Enviada em: 18/01/2019

Capítulo Único

Em 1572, a França vivia sobre o comando do rei Olivier II e de sua esposa, a rainha Lilian. Eram considerados por todo seu povo como os mais adoráveis monarcas que já haviam passado por ali, afinal, apenas a lembrança do Rei Luís IV era o bastante para arrepiar boa parte da nação.
Em um determinado dia, o reino acordou com a notícia de que alguém tentara roubar o palácio e havia sido pego no flagra. A curiosidade para saber quem era o atrevido era tanta que algumas pessoas se aglomeravam nos arredores do palácio, esperando conseguir ver, de relance, o ladrão e esperando um pronunciamento do seu rei. Havia até os charlatões que juravam de pé junto terem visto um homem entrar com espadas pelas laterais do palácio, outros diziam que haviam visto as tropas alemãs chegando para saquear.
A França não acordava tão animada desde o nascimento da filha mais nova do rei, Le Roux.
Dentro do palácio, a rainha olhava para o pequeno ladrão à sua frente com muita compaixão, definitivamente ele não lembrava em nada o ser repugnante e pífio que seu servo descrevera. O tal ladrão era um menino, que deveria ter mais ou menos a idade de seu filho e se encontrava tremendamente assustado. Havia sido pego roubando um pedaço de pão da cozinha, o que cortara o coração de Lilian.
- Fique tranquilo, querido. Ninguém lhe fará mal. – A rainha disse docemente para o menino assustado. – Agora me diga, onde estão seus pais? – O menino nada disse, apenas negou com a cabeça. - Se você não falar, como poderemos localizá-los para que venham lhe buscar?
- Eu não tenho pais. – Ele disse rapidamente. – Por favor, me desculpe Vossa Majestade, eu só peguei o pão porque estava com fome.
- Ninguém está lhe culpando. – Ela se virou para uma das suas cozinheiras. – Você pode preparar um café da manhã cheio de comidas gostosas para o... – Encarou o menino novamente. – Qual seu nome mesmo, querido?
- . – Ele respondeu e ela voltou a olhar para a cozinheira.
- Para . – Completou sua frase anterior e a cozinheira assentiu, indo preparar imediatamente. – Você quer dar uma volta comigo enquanto eles preparam um café bem gostoso para você? – O menino assentiu e eles saíram da cozinha em direção aos corredores do palácio que eram decorados com quadros das várias gerações da família Le Roux e estátuas. – Quer me conta o que aconteceu com seus pais?
- Minha mãe morreu e o marido dela me pôs para fora. – O menino disse calmo.
- O seu pai te pôs para fora? – Lilian perguntou assustada.
Como um pai poderia colocar um menino tão lindo para fora de casa?
- Não, ele não é meu pai, é o marido da minha mãe. – O menino respondeu. – Mamãe disse que meu pai morreu antes mesmo de saber que ela estava grávida. – Antes que a rainha pudesse expressar qualquer sentimento, a cozinheira apareceu anunciando que o café estava pronto.
Eles seguiram em direção à sala de refeição, onde a mesa estava recheada de comidas diferentes. Os olhos de brilharam olhando tanta fartura, o menino nunca tinha visto tanta comida junta, ainda mais sendo para ele. A rainha apontou com a cabeça para a mesa e ele se serviu com um pedaço de pão de milho. tinha certeza de que nunca comera um pão tão gostoso. Talvez fosse o fato de estar a alguns dias comendo apenas o que ganhava das pessoas, mas o pão estava realmente gostoso.
Lilian estava completamente derretida e sensibilizada com a história do menino à sua frente e não conseguia nem imaginar o quão ruim deveria ser o padrasto de para ter tido coragem de expulsar o mesmo de casa. Deixou o menino comendo e seguiu em direção à sala do trono, onde seu marido conversava com alguns súditos.
- Meu amor. – Ele disse vendo que ela se aproximava e fez sinal para que os súditos lhe deixassem sozinhos. – E o ladrão?
- Pois é um menino, Olivier, um menino. – Ela disse sensibilizada. – Roubou para comer, porque o padrasto lhe colocou para fora de casa. – Ela disse penalizada. – Nós não podemos jogá-lo de volta nas ruas, seria crueldade demais com uma criança. – Ela sorriu. – Ele deve ter mais ou menos a idade de Henry, se chama e está assustado.
- Tão novo assim? – O rei perguntou e ela assentiu. – A crueldade do nosso povo pode chegar longe. – Ele constatou. Se tinha algo que tirava Olivier do sério era o abandono ou maus tratos com crianças. – Onde ele está?
- Na sala de jantar, mandei preparar um café da manhã farto para ele. – Lilian respondeu e os dois seguiram para lá.
Assim que passaram pela porta, puderam avistar se deliciando com um pedaço de torta de amora. Assim que viu os dois, o menino engoliu a comida rapidamente e se levantou. Lembrava-se muito bem de sua mãe falando sobre o respeito que deveria demonstrar na presença dos reis.
- Olá. – O rei sorriu sentando-se e apontando para o menino voltar a sentar. – , certo? Está gostando das comidas?
- Sim, Vossa Majestade. – O menino sorriu. – Obrigado.
- Por favor, me chame apenas de Olivier. – Ele sorriu e se sentiu um pouco mais aliviado. Era apenas uma criança de onze anos, mas sabia muito bem que estava encrencado, afinal, havia sido pego roubando o palácio real. Sabia que era errado, mas estava com tanta fome e o pão parecia tão apetitoso... – Minha esposa me disse que você foi expulso de casa por seu padrasto. – O menino assentiu com a cabeça, bebendo um gole do suco de laranja. – E onde tem morado?
- Noite passada eu consegui dormir em um celeiro de um senhor, mas não tenho casa. – Ele respondeu e o rei sentiu seu coração se apertar.
Pensou em Henry, seu filho, que tinha tudo que queria, uma cama quentinha para dormir, súditos para lhe servir e tantos brinquedos que poderia entreter por uma vida inteira.
- Eu lhe disse que era apenas um menino. – Lilian disse passando os braços pelo pescoço do marido, que encarou uma das empregadas que estava ali.
- Mande arrumar um quarto para o , pegue uma muda de roupa do Henry e prepare um relaxante banho para ele. – Olivier disse para a moça que assentiu e saiu. tentava não prestar atenção na conversa, mas iria dormir em uma cama pela primeira vez em alguns meses e não poderia estar mais feliz. O rei o encarou e sorriu. – Você vai ficar por aqui hoje e amanhã veremos o que fazer, ok? O que acha?
- Obrigada, Majestade. – O menino respondeu e Olivier o olhou sério. – Olivier, desculpa.
- Tudo bem. – Ele sorriu. – Agora quero lhe apresentar uma pessoa muito especial. – Os três saíram em direção aos jardins do palácio.
observava tudo com muita atenção, com certeza nunca havia estado em um lugar tão grande e bonito. Assim que o guarda abriu a porta para os fundos, ele pode avistar um enorme jardim florido, no centro um menino que aparentava ter a sua idade brincava com uma espada de madeira.
- Mãe! – O menino exclamou quando os viu se aproximar e correu até a rainha, que abaixou ficando na sua altura e lhe deu um beijo na bochecha.
- Oi, querido. – Ela sorriu e se virou para . – Trouxemos um amiguinho para você.
- Oi. – Henry sorriu para o menino à sua frente e lhe esticou a mão. – Eu sou o Henry, muito prazer.
- . – O menino sorriu e encarou a espada na outra mão do príncipe à sua frente.
- Você quer brincar? – Henry perguntou animado, daria tudo por um amigo da sua idade.
Já estava farto de brincar sozinho ou com os guardas. assentiu igualmente animado, fazia tempo que não brincava e, mesmo assim, não tinha brinquedos legais como os de Henry. O príncipe lhe esticou uma espada e eles saíram correndo pelo jardim, brincando de guardas.
- Parece que se deram bem. – Olivier disse observando seu filho e o mais novo amigo. – Eu acho que já sei o que podemos fazer.
- Acredito que você está pensando na mesma coisa que eu. – Lilian sorriu.
O pensamento de pegarem o menino para si pairava na cabeça do rei e da rainha enquanto observavam os dois meninos brincarem. A risada verdadeira de Henry enchia o ambiente e a rainha sabia que fazia tempo que não via seu filho feliz daquele jeito a muito tempo. Mais tarde, a rainha terminava de ler uma história para um Henry já bem sonolento.
- Mãe, o vai morar com a gente? – Perguntou baixinho e Lilian sorriu.
- Você gostaria disso? – Perguntou passando a mão pelos cabelos do filho, que assentiu.
- Ele é muito legal. – Henry disse. – Ele vai ficar mesmo? A gente vai poder brincar de muita coisa.
O pequeno príncipe a sua frente parecia extremamente animado com a ideia de ter amigo para brincar.
- Papai e mamãe vão ficar com ele. – Lilian respondeu lembrando da longa conversa que tivera com o marido durante a tarde e que chegaram na conclusão de criar como seu filho. – Ele vai ser seu irmãozinho.
- Sério? – O menino perguntou e a rainha assentiu. – Que demais, eu preciso falar para ele.
- Calma aí, pequeno. – Ela disse o deitando novamente. – Papai e mamãe vão falar com ele sobre isso, depois vamos falar com o povo e anunciar a decisão. – Lilian disse dando um beijo na testa de seu filho. – Boa noite, meu príncipe.
- Boa noite, mamãe. – Ele respondeu bocejando em seguida.
A rainha saiu dos aposentos de seu filho e foi em direção ao quarto preparado para . Assim que abriu a porta, viu o menino abraçado a seu marido e então teve a certeza de que ele aceitara a proposta.
- Hoje é o dia mais feliz da minha vida. – O menino disse alegre e Lilian se aproximou deles, recebendo um abraço em seguida. – Obrigado.
- Não precisa agradecer. – Olivier disse passando a mão pelos cabelos do pequeno menino que parecia não se conter de felicidade.
- O Henry adorou a ideia de ter um irmão. – A rainha disse olhando para o menino. O menino não se continha de felicidade. Tinha uma família novamente! O fato de serem da realeza não fazia a mínima diferença, o que importava para ele era que gostavam dele e agora tinha um teto sobre a sua cabeça. – Seja bem-vindo à família, Le Roux.

****

Anos mais tarde, era um rapaz alto, bonito e cobiçado por grande parte das mulheres do reino, que se dividiam entre desejar ele e seu irmão. Aliás, quase ninguém fazia distinção entre os dois, mesmo que qualquer um no reino soubesse que ele não era filho biológico do rei e da rainha. Uma volta pelo vilarejo e você já ficaria sabendo sobre o dia em que ele fora apresentado para os súditos. Aquele pequeno menino assustado com tantas pessoas o encarando era anunciado como o mais novo príncipe da França. , príncipe? Às vezes nem ele acreditava, era muito surreal para ser verdade. Mesmo depois de tanto tempo, ainda se pegava acordado durante a noite, lembrando do dia em que fora pego roubando um pedaço de pão da cozinha do palácio que hoje era sua casa. Lembrava de como conheceu seu irmão e de tudo que já haviam aprontado juntos. A única pessoa que faltava ali era a filha mais nova do rei, Le Roux. Dois anos mais nova do que e Henry, a princesa havia sido enviada muito nova para estudar na Inglaterra. Era a única pessoa da família real que ele não conhecia pessoalmente.
Assim que passou pelos portões do palácio, entregou seu cavalo para um dos servos que estava ali e entrou, encontrando sua mãe lhe esperando.
- Bom dia, mãezinha. – Ele sorriu lhe dando um beijo no rosto.
- Bom dia, meu querido. – Lilian sorriu. – Já está quase tudo pronto e a cavalaria deve chegar a qualquer momento. - A rainha disse animada, afinal, sua filha mais nova estava voltando para a França e logo conheceria sua irmã pela primeira vez. – Estou ansiosa para vocês se conhecerem, tenho certeza de que vão se dar muito bem.
- Garanto que sim, mãe. – Ele sorriu e foi até seu quarto se arrumar.
Após o banho, se vestiu e seguiu até o jardim, onde a família já o esperava. Logo a cavalaria com a carruagem foi avistada e entrou nos jardins do palácio. Todos os membros da realeza e do alto escalão da França estavam ali, formando um corredor de curiosos, já que princesa não era vista desde os seus oito anos. Na ponta estavam o rei Olivier, a rainha Lilian e seus dois filhos.
A carruagem parou e um dos cavaleiros esticou a sua mão para dentro, que foi segurada por e logo ela entrou no campo de visão de todos. A princesa usava um vestido longo de manga comprida rosa claro, decorados por pedras na região do busto, ombros e cintura. Era mais justo na cintura, deixando sua saia esvoaçante e, nas mãos, ela usava uma luva mais ou menos da mesma cor do vestido. Os cabelos e os olhos eram bem pretos, o que ressaltava sua pele extremamente branca.
tinha plena certeza de que jamais vira tanta beleza em uma única mulher.
Henry caminhou até a irmã e a envolveu em um abraço apertado, carregado de saudades.
- Bem-vinda de volta, irmãzinha. – Ele sorriu beijando sua testa e ela sorriu.
- Ah, que saudades, Henry! – Ela disse o abraçando mais forte.
estava extremamente feliz de estar de volta ao seu país e ao lado de seus pais e irmãos. Pois é, plural. Afinal, seus pais tinham adotado um menino e ela sequer o conhecia. Henry abraçou a irmã e eles seguiram até seus pais, que aguardavam ansiosamente por um abraço.
- Juro que se eu morresse agora, já morreria feliz. – Olivier disse ao abraçar a filha. – Senti sua falta, boneca.
- Eu também senti muito a sua falta, pai. – Ela disse sorrindo e apertando mais o abraço em seu pai.
Não sabia muito bem como conseguira sobreviver sem o seu maior exemplo, mas agora estava ali e não pretendia sair tão cedo. Se desvencilhou dos braços do pai e foi aconchegada por sua mãe.
- Eu nem acredito que você está aqui. – Lilian disse sorrindo. – Seja bem-vinda de volta, meu amor. – Ela depositou um beijo na testa da filha e a soltou.
Só então reparou no rapaz alto ao lado de seu irmão, sabia que não o conhecia, pois reconheceria tamanha beleza mesmo depois de anos. Só poderia ser .
- Querida, esse é o . – Sua mãe disse, confirmando seus pensamentos e ela sorriu.
- É um prazer finalmente lhe conhecer. – disse beijando as costas de sua mão e ela sorriu.
- Já ouvi tanto falar de você, que parece que já lhe conheço. – disse e ele sorriu, fazendo com que a jovem princesa sentisse pequenas cócegas na barriga.
- Devo confessar que eu também me sinto assim. – Ele respondeu e foi a sua vez de sorrir.
- ! – Uma voz grossa a chamou e ela se virou, encontrando o Conde Benjamin, herdeiro de uma das províncias da França e para quem ela estava prometida desde os seis anos. O ruivo sorriu e ela retribuiu. – Que bom vê-la novamente, Alteza.
- Digo o mesmo, Conde Benjamin. – Ela respondeu, mesmo que aquilo não fosse inteiramente verdade.
não tinha a menor intenção de se casar com o Conde, mesmo que ele fosse bonito e muito cobiçado entre a corte, ela não tinha o menor interesse. queria se apaixonar, desejava viver um tórrido amor que lhe deixasse com as pernas bambas, o coração falho e os pulmões sem ar. De nada lhe interessava aquele casamento arranjado que vinha sendo anunciado desde os seus seis anos de idade.
Seguiram todos para o salão de jantar, onde uma mesa farta os esperava.
- Sirvam-se todos, hoje o dia é de comemorações. – O rei anunciou e eles se sentaram à mesa, sendo servidos pelos empregados em seguida.

Mais tarde, a princesa caminhava pelos corredores do palácio, matando a saudade de cada canto de onde tinha crescido até os oito anos. Analisando os quadros, conseguia perceber quando havia sido incluído nos quadros da família. Com certeza deveria ter sido um escândalo, afinal, o rei e a rainha haviam acolhido e feito príncipe da França um garoto que havia sido pego roubando o palácio. lembrava perfeitamente dos cochichos pelos corredores da escola onde estudava. Mesmo na Inglaterra, a notícia do mais novo príncipe era o assunto das rodas de conversa, o que ela achava terrivelmente chato. Seus pais haviam feito algo bom, qual era o motivo de tanto alarde? Continuou andando pelos corredores, até encontrar-se com , que sorriu assim que a viu.
- Ei. – Ela sorriu. – Que coincidência, eu estava pensando justamente em você.
- Em mim? – Ele perguntou confuso e ela riu.
- Na verdade, estava pensando na época em que você veio morar no palácio e o burburinho que isso gerou. – Ela respondeu. – Até na Inglaterra as pessoas estavam comentando.
- Foi um choque, aqui mesmo eu ouvia os empregados comentando, mas com o tempo isso foi acabando. – Ele disse. – Hoje quase ninguém faz diferença entre Henry e eu.
- Você é parte dessa família, . – disse sorrindo. – Aliás, tem mais convivência com meu irmão do que eu.
- O Henry é louco por você, sempre falava sobre a irmã que morava na Inglaterra. – Ele comentou, o que fez com que a princesa sentisse seu coração ser aquecido. – Aliás, todos eles, você tem um lugar especial nessa família e também é muito amada pelo povo.
- A França é meu lar. – Ela sorriu. – Não pretendo sair daqui tão cedo.
- Mesmo depois de se casar? – O loiro perguntou. – Se bem que o seu noivo é daqui, então não teria porquê.
- Posso lhe contar um segredo, ? – Ela perguntou e ele assentiu. certificou-se de que estavam sozinhos no corredor e aproximou-se dele. – Eu não tenho a mínima intenção de me casar com o Conde.
- Não? – Ele perguntou confuso e ela negou com a cabeça.
- Eu quero ser livre, viver a minha vida, me apaixonar. – Ela suspirou. – Você já se apaixonou?
- Não... Quero dizer, não acho que era uma paixão. – Ele deu de ombros. – Eu sentia algo pela Baronesa de Auvérnia, mas nada muito sério.
- Ah, eu não acredito, . – Ela disse rindo. – Pela Antonieta? Você merece coisa melhor. Aquela lá é uma cobra e todos sabem disso.
- Em minha defesa, eu só fiquei sabendo depois que não sentia mais nada e me senti um parvo. – Ele deu de ombros e ela riu.
- Você precisa pegar umas dicas com o Henry, ele tem um ótimo gosto para mulheres. – Ele assentiu.
- O Henry é um galanteador barato, mas ele realmente tem bom gosto. – disse e assentiu rindo.
- Pelo que ouço falar do meu irmão, devem haver pouquíssimas mulheres no reino que não foram cortejadas por ele. – Ela disse e concordou.
O Conde Benjamin apareceu chamando para dar uma volta no jardim e ela aceitou, mesmo que a contragosto. Se despediu de e saiu acompanhada do noivo, deixando o príncipe encarando as paredes. Ele caminhou até a janela, observando os dois andando por entre as flores. A princesa era uma pessoa muito legal, assim como ele tinha imaginado, mas algo dentro dele o impedia de pensar nela como sua irmã, mesmo que fosse apenas por consideração, como era com Henry.

****

Não era segredo para ninguém que o rei Olivier gostava de ser pintados em quadros. Só no palácio haviam dezenas com seu rosto e ele fazia a família seguir a mesma tradição. Em comemoração ao retorno ao retorno de sua filha, e para embelezar ainda mais as paredes do palácio, ele havia encomendado um quadro da mesma, afinal, nenhuma moça no reino era mais bonita do que .
A princesa se olhou no espelho gostando do resultado. Ela usava um vestido azul ombro a ombro que possuía um medalhão como enfeite e por cima do vestido usava uma echarpe transparente. Os cabelos estavam presos em um coque com trança e uma linda coroa contrastava com o belo colar que ela usava. Olivier admirou sua menina vindo em sua direção e sorriu. era estonteantemente bonita e lembrava muito sua esposa na juventude, época em que se conheceram.
O pintor preparava as suas tintas e logo olhou para a princesa que havia acabado de entrar no cômodo, encantando-se em seguida.
- Alteza. – Ele reverenciou. – É um prazer enorme ter sido escolhido para pintar o seu quadro. – Sorriu. – Meu nome é Raul.
- É um prazer lhe conhecer, Raul. – Ela sorriu.
Já estava acostumada com esses quadros, então apenas posicionou-se da forma que queria a pintura. Algum tempo depois, ela já se encontrava entediada. Raul trabalhava extremamente concentrado e lhe dava rápidas olhadas, enquanto ela encarava o nada, concentrada em não se mexer.
Toda sua concentração foi pelos ares assim que passou pelo corredor e seus olhos se encontraram com os dela. Ele sorriu e ela sentiu o coração dar um pequeno pulo em seu peito, sorrindo de volta instantaneamente. Não sabia o que estava acontecendo com ela, mas desde que chegara, há uma semana, sentia seu estômago se revirar quando ele se aproximava. O príncipe se escorou no batente da porta e ficou assistindo a cena de parada igual uma estátua, enquanto o pintor tentava transpor toda a sua beleza para a tela. ‘Impossível’, pensou . ‘Bela demais para ser retratada por mãos humanas’. Após um tempo assistindo ele saiu dali, seguindo seu caminho inicial.
Raul ainda levou mais algum tempo, mas por fim concluiu seu melhor trabalho, na sua opinião.
- Espero que goste. – Ele disse virando o quadro para a princesa.
encarou o quadro um pouco assustada em como Raul conseguira desenhá-la tão perfeitamente. Era como estar olhando em um espelho.
- Eu adorei. Obrigada, Raul. Ficou ótimo. – Ela sorriu na direção do pintor, que sorriu aliviado.
- Muito obrigado, Alteza. – Ele reverenciou e ela sorriu.
deixou Raul na sala esperando pelo rei e caminhou pelos corredores do palácio, indo em direção ao seu quarto.
- Vossa Alteza pode acabar matando alguém do coração andando assim pelos corredores. – disse vendo a princesa passar e sorriu assim que ela o encarou.
- Eu prometo que essa não é a minha intenção. – Ela sorriu sentindo seu estômago formigar.
- Tarde demais, talvez já tenha matado alguém por aí. – Ele respondeu sorrindo.
‘E que sorriso’, pensou .
Nenhum deles conseguia explicar o que estava acontecendo ali, mas estavam gostando daquelas sensações.
foi se aproximando lentamente da garota a sua frente. Já havia a visto de muitos jeitos, mas com certeza aquele era o máximo de beleza que ela chegara. A respiração da garota começou a pesar na medida em que ele se aproximava e o rapaz não estava muito diferente.
sentiu suas costas encostarem na parede e se abaixou, ficando a centímetros de distância dela. O coração dos dois batia descompassado e a atração entre eles era quase palpável. sentiu a mão dele em seu rosto e fechou os olhos. Prestes a encostar seus lábios no dela, uma porta foi aberta no corredor, e deu um pulo indo parar do outro lado. Uma empregada saiu de lá e passou por eles fazendo a reverência.
A princesa encarou o rapaz do outro lado do corredor e recebeu um sorriso em resposta. Mais alguns empregados passaram por ali e ela seguiu junto com sua camareira, deixando escorado na parede do corredor.

****

O salão estava lotado por membros da alta corte francesa. Músicos tocavam animadamente, levando vários casais ao centro para dançar. Assim que entrou no salão, alguns olhares se voltaram para ele e mulheres começaram a se aproximar para lhe cumprimentar. Ele retribuiu alguns cumprimentos e seguiu até Henry, que estava do outro lado, dançando animadamente com uma moça desconhecida.
- Ei, . – Ele disse sorrindo. Deu mais um gole em seu vinho e esticou para o irmão. – Servido?
- Não, obrigado. Depois pego um para mim. – Ele respondeu e o irmão assentiu.
Observou de canto de olho o Conde Benjamin entrar no recinto, arrancando olhares e suspiros das ocupantes femininas do salão. Rolou os olhos, ele nem era tudo isso. Benjamin era metido e sem graça, um completo idiota e que passava uma sensação ruim para . Talvez fosse só impressão, mas não conseguia simpatizar com o Conde, que agora cumprimentava seu pai. Após mais algum tempo de festa, a música cessou e a atenção se voltou para o rei, que estava sentado em seu trono, ao lado de sua esposa.
- Boa noite, meus queridos. – Olivier disse. – A festa já irá continuar, mas chegou a hora de trazer para o salão o grande motivo dessa celebração. – Ele sorriu. – Como todos sabem, está novamente conosco e agora será devidamente apresentada a corte francesa. – Ele olhou para a porta no fim do salão. – Com vocês, a princesa Le Roux. – O salão ficou em um completo silêncio e a porta foi aberta, revelando uma belíssima do outro lado. Ela sorriu e Olivier levantou-se de seu trono, indo até sua filha. Ele lhe deu um beijo na testa e esticou sua mão, a qual ela pegou e acompanhou o pai até o trono. O rei voltou a sentar e reverenciou os pais.
Ela usava um vestido dourado escuro com uma espécie de top de manga comprida por cima, que ia até a altura do umbigo e tinha uma fenda no final. Ele era preto e todo bordado em ouro. O cabelo estava todo puxado para trás, mas solto, e uma pequena coroa dava o toque final no penteado. estava encantado. Não conhecia outra mulher com tamanha beleza.
A princesa foi reverenciada e o Conde Benjamin se aproximou dela, onde iniciaram uma dança. Todo o reino sabia do comprometimento de e Benjamin, mas aquela dança era quase como uma apresentação do casal à corte, como se pedissem a benção dos aliados. Eles terminaram de dançar e o salão explodiu em palmas. olhou para Henry, que rolou os olhos. Pelo visto ele não era o único no recinto que não gostava do Conde. e o Conde se separaram e ela começou a cumprimentar algumas pessoas específicas, amigos, aliados e membros da realeza. Ela se desvencilhou das últimas pessoas e se aproximou de e Henry.
- Uma princesa a altura da França. – Henry disse a reverenciando e riu.
- Deixe de bobagem, Henry. – Ela sorriu e se virou para , pegando sua taça e bebendo um pouco do vinho. – Desculpe, eu estava precisando disso.
- Tudo bem, se eu tivesse que dançar com o Conde eu também precisaria. – Ele disse brincalhão e ela riu.
- Pelo menos você entende meu martírio. – Ela respondeu fazendo drama, o que fez rir.
voltou a circular pelo salão, que a cada momento parecia mais cheio. se escorou em uma coluna de onde tinha plena visão de todos ali e seu olhar pairou no sorriso da princesa ao fundo do salão, enquanto falava com algumas mulheres do reino. Ela ria abertamente de algo, o que deixava o jovem príncipe cada vez mais encantado. prestava atenção na história de Charllote, mas passou olhos pelo salão e o seu olhar se encontrou com o de . Ela respirou fundo sentindo cócegas na barriga e ele levantou sua taça, arqueando uma sobrancelha, fazendo-a sorrir e foi a vez de ele sentir as tais cócegas. Nenhum dos dois ousava pensar direito no que aquilo significava.
- Um doce de abóbora por seus pensamentos. – Uma voz feminina falou ao pé do ouvido de , fazendo desviar seu olhar do dele.
Ele se virou, encontrando uma loira estonteante sorrindo para si.
- Não acho que valham tanto. – Ele respondeu e ela sorriu.
- Pois eu tenho certeza que sim. – Respondeu a mulher, se aproximando ainda mais do príncipe.
Do outro lado do salão, a história de Charllote nem passava mais pela cabeça de . Seu olhar estava focado no fundo do salão, onde uma mulher que ela não conhecia conversava animadamente com . ‘Mas que merda de sensação é essa?’, pensou a princesa, sentindo um pequeno incômodo em seu peito.
- Eu só posso estar ficando louca. – Ela disse um pouco mais alto do que deveria. Charllote parou de falar e lhe encarou. - O que foi, ? – Perguntou sorrindo.
- Nada querida, só pensei alto. Continue. – Ela disse sentindo seu rosto queimar um pouco e Charllote voltou a falar.

- Que mal-educado que sou, nem me apresentei. Le Roux, prazer. – Ele sorriu para a moça que soltou uma pequena risada.
- Eu sei muito bem quem você é, . – Ela piscou. – Eu sou Madeleine Carpentier e o prazer é todo meu. – Antes que ele pudesse responder, Henry se aproximou acompanhado de uma morena e puxou consigo, sem que ele conseguisse se despedir da loira.
Madeleine bufou irritada com Henry, mas logo seguiu para outro rapaz bonito que passava por ali. Os dois príncipes corriam pelos corredores do palácio até encontrarem segurando duas jarras de vinho em um corredor vazio.
- Nossa Henry, como vocês demoraram. – Ela sussurrou e eles seguiram para os fundos do palácio.
- Sinto muito se o bonitão aqui estava jogando todo o seu charme para cima daquela mulher. – Ele disse batendo no ombro de , que sentiu um pequeno incômodo ao notar a feição de .
A princesa até tentou disfarçar, mas ficara irritada com a explicação do irmão. Logo eles chegaram aos fundos, em uma área onde havia um pedaço do rio Besbre que passava por dentro do palácio e um coreto pouco iluminado. sentou-se no chão, enchendo um copo com vinho e bebendo.
- Servidos? – Perguntou encarando os três e Henry pegou o copo, fazendo o mesmo que a garota.
- Eles não vão dar falta de nós? – perguntou e deu de ombros.
- Uma festa furada daquela. – Ela rolou os olhos. – A partir de agora eles vão ficar cada vez mais bêbados, talvez nem percebam que os três filhos do rei estão sumidos.
- Quem liga para aquela festa chata? – Henry perguntou enquanto passava o copo para . – Se perguntarem a gente inventa uma desculpa qualquer. – Ele deu de ombros. – Nossa, como está calor aqui.
- Tem um rio bem ali, fique à vontade. – disse brincando, mas o irmão lhe olhou sugestivo. – Henry, por favor, eu estava brincando.
- Tarde demais. – O príncipe respondeu, já se despindo.
Quando estava apenas com a camiseta, o mesmo se jogou na água.
- Pelo amor de Deus, você é louco. – Amélie, a acompanhante de Henry, disse quando ele voltou para a superfície.
- Vem também. – Ele a chamou e ela tomou um gole do vinho antes de se despir e mergulhar com ele.
- Meu Deus, o Henry é pior que criança. – disse vendo o irmão beijando Amélie.
- Se ele tiver cinco anos de idade mental é muito. – disse bebendo mais um pouco do vinho.
- Mesmo ele sendo essa criança, eu amo estar de volta. – sorriu. – Por mim eu teria voltado a muito tempo. A Inglaterra é legal, mas a França é a minha casa.
- O que você fazia lá? – Ele perguntou e ela bebeu um gole de vinho.
- Eu estudava, basicamente isso. Minha adolescência foi bem chata. – Ela riu. – Eu estudava em um colégio de freiras, era um saco.
- Você ia ser freira? – perguntou chocado.
Ele imaginava que fosse pecado, mas seria uma tristeza enorme uma mulher linda daquele jeito ser freira.
- Eu? Não, Deus me livre. Com todo respeito, claro. – Ela riu. – Eu só estudava lá.
- Ainda bem. – Ele deixou escapar e o encarou.
- Ainda bem? – Ela perguntou e sentiu seu rosto queimar.
- Não, nada. Pensei alto. – Ele respondeu sem graça e a princesa não conseguiu conter o sorriso.
- Me fale um pouco mais de você, sinto que lhe conheço tão pouco. – Falou finalizando a primeira jarra de vinho.
- O que você quer saber? – Perguntou e a garota deu de ombros.
- Sei lá, qual a sua cor preferida? – Perguntou curiosa.
- Laranja, como o pôr do sol. – Respondeu. – E a sua?
- Vermelho. – Ela respondeu. – Comida preferida?
- Carré de cordeiro. – Respondeu e a encarou.
- Torta de morango. – Ela sorriu servindo-se da segunda jarra de vinho.
Henry completamente encharcado chegou até eles.
- Vocês não vêm? Garanto que a água está uma delícia. – Ele disse apontando para o rio, que realmente estava convidativo.
- Eu não vou entrar de vestido no rio, Henry. – disse e ele deu de ombros.
- Pois tire, ué. – Ele respondeu e a irmã sentiu as bochechas corarem.
- Não, eu não posso. O está aqui. – Respondeu e Henry riu.
- Oras, mas vocês não são irmãos? – Ele perguntou como se fosse óbvio e sentiu como se tivesse levado um pequeno soco no estômago.
- Er, é. Ok. – Ela disse sem graça enquanto o irmão voltava para a água.
Respirou fundo e se virou para .
- Você pode desamarrar para mim, por favor? – Pediu se virando de costas para ele, o pegando completamente de surpresa.
Ainda um pouco atordoado pela pergunta de Henry, ele se aproximou dela e começou a desamarrar seu vestido, depois o corpete. O perfume de parecia invadir seus sentidos e, assim que o corpete caiu sobre ela, a deixando apenas de anágua, ele não se conteve e passou o indicador sobre a linha da coluna, sentindo-a se arrepiar instantaneamente. A princesa respirou fundo, sentia que a qualquer momento suas pernas perderiam a força. Assim que sentiu o dedo de descendo por suas costas, percebeu que seu corpo inteiro se arrepiou. Nenhum dos dois havia sentido algo parecido com aquilo antes, mas ansiavam por conhecer mais daquela sensação nova.
Um barulho vindo do lago os tirou do transe, sorriu para e desceu o degrau do coreto, mergulhando na água em seguida. O loiro ainda ficou parado alguns segundos tentando lembrar da sensação de seu dedo em contato com a pele da garota, era algo novo, mas que ele não desejava repelir. Queria e precisava sentir aquilo de novo. Ele se despiu e entrou na água, indo para mais perto dos três.
Um tempo depois, e estavam sozinhos. Henry e Amélie tinham ido dar uma volta e deixaram os dois ali. A princesa estava sentada em uma grande pedra na beira do rio, com as pernas dentro d’água e os olhos fechados. O silêncio era tanto que poderia se ouvir com perfeição uma espada ser sacada da bainha.
- Acho que esse é o meu segundo lugar preferido no palácio. – disse cortando o silêncio.
- E qual seria o primeiro? – perguntou ainda de olhos fechados.
- O estábulo. – Ele respondeu de prontidão.
- Gosto dos cavalos, mas existe um lugar melhor ainda. – Ela disse deixando o rapaz curioso. – Se bem que esse lugar aqui ganha fácil o segundo lugar.
- Qual? – Indagou olhando a princesa, que ficava mais bonita ainda a luz da lua.
Ela abriu os olhos e o encarou sorrindo.
- Quem sabe um dia eu te levo lá. – Deu de ombros. – Meu lugar preferido não pode ser compartilhado com qualquer um assim, seria um desrespeito.
- Alguém mais sabe desse lugar? – Indagou e ela negou.
- Nunca nem contei da existência do meu lugar preferido para alguém, sinta-se lisonjeado. – Ela respondeu e deu um mergulhando, ressurgindo logo em seguida com os cabelos lambidos para trás por conta da água.
- Pelo visto você tem mais segredos do que as pessoas imaginam. – constatou e ela sorriu. – Você sabe, as pessoas especulam, eu ouvi todo o tipo de coisa sobre você antes.
- Não pense que você escapou das especulações não, eu também ouvi várias histórias do mais novo príncipe da França. – Ela disse e o rapaz franziu a testa.
- Tipo? – Perguntou curioso.
- Extremamente galanteador, bonito, justo e dono de um coração gigante. – Ela disse levantando os dedos da mão a cada coisa que listava. – Um monte de adolescentes fechadas em um colégio de freiras, qualquer assunto virava quase um evento. – Ela riu. – E você, o que ouviu de mim?
- Dona de uma beleza estonteante, justa, metida, tem seis dedos nas mãos e nasceu sem um braço. – Ele respondeu e a princesa gargalhou verdadeiramente.
- Sem um braço? As pessoas realmente gostam de falar. – Ela disse. – Mas você também selecionou os piores, porque se for assim, já ouvi que você tem uma enorme verruga na barriga. – Ela falou descendo o olhar pelo abdômen do mesmo. – O que obviamente é uma mentira.
- Eu selecionei o mais verdadeiro de todos. – disse e ela arqueou uma sobrancelha. – Dona de uma beleza estonteante. – Respondeu sério e sentiu seu corpo inteiro queimar.
O rapaz se aproximou lentamente da princesa, que o olhava no fundo dos olhos. Assim que as costas dela se encontraram com a pedra, ele segurou sua mão, depositando um beijo demorado na mesma. nem ousava respirar, a proximidade repentina de já havia sido o suficiente para seu coração começar a bater completamente descompassado. Ela sentia o rapaz cada vez mais próximo, tanto que já podia sentir a respiração dele batendo nela.
O príncipe colocou uma das mãos em seu cabelo e encostou os lábios no dela. Os dois corações batiam acelerados e descompassados. sentia que a qualquer minuto seria obrigado a pegar seu órgão do chão, já podia jurar que estava tendo um ataque cardíaco. A sensação era completamente nova para ambos, mas parecia deliciá-los. Antes que pudessem aprofundar o beijo, um barulho vindo do castelo fez com que eles se separassem.
A princesa respirou fundo e agradeceu por estar na água, pois tinha plena certeza de que se estivesse em terra firme, as pernas teriam falhado imediatamente. O príncipe não estava muito diferente e apesar da explosão de sentimentos, sentia que pela primeira vez em muito tempo estava feliz.
Algumas pessoas começaram a sair do palácio e saiu da água, vestindo seu corpete e vestido de qualquer jeito. Ela sentiu as mãos de lhe ajudando a se vestir e sorriu. Assim que juntou suas coisas, se virou encarando os olhos azuis dele. Eles ouviram algumas vozes e selou rapidamente seus lábios nos do homem a sua frente, saindo disparada em direção ao castelo, entrando escondida de todos.
Assim que se viu em seus aposentos, a princesa se jogou na cama sentindo o corpo inteiro formigar. Levou a mão à boca e sorriu lembrando da sensação de ter os lábios de colados ao dela, mesmo que por pouco tempo. No rio, não estava muito diferente. Ele observou a princesa correr pelo jardim, até sumir de vista e então se jogou novamente na água, sentindo-se o homem mais feliz de toda a França.

****

No dia seguinte, acordou ainda acreditando que tudo não havia passado de um sonho, mas assim que viu a anágua molhada deixada no canto do quarto, sorriu. Ela entrou no banho preparado pela empregada e, enquanto a mesma esfregava suas costas, só conseguia pensar na noite anterior e no quanto queria que aquilo se repetisse. Já vestida e com o cabelo penteado, ela saiu do quarto indo em direção à sala de jantar, onde seus pais tomavam café.
- Bom dia. – Ela disse ao chegar na sala e se sentou ao lado de sua mãe.
- Bom dia, querida. – A rainha sorriu. – Você sumiu ontem na festa. Onde se meteu?
- Eu fiquei com uma dor de cabeça muito forte e fui me deitar. – Mentiu. – Porque? Vocês precisavam de mim?
- Não, só o Conde Benjamin que perguntou da noiva dele. – Lilian respondeu encarando , que sorriu amarelo.
Esquecera completamente do Conde, também pudera, um homem tão estapafúrdio como aquele.
- Onde está o resto dessa família? – Perguntou tentando mudar de assunto.
- Foram cavalgar juntos. – Olivier respondeu simplesmente e ela assentiu.
Estava mais ansiosa do que deveria para encontrar . Depois do café, foi dar uma volta pelo jardim e, logo avistou de longe ele e seu irmão passarem pelo portão principal. Seu coração disparou só de vê-lo e ela sorriu. Os dois seguiram para o estábulo e ela permaneceu pelo jardim, até ver Henry saindo desacompanhado. A princesa caminhou calmamente até lá, encontrando escovando uma égua cor de mel. Ele trabalhava distraidamente e não havia percebido a presença da garota.
- Então esse é o seu lugar preferido do palácio? – Ela perguntou e sorriu instantaneamente. Ele se virou, encontrando escorada em uma coluna, sorrindo para ele. Seu coração, que até um minuto atrás batia normalmente, agora parecia que ele tinha saído de um duelo de espadas com cem homens. A garota à sua frente não estava muito diferente, sentia as mãos tremendo e um frio na barriga, como se uma cavalaria estivesse tomando conta do espaço. – Oi, .
- Oi, . – Ele sorriu e a garota pensou que ele não podia ficar mais bonito. – E sim, esse é o meu lugar preferido. Não há nada melhor do que passar horas com eles. – Disse passando a mão no pescoço da égua que escovava.
olhou em volta e se aproximou do cavalo que estava ao seu lado, levando sua mão à crina do animal.
- Eu consigo entender o porquê de você gostar tanto daqui, tem uma paz. – Ela disse calmamente enquanto fazia carinho no animal.
- Se deixar eu passo horas dos meus dias aqui, só cuidando deles. – Ele disse voltando a escovar a égua.
- E qual deles é o seu preferido? – Ela perguntou e recebeu um olhar reprobatório do rapaz.
- Falando assim você os magoa. Não tem um preferido, mas o que eu tenho mais conexão. – Ele disse e ela riu. Ele a levou até um corcel negro, um dos cavalos mais belos que ela já tinha visto. Assim que o rapaz levantou sua mão, o cavalo se abaixou, como se reconhecesse . – Esse é o Apolo. – passou a mão pelo pescoço do cavalo, que parecia gostar do carinho.
- Ele é lindo. – Ela sorriu. – Por que é o que você tem mais conexão?
- Porque foi o primeiro que o pai me deu. – Ele sorriu olhando mais uma vez para o cavalo. – Foi o primeiro presente que ganhei dele depois de uma casa e uma família, então a nossa ligação é única, mas eu gosto de todos.
Eles ficaram por silêncio por alguns minutos. Nem um dos dois sabia exatamente como agir perto um do outro. Eram muitos sentimentos novos e muitas sensações diferentes.
Enquanto faziam carinho em Apolo, a mão de se encontrou com a de , o que gerou um pequeno arrepio em ambos. A garota sorriu e o olhou no fundo dos olhos. No dia anterior havia lhe dito que sua cor preferida era vermelha, mas tinha acabado de mudar de opinião. Não havia vermelho no mundo que pudesse competir com o azul dos olhos de .
se virou para frente, ficando ainda mais perto do garoto. Ela levou uma das mãos ao seu rosto e acariciou-o, fazendo com que ele fechasse os olhos, sentindo a respiração pesar. A mão dela passeava por todo seu rosto, até que a mesma contornou a boca dele, quando ele segurou sua mão e lhe deu um beijo na palma da mesma. Ela sorriu e ele se aproximou, selando os seus lábios no dela. E lá estava a maldita cavalaria fazendo a festa na barriga dos dois. desceu uma de suas mãos para a cintura da garota e a puxou para mais perto.
Alguns passos ali perto fizeram com que eles se separassem abruptamente e sentiu-se incomodada com a repentina distância entre eles. Henry entrou no estábulo e sorriu ao ver a irmã ali.
- Ei, não tinha te visto hoje. – Ele depositou um beijo em sua testa. – Tudo bem? Não te vi ontem depois que saí com a Amélie.
- Tudo certo. Nós ficamos nadando mais um pouco e depois fui dormir. Nada de anormal. – Ela respondeu e percebeu virar o rosto rindo.
- Eu ia procurar vocês, mas acabei ficando um pouco ocupado. – Ele disse coçando a cabeça e arrancou uma risada da irmã. ‘Ainda bem que não procurou’, pensou . – A mãe está chamando você, parece que é algum carregamento de vestidos que chegou. Não entendi direito, mas ela está na sala de convivência.
- Vou lá ver o que a majestade deseja. – Ela sorriu e beijou o rosto do irmão.
Se aproximou de e depositou um demorado beijo em sua bochecha, então saiu, o deixando com a maior cara de idiota do mundo e um formigamento estranho na região.

****

Sentada em um pequeno trono no campo de treinamento da Guarda Real Francesa, assistia seu irmão e em um duelo de espadas com os guardas reais, que estavam levando um banho dos dois príncipes, diga-se de passagem. Esse resultado já era esperado, os dois herdeiros da corte haviam sido criados dentro do mundo das batalhas, treinando para liderarem o exército caso algum inimigo resolvesse declarar guerra à França.
Henry era o primeiro na linha sucessória, e também o mais cobrado para estar em dia com a espada. Eles fizeram uma pequena pausa para tomar água e descansar, pois o sol da tarde castigava os dois e quem quer que estivesse debaixo dele. Quando voltaram, os guardas estavam recuados e o próximo duelo seria entre Henry e . Empunhando seus escudos com o brasão da família Le Roux, os dois combatentes se cumprimentaram e sacaram as espadas das bainhas, iniciando o confronto.
Henry era gracioso, seus movimentos pareciam friamente calculados e com certeza seriam letais se aquilo não fosse um treinamento. Já também possuía graça, mas era mais feroz, tão letal quanto seu irmão. tinha plena certeza de que os dois príncipes eram razão suficiente para os inimigos da corte francesa se manterem quietos. Afinal, será que alguém gostaria de enfrentar um dos dois em batalha? Os dois se enfrentaram por algum tempo, até Henry conseguir derrubar e apontar a espada para seu pescoço.
- Mais uma para mim, . – Henry disse jogando sua espada de lado e esticando a mão para o irmão caído no chão. – Precisa prestar mais atenção, anda sonhando acordado. Pode falar, o que foi? É mulher?
- Mulher? – perguntou rindo. – Não, claro que não.
- Sei. – O irmão disse desconfiado. – Eu lhe conheço, é mulher sim. Vamos, diga-me quem é a lady que anda lhe deixando tão distraído?
- Já disse que não existe lady nenhuma, só estou distraído por nada. – Disse dando de ombros e bebendo um gole de água.
- Posso saber o que vocês estão discutindo? não aceitou a derrota ou Henry está insuportável com a sua vitória? – perguntou se aproximando dos irmãos. – Acertei?
- Nada disso. Eu só estava perguntando ao quem é a lady que anda o deixando tão distraído. – Henry disse e a garota sorriu.
- E então, quem é a sortuda que anda sondando os pensamentos de um dos herdeiros do trono francês? – Perguntou arrancando uma risada do loiro estonteantemente lindo à sua frente.
Eles entraram na sala onde os soldados guardavam seus escudos e armaduras.
- Ele disse que não há ninguém, mas eu acho que está mentindo. – Seu irmão disse e encarou o rapaz que sondava seus pensamentos nos últimos dias. – De mulher eu entendo e tem dedo feminino nessa distração. Aliás, o dedo não, um corpo inteiro.
- Você pode entender de mulher, Henry, mas não de distrações. – O loiro piscou e arrancou uma risada do irmão.
- Se você diz. – Ele disse tirando jogando sua armadura em cima da grande pilha e saindo da sala, deixando e sozinhos.
- Eu daria um saco de francos franceses para saber quem é a mulher que anda causando tamanha distração em você, Alteza. – Ela disse encarando o rapaz, que se aproximou lentamente de seu ouvido.
- É só se olhar no espelho. – Ele sussurrou e beijou a bochecha da princesa, que se encontrava levemente corada.
não sabia o que era, mas algo no príncipe fazia com que ela não conseguisse raciocinar direito.
- Aparentemente os cochichos que eu ouvia na Inglaterra são verdadeiros. – Ela falou se aproximando dele. – Extremamente galanteador, de fato.
A princesa sorriu. Nunca havia sentido algo parecido, mas estava adorando.
- Lhe juro que sou cortejador de uma única mulher. – Ele piscou.
- Já que é assim, acho que você está merecendo uma recompensa por tanta fidelidade. – Ela sorriu. – A fim de conhecer meu local preferido do palácio? – Ele assentiu. – Então me espere na entrada da ala norte hoje à noite. – se aproximou do príncipe, beijando-lhe o canto da boca. – Te espero lá, Alteza.
A princesa saiu da sala, deixando e seu coração acelerado para trás.
Os corredores do palácio estavam completamente vazios e andava por eles carregando uma vela consigo. Assim que chegou na ala norte encontrou encostado na parede lhe esperando.
- Pronto para conhecer o melhor lugar de todos? – Ela perguntou quando chegou perto e ele assentiu. Seguiram em silêncio pelo corredor, até chegarem em um canto tão escondido que o príncipe podia jurar que nunca havia visto. A princesa subiu as escadas e abriu um alçapão no teto, se impulsionando para cima. Ela voltou a aparecer no buraco aberto e sorriu. – Vem! – O rapaz fez o mesmo caminho e logo percebeu que estavam em uma espécie de terraço.
Ele fechou o alçapão e caminhou até o parapeito, onde já estava escorada. Dali dava para observar todo o jardim do palácio e boa parte do reino. observava os pequenos pontos de luz ao longe e estava encantado. Passara anos no palácio e nunca encontrara aquele lugar tão único, enquanto a princesa no pouco tempo que havia morado ali, provavelmente já havia o frequentado diversas vezes.
- Tudo bem, a senhorita venceu. O seu lugar é infinitamente melhor que o meu. – Ele disse ainda encantado e ouviu a risada da garota ao seu lado.
- Eu disse que era melhor que o estábulo. – Ela suspirou observando o reino ao longe. – Sinto muito pelos cavalos, mas olha essa vista. Poucos lugares no mundo são mais bonitos que aqui.
- Você está sempre se escondendo por aqui? – O príncipe perguntou e ela o encarou.
- Sempre que possível, principalmente nos dias que estou com vontade de sumir. Eu fico aqui por horas, só vendo a vida passar. – Ela deu de ombros. – Daqui de cima tudo parece menor, inclusive os problemas. – concordou com a cabeça e se virou para encará-la.
estava ainda mais bonita, se é que isso era possível. Talvez ele estivesse sucumbindo a loucura? O pensamento lhe atravessava a mente algumas vezes, mas achava que uma sensação tão gostosa como aquela não poderia ser loucura. Se fosse, ele desejava que ela tomasse conta de todo o seu ser.
A princesa desviou o olhar da cidade e encarou o rapaz ao seu lado. Lá estavam os malditos olhos azuis que insistiam em tirá-la de órbita. Ela nem tentava mais resistir, já tinha desistido de reprimir a grande cavalgada da cavalaria que aquele olhar lhe provocava.
- Eu imagino que você deva ouvir isso de todo mundo, mas és extremamente bela, Alteza. – disse um pouco sem graça, arrancando um sorriso da princesa em seguida.
sentiu suas bochechas corarem, mas não desviou o olhar dele.
- Eu até ouço, mas nenhum com essa intensidade. – Ela respondeu. – Vossa Alteza também é um pedaço do céu na terra e garanto que deixa milhares de damas suspirando ao vento quando passa.
Ela sentiu a mão dele em seu rosto e fechou os olhos, curtindo a sensação gostosa que o toque provocava. sentia as suas mãos trêmulas, de modo que se empunhasse uma espada no momento, esta tremelicaria mais do que uma folha da bananeira em dias de vento forte. Ele se aproximou lentamente do rosto da princesa e passou seu nariz pela bochecha dela, sentindo-a se arrepiar. Então sorriu e, sentindo o coração acelerar, colou seus lábios no dela, iniciando um beijo calmo.
‘Finalmente’, pensaram juntos.
A explosão de pensamentos que tomava os dois herdeiros da coroa francesa era algo inédito. Talvez puro demais para corações perversos, mas ali, na inocência de dois jovens, não havia espaço para outros sentimentos se não os que aceleravam os corações, tremulavam as mãos, bambeavam as pernas. Pararam o beijo lentamente e encarou o rapaz a sua frente, ainda completamente atordoada pelas diversas de sensações diferentes que ele lhe provocava.
- Se antes eu já me sentia hipnotizado, agora estou completamente preso a você. – murmurou e a garota sorriu.
Sentia-se igual, como se alguma corrente invisível a ligasse ao loiro exuberante à sua frente. O príncipe lhe envolveu em um abraço apertado e ela fechou os olhos. sabia que nunca tinha sentido tamanha felicidade tanto quanto sentia naquele momento estando nos braços de . Os dedos dela faziam desenhos abstratos nas suas costas e o rapaz se entorpecia com o cheiro que emanava do cabelo dela. Ao sentir novamente os lábios dela nos seus, ele levou uma de suas mãos ao seu pescoço, puxando-a mais para perto. Qualquer distância entre eles, por mínima que fosse, parecia enorme demais.
Mais tarde, a princesa precisou entrar. Se a sua camareira chegasse no quarto e não a encontrasse, seria um desastre para os dois. Despediu-se com um beijo profundo e sumiu pelo mesmo alçapão que chegara. esperou algum tempo por ali, contemplando a vista e sentindo-se o cara mais sortudo de todo o reino.

****

A mesa da sala de jantar tinha as 40 cadeiras ocupadas com membros da realeza e da corte francesa se deliciando com um maravilhoso jantar oferecido pelo rei. Apesar do número de pessoas ali, o príncipe só tinha olhos para uma pessoa, a princesa que estava sentada algumas cadeiras à sua frente. , com toda a sua graça, com certeza era a mulher mais bonita dali. As condessas e baronesas não chegavam nem aos seus pés.
O príncipe suspirou ao vê-la dando risada de algo que o Conde Benjamin falara. Ah, o Conde... Se antes o rapaz já não lhe descia, agora então não conseguia nem olhar na cara. e se encontravam as escondidas pelo palácio a quase dois meses e ele ainda não tinha aprendido a vê-la com o Conde e não sentir um incômodo na boca do estômago. Do outro lado da mesa, a princesa se forçava a rir das histórias entediantes de Benjamin e sentia o olhar do príncipe em cima dela. bebeu mais um gole de seu vinho e se virou, encontrando o par de olhos azuis que ela mais amava no mundo. Ela sorriu e logo desviou seu olhar para o Conde, que falava de sua última caçada.
- Está distraída, querida. – O Conde disse chamando-lhe a atenção. – Aconteceu algo?
- Eu? Ah, desculpe-me, Conde. – Ela sorriu. – Não aconteceu nada.
- Tem certeza? – Ele insistiu e ela assentiu com a cabeça. – Bom, como eu estava lhe dizendo, eu estava andando pela mata quando avistei... – já não prestava mais atenção na conversa perdidamente tediosa de seu noivo.
Noivo.
O simples pensar naquela palavra lhe embrulhava o estômago. Ela não podia prever o futuro, mas tinha certeza de que não se casaria com o Conde. Nem que para isso fosse necessário enfrentar a guilhotina.
Uma cena lhe tirou de seus pensamentos, conversava animadamente com uma bela mulher dos cabelos cor de fogo. Ela sorria e tinha uma de suas mãos apoiadas no braço do rapaz, que parecia ouvi-la com atenção. encarou o pai, que assistia a mesma conversa que ela, e conversava com um senhor que tinha os cabelos na mesma cor da garota. Ela não tinha dúvidas, eram pai e filha. O rei apontou para o casal conversando animadamente e o ruivo concordou veemente. semicerrou os olhos e sentiu seu peito queimar quando a mulher começou a fazer carinho pelo braço de . Deu mais um gole em seu vinho e comeu um pedaço da carne de pato, que estava incrivelmente saborosa. Ela olhava para todos os cantos da sala, menos na direção do príncipe.
ouvia atentamente a conversa da mulher à sua frente, enquanto sentia ela passar a mão por seu braço. O seu toque não lhe provocava nada, nem um comichão, diferentemente se fosse ali, pois já estaria arrepiado dos pés à cabeça. E por falar na princesa, esta nem se atrevia a olhar para o lado dos dois, o que o incomodava um pouco. Ele não queria nenhuma outra mulher ali, muito menos a ruiva à sua frente, que não era feia, muito pelo contrário, mas não era .
Quando o jantar terminou, a princesa agradeceu mentalmente. As pessoas foram se dispersando e o Conde lhe convidou para dar uma volta nos jardins, o qual ela aceitou de prontidão. Qualquer coisa era melhor do que ficar ali observando a conversa de com a mulher dos cabelos ruivos. Eles se levantaram e sentiu o olhar do príncipe em si, mas não se virou.
No jardim, ela e o Conde andavam lado a lado em um completo silêncio. A única coisa que podia ser ouvida por ali, era o barulho dos sapatos em contato com o solo.
- , farei uma curta viagem à Alemanha em nome de seu pai, para nos alinharmos com a corte de lá. – Benjamin cortou o silêncio. – Quando voltar, quero pedir ao seu pai para marcamos a data do casamento.
- O que? Mas por quê? Tão rápido assim? – Ela perguntou chocada. – Quero dizer, ainda é cedo Conde. Nós somos muito jovens.
- E por que esperar mais se podemos começar nossa vida agora? – O Conde perguntou se aproximando dela. – Eu não vejo a hora de estar casado com você. Ah, , não há nenhuma mulher no reino que eu deseje mais do que você. – Ele se inclinou para beijá-la, mas ela virou o rosto e ele depositou um beijo em suas bochechas. – Desculpe. – Ele disse sem graça e ficaram em silêncio por mais algum tempo. – Bom, vou indo então. Quando voltar da Alemanha voltamos nesse assunto.
- Boa viagem, Conde. – Ela desejou e ele beijou sua mão.
Ele começou a se afastar em direção às carruagens na entrada do palácio. seguiu para dentro e, se escondendo de todos como sempre, seguiu para a torre norte, chegando ao terraço logo em seguida.
Ela se escorou no parapeito e ficou observando as carruagens saindo do palácio. A noite não estava fria, mas uma pequena brisa pairava sobre ela, fazendo-a se arrepiar. Ouviu a porta do alçapão ser aberta, mas continuou observando as carruagens, quando sentiu um par de braços rodear sua cintura e a puxar de encontro ao corpo de seu dono. Ela não disse nada, apenas sentiu alguns beijos serem distribuídos por sua nuca e pescoço.
- Você sumiu. – A voz rouca de chegou ao seu ouvido e ela se arrepiou.
- A Vossa Alteza que estava muito entretido na conversa com a mulher ao seu lado. – Ela disse deixando transparecer seu ciúme e o príncipe riu.
- Deixe de bobagens. – Pediu e levou a boca ao ouvido dela. – Não há outra mulher no reino que eu queira além da que se encontra bem aqui na minha frente.
se virou, e logo seus lábios já estavam grudados nos dele. Para , ela não precisava sentir ciúme. Ele estava ali com ela e não desejava estar nos braços de nenhuma outra, mas saber que ela sentia ciúme dele lhe causava uma sensação boa. Era ótimo saber que ela não queria o ver com outras, pois ele também não tinha o mínimo interesse em vê-la com o Conde ou qualquer que fosse o homem. Queria a princesa ali, do seu lado e em seus braços.
deu alguns passos para trás, encostando-se no parapeito e puxou para mais perto de si.
- Eu não sei você, mas eu poderia passar o resto da noite assim. – Ela disse quando cortaram o beijo e ele sorriu. O príncipe sentia que podia passar o resto de seus dias assim que não reclamaria. Ele encostou suas testas e começou a acariciar o rosto dela, depois desceu sua boca para o pescoço, depositando alguns beijos por ali. – ? – chamou-o após algum tempo em silêncio e ele resmungou algo em resposta, enquanto ainda beijava o pescoço da garota. – Benjamin falou em casamento hoje. – Ela disse incerta e os beijos em seu pescoço cessaram na hora.
O príncipe permanecia em silêncio e ela começou a acariciar seus cabelos.
- E o que você disse? – Ele finalmente perguntou após alguns minutos em silêncio.
- Que temos muito tempo, então podemos ir com calma. – Respondeu sincera e o príncipe respirou fundo, voltando a beijar seu pescoço. – Eu preciso arranjar uma maneira de terminar esse noivado de uma vez. O Conde está cada vez mais impaciente. – Ela rolou os olhos. – Hoje ele até tentou me beijar. – Ela disse se arrependendo em seguida.
‘Merda’, pensou.
Os beijos voltaram a cessar e o príncipe continuava em silêncio. sentia o peito queimar de ciúme de e desejava, agora mais do que nunca, socar a cara do Conde.
Algum tempo depois ele tirou o rosto do pescoço da princesa e a beijou. Esse era mais urgente, mais raivoso, de tirar o fôlego, e ela não ousaria interromper. Quando cortaram o beijo, ele a olhou sério e passou a mão por seu rosto, tentando aliviar a tensão que era visível. Ele fechou os olhos e beijou a mão da princesa.
- Eu não deixei. – disse calmamente e ele abriu os olhos para encará-la, sem entender do que ela estava falando. – O Conde. Eu não deixei ele me beijar.
Ela explicou e o príncipe sentiu um alívio descomunal. Ele sorriu, aqueles lábios ainda eram dele.
- Você não cansa de me surpreender? – Perguntou a olhando nos olhos e ela sorriu.
- Ainda há muito que você não sabe sobre mim, . – Ela respondeu acariciando seus cabelos.
- Mas quero conhecer cada mistério seu, Alteza.

****

A densa mata dos arredores do reino já era muito bem conhecida por , que fazia aquele caminho de duas à três vezes na semana, mas estava achando tudo muito curioso. Tinham passado por um vilarejo onde os moradores lhes olharam como se fossem duas alucinações, mas também pudera, dois herdeiros do trono francês passeando em meio à plebe? Era surreal.
De repente, a princesa se viu de frente para um cemitério. Olhou confusa para , que sorriu e lhe esticou uma mão, a qual ela segurou sem hesitar.
- Quero te mostrar uma pessoa muito especial. – Ele disse indo em direção à entrada do cemitério. Caminharam por entre diversas lápides, até o rapaz se ajoelhar em frente a uma delas, onde ela leu ‘Aurélie Durand’. Ele encarou a garota, que tinha uma expressão confusa e sorriu. – É a minha mãe.
A expressão da princesa mudou em um instante. Não esperava por aquilo. Seu coração se encheu de ternura e ela se abaixou, ficando na altura dele.
- Durand? – Ela perguntou o olhando e ele assentiu. – É lindo.
Ficaram em silêncio por alguns minutos, enquanto fazia carinho nos cabelos do príncipe.
- Você é a primeira que trago aqui. – Ele disse e a encarou. – Eu jurei que só traria aqui a mulher que fosse especial.
- Eu, especial? – perguntou boba e ele assentiu.
- Acho que você não tem noção nenhuma do quanto. – Ele disse e ela sorriu verdadeiramente.
Sentia seu coração pulsar quase na garganta. A quem queria esconder? também era especial, o mais especial de todos.
- Você também é especial. – Ela disse acariciando seu rosto. – Muito.
Completou antes de ter seus lábios grudados nos do loiro à sua frente.
- Ela gostava de você. – Ele falou enquanto abraçava a garota e ela o olhou confusa.
- Como assim? – Perguntou com o cenho franzido.
- Ela dizia que você era a criança mais linda em que ela já tinha posto os olhos. – Respondeu. – Já o menino é magrelo demais. – Ele fez uma voz imitando sua mãe e arrancou uma risada da princesa. – Imagina se ela soubesse que um dia o filho dela teria a princesa mais bonita de toda a corte nos seus braços?
- Ela com certeza diria que eu tirei a sorte grande. – respondeu e selou seus lábios no do rapaz.
Estava feliz, como nunca estivera antes, e sabia que esse sentimento bom tinha nome e sobrenome: Le Roux, ou Durand, como preferissem.
Eles foram atingidos por alguns pingos d’água, que logo engrossaram. Ele segurou a mão da princesa e correu com ela até um casebre abandonado ali perto. O príncipe abriu a porta e eles entraram. O casebre estava empoeirado e parecia abandonado a um bom tempo, pois não tinha nenhum sinal de vida recente. bateu as mãos no colchão de uma espécie de cama que tinha ali e se sentou, sendo acompanhada por .
- Obrigada. – A princesa disse depois de algum tempo em silêncio.
- Pelo que? – Perguntou o loiro um pouco confuso.
- Por confiar tanto em mim para me trazer aqui. – Ela respondeu e entrelaçou seus dedos no dele. – Eu imagino o quanto isso deva ser importante para você.
Ela sorriu e ele acariciou seu rosto.
- Eu quero te levar para conhecer muitos outros lugares ao meu lado. – Ele disse e depositou um beijo rápido em seus lábios.
Eles deram início a um beijo calmo. As mãos do rapaz foram para a cintura dela, enquanto as dela se alternavam entre sua nuca e peitoral. As nuvens cada vez mais pesadas fizeram o ambiente se escurecer cada vez mais e, em um determinado momento, mesmo que fosse de tarde, o casebre estava escuro como o começo da noite. Sem cortar o beijo, deitou delicadamente no colchão e colocou uma perna de cada lado de seu corpo.
O beijo tomou outra forma e agora parecia mais rápido, quase desesperado. As mãos dele percorriam por todo o corpo dela, querendo conhecer cada pedacinho do mesmo. Ele foi trilhando um caminho de beijos passando por seu maxilar até o pescoço, onde dedicou alguns minutos a depositar beijos e pequenas mordidas, que tiravam a sanidade de aos poucos. Ela passou sua mão por debaixo da camiseta branca e encostou sua mão gelada na barriga dele, fazendo com que ele se arrepiasse com seus dedos frios tocando sua pele quente.
Quando as mãos de tocaram as amarras do vestido, juntou a sanidade que ainda lhe restava e cortou o beijo. A respiração descompassada dos dois entregava que ambos estavam assustados com a intensidade daqueles toques. encarou a garota a sua frente e respirou fundo, procurando se acalmar. A primeira vez de merecia muito mais do que um casebre sujo e ele estava disposto a esperar para que acontecesse.

****

- Eu vou sentir falta disso. – falou olhando para o seu corpo colado no de , que sorriu. – Se eu pudesse, deixava o Henry ir sozinho.
Ele disse fazendo referência a pequena viagem que fariam para uma cidade vizinha.
- Não seja maldoso, príncipe. – Ela disse sorrindo. – Eu estarei aqui quando você voltar. Não vou a lugar algum, prometo.
- Olha que eu cobrarei, hein? – Ele disse brincalhão e ela riu. – E que nenhum Conde se engrace para cima de você.
- Benjamin está viajando também, não corre esse risco. – Ela piscou, recebendo um beijo do rapaz em seguida. – Mas eu espero que nenhuma lady se atreva a tentar lhe conquistar.
- Eu sou homem de uma mulher só, . – Ele respondeu. – E eu já a encontrei. - Finalizou, fazendo-a sorrir e selando seus lábios nos dela.
- Então só me resta desejar-lhe boa viagem. – Ela sorriu. – E que você volte logo para os meus braços. – Ela beijou seu rosto. – Correndo, de preferência.
- Virei mais rápido que o Apolo no campo. – Ele respondeu e deu um último beijo na princesa.
desceu do terraço, e um pouco depois ela fez o mesmo caminho, indo em direção à entrada do palácio, onde o rei e a rainha se despediam de seus filhos.
- Achei que não viria se despedir de mim. – Henry disse quando viu a irmã se aproximar e ela sorriu.
- Você não se livraria de mim assim tão fácil. – Ela disse rindo e abraçou o irmão. – Boa viagem, meu irmão. Volte logo.
- Antes que você perceba, estarei de volta enchendo-lhe as favas. – Ele piscou e ela riu.
- Pensando bem, fique por lá mesmo. – Ela respondeu séria e ele beijou sua testa. parou em sua frente e ela sorriu. – Boa viagem.
Ela disse e ele sorriu, a puxando para um abraço. Logo os dois estavam instalados na carruagem e saíram pelo portão principal.

Os dias sem passaram-se absurdamente lentos, tanto que a princesa estava surpresa de que havia passado apenas uma semana e não um mês. Quando a cavalaria passou pelo portão principal do castelo, o seu coração quase saiu pela boca. acompanhava tudo do terraço e sorriu ao ver os cabelos loiros de se esvoaçarem no vento. Ele e Henry cumprimentaram os seus pais e cada um seguiu para um lado.
desceu para o estábulo e desceu do terraço, indo na mesma direção. Chegou na porta do mesmo e pode vê-lo acariciando Apolo, o que a fez sorrir. Seu olhar se encontrou com o dela, arrancando um suspiro da garota. soltou o cavalo e caminhou até ela, passando os braços por sua cintura e beijando-lhe rapidamente nos lábios.
- Bem-vindo de volta. – Ela disse abraçando-o.
- Senti sua falta. – Ele murmurou e ela sorriu.
- Eu também. – Respondeu selando seus lábios no dele.
Era uma sensação muito boa, misturada com a saudade que sentiam um do outro.
Um estrondo fez com que os dois se assustassem e cortassem o beijo, encontrando um Henry completamente chocado na entrada do estábulo. O coração de parou por um segundo antes de voltar a bater completamente disparado, mas dessa vez não era por conta de .
Ela se desvencilhou dos braços do loiro e olhou para Henry ainda completamente assustado.
- Que disparate é esse? – Perguntou finalmente achando sua voz.
Ele estava completamente chocado olhando para seus dois irmãos aos beijos. Com certeza era a pior cena que via em toda a sua vida.
- A gente pode te explicar. – disse nervosa.
- Explicar o que? Vocês são irmãos! – Ele ralhou e viu a irmã respirar fundo.
- Não, não somos. Nós não fomos criados juntos, Henry. – Ela se aproximou mais dele. – Eu nunca o vi como um irmão.
- Meu Deus, isso está muito errado. – Ele disse ainda chocado e sentiu a mão dela no seu braço.
- Errado porque? – Perguntou o encarando. – Nós não temos o mesmo sangue e nem fomos criados como irmãos. Não há nada que nos impeça.
- E o Conde? – Indagou finalmente se lembrando do noivo de sua irmã.
- Você realmente acha que eu vou me casar com o Benjamin? – Ela o encarou. – A gente não tem nada a ver, Henry. Fomos prometidos um ao outro aos seis anos e não nos vimos por dez anos.
encarou o irmão que estava em silêncio, parecia pensativo demais para o seu gosto. Já Henry tentava assimilar o que estava se passando ali. Os seus dois irmãos tinham um caso e por mais que tenham lhe explicado, ele os via como irmãos, pois foram criados assim.
- Por favor, você tem que prometer não contar a ninguém. Eu preciso achar um jeito de terminar meu compromisso com o Conde antes. – A princesa pediu.
- E você, não tem nada para falar? – Perguntou encarando seu irmão.
De fato, não tinha nada a ver com os Le Roux. Enquanto todos eles possuíam cabelos escuros e olhos mais escuros ainda, o homem à sua frente era loiro, com olhos tão azuis quanto a a água do mar ou o céu em dias ensolarados.
- O que você quer que eu fale? – O loiro perguntou encarando o irmão.
- Eu sei lá, qualquer coisa, se defende, se explica. Eu só quero entender. – Henry disse nervoso.
- Não acho que algo que eu fale vai te acalmar ou te fazer entender. – deu de ombros. – Você se lembra quando você se apaixonou pela Condessa de Artois? – Ele assentiu. – Você me disse que não sabia explicar o que sentia, que parecia resultado de feitiçaria porque ela te dava arrepios só de te olhar. Pois bem, Henry, é a mesma coisa com a . – Ele olhou para a princesa parada perto deles e sorriu. – Eu tenho certeza que essa mulher me enfeitiçou, porque é impossível ser natural todos esses sentimentos que eu tenho por ela. – Ele finalizou e sorriu.
Henry ficou alguns minutos em silêncio, então se virou para a irmã.
- Eu não entendo, mas não vou falar nada. – Disse e recebeu um abraço da princesa.
- Obrigada. – Ela disse e beijou sua bochecha. – Você é o melhor irmão do mundo.
- E pelo visto sou o único também, não é? – Ele perguntou encarando e eles caíram na risada. Henry se aproximou de e o encarou sério. – Você a trate bem ou se não eu mesmo lhe queimo as mãos com ferro na brasa.
- Eu não tenho nenhuma intenção de magoá-la. – O loiro respondeu e o príncipe se deu por convencido.

****

Com o passar dos dias, Henry parecia estar mais maleável quanto ao relacionamento dos dois. Por isso, assim que o pai anunciou que a Duquesa Tessa de Wessex estava chegando para conhecer e, provavelmente, ser prometida em casamento a ele, soube que a irmã não gostaria nada daquela história. O loiro olhava chocado para o pai, ele não queria casar, pelo menos não com a Duquesa.
- Casar, pai? Não acha que eu sou muito novo para isso? – Perguntou tentando não transpassar todo seu descontentamento em sua voz.
- Vocês não precisam se casar nesse exato momento, mas é bom deixarmos tudo encaminhado. – O rei disse. – já está encaminhada com o Conde, você logo estará acertado com a Duquesa e então só faltará Henry, o qual já estou providenciando.
- E quando ela vem? – Perguntou.
- Ela chega para participar do baile na sexta. – Olivier respondeu e o filho assentiu.
saiu da sala do trono acompanhado do seu irmão, que o encarou assim que o pai não podia mais os ver.
- Você sabe muito bem quem não vai gostar nada dessa ideia, não é? – Ele perguntou e o loiro assentiu.
Sabia muito bem que detestaria a noticia tanto quanto ele. Seguiu para o estábulo para desestressar, afinal, cuidar os cavalos sempre o acalmava. Queria encontrar a princesa antes que o rei lhe contasse a grande novidade, mas ela estava ocupada com provas e mais provas de vestidos para o baile de sexta. Passou a mão na crina de Apolo e respirou fundo.
- É meu amigo, estou encurralado igual um soldado no campo inimigo. – Ele disse para o cavalo e riu de si mesmo.
Mais tarde, depois de já ter cuidado dos cavalos, caminhava pensativo pelo jardim, quando encontrou , que sorriu assim que o viu.
- Olá. – Ela disse caminhando até ele e selando seus lábios. – Tudo bem? Você está um pouco estranho.
- Tudo bem sim. – Ele respondeu a abraçando. – É só uma coisa que tenho que lhe contar que está me incomodando.
- O que foi? – Ela perguntou de forma doce, enquanto eles adentravam cada vez mais no jardim para não correrem risco de serem vistos. – É tão sério assim?
- Seu pai convidou a Duquesa de Wessex para o baile de sexta. – Ele respondeu e ela franziu o cenho. O que tinha de tão grave nisso? – Para ser prometida em casamento a mim. – Ele finalizou e ela entendeu. Merda. respirou fundo e passou seus braços pelo pescoço de , o abraçando forte. – Não vai falar nada?
- Eu preciso? – Perguntou com a voz um pouco embargada, o que fez com que o coração do rapaz de apertasse.
- Ei, pode ficar tranquila. Eu não tenho interesse nenhum nela. – Ele disse para a garota em seus braços a fazendo sorrir.
- Eu sei, . Eu confio em você, mas não confio nela. – A princesa disse o encarando.
- Pois fique tranquila, eu só tenho interesse em ser seu. – Ele beijou-lhe os lábios. – E uma promessa de casamento não quer dizer nada, é só ver você e o Conde.
Ele disse arrancando uma risada dela.

A semana passou rápida, e na sexta-feira o palácio se encontrava lotado por conta do baile. Eram costureiros, maquiadores, cozinheiros, servos e muitos mais. já havia passado pelo primeiro desgosto do dia, quando ela e seus pais receberam a Duquesa de Wessex. Tinha que confessar que Tessa era lindíssima e que seu estômago embrulhara quando ela fora apresentada para e os dois saíram para dar uma volta nos jardins. A princesa tinha então passado o dia tentando não pensar nos dois juntos, se concentrando em relaxar para o baile, afinal, era dela que gostava e pretendente nenhuma poderia tinha como competir com isso.
tomou seu banho com ajuda de sua empregada, que lhe ajudou a vestir os trajes íntimos, a anágua, apertou seu corpete e o vestido. Depois de arrumar a maquiagem e o cabelo, ela parou em frente ao espelho se observando. A princesa usava um vestido que era bordado em bege no busto e a saia vinho feita com um tecido esvoaçante. Seus cabelos estavam presos em um coque com trança, e sua coroa real contrastava com o colar e os anéis que usava.
Saiu do quarto acompanhada de sua dama de companhia e seguiu até o salão, onde quase 3000 pessoas dançavam, apreciavam a música, comiam, conversavam e etc. Assim que entrou, sentiu alguns olhares em cima de si e saiu cumprimentando as pessoas mais importantes que via. Barões, Condes, Duques, Viscondes e Marqueses. Assim que avistou seu irmão, se desvencilhou das pessoas e seguiu até ele.
- É o que dizem, as princesas nascem para matar. – Ele disse a rodando e ela riu.
- Aparentemente príncipes também. – Ela disse o olhando de cima a baixo. – Com certeza todos os corpos femininos desse salão estão lhe desejando.
- Isso já é um hábito. – Ele piscou fazendo a irmã rir e a abraçou.
Continuaram conversando por algum tempo até aparecer de braços dados com a Duquesa. Henry sentiu a irmã estremecer ao seu lado e a abraçou. O salão inteiro parecia ter parado para assistir o casal que se dirigia ao centro para uma dança. tentava não demonstrar nenhuma reação negativa, mas estava quase impossível. segurou a Duquesa pela cintura e a levantou, sendo aquilo a gota d’água para ela, que se enfiou no meio dos convidados, tentando sair dali. Quando estava quase chegando à porta, deu de cara com o Conde Benjamin.
- Conde? – Indagou confusa. – Você não estava viajando para a Alemanha?
- Olá, . – Beijou-lhe a mão. – Eu estava, mas acabei adiantando meu retorno quando soube do baile. Acontece que a senhorita se traja ainda mais bela nos bailes oferecidos por seu pai.
- Muito gentil, como sempre, Benjamin. – Ela sorriu.
Estava tão desesperada para sair dali que até o Conde serviria de companhia.
- A senhorita que é digna de todos os elogios. – Ele disse lhe estendendo o braço, o qual ela entrelaçou ao seu.
Infelizmente, para o seu desespero, o Conde lhe levou para dentro do salão, parando em um lugar com vista privilegiada para a dança. rolou os olhos, aquilo só podia ser brincadeira. Quando o show de horrores, como ela classificara, terminou o salão explodiu em palmas para o casal, que sorria. Uma música lenta se iniciou e diversos casais começaram a dançar por ali.
O Conde conduziu a princesa até o meio e colocou uma de suas mãos em sua cintura, já ela passou um de seus braços pelo pescoço dele e segurou sua outra mão, movendo-se lentamente pelo salão. Os olhares estavam todos neles, aquele casal dançando era o mais poderoso de todo o baile e ninguém se atreveria a discordar. Bem, exceto por , que sentia seu peito queimar com a cena.

Horas mais tarde, o salão já havia se esvaziado bastante e conversava animadamente com a mãe, tentando ignorar a Duquesa de Wessex que, claramente, tinha esquecido todos e quaisquer modos em casa. Ou talvez fosse apenas o ciúme dela falando mais alto, pois nenhuma outra pessoa no salão parecia se incomodar com a cena.
A princesa se serviu de mais um pouco de vinho e virou-se bem a tempo de ver Tessa colar seus lábios nos de . Ela bem que tentou disfarçar, mas os olhos marejados a entregariam a qualquer um que visse a cena. O rei Olivier sorria satisfeito ao ver seu filho se dando tão bem com a futura noiva que havia lhe arrumado, mas não imaginava que fazendo tal, estava quebrando o coração de sua filha.
Como o baile já estava no fim, se apressou em passar pelas pessoas, indo direto para seu quarto. Definitivamente, aquele não era o seu dia. Deitou-se na cama fechando os olhos para descansar, mas tudo que lhe vinha à mente era a imagem da Duquesa beijando . Talvez tivesse exagerado no vinho e estava tendo alucinações, o que achava improvável, mas era melhor estar enlouquecendo, do que aceitar aquela cena.
Um bom tempo depois, quando provavelmente o baile havia acabado, pois ela já não conseguia ouvia a música vinda do salão, ouviu duas batidas na porta. Levantou-se confusa pelo horário e assim que abriu, deu de cara com o par de olhos azuis mais bonitos de todo o reino, quiçá do mundo. estava parado à sua porta, empunhando seu sorriso mais bonito e esperando, de todo seu coração, que não tivesse ficado brava pelo beijo.
A princesa olhou os dois lados do corredor, certificando-se que ninguém estava ali, e atacou os lábios dele, o puxando para dentro de seu quarto. Ela levou sua mão ao cabelo de , puxando-o levemente. O rapaz caminhou com ela até a cama, deitando-se com uma perna de cada lado de seu corpo. Seus beijos eram urgentes e ávidos, como se o tempo deles estivesse acabando e aquele fosse seu último beijo. A mão de desceu pelo peito dele, desamarrando a camisa branca que o loiro usava, jogando-a em qualquer canto do quarto. Ela desceu seus beijos por todo seu peitoral, fazendo com que ele se arrepiasse.
Sentados na cama, ela ajudou a desamarrar seu vestido, depois o corpete e logo também já não trajava mais sua anágua. Ele parou alguns minutos para apreciá-la e sorriu, não entendia como, mas a garota conseguia ser ainda mais bonita estando do jeito como veio ao mundo. Ele afundou o rosto no pescoço dela, beijando-o com veemência, o que fazia o corpo dela se arrepiar por completo.
- Eu te amo. – Ela sussurrou em meio à suspiros.
então percebeu que nunca tinha estado tão feliz quanto naquele momento. Ele sorriu e encostou sua testa na dela, acariciando seu rosto. Uma de suas mãos arranhava suas costas e a outra puxava seus cabelos. Ele suspirou, soltando um pequeno gemido de prazer e a olhou nos olhos.
- Eu te amo. – Disse.
sentiu-se no paraíso.
Olhando no fundo daqueles olhos azuis que tanto amava, sentiu, pela primeira vez, que tinha achado o que sempre quis. Ela finalmente tinha se apaixonado. Nos braços de , ela vivia o seu tórrido amor, que lhe deixava com as pernas bambas, o coração falho e os pulmões sem ar.
Ela encostou seus lábios no dele, sentindo-se completamente diferente. Amava e era amada, e a sensação não podia ser melhor. A medida que os beijos foram ficando mais urgentes, as últimas peças de roupas que ainda restavam entre eles foram sendo jogadas para fora da cama.
Suas mãos percorriam todo o corpo de , assim como as dele percorriam o seu e assim que seus dedos tocaram sua intimidade, ela se contorceu de prazer. Quando atingiram o ápice, deitou-se sobre o peito dele, que lhe beijou a testa. Ficaram em silêncio por algum tempo, apenas curtindo a proximidade de seus corpos e absorvendo tudo que havia acabado de acontecer.
Após mais algum tempo, pegou no queixo de , fazendo com que ela lhe olhasse nos olhos, e lhe deu um beijo rápido.
- Le Roux. – Ele chamou e ela sorriu. – Quer se casar comigo?
A pergunta a pegou completamente de surpresa. Sentiu seu coração disparar mais uma vez e sorriu, já sabendo a resposta antes mesmo que ele perguntasse.
- Se mil vezes me perguntasse, mil vezes eu diria que sim. – Respondeu.
sorriu, aliviado e, ao mesmo tempo, completamente feliz.

****

acordou com uma gritaria absurda, parecendo que a banda real tocava trompete dentro da sua cabeça, mas assim que abriu os olhos desejou que realmente fosse a banda.
A porta de seu quarto estava escancarada, seus pais olhavam em sua direção com os olhos arregalados e, atrás deles, o Conde Benjamin parecia a ponto de explodir. Merda, mil vezes merda.
- QUE POUCA VERGONHA É ESSA? – O Conde perguntou, achando sua voz. – EU ACHEI QUE VOCÊ ERA UMA MOÇA DIREITA, .
- e Le Roux, vocês querem fazer o favor de explicar que brincadeira de mal gosto é essa aqui? – O rei perguntou, sentindo seu sangue ferver.
A garota nunca havia visto o pai tão bravo.
- Pai, eu... – Começou a se explicar, mas calou-se.
Não tinha nenhuma explicação. Nem ela conseguia entender o que os dois sentiam, quanto mais explicar a alguém que com certeza não estava a fim de ouvir.
- Meu Deus, meus dois filhos. – Lilian disse os olhando com reprovação. – Por Deus, vocês são irmãos.
- Não, mãe. Nós não somos. – disse e ela o encarou como se pedisse uma explicação. – Nós não fomos criados juntos, nunca tínhamos nos visto até quatro meses atrás e então, quando nos conhecemos, algo surgiu entre a gente. – Fez uma pausa. – Eu não sei lhe explicar como e nem porque, mas nós nos apaixonamos.
- APAIXONARAM-SE? VOCÊ NÃO TEM VERGONHA DE DIZER UM ABSURDO DESSES? – O rei esbravejou. – VOCÊS SÃO IRMÃOS SIM! SÃO NOSSOS FILHOS, ASSIM COMO O HENRY.
- Pai, por favor, não é melhor se acalmar? – Henry perguntou chegando ao quarto. – Vamos ouvir o que eles têm a dizer.
- Você sabia disso? – Olivier perguntou ao filho, que abaixou a cabeça, para o espanto do pai. – Eu não posso acreditar que você sabia de uma história estapafúrdia dessa e não interviu.
- Eu também achei errado. Quando eu vi, fiquei louco. – Ele respondeu. – Mas conforme eles foram me explicando, mesmo eu ainda não entendendo, consegui compreender e respeitar. – Ele respirou fundo e olhou o casal. – De fato, eles nunca tiveram nenhum contato como irmãos e também não têm o mesmo sangue, sendo assim, o que estão fazendo não é errado.
- E como você acha que o povo vai reagir? – Lilian perguntou ao filho. – Dois herdeiros do trono juntos, como amantes?
- E a Duquesa, meu filho? – Olivier perguntou à . – Ontem parecia que vocês tinham se dado tão bem. Até comentei com sua mãe que esse casamento seria uma honra para nós.
- Eu só fui educado com ela, mas sem a menor intenção de passar disso. Sem contar que a todo momento meu pensamento estava na e em como ela estava se sentindo tendo que nos ver ali. – Ele respondeu, sendo o mais sincero que conseguia.
- Isso é absurdo demais para a minha cabeça. Não é possível. – O rei disse ainda inconformado.
Olivier não conseguia compreender como aquilo tinha acontecido. Sabia que os dois não haviam sido criados como irmãos, mas eram seus filhos e, na sua concepção, aquilo era muito estranho.
- Para que se importar com que o povo vai dizer, meu pai? – Henry perguntou. – Teríamos que nos preocupar se fosse algo relacionado ao reino, mas não é. Se trata apenas dos dois.
- Ainda sim, seríamos uma família difamada. – Lilian suspirou. – Sem contar que sua irmã está noiva!
apoiou o rosto nas mãos e respirou fundo. Não conseguia acreditar que aquilo estava realmente acontecendo, não agora que tudo estava indo tão bem.
- Pois é. E quanto a minha pessoa, ? O que pretendia fazer? – O Conde perguntou a encarando.
- Benjamin, eu sei que o que fizemos não foi certo, mas eu estava procurando uma forma de acabar com nosso compromisso.
- Seja sincera, a senhorita alguma fez teve a intenção de se casar comigo? – Olhou-a nos olhos e respirou fundo vendo-a negar com a cabeça.
- Não. – Respondeu.
- Eu não posso acreditar que me deixou fazer um papel de idiota por todo esse tempo. – Ele disse bravo. – Pois terminasse o compromisso, se lhe era tão incômodo.
Benjamin rolou os olhos. Sentia-se completamente traído e enganado pela mulher que deveria ser sua um dia.
- Conde, eu espero que possa nos perdoar um dia. – A rainha disse o encarando. – Eu não sei nem o que lhe falar.
Antes que Benjamin pudesse responder, a Duquesa de Wessex apareceu no quarto, arregalando os olhos assim que viu a cena.
- Será que alguém pode ter a decência de me explicar o que está acontecendo aqui? – Ela pediu. – ? Vocês não são irmãos?
- De novo, não. – disse rolando os olhos.
Já estava cansada de perguntarem a mesma coisa. Não. Ela e não eram irmãos e nunca foram.
- Não. Nunca fomos criados juntos, vivemos separados desde crianças. – Ele respondeu.
- Por isso você recusou meu beijo? – O príncipe assentiu e ela respirou fundo.
- Desculpe, Tessa, mas você merece alguém que goste de você de verdade. – Ele disse baixo. – E esse alguém não sou eu.
- Nos desculpe por isso, Duquesa. – O rei disse caminhando até ela. – Eu juro que não sabia de nada. Até porque, se soubesse não deixaria que esse vexame acontecer.
- Tudo bem, Majestade. – Ela sorriu. – Eu só lhe peço que me deixe ficar por aqui pelo tempo previsto, mesmo que eu não vá ter mais nenhum compromisso com seu filho.
- Pois fique o tempo que precisar. – Olivier responder. – Será sempre muito bem-vinda.
- Agradecida, Majestade. – Ela respondeu. – Agora, se me dão licença, não tenho mais o que fazer aqui.
- Duquesa, se me permite, queria pedir um favor. – O rei pediu e ela assentiu. – Por favor, não conte a ninguém o que viu aqui.
- Não se preocupe, não tenho essa intenção.
A Duquesa saiu do quarto e um silêncio incômodo parou por ali. Além de Henry, e , nenhum dos outros conseguia se conformar com aquilo.
- Pai? – chamou após algum tempo de silêncio e recebeu um olhar magoado.
- Eu nem consigo olhar para você agora. – O rei respondeu já saindo do quarto acompanhado de sua esposa.
A princesa sentiu seu coração se apertar e os olhos marejarem. Nunca pensou que um dia receberia um olhar tão decepcionado de seu pai, mas não tinha culpa, ninguém tinha. Não conseguia explicar o amor que sentia por , mas era o mais puro e verdadeiro possível, não tinha como aquilo ser errado.
O príncipe percebeu que ela estava angustiada e a abraçou, depositando um pequeno beijo em sua bochecha.
- Não fique assim, ele vai acabar entendendo. – Ele disse baixo e ela o encarou.
- Será que vai? – Indagou preocupada e assentiu.
- Eu não teria essa certeza, . – O Conde disse e ela o encarou. – Filhos incestuosos, que vergonha para o rei.
- Quantas vezes eu preciso repetir que não é incesto? Que nós não somos irmãos? Que não fomos criados juntos? – Ela perguntou, com raiva. – Por Deus, já estou farta dessas acusações.
- Uma espurca como você não deveria tocar no nome de Deus. – Ele ralhou e ela o encarou incrédula com o que acabara de ouvir.
- Como é? Espurca? – Perguntou ainda confusa.
- Sim, uma espurca, suja, sórdida. Pode escolher o que acha que lhe cai bem. – Respondeu raivoso.
- Conde, por favor, não falte com respeito comigo. – disse séria.
- Se deitas com seu irmão e vem falar em respeito? – O Conde perguntou sugestivo.
No segundo seguinte, ele já estava no chão, devido ao soco que lhe acertara no rosto.
- VOCÊ NÃO OUSE FALAR ASSIM COM ELA. – Ele bradou. – Nunca fui com essa tua cara, agora vejo que tinha razão.
O príncipe partiu para cima do Conde mais uma vez, acertando-lhe mais alguns socos. olhava tudo aquilo completamente assustada, enquanto Henry tentava separá-los.
- , pare. – Pediu puxando-o sem sucesso. – Você vai matá-lo!
- Não diga que não o mereces. – O loiro respondeu entre dentes.
- Ele merece, quem não merece manchar suas mãos é você. – Disse tentando acalmar o irmão.
parecia que nem tinha ouvido as palavras de Henry, pois ele e o Conde continuavam trocando socos. Na verdade, Benjamin mais apanhava do que conseguia fazer algum mal ao príncipe.
- , por favor, pare. – pediu e ele respirou fundo, saindo de cima de um Conde com a cara sangrando.
A princesa tocou seu braço e ele se virou, a abraçando em seguida. Ela passava a mão por seus cabelos tentando fazer com que ele se acalmasse. Benjamin se levantou com dificuldade e gemeu um pouco ao se manter de pé.
- Vocês se merecem. – Disse ao ver os dois se beijarem.
O Conde rolou os olhos e saiu dali. Seu rosto pingava sangue e o corpo doía como se tivesse sido atropelado por uma carroça. Sentia seu coração queimar, mas não era de ciúme, era de raiva. Os dois tinham lhe feito de idiota e ele odiava fazer esse papel, então caminhou em passos largos até o quarto da Duquesa de Wessex, tinha muitas ideias em mentes e ela poderia ser de muita ajuda. Uma coisa era certa, ele se vingaria.

****

e caminhavam em direção à sala do trono sentindo seus corpos tremerem de nervosismo. Já havia se passado uma semana do dia em que foram pegos por seus pais e, desde então, haviam sido ignorados completamente pelos dois. A única pessoa que falava com eles era Henry, que tentava fazer uma ponte com os pais, mas o rei e a rainha estavam irredutíveis. Assim que a presença deles foi anunciada, encontraram seus pais nos tronos. Caminharam silenciosamente até eles e fizeram a reverência.
- Meus filhos. – O rei chamou e eles o encararam. – Nós pensamos muito sobre tudo que aconteceu e, confesso, ainda não entendemos e talvez nunca entenderemos o que se passa com vocês. – Ele respirou fundo. – Porém agora conseguimos entender que, de fato, vocês não tinham motivos para se considerarem irmãos, não sendo essa uma relação incestuosa.
- Ainda é difícil pensar em vocês desse jeito, como duas pessoas que se amam como homem e mulher, mas estamos tentando. – Lilian disse e eles assentiram. – E é em nome dessa tentativa e do amor incondicional que sentimos por vocês que damos nossa benção para essa relação.
sentiu que seu coração poderia parar a qualquer momento. Era bom demais para ser verdade. não estava diferente, sentia-se completamente aliviado e eufórico. Finalmente poderiam ficar juntos.
- Mas há uma condição. – Olivier disse. – Vocês devem se casar o mais rápido possível. Muitas pessoas viram a cena de vocês dois e isso pode afetar a honra de .
- É só isso? – perguntou sem acreditar.
Aquela era a condição? Já queria casar-se com sem condição nenhuma, não precisava daquilo.
- A resposta é sim! – A princesa disse com convicção e sorriu, entrelaçando sua mão na dele.
O rei e a rainha se olharam sorrindo. Se tinham alguma dúvida se estavam fazendo o certo, ao ver a felicidade dos dois, com certeza mudaram de ideia. Eles desceram dos tronos e os abraçaram.

Quase duas semanas depois, e estavam à véspera de seu casamento. Os convites enviados, convidados chegando de todas as partes do mundo para o casamento relâmpago de dois herdeiros do trono francês.
Não se falava em outra coisa, a não ser nos dois. Desde que anunciado, com certeza era o casamento mais esperado e comentado dentre todos que aquele povo já havia visto. Muitas mulheres invejavam a princesa, afinal, além de herdeira também estava casando com o par de olhos azuis mais bonito do reino? Talvez fosse um pouco injusto com as plebeias.
também era invejado. Não só havia sido adotado pela realeza, como agora se consolidava, de uma vez por todas, como herdeiro, afinal, se alguém não o considerava príncipe antes, agora teria que considerar. Os dois sentiam que estavam vivendo um sonho, principalmente com o casamento a apenas um dia de distância. Logo seriam um só.

****

Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
- Carlos Drummond de Andrade.



e eram o casal mais feliz de todo o reino e acreditavam que nada poderia tirar-lhes essa felicidade. Ledo engano.
Ali dentro do castelo, duas pessoas amarguradas planejavam os últimos detalhes de sua vingança. Tessa, a Duquesa de Wessex e Benjamin, Conde de Borgonha, haviam encontrado um no outro o consolo para a traição do príncipe e da princesa. Com duas mentes deturpadas, que escondiam muito bem de todos, os dois juntaram sua raiva, formando um combo letal.

Flashback.

O Conde rolou os olhos e saiu dali. Seu rosto pingava sangue e o corpo doía como se tivesse sido atropelado por uma carroça. Sentia seu coração queimar, mas não era de ciúme, era de raiva. Os dois tinham lhe feito de idiota e ele odiava fazer esse papel, então caminhou em passos largos até o quarto da Duquesa de Wessex, tinha muitas ideias em mentes e ela poderia ser de muita ajuda. Uma coisa era certa, ele se vingaria.
A Duquesa abriu a porta, se assustando com o estado do Conde à sua frente. Ela o puxou para dentro e ele foi até a cama mancando. Seus músculos doíam, mas sua raiva era tanta que nem se importava. Não seria feito de bobo. Não por e . Se a princesa não fosse dele, não seria de mais ninguém.
- Por Deus, o que aconteceu com você? – Tessa perguntou molhando um pano na água.
- O idiota do , é claro. – Ele bufou e gemeu baixo quando ela encostou o pano em seus machucados. – Como se não bastasse o papel de idiota que me fez passar.
- E eu então? – Ela soltou uma risada sem graça. – Vim de tão longe para encontrar o cara para quem seria prometida na cama com a própria irmã.
- Pelo menos não é prometida a ele desde os seis anos.
- Ok, você venceu. – Ela continuou limpando os ferimentos dele. – Não sei como ela pôde fazer isso com você. – Suspirou. – O eu entendo, nem nos conhecemos, mas a ?
- É uma mulher da vida! – Esbravejou. – Mas não posso negar que sou encantado por ela.
- Você a ama? – A Duquesa perguntou e o Conde respirou fundo.
- Não. – Respondeu. – Acho que é um sentimento diferente, mas não é amor. Algo perto de uma posse. – Passou a mão pelos cabelos. – Desde criança eu achava que iria casar com ela. Na minha mente, sempre foi minha.
- E ela nunca se sentiu assim, não é? – Benjamin assentiu.
- Isso não importa mais. Tenho outras coisas em mente. – Ele olhou para a mulher à sua frente. – E gostaria muito que você me ajudasse.
- Eu? – Ela perguntou sem entender e ele assentiu. – E eu posso saber o que é que você anda pensando?
- A Duquesa já parou para pensar em como seremos motivo de chacota se eles ficarem juntos? – Perguntou. – Nós dois. Os idiotas da corte francesa. – Ele se aproximou dela. – Mas nós podemos nos livrar disso.
- Como? – Ela perguntou, interessada. – O que você propor, eu estou dentro.
- Já ouviu falar em ‘cicuta’? – Indagou e ela negou.
- É um veneno, poderoso, feito a partir do arbusto europeu. – Ele sorriu maligno. – Matou pessoas ilustres, como Sócrates, e agora pode adicionar os dois herdeiros do trono francês em sua lista.
Por alguns segundos, a Duquesa não esboçou reação nenhuma, mas logo sorriu, tão maligna quanto o Conde e selou seus lábios no dele. Era um sim.


Fim do flashback.

Na noite anterior ao casamento, aproveitando o horário do jantar, Tessa e Benjamin caminharam calmamente pelos corredores do castelo até os aposentos da princesa. Abriram a porta sem fazer muito barulho e logo encontraram duas jarras, uma com água e outra com vinho. Despejaram o líquido de pequenos vidrinhos nas duas vasilhas e se encararam sorrindo.
- May the royalty rest in peace. – A Duquesa disse em inglês e o Conde sorriu.
Os dois saíram calmamente dali e fugiram do palácio por uma passagem que conseguiram encontrar. Mais à frente, alguns servos de Benjamin os esperavam com uma carruagem e então partiram, desejando ver o estrago que haviam feito.

já estava em seus trajes de dormir, quando entrou em seu quarto, beijando-a. Suas mãos a puxaram pela cintura, puxando-a para mais perto dele. Logo a camisa dele já havia voado para algum canto do quarto, e a camisola dela fazia o mesmo caminho.
A princesa sentia seu corpo pegar fogo a cada toque do rapaz e tinha plena convicção: era dele. Le Roux era inteiramente de Le Roux Durand, de corpo, alma e coração. Assim que atingiram o ápice, o corpo dela caiu cansado sobre o dele e ela deitou na cama.
Depois que as batidas do coração foram normalizadas, ela se levantou, vestindo suas roupas. Caminhou até as jarras que estavam em seu quarto e serviu água em duas taças, entregando uma a . Ela terminou de beber e voltou a taça no lugar onde encontrara. O rapaz se serviu de mais um pouco e guardou a taça, indo pegar suas roupas pelo quarto.
Quando terminou de vestir a última peça, sentiu um mal-estar, caindo no chão em seguida. tentou ajudá-lo, mas também caiu, pois não conseguia controlar seus músculos. Os seus corpos formigavam e a cabeça dos dois doía como se estivesse sendo esmagada por uma pedra. A princesa se arrastou até o rapaz, que se contorcia de dor. sentia como se mil espadas estivessem sendo fincadas nele ao mesmo tempo. Nem o toque de , que lhe era sempre bem-vindo, ajudou. A dor era excruciante.
- O que está acontecendo conosco? – Ela perguntou fraca e respirou fundo.
Até o ar parecia estar mais espesso e difícil de respirar.
- Veneno. – Ele respondeu em um murmuro.
Os olhos da garota estavam cheios de lágrimas e logo elas escorriam livremente por seu rosto. Não sabia o que era pior, saber que estava sendo envenenada e iria morrer, ou saber que estava sendo envenenado e iria morrer.
O príncipe já quase não conseguia falar e respirar também era um problema. Estava quase paralisado, mas virou seu rosto para , a mulher mais linda que já conhecera em toda sua vida. Sentiu seu coração se apertar, mas não sabia se era pelo veneno ou pelas lágrimas presentes nos olhos de sua amada.
- Eu te amo. – sussurrou.
sentiu seus olhos se encherem ainda mais. Já estava quase sem força, mas ouvira muito bem a declaração do rapaz.
- Eu também te amo. – Ela respondeu, olhando no fundo dos olhos dele.
Os olhos do rapaz já não tinham o tom de azul que ela tanto gostava. Estavam cada vez mais escuros. O príncipe deu um último suspiro e, olhando nos olhos da mulher que amava, morreu. soltou um grito de dor extremamente baixo, não tinha forças e nem fôlego para gritar, mas a dor do veneno era o de menos, perto de ter visto os olhos de se apagarem.
Os olhos azuis que ela tanto amava já não brilhavam mais.
Segundos depois, com a cabeça deitada no colo de seu amado, sentiu o mundo ficar cada vez mais distante e soltou um último suspiro.
e Le Roux Durand estavam mortos.



Epílogo

e morreram em uma noite de sexta-feira, em julho de 1581. Dez anos depois, a França ainda não havia conseguido superar a morte precoce de dois de três dos herdeiros de seu trono. O rei Olivier e a rainha Lilian entraram em uma depressão profunda, então Henry foi obrigado a se casar, assumindo o trono logo após a renúncia de seu pai.
E se você está se perguntando sobre os assassinos, o Conde Benjamin e a Duquesa Tessa foram capturados pela guarda francesa alguns dias após o acontecimento, pois uma empregada havia visto os dois saindo aos beijos do quarto da princesa. Os dois foram sentenciados à morte e perderam suas cabeças na semana seguinte.
O rei Henry II caminhou pelo jardim do castelo até chegar à frente de uma lápide. Ele sentiu o coração apertar, como todas as vezes que passava por ali. Mesmo depois de tanto tempo, ainda não conseguia acreditar que seus dois irmãos estavam mortos.

Le Roux Durand
15 de setembro de 1563 – 29 de julho de 1581

Le Roux Durand
25 de outubro de 1561 – 29 de julho de 1581


Suspirou observando os nomes na mesma lápide. Como e morreram às vésperas de seu casamento, os pais decidiram homenageá-los e enterrá-los juntos, dando à filha o nome de casada que teria após o mesmo.
Henry sorriu triste, sentindo algumas lágrimas escorrerem por seu rosto. Nunca conseguiu se acostumar e tinha plena certeza de que nunca se conformaria. Ainda se lembrava da sensação horrível que lhe tomara o corpo quando entrou no quarto de sua irmã e a encontrou caída no chão, apoiada no corpo de . Ambos mortos. Os olhos da princesa tinham lágrimas nos cantos e suas mãos estavam entrelaçadas.
Sentiu uma pequena mãozinha limpando suas lágrimas e sorriu, abaixando o olhar para sua pequena filha. Ouviu alguns passos e se virou, vendo sua mulher, Léonore, se aproximar com seu filho no colo. Ela colocou o menino no chão e caminhou até ele, o envolvendo em um abraço apertado.
- De novo por aqui? – Sorriu doce, encarando os olhos tristes do marido.
- Sempre que sinto saudades.
- Você vem aqui todos os dias. – Ela beijou seu rosto e sorriu.
As crianças começaram a correr e eles os olharam, rindo.
- Ei, crianças, não corram. – Henry pediu e eles o olharam sapeca.
- Mamãe não me pega. – Gritou a menina e saiu correndo, acompanhada de seu irmão.
- Ah, seus pestinhas, vou pegar vocês. – Léonore saiu correndo atrás dos filhos, que riam enquanto corriam. – , , voltem aqui.
Henry sorriu, assim como sorria todas as vezes que ouvia o nome de seus filhos.
Aquela foi a forma que ele encontrou de homenagear duas pessoas tão importantes que haviam passado por sua vida e que ele amava até hoje. Olhou mais uma vez para a lápide e sorriu, correndo atrás de sua mulher e os filhos.

Quando se fala de amor, muitas pessoas pensam em Romeu e Julieta. Agora você, meu caro leitor, sabe que existiu um casal na França, que se amou tanto quanto eles. amou , tanto quanto Romeu amou Julieta, e vice-versa. Não fiques triste, a vida é feita de tragédias e nós só estamos de passagem. Então, enquanto você passa por aqui, por favor, nunca se esqueça de e , e da sua história de amor.

Avec amour, votre Altesse.


FIM



Nota da autora: Olá, altezas. Antes de mais nada, essa fanfic é a realização de um desejo de anos. Sempre quis escrever uma história de época, mas nunca tive coragem. Porém, quando tive essa ideia, só consegui pensar em escrever assim. Espero que tenha conseguido!
No mais, queria dizer que essa história tem um lugar especial no meu coração. Foi escrita em três dias (amém, férias), mas com muita dedicação e amor.
Espero que gostem e se emocionem tanto quanto eu.
Deixem um comentário para me fazer feliz. <3
Beijinhos, xx.

Outras Fanfics:
Change Your Ticket [One Direction - Em Andamento]
Little Do You Know [Outros – Finalizada]
Troublemaker [Restritas – Finalizada]


Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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