Battle Royale

Última atualização em: 09/06/2019

Capítulo 1

- Isso não vai funcionar - ouço Adaga murmurar, ela parecia mais nervosa que o normal.
- Ou ficamos aqui com medo de errar, ou vamos em frente - digo, ríspida. - Temos que arriscar.
- Por que quer tanto isso? - Tigresa me lança um olhar desconfiado, seus olhos amarelos não me intimidam nem um pouco.
- Nosso tempo é curto. Logo eles terão portais para essa prisão estúpida em cada estado e não teremos mais chance de ajudar nossos companheiros - falo, ficando de pé. - Não poderemos ajudar nem a nós mesmos.
Todos a minha volta se entreolharam, Falcão lançou um olhar significativo para Capitão, não sei o que significa, mas parece algo sério.
- Você era braço direito de Stark - Cage se intromete. - Se bem me lembro. Por que resolveu nos seguir mesmo?
Balanço a cabeça sem entender a questão. O que isso tem a ver com o plano?
- Tony está errado. Ponto. Eu sei reconhecer isso - respondo, na defensiva. - Por isso estou aqui, sou contra essa maldita lei, sou contra o encarceramento dos que não concordam com ela. Estou aqui por justiça.
- Você nunca o contrariou - Falcão me encarava como se eu fosse uma vilã. - O que a levou fazer isso agora?
- Conceitos básicos, humanidade, moral, princípios - enumero as razões. Eu recuei um passo, de repente vi que todos me encaravam da mesma maneira que Falcão. Eu era a vilã ali.
- - Capitão finalmente ficou de pé, chamando-me. - Venha comigo.
Ele sai da sala de comando sem esperar minha resposta. Sigo-o passando pelos outros membros da resistência sob olhares de suspeita.
- Por favor, Steve. Não me diga que esta duvidando de mim!
Eu comecei, defendendo-me.
- Fatos são incontestáveis - Capitão balançou a cabeça, ele fixou seus olhos em mim. - Qual o seu objetivo?
- Você sabe qual é! Nunca o escondi de ninguém. Depois da morte de Bill Foster, eu... Eu não conseguia mais encarar Tony.
Abaixei a cabeça entre minhas mãos, cobrindo meu rosto. Eu precisava me recompor o mais rápido possível. Como ele podia desconfiar de mim?
- Steve - ergo a cabeça. Minha voz está bem mais firme agora. - Eu estava lá quando Os Vingadores foram fundados. Eu fazia parte da equipe, não me trate como se eu fosse uma novata. Eu tenho sim, um laço forte com Tony, mas isso não distorceu minha noção da verdade.
- Você se registrou - ele falou, como uma acusação. - Sim. Eu me registrei, por que me parecia a coisa certa a se fazer e não por que Tony queria. Quando vi o que estava acontecendo com nossos colegas, não consegui permanecer mais lá.
Capitão América ficou em silêncio, sua expressão era hesitante.
- Temos um traidor entre nós - murmura.
- Alguma ideia de quem seja?
- Até agora? A maior suspeita era você - o Capitão solta o ar pesadamente.
- Mas eu...
- Não acho mais que seja você - O olhar dele suaviza.- , não queria ter que confrontá-la desse jeito. Mas as circunstâncias...
- E você não pensou duas vezes - digo, soltando uma risada debochada. - Claro.
- , você tem que entender o que estamos passando - Capitão mudou o peso de uma perna para a outra.
- Vocês irão invadir o Edifício Baxter, desativar o portal para a zona negativa e depois ajudar os outros meta-humanos que estão capturados - digo, afastando-me dele e pegando um longo sobretudo escuro sobre uma mesa e o vestindo. - Quando isso acabar, não conte mais comigo.
- Aonde você vai?
- Arquitetar um plano diabólico para entregar toda a Resistência para a S.H.I.E.L.D - respondo, sarcástica.
- ...
- Vou tentar respirar - digo, me voltando para ele. - Pode dizer aos outros na sala que ficarão livres da traidora o mais rápido que esperam. Aliás, diga para o Justiceiro que ele não vai precisar atirar em mim enquanto durmo.
Saio pela porta de metal, esgueirando-me pela noite, para fora do esconderijo da Resistência.

***


Aquilo era loucura, era arriscado, quase uma idiotice, mesmo assim eu atravessei o grande aro de metal que sustentava a plataforma de vôo no alto da torre Stark. Depois de tantas horas vagando pela cidade, pensando, refletindo. Percebi que aquela era a melhor saída. Pouso na oficina onde ele costuma fazer seu equipamento e os reparos de sua armadura. O sistema de segurança não avisou sobre nenhum intruso, talvez seja uma armadilha.
Caminho pela oficina, passando por um grande portal que sai direto na sala de estar enorme do apartamento dele. Cruzo os braços em frente ao peito, abraçando a mim mesma, convencendo-me de que esse é o certo.
- ?
Mal notei sua aproximação. Lá estava ele, Tony Stark. Um pouco mais abatido desde a última vez que o vi há alguns dias. Um esboço de um sorriso está em seu rosto.
- Tony - murmuro.
- Você está aqui? É você mesmo? - ele balança a cabeça, como se quisesse limpar a mente e comprovar que não sou nenhum tipo de visão. Ele está segurando um copo de whisky.
- Tony, você voltou a beber? - digo, não escondendo o tom de repreensão.
Ele sorri, um pouco de humor sombrio em seus olhos.
- O que faz aqui? - pergunta, ignorando completamente minha pergunta.
- Eu...- forço-me a prosseguir. - Tony, eu vim dizer adeus.
Ele me encara, aparentemente sem entender nada.
- O quê?
- Vou me entregar - digo, respirando fundo. - Vou assumir meus atos como rebelde e me entregar para a S.H.I.E.L.D.
- Por quê? - ele estava me olhando horrorizado.
- Não aguento mais - solto quase como um sussurro sufocado. - Eu não sei mais qual lado é o certo e qual é o errado. Essa guerra não vai acabar bem, famílias estão sendo divididas, pessoas estão morrendo. Eu me sinto impotente, odeio essa sensação mais que tudo... Tony eu vou me entregar.
- Eles vão jogá-la em uma cela - Tony diz, furioso. - É o que você quer?
- Quero paz. É tudo o que eu quero!
Tony me encara incrédulo, olhos arregalados. Ainda estamos em uma distância considerável.
- Não vou deixar que prendam você. Vou usar recursos, todos eles.
- Você deveria estar furioso - digo, surpresa. - Eu fui embora, me juntei a Resistência. Tony, você deveria me odiar.
Tony caminha até onde estou e coloca uma mão em cada lado de minha cintura. Posso sentir sua mão quente mesmo com todas as camadas de roupas.
- Eu nunca poderia odiá-la. Eu fiquei furioso, decepcionando, mas eu sei que você faria o que acreditasse ser o certo. Independente do que eu acredito.
- Sinto muito - digo. Estou a ponto de me entregar aos abutres que querem minha cabeça, mas a única coisa que passa pela minha cabeça é a possibilidade de nunca mais vê-lo. Se eu acreditava que a maior decisão que já tomei na vida fora sair do lado de Tony e me aliar ao Capitão na Resistência, essa é a minha segunda maior decisão.
- Não posso deixar que faça isso - Tony diz, enquanto uma de suas mãos sobe para meu rosto e afaga minha bochecha.
Eu não iria chorar. Não vim aqui para isso, mesmo assim algumas lágrimas escapam. Tony me surpreende mais uma vez com um beijo, retribuo sem me afastar, segurando em seus ombros.
- Você não precisa fazer isso - Tony murmura no pé de meu ouvido, apertando-me junto a ele.
- Sim, eu preciso - digo. Não sei se Tony reconheceu a pontada de determinação em minha voz, mas ela estava presente.
Afasto-me dele, recuando até estar outra vez entre a sala e a oficina. Tony me segue, ele está mancando.
- Eu não vou permitir que prendam você - ele finca os pés no chão.
- Espero que não tenha controle sobre isso - falo, antes de alçar voo pela plataforma.

***


Uma vez que pouso no meio do Central Park, me preparo para a grande cena que terei de armar. Respiro fundo, tirando o sobretudo e revelando por baixo meu traje em tons de azul.
A S.H.I.E.L.D iria me rastrear assim que eu começasse a usar meus poderes.
Uma coluna de energia azul saiu do centro de meu peito, subindo até estar na altura de um arranha céu. Iluminou todo o parque, como um projetor.
Aos poucos, os civis notaram minha presença, curiosos, se aproximavam para tentar identificar a estranha fonte de luz. Eu precisaria fazer mais que aquilo se quisesse ser capturada.
Meus pés saíram do chão, lentamente comecei a pairar a alguns metros da superfície.
Ao longe, já pude ouvir o som dos helicópteros se aproximarem, rápidos.
A minha volta, todos os objetos de metal foram afetados por meu campo magnético. Latas de lixo, bancos, bicicletas, carros estacionados, todos estavam flutuando.
- . SUPER-HUMANA REGISTRADA. FUGITIVA.
Olho para o alto, escutando a voz robótica que saia dos alto falantes.
- PRATICA DE ATIVIDADES ILÍCITAS. PROIBIDA DE EXERCER O USO DE SUAS HABILIDADES.
Ao fim do discurso, houve um corte, e então a voz que voltou a sair era a de Maria Hill.
- , ENTREGUE-SE AGORA.
Gradativamente fui reduzindo a coluna de energia, pousei outra vez no chão. Carros escuros e aparentemente blindados saíram de todos os lugares, cercando-me. Ergo as mãos.
- Eu me rendo - digo para o oficial da S.H.I.E.L.D. que se aproxima carregando uma arma enorme.
Ele franziu as sobrancelhas, me olhando surpreso, estendo os braços com os punhos unidos, aguardando para serem algemados.


Capítulo 2

O balanço constante do caminhão pela estrada me deixava levemente enjoada.
Particularmente, achei meio exagerado meu transporte ser feito por um caminhão blindado, afinal, eu havia me rendido de livre e espontânea vontade. Mas aparentemente para a "Diretora em exercício", Maria Hill, sou potencialmente perigosa e emocionalmente instável.
Precisei me controlar para não acertar um soco na cara dela, para que poderes se eu posso usar os velhos e bons punhos?
Arrumo-me tentando encontar uma posição confortável, este lugar é escuro e frio, ele faz com que eu considerasse se essa ideia fora realmente boa. Encosto minha cabeça na lateral fria e tento pensar em algo que não seja deprimente. Isso significa que estou evitando pensar em praticamente tudo o que tenho passado.
Meus pensamentos se voltam para A Resistência. Eles estarão em apuros caso não encontrem logo o infiltrado. Eu poderia tentar descobrir, mas já tenho alguma ideia de quem possa ser, apenas não sei se eles confiariam em mim caso eu a entregue.
O veículo para, sento-me atenta. As portas se abrem e dois agentes armados até os dentes, me puxam para fora. Estamos em uma base improvisada da S.H.I.E.L.D.
- Status da transferência de prisioneiros... - Ouço um agente peguntar para Hill, não muito longe. Apuro minha audição, eles falam quase que em sussurros.
- Vamos adiar, temos novas informações - Ouço-a responder. Sou empurrada para uma área restrita, separada dos outros por uma porta de algum material resistente demais e cheia de travas, assim que me empurram para dentro da sala, a porta é trancada.
A sala é estéril. Branca e com uma grande janela de vidro, a única mobília era uma cama de solteiro. Através de algum controle eletrônico, as algemas são desativadas e meus pulsos são libertados.
Permaneci parada por um bom tempo no centro da cela, sem vontade de me mover. Depois de um tempo, caminhei ate a cama, deixando meu corpo cair no colchão. A cela deveria ter algum tipo de mecanismo que bloqueava meus poderes, pois não conseguia nem ao menos voar.
Depois de um tempo observando o teto branco, acabei adormecendo.

***


Depois do que me pareceu horas ali, batidas no vidro me fizeram levantar da cama e encarar a figura atrás da janela. Levantei, caminhando até próximo ao vidro e encarando Tony.
- O você quer?- pergunto.
- Esta feliz? - seu tom é carregado de algum sentimento sombrio.
- Não. Mas estou com a consciência livre - retruco, minha voz monótona.
- Vai me dizer o porque de todo aquele circo em praça pública? - Tony me questiona, ele estava muito nervoso.
- Eu disse que me entregaria. E eu sempre gostei de fazer tudo com estilo - cruzo os braços ao falar.
- - Tony murmura, de repente ele soca o vidro, a estrutura nem ao menos oscila. - Vão leva-lá para a prisão para super-humanos essa noite. Você não terá o direito de julgamento, mesmo tendo se entregado, Hill diz que você é uma traidora. Traidores não merecem julgamento justo.
- Ela tem razão - murmuro. Minha voz sem qualquer emoção.
Tony me encara fundo nos olhos, ele sempre tenta ler minhas intensões, felizmente nunca conseguiu. Encaro-o de volta.
Sem dizer nada ele se vira e vai embora, volto para a cama e me sento. Pelo que conheço dos procedimentos com prisioneiros da S.H.I.E.L.D, logo serei interrogada.

***



Como previsto, não muito mais tarde, dois agentes vieram me buscar para interrogatório. As algemas foram recolocadas, fui rebocada pelos corredores em direção ao que me pareceu um escritório de alta classe. Maria me aguardava sentada em uma grande mesa.
- - ela pronuncia meu nome em tom seco. Eu apenas a encaro sem dizer nada.- Fico feliz que tenha se entregado sem resistir. Não teria acabado bem.
Sua prepotência ainda me deixa abismada, lanço-lhe um sorriso sarcástico.
- Sempre muito humilde - digo.
- Você nos traiu e depois traiu a resistência. O que quer ganhar com isso?
Direta. Pelo menos não vou ter que aguenta-la por muito mais tempo.
- Eu não traí a resistência - falo, entre dentes.
- Você esta aqui.
- Isso não significa que vá contar alguma coisa a você.
Hill estreita os olhos.
- Então por que se entregou?
- Desencargo de consciência - digo.
A agente bate com os punhos na mesa.
- Escute, nos já sabemos todo o planinho de vocês para invadir o Edifico Baxter. Acharam que isso funcionária? Você vai nos contar o plano com detalhes ou terei que arranca-los de você.
- Vá em frente - ergo os pulsos algemados.- Eu não poderia lutar, não é mesmo? Também não poderia simplesmente explodi-la com minha mente e sair daqui viva, já que seus comparsas me matariam.
Os lábios da mulher se tornam uma linha fina, os traços de seu rosto se endurecem. Hill faz um sinal para um agente que me puxa da cadeira e me segura de pé.
A agente se aproxima lentamente de mim e me acerta um soco direto no queixo. Sinto todo meu rosto queimar.
- Diga.
- Vai ter que fazer melhor que isso.
Outro soco. Sinto meu queixo pender para o lado.
- Diga.
Apenas a encaro, sinto o sangue escorrer de minha boca.
Um terceiro soco faz minha cabeça tombar.
- Está bem - suspiro, a dor tomando todos os meus sentidos.- O que precisa saber?
Hill lança um sorriso frio antes de me bombardear com perguntas a respeito do plano.

***


Já era noite, eu estava sendo guiada com outros vários heróis e agente da S.H.I.E.L.D para o edifício Baxter. Eles fariam uma armadilha para a Resistência, eu seria levada para minha cela na prisão de alta segurança na Zona Negativa em poucas horas.
Minhas mãos ainda estavam algemadas, quando estramos dentro do laboratório de Reed, a poucos metros do portal da zona negativa, Tony que liderava o grupo se aproxima, liberando meus pulsos.
- Mudança de planos, convenci Hill que você seria útil do nosso lado - seu tom é profissional. - Se nos ajudar essa noite, estará livre. Sem Vingadores e sem Resistência, deixaremos que você vá embora.
- Não vou lutar contra eles - digo.
- Se tudo seguir como eu planejei, não vamos precisar lutar.
Ele se afasta, deixando-me sozinha. Olho em volta, todos mantêm certa distância de mim, passo os olhos por todos os computadores e equipamentos de Reed. São muitos, uma pessoa normal ou até com poderes, não poderia mexer em todos... Bem, talvez Reed possa.
Consegui escapar para trás de alguns computadores, eu tenho certeza de que em algum lugar desse prédio tem um telefone.

***


Estávamos todos em prontidão, apenas esperando a hora certa para surpreender A Resistência, que nesse momento observavamos enquanto eles derrubavam barreira por barreira até a sala onde o portal se encontra.
Eu estava ao lado de Tony, talvez fosse o costume, mas não me sentia mais parte daquilo. Ainda amava aquele imbecil, mas não lutaria com ele.
Ouvimos quando a porta do laboratório se abre, os passos lentos e sincronizados param.
- É agora - Tony murmura para nós. A minhas costas, todos os Vingadores, os novos heróis que estão no programa de treinamento, os Thunderbolts, todos se preparam para o provável confronto.
As portas de metal se abrem.


Capítulo 3

- Alguma coisa está errada - Capitão resmunga, tenso. Nenhum deles percebeu nossa presença. - As informações do Justiceiro diziam que ele ficava ativo o tempo todo.
Stark avançou um passo.
- É verdade. A não ser quando estamos esperando invasores.
As cabeças de todos da Resistência se voltaram para nós, eles observavam a quantidade de aliados de Tony, visivelmente superior a deles. Houve um momento de silencio mortal, ninguém falava, ninguém ao menos respirava, ou pelo menos era o que estava parecendo.
- Tony - disse Capitão.
- Você caiu em outra armadilha, Capitão. Desta vez, temos alguns aliados extras nos ajudando.
Os olhos do Capitão recaem sobre mim, os outros também me encaram.
- Claro. Afinal você teve uma grande ajuda - Capitão diz, sua voz fria.
- Sim, o tempo todo tínhamos um infiltrado - Tony vangloria-se.
- Eu já sabia - Capitão surpreende a todos.- Digamos que ela não foi muito discreta.
Todos me encaram furiosos, então Capitão continua:
- Tigresa deixou tudo muito na vista.
Tigresa olhou em volta, ergue a cabeça e saltou para o nosso lado.
- Se sabia de tudo, por que ainda esta aqui? Por que não fez nada? - Stark questiona.
- Você teria atacado antes. E além disso - Capitão abriu um sorriso. - Também tínhamos alguem infiltrado.
Todos a minha volta conteram a respiração, olharam em volta como se assim fossem identificar o espião. Mas apenas Tony foi capaz de faze-lo. Sua voz soou fria, ele não olhou para mim, pois ainda encara Capitão, mas eu sabia que estava falando comigo:
- Eu estava enganado sobre você. Você é uma traidora.
Antes que os outros membros da equipe de Tony viessem em minha direção, meus pés saem do chão e eu flutuo até o outro lado da sala, pousando suavemente ao lado de Capitão America.
- Você me conhece, Tony, eu nunca faria algo que não acreditasse...
- Eu achei que a conhecia - falou, me interrompendo. A viseira de seu capacete se abriu, revelando seu rosto abatido. Aquilo fora um baque para ele.
- descobriu quem era a traidora - Capitão prosseguiu.- Se arriscou, indo até você, convencendo-o de que não tinha mais lado - O soldado lançou um sorriso debochado para os agentes da S.H.I.E.L.D. - Ela passou informações erradas a respeito da nossa missão para Hill, contradizendo as que foram dadas por Tigresa.
O olhar de Tony fervilhou sobre mim, eu não consegui conter o sentimento ruim que se alastrou por meu peito. Eu apenas queria terminar com isso. Eu amava Tony, mas não podia ve-lo errando, mas agora me sinto mal por te-lo enganado.
- Ela veio até aqui e então nos contatou, contando sobre a armadilha - Capitão pousou uma mão em meu ombro. - Você a subestimou, Tony.
Os dois lideres se encararam, assim como suas equipes, a tensão beirava explodir e eu era a responsável por parte daquilo.
Estávamos sendo fechados pela equipe de Tony, eles eram muitos, superheróis, supervilões, agentes armados com o que me parecia a última tecnologia da Stark Enterprises em armas. Todos ali, prontos para nos massacrar a qualquer momento.
Mas algo aconteceu, o plano de ultima hora que formei junto com Capitão e Sue, o portal da Zona negativa, se acendeu.
- E não adiantou em nada - Stark cospe as palavras em nós. - Vocês estão aqui, encurralados. Não vão conseguir escapar dessa vez. Eu fiz tudo o que podia, ofereci anistia mais de uma vez, eu salvei a todos nós de um destino terrível e é assim que sou pago. Quer lutar, Capitão? Quer mais mortes nas nossas costas?
- Isso ainda não acabou, Tony - Capitão balança a cabeca.
Tony olhou para trás, vendo o portal ganhar vida.
- Esse é o plano de vocês? - Ele me encarou. - Fugir para a Zona Negativa?
- Não. Você sabe que uma ideia minha não seria tão ridícula - digo, pela primeira vez soando confiante.
Das sombras do portal, silhuetas começaram a ser formadas. Várias e varias massas indistintas começaram a tomar forma, a primeira da fila tomou a frente, saindo do portal.
Demolidor, em seu uniforme vermelho, desceu o primeiro degrau sendo seguido por vários outros heróis. O plano havia funcionado.
- Como...? - Tony estava confuso e furioso ao mesmo tempo, a enxurrada de uniformes coloridos que saiam do portal, fazendo as forças de Stark recuarem e se desoganizarem.
O laboratório se tornou um pandemônio. Capitão acertou um soco em Tony, jogando-o para trás. Demolidor entrou na luta sendo confrontado por Viuva Negra que disparava uma série de ferrões em sua direção. Hércules, um Deus Grego que também fora capturado e agora descia as escadas do portal, saltou sobre Hermes que lutava na equipe de Tony.
Estatura, uma ex-membro dos Jovens Vingadores e também da Resistência, cresceu até ficar com mais de quatro metros, preparando-se atacar os membros a sua volta.
Eu estava ali, no centro daquilo tudo, os membros formigando devido a adrenalina a energia que corria por meu corpo. Levantei vôo, ficando acima de todos os outros, quase topando com Falcão que também sobrevoava a bagunça, tentando se livrar de Tigresa que segurava sua asa.
- Hey.
Viro-me assutada, me deparando com Homem-Aranha, suspenso por uma teia. Aceno para ele.
- Acho que vou ter que lutar, afinal - digo, a contra gosto.
- Seremos nós ou eles - Aranha dá de ombros. Mas eu consigo notar que ele também não quer isso.
O mar de heróis continua a vir de dentro do portal, capas atrás de capas. Meus cabelos são jogados para trás com uma lufada de vento produzida por Tempestade que se prepara para lançar algum fenômeno poderoso.
Respiro fundo antes de mergulhar na batalha. Pouso em frente a Miss Marvel, ela solta raios de energia contra membros da resistência e os outros heróis que saíram da prisão, seu uniforme reluzia devido a energia. Ela fixa seus olhos frios em mim, sempre soube que ela me odiava, mas nunca tive tanta certeza quanto agora. Ela direcionou seu raio na potencia máxima na direção de meu peito e disparou. Bloqueio o ataque com um campo de força.
- Minha vez - murmuro, estendendo as mãos e lançando um raio em sua direção. Ela não teve tempo de desviar, caiu vários metros mais longe, o uniforme chamuscado.
Mulher-Hulk a ajudou a se levantar, as duas me encararam e vieram na minha direção. Desviei do primeiro soco da Mulher-Hulk, mas fui atingida em cheio nas costas por um dos raios de Miss Marvel.
O raio me impulsionou para frente e eu caí nos braços da outra, que me agarrou pelos ombros e me jogou contra a parede. Caí tonta no chão, vozes ecoando na minha cabeça, uma ainda mais alta, parecendo mecânica, anunciou que as portas estariam fechadas em sessenta segundos. Merda, ficaríamos presos!
Antes que eu conseguisse ficar de pé, Miss Marvel caminhou até mim, agarrando-me pela gola de meu uniforme e me levantando, meus pés saíram do chão. Ela me encarou, o cabelo loiro estava chamuscado.
- Agora que não tem mais a proteção de Stark. Vou mostrar o que fazemos com traidores - sua voz me causa calafrios, seus olhos brilham com energia e sinto suas mãos esquentarem e queimarem minha pele. Solto um grito, um cheiro horrível de carne queimada invade meu nariz.
De repente, Miss Marvel me solta, e se curva sobre o próprio corpo, com as mãos na cabeça. Capitão esta em pé, atrás dela, o escudo erguido sobre a cabeça apos o golpe. Desabo de joelhos, a garganta ardendo, meus olhos lacrimejando.
- Você esta bem? - capitão pegunta, me ajudando ficar em pé. Agarro seu escudo, me virando na direção de Miss Marvel que esta tentando se recuperar do golpe e a acerto repetidas vezes, jogando-a contra a parede e acertando um último golpe no alto da cabeça, ela cai inconsciente.
Caminho de volta para Capitão e entrego o escudo.
- Agora estou - respondo. A contagem esta diminuindo, não vamos ter por onde fugir muito em breve. A resistência forma uma barricada em volta de uma janela, os membros da equipe de Tony estão recuando. Seguro capitão pelos ombros e sobrevôo a sala, levando até o centro da barricada.
- Distraía Stark - manda.- Vamos arrumar um rota de fuga.
Assinto com a cabeça e volto para onde ainda acontece parte da batalha.
Pouso próximo a Tony e Aranha. Os dois travam uma luta acirrada. A armadura do Homem de Ferro está amassada apos receber um golpo forte do Aranha.
- Não precisa ser assim, Tony - digo, parando à sua frente. Meu rosto esta calmo, minha voz é abrangente.
- Foram vocês que escolheram isso - Tony se levanta da montanha de metal amassado que um dia foi um grande computador.
- Foi essa maldita lei! - grito, fecho os olhos e me contenho. Volto a falar mais calma. - Acha mesmo que qualquer um de nós queria isso? Você está cego, Tony.
- Você estão cegos. Cegos pela ilusão que Capitão implantou em vocês.
- A ideia de que devemos ser livres - digo, pousando diante dele. Ele é mais alto que eu, sempre gostei desde fato, mas agora isso me parece uma vantagem que ele usa para se sentir superior. - Não é uma ilusão. É um direito. Queremos proteger as pessoas, salvar a Terra. Não precisamos de registro, de salario do governo ou de apoio da S.H.I.E.L.D.
- A humanidade não confia mais em nós - argumenta. - Eles nos temem, nos transformamos nos vilões. Destruímos cidades, derrubamos prédios, e para que? Deter um alienígena que quer dominar a terra? E depois? O estrago que deixamos para trás durante a batalha vai permanecer. Você acha que compensa?
O som dos combates a nossa volta estão abafados, Aranha desapareceu, sinto como se tivéssemos apenas nós ali.
- Eu acredito que um dia não precisaremos derrubar prédios ou destruir cidades, acredito que a humanidade voltara a acreditar nos heróis, mas não preciso por em risco quem amo, não preciso e não vou.
Ele me encara, percebo que está se contendo, mas por que? Quer me bater? Me beijar? Tony sempre foi imprevisível, não tenho ideia do que fará. De repente, ele parece ter notado algo, olhando além de mim ele percebe a barricada, local onde Capitão e os outros ainda trabalham para arrebentar o vidro.
- Estão sempre usando você para me enganar, não é? - sua voz está grossa.
- Essa guerra tem que acabar - digo. Tento levantar vôo, mas ele segura minha perna e me puxa para baixo prendendo-me no chão. - Não quero machuca-lo!
Mas não tenho escolha. Jogo-o para trás, sua armadura de algum tipo de metal é afetada pelo meu campo magnético e Tony rola alguns metros. Alcanço no centro da barricada e me junto aos outros lançando raios contra o vidro.
Ele está rachando, outros heróis da equipe de Tony nos atacam por todos os lados, se reorganizando e seguindo ordens de Stark. Agente da S.H.I.E.L.D entram em ação agora, seguindo as ordens de Hill.
- Capitão, por favor... - Tony tenta uma última vez.
Com um último golpe do escudo do Capitão America, o vidro se estilhaça. Do alto do edifício Baxter, direto para a Times Square, os heróis começam a saltar.
Viro-me para Stark, ele está furioso, sua armadura danificada, a viseira aberta. Posso ver seu rosto retorcido.
No meio da balbúrdia posso ouvir um oficial da S.H.I.E.L.D perguntar por ordens. Os olhos escuros de Tony se fixam em mim e tenho certeza de que as próximas palavras que saíram de sua boca foram direcionadas para mim:
- ACABEM COM ELES!


Capítulo 4

A confusão se mudou para o centro de Manhattan. Times Square estava lotada de civis.
Agentes da S.H.I.E.L.D que estavam de prontidão aos pés do edifício, evacuavam as vias tentando liberar caminho.
- O que faremos agora, Capitão?- eu pergunto. - Não conseguiremos controlar todos esses meta-humanos.
- Damos um jeito. Eles precisam nos deixar ir - Capitão lança um olhar para o alto do prédio.
Percebi com desgosto que eles não nós permitiriam ir, nunca. A equipe do Homem de Ferro já saltava do buraco vindo na nossa direção.
- Steve, os civis - Eu o alerto, preocupada com a quantidade de pessoas na zona de guerra.
Capitão olhou para as pessoas, assustada e perdidas.
- Um passo de cada vez. Um tijolo de cada vez - murmurou, em seguida ergueu os olhos para o alto e gritou: - SAM!
Falcão desce em uma velocidade assustadora e agarra Capitão pelos ombros, levando-o para o outro lado da avenida, onde dois da nossa equipe eram atacados por Venom e Mercenário. Dois supervilões que agora fazem parte da operação Thunderbolts.
Olhei em volta, por um momento sem saber o que fazer. Logo Tony viria em pessoa atrás de nós, assim que se recuperasse, ele seria escoltado por todas as forças da S.H.I.E.L.D e agora ele não teria pena de nós.
Engulo em seco. Onde fomos parar? Não era isso o que eu queria. Nunca foi isso.
Alguém toca meu braço, viro-me em posição defensiva mas relaxo quando encontro Sue Storm.
- Precisamos sair daqui o mais rápido possível - ela estava visivelmente calma, mas eu vi, vi em seus olhos algo que apenas eu poderia reconhecer. Porque era a mesma coisa que tinha no meu rosto. Ela estava preocupada com Reed, seu marido. O Senhor Fantástico podia ser o cachorrinho de Tony, mas ainda era o amor dela, assim como o Stark ainda era o meu. E nós duas os abandonamos.
- Ele vai ficar bem - digo. Sue me encara de volta.
- Gostaria de acreditar nisso - murmura.
Juntas olhamos para o Edifício Baxter sendo destruído e os vários heróis tentando matar uns aos outros.
- Isso precisa terminar.
Sue concorda em silêncio, seu olhar ainda fixo no prédio que já foi seu lar.
No alto, vejo a pequena figura vermelha e dourada mover-se velozmente. O Homem de Ferro fez um arco no ar e mergulhou em direção ao solo, fazendo um pouso pesado e quebrando parte do concreto da calçada.
Vejo sua armadura se acender, ele estende suas mãos em frente ao corpo e mira em mim.
Tony lança um raio repulsor em minha direção e eu o intercepto com um campo de força.
Recuo em direção a parte mais vazia da rua, recebendo todos os jatos de energia lançados por ele. Não posso mais ver seu rosto, está todo coberto pelo capacete, a única coisa que vejo é um homem de metal e olhos vermelhos.
Acerto um raio em seu peito, Tony bate contra a parede. Levanto vôo e começo a subir, tirando a luta do chão, de modo que não ferisse ninguém por acidente. Tony aciona as botas e sobe atrás de mim. Estamos a quase vinte metros de altura, o ar gelado invade meu peito junto com o cheiro de fuligem.
Intercepto mais três tentativas de ataque. Continuo recuando, sem mais atacar. Seu peito se acende, a voz metálica e inumana de Tony aciona algum comando para a armadura que eu desconheço. Antes que eu perceba o que estava acontecendo, um raio em última potência me acerta, lançando-me metros para trás e fazendo com que eu bata contra a lateral de um prédio. A coluna de energia fervente ainda está concentrada em meu peito, não contenho o grito que sai de minha garganta e quando o ataque cessa, despenco em direção a rua.
Quando bato na calçada, segundos antes de que tudo escurecer, ouço uma confusão de gritos e exclamações a minha volta.

***


A dor chega antes da consciência. Abro os olhos e solto um gemido baixo. Tudo dói. Sinto como se meu peito pegasse fogo, minha garganta ainda arde e minhas costelas doem.
Por um momento não me lembro de nada, mas logo as lembranças me invadem. Eu deveria estar morta, aquele raio era para ter me matado.
Pela visão periférica consigo dar um giro pela sala, reconheço quase imediatamente o lugar onde estou. É um quarto na enfermaria da Torre Stark. Fui capturada.
Mas não tem nenhuma algema presa em meus pulsos e até onde percebo estou completamente livre. Se bem que no estado em que me encontro, não conseguiria fugir nem se quisesse.
Fico deitada, encarando o teto e ouvindo o bip do aparelho cardíaco. Ouço passos se aproximando pelo corredor e a porta se abre.
Não faço questão de saber quem é meu visitante, por isso não me mexo. Mesmo assim é impossível não o reconhecer quando ele se aproxima da cama.
- Como se sente?- Tony perguntou, seu tom não revelava nada.
- Sinto como se tivesse sido esfolada e queimada viva. Depois de tomar uma surra... Ah, me esqueci. Foi exatamente o que aconteceu - respondi, ainda sem encará-lo.- Por que estou aqui?
- Estava ferida, para onde acha que deveríamos tê-la levado?
- Sou uma traidora, lembra?- solto em tom acusatório.- Eu deveria estar um uma das celas da sua super prisão estúpida.
Tony suspira.
- Eu... eu nunca a levaria para lá - ele fala.- Eu quase a matei, . Quando vi você caída, inconsciente. Achei que estava morta e...
- Não queria outra morte na sua consciência, não é?- pergunto. - Bill Foster já foi o suficiente. Bem, já estou viva como pode ver, não precisa mais se sentir culpado.
Tony fez uma careta diante de minhas palavras.
- Você ficou duas semanas em coma - falou. Arregalei os olhos, tomada pelo pânico. E a luta? O que aconteceu com os outros?
- O que aconteceu?
- Depois que todos viram você inconsciente, acreditaram que estava morta. Ninguém queria mais mortes. Capitão se rendeu e eu vi o quanto aquilo não valia a pena.
Meu Deus. Tudo havia desmoronado. Uma sensação ruim invadiu meu peito, eu sentia que algo de muito ruim aconteceu.
- O que aconteceu com Steve?
Tony engole em seco, repentinamente mais nervoso do que já estava, como se temesse minha reação.
...
- O que aconteceu, Tony?- eu o pressiono.
- Ele está morto - ele respondeu, seu rosto virado para longe de mim.
Todo o sangue foge de meu rosto, sinto-me entorpecida. Steve... morto?
- Como...?
- Ele se rendeu, estavam escoltando-o até o Capitólio para um julgamento. Ele sofreu um atentado e foi baleado.
Meu amigo... meu melhor amigo, morto. As lágrimas começaram a escorrer antes que eu percebesse.
Tony sentou-se na poltrona ao lado da cama e segurou minha mão.
- Eu sinto muito - falou. - Ele também era... ou foi, meu amigo. Não queria isso para ele tanto quanto você.
Aperto sua mão de volta, segurando-a com força. Deveria ter passado uns cinco minutos.
- Você não imagina o quanto eu lamento por ter acabado assim, - Tony murmura, vendo meu estado após tantas notícias horríveis.
- Eu preciso pensar, Tony - digo, soltando sua mão.- Pode me deixar sozinha um pouco?
Ele se levanta, mesmo sua expressão deixando clara que ele não quer sair. Assim que a porta se fecha, levo as mãos ao rosto tentando em vão me controlar.
Eu sabia. Sabia que isso não acabaria bem, sabia que algo terrível aconteceria.
Primeiro Thor, agora Steve... estou perdendo todos os meus amigos, todos os que amo, estou vendo minha família sumir.
Eu simplesmente não estou mais conseguindo me conter e estou chorando compulsivamente agora. E estou surpresa com isso, nunca fui fraca assim, não costumo chorar. Mas todos esses acontecimentos vêm deixando meu emocional terrivelmente abalado.
Meia hora mais tarde, quando estou um pouco mais controlada, consigo respirar fundo e por meus pensamentos em ordem. Teria de ficar algum tempo aqui, não tenho condições de sair agora, meus ferimentos precisam ser tratados. Assim que estiver recuperada, irei pessoalmente verificar como as coisas andam, a sociedade super-humana deve estar passando por um colapso.
A porta se abre lentamente, não contenho a exclamação de surpresa ao ver quem entra, Clint Barton, o Gavião Arqueiro, vestindo seu traje detalhado em roxo. Ele fecha a porta e se aproxima da cama.
— Você está horrível – comenta.
Sorrio minimamente com aquilo. Sempre fomos grandes amigo, sinto falta de quando conversávamos.
— Obrigada, canário – brinco.
— Você nos deu um susto e tanto – ele suspira. – Quando caiu daquela altura e não levantou mais. Achamos...
— Sou mais forte do que pareço.
— Sei disso, nunca duvidei da sua força – Clint segura minha mão e sorri para mim novamente.
— Como estão as coisas? Sem ele?
— Complicadas. O vovô faz falta para muita gente – ele suspira.– Ainda não consigo entender.
— Imagina como está sendo para mim. Não faz nem duas horas que saí do coma e me sinto em outra vida.
— Vamos superar – ele sorri.– Somos os Vingadores, não somos? Os heróis mais poderosos da Terra.
— Será que somos? – questiono.– Perdemos muitas pessoas, Clint. Não somos como imaginamos. Acreditávamos que éramos os mais poderosos e invencíveis, mas... depois disso tudo...
— Eu sei – concorda. – Vamos nos recuperar de mais essa.
Assinto e lhe puxo para um abraço, me sentindo um pouco melhor por ainda ter um amigo.
— Preciso ir – diz, afastando-se e depositando um beijo em minha testa. – Não sabe o inferno que está lá fora essas semanas.
— Gostaria de nunca saber.
— Logo você vai estar lá no meio – ele diz, em tom de humor, mas logo está sério outra vez. – Precisamos de você.
Ergo uma mão, para me despedir e ele faz um sinal de cabeça antes de sair.

***


Os remédios para dor devem ter feito efeito, pois só acordei horas após da saída do Gavião de meu quarto. A dor estava razoavelmente melhor e eu estava pronta para encarar Tony.
Como se lesse minha mente, a porta se abre e ele entra. A expressão retraída, mas assim que me vê ela se suaviza.
— Achei que estaria dormindo.
— Eu estava – digo com voz rouca.
— Quer que volte mais tarde?
— Não – digo, pedindo que se aproxime.– Preciso falar com você.
Ele para diante minha cama e eu faço uma inspeção total em Tony. Ele estava tão diferente. Olheiras, o cabelo uma bagunça, até sua postura estava mais caída. Era como uma sombra do que um dia ele foi. Aquilo doeu em mim, porque nunca o quis assim, eu o amava e não podia ver ele sofrendo daquela maneira.
— Perdi muitos amigos nesses últimos meses – comecei, segurando em sua mão e o puxando para mais perto.– Não aguentaria perder mais alguém que amo.
Refleti muito sobre isso. Eu estava arrependida por ter escolhido um lado nessa luta ou invés de tentar evitar que um destruísse o outro. E agora que acabou e sobrou apenas as ruínas, sinto a necessidade de reconstruir tudo novamente.
... – Tony me envolve em um abraço leve e afunda sua cabeça em meu pescoço.
Passo meus braços a sua volta.
— Vamos nos recuperar disso – falo, lembrando-me das palavras de Clint.
Sinto os lábios de Tony se prenderem nos meus, ele me beija com cautela, acredito que seja medo de me machucar. Ele se afasta e eu afago seu rosto, sentindo sua barba em meus dedos.
— Eu amo você, idiota Stark, mesmo com tudo o que aconteceu e o que vai acontecer. Somos fortes o suficiente para nos reerguer outra vez e passar por cima de qualquer coisa.
Ele sorri para mim e me beija outra vez, ao se afastar de meu rosto ele passa seu polegar em minha bochecha.
— Vou me redimir, com você, com nossos amigos e... não vou deixar a memória de Steve ser manchada pela S.H.I.E.L.D, acredite em mim – fala, seu tom levemente solene quando volta a me encarar nos olhos.– Eu amo você.
Eu sei que as coisas não estão completamente em seus lugares, muito pelo contrário, estão uma bagunça só. Mas não vamos resolver nada brigando, guardando ressentimentos um do outro.
Tony tem seus defeitos, eu tenho os meus, Steve tinha os dele e todos os outros heróis e humanos têm também seus próprios defeitos. Essa guerra foi uma consequência de vários desses defeitos mesclados com nossas escolhas erradas e precipitadas.
Não acabou como nenhum dos dois grupos esperava, muito menos como eu esperava, mas será que algum de nós tinha realmente alguma ideia sobre como seria o fim?
Bem, eu definitivamente não imaginava um desfecho, não conseguia escrever um final para tudo, entretanto, posso muito bem acreditar que é possível e de fato fazer um novo recomeço.
Afinal, sou uma vingadora!




Continua...



Nota da autora: Hi, Starlight! Essa fic é um grande xodó meu e eu espero que estejam gostando da estória. Sem querer soltar nenhum spoiler, mas Tony e a PP ainda vão passar por boas tretas haha!

Nota de Beta: Uau, guria. Maravilhoso, não estava esperando pela morte do capitão nesse final de capítulo, mas foi surpreendente. Fiquei superfeliz que eles se acertaram e que o Tony resolveu fazer tudo certo. Capítulo super emocioanten, Meg, maravilhoso.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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