Última atualização: 21/11/2017

Capítulo 1

Terça-feira, 3:40 PM


gargalhou ao ouvir a “proposta” que Simon acabara de fazer, recebendo os olhares curiosos das companheiras e do homem. Só podia ser uma piada, era impossível que Simon fosse considerar aquela ideia.

- Você está brincando, não é? – perguntou quando percebeu que era a única achando graça daquilo. As amigas a encaravam, sérias, e faziam com que ela começasse a ficar tensa.
- Não estou brincando, . – Simon deu uma pausa para esperar o ataque que todos imaginavam que viria de , mas por sinal, não veio. – Olha, prestem atenção. Duas bandas criadas no The X Factor, que estouraram pelo mundo inteiro e estão no topo do mundo pop! Vocês são as bandas que marcarão uma geração inteira! Por que não juntá-los e fazer uma pequena turnê pelos países de origem dos dois grupos? Os fãs irão à loucura! – ele falava com a empolgação nítida em sua voz – Principalmente tendo e Louis juntos, o casal mais querido entre os adolescentes! , pense na oportunidade de passar um mês inteiro com o seu namorado. Quantos artistas dariam tudo para ter essa oportunidade?! – conseguiu arrancar um sorriso de , que pensou em como seria poder estar junto do namorado depois de quase cinco meses sem poderem se encontrar – Entendo que sua relação com o Harry não seja uma das melhores, seja lá por qual problema vocês tenham tido no passado, . Mas pense como artista, como uma profissional. Essa turnê tem tudo para ser um sucesso.

apenas respirou fundo antes de revirar os olhos e dar-se por vencida quando assentiu fraco com a cabeça. Seu pior pesadelo era ter que fazer qualquer tipo de contato com Harry Styles novamente, mas sabia que aquilo era o seu trabalho e, como Simon havia falado, ela precisava pensar e agir como a artista e profissional que era.

- Já aviso que não me responsabilizo por narizes quebrados.

Falou fazendo as outras meninas rirem. O próximo mês seria difícil para todas elas. Aguentar o clima entre e Harry era algo que afetava todos os que estivessem em volta dos dois.


Quarta-feira , 2:30 PM

Harry sentia o corpo tremer apenas em pensar nos trinta dias que teria que aturar os olhares atravessados e indiretas de . Sabia que, na cabeça da garota, ele estava errado. Mas teve motivos para fazer o que fez, ela não era a única sofrendo com àquilo. De qualquer forma, não poderia culpá-la se nem ao menos saber da verdade a garota sabia. Só de pensar naquele assunto, seu sangue fervia. Perdeu o grande amor de sua vida para um contrato estúpido e nunca se perdoaria por isso.

- Ei, dude! Tá chapado? – levou um susto ao ouvir a voz de Niall, estava tão distraído em seus pensamentos que vem o viu chegar – Tô falando há uns dois minutos e você nem pra responder! – falou ao sentar-se ao lado de Harry que riu fraco com a forma que o amigo falou. – Você tá ruim mesmo, hein, não sabia que você fumava também. Pegou as do Zayn?
- Não, Niall! – Harry riu – Só estou preocupado com essa turnê, cara. Não sei o que a é capaz de fazer.

Niall assentiu. Desde que a garota fez o nariz de Harry sangrar, na última vez que os dois se viram, ele passou a sentir um pouco de medo da ex-namorada do amigo e não podia negar que também temia que as coisas não fossem tão diferentes durante a turnê.

- Você devia contar logo a verdade, Harry.
- Ela nunca vai acreditar em mim, cara. Duvido que algum dia ela dê qualquer tipo de abertura para que eu me explique. – Harry bufou – Quer saber, foda-se! Agora não tem mais jeito, o contrato da turnê já está assinado, vou ter que encarar isso. Só espero que não tenha nenhuma confusão séria.
- Isso aí, cara! – Niall levantou a mão para fazer um high five com Harry – Mas vai preparado, não quero você apanhando de novo. – falou baixo no ouvido de Harry que riu enquanto o loiro andava em direção à escada.


Quarta-feira, 9:20 PM

- Eu não sei, Lou. Mas estou morrendo de saudades, não vejo a hora de te encontrar. – falou enquanto terminava de fechar sua mala.
- Eu já disse que você é a melhor namorada desse mundo? – Louis falou.
- Que gay, dude! – Zayn falou, fazendo rir alto do outro lado da linha.
- E você é o melhor namorado do mundo! – exclamou – Não ligue para o que o Zayn fala, meu amor. Ele só diz isso porque está sozinho e solitário. – Louis riu – Agora eu preciso desligar porque a está me perturbando para ajudar a arrumar a mala dela. Eu te amo, até amanhã.
- Também te amo, não esquece de tomar o remédio. Boa noite.

desligou a ligação, indo para o quarto de . Abriu a porta e encontrou a mesma deitada na cama em cima de várias roupas. A mesma digitava algo em seu celular com uma expressão indecifrada por .
olhou para o chão e encontrou a mala completamente vazia de jogada ali. Revirou os olhos e riu fraco. Não deveria esperar outra coisa vinda da amiga, que desde o dia em que se conheceram se mostrou extremamente preguiçosa e bagunceira.

- Você ainda não começou a mala, princess. – falou enquanto tentava arrumar espaço na cama para se sentar.
- Eu nem sei por onde começar. – suspirou – Por isso preciso da sua ajuda!
- Não é tão difícil assim, . – Vamos, levanta dessa cama e começa a ver o que você quer levar. – começou a empurrar para fora da cama enquanto a mesma ria e tentava se agarrar em , o que terminou com as duas caídas no chão.
- Ok, vamos começar a arrumar isso. – se deu por vencida enquanto se levantava.
- Estaria a princesinha começando a tomar jeito? – indagou fazendo uma careta e as duas riram – Leva esse pijama, para eu poder usar.
- Você sempre foi abusada assim, ? – Implicou com a garota.
- Hum... Eu acho que sim. – riu fraco – Ouvi você discutindo com o Elliot ontem, como vocês estão? – perguntou fazendo suspirar.
- Ele está chateado com a turnê. Você sabe, por causa dos meninos e tal... Ele fica inseguro. Não sei mais o que eu faço para deixar ele tranquilo. – falou sentando mais uma vez em sua cama, recebendo o olhar de estranheza de , que notou o rosto cansado da amiga.
- Ele é um chato, . – reclamou – Você faz parte da maior girlband do momento e foi determinado pelos seus agentes que você participe de uma turnê com uma boyband. É uma questão profissional, o que ele espera? Que você desista da sua carreira porque ele sente ciúmes?

ponderou por algum tempo. Já sabia que as amigas não apoiavam sua relação com Elliot e concordava que suas atitudes normalmente não eram das melhores. Mas o que poderia fazer se ele era o amor de sua vida. Por isso constantemente evitava aquele tipo de conversa.

- Eu não sei onde está o meu sobretudo vermelho. Ficou com você? – fez que não com a cabeça, entendendo que mais uma vez tentava mudar aquele assunto. – Depois vejo se alguma das meninas pegou emprestado.

Passaram praticamente uma hora arrumando a mala de , que era gigante e mesmo assim estava lotada. Não que isso fosse surpresa para elas, exagerada era pouco para definir a garota às vezes.
Enquanto isso, ouvia as risadas altas que vinham do quarto ao lado. Já fazia algumas horas que estava jogada em sua cama assistindo filmes na Netflix. Aquela provavelmente seria eleita a melhor atividade do mundo naquele momento pela garota, que não tinha tanto tempo livre para apenas relaxar em seu quarto já fazia meses. Mas, mesmo que estivesse aproveitando aquele momento de paz, as risadas vindas do quarto de chamavam sua atenção.

- Do que vocês duas tanto riem, posso saber? – perguntou entrando no quarto ao ver as duas rolando na cama de de tanto rir.
- Da irmã da assistindo o vídeo que o Justin fez para ela! – falou sem parar de rir.

A irmã mais nova de já era conhecida por todas as meninas, e não era segredo que a garotinha era obcecada pelo Justin Bieber já que era o único assunto que sabia falar. Sempre implorava para tirar fotos e fazer vídeos do garoto quando tinham eventos e premiações juntos, e as outras garotas sempre achavam aquilo hilário, já que eram amigas de Justin e o enxergavam como uma pessoa normal.

- Pensei que você estivesse dormindo, . – falou enquanto se recuperava de sua crise de risos e andando até sua escrivaninha para pegar um pacote de balas – Encontrei isso no mercado e lembrei que é a sua preferida, resolvi comprar.
- Obrigada, . – falou dando um beijo na bochecha da amiga – Eu passei a tarde inteira vendo filmes, nem lembro quando foi a última vez que tive tempo para isso.
- É bom a gente aproveitar esses dias para relaxar mesmo, com o lançamento do álbum novo e o inicio da turnê, nós não vamos ter tempo livre tão cedo. – falou.
- Falando sobre a turnê, qual é a primeira cidade?
- Liverpool. – falou – Aliás, Simon me mandou uma mensagem. Vamos sexta-feira, ao invés de sábado. Ele quer que cheguemos com antecedência e um monte de outras coisas que não lembro. – prendeu o cabelo num rabo-de-cavalo - Ah! Os ingressos começam a ser vendidos à meia-noite.
- Eu estou tão ansiosa! Imaginem que louco vai ser passar trinta dias com todos os meninos. Não vou desgrudar do Lou por um segundo de tanta saudade que eu tô sentindo.
- Desse jeito ele vai é fugir de você. – falou, fazendo as três gargalharem. – Também estou ansiosa, e não sei por que tenho a esperança de que essa tour faça bem para e Harry.
- Eu espero que pelo menos eles aprendam a agir civilizadamente perto um do outro. Eles se amam, todo mundo consegue ver isso.
- Mas o Harry vacilou muito feio, . Não sei como ele teve coragem de fazer àquilo com a .

falou suspirando. Odiava ver sua melhor amiga triste, e não conseguia compreender Harry por ter feito àquilo com a garota. O conhecia muito bem, estavam sempre juntos graças à amizade que tinha com Louis e ao relacionamento passado que ele teve com . Costumavam sair os dois casais juntos e podia jurar que ao olhar para o garoto enxergava quando ele era apaixonado por . Aquela história nunca faria sentido para .


Quinta-feira, 1:40 PM

- Bom dia. - falou com a voz rouca enquanto terminava de descer os últimos degraus da escada, arrancando os olhares surpresos das meninas.
- Acordou tão tarde assim por que, ? – perguntou para a garota que a encarou por alguns segundos antes de conseguir raciocinar que deveria responder algo. se sentia um zumbi, havia dormido no mínimo umas dez horas àquela noite.
- Tomei dois comprimidos para dormir ontem, não estou acostumada com isso. – falou enquanto praticamente se arrastava até um dos sofás localizados no centro da enorme sala de estar. Deitou com a cabeça no colo de , que passou a fazer carinho em seus cabelos deixando-a ainda mais sonolenta.
- O nosso voo é às nove da manhã, precisamos estar no aeroporto às sete. – anunciou – Já terminou de arrumar sua mala?
- Hm... não. – confessou – Alguém me ajuda depois?
- Eu te ajudo, ! – exclamou chegando no cômodo e logo se sentando desajeitadamente em um dos sofás – Nós já temos onze shows esgotados! Meu twitter está lotado de mentions sobre a turnê, os fãs estão tão animados!

falava animada, fazendo as garotas rirem de sua expressão um tanto quanto infantil e comemorarem o sucesso que a turnê já estava sendo antes mesmo de começar. Não tinha sido nem um pouco fácil chegar até ali, somente elas sabiam a quantidade de perrengues que passaram, mas quando recebiam aquele tipo de retorno percebiam que todos os seus esforços valeram à pena.
Enquanto as garotas comemoravam, tinha a cabeça em algum lugar muito longe daquela conversa. A palavra “twitter” naquele momento lhe causava estresse. Estava cansada daquela e de todas as outras redes sociais. Amava seus fãs, mas não aguentava mais entrar em suas redes sociais e ler aquele tanto de negatividade vinda de pessoas que nem sequer a conheciam. Era algo bobo, que todos diziam que ela deveria ignorar, mas realmente afetava a garota ao ponto de ter tomado dois comprimidos para conseguir dormir mais rápido e não pensar em todo o ódio gratuito que recebia.

- Ei, , preciso que levante para eu poder levantar também. – falou sorrindo quando a amiga a olhou um tanto quanto desnorteada, só então percebendo que o almoço estava pronto e deveriam ir até a mesa. – Aconteceu alguma coisa? – perguntou percebendo a maneira estranha que vinha agindo desde que acordara.
- Não! – forçou um sorriso enquanto abraçava de lado – Só estou cansada, não devia ter tomado aquele remédio ontem.


Sexta-feira, 6:30 PM

- Anda logo, ! Nós não podemos nos atrasar! - gritou pela terceira vez do andar inferior, logo avistando a loira descer as escadas batendo as rodinhas da mala dos degraus e quase cair quando chegou ao último.
- Já estou pronta! – falou emburrada. Sem dúvidas nenhuma, ela era a pessoa mais desanimada para entrar naquele carro e partir para o aeroporto.

Com cara de poucos amigos, entrou na van preta que as levaria até o aeroporto e, diferentemente do normal, durante todo o caminho permaneceu calada observando os carros pela janela. Havia passado os últimos três dias tentando manter seu humor o melhor possível e esquecer o que seria obrigada a viver pelo próximo mês, se recusava a pensar em Harry a não ser que fosse para reafirmar para si mesma o quanto o odiava. O que na verdade, não era o caso. Porque desejava sim conseguir sentir todo aquele ódio que sempre dizia ter por ele, mas no fundo sabia que nunca conseguiria. E aquilo acabava com ela, porque no fundo também sabia que era praticamente impossível parar de amá-lo.
Durante o voo quase todas as garotas dormiram as doze horas seguidas com exceção de e . Iriam encontrar os garotos em Liverpool e não poderia estar mais ansiosa. Passou dois meses sem ver Louis e agora passariam um mês inteiro, juntos, ela mal podia esperar. Odiava ter que passar tanto tempo longe de seu namorado, mas com todos os compromissos que suas carreiras exigiam que cumprissem, tudo o que ambos podiam fazer era aceitar e passar todo o tempo que pudessem juntos.
falava com Elliot por mensagem, ou melhor, brigava. Aquilo era rotina para a garota, que já havia se acostumado a pedir mil desculpas por coisas que nem se quer era culpada. não sabia se aquilo estava certo, apenas se sentia perdida. Ele a amava, ela sabia disso. Qualquer pessoa insulta à outra quando está irritada, certo? suspirou. Tantas perguntas vieram a sua cabeça e ela não encontrava respostas para nenhuma delas. Queria tanto poder conversar com suas amigas, mas sabia que elas odiariam ainda mais o namorado. E o que ela menos precisava era isso.


Liverpool, Inglaterra
Sábado, 8:00 AM

Após doze horas de voo, as cinco garotas finalmente chegaram à Liverpool. A saída do aeroporto foi complicada graças aos tantos fãs presentes que tentavam, de qualquer jeito, tocar ou tirar alguma foto com as garotas. Mas finalmente estavam a caminho do hotel e o nervosismo de era visível, isso afetava todas as garotas que se preocupavam em perder de vista e ela acabar dando umas boas porradas em Harry, como da última vez.
Ao chegarem ao hotel, finalmente puderam relaxar. Divididas em dois quartos, conversavam e descansavam enquanto podiam. tomava um banho enquanto esperava Louis chegar. Tinham combinado de sair para aproveitar o tempo que tinham juntos, já que a partir daquele dia teriam que dividir seus tempos com outras oito pessoas e vários shows. e estavam deitadas na mesma cama, cada uma em seu próprio mundo paralelo enquanto mexiam em seus celulares.

- Está com fome, ? - perguntou bloqueando a tela de seu celular e fechando os olhos.
- Eu ia perguntar o mesmo. – sorriu – Tô morrendo de fome, nós podemos pedir algo no serviço de quarto. – concordou enquanto pegava o telefone ao lado da cama ligando para a recepção.


Sábado, 11:40 AM

- Aquela é a melhor cheesecake que eu já comi na minha vida! - exclamou se jogando na cama, o que fez e rirem.
- Os meninos já chegaram, ? – perguntou enquanto se sentava ao lado de .
- Acabaram de sair do aeroporto. Daqui a pouco devem estar chegando.
- Eu estou tão ansiosa para começar essa turnê! – falou sorrindo – Nosso álbum está em primeiro no iTunes , isso é tão surreal.
- E pensar que há dois anos atrás nós nem nos conhecíamos. – sorri – Eu amo vocês, monstrinhas!

As três riram enquanto e se jogavam em cima de . As cinco se inscreveram no The X Factor em dois mil e catorze, todas como artistas solo. Por uma ironia do destino, não foram aprovadas como solistas, e sim convocadas a formar uma banda. As expectativas sempre foram grandes, mas nunca imaginaram que chegariam aonde chegaram. A banda Wingless Angels venceu o reality, ganhando um contrato com Simon Cowell e em dois anos já haviam conquistado milhares de fãs, lançado dois álbuns, algumas turnês e eram consideradas as novas Spice Girls. Isso sim as deixava orgulhosas e a mostravam que todos seus esforços valiam à pena.


Sábado, 1:25 PM

andava ao lado das quatro garotas sem fazer questão de esconder seu nervosismo. Encontrar com Harry tão cedo não estava em seus planos, se pudesse apenas o veria na estréia da turnê. Mas ao ouvir sua risada escandalosa vinda do restaurante, aquele sentimento que vinha ignorando há meses a atingiu em cheio novamente.

- Vai dar tudo certo, . – falou – Nós estamos com você. – sorriu tentando confortar a garota que parecia quase desmaiar de nervosismo.

realmente se esforçou, mas foi inevitável cruzar seu olhar com o de Harry e sentir aquela angústia mais uma vez. Fez questão de ignorá-lo enquanto cumprimentava os outros garotos e, por mais que não admitisse, aquilo incomodou Harry.

- Como foi a viagem, meninos? – perguntou .
- Foi boa. – Louis respondeu com a boca cheia de comida, fazendo todos rirem.
- Que horror, Lou. – repreendeu o namorado que deu um beijo na mesma.

Não tiveram muito tempo para jogar conversa fora, já que logo foram avisados de que tinham uma entrevista em uma hora para uma rádio local e tiveram que se dirigir até o local.


Sábado, 1:35 PM

- , nós podemos sair depois da entrevista. Ok? – Louis falou para . Eles realmente queriam passar algum tempo juntos, e o garoto sabia que a namorada havia ficado um pouco desapontada com a entrevista de última hora.
- Tudo bem, Lou. – o deu um beijo rápido – Desde que eu esteja com você, não me importo de dar mil entrevistas em um único dia.

Louis riu enquanto pensava no amor que sentia por . Não era a primeira vez desde o reencontro com a namorada que se pegava viajando em todos os detalhes da namorada. Sempre soube que era uma pessoa especial, mas a cada dia que passava se apaixonava cada vez mais.
Ao chegarem à rádio, foram encaminhados diretamente à cabine, que havia ficado um pouco apertada para os dez jovens, que nem mesmo perceberam que estavam quase atrasados.

- Ei, , pode dividir o microfone comigo se quiser.

Niall falou chamando a atenção da garota que procurava algum microfone para dividir, já que não tinha o suficiente para os dez. Niall, sem dúvidas, achava interessante. Adorava a personalidade da garota.

- Boa tarde, pessoal! – falou o entrevistador mostrando-os que já estavam no ar – Antes de começar, gostaria de agradecê-los por nos concederem essa entrevista. Bom, todos sabemos que estarão iniciando uma turnê a partir de amanhã, e estamos todos super curiosos para saber: o que devemos esperar dos shows?
- Muita diversão! - Harry exclamou animado, fazendo o entrevistador rir.
- Mas realmente, muita diversão, surpresas, músicas novas. Vai ser uma turnê que com certeza dará muito a que falar. – Zayn continuou.
- Falando em músicas novas, quais são as músicas preferidas e cada um?
- Who Knew, provavelmente. – falou distraída sem perceber a baita indireta mais direta que havia acabado de soltar para Harry – Pelo ritmo, e tal. É uma música gostosa de se ouvir. – tentou consertar, porém ninguém era bobo o suficiente para acreditar naquela desculpa esfarrapada.
- Over Again. – Harry falou olhando diretamente para . O clima naquela não tão grande sala era tenso.
- Eu gosto de Touch. Tem uma energia muito boa. – falou tentando amenizar o clima pesado.

Seguiram respondendo várias perguntas sobre a turnê que iniciariam no dia seguinte durante aproximadamente uns vinte minutos – tais esses que passou desejando abrir um buraco no chão e se enfiar dentro. Não suportava estar no mesmo ambiente de Harry por tanto tempo. - finalmente se despediram do pessoal da rádio e seguiam o caminho para sair do prédio e voltar para o hotel.

- e eu estamos pensando em dar uma volta. – Louis falou para os dois seguranças responsáveis pelas bandas durante a turnê – Podemos encontrar vocês no hotel?
- Acho melhor eu acompanhá-los, certo? Essas fãs são capazes de cometer cada loucura... – um deles começou a falar, mas logo foi interrompido por .
- Por favor? Não vai acontecer nada, mas qualquer coisa, nos escondemos em alguma loja. Por favor? – fez aquela cara que sempre fazia quando queria convencer alguém e, como esperavam, foram autorizados a seguir seus planos.


Liverpool, Inglaterra
The Nadler Liverpool Hotel, 3PM

- Está brincando? É o meu filme preferido! Eu sempre choro no final!

Exclamou . Estava no lobby do hotel com Niall, , Zayn e . Decidiram assistir um filme em um dos quartos em que estavam hospedados e conversavam tentando chegar a alguma conclusão de qual filme assistiriam.

- Não quero ver filme meloso não, gente. – falou fazendo um bico – Vamos ver uma comédia!
- Apoio alguma comédia. – Zayn falou indiferente. Era o único entediado com aquela conversa, estava a fim de ir para algum Pub e não se lembrar de nada que fizera no dia seguinte, mas sabia que não o autorizariam a ir por 1- ter que acordar cedo no dia seguinte e fazer um show; 2- se a imprensa descobrisse mais alguma merda vinda dele, arruinaria ainda mais sua imagem e Simon o mataria. – Só escolham logo, por favor.
- Então acho que todos concordamos com alguma comédia! – Niall falou sorrindo, fazendo sentir algo estranho. Não entendia por que, mas a presença do garoto a trazia uma tranquilidade que há tempos não sentia. Aquele sorriso a acalmava.

Seguiram para o quarto de Niall e Zayn decidindo que iriam procurar apenas os filmes de comédia até que encontrassem algum que agradasse a todos. Estavam se dando tão bem com menos de vinte e quatro horas de convivência, e estavam adorando aquilo.


Liverpool, Inglaterra
The Beatles Story Exhibition , 3:25PM

Louis decidira levar ao museu dos Beatles, como uma surpresa. Sabia que a namorada era uma grande fã e não via melhor programa para fazerem juntos. Tinha tudo planejado, iriam à beira do Rio Mersey no início da tarde e depois visitariam o - tão idolatrado por - museu dos Beatles, mas graças a entrevista de última hora que tiveram, apenas a segunda programação foi possível.

- Tira uma foto minha! – falou parando ao lado de uma vitrine com instrumentos usados pelos integrantes. parecia uma criança em um parque de diversões e a cada vez que ela sorria daquela forma, dava seus típicos pulinhos de alegria e gargalhava ao ver suas fotos recém tiradas, Louis se apaixonava mais ainda. Se é que isso era possível.

Ao chegar à saída do museu, um piano e uma guitarra em um cenário todo branco e a música Imagine tocando ao fundo. Uma homenagem a John Lennon. Louis se surpreendeu ao ver que a namorada chorava.

- É linda. – falou deixando o namorado confuso – A música. A homenagem também. – falou com a voz embargada, sentindo Louis a envolver em seus braços. – Eu te amo tanto. Promete pra mim que você vai sempre estar aqui? Que nunca vai me deixar?
- Eu prometo. Prometo porque não vai ser algo difícil de cumprir. Eu nunca seria capaz de te deixar, te magoar. Você é tudo pra mim, . Não faz ideia do quanto eu sou apaixonado por cada detalhe em você.

sentiu suas bocas serem seladas. Ela o amava tanto. Não se via sem ele, apenas em pensar em perdê-lo sentia seu coração esmagado. Não suportava a ideia de não tê-lo em sua vida algum dia.

- Minha mãe amava John Lennon. – sorriu deixando uma lágrima escorrer por sua bochecha – Ela cantava essa música quando eu era pequena. Era sua favorita. – sentiu sua visão borrar e lágrimas mais pesadas caírem de seus olhos – Tocaram em seu velório, você lembra? Ela iria amar esse lugar. – olhou para os pés lembrando-se de quando dormia ouvindo sua mãe cantar – Eu sinto tanta falta dela.

Louis a apertou contra seus braços. Odiava ver chorando, sentia seu coração apertado.

- Ela está tão orgulhosa de você, pode ter certeza. Ela foi embora com a missão cumprida. Deixou duas filhas maravilhosas que, com toda a certeza do mundo, a enchem de orgulho. – beijou o topo de sua cabeça – Eu vou estar sempre aqui. Sempre, . Você não vai se livrar de mim tão cedo. – escutou o riso fraco da namorada abafado por seu ombro – Eu te amo.



Capítulo 2

Liverpool, The Nadler Liverpool Hotel
Sábado, 8PM


- Não aguento mais não poder sair desse hotel! – exclamou chamando a atenção dos amigos que estavam tão entediados quanto a garota.
- Será que não nos deixam ir pelo menos àquela pizzaria aqui na frente? – Niall perguntou.
- Não, dude, têm mais de trinta paparazzi lá embaixo. – Liam o respondeu – E sinceramente, nem eu estou com paciência para enfrentar tantos flashes agora.
- Por que a gente não joga verdade ou desafio?
- Não tem nenhuma garrafa de vodka por perto? – Zayn perguntou desinteressado. Ainda desejava estar em algum pub bebendo e beijando todas as garotas que achasse atraente. – Não tem graça se não tivermos bebida.
- Não temos muitas outras opções, é isso ou ficamos encarando uns aos outros até irmos dormir. – falou encarando as unhas. O jeito de Zayn a incomodava. Por que tinha que agir como um bad boy ridículo? Nada o agradava e, em todas as vezes que saíra com o mesmo, agia como se não se interessasse em nada que acontecia em seu redor. sempre tivera a impressão de que o garoto se achava o centro do mundo.

E Zayn realmente se sentia. Não que realmente se achasse melhor do que os outros. Mas sabia que tinha condições de fazer o que quisesse, era Zayn Malik. O cara da maior boyband do momento, com milhares de fãs espalhadas pelo mundo e que conseguia o que quisesse quando quisesse. Nada tiraria isso dele, nem mesmo sua fama de bad boy que sai bêbado dos pubs e criador de confusões. Ele precisava ser alguém, e esse era o único alguém que estava conseguindo ser.
Não tendo outras opções do que fazer, como havia dito, os dez sentaram-se em círculo e pegaram uma escova de cabelo de , girando a mesma que parou apontando para Harry, que faria a pergunta, e que responderia.

- Desafio! – a garota falou se arrependendo ao enxergar a malícia no olhar de Harry.
- Beije o Niall.

o olhou com espanto. Não tinha como beijar Niall, eram grandes amigos e já havia chegado em seus ouvidos a suposta queda que o garoto tinha por ela. Pôde perceber nove olhares em cima de si, um em especial. Niall a encarava tentando não deixar tão óbvio que estava louco para beijá-la. Era uma brincadeira idiota e pareciam dez pré-adolescentes, mas Niall esperava há tanto tempo por uma oportunidade de beijar que seus olhos chegavam a brilhar e a garota não pôde ignorar tal ato. O encarou tentando se decidir se o beijaria ou agiria como uma criança se recusando a fazer algo que a mesma se dispôs.

- Anda, , é só um beijo! – falou desafiando a amiga. quis matá-la naquele momento. se aproximou do garoto e deu um selinho, podendo ouvir as desaprovações do resto do grupo que esperava algo maior do que aquilo. Se afastou de Niall sentindo-se nervosa quando percebeu sua própria vontade de ter feito algo mais intenso do que aquilo. Não poderia de forma alguma se sentir atraída por Niall, não mesmo.
Mais uma vez giraram a garrafa que, dessa vez, fez com que desafiasse a tuítar uma foto horrível que havia tirado quando a mesma estava dormindo. Seguiram o jogo e não conseguiam parar de rir, alguns desafios e verdades eram tão idiotas que chegavam a ser hilários. Sentiam-se crianças novamente, sem toda aquela responsabilidade de lidar com suas imagens e aproveitando o momento.

- Não quero mais brincar. – falou tentando esconder sua irritação quando Zayn insistiu em desafiá-la a ligar para Elliot e dizer que o havia traído. Se dissesse aquilo para o namorado, seria morta. E humilhada. Com certeza Elliot não perderia a chance de chamá-la de insultos muito mais baixos que os normais e não queria aquilo na frente de seus amigos, por mais que fosse brincadeira, sabia que os insultos seriam verdadeiros.
- Para de ser criança, . – falou rindo da cara da amiga. – É uma brincadeira, poxa!
- Vou te dar duas opções então. – Zayn falou com o olhar sacana – Ou você liga, ou nós ligamos. Mas se você ligar, pode dizer no final da ligação que é só um trote. Se nós ligarmos, ele só pode ficar sabendo que tudo não se passa de uma brincadeira amanhã, depois do show. olhou para a amiga percebendo a tensão em seu rosto. Sentiu-se culpada por um momento por ser uma das pessoas obrigando-a a passar por aquilo, mas era só uma brincadeira e não entendia porque do estresse de em relação ao jogo, Elliot entenderia que não se passava de um trote.

praguejou em sua mente enquanto pegava o celular no bolso de sua calça de moletom. Estava torcendo para que Elliot não atendesse como normalmente fazia. Estava morrendo de medo do que o garoto faria, o conhecia muito bem para saber que quando ficava com raiva, se tornava alguém irreconhecível e seu maior medo era que seus amigos o vissem daquela forma.

“Fala.” – ouviu a voz grossa do outro lado da linha.
“Você tá ocupado?” – perguntou um pouco incomodada com a forma nem um pouco carinhosa que o namorado havia falado – “Preciso te contar uma coisa.”
“Conta logo, então.” – o garoto falou com tédio na voz, o que fez as amigas de se entreolharem. As quatro nunca aprovaram o namorado da amiga, principalmente pela forma ignorante que o garoto tratava .
“Eu te traí.” falou observando os amigos se esforçarem para segurar as risadas.
“Como assim me traiu?” – sua voz se alterou para um tom mais alto – “Ta tirando com a minha cara?” - o resto do grupo não sabia se riam ou se preocupavam com a forma que o garoto falava com , que parecia realmente chateada, e Zayn se segurava para não rir. Achava graça da situação, mas não queria parecer tão babaca rindo da desgraça da garota – “Vadia, quem você pensa que é pra me trair? Você tá maluca?!”

engoliu seco. Sabia que aquela brincadeira não daria certo. Agora seria humilhada na frente de suas amigas, que o odiavam, e de seus novos companheiros de turnê.

“É uma brincadeira, amor. Desculpa.” – tentou dar um riso fraco, mas não obteve sucesso – “Me desafiaram a te passar um trote dizendo isso, mas eu juro que não é verdade.”
“Como você quer que eu acredite nessa sua historinha medíocre, ? Uma piranha como você nunca seria de um cara só, não é mesmo?” pôde sentir a raiva na voz de Elliot e logo tirou o telefone do viva-voz. Era óbvio que aquilo não ia dar certo, deveria ter simplesmente saído da brincadeira e ido para seu quarto.

Todos agora a olhavam um tanto quanto chocados, ninguém esperava aquele tipo de reação. Nem mesmo suas amigas. se levantou da rodinha andando em direção à porta enquanto ouvia Elliot descontando toda a sua raiva em palavras de baixo calão. Saiu do quarto batendo a porta com força e indo em direção ao quarto que dividia com duas de suas amigas.

- Acho que dessa vez pegou pesado, Zayn. – falou. O clima no quarto ficou tenso. Não que, para eles, fosse algo superpreocupante. Em suas cabeças, no máximo os dois teriam uma DR e tudo ficaria bem no final, mas a consciência de Zayn estava um tanto quanto pesada e ele estranhava aquilo.
entrara em seu quarto do hotel como um furacão. Elliot não parava de falar por um segundo e a garota sentia que sua cabeça ia explodir. Estava exausta do gênio forte do namorado e estava cansada de estar sempre errada. Sabia que não deveria ter aceitado a brincadeira, mas por que Elliot não poderia, pelo menos uma vez na vida, ser compreensivo e não agir feito um louco quando qualquer coisa saísse de seu controle? O garoto esbravejava do outro lado da linha, como sempre, fazendo a cabeça de contra si mesma. Dizendo que era impossível acreditar nas palavras de pelo simples fato de ela estar cercada por cinco homens, e longe dele. Esse era o ponto. Estar longe de Elliot. Ele nunca gostara de perder o controle do relacionamento e durante a turnê, não tinha como controlar a garota. Que tinha a cabeça feita de que o namorado apenas se preocupava com ela e a amava quando na verdade ela o amava tão cegamente que não enxergava o mal que o garoto a fazia.
Depois de tantos insultos e papéis de vítima vindos de Elliot, a ligação ficara muda e pôde ver que o garoto havia desligado. Respirou fundo e só então percebeu que estava chorando. Maldito momento em que permaneceu naquele quarto e aceitou a brincadeira estúpida de Zayn.


Liverpool, The Nadler Liverpool Hotel
Domingo, 9:30AM

Naquela manhã, acordou de mau humor. Elliot não respondera nenhuma de suas mensagens desde a noite anterior quando desligara o telefone sem nem mesmo resolver as coisas.
e ao chegarem no quarto de hotel de e encontraram a garota dormindo em uma das camas com o celular ao lado. Não sabiam ao certo o que havia acontecido ao fim e se preocupavam com as coisas que Elliot havia falado daquela vez. O garoto sempre conseguia manipular , e as amigas não podiam fazer nada além de aconselhá-la e apoiá-la todas as vezes que o mesmo a magoava.

- A entrevista vai ser no lobby. Temos que estar lá embaixo às dez horas.

falou saindo do banheiro enquanto entrava no mesmo para tomar seu banho. , que havia dormido no lugar de , se maquiava em frente ao grande espelho do quarto.

- Você está bem? – perguntou à loira que parou de se maquiar para encará-la com expressão de confusão – O Harry. Todo mundo sabe que vocês não se odeiam, .

respirou fundo voltando a se maquiar, dando a entender que ignoraria como sempre fazia quando alguém tocava naquele assunto. Ela realmente não queria falar sobre Harry. O fato de não conseguir odiar verdadeiramente seu ex-namorado que havia terminado o namoro de um ano para começar ter um caso com a ex-affair, já a deixava frustrada e confusa o suficiente, ter que falar sobre aquilo era mais difícil ainda. Mas sabia que, se não conversasse sobre seus sentimentos confusos com alguém, explodiria. Explodiria cada vez que tivesse que olhar para aqueles olhos verdes.

- Eu o odeio. - falou simplesmente, fazendo encará-la por alguns segundos até andar em direção à mesma, sentando-se ao lado da garota.
- O amor e o ódio andam lado a lado, . – sorriu tentando mostrar à amiga sua compaixão. Entendia a necessidade da amiga de odiar Harry, mas conhecia a amiga e sabia que ela não o odiava. – Você sabe que só diz isso porque quer convencer a si mesma de que esse sentimento é real. Mas ele não é, . – Falou, deixando estática encarando para o batom que tinha em suas mãos. Percebendo que havia deixado a amiga sem fala, prosseguiu. – Você sabe que ainda sente algo. Luta por esse amor.
- Lutar por um amor que não existe mais? – sentiu o coração apertar ao dizer em voz alta a pergunta que tanto rondava sua cabeça.
- Quem disse que não, ? Você sabe que ele sofre tanto quanto você.
- Quem ama não machuca, . - encarou a amiga – Se tudo isso é verdade, então por que ele me deixou? Ele nem se importou em dar alguma explicação.
- Você só vai encontrar as respostas quando conversar sobre esse assunto com ele.
- Então eu não terei as respostas nunca.

respirou fundo. Tinha certeza de que havia motivos muito mais profundos para Harry ter agido daquela forma com , mas a garota era a pessoa mais cabeça dura que conhecia, convencê-la a dar uma chance as explicações de Harry seria praticamente uma missão impossível.

- , seca o meu cabelo?

perguntou saindo de dentro do banheiro com seu hobby atoalhado enquanto penteava seus cabelos loiros que estavam encharcados caminhando em direção à cama para se sentar. assentiu para a amiga.

- Pedi waffles e capuccino pra você. – falou para a garota enquanto pegava o secador de cabelo no banheiro – Sei que não gosta de tomar café da manhã, mas ontem você não jantou e o dia hoje vai ser corrido. Você precisa se alimentar direito. sorriu fraco. Realmente odiava tomar café da manhã, pelo simples fato de não ter apetite ao acordar. Como de costume, estava sem apetite nenhum, mas sabia que não a deixaria em paz se não comesse direito e apreciava os cuidados da garota.

Tinham duas entrevistas durante o dia e às cinco da tarde teriam que ir para a arena onde o primeiro show da tour se realizaria. Os dez jovens não tinham como estar mais ansiosos. Nunca haviam dividido palco antes, fora que era uma turnê completamente oposta ao que estavam acostumados.


Liverpool, Echo Arena
Domingo, 9:35PM

- Pessoal, nós queremos agradecer muito todos vocês. Agradecer todo esse carinho e amor que vocês transmitem para a gente. É incrível pensar que há três anos nós cinco nem imaginávamos que algum dia estaria cantando em uma arena lotada, ainda mais, juntas! Graças a vocês eu tenho a honra de vivenciar meu sonho com as quatro irmãs que esse mesmo sonho me presenteou. Vocês nos dão asas a cada dia, vocês nos fazem voar cada vez mais longe.

terminou seu discurso arrancando gritos dos fãs e logo ouvindo iniciar a música.

“I can be so negative sometimes
(Eu posso ser tão negativa às vezes)
My own worst enemy sometimes
(Minha própria inimiga às vezes)
Even at my lowest low
(Mesmo quando estava na pior)
You still had hope
(Você ainda tinha esperança)”


mantinha sua expressão tranquila com os olhos fechados. Amava aquela canção simplesmente por descrever tanto a relação das cinco garotas. Os fãs gritavam seus nomes e alguns tinham cartazes engraçados em mãos, amava aquilo. A fazia se sentir tão acolhida.

“When i wanna quit,
(Quando eu quero desistir)
You won’t let me
(Você não vai deixar)
When I’m falling down,
(Quando estou caindo)
You gon’ catch me
(Você vai me pegar)
You pick me up yeah, you fix me up
(Você me pega, yeah, me conserta)
Now I’m on my way,
(Agora estou no meu caminho)
And I’m strong enough to say
(E sou forte o bastante para dizer)”


cantou dando entrada ao refrão da música junto às outras quatro garotas.

“You gave me wings and taught me fly
(Você me deu asas e me ensinou a voar)
When I was out there on my own
(Quando eu estava lá sozinho)
You gave me wings and brought me to life
(Você me deu asas e me trouxe para a vida)
And now I need to know
(E agora eu preciso saber)
If you wanna fly cause I wanna fly yeah
(Se você quer voar porque eu quero voar)”


e se abraçaram e cantaram como se estivessem conversando uma com a outra fazendo os fãs irem à loucura. Eles amavam vê-las interagindo umas com as outras.

“Tell me you’re down for touching the sky yeah
(Me diga que você está dentro para tocar o céu yeah)
You and me me and you
(Você e eu, eu e você)
The higher the better
(O mais alto, melhor)
When we fly, we fly together
(Quando nós voamos, voamos juntos)
Together, together, together, together
(Juntos, juntos, juntos, juntos)
When we fly we fly together
(Quando nós voamos, voamos juntos)”


começou sua parte da música.

“I feel like a prisoner locked up
(Me sinto como uma prisioneira trancada)
The only key to set me free, is your love
(A única chave para me libertar é o seu amor)
You went and took a chance on me
(Você foi e deu uma chance para mim)
Without a reason to believe
(Sem uma razão para acreditar)”


cantava e se lembrava de Elliot. De como ele havia sido incrível para ela na época em que se conheceram. Enquanto todos passavam a acreditar nos milhares de boatos que as revistas de fofocas espalhavam sobre ela, Elliot havia sido um dos únicos a enxergá-la além daquilo. Ela seria eternamente grata a tudo o que o garoto havia proporcionado-a. Em um momento onde se viu sozinha e perdida, ele fora o único a fazê-la se sentir importante. Tudo o que ela desejava era que o Elliot que conhecera há um ano, voltasse.
Quando deu por si, já haviam finalizado a música e agora tudo o que se podia ouvir no estádios eram gritos histéricos incompreensíveis. Aquela era a última música do repertório da girlband e os garotos já entravam de volta ao palco para que cantassem juntos um cover da música “I Lived” da OneRepublic.

“Hope when you take that jump, you don't fear the fall
(Espero que quando pule, você não sinta a queda)”

– Harry começou.


“Hope when the water rises, you built wall
(Espero que quando a água suba, você construa um muro)”

- A voz de Zayn pôde ser ouvida.

“Hope when the crowd screams out they’re screaming your name
(Espero que quando a platéia grite, eles estejam gritando seu nome)”

completou caminhando pelo palco. –
“Hope if everybody runs you’ll choose to stay
(Espero que se todos correrem, você escolha ficar)”

“Hope that you fall in love and it hurts so bad
The only way you can know you gave it all you had
(Espero que você se apaixone e que doa muito / O único jeito de saber que você se deu por inteiro)

- cantou dando uma olhada rápida para Harry.

"And I hope that you don't suffer
but take the pain
(E eu espero que você não sofra, mas aceite a dor)"

- Niall sorriu.

“Hope when the moment comes
You’ll say(Espero que quando o momento chegue, você diga)”
– Foi a vez de .

"I, I, I, I did it all
I, I, I, I dit it all
(Eu, eu, eu, eu fiz tudo isso)
I owned every second that this world could give
(Eu possuí cada segundo que esse mundo pôde dar)
I saw so many places, the things that i did
(Eu vi tantos lugares, as coisas que fiz)
And with every broken bone
(E com todos os ossos quebrados)
I swear i lived
(Eu juro, eu vivi)"

Todos cantaram juntos e a energia que sentiram era indescritível. Algo os unia, como se completassem em cima daquele palco. Era estranho, não se conheciam direito. Tirando e Louis, eram todos apenas amigos de eventos, se encontravam de vez em quando e conversavam vez ou outra, mas aquele sentimento que os preenchia era desconhecido para eles.

“Hope that you spend your days and they all add up
(Espero que você gaste seus dias e que todos eles adicionem)”

cantou enquanto era abraçada de lado por Harry.

“And when the sun goes down hope you raise your cup
(E quando o sol se pôr, espero que você levante seu copo)”

– Louis cantou fazendo sorrir olhando para o mesmo.

“I wish that I could witness all your joy and all your pain
But until the moment comes I’ll say
(Eu queria poder testemunhar toda a sua alegria, toda a sua dor / Mas até o momento chegar, eu vou dizer)”

cantou enquanto se esforçava para ler o que estava escrito no cartaz que se encontrava erguido logo a sua frente.


Pela última vez cantaram o refrão e os gritos histéricos puderam ser ouvidos assim que as luzes se apagaram indicando que o show havia chegado ao fim. A emoção tomara conta quando saíram do palco e se deram conta do sucesso que o primeiro show da tour havia sido.

- Vocês viram aquela menina na arquibancada com a bandeira do Brasil? – Niall perguntou ainda desacreditado que havia uma brasileira assistindo ao show em Liverpool. Sempre se surpreendiam com fãs que vinham de outros países para assistir os shows, apesar de viverem a fama há anos, não eram completamente acostumados a tudo aquilo e muitas vezes acreditavam que nunca se acostumariam.
- Pessoal, o voo é a meia-noite. Vocês têm vinte minutos até Josh e Pablo irem buscá-los e seguirem para o aeroporto. O tempo é curto, se apressem.

Um dos produtores da turnê avisou fazendo sinal para que as duas bandas se dirigissem a seus respectivos camarins para que se preparassem para o pequeno percurso até Sheffield.
As garotas entraram em seu grande camarim, que estava completamente desorganizado graças as roupas e bolsas espalhadas por ali, já tirando o figurino para colocar suas roupas confortáveis. Precisavam de um banho, estavam completamente suadas e tirar o figurino colado era um desafio.

- Eles cantaram todas as músicas! – exclamou enquanto pendurava o figurino suado – Foi maravilhoso, eu amei!
- Os cartazes são a melhor parte! Sempre me divirto lendo. - riu ao lembrar do que estava escrito em um dos cartazes que lera.

estava calada. Claro que as amigas amavam ler os cartazes, nenhum deles às insultava. também se divertia ao ler os dizeres até alguém levantar um cartaz que dizia “ não sabe cantar, saia desse palco!”.
Por mais que houvesse vários engraçados e carinhosos, aquele único não saía de sua cabeça. Como se já não bastassem todas as coisas que a diziam pelas redes sociais, agora ainda teria que suportar isso nos shows?
notara o comportamento da amiga e, por mais que agisse contrário, sabia o motivo. Lera o cartaz e sua vontade era voar no pescoço de quem quer que fosse a pessoa que tinha aquele papel em mãos. Como alguém era capaz de dizer aquelas coisas para ? Se surpreendia com a capacidade das pessoas serem tão insensíveis. Ainda mais com , que nunca fizera nada de errado para receber todo aquele ódio que via constantemente nas redes sociais.


Sheffield, Novotel Sheffield Centre
Segunda-feira, 1:30AM

- Eu e Louis dividiremos o outro quarto então. – Niall falou para Liam, estavam decidindo como ficaria a divisão dos quartos.
- Tá bom, agora podemos pegar as chaves dos quartos? – perguntou entediada. Não estava suportando dividir um dos sofás do saguão do hotel com Harry, que percebia o incômodo da garota. Louis e foram fazer os check-in’s. Estavam todos exaustos, só queriam tomar seus banhos e dormir, mas é claro que algo teria que atrapalhá-los e no caso havia sido as divisões dos quartos e os tantos paparazzi e fãs no aeroporto e ao lado de fora do hotel. Por mais que amassem todo aquele carinho, às vezes precisavam de um descanso de toda aquela loucura.
- Quem vai tomar banho primeiro?

perguntou ao entrar no quarto que dividiria com e .

- Podem ir, eu estou morrendo de preguiça.

falou sentando-se no assento embaixo da janela. Estava exausta, mas tão feliz pelo resultado do primeiro show da turnê e nem sabia ao certo como descrever o outro sentimento presente em seu peito. Gostaria de dormir no mesmo quarto de Louis, ele era o único que a acalmava quando aquele sentimento a preenchia, mas não queria ser a causadora de uma reorganização dos quartos.

- Já que as duas são preguiçosas até para serem higiênicas, eu estou indo.

riu seguindo para o banheiro. sorriu observando a amiga. Era tão gentil, sempre sorrindo para todos e transmitindo sua calma. tinha um instinto protetor por todas as garotas, as amava como suas irmãzinhas e quem ousasse fazer algo de ruim para qualquer uma das mesmas, poderia se preparar para sofrer nas mãos da garota.

- Eu vou ao quarto das meninas, já volto.

Falou para , que assentiu, saindo do quarto em seguida. Ela realmente iria até o quarto das garotas, mas suas intenções eram de encontrar um certo alguém pelo caminho.

ouviu o celular vibrar em cima da cama e se apressou para atendê-lo, questionando-se quem a ligaria àquela hora.

? Você está ocupada?” – voz calma e baixa do outro lado da linha fez identificar sua irmã mais nova.
“Não, sis. Por que está me ligando a essa hora? Deveria estar dormindo.” – respondeu sendo a irmã protetora que era.
“Estou em Miami, . Aqui ainda são oito horas da noite.” – a adolescente falou rindo junto com a irmã mais velha de sua desatenção . – “Como foi o show?”
“Foi maravilhoso. Queria muito que você estivesse lá comigo.” – sorriu. Sentia tanta falta da companhia de Valentina, se sentia culpada por não estar por perto para apoiar a irmã naquele momento de suas vidas.
“Se você convencer o meu pai a me deixar faltar algumas aulas, no próximo show, eu estarei.” – as duas gargalharam e então um silêncio tomou conta da ligação. Se comunicavam em silêncio, não ouviam uma à outra, mas sabiam que pensavam no mesmo assunto. – “Liguei porque sinto a falta dela. Sua voz me lembra à dela.” – Valentina sussurrou a última frase, que fez com que sentisse um bolo em sua garganta. Odiava se mostrar fraca para a irmã, e aquele era o único assunto que fazia com que desabasse.
“Ela está cuidando da gente.” falou com a voz fraca. Secou uma lágrima que insistiu em escorrer por sua bochecha.
“Meu pai não para mais em casa.” – a garota falou. – “Chegou de New York ontem, amanhã vai para Chicago.”

percebia a tristeza na voz da irmã, e tudo o que desejava era poder levá-la consigo para onde quer que fosse. Odiava o fato de seu padrasto ser tão ausente na vida da irmã e ter se tornado ainda mais após a morte de sua mãe, odiava também não conseguir estar tão presente quanto antes na vida da irmã mais nova.
As duas cresceram sob os mimos e cuidados da mãe e das tantas babás que tiveram enquanto eram crianças. , com seus vinte anos recém completados, agradecia por cada momento que passara com a mãe ao seu lado ao mesmo tempo em que se sentia mal por não se considerar uma boa referência para a irmã mais nova, que passava a adolescência sem os conselhos sábios da mãe.

“Assim que eu conseguir, vou te levar para viajar comigo, ok?” – falou tentando animar a garota. – “Eu preciso tomar um banho e dormir, Sis. Amanhã te ligo antes do show, tá bom?” – falou quando viu sair do banheiro – “Eu te amo, boa noite.”

Desligou a ligação e suspirou. Gostaria de saber quando sua vida se tornou aquela confusão. nascera em berço de ouro, sempre tivera tudo e passara, pelo menos, dezessete anos acreditando ter uma vida perfeita. Havia sido a típica cheerleader, rica e popular da escola, e amava aquilo até perceber que uma vida perfeita não se baseava em tudo o que sempre havia acreditado. Apesar do pai ser um homem muito ocupado, sempre se esforçara para estar presente na família. Quando criança, o chamava de “Super Pai” e achava aquilo um máximo, em sua mente, nenhuma outra criança tinha um apelido tão maneiro como aquele para seu pai. Se lembrava de quando ele ia para suas viagens e voltava com presentes para ela, que passava o dia pensando no momento que chegaria em casa para brincar com os brinquedos novos e sentir a barriga doer de tanto rir das piadas que o pai contava. Após se separar da mãe de , o homem se mudara de Miami para Washington e costumava visitá-lo frequentemente até o mesmo se casar novamente e criar uma nova família, dando cada vez menos atenção a filha mais velha. Já a mãe nunca falhara ao dividir o carinho e atenção. Costumavam ter o “fim de semana mãe e filhas” uma vez por mês, onde apenas as três viajavam juntas para algum lugar que gostassem. Uma vez foram a Bristol, pouco tempo antes de fazer a audição para o programa que mudou sua vida. A mulher fazia falta no dia a dia corrido da garota, que mesmo tendo passado os últimos anos praticamente sem parar em casa, estava sempre tendo contato com a mãe e visitando-a sempre que conseguia. Se lembrava de sua voz suave a aconselhando quando fora lançado o primeiro boato sobre , bem no início de seu namoro com Louis há dois anos, dizia que a garota havia traído Louis. havia ficado uma fera, nunca passara por aquela situação. Se recordava de sua mãe dizendo “Louis confia em você. É isso que importa. As pessoas que te amam estão ao seu lado, meu amor. E a mamãe sempre estará também. Aconteça o que acontecer, eu sempre estarei ao seu lado.” Aquela fora a época que a mãe começara a sentir dores e, orgulhosa como era, não contara para ninguém. Dois anos depois era tarde demais.

- , está tudo bem? – perguntou para a amiga que estava estática encarando o chão.
- Sim. – a garota chacoalhou a cabeça na intenção de livrar-se de tantos pensamentos. – Vou tomar meu banho. – falou enquanto pegava seus pertences e seguia para o banheiro. apenas assentiu. Estava tão cansada que estava alheia a tudo que acontecia em sua volta. Vestiu o short macio de seu pijama e não pôde deixar de olhar para a marca, antes mais forte, roxa na parte de trás de sua coxa direita. Praguejou silenciosamente por ter reparado no hematoma, tudo o que mais queria era se esquecer daquilo, já havia passado quase um mês e a maldita marca não desaparecia. Tirou o short buscando por sua calça de moletom para vestir no lugar, não queria que suas amigas vissem. Despertou de seus devaneios quando ouviu a chamar do banheiro, pedindo que levasse sua necessaire até lá.


2:00AM

- Você sabe que não posso falar sobre isso com elas, Liam. – falou.
- Por quê? São suas amigas, elas vão entender.
- Nós somos um grupo. Eu não posso em hipótese alguma assinar contrato de qualquer trabalho que não seja com elas. – a garota gesticulava nervosa – Você faz parte de uma banda, você entende o que estou falando.

Durante o dia, recebera uma ligação dos produtores do novo álbum de Shawn Mendes, que a propuseram um feat em uma das faixas. Havia ficado animada, a questão era que apenas ela fora convidada e os produtores não queriam o grupo.
Queriam apenas ela. Liam estava passando pela corredor no momento e, curioso como era, não pôde evitar de perguntar o porque da expressão preocupada de , que demorou uns bons quinze minutos até ser convencida por Liam a contá-lo.
A garota estava tensa com a situação, mas, graças a saia justa em que se encontrava, havia se aproximado de Liam em menos de vinte e quatro horas. E o clima entre os dois era tão leve, aquilo deixava tranquila em meio ao turbilhão de pensamentos que atormentavam sua mente.

- Mas é uma oportunidade maravilhosa, . Acho que, se você quiser mesmo fazer esse feat, deve conversar com as garotas. – pegou a mão da garota – Elas vão ficar muito felizes por você. Até quando você pode responder?
- Até depois de amanhã. – a garota suspirou – Obrigada por me aconselhar, Liam.

O garoto sorriu. Havia encontrado uma grande amiga, ou até mais do que isso.


Sheffield, Novotel Sheffield Centre
Terça-feira , 12:00PM

respirou fundo ao abrir o aplicativo do Twitter em seu celular. Ao contrário das outras vezes que lera comentários maldosos sobre si, estava com raiva das pessoas que escreviam aquelas coisas. Por que não a deixavam em paz? Tinham vidas tão medíocres que preferiam passar o dia atacando-a sem motivos, provavelmente. Quanto mais deslizava o dedo pela tela do celular, mais comentários apareciam e alguns até eram legais, carinhosos e realmente a faziam sorrir. Infelizmente, os comentários ruins pesavam muito mais para a garota do que os bons.

- Não vai descer para almoçar? – perguntou para a amiga enquanto calçava seu chinelo.
- Não estou com fome.
- Você precisa comer, temos entrevista para a Teen Magazine daqui três horas e logo depois vamos para a arena.
- Já falei que estou sem fome, . – falou irritada. Já estava de mau humor e odiava quando a tratavam como um bebê, ela sabia o que deveria fazer ou não.
- Mas é melhor você comer algo, . Estamos gastando muitas calorias durante os shows, se você não comer.
- Você não precisa agir como se fosse minha babá, . – a morena falou grossa andando até a porta do quarto – Sei muito bem o que devo fazer, não sou mais criança.

Logo saiu do quarto fazendo um estrondo ao bater a porta com força. ficou estática encarando a porta pela qual a amiga saíra. Suspirou ao constatar que seria melhor dar um tempo para a amiga e depois conversar com a mesma. Não estava tratando-a como um bebê, apenas se preocupava. Assim como se preocupava com todas as outras garotas. Chacoalhou a cabeça a fim de parar de pensar sobre aquilo, havia acordado de bom humor e não queria tê-lo arruinado por nada. Pegou o celular e a chave do quarto saindo em seguida até o restaurante do hotel.

- Harry, me solta! – gritou quando foi pega de surpresa pela garoto, que a colocou pendurada em seu ombro. – Harry, eu vou acabei de comer, vou vomitar! – gritava rindo junto aos amigos. Todos no restaurante os encaravam com desaprovação, mas os mesmos pareciam não se importar. Estavam se divertindo com as loucuras de Harry, que já havia dado um susto gigante em e Louis, e agora corria pelo local com que se dividia em gargalhadas e gritos. Harry finalmente a colocou no chão quando uma moça da administração do hotel pediu para que fizessem menos bagunça, pois havia hóspedes reclamando, fazendo com que se sentassem à mesa novamente para esperar , e Niall que até o momento não haviam aparecido para almoçar.

- Boa tarde. – falou sorrindo ao sentar-se do lado de .
- Boa tarde, Bela Adormecida. Nem tomou café da manhã. – Harry falou com um sorriso irônico. Estava brincalhão demais naquela tarde, apenas se esquecera que com , era melhor ele ficar calado.
- Se eu quisesse, dormiria até as dez horas da noite, Styles. – falou friamente – Não que seja da sua conta quantas horas eu durmo ou não.
- E a ? – perguntou.
- Disse que não está com fome e deu um chilique sobre não ser mais criança e não precisar de babá. – a loira falou – Resumidamente: acordou de mau humor. Acho melhor darmos espaço, ela está insuportável.
- não foi a única a acordar de mau humor, né? – Harry falou – A Bela Adormecida está mais para Bela Aborrecida. – o garoto ironizou gargalhando e fazendo com que os amigos se segurassem para não rir. Estava brincando com fogo, uma vez que se irritasse, as coisas terminariam mal.
- Cala a boca, Styles. – esbravejou.
- Quanta grosseria, . – o garoto a encarou. Estava apenas tentando quebrar o iceberg que existia entre os dois, só que era tão desajeitado que quanto mais tentava consertar as coisas, mais piorava. – Era uma brincadeira.
- Na verdade, eu acordei de muito bom humor. Mas você sabe que apenas a sua respiração me tira do sério. – o encarou de volta, desfazendo-o ao constatar que não aguentaria manter sua pose de “eu odeio Harry Styles” sob o efeito que aqueles olhos verdes a causavam. – Nem mesmo “bom dia” você precisa me dar. – a garota deu um sorriso irônico.
- Você continua a mesma criança de sempre, Bianchini. – o garoto falou perdendo a paciência. Tudo o que mais queria era resolver as coisas com , explicar tudo o que acontecera e o porque de ter sido um babaca.
- Vai à merda, Harry Styles. – a garota respondeu num tom mais alto, assustando o resto do grupo. – Eu sou criança? – soltou uma risada irônica – Acho que eu fui madura o suficiente para não terminar um relacionamento de um ano para ter um casinho com o meu ex. – o silêncio tomou conta da mesa. Harry não sabia o que responder, o restante do grupo estava surpreso pela garota falar aquilo na frente de todos. E mal conseguia acreditar no que acabara de dizer, havia exposto seus sentimentos sem nem mesmo perceber. O único barulho que puderam ouvir foi o da cadeira que a garota estava sentada se arrastando no chão, e em seguida uma trêmula saindo apressada do restaurante.


12:45PM

- Elas se preocupam com você, . E, por um lado, está certa. Você não pode deixar de almoçar, mesmo que não esteja com fome. Principalmente durante a tour, nós gastamos muita energia, precisamos nos alimentar direito ou vamos acabar passando mal em algum momento. – Niall falou para a garota que se encontrava sentada à beira da piscina coberta do hotel.
- Eu entendo, Niall. Eu sei de tudo isso, mas eu estou tão cansada. – a garota suspirou – Estou cansada de ter sempre tantas pessoas me dizendo o que fazer, como fazer. Há tanta gente me dizendo coisas ruins, dizendo que eu sou isso, sou aquilo, que eu deveria ser de tal forma, eu nem sei mais o que eu sou. – a garota gesticulava – Eu sei que a não tem nada a ver com tudo isso, mas eu estava tão estressada. Acabei descontando em uma pessoa que só estava tentando me ajudar.
- Você não deveria dar ouvidos à essas pessoas.
- Como eu não vou dar ouvidos, Niall? – a garota bateu a palma da mão em sua coxa. Aquele assunto realmente a perturbava e geralmente ela estaria apenas triste e não conversaria sobre aquilo com ninguém, mas naquele dia específico estava, além de triste, com raiva por ter que viver aquilo para seguir seu sonho de ser cantora. – Não são dois comentários ridículos, são vários. São vários, todos os dias. E agora, nos shows também. Por que eles não me deixam em paz? Eu to de saco cheio dessa merda.
- Você fica linda com esse rosto franzido. – o loiro falou fazendo a mesma sorrir.
- Para com isso, Niall. – a garota falou envergonhada ao perceber a proximidade de seus rostos.
- Mas é a verdade. – o garoto aproximou ainda mais seus rostos, suas bocas quase se alcançavam quando percebeu o que estava prestes a acontecer.
- Não. – afastou-se apressada – É… eu preciso encontrar as meninas.

A garota se levantou andando com pressa até sumir da vista do garoto, que permanecia sentado à beira da piscina encarando o caminho que a morena fizera com confusão no olhar.



Capítulo 3

1:20PM

- Eu a amo, Liam. Mas estou de saco cheio dessa criancice. – Harry falou passando a mão pelo cabelo inquieto. – Eu sei que errei, eu admito. Mas ela não me dá uma chance de me explicar. Eu não podia quebrar o contrato, eles tinham todos os argumentos para deixar a situação desfavorável a mim e a ela também.

Harry estava furioso, inquieto, nervoso. Odiava a situação que se encontrava, não sabia como contorná-la. Se sentia estúpido por ter assinado aquele contrato dizendo que aceitara um relacionamento falso com Mandy McAllister e não teria contato com Bianchini durante três meses. Aquela garota arruinara sua vida.
Algum tempo antes de se envolver com , Harry tivera um caso com a modelo, que havia um tempo estava sumida das revistas de fofocas e já não obtinha a mesma fama do início da carreira. Após conhecer , o garoto se apaixonara pela mesma e Mandy não se conformava em não ser mais a garota de Harry Styles, simplesmente por precisar do garoto para recuperar seu lugar no mundo das celebridades. Após um ano namorando com , e sendo atormentado por Mandy, a modelo descobrira como desarmar Harry e tê-lo para si. Descobriu fotos nuas da garota e ameaçou Harry: caso não assinasse o contrato e a assumisse, assim ajudando-a a recuperar os holofotes para si, iria expor as imagens. Harry ficara desesperado, a namorada estava na metade de sua carreira como cantora e aquilo poderia arruiná-la. Sem nem comentar a humilhação que seria para ter fotos tão íntimas expostas para o mundo. Não pensara duas vezes em assinar aquele papel, não poderia fazer ser humilhada daquela forma por sua causa. Então terminou com a garota que realmente amava, e fez de seu “novo relacionamento” público apenas cinco dias depois. Mandy Mcallister conseguiu o que queria, em três meses já havia sido convidada para a Fashion Week, sido capa da Vogue, viajado para vários países diferentes para desfiles e etc. Enquanto Harry perdera a única garota que o fazia feliz.

- Chama ela para conversar. Fala com jeito, dude.
- Ela nem mesmo me cumprimenta, Liam. – Harry passou a mão pelos cachos de seu cabelo. – Se eu pedisse pra ela conversar comigo, ela mandaria eu ir para o inferno.

Liam riu da expressão de desespero do amigo e então teve uma ideia.

- Você fica tranquilo, eu resolvo essa parte. – Deu dois tapinhas no ombro de Harry e se levantou indo em direção à porta, deixando o outro garoto confuso.

- O que você quer contar, ?

perguntou sentando-se em uma das camas de casal que haviam no quarto. chamou as quatro amigas no quarto dizendo que precisavam ter uma conversa séria. Estava tão nervosa com a proposta que recebera de Shawn, não fazia ideia de como conversar sobre aquilo com as garotas.

- Eu recebi uma proposta. – Falou devagar. – Shawn Mendes quer gravar uma música comigo. – A garota falou apreensiva.
- Que bom, ! – exclamou. – O que tem de errado? Por que está com essa cara? – a olhou com confusão.
- Nós somos um grupo e ele me chamou apenas. – Falou pausadamente, como se tivesse intenção de explicar o que dizia. – Vocês sabem que ele é meu amigo e seria mais por diversão. Eu adoraria aceitar, mas só se vocês não ficarem chateadas.
- Eu nunca ficaria chateada, . – falou sorrindo. – Por mim, você pode ficar tranquila.
- Por mim, e creio que por e , também. – falou. – Vamos te apoiar sempre. – Abraçou de lado, e a garota respirou aliviada. Seu maior medo era suas amigas não concordarem e as mesmas estavam dando o maior apoio que podiam para que prosseguisse com o projeto.
- Agora me contem sobre vocês, faz tanto tempo que não desabafamos umas com as outras. – falou jogando-se na cama ao lado de .
- Verdade! – concordou. – Sinto falta das nossas conversas de horas. Essa correria não nos dá tempo para fazer nada além de trabalhar. – Falou sorrindo junto às amigas. Apesar de estarem constantemente cansadas e viverem numa correria sem fim, aquela sempre fora o sonho das cinco e finalmente estava sendo realizado. Todo o cansaço valia à pena ao fim do dia.
- Precisamos fazer a nossa tradicional rodinha, meninas! – exclamou batendo palmas fazendo as amigas rirem. – Todas no chão! – As cinco apressaram-se a sentar no chão em frente a uma das camas. – Começa pela !
- Eu e Niall quase nos beijamos hoje. – A garota falou com um sorriso no canto da boca.
- O quê?! – Ouviu as quatro amigas perguntarem espantadas e riu em seguida.
- Depois que eu dei aquele chilique com a . – Riu fraco. – Aliás, me desculpa por isso, eu estava estressada e acabei descontando em você. – sorriu para a garota demonstrando que estava tudo bem, fazendo com que a mesma continuasse sua história. – Queria pensar um pouco e a piscina era o único ambiente vazio do hotel. Em algum momento Niall passou por lá e decidiu sentar comigo, nós conversamos sobre várias coisas, ele me aconselhou sobre o pequeno escândalo que eu dei. – Riu. – E então nossos rostos ficaram tão próximos, quando eu percebi o que iria acontecer saí correndo. – Suspirou se lembrando da cena.
- Você queria beijá-lo? – perguntou.
- Eu não quero me envolver. – Falou baixo. – Vocês sabem como foram as coisas com o Andrew… - As amigas assentiram. Andrew era o ex- namorado de , os dois foram o típico casal apaixonado que nunca brigava, se não fosse pela faculdade que o garoto fora na Suíça, os dois ainda estariam juntos. já não sentia nada pelo garoto, mas havia sofrido demais na época do término e não sabia se estava pronta para se relacionar com alguém novamente.
- Mas você sente vontade de beijar o Niall? – perguntou fazendo sorrir envergonhada e esconder o rosto com as mãos. – Phillips! Eu não acredito! – Exclamou gargalhando em seguida junto às outras meninas.
- Chega, vocês me deixam com vergonha! – exclamou. – pode começar a falar.
- Nada demais. – A morena falou encarando as unhas. – Eu e Louis estamos bem, Valentina me ligou ontem e está tudo bem em casa, fora o pai dela que decidiu esquecer que tem uma filha de catorze anos que precisa de atenção. – Suspirou sem perceber. - Não tenho muito que contar, meninas. – Riu fraco.
- Mas e você? – questionou. – Como você está?

A mãe de havia falecido dois meses antes, e desde então a garota desenvolvera um estado não tão aparente de depressão, que desencadeou sua crise de ansiedade. As amigas se preocupavam com o estado emocional da garota, que quase nunca falava sobre seus sentimentos e, conversando com o médico e o psicólogo de , descobriram o agravamento que aquilo poderia trazer para sua depressão.

- Ela faz muita falta. – Falou enfatizando a palavra muita. – Às vezes eu me sinto culpada por não estar com a minha irmã, ela sente tanto a falta da mamãe. E o John simplesmente não dá a mínima pra como ela está se sentindo. Ela tem catorze anos, está passando por tanta coisa e está sozinha! Eu deveria cuidar dela, proteger ela. Eu queria tanto poder trazer ela comigo para a turnê, levá-la para morar comigo, eu não sei! Eu só... – Deu uma pausa. – Ela precisa de mim.
- Você não é responsável pela sua irmã, . – falou compreensiva para a amiga.
- Eu sei. Eu só não quero que ela se sinta como eu. – Sussurrou. Estava se controlando para não chorar. – Na idade dela eu tive tudo! Tive o colo da mamãe, tive a companhia dela mesmo sendo aquele cotoco de gente. Quando meu pai se afastou, eu me senti tão indesejada, mas eu tive a minha mãe que sempre esteve ali. Sempre. – segurou a mão da amiga. – Não quero que a Valentina se sinta deixada de lado, sozinha. Eu deveria estar lá por ela.
- Você é incrível pra sua irmã, . – falou. – Esse é o seu trabalho, o seu sonho. Ela entende que você precisa viajar, que é difícil você conseguir parar em casa. Mas ela também sabe que mesmo estando longe, você está sempre cuidando dela. Você sempre está telefonando para saber como as coisas estão. – Sorriu compreensiva ao ver algumas lágrimas começarem a escapar dos olhos da amiga. – Você é uma irmã incrível, . E pode ter certeza, aonde quer que esteja, sua mãe está muito orgulhosa da forma que você protege e cuida da Valentina. Você se tornou uma mulher maravilhosa, . – apenas percebeu que estava chorando quando sentiu a mão delicada de tocar suas bochechas.
- Eu amo vocês. – Falou sorrindo ao sentir as quatro amigas abraçando-a. – Não sei o que seria de mim se não fossem vocês.
- Nós amamos você também! – falou sorrindo. Apreciava tanto o fato de ser superprotetora em relação à todos que amava.
- , você não falou uma palavra ainda. – falou secando o resquício de lágrima em sua bochecha. Não gostava de ser o foco das conversas e estranhara a morena estar tão calada, sendo que era a tagarela do grupo.
- Como estão as coisas com Elliot? – perguntou.
- Ele não responde minhas mensagens desde anteontem. – falou. – Estou preocupada.
- Ele foi muito idiota de falar aquelas coisas pra você. – falou batendo as unhas no chão. Não gostava da forma que Elliot tratava à amiga. – Foi só uma brincadeira.
- Mas ele não sabia que era uma brincadeira. – A garota falou cansada. Não estava nem um pouco a fim de ter aquela conversa.
- Claro que sabia, . Você falou pra ele. – falou séria para a garota que já bufava se mostrando irritada com o assunto. – E então ele passou a te xingar por ter feito a brincadeira.
- Ele não quis dizer aquelas coisas, só estava com raiva. – Passou a mão pelo cabelo impaciente. – Eu também teria ficado. Agora mudem de assunto, não quero mais falar sobre isso.

As quatro garotas assentiram. Não se sentiam no direito de insistir naquele assunto, apesar de não gostarem do garoto, acreditavam que sabia o que estava fazendo. E da forma que o defendia, acabavam imaginando que talvez realmente tivessem uma implicância desnecessária com Elliot. Claro que sempre tinham um pé atrás, estavam sempre ouvindo os desabafos de sobre o relacionamento e aquilo era o que bastava para que não mudassem completamente suas opiniões sobre Elliot.

3:25PM

- Vamos às perguntas do twitter! – O entrevistador falou encarando o iPad em suas mãos. – Temos muitas perguntas para , os fãs querem saber como anda esse coração?
- No momento, em paz e muito feliz. – Respondeu sorrindo tentando transparecer calma. Desde o término com Harry, sempre recebia perguntas sobre sua vida amorosa e evitava responder de forma explícita.
- E essa felicidade possui algum nome? – Tentou arrancar a informação de que franziu o cenho rapidamente antes de responder.
- Na verdade, sim. . – Riu fraco junto às outras garotas. – Estou muito feliz comigo mesma e com o rumo que minha vida está tomando.

O entrevistador assentiu sem graça. Realmente devia ser um saco não conseguir arrancar informações que dariam o que falar, afinal, era disso que ele vivia. entendia a necessidade de blogueiros, revistas, paparazzis e etc. de insistirem tanto nas vidas pessoais de celebridades, mas certamente haviam assuntos pessoais demais para expor ao mundo.

- Certo, e vocês garotas? Como seus corações estão? – O homem simpático insistiu no assunto.
- Apaixonado pelo meu namorado. – respondeu rindo.
- Louis Tomlinson! – O entrevistador exclamou. – Estamos recebendo muitas mensagens para o casal. – Sorriu para a morena que devolveu o ato mostrando o quanto gostara da informação.
- Estou solteira e pretendo continuar por um bom tempo. – sorriu simpática.

O entrevistador, percebendo que nenhuma das outras garotas tinha intenção de responder a pergunta, continuou a entrevista.

Sheffield, Sheffield Arena
5:20PM

- Por que você não beija ela logo, dude? – Zayn interrompeu Niall, que explicava o que ocorrera durante a manhã na piscina para os amigos.
- Se você me deixasse terminar, iria saber. – Falou impaciente sorrindo irônico em seguida. – Ela simplesmente saiu correndo. Quando estávamos quase nos beijando, ela falou algo sobre não poder ou sei lá.
- Ela namora? – Harry perguntou. – Talvez seja por isso.
- Eu tenho quase certeza que ela é solteira. – Niall falou. – Espero que seja.
- Ela terminou com o namorado, faz um tempinho. Deve ser isso. – Louis falou fazendo os outros quatro garotos o encararem sem entender como ele sabia daquilo. – Qual foi gente, ela é melhor amiga da minha namorada. me conta as coisas.
- Então quer dizer que você e ficam de fofoca quando estão juntos? – Liam zombou do amigo fazendo os outros rirem.
- Desisto de me defender. – Louis falou fingindo cansaço e se rendendo ao riso logo depois. – Vamos pro palco, daqui a pouco temos que passar o som. – Liam falou sendo seguido pelos outros.

- O piso está escorregadio. – franziu o cenho.
- O que passaram nele? – perguntou deslizando um dos pés constatando que estava escorregadio demais para fazer algumas coreografias. – Será que se passar um pano úmido e secar, melhora?
- O que há de errado, garotas? – Uma mulher da produção perguntou se aproximando.
- O chão está deslizando demais, nos atrapalha ao dançar. – respondeu preocupada. – Será que tem como ajeitar isso?
- Com certeza, vou chamar os responsáveis pela limpeza do palco e pedirei para que deem um jeito nisso. – A mulher sorriu. – Não se preocupem, podem continuar ensaiando lá dento enquanto arrumam isso aqui.
- Muito obrigada. – sorriu para a moça simpática. – Vamos apenas terminar de passar o som, já liberamos o palco. – A mulher assentiu e seguiu seu caminho falando com as várias pessoas que estavam pelo caminho. Se preparavam para ensaiar outra música quando ouviram um barulho alto de algo caindo no chão.

Harry sentiu a cabeça se chocar em algo duro e a visão desfocar por um momento, logo depois algumas pessoas em sua volta iniciaram um murmúrio que não compreendia. Sentia a cabeça latejar e sua visão desfocada o deixava tonto, pôde perceber alguém ao seu lado falando algo que o mesmo não conseguia se concentrar em entender. Estava atordoado.
Após alguns segundos, que pareceram muito tempo, conseguiu finalmente enxergar o que havia em sua volta, os garotos, as garotas, produtores, integrantes da banda e outras pessoas que eu não pôde reconhecer no momento. Gemeu ao sentir uma pontada na parte de trás da cabeça.

- Alguém pega gelo, por favor!

Ouviu uma voz feminina exclamar bem próximo ao seu ouvido, virando a cabeça devagar até conseguir identificar o rosto que parecia preocupado como o de . A garota correra para perto de Harry assim que percebera que não estava tão consciente quanto deveria, aquilo a preocupava. Mesmo depois de tudo, ainda havia algo que a prendia a Harry e todos sabiam disso.

- Harry você consegue se levantar? – Liam perguntou, Harry murmurou algo confirmando. – , me ajuda a levar ele para o camarim?

olhou para Liam como se tivesse acabado de ouvir o maior absurdo do mundo. Em sua mente, era óbvio que não poderia ajudá-lo a cuidar de Harry. Estava em uma discussão interna consigo mesma por ter aberto a grande boca para pedir gelo para o rapaz.

- Talvez seja melhor levarmos ele para a enfermaria. – Alguém falou e Liam rolou os olhos se apressando a dizer que não era necessário. Aquela era a deixa perfeita para colocar seu plano em ação. e Harry teriam uma conversa naquela noite, de um jeito oi de outro.

encarou Liam e por um momento considerou negar o pedido e fingir não ter um coração, mas ao olhar para Harry e pensar que realmente poderia ter acontecido algo grave, escolheu ajudar o responsável por seus mais confusos sentimentos. Assentiu enquanto se levantava para apoiar um dos braços de Harry em seu ombro. Caminharam até o camarim dos garotos, colocando Harry em um sofá enquanto esperavam o gelo para colocar na cabeça do mesmo.

- Você acha que precisa ver um médico? – Liam perguntou para o amigo que mantinha uma expressão de dor.
- Eu acho que não. – Falou um pouco confuso. – Estou só um pouco enjoado e com dor. Acho que um gelo e descanso vão melhorar. Obrigado por se preocuparem.

sorriu sem mostrar os dentes. Estava louca para sair dali, não suportava estar tão perto de Harry tendo que se controlar para não deixar transparecer o efeito que ele a causava. Não sabia se falava alguma coisa ou ficava calada. Sua cabeça estava um turbilhão de pensamentos, não conseguia se concentrar em um só. Odiava o poder que Harry tinha sobre ela.

- Estão demorando demais com esse gelo, vou procurar onde tem.

Liam falou fazendo gelar. Em hipótese alguma poderia ficar sozinha com Harry, aquilo acabaria ou com o garoto mais machucado do que estava ou com deixando seus sentimentos falarem mais alto. E entre as duas opções, a garota preferia a primeira. Encarou Liam com desespero, implorando silenciosamente para o garoto não sair dali e o mesmo apenas fingiu não perceber o que estava prestes a fazer. Saiu do cômodo e antes que pudesse raciocinar que poderia simplesmente sair dali, apertou o pequeno botão da maçaneta fazendo com que a porta trancasse sem que os dois percebessem.

- Eu não acredito, Liam! – exclamou rindo. – Se Harry sair de lá com um olho roxo, a culpa é sua. - Liam acabara de contar ao restante do grupo o que havia feito e o que planejava para a continuação de seu plano para a reconciliação do casal-não-assumido.
- Tenho certeza que os dois vão sair de lá brigados. – Zayn falou.
- Quanto tempo você pretende mantê-los trancados lá dentro? – perguntou abraçada a Louis.
- Uma meia hora, sei lá. – Liam respondeu. – Querem apostar que eles vão sair de lá, pelo menos, em paz?

Louis estendeu a mão para Liam mostrando que estava dentro da aposta.

- Cem. – Liam definiu o preço da aposta.
- Cento e vinte. – Louis negociou.
- Certo. – Liam respondeu apertando a mão de Louis, fazendo os outros amigos rirem.

Harry e passaram os últimos vinte minutos em um silêncio constrangedor. O garoto já nem sentia mais dor, já havia concluído que Liam havia feito aquilo de propósito e poderia muito bem sair de lá, mas algo a fazia pensar e repensar sobre o que fazer várias vezes. Algo a dizia que deveria conversar de uma vez com Harry, mas sua vontade era sair dali o mais rápido possível. Harry, por outro lado, tomava coragem para começar o discurso que treinara tantas vezes. Ainda se sentia meio enjoado, mas algo o fazia pensar que era por causa do nervoso que sentia. Encarou , que o encarou de volta. Parecia que se comunicavam apenas pelo olhar que trocavam.

- Por favor, me escuta dessa vez. – Harry falou adivinhando que a garota o julgava mentalmente. permaneceu calada, pensando no que faria. – Deixa eu me explicar.
- Você não tem nada para explicar, Harry. – Falou friamente.
- Eu sei que você me odeia. – A garota sentiu o coração amolecer ao ouvir aquelas palavras. – Mas pelos motivos errados. Se você deixar eu me explicar, te contar tudo o que aconteceu, você pode continuar me odiando, pode nunca mais olhar para a minha cara. E eu te darei toda a razão, porque pelo menos você vai me odiar pela verdade. – hesitou por um momento. Não sabia do que ele estava falando.
- Como assim a verdade? – Sua voz saiu baixa.
- Eu nunca deixei de te amar. Tudo o que eu fiz foi porque eu te amava, . – O garoto a olhava com súplica nos olhos, podia sentir o desespero de Harry apenas por sua voz. – Eu te amo.
- Você sabe como eu sofri? – A garota perguntou sentindo a voz enfraquecer. – Sabe o lixo que eu me senti quando descobri que você estava com a Mandy? Sabe como foi difícil apenas ouvir o seu nome durante os últimos meses, Harry? E agora que eu estou, finalmente, conseguindo ao menos camuflar essa ferida, você resolver tocar nela e acabar comigo desse jeito. – A garota balançou a cabeça em negação levemente.
- Me perdoa. – Harry falou levantando-se do pequeno sofá em que se encontrava. – Mas eu também sofri. Quando você souber de toda a verdade, você vai entender. – passou a mão pelo cabelo. – Por favor, me escuta. Pela última vez e então, se você quiser, pode me esquecer e nunca mais trocar uma palavra comigo.

respirou fundo. No fundo, ela sabia que queria saber do que Harry falava. Queria entender que verdade era aquela. Se aproximou do garoto confirmando com a cabeça. Os dois se sentaram no sofá pouco antes do garoto começar a contar tudo o que havia acontecido, desde o dia em que Mandy o contara sobre as fotos nuas de , até o dia em que começara a ameaçá-lo e forçá-lo a assinar o contrato. não conseguia acreditar no que estava ouvindo, não sabia como se sentir em relação àquilo. Sabia muito bem quais eram as fotos que Harry falava, e era o que bastava para que ela passasse a acreditar que o ex dizia a verdade. Estava em choque.

- Você pode me odiar se quiser. – Harry disse ao terminar de contar tudo o que havia acontecido. – Por não ter te contado antes, na época ou sei lá. Eu só precisava que você soubesse da verd... – A garota o interrompeu com um abraço, deixando-o em choque. Não esperava aquela atitude vinda de .
- Me perdoa. – A garota falou ao sair do abraço. – Eu não tinha o direito de te julgar, você só quis me proteger, eu não... – Falava uma coisa atrás da outra e se sentia confusa. Se sentia uma idiota. Na realidade, mal sabia como se sentia. Passara meses odiando-o e sofrendo por algo que não era verdade.
- Fica tranquila, você não tinha como saber. – O garoto sorriu com ternura. – Eu só preciso que você saiba: eu nunca deixei de te amar. Nunca vou deixar. Durante esses meses eu me senti a pior pessoa do mundo, eu não suporto pensar no quanto você sofreu e eu nunca vou me perdoar por isso. Mas eu precisava do seu perdão, precisava que você soubesse de toda a verdade. – Olhou nos olhos da garota e percebeu que ela chorava. – Você é tão importante para mim.
- Por favor, não faz isso comigo. – falou com a mão na testa. – Não me fala essas coisas. – Harry a encarou sem entender. – Você não pode voltar desse jeito, me falar essas coisas e reabrir todas essas feridas, Harry.
- Eu estou disposto à esperar o tempo que for para reconquistar tudo o que nós tínhamos. – Harry falou pegando na mão da garota. – Eu preciso que você me dê uma chance.
- Eu não estou pronta para superar tudo isso. – balançou a cabeça. – Não tão rápido.
- Eu sei que é muita informação de uma vez só. Se você não quiser, eu entendo. – Harry suspirou. – Só queria que soubesse que meu amor por você nunca mudou.
- Eu te amo, mas eu preciso que as coisas vão mais devagar. – falou. – Podemos recomeçar, ser amigos por enquanto...
- Claro. – O garoto sorriu e sentiu seu coração acelerar. Não sabia se conseguiria manter-se sã toda vez que estivesse perto do mesmo. – Vamos deixar as coisas acontecerem, viver em paz. – Os dois riram fraco. – Só quero que saiba que meus sentimentos por você nunca irão mudar.
- Assim como os meus. – sorriu, mas logo o desfez. – Mandy ainda tem minhas fotos? – Perguntou preocupada.
- Fazia parte do contrato ela apagar as imagens. Pode ficar tranquila. – A garota respirou aliviada. – Acho que podemos sair daqui e mostrar aos nossos amigos que podemos ser civilizados e viver em paz. – Harry falou gargalhando em seguida junto a .
- Mas antes, - falou parando no meio do caminho. – Preciso de outro abraço. – Falou sendo envolvida pelos braços firmes de Harry em seguida. Como sentia falta daqueles abraços.
- Eu senti tanta falta de te abraçar. – Harry falou como se tivesse lido os pensamentos da garota.
- Acho que agora poderemos nos abraçar por todos os dias em que não o fizemos. – os dois riram. – Vamos, eles devem estar preocupados.

Os dois seguiram em direção à porta e quando Harry tocou a maçaneta para abri-la, não foi possível concluir o ato.

- A porta não abre. – Harry falou franzindo o cenho.
- Como assim não abre?! – exclamou. Era só o que faltava estarem presos ali dentro.
- Filho da mãe! – Harry falou baixo fazendo com que o encarasse sem entender o que ele queria dizer. – Liam armou tudo! Por isso foi buscar gelo e não voltou. Trancou a porta achando que iríamos brigar e seríamos obrigados a nos entender para podermos sair daqui.
- Ai que idiota! – exclamou impaciente. Odiava ser impedida de fazer algo. – Vamos ficar aqui fazendo o que, se não estamos mais brigados? Liam é muito tapado mesmo, como não pensou nessa possibilidade?!
- Hey, calma, . – O garoto riu fraco do estresse da loira. Seu jeito explosivo e impaciente sempre o encantara. – Será que se batermos na porta e gritarmos, alguém percebe que estamos presos aqui? – nem mesmo o respondeu, começou a bater na porta a sua frente e a gritar tão alto que Harry sentia os ouvidos doerem.
- Que merda! Alguém me tira daqui! – A garota gritou socando a porta. Estava começando a ficar de mau humor. – O show é daqui quatro horas, Harry. Será que ele é tão burro ao ponto de não pensar que ainda precisamos nos preparar?!
- Relaxa, eu estou com meu celular. – Harry falou rindo da expressão da garota. – Vou ligar para ele. – Falou pegando o celular em seu bolso, buscando o contato de Liam.

- Você está vivo?! Precisa de paramédicos? – Liam perguntou rindo do outro lado da linha.
- Cala a boca. Estamos bem, nos entendemos. Somos amigos e estamos em paz. – Harry respondeu o amigo fazendo o encarar. Estranhava ser amiga de Harry, se assustava também. Sentia a necessidade de tê-lo para si, ao mesmo tempo em que se repreendia por tal. Não poderia se deixar levar pelos sentimentos e se decepcionar mais uma vez. – Nos tire daqui, temos que nos arrumar para o show.
- Como vou saber que está falando a verdade? – Liam perguntou desconfiado. – E se estiverem dizendo isso só para poderem sair daí?
- Você sabe que se não fosse verdade, eu não estaria capacitado nem mesmo para falar agora.
- Tem razão. – Liam falou pensativo. Acreditava em Harry, apenas porque havia estado ali por perto durante todo o tempo e não havia ouvido gritos histéricos de xingando o garoto. Apenas ouvira gritando para ser tirada lá de dentro e, não podia negar, se divertira muito com aquilo. – Vou tirar vocês daí.

Liam se aproximou do camarim em que os dois estavam, destrancando a porta dentro de segundos. Pôde observar uma aliviada e um Harry risonho. o encarou com sangue nos olhos ao dizer para nunca mais a trancar em algum lugar, e aquilo o assustou um pouco. conseguia ser bem agressiva de vez em quando.
Andaram um pouco até chegarem no refeitório do estádio, onde todos comiam juntos antes de começar a se arrumar para o show. Ao verem que e Harry caminhavam juntos, conversando tranquilamente e o garoto em seu estado mais do que perfeito, não puderam acreditar. Só poderiam estar sonhando.

- Estou tendo alucinações? – comentou risonha. Não imaginou presenciar aquela cena tão cedo.
- Merda! – Louis exclamou fazendo todos o olharem confusos. – Perdi a aposta. – Sorriu envergonhado. Estava feliz por Harry, finalmente, ter parecido acertar as coisas com , mas odiava estar errado.
- Como podem ver, nosso casal está de volta! – Liam falou ao se aproximar da extensa mesa onde os amigos se encontravam. corou um pouco, e sentiu algo remexer em seu peito. Queria sim que voltassem a ser um casal, mas algo a bloqueava e aquilo a estava incomodando.
- Somos amigos. – A garota falou rindo, aquilo precisava ficar bem claro. Não queria mal entendidos.
- Só o fato de estarem se falando sem se xingar, já é uma vitória. – falou sorrindo. Não sabia ao certo o que os dois haviam conversado nem como Harry conseguira o perdão de tão rápido, a amiga era cabeça dura. Mas estava tão feliz em vê-los conversando que não poderia se importar menos com a forma em que conseguiram estabelecer paz.
- Cento e vinte pratas. – Liam falou se sentando ao lado de Louis que pegou a carteira no bolso tirando o dinheiro e entregando na mão do amigo. Liam riu da cara de derrota de Louis.



Capítulo 4

Terça-feira, 3:00AM
Londres, Nottingham

- Não tinha necessidade aquela intimidade toda, Louis! – exclamou enquanto procurava algo em sua mala. Mal haviam chegado Ao hotel em Nottingham e já estavam discutindo.
- Era uma fã, . Para de besteira, vamos dormir. – O moreno falou cansado. Não entendia o incômodo da namorada com uma simples fã, sendo que já estava mais do que acostumada com aquele tipo de situação. Afinal, ela também tinha seus fãs e Louis não reclamava das várias situações incômodas que já havia presenciado.
- Não é besteira, ela te agarrou na minha frente e você nem se afastou! Continuou se aproveitando daquela situação como se eu não estivesse ali! – A garota bufou.
- Ela me deu um abraço, .
- Um abraço, vários beijos no seu rosto e ainda pediu para apertar sua bunda! – falou emburrada. – E você deixou.
- Desculpa, ciumentinha. – riu da namorada – Agora vem aqui, eu to morrendo de saudades de estar sozinho com você. – a garota murmurou algo emburrada – Para com isso, amor. Vem aqui.
- Você sabe que eu fico com ciúmes quando elas ficam muito grudadas em você. – falou se deitando ao lado do namorado na grande cama de casal – Você é meu namorado. – deu ênfase na palavra meu, fazendo bico.
- Só seu. – Louis sorriu dando um beijo na mesma em seguida.

morria de ciúmes de Louis. Saber que havia milhares de garotas atrás do mesmo às vezes a tirava do sério por mais que se esforçasse para ignorar o fato. Mas sabia que não havia o que fazer, aquelas eram suas vidas e teria que aceitar se quisesse passar o resto dela com a pessoa que amava. Eram pessoas públicas, e aceitaram as consequências disso ao entrarem no ramo. Não se sentiam no direito de reclamar, mas havia vezes que aquilo se tornava impossível para . Ter que ficar grudada em seu namorado todas as vezes que saíam à noite porque havia várias garotas apenas esperando que a mesma fosse ao banheiro para atacá-lo.

- Eu estou tão feliz pela e o Harry. – falou de repente – Torço muito para que eles voltem, mas ainda não entendi como ele conseguiu o perdão dela tão rápido. A é muito cabeça dura, como ele conseguiu amolecer aquele coração?
- Vocês não conversaram depois do show? – Louis perguntou e ao observar balançando a cabeça em negação, estranhou.
- Quer dizer, ela tentou contar partes de tudo o que conversaram, mas estava tão eufórica. Ela não falou nada que fizesse algum sentido e acabamos desistindo de entender. – riu fraco ao me lembrar da agitação da amiga.
- Harry apenas contou para ela toda a verdade. – o moreno falou enquanto mexia no cabelo da namorada.
- Que verdade? – o encarou confusa.
- Mandy armou toda aquela história, ameaçou o Harry e fez com que ele parasse de falar com a . Algo assim. – a garota o encarou surpresa – Pois é. Mas, como você disse, sua amiga é tão cabeça dura que nunca deu a ele uma oportunidade de se explicar. Bom, até hoje, né.
- Mas como ela o ameaçou? – perguntou confusa, aquela história começava a não fazer o menor sentido para ela.
- Ah, os mínimos detalhes eu já não sei. Amanhã você fala com a , eu preciso dormir. Estou morto. – falou dando um beijo na namorada em seguida.
- Boa noite.
- Boa noite, .

Quarta-feira, 5:40PM
Londres, Nottingham

saiu apressada do elevador assim que chegou ao lobby do hotel. O dia anterior havia sido tão exaustivo, o show atrasara quase uma hora, pois Harry e Louis ficaram brincando pelo estádio e acabaram se perdendo, então só chegaram no hotel quase três horas da manhã e foi muito mais complicado do que imaginaram para sair da van e entrar no hotel. Fãs e paparazzi ocuparam a entrada do lugar e tornaram quase impossível a passagem de qualquer pessoa, ficaram quase vinte minutos presos dentro da van até os demais seguranças do interior do hotel saírem para ajudar os dois que já estavam presentes na porta. E ainda foram praticamente atacados por fãs histéricos que tentavam a qualquer custo tocá-los e por vezes acabavam os arranhando e puxando seus cabelos. chegou a ser puxada com tanta força que caiu, e então o tumulto foi ainda maior. Depois de tudo isso, ainda teve uma conversa de horas com Elliot pelo telefone. Recebeu uma mensagem do mesmo dizendo que a amava e estava com saudades, deixando-a tão confusa e satisfeita ao mesmo tempo, que não pôde deixar-se vencer pelo cansaço e teve que ligar para ele. Finalmente haviam feito às pazes e estava tudo bem, aquilo ela um alívio tão grande para a garota. Odiava estar brigada com o namorado. Tudo resultou em indo dormir quase às seis da manhã, e só ter acordado há, mais ou menos, meia hora atrás. E agora precisava correr para encontrar no shopping e comprar alguma roupa para usar na festa de uma marca que teriam de noite, já que a amiga não havia feito questão de pedir para acordá-la.
Dessa vez conseguiu fazer com que um dos funcionários do hotel a levassem até uma porta dos fundos, já que a principal estava lotada de fãs como sempre, e entrou no primeiro táxi que avistou. Tinha pouco tempo para encontrar o que queria e se não encontrasse estaria encrencada, já que dispensara os vestidos de seu figurinista e ainda precisava estar de volta no hotel às sete horas para que começassem a arrumá-la.

- Ainda bem que você chegou! – exclamou assim que atravessou a loja e chegou aos provadores para encontrá-la – Não sei qual devo usar hoje. – a garota falou indicando o vestido prateado em seu corpo e o vermelho que estava pendurado em um cabide em sua mão.
- Esse que você está vestindo ficou maravilhoso no seu corpo, ! – exclamou sorrindo – Mas experimenta o vermelho para eu ver qual fica melhor. Enquanto isso, vou ver se encontro algum para mim.
- Os dois ficaram ótimos, esse é o problema! – resmungou fazendo a outra rir enquanto analisava os vestidos trazidos pela mulher que atendia as duas.
- Vou experimentar estes quatro. – falou para a mulher, que os colocou pendurados no provador. – Onde a foi, ? – perguntou para a amiga no provador ao lado enquanto se despia para colocar o primeiro vestido – Pensei que ela também viesse conosco.
- Ela disse que estava com dor de cabeça, e que iria usar um dos vestidos de Jonathan. – respondeu. Jonathan era o estilista das garotas, que normalmente levaria os visuais de cada uma até o hotel e as arrumaria. – Ela está estranha ultimamente.
- Ela parece distante. – concluiu.
- Verdade, mas acho que ela só deve estar cansada. Sabe como ela fica quando passamos muito tempo sem dias de folga, é provável que depois de hoje ela esteja melhor. – as duas saíram ao mesmo tempo de seus provadores.
- Este realçou seus seios. – falou pensativa – E sua cintura. Ficou sexy.
- Então será esse. – as duas riram – Eu adorei, mas acho que deveria experimentar aquele preto ali. – falou a respeito do vestido que a amiga vestia.
- Vou experimentar. – falou voltando para dentro do provador. – Como estão as coisas com Harry? – suspirou.
- É muito bom estar em paz com ele, . Eu nunca pensei que algum dia isso fosse acontecer. – falou pensativa enquanto entrava em seu provador para colocar sua própria roupa – E quando eu penso em tudo o que aconteceu, sinto um ódio tão forte por Mandy. Como alguém pode ser tão cruel a esse ponto? Eu puni o Harry durante esse tempo todo por algo que ele fez só para me proteger.
- Eu sei, ainda é estranho estar no mesmo cômodo que vocês dois e não ter que me preocupar com qualquer chance de estar no meio de uma briga. – riu fraco – Mas você não deve se sentir culpada por isso, foi tão vítima quanto ele. – deu uma pausa - Você não sente mais nada por ele?
- Eu não sei, . – respirou fundo. Sabia que, no fundo, ainda amava Harry e desejava tê-lo de volta mais do que qualquer coisa. Mas, depois de tanto tempo longe um do outro, seria estranho tê-lo de volta. – Eu só... não sei se estou pronta.
- Pronta para o que, ?
- Para agir como se nada daquilo tivesse acontecido. – falou mais para si mesma do que para a amiga enquanto calçava os sapatos – Na época doeu tanto, . E dói mais ainda saber que toda a mágoa que eu senti durante esse tempo foi por uma mentira, que ele não teve culpa. – saiu do provador e sentou-se em uma das poltronas do lado oposto do corredor, pegando sua taça de champanhe em cima da pequena mesa de vidro entre uma poltrona e outra.
- Você não acha que talvez seja melhor esquecer tudo o que aconteceu e seguir em frente? – questionou – Vocês podem ser felizes juntos, . Apenas a forma como se olham deixa claro o quanto se amam, e vocês dois sabem disso. Harry sempre te tratou como uma princesa, e a forma como ele tem sido carinhoso com você desde aquele dia é incrível. Não desperdice alguém como Harry, . – falou saindo de seu provador. Via como uma mulher de sorte por ter alguém como Harry apaixonado por ela. Se Elliot fosse apenas metade do cavalheiro que Harry era, já estaria imensamente feliz.
- Eu te amo, . – falou e sorriu para a amiga, no fundo sabia que aquilo era o que queria ouvir. – Aliás, este vestido ficou lindo! Realçou seus olhos.
- Então está escolhido! Amei esse também. – falou animada. Era por isso que gostava de sair para comprar roupas com , a amiga sempre conseguia ser mais decidida do que ela e então a fazia escolher o que comprar muito mais rápido. – Vou colocar minha roupa.
- Como estão as coisas com Elliot? – perguntou com cautela. Sabia que era um assunto delicado, e que poderia acabar com o humor da amiga em segundos se deixasse todas as suas opiniões sobre o garoto, claras.
- Estamos bem, falei com ele ontem. – falou enquanto tirava o vestido – Ele está pensando em nos encontrar em Londres.
- Ele pediu desculpas pelo escândalo daquele dia? – questionou após entregar o vestido que queria para a vendedora.
- Não vamos entrar neste assunto, . – a outra respondeu e suspirou. Evitaria ao máximo ter aquela conversa com qualquer uma de suas amigas. Sabia que Elliot havia exagerado um pouco em sua reação, mas acreditava que havia errado ao fazer a brincadeira. Então, como sempre, estava protegendo o namorado das reclamações das amigas. revirou os olhos um pouco antes de sair do provador com o que levaria.
- Você está sendo manipulada por ele. – falou sem pensar e recebeu um olhar cansado de . – Desculpa! – exclamou com as mãos levantadas e revirou os olhos.
- Tudo bem.

XXX

Pov's

- Você está namorando o Liam? – a garota de, no máximo, uns seis anos, perguntou assim que sua mãe terminou de tirar nossa foto e eu ri. Tudo bem que era uma criança, mas não entendia de onde os fãs tiravam aquelas coisas.
- Não, somos ótimos amigos. – respondi sincera. Um relacionamento com Liam seria bizarro, ele é como um irmão.
- Por que vocês não namoram? – a menina perguntou me encarando com os seus grandes olhos azuis – Vocês todos podiam namorar, Louis e já namoram! – ela exclamou como se realmente estivesse analisando a situação.
- Não deveria fazer essas perguntas, Megan. – a mãe da menina, que agora sabia que se chamava Megan, falou lançando um olhar repressivo para ela – Me desculpe por isso, sabe como são as crianças. – riu sem graça e me apressei em dizer que não havia problema algum.
- Acontece, Megan, que nós somos muito amigos e não nos amamos do mesmo jeito que e Louis. – falei tentando ser clara ao mesmo tempo em que simpática com a pequena garota. Normalmente não conseguia responder esse tipo de pergunta sem parecer grosseira, e esse era um dos meus piores defeitos.
- Ah, tudo bem. – Megan pareceu desapontada por um segundo, mas tudo desapareceu quando deu um pequeno pulo – Você pode entregar isso para a ? – ela perguntou um pouco tímida enquanto balançava-se de um lado para o outro e acho que pela primeira vez na vida estava tendo um diálogo com uma criança que não era chata e não me deixava irritada após alguns minutos.
- Claro que sim. – respondi sorrindo – Agora eu preciso ir, espero vê-las no show amanhã!
- Tchau, ! – Megan exclamou e se aproximou de mim, me abraçando em seguida.
- Muito obrigada pela paciência. – a mãe de Megan falou e eu sorri. Talvez até fosse um pouco chata na maioria das vezes, nunca fui uma pessoa muito sociável, mas os fãs possuíam algo que despertava o melhor de mim.

Assim que as duas se afastaram caminhando pelo corredor, me virei para o sentido contrário para me direcionar até o quarto de e , onde nossa equipe nos esperava para começar a nos arrumar. A festa começava às dez, e deveríamos chegar alguns minutos antes para o tapete vermelho. Dias assim eram sempre agitados e corridos, geralmente acabávamos chegando correndo nos eventos, já que sempre acontecia algo para nos atrasar. E geralmente era por culpa de , que demorava anos para ficar pronta já que sempre tinha algo que quisesse retocar ou mudar.
Entrei no quarto e confesso que a confusão me incomodava, o barulho do secador que era usado para escovar o cabelo de seria o único possível de se ouvir, se todos não estivessem gritando enquanto conversavam.

- , qual o penteado? – Joseph me perguntou enquanto me puxava pela mão e me colocava sentada em uma cadeira – Não podemos perder tempo, hoje vocês não podem se atrasar de jeito nenhum!
- Acho que um coque com duas mechas soltas. – respondi enquanto me sentava e ele começava a tocar em meu cabelo, o analisando.
- Onde você estava? – perguntou do outro lado do quarto.
- Encontrei uma garotinha no corredor e ela pediu fotos. – sorri – Era uma figura!
- Walker gostando de crianças? – indagou com o cenho franzido - Você está doente, ? – rimos fraco.
- Tenho bons motivos! – exclamei – Primeiro, era uma fã. Segundo, parecia ser adulta! Conversou comigo como se tivesse minha idade. – falei rindo enquanto me lembrava das perguntas que Megan havia feito. Nem eu mesma pensei em um dia conhecer uma criança que não fosse insuportável. – Ela pediu-me para te entregar isso, . – mostrei o pequeno envelope em minha mão e se levantou da cama e caminhou até à mim para pegá-lo.
- , venha aqui por um instante, por favor. – Dianna, nossa maquiadora, falou da porta e bufou enquanto se levantava e ri. Eu poderia ser a mais chata do grupo, mas era, com certeza, a mais estressadinha.
- Vai levar esporro! – gritou e riu junto com – Qual besteira você fez, ? – continuou provocando-a e recebeu um belo dedo do meio, o que as fez rir mais ainda e arrancou-me uma pequena e alta risada.

Pov’s

Saí do quarto um tanto irritada. conseguia me tirar do sério com suas provocações, ela sabia o quanto aquilo me deixava irritada e, para ajudar, eu não estava em um dos meus melhores humores desde que saímos do shopping. Elliot não me responde desde a madrugada e, quando isso acontece, um sentimento de culpa sempre me preenche. Como se eu soubesse que havia feito algo de errado, mesmo sem perceber, e magoado ele.

- O que foi, Dianna? – perguntei ao levantar minha cabeça para encará-la, quando o fiz, pude ver uma figura masculina muito familiar, talvez até demais, e a alegria que tomou conta de mim foi imediata. – Elliot! – foi a única palavra que me veio a cabeça quando ele me abraçou e me girou no ar.
- Senti sua falta, princesa. – ele falou quando me colocou no chão, pouco antes de me beijar.

Àquela altura, Dianna já havia desaparecido e meu estresse já estava bem longe. Eu nunca imaginaria que Elliot fosse me surpreender daquela forma, esperava vê-lo apenas em Londres e a falta que ele fazia era tanta. Os últimos dias estavam sendo difíceis, não houve um em que não me sentisse culpada pela nossa briga e saber que ele havia, finalmente, me perdoado, era um alívio enorme. As meninas não iriam gostar tanto assim da notícia e eu teria que conversar com elas para pedir que não o ignorassem como costumavam fazer. Não queria que nada estragasse a visita de Elliot, e elas teriam que fazer aquele sacrifício por mim.

- Pensei que só fossemos nos ver em Londres! Como planejou isso? – perguntei quando rompemos o beijo e ficamos abraçados.
- Foi de última hora. Consegui uma folga de três dias, aproveitei para fazer essa surpresa. – ele sorriu e eu juro que senti meu coração praticamente explodir. O que eu sentia por Elliot era inexplicável.
- A melhor surpresa do mundo! – exclamei e me joguei nele sendo envolvida por seus braços antes da porta ser aberta e aparecer gritando meu nome. – Olha quem chegou! – exclamei sorrindo ao tentar fazer a situação ser menos estranha, já que o encarava e sua expressão não era das melhores. Como sempre, muito transparente a minha melhor amiga. Revirei os olhos. – Ok, vamos entrar. Estão todas vestidas?
- Sim. – falou enquanto abria a porta – Podem entrar. Oi, Elliot. – deu um sorriso nitidamente falso e eu tentei ignorá-lo. Nada poderia atrapalhar a minha felicidade naquele momento.

Entrei no quarto de mãos dadas com Elliot, atraindo os olhares de todos os que estavam lá e talvez eu não devesse ficar tão surpresa pelas meninas não terem sido tão receptivas com o meu namorado, mas esperava ao menos que todas tivessem a mesma educação de e , que se levantaram para cumprimentá-lo mesmo que rapidamente.

- Eu preciso terminar de me arrumar, você vai ficar aqui? – perguntei quando Jonathan me puxou dizendo que não podia perder tempo – Pode ir para o meu quarto descansar, se quiser.
- Não temos espaço para ele no quarto, . – falou e eu suspirei.
- Reservei o meu próprio quarto, . Não se preocupe. – Elliot falou e me deu um selinho – Aliás, nosso quarto.
- Tudo bem. – sorri – Assim que eu estiver pronta, vou até lá. Mais tarde temos uma festa, se arrume. – falei enquanto o via andando em direção à porta e devolvi o beijo no ar que me mandou antes de sair.
- Você sabe que os convites são limitados, não sabe? – perguntou – Não tem como levá-lo com a gente.
- Eu vou dar o meu jeito. – respondi. Sabia que era apenas implicância dela e não estava nem um pouco a fim de começar alguma discussão.
- Não existe “dar um jeito”, . – falou enquanto se analisava em frente ao espelho.
- Se Elliot não for, eu também eu não vou. – respondi ríspida. Elas começavam a me estressar mais do que era necessário.
- Pare de ser infantil, . – falou e eu não pude acreditar no que ouvi.
- Então parem de se meter na minha vida. – falei e não fiz questão de responder o que quer ela tenha murmurado após isso. Eu falaria mil coisas que rondavam minha cabeça, mas preferi guardar para não arruinar a minha noite. Nada importava além da presença de Elliot.

Pov's Louis

Eu e os meninos estávamos no lobby do hotel esperando as meninas há uns quinze minutos e a frustração no rosto de cada um já era evidente. Qual é, eu sei que existe toda essa história de que mulheres sempre demoram horas para se arrumar, mas todos havíamos começado no mesmo horário, sete e meia da noite, não era possível que ainda não estivessem prontas. Já eram nove e quarenta! E, convenhamos, nós não somos lá os homens mais pacientes desse mundo.

- Liga para a sua namorada, Louis! Vamos nos atrasar. – Liam falou se levantando de um dos sofás que havia ali.
- Já mandei mensagem, ela disse que estariam aqui logo. – respondi enquanto pegava o celular mais uma vez para ver se havia alguma mensagem nova.
- Relaxem, caras. – Zayn falou ao olhar para o elevador – Elas estão logo ali. – apontou e pude ver quatro garotas caminhando em nossa direção. Tudo o que eu poderia dizer era “uau”. Ou então, nem isso. me deixava sem palavras, como podia ser tão perfeita?
- Onde está a ? – Zayn perguntou e foi uma ótima observação, na verdade.
- Com o namorado dela. Se demorar muito, vai sozinha para a festa. Não vou esperar ninguém. – falou e eu franzi o cenho. Desde quando o namorado da estava aqui?
- Ele chegou hoje. – falou ao perceber que eu e os meninos não estendíamos nada – E já conseguiu causar estresse. Não entendo como ele tem tanto poder sobre a .
- Talvez vocês devessem ser mais legais com ele. – Liam sugeriu e praticamente foi morto pelos olhares que recebeu das quatro. – Ok, talvez não. – falou com as mãos levantadas e eu ri com os meninos.
- Por que ela não desceu com vocês? – Harry se pronunciou pela primeira vez desde que elas chegaram e, como não sou bobo, percebi que seus olhos e os de se encontraram por dois segundos, até a mesma abaixar o olhar para encarar os pés. Ainda era bizarro presenciar uma cena dessas. Há dois dias se Harry ao menos respirasse perto de , nós já ficávamos alertas a qualquer sinal de violência vindo dela.
- Não sei, ela foi para o quarto do Elliot assim que terminou de se arrumar e não respondeu nenhuma das nossas mensagens. – revirou os olhos – Eles devem ir depois, sozinhos. – deu de ombros e nós já estávamos nos preparando para pedir os seguranças e ir para a van, sem e seu namorado, até que uma mulher que vestia um uniforme do hotel veio em direção à . Ela parecia um pouco apressada.
- Com licença, a senhorita estava acompanhando a hóspede Wilson hoje mais cedo, não estava? – assentiu com a testa um pouco franzida, mostrando que estava tão confusa quanto eu – Ao que parece, ela mudou-se de quarto, está na suíte quatrocentos e três, certo? – assentiu novamente e, pelo o que pude perceber, estávamos todos confusos – Acabamos de receber uma ligação de um hóspede do quarto ao lado de sua amiga, ele disse que ouviu muitos gritos vindos de lá e ficou preocupado. Um de nossos funcionários foi até o quarto, bateu na porta para saber se estava tudo bem, mas ninguém o respondeu. – ouvi murmurar algo como “merda” e olhei para Liam, tentando saber se ele estava entendendo o que estava acontecendo ali – A senhorita gostaria de entrar lá para ver se há algo de errado? Precisamos de algum acompanhante da hóspede para podemos utilizar a chave de emergência do quarto.
- Claro, claro. – falou rápido e começou a andar junto a mulher, e nós as seguimos – Faz muito tempo isso?
- Fui informada há alguns minutos. – a mulher respondeu assim que entramos no elevador e então o local ficou preenchido pelo silêncio e a confusão de todos nós, que nem mesmo imaginávamos o que poderia ter acontecido.

Pov’s Louis off
Algum tempo antes...

Elliot estava furioso e surpresa. Não passara por sua cabeça aquela reação vinda do namorado. Tudo começou quando, depois de muito insistir e tentar dar um jeito para que conseguisse, não foi permitido que levasse algum não-convidado para a festa e ela seria obrigada a ir, então chegou à suíte que dividiria com Elliot e o encontrou vestindo um smoking, com uma taça de champanhe na mão enquanto a esperava. Ele estava tão lindo que tudo o que menos queria era estragar o bom momento que estavam tendo, mas já tinha em mente que aquilo não seria possível graças ao desconforto que seria avisá-lo que teria que ficar no hotel quando já estava completamente pronto.

- Que bom que chegou. – ele falou sorrindo enquanto servia a outra taça de champanhe – Gostou? – perguntou ao olhar para seu smoking.
- Sim. – respondeu e riu fraco – Hum, champanhe! – falou ao pegar a taça da mão do namorado e tomar um gole após brindarem.
- Tem certeza que vai usar esse vestido? – perguntou franzindo o cenho – Está horrível! - encarou-se no espelho que cobria uma das paredes e franziu a testa.
- Sério? A disse que estava ótimo... – falou duvidosa com a cabeça inclinada. Estava se sentindo ótima com sua roupa, até aquele momento.
- É que seu quadril está um pouco largo, deve ter engordado. – falou como se não fosse nada e voltou a servir sua taça que já estava vazia, sentando na ponta cama em seguida. suspirou.
- Não consegui um convite para você, Elliot. – falou decepcionada depois de sentar-se em seu colo. O máximo que esperava seriam algumas reclamações e o mau humor dele, mas o que recebeu inicialmente foi o olhar estressado do garoto e uma força leve para tirá-la de cima de si.
- Porra, . – ele bufou – Você não faz nada certo, liga para o seu agente. Aquele lá, esqueci o nome. – ele falou gesticulando e balançou a cabeça.
- Eu já liguei, amor. Fiz de tudo, a marca não autorizou e disse que não podem convidar mais pessoas. Não existe mesmo nenhuma forma de conseguir que você vá. – falou devagar já que ele parecia não ter entendido-a ainda.
- Você precisa ser menos agradável com as pessoas, . – ele falou e se sentou novamente na cama – Ninguém te leva a sério, mas é porque você não se impõe. Você é a celebridade, aprenda a mandar e desmandar. Você tem esse poder.
- Eu não sou assim, Elliot. – falou cabisbaixa – Sinto muito mesmo por não poder te levar comigo, mas prometo que volto cedo e podemos passar o resto da noite juntos. – sorriu fraco ao encará-lo.
- Do que está falando? Você vai sem mim? – perguntou confuso e a expressão de mudou. A garota assentiu fraco com a cabeça. – Não vai, não. – suspirou.
- Eu preciso ir, Elliot. – falou cansada – É bom para a divulgação da turnê e do novo álbum, Simon não deixou eu ficar aqui.
- Você adora essa situação, não é, ? – ele falou se levantando da cama com raiva – Adora que eu esteja longe para me fazer de idiota com aqueles caras. – o encarava completamente confusa. Não fazia ideia de onde Elliot havia tirado aquilo. – É isso sim. Você nunca deixou de ser a piranha do ensino médio. – ele riu irônico e a garota sentiu os olhos arderem – Os boatos sempre estiveram certos, você conseguiu me enganar muito bem. Engana todos com essa farsa de garota inocente e delicada, mas no fundo você é e sempre vai ser uma vadia. Nunca vai se contentar com um só. – sentia a mandíbula travada e esforçava-se ao máximo para se recompor e tentar explicar para Elliot que nada daquilo fazia sentido, mas não queria por chorar por dois motivos. O primeiro, não queria borrar sua maquiagem de jeito nenhum; segundo, tinha medo de que ele ficasse mais irritado. – Quer saber, você deveria rastejar aos meus pés, cara. Depois de tudo o que eu fiz por você, como você tem coragem de tentar me enganar? E deixar tão óbvio assim, pelo menos faça direito, ! – ele começava a elevar o tom de voz e deixou uma lágrima escorrer.
- Não, Elliot. Eu juro que não estou entendendo nada, por favor, vamos conversar direito. – pediu enquanto tentava segurar a mão dele, que foi puxada fortemente – Você está falando absurdos, Elliot. Eles são meus amigos, por favor, não comece...
- Absurdos?! Absurdo é você me deixar sozinho em um quarto de hotel, ir a uma festa com cinco homens que eu não gosto e ainda achar que está certa! – a sua voz ficava cada vez mais alta e começava a se preocupar se as pessoas dos quartos ao lado poderiam ouvir.
- Eu te levaria se pudesse, ficaria aqui se pudesse. – falou baixo e deu uma pequena pausa - Mas eu não posso! Faz parte do meu trabalho, eu não posso mudar isso, não posso decidir o que fazer ou não. Por favor, entenda o meu lado. – passou a mão pelo cabelo nervosa. Odiava brigar com Elliot.
- Por que eu deveria entender o seu lado, se você nunca se esforça para entender o meu?! – exclamou e fechou os olhos passando a mão na testa. Sempre tentara ser o mais compreensiva possível! – Sempre se acha a dona da razão!
- Eu sempre fiz tudo o que pude para te compreender, sempre estive do seu lado! Não venha com esse discurso agora, Elliot.
- Ah, por favor! – ele chegou a gritar e arregalou os olhos assustada – Não se faça de vítima! – seu rosto estava vermelho e suas veias do pescoço começavam a aparecer – Que dó, sempre sendo a pobre coitada da história! – ironizou como uma criança de doze anos faria e aquilo a fez sentir-se mal. Por algum motivo, as palavras de Elliot começavam a afetá-la. – Você deveria ser imensamente grata a mim, por tudo o que fiz por você. De tudo o que enfrentei para estar com você, a forma como eu a perdoei pelo seu passado! Eu te reergui do fundo do poço, . É assim que me retribui?!

sentiu as lágrimas a vencerem e caírem com intensidade pelo seu rosto. Aquele assunto era o único que Elliot não poderia usar para atingi-la, pois ele com certeza sabia o quanto a magoava. Ela havia aguentado tantas brigas e tantas besteiras faladas por Elliot, mas justo aquele, abria mágoas do passado que tanto lutava para esquecer. E ela sabia que deveria ser eternamente grata a ele, por ter dado tanto apoio e acreditado nela quando ninguém mais o fez. Por ter insistido na relação e ter enfrentado tantas fofocas e dúvidas sobre . Mas como poderia ser grata por todas as vezes que passara noites chorando pelas coisas terríveis que ouvira dele? Como poderia ser grata pelo antigo hematoma em sua coxa e a marca roxa que esteve em seu braço esquerdo por semanas?

- Todos sempre estiveram certos sobre quem você é de verdade. Uma vagabunda desprezível. Você não merece o amor de ninguém, . Tudo o que faz é estragar as vidas das pessoas que se aproximam de você. É por isso que ninguém te leva a sério, ninguém te quer. Porque você não passa de uma diversão, todos te usam e jogam fora.

Durante seu ensino médio, foi uma das garotas mais desejadas por todos os garotos da escola. Se relacionou com alguns deles, mas não muitos como todos pensavam. O que não era um problema, afinal, cada um tem o direito de se relacionar com quantas pessoas quiser. Mas em pleno ensino médio, ninguém teria maturidade para entender aquilo. Nem mesmo . Acontece que, gostava de beijar garotos em festas, então beijava quem quisesse. Mas não chegava a ter uma relação com nenhum deles, muito menos ir para a cama com quem não conhecia. Se ela havia feito sexo com dois deles, seria muito. Mas adolescentes são malvados e adoram fofocas mentirosas. E provou isso quando um dos meninos com quem havia ficado em uma noite inventou um boato dizendo que haviam feito sexo, quando na verdade não tinham. E então, surgiram boatos de que ela havia feito sexo com mais de seis garotos da escola e, quando eram questionados, esses garotos confirmavam as mentiras. E ainda criavam histórias e diziam como havia sido bom! Aquilo deixava ela furiosa. Então ganhou o título de “a garota que ninguém leva a sério”, e teve que aturar por meses todos a importunado com aquele assunto e outros garotos que a procuravam apenas com a intenção de fazer coisas sujas. Aquilo fez se sentir inválida. Se sentia um objeto e a forma como foi julgada por todos os seus “amigos” foi incrivelmente dolorosa. As piadas de mau gosto que ouvia nos corredores eram insuportáveis e tudo o que queria era sumir. Até que, finalmente, outro boato foi criado e todos pareceram se esquecer dela. Mas os garotos não haviam se esquecido do “quão fácil Wilson era”. E era impossível encontrar alguém que a levasse a sério, os garotos apenas queriam sexo e ainda a reconheciam como uma “vadia”.
Ao fim do ensino médio, pensou finalmente estar livre daquele rótulo horrível e de toda aquela falta de respeito. Mas, como integrante da nova girlband mais estourada do momento, privacidade e respeito era a última coisa que tinha. E então foi flagrada beijando alguém na after party de uma premiação, alguns dias depois de criarem boatos sobre ela estar causando uma briga entre Luke Hemmings e Ashton Irwin da banda Five Seconds Of Summer, por, aparentemente, estar se envolvendo com os dois. E aquilo era tudo o que blogueiros e revistas de fofoca precisavam para fazer dinheiro, e seus antigos companheiros de escola também. Em menos de vinte e quatro horas, havia antigos alunos dando depoimentos anônimos para revistas sobre seu passado escolar e qual era sua fama entre os garotos da escola, apenas para terem seus poucos minutos de fama. havia acabado de fazer dezoito anos, sentia-se madura o suficiente quando se formou da escola e estava tão feliz com o rumo que sua vida estava tomando. Mas, em meio a tudo aquilo, se viu mais uma vez perdida, sem saber quem era de verdade. Não era uma vadia, mas qual o problema se fosse? Ela apenas gostava de se divertir. Mas para a sua mente tão desgastada e ferida, era difícil entender o que era e o que deixava de ser. Quando conheceu Elliot, ele a fizera sentir-se amada e valiosa como nunca haviam feito antes. E a machucava pensar no quanto ele havia mudado durante aquele ano e se tornado tão possessivo e descontrolado.

- Está sem palavras? – ele riu ao encarar o rosto molhado e estático da garota.
- Você está bêbado? - perguntou ao se lembrar da taça de champanhe que ele segurava quando chegara ao quarto.
- Não mude de assunto! – ele gritou tão alto que a fez estremecer – Pare de ser tão covarde, ! Encare a realidade, encare o que você é! – ele a assustava cada vez mais. Já havia o visto com raiva, mas nunca daquela forma. – Admita que é uma vadia!
- Isso não é verdade! – Lauda tentou igualar a voz com a dele, mas sua voz saiu fraca e amedrontada. Mesmo assim continuou a falar, sem nem mesmo perceber. Estava farta de ouvir aquilo. – Você está falando absurdos, está bêbado! Sabe que eu nun... – um estalo alto pôde ser ouvido quando a mão de Elliot entrou em contato com a bochecha da garota. Segurou seu braço com força, fazendo-a soltar um pequeno gemido de dor.
- Quem você pensa que é para falar nesse tom comigo? – ele falou entredentes conforme aumentava a força com que a segurava – Não ouse abrir a boca para dizer alguma coisa, eu não quero ouvir a sua voz. – a cada palavra, sentia o braço doer mais e seu choro já estava completamente descontrolado. Nunca sentira tanto medo de Elliot como naquele momento. – Você não vai nessa festa, merda! – gritou sacudindo-a.
- Por favor, me solta... – a voz de saiu como um sussurro. Se assustou ao ser arremessada fortemente contra a cama e, como um reflexo, tentou fugir dali o mais rápido possível. Mas tremia tanto e estava tão assustada, que não conseguiu dar mais do que um passo fora da cama até que fosse agarrada novamente pelo homem. Tomou consciência do que acontecia quando um grito fino escapou de sua garganta ao sentir a coxa arder.

XXX

entrou no quarto afobada sendo seguida por seus amigos. Bateram na porta várias vezes e ninguém respondia, foram obrigados a usar a chave de emergência do funcionário. Tudo aquilo para encontrarem encolhida na cama, debaixo das cobertas. Estava de costas para a porta, mas era perceptível que estava acordada já que podiam ouvi-la fungando baixo. A loira tocou no braço de assim que chegou perto o suficiente para isso, e pôde perceber o quanto ela tremia. Seu rosto estava manchado pela maquiagem, que se mesclava com a região roxa pouco mais abaixo de seu olho esquerdo e o pequeno corte em seu lábio, fazendo com que não fossem notáveis. Parecia assustada e todos estavam estáticos. Não conseguiam pensar no que poderia ter acontecido e sentiam que qualquer palavra pronunciada poderia ser inapropriada, não faziam ideia do que fazer naquela situação.

- O que aconteceu, ? – perguntou tentando manter a voz num tom suave, mas o desespero ainda era perceptível. Nunca haviam visto em um estado parecido com aquele, era praticamente impossível vê-la chorando, estava sempre sorrindo e mantendo a calma. Era angustiante vê-la naquele estado.
encarou a amiga pela primeira vez desde que todos entraram lá. Pensou no que poderia dizer, não sabia se deveria esconder aquilo, até porque seria difícil, mas odiava ser a vítima e não queria olhares de pena ou ter suas amigas falando sobre quantas vezes a avisaram sobre Elliot. Também não queria confusões, sabia que se soubessem, não o deixariam em paz e ainda nem mesmo sabia o que fazer em relação a Elliot. Sua cabeça estava uma confusão e as coisas que ouvira martelavam em sua mente, se sentia horrível e tudo doía. Abriu a boca para falar que estava tudo bem, mas o único som emitido fora seu soluço alto causado pelo choro doloroso que não conseguiu conter. se aproximou para abraçar , numa tentativa de acalmá-la, fazendo a garota se afastar rapidamente e se encolher ainda mais, deixando um gemido baixo de dor escapar ao sentir encostar em seu ombro que doía. Aquilo fez os amigos se entreolharem confusos e preocupados.

- , nós precisamos saber o que aconteceu para podermos te ajudar. – falou sentando-se na ponta da cama – Onde está o Elliot? – perguntou ao analisar o quarto e não encontrar o garoto lá, e se encolheu ainda mais na cama.

Liam franziu a testa imediatamente. Começava a criar hipóteses sobre o que estava acontecendo e, talvez pela primeira vez, desejou que estivesse completamente errado. Encarou preocupado e, de alguma forma, pareceu que conversavam pelo olhar e pensavam a mesma coisa. esticou-se um pouco e tentou puxar a grossa colcha que cobria a amiga devagar, mas a mesma o segurou rapidamente impedindo que concluísse sua ação. E aquilo fora suficiente para que os dois soubessem que, infelizmente, estavam certos.
- Ei, . – Liam a chamou com a voz mais delicada e calma que conseguiu utilizar – Alguém fez algo com você? – o encarou. Seus olhos a entregava e ela sabia disso. Não adiantaria mais tentar esconder, seria impossível. – Tente se acalmar, nós estamos aqui com você. Está tudo bem agora. – falou acariciando os cabelos da menina – Respire fundo e nos conte o que aconteceu, só assim vamos poder te ajudar.
- Nós brigamos... – falou com a voz fraca e rouca após hesitar por alguns segundos, e nem teve tempo de pensar em falar mais do que aquilo já que Zayn a interrompeu rapidamente.
- O que aquele babaca fez? – esbravejou fazendo ela o encarar assustada – Merda, eu vou acabar com esse cara... – murmurou percebendo o quão assustada a garota estava, tinha as mãos fechadas e andava de um lado para o outro. Estava puto. Incrivelmente puto. Nunca havia sido muito próximo de e, pelo o que já havia ouvido dizer, a garota não ia muito com a sua cara. Mas era impossível não ser protetor e não gostar pelo menos um pouco da garota, ela tinha aquele jeito forte e autossuficiente, mas todos sabiam o quão frágil ela realmente era e a sua doçura encantava a qualquer um. Vê-la chorando tanto e tão machucada emocionalmente daquela forma fez Zayn sentir uma angústia que nunca pensou sentir por alguma situação parecida, afinal ele tinha um coração de pedra. Nunca se permitira sentir muito.
- Ele tocou em você? – se pronunciou pela primeira vez ao finalmente se aproximar da amiga, já que durante todo aquele tempo esteve praticamente paralisada sem saber como reagir a aquilo tudo. Ver naquele estado era um choque para todos eles. Em resposta, apenas abaixou a cabeça e se permitiu chorar sem tentar impedir-se. tocou na colcha que a cobria hesitante, achando que seria impedida assim como , mas para sua surpresa, não foi. E a imagem que teve a quebrou. ainda estava usando o vestido que batia na altura de sua coxa, mas suas pernas estavam cobertas de feridas abertas. nem mesmo pôde identificar o que foi usado para deixar a amiga tão machucada. Mas aquilo não importava. estava completamente destruída em sua frente. Destruída emocionalmente e fisicamente. Nem mesmo conseguia imaginar o quão machucada ela poderia estar por baixo da roupa que a cobria. Sempre souberam que Elliot era um babaca, mas nunca imaginaram que algum dia faria aquilo com . Ou com qualquer pessoa. , ao invés de sentir-se angustiada como as amigas, sentia ódio pelo garoto. Tudo o que pensava ao olhar para o corpo encolhido e machucado de era em como fariam para colocá-lo na cadeia o mais rápido possível.
- Eu vou matar esse canalha. – Harry falou dirigindo-se a porta do quarto, antes de ser impedido pela própria .
- Harry, não. Por favor, não. – falou se esforçando para se sentar na cama sem sentir seu ombro doer pelo peso de seu corpo apoiado nele – Esqueçam tudo isso, por favor.
- Não podemos esquecer, . – falou balançando a cabeça em negação – E muito menos você. Precisa fazer uma denúncia, o que ele fez é um crime e convenhamos que o relacionamento inteiro de vocês foi um.
- Ele não é assim. – praticamente sussurrou, aparentemente, encarando seus pés esticados na cama – Nós sempre fomos muito felizes juntos, . Você sabe, todas vocês sabem que...
- Ele te obrigava a estar feliz, . – falou segurando a mão da amiga que, se há alguns minutos antes já começava a se acalmar, naquele momento não tinha um pingo de calmaria em seu corpo.
- Nós deveríamos levá-la ao hospital? – Niall perguntou no ouvido de Liam.
- Acho que sim, mas ela precisa se acalmar primeiro. – Liam bufou. Aquela situação era agonizante demais. Nenhum deles sabia o que fazer, se deveriam levá-la ao hospital naquele momento, chamar a polícia, levá-la para prestar uma queixa ou se conseguiriam acalmá-la – Talvez ela devesse descansar um pouco, enquanto estiver nesse estado, não vai querer fazer nada à respeito.
- Vamos para o nosso quarto, ? – perguntou forçando um sorriso ao tentar confortar a amiga – Assim você pode tomar um banho, descansar. Alguém ligue para Simon, diga que não vamos para a festa.
- Não podem me ver... – falou para si mesma, mas foi possível todos ouvirem.
- Acho melhor não ficar aqui, . – Louis falou – Vamos levá-la até o seu quarto e o de , pode ir enrolada nesse cobertor, se quiser. – sorriu fraco ao ver que a garota já parava de chorar.

Ao fim, conseguiram tirar daquele quarto e, depois de tomar um chá que pediu no serviço de quarto, a garota dormiu enquanto esperava voltar com toalhas novas e limpas para ela tomar banho. Mas aquilo não fazia tudo o que acontecera durante aquela noite desaparecer. Zayn ainda esperava encontrar Elliot pelo hotel e dar-lhe um belo murro, Liam tentava argumentar as broncas que recebia de Simon pelo telefone por não terem ido à festa sem deixar claro o que realmente havia acontecido, as outras quatro garotas estavam juntas no quarto de e e o silêncio era incômodo. Cada uma estava presa em seu pequeno mundo, pensando no que poderiam ter feito para evitar aquilo, no que iria decidir fazer e no que poderia acontecer a partir dali.



Capítulo 5

Nottingham, Inglaterra
Quinta-feira, 9:20AM

Pov’s

O mais difícil foi ser obrigada a acordar quando me chamou hoje. Tudo doía, e eu não falava apenas sobre o meu corpo. Meu rosto estava um pouco grudento por causa da maquiagem borrada, e aquilo começava a me incomodar. Inicialmente não fiz questão de me observar no espelho do banheiro, tudo o que fiz foi escovar os dentes e usar um lenço para remover a maquiagem, mas quando o fiz, enxerguei pela primeira vez o inchaço próximo à região dos meus olhos. Aquilo seria mais difícil de esconder. Me encarei por alguns segundos no espelho, por mais que não quisesse. Aquilo estava me causando angústia, eu não me via ali. Não me sentia eu mesma. Era uma sensação horrível.

- ? – ouvi a voz doce de do outro lado da porta – Está tudo bem? Não podemos demorar muito, ok?

Suspirei antes de murmurar um “está tudo bem”, tentando manter minha mente o mais longe possível daquele assunto. Mesmo que fosse impossível. Procurei minha necessaire de maquiagem e bufei ao lembrar-me de que havia deixado minha mochila, com a necessaire dentro, no quarto de Elliot na noite anterior. E talvez aquela fosse uma boa desculpa para ir até lá e conversar sobre tudo o que aconteceu. Até porque, no fim das contas, eu não o odiava. Não conseguia. O pior sentimento que tinha em relação a ele era decepção, e aquilo era o que me destruía. Porque não tinha ideia do que fazer, mas odiá-lo parecia errado aos meus olhos e perdoá-lo parecia inadmissível aos olhos dos meus amigos. Mas eu sentia uma necessidade tão grande de tê-lo por perto. Chacoalhei a cabeça ao perceber que a vontade de chorar me atingia e, uma vez que começasse, seria difícil parar. Passei um pouco de água no rosto e destranquei a porta torcendo para que estivesse distraída o suficiente e não ficar encarando minhas pernas descobertas pelo vestido que eu ainda vestia.

- Precisamos estar prontas ao meio dia, . – ela falou enquanto se maquiava em frente ao pequeno espelho de sua palheta de sombra, graças a Deus, de costas para mim – Vai tomar banho? Vou pedir algo para você comer, não vamos ter tempo de almoçar aqui no hotel.
- Tudo bem. – falei baixo enquanto pegava uma calça e uma blusa confortáveis na minha mala – Sabe onde está meu celular? – perguntei ao perceber que não estava na mesa de cabeceira ao lado da cama.
- Em cima do sofá. – caminhei até o móvel e peguei o celular rápido, indo direto para o banheiro – Ei. – parei em frente à porta para ouvi-la – Vai ficar tudo bem, ok? Vamos cuidar de tudo. – falou com seu tom maternal de sempre e suspirei assentindo antes de entrar no banheiro de vez.

Assim que saí do banho e, consequentemente, do banheiro, já vestida, vi as outras três meninas ali. Mas, ao contrário do normal, não estavam fazendo palhaçadas ou falando sobre coisas banais. Era como se a animação que nos rodeava sempre tivesse desaparecido, e eu não consegui deixar de sentir-me culpada por isso.

- Bom dia, flor do dia! – falou se aproximando de mim com um pequeno sorriso, que logo desapareceu – Está doendo? – perguntou com um olhar preocupado e só então me lembrei do inchaço roxo em meu rosto. Neguei com a cabeça e fui surpreendida por um abraço de que fez meu ombro, que estava dolorido, incomodar um pouco e tive que me conter para não reclamar – Eu sinto muito mesmo, . – suspirou e me deu um beijo na bochecha – Como você está se sentindo?
- Normal. – falei ao sair do abraço e ir em direção à minha mala para guardar meu vestido – , pode me emprestar suas maquiagens?
- Você não precisa agir como se nada tivesse acontecido, . – ouvi falar e parei com as mãos apoiadas na mala – Nós estamos aqui para te ajudar.
- Eu só não quero falar sobre isso antes de conversar com ele, tudo bem? – falei e me arrependi no minuto seguinte. Senti os quatro pares de olhos encarando minhas costas.
- Eu entendo que deve ser difícil assimilar tudo isso, . Mas não posso deixar você correr outro risco com esse cara. – falou e eu me virei para encará-la.
- Eu não sou mais criança, . – falei enquanto penteava meus cabelos – Eu amo vocês e sou muito agradecida por tê-las sempre por perto para cuidar de mim. Mas eu já tenho idade para saber o que devo fazer ou não. Por favor, não façam dessa situação mais difícil para mim.
- Não é questão de ter idade ou não. – ela respondeu – Violência contra mulher é crime, . E toda essa situação em que ele te coloca, também é. Se chama relacionamento abusivo, e se você ainda não entende isso, tudo bem. Mas nós entendemos e não vamos permitir que ele te destrua ainda mais. – a encarei incrédula.
- Elliot não me destrói, . Nosso relacionamento sempre foi incrível, ele é uma pessoa incrível. – aumentei um pouco o tom de voz e me assustei comigo mesma. Por que eu estava discutindo com as minhas melhores amigas? Elas só queriam o meu bem.
- Olhe para o seu estado, . – falou se levantando da cama – Pelo amor de Deus! Você não percebe? Se esqueceu de todas as vezes que dormiu no meu quarto chorando pelas coisas que ele falava durante as suas brigas?! – a encarei ao perceber que ela não parecia estar muito calma – Os escândalos que ele já deu porque não queria que você saísse com a gente? Elliot te manipula desde o início desse relacionamento com essa história de que foi o único a te apoiar e acreditar em você.
- Ele foi! – exclamei antes que ela continuasse. Nenhuma delas entenderia o que se passava pela minha cabeça.
- Não, ! Ele foi o único a te apoiar com segundas intenções! – exclamou de volta e não posso negar que me surpreendi – Fez tudo aquilo para poder jogar na sua cara e te chantagear, como tem feito há meses! O que aconteceu ontem foi um absurdo, como você não percebe isso?! Olhe para si mesma, olhe para o seu corpo!
- Pare de fazê-lo parecer um monstro, !
- Eu não estou fazendo nada, ele é um! – nossos tons de voz aumentavam e nós nem mesmo percebíamos – Olhe para você, ! Não percebe o quão diferente está? Sua felicidade desapareceu e não adianta você negar isso, porque todos conseguem enxergar! Menos você. – talvez pareça sentimental demais, mas eu consegui ver o quão chateada estava apenas por olhar em seus olhos e aquilo foi o suficiente para que eu voltasse a chorar. Eu estava tão cansada de chorar o tempo inteiro, deveria ser a milésima vez que chorava desde a noite anterior. – Eu te amo, você sabe que é como a minha irmãzinha, . E eu sei que você o ama, que na sua cabeça tudo isso parece surreal e você quer acreditar que existe alguma explicação, que está tudo bem. Mas não está e nunca esteve, você sabe disso. Então, por favor, deixa a gente te ajudar.

Ouvir aquilo de foi doloroso, mas acredito que era exatamente o que eu precisava para entender que sempre houve um problema no meu relacionamento com Elliot. Mas ainda sim, algo me fazia acreditar que a culpa de tudo o que estava acontecendo era minha. Quer dizer, quem confiaria em alguém com um passado tão suspeito quanto o meu? Nem eu confiava em mim mesma às vezes.

Pov's

- Me desculpa. – a voz de foi praticamente inaudível e vê-la tão machucada em minha frente foi péssimo. Ela parecia tão confusa, como se não tivesse ideia do que fazer.
- Não precisa se desculpar, . – falou – Você é a única vítima disso tudo, não tem culpa de nada do que está acontecendo.
- Eu não queria ter colocado vocês no meio disso tudo, eu sei que acabei com o clima da turnê e...
- . – a interrompi. Não conseguia mais ouvi-la se culpando por algo que não devia. – Preste atenção, ok? – me aproximei e a olhei nos olhos, como sempre fazíamos quando precisávamos que ela se acalmasse e prestasse atenção em algo – Tudo isso que aconteceu é muito difícil de assimilar, principalmente quando passou tanto tempo ouvindo coisas que fazem você duvidar de si mesma. Então é normal que você se sinta culpada, mas precisa saber que não é. – em algum momento passei a segurar suas mãos que tremiam enquanto ela passava a chorar com mais intensidade – Eu não sei o que você ouviu ontem ou o que ele colocou na sua cabeça, mas nós vamos estar sempre aqui para te lembrar do quão errado ele está. – fui surpreendida por um abraço de e sorri fraco ao abraçá-la de volta.
- Ele disse que eu não mereço ser amada porque eu sou desprezível. – ela falou em meio ao choro, como uma criança indefesa e aquilo me fez pensar no quão frágil ela realmente era. Antes que eu pudesse dizer que aquilo era uma mentira, nos assustamos com o pulo que deu.
- Quem ele pensa que é para falar isso?! – ela exclamou – Ele não é ninguém! E se tem alguém desprezível, esse alguém é o Elliot. Não você. – fiz um sinal fraco com a cabeça para que ela se acalmasse um pouco, já que estava começando a ficar alterada. Tudo o que menos precisava era de mais confusão. Ela pareceu entender, já que respirou fundo e continuou a falar tranquila – Conversa com a gente, . Conta tudo o que está passando pela sua cabeça, só assim nós vamos poder te ajudar.

passou a mão nos olhos e limpou as lágrimas, que continuaram a cair mesmo assim, e deu alguns passos até chegar na cama e se sentar fazendo com que nós quatro a seguíssemos e acabássemos formando uma espécie de rodinha em volta dela. Talvez nós estivéssemos pressionando-a demais, mas não sabíamos o que fazer naquela situação. Tudo o que conseguíamos pensar era que talvez se ela desabafasse, as coisas se acalmariam e nós poderíamos ajudá-la a passar por aquilo. E eu ainda tinha em mente denunciar Elliot. Mas precisava respeitar as decisões de , e por isso era importante fazê-la contar tudo.
Uma vez que ela começou a contar o que tinha acontecido, desde o momento em que entrou no quarto até o que ele a agrediu, voltou a chorar e ficar nervosa. E eu só sentia raiva daquele idiota por ter feito aquilo com a minha melhor amiga.

- Isso é típico de um relacionamento abusivo, ... – falou baixo – E acredito que já tenha ouvido coisas horríveis assim muitas vezes, não é? – assentiu fraco e eu suspirei.
- Você vai denunciá-lo? – praticamente leu meu pensamento e eu fiquei apreensiva por um momento. Conhecendo bem a , ela poderia muito bem encerrar a conversa por causa da pergunta e ficar com raiva de nós por propor aquilo.
- Eu não sei. – pelo menos aquilo era melhor do que um “não”. – Isso pode repercutir muito... – ela parecia pensativa enquanto olhava para o colchão e desenhava com o dedo na roupa de cama – E eu não quero que se torne público.
- Podemos fazer isso em sigilo, . – falou – É muito importante que você o denuncie, ele não pode sair ileso disso tudo. – nossa conversa foi interrompida por algumas batidas leves na porta. Olhei para as meninas, confusa, e recebi um olhar pouco assustado de . Talvez ela pensasse que poderia ser Elliot. Mas, se fosse, não passaria daquela porta de jeito nenhum, pois eu não permitiria.

Abri apenas uma fresta, para ter certeza de que não era alguém indesejado, e pude ver dois garotos muito familiares, o que me fez sorrir e abrir a porta completamente.

- Ai meu Deus! – Harry exclamou me dando um susto e me deixando confusa – É a Phillips! – apertou o nariz com dois dedos e fingiu estar chorando.
- Por favor, posso ver a ? – Louis juntou as mãos – Ela é a minha ídola suprema, Deusa do mundo! – abriu os braços e eu comecei a rir junto às meninas que apareceram atrás de mim rapidamente para ver o que estava acontecendo – Oh meu Deus! – colocou uma das mãos na testa – Não creio que Wilson está em minha frente, vou desmaiar! – pela primeira vez desde a noite anterior, vi um sorriso genuíno no rosto de e aquilo foi suficiente para me deixar feliz também.
- Acho que já deu, não é? – Zayn falou rindo fraco – Daqui a pouco vão ouvi, vir pedir fotos e será traumatizante para eles ver a com metade do rosto maquiado e o outro não. – só então percebi que a estava com metade do rosto sem maquiagem e era bizarra a diferença que fazia. Ri alto e recebi um olhar praticamente mortal dela.
- Me desculpe, . Mas talvez seja melhor você terminar de se maquiar – ri junto com o resto do grupo e ela me deu o dedo do meio antes de voltar a se sentar no meio de suas maquiagens espalhadas pelo chão e continuar a se maquiar.
- Vão nos convidar para entrar ou não? – Zayn perguntou e eu ri, dando espaço para que entrassem. Ele era tão cara de pau.
- O que temos para fazer hoje? – Harry perguntou quando se jogou em cima do sofá – Podíamos procurar alguma coisa legal para fazer durante o dia em Birmingham. – Liam riu fraco.
- Pode esquecer. Duas entrevistas, show às sete e meia e vamos para Bristol às onze e meia. – ele falou e recebeu a expressão decepcionada de Harry.
- Preciso de férias! – Harry exclamou com os braços levantados e nós rimos.
- Precisamos, meu querido. – falei rindo.

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Birmingham, Inglaterra
Sexta-feira, 3:40PM

Pov’s Harry

Chegamos em Birmingham uma hora da tarde e mal tivemos tempo para nos instalar e ter algum descanso. Havíamos dado uma entrevista para uma revista, o que demorou uma hora mais ou menos porque as entrevistas foram separadas, e agora estávamos esperando em uma sala do hotel que estava reservada para que fossemos entrevistados por Chris Maxwell, dono de um dos maiores sites de fofoca da Inglaterra. Deveria ser a terceira vez que eu e os meninos éramos entrevistados por ele e, francamente, nunca era uma boa ideia. Quer dizer, as entrevistas sempre eram divertidas e ele usava de sua simpatia pra nos fazer perguntas ousadas e íntimas sem que o clima ficasse estranho, e era justamente por causa disso que sempre davam o que falar.

- Se misturem, por favor. – o produtor falou ao lado do câmera – Não queremos boatos de brigas. – dito isso, começamos a nos espalhar entre o enorme sofá e acabei ficando entre e . O que me fez pensar por um momento em tudo o que estava passando desde a noite anterior e em como ela estava se sentindo. Provavelmente péssima, pensei. Nunca é agradável dar entrevistas e fingir que está tudo bem, mas infelizmente nossa profissão exigia isso de nós. Também pensei no quão estranho era estar ao lado de sem temer um soco no nariz ou presenciar um clima estranho. Ela parecia muito bem, inclusive. Sorria um pouco ao prestar atenção na conversa de com Louis e tudo o que consegui pensar foi em como ela fica ainda mais incrível quando sorri.
- Fiquei justo do lado das mais gatas dessa turnê, a sorte está do meu lado! – exclamei chamando a atenção de todo mundo. riu fraco e a abracei de lado, tomando cuidado para não tocar em seu ombro que sabia que estava dolorido. Percebi um olhar meio tímido de , o que foi bem estranho sendo que era raro vê-la envergonhada por algo.
- Me senti ofendida, Harry. – falou fingindo ofensa e eu ri.
- Não se ofenda, para mim você é a mais gata de todos os lugares! – Liam falou sacana e ela riu. Não sei se fui o único que percebeu um clima diferente entre os dois.
- Olá, pessoal! – Chris anunciou sua chegada sendo bem chamativo, como sempre – Boa tarde, como vocês estão? – ele falou enquanto cumprimentava cada um de nós.

Em alguns minutos começamos a entrevista, que estava engraçada e divertida, mas ainda não haviam aparecido às típicas perguntas pessoais e, talvez um pouco, invasivas de Chris e eu começava a estranhar aquilo.

- Para finalizar, vamos fazer uma brincadeira agora, ok? – ele falou enquanto ajeitava os papéis em sua mão – Vou fazer perguntas aleatórias, vocês tem que responder respectivamente a primeira coisa que vier em suas mentes. Vamos começar por você, Liam! – ele se endireitou na cadeira e limpou a garganta. Esse cara era uma figura. – Melhor lembrança?
- Nossa primeira turnê. – Liam respondeu e nós o zoamos fazendo cosquinhas em sua barriga e apertando sua bochecha. Chris continuou com perguntas totalmente aleatórias, como ele mesmo havia dito, e como eu sou sempre muito sortudo - percebam minha ironia – foi justamente no meu colo que a bomba caiu.
- Seu último beijo? – Chris deu uma risadinha baixa e acredito que os meninos teriam dado também, se não soubessem da péssima situação que aquela pergunta me colocaria com . O encarei por alguns segundos e ri sem graça. A verdade era que não beijava ninguém há algumas semanas.
- Não me lembro, faz algum tempo. – respondi me segurando para não rir e, para a minha surpresa, quem soltou uma gargalhada imediata foi .
- Qual é, Harry! – ela falou em meio ao riso – Todos sabemos que isso não é verdade! – em pouco tempo os meninos e as meninas começaram a rir junto e eu não sabia se era de nervoso ou por acharem graça. Todos ali sabíamos o quão louca era e, mesmo que estivéssemos em bons termos, sua reação me preocupou. Ela era imprevisível.
- Vamos, Harry, todos querem saber! – Chris colocou mais lenha na fogueira e confesso que estava começando a sentir-me envergonhado.
- Faz uma semana, mais ou menos. – respondi torcendo para que o assunto chegasse ao fim. Quer dizer, não poderia ficar com raiva de mim por ter beijado alguém enquanto não estávamos juntos e ela nem mesmo queria ouvir meu nome. Mas, como já disse, ninguém nunca sabe o que esperar de .
- Última mensagem de texto? – continuou com as perguntas, dessa vez com .
- Vou ter que checar em meu celular. – ela sorriu enquanto tirava o aparelho do bolso e o desbloqueava. Sua expressão tranquila sumiu dando lugar a um semblante triste assim que abriu o aplicativo das mensagens e tudo que pude ver foi o nome na conversa que aparecia no topo, o que me deixou apreensivo. O mesmo semblante deu lugar a um sorriso e leveza tão rápido quanto apareceu e tudo o que pude pensar foi no sucesso que ela teria como atriz. Como alguém conseguia fingir estar bem passando por tudo o que ela havia passado nas últimas vinte e quatro horas? Era como se a maquiagem que ela usava no rosto e no corpo cobrisse muito mais do que os hematomas.
- Minha mãe dizendo que está com saudades. – sorriu.
- Esperava algo mais elaborado, como uma mensagem de Elliot Crawford! – Chris exclamou e o desconforto de , e de todos nós, foi perceptível – Mas tudo bem! Dessa vez irei perdoá-la! – ela sorriu fraco para Chris e ele finalizou a entrevista logo em seguida.

Pov’s Harry Off

Genting Arena, Birmingham
Sexta-feira, 7:00PM

- Você tem certeza de que quer fazer isso? – perguntou enquanto mexia nos cabelos de , que tinha a cabeça deitada em seu colo. Haviam conversado algum tempo antes e, para o alívio de e todos os outros, havia decidido denunciar Elliot. Mas estava aérea e quieta durante todo o dia, e aquilo era o que preocupava . Não queria que a amiga tivesse que passar por toda aquela interpretação pela segunda vez ao dia.

- Todas essas pessoas pagaram para nos ver, . Não posso desapontá-los. – falou com os olhos fechados. Estava sentindo-se cansada, provavelmente por causa da noite mal dormida somada a todos os acontecimentos. – Está tudo bem, só não vou poder suar, então não posso fazer as coreografias.
- Por precaução, talvez seja melhor não participar, mas você que sabe. – respondeu. Outra de suas preocupações eram os hematomas que tinha no corpo. Conhecendo-a, sabia que o que mais a preocupava era que aquilo fosse descoberto. podia ser a mais frágil do grupo, mas era orgulhosa demais para expor seus problemas à pessoas que não fossem suas melhores amigas. suspirou ao se levantar do colo da amiga e encará-la.
- Ele está me mandando mensagens desde hoje à tarde. – falou hesitante e desviou os olhos para o chão.
- Você não respondeu, não é? – perguntou enquanto pegava o celular atrás de si – ligou para o Simon, ele está entrando em contato com os advogados. Você vai prestar a queixa amanhã de manhã. – ouvia o que a amiga dizia e sua feição se transformava em preocupação. Apesar de ter tomado aquela decisão, ainda não sabia se estava pronta. Ainda tinha dúvidas das reais intenções de Elliot, talvez ele só precisasse de alguém que o fizesse perceber o que estava se tornando. O que havia se tornado. respirou fundo e coçou a testa. – Sei que você não deve estar confortável com isso, mas é importante, .
- Eu sei. – concordou com a cabeça e se levantou do pequeno sofá – Por isso vou fazer. Estou com medo da maquiagem escorrer. – falou preocupada enquanto se encarava no espelho. Era estranho como parecia perfeitamente intacta com aquela maquiagem e aquelas roupas.
- Descanse hoje, . Amanhã você volta para o palco. – falou fechando a porta atrás de si quando adentrou o camarim junto com . Estava com Liam no refeitório, poderia dizer que os momentos que passavam juntos a faziam esquecer completamente de tudo ao seu redor. E ela gostava daquilo. – Diremos aos fãs que você está doente, eles vão entender.
- Faça o que é melhor para você, . – falou e observou

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Pov’s

Saímos do palco e os gritos da plateia se intensificaram. Esse foi o melhor show da turnê até agora, os fãs estavam histéricos, não deixaram de cantar uma única música e felizmente não recebi nenhum insulto durante o meet and greet ou em algum cartaz. O que foi um alívio, preciso admitir. Os comentários ruins que eu vinha recebendo me perturbavam, mas conversar sobre aquilo com as meninas estava fora de cogitação tendo em vista tudo o que estava acontecendo com , então eu conversava com Niall sempre que lia algo realmente incômodo pelo simples fato de ele perceber quando eu não estava bem.
Falando sobre o Niall, a cada dia que passava nós nos aproximávamos ainda mais e criávamos uma conexão ainda maior. Quer dizer, o clima havia ficado um pouco estranho entre nós após a sua tentativa de beijo não sucedida, mas ao invés de nos afastarmos, aquilo nos fez ficar cada vez mais próximos. Ele era tão carinhoso comigo e nós nos divertíamos tanto quando estávamos juntos.

- Do que está rindo, ? – perguntou com uma sobrancelha arqueada e só então percebi o sorriso em meu rosto. Balancei a cabeça em negação rindo um pouco nervosa. Pensar em Niall me deixava estranhamente feliz e eu sabia muito bem o que isso significava.
- Vocês arrasaram! – exclamou sorrindo quando se aproximou. Ela não havia feito o show e eu poderia dizer que aquilo a deixara chateada, já que estava determinada a passar quilos e quilos de maquiagem para esconder o estrago de Elliot e não desapontar os fãs. Mas ao fim, não coube a ela decidir o que faria ou não, Simon a proibiu de subir ao palco até que prestasse queixa à polícia e fosse examinada por algum médio assim que soube da história completa. Ele ficara furioso e entrou no primeiro voo para Bristol, que seria nosso próximo destino.
- Sentimos sua falta durante o show, . – falou sorrindo e suspirou.
- Eu queria ter participado. – resmungou enquanto mexia no cabelo.
- Veja pelo lado bom: você é a única não está nojenta e grudenta de suor. – Harry respondeu e nós rimos – Mas eu posso acabar com isso em alguns segundos! – falou enquanto começava a correr na direção de que passou a se esconder atrás de pessoas aleatórias para se proteger.
- Harry, não ouse tocar em mim! – exclamou quando o mesmo conseguiu alcançá-la e encostar a mão em seu braço – Você está nojento. – ela resmungou quando Harry parou de persegui-la e começou a rir.
- Muito boa a brincadeira, pessoal. Mas agora a correria começou, precisamos estar no aeroporto às dez e meia. – Madison, nossa produtora, gritou para que todos nós ouvíssemos e fôssemos para os camarins tirar a maquiagem e descansar. Essa era a turnê mais renovadora e cansativa que já fizemos. Vinte e cinco shows em trinta dias, exigia que tivéssemos muita disposição para as muitas horas de viagens, compromissos e shows e poucas horas de descanso. Nossa sorte era que o dia seguinte seria livre, poderíamos passar o dia inteiro dormindo no hotel ou passear por Bristol inteira se quiséssemos, dependia da decisão de cada um de nós e preciso dizer que essa era a melhor parte. Estar livre para fazer o que bem entendesse, a quebra da rotina era sempre o que me relaxava.



Capítulo 6

Sexta-feira, 3:45AM
Bristol, PRYZM Club

andava em direção ao bar enquanto se divertia ao sentir os olhares que caíam sobre si, adorava sentir-se no centro das atenções em situações como aquela e seu nível de embriaguez aguçava ainda mais sua diversão, mas deixou passar despercebido o par de olhos verdes que acompanhava o caminho que fazia, preenchidos pelo incômodo ao ver o sucesso que fazia entre os homens. Incômodo esse que poderia ser chamado de ciúmes.
Basicamente, após Zayn avisar que iria para algum club assim que chegaram na recepção do hotel, alguns dos outros jovens quiseram aderir a sua ideia. Então lá estavam seis deles em um dos melhores clubs da cidade, enquanto havia preferido permanecer no hotel, por sua condição obviamente não adequada, junto com , que insistiu em permanecer para cuidar da amiga mesmo que tivesse insistido de volta para a mesma ir, Louis e , que foram para a suíte que dividiam e não deram mais notícias, deixando óbvio que estariam dormindo ou fazendo algo que não deveria ser interrompido pelos demais.

- Desacelera um pouco, . – Liam falou rindo da garota que mal tinha acabado com um drink e já começado outro enquanto se movimentava conforme o ritmo da música. Ele provavelmente era o menos bêbado presente na área vip, o que não significava que estivesse sóbrio o suficiente para agir normalmente, ria de tudo o que via e tentava sem sucesso controlar os amigos que estavam piores.
- Cadê a ? – a garota perguntou gritando mais alto do que o necessário quando se aproximou de Niall – Quero ir lá para baixo, aqui está ficando vazio demais!
- Eu quero ir também! – Niall exclamou jogando os braços para o alto como uma criança quando fica animada ao receber uma boa notícia.
- Não inventem! – Liam falou cortando a onda dos amigos – Não faça esse cara, Niall. Você sabe que ela me derrete. – reclamou quando recebeu o olhar brilhante do loiro que riu junto com de sua reação.
- Vamos pedir shots! – exclamou segundos antes de se distanciar para alcançar que vinha saltitante com a mão que não segurava a bebida no alto – Ei, !
- ! – exclamou ao perceber a presença da amiga algum tempo depois de ser chamada pela mesma. Sua situação realmente não era a melhor dos seis, já tinha alguns borrões em sua visão e não era capaz de pronunciar uma palavra sem gritar. – Vamos dançar! – puxou a amiga pelo braço até se aproximarem do local onde as outras pessoas dançavam.
- , eu quero beijar aquele menino ali. – falou encarando o garoto loiro que gargalhava e ria ao lado de Liam, fazendo seguir seu olhar e obter um olhar confuso. Não era possível que estivesse enxergando a pessoa certa.
- Onde, ? – perguntou estreitando os olhos.
- Ali, bem ao lado do Liam. – respondeu sorrindo sapeca e a encarou incrédula.
- O Niall?! – encarou a amiga que gargalhou confirmando com a cabeça, arrependendo-se ao ficar tonta em seguida – Eu sabia! – gritou chamando a atenção das pessoas em sua volta.
- Eu vou ficar com ele e você com o Harry. – concluiu antes de levar o canudo de seu drink até a boca, sem nem mesmo perceber os olhos de se revirarem.
- Acho melhor você manter esse canudo na boca e parar de falar besteira. – falou e passou a procurar o menino de olhos verdes, sem nem mesmo perceber, mas não teve sucesso em encontrá-lo – Ele nem mesmo está por aqui. Aposto que está ficando com alguém. – reclamou, mais uma vez sem perceber seu ato.
- Ciúmes, ? – perguntou sorrindo irônica e recebeu um tapa no braço – Ai, vadia! – exclamou e gargalhou antes de puxá-la para dançar.



Harry encarava Zayn com o olhar tenso. Apesar do nível de embriaguez, sabia que se envolver numa briga com caras três vezes maiores do que você não era boa ideia, ainda mais quando se estava tão chapado a ponto de enxergar dois de cada um deles.

- Dude, deixa pra lá. – falou no ouvido do amigo, mas foi empurrado de leve em seguida.
- Me deixa, Harry. – Zayn respondeu com raiva – Quem você tá pensando que é? – perguntou marrento chegando mais perto do loiro em sua frente que riu irônico.
- Abaixa essa tua bola pra falar comigo, cara. – respondeu se aproximando ainda mais de Zayn, fazendo com que estivessem quase com os narizes colados. Harry já olhava para os lados na esperança de que Liam chegasse e controlasse Zayn ou o ajudasse a brigar, porque definitivamente ele não tinha essa capacidade.
- E você abaixa a bola pra falar com as meninas. – a raiva de Zayn se originava pelo o que havia presenciado há pouco mais de cinco minutos. Esse mesmo homem, tentando convencer Marnie, uma menina que Zayn ficara no início da noite, de beijá-lo. Não desistia mesmo vendo a resistência da menina, que foi insultada de todos os piores nomes, e aquilo levou Zayn à loucura. Não por ter ficado com ela, e sim pela falta de respeito dos três amigos com a garota que fazia tudo para ignorá-los e continuar se divertindo com o grupo de amigas que a acompanhava. Tendo três irmãs, imaginá-las em uma situação daquelas, o deixava puto. Quando deu-se por si, já confrontava os três homens que julgava babacas.
- Eu falo do jeito que eu quiser, seu merda. – Zayn nem mesmo percebeu quando sua mão voou no queixo do homem, quando se deu conta, já estava envolvido em mais uma briga. Harry tentava segurá-lo enquanto gritava coisas que Zayn não entendia, algumas pessoas tentavam separar a briga e os dois socos que levou antes de conseguirem separá-los passaram despercebidos por conta da adrenalina.

Tudo foi muito rápido, mas os poucos segundos renderam em no mínimo dois socos bem dados no rosto do loiro, que foi levado pelos amigos a fim de acabar com a briga para que não fossem expulsos do club, e aqueles não poderiam ser comparados aos dois que levou.

- Babaca! – gritou enquanto era puxado por Harry para sair dali.
- Porra, Zayn, tá maluco cara? – Harry perguntou nervoso – Não se lembra do que o Simon falou?
- Foda-se o Simon! – exclamou antes de sair de perto do amigo.

Zayn sumiu do campo de visão de Harry, fazendo-o bufar enquanto passava uma das mãos no cabelo. Estava bêbado demais para cuidar de Zayn, preferia deixar aquela tarefa para Liam. Deu de ombros e seguiu até o bar, precisava de uma bebida.
Ao andar por um club, você espera ver qualquer tipo de coisa, e Harry já estava acostumado a presenciar as mais chocantes situações em áreas vip. Mas deparar-se com beijando outro cara não estava em seus planos e o fez parar a alguns passos de distância dos dois apenas para assimilar a imagem em sua frente. Talvez, inconscientemente, estivesse esperando que interrompesse o beijo, o visse ali e buscasse explicações, e vê-la aproveitando o momento e gostando daquilo o desapontou. Respirou fundo ao lembrar-se de que não tinham mais nada além da amizade e seguiu para o bar, aquilo havia sido o impulso que precisava para beber até esquecer o próprio nome.



Pov’s Louis

Ouvi bufar e revirei os olhos, estava cada vez mais difícil conviver com as crises de ciúmes de . Fiquei no hotel com ela para não deixá-la sozinha, já que estava cansada e não quis sair com o resto do pessoal, mas o arrependimento só crescia. Já devia fazer uns vinte minutos que ela não parava de reclamar, mais uma vez por causa de alguns momentos desconfortáveis com fãs. Mas o que eu poderia fazer? Qualquer atitude que esperava que eu tomasse causaria escândalos e problemas.

- Você pode parar, ? – perguntei frustrado. Minha paciência já havia sumido.
- Faz a merda e não aguenta ouvir as reclamações. – murmurou enquanto vestia a calça de seu pijama, já que desde que saiu do banho, estava enchendo minha cabeça com suas paranoias ao invés de se vestir.
- Que merda eu fiz? Tratei bem minhas fãs?! – exclamei puto da vida, tudo o que minha namorada sabia fazer era reclamar – Duvido que você fosse fazer algo a respeito se estivesse no meu lugar.
- Eu faria sim, Louis! – ela exclamou de volta e fechei os olhos tentando me acalmar – Teria me afastado, avisado aos seguranças, feito um escândalo! Porque eu não sou medrosa igual a você.
- Realmente, essa é a sua especialidade! – exclamei – Fazer escândalos. – concluí quando percebi que ela ainda não havia entendido o que queria dizer. Não vou negar que me senti ofendido com a acusação, eu não sou medroso! Mas magoar minhas fãs nunca estaria em meus planos.
- Argh! Cala a boca, Tomlinson! – senti seu tom de voz começar a se alterar, e isso vindo junto ao meu sobrenome não era boa coisa. me chamava pelo sobrenome quando estava puta, e acredite, não era algo bom vê-la assim. – Você devia ter saído com eles, assim não estaria ouvindo meu escândalo!
- Realmente, eu estaria tendo uma noite muito melhor! – respondi no mesmo tom. Por que eu tive que me apaixonar por uma mulher tão bipolar?
- Então o que ainda está fazendo aqui?! – ela indagou jogando as mãos no ar.
- É uma ótima pergunta, porque eu também não sei! – ironizei enquanto pegava meu par de tênis ao lado da cama. – Não me espere para dormir.
- Pode ter certeza de que eu não irei. – essa foi a última coisa que ouvi antes de bater a porta atrás de mim, fazendo um alto estrondo. Bufei assim que cheguei ao corredor e percebi que não valia à pena ir até o club, tendo em vista que fecharia dali à provavelmente uma hora. De jeito algum eu voltaria para o quarto em que estava com , pelo menos durante umas três horas, então, simplesmente decidi andar pelo hotel até encontrar algum local para ficar sossegado.


Pov’s

Acompanhei os passos de até a porta, alguns segundos depois de ouvirmos algumas batidas na mesma. Nos encaramos com o cenho franzido, sem saber quem poderia ser àquela hora da manhã, já que as outras meninas estavam acomodadas em outros quartos. abriu a porta para quase ser derrubada por uma emburrada, que entrou como um furacão em nosso quarto e se jogou ao meu lado na cama.

- O que vocês estão fazendo? – perguntou como se não tivesse acabado de protagonizar uma cena estranha e eu ri. Sempre dizíamos que era imprevisível, mas era quase tanto quanto. – Do que você está rindo, ? – fez outra pergunta, dessa vez soando mais tranquila.
- O que está fazendo aqui? – perguntou fechando a porta. Sim, ela permaneceu estática até aquele momento, tentando entender o que tinha acabado de acontecer. – Onde está o Louis?
- Não me lembre do Lou agora. – resmungou.
- O que aconteceu? – perguntei curiosa.
- A gente brigou. – respondeu com os olhos fechados, mas logo os abriu e resmungou algo que não entendi – Tudo bem, eu acho que exagerei. Mas eu odeio vê-lo dando atenção a tantas garotas! – exclamou e riu.
- Ele é uma celebridade, você queria o que? – revirou os olhos.
- Eu sei, mas algumas delas são tão abusadas! – resmungou mais uma vez e não me contive.
- Pare de resmungar, pelo amor de Deus! – exclamei e recebi os olhares espantados das duas – Isso me irrita.
- Finalmente, depois de três anos, descobrimos algo que irrite a . – falou e riu.
- Você o deixou no quarto? – mudei o assunto antes que elas começassem a resmungar só para me irritar.
- Ele foi encontrar os meninos. – falou emburrada - Por que essas fãs não podem se contentar com um abraço rápido? Não tem necessidade agarrá-lo tanto!
- , você sabe como funciona. Fazem o mesmo com a gente. – falei enquanto me ajeitava na cama – Você tem que entender.
- Mas eu não deixo nenhum fã apertar minha bunda! – ela exclamou, fazendo com que eu e gargalhássemos.
- Como assim ele deixou que apertassem a bunda dele?! – exclamou e eu ri ainda mais, fazendo bufar antes de rir junto.
- Ele disse que ficou sem graça de negar! – exclamou – Louis me irrita às vezes, ele precisa ser mais corajoso.
- Nesse ponto você tem razão. – falou – Apertar a bunda já é demais. – riu fraco.
- O que vocês estavam fazendo até agora? Pensei que acordaria vocês. – falou.
- Tomamos banho e decidimos ver um filme. – respondi.
- Tomaram banho juntas? – perguntou rindo.
- Não, idiota. – respondeu rindo e nós caímos em um absoluto silêncio por alguns segundos.
- Você está pronta para amanhã, ? – perguntou quebrando-o – Simon já chegou, eu acho. – suspirei. Felizmente, eu acho, tinha me esquecido de tudo o que estava acontecendo.
- Eu tenho que estar, não é? – sorri fraco.
- Nós vamos estar com você sempre, sempre, sempre! – exclamou e nós rimos da forma que ela falou.
- Eu amo vocês. – falei antes de ser envolvida em um abraço torto, graças ao meu ombro dolorido. Pensar que Elliot havia continuado a mandar mensagens até algumas poucas horas atrás, fazia-me sentir algo pesado no peito. Mas contar sobre isso para todas as amigas ainda era uma dúvida minha, me arrependi de ter contado para . Apesar de entender o que ele havia feito e a gravidade daquilo, ainda acreditava que ele precisava de ajuda. E eu queria ajudá-lo, mesmo que aos poucos estivesse percebendo que não poderia amá-lo mais.



Pov’s

Percebi que todo o tempo que passei planejando como beijar Niall naquela noite foi desperdiçado quando o mesmo colocou a mão em meu ombro, fazendo com que eu deitasse minha cabeça em seu ombro. Liam havia me proibido de beber há algum tempo e o efeito do álcool começava a sumir, fazendo com que o sono batesse e eu já não conseguisse me divertir tanto quanto antes junto à , que disse que já era adulta e não aceitaria que Liam tentasse mandar nela, e naquele momento estava dançando com um grupo de meninas que eu não fazia ideia de quem fossem e imagino que ela também não. O momento estava perfeito e eu sabia que eu teria que dar o próximo passo, por causa do que aconteceu na piscina em Sheffield. Apesar da nossa significante aproximação, ainda sentia que Niall gostaria de fazer algo, mas não tinha coragem. Não que eu tivesse, pra falar a verdade, quanto mais o efeito do álcool passava, menos coragem eu tinha de fazer ou dizer algo para Niall. Minha insegurança voltava a me atingir em cheio e eu sabia que aquilo só pioraria caso eu não ingerisse álcool naquele momento.

- Já está cansada? – ele perguntou, despertando-me dos meus pensamentos, e eu assenti. – Podemos voltar para o hotel, se quiser.
- Não precisa, os meninos ainda estão curtindo. – respondi com um sorriso – E a definitivamente não vai querer ir embora tão cedo. – apontei para a garota que hora pulava, hora dançava e gritava a música junto às duas meninas, e nós rimos.
- Amanhã ela vai estar péssima. – ele falou rindo e nós caímos em um momento de silêncio – Eu acho que – ele hesitou e eu o encarei esperando que continuasse, mas ele não o fez.
- O que? – perguntei curiosa.
- Eu acho que nós temos muito em comum, . – ele olhou nos meus olhos e, eu juro que senti meu coração parar por um segundo. Por que ele tinha que ser tão lindo?! Entendi o caminho que ele estava indo e resolvi fazer o mesmo.
- Eu também acho. – sorri – Hoje li um tuíte que dizia que nós seríamos bonitos juntos. – falei como quem não queria nada e ri junto com ele.
- Não sei quem foi a pessoa que disse isso, mas concordo com ela. – eu senti minhas bochechas queimarem. Nem mesmo havia raciocinado o que tinha acabado de dizer e, definitivamente não esperava que ele dissesse algo tão claro assim. – E você não precisa ficar tímida por isso. – nós rimos. Ele provavelmente porque ainda estava um pouco mais bêbado do que eu e ria de tudo o que acontecia, e eu por nervoso.
- Eu estou cansada. – reclamei para mudar o assunto. Me senti uma idiota na mesma hora. Havia esperado a noite inteira para o momento certo, e quando o tive, estraguei tudo.
- Vamos para o hotel, eu também estou com sono. – ele falou tirando seu braço de meu ombro e levantando-se, logo em seguida puxando a minha mão e me levantando. – A gente tá indo. – ele falou para Liam, que estava do outro lado da mesa rindo de algo junto a um Harry extremamente bêbado.
- Ah, não! – Harry exclamou – Já beijou ela, Niall? A noite tá ótima, fiquem! – ele falava embolado e gesticulava com a mão. Niall riu sem graça e aquela provavelmente foi a cena mais fofa que eu já vi. – Todos estão de pegação, ninguém mais se lembra do velho Harry! – fez que não com a cabeça como se desaprovasse algo e eu não entendi o que ele quis dizer com aquilo, então só ri fraco.
- Já deu para você, Harry. – Liam falou tirando a bebida de sua frente.
- Não, Liam! – ele exclamou.
- A gente se vê no hotel. – Niall falou e nós seguimos até o segurança que nos acompanharia até um dos carros que viemos.

Confiem em mim, bebida alcoólica somada a paparazzi e flashes não é uma boa ideia. Isso ficou mais do que claro para mim assim que saímos do club e eu quase caí junto ao Niall, por não conseguirmos enxergar nada e ainda estarmos um pouco tontos, nossa salvação foi o segurança que, de alguma forma, conseguiu nos segurar. Com alguma dificuldade, graças aos paparazzi que bloqueavam a passagem, conseguimos dar partida com o carro. Permanecemos em um completo silêncio durante metade do percurso, onde eu travava uma luta em minha mente entre falar algo ou não. O que Harry havia dito era muito sugestivo, e eu quis agradecê-lo por ter exposto o assunto daquela forma. Talvez assim Niall tivesse alguma atitude mais significativa ainda naquela noite.

- Estamos muito longe? – perguntei com os olhos fechados.
- Há uns três minutos. – ele respondeu e caímos em um silêncio novamente. Para ser sincera, eu já estava tão derrotada que havia perdido a disposição para tentar ou esperar algo. Então, tudo o que fiz foi me acomodar encostada à porta do carro e não impedir meus olhos que fechavam sozinhos a todo minuto. – Vem aqui. – ele falou me puxando levemente para me acomodar em seu abraço e eu não recusei. – Sabe, eu concordo com o Harry. – ele falou de repente, fazendo com que eu abrisse meus olhos novamente.
- Com o quê? – perguntei confusa.
- Nós deveríamos nos beijar. – me afastei de seu peito e o encarei, sem conter um pequeno sorriso.
- Eu também concordo. – ele sorriu e eu abaixei a cabeça. Estava começando a sentir-me constrangida.
- Aquele dia na piscina... – ele começou a falar, mas o interrompi.
- Eu queria, Niall. – suspirei – Só estava confusa.
- Se eu te beijasse agora, você não iria sair correndo? – ele perguntou e eu ri fraco.
- Bom, nós estamos dentro de um carro em movimento, então... – nós rimos e ele se aproximou, fazendo carinho na minha bochecha. Niall, sem dúvida nenhuma, era a coisa mais adorável que eu já havia conhecido. Nossos rostos estavam tão próximos e faltavam centímetros para que nossas bocas se encostassem, parecia que o tempo tinha parado. Fechei os olhos quando senti seus lábios encostando aos meus, mas os abri de novo me afastando quando ouvi a voz do motorista soar em meus ouvidos. Foi como voltar à realidade. Nos encaramos sem graça por um momento e eu juro que matei aquele homem mentalmente.
- Então... acho que chegamos... – ele falou desviando o olhar do meu.
- É... – murmurei e ficamos assim por um momento – Acho que... deveríamos.. é... – apontei para a porta do carro.
- Ah, sim! – ele exclamou parecendo finalmente se tocar de que poderíamos sair do carro, e abriu a porta, saindo em seguida e me dando a mão para que saísse também. Tivemos sorte de não ter ninguém na entrada dos fundos do hotel, o que facilitou muita coisa para nós.
- Então... Eu vou para o meu quarto...
- Eu te acompanho. – ele falou imediatamente e eu sorri.
- Tudo bem.
- A noite foi incrível, me diverti muito. – ele falou enquanto entrávamos no elevador.
- Foi ótima, mas acho que Liam estava certo quando disse que eu estava exagerando na bebida. – fiz uma careta e ele riu.
- Acho que amanhã só vou beber água. – falou e eu concordei, já saindo do elevador sendo seguida por ele. – Podemos fazer algo amanhã.
- Claro... Beber água juntos, talvez. – falei e ri sozinha, fazendo-o sorrir quando chegamos à porta do meu quarto.
- Ah, sim! – ri fraco – Mas é sério, quero te levar para conhecer um lugar.
- Qual lugar? – perguntei curiosa. Aquilo começava a soar como um encontro.
- Clifton Village. Conhece? – fiz que não com a cabeça – É a sua cara, acho que vai gostar. – sorri. Ok, eu acho que nunca havia sorrido tanto quanto estava nessa noite.
- Tudo bem. E que horas seria esse passeio, senhor Horan?
- É um passeio longo pela cidade, podemos sair às duas, para aproveitarmos o dia. – assenti sorrindo – Acho melhor deixar à senhorita descansar, não é? Amanhã vai ser um dia longo. – ri.
- Boa noite.
- Boa noite.

Entrei no quarto e me joguei na cama, sem nem mesmo tirar a roupa ou tomar um banho antes. Niall conseguia despertar os melhores sentimentos em mim, e admito que estes vinham sendo cada vez mais raros antes de ele aparecer. Levantei da cama preguiçosamente e fui até o banheiro, tomando um banho quente e rápido antes de apagar em minha cama, sem nem mesmo trocar o roupão pelo pijama.


Sexta-feira, 11:40AM
Bristol, Avon and Somerset Constabulary



Pov’s

Eu havia passado as últimas vinte e quatro horas pensando em como esse momento seria, em quais palavras eu usaria, e até mesmo em qual seria minha postura dentro daquela sala. Acontece que, uma vez que entrei naquela sala e o delegado direcionou o olhar pela primeira vez aos meus machucados, balançando a cabeça levemente como se já soubesse o que estava por vir, minha mente ficou vazia, e eu já não sabia se havia feito a decisão certa ao não me opor à vontade de Simon e prestar aquela queixa.
Todos os meninos e meninas estavam lá, junto a Simon, nosso advogado e dois funcionários do hotel que ficamos hospedados em Nottingham. Segundo Jonathan, nosso advogado, era melhor que as testemunhas estivessem presentes na delegacia para que agilizasse o processo do boletim de ocorrência. Admito que se pudesse, escolheria estar sozinha. Talvez apenas com Jonathan. Porque sentir os olhares de preocupação e apreensão dos meus amigos e sentir-me um incômodo para eles era desagradável. Ser a vítima da situação nunca foi algo que me agradasse, desde sempre sou assim. A maioria deles estava numa ressaca fodida, e mesmo assim faziam questão de estar ali. Isso me fazia pensar no quão sortuda eu era por tê-los.

- Todos eles são testemunhas? – uma policial se dirigiu a Jonathan, que afirmou. – Todos estavam presentes durante a agressão?
- Ninguém esteve presente durante a agressão. Estes dois funcionários do DoubleTree by Hilton Hotel foram comunicados por um hóspede, que ouviu muitos gritos do quarto onde a Senhorita Wilson estava com o namorado. Apenas o rapaz pôde ouvi-los. Mas todos estes presentes, com minha exceção e deste senhor – indicou Simon – a encontraram em seu quarto momentos após a agressão.
- Certo. – a mulher concordou direcionando o olhar para mim. Aquele olhar de pena que eu tanto odiava. – Não será necessário que todos vocês prestem depoimento, apenas os dois funcionários e dois amigos. Bom, o Sr. Grayson pode entrar e prestar depoimento, por favor. – falou enquanto procurava o tal com o olhar, assentindo quando o homem se levantou e a seguiu até a sala do delegado. Com certeza seria um dia longo.
- Então alguns de vocês já podem ir. – Jonathan falou.
- Não vou deixar a . – falou segurando minha mão, sendo acompanhada pelos outros. Por um momento, foi bom saber que eu tinha a proteção de todos eles, mas ainda acreditava que tê-los todos ali era incômodo.
- Apenas dois de vocês vão continuar aqui. Não existe negociação. Decidam quem vai e quem fica. – Simon falou como sempre curto e grosso – Zayn não está incluso, pode voltar para o hotel junto com outros sete. – estranhei por um momento, assim como todo o resto do grupo. – Podem puxar toda a sua ficha, Zayn. Não quero suas confusões atrapalhando a . E mais tarde vamos conversar.
- Tudo bem. – ele murmurou. Sinceramente, não era um sacrifício para Zayn ir embora. Ele provavelmente não gostaria de estar ali, ainda mais depois da noite de bebedeira que eles tiveram.
- Eu vou ficar. – anunciou.
- Eu também. – a seguiu.
- Mas eu também quero ficar. – protestou e foi seguida de .
- Meninas, vão pro hotel descansar. Vocês não precisam estar aqui. – essa foi uma das poucas vezes que falei durante aquela manhã, o que provavelmente foi a razão de minha voz ter saído rouca e baixa.
- Nós queremos estar aqui, . – ouvi dizer e Simon bufou.
- e Liam ficam. O resto pode voltar para o hotel. – avisou e recebeu os protestos das minhas outras amigas.
- Vamos embora logo. – Zayn falou cessando as reclamações e fazendo todos o encararem surpresos – Só vocês ainda não perceberam que nós estamos deixando a mais estressada. – ok, agora eu me surpreendi. Como ele havia percebido isso?
- Nós vamos estar te esperando no hotel, ok? – falou depois de me abraçar e eu assenti, forçando um sorriso sem mostrar os dentes.

Pov’s Off



Sexta-feira, 12:35PM
Bristol, Bristol Marriot Royal Hotel

batia as unhas na mesa freneticamente, estava ansiosa. Algo estava errado e ela não conseguia identificar o que era. , em sua frente, conversava com Niall enquanto o mesmo a mostrava algo em seu celular. e Zayn riam histéricos de algo que Louis havia acabado de dizer, e Harry ainda não havia chegado ao restaurante do hotel. Talvez esse fosse o motivo de estar tão ansiosa, não saber onde o garoto estava e o que tinha acontecido para que não estivesse ali ainda. Revirou os olhos com o próprio pensamento, Harry era seu ex-namorado e ex-inimigo, pouco lhe devia importar onde o garoto estava. Levantou-se da cadeira num pulo, atraindo a atenção de todos para si.

- Aonde você vai? – perguntou.
- Pro quarto. – sorriu antes de sair em direção a porta do restaurante, deixando os cinco confusos ali.
- Eu estou exausto. – Zayn falou após se espreguiçar.
- Que horas vocês chegaram ontem? – perguntou.
- Zayn e Liam chegaram de manhã. – Louis falou – Zayn não lembrava nem o próprio nome. – riram.
- Que porra você estava fazendo na porta do meu quarto, afinal? – Zayn perguntou ao lembrar-se do amigo dormindo no chão encostado a porta.
- Esperando vocês chegarem para poder dormir lá. – Louis falou enquanto olhava para Niall e gargalhando de algo no celular – Vocês estão rindo há trinta horas, o que estão vendo? – questionou os dois que tentavam parar de rir para responder.
- Eles estão felizes assim desde ontem. – Zayn levantou uma das sobrancelhas.
- É um vídeo – Niall tentou falar mas voltou a rir.
- Ela caiu tão feio! – exclamou rindo ainda mais enquanto batia em sua coxa.
-Ok, vamos deixar os dois pombinhos à sós. – Louis falou enquanto se levantava.
- O amor realmente muda o humor das pessoas. – Zayn balançou a cabeça enquanto o acompanhava e era seguido por . Niall e teriam dito algo para contrariar o que os dois falavam, mas estavam absortos demais na bolha de bom humor que os envolvia.

bufou ao perceber que o elevador estava demorando mais do que o necessário para chegar ao lobby. Estava esperando há quase um minuto e tudo o que queria era voltar para seu quarto, tomar mais um remédio para curar sua dor de cabeça que ainda não havia melhorado cem por cento, e dormir até às cinco da tarde. Mas, pelo visto, seus planos demorariam um pouco mais do que o esperado para serem colocados em pratica.
Agradeceu mentalmente quando ouviu o baixo barulho das portas se abrindo, mas ao levantar o olhar, deparou-se com Harry e, não soube o porque, mas sentiu-se nervosa por um instante. Especialmente quando o garoto apenas acenou para ela e passou reto, sem ao menos cumprimentá-la decentemente.

- Harry! – chamou virando-se de costas para o elevador e fazendo com que o garoto virasse para trás.
- Sim? – perguntou após esperar por alguns instantes para ouvir o que tinha a dizer.
- É... nada demais. Só para avisar que... – ele balançou a cabeça com os olhos um pouco arregalados como se estivesse impaciente fazendo com que se apressasse em achar algo para dizer – Os meninos estão no restaurante.
- Eu sei. – mais uma vez deu as costas para a garota e continuou a seguir seu caminho. Não diria que estava bravo, mas algo o fazia sentir-se frustrado com a mesma. Algo que, apesar de não admitir para si mesmo, se chamava ciúmes.

revirou os olhos para o garoto que já sumia de seu campo de visão. Quem ele pensava que era para tratá-la daquela forma? Entrou no elevador bufando. Estava exausta e, com toda a preocupação com o caso de , não era o momento para se estressar com as bobeiras de Harry. Provavelmente estava apenas cansado pela noite anterior e, o conhecendo bem, sabia que quando estava cansado e de ressaca era praticamente impossível estar de bom humor. Então simplesmente resolveu ignorar o que havia acabado de acontecer assim que chegou na suíte que dividia com .





Continua...



Nota da autora: Sem nota.

Outras Fanfics:
LA Models

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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