Última atualização: 25/09/2019

Capítulo 5

O mês de dezembro passou como um sopro, as provas engoliram os dez adolescentes e quando a véspera de natal chegou, todo mundo quis correr para casa, debaixo das asas da proteção e conforto familiar, para aproveitar o breve recesso até o segundo semestre.
No dia vinte e quatro, no aniversário de Louis, ele e os garotos foram até um pub comemorar a data, as meninas mandaram entregar presentes, todos itens esportivos, e encheram suas redes sociais de memórias antigas com o aniversariante. George Alexander veio para as festividades de fim de ano e lhe trouxe ingressos para eles irem a um jogo dali há dois dias, e os pais escolheram um relógio bonito. Ainda sim, passou o dia inteiro esperando uma mensagem de .
O natal passou rápido mas foi divertido e extremamente familiar para alguns, mais corporativo e elegante para outros e ainda houve quem perdeu as estribeiras e exagerou na dose do champanhe para lidar com as piadinhas idiotas dos familiares.
E com o seu fim, chegou a hora da festa de fim de ano que era promovida pela maioria dos centros acadêmicos e nesse ano, a escolha do grupo foi ir para Cambridge simplesmente porque e convidaram suas melhores amigas e tudo se tornou uma grande bola de neve com probabilidade catastrófica de dez adolescentes com problemas não resolvidos e movidos a álcool se esbarrando nas vésperas da virada de ano.
Todavia, há algumas horas da grande festa, gemia de raiva por causa da implicância de sua mãe, que começou com uma conversa casual sobre os planos com Robert para mais tarde, descobriu que a menina ia para fora da cidade com o namorado e agora atrasava seus planos para a noite!
- Então, onde é essa festa mesmo? - Amina sentou na poltrona branca do quarto de .
A adolescente acabara de se maquiar e estava guardando o batom na bolsinha que usaria naquela noite. Logo mais sua carona estaria ali e o tom casual da mãe não a enganou a respeito do interrogatório que as duas iriam protagonizar.
- Em algum lugar em Cambridge, perto do apartamento da . - ela respondeu bem humorada enquanto enfiava a cabeça dentro da blusa branca que usaria pela noite. - Eu devia ter ido antes para me arrumar lá com as meninas, mas preferi tirar um cochilo a tarde e ir agora com o Liam. - sua voz saiu abafada pelo tecido.
- Hmm, e você volta que horas?
- Da festa?
- Para casa.
- Ah, provavelmente amanhã à noite. - a cabeça de finalmente apareceu e ela terminou de puxar a camisa para baixo, ajustando-a com o cós da sainha roxa.
Amina arregalou os olhos por alguns segundos mas logo recompôs-se e decidiu que preferia manter as coisas como estavam: sua filha em casa, com a família, aos fins de semana.
E não andando por aí, perdida, com o namorado sem juízo que claramente não era a melhor das influências para sua única criança.
- Não.
- Não? - franziu o cenho, confusa.
- Você vai voltar para casa ainda hoje. - Sra. Ortega determinou.
- Mamãe, isso é impossível. A festa não vai acabar antes das quatro. - disse como se aquilo explicasse sua ausência pelo fim de semana. Foi até a bolsa de mão preta que carregava seus pertences para o fim de semana e fechou o zíper.
- , eu não estou te oferecendo uma opção. - Amina levantou e caminhou tranquila até a cama da filha, tirando as peças de roupas jogadas ali para levá-las de volta ao closet. - O que vocês planejam ficar fazendo depois das quatro da manhã? Isso é hora de estar em casa!
- Dormindo confortavelmente no apartamento da . Com todo mundo lá, todo mundo, mamãe.
Ortega apelou para o argumento universal de "Todo mundo vai!", ignorando as dezenas de mensagens de implorando-a para não esquecer do seu carregador, uma ligação perdida de Liam provavelmente para avisar que estava chegando, e notificações no instagram por causa de sua foto de natal.
- Eu não sei se confio nesse seu namoradinho. O Seu primo não poderia ter ficado mais um pouco pra te levar?
- Ai deus. O Zayn corre como se estivesse indo em direção a morte, mãe. - fechou os olhos agora que a ficha caiu. Era tudo sobre Liam, é claro. - Eu achei que a senhora já havia aceitado o Liam, de verdade.
Uma buzina sutil soou lá fora. foi até a varanda e abriu a cortina, Payne já estava lá.
- Eu estava disposta a ter um pouco de paciência mas você não pode me culpar por ter perdido a esperança. - Amina soltou o ar pesadamente, atraindo a atenção da menina.
- Como assim? Estava tudo bem até esses dias! Vocês estavam se dando tão bem! - colocou a bolsinha sobre o ombro e segurou a bolsa de mão com as duas mãos, aquela merda estava pesada.
Cada vez que o relacionamento instável e complicado de sogra e genro davam um passo de progresso, eles davam um jeito de retroceder dois. E já estava cansando daquilo, de ficar no meio daquele fogo cruzado e ainda agir como se tudo estivesse normal.
Mas o que estava ruim podia piorar exponencialmente e a matriarca, que resolveu ser honesta, conseguiu com destreza complicar tudo.
- Isso foi até eu perceber que esse namorico sem futuro de vocês ainda pode se arrastar por muito tempo.
O queixo de caiu, seus braços formigaram e ela segurou com força a malinha para não derrubá-la. A honestidade de Amina, sua real motivação para ter sido minimamente civilizada nos últimos meses, foram um balde de água gelada na adolescente que não esperava que depositassem tão pouca fé nela, não a sua mãe.
- Filha, você logo vai terminar o ensino médio e vai para Juilliard, eu não acredito que você realmente vê futuro nesse garoto, é só um romance de escola e eu acho que todo mundo sabe o fim disso. - Amina explicou suavemente, sorrindo maternal para consolar a garota nitidamente abalada com suas palavras, com a verdade.
não teve a coragem de responder a mãe porque nem tinha uma resposta apropriada à profecia maldosa, desejou um tchau atrapalhado e saiu do quarto às cegas, esquecendo-se completamente de se despedir também do pai que estava no escritório.
Lá fora estava congelando e ela correu até o mustang e arregaçou a porta, lançando-se lá dentro com tamanho ímpeto que Liam se assustou, estremecendo com o impacto e depois colocou a mão sobre o coração, amaldiçoando baixinho.
- Uau! - ele a olhou dos pés a cabeça - Nós podemos cancelar Cambridge e ir para o meu apartamento? - propôs com um sorrisinho enviesado mas sua única recompensa foi um sorrisinho tão débil que ele nem se habilitou a ir em frente e beijá-la.
Oh, deus. Olhou para o teto de seu carro, pedindo aos céus paciência e altruísmo, e ligou o carro, tirando-os da casa, a caminho da rodovia. O plano inicial foi dar carona para Niall e mas os dois iriam direto da casa dos avós Styles ao invés de voltarem para casa antes, e essa alteração se provava uma bênção porque ia ser um inferno dirigir cem quilômetros com a namorada com aquela cara amarrada e se perguntasse qual era o problema, seria ainda pior.
Nem arriscou a ligar o rádio, para evitar um confronto, mas dirigiu por todo o centro olhando-a de canto de olho, ciente da proposital posição em que se mantinha: as mãos no colo, segurando a bolsa de mão e os olhos na estrada, através da janela do passageiro.
A paisagem urbana ficou para trás e tudo começou a parecer um vulto fantasmagórico iluminado apenas com os escassos postes de luz e as luzes de outros veículos que passavam como flash por ali. E assim foi a viagem, quieta e silenciosa pela próxima meia hora, Liam chegou a achar que havia adormecido mas uma esticadinha de pescoço revelou a garota desperta e emburrada.
O que diabos aconteceu pra ela estar assim? Eles conversaram antes e parecia tudo bem!
Paciência, Liam. Repetiu a si mesmo.
- Você vai ficar mais quanto tempo com essa cara, hein?
- Com licença? - piscou e se armou na defensiva.
- Por que você está emburrada? - ele tentou outra abordagem, embora não tenha sido mais sutil ou gentil.
- Eu não estou emburrada. - a menina retrucou toda ofendida. - Estou puta com a minha mãe. - completou.
- Ah, meu deus. - Liam revirou os olhos.
Amina ficava entre eles por vários finais de semana seguidos e quando conseguiam um escape juntos, aquela mulher conseguia se infiltrar e evocar seu espírito de discórdia. E o que o incomodava pessoalmente era como não via isso, deixava que a mãe fizesse o que bem queria no relacionamento deles.
- Ela quer que eu volte para casa ainda hoje. - contou, sentindo que estava à beira das lágrimas, odiando a sensação que precedia ao choro porque detestava quando chorava de raiva, se sentia infantil e tola, mas não queria contradizer a mãe e só depois que discutiam é que vinham as palavras perfeitas para contrapor as ideias sem noção da mulher.
- Que ótimo…
- Dá pra você parar de tornar as coisas ainda mais difíceis?
- Eu estou dificultando algo? Não fui eu quem entrei nesse carro com a cara amarrada. - Payne debochou, amenizando o tom ao ver o maxilar travado da namorada. - O que ela fez dessa vez? - tentou pegar a mão dela mas foi ignorado.
- Eu falei, ela quer que eu durma em casa. Não confia que nós não vamos para Oxford transar até eu engravidar. - resmungou entredentes.
- Deus me livre. - o garoto sentiu um frio na barriga.
- Você é um idiota quando quer. - ela o acusou, olhando mal humorada para o porteiro do prédio de . Aquele incompetente já não tinha o número da placa do carro? Pra que precisava pedir para abrir o vidro e ser curioso?
Liam cumprimentou o homem com um aceno e seguiu para a vaga reservada no estacionamento, abstendo-se de uma réplica até que o carro estivesse estacionado naquele espaço complicado e pequeno porque o jipe gigante de Horan estava mal estacionado.
Ortega abriu a porta para sair e esteve prestes a se inclinar sobre o banco para pedir desculpas ao namorado quando ele, em sua infinita estupidez, resolveu contra atacar.
- Você é facilmente manipulada pela sua mãe e eu não estou reclamando, não é? - Liam a encarou mórbido, escolhendo palavras que provocassem e pagou o preço por isso com a porta do carro sendo agredida com violência e o som seco ecoando por todo o subterrâneo.
- Vai se foder, Liam. - xingou e saiu marchando em direção à porta de saída.


-


A cada dia de dezembro os termômetros caíam gradativamente, originando uma reação coletiva de afirmar que o dia atual era mais frio que o anterior, e o seguinte com certeza seria pior. A temperatura baixa acompanhada de um vento gelado e cortante, foram os responsáveis por empurrar todos os festeiros para o interior da casa onde ocorria uma das festa universitárias que se espelhavam por Cambridge.
Adolescentes animados dançando e bebendo, jogos de beer pong e cartas ocorrendo no porão, copos e garrafas espalhados pelo chão, o carpete da sala principal já manchado de vinho, o trinco do banheiro do andar superior havia sido quebrado minutos atrás, o sofá servia de pula-pula para duas meninas felizes que performavam a música Roar da Katy Perry, um garoto eufórico gritava em cima da bancada da cozinha, iluminação colorida e música alta eram o cenário do interior da residência que era aquecida pelo ótimo sistema de calefação.
E mesmo que tudo aquilo soasse interessante e atrativo, era do lado de fora que o moreno preferia ficar, com sua jaqueta de couro, coturnos e corrente ao redor do pescoço, fumando um cigarro com dificuldade já que utilizava os dedos da mão direita para segurá-lo, suscitando em dor nos ossos de seus longos dedos, portanto logo precisava proteger a mão no interior do bolso quente e seguro, porém também era preciso desprezar as cinzas do cigarro e submeter-se a suportar o vento frio.
Expirou a fumaça, calmamente, já aceitando que se quisesse fumar, teria que suportar a noite gelada. Piscou lentamente, elevando o rosto a fim de encontrar alguma estrela no céu e ao se deparar com os astros brilhantes que contrastavam com o negro que os rodeava, cercou novamente o cigarro com seus lábios avermelhados.
Talvez fosse melhor parar de fumar. Pensou assistindo a fumaça de seu cigarro dançar no ritmo imposto pelo vento. Abaixou a cabeça, encarando o chão sob os pés e decepcionou-se por não encontrar nada que brilhasse ali.
Parar de fumar seria uma boa resolução de ano novo. Mas também impossível considerando que precisaria se privar da nicotina dali poucos dias, mirou a bituca em sua mão, jogando-a no chão e a apagou com o pé, acendendo mais um cigarro.
Talvez eu pudesse diminuir. Encontrou uma resolução melhor, que era difícil, considerando que acabava com um maço de cigarros em 3 dias, entretanto possível. Eu posso fumar só um cigarro por dia. Arqueou a sobrancelha, considerou sozinho e ao sentir a nicotina invadir seu sistema, fechou os olhos relaxado e tranquilo. Quem sabe dois…? Eu posso fumar só dois cigarros por dia! Decidiu.
Fitou as pessoas que chegavam e adentravam a casa às pressas, temendo o frio, sem reparar na figura solitária que fumava a poucos metros da porta principal.
Reparou também em uma garota com casaco vermelho e cabelos castanhos que, parada ao lado da porta, intercalava os olhos da tela do celular para a rua, provavelmente a espera de alguém e ao notar que era observada voltou-se para o rapaz e sorriu, logo retornado a sua impaciência.
Caminhou até ela, cessando seus passo apenas quando parou ao seu lado e o viu virar o rosto para mirá-lo.
- Oi. - cumprimentou sorrindo, colocando o cigarro nos lábios.
- Oi. - ela respondeu também sorrindo, curiosa para descobrir as intenções do desconhecido que elevava a cabeça a fim de soltar a fumaça.
- Você quer um cigarro?
- Eu não fumo. - recusou, negando com a cabeça.
- Eu me chamo Zayn.
- Esse é um nome diferente. - cerrou os olhos que Malik não conseguia distinguir a cor - Eu gostei.
- Minha família é paquistanesa. - explicou, dando de ombros, sorrindo com elogio que recebera. - E o que eu preciso fazer para você me falar o seu nome?
- Só perguntar. - sorriu de lado, voltando o rosto novamente para a rua, fingindo estar a procura da amiga, mas a verdade é que não queria que o rapaz flagrasse suas bochechas coradas.
- Só isso?
- Só isso. - confirmou, colocando as mãos no bolso do casaco - Eu não sou uma pessoa misteriosa.
- Que pena, eu gosto de mistérios…
- Desculpa te decepcionar. - ria da audácia do garoto de soar desapontado diante uma pessoa que havia conhecido há apenas dois minutos.
- Eu sei o que você pode fazer para se redimir. - cerrou os olhos, tentando deixar sua proposta interessante e jogou a bituca de cigarro no chão, apagando-a com a sola do coturno.
- Eu não tenho certeza se quero me redimir. - foi a vez da menina cerrar os olhos - Você parece Satanás me oferecendo pecados. - deu um passo para trás, ouvindo a gargalhada melódica do moreno, o que a fez sorrir contente por tê-lo feito rir.
- Cheguei! - uma garota afobada e respirando com dificuldade parou ao lado da desconhecida com quem Malik conversava. - Eu disse que não ia me atrasar tanto.
- Você disse que não ia se atrasar. - a desconhecia sorriu indulgente, vendo a amiga voltar-se para Zayn e acenar cumprimentando-o.
- Mas nós podemos entrar agora. - tentou puxá-la pela mão, mas a menina de cabelos castanhos não a seguiu.
Não antes de voltar-se para o rapaz a sua frente e despedir-se: - Tchau, Zayn. - acenou com a mão
- Tchau, Garota-Que-Disse-Que-Não-É-Misteriosa-Mas-Não-Me-Disse-O-Seu-Nome.
Foi a vez dela de gargalhar e a de Malik de sorrir por tê-la feito rir.
A desconhecida adentrou a casa de mãos dadas com a amiga e o moreno ficou para trás com as mãos nos bolsos.
Encontrou uma pedrinha próxima a seu pé esquerdo e começou a brincar com ela, rolando-a de um lado para o outro, preguiçoso, com frio, com vontade de beber algo que o aquecesse, porém desinteressado em enfrentar as relações sociais que seriam necessárias no momento em que pisasse no interior da residência lotada de seres humanos.
Elevou o rosto, notando que a prima, abraçada ao próprio corpo devido o frio, e o melhor amigo atravessavam a rua as pressas, dirigindo-se até a porta principal e decidiu se aproximar. Todavia ao estar a poucos metros do casal notou que a expressão mal humorada de Payne se encontrava ainda pior naquela noite e até mesmo parecia irritada com alguma coisa, o mais grave de tudo era que eles não estavam de mãos de dadas e Malik compreendia que aquilo só poderia representar problemas, já que o casal não conseguia manter as mãos longes um do outro. Portanto, girou sobre os calcanhares e tentou afastar-se sem ser notado.
- Olha ali o Zayn. - ouviu a voz de Liam e revirou os olhos, decepcionado com sua táticas falhas de ninja que não o ajudaram a desaparecer rapidamente. - Zayn! - o garoto gritou pelo outro que com um sorriso forçado virou-se para eles.
- Vocês chegaram agora? - questionou beijando a bochecha gelada da caçula que permanecia calada - Eu não tinha visto vocês. - mentiu, sorrindo, mirando o melhor amigo com um olhar que perguntava o que estava acontecendo.
Payne apenas deu de ombros e virou-se para Ortega que mantinha os braços cruzados e sobrancelhas levemente arqueadas, reafirmando a expressão emburrada que ela tanto negava, mas não largava.
- O pessoal já chegou?
- Sim, está todo mundo aí. - Malik respondeu, encolhendo-se dentro da jaqueta de couro ao sentir um rajada de vento frio.
- Sério? - Payne colocou as mãos dentro do bolso de casaco de inverno - Eu falei com o Niall antes de sair de Londres e ele disse que a não estava pronta ainda.
- Isso só prova que você é tão lento no volante que poderia levar um multa por congestionar o trânsito da rodovia. - riu sozinho ao ver o outro menino rolar os olhos mas logo sorrir sarcástico.
- Ah, me desculpa por prezar pela vida da sua prima e a minha!
- Cala boca, você só não sabe dirigir mesmo. - Zayn queria continuar a rodada de insultos, entretanto parecia ter outros planos.
- Eu estou com frio e vou entrar. - disse para ninguém especificamente e deu as costas para os rapazes, encaminhando-se a porta.
Liam respirou profundamente e seguiu a namorada, sem coragem de tocá-la e acabar com o membro arrancado. Notou que Malik o acompanhava e o fitava curioso para saber a causa de tanto mal humor, mas também não ousava abrir a boca e indagar.
- Eu vou… Bem, eu vou dar uma volta. - Payno declarou assim que chegaram a sala, onde a música era mais alta e saiu sem olhar para trás já que estava ali para aproveitar a noite e a raiva que Ortega emanava estava o deixando impaciente.
Zayn viu o amigo se afastar, tendo certeza que algo de errado havia acontecido, pois o casal estava distante e a única vez que a menina se pronunciou foi com uma fala cheia de aborrecimento. Ao voltar o rosto para a prima a encontrou o fitando com aqueles grandes olhos verdes e assustou-se, dando um pulinho para trás.
- Que foi? - perguntou franzindo o cenho, assustando-se com o sobressalto mais velho e acabou esbarrando em uma garota que já estava muito alterada.
- Eu que pergunto o que foi! - o moreno falou alto, inclinando-se na direção dela a fim de que o ouvisse e achou melhor partirem para um local mais calmo. - Me fala porque você está assim toda puta. - ao chegarem ao porão onde a música não os atrapalharia, sentou em um local vago no sofá e sorriu condescendente.
- Eu briguei com a minha mãe. E quando eu digo "brigar" com Amina Ortega, entende-se: ela falou e eu fiquei igual uma idiota ouvindo, sem saber como reagir porque qualquer coisa que eu dissesse ela iria refutar.
falava com os olhos esbugalhados, retornando ao estado transtornado que sempre se encontrava após uma discussão e Malik soltou um risinho nasalado, compreendendo perfeitamente ao que a prima se referia, pois quando discutia com Yaser aquela era a exata sequência dos fatos.
- E depois eu briguei com o Liam porque estava brava com a minha mãe. - continuou, irritando-se ainda mais ao perceber que o primo não se abalava diante de seu relato - E mandei ele se foder.
O menino arqueou as sobrancelhas diante tanta brutalidade por parte daquela que era julgada como a princesinha da família nos almoços de domingo na casa da vovó Malik.
- Ela basicamente disse que nós temos um "namorico sem futuro". - prosseguiu sua narrativa frustrada, afundando-se contra o assento do sofá - E eu não espero que as pessoas achem que somos um casal perfeito que vai se casar, ter três filhos e viver feliz para sempre. Mas você não imagina o quão frustrante é sua mãe não ter o mínimo de fé em você. - falava sem parar para respirar e ao final puxou uma grande quantidade de ar pela boca que percorreu todo o caminho de sua traquéia até seus pulmões, sentindo um grande alívio ao ter oxigênio percorrendo seu ser. - O pior de tudo é que eu sei que ela não gosta do Liam e o Liam não faz questão de disfarçar que odeia ficar ao redor da minha mãe. Você entende o quão horrível são os jantares em que temos que fingir que está tudo bem?
- Ah, o seu pai gosta do Liam… Já é um começo. - sorriu forçado, tentando soar positivo.
- Tanto faz. - deu de ombros, suspirando desapontada. - O meu namorado não gosta de conversar com a minha mãe, a mulher mais importante da minha vida, e eu não posso culpá-lo porque parece que ela faz de tudo para vê-lo sofrer!
- , também não é assim. Vocês falam da tia Amina como se ela fizesse mal a alguém, mas ela só está fazendo o papel de mãe de uma garota de 17 anos! - Zayn arqueou as sobrancelhas, compreendendo que apesar de se tratar de uma situação delicada, naquele momento a prima mais nova tratava do assunto visualizando apenas um dos lados.
- Ela deu a entender que acredita que vamos terminar quando eu for para Julliard.
Malik confirmou com a cabeça, cerrando os lábios e coçando a nuca: - Você já conversou com o Liam a respeito? Afinal Julliard não fica há 40 minutos de Londres como é o caso de Oxford, estamos falando de outro continente, !
- Faz muito tempo que não falamos sobre isso…
- E? - o rapaz a pressionou a continuar.
- E eu acho que ele pensa que eu vou desistir.
- E você vai?
- Não.
O moreno cresceu os olhos, arqueando as sobrancelhas, não conseguindo compreender o que não entendia nos discurso da Sra. Ortega.
- Zayn, você está concordando com a minha mãe?! - indagou ofendida, tendo um sobressalto no sofá e o garoto rolou os olhos.
- Claro que não. - defendeu-se, nervoso - Eu só acho que você está exagerando. - deu de ombros, esperando que a garota entende-se que achava tudo aquilo desnecessário - Muito!
- Merda… - meneou a cabeça irritada, afinal entendia naquele momento que estava errada e consequentemente deveria partir dela o pedido de desculpa ao namorado, que por estar com a razão lhe lançaria aquele sorrisinho condescendente, extremamente irritante. - Eu vou falar com o Liam. Mas só mais tarde, não quero lidar com isso agora.
Malik riu, levantando-se e acenando com a mão para que ela o seguisse. O menino queria pegar algo para beber e por esta razão procurava o caminho até a cozinha, sentindo que a menor segurava a barra de sua jaqueta de couro.
- Podemos lidar com meus problemas agora? - virou a cabeça por cima do ombro para falar com ela, que elevou o rosto a fim de mirá-lo e franziu o cenho esperando que ele continuasse.
Entretanto ambos ouviram o nome do rapaz ser chamado e ao voltarem os olhos para o lado esquerdo, puderam ver um menino acenando animado, correndo até Zayn. Conversaram brevemente e logo os primos puderam encaminhar-se até cozinha, não antes, é claro, de Malik ser interceptado por outros conhecidos, que fitavam a morena ao seu lado imaginando quem era aquela, mas acreditavam que se tratava apenas de mais uma garota que Zayn conhecia nas muitas festas que frequentava.
- Agora você pode falar do seu problema. - Orteguinha disse já na cozinha, encostada na lateral da geladeira, enquanto o mais velho procurava por algo que lhe interessasse em seu interior.
- A e eu decidimos ser amigos. - declarou, pegando uma garrafa de amarula e outra de tequila, intercalando os olhos castanhos de uma para a outra tentando decidir com qual iniciaria sua noite.
- E? - pegou a garrafa de amarula das mãos do garoto e encaminhou-se até a bancada para pegar um copo e ali colocar um pouco da bebida, logo duas meninas aproximaram-se dela, estendendo seus copos, pedindo silenciosamente que a desconhecida também as servisse e assim o fez, sorrindo educada.
- Depois que decidimos que teríamos uma relação amigável, nos vimos só no seu aniversário… Porque eu não voltei mais para Londres. - com a garrafa de tequila embaixo do braço, estendeu um copo até a prima esperando que ela também colocasse ali um pouco do licor
- Por que você não voltou mais para Londres? - o questionou, finalmente podendo tomar um pouco de sua bebida sorrindo satisfeita ao sentir suas papilas gustativas atiçaram-se sob o sabor adocicado.
- Porque eu estou evitando a . - foi direto e objetivo, fazendo uma careta ao virar o copo contendo o shot de amarula e sentir o gosto doce do licor.
- Explique-se. - a prima pediu, procurando pela bancada a garrafa de amarula que haviam acabado de pegar na geladeira e ao encontrá-la não surpreendeu-se ao constatar que já havia acabado. Portanto esperou pelo primo abrir a garrafa de tequila que ainda guardava embaixo do braço.
- É estranho! - cresceu os olhos, não entendendo o que a menina não entendia.
- Claro que não! - juntou as sobrancelhas. - Vocês não eram amigos quando namoravam?
- Sim, , mas é completamente diferente. Não tem nem como comparar uma coisa com a outra! - rolou os olhos, abrindo a garrafa de bebida. - Eu não sei como agir ao redor dela, ou o que falar…
- É só você tratá-la como trata os seus amigos. - dizia, assistindo Malik virar tequila em seu copo.
- Péssima ideia! - arqueou as sobrancelhas. - Não sei como a vai reagir se eu ficar dando tapinhas na bunda dela como faço com o Louis. Ou ficar escondendo as coisas dela como faço com o Harry. Ou ficar zoando o sotaque meio americano que ela tem, como faço com o sotaque do Niall. Ou ficar falando sobre outras garotas como faço com o Liam.
- Você e o Liam conversam sobre outras garota?
- O tempo todo. Ele é muito observador. - falou apenas para provocá-la e ao vê-la revirar os olhos, sorriu divertido, escondendo os lábios com o copo.
- Enfim, - continuou, irritada com o primo que ria dela - faça com ela como você faz com a ou a . Ou até mesmo comigo!
- Você não é minha amiga.
- Você quer me ver infeliz?! - perguntou batendo o copo a bancada.
- É brincadeira! - riu, tomando um gole de sua tequila.
- Você já a encontrou desde que chegou aqui?
- Não. Eu nem sei onde ela está.
- Manda uma mensagem. - deu de ombros, encaminhando-se até a geladeira a procura de outra coisa para beber, notando que o primo encarava a tela do celular a procura das palavras certas para mandar para a modelo. - Só pergunta onde ela está. - falou alto para que o moreno a ouvisse, percebendo que um trio que conversava ali na cozinha, voltavam seus rostos curiosos para ela rapidamente.
- Licença. Licença. Licença! - um garoto alto e de ombros largos passava pela porta da cozinha, com uma caixa de bebidas no ombro, dirigindo-se até a geladeira, a qual Ortega manteve a porta aberta. - Obrigado. - sorriu para a menina muito menor que ele, logo estocando todas as latas e garrafas ali.
- Aqui, Tom. - um rapaz loiro trouxe mais sacolas, colocando-as ao lado do garoto.
- Niall, seu merda! Aonde você estava?! - Zayn reparou que quem carregava as sacolas era o irlandês, quem não via desde que chegou à casa.
Horan gargalhou alegre, caminhando animado até o primos, com seu suéter natalino e bochechas vermelhas. Cumprimentou Malik com um abraço apertado, pois estava feliz naquela noite e deu um abraço também em , que sorriu sabendo que assim como ela, o amigo ficava muito carinhoso quando se encontrava bêbado.
- Eu encontrei um pessoal da faculdade e eles estão saindo o tempo todo para comprar bebidas.
- E você vai junto! - Zayn negava com a cabeça, sentindo-se traído por ser trocado pelas pessoas desinteressantes com quem Niall estudava.
- Faz tempo que vocês chegaram? - o loiro perguntou, usurpando uma lata de cerveja da sacola que Tom segurava.
- Umas duas horas. - o outro menino deu de ombros, desistindo de segurar a garrafa de tequila e a abandonou na bancada atrás dele.
- Eu cheguei faz pouco tempo. - falou, esticando o pescoço, analisando a movimentação ao redor da geladeira, pois ainda não havia conseguido pegar sua bebida. - Niall, pega uma cerveja para mim, por favor. - sorriu, esperando ganhá-lo com simpatia e o rapaz, sem problema algum, usurpou mais uma cerveja das sacolas que eram esvaziadas.
- Já viram todo mundo? - Horan indagou abrindo a lata que seria entregue para Ortega. - Acreditam que eu ainda não vi a e nem o Harry?
- Pois eu não vi nenhuma das meninas ainda. - Zayn falou, voltando a encarar a tela de seu celular que mantinha a conversa com aberta, mas nenhuma mensagem saia de sua caixa de texto.
- Bem, eu só vi vocês dois. - a caçula disse pegando o celular do primo e escrevendo uma breve mensagem para a modelo, a mostrou para o rapaz esperando que ele decidisse se valia a pena enviá-la ou não.
- Vocês não acreditam quem eu encontrei na porão, na mesa de beer pong! - o loiro recordou-se animado, mirando os olhares curiosos dos amigos a sua frente. - O Shepley!
- Sério, o Shep está aqui? - Ortega cresceu os olhos, animada. Não conversava com o colega de turma desde o início do recesso de fim de ano, portanto não tinha ideia que coincidentemente acabaria na mesma festa em Cambridge!
- Ele ainda namora a Amber? - Malik arqueou as sobrancelhas, soando ainda mais descrente que a prima e sorriu ao ouvir a gargalhada elétrica de Niall.
- Sim. Ela estava esperando ele terminar a rodada do jogo. - o outro menino respondeu sorridente - Conversei com ela também.
- Pelo menos uma vez por semana ela vai até a Eton buscá-lo no fim da aula. - contou o que não era exatamente uma fofoca, mas os garotos receberam a informação como uma.
- Esse é o casal mais absurdo que existe!
- Ai nada a ver. - a morena rolou os olhos - O Shep é um amor de pessoa e a Amber parece adorá-lo, vocês precisam ver o jeito que ela olha para ele!
- Bobagem… - Zayn falou cerrando os lábios em seguida, notando que um rapaz passava por eles encarando as pernas nuas de sua prima caçula, quem não percebeu.
- Ele está amargo hoje. - falou para Horan, que arqueou as sobrancelhas encarando o amigo.
- Por que, Zayn? Um rapaz bonito como você não precisa se deixar abalar. - o irlandês fez um carinho na bochecha do moreno que sorriu divertido, fitando os olhos alcoolizados do loiro, e permitiu ser mimado.
- Eu não estou amargo, ela quem brigou com o namorado e estava bravinha na hora que chegou. - Malik apontou para a menina com o queixo.
- O Liam veio?! - Niall percebeu só naquele momento que sentia falta de conversar com o amigo que não via desde o dia anterior quando ficaram jogando video game em sua sala de jogos na mansão Horan.
- Sim. E está por aí, bravo com mundo. - Ortega, suspirou tristonha sabendo que ainda teria que lidar com os olhares sabichões do namorado, enquanto na verdade só queria dançar até morrer e beber enquanto isso.
- Vamos falar com ele! - o loiro sugeriu animado.
Mas seu olhos azuis foram atraídos para uma ruiva que adentrava a cozinha de forma cautelosa e impetuosa, como nuvens escuras que anunciam uma grande tempestade. A garota passou os olhos negros por todo o ambiente, a procura de algo a interessasse e ao encontrar um irlandês bêbado, o badboy mais bonito daquela festa e uma morena que acenava animada para ela, sorriu e aproximou-se dos amigos.
- ! - Niall jogou os braços ao redor do pescoço da ruiva que riu feliz, retribuindo o abraço
- Irlanda! Eu amo o Niall bêbado!
- Você sumiu! - o loiro acusou, bebendo mais um pouco de sua cerveja, sem prestar atenção ao comentário da menina sobre seu estado
- Foi você quem sumiu. - declarou, arqueando as sobrancelhas - A estava procurando por você. - apontou com o polegar por cima do ombro.
- A é perfeita! - falou sozinho e o mirou sorrindo de seu devaneio.
- - chamou pela mais nova, sem ouvir o comentário de Horan - , você já terminou o seu relacionamento com aquele idiota? - questionou, atentando-se a reação da caçula.
- Não, . - sorriu complacente.
- Eles brigaram. - o primo da menina, inclinou-se em direção à ruiva para lhe contar a fofoca.
- Uhhhhh! - arqueou as sobrancelhas, permitindo que Ortega visse seus olhos negros faiscarem diante do possível caos. - O que ele fez dessa vez? - esfregou uma mão na outra, contente em saber de mais uma idiotice arquitetada por Payne.
- Nada demais. Não foi nada demais. - a namorada, que ainda precisava encontrar o rapaz para desculpar-se, deu de ombros.
Não acreditando nas palavras que recebia da morena, Westwick voltou os olhos negros indagadores e curiosos para Zayn que apalpava os bolsos dos jeans a procura dos cigarros.
- Eles não estavam de mãos dadas quando chegaram. - o moreno contou a cena que presenciou e até mesmo Niall voltou-se surpreso para que chutava o pé do mais velho que fazia papel de linguarudo naquela noite, apenas por saber que enlouqueceria sua prima com tantas informações sobre a discussão que ocorrera mais cedo.
- , eu estou prestes a morrer de tédio, você deveria me falar onde o carro do Liam está…
- Por que você adora a ideia de destruir carros ? - Horan perguntou bocejando. Precisava beber mais para afastar o sono!
- Não, dessa vez nós não vamos destruir o carro do Payne..
- Graças a deus. - Malik colocou a mão sobre o peito, fingindo alívio.
- … vamos cometer um crime e colocar o carro dele lá para ele se tornar o principal suspeito!
- Meu deus… - Ortega deixou escapar por entre os lábios, chocada com as ideias do demônio ruivo a sua frente.
- É uma ótima ideia! - cresceu os olhos ao constatar a descrença circundando a face dos três amigos que a miravam. - E eu acho que vocês deveriam considerar por dois motivos, primeiro; eu estou entediada e segundo; o Payne pagaria por tudo de ruim que fez você passar!
- Mas ele nunca me fez algo de mal!
- Ele te submeter a presença dele é a maior atrocidade que um ser humano pode enfrentar! - cresceu os olhos como se dissesse algo óbvio e saiu rumo a geladeira ouvindo as risadas de Niall e Zayn.
- Por que você está entediada, ruivinha?. - o moreno sorriu indulgente, cruzando os braços frente ao peito, vendo-a voltando com uma cerveja para ele outra para ela.
- Porque não tem nada para se fazer nesse lugar! - reclamou frustrada
- O que você acha de jogarmos alguma coisa, ? - Ortega sugeriu deixando sua lata vazia em cima da bancada, imaginando que beer pong ou algum jogo de baralho seria divertido
- Uma ótima sugestão, . - e como se soubesse o rumo daquela conversa, Westwick tirou do bolso traseiro de seu jeans, papel e caneta. - Vamos brincar de personagem, mas a cada vez que a pessoa receber um não como resposta tem que beber! - seus olhos brilhavam diante a ideia de embebedar até a morte as três pessoas a sua frente.
- Você anda por aí com caneta e post-its? - Malik questionou pegando um dos pedaços de papel.
- Na verdade eu estava procurando alguém para jogar comigo. - arqueou as sobrancelhas, utilizando as costas de Niall como apoio para escrever o primeiro nome que veio a sua cabeça.
Ortega sentou-se sobre o mármore gelado da bancada, Westwick e Niall puaram bancos que encontraram vazios e Zayn permaneceu em pé com a cintura apoiada na bancada. Cada um escreveu um personagem de desenho animado e em sentido horário colaram nas testas uns dos outros, consequentemente se tornou o Bob Esponja, o Superman, irlandês o próprio Niall Horan e Malik a Madonna.
- Eu sou uma mulher? - o badboy indagou, intercalando os olhos castanhos pelos amigos, vendo-o todos acenaram positivamente. - Eu sou bonita?
- Não mais bonita que Zayn Malik. - foi sincera, ouvindo a risada escandalosa de Horan.
- Niall, você não pode incentivar esse tipo de comportamento. - Ortega negou com a cabeça, rindo ao notar o olhar entediado de Westwick sobre si.
- Eu sou alta? - o moreno retornou a seu interrogatório.
- Não tenho ideia.
- Não é não!
- Eu sou loira?
- Sim.
- Sabia que eu já fotos dela morena?!
- Eu sou muito famosa?
- Demais!
- Eu sou a ?
- Não, idiota! - apesar do insulto, Westwick ria e apontava para a garrafa de cerveja na mão do rapaz bonito, indicando que ele deveria beber.
- Minha vez! - Niall falou alto, não notando o sorriso demoníaco de quem havia decidido que o garoto teria que adivinhar a própria personalidade. - Eu sou homem?
- Eu tenho minhas dúvidas…
- Eu sou divertido?
- Nem um pouco.
- Não seja má. Às vezes, bem de vez em quando mesmo, você é engraçado.
- Eu sou inteligente?
- Precisa ser mais.
- Não.
- Eu… sou… bonito?
- Não mais que Zayn Malik. - a ruiva utilizou a mesma resposta boba utilizado antes.
E as rodadas se seguiram fazendo todos rirem e beberem bastante.


-


O rapaz de cachos falava alto, chamando atenção e rindo da própria história que contava. Havia começado a relatar o infortúnio da Festa do Ano para dois garotos e agora uma pequena platéia se formara a sua frente, tentando ouvi-lo por sobre a música alta.
- Não adianta me perguntar o que se passou pela cabeça do Tommo! - Harry ria, passando o braço pelo ombro do amigo que sorria ladino, abraçando sua garrafa de cerveja. - Eu só sei que em um momento tinha música e pessoas socializando e depois um carro estava dentro da minha piscina! - uma breve sessão de "Meu deus!" e exclamações surpresas se deu início e Styles voltou os olhos para Louis que crescia os olhos, recordando da aflição e pavor que sentiu quando descobriu o que havia acontecido na manhã seguinte, já que no momento do incidente estava bêbado demais para compreender a gravidade do fato - As pessoas foram embora correndo. Mas isso não é o pior de tudo! O pior é que meu pai não estava em casa e a polícia apareceu no nosso portão! Eu estava vendo a hora que iriam prender a todos nós.
- Em minha defesa - Tomlinson disse levantando a mão pedindo permissão para se pronunciar - , o cara disse que era um mágico, eu só estava curioso para saber do que ele era capaz! Não imaginei que ele colocaria a porra de um carro na piscina!
- E o que vocês fizeram?! - a voz grave de um rapaz foi ouvida e a dupla dinâmica se encarou, arqueando as sobrancelhas.
- O que qualquer um faria em um momento de crise… - Louis deu de ombros.
- Fugimos. - Harry esclareceu, ouvindo mais uma onda de exclamações e risadas. Ele estava amando a atenção! - Fomos para Nottingham. Mas como nem tudo são flores, meu pai voltou mais cedo do compromisso e encontrou a casa destruída.
- Nosso castigo foi limpar tudo e tirar o carro da piscina, enquanto os pais do Harry saíam para comprar um lustre novo.
- Vocês quebraram o lustre também? - uma garota ria alto.
- Eu não lembro exatamente o que aconteceu com o lustre. - o cacheado cerrou os olhos, concluindo que o mais importante e assustador era o carro na piscina, o lustre foi apenas um detalhe.
- Eu acho que alguém se pendurou nele. - Tommo deu de ombros, encarando sua garrafa e ao elevar os olhos pode encontrar olhares chocados, só então percebendo que aquilo se tratava de algo grave.
- Mas nós também já fizemos festas onde ninguém teve uma experiência de quase morte.
- É verdade. Quando fizemos a festa de ano novo na minha casa, primeiro - Louis enumerar nos dedos - eu pedi permissão para a minha mãe e segundo; a Sra. Tomlinson muito consciente não permitiu que utilizássemos o interior da casa.
- Era uma noite gelada como hoje - Styles iniciou seu relato, empolgando-se a medida que avistava os sorrisos nos rostos de seus ouvintes - e ninguém podia entrar na casa, então…
Tomlinson encarava os próprios tênis enquanto ouvia o amigo e levou a garrafa até o lábios a fim de beber um pouco de sua cerveja, ao levantar os olhos pode ver, a alguns metros dele, uma garota de casaco vermelho e cabelos castanhos.
Ela conversava com uma menina loira, que logo saiu correndo para outro cômodo deixando a garota de casaco vermelho sozinha e com um sorriso divertido nos lábios. A desconhecida colocou uma mecha dos cabelos escuros atrás da orelha e voltou-se na direção de Louis, procurando por alguma coisa.
O moreno juntou as sobrancelhas, cerrando os olhos, tentando encará-la melhor, mas a luz precária não permitia mirar com clareza o bonito rosto feminino, contudo Tommo sabia que era ela, precisava ser! Havia procurado por aquela garota por semanas, havia mantido-se em alerta a todo momento ao percorrer o campus de Oxford e agora, ali em Cambridge, a encontrava.
- … lembra Louis? - ouviu Harry falar ao seu lado.
- Ahan. Ahan. - confirmou com a cabeça, sem sentir a necessidade de atentar-se ao que o amigo falava - Eu… Eu já volto. - disse sem fitar o moreno ao seu lado e saiu correndo até a menina de cabelos castanhos.
Styles o mirou sem entender, mas logo deu de ombros, voltando a sua platéia que era bem entretida por suas histórias.
Tomlinson tropeçou em alguns pés, esbarrou em outras pessoas, derrubou cerveja em uma menina que estava sentada no chão e foi xingado, porém nem ao menos conseguiu pedir desculpas pois estava com pressa! Corria, sem olhar para trás, mantendo os olhos fixos na desconhecida que se distraía observando e rindo de um rapaz animado que gritava a todos os pulmões a música Greatest Love Of All da Whitney Houston, que saía pelos alto falantes.
- É você! - Louis gritou ao esbarrar na garota que virou-se para ela atônita, entretanto ao reconhecê-lo logo abriu um sorriso.
- Você é o garoto da pegadinha da cerveja! - cresceu os olhos surpresa por encontrá-lo ali.
- Eu sou o que você quiser! - elevou os braços em rendição, sorrindo empolgado ao vê-la rir. - Louis, prazer. - estendeu a mão a fim de cumprimentá-la e a morena a apertou, inclinando a cabeça para o lado.
- Angelique. - falou, hipnotizando o rapaz como os movimentos dos seus lábios pintados de vermelho.
- Meus deus! - Tomlinson falou, ainda segurando a mão da morena que arqueou as sobrancelhas sem entender o motivo de sua exclamação. - O seu nome é lindo. - aproximou-se mais um passo dela que o fitava curiosa - O seu sotaque é lindo. Você é linda! Casa comigo?
Angelique gargalhou, virando o rosto para o lado e Louis inclinou-se para ver com clareza a curva perfeita de seus lábios alegres, a forma como seus olhos ficavam graciosos quando sorria e as maçãs de seu rosto ainda mais proeminentes.
- Você é engraçado. - observou, sem sentir a necessidade de soltar a mão do menino que ainda segurava a sua.
- Concordo plenamente, mas eu também posso ser romântico, você quer ver? - questionou não conseguindo conter o entusiasmo o que encantava Angelique, tornando a tarefa de não sorrir um grande desafio.
- Eu tenho medo do que você pode fazer. - foi sincera, arqueando as sobrancelhas.
- Eu posso te fazer feliz! - falou alto, apertando a mão da morena contra seu peito - Eu posso te fazer feliz pelo resto da vida! - gritou, chamando atenção de algumas pessoas que circulavam por ali.
- Você nem ao menos me conhece…
- Eu adoraria te conhecer. - inclinou a cabeça para o lado fascinado com o brilho que encontrava nos olhos dela - Eu tenho o resto da vida para te conhecer!
- Então onde vai ser o nosso primeiro encontro? - indagou a fim de testá-lo e o queixo do garoto caiu.
- É surpresa! - conseguiu responder após se recompor.
- Angel! - a garota ouviu a amiga chamar por ela e olhou por cima do ombro de Louis encontrando a loira rindo acenando para ela.
- Eu preciso ir. - disse triste, abaixando os olhos para suas mãos ainda seladas. - Mas me passa seu número telefone.
- Isso! - Tommo cresceu os olhos, vendo-a pegar o celular em um bolso interno do casaco vermelho, onde ele salvou seu contato e a entregou também seu IPhone para que ela colocasse suas informações. - Eu te ligo para nós planejarmos o nosso casamento.
- Eu vou esperar. - confirmou com a cabeça, sorrindo com os lábios pintados de vermelho. - Tchau Louis!
- Tchau Angel. - acenou, assistindo aquele anjo perfeito afastar-se dele, não antes de voltar o rosto para ele uma última vez e despedir-se novamente.


-


Das coisas que Harry mais sentiu falta de casa, durante as férias de verão, as festas que frequentava desde a adolescência com certeza ocupavam uma posição importante. Apesar de ter se divertido na América e gostar bastante da família da mãe dele, havia uma selvageria cômica no modo como seus conterrâneos entornavam litros de todo o tipo de bebida alcoólica, sem discrição ou hora para parar.
Achou as festas americanas sem graça e os seus convidados, entediantes. Mas agora estava em casa, com o ego inflado por toda atenção que recebeu, compartilhando as aventuras de ensino médio e encontrando humor nas tragédias passadas.
Entretanto logo cansou de falar e deixou Louis para dar uma volta no andar debaixo, encontrar conhecidos e descobrir se a noite tinha algo de bom reservado a ele, afinal de contas era final do ano, contagem regressiva para a virada, e Harry sentia-se particularmente otimista quanto ao novo ano. Não queria ser ingrato, mas esse ano havia sido longo e tão cheio de desgraças, que ele andava por aí desejando que acabasse logo para poder dormir em paz.
Ao deixar a sala de jantar, retornou ao espaço da sala de estar, não encontrando nada que captasse sua atenção e decidiu ir até o quintal, onde ocorriam alguns jogos de mesa, para verificar se algum dos amigos estava por ali. Ao passar pela cozinha ampla e meio industrial, ouviu uma voz que indiscutivelmente era de Styles e parou à porta entre o corredor e a cozinha, encostando os ombros largos contra o umbral e cruzando os braços.
- , eu não acho que laranja vai melhorar isso. - dizia, reclinada sobre o balcão, observando o drink com coloração avermelhada, um pouco marrom também, e agora com tons de amarelo mais alaranjado.
- Nada a ver, umas raspinhas de laranja vão bem com tudo. - a menina Styles fez pouco caso da observação alheia e continuava espremendo a metade da laranja com as duas mãos, prensando os lábios porque fazia força.
- Mas você já colocou limão, blueberry e xarope de maracujá. Três sabores que não tem nada a ver! - a garota mais alta protestou.
Ela não reclamou quando começou com o limão ou o blueberry, mas aquele concentrado de maracujá tinha um cheiro forte, enjoativo. E agora tinha limão e laranja dentro do seu copo! Onde aquilo iria parar?
- Nada é forte demais pra aplacar o gosto do rum, você ouviu o que o Lou disse. - ergueu o copo até bem perto do nariz e cheirou, contraindo o rosto em uma careta de desgosto porque o cheiro de álcool ainda era forte.
- Esse negócio cheira mal. - Hilton afirmou sem expressão, mas seu corpo a traiu porque ela salivou quando passou o copo por seu nariz para ela cheirar também.
- É só maracujá, boba! - gargalhou.
- Você tinha começado bem, mas agora isso é só uma mistureba científica feia.
- Para de ser ingrata, você queria um drink e eu estou fazendo.
- Coloca mais um pouco de limão, pelo menos. - sugeriu, dando-se ao trabalho de erguer o rosto e ver quem as observava tão descarado.
Sorriu ao ver Harry e o garoto devolveu o gesto simpático, esperando que dessa vez a irmã o notasse. Não era surpreendente que estivesse impondo suas vontades aos outros, mas o divertia ver resistindo, embora apostasse que no final das contas ela tomaria aquilo e ainda ia gostar.
Quando a menina o viu, arreganhou os dentes e sorriu tão feliz como se o próprio papai noel estivesse na porta, esperando-a com o presente requerido nas cartinhas que ela enviou durante toda a infância.
- Oi, Harry! Eu estou criando uma bebida para a !
- Com rum, laranja, maracujá e limão? - o garoto arqueou uma sobrancelha, cético.
- E blueberry. - acrescentou o ingrediente mais duvidoso.
Harry se aproximou delas e olhou desconfiado para a bebida na mão da irmã.
- Me dá isto aqui. - pediu e entregou o mixer de alumínio. Ele primeiro cheirou o conteúdo, esforçando-se para conter o enjoo por causa do doce do maracujá, depois experimentou um pouquinho, bem pequenininho e degustou como um profissional.
- E então? - estalou os dedos, ansiosa.
- É, não é tão ruim assim… - Styles concordou meio infeliz. - Eu sei o que nós podemos fazer pra melhorar isso aqui.
- Eu pensei em colocar ainda mais laranja, o limão é azedo demais, mas essa laranja está perfeitamente distribuída entre azeda e doce. Enfim, o que você ia sugerir? - a menina piscou forte e findou seu devaneio.
- Ah, sim. Eu ia falar pra gente começar do zero! - Harry sorriu e jogou toda a bebida na pia. - Eu vou precisar de suco de limão, folhas de hortelã e água com gás.
, providencia o hortelã, , eu preciso de água com gás e gelo, enquanto vocês buscam isso, eu vou fazer o suco de limão.
- Eu não acredito que você jogou fora! - a menor das garotas estava transtornada, com os olhos arregalados, desolada.
- Estava ruim! - Harry argumentou, pois para ele estava claro que não havia outra atitude a ser tomada.
- Claro que não! - estava ultrajada.
Colocou meia hora de esforço para deixar feliz, toda cheia de boa vontade, e embora não soubesse por onde começar, agora estava pegando o jeito e aquele paspalho estragou tudo!
- Claro que sim! - ele disse exasperado enquanto já lavava o mixer para não adulterar o sabor do seu mojito especial.
Inconformada com a interferência do irmão, ela abriu a geladeira e começou a procurar água com gás, como ele queria, chateada.
- Ninguém pediu a sua opinião, Harry! - bateu a garrafinha com força ao lado de onde ele espremia limões.
- Você pediu e eu estou te fazendo um favor! - Harry derramou rum com gosto no copo. - Cadê o gelo?
- Aqui. A não vai tomar nada do que você fizer. - cruzou os braços e decidiu.
- É claro que ela vai, não é, ? - Harry sorriu para , todo educado. Ela não seria mal educada assim…
Hilton encarava os irmãos como se eles fossem loucos, mirando entre um e outro, indecisa sobre o lado de quem tomaria naquela pequena guerra. Ela queria muito um drink, em oposição a isso, era sua amiga e ela não gostava de parecer desleal.
Oh, céus! Só queria sua bendita bebida!
Quem poderia salvá-la da loucura dos irmãos Styles?
- ? - a cutucou no braço.
- Hã?
- Você viajou. - Harry avisou, um pouco irritado com o descaso da amiga ao dilema sério deles. - Você vai ou não experimentar a bebida que eu estou fazendo para você?
- Ela não vai. - respondeu por , dessa vez com um toque de prazer perverso em ter a oportunidade de voltar a implicar com aquele perturbador. - Você não tem mais ninguém para atormentar, não? Cadê o seu melhor amigo?
- Provavelmente perseguindo a doida da sua melhor amiga.
- Meu deus, vocês adoram isso. - constatou em uma incrível descoberta.
Foi a vez da dupla que brigava a encarar como se ela fosse idiota.
- Do que você está falando? - Harry franziu o cenho.
calculou então que poderia ficar ali e ganhar uma possível dor de cabeça e ouvir muito se arriscasse experimentar qualquer coisa que saísse das mãos de Harry. E também os dois poderiam passar uma hora inteira fazendo aquele jogo de gato e rato, sem cansar. Eles se divertiam discutindo!
Uma ideia surgiu num cantinho sórdido de sua mente: no fim das contas sabia exatamente quem poderia lhe arranjar um belo de um drink.
Deixou os amigos sob o pretexto de ir ao banheiro e não voltou mais à cozinha.
Iria encontrar Zayn.
E não foi muito difícil porque ele estava em meio a um alvoroço, lindo como um galã da velha Hollywood, com a cabeça erguida e um copo na boca, virando shots com outros jovens, meninas e garotos, e depois bateu o copinho na mesa e chacoalhou a cabeça, obrigando seu corpo a aceitar e engolir a bebida.
Malik aceitou as congratulações dos colegas de festa, parabenizando os corajosos pela empreitada, surpreendido com a presença angelical de Hilton há poucos metros de si.
Achou que estava sonhando, mas ela sorriu e ele soube que nem os seus melhores sonhos podiam ser tão bons.
Abriu os braços e chamou sua atenção, convidando-a a se juntar a ele:
- Loira, que bom te ver!


-


- I don't wanna know know know, who's taking you home home home…
cantarolava a música alta e estridente, mexendo o pescoço no ritmo e balançando os ombros nus discretamente, os coturnos pesados e sujos de grama e terra agora sujavam o piso de madeira do salão comunal da casa onde estava, enquanto ela aguardava os rapazes empurrarem os bancos e mesas para as extremidades do cômodo amplo para ganhar espaço.
Todos estavam conversando sobre coisas estúpidas que já viram em festas e , num momento de inspiração, soltou que sabia de uma série de coisinhas que poderiam tornar aquela noite mais excitante e sugeriu o velho truque do laxante, roubar as chaves dos carros e escondê-las pela casa, sacudir todas as latinhas de cerveja por ali, e a mais interessante de todas: brincar de verdade ou desafio, mas sem a parte da verdade.
- Você pode explicar de novo? É tipo verdade ou desafio, mas não é a mesma coisa? - um garoto apoiou as mãos nos quadris, respirando fundo após o esforço de mudar móveis de lugar.
- Exatamente, é um jogo de desafios. - respondeu, brava com a burrice do garoto. O conceito era tão simples! Era como pegar um jogo chato e torná-lo divertido, simples assim. - Agora, - ela ergueu a voz - o objetivo desse jogo é conseguir propor o desafio mais difícil de todos e tentar realizar esse desafio.
- Isso soa estúpido. - outra garota se manifestou após perceber que não iam ter beijos e outras coisas nessa brincadeira.
- Você soa estúpida, por que não sai daqui e para de estragar a nossa noite? - Westwick expulsou a opositora e a sala se encheu de risinhos simpáticos. Era ótimo ser popular, ela pensou e sentou em uma mesa de madeira muito comprida, como uma rainha em seu majestoso trono.
- Tudo bem, quem vai propor os desafios? Pode ser qualquer um? - um adolescente interessado questionou, ansioso para fazer algo divertido de sua noite.
- Claro. - sorriu, sentindo-se magnânima.
- Eu tenho um. - uma menina ergueu a mão e em seguida explicou a brincadeira, e todo mundo gostou da ideia. - Mas nós precisaríamos de canela.
- Alguém vai arrumar canela, por favor?! - a ruiva gritou e uma turba se movimentou em direção da cozinha ou despensa para ver se encontravam o condimento necessário para intoxicar todo mundo.
Outros ficaram por ali, esperando orientações sobre o que fazer, bêbados o bastante para esperar que seus futuros fossem ditados por Westwick, que mal fazia ideia de como tocar a própria vida e teve uma crise mental naquela manhã ao descobrir que derramou leite estragado dentro da sua caneca de cereal.
Os adolescentes começaram a listar os desafios mais divertidos e mais estúpidos que encontraram na internet mas não prestava atenção porque naquele momento Zayn entrava no recinto, com aquela aura de sexy appeal que jurava que ele tinha, e como se não bastasse, , uma amazona em branco, o acompanhava, com o braço apoiado no do rapaz.
- Sardenta! - Malik acenou com o braço livre.
Algumas pessoas no cômodo olharam descaradamente para o casal que passava por eles, a caminho do trono improvisado de Westwick, eles eram uma visão e tanto.
- Malik! - deu o seu melhor sorriso ao moreno, estendendo o braço, convidando-os a se aproximar. - Da próxima vez que você me chamar de sardenta, eu vou ter que te punir, o que é uma pena contando o quão bonito você é.
- Desculpa, . Você sabe que é o meu apelidinho carinhoso pra você. - Zayn piscou para ela e apoiou as mãos na mesa, dando um impulso com os pés para sentar também.
revirou os olhos, considerando o assunto encerrado, e inclinou a cabeça, observando a modelo que permanecia em pé na frente dos dois, de costas para o restante da sala e atraindo muito mais atenção do que poderia se dar conta ( sempre alegava que eram as consequências de ser famosa).
- O que você está fazendo sozinha por aqui, ? - inquiriu.
- Eu não estou sozinha. - Hilton respondeu com um sorrisinho escondido atrás de seu copo cheio de Mimosa. Havia algo na expressão de , no modo impaciente como ela falava e no tom suspeito e desconfiado de todas as suas perguntas que sempre despertava o bom humor dela, esperando para ver qual era a próxima novidade que a amiga promoveria.
- É, você está com o seu ex namorado, o que é ainda pior. - a ruiva apontou com o polegar para o ex em questão.
- Então você é contra ex namorados que se tornam amigos? - olhou para Zayn e os dois sorriram cúmplices.
- Isso é a coisa mais estúpida que eu já ouvi, não tem como ex serem amigos, Hilton. Eu entendo que o Malik tem seu charme, mas se fosse o meu ex, eu teria acabado com ele pra garantir que ninguém mais o queria.
- Você não fez isso com o Louis.
- Ah, ela arranhou o carro dele. Você não ficou sabendo? - Zayn falou, trazendo à tona a sabotagem que o carro lindo de Louis sofreu, mantendo para si sua participação no crime, embora Tommo o acusasse de ter sido o meio pelo qual aquela demônia encontrou seu carro.
- É mesmo? - franziu o cenho, claramente ignorante quanto ao dito episódio.
- E depois eu tentei colocar fogo no carro dele. - complementou com um sorriso sagaz.
- Depois que ele foi na sua casa visitar suas irmãzinhas? - Malik expôs o outro lado da moeda e ganhou um soco no braço.
- Para de ser fofoqueiro, garoto.
Zayn massageou o músculo machucado e quando olhou para , podia enxergar com facilidade que ela achava a punição mais que bem feita. Sádica…
o encontrou virando shots com desconhecidos e os dois decidiram dar uma volta para procurar algum dos amigos, acabaram sendo levados por uma onda de universitários que atravessaram a rua até o outro lado, onde a casa da frente também dava uma festa, e embora a metade deles tenha ficado pelo caminho, Zayn e seguiram para o novo ambiente, nenhum pouco chocados com a semelhança entre as duas festas, era tudo mais do mesmo, mas ninguém ia reclamar, é claro.
Agora estavam com , o que era um bom negócio porque era divertida e eles queriam ter algo legal para fazer. Zayn não se sentia particularmente disposto a ficar sozinho com porque estava um pouco tonto e sabia que era fácil estragar o confortável fio de amizade que eles teceram ultimamente.
Mas ia salvar a noite e Malik a adorou por isso.
- Então, quais os nossos planos? - questionou, ansioso.
- Aqueles idiotas. - Westwick apontou para a turba que carregava alguns vidros de canela orgânica, gritando sobre a música e comemorando enquanto corriam até para entregar aquela arma potencial. Uma garota derramou uma porção de colheres ao lado de Malik, encantada com aquele ser belo parada há alguns centímetros de sua pessoa mortal.
Zayn notou a estranha e olhou para ela, oferecendo um sorriso simpático com as sobrancelhas levemente arqueadas, enquanto a menina se afastava desconcertada.
- Muito bem! - bateu palmas. Erguendo-se habilmente sobre o móvel, angariando instantaneamente a atenção coletiva. - Nós temos aqui canela e algumas colheres, o desafio é simples: vocês vão ter que conseguir engolir uma colher de canela, quem conseguir vai estar pronto para o nosso segundo desafio, quem não conseguir pode fazer o favor de sair daqui porque eu acho que canela tem um cheiro enjoativo.
Como um passe de mágica, todas as colheres estavam sob posse de algum idiota, não via outra forma de descrever os participantes da brincadeira, e aguardaram em um meio círculo bagunçado ao redor de , que se ajoelhou sobre a mesa e começou a encher as colheres deles. Algumas eram colheres de sopa, outras de sobremesa, ninguém pareceu achar ruim aquela disparidade, ou se viram, mantiveram-se quietos sobre.
- Dá pra você parar de brincar com isto? Vai derrubar, seu idiota. - brigou com um cara com o dobro de sua altura e ele parou de movimentar a colher.
- Por um acaso tem água por aqui, caso alguém passe mal? - alguém perguntou lá do fundo.
- Quem passa mal com canela? - outra pessoa debochou.
- O que será o segundo desafio? - perguntou para e a ruiva deu de ombros pois ainda não fazia ideia e não ligava.
- Tem aquele desafio de tentar beber um galão de leite de uma só vez. - Malik lembrava de ter visto um vídeo de pessoas fracassando e vomitando terrivelmente por causa desse desafio e tudo começou quando um idiota conseguiu o feito em quarenta e três segundos. Aquele cara era um animal...
- Que pode ser adaptado para cerveja, considerando a situação. - pontuou sabiamente.
- E também tem os clássicos desafios de comer pimenta. - Zayn adicionou.
- Eu adoro ver essas competições!
- Eu também! Semana passada passei hora assistindo pessoas comendo pimentas sem sofrer, é um dom.
- Do que vocês dois estão falando? - os encarou impaciente como sempre, já terminara de distribuir o tempero e aquelas duas criaturas estranhas estavam ao seu lado, primeiro dando ideias úteis e depois falando um monte de coisas estranhas. Pelo amor de deus.
- Ahn, nada demais. - Zayn encolheu os ombros magros.
Westwick deu a largada e no próximo minuto o cômodo foi envolto por uma fumaça marrom de canela cuspida das bocas secas dos competidores engasgados, de olhos vermelhos, que tossiam sem ar, desesperados por cerveja e outras bebidas alcoólicas para tirar o gosto horrível da boca.
O momento foi classificado como um completo fracasso mas ainda sim todo mundo vibrou e comemorou, considerando a ideia um sucesso e prontos para a parte dois do desafio que não tinha um objetivo ou prêmio mas pela próxima hora arrecadou uma quantidade considerável de telespectadores, incluindo algumas mentes geniais que tornaram a brincadeira ainda mais perigosa e divertida.
Quando foram para a calçada para apostar em uma corrida de ponta cabeça, o número de câmeras gravando a situação eram tantas que a noite se tornou clara como o dia, e foi assim que acabou chamando a atenção do trio que se alocara na varandinha de madeira da casa.
- Aquilo é… a ? - Liam cerrou os olhos a fim de ver melhor e trocou o copo de cerveja de mão, secando-a no jeans e guardando no bolso do casaco, pois já sentia seus ossos doendo.
- É ela sim. - Meester respondeu brincando com seu canudo, sem a necessidade de levantar a cabeça para reconhecer a ruiva. Sabia que se tratava dela pois já ouvia ouvido um de seus gritos e convivia com aquilo 24/7. Tinha absoluta certeza que se tratava de Westwick.
- O que ela está fazendo? - Payne inclinou a cabeça para o lado, tentando entender a bagunça em que a ruiva tentava colocar ordem, berrando com garotos estúpidos que não pareciam entender o que ela pedia.
- Eu não tento entender a cabeça da , Liam. - respondeu, suspirando irritada. Afinal aquilo era um festa, não queria ficar falando de Westwick e sua falta de senso.
- As pessoas gostam da aqui? - o melhor amigo da morena mantinha as sobrancelhas juntas, visivelmente estupefato.
Afinal conhecia Westwick de seus tempos na Eton, conhecia a ruiva dos dias horríveis que repartiram no jornal, de todas as vezes que ela o tirou do sério e o acusou de coisas estúpidas apenas para vê-lo encrencado, conhecia de todos os dias em que ela estragou partidas de video-game devido sua insana ânsia por competição e vitória, de quando ela arremessou o celular de Harry na parede, ou de todas as vezes que quase bateu o carro por não saber que vez ou outra, é sim necessário e recomendado usar o freio.
De volta ao ensino médio Westwick era popular por sua sede de destruição e falta de temor a vida e Liam entendia que existia uma grande diferença entre ser popular e ser amado! era popular, Niall era amado.
A popularidade de era baseada no fato de que todo ser, com o mínimo de amor próprio, conhecia a capacidade da ruiva de aniquilar tudo a sua volta, portanto possuíam a convicção de que era errado arrumar qualquer problema com a menina
Entretanto em Cambridge, não era apenas popular, ela era amada! A frente da ruiva, não estavam apenas colegas que havia conhecido no campus, ali se encontravam seus súditos. E o pior de tudo era que a garota sabia disso e o poder havia subido sua cabeça, pois qualquer coisa que sugeria aos idiotas, eles não conseguiam se conter até realizar todos os desejos sórdidos da menina sem limites.
- Aqui as pessoas gostam da ?! - Payne não conseguia sair de seu estado perplexo.
- Pois é, Liam. Em Cambridge as pessoas são mais estúpidas do que em Londres. - deu de ombros, desinteressado na escarcéu que se passava na rua.
- E então Louis, o que acha disso? - o outro menino voltou-se para o moreno que manteve-se quieto durante todo o diálogo, fingindo que não entendia sobre o que eles conversavam.
- Eu não acho nada… - Tommo encolheu a cabeça entre os ombros.
Havia passado vinte minutos falando para os amigos sobre Angelique, observando as sobrancelhas arqueadas de que circundavam seus olhos azuis divertidos e a expressão condescendente de Payne que sabia que aquela empolgação duraria pelas próximas semanas e logo acabaria.
E após alçar vôo ao céu, onde o anjo de lábios vermelhos sorria para ele docemente, deixando-o em um estado de empolgação e bonança foi aflitivo despencar ao inferno dominado pelo demônio de cabelos vermelhos que ainda o fazia perder o fôlego apenas por poder mirá-la.
Louis ficou constrangido por ter tão perto dele, após ficar tão entusiasmado com a perspectiva de conhecer cada detalhe sobre Angelique. Seu interior era corrompido pela culpa, como se estivesse cometendo um crime, um grande pecado e por esta razão, não queria falar sobre Westwick, não queria ouvir seus gritos irritados que logo eram interrompidos por suas gargalhadas.
- E o que você acha que a vai achar da Angel? - Meester provocou, pronunciando o apelido da francesa de forma afetada, o que fez Liam sorrir de lado e Tomlinson fingir que não a ouvia.
- Vocês são idiotas. - sorriu forçado, sentindo que o celular vibrava no bolso e ao pegar o aparelho cresceu os olhos, dando um pulo, derrubando um pouco de sua cerveja no chão. - A Angelique me mandou uma mensagem! - gritou e tratou de respondê-la.
- Angelique… - repetia o nome que em sua opinião soava elegante. - Angel… - pensou agora no apelido curioso.
- O nome dela é tão bonito que eu não posso me privar de falá-lo por completo. - Tommo devaneou, sorrindo para a tela do celular ao perceber que já obtivera uma resposta da francesinha e nem notou a careta que Liam fazia. - Eu vou falar isso para ela! - acreditou ser uma ótima ideia e começou a redigir sua fala.
- Meu deus… - Payne negou com a cabeça, horrorizado com o estado do amigo. - Ele está pior que você quando conheceu o Max.
- Não fala do amor da minha vida! - Meester declarou com o dedo em riste.
- Eu pensei que o Finn era o amor da sua vida… - Louis comentou, ainda atento ao celular em suas mãos.
- Também… Os dois são. Eles só não sabem ainda. - a garota deu de ombros, apertando o sobretudo contra o corpo ao sentir uma rajada fria de vento.
- A e eu conversamos com o Finn hoje. - Liam sorriu, sabendo que aquilo irritaria sua amiga. - Ele é bom demais para você.
- Me deixa em paz. - a morena fez uma careta e rolou os olhos - Mas sabem de uma coisa. O Max é perfeito, sério, zero defeitos e isso me assusta, porque deve existir uma coisa muito errada com esse cara e eu ainda não sei o que é.
- A Angelique é perfeita. - Tomlinson falou e ignorou a bufada que Payne soltou - Sério! Ela não tem um defeito!
- Você nem conhece essa menina direito, Louis… - o outro rapaz até tentou colocar um pouco de juízo na cabeça do amigo, mas sabia que não adiantaria.
- As vezes eu fico pensando que o Max pode ser um psicopata. Porque ele é perfeito! - fez uma careta sofrida, abraçando o melhor amigo, obviamente frustrada com tanta perfeição que tinha que lidar toda vez que saía com o DJ.
- Se ele for mesmo um psicopata, você tem noção da alta probabilidade de ele te matar ao lado da minha casa! - Liam apenas externou a informação e riu ao mirar os olhos horrorizados da garota.
- O pior é que eu sei que você não serve nem para me salvar. - afastou-se do amigo, decidindo que abraçaria Tommo que guardava o celular no bolso.
- Hey olha ali! - o rapaz apontou para duas garotas que estavam prestes a entrar na casa - Aonde vocês duas estão indo?


-


estava suada e com calor. Apesar do inverno congelante castigar lá fora, dentro da casa, dançando por mais de uma hora, foi o suficiente para deixar seu corpo em chamas, suas bochechas vermelhas e anseio por ar fresco.
Ela e dançaram quase todas as músicas da playlist que fizeram mais cedo naquela semana, ainda faltavam três ou quatro mais antigas que definitivamente não eram uma opção para o DJ, mas estavam satisfeitas com o desenrolar dos fatos e o placar estava a favor da diversão, definitivamente.
- Eu estou com sede! - Styles gritou no ouvido de e apontou para a saída dali, segurando na mão da caçula para que não se perdessem. Antes, foi até a garota que segurava seu casaco azul e a agradeceu por cuidar de sua roupa, foi quando recebeu um sorriso surpreso porque ela não fazia ideia de quem era o casaco que segurava, só jogaram em seu colo e sumiram.
- Onde está todo mundo? - perguntou assim que se afastaram o bastante da música. Ela estava tão vermelha quanto a própria e seu cabelo estava todo arrepiado, mas estava feliz e isso era o bastante.
- Não sei! Deixa eu pegar uma água. Oi, com licença. - Cutucou um trio que estava entre ela e algumas garrafas de água mineral fechadas. - Eu só quero uma água. - explicou, simpática e o pessoal encarou as duas meninas e se afastou. - Obrigada!
- Eu não estou vendo ninguém. Imagina se eles foram embora e nos deixaram aqui. - Ortega conjeturou risonha enquanto abria uma garrafinha, brincando como se aquilo não fosse um problema gigante caso fosse verdade.
não respondeu porque estava com a cabeça virada, entornando uma garrafa de meio litro de água, em um só fôlego, desesperada. Só agora parecia se dar conta do quão seca sua boca estava, terminou a garrafinha e agora sua barriguinha pesava de tanta água que tomou.
- Vamos voltar? - princesinha propôs, torcendo internamente para que a próxima música fosse melhor do que aquela que estava tocando agora.
- Ah, eu queria procurar o Liam. Ou a , até mesmo meu primo. - passou a mão sobre a nuca, constatando que estava molhada.
- Tudo bem, vamos lá. - enganchou o braço no da amiga e elas saíram para fora da casa. - Sabia que uma vez eu sonhei que era uma borboleta e você era uma larva e eu te comia?
- Que nojo, !
- É sério! E aí eu fui pesquisar sobre a alimentação de borboletas, acontece que elas não comem larvas.
- Por que eu tenho que ser a larva? - Ortega choramingou.
sempre fazia isso, deixava ela com a boneca mais feia, a caneta mais sem graça, a sandália mais desconfortável. E o pior de tudo é que ela sempre se mostrava facilmente tapeável.
As meninas receberam uma rajada de ar gelado nos rostinhos maquiados quando saíram e se seguraram ainda mais forte para não serem levadas pelo vento. Já na calçada da irmandade, checaram seus celulares para ver se tinham alguma pista da localização de seus namorados e amigos, não necessariamente nessa ordem.
reconheceu a melhor amiga, , no meio da rua, rodeada por muita gente, gritando instruções e brigando com teimosos que avançavam uma linha imaginária ao seu redor.
- Olha a !
- Meu deus, o que ela está aprontando? - cerrou os olhos, esforçando-se para enxergar daquela distância, sem ânimo para se aproximar já que onde estava, dificilmente Liam estaria coexistindo em paz.
- Ao que parece, uma espécie de jogos mortais, sem a parte do mortal. - sabia porque era só o que tinha nos stories do instagram.
- Quer ir lá ver o que está acontecendo? - Ortega ofereceu por pura educação.
- Ahn… Não, se ela estiver com a metade da concentração que parece, não vai nem olhar na nossa cara.
- Graças a deus. Quer ir ali?
Apontou para a casa do outro lado da rua, mais movimentada ainda e uma surpresa agradável agora que a festa acontecia na rua e interligava as duas residências. Uma pena para os moradores das duas casas, que iam retornar dos feriados natalinos e encontrar seus dormitórios destruídos, mas melhorou e muito a noite de quem estava festejando.
Elas atravessaram a rua correndo e tiveram que esperar umas dez pessoas passarem pelo portão de ferro que separava os limites da casa, e quando o fizeram, quase trotaram de felicidade até a varanda, ignorando a maior parte do que acontecia por ali porque queriam calor e proteção, em especial porque o casaco de estava fazendo um ótimo trabalho.
- Aonde vocês duas estão indo? - uma voz familiar as interpelou, fazendo congelar a mão na maçaneta, assustada.
Ali na varandinha estavam Liam, Tommo e , segurando bebidas e encarando as caçulas com curiosidade. Louis abriu os braços para elas (na verdade só um porque Meester já estava do outro lado, roubando calor humano) e a Styles praticamente se jogou ali, para se esconder do frio, mas se manteve a uma curta distância, olhando para Liam, que também a fitava mas não dava o ar da graça.
- Será que a gente pode conversar? - ela solicitou uma audiência com o Sr. Mau Humor Que Dura Eternamente e Liam, como o cuzão que era, apenas acenou com um gesto rápido e segurou a mão dela, levando-os para fora dali.
- Ai, meu deus, como eles adoram criar drama em cima de nada. - revirou os olhos.
- Eles tinham brigado? - Louis coçou a cabeça, confuso. Conversou até agora com Liam e esteve tão absorto na garota francesa e sua repentina aparição e ainda mais súbito desaparecimento, que nem se deu ao trabalho de perguntar onde diabos esteve a namorada dele durante todo esse tempo.
- Eu sei que a estava chateada mas esperei ela se sentir a vontade pra me dizer e acabou que nem falamos sobre. - deu sua contribuição, procurando ao redor por Niall. - Vocês viram o meu namorado?
- Qual deles? - Meester questionou e Louis gargalhou. - Faz muito tempo que eu não vejo o Horan. Muito tempo, desde o início da festa.
- Lou?
- Eu acho que vi ele jogando beer pong. Acho. Podia ser ele ou não, eu não prestei atenção, meu coração foi roubado por um anjo perfeito. - Tomlinson suspirou totalmente dramático.
- O quê? - deixou o queixo cair. Por alguma razão imaginava que ele não estava falando de .
- Ele conheceu uma garota e agora está obcecado. - explicou, achando graça do estado mental de Louis.
- Ah, meu deus. - sentiu um frio no estômago. Ah, meu deus. - Eu vou até a . - mentiu.
Saiu quase em um estado de torpor, imaginando se sabia da novidade, provavelmente não porque estava lá fora toda feliz e no auge de sua arrogância fruto de sua inteligência e perspicácia. E também imaginava que ela não faria grande alarde sobre mas iria ficar de coração partido, ainda mais partido.
E se pudesse fazer algo para evitar essa dor, com certeza o faria. Mesmo que isso significasse sabotar Lou e essa garota francesa que estava se enfiando numa teia de aranha, na opinião de . Mas para tomar qualquer atitude, precisava de informações e Niall com certeza poderia lhe dar essas informações.
Só que primeiro teria de encontrá-lo.
Ligou para ele mas a ligação chamou até cair. Checou as mensagens deles mas fazia pelo menos uma hora desde a última vez que entrou no aplicativo, ainda sim deixou uma mensagem perguntando onde poderia encontrá-lo.
Acabou caminhando na direção oposta de e seus seguidores, em direção a onde o carro de Niall foi estacionado, sempre procurando por ele. O que diabos ele fez pela última hora para desaparecer assim?
Apertou o casaco azul contra seu corpo e sentiu as penas arrepiarem, arrependendo-se de se afastar tanto do epicentro da festa, porém obstinada demais para voltar agora. Iria até o carro, ver se estava lá, para começo de conversa e então pensaria no próximo passo.
O que você está aprontando, Niall Horan? Murmurou sozinha.
As pessoas começaram a notar aquela menina absurdamente linda, parecendo que acabou de sair de um sonho, transitando por ali sozinha e outros ainda a reconheciam do instagram e se surpreendiam com o fato de que aquela menina era mesmo real. Mas ela estava tão preocupada com o paradeiro de Niall que nem ligava para conhecidos que estavam por ali.
É claro que o jipe não estava estacionado onde eles desceram mais cedo, mas a menina não se sentiu menos aliviada por ter previsto esse resultado. Se fosse dada a xingamentos, teria usado todo o seu repertório ali, enquanto tentava novamente ligar para aquele filho da mãe.
Meu deus, ela ia matar Niall. Ia descobrir onde ele estava e depois ia matá-lo.
Enquanto fazia todas as suposições da vasta gama de possibilidades e cenários onde Horan poderiam estar, decidiu voltar, o mais rápido que podia, para a segurança dos amigos, e desistiu de procurar o namorado porque estava cansada de ficar atrás dele, exigindo explicações porque ele era um insensível que a tomava por idiota.
Mas os céus, pondo fim ao seu sofrimento e agonia, colocaram Niall no seu caminho, e ele não vinha só, Harry o acompanhava com as duas mãos dentro dos bolsos do casaco, os dois caminhavam rápido em sua direção e ele foi o primeiro a falar.
- O que você pensa que está fazendo aqui sozinha, garota?
A brutalidade do questionamento do irmão a atordoou. Não era fácil ficar abalada com o mal humor de Harry mas numa situação como aquela, em que seus nervos estavam a flor da pele, ficava difícil ter paciência.
- Onde vocês estavam? - ela cruzou os braços, encarando-os com o olhar mais gelado do que os ventos cortantes.
- Não é da sua conta! - Harry arregalou os olhos, pessoalmente ofendido com a audácia daquela pirralha, mais nova, querendo que ele desse conta de sua vida.
- Onde você estava, Niall? - ignorou a birra de Harry e derramou o olhar desconfiado em cima do namorado.
O garoto de cachos poderia não saber o que estava fazendo ali, mas Niall sabia. Ele sabia sobre o que aquilo se tratava, por isso deu um passo a frente e tentou pegar na mão da menina.
- … - fechou os olhos quando ela deliberadamente retraiu o braço.
- Ai, pelo amor de deus. - Styles soltou o ar, bravo, ao entender que entrou numa briga de casal.
O idiota do irlandês o fez acreditar que havia sumido, o que era um problema com p maiúsculo, e eles saíram procurando a menina, como dois idiotas, mas ao final de tudo era só um impasse de namorados. Niall era fora do sério, hein.
Harry marchou de volta a festa e foi logo atrás, se esforçando para acompanhar o ritmo do irmão, que obviamente não queria companhia, e os dois seguidos por Niall, que não era bem vindo igualmente.
- , por favor, dá pra você parar de correr de mim? - Horan pediu.
- Me deixa em paz. - andou ainda mais rápido.
Se ela gastou dez minutos para chegar até o antigo estacionamento do jipe, o trio mal humorado precisou da metade disso para voltar à civilização. Harry desapareceu dentro da casa, fugindo desesperado do diálogo entre a irmã e o cunhado que consistia basicamente em ", fala comigo" e "Me deixa em paz, Niall".
Na calçada, quando Harry se livrou dela, parou de caminhar bruscamente, ocasionando um tropeção desajeitado contra Niall. Ele xingou e ela o empurrou com as duas mãos.
- Eu posso saber o que diabos eu fiz pra você estar desse jeito? - ele apontou para a cara vermelha dela.
- Claro que sim, quando você me disser aonde estava! - sorriu mas não havia uma gota de simpatia em seu rosto. - E cadê o carro? Onde você colocou ele? Por que eu te liguei e você não me atendeu? Com quem você estava?
- Com os meus amigos! - Niall arreganhou os braços, frustrado. - O que você foi fazer sozinha atrás do carro?
- Eu fui atrás de você! - gritou a resposta que era muito óbvia de seu ponto de vista.
- Atrás de mim? Por que você achou que eu estaria no carro estacionado? - o rapaz juntou as sobrancelhas.
A mágoa nos olhos da namorada cortaram seu coração, enchendo-o de um mal pressentimento. A menina hesitou por um instante, e por uma fração de segundos seus olhos verdes fitaram o chão, como se ela estivesse com vergonha do que ia dizer.
- Porque era onde você estava quando nós queríamos fugir da April.
- E o que isso tem a ver com você e comigo?
- Eu não sei, eu…
- Você percebeu como conseguiu estragar todos os momentos legais que nós tivemos ultimamente?
- Bem, se isso está acontecendo a culpa é sua.
- Minha? É você quem fica obcecada com cada passo meu e surta se eu desviar um passo da linha que você planejou!
- Eu não precisaria me preocupar com isso se você inspirasse um pouco de confiança! Mas não, você fica agindo como se fosse um virtuoso, perfeito e bom quando todo mundo sabe o que você fez pra chegar até aqui.
- Eu não traí sozinho, .
Niall mal terminou de dizer as horríveis palavras e os olhos de ficaram límpidos e úmidos e ela tremeu os lábios, lutando contra a humilhante vontade de chorar que enchia sua garganta e pressionava seu peito. Mas desconsolada, cansou de travar uma luta com seus sentimentos e deixou que as primeiras lágrimas manchassem seu rosto quando ela estremeceu de raiva, admitindo a derrota.
Odiava estar chorando em público porque Niall, o seu namorado, a levara a tal extremo. O odiava profundamente e estava brava demais para sequer ter a boa vontade de enxugar as lágrimas e fingir que nada aconteceu, em nome de sua própria felicidade.
- Eu não consigo entender a sua fixação, juro por deus que eu tento, mas não tem como entender como nós estamos nos divertindo e do nada você é acometida por essa ameaça repentina de que eu estou te traindo com cada garota de Londres.
- Não seria a primeira vez que você faria isso!
- Supera, ! Você precisa superar, faz anos que aconteceu, já passou e você não consegue superar!
- Como eu vou conseguir deixar pra lá se eu não consigo nem saber quando você está mentindo? Você mentiu por um ano pra mim, sobre aquela aposta ridícula, e eu nunca desconfiei. Você já mentia antes de ficar comigo, mentiu pra mim, e eu não sei porque achei que comigo seria diferente…
- Eu fico tão puto quando você começa com essa sua ladainha sem motivos. Eu nunca, em nenhuma hipótese, nem sinto a vontade de olhar pra outra garota que não seja você. É ridículo você me acusar e agir o tempo todo como se eu fosse cometer uma atrocidade. Qual é o sentido de ficarmos juntos se você não confia em mim?
- Às vezes eu me pergunto a mesma coisa…
- Você não pode estar falando sério! Caralho. Você pode, por favor, parar de chorar? Eu estou me sentindo mal aqui. - Niall estendeu a mão para secar as lágrimas dela, constrangido com as pessoas que passavam olhando para eles.
- Não me toca! - princesinha deu um tapa na mão dele, proibindo-o de encostar nela.
- , por favor. - ele pediu, desesperado porque o choro dela aumentou ainda mais.
- Eu falei pra você não me tocar. - recuou e ergueu o dedo indicador na direção dele, olhando para o lado em seguida, magoada demais para sequer olhá-lo nos olhos. - Eu quero ir pra casa.
- Tudo bem, eu vou só ver se a avisou na portaria que nós vamos pra lá. - Niall concordou, solícito. Na verdade, ele pensou, ia só mandar uma mensagem para Westwick, ela estava sempre conectada mesmo.
- Não, eu quero ir pra minha casa.
- Em Londres? - Horan ficou de queixo caído. - , eu não vou dirigir de volta pra Londres! Está tarde, eu bebi, não faz sentido nós não irmos pro apartamento da descansar.
- Eu quero ir pra minha casa, agora. - repetiu, mimada.
Niall respirou fundo. Se tivesse uma blitz na estrada, ele ia perder o carro, com certeza. Não estava bêbado mas nem fodendo passaria no teste do bafômetro. Em contrapartida, ele preferia passar a noite numa cela de cadeia, o que não ia acontecer, a contrariar o único desejo da garota.
Estava com dor de cabeça por causa da discussão e suas costas estavam cansadas de tanto dirigir para lá e para cá com o pessoal que saía para comprar bebida, tinha certeza que em algum momento distendeu um músculo do pescoço porque agora que estava estressado doía como o inferno, mas ele tomou a decisão mais sábia da noite, guardou o celular no bolso e pegou a chave do carro.
- Vamos embora.


-


- Pra onde nós estamos indo? - perguntou a medida em que deixavam os amigos lá atrás e se afastavam, para um lugar aquecido, ela esperava.
- Eu não sei, você queria falar comigo e eu imagino que não queria que o Louis e a participassem. - Liam explicou.
Olhou para baixo, analisando o quão frio estava para Ortega, que estava prestes a quebrar o maxilar, de tão tenso que estava, e abraçava o braço dele com toda a força de vontade do mundo, se apossando daquela pequena fonte de calor como se estivesse à beira da morte.
- Jesus, . Vamos entrar lá antes que você morra congelada. - ele disse e passou os braços ao redor dela, praticamente a empurrando para dentro de casa, com medo de que a menina pegasse um resfriado ou morresse e Amina o culpasse eternamente.
- Ah, que quentinho aqui! - gemeu de prazer quando eles fecharam a porta e viram que estavam protegidos do inverno ali. Voltaram para onde ela e estiveram dançando mas dessa vez ocuparam um sofazinho verde escuro fedendo a cerveja e furado com bitucas de cigarro.
Liam coçou o nariz e ficou olhando para , esperando que ela falasse, mas tudo o que via era a namorada distraída com uma garota que dançava muito bem e exibia seu talento.
parecia hipnotizada, os lábios levemente entreabertos e os olhos curiosos confirmavam seu estado.
Orteguinha percebeu que perdeu-se do seu objetivo e piscou forte, despertando do transe e prestando atenção em Liam, que olhava para ela com um sorrisinho cerrado. Ai, deus, ela queria beijá-lo! Mas tinha que pedir desculpas primeiro porque era o certo a se fazer.
Ou talvez o beijo fosse um bom pedido de desculpas.
O que você está falando? Respondeu a si mesma e sua consciência pareceu dar de ombros, considerando qualquer tentativa válida.
E apesar de tentar ser uma boa garota e cumprir sua meta que era se desculpar por ter descontado nele as frustrações com sua mãe, a beleza do rosto do namorado venceu e ela se colocou de joelhos e apoiou as mãos nos ombros de Payne para não desequilibrar e cair de cara no colo dele, e finalmente, com todo o prazer do mundo, o beijou.
E Liam, sendo perfeito como era, não recusou o beijo, muito pelo contrário, ignorou a vozinha em sua cabeça lembrando-o porquê estavam ali, e puxou a namorada para se acomodar em seu colo com cuidado, aproveitando seus lábios como se fossem o paraíso.
- Agora vai. - ela murmurou sozinha, bem humorada.
- Vai o quê? - Payne franziu o cenho.
- Meu pedido de desculpa.
- Ah, eu pensei que esse era o seu pedido de desculpa. - ele se referiu ao beijo que veio como uma surpresa considerando que ele pensava até então que estavam brigados.
- Não era, mas pode muito bem ser. - comentou satisfeita por ter matado dois coelhos com uma só cajadada.
- Ah, não. Eu prefiro palavras, pode falar. - Liam discordou do roteiro dela e exigiu uma retratação. O que ele não esperava é que ela de fato queria falar, e ele se sentiu um pouco envergonhado quando começou.
- Eu sinto muito por ter sido rude com você mais cedo, sinto mesmo. - Ortega empurrou o cabelo para trás da orelha, séria, pensando se deveria ou não contar para Liam o que sua mãe disse exatamente. - A minha mãe tem sido muito difícil em relação a nós e eu honestamente não sei como lidar com a resistência dela.
Liam achava que se fosse mais firme com Amina, a mulher respeitaria sua vontade, mas ele também se recusava a incentivá-la a criar uma intriga com a própria mãe. Estava claro que a menina a adorava e se encontrava em grande aflição porque não encontrava o ponto de equilíbrio em tudo isso.
Entrelaçou a mão na dela e apoiou o queixo em seu ombro, investindo alguns segundos apenas em aproveitar o momento.
- Você está perdoada dessa vez, Ortega. Mas eu não responderei por mim se acontecer de novo, eu posso começar a chorar desesperadamente e você vai ficar impressionada com o quão feia a minha cara fica quando eu choro.
- Você chora? - arregalou os olhos. Aquilo sim era interessante!
- Nunca. - ele negou e beijou o ombro dela sobre a jaqueta jeans.
- Eu nunca vi você chorar. - refletiu, descansando contra o peito dele, buscando em suas memórias alguma ocasião envolvendo Liam e lágrimas de Liam.
- Eu sou um homem difícil. - o idiota disse e não se aguentou e riu, gargalhou, da afirmação e da forma afetada como a frase soou.
- Um homem! - ela repetiu e caiu na risada de novo, arrastando Liam junto, que ria da risada dela e também, uma pequena parcela, de felicidade porque tudo estava bem, ele amava uma garota incrível.


-


Louis havia decido que procuraria por Angel e convidou para ir conhecê-la, mas como a morena sabia que o amigo animava-se com toda e qualquer perspectiva de novidade não se mostrou interessada naquela aventura. O que suscitou em o rapaz sair atrás de seu anjo francês, enquanto a garota adentrava a casa pois não aguentava mais passar frio naquela varanda.
Meester estava sentada na escadaria que levava para o andar superior, com os cotovelos apoiados no degrau de cima, as pernas esticadas despreocupadamente, batendo os pés um contra o outro no ritmo da música, adorando o fato de as luzes coloridas refletirem em seu all star branco. Movia a cabeça de um lado para o outro, sentindo o aroma que emanava de seu cabelo, conforme os fios se eriçavam e na boca o pirulito que havia lhe dado.
O fluxo de pessoas que passava por ela, subindo ou descendo as escadas não cessava e também não lhe prendia a atenção já que seu tênis eram muito mais interessantes. Todavia, notou que alguém que passou por ela, a caminho do primeiro andar logo voltou na direção dela, sentando ao seu lado.
Ao levantar a cabeça encontrou Harry, sustentando um sorriso irritante. E o que mais irritou foi o fato de notar que os cabelos do rapaz estavam mais compridos que da última vez que o viu, que ele mantinha o mesmo perfume que algumas vezes já ficara impregnado nela e em suas roupas, que a covinha que se formava em suas bochechas ao sorrir continuava perfeita e que seu interesse por anéis havia aumentado já que só na mão direita, a única que a morena conseguia observar, o menino sustentava três joias.
- Eu conheci o seu novo amigo. - o moreno disse, também apoiando os cotovelos no degrau de cima. - Ele parece ser legal.
O cenho de Meester manteve-se levemente franzido e o garoto não sabia se julgar se ela fazia aquilo por não saber a quem ele se referia ou apenas para afugentá-lo.
- O Finn. - esclareceu, percebendo a expressão inalterável dela - Ele estava conversando com o Liam e a quando eu cheguei. - não sabia porque, mas esperava que a menina expressasse alguma reação, mesmo tendo certeza que ela permaneceria calada e imutável apenas para levá-lo a loucura. - Ele é bem inteligente... - falava a primeira coisa que lhe vinha a mente, ainda aguardando que ela demonstrasse uma mínima reação que fosse. - e educado.
finalmente respondeu ao discurso desagradável de Styles com um rolar de olhos, voltando a fitar seus tênis brancos tomarem cor de acordo com o show de luzes que rolavam pela casa.
- Pelo o que ele falou deu para entender que vocês estão passando bastante tempo juntos. - a ouviu suspirar pesadamente - E apesar de tudo isso eu não fico com ciúme. - declarou, cerrando os lábios ao vê-la voltar o rosto lentamente para ele.
Suas sobrancelhas juntas, cenho franzido, olhos descrentes, demonstravam que estava chocada com a audácia daquele filho da puta de lhe dirigir tais palavras.
- Porque eu sei que o que nós tivemos foi diferente. - Harry concluiu sua fala, vendo-a gargalhar incrédula.
- Você tem razão. - se pronunciou pela primeira vez, mantendo os olhos fixos em seus tênis - É diferente. Porque com o Finn é melhor.
Foi a vez de Styles rir incrédulo, jogando a cabeça para trás, fazendo seus cachos sedosos dançaram de um lado para o outro e suas covinhas marcarem em suas respectivas bochechas.
- Não precisa mentir só para me provocar, meu bem.
- Argh. - a morena resmungou entredentes, mordendo o pirulito que não tinha nada a ver com a discussão que ocorria, mas era a forma mais eficiente de se livrar de sua raiva.
Era morder o pirulito ou agredir Harry. E não se mostraria tão afetada diante palavras infantis e desesperadas por atenção.
- Eu sei que você sente minha falta, . - o rapaz continuou seu discurso desagradável e a garota lhe voltou seus olhos azuis faiscantes de antipatia para encará-lo. - E eu sei disso porque eu também sinto sua falta.
Meester não se alterou diante a declaração sincera do moreno pois meras palavras não curam um coração partido e apesar de ele estar certo em afirmar que a menina sentia sua falta, não tinha certeza se queria participar daquele jogo de palavras, pois sabia que não seria a vencedora.
Styles conhecia a garota o suficiente para saber que mesmo que seu discurso surtisse algum efeito, se manteria inabalável. E mesmo que soubesse que ela apenas de protegia de sua investidas, e com razão já que o rapaz foi o responsável por causar-lhe tantos infortúnios, era difícil não se deixar intimidar por seus olhos perscrutadores e sua expressão apática.
- Eu ainda sinto sua falta. Muito! - sorriu sem humor, aproximando-se dela pois duas meninas tentavam subir as escadas lado a lado, mesmo notando que aquele feito era impossível! - A cada dia minhas esperanças de redenção ficam mais distantes, enquanto a saudade aumenta gradativamente. E eu não sei como lidar com isso, porque você é uma pessoa difícil e não importa se eu mover montanhas, você não vai acreditar em mim. - falava tudo o que tinha roteirizado nos últimos meses, todavia, notava que sua fala não era pronunciada na ordem que havia esquematizado e como consequência ficava afobado pois se estragasse aquela oportunidade não sabia quando seria a próxima. - Essa sua cara - colocou o dedo em riste frente aos olhos da morena que ficou vesga encarando-o tão de perto - me deixa desesperado e o pior de tudo é que mesmo que eu consiga te convencer você não vai ceder, só para me torturar. Porque é isso o que você faz! Você tenta ser…
- Vamos transar.
- O quê? - Harry cresceu os olhos chocados, não acreditando no que havia ouvido. - Você está bêbada? - aproximou-se para aspirar algum resquício de álcool e além de não sentir nada foi empurrado para longe pela testa.
- Não chega perto de mim.
- Então, como você pretende ter relações sexuais comigo, meu bem?! - questionou, sustentando um sorriso irônico.
- Eu não estou bêbada, você não precisa se preocupar em tirar vantagem de mim. Eu sei o que estou fazendo.
Ou não. Pensou apreensiva.
- Eu também não estou bêbado. - o garoto acreditou que fosse importante deixar aquele fato esclarecido.
- Então é isso. Somos apenas duas pessoas sóbrias que desejam fazer uma estupidez.- concluiu, cerrando os olhos.
- Eu não desejo nada. - defendeu-se, elevando as mãos em rendição - Foi você quem sugeriu!
- Ah, então você não quer?!
- É claro que eu quero, ficou louca?! - juntou as sobrancelhas como se ouvisse uma atrocidade absurda - Mas só estou tentando fazer você entender que a ideia partiu de você e eu fui apenas o veículo utilizado para você concluir seu desejo. - falava apontando de um para o outro.
- Você está começando a me irritar e eu vou procurar outra "veículo" para concluir meu desejo. - tomou impulso para levantar-se, todavia ele a impediu, segurando sua mão.
- Não assim, meu bem. - rolou os olhos, parecendo emburrado.
- Então, vamos?
- Para onde?
- Para o meu apartamento! - falou como se fosse óbvio - Você ficou mais estúpido nesses últimos meses?
- Sim. - levantou-se, puxando-a consigo - E você ficou mais insuportável.
25 minutos depois, já no apartamento de e :
- Nós precisamos definir umas coisas primeiro. - Meester disse retirando o casaco e pendurando-o no cabideiro no hall de entrada, assistindo Styles espelha-la, encarando-a com atenção. - Isso não muda nada entre nós.
- Não achei que mudaria. - deu um passo em direção a ela
- Eu ainda odeio você
- Podemos mudar isso. - mais um passo.
- Assim que terminarmos você vai embora.
Confirmou com a cabeça, já em frente a morena. Entrelaçou seus dedos aos delas e levou sua mão pequena até os próprios lábios avermelhados, depositando um beijo saudoso no dorso. Fechou os olhos e beijou-o novamente, pois o que mais sentia falta era dos detalhes, pequenas ocasiões e lembranças, consideradas por muitos como irrelevantes, mas para Harry era o significado dos bons momentos que passaram juntos. E tais recordações eram tudo o que tinha.
Pegou uma mecha dos cabelos curtos da menina, enrolando as pontas pelos dedos, sentindo a textura conhecida e maciez irrevogável. Aproximou-se a fim de aspirar o perfume que os fios emanavam, clamando para que ainda possuíssem o mesmo aroma que conhecia, e qual não foi sua felicidade ao constatar que o cheiro ainda estava ali. Sorriu contente, afundando-se nos cabelos negros.
Segurou o rosto da garota entre as mãos, mirando cada detalhe, ali encontrado, com devoção. Venerando a imagem bela a sua frente, as maçãs do rosto proeminentes, os lindos olhos perscrutadores, atentos a tudo o que o rapaz fazia, adornados pelos cílios e moldados por sobrancelhas escuras, o nariz perfeito, os lábios rosados, o queixo e o maxilar marcado.
Harry deixou-se hipnotizar pela sensação de ter a pele dela sobre a sua e fechou os olhos ao beijar as bochechas de , sendo devorado pelo seu perfume e seu calor. Segurou os cabelos dela com uma mão e submergiu na curva de seu pescoço, sentindo-a arrepiar-se diante de sua proximidade e de seus beijos, sorrindo nostálgico e alegre ao compreender que Meester ainda estremecia a seu toque, assim como ele era sensível perante o toque dela.
Colocou ambas as mãos da morena em seu rosto, aconchegando-se aquele contato que conhecia, mas não recordava-se exatamente como era. Sabia que as pontas dos dedos de eram frios e que a palma de sua mão era quente, lembrava-se que suas mãos eram macias e que deus dedos eram finos, mas não recordava que aquele toque era capaz de tranquilizá-lo por completo, era capaz de afugentar todos seus demônios e apaziguar seu coração.
E o garoto apenas mirou aqueles olhos azuis por longos segundos, ainda segurando as mãos dela contra suas bochechas. A menina que sentia-se adorada como uma criatura celeste não tinha certeza de como agir ou do que fazer em seguida, pois não era sua intenção atrapalhar o culto que Styles prestava a ela, todavia começava a sentir-se constrangida diante o olhar intenso que o rapaz a lançava.
Decidiu por fim aproximar seus lábios dos dele e Harry soltou as mãos dela por um instante a fim mergulhar os dedos nos cabelos de , contudo a garota também retirou suas mãos do rosto do rapaz que ao sentir a falta do toque daquelas mãos pequenas, logo as segurou novamente colocando-as em seus rosto.
Seus lábios finalmente foram selados e o menino desmanchou-se sobre a língua quente da morena que acariciava a sua com zelo, cuidado e desejo. Suas mãos grandes apertavam os ombros dela, seus braços, sua cintura, seu quadril, subiam e desciam por suas costas, ávidas por senti-la por completo e inteiramente. Abraçou o corpo de contra o seu, sorrindo feliz por notar que ele ainda se encaixava perfeitamente ao seu, e beijou o maxilar dela, descendo para seu pescoço, suas clavículas marcadas e expostas, beijou o queixo da garota e o canto de lábios, assistindo-a suspirar pesadamente.
- Tem mais uma coisa. - Meester conseguiu dizer apoiando a cabeça no ombro do rapaz - Isso não pode acontecer de novo. - tentava não expressar sua tristeza ao revelar a verdade que ambos conheciam, no entanto não queriam encarar.
- Você sabe que isso precisa acontecer de novo, meu bem. - Harry falou em seu ouvido, acariciando os cabelos escuros dela e a pegou no colo, levando-a até seu quarto.
40 minutos depois:
Harry já havia ido embora.
Mas havia deixado para trás seu perfume nos lençóis e uma lembrança que perseguiria por dias, talvez até mesmo semanas.
Naquele momento, deitada em seu colchão que não parecia mais confortável como minutos antes quando era repartido com Styles, a garota recordava-se de suas mãos entrelaçadas enquanto ele a beijava e como o rapaz ficava sem ar, lembrava-se de acariciar aqueles cachos que agora estavam mais compridos e da língua dele a enlouquecendo, recordava de como suspirava pesadamente quando ele a penetrava e como levava uma parte dela consigo a cada momento que saía.
Aquela foi uma péssima ideia, mas estaria mentindo se não assumisse que não via a hora de cometer aquele erro mais um vez.

Capítulo 6

Zayn disse: "Não quero fazer nada no meu aniversário" e para sua surpresa, todos anuíram desinteressados. Até , que nunca deixava a data passar em branco, só mandou uma mensagem desejando o mais feliz dos aniversários e algumas frases extremamente genéricas, e Liam foi quem explicou que a menina estava apenas cumprindo os desejos do primo, via FaceTime, antes de desejar um feliz aniversário em meio a um bocejo e perguntou se Malik tinha certeza que não queria fazer nada.
O aniversariante garantiu que não e encerrou a ligação. Aquele comportamento dos seus amigos era muito estranho. E o que poderia ser motivo para uma mágoa duradoura logo foi perdoado porque Zayn tinha planos para comemorar seu aniversário e parte desse plano estava a caminho de Londres para Oxford, onde ele se juntaria à ela na estação de trem e eles seguiriam caminho ao destino preparado por sua leal companheira.
Duas horas depois:
- Sabe o que eu amo sobre janeiro? - suspirou satisfeita, apreciando a brisa fresca e surpreendentemente morna que soprou em seu rosto quando desceram do táxi que os trouxe da estação de trem para a Oxford Street, em Whitstable, costa praiana do país há uma hora de distância da capital.
- O fato de que é o mês do meu aniversário? - o moreno sugeriu com um sorrisinho convencido ao mesmo tempo em que a garota balançou a cabeça e revirou os olhos castanhos que ficavam pelo menos dois tons mais claros quando o sol refletia contra o rosto pálido dela.
- Não, a bênção de poder ver o sol novamente depois de meses de sombras e terror.
Foi a vez de Malik revirar os olhos.
- Meu deus, , é só inverno. - zombou da afirmação dramática e intensa de sua acompanhante. Não podia conceber a ideia de pessoas que nasceram naquele país permanecessem suas vidas inteiras reclamando do frio.
No dia em que ele mesmo cansasse de chuva e frio, iria colocar suas coisas numa malinha de mão e se mandar para o Havaí.
- Só inverno? É um reinado de terror! - nem pode conter a revolta em sua voz! Vai ver o garoto vivia chapado demais para ter noção de estações e ela não podia discutir com alguém assim. - Você sabe que o inverno é o maior vilão de Game of Thrones, não é? - perguntou meio distraída porque estava checando se estavam no endereço certo, olhando para as fachadas das pequenas lojinhas daquela cidade a beira-mar.
- Duvido muito. Eu acho que no fim das contas as traições daquele povo é o problema todo. - Zayn fez pouco caso da trama já que nem se um caminhante branco aparecesse ali na sua frente ele ficaria tão impactado como estava com o fato de que entrelaçou o braço no seu para atravessarem a rua.
Se arrependeu imediatamente de manter as mãos dentro do bolso canguru do seu moletom amarelo porque tinha certeza de que suas mãos estivessem disponíveis ele teria ainda mais sorte do que apenas estar de braços dados com o amor da sua vida. Há quanto tempo a mão dela não se unia à sua e o levava àquele estado de felicidade doméstica que costumava circundar o relacionamento deles.
- Claro que não! Todo mundo sabe que o inverno está chegando, Malik! - deu um tapinha no braço dele, entretida com a busca pelo bendito Café, que de acordo com o mapa
- Sabe o que nunca chega? Esse lugar onde você quer me levar. - o moreno pontuou com um olhar enviesado. Não era por nada mas a caminhadinha sem rumo estava cansando seus delicados pulmões, as pessoas pareciam não se dar conta de que respirar podia ser muito cansativo.
É verdade que quando a garota propôs a pequena viagem, Zayn só precisou compreender que iriam só os dois para aceitar, sem sequer saber em que tipo de empreitada estava se metendo.
Hilton o olhou de canto de olho:
- Nós já estamos chegando. - disse como se estivesse explicando um conceito complicado à uma criança teimosa.
- Você vai me vender para usarem meus órgãos? - Zayn questionou com um sorriso divertido.
- Hoje não. - foi a resposta da garota.
Eles caminharam mais uns três minutos em ritmo acelerado, ao menos na concepção de Zayn, e o fato de ficar intercalando entre olhar profundamente para o mapa em seu celular e as fachadas das lojas, não ajudava muito no cenário que a cabeça paranóica dele, que imaginava o seu pior pesadelo se concretizando: a qualquer momento todos os seus amigos pulariam de dentro de alguma dessas lojinhas e ele seria obrigado a comemorar o seu aniversário e fingir que gostou da surpresa.
A mera conjetura deste cenário deixou Zayn nauseado.
- Desculpa, mas parece que você não tem ideia de para onde nós vamos. - ele comentou como quem não queria nada, mas para sua surpresa, eles pararam de andar (finalmente!) e apontou para a fachada de um cafézinho interessante.
- Chegamos. - sorria vitoriosa.
Zayn deu uma boa olhada no lugar e concluiu que aquela demora toda valeu a pena porque de onde estavam, poderiam comer ao som das ondas do mar acabando suavemente na areia negra, abençoados por aqueles sons de paz e tranquilidade.
- Ahhh, legal!
- Mas nós não vamos parar por aqui! - empurrou a porta de madeira e entrou no ambiente aquecido que cheirava como se escondesse todas as delícias do mundo ali dentro. - Vamos só pegar um café e eu tenho que te levar em um lugar. - ela explicou e caminhou até o balcão.
Zayn a seguiu, interessado.
- Um lugar, é? - apoiou os cotovelos sobre o balcão.
- Sim.
- E depois?
- E depois nós podemos dar uma volta na praia antes do almoço.
- E depois?
- E depois nós podemos ir para um pub beber até anoitecer. - explicou e Zayn acenou satisfeito. Na falta de uma réplica, foi a vez dela sorrir e questionar: - Não vai querer saber o que vem depois?
- Nada de bom pode vir depois de uma tarde bebendo, Hilton. - ele sorriu diabólico. - Ninguém nunca te falou isso?
O olhar cortante de Zayn fez concentrar toda a sua atenção no cardápio em suas mãos, evitando que ele visse como seu comentário ambíguo causou um sério problema de bochechas vermelhas e um arrepio na nuca somados a um ardoroso desejo de beijar aqueles lábios pecadores.
Meia hora depois eles estavam no misterioso lugar do qual tanto falou enquanto caminhavam até lá, dando a impressão de que aquele passeio foi mais planejado para ela do que para o aniversariante do mês, a razão pelo qual eles estavam dando aquele rolê todo. Mas Zayn não estava achando nenhum pouco ruim, de verdade. Só os olhares das pessoas, jurando que eles eram um jovem casal aproveitando o dia ensolarado, fazia o passeio valer a pena, e ele tinha que admitir que aquele cafezinho servido em copos biodegradáveis e por isto duas vezes mais caro que um café comum, era mesmo delicioso.
Era uma pequena galeria de artes local que não permitia a entrada com alimentos e por isso a dupla perdeu dez minutos lá fora, terminando a bebida antes de finalmente serem liberados.
- Você não acha que quanto mais a gente se aproxima do mar, mais forte o cheiro de peixe fica? - Malik perguntou, com as mãos atrás do corpo, aguardando os crachás de visitantes deles.
- Eu só consigo sentir o cheiro do meu latte descafeinado. - deu de ombros discretamente, pegou os crachás e agradeceu ao funcionário. - Toma seu crachá. - estendeu o objeto à Malik, que pegou sem nem se dar ao trabalho de agradecer-lhe pela gentileza.
- Você viu que eles têm uma exposição de coisas encontradas no fundo do mar? - Zayn enfiou aquela coisa no pescoço e encaminhou-se em direção à tal exposição, mas foi impedido por .
- Não vamos começar por aí! - ela explicou, puxando-o pela manga do moletom, ansiosa para chegarem logo aonde importava.
- Por quê não? Eu quero ver o que tem de interessante ali e a gente já está aqui então não tem porque não olharmos, . - argumentou enquanto seguiam com pressa demais para quem tinha o dia inteiro livre.
- E nós vamos ver, mas depois que visitarmos essa exposição. - disse e entrou na ampla galeria, muito moderna e contemporânea, mas que não parecia explicar a urgência dela em estarem ali naquele exato momento.
- , você não está aprontado nada, não é? - Zayn cerrou os olhos, com o seu sentido aranha ativado. O que ela estava planejando?
- Do que você está falando, Zayn? - também cerrou os olhos, desconfiada.
- Se sair um monte de gente de trás de alguma dessas portas, eu vou embora. - ele ameaçou, procurando por pistas de uma possível festinha combinada. Não era possível esconder por tanto tempo assim, se o pessoal estava ali, logo ele descobriria.
- Ahhh, você está falando disso? - riu, visivelmente aliviada, voltando a olhar os quadros e suas plaquinhas de metal com explicações sucintas como o nome do artista, ano que foi feito e o nome da obra.
- Do que você pensou que eu estava falando?
- Do seu quadro que eu emprestei pra essa exposição.
- O quê? - Malik parou de andar.
acabou parando também e por uma fração de segundo, pensou que talvez a sua grande surpresa fosse uma péssima ideia e o que era para ser um dia perfeito em homenagem ao aniversariante, acabasse em uma grande tragédia para ela, que de alguma maneira poderia ter ofendido Zayn.
Dito isto, ela começou a falar em um só fôlego:
- Eu fiquei sabendo que eles iam fazer uma exposição de trabalhos de amadores e eu tinha aquela pintura linda que você fez na minha casa, então pensei que seria um bom presente de aniversário para você, ver o seu trabalho exposto para os amantes da arte.
O garoto se aproximou do quadro onde estava e reconheceu a pintura, fruto de suas mãos, feita numa noite de outono no quintal da casa Hilton, enquanto deixava Kelso destruir um brinquedo novo em formato de sapatos que o bobinho jurava que eram sapatos de verdade.
Ele nem sabia que ela havia guardado aquilo e a compreensão de que teve a dedicação de manter a pintura a salvo e procurou uma galeria que aceitasse o seu trabalho amador (ele sempre reconheceu que apesar de gostar de pintar, jamais avançaria no âmbito profissional da coisa, não enquanto gostasse de usar seus sprays para ameaçar Niall e Louis a fazerem o que ele queria) apenas porque era o seu aniversário.
Uma centelha espalhou-se por seu peito e ele soube naquele momento que jamais poderia, nem se quisesse, não amar Hilton.
- Essa foi a coisa mais legal que alguém fez pra mim, . - Zayn disse por fim, ainda atônito com a surpresa. - Uau. - aproximou-se do quadro exposto como se fosse uma obra de arte de preço incalculável. Sorriu ao ver seu nome como o artista e encheu-se de um orgulho bobo e incrivelmente puro.
, testemunhando a comoção de Malik, apesar de não transparecer nada além de um sorrisinho tímido, soube que ele estava feliz e permitiu-se ser tomada por satisfação pela missão cumprida com sucesso, e foi surpreendida quando o rapaz a abraçou forte e murmurou um "Obrigado." em seu ouvido.
O restante do dia foi tão bom quanto os dois poderiam desejar e o humor de Zayn esteve consideravelmente mais suave pelas horas que se seguiram. Almoçaram lagostas recém pescadas e depois cumpriram a risca a promessa de só sair do pub quando não conseguissem mais se equilibrar em um pé só. Conversaram sobre tudo e riram do nada, compartilharam sonhos e projetos e ao final da viagem, quando separaram seus caminhos e foram para suas casas, os dois tiveram que lidar com a amarga sensação de dizer adeus, mesmo que momentaneamente.


ooo


Promessas sem fundamento.
precisava parar de fazer promessas sem fundamento!
Antes do recesso de fim de ano, havia prometido a si que iniciaria o maldito projeto semestral que correspondia a ⅓ de sua nota. Os feriados passaram, o novo ano iniciou, e no decorrer da primeira quinzena do mês de Janeiro, Meester não tocou em um livro sequer, não procurou por nenhum artigo e também não conversou com o professor responsável por orientá-la durante a confecção do trabalho. Agora, sentada à mesa de estudo, surtava por não saber exatamente por onde começar.
A noite de sábado estava fria, a morena sabia disso por encarar a paisagem de sua janela. Ao lado de seu notebook e de dois livros abertos em um conteúdo que ela não sabia julgar se era útil ou não, uma xícara de chá repousava sobre um píres e exalava o aroma da camomila pelo quarto. O apartamento se encontrava no mais absoluto silêncio e aquele evento inesperado, apenas era possível pois havia saído para jantar com alguns colegas de turma.
digitava o primeiro parágrafo de seu projeto pela quinta vez e o apagava novamente, suspirando pesadamente e voltando a ler o tópico de um dos livros para tentar colocar as ideias em ordem.
Espreguiçou-se preguiçosamente e ouviu seu celular tocando, em cima da cama, levantou-se da cadeira, apressada e pulou sobre o colchão, sorrido ao fitar o contato na tela.
- Oi! - disse ainda sorrindo.
- Oi! Lembra que ontem você me falou que queria comer sushi? - a voz grave de Max foi ouvida do outro lado da linha. - Ainda está com vontade?
Meester conversava com o DJ na noite anterior e revelara a ele seu desejo, todavia o rapaz estava trabalhando em outra cidade e não pode acompanha-la no jantar. Ela então ligou para Flinn que apareceu no restaurante japonês, sorridente e gentil com um casaco verde e um gorro na cabeça, escondendo os cachos dourados.
- Eu sempre estou com vontade de comer sushi! - cruzou os braços, acreditando que aquela resposta era melhor que revelar o passeio da noite anterior.
- Bem, eu estou dentro do carro, estacionado na frente do seu prédio, com um sacola de sushi ao lado e com medo de sair porque está muito frio. - falava, limpando o vidro embaçado de sua porta.
- Meu deus, você salvou a minha noite! - colocou a mão sobre o peito, realmente emocionada com o gesto atencioso.
A garota ouviu a risada do rapaz e o incentivou a ser corajoso e sair do veículo. Ele logo o fez e dentro de 7 minutos a campainha do apartamento soava, anunciando a chegada de Max. E ao abrir a porta a morena o encontrou segurando a sacola de papel, sustentando um sorriso travesso e sendo perfeito como sempre.
- Sabe, eu tenho uma teoria que você é um psicopata… ou um assassino em série. - cruzou os braços, encostando o ombro no umbral da porta, não convidando-o para adentrar a casa.
- É mesmo? - arqueou as sobrancelhas, não surpreso com a revelação - E posso perguntar por que?
- Porque você é assim - apontou para ele com descaso - Lindo e leva sushi para as pessoas! - cresceu os olhos, vendo-o virar a cabeça para trás ao gargalhar de suas atrocidades.
- Você está sozinha? - questionou, olhando por cima do ombro dela.
- Talvez… - respondeu sem querer dar maiores informações, vendo-o dar um passo em sua direção.
- E o que você pretende fazer se eu for mesmo um assassino em série? - cerrou os olhos e franziu o cenho, tomando um ar escrupuloso.
- Eu fujo! - endireitou a postura, assistindo rir ao dar mais um passo até ela.
- Oi. - Max a cumprimentou finalmente, colocando a mão no pescoço dela e acariciou seu queixo com o polegar.
- Oi. - sorriu, abraçando-o pela cintura, permitindo ser beijada por aqueles lábios vermelhos tentadores. - Eu deixo você entrar se você prometer não me matar.
- Dessa vez eu prometo. - beijou a bochecha da menina e adentrou o apartamento, ouvindo-a rir.
Meester não se mostrou animada em arrumar a mesa de oito lugares apenas para eles, portanto preferiu estender uma toalha sobre a bancada da cozinha e Max ocupou um os bancos, desempacotando o jantar enquanto a morena pegava pelos armários pratos, copos e talheres.
- Eu duvido você comer uma colher de wasabi. - passava uma peça de uramaki pelo shoyo, derrubando um pouco do molho na toalha branca ao levá-lo com pressa até a boca.
- Por que eu faria isso? - o rapaz arqueou uma sobrancelha, encarando-a incrédulo.
- Porque nós podemos apostar dinheiro! - cresceu os olhos, acreditando que falava uma coisa muito óbvia e divertida.
- Acho que não... - negou com a cabeça, voltando a atenção para seu temaki.
- Pode ser uma colherzinha pequena. - tentou mais uma vez, acreditando que dessa vez conseguiria convencê-lo a cometer uma loucura.
- Qual o tamanho da colher e quanto dinheiro? - Max perguntou, endireitando a postura e cruzando os braços frente ao peito, inclinando a cabeça para o lado, a fim de analisar as opções que seriam colocadas sobre a mesa.
levantou depressa e correu animada até a primeira gaveta da pia, de onde retirou duas peças e as colocou sobre o balcão à frente do DJ, que apoiou os cotovelos sobre o mármore frio e o queixo sobre os dedos entrelaçados.
- Essa aqui - arrastou para perto do rapaz q pequenina colher de café, a menor do todo o conjunto que havia comprado meses atrás quando mobiliara o apartamento - vale trinta libras. E essa - arrastou a colher de chá que era um pouco maior - cinquenta. Você quem decide. - apoiou as mãos no balcão, observando que o moreno abaixou os olhos para os objetos à sua frente.
- Você precisa melhorar a sua proposta. - deu em ombro, voltando a seu jantar, mastigando seu salmão com um sorriso divertido nos lábios ao fitar a expressão chocada da garota.
- O quê?! Você quer ainda mais?! Você está me extorquindo! - voltou para seu assento totalmente decepcionada.
- Só estou deixando as coisas mais interessantes...
- Você sabe o quão trabalhoso é para minha mãe fazer uma transação bancária para transferir dinheiro da conta dela para minha? - falava como se aquele fosse o maior infortúnio do mundo e Max do seu nível de futilidade.
- E você sabe o quão horrível é o gosto de wasabi puro?! Uma colher inteira! - segurou entre os dedos a pequena colher de café, que nem parecia que causaria um grande dano.
- E se eu subir 10 libras? - questionou colocando a mão frente a boca, já que ela estava cheia de comida.
- Acho que não quero tanto assim o seu dinheiro! - fez uma careta, encarando a bolinha verde de wasabi, ainda intacta. - E se nós mudássemos essa barganha? - voltou para ela seus olhos azuis provocativos e Meester arqueou as sobrancelhas.
- Olha se você estiver sugerindo o que eu acho que esta, fique sabendo que faço isso com o maior prazer sem aposta alguma - sorriu ao ouvir a gargalhada dele - , mas voltando ao que interessa, você vai comer o negócio ou não?
- Você também vai comer?
- Claro que não! Ficou maluco?! Esse negócio é horrível! Eu nunca comeria uma colher disso, nem se alguém me pagasse!
- Ah, então você basicamente estava me pagando para ficar com dor de estômago e só ia ficar assistindo! - pasmo, arqueou as sobrancelhas com os arregalados.
- Claro!
- Agora você vai comer! - confirmando com a cabeça, pegou a bolotinha de wasabi, vendo a morena colocar as mãos frente a boca. - , você ia me condenar a uma dor de estômago! - falava fazendo cócegas na garota, esperando que assim conseguisse fazê-la comer o tempero japonês.
O que Max não esperava era que a menina revidasse e logo soltou o wasabi, erguendo as mãos em rendição e voltou a sentar-se em seu banco, prometendo se comportar.
- Você quer assistir um filme?! - sorriu aproximando o rosto do dele que beijou seu lábios, vendo-o confirmar com a cabeça. - Mas vai ter que ser no meu quarto, porque a garota que mora comigo pode chegar a qualquer momento e ela é terrível! - rolou os olhos, levantando-se para limpar a bancada, sendo acompanhada por Max que levava a louça suja para a pia.
- Onde vocês se conheceram?
- Nossas mães são melhores amigas desde a faculdade. - explicava embalando a sobra do jantar - Então nós acabamos estudando juntas, ficamos no mesmo círculo social por muito tempo e como nossas família são muito próximas nós sempre acabamos no jantar de domingo uma da outra. - dobrava a toalha suja de shoyo para levá-la até a pilha de roupa para lavar.
- E agora vocês moram juntas! - Max sorriu de lado com os braços cruzados, apoiando-se contra o mármore da pia.
- Eu sei… É o meu pior pesadelo. Odeio cada segundo desse castigo. - levou as sobras até a geladeira e pegou duas garrafinhas de água mineral para ela e para o rapaz.
- Eu tenho uma prima que divide apartamento com uma garota que ela não gosta. - o DJ pegando a garrafa que a garota a entregava - Ela vive me contando sobre as brigas delas. Se você quiser eu te apresento a minha prima e vocês formam um clube.
- Espera aí. - Meester arqueou as sobrancelhas, aproximando-se do rapaz com um sorriso sagaz nos lábios - Você quer me apresentar a sua família?!
- Vamos começar com a minha prima e se você sobreviver ao encontro conhece o restante, pode ser?
Conheço todos no nosso casamento. Pensou, confirmando com a cabeça.
- Sabe o que seria muito bom? - indagou e ouviu o barulho da chave girando no trinco, anunciando a chegada de - Merda! Eu queria já estar no quarto quando ela chegasse. - afastou-se de Max, calculando a rota de fuga já que não queria passar pela incômoda situação de apresentar o DJ para Westwick e ambos fingirem que estão interessados em uma conversa desconfortável, como também não gostaria de presenciar os olhares julgadores da ruiva. - Vem, talvez se a gente passar rápido ela ignora. - puxou-o pela mão.
- Você não vai me apresentar?!
- Não precisa. - deu de ombros, escondendo Max o máximo que podia e colocou apenas a cabeça para fora da cozinha, encontrando mexendo no celular, sentada no apoio de braço do sofá, com sua bolsa jogada no chão ao seu lado.
A ruiva sorria encarando a tela do aparelho, conversando com os colegas de turma com quem havia jantado, entretanto ao perceber que não estava sozinha no ambiente fechou a expressão e com o cenho levemente franzido, elevou os olhos, encontrando a morena a encarando de uma forma estranha.
- Que foi?
- Nada. - tentou parecer indiferente, tendo em mente que provavelmente sustentava um olhar alarmado como o de um cervo que pressente a presença do predador na vastidão da savana - Você chegou cedo.
- Você está cronometrando o tempo que eu passo fora de casa?
- Ai, esquece. Você é insuportável. - rolou os olhos irritada pela resposta rude e também por ouvir a risadinha do DJ ao seu lado, voltou o rosto zangado para ele e o puxou para fora da cozinha, tentando seguir direto para seu quarto, seu cantinho, seu santuário de paz e calma.
No entanto, Max não seria rude e passaria pela sala sem cumprimentar a colega de e voltou o rosto para ruiva a fim de lhe lançar um sorriso e um aceno de mão. , por sua vez, ao perceber que a outra menina estava acompanhada elevou os olhos negros a fim de descobrir quem era a terceira pessoa que havia adentrado a segurança de seu apartamento sem a sua permissão.
E o que era para ser um breve cumprimentou se tornou a maior reviravolta na vida de Meester.
- Max?!
- !
Ao notar que ambos se conheciam. Se conheciam o bastante para utilizarem apelidos, voltou-se lentamente para o rapaz e a menina, notando que o laço que os uniam fazia com que se abrassassem efusivamente, sustentando grandes sorrisos e olhos brilhantes.
- O que você está fazendo aqui? - a ruiva perguntava distribuindo tapas no braço do mais velho que se afastava, fazendo uma careta. - Você disse que vinha amanhã!
- Na verdade, hoje eu vim visitar a . - com o queixo indicou a outra garota, que perplexa encarava a cena de terror a sua frente.
- Por que você viria visitar ela? - Westwick juntou as sobrancelhas e sem entender sorria sem graça, intercalando os olhos de um para o outro e logo fez a conexão dos fatos. - Não! - gritou horrorizada, colocando as mãos sobre os lábios, afastando-se do rapaz completamente chocada.
- Espera aí! - Meester pediu por socorro, fitando Max esperando por explicações, mas logo sua memória fez o favor de lhe apresentar os temíveis fatos.
"- Quando chegarem lá falem que são meus convidados, Max West…" Lembrou-se do dia em que conheceu o rapaz, no elevador do prédio em que Liam morava
"- … e como eu estava na região, a disse que vocês estavam todos aqui e que não teria problema eu passar para fazer uma visita." Conseguiu ouvir o eco da voz de soar por seus ouvidos no dia em que fizeram a mudança de Payno para o novo apartamento.
"- Eu tenho uma prima que divide apartamento com uma garota que ela não gosta."
Prima.
Prima.
Prima!

- Ai meu deus! - Meester gritou horrorizada.
- Ai meu deus! - gritou também.
- Você é um Westwick! - com os olhos cerrados apontou o dedo em riste para Max, aproximando-se dele, acusando-o de um pecado
- Sim. - ele confirmou abaixando o rosto a fim de mirar a morena que era menor, e deu de ombros, sem entender o motivo de tanta algazarra.
- Ela é a garota de Cambridge que você está ficando! - a ruiva o encurralou do outro lado.
- Sim. - respondeu, sentindo-se sufocado com as duas meninas tão próximos dele com os olhos transbordando ódio e choque e a fim de tentar deu passo para trás sendo acompanhado por elas.
- Eu sou a suposta garota que a sua prima não gosta! - Meester passou as mãos pelos cabelos, em pânico, temendo virar os olhos para a figura feminina ao seu lado e encontrar, ninguém mais ninguém menos que , a prima de Max. Prima!
sabia que pessoas maravilhosas, impecáveis, magníficas como Max parecia ser, na verdade não existiam e consequentemente o moreno era dono de um grande defeito, que apesar de existente ela nunca havia encontrado. Esperava o dia em que a famigerada imperfeição do Sr. Perfeito fosse revelada, todavia não esperava que a imperfeição do rapaz fosse uma ruiva, de olhos negros, um metro e setenta de altura e um gênio destrutivo!
- Ele é o DJ que você está ficando! - Westwick voltou-se furiosa para , que ainda não havia digerido tanta informação.
Afinal o grau de parentesco entre Max e representava as visitas da ruiva em sua casa de veraneio no interior da França, significava que seus inocentes filhos de cabelos escuros como o seu, mas com o sorriso do pai, seriam amigos dos filhos de , exprimia o fato de que estaria presa a ruiva pelo resto de sua vida.
- Meu deus. - deixou escapar por entre seus lábios como um sussurro pasmo. Seus olhos vidrados caíram ao chão. - Meu deus. - negava com a cabeça. - Nós… - indicou ela e Max. - E vocês… - intercalou o olhar do rapaz para , que naquele momento estava com o rosto vermelho como os cabelos - E eu… Meu deus!
- Eu não acredito que você está transando com o meu primo, Meester! - a outra garota gritou ultrajada - Você passou do limite!
- Eu passei do limite?! - e o choque de passou rapidamente, assim que sentiu o tom acusador que dirigia a ela - Você passou do limite quando nasceu, garota!
- Hey, já chega! - Max declarou, sendo o único ser naquele ambiente que não aumentava o tom de voz, contudo ao receber os olhares raivosos das garotas sobre si, logo desistiu de colocar um pouco de juízo em suas cabeças. - Esquece. Vão em frente. - deu de ombros e apoiou as mãos na cintura, esperando para ver até onde a discussão se seguiria.
- Não basta eu ter que suportar a sua presença todos os dias nessa merda de apartamento, agora você namora o meu primo?! - a ruiva juntou as sobrancelhas evidenciando toda o seu ceticismo.
- A culpa não é minha que ele é o único Westwick prudente que existe. - cruzou os braços frente ao peito e inclinou a cabeça para, sem alterar-se ao assistir perder a cabeça a sua frente.
- Retire o que disse!
- Tudo bem, eu retiro. Afinal eu não posso colocar as gêmeas no meio disso, elas já irão sofrer muito sendo fadadas a aturar você pelo resto da vida.
Max arqueou as sobrancelhas, coçando a nuca, ponderando se era melhor simplesmente ir embora ou permanecer ali para o caso de uma tentar matar a outra.
- Você passou do limite! - declarou com o dedo em riste e bufou ao ver rolar os olhos - Você passou muito do limite! Você passou tanto do limite que eu nem sei mais onde o limite está! - aumentava a voz gradativamente a medida que falava, sem notar que o rapaz que as mirava fechava os olhos, por não aguentar mais tanto drama desnecessário.
- Não existe limite, !
- Agora não mais, porque você o destruiu.
- Eu vou embora. - Max suspirou alto dando um passo em direção a porta.
- Não! - as duas garotas falaram alto juntas, fitando-o ainda estressadas e o rapaz recuou o passo que deu, voltando ao mesmo lugar.
- Fala a verdade, você fez isso para me provocar. - Westwick indicou aquele que acreditava ser o motivo daquele romance ridículo que se formava entre e seu primo, seu Max, o cara mais legal que existia e uma das poucas pessoas de quem realmente gostava de sua família paterna. E Meester riu em escárnio, jogando a cabeça para trás - Isso tudo é um plano seu para me fazer infeliz.
- Eu não perderia meu tempo fazendo qualquer coisa que estaria relacionada a você. E eu cansei dessa discussão. Vem Max, vamos para o quarto. - puxou o DJ pelo pulso, marchando até o corredor.
- Isso ainda não acabou, Meester. - avisou, cruzando os braços, vendo o rapaz encará-la por cima do ombro, visivelmente confuso.
- Tudo bem, pensa em uma forma de me destruir enquanto eu apresento a minha cama para o seu primo.
- Pode ter certeza que eu vou, priminha. - Westwick gritou em resposta.
E furiosa, achou melhor apenas bater a porta de seu quarto, finalmente finalizando a discussão de forma drástica e dramática.


ooo


Eis que finalmente chegou o dia das boas vindas ao apartamento Meester/Westwick, era sábado e o dia estava perfeitamente ensolarado, sem sinais de chuva, quando quase todo o grupo chegou em Cambridge, no edifício onde as universitárias morariam até o fim dos seus respectivos cursos.
Ninguém parecia incomodado com o fato de que todo mundo já conhecia o apartamento (até mesmo Harry, que tinha o nome restrito na lista da portaria) e muitas mudanças ocorreram graças às sugestões nenhum pouco sutis dos intrometidos que vez ou outra apontavam algo que não estava do agrado, valendo citar a maior das mudanças que foi a adição de uma TV na sala de estar após protestos generalizados, culminando na total inutilidade de tal evento.
Mas desde quando adolescentes entediados diziam não à uma boa diversão, não é?
E é por isso que todo mundo (com exceção de Harry e Louis, obviamente) estava no hall do prédio, espalhados pelas poltronas, bancos e cada espaço sentável desocupado, tumultuando o ambiente usualmente quieto e tranquilo, falando alto, vez ou outra discutindo e aterrorizando completamente o porteiro do turno que tinha certa experiência com desordeiros mas não conseguia pensar em outra forma de contê-los além de guardar todo mundo dentro da sala do zelador.
- Eles falaram que em meia hora já estaria liberado. - Liam olhou no relógio em seu pulso e depois para , esperando uma atitude mais enérgica. Desde o primeiro momento se recusara a sentar porque o gesto seria uma admissão de aceitação aquela situação insustentável.
Mas estava sentada na poltrona mais confortável daquele lugar e parecia deleitada em assistir Niall e competindo em uma ferrenha luta de dedões que vez ou outra gerava uma tensão porque os dois jogadores eram trapaceiros inveterados.
- O que eu posso fazer se ainda não está? - Meester deu de ombros, claramente desinteressada no revés que foi saber que os dois elevadores sociais do prédio estavam em manutenção (O porteiro jamais se incomodou em informar que havia o elevador de serviços). Eles não estavam bem ali?
- Usar as escadas! - Payne apontou para a merda da porta de acesso às escadarias e quase foi atacado ali mesmo pela mera sugestão de um plano tão estúpido.
- Nem a pau. - a morena riu da ideia absurda e voltou a focar sua atenção em Niall e após dar uma breve olhada para o trio há alguns metros que falavam a todo vapor sobre as fofocas mais quentes do Eton College. Uma pena que nada daquilo a interessava mais.
- Você ficou louco? - Zayn cuspiu o cigarro e começou a tossir desajeitadamente. - Você quer matar meus pulmões, Liam?
- Você quis dizer, terminar de matar, Zayn? - Niall gracejou, se distraiu e perdeu aquela partida. - Droga, !
- Aceita que você é um perdedor, trouxa! - Westwick comemorou a pequena vitória.
- Cala a boca, Irlanda. - Malik resmungou ranzinzo mas o mau humor dissipou-se no instante em que viu rindo, achando graça do fato de que ele ia morrer antes dos trinta provavelmente.
As três caçulas estavam sentadas no chão do lounge, e para falar bem a verdade, apenas e falavam, já que raramente contribuía e se contentava em investir sua atenção no Instagram, vendo o que as pessoas estavam fazendo de bom enquanto ela estava presa num prédio sem elevador com o ex namorado que fazia seu coração bater mais forte toda vez que ele a olhava. E ah, que olhos perfeitos…
E enquanto ela se dedicava em pensar em Zayn, Liam andava para lá e para cá, ansioso por chegarem em algum lugar. Poderia ir perguntar ao porteiro porque estava demorando, mas o porteiro estava com uma cara tão feia que ele não se atreveria a voltar lá pela quarta vez.
- Nós já perdemos meia hora aqui, fazendo absolutamente nada! - Payne reclamou irritadiço. Deus, as coisas que não passava para ser um bom namorado! Já não era o suficiente ter que tolerar, suportar, conviver e aturar Westwick, agora ele também estava enfiado no showzinho de aberrações que era aquela amizade ridícula de Malik e . Pelo amor de deus, eles não conseguiam nem disfarçar!
Mas pelo menos Harry e Louis não estavam lá para completar o cerco da loucura. Pelo menos por isso ele podia ficar mais aliviado.
- Como se isso fosse mudar se nós estivéssemos lá em cima, Li. - disse com uma risadinha condescendente. Não era preciso ser um gênio para perceber como ela estava adorando aquele desvio de percurso.
- Pelo menos lá tem cerveja… - Niall, cansado de perder, levantou-se e ergueu as mãos ao alto, espreguiçando-se teatralmente antes de ir até as caçulas e estender a mão para ajudar a levantar também para espreguiçar e dar uma volta de cinco passos pelo perímetro.
- Pelo menos eu posso fumar aqui. - o rosto de Malik se iluminou por alguns segundos, até ele lembrar como sua garganta estava destruída por causa de uma tosse persistente na última semana.
- E é só o que você vai fazer se não levantar essa bunda daí e começar a subir essas escadas. - Liam retrucou, entediado.
estava começando a ficar envergonhada pela falta de estrutura de seu prédio e resolveu apelar para a técnica mais eficiente de auto defesa nessas situações, o contra ataque:
- Eu não sei porque você está todo estressadinho, Payne.
- Eu não sei como você não está, na entrada do prédio vestida nesse pijama. - Liam olhou para a ruiva de cima a baixo, com uma das sobrancelhas arqueada em zombaria.
O queixo de caiu.
- Isso aqui não é um pijama, Payne! Nem toda calça de moletom é um pijama, seu idiota.
- Você tem razão, mas essa aí é. A tem uma igual, trouxa. - ele riu porque saiu vitorioso daquele embate e também porque a maioria das meninas riu ao perceber que foi encurralada.
- Caralho, . Olha o tipo de gente com quem você se relaciona! - resolveu culpar Orteguinha pelas péssimas companhias que a cercavam. Como aquela menina ainda prestava?
- Na verdade a é a minha pior influência. - Ortega deu de ombros, aproveitando para esticar as pernas adormecidas pelo tanto de tempo que ficou com elas cruzadas em posição de índio.
- Ela é um péssimo exemplo. - cerrou os olhos ao encarar a melhor amiga que tomou a sentença como um elogio e sorriu agradecida pela menção enquanto assistia disfarçadamente Niall usar o celular com ela ao lado, o que não era mais algo comum entre eles.
Na tentativa de remediar a crise iminente, eles optaram por manter os celulares (especificamente o celular de Niall) ignorados. Às vezes Horan estava usando o celular e se aproximava, então ele contava exatos quarenta segundos antes de guardar, para não parecer suspeito e aguçar a curiosidade da menina. Mas ela percebia, porque contava junto quanto tempo levaria até ele bloquear a tela, é só que ela decidiu dar uma trégua e assim eles estavam funcionando.
- Liam para de olhar pro mundo com essa cara horrível! - reclamou após cinco minutos de paz, onde todo mundo estava descansando e conversando amigavelmente e Liam continuava em pé, de braços cruzados, encarando os amigos como se fossem idiotas.
- Você não me chamou aqui pra ficar no hall desse lugar fazendo nada! - Payne perdeu a cabeça de novo.
- Ai, meu deus. Ele não vai desistir… - murmurou resignada. Ela estava tão bem ali, jogada naquele piso fresco, esquecida pelo restante da humanidade, pensando que a cada respiração sua, seus seguidores aumentavam nas redes sociais…
- Eu só não entendi se ele está tentando voar até lá em cima ou criar uma briga com a ruivinha. - Zayn gracejou.
Todo mundo ficou perdido por alguns momentos até entender que Zayn havia mesmo feito uma piadinha. Zayn!
resolveu intervir e descobrir o que Liam queria antes que eles passassem a próxima hora estressados porque aquele filho da puta não dizia logo qual era o maldito plano.
- Você quer subir vinte e três andares de escada, baby? - ela inclinou o rosto para trás de maneira que pudesse enxergar Payne, que parecia há anos-luz de distância, lá nas alturas.
O rosto de Liam se iluminou.
Já as demais faces foram banhadas em terror.
- É, por que não? - o rapaz concordou com a ideia, muito brilhante, não estivesse dançando no íntimo de seu ser desde o princípio.
- Tudo bem, vamos lá então. - Ortega levantou e bateu as mãos na saia branca para desamassá-la.
Nessa fração de segundos estranha e anormal, ninguém teve a espirituosidade de sequer mover de lugar, todos abobalhados com o nível da conversa mantida entre Liam e . Uns achavam que o casal era animado demais, e outros só achavam que eles eram dois idiotas mesmo.
- Alguém quer subir com a gente? - ofereceu com um sorriso simpático, torcendo para que não fosse a única a colaborar com aquela loucura. Quer dizer, na sua cabeça soava muito bem ser uma namorada parceira e aventureira mas agora que ninguém mais concordou com ela, começava a achar que havia sido uma péssima ideia.
sorriu mas encolheu levemente os ombros, abrindo mão de participar daquela missão suicida, suas pernas e pés andavam tão cansados e doloridos ultimamente que ela só não aderiu a uma cadeira de rodas elétrica porque seria o cúmulo da deselegância. Mas ela estava a um fio de abrir mão de toda sua graça em prol de um conforto maior.
e Zayn nem se deram ao trabalho de responder àquele convite porque eles estavam falando de vinte e três andares! Vinte e três!
parecia considerar a proposta mas não queria dar esperanças até decidir pelo o que valia mais a pena. Quer dizer, lá em cima tinha seu sofá, sua TV, cerveja gelada, comidinhas congeladas prontas para irem ao microondas!
- Eu até iria, mas vinte e três andares… - coçou a nuca, indecisa. Olhou para Niall, buscando uma segunda opinião porque para ela aquela parecia uma altura impossível de se alcançar, mas poderia ser divertido e ela definitivamente não queria perder a diversão.
Horan sorriu para a namorada, deixando em suas mãos a decisão porque ele, nem por todo o ouro da China, iria se juntar aquela missão estúpida. Se o elevador não ficasse pronto, eles podiam ir para um pub e depois voltavam para casa, simples assim. Agora imagina se eles ficassem presos lá em cima? Aí sim seria um problema.
Mas ele ia falar não para ? Claro que não!
aproveitou-se da falta de opinião de Niall e foi até o casal e segurou as mãos da loirinha:
- Nós vamos devagar, parando para descansar, vai ser divertido! - ela prometeu solenemente enquanto Niall olhava para Liam confirmando se ele tinha acabado de ver Orteguinha ser uma manipuladora mentirosa. Payne deu de ombros e se absteve de participar daquilo.
Mas era tarde demais porque já havia sido convencida.
- Então eu vou!
E aonde ia, Niall ia atrás, então o irlandês decidiu tirar o moletom antes que começasse a suar como uma tampa de panela e aproveitou a distração da namorada para jogar a peça na cara dela só para encher o saco. se assustou por uma fração de segundos e então gargalhou, achando a maior graça daquela brincadeira boba.
- Eu vou só pra garantir que o Payne não vai tocar em nada do que é meu. - levantou sem dificuldades, em um pulo só, e cruzou os braços sobre o peito enquanto encarava desafiadoramente Liam.
- Como se eu fosse querer tocar em alguma coisa sua, sua peste. - o rapaz falou sinceramente porque exceto pelas cervejas, ele não tocaria em nada que pertencia aquela demônia.
- Não confio em você, Payne. - cerrou os olhos.
- Foda-se. - Liam deu de ombros e saiu em direção ao outro lado do hall, onde ficavam as escadas que davam fim ao seu tormento naquele lugar desconfortável. e Niall foram logo atrás enquanto a princesinha esperava terminar de enfiar os pés no tênis.
- Isso vai ser divertido! - já alongava as pernas para a maratona de sua vida.
não estava tão certa disso e ousava dizer que aquela declaração estava, no mínimo, equivocada.
- É, eu estou vendo…
- Tem certeza que não quer vir com a gente, - insistiu uma última vez.
- Ah, não. Eu acho que vocês, com exceção do Liam, não fazem muita ideia do quão longe fica o vigésimo terceiro andar. - a modelo declinou educadamente.
- O que o Payne não sabe é que eu vou até o inferno atrás dele para evitar que ele toque nas minhas coisas. - declarou resolutamente.
- O que te faz pensar que ele quer tocar no seu lixo, Westwick? - riu da ideia estúpida de de imaginar que alguém tinha interesse nas tralhas dela.
- Ai, eu esqueci que ela vai ficar aqui também. - Zayn então percebeu que Meester ficava para trás, e o vislumbre da próxima hora com aquela criatura atrapalhando o que devia ser um momento divertido entre ele e , o fez desejar ter força física o bastante para subir junto com o resto do grupo. - Eu vou acompanhar vocês até a porta. - decidiu em um ato de desespero para não ter que lidar com Meester invasivamente encarando-os toda vez que ele e decidissem falar.
- Você podia ser mais divertido e ter falado que ia nos acompanhar pra ter a oportunidade de estar ao meu lado, Malik. - reclamou. - Você não é mais divertido.
- Mas essa sempre foi a minha intenção! Eu só queria ser sutil quanto a isso, ruivinha! - o moreno se defendeu e ofereceu o braço às duas meninas que aceitaram e se foram, deixando apenas e juntas, na sala de espera improvisada.
- , faz tempo que nós não conversamos, só nós, garotas espertas. - sorriu amigável, mas havia uma sagacidade divertida escondida em seu olhar.
- Isso significa que eu fiz um ótimo trabalho te evitando, então. - sorriu de volta, certa de que se havia uma pessoa que não se magoaria com a sua franqueza, essa pessoa era Meester.
- Até hoje. - a morena parecia ainda mais feliz com aquele encontro.
- Pois é. - Hilton cerrou os lábios e então teve a brilhante ideia de redirecionar aquela conversa, tomar o controle antes que estivesse a mercê dos interrogatórios extenuantes de , e que fizesse isto antes que Zayn estivesse de volta, de preferência. - E então, eu ouvi dizer que você estava saindo com um primo da
- Ah, Max… - Meester fez um biquinho triste. - Ele era perfeito, … Que saudade…
- Era? Ele morreu?
- Não, muito pior, ele é um Westwick! - arregalou os olhos, revoltada só de lembrar da amarga descoberta. - Quer dizer, em meio a toda aquela perfeição, aqueles olhos lindos, aquele cabelo maravilhoso, aquela boca perfeita, ele carrega o DNA Westwick e eu não posso arriscar que meus filhos tenham algo a ver com a insanidade da . - cruzou os braços e aguardou que concordasse com sua drástica decisão.
Mas a frustrou porque ao invés de fazê-la sentir-se menos pior do que a fossa emocional em que se encontrava por causa de Max, a modelo sorriu cheia de pena e fez se sentir ainda pior ao dizer:
- Mas isso não tem nada a ver, ! Ninguém da família da é como ela. Ela é única.
- Você tem um ponto, mas mesmo assim, eu não quis arriscar. - prensou os lábios, um pouquinho arrependida.
Vendo como a amiga ainda parecia sensível ao tópico, mudou a direção deprimente da conversa antes que terminasse o momento tendo que consolar .
- Então vocês terminaram? - questionou bem humorada, reclinando-se confortavelmente e cruzando uma perna sobre a outra, parecendo uma psicóloga em sessão.
- Eu tive que fazer esse sacrifício pelo bem do dinastia Meester. - disse, toda dona da razão.
- O que a sua mãe achou disso?
- A Diane? Ela nem sonha! Deus me livre se ela um dia desconfiar que eu sonhei em dar netinhos Westwick pra ela, nunca mais vou ter paz!
Nesse momento Zayn estava de volta e decidiu dividir espaço com no divã comprido, com um aceno sutil ele tratou de indagar sobre o que elas estavam conversando. A pergunta claramente não era para , mas isso não a impediu de responder mesmo assim:
- A está falando sobre como quer conhecer o primo perfeito da . - a morena mentiu deliberadamente.
- O primo que você estava apaixonada até saber que ele era primo da ruivinha? E que também é vizinho do Liam? - Zayn arqueou a sobrancelha perfeita, sorrindo quase infantil, num movimento que achou perfeito e quis revirar os olhos.
- Você conhece o Max? - estava quase surpresa com aquela informação.
- Não, mas eu ouvi as histórias. - Malik deu de ombros.
- Bom, logo você vai conhecê-lo. Eu acho que depois do terceiro ou quarto encontro já é apropriado apresentar o Max pros seus amigos, , e considerando que o Malik parece ser o maior deles ultimamente…
O ex casal não entregou nenhuma pista que satisfizesse a curiosidade da morena, que ficou ainda mais interessada pelo caso porque em sua visão distorcida das coisas os dois estavam se esforçando demais para parecerem calmos.
notou a deixa nenhum pouco discreta, mas ignorou pelo bem de sua sanidade e mudou abruptamente a diretriz do diálogo porque a sua vida amorosa já era um fracasso retumbante e ela não precisava dos conselhos de alguém que comprovadamente não tinha a menor ideia do que estava fazendo com a própria vida amorosa.
- Você não quer ir comigo ver quando o elevador vai voltar a funcionar, ? - sugeriu pois já era tempo daquela manutenção ter acabado. Ficar presa ali só com e Zayn não era nem de longe a sua ideia de um fim de semana divertido.
- O Max costumava me chamar de … - suspirou inconsolável ao ouvir o apelidinho carinhoso.
- Talvez porque esse seja o seu nome? - Zayn não resistiu fazer aquela observação pertinente, e o sorriso de quase fez valer o olhar irritado que Meester lhe lançou.
A morena tomou fôlego para xingar Malik mas ele não valia a pena então soltou o ar pesadamente e decidiu ignorar a presença dele.
- Bem, vamos então? - Hilton insistiu.
- Bom, agora que você está claramente tentando tirar minha atenção daquele assunto interessante, eu estou ainda mais curiosa pra saber mais das aventuras de vocês, ex namorados que decidem ser amigos.
- Nós vamos agora ver o que está acontecendo. - levantou e estendeu a mão para , intimando-a a se juntar a ela.
Meester olhou para , depois olhou para Zayn e pensou um pouco, decidiu deixar o inquérito para outro momento porque claramente os dois pombinhos estavam na defensiva e assim ela não conseguiria tanta informação como seria possível se atacasse um por vez.
As duas meninas saíram de braços dados e Malik ainda estava envolto na graciosidade (por muitas vezes desastrada também) de quando ouviu fazendo um pedido muito intrigante:
- Tudo bem, vamos lá, e você vai me falar tudo sobre aquele menino que você conheceu no verão.
Uma pena que elas já estavam longe demais para que ele pudesse ouvir a resposta de .
Quem diabos conheceu no verão? E por que ele não sabia nada sobre esse filho da puta misterioso? Zayn ia precisar tirar um tempo para um programa entre primos e sondar para saber um pouco mais do que a loira havia aprontado no verão passado.
E a cabeça paranóica de Malik só não começou a trabalhar loucamente nos diversos cenários apocalípticos de Hilton e "aquele menino que ela conheceu no verão" porque recebeu uma mensagem da própria loira avisando-o de que os elevadores voltaram a funcionar e ela só não voltou para avisar porque a impediu.
- Nós vamos cozinhar a nossa refeição ou vamos pedir alguma coisa? - a caçula Styles fez a pergunta que já era um de seus bordões. Pois na maioria dos passeios era aquilo que a loira questionava, sempre na esperança de alguém lhe ceder permissão para usar facas afiadas, o forno e com sorte um cutelo.
- Eu queria comida mexicana. - girava de um lado para o outro, ocupando uma das banquetas da ilha.
- Uhhh, interessante. - arqueou as sobrancelhas.
- Se for para cozinhar alguma coisa vai precisar ir até o mercado. - declarou com a porta geladeira aberta. Desconfiada de que restos da refeição passada, que foram encomendados de um restaurante próximo, leite, ovos, sorvete, bacon, cerveja e vinho não fossem o suficiente para preparar uma refeição mexicana adequada.
- Se vocês mudarem de ideia sobre o cardápio nós podemos fazer um café da manhã muito nutritivo. - Liam, que espiava a geladeira por trás de Meester, disse, notando que em um recipiente em cima do mármore da pia também havia frutas.
- Alguém podia me levar até o mercado… - falava sugestiva, voltando seus olhos verdes para Zayn que estava bem ao seu lado e parecia a vítima perfeita.
O moreno ao perceber que era encarado teve um sobressalto, afastando-se um passo das garras da garota manipuladora e olhou para os dois lado a procura de salvação, encontrando Niall tomando um copo de água, tranquilamente. Puxou-o, fazendo-o derrubar um pouco de água no chão e posiciono o loiro a sua frente.
- Ahn… - Horan escolhia as palavras certas - Eu acho melhor pedirmos alguma coisa.
- Vocês são muito preguiçosos. - a loira cruzava os braços, visivelmente decepcionada com o sedentarismo latente de seus companheiros.
- Nós acabamos de passar por um momento muito difícil de privação de elevador, grande estresse e esforço físico! - resmungava desanimada - Eu não tenho nem forças para discutir com você.
- Ninguém precisa discutir. É só irmos até o mercado e… - estava disposta de fazer seu argumento ser bem recebido.
No entanto, já aparecia para o salvamento das nações, interrompendo a amiga com sua voz suave.
- Já encontrei um restaurante mexicano que faz entrega - dizia, encarando a tela do celular - , já querem fazer o pedido?
- Sim! - gritou, esticando-se por sobre , sentada ao seu lado, a fim de espiar o IPhone de Hilton e finalmente ter uma conversa produtiva.
- Você é um anjo. - com o cotovelo apoiado no mármore frio, do outro lado da ilha, Zayn sorriu de lado para que elevou seus olhos castanhos para o moreno e sorriu alegre.
- Eu me esforço. - deu de ombros complacente.
Encarando as mãos sobre o colo, arqueava as sobrancelhas estranhando a interação desconfortável entre seu primo e . Westwick, não interessada em disfarçar, como a caçula, deixou o queixo cair sem vergonha, sendo flagrada apenas por Niall que também havia se voltado para encarar mais de perto a sintonia estranha que se passava ali.
- O que você vão querer? - Hilton indagava, sem ter percebido a cadeia de reações que sua conduta havia despertado, pois concentrava-se em seu celular.
- Burritos.
- Chilli com carne?
- Sim!
- Tacos e guacamole.
- Mole poblano.
- Pelo amor de deus, . Tudo tem limite! - Payne fazia uma careta rechaçando a escolha da namorada.
- O que é isso? - perguntou já pesquisando na internet a respeito do prato atípico.
- Frango com chocolate. - Liam se apressou em responder.
- , por quê? - deixava os ombros caírem diante da melhor amiga que sorria cerrado sem saber como defender seu paladar excêntrico.
- Então só um mole poblano? - perguntou
- Claro!
- Com certeza!
- Posso fechar o pedido? - Hilton recebeu muitas chacoalhadas positivas de cabeça e terminou sua pequena tarefa. - Pronto. Chega em meia hora.
- Eu quero mostrar uma coisa para vocês no meu quarto. - pulava da banqueta, sem se dirigir a alguém em particular, todavia todos sabiam que ela falava especificamente as caçulas já que era persona non grata em seu santuário particular. E apesar de Zayn ser lindo e Niall engraçado, naquele dia em particular a dupla vinha acompanhada de Payne e a ruiva preferia arrancar as próprias unhas com um alicate a ter Liam em seu quarto, respirando seu ar sagrado e tocando seus móveis.
As quatro sumiram pelo corredor, deixando para trás com os três garotos.
- Tem alguma coisa para beber? - Malik perguntou bocejando, fazendo movimentos circulares com seu pescoço.
- A cerveja é da . - Meester especificou a bebida que sabia que era o interesse de Zayn. Tendo em mente que o badboy seria perdoado pela menina, como Liam não era todas as vezes que visitava a amiga e roubava um ou duas garrafas da geladeira.
O moreno deu de ombros e caminhou preguiçosamente até a geladeira pegando cerveja não apenas para ele, mas também para os amigos e uma até mesmo para que recusou com um aceno de cabeça, pois se ouvisse as reclamações de , provavelmente quebraria a garrafa na cabeça vermelha da garota.
- Vamos assistir alguma coisa. - Niall sugeriu já encaminhando-se para a sala e esparramando-se no sofá, não disfarçando sua frustração ao notar que o acento ainda era duro por não ser usado com frequência.
- Vamos jogar vídeo game! - Liam não se demorou a sentar-se do lado do loiro, também tentando a afofar a almofada que usava.
- Sim! - Horan cresceu os olhos empolgado, vendo Zayn jogar uma almofada no chão e deitar-se confortavelmente sobre o tapete - A me falou esses dias que tinha comprado muitos jogos novos!
- Já que você mencionou a doida - Meester ocupava uma das poltronas - o video game é dela e fica no quarto dela. Então boa sorte em pedir para ela! - sorriu sarcástica.
- Se for o Zayn quem pedir eu aposto que ela até instala nessa televisão. - o irlandês bebia um pouco de sua bebida e mandava mensagem para clamando por piedade e também para que a princesinha pedisse para a amiga levar o aparelho e os jogos até a sala. - A disse que vai pedir
- Eu vou mandar uma mensagem para a ruivinha também. - Malik pescou o celular no bolso traseiro do jeans e somou-se ao pedido pelo video game.
- O que é isso? - Payne levantou-se, aproximando-se da mesa de centro e sentou-se à sua frente, esticando o pescoço para visualizar claramente a maquete que ainda estava em formação.
- Um trabalho da , que ela insiste em deixar no meio da sala. - sua melhor amiga sanou sua dúvida, enquanto se esticava para pegar o controle remoto.
- Ela está cursando o que mesmo?
- Sei lá, Liam. - respondeu como se estivesse ofendida devido o teor íntimo da indagação. - Você acha que a e eu, tipo… conversamos, ou algo do gênero? Perdeu o juízo?!
- Eu não perguntei diretamente para você! - o rapaz defendeu-se - Foi uma pergunta geral.
- Eu tenho uma pergunta geral. - Zayn elevou o dedo indicador - Tem algum problema se eu fumar aqui dentro?
- Isso depende, Malik. - Meester cruzou os braços, voltando-se para o moreno que virou o rosto para ela letargicamente - Tem algum problema eu queimar a sua cara com o cigarro?
O menino contentou-se em dar de ombros e desistir da nicotina por alguns minutos.
- Vocês viram as mensagens do Harry reclamando do Louis? - Niall tinha o celular na mão e um sorriso bobo no rosto, acompanhando a discussão que se passava no grupo dos meninos.
Zayn não achou necessário mover um músculo sequer a fim de pegar seu IPhone e ver sobre o que o amigo falava. Liam levantou os olhos da maquete, esperando Niall se explicar. E foi vitoriosa em manter sua pose desinteressada, fingindo prestar atenção em um reality show de transformação de casas, enquanto mantinha os ouvidos bem abertos para o que estava a caminho.
- O Louis tinha combinado uma com o Harry e cancelou porque vai cair com aquela Angelique de novo. - Horan ria a medida que explicava e lia as mensagens ofensivas que ambos enviavam.
- Ah, eu vi isso. - Payne riu também, negando com a cabeça. - O Louis é muito estúpido.
- O que aconteceu? - Malik não fez questão de esconder o fato de que havia ignorado deliberadamente a conversa dos meninos no grupo que ele também estava e raramente usava para se comunicar com os amigos.
- Eles tinham combinado de assistir a alguma coisa hoje e de última hora o Louis cancelou falando que não estava se sentindo muito bem e ainda tinha que fazer um trabalho. - Liam começou a explicar dividindo a atenção do badboy com o irlandês, que vez ou outra soltava uma risada escandalosa, fazendo Malik olhá-lo sorrindo. - Acontece que aparentemente o Tommo esqueceu que o Harry é colega de quarto dele, porque hoje quando o Harry entrou no quarto o Louis estava terminando de se arrumar para sair com a Angelique.
- Eu não sei se vocês se esqueceram de que a também vive nesse apartamento - falou baixo, esticando o pescoço a fim de checar se porta do quarto da ruiva estava fechada e ela não ouviria sobre Tomlinson e seu mais novo passatempo favorito - E que ela tem a capacidade de matar a todos nós e atear fogo no prédio se ouvir vocês falando de Louis e Angelique e encontros!
- Olha, desculpa - Payne iniciou seu discurso com seu usual tom ríspido e Meester nem precisou ouvir demais para já rolar os olhos - , eu sei que o Louis foi um idiota com a , mas ele correu atrás dela por meses depois disso e ela deixou bem claro que não queria mais nada com ele. Agora o menino tem ficar sozinho para sempre para satisfazer as vontades da doida? Eu acho que não!
- Liam você não entende, porque é idiota. - a morena desdenhou e Zayn sorriu de lado, ouvindo a discussão, com os olhos presos na televisão sem entender motivo que levava uma pessoa a colocar dois abajures em um único aparador como o cara daquele reality show fazia - A questão não é satisfazer as vontades de ninguém, mas sim que o Louis magoou a e agora ele merece sofrer, não arrumar uma garota inteligente, simpática e bonita. Porém eu adoro o Louis.
- Eu entendo os dois lados, sabe? - Niall bloqueava o celular ao notar que Styles e Tomlinson já haviam parado a briga e agora trocavam juras de amor - O que você falou faz sentido Liam, mas o que a falou também. E além de tudo, nós precisamos lembrar que a gostava muito do Louis. Na verdade ainda gosta, porque ela disse isso para e depois a me contou. Então eu também acho bom não comentarmos sobre isso na frente dela.
- Galera, calma. - o voz baixa do badboy foi ouvida - Nós nem sabemos se essa menina é real. O Louis fala que ela é tão linda que nem parece real. Quais são as chances de uma menina assim querer sair com o Louis?! - juntou as sobrancelhas cético ao mesmo tempo que Horan gargalhava.
- Eu já vi a garota, Zayn. - Payne ria - Ela existe e é realmente muito bonita.
- Vocês são todos deturpados. Eu só acredito no dia em que o Louis me apresentá-la. - sentou-se, arrumando a almofada para apoiar as costas e bebeu um pouco de sua cerveja - Mas esse dia nunca vai chegar, porque o Louis não está saindo com uma francesa linda!
- Cuidado Malik, inveja mata! - Meester cruzava os braços.
- Não é inveja, garota! É bom senso! - deu de ombros, mirando-a com seus olhos amendoados.
- Eu só sei que todos nós precisamos superar o que aconteceu. Porque mesmo depois de meses o fantasma dessa aposta ainda nos persegue. - Liam deu o assunto por encerrado, voltando a atenção para os detalhes da maquete, sem se importar com o desconforto que havia causado.
Zayn sentiu seu nariz latejar e franziu a testa, afastando as lembranças daquela noite. suspirou profundamente encarando a televisão. E Niall ficou cabisbaixo em seu canto com a fala de Payne lhe martelando a cabeça, afinal todas suas discussões que vinha tendo com eram causas da falta de consciência que aquela desgraça de noite causou.
A mão espalmada do loiro, batia ritmadamente em sua perna, seus olhos encaravam a TV fixamente, no entanto não a focavam pois o temor do que o futuro lhe reservava o dominava.
Cada discussão que tinha com representava um passo a mais de distância. Após tantas brigas Horan já estava há quilômetros da garota.
Cada pedido de desculpa guardava mais mágoa e ressentimento que o anterior, como também soava mais genérico e robótico, feito apenas para cumprir uma obrigação.
Niall não aguentava mais carregar o peso daquela culpa e sentia raiva de por notar o desejo da menina de fazê-lo sentir-se mal por tudo de ruim que aconteceu e vinha acontecendo.
Ouviu a gargalhada de sua garota vindo do corredor e virou o rosto a fim de poder vê-la, pois uma repentina saudade lhe apertou o peito. surgiu na sala, caminhando em sua direção, mirando-o contente, alheia a seus pensamentos, todavia compartilhando cada um deles e sentou no colo do namorado, enterrando o rosto na curva de seu pescoço.
Niall a apertou forte, ouvindo um grito de seguido de um de Liam, porém não importou-se. Só apertou sua namorada em seus braços e enroscou seus dedos entre os cabelos dourados dela.
-Eu te amo, . - falou baixinho.
- Eu sei. Eu também te amo. - encolheu-se entre os braços dele e desejou que todos os momentos entre eles fossem daquela forma, como um dia já foram, e não cheios de raiva e ressentimento.
Apesar de o amor transbordar daquele singelo gesto entre o irlandês e a caçula Styles, era outro sentimento que reinava na sala, pois protagonizava mais um escândalo.
No momento em que as meninas voltavam do quarto da ruiva, a garota vinha alegre, segurando seu video nos braços a fim de atender aos pedidos de e Zayn, quando flagrou Payne analisando seu projeto semestral.
-Não toca nisso! - gritou, empurrando seu video game contra que o abraçou, cambaleando alguns passos para trás, assistindo Westwick correr até a mesa de centro.
Liam, que levou um susto, levantava-se atônito, afastando-se do monte de isopuor e tinta, precisando de alguns segundos para compreender o que havia acontecido ali.
-Eu não toquei. Só estava olhando! - o moreno defendeu-se, em pé ao lado de Niall, que parecia querer sufocar entre seus braços.
- Eu não quero saber, você ia estragar!
- Como eu ia estragar uma coisa só de olhar, ?!
- Eu não sei! Mas não duvido das suas capacidades. Você é todo estragado! - apontou acusadora para ele, sem notar que Hilton passava por trás dela com o vídeo game e que Zayn já se levantava a fim de ajudar a loira a instalar o brinquedo na televisão.
- Eu não vou perder meu tempo discutindo com você. - disse por fim, sentindo as bochechas quentes devido a ira que crescia em seu ser.
Afundou-se no sofá, ao lado da namorada, com os braços cruzados, amaldiçoando-se por ter aceitado o convite de participar daquela social que contava com . Que representava um grande indicativo de que daria merda!
-Eu vou arrumando a mesa. - levantou-se - Me ajuda, ?
- Ahan. Você vem, Liam? - sorriu para o garoto que a encarou ainda bravo e colocou-se de pé feliz por poder sair da presença de Westwick.
O trio deixou para trás a sagrada maquete de , que era arrastada para um canto da sala, juntamente com a mesa de centro, a fim de abrir mais espaço. Enquanto Zayn tentava compreender onde tantos fios seriam dispostos e fingia ajudar.
- - princesa Styles chamou pela amiga - , eu posso pegar o jenga gigante?
- É da Meester e aquele dia que você estava aqui e nós brincamos com ele, depois que você foi embora a maluca quase me matou com aqueles blocos! - a ruiva explicou testando os controles e constatando que Malik havia feito alguma merda porque um deles não funcionava.
- Será que a fez isso porque, provavelmente, você pegou sem pedir? - Hilton, questionou sentando na poltrona que antes era ocupada por .
, que até então, tinha o tronco escondido atrás da grande TV, colocou a cabeça para fora, sustentando suas sobrancelhas juntas: - Eu não gosto do seu tom, . Mas sim, foi por causa disso. - riu sem resquício de vergonha.
-Eu vou perguntar. - saltou do colo de Niall e correu até a sala de jantar a fim de saber se poderia brincar com o jogo.
- Sabe o que seria legal? - Westwick voltava para o sofá com um controle na mão, fitando Zayn que escolhia um jogo. - Apostar melhor de três.
- Eu acho que não. - o badboy negou com a cabeça, sorrindo e sentando-se do lado da menina que o mirava desapontada.
- Ah qual é?! Vai ser legal.
- Ruivinha - o rapaz passava o braço pelo ombro dela que inspecionava seu movimento e arqueava uma sobrancelha - da última vez que apostamos alguma coisa você quase me embalou com o taco de sinuca.
- Não seja ridículo. - soltou uma risada descrente.
- , nós nem chegamos a apostar, só jogamos beer pong e você arremessou um copo na minha cara. - Horan apoiava a sábia decisão de Zayn de não acordar com a suposta aposta.
Para ser sincero, Niall preferia que Westwick fosse também privada da possibilidade de jogar alguma partida. Mas aquele não era um mundo perfeito…
-Vocês sabem que eu sou um pouco competitiva! - defendeu-se, tirando o braço de Malik de cima dela.
- Um pouco? - riu - Falar que você é um pouco competitiva é ser muito generosa consigo, !
- O que deu em você hoje? - Westwick cruzou os braços, ofendida com a fala da loira. - Eu perdi até a vontade. Vocês são fracos de espírito. Toma Niall - jogou o controle no colo do irlandês - só o que me resta é ver você perdendo para o Zayn.
Horan sorriu, feliz. Parecia que afinal aquele era mundo perfeito!
-Quem quer jogar jenga?! - a caçula Styles corria, carregando a caixa acima da cabeça.
Sentou-se no meio da sala, em cima do tapete, entre os meninos que se concentravam na partida que já havia começado e a TV, arrumando os blocos gigantes um em cima do outro.
-Eu odeio esse jogo. - , que já havia voltado da cozinha, sentava em uma poltrona.
- Correção - seu primo falou, chamando sua atenção - , você é péssima nesse jogo.
- É a mesma coisa… - resmungou pegando seu celular no bolso da calça.
- Eu jogo. - Liam sentava no chão, com pernas de índio, ajudando a terminar a organização.
- Eu também. - juntou-se aos dois a fim de começar a partida.
- - Meester sentou-se em cima da caçula, dividindo com ela a poltrona - , você prefere comer uma panela de cocô ou acordar todas as manhãs, pelo resto da sua vida, com um pássaro na sua boca?
- Panela de cocô.
- Qual é o seu problema?! - a morena cresceu os olhos, enojada e deixou o assento rapidamente, preferindo o lugar desocupado ao lado daquele, contudo longe o bastante daquela nojeira.
- O quê?!
- , você tem que escolher o pássaro. - Niall respondeu, sem tirar os olhos da televisão, já que fazia uma ultrapassagem, ficando três carros a frente de Zayn.
- Claro que não! - Ortega chocou-se com aquela, que parecia ser uma regra universal. - A panela de cocô é só uma vez e acabou. Segue a vida. Continua sem olhar para trás. O pássaro será para sempre e ele pode fazer cocô na sua boca então não faz muita diferença.
- Eu prefiro o passarasinho. - declarou, assistindo Liam fazer uma retirada ousada de um bloco que parecia sustentar grande peso. Mas a torre permaneceu imóvel.
- Quem disse que é um passarinho? - recebia o controle de Malik que havia perdido a corrida - Pode ser um puta albatroz.
- Ou um pelicano. - Ortega frisou - Você já viu um pelicano?
- Não - princesinha cerrou os olhos lembrando que a única imagem que tinha em sua mente da suposta ave era da animação Nemo.
- Nem eu. Mas eles são grandes!
- Eu vou de panela de cocô. - a ruiva respondeu enquanto escolhia a pista que usaria na corrida contra o irlandês.
- Eu também. - Zayn deu de ombros.
- Eu prefiro o pássaro. - dizia lentamente, retirando um bloco a base, apenas para dificultar a vida de Styles.
- E se for um flamingo? - Liam, que achava melhor se abster de qualquer resposta optou por deixar a garota confusa. - Eles são bem grandes…
- Eu acho que você deveria ter determinado o pássaro, . - Horan concluiu após tanta discussão e a morena suspirou alto, tentando pensar em outra questão a ser discutida pelo grupo.
- Tudo bem, então. Vocês preferem… ter um mamilo na ponta do nariz ou um dente na bochecha.
- Fácil! - Niall conseguia falar depois de gargalhar - O mamilo na ponta do nariz.
- Uuuui - Meester fazia uma careta, também rindo
- Ia parecer uma verruga. - Payne passava as mãos pelo rosto, após tanta risada a fim de se concentrar em sua jogada.
- Então, você está basicamente falando que mamilos são verrugas, Liam? - Zayn, mordia o lábio avermelhado a fim de impedir um sorriso divertido.
- Talvez eles não passem disso, cara… - o rapaz ergueu os braços em rendição, ouvindo as risadas de e que esperavam ele escolher um bloco.
- Eu vou falar isso agora para o Louis e para o Harry. - o badboy gargalhava já com o celular em mãos, digitando uma mensagem para os garotos.
- Fala mais uma, Meester. - pediu.
Pois ouvir o nome de Tomlinson foi o suficiente para fazê-la pensar nas piadas que ele teria feito durante aquela brincadeira, lembrar do som exato da risada do rapaz e como os olhos dele ficavam ainda mais azuis quando ele sorria.
-Deixa eu pensar… - a morena fazia sua mente maligna maquinar alguma coisa boa. - Já sei! Imagina vocês estarem em uma sala com a celebridade crush de vocês…
- Rihanna - Niall e Liam falaram ao mesmo tempo, trocando então um olhar cheio de significado e fraternidade entre dois caras que entendiam como era ser apaixonado por Rihanna.
- Vocês preferem, estarem caminhando até ela, tropeçar, cair e quebrar um dente ou enquanto estiver conversando com ela tossir e fazer xixi?
- Meu deus, você é má! - tirou os olhos do bloco que estava no meio do processo de ser retirado e acabou causando uma pequena vibração que causou a queda da torre e uma comemoração efusiva de Payne e .
- Eu acho legal nós determinarmos os crush primeiro. - optou, aguardando Niall passar o controle para Zayn. - Eu fico com Jon Hamm. O que seria para você, bonitão? - voltou-se para o moreno ao seu lado, que pensou por alguns segundos.
- Ashley ou Mary-Kate Olsen. - determinou calmamente. - Ou as duas. - falou pausadamente.
- Okay. - arqueou uma sobrancelha, sem saber se o amigo estava chapado ou a maconha já havia afetado seu córtex. - ?
- Eu posso ficar com Leonardo DiCaprio jovem?
- Pode.
- Isso! - a loira comemorou.
-
- Ahn… Não me vem ninguém a cabeça agora. Sei lá. - ajudava Liam a reorganizar a torre.
- Só um nome , vai.
- Eu não sei,
- Essa semana nós estávamos falando do Bruno Mars. Escolhe ele! - Orteguinha relembrou a amiga que sorriu cerrado, recordando da conversa sem pudor.
- Ohhh, sim! Bruno Mars!
- Quanta animação para quebrar um dente ou fazer xixi na frente do Bruno Mars, hein loira. - Zayn comentou, fazendo-a rir. Projetou seu tronco para frente, apoiando os braços nos joelhos e ficou mais próximo da menina que sentava no chão a sua frente. - Eu fico até ofendido.
A sala ficou em silêncio por alguns segundos, tentando entender se aquilo tinha mesmo acabado de acontecer. Ninguém ousou olhar para o lado e encontrar os olhos chocados de algum companheiro de ignorância, portanto o grupo permaneceu no silêncio por alguns segundos até que Westwick consegui balbuciar:
- Ahn... ? - concentrava-se agora na corrida, pois Malik havia sido filho da puta e escolhido uma pista muito difícil, onde só ele sabia jogar. E além disso, o mesmo filho da puta acabara de protagonizar uma cena que a chocara.
- Nós podemos falar sobre isso por um bom tempo, . A lista é longa… - a caçula confessou, voltando-se integralmente para a mais velha - Tem o Orlando Bloom, o John Mayer, o Aaron Taylor-Johnson, o Sam Claflin, o James McAvoy e minha nova adição o James Norton. Então fica muito difícil escolher só um.
- Vai logo, . - a ruiva reclamou, preste a jogar o controle contra a cabeça de Malik.
- Bem, eu troco de crush a cada duas semanas… Então eu acho que seria o Norton. - decidiu, por fim, apreciando sua escolha.
- Devia trocar de namorado. - falou baixo, mas não o suficiente para não ser ouvida, o que suscitou na risada audível de Niall e Zayn e das risadinhas contidas de e . - Meester?
- Michael B. Jordan, sem pensar duas vezes.
- E você prefere quebrar o dente ou tossir e fazer xixi na frente do Sr. B. Jordan? - a ruiva prosseguiu seu interrogatório como uma host divertida e simpática de talk show.
- Xixi. - declarou confiante sendo acompanhada por todas as meninas.
- Eu acho que da para disfarçar o xixi, então é bem melhor, né…? - Hilton falava olhando para Styles, que concordava com um aceno de cabeça, no entanto, ao voltar os olhos castanhos para Payne o encontrou negando. - Não?
- Nós não conseguiríamos disfarçar! - Liam referia-se aos garotos.
- Você prefere cair e quebrar o dente?! - indagava estupefata.
- Eu preferia cair e morrer. - Zayn levantou a mão -Essa com certeza é a decisão mais sábia!
O interfone soou e Westwick vôo pelo sofá a fim de atender o porteiro que avisava que havia uma encomenda lá embaixo a esperando.
A ruiva permitiu a subida do entregador enquanto todos começavam a dinâmica de sair da sala de estar, para o lavabo, a fim de lavarem as mãos, e então para a sala de jantar, sentarem-se ao redor da mesa.
E finalmente os lacres eram rompidos e o aroma dos pratos mexicanos frescos e do molho de pimenta tomava o ambiente, fazendo suas vítimas salivarem de desejo.
-Vocês preferem ficar sem comer ou tomar uma colher cheia desse molho de pimenta? - falava entre as mordidas de um burrito.
- Você está fora de controle hoje, hein! - Horan riu sabendo que por aquela refeição maravilhosa ele beberia o vidro inteiro do temível molho vermelho.
- Eu duvido alguém conseguir tomar uma colher cheia desse negócio. - esticou-se a fim de legar o vidro e teve dificuldade até em cheirá-lo um pouquinho pois temia que sua mucosa fosse quiemada.
- Payne, eu acho que você deveria tentar. - dei de ombros, prestes a se afogar em seu pote de chilli.
- Eu sei que vou me arrepender disso, mas… Por que você acha isso ?- o rapaz indagou apoiando os cotovelos sobre a mesa.
- Porque eu queria muito ver você passando mal depois. - explicou para seu próprio prazer, sendo mais uma vez incompreendida.
E Liam contentou-se em negar com a cabeça, bufando por não aguentar mais se irritar com aquela garota. colocou a mão no joelho do namorado e deu um beijo em seu ombro, sabendo que ele estava sendo vitorioso naquela noite por não se deixar levar pelas investidas afiadas de .
-Teve uma vez - falou baixinho, só para Zayn, que sentava ao seu lado, ouvir - , eu devia ter uns 11 anos, estava na casa dos meus avós e um primo do meu pai me pediu para pegar o molho de pimenta. - dizia ao moreno que mantinha o rosto virado para ela, mirando com seus olhos castanhos tranquilos - Eu fiz o que ele pediu e segui minha vida, uns cinco minutos depois eu cocei meus olhos e aí…
- Ai - Malik juntou as sobrancelhas numa caretinha de dor - , o molho de pimenta.
- Exatamente. - riu baixo, com a mão frente aos lábios, sem perceber que o restante da mesa gargalhava e falava alto.
- Como eu posso dizer isso de uma forma que não te ofenda? - o badboy cruzou os braços voltando-se inteiramente para a garota - Depois de tantas histórias que você já me contou, eu cheguei a conclusão que quando você era criança, você era… meio… bobinha.
A loira riu, limpando os dedos no guardanapo: - Meio bobinha? Eu era estúpida! - escondeu o rosto baixo atrás de uma das mãos, ainda fitando o menino que riu sem notar que os amigos não mais conversavam, mas sim prestava atenção naquela interação esquisita que acontecia de novo!
-Não fala assim, loira! - Zayn retornou a sua refeição e riu sozinha, bebendo um pouco do seu suco.
O restante do grupo, tentava agir como se nada tivesse acontecido, mas aquilo era estranho… Muito estranho!
Na manhã seguinte à visita a Cambridge, Horan dirigiu seu Jeep até a mansão Hilton. Passou pelos portões de ferro negro, cedo naquele dia, e o segurança na gruta não ligou para a casa principal anunciando sua chegada, afinal sua entrada já era permitida. Ao adentrar o hall, a governanta não fez questão de esconder seu espanto por vê-lo ali aquela hora da manhã.
Acompanhou-o até a sala de jantar onde a pequena família ainda comia o desjejum e informou que buscaria mais um prato, copo, xícara e talheres para que o loiro acompanhasse a refeição.
Conrad tomava um gole de seu café e arqueou as sobrancelhas ao assistir o filho de seu amigo de longa data, adentrar o recinto com um sorriso tímido nos lábios e sentar-se ao lado de sua única filha.
- Bom dia, Niall! - Carol, usando um robe a fim de esconder os pijamas, sorriu para o garoto e o incentivou a experimentar tudo o que estava sobre a mesa, garantindo que tudo se encontrava uma delícia.
- Uh, obrigado! - passou a mão sobre o abdômen em movimentos circulares, dando uma boa olhada nas opções expostas a sua frente. - Eu não comi antes de sair de casa.
, com os cabelos presos em um rabo de cavalo, pijama e pantufas, mirava o menino, sorrindo de lado e segurava sua xícara de chá a frente de seu rosto, sentindo a fumaça da bebida chocar-se contra sua bochecha e aquecer sua pele.
- Falando nisso - a loira sorriu perspicaz - o que te traz aqui tão cedo? Seu despertador quebrou ou você caiu da cama?
- Eu acordei cedo - deu de ombros passando um pouco de geleia de damasco em uma torrada - e como já havíamos combinado que eu viria, pensei "por que não chegar super cedo e deixar todo mundo super desconfortável?"
- Não ficamos desconfortáveis, Niall… - o americano Conrad, tirou os olhos do celular, fitando o rapaz com seus olhos castanhos zombeteiros - Talvez só um pouco. - arqueou as sobrancelhas e sorriu ao identificar divertimento no rosto jovem de Horan.
A refeição seguiu-se tranquilamente ao som da conversa entre Niall e Carol. Conrad mantinha os olhos atentos no IPad, sobre a mesa, repousado ao lado de sua xícara, lendo as notícias daquela manhã. E prestava atenção na conversa ao seu redor, rindo vez ou outro dos comentários de Horan.
Apesar de ser semelhante a mãe nos aspectos físicos, a menina possuía o mesma temperamento sereno e postura observadora do pai, além da mesma natureza encantadora e sedutora.
Após levantarem-se da mesa, os adolescentes seguiram para o quarto da loira e sem cerimônia alguma, Niall se jogou sobre o colchão, rolando sobre a colcha cor de rosa, amassando-a. Hilton fechou a porta do closet a fim de trocar os pijamas por calça jeans e uma camisa branca, depois dirigiu-se para o banheiro, ainda descalça e, penteou os cabelos, prendendo-o em um coque e soltou propositalmente alguns fios, a fim de delinear seu rosto.
- O que você quer fazer? - questionou, retornando a presença do amigo, que relaxado tinha o braço atrás da cabeça, e zapeava pelos canais de televisão a fim de encontrar algum filme que serviria de trilha sonora para a conversa, já que sabia que nenhum dos dois assistiria.
- Semana passada você disse que queria ir ao museu. - respondeu displicente, assistindo a menina ajoelhar-se animada sobre o colchão, com o celular em mãos já a procura das informações necessárias sobre o passeio em potencial.
- É uma exposição maravilhosa, eu tenho certeza que você vai gostar! - sorria para a tela do aparelho, já na página do museu. - Nós chamamos a e depois podemos jantar em um restaurante que ela me falou faz um tempinho.
- Vai ser um encontro duplo? - o loiro indagou cheio de sarcasmo, sustentando um pequeno sorriso zombeteiro.
- Como assim? - a inocência da garota sobre o assunto falou mais alto e seus olhos castanhos repletos de confusão, devido a fala, e ofensa, causados pelo tom debochado do rapaz, o encararam de forma calculada.
- Ah , por favor… - juntou as sobrancelhas - Eu vi você e o Zayn ontem em Cambridge!
- Tenho certeza que sim. Assim como todas as outras pessoas que estavam no mesmo ambiente.
- Você entendeu o que eu quis dizer.
- Não, não entendi!
- A forma como vocês conversavam! - sentou-se abruptamente na cama, voltando seu tronco para a loira, que ainda tinha o celular em punho e o mirava desacreditada. - E como você olhava para ele. As coisa que ele falava só para você e a forma como você ria. Eu não sou idiota.
- E isso é da sua porquê...?
Apesar da fala rude, Niall não ofendeu-se, nem ao menos recuou em seu discurso. Conhecia Hilton o suficiente para compreender que a menina se baseava em falas concisas de tom neutro a fim de encontrar a solução racional de forma rápida e objetiva.
- Porque ele já foi um idiota e não era para você se comportar assim ao redor dele! - arregalou seus olhos azuis que expressavam todo seu choque.
No calor do momento não conseguia pensar que agia de forma exagerada diante um assunto simples. Todavia havia deixado sua casa naquela manhã a fim de conversar com e tentar compreender o motivo pelo qual ela claramente havia iniciado uma aproximação com o rapaz que a magoara há nove meses.
- Nós somos amigos agora.
- Meus deus… , eu sou seu amigo. O Zayn… O Zayn é um idiota!
- Você foi um idiota, a te perdoou, vocês continuam namorando e ninguém se opôs a isso!
Horan suspirou alto, fechando os olhos a fim de encontrar um bom argumento na escuridão. Afinal, a fala de Hilton fazia muito sentido.
- É diferente…
- Por que?
- P-Poque eu sabia… e-eu sabia de tudo não contei para ninguém. Errei. Mas o que ele fez foi pior!
- Quem determinou isso? Você?
- Sim! - declarou alto, logo após ouvir o que tinha dito. - Não… Você está me deixando confuso.
A garota riu, deitando sobre o colchão e abraçando a almofada mais próxima.
- Nós somos amigos Niall, só isso.
- Nada se resume a "só isso" quando o assunto é o Zayn. - deitou-se também, ainda contrariado por ter sido vencido.
- Meu deus, você fala dessa forma e ele é seu amigo!
- E por ser meu amigo que eu sei do que estou falando. Mas esquece, você não vai me ouvir mesmo…
- Esquece isso. Não é nada demais…
Eles foram ao museu, só os dois.
E para a felicidade de não tocaram mais no assunto, pois para ela já bastava pensar em Zayn e ser assombrada por milhões questionamentos quando estava sozinha, não queria passar por eles na companhia do melhor amigo.


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No fim de semana seguinte todos os universitários decidiram coincidentemente que era o momento ideal de voltar para a capital. E Louis, muito animado, logo declarou que todos os garotos deveriam ir dormir em sua casa a fim de jogarem video-game até sentirem dores nos pulsos. Entretanto, assim que chegou na mansão Tomlinson, o rapaz teve a agradável surpresa de descobrir que alguns de seus parentes haviam viajado horas para passarem dois dias em Londres e por consequência seus amigos não poderiam dormir ali naquela noite, como também se sentiu mal de passar a noite fora, já que seus tios haviam dirigido um longo percurso.
Harry então foi encunbido de recebê-los. Todavia já havia chamado e para passarem o fim de semana ali e ambos os Styles não queriam nem ao menos cogitar as atrocidades que se originariam da presença de Louis e no mesmo ambiente por horas.
Zayn finalmente surgiu para salvar a noite dos garotos, e ofereceu a casa dos tios para recebê-los. Para alegria geral das nações e desespero completo de Liam, todos concordaram e se encaminharam para a mansão Ortega onde passariam algumas horas se divertindo mas não a noite toda, pois Amina Ortega possuía sangue Malik em suas veias e nenhum dos rapazes estava disposto a confiar sua segurança a um Malik.
Tommo foi o primeiro a chegar, já que ao abrir a porta principal da residência, encontrou Payno descendo as escadas com a desculpa de ir para casa tomar banho e retornar depois do jantar. Tentou convencer o amigo a ficar, porém este foi contundente em sua decisão e prometeu que não iria demorar.
Louis bufou frustrado e girou sobre os calcanhares preparado para subir as escadas e se encaminhar ao quarto de Zayn, todavia tomou um susto ao encontrar Robert parado a sua frente, observando-o com um sorriso alegre nos lábios. O mais velho o cumprimentou e perguntou o que eles pretendiam fazer no restante da tarde e noite, fazendo questão de deixar claro que adorava receber os amigos do sobrinho em sua casa já que a maioria das visitas se resumiam em amigas da esposa ou da filha. Após a breve conversa com o anfitrião o garoto se dirigiu ao andar superior e descobriu que Malik estava tomando banho, o que no mundo de qualquer ser humano normal representava um investimento de no máximo 20 minutos em higiene pessoal, mas no mundo de Zayn se tratava de até 1 hora de desaparecimento e abstenção do mundo exterior.
Decepcionado e sem saber o que fazer, o rapaz caminhou até o quarto de e deu duas batidinhas na porta, ouvindo a mesma permitir a sua entrada. Ao adentrar o recinto percebeu que a morena não estava sozinha, também ocupava lugar na cama da mais nova.
- Oi Lou! - Orteguinha sorriu ao vê-lo aproximar-se curioso, com as sobrancelhas juntas encarando tantos esmaltes espalhados pelo colchão.
- O que você estão fazendo? - indagou deitando na cama, amassando o lençol e esticando o pescoço a fim de bisbilhotar.
- Eu estou pintando as unhas da e depois ela vai pintar as minhas. - Meester respondeu, concentrada na pinceladas, vendo a unha da amiga tomar um tom de vermelho.
- Vocês não iam jogar video-game? - questionou, mirando o amigo que franzia o cenho, lendo os nomes dos esmaltes.
- Nós vamos, mas o seu primo está tomando banho agora. - pegou o pote de acetona e o abriu, inalando o aroma que o produto exalava e fez uma careta, fechando-o novamente, certificando-se de que este estivesse devidamente selado. - Por que o Liam foi embora?
- Porque ele é idiota. - bufou ao borrar o dedo anelar da outra menina e precisar limpá-lo e reiniciar todo o processo nele.
- Nós almoçamos juntos, a chegou e nós vimos um filme e então ele decidiu ir para casa ficar um pouco com os pais dele. - a namorada do rapaz explicou.
- Correção: ele foi embora quando eu pedi para pintar a unha dele. - Meester delatou o rapaz que não estava ali para se defender.
Tommo riu e girou sobre o colchão, obrigando a cessar seus movimentos com o pincel a fim de evitar estragar a sua obra. O moreno sacou o celular do bolso do jeans e sorriu encarando a tela do aparelho, a caçula logo notou a aparente alegria do garoto e o indicou com queixo, chamando a atenção da mais velha, que sorriu de lado.
- E a Angel, Lou? - Meester perguntou. Como de costumo, proferindo o apelido da francesa de forma afetada.
- Ela é perfeita. - o menino suspirou alto, bloqueando o IPhone e colocou as mãos atrás da cabeça - Nós saímos bastante e eu estou tomando todas as medidas necessárias para não estragar tudo.
- Que são?
- Não apresentar ela para os meus amigos idiotas.
- Boa ideia!
- E o Max, ? - indagou curiosa, já que todas as vezes que a palavra perfeição era pronunciada, Meester falava em como o DJ era perfeito.
- Está bem. - deu de ombros, sem o interesse de aprofundar-se no assunto.
- Vocês ainda estão saindo?
- Sim…
- Você descobriu o defeito dele, não foi? - Tomlinson cerrou os lábios, sentando-se sobre o colchão empolgado em ouvir a fofoca.
- Eu não quero falar sobre isso. - a morena foi incisiva, dedicando total atenção a seu trabalho de manicure.
Orteguinha cresceu os olhos chocada, já que sua curiosidade por absolutamente tudo o que a cercava a corroia o tempo todo. No entanto, havia prometido a melhor amiga que não se intrometeria mais em sua vida amorosa, portanto não podia fazer perguntas indiscretas e irritantes e recorreu a Tommo com um olhar significativo, indicando a outra garota com queixo, para que o rapaz prosseguisse a sessão de perguntas.
- Ah, fala vai. - o menino deu de ombros, tentando passar confiança a que o fitou ponderando suas opções e suspirou alto, guardando o fechando o pequeno vidro de esmalte e deixando-o de lado.
- Sábado passado o Max deu um passada o apartamento… - iniciou seu relato.
- Uau, ele saiu de Oxford só para te ver? - a caçula questionou impressionada, vendo a outra confirmar com a cabeça.
- Quando ele chegou a não estava em casa, nós jantamos, conversamos. Tudo estava correndo bem. Mas então, a chegou… - temerosa, fechou os olhos, infelizmente revivendo aquele momento chocante e desolador - E foi então que... - juntou as sobrancelhas abalada, observando que os amigos, projetavam os troncos para frente a fim de ouvirem melhor, completamente absortos em seu relato - q-que eu soube. - uma pausa dramática e excessivamente longa teve início.
- Pelo amor de deus fala logo! - sentia que ia explodir a qualquer momento.
- Max West é um Westwick.
- Meu deus! - a morena mais nova colocou a mão sobre os lábios, deixando sua perplexidade transparecer por seus olhos verdes.
- Meu deus! - Louis gritou, saltando e ficando em pé sobre a cama, visivelmente animado com a notícia - Você está saindo com o Max?! O Max primo da ?! O Max DJ, a melhor pessoa do mundo?! - perguntava pulando, fazendo o colchão se agitar e as garotas sacolejarem.
desviou o rosto dos olhos arguciosos do menino e encarou a própria mão por alguns segundos, percebendo que o colchão não mais balançava pois Tomlinson permanecia imóvel aguardando a resposta que já sabia qual era, todavia gostaria de ter o prazer de ouvir aquela pequena palavra escoar pelos lábios rosados de Meester.
- Sim. - disse baixo, mas foi o suficiente para Tommo voltar a pular insanamente e Ortega gargalhar diante a efusiva alegria do moreno.
- Esse é o melhor dia da minha vida. - ele disse maravilhado, caindo sobre a cama, respirando com dificuldade devido o esforço físico.
- Eu odeio cada minuto disso. Essa semana foi um inferno! - encarava a amiga, censurando-a por sorrir e logo o pequeno sinal de alegria no rosto de Ortega se dissipou e a menina tomou um ar sério e concentrado - Eu evitei a o máximo que pude, mas sempre que ela me via me chamava de priminha - fez uma careta desgostosa - e eu realmente fiquei a ponto de vomitar!
- Ah, a deve ter ficado tão chocada quanto você quando tudo isso foi descoberto. - falou a primeira coisa que lhe veio à mente, envergonhando-se assim que o ouviu, pois tal comentário era óbvio e não acrescentava em nada na conversa.
- Eu não estou nem ai para a . Ela está arruinando a perfeição do Max!
- O Max é realmente perfeito. - Louis sentou-se, já recuperado de seu acesso de felicidade - Eu namoraria aquele cara! Eu até tentei mas na época a e ainda estávamos juntos e ele disse que sabia que ela nos enterraria vivos se algo realmente acontecesse.
- Eu não o conheço… - Ortega cerrou os olhos, recordando de todas as vezes que esteve no apartamento do namorado - O Liam ainda tem a estranha mania de fugir de todos os vizinhos.
- Enfim - bufou, fazendo o assunto voltar a se focar o problema - , eu só sei que as coisas não podem continuar assim!
- Você vai terminar com ele? - arqueou as sobrancelhas chocadas - Você vai terminar com ele só porque ele é primo da ?!
- Eu preciso! - a mais velha se defendeu ao sentir dois pares de olhos recriminadores sobre si - Além do mais não é como se nós tivéssemos algo sério! Ele vai sobreviver… - deu de ombros, enrolando as pontas dos fios negros e curtos nos dedos.
- O fato de ele ser primo da é a melhor parte de todas!
- Meu deus, quando vocês se casarem você vai se tornar Westwick!
- Isso precisa acontecer!
- Eu vou vomitar! - Meester fechou os olhos com força, escondendo o rosto nas mãos macias - Estou prestes a vomitar!
Louis gargalhou e abraçou uma almofada azul: - Então agora você vai ficar só com o Finn?
- Claro! Você fala como se tivesse mais alguém, mas não tem. Não tem ninguém. Só o Finn. - a universitária falou rápido demais, evasiva e sem conseguir fitar os olhos dos amigos que franziram o cenho se entreolhando.
- Meu deus. - arqueava as sobrancelhas lentamente - Tem um terceiro cara?!
- Quem é? - Tomlinson ajoelhava sobre o colchão tendo certeza que aquela sessão fofoca seria melhor que a noite inteira de video game que teria com os amigos que estavam muito atrasados.
- Ninguém! - cresceu os olhos.
- Claro que é alguém, olha para você, você está ficando vermelha! - Ortega não conseguia mais se conter.
- Não tem ninguém!
- Okay. - Louis acalmou-se e respirou profundamente, apoiando a mão no ombro de - Nós não precisamos saber quem é. Mas não adianta negar porque nós sabemos que tem um terceiro cara.
- Vocês são insuportáveis. - bufou irritada e levantou-se, encaminhando-se ao banheiro, fazendo questão de levar o celular consigo, pois o terceiro cara lhe mandava mensagens de texto constantemente, mesmo que nunca recebesse uma resposta sequer
- Qual dos três você acha que ela gosta mais? - Tommo cutucou a caçula com o cotovelo, ouvindo a porta do banheiro ser fechada com um estrondo alto e riu voltando sua intenção para os esmaltes que haviam despertado seu interesse desde o momento em que chegara e perguntou a Ortega se poderia tentar pintar a outra mão da garota.
No dia seguinte Meester retornou a Cambridge e ao adentrar seu apartamento encontrou deitada no sofá lendo um livro. A ruiva a comprimentou a chamando de priminha e farta daquele jogo de provocações, ligou para Max e informou que não seria mais possível levar aquilo a frente pois sabia que mataria se a garota utilizasse aquele vocativo mais uma vez para se referir à morena.


ooo


- , nós precisamos conversar.
Liam entrou na sala do piano da mansão Ortega onde estudava uma partitura simples, como tarefa de casa estipulada pela mãe com o intuito de não perder a pouca prática que a menina tinha com o instrumento.
- Babe! - a menina virou-se sobre o banquinho de madeira e ficou de pé em um salto, animada com a aparição surpresa de Payne. Ela atravessou a sala e o recebeu com um abraço e um beijo na bochecha. - Gostei da sua camiseta. - apontou com o queixo para a regata do Miami Heat enquanto o puxava pela mão até o sofá marrom.
- Meu pai trouxe de Miami pra mim. - Liam explicou sucintamente enquanto sentava ao lado da namorada, avaliando que ela mesma não estava nada mal com aquele shortinho branco e a camisa curta que exibia um pedaço da barriga pálida.
- Então, que horas você chegou em Londres? - questionou amigável, esticando os dedos e pressionando os pulsos para relaxar as mãos cansadas de praticar.
- Já tem um tempinho, eu fui em casa ver minha mãe e ela acabou me convencendo a comer antes de vir aqui. - ele contou meio frustrado porque já tinha comido antes de sair de Oxford mas Karen o chantageou emocionalmente e ele comeu muito.
- O que você comeu?
- Muita coisa, mas tinha uma torta de amora e cream cheese que estava divina. Eu comi quase a metade.
- Isso me deu fome, me leva para comer fora?
levantou animada e disposta para uma aventura no meio da tarde, principalmente quando essa aventura terminaria com ela e um prato de doce, matando a ansiedade que a consumia por causa de sua próxima apresentação de dança.
- Agora? - Liam piscou, atônito.
- Sim! Nós podemos ir naquela padaria perto da casa da , lá tem um bolo de quatro leites que é a melhor invenção humana! - a garota esperou que ele levantasse para que os dois fossem até seu quarto buscar tênis, carteira e passar um gloss.
Liam levantou e acompanhou até o quarto confortável dela, ouvindo-a contar sobre as expectativas para a apresentação e como o preparo nunca parecia o suficiente, mas ele se limitou a sorrir sozinho ao se pegar dando uma boa olhada nas costas da dançarina, sabia que naquela faixa de pele a mostra entre o short e a camiseta existia um ponto fraco dela, que era só arrepios quando ele se dignava a beijar ali.
Uma pena que ele dificilmente poderia realizar tal fantasia.
Não quando estava no território da megera da sua sogra e correr o risco de ser flagrado. Preferia a castidade à ter que se desculpar com Amina Ortega por estar pervertendo sua única filha.
- Você não tem noção da guerra que a minha mãe está travando com a lista de convidados e os ingressos disponíveis, ainda bem que eu já tinha colocado a na lista, então ela não pode reclamar da minha única convidada. - Orteguinha confidenciou enquanto enfiava os pés no tênis azul claro, apoiando-se na beira da cama.
- E eu? - Liam ficou em pé mesmo, apoiado contra a parede, de braços cruzados, ao lado da porta. Falou antes de sequer ligar os pontos e considerar que talvez ela já soubesse da decisão da mãe.
- Você já é família, não existe a possibilidade de não ir, não é? - terminou o laço do lado esquerdo e colocou o pé no chão. - Pronto, peguei tudo o que precisava. Vamos?
- , nós precisamos conversar. - Liam repetiu.
- O que aconteceu? Está tudo bem? - ficou preocupada.
A mão na maçaneta foi baixada e ela manteve a porta fechada, fitando o namorado com receio do que ele viria a dizer, já que ele não era do tipo de pessoa que vinha com "Nós precisamos conversar" por nada.
Liam foi até a mesa de estudo de , puxou a cadeira e sentou.
- A sua mãe me ligou.
- Oh. - acenou uma vez com a cabeça e engoliu em seco porque uma conversa que começava com aquela sentença nunca poderia terminar bem.
- Ela pediu para eu abrir mão do meu convite para que ela possa colocar alguém, não pergunte quem porque eu não lembro quem é, no meu lugar. - Payne contou com o máximo de imparcialidade que podia, procurando cuidadosamente não expressar o desgosto infernal que sentia por causa daquela ligação ridícula.
- Eu não acredito! Meu deus, eu vou falar com ela agora. - a menina fez menção de abrir a porta para procurar a mãe e entender o que tinha acontecido. Com certeza Amina tinha um bom motivo e logo eles descobririam que não passou de um mal entendido.
- Não, me escuta, . - Liam falou mais alto para chamar a atenção dela sem precisar levantar. Seu apelo funcionou porque foi sentar na ponta da cama, de ombros caídos. - Não adianta você falar com ela, nós vamos continuar tendo esse tipo de problema enquanto ela continuar tomando decisões por você.
- Minha mãe não toma decisões por mim. - franziu o cenho, ofendida.
Bom, pelo menos não no limite de decisões que uma garota de dezessete anos poderia tomar. Sua consciência pontuou sabiamente.
- Para ser honesto, ultimamente eu venho me perguntando quanto por cento de você é realmente você e não um espectro dos desejos da sua mãe, que por sinal, eu não suporto. - Payne coçou a nuca, irritado só de mencionar Amina Ortega.
- Você está sendo rude de propósito?
- Eu estou falando sério, .
- Eu preferia que não estivesse… - resmungou emburrada. E o biquinho de descontentamento dela quase distraiu Liam, que se pegou pensando em algumas maneiras interessantes de desfazer aquela feição insatisfeita.
Ele agitou a cabeça rapidamente e dispersou os pensamentos inadequados para aquela situação. E qual não foi sua surpresa ao constatar que a menina parecia ler os seus pensamentos porque sorria sapeca, desafiando-o a por os planos sórdidos em prática.
- . - Liam chamou a atenção dela.
desfez o sorriso simpático e voltou à carranca usual nas discussões sobre o ódio de Liam contra a mãe dela. Era pedir muito ter um pouco de paz e civilidade entre eles? Como Liam não via que apesar de tudo, Amina era sua mãe e ficava triste com o conflito entre eles?
- O que você quer que eu faça? Comece a gritar e espernear porque você acabou de me chamar de ameba, burra e sem vontades próprias? - ela riu sem humor.
- Ah, pelo amor de deus! Você está colocando palavras na minha boca!
- Oh, me desculpe! - colocou a mão no peito e arregalou os olhos. - E o que eu deveria entender de "você é um espectro da sua mãe", babe?
- Puta que pariu, . - Liam travou o maxilar. Sentia que as coisas não estavam seguindo o curso planejado e honestamente sua namorada não parecia fazer questão de levá-lo a sério. - O que eu quero dizer é que isso - apontou entre os dois - não está funcionando. - ele voltou a cruzar os braços, chateado. - Eu vivo a metade do tempo sem te ver, e quando você dá as graças da sua presença, está sempre tão brava com algo que a sua mãe fez que nós nem aproveitamos.
- Se isto é por causa do sexo…
- Se fosse sobre sexo, eu não teria nenhuma reclamação a fazer.
- Bom mesmo. - Ortega pareceu mais satisfeita e só não encerrou a conversa por ali porque sentia que o namorado tinha mais a dizer. Infelizmente.
Minutos se passaram e Liam precisou engolir em seco diversas vezes até encontrar coragem para falar:
- Eu acho que nós não estamos conseguindo fazer dar certo e se é pra ser esse sofrimento pra sempre, é melhor nós terminarmos.
- Você quer terminar? Comigo? Por que a minha mãe te incomoda? - dessa vez riu mesmo, surpresa com a solução drasticamente covarde de Payne. E olha que de todas as pessoas
- Porque ela me persegue e me caça como um carrasco da Inquisição. Porque ela se esforça pra deixar bem claro que não me quer com você. Porque eu passo mais tempo me ocupando em fugir das garras infernais dela do que desfrutando nosso tempo juntos.
- Se é o que você realmente quer, tudo bem. - Orteguinha encolheu os ombros, anormalmente serena. - Eu só esperava que você tivesse a coragem de fazer isso de uma maneira honesta, e não se esconder por trás de uma desculpa patética.
Tudo bem!? Ele quis gritar e impedir de aceitar tão bem que ele abrisse mão dos dois.
- Você está agindo como se eu fosse o vilão aqui.
- Ai, Liam. - suspirou, esmorecida. - Vai embora.
- Tudo bem. - ele concordou com um aceno e saiu a contragosto, mas não antes de ouvir o tratamento "carinhoso" que Ortega reservou para ele.
- Idiota.
Liam deixou a residência Ortega tão chocado com o fato de que estava solteiro que dirigiu cegamente de volta a casa de seus pais, assimilando a discussão patética promovida por sua cabeça quente e que lhe rendeu o fim do relacionamento com .
Tudo bem, ele ainda estava chateado com ela e achava-se dono da razão, mas mesmo em meio a sua lista de razões para ter feito o que fez, não podia deixar de ignorar a voz de sua consciência alertando-o de que mais cedo ou mais tarde iria se arrepender daquela decisão.
Aproveitou um semáforo fechado e mandou uma mensagem para e outra para Zayn perguntando onde estavam porque ele precisava conversar com os dois. Como não houve resposta, Payne decidiu tomar um banho demorado para colocar os pensamentos em ordem antes de voltar para Oxford e lidar com a indiscrição dos amigos, que por certo não o deixariam em paz pelo próximo mês.
De banho tomado, dentes escovados e vestido em um par confortável de moletom preto, Liam pegou o celular e abriu o aplicativo de mensagens, procurando a conversa com mesmo sem saber exatamente o que dizer. Viu que ela estava online e franziu o cenho, ela não deveria estar sofrendo e se debatendo como ele?
Abriu o teclado e batucou os dedos, decidindo o que escrever, mas duas vozes alteradas ecoando pelo corredor do terceiro andar o impediram de cometer uma estupidez. E ele deixou o celular de lado e abriu a porta para esperar Zayn e o alcançarem sem causar uma carnificina ali dentro da casa dele.
- Como você tem a coragem de me chamar aqui junto com essa doida? Quer me matar? – Zayn reclamou com Payne, de saco cheio da provocação de Meester desde o momento em que cruzaram caminhos, há exatos três minutos. Já não aguentava mais!
- O que você quer, Payne? Não sabe que eu estou ocupada?! – era só revolta e raiva, com uma pitada de curiosidade, direcionadas à Liam.
- E por que você veio, então? – ele questionou e abriu espaço para que a amiga entrasse no quarto.
Zayn entrou logo em seguida e fechou a porta desleixadamente.
- Você mandou mensagem. Você nunca manda mensagem. – Meester confessou. - Eu fiquei preocupada.
- Que generosidade da sua parte, vir até aqui pra checar o meu bem estar. – Liam sorriu sem humor.
- Pois é, eu pensei em pedir pro Alfred passar com o carro em cima do Malik mas eu já sei que ia receber um não, então nem arrisquei.
- Eu tenho pena do Alfred por ter que aguentar você esse tempo todo. Ou ele é idiota, ou está precisando muito mesmo pra se submeter a isso.
- Pelo menos ele não apostou com ninguém pra transar comigo.
- Vai se foder.
- E perdeu.
- Já chega, vocês dois. – Liam ergueu a voz para interromper o inferno eterno existente entre seus melhores amigos.
- Nossa, Liam. – fez um biquinho magoado.
- Que bom que vocês dois estão aqui juntos, assim eu não tenho que repetir a novidade. – ele declarou aborrecidamente, parecendo que estava prestes a enfrentar o julgamento de sua vida.
A dupla odiosa rapidamente esqueceu porque discutiam e em instantes Payne estava sendo analisado como um espécime raro recém descoberto, e já era de se esperar que fizesse isso mas até mesmo Zayn, que nunca estava plenamente conectado nesta realidade, parecia interessado, embora não soubesse o que procurava.
Meester chegou rapidamente a um veredicto:
- Hmm, não. – ergueu o dedo indicador, interrompendo o que quer Liam fosse falar. O rapaz fechou a boca e deixou-a falar porque não estava morrendo de ansiedade para contar - Qualquer que seja a sua ideia, eu te aconselho fortemente a abandonar.
- Do que você está falando? - Liam franziu o cenho. Aquela garota estava chapada?
revirou os olhos, cansada da falta de inteligência das pessoas ao seu redor.
- Bom, você chamou nós dois aqui. O primo, por mais inútil que seja, e a melhor amiga. - explicou e ganhou um olhar cansado de Zayn, a eterna vítima do ódio da garota. - É claro que tem um grande plano e o meu palpite é que você planeja chamar a para morar com você. - terminou de expor sua ideia e ao final disso Liam estava de queixo caído, embasbacado com a criatividade sádica da amiga, e Malik enxergou a lógica da situação.
- Ou uma gravidez indesejada. - o moreno puxou a cadeira da mesa de estudo e tomou o cuidado de tirar a carteira de cigarro antes de sentar.
- Não, isso não. Se fosse uma coisa tão ruim, a já teria entrado em contato. - descartou a suposição.
- Tem razão. - Zayn se viu forçado a concordar.- Você sabe que os meus tios vão se opor a isso, certo, Payno? - recostou-se no encosto da cadeira e cruzou a perna direita sobre a esquerda.
- Eu me perco em tanta estupidez. - Liam balançou a cabeça.
- Se você parasse de me fazer perder meu tempo e falasse logo, talvez eu não precisasse me dar ao trabalho de adivinhar sua grande "novidade".
Malik inclinou a cabeça enquanto falava e reclamava (o que era a única habilidade daquela criatura) e Liam xingava e se explicava, e se dedicou a estudar o amigo. Liam não estava feliz, havia um aborrecimento contido em seus modos mas também era claro que não se tratava de uma simples briga de casal, já que Payne convocou não só ele como também , juntos, de uma vez.
Liam era prudente demais para aparecer com uma ideia estúpida como um pedido de casamento ou uma grandiosa homenagem. E após a exclusão dos caminhos mais viáveis, só restou uma situação:
- Vocês terminaram, Liam? - questionou com um sorriso confuso. Aquela pergunta não fazia o menor sentido, aquela suspeita por si só era totalmente infundada porque eles estavam falando de Liam e .
Liam e pararam de discutir, e enquanto a garota olhava entre os dois meninos, primeiro achando a suposição absurda e então possível e assustadora, Liam pareceu perplexo com a exatidão daquele palpite. Será que ele já sabia?
- Ahn… - coçou o pescoço, embaraçado. - Sim. - admitiu finalmente.
- Terminaram mesmo ou brigaram e não sabem em que termos estão? - cerrou os olhos.
- Eu disse pra ela que não dava mais, ela pediu pra eu ir embora. - Payne especificou exatamente em que pé estavam. A menos que Amina Ortega fosse apagada da existência humana, ele não ia voltar atrás na sua decisão.
Zayn, que alisava a barba negra, olhava diretamente para Liam com um misto de surpresa e incredulidade.
- Uau.
- Puta que pariu. Vocês não poderiam ter escolhido uma semana pior pra fazer isso. - Meester não reagiu tão bem. - Eu tenho que voltar pra Cambridge, Liam! Que inferno! - reclamou, imaginando-se presa em um espiral de drama e desabafos que só iam atrasar a sua vida em uma semana ou duas, até que eles se resolvessem.
Como ela teria tempo para Harry? E Finn? E superar Max?
- E quem está te impedindo, ? - Liam respondeu, no ápice da irritação porque não estava sendo levado a sério.
- Como é que eu volto pra casa se a deve estar se debulhando em lágrimas por sua causa, idiota?
Zayn levantou e caminhou pelo quarto, ansioso, decidiu acender um cigarro porque a situação pedia uma dose de calmante. E só depois da primeira tragada ele decidiu expor sua indignação.
- Eu não acredito que você terminou com a minha prima, Liam. Você até apanhou por causa dela, fez de tudo pra ficar com ela e agora decidiu terminar? - relembrou o infame acontecimento.
- Faz sentido se consideramos que já faz alguns meses desde que você conseguiu o que tanto queria: transar com a . - estava de braços cruzados, julgando o rapaz silenciosamente. E fácil assim a tensão foi lá em cima, deixando o clima muito menos aconchegante e amigável.
- Filho da puta! - Malik arregalou os olhos quando a ficha caiu. Ele ia matar Liam!
- Você ficou louca, ? - Liam ergueu as mãos e aumentou o tom de voz, indignado com a suposição ridícula. - Nós não terminamos por isso, caralho!
Puta merda. Como ele não pensou nisso? Agora a menina deveria estar sozinha pensando que eles terminaram só porque finalmente aconteceu o sexo. Puta que pariu.
- Bom, isso é um clássico movimento seu, Payne. - Zayn comentou amargamente e Liam apontou o dedo para ele e rebateu:
- Me respeita, Zayn! Tá achando que eu sou você é?
- Isso está ficando tão bom. - sorria lindamente, satisfeita com a confusão que se formava. Se tivesse um pouco de sorte, alguém ainda apanharia antes que ela fosse embora. Mas, para sua infelicidade, os dois garotos se acalmaram e ela teve que voltar a falar sério. - Conta pra mim porque você decidiu terminar, Liam. - pediu, e dessa vez a dupla parou de discutir e Zayn, juntamente com , passaram a esperar por explicações de Payne.
- Eu não agüentava mais a Amina. - Liam foi sucinto, já que não haviam melhores palavras para descrever o que o levou à extrema infelicidade e desconforto contínuos.
- Oh. - Meester fez um biquinho. Aquilo era um bom motivo para se terminar com alguém, ela tinha que admitir.
A frustração agitou o sangue de Liam e ele começou a andar de um lado para o outro, ansioso e irritado. Bravo com por não ter proibido-o de terminar, bravo com Amina Ortega que se esforçava para dificultar sua vida, e bravo consigo por deixar o veneno da sogra subir à sua cabeça e acabar estragando a coisa mais preciosa que havia conquistado nos últimos anos.
Meses de investimento contínuo e perseverante foram por água abaixo em dez minutos de uma crise ridícula!
- Eu não sei o que aconteceu mas depois das férias ela ficou obcecada em me perseguir, começou a proibir a de me ver, eu não podia mais ir lá, e agora ela quer que eu pare de ir nas apresentações da garota! - ele desabafou as mágoas de seu coração.
- Isso não é meio que uma benção? - franziu o cenho.
- Eu gostaria de saber o que fazer pra me livrar dessa obrigação… - Zayn suspirou, desejando que um dia tivesse a sorte grande assim.
- Nós chegamos em um ponto onde eu não sei mais separar quem era a minha namorada e quem era o bichinho de estimação da Amina. - Liam continuou a falar, o que era um evento extraordinário para alguém que não gostava de falar tanto assim. Até parecia e seus dramas infindos. - E eu não posso, de jeito nenhum, ficar com a e ter que investigar se cada passo que ela dá, é porque ela quer mesmo ou está só reproduzindo os desejos da louca.
- Ai, Liam. Isso é a coisa mais patética que você já falou! – Zayn riu debochado. – A tia Amina é ótima, atenciosa, carinhosa, gosta de mimar e não é um segredo que ela tem um dom para as artes. Você pinta essa imagem dela como se estivesse falando do Satã em pessoa, enquanto todo mundo sabe que o meu pai é o Satã.
- É claro como ela tem uma ligação direta com o Belzebu. - revirou os olhos.
- Dá pra parar de ofender o meu sangue?
- Não precisa ficar ofendidinho porque alguém aqui tem coragem de falar a verdade, Malik.
- Dá pra parar com isso? Eu não chamei vocês pra assistir essas discussões idiotas. - Liam ergueu a voz, cansado de Zayn e , ninguém mais aguentava o mesmo teatrinho toda vez que os dois estavam no mesmo ambiente, era desgastante.
suspirou, resignada, e cruzou os braços, pronta para solucionar rapidamente aquele dilema:
- Tudo bem, voltando ao seu problema então. Você sempre pode pedir desculpa e assumir que foi um babaca. - disse, prática.
- Nem fodendo. - Liam arregalou os olhos.
- É, não faz isso não. É bom ser solteiro. - Zayn corroborou a ideia de Liam na ativa novamente, como nos velhos tempos.
- É mesmo, Malik? E por que você fica correndo atrás da o tempo inteiro tentando conquistar ela de volta? - cerrou os olhos, fingindo não compreender o mistério da relação dos ex que agora aparentemente eram melhores amigos.
Só um idiota não via que Malik claramente estava fazendo um movimento para prender a pobre de volta naquela redoma de infelicidade e melancolia que o filho da puta possuía.
- Nós somos só amigos, idiota. - Zayn ficou até mais manso só pela menção do nome de . Estava com saudade dela...
- Claro. - arreganhou os dentes sem sorrir propriamente. - Liam, eu ainda não consigo entender porque você foi tão drástico na sua decisão. Não faz sentido, vocês se adoram!
- A questão não era essa, . A situação não era mais ideal.
- Ah, vai se foder! Tem um monte de gente por aí dando a vida pra poder ficar com quem gosta e você, que nem merecia uma sorte dessas, conseguiu essa proeza e agora estragou tudo por causa da sua sogra! Eu fico sem palavras para tamanha estupidez! Pelo amor de deus, Payne! Você merece ficar sozinho mesmo.
Liam permaneceu incólume, impressionado com a revolta da morena , e Zayn deixou o queixo cair e ficou de boca aberta com o quanto concordava com as palavras daquele ser humano perturbado e perverso.
Poderia complementar o discurso com a sua opinião de quem nem todo mundo tem a sorte de encontrar alguém especial, e menos pessoas ainda têm a oportunidade de criar uma história, como Liam e , portanto Payne era o maior dos idiotas por jogar fora algo que todo mundo desejava. Mas não ia dizer um "a" que fosse, se isso significava que ele estava ajudando Liam a perverter a prima caçula. Limites.
- Agora eu vou lá pra perder o resto da minha noite, graças à sua estupidez. - Meester resmungou mal humorada e saiu tempestivamente, cancelando os planos para a noite em caso de realmente estar precisando de companhia.
Quando ela se foi, Zayn decidiu que já era hora para mais um cigarro, e o som do isqueiro sendo riscado chamou a atenção de Liam, que olhava para ele meio que implorando por uma solução urgente.
Zayn coçou a barba por fazer e então veio com o melhor que podia dizer sem ter que falar muito:
- Se você não entendeu o que ela quis dizer, eu vou repetir de uma forma mais simples: você errou feio, cara.


ooo


Na segunda-feira o jantar foi na casa da vovó Styles e como de costume, Niall foi junto, compensando a ausência de Harry que estava em Oxford sendo o orgulho da família e trilhando os passos do pai que um dia, na juventude, foi um aluno da renomada universidade.
Horan podia não ter ido para Oxford, mas a família da namorada não gostava menos dele por isto, Desmond gostava de conversar com ele, Kate sempre era agradável e estava perguntando sobre os pais do genro, e a avó de consideração de se afeiçoou ao garoto irlandês de riso fácil garantindo seu lugar à mesa nas reuniões quinzenais.
Eles foram no Rolls Royce de Des, mas Niall não se incomodou em deixar às vezes como motorista e sentar no banco de trás, como fazia quando era criança.
- Eu vou pedir para preparar um chá antes de subirmos, o que vocês acham? - Kate virou o rosto o suficiente para ver as crianças no banco de trás. Sorriu discreto ao ver as tais "crianças" de mãos dadas e se achou boba por esquecer de como o tempo passou rápido.
- Depende, se eu puder fumar meu charuto na sala. - Desmond propôs, buscando burlar a regra de proibição de seus charutos fora do escritório particular em troca de sua magnífica companhia.
- Se eu falar que comi torradinha demais, vocês não vão acreditar. - passou a mão sobre a barriguinha estufada.
- Eu também exagerei hoje. - Niall sorriu culpado.
- Não tem problema, crianças, eu vou em frente e confessar que se nós não viéssemos logo embora, eu teria que desabotoar minha calça.
- Desmond!
- É só a verdade! - o homem arregalou os olhos.
Desligou o motor e deixou a chave na ignição para ser levado até a garagem e foi até a porta do carona abrir para a esposa descer também. Ela segurava um pote de vidro com a tampa vermelha, contendo a carne favorita de Des, preparada na cozinha da mãe especialmente para ele levar.
O casal mais velho seguiu na frente e logo atrás vinham Niall e , seguindo-os no encalço, balançando as mãos entrelaçadas, enquanto o Sr. Styles recomeçava seus comentários sobre a ladainha política que cercou toda a noite.
- Eu estou falando pra vocês, mais uma noite assim e nós vamos terminar com um corpo e polícia.
- E o The Sun. - Kate tirou o casaco e o entregou ao funcionário que abriu a porta para eles.
- Deus me livre. - Des balançou a cabeça.
- Eu conheci uma editora do The Sun, eles têm uma rede de informações nessa cidade que parece máfia. - Niall decidiu adicionar um pouco de fofoca à conversa e contou um pouco do que sabia, do que se dizia, pelos corredores da gravadora.
- Não foi por causa de uma matéria deles que os pais da Penny se separaram? - trouxe à tona o fato que chocou a alta sociedade londrina há algumas semanas.
O quarteto se encaminhou até a sala de estar de visitas e o patriarca foi o primeiro a se acomodar em sua poltrona de couro marrom escuro. O jovem casal ficou em pé, próximos a porta.
- Eu pensava que tinha sido do Daily Mail. - Katherine franziu o cenho, confusa.
- Não, o Daily Mail não é tão sensacionalista. - Des nem sabia porque estava defendendo aquele jornal.
- Eu vou pedir um chá. Vocês dois vão subir? - a mulher disse após um suspiro decidido a encerrar o assunto. concordou com um murmúrio e Niall apenas sorriu cerrado, sentindo aquela culpa cotidiana de todas as vezes que ia ficar sozinho com e todo mundo na casa pensava que eles estavam transando. - Tudo bem, se comportem.
Os dois subiram as escadas correndo e aos risinhos por causa do conselho maternal de Kate, e Niall começou a listar uma série de impropérios para julgar se encaixavam-se ou não nos padrões de bom comportamento da Sra. Styles.
A princesinha dos Styles ficou impressionada como depois de todo aquele tempo, Horan era capaz de fazê-la corar.
- Meu deus, que quarto gelado! Parece que alguém morreu. - ela se arrepiou ao arregaçar a porta branca.
reclamou e foi direto ao termômetro, mudou a temperatura para garantir que ia ficar quente o suficiente para sentir calor. Afinal de contas, merecia sentir-se como numa noite de verão depois de tantos dias seguidos de inverno, já estava cansada daquele clima.
Tirou o casaco gigante que só usou na hora de vir embora, descalçou os pés e chutou o par de tênis para o canto e também tirou os brincos que usou para evitar perdê-los no meio dos lençóis.
- Quando nós vamos ter férias de novo? Eu quero ir para a praia! - Niall reclamou, lançando-se embaixo dos cobertores grossos e mantendo um braço erguido para formar uma cabana no espaço reservado para , que finalmente abriu o botão e desceu o zíper de sua calça e pulou na cama.
Niall puxou as cobertas e cobriu as cabeças deles.
- Lembra do Caribe? - cantarolou saudosamente.
- Ah, eu lembro. - ele concordou, mas não parecia guardar o mesmo tipo de memória. - Eu fiquei uma semana inteira de molho, com insolação! - passou o braço ao redor da cintura da menina e a puxou até que estivesse com o corpo junto ao seu.
- Coitadinho! Mas depois foi tudo divertido, não é mesmo? - princesinha questionou mas a última parte de sua sentença foi só um suspiro surpreso e então ela fechou os olhos.
Horan teve então uma brilhante ideia:
- Você quer viajar no próximo feriado? Nós podemos ir para as Maldivas por uns três dias. - sugeriu animado.
- Naquela ilha que tem o hotel do coração?
- Não sei se esse hotel é lá. - Niall deu de ombros - mas imagina só: você com os pés na areia quente, aquela água transparente de tão limpa que é, piña coladas e eu, é claro.
- Eu estou com saudade do Seven.
- Ah, não. Nada de Caribe, Caribe é insolação.
- Teve insolação porque você foi teimoso, a reclama disso até hoje.
- Não foi ela quem ficou com a bunda descascando.
- Aw, sua bundinha irlandesa vermelha. Um charme! - brincou e rastejou até que estivesse em cima dele, com uma perna de cada lado, e deitou o tronco sobre o de Niall, emaranhando os dedos no cabelo loiro dele.
O rapaz riu da piada, capaz de encontrar a diversão na própria desgraça agora que sua "bundinha irlandesa" estava sarada. A risada se transformou em um suave sorriso, quase solene, enquanto ele absorvia e se embevecia nas feições da namorada, os olhos de eram simpáticos e seu sorriso, devastador.
pressionou os lábios carnudos contra os de Niall, apertou os dedos quando ele sugou seu lábio inferior e afundou as mãos contra as coxas esguias dela. O irlandês pensou que poderia ficar para sempre assim e se frustrou imensamente ao lembrar que precisava ir embora ainda naquela noite. Maldito Coordenador de Estágio e seus relatórios infinitos e entediantes.
Irritou-se com os pensamentos sobre a faculdade e o relatório atrasado enquanto segurava a namorada em seus braços e a tocava de maneira tão íntima, rolou com sobre o colchão e continuou com os lábios junto aos dela, acariciando sua língua com gosto de vinho, forçando-se a aceitar que era tudo o que teria por hoje e quanto mais rápido fosse embora, menor seria o sofrimento.
- O que foi? - percebeu a reticência dele.
Niall se afastou e apoiou-se sobre um braço, usando a mão livre para acariciar o cabelo de , sabia que ela ia ser insistente e depois ia ficar brava, conhecia aquele roteiro de trás para frente.
- Eu preciso ir embora. - disse por fim e beijou sua cabeça.
- Pra onde? - sorria, achando graça da declaração inusitada do namorado.
- Para minha casa. - ele riu também.
- Ah não, fica comigo! - o abraçou pelo pescoço, toda mansa, tratando de dar ao rapaz um bom motivo para ficar. - Eu odeio dormir sozinha. - confessou entre beijinhos atordoantes.
- Você é terrível. - Niall a acusou porém não haviam traços de real incômodo com aquele jeitinho único dela de tentar convencê-lo a ficar. Ele ficaria mesmo se a nota do bimestre não dependesse daquele relatório...
- Nós podemos terminar o documentário do Ted Bundy! - a loirinha sugeriu animada e sentou na cama com um impulso só, procurou o notebook cinza sobre as superfícies do quarto. Localizou primeiro o carregador e supôs que o aparelho deveria estar por perto, então se arrastou sobre a cama até o puff disposto aos pés da cama.
- Eu pensei que você não queria mais ver aquilo. - Niall sentou com os pés para fora da cama.
- É meio assustador, mas você está aqui comigo. - deu de ombros infantilmente enquanto recostava-se na cabeceira da cama para procurar o documentário.
- Vamos ver um episódio então, - Niall declarou, vencido, retornando ao seu lugar na cama, esperando a garota lembrar o nome do programa, que simplesmente lhe escapou da memória. - E aí eu vou pra casa.
- Por quê?
- Porque eu tenho que terminar o meu relatório de estágio e falta muita coisa.
- Você pode fazer isso amanhã!
- Eu tenho aula o dia inteiro, babe. Como vou ter tempo pra terminar o trabalho? - o irlandês cruzou os braços e riu divertido.
espelhou o sorriso e prontamente ofereceu uma solução:
- Faz aqui, vai buscar seu notebook no carro e fica aqui. Eu não vou atrapalhar.
- Você vai me distrair, . - ele alegou, e com razão. Não era culpa de ninguém que ela fosse perfeita, divertida e interessante, mas não diminuía a falta de habilidade de Horan em ignorá-la e seguir a vida, ele simplesmente não era capaz.
- Claro que não! - ergueu a mão levianamente. - Eu fico assistindo no meu notebook até você terminar. - prometeu.
- Eu não tenho hora para terminar, além do mais, esse não é o meu ambiente natural de estudo, vou acabar não fazendo nada.
A tela do notebook foi fechada.
- Tudo bem. Eu vou dormir na sua casa então.
Mas que inferno! Niall praguejou ao ver sair da cama com o intuito de preparar a mochila para acompanhá-lo de volta para casa.
- Não. - levantou e foi atrás dela no closet. Estava segurando metade de seu uniforme nos braços e sorriu quando ele apareceu lá dentro, só precisava de meias limpas e um casaco novo porque usou o mesmo dois dias em consecutivo e ele estava com uma mancha de terra.
- Sim, eu só preciso separar um uniforme para amanhã e nós vamos, eu fico quietinha enquanto você estuda. Não vai ser legal? - ficou na ponta dos pés para beijar Niall, mas surpreendeu-se ao ver seu carinho ser recusado quando o rapaz se inclinou para trás o suficiente para evitá-la.
- Não, . Eu preciso me concentrar. - procurou ser mais firme dessa vez e torceu para não haver uma discussão sobre isto porque não tinha mais uma gota de paciência habitando em seu corpo.
- Meu deus, você vai estudar ou se livrar de um corpo? - ela gracejou. - Eu não entendo como minha presença te atrapalharia.
Niall entendeu que aquilo não se tratava de uma simples pernoite fora de casa e perdeu toda a calma afeição que mantinha enquanto tentava convencer sua namorada teimosa e desconfiada.
Saiu do closet esbravejando e foi calçar o sapato para ir embora dali o mais rápido possível.
- Pelo amor de deus, . Eu preciso estudar, se não terminar esse inferno de relatório, vou reprovar na matéria! - gritou para ela.
- Como se você se importasse mesmo com a faculdade. - foi a resposta mal humorada de , que nem imaginou que seria ouvida pelo garoto, enquanto guardava de volta sua roupinha. Antes que terminasse de falar, Niall apareceu vermelho na porta, segurando um dos sapatos na mão:
- O que você disse? - questionou com a voz cautelosamente baixa, apesar de apertar o tênis com tanta força que estava amassando o couro.
- Vai embora, Niall. - ela mandou com a expressão levemente entediada, embora estivesse fervendo, e voltou para o quarto para procurar um filme legal novo. Entretanto, ficaria uma fera se ele saísse mesmo dali.
- Ah, não! Agora eu vou ficar aqui até você me explicar o que foi esse espetáculo ridículo que você fez! - Horan parou em frente a cama mas a garota não se dignou a olhar para ele, fingindo interesse em seu computador. - Desliga essa merda porque eu estou falando com você.
fez o que ele pediu, mas em seus olhos não haviam nada além da mais pura e genuína raiva. Raiva por não saber o que estava acontecendo entre eles, raiva pelas mentiras de Niall, e ainda mais raiva por sentir tanto o afastamento deles.
A essa altura da situação, ela só queria magoá-lo também.
- Eu não sei quem te deu a moral para falar nesse tom comigo, seu traidor de merda.
- Se eu fui um "traidor de merda" é porque você achou que seria divertido brincar com um cara compromissado. - Niall sorria duro.
Porque, de alguma maneira ele sabia, que tudo aquilo girava em torno do passado dos dois. Era como se os erros que eles cometeram fossem fantasmas voltando para cobrar o preço da felicidade quase surreal que sempre circundou o relacionamento deles.
Desde a noite do baile, algo se quebrou entre eles, a confiança provavelmente, e mesmo que insistisse que tinha esquecido tudo, agora ficava claro que isso não era verdade, eles não conseguiam superar e o fato de que ela tentava jogar a culpa nele, o deixava louco.
- Vocês nem estavam namorando quando você ficou comigo! - a menina se defendeu. Cruzou os braços sobre o peito, agoniada com o aumento súbito da temperatura ali dentro. - E você não teve a decência de terminar comigo ou me deixar ir embora quando escolheu a sua namoradinha perfeita.
- Não sabia que eu tinha uma escolha, afinal de contas você basicamente me perseguia até ter o que queria…
- Eu não precisava ir atrás de você quando tinha muita opção melhor! - gritou, ajoelhando-se sobre a cama, lutando com o bolo que se formava em sua garganta.
- Como se você e essa sua vidinha numa bolha fossem muito mais atrativas! - Niall gritou de volta e começou a andar pelo quarto, ciente de que se respirasse profundamente, mais oxigenação correria por seu cérebro e ele pararia de dizer coisas das quais se arrependeria mais tarde.
- Em um momento como esse, eu quase me sinto mal pela April tendo que lidar com as suas mentiras.
- Você não parecia se sentir tão mal assim quando ficava com o namorado da pobrezinha da April. - o irlandês quis revirar os olhos por ter que invocar o fantasma da ex namorada naquele quarto. Aquela desgraçada ainda o atormentava depois de todo esse tempo… - Você, garota, vai parar com esses seus ataques de ciúmes, ou…
- Ou o quê? Você vai terminar comigo? - riu, apesar do resultado não ser nenhum pouco angelical como costumava ser, as lágrimas, olhos inchados e nariz vermelho eram um combo fatal para o costumeiro charme dela. - É um favor que você me faz, seu idiota!
- Talvez eu termine mesmo e finalmente consiga dormir em paz, sem ter pesadelos com o seus gritos maníacos, sua mimada!
- O que está acontecendo aqui? - Desmond apareceu na porta do quarto, sério, olhando entre a filha e o garoto. Sua presença automaticamente acalmou os ânimos e as duas crianças se sentiam envergonhadas e sem palavras. Ele entrou no quarto e demorou-se olhando para o ambiente, procurando sinais de uma briga física, quando se certificou de que não era esse o caso, falou: - A casa inteira está ouvindo os gritos de vocês. O que aconteceu?
- Nada demais, só uma discussão ridícula… - respondeu, mas garantiu-se de ameaçar Niall com os olhos para que ele não piorasse a situação.
O garoto deu de ombros, envergonhado, enquanto era alvo de uma avaliação crítica do Sr. Styles, que procurava sinais do que levou os dois adolescentes, aquelas crianças, à tamanha discussão.
- Eu acho melhor você ir para casa, Niall. Chega por hoje. - disse firmemente e não precisou repetir uma segunda vez para que Horan apanhasse suas coisas e abandonasse a casa com o rosto vermelho de embaraçamento.
Ainda sim, Des não se retirou do quarto da filha. Observou a menina lutar contra as lágrimas e quis sorrir diante tamanho sofrimento que os amores jovens podiam causar, essa era provavelmente a pior coisa com que aquela pequena menina teria de lidar durante toda sua vida. E era bom que fosse contrariada de vez em quando para ter motivos para sofrer pela próxima semana antes de esquecer completamente porquê chorava e logo estaria pronta para outra.
- Filha, eu não sei o que estava acontecendo entre vocês, mas eu preciso dizer que se não sobrar nem respeito entre vocês, nada mais vai consertar seus problemas. E o que eu ouvi aqui hoje não foi nenhum pouco respeitoso. - ele falou quando percebeu que era seguro evitar todas aquelas lágrimas.
Inferno. O pai amaldiçoou quando viu os olhos de ficarem cristalinos novamente.
- Casais têm problemas, seres humanos erram, mas não é gritando e esperneando que você pode esperar que as coisas se resolvam, entendeu? Eu não quero mais ter interromper a minha vida para ter que impor limites à você e ao Horan, vocês já são bem grandinhos para resolverem as diferenças com racionalidade.
queria poder contar ao pai porque discutiram e desabafar, tirar aquele peso absurdo em seu peito, falar da falta de paz que consumia sua sanidade e então Desmond, como o homem inteligente que era, lhe garantiria que tudo não passava de uma bobagem da sua cabeça.
Mas como poderia olhar nos olhos dele e contar as razões porque não confiava mais em Niall? Como dizer que esteve envolvida em uma traição patética e se submeteu a prestar um papel tão imoral de que tinha vergonha?
- Eu vou tomar mais cuidado com o meu temperamento, papai. - sorriu mecanicamente e fez a promessa vazia apenas para acalmar a consciência do patriarca, que tomou suas palavras por suficientes e a deixou sozinha com seus temores e pesadelos.


ooo


A morena se escorava contra a parede do elevador, pensando que provavelmente não deveria sujeitar sua bochechinha macia a tantas impurezas impregnadas no metal, contudo não tinha forças para manter em pé. Seus olhos pesavam e quase se fechavam, não porque estava com sono, mas sim devido o cansaço que a dominava.
Fazia quatro dias desde a última vez que havia conseguido lavar o cabelo, pois nas últimas semanas era necessário escolher entre luxos como lavar o cabelo, comer e dormir. E em duas ocasiões preferiu dormir a comer e sabia que se sua mãe tomasse conhecimento de um absurdo como aquele iria se instalar em Cambridge por meses a fim de obrigar a única filha a se alimentar de forma saudável, dormir as 8 horas necessárias por noite, estudar o máximo que um ser humano suportasse e lavar o cabelo dentro do limite de tempo aceitável.
Talvez fosse melhor falar para Diane que fazia meses que não comia, assim ela com certeza faria uma invasão no apartamento e Meester sentia falta dos cuidados da mãe e das conversas com o pai.
Ouviu a campainha do elevador soar, anunciando sua chegada no vigésimo segundo andar e bufou exausta, pensando nos treze passos necessários para conseguir chegar a porta de sua casa. Arrastou-se pelo corredor e teve dificuldade para colocar a chave no trinco, pois sua mão não tinha mais forças.
Sabia e compreendia que a faculdade era um tempo difícil na vida de um jovem, mas aquilo já estava ridículo! nem ao menos tinha forças para discutir com e percebia que a ruiva também estava no limite da exaustão.
Ao adentrar o apartamento pendurou sua chave no chaveiro e o casaco no cabideiro, seguiu para a cozinha e no caminho pode ver que Westwick ainda trabalhava na maquete que havia começado no início do mês.
Na noite anterior ouviu gritar e arremessar coisas pela sala e apenas naquela manhã descobriu que o acesso de ódio havia sido porque no momento que a menina havia tentado colocar uma peça no suporte de isopor esbarrou em outra e um completo caos se formou.
- Tem correspondência para você - gritou da sala, sentada no chão com a maquete a sua frente apoiada na mesa de centro.
Seus fios estavam presos em um coque, uma mancha de tinta verde sujava sua bochecha, as pontas de seus dedos grudavam em tudo o que tocava devido uma crosta de cola que não saia e seus óculos escorregavam por seu nariz vez ou outra, obrigando a menina a arrumá-los com o ombro, a fim de não sujar as lentes.
- Onde? - gritou em resposta, com as sobrancelhas juntas, confusa. Afinal todas as despesas da casa debitavam automaticamente da conta dos pais, consequentemente nenhuma fatura era direcionada para aquele endereço.
- Eu deixei ai em cima da bancada. - Westwick falava alto, concentrada em seu trabalho.
A morena logo avistou um envelope branco em contraste com o mármore negro e o tomou na mãos, notando que ali continha apenas seu nome. Sem endereço, informações sobre o remetente, nada.
Franziu o cenho o colocou embaixo do braço, abrindo a geladeira para pegar uma garrafa de água e deixou o cômodo, caminhando até a outra garota que utilizava um pequeno pincel para pintar detalhes aos que Meester não prestou atenção.
- Quem mandou isso? - questionou chamando a atenção de que afundou a cabeça entre os ombros, demonstrando não conhecer o remetente.
- Eu saí para ir na padaria aqui perto e quando voltei o porteiro me entregou. Disse que um garoto loiro pediu para te entregar.
sorriu sozinha, rolando os olhos.
É claro! Como não havia pensado naquilo antes?! Era Finn
Se dirigiu para seu quarto, deixou a bolsa sobre a cadeira da mesa de estudo e despencou sobre o colchão macio, rasgando o envelope branco, curiosa para descobrir seu conteúdo:

Odeio a pergunta "Onde você se imagina daqui 5/10 anos?". É tão angustiante não ter noção do que o futuro nos reserva e tão desesperador saber que não temos controle sobre cada detalhe. Me chame de metódico, ou até mesmo de covarde, todavia, realmente temo o desconhecido.
Gosto de arquitetar os dias que estão por vir, planejar seus detalhes, enfeitá-los com minúcias. Pormenores que alguns considerariam tolos, porém para mim não faz sentido seguir em frente sem estes elementos, pois eles são fundamentais.
Você é um deles.
O seu rosto é um lugar para chamar de lar e espero que um dia seja o meu lar.
Ass: Ele.


Cada palavra era tão simples, mas continham um significado tão complexo.
Foi impossível não sentir-se culpada perceber que os sentimentos de Finn em relação a ela eram muito maiores e intensos quando comparados aos que carregava por ele.
Dobrou a carta e a guardou na última gaveta de seu criado mudo, cansada demais para lidar com remorso naquele momento.

Capítulo 7

estava sentada em sua cama, com os lábios selados e os olhos azuis fixos no envelope sobre o colchão.
Havia ido e voltado da faculdade de uber, e ao chegar no prédio onde morava, o porteiro a chamou afim de entregar-lhe uma correspondência.
Ao pegar o envelope branco sem identificação do remetente, apenas contendo seu próprio nome escrito no centro, perguntou ao mais velho sobre quem havia deixado a carta ali e tudo o que o senhor conseguiu responder era que se tratava de um rapaz loiro, da idade da menina e mais alto que ela.
Sozinha em seu quarto, encarava o envelope há alguns minutos, quando finalmente rompeu seu lacre e pode ler seu conteúdo:

Vivo de lembranças, memórias de um passado alegre. Pois eu não temo o passado. Na realidade ele é meu companheiro todas as noites, porque ao fechar os olhos eu posso revive-lo.
No entanto, não quero me prender a histórias antigas, quero novas experiências, desvendar o desconhecido e experimentar o novo. E quando esse dia finalmente chegar quero que o seu sorriso seja o meu companheiro durante as noites.
Porque com um sorriso você arrancaria os segredos mais profundos do meu coração.
Ass: Ele.


Sem perceber que havia lido a carta segurando a respiração, Meester esvaziou os pulmões de uma vez, deixando o ar escapar por entre seus lábios avermelhadas e pegou o celular, discando o número já decorado.
- Alô? - a voz do outro lado da linha atendeu ao segundo toque.
- , ele fez de novo!
- Quem? O quê? - a caçula questionou atônita.
- O Finn. A carta!
- Ele fez de novo? - Ortega perguntou animada - Ah , é tão romântico… E bizarro. O que ele disse dessa vez?
A morena atendeu ao pedido da amiga, lendo o conteúdo da carta rapidamente.
- Você já falou com ele sobre isso?
- Claro que não?! - respondeu desabando sobre seu colchão. - O que você espera que eu fale? Oi Finn, tudo bom? Sabe o que é? Eu tenho recebido suas cartas e apesar de eu achar muito romântico você tirar um minuto do seu dia para escrever uma declaração de amor para mim, eu acho muito bizarro você escrever uma declaração de amor para mim. Considerando que nós nos conhecemos há alguns meses e que definitivamente eu não sinto a mesma coisa. - choramingou brevemente, batendo os pés sobre a cama, como uma criança mimada sendo privada de chocolate - O que eu faço, ?
- Se te deixa desconfortável você precisa falar para ele.
- Ele vai ficar magoado e eu nem sei como dizer isso!
- É sempre uma opção terminar com ele sem comentar as cartas.
- Realmente, eu tenho essa opção! - arqueou as sobrancelhas, atendendo-se ao fato apenas naquele momento.
- É claro que tem. Ninguém é obrigado a gostar de outra pessoa só porque essa pessoa é bizarramente romântica.
riu, aconchegado-se ao travesseiro e puxando a coberta para se cobrir, sem perceber que o tecido pesado do coberto amassava a carta.
- E como você está? - a mais velha perguntou, ouvindo um suspiro pesado do outro lado da linha.
- Eu estou bem.
- Mon…- repreendeu a caçula por sua ousadia em mentir.
- É sério, . Faz o que…? Duas semanas que o Liam terminou comigo do nada, sem explicação? Apenas foi embora e me deixou sozinha para ouvir minha mãe dizer que ela estava certa o tempo todo sobre ele ser um menino irresponsável que na verdade nunca se importou comigo.
- Eu sei que já disse isso, mas eu realmente sinto muito pelo o que aconteceu. - Meester fechou os olhos, temerosa, consciente de que não era fácil ouvir o discurso de Amina
- Está tudo bem. Não é como se eu chorasse todos os dias e, as vezes, precisasse sair da sala de aula de repente porque sinto eu vou chorar a qualquer momento. - falava risonha, caçoando do próprio sofrimento - Ou como se eu ficasse esperando ele ligar. Ou quando vejo qualquer carro que se pareça um pouquinho com o dele, eu esperasse que fosse ele quem saísse de lá. Ah, é claro que eu não me pergunto o tempo todo se ele pensa em mim, ou sente a minha falta, ou se arrepende de ter sido um idiota. Eu, com certeza, não penso nele até finalmente pegar no sono e também não é o rosto dele que vem a minha mente assim que abro os olhos, sem contar as noites que sonho com ele… ou tenho pesadelos com ele. Você quem decide o termo. - seu discurso foi interrompido assim que as lágrimas começaram a inundar seus olhos e sua voz tornou-se, gradativamente, mais fraca.
- Você não tinha aula de dança hoje? - sabiamente, a melhor amiga decidiu mudar o rumo da conversa.
- Eu não quis ir.
- Uma mudança de ares seria bom para você.
- , você não entendeu que eu estava sendo sarcástica e que tudo aquilo que eu disse que não faço é só o que fiz nas últimas duas semanas? - indagou, tristemente. - Eu não quero sair de casa.
- Sim, , eu entendi. Mas você não pode parar a sua vida pelo idiota do Liam. - respondia brava pelo fato de ser amiga de um homem tão estúpido quanto Payne - Não é como se fosse a primeira vez que ele faz uma besteira.
- Não foi a primeira vez, mas dessa vez foi diferente.
- Por quê?!
- Porque dessa vez doeu mais.
- Eu posso arrancar informações dele e depois te contar… - fez a sugestão, como satanás oferecendo pequenos prazeres em troca de almas.
- Não obrigada. Eu não quero saber nada a respeito do Liam.
- Vocês não se viram desde então?
- Não. O Harry mandou uma mensagem falando que o pessoal vai para a casa dele esse fim de semana comer alguma coisa para comemorar o aniversário dele, mas eu disse que não podia ir. Realmente não quero ver ou ouvir falar do Liam.
- Uau! Essa é nova na novela Liam - ! - a menina cresceu os olhos, surpresa - Na época do ensino médio, quando vocês decidiam que não iam mais ficar, as duas semanas que se seguiam - frisou a menção do tempo, ouvindo uma risadinha do outro lado da linha - eram basicamente o Liam no seu encalço para todos os lados e você perguntando sobre ele o tempo todo.
- Pois é. Eu aceito ouvir você dizer que eu amadureci.
- Você vai precisar se esforçar mais para me convencer.
Orteguinha riu calorosamente, sentindo-se estranha pelo fato de que mesmo ao rir ainda era possível sentir seu coração apertado.
- Eu preciso desligar. Tenho que fazer umas tarefas. Até depois.
- Até, . Fica bem.


ooo


Zayn vinha desejando que Liam ficasse solteiro há muito tempo, ele não ia mentir. E nem tinha a ver com aquele animal colocando as mãos sujas na sua prima caçula, mas ele sentia falta da cumplicidade entre os dois, a conversa entre dois amigos sem a influência perigosa de uma garota.
Agora mesmo os dois estavam num pub, numa terça-feira a tarde, tomando uma cerveja e na terceira porção de batatas sem sequer terem citado qualquer garota na conversa. Como nos velhos tempos! (tempos esses que pareciam ainda mais distantes se Malik ousasse considerar que Liam mentiu durante anos sobre o companheirismo daqueles adolescentes solteiros e perigosos, como ele atualmente nominava a primeira fase da adolescência).
- Você já teve um sonho tão triste que acordou chorando? - Zayn recostou-se no encosto de madeira e cruzou os braços.
Eles estavam há algumas horas ali e a verdade é que ele estava começando a se sentir um pouco tonto, o que significava que já era hora de ir para casa, curar-se da bebida e começar a estudar para o teste do fim da semana.
Mas ele poderia fazer isso após mais aquela cerveja.
- Ahn… - Liam resmungou enquanto mergulhava uma batatinha dentro da tigela de cheddar antes de devorá-la. - eu não lembro se já acordei chorando, mas uma vez sonhei que estava lambendo um pirulito daqueles coloridos e gigantes, e eu acordei lambendo o ar.
Zayn se distraiu assistindo aquela arrumação com água na boca e imediatamente desprezou o seu molho barbecue sem graça. Devia ter pedido cheddar também, droga.
- Que decepcionante. Ontem eu sonhei que alguém cortava meu pé no meio de uma perseguição e eu juro por deus que hoje de manhã eu não sentia meu pé. - ele confessou, contentando-se em pegar um cigarro novo e prendê-lo entre os lábios enquanto procurava seu isqueiro, ainda estava assustado com a experiência sobrenatural. - Eu fiquei em pânico por cinco segundos, até ver que ele ainda estava lá, feio como sempre. - complementou e deu um sorrisinho ao ver Liam gargalhando com a declaração.
- Bom, isso é definitivamente pior do que a minha história do pirulito. - o rapaz conseguiu dizer após conter a risada contagiante. - Mas quando eu ainda era criança, sonhei que eu era um brinquedo e precisava sumir com o Rex, do Toy Story, mas ele era tão inofensivo!
- Você consegue transformar qualquer conversa em um tópico sobre esse desenho, Liam. É incrível!
- Obrigado. - Liam agradeceu, orgulhoso de seu talento inútil. Deu uma olhada no ambiente e notou que estava sendo encarado por uma garota, e falando em garotas, ele lembrou de Harry, o que levou a trazer à tona um assunto que o intrigava ultimamente. - Deixa eu perguntar uma coisa, o Harry está indo bem no curso de vocês?
Zayn franziu o cenho, qual era a definição de Liam de ir bem? Eles estavam passando na maioria das matérias, dando conta de quase todos os trabalhos, participando de vez em quando das reuniões de matérias extra, e o mais importante, alcançando frequência absoluta nas festas do campus. Para Malik, ele e Harry estavam indo muito bem, obrigado.
Mas falar tudo isso seria desgastante e Zayn optou pela réplica menos complexa:
- Eu acho que sim, por quê?
- Porque ele está estranho. Você não acha?
- O Harry nunca mais foi o mesmo depois do que aconteceu com a mãe dele, na verdade… - Zayn pigarreou, subitamente desconfortável. Falar de Anne Cox o lembrava do funeral, em especial do sofrimento de Styles e isto causava mal estar físico em Zayn, que nunca soube dizer para o amigo o quanto sentia por sua perda.
- Ela morreu, Zayn. - Liam precisou especificar o tal "acontecimento" porque do jeito que o amigo falava, parecia que Anne apenas sofreu um grande susto mas tudo estava bem agora.
Olhou com ambição para o hambúrguer pela metade mas sua barriga não aguentaria mais nenhuma folha de alface, quem dirá aquela obra de arte culinária que era tão grande que não tinha um jeito confortável de comer.
Deu um golinho na cerveja, já morna, e admitiu que já era hora de colocar as pernas para trabalhar e dar o fora dali, ir para a solidão do seu apartamento, se arrepender por ter sido estúpido e buscar algum entretenimento que o inibisse de mandar mensagens enquanto estava fora de si.
- Eu sei, Liam. - Zayn interrompeu a jornada de sofrimento mental que o outro rapaz embarcou só porque olhou para seu hambúrguer. - Mas não precisa ficar falando assim, em voz alta! Torna as coisas reais!
Payne cruzou os braços e cerrou os olhos, pensativo.
- Será que ele conheceu alguém? - falou de repente. Aquela era uma excelente explicação para o comportamento estranho do sempre exibido Harry!
- Impossível, nós já saberíamos porque ele não consegue esconder essas coisas. - Malik rejeitou a possibilidade pela simples razão de que Harry Styles era biologicamente impedido de manter discrição sobre garotas.
- Isso é verdade… - Liam foi forçado a concordar.
- Mas agora que eu estou pensando bem no assunto, ele tem desaparecido em algumas tardes, por algumas horas.
- Desde quando?
- Há, já tem algum tempo. Um mês, eu acho… Ou dois!
- Caralho! Ele realmente está aprontando algo!
Zayn então teve uma ideia diabólica:
- Será que nós devemos seguir ele uma tarde dessas? - sugeriu com um sorriso de quem ia aprontar.
- Será que nós vamos querer descobrir qual é o segredo sujo do Styles? - Liam inclinou-se para frente e apoiou os cotovelos na mesa. A ideia por si só era tentadora, mas aquela era uma traição de confiança que geraria briga se descoberta.
- Eu quero. Você não? - Zayn arqueou uma sobrancelha.
- Eu quero. - Liam admitiu. - Mas vai que é alguma coisa privada! Ele ia ficar puto e com razão.
- Nada a ver, nós somos todos amigos. - Malik agitou a mão no ar, Harry jamais ficaria puto por algo tão pequeno.
Payne ficou quieto para ver até onde ia a hipocrisia daquele filho da puta e não foi decepcionado. Zayn podia ser um cara de pau quando queria. Embora toda a cruzada em busca do que Harry aprontava soasse muito divertida, principalmente porque agora ele era um solteirão com tempo para ficar perseguindo os amigos que tinham uma vida de verdade.
Deus, ele precisava superar sua própria miséria!
- É, mas você contou pra mais alguém que está indo ao psicólogo? - perguntou, já sabendo o efeito de seu questionamento.
- Claro que não! - Zayn recuou insultado pela sugestão absurda. Mas em seguida entendeu o ponto de Payne. - Seu filho da puta.
A conversa foi momentaneamente interrompida pelo garçom que tirou os copos vazios da mesa e substituiu por novas canecas de vidro abastecidas com cerveja gelada e também deixou uma porção pequena de amendoins, um agrado do estabelecimento para bons consumidores.
Os meninos agradeceram e bebericaram suas bebidas até o garçom se afastar e então Zayn inclinou-se sobre a mesa e confidenciou com um meio sorriso:
- E a Angelique? Será que a tem ideia do que está acontecendo?
- Dificilmente. - Liam respondeu. - Quer dizer, a é muito fofoqueira mas se a doida da Westwick soubesse de algo, nós já saberíamos de algum dano nas coisas do Tommo. - Ele tinha pena daquela menina quando fosse vítima da fúria de , a ruiva ia fazer picadinho dela.
- Qual é a do Tommo com essa menina? Ela tem ideia no que está se metendo? - Malik parecia pensar a mesma coisa que Liam. Para ele, pessoalmente, a ruivinha, como ele carinhosamente apelidou , era só uma amiga engraçada e no máximo, mal humorada.
Mas Zayn não se enganava com o poderio de destruição de e lamentava pela forma como as coisas terminaram entre ela e Tommo, mas não se iludia de que o passado daquele casal amenizaria qualquer ímpeto de loucura que acometesse .
Ele só gostaria muito de estar por perto quando perdesse as estribeiras.
- Se ela souber e ainda sim ficou com ele, ou é mais doida do que a , ou é uma interesseira.
- Nossa, Liam. Ela parece ser tão legal.
- Por quê? Só porque ela é bonita?
- É. - Zayn confirmou com um aceno e riu.
- Talvez ela seja mesmo legal, o que é ainda pior porque em algum momento o Louis vai acabar ao redor da , como sempre acontece.
- A gente tem alguma obrigação moral de contar o passado do Tommo e da ruiva pra Angelique?
- Eu não vou falar nada, nem um "a".
- Eu também não. Confesso que quero ver esses três se encontrando, vai ser tão divertido!
- É, vai ser um espetáculo. - Liam concordou vagamente, atento à grande TV que transmitia um jogo local e agora um pênalti estava prestes a ser cobrado.
Malik assistiu também e se preparou para voltar a bater papo quando o momento de tensão passou mas Liam não deu indicativos de que pretendia deixar o jogo de lado. E essa folga serviu para o bad boy trocar algumas mensagens rápidas com , e quando terminou, Payne ainda assistia.
Zayn tomou aquilo como uma ofensa pessoal à sua personalidade cativante que foi tão prontamente trocada por um jogo qualquer e interrompeu o minuto de silêncio, que mais pareceu uma hora.
- Liam, eu estava pensando e tive uma ideia genial. – disse e Liam de fato deixou a TV de lado. – Mas eu só vou dizer quando nós sairmos daqui e você me oferecer o seu quarto de hóspedes. Eu odeio aquela merda de casa. – resmungou a última parte a contragosto enquanto vestia a jaqueta.
Liam levantou da banqueta de madeira e pegou a carteira para pagar a conta já que o outro rapaz também ficou de pé mas não deu sinais de que iria se dar ao trabalho de levar a mão até a merda do bolso para pagar sua parte.
De qualquer maneira, ia ser bom ter aquele filho da puta lá pela noite, ia evitar que ele acabasse sendo derrotado por aquele pedaço de metal que vivia em seu bolso, matando seus ovos, tornando-o infértil e rindo do seu desespero a cada vez que não conseguia se controlar e acessava o perfil da ex namorada para matar a saudade.
- Eu espero que essa ideia genial valha a pena de ter você bagunçando minha casa. – disse, pronto para dirigir-se à fila do caixa, mas Zayn simplesmente passou pelas seis pessoas que formavam fila e assistiam ao jogo televisionado, e tomou vez junto ao caixa, apoiando os cotovelos e sorrindo amigavelmente para o funcionário enquanto esperava Payne se juntar a ele.
- Vamos, Liam, nós não temos o dia todo! – acenou a mão, exigindo que o companheiro apressasse o passo ao mesmo tempo que compartilhava um sorrisinho cúmplice com o homem no caixa, que estava deixando a situação estender-se porque achou engraçado a cara de pau do adolescente raquítico que não tinha medo de tomar uma surra dos outros clientes que aguardavam.
- Você é um filho da puta, hein. – Payne xingou e entregou o cartão de consumo e o de pagamento, ansioso para concluir a transação antes que fossem notados. Ele não queria brigar com ninguém naquela tarde.
- Ninguém nem notou, e você conhece o ditado, né. – Zayn comentou casualmente, dirigindo um olhar entediado ao jogo desanimado.
- Não conheço não. – Liam cruzou os braços contra o peito, interessado naquela afirmação.
- Claro que conhece, Liam! Todo mundo conhece aquele ditado que fala sobre olhos e sentimentos... – o moreno gesticulou, incentivando Liam a completar o ditame.
- Puta merda, você não consegue nem lembrar um ditado popular!
- É claro que eu lembro! A questão aqui é se você sabe do que eu estou falando. – Zayn tentou virar o jogo mas dessa vez até o funcionário do local riu da tentativa preguiçosa.
- Não foi dessa vez, Malik. - Payne gargalhou e deu um tapinha no ombro do amigo antes de pegar seu cartão de volta e a nota fiscal. - Obrigado. - agradeceu e os dois saíram do pub, recebendo uma rajada de ar fresco e céu poeticamente límpido.
- Nós devíamos ter vindo de carro, eu falei. Você nunca me ouve, se acha o sabe tudo e agora eu vou ter que caminhar uma maratona, seu filho da puta. – Zayn entrou imediatamente no modo infeliz por ter confiado em Liam, quando aquele mentiroso o convenceu de que era apenas uma caminhadinha leve. Agora, três quilos de batata depois e alguns litros de cerveja, ele mal podia chegar ao outro lado da rua sem ficar ofegante e cansado. Nem , dona de todo o seu amor, conseguiu se livrar de reclamações quando aproveitou-se de sua pura devoção e o fez caminhar como um burro.
- Nós estamos há umas oito quadras do meu apartamento. – Liam, por outra mão, comemorou a curta distância.
- Eu te odeio. – Zayn esfregou os olhos. – É bom que você saiba que eu não vou voltar pra aquele lugar.
Os dois começaram a caminhar em direção ao apartamento de Payne, e a noite agradável permitia que seguissem em um ritmo mais tranquilo, aproveitando o frescor da noite e respirando um ar mais leve.
- Bom, isso vai depender da sua ideia genial. – Liam retomou a proposta inacabada de Malik.
- Ah, eu nem lembro mais o que era. – o badboy deu de ombros. Toda sua atenção agora estava em travar uma batalha contra o vento que apagava a tímida chama do isqueiro incansavelmente.
Payne encontrou uma pedrinha cinza e começou a chutá-la rua abaixo, mantendo as mãos dentro dos bolsos do seu casaco azul. Uma das peças que estavam na casa da namorada até ele receber uma mensagem avisando que se não fosse retirar suas coisas de lá em 24hrs, iriam para a doação.
Zayn foi um camarada e jogou a sacola dentro de seu carro e as peças de roupa, meias, escova de dentes e outros pertences, no porta-malas de seu carro e lá ficaram até há algumas horas atrás quando finalmente foram entregues para Liam, que esperava uma sacola maior, com mais coisas, mas também não se deu ao trabalho de conferir o que faltava.
- Tudo bem. O que nós vamos fazer no Valentine's? Eu sei que Cambridge vai pra Londres, mas vai ter festa aqui também. - ele questionou.
- Lembrei o que eu ia dizer! – Malik respondeu – O dia dos namorados está chegando e eu acho que é uma ótima oportunidade pra você fazer as pazes com a minha prima!
- O quê?! – Liam deixou o queixo cair e tropeçou desajeitado no pedregulho que chutava, a voz elevou-se em alguns tons mais agudos de pura perturbação da sua paz de espírito. Zayn Malik estava sugerindo que ele fosse atrás de ? Ele estava louco?
- Qual é a melhor data para o perdão do que o dia dos namorados, Liam? – Zayn argumentou inocentemente. Sua sorte é que as ruas mal iluminadas não permitiam que Payne visse o sorrisinho esperto que ostentava.
- Você ficou louco, Zayn?
Ele estava há semanas lutando com o resto de dignidade e orgulho que possuía para deixar as coisas como estavam, repetindo para si mesmo que não havia o que se fazer, mantendo-se ao redor da única pessoa que jamais o incentivaria a investir naquela loucura de empreendimento que era estar novamente com porém continuar convivendo com a megera da mãe dela.
E Zayn ia lá e o incentivava a fazer a única coisa que não poderia.
Quem precisava de inimigos quando se tinha um amigo assim?
O moreno, todavia, não entendeu o porquê de tamanho descontentamento ao receber sua bênção para seguirem em frente com aquele relacionamento. Não era isso o que Liam sempre quis?
- Você deveria estar me agradecendo por abandonar minhas convicções e a honra da minha família pra te apoiar moralmente!
- E o que causou essa mudança de pensamento? Você conheceu Jesus? - Liam teve que apelar para a conversão. O que era um pensamento assustador ali, naquela rua escura, sem trânsito, porque Payne não era um fã do sobrenatural e aquela conversa não soava como nada normal na realidade em que viviam.
Estariam eles no mundo invertido? A ideia bizarra causou arrepios em Liam.
- Ahn, não. - o primo de encolheu os ombros suavemente - É que você está miserável, a está insuportável, então eu cheguei a conclusão de que vocês juntos é uma questão de escolher dos males, o menor.
Então ela está insuportável, hein! Liam regozijou-se, mas também preferia que ele estivesse insuportável e , miserável, não do jeito que Zayn falou. De qualquer maneira, era bom saber que ainda não havia sido esquecido e talvez até houvesse um jeito de tirar Amina Ortega da equação, sem matá-la, é claro...
Liam cerrou os olhos, aquele discurso era generoso demais para Zayn.
O que ele ganhava com e Liam fazendo as pazes?
- Você é um mau mentiroso, Zayn. - acusou de repente, - Ninguém nunca te disse isso?
- O quêêê? Eu só quero ver vocês felizes! – passou o braço ao redor do ombro de Liam, todo camarada.
Liam sorriu do gesto amigável mas se desvencilhou daquele falso que achava que podia enganá-lo.
- Não, você quer se livrar dos seus amigos e da sua família pra ir atrás da .
Malik cogitou resistir mas para que mentir se a lembrança de um programa de dia dos namorados com (e kelso, provavelmente) o deixava tão feliz?
- A gente já tem planos e eles coincidiram com o Valentine's, cara. - mentiu descaradamente.
- Coincidiram? - Liam arqueou as sobrancelhas.
- O que você quer dizer?
Apesar do tom jocoso que toda aquela conversa fiada tinha, Liam se pegou falando sério mesmo sabendo que Zayn não gostaria do que ia ouvir.
- Que você está se jogando nesse relacionamento estranho de vocês e uma hora a vai conhecer alguém, e o que você vai fazer então?
- Nós somos só amigos! - a mera ideia de uma desgraça de acontecimento daquele causava náuseas em Zayn, e ele teve que ser muito corajoso para não transmitir todo o seu medo daquilo acontecer e apelar para o mantra invocado toda vez que a questão e Zayn era levantada.
- Então está tudo bem pra você se ela encontrar um outro modelo bonitão e eles começarem a sair?
Nem fodendo!
- Ela não vai sair com mais ninguém. - o badboy afirmou com segurança.
- Como você sabe disso? - Liam estava decidido a descobrir até onde ia o delírio do melhor amigo. Porque de onde ele via as coisas, aquela história não ia acabar bem, não tinha como.
- Porque ela está ocupada estudando, trabalhando e saindo comigo.
- E quando ela começar a sair com outras pessoas?
- Por que diabos ela sairia com outra pessoa se está saindo comigo, Liam?
- Porque vocês saem como amigos, a está totalmente livre pra se apaixonar e você parece achar que quando vocês selaram esse acordo ridículo de amizade, que ela selaria as portas do coração até vocês acabarem enrolados de novo.
- Você é um idiota quando quer. - Malik encerrou o assunto, porque a ideia o aterrorizava dia e noite e ficar falando sobre não ia ajudar a combater o frio na barriga ou o leve tremor nas mãos normalmente instáveis. Ultimamente ele lidava com um mal a cada dia e o pesadelo maldito narrado por Liam era o tipo de mal que não deveria nem ser pronunciado para não atrair desgraças.
A conversa acalorada foi tão distrativa que logo a dupla estava na rua do apartamento de Liam e há algumas quadras já se via o Jaguar branco de Zayn estacionado. Deus, finalmente estavam chegando! Seus pés estavam doendo e ele tinha certeza de que não foram só oito blocos, não era possível!
Ia chegar no apartamento e tomar um litro de água e depois capotar onde quer que estivesse. Quer fosse a caminha confortável ou não.
- E você tem ciúmes da . - Liam cantarolou o óbvio.
- Jamais.
- É claro que tem! Eu só citei a possibilidade dela começar a namorar novamente e você está vermelho e me atacando!
- O sol vai virar uma bola de fogo vermelha antes que eu sinta ciúmes de alguém. - Zayn sorriu sem humor, decidido a ignorar Liam e contar os passos até finalmente alcançar conforto e água fresca.
- Tudo bem, cara. Não vou falar mais nada sobre isso.
- Ótimo.
- Mas quando ela aparecer por aí com um Sr. Perfeição da vida, não adianta ficar de cara feia.


ooo


Comemorar o aniversário de uma criança de 1 ano não tem como intuito agradar a criança. Afinal, esta não sabe o que está acontecendo e futuramente não se recordará. Um álbum de fotografias será tudo o que restará daquele dia, e ele ficará guardado no fundo de uma gaveta sendo manuseado em raras ocasiões.
Todavia, isso não impedia os Westwick de organizar uma celebração em dose dupla para as pequenas Rosie e Rey que eram carregadas pelo jardim da mansão em seus lindos vestidinhos e sapatinhos combinando.
Scarlett Rose usava amarelo e Miranda Rey verde. Joe e Oliver repetiam o mantra aos convidados a fim de que ninguém confundisse as meninas. E até então se saiam muito bem.
- Eu quero um bebê. - usava seus óculos escuros graças ao sol que havia decidido finalmente dar as caras - Niall - chamou pelo namorado que roubava um petisco da mesa qual não ocupava, e ao ouvir seu nome parou com o salgado no meio do caminho e a boca aberta - , eu quero uma bebê.
- Tudo bem, querida. - foi tudo o que respondeu, suspirando alto e voltando a atenção para seu pequeno furto gastronômico.
- Está tudo tão lindo! - a loira se referia a decoração que contava com muitas rosas brancas, lírios amarelos e pequeninas flores de cereja cor-de-rosa. - Não está, ? - voltou-se para a mais velha que assistia dois garotinhos brigando no pula-pula, sem a supervisão de adulto.
Aparentemente, Meester era a adulta mais próxima. Portanto deveria tomar uma atitude antes que alguém se machucasse!
Provavelmente deveria.
Provavelmente…
Virou as costas para o pula-pula a fim de fingir que não havia presenciado a pequena algazarra e confirmou com a cabeça, respondendo a pergunta de Styles.
- A Diane só falava dessa decoração nos últimos dias. - revelou - Teve um dia que eu liguei para perguntar um remédio para tomar porque estava com dor de estômago e ela falou, falou e falou, desligou e esqueceu de me responder, porque só falava dessa decoração.
Os Meester haviam sido convidados pois eram amigos da família há anos.
foi convidada por ser melhor amiga de e Niall veio de brinde com a confirmação da presença da caçula Styles.
A presença de Horan no aniversário das gêmeas Westwick chegou aos ouvidos dos meninos, e Zayn informou a que pelo fato de ela aparentemente ter vergonha de ser vista com ele em um evento de família, a ruiva deveria então comparecer no pub mais tarde naquele dia.
- Olha quem eu achei. - se aproximava dos amigos com Rosie em seus braços, quietinha e comportada como a boa garotinha que era. Rey estava enlouquecendo o pai do outro lado do jardim, ensandecida e descontrolada, como a boa garotinha que era. - A Rey está ameaçando alguns passos sem se apoiar em nada. Estamos achando que hoje ela anda.
- E a Rosie? - Horan colocava mais um petisco na boca e apontava para a ruivinha que brincava com os cabelos da irmã mais velha.
- Xiiiu! - a primogênita Westwick tapou os ouvidos do bebê como pode. - Ela ainda não consegue, mas não queremos que se sinta mal sobre isso.
O irlandês arqueou as sobrancelhas, sentindo-se mal por possivelmente ter traumatizado o pobre criança. Mas felizmente seu desconforto não durou muito porque os Westwick e Meester chegavam aos sorrisos, cumprimentos e abraços calorosos, carregando o fotógrafo a tiracolo.
- Oi crianças! - senhora Meester sorriu passando o braço pelo ombro de que sorriu feliz por sentir-se acolhida.
- , amor, vamos fazer umas fotos suas, com as meninas e os seus amigos? - Joe indagou entregando Rey para que sorriu maligna para princesinha Styles por ter sido a escolhida por carregar aquele pacotinho de amor, enquanto a loira fazia um biquinho magoado.
A sessão de fotos teve início. Meester arriscou-se sentar na grama com as gêmeas ao seu redor, e Niall também tiveram sua vez e enquanto tudo era arrumado, o loiro pode afogar-se no perfume de bebê que emanava dos cabelos vermelhos da pequena Rosie.
se juntou ao casal. E então apenas e . Por fim, todos juntos e as meninas não se cansaram pois tudo conseguiu ser feito de forma rápida e prática.
No entanto, o mundo não é um mar de rosas…
- Agora uma da com a e as aniversariantes. - Josephine falava, observando Rey soltar a mão do pai a fim de aventurar-se sobre os próprios pezinhos livres e ainda instáveis.
- Como é? - as adolescentes questionaram ao mesmo tempo.
- Vocês ouviram muito bem. - Diane respondeu cruzando os braços, pronta para argumentar. E nem percebeu o momento que Niall parou ao seu lado, espelhando seu gesto e arqueando as sobrancelhas, silenciosamente desafiando as amigas. - Vocês são como irmãs!
ficou tão chocada com o que ouviu que nem ao menos conseguiu discutir, apenas pescou uma das bebês e aguardou as próximas instruções. ainda tentou, mas foi vencida pela astúcia de Diane Meester, portanto logo pegou no colo a criança remanescente e parou ao lado de Meester a contragosto. Precisando forçar um sorriso feliz após o episódio traumático de ser chamada de irmã do ser ao seu lado.
Felizmente, a canção de parabéns logo foi cantada e os adolescentes foram liberados para seguirem com suas vidas.
Rapidamente se dirigiram para o pub onde tudo corria bem, até que:
- Você fez o quê?!
Louis cuspiu todo o conteúdo em sua boca em cima de Zayn, causando uma comoção porque Malik odiou a sensação úmida de cerveja morna encharcando sua camiseta e entrando em contato com sua pele. A sensação era repulsiva, para se dizer no mínimo. O cigarro pela metade foi apagado e de repente ficou com um gosto horrível. Liam e Harry rindo de sua situação lastimável era quase pior do que estar molhado.
- Caralho, Louis. Olha o que você fez. Agora eu estou todo molhado. – ele reclamou, levantando-se do banquinho de madeira e inclinando-se para frente de modo que o tecido úmido não tocasse em sua barriga e peito.
- Não se preocupa, Zayn. Não é como se a estivesse aqui para você se importar com a sua aparência. – Liam deu um tapinha amigo no ombro do moreno que o fuzilou com um olhar irritado.
- A , é? – Harry arqueou uma sobrancelha ao ouvir o nome da amiga sendo mencionado naquele contexto. - O que eu não estou sabendo, Zayn? - arreganhou um sorriso sem vergonha.
- Você não tem ideia… - Payne deu um gole em sua cerveja ao invés de continuar falando da vida alheia e acabar apanhando.
- De nada. – Zayn respondeu bruscamente. - Liam, por que você não para de falar merda e me dá alguma coisa para secar isso de mim?
- Quem é ? – Angelique perguntou após as coisas se acalmarem um pouco.
Pela última hora assistiu o namorado jogar sinuca, atrapalhar o jogo de sinuca de Harry, sair correndo e gritando pelo lugar porque Liam ameaçou de enfiar uma das bolas no rabo dele, tentar convencer Zayn a sabotar as jogadas de Liam, sair correndo de novo e se escondendo atrás dela para não apanhar com o taco de Payne e ainda tentou culpar Zayn pelo ataque surpresa.
E durante toda essa cruzada, Angel comeu, bebeu, fotografou e riu, riu horrores. Seu maxilar doía e ela estava se esforçando para se manter comportada e deixar os garotos terem sua diversão, designando a si mesma o papel de uma entusiasta observadora.
Mas apesar das dezenas de emoções que Louis apresentou em uma horinha, nada se assemelhou, em intensidade, à expressão genuína de surpresa e outro sentimento que Angel não soube identificar. Agora ela estava curiosa. Quem era ? E por que a simples menção de seu nome causou tamanha perturbação no sempre feliz Louis?
- Ninguém.
- A última pessoa que eu esperaria ficar feliz em ver!
Louis e Liam responderam simultaneamente e então Liam olhou para Louis como se estivesse nascendo um chifre no meio da testa dele. Desde quando era "ninguém" para Tommo? Se aquilo era uma prova que o amigo havia superado o amor da sua vida, Liam precisava aprender algo dele.
Tomlinson, no meio do furacão de reações, emoções e discussões, estava com a boca seca e seu coração batia tão forte que ele jurava que ia desmaiar a qualquer instante.
estaria ali a qualquer momento.
!
E todo esse alvoroço porque Zayn anunciou que convidou a se juntar a eles quando saísse da festa de aniversário de um ano das gêmeas. Malik também contou uma história ridícula de como gostaria de ter ido ver as meninas mais lindas da Inglaterra mas ele já estava no bar e dificilmente algo ou alguém poderia competir com uma de suas formas favoritas de lazer.
- Zayn, vamos no banheiro pra você se limpar. - Louis demandou, desesperado para sair da presença de Angel, antes que ela ficasse alarmada porque ele se encontrava incapaz de agir como um ser humano normal.
Zayn estava com os cotovelos apoiados na mesa, alta o bastante para oferecer um apoio mesmo que ele estivesse em pé, aguardando Payne arrumar alguma coisa, e Harry apenas sorria porque Zayn estava molhado e ficou nervosinho quando Liam falou sobre , e agora Louis chamava de ninguém e estava à beira de um colapso emocional, sem contar que provavelmente Orteguinha chegaria logo e o próprio Liam teria que lidar com seus demônios. Não era a vida uma belezura?
- Não precisa, o Liam já foi buscar uma… - Malik negou a oferta de auxílio. Já nem estava mais tão bravo assim com Tommo, estava mais irritado por Liam ter sugerido que seria pior se estivesse lá, para a informação dele, teria sido muito mais proficiente e ágil.
- Não senhor, só uma limpeza no banheiro vai resolver isso. - Tomlinson agarrou o braço magrelo de Zayn e o empurrou em direção aos sanitários. - Nós já voltamos, sweetie! Você vai ficar bem com o Harry! - assegurou e Angelique olhou para Harry e então para Louis, totalmente por fora do comportamento estranho de todos.
Desde que Zayn contou que a notável , seja quem fosse, estava a caminho, nada mais estava normal. Liam a olhou estranho, Zayn a encarava com curiosidade e Harry começou a sorrir como um idiota, e tinha Louis que se esforçava para não olhar para ela.
Agora ele estava claramente fugindo da mesa, com Zayn a tiracolo e deixando-a apenas na companhia de Harry Styles, até que Liam voltasse e continuasse a fitá-la como se fosse de outro planeta. E para agravar o estado das coisas, Harry ergueu a garrafa ao alto, em um funesto brinde, e a aconselhou a beber e assistir porque estava prestes a testemunhar uma manifestação da natureza naquele bar.
Enquanto isso, no banheiro, Louis estava para subir pelas paredes e Zayn se limitava a tirar a camiseta cinza para lavar a parte molhada e usar o secador de mãos para dar uma ajuda.
- No que você estava pensando, Zayn?! Chamar a aqui! Hoje! Comigo aqui! Ah, meu deus, isso é um pesadelo! - Tommo despejou suas preocupações em sentenças curtas porém efetivas na demonstração do alcance do seu desespero.
Ele não estava pronto para ver !
- Relaxa, Louis. Ela está vindo como minha amiga. E por causa da , é claro. Eu diria que ela viria até mesmo pelo Liam do que por você. - Zayn torceu a camiseta com toda a sua força, engilhando o tecido que não mais parecia com a peça limpa, quente e seca que pegou no guarda-roupa mais cedo. Se tudo falhasse, ele ia usar a parte da frente nas costas e se aproveitar do lado limpo da camisa.
Isso era pra fazer Louis se sentir melhor?
- Sua amiga? Que história é essa, cara? Desde quando vocês precisam se encontrar em barzinhos aos fins de semana? - Lou parou ao lado da pia e apoiou as mãos nos quadris.
- Eu disse que estava com saudade de sair com ela, e ela aceitou vir. Simples assim. - Malik esclareceu e em seguida prensou os lábios, torcendo mais uma vez a camisa só para constatar que ainda havia água. Era como se ele segurasse nas mãos a solução para o problema da escassez de água potável do planeta.
- Você está dando em cima da , caralho?
Zayn tirou os olhos da máquina de secar mãos e apenas enfiou a camiseta lá dentro, de qualquer jeito. Encarou Louis com um sorriso divertido, quase sentindo compaixão pela audácia daquela pergunta.
- É isso o que você acha que está acontecendo, Tommo? Que eu estou dando em cima da ? - ele soltou uma risadinha condescendente. - Se eu quisesse ficar com a isso já teria acontecido. - afirmou e voltou a prestar atenção no processo de secagem de sua camiseta.
Louis deixou o queixo cair com a declaração presunçosa de Malik. Se qualquer outra pessoa tivesse falado isto, ele teria se enfurecido com a afronta, mas sabia que Zayn tinha razão, e provavelmente não tinha noção de que uma declaração daquelas poderia soar uma ameaça e mais importante ainda: ele estava entregue à Hilton, então não haviam motivos para se preocupar.
- Eu não posso ver a , cara… - apoiou-se na parede ao lado do secador improvisado, e mordeu o nó do dedo indicador, - Puta que pariu. Caralho. Inferno. Por que isso está acontecendo comigo? O que eu fiz de tão ruim pra está sendo punido assim, Deus?
- Bom, você seduziu a e todo garoto da escola sabia, então ela basicamente foi alvo de chacota sem saber durante meses. - Malik recitou os pecados de Louis enquanto levava a camiseta à bochecha para ver se estava menos molhada, o progresso foi pouco mas ele deu de ombros e tratou de vestir a peça novamente do jeito que estava.
No fim das contas Liam estava certo, não é como se houvesse alguém ali que ele quisesse impressionar.
- Ninguém precisa da sua honestidade, Zayn. - Louis revirou os olhos contrariado com a enxurrada de verdades jogadas em sua cara. - Agora nós vamos voltar lá pra fora e você vai sentar no meu lugar, e eu vou ficar na ponta da mesa. - instruiu a Zayn, abriu a porta e a manteve aberta com uma mão.
- Você quem manda, Tommo… - o moreno concordou desinteressado e passou por Lou.
A dupla voltou sem muita pressa, já que Louis estava incrivelmente desanimado com o seguimento da noite e Zayn andava naturalmente devagar, e graças a deus a pessoa sensata do grupo, Liam, já estava de volta à mesa, e o trio engatou em uma conversa sobre causas de morte tão ruins que deveriam ser evitadas a todo custo. - Liam, eu ainda acho que morrer esfolado é pior do que inalar pó de concreto. - Harry estava com o cenho franzido, sentado jogado em sua cadeira, balançando as pernas longas relaxadamente.
- Você não está entendo, Harry, quando o pó chega nos pulmões, você vai sentir muita dor e demorar a morrer!
- Sem contar que concreto é uma reação química, então a pessoa vai ser corroída até a morte, começando pelos pulmões. - Angelique acrescentou mais um fator de peso para o nível de sofrimento daquela morte.
- Eu estou falando de ter a pele inteira esfolada enquanto você ainda está vivo, caralho! - Styles arregalou os olhos, inconformado com a teimosia daqueles dois.
- Sobre o que vocês estão falando? - Louis chegou como quem não queria nada e foi sentar à cabeceira da mesa, com medo de que Angel notasse o novo arranjo e fizesse perguntas, mas tudo o que a menina fez foi sorrir para ele e responder sua pergunta:
- Sobre maneiras horríveis de morrer.
- Eu sei uma, ficar preso por uma noite com a sua namorada psicopata a quem você traiu. - Zayn tomou o antigo lugar de Louis e reclamou sua cerveja para si, já que estava lhe fazendo aquele gigante favor. - O que você acha disso, Tommo?
Liam e Harry olharam entre Louis e Zayn várias vezes, indecisos em relação ao teor daquela afirmação. Seria uma brincadeira bem humorada e eles deveriam rir ou foi uma provocação real e o melhor a fazer era sair correndo para bem longe?
- Eu não tenho ideia do que você está falando. - Louis disse confiante mas chutou a perna de Zayn por debaixo da mesa.
- Ai, porra. - o badboy xingou e se inclinou sob a mesa para massagear o ponto dolorido. Ao mesmo tempo seu telefone tocou e ele foi levantar para atender e bateu a nuca contra a mesa, fazendo todo o móvel estremecer brevemente. Zayn ergueu-se com toda a dignidade do mundo e atendeu a ligação. - Desgraça! Oi, não, eu não estava falando com você, desculpa. Ah, tudo bem.
- O que foi? - Harry questionou, dando voz a curiosidade de todos na mesa.
- Nós precisamos juntar aquela mesa. - Zayn levantou e Liam também, juntos carregaram outra mesinha de quatro lugares e colaram à deles, Harry se encarregou de ajudar com as cadeiras.
- É bom pedir mais porções, vocês não acham? Essas já estão frias.
- Alguém por favor pode sentar ao meu lado pra minha irmã não sentar aqui?
- Para de ser ruim, Styles. Se eu já não estivesse sentado ao lado de uma linda garota, com certeza teria a honra de dividir espaço com a princesinha. - Malik disse e sorriu para Angelique, que também sorriu mas tomando o elogio do garoto como uma piada.
- Eu acho que é hora de ir embora… - Louis estralou todos os dedos, prestes a ter um ataque de ansiedade.
- Ah, mas não adianta mais, Tommo. Eles já chegaram.
Ao ser informado, Louis prendeu a respiração e aguardou.
O grupo que entrou em seguida era uma visão e tanta.
liderava o bando, com Niall em seu encalço, segurando sua cintura com as duas mãos enquanto cantavam desafinados junto com o vocalista da banda Smash Mouth o clássico atemporal All Star que tocava a toda altura no bar, enquanto encenavam uma dancinha desengonçada e ridícula mas ninguém estava sóbrio o suficiente por ali para enxergar o apelo ridículo do casal.
vinha logo atrás, passeando com os olhos pela parte interna do recinto, imaginando se aquela seria mais uma saída entediante, sem a promessa de uma diversão que valesse a pena o seu top novo incrível. Seu único consolo é que se tudo o mais falhasse, poderia atormentar Liam com informações atualizadas sobre cada passo de pela última semana.
E finalmente, até que enfim, depois de um milênio de agoniante expectativa, entrou no bar, como uma estrela cintilante em seu macacão branco, os cabelos vermelhos esvoaçantes refletindo as luzes coloridas do lugar e um sorriso arrebatador porque havia acabado de topar com os cachorrinhos mais sapecas que já conheceu, um deles simplesmente tentou comer seu cabelo, e ela deixou!
Agora estava parecendo uma doida mas valeu a pena cada fio fora do lugar. Sua alma estava mais leve e não havia preço alto demais para isso.
Tomlinson fraquejou diante o espetáculo que era a sua ex namorada. Deus, cada terminação nervosa de seu corpo respondia à mera visão de , seu coração não podia suportar a saudade que a imagem dela evocava, e cada lembrança perpetrava em sua mente e intoxicava sua capacidade de raciocínio.
Tão logo a viu, ninguém mais importava. O bar lotado e barulhento se tornou nada comparado aos sons da risada da garota.
Deus, ele não sobreviver àquela noite.
- Oi, oi! - Niall chegou cumprimentando a turma, trocando soquinhos com os meninos e uma breve pausa para beijar a bochecha de Angelique, com a devida educação dada pela adorável Maura, antes de rodear a mesa e ir sentar ao lado de Liam.
- Vocês demoraram pra cacete, Irlanda! - Zayn reclamou do atraso, mas sorria.
- Niall, hoje eles têm aquela cerveja que você gosta! - Liam compartilhou as boas novas e ergueu seu copo para mostrar a bebida dourada, mas Niall pensou que aquele copo era pra ele e agradeceu a Payne e pegou a cerveja para si. - Puta que pariu, Niall. Vai pegar uma pra você! Harry, eu tô pegando a sua.
Harry nem respondeu porque estava encarando a irmã sorrir maniacamente na direção da coitada da namorada de Louis. Aquela menina não ia durar uma noite ao redor da doida. Ele considerou mandar parar de ser estranha, mas chegou dando uma boa olhada na mesa, cumprimentou apenas Louis e Liam, e então sorrindo para Angelique sem transmitir uma gota de simpatia, estudando a menina de cima a baixo, e por fim sentando ao lado dela, e a presença inesperada da morena capturou a atenção de Styles, que agora estava absorto com o leque de possibilidades interessantes que se abriu naquela noite.
Liam também olhou para , mas sentiu-se levemente desapontado pela ausência de , quem ele realmente esperava encontrar naquela noite. Não queria vê-la, mas ainda sim foi frustrante ver todo mundo entrar e nenhum sinal de . Estava com saudade dela e só agora criara coragem para admitir.
- Vocês não sabem o que perderam hoje! A Rey andou! No próprio aniversário! Foi mágico! - ainda estava extasiada com a desenvoltura do bebê, que não queria ficar no colo de ninguém porque estava maravilhada com a própria independência! - Oi, eu sou a ! - se apresentou para Angelique, que a encarava sutilmente desde que se juntou a eles, e esticou-se sobre a mesa para apertar a mão da estranha no ninho.
- Oi, . Eu sou a Angelique, mas pode me chamar de Angel. - a menina sorriu simpática, finalmente alguém amigável ali!
- Ótimo! Então me chame de . - princesinha Styles pediu e a conversa entre elas só não continuou porque Niall, acostumado a monopolizar o tempo todo, tratou de averiguar se a namorada queria vinho, algum drink, comida, sobremesas e um casaco. E em seguida engatou uma conversa empolgante sobre Pokémon, ganhando atenção coletiva.
- Liam, psiu. - debruçou-se sobre a mesa e esticou a mão para cutucar Payne, e ao perceber que estava longe demais, levantou e deu uma volta na mesa, colocando-se entre Tommo e Liam.
Nesse meio tempo, Liam observava a menina com uma sobrancelha arqueada, curioso para ouvir o que ela tinha a dizer.
- Oi! - princesinha Styles sorriu, feliz.
- Oi, . Tudo bem? - Liam sorriu também.
- Sim, sim… Como vai a universidade? Estudando muito?
- Não tanto quanto eu poderia, mas o bastante pra questionar se eu realmente preciso passar por isso.
- E as festas? Indo em muitas? Conhecendo muita gente?
Liam franziu o cenho, era claro que queria chegar em algum lugar, e o fato de que disfarçava tão parcamente suas intenções causava um contentamento nele, que poderia passar a próxima hora inteira respondendo àquelas perguntas casuais sem pressioná-la para ir direto ao ponto.
- Ah, sim. Eu já conheço pessoas o suficiente pra trocar meu grupo de amigos por um com menos brigas, gritos e garotas pequenas e curiosas que não sabem dissimular suas intenções.
cerrou os olhos brevemente:
- Não faço ideia do que você está falando.
- Tem certeza? Então me diga, como vai a sua vida, ?
- Não! Não vamos falar sobre mim!
- Vamos sim, aposto que você tem muitas novidades pra me contar.
- Ah, eu tenho mesmo! - os olhos verdes da caçula adquiriram um brilho empolgado pela oportunidade de contar tuuuudo o que aconteceu nas últimas semanas na Eton. Tantas maquinações, peças pregadas, alunos punidos, relacionamentos nascidos em meio ao caos! - Mas primeiro eu preciso perguntar: existe alguma chance de nós consertamos você e a ?
Claro, é só dar um fim na mãe dela.
- Não. - Payne respondeu resoluto, toda aquela pose é claro, depois de arregalar os olhos e ser acometido por uma breve palpitação cardíaca.
Ele olhou rapidamente ao redor da mesa para descobrir se alguém notou sua reação exagerada fora de contexto, mas ao que parece, Niall se tornou o maior contador de histórias da nação em algum momento daquele semestre bizarro.
Quase todo mundo olhava para o irlandês com interesse.
Quase todo mundo.
Angelique ouvia toda a conversa e ainda ofereceu um sorriso solidário a Liam quando seus olhos se encontraram.
Mas que inferno. O garoto praguejou.
- Tem certeza? Ela anda tão estranha… - soltou um muxoxo de lamento. Pobre , pobre Liam…
- Estranha como? - Liam se pegou envolvido na trama da pequena filha da puta, querendo saber mais sobre uma pessoa que ele fingia esquecer de sua existência. Mas a afirmação de Styles aguçou sua saudade porque até onde sabia, no limite do que Zayn compartilhava, estava melhor do que nunca e definitivamente já havia superado-o.
- Ah, ela sente sua falta. - a princesinha deu de ombros, piscando como um anjinho dos céus.
Ah, meu deus! Ela sente minha falta!!!
- Sente? Ela te falou isso?
- Ela não precisa dizer, mas o fato de que ela anda por aí usando as suas camisas diz muita coisa… - disse e deu um tapinha no ombro de Liam, deixando-o só com seus pensamentos, e voltou ao seu lugar, ao lado de Niall.
Liam não sabia o que pensar, seus sentimentos eram confusos a respeito das declarações ambíguas e parciais de . Ele tinha certeza absoluta que mandou todas as suas coisas de volta, conferiu duas vezes o conteúdo do saco e não faltava nada.
Em contrapartida, era delicioso imaginar que a ex namorada manteve consigo um souvenir para lembrar-se dele.
Mas também não fazia sentido porque nunca usava suas roupas nem quando eles estavam juntos! Ela era individualista no que dizia respeito a vestuário, definitivamente não era de seu feitio o que disse.
Porém…
Ahhh, Liam coçou o pescoço, agitado, questionando-se por que diabos disse aquelas coisas para ele? Para deixá-lo louco? Porque se aquela fora sua intenção, ela obteve total sucesso.
Estava ficando maluco com todos os "e se" que aquela conversa suscitou.
- Liam, já que você ficou sem sua cervejinha e agora vai ter que enfrentar fila, aproveita e pega um vinho pra mim? – apoiou os cotovelos sobre a mesa e se inclinou sobre ela para evitar gritar ainda mais sobre o som alto e o resto das pessoas que gritavam por causa da música alta.
- Hmmm, não. – o garoto retrucou com um sorrisinho e passou a concentrar-se na narrativa de Niall que agora falava sobre a hipocrisia da nova propaganda do seu jipe que encorajava mais contato com a natureza enquanto os próprios veículos são péssimos para o meio ambiente.
- Lou? – Meester apelou para Tommo, que ainda estava paralisado, em seu lugar, sem ser a alegria dos sábados à noite em festas e bares. Ela quis perguntar por que diabos Zayn estava sentado ao lado de Angelique, mas aí ela teria que envolver o nome daquele imbecil na conversa e não havia motivos para estragar o que tinha tudo para ser uma noite divertida.
- Oi? – Louis piscou e acordou do pequeno transe que o impossibilitou de oferecer seus calorosos cumprimentos aos amigos que chegaram. Eles já haviam sentado, Niall estava até contando uma história e ele nem ao menos os cumprimentou! Mas que inferno só porque estava lá…
- Oi, Tommo. Tudo bem? – abriu um sorriso divertido ao perceber o quão desconectado Louis esteve todo esse tempo. Era quase como se ele estivesse infeliz de estar ali...
- Ah, desculpa! Eu estava pensando… – Lou justificou-se sem graça e deu um sorriso amarelo para Angel, que interpretou o comportamento estranho dele como cansaço, pois sabia que Louis teve um teste difícil na sexta-feira.
- Está tudo bem? – ela levou a mão até Tommo e tocou no braço dele.
- Está tudo perfeito, sweetie. – Louis entrelaçou a mão com a dela, impedindo Zayn de se aproximar de seu lugar na mesa. – Você quer pedir alguma coisa? Um drink? Um hambúrguer? Batata? Um beijo? – ele piscou para Angel.
- Um beijo seria ótimo, obrigada.
Zayn revirou os olhos e se retirou daquela posição constrangedora, afastando-se por alguns metros das mesas para procurar . assistiu o casal trocar flertes bobos e se deu conta de que aquilo era muito real, Louis estava seguindo em frente, tinha uma namorada nova e a trouxe para uma saída com amigos. E essa garota nova era bonita, educada e agradável. O próprio Liam, que era insuportavelmente exigente, a aprovou e depois de conhecê-la, confidenciou a que Angelique era boa para Louis, seu veredito foi o bastante para levar Meester a concluir que ninguém merecia, nem mesmo pessoas ruins como , ver o ex com uma pessoa aparentemente tão legal.
Ela ainda pensava que alguém já deveria ter alertado Westwick de que Louis estava com uma garota nova para ela se preparar emocionalmente, mas se , que era a melhor amiga, não contou; não seria ela quem tomaria a frente para despejar o balde de água fria na colega (odiada) de apartamento.
Em meio a todas essas considerações, desviou os olhos do casal e seus olhos foram diretamente para Harry só para descobrir que estava sendo observada por aquele par de olhos verdes que perturbavam sua paz de espírito. O garoto sorriu para ela e sua reação foi interromper bruscamente a troca de olhares, investindo toda sua atenção em , Niall e Liam.
- Olha quem eu achei! A ruivinha! – Zayn estava de volta e acompanhado por Westwick, com um braço ao redor do ombro dela, enquanto a própria "ruivinha" segurava duas cervejas em cada mão e sorria resignada.
- , eu pedi o seu vinho e vai demorar então você fica com essa senha porque eu não volto tão cedo pra aquela fila infernal. – bateu as garrafas na mesa e tirou a senha do pedido de , jogando-a sobre a mesa. Sentou na ponta da mesa, diametralmente oposta à posição de Louis, que não se atrevia a olhar em seus olhos.
Além das caras entediantes de sempre, Westwick deparou-se com um rostinho novo e inclinou levemente a cabeça para o lado, observando a menina que a encarava com semelhante curiosidade e um sorriso muito discreto.
Quem era aquela? franziu o cenho. Já não eram suficientes aqueles idiotas na mesa? Precisavam trazer mais gente pra aquela insanidade caótica que eram eles? E porque aquela coitada estava sentada entre Louis e ? Estava pagando por algum pecado grave?
- E a minha cerveja, ? – Niall esfregou as mãos, ansioso pela bebida.
- Está aqui, mas você sabe qual é a minha condição pra te entregar, não é? – deixou a estranha de lado e olhou para Niall com arrogância, mantendo as garrafas geladas sob sua possessão, impedindo o irlandês de ter acesso à sua preciosa aquisição.
- , para de ser irracional. Você já ia pegar fila de qualquer maneira, não é como se você fosse generosa ao ponto de ir exclusivamente por mim.
- E daí? – ela cruzou os braços.
- E daí que você deveria deixar de ser uma filha da puta injusta, me entregar essa merda e se sentir bem com você mesma por ter feito uma boa ação hoje.
- Injusta? Eu propus uma troca justíssima, Irlanda!
- Não, justo seria se eu tivesse que ir uma vez buscar bebida pra você, como você fez uma vez só comigo.
- Mas eu trouxe duas cervejas!
- Eu posso trazer duas quando for a minha vez!
- Tá, mas a questão é que eu quero que você vá uma vez por cada cerveja que eu trouxe para você!
- Então eu vou pegar só uma! - Niall argumentou completamente desesperado com o sofrimento que estava passando para pegar a maldita bebida, aproveitou-se da distância entre e as cervejas e inclinou-se sobre a mesa para alcançar pelo menos uma delas.
foi rápida em estapear a mão teimosa de Niall, que soltou um lamúrio de dor e amaldiçoou a agilidade da garota.
- Não! Ou vai pegar tudo, ou fica sem nada. - Westwick fez a justa proposta. E não é que realmente precisasse de Horan para beber alguma coisa, mas desde quando abria mão de uma boa disputa, não é mesmo?
- Eu acho que nós devíamos fazer uma votação para saber que tem razão. – , inspirada pelo mesmo espírito da desordem, propôs uma solução para o impasse, e todo mundo pareceu adorar a ideia.
- Péssima ideia, . – Liam balançou a cabeça, aquela história só podia ter um fim, considerando que a metade daquela mesa tinha algum tipo de problema com Westwick.
- Na verdade essa é uma ótima ideia! - Westwick agora tinha os olhos brilhando em expectativa, tomada pela adrenalina que somente uma boa competição poderiam lhe proporcionar. - , se você escolher o lado desse otário, eu nunca vou te perdoar. - ameaçou à caçula ao seu lado.
E Niall não era nem louco de pedir pra o escolher e assim colocar em risco a vida de sua amadinha, então só sorriu para ela, assegurando-a de que tudo ficaria bem se ela ficasse do lado de , a integridade física dos dois seria preservada portanto não havia decisão diferente a ser tomada.
- Uau, que amiga maravilhosa você é. - Harry não pode se conter já que nem ele era ruim assim com a irmã.
- Cala a boca, Styles.
- Eu vou começar essa votação dando minha razão ao Niall. - Liam disse - quem concorda comigo que o Niall devia ficar com as duas cervejas e não voltar nenhuma vez pro bar, levanta a mão.
Louis, e Harry se juntaram a mão erguida de Liam, entusiasmados em destruir a felicidade de . A expressão da ruiva era de pura raiva e ela escolheu direcionar seu laser de ira na direção de Tomlinson, o filho da puta traidor, mentiroso e que agora também se colocava contra ela, como se não fosse o suficiente ter quebrado o seu coração.
Tommo sentiu aquele olhar como uma espada que atravessava o seu peito e tornava a vida excruciantemente dolorosa e difícil de ser apreciada. Como se manter indiferente diante do raio de sol de sua vida? Como fingir não sentir a falta de alguém que o fez feliz nos dias mais cinzas e cuja conexão transcendia os limites da razão?
- Pronto, você perdeu. Agora entrega essa merda pro Niall. - Payne disse alegre, e levantou da cadeira. - Eu vou ao bar, , vai querer alguma coisa?
- Qualquer vinho, uma marguerita, uma mimosa e uma porção de batatas, daquelas que parecem canoas. - Meester listou seus pedidos como se Liam fosse um garçom treinado e indicou com a mão que ele fosse logo. - Vamos, , entrega a cerveja.
- É, , não adianta adiar o inevitável. - Niall exibiu um sorriso presunçoso, sempre tomando o cuidado de colocar-se atrás de , é claro.
- Se você tocar em uma dessas garrafas, eu vou enfiar elas no seu rabo, irlandês safado. - ameaçou Niall enquanto saboreava o líquido refrescante devagar para deixar o coitado com água na boca.
Os garotos, apesar de estarem ao lado de Horan, não podiam negar que aquela era uma bela cena de vingança, um insulto silencioso porém efetivo.
teria rido se não fosse , e Angelique sentia pena do garoto loiro porém estava encantada com a espirituosidade de , aquela era uma pessoa que definitivamente não era facilmente ignorada.
- Megera mentirosa! - o loiro se indignou com a tortura descarada e tentou mais uma vez reclamar seu prêmio, fruto de uma vitória justa, mas nem deu tempo de chegar até a bebida porque Malik ergueu as duas mãos na altura do peito e fez as vezes como apaziguador:
- Tudo bem, tudo bem. , vamos jogar sinuca? Eu estou me sentindo com sorte hoje. – ele propôs animado.
- Essa sorte vai durar até eu colocar minhas mãos no taco, você sabe disso, Malik. - cruzou os braços e sorriu arrogante.
- Hm, eu acho que você está errada. - Zayn riu. - Alguém mais quer jogar com a gente?
- Com exceção do Tomlinson, é claro. - Westwick observou.
- É claro.
Louis, o impedido, era o mais provável a querer se juntar ao jogo para exibir suas habilidades no esporte e assim impressionar sua garota, então é claro que ele ficou chateado com a restrição, e fitou com o olhar decaído, cansado daquela guerra. Angel murmurou um "Não, obrigada."porque estava oficialmente preocupada com Tommo e gostaria de estar ao redor caso ele caísse duro ali no chão. não aguentava mais viver ao redor de então manteve o olhar em Angelique, analisando a roupa dela, ao invés de se dignar a dar uma resposta. E Harry encolheu os ombros e bebeu mais um pouco.
- Eu vou! – Niall decidiu e levantou, aquela era uma excelente oportunidade para se vingar da ruindade de , vencendo-a em sua própria zona de conforto. - , você não vive dizendo que quer aprender a jogar sinuca?
franziu o cenho, mas levantou-se de qualquer maneira:
- Eu nunca disse isso, parece uma coisa que a diria, mas eu vou de qualquer maneira, parece divertido! - deu de ombros.
- Perfeito! Nós podemos jogar em times. - Zayn comemorou e tomou frente rumo às mesas de jogos, vinha logo atrás, andando no mesmo passo que Niall e , avisando à melhor amiga de que não iria jogar com ela porque odiava perder e já formando um time com Horan.
Chegando na mesa disponível, o trio mais experiente já começou a preparar o jogo e , ao perceber que não havia muito o que fazer por enquanto, começou a mandar mensagens.
- Então, alguma dica pra começar o jogo? – guardou o celular no bolso após mandar um informativo no grupo das caçulas para atualizar as amigas sobre Zayn e Liam (essa mensagem entrava para a lista de coisas que ninguém pediu mas Styles fez mesmo assim), afirmando que eles estavam se comportando bem, apenas aproveitando a noite entre amigos e que não havia nada a se preocupar.
Zayn estava colocando as moedas para abrir a gaveta de bolas, enquanto isso e Niall separavam um quarteto bom de tacos para a rodada.
- Não, é só você acertar o taco em qualquer bola, babe. – Horan explicou.
- , confia nos seus instintos. – incentivou a novata no jogo.
- Vocês são dois filhos da puta. presta atenção, - Zayn começou a tirar as bolas da gaveta e aproveitou para ensinar o básico para sua parceira pela noite. – São quinze bolas vermelhas e seis coloridas. As vermelhas valem cada uma um ponto.
- Okay. – a menina acenou, concentrada.
- A bola branca é usada para encaçapar as coloridas, então é bom você não colocá-la nos buracos.
- Bom, eu não posso prometer nada.
- Está tudo bem, se acontecer, não perdemos pontos. – Malik assegurou.
- Aí eu já vou ter que discordar. – Niall interrompeu a instrução. – Isso deveria ser uma falta. – parou ao lado da namorada e passou um braço sobre seu ombro.
- Uma falta grave, eu diria. – apoiou-se na borda da mesa e cruzou os braços.
- Em jogo nenhum isso é falta, seus idiotas. – Zayn expirou profundamente. – , nós precisamos primeiro tirar todas as bolas vermelhas da mesa, se por algum acaso derrubarmos alguma das coloridas, ela volta pra mesma posição, sem prejuízo também. - ele pegou os tacos remanescentes que e Niall selecionaram e os devolveu ao suporte, procurando algo menos ruim para e ele.
- Ah, mas assim é bom demais! Ela vai poder fazer tudo errado e ainda sai no lucro! - Westwick se revoltou como se estivesse lidando com uma injustiça cometida pelo seu pior adversário e não uma pequena concessão à melhor amiga que nunca havia jogado antes.
O lado bom é que não se ofendia facilmente então apenas ria do desgosto de e da malandragem de Niall.
- Isso é tudo por enquanto. Toma o seu taco. - Zayn esticou a vara de madeira para após passar giz na ponta.
- Boa sorte, gatinha. - Niall beijou a bochecha dela e foi para o outro lado da mesa.
- Nós vamos acabar com vocês. - se gabou, arrogante.
- Nós já vamos começar, Zayn? - parou ao lado do parceiro, observando-o conferir se estava tudo nos conformes.
- Eu acho que sim, você ficou com alguma dúvida?
- Bom, nós temos que colocar as vermelhas primeiro e só então as coloridas, certo?
- Sim, e tem uma ordem de cores e pontuação mas isso eu te explico quando nós lidarmos com as vermelhas, está bem?
- Beleza.
- Eu começo! - se adiantou e acertou a bola branca em uma tacada precisa, derrubando uma bola vermelha.
- Boa, . - Niall congratulou a menina e eles bateram as mãos no alto.
- Faz algum tempo que eu não jogo, mas isso aqui é como andar de bicicleta, uma vez que você aprendeu, nunca mais esquece. - Westwick comentou para ninguém em especial e fez sua segunda tacada, sem sorte dessa vez.
Ninguém comentou o fracasso daquela jogada.
- É a nossa vez. Você quer ir primeiro, ? - Zayn perguntou a uma muito impressionada com os talentos de .
- Pode ser. - a caçulinha concordou e deu meia volta para alcançar a bola branca, inclinando-se com muita concentração para computar a melhor maneira de acertar o objeto.
- Vai com calma. Você tem todo o tempo do mundo. - Malik tranquilizou a menina e seu incentivo fez eleanor murmurar uma reclamação sobre o teor mentiroso daquela afirmação.
- Puta que pariu, isso nunca vai terminar… - rolou os olhos.
Depois de calcular, mirar e cruzar os dedos mentalmente, ela acertou de mal jeito e a bola branca rolou por entre todas as outras sem tocar nenhuma delas e bateu na borda da mesa, escorregou lentamente até cair na rede. Esquecendo completamente da regra das cores, comemorou aquela jogada péssima que resultou em bola derrubada, porque em seu entendimento aquele era basicamente o conceito geral do jogo.
- Você viu isso?! Eu acertei uma!!! - ela se virou para Zayn, maravilhada.
Zayn ria da felicidade dela e nem mesmo conseguiu impedir uma risadinha bem humorada por causa de . Niall, no lado oposto, a amou ainda mais depois daquela demonstração tão pura de felicidade por algo tão ínfimo.
- Você claramente tem potencial, parceira. - Malik mentiu para o benefício da moral do time. - Irlanda, sua vez.
- Beleza. - Niall se aproximou e em um piscar de olhos, com uma facilidade estonteante, fez suas duas tacadas e tirou três bolas vermelhas da mesa.
- Babe, que sorte!!! Parabéns! - estava estupefata com o que acabava de ver. - Uau!
- Sorte? Você vai parar de chamar isso de sorte daqui a pouco. - Zayn a alertou enquanto fazia sua jogada e derrubava uma bola, na segunda tacada acertou uma vermelha e a amarela, perdendo assim a vez.
- Puta merda, hein Malik! - zombou do deslize do moreno, procurando uma boa posição.
- Nem vem, ainda sim eu fui melhor do que você, ruivinha. - Malik retrucou a provocação, ocupando-se em passar mais giz na ponta do taco, por força do hábito.
ainda tirou mais três bolas vermelhas, veio trazer vinho para princesinha Styles, fracassou novamente em todas as suas jogadas, Liam e Harry passaram para dar uma olhada, os garotos eliminaram juntos mais três das vermelhas, a bola amarela e a verde, quando Niall decidiu arriscar seu pescoço e oferecer um auxílio à namorada, que não iria muito longe com um professor tão relaxado como Zayn, que aplaudia todos os seus erros e ainda tinha a pachorra de incentivá-la a continuar assim.
- Você vai ter mais firmeza na tacada se usar a sua mão dominante pra segurar essa parte mais grossa, .
- Oh. – trocou de mãos o taco e mudou a posição as mãos. – Assim?
- Aham. Agora...
- Ei, ei, ei! O que você pensa que está fazendo, Irlanda?! – interrompeu imediatamente sua história bateu seu taco na borda de madeira, prestes a batê-lo na cabeça burra de Niall.
- Ajudando a . Ela ainda não acertou uma. – Horan explicou, deixando subentendido que não faria diferença, eles ainda ganhariam
- O problema é dela!
- E o importante é se divertir, gente. – Zayn disse calmamente, retirando o cigarro pendendo entre seus lábios, passando a segurá-lo entre os dedos indicador e médio da mão direita.
- O importante é ganhar! - retrucou.
- Vai se foder, vai, . - Niall resmungou e ignorou os protestos da ruiva. - Agora coloca essa perna aqui. - empurrou a perna esquerda dela mais para a frente, - E flexiona um pouquinho aqui. - cutucou a parte de trás do joelho, - e não precisa se inclinar tanto, isso. Muito bem, agora tenta de novo.
seguiu a risca os valiosos conselhos e não deu outra, a bola marrom rolou rápida e diretamente na direção certa, garantido quatro sólidos pontos para ela e Zayn.
- Caralho! - Malik levou as duas mãos à cabeça e olhou para a mesa com feltro negro, então para , que também parecia estar a absorver sua primeira vitória em um jogo de sinuca.
- Eu consegui. - ela disse mecanicamente.
- Você conseguiu, caralho! Quatro pontos! - Zayn repetiu a afirmação e os dois começaram a pular abraçados no meio do bar.
Horan estava muito orgulhoso de suas habilidades de mentoria e é claro, do talento oculto da aluna que executou tudo com excelência e graça. Se ela ficasse feliz assim todas as vezes que vencesse, ele facilmente abriria mão de suas vitórias só para poder ver aquele sorriso.
- Você é inacreditável, pelo amor de deus. Está feliz agora? - parou ao lado de Niall e o empurrou pelo ombro. Seus sentimentos eram conflitantes, estava feliz pelo aprendizado da melhor amiga mas puta que pariu, eles não podiam fazer isso fora de uma competição?
- Com certeza! - Niall nem ao menos hesitou.
olhou para onde o irlandês olhava e viu reproduzindo a manobra para Zayn, explicando o que fez e como, como se fosse uma profissional naquele campo.
- Ahhhhhh! Niall, se a gente perder… - fechou as mãos em punho, ameaçando a sua própria dupla.
- Relaxa, . Se você parar de gritar, eu te conto um segredo escandaloso. Se bem que nem é um segredo, todo mundo sabe menos você. - Niall, de braços cruzados e recostado na borda de uma mesa desocupada, sugeriu.
- O que é? - cerrou os olhos.
- Melhor ainda, eu vou te contar o que é, e se você se surpreender, vai pagar todas as bebidas que eu tomar essa noite. - Horan ergueu o dedo indicador e sorriu deliberadamente. Ah, ia sentir prazer em ser o portador daquelas novas...
- Nada que sair da sua boca vai me surpreender, Horan. Pode mandar. - a ruiva cruzou os braços e ergueu apenas uma sobrancelha, duvidando em absoluto da capacidade daquele moleque atrevido em surpreendê-la.
Niall batucou os dedos uns nos outros, bebericou o vinho de , respirou fundo e então disse com toda a calma do mundo:
- O Louis está namorando. E é aquela menina lá na mesa com ele, a Angelique.
sentiu fisicamente o baque daquela informação.
Foi como se duas mãos fortes a empurrasse bruscamente pelos ombros, a força da gravidade usando de toda a sua força para tentar derrubá-la. Seu corpo pesava toneladas e subitamente tornou-se cansativo ser Westwick.
A estranha reação no entanto, durou uma fração de segundos e então voltou a ser o demônio incontrolável que era, como Louis costumava dizer quando eles brigavam. Agora ele ia ver o quão diabólica ela podia ser. Filho da puta.
Arremessou seu taco sobre o jogo, bagunçando-o completamente e marchou em direção a mesa, cega para a música alta, as pessoas em que esbarrava e as vozes que gritavam.
Em algum lugar no fundo de sua consciência pode ouvir os amigos argumentando se deveriam seguí-la ou não, mas o fato de que agora já estava quase na mesa onde Tomlinson estava e ainda podia ouvi-los perfeitamente indicava que decidiram acompanhar seus passos.
Viu Angelique que estava sentada de costas para ela e quase lamentou conhecer a garota sob tais circunstâncias, em outra realidade poderia até odiá-la um pouco menos, mas ali, naquele bar, ela era apenas o efeito colateral da reação química explosiva entre Louis e .
Sua chegada na mesa causou burburinho e em um piscar de olhos, Niall, Zayn e estavam bem acomodados nos bancos remanescentes e distantes da zona imediata de perigo. Na verdade foi um prazer ocupar o lugar entre Tomlinson e a nova namorada e assim ver o idiota lhe implorar com um olhar para que desistisse do que quer estivesse prestes a fazer.
Tarde demais, Tomlinson…
- Ei, você. Nós não fomos apresentadas. - dirigiu-se à Angelique e bem, seu sorriso não era exatamente o que se poderia chamar de simpático. Desvairado, talvez, com uma pitada de zombaria.
Angel, que não fazia ideia no que estava metida, achou incrível que não passou despercebida aquela garota singular que emanava energia vital e apresentava uma postura impetuosa e intensa.
- É verdade, eu sou Angelique, prazer. - estendeu a mão para , que rapidamente aceitou o cumprimento e sorriu divertida:
- Eu sou , a ex namorada do Louis.
- Oh. - foi tudo o que Angelique conseguiu articular em tão pouco tempo.
Louis namorou aquele furacão?
Cochichos coletivos ecoaram por toda a mesa. Os rapazes estavam de queixo caído com a audácia de Westwick, que sobrepujou suas expectativas do que poderia dizer de tão ruim. só conseguia olhar para como se estivesse vendo um desastre inevitável do qual não conseguisse desviar o olhar. Louis estava com as bochechas vermelhas e aquela sensação de que estava bem próximo de morrer.
nunca havia se divertido tanto antes e nem disfarçava a alegria em ver o bicho pegar.
- Você não contou sobre mim, honey? - a ruiva virou-se para Louis e invocou o infâme apelidinho que o filho da puta escolheu para ela.
- , para. - Tomlinson fechou os olhos, implorando aos céus para que aquilo fosse apenas um pesadelo porque ele estava prestes a esganar Westwick.
- Ele definitivamente não contou. Uma pena, nós temos uma história incrível. - fez um biquinho dissimulado. - Você gostaria de ouvir? - bateu os cílios negros, parecendo diabolicamente adorável.
Mas Angel não conseguia responder, havia algo sobre aquele momento macabro que a impedia de sequer pensar com clareza, olhava de Louis para e ficava sem fôlego com a intensidade de sentimentos por ali.
- Ahnn… - ela murmurou, olhando para Louis em busca de socorro.
Tommo se sentia mal por Angelique, principalmente porque desde que sentou ali, ao seu lado, ele tinha esquecido de sua própria namorada e a coitada da Angel estava face a face com o próprio demônio e ele, que deveria ser o seu cavaleiro de armadura reluzente, era na verdade o vilão dessa história toda.
- . - Louis tentou, sem muita força de vontade, interrompê-la.
- Shhhh, Tomlinson. Eu não quero falar com você, seu covarde. - a garota ruiva colocou o dedo sobre os lábios ao referir-se a Louis, e então voltou-se mais uma vez à Angel e apoiou os cotovelos sobre a mesa. - Bem, Angelique, você quer ouvir ou não?
- Tudo bem. - Angel acenou, embora só desejasse ir embora dali o mais rápido possível. Em um minuto estava em uma saída divertida com o namorado e os seus amigos, no outro, era parte de uma trama ruim de novela mexicana e estava irremediavelmente sozinha.
- Ehhh caralho… - Niall murmurou, aflito, coçando o pescoço repetidamente porque tinha alergia aos acontecimentos que seriam narrados a seguir.
Ninguém nunca falava sobre a aposta. Mas isso estava prestes a mudar e metade da mesa estava tensa e a outra metade ávida por ouvir o que Westwick tinha a dizer. Por isso, quando ela começou a falar, todos prestaram atenção.
- Ótimo! Bem, tudo começou quando esse idiota começou a me perseguir, o que era particularmente irritante, mas eu acabei cedendo, o que não é algo que eu costumo fazer mas mal sabia eu jamais tive outra opção a não ser ceder. - narrava com uma empolgação que dava frios na barriga dos ouvintes. - E aí é que a história fica interessante, porque as coisas desenvolveram em uma velocidade assustadora e nós até conversávamos sobre morarmos juntos em Oxford quando eu descobri que esse palhaço na verdade estava participando de uma aposta pra transar comigo. Um charme, não? - ela se apossou da bebida de Angel e deu um bom gole antes de cruzar os braços sobre o peito e sorrir como se tudo fosse uma grande piada, mas tudo o que se via em seus olhos era a dor irreparável da traição que sofreu. - Quanto você ganhou por transar comigo, falando nisso? - perguntou rudemente a Louis.
- Nada. - Tommo estava tão constrangido que não tinha a coragem de erguer os olhos da mesa.
- Quanto, Tomlinson?
- Eu já falei, nada. Você acha mesmo que eu ia aceitar aquele dinheiro sujo?
- Por que não? Você mereceu cada centavo. - apelou então para Malik: - Zayn, quanto vocês iam ganhar?
O moreno teve um acesso de tosse e olhou para com os olhos amendoados arregalados, sentindo a força do julgamento da menina pesar sobre seus ombros.
- Eu não quero me meter nisso. - ergueu as mãos, escusando-se de participar da conversa mais desconfortável que presenciou na sua vida.
- Você se meteu nisso quando tentou transar com a Meester, Malik. Agora responde minha pergunta.
Ao ouvir seu nome ser citado, abriu a boca para protestar mas parou no meio do caminho para ver aonde aquela conversa iria. Seus olhos curiosos passavam por cada um na mesa, avaliando as expressões e julgando os níveis de estresse coletivo.
Em sua humilde opinião, era maravilhoso ver Westwick usando o feitiço contra os feiticeiros, se armando da própria ruindade daqueles idiotas para constrangê-los e acuá-los. Sentiria simpatia pela companheira de apartamento se ela não fosse Westwick.
Liam, que nunca na vida imaginou que respeitaria , estava impressionado com a habilidade dela em deixar tantas pessoas desconfortáveis ao mesmo tempo. Até sentiria pena dos amigos mas estavam colhendo o que plantaram e honestamente ele desejava que Niall e Harry também fossem arrastados para dentro daquele desastre.
queria que aquilo acabasse para poder contar para e , mas também gostaria que continuasse para ela ter mais conteúdo para compartilhar. Entretanto, começava a se preocupar com o estado catatônico de , que cada vez mais se assemelhava a uma pessoa insana e fora de si.
- Cinquenta mil, pra cada. - Zayn disse baixinho.
- Olha só, esse é o valor da dignidade de uma garota nessa mesa, Angelique. - abriu os braços e apresentou o universo louco em que viviam.
A essa altura do campeonato, Angelique já havia decidido que aquela seria a última vez que veria aquele pessoal.
- , já chega! - Louis bateu na mesa e ficou de pé.
- Chega mesmo? Quem vai me parar? Você? - levantou também, deixando todos nervosos.
Não era por nada mas se ela quisesse atacar Louis, Liam faria questão de segurar o bastardo para ele receber o que merecia.
- Eu já te pedi perdão, um milhão de vezes. - o menino falou mais baixo, cansado daquela luta dos dois. Era tão difícil amá-la, e ainda sim impossível não fazê-lo.
- A não ser que você possa devolver todas as vezes que transou comigo, desfazer todas as vezes que selou aquela maldita aposta, o seu perdão não vale de nada. - disse, magoada porém irredutível em sua arrogância.
- Você é insuportável! - Tomlinson extravasou sua frustração.
- Eu sou, mas pelo menos eu não uso as pessoas pra provar ponto pra ninguém. - ela retrucou, teimosa como era. - E essa é a nossa linda história de amor! - disse sem humor para Angelique.
- Nós estamos indo embora. Agora, Angel. - Louis anunciou e em um piscar de olhos a garota estava pronta para partir, e os dois foram embora sem se despedir.
- É, vai lá, covarde… - sentou de volta e dessa vez olhou para o lado para não ter que olhar para Louis e sofrer ainda mais.
- Uau, isso foi intenso! - soltou o ar pesadamente, tentando disfarçar a sua diversão às custas do sofrimento alheio.
Todos na mesa encararam a morena como se ela fosse louca.
- Eu classificaria como um pesadelo. - Niall riu embora ainda não estivesse completamente relaxado. Aquela conversa não acabou ali para ele, ia reviver o diálogo, ia relembrar a aposta, repetir as mentiras de Niall e então eles brigariam e o pior de tudo, ela voltaria a ficar desconfiada pela próxima semana.
- Poderia ter sido pior. - Harry estava com as sobrancelhas erguidas há tanto tempo que vincos se formavam em sua testa, e ele não estava nem perto de parar de se sentir abismado com tudo o que viu. - Alguém poderia ter sido atacado fisicamente.
- Não tem como ter sido pior, Harry. Meu coração ainda está acelerado. - Zayn colocou uma mão sobre o coração. - , você me assustou, puta que pariu.
- Eu não vou pedir desculpas por isso, Malik. - deu um meio sorriso, pensativa.
- Vocês viram a cara da Angelique? Ela nem conseguia falar! - relembrou da surpresa da outra garota. Sentia-se mal por ela, aquela foi uma péssima maneira de descobrir quem Louis realmente era.
- Aqueles dois vão ter uma conversinha difícil hoje a noite. - Zayn riu.
- Conversinha? Eles já eram. Parabéns, . Você conseguiu destruir um relacionamento que nem começou direito. - Payne elogiou a ruiva com toda a sinceridade de seu coração.
- Cala a boca, idiota. - levantou e foi procurar o banheiro.
- Será que eu devo ir atrás dela? - questionou, preocupada.
- Não! - todo mundo respondeu junto.
Ninguém em decadência precisava de uma super protetora ao redor de si. Podia ser sufocante tal experiência.
A loirinha aquiesceu, esperando os amigos se distraírem para ir atrás de , tinha certeza de que era melhor que estivesse lá por ela, mesmo que fosse para ficarem em silêncio juntas.
O embate vs Louis claramente matou os ânimos festivos do grupo e tudo o que restava de conversa agora era os irmãos Styles discutindo porque estava perto demais de Harry enquanto Niall e Zayn mandavam mensagens para contando o que aconteceu e fazia o mesmo com .
- Depois disso a noite dificilmente vai ficar melhor, então eu vou embora. - Liam ficou de pé e pegou suas chaves de cima da mesa.
- Me leva em casa antes? - Meester pediu, guardando o celular.
- Não vai dar, eu estou cansado demais. - ele mentiu. Só queria rodar por aí com seus pensamentos, sem companhias reclamonas que interrompessem seu momento de paz.
- Que inferno, Liam, o que custa só passar e me deixar em casa?
- A sua casa fica do outro lado da cidade, .
- Você é um péssimo amigo. - cruzou os braços e virou o rosto.
abriu a boca para oferecer carona à menina mas rapidamente negou com a cabeça, antes que seu truque fosse por água abaixo. Princesinha Styles sorriu e ficou quieta e em seguida Liam mudou de ideia:
- Mas que inferno. - Payne xingou. - Vem logo, cacete.
- Não precisa. Eu vou pedir pro Alfred vir me buscar. - Meester encolheu o ombros, comemorando a vitória sobre o amigo, que voltou atrás com sua palavra só para ser rejeitado.
Liam respirou fundo e foi embora antes que acertasse sua carteira na cabeça de e antes que saísse do banheiro, já estava bem distante do bar.
O pessoal que sobrou decidiu ir para a casa de Niall fazer alguma coisa, mas Harry informou que preferia ir para casa e se mandou para o banheiro, e não se sentia muito inclinada a dividir espaço com Malik e Westwick então ligou para casa e acompanhou o quarteto até lá fora, onde já ficaria a postos aguardando Alfred.
Styles não demorou a voltar do banheiro e notar que seus amigos de fato haviam se retirado do pub e o deixado para trás sozinho. Dirigiu-se então ao guarda volume, onde havia deixado o casaco e não enfrentou filas para conseguir o agasalho de volta.
Ao sair do pub, ainda arrumando a gola do casaco, olhou de um lado para o outro na calçada, tentando lembrar-se onde havia estacionado o carro e não surpreendeu-se ao encontrar Meester a alguns metros dele, com a cabeça baixa, focada no próprio celular. Caminhou até a morena, vendo-a perceber sua aproximação e bloquear o aparelho para então cruzar os braços.
- Oi, meu bem. - sorriu galante.
- O que você quer? - piscou lentamente, sem disposição para entrar em uma possível discussão.
- Nada… - encolheu os ombros, sentindo-se pressionado por aqueles olhos azuis perscrutadores - O que você está fazendo aqui sozinha?
Pensou em responder que aquela informação não era de sua conta, todavia permaneceu em silêncio por mais alguns segundos apenas analisando o rapaz a sua frente, que conseguia disfarçar seu desconforto muito bem.
- Esperando o motorista vir me buscar.
- Eu posso te levar. - o moreno ofereceu, apontando com o polegar por cima do outro, indicando onde seu carro estava, mesmo que não tivesse certeza que aquela era a direção correta.
- Não precisa.
- Vai ser rápido.
- O Alfred já deve estar a caminho.
- É só ligar e cancelar.
- Mas ele já deve ter saído de casa.
- Eu explico para ele o que aconteceu.
- Por que eu pegaria com você se o Alfred já está a caminho?
- Porque a minha companhia é muito boa! - abriu os braços indicando a si mesmo, sustentando um sorriso divertido, esperando que aquilo fosse o suficiente pra convencê-la.
sorriu de lado, guardando as mãos nos bolsos quentes do agasalho que usava e assistiu Harry dar uma voltinha a fim de mostrar todo o conteúdo que ela perderia se não aceitasse sua carona.
- Não sei se foi o suficiente para me convencer…
- Eu até tenho mais um truque na manga, mas tenho medo de colocar esse plano em ação e você arrancar meus olhos com os dentes.
- Eu acho que eu nunca vou saber que plano é esse e você não vai saber se ele funciona se você não tentar. - respondeu sugestiva e o garoto juntou as sobrancelhas indeciso em se jogar naquela possível cilada ou recuar.
Todavia a menina tinha razão. Styles precisava colocar o plano em ação para saber se teria êxito ou sucumberia na ignorancia.
- Você quer que eu tente?
- Eu nem ao menos sei como é o plano, Harry! - arqueou as sobrancelhas já arrependida por tê-lo incentivado
- Ah, meu bem, não seja ingênua. - rolou os olhos.
Um suspiro de indignação escapou por entre os lábios avermelhados de Meester que franziu o cenho e tentou se afastar do menino, que rapidamente se colocou a sua frente a fim de impedi-la.
- Brincadeira! Brincadeira. - falava depressa, tentando amansar a fera a sua frente que ainda bufava raivosa. Styles sorriu devido o mau humor da morena e enrolou um dedo em seus fios curtos. - Não precisa ficar assim, meu bem. - colocou uma mecha dos cabelos negros atrás da orelha de e aproximou seu rosto do dela.
Seus olhos verdes fixos nos azuis da menina. Sua respiração chocando-se contra o rosto da morena, avermelhado devido o vento gelado que soprava. A ponta de seus dedos contra a pele macia de Meester que arrepiava-se sob o toque quente. Os lábios macios do rapaz acariciaram a bochecha da garota que fechou os olhos por um instante, sentindo-se boba por permitir-se ser arrebatada pelo singelo gesto.
- Esse era o plano. - o menino falou baixo no ouvido de , que sentiu os pelos de sua nuca se eriçarem e abriu os olhos a tempo de assisti-lo aproximar-se para um beijo em seu rosto. - Agora você aceita a carona? - indagou baixinho, ainda enrolando os dedos nos fios sedosos.
- Não adianta mais. O Alfred já deve estar perto.
- Então eu fico aqui até ele chegar.
- Esse é um bom plano. - concordou com a cabeça, puxando-o pela gola da camiseta que usava, finalmente tocando os lábios dele com os seus.
Desejando não que aquele momento durasse para sempre, mas sim que a sensação boa que a dominava nunca a abandonasse. Infelizmente, tinha em mente que assim que adentrasse a mercedes que a levaria para casa e Harry partisse levaria consigo tal sensação.


ooo


A morena abriu a porta de seu apartamento em Cambridge sentindo um misto de saudade do local, por ter passado o fim de semana fora, como também uma certa tristeza por ter de voltar a rotina universitária longe dos amigos, dos mimos de sua mãe e das conversas do pai.
Acendeu a luz do hall, pendurando sua chave no chaveiro ao lado da porta e percebeu que o resto da casa estava escura, silenciosa e vazia. Carregou sua mala de mão até seu quarto, deixando-a em um canto a fim de lidar com aquilo mais tarde e caiu sobre seu colchão, checando suas redes sociais, tentando encontrar força de vontade para tomar banho.
Praguejou ao visualizar uma mensagem de uma de suas colegas de turma, a lembrando de uma resenha que deveria ser entregue naquela segunda feira.
Meester já havia começado o trabalho, mas acabara esquecendo de terminá-lo e conclusões de texto era o que mais odiava fazer.
Deixou o celular sobre o criado mudo e foi até a cozinha pegar uma garrafa de água pois havia decidido que finalizaria a resenha e depois tomaria um banho, relaxante para então dormir e infelizmente ser atormentada por um despertador que gritaria em seu ouvido as 7h30 da manhã.
Cantarolava Don't stop believin do Journey ao abrir a geladeira e pegou no congelador waffles para um rápido lanche. Esticou-se para alcançar a torradeira em um armário alto, a ligou na tomada e ali colocou os waffles congelados. Ao dar a volta na bancada para pegar um prato encontrou Westwick sentada no chão, com as pernas esticadas a cabeça baixa.
- Puta merda, ! - falou alto, num sobressalto, colocando a mão sobre o peito - Qual é o seu problema? - passou por cima da garota a fim de chegar ao armário e poder pegar seu prato em paz. - Quem fica escondido na cozinha no escuro, em silêncio? Sua doente… - resmungava, continuando seus afazeres.
Só então percebeu que era muito estranho a ruiva não revidar as reclamações, acusando-a de coisas piores. Encarou-a pelo canto dos olhos, percebendo que a garota não se movia e impossibilitada de ver seu rosto, não sabia dizer se estava acordada ou dormindo, ou pior, morta!
Meester ajoelhou-se ao lado da menina e cutucou sua perna, sem obter resposta chamou-a pelo nome.
- . !
- Saí daqui! - a ruiva reclamou, elevando a cabeça para encarar quem a incomodava.
E então pode ver. Os olhos vermelhos, os cílios úmidos, a face molhada, as bochechas ruborizadas. E afastou seu tronco da menina que fungava o nariz, voltando a abaixar a cabeça.
- Não é justo. - foi tudo o que Westwick disse, voltando a chorar baixinho. - Ele não merece isso. Ele foi um verme, mentiroso, trapaceiro! Ele deveria estar sofrendo, triste, chorando! - a ruiva abraçava os joelhos, ouvindo os próprios soluços escaparem entre os lábios.
- Só porque ele está namorando outra garota, não significa que não se arrependa do que fez, que não sofreu bastante com o término caótico de vocês e que não goste mais de você.
- Que merda isso deveria significar, Meester? - a mirou com as sobrancelhas arqueadas, preferindo não acreditar no que ouvia.
- Eu não sei… Só estou tentando ajudar! - aumentou o tom de voz, irritada.
estava em sofrimento. Deveria ouvir qualquer merda e tirar uma lição daquilo, não se revoltar!
- Você ajuda ficando quieta!
Ao ouvir a declaração, suspirou alto e impulsionou-se para levantar, afinal não era obrigada a ficar ali sendo atacada!
Havia tentado dar auxílio a Westwick em seu momento de dor, mas a ruiva provava que quando em dificuldade conseguia ficar ainda pior.
- Não vai embora. Fica. - segurou o pulso da morena que a fitou entediada. - Eu não deveria ter falado aquilo…
Meester esperou um pedido de desculpa por completo, mas sabia que aquelas poucas palavras eram o máximo que iria conseguir da ruiva. Portanto contentou-se e sentou-se com pernas de índio, onde até então permanecia ajoelhada.
não era o apoio e ombro amigo que desejava, mas era tudo o que tinha no momento. E ambas sabiam disso.
- Ela é tão bonita - encarava o nada - e simpática, divertida, gentil e inteligente! - a cada palavra dita a tristeza ficava mais evidente em seus olhos e por fim um sorriso sem vida brotou em seu lábios - O Louis não deveria estar com uma garota perfeita, ele deveria estar sofrendo. - voltou os olhos negros para a menina ao seu lado, que confirmou com a cabeça, mostrando não apenas apoio, mas também que concordava com o que ela dizia - Idiota! - bateu o pé com força no chão - Idiota! Idiota! Eu sou uma idiota!
- Claro que não. - Meester rolou os olhos - Todos nós fomos estúpidos com essa história toda. E o Lou sempre pareceu muito apaixonado por você. Você seria idiota se não acreditasse nele, isso sim.
- Ele disse que queria de volta o que nós tínhamos… e eu acreditei.
- E por que você não voltou com ele?
- Por que ele precisava aprender uma lição antes.
- Então você pretendia voltar com ele?
- Eu não sei! - arqueou as sobrancelhas, rindo sem humor - Eu só pensei que ele estivesse sendo sincero… eu queria que ele estivesse sendo sincero. - abaixou a cabeça, suspirando profundamente, e apesar de estar emocionalmente esgotada para derrubar qualquer lágrima, ainda precisava tirar de dentro de si a devastação que Tomlinson havia deixado quando foi embora - E com certeza não achava que ele superaria tudo tão rápido. Qual é?! Faz menos de um ano!
- Olha, a Angelique nem parece tudo isso… - sorriu divertida, recostando-se na parede gelada da bancada, ao lado de .
Convencida de que a francesa precisaria fazer algo a mais para impressiona-la
- Ah, fala sério… Ela é o pacote completo! - a ruiva retrucou, rolando os olhos - Ela foi muito legal comigo, sabia? - fitou a morena, visivelmente chocada com aquele fato - E meu deus… Eu fui tão idiota por me apresentar como a ex do Tomlinson. - escondeu o rosto nas mãos. - Que vergonha…
- Você foi muito filha da puta por fazer isso! - corrigiu a garota que não levou muito tempo para perder o constrangimento e fazer uma careta displicente.
- Ai, cala a boca! E eu não fiz aquilo porque queria ser malvada com a Angelique, eu só queria fazer o Tomlinson sofrer.
- E conseguiu. Pode ter certeza! - Meester levantou ao ouvir a campainha da torradeira soar e seu waffle dourado e suculento saltar, fazendo sua barriga roncar e sua boca salivar.
- Sabe o que é pior? - também levantou-se, arrastando-se até a adega para ali pegar uma garrafa de vinho. - A Angelique é tão legal que nós poderíamos ser amigas se o Tomlinson não tivesse estragado tudo! - bebia diretamente da garrafa, sem ver necessidade de pegar uma taça, copo, ou até mesmo uma caneca.
fixou os olhos na cena a sua frente, parando um minuto, de passar mel em seu waffle. Não veria problema de vê-la bebendo vinho em uma caneca, mas Westwick preferiu deixar as regras de etiqueta de lado e até mesmo a higiene ao preferir ter sua saliva contaminando toda a garrafa de vinho do Porto.
Meester fez uma nota mental para não se deixar levar e usufruir daquela bebida com resquícios de .
- A quem você está tentando enganar? - a morena, cética, juntava as sobrancelhas. - Você odeia seres humanos, ! Você torna a vida de qualquer pessoa um inferno na Terra!
- Obrigada! - sorriu contente, com uma reverência desengonçada, batendo sua garrafa de vinho no mármore da ilha. Felizmente o vidro não cedeu e a ruiva abraçou sua garrafa, tomando mais cuidado ao sentar-se na banqueta - É um dom. - concluiu com o cenho franzido.
- Eu não sei como a , aquele anjo, sobrevive perto de você!
- Ela conseguiu passar pelo fogo da fúria e ódio profundo que eu alimento pela sociedade em geral. - deu de ombros - Muitas pessoas não realizam esse feito. A maioria, na verdade… - cerrou os olhos, analisando o fato - Eu consigo contar nos dedos os que conseguiram. - atestou por fim.
A outra garota já havia guardado tudo o que usara, abriu a geladeira para pegar uma garrafa de água e finalmente parou a frente de Westwick, apoiando seu prato sobre a bancada. Suspirou ao encará-la, sabendo o quão difícil era estar naquela posição e que tentar ser forte era ainda mais difícil
- Você vai ficar bem?
- Não… Mas eu já estou acostumada. Faz muito tempo que não estou bem. - cruzou os braços, fixando os olhos no rótulo da garrafa de vinho.
- Acho que nenhum de nós está bem faz muito tempo.
A ruiva soltou uma risadinha sem vida, inclinando a cabeça para o lado: - O Louis, claramente, não faz parte desse grupo.
- Nós precisamos superar, .
- É fácil falar… - defendeu-se, inclinando-se para frente, cravando seus gélidos olhos negros nos azuis defensivos de - Você simplesmente esqueceu tudo o que aconteceu?! - questionou incisiva.
- Sim. - mentiu sem hesitar - E você deveria fazer o mesmo.
A menina bufou, bebendo um pouco do seu vinho e fechou os olhos, exausta: - Eu sei. E obrigada por me ouvir.
Meester deu de ombros e deixou a cozinha.
Fechou a porta de seu quarto, sentou-se na cama, ligando o notebook a fim de assistir a algum vídeo no YouTube enquanto comia. Pegou seu celular sobre a cômoda, percebendo uma notificação de Harry.
Assim como , fechou os olhos exausta e sem responder o rapaz, escondeu o aparelho embaixo do travesseiro.


ooo


O dia dos namorados havia chegado e trazia consigo o amor, responsável por inundar o coração de todos, fazendo-os destinar cartões, flores e chocolates para todos aqueles que amavam.
Louis aproveitou a oportunidade para surpreender a namorada com seu lado romântico. Enviou um batalhão de flores para o endereço de Angelique, que chegaram bem cedo naquela manhã, obrigando a universitária a sair da cama e correr até a porta para atender o entregador. No final do período matutino de aulas, buscou a garota para levá-la para almoçar e a recepcionou com uma única rosa. E por fim, naquela noite, dirigiu até o pequeno apartamento de Angel onde cozinhou o jantar a fim de impressioná-la com seus sanduíches.
Tommo sabia que não havia como o dia ficar melhor, afinal Angelique não havia parado de sorrir por um segundo sequer e aquele era um sorriso lindo! Louis sabia disso. Os olhos castanhos da menina brilhavam quando ela sorria e Tomlinson gostava de ser o motivo da felicidade da francesinha.
Porém, era difícil para o rapaz não lembrar de , não imaginar o que ela falaria se cada um daqueles gestos fosse dedicado a ela, era impossível não pensar no sorriso dela, em seus cabelos vermelhos e quentes como o inferno, seus olhos negros e frios como uma geada, sua risada melódica e espalhafatosa, seu carinho aconchegante e seus braços confortáveis.
Perguntava-se como a ruiva havia passado aquele dia.
E a verdade era que Westwick havia odiado cada segundo!
Havia odiado os sorrisos bobos que enfeitavam os sorrisos de cada idiota que havia cruzado seu caminho. Odiou o sol inundando cada centímetro daquela cidade.
Odiou o canto dos pássaros e o aroma das flores. Odiou cada buquê que presenciou ser entregue a alguém e todos os cartões, juntamente com seus destinatários. Odiou a própria existência!
E ao se encontrar sozinha em seu apartamento em Cambridge, decidiu cessar as lamentações e festejar! Afinal, aquele era um dia de festa.
Enviou uma mensagem para algumas pessoas, estas, por sua vez, enviaram para outras que encaminharam para mais algumas. E as 23h, daquele dia dos namorados, o apartamento do vigésimo terceiro andar sediava uma grande festa!
sabia que ficaria irada quando retornasse para casa no dia seguinte, mas a morena estava em Londres naquele momento e a ruiva precisava tirar proveito do fato de Meester não ter poder nenhum sobre apartamento durante aquela noite.
Sem ter ideia da destruição que se seguia em sua moradia, assistia a um filme, tranquilamente, deitada como um montinho de cobertas no centro da cama de Ortega, que também prestava atenção na televisão.
Assistiam a uma comédia romântica a fim de depreciarem-se ainda mais com o fato de não terem alguém com quem passarem aquela data destinada aos amantes.
- Por que nesses filmes mesmo quando é a mulher quem erra é sempre o homem que corre atrás dela e invade o aeroporto em busca de perdão? - questionava segurando a garrafa de vinho em uma mão e a taça na outra.
- Porque mesmo quando nós mulheres estamos erradas estamos certas. - explicou sentindo seu celular vibra embaixo do travesseiro e ao pegá-li pode ver que era uma mensagem de Hary a desejando um feliz dia dos namorados.
A mais velha resmungou baixinho, digitou um xingamento, mas o apagou irritada, bloqueando o celular e desbloqueando-o novamente a fim de responder algo a fim de calar aquela falta de vergonha.
- O que foi? - a caçula perguntou voltando o rosto para ela, com suas sobrancelhas juntas.
- Ninguém.
- Ahn?
- Nada!
- Muita gente já te desejou feliz dia dos namorados hoje? - desistiu da pequena questão e pausou o filme para conversar.
- Algumas… E você?! - sentou sobre o colchão e pegou sua taça sobre o criado mudo - Algum amante em potencial?
- Claro que não. - sorriu de lado e rolou os olhos.
- Por que "claro que não"? - Meester tomou um pouco do seu vinho, e abriu o pacote de batatinhas - Você fala como se fosse algo fora do normal.
- Só faz um mês que o Liam e eu terminamos…
- Não! - a interrompeu com a boca de cheia de salgadinho e o sobressalto a fez engasgar. Um acesso de tosse teve início e o vinho foi necessário para desobstruir as vias. - faz um mês que o Liam terminou com você.
- Você faz questão de mudar a semântica para me ver infeliz? - tentou pescar uma batatinha, mas a outra garota afastou o saco das mãos astutas da morena e jogou para ela outro saco de batatinhas, ainda fechado.
- É para isso que eu estou aqui! - mastigava, bebericando sua bebida.
- Eu pensei que você estava aqui para me animar, não para me fazer miserável.
- Deixa de reclamar. - revirou os olhos puxando a caixa de pizza, com seus pedaços remanescente já frios. - Agora é sério, quando você vai voltar a sair e se divertir por aí?
- Eu não quero falar sobre mim! Vamos falar sobre você, o que se passa na sua vida?
- Nós podemos falar sobre mim, mas eu já aviso que se eu começar não vou parar tão cedo. - franziu o cenho, limpando os dedos em um guardanapo. - A vida de Meester é muito interessante.
- Tudo bem. - Ortega ria, deixando de lado a garrafa de vinho, a taça e as batatinhas para se deitar. - Pode começar.
- O Finn me mandou uma mensagem de feliz dia dos namorados…
- Ficamos surpresos que não foi uma carta, uma faixa exposta na frente do seu prédio, ou algo escrito no céu. - enumerou nos dedos
- Exatamente. Fiquei feliz com a discrição dele. - acenou positivamente com a cabeça - Ai eu enviei uma mensagem de feliz dia dos namorados para o Max, porque ele foi o responsável por momentos êxtase na minha vida. - ao ouvir tal declaração, fechou os olhos de tanto de rir, logo voltando a prestar atenção no discurso da melhor amiga. - Ah, e você não acredita quem me seguiu no instagram!
- Quem?!
- O Aaron! - respondeu empolgada esperando uma reação exagerada de sua ouvinte, mas tudo o que recebeu em resposta foi sobrancelhas juntas sustentadas por uma expressão confusa. - O Aaron! Do meu primeiro ano do ensino médio. O Aaron!
- , você nunca me falou de Aaron nenhum.
- Merda… - resmungou frustrada por não conseguir a reação que esperava. - Foi com ele que eu perdi a minha virgindade.
E aquelas poucas palavras foram o suficiente para fazer Ortega surtar.
Meester se satisfez assistindo-a, enquanto bebericava seu vinho.
- E ele ainda não te seguia no instagram? - foi a primeira indagação que julgou necessária.
- Sério que depois de eu te contar o segredo da minha vida é isso o que você pergunta?
- Desculpa, eu me deixei levar… - a caçula sorriu, tirando de cima da cama a caixa de pizza e as outras embalagens de comida, jogando-as no chão. - Vai me conta como vocês se conheceram.
- Foi no primeiro ano do ensino médio, ele estava no terceiro e nós vivíamos flertando um com o outro, sabe?
- Não.
- Enfim, ele era lindo… As bochechas vermelhinhas, os olhos azuis, alto, educado, inteligente! Ele era uma graça - permitiu-se divagar no passado. - E um dia me chamou para sair. Eu quebrei na hora! - riu envergonhada, lembrando da tarde no gramada anterior da Eton - Porque nós flertávamos e brincávamos, mas eu não achava que ele fosse fazer isso! Ai eu aceitei e foi muito legal, nós saímos uma segunda vez e quando estávamos nos beijando as coisas foram esquentando, se é que você me entende! - piscava com um olho efusivamente, dando tapinhas no ombro da outra menina que ria, confirmando - Foi aí que eu falei que nunca tinha feito aquilo antes, ele entendeu o recado, nós começamos a conversar sobre qualquer coisa, eu nem lembro mais, nos beijamos mais algumas vezes e ai eu disse que queria, sabe…? - coçou a nuca e arqueou uma única sobrancelha em dúvida sobre o que se testemunhava ali era Meester constrangida - E aí aconteceu.
Ortega esperou o desfecho da história e após um longo minuto de silêncio decepcionou-se ao constatar que a narrativa havia chegado ao fim.
-E…? - tentou incentivar a mais velha a continuar.
- E que foi estranho, mas ele foi atencioso. Depois disso nós saímos mais umas três ou quatro vezes e acabou. Fim da história.
- Por que você não saíram mais vezes? Por que você nunca me contou isso antes?
- Porque não. - riu, esticando-se por sobre o corpo deitado da caçula a fim de alcançar a garrafa de vinho e descobrir que estava vazia.
- Mas você não disse que ele era perfeito?
- O Aaron é perfeito. Ele é o típico cavaleiro de armadura reluzente. - passou a ponta da língua por sobre os lábios, provando o gosto do vinho deixado ali - Ele só não era o meu cavaleiro de armadura reluzente.
Trouxe para a fatídica notícia de que nem todo fim é perfeito e nem todos vivem um conto de fadas.
- E quem é, então? - Orteguinha questionou, elevando o tronco e apoiando a cabeça na mão.
- Eu não sei, . Se eu soubesse estaria passando essa noite com ele, não aqui com você me lembrando da minha infelicidade. - entregou a garrafa de bebida vazia para a mais nova, a fim de servir de incentivo para ela buscar mais.
A morena riu, levantando-se da cama. Pegou as embalagens de comida e as amontoou no braço para levá-las todas ao lixo.
- Será que é o Finn? - perguntou mais para si do que para - E aí quando vocês se casarem eu vou estar lá no altar do seu lado, pensando no quão bizarro ele é.
- E quem disse que você vai ser minha madrinha de honra e estar do meu lado no altar?
- Engraçadinha. - riu, rolando os olhos e saiu do quarta a caminho do andar inferior para jogar o lixo fora e pegar alguma bebida para servir Meester.
Cantarolando um pop chiclete, a menina desceu os degraus de dois em dois e as largou sobre a pia porque tinha uma vaga lembrança que havia outra lixeira apenas para o reciclável e ela não ia procurar agora.
Na geladeira, pegou o primeiro vinho tinto que encontrou, o tipo favorito de , e também duas caixinhas de suco de goiaba para ela mesma. Lembrou como aqueles lanches iam bem com um suquinho orgânico e fresco e tentou fazer uma manobra simples com as duas caixinhas mas acabou com o suco no chão e a sua moral ainda mais embaixo.
- Inferno. – resmungou e prensou os lábios, juntando a caixinha do chão com a intenção de guardá-la novamente na geladeira e pegar outra.
- Você não devia estar se arrumando para fazer alguma coisa hoje?
Amina entrou na cozinha, vestida para sair, com uma expressão feliz e um sorriso divertido por ter pegado a filha xingando, o que não era comum e normalmente merecia uma repreensão, mas era uma data especial e ela deixaria passar.
- Graças a deus não preciso me arrumar pra ver a beber. – a menina deu de ombros, esforçando-se para não lembrar que se estava nessa situação (sem querer esnobar a companhia de , mas ela impediu a amiga de sair com o Finn para nada porque não estava menos triste por não aproveitar o feriado com Liam) graças à intervenção de sua mãe. - Você está muito bonita. Cadê o papai? - desconversou.
- Ele foi buscar o carro na garagem, não quer que ninguém toque no Rolls-Royce. - Sra. Ortega respondeu e seu rosto parecia até mais resplandecente por causa da animação para a noite com seu eterno namorado, como Robert se auto intitulou durante todo o dia, várias vezes, pra todo mundo ouvir.
- Hmm. - acenou, esperando a deixa para subir para seu quarto.
Mas não foi bem o que aconteceu porque sua mãe se aproximou dela e começou a colocar alguns fios de cabelo bagunçados no lugar, analisando-a preocupada:
- , você é jovem, está solteira, deveria aproveitar um dia como hoje, querida.
Oh, deus. Como é difícil ser sua filha às vezes, mãe.
- Isso é meio difícil quando a pessoa com quem eu quero aproveitar o feriado desaparece da minha vida. - Orteguinha não pode evitar o tom amargo que usou, e se esquivou sutilmente das garras dela.
- Oh, ele não tentou entrar em contato? - Amina piscou, surpresa. Ela devia confessar que esperava mais resistência de Liam Payne, e o fato de que ele finalmente deixou aquilo para lá era muito reconfortante.
encarou a mãe cheia de mágoa, e sentiu uma irritação arder em seu peito ao ver a mulher claramente regozijar-se com o que vinha sendo motivo de tanta tristeza para ela ultimamente.
Estava vivendo um mês miserável e Amina achava bom?
Aquela era a gota d'água.
- Não, e eu espero que agora você esteja feliz.
Voltou para seu quarto antes de dar oportunidade para sua mãe responder sua falta de educação, tendo consciência de que a Sra. Ortega não deixaria aquela pequena rebeldia passar em branco, mas também não faria nada naquela noite especial.
Ao entrar no cômodo encontrou encarando a tela do celular em silêncio e esqueceu de perguntar o motivo pois a primeira coisa que saiu de seus lábios foi a falta de noção de sua mãe.
Meester prestava atenção no que sua melhor amiga falava, usou palavras de conforto e surpreendeu-se consigo ao defender Amina, pois não queria ser uma telespectadora de uma possível versão da novela Yaser-Zayn com novos personagens. Contudo uma coisa que não deixava os pensamentos da mais velha era a mensagem ainda sem resposta de Harry.
O que esta não sabia era que Styles comemorava o dia dos namorados com estilo em uma grande festa em Oxford.
O pessoal estava animado, a bebida era abundante, a música boa, havia meninas bonitas em cada canto daquela casa de iluminação precária e nada poderia estragar o bom humor de Harry… Nada, menos Liam que se encontrava em um estado particular de humor, que Styles não conseguia distinguir entre simples mau humor, tristeza, miséria ou apenas boa e velha filha da putagem que Payne já era campeão em exercer por ser um grandíssimo filho da puta!
- Liam, eu tentei. Eu juro que tentei. - o cacheado falava ao voltar da cozinha e encontrar o amigo no mesmo lugar que o havia deixado há vinte e cinco minutos - Mas se você continuar nesse estado eu não vejo outra saída se não te bater!
- Eu disse que não queria sair de casa. - foi a resposta que o outro rapaz conseguiu dar, coçando a nuca, fazendo uma careta ao encarar tantos corações naquela decoração e tantos casais irritantemente estáveis e felizes.
- Hoje é o dia do amor, seu idiota. E eu estava tentando te dar amor, mas você não está colaborando! - resmungou, caindo sobre o assento ao lado do garoto que roubou sua cerveja, dando um gole tão infeliz que Harry se sentiu enojado por participar daquela difamação!
- Eu acho que vou voltar para casa… - informou sugestivo, sem forças para levantar-se, mas também sem forças para permanecer ali.
- Eu não esperava dizer isso, mas... sim, vai para casa! - frisou o final de sua fala, tomando sua garrafa de cerveja de volta, meditando um pouco se a tristeza de Liam era algo contagioso ou ele poderia usufruir da bebida sem medo. - Já faz um mês, cara. Você precisa superar!
- Olha quem fala! - defendeu-se, ofendido pelo conselho. Bufou, jogando a cabeça para trás, sentindo-se um grande idiota por ainda não ter seguido em frente. - A falou que a filha da puta nem pergunta sobre mim. Você acredita nisso?! Faz um mês que nós não nos vemos e a nem ao menos perguntou como eu estou.
- Meu deus… - com os olhos vidrados e chocados, Harry exclamou - Então quer dizer que você fica idiota igual o Louis quando tem seu coraçãozinho partido. - fez um carinho no cabelo do amigo que o encarou de forma mortífera, mas não o suficiente para fazê-lo parar o cafuné.
- Eu nem sei mais o que estou falando… Eu nem sei o que pensar sobre isso! - pegou de volta a garrafa de cerveja, tomando um longo gole.
- Eu sei o que pensar sobre o fato de você estar em uma festa com essa carranca feia, afugentando toda e qualquer pessoa que se aproxima tentando conversar.
- A minha vida seria mais fácil se eu me importasse com as pessoas… no geral.
- Bem, você se importa com a ! - Styles deu seu melhor sorriso incentivador - Por que não mandar uma mensagem ou ligar para ela no dia da celebração do amor?!
- Nem fodendo! - riu sarcástico - Ela não falou que não quer saber nada sobre mim?! Eu faço questão de ajudar! - virou a garrafa mais uma vez, ingerindo seu conteúdo.
- Meu deus, você é tão amargo… - juntou as sobrancelhas, chocado com tanta má vontade.
- Eu vou para casa. Toma a sua cerveja - devolveu a garrafa para o garoto que nem tentou argumentar ao notar que ela já estava vazia. - Boa festa. - levantou-se e acenou de volta para o amigo que sorria cerrado e se despedia.
Sozinho no sofá, Harry espreguiçou-se e bocejou, apoiando então a garrafa vazia em sua perna, enquanto assistia as pessoas transitando, conversando, dançando.
Havia tentado levar Louis consigo para a celebração, as o falso preferiu uma comemoração particular com seu anjo. Zayn apenas partiu para Londres sem informar ninguém de suas intenções e Styles o julgava um desertor por isso. E sobre Niall… Sentia falta dos bons tempos quando estudavam na mesma instituição e o irlandês se encontrava sempre de bom humor e com as bochechas vermelhas devido tanto álcool ingerido.
Respirou fundo, achando uma merda estar completamente sozinho naquela casa. Afinal o lugar estava recheado de pessoas que conhecia, contudo nenhuma delas eram seus amigos. Pensava em ir embora quando sentiu o assento do sofá mexer-se e encontrou Bonnie afundando-se ao seu lado.
- Quanto tempo hein, garoto! - cumprimentou-o passando as mãos por aqueles cachinhos sedosos pois gostava de vê-lo arrumando-os novamente.
- Nós almoçamos esses dias no campus. - falava já organizando os cabelos, sem perceber que a menina mais velha sorria por isso.
- É verdade. Ma faz tempo que não estamos na festa no mesmo momento. - argumentou, encolhendo as pernas sobre o tecido do sofá, ficando mais confortável.
- Eu precisava estudar para muita coisa nas últimas semanas.
- E sabe por que você faz isso? - questionou, mirando-o nos olhos, percebendo que ele esperava a resposta - Porque você é calouro e ainda está cheio de vida e esperança - falava assistindo rir e sorriu acompanhando-o - Eu já sou uma veterana tão fodida pela vida que não entendo mais o conceito de felicidade!
Harry gargalhou, curvando o tronco e batendo a mão na coxa, enquanto Bonnie também ria.
- Eu to falando sério, para de rir! - empurrou-o pelo ombro - É triste. Você deveria estar chorando para mostrar compaixão! Eu já aceitei que vou ficar aqui para sempre.
- Ah não seja tão pessimista! - colocou a mão no ombro da menina, apertando-o a fim de passar segurança - Talvez você precise só de mais uns 10 anos…
- Filho da puta. - ela xingou, tirando aquela mão falsa de cima dela.
- Eu estou sendo positivo! - defendeu-se, percebendo que a morena encarava algo atrás dele e voltou seu rosto a fim de descobrir o que prendia a atenção da amiga.
Encontrou um rapaz, talvez da mesma idade de Bonnie, os mirando com um sorriso simpático e os cumprimentando com um aceno de cabeça.
- Ele é bonitinho. - foi o que a garota falou, quando Harry voltou a mirá-la.
- Sabe, eu me sinto usado por saber que você olha para outros homens na minha presença. - colocou a mão sobre o peito, fingindo estar magoado e ofendido.
- Deixa de ser bobo. - riu - Ele faz uma matéria comigo e é super inteligente, é educado, bonito - bateu com o cotovelo no braço de Harry que apenas ouvia, tentando descobrir em que momento da história da humanidade ele havia perdido todo o seu charme sobre as mulheres - E eu falei de você para ele.
- Legal… - sorriu em dúvida - Mas, por quê?
- Ah… ele estava ficando com um cara que era um idiota e então decidiu seguir em frente. Ai eu disse que conhecia um cara ideal e que ia apresentar vocês.
- Legal… Mas, por quê? - repetiu a frase, jpa entendo onde aquilo o levaria, todavia seu coração precisava de certeza.
- Ai Harry, porque será? - rolou os olhos irritada - Para vocês saírem!
- Não que eu não adore conhecer gente nova e fazer amigos, mas sério por quê?
- Porque eu achei que vocês dariam certo.
- Como melhores amigos?
- Como casal, Harry!
Styles franziu o cenho, juntou as sobrancelhas, inclinou a cabeça para o lado, piscou incessantemente, voltou a mirar o rapaz que supostamente seria seu futuro namorado e então voltou-se para Bonnie.
- Bonnie, eu não sou gay. - falou baixinho.
- O quê? - o choque da mais velha a impediu de seguir o comportamento do rapaz e ela, por sua vez, falava alto.
- Eu não sou gay.
- Como não?!
- Não sendo!
- Mas você se veste todo arrumadinho!
- Eu tenho bom gosto!
- Esses dias vocês estava lendo vogue!
- A minha amiga tinha feito um editorial e eu quis ver!
- Você é como direitinho e se preocupa com seu peso!
- Eu sou uma pessoa saudável!
- Você é todo legal e educado…
- Eu sou gentil!
- Meu deus - ainda chocada, deixou os ombros caírem, pasma com a revelação. Voltou a encarar Styles e começou a gargalhar. - Eu sou muito doida!
- Eu sei. - o menino sorriu, também rindo
Por fim Harry foi apresentado para o amigo de Bonnie, mas não com a finalidade inicial
- Zayn, você tem a habilidade de parecer um chefe de cozinha experiente quando na verdade só tirou comida congelada do pacote e colocou no forno. - retirou os pratos da ilha da cozinha e os levou até a pia, onde Malik lutava para guardar de volta o restante das almôndegas que nem chegaram a ser usadas, mas ficaram tempo demais lá fora e agora estavam desfazendo.
- Isso porque esquentar comidas congeladas requer uma expertise que nem todo mundo pode alcançar. - Zayn embolou o saco de qualquer jeito e deixou no canto da pia. Ia deixar aquele problema pra alguém com experiência em se livrar de malditos pacotes disfuncionais.
Apoiou-se no balcão e ajustou o boné antes de enfiar as mãos frias nos bolsos de sua calça de moletom. A noite estava bonita e propícia para encontros e comemorações relacionadas ao Valentine's Day, e foi pensando nisso que a dupla decidiu evitar sair na rua e se deparar com a chuva de paixão e afeto que rolava nas ruas.
Ao invés de se submeterem a isso, convidou Zayn para assistirem um filme e aproveitarem a companhia um do outro, como amigos faziam, e ele alegremente aceitou, pois a alternativa seguinte era lidar com Liam e sua tristeza sem fim. Eles já haviam desfrutado de um delicioso jantar pré pronto que ele mesmo preparou, e agora Hilton separa duas taças para o sorvete de chocolate que teriam como sobremesa durante o filme.
- É uma pena que a sua "expertise" não o impeça de ficar dando comida pro meu cachorro. Eu vi, Zayn. - ficou na ponta dos pés para alcançar a caixa que estava de difícil acesso.
- Você não viu a cara que ele fez, loira. - Zayn deu de ombros.
rolou os olhos mas sorriu, deu um pulinho quando uma fagulha de gelo caiu em seus pés descalços e praticamente correu até o balcão com o pote congelado que queimava a ponta de seus dedos.
- E você precisa imaginar a cara dele depois que estiver morto envenenado. - ela usou uma medida drástica para evitar o problema real que era ter Kelso enjoando de mais uma ração e fazendo guerra de fome porque sabia que poderia estar jantando sushi.
- Você sabe que isso é um mito, certo? - Malik desmoralizou a teoria boba de . Por deus, ele havia dado um pedaço de cenoura para Kelso.
- Hmmm, eu não vou arriscar perder o meu parceiro de tardes solitárias. Se ele morrer, quem vai me fazer companhia enquanto eu finjo que estou interessada em aprender polinômios? - tirou uma bola perfeita com a colher de sorvete de inox e a despejou com cuidado sobre a taça. - Quantas bolas?
- Três. E eu posso ser o seu companheiro de tardes solitárias, você sabe disso.
terminou de servir as duas taças e segurou no ar a colher usada para servir o doce, fitando Zayn com as sobrancelhas arqueadas e um sorriso sapeca:
- É mesmo? Porque até onde eu sei, você veio pra minha casa no Dia dos Namorados e quem ganhou presente foi o Kelso. Então eu imagino que nós não nos veríamos tanto assim se ele morresse.
- Eu não sabia se ia ficar estranho se eu te trouxesse um presente! E em minha defesa, você também não tinha nada pra mim, então… - Zayn ficou momentaneamente constrangido pelo deslize mas enquanto falava percebeu que estava rindo dele, então decidiu jogar o joguinho dela.
- Quem disse que eu não tenho nada pra você? - se aproximou do garoto até que estava face a face, e soltou a colher dentro da pia. Sem deixar de olhá-lo.
- Você tem? - ele juntou as sobrancelhas, surpreso.
A modelo sorriu e inclinou-se uns poucos centímetros, pressionando os lábios carmim contra a boca de Zayn em um carinho suave e macio. Um momento perfeito naquela fagulha temporal que permaneceria na memória dos dois por muitos anos.
- Pronto. Feliz dia dos namorados, Zayn. - sussurrou e se afastou o máximo que conseguiu, deixando Zayn atordoado e confuso. - Você pode pegar duas colheres nessa primeira gaveta, por favor? - pediu e o moreno imediatamente atendeu sua requisição.
Enquanto isso tratou de guardar o pote de sorvete e começou a contar um pouco sobre o filme que veriam, mas pelo resto da noite, a todo instante, seus lábios queimaram ao recordar do simples toque.
O Valentine's day é um dia propício para exageros sem julgamentos, demonstrações de amor teatrais e presentes baseados na premissa única de amor e afeto. E embora Niall e fossem extremamente sociais, nesse ano decidiram passar o feriado em um clima mais íntimo, sem grandes preparativos com a premissa de aproveitarem um bom tempo juntos, como nos velhos tempos.
Mas isso não impediu Horan de colocar velas por toda a sala de estar, mandar acender a lareira mesmo não estando tão frio, colocar flores em cada canto disponível do cômodo, preparar uma playlist romântica e mandar buscar da adega os vinhos favoritos de .
O toque final da decoração "de última hora" foram as dezenas de pétalas de rosas que ele espalhou por cima, dando um ar romântico ao ambiente do jeito que ele aprendeu nos filmes.
E suas apostas para a noite foram certeiras porque , que já estava feliz da vida por causa da visita surpresa do namorado na escola durante o almoço, que saiu direto da academia e dirigiu a Eton só para lhe entregar flores, ficou à beira das lágrimas com a decoração tão delicada e atenciosa.
- Você cuidou de tudo, babe! Ah, eu não mereço você! - murmurou, ainda abraçada a Niall, aconchegada ao seu peito.
Já chegou largando os tênis na porta, a mochila no aparador do corredor, o presente de Niall numa poltrona que ficava próxima da porta, o casaco no encosto do sofá e agora estava descalçando as meias para ficar totalmente livre, leve e solta como gostava, ainda mais agora que viu a lareira ligada, permitindo-a ficar a vontade em regatinha e jeans, sem sentir frio nos pés.
- Hmmm, bom saber disso. - Horan deixou um beijo no topo da cabecinha loira da menina e a afastou o bastante apreciar também o fruto de suas mãos. Não era por nada mas ele era um ótimo decorador. - E eu pensei que nós deveríamos guardar nossos celulares por hoje, o que você acha?
- Acho que é a melhor ideia que você já teve. - princesinha Styles entregou seu iphone para Niall, que desligou o aparelho e o colocou sobre a lareira, junto ao seu. - E então, o que nós vamos fazer? - esfregou as mãos animada.
- Comer, assistir, beber, transar e conversar. Não necessariamente nessa ordem. - Horan enumerou as atividades nos dedos da mão direita, caminhando em direção a menina que segurava um pequeno embrulho verde.
- Ainda bem que você não tem uma preferência de ordem, porque eu tenho duas coisas que quero muito fazer e por um longo tempo. - ela entregou o presente do irlandês e ficou na ponta dos pés para lhe dar um beijo. - Feliz dia dos namorados, Ni. Eu te amo.
- O que é??? - Niall sacudiu a caixa para adivinhar o conteúdo. - É algo pesado. - desvendou a primeira característica do objeto. Ele estava se sentindo muito Sherlock Holmes naquele momento! - E líquido! - arregalou os olhos após mais uma chacoalhada. - O que você comprou pra mim, Styles? - cerrou os olhos, reflexivo.
revirou os olhos por causa daquele drama, mas sua expressão feliz deixava claro que estava adorando o teatro
- Abre logo, bobo! - pediu ansiosa, como se fosse um presente a si mesma.
- Tudo bem! Tudo bem! - ele rasgou o pacote rapidamente - Uau! Um perfume!
- Não é qualquer perfume, eu sei que você gosta dos amadeirados e achei esse incrível, me apaixonei instantaneamente… - suspirou ao lembrar da experiência olfativa que teve com aquela belezura. Ter o seu homem cheirando a aquilo era simplesmente o paraíso! - Passa um pouquinho, babe!
- Hmm, deixa eu ver como se abre isso… Pronto! Agora vem aqui que eu vou colocar um pouco em você. - ele esticou o braço para pegar a mão dela, que recuou rapidamente. - O quê? Você não quer passar? Como você espera que eu coloque isso em mim se nem você quer usar?
deu alguns passos para trás, mantendo-se em uma distância segura caso Niall tentasse surpreendê-la.
- Porque é um perfume masculino, Niall!
- Ah, nós somos modernos, não nos limitamos a essas porcarias de gênero, querida. Vem aqui, deixa eu colocar em você! - Horan adiantou-se na direção de com cuidado para não assustar a presa arredia. Mas não adiantou nada porque ela correu em direção à porta, com os olhos arregalados e pronta pra correr por toda aquela casa em busca de socorro.
- Niall, se você se aproximar de mim com esse perfume, eu vou gritar. - ela ameaçou, sentindo o coração bater a mil por hora com medo de ser pega por Horan, como se ele fosse fazer algo horrível…
- Pode gritar, estamos só nós dois nessa casa. - Niall riu, caminhando calmamente até , decidido a não gastar o perfume caro na brincadeira porém apreciando os últimos segundos daquela farsa.
teve que decididamente abandonar a estratégia de implorar por ajuda e analisando rapidamente suas opções, acabou chegando a uma solução que colocaria um fim naquilo de vez por todas.
- Nós estamos sozinhos? - ela questionou com a voz macia e uma mudança súbita em sua postura alerta para um posicionamento mais relaxado, mais confiante.
E a troca de tática funcionou muito bem pois Niall acenou veemente e largou o perfume na primeira superfície que encontrou mas não tirou os olhos de , interessado no que a menina faria a seguir.
- Ótimo, porque assim nós podemos matar um item da sua lista com privacidade. - disse e passou os braços sobre os ombros de Niall, perdendo-se nos lábios do namorado que correspondeu entusiasmadamente a demonstração de carinho.
E pelo restante da noite, eles cumpriram a maioria da lista de Niall, excluíram alguns itens, adicionaram outros e ainda repetiram os melhores, numa noite que passou como lampejo de felicidade que foi muito bem vindo em meio aos dias difíceis a que aquele relacionamento sobreviveu.

Capítulo 8

Após um mês viajando pelo mundo, participando das semanas de moda que ditaram o vestuário social para a próxima estação, faltando na escola e se alimentando estritamente de verdes, finalmente estava em casa, o mês de março estava apenas começando e ela estava ansiosa para retomar a rotina cotidiana e comemorar seu aniversário em grande estilo.
A semana de moda em Londres encerrou com honras o seu trabalho e durante toda a semana o pessoal apareceu quando pode para prestigiá-la e aplaudir duas vezes mais quando ela passava. Niall e Liam foram vê-la na segunda-feira, e apareceram na terça e levaram chocolate para ela, quarta-feira foi a vez de ver Louis, e sentados juntos dando tchauzinho para ela, e os irmãos Styles vieram com muitas flores na quinta.
Todavia, era por sexta-feira que ela ansiava.
Sexta-feira não só marcava o fim do mês da moda, era também a noite em que Zayn prometeu ir vê-la e seria estúpida se não admitisse o quanto sentiu a falta do moreno, suas piadinhas sem graça, o sorrisinho de quem parecia saber um segredo que o resto do mundo não fazia ideia, o cheiro do perfume novo que ele começou a usar, e todos os outros detalhes que compunham Zayn Malik.
Por isso após o ensaio ela correu para o celular e seu coração acelerou ao ver a mensagem avisando que ele estava ali. Mal se despediu das meninas e navegou o mar de funcionários, fios, cadeiras e seguranças para ter acesso ao estacionamento público onde Zayn estava. E apesar do tumulto não foi difícil encontrá-lo pois sabia exatamente pelo o que procurava.
Malik estava fumando, encostado no Jaguar branco, e graças ao céu limpo a capota estava aberta exibindo o couro vermelho do interior do veículo. Seu dono não estava nada mal também, vestido em Marc Jacobs e Versace, ele surpreendeu em maneiras que jamais imaginou com tamanho senso fashion.
- Ei, bad boy!
- ! - Zayn arregalou os olhos ao ver a modelo se aproximar dele, jogou o cigarro no chão e esfregou a sola do all star sobre para apagá-lo. - Eu pensei que só ia ver você mais tarde!
- Pois é, o ensaio terminou mais cedo do que eu esperava, então nós temos uns dez minutos antes de começar a maquiagem e você já estava aqui, então… - encolheu os ombros.
Os dois ficaram se encarando, sorrindo um para o outro, cheios de coisas para dizer mas sem saber como começar.
- Cadê o meu cachorro, Zayn? Ele ainda está vivo? - ela se apoiou no carro também, ao lado de Zayn. Kelso ficou a metade do tempo em casa mesmo, na penúltima semana tia Terese se ofereceu para recebê-lo em sua casa e o feriado do cachorrinho concluiu-se na casa Ortega, onde Zayn residia atualmente.
- Então, sobre isso… - Malik prensou os lábios mas sua farsa não durou o suficiente porque Hilton apenas rolou os olhos, esperando o relatório real do animal. - Ele comeu quatro pares de sapatos meus, mas o estrago maior foi nas coisas da , que levou ele para tomar banho antes de ir pessoalmente deixá-lo em casa.
- Então é a ela que eu devo agradecer por cuidar do Kelso quando você era o responsável por ele.
- Ela me implorou pra cuidar dele.
- Sendo assim, não há mais o que se discutir. - tocou o ombro de Malik com o seu, em um gesto cúmplice onde ela entregou seu agraciado perdão ao ex namorado por deixar Kelso sozinho com , que provavelmente o usou como terapia para o término com Liam. - E eu não preciso comentar sobre essa sua roupa, Zayn. Marc Jacobs e Versace! - apontou para o moletom branco que ele usava.
Zayn sorriu todo orgulhoso e inclinou a cabeça para frente e deu uma olhada em si mesmo:
- Você gostou?
- Claro! Você ficou lindo. - Hilton admitiu. O amava em seus tons acinzentados e a clássica jaqueta de couro mas aquela mudança era muito bem vinda!
- Obrigado. Eu fiquei sabendo que ninguém passa pela entrada se estiver bem vestido. Aí eu vesti esse pijama, coloquei esse óculos escuro e todo mundo me deixou passar!
- Zayn…
- E acredite se quiser, tinham pessoas tirando foto e eu acho que acabei me lançando sem querer no mercado da moda.
- Eu não duvido disso. - a menina murmurou, olhando para o chão do estacionamento a procura de uma distração para seus pés ansiosos.
O casal permaneceu quieto, observando a movimentação lá fora, e Zayn automaticamente enfiou a mão no bolso para pegar mais um cigarro apesar de ter prometido a si mesmo que não ia fumar para não ficar fedendo.
- Eu posso te perguntar uma coisa? Alguém trouxe flores pra você durante essa semana?
- Sim, por quê? - franziu o cenho.
- Porque eu trouxe mas só ia te entregar se não fosse o único, senão ia ser meio estranho. - ele explicou e deu a volta no carro e inclinou-se sobre o banco do carona para pegar o pequeno arranjo de lírios-do-vale que comprou a caminho do desfile.
- Você tem a carta branca para me dar flores sempre que quiser, Zayn. - disse e no mesmo instante seu rosto foi tingido por um tom corado e colocou a mão sobre a boca tarde demais, aparentemente.
Quem sabe Zayn não tivesse ouvido direito o que ela disse? Ainda haveriam esperanças!
Mas Zayn levantou a cabeça com um sorriso ridículo e o lindo buquezinho quase distraiu de sua jornada de auto comiseração mas o moreno estava disposto a não deixar passar o velho hábito de sua ex namorada de falar demais e acabar soltando umas pérolas.
- Uau, como você está vermelha! Não se preocupa, loira, eu entendi o recado, vou reservar todas as flores do mundo para você. - Malik brincou e sorriu galante, deixando ainda mais vermelhinha. Quando cansou de embarassá-la, entregou as flores. - Aqui, são para você.
pegou as flores envoltas em um laço rústico que considerou particularmente charmoso e então as aproximou do rosto para sentir a fragrância fresca que apenas os frutos da terra possuem.
- Obrigada, Zayn. São tão pequenas! Que tipo de flor é?
Zayn coçou a cabeça e invocou em sua memória a conversa na floricultura.
- Lírios-do-vale. - disse em seguida, recitando as exatas palavras ditas pelo cara que lhe atendeu. - o vendedor era um especialista em significados e eu quase trouxe jasmins porque significam sorte mas eu acho que você já não precisa mais disso, seu mês foi um sucesso, não é?
- Nós podemos colocar assim. - sorriu de lado e empurrou o cabelo para atrás das orelhas, sentindo-se tímida sob o olhar de Zayn, como sempre se sentia quando ele a encarava tão intensamente, descobrindo os segredos da sua alma. - E o que os lírios-do-vale significam?
- A volta da felicidade. E eu estou muito feliz porque você está de volta. - Zayn confidenciou mas nesse momento uma turba de garotas passou por eles falando e rindo, então ele suspeitou que não o ouviu, o que era uma pena porque ele não ia repetir aquilo.
Mas quando as meninas passaram e tudo voltou a ficar quieto, ela disse:
- Eu estou feliz por estar de volta.
As nuvens cinzas espalhavam-se por todo o céu, cobrindo o sol e derramando pequenas gotas de chuva por toda a capital. O vento frio corria pelas ruas, batendo as folhas das árvores, obrigando-as a dançar mediante o clima gelado.
As cortinas do quarto do rapaz estavam abertas a fim de que muita claridade natural inundasse o ambiente. As janelas permaneciam fechadas, impedindo que o cômodo ficasse frio. E o moreno ocupava sua mesa de estudo, trabalhando no projeto do semestre.
Já estava sentado ali há horas e ainda não havia conseguido concluir a metade das atividades. Hora ou outra, empacava em um detalhe que não sabia resolver e precisava enviar uma mensagem para Harry, que em Oxford também mantinha o foco no mesmo projeto.
Zayn havia decidido voltar para casa naquele fim de semana pois diferente de Styles e Tomlinson que dividiam o quarto na fraternidade, Malik havia sido designado como colega de quarto de outro rapaz com o qual não desenvolvera grande intimidade. Portanto ou migrava para o apartamento de Liam ou fazia companhia para Harry e Louis no quarto ao lado, contudo naquela semana faria aniversário e o badboy preferiu voltar para a capital a fim de se concentrar em seu projeto, sem se sentir intimidado pela presença de um estranho, e também para combinar com a loira o programa de quinta feira.
Duas batidas na porta o fizeram levantar os olhos do caderno e permitir a entrada de Hilton em seu quarto, que em um estado de grande euforia, nem ao menos o cumprimentou, sentou ou parou de falar por um segundo.
Malik, levantou-se com as sobrancelhas arqueadas, sem conseguir entender o que a menina falava e a frente dela parou a encarando com o cenho franzido.
- Oi. - sorriu divertido, vendo-a respirar fundo a fim de recuperar o fôlego. - Eu não entendi nada do que você falou.
riu, fechando os olhos e abrindo o maior sorriso que Zayn já havia admirado na vida.
- Saiu a capa! - a garota falou pausadamente.
- Que capa?
- Da Vogue Espanha! - levantou um exemplar da revista que trazia a foto dela.
- Você ta na capa! - o menino apontou para a revista - Tem o seu nome! - e de repente ele era todo sorrisos como a própria loira.
- Sim! Eu estou tão feliz! - jogou os braços ao redor do pescoço do moreno, prendendo-o em um abraço forte e sentiu as mãos dele rodearem sua cintura aproximando-a ainda mais dele.
- Parabéns, . - ouviu ele falar em seu ouvido e sorriu sentindo todos os poros ao longo de seu corpo se dilatarem e seus pelos se eriçarem devido a o hálito quente de Zayn se chocando contra sua pele.
- Obrigada. - agradeceu, afastando-se já recomposta. - Eu queria muito mostrar a capa para você.
- Você acha que eu consigo uma dessas autografada? - questionou pegando a revista da mão dela e a folheou. - Daqui alguns anos eu posso vender no eBay.
- Ha ha, muito engraçado. - rolou os olhos, encarando o ambiente ao seu redor e cruzando os braços frente ao corpo. - Você estava ocupado? Eu atrapalhei?
Malik olhou por cima do ombro para a mesa de estudo transbordando livros e impressões de artigos, antes de se voltar para amiga, sorrir polido e dizer: - Claro que não. Vamos assistir alguma coisa.
Acomodou-se na cama e tirou os sapatos e o casaco jeans para então deitar ao seu lado, aconchegando-se ao travesseiro enquanto ele procurava na televisão alguma coisa que chamasse sua atenção.
- Por que você não trouxe o Kelso? - o moreno indagou mais para puxar assunto do que realmente incomodado pela falta do cachorro.
- Porque não cabe ele e eu no banco de trás do carro. Você precisa escolher, ou ele ou eu. - respondeu brincando e o garoto a encarou pelo canto dos olhos, sorrindo.
Decidiu deixar em um filme que já havia assistido antes e também já havia começado há alguns minuto, todavia era um bom filme, valia a pena assisti-lo mais vez! Bocejou, estralando o pescoço e por fim deitou-se no colchão, colocando um braço atrás da cabeça.
- Não me culpe se eu dormir. - encarando a TV, Zayn falava bocejando mais um vez - Perdi o sono essa noite, então estou cansado.
- Você não sabe o que eu fiz essa semana… - rapidamente lembrou-se da humilhação que passou sozinha em sua casa.
- Ah loira, você começa assim e eu já espero uma história incrível que só você é capaz de protagonizar. - virou-se de lado, esquecendo do filme e se concentrando naqueles olhos castanhos, emoldurados por curtos cílios volumosos, tão próximos dele.
- Esses dias, eu dormi decentemente pela primeira vez no último mês. - explicou se referindo a semana de moda que a exigiu uma semana em cada país, fazendo com que seu relógio biológico nunca se acostumasse com o fuso horário e também a expectativa pré desfile que a incapacitava de relaxar. - Coloquei o despertador para tocar as 7h30 e deitei na cama umas nove horas, rapidinho eu dormi. Ai eu acordei do nada, assustada e já fui levantando porque pensei que estava atrasada para a aula, coloquei meu uniforme, lavei o rosto, escovei os dentes, peguei minha bolsa e desci. Quando cheguei na cozinha, tava tudo escuro e não tinha ninguém lá. - sua narrativa prosseguiu e pode ver o menino juntando as sobrancelhas diante do relato - Então resolvi fazer meu café da manhã sozinha, preparei umas torradas com geleia e enquanto eu comia eu ficava com uma sensação de sacies e também de muito sono, estava quase dormindo em cima da mesa. Foi aí que eu vi no relógio da cozinha que ainda era onze horas da noite - a revelação causou a gargalhada de Malik e fez a loira corar e sorrir cerrado - Eu dormi no máximo umas duas horas! Aí eu voltei para a cama, humilhada e cansada, e dormi de uniforme mesmo. - deu de ombros ouvindo a risada do badboy.
- Por que você não olhou o celular a hora que acordou?
- Eu não sei, Zayn! Só fiquei desesperada pensando que tinha perdido a hora. - riu de sua desgraça - E depois de um mês inteiro, meu primeiro dia de aula na Eton foi com o uniforme amassado.
- Eu não acredito que você fez isso…
- E o pior é que eu comia aquela torrada com um desgosto… Mas era porque antes de dormir eu comi um balde de pipoca inteiro. Então eu absolutamente estava sem fome. - sorrindo, passou a ponta da língua pelos lábios, umedecendo-os.
Os olhos castanhos do rapaz foram atraídos para aquele gesto e ali permaneceram, sem constrangimento. Malik espelhou a garota e também umedeceu os lábios, imaginando mil coisas que poderia fazer para ele com sua língua.
Percebendo qual era o foco dos olhos de Zayn, as bochechas de Hilton foram tomadas por um rubor, que infelizmente não foram flagradas pelo menino, pois este ainda divagava.
- Zayn? - sua voz escapou através de um suspiro. Entorpecida como se pudesse ler os pensamentos do garoto e saber tudo o que ele imaginava naquele momento, tudo o que ele queria fazer com ela naquela cama e o que ansiava por vê-la fazendo para ele.
- Sim? Desculpa, eu estava distraído.
- Você acha - parou um segundo procurando o melhor adjetivo para qualificar seu pensamento - errado dois amigos… se beijarem?
- Ah, loira - respondeu baixo, aproximando-se dela - é muito, muito errado. - elevou o tronco apoiando-se em seu braço e pode a vislumbrar embaixo de si, compassiva e hipnotizada por seus olhos.
- Mas, depois que acontecer, eles podem continuar sendo amigos?
- Definitivamente não.
Tocou a ponta de seu nariz no da garota, assistindo-a resfolegar e fechar os olhos. E com a ponta de seu nariz percorreu o caminho até a bochecha dela, enquanto Hilton entreabria os lábios e era torturada com o parco toque que seguia para seu pescoço, sua clavícula marcada e busto.
A massa cardíaca de Zayn pesava e batia descompassada fazendo toda sua estrutura óssea chacoalhar, seu sangue ardia ao percorrer suas veias e seu hálito quente inflamava a pele da menina que mantinha suas mãos contra os lençóis, sem coragem de levantá-las para tocá-lo, pois temia descobrir que o íntimo momento não passava de um sonho.
Completamente enlevada pela devoção que o moreno prestava a ela, respirou fundo fazendo sua caixa torácica expandir e abriu os olhos aflita pela demora de Malik para enfim tomar sua pele com aqueles lábios avermelhados e beijá-la por completo. Todavia, alheio aos pensamentos atormentados de sua amante, o garoto afundou o rosto na curva do pescoço dela, aspirando seu perfume e sentou-se sobre o colchão, mantendo-se afastado.
- Se formos em frente, não tem mais volta. - ele informou, mirando-a completamente confusa, espelhando-o e também sentando - Não seremos mais amigos, .
- Zayn - ajoelhou-se sobre a cama - , nós sempre fomos mais que isso.
Seus olhos castanhos hipnotizavam o rapaz que tentava desviar o olhar porque sentia-se completamente exposto diante de olhos tão perscrutadores, que pareciam carregar o poder de adentrar sua alma e encontrar seus temores e anseios.
Contudo o fascínio por aquele olhar sereno e manso era maior que qualquer medo de ser descoberto e Malik engatinhou até ela, sentando a sua frente, envolveu a cintura dela com suas mãos e abaixou o rosto a fim de fitá-lo, sustentando um sorriso doce.
As pontas dos dedos de Hilton delinearam as grossas sobrancelhas do garoto, descendo por suas têmporas até pinicar devido a barba por fazer, levou então as mãos até a nuca do moreno, enrolando os curtos cabelos negros e macios por seus dedos e o garoto fechou os olhos permitindo-se envolver nas carícias inocentes e acolhedoras.
Zayn tirou a própria camiseta, deixando-a cair no chão e ajoelhou-se sobre o colchão. Ainda com os olhos presos nos de , tirou a blusa dela e suas mãos foram instantaneamente atraídas para a pele nua e cálida da menina, que sentiu seus poros dilatarem gradativamente sob o toque ardiloso do rapaz. Ele a puxou para si, fazendo-a arrepiar-se com o calor de seus corpos em atrito e aproximou os lábios entreabertos dos de Hilton que fechou os olhos entorpecida com a o ritmo lento que era imposto pelo menino.
O moreno apenas roçou seus lábios nos da garota, fazendo seu hálito chocar-se contra a pele dela e preferiu beijar o canto de sua boca e então sua bochecha e maxilar, pescoço, ombro, passou a língua no limite da alça do sutiã amarelo e prosseguiu até o seio dela, que elevou a cabeça aos céus deixando o ar escapar de seus pulmões em um ato de pura ansiedade, pois era colocada à beira do abismo da insanidade devido a escassez de toque a qual era submetida.
Malik beijou o espaço entre um seio e outro e com as mãos firmes no quadril de a empurrou contra o colchão, despertando-a do transe em que se encontrava, deixando todo o corpo da menina febril e sôfrego. Ainda ajoelhado, desabotoou a calça jeans que ela usava, abaixou o zíper e sem pressa desceu a peça de roupa pelas pernas de Hilton, admirando a pele sendo exposta progressivamente. Por fim, em pé, a frente da cama, retirou a calça que usava e sentou-se na beira do colchão, vislumbrando a imagem de seminua para ele, com o rosto tomado por um rubor, os olhos castanhos ávidos por prazer e os dedos inquietos enrolando-se nos lençóis.
Ambos não sabiam ao certo quanto tempo Zayn permaneceu sentado apenas observando a menina, pois para Hilton uma eternidade havia se passado, mas para o garoto, ele poderia permanecer ali por mais minutos só imaginando tudo o que gostaria de fazer com ela.
Cansada de esperar por alguma atitude dele, tomou impulso para levantar-se, no entanto foi impedida pelo rapaz que limitou-se a negar com a cabeça e obediente como era, a garota não mais se moveu. Fitando os olhos de Malik, a loira passou a ponta da língua pelos lábios, desejando desvendar todos seus pensamentos, ser cúmplice de todas suas fantasias, levá-lo ao prazer com o toque de seu lábios e sua língua quente e acima de tudo ansiava ser tocada por aquelas mãos mais uma vez.
- Faz isso de novo. - ele pediu manso, sendo atraído instantaneamente a ela.
Abriu as pernas da menina e sentou-se à frente dela que juntou as sobrancelhas sem entender o pedido do rapaz, pois estava distraída e não recordava seu último ato. Sorriu ao lembrar que apenas havia umedecido os lábios e sentiu o colo e as bochechas queimarem devido o rubor que a dominava causado pela vergonha.
Zayn também sorriu e acariciando as coxas de Hilton, pacientemente, esperou seu desejo ser atendido. fez exatamente o que ele a pediu e o moreno não tirou os olhos dela, memorizando cada nuance do gesto, os fios loiros e finos mesclando-se nos lençóis brancos, os lábios rosados sendo beijados por aquela língua macia, o tom avermelhado que tomava a pele em chamas garota, sua respiração descompassada e seus olhos cobiçosos.
Voltou a deitar-se e afundou o rosto entre as pernas da loira, beijando suas coxas, fazendo-a resfolegar e ter certeza que se ele levasse mais tempo naquele pequeno ritual ela enlouqueceria.
- Zayn?
- Uhm? - respondeu subindo seus beijos até a barriga da menina que a contraiu e levou as mãos aos cabelos do rapaz ao sentir os dedos astutos dele enroscar-se nas laterais de sua calcinha.
- O que eu preciso fazer para você me beijar?
Malik riu, apoiando o queixo na barriga da loira, cessando também o desenrolar da pequena peça de roupa onde mantinha os dedos.
- Eu estava te beijando até você me interromper, . - subiu até o rosto dela, passando a ponta do nariz em sua bochecha e envolveu a cintura da loira com um braço, colando o corpo quente da menina ao seu - O que mais você quer de mim? - mordeu o lóbulo da orelha dela que deixou o ar se esvair por completo de seus pulmões e chocar-se contra o ombro do rapaz que sentiu a região queimar. - Uhm? O que mais você quer? - fitou-a nos olhos e Hilton sorriu devido a petulância do menino.
Segurou a mão do moreno, guiando os longos dedos até seus lábios: - Eu quero que você me beije aqui. - e sem romper o contato da mão do rapaz com o seu corpo, a levou até o meio de suas pernas. - E quero que você me toque aqui.
Zayn acompanhou o movimento com os olhos e ao sentir o fino tecido da calcinha molhado, fechou as pálpebras, sentindo os músculos estremecerem e a sanidade se esvair por completo. Sua respiração audível foi a única resposta que recebeu e os dedos do garoto ali permaneceram até ele recordar-se de todo o plano que tinha para aquela tarde.
- Mas se eu fizer isso agora - conseguiu reunir forças para dizer, levando sua mão até o rosto da menina que o mirava atenta - nós vamos perder a diversão.
- Você não acha a minha sugestão divertida?
- Muito! Mas eu quero brincar com você ainda mais. - entrelaçou seus dedos nos da garota, beijando o dorso da mão dela - Eu quero te beijar inteira, sentir o seu gosto na minha língua, descobrir o que você gosta e o que te enlouquece, eu quero ouvir você gemer e pedir por mais, entendeu?
Hilton apenas confirmou com a cabeça, inquieta para finalmente senti-lo fazer tudo aquilo. Sua vontade era implorar para que Zayn começasse o mais depressa possível, porém nem ao menos sabia o que desejava que o menino fizesse primeiro.
- Agora eu vou tirar o seu sutiã - informou, arrastando os dedos pelas costas dela, até encontrar o feixe da peça amarela, abrindo-o e descendo as alças pelos braços da loira que o mirava nos olhos - e vou saborear o seu peito o quanto eu quiser. - abaixou os olhos para os seios expostos da menina, que respirava compassadamente, e com a ponta do dedo anelar percorreu o caminho da auréola esquerda, já imaginando aquele pedaço de carne em seu paladar. - Depois eu vou tirar a sua calcinha e te masturbar até você esquecer seu nome. E então vou te penetrar devagar, bem gostoso e só então vou te beijar. E vou te beijar até terminarmos. Entendeu? - continuava a circundar a auréola esquerda da moça com a ponta do dedo e empenhava-se ao máximo para manter a calma, afinal sua real vontade era arrancar as peças de roupa remanescentes e penetrar a fundo até ambos gritarem em êxtase.
- Sim. - sua voz era tomada por luxúria, seus olhos eram inundados por luxúria, seu toque, sua respiração, seus poros transbordavam luxúria e Malik conseguia ler a ânsia de para ser explorada por ele, para alcançar o ápice através das mãos e da língua dele.
Sem perder mais tempo o moreno abocanhou o seio direito da loira que soltou um breve gemido de alívio pelo fato de o plano ser finalmente colocado em prático. A mente de Hilton não conseguia entender o que estava reservado para ela, e apenas para ela, mas conseguia compreender que seria delicioso.
Avidamente, Zayn chupou o mamilo da menina que cravou as unhas nos ombros dele, incentivando-o a pressionar seu quadril contra o da loira que ao sentir o membro duro do rapaz em sua intimidade úmida soltou mais um gemido em agonia devido o tesão que a dominava. Foi tudo o que conseguiu demonstrar diante sua pequena revolta pela lentidão dos movimentos do garoto e seu plano que envolvia muitas etapas.
Um caminho de beijos foi o que levou o menino do seio direito para o esquerdo o qual primeiramente passou a ponta da língua pelo mamilo rosado e rígido e em seguida o chupou faminto, sentindo a pressão das pernas de ao redor de sua cintura e as mãos trêmulas da garota percorrerem sua costas em direção a sua bunda, forçando-o a afundar seu membro na intimidade dela mais uma vez, pois Hilton não queria se desfazer daquele toque e desejava poder senti-lo sem a barreira de tecidos.
A vontade de Zayn era dedicar mais minutos apenas aos seios de , contudo os gemidos da menina, suas mãos inquietas e o calor que provinha de seu corpo o estimularam a descer a pequena calcinha branca pelas longas pernas da loira que mordeu os lábios, sorrindo, estimulando-o a arrancar a peça de uma vez.
O moreno mais uma vez sentou-se na frente de Hilton, entre suas pernas abertas apenas para o seu deleite e a mirou com aqueles olhos castanhos que a faziam arrepiar devido o mistério que os circundavam. A garota ainda sentia seus mamilos formigarem e um calor avassalador se espalhava por todo seu corpo fazendo os cabelos de sua nuca suavam. se sentia boba por se permitir envolver em um estado tão grande de deslumbre apenas ao ser fitada por aqueles olhos amendoados.
- Você vai ficar aí tão longe? - questionou fraca, sua voz saindo em um sussurro que o embalava. Pode vê-lo confirmar com um aceno de cabeça, sustentando um sorriso no canto dos lábios, enquanto acariciava o quadril dela - Por quê?
- Porque eu quero assistir cada reação sua. - respondeu, tocando a intimidade molhada da loira que deixou o ar escapar por seus lábios entreabertos.
A penetrou com um dedo, vendo-a encará-lo com olhos não mais serenos e mansos, mas sim ansiosos e desejosos. Os movimentos do rapaz eram fundos e lentos e a cada vez que saia dela suspirava desolada, para então ser tomada novamente pela sensação deliciosa de preenchimento e sacies. Dois dedos faziam o movimento de vai e vem no interior da menina que arqueava as costas sentindo o ar frio do quarto embalar seu corpo em chamas ocasionando tremores por seus músculos fracos.
Hilton fechou os olhos permitindo um gemido sair do fundo de sua garganta e ao sentir o toque da língua macia de Zayn em seu clitóris puxou os cabelos do rapaz em plena agonia para receber mais.
- Zayn… - conseguiu dizer, sentindo os dedos longos dele curvando-se em seu interior quente e ensopado.
- Repete. - falou contra a intimidade da loira que apertava os lençóis e mordia o próprio pulso tentando libertar-se do anseio e inquietação que obstruiam seus poros e a faziam perder o fôlego.
- Zayn. - disse entre um sussurro seguido de um gemido alto, projetando seu quadril ao encontro do garoto que aumentava a velocidade de seus dedos, deliciando-se com o gosto da menina em seu paladar.
- Repete, loira. - pediu novamente e Hilton o obedeceu, fazendo exatamente o que ele queria, sendo tomada pelo prazer iminente que a fazia se fechar ao redor dos dedos ágeis do moreno.
- Zayn, por favor. - uma solitária lágrima de desespero escorreu de seu olho esquerdo, rolando por sua têmpora e molhando os fios loiros.
Malik foi ao encontro do rosto da garota que tentou beijá-lo, todavia o rapaz mostrava-se disposto a seguir o plano fielmente e desviou os lábios dos dela.
Abocanhou um de seus seios, ainda a masturbando lentamente, sentindo as mãos trêmulas da menina se tensionando nos músculos de suas costas.
O membro do rapaz latejava a ponto de perfurar o tecido do cueca, no entanto, ele poderia passar ainda mais tempo ali degustando a respiração sôfrega de , o suor que se formava na testa da loira, suas pernas que estremeciam e envolviam o quadril do garoto, seus sussurros que pediam por mais, seus lábios deliciosos beijando os ombros do menino, sua língua no maxilar dele. Porém Hilton desejava que Zayn adentrasse o paraíso juntamente com ela, portanto sua mãozinha instável desceu pela lateral do corpo dele, chegando até seu abdômen e percorreu a extensão do membro duro de Malik por cima da cueca.
Zayn afundou o rosto entre os seios da garota, sentindo-a descer a cueca dele e tomar para si o pênis ereto que pulsava em plena ansiedade.
- Isso não estava nos planos, . - reuniu forças para protestar, beijando o pescoço dela, resfolegando ao sentir o toque em sua glande.
- Isso não estava nos seus planos, Zayn. - rolou-o na cama, deitando-o sobre o colchão e o rapaz não a impediu de acomodá-lo confortavelmente e prosseguir com os movimentos de vai e vem que o faziam gemer atordoado.
Ele levou os dedos que antes a masturbavam até sua boca, sugando todo resquício do sabor de Hilton que ali estava, vendo-a aproximar-se dos lábios deles, a fim de tentar roubar um beijo, entretanto Malik permanecia fiel a sua ideia inicial e prendendo os cabelos da menina em sua mão levou o ombro dela até seus dentes para mordê-lo demonstrando todo o prazer que o dominava.
Gemeu contra a pele suada da moça, sentindo-a aumentar a velocidade de sua mão macia e beijou seu pescoço, apertando a cintura de Hilton que beijava o rosto perfeito da criatura embaixo de si.
- - chamou, apertando as pálpebras, esforçando-se para recobrar o juízo que havia se dissipado daquele quarto assim que ele colocou os olhos sobre a lingerie amarela da garota. - Espera. - segurou o pulso dela que até então o enlouquecia. Apesar de saber que era necessário permitir que a menina continuasse a masturbá-lo, sabia que se ela persistisse no ato ele gozaria em suas mãos.
O rapaz saltou da cama, abrindo todas as gavetas do criado mudo a procura de um preservativo, vasculhou cada uma delas sem encontrar nada, murmurou um "Inferno" e seguiu as pressas para o banheiro. Da cama, Hilton conseguia ouvir as portas de armário e gavetas sendo abertas e fechadas num estrondo alto e aflito. Tamborilava os dedos inquietos no próprio quadril, ansiosa para o retorno de Malik quando finalmente o ouviu gritar um "Achei!" afoito e correr ao encontro dela, de forma desajeitada enquanto se protegia.
Ajoelhado em frente a ela abriu as pernas de , aconchegando-se ali, beijando toda a extensão da bochecha ruborizada da garota que sorria, passando as mãos pelas costas dele.
- Eu sei que é a sua primeira vez, então eu vou com calma, tudo bem? - falou encarando-a nos olhos.
Hilton não sabia o que dizer diante da declaração e tudo o que conseguiu responder foi: - Obrigada. - baixo e constrangido, carregando um sorriso evasivo e chocado.
- Se você ficar desconfortável me fala e nós paramos, tudo bem?
- Ahan. - murmurou desviando os olhos do olhar solícito do rapaz que a mirava atencioso.
Zayn posicionou-se na entrada da garota e a adentrou um centímetro, gemendo alto levando seus lábios até os dela. A língua de Malik preenchia e perscrutava sua boca de uma forma tão imoral que a loira jamais ao menos imaginou que pudesse ser beijada. E cada vez que pensava que Zayn estava prestes a finalizar, ele apenas a beijava ainda mais profundamente, reclamando para si a atenção de cada célula, terminação nervosa de seu corpo, fazendo-a sentir-se como se eles fossem uma só alma que estavam inevitavelmente conectados em nível atômico.
A língua quente do rapaz entrava e saia da boca de Hilton no mesmo ritmo lento e enlouquecedor que seu membro a penetrava. A menina cravava as unhas nos músculos das costas dele, entorpecida por aquela dança prazerosa a qual se encontrava. Seu quadril movia-se ao encontro dele, seu interior se contraía ao redor do pênis gostoso, sua boca acolhia a língua macia do moreno e os gemidos dele ecoavam diretamente em sua garganta.
Malik a penetrou a fundo, ouvindo o longo gemido que a loira soltou. Preocupava-se em machucá-la, mas julgando pela reação da garota acreditou que nada de mal havia acontecido com ela e seguiu seus movimentos, permitindo-se relaxar e entrar e sair de com força enquanto sua língua era sugada pela moça.
As pernas do menino já estavam fracas, seus braços tremiam por completo e ele conseguia ouvir o próprio coração chocando-se contra sua caixa torácica, acelerado e violento, ao mesmo tempo que sentia o coração apressado de Hilton e as mãos suadas dela se fecharem em seu pescoço.
O rapaz chamou o nome dela entre o beijo e chamou por ele sentindo suas coxas formigarem a medida que ele entrava e saia. Ambos estavam tão próximos do ápice que já conseguiam vislumbra-lo, porém não queriam cessar o ritual tão apetitoso.
Logo os músculos da menina contrairam-se involuntariamente em espasmo de prazer e ela estremeceu da cabeça aos pés, gemendo dentro da boca de Zayn devido o orgasmo delicioso, o garoto então gozou dentro dela, prestes a chorar mediante o nível de prazer que o consumia e o impedia de respirar.
Cobriu o corpo de com o seu, repousando seu peso sobre ela e a garota o abraçou, ainda sôfrega e exausta, sentindo-o estremecer. Beijou os cabelos negros dele e acariciou toda a extensão do corpo, que suas mãos alcançavam. Ainda atordoado, Malik levantou sua cabeça e tomou os lábios de Hilton, num beijo doce e cansado.
- Tudo bem? - ele questionou com o cenho franzido, vendo-a apenas afirmar com a cabeça. - Eu não te machuquei, né? - e a loira então negou brevemente, sem coragem de pronunciar uma palavra.
limitou-se a mirar dentro dos olhos amendoados de Zayn e naquele momento teve a certeza que uma eternidade se passaria e ela ainda recordaria daquele pequeno instante, em que após fazê-la gritar entorpecida por prazer, Malik a beijou mais uma vez, inundando-a com carinho e ternura, em um ritmo completamente diferente do selvagem e malicioso que segundos atrás os dominavam. Esse foi o seu último pensamento antes de senti-lo afastando-se dela e tê-la puxando-o para perto pela nuca com um desejo tão visceral que a fez agarrar-se ao rapaz para não perder a consciência e não permiti-lo romper o toque saboroso.
Quando achou que seu fôlego estava acabando, tudo o que descobriu foi que na verdade, durante todo esse tempo ela necessitou mais de Zayn do que o próprio oxigênio. Aquele beijo não só a fez esquecer-se de seu nome, agora até mesmo a existência da humanidade perdeu o sentido e ela só podia sentir o corpo do garoto fundir-se ao seu, afogando os dois em um oceano de prazer.
Passaram o restante da tarde entre beijos, abraços e toques maliciosos, cheios de imoralidade e desejo. Malik recusou-se a permitir que Hilton fosse coberta em tecido e a menina mostrou-se triste ao perceber que precisava deixar a mansão e voltar para sua casa.
Para Zayn, a noite que se seguiu foi dedicada a relembrar cada toque e beijo, cada gemido, cada palavra dita, todo olhar e sorriso cúmplice trocado. Se fechasse os olhos com força e se concentrasse ainda conseguia sentir o gosto de em sua língua, perdendo o ar e desejando voltar para ao meio das pernas dela. Quando sua mente era tomada pela a imagem de Hilton o masturbando, seu coração cessava as batidas por segundos que o faziam ter certeza que uma eternidade não seria o suficiente para reviver o acontecimento daquela tarde.


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Louis estava vivendo uma quarta-feira incrivelmente tranquila. Não estava mais há quatro dias sem fazer uma refeição decente, conseguiu finalmente tomar um banho pra se limpar daquele cheiro desagradável das salas de Anatomia, e pela primeira vez na semana dormiu oito horas consecutivas. E essa quebra de rotina era, em regra, algo bom. Porém agora ele começava a perceber que de todos os dias do ano, aquele era o pior deles para se ter um dia vago, era o aniversário de vinte anos de e ele sentia mais do que nunca a falta da menina.
era sua melhor amiga, sua parceira e sua confidente. No ano anterior ele preparou um jantar a dois para comemorar a data especial e honestamente já havia planejado a festa desse ano: um fim de semana na praia com todos os amigos e a família de . Mas quase um ano depois ele teve que aceitar que não fazia mais parte dos planos dos Westwicks e o melhor a fazer era esquecer tudo aquilo.
E nada melhor do que dedicar o dia inteiro à Angelique, que estava estudando mas viu como muito bem vinda sua estadia no pequeno apartamento onde vivia. Tommo chegou um pouco antes do almoço, com marmitas para ele, Angel e a colega de apartamento dela a quem Louis nunca viu e insistia que não existia.
Mas ele não era do tipo de cara que iria irritar um fantasma então sempre trazia comida a mais, e a comida desaparecia.
Incrível.
Louis entrou no prédio sem porteiro e se maravilhou com a facilidade que era se infiltrar naquele lugar sem segurança alguma, embora dificilmente houvesse algo de valor ali para ser roubado…
Bateu na porta branca e alguns momentos depois Angel estava lá, encarando-o sorridente.
- Uau, você veio e trouxe comida. Será que eu estou namorando um anjo? - a estudante cumprimentou o garoto com um beijo nos lábios e se dirigiu até a mesa da cozinha para tirar seu material escolar dali a fim de que tivesse alguma superfície para colocar o almoço bem vindo.
- Você acredita que eles estavam sem aquele bolinho apimentado que nós comemos da última vez? - Tommo largou as sacolas sobre a mesa e foi pegar dois pratos no armário.
- Então, eu vi no instagram deles que o objetivo a longo prazo é retirar todos os pratos que não são absolutamente veganos, e os isso vadeis definitivamente não devem permanecer. - Angel tirou as caixinhas biodegradáveis e apreciou o cheiro do kothtu vegano que Lou trouxe para ela.
- Ah não, nós vamos boicotar aquele restaurante se eles pararem de fazer a minha comida favorita. - Louis raptou um samosa quentinho e o engoliu de uma vez. - Nós vamos queimar aquele lugar até virar cinzas!
- Ou nós podemos procurar outros restaurantes de culinária do Sri Lanka. - Angel sugeriu uma alternativa menos drástica e destrutiva.
Serviu o prato de Lou com um pouquinho de tudo o que já sabia que ele comia, a maioria vinha do menu infantil que continha pratos mais suaves, e colocou a sua frente, que suspirou fundo e comentou:
- Eu ainda não sei como diabos você me convenceu a experimentar essas coisas.
- Porque você duvidou que qualquer comida vegana fosse possível de ser tragado.
- Ah, é verdade. - ele sorriu e começou a comer. - Como vai o seu estudo?
Angel sentou de frente para ele com um pé apoiado na beira da cadeira, mantendo o joelho alto o bastante para apoiar o braço cansado de escrever. Seu dia tinha tudo para ser mais uma rotina de horas de enclausuramento e solidão mas Louis estava ali e sua presença era o bastante para alegrar a tarde dela.
Ela explicou um pouco da meta para o dia e prometeu que se Lou tivesse paciência eles poderiam ver um filme mais tarde e Louis aceitou a condição se ganhasse quinze minutos de amassos no sofá o que facilmente desenrolou para um sexo rápido no cubículo que Angelique chamava de seu quarto. Depois disso Lou caiu em um sono imperturbável e a garota aproveitou para adiantar o máximo que pudesse seu trabalho, com um pouco de sorte o namorado dormiria até as nove da noite quando ela teria passado um pouco da metade da meta.
Louis acordou perto das cinco horas, dolorido e confuso, o quarto era iluminado pela luz natural do sol que ainda brilhava com fulgor. Cometeu o erro de entrar no instagram e logo foi inundado com postando homenagens à , fazendo stories de , invadindo a sua vida com a risada cheia de energia de .
Elas estavam na Disneylândia em Paris e na sequência dos stories de era possível ver o restante dos Westwick, tanto os de Londres quanto alguns da França, as gêmeas corriam desesperadamente no limite de suas curtas perninhas e de vez em quando algum adulto saia correndo atrás de quem se distanciava demais do perímetro.
- Mas que desgraça… - Louis jogou o celular para o lado e esfregou as mãos no rosto.
Passou o dia todo cuidadosamente evitando pensar em e por causa de alguns vídeos estúpidos seu coração se comprimia em saudade, sobrepujando a culpa que sentia por pensar em enquanto ainda estava na cama de Angel.
Que maldita confusão…
- Lou?! - Angelique chamou da cozinha ao ouvir a voz dele xingando sozinho no quarto.
- Oi, sweetie! - Louis vestiu a camisa e saiu do quarto com o cabelo todo bagunçado e a cara amassada. - Você ainda está estudando?
A menina sorriu mas estava cansada e derrotada pelos muitos livros.
- Eu não vou conseguir cumprir a promessa que fiz. Provavelmente não vou sair daqui antes do amanhecer. - ela se desculpou de olhos fechados, aproveitando a pausa para descansar os olhos.
- Não tem problema. Eu vou voltar para casa, o Zayn chamou a gente pra ir jantar no Liam, aproveitar que ele vai passar essa semana em Londres. - Tommo beijou a testa de Angel e então sua boca. - Amanhã eu venho aqui pra ver se sobrou alguma coisa de você. - piscou para ela, que sorriu em resposta e ficou pensativa por causa da atitude tímida de Louis.
O que ela não poderia saber é que essa atitude tímida era na verdade puramente culpa pelo o que Louis iria fazer assim que saísse dali.
O moreno desceu as escadas correndo e passou por um grupo de universitários alojados na entrada, espalhados pelo chão, entregues à depressão acadêmica, e entrou em seu carro mas não o ligou.
Batucou os dedos ansiosos no volante, pensando no que faria.
Sua consciência dizia que não, mas ele parou de dar muita moral a essa filha da puta desde que quando era realmente necessária, deixou que tomasse as decisões mais estúpidas sem um pingo de culpa.
Foda-se, ele pensou. Faria a maldita ligação.
Procurou o contato de , que não mais estava entre a lista de "Recentes" e titubeou antes de discar seu número. Nem ao menos sabia o que deveria dizer!
Se acalme, seu idiota. Você nem sabe se ela vai atender!
Ele completou a ligação.
Seu coração batia a mil e ele começava a se arrepender daquilo. Ia encerrar a chamada, apagar o contato de e mimar muito Angelique amanhã para compensar sua canalhice.
Sim, ele iria desligar agora e...
- Alô. - atendeu com a voz firme, sempre dando um toque peculiar ao cumprimento com a mania de substituir o tom de questão por uma afirmação. Ela não perguntava, afirmava o seu alô.
Tomlinson prendeu a respiração.
Ela atendeu!!! O que eu vou dizer?? Sua mente começou a surtar porque não se preparou para um possível contato. Ah, céus, como amava aquela demônia…
Não diga isso em hipótese alguma!
Repreendeu a si mesmo, decidido a encerrar o silêncio mortal que se seguiu após a curta fala de .
- Oi, . Sou eu, o Louis. - ele falou com a máxima compostura possível.
- Eu sei. - respondeu entediada.
- Oh. Certo. Bem…
- O que você quer, Tomlinson?
- É o seu aniversário.
- Eu sei. O que eu definitivamente não sei é porque caralhos você está me ligando.
A grosseria de fez o sangue de Louis ferver. Primeiro, ela atendia a ligação, depois começava a ser insuportável como sempre. Será que eles não podiam ter uma maldita trégua?
- Pra te desejar um feliz aniversário, sua ingrata!
- Eu estava tendo um ótimo dia até você me ligar, babaca!
- Eu vou te ligar o quanto eu quiser!
- Não se eu te bloquear!
- Uma pena que isso não vai me impedir de desejar que você seja a pessoa mais feliz do universo, e que você alcance todas os seus objetivos porque você merece!
- Para de me desejar coisas boas!
- Eu desejo todo o bem do mundo pra você, sua idiota!
- Aargh, Tomlinson!
- Feliz aniversário, honey!
E a ligação foi encerrada.
Louis considerou o contato uma vitória absoluta e jogou seu celular no banco do carona e dirigiu como um louco até o apartamento de Liam, repreendido por não ter feito a dita ligação antes. Estava ansioso para compartilhar com os caras sobre e honestamente esperava que ela estivesse fazendo o mesmo com nesse momento.
O que Tommo não suspeitava é que ele não era o único cometendo idiotices por ali. Pois Liam, a quem muito tempo livre sobrava, dedicou sua tarde ao ócio e acabou na porta da casa da ex namorada, solicitando vê-la.
, que estava tomando um banho de sol vespertino, não acreditou quando um funcionário veio informá-la que Liam Payne aguardava para vê-la, e entrou na sala de estar com o cenho franzido, segurando o óculos de sol na mão agora que estava sob a sombra, todavia a expressão não foi alterada ao ver Liam sentado em seu sofá como se ainda fosse um convidado dali.
- Oi, ! - o rapaz levantou imediatamente ao vê-la.
- Oi. O Zayn não está. - cruzou as mãos atrás do corpo, analisando Liam completamente desconfiada.
Liam deu um sorrisinho, esquecendo-se imediatamente de seu objetivo ali. Tudo o que sabia é que não queria mais ir embora, finalmente o vazio existencial que o atormentava ultimamente havia se dissipado e tudo parecia certo mais uma vez.
- Eu sei, ele provavelmente deve estar se preparando para dar uma festa no meu apartamento. - explicou com um bom humor desajustado de sua usual conduta mal humorada.
permaneceu incólume, esperando uma explicação para repentina aparição, esforçando-se para soar racional e educada, como sua mãe lhe ensinou, e não magoada pelo sumiço dele porém com o coração palpitante de emoção porque ele estava ali, tão perto de seu toque.
Ela iria chorar de humilhação se seu corpo a traísse e suas mãos teimosas tocassem o rapaz, de verdade. Todavia aquela marquinha no pescoço pedia para ganhar um beijinho...
- . - Liam atraiu a atenção da pensativa garota para si. - Eu vim me desculpar com você pela forma como as coisas acabaram entre nós.
- Você quer dizer como entrou no meu quarto, comunicou a sua saída do relacionamento e sumiu por dois meses sem me dar uma chance de me posicionar? - Ortega cruzou os braços e a medida em que relembrava com toda a gentileza o acontecimento por seu ponto de vista, Liam desviava cada vez mais o olhar, envergonhado.
- A verdade é que eu não calculei bem os efeitos da minha decisão… - coçou a nuca.
Ortega não tinha nem o que dizer para Liam, por isso se limitou a observá-lo e tentar discernir as reais intenções dele que estava se comportando estranho, para se dizer no mínimo.
- , eu sinto muito.
- Não tem a menor necessidade de você estar aqui, Liam.
- Eu sinto falta de conversar com você, nós nunca ficamos tanto tempo sem contato! Tem meses que eu não te vejo!
- É porque é assim que términos funcionam, as pessoas param de se falar, se afastam e seguem em frente.
O queixo de Liam caiu com aquela réplica. As respostas eram honestas como todas as palavras que saiam da boca de , mas era o tom polido e distante que o preocupava, ela não estava com raiva ele nem queria esse tipo de sentimentos ao redor deles, mas tamanha indiferença era como veneno em suas veias.
- Desculpa ter incomodado, eu vou te deixar em paz. - ele disse a contragosto e encaminhou-se em direção à saída.
estava prestes a se felicitar pela excelente performance mas ao invés do "Parabéns, ." que seu cérebro dizia, seu teimoso coração tomou de conta e ela se viu pedindo para o ex namorado esperar, o que ele fez com prestatividade.
- Tem algumas coisas suas que eu encontrei esses dias. - explicou rapidamente.
- Ah, as minhas camisetas?
- Como você sabe? – franziu o cenho.
- A manda foto toda vez que você usa alguma. - ele disse e as
bochechas dela viraram dois tomates.
Orteguinha sentia a pele queimar de vergonha e sentiu-se tentada a agredir pela traição deliberada. Ela pelo menos estava bonita nessas fotos???
- Ai, meu deus… Eu vou lá buscar, já volto. – coçou o pescoço e saiu disparada em direção as escadas, recitando baixinho tudo o que iria dizer para quando se encontrassem na escola na manhã seguinte.
Liam brincou com suas chaves, cantarolou, leu as mensagens do grupo dos garotos, andou duas vezes pelo perímetro do cômodo e como não apareceu nesse meio tempo, achou apropriado subir para ver o que estava acontecendo.
Entrou sem cerimônias no quarto que estava com a porta aberta e encontrou a dona da casa retornando com uma pilha de roupas para dentro do closet.
- O que você está fazendo aqui? Eu falei pra você esperar lá embaixo! - deixou uma peça cair e decidiu chutá-la até o closet, mas Payne veio em seu socorro e se agachou para recolher o shortinho, colocando-o de volta em cima da pilha.
- Na verdade você não falou isso, e demorou tanto que eu tive que subir pra ver se você estava bem. - ele decidiu bancar o desentendido.
- Que mal poderia ter me acontecido, Liam? - rolou os olhos e desapareceu no outro cômodo.
- Um infarto, sei lá...
- Eu estou procurando suas coisas.
- Tudo bem, sem pressa. Eu não tenho nada para fazer pelo resto da tarde.
Deu uma boa olhada pelo quarto, notou as sapatilhas do balé acumuladas ao lado do espelho, reparou no quadro de fotos que estava relativamente limpo depois que as fotos com apenas ele foram retiradas, juntou as sobrancelhas intrigado ao ver o esquilo de pelúcia sobre a cama dela, aquela era uma nova aquisição, definitivamente...
- Que bagunça é essa? - se aproximou da mesa de estudos e pegou um punhado de papéis rascunhados com números e fórmulas, do meio deles caiu uma calculadora científica e alguns post-its rabiscados.
- Lista de exercícios de Termodinâmica. - Ortega saiu do closet com uma camiseta branca, da coleção antiga da Hugo Boss, e a jogou sobre a mesa, ao lado de onde Liam estava a julgar sua habilidade com a matéria, que era zero porque ela não estava interessada no assunto.
Liam nem ao menos tirou os olhos da atividade, fisicamente incomodado com o grau de desacertos registrados ali. Ele nem estava ali para aquilo mas a dor em seus olhos foi real diante tal afronta à Física.
- Uau, você conseguiu errar tudo! - concluiu, impressionado.
- O Zayn vai fazer pra mim no fim de semana. - se viu dando uma explicação que não solicitada por ninguém.
- Você sabe que ele está cuidado do meu apartamento, certo? - Payne foi até o closet e apoiou-se na porta.
passava de sessão em sessão procurando as peças que não eram suas e ainda sim, agora parecia que elas nem queriam ir embora porque não as encontrava de jeito nenhum. Em suas contas eram duas camisetas, uma boxer azul (o que não devia ser difícil de encontrar) e uma calça. As meias que ficaram para trás foram reclamadas como dela e já estavam muito bem guardadas na gaveta das meias.
- O que eu espero que não seja um dever para toda vida.
- Se você quiser eu...
- Você quer sentar aí e resolver pra mim enquanto eu vou lá pra baixo ver um filme? - cruzou os braços ao fazer a proposição ousada. Liam riu e balançou a cabeça:
- Não, mas eu posso te ajudar a resolver.
- Não, obrigada. O Google já é ajuda o suficiente.
Ela mentiu tão mal que nem teve coragem de sustentar o olhar curioso de Liam e aproveitou para dar mais uma olhada nas camisas. Se sentia uma idiota parada no meio daquele closet ridiculamente grande, com as mãos na cintura, sem ideia de onde procurar os itens de Payne, mais ocupada em fingir que não estava lembrando de quando eles conseguiram tirar uma diversão e tanta daquele lugar inusitado.
Liam parecia ignorante a tal memória e deu de ombros, satisfeito em deixar o assunto para lá momentaneamente.
- Se você diz... Achou a outra camiseta?
- Não, acho que vou ter que mandar pelo Zayn. - Ortega admitiu, recusando-se a explicar que a tal camiseta estava dentro do cesto de roupa suja ali no seu banheiro.
- Não se preocupa, eu vou indo porque você tem uma longa lista pra resolver e eu não quero atrapalhar. - Liam deu uma risadinha enquanto caminhava sem pressa até a porta do quarto. - Só pra você saber, o Zayn não foi tão bem assim em Termodinâmica. - colocou a mão na maçaneta.
- Ainda sim vai ser mais útil do que nada. - permaneceu ao lado da mesa bagunçada, sentindo-se um pouco ansiosa pela partida imediata de Liam.
Eis um erro: tentar alimentar a saudade com migalhas. O complicado sentimento não se contentava com pouco e frequentemente levava a mais sábia das pessoas a cometer os piores crimes contra a própria consciência por alguns minutos de felicidade logrosa.
E estava caindo nessa rede enganosa, traindo sua razão pelo capricho de não querer que Liam fosse, pelo menos ainda não.
Liam viu a hesitação no rosto da menina e tirou a mão da maçaneta:
- Meia hora é tudo o que nós precisamos pra terminar isso, . E nós nem precisamos conversar sobre qualquer coisa além da matéria. - aproximou-se dela.
- Por que você está sendo tão insistente? - Ortega ainda demonstrava uma pontinha de incerteza quanto à moralidade de sua decisão.
- Porque eu sou bom em Física e não quero voltar pra casa e ficar imaginando você sofrendo enquanto eu posso ajudar. - Liam disse ao mesmo tempo em que tomava de conta do espaço de estudo da caçula, empurrando tudo o que foi usado como rascunho, criando espaço para estudarem apropriadamente.
- A vem pra cá para resolvermos alguns. - revelou, em uma última fraca tentativa de convencer Liam de que sua ajuda não era necessária.
- Até porque a é um gênio da Física! - Liam sorriu.
- Tudo bem, sem conversinhas paralelas, Liam. E só pra você saber, isso não vai mudar nada entre nós, depois que você sair daqui nós vamos continuar nos evitando pra sempre. - ela determinou e sentou na cadeira branca, sendo imitada pelo garoto, que arrastou sua cadeira para sentar ao seu lado, próximo demais para a sanidade dos dois.
- Estou ciente e quero continuar.
Passada a meia hora prometida por Payne, eles haviam resolvido quase toda a lista e nenhum dos dois pareceu se incomodar com a passagem do tempo, seguindo com a atividade até o fim, o que rendeu mais vinte minutos de números, reclamações, cálculos e algumas gracinhas.
- Olha só você, uma pequena Einstein! - o rapaz comemorou o fim da resolução dos exercícios, particularmente alegre por ter resolvido os dois últimos sozinha.
No final das contas o problema parecia ser as fórmulas erradas que passou na maior boa vontade.Com as fórmulas corretas as questões ganharam um novo sentido e se sentiu menos derrotada na matéria.
- Não, eu não sou. Um pouco da minha alma ficou nessas folhas, isso é um saco. - ela resmungou e jogou o lápis para longe, apoiando o cotovelo sobre as folhas sem o menor cuidado e usando a posição para apoiar a cabecinha cansada de números.
- Mas não foi tão difícil, não é? - Liam sorriu de lado, distraído com a curva sinuosa que iniciava na base do pescoço relaxado e insinuava-se pela linha do maxilar, desenhando a forma perfeita da orelha que ostentava um brinco minúsculo e seguia pelo rosto que parecia ter sido desenhado por um artista.
- Nós já resolvemos listas mais difíceis em menos tempo. - ela relembrou das outras vezes em que os dois estudaram juntos e faziam duas ou três listas em uma hora só.
Payne deu de ombros:
- Você estava distraída hoje.
- É claro, você ficou respirando no meu pescoço. - arregalou os olhos, culpando-o pelas inúmeras distrações durante o processo de aprendizagem, isso porque ela nem iria citar as vezes em que ele tocou em seu cabelo sob o pretexto de empurrá-los para trás.
- Eu precisava ver o que você estava fazendo. - Liam justificou, levando a mão até o rosto da menina para empurrar os cabelos negros que o impediam de ter uma visão limpa daquele rosto angelical. Quando alcançou seu objetivo porém, manteve o suave contato com a bochecha rosada, afagando-a.
engoliu em seco, incapacitada de distanciar-se do toque sutil que a embevecia de paixão e ressuscitava memórias lascivas e quentes, recordações que brilhavam nos olhos negros de Liam, como se ele as revivesse também naquele exato momento. Havia uma eletricidade mágica debaixo dos dedos firmes dele e todas as precauções e reservas soavam em segundo plano, propositalmente ignoradas.
- Você conseguiu ver o que queria? - sussurrou, corada e ofegante pela pressão luxuriosa que os dedos ávidos e gananciosos que avançavam perigosamente sobre sua coxa, brincando com o limite da barra da sainha preta.
Payne lambeu os lábios e explorou mais um centímetro da pele macia antes ocultada pelo pouco tecido, fascinado com a intensidade das emoções que dançavam nos olhos verdes expressivos de , inclinou-se e experimentou seus doces lábios, sugou o lábio inferior até que estivesse vermelho e inchado e quando ela pensou que estivesse acabado, foi surpreendida com o atordoante contato da língua dele na sua, acariciando-a, provocando-a, incitando-a a responder à altura.
E Ortega não decepcionou, afogou-se no sabor da boca de Liam, emaranhou as mãos no cabelo curto dele, puxando-o para si como a amante exigente que sempre foi. O desejava desesperadamente e àquela altura nada nem ninguém a impediria de ir até o fim com aquele delírio fantasioso.
Quando se separam, arquejantes e espantados com a força da atração que reprimiam, Liam descansou a testa contra a de por um breve instante e então afastou-se o bastante para olhar em seus olhos e finalmente dar sua resposta:
- Nem de longe, bonequinha. Nem de longe. - sorriu malicioso e a puxou para seu colo sem pressa para terminar o que começaram.
O entardecer em Cambridge sempre era algo espetacular de se assistir, não só por causa da natureza que se preparava para abrigar os animais em seu descanso noturno e o sol começava a ceder espaço para a lua brilhar, mas também porque era o momento em que a cidade universitária encerrava as atividades acadêmicas do dia e milhares de estudantes voltavam ansiosos para seus dormitórios, apartamentos e fraternidades/ irmandades para estudar mais e fechar os olhos por parcas horas antes de começar tudo de novo.
era uma das formiguinhas laboriosas que depois de uma tarde de preleções indubitavelmente exaustivas, soltou um suspiro quase desesperado de tanta felicidade que sentiu ao ver a fachada do prédio onde morava.
Atravessou a rua sem muita atenção, almejando adentrar a proteção daquele lugar e não falar com mais ninguém pelo restante do dia. Mas no instante em que colocou os pés na calçada, há poucos metros do portão, uma figura conhecida veio ao seu encontro, fazendo-a parar imediatamente.
- Liam? O que diabos você está fazendo aqui?
- Esperando você. Onde você estava? Eu estou aqui há quase uma hora!
- Estudando! - Meester retrucou e jogou a metade de seu material nos braços do rapaz, passou pelo portão já aberto com Payne em seu encalço, carregando uma mochila nas costas, o que era um objeto incomum para ele carregar por aí em Cambridge, mas estava cansada demais pra notar.
- Você não tem noção da cagada que eu fiz. - ele disse enquanto aguardavam o elevador.
- Pelo amor de deus não me diga que você engravidou alguém. - revirou os olhos, afadigada só de conjeturar o que de tão importante o amigo tinha a dizer que não podia ser compartilhado através de uma mensagem.
Deus, ela queria tanto tomar um banho quentinho e colocar pijamas!!
- Não, é pior do que isso.
- O que pode ser pior do que engravidar alguém, Liam? Ficar grávida? Você não pode ficar grávido então nada do que disser é tão ruim que vá me chocar.
Eles entraram no elevador assim que o pessoal que descia, saiu.
virou-se de costas para a porta, permanecendo de frente para o espelho para avaliar o grau de estrago que tanto estudo estava causando em sua bela pele.
Começava a se questionar se um diploma sequer valia aquelas bolsas debaixo dos olhos.
- Eu pensei que nós já tínhamos estabelecido que você não se impressiona fácil.- Liam foi quem apertou o botão do andar que desejavam.
- Você disse que está aqui há quase uma hora? Por que não subiu? - deixou de passar os dedos sobre a região das olheiras, e olhou para Payne, finalmente notando a mochila preta que ele carregava.
- Porque aquela vagabunda da não me deixou entrar. - Payne disse, ficando com raiva só de lembrar da petulância da garota ao afirmar que não ia permitir sua entrada porque ele significava uma ameaça ao seu bem estar.
- Eu vou matar a e vai ser hoje… - a morena resmungou cheia de rancor. - Quem ela pensa que é pra impedir os meus convidados de entrar na minha própria casa? - fechou as mãos com força, estava exausta mas sempre tinha energia pra discutir com a colega de apartamento.
- Será que vocês podem brigar depois que nós conversarmos?
- Claro que não. Nós estamos falando da minha dignidade, Liam.
- Mas o que eu tenho a dizer é importante!
- Eu duvido muito.
A porta do elevador foi aberta no andar 23 e marchou até seu apartamento, sem dar margens para Liam que já estava no limite da exasperação e acabou ficando para trás por algum momento para se equilibrar com as suas coisas e o material desorganizado da amiga.
A primeira coisa que notou foi que não estava sozinha. A sala de estar era habitada por outros estudantes da arquitetura que se debruçavam por todos os cantos, dedicados aos seus projetos físicos, diversas maquetes criativas eram montadas e o clima amigável era embalado por uma agradável playlist de clássicos universais.
Em meio a esse cenário único, e Liam permaneceram parados na porta assistindo pessoas rindo ao redor de , que sentava no chão, rodeada pelos amigos de faculdade. Aqueles seres humanos estava rindo com . Com !
- Qual é o problema dessas pessoas? - Liam cochichou no ouvido de , horrorizado.
- Eu não sei, a gente só acena e passa direito, não sabemos que tipo de doença eles têm. - a garota sussurrou de volta, sem tirar os olhos dos estranhos que começavam a notar a dupla na porta.
Westwick também percebeu a mudança de atitude dos colegas e já imaginava que fosse chamando a atenção para si toda vez que chegava em casa e tinham estranhos, ficava parada na porta olhando para as visitas como se fossem de outro planeta e depois acenava rapidamente e saia de cena, criando um mistério ridículo em torno de si.
Qual não foi sua surpresa ao ver Payne dentro do seu santuário, sorrindo debochado para ela!
- O que esse garoto está fazendo aqui? Eu pensei que tinha avisado à portaria que ele é uma ameaça para a segurança do prédio. - a ruiva levantou-se, prendendo os cabelos rebeldes no topo da cabeça.
- Uma ameaça pra segurança vou ser eu quando você impedir a entrada de um convidado meu de novo, . - Meester passou por cima de dois corpos que não se moveram para dar espaço para ela passar.
- Eu quero só ver o que você vai fazer. - a desafiou, cruzando os braços sobre o peito.
- Eu vou trazer o Louis pra passar uma tarde inteira aqui comigo, o meu grande amigo do peito!
- Você não ousaria!
- Ahhh, mas eu ousaria!
- Se você trouxer aquele idiota aqui, eu vou te matar enquanto você estiver dormindo!
Toda alma vivente naquele apartamento sentiu a espinha gelar ao ouvir a ameaça que coroou a sequência de desaforos e afrontas que as colegas de apartamento trocaram. Os convidados de dividiam-se entre os que não tinham a coragem de erguer os olhos de seus trabalhos e aqueles que não conseguiam desviar o olhar da catástrofe iminente.
Liam, por outra via, suspirou alto e atravessou a sala com as mãos cheias, ignorando completamente a zona de perigo entre Westwick e Meester, cansando do embate que existia desde que as duas aprenderam a falar.
- Eu vou estar no seu quarto. - avisou à e desapareceu do cômodo.
- Aghr, o que a via naquele imbecil? - fez uma careta de repugnância. - Meester, eu quero aquelas mãos feias longe da minha cerveja.
- Você está se referindo às cervejas que a minha mãe comprou? - Meester cerrou os olhos e cruzou os braços.
- Ela comprou pra mim. Você ouviu as palavras dela. - cansou de ficar encarando a morena, foi até a mesinha de centro e pegou um balde de pipoca.
A essa altura, os outros estudantes voltaram a suas respectivas atividades torcendo para que se dignasse a contar mais sobre o que acabaram de testemunhar.
- Ela disse que comprou para você também, . Também. - saiu resmungando sobre o seu direito de propriedade sobre a dita cerveja que nem gostava.
No quarto, Liam usava sua mesa de estudos para vasculhar a mochila e de lá tirou o carregador de seu telefone, conectando-o onde antes estava o carregador do notebook de .
- O que é isso, garoto? Que folga é essa?
- Estou com pouca bateria…
- Não, eu estou falando disso aqui. - Meester bateu a porta atrás de si e apontou para o tênis no canto da porta, junto aos seus sapatos usados na semana. - E disso aí também. - indicou a mochila desfeita, e as roupas, meias e outros artigos pessoais derramados sobre a mesinha. - O que está acontecendo, Payne?
- Ah, eu vou ter que dormir aqui. - Liam voltou a guardar sua bagunça, distraído. - Eu pensei que vocês iam demorar mais na grande briga do século que você disse que faria.
- Por que você vai dormir aqui? Ai, que saco, Liam, eu estou cansada e…
- Porque eu fui ver a e as coisas não saíram como o planejado. Eu preciso conversar e beber, nessa ordem.
fitou o amigo sem palavras para responder àquele tipo de informação. Era exasperante lidar com Payne e seus ombros caídos, aquela atitude pessimista e a necessidade de deixar todo mundo ver como ele estava infeliz. Ela tentou algumas vezes articular uma sentença à altura mas desistiu e rapidamente pensou na melhor maneira de encaixar aquele novo drama nos seus planos iniciais.
- Vamos fazer assim, você vai na cozinha, separa duas porções da lasanha congelada, coloca no microondas, separa cerveja pra você, vinho pra mim, trás tudo pra cá e enquanto isso eu tomo um banho, aí você pode me contar como diabos decidiu que era uma boa ideia mexer no que estava quieto. - determinou o cronograma dos próximos dez minutos e entrou no seu banheiro grande e arejado.
Meia hora depois a morena saiu do banheiro vestida com o seu pijama mais confortável, cabelos úmidos e agora, sem maquiagem, com terríveis olheiras cercando seus belos olhos azuis.
- Credo, qual é o problema na sua cara? - Liam, que se ocupava em tomar sua segunda cerveja enquanto revivia as memórias de mais cedo, franziu todo o rosto ao ver a real face da amiga ao final de um dia de estudos.
revirou os olhos e acomodou-se na cadeira giratória com os pés em cima do assento, ao lado da mesa improvisada para apoiar a comida e a bebida e indisposta a brigar com Liam por sua cama, pelo menos por enquanto.
- Meu problema é você, Liam. - ela resmungou e encheu sua taça com mais vinho do que a etiqueta recomendava e deu um longo gole enquanto usava a mão livre para escolher um prato. - Você não vai comer? - devorou um generoso pedaço da lasanha abarrotada de queijo.
Payne negou.
- Agora não. Não estou com fome.
- Tudo bem, e então, como foi a conversa com a ?
- Ah. - Liam bateu na própria testa e rolou pelo colchão até estar sentado com os pés para fora da cama. - Eu nem sei por onde começar…
- Pelo começo. O que você foi fazer lá, Liam? - disse entre uma garfada e outra.
- Eu não sei, eu sou um idiota. Na verdade eu fui lá porque nós não terminamos bem e eu queria saber como ela estava. Não é estranho nós nunca termos ficado tanto tempo desconectados como agora? Mesmo quando não estávamos juntos, nunca saímos completamente da vida do outro e eu pensei que estava indo bem sem ela, realmente pensei isso, mas eu a vi hoje e os sentimentos voltaram, foi como se eu nunca tivesse deixado de amá-la. Você não acha tudo isso estranho?
- Aham, principalmente porque foi você quem acabou com tudo isso.
- Agora imagina o quão complicada essa situação fica quando nós acabamos transando…
Meester colocou o garfo de volta no prato e empurrou a refeição para o lado.
- Nós quem?
- Adivinha. - Liam a encarou morbidamente.
- Ah não. - bateu a mão na mesa, incrédula. - Ah não!
- Você não tem noção de como eu me sinto sobre isso.
- Ah, eu imagino! Você foi atrás da sua ex no meio da tarde pra choramingar sobre os seus arrependimentos e ganhou uma rapidinha!
- Não foi só uma rapidinha…
- Foda-se, Liam. - a garota abanou a mão no ar, enojada pelo adendo desnecessário. - Como vocês chegaram a esse ponto? Como a quis fazer sexo com você?!
Payne suspirou impaciente e levantou, andando de um lado para o outro do quarto, ignorando o discurso de que em linhas gerais resumia-se a atestar sua imbecilidade, e em segundo plano teorizar como o ex casal chegou a tal ponto.
Quer dizer, em um momento ele estava vivendo sua vidinha, livre das importunações de Amina Ortega, saindo com outras garotas, sem drama, e aí ele foi por livre e espontânea vontade atrás de e estragou todos os seus esforços em seguir em frente porque agora ele se arrependia de ter terminado com ela.
Só deus sabe como ele conseguiu ir embora de lá sem propor uma reconciliação!
- O que diabos eu fui fazer lá??? - questionou-se em voz alta e foi surpreendido ao ver que ainda estava ali, fitando-o meditativa.
- É verdade, o que diabos você foi fazer lá. A menina está lá, vivendo a vida dela, superando você e quando tudo está bem, você vai lá e transa com ela! - migrou da poltrona para sua cama, escorando-se contra a cabeceira e cruzando as pernas.
- Não foi intencional. - Liam murmurou cheio de incerteza.
Argh, quando havia se tornado essa bagunça de sentimentos? Pelo amor de deus!
- Eu imagino que não. - Meester ainda estava chocada e agora tentava processar o tamanho do erro que os amigos cometeram. Um episódio daqueles significava voltar à estaca zero da superação. - Você é só estúpido mesmo.
- Talvez eu seja, quer dizer, não era óbvio como isso ia acabar? - o rapaz jogou-se sobre a cadeira totalmente entregue à própria infelicidade
- Você é meio convencido, sabia?
- Eu não posso mais viver assim, ! - ele levantou e recomeçou a andar agitado pelo pequeno ambiente, causando tontura em .
- Então por que vocês terminaram, Liam? - a morena parecia genuinamente interessada na questão. - Para de ficar andando assim, senta, garoto.
- Você não entenderia, você nunca esteve em um relacionamento de verdade.
- Tente me explicar.
- Quando você entra em um relacionamento existem outros fatores a serem considerados além de amor, amor não adianta de nada sem uma série de elementos, tanto sociais como questões de afinidade. - Payne começou a falar sem saber exatamente para onde estava indo. - Você está me entendendo? - franziu o cenho, confuso.
- Não, não. Chega dessa sua explicação ruim. Eu posso falar o que vejo? Você tinha um bom relacionamento com a , aquela menina é devota à você, vocês eram bons amigos, demoraram a encontrar o tom certo em todo aquele rolo mas finalmente, depois de anos, vocês ficaram juntos. As coisas não saíram como você queria e você abandonou o barco…
- Eu não abandonei…
- Shhhh, eu não terminei. Você abandonou o barco porque a situação não estava favorável. Você vai desistir toda vez que as coisas não acontecerem como você planeja? Ninguém espera que vocês fiquem juntos pra sempre mas você nem tentou consertar o problema, Liam! Simplesmente informou que estava caindo fora e pronto.
- Você não tem noção do inferno que estava sendo.
- E isso era maior do que o afeto de vocês? Não existem relacionamentos perfeitos, Liam, e você tem razão em afirmar que só amor não é o suficiente, mas está completamente errado em colocar a culpa na Amina quando os seus esforços pra encontrar um jeito de fazer as coisas funcionarem foram limitados pela sua zona de conforto.
Liam continuou calado por um bom espaço de tempo até chegar a uma conclusão sobre o rumo de sua vida naquele ano.
- Ai, meu deus. Eu sou tão estúpido. - lamentou, sentindo-se profundamente exausto e perdido em toda aquela bagunça, sem esperança e um pouco deprimido.
- Não fica assim, vai ficar tudo bem! - prometeu assim que se deu conta do mal que causou, preferia mil vezes lidar com Payne mal humorado do que a versão deprimida do garoto. - Vem aqui, senta comigo e me conta como estão indo as coisas na faculdade, aqueles idiotas ainda tentam te convencer a deixá-los viver no seu apartamento?
Ele se jogou na cama, afundando o colchão.
- Eu não quero falar disso. - puxou uma almofada de debaixo da cabeça e a abraçou.
- Do que você quer falar então? - Meester questionou com um sorrisinho.
- Sobre a .
- Oh, deus…
A menina escorregou e deitou-se também, presa em um relato detalhado demais sobre os eventos transcorridos mais cedo enquanto ela dava seu suor para conseguir um ponto extra por uma tarde de palestras.
Depois daquilo Liam continuou a trazer de volta memórias de verões passados e histórias de uma época onde ninguém imaginava que ele e andavam ficando.
ficou surpresa com o quanto não sabia e algumas garrafas de vinho depois, Payne havia esgotado seu estoque de narrativas e praticamente se arrastou até o sofá na sala, bêbado demais para sentir medo de estar ao alcance das mãos demoníacas de , e dormiu como um bebê.


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O ar era inspirado profundamente e expirado lentamente pois o rapaz tentava recuperar o fôlego, ainda podia sentir seus músculos tremerem e o suor que havia se formado por todo seu rosto e nuca escorrer, evidenciando o esforço físico antes feito.
Ainda de olhos fechados sentiu o colchão balançar e voltou o rosto para ela, a fim de acompanhar seu elegante caminhar pelo quarto, ainda nua, encaminhando-se ao banheiro. O moreno colocou as mãos atrás da cabeça e voltou a fechar os olhos verdes, ouvindo o chuveiro sendo ligado.
Se este fosse um mundo perfeito, se aquela fosse a realidade correta, ele adentraria o banheiro sorrateiramente, a assistiria se ensaboar por alguns minutos para então permitir-se ser notado, pegaria o sabonete das mãos dela, a ensaboaria, lavaria seus cabelos negros com o shampoo, beijaria todo seu corpo molhado e a levaria de volta para a cama, onde começariam tudo de novo.
Um suspiro alto escapou por entre os lábios de Harry e ele levantou-se a contragosto, procurando suas peças de roupa pelo chão e por cima dos móveis. Teve uma dificuldade maior em encontrar a camiseta e quando finalmente a achou percebeu que tinha apenas uma meia em mãos. Ajoelhou-se no chão a fim de procurar embaixo da cama, olhou dentro dos sapatos para ter certeza que ela não estava perdida ali, fez uma inspeção geral no quarto e nada.
A porta do banheiro abriu e apareceu de toalha e com os cabelos molhados.
- Oh, você ainda está aqui. - seu tom surpreso e de falso desgosto incentivou Styles em sua busca pela meia perdida.
- Não estou encontrando uma das minh… - o rapaz nem terminou de falar quando garota balançou entre os dedos um único de pé de meia branca. - Obrigado.
Terminou de abotoar as calças e foi até a mesa de estudos pegar sua carteira, celular e chave do carro, sua atenção no entanto foi atraída para um envelope de carta, branco, contendo apenas o nome do Meester. Seus olhos curiosos encararam o envelope por alguns segundos e Harry até mesmo esqueceu de pegar seus pertences sobre a mesa.
notou onde a atenção do rapaz estava focada e colocou-se entre ele e a carta: - Que foi? - questionou mirando-o, fingindo falta de entendimento e agarrou o envelope branco, escondendo-o atrás de seu corpo e levou-o para até seu criado mudo, guardando-o na última gaveta.
- O que é isso? - o menino perguntou, estranhando a reação evasiva da morena.
- Nada demais. Só a minha correspondência. - deu de ombros, não dando muita importância para o assunto e buscou no banheiro sua escova para pentear seus cabelos.
Já era a terceira carta recebida e cada vez que uma nova chegava sentia-se dividida entre achar muito bizarro ou muito romântico.
Ao voltar para o quarto, Harry estava sentado em sua cama calçando as meias e os sapatos. Já havia se acostumado com a presença do rapaz em seu quarto em Cambridge. Quando ele não estava ali o cômodo a lembrava apenas de suas responsabilidades na faculdade, todavia era só Styles aparecer que aquelas quatro paredes ficavam mais divertidas.
O garoto levantou-se, certificando-se de que não esquecera nada e ao colocar seus olhos verdes sobre a menina, a encontrou divagando, com o olhar fixo no nada e um sorriso suave nos lábios.
- Bem - falou a fim de tirá-la do transe - , você acha que eu posso sair? - indicava a porta com o polegar, e indagava devido a possível presença de Westwick no apartamento.
- Sim, a saiu para estudar na biblioteca da universidade. - confirmava com a cabeça, segurando a toalha que já se afrouxava em seu corpo.
- Está bem… - falava desconfortável. Afinal a hora da despedida era sempre estranha e nenhum dos dois sabia como reagir. - A gente se vê na próxima. - deu as costas para Meester e caminhou até a porta, contudo a voz da garota o impediu de deixar o recinto.
- Harry. - ela o chamou, caminhando até ele - É… eu sei em que semana nós estamos e quando… quando o dia chegar, s-se você precisar de alguma coisa é só me ligar.
O dia dezenove de março nunca mais seria o mesmo para Styles, pois foi naquele dia que o mundo se despediu da atriz Anne Cox enquanto Harry se despedia de sua mãe.
Um suspiro pesado rasgou a garganta do rapaz que ficou surpreso por descobrir que não apenas lembrava da data, mas também estaria lá por ele.
- Obrigado. - sorriu cerrado, abrindo os braços para envolvê-la em um abraço que nenhum dos dois teve coragem de quebrar, por um longo tempo.
Meester afastou-se apenas o suficiente para conseguir beijar os lábios do menino de coração acelerado e não soube dizer se sua toalha simplesmente caiu ou foi puxada mas não importou-se por ser coberta novamente pelo corpo quente de Harry.


ooo


A menina, concentrada em seu livro, nem percebia que suas sobrancelhas juntas e olhar compenetrado, devido a narrativa misteriosa, a faziam parecer brava.
Mantinha-se encolhida na grande poltrona verde e devorava cada página o mais rápido que podia, pois faltavam apenas alguns capítulos para o final, a tensão estava alta e ela finalmente desvendaria o problema!
Não muito distante dela, seu namorado ocupava a mesa de estudo, tentando focar-se na resenha que precisava fazer. Todavia achava engraçado a expressão austera da loira.
Niall deixou a caneta cair em cima de um dos livros que lia e afastou-se do computador, recostando-se no encosto da cadeira giratória, dedicando aqueles minutos no tempo para apenas observando , admirar sua face perfeita e seus cabelos sedosos que o instigavam a aproximar-se a fim de inalar seu perfume, já conhecido pelo rapaz.
Horan levantou-se e caminhou até a menina, que não alterou sua posição devido a aproximação e permaneceu focada em sua leitura. O irlandês parou a sua frente com as mãos na cintura, bolando o próximo passo. E quando deu por si estava nos braços do namorado, sendo levada para a cama.
- O meu livro! - foi tudo o que Styles disse, encarando por cima do ombro dele o livro fechado sobre a poltrona.
- Depois você lê. - soltou uma risada.
- Mas foi tudo tão rápido - falava enquanto ele a repousava sobre a cama, cuidadosamente - que eu nem marquei a página que eu tava. - choramingou, vendo-o deitar-se ao seu lado e aninhar-se em seus braços.
- Você acha depois. - suspirou alto, satisfeito por ter encontrado rapidamente a solução para aquele problema.
- Você quem deveria procurar. - reclamou sem estar brava de verdade. Afinal preferia estar deitada ali com Niall a ler mais a respeito das aventuras que tanto gostava.
- Eu acho a página que você estava agora mesmo! - informou, apoiando-se sobre o cotovelo - Mas ai vou aproveitar o caminho e voltar para o meu trabalho.
- Isso foi uma ameaça? - cerrou os olhos, analisando as entrelinhas daquela declaração.
- Será? - Niall a imitou e os dois se encararam por alguns segundos até a loira rir e o irlandês rolar com ela sobre o colchão, fazendo-a deitar-se em seu peito - Eu só estava tentando te amar e é assim que você me retribui? - suspirou, fingindo decepção - Reclamando!
- Você ia demonstrar amor contando o seu plano a tempo de eu marcar a página do livro! Depois disso era só me jogar no seus braços e me entregar para o fogo dessa paixão! - falava de olhos fechados, dramática como a personagem principal de um romance drástico.
O garoto riu, virando-se na cama a fim de ficar de frente para sua pequena atriz e pegou uma mecha daqueles longos fios dourados, enrolando-a em seus dedos e beijou a bochecha da garota que sorria ansiosa para o desfecho daquela deliciosa interação.
Seus lábios se tocaram tão cuidadosamente que Styles fechou os olhos sentindo um arrepio percorrer sua espinha, fazendo os pelos de sua nuca se eriçarem. A menina rolou pelo cama, acomodando as costas no colchão confortável e levou o namorado consigo, que não interrompeu o beijo tranquilo e com suas mãos sagazes, encontrou o caminho até a cintura da loira acariciando-o lentamente.
A camiseta que usava não demonstrava ser uma grande barreira e esta logo foi transpassada, permitindo que os dedos do garoto acariciassem a pele sob eles. Pode senti-la sorrir durante o beijo e seu coração derreteu, fazendo-o também sorrir e ser tomado por uma ideia maligna.
Apertou os dedos ao redor da cintura dela que teve um sobressalto, tomada pelo pânico do possível ataque de cócegas.
- Você não faria isso! - exclamou com os olhos arregalados. Alguns dos fios de seu cabelo estavam eriçados e suas bochechas coradas demonstravam seu pavor.
Simplesmente perfeita! Foi o pensamento de Niall ao rir da perplexidade da namorada.
- Ah… Você sabe que eu faria. - aproximou os lábios dos dela, mais uma vez, conseguindo distraí-la para fazer cócegas de novo e tê-la se contorcendo embaixo de si.
- Niall! - gritava escandalosa - Para. Por favor!
O rapaz apiedou-se do sofrimento da loira e cessou o ataque, assistindo-a ofegante devido as risadas e as grandes doses de adrenalina.
- Meu deus! - Horan disse pasmo, com os olhos fixos na barriga descoberta da menina, que levantou a cabeça preocupada com o que ele havia encontrado - Que umbigo perfeito - afundou o rosto na barriga dela, que tentava o empurrar para longe, mas sem forças devido o grande esforço de sobreviver durante o ataque de cócegas.
- Sai de mim. - mandou risonha, assistindo-o beijar toda a pele avermelhada, originada dos apertos que o irlandês havia dado. - Eu não aceito seu perdão.
- Deixa de ser rancorosa. - fez uma careta, logo voltando a beijá-la.
- Você acha mesmo que merece que…
foi interrompida pelo celular do rapaz, que começou a tocar sobre o criado mudo ao lado da cama. Esticou o braço para alcançá-lo, no entanto foi impedida pelo menino que rapidamente se levantou e afastou-se para responder a ligação.
- Alô? - Niall falou, entrando em um longo silêncio, ouvindo atentamente o que lhe era falado. - Tudo bem. Claro! - confirmava com a cabeça concordando com o que a outra pessoa lhe falava - Depois a gente fala sobre isso direito, okay? Tchau.
Jogou o celular sobre a poltrona que antes era ocupada por Styles e voltou-se para a garota que o observava atentamente em silêncio.
- Onde estávamos? - caminhava lentamente até a cama, esbanjando charme barato, a fim de fazê-la rir, mas tudo o que conseguiu em troca foi um olhar austero.
- Quem era? - questionou sentando-se sobre o colchão, enquanto Horan pulava sobre ele.
- Ninguém. - deu de ombros, fazendo-a deitar novamente, para logo afastar os cabelos dela e salivar ao avistar seu pescoço que clamava pelos lábios dele.
- Que engraçado… Eu não sabia que você tinha o costume de falar sozinho no telefone.
O garoto suspirou alto, rolando para o lado e deitando-se na cama, passando as mãos no rosto, ciente do que vinha a seguir enquanto se esforçava para ter paciência e não transformar o diálogo em uma discussão.
- Quem era, Niall? - a pergunta foi refeita, martelando a mente do menino de forma dolorosa.
- Eu já falei, ninguém! - apesar de querer manter a calma, sua voz saiu um pouco mais irritada do que o desejado. - Ninguém importante. - falou após uma pausa para acalmar-se.
- Por que você simplesmente não pode falar quem é? - a garota ajoelhou-se sobre o colchão, mirando-o aflita e pesarosa - Por que você nunca responde as minhas perguntas? Por que você sempre é evasivo? - falava baixo, sentindo o peso daquela tortura em cada músculo de seu corpo, que tremia cansado. - O que está acontecendo com a gente, Niall?
O irlandês levantou-se a fim de caminhar pelo quarto e conseguir, através do exercício, manter sua mente distraída das coisas horríveis que sempre falava quando se via envolvido em uma briga com .
Ambos haviam caído naquela armadilha, a desconfiança que crescia dia após dia e os consumia por inteiro, nunca permitindo que um fosse completamente entregue ao outro. E tanto Horan quanto Styles não conseguiam fugir, se libertar das garras daquela emboscada, porque o amor que sustentavam um pelo outro era maior que aquele martírio.
Todavia, esse sentimento era posto a prova tantas vezes que começava a desfalecer e ambos repartiam o mesmo medo de assisti-lo morrer a míngua.
Sabiam que não conseguiriam seguir em frente em tais condições, contudo o medo de admitir era maior que coragem de enfrentar o grande problema. Sabiam que seus sonhos não poderiam ser construídos sobre aquele solo instável, todavia continuavam se enganando.
A desconfiança os destruía e ambos estavam de mãos atadas.
-Por que você nunca consegue ver o que está fazendo comigo quando não acredita em uma única palavra que eu falo? - Niall assumiu a postura magoada da menina, expondo suas aflições à ela.
- Porque é muito difícil acreditar que não era ninguém no telefone. Ou que você simplesmente chegou atrasado, todas as vezes. Ou que você simplesmente estava por aí, nas festas, quando está sumido por horas! - a loira também saiu da cama, ficando de pé a frente do mais velho, desesperada por respostas.
- Meu deus, lá vamos nós de novo… - sua cabeça pendeu para trás, sem coragem de enfrentar a mesma discussão pela qual passavam nos últimos mesmo - Você não vê que isso está nos matando aos poucos, ?! Você não vê que assim como você eu também sofro por isso?
- Então me fala a verdade!
- Não tem verdade, ! Era só o seu irmão no telefone, como eu disse ninguém importante. Eu de fato sempre estou atrasado, porque tenho um milhão de coisas para fazer. E nós sempre ficamos separados nas festa… desde sempre! Você fica com seus amigos e eu com os meus! Sempre foi assim. Por que agora eu mentiria? Você sabe que eu nunca menti para você.
- Você mentiu para mim por um ano e meio!
- Isso foi diferente. - com o dedo em riste falou pausadamente - Aquele não era o meu segredo para eu te contar. Eu não tinha o direito.
- Você não tinha o direito de participar daquela sujeira, isso sim! - falou alto.
- Meu deus, ! Isso aconteceu a quase um ano atrás. Supera! - aconselhou sarcástico, dando a discussão por encerrada e voltando para seu estudo. - Vai ler o seu livro que eu tenho que terminar o meu trabalho.
- Eu não confio em você, Niall. - a menina falou, vendo-o afastar-se dela em direção a mesa de estudo.
O rapaz voltou-se para ela e a garota pode citar sua expressão consternada e amarga.
- Não dá para continuar assim. - o loiro declarou após alguns segundos e Styles o encarou chocada. - Nós precisamos… precisamos de um tempo. - determinou severo, mesmo que não tivesse certeza da própria decisão. - Precisamos pensar um pouco, colocar as coisas em ordem e depois conversar.
- Então é isso? - com o cenho franzido e as sobrancelhas juntas, deu de ombros, cansada. - Vai acabar assim?
- Nós não acabamos, . - aproximou-se dela que recuou um passo ao vê-lo estender a mão para tocá-la. Notando o receio da menina, Horan permaneceu imóvel, respeitando o espaço dela - Eu só acho que seria bom se nós déssemos um tempo para pensar e entender o que está acontecendo.
- Tudo bem, Niall. Depois nós conversamos, então. - disse magoada, procurando pelo chão os tênis.
Calçou os sapatos rapidamente, sem amarrar seus cadarços, a fim de pegar seus pertences espalhados pelo quarto o mais rápido possível e fugir daquele quarto, daquela casa, de Niall.
Queria estar o mais longe possível Niall o quanto antes.
E ao ouvi-lo oferecer uma carona, respondeu depressa que não seria necessário e correu para fora do cômodo, desesperada para sair dali.

Capítulo 9

Zayn passou pela semana mais angustiante do ano, pois depois de entregar-se de corpo e alma ao amor de sua vida, foram obrigados a separar-se graças à cruel interferência de suas inconvenientes vidas acadêmicas. O garoto estava mais ansioso do que nunca para estar com novamente, ouvir mais histórias absurdas, levá-la para comer e beijá-la mais uma vez só para garantir que aquilo era real.
Entretanto, ele era uma pessoa ansiosa e um tanto quanto pessimista, por isso, quando Hilton passou a responder suas mensagens sem tanto entusiasmo ou demorar o triplo do tempo usual para entrar em contato, Malik não pode evitar ficar alarmado. O que precedeu a visita surpresa que estava fazendo nesse momento para .
Em um a mão carregava o presente de aniversário dela, uma coleção comemorativa com os cinco contos mais famosos da série Goosebumps, capas originais e uma caixa para colecionadores; e na outra o champanhe favorito deles. Deu uma batida suave na porta do quarto dela e entrou após ouvir a sutil resposta.
- Zayn?!
deu um salto da poltrona onde estava aconchegada, e derrubou o livro que lia, tropeçou na manta que cobria suas pernas e a mergulhou em sua xícara de chá que repousava na mesinha de apoio. Como diabos conseguiu causar tamanho estrago em tão pouco tempo?
- Merda. Merda. Merda. – ela xingou nervosamente enquanto pensava por onde começar a desfazer a bagunça.
- Meu deus, loira. Você vai se matar uma hora dessas! – Malik largou os presentes na cama e foi até pegou o gasto exemplar de Moby Dick, jogando-o na poltrona e então segurando os braços de , checando seu bem estar físico. - Você está bem?
acenou repetidamente e assim que Zayn a soltou, tratou de retirar o tecido ensopado de chá e enrolá-lo até que estivesse bem protegido e assim não apresentasse um risco ao carpete. Isso e o anseio para não estar sob a mira do olhar do visitante inesperado a guiaram para o banheiro com a manta suja e se recompor porque estava lívida e despreparada para falar com ele.
Foi até a pia e lavou as mãos vigorosamente, notou que elas tremiam. Mas que droga! Odiava o efeito da presença de Zayn sobre ela! Odiava como perdia a compostura ou como facilmente arriscaria sua paz e sanidade por algumas horas ao lado dele, ou como seu bom senso se esvaia e tudo o que restava era uma certeza desfundamentada e irracional de que ele era sua pessoa certa.
- Quem consegue ser um perigo tão grande estando sentada, apenas lendo um livro e tomando um chá? - o objeto de seus pensamentos se materializou na porta, apoiado casualmente contra o batente.
- Pois é, eu consigo fazer cada estupidez… - sorriu um sorriso agitado e desligou a torneira, percebendo que para voltar para o quarto teria que passar por Zayn, e passar por ele de mãos vazias podia significar acabar em seus braços, ela olhou rapidamente pelo banheiro, ainda de costas para o moreno e agarrou a manta suja, levando-a mais uma vez para o quarto.
- O que você vai fazer com isso, ? - Zayn juntou as sobrancelhas e a acompanhou instigado por curiosidade, tanto em relação ao projeto de Hilton para o pano como para entender porque ela não olhava para ele.
- Ahn… - a modelo mordeu o lábio, procurando uma boa resposta. O que ia fazer com aquilo??? - Pra secar o resto do chá. - improvisou.
Zayn olhou para a mesinha que estava seca, e virou-se para a loira, embasbacado:
- O chá que está na xícara?
- É. Assim nós evitamos mais acidentes. - também olhava para a mesa, decidida a usar a manta para sugar o restante do chá e evitar outro acidente. Não era sua ideia mais inteligente, ela admitia, mas era o que havia.
- , essa não é uma boa ideia, querida. - Malik tomou o pano das mãos de e segurou as mãos dela nas suas, parecendo preocupado. Mas ela não parou de falar:
- Claro que é, eu só preciso…
- Vem aqui. Está tudo bem? Você parece estressada.
A guiou até a poltrona onde esteve sentada até sua chegada e abaixou-se para ficar à altura dela. o olhava cheia de culpa pelo o que faria a seguir e quanto mais atencioso e prestativo ele ficava, mais difícil era para ela dar um fim ao curto conto de fadas deles.
Estava prestes a jogar tudo para o alto e simplesmente aproveitar a noite com Zayn e deixar a despedida para outro dia mas o garoto levantou e apoiou as mãos nos quadris, ressabiado com toda aquela encenação atípica.
- O que aconteceu, ?
- Nós precisamos conversar. - disse baixinho.
A pulsação do coração de Zayn ficou tão forte que ribombava por todo seu peito, trazendo a sensação das batidas até sua garganta, que parecia recolher-se, tornando sua respiração pesada e difícil.
Nada de bom poderia vir através de um comunicado daqueles, absolutamente nada. E nem chegou a dizer as péssimas notícias que tinha para ele juntar as peças do quebra-cabeça infernal que foi a semana seguinte à tarde chuvosa em que entrou em seu quarto e bagunçou sua cabeça em níveis profundos, todas as respostas evasivas, a agenda incrivelmente lotada e as ligações não atendidas o levavam a pior das conclusões.
- Zayn, nós não podemos continuar com isso. Eu não posso mais.
- Continuar com o quê?
- Nós não podemos ficar juntos, não como um casal.
- , olha pra mim. - Zayn levou as mãos entrelaçadas à boca, esperando que a ex namorada se dignasse a olhar para ele. Quando ela o fez, os olhos castanhos estavam límpidos por causa das lágrimas que ameaçavam cair. - Você não está fazendo sentido. Me diz o que aconteceu, conversa comigo, loira. Não me deixa no escuro.- suplicou
- Eu acho que nós devemos voltar a sermos amigos e apenas isso. - disse por fim a verdade que escondia em seu coração.
- Nem fodendo! Por que diabos você está sugerindo isso? - Zayn a olhava como se fosse louca em sequer sugerir uma barbaridade daquelas. Ele jamais conseguiria aceitar viver ao redor de para sempre de maneira platônica e pensou que já haviam esclarecido aquela questão, então se tornava frustrante voltarem àquela velha página de Hilton incapaz de manter uma decisão.
levantou e foi até a porta da varanda, arreganhando-a para que pudesse respirar um ar puro e encontrar a si mesma, voltar à sua essência e sufocar aquele monstro confuso, irritado e cheio de emoções que ela virava quando o assunto era Malik. Todavia, foi só olhar para Zayn e ela já tinha perdido a cabeça de novo, argumentando sem importar-se com o fato de que aquela conversa ecoava por toda a casa.
- Porque desse jeito nós funcionamos, Zayn! Nós já tentamos e fracassamos como um casal, mas a nossa amizade estava indo tão bem, tudo estava perfeito e eu não quero perder isso.
- Você não confia em mim?
- Não é uma questão de confiança, Zayn. É só que eu conheço você. - argumentou mas não teve resposta alguma. Malik a fitava, inescrutável. - Fala alguma coisa, por favor.
- Eu te avisei que nós não continuaríamos amigos, . - o bad boy declarou solenemente e sua postura sempre confiante e relaxada ao redor de Hilton agora era arisca e cismada.
- Você não pode estar falando sério… - tentou se aproximar dele, buscar convencê-lo a ser racional mas o moreno se afastou dela como quem fugia do fogo do inferno. E aquele pequeno gesto doeu em seu coração.
- Você é quem parece estar de palhaçada com a minha cara! - Zayn estava tão bravo que poderia sair dali e ir direto para a casa de seu pai e enfrentá-lo com a coragem que nunca teve. - Puta que pariu, ! Eu não posso acreditar que você tem a coragem de propor uma coisa dessa.
- A pergunta aqui é por que não podemos continuar amigos?
- Porque eu não quero ser o seu amiguinho! Eu sempre deixei isso muito claro! Se precisasse de um amigo, ia atrás do Liam, e até mesmo da , se eu estivesse muito desesperado.
segurou as mãos ansiosas para evitar que ficassem tocando nos objetos e acabasse por quebrar algo de tão nervosa que estava. Por que Zayn não podia ajudar a tornar aquele processo menos doloroso pra eles? Até parecia que foi mais fácil da primeira vez...
O quarto era pequeno demais para o estresse e a tensão que corria solta, Malik andava de um lado para o outro, à beira de um colapso emocional e embora transparecesse tranquilidade, ela era acometida o tempo todo por fortes náuseas e lutava a cada instante contra a exaltação de suas emoções.
- Você está arrependida porque aconteceu algo semana passada, é isso? Eu te machuquei? Fui rude demais? É isso? Eu sei que foi a sua primeira vez, mas você... - Zayn perguntou pausadamente e prendeu a respiração para não perder a resposta de , porque ele jurava a si que se houvesse machucado-a, jamais se perdoaria.
- Eu não sei de onde você tirou essa informação sobre a minha virgindade mas não foi a minha primeira vez, Zayn. O sexo foi perfeito, o que eu temo é o que vem depois disso, a minha infelicidade porque você não pode ou não quer se comprometer, você propositalmente sabotando a si mesmo, as brigas, a demora em aceitar que acabou, e o sofrimento sem fim quando nós nos separamos. Eu não quero nunca mais passar por aquele martírio que foi ter que superar você. - a garota explicou suas razões mas tudo o que o bad boy ouviu foi a revelação da mentira contada na cama, quando eles estiveram conectados como nunca antes, ou foi o que ele pensou na época.
- Você não era virgem? Por que você disse que era? Eu já estava aqui me torturando, achando que tinha te machucado!
- Eu nunca disse nada. Você assumiu.
- E você concordou!
- O que você esperava que eu fizesse, hein? Parasse o que estávamos fazendo pra te contar tudo o que eu já fiz e com quem fiz? Eu tenho certeza que isso ia fazer maravilhas pelo clima!
- Eu não sei. Não sei mais de nada. Você me envia sinais confusos o tempo todo! Diz que tem nojo de mim e então me manda mensagens de madrugada, fala que nós somos só amigos mas me leva como seu acompanhante pra todo lugar, repete que nós somos amigos mais uma vez só para confirmar e então me deixa te beijar, transar com você! Transar com você! Pra dizer na semana seguinte que se arrepende! Eu não aguento mais isso, .
Desse jeito não dá!
As duras palavras do rapaz a magoavam e apesar de saber que aquele problema podia ser rapidamente resolvido, não conseguia decidir-se entre se entregar para Zayn, ou manter sua sugestão de permanecerem amigos.
O temor que a manipulava era o retorno de todas as brigas, decepções e noites mal dormidas. Amava demais aquele idiota para suportar perdê-lo mais uma vez. Sabia que precisavam apenas superar o ocorrido, permanecerem amigos, e assim, não serem consumidos pelas incertezas de um relacionamento
- Não existe confusão alguma, Zayn. Nós somos apenas amigos, é o que sempre fomos. - mentiu para dar um fim aquela tortura que era abrir mão de Zayn.
- Ah, então é um costume seu transar com os seus amigos? Porque eu definitivamente não transo com os meus amigos. Eu devo assumir que você e o Niall já transaram? A faz alguma ideia disso? Você planeja selar sua amizade com o Harry, o Liam e o Louis também? Tem mais alguém com quem eu deva me preocupar?
- Não! Claro que não! - negou veementemente - Foi só com você, e como eu falei, foi um erro.
- Você não parecia achar errado enquanto eu chupava você, ou quando você segurou meu pau na sua mão, não é mesmo? Como foi que você disse semana passada? "Nós sempre fomos mais que isso". O que você quis dizer, ?
- Eu não estava pensando direito.
- Obviamente. Porque eu não vou ser seu amigo e não vou andar por aí fodendo você. O que vai acontecer é que eu vou sair daqui, fingir que nunca te amei e esquecer que você existe até eu me livrar dessa doença que está me comendo vivo.
- Nós não precisamos nos afastar, podemos deixar o que passou no passado e seguir em frente. Eu posso fingir que nada aconteceu, você não?
Após a ousada declaração, Zayn atravessou o quarto tomado de fúria até que estava face a face com , que respirava ofegante por causa da mera proximidade de seus corpos. Ele tocou o nariz arrebitado de com o seu, relembrando a textura da pele dela e suspirou fundo, respirando o perfume do garoto e revivendo dezenas de outras memórias que procederam à essência dele.
Malik levou a mão até os cabelos presos da modelo e os tocou com cuidado, mantendo o olhos nos dela, evocando a atração física entre eles, lambeu os lábios e fechou os olhos e entreabriu os seus, pronta para ser reclamada por Zayn, para entregar-se uma vez mais àquele garoto a quem desejava intensamente. Mas nada aconteceu e ela se obrigou a abrir os olhos.
Malik levou os lábios à orelha de e disse:
- Mentirosa. Eu estou vendo nos seus olhos que você não consegue esquecer o que aconteceu entre nós.
- Vai embora, Zayn. - a menina pediu baixinho, sentindo-se à beira das lágrimas. Um passo em falso e ela estaria chorando incontrolavelmente na frente de Zayn, parecendo mais patética do que já se sentia aquela altura.
- Não precisa pedir duas vezes, Hilton. - Zayn se afastou dela e atravessou o quarto sem pressa, aceitando em seu coração a derrota absoluta que sofreu ali, suportando o amargor da saudade que já o assolava, embora fosse ínfima comparada à raiva que sentia no momento.
Raiva de si mesmo por ter cedido ao seu desejo por na semana passada, o que o levou a ter que tirar por completo de sua vida, raiva da garota porque via nela o mesmo sentimento que alimentava porém ela covardemente negava a si mesma, raiva do seu pai que era o responsável pelo ser humano fodido que ele se tornou, raiva da sua mãe por nunca ter tomado partido por ele, e uma raiva generalizada do mundo por se encarregar de frustrar cada pequena alegria em sua vida sem sentido.
- Ah, mais uma coisinha. - ele virou para trás antes de fechar a porta: - Eu desejo do fundo do meu coração que você vá se foder.


ooo


- Toc, toc. - Harry deu duas batidas na porta branca e esperou por uma resposta lá de dentro em meio a uma risadinha incontrolável por causa de sua própria gracinha.
- Pode entrar! - a dona do quarto gritou, concedendo-lhe permissão de entrada.
Styles abriu a porta mas não entrou. Aproximou a boca da porta e perguntou:
- Você está vestida?
- Porque eu diria pra você entrar se não estivesse? Oi, Hazz. - Ortega arreganhou a porta de seu quarto. Ostentava um sorrisinho de quem não ia admitir que achava as palhaçadas de Styles engraçadas, e afastou o bastante para o garoto de cachinhos entrar todo tranquilo.
- Meu deus, como esse quarto está quente! Você está doente, Betty? - ele deu um beijo em sua bochecha e foi direto para a varanda, onde a brisa morna da tarde era mais reconfortante do que aquela sauna onde a caçulinha descansava.
pegou seu copo de limonada e acompanhou o amigo lá fora. Mal podia esperar pela chegada da princesinha Styles para as duas caírem na piscina depois de copiarem o trabalho que emprestou mais cedo na aula.
- O que você precisa? Cadê a ?
- Ela não te avisou? Vai se atrasar um pouco, o que na linguagem normal significa umas duas horas, então eu vim logo. O seu primo chamou a gente pra usar a piscina.
- A gente quem? - Ortega franziu o cenho e os dois apoiaram os braços no balaustre da varanda e ficaram observando alguns trabalhadores da equipe de jardinagem carregar uma árvore adulta para ser plantada lá atrás.
- O Tommo e eu. Ele já está lá embaixo ajudando o Zayn com as bolas. - Styles tomou um longo gole da bebida refrescante. Estava vestido de short e regata daquele tecido leve de roupas de academia porém estava ansioso para se livrar do tênis e das meias e substituir o calor que o abraçava pela água fria.
- O Lou está aí?! - arregalou os olhos. - Ele veio só? E a Angelique?
- Deve estar em Oxford sendo a estudante perfeita que ela é. - Harry deu de ombros.
- Você acha que esse relacionamento é sério? Quer dizer, aquela menina é perfeita mas...
- O Louis acha que está levando muito a sério.
- Acha?
- Bem, você sabe como é. Ele está fisicamente com a Angelique mas fica mandando mensagens pra , ligou pra ela no aniversário dela, eles trocam farpas o tempo todo e ele parece gostar mais disso do que estar bem com a atual namorada.
- Tem uma música do John Mayer que sempre me lembra a situação deles, - passou a associar a melodia de Comfortable a jornada do casal que terminou mas não largavam do pé um do outro. Por questões de romantismo ela gostava de pensar que Louis ainda amava e quando Angelique entrou na equação quase teve um ataque, com medo de que os acontecimentos fossem fruto de sua imaginação tornando-se realidade porque senão ela estava muito ferrada já que a música atual sua e de Liam era Dreaming With a Broken Heart. - Será que um dia a vai perdoar o Louis e eles vão ter o felizes para sempre deles?
- Claro que não, o mundo vai acabar antes daquela louca dar o braço a torcer.
- É verdade... A insiste em afirmar que eles só precisam de um empurrãozinho mas não tem coragem de interferir na vida da .
- E o que você acha disso, Orteguinha? - Harry apoiou-se de costas para o quintal e cruzou os braços sobre o peito.
- Eu acho que ela está certa em não se meter nos assuntos da , ela nunca vai conseguir superar o Louis se não tiver espaço dele.
Uh-oh. Harry achava aquela resistência toda um péssimo sinal. Quem precisava superar quando podia afundar de vez na bagunça já criada?
- É por isso que você não vê mais o Liam? - ele cutucou a caçula com o cotovelo.
- Exatamente. - concordou, honesta, e assim encerrou as gracinhas sobre o tema.
- Vocês terminaram mesmo, hein. Quer dizer, eu esperava que à essa altura vocês já estivessem de volta e tudo o mais.
- O Liam é um idiota e eu não posso impedi-lo de ser estúpido. Mas enfim, e como vai a sua vida amorosa, Hazz?
A mudança de assunto não passou despercebida, todavia Harry tinha um motivo para estar ali e aproveitou a deixa para expor seu pedido. Só precisava explicar tudo com calma e não se perder em enrolações e tudo daria certo, sua função ali era fazer acreditar em seu sonho e ajudá-lo a se tornar realidade.
- Posso te contar uma coisa? Eu estou apaixonado. - confidenciou.
- Uau! Isso é incrível, Harry! Por quem? - até abraçaria o rapaz se não estivesse tão quente. Por isso se limitou a apertar seu braço, parabenizando-o pelo acontecimento, afinal de contas se apaixonar era uma maravilha até você descobrir os efeitos colaterais que incluíam corações partidos, perda de fé na humanidade e extrema sensação de solidão.
Todavia, a felicidade de Ortega durou até saber quem era o alvo da afeição de Harry.
- Pela .
- Oh, Harry. Isso é uma péssima ideia. - se fechou completamente à ideia.
- Você precisa acreditar em mim, , eu juro por tudo o que é sagrado que eu estou falando sério. - Harry adiantou-se na direção da amiga que se dirigia para dentro do quarto novamente, claramente pronta para expulsá-lo dali.
A morena parou de caminhar e encarou Harry sem o ar da graça, decidindo se deveria ouvi-lo ou não.
- Explique-se melhor, por favor. Já faz mais de um ano que vocês não estão mais juntos e desde então vocês dois já seguiram em frente, se superaram, ficaram com outras pessoas, o que me leva a suspeitar que você pode estar só entediado.
- Eu nunca superei a . - Harry admitiu. - Nós terminamos mas o sentimento nunca morreu de verdade e ultimamente nós temos nos encontrado e eu só fico mais certo de que a quero de volta mas você conhece a sua amiga, mesmo que houvesse uma chance ela negaria, eu poderia fazer o discurso mais convincente que já existiu e ainda sim receberia um não.
- Ela tem mesmo esse jeitinho único… - foi a vez de encolher os ombros, sem ter como defender o comportamento de .
- Você precisa me ajudar, ! - ele implorou, desesperado.
- Claro que não! A vai me agredir se eu sequer mencionar seu nome. E que história é esse de que vocês têm se encontrando? Vocês estão saindo? - apoiou as mãos na cintura.
- Ah, nas festas por aí, você sabe como é.
- E sobre o quê vocês conversam?
- Sobre como ser universitário é uma merda. - Styles mentiu sem hesitar pois era mais fácil justificar aquilo do que relatar os pormenores das "conversas" entre ele e a Srta. Meester.
- E isso te fez se apaixonar por ela? - a caçulinha não parecia convencida.
Esse talvez fosse o momento perfeito para explicar ao cacheado que talvez não tivesse tempo para pensar nele já que sua vida amorosa era mais agitada do que um barquinho no meio de uma tempestade no oceano.
- Basicamente. - Harry admitiu e pegou as mãos de : - E o que eu preciso de você é uma conversa honesta com a sua melhor amiga, embebeda ela e depois pergunta sobre mim, descobrir se existe alguma chance, se há algo que eu possa fazer para conquistá-la.
- E depois?
- Bom, eu aconselho você a preparar duas caixas: a caixa da alegria e a caixa da tristeza. Depois que vocês conversarem você vai me ver com a caixa da alegria se a resposta for positiva e nós vamos comemorar e bolar um bom plano, se a resposta for negativa, nós vamos usar a caixa da tristeza e nos embebedar e pensar num plano pra eu recuperar minha sanidade mental.
- Meu deus, Harry, que exagero. - revirou os olhos verdes, cedendo pouco a pouco ao entusiasmo que poder de reviravolta daquela informação.
- Então, você vai me ajudar?
- Eu vou falar com ela, mas não posso prometer nada.
Harry abraçou a menina e a rodopiou pelo ar, completamente revigorado com a chama de esperança que acendeu em si. Ninguém melhor do que a própria para desbravar os caminhos daquele pequeno coração gelado da garota que amava.
- Você é a melhor garota do mundo! - assegurou assim que a soltou, dirigindo-se à saída da caverna de antes que os garotos viessem atrás dele.
- Eu gostaria de ouvir mais sobre isso… - Orteguinha resmungou enquanto Styles saía todo animado e bem humorado como ela não o via há um bom tempo.


ooo


Sabedoria nunca foi o adjetivo mais indicado para me qualificar, porém sei que sou mais sábio que algumas pessoas, porque apesar de a maioria das perguntas da vida não terem respostas e ninguém saber onde a felicidade está, eu posso afirmar que a minha felicidade é você.
Minha sinceridade é fruto do meu amor, pois não temo te confidenciar todos os meus segredos.
Se você soubesse o quanto eu te quero e compreendesse a veracidade desse sentimento nossos contratempos estariam resolvidos.
Entretanto, sei que não deveria mais alimentar esses sentimentos, mas o meu maior pecado seria te perder, porque quem tem amor na vida tem sorte.
Ass: Ele.

- Uau! - Ortega arqueou as sobrancelhas após terminar a leitura da sétima carta recebida por do misterioso Ele, que não tinha nada de mistério, porque a mais velha sabia que se tratava de Finn. - Ele te ama! O que você vai fazer? - deitou-se confortavelmente na cama, abraçando o travesseiro ao invés de descansar sua cabeça sobre ele.
- Fazer não. Já fiz! Tomei a única medida que poderia. - respondeu tirando os grandes casacos de inverno de seu closet. Afinal a primavera já havia começado há semanas e os agasalhos apenas a atrapalhavam.
- Você falou sobre as cartas com ele?! - falou alto, tomada pela surpresa.
- Fala baixo. - a morena pediu, mortificada - A já recebeu dois envelopes para mim, mas não sabe sobre o que se trata e eu não quero que ela fique sabendo e comece a fazer piada sobre o Finn.
- Desculpa. - a caçula sorriu constrangida, arrastando-se pela cama até ficar mais próxima da amiga que ainda separava suas roupas. - O que você falou para ele?
- Só disse que achava que as coisas estavam indo rápido demais e que apesar de gostar muito dele não estava procurando um relacionamento no momento.
- Uau.
- Pois é. E disse que queria que continuássemos amigos… não que antes éramos algo maior que isso. Mas, você sabe - deu de ombros - sem a parte do sexo.
- Claro. - abanou a mão no ar como se aquilo não representasse algo a se preocupar - E como ele reagiu.
- Incrivelmente confuso sobre a parte do "indo rápido demais". - prendeu uma blusa de frio embaixo do braço e encarou a melhor amiga com os olhos cerrados.
- Ele disse que ama você. - pegou o papel novamente, relendo os poucos parágrafos.
- Eu sei… - respirou fundo tentando convencer-se que seu maior problema no momento era encontrar algum lugar no apartamento para guardar todos os casacos. - E foi por isso que eu precisei colocar um ponto final nisso! - sentou-se sobre as roupas que ocupavam a cadeira giratória - Eu gosto muito do Finn - falou séria, encarando a expressão desconfiada de Ortega, que arqueava as sobrancelhas, desacreditada - É verdade! - protestou, ofendida - Mas eu gosto dele como o cara que eu falo atrocidades e ele ri pensando que eu to brincando, mesmo que eu esteja sendo sincera e ele não saiba. Não como o amor da minha vida!
- E quem é amor da sua vida? - a mais nova questionou, voltando a deitar.
- No momento ninguém. - desviou o olhar, voltando a sua atividade anterior. A mesma que havia investido muito tempo nos últimos dois dias e ainda não havia terminado.
- Nem o Max?
- Ah, ele tem muito potencial para ser o amor da minha vida, mas nem fodendo eu viro uma Westwick!
- Você sabe que esse motivo é muito idiota, né? - Ortega bocejou, procurando pelo celular pela extensão do colchão.
- Claro que não, ! É um ótimo motivo. - determinou revoltada. Notando que todas as roupas de primavera já estavam guardadas no closet, agora só precisava se livrar das de inverno. - É a mesma coisa de você virar uma Saint.
- Você está realmente tentando comparar a com a Lexi? - questionou indignada.
- Não a pessoa em si, mas o sentimento envolvido.
- Mas a loucura da é normal quando comparada com a obsessão da Lexi.
- Você não está entendo meu ponto.
- Talvez… Mas eu definitivamente não entraria para a família daquela doida.
riu, feliz por ter feito a amiga entender seu ponto de vista e ignorando as peças de roupa pelo chão, deitou na cama ao lado da outra menina que também não se preocupava com o chão inundado de agasalhos.
- E o Harry, ? - questionou, atenta a reação da outra garota que naturalmente suspirou alto, arrumando o travesseiro.
- Foi um grande idiota… - sua resposta triste não era carregada de raiva ou irritação, era apenas sincera.
- Tudo aquilo foi tão horrível. - a mais nova cerrou o cenho, recordando-se que meses haviam se passado e seu amor por seu primo continuava os mesmo, porém não o encarava mais com os mesmos olhos, pois a decepção havia sido grande.
Por muito tempo, Zayn foi um adolescente perfeito sob a visão de , agora ele era apenas um ser humano apto a erro, como qualquer outra pessoa.
- Existe alguma parte pior? - Orteguinha pensou alto.
- Acho que cada um tem o seu sofrimento e seguiu em frente como conseguiu. - Meester esclareceu seu ponto de vista - Para mim a pior parte foi me apaixonar pela pessoa que não sentia o mesmo e depois me vendeu.
- Por que você tem tanta certeza que ele não sentia o mesmo?
- Você ouviu a parte que ele me vendeu? - juntou as sobrancelhas enquanto a outra ria sem humor.
- Eu sempre achei que o Harry gostava muito de você. - sorriu, aconchegado-se ao travesseiro, com a imagem de Styles envolvendo o ombro de sua melhor amiga e a dando um beijo na bochecha, tomando sua mente.
- Todo mundo se engana…
- Você ainda gosta dele? - perguntou curiosa, vendo-a mira-la incerta - Se o Harry aparecesse aqui agora e dissesse que cometeu um erro e quer tentar de novo, você voltaria?
- Você voltaria com o Liam? - preferiu respondê-la com outra pergunta, inserindo-a na mesma situação.
- Acho que eu ficaria com medo de um dia ele decidir ir embora de novo. Eu não quero passar pelo primeiro mês de rompimento de novo, eu me senti… descartável, sabe? - fitou os olhos azuis da morena que entendia perfeitamente aquele sentimento - Eu seria sincera com ele, mas ele faria um discurso bonito sobre nós pertencemos um ao outro e tudo ficaria bem. - sorriu, fazendo a amiga perceber que aquele pensamento ainda era o alvo dos sonhos de ao fechar os olhos. - Então, por mais que me sinta muito idiota em admitir. Sim… eu voltaria. Mas o Liam e eu não passamos pelo mesmo que você e o Harry passaram.
- Sim. Porque você tem a convicção que apesar de o Liam ter terminado com você, ele te amou por muito tempo e esse sentimento foi maior que vocês. Mas eu não sinto isso do Harry.
- Você nunca sentiu?
- Já senti… Mas, me convenci de que não era real. - rolou pelo colchão, encarando o teto branco - Assim foi mais fácil.
já havia aceitado que Styles nunca sentira a mesma paixão que ela carregava por ele. Agora, sabia que precisava arrancá-lo de sua cama, porque só assim conseguiria tirá-lo de sua mente e por fim apagá-lo de seu coração. Todavia, despedir-se daquela sensação boa que Harry trazia consigo ao adentrar a porta de seu quarto em Cambridge era a missão mais difícil das noites de Meester.
- Vamos falar de outra coisa - determinou, voltando a ficar de frente para a outra menina - Esse assunto nos deprimiu. O que você tem para me contar? - indagou, abraçando uma almofada.
- Eu fui em uma festa da academia de dança esses dias. - lembrou-se, empolgando-se e sentando para contar a novidade para a amiga. - Você lembra do Jack?
- Não.
- Então, ele levou um amigo e eu fiquei com ele.
- Uau! Isso é um grande passo para Ortega!
sorriu divertida, achando gracioso o fato de a morena levar três meses para conseguir beijar outro rapaz. Mas logo suspirou baixo ao recordar-se de que durante aquele mesmo período de tempo Payne se ocupava transando com uma considerável parte de Oxford. Mesmo que aquilo nunca tivesse sido de seu feitio antes o garoto parecia disposto a seguir os passos de Malik.
- Vocês transaram? - Meester indagou curiosa.
- Não! - respondeu chocada.
- , você não é mais virgem, não precisa mais se guardar para o casamento. - cerrou os olhos - Por que esse espanto todo por causa da pergunta?
- Porque eu só… eu nunca… eu não to acostumada com… - procurava uma forma de se explicar - É que, eu só fiz isso com ele - arqueou as sobrancelhas ao se referir àquele que não podia ser nomeado - nunca fiz com outro cara e aí sei lá. - deu de ombros.
- Sim, você só fez com ele - imitou a garota ao se referir Liam e a viu rir - porque vocês estavam namorando. Agora não estão mais.
- Eu sei. Mas é que eu não sei como reagir, quando começar e terminar…
- Você começa e termina. Só isso. Não tem segredo.
- E também a gente só se beijou e conversou. Só isso. - defendeu-se sentindo-se pressionada pela insistência de
- Ele era bonito?
- Não. - inclinou a cabeça para o lado lembrando-se do rosto maduro coberto com uma barba por fazer - Mas ele foi muito legal comigo e o beijo dele era tão bom. - fechou os olhos, fazendo uma caretinha ao recordar-se da magia por trás daqueles lábios.
- Que bom. - sorriu nostálgica, percebendo a semelhança daquele momento com o passado: quando todos ainda frequentavam a Eton, Ortega sonhava com Payne e o rapaz sorria só de ouvir a menção do nome da menina. Nunca havia pensado que um dia notaria que aqueles eram tempos menos complicados - Vocês trocaram telefone?
- Sim. Mas eu acho que ele não vai me ligar. - franziu o nariz, desacreditando que havia causado em Edward a mesma impressão que ele a causara.
- Por que não?
- Ele era mais velho. Eu realmente acho que ele não vai querer sair com uma menina de 17 anos.
- Mais velho quanto? - juntou as sobrancelhas, afinal sempre falava para a melhor amiga que ela não devia duvidar de seu potencial.
- 23.
- Caralho, ! - cresceu os olhos não esperando aquela resposta - Ele é muito mais velho que você!
- São só seis anos!
- Isso, seis anos, também conhecido como muito mais! - sentou-se sobre o colchão a procura do celular, localizando-o na mesa de estudo ao lado do notebook. - Qual é o nome dele?
- Edward. Eu não sei o sobrenome. - informou, vendo-a voltar para a cama e abrindo o aplicativo do instagram. - A gente se seguiu no instagram. - deu a informação necessária à amiga que sorriu diabolicamente procurando entre os seguidores da conta da amiga o famigerado rapaz mais velho. - É esse. - enfiou o dedo na tela do aparelho ao encontrar o user do garoto.
- Deixa eu ver… - franziu o cenho julgadora, analisando o perfil do garoto, encontrando muitas fotos preto e branco, de paisagens e objetos. - Esse filho da puta não mostra a cara dele e outra em preto e branco não da para fazer uma boa análise - explicou para a mais nova que confirmou com a cabeça, observando as fotos.
- Aqui uma da cara dele. - na quarta fileira encontrou uma imagem regular.
- Mas tá meio distante, não dá para ver direito.
- Cuidado para não curtir! - Ortega teve uma pequena síncope ao assistir dando um zoom na imagem.
- Relaxa. - fez pouco caso da preocupação de , encarando o rosto do famoso Edward. - Ah, ele não é feio… Também não é bonito, mas tem seu charme, entende? - voltou para o perfil do rapaz a fim de encontrar mais evidências.
- Exatamente! É isso mesmo. - concordou, sorrindo ao ver uma foto do cachorro que o garoto havia mencionado durante a conversa que tiveram. - E assim, ele usa barba… Você sabe que eu gosto de barba.
- Ahan. - respondeu distraída, aumentando outra imagem de Edward - Inclusive eu to entendendo o que ele faz, ele cobre o rosto em pelo e fica tudo bem.
- É a maquiagem masculina, né.
- Isso mesmo. - confirmou com um aceno e saiu do instagram, bloqueando o aparelho. - Mas enfim, ele parece ser charmoso e você disse que ele foi legal com você, que é o que importa. - arqueou as sobrancelhas enquanto a caçula concordava. - E é bom você estar finalmente saindo.
- Sim… - deu de ombros, incerta se o fato era realmente bom ou uma frivolidade. - , eu to com fome.
- Ah não. - resmungou, se jogando sobre a cama.
- Vamos logo. - riu, conhecendo a reação usual da menina e levantou-se, esperando por ela, que logo calçava os chinelos.
- Não é para você conversar com a .
- É claro que eu vou conversar com a .
- Aff. - fez uma careta desgostosa, pensando que nem precisava dar aquela ordem para Liam, pois o garoto não falava com a ruiva por vontade própria.
Pensou em fazer um comentário sobre Payne ser um amigo melhor que Ortega, todavia temeu uma reação exageradamente dramática por parte da mais nova e preferiu permanecer calada ao abrir a porta.
Caminhando pelo corredor ouviram risadinhas vindo da sala e ao chegarem ao cômodo encontraram Westwick deitada sobre o tapete felpudo, encolhida em uma das poltronas e Zayn sendo apenas lindo, sozinho no sofá.
- Oi! - sorriu surpresa - O que vocês estão fazendo aqui?
- Eu vim passar o fim de semana e o Zayn veio me trazer. - princesinha Styles explicou jogando-se em , envolvendo o pescoço da morena com seus bracinhos finos - Oi ! - falou arrastando as palavras, assistindo a menina fazer uma careta, mas logo se render e abraçá-la também.
- Eu já vinha visitar a , aí ela me falou que a também viria, então eu só dei uma carona. - o badboy deu de ombros, colocando as mãos atrás da cabeça. - Que horas você chegou aqui ontem? Eu cheguei em casa sete e meia e você já não estava lá. - perguntou para a prima, que sentou do outro lado do sofá, esticando suas pernas sobre o móvel.
- Não sei exatamente, mas saí da aula, passei em casa para tomar banho, peguei minha bolsa e vim para cá de trem. A me pegou na estação.
- Eu não sabia que você vinha, . - Styles disse, desistindo de Meester que caminhava até a cozinha - Nós poderíamos ter vindo junto.
- Pois é, né. Mas então amanhã nós voltamos juntas.
- Ahan. - a loira respondeu distraída - , qual shampoo você usa? - falou alto, ouvindo a risada da menina do outro cômodo e correu até lá.
- A e o Zayn queriam ir até o quarto te chamar - a ruiva falava para , enrolando uma mecha dos cabelos vermelhos entre os dedos - Mas eu os proibi de se relacionarem com a Meester e como você estava lá se ferrou.
A mais nova se limitou a dar risada e negar com a cabeça achando graça da declaração.
- Ontem nós assistimos um filme as três juntas e correu tudo bem. - a morena confidenciou para o garoto que a encarava com as sobrancelhas arqueadas e logo voltou os olhos amendoados, cheios de malícia para . - Eu to achando que essas duas vivem na mais perfeita paz nessa casa e começam a brigar na nossa frente para manter a aparência. - piscou para o menino que sorriu.
- Cala a boca, ! - Westwick arremessou uma almofada na cabeça da morena, acertando em cheio. - Fazia muito tempo que eu queria ver aquele filme e a Meester faz o favor de ficar calada enquanto assiste, só por isso eu aceitei ficar!
- Ah, ruivinha, não precisa ficar brava só porque nós descobrimos o seu segredo. - Zayn fez graça e só não levou uma almofada na cara porque estava sem munição.
- Vocês são idiotas. - a mais velha se resumiu a dizer, mal humorada.
- Falando em assistir, por que nós nunca mais assistimos Lost, ? - o primo questionou, bocejando logo em seguida - Faz mais de um ano que estamos assistindo esse negócio e não termina nunca. Você já viu Lost, ?
- Eu acompanhei até o fim da quarta temporada. - a ruiva contou, sentando-se empolgada com o assunto - Até cheguei a começar a quinta temporada, mas eu achei muito ruim e parei.
- , não deixa ela te influenciar! - Malik clamou, temendo que a garota desistisse do programa deles - A gente precisa terminar.
- Nós vamos terminar. Mesmo eu já tendo ouvido falar que a sexta temporada é ruim.
- Deve ser exagero. As pessoas simplesmente não conseguem apreciar arte.
- Nós só não assistimos mais porque você mora em Oxford e quando está em Londres está sempre atrás da ou do Liam. - explicou passivamente - E eu não quero ficar entre você e a e também quero que o Liam morra.
- Eita! - riu da fala da amiga que apesar de ofensiva era proferida com um tom de voz tranquilo e um dar de ombros desinteressado - Quer dizer que você já passou das fases da negação e do sofrimento e agora está na fase da raiva?
- Eu não estou com raiva, só não quero falar sobre ele. - cruzou os braços emburrada, desejando não ser o alvo da conversa.
Embora afirmasse que, no momento, seu único sentimento por Payne fosse a indiferença, Zayn conseguia visualizar perfeitamente a imagem da prima metralhando uma imagem de Liam, ou até mesmo o próprio Liam.
- Trouxemos comida! - colocou as bandejas com os petisco na mesa de centro.
Ortega, o motivo pelo qual organizou o rápido lanche, sentou-se no chão a fim de ficar mais próxima a fonte de alimento e pegou o celular a fim de enviar importantes informações a uma pessoa importante.
Xx : Harry, tenho notícias! xX
- E então Malik, a cansou de você e é por isso que você está aqui? - Meester sentou-se já ocupando-se em incomodar menosprezar o moreno.
- Não vou nem me dar ao trabalho de responder. - Zayn inclinou-se para frente a fim de pegar um sanduíche.
- Por que nós não chamamos a para passar o fim de semana aqui também? - questionou levantando-se do chão e caminhando sem pressa até a cozinha a fim de pegar um copo de chá gelado.
- Eu chamei ela para vir, até comentei que o Zayn ia me dar uma carona…
Styles começou a explicar, pensando que o fato de citar a presença do badboy de cabelos negros e olhos amendoados, faria a modelo confirmar presença no evento. O que nenhuma das meninas sabia, mas o moreno tinha certeza era que a menção de seu nome afugentara a loira para outro continente.
- … mas ela disse que já tinha compromisso. - a mais nova terminou sua explicação.
- A falou que o Austin estaria em Londres esse fim de semana. - comentou, ansiosa para receber uma resposta de Harry.
- Ahh, agora está tudo explicado! - abriu um sorriso iluminado, transbordando malícia e chamou a atenção de dois pares de olhos curiosos que a encararam.
Até mesmo voltou correndo da cozinha para ouvir mais sobre o tal Austin, pois sabia que a melhor amiga não conseguiria reter a informação por muito tempo.
- Austin? - foi o garoto quem teve coragem de indagar a respeito do personagem que era inserido, pela primeira vez, na vida da maioria dos presentes na sala.
- É Zayn… - sorriu sugestiva, arqueando as sobrancelhas - Parece que você não é o único melhor amigo da senhorita Hilton! - cruzou os braços a frente do corpo, satisfeita por identificar confusão nos castanhos dos olhos do rapaz.
- Austin é um antigo amigo da . - esclareceu, sentindo o celular vibrar no colo - Eles se conheceram quando ela morava nos Estados Unidos, não se viam há anos, mas se reencontraram em setembro do ano passado. Só isso. - resumiu a história que continha mais detalhes em consideração ao primo, que provavelmente bateria com a cabeça na parede se tomasse conhecimento de tudo.
Logo a morena abaixou a cabeça para poder ler a resposta de Styles a sua mensagem:
Xx Harry: Você falou com ela? O que ela disse? Numa escala de 0 a 10 o quanto ela me odeia? xX
Após ouvirem o discurso de as três cabeças se voltaram para aguardando a história real, com as informações de fato relevantes.
- Podem parar! - bebericando sua limonada, a loira cresceu os olhos, sentindo-se pressionada - Eu não vou falar mais nada!
- Então quer dizer que tem coisa para ser dita?! - incentivou a garota a abrir o jogo.
- , me ajuda! - princesinha Styles pediu clemência, encarando o líquido em seu copo.
- , resiste. Não fala! - a morena aconselhou, agarrada ao celular.
- Ela transou com ele! - a loira revelou, fechando os olhos.
Por dentro, Zayn se enforcava enquanto atirava na própria cabeça. Por fora, apenas mirava surtar por ter contado o segredo que não a pertencia.
- ! - a caçula a repreendeu.
- Ela o quê?!
- Grande Austin, hein!
- Foi mais forte que eu! Eles estavam me encarando me pressionando… - Styles apontou para o trio, culpando-os de seu pecado - Me fizeram me sentir mal por não compartilhar o que eu sei.
- Ta bom, mas não fala mais nada! - Ortega galou, sabendo que seria ignorada, todavia sentia a necessidade de informá-la.
- Tem mais coisa para falar?
- Ele foi a primeira vez dela. - falou baixo, olhando para lado.
Agora Zayn se enforcava, enquanto atirava na própria cabeça e corvos se alimentavam se suas vísceras expostas. Contudo por fora o rapaz apenas observava a algazarra, em silêncio e imerso em indiferença.
- Quando isso aconteceu? Vocês conhecem ele? - se ajoelhava no sofá, sedenta por informações.
- E ele veio para Londres visitá-la? - sorriu sugestiva, arqueando as sobrancelhas.
- Então… - tomou fôlego para repartir as informações que sabia, no entanto foi interrompida por Meester.
- Espera! - falou alto, voltando-se para o rapaz - Você conhece esse amigo da sua melhor amiga, Zayn?
- Não, . Eu não conheço e tanto faz! - deu de ombros - Como você mesma disse a e eu somos só amigos.
Rolou os olhos, parecendo totalmente indiferente ao assunto e guardou as mãos no bolso da casaco que usava, a fim de esconder os dedos que tremiam.
o fitava, tentando interpretar suas ações e o que conseguiu concluir era que o mais velho era um perfeito sociopata que tinha a capacidade de encobrir perfeitamente seus sentimentos. Afinal, a garota sabia que aquela notícia havia o pego de surpresa.
- Enfim - voltou a atenção para si, já sem peso na consciência por ter partilhado o segredo de . - , essa não é a primeira vez que ele a visita… - sorriu cerrado, sugerindo o que todos já haviam captado.
- E teve a semana de moda em Nova Iorque, também… - foi a vez de em foder com a cabeça de Malik - Ela comentou que eles se encontraram.
- Mas calma, gente - Westwick pediu, finalmente sentando - Eles sempre transam quando se encontram?
Não. Não. Não. Alguém por favor diga não! Zayn pensava, sentindo uma fina camada de suor se formando na palma de suas mãos instáveis.
- Nós não sabemos. - Styles suspirou triste por não poder responder a questão apropriadamente.
Aquilo era melhor que sim.
- A não é o tipo de pessoa que compartilha informações com o grupo. - falou, ainda segurando o celular em uma mão e o coração de Harry na outra. Pois não havia o respondido até aquele momento - Na verdade, nós ficamos bem surpresas quando ela disse, por livre e espontânea vontade, que tinha perdido a virgindade.
A conversa sobre Hilton prosseguiu por um bom tempo, enquanto Malik fingia não se importa e aproveitava o momento para odiar ainda mais a cada segundo.
sorria divertida, amando pensar que o badboy sofria. se chocava com as informações recebidas. E amava poder repartir tais informações.
Ortega, por sua, concentrou-se em seu celular e finalmente respondeu Styles, que em Oxford, se encontrava a beira de uma síncope.
Xx : Voltei! xX
Xx Harry: Até que enfim, você está tentando me matar? xX
Xx : Hahahah fica tranquilo. Eu tenho boas notícias! xX
Xx Harry: Fala logo, mulher! Que tipo de jogo doentio é esse? xX
Xx : Eu perguntei para a o que ela diria se um dia você pedisse para voltar com ela. E ela mudou de assunto! xX
Xx Harry: E a boa notícia? xX
Xx : Essa é a boa notícia! xX
Xx Harry: Você perdeu o juízo, mulher?! Isso é bom aonde? xX
Xx : Você não está sabendo ler as entrelinhas… Se ela não quisesse diria com todas as letras que não quer. Mas ela mudou de assunto! xX
Xx Harry: Com todo o respeito, Orteguinha, mas puta que pariu, hein! Isso me ajuda como? xX
Xx : Ela tem vergonha de admitir que voltaria com o babaca que a vendeu e a humilhou. Por isso não sai gritando por aí que seria estúpida e aceitaria você de volta. xX
Xx Harry: Também não precisa falar assim, né… Mas então o que você acha que eu devo fazer? xX
Xx : Por favor, não magoa a de novo. xX
Xx Harry: Eu não vou. Isso é uma promessa! O QUE VOCÊ ACHA QUE EU DEVO FAZER? xX
Xx : Ser sincero e torcer pelo melhor. Afinal você pode fazer uma lista de gestos bonitos, mas só cabe a ela decidir se quer voltar… xX
Xx Harry: Obrigado, Orteguinha! Fico te devendo essa! xX
Xx : Imagina, Hazz. E por favor, não faça nada estúpido. Tchau! xX

rapidamente excluiu todas as mensagens trocadas com Styles, a fim de evitar um possível flagra de Meester.
O grupo continuou comendo e conversando por um longo e agradável tempo, até e começarem a discutir devido a localização de um copo pela casa e a ruiva saiu irritada para seu quarto, seguiu, Zayn foi embora rumo a Oxford e Meester ligou a TV a fim de assistir alguma coisa com Ortega.
- O Zayn foi embora. - Styles informou, colocando apenas a cabeça dentro do quarto de .
- Isso é tudo culpa da . - Westwick acusou a menina que não podia se defender por estar longe - Se ela não fosse insuportável tudo estaria bem. - declarou ainda irritada, vendo a amiga adentrar o cômodo e fechar a porta atrás de si
- Ela só comentou sobre os descansos de copo… - falou indulgente.
- Para, não defende ela. Você é minha melhor amiga! - protestou magoada, enquanto a outra menina desabava no colchão.
- Deixa de ser besta! - riu, enrolando-se na manta rosa e felpuda - , o que eu faço em relação ao Niall? - seus sorriso desmanchou-se instantaneamente e uma expressão triste tomou seu bonito rosto.
- Você não vai gostar da minha resposta…
- Fala, ! - insistiu como uma criança magoada que pedia só mais uma bala para a mãe consciente.
- Você precisa terminar.
- Não! - sua voz elevou-se uma oitava e seus olhos verdes cresceram, chocados pela sinceridade rude da mais velha.
- , vocês brigavam o tempo todo até você admitir que não confia no Niall e então ele teve a iniciativa de pedir um tempo. Faz um mês que vocês estão nessa palhaçada...
- Três semanas. - corrigiu, cruzando os braços.
- Vocês vão ficar nesse tempo para sempre?! - Westwick ajoelhou-se sobre o colchão, encarando a loira de forma incisiva. - Um "tempo" em um relacionamento é de dois dias, uma semana no máximo, quem sabe duas… - ergueu as mãos em rendição - Mas vocês já estão caminhando para um mês nesse "tempo".
- Nós conversamos… - inclinou a cabeça para o lado, dando de ombros.
- Sobre o problema de vocês?
- Não. - respondeu baixo, constrangida - Sobre a vida. Nós trocamos mensagens.
- Péssima ideia! - saiu da cama, caminhando até o video game, o ligou e pegou o controle da TV e o do jogo.
- Nós ainda somo um casal. - explicou sentando-se e arrumando um travesseiro na cabeceira da cama para apoiar as costas - Casais conversam.
- E a vida de vocês está mais interessante que antes, agora que vocês estão separados?
- É só um tempo!
- Tanto faz. - pulou de volta no colchão - Pelo que parece, vocês vão ficar nesse "tempo" para sempre.
- Para, ! - pediu magoada, juntando suas sobrancelhas grossas - Eu realmente estou mal por essa situação. Não tem uma manhã que eu não acorde pensando no Niall e no decorrer do dia eu sinto tanta falta dele… Eu só queria um abraço. Meu deus como eu sinto falta daquele abraço - suspirou pesadamente, sentindo seus músculos estremecerem pela dor que seu coração alastrava por seu corpo - Eu quero resolver isso, mas eu tenho medo de que a solução seja o nosso término.
- Sinto muito, . - Westwick instantaneamente arrependeu-se de suas piadas. - O que você vai fazer?
- Não sei… Eu só queria que tudo fosse menos complicado. - pegou o controle do videogame, pronta para uma partida contra . Afinal usaria toda sua frustração e raiva para fazer aquele maldito carro correr o mais rápido possível.
Na metade da segunda volta a loira chocou o mustang contra uma parede e ele explodiu, sendo assim fim de jogo para ela.
- Me inscrevi em um curso de teatro em Nova Iorque. - Styles comentou sem emoção, apenas assistindo seu carrinho verde em chamas na televisão de alta definição e 40 polegadas.
- Você o que? - a ruiva pausou a partida, pulando na cama a fim de encarar a garota que sorriu.
- Me inscrevi em um curso de teatro. - sorriu - Em Nova Iorque! - seu sorriso ampliou-se
- Meu deus, isso é incrível! - comemorou.
- Eu só me inscrevi, não sei se passei.
- Oh… - juntou as sobrancelhas ruivas, franzindo o cenho, deixando os ombros caírem. - Mas é claro que você vai passar! - abanou a mão no ar de forma displicente, sabendo que aquilo não era um desafio para princesinha - O que eles analisam?
- O meu histórico de notas na escola, e o meu currículo de trabalho e outros cursos.
- Quando você vai?
- O resultado sai daqui três meses. - arrumou a postura, assistindo a expressão da mais velha desmoronar. A ansiedade de Westwick não aguentaria três meses! - Se eu passar, eu vou em setembro e volto em março. É um curso de seis meses.
- Eu não sei porque você está falando se passar. É claro que você vai conseguir!
- Eu não quero criar tanta expectativa, porque eu tenho medo de não passar.
- Se você não conseguir, tenta de novo no próximo ano. - deu de ombros - Não exija tanto de si… Às vezes nós falhamos, mas isso não quer dizer que somos um fracasso. -sorriu cerrado voltando para seu jogo.
- , eu posso te falar uma coisa…? - indagou sugestiva, olhando para os cantos, sem coragem de encarar a menina que arqueava uma sobrancelha, mirando-a incerta.
- Sim…? - a resposta foi duvidosa, pois não tinha certeza se o que viria a seguir seria algo bom.
- Você sempre foi uma pessoa… - calou-se por breves segundos a procura do adjetivo correto para qualificar a mais velha - vibrante! Cheia de vida e completamente tempestuosa. Você é sempre intensa… Está entendendo onde eu quero chegar?
- Não.
- - meneou a cabeça, tirando da mão da amiga o controle do videogame - , você é o tipo de pessoa que todo mundo sabe que está na sala. Você não ri, você gargalha. Você não fica feliz, fica exultante! Você não comemora, você chama uma torcida inteira para comemorar com você. - sorriu abertamente, vendo-a sorrir de lado - Você é assim, intensa. E eu percebo que ultimamente você está triste, muito triste. O que aconteceu, ?
- Nada… - inclinou a cabeça para o lado - Eu acho que eu só cresci. Agora eu entendo que não preciso gritar para ser ouvida e que não preciso sentir tudo com tanta ferocidade.
- Você está, realmente, tentando mentir para mim? - cruzou os braços mau humorada enquanto a ruiva ria.
- Eu só não quero admitir que o Louis entrou na vida, jagunço tudo, saiu e eu ainda não consegui colocar a casa em ordem.
- Não tem problema em falar a verdade.
- Mês que vem faz um ano, ! - cresceu os olhos negros, desesperando-se com sua vulnerabilidade. - Eu já tive outros namorados que mentiram para mim, me enganaram. Eu chorei, gritei, me vinguei. E passou. Mas com o Tomlinson… Eu consegui superar a mentira, mas não consigo seguir em frente, porque quanto mais o tempo passa mais saudade eu sinto daquele filho da puta, traidor, mentiroso, desgraçado. - arremessou todas as almofadas que repousavam sobre a cama, para todos os lados do quarto e Styles só pode se abaixar para evitar ser atingida.
- Você o ama? - a loira conseguiu perguntar, após o ataque da garota.
- Eu não quero. Eu não quero mais sentir isso, tudo isso. - apontou para si, sentindo a garganta trancar e fechou os olhos a fim de evitar que suas lágrimas caíssem.
Bufou irritada, dando um soco no colchão. Tomlinson não merece suas lágrimas. E mesmo um ano depois da descoberta da mentira, elas ainda rolavam pela face sardenta de Westwick.
- Eu não quero mais falar sobre isso, . - deitou, encolhida no centro da cama. Cansada como um gato que após um ataque de ódio, se recolhe em seu esconderijo e descansa.
- Tudo bem. Vai ficar tudo bem, . - a mais nova prometeu. Deitando ao lado da melhor amiga, passando dos dedos finos pelos fios vermelhos dela.
não queria mais ser dominada por todas aquelas emoções que afloravam quando apenas o nome de Louis era mencionado.
O rapaz já havia seguido em frente. Por que era tão difícil para ela seguir o exemplo dele?
Odiava quando inconscientemente perguntava-se o que Tomlinson mais gostava a respeito de Angel. Afinal, o rapaz sempre falava como amava seus cabelos vermelhos e como era devoto das cerdas que cobriam seu rosto, colo e ombros. Mas Angelique não tinha sardas… Louis provavelmente gostava dos olhos da francesa. os achava bonitos.
Perguntava-se quanto tempo eles investiam jogando videogame juntos e tinha certeza que a atual namorada do garoto não arremessava pratos nele quando perdia!
Perguntava-se qual apelidinho cafona e carinhoso ele havia a Angel e temia descobrir ser o famigerado e odiado honey. Tinha certeza que o menino nunca a chamava de demonia, afinal aquela garota era um anjo!
Em Oxford, Zayn foi atendido por ninguém mais, ninguém menos que Horan, que fez questão de checar se ele estava com a comida antes de liberar a entrada do moreno no apartamento de Liam. Para não correr riscos, Malik ergueu a caixa com todos os combos solicitados e no mesmo instante teve passagem garantida.
- Meu deus, Malik, que demora. Onde você estava? - Niall veio logo atrás, perseguindo o amigo até a pequena mesa de jantar com apenas quatro lugares que estava completamente ocupada por apenas duas pessoas, Styles que usava duas cadeiras e o próprio irlandês deu a volta e continuou a ocupar suas duas cadeiras apesar do cunhado ter recolhido as cartas para desocupar a mesa.
- Com a sua ex namorada. - o badboy abriu a caixa com os lanches e o andar inteiro foi banhado com o cheiro de fast food. Em um instante Lou e Liam abandonaram a TV e rodearam a mesa. - Você não consegue sentir o cheiro do perfume dela? - Zayn cheirou a camiseta branca e fez uma careta. - Meu carro está infestado com aquilo.
- Que merda, Zayn?!
- Onde você estava, cara? - Styles questionou entre risos porque tinha a nítida impressão de que Malik estava tirando uma onda com Niall e ele mais do que ninguém sabia o quanto o irlandês era sensível quando o tópico era .
Mas nem o garoto de cachinhos foi poupado do senso de humor negro de Zayn, que separava a salada de seu hambúrguer, desprezando o tomate e a alface.
- Na casa da sua ex não namorada. - disse para Harry; - E encontrei a sua ex também. - apontou com o queixo para Tommo. - E adivinha quem estava lá? A sua ex namorada, Payno!
Os meninos pararam de se servir e encararam Zayn atordoados com o atrevimento e a naturalidade das declarações enquanto montava um prato extravagante regado à muita mostarda e ketchup.
- Mas você é um filho da puta, hein. - Liam tentou dar um soco no ombro de Malik mas ele desviou graciosamente e com a exceção de algumas batatinhas saiu incólume do ataque, se jogou no sofá a salvo com seu hambúrguer e aumentou o volume da TV.
Niall foi sentar ao lado dele repetindo o mantra de que não era sua ex já que eles só deram um tempo e no processo derramou ketchup no chão mas Liam não viu e ele só espalhou com o tênis pra não ficar tão visível, Harry viu toda a arrumação mas não disse nada.
- O que será que eles colocam nessa merda? É tão bom! - Tommo ocupou sozinho a poltrona de dois lugares, falando de boca cheia e a atenção dividida entre o jogo que corria em um a zero para Leeds contra o time da casa, Swansea City.
- Sangue de virgens. - o bad boy respondeu e ketchup escorria de sua boca enquanto cometia aquela chacina contra a comida.
- Hmmmm, eu não duvido… - Lou concordou, acenando com veemência. O rapaz aproveitou que Harry, Liam e Niall estavam vibrando com uma finalização apertada e inclinou-se na direção de Zayn. - E como foi em Cambridge?
- Normal. Nós ficamos a maior parte do tempo no quarto da e depois…
Tommo se esticou ainda mais para perto de Malik.
- E como é o quarto da ?
- E eu lá sei. - o moreno encolheu os ombros. - é como todo outro quarto no universo, caralho! - disse resumidamente e passou a entreter-se com o jogo.
A essa altura o outro trio já estava acomodado também e embora tivessem ouvido a pergunta indiscreta de Louis, preferiram fingir que nada ouviram e evitar que o amigo caísse no abismo de tristeza, melancolia e saudade de .
Harry e Zayn foram os primeiros a terminar a refeição e decidiram que aquele era um bom momento para dividir um baseado com a intenção de deixar o jogo mais divertido, Payne não se opôs à ideia e avisou que ia querer também, todavia sua atenção estava também na conversa paralela de Louis embora ainda assistisse o jogo.
- Vocês conversaram sobre o quê? - Tomlinson insistiu e deu um pulo no sofá quando Liam de repente chutou sua canela.
- Louis, pelo amor de deus. Para com isso, você tem namorada.
- E daí? Eu só quero saber se a ainda me odeia. - o garoto afundou em seu assento, recebendo a atenção coletiva dos amigos, que estavam mais interessados em fofocas amorosas do que o jogo moroso.
- E vai mudar alguma coisa se ela não te odiar mais? - Harry quis saber.
- Talvez…
Louis encolheu os ombros, estava encurralado.
A sua frente a porta do paraíso estava aberta a sua espera. Todavia era só olhar por cima do ombro para vislumbrar os portões do inferno, que tinham o poder de atraí-lo ferozmente.
Angelique era perfeita! O sorriso dela derretia até o mau humor de Liam. Sua risada melódica fazia Niall rir. Suas piadas bobas e inocentes eram as favoritas de Harry. E sua inteligencia impressionava Zayn.
Os amigos de Louis repetiam a todo momento que a garota francesa não possuía um defeito sequer, levantavam as mãos aos céus para baterem high-fives com o sortudo que conseguiu conquistar aquele anjo.
E mesmo Angel sendo perfeita, não tendo um defeito sequer, Tomlinson sabia que ela não era perfeita para ele. Pois mesmo imerso em toda aquela beleza e graça, tudo o que o rapaz pensava era cada um dos defeitos de , seu gênio destrutivo e impetuoso, seu rosto repleto de sardas e seus cabelos vermelhos esvoaçantes.
Aquele demônio ainda assombrava seu sono durante algumas noites e ao abrir os olhos em um sobressalto, tudo o que o menino queria era fechá-los novamente para ser aterrorizado por .
Um demônio.
O seu demônio.
Portanto, encuralado entre um anjo e um demônio, Louis sentia-se acovardado e sabia que ao final daquela triste tragédia o coração de alguém seria quebrado.
- Se você não pretende esquecer a tão cedo não seria melhor tirar a garota bonitinha do meio disso? – Liam insistiu.
Não era justo que mais pessoas fossem magoadas no processo de auto descoberta deles. Os garotos já haviam criado um rastro de destruição durante o último ano no ensino médio e Louis não achou suficiente sofrer por não saber como consertar seu relacionamento com , resolveu atirar-se em uma tentativa ousada de seguir em frente. Exceto que desde que começou a namorar novamente, pensava mais em do que nunca.
- Não é simples assim. – Louis tomou um gole de cerveja e suspirou entristecido. Ele amava o tempo que passava com Angelique, ela só não era , mas era uma boa garota.
- Bom, só não é mais simples do que o Niall terminando com a , um óbvio caso de distúrbio mental. - Payne consolou o amigo como pôde enquanto sorria para Niall, que ficava vermelho como um tomate a medida que a risada dos outros garotos aumentava gradativamente.
- Nós não terminamos! Só foi um...
- Um tempo, é, continua repetindo isso até você mesmo se convencer que a fila andou para a princesinha. - Malik repetiu o novo mantra de Niall. Pra ser honesto, ele se sentia um pouco irritado com Niall porque ele e eram dois covardes, e estar com ele e ouvi-lo minimizar a situação com sempre o lembrava de e sua infinita capacidade de ser uma filha da puta.
- Por que você está falando isso? Nós não estamos vendo ninguém! - o irlandês arregalou ainda mais os olhos, sentindo-se encurralado com aquelas insinuações desprestigiosas.
- Ainda. - Harry resmungou com a boca no copo de refrigerante.
- Eu honestamente acho que ver você falando que terminou com a foi a coisa mais estúpida que eu já presenciei alguém fazendo. - Zayn disse e passou o baseado para Payne. No ritmo em que estavam, bebendo e fumando, antes da meia noite alguém iria fazer algo muito estúpido e todo mundo ia tombar por lá mesmo.
- Por quê? - Niall arqueou uma sobrancelha, curioso.
O bad boy cruzou as pernas, ajustando-se para estar confortável quando entrasse no estado de libertação e paz o atingisse:
- Porque é a mesma coisa de alguém te dar uma ferrari e você decidir afundar ela no Tâmisa porque sabe que esse carro é bom demais pra você.
- Você ganhou uma ferrari e recusou. - Tommo baixou o volume da TV porque estava atrapalhando a desenvoltura daquela conversa que tinha potencial pra iniciar uma mesa redonda para discussão de problemas que não eram realmente problemas e não precisavam de soluções mas ainda os garotos o faziam.
- Mas aí é totalmente diferente, imbecil. Eu recusei porque o meu pai é um idiota. - Malik disse sem ter coragem de encarar Liam, que ainda o culpava por dar uma olhada no presente estacionado e mandar devolver.
- De acordo com a análise do Zayn, isso significa que ele se recusa a ser feliz, você concorda, Liam? - Harry trouxe Payne para o debate.
- Absolutamente.
- Isso é culpa sua, eu ando demais com você e todo mundo sabe que você é a pessoa mais infeliz do lugar, não importa onde esteja. - Zayn acusou o melhor amigo.
- De onde você tirou isso? Eu sou feliz! - Liam se defendeu, ofendido pela acusação sórdida que ouvia debaixo de seu próprio teto.
É verdade que ele estava no limite da infelicidade mas nem em um milhão de anos assumiria o estado de precariedade emocional em que se encontrava, e o quadro só piorava com o passar do tempo que era quando compreendia a magnitude de seu erro. Não era nem como se ele tivesse um bom motivo como Niall, ou como se Orteguinha tivesse feito algo de errado, tipo os famosos surtos de .
Deveria ligar para Pensou sentimentalmente.
- É mesmo, Payno? Porque você estava feliz e aí decidiu terminar com a porque cansou de ser feliz e precisava de um motivo pra voltar a ser cuzão com o universo. - Horan parecia ler seus pensamentos e zombar de sua dor infundada.
- Essa analogia da ferrari é uma merda. Vocês não tem nada melhor pra oferecer? - Payne mudou o rumo da conversa antes que começasse a chorar ali mesmo.
- Que tal se nós usarmos bicicletas? - Louis sugeriu.
- Hmm, dá pra tentar. - Zayn esfregou as mãos e deslizou para o chão, usando o sofá apenas para apoio da coluna enquanto preparava-se para suprir as expectativas dos quatro bocós ao redor dele, parecendo filhotes esperando o dono baixar as tigelas com leite. - Tudo bem, então a seria uma bicicleta com marchas que você doa porque não sabe usar bicicletas com marchas.
- Uau. Isso foi profundo. - Harry pigarreou, refletindo na grandeza da analogia. Se já era naturalmente lento, sob o efeito dos cigarros especiais de Zayn ele poderia demorar minutos para elaborar uma sentença.
Liam deitou no chão e fechou os olhos, satisfeito em ser apenas um ouvinte, e Niall pulou para o lado de Tommo, que já havia terminado de comer e jogou seu lixo aos seus pés, esquivando-se do cigarro que voltava pela milésima vez para Zayn.
- Essa foi boa, cara. Agora tenta com LEGO! - Louis pediu o primeiro de uma longa lista de itens possivelmente divertidos para analogias.
- Nossa, essa é difícil… Deixa eu pensar um pouco… - Zayn coçou o queixo que pinicava por causa da barba.
No meio tempo em que o moreno pensava o grupo entrou em outras discussões ainda mais inúteis e só umas duas horas depois que Malik lembrou no que tanto matutava porém Harry já estava dormindo, Liam e Niall não lembravam mais do que se tratava a ideia absurda de Zayn sobre LEGOS e action figures, e Louis mandava mensagens bêbado para .


Continua...


Nota da autora: UM MINUTO DE SILÊNCIO POR ORTEYNE POR FAVOR, PORQUE ESTAMOS DE LUTO! NÃO CONSEGUIMOS VIVER SEM NOSSO CASAL… Eu to mal, gente… Mas pelo menos Hilik ta voltando gente, quem concorda com essa amizade e quem discorda deixa aqui nos comentários, porque eu, particularmente, adoro esses dois juntos. Vamos falar de mistério, a Meester ta toda toda com admirador secreto hein! Olha só que poderosa, né?! Mas ai vem Storan para acabar com minhas estruturas porque eles precisam ficar juntos para sempre e não brigando! E me falem uma coisa sobre Louis/Angelique/Westwick, Liam estava certo quando disse que tem que ser bola para frente ou Meester leva a razão com discurso Tommo tem que sofrer?
Obrigada por lerem, meus amores. Significa muito para nós.
Até a próxima, Mon. XOXO






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