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Última atualização: 15/10/2020

Prólogo

Law Barbour Andrews
Southampton, Reino Unido.

Ao terminar de ajeitar a gravata borboleta preta em meu filho Zion, o mesmo virou-se para o espelho de corpo inteiro a nossa frente, sorrindo satisfeito ao ver-se tão arrumado para a tal ocasião tão importante para o seu avô. Andou pelo quarto ainda descalço sentando-se na cama com cuidado para calçar seus sapatos sociais.
— Posso ir ver o vovô? – perguntou Zion, ainda concentrado em seus sapatos.
— Creio que ele deve estar terminando de se arrumar. – olhei o fino relógio de ouro em meu pulso. – Já está quase na hora de descermos.
— Está bem. Vou ficar por aqui mesmo jogando uma rápida partida de FIFA enquanto você termina de se arrumar, mamãe. – Zion disse, puxando o controle do videogame ligando a televisão, sorri ao olhar-me no espelho afofando meus cabelos claros com as mãos para que os cachos não se desmanchassem tão facilmente, eles permaneceriam soltos, mas o charme estava em apenas duas mechas que formavam uma delicada trança até a parte detrás.
— Como eu estou? – perguntei a Zion sobre o meu vestido.
A opinião de Zion era com certeza a mais sincera e verdadeira de todas.
Zion desviou os olhos esverdeados da tela da televisão, olhando-me da cabeça aos pés, moveu o dedo indicador sem soltar do controle pedindo para que desse uma pequena volta, sorri com o seu pedido que assim fiz segurando a barra do vestido dando uma volta para o meu filho.
O vestido era na cor dourada feito especialmente para ocasião, realçava o meu busto sendo de finas alças com uma pequena tela aos juntas meus seios, era longo e possuía uma fenda na minha perna esquerda onde se acabavam as pedrarias aos poucos até o tecido liso aos meus pés onde os saltos na cor preta ornavam perfeitamente.
— Está muito linda, mamãe, tenho certeza que o papai vai morrer de ciúmes de qualquer homem que chegar perto de você esta noite. – Zion comentou, sorrindo depois de voltar o seu olhar para a televisão.
— Pois espero que eu esteja de arrasar corações. – brinquei, me olhando mais uma vez para conferir se estava tudo bem.
— Ele me mandou mensagem agora pouco, perguntou qual era o nosso quarto que ele gostaria de fazer uma surpresa, eu fiz o que você falou, o ignorei.
— Ótimo, meu filho. Ele só quer aproveitar para apa...
Parei de falar assim que ouvi batidas na porta do quarto, respirei fundo já imaginando ser meu ex marido .
— Papai. – disse ao ver o mesmo com a gravata em mãos.
— Preciso de ajuda, não quero me atrasar. – disse ao ir entrando no quarto pedindo inúmeras licenças todo afobado. – Você está extraordinariamente linda, minha filha.
— Obrigado, papai – agradeci o seu elogio, pegando a gravata preta de suas mãos. —Como está se sentindo? Não é todo dia que se inaugura um navio como este.
— Eu estava calmo até uma hora atrás bebendo o meu bom e velho uísque, mas agora que comecei a me arrumar e falta apenas alguns minutos para descermos estou literalmente querendo pular desse barco. – ele aproveitou a deixa para um infame trocadilho fazendo com que ele e Zion rissem.
— Acho melhor deixarmos nossas piadas internas fora dos holofotes, papai. – o aconselhei. – Podemos não ser visto com bons olhos.
— Já não somos visto com bons olhos, minha . – ele corrigiu-me, enquanto terminava de dar o nó em sua gravata. — Nunca vão esquecer que Thomas Andrews Jr. seu bisavô...
— E meu tataravô – Zion disse.
— E o tataravô de Zion. – o mesmo incluiu o neto na contagem. — Foi o encarregado de projetar e supervisionar a construção dos três maiores navios já construídos na história o RMS Olympic, HMHS Britannic e famoso RMS Titanic. – o mais velho disse, soltando um suspiro pesado.
Era inevitável não ouvir o nome Titanic e não sentir um arrepio percorrer o corpo ao lembrar-se do fatídico acontecimento do navio em 1912.
O Titanic iniciou a sua primeira viagem em 10 de abril de 1912, depois de muitos meses de trabalho. Andrews embarcou novamente no grupo de garantia de nove trabalhadores e engenheiros para tomar nota de todas as imperfeiçoes do navio.
Entretanto, o Titanic colidiu com um iceberg na noite de 14 de abril e logo ele percebeu que a embarcação estava condenada. Andrews acabou morrendo no desastre, deixando uma esposa e uma filha de apenas dois anos.
Elizabeth Andrews, minha avô deu à luz a Andrews, no ano 1960 ao chegar na casa dos cinquenta anos com uma gravidez de risco, faleceu no ano de 1973 aos seus sessenta e três anos deixando seu filho com seus treze anos aos cuidados do seu pai que também era apaixonado por navios e lhe passou seus conhecimentos até o final da vida.
Ao atingir a maior idade, deparou-se com uma herança deixada por seus pais que o tornou dono de muitos imóveis por uma cidade ao sul da Inglaterra, com o dinheiro ganho dos alugueis dos imóveis, começou a investir na bolsa de valores onde começou a faturar uma grana consideravelmente boa e a investir em projetar o seu sonho.
Em meio aos negócios, casou-se com Macie Law que em poucos anos tornou-se Macie Law Andrews, uma professora de História totalmente fascinada como em navios e na história do Titanic.
Mas infelizmente, ela veio a nos deixar muito cedo, tão cedo a ponto de não presenciar ao menos a minha formatura, um câncer maligno no estômago mesmo com diversos tratamentos e quimioterapias ao longo da vida, tomou conta de todo o seu corpo levando-a aos seu último suspiro de vida.
— Mas isso não vai acontecer com o nosso navio, certo? – Zion questionou o avô, demonstrando um pouco de nervosismo em sua voz. – Tudo bem que somos o LBA Barbour e ele é considerado uma fiel réplica do Titanic, mas nós não vamos afundar.
— Não. – avô negou antes mesmo que o neto continuasse a dizer. – Não temos nada a temer. Trabalhei nesse projeto ao longo de toda a minha vida, pensei em cada mínimo detalhe que poderia vir a dar errado e tenho a solução caso algo venha acontecer, está tudo sob total controle... – soltou um suspiro, passando a mão por seus cabelos. — Vocês confiam em mim? – perguntou, segurando a minha mão e apontando a outra para que o neto segurasse, Zion largou o vídeo game de lado segurando a mão do mais velho e a minha mão.
— Confio. – disse lhe mostrando total confiança.
Se não confiasse em meu próprio pai, em quem eu confiaria?
— Não temos nada a temer. – completou.
— Eu confio em vocês. – foi a vez de Zion dizer antes de sorrir para nós.
— Hoje vamos inaugurar uma nova história. – apertou nossas mãos o que fez o sorrir abertamente antes de nos abraçar.
— Está na hora de fazermos história. – disse confiante após o nosso abraço em grupo.



1. A INAUGURAÇÃO

Law Barbour Andrews

Ao olhar para baixo, um numeroso grupo de pessoas equipadas com suas câmeras de ótima qualidade, celulares caros e de última geração registravam aquele precioso momento que estava prestes a acontecer.
— Está pronta, ? – meu pai sussurrou ao parar ao meu lado, segurando minha mão brevemente antes de depositar um beijo carinhoso sobre ela, apenas concordei com a cabeça virando-me para o meu filho ao segurar sua mão andando na direção oposta que a do meu pai.
Desceríamos a grande escadaria principal cada um por um lado especifico, o meu pai desceria pela direita enquanto eu e Zion desceríamos pela esquerda. Estávamos no segundo andar no convés a, onde uma grande cúpula de ferro forjada a vidro permitia a entrada de luz natural na escada durante o dia.
A cúpula era orlada em um entablamento de gesso delicadamente moldado e repousava no alojamento do convés em torno da escada. No centro da cúpula, pendia um grande lustre dourado de cristal.
No patamar central onde descia as escadas olhando para a direção do meu pai sorridente, havia um relógio flanqueado por duas figuras alegóricas muito bem esculpidas, um querubim de bronze segurando uma tocha iluminada enfeitava o poste central na base desta escadaria.
Ao chegarmos no último degrau ficando em frente a uma fita vermelha de cetim, fomos ovacionados por uma salva de palmas e inúmeros flashes para qual posávamos, um microfone foi entregue ao meu pai e acabei me posicionando um pouco afastada para que ele pudesse fazer o seu discurso de inauguração em frente aos demais que aguardavam ansiosos pelo seu pronunciamento.
— Quero começar o meu discurso desejando uma boa noite a todos aqui presentes. – começou a dizer e todos atentamente responderam em uníssono o seu “boa noite” educadamente.
— Hoje estamos aqui reunidos para inaugurarmos o LBA Barbour o meu sonho de infância que se tornou realidade após mais de dez anos de desenvolvimento e 500 milhões de dólares investidos. – ao contar sobre o valor gasto pude ver vários olhos se arregalarem na pequena plateia. — Sei que muitos de vocês notam a enorme semelhança que temos com o RMS Titanic apenas com essa nossa entrada. – apontou para a escadaria atrás de si. – Realmente projetamos usando o Titanic como base. Temos cabines separadas por classes da primeira até a terceira, temos enormes salões para nossos jantares, salas de cinemas, bares, duas piscinas, academia, cafés e lojas espalhados por toda a extensão do navio, é sempre importante uma lojinha de souvenir para levar aquele presentinho para os familiares. – descontraiu com os convidados. Deu continuidade ao falar de todos os números necessários, tanto quanto da tripulação necessária para navegação, quanto para a segurança e comodidade de todos os passageiros. Por fim, encerrou seu discurso respondendo a perguntas feitas pelos jornalistas e convidados, até o meu infame ex marido Broussard fazer a pergunta de um milhão de dólares.
— Gostaria de saber, quais as chances do LBA Barbour não ter o mesmo fim desastroso do RMS Titanic? – perguntou testando tanto a paciência de meu pai quanto a mim para gerar um desconforto entre todos nós, mantive-me tranquila olhando para todos os jornalistas.
— Boa noite, Sr. Broussard, quanto tempo que não nos vemos, não é mesmo? – meu pai lhe lançou uma pergunta retorica com um sorriso irônico nos lábios. – Como mencionei há poucos minutos, estamos devidamente equipados com 40 botes salva-vidas que comportam 65 pessoas por embarcação, ao todo 2.600 pessoas. Diferente do desastroso fim do Titanic a cento e sete anos atrás, temos a nosso favor também a tecnologia avançada dos dias atuais e posso te garantir que nada irá nos acontecer.
Comecei a aplaudir o meu pai junto aos demais convidados. Se a intenção de era de alguma forma acabar com a noite do meu pai, infelizmente aquela não era a noite que ele iria conseguir.
— Agora sem mais delongas, convido minha filha e meu neto Zion para comigo inaugurarem o LBA Barbour.
Ao nos aproximarmos da faixa vermelha de cetim, a assessora do meu pai tratou de passar para sua ajudante o microfone que o mesmo usava lhe entregando uma enorme tesoura dourada, nos três seguramos tirando algumas fotos antes de Zion fazer as honras cortando-a finalmente e inaugurando o nosso navio.
O nosso sonho tinha se tornado realidade.

***

Durante o jantar, era possível notar entre as mesas personalidades importantes em diversas áreas, empresários com empresas que geravam milhões mensalmente com seus familiares se divertindo ao registrarem tudo para suas redes sociais.
Artistas que se vangloriavam ao ver seus quadros enfeitando os salões ou todo o interior do navio seja em corredores ou em acomodações.
Haviam cantores, atores, jogadores de futebol, todos a bordo fazendo a alegria de Zion pedindo-lhe selfies e conversando com cada um dos convidados.
Mas para o meu terrível desgosto, tinha também a mesa dos jornalistas, que se incluíam o meu ex marido que não poupava-me de uma dor de cabeça juntando-se a mim ao se sentar no lugar antes ocupado por Zion trazendo-me uma taça de champanhe para nós dois.
Conheci há onze anos atrás, quando era uma jovem de apenas dezenove anos, estávamos na faculdade onde cursava Direito e ele a sua faculdade de Jornalismo namoramos por alguns meses até que eu engravidasse de Zion.
Terminei a faculdade mesmo com dificuldade maternas e após estarmos devidamente formados e estáveis em nossos respectivos empregos, nos casamos.
Nosso casamento chegou ao fim em meados de 2017, quando descobri que estava fissurado no projeto do navio do meu pai querendo explaná-lo para todo mundo como mais uma catástrofe histórica em alto mar, acabamos rompendo o nosso casamento que não tinha um motivo aparente para seguir em frente após aquela crise.
Mantínhamos um mínimo contato por conta de Zion, que agora com onze anos entende perfeitamente os motivos por querer uma distância do seu pai, nunca brigamos na justiça por sua guarda, sempre foi compartilhada com apenas alguns finais de semana ao mês com visitas e passeios.
— Há que lhe devo a honra da sua tediosa companhia? – disse revirando os olhos discretamente, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.
— Vim apenas parabenizá-la, , não seja tão ranzinza. – colocou a taça em minha frente, piscando para mim, aquilo me fez ter náuseas pela primeira vez em horas desde que adentrei aquele navio. – Proponho um brinde, o que acha?
Olhei pelo canto dos olhos para os seus amigos jornalistas onde um deles, o melhor amigo de , gravava por debaixo da mesa nós com o seu celular.
Subi o olhar para o mesmo que sem graça, abaixou o aparelho em sua mão o colocando de volta em cima da mesa ao lado do seu prato, voltando a prestar atenção na sobremesa a sua frente.
— Eu acho que se você tentar de alguma forma denigrir a imagem da minha família só para amaciar o seu ego perante a uma conquista do meu pai, serei obrigada a processá-lo... – disse segurando a taça e brindando sozinha após ver o seu sorriso se desmanchar aos poucos.
— Processaria o pai do seu único filho?
— Com toda certeza, sem pensar duas vezes. – encostei-me na cadeira ainda com a taça em mãos e antes que eu levasse a minha taça a boca, ele negou com a cabeça a tirando de minha mão. — O que foi? – arqueei a sobrancelha.
— Não beba isto. – confessou, virando todo o líquido em sua outra taça.
— Por quê? – o questionei, sem entender. – O que você colocou nesta taça, ?
— Nada. Esqueça. – ele tomou todo o líquido em seguida, fazendo uma careta, comprovando que tinha algo a mais naquele champanhe.
Senti o sangue borbulhar em meu corpo, fechando os olhos e respirando fundo antes de forma carismática sorrir para o meu ex marido.
— Dou-lhe cinco minutos para sumir deste navio, antes que os seguranças deste salão se responsabilizem por isso. – disse antes de me levantar segurando o meu vestido.
, eu não queria fazer isto...
— Aproveite que vou ao toalete e faça as honras de sumir.
De cabeça erguida sem deixar-me abalar, andei entre as mesas chegando ao banheiro na lateral direita do salão onde fui muito bem cumprimentada por algumas personalidades importantes que faziam questão em me parabenizar, aproveitei para retocar o meu batom enquanto conversava sobre a decoração de todo o local com uma mulher loira e siliconada.
— Desculpe te alugar com essa conversa. – a mesma desculpou-se ao arrumar a alça do vestido. – Foi um prazer conhecê-la, Law Barbour, espero lhe encontrá-la mais vezes já que amanhã serei uma das passageiras da primeira classe bordo a primeira viagem do LBA Barbour.
— O prazer foi todo meu... – fiz uma pausa para que ela revelasse seu nome.
— Isobel Norwood Hoffman. – disse estendendo-me sua mão, apertei.
— Foi um prazer conhecê-la, Isobel. – disse enquanto andávamos para fora do banheiro, foi quando senti um perfume que fez-me paralisar no lugar.
Aquele perfume.
Eu nunca o tinha sentindo em lugar algum em toda minha vida, mas de uma maneira desconhecida estava gravada em minha memória, um arrepio involuntário percorreu o meu corpo, olhei para o meu braço arrepiado ao dar mais alguns passos ao alcançar Isobel que parava ao lado de um homem alto.
O homem dono daquele perfume magnífico.
Do olhar ao meu braço, subi-o pelo corpo do rapaz, que usava calça social preta bem justa e um smoking preto com detalhes em branco, a barba bem desenhada e os cabelos escuros longos estavam penteados para o lado, ele estendia o braço para que Isobel pudesse enlaçá-lo.
Quando Isobel olhou-me mais uma vez com um sorriso nos lábios, eu estava estática e surpresa ao olhar para o homem que lhe acompanhava, o olhar curioso do mesmo demonstrava que eu estava com certeza os assustando um pouco com a minha reação.
Era um olhar curioso que me demonstrava um misto de mistério e felicidade. O meu coração disparado fazia minha mente se perguntar:
Será que ele estava sentindo o mesmo?
, este é o meu irmão mais velho Norwood Hoffman. – Isobel apresentou-me o seu irmão, acordando-me rapidamente do transe em que me encontrava.
abriu um sorriso grande e sincero, fazendo-me perceber covinhas no final da sua boca que mesmo cobertas pela rala barba faziam questão de aparecer, era contagiante de certa forma que minhas bochechas coraram ao sorrir timidamente para o rapaz.
— É um prazer conhecê-la, Law. – disse em um sotaque inglês bem carregado, tanto tempo morando na América fazia-me esquecer daquele bom e velho sotaque arrepiante, o homem estendeu a mão livre em minha direção.
Norwood. – repeti seu nome, era estranho a sensação de já conhecer aquele nome há tempo em minha memória, franzi a testa tentando me lembrar da onde eu poderia conhecê-los, mas infelizmente nada via em mente. — O prazer é todo meu. – disse aceitando o seu cumprimento, lhe dando a mão, ele me puxou para mais perto depositando um gentil beijo sobre a costa da mão.
Fiquei sem reação com o seu beijo tão intimista, sorri um pouco sem graça ao puxar a mão e vê-lo empurrar os cabelos que insistiam em cair em seu rosto com um rápido movimento de cabeça para o lado, os alinhando perfeitamente.
Aquele movimento do seu cabelo, era como se eu pudesse assistir a um sonho antigo bem na minha frente.
Isobel disse algo, enquanto me perdia entre seus olhos de uma tonalidade mais clara que um castanho que poderia até dizer que eram da cor de mel, apenas concordei com a cabeça desviando o meu olhar para o salão na tentativa de recompor-me daquela atitude extasiada, enquanto Isobel se afastou, levando consigo o seu irmão mais velho que poderia apostar o navio inteiro que o conhecia de algum lugar.
Observei de longe, marchando para fora do salão, peguei a primeira taça de champanhe das mãos de um dos garçons que transitavam pelo salão, estendi-lhe a taça para frente como se lhe oferecesse um brinde ao vê-lo passar pela porta e aproveitei para tomar um gole.
— Mamãe, mamãe. – Zion chamava ao correr em minha direção com o celular em suas mãos. – Olha com quem eu acabei de tirar foto. – mostrou a foto com um antigo jogador de tênis famoso. – Ele disse que vai viajar conosco e que posso jogar uma partida com ele já que temos uma quadra de tênis a bordo.
— Isso é incrível, filho – disse passando a mão delicadamente em seu rosto. – Você parece conhecer todos por aqui.
— A maioria, mamãe – comentou passando as fotos de várias personalidades que tirou foto ao decorrer da noite.
— Já que conhece muita gente, poderia me ajudar? – mordi os lábios morta de curiosidade para saber sobre os irmãos Norwood.
— Mas é claro, mamãe. – concordou com a cabeça, então eu me abaixei dizendo em seu ouvido o que queria saber, Zion sorriu antes de sair indo em direção a mesa que os irmãos se encontravam, pediu licença para se sentar na cadeira vaga a frente deles.
Sorri com a sua desenvoltura em ser tão sociável e comunicativo, coloquei a taça na bandeja de um dos garçons que passava ao meu lado, antes de caminhar até a mesa onde meu pai estava conversando com um irmão da minha mãe.
Senti vários olhares sendo direcionados para mim, mas um em questão me chamou a atenção.
me observava atentamente até eu me sentar ao lado do meu pai, desviando o olhar para prestar atenção na conversa deles, tentando não deixar tão nítido qualquer tipo de interesse.

***

“Era um lugar totalmente desconhecido por mim, usando um vestido branco e meus cabelos presos em uma trança lateral, meus pés descalços tocavam a grama baixa do enorme campo, o sol queimava minha pele, estreitando a minha visão ao perceber que alguém se aproximava no horizonte.
Sem saber o que fazer, comecei a andar lentamente observando as flores amarelas e rosas ao longo do campo, colocava a mão sobre o rosto na tentativa de fugir do Sol, enquanto andava.
Foi quando sem querer, trombei no peito de alguém, percebendo ser o homem que se aproximava no horizonte, tombei minha cabeça para trás inclinando-me para olhar a feição do homem em minha frente.
E pela primeira vez, depois de anos tendo o mesmo sonho, o rosto do homem se revelava para mim fazendo o meu coração se acelerar e até o ar esquecer por alguns segundos o caminho para os meus pulmões...”

Sentei-me na cama rapidamente arregalando os olhos ao despertar, passando os olhos por toda cabine a minha volta, olhei para o lado da cama onde Zion dormia tranquilamente ao processar todo o sonho que tive há poucos segundos.
Olhei para o criado mudo ao seu lado, levantei-me dando a volta na cama e pegando o celular que carregava em cima da plataforma sem precisar de fios, mordi os lábios achando tal atitude a maior invasão de privacidade, mas precisava ver o rosto daquele rapaz mais uma vez para ter absoluta certeza.
Abri a galeria e em uma das últimas fotos que Zion tinha tirado naquela noite, a foto na mesa com o rapaz ao seu lado fizera mais uma vez o meu coração bater mais rápido.
Seus olhos na foto tinham uma coloração mais escura, porém brilhavam como uma luz aquecendo o meu corpo, seus lábios eram carnudos e rosados e me fazia querer provar o gosto que tinha um beijo seu.
Associava o rapaz da foto, com o sonho de poucos minutos atrás, sentando-me em uma cadeira ao lado da janela olhando o seu estrelado ao colocar o celular sobre o peito.
Tendo em mente uma única certeza.
Norwood Hoffman, era o homem que eu conhecia há anos.
Da onde eu o conhecia?
Sorri sem graça, mesmo estando sozinha no quarto com tal pensamento.
Eu o conhecia dos meus sonhos.



2. TODOS A BORDO

Quando finalmente consegui voltar a dormir, parece que a hora passou em um piscar de olhos, quando Sol adentrou a nossa cabine, Zion já estava de pé pulando na cama ao som de um clipe que se passava na televisão conseguindo me acordar com facilidade.
Para completar adentrou o quarto empurrando um carrinho repleto de comida para o nosso café da manhã, sorri com todo aquele mimo e a felicidade estampada em seu rosto contagiando-me a sair da cama mais rápido.
Zion o ajudou a arrumar a mesa para o café, enquanto fazia minha higiene matinal, voltei para o quarto de roupão, secando os cabelos com uma toalha antes de me juntar aos dois homens da minha vida na mesa para comer.
aproveitou que estávamos reunidos para contar como seria o nosso dia, os passageiros começariam a chegar muito breve e iriamos recepcionar a primeira classe no saguão principal.
— Eu tenho que participar? – Zion perguntou. – Eu queria poder ir para a piscina.
— Você não pode ir sozinho, meu bem. – disse ao servir-me de suco de laranja.
— Mas eu sei nadar. – constatou ao insistir novamente na ideia.
, o deixe ir. – foi a vez do meu pai ajudá-lo. – Posso pedir para que Chester o acompanhe.
Chester era um dos seguranças particulares do meu pai que ele trouxe a bordo junto com toda uma equipe para a nossa segurança e as dos demais sócios que iriam viajar conosco.
— Vai, mamãe, deixa, o Chester vai estar junto. – Zion pediu, juntando as duas mãos e fazendo bico.
Olhei para ele e para o meu pai que repetiu o gesto do neto.
— Está bem, já que o Chester estará junto te olhando, você pode ir para a piscina. – acabei liberando, o fazendo dar a volta na mesa correndo para vir me abraçar.
Após o café da manhã, saiu do quarto levando o seu carrinho com tudo que sobrou do café, Zion fez toda sua higiene matinal, sentando-se na frente da televisão para jogar um pouco de videogame, enquanto esperava o segurança Chester aparecer para levá-lo até a área da piscina.
Aproveitei o tempo livre para secar os meus cabelos os deixando solto após os fios estarem lisos, maquiei meu rosto apenas com base e corretivo para esconder uma manchinha e outra passando um batom que deixava a minha boca bem rosada, antes tirar o roupão para vestir um simples vestido preto de alças onde eu jogaria por cima um blazer branco para dar um ar social a produção.
— Mamãe, acho que teremos problemas nesta viagem. – Zion disse com os olhos vidrados na televisão assim que sai do banheiro, parei em sua frente, arqueando a sobrancelha, sem entender o que ele queria dizer.
— O que quer dizer com isso? – perguntei, tentando entender o que se passava em sua cabeça.
— Se cada vez que você for se arrumar, ficar tão linda assim, terei que ficar de guarda ao seu lado vinte e quatro horas por dia para impedir que qualquer rapaz chegue em você.
Não contive a gargalhada ao entender que se tratava de um elogio e corri ao seu encontro pegando-o em meus braços sem me importar em atrapalhá-lo no jogo.
— Você é todo fofo quando está me elogiando. – disse ao enchê-lo de beijos.
Zion acabou se dando por vencido ao largar o controle sobre a cama passando seus braços por cima dos meus ombros e me abraçando com força.
— Eu tenho que elogiar a mulher mais linda da minha vida. – beijou a minha bochecha.
— Espero que eu seja para sempre a mulher mais linda da sua vida. – comentei, temendo sua adolescência e suas namoradinhas que estavam por vir.
Antes que pudéssemos ficar mais tempo juntos na nossa troca de carinho, as batidas na porta fizeram com que Zion me soltasse na velocidade da luz para atender a porta e para sua felicidade era Chester.
O segurança, muito diferente de todas as vezes que sempre o víamos, deixou de lado os trajes sociais, para usar uma bermuda azul-marinho e uma polo branca e óculos de sol escuro, surpreendi-me com o seu visual inovador de segurança de férias.
— O liberou que nos entrássemos no clima do navio mesmo estando trabalhando. – Chester esclareceu, apontando para o rádio em sua mão e o inseparável ponto no ouvido.
—Sem problemas, até acho mais confortável para vocês. – comentei ao calçar os saltos.
pediu para avisar que está esperando você descer para liberar a entrada da primeira classe.
— Estou descendo. – peguei meu celular, parando em frente a porta, esperando Zion pegar sua toalha de piscina e o protetor solar no banheiro antes de sair correndo todo animado. —Cuidado na piscina, mocinho. – baguncei os cabelos do garoto. —Se acontecer qualquer coisa saiba que o Chester vai me contar e você não põe o pé na área da piscina de novo.
Eu tentava ser uma mãe durona, mas Zion já sabia que eu era uma pura manteiga derretida e não conseguia dizer não à ele, então ele apenas concordou com a cabeça saindo com Chester em uma conversa animada sobre o jogo de videogame que ele jogava, enquanto aproveitei para descer a grande escadaria encontrando com o meu pai me esperando junto com os outros sócios e a tribulação para darmos início ao check in dos passageiros.
Estaria mentindo descaradamente se dissesse que não estava esperando pelos irmãos Norwood passarem pelo saguão da primeira classe, entre cumprimentos e sorrisos para muitos nomes conhecidos, era apenas um que teria a minha total atenção.
E quando ele passou pela porta ajudando a sua irmã a equilibrar-se no salto alto enquanto ajeitava enorme óculos escuro em seu rosto, congelei-me no lugar mais uma vez ao reparar em sua beleza.
vestia-se todo de preto da cabeça aos pés, os sapatos, a calça justa ao corpo, a camisa social preta que usava tinha alguns botões abertos no peito revelando o seu peitoral bem definido, ao olhar-me há poucos metros em sua frente, sorriu, mascando chicletes vindo ao meu encontro cumprimentar-me com um rápido abraço que o fez tocar em minha cintura por alguns segundos e dar-me um beijo em meu rosto.
Law, é um prazer estar de volta ao seu navio. – disse, animado.
— Isobel e Norwood é uma honra tê-los a bordo. – disse ao soltar um breve sorriso, cumprimentando sua irmã logo em seguida.
— Tenho certeza que será uma viagem muito memorável a todos nós. – Isobel comentou, colocando os óculos sob os seus cabelos louros. — Mas não posso negar que até passarmos pelo quinto dia de viagem tremerei mais que um pinscher idoso.
— Lhe garanto que vamos chegar aos Estados Unidos perfeitamente bem. – tentei tranquilizá-la, mesmo sabendo que aquele pensamento era o de todos que entravam a bordo no navio.
— Confio em você. – disse ao concordar com o que eu dizia. – Agora vamos nos instalar em nossas cabines e aproveitar tudo que há de bom neste navio, até mais Law. – deu-me as costas, afastando-se ao lado de sua irmã.
— Podem me chamar apenas por . – disse a ele, mesmo tendo que aumentar o tom de voz, chamando a atenção de alguns curiosos de plantão e o deixando sem reação.
— Até logo, . – Isobel respondeu pelo irmão com um breve aceno com a mão ao entrar no elevador que os levaria ao andar de sua cabine.

***

Mesmo após um exaustivo dia andando pelo navio, ele não acabaria antes de mais um jantar importante com todos os passageiros da primeira classe, desta vez Zion ficou aos cuidados de Chester na cabine enquanto eu e o meu pai passávamos a noite em mais um jantar sendo paparicados por todos a nossa volta.
Estava no meio de uma conversa empolgante, quando senti alguém aproximar-se por trás da minha cadeira, tocando suavemente o meu braço, antes que pudesse subir o meu olhar para saber de quem se tratava, senti o seu hálito quente sussurrar em meu ouvido.
— Já te disseram o quão linda você está nesta noite? – perguntou em baixo tom.
— Achei que eu tinha o mandando para fora do navio noite passada. – disse em um tom de voz firme que mesmo assim o fez rir.
O que chamou a atenção do meu pai que olhou para o rapaz antes de respirar fundo me olhando sem saber o que fazer.
— Infelizmente, filha, ele comprou uma das cabines da primeira classe, não podíamos fazer nada para que ele não embarcasse. – o mais velho disse a contragosto.
— Nada que uma ordem de restrição não o deixasse bem longe desse navio. – disse, indignada, perdendo facilmente a minha paciência.
— Já ouviu aquele ditado “já que não pode com ele, junte-se a ele”? perguntou ao abaixar-se, aproximando-se do meu ouvido. – Passaremos sete dias dentro deste navio, podemos recuperar o tempo perdido e tentar unir a nossa família novamente, o que me diz?
— Eu prefiro realmente morrer afogada na água congelante do oceano. – disse antes de me levantar, seguindo para fora do salão sem ao menos olhar para trás.
Voltei a cabine pedindo para que Chester não deixasse de maneira alguma chegar perto de Zion, aproveitando para dar uma volta que acabou me levando a parte detrás do navio, fazendo-me apertar a jaqueta jeans que peguei no quarto contra o próprio corpo.
Aproximei-me do guarda corpo olhando para água que nos movia para frente, o vento estava forte e chegava a gelar todo o meu rosto.
— Eu não posso acreditar que te encontrei justamente aqui.
Pude ouvir dizer atrás de mim, naquele momento eu não sabia se era o frio que estava tomando conta do meu corpo ou o forte arrepio que ele me causava desde a primeira vez que o vi ontem à noite.
— E espero que não esteja pensando em pular... Mas se tiver pensando, tudo bem, mas tente pensar que tudo tem uma solução, nós daremos um jeito.
Virei a cabeça desviando o meu olhar da água para tentar olhar sobre meus ombros.
Era sério aquilo?
Ele realmente achava que eu queria tirar minha própria vida?
— Como diz que não vou pular? Não pense que pode dizer o que eu vou ou não fazer, não me conhece. – expressei-me, levando minhas mãos aos guarda corpo do navio.
— Você já teria pulado. – levou as mãos aos bolsos, passando a língua entre os lábios como se estivesse me desafiando, virei-me novamente para água tentando esconder tais sensações que tomavam conta de mim.
— V-você está me distraindo. – tentei manter o nosso roteiro mesmo que com um sorriso reprimido entre os lábios.
aproximou-se por trás do meu corpo posicionando-se logo atrás de mim, levando suas grandes mãos em direção as minhas que agarravam a grade de proteção, eu observava nossos dedos se entrelaçando entre o metal gelado.
— Se você pular eu vou ter que pular logo atrás de você. – repetiu em meu ouvido com um baixo tom de voz, contemplava a sensação de estar de certa forma acolhida entre seu corpo olhando para o mar agitado logo a baixo de nossos pés.
— Desculpe lhe contar, mas agora você já está envolvido. – virei a cabeça brevemente ao seu encontro e percebi que ele não conseguiu desviar um segundo sequer a atenção dos meus lábios.
— Então isso quer dizer que nós vamos pular nessa água congelante e sentir como se milhares de agulhas penetrassem a nossa pele e o ar faltasse em nossos pulmões. – constatou , suspirando fundo e olhando em meus olhos.
— Parece que é seu dia de sorte, pois eu não vou pular. – esclareci, afastando-me brutamente de seu corpo ao sair rapidamente do enlace de seus braços. —O que está fazendo andando por aqui?
— Vim ver se está tudo bem com você após a importunação do seu ex marido no jantar agora pouco. – disse, andando ao meu lado.
— Agradeço a preocupação, está tudo bem só tenho que ignorá-lo pelos próximos sete dias de viagem...
— Sete? – perguntou, arqueando a sobrancelha. – Achei que fossem durar apenas cinco dias. — fez uma nova referência ao Titanic, o que me fez revirar os olhos. — Desculpe, estava tentando apenas te distrair. – passou a mão pelos cabelos os arrumando para um lado só.
— Está tudo bem. Vou rir muito no quinto dia de viagem vendo os passageiros comemorando por mais um dia de vida.
— Não acha que todos neste navio tem algum sério problema? Afinal entramos em um barco réplica de um que naufragou a cento e sete anos atrás. – disse, pensativo, levando as mãos ao bolso da calça que usava.
— Eu chamo isso de adrenalina. – dei de ombros, o seu pensamento era o mesmo que eu tinha desde o começo da construção do navio, quem teria coragem de viajar nele? Hoje descobri que mais de cinco mil pessoas têm coragem de estar a bordo dele. — O que te trouxe a bordo?
— Uma aventura. – respondeu de imediato. — Mas também achei que essa viagem seria um ótimo pretexto para ir com Isobel visitar os nossos pais adotivos na América.
Passamos pela entrada da primeira classe conversando sobre sua família, foi adotado na Inglaterra aos cinco anos e se mudou para a cidade que nunca dorme com a sua família, aos dezoito anos resolveu voltar para a terra da Rainha com a sua irmã para fazer faculdade, se instalando permanente após se formarem, visitavam os pais anualmente, partiu dele a ideia de viajarem de navio aproximaria os irmãos novamente até os Estados Unidos.
Ao subir as escadas andando o corredor que levaria até a primeira classe paramos em frente ao elevador, ele apertou olhando em minha direção com um sorriso tímido nos lábios.
Não pude deixar de notar em como era elegante, usando uma camisa social branca com os botões levemente abertos novamente e uma calça apertada dessa vez de lavagem clara, era um social esportivo para aquela noite.
Eu usava apenas um vestido branco comprido e meus cabelos presos em um coque bem feito ao topo da cabeça e a jaqueta jeans de lavagem clara, estava simples demais para um rapaz a altura de e toda sua elegância.
— Não pude deixar de notar em como está bonita esta noite. – comentou, fazendo-me entrar em contradições com os meus próprios pensamentos e pensando se ele conseguia lê-los, senti minhas bochechas corarem. — Com todo o respeito, Srta. Law.
— Digo o mesmo sobre você, Sr. Norwood, está impecável como das outras vezes que o vi. – o elogiei, o fazendo arquear a sobrancelha em curiosidade como se ele não tivesse entendido o meu elogio a sua pessoa.
— Você pode achar loucura da minha parte, mas desde que te vi ontem à noite, parece que não foi a primeira vez. – confessou, fazendo o meu coração disparar com tamanha coincidência.
— E-eu também tive o mesmo pensamento. – concordei, engolindo a seco. – É como se nos dois já nos conhecêssemos...
— Há muito tempo. Como vidas passadas? – perguntou, passando as mãos pelos cabelos e pude notar que aquela era uma de suas manias mais frequentes. — Eu não sei, mas o seu perfume, o seu cabelo... – tomou a liberdade para que com a mão livre puxar a minha mão tocando-a com suavidade, fazendo com que um leve arrepio subisse por sua extensão.
— O seu toque... – murmurei, olhando para nossas mãos ao entrelaçar lentamente nossos dedos, sentindo todas as sensações que eram trazidas à tona.
Por um momento nos dois entramos em um transe ao ver nossos dedos entrelaçados, aquela sensação me trazia uma segurança e um sentimento em meu peito que estufava a cada momento.
Mas como se o mundo quisesse nos trazer de volta a órbita, o elevador em nossa frente abriu as portas trazendo consigo a figura do meu pai segurando uma garrafa de uísque em mãos e surpreendeu-se ao me ver em sua frente.
Eu e desvencilhamos nossas mãos levando para atrás de nossos corpos rapidamente.
, achei você. – ele disse animado e pude perceber que aquela não era sua primeira garrafa. – Acredita que me trouxeram o uísque errado para a minha cabine? Estou indo agora dar um jeito nisso para que não se repita.
— Creio que o uísque com mel seja muito fraco e doce para alguém como você, Sr. Law Barbour. – disse após olhar a garrafa nas mãos do meu pai, ele arqueou a sobrancelha para mim sustentando o seu olhar até o rapaz ao meu lado. – Desculpe os maus modos em não ter me apresentado, sou Norwood Hoffman. – estendeu a mão na direção do meu pai.
— Nos conhecemos no jantar da inauguração ontem. – comentei para que meu pai deixasse de lado o pai ciumento colocando em ação o pai gentil com um sorriso nervoso nos lábios.
— É um prazer conhece-lo, Sr. Hoffman, espero que esteja gostando do navio e da sua ilustre companhia. – o mais velho apertou a mão de , olhando em minha direção e o deixando sem graça.
— Estou amando cada detalhe que vou conhecendo ao andar pelos corredores, cada canto remete a um pedaço de história diferente com os quadros e pinturas, é incrível ... E a sua filha é uma ótima companhia para conversar.
— Espero realmente que estejam só conversando. – ele não conseguiu deixar o pai ciumento de lado, me fazendo revirar os olhos. – Fico feliz que esteja gostando do nosso navio... – ele olhou para a garrafa em sua mão. – Você me parece gostar de uísque um pouco mais fraco e doce, pegue para você – estendeu a garrafa para .
— Muito obrigado, sou um pouco amador em questão a essa bebida, mas agradeço a garrafa, será ótimo experimentar.
Aproveitei para entrar no elevador enquanto eles entravam em uma pequena conversa sobre a bebida e meu pai o convidou gentilmente para o acompanhar a beber ao fim de tarde antes do jantar, aceitou de prontidão, enquanto eu esperava por ele que ficou feliz da vida após a conversa com o meu pai.
— Desculpe, acabei me empolgando mais do que deveria no assunto. – entrou no elevador um pouco sem graça.
— Sem problemas, eu gosto quando ele se dá bem com alguém, acredite quando ele chama alguém para acompanhá-lo a beber e que realmente acabou simpatizando com você. – lhe expliquei ao apertar o andar da minha cabine e as portas fecharem-se para subir e voltei a olhá-lo, ele parecia realmente surpreso com o que eu disse.
— E-er eu, eu não vi o seu filho Zion pelo jantar... Ele embarcou? – perguntou, mudando de assunto.
— Embarcou. Mas como passou o dia todo na piscina acabou ficando muito cansado para descer no jantar no salão, preferiu ficar na cabine comendo pizza e jogando videogame. – comentei, vendo o elevador chegar ao segundo andar.
— Ontem, logo após nos conhecermos, ele veio até a minha mesa conversar um pouco comigo e com Isobel...
— Eu sei, vocês tiraram uma foto juntos.
— Ele disse que aquela foto era para a mãe dele ver se sou realmente o cara bonito que ela estava de olho. – arregalei os olhos ao olhar para que não conteve a risada ao saírmos do elevador. – Estou brincando, estou brincando!
— Engraçadinho – semicerrei os olhos, andando pelo extenso corredor até chegar a minha cabine.
— Eu sei que pode parecer um pouco precipitado, mas gostaria de lhe fazer um convite. – disse assim que paramos em frente a porta da minha cabine. — Gostaria de almoçar amanhã comigo?
fez o seu convite pegando-me desprevenida, como ele queria que eu processasse tudo que nos aconteceu tão rapidamente para aceitar um convite seu?
— Está quebrando o roteiro. – disse ao lembrar-me do filme. – Depois da cena do quase pulo é a Rose quem oferece um jantar ao Jack na primeira classe. – vi um sorriso brotar no canto de seus lábios.
— Mas como não estamos seguindo o roteiro... – ponderou.
— Terei que aceitar o convite para o almoço.
— Mas com uma condição. – Zion nos surpreendeu ao abrir a porta do quarto. – Tenho que estar incluso nesse convite, sabia? – soltou a porta para cruzar os braços olhando para .
— Ei, carinha, você não me parecia ser tão bravo ontem. – eles se cumprimentaram com um breve aperto com as mãos.
— Ontem você não estava dando em cima da minha mãe e a convidando para um almoço. – Zion rebateu, dando de ombros. — Obrigado por acompanhá-la até a nossa cabine pode ter certeza que ela está em boas mãos, mamãe... – ele afastou-se da porta dando passagem para que eu entrasse no quarto, olhei para que segurava a vontade de rir passando para dentro do quarto. – Tenha uma boa noite, Sr. Norwood, nos vemos amanhã.
Antes de Zion fechar a porta, levou dois dedos sobre os lábios os beijando e me mandando o beijo em seguida, piscando seu olho direto antes da porta se fechar por completo.
Sorri involuntariamente levando dois dedos na boca como se tivesse recebido o seu beijo e abaixei o meu olhar para Zion que estava de braço cruzados.
— Não posso me ausentar por uma noite que os homens já ficam atrás de você. – negou com a cabeça fingindo estar bravo ao voltar deitar-se na cama.





Continua...



Nota da autora: Oii, gente, como vocês estão? Primeira atualização dessa história que é o meu xodó! Já aconteceu com algum de vocês de sonhar com uma pessoa desconhecida e depois acabar trombando com ela? Se sim, qual foi a reação de vocês? Me contem nos comentários o que estão achando e até a próxima att. 🙂



Nota da beta: Morta com o Zion hahahaha, ele é incrível.

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.


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