Última atualização: 25/03/2019
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Capítulo 1

TRÊS MESES DEPOIS…
- ! Você tem noção há quanto tempo eu estou esperando você? - Niall perguntou, desaparecendo mais uma vez sob a água e retornando à superfície pronto para sair da piscina.
, que acabava de pegar um pratinho de sobremesa para servir-se do brunch de frutas recém preparado, largou-o sobre a mesa branca ao ver que o irlandês não encontrava a própria toalha.
- Eu estava trabalhando, Niall. - ela justificou, entregando o roupão perdido que Horan esqueceu sobre a primeira espreguiçadeira. O garoto agradeceu rapidinho e apressou o passo de volta para a mesa sob a sombra porque estava com muita fome e principalmente para fugir da água jogada para todo lugar quando ele fosse chacoalhar a cabeça.
- Eu vim do outro lado do oceano pra alegrar a sua vida. Acho que mereço um pouco mais de bajulação. - Horan aumentou a voz para ser ouvido e caminhou sem pressa até Hilton, beijando sua testa como se dissesse "Bom te ver, Kitty cat".
- Niall, meu pai mandou abrir a casa pra te receber, tem mais de trinta funcionários fazendo isso aqui funcionar só pra você. - literalmente salivou quando cobiçou um pedaço de melancia vermelhinha e abandonou as uvas, enchendo a boca com a fruta que tinha a cara do verão.
Estava há semanas em Nova Iorque, mas tão ocupada com a semana de moda e trabalhos suplementares, que não teve a oportunidade de tirar uma tarde para curtir a estadia no continente durante o auge do verão, além do mais, não teria graça fazer passeios sozinhas.
Mas agora Niall estava ali e ela teria quatro dias de folga até o próximo trabalho, para melhorar tudo, o aniversário do melhor amigo seria no dia seguinte e eles aproveitariam no melhor estilo porque se tem uma coisa que o jovem Horan tinha, era a sabedoria de como viver bem a vida. E tal fato era tão real que ele mal chegou e a casa Hilton nos Hamptons foi aberta exclusivamente para recebê-lo e as semanas opacas num quarto de hotel (um quarto muito confortável e luxuoso no hotel do papai) já foram esquecidas agora que seus pés sentiam o piso aquecido pelo calor diurno e sentia o cheirinho de água da piscina enquanto empanturrava-se com a refeição mais fresca que teve desde que chegou no país.
- Falando nisso… - Niall enrolou a toalha na cintura e sentou também, sem cerimônias com pratos e pegou uma maçã, segurando-a na boca com uma mordida enquanto servia-se de champanhe. - Eu pensei que nós deveríamos voltar pra cidade, comemorar meu aniversário com uma boa noite na balada.
- Nós podemos ir em um clube hoje e amanhã eu convido uns conhecidos e nós fazemos uma festa na piscina.
- Essa ideia é melhor, definitivamente.
- Seus primos chegam quando? - ela perguntou após os minutos de silêncio, comendo e contemplando a paisagem idílica. Estar ali quase a fazia esquecer-se de um certo par de olhos amendoados e a voz macia que mudou seu mundo para sempre ao dizer aquelas três palavrinhas que a perseguiam em seus sonhos.
- Amanhã. Eu disse pra eles virem hoje mas aqueles cuzões só vêm pra festa. - Niall revirou os olhos, seus primos eram uns interesseiros malditos. - Uma pena que ninguém do pessoal vai conseguir vir também.
- Uma pena mesmo. - concordou mecanicamente, esforçando-se para esquecer Zayn e focar na deliciosa presença do melhor amigo.
Niall até tentou montar uma caravana para visitar , mas ninguém estava disponível. não ia chegar a tempo dos Emirados Árabes, Zayn nem foi considerado, Liam disse que se fossem para LA estaria disponível, tinha trabalho, Harry passou as férias inteiras na América do Norte com a família da mãe mas voltou semana passada para casa, Louis começou o semestre mais cedo e por isso estava em Oxford quando todo mundo esteve viajando, se meteu na França e recusava-se a voltar e simplesmente sumiu, ou seja, seriam só os dois.
E até , que velava por sua privacidade, começou a sentir falta do pessoal, queria tirar uma tarde inteira para conversar só com e , fofocar sobre todos os escândalos que ficou sabendo durante o último mês, também gostaria de ver e , assisti-las julgar pessoas sem papas na língua, até mesmo queria ouvir quietinha a algazarra e conversa absurda dos garotos reunidos.
Resumindo sua situação, sentia falta dos amigos.
- Pra falar a verdade, eu não sei como vou viver uma semana sem minha namorada. - Niall trouxe o assunto do nada, adquirindo um tom pesaroso.
- Você passou quase três meses com ela, todos os dias, em todo lugar, Niall! - Hilton disse pacificamente, e esse era o mais próximo que ela chegaria de externar sua vontade de morrer toda vez que o melhor amigo começava com esse drama.
- E daí? - o irlandês levantou para pegar outra toalha seca e também seu celular esquecido na beira da piscina, checou para ver se tinha alguma mensagem de seu solzinho, mas aparentemente ela estava ocupada demais iluminando a vida do psicopata do Russel.
- E daí que você pode se esforçar para parecer um pouco mais feliz em estar aqui comigo. - a loira pontuou zombeteira. Agora estava bem alimentada e namorava a ideia de dar um mergulho antes de seguirem a tarde do jeito que ele quisesse.
- Mas eu realmente estou! É só que nós já não nos vimos semana passada porque ela foi ver o louco do pai dela e agora eu estou aqui e nós não vamos nos ver no meu aniversário…
- Ela está trabalhando, jesus…
- Tudo bem, deixa pra lá. E então, você está animada para ver o pessoal? - Niall suspirou emburrado, jamais entenderia o que era viver duas semanas sem o sorriso aconchegante de e o seus braços acolhedores.
- Sim! Eu tenho tanto a contar pras meninas! - sorriu animada. adorava as notícias de amores escondidos e proibidos, por sua vez, ia ao delírio com os detalhes sórdidos de traições, e Hilton tinha os dois tipos aos baldes.
- E os caras?
Os rapazes, eis um assunto delicado. Após a traumática noite, sentiu-se tão exausta que dormiu quase doze horas ininterruptas, para acordar desnorteada, notando que não estava em casa e tomado bons minutos para descobrir que a cama em que repousava pertencia aos Westwick, e e permaneciam no quarto da princesinha, deitadas quietas.
Um café da tarde gostoso e fresco foi servido porém estava intocado, mas a entrada de Hilton mudou isso e elas comeram, foi a primeira a falar sobre, perguntou o que aconteceu depois que saíram, e juntaram suas versões e deram uma história sanguinária e vingativa, foi então a vez da ruiva falar sobre Louis, sobre como o odiava e iria atrás dele assim que se recuperasse, primeiro destruiria seu carro, depois seu quarto e então faria uma armadilha para amarrar aquele filho da puta e então socá-lo até a morte. Depois de uma hora de monólogo sobre tudo o que envolvia a existência de Louis, a menina reconheceu o quão destruída estava e as lágrimas voltaram a descer incontroláveis, externando o desespero em seu peito, a dor da traição e a vontade idiota que sentia de ser abraçada pelos braços protetores de seu algoz.
Quando em casa, ainda teve que lidar com Niall. Estava cansada e precisava de um banho quente, por isso o irlandês ficou esperando no quarto enquanto ela investia quase uma hora inteira em seus cuidados pessoais para só então sentar e ouvir o que o melhor amigo tinha a dizer. Suas justificativas e desculpas continham o teor genérico que ela já esperava, mas foi honesta e discursou sobre como estava magoada e como fora pega de surpresa com as mentiras dele, que era supostamente seu melhor amigo. Eles conversaram até muito tarde e Niall recebeu seu perdão, mesmo que não se considerasse merecedor. apenas decidiu que não seria vítima naquele infeliz infortúnio e sim a protagonista de sua própria vida, sabia a luta que teria para esquecer Zayn e decidiu que eliminaria o máximo de conflitos que pudesse.
A agenda de trabalhos veio a calhar e na semana seguinte se livrou de Londres e toda aquela catástrofe, sendo surpreendida com uma mensagem de Harry avisando que estava na América também e gostaria de encontrá-la. A mensagem foi excluída e Styles não a incomodou novamente.
Agora, quase três meses depois, sentia-se preparada para admitir que estava pronta para voltar para casa e lidar com o que quer estivesse esperando-a.
- Vocês cometeram um erro, Niall, mas eu não vou ficar remoendo isso pra sempre, desde que a e a perdoem vocês, está tudo bem para mim. - a loira disse honesta, por ela, aquele último ano e meio seria apagado da existência da história. Além do mais, não lhe sobrava tempo para luto. - Vamos para a casa?
- Vamos. - ele concordou, juntou seus pertences e mais uma maçã e os dois caminharam para a casa há alguns metros da casa da piscina. - Então por você tudo voltará ao normal?
- No que depender de mim, sim. - prometeu, curtindo a grama fresca sob os pés cansados. Apesar da semana corrida, a noite uma colega estaria dando uma festa de aniversário em um clube, e ela gostaria muito de ir.
- Nada contra o Tommo e o Harry? - o irlandês testou novos territórios, precisava saber onde estava com as emoções a respeito da noite desastrosa, já que depois do perdão pela mentira, a dupla não se viu mais.
Com as coisas foram um inferno, briga atrás de briga, até que ele perdeu a paciência e disse "Você precisa entender que não fui eu quem apostei as meninas e não era meu segredo para contar a ninguém, e se você não puder acreditar em mim, nós temos um problema sério nesse relacionamento", o que pareceu acalmar os ânimos da princesinha, que o perdoou quando e garantiram que deviam deixar o assunto para lá, embora precisassem de tempo e espaço.
- Não, eles foram muito burros. - a garota empurrou a grande porta da casa com o ombro, colocando toda a força do corpo. - Vocês foram, na verdade. Mas espero que tenham aprendido a lição.
- Eu nunca mais vou apostar na minha vida inteira, isso é uma certeza. - Horan engoliu em seco, atormentado pela fúria da princesinha sobre si durante as semanas que se seguiram. Um verdadeiro inferno. - E o Zayn?
Onde será que ele estava? E com quem? Será que ainda lembrava dela? A mente da loira foi tomada de perguntas a respeito do badboy. Deus, era tão horrível não conseguir superá-lo!
- O que tem ele? - perguntou por fim, tomando a precaução de adiantar os passos nas escadas para que Niall não a olhasse nos olhos, pois se o fizesse veria o quanto ela ainda se importava com Malik.
Diante tal pensamento, pode ouvir claramente a voz da tia aconselhando-a de que não havia amor que uns bons beijos não fossem capaz de curá-la. E quando argumentava que esse definitivamente não era o problema, já que havia tido sua quota de garotos legais que tinham beijos espetaculares, a tia insistia que não era o suficiente.
Niall só elaborou a pergunta quando chegaram no quarto, porque foi quando teve fôlego para fazer algo além de respirar insanamente para não morrer sem ar:
- O que aconteceu no baile? Quer dizer, vocês pareciam bem e depois deu tudo errado. - ele foi até o closet do aposento e buscou uma cueca, shorts e camiseta e passou para o banheiro para se trocar.
- Ele disse que me amava. - acomodou-se na maior poltrona do cômodo, sentindo um alívio no peito ao compartilhar tal declaração. Niall apareceu na porta do banheiro só de cuequinha e a encarou sem palavras. Ela continuou: - E eu realmente acreditei, até descobrir o que ele estava tramando todo aquele tempo.
Horan entrou novamente no banheiro.
- O Zayn realmente te falou isso? Usando essas palavras? - gritou lá de dentro, intrigado com o novo desdobramento dos fatos. Zayn não tinha jeito...
- Sim. - respirou fundo, montando em sua cabeça o que usaria mais tarde.
Niall apareceu de volta, dessa vez todo vestido, e obviamente ainda sem palavras apropriadas para o comportamento no mínimo inusitado de Malik, quer dizer, ele já havia feito muitas loucuras e o irlandês testemunhara a maior parte delas, mas dizer que amava alguém, essa era novidade, e ele tinha certeza de que não uma das boas, visto que o nome de sua melhor amiga estava envolvido.
- Você sabe que ele podia estar muito chapado, não é? - ele se jogou sobre a cama e sugeriu.
- Ele não estava, quer dizer, não mais que o usual. - Hilton explicou, não sabia dizer mas tinha a impressão de que a declaração não era mero fruto de uma viagem psicodélica de Malik, ela pelo menos esperava que valesse um pouco mais que isso. - Enfim, o que você quer fazer até a noite?
- Dormir? - o Irlanda sugeriu brincalhão, não queria dizer que a melhor amiga estava cansada, mas achava que seria indelicado se falasse na lata, além do mais, ela nem estava tão mal assim, só um pouco cansada...
- Ou ver mais algum filme da nossa lista! - definitivamente não se sentia tão cansada assim, já que a sua sugestão veio acompanhada de um sorriso animado e seus olhos castanhos transmitiam essa vontade de aproveitar a vida.
- Qual? Um com mais suspense ou com mais morte?
- Mais suspense, por favor. - a menina pediu. Levantou-se e espreguiçou demorado. - Eu vou só colocar meu pijama e uma máscara de hidratação e nós já descemos pro cinema.
- Tudo bem, enquanto isso eu vou tentar mais uma vez ligar para a .
Mas não atendeu naquela hora, nem nas horas seguintes. A dupla na América assistiu dois filmes de terror, Niall acabou usando máscara no rosto também, jantaram sopa para não quebrar a dieta de , foram se arrumar e então encontrar o pessoal na cidade, e é claro que a princesinha Styles decidiu que a melhor hora para falar com o namorado seria quando eles já estavam dentro do clube.
Niall estava conversando com amigos de trabalho de , no camarote da aniversariante, enquanto a Srta. Hilton se entretia com outro convidado, quando seu celular começou a vibrar desesperado no bolso.
- Puta que pariu… - murmurou ao ver quem era. Como diabos ia conversar com a menina com toda aquela música e gritaria?
Olhou de um lado para o outro, a procura de um abrigo temporário e decidiu sair correndo para o banheiro masculino, escondendo-se dentro de uma das cabines.
- , babe, até que enfim você atendeu! - ele atendeu e aumentou a voz ao perceber que a música ainda era um empecilho.
- Niall? Por que você está ofegante? Que barulho é esse? Onde você está? - princesinha Styles perguntou confusa, Horan podia imaginar seu lindo cenho franzido enquanto ela, curiosa como era, tentava adivinhar o que estava acontecendo.
- Clube com a . - ele disse sucinto, com maior interesse em saber o que levou a namorada a desaparecer pela tarde. - Como foi a audição? Por que você demorou tanto a me retornar, eu fiquei preocupado!
- Ah, demorou muito mesmo, um dos produtores se atrasou muito e eu aproveitei para estudar mais um pouco. Acabei de chegar em casa, só tomei um banho e liguei pra você. - contou por cima, terminando a explicação em um grunhido enquanto espreguiçava sonolenta. Não sabia onde encontraria forças para levantar e ir até o closet pegar um pijama ou mesmo rastejar para debaixo das cobertas.
- Hmmm, então você acabou de tomar banho é? - Niall sorriu ladino ao ouvir a narração dos últimos feitos da menina, interessado em tudo o que ela disse após "banho".
- Você me disse que está em um clube com a ? - ela sentou na cama, intrigada. Adorava intrigas e farsas, e seu namorado e acabaram de deixar um grande furo para ela desvendar.
- Sim, ué. Ela está…
- Eu acabei de receber uma mensagem dela dizendo que vocês estão na casa nos Hamptons. - interrompeu, apresentando alguns fatos para que Niall lhe desse outros em troca.
- Impossível, eu estou no meio de uma festa muito louca. - o irlandês riu. devia ser um gênio se conseguia mandar mensagens enquanto beijava alguém, esse era um tipo de talento peculiar, de fato.
- Isso eu estou percebendo… Mas por que ela disse que vocês estavam em casa? - a loirinha insistiu, disposta a chegar ao fundo daquela situação. É claro que não tinha problema algum Niall estar em um clube, agora contar uma mentira para acobertar a saída era no mínimo suspeito.
Um grupo barulhento entrou no banheiro naquele momento e Niall tapou os ouvidos com força para poder ouvir Styles melhor. Como a menina não disse mais nada, ele explanou a situação:
- Olha, babe, a está muito entretida com um novo amiguinho dela, então eu acho impossível que ela tenha tempo pra te mandar uma mensagem sem nexo.
- Você está duvidando de mim? - ofegou chocada com tamanha ofensa. Do jeito que Niall falava, parecia que ela estava inventando coisas!
- Aham, nada do que você está falando faz sentido, está tudo bem? - ele coçou a cabeça, meio perdido no rumo daquela conversa, o que diabos acontecia ali?
- Aham.
A concordância da menina não pareceu o suficiente, deixando Niall antenado:
- Você acha mesmo que eu mentiria pra você, ?
- Não seria a primeira vez. - ela o acusou e se arrependeu imediatamente.
- , chega. Foi para isso que você me ligou? Porque eu estou aqui, morrendo de saudade de você, louco pra ir pra casa só pra te ver, e você fica agindo assim.
- Desculpa, Ni. Eu só estou tão cansada… - se desculpou, envergonhada. Mas também grata pela declaração indireta de amor que recebeu: - Eu também estou morrendo de saudade de você, diz que vai voltar logo pra casa?
- Só mais seis dias, babe, e só pra você saber, assim que chegar aí, vou te sequestrar por um fim de semana inteiro. - Niall prometeu, suavizando a voz ao ouvir a súplica humilde, encarregando-se de fazer uma promessa sórdida.
- Niall! - deu um gritinho envergonhado mas rio alto, animadíssima para que seu cavaleiro em uma armadura voltasse logo para casa.
- E você nem imagina as barbaridades que eu vou fazer com você. - ele continuou, engrossando a voz para parecer mais real a ameaça iminente.
- Você não se atreveria! - a menina arregalou os olhos, pulando da cama para ir até o closet, na expectativa de que o namorado fizesse uma descrição mais minuciosa do que seriam todas essas "barbaridades".
- Vai descansar, . Amanhã, assim que você acordar restaurada, me liga, está bem? Eu te amo.
- Eu… - ela bocejou novamente - eu te amo.
Niall encerrou a ligação mas ficou encarando o wallpaper de seu telefone, sorrindo besta só porque amava alguém espetacular. Guardou o aparelho e voltou para o camarote, abastecendo-se de mais uma cerveja geladíssima e surpreendido ao ver na rodinha conversando com os colegas, desacompanhada.
- Onde você estava? - ela perguntou agradecendo aos céus por Niall estar ali. Sua presença era vivaz e a deixava confortável como se estivesse em casa, e isso não podia ser trocado por nenhuma quantia de dinheiro ou fama.
- Falando com a . - Horan passou o braço por seu ombro, tirando-os sutilmente da conversa genérica.
- Ah, ela finalmente apareceu! - comemorou, concluindo seu drink. Suspirou satisfeita com o desenrolar da noite, olhando lá para baixo para apreciar a multidão que pulava animada, lembrando-a de seus amigos.
- Como assim? - o rapaz persistiu, interessado.
- É que mais cedo ela me mandou mensagem perguntando onde nós estávamos porque ela queria ligar para contar novidades, eu falei que estávamos em casa e ela desapareceu.
- Na verdade ela acabou de me dizer que ligou agora porque recebeu uma mensagem sua falando que nós estamos em casa. - Niall contou o que acabara de ouvir da namorada
- O quê? Não faz sentido. - franziu o cenho, era tão difícil acompanhar as linhas de raciocínio de às vezes. - Eu estou com dor de cabeça, será que nós podemos ir embora?
Horan a soltou, dando uma boa analisada no rosto pacífico dela, ao ver que estava tudo bem, provocou:
- E o seu amigo bonitão, cadê ele?
- Foi pra casa. - Hilton respondeu honesta, o que ela não disse foi que o rapaz a convidou para ir junto mas acabou destruindo o clima delicioso de antes.
- Já? - o irlandês os guiou até a fila dos caixas, para entregar os cartões de consumo e sair do ambiente lotado. Infelizmente, nesse tipo de lugar, parece que todo mundo tem o mesmo sensor de decidir ir embora ao mesmo tempo, o que sempre ocasiona filas medonhas e intermináveis.
- Aham. Quanto tempo você acha que vai demorar até o motorista chegar? - ela apoiou-se no garoto e começou a usar o celular, rolando preguiçosamente pelo explorar do instagram.
- Eu tenho certeza que nós ainda vamos estar na fila quando ele chegar. - Niall riu de desespero e a loira soltou um suspiro demorado. - O que foi? Aconteceu alguma coisa?
- Não! Eu me diverti muito, mas já é hora de ir pra casa. - confessou.
- Oh coitadinha, logo logo estaremos lá. - Niall prometeu, abraçando-a com ternura enquanto esperavam a vez. O que ele não percebeu é que a amiga não se referia à residência nos Hamptons e sim sua vida na Inglaterra, cercada por um grupo excêntrico porém maravilhoso, com sua rotina escolar de volta nos eixos e de preferência próxima o suficiente para descobrir o que aconteceu com Malik nos últimos três meses.
Precisava ir para casa, mas temia que seu coração ainda não tivesse atualizado sua definição de lar após o grande desastre.


ooo


- Niall... – gemeu manhosa, os lábios do rapaz beijavam sua pele cálida gentilmente, colocando-a em um transe delicioso. A resposta dele foi lamber de leve a linha do seio da garota, logo após o espaço coberto pelo sutiã, suspirando satisfeito ao vê-la eriçar embaixo de si.
- O que foi, babe? – ergueu-se até seus corpos estarem alinhados. Sua namorada era a coisinha mais linda naquele momento, os cílios compridos batendo majestosamente quando piscava, as bochechas coradas e quentes, os cabelos compridos bagunçados e revoltos, e o melhor de tudo, aquele olhar que sempre o fazia se sentir o cara mais sortudo do mundo.
- Por que você parou? – o repreendeu petulante, escorregando as mãos pelas costas dele. Não importava a estação, Niall era quentinho e ela amava senti-lo.
- Você me chamou e eu vim, ué. Além do mais, você não vai sair com as meninas? – Horan apreciou o carinho e se jogou no colchão, puxando-a de maneira que os dois ficassem um emaranhado só.
Assim que , a última delas a retornar para casa, mandou mensagem avisando que estava na cidade, elas arranjaram um jeito de liberarem a tarde do dia seguinte para encontrarem e conversarem. Em cinco minutos de conversação, tudo ficou marcado.
- Eu posso me atrasar uma horinha, quem sabe... – ela provocou o namorado e gargalhou quando viu sua expressão seduzida.
- Você está brincando comigo, não é? – Niall cerrou os olhos.
- É claro, bobo! – princesinha tocou seu rosto e o beijou. – Eu te amo.
- Eu sei. E eu te amo também. – ele prometeu. – Agora levanta e vai colocar sua roupa. – deu um tapinha no bumbum dela, e também levantou, espreguiçando profundamente.
correu para o closet do namorado e substituiu a camisa dele por sua camisa cheia de glitter e uma calça jeans preta, o par de tênis ficou lá embaixo mas ela não se importava em calçá-los já dentro do carro.
- O que vocês vão fazer mesmo? - Horan abriu a porta do quarto ao ver o mustang de Liam aproximando-se silenciosamente da casa, aquele filho da puta nem merecia um carro tão bom. O par de tênis da menina Styles foi colocado aos pés da porta e ele se abaixou e os juntou.
- Tomar café, conversar, colocar o papo em dia… - a menina terminou de passar o batom e prendeu os fios loiros de seu cabelo em um coque porque ficou com preguiça de pentear.
- Ou seja, você vai arrancar informações das meninas. - Niall cruzou os braços. - Você é realmente a minha garota.
- Mal posso esperar para voltar para casa e te contar tudo! - o beijou na boca e tomou seu tênis, eles desceram a escadaria com pressa, ela porque adorava andar correndo por aí desde a infância, e Niall para não ficar para trás.
Lá fora, o automóvel cor grafite estava perfeitamente estacionado em frente a porta e já estava de fora, com o banco empurrado para que pudesse passar. Niall quase esqueceu de cumprimentar a morena porque deu uma volta ao redor do veículo e foi parar no lado do motorista, elogiando Payne e seu novo carro.
- , por um acaso você não tem um desses sobrando? - princesinha Styles apontou para o mule de couro que a menina usava, parecia tão confortável!
A caçula estava toda de preto, calça alfaiataria, regatinha, o óculos de sol, a bolsinha que sempre carregava para onde quer que fosse, e é claro seus cabelos negros. Sua carinha estava inchada por causa do sono mas o seu sorriso era suave e ela olhou para os próprios pés para ver sobre o que falava.
- Não. - respondeu com um sorrisinho. - Por que você ainda não está pronta?
- Eu estou pronta! - rebateu ofendida. Como ela ousava?
- E esse tênis na mão? - apontou para os sapatos e então para os pés em meias da amiga, que nem havia notado a falha e deu de ombros adoravelmente, alcançando o rápido perdão da outra.
- Eu pensei que vocês iam conversar em um café, não aqui na frente da casa do Niall. - Liam interrompeu o pequeno papo das duas, cerrando os olhos por causa da claridade que invadia o veículo através da porta do carona.
- Oi, Li! Como você está? Você fez mais tatuagens? Babe, olha só, o Liam fez mais tatuagens!
- Pois, é. Eu vi. - Horan parou ao lado de com um sorrisinho.
- Vamos, gente? - Payne as pressionou pois queria entregá-las e ir direto para casa do Tommo, ver o carro novo dele.
- Até mais tarde , babe. - Niall colocou a mão no rosto da namorada e a beijou por mais tempo do que se espera em uma despedida, ficou na pontinha dos pés e o abraçou pelo pescoço. Liam e primeiro ficaram encarando a cena apaixonada mortificados e depois desviaram o olhar. - Se divirtam, meninas! - Horan se afastou e deixou ir.
- Tchau, Ni. - princesinha Styles entrou no carro toda sapeca e durante todo o tempo de voltar o banco, sentar, colocar o cinto e fechar a porta, Liam ficou encarando Horan e meneando a cabeça.
O trajeto foi gostoso porque Liam estava animado com a perspectiva da faculdade e contou bastante sobre seu projeto de convencer a mãe a lhe dar um apartamento, explicou muitas inutilidades sobre o carro novo e divertiu as meninas com histórias inapropriadas sobre as férias. As entregou seguras e salvas no café, e as duas nem ao menos lhe deram um tchau apropriado porque já estava lá, maravilhosa como alguém que recebeu um tratamento de muito sucesso durante o último mês.
estava em uma das mesas fora, na sacada do segundo andar do cafe shop Aubaine Selfridges e acenou para as garotas que a viram quando desceram do carro parado do outro lado da rua. Liam acenou com a cabeça para a menina e sorriu, e as outras duas logo desapareceram ao entrar no estabelecimento
- ! - , que há muito tempo não via a loira, foi a primeira a despontar na escada e abraçar a amiga, surpresa de atestar que mesmo na pontinha dos pés, ainda era mais alta.
- , que saudade! - ela abraçou a caçulinha sobre os ombros, percebendo naquele instante o quanto aquelas duas garotas, em especial, sempre eram a parte mais difícil de deixar para trás quando precisava viajar a trabalho. - !
- O Niall já me contou que você tem presente pra mim. - beijou as bochechas suavemente maquiadas de e sentou, esperando receber os mimos do qual o namorado tanto falara.
sorriu quase enigmática porque tinha certeza que iria amar os presentes (sim, no plural) que foi acumulando durante todo o verão para ela, incluindo uma bolsinha YSL personalizada com as iniciais da caçula Styles.
- Tem mesmo, mas estão todos lá em casa para quando vocês forem me ver. - disse simplesmente, satisfeita com a reação que causou.
- Nós podemos ir hoje. - Ortega sorriu descarada, embora estivesse dando uma lida na visualização rápida de uma mensagem enviada por .
- Agora! - cresceu os olhos, considerando de fato a possibilidade de irem embora sem ao menos fazer os pedidos.
Mas graças a deus era uma pessoa sensata então deu um basta aos pedidos petulantes das amigas.
- Não, vamos comer primeiro. - ela cruzou as pernas e pegou o cardápio à sua frente.
- Tudo bem, quais as novidades que vocês têm para compartilhar. - princesinha apoiou os cotovelos sobre a mesa e esperou.
e se entreolharam, congeladas, aguardando a primeira corajosa. Todavia finalmente tinha novidades, seu sorrisinho idiota não a largava, não tinha planos de compartilhar com as meninas, no entanto agora que estavam juntas, vendo-as interessadas umas nas outras, decidiu que poderia ser divertido contar.
Mas não naquele momento.
- Vocês podem pedir primeiro, eu já fiz meu pedido. - sugeriu, mantendo o sorrisinho que e considerariam irritante.
- Ah não, eu não estou com fome. - retraiu os ombros, estava distraída com as flores lavanda penduradas sobre seu ombro. As pequenas pétalas roxas exalavam um perfume agradável e a enchia de um excelente humor.
- Pois eu estou. Morrendo. - Ortega inclinou-se sobre o cardápio, salivando com as opções de doces. Seria muito feio se ela pedisse duas sobremesas? A voz de Amina veio forte em sua consciência, dizendo que não, mas a menina decidiu firmemente ignorar a matriarca e foi de duas sobremesas, uma água com gás, limão e gelo, e um café gelado. Nada salgado.
- Então porque nós estamos em um café? - cruzou os braços.
- Porque faz tempo que eu não saio. O Niall me mantém muito ocupada… - princesinha Styles folheou o cardápio resignada e escolheu banana split porque era a opção mais colorida apesar de ser um prato do menu infantil. Para beber, vinho rosé.
- … - a garota mais alta grunhiu o nome da pequena bocuda. falava demais!
Um garçom se aproximou mediante o chamado de que estava realmente com fome, e em um minuto, com a coordenação de , elas foram capazes de fazer seus pedidos sem bagunçar a cabeça do homem, que pode tomar todos os requerimentos com calma e então se retirou.
- Vocês não têm nada para contar? ? Alguma novidade? - voltou a sustentar os cotovelos na mesa, dessa vez encarava com atenção.
- Não sei? Acho que já contei tudo o que fiz nas férias, não é? - piscou perdida, olhando da loirinha para em busca de uma resposta.
Ela e Liam foram para a Itália com a família de , depois foram para a Disney e ainda teve visita aos Emirados para ver a família por parte de mãe, ou seja, suas férias foram um sucesso absoluto e ainda podia comemorar os seguidores no instagram que só aumentavam com o passar dos dias.
- Eu não sei. - Styles nem ao menos piscou, inabalável.
- Do que vocês estão falando? - Hilton perguntou para ninguém em especial. Desde que obtivesse uma resposta que a tirasse daquela zona de ignorância, ficaria satisfeita. Ah, receber sua comida também a faria feliz.
- Não faço ideia. ,você está doida. - Ortega ergueu as mãos, dando-se por vencida. Era difícil entender o que queria se ela continuava falando em códigos. Custava muito explicitar a fofoca implícita que pairava no ar?
- Você e o Liam, já aconteceu?
- Ah, essa novidade. - aquiesceu e voltou a mirar o corredor, desejando que o garçom que vinha na direção delas fosse o anjo que entregaria sua refeição.
- Ainda não. - também queria muito que fossem interrompidas e nem precisava ser por um garçom. Deus podia se sentir livre na escolha da pessoa em si, que só tivesse piedade e a livrasse do embaraço.
Era um tanto quanto complicado manter segredos quando se tratava de Styles, e embora houvesse o constante terror de que ela acabasse compartilhando qualquer informação, de maneira irrestrita e sem filtros, havia um prazer em assistir as feições da princesinha se contorcendo em ansiedade e genuíno interesse na história do locutor.
- Não? Por quê? Já faz o quê, um ano? - ela franziu o cenho, concentrada em calcular os meses, recorreu a , esperando por ajuda mas esta apenas a fitou de volta, sem demonstrar qualquer interesse em participar da acusação.
- Nós não estamos com pressa, ué… - Orteguinha respondeu tímida. Às vezes parecia que Liam pagava aos amigos para constrangê-la porque não era possível que decidissem fazer aquilo naturalmente. - Além do mais, não sei porque você fica tão preocupada com isso se você é a única daqui que já fez!
- Na verdade… - disse baixinho, fitando as meninas com ponderação. a encarava com os olhos verdes gigantes, curiosa, e , ah, ela estava deliciada! - Isso mudou no verão.
- Quando? Ontem? - franziu o cenho. Elas trocaram mensagens durante todo o dia, não sobrara tempo para sexo!
- O quê?
- É que o verão começou há três meses, na verdade. Poderia ter acontecido em qualquer momento. - divagou e ela e princesinha Styles deram início a um diálogo completamente sem sentido. não sabia nem como interromper a loucura, já que estava fascinada com o nível de dispersão das garotas.
- Mas eu acho que nós não estamos mais no verão.
- Será?
- Eu acho que sim, hein.
- Eu não sei, deixa eu ver com a Siri. - deslizou os dedos ágeis sobre a tela do telefone. - Um minutinho.
- Não foi ontem, gente. Aconteceu pouco antes de de voltar para casa. - decidiu que era hora de trazê-las de volta ao cerne da questão, a perda de sua virgindade.
- Na América?
- Sim.
- Em Nova Iorque?
- A localização é realmente importante?
- O Niall sabe disso? -princesinha Styles cruzou os braços, cética.
Ortega, que ainda estava absorta em sua pesquisa, a encarou frustrada pelo desperdício de pergunta. O que importava se Niall sabia, não é mesmo? Só queria um relato real e detalhado da famigerada experiência da primeira vez, Liam e ela estavam perto de chegar lá, só lhe faltava a coragem para tirar a roupa.
- Ele sabe. - respondeu simplesmente. Niall era seu melhor amigo mas também era um garoto, e garotos não entendem a grande importância desses acontecimentos.
Flashback On
- Niall, lembra daquele menino, o Austin, que estudava comigo quando eu ainda morava aqui? - perguntou cuidadosa, servindo-se da abstração do melhor amigo que acordou cedo e foi para seu quarto, a obrigou a acordar e viu que estava passando True Detective na TV, decidindo prestar atenção no programa.
- Não lembro, mas o que aconteceu? Ele morreu? - o irlandês coçou o queixo.
Não era por nada mas não havia espaço para simpatia ou interesse em relação ao garoto que poderia ter sido o melhor amigo de , não fosse a intervenção divina que a tirou do continente. Poderia parecer uma birra infantil, mas era só uma inclinação natural de sentir aversão ao seu "adversário".
- Não! Que coisa horrível de se dizer!
- Eu não disse, perguntei.
- Nós voltamos a entrar em contato. - a garota informou e levantou-se para servir um prato com o café da manhã disposto na mesa. É provável que o chá já estivesse frio e as frutas não tão geladinhas agora, mas ainda sim tudo parecia apetitoso.
E essa nova informação chamou a atenção de Horan. Ele deixou a TV de lado e fitou desconfiado, o que diabos aquele louco queria com a sua melhor amiga? Seria interesse em retomar a amizade? Ou pior ainda, fazê-la se apaixonar e convencê-la a voltar a morar na América?
- É mesmo? E o que ele queria? - ele foi até a mesa com comida e sentou, fingindo estar atento no pãozinho amanteigado que pegou. Se aquele filho da puta pensava que podia voltar depois de dez anos e roubar seu posto, estava muito enganado.
- Ah, se reconectar, colocar a conversa em dia… - respondeu com um leve e elegante movimento nos ombros. Entretanto, a lembrança de Austin também colocou um sorriso em seus lábios, mas que ela logo suprimiu ao enfiar um morango inteiro dentro da boca.
- Nossa, mas ele demorou muito tempo para fazer isso, não é meio que tarde demais?
- Não, Niall. - riu. - na verdade nós saímos, a semana passada inteira.
- Todos os dias?
- Todas as noites, depois que eu ficava livre do trabalho.
- Uau. Vocês realmente têm muito assunto, hein. Você falou pra ele que já tem um melhor amigo novo?
- Eu tinha que falar?
- Era bom, pra ele entender o lugar dele na sua vida. - Horan deu de ombros.
Estava falhando miseravelmente na arte da sutileza de demarcar o território e não só notou a hostilidade na voz dele, bem como tratou de logo apaziguar os temores do garoto porque Austin definitivamente não tinha interesses amistosos, pelo menos não os do tipo que ela e Niall compartilhavam.
- Mas ele não quer ser meu melhor amigo!
- Você quem pensa…
- Nós ficamos, Niall!
- Ahhhhhhhhh! - uma alívio imediato brotou na alma ansiosa do irlandês, e a expressão desconfiada deu lugar a um sorriso aliviado e amistoso.
- E depois aconteceram mais coisas… - desviou o olhar ligeiramente.
Niall inclinou a cabeça e estudou o movimento de sua melhor amiga.
- Que tipo de coisas?
- Você sabe. - ela insistiu.
- Não sei não. - Horan prometeu com um riso rouco. De fato, não fazia ideia do que "mais coisas" significavam para , a única coisa em que ele pensava era em sexo, mas ela não faria sexo e simplesmente se manteria em silêncio sobre isso, não é?
- Niall.
- Eu não faço ideia. Vocês estão namorando? É isso?
- Meu deus, por que isso está sendo tão difícil? - olhou para os céus (na verdade, para o teto do quarto) e pediu a misericórdia divina sobre si.
- Se você explicar talvez fique mais fácil para nós dois, Kitty cat. - Niall pontuou com suavidade.
E o pequeno incentivo funcionou porque a garota logo riu de sua insegurança, quer dizer, estava ali com o seu melhor amigo, a única pessoa no mundo que jamais a julgaria ou a condenaria.
- Nós saímos algumas noites consecutivas e ele foi para o hotel comigo, as coisas acabaram esquentando e nós fizemos sexo.
- Você transou, ? - Niall largou o garfo sobre o prato, causando um barulho irritante, não tão irritante quanto o sorrisinho sujo que ele exibia no momento.
- Sim. - acabou sorrindo também, sentindo-se tola e feliz.
- E como foi?
Maravilhoso! Ele foi perfeito, ela se sentiu bem de um jeito diferente de tudo o que já havia sentido em sua curta vidinha. Não haviam outras ocasiões para que pudesse comparar a experiência mas quando aquela pontada de desejo que sentiu sempre que Malik a beijou explodiu, ela estava nos braços de Austin e literalmente foi ao paraíso, levando-a a crer que não poderia, de maneira alguma, ficar melhor que aquilo.
Mas Niall não precisava de um relato tão detalhado, então ela foi precisa e direta.
- Primeiro foi estranho, doeu um pouco, mas depois foi tudo ok, eu acho.
- Você precisa me dar mais que isso pra eu poder contar para a . - o irlandês disse frustrado. Sua princesinha iria amar aquela história e agora ele só queria ir para casa vê-la e compartilhar essa grande notícia.
- Não, não. Eu faço questão de contar pessoalmente para ela, você não pode dizer nada. - se adiantou em garantir que seu segredo permanecesse assim por mais um tempo.
- Ai, meu deus. - Niall revirou os olhos.
- Eu estou falando sério, Niall. Imagina a cara dela quando souber? Não quero perder isso!
- Ela vai fazer um escândalo…
- Com certeza. - ela riu, entregando-se a um rápido devaneio da reação de e ao saber daquilo.
- E quando vocês vão se ver de novo? Porque eu posso perdoar a sua ausência se o motivo é sexo. - Horan voltou a sorrir como um idiota e, contra vontade de , colocou os pés sobre a mesa.
- Eu não sei, nós não nos vimos depois porque você ia chegar e eu precisava organizar minha agenda, mandar preparar a casa e essas coisas…
- Não acredito que você está me usando pra se esconder do seu namoradinho!
- Ele não é meu namoradinho!
- Covaaaardeeeeee.
- Niall James, você para!
- Não sabia que covardia era uma característica sua, .
- Você vai ficar sem almoço e jantar.
- E você sem transar porque não tem coragem de ir falar com seu namorado! - ele devolveu mas era tarde demais, já havia se trancado no banheiro.
Flashback Off

- Eu não acredito que ele não me contou!
- , isso não importa! - brigou com a loirinha bem no momento em que dois garçons chegavam com suas refeições. O momento foi duplamente oportuno porque ela também achou a resposta que tanto procurou. - Achei aqui, nós estamos tecnicamente no outono, então não tem como ter sido ontem.
- Obrigada, . - agradeceu a uma e acusou a outra: - Você está não virgem há semanas e não pensou em nos contar?
- É claro que eu pensei! Só que não se conta essas coisas por mensagem, . - se sentiu um pouquinho culpada, talvez. É claro que ela quis contar para as meninas no instante em que aconteceu mas não gostaria de banalizar a grandiosidade do momento em uma simples mensagem de texto.
E estava disposta a fazê-la sentir-se ainda mais culpada.
- A primeira coisa que eu fiz depois da minha primeira vez foi mandar uma mensagem pra e só não contei pra vocês porque vocês nem sabiam que eu estava ficando com alguém, para começo de conversa. - disse, sentida.
- Isso não é normal… - murmurou.
E não era mesmo, mas nem ou reclamaram da dinâmica e a ruivinha inclusive fez um milhão de perguntas e recebeu um detalhado relato de cada coisa que Niall fez, riu da maioria dos momentos e também se impressionou com o talento do irlandês sem vergonha concluindo, pasma, que ele era realmente bom!
- Na verdade faz todo o sentido, você não contaria imediatamente para nós, ? - Styles trouxe , que comia em paz, para a conversa. Hilton gostou da adição porque era honesta e as coisas tendiam a ficar interessantes quando sua honestidade confrontava o drama hollywoodiano de .
- Ahn… - Orteguinha olhou para as duas com os olhos arregalados, pega de surpresa, e a colher com a sobremesa no meio do caminho para a sua boca, presa entre a terrível decisão a ser tomada: devolver a colher ao prato ou levar de uma vez a boca.
- Para de enrolar, . - revirou os olhos.
- Eu contaria, até porque não tem como esconder um segredo de você. - a caçula disse por fim e deu um sorrisinho cúmplice.
- A conseguiu aparentemente…
-
- Eu estou magoada. - bateu a taça na mesa, interrompendo o que pensava ser uma desculpa vinda de , mas nada mais era do que uma explicação de que ela não estava sendo racional.
Todavia, salvou o momento, fitando cheia de expectativa quando se inclinou para a frente e finalmente, depois de um século de espera, teve a oportunidade de perguntar:
- E então, como foi?
- Eu não sei… - disse com um sorrisinho.
- Oh, meu deus, você não consegue nem ficar sem sorrir! Deve ter sido ótimo! - , que se mantinha muito atenta enquanto bebericava sua bebida, comemorou com um largo e brilhante sorriso. E era isso, ela já havia perdoado .
- Foi mesmo? - também sorriu, deixando as pessoas ao redor intrigadas com as feições conspiratórias das três garotas que maquinavam.
- Acho que sim. - deu de ombros - Quer dizer, teve um momento que foi realmente incômodo...
- Doeu?
- Um pouquinho.
- Sério? Doeu pra você, ? - Ortega estava de olhos arregalados, levando tudo aquilo muito a sério, inconsciente de que nenhum ensinamento teórico seria realista o suficiente para estar a altura da experiência prática.
- Não, mas não era exatamente a primeira vez que a gente tinha feito… - suspirou pensativa, parecia fazer tanto tempo desde a fatídica noite e ela decidiu que da próxima vez que visse Niall, eles iriam conversar sobre.
- Como assim? - inclinou a cabeça, confusa.
- Ai, eu não vou explicar assim, do nada.
- Eles devem ter feito as preliminares algumas vezes, . - tomou as vezes e sanou a dúvida da pequena curiosa.
- Várias vezes. - ressaltou.
- Por quanto tempo?
- Uma semana, eu acho. Mas não é como se o Liam fosse aguentar isso, sabe. - a outra analisou e pousou a xícara de chá sobre o pires. - Ele está há um ano sem sexo, ! Quando aconteceu comigo e o Niall, ele transava o tempo todo com a April, então não teve pressa nenhuma.
- Por que você tem que nos lembrar desse seu passado sombrio? - a menina de cabelos negros ficou até triste com a menção, nada que um pedaço generoso de doce não sanasse, graças a deus.
- Voltando a você, , quem é o cara? Qual o nome dele? De onde vocês se conheceram? - questionou.
- Ah, o nome dele é Austin, nós já nos conhecíamos da época em que eu morei na América.
- Uau! Um velho amor, então! Eu estou amando essa história!
- Na verdade nós éramos crianças, portanto não havia nada de amor. - acabou com a fantasia das duas meninas que compartilhavam sorrisos sonhadores. - Eu o encontrei em uma festa e nós passamos a semana seguinte inteira saindo, todos os dias.
- Eu pensei que você tinha ido para a América trabalhar, … - cerrou os olhos.
Era melhor voltar sua atenção ao alimento que consumia porque o sorvete começava a derreter e ela nem havia chegado na metade das respostas que precisava angariar. E apesar de Niall saber do fato geral, com toda certeza não poderia alimentar sua curiosidade com os detalhes íntimos que acabaria compartilhando.
- Nós saíamos depois dos meus trabalhos. - corrigiu rapidamente. - Até que uma noite eu o convidei para subir para o meu quarto e acabou rolando.
- Simples assim? - piscou, assombrada. Enquanto ela lutava com a própria cabeça para chegar a uma decisão de quando aconteceria, Hilton, a rainha master da indecisão, resolveu sua vida em uma semana!
- Simples assim.
- Você é uma mulher muito resolvida, .
- Vocês transaram na sala? - terminou o sorvete de sua banana split, decidindo por abandonar a banana, o sorrisinho indecente que sustentava desde que soltou a bomba permanecia intacto e ela estava ansiosa por todos os detalhes sórdidos que fariam aquela fofoca vale a pena.
- Não, no quarto mesmo. - Hilton apoiou o cotovelo sobre a mesa e então encostou o queixo na mão, preparada para a enxurrada de questionamentos que brilhavam e perpassavam os olhos verdes de sua querida amiga.
- E vocês continuaram se vendo depois disso? - apelou para um pouco de romantismo. Devia haver algo romântico em se reconectar com um amigo da infância e ter com ele a sua primeira vez, certo?
riu de verdade porque estava decidida a arrancar uma história de amor dali e coisa mais próxima de amor que ela tinha para compartilhar foi quando um idiota, no começo do ano, disse que a amava enquanto tentava fazer sexo com outra garota por causa de uma aposta.
- Não porque o Niall chegou e aí nós ficamos ocupados.
- O quê? Eu não acredito! Por que você não me falou? Eu teria impedido ele de ir tão cedo! Eu vou ter que conversar com o Niall, definitivamente. Onde já se viu ser um empata foda nesse nível?
- Vocês não transaram mais? Foi só uma vez? - Ortega, que desavergonhadamente mandava uma mensagem para Liam avisando que tinha "novidades" para compartilhar, ergueu o rosto.
- Nós dois sabíamos que não era nada sério, gente. Está tudo bem. - a loira abanou a mão no ar.
- Está mesmo? - princesinha Styles não pareceu inclinada a acreditar em . Ela mesma só se entregou a Niall porque estava irrevogavelmente apaixonada!
- É claro que sim, ! Eu tive minha grande experiência e agora voltei pra contar para vocês. Eu senti falta de conversar com vocês.
- Isso é verdade. - considerou. - Da próxima vez nós vamos com você!
- Só nós três? Sem os meninos?
- Você não vai morrer se passar uma semana sem ver o Niall, . Pode ser divertido!
- Você tem razão, sem contar que a partir de agora nós podemos arrumar encontros casuais pra você, .
- Ah não.
- Pensei em você sair com qualquer cara que a e eu acharmos interessante, já que a gente não pode porque é comprometida e essas coisas…
- !
- Sabe que não é uma má ideia. - mordeu o dedo indicador, fingindo apoiar a insanidade de só para provocar , mas ela achou uma forma de revidar:
- Eu quero só saber o que o Niall e o Liam acham disso. - ela disse.
- E quem disse que eles precisam saber? - Ortega sorriu sapeca.
- Isso não configura traição? - insistiu, divertindo-se com a conversa;
- Claro que não, bobinha!
- Eu acho que sim, hein.
- Nós precisamos sair daqui e ir para um lugar onde você possa fazer um relato detalhado de cada momento de vocês dentro daquela suíte. - a menina dos Styles mudou de assunto, recolhendo o guardanapo sobre seu colo e colocando-o ao lado do prato.
- Mas vocês já sabem o que aconteceu! - retrucou mas espelhou o gesto da outra, chamando a atenção ao se erguer e expor sua altura natural somada ao pequeno salto da bota que usava.
- Eu não sei. - suspirou pesadamente, sentindo-se fastiosa porque comeu doces demais, precisava melhorar logo para Liam não perceber o que se passava e lhe negasse a caixa de trufas que disse que traria mais tarde.
- , você não está me ajudando…
- A gente sabe que no final das contas vocês fizeram sexo, . Só precisamos saber como foi, nunca é igual, pra ninguém.
- Devo confessar que é constrangedor fazer uma narrativa explícita como vocês querem. - Hilton as guiou escadas abaixo até o primeiro andar, para acertar a conta da mesa e já aproveitava a oportunidade para pedir que alguém viesse buscá-las. e iam atrás, cuidando para ninguém tropeçar nos degraus e também não deixar escapar de suas garras.
- Para de ser puritana. - a Styles lhe deu um tapinha no ombro.
Elas chegaram no caixa e ficaram quietas até a funcionária se afastar com o cartão de crédito de , que ganhou tempo para pensar em um contra-ataque:
- Tudo bem, eu conto, se você contar como foi a sua, . - propôs.
- Mas pra que vocês querem saber? Já faz tanto tempo… - a irmã mais nova de Harry fez charminho.
- Eu também quero saber, hein. - abraçou a loirinha e sorriu simpática, esquecendo de que não estava lidando com o próprio namorado ou , que cediam a seus encantos, quer fosse porque ela era uma florzinha encantadora mesmo ou só porque queriam se livrar dela.
- Você está querendo saber de tudo hoje, . - revirou os olhos como a pequena diva que era. - Vamos pagar e sair daqui, eu vou contar mas só se você prometer que nós vamos saber de tudo quando você e o Li transarem.
- Tudo bem. - concordou sem ter ideia de que havia acabado de vender sua alma para o diabo.


ooo


O piso de porcelanato reluzia; as paredes pintadas de cor de pêssego haviam ficado do jeito que ela queria e sustentavam o quadro de uma linda Paris nublada e chuvosa; o sofá branco e grande comprado na semana anterior ainda era um pouco rígido e desconfortável, porém se encaixava perfeitamente próximo a escultura que havia encontrado em uma loja de decoração no interior da Itália. A mesa de oito lugares, na sala de jantar, era grande demais, porém a madeira era da mesma cor dos armários recém colocados da cozinha, que era separada do outro cômodo por uma ilha, a qual a garota havia investido um dia inteiro para escolher a cor da pedra de mármore; um vaso de cristal, no centro da mesa, era adornado por lindas flores que seu pai havia lhe dado de presente, o espelho na sala de jantar fora julgado como desnecessário, mas naquele momento a morena sabia que ele nunca deveria ser tirado dali. O pequeno lavabo todo branco a deixava em paz, as três suítes organizadas a convidavam para entrar a cada segundo a fim de certificar que tudo se encontrava do jeitinho que ela queria e flutuava por seu apartamento dos sonhos em Cambridge, com um sorriso iluminado no rosto e suspiros apaixonados e fúteis escapando por seus lábios pintados de vermelho.
Quando Diane a deu a notícia de que havia comprado um apartamento no centro de Cambridge, próximo a universidade, foi tomada por uma empolgação que ocasionou seus gritos efusivos, pulos e um abraço tão apertado nos pais que Christopher até chegou a comoção por perceber apenas naquele momento que sua garotinha estava saindo de casa. Todavia, a vida é uma caixinha de surpresas, nem tudo são flores e o que era um momento de felicidade e comemoração logo se tornou um grande pesadelo quando a Sra. Meester informou a filha que a compra do apartamento havia sido feita em conjunto com os Westwick pois havia desistido de Oxford e estava a caminho de Cambridge. Cambridge!
primeiro pensou em recusar a oferta dos pais, mas sua intenção não era ofendê-los. Pensou na opção de dizer que preferia continuar morando em Londres e ter Alfred fazendo o caminho da capital para a cidade universitária e, vice-versa, todos os dias, mas os pais não acreditariam em sua mentira considerando o escândalo feito. Cogitou suicídio, mas não jogaria fora seu futuro brilhante só por causa de . Também cogitou homicídio, mas não jogaria fora seu futuro brilhante só por causa de ! Portanto, sem reação, apenas falou um "Tudo bem" esganiçado e subiu as escadas com os olhos arregalados e o cérebro em choque sem conseguir acreditar que passaria os próximos anos de sua vida trancada em um apartamento com Westwick!
manteve-se afastada da Inglaterra durante os três meses de férias, reclusa na França. Como havia prometido a , mostrou o país para a melhor amiga além da capital, a verdadeira e apaixonante França, que ela tanto amava, mas princesinha Styles pode permanecer por apenas 10 dias, como o combinado. E foi colocada a frente de 80 dias sem perspectiva, pois o plano inicial era ter mais de uma companhia nos primeiros dez dias de viagem e Tomlinson foi amaldiçoado por três longos meses, pois apesar do passado não poder ser revivido ele deixa suas sequelas e ainda se dividia entre sentir saudade do Louis que sorria quando dizia "Eu te amo" e, raiva do Louis que transou com ela por dinheiro. O período de férias não foi o suficiente para superar e seguir em frente e começava a duvidar que o tempo curava tudo, no entanto a ruiva conseguiu aceitar e tinha fé de que um dia tudo voltaria aos eixos.
O exílio de Westwick foi visto com bons olhos por Meester, que investiu seus três meses decorando seu mais novo santuário. Dirigia para Cambridge de duas a três vezes por semanas para supervisionar as reformas que havia iniciado no apartamento e em ocasiões que Alfred não podia levá-la devido folga ou compromissos com os patriarcas Meester, a morena se arriscava em pegar a interestadual, com o gps aberto no celular e dirigir até "Seu cantinho", como havia nomeado o apartamento. Mudou todos os detalhes que pode para que seu novo lar ficasse do jeitinho que a agradasse, só não trocou as janelas e a porta principal, pois estas deveriam estar conforme as normas instituídas pelo condomínio, mas não fazia mal, convenceu-se de que gostava da tonalidade e do material das janelas e da porta.
Tudo estava perfeito, tudo seria perfeito. repetia seu mantra conforme entrava e saia dos mesmos cômodos milhares de vezes. Havia deixado seus problemas em Londres e teria um novo começo em Cambridge, precisava de um recomeço, precisava esquecer, precisava se permitir. Estava cansada de se ver presa ao mesmo círculo social, sofrendo pela mesma pessoa, refém da usual toxicidade, apenas um elemento do mesmo jogo que parecia não ter findado. Mesmo após meses a morena se sentia presa a mágoa e a necessitada de saber o que se passava na vida de Harry, estava farta de se prender aos monstros que criara em sua mente e sabia que Cambridge não era distante o suficiente da capital, mas era tudo o que tinha e estava disposta a tornar sua nova realidade perfeita.
Todavia a aura de perfeição que criara em seu novo apartamento logo se esvaiu quando ouviu a porta abrir atrás de si, apesar da fechadura estar em boas condições, jurava ter ouvido o móvel ranger. Um calafrio passou por sua espinha, pois instantaneamente o recinto ficou gélido, o que não fazia sentido já que o dia estava quente. Virou a cabeça por cima do ombro e soube que precisava encontrar o mais rápido possível uma escola de yoga a fim de administrar o estresse que passaria pelos próximos anos de sua vida.
- Meester.
- .
Cumprimentaram-se e permaneceram caladas, encarando-se assustadas e desacreditadas de que haviam sido fadadas a aturar uma a outra. Apenas segundos passaram, mas pareciam horas, imaginárias bolas de feno rolaram entre elas e naquele duelo do velho oeste nenhuma das partes estava apta para o confronto. pigarreou, Westwick apertou a alça da bolsa em seu ombro, ambas visivelmente desconfortáveis ouviram a porta do elevador fechar e a luz automática do corredor apagar.
- Ahn… Entra. - Meester disse coçando a nuca e finalmente adentrou o apartamento, fechando a porta atrás de si. - Afinal, a casa é sua também… É o que tava no contrato, né?! - riu sem graça encarando a expressão séria da ruiva que varria o ambiente com suas sobrancelhas arqueadas e expressão discordante, consequentemente não conseguindo ver revirando os olhos.
- Sua mãe disse que você tinha decorado o apartamento. - falou calmamente mirando a escultura que não fazia sentido e por algum motivo tinha espaço em sua sala de estar.
- Sim! - empolgou-se, nem ao menos percebendo o sorriso imenso que arreganhava seus lábios vermelhos. - Você gostou?
- Do quê?
- Da decoração!
- Mas… é... só isso?
- Como assim " isso", ? - cruzou os braços, ofendida.
- Só - elevou os braços, intercalando o olhar pelos móveis do local - isso.
- Eu levei três meses para arrumar esse apartamento, enquanto você estava viajando. - apontou o dedo, acusadora.
- Querida, eu não pedi para você fazer nada - colocou a mão sobre o próprio peito. - E também não estou reclamando da decoração, só estou fazendo um comentário. Se você investiu três meses nisso poderia ter feito… melhor. - escolhia as palavras certas a fim de evitar uma catástrofe já que havia prometido a mãe que nenhuma moradora daquele apartamento terminaria ou na cadeia ou na coluna de obituário do jornal regional.
- O que você está querendo dizer?
- Eu estou falando desse quadro. - apontou para a Paris mais triste que já viu na vida. - Quem te machucou, garota? Por que com tantas paisagens lindas você escolheu a mais infeliz que eu já vi? Você está tentando externar o seu interior solitário e sombrio? Fique sabendo que conseguiu, porque eu fico deprimida só de olhar para esse quadro. - jogou-se no sofá branquinho, esperando ser acolhida por conforto e amor, mas tudo o que recebeu foi uma almofada dura e incômoda. - O que tem de errado com esse sofá?
- Me ajuda meu deus. - clamou aos céus, massageando as têmporas.
- E por que tem uma mulher nua se contorcendo ao lado dele? - apontou para a escultura italiana, a qual havia tentado evitar desde que adentrou seu novo lar, mas naquele momento foi impossível não trazê-la a tona, já que a Contorcionista-Nua a encarava diretamente.
- Por que é elegante.
- Meester você só tem 19 anos, não precisa fingir que é uma quarentona divorciada, infeliz, porque tudo o que queria era filhos e o seu marido não pode te dar nem isso.
- Quê? - franziu o cenho perdendo-se no meio de tanta besteira.
- Cadê a televisão dessa sala? - preferiu continuar em seu discurso de ódio ao apartamento a explicar a Juiana seu futuro desastroso casamento.
- Se você quiser uma televisão coloca no seu quarto.
- Ótimo, assim eu não preciso lidar com o seu interior solitário e sombrio enquanto assisto minhas séries. - apontou para a Paris nublada e chuvosa, já se encaminhando ao corredor.
- Não jogar fora seu futuro brilhante só por causa da . Não jogar fora seu futuro brilhante só por causa da . - repetia com os olhos fechados, seguindo a ruiva tempestiva, convencendo-se de que não valia a pena matá-la
- Por que tem tantas portas? - Westwick indagou frente a quatro possibilidades de seu quarto.
- Aqui é o lavabo. - Meester abriu a primeira porta, apresentando o cômodo todo branquinho que mordeu os lábios para não reclamar dizendo que se sentia num hospício devido o recinto tão claro. - Ali é o seu quarto - indicou a porta ao lado do lavabo. - Aqui é o meu. - apontou para o ambiente em frente ao quarto da ruiva - E no fim do corredor fica o terceiro quarto. Que eu tava pensando em fazer uma sala de estudo ou uma biblioteca, não sei ainda…
- Meester! - a outra menina a interrompeu rapidamente - Dezenove anos, não quarenta. Lembre-se disso, okay?! Vamos fazer uma sala de jogos, ou uma sala de TV, ou um quarto só para você transar nele, sei lá… Tenha alguma ideia divertida!
- Vai ser difícil morar com você se você continuar a falar merda nesse nível.
- Ah para, eu sei que você gostou da ideia do quarto do sexo. - sorriu amplamente, piscando cúmplice e adentrou seu quarto já imaginando onde ficaria sua cama, televisão, videogames, porta retratos… - Onde você vai? - virou-se instantaneamente para que a seguia cômodo a adentro, mas ao ouvir a repreensão estancou onde estava. - Vamos fazer assim, eu não entro no seu quarto e você não entra no meu, assim não ficamos tão íntimas. - esclareceu.
- Por mim tudo bem. - a morena deu um passo para trás, voltando ao corredor. - Eu vou voltar para a capital - caminhou até a sala, pegando sua bolsa em cima do sofá desconfortável - , a sua chave está em cima da ilha. - gritou para que a garota a ouvisse.
- Obrigada. - berrou.
- Até semana que vem.
- Infelizmente.
E a resposta que Westwick recebeu foi a porta do apartamento se fechando com um estrondo alto. A ruiva suspirou, sentando-se no chão do cômodo que parecia grande demais, solitário e gélido pelo fato de ainda estar vazio.
O apartamento era ótimo, Cambridge ainda melhor, a universidade era entusiasmante, Meester não receberia nenhum adjetivo bom, mas aquilo era um mero detalhe. Todavia, era inevitável não pensar em como seus planos foram destruídos em apenas uma noite. Não era para estar ali, aquele não era o rumo que queria ter tomado, não era para dividir apartamento com uma colega e nem ao menos se encaixava naquele título!
Encarando a parede branca a sua frente não conseguia evitar pensar em Oxford enquanto desejava se preocupar apenas com que cor colorir aquela parede. Imaginava como seu apartamento seria, questionava-se se gostaria mais do seu apartamento inexistente em Oxford ou se o estepe em Cambridge era o suficiente.
Ainda recordava da conversa que teve com Louis na noite do baile e como ele fazia piada sobre fazê-lo seu homem, odiava quando se pegava rindo com essa memória. Mas odiava ainda mais quando se perguntava como Tomlinson estava após aqueles meses.


ooo


teve uma péssima manhã e por isso começou a ativar a força tarefa de animação do seu astral. Primeiro a melhor amiga, depois seu amorzinho e então e . Primeiro a fase de reclamação e planejamento da vingança, depois seria mimada e por fim esqueceria o sofrimento ao se divertir com as meninas.
A Fase Um dessa força tarefa chegou literalmente cantando pneus ao fazer a curva fechada para não passar por cima do chafariz. Nem ao menos estacionou o carro apropriadamente e saiu correndo até a porta, batendo desesperadamente e então correndo escada acima até o quarto de , afinal de contas sua melhor amiga precisava de ajuda.
Abriu a porta sem cerimônia e a primeira coisa que viu foi Niall vestindo a camisa sem pressa alguma, não estava às vistas o que levava a acreditar que estava no banheiro. O que aquele merdinha estava fazendo ali?
- Mas que porra você está fazendo aqui, Irlanda? - ela soltou a chave do carro na mesa de estudos de , empurrando roupas novas que foram compradas mas ainda não categorizadas e guardadas, derrubando-as no chão para poder sentar.
Perdoar Niall foi menos complicado do que eles teriam imaginado, apenas o fez prometer que passaria o verão inteiro sem praticar golfe e foi aí que o garoto implorou para que ela escolhesse outro castigo, sem sucesso. Ver Horan miserável o tempo todo era tão maravilhoso que a fez desculpá-lo por ser um covarde mentiroso, além do mais toda sua chateação estava voltada para Louis William Tomlinson e suas mentiras infernais.
O irlandês rapidamente fez as pazes com as meninas, até porque garantiu que sua vida seria um inferno enquanto ele não angariasse o perdão de e , já que ele foi atrás de por conta própria. impôs uma única condição e o encarou com desinteresse enquanto o desculpava embora claramente não falasse a verdade, como se só o fizesse para se livrar logo dos dois. Alcançar as boas graças da namorada foi a parte mais complexa já que ela não o deixava esquecer da mentira bem elaborada e mantida por tanto tempo, mas nada que o tempo e as deliciosas viagens para Irlanda e Bali (passaram quatro dias lá e não foram capazes de ir muito longe do bangalô, aproveitando na melhor qualidade possível a pequena lua de mel) não curassem.
- O que você está fazendo aqui? - Niall desapareceu do outro lado da cama, abaixando-se para pegar as meias e os sapatos.
esteve a um triz de arremessar a chave do carro contra o garoto mimado mas apareceu, devidamente vestida, graças a deus, e foi correndo até onde a ruiva estava sentada, abraçando-a aliviada.
- ! Graças a deus você chegou! - ficou na pontinha dos pés para dar um beijo na bochecha da amiga e voltou para a cama, assistindo o namorado terminar de calçar os sapatos ao seu lado.
levantou e foi até a sacolinha de papel da dior lacrada, rompeu o lacre e tirou os batons lá de dentro.
- Meu deus, eu corri pra cá porque você falou que estava mal e você estava transando, ! - reclamou mal humorada, provando o primeiro batom, cor de rosa, no antebraço.
- Foi um acidente! - a princesinha se defendeu rapidamente.
- Isso foi um acidente? - Niall perguntou horrorizado, parando de amarrar o cadarço do tênis para exigir uma explicação sobre aquela declaração no mínimo mentirosa. Tinha um compromisso e sabia que ainda precisava passar em casa para pegar o notebook, o que o levava a pensar que devia estar arrependido da última hora com a namorada, mas simplesmente não conseguia se sentir mal!
- Claro que não, babe! - deu tapinhas amigáveis no braço do namorado, quase ofendida com a acusação, habilmente jogando a culpa em . não se importava o suficiente com Niall para tirar a culpa sobre si, então deu de ombros e esfregou um pouco de iluminador sobre suas mãos sardentas. - Olha o que você me fez fazer!
Horan levantou e checou se o telefone, carteira e chaves estavam com ele, ao confirmar que estava tudo em dia, segurou o rosto da menina ao seu lado e a beijou suavemente, prometendo em seguida:
- Eu não sei o que está acontecendo, mas tenho que ir. - disse e foi até a porta escancarada por Westwick. - Assim que sair de lá, volto pra cá, . Tchau.
- De lá onde? - perguntou assim que a porta foi fechada.
- Universidade. - deitou na cama e apoiou as mãos sobre a barriga, pensativa. Estava numa enrascada mas incrivelmente esquecera do problema no instante que Horan chegou, segurou seu rosto com as mãos, olhou em seus olhos e lhe disse que tudo ficaria bem.
- Fazer o quê? As aulas dele já começaram?
- Não, ele tem que ver a coordenação do curso pra fazer o horário desse semestre...
percebeu o olhar abstraído da menina mais nova e decidiu que era hora de lhe dar um pouco de atenção antes que ela morresse por falta de amor, porque era capaz de aprontar uma dessas qualquer dia em que ninguém tivesse esperando.
Lembrou de como demorou anos tentando se ajustar a comunidade escolar, participar de um grupo ou mesmo conseguir uma amiga, mas graças ao seu temperamento explosivo, afastava literalmente todas as outras crianças, até que apareceu, elogiou os cabelos alaranjados de , riu quando ela destruiu as canetinhas de um garoto pentelha e nunca mais a abandonou.
- Ah. Eu não acredito que você usou nosso código emergencial pra nada. - Westwick acusou apesar de não se importar em estar com a melhor amiga, numa agradável tarde de verão, aproveitando a última semana de férias.
- Não foi pra nada! - sentou - Eu estou sem agente.
- O quê? - largou a maquiagem e se aproximou da cama, ajoelhando-se no chão e apoiando os braços sobre o colchão.
- O Phillip não vai mais trabalhar comigo. Me dispensou hoje de manhã. - a menina contou contrariada.
- Mas por quê? O que você fez? Ele é louco?
- Vai ter audição pra um filme do Ron Howard e eu quero participar.
- Isso é ótimo! - comemorou, guardando para si o pensamento de que não fazia ideia quem era aquele cara. Ela gostava de ver filmes mas não se atentava a nenhum aspecto técnico, então...
- Eu sei, mas o Sr. Capet disse que eu não ia fazer porque seria um erro na minha carreira.
Na verdade a transcrição daquela discussão foi o que Kate e Phillip Capet conversaram, já que a própria não teve a oportunidade de abrir a boca, sua mãe, sempre tranquila, sentou ao seu lado e pela próxima hora inteira os dois adultos foram e voltaram em uma discussão onde nenhum dos dois queria abrir mão de sua vontade e tudo terminou com o homem abrindo mão de seu posto de agente da menina Styles.
- Esse cara fumou antes de encontrar você? - estava chateadíssima e por isso precisava de um cigarro, foi até a varanda e ficou exatamente com um pé dentro e outro fora do quarto.
- Ele disse que a probabilidade de eu conseguir um papel é alta, e que eu vou ficar marcada pra sempre na personagem porque nós somos muito parecidas. - continuou a explicar, entregando o único argumento do homem, que alegava repetidamente que ela ia acabar sendo mais uma das centenas de atores que ficaram tão marcados por um papel icônico que nunca mais se libertaram do personagem e fracassaram na carreira.
- Meu deus, tinha que ser um homem pra dizer uma besteira dessa. - a ruiva meneou a cabeça, decepcionada porém nenhum pouco surpresa.
Não era de seu costume se envolver nos negócios da melhor amiga, mas aquele cara parecia estar se esforçando para destruir a chance de atuar até para comerciais de shampoo. Onde já se viu querer proibir uma cliente de fazer uma audição? Quem ele pensava que era?
- O ponto é que eu me recusei a obedecê-lo e ele simplesmente se demitiu, ou me demitiu, eu não sei quem demitiu quem, eu estou sem agente! Isso é uma tragédia, ! - princesinha Styles sentiu os olhos encherem de lágrimas e afundou o rosto no colchão.
olhou para a amiga em prantos e para o cigarro em suas mãos, pesando na balança o que fazer.
- Oh ! Você sabe onde ele mora? Nós podemos atear fogo na casa desse babaca. - disse e não moveu de onde estava, poderia abraçá-la depois.
- Você não consegue pensar em algo menos dramático? - ergueu o rosto e fungou, controlando o choro magoado.
- Atear fogo no carro dele? Destruir o escritório onde ele trabalha? Fingir um sequestro só pra humilhá-lo?
- Na verdade eu só quero voltar a ter um agente!
irrompeu em novo choro, arrasada, e Harry escolheu esse momento para passar em frente o quarto da irmã, parando no momento em que ouviu o soluçar incontido dela. Largou a mochila no meio do corredor e veio todo cansado:
- , por que você ainda está chorando? O papai não falou pra você que ia dar um jeito? - se aproximou da cama, farto daquela situação. A menina chorava desde que chegou do escritório de Capet, nem Kate a aguentava mais e por isso se trancou em seu escritório, e o drama só teve pausa quando Horan chegou (muito conveniente, inclusive), mas obviamente ela estava pronta para outra rodada de sofrimento.
- Ah Hazza, minha vida está perdendo o controle! Vem aqui me dar um abraço. - sentou chorosa e enxugou o rosto com as costas da mão.
- Você é muito manipuladora. - Harry bufou e olhou rapidamente para , que ainda fumava na varanda e sustentou os olhos negros no cacheado, claramente tomando-o por imbecil, que é o que ele era.
- Eu só preciso de amor, Harry!
Dessa vez abriu os braços, esperando ser acalentada, e Harry não teve outra opção senão sentar na cama e deixar que aquela pirralha chata se aconchegasse nele para continuar a lamentação contínua. Afinal de contas, se atuar não desse certo, ia ser uma adulta sem profissão porque não tinha nada em mente para seu futuro!
- , você ainda está chorando? - Desmond apareceu na porta, folgando o aperto da gravata em seu pescoço. - O que você está fazendo aqui, Harry? Não ia pra Oxford? Oi, , eu vi esse cigarro que você jogou no chão, pode jogar fora mesmo.
- Porque a minha carreira acabou antes de começar, papai! - libertou Harry e abraçou uma almofada.
- Eu estou indo pro escritório agora e assim que chegar lá vou ligar para o Victor Sesia, ele vai pelo menos me fazer uma sugestão. - o homem se aproximou de seus filhos e bagunçou os cabelos da criança chorona. - Agora para de chorar e vai limpar seu rosto.
- Tudo bem. - a princesinha pulou da cama e correu até o banheiro.
entrou, chocada com a mudança brusca no comportamento pessimista de . O que acabou de acontecer ali?
- Por que todo mundo ficou bem depois que esse nome foi pronunciado? Quem é esse cara? - ela perguntou ao pai da amiga, esperando que ele fosse o presidente do MI-6 ou algo tão importante quanto. Era a única justificativa plausível para aquele espetáculo que acabara de presenciar.
- O agente da Anne. E o papai já conhece ele desde… - Styles olhou para o pai, esperando auxílio.
- Desde antes você ser concebido. - o Sr. Styles respondeu prontamente.
- Por que você tem que falar assim? - Harry queria morrer toda vez que seu velho usava esse tipo linguagem. Era desconfortável! Principalmente quando ele dizia a merda e Kate ria.
- Porque naquela época eu jamais imaginei que um dia teria um filho.
- Parece que você nem se esforça mais pra esconder o fato de que eu fui um acidente.
- Você não foi um acidente, filho. Foi só inesperado, muito. Na verdade eu não sei quem ficou mais chocado, sua mãe ou eu. Acho que depois da descoberta nós ficamos horas em silêncio, sem saber o que fazer. - Des divagou, olhando longe, para o passado.
- Eu estou me sentindo muito amado…
- Não esqueça de ir conversar com o coordenador do seu curso ainda hoje, quando chegar em Oxford, você precisa de uma autorização para estágio. -Sr. Styles tomou fôlego e se preparou para ir lidar com a companhia. - Até mais tarde vocês dois, eu vou sair antes que a saia e volte a chorar. Não adianta pegar o cigarro do chão depois que eu sair daqui, hein !
ainda não saíra do banheiro e Harry levantou para partir quando caminhou para perto do rapaz consideravelmente maior.
- Você não vai me pedir desculpas, não? - ela cruzou os braços, intimidadora.
- Por? - Styles foi até o corredor e juntou a mochila, apoiando-a em apenas um dos ombros.
- Por ter oferecido o meu nome para um idiota tentar fazer sexo comigo por dinheiro, como se eu fosse uma mercadoria?
- Eu acho que o Louis é quem tem que pedir seu perdão, afinal de contas eu não transei com você, nem de graça, nem por dinheiro.
- Você quem deu o nome, Styles.
- Não vejo a conexão.
- Se você tivesse um pouco de bom senso teria me deixado de fora dessa merda. E é por isso que você me deve desculpas, pela dor de cabeça com que eu tive que lidar. - mentiu, não é que a dor de cabeça não fosse real, mas sentia que merecia desculpas porque Louis, com o incentivo de Harry, destruiu sua vida. Nada mais era igual depois de ter amado alguém tão profundamente, ter sido arrancada de volta para uma realidade dura e cruel.
Harry a encarou indecifrável por alguns segundos, respirando demoradamente enquanto exercia uma reflexão dos meses pós desastre. Passou por um dilema com o pai, que sabia que devia puni-lo por sua conduta, mas não tinha pulso para cumprir as ameaças porque o coração o alertava o tempo todo de que ele já sofrera o bastante com a perda da mãe. Os dois conversaram muito, Harry parecia ciente da gravidade do que fez e Des percebeu que a jovialidade infantil de seu filho não mais existia, desapareceram os traços brincalhões e os sorrisos eram mórbidos. Chegou até mesmo a declarar como castigo, serviço voluntário na fundação da família, mas a avó materna ligou e convidou o neto para passar o verão na América, e assim Harry partiu em busca de novos ares.
Não pode, todavia, em momento algum esquecer de , a garota havia impregnado em seu sistema como um maldito vírus e todas as noites antes de ceder ao sono, era assolado com as lembranças dela, detalhes que na época em que estavam juntos nem ao menos notara, mas agora eram latentes e Styles se apegava a eles com todas as suas forças.
E então deu sua resposta final:
- Não.
- O que está acontecendo? - falou alto ao notar que estava sozinha no quarto, logo viu a melhor amiga e o irmão se encarando de maneira nada amigável, no meio do corredor. - Hazza?
- Eu já estou indo embora. - ele explicou e deixou as meninas sem olhar para trás.
- É bom mesmo, otário. - falou alto o suficiente para garantir que Styles ouviria o xingamento. - Por que seu irmão é tão idiota?
- O que aconteceu? Vocês estavam brigando? - a menina curiosa segurou pelo braço, trazendo-a de volta ao quarto.
Havia sempre uma tensão velada desde que Harry voltou da casa da família materna, o rapaz não era o mesmo adolescente exibido e provocador que rondava pela casa procurando por uma oportunidade de instigar a ficar louca. E a princesinha por sua vez, não conseguia sentir a mesma chama de admiração que um dia nutriu pelo irmão, a família que ela escolheu para amar. Após a noite do baile só teve forças para interrogá-lo sobre o assunto uma única vez e então, ao descobrir que a aposta não se fundamentava em nada além de crueldade, enterrou-o para sempre. Viu Louis algumas vezes e o rapaz implorou para que ela dissesse onde estava , onde se alojava na França, obtendo um fracasso absoluto, é claro. Zayn esteve tão entediado com o castigo do pai, que fez uma ligação para a loirinha e disse algumas coisas, inclusive um pedido de desculpas pelas mentiras que obrigaram Niall a contar, sem fazer nenhuma pergunta sobre .
Voltou das férias disposta a esquecer a tenebrosa noite e de todas as meninas, era a que mais se esforçava para dar um tom de normalidade à nova rotina que começava a tomar forma.
- Claro que não. Eu estou com fome, o que tem pra comer aqui? - Westwick desconversou com maestria. Se olhasse bem concentrada para o nada, não teria que lidar com os olhares cuidadosos de .
- As meninas estão vindo pra cá e a está trazendo macaroons! Não vai ser ótimo, todas nós reunidas novamente?
- Quem são "as meninas"?
- A , a e a , ué.
- Ah não, a Meester não. - quase vomitou quando ouviu o nome da sua colega de apartamento. Ia ser muito difícil morar com o próprio diabo pelos próximos anos, mas com um pouco de sorte, sua mãe a liberaria desse suplício após o primeiro semestre. - Se eu tiver que lidar com essa doida, vou lembrar do que ela fez com o meu apartamento.
- Nem ficou tão ruim assim… - sorriu amarelo, recolhendo as roupas jogadas no chão e jogando-as sobre uma cadeira, enquanto defendia como podia a morena.
- Parece uma casa de um quarentão que alcançou sucesso nos negócios mas vai morrer sozinho, !
- Eu vou mandar mensagem pro Niall e avisar que ele nem precisa vir pra cá, nós vamos ter uma noite só das garotas! Ele vai ficar puto porque nós apostamos quem iria se reunir primeiro…
- Antes da Meester chegar, será que nós podemos comer alguma coisa salgada? Eu estou realmente com fome. - pediu, reiterando sua declaração de fome. Quando estava com uma fome daquelas, precisava de comida substancial, para então comer como uma mocinha quando as amigas se reunissem.
- Só se você se prometer que vai se comportar. - disse enquanto alcançavam as escadas para ir até a cozinha alimentar a fome monstra de .
- Eu jamais vou prometer que vou me comportar. - sorriu diabólica.
não se comportou e Niall realmente ficou inveja por causa do programa.
Mas os cinco garotos finalmente alinharam as agendas e conseguiram organizar uma tarde especial para fazer absolutamente nada, e a escolha do local foi meticulosamente estudada: não poderia ser na casa de Niall porque ou poderiam aparecer de surpresa, Zayn estava morando na prima então nem foi considerado, Liam tinha a namorada e a melhor amiga que também tinham o costume de ir e vir quando queriam, e Harry morava com a intrometida da então nem ofereceu sua residência, por fim, Louis, isolado de todas as meninas, foi a escolha perfeita para uma tarde de diversão, sem incômodos.
- Louis, cala a boca! Deixa eu terminar de falar, porra! - Liam chutou o amigo, que o interrompia pela milésima vez, fazendo comentários idiotas sobre o jogo de Niall e Harry enquanto todos tentavam ouvir a leitura do de Payne sobre perguntas absurdas e respostas ainda mais bizarras no Ask do Reddit.
- Ninguém se importa com o que você tem pra falar, Payno. - Tomlinson alisou a coxa para aliviar a dor do chute recebido, mas sentou de volta no sofá e virou-se para Niall - Me dá mais uma cerveja, Irlanda.
- Para o benefício desse momento, eu quero dizer que não importa o quanto as coisas mudem, o Harry se gabando sobre as conquistas dele nunca muda. - Horan pausou o jogo e engatinhou até as cervejas dispostas na mesinha de centro que foi empurrada para caber as pernas compridas dos garotos.
Zayn estava literalmente ao lado da mesa com comida e bebida, mas quando Harry fez o pedido, o badboy olhou para ele, olhou para a cerveja ao seu lado e voltou a encarar o teto, soltando uma longa baforada de fumaça. Deus abençoasse Tommo e permissão para fumar aquele baseado ali dentro.
- Cara eu falei pra você não falar nada! - Styles bateu a mão na coxa, indignado.
- Olha como ele é tímido! - Louis deu um tapinha amigável no ombro do cacheado, zombando de sua timidez fingida. Recebeu a cerveja que Niall lhe entregou e a dupla no chão voltou a jogar.
- Quem é ela, Styles? - Zayn ergueu o pescoço, sorrindo bobo porque Harry obviamente tinha um segredinho que não queria compartilhar.
- Ninguém, literalmente. - Harry murmurou constrangido. Pensou que se focasse no jogo, eles acabariam mudando de assunto e esquecendo aquilo.
- Ah não, conta pra todo mundo, Harry. - Malik tirou o cinzeiro de seu peito e sentou, piscando pesadamente.
- Eu saí com essa garota em LA, nós saímos por duas semanas quase todos os dias, só então ela me contou que estava lá de férias e que na verdade tem namorado. - o menino contou por cima. Sair por duas semanas foi a explicação mais superficial que conseguiu fazer, já que ele na verdade deixou a casa da tia e passou esses dias inteiros na casinha pequena daquela mentirosa do caralho, que na verdade nem era dona do local, e sim havia locado no Airbnb.
- Caralho! - Zayn estava boquiaberto, olhando de Harry para os outros rapazes, mas Louis já sabia dessa história desde o momento em que o melhor amigo fez a descoberta e contou tudo em um áudio de quarenta segundos, e Niall acabava de descobrir e já espalhou pro restante deles, Liam e Zayn, no caso.
- Styles está com tudo, hein! - Payne congratulou Harry, optando por refrescar-se com sua bebida e deixar que o amigo fizesse o que fazia de melhor: se gabar.
Mas Harry não tinha tanto orgulho assim de sua proeza e deu ombros, pondo um fim a história:
- E aí nós terminamos, obviamente.
- Isso é um novo nível de má sorte, Harry. - Liam concluiu, levantando para esticar as pernas e foi até a janela aberta, apreciando a brisa morna que o atingiu.
- Pois é, vim correndo de volta pra casa. Mas, antes que eu esqueça, a foi lá em casa essa semana e me obrigou a pedir desculpas a ela. - o cacheado relatou o encontro como se não fosse importante.
Louis, ao ouvir o nome da ex namorada, congelou em sua posição, ouvindo com cuidado a informação, esperando por uma pista qualquer que indicasse que a ruiva ainda lembrava dele, porque ele pensava nela todas as noites, às vezes chorava frustrado porque foi vítima de sua própria estupidez, mas de qualquer maneira, não era o tipo de garota que passava pela vida de alguém sem ser notada.
- Pelo quê? - ele perguntou curioso. Quem sabe a conversa tenha se estendido tempo o suficiente para que perguntasse sobre ele...
- A aposta e tudo o mais…
- E você pediu? - Payne inclinou a cabeça, achando intrigante o encontro e muito característico de Westwick se impor daquela maneira.
- Claro que não, a culpa não é minha, e sim do Louis. - Styles sentiu-se insultado pela pergunta afrontosa. Exceto por , todos os pedidos de desculpa que disse quando teve que lidar com tudo aquilo foram inautênticos e ele não se arrependia disso.
- Porra, Harry. - Tomlinson deu um soco no ombro do menino. Como ele ousava não pedir desculpas para depois de toda aquela palhaçada? O que diabos aconteceu com o senso moral do amigo?
- E ela está dirigindo um porsche. - Niall despejou a informação do nada e desconectou-se da conversa mais uma vez.
- Eu queria aquele carro, a vai matar alguém ainda esse ano. Payno, continua sua leitura aí. - Zayn pediu, indicando com o queixo o celular do outro, e recostou-se novamente contra a almofada fofinha.
- Está bem, deixa eu ver o que nós temos aqui… - Liam coçou o queixo, andando para lá e para cá, rolando pela tela para encontrar um tópico interessante. - Aqui, achei uma: se você é um idiota num cômodo cheio de gênios confirmados, como evita que eles tirem todo o seu dinheiro e herança?
- Eu diria em voz alta que iria entregar tudo para a pessoa mais inteligente, eles iam debater até a morte. - Tommo solucionou o dilema com a rapidez de quem estava sendo afetado pela fumaça que Zayn soltava no ar, porque não era possível.
- Se eles forem realmente inteligentes, vão deixar que só um diga isso e depois dividem o dinheiro. - Niall fez o esforço de tirar sua concentração do vídeo game e apresentou um contra à solução dada por Louis.
- Uau, olha como você parece o cara mais inteligente do lugar, Niall. - Zayn parabenizou e os outros quatro gargalharam do comentário aleatório do moreno, mas ele nem ligou, pegou um mini croissant de chocolate e o enfiou inteiro na boca.
- Eles são gênios, gênios normalmente têm um ego gigante, eles realmente iam debater até a morte. - Harry contribuiu para o enriquecimento da discussão que não traria benefício algum a sociedade.
- Eu daria para a pessoa mais burra do lugar, ninguém ia querer. - Tomlinson criou outra abordagem para a situação, de fato, muito inteligente e decidiu que merecia um cigarro por isso, levantou e foi até a janela para expelir a fumaça sempre para fora da casa.
- Vocês são todos idiotas. - Zayn falou, olhando para o teto. Sua ofensa gratuita captou as atenções de Liam e Louis, que não estavam jogando. - Sabe o que eu faria se estivesse num quarto cheio de gênios querendo meu dinheiro? Eu iria embora, porra!
- Enfia a sua inteligência no cu. - Lou, que mantinha até então a posse da resposta mais esperta, retrucou emburrado. Malik não devia ser capaz nem de dizer o próprio nome, quem dirá formular respostas boas para perguntas intrigantes!
- Liam, próximo. - Horan pediu sem nem piscar.
Liam sentou de volta no sofá, deitou na verdade, vasculhando o sub a procura de um tema bom. O último post legal que encontrou foi um cara perguntando qual era a arma mais inútil da história dos vídeo games, e aí entraram no mérito de se a arma era inútil do ponto de vista de ataque ou defesa. Harry acabou puto e empurrou o console das mãos de Zayn, que jogava no momento, dando a vitória a Liam.
- Hmmm, tem um cara pedindo qual os vídeos mais bizarros na internet. E ele pediu pra deixar links.
- Meu deus, a gente precisa ver! Irlanda, desconecta o game. - Louis arregalou os olhos e aproximou-se dos meninos jogando, pronto para encerrar a partida, eles precisavam ver cada um daqueles links!
- Nem fodendo, eu estou ganhando. - Niall se negou terminantemente.
- Tem um link com vídeos diários de um cara chamado Richard Lopez, ele era obcecado pela Bjork e uma vez tentou enviar uma carta bomba pra ela, e acabou se matando. - Payne começou a ler as respostas, absorto.
- Tá, o que é bizarro sobre isso? - o irlandês perguntou impaciente.
- Não sei, vocês querem que eu abra o link?
- Claro, Liam! - Tommo já estava insano sobre o assunto, tinha o pressentimento de que encontrariam histórias polêmicas.
- Eu vou ler os outros primeiro. - Liam explicou, começando a concluir que aquele não era um bom tópico no final das contas, as pessoas às vezes esqueciam dos limites e aí postavam as coisas que estavam sendo erroneamente compartilhadas ali.. - Tem também o vídeo de um casal indo nadar…
- Sextape! - Louis interrompeu com um grito divertido.
Zayn estava adormecido e despertou assustado com o grito, murmurando um "vai se foder, Louis" antes de virar de lado e entregar-se inteiramente ao soninho gostoso que o embalava.
- Um casal indo nadar mas eles não sabem nadar, na verdade, e se afogam tentando subir um no outro. - Liam continuou a leitura sem se abalar com a interrupção idiota do outro.
- Puta que pariu, isso é doentio. - Harry jogou o controle no colo, cansado de perder para Niall. Horan sorriu presunçoso e escorregou até estar deitado no chão, pegou o celular e viu que tinha uma mensagem de perguntando se ele queria ir jantar fora.
- Eu quero ver esse. - Tommo desistiu de fumar próximo a janela e sentou no braço do sofá, esticando-se para ver o que tinha na tela do telefone. Liam podia estar inventando tudo aquilo, não é mesmo?
- Tem um áudio do maior culto suicida da história, uma foto encontrada no estacionamento de uma estação de gás, deixada por um cara numa van branca, era a foto de um garoto e uma adolescente amarrados e amordaçados, e não, eu não vou abrir isso, Louis. - Payno falou em um só fôlego, sentando no meio do sofá para ficar afastado da curiosidade pentelha do outro rapaz.
- Isso tá ficando bizarro. - Styles falou o mais másculo que pode porque estava começando a ficar realmente assustado e não queria ser julgado.
- Me dá isso aqui, deixa eu ver. -Tomlinson se jogou sobre Liam e tomou o celular dele, clicando no link disposto e se arrependendo imediatamente. - Puta que pariu, parece real. Porra.
- A lista não acaba, eu não vou mais ler isso. Qual é o problema do mundo? - o dono do celular estava visivelmente perturbado com o que vira no tópico. Como eles saíram de perguntas realmente legais para aquela merda?
Louis por outro lado, não sentia o menor peso na consciência sobre se interessar pelas coisas estranhas desse mundo e logo estava imerso no conteúdo apresentado. Horan estava rindo sozinho, lendo mensagens da namorada e ignorando Harry obviamente ciente de que sua irmã não tinha o menor filtro moral.
- Mudando completamente de assunto, sabe quem eu vi quando estava na Disney? A Amber e o Shep. - Liam espreguiçou e contou a novidade que nem era tão nova assim.
- Juntos? - Harry arqueou a sobrancelha, fazia tanto tempo que não ouvia falar desses dois, e devia confessar que era um tanto inusitado Amber apaixonada e namorando Shepley, ela na universidade e ele ainda no ensino médio, estudando com , e Orteguinha.
- Aham.
- Não faz sentido, quando aquilo aconteceu? Que casal mais estranho… - Louis devolveu o celular de Liam, perturbado.
- O pessoal diz que foi aqui na sua casa, Tommo. No ano novo. - Niall guardou o celular, não antes de informar que Shep e Amber foram vistos juntos na Disney.
- Meu deus, aquele filha da puta se deu bem, hein. - Tomlinson riu sem vergonha. Pegou o controle do joguinho e conectou no youtube, transitando pelas opções de música que apareciam na tela inicial e optou por um show antigo do Coldplay.
- Muito bem. - Harry concordou quase saudoso.
- Para de falar desse jeito, Styles. A menina está comprometida agora. - Payne o repreendeu porque Shepley era uma pessoa legal e Amber meio que parecia até gente boa agora que estava mais distante da influência de Saint.
- Falando em comprometimento, o quão bem vocês têm se dado ultimamente? - Harry perguntou, esboçando um sorriso ardiloso. Uma das melhores coisas de estar solteiro e ter amigos solteiros também (seu melhor amigo incluso, graças a deus) era poder ter discussões abertas sobre suas vidas sexuais, era divertido e sempre alguém tinha uma boa história para contar.
- Muito bem. Todo dia, inclusive, e sempre melhora. - o irlandês disse incrivelmente bem humorado, e o sorriso do cacheado foi morrendo a medida em que ele incrementava sua situação.
- Você me odeia, Niall? - o pobre Styles balançou a cabeça, muito desgostoso.
- Eu gostaria de dizer que vai tudo bem, mas poderia estar melhor. É difícil viver num mundo onde aquele filho da puta - Louis apontou para Zayn, ressonando pacificamente, alheio ao barulho. - decide voltar a ativa. Pelo menos duas vezes eu abandonei oportunidades incríveis porque as garotas reconheciam o Malik.
- Isso é verdade. - Liam confirmou essa história de "pelo menos duas vezes" porque estavam juntos nessas duas vezes em que jurou que Tommo ia pra casa sem eles mas então ele retornava frustrado porque descobria que Zayn chegou primeiro, e o grande otário não dizia nada!
- E você, Payno? Como vão as coisas com a ? - Niall pegou mais uma cerveja, esperando que dessa vez teriam um motivo para comemorar. Ia ser um grande prazer acordar Zayn só para ele ouvir aquela grande notícia, em primeira mão, porque foi uma amiga horrível e não contou para , já que tinha certeza absoluta que a namorada teria lhe contado na mesma hora;
- É verdade! A Orteguinha brilha na cama? Como eu esqueci de perguntar sobre isso? - Harry hiperventilou. Sua vida tinha outro sentido quando tinha a oportunidade de importunar a caçulinha do grupo, ex grupo, na verdade.
- As coisas não vão, simples assim. - Payne quase chorou ao fazer a confissão.
- O quê? - o loirinho cuspiu bebida, baixando a cabeça e digitando furiosamente no telefone, atualizando princesinha Styles com essa importante info.
- Sério, Liam? Já faz o quê, um ano que vocês estão juntos? - Louis até suavizou o tom de voz, com pena do amigo. Aquilo não soava real, nem ele, na fase mais lixo de sua vida, ficou tanto tempo sem transar uma vez que começou a vida sexual.
- Eu nem lembro mais a sensação… - Liam continuou a lamentação, sentindo-se em um grupo de apoio com a mão de Tomlinson em seu ombro e Harry e Niall aos seus pés, embora Horan não parecesse tão atento a seu sofrimento.
Mas ele estava, e replicou:
- É ótima.
- Vai se foder, Horan.
- Liam, cara, eu acho que nesses casos a lei permite um caso extraconjugal pra aliviar a tensão. - Louis falou buscando o apoio dos rapazes para liberar Liam de sua fidelidade que obviamente estava prejudicando-o. Adorava , mas isso era outra história.
- Mas eu não estou tenso. - Payne se defendeu. Os treinos exaustivamente intensos na academia, cinco vezes na semana, estavam dando conta de extravasar qualquer fagulha de tensão que ameaçava aparecer.
- Você não transa há um ano, amigão, não tem nem como estar relaxado. - Tommo sorriu compreensivo.
- Será que é saudável ficar tanto tempo sem sexo? O que a medicina diz sobre isso? - Niall guardou o celular e entrou do nada na conversa com essa pergunta sem sentido.
- Não tem nada a ver isso, seu idiota. - Harry quase lhe deu um soco no braço, para ver se o cunhado parava de ser tão burro, mas para fazer isso teria que se desapoiar dos cotovelos e o conforto falou mais alto.
O irlandês cansou de sentar e levantou, matutando em todas as perguntas que o faria mais tarde e que ele ganharia recompensas caso tivesse as respostas.
- Mas por que essa demora? Ela é virgem? - perguntou então.
- Por que ela não seria? - Liam questionou de volta, com algumas poucas exceções, orgulhosamente ostentava o título de único homem na vida de sua doce, linda e apaixonante namorada, além do mais, a menina disse a ele que era e isso era tudo o que precisava saber.
- Ué, ela não namorou o jogador gigante? - Lou lembrou do grande Danny, cara gente boa que simplesmente foi expulso do continente quando finalmente teve uma chance com a garota Ortega.
- Definitivamente não virgem. - Harry decidiu só para provocar Liam.
Mas Payne não mordeu aquela isca e decidiu que era hora de deixar Malik em casa e levar sua bonequinha para ir ver um filme, ela iria adorar o programa surpresa.
- Isso não é da conta de vocês. E já está na hora de ir embora. - cortou o assunto sobre sua vida, caminhando até Zayn enquanto decidia qual a forma mais eficiente de acordá-lo, no fim das contas talvez fosse menos trabalhoso arrastar aquele peso morto até o carro do que aguentar o drama que era fazer Malik acordar.
- Nossa, é verdade. Eu prometi que ia pra Oxford ainda hoje, tenho que pegar meus horários e o documento do meu carro. - Styles levantou em um pulo também, aproveitando o momento porque se não fosse agora, cancelaria os planos com o pessoal, e ainda pior: teria que esperar mais um dia para poder andar com seu novo bebê.
- E eu vou jantar fora com a e a minha garota. - Niall tomou a deixa para ir ver seu bebê, já estava com saudade do carro maravilhoso estacionado lá fora e mal podia esperar para estar com ele de novo, passeando por aí, exibindo aquela belezura.
- Ah não, não vão embora! Durmam aqui e vamos maratonar alguma merda e beber mais.
A argumentação de Louis foi preguiçosa, mas os três adolescentes se entreolharam e em menos de um minuto decidiram ficar, jogando-se de volta no sofá e pegando os celulares para avisar as mamães (e namoradas) que infelizmente não poderiam voltar para casa naquela noite porque estariam muito ocupados salvando o planeta.


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As brancas paredes do quarto, os móveis de madeira dispostos por sua extensão, a grande cama coberta com lençóis de cores claras e as cortinas abertas deixavam o ambiente sofisticado e aconchegante. Anteriormente à mudança do rapaz para a casa, o cômodo sempre permanecia fechado, arrumado e quieto, mas desde a chegada de Zayn Malik o recinto era mantido aberto, bagunçado e agitado; pares de sapatos espalhados pelo chão, peças de roupas penduradas pelas poltronas e cadeiras, cadernos em excesso na mesa de estudo, bitucas de cigarro sobre o criado mudo e uma música baixa sempre tocando ao fundo.
Após ter conhecimento da infração cometida pelo filho, o castigo imposto por Yaser foi proibir Zayn a sair de casa por um mês inteiro, sem "saidinhas rápidas", sem festas, sem visitar os amigos e muito menos recebê-los na casa Malik. O menino nem ao menos poderia dirigir os 4 quilômetros que separavam o portão de sua casa do portão da casa vizinha, a mansão Ortega. E o que para muitos seria um castigo fácil e até mesmo considerado ridículo, foi um verdadeiro inferno para o garoto que era obrigado a cumprir prisão domiciliar, sem poder cruzar os limites da casa do pai e precisou sobreviver a 30 dias ao mau humor de Yaser.
Durante todo o mês de junho, o homem passou a ter as três refeições em casa e a requerer a presença do filho e da esposa à mesa apenas para poder lembrar-se, refeição após refeição, dia após dia, de como Zayn era a vergonha da família. Sr. Malik passou a levar mais trabalho para casa, dessa forma, passava mais tempo em seu escritório na residência do que em sua empresa, o que suscitava em ocasionais encontros com o rapaz e consequentemente mais infortúnios para ambas as partes.
Portanto, assim que se viu livre de sua punição, no dia primeiro de julho, Zayn Malik visitou a prima e informou aos tios que dormiria na mansão Ortega. Todavia, desde aquele dia, Zayn nunca mais voltou para a casa de seu pai. O que iniciou com uma visita despretensiosa e apenas uma muda de roupas, provocou a estadia permanente do menino na casa dos tios. Todos seus pertences já se encontravam no closet de seu novo quarto, seus videogames e jogos já dispunham a estante de sua nova sala de jogos, seu cereal matinal predileto e seu suco favorito já ocupavam espaço na sua nova dispensa, seu carro já era guardado em sua nova garagem e assim Zayn Malik preferia acreditar que era o novo membro da família Ortega.
Trisha tentou convencer o filho a voltar, mas apesar de amar a mãe e odiar vê-la triste, o garoto ainda associava a imagem de sua progenitora com Yaser, e Zayn não suportava Yaser. Amina, conhecida por ser rude na criação de sua única filha, nunca era contra as vontades do sobrinho, pois sabia que seu irmão era um carrasco e exigia demais da criança que merecia e ansiava por seu amor, porém apenas recebia seu descontentamento. Já Robert, sabia que aquele seria mais um dos motivos para seu excepcional cunhado odiá-lo ainda mais! Sr. Ortega gostava da família da esposa, era divertido acompanhar tantas tradições e costumes diferentes do seus, mas nunca impôs nenhum deles à filha, deste modo, Yaser não concordava com a criação de , como também não concordava com milhões de outras coisas que Robert fazia, assim conseguia imaginar como era difícil para Zayn precisar conviver com alguém de gênio tão forte e autoritário.
Sr. Ortega apreciou o fato de ter mais uma influência masculina pelas dependências de sua casa, pois mesmo que ele amasse as mulheres de sua vida, duas contra apenas um homem era, na maioria das vezes, injusto! Robert fez tudo o que pode para deixar o sobrinho confortável e até ignorava o aroma forte de maconha, que vez ou outra, as roupas do garoto exalavam, como também as bitucas de cigarro que flagrava quando adentrava o quarto do menino.
- Você tem certeza que não tinha nada lá? - Zayn questionou colocando na mala mais uma de suas camisetas favoritas.
- Sim. Eu já falei, você não deixou nada na casa do seus pais!
respondeu, sentada no centro da grande cama, com pernas de índio e um olhar curioso, acompanhando tudo o que primo fazia. Ao receber a missão de visitar os tios e inspecionar cada canto da mansão Malik em busca de algum pertence perdido de Zayn, a caçula não ficou muito contente, mas o fez a fim de evitar que o próprio rapaz fosse até lá e mais um discussão memorável com Yaser fosse o motivo de seu mau humor.
Naquele dia Liam e Zayn finalmente iriam para Oxford. Apesar de ainda faltarem cinco dias para o início das aulas, os meninos queriam caminhar pelo campus, conhecer os prédios, arrumar seus novos quartos com seus bens e se fossem sortudos o suficiente, conhecer algum veterano!
Mesmo que planejassem ocupar por pouco tempo o dormitório da universidade, já que Malik ansiava o dia em que entraria para uma fraternidade e Payne ainda empenhava-se na tarefa de convencer seus pais que era responsável o suficiente para ter o próprio apartamento, porque não, ele não se mataria tentando cozinhar algo e assim levar a casa às cinzas; não, ele não pretendia apenas dar festas em seu santuário de paz e tranquilidade; não, ele definitivamente não se atrasaria para todas as aulas e finalmente não, ele não queria o apartamento apenas para poder transar com a namorada sem ser interrompido ou reprimido por um adulto responsável (na verdade o último tópico o agradava, mas após ser torturado por por três meses inteiros das férias, o garoto apenas aceitou que se renderia ao celibato e Ortega a virgindade eterna). Ainda sim, seria legal uma visita antecipada à Oxford.
- Acho que já peguei o necessário. - o menino checava a lista que sua mãe havia o ajudado a fazer no dia anterior enquanto tomavam chá no gramado posterior da mansão Ortega. - Será que eu preciso de mais meias? - encarou a prima, cruzando os braços e amassando a ponta do papel.
A morena deu de ombros, com as sobrancelhas arqueadas sem saber o que responder. Afinal nunca havia embrulhado seus pertences para ir à faculdade, como também não sabia quantas meias Zayn utilizava normalmente. Malik, por sua vez, deu uma última volta por seu closet, decidindo se colocava na mala mais alguma peça de roupa, pois havia planejado a próxima visita a Londres apenas duas semanas após o início das aulas.
- Então já podemos ir. - com um imenso sorriso no rosto, colocou a mochila nos ombros e pegou a alça de sua grande mala. - Você vai de carro comigo, não é? - indagou, mirando os olhos verdes da mais nova com ansiedade.
- Na verdade não. - sorriu, inclinando a cabeça para o lado preguiçosa, levando o dobro do tempo para sair de cima da cama. - Vou esperar o Liam. - já deixava o quarto em direção ao primeiro andar para conversar com a mãe até o namorado chegar.
Desde que o pecado de Zayn fora revelado, foi impossível não perceber o quanto se distanciou do primo. E a cada investida dele, a cada vez que o moreno tentava aproximar-se da menina, a cada vez que se esforçava para que tudo voltasse a ser como era antes, a caçula recuava mais e mais, apegando-se ainda mais a Payne e a Meester. Orteguinha ainda o amava e, Zayn sabia disso, mas sentia falta daquele brilho no olhar da garota toda vez que ela dizia seu nome ou o mirava com estima.
- Tudo bem… - declarou, já sozinho no cômodo.
Liam não demorou para contornar o chafariz que ornamentava a entrada da casa Ortega e estacionar seu mustang próximo a porta principal. Saiu do carro podendo ver descer as escadas correndo para se jogar nos braços dele que a recepcionou com um abraço apertado e um beijo nos lábios.
- Cadê seu primo? - o moreno perguntou já voltando para o interior do veículo a fim de deixar as dependências da casa da namorada o mais rápido possível e evitar um encontro desconfortável com sua sogra, quem ainda não havia visto e julgado nenhuma de suas tatuagens.
- Já está vindo. - a morena riu do desespero disfarçado do mais velho, fazendo a volta no automóvel a fim de acomodar-se no banco do carona.
Logo o bom e velho bentley de Zayn aparecia no pátio, buzinando insanamente a fim de chamar a atenção do melhor amigo, já descendo a via em direção ao portão da casa, fazendo Payne retribuir a buzina e seguir o veículo do outro menino. A algazarra fez Amina aparecer na janela, com expressão preocupada já arrependendo-se de permitir que a filha ingressasse naquela viagem com o namorado irresponsável, que até onde ela sabia não possuía desenhos pelo corpo como seu sobrinho, que aos poucos se tornava uma história em quadrinhos ambulante, para seu desespero.
Liam precisou de uma semana inteira para recuperar-se da surra que levou de Jason Bennet na grande noite do baile de sua formatura. Mas aquelas sete dias não foram o suficiente para fazer o rapaz responder alguma das ligações ou mensagens dos amigos que tentaram contato, portanto passou uma semana na Flórida com seus pais e , mais especificamente na Disney, em Orlando. Outra semana na Itália a convite de Diane Meester, que ficou extremamente contente em acrescentar Ortega e Payne a sua viagem em família. Mais uma semana em Wolverhampton, sendo mimada por sua avó e caçoado pelos primos mais velhos. E só quando o mês de junho findou que o garoto pegou seu celular e respondeu uma das mil mensagens que Zayn havia o enviado.
Aquele foi tempo o suficiente para o nariz de Malik voltar aos eixos e os hematomas que se espalhavam gradativamente pelo bonito rosto do rapaz, apagarem-se completamente. Assim como os ressentimentos entre Payne e os amigos, que se conheciam desde que ainda usavam fraldas e haviam partilhado bons e traumáticos momentos de suas respectivas vida.
Liam apenas desejava que nada sobre aquela aposta fosse mencionado novamente. Nunca mais!
E felizmente durante o percurso de uma hora e meia Payne e não mencionaram nada a respeito. A caçula estava concentrada demais em orgulhar-se do primo e do namorado que agora eram universitários e não parava de falar sobre a Universidade, fraternidades, dormitórios, professores, cronograma. Quem ouvisse ao diálogo poderia até acreditar que era ela quem deixava Londres para o início de mais um capítulo de sua vida.
O campus da universidade não estava movimentado já que faltavam dias para o início das atividades letivas, contudo alguns alunos e membros do corpo docente já percorriam o interior dos prédios, como também a extensão que os separava.
- O dormitório masculino fica aqui. - Zayn colocava o dedo sobre o mapa onde a construção era representada. - E a reitoria aqui. - indicou o caminho totalmente oposto.
- E o banheiro fica onde? - Ortega indagou cruzando as pernas devido a insana necessidade de fazer uma visita ao não tão glamuroso toilette da universidade de Oxford.
- Com certeza tem banheiro na reitoria. - Liam respondeu sem nem ao menos olhá-la. Mais concentrado em situar-se a se preocupar com os mimos da namorada.
- Zayn, você achou algum restaurante nesse mapa? Eu estou com fome.
- você veio para nos atrapalhar ou para nos irritar?
- Grosso! - a morena ofendida juntou as sobrancelhas em revolta - Eu procuro o banheiro sozinha.
- Eu achava que não tinha como piorar, mas aí vocês começaram a namorar e eu percebi que estava errado. - o primo da caçula direcionou os olhos acusadores para Payne, que arqueou as sobrancelhas não sabendo ao que ele se referia - Você mima a garota como se ela não tivesse uma família inteira que já faz isso.
- Não fica com ciúme, Zayn. - Liam apertou o ombro do amigo e recebeu um tapa na mão. - Meu coração ainda é seu.
- Cala a boca, seu idiota. - passou a língua pelo lábio superior e mordeu o inferior, a fim de impedir que uma risada escapasse. - Você é muito escravo, cara. Da até vergonha de ver.
- Será que da para você parar de falar do meu relacionamento? Não parece certo.
- Por quê?
- Porque é você. - Payne fez uma careta, desgostoso - Vamos mudar de assunto. A vai demorar para voltar, provavelmente vai procurar um banheiro e algum lugar para comprar algo para comer.
- Okay. Mudamos de assunto, então. Me fala como você está. - tateava os bolsos do jeans em busca da carteira de cigarros e isqueiro. - Não conversamos muito ultimamente.
- Zayn - o rapaz arqueou as sobrancelhas e cruzou os braços, assistindo-o acender o cigarro - , é só isso que nós fazemos.
- Desculpa por sempre me interessar com seu bem estar. - assoprou a fumaça para cima, inconscientemente dando batidas na ponta do cigarro.
- Eu não vi a no último mês, se é isso o que quer saber. - declarou checando o celular a fim de ver se Ortega havia lhe mandado alguma mensagem. Nada. - Já que seu interesse pelo meu bem estar se resume em fazer perguntas para saber se eu estava com a senhorita Hilton.
- Me magoa saber que é isso o que você pensa de mim. - colocou a mão sobre o peito.
Liam riu, negando com a cabeça e guardou o celular de volta no bolso da calça: - Mas falando sério, a disse que a está ocupada com a semana de moda e você sabe como são esses meses para ela. - pode ver Malik acenar com a cabeça, desviando os olhos dos dele, concentrado em rolar com o pé uma pedrinha que havia encontrado no chão - Por que você não tenta falar com ela?
Zayn curvou os lábios em um sorriso distante, mantendo a cabeça baixa. "...seu amor não serve para nada, Zayn. Eu tenho nojo de você." É claro que já havia formulado milhões de ideias em sua cabeça, já havia arquitetado mil gestos românticos para Hilton, já havia treinado seu discurso de redenção milhares de vezes na frente do espelho, sabia cada palavra de cor. Contudo lhe faltava coragem para prosseguir, pois a fala de havia sido pequena, todavia suas consequências ainda o perseguiam.
Três meses depois, ele ainda recordava dos olhar triste, frio e decepcionado que a loira o direcionou. Ainda se lembrava do timbre da voz da menina ao entoar cada uma daquelas palavras. Vez ou outra, Malik revivia aquele momento e seu desespero nunca diminuía, a dor só aumentava e a certeza de que não era bom o suficiente para a menina modelo apenas se evidenciava cada vez mais.
- Eu estou fazendo terapia. - foi a resposta de Zayn para a indagação do outro rapaz.
Payne o encarou por breves segundos, tentando desvendar a resposta que obteve.
- Legal. - foi tudo o que conseguiu pensar em dizer. - Quem te ameaçou para fazer isso e o que usou contra você? - questionou divertido, rindo da expressão entediada que recebia do outro garoto.
- Minha mãe. E ela usou um único argumento muito convincente. - sorriu de lado, segurando a bituca de cigarro com a ponta dos dedos, a procura de uma lata de lixo - A Sra. Malik disse que eu sou exatamente igual o Yaser: intolerante e dramático.
- Ai. - colocou a mão sobre o peito com uma grave expressão de dor. - Essa foi forte até para mim. Mas sabia que sua mãe tem razão?! É exatamente quem você é: intolerante e dramático.
- E eu não quero ser como meu pai. - negou com a cabeça, mantendo o cenho franzido - Então se existe algo que eu posso fazer para mudar isso e uma pessoa disposta a me ajudar, eu vou aceitar a ajuda.
- Uau. - Liam arqueou as sobrancelhas realmente surpreso com a fala do melhor amigo. - Muito maduro da sua parte. Eu esperaria essa atitude de… - parou um segundo para pensar em um nome. - Basicamente, eu esperaria essa atitude de qualquer outra pessoas, menos de você. - viu o amigo lhe mostrar o dedo do meio em resposta e riu de sua intolerância - Mas eu fico feliz que você esteja tentando arrumar essa sua cabeça fodida.
- Obrigado. - sorriu orgulhoso de si - Eu só quero te pedir para não falar para mais ninguém, você sabe que eu não gosto que fiquem falando da minha vida.
- Quando você diz "ninguém", você se refere especificamente aos nossos amigos idiotas, certo?
- Exatamente. - riu pela forma carinhosa como Liam se referia aos outros 3. - Eu não queria nem que a soubesse, mas ela é curiosa demais e ameaçou se matar se eu não contasse onde estava indo.
- Parece que o drama está no sangue da família Malik. - concluiu pesaroso, sabendo que era a cara da namorada usar artimanhas baixas como aquela.
- É o que nos torna especiais.
- Ah, isso com certeza.
A conversa dos meninos estendeu-se até Ortega voltar, aliviada e alimentada, o que não levou muito tempo e logo dirigiam até a reitoria onde foram informados em que quarto cada um ficaria e apenas ao adentraram o dormitório masculino que Zayn realmente compreendeu o que acontecia e foi tomado por uma euforia que o fazia pular pelo corredor principal, carregando seus pertences, a caminho de seu quarto.
- Você vai ver, , nós vamos entrar para uma fraternidade. - falava entusiasmado, voltando-se para a morena que caminhava atrás dele segurando a mochila do primo e a do namorado. - E vai ser muito bom, não é Liam?!
- Eu não vou entrar para uma fraternidade, Zayn. - o outro garoto respondeu, desviando de dois rapazes que passavam correndo por eles e vendo que Ortega os assistiu até sumirem pelo corredor, curiosa para saber o que a dupla aprontava. - Só saio desse dormitório para meu apartamento. - falava confiante, começando a considerar a ideia de fazer uma apresentação de slides aos pais a fim de convencê-los dos benefícios da independência total na tenra idade.
- Meu deus, você tem 80 anos? - Malik resmungou, jogando a cabeça para trás.
- Se eu entrar para uma fraternidade só vou me preocupar com festas e consequentemente vou levar o dobro do tempo para sair daqui. - se referia as possíveis reprovações nas matérias.
- Mas essa é a intenção!
- Zayn, esse não é o seu quarto? - ouviram chamar e giraram sobre os calcanhares encontrando-a duas portas distante deles, apontando para a placa de identificação.
- Parece que sim. - o moreno voltava, destrancando a fechadura para adentrar seu santuário temporário e deparar-se com um simplório cômodo, um pequena janela fechada por uma cortina de um tom envelhecido de amarelo que o deixava deprimido, uma cama que visivelmente precisava ser trocada e sustentava um colchão que ele nem precisava usar para saber que era desconfortável. - É, eu definitivamente estou indo para a fraternidade.


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não gostava de ovos. Os considerava a casa e o caixão de um ser vivo, totalmente e simplesmente bizarro. Afinal, se os ovos fossem mantidos em um ambiente propício, a uma temperatura apropriada, pequenas aves amarelinhas e fofas quebrariam a casca com seus pequenos bicos amarelos e fofos e saíram dali felizes e piando, saltitando com seus pés amarelos e fofos. Todavia, se fossem direcionado para o consumo, seriam quebrados, mexidos, cozidos, fervidos, fritos ou assados e o que uma vez seria O-Milagre-Da-Vida se tornaria uma chacina, afinal existiam receitas que exigiam no mínimo 3 ovos!
Mas naquela tarde a jovem Meester sentiu uma repentina vontade de ovos mexidos e aquilo só poderia representar um mau presságio. Apesar de estar atenta aos males que o destino poderia lhe trazer, pediu para que preparassem ovos mexidos, suco de laranja e waffles regados com mel. Já que uma desgraça estava preste a acontecer, se permitiria ter um delicioso brunch.
E naquela tarde de quinta feira, o mal chegou vestindo a pele de Louis Tomlinson.
A morena acabava de deixar a mesa quando Dorothy, a governanta, a informava que o Sr. Tomlinson a aguardava na sala de estar e precisou de 5 minutos para decidir se o ignorava, o matava, ou usava toda a educação que Diane lhe ensinara e nunca fora usada. Mas logo a garota se dirigia até o recinto, para cruzar os braços diante um Louis que sustentava seu melhor sorriso e trazia duas sacolas na mãos.
- Eu trouxe umas coisas para nós tentarmos fazer uns drinks. - o rapaz explicou após perceber que seu rostinho bonito com a expressão, claramente, arrependida não seriam o suficiente.
- Por que você sabe que eu não te aguentaria sem estar bêbada? - indagou austera.
- Basicamente. - respondeu simplesmente, dando de ombros.
A menina o encarou por mais tempo, matando-o de ansiedade, tamborilou os dedos no braço, alternou o peso do corpo entre os pés até que cedeu.
- Vem. - o chamou com um aceno de mão - Você tem muito o que explicar.
E foi isso o que garoto fez, repetiu a mesma história mais uma vez. Afinal tivera que contá-la a seus pais e quase o matara exigindo a versão dele dos fatos. Falou também o motivo pelo qual não procurou Meester antes, primeiro: vergonha; segundo: as muitas viagens que afastou a garota da capital inglesa e; terceiro: aulas.
Após contar para Jay e Mark a aposta selada um ano e meio atrás, a mãe de Louis realmente não sabia o que fazer com seu filho inconsequente, no começo a mulher ficou sem reação, para muitos depois gritar e então pedir para que o pai do garoto gritasse com ele também. Foi decidido que Tomlinson deveria pedir desculpa para os Westwick, cada um deles, e o rapaz dirigiu até a mansão, contudo apenas uma Westwick não se encontrava na residência, já havia partido rumo a França. Mas ainda assim Louis precisou encarar Josephine e Oliver nos olhos, contar sua história pela terceira vez e sentir-se o pior ser que existia, pois foi a razão da humilhação e da tristeza da filha do casal que sempre foi tão simpático com ele.
Após cumprir sua primeira missão, o jovem Tomlinson recebeu duas propostas de seus pais: ou ele ficaria enclausurado dentro de casa, de castigo, sendo tratado como uma criança de 11 anos, idade que o menino parecia ter para aceitar fazer parte de uma baixaria como aquela; ou ele iria para Oxford mais cedo e iniciaria o semestre antes, já que seus progenitores ainda possuíam esperança de que ele não fosse destruir sua vida por completo. E Louis optou pela segunda ideia.
- E foi isso. - o moreno findou sua narrativa, ocupando um dos bancos, próximo ao balcão de mármore onde haviam preparado os drinks.
- Você não viu a desde então? - com os braços cruzados e apoiados em cima do balcão, frente ao menino, a morena questionou.
- Não. - preferiu fixar seus olhos azuis em seu copo, a mirar as feições duras de . - Eu não sei o que dizer, não sei como ela vai reagir, não sei se… - vacilou, franzindo o cenho - tenho esse direito.
- Definitivamente não tem.
- Okay, - sorriu sem humor, levantando-se a procura de seu casaco e deixando seu copo - Já entendi que você ainda está brava.
- O que você quer, Louis? - o suspiro que Meester deixou escapar por entre seus lábios rosados demonstrava toda sua decepção e frustração diante aquele assunto que parecia nunca chegar ao fim.
- Recomeçar?
- Não tem como esquecer o que vocês fizeram.
- Mas não é para esquecer! - debruçou-se sobre o balcão, aproximando-se da garota de cenho franzido - Eu nunca pediria algo assim. É para, sei lá, seguir em frente. - a fitou esperando alguma resposta, pois estava ficando ansioso e o silêncio da parte oposta daquele diálogo apenas o afligia ainda mais - Nós perdemos muita coisa naquela noite, . Todos nós.
- Não. - declarou severa. - Nós perdemos tudo um ano e meio atrás, quando vocês nos venderam.
Frustrado diante de como a conversa transcorria, Louis colocou seus punhos sobre o balcão e respirou fundo, aceitando que não sabia o que dizer.
- É impossível mudar o que aconteceu - Tomlinson escolhia uma a uma as palavras que usaria - , eu entendo a gravidade dos nossos atos e a única coisa que eu posso fazer nesse momento é pedir perdão. Você me perdoa, ?
- Eu não estou pronta para perdoar. - sorriu fraco imaginando que o rapaz achava que os três meses que se seguiram da noite do baile seriam o suficiente para a menina seguir em frente - Quando eu perdoar, não quero mais pensar no que aconteceu e apesar de eu não gostar de admitir isso, ainda penso muito, não só naquela noite, mas em como vocês mentiram para nós e nos manipularam por um ano inteiro. Mais de um ano! - cerrou os olhos, frisando tristemente o fim de sua fala - Tem muita coisa para ser perdoada e não é que eu me recuso a te dar o meu perdão, é que eu não acredito que consiga perdoar apenas parte dessa história. Quero seguir em frente disso como um todo e não estou pronta para perdoar uma pessoa.
- Eu entendo. - o garoto batucou o punho sobre o balcão, nervosamente, constrangido pela tristeza arraigada no azul dos olhos de . - Mas nós podemos tentar aos poucos e nos preocupamos com essa pessoa só depois. - deu de ombros, como uma criança displicente, tentando manter-se confiante diante de tanto relutância.
- Não sei se consigo… Tem muito rancor aqui. - indicou seu pequeno ser como um todo.
- Você é difícil, garota. - colocou o polegar sobre o cenho, tendo certeza que deveria ter se preparado melhor para aquele diálogo.
- Me decepciona pensar que você achou que seria fácil. - cruzou os braços, sorrindo ao vê-lo rir divertido diante de sua vaidade.
- Podemos tentar aos poucos? - estendeu sua mão disposto a selar o acordo, parecendo o próprio diabo e sabia que se aceitasse aquela proposta estaria vendendo sua alma.
Ponderou suas opções, intercalando seu olhar do rosto simpático do menino para sua mão ainda estendida. Meester já havia feito muita merda em sua vida, qual seria a diferença de adicionar mais uma a conta?
- Tudo bem. - apertou a mão de Louis, que soltou todo o ar dos pulmões. - Mas eu não prometo não bater em você de vez em quando.
- Bater em mim? - juntou as sobrancelhas, confuso e quase arrependido do acordo que incitou.
- Sempre que eu lembrar a merda que você fez.
- Se esse for o preço… - deu de ombros, voltando a sentar-se no banco e bebeu um gole do drink que havia preparado. - O que você colocou aqui? Tem gosto de xixi.
- Eu não sei. - riu encarando o liquidificador - Estava prestando atenção na sua história e coloquei o que aparecia na minha frente.
- Meu deus, isso é um castigo. - fez careta, encaminhando-se a pia, onde despejou todo o líquido que possuía um forte odor de álcool e gosto horrível.
- Eu vou morar com a em Cambridge. - Meester girou sobre os calcanhares, a fim de encarar cada uma das reações de Tomlinson diante a novidade.
O menino virou o rosto, mirando-a sobre o ombro, abrindo lentamente um sorriso que ju sabia que deveria assustá-la.
- ? - voltou-se para a amiga, pé ante pé, caminhando em sua direção.
- Não. - negou com a cabeça, arqueando as sobrancelhas.
- !
- Não. - frisou, crescendo os olhos.
- . - irritado cruzou os braços.
- Não! Eu odeio a , mas odeio você também e apesar dos pesares eu não faria algo assim com ela.
- Mas eu nem falei nada. - Louis elevou suas mãos em rendição, enquanto a morena cerrava os olhos não acreditando na inocência forjada que o rapaz sustentava.
- Estava preste a me pedir algo estúpido. - pegou o liquidificador, se dirigindo a pia para jogar fora o que veneno que havia feito mais cedo e tentar outra combinação. - E a resposta para isso é n.ã.o!
- Eu preciso de ajuda. - resmungou, arrastando cada sílaba ao pronunciá-las, como uma criança a quem era negado um pedaço de bolo de chocolate antes do jantar. - Da sua ajuda. - apontou o dedo para a menina com menos altura, que ao sentir-se insultado cresceu em ódio.
- Então é para isso que você está aqui! - se controlou para jogar o copo do liquidificador dentro da pia e não na cabeça burra de Tomlinson - Aquela merda de desculpa era só história, porque na verdade você quer me usar, de novo.
- Claro que não, sua complexada! - defendeu-se o mais rápido que pode, protegendo-se do outro lado do balcão, o mais longe que conseguiu de - As desculpas eram verdadeiras. Depois daquela noite a minha mãe conversou muito comigo, acho que ela estava com medo de ter criado um monstro - parou alguns segundos, permitindo-se achar engraçado o desespero nos olhos de Jay sempre que ela sentava o filho em uma cadeira e repetia o mesmo sermão de respeito ao próximo - Eu não deveria ter feito aquilo, com nenhuma de vocês. Mas você tem que entender, , que a é… Bem, ela é a ! Ela pode me matar com um celular!
- Ela com certeza pode fazer isso. - mantinha os braços cruzados e apenas uma sobrancelha arqueada.
- Eu não sei o que fazer. - desabou, frustrado no banco.
- Calma, campeão, as pessoas não esquecem merdas de um dia para o outro. Dê tempo ao tempo. - forçou um sorriso, tentando soar positiva.
- Você acha que um dia ela vai ao menos me ouvir? - indagou e meneou a cabeça, ponderando a ideia - Me perdoar?
Meester deixou o ar sair por seus lábios em uma risada de descrença, negando com o dedo veementemente : - Eu com certeza não esperaria isso. - assistiu a expressão de Louis ser tomada por um misto de decepção e irritação - Porém, você pode ter esperanças. - piscou e sorriu ao ver os olhos azuis de Tommo brilharem acompanhado por um sorriso entusiasmado.
Confiança pode ser usado como sinônimo de esperança. Louis tinha esperança de que dias melhores estavam por vir, todavia não tinha confiança o suficiente para agir em prol de uma mudança.
No ano anterior o Caribe havia sido o destino de férias dos 10 adolescentes e naquele paraíso paradisíaco os laços de amizade foram fortalecidos, como também romances de tirar o fôlego surgiram. E por muito tempo foram colhidos os frutos daquela viagem, que trouxeram tantos momentos acolhedores e ternos, no entanto, agora ele amargava a boca.
Cada um ainda tentava seguir seu caminho, mantendo-se o mais afastado possível do outro, sempre com a esperança de esquecer a dor da traição, como também a da culpa. A saudade e a raiva ainda eram recentes e mesclavam-se causando uma confusão nas almas afligidas.
O desejo de reparar os erros era imenso, mas a volta no tempo impossível. Só lhes restavam a esperança de aquele ser um belo desastre.

Capítulo 2

Liam desejava , assim como desejava Liam. Todavia, diferente do namorado que havia completado 19 anos há três semanas, a adolescente de 16 aninhos não conhecia o sexo, portanto as tardes que passava se perdendo nos lábios de Payne eram o suficiente para ela, mas a cada suspiro que a menina soltava o rapaz a imaginava fazendo outras coisas, falando mais coisas, em outras posições e com menos roupa.
Um mês após voltarem das terras caribenhas, o jovem casal conversou sobre sexo e Liam não se incomodou quando o disse que ainda não se sentia pronta para aquele passo. O garoto a beijou e com um sorriso nos lábios, informou que esperaria o tempo que fosse necessário. O que Payne não esperava era que um ano passaria e Esse-Tempo-Necessário não chegaria ao fim. Conversaram mais algumas vezes sobre o assunto, fizeram piadas juntos e o menino se convenceu que Ortega estava o castigando por todos seus pecados.
No decorrer daquele relacionamento foi difícil para Liam ignorar as roupinhas curtas que a namorava usava, a forma como ela o beijava e tocava, a maciez da língua da garota contra sua pele e os gemidinhos de satisfação que escapavam entre os lábios rosados da morena. Entretanto tudo piorara naquele verão, os três meses mais longos da vida de Liam James Payne.
FLASHBACK On:
O casal que havia acompanhado a família Meester a Itália, haviam voltado há apenas dois dias quando Karen teve a grande ideia de viajar para Orlando, Flórida. A matriarca Payne queria se aventurar pelos parques do Disney World, encontrar algumas princesas e tirar uma foto com seu ídolo, Mickey Mouse.
A mulher convidou a nora para acompanhar a família Payne naquela divertida expedição pelo continente norte americano e investiu horas de conversa com a Sra. Ortega, prometendo-a doar-se completamente a , para que a menina voltasse com vida para a Inglaterra.
- Minha mãe deixou eu viajar com vocês! - foi a primeira coisa que Orteguinha falou ao entrar no quarto do namorado que jogava em seu computador e elevou os olhos da tela para mirá-la caminhando até ele.
- A senhora Karen Payne é uma mestre da persuasão. - Liam sorriu cruzando os braços e recostou-se na cadeira giratória.
- Mas eu só posso ir com uma condição. - a caçula encostou o quadril na madeira da mesa que era ocupada pelo computador do menino. - Nós temos que dormir em quartos separados.
- Pelo amor de deus, ! - o rapaz rolou os olhos, enfadado.
Não era possível que Amina nunca imaginara que no decorrer de um ano de namoro o casal nunca dividiu a mesma cama.
- Pelo menos eu vou com vocês. - a garota deu de ombros não se incomodando com o pedido da mãe. - Nós podemos ver algumas fotos do parque?! - pediu animada e o menino sorriu, minimizando seu jogo e abriu o navegador, digitando na barra de busca o destino de sua viagem.
E a fim de ter uma melhor visualização da tela, sentou no colo do rapaz e Liam congelou. A blusa que a morena usava possuía um grande decote nas costas e não era acompanhada de aviso prévio que aquela surpresa surgiria diante de seus olhos cedo ou tarde. A pior parte era que Payne tinha certeza que a menina não usava sutiã, afinal não tinha resquícios de lingerie a sua frente, apenas pele. Aquele pele que ele sabia que era macia, aquecida e que o convidava a tocá-la, beijá-la, mordê-la e arranhá-la.
- É bonequinha… É melhor nós ficarmos em quartos separados mesmo.
FLASHBACK Off.

A viagem foi muito divertida e uma semana depois a família Payne e a senhorita Ortega voltavam para a Europa. Liam apenas substituiu as roupas da mala e não demorou a se dirigir para a casa dos avós em Wolverhampton, estava animado para encontrar todos os primos e ser amado pela vovó Payne. , por sua vez, permaneceu em Londres e em uma sexta feira se instalou na mansão Meester, juntamente com e a única coisa que as três fizeram durante três dias, além de fofocar sobre a vida alheia e comer, foi ficar na piscina, tomando banho de sol.
FLASHBACK On:
- Olha isso! - sentada no sofá de sua sala de televisão, com um sorriso imenso no rosto, a mais nova afastou a alça da regata que usava, a fim de mostrar ao garoto o seu bronzeado.
Com o braço apoiado nas costas do sofá, o moreno a encarou por breves segundos, logo voltando a atenção a TV: - Legal. - foi tudo o que ele respondeu.
- Babe, você não olhou. - falou triste.
Na maioria das vezes Orteguinha ficava vermelha e não bronzeada. Diferente de todas as amigas que desfilavam com suas peles acobreadas, beijadas pelo som, a menina se encontrava a beira de uma insolação, com dificuldade para dormir devido as queimaduras doloridas. No entanto, durante o fim de semana que passou na casa da melhor amiga, conseguiu seu tão desejado bronzeado e ela queria que Liam comemorasse seu feito, juntamente com ela.
Portanto, mais uma vez, afastou a alça da regata e o rapaz se deu por vencido, esticando o pescoço para se deleitar com a visão da fina linha mais clara que se originava na nuca da garota, passava por sua clavícula marcada, percorrendo toda a extensão de seu busto, em direção a seu seio, única parte que Payne, infelizmente, não conseguia ver e ele queria chorar por isso.
Levou os lábios até a marquinha que implorava para receber atenção e sorriu ao ver a namorada se encolhendo ao seu toque, todavia Malik logo adentrou o recinto atrapalhando os planos sórdidos do amigo, que foi forçado a prestar atenção no filme.
FLASHBACK Off.

Mas o problema do mais velho não era apenas o bronzeado da namorada, que a cada dia daquelas férias ficava mais marcado, mas também o comprimento das roupas da morena, ou a falta dele.
Liam achava que ficava uma graça com suas roupinhas de verão, mas a cada dia que ele estacionava em frente a porta principal da mansão Ortega e a garota aparecia com suas sainhas, vestidinhos ou shortinhos, o rapaz sabia que teria um longo e difícil dia pela frente.
FLASHBACK On:
Payne gostava quando usava verde, apesar de não entender sobre a ciência das cores, o garoto achava que os olhos da morena se destacavam e ele amava aqueles olhos.
E em uma tarde de quinta feira, quando Ortega apareceu em sua casa com um curto vestidinho verde, até Karen elogiou a beleza da nora, utilizando o adjetivo "radiante" para descrever a caçula. Liam logo foi para seu quarto, mas a menina permaneceu na companhia da sogra que a mostrava o álbum de fotografia com as imagens da viagem que haviam feito para a Disney.
Após 40 minutos de conversa, a garota subiu pelas escadas, encaminhando-se para o quarto do rapaz e deitou-se na cama ao lado dele, que usava o celular, sacando o próprio aparelho para puxar assunto com , já que o menino parecia ocupado. mexeu-se no colchão, inquieta, chamando a atenção de Liam que checava a tabela de pontuação do campeonato de futebol inglês e ao virar seu rosto para descobrir o que parecia incomodá-la a encontrou de costas para ele.
Para um qualquer, aquele era um cenário comum e usual. Contudo a barra do vestido que já não possuía um longo comprimento, subiu ainda mais e Payne suspirou lentamente admirando as coxas de Ortega, permitindo sua imaginação viajar à terras proibidas, imaginando a lingerie que ela usava, a cor ou até mesmo SE usava!
Esticou seus dedos pelo colchão e quando estava prestes a tocá-la, chamou por ele:
- Sweetheart, me cobre, por favor. - pediu, ainda concentrada na tela de seu IPhone.
E Liam a obedeceu. Bufando, puxou um lençol, soterrando-a da cabeças aos pés em tecido, escondendo cada pedaço daquela tentação.
FLASHBACK Off.

Seu coração acelerado, movimentava-se tão depressa, que o rapaz sentia seu sangue percorrendo toda a extensão de seu corpo. Seus poros abertos, seus pelos eriçados, suas mãos trêmulas e o suor que formava-se em sua testa serviam para comprovar que Liam Payne estava em combustão. Estava explodindo de desejo por aquela pequena demonia, aquela criatura atrevida, de saia, que adentrou seu quarto com um sorriso afável e inocente, sentou em seu colo, entoou um "Boa tarde" em seu ouvido e finalmente passou aqueles lábios, o labirinto da condenação de Liam, por todo seu pescoço.
Quando o garoto levantou-se da cadeira giratória e guiou até sua cama, teve certeza que seu castigo ainda nem havia iniciado, pois a morena não o impediu, apenas continuou a dança, que suas mãozinhas provocativas faziam pelas costas do rapaz. E ao repousar no colchão macio do namorado, com seus cabelos negros bagunçados em contraste com o lençol branco, suspirou em aprovação e para a perdição de Payne, a insolente sorriu confortável, chamando por ele.
Tal evento levou o casal à situação atual; Ortega encolhendo-se sob o corpo do moreno que percorria a mão pela lateral de seu corpo enquanto mordiscava o lobo de sua orelha e Liam desejando a própria morte por saber que mais uma vez aquela menina petulante o faria ter pequenos vislumbres do paraíso, mas não o permitiria nem ao menos encará-lo por muito tempo.
- Liam. - o nome do garoto escapou por entre os lábios de assim que ela percebeu que o tecido de sua blusa era totalmente ignorado e as pontas dos dedos do rapaz tocavam sua pele, tão próximo a seu sutiã.
Payne cerrou o punho, afundando-o no colchão e enterrou o rosto no travesseiro onde Ortega repousava. Ele só queria tocá-la, ou ao menos vê-la. Deus… Acreditava que se um dia conseguisse deitar nua em sua cama, gozaria antes mesmo de a morena o tocar.
Usualmente, quando o moreno se mostrava frustrado com as proibições que a menina instituia durante seus picos de desejo, a tarde seguia um rumo distinto, todavia naquele dia, estava ainda mais permissiva e ao invés de se afastar do namorado, acariciou a nuca dele, beijando seu ombro, por cima do tecido da camiseta.
Ortega queria enlouquecê-lo, ele tinha certeza! Afinal, agora era sua barreira de tecido que era negligenciada, permitindo-o sentir o toque das mãos frias da garota em sua pele quente. Ele fitou aqueles castos olhos verdes que o miravam de forma apaixonada, as bochechas ruborizadas, os lábios avermelhados e graciosamente inchados, circundavam a expressão serena de .
Liam a beijou e a mais nova perdia a sanidade no mesmo ritmo que a língua do rapaz ia e vinha dentro de sua boca, lentamente. Os dedos astutos do garoto subiam por sua coxa, invadindo sua saia e a menina sentia seus poros se dilatando e seus pelos se eriçando a medida que ele pressionava a mão contra sua pele. Payne pressionou seu quadril contra o dela e a morena não conseguiu evitar imaginar aquele contato sem as roupas os distanciando, enroscou a cintura do namorado com suas pernas, ansiando por mais e, por consequência sua saia rolou por suas coxas, permitindo mais acesso ao menino que aproveitou a oportunidade.
O garoto passou seus lábios entreabertos pelo maxilar da namorada e beijou seu pescoço, descendo para seu colo, enquanto projetava-se para frente, silenciosamente implorando-o para continuar. O rapaz acariciou a cintura de Ortega, afastando a blusa que a cobria e o atrapalhava, para assim ter ainda mais contato com a pele em chamas da garota que pressionava os dedos contra os músculos das costa do menino. Entretanto quando a mãozinha perspicaz de desceu em direção ao abdômen de Payne, esbarrando no cós da calça dele, o moreno resfolegou, depositando um último beijo nos lábios da menina que franziu o cenho, vendo-o se afastar e sentar na ponta da cama.
- Não. - a voz vacilante de Ortega soou frustrada.
- Quê? - Liam voltou o rosto para a morena, esforçando-se para a fitar nos olhos, tentando ignorar a saia elevada demais que provavelmente revelava a calcinha que aquele demoniozinho usava.
- Por favor. - esticou-se para alcançá-lo, mas o garoto estava muito longe e ela atordoada.
- , eu não vou continuar para do nada você me pedir para parar. - sorriu forçado.
- Mas eu não quero que você pare.
- O que você quer, afinal?
- O que você tem para me oferecer? - a caçula apoiou-se nos antebraços, cerrando os olhos, aguardando pela proposta.
- Isso é um tipo de teste? - o moreno levantou-se e cruzou os braços, analisando cada nuance da expressão da menina que o colocava a frente de uma cilada.
- Liam, eu só estou tentando fazer sexo. Com você. Agora.
Aquilo, definitivamente, era um teste!
- Está bem, então levanta. - pediu, vendo-a cerrar o cenho, mas obedecendo seu pedido.
A frente de Payne, a mais nova ajeitou sua blusa, posicionou sua saia no lugar certo, passou as mãos pelos cabelos, arrumando-os e aguardou pelas próximas instruções.
O rapaz aproximou-se dela, colocando as mãos uma de cada lado do rosto da garota, encarando-a nos olhos, submergindo na inocência que eles emanavam. Sentiu em seu peito uma ansiedade e plenitude, sendo hipnotizado pela beleza pura e ingênua que circundavam o alvo de sua devoção. Acariciou a pele dela, e a menina espalmou a mão em seu peito, aproximando seus lábios dos dele, com suas respirações mesclando-se e seu coração agitado e apreensivo chocando-se nervoso contra sua caixa torácica ecoando uma melodia que a inquietava.
Ortega passou a ponta da língua pelos lábios de Liam, sentindo-o agarrar os cabelos de sua nuca, descendo a outra mão até sua cintura, aproximando-a ainda mais. Ele beijou seu pescoço, puxando os cabelos dela para trás a fim de avançar com os beijos para o colo da menina que estava desnorteada, porém o calor que provinha da pele do rapaz, a dança que as mãos dele faziam no corpo dela, os beijos que a tiravam o fôlego e a instigavam a continuar, a confirmavam que ela não estava satisfeita e a incitavam a querer mais.
E o misto de sentimentos ainda eram presentes no momento em que o menino separou seus lábios da pele cálida da morena, que o encarou frustrada. Ele sorriu de lado, sentado na ponta da cama, a mirando com ambição. Foi impossível para não desviar rapidamente os olhos verdes para o lado, devido o constrangimento de tê-lo fitando-a com tanta cobiça e anseio.
- Tira a roupa. - a voz de Payne soou amena pedindo-a para realizar sua maior ficção de amor, fazendo sentir calafrios pelo corpo todo só ao ouvi-lo.
Ele tinha certeza que a filha de Amina não prosseguiria com aquilo. Acreditava que alcançara o limite da garota que o fitava curiosa.
- O quê? - questionou, franzindo o cenho.
- Você quer continuar isso? - devolveu outra pergunta, vendo-a sustentar uma expressão incerta porém acenar positivamente com a cabeça. - Tem certeza?
- Sim.
- Então, tira a roupa, .
- M-Mas… - pensou em argumentar, afinal aquilo tudo era muito novo, no entanto, nem ao menos sabia pelo o que estaria lutando contra. - Okay. - expirou alto, encarando a si tentando desvendar o mistério de por onde começaria e tendo consciência de que o que estava por vir não seria nem um pouco sexy. - Eu odeio você… - falou baixo abrindo o zíper de uma das botas.
- O que você disse? - indagou por não ter a entendido.
- Nada. - sorriu já sem ambos os calçados, tirando também as meias.
Com a postura ereta, o encarou percebendo que ele mantinha-se o oposto dela, totalmente relaxado e sereno enquanto Ortega estava nervosa e ansiosa. Ao colocar as mãos no cós da saia que usava, abaixou os olhos certificando-se de que aquilo de fato acontecia e voltou a mirar Liam enquanto abaixava a peça de roupa, para depois tirar a blusa, sobrando apenas sua lingerie azul marinho.
O rapaz a mirava incerto, sem conseguir acreditar que a garota realmente fez o que ele a pediu. Já havia imaginado se despindo milhares de vezes, sua imaginação fértil já havia vestido a namorada com as mais variáveis peças de roupa, só para então a morena tirar uma a uma, só para ele. Já havia se imaginado dentro dela, em todas as posições possíveis, em todos os lugares possíveis e agora que aquele sonho estava preste a se realizar, Liam começava a ficar ansioso, passando as palmas das mãos suadas por sua calça jeans.
- Então… - juntou as mãos na frente do corpo, tentando se esconder de alguma forma, devido a vergonha. - e agora? - perguntou baixinho e incerta, vendo-o sorrir de seu nervosismo e acabou espelhando-o e rolando os olhos, respirando fundo ao constatar que não havia nada para se temer.
O moreno estendeu a mão, chamando-a e entrelaçou seus dedos nos dela, beijando o dorso da mão da menina e sentou-a em seu colo com uma perna de cada lado, para poder admirar cada linha e detalhe que desenhava o rosto delicado do anjo a sua frente. Anjo este que estava preste a se entregar de corpo e alma para todos os seus desejos sórdidos. Sentiu o coração dela bater descompassado contra o peito e mergulhou na visão de seu rosto corado antes mesmo de saber o que ele pretendia fazer, e o vislumbre da ideia de que Ortega desejava aquilo tanto quanto ele mesmo, acendeu uma fagulha em se peito.
Payne respirou fundo e a beijou, deliciando cada segundo daquele gesto que poderia ser considerado singelo, mas para ele valia o mundo com toda sua beleza e riqueza. Passeou desesperadamente com as mãos pelas costas da garota, apertou seu bumbum, pressionando-a contra seu membro e suspirando alto por finalmente sentir aquele toque, correu com as mãos pelas coxas dela, pelo abdômen e ao apertar os seios da menina por sobre o sutiã, só conseguiu desejar ter mais mãos, lábios e línguas para realizar todas as suas fantasias de uma vez só, experimentar todos os sabores de naquele momento, tocar seu corpo inteiro, dar e ter prazer.
Diferente do namorado, Ortega se limitava a enrolar as pontas do dedos nos cabelos do rapaz, fazendo um carinho delicado e tranquilo, ainda incerta sobre quanto poderia explorar o corpo dele. Porém, quando Liam retirou a própria camiseta, tendo os olhinhos curiosos da morena, atentando-se a todos seus movimentos, tocou o ombro nu do rapaz com o cuidado de quem tem a honra de tocar um corpo celestial e Payne sorriu, mirando a mão que descia lentamente seu tórax, abdômen e parava no cós de sua calça.
- Eu preciso saber se você quer mesmo continuar. - elevou o rosto para mirá-la. Torcendo para que a morena dissesse que sim, pois caso fosse coberta novamente com suas peças de roupa, Liam choraria por uma semana. Mas Ortega conseguiu ver diversão no momento.
- Você já perguntou isso tantas vezes que eu repensei… - cerrou os lábios, desviando o olhar. - Acho que por hoje está bom assim. - deu de ombros, confirmando com a cabeça e tomou impulso para levantar, todavia foi contida por ele, que não sabia se ela dizia a verdade ou estava dando o troco e por isso se resumia a tentar desvendá-la com o olhar cerrado. E foi apenas quando ouviu a risada de , que pode ter certeza que a garota simplesmente não sabia o limite entre a brincadeira e o sexo que estava preste a finalmente acontecer. - Você não acha que está bom por hoje? - indagou rindo, vendo-o negar com a cabeça. - Ah então tá…
- "Ah então tá."?! - perguntou insultado. - Essas são suas últimas palavras como uma virgem? - falou sério, mas ao mirá-la gargalhando e jogando a cabeça para trás foi impossível não render-se às risadas também.
- Parece que você vai me matar e beber meu sangue - não conseguia parar de rir, apoiando a cabeça no ombro do namorado que ao ouvi-la também começou a gargalhar.
- Bonequinha, nós precisamos nos concentrar. - pediu, voltando seu foco para não rir.
- Okay. - ela confirmou com os olhos fechados e respirando fundo a fim de cessar as risadas. - Você não vai beber meu sangue né?
- Eu não posso prometer, agora você colocou a ideia na minha cabeça e…
- Liam! - sorrindo, o empurrou levemente e o viu entrelaçar os dedos nos dela, deitando-se na cama a levando consigo.
O garoto prendeu os cabelos negros da morena com uma mão, para que eles não o atrapalhassem e a puxou pela nuca, levando o pescoço dela até seus lábios que deixou o ar esvair de seus pulmões e se encolheu ao sentir o namorado mordendo seu ombro. Apesar de ter achado a lingerie da garota muito bonita, o rapaz não conseguia conter a vontade de se livrar das pequenas peças de roupa de uma vez e sua ansiedade piorou quando sentou em seu membro e se esticou para passar a língua cálida por sua clavícula marcada, fazendo-o apertar os olhos apenas pensando no momento que poderia penetrá-la. Levou as mãos ao sutiã da garota e não conseguia mais esconder o nervosismo, pois precisou de um tempo maior do que gostaria de admitir para entender-se com o feixo.
retraiu os ombros, constrangida, ao assistir a alça de sua lingerie cair por seu ombro, pois só a ideia de ficar completamente nua na frente de Payne faziam os pelos de sua nuca se eriçarem. Um sorriso travesso e cobiçoso foi alastrando-se pelos lábios do menino, que a aguardava acostumar-se com a ideia e quando finalmente pode ver os seios com os quais sonhou inúmeras vezes soltou o ar pesadamente, só então percebendo que o mantinha preso nos pulmões, pois sua imaginação nunca conseguiria criar algo a altura do que era nua a sua frente. As mãos do garoto fecharam-se sobre os seios de Ortega e a travessura que inundava seu rosto foi substituída pelo prazer que emanava dele, precisava lembrar-se a todo instante para não apertá-los com força demais.
Mal sabia Payne que naquele instante, naquela cama, a menina queria que ele tocasse toda a extensão de seu corpo, cada pedaço de sua pele, queria senti-lo pressionar-se contra si e usufruir da experiência carnal e lasciva, e ainda sim íntima, do calor de seus corpos em atrito. Ansiava experimentar cada toque, cada beijo e mania dele, e apesar de não fazer ideia de como demonstrar seu desejo latente, sabia que o queria desesperadamente.
- Você é linda. - Liam falou encarando e acariciando sem pudor os seios da garota que, com as bochechas coradas, arqueou as sobrancelhas sabendo exatamente ao que ele se referia, todavia o rapaz nem notou já que raciocinava dezenas de forma de se deliciar com aqueles seios, aqueles mamilos e finalmente causar os gemidos de .
Surpreendendo Ortega, Payne rolou na cama, colocando-a confortavelmente sobre o colchão, sem tirar os olhos de seus novos alvos de desejo, os seios rígidos da garota. Umedeceu os lábios, deixando evidente seu apetite e passou a ponta da língua no mamilo da menina, que resfolegou, tensionando os músculos do abdômen, fazendo o rapaz sorrir diante de sua vulnerabilidade e morder seu seio enquanto ela o assistia curiosa, com o cenho levemente cerrado.
No decorrer daquele relacionamento foi impossível para evitar uma leve excitação entre as pernas, ficando sem ar todas as vezes que Liam apertou seu quadril quando a beijou, para então morder o lobo de sua orelha. Entretanto, naquele instante, enquanto o rapaz sugava seu mamilo, guiando seu quadril na direção do dela, evidenciando todo seu desejo e causando os arrepios que gradativamente se espalhavam por todo o corpo da garota, a excitação dela não era nem um pouco leve. Um crescente frio na barriga devido o nervosismo, a deixava mais ansiosa já que estava maravilhada com todas aquelas novas sensações.
Payne prendeu dois dedos de cada lado da calcinha azul marinho dela, que instantaneamente ficou inquieta e conforme o menino a despia ficava ainda mais agitada sob ele. O garoto colocou-se de pé, por um instante, apenas para observá-la completamente nua sobre sua cama. Deus, ele iria enlouquecer! Queria memorizar aquele momento exato, quando sobre seus pés, a beira de sua cama, , com as bochechas coradas, tentou cobrir a beleza de seu corpo, assistindo o namorado negar com a cabeça, incentivando-a a revelar-se por completo para ele. Os cabelos desordenados, da morena, espalhados em um gracioso caos, o formato perfeito de seus seios, sua cintura, seu quadril, seus pernas, seus olhos… O garoto adorava afogar-se naqueles olhos e sorriu ao explorá-los e concluir que transbordavam curiosidade, devoção e prazer.
Liam tentou ignorar as mãos suadas e trêmulas e se esforçou para desabotoar a calça jeans, mas aquela tarefa tão fácil, nunca antes pareceu tão complicada. Respirou fundo finalmente se livrando da peça de roupa e ajoelhou-se sobre o colchão, abrindo as pernas de Ortega para aconchegar-se entre elas. Afundou o rosto na barriga da menina, respirando fundo mais uma vez, buscando não focar-se no desejo que o consumia pois seu coração acelerado chocava-se fortemente contra sua caixa torácica, fazendo sua estrutura óssea chacoalhar por inteiro e seus músculos reteserem.
- Eu te amo. - falou abafado, contra a pele da menina e apoiou-se sobre as mãos, aproximando-se do rosto da morena e passando a ponta do nariz pela bochecha dela, que sorriu e abraçou seu torso.
- Eu também te amo. - murmurou buscando pelos lábios de seu amor, deleitando-se com o momento. Conforme ele a acariciava, seus mamilos roçavam o tórax do rapaz e a ereção dele era separada de sua intimidade apenas pelo tênue tecido da cueca, ocasionando faíscas que expandiam-se por seu corpo em chamas.
- Agora, eu preciso da sua ajuda. - o menino rompeu o beijo com dificuldade já que não tinha o menor interesse em deixar que ele se afastasse, mas quando o fez, apenas substituiu os lábios dela por uma de suas delicadas mãos e ali depositou um beijo.
- Qualquer coisa. - respondeu solícita e Payne arqueou as sobrancelhas sorrindo malicioso. Será que ela tinha noção da magnitude daquela declaração?
- É simples. - falou, delineando os lábios da garota com as pontas do dedos e não desviou os olhos ao introduzir dois dedos em sua boca.
não tinha muita certeza do que fazer, mas ele havia dito que era simples, portanto envolveu-os com sua língua macia enquanto o observava contemplá-la realizando seu desejo.
- Obrigado. - sorriu com malícia, ainda atento a cada reação de Ortega e ao tocá-la em sua intimidade pode vê-la entreabrir os lábios, inspirando pesadamente, surpresa. Liam mentiria se não assumisse que adorou o fato de que a menina já estava muito úmida, pronta para recebê-lo, pronta para devorar seu membro, pronta satisfazê-lo.
Iniciou movimentos circulares no clitóris da garota, que não desviava os olhos dos dele e, soube que encontrou seu ponto de prazer quando sentiu as mãos de apertarem seu ombro e assistiu os olhos dela se fecharem com força para então se abrirem deslumbrados.
Não era justo. Não era justo algo tão prazeroso como aquilo existir no mundo! era uma descrente! Afinal o mero movimento que Liam fazia com os dedos era o responsável por deixar toda a atmosfera ao redor da menina, densa. Ela se sentia pesada, sua pele pesava uma tonelada, o suor que se formava em sua nuca pesava, seus ossos pesavam, o ar em seu pulmão pesava, seu coração pesava, espasmos percorriam cada um de seus músculos e ela estava desesperada, precisava de mais, queria mais. Portanto movimentou o quadril ao encontro dos dedos do namorado esperando que pudesse ter aquelas sensações para sempre, mas quando Payne a penetrou com apenas com um dedo, Ortega perdeu a fé em todas suas crenças, pois quando acreditou que Liam havia a mostrado o paraíso, descobriu que não havia nem chego perto ainda.
E quando encheu as mãos com os lençóis brancos, esforçando-se para sufocar os gemidos na garganta, Liam afundando o rosto no travesseiro que ela usava, tentando ignorar o fato de que seu membro começava a latejar, carente de atenção, já que era ele quem poderia estar no interior apertado e quente da morena. Payne iniciou movimentos de vai e vem, sentindo-a se contorcer sob si, ouvindo a respiração pesada e entrecortada da garota tentar sair por suas narinas.
- Geme pra mim, . - pediu baixinho no ouvido dela e Ortega se libertou. Gemeu de prazer no ouvido do garoto que decidia que aquela era definitivamente sua nova melodia favorita.
Afundou dois dedos no interior dela que arqueou-se sob seu corpo, fazendo-o fitá-la nos olhos que o encaravam indignados em como ele tinha a capacidade de causar tudo aquilo! As mãos da morena tensionaram-se sobre as costas dele, como se fosse possível fazê-lo estar ainda mais dentro de si. E quando Liam curvou os dedos dentro dela, a mais nova sentiu os olhos esquentarem devido as lágrimas de desespero que ameaçavam rolar e então sorriu.
Aquele demoniozinho sorriu perplexa com a onda de prazer que a tomou, impulsionando os quadris ao encontro dos movimentos que o namorado fazia e Payne queria morrer, pois tinha certeza que explodiria ali, naquele instante. Era evidente que estava adorando tê-lo ali a masturbando e apesar de querer continuar o rapaz não conseguia resistir mais.
- - chamou-a tirando-a do transe em que se encontrava - eu preciso… Eu não aguento mais. - negou veementemente com a cabeça, retirando os dedos de seu interior, que suspirou frustrada, sentindo parte de si sendo levado com ele.
Liam deu um pulo da cama, tirando a cueca, sem notar que a morena o encarava curiosa, sentou-se sobre o colchão, de costas para a namorada e abriu uma gaveta do criado mudo, dali tirou uma camisinha, levando um tempo para conseguir controlar as mãos ansiosas e assim abrir o embrulho. Protegeu-se o mais rápido que conseguiu e voltou ao seu novo lugar favorito no mundo, sobre Ortega, entre suas pernas e seus braços, onde suas respirações se mesclavam e as mãos dela o acalentavam.
- Eu estou nervosa. - a menina admitiu, com as bochechas ruborizadas e ele sentiu os músculos dela enrijecerem assim que sua ereção esbarrou no abdômen da menina.
- Eu também. - assumiu, vendo-a sorrir em dúvida. - Se você quiser parar me fala e eu paro, está bem? - indagou e a viu acenar em concordância. - Relaxa. - pediu baixinho, passando uma mão por todo o corpo da garota que claramente não estava relaxando.
Posicionou-se na entrada dela, sentindo-a tão tensa que acreditava que nem ao menos conseguiria adentra-la. Depositou um beijo na testa da namorada e outro na ponta de seu nariz, sorrindo ao vê-la franzi-lo em resposta, beijou cada uma de suas bochechas para então chegar em seus lábios, onde suas línguas encontraram-se saudosas e a mais nova se derreteu a seu toque, permitindo-o penetrá-la.
- Caralho. - Liam falou contra os lábios de Ortega, apertando os olhos com força, se amaldiçoando. Ele a adentrou apenas um centímetro, mas foi o um centímetro mais delicioso de sua vida e ele precisaria ter muito autocontrole, portanto respirou fundo antes de sair e entrar mais um vez, apenas um centímetro! - Tudo bem? - ao abrir os olhos a encontrou séria, completamente atenta ao que acontecia, prestando atenção a todos os nuances daquele ato.
- Ahan.
- Qual é a sensação? - perguntou se mantendo dentro dela tentando raciocinar se aquilo ajudaria
- Incômoda. - falou com o cenho franzido.
- Okay. Incômoda é melhor que horrível, certo? - tentou soar positivo - Nós podemos trabalhar com incômoda, podemos tornar bom…
- Sim. - consentiu, passando as mãos por toda a extensão das costas dele que saia e entrava, dessa vez dois centímetros.
- Ah … - murmurou hiperventilando, fazendo sua caixa torácica expandir e retrair freneticamente. Escondeu o rosto na curva do pescoço da morena, que iniciou um carinho na nuca do rapaz, sentindo-o adentrar mais que da última vez e nem notou quando contraiu ainda mais os músculos, tensa. - Bonequinha, vai doer um pouquinho, mas… mas é só dessa vez.
- Ahan.
E o aviso de Payne foi pior, pois a cada vez que ele ia e vinha dentro dela, tudo o que esperava era sentir a famigerada dor de seu hímen se rompendo. Entretanto, os movimentos de Liam foram ficando familiares e Ortega se permitiu relaxar e aproveitar a inebriante experiência que era seus corpos em atrito, as mãos dele por seu corpo, os lábios dela contra a pele do garoto e o olhar de desejo que ele a direcionava.
Todavia, quando o rapaz a penetrou a fundo, finalmente acolhendo-se completamente em seu interior que o abraçava e aquecia, teve um sobressalto, afastando-se dele com os olhos fechados devido a dor e um gritinho abafado escapando por seus lábios cerrados.
- , me perdoa! - o rapaz sentiu um soco no estômago ao assistir a expressão de aflição da mais nova e vê-la virar-se de costas para ele, encolhendo-se. - Me perdoa.
Queria se matar, Liam Payne, queria se matar. Se sentia o ser humano mais estúpido do universo e afundou o rosto no travesseiro, pressionado o objeto contra a face a fim de impossibilitar sua respiração e morrer. Tarde demais, lembrava-se de um milhão de estratégias que poderia ter usado para facilitar o momento para Orteguinha, mas era estúpido! Estúpido!
- Liam? - enquanto se martirizava ouviu a voz mansa da garota chamando por ele e elevou a cabeça, encontrando-a o fitando com cautela. - Você está bravo? - perguntou cuidadosamente tentando entender a razão de ele se afundar cada vez mais contra o travesseiro que já estava todo murcho.
- Não! - respondeu rápido, arrumando a postura. - Você está brava? - indagou com receio de ouvir a respostas.
- Não. - negou com a cabeça.
O moreno se deitou, puxando-a pela mão para poder abraçá-la e a menina foi acolhida por seu braços, escondendo o rosto na curva de seu pescoço, sorrindo contra a pele do rapaz ao senti-lo acariciar seu cabelos.
- o ouviu a chamar e murmurou em resposta, com preguiça de se mover - , me desculpa?
- Está tudo bem, não se preocupa. - afastou-se apenas o suficiente para selar seus lábios aos dele que a impediu pois, aparentemente, ainda não havia superado o ocorrido.
- Não vai mais ser assim, tá?
- Eu sei. - confirmou com a cabeça, podendo constatar cuidado e afeto naqueles olhos castanhos calorosos. - Agora, me beija. - pediu e foi arrebatada por aqueles lábios que a encantavam, passeando com sua mão pelas costas de Payne, por sua nuca, pelos músculos de seu braço, por seu tórax e abdômen e, no momento em que ele a rolou pelo colchão, ficando sobre ela, a morena interrompeu. - Babe - falou segurando o pulso dele que já descia pelo interior de sua coxa - , a gente pode comer antes de continuar? - questionou dando seu melhor sorriso.
- Claro. - sorriu tentando parecer educado e atencioso, afinal não podia privar a menina de alimento, mesmo tendo sido privado por mais de um ano de sexo e agora estava pronta para outra, mas de alguma forma conseguia pensar em comida! - Eu vou descer e pedir para prepararem uns sanduíches. - recebeu um beijo nos lábios e saiu da cama, vendo-a cobrir-se com o lençol.
- E limonada? - Ortega perguntou assistindo-o confirmar com um aceno e pegar a cueca no chão. - E depois sorvete? - a fim de ser ouvida, aumentou o tom de voz quando o rapaz entrou no banheiro para jogar a fora a camisinha mal usada e vestir a cueca. - Pode ser sorvete com torta?
- Você está com tanta fome assim? - de volta ao quarto, Liam questionou colocando a camiseta.
- Muita.
- É, eu também… - falou baixinho, já fechando o zíper da calça jeans e sem acreditar no que fazia, deixou para trás , coberta apenas com um fino lençol e se dirigiu para o andar inferior.
Chegando a cozinha, pediu para prepararem quase tudo que a morena requisitou, já que duvidava que tanta comida caberia dentro de um ser sem muita altura. Pediu também que a refeição fosse levada para a sala de TV, já que havia tido a ideia de assistir um filme com a namorada. E finalmente pode subir as escadas, encaminhando-se a seu quarto, no entanto, quando abriu a porta não escondeu sua decepção e suspirou frustrado ao encontrar Ortega descalça, porém, já devidamente vestida com sua blusa e saia e, Payne franziu o cenho surpreso ao constatar que ela havia retirado os lençóis de sua cama, deixando seu colchão nu.
O lençol… estava - a garota tratou de se explicar, desviando os olhos dos dele e enrolando a barra da saia nos dedos nervosos - manchado.
- Manchado? - Liam juntou as sobrancelhas, aproximando-se - Ah, manchado! - entendeu sobre o que a menina se referia, quando ela o encarou significativamente - Eu peço para alguém vir trocar. - tocou o queixo dela trazendo-a para mais perto e passou a ponta do nariz pelo maxilar da menina - O que acha de assistirmos um filme enquanto comemos? Eu pedi para levarem a refeição para a sala de TV.
- Qual filme vamos ver? - questionou abraçando-o pela cintura.
- Se eu escolher vou querer Harry Potter! - avisou
- Ah não, Liam! - se afastou dele, instantaneamente, ultrajada - Eu não aguento mais! Você só me coloca para assistir Harry Potter!
- A culpa não é minha se você não tem cultura e nunca viu os filmes. - defendeu-se - Eu estou fazendo um favor para você.
- Mas eu já assisti todos eles. Duas vezes! - fez os números com os dedos - Eu não quero mais!
- Ah, só mais essa vez.
- Está bem… - rolou os olhos dirigindo-se até a mesa do computador para pegar seu celular. - Qual você quer ver?
- Eu tava pensando no Enigma do Príncipe. - deu de ombros, pensando que seria bom procurar por seu celular também, mas com preguiça demais de sair caçando-o pelo recinto. - Esses dias entrei em uma discussão com a sobre um detalhe do filme e queria ver para relembrar.
- Enigma do Príncipe? - indagou submersa na tela de seu IPhone, nem ao menos ouvira a explicação do namorado, pois haviam mensagens demais no grupo do WhatsApp que tinha com e - Está bem, tanto faz. - saiu caminhando em direção a porta, já digitando insanamente uma resposta para a conversa em que ela havia chego atrasada, mas sentia que precisava participar. - Harry Potter e o enigma do por quê a sua boca está tão longe da minha. - disse distraída passando por Liam, que franziu o cenho ao ouvi-la e até pensou em respondê-la, contudo a morena já deixava o quarto ainda hipnotizada pelo aparelho em suas mãos.
Um sorriso foi alastrando-se lentamente pelo rosto do rapaz que ainda não havia entendido se aquilo era apenas uma piada ou um protesto bem humorado. No entanto, ele descobriria rapidamente, já que logo saiu a caminho do corredor, descendo as escadas aos pulos para chegar à sala de TV e encontrar Ortega sentada ao chão, com os cotovelos apoiados na mesa de centro, onde o grande lanchinho deles se encontrava.
nem ao menos comeu um sanduíche inteiro, apenas bebericou seu copo de limonada, mas comeu um pedaço de torta com uma grande bola de sorvete. E após estar bem alimentada, deitou-se no sofá, apoiando os pés no colo do namorado, que concentrado no filme nem notou o momento que começou a massageá-los desleixadamente. A garota estava convencida de que aquele filme era infinito, porque parecia que nem ao menos passara da metade e ela começava a se perguntar quem era o príncipe, pois após assistir 3 vezes ao longa metragem nunca realmente prestou atenção na história.
E quando o primeiro bocejo saiu preguiçoso a caçula percebeu que se não tomasse uma atitude logo cairia no sono, portanto sentou-se no ímpeto. Afinal logo precisaria voltar para casa, sabia que cedo ou tarde a mãe mandaria a famigerada mensagem "Querida, onde você está?" e Amina só queria dizer uma coisa com aquilo: Por favor, saia da casa desse garoto e volte para a sua. E então Ortega teria que esperar até o dia seguinte para a parte boa do sexo e ela estava curiosa demais para finalmente experimentá-la, não queria chegar em casa, repousar sua cabeça no travesseiro e recordar-se daquela tarde apenas com a dor esquisita.
- Babe, falta muito para o filme acabar? - questionou sentando-se ao lado dele.
- Faz 20 minutos que começou. - respondeu ainda com os olhos presos na tela da televisão.
- Eu não quero assistir esse filme. - resmungou entediada, arrastando o final de cada palavra não aguentando mais ver a cara do Harry Potter, enquanto o encarava, esperando seu feedback. - Eu quero fazer outra coisa…
Liam estava em alerta.
- O que você quer fazer, então? - perguntou como quem não queria nada, sem fazer alarde em torno da declaração da menina que o mirava sugestiva.
- Não sei. - mentiu, esticando-se para alcançar o lobo da orelha do menino que se encolheu ao senti-la mordiscando-o - Você tem algo em mente?
- Ah bonequinha, eu tenho muitas coisas em mente. - confirmou com a cabeça e sorriu ardiloso, aproximando o rosto do dela. - Mas todas elas envolvem a minha cama - passou a ponta do nariz pelo maxilar da morena que não sabia se prestava atenção em suas palavras ou se entregava de uma vez a sensação que a tomava - , nós com menos roupa - beijou seu pescoço, sendo embriagado pelo aroma que provinha dela - e você gritando meu nome. - sorriu divertido, afastando-se - Mas dessa vez você tem que gritar o meu nome se não eu vou me traumatizar. - colocou a mão sobre o peito, fazendo uma careta ao lembrar-se da expressão de dor que Ortega fez.
- Deixa de ser bobo. - riu, empurrando-o pelo ombro. - É que foi repentino, eu me assustei.
- Era para ser um momento especial do nosso relacionamento e você estragou, . - arqueou as sobrancelhas, magoado, rindo ao assisti-la revirar os olhos.
- Insensível. - o culpou, sorrindo divertida ao cruzar os braços.
- Então, você quer tentar de novo? - indagou, percorrendo com as pontas de seus dedos a pele do interior da coxa da menina, que afirmava com um aceno de cabeça, imaginando se seria bobo demais admitir que já estava ansiosa para saber o que Liam pretendia - Agora? - tocou o tênue tecido da calcinha da menina que abruptamente segurou seu pulso, mirando-o cautelosa, não tendo coragem de fazer aquilo ali! - Agora não?
- Agora sim. - mirou cada canto daquela sala, esperando alguém aparecer do inferno e flagrá-los - Mas não aqui. - respondeu baixo, sentindo mal até pelo fato de Rony Weasley ter ouvido demais daquela conversa.
- Por mim tudo bem nós irmos para o quarto, mas eu não prometo deixar você ir embora tão cedo. - brincou sorrindo, colocando-se de pé e pode ouvir a risada divertida da garota atrás de si.
- Você podia me levar até lá cima no colo, né? - arqueou as sobrancelhas, recuperando seu celular que estava escondido atrás de uma almofada. - Eu acho uma ótima ideia.
- Me levar no colo você nunca quer, só fica pedindo. - Payne resmungou, desligando a TV.
- É humanamente impossível eu conseguir te carregar. - frisou cada palavra daquela frase, deixando o cômodo, caminhando até as escadas.
- Há muitas formas de se ofender com essa frase mas eu vou ignorar todas, bonequinha. - e apelido carinhoso foi pronunciado cheio de sarcasmo, fazendo Ortega aproximar-se do namorado com um sorriso doce e abraçá-lo de lado, dificultando a tarefa de subir os degraus. - Mas se você não acredita no seu potencial de me carregar, quem sou eu para discordar.
E até o sol se por os adolescentes não foram visto, mas não porque Liam não permitia a partida de e sim porque a menina não queria ir embora.


ooo


Liam cumpriu o prometido e manteve presa em sua cama por todo o fim de semana, mas chegou a hora de dizer adeus a aqueles dias que se passaram como um sonho muito louco e o rapaz não ficou muito feliz quanto a isso.
Antes de seguir para Oxford, no domingo a tardinha, foi deixar a namorada em casa e quase foi convencido pela garota a entrar por uma horinha e aproveitar a ausência de seus sogros, mas a perspectiva de ser surpreendido no meio do sexo o manteve dentro do carro e após juras de que se veriam assim que possível, Payne dirigiu por uma hora e meia, até sua nova casa, considerando todos os prós e contras de voltar a morar em londres.
Os contras: a distância até a faculdade, o tempo perdido dirigindo, a falta de comodidade entre os horários vagos de aulas, os perigos da estrada, a alimentação desregulada, a desintegração com o campus que sempre exigia a presença constante de seu corpo estudantil.
Os prós: estava em Londres.
Na segunda-feira mandou uma mensagem para a mãe, declinando em seu interesse em adquirir um apartamento em Oxford, na terça-feira descobriu que os Ortega estariam em casa, bem como seus próprios pais, e na quarta-feira ele desistiu de procurar maneiras para fazer o encontro dos dois acontecer sem que acabassem transando no carro, não porque não fantasiasse a ideia mas porque respeitava a namorada o suficiente para esperar que ela estivesse plenamente confortável com as facetas da vida sexual recém iniciada.
Aproveitando a tarde livre somadas a ocupação da namorada com escola e prática de dança, o rapaz dirigiu até Cambridge para ver , depois que ela lhe garantiu, é claro, que estaria ausente durante todo o período. Sua recepção, no entanto, foi bem diferente do diálogo caloroso que imaginou em sua cabeça.
- O que você quer tanto que o fez dirigir até aqui para garantir um sim? - gritou e a sua voz guiou Payne até a sala de jantar do apartamento, garantindo tempo para que ele notasse a evidente mão de na decoração que havia arquitetado com tanto esmero.
- Oi, . Como você está? - ele largou a jaqueta de cor caramelo sobre uma das cadeiras, arrastou a cadeira mais próxima da morena que sentava em uma ponta da mesa, e sentou.
- Ocupada. - a garota não estava mentindo, sua mesa estava lotada de livros e o notebook estava quente de tanto que trabalhava. A tarefa? Encontrar nos livros físicos as mesmas referências que usou das obras em PDF para esfregar na cara de seu professor de Direito Romano (Civil) I caso ele ousasse questionar sua pesquisa, como vinha fazendo com outros estudantes.
- Eu preciso de um favor seu, na sexta-feira. - Liam foi direto ao assunto e a morbidez com que sua solicitação foi recebida o fez levantar e ir até a cozinha procurar comida ou bebida.
- Você e a não vão sair na sexta? - espreguiçou como pode na cadeira, que agora era muito desconfortável, e decidiu que era hora de dar uma pausa naquela loucura. No caminho para a sala passou por um espelho e constatou que estava amarela demais, o que poderia ser efeito do cansaço sobre a sua frágil beleza ou aquele moletom mostarda não a favorecia.
Liam veio logo atrás com duas cervejas na mão, alheio ao fato de que aquela bebida pertencia à Westwick, e sentou no sofá caro de , apoiando uma das bebidas na mesa de centro e jogando-se contra o sofá, que provou-se não tão confortável quanto parecia.
- Puta que pariu, isso aqui é feito de quê? Ferro? - reclamou enquanto sentia seu cóccix latejar.
- Vai se foder. Por que você não trouxe comida pra mim?
- Você não pediu.
- E precisa pedir, Liam? O que eu vou ficar fazendo aqui nessa sala? - ergueu o braço e apontou para a imensidão branca, seu reino gelado.
Liam olhou ao redor, tal como ela queria, e sorriu imaginando o quão contrariada ela se encontrava com as discrepâncias berrantes entre o apartamento que ela mesma decorou e as alterações coloridas e vivas de .
Mal sabia ele o pé de guerra que foi quando Westwick ameaçou trazer uma poltrona Romero Britto para agregar à sala de estar. A portaria recebeu ligações preocupadas com o que se passava no apartamento das meninas, graças a deus, as duas saíram vivas do episódio.
- Olha, o certo era assistir TV, mas você é psicótica e sem vontade de viver, então a sua sala serve pra destacar o frio silencioso que habita a sua alma. - ele sorriu amarelo.
- Eu preciso de uma distração. - a morena suspirou entediada.
Liam imaginou que ela se referia a vontade de ter um encontro e por isso listou rapidamente possíveis candidatos a sair com a doida.
- Tem um cara que estuda comigo e ele parece estar solteiro…
- Fala pra mim sobre como foi voltar a transar depois de tanto tempo, foi tipo uma segunda primeira vez? - descobriu o que poderia fazê-la feliz naquele momento.
- Foi bom. - Payne sorriu. - Ótimo, na verdade. Perfeito.
- O melhor que você já teve?
- Para de fazer essas perguntas complicadas.
- Inclusive, você tem uma boa explicação para estar aqui, e não em Londres, transando? - a garota se esparramou na poltrona, trocando a compostura ereta que manteve por horas a fio enquanto estudava por modos não tão elegantes assim.
Era estranhamente bom receber visitas em sua casa, seu lugarzinho de descanso, ponto de refúgio, preparado para fazê-la se sentir bem e segura. Uma pena que fora obrigada pela mãe, que não tinha o senso moral e abusou de chantagem emocional para conseguir o que queria, a dividir o que poderia ser a maior de suas alegrias com aquela filha da puta da .
- A tem prática de dança hoje. Eu estou proibido de me aproximar dela até acabar e depois ela vai estar cansada demais. - Liam explicou com uma franqueza que só poderia compartilhar com a melhor amiga.
- Você pensou em tudo, hein! - o parabenizou e ele não soube se ela estava sendo sarcástica ou falava sério.
- Você não faz ideia…
- Só pra deixar claro, vocês têm que matar essa vontade logo pra voltar a me dar a atenção que eu mereço.
- Caralho, você é muito carente. - Payne reclamou, era aquele bebê que exigia atenção e cuidados constantes e a vontade era de dar um soco nela às vezes. Mas também tinha informações e por isso ele não perdeu a paciência. - A falou alguma coisa pra você?
- Muitas coisas. O que você quer saber em especial?
- Ela disse algo sobre dor? - ele fez uma careta dolorida. Aquela parte ainda era um momento delicado em sua memória.
- Vou procurar alguma coisa para comer. - levantou e foi acompanhada por Liam que a ouvia com atenção. - Disse que achou que ia morrer de tanto que doeu.
- Deu pra ver pela cara dela... - Liam encarou a cerveja suada, aterrorizado com essa imagem em especial daquela tarde que durante muito tempo ele chamou de "a melhor tarde da minha vida". A morena ouviu o comentário mas continuou procurando os cookies congelados pré assados que Anne mandou no início da semana.
- No entanto, ela não soube responder se doeu tudo isso porque você é muito grande ou só é ruim mesmo. - jogou o pacote sobre o balcão de mármore, muito próximo de acertar a mão de Liam, que precisou pensar rápido e encolher os dedos para não serem esmagados.
- Me respeita, !
- Por que vocês não usaram lubrificante? - ela arreganhou uma porta do armário na busca de uma forma.
- Porque nem fodendo eu ia deixar aquela casa depois que ela tirou a roupa!
- Você não tinha em casa?
- Se eu tivesse, você ia estar me chamando de pervertido agora. - Payne a acusou, embora estivesse impressionado com o nível de independência que já havia adquirido em algumas semanas morando sozinho, ela já colocava cookies pré prontos para assar! precisava ver aquilo!
- Com certeza. - não se fez de inocente.
- O que mais você tem para me dizer? - o rapaz pegou outra cerveja do congelador, embora houvesse uma esquentando na mesinha da sala, provavelmente molhando a madeira luxuosa. Aproveitou a deixa para dar uma olhada no forno elétrico recém ligado só para garantir que a cozinha não estaria em chamas dali há meia hora.
- Nós conversamos pouco, Liam. A quer falar pessoalmente. - a morena jogou a metade do tronco em cima do balcão, sentindo-se sonolenta.
Liam percebeu que não teria momento mais oportuno e resgatou o motivo principal de sua visita à Cambridge naquele dia:
- E isso vem a calhar porque eu preciso que você saia com ela na sexta a noite.
- E o show? - Meester mais uma vez quis saber o que aconteceu com os planos para o show da Adele, programa esse que deixou a menina mais animada do que a perspectiva de fazer sexo. Mas Liam não se ofendeu porque entendia que sua namorada não sabia o que estava perdendo.
- Não vai rolar, meus pais vão estar em casa, os pais dela vão estar em casa, e meu pai quer que eu vá com ele em uma exibição de carros, ele quer comprar um novo e eu não tinha como dizer não. - ele explicou de maneira breve.
- Pelo amor de deus, você está cancelando um encontro com a sua namorada só porque não vai poder transar, Liam? - o provocou, rindo mais do que deveria considerando que a namorada era sua melhor amiga.
- Não é cancelar, estou adiando.
- Você é um ser humano horrível.
- Você vai poder fazer isso ou não? - Liam perdeu a paciência e bateu a mão no balcão.
Honestamente, ele ficaria muito puto se tivesse perdido tempo de sua vida indo ver aquela ingrata e não conseguir que ela fizesse isso por ele. Nem deveria ser um favor já que estavam falando de sua melhor amiga, deveria estar agradecendo-o pela oportunidade de ter uma noite de diversão com quando o plano inicial era que o casal passasse o fim de semana juntos, sem ela.
- Nós podemos ir num clube, faz tempo que eu não saio pra dançar. - a garota mordeu o lábio, imaginando aquela a oportunidade perfeita para usar o body chain que comprou durante as férias mas nunca teve a chance de exibi-lo.
- Clube não, . Você vai demorar meia hora pra se arrumar com alguém e a vai ficar sozinha. - Payne fez uma importante observação e sabia disso.
- Está bem, você quer que eu faça o quê, Payne? - perguntou emburrada.
- Eu sei lá! Ela é a sua melhor amiga, porra!
- Ai, eu vou pensar em algo. Como sempre. Porque se eu não tomar a dianteira, ninguém faz nada nessa casa.
- Para de reclamar e me dá uma cerveja gelada.
- A vai te matar quando souber quem tomou toda a bebida dela. - Meester riu maldosa e foi mesmo pegar outra bebida, tudo em nome de causar intrigas e caos.
- Se ela achar ruim, diz que eu mandei ela enfiar tudo no cu, garota insuportável… - Liam achou que sua bebida amargou depois que soube a quem pertencia, mas agora que iria tomar com gosto, esvaziar aquela geladeira só para deixar a ruiva irada e há quilômetros de distância.
Mas não achou graça, permaneceu observando-o com curiosidade e desconfiança.
- Você veio até aqui só pra pedir isso?
- E ver você.
- Mentira. Você jamais seria bom a esse ponto.
- Ai, … - Liam soltou o ar, exasperado. Começava ali o showzinho de comiseração, o lado bom é que não estava ali para dar moral para aquele espetáculo.
- Essa é a sua última chance de dizer a verdade, Liam. - a menina se aproximou dele.
- Eu não posso mais vir te visitar? - ele se sentiu pressionado e levantou do banco, afastando-se como pode daquela criatura maligna.
- Poder, pode. Mas você não é assim. - tomou o lugar onde Payno esteve anteriormente sentado e leu rapidamente um pedacinho das mensagens que Louis lhe enviara, escolhendo ignorar momentaneamente porque Tomlinson, involuntariamente, a lembrava de Harry, e não estava disposta a voltar ao zero na tarefa que foi seguir em frente depois de Harry Styles.
- Assim como, pelo amor de deus?
- Legal!
- Vai se foder. Eu estou indo embora. - Payne anunciou mas foi impedido por , que pulou do banco e se colocou em sua frente, jurando que o impedia de se mover:
- Não vai, não! Vê um filme comigo, Li! Para de ser ruim! Eu te dou comida!
- Onde nós vamos ver um filme se você nem tem uma TV, ? - o garoto armou as mãos na cintura.
- No meu notebook, ué. - sorriu sem graça. - Além do mais, essa situação da TV é temporária, a já comprou uma, chega sexta-feira.
- Você vai esquecer esses cookies no forno.
- Claro que não! Do que você está falando…
- Vai queimar tudo, eu tenho certeza.
- Para de ser pessimista, aposto que vão estar deliciosos. Vem, vamos procurar um filme bom pra você ver com a sua melhor amiga que você ama e veio ver como estava.
Eles viram um filme bom e não queimou os biscoitos. Mas ficou frustrada com a mudança súbita de planos e acabou dando o par de ingressos para Shepley, que tinha certeza que sua namorada ficaria feliz com os planos surpresa.
Entretanto, para a felicidade das nações, sua tristeza foi momentânea já que avisou que estava indo para Londres para vê-la e o melhor de tudo, elas iriam sair, ocasionando assim uma nova onda de felicidade e euforia na caçula que fez questão de ir com Alfred buscar a melhor amiga na estação de trem e apesar das tentativas de , elas não conversaram no carro sobre todo o fim de semana com muito sexo que Ortega teve.
Essa falta de diálogo contudo, não durou muito pois assim que as duas colocaram os pés dentro da casa Meester, começou a falar:
- Eu acho engraçado que você me envia um milhão de mensagens sobre como quer conversar sobre isso e na hora que me vê, se faz de surda!
- O Alfred estava no carro, ! - rebateu e estremeceu com a pesada porta de madeira que fechou bruscamente.
- E daí? - a mais velha estava incapacitada para entender as motivações da amiga já que não vinha impedimento algum em seu argumento. As escadas de sua casa no entanto, eram um baita de um impedimento à sua felicidade e anseio em chegar ao seu quarto.
- E daí que eu não vou falar da minha vida sexual na frente do Alfred! - Ortega, que estava para trás de , alcançou e a ultrapassou em um piscar de olhos, pulando os degraus de dois em dois e causando desgosto na dona da casa.
odiava pessoas saudáveis.
- Você nem tem o direito de ser puritana depois das coisas que você e o Liam fizeram…
- O que nós fizemos? Ele te contou? O que ele contou? - apressou o passo e segurou o braço de , um pouquinho desesperada demais para alguém que nada tinha a esconder. E Meester não perdeu tempo quando notou a ansiedade da caçula.
- Nada demais, mas pela sua reação eu diria que vocês aprontaram muito, sua danadinha. - a perturbou.
- Sobre o que vocês estão falando, meninas? - a Sra. Meester estava saindo de seu quarto, envolta em um robe dramático e com o tablet de trabalho em mãos, e antes que pudessem se dar conta, as duas meninas estavam presas dentro dos braços afetivos da matriarca.
- A acabou de perder a virgindade. - respondeu simplesmente.
Diane soltou as meninas, assombrada, e ficou com as bochechas em chamas, constrangida. A mulher olhou para com curiosidade e sorriu, em sua cabeça já podia ver Amina Ortega culpando-a pela promiscuidade da filha, como se ela mesmo não fizesse sexo e fosse casada com o irremediável Robert Ortega.
parecia um fantasma, pálida de vergonha, encarando a mamãe Meester com os olhos arregalados e sentindo uma vontade insana de sair correndo daquela casa e nunca mais voltar.
- Brincadeira! - reconsiderou sua declaração ao constatar o distúrbio que as palavras causaram.
- Filha, você é impossível! - Diane colocou a mão sobre o peito, aliviada. - Eu quase achei que fosse verdade! - riu.
- Pois é… I-Imagina só. Que loucura seria. Eu preciso ir ao banheiro. - engoliu em seco, sorria também mas ainda não havia vida em seus olhos geralmente tão expressivos.
Mãe e filha assistiram a menina correr pelo corredor até a porta do quarto de . Quando ela sumiu, Diana virou de volta para a sua cria terrível e a repreendeu:
- Você a constrangeu, . - a mulher abriu os braços e encurralou a filha: - Vem aqui, me dá um abraço, a mamãe estava morrendo de saudade de você. Você está comendo direito? Dormindo bem?
- Mamãe!
- Para de ser fria, deixa eu te mimar, querida. - Diane não folgou o aperto do abraço enquanto não sentiu retribuir, liberando-a com um sorrisinho triunfante. - Isso, muito bem. Então, quais os planos para hoje?
- A e eu vamos sair. - revirou os olhos mas sorriu também.
- Ótimo! Seu pai está usando meu escritório essa semana, não esqueça de ir lá avisar que você está viva. Eu estou indo buscar um lanchinho para ele, esse homem começa com esses estudos dele e esquece de viver! Como pode uma coisa dessas?
A mulher desceu as escadas falando sozinha, reclamando pelo hábito já que estava indo atrás do homem apenas para mimá-lo e oferecer sua companhia bem humorada. Portanto não ficou para ouvir os lamúrios e foi até seu quarto para lidar com , se arrumar e saírem logo.
- ? Cadê você?
- Ainda estou me recuperando da humilhação que você me fez passar. - Orteguinha estava deitada na cama usando o celular e sua carinha feliz não condizia em nada com as palavras duras.
- Que humilhação, garota? Eu estava brincando! - se defendeu e depois atacou. - Aliás, se não fosse pelo seu escândalo, a minha mãe jamais teria desconfiado de algo.
- Você é muito má, , nem vem.
- O que você vai vestir hoje à noite? Eu não vou sair com você vestida assim.
- O que tem de errado com a minha roupa?
levantou da cama em só impulso e procurou um espelho, julgando que estava confortável e maravilhosa para um programa casual de sexta a noite. Julliana parou ao seu lado e a olhou de cima a baixo, fazendo uma declaração lacônica:
- É preguiçosa. - disse e se afastou.
- Nós só vamos ao cinema, não é? - a caçula seguiu Meester até o banheiro, onde ela despia a roupa de viagem e a substituía pelo vestido vermelho novo que ganhou da mãe.
- Na verdade, - ela se contorcia dentro do tecido, lutando com zíper que se recusava a subir. - eu falei pra você, mais de uma vez, que a ocasião pedia um casual chique. Isso que você está usando não é um casual chique.
- Ai meu deus, eu trouxe outra roupa, mas para onde nós vamos? Por que você está fazendo segredo? - contou logo. Mal podia acreditar que estava disposta a lhe passar um sermão só por causa de uma roupa sem importância.
- Não é segredo nenhum, eu só quero passar num lugar antes. - fez pouco caso de seu projetinho.
- E vai dar tempo? Que horas vai ser a sessão? - empurrou as peças de roupa de Meester e foi se olhar no espelho da pia, procurando imperfeições em sua pele (o que não deveria, em tese, encontrar pois naquela tarde havia visitado sua dermatologista).
- Hmm, acho que às 23hrs, é a última.
- Ah não, ! E por que nós estamos nos arrumando já?
- Eu estou me arrumando, você só está fazendo perguntas, muitas.
- Pra onde nós vamos?
- Uma feira de carros.
- O que diabos nós vamos fazer em uma feira de carros, ? - a garotinha entrou de volta no quarto só para constatar que alguém subiu sua necessaire de cuidados pessoais, sua pequena mala com três opções de calçados e sua roupa passada e perfeitamente distendida sobre um cabide e protegida por um plástico preto.
Como encontrava um deleite completo em se arrumar, sorriu contente ao ver suas coisas, fruto de pelo menos uma hora de combinações experimentadas e descartadas para a noite, ainda ligou para e a amiga deu sua estimada opinião em alguns dos looks que Ortega exibiu.
- Passear! Colocar uma roupa bonita, fingir que estamos interessadas em carros, flertar, essas coisas…
- Só nós duas? - fez um biquinho, aquele parecia um programa ideal para compartilharem com , e até mesmo , que seria a mais animada das cinco se estivesse num bom dia.
- Sim, porque nós vamos ao cinema em seguida. - se explicou. - É só um passeio rápido.
Era só um passeio rápido para encher o saco de Liam, que havia pedido especificamente que as meninas se mantivessem ocupadas já que disse para a namorada que uma questão de família surgiu de última hora sem maiores explicações.
É claro que o rapaz ficaria puto com ela quando as visse e só isso já era o suficiente para fazer sua saída valer a pena!
Somava-se também o fato de que não queria ver nem pintada de ouro, estava envolvida até o pescoço com a família de Niall e , bem como seus pais, também. E dos meninos não houve nem a menor das hipóteses já que havia algum tempo que parou de considerá-los como grupo.
- Nós estamos indo lá porque você quer ver alguém em especial?
- Pode se dizer que sim.
- ! Quem é? Eu conheço? Vocês estão saindo?
- Aham… - Meester concordou imponderadamente, só para fazer a outra garota parar de fazer perguntas. - Mas eu não vou responder nada até que você comece a me contar algumas coisas.
- !
- Eu já estou quase pronta, vou calçar meu sapato lá embaixo enquanto falo com o papai. - avisou e desceu.
A verdade é que além de falar com o pai, precisava pegar os ingressos para poderem entrar no evento e ver se enrolavam menos na conversa lá em cima para chegar logo no evento, antes que Liam fosse embora e ela perdesse a oportunidade de se divertir às custas dele.
Mas acabou que a porta do escritório estava trancada e acabou sentada na sala de estar, trocando mensagens com porque estava entediada. Com sorte, Ortega logo desceu, perfeitamente vestida dentro de um vestidinho vermelho, os cabelos presos em um rabo de cavalo baixo e botas compridas, e as duas garotas puderam sair.
A caminho para o Salão de Automóveis, insistiu mais uma vez em trazer à tona o grande acontecimento, mas se safou com graciosidade e decidiu incluir Alfred na conversa delas a fim de evitar ser pressionada. Nem a pau exporia sua pouca experiência na frente de um homem como Alfred.
Entretanto, apesar de não falar de sua própria vida sexual, não viu problema algum em compartilhar com Meester e o motorista o relato detalhado de sobre a primeira vez dela e Niall. ria tanto que até mesmo Alfred não conseguiu ficar imune ao momento e compartilhou algumas risadinhas, muito profissionalmente, é claro.
E foi com a promessa de que no próximo encontro Alfred ficaria sabendo do restante da história que abandonou o carro, arrastada por enquanto ultrapassavam a fila quilométrica que se estendia lá fora.
- E então, você vai me contar ou quê? - a mais velha cruzou os braços, tensionando o maxilar como costumava fazer quando estava emburrada.
- O que você quer saber? - sorriu, e era exatamente aqueles sorrisos que as pessoas dão quando falam de assuntos sexuais.
- Tudo, ! Que enrolação pra me contar!
- , fala baixo! - Ortega puxou o braço da amiga, arregalando os olhos com medo de serem ouvidas. Mas ninguém estava prestando atenção em duas adolescentes tagarelas quando alimentavam as expectativas de ver, em primeira mão, a fashion week dos carros.
- Você quem foi atrás dele, não é? - questionou.
- Sim, já era hora e os pais dele não estavam na cidade então eu acho que foi a oportunidade perfeita. - respondeu, mas seus olhos verdes fitavam a segurança que checava ingressos e conferia os crachás das garotas antes de lhes entregar. Nada na expressão da mulher indicava que ela compreendia do que aquela conversa se tratava,
- Foi mesmo. E qual foi a reação do Liam quando você começou a tirar a roupa? Ele chorou? - Meester provocou , arrancando uma risada conivente.
- Não! Ele pediu pra eu tirar. - deu de ombros.
O lugar era realmente maravilhoso. Uma extensão de quilômetros de estandes sofisticados e abundantemente exagerados, atraindo a atenção dos transeuntes com aparatos tecnológicos feitos para seduzir, carros surreais e propostas irrecusáveis.
A música era um adicional que dava vida ao ambiente e de acordo com o panfleto, ainda contavam com uma área de alimentação abastecida por uma rede de restaurantes famosa na cidade.
Não era necessário entender de carros para gostar de passar uma horinha ali dentro.
- Uau, que sem vergonha. - pulou o estande da BMW e furou o cerco ao redor de um carro que mais parecia uma caixa metálica, porém era uma caixa metálica muito grande por dentro e ela pensou que gostaria de andar por aí dentro daquele troço, só restava saber se Alfred concordava com essa ideia.
só achou aquilo esquisito, e quando partiram para o próximo carro, ela suspirou alto, recordando de algumas memórias específicas do último sábado.
- Ele é gostoso. Eu sei que essa não é a melhor forma de descrever meu namorado, mas meu deus, ele tem uma barriga tão boa de tocar, e as costas dele, os ombros dele, ai, é perfeito!
- Eu já vi o Liam sem camisa, querida. Você está exagerando um pouquinho…
Ortega nem ao menos ouviu a réplica de .
- E a bunda dele? Durinha como eu imaginava!
- Então você já imaginava a bundinha do Payno, hein? - arqueou uma sobrancelha, mantendo o sorriso divertido que habitava em seu rosto desde que decidiu falar.
A conversa com Liam não seguiu um rumo muito diferente no quesito de elogios, mas o amigo certamente não fez comentários sobre a anatomia ou atributos físicos de . Bom, pelo menos não abertamente, mas era óbvio que a influência da dança no corpo de Ortega o fez muito feliz.
- Sabe, a falou que a contou pra ela que na primeira vez dela, quando aquele namorado aristocrata dela tirou a roupa, ela se levantou pra ir embora porque tinha certeza que aquilo não ia caber dentro dela.
- Ela disse isso, foi? - prestou muita atenção naquilo. Mal podia esperar para chegar em casa e poder infernizar por ter dito aquilo. Westwick ficaria irada!
parecia ter lido as intenções da outra porque voltou a ficar séria e a fez prometer que não ia criar uma situação com aquela informação quentíssima.
- Bom, a nos fez prometer não contar para ninguém, então você não pode dizer pra ninguém que eu te falei.
- Nos? - se perguntou a quantas pessoas aquela palavrinha abrangia.
- A e eu. - explicou.
- Meu deus, todo mundo já sabe então.
- Sim, mas a questão é, quando eu vi o Liam nu, lembrei do que a pensou porque , aquilo ter funcionado foi um milagre da natureza.
- Ai, ! - gargalhou alto, jogando a cabeça para trás em uma explosão de riso, enquanto Ortega a guiava para que não esbarrassem nas outras pessoas.
- Eu estou falando sério! É um absurdo! Se você visse, ia entender porque doeu tanto. - havia um traço de graça na expressão da caçula, contagiada pela alegria de , mas olhou para um carro qualquer quando fez a confissão tão íntima.
- Ia doer de qualquer jeito, sabe. - assegurou, tentando passar alguma segurança.
- Mas depois foi perfeito. Pelo resto do fim de semana foi um sonho, um sonho muito bom… - suspirou mais uma vez, muito satisfeita.
- Eu já perguntei uma vez mas não custa reforçar: vocês usaram camisinha?
- Claro, algumas.
- Algumas quanto, exatamente? - Meester cruzou os braços. Precisava beber alguma coisa com urgência, antes que chegassem aos detalhes sórdidos da história.
- Hmmm, umas quatro, eu acho. - fez um biquinho enquanto calculava uma resposta aproximada.
- Meu deus do céu. - murmurou. Se Liam era como estava dizendo, e eles fizeram sexo pelo menos quatro vezes, como diabos aquela garota saiu de casa andando? Ela devia estar dolorida até agora!
- O que foi? Nós estamos recuperando o tempo perdido! - se defendeu quando sentiu que o tom da outra foi um pouquinho acusador.
- Eu percebi.
As duas entraram em um estande para, obviamente, olhar alguns automóveis expostos mas como aconteceu nos dois últimos, na hora em que pisavam no limite do estande, um funcionário surgia da puta que pariu, como se fossem convocados apenas com um pensamento.
E para duas adolescentes que estavam conversando sobre sexo, aquilo representava um terrível inconveniente. estava há um triz de gritar com a próxima pessoa que as interpelassem.
- Ai, . Ele é tão bom! Meu deus do céu, eu achei que ia chorar em alguns momentos. - agora nem ligava para o fluxo constante de pessoas ao redor delas. inclusive havia pensado que o assunto se encerrara momentos antes, mas pelo visto estava enganada.
- Desculpa mas você não tem nem um parâmetro pra comparar, e ainda está apaixonada por ele, então seu julgamento é meio que inválido. - ela pontuou.
- Como assim?! Eu estou falando sério, além do mais, acho que saberia se não estivesse sendo bom, não é?
- Ah, com certeza. - acenou freneticamente e em seguida sorriu, diabólica. - E ele é bom no oral?
- Foi aí que eu quis chorar. - explicou.
- Uau!
- Pois é.
- Então como você se sente agora que não é mais uma virgem? - atiçou os ânimos de sua melhor amiga. Deus, sua boca estava doendo de tanto que sorria com toda aquela conversa!
- Eu acho que é um saco que o Liam mora em Oxford. - resumiu sabiamente.
Ela podia falar a verdade e confessar que durante a semana toda vez que fazia alguma coisa pensava: eu podia estar transando ao invés de estar fazendo isso. Mas certas coisas foram feitas para se manter para si, então omitiu sua real opinião.
- Aposto que ele acha isso também… - Meester jogou os cabelos negros para trás.
- Eu estou falando sério, como ele pode fazer isso comigo? Eu jamais deixaria ele na mão assim! - se revoltou de vez.
- Na verdade você deixou, por mais de um ano.
- Você para.
- Você ficou viciada em sexo.
- !
- Ninfomaníaca.
- Para!
- O Liam nem sabe no que se meteu, coitadinho.
- Eu devia mandar uma mensagem pra ele. - desistiu de discutir com e funcionou porque a amiga parou de provocá-la.
- É, faça isso enquanto eu vou ali. - a incentivou, distraída. Desde que chegaram, manteve-se na espreita, buscando por Liam, mas até o momento não viu ninguém que ao menos se assemelhasse ao rapaz, o que a levava a um segundo pensamento: teria Liam mentido sobre seu paradeiro naquela noite?
- Ali onde? - Ortega franziu o cenho, procurando o que atraía a atenção da garota ao seu lado.
- Vai mandar sua mensagem pro seu escravo sexual, eu já volto. - se despediu porcamente e emergiu entre as pessoas, deixando sozinha assim, sem maiores explicações.
andou o suficiente para se afastar do meio do caminho, indecisa sobre onde iria a seguir mas acabou atraída até uma pequena multidão que se acumulou no estande da Audi. Sua curiosidade em saber do que se tratava, foi recompensada com a visão de um carrinho branco ridículo que prometia voar.
O modelo parecia mais uma versão de luxo dos carrinhos usados no clube de golfe, e em cima dele, no teto, jazia um drone muito, mas muito grande, que fez a garota concluir que aquilo é o que faria o veículo voar. O quão divertido seria se Liam pudesse estar ali para testemunhar tamanho avanço tecnológico.
Pegou celular e tirou uma foto para mandar mais tarde para o namorado e seguiu seu caminho, admirando superficialmente uma série de carros extremamente futuristas, imaginando o cheirinho delicioso de carro novo que eles deviam ter. Alguns dos modelos soavam extremamente disfuncionais mas ela não via problema em dar uma volta neles, inclusive soava atraente a proposta de ser convidada, graças ao seu charme natural, para fazer um teste em qualquer um dos veículos. Imagina a honra!
Foi então que um pensamento muito doido lhe ocorreu: iria comprar um carro.
Sim, isso era uma ótima ideia! Já tinha a idade correta, licença para dirigir e não tinha mais o primo ou Liam para lhe carregar para os lugares, e como a garota independente que era, determinou que aquele era o momento perfeito para ter seu próprio carro. É claro que para ter acesso à tamanha independência precisaria reconhecer a dependência do próprio pai e ver se tinha dinheiro o suficiente em sua conta para comprar um carro naquela noite.
E só não ligou para o Sr. Ortega no mesmo instante porque a figura distinta de Liam James Payne passou por seu campo de visão, conversando com dois homens mais velhos que ela nunca tinha visto na vida, rindo e balançando o próprio celular entre os dedos.
A menina ficou estagnada, acompanhando o namorado passar há poucos metros de onde estava e só depois seus pés entraram em movimento, desviando das pessoas e caminhando como podia com os saltos finos. Quando aproximou-se o bastante, abriu a boca para chamá-lo mas logo calculou que a música e as conversas não permitiriam que sua voz soasse nada mais que um sussurro.
Portanto, frustrada com o gesto infantil que precisaria fazer, cutucou o rapaz pela manga do casaco e inclinou-se ligeiramente para trás quando ele virou e quase bateu com o cotovelo nela.
- ? - Liam arregalou os olhos, tocando no ombro da menina para checar se ela não era apenas fruto de sua imaginação. - O que você está fazendo aqui?
- O que você está fazendo aqui? Você não tinha um "compromisso de família"? - ela questionou enquanto era empurrada para longe das companhias de seu namorado canalha mentiroso.
- E tenho. Cadê a ? Vocês não iam sair? - ergueu o rosto procurando uma garota pequena e com uma cara bem filha da puta. Ia matar , simplesmente ia matar aquela garota!
- O seu compromisso é vir passear em um salão de automóveis? - ralhou, mas seus olhos denotavam que os sentimentos da garota não estavam focados na mentira dele e sim em algo ainda pior, enquanto deliberadamente ignorava as perguntas que lhe foram feitas. - Eu não acredito nisso, não acredito que você preferiu me deixar o fim de semana todo sozinha pra vir ver carros!
- Do que você está falando? - Liam cerrou os olhos, prestes a descobrir o que fazia sua namoradinha brigar com ele aos sussurros para não chamar a atenção, como se ela fosse capaz disso em um lugar tão lotado e barulhento.
- Que eu esperei a semana toda pra gente se ver e, - o tom da menina era muito mais embaraçado e seu olhar encabulado logo ficou sombrio ao perceber que Liam sorria. - Olha aqui Liam, semana passada você me fez passar pela maior dor da minha vida, e agora que ficou bom, você me deixa na mão?
- Eu não acredito que vivi o suficiente pra ver você me implorando por sexo! - Liam virou o rosto para o alto e gargalhou alto. Deus, aquela conversa estava indo muito bem!
- Eu não estou implorando. - Ortega desviou o rosto, tímida.
- Então está tudo bem pra você se eu continuar minha programação aqui e depois ir pra minha casa?
- Não!
- Ah. - Liam assentiu ainda sorrindo como um idiota.
- Para de me levar na brincadeira, você estava mentindo pra mim! Eu nem deveria querer te ver. - cruzou os braços e expirou impaciente.
- Eu não menti, bonequinha. Esse é o meu compromisso de família. Meu pai pediu pra eu acompanhá-lo hoje aqui porque ele vai vender alguns carros e comprar outros, na verdade nós ainda vamos demorar um pouco mas eu já ia te ligar para saber se poderia te ver ainda hoje. - Payne explicou, falando rápido, tentando voltar a si e ignorar o constrangimento inicial da surpresa. - Repetindo a pergunta, o que você está fazendo aqui? Você não ia sair com a ?
A explicação minuciosa tratou de acalmar os ânimos e a expressão altiva deu lugar a um olhar satisfeito por conseguirem se ver, apesar de tudo.
- Ia não, nós vamos. É que pegamos a última sessão e ela quis passar aqui pra passear…
- Aleatoriamente? - Liam interrompeu, lançando um olhar significativo à namorada. não dava ponto sem nó e ficou bem claro para ele que sua querida melhor amiga estava entediada o suficiente para levar ali com o intuito único de irritá-lo.
- Agora eu sei que não. - ela deu de ombros.
- E cadê essa tratante?
- Disse que ia falar com alguém e me pediu pra esperar.
- Eu devia levar você embora daqui e não falar nada pra essa idiota. - Liam concluiu, sendo esta a vingança mais imediata que conseguiu arranjar.
- Mas não vamos fazer isso. - sorriu para o namorado, garantindo assim que seu desejo fosse cumprido.
- Não, não vamos. - ele se resignou a uma discussão verbal com a criatura incansável e ao olhar por inteiro para a namorada, arqueou as sobrancelhas ao constatar o que ela usava. - E você vai pro cinema vestida assim?
- Sim. - Ortega deu de ombros mais uma vez, olhando para sua própria roupinha.
- Você está linda. - Liam tocou o rosto dela e lhe roubou um beijo.
- Obrigada. Cadê o seu pai?
- Ahn, ele estava negociando em algum lugar por aqui, aqueles caras com quem eu estava eram os advogados dele. - ele apontou para o lugar inteiro, claramente perdido do Sr. Payne.
- Precisa de advogado pra comprar carro aqui? - franziu o cenho e aceitou a mão que ele ofereceu para juntos procurarem Geoff.
- Não, eles também são amigos dele. - Liam explicou distraído, guiando-os ao mesmo tempo em que procurava o pai. - Que horas vocês vão sair daqui?
- Eu não faço ideia, na verdade. Eu preciso comprar um carro antes. - compartilhou seu plano de última hora. Fosse a atmosfera empolgante ou o mero desejo de consumir, ela sentia que precisava de levar alguma coisa dali naquela noite.
- Hã? - Liam pensou não ter ouvido direito o que a morena falou.
- Eu vou comprar um carro hoje. - ela repetiu pausadamente, tomando o cuidado de falar alto o suficiente para evitar mais dúvidas. Apesar de nem saber como o Sr. Payne estava vestindo, o encontrou primeiro do que Liam e apontou com o queixo para onde o homem estava sentado. Eles desaceleraram o passo e caminharam sem pressa até onde o outro estava.
- Pra quê? - o garoto nunca andou com como motorista além dos limites da propriedade, quando ela ainda estava praticando para tirar sua licença.
- Pra andar nele?! - não sabia se devia mesmo responder aquela pergunta. Era meio burra, para ser honesta.
- Seus pais sabem disso?
- Ainda não, mas eu já…
- Então eu acho melhor não, sua mãe vai saber que eu estava aqui e com certeza vai me culpar por isso. - Liam atrapalhou a explicação de , instigando-a fortemente a desistir daquela ideia que sem dúvidas seria sua culpa no final de tudo.
- Ai Liam, que exagero… - revirou os olhos. - Será que você pode mandar uma mensagem pra enquanto eu ligo pro meu pai?
- Filho! ! Que surpresa ver você aqui! - Geoff interpelou o jovem casal, sorrindo grande o suficiente para não ter que levantar e cumprimentar a jovem Ortega. Toda sua energia havia sido investida numa tarde inteira de workshops, consultas e averiguações.
- Oi, sogro! Como você está? - a menina cumprimentou e sentou na poltrona disponível, prestes a incitar uma conversa animada já que seu namorado estava tentando localizar Meester.
- Eu estou prestes a sair daqui um pouco mais pobre porém muito mais feliz. - o Sr. Payne confessou com animação, certo de Karen entenderia porquê ele estava voltando para casa com dois carros a mais do que o planejado.
- E é isso o que importa. - ela endossou o espírito consumista do homem.
- E você, o que está fazendo aqui? Veio com o Robert? - Geoff imaginava que se a menina estava ali, o pai estava ao redor, embora não fosse conhecedor do interesse do homem por automóveis.
- Na verdade eu vim para passear mas decidi que vou comprar um carro. - disse, lembrando que ainda tinha que falar com o pai. E achar . E escolher um carro, primeiramente.
- Isso é ótimo! Já tem algum modelo em mente? - o sogro se interessou na questão, mostrando-se muito disponível a ajudar com seus conselhos experientes.
- Ainda não, eu não faço ideia de por onde começar.
- A está vindo pra cá. - Liam se juntou à dupla e sentou também. - Pai, estamos terminando aqui?
- Eu estou esperando os documentos restantes e aí podemos ir embora. Vai dormir lá em casa, ? - Sr. Payne consultou o relógio, a esposa provavelmente estava lidando com os parentes que estavam de visita e ele não via porque delongar-se por ali uma vez que seus objetivos foram atingidos.
- Hoje não, eu estou com a . - informou.
- A está aqui? - Geoff questionou Liam, levantando-se ao ver que seus advogados e o representante do estande estavam de volta.
- Foi ela quem deu a ideia de virem passear aqui. - o menino coçou entre as sobrancelhas.
- Eu não sabia que a tinha interesse em carros…
- Ah, mas ela não tem. - Liam murmurou resignado mas o pai já havia abandonado-os.
Olhou para e ela olhou de volta para ele e sorriu, entrelaçando os seus dedos e inclinando-se para frente para que ficassem face a face, facilitando seu trabalho de manter feliz aquele grande poço de mal humor.
- Nós podemos ir procurar alguma coisa para mim? - perguntou após beijar sua bochecha e seus lábios.
- Você vai insistir nisso até conseguir o que quer, não é? - Liam suspirou reconhecendo a derrota.
Ele tinha a mais absoluta das certezas de que Amina Ortega, aquela desgraça de sogra, encontraria uma maneira de perverter o desejo de e culpá-lo porque a criatura simplesmente decidiu que queria um carro.
- Claro! - levantou do banco e discou o número do pai. - Mas primeiro preciso falar com o papai. Me dá um minuto.
Mas Liam não ficou sozinho porque , em toda sua majestade, chegou com duas sacolas de brindes de empresas diferentes, um boné da BMW e um sorriso cheio de esplendor.
- Liam! Surpresa! - a morena se aproximou a passinhos rápidos, com os dois braços abertos, carregando seus preciosos brindes.
- Uma merda de surpresa. - Liam rebateu mas estendeu o braço, oferecendo-se para ajudá-la com os itens pesados.
- Com quem a está falando? - fechou a expressão, desconfiada.
Payne a encarou com uma sobrancelha arqueada. Como ela ousava ser tão cara de pau?
- O pai dela. Eu não sei o que você fez, mas não devia. Agora eu vou ter que carregar pra sempre a culpa disso. - reclamou, ocupado em vasculhar as sacolas de brinde e escolher o que lhe agradava.
- Não tenho ideia do que você está falando. - a morena piscou impaciente. Lidar com Liam mal humorado pelo resto da semana era sempre a parte mais chata de provocá-lo.
- Para de ser cínica.
- Para você de falar coisas burras, o que está acontecendo?
- Ela vai comprar um carro. Um carro, !
- O quê? - olhou para a amiga ao telefone e então para Liam: - Sério? Quando essa decisão foi tomada?
- Com certeza em algum momento entre o meu pedido e a sua decisão deliberada de não atender minha única vontade. - Payne cruzou os braços e trouxe a transgressão da melhor amiga à tona.
- Você amou vê-la. - sorriu, provocando-o.
Passado o susto inicial, Liam amou encontrar , uma surpresa deliciosamente sorridente, de olhos grandes e que cheirava muito bem. É claro que a namorada era uma brisa refrescante em meio a um programa que o agradava muito. Até mesmo ver era bom, ouvi-la fazer sua própria análise deturpada sobre a semana nunca deixava de ser divertido, mas ela precisava de limites!
- Não justifica. - ele engoliu cada gota de felicidade e se manteve inabalável.
- Esse vestido é sensacional, não é? - não comprou aquela pose de bravinho e a menção à vestimenta de Ortega fez com que Liam se distraísse. - Sabia que ele só está preso por uma fita fina? - dessa vez ele olhou para o lacinho na cintura, questionando-se quanto tempo demoraria para desfazê-lo e o que veria quando o fizesse.
- Só para te deixar alerta, eu vou estragar cada oportunidade de diversão que você tiver no próximo mês. - Payne ameaçou .
- Para de ser ruim pra mim! - ela tomou suas sacolas de brindes das mãos do amigo.
- Você é insuportável. - Liam recostou no banco e ficou olhando para , esperando que aquela ligação não levasse a lugar nenhum, para ser honesto.
- Ela me contou tudo sobre a tarde mágica de vocês. Inclusive que rolou referências à Harry Potter. - ostentava um sorriso quase depravado quando citou a conversa de mais cedo.
- Ah, pronto.
- Eu não sabia que a relação de vocês poderia tomar esse tipo de caminho, Liam…
- Pelo menos nós temos uma relação. - o garoto revirou os olhos.
E enquanto a dupla se atacava com paus e pedras, ouvia uma série de relatórios da mãe, que compartilhava o sucesso de sua mostra de artes exclusivamente para amigos. Amigos ricos que compraram tudo a preço de ouro, mas preferiu apenas elogiá-la e garantir que não estava surpresa com o êxito da matriarca.
Quando pediu para falar especificamente com o pai, respirou fundo e sorriu como se estivesse frente ao homem:
- Oi, papai. Tudo bem com você?
- Tudo ocorreu perfeitamente nas últimas três horas em que você deixou essa casa. - Robert pousou seu charuto sobre o aparador, curioso para saber o que fazia sua única herdeira ligar e ainda por cima pedir exclusivamente para falar com ele.
- Quem bom. Então, você nem imagina onde eu estou. No salão de automóveis de Londres! E eu decidi que já que tenho a idade correta e a minha licença para dirigir, que essa é uma oportunidade perfeita para eu comprar meu primeiro carro! - contou a novidade em um só fôlego porque estava ansiosa demais para uma conversa polida.
- Ah, meu deus. - Robert suspirou pesadamente. Do outro lado da linha, Amina o fitou curiosa, querendo saber o que aconteceu mas o homem apenas abanou a mão, entediado. - Você quer gastar mais do meu dinheiro? Assim não dá, . Eu tô ficando com cabelo branco de tanto trabalhar pra te bancar.
- Nossa, papai, que exagero. - revirou os olhos.
- Sobre o cabelo branco? Não é não, eu tive retocar minha raiz essa semana, perdi uma hora da minha vida. Sabe que eles têm uma técnica nova de…
- Pai. O carro, eu posso comprar ou não? - a menina pressionou o pai porque pelo o que podia julgar, Liam poderia atacar a qualquer momento.
- Você não pode porque não tem idade pra isso. Têm algum adulto com você? - Robert questionou, porque se dependesse dele ir até lá, sua querida filhinha jamais teria um carro. Não podia arriscar andar com ela por aí e encontrar um conhecido que se chocasse com o quão grande a filha estava e eventualmente todos se dariam conta do quão velho ele mesmo estava.
- Tem o pai do Liam. Ele está desde a tarde aqui, comprando carros! - ela se empolgou e mostrou o polegar erguido para e Liam, que prestavam atenção nela, aguardando novidades.
- É, eu estaria fazendo o mesmo se não gastasse todo o meu dinheiro com você. Honestamente eu estou considerando trocar você pelo Zayn, eu acho que o Yaser vai ficar feliz. Sei que eu vou, o moleque é menos caro do que você. - o Sr. Ortega ponderou olhando nos olhos da esposa só para incomodá-la, obtendo sucesso em seu intuito.
- Você é terrível, papai…
- Já escolheu um modelo? Marca?
- Ainda não, eu pensei que
- Você me ligou sem nem ter uma proposta? Negociações não funcionam assim, minha querida! - Robert reclamou, revoltado. A pirralha incomodava seu descanso e nem ao menos tinha um carro em vista? Pelo amor de deus! - Olha aí, sua mãe está me enchendo o saco também. Deixa eu falar com o Geoffrey. E se você me aparecer com uma merda rosa, eu desisto de ser seu pai.
foi correndinho até Geoff Payne, explicou rapidamente quem estava na linha e entregou seu celular. Voltando-se para a dupla sentada e comemorando o sucesso de sua conversa com o pai.
- E então? - pediu por algo mais concreto do que um simples polegar erguido.
- Eu vou comprar um carro! - Ortega informou com os dois braços abertos e um sorriso gigante.
Geoff e os três adolescentes realmente saíram a procura de um veículo que agradasse a jovem compradora e só duas horas depois de muita observação, indecisão e impaciência da parte de Liam e , repreensões regulares do homem que tentava controlar os ânimos dos mal humorados, e uma pausa para comer, chegou a uma decisão: uma Mercedes-Benz branca tão linda que nem os homens conseguiram esconder a satisfação com a transação comercial.
A admiração de Liam durou até que mandou um "Eu sinto que posso amar esse carro mais do que eu amo você". Geoff levou todo mundo para a casa Payne e Liam correu para cima para preparar uma mochila porque iam todos dormir na casa de , que aceitou com a condição de que não fosse interrompida em seu descanso sumário para providenciar artigos tais como camisinha, e apesar dos protestos exagerados do casal em questão, na madrugada, quando a dona da casa apagou, fugiu para o quarto onde o namorado repousava.


ooo


Estacionado em frente à porta dos Ortega, o grande jipe preto de Niall jazia tomado de um silêncio arbitrário. No banco do motorista, o irlandês fitava a melhor amiga de pré adolescência, se perguntando o que faria com Hilton.
Ela por sua vez, aguardava com paciência a repetição do discurso entediante de Horan. Discurso esse que envolvia mais uma tentativa desesperada de tentar integrá-la ao grupo de rapazes.
- Sabe o que eu acho engraçado? - Niall perguntou por fim.
- Não faço ideia. - piscou, desejando o poder de invocar e antes que um dos rapazes aparecesse lá fora. Não tinha como sequer saber se estavam todos lá dentro ou ainda havia a probabilidade, assustadora, de um deles chegando de surpresa.
- Você disse que perdoou todo mundo mas ainda sim se recusa a entrar comigo. - Horan a acusou.
- Eu só não quero ter que entrar e cumprimentar todo mundo, é cansativo.
Zayn.
Ela não queria ver Zayn.
Não estava preparada para lidar com o olhar meditativo do moreno sobre si, isto é se ele dignasse sua pessoa a sequer encará-la, o que a deixava ainda mais ansiosa porque enfrentar a indiferença de Malik podia ser ainda pior do que sua ira.
E como agir ao redor do ex namorado que disse que a amava e depois recebeu toda a intensidade de sua decepção com a famosa frase "Eu tenho nojo de você."? Como entrar casualmente num ambiente onde Harry, que foi deliberadamente ignorado, estava e lhe cumprimentar como se estivesse tudo bem? Com que bom humor enfrentaria Louis, que estava publicamente em luto desde que descobriu a aposta, e dirigir-lhe um sorriso casual quando ela sabia como ele estava sofrendo?
Naquele momento ela reconhecia que não havia como nem estar sob a mira do olhar austero de Liam, a pessoa mais próxima de Zayn, que devia saber de cada desdobramento entre o casal e provavelmente guardava uma opinião, quase nunca agradável, sobre ela.
- Por que você ainda mente pra mim? Eu posso ver quando você está mentindo, kit cat. - Niall declarou e desligou o carro.
- Vai avisar a sua namorada e a que eu estou aqui embaixo esperando elas. - pediu, inalterada com a acusação real e bem fundamentada de Niall.
- Tudo bem, tchau. Tenta não levar minha namorada pra sua vida desvirtuada. - ofereceu a bochecha para ser beijada pela menina.
- Não foi você quem manteve uma menina de quinze anos como sua amante enquanto namorava outra? - ela o relembrou de seu passado negro.
- Ouch. - Horan deixou o queixo cair mas saiu de fato do carro e correu até a casa, explicando rapidamente para o funcionário que o carro poderia ser tirado dali assim que saísse de dentro dele.
Parou rapidinho para ver a Mercedes-Benz branca de estacionada ao lado e pensou "Caramba!". Dentro da casa, olhou de um lado para o outro a procura do Sr. ou da Sra. Ortega e na ausência dos dois, correu escadaria acima, entrando sem bater no quarto que agora pertencia à Zayn Malik.
- Cadê a minha namorada? - perguntou em um só fôlego, se vendo obrigado a parar, apoiar as mãos nos joelhos para restringir o desconforto que se espalhou por seu peito.
- No quarto da , graças a deus. - Zayn, o anfitrião, estava mesmo aliviado com a ausência das caçulas barulhentas e felizes embora fosse obrigado a reconhecer que as duas não ficaram com eles muito tempo e quando estavam, não deram a mínima para os assuntos dos garotos.
- Eu tentei entrar pra ver o que elas estavam fazendo, mas aparentemente era segredo e eu só poderia entrar caso tivesse um convite, o que não é o caso. - Louis contou de sua tentativa fracassada de interagir com as caçulas, embora não houvesse traços de tristeza naquela cara feliz, jogado na cadeira de gamer de Malik, tomando cerveja e com um balde de pipoca em seu colo.
- Liam, onde é o quarto da sua namorada? - o Irlanda, como maldosamente o chamava, voltou-se para Liam, a segunda pessoa naquele quarto que tinha a resposta que ele precisava e o mais provável a lhe dizer sem maiores delongas.
Mas Payne o surpreendeu com um olhar suspeito e olhos cerrados:
- Pra que você quer saber onde é quarto da minha namorada? - inquiriu.
- Para falar com a minha namorada. - Niall cruzou os braços, provocante.
- Isso é um jogo doentio pra jogar na nossa cara que vocês têm namoros felizes e estáveis? - Harry interrompeu o momento muito chateado.
Zayn e Louis olharam para Harry e então para Niall e Liam, primeiro foram surpreendidos a missiva de Styles e depois concordaram com a declaração do cacheado, ofendidos com a felicidade alheia sendo esfregada em suas caras tristes e oprimidas.
Liam esteve prestes a falar "Se você queria tanto uma namorada, deveria ter cuidado melhor da sua", mas invadiu o aposento masculino, seguida por , e salvou a todos de um desastre.
- Niall! - se lançou nos braços do loiro - A falou que vocês já chegaram há um tempinho! Você não pode deixá-la lá embaixo nos esperando!
Zayn parou de respirar. estava lá embaixo? Há alguns metros dele? Eles não estiveram tão próximos assim desde a noite do baile! Aquilo era informação suficiente para que ele começasse a hiperventilar e deus sabe o quê mais, e os olhares dos amigos sobre si não ajudava em nada em sua euforia.
- Me passa uma cerveja, cara? - Liam pediu a Malik e o viu sair do pequeno transe, indo até a mesa do computador onde as cervejas estavam e arremessou uma para ele, que estava dividindo a cama com Styles (um filho da puta espaçoso, diga-se de passagem).
- Eu quero uma também. - Harry demandou e enquanto isso as meninas se despediam de seus namorados.
- Você tem certeza que não quer que eu leve vocês? Só vai levar uns vinte minutos. - Liam tocou no queixo de Ortega que foi até ele e se apoiou contra a cama.
- Não precisa, nós queremos dar uma volta e não tem como eu me perder usando o GPS, certo? - ela sorriu confiante.
- Claro que tem. Inclusive não é impossível que você termine esse passeio dentro de um lago. - Zayn cruzou os braços e encarou a prima, avaliando-a.
- Meu Deus, Zayn! Que coisa horrível de se dizer! - do outro lado do quarto, se horrorizou com a predição amaldiçoada do moreno.
- Bem, é verdade. - o moreno deu de ombros, voltando a sentar-se.
- Se vocês se perderem, pelo amor de Deus, liguem imediatamente pra alguém. Não tentem se localizar sozinhas. - Horan advertiu as meninas. A verdade é que não deu a moral para as palavras do namorado, já que preferira esperar o momento de ganhar seu beijo de despedida.
E o que era pra ser uma despedida corriqueira e comum acabou deixando os garotos em alerta. E não foi o adeus sempre caloroso que Niall e compartilharam que causou aquele silêncio desconfortável. Muito pelo contrário, foi a demora de Payne em deixar ir que deixou os outros quatro meninos em alerta.
Liam não ficava enrolando e retardando a partida de , roubando-lhe beijos e trocando sorrisinhos cheios de segredos. Aquilo era totalmente fora do padrão do rapaz, entretanto era exatamente o que estava acontecendo e o quarto parou. As meninas foram embora e era possível ouvir a conversa delas escadas abaixo, mas ali dentro o clima ficou muito estranho.
Niall olhou para Liam e Louis, Tommo encarou Harry com o queixo caído e Styles por sua vez, virou-se na cama para enxergar Liam que não estava entendendo o que acontecia ali. Ele esteve só se despedindo da namorada, foi coisa rápida, o que diabos havia perdido?
Zayn, notando o comedimento dos amigos normalmente tão espalhafatosos e falantes, olhou de um para outro e ao ver que Payne era o alvo dos olhares de todos, levantou o rosto para ver o melhor amigo, sendo tomado imediatamente por um péssimo pressentimento, que logo deixou de ser pressentimento e se tornou esclarecedor e ao mesmo tempo estarrecedor.
- Ah não! Puta que pariu, Payne! Vocês transaram! - Malik, com o rosto vermelho, apontou o dedo na direção de Liam.
- Quê? - Payne piscou.
Mas sua austeridade não convenceu os meninos e logo estavam todos congratulando o garoto que havia encerrado o maior período sem sexo que qualquer um deles enfrentou desde que iniciaram suas vidas sexuais.
- Ahhhhh Liam! Parabéns! - Louis arremessou um travesseiro em Liam mas errou o alvo e acertou Zayn, que nem ao menos reagiu ao ataque.
- Finalmente, hein! - Harry gracejou, embora lamentasse só ter notado agora que Orteguinha já havia ido embora. Quantas piadas ele perdeu a oportunidade de fazer! Quantas chances de envergonhar a caçulinha! Como a vida era injusta…
- Do que vocês estão falando? Não aconteceu nada. - Liam, pelo bem de sua amizade com Zayn, reservou-se ao direito de abster a todos da verdade, muito deliciosa porém perigosa quando relacionava-se tão intimamente com um assunto de importância para Malik.
- Para de ser mentiroso, seu filho da puta! Está escrito na sua cara! - Zayn levantou e começou a andar de um lado para o outro do quarto, atormentado. - Puta que pariu. Puta. Que. Pariu.
- É verdade, não é, Payno? - Tommo ergueu o quadril da cadeira para puxar sua carteira de cigarros. Tirou um e o prendeu entre os lábios enquanto procurava o isqueiro.
- Claro que é! Qual foi a última vez que nós vimos ele assim? - Harry sentou e apontou para o grande amigo que havia se dado muito bem em algum momento da última semana.
- Eu bem que notei que algo estava diferente em você, cara… - Niall fechou a porta atrás de si e caminhou até a varanda, podendo ver a mercedes de se distanciando da casa.
Deus as ajudasse. Rezou silenciosamente.
- Diferente como? - Liam franziu o cenho.
- Sei lá, você está... brilhando! - Horan surpreendeu a todos com sua escolha um tanto inusitada de palavras.
Entretanto era verdade, Liam estava mais feliz. Bom, não necessariamente feliz, mas havia algo diferente nele e agora seria eternamente atribuído ao seu retorno triunfal ao time daqueles que podem fazer sexo.
- Pelo amor de deus. - Payne revirou os olhos. Aqueles idiotas eram incansáveis.
- E então, você transou ou não? - Louis questionou só para que recebessem uma confirmação verbal para fins de encher o saco do amigo. Quer dizer, quem precisava de um sim quando se tinha aquele olhar culpado e nenhum pouco arrependido?
Liam tentou muito ficar sério e mentir novamente, mas estava bem humorado demais para isso e um sorriso gigante se instalou em seu rosto, entregando a verdade que todos tanto queriam saber, bem, quase todos.
- Eu preferia morrer a ter sabido disso. - Zayn falou sozinho, batendo o polegar irrequieto contra o cigarro entre seus dedos.
- Mas eu não falei nada! - Liam se defendeu, desesperado com a sensação de culpa que o atingia só porque Malik estava incomodado. Ele tinha o direito de transar com a própria namorada! Era apenas uma infeliz coincidência que a namorada era também prima do melhor amigo.
- Nem precisava! Olha essa sua cara depravada, seu idiota! - Malik bateu a mão na coxa, revoltado.
- Minha cara é a mesma de sempre! Inclusive é a mesma das duas últimas semanas…
- Vocês transaram há duas semanas? Filho da puta! Por que você está me contando isso? Você me odeia?
- Eu não contei nada!
- Zayn, casais fazem sexo, pelo amor de deus, deixa de drama. - Harry interrompeu a contenda.
É claro que se usasse um tom menos altivo e confiante, teria obtido mais sucesso. Louis e Niall eram da opinião de que
- Drama? Nós estamos falando da minha prima! - Zayn repetia o ultraje que era ter ciência das atividades sexuais de sua priminha caçula. SUA PRIMA E LIAM PAYNE, AQUELE CAVALO OBCECADO POR SEXO!
- E daí? O Niall e a parecem dois coelhos, todo mundo sabe disso, mas você não me vê chorando pelos cantos por causa disso. - Styles deu de ombros, ostentando toda a maturidade que mantinha em relação ao relacionamento da irmã e seu amigo de longa data.
Eles o deixavam no máximo desconfortável com todos aqueles toques e uma exorbitante soma de afeição, mas os desenlaces da vida íntima do jovem casal nunca atrapalharam o sono de Harry e assim todos ficavam felizes.
- Cala a boca… - Zayn voltou a sentar em seu lugar.
- E então, Payno, como foi? - Louis achou que a poeira havia baixado e era hora de obter respostas.
- Que tipo de pergunta é essa, Louis? Sexo é sempre igual. - Liam respondeu secamente.
Não haviam chances dele falar que foi ótimo, perfeito, o melhor que ele já teve em muito tempo e como parecia um sonho toda vez que ele podia desembrulhar aquele presente deliciosamente devotada a ele. De jeito nenhum ele faria propaganda gratuita de .
- Então foi bom. - foi a conclusão certeira de Horan.
- E você perguntou pra Orteguinha se ela era virgem mesmo? - Harry perguntou cheio de expectativa, na falta de uma vida amorosa própria, era divertido entreter-se com a loucura que Payne viveu por meses, em um jejum de sexo forçado. Isso é que era amor, ele costumava pensar.
- Eu vou beber água. - Zayn levantou subitamente.
- Tem água aqui, olha. - Louis segurou uma garrafinha de água que nem havia sido aberta ainda.
- Eu vou beber água na cozinha. - o moreno murmurou entredentes, com vontade de enfiar aquela merda na cara de Tomlinson.
Seu tom nada amistoso deixou os meninos quietos enquanto ele abandonava o quarto a duras pisadas. Louis aproveitou a deixa para continuar a pressionar Payne:
- Aproveita que esse cuzão saiu e conta tudo! - bateu palmas.
- Não tem nada pra contar. - Liam reafirmou novamente. Poderia jogar aquele jogo o dia inteiro!
- Ah, Liam, qual é! Como foi? - Niall decidiu ajudar Tommo. Não é possível que depois de tudo aquilo, Liam não tinha nada para contar para eles! Era simplesmente impossível!
- Bom.
- Você é insuportável. - Harry voltou a usar o celular já que não estavam fazendo nenhum progresso. Ele não via necessidade alguma em Liam estar fazendo uma coisa daquelas, até onde recordava, os amigos sempre ficavam a par de suas experiências amorosas, todas elas, de maneira bem explícita, então um pouco de reciprocidade seria agradável.
- Harry, você sabe como é sexo, eu não vou ficar fazendo narração pra vocês. - Payne disse pausadamente, como explicaria para uma criança de cinco anos.
- A gente não quer saber sobre você, a é mais interessante. - Styles falou distraído.
- Nem fodendo eu vou falar da minha namorada!
- Eu posso perguntar pra ela…
- Fique a vontade. - Liam blefou. não ia ficar feliz em descobrir que Harry estava a par de sua recente experiência. Mas se Styles sonhasse com isso, iria usar em seu favor na extração de informações.
Zayn voltou naquele momento e seu olhar decidido perpassou pelos quatro rapazes antes de fazer seu ultimato:
- Olha, muito bom ter vocês aqui mas o Liam estragou o meu dia, a minha vida, então eu vou pedir pra vocês irem embora porque eu preciso dormir até amanhã e fingir que tudo isso foi só um pesadelo.
- Você está falando sério? - Liam sorriu confuso, parecia muito uma brincadeira mas ainda sim sentia um fundinho de veracidade nas palavras do moreno.
- Sim. - Zayn acenou uma vez com a cabeça, muito sério.
- Ele está realmente nos expulsando daqui? - Niall perguntou alto enquanto de fato seguia Louis e Harry para fora do quarto, todos chocados.
- É o que parece… - Louis juntou seu tênis do chão e saiu também.
Quando Liam passou, Zayn o chamou:
- E você, Liam, tomara que seu pau nunca mais suba, seu filho da puta. - praguejou contra Payne e bateu a porta.
- Tá vendo o que você fez, Liam? - Tommo acusou Liam pelo fim antecipado do passeio enquanto o quarteto descia as escadas sem uma direção exata. - Custava você manter suas calças fechadas pelo bem do grupo?
- Eu já disse que não falei nada!
- Nem vem, Payne. - Harry o cortou.
- E agora, vamos fazer o quê? - Niall poderia aproveitar a mudança brusca de programação para ir ao clube, faziam semanas desde que dedicou algum tempo para o golfe, estava com saudade do esporte.
- Ir embora pra bem longe daqui antes que minha sogra me ache. - Liam começou a andar mais rápido para a saída da casa, realmente com medo de esbarrar em Amina.
- Vamos pra sua casa então. - Harry sugeriu, auto convidando-se para a residência Payne.
- As meninas vão saber voltar pra lá? Eu preciso mandar uma mensagem pra e a . - Horan já foi pegando o celular para informar as meninas o novo paradeiro deles.
- Não! - Liam bateu na mão do irlandês, impedindo-o de acessar os contatos do WhatsApp. - Nem ouse, elas vão se perder. Deixa eles virem pra cá, depois alguém vem buscá-las.
- Tudo bem, pra casa do Payno então! E quem chegar por último vai… - Tommo parou para pensar em algo pejorativo e o trio ficou aguardando a grande merda que viria a seguir. - vai ser o grande perdedor! - gritou e saiu correndo para seu carro.
Mas foi o único a fazer isso e Liam, Harry e Niall fizeram questão de ir o mais devagar possível, criando um atraso de vinte minutos entre eles e Louis, que chegou primeiro e já foi dando um beijo na bochecha de Karen, trocando soquinhos de cumprimento com Geoff e abrindo a geladeira para ver o que tinha de bom.
E enquanto os meninos se divertiam, Zayn ficou deitado em sua cama, emburrado até que decidiu preparar um baseado e meia hora depois esqueceu o motivo de sua chateação adentrando a um profundo questionamento do porquê os amigos tiveram que ir embora tão cedo.


ooo


Meester estava irada! E completamente atrasada para a aula de Direito Civil!
Ao ouvir seu despertador soar, acordando-a para aquela linda manhã de início do outono, a moreno bocejou preguiçosa e se permitiu admirar a paisagem de sua janela. As folha das árvores ainda possuíam seu tom verde mas o sol já era escondido por algumas nuvens, talvez fosse bom carregar seu guarda chuva naquele dia, pensou. Lembrando-se no mesmo instante que não tinha um guarda chuva, portanto seria bom passar em algum lugar a caminho da universidade para comprar o item!
Escovou seus dentes ao som de The Pussycat Dolls, porque aquele parecia uma dia propício, lavou seu rosto, vestiu um moletom confortável e ao colocar apenas a cabeça para fora do quarto notou que ou ainda não havia levantado ou já havia saído, o que melhorava ainda mais seu dia!
Preparou seu café com canela e fez uma careta no momento que sentiu o gosto forte do condimento. Odiava canela, contudo sua mãe amava e a acrescentava até mesmo em pratos inesperados, como a garota sentia saudade de casa imaginou que se sentiria mais próxima de Diane se cometesse aquela autopunição.
Verificou em seu celular o horário da aula e a sala em que seria dirigida, pegou sua bolsa e saiu pela porta do apartamento encaminhando-se para o elevador, que já estava parado em andar!
Dirigindo seu carro pela rua principal não conseguia nem ao menos reclamar que ainda não havia conseguido encontrar um motorista particular para fazer o trajeto por ela todos os dias, já que Alfred permanecera na capital. Era até agradável dirigir ao som de seu cantor favorito.
Lembrou de passar em uma loja para comprar seu guarda chuva e ao descer de seu automóvel, surpreendeu-se com o dia quente demais para o início do outono. Havia imaginado a temperatura mais baixa, por aquele motivo vestiu o moletom que agora a assava como um forno. Usando a mão para se abanar adentrou a loja e comprou o objeto que a protegeria do mal tempo, logo retornando para seu veículo, o qual dirigiu até a universidade.
Ao finalmente chegar em sua sala, estranhou o fato de nenhuma daquelas pessoas serem as que se recordava da aula que teve na semana anterior, todavia tinha certeza que não se lembrava da metade dos alunos. Deu de ombros e sentou em sua cadeira, podendo finalmente retirar seu moletom favorito, que naquele momento não passava de um objeto de tortura e ao ouvir a voz grave do professor entoar seu "Bom dia" juntou as sobrancelhas achando estranho o fato de não ter ideia quem aquele cara era. Professor substituto?
Arrumou-se em sua cadeira, pegou o notebook, uma pequena caderneta, um bloco de post-it e uma caneta, já que a faculdade a deixou paranóica sempre achando que nunca havia utensílios o suficiente para se fazer anotações. E finalmente prestou atenção na aula.
Que estava muito estranha. Muito!
não tinha noção do que aquele homem estava falando e começava a se desesperar.
Com licença. - pigarreou, falando com uma menina ao seu lado. - Qual é o número dessa sala mesmo? - sorriu sem jeito, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha.
- 2104. - a desconhecida respondeu com um sussurro, com a atenção presa ao professor.
- Espera. - cresceu os olhos desesperada - O quê?! - pegou seu celular para checar o horário não acreditando que aquilo acontecia com ela.
- 2104. - a outra garota repetiu voltando seus olhos confusos para uma apreensiva - Curso de filosofia.
- Merda! Merda. Merda. - Meester praguejava baixo a medida que jogava seus pertences dentro da bolsa - Obrigada! - sorriu para a desconhecida que a encarava com o cenho franzido, assistindo-a deixar a sala correndo.
1204! deveria estar na sala 1204! Portanto corria desesperada pelo campus, com sua bolsa no ombro, seu moletom enroscado no braço, o celular na mão, a caneta presa aos lábios e o maldito guarda chuva embaixo do outro braço. E o que a deixava com mais ódio era que o dia estava ensolarado! O sol se encontrava estupidamente radiante pois todas as nuvens que o cobriam mais cedo naquela manhã haviam sido afugentadas.
Estava muito atrasada para a aula e ainda era o começo do semestre. Nem se recordava qual direção deveria seguir para chegar até a desgraça da sala 1204. Deus, como sentia falta da Eton e de toda sua estrutura que conhecia como a palma da mão e também das pessoas idiotas que não a fitavam feio por vê-la correndo feito louca pelo campus, pois já esperavam aquela atitude dela.
Teve a impressão de avançar demais e parou um instante a fim de recuperar o fôlego e também se localizar, já que tudo o que fez anteriormente foi vagar sem rumo e ao girar sobre os calcanhares esbarrou em um infeliz que nem ao menos parou para auxiliá-la a pegar seus pertences que caíram todos no chão.
- Que inferno! - esbravejou batendo o pé, colérica.
Não sabia porquê havia acordado de bom humor naquele dia, já que universo era um ser desgraçado que queria apenas torturá-la. Passou as mãos pelos cabelos, irada e abaixou-se para pegar suas coisas.
Logo percebeu que o status de sua caneta era perdido para sempre, pois ao passar os olhos pelo pequeno caos não encontrou o objeto. Bufou, pegando o celular e notou que o impacto foi o responsável por danos em sua carcaça e quis chorar de ódio, jogando-o dentro da bolsa.
- Aqui. - ouviu alguém lhe referir a palavra e elevou o rosto, encontrando o guarda chuva filho da puta estendido a ela.
- Obrigada. - sorriu para o rapaz que já pagava seu moletom e dava batidinhas com a mão a fim de limpá-lo. - Muito obrigada! - afundou a peça de roupa gorda até metade da bolsa, já que o restante não cabia e aceitou a ajuda de seu benfeitor para levantar.
- Imagina. - garoto colocou as mãos nos bolsos da calça jeans e abaixou o rosto, fitando os próprios pés, balançando a cabeça positivamente.
o mirou esperando para saber se ele diria mais alguma coisa ou se ela já poderia partir rumo a sua caçada a sala 1204. E foi realmente constrangedor os instantes que se seguiram e os tênis do desconhecido pareciam mais interessantes que a presença de Meester, pois os calçados era tudo o que o menino encarava.
Então… - ele disse sem perceber que a morena já havia se distanciado. - Finn - falou de repente, voltando os olhos para ela que franziu o cenho, aproximando-se dele novamente. - Quer dizer - negou com a cabeça - , meu nome é Finn. - colocou a mão sobre o próprio peito para indicar ao que se referia.
- . - a garota se apresentou, com um sorriso nos lábios, achando peculiar a falta de jeito do rapaz.
- É um prazer. - estendeu a mão para cumprimenta-la - Você cursa o quê?
- Direito. E você?
- Literatura francesa.
- Warfield - Finn voltou-se para um rapaz, que gritava não muito distante dali e acenava com as mãos tentando capturar sua atenção e concluiu que ele era o suposto Warfield. - , você vai ficar flertando com a garota ou nós vamos para a biblioteca?
Meester achou que o menino a sua frente teria uma síncope, pois esbugalhou os olhos, tendo o rosto tomado por um tom intenso de vermelho.
- E-Eu não e-estava flertando com você! - foi tudo o que conseguiu dizer, até esquecendo de dar satisfação para o amigo desesperado que ainda os assistia com as mãos na cintura e expressão desacreditada.
- Que pena. - inclinou-se a fim de ficar mais próxima de Warfield, como se fosse lhe revelar um segredo - Porque eu estava flertando com você. - falou baixo, piscando para ele que arqueou as sobrancelhas surpreso.
virou-se de costas para voltar a procura de sua sala, com a bolsa no ombro, metade do moletom para fora dela e o guarda chuva inútil na mão. Não antes de dizer:
- A gente se vê por aí, Finn. - e acenar para o primeiro e provavelmente último acadêmico de literatura francesa que conheceria na vida.


ooo


A cerimônia de Bodas de Prata de Karen e Geoffrey Payne reuniu em torno de duzentos convidados, a maior parte da alta sociedade londrina, para comemorar a união de vinte e cinco anos daquele casal tão querido e um símbolo real de amor e companheirismo.
O programa da tarde começava às quatro e contava com uma renovação de votos para então seguir um coquetel para os convidados e jantar às nove da noite. O clima de preparação durou por todo o mês na casa Payne e a última semana foi simplesmente insana, proporcionando um teatro de proporções épicas o processo de transformar o quintal, no raio de um quilômetro, em um ambiente preparado para receber as visitas.
Essa tarde marcava também a primeira vez que os dez adolescentes se encontrariam juntos sob o mesmo teto desde a noite do baile, e apesar do clima superficial de segurança de que tudo estava bem, garantidos por três meses de distanciamento absoluto, com a chegada das famílias, foi possível detectar a ruína das máscaras de calma e confiança que nossos protagonistas construíram.
Depois de meia hora sentados, aguardando a cerimônia começar, Harry começou a se sentir sufocado com a aglomeração e os burburinhos constantes. Nem sequer estava com os amigos e tinha medo de olhar para trás e dar de cara com .
- Pai, eu vou lá fora com o Zayn. - Harry murmurou, inclinando-se para frente, de maneira que sua cabeça ficasse apoiada no encosto do banco da frente.
- Não, vai ficar todo mundo aqui até o fim da programação. - Desmond encarou o filho de canto de olho, proibindo-o de sair para ficar vadiando por aí enquanto todos estavam sentados aguardando a cerimônia começar. Além do mais, tinha certeza que Yaser jamais permitiria que o filho saísse de seu lado durante um evento.
- Eu não aguento mais ficar preso aqui. - o cacheado resmungou emburrado.
- Como é que é, Harry Edward?
- Eu preciso ir ao banheiro.
- Depois que acabar aqui.
- Mas pai…
Tarde demais, Des já havia dado as costas a ele e engatou numa conversa com a esposa para evitar que ela também se envolvesse no perrengue e logo os quatro estivessem protagonizando uma cena. Porque era assim que as coisas funcionavam naquela família.
estava sentadinha ao lado do irmão, quieta como uma princesa porém seus olhos derramavam tédio e ócio. A melhor amiga estava longe dela, ajudando os pais com as gêmeas que estavam particularmente lindas com seus vestidinhos festivos, o restante do pessoal estava espalhado pela capela improvisada e seu namorado jazia há dois bancos de distância, longe demais para que eles pudessem conversar sobre a festa.
Entretanto, uma ideia brilhante a visitou e ela pegou o celular animada para falar com Horan.
: babe, o que você está achando da festa? Está se divertindo?
Niall: Nenhum pouco, se esse negócio não começar nos próximos cinco minutos eu vou morrer. E você provavelmente está se sentindo assim, pra se dignar a mandar uma mensagem.
: Nada a ver, eu só estou animada demais para falar sobre como tudo está lindo!
Niall: Bem, eu tenho que concordar, você fica linda de azul.
Princesinha Styles sorriu do elogio nada sutil do namorado, mas estava ansiosa demais para ficar falando sobre si quando tinha tanto assunto para compartilhar.
Foi super chato ter que chegar atrasada porque seu pai perdeu a carteira (na verdade esqueceu dentro do carro) e então os Payne fizeram o favor de colocá-los distante dos Horan, sendo que não custava nada deixar pelo menos Niall ao seu lado para que pudessem comentar sobre como tudo estava adorável.
E ela parecia não fazer ideia de como o rapaz não se importava com nada daquela merda já que ele sempre era muito solícito em seus comentários, mas só fazia isso porque sabia que a deixava feliz.
: Você não gostou dessa decoração campestre, Niall? Não ficou charmoso?
Niall: Aham, mas não parece que tem mato demais? Quanto de terra foi desmatado para decorar isso aqui?
: Eu também achei um pouco exagerado. Se fosse minhas bodas, teria escolhido gérberas, são muito mais coloridas e tem um cheirinho fresco.
Niall: O que mais você mudaria?
: Ah, eu gosto de tudo no geral, só faria algumas pequenas mudanças, nada muito grande. Você não gosta das coisas mais simples também?
Niall: Menos é mais, babe. Você está certíssima.
: Eu só estou com medo do que pode acontecer de ruim hoje com todo mundo reunido. Quais as chances de terminar com alguém chorando ou gritando?
Niall: Pfff… Nós somos criaturas civilizadas, . Você acha mesmo que não conseguiremos sobreviver à algumas horinhas sem passar vergonha?
: Nós estamos falando das mesmas pessoas? ? Louis?
? Você tem mesmo fé de que eles vão se comportar?
levantou um bom ponto, quais eram as chances reais de que um encontro desses não terminasse em desastre?
Ele não gostaria de ficar para ver.
Niall: Quer fugir comigo quando todo mundo estiver distraído?
: Claro! Mas agora eu vou parar de falar porque a cerimônia está começando.

sabia que seria mais fácil se fosse o tipo de garota que se sentia triste com os reveses da vida amorosa. Parecia muito mais simples deitar na sua cama grande e chorar até desidratar e então ouvir uma playlist triste enquanto via fotos antigas dos dois, mas ela simplesmente não era assim.
Quando ela tinha momentos ruins, gostava de se imaginar destruindo tudo ao seu redor, como um furacão, irrefreável e devastador. Não tinha vergonha de lembrar que pelo menos uma vez saiu de casa a caminho da casa Tomlinson pra destruir o carro de Louis ou o quarto dele, o que encontrasse primeiro.
Mas infelizmente conhecia os pais do idiota e os respeitava o suficiente para evitar uma tragédia na residência da família. Não podia dizer o mesmo sobre o novo endereço de Tomlinson, talvez fosse interessante fazer uma visita para o rapaz, colocar fogo nas coisas dele ou algo tão eficiente quanto…
- ! ! - chacoalhou o ombro da ruiva e a arrancou de sua fantasia violenta demais para seres humanos normais.
- O que é, ? - cruzou os braços e piscou uma vez.
- Eu falei que o Niall me disse que o Louis quer falar com você. - a princesinha enfiou as mãos nos bolsos do vestidinho azul e girou, ansiosa para saber o que a melhor amiga faria sobre aquela situação.
, como a boa amante de romances que era, tropeçou no pé de Niall quando o rapaz lhe passou a informação no meio de uma dança. Em sua opinião Louis havia sido horrível, um verdadeiro vilão do que era para ser uma história de amor, mas se existiam chances reais de que o rapaz ainda estivesse interessado em perdão e até, quem sabe, uma segunda chance, ela gostaria de testemunhar o milagre de camarote.
por outro lado, não podia acreditar na audácia daquele filho da puta em considerar-se digno de dirigir palavra à ela. Deveria estar era agradecido por ter se livrado ileso daquele maldito circo! Afinal de contas ele foi o único dos cinco garotos com quem ela se envolveu que teve a bênção de conservar a integridade física de seu corpo e bens.
- Ele o quê?
- Quer conversar com você, quem sabe role uma segunda chance… - mordeu o lábio para esconder o sorriso cheio de expectativas. - Nós sabemos que ele te procurou por todo o…
- Se o Tomlinson sabe o que é melhor pra ele, vai continuar dando o espaço que eu mereço. Porque se ele ousar se aproximar de mim, eu vou matá-lo enquanto ele dorme. - Westwick interrompeu o discurso ridículo daquela criatura que falava demais.
Ela faria o escândalo do século se fosse necessário para Louis entender que não havia espaço para perdão. Odiava ter que quotar Queen, mas considerar Louis Tomlinson conversando com ela só a lembrava de um pequeno trecho de Bohemian Rhapsody: "Então você acha que pode me amar e me deixar morrer?". Muito dramático, porém com uma mensagem eficiente.
Será que Louis estranharia se ela cantasse essa frase e fosse embora? Ela mordeu o dedo indicador, concentrada.
- ! - aumentou a voz mais uma vez. Estava difícil estabelecer uma conversa com a ruivaa ruiva naquele momento!
Westwick snotou o lapso de impaciência que perpassou pelos olhos da melhor amiga e quis sorrir. A pobrezinha deixou de ser mimada por Niall enquanto dançavam (sabe-se lá como se mima alguém enquanto dançam!) apenas para se frustrar porque aquela conversa não ia seguir o curso que ela desejava.
- Eu estou falando sério. - reiterou sua posição e aproveitou o garçom que passou por elas, surrupiando duas taças de bebida gelada. Tomou um gole generoso mas ao invés de soltar um suspiro de satisfação, terminou com uma careta de desgosto, odiando o gosto impregnado em sua língua. - Que merda é essa que os Payne estão servindo?
tomou a taça e cheirou o líquido e bebericou, constatando que o champanhe tinha apenas o sabor certo, é só que o paladar acostumado com cerveja da ruiva perdera a sensibilidade para as coisas boas da vida!
Podia atestar isso porque seu namorado e o seu irmão demonstravam a mesma repulsa pela bebida sofisticada.
- , por favor! É só uma conversa! - princesinha Styles implorou, olhando para com tamanha angústia que a menina se abalou por alguns momentos.
- Ah, você está do lado dele agora, ? - acusou a única pessoa que lhe era fiel independente das circunstâncias.
Jogou pesado? Sim.
Se arrependia? Nem tanto.
- Não! - arregalou os olhos, ofendida com a culpa não merecida. - Eu estou sempre do seu lado, e é por estar do seu lado que eu acho que uma conversa não ia matar ninguém. - deu de ombros, toda inocente.
Há uns bons metros dali, Louis não fazia ideia que já tinha ciência de seus intentos. Conversava com conhecidos em uma tentativa que se provava épico fracasso, de ignorar a presença forte da garota que amava.
- Pelo contrário, eu vou matar o resto de vontade de viver que esse idiota tem, se ele se atrever. - falou com absoluta certeza.
- Ai, meu deus. - bateu a mão na testa. Sabia que a partir dali qualquer insistência ia resultar nos mesmos resultados negativos.
ainda não estava pronta para falar com Louis, e a perturbava saber que a felicidade de sua melhor amiga pendia em um fio tão sensível. Gostaria de poder resolver a situação com as próprias mãos e olhar para Niall e lembrar que ele sabia de tudo mas não lhe contou, não lhe deu a chance de proteger e , a frustrava profundamente.
- Quer comer? - perguntou após um longo suspiro, esforçando-se para esquecer o que aconteceu, tentando cumprir a promessa feita a Niall: eles deixariam aquele erro para trás e superariam juntos (o que não estava sendo fácil para ela, apesar dos esforços contínuos).
- Não, eu vou fumar. - Westwick balançou a cabeça rapidamente.
- Tuuudo bem, nos vemos daqui a pouco. - cantarolou, beijou a bochecha da amiga e foi atrás da mãe.
pensou para onde podia ir. Precisava muito de um cigarro agora e é claro que havia uma carteira novinha escondida dentro de um estojo de óculos no porta objetos do porsche mas encontrar o veículo no estacionamento se mostrava um problema.
Seu monólogo mental pareceu ameaçado quando uma conhecida da família a reconheceu e deu aquele sorrisinho surpreso de quem está prestes a falar coisas chatas sem limite de tempo para acabar, e essa foi a força motriz que a fez segurar o tecido do vestido nos quadris para conseguir andar o mais rápido que pudesse sobre os saltos.
E ela andou, andou e andou e andou até estar sozinha. Completamente sozinha.
Respirou fundo, tomando ar o suficiente para voltar a respirar normalmente. Permitiu-se apoiar a palma da mão contra o rosto, perguntando a si mesma do que diabos fugiu com tanta rapidez e porque respirar não estava fazendo-lhe o bem que imaginou que deveria.
O problema era mais complexo do que a falta de ar por causa de uma corrida.
- Está tudo bem, ruivinha?
pulou alto ao notar que não estava tão sozinha assim.
- O quê? Malik! Você, não! - gritou com a voz esganiçada ao ver a sua companhia.
A figura fantasmagórica do rapaz irradiava uma beleza quase intocável, a maneira como ele segurava seu cigarro casualmente e se aproximava como um felino preguiçoso capturaram a atenção da garota, que por segundos inteiros esqueceu que o odiava.
Mas esses segundos acabaram e ela lembrou exatamente o porquê desprezava Zayn.
- O que você pensa que está fazendo aqui, Malik? Eu solicitei a sua companhia? - ela travou o maxilar, mal humorada. Puta que pariu, aquela tarde estava se superando em ser ruim!
- Você quer um cigarro? - Zayn ignorou a falta de contato visual proposital e deu um passo a frente para estender a carteira e o isqueiro verde.
- Eu quero que você morra. Não, eu quero que você fique feio, horroroso. E que também saia da minha frente, mentiroso de merda. - decidiu ser honesta, afinal de contas alguém naquela relação deveria prezar pela verdade. - E me dá essa merda aqui. - Tomou bruscamente os cigarros de Malik, sem intenção de devolvê-los.
Acendeu o cigarro e o tragou com a mesma avidez com que tomou o champanhe quando estava com , mas diferente da frustrante experiência com o espumante, a nicotina não decepcionou. A agonia da pressão de estar vivendo aquele momento embaraçoso foi expelida a cada baforada de fumaça que ela soprava por entre seus lábios e agora parecia fácil apenas ignorar a permanência de Zayn.
- , eu sinto tanto pelo que aconteceu. - ele admitiu.
o olhou de canto de olho, irritada com a intromissão no que acabara de decidir que seria um momento de paz. Ele queria ter aquela conversa ali, naquele momento? Ótimo, é o que ele teria então.
- Pelo o quê exatamente você "sente tanto"? Por ter colocado meu nome nessa bagunça? Por saber que o Tomlinson transou comigo por dinheiro e não ter a decência de me dizer alguma coisa? Por achar engraçado como a trouxa aqui caiu direitinho no joguinho de vocês? - o interrogou, cruzando apenas um dos braços já que precisava da outra mão livre para manusear o cigarro, e deus sabe como ela precisaria de pelo menos uma cartela para começar a entender qual o problema daqueles garotos.
As indagações perturbadoras de deixaram a boca de Zayn seca e o rapaz perdeu-se na linha de raciocínio que pretendia seguir para fazer um pedido de desculpas apropriado. Tudo naquela situação era tão frustrante e o que lhe incomodava tanto era a ciência de que ele era o culpado por estarem ali, sem a amistosa provocação que sempre acompanhou a relação dos dois.
Após debater consigo em pensamentos sombrios, tentando justificar os erros cometidos, buscando obter remissão de seus pecados porque as consequências foram demasiada dolorosas, Malik precisou reconhecer que não havia justificativa grande o bastante que encobriu a maldade daquela ideia. E essa era uma culpa dolorosa de suportar.
- Você não merecia ter sido envolvida nisso. Nenhuma garota merece. - disse então e chutou uma pedrinha branca, mas ela não voou muito longe.
- Nem a Meester? - cerrou os olhos, avaliando-o.
- Nem ela. - Zayn balançou a cabeça vigorosamente. De ele queria duas coisas: perdão e distância eterna. - Foi tudo uma brincadeira estúpida e não se passa um dia em que eu não deseje voltar no tempo pra consertar isso, impedir a humilhação desnecessária que vocês tiveram que passar. Eu sei que você deixou de ir pra Oxford por causa do Louis.
suspirou alto, aproveitando a demora em tragar e expelir fumaça para avaliar a questão. Não estava arrependida de estar em Cambridge (exceto por sua colega de apartamento que era o próprio satanás), o curso era agradável, a turma a achava engraçada e ria de todas as grosserias que ela dizia, achando que eram piadas, e os professores reconheciam seu esforço. Tudo ia bem para uma segunda opção criada de última hora porque seria demais viver quatro anos compartilhando a universidade com Louis.
- Eu deixei de fazer tanta coisa por causa do Tomlinson. O que foi uma merda porque eu sou ativa e naturalmente gosto de estar sempre ocupada e ele se infiltrou em cada aspecto da minha vida então eu ainda estou procurando uma forma de voltar a fazer as coisas que gosto sem sentir essa vontade súbita de dar uma surra naquele idiota. - ela olhou para Zayn.
- O Louis se apaixonou por você, . Se apaixonou como nenhum de nós jamais imaginou que poderia acontecer. O que é estranho porque é o Louis. - Malik defendeu o amigo, porque se pudesse fazer algo para desfazer um pouco do mal que causou, o faria sem pensar duas vezes. E Louis e foram felizes juntos, vê-los novamente alegres poderia aplacar um pouco da culpa que carregava.
- Você veio aqui pra defender o Louis? - Westwick o cortou com frieza.
- Não, eu vim pedir o seu perdão porque eu fiz algo errado e porque você é minha amiga e às vezes eu preciso de alguém pra me ensinar formas diferentes de torturar e irritar meus colegas de classe.
- Bom, eu acho que sou boa mesmo em irritar as pessoas. - deu um sorrisinho e aceitou o elogio. - Mas você não pode vir aqui com essa carinha linda e achar que eu vou te perdoar só porque você é bonito, Malik.
- Nunca foi minha intenção, sardenta. - Zayn sorriu ainda mais e piscou charmoso, esforçando-se para ser bem clichê, do jeito que ela sempre encheu o saco. Embora não fosse difícil tecer elogios à menina que estava uma graça no vestido florido e que ainda seria causa da loucura e das lágrimas de Louis.
A interação teve resultados positivos porque ele ganhou um cigarro também e os dois permaneceram ali no estacionamento, em pé, olhando para o nada, ignorando os momentos felizes vividos pelos convidados e compartilhando um silêncio camarada.
E então, do nada, desabafou:
- Eu fiquei tão magoada nos dias seguintes. Não conseguia acreditar que vocês sabiam de tudo e nós viajamos para o Caribe juntos, Malik, para o Caribe! Eu tive a melhor viagem da minha vida com quatro mentirosos se divertindo comigo o tempo todo! - ela agitava desassossegada a mão ocupada, como se houvesse muita cinza a ser derrubada. - Depois eu quis me vingar de vocês mas honestamente eu não tinha forças pra fazer isso, eu me apaixonei de verdade pelo Louis, sabia?
- Ah,
- E aí eu percebi que todas as outras vezes eu fiquei mais magoada pelo meu ego ferido do que pelo término em si, mas com o Louis foi diferente, eu ficava sentindo a falta dele! Quem sente falta de uma pessoa tão cruel? - Westwick riu com pena de si mesma.
Como alguém que participava de tamanha ruindade podia ter o abraço tão reconfortante, o cheiro certo e a risada contagiante?
Amar Louis foi fácil, ele era um raio de sol após uma chuva de verão, o carinho com que ele a fitava algumas vezes a deixava sem palavras e o bom humor do rapaz nunca falhou em animá-la. E quando foi necessário tomou sua mão sobre dele e a jurou amor sem sequer exigir reciprocidade.
- Bom, eu espero que saber que o Liam quebrou o meu nariz te console um pouco. - para aliviar o clima pesado e melancólico.
E nada melhor do que rir da própria desgraça porque a menção ao ocorrido fez rir abertamente, interessada neste tópico da pauta.
- Doeu muito? - ela virou para ficar de frente para o rapaz, analisando o nariz dele para encontrar marcas dessa história incrível.
Não, sem defeitos. Ele continuava lindo de morrer. concluiu.
- Eu tentava chorar de dor mas não saiam lágrimas e não dava pra respirar sem doer muito. A caminho do hospital, nós tivemos que parar o carro porque eu fiquei com vontade de vomitar, de tanto que doía. - Malik contou. Agora era engraçado, mas no momento em que aconteceu ele começou a entrar em pânico porque não conseguia respirar direito, não podia chorar, sua cabeça latejava como um organismo com vida própria e a falta de dignidade que o atingiu. Liam o fez ficar sentado no chão como se ele fosse uma maldita criança! Aquilo foi quase pior do que o nariz quebrado!
- Ele devia ter quebrado o nariz do Tomlinson também. - prensou os lábios, irritada com a falta de bom senso de Payne. O que custava ter dado só mais um soco no imbecil antes de levá-la pra casa? Idiota...
- O Louis ficou numa merda tão grande que até o Liam teve pena dele. - Zayn explicou porque Tommo saiu "impune" naquela noite.
- Que pena pra ele. Babaca.
- E então, você me perdoa, ?
- Claro, se você me disser qual é o novo carro do seu amigo. - ela sorriu e o moreno se arrepiou inteiro.
Puta que pariu.
- Quem? Do Liam? - ele sorriu e se fez de bobo.
- Zayn, o meu perdão pelo carro do Tomlinson. - repetiu sua condição de troca com impaciência. Ao ver Zayn titubear, ela sorriu leve e sugeriu: - Você não precisa nem falar, só apontar.
Zayn pensou um pouco. De uma forma ou de outra, ia encontrar o carro de Louis e se isso ia acontecer, porque ele não aproveitaria a oportunidade de angariar as boas graças da menina ao invés de deixá-la fazer esse serviço sujo sozinha e depois ter que arranjar algo ainda pior para ser perdoado.
Sua decisão foi tomada:
- Beleza. É aquela mercedes ali, olha. - apontou para o meio do estacionamento, alcançando umas cinco fileiras de onde eles estavam.
- Qual? Aquela? - colocou a mão sobre os olhos para fazer sombra.
- Não, a preta. A terceira da esquerda para a direita. - Malik colocou as duas mãos na cabeça dela e girou até o carro de Louis.
- Ah! Interessante… - Westwick suspirou satisfeita. - Você está perdoado, Malik. Agora, se você me der licença eu vou fazer uma visitinha aquela mercedes.
- Se o Liam pegar você aprontando… - Zayn sentiu-se moralmente obrigado a alertar .
- Eu encontro o carro dele também. - ela balançou a mão no ar, porque se havia alguém que ela não temia, essa pessoa era Liam Payne.
- O dele é o mustang grafite. - Zayn disse logo qual era o carro de Payne porque era um tremendo puxa saco. - O único daqui, provavelmente.
- Agora eu estou achando que você está tentando me comprar. - colocou a mão no peito, fingindo afetação.
Malik sorriu de lado:
- Comprar, não. Seduzir, talvez…
- Você não vale nada, garoto! - ela deu um tapa no braço do garoto e saiu marchando rumo ao pobre mercedes-benz que estava prestes a conhecer a fúria da ex namorada de seu dono. Ou não.
O amplo sorriso de todos os presentes, a felicidade estampada em seus olhos, o sol brilhante no centro do céu azul e o aroma de flores, que banhava o gramado da mansão Payne, confirmavam que o amor estava no ar. E estava com dor de cabeça.
Suas têmporas latejavam e seus olhos pareciam pesar nas órbitas. Seus lábios não estavam curvados em um sorriso, seu olhar não expressava felicidade, os raios de sol davam a impressão de que sua cabeça estava prestes a explodir e o aroma das flores a deixava nauseada.
Apoiava-se no braço do pai, que conversava animadamente com alguns conhecidos, tentando não morrer ou mandar todos a sua volta calarem a boca, quando decidiu procurar por algo para comer. Afinal aquele desconforto podia ser apenas fome. Pediu licença e se retirou, em busca de quitutes, logo encontrando um pequeno prato onde colocou os primeiros canapés que achou pela frente.
- A festa está muito boa, não é? - ouviu a voz de Liam atrás de si e voltou-se para ele - Ow! - o rapaz deu um passo para trás, surpreso com o mau humor que a melhor amiga exalava, quase derrubando um pouco de seu drink - Devo barganhar pela minha vida? - colocou a mão sobre o peito.
- Cala a boca.
- Por que o mau humor? - arqueou as sobrancelhas, sorrindo condescendente diante o péssimo temperamento de Meester - E agora que eu ouvi a pergunta a achei muito estúpida, já que esse é seu humor natural.
- Argh, eu preferia quando você não transava e não era todo alegrinho. - fez uma careta, rolando os olhos
- Fala baixo! - Payne teve um sobressalto, olhando de um lado para o outro desesperado - Deus me livre se algum dos Ortega te ouve!
- Uhm, então quer dizer que a Amina e o Robert ainda não sabem?! - sorriu de lado, tamborilando o dedo no seu pratinho de quitute - Isso está ficando interessante.
- Você para, ! - disse firme com um dedo em riste, esperando que a amiga compreendesse todas as ameaças ocultas naquela curta sentença.
- Eu não fiz nada! - defendeu-se, comendo um canapé. - É você quem está me incomodando. - acusou, fazendo uma careta.
- Você fez aquela carinha que sempre faz quando está prestes a destruir a vida de alguém. - indicou o rosto da garota que chegou a ficar vesga seguindo o dedo do rapaz. - E é divertido assistir você destruir a vida alheia, mas a minha não.
Obrigado.
- Liam, deixa eu curtir minha dor de cabeça em paz, okay? - pediu revoltada, voltando a mesa de quitutes para abastecer seu prato. - Fui dormir tarde ontem e acordei cedo hoje, não comi nada no desjejum e a primeira coisa que coloquei na boca foi um maldito docinho que a me ofereceu. - explicou, vendo o menino achar razoável todas aqueles indícios de uma futura enxaqueca.
E como mágica, que fora mencionada apenas há dois segundos, apareceu correndo na medida do possível, já que a soma da equação salto, grama e corrida não possuía um bom produto. juntou as sobrancelhas, assistindo a caçula se esconder atrás do namorado, rindo como uma boba e Payne apenas tentou proteger seu drink.
O que deu nela? - Meester questionou e Liam deu de ombros sem entender.
- Sweetheart, o Harry…
sabia que ele estaria lá. Ele havia sido a razão de sua noite mal dormida. A morena só conseguia pensar no momento em que seus olhos azuis o mirassem pela primeira vez após a fatídica noite do baile, só conseguia pensar em como se sentiria, qual sentimento se sobressairia, só pensava se ele a veria também, se também estava tomado pela ansiedade e nervosismo, se estava bem.
Voltou o rosto por cima do ombro e pode encarar Harry pela primeira vez após três longos meses. Ele sorria no momento em que seus olhos se cruzaram, mas logo seu semblante mudou e o sorriso não estampava seus lábios. Apenas segundos passaram-se, todavia tudo ao redor de Meester deixou de existir, o tempo não havia congelado, ele simplesmente não existia mais, era como se e Harry ocupassem uma folha em branco. E no mento em que o rapaz desviou os olhos do dela e acenou para alguém, a menina voltou para o gramado dos Payne.
- ...está me encarando de um jeito engraçado e disse que sabe o que eu fiz no verão passado. - ouviu explicar ainda atrás do garoto, que procurava por Styles e ao por os olhos no cacheado o encontrou acenando para ele, sustentando um sorriso que fez Payne rolar os olhos xingando-o de idiota - O que você tem a dizer sobre isso?
- Que ele é um babaca. - deu de ombros.
- Você contou para o Harry o que aconteceu? - arqueou as sobrancelhas, mirando-o acusadora.
- Não! - o mais velho adiantou-se em responder - Eles descobriram…
- Eles? - Ortega cresceu os olhos, deixando-os ainda maiores que o usual, prestes a ter um ataque cardíaco quando ouviu a risadinha da melhor amiga.
- Você está se saindo muito bem, amigão. - Meester gracejou, dando batidinhas no ombro do menino, que suspirava alto.
- , eu não contei nada para ninguém. Seu primo descobriu e então eles surtaram.
- O Zayn…? - Ortega franziu o cenho. Aquela era a primeira vez, em duas semanas, que o primo voltava para a capital, o garoto havia passado muito tempo em Oxford e ao chegar em casa para aprontar-se para a festividade dos Payne não a encarava no momento em que conversaram, parecia constrangido. E agora a garota entendia o motivo. - Acho que estou passando mal. - abanou a mão, frente ao rosto, ouvindo mais uma vez a risadinha de .
- Ah não, . - a amiga protestou - Não rouba meu momento! Eu que estou passando mal.
A outra menina riu alto, diante tal mesquinharia por desgraça: - O que você tem? - indagou preocupada, aproximando-se da mais velha a fim de checar se estava tudo bem.
- Dor de cabeça. - fechou os olhos, colocando um pequeno quitute inteiro na boca, mastigando-o com toda a infelicidade que a preenchia.
- Vamos lá dentro. - Liam indicou a casa - Eu procuro uma aspirina para você.
E o trio saiu pelo gramado, a caminho da mansão, sem notar que um par de olhos verdes acompanhava todos os movimentos da dama de azul.
Harry a viu no momento em que adentrou a festividade, acompanhado do pai e de Kate. Fazia muito tempo que não a via, fazia um tempo ainda maior que não tocava sua mão, a fazia rir ou rolar os olhos, emburrada. Há muito tempo não a tinha ao seu lado, com a cabeça perfeitamente apoiada em seu ombro enquanto cantarolava baixinho uma música, tinha saudade de ouvi-la cantando. Há muito tempo não se embriagava com o perfume dela e com a textura de seus cabelos.
havia cortado os cabelos.
Ela não o devia nada.
Para Styles, a menina havia se tornado um fantasma diante de seus olhos.
Não foi no dia em que terminou com que pensou que aquela trama teria um final tão trágico. Não foi na noite do baile que percebeu que não havia redenção para sua alma pecadora. O tempo foi o responsável por acentuar cada um dos sentimentos que o envolviam: saudade, medo, tristeza, raiva e paixão, a paixão que queimava seu ser, deixando-o aflito, ansioso, nervoso, pesaroso. O tempo também foi o responsável por afastar um pouco mais a cada dia, soterrando-a no lamaçal que Harry havia criado.
Desejava ter o poder de apagar seus erros como também poder reviver, incessantemente, o último beijo que repartiu com Meester, ser tomado mais uma vez por aquela sensação de plenitude e todas aquelas borboletas alçando vôo ao redor deles. Mas não tinha a capacidade de conseguir nenhum dos dois. E aquele fato o frustrava.
Talvez devesse procurá-la e dizer que apesar de não serem perfeitos, sem , Harry estava perdido! Ele lutaria por ela e sabia que ela lutaria por ele, mas temia que no final a garota se forçasse a gostar de outro homem.
Suspirou pesaroso, não entendendo os próprios pensamentos e saiu pela extensão do gramado a procura de algo para se distrair.
O trio afastou-se cautelosamente do restante dos convidados, a fim de não chamar atenção para o fato de estarem fugindo para o interior da casa. E Liam deu cobertura para as meninas que subiram os poucos degraus de escada rapidamente, passando direto pela cozinha em direção a uma sala de estar.
- Eu vou procurar o remédio e pegar um copo de água. - Payne foi ouvido se aproximando - Não demoro. - passou direto pela sala vendo esparramada pelo sofá já sem os sapatos e sem se importar em bagunçar os cabelos.
bocejou, sentando-se preguiçosa em um poltrona imaginando como seria bom tirar um cochilo já que a manhã havia iniciado quente e seca, mas conforme a tarde se arrastava a temperatura abaixava e o clima ameno deixava a festividade perfeita.
- E como está a faculdade? - Ortega questionou imaginando que o fato de amiga estar de olhos não a impediria de conversar.
- No mesmo lugar desde que foi fundada em 1209.
- Há há. - rolou os olhos - Você já conversou muito com meu pai hoje? - perguntou curiosa para saber se a piada sem graça da mais velha era devido a influência ruim de Robert.
- Infelizmente não. - abriu os olhos, rolando no sofá para ficar frente a caçula - Ele só fica ao redor da sua mãe.
- E o que tem demais nisso?!
- Sem ofensas, mas eu não queria conversar com a sua mãe… - fez uma caretinha ponderando o quão rude soaria - Ela vai fazer um milhão de perguntas e me encarar com aqueles olhos intimidadores. E eu não estou no clima.
suspirou frustrada e ofendida: - Ela não é tão ruim assim, ok? - franziu o cenho saindo em prol da defesa de Amina, mas só foi preciso mirá-la com as sobrancelhas arqueadas que a morena precisou retirar o que disse. - Está bem… a minha mãe é… difícil. - sorriu ao pensar ter escolhido um bom adjetivo para atribuir à matriarca.
- Eu conheci um cara na faculdade semana passada. - mudou de assunto repentinamente, esperando a outra menina questionar-lhe algo, porém ao notar que ela apenas a fitava curioso logo continuou. - Ele cursa literatura francesa.
- O que exatamente se estudada no curso de literatura francesa?
- Não tenho ideia. - cerrou os olhos, deitando de barriga para cima, encarando o teto, percebendo apenas naquele momento que ele não era branco mais sim azul turquesa A pessoa que havia decorado aquele cômodo realmente não tinha noção - Mas eu achei que soa poético.
- Definitivamente. - confirmou incessantemente com a cabeça - Como é o nome dele? - perguntou curiosa interessada em saber se conseguiria encontrar alguma rede social do suposto rapaz.
- Finn. - sorriu recordando-se de como o garoto apenas falara o nome próprio deixando-a confusa - Finn War-Alguma-Coisa, não lembro direito.
- Uhhh, War-Alguma-Coisa… Elegante! - brincou, rindo ao assistir a amiga fazendo uma careta diante de seu comentário. - E ele era bonitinho?
- Ahan. Ele parece ser… desajeitado, sabe? Meio atrapalhado. - sorriu juntando as sobrancelhas não reparando que a mirava de forma suspeita - Foi engraçado, ele é fofo.
- Quem é fofo? - Liam retornava com uma aspirina e um copo de água fresca.
- O novo namorado da . - Ortega brincou e Meester até cogitou a ideia de lhe arremessar uma almofada, mas definitivamente não valia o esforço.
- É só um cara que eu conheci na faculdade. - tratou de explicar rapidamente porque Payne caminhava em sua direção com uma cara idiota que já a tirava do sério. - E se você fizer alguma piada sobre isso eu jogo esse copo na sua cabeça.
- Uau! - o rapaz voltou-se surpreso para a namorada, após entregar para o remédio e o copo - A convivência com a já está a afetando! - sentou na poltrona ao lado de , que ria da desgraça alheia.
- Por favor - pediu, pausando um minuto para engolir o comprimido com a ajuda da água - , não vamos falar disso.
- Desculpa, mas como você sempre se recusa a responder essa pergunta pelo WhatsApp e agora eu posso te pressionar até você me dar o que eu quero, eu preciso perguntar: como é morar com a ?
- Você quer saber como é morar com a , ? - a mais velha voltou a deitar, brava com o casal que já sustentava risinhos bobos - Morar com aquela doida é…
- … horrível! - Westwick fazia questão de falar pausadamente.
ocupava uma das mesas distribuídas pelo gramado da mansão Payne, com Rey em seu colo, quando se aproximou com um sorriso no lábios e uma taça de champagne na mão direita. A chegada da modelo suscitou a aproximação de e Horan, que sentaram-se com a desculpa de que princesa Styles precisava descansar os pés.
- Passar cada minuto da minha vida dentro daquele apartamento com a Meester dormindo do outro lado do corredor é horrível, Niall. - frisou mais uma vez, tentando controlar a bebê Rey em seu colo, já que a menina estava insana para por as mãozinhas no arranjo de flores da mesa. - Satisfeito?
- Ah , com tantas aulas vocês nem devem se ver direito. - sorriu indulgente, afastando tudo o que estava próximo da máquina de destruição; Miranda Rey Westwick.
- Não importa! - falava balançando as pernas, aliviada que agora a irmãzinha ria por ser chacoalhada - Eu sei que ela está ali! - voltou-se para Hilton, em busca de apoio, mas a loira estava focada na criança que era sacudida, perguntando-se se aquilo era saudável para um bebê de sete meses.
- Mas vocês brigam com frequência? - conseguiu desviar os olhos de Rey e mirar a primogênita dos Westwick.
- Claro que…
- … não. - abraçava uma almofada, sentindo-se confortável demais para se preocupar com a roupa que ficaria amarrotada. - Eu não vou me dar ao trabalho de discutir com a . - fechou os olhos, concentrando-se em sua cabeça que parecia latejar com menos frequência. - Esses dias, por exemplo, eu tomei todo o leite e esqueci de comprar mais e a menina virou um demônio, mas eu deixei ela falando sozinha e fui para o meu quarto.
- Você, definitivamente, não tem teme pela sua vida! - arqueou as sobrancelhas imaginando que aquela não seria o primeiro surto de por algo de errado que Meester faria.
- O que seus pais e os Westwick esperavam que acontecesse com vocês duas morando juntas? - Liam franziu o cenho. Afinal desde que o informou que repartiria o apartamento com , o rapaz achou tudo um grande absurdo.
- … tragédia! - colocava-se de pé a fim de distrair Rey com alguma coisa, já que a bebê estava irritadiça e começa a resmungar baixinho - Você sabe que eu preciso de uma xícara de chá com leite e açúcar para começar meu dia, . - mirava a melhor amiga significativamente esperando que ela servisse como testemunha - E a Meester simplesmente tomou tudo e não me avisou que estávamos sem a merda do leite. - equilibrava-se sobre o salto, com a irmãzinha frustrada e chorosa nos braços, perguntando-se onde diabos os pais estariam.
- Ela pode ter esquecido. - tentou soar positiva, dando seu melhor sorriso suportivo que desmanchou-se lentamente ao ser baleado pelo olhar gélido da ruiva que por segundos parou de chacoalhar Rey, para voltar logo em seguida.
- E o que você pretende fazer? - o irlandês levantou-se esperando pegar a bebê Westwick no colo, mas a menininha virou o rosto, abraçando a irmã, demonstrando que não estava com saco para lidar com terceiros.
- Eu não sei… - respondeu frustrada, acariciando a cabeça de Rey, que sustentava apenas uma penugem vermelha, que todos os familiares esperavam que um dia tornasse cabelo - As vezes eu acho que vivo…
- … em uma caixa pequena, cercada de gato ariscos, entendem? - Meester indagou, voltando os olhos para o casal que claramente não a compreendia já que a fitavam com os cenhos franzidos - Esquece. - bufou irritada.
- Okay. - declarou calmamente. - Já podemos voltar para a festa?
- Ah, eu estou com preguiça. - a mais velha, aconchegou-se ao sofá.
- Vai logo, , nós precisamos sair. - Liam pediu como toda a falta de sensibilidade e humor que seu ser frio e oco dispunha, já encaminhando-se para a porta.
A morena respirou fundo, levantando-se e constatando o óbvio, seu modelito azul estava uma desgraça amassada, mas não havia nada que podia fazer a respeito, portanto deu de ombros, deixando o cômodo feliz porque sua cabeça já não doía como antes.
- Sweetheart, o que você e meus pais conversaram hoje? - Ortega perguntou distraída com a manga de seu modelito.
- Ahn… - o rapaz soou nervoso, tamborilando seus dedos na coxa. - Nada demais… só, ahn… só sobre a faculdade. - sorriu voltando-se para a namorada que o mirava com os olhos cerrados.
- Tem certeza? - questionou colocando a mão em seu ombro, vendo-o acenar positivamente - Você não parece ter certeza.
- Desculpa a intromissão, mas o que está acontecendo? - indagou, cessando sua caminhada.
- Nada demais. - sorriu, virando-se para a amiga. - Só o meu namorado mentindo para mim. - acusou crescendo os olhos.
- Como é que é?!
- Liam, a minha mãe perguntou por onde você estava e porque ainda não foi cumprimentá-la. - cruzou os braços, arqueando uma sobrancelha e o rapaz instantaneamente deu um passo para trás, sentindo-se ridículo por deixar-se intimidar por aquela garota.
- , tenta entender, eu respeito a sua mãe, mas eu odeio conversar com ela. - foi sincero e Meester cerrou os olhos, formando um fina linha com os lábios, aproximando-se para dar duas batidinhas no ombro do amigo.
- Péssima escolha de palavras, campeão. - a mais velha sorriu solidária, vendo a melhor amiga sair revoltada pelo corredor, afinal era a segunda vez em menos de uma hora que alguém se referia a Amina com descaso.
- para. - o garoto mandou, mas a menina não o levava a sério já que o terror estava estampado em seus olhos. - , eu te amo - gritou irritado, caminhando obstinado pelo corredor, até deixar a segurança de sua casa e chegar ao gramado posterior, onde os convidados ainda celebravam o amor - , mas quero desfrutar de uma relação meramente profissional com a sua mãe. - disse no topo das escadas, fazendo Ortega olhar para os lados escandalizada esperando que nenhuma alma tivesse ouvido aquilo.
- Esquece, Liam. - a caçula declarou cabisbaixa e o rapaz bufou desejando ter o poder de jogar a culpa em outra pessoa, mas ele era o responsável por ter magoado a morena.
- , você sabe que a sua mãe vai achar um absurdo minhas novas tatuagens. - encarava tristemente o dorso de suas mãos, por saber que teria que enfrentar a megera dentro de minutos.
Recordava a euforia que sentiu quando os desenhos foram concluídos. Os amigos haviam achado no ponto, a namorada utilizou o adjetivo charmoso para qualificar o trabalho feito, a melhor amiga pela primeira vez em dezesseis anos de amizade ficou realmente surpresa por algo que vinha dele, fez um escândalo e até mesmo que não mostrava grande interesse em tatuagens elogiou!
- Você deveria ter feito tatuagens em outro lugar então. - Meester falou, aproximando-se do casal com uma taça de champagne que havia interceptado de um dos garçons que saia da cozinha em rumo a festa.
Payne voltou seu rosto lentamente para a menina que deu de ombros sem entender o ódio que jorrava das lindas íris castanhas de Payne.
- Você sabe que ela fazer um discurso de como isso é um absurdo e a maior parte desse discurso é você quem vai ouvir, porque eu estou são e salvo em Oxford. - tentou provar que estava apenas preocupado com o bem estar da namorada.
- Eu já disse para esquecer. - o tom de voz de Ortega mantinha-se magoado e não bruto e Liam já se arrependia do que estava prestes a falar.
- Está bem, eu falo com ela se for para você parar de fazer essa cara.
- Ta bom! - um sorriso feliz e imensamente manipulador alastrou-se pelos lábios rosados de e Payne sentiu-se ultrajado por deixar levar pelo teatro armado pela mais nova.
- Você me paga, Ortega. - respondeu, descendo cada degrau daquela escada com todo a raiva que o dominava. Odiando cada minuto da felicidade de e sua amiguinha.
Meester e caminhavam a frente conversando e cumprimentando alguns conhecidos, enquanto Liam traçava sua jornada até seu calvário, já imaginando a conversa desconfortável e superficial que teria com sogra e os imensos olhos daquela mulher, examinando cada uma de suas ações e reações. Se os grande olhos da menina Ortega pareciam ler a alma de um homem, os de Amina de fato liam não apenas sua alma, mas também seus desejos e mentiras. E Payne odiava ser decifrado por aquele robô elegante.
Apenas alguns passos separavam o trio do casal Ortega que estava entretido em uma conversa com dois simpáticos senhores. sorriu e chegou a puxar o fôlego para cumprimentar os pais e os desconhecidos, todavia a garota foi interceptada por Robert, que pediu licença e arrastou a filha e companhia para o outro lado do gramado.
- O que aconteceu? - indagou, apressando o passo para acompanhar as passadas largas do homem mais alto que dava tapinhas no ombro de sua criança.
- Bem, estou salvando esse garoto do desgosto da minha esposa. - apontou para Liam, que juntou as sobrancelhas sem entender, esforçando-se para não aparentar a irritação que o dominou ao ser chamado de "garoto" pelo pai de sua namorada, que o fez sentir-se uma criancinha desesperada, necessitada de ajuda. - Mas também, estou salvando minha imagem.
- Do que exatamente? - questionou, muito curiosa.
- De você. - seu pai declarou, parando a caminhada para fazer sinal a um garçom, a quem pediu um copo de whisky.
- D-Desculpa? - foi a única palavra que a criança Ortega conseguiu emitir, fitando seu progenitor, aguardando respostas.
- Bem, meus conhecidos e colegas de trabalho acreditam que você tem dez anos.
- Por quê?
- Porque foi isso que eu disse a eles.
A risada escandalosa de irrompeu o círculo e os presentes se voltaram a ela: Rob, orgulhoso por fazê-la rir; , ainda confusa e Liam chocado.
- Perdão. - Meester pediu colocando a mão esquerda sobre o peito e abanando a outra displicente - Podem continuar.
- Não é nada pessoal, querida. - Sr. Ortega ajustou seu blazer, sorrindo astuto - Mas se eles soubesse que você já tem quinze anos…
- Dezesseis. - Payne corrigiu o sogro, que voltou-se para ele estupefato, com os braços abertos a fim de estampar toda sua perplexidade.
- Pior ainda! - o homem declarou. - Eles vão me achar um velho.
- Robert, todos eles são velhos. - Meester sorria achando tudo aquilo sensacional. Já imaginava as gargalhadas da mãe e os risinhos contido do pai quando contasse a eles a nova pérola de Robert Ortega.
- Eu sei, garota, mas eu não sou como eles.
- Então, o senhor não contou para ninguém quando eu nasci e me escondeu em casa por anos? - perguntou abismada.
- De onde você tira essas ideias? - seu pai parecia decepcionado por sua imaginação abundantemente fértil.
- Como eles não sabem a verdade?!
- Há cinco anos…
- Seis. - Liam o corrigiu novamente e o homem voltou para ele com o dedo em riste agradecendo-o e Payne sorriu automático sem saber ao certo como reagir.
- … eles me perguntam quantos anos você tem e eu sempre falo dez.
A gargalhada de irrompeu o círculo mais uma vez. A menina estava amanda cada minuto daquela conversa e achava incrível como Rob conseguia se superar cada vez que ela o encontrava.
- Como é possível eles não perceberem a repetição?! - indagou disposta a saber mais daquela loucura, jã que o casal de amigos parecia chocado demais para rir da piada.
- A verdade, é que eles não se importam e perguntam apenas para ter assunto. - deu de ombros inclinando a cabeça para o lado, percebendo que seu copo de whisky finalmente chegava. - Obrigado - disse ao garçom que logo se afastou.
- Então, basicamente, o senhor tem vergonha de mim? - com as sobrancelhas juntas emoldurando seus grandes olhos pasmos e magoados, indagou baixo.
- Meu deus, por que você tem que ser tão dramática como a sua mãe?! - Sr. Ortega apertou os olhos, colocando a ponto dos dedos no cenho - Eu não tenho vergonha de você, . Estou apenas ajudando ambas as partes.
- Ah é? - a caçula cruzou os braços, suspeita - E como isso funciona.
- Eles não ficam sabendo que eu já tenho idade para ter uma filha de quinze… - Payne tomou fôlego para corrigí-lo novamente, todavia Robert tomou a frente - dezesseis, dezesseis anos. - esforçou-se para gravar tal informação em seu cérebro, sorrindo educado para o genro que sustentava um sorriso que se assemelhava mais a uma careta - E todos aqueles senhores desinteressantes não te incomodam porque acreditam que você é apenas uma criança irritante e hiperativa de dez anos. Então, de nada. - elevou o copo de whiskey cumprimentando a filha que não queria admitir mas achava o pai um gênio.
- Uau… Ok. - deu a ombros recebendo bem a explicação. - Estou com fome, mas não sei o que quero comer. - a morena voltou-se para o namorado que intercalava os olhos dela para o sogro, não acreditando que a menina havia aceitado aquela história.
- O-O jantar vai ser servido daqui a pouco, você não quer esperar?
- Acho que não…
- É melhor você decidir, garoto. - Robert bateu no ombro do rapaz, chamando a atenção dos adolescentes que se viraram para ele confusos - Da última vez que uma mulher decidiu o que iria comer a humanidade foi condenada. - declarou, decepcionando-se em seguida ao ver que nenhum dos presentes havia entendido sua piada - Adão e Eva…? Fruto proibido?
A gargalhada de foi ouvida mais uma vez e o casal de adolescentes voltou-se a ela com os cenhos franzidos, sem acreditar que a garota realmente ria daquilo.
- O que foi? - Meester questionou incomodada pelos olhares julgadores cravados nela. - Foi engraçado…
- Foi mesmo, . - Rob tomou um pouco de sua bebida. - Por isso você foi sempre a minha favorita. Agora se me derem licença eu vou lembrar a todos que eu tenho uma filha de dez anos e consequentemente sou um homem jovem. - despediu-se sorrindo por ouvir a risada divertida de sua criança.
A medida que o temperamento de Rey piorava a bebê era a responsável por afastar os amigos da irmã. O primeiro foi Niall, que não aguentava mais as lamentações da pequena menina que chorava sempre que era proibida de destruir algo que passava por seus olhos, tão próximo do alcance de suas mãozinhas. Em seguida, precisou se retirar pois a bebê jogou um quitute na direção da modelo, atingindo a saia de seu vestido que ficou com uma mancha de molho. E , o último soldado a ser abatido, foi atender um pedido da melhor amiga de pegar uma taça de champagne e não havia retornado nos últimos quinze minutos.
- Miranda Rey, pelo amor de deus, chega! - pediu desesperada, já farta do chorinho descontente da irmã - Se você continuar enchendo meu saco eu vou te entregar para o primeiro desconhecido que aparecer na minha frente. - a garotinha cessou o surto de ódio por poucos segundos, porém logo voltava a se debater tentando se soltar dos braços da mais velha. - Já chega, você é uma ingrata, eu vou te entregar para os seus pais. Não sou obrigada a lidar com isso - levantou-se, saindo perigosamente pelo gramado traiçoeiro, usando saltos, um vestido comprido e segurando um bebê insano de raiva no colo. - Eu fico duas semanas fora. Duas semanas, Rey! E é assim que você me recebe? - frisava, encarando séria a menininha que se calou para então começar a chorar como se estivesse magoada com cada palavra usada pela primogênita. - Você não vai me comprar com esse choro falso. - declarou decidida, todavia o rosto vermelho da bebê mostrava que ela não fingia. - Esté bem, me desculpe! Agora para de chorar. - fez uma careta quando um grito agudo rasgou seus tímpanos e desejou gritar com todos os curiosos que assistiam a cena estupefatos como se a ruiva estivesse tentando matar a criança.
- O que aconteceu com ela? - Westwick ouviu a indagação atrás de si e suspirou aliviada pois alguém finalmente decidiu ser útil e tomar atitude ao invés de apenas encarar e julgar.
- Eu não sei! - respondeu desesperada, voltando-se para seu salvador, mas congelou no momento que viu Tomlinson mirando Rey com certa insegurança. - Ou você é muito corajoso ou muito estúpido por ter a pachorra de vir aqui falar comigo. - voltou a caminhar com dificuldade, chacoalhando a criança irritada e infeliz em seus braços.
- , eu preciso te falar uma coisa…
- Se você não sumir da minha frente eu vou jogar essa criança cheia de ódio na sua cara e ela vai te comer vivo! - avisou, grata por ter se afastado o suficiente do restante dos convidados evitando que o surto de Rey chamasse mais atenção, como também grata por agora ter aval moral para matar aquele filho da puta. - Na verdade, eu não tenho permissão para alimentar as gêmeas com porcaria. Então, se você não sumir da minha frente eu vou esfregar a sua cara nessa grama até ela cair.
- , cala a boca! - farto de todas as ameaças infundadas da garota, Tommo desesperou-se, pois logo alguém se aproximaria e impossibilitaria conversa e aquela foi a primeira oportunidade boa, em meses, que Louis teve de falar com a demonia.
A ruiva deixou o queixo cair com a audácia do rapaz de se referir a ela daquela forma e o menino deu um passo para trás, varrendo o perímetro em busca de um objeto em potencial a ser arremessado contra sua pessoa. Encontrou apenas imensos vasos de flores e preferiu crer que Westwick não colocaria a bebê Rey no chão, podendo sujar seu lindo vestidinho azul só para soterrá-lo com terra, flores e a cerâmica destruída. E aquele era o único motivo pelo qual não tomaria tal atitude, pois com toda a adrenalina correndo por suas veias, a ruiva com certeza teria força para aquilo.
- Okay Tomlinson, você quer falar? - segurou o rostinho da irmã contra o seu, pois a pequena máquina de destruição bocejava incessantemente ainda resmungando. Era isso, ela estava com sono e lutando fortemente contra! - Pode falar, mas fala baixo por que eu vou fazer minha irmã dormir. - deitou a bebê em seu colo, mexendo o corpo de um lado para outro tentando embalá-la em uma dança do sono mágica.
- Está bem, o que eu tenho para dizer é… é q-que…
A verdade é que Louis não sabia o que dizer, porque era óbvio que sentia muito, que queria mudar o que havia acontecido, que conforme os dias passavam e se distanciava ainda mais dele a saudade o consumia e o fazia crer que não conseguiria seguir em frente, que sentia falta daquele demônio ruivo o enlouquecendo e gritando em seu ouvido, que sonhava acordado com os beijos que nunca mais repartiriam e durante a noite o sono demorava para chegar, contudo quando finalmente conseguia dormir era acordado por um pesadelo medonho.
- E-Eu… Você sabe… - com um dedo afrouxava a gravata que sua mãe o havia obrigado a usar e naquele momento apenas servia para o sufocar.
- Fala logo! - aumentou o tom de voz, logo voltando-se para a Rey que abriu os olhos com dificuldade para fechá-los novamente.
- Eu não sei! Você é linda e hoje está…uau! - elevou os braços para indicá-la, visivelmente sem ar, fazendo abaixar os olhos fingindo que precisava checar Rey, mas a verdade é que uma sensação estranha tomava conta da ruiva, que sentiu o estômago dar uma cambalhota devido o elogio - Eu fico nervoso!
- Se você não falar algo com sentido no próximo minuto eu vou embora e contratar um assassino profissional para resolver esse problema para mim.
- Eu não queria que as coisas tivessem tomado esse rumo...
- Que rumo exatamente? - Westwick questionou com as sobrancelhas juntas - Transar comigo por dinheiro ou eu descobrir no final?
- Isso. - concordou, nervoso demais para notar o cenho franzido da menina a sua frente - Eu sinto muito pelo o que aconteceu. Eu nunca deveria ter apostado você porque ninguém merece passar por isso e, eu não deveria ter ido tão longe, eu tinha que ter te falado a verdade, mas é que eu me apaixonei por você…
- Nossa me perdoa, Louis! - interrompeu o rapaz afobado, que caminhava em círculos ansioso demais para conseguir ficar parado em seu lugar. - Não foi minha intenção te causar tanto incômodo.
- - firmou os pés na grama, fechando os olhos por alguns segundos, impedindo-a de mergulhar naquele universo azul angustiado - , honey…
- Não me chama assim. - negou com a cabeça, dando um passo para trás.
Westwick sempre odiou aquele apelido. Cada vez que Tommo se aproximava sorrindo, cantarolando aquela palavra fazendo cada sílaba ser entoada de forma longa, a menina suspirava alto, rolando os olhos desgostosa. E definitivamente não sabia dizer em que momento a reação de irritação foi substituída por um sorriso alegre e coração acelerado toda vez que o apelido bobo e carinhoso saia por entre os lábios do rapaz
- ... eu tive medo de como você iria reagir, tive medo de te perder, tive medo de tudo! E estava certo, porque tudo o que temia aconteceu.
- Espero que você tenha investido bem o dinheiro que recebeu por vencer essa aposta. - disse retirando-se a procura de um lugar para se sentar pois que seus braços já doíam devido o peso da bebê.
- Eu não peguei o dinheiro, eu não queria aquilo! - bateu o pé irritado, correndo atrás da ruiva que caminhava pela lateral da casa, longe de todos os outros convidados, satisfeita por ter encontrado uma espreguiçadeira que deveria estar na área da piscina, mas felizmente havia sido esquecida ali. - A única coisa que eu quero é que tudo volte a ficar bem, eu quero você de volta, .
- Você é muito ambicioso. - riu sem humor, sentando-se, acalentando o sono da irmãzinha.
- Eu realmente não sei o que fazer para você me perdoar. - cansado, Tommo sentou-se ao lado dela, tomando uma distância segura a fim de não ocorrer nenhum incidente.
O garoto passou as mãos pelos cabelos, bagunçando-os e apoiou os cotovelos nos joelhos. Seu suspiro alto e amargurado foi ouvido pela ruiva que o fitou pelo canto dos olhos, sem querer admitir que desejava continuar aquela conversa.
Era possível ouvir ao fundo a música que a banda tocava como também o burburinho dos convidados, tinha certeza que as pessoas estavam desfrutando de uma ótima tarde. A festividade já havia começado há horas e a garota esperava que alguém já estivesse bêbado e dessa forma passasse vergonha, era sempre revigorante ver adultos agindo como se fossem adolescentes.
Não era uma grande fã dos eventos da alta sociedade, pois apesar de ser divertido escolher uma roupa bonita e elegante e sentir-se membro da família real, também era cansativo usar os sapatos de salto por tantas horas. Mas quando ainda namorava Louis, aqueles eventos eram divertidos.
Infelizmente tudo ao lado de Louis era divertido e entre lágrimas admitira aquilo para durante uma conversa triste e maçante
- Você não precisa fazer nada. - disse, após dois longos minutos de um infeliz silêncio desconfortável, fazendo o moreno levantar o rosto que até então era amassado entre suas mãos, esperando por uma explicação - Eu já te perdoei. - acenou positivamente com a cabeça, vendo-o arrumar a postura.
- Já? - franziu o cenho não sabendo se aquilo era uma pegadinha ou apenas um novo método de tortura adotado por aquela demônia.
- Sim. No momento em que eu soube tudo o que você fez… acho que enquanto você falava, eu já havia te perdoado. - revelou o segredo que até então tivera dificuldade de discutir até mesmo com , sua melhor amiga
- Sério?
- Infelizmente sim. Você me tornou uma idiota.
- Me desculpa…?
- Não. - respondeu séria sem querer mirá-lo nos olhos.
- , eu sei que o que eu fiz foi muito grave, sei que traí a sua confiança, que eu não mereço perdão, que eu fui idiota, estúpido. Sei que você precisa de tempo para digerir tudo o que aconteceu, que essas coisa não são simplesmente apagadas em um piscar de olhos - aproximou-se dela, querendo que a menina o mira-se nos olhos, mas temia tocar aquele rostinho e terminar o dia sem a mão que Westwick arrancaria com os dentes - Mas, por favor, me fala que um dia nós vamos ficar juntos de novo.
O risinho de escárnio que escapou por entre os lábios de fez o rapaz entra em pânico e ajoelhar-se a frente dela, deixando seu rosto muito próximo daquele céu cheio de sardas. E pode admirar aqueles lábios rosados, o nariz, que Louis já havia notado, que a menina sempre franzia quando estava nervosa, aqueles olhos negros, gélidos, intensos e tristes
- Eu fiz muitas coisas erradas, . Eu menti para você, eu te enganei, te traí. Mas todas as vezes que eu disse que te amava, cada uma dessas vezes, foi verdade, porque esse é o sentimento mais sincero que eu já tive por alguém.
- Sabe o que mais me magoa? - a voz embargada da garota revelava que as lágrimas, infelizmente, ficavam cada vez mais próximas - Que eu acredito em você. Eu acredito em tudo o que você me disse, no seu arrependimento, os seus sentimentos, a culpa que você ainda carrega…. Eu acredito em você. - confirmou com a cabeça, piscando incessantemente tentando afastar o choro, contudo o gesto apenas serviu para facilitar a queda de algumas lágrimas. - E eu também fui sincera quando disse que te amo, Louis.
- Por favor, me perdoa, - implorou, apoiando as mãos nos joelhos da ruiva, sem perceber que o seu rosto molhado espelhava o da menina.
- Eu já te perdoei, mas eu odeio o que você fez! - sua expressão enojada e olhar deprimido foi a pior coisa que Tomlinson já precisou enfrentar. O rapaz preferia ter Liam quebrando seu nariz a mirar os olhos de tão tristes e ter a certeza que ele foi a causa daquilo.
- Me fala o que eu preciso fazer e eu faço! - secou as lágrimas da ruiva, querendo acariciar a pele macia de sua bochecha, todavia Westwick afastava o rosto das mãos obstinadas do moreno. - Eu faço qualquer coisa para te ter de volta.
- Eu não quero isso. - desviou os olhos a fim de certificar que ele não enxerga-se a mentira escancarada em sua face - Eu quero que você sofra.
- O quê?
- Eu quero que você sofra, como eu sofri. Eu quero que você passe noites sem dormir, como eu passei. Que você perca todas as esperanças, porque você roubou as minhas. - um soluço alto desesperado escapou da garganta de , enquanto a garota ainda tentava falar por entre o choro. - Que você se pergunte se um dia essa dor vai passar, porque eu acho que a minha dor nunca vai passar. E a culpa é sua! - gritou levantando-se, sendo a causa do despertar atônito de Rey que iniciou um choro devido o susto.
- … - colocou-se de pé, desejando poder acalmar a garota que abraçava o bebê em seu colo, chacoalhando-o tentando fazê-lo cessar o choro.
- Eu quero que você sinta a decepção e angústia, que é saber que seu melhor amigo te traiu, te usou, te fez de idiotas por meses!
- Por favor me perdoa! - pediu desesperado a ponto de arrancar os cabelos.
- Por que você fez eu me apaixonar por você, Louis?
Infelizmente aquela pergunta não tinha resposta e Tommo tentou dizer algo, mas só conseguia chorar e assistir chorando, enquanto segurava Rey vermelha de tanto chorar.
E então Westwick foi embora, entregando a irmã para o pai assim que o encontrou e Oliver até tentou questionar porque sua primogênita e caçula choravam, mas já fugia, perdendo-se entre os convidados.
Harry não se considerava um covarde, e era isso o que repetia como um mantra enquanto mandava uma mensagem para Louis, informando-o onde estava, de dentro do quarto de Liam, especificamente na cama do rapaz.
Ele não era covarde, só não podia suportar ver para onde quer que olhasse. Olhar para ela era lembrar de seus erros e já bastava as noites com insônia, atormentado pela culpa que esmagava seu peito e amargurado com as consequências de sua parcela de irresponsabilidade no que ele chamava de "a maior estupidez da minha vida". Vê-la dirigir seu sorriso devastador a outras pessoas, fitar conhecidos com interesse ou mesmo trocar risadinhas com Payne e , o entristecia e ele não era obrigado a sofrer de graça.
Portanto aí estava a explicação para sua fuga da festa.
- Eu não estou fugindo… - murmurou baixinho, enfiando a mão entre os cachinhos, destruindo-os.
- Você está falando sozinho?
Louis estava parado na porta, segurando a maçaneta com cuidado ao reparar que seu melhor amigo falava. E aparentemente Harry agora se achava bom o suficiente para ter conversas sozinho. Merdinha arrogante.
- Porra! Que horas você chegou aqui? - Styles esbravejou para disfarçar a vergonha que sentiu ao ser flagrado falando sozinho como um retardado. Tommo notou o constrangimento do cachinhos e sorriu.
- Eu já estava vindo mijar quando você mandou mensagem. - explicou mas ao invés de ir até o banheiro de Payne, ficou parado no meio do quarto, procurando cigarro e isqueiro. Liam sempre os proibia de fumar ali dentro mas dessa vez ele não estava ali para o proibir, não é?
- Você estava chorando? - Harry sentou na cama e esticou o pescoço para ver melhor o rosto de Louis, já que a vermelhidão dos olhos poderia ser atribuída tanto às lágrimas quanto aos cigarros especiais de Malik. Todavia, tendo ciência de que Tomlinson esteve atrás de , era provável que aquela demônia houvesse provocado as muitas lágrimas do pobre Louis.
- O quê? Nããão…- Lou tentou sorrir confiante mas acabou fungando, olhando com muito interesse para o cigarro entre seus dedos.
- Então vocês conversaram, hein.
Bem, foda-se, agora não adiantava mais fingir dignidade.
- Ela riscou meu carro. - Louis se apoiou contra a mesa de estudos. É claro que ficou exasperado ao ver o estrago mas tinha que ser honesto e aceitar que sua ex namorada e nada menos que brilhante. Havia até um certo humor na situação macabra, riu durante muito tempo dos ex de e agora ele mesmo era uma vítima da fúria dela. Deus, amava aquela menina! - Agora a porta do motorista está decorada com um "mentiroso" gigante.
- Eu não acredito! - Harry estava de queixo caído.
- O Zayn tirou foto e mandou pra todo mundo, olha. - Tommo pegou o celular e abriu a foto que o filho da puta postou no storie de seu instagram.
- Caralho…
- Eu estou fodido, Harry. Minha vida nunca mais vai ser a mesma depois dessa garota.
- A vida de ninguém é a mesma depois que o furacão passa destruindo tudo. - Harry concordou, lacônico.
Quem diria que Louis e formariam uma dupla tão harmônica. A impetuosidade da garota não colidiu com entusiasmo engenhoso de Louis, pelo contrário, união dos dois elementos explosivos criou algo novo, diferente, porém agradável de ver. E logo os dois abandonaram o status de ódio declarado a um relacionamento cheio de companheirismo e emoção (não dava pra negar os arrepios na espinha toda vez que uma discussão surgia e cabeças ameaçavam rolar).
- Para de ser emburrado. - resmungou distraído. - Preciso pensar em uma estratégia para ganhar uma segunda chance.
- Eu espero que você termine essa jornada intacto. - o cacheado o alertou, voltando a se jogar na cama, entediado até o último dos ossos, invejando a vida de quem tinha algum propósito maior do que apenas sobreviver à uma tarde estúpida de comemorações amorosas, logo ele que se mostrou um fracasso completo nessa questão.
- O que você está fazendo aqui mesmo? - Louis inclinou a cabeça.
Harry Styles abandonando uma festividade para ir descansar em um quarto era no mínimo incomum.
- Dor de cabeça. - Harry mentiu. - Eu vou voltar pra Oxford ainda hoje, vai ter uma festa de abertura da semana acadêmica e eu quero ir beber. - sentou de novo, dessa vez colocou os pés para fora da cama, pronto para levantar e cumprir suas palavras.
- Mas você não está com dor de cabeça?
- Vai passar.
- Você está bem, cara? - Louis cerrou os olhos, preocupado.
- Eu falei pra você que estou com dor de cabeça. - Styles repetiu seu problema.
- Não, eu digo, bem, bem. Bem no geral. - Tommo coçou o pescoço, procurando as palavras certas. - Nós nunca conversamos sério e aconteceu tanta coisa nos últimos meses…
- Do que você está falando, Louis? - Harry devolveu o olhar constrangido.
O que ele queria dizer com "nunca conversamos sério"? Louis não levou a sério nenhuma de suas reclamações sobre a péssima e confusa temporada de Lost? Pelo amor de deus…
Louis prendeu os lábios, perguntando-se se Harry de fato não entendia como eles sempre acabam evitando os assuntos do coração, palavras de Niall Horan, ou se fazia de desentendido para fugir de um confrontamento emocional.
- Ah, deixa pra lá. Eles estão chegando. - soltou o ar pesadamente, frustrado com a clara falta de confiança que seu dito melhor amigo depositava nele.
- Eles quem? - Harry pareceu intrigado.
- Sua irmã, o irlandês, a e a . Eles estão trazendo cerveja! E agora eu vou mesmo mijar.
Puta que pariu. Abandonou a festa para fugir de e agora estava condenado ao confinamento de um quarto com ela. Quais as chances do destino ser debochado nesse nível?
Ele deveria ir embora, fugir enquanto havia oportunidade. Deus que o livrasse dos comentários inapropriados da irmã e os olhares nada discretos de , ele não sobreviveria ao encontro com sanidade, as duas pirralhas eram demais para a cabeça de qualquer um. E o latejar em sua fronte ao ouvir a voz de e as risadas altas de Niall e , confirmaram sua teoria.
Do outro lado da porta seguiu-se uma breve discussão entre o trio e seu bem, que aparentemente era a única pessoa livre para abrir a porta mas engajou uma discussão alegando que só porque não carregava nada, não significava que estava necessariamente livre para ficar atendendo aos desejos inúteis do restante deles. Discurso este que foi finalizado com a eventual abertura da porta.
- , você não pode fazer esse escândalo para abrir uma porta quando todo mundo está carregando bebida para você. - repreendeu suavemente a morena, empurrando a porta com o quadril, equilibrando os dois baldinhos de gelo nos braços. - Harry! O Harry está aqui. - anunciou para ninguém em especial.
- É, eu estou vendo. - Horan entrou logo atrás e correu até a mesa de Liam para deixar as garrafas de bebidas seguras antes que seus braços desfalecessem e mais importante ainda, antes que derrubasse um copo.
- Eu consegui chegar até aqui sem quebrar um…
A menina chegou se gabando mas por ironia do destino, seus dedos suados não foram mais capazes de segurar a péssima disposição de copos e antes que ela terminasse de entrar completamente no cômodo, o inevitável aconteceu.
- , cuidado! - se lançou para a frente, tentando alcançar o copo para evitar o baque porém sendo retardada pela física, onde constatou como uma tola que seu corpo movia-se anos-luz mais lento do que a queda do copo.
- Vai cair! - não foi de muita ajuda constatando o óbvio antes de afastar-se bruscamente para trás. - Cuidado com o vestido!
- Ai! Aaaai!
Harry pulou da cama e correu em auxílio da irmã que tentou recuperar os cacos no carpete mas só conseguiu derrubar o restante dos copos e cortar o polegar direito. Como se abaixou para fazer o recolhimento, a altura da queda dos últimos copos de vidro não foi o suficiente para quebrá-los e logo o cacheado puxava a criatura com os olhos cheios de lágrimas para longe da bagunça.
- Puta que pariu, . Você só tinha uma função! - ele xingou enquanto verificava a profundidade do corte sofrido pela irmã, concluindo rapidamente que havia mais sangue do que perigo em si.
- Para de brigar comigo, está doendo! - chorou mais ainda, frustrada pela dor e falta de empatia do irmão. Virou-se para Niall, em busca de consolo, mas o namorado estava petrificado encarando o líquido vermelho em pânico e pálido, prestes a desfalecer.
- O que aconteceu, caralho? - Louis arreganhou a porta do banheiro, fechando a braguilha da calça antes de ser imediatamente abordado pela menina que estendeu o dedo sangrando na cara do rapaz. - Eita!
se posicionou ao lado de , observando o corte com curiosidade:
- Ela se cortou com um copo, coitadinha…
- Um copo que ela derrubou. - Styles esclareceu o mal entendido, dizer apenas que se cortou com um copo implicava em ignorar a falta de bom senso da menina em segurá-los de uma maneira segura, parece que ela pediu para que aquilo acontecesse e foi uma surpresa que a tragédia não aconteceu antes.
- Faz alguma coisa, Louis! - finalmente entrou no quarto, desviou do copo quebrado e tomou para si a cadeira giratória, tomando cuidado ao apoiar o blazer azul na mesa, ao lado das bebidas.
- O que você quer que eu faça? - Louis questionou, desesperado com o sangue que começava a escorrer pela mão e pulso da loirinha. - Tira essa mão da minha cara, ! - empurrou gentilmente a coisa sangrenta de cima do seu rosto.
- Eu não sei! Você é quem está estudando para ser enfermeiro. - a morena girou na cadeira e deu de ombros. Adiantava alguma coisa matar sua vida social se não conseguia cumprir sua função social de futuro médico?
- É verdade, você deve saber o que fazer. - um brilho de esperança lampejou nos olhos do garoto irlandês e , ansiosos para findar com o sofrimento de .
- Claro, ir para um hospital! - Louis arregalou os olhos, dando a opção como se fosse uma grande descoberta a existência desse tal de hospital.
- Nada a ver, vai lavar esse dedo, garota. - Harry ordenou e por incrível que pareça, a menina machucada obedeceu ao comando do irmão, não sem protestar, é claro.
- Mas vai doer!
- Não é meu problema. Niall, sua namorada, sua obrigação de ajudar ela. - Styles tomou o controle da situação apenas baseado em sua pergunta de praxe quando precisava ser o mais sensato no cômodo: "O que o Payno faria?", e funcionou porque Horan foi atrás de com a mão na boca, para não vomitar. - , tem kit de primeiro socorros no banheiro do Liam? - a caçula acenou prontamente, nunca tinha mexido no banheiro do namorado e não fazia ideia se havia de fato, mas eles dariam um jeito. - Ótimo, Louis vai lá fingir que sabe o que tá fazendo e faz aquele sangue parar.
E assim, em questão de segundos, o quarto ficou vazio novamente. Quase vazio.
A situação não passou despercebida por , que avaliou meticulosamente o movimento de Styles, decidindo se ele havia promovido aquela dispersão de propósito ou o quê.
Fala comigo. Suplicou.
Quando Louis falou sobre como nunca conversavam sério, Harry refletiu sobre como não tinha com quem compartilhar suas incertezas, inseguranças e medos. Não havia para onde correr, não falava com o pai porque não gostaria de deixar que o homem pensasse que ele era nada menos do que capaz, Kate era prestativa mas carregava uma tendência amável demais e sempre estava tirando a culpa de tudo o que ele fazia, a família de sua mãe não era próxima o bastante para lhe auxiliar e agora que Anne se fora, ele percebia como o que acontecia em sua vida seria o tipo de assunto que levaria à ela.
Quanto aos amigos, o próprio Louis estava ocupado demais sofrendo por e estudando muito nesse meio tempo, Niall e Zayn nem ao menos entravam na sua lista de possibilidades, Liam poderia ter respostas para os seus problemas mas não havia maneira de haver uma confrontação honesta sobre seus sentimentos por sem que o amigo se ofendesse e nenhuma das meninas poderia sequer entendê-lo.
Então não, não conversava sério nunca.
No entanto, a morena há alguns passos de distância parecia ser a resposta que tanto ansiava, sua presença instingava-o a sentar-se aos seus pés e desabafar, tirar o peso de suas preocupações juvenis e descansar a cabeça por alguns minutos, permitindo-se acreditar que tudo ficaria bem.
- , vem aqui filmar isso! - a voz estridente de Louis interrompeu seu plano de dizer algo à e só então percebeu que ela o encarou por todo aquele tempo, a fração de segundo que durou sua ponderação.
mordeu o lábio, pensativa e um pouco curiosa com a falta de altivez costumeira na postura de Harry. Mas o desvio de conduta não o suficiente para fazê-la ficar e então ela entrou no banheiro e se juntou ao momento teatralmente dramático, tomando as vezes de cameraman e capturando a impaciência de Louis, o terror de Niall e o desespero de .
Sobre os memoráveis sentimentos que gostaria de viver outra vez, Anne levava a esmagadora maioria de momentos de efêmera porém genuína felicidade, como em seu aniversário de treze anos, o qual a mãe não conseguiu chegar a tempo em Londres, pois perdera o voo, todavia ao chegar mais de 24 horas atrasada a mulher fez daquele dia normal o segundo aniversário de seu filho e o mais legal sobre aquilo foi que Harry pode passar o dia todo com a mãe, apenas os dois, cozinhando o bolo, decorando-o, cantando parabéns, saindo para comprar um presente. Quando soube que Anne não conseguiria chegar a tempo para seu aniversário o menino ficou decepcionado, mas sua mãe tornou o momento especial, porque era isso o que ela fazia, tornava tudo a sua volta especial. Também haviam os momentos com , aquela pirralha intrometida que havia se tornado parte essencial em sua vida, e sobre ela, gostaria de voltar no tempo para uma tarde em que estava deprimido e a menina veio jogar videogame com ele, não era a lembrança mais divertida dos irmãos, mas naquele dia, naquele instante, ela foi bálsamo que suas feridas precisavam e foi a primeira vez em um longo tempo que o cacheado não se sentiu sozinho, gostaria de reviver mais uma vez aquela sensação de companheirismo e a momentânea interrupção de sua solidão.
E era a dona de várias memórias, pequenos instantes de intimidade descontraída, como uma manhã, ainda no Caribe, quando Harry dormiu no quarto da garota e ao despertar uma sensação de plenitude o tomou antes mesmo que o rapaz pudesse abrir os olhos e a primeira reação tomada ao acordar naquela manhã foi sorrir de felicidade, para então abrir os olhos e se deparar com ao seu lado encolhida e embrulhada em seu casulo de edredon. E também uma tarde de um domingo lento quando ela o beijou e ele quis que o tempo movesse devagar para que ele pudesse viver para sempre com ela naquele momento.
O problema é que a realidade era milhares de vezes mais desapontantes do que suas doces fantasias e não só estava impedido de reviver alguns momentos felizes bem como se sentia incapaz de produzir novos.
Se ao menos soubesse o que dizer para atrair a atenção daquela criatura arredia…
- O que diabos aconteceu aqui?
Liam apareceu na porta, com as mãos na cintura, confuso demais para sequer ficar bravo. Não era bem aquela cena que tinha em mente quando recebeu uma mensagem da namorada pedindo para encontrarem-se no quarto dele.
- A deixou cair um copo. - Harry explicou, guardando o celular no bolso. Contornou os copos no chão para alcançar a porta.
- Só um? - Payne agachou para recolher os copos inteiros e juntar os cacos. Tinha sangue no seu carpete, pelo amor de deus!
- O que você acha, Liam? - Styles arqueou as sobrancelhas.
A resposta azeda do cacheado fez o rapaz olhar para cima em busca do que perturbava o amigo, caso existisse um motivo, ficava mais fácil não sentir vontade de dar um murro na cara dele.
- Quem está dentro do meu banheiro? - optou por ignorar o mal humor de Harry e saber o que acontecia dentro do cômodo limpinho e cheiroso.
Havia um misturado de vozes mas se não estava enganado, podia afirmar que pelo menos e Louis estavam ali, dada a discussão teimosa dos dois, com destaque para a nota de impaciência na voz do garoto que tentava convencê-la a fazer algo.
- Todo mundo. - Harry respondeu mas Liam continuou lá, parado de pé, segurando copos, esperando por mais informação, foi quando ele especificou quem era esse "todo mundo". - , Niall, e . Eu estou indo.
- Você não precisa sair daqui, cara.
- Não, eu vou pra Oxford. Tem uma festa hoje, sabe.
- Está bem então, tchau. - Liam deu um fim aquela perda de tempo e marchou até o banheiro, girou a maçaneta só para descobrir que havia alguém escorado na porta. - Dá pra sair daí? - forçou a porta mais uma vez e conseguiu abrir.
- Meu deus, Liam, você ia me derrubar. - reclamou, alisando o braço machucado com o empurrão que sofreu quando aquele bruto arrombou a porta. - Você me machucou.
- Desculpa. - Payne realmente não parecia culpado por sua brutalidade. - O que aconteceu? Porque essa mão ainda está assim? Você não vai lavar, não?
- Ela não deixa eu lavar com o antisséptico! - Louis ergueu os braços, muito frustrado.
- Claro, você disse que vai arder! - olhou para Liam, os olhos límpidos e ainda mais verdes pelas lágrimas. A condição frágil da Styles fez ele se preocupar com a profundidade do ferimento porque a menina estava obviamente em grande dor.
- Babe, você precisa limpar logo isso, eu não aguento mais esse cheiro de ferro. - Niall implorou e só então foi visto por Payne, que não gostou muito de ver o irlandês dentro de sua banheira, sendo o covarde que era.
- Vai doer ainda mais quando eu lavar, Niall! - voltou a chorar com medo do que o futuro lhe reservava. Só não aceitava ir para o hospital porque lhe garantiu que teriam que aplicar uma anestesia dentro do corte e seria muito mais doloroso do que qualquer outro parâmetro de dor que ela já havia experimentado.
- Doer? É claro que não vai doer. Me dá isso aqui, Louis. - Liam tomou o frasco do antisséptico de Tommo e o empurrou para o lado, posicionando-se ao lado de que estava sentadinha na pia.
- Não vai doer? - ela perguntou receosa.
- Claro que não, não sei de onde o Louis tirou essa ideia estúpida. - Liam a tranquilizou, lançando um olhar repreensivo ao estudante de medicina.
- E se doer?
- Não vai doer, é quimicamente impossível. - Liam repetiu, decidido a fechar aquele acordo de uma vez por todas: - e se for muito pra você, nós paramos. - prometeu.
- Você está filmando isso? - Tommo cochichou para .
- Com certeza. - a morena respondeu.
Acontece que Liam mentiu, e foi só a primeira dose do produto tocar a pele de , ela sentiu o ardor incômodo que precedia a ardência dolorida de um corte sendo tratado para curativo.
- Aaaaaai! Está doendo! Está doendo! Eu vou morrer! - gritou, retraindo o braço no mesmo instante só para descobrir que a mão de Liam, que antes apoiava gentilmente sua mãozinha machucada, agora fechou em torno do seu pulso enquanto as mãos dos dois era banhada por aquela coisa que parecia o mijo do diabo. - Liam, para! Niall, socorro! !
- Já vai passar, olha só, o pior passou. - o rapaz a tranquilizou enquanto ela se debatia para soltar-se daquela tortura.
- Não passou não. Socorro, por favor! Eu vou desmaiar de dor! - falou mais alto, só que as lágrimas de medo simplesmente pararam de verter e só restou sua lamuriosa tristeza e sofrimento. - Niall, faz alguma coisa!
- É pro seu bem, babe. - Horan assegurou, deixando a banheira e posicionando-se ao lado da namorada. Tomou todo o cuidado de abraçá-la sem ter que olhar para a sujeira na pia.
- Tem certeza de que ele não está machucando a ? Lou, ele pode fazer isso? - perguntou, com os olhos arregalados por causa do escândalo da amiga.- Liam, babe, não é melhor deixar ela respirar antes de continuar?
- Já acabou, olha só. Agora é só passar uma pomada e proteger com gaze. - Liam explicou bem humorado, permitindo que todos se aproximasse para ver o corte quase microscópico por onde verteu tanto sangue.
- Como você pode ser tão ruim? - princesinha Styles acusou Liam.
Agora que sua mão estava limpa e Liam ligou a torneira para lavar a bagunça, Niall não tinha receio de estar perto dela e agora segurava sua mão menos apreensivo e a cor de suas bochechas irlandesas voltaram ao normal.
- Vem cá, . Deixa eu passar a pomada na sua mão. - pegou o frasco e aplicou o cicatrizante com delicadeza para então envolver o pequeno ferimento com a gaze e dar fim à saga.
- Agora eu quero todo mundo fora do meu banheiro, fora do meu quarto, fora da minha vida. - Liam abriu a porta do banheiro e estendeu o braço, apontando para a saída do recinto. e Louis saíram juntos, revendo a filmagem profissional que fez. saiu carregada no colo por Niall e declarou que precisava descer para contar à mãe a aventura que acabaram de viver. - Você não. - Payne segurou a mão de , impedindo-a de seguir o grupo.
- Não? - piscou inocente.
Liam negou com um aceno.
- O que você quer, Payne? - ela cerrou os olhos e começou a andar de costas para fora do banheiro, tentando escapar de seu destino fatal.
O rapaz notou o sutil distanciamento, mas o fato de estarem sozinhos no quarto o mantinha inerte por enquanto. Ele ainda mantinha a vantagem caso a sem vergonha tentasse fugir.
- Quero saber o que você queria com aquela mensagem. "Me encontra no seu quarto agora"? Que tipo de intenção você queria passar, ? - Liam cruzou os braços, se divertindo com a menina.
- Com certeza não o tipo que você está pensando. - desdenhou da ideia subentendida.
- Ah, não?
- Eu precisava de você aqui para colocar as coisas em ordem, Liam.
- Tudo bem, vamos descer então.
- Vamos.
- Ótimo.
Os dois atravessaram o quarto sem pressa, demorando um tempo absurdo para a fazer um caminho tão trivial. Na porta do cômodo que chegou primeiro parou de propósito e esperou para ver se o namorado falaria algo. Mas Liam foi o primeiro a sair, sem nem hesitar. Ainda deu uma paradinha e olhou para trás, convidando a se juntar a ele com um sorrisinho ridículo e um "Vamos?".
foi ficando impaciente com o desinteresse fácil que Payne demonstrou por ela e antes de chegarem até as escadas, elas parou de acompanhá-lo, cruzou os braços e desabafou:
- Eu não acredito que você não vai me dar nem um beijo! - bateu o pé.
- Ué, nós não viemos aqui para colocar as coisas em ordem? - Liam foi até ela e repetiu as exatas palavras que ouviu momentos antes.
- Eu odeio quando você usa minhas palavras contra mim.
- Então não saia por aí falando palavras que podem ser usadas contra você. - ele piscou para a namorada irritada.
- Ai, eu vou descer. - desistiu de conseguir alguma coisa com aquele garoto chato. Como ela, em sua vida de princesa, acabou com um sapo daqueles?
- Nós realmente precisamos estar lá embaixo, bonequinha. Nossos pais vão notar nossa ausência. - Payne falou manso, desmontando o mal humor da morena.
Ela acenou, reconhecendo a responsabilidade dos dois, mas ao invés tomar o caminho e descer, contornou os ombros de Liam e beijou seus lábios, afastando-se satisfeita e pronta para lidar com os pais e amigos. E se divertir, é claro.
- Só isso? - foi a vez dele reclamar de uma injustiça.
- Sim, você vai precisar de muita energia pra mais tarde. - explicou, descendo a escada dando pulinhos curtos entre os degraus, sendo amparada pelo namorado que cuidava para que ela não despencasse como um saco de batatas lá embaixo.
- Mais tarde, é? - Liam sorriu.
- Aham, meus pais vão ficar até o final, você vai ter tempo o suficiente para conversar com a minha mãe.
- Puta que pariu.
Paralelo ao circo no quarto de Liam, se encontrou sozinha na mesa de jantar designada para sua família, os pés acompanhando o ritmo da música ao vivo e as mãos ocupadas com champanhe.
Ela estava bebendo mais do que o usual e pensava no processo de cantar a música do parabéns e cortar o bolo. Na outra noite leu na internet alguém falando que um grupo de pessoas em volta de um objeto em chamas, repetindo um mantra em uníssono até que o fogo é apagado e então uma faca é enfiada dentro da coisa em chamas, era no mínimo satânico.
A ideia pareceu absurda naquele momento mas agora tinha sua graça. Qualquer pessoa que pensasse assim ou era perigosamente psicopata, ou muito divertida. E escolheu ir com a última opção.
- , por que você fica com essa cara assim, sozinha, no meio da multidão? - parou em frente a mesa onde a loira estava. Em seu colo, Rosie descansava a cabeça no ombro da irmã, assistindo aquele espetáculo de cores, cheiros e sons que a circundavam.
- Com que cara?
- Essa cara de pintura, você não está em uma obra de arte, sabia? Pode relaxar essa postura e parar de fingir que está tudo bem.
- Mas está tudo bem, . - sorriu porque conhecia o bastante para saber que aquilo fora um elogio. - Você não estava com a irmã de vestido azul?
- A Rey cansou de mim, aparentemente. Meu pai foi passear com ela até aquela pequena traidora dormir. - Westwick sentou ao lado de e virou Rosie de frente para a amiga. - Hmm, de quem é esse vinho? Posso tomar?
- Sim. Posso segurar ela um pouquinho? - pediu e alegremente entregou a irmã porque ficava difícil lidar com a taça sem incorrer no risco de acabar dando um banho de vinho na pequena criatura.
Rosie aceitou os braços de , que a segurou de maneira que pudesse ficar em pé e apoiar os pezinhos já descalços no colo daquela estranha, e logo estava intrigada com a textura diferente debaixo dos seus pés. Aquilo fazia cócegas!
- , eu preciso te falar uma coisa. - disse quando terminou de mastigar uma uva. - Nós precisamos criar um novo grupo de amigos.
- Por quê? - perguntou apenas para que a conversa se estendesse e ela pudesse ficar um pouco mais com a bebê curiosa.
Como uma coisinha tão pequena podia ser tão fascinante?
- Porque nossos amigos são horríveis e estão associados à um monte de gente lixo. - Westwick montou um combinado de petiscos frios e os pôs na boca, mastigando, ansiosa. - Eu estava pensando em nós sairmos uma noite dessas, só nós duas, e escolhermos alguns dos seus amigos famosos para ser nosso novo grupo de saídas.
A audácia de não chocou . Ela apenas sentou a criança em seu colo e entregou seu celular com a capinha colorida, atraindo imediatamente a atenção do bebê.
- Ah, mas dá tanto trabalho criar um grupo novo. Ter que passar por toda a fase desconfortável de todo mundo se descobrindo, se conhecendo… - deu de ombros ao contrapor a ideia não tão mirabolante da ruiva.
- Isso é verdade. - concordou chateada. - Mas nós temos que admitir que não dá mais pra você fingir que está tudo bem sair com a Meester, ela é uma vadia sádica e eu totalmente apoio nossa saída desse grupo.
- Na verdade está tudo normal entre a e eu. - retrucou.
No fim das contas, só estava machucada e o golpe da descoberta da aposta só serviu para fazer sentir-se mal pelas vezes em que se ressentiu da amiga. Ela estava magoada e , em sua infinita falta de bom senso, não percebeu que poderia ter sido uma mão amiga.
Isso a incomodava mais do que todo o passado perturbador de Malik e .
- Ou nós podemos fazer uma intervenção e pedir pra ela sair do grupo. Seria ainda melhor! - continuou a sugerir loucuras. Não foi necessário mais do que uma semana para ela decidir que a morena era o ser humano mais desagradável e frio da face da terra, era como se o iceberg que quebrou o titanic dormisse no quarto ao lado.
- Mas eu não quero parar de ser amiga dela.
- Claro que quer. Quem quer, normalmente, ser amiga da Meester!?
- Eu conheço muita gente que adoraria ela. E nós temos um ótimo relacionamento também.
- Meu deus, você não é nenhum pouco divertida. - revirou os olhos e suspirou alto, atraindo a atenção de Rosie, curiosa para entender a emoção que a irmã mais velha exprimia naquele momento.
- Desculpa. - pediu perdão sem saber exatamente a razão.
Naquele momento ela viu que do outro lado do gramado, numa mesa que ficava diametralmente oposta a sua, Zayn sentou abriu o botão do blazer e junto aos donos da mesa, um trio de jovens adultos e sorriu.
E o seu sorriso encheu o peito de com uma comoção saudosa, impulsionando seu coração palpitar mais forte mediante o mar de lembranças que aquele rosto lindo traziam à tona.
- Não, não é sua culpa. Você foi contaminada pela boa vontade da e a visão distorcida do mundo que a tem. É só a consequência de andar com duas pessoas sem noção. - se inclinou para frente e tomou o celular das mãos de Rosie, entretendo-a com a interessante possibilidade de que a pequena pudesse conquistar de volta o objeto por quem sua boca salivava.
- Aham. - concordou superficialmente, olhando para Zayn apoiar um braço na mesa, inclinando-se para frente como se fosse compartilhar um segredo com o trio.
- Você acredita que a decidiu apadrinhar vinte e uma crianças quando ela completar vinte e um anos? Que tipo de ideia disfuncional é essa? Pra quem planeja ter cinco filhos, ela está gastando demais…
A voz de se distanciou até sumir, dando lugar aos próprios pensamentos de . A cumplicidade entre o ex namorado e o trio acendeu uma centelha de incômodo em seu peito, foi amargo reconhecer que não era mais a razão pela qual o moreno dava esses sorrisos devastadores, ou ser a cúmplice de seus comentários inapropriados antes que ele finalizasse-os com um beijo inocente, deixando todos acreditando que eles estavam apenas sendo adolescentes fazendo bobagens.
então percebeu que ela, uma garota de 17 anos e sucesso profissional que deixava muita gente no chinelo, estava com ciúmes. Ciúmes de seu ex namorado, ressentida com os três estranhos que tinham mais dele do que ela jamais teria agora que tudo estava acabado.
Esse sentimento ruim a deixava ansiosa. E estar ansiosa não era bom.
- ! Acorda, garota! - Westwick deu um tapa em seu braço - O que você estava olhando? - virou para procurar o que poderia ter atraído a atenção da distante Hilton, mas não encontrou nada.
- Nada. - mentiu.
- Você mente com uma propriedade… - se inclinou para trás na cadeira e cruzou os braços, toda desconfiada.
- Eu não estava mentindo, . - sorriu educada, sentindo-se sufocada. - Se você puder pegar a Rey…
- Rosie.
- Rosie. Se você puder pegá-la, eu preciso ir ao banheiro. - estendeu a bebê ruiva para a amiga que a pegou e acomodou no próprio colo, ainda bem ocupada analisando-a.
- Você está estranha, . - declarou enquanto a imperturbável Hilton se afastou o mais rápido que pôde, confusa e chocada com a profundidade dos próprios sentimentos sobre alguém que deveria estar enterrado em seu passado.
A modelo atravessou o gramado, sorrindo para aqueles que se voltavam para ela a fim de obterem um cumprimento educado e ao finalmente chegar as escadas, subiu cada degrau esperando deixar para trás tudo o que a lembrasse da fatídica noite. No entanto, o universo não queria que Hilton esquecesse seus fantasmas, mas sim os enfrentassem, portanto ocasionou o encontro entre a loira que adentrava a mansão Payne para ir ao banheiro e Harry, que deixava esperava deixar a não só a mansão, como também a festa, fugir para Oxford e retornar apenas no próximo ano.
- Oi. - o rapaz a cumprimentou com sua voz rouca, selando seus lábios em uma linha fina, visivelmente desconfortável.
- Oi. - respondeu polida, desviando dele e adentrando a casa.
- eu só queria dizer…
- Eu não quero ouvir. - falou voltando-se para ele. - Eu não quero ouvir o que você tem a dizer, porque eu não me importo.
- Eu só quero resolver as coisas entre nós. - aproximou-se da loira, indicando ambos.
- Harry, eu não quero lidar com isso agora.
- Mas você fala com o Louis! - sentiu-se infantil partindo para aquele argumento, mas parecia injusto Hilton decidir que queria lidar com Tomlinson, mas não com ele!
- É diferente… o Louis é o Louis! E você - indicou o cacheado, dando de ombros - , é só o cara que fez uma idiotice muito grande. Agora se me der licença, eu preciso ir ao banheiro. - pediu já se retirando.
Temia que Styles relata-se toda aquela conversa para Niall, tinha certeza que se o melhor amigo tomasse conhecimento do episódio faria milhões de perguntas e o mais grave, a relembraria o discurso estúpido feito no início do mês sobre como ela não guardava nenhuma mágoa ou ressentimento sobre nenhum dos meninos.
De fato não possuía nenhuma mágoa, mas tinha tanto medo de enfrentar e tentar resolver aqueles problemas.
e Louis nem se esforçaram pra apressar o passo mas em questão de minutos já haviam descido as escadas enquanto o casal de loiros se atrasou e foram embora sem sequer olhar para trás para ver como Niall estava lidando com o peso que carregava.
- Eu vou fumar um cigarro, me acompanha?
- Tudo bem. - deu de ombros, entediada. O que mais poderia ficar fazendo ali? - Mas depois nós vamos procurar doces pra mim.
Tommo fingiu pensar na ideia, se era viável e favorável e então concordou alegre, guiando-os para um pouco longe das pessoas que dançavam.
- Beleza, aí você me explica porque ainda não me convidou pra conhecer seu novo apartamento. - alfinetou.
- Por que não vai caber o seu desespero e a ira da no mesmo espaço. - a morena explicou o óbvio.
Estava guardando o momento para um dia que estivesse muito puta com a colega de quarto, só então convidaria Louis, na cara de pau, para ir passar um dia inteirinho com ela, de preferência num programa que o fizesse rir muito, para incomodar ainda mais Westwick.
Mas Lou não era tão paciente assim e se precisasse se forçar a descobrir a localização desse maldito apartamento (Niall deixou vazar que elas moravam em apartamento) e obrigar Westwick a ouví-lo.
- Qual é, ! Nós podemos fazer uma noite de filmes, ou mesmo eu vou pra lá pra gente sair para beber! - ele disse com leveza, maquiando sua reais intenções, enquanto puxou o ar para acender as fibras do cigarro recém tirado da carteira.
- Ah, isso pode. Eu só preciso verificar um dia que a doida esteja fora. - sorriu angelical, se esforçando para não deixar transparecer que captou o desejo verdadeiro do amigo com toda aquela aplicação em ir visitá-la em Cambridge.
- Perfeito!
colocou o blazer sobre os ombros para proteger-se do frescor vespertino que surgia à medida em que o sol ia se pondo. Em mais algumas horas o evento agradável terminaria e seus pais viajariam com ela para Cambrigde para se certificar de que a filhota estava pronta para mais uma semana sozinha.
O semestre acadêmico mal havia começado e ela já estava afogada em livros para ler, resumos para elaborar, encontros com tutores e grupos de estudo complexos. Em circunstâncias normais, odiaria a rotina puxada, mas no atual estado de sua mente, não reclamava da falta de tempo, pois quando caía na cama a noite, apagava.
Talvez com o passar das semanas a situação fosse se ajustando e as coisas se acalmariam, mas ela não tinha certeza se ansiava por isso.
- , eu posso falar com você? - Zayn se aproximou da dupla no canto, muito determinado.
- Zayn?! - Louis piscou algumas vezes e deixou o queixo cair, atônito com a ousadia do moreno. - Uau!
Meester por outra mão não expressou uma mudança sequer em suas emoções, ou na falta delas como Louis sempre dizia. Para quem viu Liam Payne todo fodido e sujo de sangue dentro do seu quarto horas após descobrir que estava saindo com um cara porque ele lhe apostou e o cara quem ela gostava sabia, aquilo era mamão com açúcar.
No entanto não significava que ela não estava impressionada e também curiosa para saber o que Malik queria após três meses e nenhum contato.
- Fale. - demandou, altiva.
Zayn olhou para Louis, esperando que o rapaz tivesse o bom senso de dar o espaço necessário para que a conversa iniciasse, mas tudo o que o filho da puta fez foi dar de ombros e dizer:
- Eu não vou a lugar nenhum.
- Ótimo, fica aí e ouve tudo o que eu tenho a dizer, Louis. - o moreno suspirou, impaciente. Tommo sabia ser inconveniente quando queria. - Olha, Meester, eu preciso me desculpar por ter mentido, enganado e te apostado. Não foi decente, eu tenho vergonha de ter imposto esse tipo humilhação à alguém, foi desprezível e eu espero que um dia você me perdoe por ter usado você como alvo da minha falta de caráter.
estava maravilhada. Abismada, surpresa e chocada também, mas acima de tudo, maravilhada. Zayn Malik lhe pedindo desculpas tão honestas? Era perturbador!
Depois de toda a dor de cabeça pós "o baile de merda", como ela passou a chamar, poucas vezes direcionou os pensamentos a Malik e a maioria deles sempre eram a confirmação de que o idiota era exatamente o tipo baixo e sujo que ela sempre acusou. Nunca contou com as desculpas dele e nem mesmo as queria, só a distância entre os dois era o suficiente.
Mas naquele instante, as palavras brutalmente sinceras as sensibilizaram, e o pedido de desculpas que nem sabia que precisava, aplacou a metade do desprezo que sentia pelo moreno.
O que diabos fizeram com Malik?
Não tinha nem uma resposta apropriada para uma situação dessas. E na falta do que dizer, estendeu o seu pasmo perdão com um simples:
- Tá.
Zayn se confundiu com a brevidade da resposta e quando se tocou que aquilo seria tudo o que receberia da morena, se afastou conjeturando se ela havia desculpado-o ou não e o que significava aquele "Tá".
- Bem, isso foi inesperado. - soltou o ar e virou para ver Louis que ainda não havia absorvido a grandiosidade do momento tão breve.
- Eu vou precisar de outro cigarro pra ingerir o que acabou de acontecer…


Continua...


Nota da autora: Aconteceu tanta coisa nesse capítulo que eu nem sei o que dizer. Enquanto alguns casais evoluem em seus relacionamentos (NÉ ORTEYNE! DIGAM AMÉM!) outros ainda guardam muita mágoa e ressentimento.
O grande reencontro aconteceu, nossos 10 protagonistas no mesmo ambiente, mas nenhum pouco da diversão de antes e eu fico tão triste por isso!
Espero que vocês tenham aproveitado esse capítulo, pessoal.
Até a próxima. Mon XOXO






Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Quer saber quando esta fic irá atualizar? Acompanhe aqui.


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