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Behind The Flashes






Última atualização: 12/04/2017

Capítulo 1


Terça-feira, 3:40 PM

estava nervosa. Como assim passar trinta dias com seu ex? Era impossível! E ainda teriam que cantar juntos. Posar para fotos de meet & greet juntos, ensaiar juntos, dar entrevistar juntos e o pior de tudo: teria que fazer tudo isso fingindo serem amigos. Poderia ser outra banda, certo? Outra girlband, até mesmo outra boyband, mas é claro que as coisas teriam que ser complicadas e justamente para .

– Mas por que essa turnê é necessariamente com eles, Simon?

Perguntou já prevendo o escândalo que a amiga daria.

– Ambos os grupos acabam de lançar álbuns novos, que inclusive, já estão nos top mundiais. Ambos os grupos estão no topo do mundo pop. Por que não juntar os dois e fazer uma turnê? Os fãs irão amar vê-los juntos! – Simon falava sorrindo, ele realmente estava animado com aquele projeto. – , pensei que fosse gostar da ideia. Fazer uma nova turnê, divulgar o álbum novo, e ainda passar um mês ao lado de seu namorado! – sorriu minimamente pensando em como seria bom estar junto a Louis depois de dois meses longe. – Meninas, essa turnê será tão boa para a banda. Vocês estão tendo a oportunidade de ganhar mais fãs, serem mais reconhecidas, é uma oportunidade incrível. Entendo o seu lado, , mas realmente acho que deveriam deixar seus problemas pessoais de lado e aproveitar as oportunidades que estão tendo. Não faz ideia do lucro que essa turnê vai trazer.

apenas suspirou. Não queria olhar para a cara de Harry Styles pelo resto de sua vida. Mas sabia que era uma turnê que daria muito que falar. Teria que fazer aquilo pela banda e por sua melhor amiga, que com certeza sentia falta de estar com o namorado. Olhou para as amigas e para Simon. Todos a encaravam praticamente implorando para que aceitasse.

– Tudo bem. Mas eu não me responsabilizo se ele aparecer com um nariz quebrado durante a turnê.

As garotas riram. Simon apenas concordou com a cabeça. Apesar da empolgação, ele realmente estava preocupado com o que aconteceria com os dez jovens durante aqueles trinta dias.

Quarta-feira , 2:30 PM

Harry estava uma pilha de nervos. Trinta dias aturando os olhares atravessados e indiretas de . Sabia que, na cabeça da garota, ele estava errado. Mas teve motivos para fazer o que fez, ela não era a única sofrendo com aquilo. De qualquer forma, não poderia culpá-la se nem ao menos saber a verdade ela sabia. Só de pensar naquele assunto, seu sangue fervia. Perdeu o grande amor de sua vida para um contrato estúpido e nunca se perdoaria por isso.

– Ei, dude! Tá viajando? – levou um susto ao ouvir a voz de Niall, estava tão distraído em seus pensamentos que nem o viu chegar. – Quase morri sufocado no restaurante, essas fãs estão ficando doidas!

Niall falou rindo ao lado de Harry, que apenas sorriu.

– Dude, o que tá acontecendo?
– Tô preocupado com essa tour. Não sei o que a é capaz de fazer.

Niall concordou com a cabeça. Da última vez que e Harry estiveram no mesmo local, Harry saiu com o nariz sangrando e Niall temia que as coisas não fossem tão diferentes dessa vez.

– Por que você ainda não contou a verdade pra ela, Harry? Você sabe que ela só age assim porque está machucada.
– Como se ela fosse acreditar em mim depois de tanto tempo. me odeia, eu duvido que algum dia ela acredite em mim de novo. – Harry bufou. – Mas esquece isso, agora não tem mais jeito. Só espero sinceramente que nesses trinta dias não tenha nenhuma confusão.
– É, dude. Mas é melhor se preparar, pelo o que já ouvi falar por aí, não é fácil de lidar não.

Falou Niall batendo nas costas do amigo, se levantando em direção à cozinha.

– Eu é que sei. – Harry murmurou para si mesmo.

Quarta-feira, 9:20 PM

“Não sei, Lou. Mas estou morrendo de saudades, não vejo a hora de te encontrar.” – falou enquanto terminava de fechar sua mala.
“Eu já falei que você é a melhor namorada desse mundo?”

– Que gay, dude! – Zayn falou, fazendo rir do outro lado da linha.

“E você é o melhor namorado do mundo!” – ela exclamou sorrindo – “Lou, eu tenho que desligar, está me gritando do quarto dela, pedindo ajuda para arrumar a mala. Eu te amo, até amanhã.”
“Te amo, não esquece de tomar seu remédio. Boa noite.”
“Ta bom, Lou. Boa noite.”

desligou a ligação indo para o quarto de . Abriu a porta e encontrou a mesma deitada na cama em cima de trezentas roupas. A mesma digitava algo em seu celular com uma expressão indecifrado por .
Olhou para o chão encontrando uma mala gigante completamente vazia. era a segunda mais nova das garotas e, com certeza, a mais bagunceira e preguiçosa. Era como a protegida do grupo e das fãs, talvez fosse por seu jeito frágil e delicado, ninguém sabia ao certo o porquê, mas sentiam a necessidade de protegê-la de qualquer mal.

– Não acredito que não começou sua mala, criatura.

Falou tentando arrumar as roupas jogadas em cima da cama para se sentar.

– Eu não sei por onde começar, . – suspirou – Elliot está chateado com a turnê. Não quer que eu passe trinta dias com tantos homens. Não sei o que eu faço. – A garota falou sentando de frente para . tinha o rosto cansado, como se mal tivesse dormido na última noite.
– Ele é um pé no saco, . Você faz parte da maior girlband do momento, o que ele espera? Que você simplesmente não participe das turnês porque ele sente ciúmes de você com outros homens?

e as outras meninas não gostavam de Elliot. já estava cansada de saber disso. Concordava que muitas vezes suas atitudes não eram das melhores, mas ela o amava e sabia que ele a amava também. Se não amasse, não estaria com ela, certo? Bom, pelo menos era nisso que se esforçava a acreditar.

– Não sei onde está meu sobretudo vermelho. Está com você? – fez que não com a cabeça, entendendo que a amiga estava tentando mudar o assunto. – Depois vejo se alguma das meninas pegou emprestado.

Passaram praticamente uma hora arrumando a mala de , que era gigante e mesmo assim estava lotada. Outra característica de era ser exagerada. Eram apenas trinta dias e a garota levava roupas que serviriam para uns quatro meses em turnê. As garotas estavam animadas, das poucas vezes que estiveram juntas com os outros garotos, puderam perceber como eram divertidos.
ouvia risadas e vozes vindas do quarto ao lado. Estava há horas assistindo Skins em seu quarto. Amava essa série mais do que era possível, já havia assistido todas as temporadas e estava revendo tudo, provavelmente, pela terceira vez. Nunca se cansaria de assistir aquela série, talvez por se enxergar tanto em alguns personagens. Mas as risadas que vinham do quarto de chamavam sua atenção e precisava retirar seus pensamentos de certos assuntos, decidindo então que deveria ir até o quarto da amiga participar do que quer que estivesse acontecendo.

– Do que as senhoritas tanto riem, posso saber?

Perguntou entrando no quarto sorrindo contagiada pelas risadas das amigas.

– No momento, da reação que a Valentina teve ao receber o vídeo do Justin mandando um beijo para ela. – falou rindo.

Valentina era irmã mais nova de , tinha catorze anos e era obcecada por Justin Bieber. Implorava para mandar fotos e videos do garoto toda vez que estivessem juntos. As meninas achavam a situação hilária, por serem amigas do garoto e o verem como uma pessoa normal.

– Mas e você, ? Não saiu de seu quarto desde que chegou, achei até que estivesse dormindo. – falou , se recuperando da crise de risos e andando até sua escrivaninha para pegar um pacote de balas. – Encontrei isso no mercado e lembrei que você adora, resolvi comprar.
– Obrigada, . – falou dando um beijo na bochecha da amiga. era sempre tão amorosa, ela amava isso. – Eu estava vendo séries, nem lembro quando foi a última vez que tive tempo para isso.
– Esse ano mal começou e já está sendo mais corrido do que o ano passado. – falou concordando com a amiga. – E agora com a turnê e o álbum, duvido que teremos tempo livre tão cedo.
– Falando sobre a turnê, qual é a primeira cidade?
– Liverpool. – falou – Aliás, Simon me mandou uma mensagem. Vamos sexta-feira, ao invés de sábado. Ele quer que cheguemos com antecedência e um monte de outras coisas que não lembro. – Prendeu o cabelo num rabo-de-cavalo. – Ah! Os ingressos começam a serem vendidos à meia-noite.

olhou à hora em seu celular.

– Daqui duas horas. Tô ansiosa, nunca entramos em turnê com os meninos! Não vou desgrudar do Lou por um segundo de tanta saudade que eu estou.
– Desse jeito ele vai é fugir de você. – falou, fazendo as três gargalharem. – Também estou ansiosa, e não sei por que tenho a esperança de que essa tour faça bem para e Harry.
– Eu espero que sim. Não aguento mais vê-los separados, todo mundo sabe que eles se amam!
– É, , mas não se esqueça que o Harry vacilou muito feio. Não sei como ele teve coragem de fazer isso com a .

falou suspirando. Odiava ver sua melhor amiga triste e não conseguia compreender como Harry pôde fazer aquilo com a garota. O conhecia muito bem, estavam sempre juntos graças à amizade que tinha com Louis e ao relacionamento passado que ele teve com . Costumavam sair os dois casais juntos e podia jurar que ao olhar para o garoto enxergava o quando ele era apaixonado por . Aquela história nunca faria sentido para e, enquanto não conseguisse descobrir o que havia levado Harry a magoar tanto a amiga, não descansaria.

Quinta-feira, 3:00 PM

– Bom dia.

falou com a voz rouca enquanto terminava de descer os últimos degraus da escada. As quatro amigas a encararam surpresas com o estado da garota, que tinha olheiras e parecia – literalmente – que acabara de ser atropelada por um caminhão.

– Acordou tão tarde assim por que, senhorita ?

perguntou tentando fazer uma graça para a amiga que encarou a mesma por alguns segundos antes de conseguir abrir a boca para dizer algo. Se sentia uma zumbi, nem parecia que tinha dormido desde onze horas da noite até aquele horário.

– Tomei dois comprimidos para dormir ontem. Acho que não estou acostumada.

Falou andando lentamente até um dos sofás localizados no centro da sala de estar. Deitou com a cabeça no colo de , que passou a fazer carinho nos cabelos da amiga.

– É bom você conseguir dormir hoje à noite, nosso voo é às nove da noite amanhã. Temos que estar no aeroporto às sete e você ainda nem terminou sua mala – falou enquanto olhava algo em seu celular. – Inclusive, já temos onze shows esgotados! Estou recebendo tantas mentions no twitter falando sobre a tour, os fãs estão super animados!

Ela exclamou fazendo com que as garotas comemorassem. Não havia sido fácil chegar até ali e ter a consciência de que havia tantas pessoas querendo vê-las era incrível.
Mas estava com a cabeça em outro lugar. Não queria ouvir falar sobre twitter. Estava de saco cheio da merda do twitter. Estava de saco cheio de todas as redes sociais, para falar a verdade. Amava tanto seus fãs, aqueles que realmente se importavam com ela e faziam de tudo para vê-la bem, mas não aguentava mais entrar todos os dias em suas redes sociais e ver que tantas pessoas que nunca havia sequer a conhecido, a odiavam tanto. Era uma coisa boba, mas deixava a garota realmente chateada ao ponto de ter tomado dois comprimidos para conseguir dormir mais rápido e não ter que ficar pensando em todo o ódio gratuito que recebia. Estava tão absorta em seus pensamentos que nem percebeu quando Camila, a cozinheira da casa, avisou que o almoço havia sido servido.

– Ei, , preciso que levante para que eu possa levantar também. – falou sorrindo quando a amiga a olhou um tanto quanto desnorteada, levantando e sendo seguida por . – O que tá acontecendo? Por que você está assim?
– Assim como, ? – forçou um sorriso enquanto abraçava a amiga de lado. – Só estou cansada, não devia ter tomado dois comprimidos de uma vez.

Bocejou. sabia que havia algo a mais acontecendo, mas, conhecendo a amiga que tinha, sabia que forçar a barra só pioraria as coisas.

Sexta– feira, 6:30 PM

– Anda logo, ! Nós não podemos nos atrasar!

gritou pela terceira vez do andar inferior, logo avistando a loira descer as escadas batendo as rodinhas da mala dos degraus e quase cair quando chegou ao último.

– Já estou pronta! – falou emburrada. Sem dúvidas nenhuma, ela era a pessoa mais desanimada para entrar naquele carro e partir para o aeroporto.

Com cara de poucos amigos, entrou na van preta que as levaria até o aeroporto. Passou o caminho inteiro quieta observando os carros. Havia passado os últimos três dias tentando manter seu humor o melhor possível e esquecer o que seria obrigada a viver pelo próximo mês. Desejava conseguir sentir todo aquele ódio que sempre dizia ter por ele, mas no fundo sabia que nunca conseguiria. E aquilo acabava com ela, porque no fundo também sabia que era praticamente impossível parar de amá-lo.
Durante o voo, quase todas as garotas dormiram as doze horas seguidas com exceção de e . Iriam encontrar os garotos em Liverpool e não poderia estar mais ansiosa. Passou dois meses sem ver Louis e agora passariam um mês inteiro juntos, ela mal podia esperar. Odiava ter que passar tanto tempo longe de seu namorado, mas com tantos shows, lançamentos de músicas, álbuns, entrevistas e tantas outras coisas que suas carreiras exigiam, tudo o que ambos podiam fazer era aceitar e passar todo o tempo que pudessem juntos.
Do aeroporto foram diretamente para o hotel em que encontrariam os meninos. estava mais quieta do que o normal e as outras quatro garotas se preocupavam com a reação de quando visse Harry. Sabiam o quanto ele mexia com os sentimentos de e que a amiga ainda não o havia superado.
falava com Elliot por mensagem, ou melhor, brigava. Aquilo era rotina para a garota, que já havia se acostumado a pedir mil desculpas por coisas que nem se quer era culpada. não sabia se aquilo estava certo, apenas se sentia perdida. Ele a amava, ela sabia disso. Qualquer pessoa insulta à outra quando está irritada, certo? suspirou. Tantas perguntas vieram a sua cabeça e ela não encontrava respostas para nenhuma delas. Queria tanto poder conversar com suas amigas, mas sabia que elas odiariam ainda mais o namorado. E o que ela menos precisava era isso.

Liverpool, Inglaterra
Sábado, 8:00 AM

Após doze horas de voo, finalmente chegaram à Liverpool. A saída do aeroporto foi complicada por conta de tantos fãs presentes que tentavam, de qualquer jeito, tocar ou tirar alguma foto com as garotas. Mas finalmente estavam a caminho do hotel e o nervosismo de era visível, isso afetava todas as garotas que se preocupavam em perder de vista e ela acabar dando umas boas porradas em Harry, como da última vez.
Ao chegar no hotel, as cinco se dividiram em dois quartos: um para , e e outro para e . e resolveram descansar em seu quarto enquanto ainda não tinham nada para fazer.
tomava um banho enquanto esperava Louis chegar. Tinham combinado de sair para aproveitar o tempo que tinham juntos, já que a partir daquele dia teriam que dividir seus tempos com outras oito pessoas e vários shows. e estavam deitadas na mesma cama, cada uma em seu próprio mundo paralelo enquanto mexiam em seus celulares.

– Está com fome, ?

Perguntou bloqueando a tela de seu celular e fechando os olhos.

– Ia te perguntar a mesma coisa. – sorriu. – Estou sim, podemos pedir algo no serviço de quarto e depois encontrar os meninos. – concordou com a cabeça enquanto pegava o telefone ao lado da cama ligando para a recepção.

Sábado, 11:40 AM

– Aquela é a melhor cheesecake que eu já comi na minha vida!

exclamou se jogando na cama, o que fez e rirem.

– Os meninos já chegaram, ?

perguntou sentando-se ao lado de , que parecia um pouco incomodada ao ler algo no celular.

– Acabaram de sair do aeroporto. Daqui a pouco devem estar chegando.
– Eu estou tão ansiosa para começar essa turnê! – falou sorrindo. – Nosso álbum está em primeiro no iTunes, isso é tão surreal.
– E pensar que há dois anos nós nem nos conhecíamos. – sorriu. – Eu amo vocês, suas estranhas!

As outras duas amigas a abraçaram. As cinco garotas haviam se inscrito no The X Factor 2014, todas como artistas solo. Por ironia do destino, não foram aprovadas como solistas, mas sim convocadas a formar uma banda. Nunca imaginaram que seriam tão amigas e chegariam tão longe. Wingless Ang venceu o The X Factor e assinaram um contrato com Simon Cowell. Em dois anos já haviam conquistado milhares de fãs – que se autonomearam Ang – lançado três EP’s, um álbum, feito duas turnês e já estava iniciando outra. Era surreal e as cinco meninas não poderiam estar mais felizes.

Sábado, 1:25 PM

As cinco meninas desceram e quando entravam no restaurante, que estava fechado para as duas bandas, pôde ouvir claramente aquela risada. Havia pensado tantas vezes em como agiria quando o encontrasse, mas era inevitável. Tudo nele a atingia de tal forma que era quase impossível para a garota continuar de pé.

– Ei, , não esqueça que estamos com você. – falou para a amiga, sorrindo e segurando a mão da mesma.

realmente se esforçou, mas foi inevitável e quando seus olharem se cruzaram, não teve como desviar. Toda aquela angústia que ele a causava a acertou em cheio e a garota fazia um esforço enorme para não se desmanchar em lágrimas. Queria tanto não ter que chegar nem perto do mesmo, assim como sabia que isso seria impossível. Cumprimentou Niall, Louis, Liam e Zayn. Indo diretamente ao bufê servir seu almoço. Ignorando Harry Styles completamente. Pôde ouvi-lo reclamando com o resto dos meninos e se sentiu um pouco melhor. Era bom que se incomodasse com a presença da garota tanto quanto a presença do mesmo a incomodava.

– Como foi a viagem, meninos? – Perguntou .
– Foi boa. – Louis respondeu com a boca cheia de waffles, fazendo todos rirem.
– Que horror, Lou. – repreendeu o namorado que deu um beijo na mesma.
– Pessoal, preciso informá-los que terão uma entrevista daqui uma hora para um rádio local. Daqui a dez minutos estaremos saindo do hotel. – Avisou Rob, o segurança das garotas e todos assentiram.

Sábado, 1:35 PM

, nós podemos sair depois da entrevista. Ok? – Louis falou para . Eles realmente queriam passar algum tempo juntos, e o garoto sabia que a namorada havia ficado um pouco desapontada com a entrevista de última hora.
– Tudo bem, Lou. – o deu um beijo rápido. – Desde que eu esteja com você, não me importo de dar mil entrevistas em um único dia.

Louis riu, ele a amava tanto. Nunca imaginou que seria capaz de amar alguém naquela intensidade algum dia, além de sua mãe, é claro. Desde o dia em que a conheceu soube que ela era especial. Tão doce, delicada, preocupada. A vontade que tinha era de protegê-la de todo mal do mundo.
Ao chegarem à rádio, foram encaminhados diretamente à cabine, que havia ficado um pouco apertada para os dez jovens, nem haviam percebido que estavam quase atrasados.

– Ei, , pode dividir o microfone comigo se quiser.

Niall falou chamando a atenção da garota que procurava algum microfone para dividir, já que não tinha o suficiente para os dez. Niall, sem dúvidas, achava interessante. Adorava a personalidade da garota.

– Boa tarde, pessoal! – falou o entrevistador mostrando-os que já estavam no ar. – Antes de começar, gostaria de agradecê-los por nos concederem essa entrevista. Bom, todos sabem que estarão iniciando uma turnê a partir de amanhã, e estamos todos super curiosos para saber o que devemos esperar dos shows?
– Muita diversão!

Harry exclamou animado, fazendo o entrevistador rir.

– Mas realmente muita diversão, surpresas, músicas novas. Vai ser uma turnê que com certeza dará muito a que falar.

Zayn continuou.

– E como ambas as bandas acabam de lançar seus novos álbuns, não posso deixar de perguntar: quais são as músicas preferidas de cada um?

– Almost Lover, provavelmente. – falou distraída, sem perceber a baita indireta mais direta que havia acabado de mandar para Harry. – Digo, gosto da melodia. É uma música que me deixa calma. – tentou consertar, porém ninguém ali era bobo. Até os garotos que não conheciam tão bem haviam entendido.
– Over Again. – Harry falou olhando diretamente para .
– Minha preferida é Touch. Adoro a energia dessa música. – falou tentando acabar com o clima pesado que havia se instalado no local.

Seguiram respondendo várias perguntas sobre a turnê que iniciariam no dia seguinte durante aproximadamente uns vinte minutos – tais esses que passou desejando abrir um buraco no chão e se enfiar dentro. Não suportava estar no mesmo ambiente de Harry por tanto tempo. Finalmente se despediram do pessoal da rádio e seguiam o caminho para sair do prédio e voltar para o hotel.

e eu estamos pensando em dar uma volta. – Louis falou para os dois seguranças responsáveis pelas bandas durante a turnê. – Podemos encontrar vocês no hotel?
– Acho melhor eu acompanhá– los, certo? Essas fãs são capazes de cometer cada loucura... – um deles começou a falar, mas logo foi interrompido por .
– Por favor? Não vai acontecer nada, mas qualquer coisa, nos escondemos em alguma loja. Por favor? – fez aquela cara que sempre fazia quando queria convencer alguém e, como esperavam, foram autorizados a seguir seus planos.

Liverpool, Inglaterra
The Nadler Liverpool Hotel, 3PM

– Está brincando? É o meu filme preferido! Eu sempre choro no final!

Exclamou . Estava no lobby do hotel com Niall, , Zayn e . Decidiram assistir um filme em um dos quartos em que estavam hospedados e conversavam tentando chegar a alguma conclusão de qual filme assistiriam.

– Não quero ver filme meloso não, gente. – falou fazendo um bico – Vamos ver uma comédia!
– Apoio alguma comédia. – Zayn falou indiferente. Era o único entediado com aquela conversa, estava a fim de ir para algum Pub e não se lembrar de nada que fizera no dia seguinte, mas sabia que não o autorizariam a ir por 1- ter que acordar cedo no dia seguinte e fazer um show 2- se a imprensa descobrisse mais alguma merda vinda dele, arruinaria ainda mais sua imagem e Simon o mataria. – Só escolham logo, por favor.
– Então acho que todos concordamos com alguma comédia! – Niall falou sorrindo, fazendo sentir algo estranho. Não entendia porque, mas a presença do garoto a trazia uma tranquilidade que há tempos não sentia. Aquele sorriso a acalmava.

Seguiram para o quarto de Niall e Zayn decidindo que iriam procurar apenas os filmes de comédia até que encontrassem algum que agradasse a todos. Estavam se dando tão bem com menos de vinte e quatro horas de convivência, e estavam adorando aquilo.

Liverpool, Inglaterra
The Beatles Story Exhibition , 3:25PM

Louis decidira levar ao museu dos Beatles, como uma surpresa. Sabia que a namorada era uma grande fã e não via melhor programa para fazerem juntos. Tinha tudo planejado, iriam à beira do Rio Mersey no início da tarde e depois visitariam o - tão idolatrado por - museu dos Beatles, mas graças a entrevista de última hora que tiveram, apenas a segunda programação foi possível.

– Tira uma foto minha! – falou parando ao lado de uma vitrine com instrumentos usados pelos integrantes. parecia uma criança em um parque de diversões e a cada vez que ela sorria daquela forma, dava seus típicos pulinhos de alegria e gargalhava ao ver suas fotos recém tiradas, Louis se apaixonava mais ainda. Se é que isso era possível.

Ao chegar à saída do museu, um piano e uma guitarra em um cenário todo branco e a música Imagine tocando ao fundo. Uma homenagem a John Lennon. Louis se supreendeu ao ver que a namorada chorava.

– É linda. – falou deixando o namorado confuso – A música. A homenagem também. – falou com a voz embargada, sentindo Louis a envolver em seus braços. – Eu te amo tanto. Promete pra mim que você vai sempre estar aqui? Que nunca vai me abandonar?
– Eu prometo. Prometo porque não vai ser algo difícil de cumprir. Eu nunca seria capaz de te deixar, te magoar. Você é tudo pra mim, . Não faz ideia do quanto eu sou apaixonado por cada detalhe em você.

sentiu suas bocas serem seladas. Ela o amava tanto. Não se via sem ele, apenas em pensar em perdê-lo, sentia seu coração esmagado. Não suportava a ideia de não tê-lo em sua vida algum dia.
– Minha mãe amava John Lennon. – sorriu deixando uma lágrima escorrer por sua bochecha. – Ela cantava essa música quando eu era pequena. Era sua favorita. – Sentiu sua visão borrar e lágrimas mais pesadas caírem de seus olhos. – Tocaram em seu velório, você lembra? Ela iria amar esse lugar. – Olhou para os pés lembrando-se de quando dormia ouvindo sua mãe cantar – Eu sinto tanta falta dela.

Louis a apertou contra seus braços. Odiava ver chorando, sentia seu coração apertado.

– Ela está tão orgulhosa de você, pode ter certeza. Ela foi embora com a missão cumprida. Deixou duas filhas maravilhosas que, com toda a certeza do mundo, a enchem de orgulho. – Beijou o topo de sua cabeça. – Eu vou estar sempre aqui. Sempre, . Você não vai se livrar de mim tão cedo. – Escutou o riso fraco da namorada abafado por seu ombro. – Eu te amo.

Capítulo 2


Liverpool, The Nadler Liverpool Hotel
Sábado, 8PM

- Não aguento mais não poder sair desse hotel! – exclamou chamando à atenção dos amigos que estavam tão entediados quanto a garota.
- Será que não nos deixam ir pelo menos àquela pizzaria aqui na frente? – Niall perguntou.
- Não, dude, têm mais de trinta paparazzi lá embaixo. – Liam o respondeu. – E sinceramente, nem eu estou com paciência para enfrentar tantos flashes agora.
- Por que a gente não joga verdade ou desafio?
- Não tem nenhuma garrafa de vodka por perto? – Zayn perguntou desinteressado. Ainda desejava estar em algum pub bebendo e beijando todas as garotas que achasse atraente. – Não tem graça se não tivermos bebida.
- Não temos muitas outras opções, é isso ou ficamos encarando uns aos outros até irmos dormir. – falou encarando as unhas. O jeito de Zayn a incomodava. Por que tinha que agir como um bad boy ridículo? Nada a agradava e, em todas as vezes que saíra com o mesmo, agia como se não se interessasse em nada que acontecia em seu redor. sempre tivera a impressão de que o garoto se achava o centro do mundo.

E Zayn realmente se sentia. Não que realmente se achasse melhor do que os outros. Mas sabia que tinha condições de fazer o que quisesse, era Zayn Malik. O cara da maior boyband do momento, com milhares de fãs espalhadas pelo mundo e que conseguia o que quisesse quando quisesse. Nada tiraria isso dele, nem mesmo sua fama de bad boy que sai bêbado dos pubs e criador de confusões. Ele precisava ser alguém, e esse era o único alguém que estava conseguindo ser.
Não tendo outras opções do que fazer, como havia dito, os dez sentaram-se em círculo e pegaram uma escova de cabelo de , girando a mesma que parou apontando para Harry, que faria a pergunta, e , que responderia.

- Desafio! – A garota falou se arrependendo ao enxergar a malícia no olhar de Harry.
- Beije o Niall.

o olhou com espanto. Não tinha como beijar Niall, eram grandes amigos e já havia chegado em seus ouvidos a suposta queda que o garoto tinha por ela.
Pôde perceber nove olhares em cima de si, um em especial. Niall a encarava tentando não deixar tão óbvio que estava louco para beijá-la. Era uma brincadeira idiota e pareciam dez pré-adolescentes, mas Niall esperava há tanto tempo por uma oportunidade de beijar que seus olhos chegavam a brilhar e a garota não pôde ignorar tal ato. O encarou tentando se decidir se o beijaria ou agiria como uma criança se recusando a fazer algo que a mesma se dispôs.

- Anda, , é só um beijo! – falou desafiando a amiga. quis matá-la naquele momento.

se aproximou do garoto e deu um selinho, podendo ouvir as desaprovações do resto do grupo que esperava algo maior do que aquilo. Se afastou de Niall sentindo-se nervosa quando percebeu sua própria vontade de ter feito algo mais intenso do que aquilo. Não poderia de forma alguma se sentir atraída por Niall, não mesmo.
Mais uma vez giraram a escova que, dessa vez, fez com que desafiasse a tuítar uma foto horrível que havia tirado quando a mesma estava dormindo. Seguiram o jogo e não conseguiam parar de rir, alguns desafios e verdades eram tão idiotas que chegavam a ser hilários. Sentiam-se crianças novamente, sem toda àquela responsabilidade de lidar com suas imagens e aproveitando o momento.

- Não quero mais brincar. – falou tentando esconder sua irritação quando Zayn insistiu em desafiá-la a ligar para Elliot e dizer que o havia traído. Se dissesse aquilo para o namorado, seria morta. E humilhada. Com certeza Elliot não perderia a chance de chamá-la de insultos muito mais baixos que os normais e não queria aquilo na frente de seus amigos, por mais que fosse brincadeira, sabia que os insultos seriam verdadeiros.
- Para de ser criança, . – falou rindo da cara da amiga. – É uma brincadeira, poxa!
- Vou te dar duas opções, então. – Zayn falou com o olhar sacana. – Ou você liga ou nós ligamos. Mas se você ligar, pode dizer no final da ligação que é só um trote. Se nós ligarmos, ele só pode ficar sabendo que tudo não se passa de uma brincadeira amanhã, depois do show.

olhou para a amiga percebendo a tensão em seu rosto. Sentiu-se culpada por um momento por ser uma das pessoas obrigando-a a passar por aquilo, mas era só uma brincadeira e não entendia porque do estresse de em relação ao jogo, Elliot entenderia que não se passava de um trote.
praguejou em sua mente enquanto pegava o celular no bolso de sua calça de moletom. Estava torcendo para que Elliot não atendesse como normalmente fazia. Estava morrendo de medo do que o garoto faria, o conhecia muito bem para saber que quando ficava com raiva, se tornava alguém irreconhecível e seu maior medo era que seus amigos o vissem daquela forma.

“Fala.” – ouviu a voz grossa do outro lado da linha.
“Você tá ocupado?” – perguntou um pouco incomodada com a forma nem um pouco carinhosa que o namorado havia falado – “Preciso te contar uma coisa.”
“Conta logo, então.” – o garoto falou com tédio na voz, o que fez as amigas de se entreolharem. As quatro nunca aprovaram o namorado da amiga, principalmente pela forma ignorante que o garoto tratava .
“Eu te traí.” falou observando os amigos se esforçarem para segurar as risadas.
“Como assim me traiu?” – sua voz se alterou para um tom mais alto – “Tá tirando com a minha cara? Eu sempre soube que você era uma piranha mesmo!” – o resto do grupo não sabia se riam ou se preocupavam com a forma que o garoto falava com , que parecia realmente chateada, e Zayn se segurava para não rir. Achava graça da situação, mas não queria parecer tão babaca rindo da desgraça da garota – “Vadia, quem você pensa que é pra me trair? Você tá maluca?!”

engoliu seco. Sabia que aquela brincadeira não daria certo. Agora seria humilhada na frente de suas amigas, que o odiavam, e de seus novos companheiros de turnê.

“É uma brincadeira, amor. Desculpa.” – tentou dar um riso fraco, mas não obteve sucesso – “Me desafiaram a te passar um trote dizendo isso, mas eu juro que não é verdade.”
Como você quer que eu acredite nessa sua historinha medíocre, ? Uma piranha como você, nunca seria de um cara só, não é mesmo?” pôde sentir a raiva na voz de Elliot e logo tirou o telefone do viva- voz. Era óbvio que aquilo não ia dar certo, deveria ter simplesmente saído da brincadeira e ido para seu quarto.

Todos agora a olhavam com um misto de preocupação, pena, culpa e tantas outras coisas que não podia identificar. Levantou da rodinha andando em direção à porta enquanto ouvia Elliot descontando toda a sua raiva em palavras de baixo calão. Saiu do quarto batendo a porta com força e indo em direção ao quarto que dividia com duas de suas amigas.

- Acho que dessa vez pegou pesado, Zayn. – falou.

O clima no quarto ficou tenso. Não que, para eles, fosse algo super preocupante. Em suas cabeças, no máximo os dois teriam uma DR e tudo ficaria bem no final, mas a consciência de Zayn estava um tanto quanto pesada e ele estranhava aquilo.
entrara em seu quarto do hotel como um furacão. Elliot não parava de falar por um segundo e a garota sentia que sua cabeça ia explodir. Estava exausta do gênio forte do namorado e estava cansada de estar sempre errada. Sabia que não deveria ter aceitado a brincadeira, mas por que Elliot não poderia, pelo menos uma vez na vida, ser compreensivo e não agir feito um maluco quando qualquer coisa saísse de seu controle? O garoto esbravejava do outro lado da linha, como sempre, fazendo a cabeça de contra si mesma. Dizendo que era impossível acreditar nas palavras de pelo simples fato de ela estar cercada por cinco homens e longe dele. Esse era o ponto. Estar longe de Elliot. Ele nunca gostara de perder o controle do relacionamento e durante a turnê, não tinha como controlar a garota. Que tinha a cabeça feita de que o namorado apenas se preocupava com ela e a amava quando na verdade ela o amava tão cegamente que não enxergava o mal que o garoto a fazia.
Depois de tantos insultos e papéis de vítima vindos de Elliot, a ligação ficara muda e pôde ver que o garoto havia desligado. Respirou fundo e só então percebeu que estava chorando. Maldito momento em que permaneceu naquele quarto e aceitou a brincadeira estúpida de Zayn.

Liverpool, The Nadler Liverpool Hotel
Domingo, 9:30AM

acordou de mau humor. Elliot não respondera nenhuma de suas mensagens desde à noite anterior, quando desligara o telefone sem nem mesmo resolver as coisas.
e , ao chegarem no quarto de hotel de e encontrarem a garota dormindo em uma das camas com o celular ao lado. Não sabiam ao certo o que havia acontecido ao fim e se preocupavam com as coisas que Elliot havia falado daquela vez. O garoto sempre conseguia manipular e as amigas não podiam fazer nada além de aconselhá-la e apoiá-la todas as vezes que o mesmo a magoava.

- A entrevista vai ser no lobby. Temos que estar lá embaixo às dez horas.

falou saindo do banheiro enquanto entrava no mesmo para tomar seu banho. , que havia dormido no lugar de , se maquiava em frente ao grande espelho do quarto.

- Você está bem? – perguntou à loira que parou de se maquiar para encará-la com expressão de confusão. – O Harry. Todo mundo sabe que vocês não se odeiam, .

respirou fundo voltando a se maquiar, dando a entender que ignoraria como sempre fazia quando alguém tocava naquele assunto. Ela realmente não queria falar sobre Harry. O fato de não conseguir odiar verdadeiramente seu ex-namorado que havia terminado o namoro de um ano para começar ter um caso com a ex-affair já a deixava frustrada e confusa o suficiente, ter que falar sobre aquilo era mais difícil ainda. Mas sabia que, se não conversasse sobre seus sentimentos confusos com alguém, explodiria. Explodiria cada vez que tivesse que olhar para aqueles olhos verdes.

- Eu o odeio. - Falou simplesmente, fazendo encará-la por alguns segundos até andar em direção à mesma, sentando-se ao lado da garota.
- O amor e o ódio andam lado a lado, . – Sorriu tentando mostrar à amiga sua compaixão. Entendia a necessidade da amiga de odiar Harry, mas percebia também que aquele ódio era um amor disfarçado. Percebendo que havia deixado a amiga sem fala, prosseguiu. – Você sabe que ainda sente algo. Luta por esse amor, amiga.
- Lutar por um amor que não existe mais? – sentiu o coração apertar ao dizer em voz alta a pergunta que tanto rondava sua cabeça.
- Quem disse que não, ? Você sabe que ele sofre tanto quanto você.
- Se ele me ama tanto quanto diz, por que me machucou tanto? – Encarou a amiga. – Se tudo isso é verdade, então por que ele me deixou?
- Você só vai encontrar as respostas quando conversar sobre esse assunto com ele.
- Então eu não terei as respostas nunca.

respirou fundo. Tinha certeza de que havia motivos muito mais profundos para Harry ter agido daquela forma com e a garota era a pessoa mais cabeça dura que conhecia, convencê-la a dar uma chance as explicações de Harry seria praticamente uma missão impossível.

- , seca o meu cabelo?

perguntou saindo de dentro do banheiro com seu hobby atoalhado enquanto penteava seus cabelos castanhos arruivados que estavam encharcados, caminhando em direção à cama para se sentar. assentiu para a amiga.

- Pedi pães de queijo e capuccino pra você. – falou para a garota enquanto pegava o secador de cabelo no banheiro. – Sei que não gosta de tomar café da manhã, mas ontem você não jantou e o dia hoje vai ser corrido. Você precisa se alimentar direito.

sorriu fraco. Realmente odiava tomar café da manhã, pelo simples fato de não ter apetite ao acordar. Como de costume, estava sem apetite nenhum, mas sabia que a amiga não a deixaria em paz se não comesse direito e apreciava os cuidados da garota.
Tinham duas entrevistas durante o dia e às cinco da tarde teriam que ir para a arena onde o primeiro show da tour se realizaria. Os dez jovens não tinham como estar mais ansiosos. Nunca haviam dividido palco antes, fora que era uma turnê completamente oposta ao que estavam acostumados.

Liverpool, Echo Arena
Domingo, 9:35PM

- Pessoal, nós queremos agradecer muito todos vocês. Agradecer todo esse carinho e amor que vocês transmitem para a gente. É incrível pensar que há três anos nós cinco nem imaginávamos que algum dia estaria cantando em uma arena lotada, ainda mais, juntas! Graças a vocês, eu tenho a honra de vivenciar meu sonho com as quatro irmãs que esse mesmo sonho me presenteou. Vocês nos dão asas a cada dia, vocês nos fazem voar cada vez mais longe.

terminou seu discurso arrancando gritos dos fãs e logo ouvindo iniciar a música.

“I can be so negative sometimes
(Eu posso ser tão negativa às vezes)
My own worst enemy sometimes
(Minha própria inimiga às vezes)
Even at my lowest low
(Mesmo quando estava na pior)
You still had hope
(Você ainda tinha esperança)”

mantinha sua expressão tranquila com os olhos fechados. Amava aquela canção simplesmente por descrever tanto a relação das cinco garotas. Os fãs gritavam seus nomes e alguns tinham cartazes engraçados em mãos, amava aquilo. A fazia se sentir tão acolhida.

“When i wanna quit,
(Quando eu quero desistir)
You won’t let me
(Você não vai deixar)
When I’m falling down,
(Quando estou caindo)
You gon’ catch me
(Você vai me pegar)
You pick me up yeah, you fix me up
(Você me pega, yeah, me conserta)
Now I’m on my way,
(Agora estou no meu caminho)
And I’m strong enough to say
(E sou forte o bastante para dizer)”

cantou dando entrada ao refrão da música junto às outras quatro garotas.

“You gave me wings and taught me fly
(Você me deu asas e me ensinou a voar)
When I was out there on my own
(Quando eu estava lá sozinho)
You gave me wings and brought me to life
(Você me deu asas e me trouxe para a vida)
And now I need to know
(E agora eu preciso saber)
If you wanna fly cause I wanna fly yeah

(Se você quer voar porque eu quero voar)”

e se abraçaram e cantaram como se estivessem conversando uma com a outra, fazendo os fãs irem à loucura. Eles amavam vê-las interagindo umas com as outras.

“Tell me you’re down for touching the sky yeah
(Me diga que você está dentro para tocar o céu yeah)
You and me me and you
(Você e eu, eu e você)
The higher the better
(O mais alto, melhor)
When we fly, we fly together
(Quando nós voamos, voamos juntos)
Together, together, together, together
(Juntos, juntos, juntos, juntos)
When we fly we fly together
(Quando nós voamos, voamos juntos)”

começou sua parte da música.

“I feel like a prisoner locked up
(Me sinto como uma prisioneira trancada)
The only key to set me free, is your love
(A única chave para me libertar é o seu amor)
You went and took a chance on me
(Você foi e deu uma chance para mim)
Without a reason to believe
(Sem uma razão para acreditar)”

cantava e se lembrava de Elliot. De como ele havia sido incrível para ela na época em que se conheceram. Enquanto todos passavam a acreditar nos milhares de boatos que as revistas de fofocas espalhavam sobre ela, Elliot havia sido um dos únicos a enxergá-la além daquilo. Ela seria eternamente grata a tudo o que o garoto havia proporcionado-a. Em um momento onde se viu sozinha e perdida, ele fora o único a fazê-la se sentir importante.
Tudo o que ela desejava era que o Elliot que conhecera há um ano voltasse.
Quando deu-se por si, já haviam finalizado a música e agora tudo o que se podia ouvir no estádios eram gritos histéricos incompreensíveis. Aquela era a última música do repertório da girlband e os garotos já entravam de volta ao palco para que cantassem juntos um cover da música “I Lived” da OneRepublic.

“Hope when you take that jump, you don't fear the fall
(Espero que quando pule, você não sinta a queda)”
– Harry começou.

“Hope when the water rises, you built wall
(Espero que quando a água suba, você construa um muro)”
- A voz de Zayn pôde ser ouvida.
“Hope when the crowd screams out they’re screaming your name
(Espero que quando a platéia grite, eles estejam gritando seu nome)”
completou caminhando pelo palco.
“Hope if everybody runs you’ll choose to stay
(Espero que se todos correrem, você escolha ficar)”

“Hope that you fall in love and it hurts so bad
The only way you can know you gave it all you had

(Espero que você se apaixone e que doa muito/O único jeito de saber que você se deu por inteiro)
cantou dando uma olhada rápida para Harry.

"And I hope that you don't suffer
but take the pain

(E eu espero que você não sofra, mas aceite a dor)"
- Niall sorriu.

“Hope when the moment comes
You’ll say

(Espero que quando o momento chegue, você diga)”
– Foi a vez de .

"I, I, I, I did it all
I, I, I, I dit it all

(Eu, eu, eu, eu fiz tudo isso)
I owned every second that this world could give
(Eu possuí cada segundo que esse mundo pôde dar)
I saw so many places, the things that i did
(Eu vi tantos lugares, as coisas que fiz)
And with every broken bone
(E com todos os ossos quebrados)
I swear i lived
(Eu juro, eu vivi)"

Todos cantaram juntos e a energia que sentiram era indescritível. Algo os unia, como se, se completassem em cima daquele palco. Era estranho, não se conheciam direito. Tirando e Louis, eram todos apenas amigos de eventos, se encontravam de vez em quando e conversavam vez ou outra, mas aquele sentimento que os preenchia era desconhecido para eles.

“Hope that you spend your days and they all add up
(Espero que você gaste seus dias e que todos eles adicionem)”
cantou enquanto era abraçada de lado por Harry.

“And when the sun goes down hope you raise your cup
(E quando o sol se pôr, espero que você levante seu copo)”
– Louis cantou fazendo sorrir olhando para o mesmo.

“I wish that I could witness all your joy and all your pain
But until the moment comes I’ll say

(Eu queria poder testemunhar toda a sua alegria, toda a sua dor/Mas até o momento chegar, eu vou dizer)”
cantou enquanto se esforçava para ler o que estava escrito no cartaz que se encontrava erguido logo à sua frente.

Pela última vez cantaram o refrão e os gritos histéricos puderam ser ouvidos assim que as luzes se apagaram indicando que o show havia chegado ao fim. A emoção tomara conta quando saíram do palco e se deram conta do sucesso que o primeiro show da tour havia sido.

- Vocês viram aquela menina na arquibancada com a bandeira do Brasil? – Niall perguntou ainda desacreditado que havia uma brasileira assistindo ao show em Liverpool. Sempre se surpreendiam com fãs que vinham de outros países para assistir os shows, apesar de viverem a fama há anos, não eram completamente acostumados a tudo aquilo e muitas vezes acreditavam que nunca se acostumariam.
- Pessoal, o voo é a meia-noite. Vocês têm vinte minutos até Josh e Pablo irem buscá-los e seguirem para o aeroporto. O tempo é curto, se apressem.

Um dos produtores da turnê avisou fazendo sinal para que as duas bandas se dirigissem a seus respectivos camarins para que se preparassem para o pequeno percurso até Sheffield.
As garotas entraram em seu grande camarim, que estava completamente desorganizado graças as roupas e bolsas espalhadas por ali, já tirando o figurino para colocar suas roupas confortáveis. Precisavam de um banho, estavam completamente suadas e tirar o figurino colado era um desafio.

- Eles cantaram todas as músicas! – exclamou enquanto pendurava o figurino suado. – Foi maravilhoso, eu amei!
- Os cartazes são a melhor parte! Sempre me divirto lendo. - riu ao lembrar do que estava escrito em um dos cartazes que lera.

estava calada. Claro que as amigas amavam ler os cartazes, nenhum deles às insultava. também se divertia ao ler os dizeres até alguém levantar um cartaz que dizia “ não sabe cantar, saia desse palco!”.
Por mais que houvesse vários engraçados e carinhosos, aquele único não saía de sua cabeça.
Como se já não bastassem todas as coisas que a diziam pelas redes sociais, agora ainda teria que suportar isso nos shows?
notara o comportamento da amiga e, por mais que agisse contrário, sabia o motivo. Lera o cartaz e sua vontade era voar no pescoço de quem quer que fosse a pessoa que tinha aquele papel em mãos. Como alguém era capaz de dizer aquelas coisas para ? Se surpreendia com a capacidade das pessoas serem tão insensíveis. Ainda mais com que nunca fizera nada de errado para receber todo aquele ódio que via constantemente nas redes sociais.

Sheffield, Novotel Sheffield Centre
Sábado, 1:30AM

- Eu e Louis dividiremos o outro quarto então. – Niall falou para Liam, estavam decidindo como ficaria a divisão dos quartos.
- Tá bom, agora podemos pegar as chaves dos quartos? – perguntou entediada. Não estava suportando dividir um dos sofás do saguão do hotel com Harry, que percebia o incômodo da garota.

Louis e foram fazer os check-in’s, já que preferiam que as reservas de seus quartos ficassem em seus nomes ao invés dos nomes de alguém da turnê.
Estavam todos exaustos, só queriam tomar seus banhos e dormir, mas é claro que algo teria que atrapalhá-los, e no caso havia sido as divisões dos quartos e os tantos paparazzi e fãs no aeroporto e ao lado de fora do hotel. Por mais que amassem todo aquele carinho, às vezes precisavam de um descanso de toda àquela loucura.

- Quem vai tomar banho primeiro?

perguntou ao entrar no quarto que dividiria com e .

- Podem ir, eu estou morrendo de preguiça.

falou sentando-se no assento embaixo da janela.
Estava exausta, mas tão feliz pelo resultado do primeiro show da turnê e nem sabia ao certo como descrever o outro sentimento presente em seu peito. Gostaria de dormir no mesmo quarto de Louis, ele era o único que a acalmava quando aquele sentimento a preenchia, mas não queria ser a causadora de uma reorganização dos quartos.

- Já que as duas são preguiçosas até para ser higiênicas, eu estou indo.

riu seguindo para o banheiro.
sorriu observando a amiga. Era tão boa e frágil, sempre sorrindo para todos e transmitindo sua calma. tinha um instinto protetor por todas as garotas, as amava como suas irmãzinhas e quem ousasse fazer algo de ruim para qualquer uma das mesmas, poderia se preparar para sofrer nas mãos da garota.

- Eu vou no quarto das meninas, já volto.

Falou para , que assentiu, saindo do quarto em seguida. Ela realmente iria até o quarto das garotas, mas suas intenções eram de encontrar certo alguém pelo caminho.

ouviu o celular vibrar em cima da cama e se apressou para atendê-lo, questionando-se quem a ligaria àquela hora.

? Você está ocupada?” – a voz calma e baixa do outro lado da linha fez identificar sua irmã mais nova.
“Não, sis. Por que está me ligando a essa hora? Deveria estar dormindo.”
– respondeu sendo a irmã protetora que era.
“Estou em Miami, . Aqui ainda são oito horas da noite.” – a adolescente falou rindo junto com a irmã mais velha de sua desatenção . – “Como foi o show?”
“Foi maravilhoso. Queria muito que você estivesse lá comigo.” – sorriu. Sentia tanta falta da companhia de Valentina, se sentia culpada por não estar por perto para apoiar a irmã naquele momento de suas vidas.
“Se você convencer o meu pai a me deixar faltar algumas aulas, no próximo show eu estarei.” – as duas gargalharam e então um silêncio tomou conta da ligação. Se comunicavam em silêncio, não ouviam uma à outra, mas sabiam que pensavam no mesmo assunto. – “Liguei porque sinto a falta dela. Sua voz me lembra à dela.” – Valentina sussurrou a última frase, que fez com que sentisse um bolo em sua garganta. Odiava se mostrar fraca para a irmã, e aquele era o único assunto que fazia com que desabasse.
“Ela está cuidando da gente.” falou com a voz fraca. Secou uma lágrima que insistiu em escorrer por sua bochecha.
“Papai não para mais em casa.” – a garota falou. – “Chegou de New York ontem, amanhã vai para Chicago.”

percebia a tristeza na voz da irmã, e tudo o que desejava era poder levá-la consigo para onde quer que fosse. Odiava o fato de seu padrasto ser tão ausente na vida da irmã e ter se tornado ainda mais após a morte de sua mãe, odiava também não conseguir estar tão presente quanto antes na vida da irmã mais nova. As duas cresceram sob os mimos e cuidados da mãe e das tantas babás que tiveram enquanto eram crianças. , com seus vinte anos recém completados, agradecia por cada momento que passara com a mãe ao seu lado ao mesmo tempo que se sentia mal por não se considerar uma boa referência para a irmã mais nova, que passava a adolescência sem os conselhos sábios da mãe.

“Assim que eu conseguir, vou te levar para viajar comigo, ok?” – falou tentando animar a garota. – “Eu preciso tomar um banho e dormir, Sis. Amanhã te ligo antes do show, tá bom?” – falou quando viu sair do banheiro – “Eu te amo, boa noite.”

Desligou a ligação e suspirou. Gostaria de saber quando sua vida se tornou aquela confusão. nascera em berço de ouro, sempre tivera tudo e passara, pelo menos, dezessete anos acreditando ter uma vida perfeita. Havia sido a típica cheerleader, rica e popular da escola, e amava aquilo até perceber que sua vida poderia não ser tão perfeita como pensava. Apesar de o pai ser um homem muito ocupado, sempre se esforçara para estar presente na família. Quando criança, o chamava de “Super Pai” e achava aquilo um máximo, em sua mente, nenhuma outra criança tinha um apelido tão maneiro como aquela para seu pai. Se lembrava de quando ele ia para suas viagens e voltava com presentes para ela, que passava o dia pensando no momento que chegaria em casa para brincar com os brinquedos novos e sentir a barriga doer de tanto rir das piadas que o pai contava. Após se separar da mãe de , o homem se mudara de Miami para Washington e costumava visitá-lo frequentemente até o mesmo se casar novamente e criar uma nova família, dando cada vez menos atenção à filha mais velha.
Já a mãe nunca falhara ao dividir o carinho e atenção. Costumavam ter o “fim de semana mãe e filhas” uma vez por mês, onde apenas as três viajavam juntas para algum lugar que gostassem. Uma vez foram a Bristol, pouco tempo antes de fazer a audição para o programa que mudou sua vida. A mulher fazia falta no dia-a-dia corrido da garota, que mesmo tendo passado os últimos anos praticamente sem parar em casa, estava sempre tendo contato com a mãe e visitando-a sempre que conseguia. Se lembrava de sua voz suave a aconselhando quando fora lançado o primeiro boato sobre , bem no início de seu namoro com Louis, há dois anos, dizia que a garota havia traído Louis. havia ficado uma fera, nunca passara por aquela situação. Se recordava de sua mãe dizendo “Louis confia em você. É isso que importa. As pessoas que te amam estão ao seu lado, meu amor. E a mamãe sempre estará também. Aconteça o que acontecer, eu sempre estarei ao seu lado.”
Aquela fora a época que a mãe começara a sentir dores e, orgulhosa como era, não contara para ninguém. Dois anos depois, era tarde demais.

- , está tudo bem? – perguntou para a amiga que estava estática encarando o chão.
- Sim. – A garota chacoalhou a cabeça na intenção de livrar-se de tantos pensamentos. – Vou tomar meu banho. – Falou enquanto pegava seus pertences e seguia para o banheiro.

apenas assentiu. Estava tão cansada que estava alheia de tudo o que acontecia em sua volta. Vestiu o short macio de seu pijama e não pôde deixar de olhar para a marca, antes mais forte, roxa na parte de trás de sua coxa direita. Praguejou silenciosamente por ter reparado no hematoma, tudo o que mais queria era se esquecer daquilo, já havia passado quase um mês e a maldita marca não desaparecia. Tirou o short buscando por sua calça de moletom para vestir no lugar, não queria que suas amigas vissem. Despertou de seus devaneios quando ouviu a chamar do banheiro, pedindo que levasse sua necessaries até lá.

2:00AM

- Você sabe que não posso falar sobre isso com elas, Liam. – falou.
- Por quê? São suas amigas, elas vão entender.
- Nós somos um grupo. Eu não posso, em hipótese alguma, assinar contrato de qualquer trabalho que não seja com elas. – A garota gesticulava nervosa. – Você faz parte de uma banda, você entende o que estou falando.

Durante o dia, recebera uma ligação dos produtores do novo álbum de Shawn Mendes, que a propuseram um feat em uma das faixas. Havia ficado animada, a questão era que apenas ela fora convidada e os produtores não queriam o grupo.
Queriam apenas ela. Liam estava passando pelo corredor no momento e, curioso como era, não pôde evitar perguntar o porquê da expressão preocupada de , que demorou uns bons quinze minutos até ser convencida por Liam a contá-lo.
A garota estava tensa com a situação, mas, graças a saia justa em que se encontrava, havia se aproximado de Liam em menos de vinte e quatro horas. E o clima entre os dois era tão leve, aquilo deixava tranquila em meio ao turbilhão de pensamentos que atormentavam sua mente.

- Mas é uma oportunidade maravilhosa, . Acho que, se você quiser mesmo fazer esse feat, deve conversar com as garotas. – Pegou a mão da loira. – Elas vão ficar muito felizes por você. Até quando você pode responder?
- Até depois de amanhã. – A garota suspirou. – Obrigada por me aconselhar, Liam.

O garoto sorriu. Havia encontrado uma grande amiga, ou até mais do que isso.

Sheffield, Novotel Sheffield Centre
Domingo, 12:00PM

respirou fundo ao abrir o aplicativo do Twitter em seu celular. Ao contrário das outras vezes que lera comentários maldosos sobre si, estava com raiva das pessoas que escreviam aquelas coisas. Por que não a deixavam em paz? Tinham vidas tão medíocres que preferiam passar o dia atacando-a sem motivos, provavelmente. Quanto mais deslizava o dedo pela tela do celular, mais comentários apareciam e alguns até eram legais, carinhosos e realmente a faziam sorrir. Infelizmente, os comentários ruins pesavam muito mais para a garota do que os bons.

- Vai descer para almoçar? – perguntou para a amiga enquanto calçava seu chinelo.
- Não estou com fome.
- Você precisa comer, temos entrevista para a Teen Magazine daqui três horas e logo depois vamos para a arena.
- Já falei que estou sem fome, . – falou irritada. Já estava de mau humor e odiava quando a tratavam como um bebê, ela sabia o que deveria fazer ou não.
- Mas é melhor você comer algo, . Estamos gastando muitas calorias durante os shows, se você não comer...
- Você não precisa agir como se fosse minha babá, . – A morena falou grossa andando até a porta do quarto. – Sei muito bem o que devo fazer, não sou mais criança.

Logo saiu do quarto fazendo um estrondo ao bater a porta com força. ficou estática encarando a porta pela qual a amiga saíra. Suspirou ao constatar que seria melhor dar um tempo para a amiga e depois conversar com a mesma. Não estava tratando-a como um bebê, apenas se preocupava. Assim como se preocupava com todas as outras garotas. Chacoalhou a cabeça a fim de parar de pensar sobre aquilo, havia acordado de bom humor e não queria tê-lo arruinado por nada. Pegou o celular e a chave do quarto saindo em seguida até o restaurante do hotel.

- Harry, me solta! – gritou quando foi pega de surpresa pela garoto, que a colocou pendurada em seu ombro. – Harry eu acabei de comer, vou vomitar! – Gritava rindo junto aos amigos. Todos no restaurante os encaravam com desaprovação, mas os mesmos pareciam não se importar. Estavam se divertindo com as loucuras de Harry, que já havia dado um susto gigante em e Louis, e agora corria pelo local com que se dividia em gargalhadas e gritos. Harry finalmente a colocou no chão quando uma moça da administração do hotel pediu para que fizessem menos bagunça, pois havia hóspedes reclamando, fazendo com que se sentassem à mesa novamente para esperar , e Niall, que até o momento não haviam aparecido para almoçar.
- Boa tarde. – falou sorrindo ao sentar-se do lado de .
- Boa tarde, Bela Adormecida. Nem tomou café da manhã. – Harry falou com um sorriso irônico. Estava brincalhão demais naquela tarde, apenas se esquecera que com era melhor ele ficar calado.
- Se eu quisesse dormiria até as dez horas da noite, Styles. – Falou friamente. – Não que seja da sua conta quantas horas eu durmo ou não.
- E a ? – perguntou tentando fazer com que o clima se suavizasse.
- Disse que não está com fome e deu um chilique sobre não ser mais criança e não precisar de babá. – A loira falou. – Resumidamente: acordou de mau humor. Acho melhor darmos espaço, ela está insuportável.
- não foi a única a acordar de mau humor, né? – Harry falou. – A Bela Adormecida está mais para Bela Aborrecida. – O garoto ironizou gargalhando e fazendo com que os amigos se segurassem para não rir. Estava brincando com fogo, uma vez que se irritasse, as coisas terminariam mal.
- Cala a boca, Styles. – Esbravejou.
- Quanta grosseria, . – O garoto a encarou. Estava apenas tentando quebrar o iceberg que existia entre os dois, só que era tão desajeitado que quanto mais tentava consertar as coisas, mais piorava. – Era uma brincadeira.
- Você sabe que apenas a sua respiração me tira do sério, Styles. – o encarou de volta, desfazendo-o ao constatar que não aguentaria manter sua pose de “eu odeio Harry Styles” sob o efeito que aqueles olhos verdes a causavam. – Nem mesmo “bom dia” você precisa me dar. – A garota deu um sorriso irônico.
- Você continua a mesma criança de sempre, Bianchini. – O garoto falou perdendo a paciência. Tudo o que mais queria era resolver as coisas com , explicar tudo o que acontecera e o porque de ter sido um babaca.
- Vai à merda, Harry Styles. – A garota respondeu num tom mais alto, assustando o resto do grupo. – Eu sou criança? – Soltou uma risada irônica. – Acho que eu fui madura o suficiente para não terminar um relacionamento de um ano para ter um casinho com o meu ex. – O silêncio tomou conta da mesa. Harry não sabia o que responder, o restante do grupo estava surpreso pela garota falar aquilo na frente de todos. E mal conseguia acreditar no que acabara de dizer, havia exposto seus sentimentos sem nem mesmo perceber. O único barulho que puderam ouvir foi o da cadeira que a garota estava sentada se arrastando no chão, e em seguida uma trêmula saindo apressada do restaurante.

12:45PM

- Elas se preocupam com você, . E, por um lado, está certa. Você não pode deixar de almoçar, mesmo que não esteja com fome. Principalmente durante a tour, nós gastamos muita energia, precisamos nos alimentar direito ou vamos acabar passando mal em algum momento. – Niall falou para a garota que se encontrava sentada à beira da piscina coberta do hotel.
- Eu entendo, Niall. Eu sei de tudo isso, mas eu estou tão cansada. – A garota suspirou. – Estou cansada de ter sempre tantas pessoas me dizendo o que fazer, como fazer. Há tanta gente me dizendo coisas ruins, dizendo que eu sou isso, sou aquilo, que eu deveria ser de tal forma, eu nem sei mais o que eu sou. – A garota gesticulava – Eu sei que a não tem nada a ver com tudo isso, mas eu estava tão estressada. Acabei descontando em uma pessoa que só estava tentando me ajudar.
- Você não deveria dar ouvidos a essas pessoas.
- Como eu não vou dar ouvidos, Niall? – A garota bateu a palma da mão em sua coxa. Aquele assunto realmente a perturbava e geralmente ela estaria apenas triste e não conversaria sobre aquilo com ninguém, mas naquele dia específico estava, além de triste, com raiva por ter que viver aquilo para seguir seu sonho de ser cantora. – Não são dois comentários ridículos, são vários. São vários, todos os dias. E agora, nos shows também. Por que eles não me deixam em paz? Eu tô de saco cheio dessa merda.
- Você fica linda com esse rosto franzido. – O loiro falou fazendo a mesma sorrir.
- Para com isso, Niall. – A garota falou envergonhada ao perceber a proximidade de seus rostos.
- Mas é a verdade. – O garoto aproximou ainda mais seus rostos, suas bocas quase se alcançavam quando percebeu o que estava prestes a acontecer.
- Não. – Afastou-se apressada. – Isso não pode acontecer.

A garota se levantou andando com pressa até sumir da vista do garoto, que permanecia sentado à beira da piscina encarando o caminho que a morena fizera com confusão no olhar.

Capítulo 3


1:20PM

- Eu a amo, Liam. Mas estou de saco cheio dessa criancice. – Harry falou passando a mão pelo cabelo inquieto. – Eu sei que errei, eu admito. Mas ela não me dá uma chance de me explicar. Eu não podia quebrar o contrato, eles tinham todos os argumentos para deixar a situação desfavorável a mim e a ela também.

Harry estava furioso, inquieto, nervoso. Odiava a situação que se encontrava, não sabia como contorná-la. Se sentia estúpido por ter assinado aquele contrato dizendo que aceitara um relacionamento falso com Mandy McAllister e não teria contato com Bianchini durante três meses. Aquela garota arruinara sua vida.
Algum tempo antes de se envolver com , Harry tivera um caso com a modelo, que havia um tempo estava sumida das revistas de fofocas e já não obtinha a mesma fama do início da carreira. Após conhecer , o garoto se apaixonara pela mesma e Mandy não se conformava em não ser mais a garota de Harry Styles, simplesmente por precisar do garoto para recuperar seu lugar no mundo das celebridades. Após um ano namorando com , e sendo atormentado por Mandy, a modelo descobrira como desarmar Harry e tê-lo para si. Descobriu fotos nuas da garota e ameaçou Harry: caso não assinasse o contrato e a assumisse, assim ajudando-a a recuperar os holofotes para si, iria expor as imagens. Harry ficara desesperado, a namorada estava na metade de sua carreira como cantora e aquilo poderia arruiná-la. Sem nem comentar a humilhação que seria para ter fotos tão íntimas expostas para o mundo. Não pensara duas vezes em assinar aquele papel, não poderia fazer ser humilhada daquela forma por sua causa. Então terminou com a garota que realmente amava, e fez de seu “novo relacionamento” público apenas cinco dias depois. Mandy Mcallister conseguiu o que queria, em três meses já havia sido convidada para a Fashion Week, sido capa da Vogue, viajado para vários países diferentes para desfiles e etc. Enquanto Harry perdera a única garota que o fazia feliz.

- Chama ela para conversar. Fala com jeito, dude.
- Ela nem mesmo me cumprimenta, Liam. – Harry passou a mão pelos cachos de seu cabelo. – Se eu pedisse pra ela conversar comigo, ela mandaria eu ir para o inferno.

Liam riu da expressão de desespero do amigo e então teve uma ideia.

- Você fica tranquilo, eu resolvo essa parte. – Deu dois tapinhas no ombro de Harry e se levantou indo em direção à porta, deixando o outro garoto confuso.

- O que você quer contar, ?

perguntou sentando-se em uma das camas de casal que haviam no quarto. chamou as quatro amigas no quarto dizendo que precisavam ter uma conversa séria. Estava tão nervosa com a proposta que recebera de Shawn, não fazia ideia de como conversar sobre aquilo com as garotas.

- Eu recebi uma proposta. – Falou devagar. – Shawn Mendes quer gravar uma música comigo. – A garota falou apreensiva.
- Que bom, ! – exclamou. – O que tem de errado? Por que está com essa cara? – a olhou com confusão.
- Nós somos um grupo e ele me chamou apenas. – Falou pausadamente, como se tivesse intenção de explicar o que dizia. – Vocês sabem que ele é meu amigo e seria mais por diversão. Eu adoraria aceitar, mas só se vocês não ficarem chateadas.
- Eu nunca ficaria chateada, . – falou sorrindo. – Por mim, você pode ficar tranquila.
- Por mim, e creio que por e , também. – falou. – Vamos te apoiar sempre. – Abraçou de lado, e a garota respirou aliviada. Seu maior medo era suas amigas não concordarem e as mesmas estavam dando o maior apoio que podiam para que prosseguisse com o projeto.
- Agora me contem sobre vocês, faz tanto tempo que não desabafamos umas com as outras. – falou jogando-se na cama ao lado de .
- Verdade! – concordou. – Sinto falta das nossas conversas de horas. Essa correria não nos dá tempo para fazer nada além de trabalhar. – Falou sorrindo junto às amigas. Apesar de estarem constantemente cansadas e viverem numa correria sem fim, aquela sempre fora o sonho das cinco e finalmente estava sendo realizado. Todo o cansaço valia à pena ao fim do dia.
- Precisamos fazer a nossa tradicional rodinha, meninas! – exclamou batendo palmas fazendo as amigas rirem. – Todas no chão! – As cinco apressaram-se a sentar no chão em frente a uma das camas. – Começa pela !
- Eu e Niall quase nos beijamos hoje. – A garota falou com um sorriso no canto da boca.
- O quê?! – Ouviu as quatro amigas perguntarem espantadas e riu em seguida.
- Depois que eu dei aquele chilique com a . – Riu fraco. – Aliás, me desculpa por isso, eu estava estressada e acabei descontando em você. – sorriu para a garota demonstrando que estava tudo bem, fazendo com que a mesma continuasse sua história. – Queria pensar um pouco e a piscina era o único ambiente vazio do hotel. Em algum momento Niall passou por lá e decidiu sentar comigo, nós conversamos sobre várias coisas, ele me aconselhou sobre o pequeno escândalo que eu dei. – Riu. – E então nossos rostos ficaram tão próximos, quando eu percebi o que iria acontecer saí correndo. – Suspirou se lembrando da cena.
- Você queria beijá-lo? – perguntou.
- Eu não quero me envolver. – Falou baixo. – Vocês sabem como foram as coisas com o Andrew… - As amigas assentiram. Andrew era o ex- namorado de , os dois foram o típico casal apaixonado que nunca brigava, se não fosse pela faculdade que o garoto fora na Suíça, os dois ainda estariam juntos. já não sentia nada pelo garoto, mas havia sofrido demais na época do término e não sabia se estava pronta para se relacionar com alguém novamente.
- Mas você sente vontade de beijar o Niall? – perguntou fazendo sorrir envergonhada e esconder o rosto com as mãos. – Phillips! Eu não acredito! – Exclamou gargalhando em seguida junto às outras meninas.
- Chega, vocês me deixam com vergonha! – exclamou. – pode começar a falar.
- Nada demais. – A morena falou encarando as unhas. – Eu e Louis estamos bem, Valentina me ligou ontem e está tudo bem em casa, fora o pai dela que decidiu esquecer que tem uma filha de catorze anos que precisa de atenção. – Suspirou sem perceber. - Não tenho muito que contar, meninas. – Riu fraco.
- Mas e você? – questionou. – Como você está?

A mãe de havia falecido dois meses antes, e desde então a garota desenvolvera um estado não tão aparente de depressão, que desencadeou sua crise de ansiedade. As amigas se preocupavam com o estado emocional da garota, que quase nunca falava sobre seus sentimentos e, conversando com o médico e o psicólogo de , descobriram o agravamento que aquilo poderia trazer para sua depressão.

- Ela faz muita falta. – Falou enfatizando a palavra muita. – Às vezes eu me sinto culpada por não estar com a minha irmã, ela sente tanto a falta da mamãe. E o John simplesmente não dá a mínima pra como ela está se sentindo. Ela tem catorze anos, está passando por tanta coisa e está sozinha! Eu deveria cuidar dela, proteger ela. Eu queria tanto poder trazer ela comigo para a turnê, levá-la para morar comigo, eu não sei! Eu só... – Deu uma pausa. – Ela precisa de mim.
- Você não é responsável pela sua irmã, . – falou compreensiva para a amiga.
- Eu sei. Eu só não quero que ela se sinta como eu. – Sussurrou. Estava se controlando para não chorar. – Na idade dela eu tive tudo! Tive o colo da mamãe, tive a companhia dela mesmo sendo aquele cotoco de gente. Quando meu pai se afastou, eu me senti tão indesejada, mas eu tive a minha mãe que sempre esteve ali. Sempre. – segurou a mão da amiga. – Não quero que a Valentina se sinta deixada de lado, sozinha. Eu deveria estar lá por ela.
- Você é incrível pra sua irmã, . – falou. – Esse é o seu trabalho, o seu sonho. Ela entende que você precisa viajar, que é difícil você conseguir parar em casa. Mas ela também sabe que mesmo estando longe, você está sempre cuidando dela. Você sempre está telefonando para saber como as coisas estão. – Sorriu compreensiva ao ver algumas lágrimas começarem a escapar dos olhos da amiga. – Você é uma irmã incrível, . E pode ter certeza, aonde quer que esteja, sua mãe está muito orgulhosa da forma que você protege e cuida da Valentina. Você se tornou uma mulher maravilhosa, . – apenas percebeu que estava chorando quando sentiu a mão delicada de tocar suas bochechas.
- Eu amo vocês. – Falou sorrindo ao sentir as quatro amigas abraçando-a. – Não sei o que seria de mim se não fossem vocês.
- Nós amamos você também! – falou sorrindo. Apreciava tanto o fato de ser superprotetora em relação à todos que amava.
- , você não falou uma palavra ainda. – falou secando o resquício de lágrima em sua bochecha. Não gostava de ser o foco das conversas e estranhara a morena estar tão calada, sendo que era a tagarela do grupo.
- Como estão as coisas com Elliot? – perguntou.
- Ele não responde minhas mensagens desde anteontem. – falou. – Estou preocupada.
- Ele foi muito idiota de falar aquelas coisas pra você. – falou batendo as unhas no chão. Não gostava da forma que Elliot tratava à amiga. – Foi só uma brincadeira.
- Mas ele não sabia que era uma brincadeira. – A garota falou cansada. Não estava nem um pouco a fim de ter aquela conversa.
- Claro que sabia, . Você falou pra ele. – falou séria para a garota que já bufava se mostrando irritada com o assunto. – E então ele passou a te xingar por ter feito a brincadeira.
- Ele não quis dizer aquelas coisas, só estava com raiva. – Passou a mão pelo cabelo impaciente. – Eu também teria ficado. Agora mudem de assunto, não quero mais falar sobre isso.

As quatro garotas assentiram. Não se sentiam no direito de insistir naquele assunto, apesar de não gostarem do garoto, acreditavam que sabia o que estava fazendo. E da forma que o defendia, acabavam imaginando que talvez realmente tivessem uma implicância desnecessária com Elliot. Claro que sempre tinham um pé atrás, estavam sempre ouvindo os desabafos de sobre o relacionamento e aquilo era o que bastava para que não mudassem completamente suas opiniões sobre Elliot.

3:25PM

- Vamos às perguntas do twitter! – O entrevistador falou encarando o iPad em suas mãos. – Temos muitas perguntas para , os fãs querem saber como anda esse coração?
- No momento, em paz e muito feliz. – Respondeu sorrindo tentando transparecer calma. Desde o término com Harry, sempre recebia perguntas sobre sua vida amorosa e evitava responder de forma explícita.
- E essa felicidade possui algum nome? – Tentou arrancar a informação de que franziu o cenho rapidamente antes de responder.
- Na verdade, sim. . – Riu fraco junto às outras garotas. – Estou muito feliz comigo mesma e com o rumo que minha vida está tomando.

O entrevistador assentiu sem graça. Realmente devia ser um saco não conseguir arrancar informações que dariam o que falar, afinal, era disso que ele vivia. entendia a necessidade de blogueiros, revistas, paparazzis e etc. de insistirem tanto nas vidas pessoais de celebridades, mas certamente haviam assuntos pessoais demais para expor ao mundo.

- Certo, e vocês garotas? Como seus corações estão? – O homem simpático insistiu no assunto.
- Apaixonado pelo meu namorado. – respondeu rindo.
- Louis Tomlinson! – O entrevistador exclamou. – Estamos recebendo muitas mensagens para o casal. – Sorriu para a morena que devolveu o ato mostrando o quanto gostara da informação.
- Estou solteira e pretendo continuar por um bom tempo. – sorriu simpática.

O entrevistador, percebendo que nenhuma das outras garotas tinha intenção de responder a pergunta, continuou a entrevista.

Sheffield, Sheffield Arena
5:20PM

- Por que você não beija ela logo, dude? – Zayn interrompeu Niall, que explicava o que ocorrera durante a manhã na piscina para os amigos.
- Se você me deixasse terminar, iria saber. – Falou impaciente sorrindo irônico em seguida. – Ela simplesmente saiu correndo. Quando estávamos quase nos beijando, ela falou algo sobre não poder ou sei lá.
- Ela namora? – Harry perguntou. – Talvez seja por isso.
- Eu tenho quase certeza que ela é solteira. – Niall falou. – Espero que seja.
- Ela terminou com o namorado, faz um tempinho. Deve ser isso. – Louis falou fazendo os outros quatro garotos o encararem sem entender como ele sabia daquilo. – Qual foi gente, ela é melhor amiga da minha namorada. me conta as coisas.
- Então quer dizer que você e ficam de fofoca quando estão juntos? – Liam zombou do amigo fazendo os outros rirem.
- Desisto de me defender. – Louis falou fingindo cansaço e se rendendo ao riso logo depois. – Vamos pro palco, daqui a pouco temos que passar o som. – Liam falou sendo seguido pelos outros.

- O piso está escorregadio. – franziu o cenho.
- O que passaram nele? – perguntou deslizando um dos pés constatando que estava escorregadio demais para fazer algumas coreografias. – Será que se passar um pano úmido e secar, melhora?
- O que há de errado, garotas? – Uma mulher da produção perguntou se aproximando.
- O chão está deslizando demais, nos atrapalha ao dançar. – respondeu preocupada. – Será que tem como ajeitar isso?
- Com certeza, vou chamar os responsáveis pela limpeza do palco e pedirei para que deem um jeito nisso. – A mulher sorriu. – Não se preocupem, podem continuar ensaiando lá dento enquanto arrumam isso aqui.
- Muito obrigada. – sorriu para a moça simpática. – Vamos apenas terminar de passar o som, já liberamos o palco. – A mulher assentiu e seguiu seu caminho falando com as várias pessoas que estavam pelo caminho. Se preparavam para ensaiar outra música quando ouviram um barulho alto de algo caindo no chão.

Harry sentiu a cabeça se chocar em algo duro e a visão desfocar por um momento, logo depois algumas pessoas em sua volta iniciaram um murmúrio que não compreendia. Sentia a cabeça latejar e sua visão desfocada o deixava tonto, pôde perceber alguém ao seu lado falando algo que o mesmo não conseguia se concentrar em entender. Estava atordoado.
Após alguns segundos, que pareceram muito tempo, conseguiu finalmente enxergar o que havia em sua volta, os garotos, as garotas, produtores, integrantes da banda e outras pessoas que eu não pôde reconhecer no momento. Gemeu ao sentir uma pontada na parte de trás da cabeça.

- Alguém pega gelo, por favor!

Ouviu uma voz feminina exclamar bem próximo ao seu ouvido, virando a cabeça devagar até conseguir identificar o rosto que parecia preocupado como o de . A garota correra para perto de Harry assim que percebera que não estava tão consciente quanto deveria, aquilo a preocupava. Mesmo depois de tudo, ainda havia algo que a prendia a Harry e todos sabiam disso.

- Harry você consegue se levantar? – Liam perguntou, Harry murmurou algo confirmando. – , me ajuda a levar ele para o camarim?

olhou para Liam como se tivesse acabado de ouvir o maior absurdo do mundo. Em sua mente, era óbvio que não poderia ajudá-lo a cuidar de Harry. Estava em uma discussão interna consigo mesma por ter aberto a grande boca para pedir gelo para o rapaz.

- Talvez seja melhor levarmos ele para a enfermaria. – Alguém falou e Liam rolou os olhos se apressando a dizer que não era necessário. Aquela era a deixa perfeita para colocar seu plano em ação. e Harry teriam uma conversa naquela noite, de um jeito oi de outro.

encarou Liam e por um momento considerou negar o pedido e fingir não ter um coração, mas ao olhar para Harry e pensar que realmente poderia ter acontecido algo grave, escolheu ajudar o responsável por seus mais confusos sentimentos. Assentiu enquanto se levantava para apoiar um dos braços de Harry em seu ombro. Caminharam até o camarim dos garotos, colocando Harry em um sofá enquanto esperavam o gelo para colocar na cabeça do mesmo.

- Você acha que precisa ver um médico? – Liam perguntou para o amigo que mantinha uma expressão de dor.
- Eu acho que não. – Falou um pouco confuso. – Estou só um pouco enjoado e com dor. Acho que um gelo e descanso vão melhorar. Obrigado por se preocuparem.

sorriu sem mostrar os dentes. Estava louca para sair dali, não suportava estar tão perto de Harry tendo que se controlar para não deixar transparecer o efeito que ele a causava. Não sabia se falava alguma coisa ou ficava calada. Sua cabeça estava um turbilhão de pensamentos, não conseguia se concentrar em um só. Odiava o poder que Harry tinha sobre ela.

- Estão demorando demais com esse gelo, vou procurar onde tem.

Liam falou fazendo gelar. Em hipótese alguma poderia ficar sozinha com Harry, aquilo acabaria ou com o garoto mais machucado do que estava ou com deixando seus sentimentos falarem mais alto. E entre as duas opções, a garota preferia a primeira. Encarou Liam com desespero, implorando silenciosamente para o garoto não sair dali e o mesmo apenas fingiu não perceber o que estava prestes a fazer. Saiu do cômodo e antes que pudesse raciocinar que poderia simplesmente sair dali, apertou o pequeno botão da maçaneta fazendo com que a porta trancasse sem que os dois percebessem.

- Eu não acredito, Liam! – exclamou rindo. – Se Harry sair de lá com um olho roxo, a culpa é sua. - Liam acabara de contar ao restante do grupo o que havia feito e o que planejava para a continuação de seu plano para a reconciliação do casal-não-assumido.
- Tenho certeza que os dois vão sair de lá brigados. – Zayn falou.
- Quanto tempo você pretende mantê-los trancados lá dentro? – perguntou abraçada a Louis.
- Uma meia hora, sei lá. – Liam respondeu. – Querem apostar que eles vão sair de lá, pelo menos, em paz?

Louis estendeu a mão para Liam mostrando que estava dentro da aposta.

- Cem. – Liam definiu o preço da aposta.
- Cento e vinte. – Louis negociou.
- Certo. – Liam respondeu apertando a mão de Louis, fazendo os outros amigos rirem.

Harry e passaram os últimos vinte minutos em um silêncio constrangedor. O garoto já nem sentia mais dor, já havia concluído que Liam havia feito aquilo de propósito e poderia muito bem sair de lá, mas algo a fazia pensar e repensar sobre o que fazer várias vezes. Algo a dizia que deveria conversar de uma vez com Harry, mas sua vontade era sair dali o mais rápido possível. Harry, por outro lado, tomava coragem para começar o discurso que treinara tantas vezes. Ainda se sentia meio enjoado, mas algo o fazia pensar que era por causa do nervoso que sentia. Encarou , que o encarou de volta. Parecia que se comunicavam apenas pelo olhar que trocavam.

- Por favor, me escuta dessa vez. – Harry falou adivinhando que a garota o julgava mentalmente. permaneceu calada, pensando no que faria. – Deixa eu me explicar.
- Você não tem nada para explicar, Harry. – Falou friamente.
- Eu sei que você me odeia. – A garota sentiu o coração amolecer ao ouvir aquelas palavras. – Mas pelos motivos errados. Se você deixar eu me explicar, te contar tudo o que aconteceu, você pode continuar me odiando, pode nunca mais olhar para a minha cara. E eu te darei toda a razão, porque pelo menos você vai me odiar pela verdade. – hesitou por um momento. Não sabia do que ele estava falando.
- Como assim a verdade? – Sua voz saiu baixa.
- Eu nunca deixei de te amar. Tudo o que eu fiz foi porque eu te amava, . – O garoto a olhava com súplica nos olhos, podia sentir o desespero de Harry apenas por sua voz. – Eu te amo.
- Você sabe como eu sofri? – A garota perguntou sentindo a voz enfraquecer. – Sabe o lixo que eu me senti quando descobri que você estava com a Mandy? Sabe como foi difícil apenas ouvir o seu nome durante os últimos meses, Harry? E agora que eu estou, finalmente, conseguindo ao menos camuflar essa ferida, você resolver tocar nela e acabar comigo desse jeito. – A garota balançou a cabeça em negação levemente.
- Me perdoa. – Harry falou levantando-se do pequeno sofá em que se encontrava. – Mas eu também sofri. Quando você souber de toda a verdade, você vai entender. – passou a mão pelo cabelo. – Por favor, me escuta. Pela última vez e então, se você quiser, pode me esquecer e nunca mais trocar uma palavra comigo.

respirou fundo. No fundo, ela sabia que queria saber do que Harry falava. Queria entender que verdade era aquela. Se aproximou do garoto confirmando com a cabeça. Os dois se sentaram no sofá pouco antes do garoto começar a contar tudo o que havia acontecido, desde o dia em que Mandy o contara sobre as fotos nuas de , até o dia em que começara a ameaçá-lo e forçá-lo a assinar o contrato. não conseguia acreditar no que estava ouvindo, não sabia como se sentir em relação àquilo. Sabia muito bem quais eram as fotos que Harry falava, e era o que bastava para que ela passasse a acreditar que o ex dizia a verdade. Estava em choque.

- Você pode me odiar se quiser. – Harry disse ao terminar de contar tudo o que havia acontecido. – Por não ter te contado antes, na época ou sei lá. Eu só precisava que você soubesse da verd... – A garota o interrompeu com um abraço, deixando-o em choque. Não esperava aquela atitude vinda de .
- Me perdoa. – A garota falou ao sair do abraço. – Eu não tinha o direito de te julgar, você só quis me proteger, eu não... – Falava uma coisa atrás da outra e se sentia confusa. Se sentia uma idiota. Na realidade, mal sabia como se sentia. Passara meses odiando-o e sofrendo por algo que não era verdade.
- Fica tranquila, você não tinha como saber. – O garoto sorriu com ternura. – Eu só preciso que você saiba: eu nunca deixei de te amar. Nunca vou deixar. Durante esses meses eu me senti a pior pessoa do mundo, eu não suporto pensar no quanto você sofreu e eu nunca vou me perdoar por isso. Mas eu precisava do seu perdão, precisava que você soubesse de toda a verdade. – Olhou nos olhos da garota e percebeu que ela chorava. – Você é tão importante para mim.
- Por favor, não faz isso comigo. – falou com a mão na testa. – Não me fala essas coisas. – Harry a encarou sem entender. – Você não pode voltar desse jeito, me falar essas coisas e reabrir todas essas feridas, Harry.
- Eu estou disposto à esperar o tempo que for para reconquistar tudo o que nós tínhamos. – Harry falou pegando na mão da garota. – Eu preciso que você me dê uma chance.
- Eu não estou pronta para superar tudo isso. – balançou a cabeça. – Não tão rápido.
- Eu sei que é muita informação de uma vez só. Se você não quiser, eu entendo. – Harry suspirou. – Só queria que soubesse que meu amor por você nunca mudou.
- Eu te amo, mas eu preciso que as coisas vão mais devagar. – falou. – Podemos recomeçar, ser amigos por enquanto...
- Claro. – O garoto sorriu e sentiu seu coração acelerar. Não sabia se conseguiria manter-se sã toda vez que estivesse perto do mesmo. – Vamos deixar as coisas acontecerem, viver em paz. – Os dois riram fraco. – Só quero que saiba que meus sentimentos por você nunca irão mudar.
- Assim como os meus. – sorriu, mas logo o desfez. – Mandy ainda tem minhas fotos? – Perguntou preocupada.
- Fazia parte do contrato ela apagar as imagens. Pode ficar tranquila. – A garota respirou aliviada. – Acho que podemos sair daqui e mostrar aos nossos amigos que podemos ser civilizados e viver em paz. – Harry falou gargalhando em seguida junto a .
- Mas antes, - falou parando no meio do caminho. – Preciso de outro abraço. – Falou sendo envolvida pelos braços firmes de Harry em seguida. Como sentia falta daqueles abraços.
- Eu senti tanta falta de te abraçar. – Harry falou como se tivesse lido os pensamentos da garota.
- Acho que agora poderemos nos abraçar por todos os dias em que não o fizemos. – os dois riram. – Vamos, eles devem estar preocupados.

Os dois seguiram em direção à porta e quando Harry tocou a maçaneta para abri-la, não foi possível concluir o ato.

- A porta não abre. – Harry falou franzindo o cenho.
- Como assim não abre?! – exclamou. Era só o que faltava estarem presos ali dentro.
- Filho da mãe! – Harry falou baixo fazendo com que o encarasse sem entender o que ele queria dizer. – Liam armou tudo! Por isso foi buscar gelo e não voltou. Trancou a porta achando que iríamos brigar e seríamos obrigados a nos entender para podermos sair daqui.
- Ai que idiota! – exclamou impaciente. Odiava ser impedida de fazer algo. – Vamos ficar aqui fazendo o que, se não estamos mais brigados? Liam é muito tapado mesmo, como não pensou nessa possibilidade?!
- Hey, calma, . – O garoto riu fraco do estresse da loira. Seu jeito explosivo e impaciente sempre o encantara. – Será que se batermos na porta e gritarmos, alguém percebe que estamos presos aqui? – nem mesmo o respondeu, começou a bater na porta a sua frente e a gritar tão alto que Harry sentia os ouvidos doerem.
- Que merda! Alguém me tira daqui! – A garota gritou socando a porta. Estava começando a ficar de mau humor. – O show é daqui quatro horas, Harry. Será que ele é tão burro ao ponto de não pensar que ainda precisamos nos preparar?!
- Relaxa, eu estou com meu celular. – Harry falou rindo da expressão da garota. – Vou ligar para ele. – Falou pegando o celular em seu bolso, buscando o contato de Liam.

- Você está vivo?! Precisa de paramédicos? – Liam perguntou rindo do outro lado da linha.
- Cala a boca. Estamos bem, nos entendemos. Somos amigos e estamos em paz. – Harry respondeu o amigo fazendo o encarar. Estranhava ser amiga de Harry, se assustava também. Sentia a necessidade de tê-lo para si, ao mesmo tempo em que se repreendia por tal. Não poderia se deixar levar pelos sentimentos e se decepcionar mais uma vez. – Nos tire daqui, temos que nos arrumar para o show.
- Como vou saber que está falando a verdade? – Liam perguntou desconfiado. – E se estiverem dizendo isso só para poderem sair daí?
- Você sabe que se não fosse verdade, eu não estaria capacitado nem mesmo para falar agora.
- Tem razão. – Liam falou pensativo. Acreditava em Harry, apenas porque havia estado ali por perto durante todo o tempo e não havia ouvido gritos histéricos de xingando o garoto. Apenas ouvira gritando para ser tirada lá de dentro e, não podia negar, se divertira muito com aquilo. – Vou tirar vocês daí.

Liam se aproximou do camarim em que os dois estavam, destrancando a porta dentro de segundos. Pôde observar uma aliviada e um Harry risonho. o encarou com sangue nos olhos ao dizer para nunca mais a trancar em algum lugar, e aquilo o assustou um pouco. conseguia ser bem agressiva de vez em quando.
Andaram um pouco até chegarem no refeitório do estádio, onde todos comiam juntos antes de começar a se arrumar para o show. Ao verem que e Harry caminhavam juntos, conversando tranquilamente e o garoto em seu estado mais do que perfeito, não puderam acreditar. Só poderiam estar sonhando.

- Estou tendo alucinações? – comentou risonha. Não imaginou presenciar aquela cena tão cedo.
- Merda! – Louis exclamou fazendo todos o olharem confusos. – Perdi a aposta. – Sorriu envergonhado. Estava feliz por Harry, finalmente, ter parecido acertar as coisas com , mas odiava estar errado.
- Como podem ver, nosso casal está de volta! – Liam falou ao se aproximar da extensa mesa onde os amigos se encontravam. corou um pouco, e sentiu algo remexer em seu peito. Queria sim que voltassem a ser um casal, mas algo a bloqueava e aquilo a estava incomodando.
- Somos amigos. – A garota falou rindo, aquilo precisava ficar bem claro. Não queria mal entendidos.
- Só o fato de estarem se falando sem se xingar, já é uma vitória. – falou sorrindo. Não sabia ao certo o que os dois haviam conversado nem como Harry conseguira o perdão de tão rápido, a amiga era cabeça dura. Mas estava tão feliz em vê-los conversando que não poderia se importar menos com a forma em que conseguiram estabelecer paz.
- Cento e vinte pratas. – Liam falou se sentando ao lado de Louis que pegou a carteira no bolso tirando o dinheiro e entregando na mão do amigo. Liam riu da cara de derrota de Louis.

Continua...



Nota da autora: (12/04/2017) Sem nota.




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