Última atualização: 11/11/2020

Capítulo 1


Cape May — New Jersey|10:00 a.m.



A música soava alto enquanto os objetos se mexiam limpando a minha casa. Eu sei, é estranho. Dancei um pouco feliz sabendo que não tive esforço algum.
Corri para o meu quarto e peguei o meu diário, como de costume. Anotava tudo de anormal que acontecia comigo — “Não querido diário. Consegui mover objetos só com o pensamento ou com alguma coisa, eu não sei o que está acontecendo comigo, ESTOU LOUCAAAA” — Voltei para sala descendo rápido e desliguei a música, fazendo todos objetos voltarem de volta ao seu lugar. Ouvi lá fora o barulho do carro chegando, meus pais. Peguei o livro na mesa de centro da sala e me sentei no sofá.
— Oi, filha, chegamos — Disse minha mãe enquanto segurava as compras.
Corri para ajudar e levar até a cozinha e eles me acompanharam.
! A casa está brilhando. Tão jovem, mas tão responsável — Meu pai se aproximou de mim me abraçando — Tenho orgulho de você!
— Temos! — Disse minha mãe sorrindo, nos olhando.

22:00 p.m.
Tenho uma festa para ir e estou nervosa. Meus pais não gostam muito que eu saia de casa, seja de dia ou de noite. Então terei que fazer uma coisa terrível, sair escondido.
Não gosto de mentir, me sinto mal. Mas queria muito me divertir com a e o meu namorado secreto, meus pais não sabem. Jake é ótimo e me faz bem, mas meus pais são muito protetores ao ponto de não deixar eu ter “uma vida normal”. É estranho não poder fazer certas coisas, mas os respeito e fico na minha.
Enquanto me maquiava, me concentrei o suficiente para abrir o armário, pegar o meu vestido azul e trazê-lo até a mim. Até que estou gostando disso, mas me sinto estranha. Ouvi a buzina lá fora e corri na janela vendo o carro de Jake e sentada logo atrás acenando. Fiz sinal de silêncio, se meus pais descobrirem é castigo na certa.
Coloquei finalmente o vestido azul e deixei meu cabelo solto, por fim pondo a sapatilha. Desci a escada devagar até a porta, meus pais dormem bem cedo então é fácil a escapada. Abri a porta, saindo e fechando a mesma com cuidado e devagar. Me virei até o carro na rua, olhando pra eles sorrindo, e corri em direção ao carro, sentando no banco da frente e dando um selinho rápido em Jake. resmungou e rimos.
Partimos até a festa, não era muito longe de onde moro, o que me deixava bem tranquila. Finalmente chegamos, saiu do carro primeiro, correndo em direção à festa na casa. Ficamos Jake e eu no carro a sós.
— Amanhã depois da escola, podemos nos encontrar? — Perguntou Jake.
Uma parte que não gosto dele é que ele é muito insistente. Ele sabe que não posso, mas sempre discutimos sobre isso. Só posso sair para escola, óbvio. E às vezes visitar a . Mas eu o entendo, eu mal o vejo, só nós vemos na escola e às vezes nem nos encontramos por tanta matéria extracurricular.
— Você já sabe a minha resposta — Mordi os lábios suavemente, abaixando a cabeça — Jake...
Ele não me esperou terminar e foi logo me beijando. Tentei o afastar, mas sem sucesso. Logo o afastei me concentrando novamente, ele foi empurrado com força para porta do carro, que graças ao universo estava fechado.
— Você é louca! — disse ele com desdém
— Louca? Sério?? — Disse desacreditada
— Como você fez isso?? Isso é impossível, você ter tanta força assim! — Disse ele, desacreditado do que acabou de acontecer.
— Estamos juntos há 1 ano e tudo o que sabe dizer é que sou louca? — Olhei para ele decepcionada — Você me agarrou sem ao menos ligar se eu queria aquilo ou não — Balancei a cabeça em negação.
Sai do carro rápido, não queria ficar perto dele. Andei em direção à casa e corri as escadas na sorte de encontrar um banheiro. Abri todas as portas do andar, torcendo pra esquecer o que via em alguns quartos. Finalmente achei o banheiro e adentrei rápido, trancado a porta. Encostei a minha cabeça na porta, respirando pesado. Queria chorar, mas não consigo.
— É.... está tudo bem? — Me assustei com a voz dentro da banheira com a cortina fechada.
Abri a cortina rápido, com medo de ser um bêbado tarado. Mas, pelo contrário, só de olhar pra ele dá pra saber que não lidamos bem com festas. Ele era bem branco e tinha cabelos castanhos, seu rosto parecia de um bebê, um bebê homem. Ri com meu pensamento e ele me olhou sem entender.
— Desculpa, eu estou bem sim! — Dei um sorriso falso que não enganava ninguém — Hã, desculpa atrapalhar seja lá o que está fazendo, vou sair...
— Fica! — Ele me disse sorrindo amigavelmente. — A festa está uma merda — Rimos juntos e concordei com a cabeça.
Entrei na banheira e fiquei de frente pra ele.
— Qual é o seu nome? — Perguntei curiosa
— Você não precisa saber... — Disse com um sorriso fechado — Assim a diversão acaba, .
Como ele sabia o meu nome? Droga! Não sei o que faço, corro ou dou um chute no saco?
Calma, , tenha classe. Talvez ele tenha ouvido já que eu era bastante comentada na escola por namorar o Jake, ele é popular e me tornou uma, odeio. Mas eu o nunca vi, eu me lembraria de um homem com cara de bebê maduro e um terno vermelho mais lindo que já vi.
— É confuso — Disse ele quebrando o silêncio — , a sua verdade será mostrada! — Ele agarrou o meu braço e ardeu.
Logo então ele soltou e saiu pela porta. Corri atrás dele na tentativa de alcançar, mas parecia que ele tinha evaporado. Olhei pra minha mão e estava bem. Estou louca? Havia uma ardência terrível quando me tocou, mas agora tudo está ok. Eu não estou nada bem, minha cabeça doí. chegou perto de mim preocupada.
— Vi você saindo correndo, o que houve? Por que está aqui? — Me dei conta que estava no meio da rua.
— Eu sou anormal — Disse chorando — Sou diferente, ! — A olhei
— Eu te amo mesmo assim, nós somos esquisitas, parceira! — Ela me abraçou.
Tudo estava confuso na minha cabeça, eu me vejo bebê sendo pega por um homem branco loiro que sorria ao me ver e logo depois, com uma idade mais elevada, ele chorando e partindo. Por que estou tendo essa visão? Por que quero contar tanto para os meus pais? “Eles mentem”, ouvi esse sussurro na minha cabeça e afastei o abraço da .
— Eu vou embora! — Disse já andando
— Eu vou com você! — Ela correu atrás de mim.
Me virei até ela, séria.
— Não quero companhia! — Disse séria — Eu não sou daqui? — Disse confusa e me olhou também assim.

Muitas visões vinham na minha cabeça e eu sentia como se fosse real. Andei rápido, preciso perguntar a eles. Corri na tentativa de chegar mais rápido e, já sem fôlego algum, consegui. Abri a porta e lá estavam eles, em pé na sala com cara de bravos.
— Onde estava, mocinha? Você nos deixou preocupados! — Ele veio até mim eu e o empurrei com força.
— VOCÊS NÃO SÃO MEUS PAIS! — Gritei.
Tudo ficou em silêncio e eu sentia que a verdade estaria vindo à tona.


Capítulo 2


Cape May — New Jersey|23:00 p.m.

Eu não conseguia acreditar no que estavam me contando, tudo parecia um sonho, mas era real! Estava sentada no sofá da sala de estar e meus pais sentados em um outro sofá de frente para mim. Eles estavam preocupados e com razão. Eu fiquei em silêncio por um bom tempo.

— Então... Eu, Watson. Não sou daqui. Sou de um mundo mágico e meus pais biológicos não são vocês. E eu tenho poderes mágicos? — Olhava pra eles sem acreditar. Ri alto. — Piada? Isso é o castigo de eu ter saído escondido, me deixarem louca? — Olhei pra eles sem acreditar no que havia escutado.
, seus pais não queriam que você se ferisse na dimensão mágica, Os Morfoses queriam matá-la. O mundo de lá estava em guerra e seu pai biológico era um Mago muito poderoso e respeitado por todos. Mas ele havia perdido sua mãe biológica e não queria perder também você. Então te deixou na porta da nossa casa com um bilhete — Disse minha mãe falando cada palavra com cuidado — No começo não acreditamos, te criamos e percebemos que você era diferente das outras crianças. Movia objetos, conseguia empurrar sem ao menos tocar na pessoa, podia curar, iluminar.... entre outras coisas. — Ela abaixou a cabeça lembrando do acontecimento quando era criança. Fiz algo horrível. Sem saber.
Ela se aproximou de mim se ajoelhando bem em minha frente, tentou fazer um carinho em meu rosto, mas a impedi com apenas com um “feitiço” e sua mão voltou para o lugar. Eu havia aprendido algumas coisas enquanto não sabia o que era exatamente, mas agora sei. Porém magia? Feitiço? Filha de um feiticeiro poderoso? É loucura. A única magia que existia era em Matilda, o filme. Me levantei rápido.
— Mentiram pra mim há 16 anos — Disse chorando, não conseguia segurar as lágrimas que caíam. Eu sentia ódio. — Vocês sabiam que eu passei a minha vida toda achando que era louca? Por levitar coisas, empurrar quaisquer coisas, pessoas com apenas um pensamento. Então eu realmente atropelei aquela menina de 5 anos quando era pequena?
Me dei conta que usei meus poderes nela quando tinha apenas 6 anos, estava com ciúmes da atenção que meus pais deram a ela, e fiquei tão furiosa que a empurrei somente me concentrando, ela caiu na estrada e o carro passou por cima dela. Ninguém tinha visto quando foi empurrada, apenas quando ela já estava na estrada, morta.
— Oh, meu deus! — Coloquei minhas mãos na boca sem acreditar — Eu a matei!
— Filha, você não tinha noção dos seus poderes... — Disse meu pai tentando se aproximar de mim.
Estava furiosa com toda a situação, eu nunca tinha sentido tanto ódio assim. O levitei no ar, o enforcando. Eu o odeio. Sinto uma escuridão invadindo dentro de mim, se alimentando da minha raiva, e eu apenas a deixei chegar, cansei.
, pare! — Gritou para mim, mas sem sucesso.
Isso só me fez querer o enforcar cada vez mais.
— Eu te amo, — Disse completamente quase sem ar.
Essas foram as suas últimas palavras após matá-lo. Ele caiu no chão e minha mãe correu até ele e deitou sobre seu corpo chorando. Não senti remorso algum. O ódio que sentia era sobrenatural, eu não era assim.
— Por quê, ? Por quê? Meu deus — Ela chorava desesperada — Te criamos com amor e carinho, por quê?
— Se fossem verdadeiros, poderiam ter me treinado. Eu não me sentiria uma estranha louca e vocês seriam pais verdadeiros. Não vivi nada, vocês me escondiam do mundo. — Disse me aproximando dela, me abaixei bem perto do seu ouvido — Se não me disser agora como chego na dimensão mágica, eu a mato!
Ela chorou mais ainda, revirei os olhos. Eu estava fora de mim. Eu não sou assim... por que sinto tanto ódio?
— Tudo bem, tudo bem — Minha mãe disse desesperada implorando completamente pela sua vida, sorri diabolicamente.
Ela se levantou completamente acabada, foi em direção à estante e tirou um livro velho que eu nunca havia visto. E me entregou.
— A primeira página já diz o que fazer, diga as palavras três vezes ao espelho e entre por ele. — Ela disse choramingando. — Você matou seu pai e me matou por dentro, como pôde?
Apenas sorri e fui direto ao meu quarto. Fui em direção ao espelho que havia nele e me olhei. Eu tenho o cabelo em um tom de bem claro, então percebi que uma mecha do meu cabelo se tornou cinza. Estranhei, mas não liguei. Fui fazer minhas malas, já que logo, logo irei a tão falada dimensão mágica.
Enviei uma mensagem a que iria viajar e perderia o ano letivo. Eu estava no terceiro ano, era bem avançada para minha idade. Mas era um pouco obvio, já que quase não saia de casa. Minha diversão eram os livros e músicas que me acalmavam e me levavam para um lugar distante dentro da minha cabeça, eu só esquecia de tudo. Eu mandaria mensagem para o Jake, mas ele não merece. Tudo o que ele queria rodava a sexo.


Cape May — New Jersey|04:00 a.m.

Terminei minha mala, levei apenas o essencial, o resto não importa. Minha não mãe não se atreveu a vir ao meu quarto, mas já podia ouvir o som da ambulância vindo de lá de fora. Fui em direção ao banheiro que tinha no meu quarto, tirei o livro da mala e li.
— O espelho abrirá os portões da magia — Repeti três vezes.
O espelho se retorceu e joguei a mala e o livro dentro dele e, com um pouco de dificuldade de subir na pia que havia abaixo do espelho, consegui entrar.


Dimensão Mágica|09:00 a.m.

Fui jogada completamente no mato bem macio e bem verde. Olhei ao redor, parecia um jardim bem grande e lindo. Tudo era tão mágico... Peguei minhas coisas e olhei sem acreditar.
— Aquilo é... — Me aproximei da árvore com cuidado, parecia haver algo brilhando, na verdade, várias coisas brilhando — Fadas! — Sorri, feliz.
Elas correram com medo de mim e começaram a conversar entre si e logo uma voou até mim, ela tinha cabelo preto amarrado de um jeito bagunçado, seus olhos eram e sua pele era tão branca que chegava a brilhar.
— Você está viva... pensamos que havia morrido, Anne. — Fiquei confusa.
— Não sou Anne! Eu sou ! — Disse, ainda confusa por me confundirem com alguém, que parecia ser parecer comigo, só pode.
— Meu deus! — Ela voou de volta para fadas e todas elas voaram até mim me acercando.
Aquilo me assustou e acabei caindo no mato e elas voaram até mim, se abaixando e me olhando com cuidado.
— Pensamos que havia morrido! — Disse uma das fadas com um coque na cabeça com a pele negra brilhando, e seus olhos eram tão pretos que quase me perdi neles. — Ei!
— Me desculpe! — Disse rápido demais e elas riram — Eu não estou entendendo nada!
— Sr. Coleman a salvou! — Uma das fadas falou feliz, sorri mesmo confusa. — , certo? — Balancei a cabeça em concordância.
Depois de horas de elas tentando me explicar, entendi... um pouco. Cada Mansão tem uma família responsável por um poder. Voar, levitar etc (Família Os Cooper); Fogo, raio e eletricidade (Família Os Cox); Terra, curar, reviver (Família Os Dickson); Mudar o tempo, mudar a temperatura (Família Os Bennett). E a Mansão que também se tornou uma escola para todos os filhos de cada mansão foi a Mansão Coleman. Darvin... quer dizer, meu pai, fundou e criou as mansões, responsabilizando cada um de uma tarefa. Mas que a Mansão Coleman fosse o aprendizado ao todo, com provas, testes e práticas para se aprofundar cada vez mais na magia. E assim se formou a primeira Dimensão Mágica Criada por Darvin Coleman a ensinar várias crianças e adolescentes a serem Magos, Feiticeiros etc.
Quando começaram a guerra, meu pai havia lutado ao lado de vários magos importantes, mas Os Morfoses se multiplicaram e se tornou um número muito maior para lutar e eles não só perderam a luta, como pessoas. Os Morfoses levaram a minha mãe para outra dimensão para fazer dela uma escrava de lá, meu pai não podia perdê-la, então me deixou com as fadas para ficarmos protegidas em uma árvore oca. As fadas me disseram que, quando meu pai voltou para nossa dimensão, estava devastado, não a achou e não conseguiu salvar ninguém que também foi levado. O peso da culpa o consumiu que ele não podia me deixar viver e passar por isso também, então decidiu fazer a coisa mais difícil, abrir mão de mim para viver com os humanos. Ele estudou vários humanos e encontrou um casal que não podia ter filhos e me deixou na porta deles com um bilhete explicando um pouco das coisas.
Ele voltou para nossa dimensão e botou seu tio Joseph para assumir a mansão, enquanto ele estaria na dimensão dos morfoses à procura da minha mãe. Ele deu um prazo de três meses para voltar de novo, se passasse disso, já podia dar ele como morto. E dito e feito, deram a notícia à dimensão toda e ficaram devastados, meu pai era um bom homem, eu sentia isso e as fadas também me disseram. Meu tio e sua filha Avril assumiram o trono da Mansão Coleman, mas o certo era eu assumir, mas me deram como morta também, ninguém sabia do que ele tinha feito. Com a minha volta, parece que eu assumo a coroa.

— Vamos te esconder! — Disse Ellie, aprendi o nome da fada de vestido azul e cabelo bagunçado, mas bonito.
— Por quê? — Disse sem entender
— Vamos te explicar depois — uma delas se pronunciou.
Voaram mais depressa e eu só corria tentando alcançar. Ouvi um “Click” de foto sendo batida, parei na hora olhei ao redor e o encontrei. É agora que espanco ele.
! — Gritei indo até ele e o jogando no mato.

Te peguei!


Capítulo 3



Dimensão Magica|Por

— Eu sei, eu tenho muito o que explicar, mas fazer isso não é demais — Disse ele me olhando desesperado.
Estava em frente ao poço com sua câmera na mão, ameaçando jogar ela. Aquilo não era um poço comum, as fadas me explicaram que qualquer coisa jogada lá vai para um lugar desconhecido e que não tem volta. Então imagina o desespero dele. Mas me deixa voltar um pouco as coisas, foi difícil as fadas se reunirem para nos separar, eu batia e o levitava pra cair no mato toda hora, foi terrível, pra ele no caso.
Depois que finalmente cedi, só o empurrava sem tocá-lo até o lugar que minhas fadinhas iam me esconder por um tempo. O lugar era camuflado na floresta e dentro dela tudo era vivo, as plantas tinham vida, as pétalas de rosas caiam pelo caminho e nunca parava. Os galhos se mexiam e até prenderam o , as fadas explicaram que, quando os mesmos sentem tensão nas pessoas, os galhos te prendem por segurança. Depois de soltarmos, roubei sua câmera sem ele perceber e aqui estamos. Eu querendo respostas e ele sua câmera.

— Por que fez aquilo comigo? Não acha isso maldoso? — Perguntei incrédula.
— Minha querida — Ele falava o meu nome com um sotaque bom de ouvir. — Maldoso foi você nunca ter sido você mesma, vivendo uma vida pacata sem ao menos saber que havia muito mais. — Ele dizia me rodeando devagar enquanto falava — Ou você não gostou de saber desta dimensão, dos seus pais e do seu papel nessa dimensão?
Me assustei um pouco, ele estava atrás de mim falando essas palavras bem baixo perto do meu ouvido, me causando arrepios. Ele tirou toda graça em torturá-lo quando falou uma grande verdade. Com muita coragem, me virei para ele, estávamos muito perto um do outro.
— Você me deu tédio — Dei a câmera para ele, ele sorriu. Ele ficava melhor sorrindo. — Eu ainda vou te pegar... — Sussurrei.
— Sou todo seu... — Retrucou sem ao menos tirar os olhos de mim, estamos tão perto um do outro e aquilo era tão perigoso... bom, em um sentindo nada ruim. Me odiei por dentro por um momento por estar pensando desse jeito.
Saí de perto dele e andei em direção à minha árvore oca, mas ele me fez parar literalmente usando sua magia para me fazer girar na direção dele. Olhei para ele. Ele jogou a câmera no poço e tirou dentro do seu casaco várias câmeras, como se o casaco fosse mágico. E jogava todas as câmeras no chão, sorriu desta vez maldoso. Ele podia ter ido embora há muito tempo... ele é forte.
— Até que para uma novata na magia... você foi boa — Falou em uma forma orgulhosa na qual não entendi e logo desapareceu. Virou fumaça. Ele tinha o poder nas mãos o tempo todo...
Queria estar em um nível assim. Será que um dia me tornarei melhor em magia? Depois de estar “desprendida”, fui até as câmeras que ele deixou no chão, uma estavam quebradas e outras não. Peguei uma delas e guardei na minha bolsa. Esse é um mistério.

Algumas horas depois...

Estava deitada na cama feita de folhas que as fadas fizeram pra mim, são tão gentis. Não espero a hora de retribuir tudo o que elas têm feito por mim. Já era madrugada, mas não conseguia dormir. Pensar nessa nova vida, me dá ânimo e medo. Iluminei o ambiente com uma bola mágica.
— Mesmo sozinha na terra, você aprendeu magias. Isso é lindo, . — Ellie, a fada, entrou em minha árvore oca, voou até minha mochila, sentando.
Ela era uma líder para outras fadas, isso fica bem visível. Ela é determinada e corajosa. Admiro ela e não temos nem tanto tempo que nos conhecemos. Me sentei, me encostando na árvore e a olhando.
— Me sentia uma pessoa só, nunca tinha ninguém pra dividir tudo isso. — Gesticulei.
— Pensa no agora, isso ajuda — Falou dando um pequeno sorriso reconfortante.
Ficamos em silêncio por um tempo, só ouvindo as cigarras, corujas e alguma fadas bem longe dando risada.
— Olha, aqui é meu reino — Disse em tom sério — E essas meninas são minha família. Eu as protejo de qualquer um — Fiquei atenta apenas ouvindo tudo — O que você fez na terra? Seja sincera — Isso me pegou de surpresa.
Eu não me recordo de contar nada para elas...
— Você só tem uma chance pra me dizer a verdade, apenas a verdade — Continuou — Ou você sairá daqui agora.
Respirei fundo. Tudo que conseguia era pensar em mentir, se contasse me veriam como uma pessoa ruim... eu matei meu próprio pai, que tipo de pessoa sou? Por que fiz aquilo com tanta frieza? Pra ser sincera, cada vez mais me lembro apenas de flashes na minha cabeça sobre o matar, estava fora de mim. Fechei os olhos e disse a ela.
— Eu o matei — Falei preocupada do que iam achar de mim agora, continuei com olhos fechados — Eu matei meu pai e fiz minha mãe adotiva me mostrar como se vinha pra cá. — Finalmente abri os olhos e encontrei uma fada sorrindo orgulhosa.
— Eu sei — Falou e fiquei surpresa — Eu vejo o passado! E vi a escuridão que te rodeava, elas te manipularam para o matar e você apenas a deixou. E eu entendo...
Eu não conseguia falar nada, estava surpresa com tudo.
— Eu e todas aqui temos um dom e eu vou deixar esse trabalho pra você descobrir qual dom elas têm — Sorriu. Sorri de volta, aliviada por não me ver como mostro — Mas não preciso ver o passado pra saber o que fez de ruim, uma parte do seu cabelo está cinza. — Ela olhou para o meu cabelo e eu logo segurei a mecha cinza, apreensiva.
— Então, quando faço algo ruim... meu cabelo fica cinza? — Perguntei sem entender.
— Não exatamente algo ruim, quando você usa de uma força maior do que está a seu alcance, “eles”, a magia, usam a vida que tem em você. Ou seja, quanto mais você usar uma magia superior e forte e não aguentar. Ele retira algo de você, algo morre em você, isso é uma maldição e uma sorte na família Coleman. — Agora tudo faz sentido.
Ela voou até a mim e pediu pela manhã para procurar a Jasmine, uma outra fada. E pedir pra ela cuidar de mim. Eu não tinha entendido, mas aceitei. Ela voou indo para fora da oca, olhou para mim e sorriu.
, a sinceridade é tudo. Valorize e sempre terá a mim. — Falou antes de ir.
Desfiz a magia da iluminação e deitei novamente, feliz por contar a alguém o que fiz. Me deu um alívio. Estou cada vez mais sabendo sobre minha origem e família. Isso é bom.

Na manhã seguinte...

Peguei minha bolsa e procurei meu vestido verde, ele ia um pouco acima do meu joelho e era lindo. Saí da oca e fui até a cachoeira que tinha até ali, não tinha ninguém ali, então tirei minha roupa e adentrei a cachoeira. As flores e plantas faziam sentido de fechar os “olhos”, ri enquanto brincava com a água. Saí da cachoeira e me sequei com uma das folhas gigante que balançou para cima e para baixo fazendo um vento bom, agradeci sorrindo e coloquei meu vestido verde, fiz uma trança no cabelo e sorri com o resultado, girei sozinha fazendo o vestido rodar comigo.
— Você fica linda, quando não está torturando ninguém — Reconheci a voz de longe. . Sorri sem deixar ele me abalar, hoje não.
— Você não tem o que fazer, não? — Disse fechando olhos e sentindo o sol em minha pele, o dia estava lindo e bem ensolarado.
— Assim você machuca meu coração — Disse desta vez bem perto de mim, me afastei. Não posso ficar muito perto dele.... ele me faz sentir coisas, fiquei vermelha. — , ... queria saber o que está pensando — Disse em tom pervertido e o empurrei pra água com as minhas próprias mãos, mas não me dei conta que ele pegou minha mão me arrastando com ele e nós dois caímos na cachoeira.
Normalmente eu ficaria irritada, mas eu ri e ele riu também, se divertindo. Joguei água nele e ele em mim. Ele mergulhou próximo de mim, novamente senti aquelas coisas de novo. Acho que eu não tive muita interação com garotos e o Jake, quase não via ele.
— Sei como fazer você ir estudar na mansão e não ser reconhecida! — Olhei sem entender
— Achei que eu ia contar quem eu realmente sou... — Disse chateada.
, as coisas estão diferentes nas mansões todas. Seu tio não vai sair do trono tão fácil e pode sumir com você. Não arrisque. — Disse em tom de preocupação.
— O que ganha me contando essas coisas? Me mostrando o que devo fazer e me dizendo verdades? — Disse desconfiada.
— Eu não ganho nada — Disse simples — Estou fazendo isso pelo seu pai. Ele me salvou dos Morfoses, aquelas criaturas me levaram também.... e ele me tirou de lá, me salvando. Eu devo a ele isso — Eu realmente não sei de nada mesmo, me senti idiota por desconfiar. Por mais louco que seja, ele me ajudou. — Eu vou fazer de tudo, . Pra você voltar à mansão da forma que merece, mas por agora preciso que confie mim. Você confia? — Perguntou.
Se eu confiar nele, a partir de hoje tudo muda. Eu quero retornar ao lugar onde eu deveria ter crescido e, se for nesses termos... vou aceitar.
— Confio... — Disse decidida.
Foi como fazer um pacto e não tinha volta.

Algumas horas depois...

O Sol já estava se pondo. Enquanto eu ajeitava as coisas para ir embora, conversava com a Jasmine. Tinha terminado, botei a mochila nas costas e fiquei de frente para aquela criatura linda e pequena que brilhava tanto.
— Posso fazer? — Perguntou ela
— Eu ainda não sei exatamente o que vai fazer — Rimos.
— Confia em mim? — Perguntou sorrindo, retribui sorrindo e concordando — Fecha os olhos.
Fechei meus olhos e senti ela pegar no meu cabelo. Contanto que ela não me deixe careca, ela pode fazer de tudo. Essas fadas salvaram a minha vida e me deram abrigo.
— Pode abrir! — Disse feliz
Não havia entendido nada, mas ela me levou perto de um lago que havia ali e o meu reflexo refletia sobre água. Meu deus, meu cabelo!
— Não está mais cinza! — Disse com voz de choro e ela secou a lágrima que havia caído
— Você é uma pessoa boa, . Seja forte — Disse ela e eu concordei com a cabeça secando as lágrimas.
— Podemos ir, ? — perguntou interrompendo.
Sequei as lágrimas correndo e me virei até ele. conversou com Ellie e falou o plano pra ela, que concordou mesmo apreensiva, por ser o que ia me levar. Mas a deixei segura que ele não faria nada de mal comigo.
— Podemos! — Sorri.
Finalmente irei até o centro mágico e verei de perto a minha verdadeira casa.


Capítulo 4


Dimensão Mágica| Por

Ouço o alarme tocar e acordo com uma boa disposição, como sempre. Vou até o banheiro, tomo um banho e logo saio dele me arrumando com uma camisa branca por cima uma jaqueta jeans e botando uma calça preta. Peguei meus livros e guardei na bolsa, saí de casa e só ouvi minha mãe reclamando por faltar o café da manhã. Ri correndo até está longe de casa, pego o trem para mansão Coleman.
Aqui é dividido por 5 mansões, sendo a principal a Coleman. Mas temos casas normais em volta desse reino de mansões, as mansões foram feitas para famílias importantes e com um poder maior, tanto de magia quanto de riqueza, que nós, moradores de casas, não temos. Tem um trem mágico que te leva pra qualquer lugar da dimensão. E esse o destino é a mansão Coleman.
Hoje é um dia importante pra mim, vou ser anunciado oficialmente como educador e ajudante das turmas mágicas. Eu nasci mortal e mago, mas minhas magias são fracas demais. Meu pai se casou com uma humana, o que foi um caos aqui até Darvin aprovar e deixar a mortal, minha mãe, ficar e eu também. Como não sou o "mago", desde pequeno estudava tudo sobre magias das práticas até às ocultas. E hoje tenho um grande conhecimento que levo para outros magos que estão iniciando essa jornada. Fico feliz em ajudar todos, faço isso não só pra receber conhecimento e sim porque gosto de ensinar. Ver um aluno progredindo é muito bom.
Cheguei finalmente na mansão Coleman, sai do trem que me deixava bem em frente à entrada com seus portões enormes. Entrei, já vendo uma galera reunida e conversando. As aulas ainda não começaram, falta uma hora. Mas vínhamos antes para treinar, pelo menos eles, eu venho pra ajudar. Por que treinar? Simples. Aqui é regido por um mago importante, Joseph, que faz as regras e decide tudo sobre o reino e ele deixou sua filha fazer o mesmo também, Avril. Ela não é uma pessoa bacana, mas não é tão babaca quanto o Joseph. Todo ano, alguém assume o poder e compete, Avril participa e em quase todas ganha, continuando sempre reinando.
Este ano é o mesmo. E isso é decidido com um ranking de melhores alunos em magia. Só os décimos primeiros vão poder competir com a Avril, quando se é classificado você tem um ano pra estudar e no outro ano realizar finalmente a prova. A competição vai ser grande principalmente com a chegada de na escola, sua família, Miller, é conhecida por usar poderes só ocultos, mas ele perdeu todos eles na guerra e a mansão dele não existe mais. Ele sempre sai e entra na escola. Desiste no meio do caminho mesmo sabendo que tiraria notas altas. Ele sabe que aqui é quase difícil ter provas ocultas, mas ele mesmo assim é bom nas outras magias permitidas por aqui, a oculta não é muito usada pela maldição do Coleman, já que pode tirar sua vida quando se usa ela, não confiaram em um bando de magos adolescentes.
Esse ano ele voltou, porém com uma prima distante. Não sei bem da história, não me importo. Mas os rumores já são espalhados e a menina que entrar vai ter de ser forte, as meninas daqui são más. A maioria. A única pessoa que importa pra mim é a , minha melhor amiga desde da infância.
Entrei no Delicius, o refeitório. E logo avistei a nossa mesa de sempre e com um banquete na mesa. Aqui a comida é feita por magia, você come o que quer apenas usando sua magia, alguns aqui são bons, outros só conseguem uns pães. Então imagina a situação de cada mesa. Andei até ela, já me sentando e jogando a mochila ao lado da minha cadeira.
— Você soube da novata? — Disse com a boca cheia. Ri baixo, parece uma criança.
— Sim, mas não me importo muito. — Disse sem ligar muito — Uma coisa é certa, o primeiro ano aqui na mansão é o pior!
— Sim — Ela limpou sua boca no guardanapo e me olhou — Não vai comer?
— Sem fome — Disse ansioso.
— É hoje, o maior evento de todos! — Ela se levantou girando e gritando.
Todos olharam para nossa mesa, mas ao mesmo tempo não me importei. Hoje é o meu dia.
— Para com isso — Ri e ela parou, me olhando — Se gira assim, vadia! — Me levantei e subi em cima da mesa girando, ela gritou e riu.
E todos que estavam na Delicius riram. Parei e desci rápido, não posso levar advertência logo hoje.
— Vem! — Andei até ela e botei meus braços em volta dela e a levei a saída de Delicius.


Algumas horas depois... | Por

— Parece que está tudo certo com os papéis — Disse Joseph olhando cada papel com cuidado — Bem vinda à escola de magia! Aqui você vai voar alto, literalmente — Riu da sua própria piada.
Olhei para o , querendo não ter que reagir a nada, mas ri fingindo gostar da piada. Ele saiu de perto de nós e eu agradeci mentalmente.
— Viu, foi fácil, prima! — Disse ele em tom brincalhão. Sorri para ele.
— Isso só está acontecendo por causa de você.... — Não queria ser melosa, mas ele me ajudou tanto — Obrigada!
teve que dizer ao diretor que sou uma prima distante dele, maga, agora estou aqui com o sobrenome Miller. A única coisa que me deixa tensa sobre isso são os olhares que as pessoas me dão.
— Se alguém falar alguma coisa maldosa pra você, eu a mato — Ele disse bem baixo só para eu ouvir em tom sério. Ri, não acreditando, mas ele continuou com semblante sério.
— Tá tudo bem, eu lidava muito com isso na minha escola antiga! — Disse tentando o despreocupar. Mas era verdade, escolas, sejam elas normais ou “anormais”, todas são um terror a se viver.
Um sino alto tocou, sinalizando algo.
— Vamos ter um anúncio, vem... — Ele pegou na minha mão e desceu as escadas comigo, e fomos para área central da mansão.
— Anúncio? De quê? — Perguntei curiosa.
Os alunos logo se reuniram ao redor e se tornou uma multidão aqui em baixo e em cima da escola também, todos olhando para o centro do palco.
— Qualquer mudança, ou aviso, receber um mérito ou até mesmo expulsão. É anunciado nesse palco. — Explicou falando baixo, já que Avril estava falando.
Alguns aplaudiram algo que não prestei atenção. Olhei para os lados e alguns sorriam, outros estavam com semblante sério.
— É uma honra dizer a todos todo esforço e ajuda que temos do nosso querido — Toda escola aplaudiu animado. Enquanto Avril falava.
Uau, ele é amado.
— E será reconhecido hoje — Aplaudiram mais uma vez, até mesmo alguns gritaram — — Ela pronunciou o nome do homem no microfone e ele subiu ao palco.
Mas eu não acreditava no que estava vendo, é o menino dos meus sonhos. Às vezes eu sonhava com esse menino e não sabia porque, estou ficando louca?
, é com enorme prazer — Disse Avril sorrindo, soava falso tudo o que saía da boca dela — Todos seus treinos e ajuda aqui nessa escola estão sendo oficialmente reconhecidos, você se torna o primeiro explicador da escola Mágica Coleman, como educador e ajudante das turmas mágicas. Meus parabéns! — Aplaudi juntos com eles.
Parece que ele é bem inteligente e bonito também, achava isso no meu sonho quando sonhava com ele, um belo rapaz com um sorriso e olhar de tirar o fôlego. Para, . É muito doideira sonhar com alguém que você nunca nem chegou a conhecer.
, ! — me chamou me fazendo parar de pensar nessas coisas que não fazem sentido.
— Desculpa — Disse, envergonhada.
Estava pensando paralisada olhando pro palco enquanto pensava, devia ser vergonhoso.
— Sem problemas — disse um pouco desconfiado.
Será que ele lê pensamentos?
— Você está vendo aquele garoto ali? — Apontou para o — Você vai treinar com ele, todos os dias. — Olhei para o , incrédula.

Não pode ser, é muita azaração para uma pessoa só.


Capítulo 5


Dimensão Mágica| Por

O Sinal tocou, avisando que a aula acabou. Aprendemos hoje como fazer uma tempestade sem usar muito da sua carga mágica. Na verdade, eles conseguiram fazer, eu apenas observava. A Professora me apresentou a turma e todos me olhavam enquanto sussurravam, ela me mandou sentar com uma menina que tinha pele negra, olhos castanhos e um cabelo bem escovado e bem preto, ela era bem estilosa e simpática e se chamava , se não me engano. O que aprendi de fato aqui é que não podemos usar toda hora a magia, pois ficamos sobrecarregados e podemos até chegar à morte em casos sérios. Então, para certificar que não ficaremos sobrecarregados, usamos o feitiço “aliviatto”.
Depois da aula, me levou até a biblioteca da mansão para pegarmos livros que possam me ajudar a me acentuar do que está sendo passado nesse ano de magia.
— Você tem certeza que podemos fazer isso? — Perguntei desconfiada.
Tio Joseph, ou melhor, o Diretor e dono daqui por enquanto.... Me deu um folheto dos horários da minha turma e os horários do funcionamento da mansão. E a Biblioteca funcionava no final da tarde e não era nem 14h ainda. Eu sei, eu sei... Eu sou bem certinha, mas não gosto de me meter em problemas, mas por incrível que pareça o que eu mais entro é em problemas.
— Você quer ser a perdida da turma ou a acentuada e com notas boas? — Perguntou usando magia para destrancar a porta.
A porta se abriu e ela me olhou, ainda não tínhamos entrado. Estava aflita comigo mesma, normalmente eu não ajo desse jeito. Mas eu só sei que a do agora quer apenas conseguir agir de acordo com o plano e se tornar uma maga oficialmente para poder pegar meu trono de volta.
— Você primeiro, minha cara — Disse me curvando para ela entrar.
Ela gritou baixinho em agitação pela minha escolha, ela entrou e eu também fechando a porta devagar.
— Meu Deus! — Disse surpresa e admirada.
Aqui não é uma biblioteca qualquer, tinha livros literalmente por toda parte e os livros flutuavam, cada fileira bem certinha, nada fora do lugar. Aqui tinha uma iluminação ótima, graças à grande janela e ao telhado de vidro que refletia o sol lindo que estava fazendo hoje, tinha uma parte só para se sentar e relaxar com os livros em mãos ou até mesmo flutuando. É perfeito.
— Se você fica admirada com isso, espera ver a sala de batalha — Disse andando entre os livros, a segui para não me perder.
— Batalha? — Perguntei curiosa
— As nossas provas por aqui são feitas por batalha, você compete com um aluno do seu mesmo nível. Os professores avaliam os melhores e eles sobem de nível até chegar à final, que é quando se torna um mago ou maga oficialmente. Até lá, tem muitas barreiras, porém estamos aqui. — Explicou me olhando desta vez — Ouvi dizer que você está no mesmo nível do que o meu, o terceiro magus, é verdade? Ou aquela aula era só apenas demonstração? — Perguntou curiosa.
Antes de entrar aqui, tive que fazer testes pra saber em que nível estava e me disseram que já não estou no aprendiz, mas também ao mesmo tempo não sei sobre tudo do básico. Então me colocaram no nível de magia que estou para estudar e à tarde para estudar com o Explicador, . Para ele me ensinar o básico de um mago.
— Estou no terceiro magus, mas não sei sobre tudo, então por isso precisarei do explicador — Expliquei.
Ela me deu alguns livros e peguei eles com cuidados, eram um pouco pesados e grossos.
— Isso é necessário? — Perguntei e ela afirmou com a cabeça, rindo do meu desespero.
Muitos livros. Eu leio e muito, mas esses são tão grossos e tem muito mais páginas do que o normal.
— Acredite, você termina isso em segundos! — Disse e confiei na sua palavra.
Me abaixei, botando-os na minha mochila, e me levantei, botando a mochila nas costas e sentindo “o” peso.
— E com o explicador, não precisa se preocupar — andava para a saída, a acompanhei — Ele é bom no que faz e vai fazer você aprender tudo bem rápido! — Disse fechando a porta desta vez manualmente.
— Obrigada por me ajudar — Agradeci.
— Olhei pra você e vi uma pessoa atrapalhada e perdida — Falou — E eu sou assim até hoje com tudo — Falou e rimos.
— Então isso pode continuar? — Disse sobre falar com ela nos outros dias.
— Deve — Falou se despedindo e indo embora, acenei dando tchau.
Muita gente tem me ajudado até aqui, nunca vou esquecer.


Algumas horas depois...

Depois das aulas terminarem, fui ao meu encontro com o explicador, . Nos encontraríamos atrás da mansão, já que é um jardim bem aberto. Caminhei o jardim até chegar em uma mesa retangular de madeira branca, joguei minha bolsa na mesa e subi em cima do tronco cortado de madeira branca para dar o impulso e me sentar na mesa. Cada tronco cortado em volta da mesa pareciam cadeiras. Fechei meus olhos e foquei no sol esquentando minha pele, aquilo era bom, a mansão é um pouco fria em algumas partes dela. Pensei em e no que ele estaria fazendo nesse exato momento, ele é tão misterioso e protetor. As garotas daqui parecem gostar do menino rebelde, gostam da sua má reputação. Vi o alívio delas em saberem que sou prima dele e não uma amiga ou namorada, me incomodou. Quero expor tudo, mas posso botar tudo a perder.
? — Ouvi uma voz masculina me chamando e reconheci.
Abri meus olhos e era ele, o menino dos meus sonhos, literalmente.
, certo? — Ele assentiu com a cabeça.
— Só para preencher as informações, você é da família Miller, certo? — Perguntou pegando uma prancheta de sua bolsa e anotando algumas coisas.
— Sim — Disse a ele, tentando ver o que escrevia, mas não conseguia.
— Bom, os Miller são conhecidos por poderes ocultos! — disse guardando a prancheta na bolsa e me olhando — Aqui não usamos! Pelo menos não tanto quanto vocês usavam. Só quero deixar claro que vou te ensinar as magias permitidas no protocolo da mansão — Falou e assenti com a cabeça
Eu não sabia que a família dele era reconhecida por magias ocultas.
Ele pegou um pedaço de madeira caído no chão e colocou sobre a mesa, sai de cima dela e fiquei de frente pra ele o olhando. Isso faz parte do treinamento? Madeira?
— Quero testar até a onde vai — Disse ele — Concentre o seu poder nessa madeira e o faça flutuar.
Moleza, só isso? Vou conseguir.
— Tudo bem! — Disse confiante.
Me concentrei e levei a madeira para o “espaço”, ela voou muito alto. Eu fiquei surpresa.
— Isso foi bom? — O olhei fazendo uma careta.
— Péssimo! — Falou.
Nossa, insensível.
, concentre-se bem e você conseguirá manter ela flutuando. Assim, é só um poder sem controle, entende? — Disse ele, desta vez pegando uma flor no mato — Ela é leve... seja cuidadosa — Falou em um tom sério e assenti, me concentrando novamente.
Me concentrei e ela voou tão rápido que nem vimos para que lado ela foi, o olhei e coloquei minhas mãos em meu rosto. Aquilo era patético, eu sou patética.
— Desculpa, está perdendo seu tempo! — Disse, já sentindo as lágrimas saírem. Eu sou muito chorona.
Limpei meu rosto e ele veio até mim preocupado.
, isso foi seu primeiro dia. Você não vai se livrar de mim tão fácil, ok? — falou tirando minhas mãos do meu rosto para me olhar — Está tudo bem errar, faz parte! Ok?
A voz dele se manteve calma enquanto me deu espaço até estar melhor, nos sentamos no banco.
— Eu esqueci de avisar, sou maga e no tempo livre chorona — Disse e ele riu.
Até sua risada parecia com a do meu sonho...
— Amanhã vai ter mais, não desista fácil — Falou e nos levantamos.
Pegamos nossa mochila e ele me olhou pela última vez antes de ir
— Essa é a primeira vez que conversamos? — Perguntou confuso.
Será que ele também sonha comigo?
— Eu não sei... — Disse sincera.
Não sabíamos o que era, mas a sensação era de que já tínhamos uma intimidade e ele também sentia, soube naquele momento. Ele voltou a caminhar, não tinha o que dizer, aquilo era estranho demais.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Nota da beta: Estou super animada pra conhecer mais sobre esse mundo mágico e esses personagens!! Estou adorando!! <3

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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