CAPÍTULOS: [Prólogo] [01]





A Vingança de Stella



Última atualização: 27005/2017

Prólogo


Stella estava acuada, todos aqueles olhares curiosos e debochados sobre si lhe deixava angustiada. Como fora tão estúpida? Por que havia acreditado nele? Certo, ela nunca fora a garota mais bonita do colégio, pelo contrário, nunca fora notada por ninguém além dos seus melhores amigos – Joanna e Filipe – e que, infelizmente, havia caído nos encantos do bonitão do colégio. Como foi tão estúpida? E agora estava ali, em meio às cobras, sendo ridicularizada por ele e seus amiguinhos estúpidos. E tudo por vingança, vingança por Stella ter publicado no jornal do colégio que o time do qual – o bonitão citado – fazia parte, não estava em sua melhor fase e que, possivelmente, esse seria um fim para o time do colégio, que há tanto tempo era invicto e que era quem estava afundando-o, como um péssimo capitão; era a verdade, mas, aparentemente, aquilo fora um insulto para ele.
E como vingança, ele resolvera usá-la, fingir-se de garoto tristonho que não se sentia ofendido, mas que precisava de ajuda e depois de conquistá-la, levá-la para a cama, agora estava ali, em meio ao colégio inteiro, humilhando-a.
- Vê como é maravilhoso sentir-se humilhada, Stella? – o sorriso debochado dele lhe causava ânsia agora. – Isso foi o que eu senti quando você resolveu publicar em seu jornalzinho de merda que eu estou afundando o time, que porra você tem nessa sua cabecinha, Stella? – os olhos arregalados e marejados da garota eram como um troféu dourado e imenso para , ele adorou. – Aqui está um aviso: te usei? Sim, eu te usei, te usei como um aviso para todos deste lugar! – as veias de seu pescoço saltaram, e Stella quis vomitar. – Não importa o que façam para mim, eu sempre me vingarei mil vezes pior, entenderam? Enquanto eu estiver nesse lugar, quem manda aqui, sou eu.
Não, você não manda em nada, Stella quis dizer, mas tudo o que conseguia naquele instante era chorar.
- Você não é dono do mundo, . – ela murmurou, e prontamente ele lhe encarou. – Você é um monstro. – sua voz trêmula não abalara o coração gélido do garoto a sua frente.
- Isso é música para os meus ouvidos, Stella. – ele riu, seguidos de seus amiguinhos ridículos e acéfalos.
E naquele segundo, Stella teve certeza.
Certeza de que nada daquilo seria em vão.
Ela acabaria com a vida de .




Capítulo 1


Sempre ouvi dizer que em Nova Iorque tudo acontece. Literalmente. Tudo o que você possa imaginar, ao colocar os pés nesse lugar, simplesmente acontece. Bom, estou prestes a descobrir se isso é realmente verídico, até porque, eu nunca fui uma pessoa de sorte, então, se isso for verdade, penso que minha sorte venha a mudar daqui em diante.
Para começarmos esclarecidamente essa história, contarei o motivo de eu estar me mudando para cá. Meus pais se separaram há dois meses, e não, não precisam ficar tristes por mim, foi até um alivio. Não que eu deseje o mal deles, por favor, mas eles brigavam dia e noite, noite e dia. E o motivo era sempre o mesmo; nunca terem tempo um para o outro, visto que ambos são médicos e quando um estava de folga, o outro estava em plantão, e assim sucessivamente. Trágico? Noventa e nove vírgula nove por cento sim, só para ser bem exata.
De qualquer maneira, cá estou eu, em Nova Iorque, a espera de um táxi que me leve até a minha mais nova residência, ao lado do meu pai. É, eu escolhi ficar com ele, não tenho muita paciência para as regras chatas da minha mãe – a amo muito, mas suportá-la é outra coisa, não me peçam coisas impossíveis, pessoal.
- Ah, qual é, porque é tão difícil pedir um táxi, pai? – resmunguei alto, recebendo um revirar de olhos do homem ao meu lado, Max . Cá entre nós, um homem lindo, belos pares de olhos castanhos claros, malhado, cabelos loiros em plenos cinquentões e o cabelo continua intacto, bela genética, não? Eu que o diga.
- , eu estou tentando, por que você não faz um esforcinho também? – ele se virou para mim, cruzando os braços e deixando a mostra seus bíceps. Quem diria, meu pai se parece mais com um irmão.
- Porque a tarefa de chamar um táxi é sua? – o questionei totalmente irônica. Ele riu, revirando novamente os olhos. – Vai logo, pai, estou com fome, sono e louca para conhecer minha casa nova e, já deixando claro, se eu não gostar, você vai comprar outra. E caso eu também não goste da vizinhança, também nos mudaremos.
E novamente ele riu, porque ele sempre achava graça em tudo o que eu falava, apesar de estar realmente falando séria. Não sou mimada, muito longe, mas não é nada legal ter uma casa desconfortável e uma vizinhança chata.
Depois de mais alguns minutos – que para mim pareceram séculos – meu pai finalmente conseguiu chamar um táxi, colocamos as malas no porta-malas, e seguimos para o nosso novo endereço. Ao chegar, notei que era um condomínio de casas, fechado e cheio de segurança. Ótimo, me sentiria numa prisão. Começo a pensar se ter vindo morar com o meu pai foi uma boa ideia, talvez não tenha sido.
- Condomínio, sério, pai? – reclamei assim que coloquei os pés para fora do táxi, notei que o motorista riu, não entendi qual era a graça.
- Mal chegamos e você já está reclamando, ? – ele retrucou, recebendo a ajuda do motorista para tirar as malas e colocar sobre a calçada da minha nova residência.
Até que era apresentável. Ok, a casa era bem bonita.
Olhei ao redor, notando que o lugar era calmo, sem muitas pessoas por ali, aparentemente era aquele típico condomínio que você assiste em séries e filmes, coisa bem fresca mesmo, e isso me apavorava.
De qualquer modo, o que me chamou a atenção foi um grupo de garotos na casa de frente a minha. Um deles tinha uma bola de futebol em mãos, e seus olhos – assim como os de seus outros parceiros – estava sobre a minha casa. Ah, curiosos. A vizinha do lado – uma senhora idosa – também estava de olho. Ótimo, um condomínio cheio de vizinhos curiosos e provavelmente, fofoqueiros.
- Você tem um gosto horrível para escolher coisas, pai, da próxima vez quem escolherá nossa casa serei eu. – logo avisei, entrando na casa. Não, eu não ofereci ajuda ao meu pai com as malas, oras, se ele conseguia levantar barras e mais barras de pesos na academia, também conseguiria trazer as malas.
O lugar era realmente grande e bonito. Totalmente branco e bem decorado. Esse era o lado bom de comprar casas em condomínios por aqui, a maioria das casas já vem decorada, tenho certeza que meu pai especificou que queria muito um ambiente iluminado e branco – mania de médicos, querer tudo branco.
- Obrigada pela ajuda, garotos, já que minha querida filha não se importa em me ajudar, ao menos existem almas boas que pensam nisso por ela. – ouvi os resmungos do meu pai e virei-me, dando de cara com o grupo de garotos que há pouco estava na casa da frente.
- Imagina, senhor , sempre que precisar, é só dar um ligue. – imediatamente meu rosto se contorceu em uma careta.
- Dar um ligue? – resmunguei, todos os olhares se direcionaram para mim. Cruzei os braços, querendo rir, me olhavam como se eu fosse um ser de outro planeta. – Essas são as gírias que os nova-iorquinos usam? Que horror. – não pude segurar a risada entalada na garganta, que se dane.
E adivinhem? Senti que aquilo chateou os pobres corações dos seres a minha frente.
- Desculpe por isso, pessoal, minha filha não usa um filtro de boas maneiras na boca. – e lá vinha o pai chato e controlador para cima de mim. No way, papi.
- Sem problemas, senhor , tenho certeza que ela não disse isso de uma maneira maldosa. – aqueles pares de olhos verdes sobre mim me diziam o contrário, sentia certa ironia e rancor em seu tom. – De onde vocês estão vindo?
- Inglaterra, Londres, na verdade. – meu pai respondeu por mim. – Novamente eu agradeço pela ajuda, garotos, vejo que vocês jogam futebol, me lembrei dos meus velhos tempos.
Ah, que delicia, meu pai tinha resolvido socializar com aqueles caras estranhos?
- Ah, sim, jogamos no time da escola, senhor, é o capitão. – um deles apontou para o garoto de olhos verdes. Seu nome era , então.
- Se quiser, podemos jogar qualquer dia desses no campo do condomínio, senhor. – o tal insistiu, recebendo um sorriso animado do meu pai.
Revirei os olhos e dei as costas para aquela cena patética.
- Me chamem de Max, apenas, e sim, eu adoraria garotos.
Foi a última coisa na qual prestei atenção antes de entrar na enorme cozinha planejada da casa, tinha até televisão, sempre sonhei com isso. Minha antiga casa era maior, sim, mas não era tão bonita quanto essa, e os planos de ter uma televisão na cozinha nunca foram concretizados por culpa da minha mãe, segundo ela, aquilo era totalmente desnecessário.
- Ei, soube que você vai estudar no meu colégio. – virei-me e dei de cara com o tal , até que ele é bonitinho, mas definitivamente, eu não havia ido de cara com ele e seus outros colegas.
- Que maravilha, não é mesmo? – respondi sem muita animação. Ele percebeu, dando um sorriso torto. – Aposto que soube disso graças ao meu pai que não sabe segurar a língua.
- Você é bem diferente, para uma inglesa, sabe, normalmente são mais educados.
Eu soltei aquela típica risada forçada e totalmente sem graça. Porque era isso que ele era; sem graça.
- Não sou inglesa, lindinho. – soltei risonha, notando que a última palavra soou como um insulto a , já que seu rosto se contorceu.
- De qualquer maneira, ficarei honrado em lhe apresentar o colégio. – suas mãos foram parar nos bolsos dá calça jeans que usava, e aparentemente ele havia ignorado meu ataque de mal humor. – Sabe, dar as boas vindas.
- Oh, que gentil da sua parte, por que será que algo me diz que nem tudo o que sai da sua boca é verdadeiro, ?
Seu rosto ficou iluminado por algo que ele pensou, e aquilo não me agradou muito.
- Você é realmente diferente, é esperta, aprecio muito garotas assim.
Ele riu e me deu as costas. Tipo, assim, do nada ele me deixou sozinha sem entender o real sentido daquela frase. Resolvi ignorar, mal havia chegado naquele lugar e já não havido ido de cara com os vizinhos. Pelo o que vejo, o meu ano promete.

A lua já estava sob o céu, e eu exausta. Já havia organizado minhas roupas no closet é colocado uns forros na cama para dormir, depois de comer uma pizza enorme com o meu pai, só queria me enfiar nas cobertas e dormir o quanto eu pudesse. Amanhã preciso aparecer no colégio para pegar meus horários e alguns livros e em seguida, poderia assistir algumas aulas. Isso não me agradava, mas meu pai fora inteligente demais em já deixar adiantado tudo para o meu lado, colégio principalmente, e aquilo não me agradava.
Não sei dizer se a dor que eu sentia na barriga era ansiedade ou medo por tudo que estava por vir. Não brinquei quando disse que não havia ido de cara com e sua turminha, eles não me agradavam nenhum pouco. E pensei na possibilidade de todos do colégio serem como eles, seria possível? Implorava mentalmente em meio ao sono para que não.

Um barulho no andar de baixo me despertou, e eu quis morrer. Acordar cedo não era uma das coisas favoritas da minha vida.
Resmunguei enquanto rolava sobre a cama e me embolava ainda mais nas cobertas. Resolvi não enrolar demais ou então receberia uns belos gritos de Max . Levantei-me e tomei um banho quente o suficiente para me deixar vermelha, e demorei o quanto eu pude. Me arrumei, me perfumei, e peguei uma bolsa de ombro.
Desci as escadas cantarolando Slow Hands do Niall Horan, aquela música é viciante, ouvi apenas algumas vezes e já sei a letra decorada de trás para frente.
- Acordou de bom humor? – a risada gostosa do meu pai me fez rir juntamente.
- Bom humor e em plena manhã de uma terça-feira não é uma boa combinação, pai.
Sentei-me na bancada, notando que ele havia acordado cedo o suficiente para comprar nosso café dá manhã.
- Quem sabe isso não mude agora? – seus olhos me encararam. – A propósito, falei com o ontem, e ele se ofereceu para lhe ajudar no colégio.
Eu quis cuspir o chocolate quente da boca. What?
- Isso é sério ou você só tá me sacaneando mesmo? – ele franziu o cenho, sem entender. – Pai, você conhece o garoto não faz nem um dia inteiro e já confia nele? No way, papi, não quero a ajuda dele, posso me virar sozinha, ok?
- é um rapaz legal, é nosso vizinho, , parece ter uma boa família.
- Só por que ele mora no mesmo condomínio que nós e tem um sorriso branquíssimo?
- Eu não tinha reparado nos dentes dele, mas se você diz.
- Foi ironia, pai, o que eu quis dizer é que não devemos julgar as pessoas por aparência, e eu definitivamente não fui com a cara dele e nem dos amigos dele.
Meu pai riu, parecendo achar graça de algo.
- Você está dizendo isso por ter escutado um dos amigos dele dizer “da um ligue”? – dei risada, concordando.
- Isso também, que gíria mais cafona. – revirei os olhos ouvindo meu pai rir comigo.
A parte boa de ser filha de Max , é que ele mais parecia um melhor amigo do que pai, era muito mais do que apenas sermões, broncas e cuidados; era companheirismo, carinho e diversão.
Depois de tomarmos nosso café, seguimos caminho para o meu novo inferno particular, ou devo dizer colégio? Tanto faz, qualquer um servia.
- Eu venho te buscar, vou dar uma passada no hospital para conhecer meu novo ambiente de trabalho e...
- Sem secretária gostosa, pai. – reclamei antes mesmo dele continuar. Sua risada tomou conta do carro, o taxista que nós levava também achou graça.
- Como eu estava dizendo, vou te buscar, e então podemos almoçar em algum lugar e vamos procurar um carro.
- Por que só um, pai? Eu já tenho dezessete, posso ter um também.
- Já falei, carro para você só quando tiver dezoito e ponto final.
Revirei os olhos e resmunguei um palavrão, ele nem deu atenção.
- Tente não ser maldosa caso queira ser gentil.
- Lá bem você outra vez, se encantou com o moleque? – aparentemente sim, porque nem eu dizendo que não me havia dado confiança meu pai mudara de ideia.
- Apenas não seja maldosa, , lembre-se da educação que eu e sua mãe lhe demos. – ah, não, sermão não. – Falando em sua mãe, ela me enviou uma mensagem perguntando se eu havia tirado seu celular, por que não avisou a ela que já estávamos em casa?
- Não queria falar com ela. – resmunguei, olhando para a paisagem fora do carro.
- , não seja tão fria com a sua mãe, ela não quis dizer aquelas coisas, só estava chateada. – claro, tão chateada ao ponto de dizer que fingiria não saber da minha existência pelo simples fato de eu ter preferido vir morar com ele em Nova Iorque.
- Que seja, ela nunca se importou mesmo. – cortaria o assunto ali, mas notando que ele falaria algo mais, resolvi acrescentar. – Mas, relaxa, mando uma mensagem para ela quando chegar em casa.
Ele pareceu satisfeito, prestando atenção em seu celular. Apoiei o cotovelo na janela do carro, para apoiar a cabeça sobre a mão. Estava cansada dos dramas da minha mãe, não queria ter que lhe dar satisfações, não tinha raiva e nem magoa, só precisava de um tempo.
Elite J.K Middleton School, que nome grande para um colégio, não? O lugar era enorme, era muito bonito. Os portões grandes estavam abertos e, pelo o que notei, já havia bastante aluno ali.
- Seja positiva, , eu volto mais tarde para lhe buscar.
Assenti.
- Pai, sério, sem secretária gostosa. – ele riu novamente, acenando de dentro do carro.
Respirei fundo, tomando coragem para entrar naquele lugar diferente.
Não é necessário dizer que fui recebida por inúmeros olhares curiosos para cima de mim, certo? Me senti como um rato de laboratório que precisa ser estudado por todos. Não me dei ao trabalho de olhar para cada um, apenas subi os degraus dá entrada e caminhei pelo longo corredor de acesso ao lugar.
Para o meu desespero, bem a minha frente vinha um grupo de animadoras de torcida, e elas não pareciam desviar. Devo ressaltar que elas não me pareciam nada com aquelas animadoras de filmes clichês onde são maldosas e mal humoradas, pelo contrário, vinham com belos sorrisos nos rostos.
- Bem vida ao J.K Middleton! – a ruiva no centro do grupo saudou, erguendo os pompons azuis nas mãos. Fiquei sem reação. – Eu sou Bettany, melhor amiga do , seu vizinho. Ele me falou sobre você.
- Ah. – respondi, não conseguia entender de onde vinha tanta animação. Mas, sendo amiga de , não sei se seria capaz de confiar. – Eu me chamo...
- . – respondeu-me atravessado. Franziu o cenho. – Todos já sabem, as notícias por aqui correm rápido, seu pai é médico, acabaram de se mudar, enfim.
- Deixe-me adivinhar, foi quem lhe contou? – ela riu, negando.
- Não, bobinha, antes mesmo de nos dizer que te conhecia, todos já sabiam. Levantaram sua ficha completa, seus pais se separaram há pouco tempo, certo? Eu sinto muito, entendo bem como é isso, os meus também se separaram, mas eu era bem nova.
Era muita informação de uma só vez. Apenas sorri educada e arregalei os olhos.
Informações demais. Informações demais.
- Certo. – resmunguei. Todas me olhavam como se eu fosse uma caixa de presente prestes a ser desembrulhado. – Bettany, foi realmente um prazer te conhecer, mas eu preciso pegar os meus horários e alguns livros. – expliquei, notando que ela ainda sorria e virava a cabeça para o lado. Estranha? Muito. – Então, te vejo por aí.
Acenei enquanto apertava os passos para longe delas. As meninas acenaram animadamente, e eu finalmente dei as costas. Por que mal entrei nesse lugar e já me sinto informada demais? era estranho, e seus amigos ainda mais.
Não me demorei na direção, peguei meus horários e livros, e com a companhia de uma coordenadora eu achei meu armário, agradeço a ajuda dela, vendo-a se retirar para me dar privacidade. Coloquei uma senha em meu armário e guardei os livros que não usaria. Primeira aula: filosofia.
Interessante, não são todas as escolas que abordam essa matéria.
Resolvi dar uma volta pelo colégio, afinal, só teria início da aula em dez minutos e nesse curto tempo, eu poderia dar uma voltinha rápida.
E me assustei em como aquele lugar era realmente muito grande, e já estava movimentado, ao ponto de uns alunos esbarrarem nos outros. Aparentemente as aulas já teriam início.
Me senti confusa sem saber ao certo onde seria a minha sala, decidi pedir ajuda para alguém. Esbarrei em um garoto que andava mais lentamente entre os demais que corriam por ali. Ele era alto, cabelos escuros e tinha um óculos preto em seu rosto, sem contar nos lindos olhos azuis.
- Oi, desculpa, você poderia me dizer onde fica a sala vinte e cinco? – ele parou, olhando para o papel e não diretamente para o meu rosto.
- É para essa que eu estou indo. – finalmente ele ergueu o rosto e sorriu educado. Parecia normal perto dos que eu já havia conhecido, sendo esses; e sua turma. – Se quiser, pode vir comigo.
Sorri, agradecendo mentalmente por isso.
- Sim, por favor, é horrível ser a aluna nova.
Enquanto caminhávamos, notei que ele me encarava algumas vezes.
- Você é a nova vizinha do ?
- Quem? – o encarei sem saber de quem ele falava.
- . Você é vizinha dele, estou certo?
- Ah, esse é o sobrenome dele? Bem forte, e sim, não digo com felicidade, mas sou eu mesma. – ele riu mostrando belas covinhas.
- Eu me chamo Filipe. – ele estendeu sua mão, e eu a encarei antes de apertá-la de volta.
- Me chame de .
- Belo nome.
Definitivamente ele era a pessoa mais norma daquele lugar, pelo menos até aquele momento. E de longe fora a pessoa com quem mais me senti a vontade.
Chegamos a sala, já haviam alguns alunos e, assim que entrei recebi novamente inúmeros olhares sobre mim.
- Eu prefiro sentar no meio da sala, se você se sentir mais a vontade pode se sentar no fundo, mas garanto que a aula é boa.
Não nego que assim que bati os olhos em Filipe notei um ar intelectual, confiaria nele e apostaria que estava certo sobre a aula. Sentei-me ao seu lado, de qualquer maneira nunca gostei de sentar ao fundo.
Antes que eu pensasse em abrir a boca para perguntar algumas coisas a Filipe sobre o lugar, uma garota de longos cabelos castanhos entrou na sala. Tinha um semblante fechado, seus passos eram lentos e pesados. Notei que caminhava para perto de onde Filipe e eu estávamos, e então notei que ela parou de frente para a mesa do garoto ao meu lado.
- Não acredito que passei a toa na casa de Joanna, ela não vem hoje. – um bico se formou em seus lábios. Filipe riu.
- Sabe que Joanna faz até o impossível para faltar nas aulas de terça só para não ter que fazer educação física, não é?
- E quando chega o final do ano ela se torna a melhor aluna da matéria. Definitivamente ela não toma jeito. – ela se sentiu logo atrás de Filipe, que se virou para mim.
- Tenho alguém para te apresentar, e acho que você vai adorar conhecê-la. – a garota ergueu os olhos, franzindo o cenho.
- Quem?
- , a nova vizinha de .
Senti aqueles olhos fortes e apagados sobre mim. E sabe quando você sente um frio na espinha? Então, eu senti, e não foi nada agradável. Me senti encurralada com a maneira que ela me encarou, parecia me ler de alguma maneira, e aquilo era bom. Por incrível que pareça, não gostei nada daquilo.
- , essa é Stella.
Ela sorriu abertamente. E, acrescento, um sorriso aberto demais.
- É um enorme prazer te conhecer, . Eu sorri torto. Não queria dizer o mesmo, porque não senti a mesma coisa.
- Igualmente, Stella.
Um silêncio constrangedor se formou, e eu quis fugir dali pela primeira vez ao dia. Imagine só estar na minha situação, e sentir um nó na garganta, como se algo estivesse errado.

Devo dizer que alguns minutos depois da aula iniciada, deixei de lado a sensação de desconforto e me concentrei em tudo o que o professor dizia. Sobre socialização coisas do tipo. Depois de um tempo, aquela sensação estranha sumiu, dando espaço para que eu, Filipe e Stella pudéssemos conversar calmamente.
Ao final da aula, saímos por último da sala e caminhamos até os armários, notei que Filipe usava o armário logo ao lado do meu. Enquanto eu trocava os livros pelos o que eu usaria na próxima aula, notei aproximação do meu corpo.
- Ei, pequena . – no susto que tomei acabei fechando o armário com rapidez.
- . – resmunguei. Ele riu, notei que estava acompanhado de mais dois amigos, não que isso me interessasse.
- E então, como está sendo o primeiro dia? Já fez amigos? Soube que Bettany já te conheceu.
Quis reclamar quando ele resolveu se encostar em meu armário, mas evitei, apenas cruzando os braços.
- É eu já a conheci. – me estudou, parecendo notar só agora que Filipe estava bem atrás de mim.
- Tome cuidado em quem confia aqui dentro, , e não acredite em tudo que ouvir por esses corredores. – seu sorriso maldoso estava lá novamente. Mas logo se perdeu, quando ele teve a audácia de encostar seus lábios frios em minha bochecha. Não tive tempo de mandar ele se afastar, já que ele o fez rapidamente e deu meia volta.
- Tenho pena de você. – Filipe se pôs ao meu lado. – Ser vizinha desse cara não deve ser legal.
Dei de ombros.
- Ele não tem minha confiança, meu pai é que se deu bem com ele.
- Seu pai é louco?
Novamente tomei um susto ao notar a presença de outra pessoa ao meu lado: Stella.
Seu olhar estava petrificado em mim, como se quisesse me dizer algo. Mas não havia nada a ser dito.
- Seu pai não sabe no que está confiando. – Filipe riu baixo.
- Eu disse isso a ele, não passa confiança, meu pai confia cedo demais nas pessoas. – revirei os olhos, rindo com Filipe.
- Você está certa. – Stella disse, e eu a encarei novamente. Notando que sua voz se tornará mais grossa e um tom raivoso surgia. – É bom que saiba, , é o demônio em pessoa.
Pensei que aquilo fosse uma piada ou deboche, mas notei que Filipe havia ficado tenso ao meu lado, enquanto Stella andava mais a frente em passos firmes e solitários.
Por que eu havia sentindo dor em seu tom?




Continua...



Nota da autora: Sem nota.




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