saindo da garagem, deixando Rachel e abraçadas lado a lado.
Subiram alguns minutos depois, e, como ainda era cedo, voltaram a dormir.

X


— Porra, não acredito que tenha deixado a caixa de fotos aqui. — Rachel disse, segurando a enorme caixa lilás, que continha fotos de diversos momentos da adolescência do grupo. — Olha essa! — Pediu, entregando a foto que continha ela, e , no acampamento de férias que iam todos os anos.
Acontece que as meninas ficaram com o papel de organizar o apartamento de , que ainda tinha dúvidas se venderia ou não o local, já que não sabia se havia possibilidade de voltar para São Paulo.
O som estava no máximo, e e Rachel estavam no meio de uma pilha de coisas que haviam sido jogadas por , em um dos quartos do seu apartamento, durante a mudança. Já estavam ali havia algumas horas, e já não aguentava mais.
— Essas férias foram boas. — Respondeu, segurando a foto e sorrindo.
— Todos os anos desse acampamento, fugimos pra baladinha, que saudade.
— E, neste dia especificamente, afundou o pé na lama e teve que ficar descalça durante toda a festa. — Finalizou, rindo, e Rachel a acompanhou.
devolveu a foto para a amiga, cantarolando a música que tocava, enquanto sem querer esbarrou o cotovelo em uma das milhares de caixas, que se abriu ao cair, revelando alguns documentos. A garota se ajeitou, tentando segurar os papéis, e, sem querer, rolou os olhos para uma carta, que tinha a letra idêntica de sua mãe.
Curiosa, abriu. Como aquilo poderia estar com ?


“Alisson,

Sei que as coisas não estão boas, tudo parece bem confuso pra ser sincera. Eu te espero, precisamos conversar sobre nossa situação.
Nunca vou me perdoar por isto, mas ainda temos tempo para reverter.

XxX Viviane.”



— Que foi, ? — Rachel questionou e ainda mantinha a testa franzida, sem entender.
— Minha mãe deixou uma carta para o pai de , mas eu não estou entendendo nada. — Respondeu, entregando o papel, que a amiga leu rapidamente. — Por que ela não iria se perdoar?
— Não faz sentido algum.
procurou mais alguma coisa que pudesse dar alguma resposta dentro da caixa, mas havia apenas documentos dos pais de , e nada que pudesse explicar aquela carta.
, quem procura no passado nem sempre acha boas respostas. — Rachel orientou, deixando a garota mais perdida do que estava.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.

Nota da beta: MARIANNA, VOLTE AQUI AGORA MESMO COM UMA ATT!!!! AAAA!! Que bilhete foi esse da mãe da pro pai da ??? Quando pensamos que está tudo bem, surge um novo mistério (não vou mentir, adoro isso!). Sinto que está indo pro Rio com muitos segredos na mala (e com algumas dores também, bichinha), tomara que ela não suma, adoro ela!
Tô adorando também essa relação fofinha do e da , finalmente, Senhor!
Tô cada vez mais apaixonada nessa fic e super curiosa pra próxima att!!
Não esqueçam de comentar! <3

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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