Última atualização: 07/07/2020

Capítulo 10

Xx Você pode ir lá em casa hoje? Precisamos conversar. xX
Aquila mensagem, definitivamente, não era um bom sinal.
Louis sabia disso.
Portanto, não tardou a se dirigir a casa da namorada, assim que sua última aula do dia terminou. Estava cansado, só o que queria era descansar e dormir, todavia Angel parecia deprimida nos últimos dias e Tommo estava disposto a ajudá-la.
Não teve dificuldade para acessar o interior do prédio pois aquela porta permanecia mais aberta que fechada e o rapaz tinha certeza que aquilo não era seguro para os moradores. Contudo, precisava admitir que facilitava o processo, então não iria reclamar!
Ao chegar a porta do apartamento da namorada, tocou a campainha e foi atendido pela colega de quarto de Angelique, que como toda estudante em final de semestre conseguiu apenas sorrir, cumprimentando-o sem forças e ânimo. A loira informou que a francesa estava em seu quarto e automaticamente voltou para a mesa da cozinha onde seus livros estavam, deixando Louis ainda de pé do lado de fora.
O moreno adentrou o pequeno apartamento, fechou a porta e caminhou preguiçosamente até o quarto de Angel arrastando sua mochila pela alça, ao adentrar o cômodo, encontrou a menina deitada em sua cama, com as pernas para o alto e os cabelos castanhos espalhados pelo lençol azul.
- Oi sweetie. - Tomlinson deixou sua bolsa aos pés da cama e deitou-se em cima da garota que riu da folga do rapaz.
- Oi. - abraçou o torso do menino que já de olhos fechados pensava que seria uma boa ideia convencer Angel a largar os estudos e dormir o resto da tarde.
Dormir confortavelmente durante uma tarde. Aquele era um luxo que Louis sentia falta.
- Como foi o seu dia? - a francesa indagou, passando os dedos pelos cabelos do garoto que sabia que com certeza dormiria a qualquer momento.
- Traumático como todos os outros. E o seu?
- Entediante. Minha aula foi cancelada de última hora e eu estou presa nesse quarto o dia todo estudando para o seminário de amanhã. - reclamou frustrada - Eu não consigo mais ler uma linha sequer.
- Ah, babe... - Tomlinson saiu de cima da morena, convencido de que ela era educada demais para reclamar de que o peso dele estava a asfixiando - Vamos fazer uma loucura!
- Tipo… Tipo…
Louis sorriu, ao mirar os olhos castanhos de Angel, que faiscavam ingênuos e sem ideias de uma possível loucura.
- … dormir o resto da tarde? - ela questionou, sorrindo orgulhosa de sua ideia.
- Ah, mulher, você foi feita para mim! - a abraçou, fingindo-se um peso morto que já roncava.
- Ou ir ao cinema…?
- Nós podemos dormir no cinema? - cessou a encenação que fazia, abrindo apenas um olho que encarou a menina em expectativa.
- Sim. - concordou, rindo.
- Ah, eu quase esqueci, o que você queria falar comigo?
Após o terno momento íntimo e divertido, Angelique quase perdeu a coragem de trazer a tona o assunto que a incomodava nas últimas semanas. Quase.
Fitou o namorado incerta, pensando na melhor forma de iniciar sua fala e suspirou pesarosa, sentando-se no colchão.
- Sobre aquilo que a falou aquela noite no bar… - disse sem coragem de mira-lo e não pode ser a careta de dor que Louis fazia por saber que um problema era colocado à sua frente - Você se arrepende daquilo?
- Sweetie, essa aposta foi há tanto tempo, essa noite no bar com o pessoal e a foi há tanto tempo… - resmungou, passando as mãos pelos rosto, desejando poder apagar seu passado com aquele simples gesto - Você e eu já falamos sobre tudo isso. Não vamos mais nos preocupar. - pediu, esperando que ela atendesse seu pedido.
- É que... a verdade é que eu sinto que você não é honesto comigo. - revelou o que a incomodava e o viu arquear as sobrancelhas chocado. Logo Angel tratou de consertar sua fala - Quer dizer, você não é você mesmo quando está comigo.
- Mas é claro que eu não sou! - falou como se fosse óbvio ao sentar-se na cama - Eu sou idiota e você merece coisa melhor que um idiota!
- Eu não quero que você seja outra pessoa. - juntou as sobrancelhas, pasma pelo fato de ele admitir que mudava na sua presença. - E eu tenho certeza que você não tinha esse problema com a !
- Angel, meu amor, o que você está fazendo?! - Tommo perguntou chocado após ouvir a acusação da menina.
- Você fala da o tempo todo! - falou frustrada e o menino tomou fôlego para defender-se, no entanto, a morena não o permitiu falar - Tudo o que você vê te faz lembrar dela, cada história sua ela está envolvida, qualquer coisa que eu fale você menciona que a também gosta, ou já fez, ou conhece!
- Mas isso acontece porque eu a conheço há anos! - gesticulava abertamente, tentando fazê-la parar com aquela loucura - Nossas famílias se conhecem, nós já estudados juntos, viajamos juntos, temos os mesmos amigos, já passamos festas de fim de ano juntos!
- Eu já entendi que não posso competir com isso, Louis. - arqueou as sobrancelhas, magoada e abaixou o rosto tentando esconder a dor estampada em sua face.
- Não! - aproximou-se dela, segurando sua mão na dele - Esse não é o caso… - queria consertar o que havia dito, pois a expressão deprimida da garota o fazia sentir-se um monstro.
- Você ainda tem sentimentos por ela, não é? - elevou os olhos castanhos para encontrar os azuis dele que por um momento alarmou-se ao constatar que não conseguiria mais mentir para a menina e nem para si.
- Angel, eu sinto muito… - foi apenas o que conseguiu dizer e seu coração apertou-se ao senti-la puxando de volta a mão que antes ele segurava.
Como se não fosse o bastante magoar , sua demônia de cabelos vermelhos quentes e olhos negros gélidos e intensos, arrastara Angelique para toda a bagunça que havia criado.
- Eu não quero ser o seu prêmio de consolação. - declarou dura e ressentida, achando-se tão estúpida por ter ignorado por tanto tempo que o coração de Louis não pertencia a ela e nunca pertenceria.
- Você tá brincando comigo?! Angel, você é perfeita, em todos os sentidos da palavra! - exaltou-se, crescendo os olhos, tentando fazê-la enxergar tudo o que ele admirava nela - Você é linda e tem esse sotaque que acaba comigo... - colocou a mão sobre o peito, lembrando de todas as vezes que tentava imitá-la com seu péssimo francês - sério, qualquer coisa que você me pedir com esse sotaque, eu faço! Qualquer coisa! E você é gentil, inteligente e consciente... Eu parei de fumar por sua causa e comecei a me alimentar melhor também, tudo isso por influência sua, porque você é uma pessoa boa. Tão boa como eu nunca conheci alguém antes. - sorriu, ao vê-la sorrir, porém os lábios rosados da morena não curvavam-se lisonjeados, mas sim tristes.
- Mas eu não sou a .
Angelique é perfeita! Era isso o que os amigos de Louis sempre repetiam, todavia o rapaz estava convencido de que sabia qual era o defeito da garota.
Angelique não era !
O amor de sua vida que provavelmente, naquele exato momento, em Cambridge, fazia a vida de alguém um inferno.
- Que merda! - pensou alto, fechando os olhos - Eu só faço merda… Me perdoa, Angie. - pediu, sentindo-se mal por ser o responsável pela tristeza da menina - Você merece um cavaleiro de armadura reluzente. - riu sem humor ao usar a expressão tirada de um filme assistira com os irmãos Styles.
- Você é um cavaleiro de armadura reluzente. Só não é o meu. - tentou sorrir, negando com a cabeça - E eu mereço encontrar esse cara, Louis. Não me contentar com os restos de outro relacionamento, com uma pessoa que nunca vai me amar como ama a ex namorada.
- Você tem razão. - levantou-se, calculando todos seus movimentos, temendo fazer mais alguma estupidez. - Tchau, Angie. - pegou sua mochila do chão, colocando a alça no ombro e tirou a francesa uma última vez.
- Adeus, Louis.


ooo


Era uma agradável tarde de sábado e Liam estava em casa, em Londres, jogando Fifa 19 e tomando uma limonada fresca que a mãe preparou para ele antes de sair com Geoff para um coquetel. Os pais o convidaram mas ele havia acabado de acordar e sentia falta de estar em seu lar, por isso decidiu não se juntar a eles e tirar a tarde para relaxar.
A última quinzena de exames do semestre estava prestes a começar e por incrível que pareça, não estava nervoso, tirou boas notas na maioria das avaliações e precisava de tão pouca nota que sobrava tempo para começar a se preparar emocionalmente para as férias de verão.
Aguardando a tela de início carregar para mais uma partida deu a oportunidade para Liam fazer uma avaliação panorâmica de sua vida. Seus pais estavam bem, com saúde, felizes, ele estava concluindo o primeiro semestre da universidade e o conseguiu fazer com relativo sucesso, no campo das amizades podia contar com um grupo muito leal e unido, seu carro dos sonhos estava lá fora, impecável, já que ainda não o usara desde que foi limpo, e ele estava desfrutando de um fim de semana confortável e em paz.
O que mais um garoto poderia querer, certo?
Enquanto dava uma olhada na lista grande de seleções, Payne percebeu o quão silenciosa a casa estava, e reconheceu o quão silenciosa a sua vida estava ultimamente. A verdade é que há algum tempo não haviam mais risadas cúmplices, provocações amistosas, abraços inesperados e conversas regadas a uma intimidade descomplicada e despretensiosa.
Tudo ia bem, mas o vácuo deixado pela ausência de continuava lá, dia após dia, aumentando a saudade, invalidando o êxito das pequenas conquistas e evidenciando o nível do deslize que cometeu ao encerrar algo tão precioso com a pessoa responsável por alguns dos momentos mais felizes de sua curta vida por causa de uma maldita fração de segundos de descontrole.
Liam chegou à conclusão de que já era hora de reparar aquele erro, e o faria agora mesmo.
Salvou o progresso do jogo, atualizou a caixa de mensagens para checar se Tommo não falou mais nada, desligou o videogame, calçou o tênis enquanto cantarolava uma música que tinha certeza que aprendeu com , e pegou a chave do carro e carteira antes de dirigir tranquilamente até a residência Ortega.
Preferiu não ligar o rádio ou conectar o celular aos auto falantes para ter tempo para pensar no que dizer. Sua cabeça lhe dizia para ir com calma, voltar para casa e pensar bem no que dizer, mas seu coração queria desesperadamente apenas ver e afogar-se no calor de seu aconchego, e ele decidiu encontrar um meio termo e resolver primeiro as questões racionais antes de se jogar no abismo daquela paixão.
A próxima coisa que aconteceu foi um tanto cômica porque aparentemente todos os funcionários da casa decidiram aparecer na sala de visitas para informá-lo de que não estava lá, e as reações variavam entre surpresa e desconfiança seguidas de um aceno contido antes de se retirarem com sutileza e discrição.
Finalmente Amina Ortega entrou na sala e arqueou uma sobrancelha só, como se estivesse até então duvidado de que Liam Payne estava dentro de sua casa, provavelmente para raptar e seduzir sua filha.
- Sr. Payne, tudo bem? - cumprimentou o garoto sem ver necessidade de estender-lhe a mão. Na verdade, não se interessava de maneira alguma pelo bem estar de Liam, mas era uma amante da etiqueta e das boas maneiras então seguiria o roteiro até onde fosse possível.
- Sr. Payne é o meu pai. Você pode me chamar de Liam. - Liam a corrigiu, notando como ela não havia sentado, o que indicava que pretendia encurtar o diálogo.
- É claro. - Amina sorriu cerrado. - Eu imagino que você já tenha sido informado de que a não está.
- Sim.
- E eu imagino que vocês ainda estejam… afastados…
Deus, como odiava aquela filha da puta! Liam pensou mas se esforçou para não agarrá-la pelo pescoço e colocou um sorriso no rosto:
- Por enquanto.
- Então você não mais negócios a tratar por aqui, lamento desapontá-lo mas ela não retornará tão cedo, então se você quiser…
- Eu estou aqui para falar com você, Sra. Ortega. - Payne a interrompeu antes que fosse expulso sem ter a chance se acertar as coisas.
A Sra. Ortega demorou alguns segundos para absorver a informação e por fim sentou na poltrona vermelha, régia como uma rainha, julgando Liam e suas tatuagens escandalosas.
- Ah. - ela disse em um sussurro desconfortável.
Liam sentou também e os dois se encararam por longos minutos até o rapaz tomar a iniciativa e de uma maneira muito direta, por sinal:
- Nós precisamos conversar sobre a , e sobre nós. - ele começou e a cada palavra, a mãe de ficava mais estupefata, chocada e incomodada. Mas Liam não parou. - Eu sei que você não gosta de mim, por algum motivo obscuro que não me interessava, mas agora tudo mudou. A nossa situação deixa a infeliz, e eu não a culpo, você é a mãe dela e eu jamais vou me colocar entre vocês, você por outro lado, tem feito o possível para tornar as coisas difíceis e eu me pergunto se o seu desejo de me ver miserável é mais importante do que a felicidade da pessoa que nós amamos.
Se Amina fosse um pouco menos controlada, teria ficado de queixo caído.
A audácia daquele garoto em comparar o seu afeto maternal à o que quer fosse aquela enxurrada hormonal que ele chamava de sentimentos era ultrajante!
Ela preferiria viver o fim do mundo à ver Liam Payne novamente com .
- Aonde você está querendo chegar, Liam? - perguntou de cenho franzido.
- Você e eu precisamos chegar a um acordo. E não, eu não quero que você seja legal comigo ou finja que está feliz em me ver, mas por favor, pare fazer a se sentir mal porque está comigo.
- É quase engraçado assistir você se debater, achando que é o problema mais importante do país. - Amina sorriu mas não era nenhum sorriso amigável, Liam poderia desistir bem ali mesmo se não quisesse tanto estar com . Sua ex sogra, futura sogra novamente se tudo desse certo em nome dos céus, era um balde de água gelada numa noite de inverno, um mar glacial no quesito de sentimentos e empatia. - Na verdade, eu nem sei porque estamos tendo essa conversa já que você e a minha filha não tem mais nada.
- Como eu expliquei antes, esse é um erro que pretendo consertar assim que terminarmos aqui.
- Oh. Sendo assim, eu preciso esclarecer algo: eu sei que deve ser fantástico se imaginar no centro de uma trama contra sua felicidade, mas o problema não é você.
- Não?
- Bom, agora é. - Sra. Ortega abanou a mão graciosamente - Mas é mais uma preocupação minha relacionada ao posto de namorado da , o que não vai ser você para sempre, como nós sabemos. Ela é a minha garotinha, a minha única filha, e eu dediquei os meus melhores anos para fazê-la trilhar caminhos altos em um futuro brilhante, então é claro que não vou simplesmente abrir os braços e congratular o primeiro garoto que aparece e tenta se colocar entre ela e o seu futuro.
- Eu nunca me coloco entre ela e o balé. - Liam franziu o cenho pois em sua concepção o balé era quem se colocava entre eles, nunca ao contrário.
- Não mesmo? Porque ainda esse ano ela perdeu um programa porque estava em outra cidade. Com você.
- Foi um evento isolado, Sra. Ortega…
- Isso é o que você diz mas como nenhum de nós tem uma bola de cristal para ver o futuro e assim eu ter a garantia de que em dez anos as coisas terão ocorrido como o planejado, eu vou me dar o benefício de duvidar das suas palavras.
- Tudo bem. - Payne acenou, concordando. Mas sua mente vagueava sobre a questão de se realmente valia toda aquela loucura, a mulher estava falando de dez anos no futuro! Ele nem sabia se ia estar vivo até lá!
- Ela vai para Nova Iorque quando sair da Eton, Liam. E o que vocês vão fazer então? - Amina cruzou os braços.
- Nós vamos estar em um relacionamento a distância até que ela termine o curso.
- E depois?
- E depois o quê?
- Você espera que ela volte pra casa, vocês vão casar e ela vai ficar em casa procriando? - A mulher sorria, certa de que o peso de tantas responsabilidades afugentariam o rapaz de vez. - Você não entende? Trabalhando para uma companhia ela dificilmente vai voltar pra casa. E o que vocês vão fazer quando esse tempo chegar? Você vai terminar de novo com ela, como fez agora só porque eu te incomodo?
- Eu acho que nós estamos nos adiantando demais nessa conversa, Sra. Ortega. Eu prefiro levar um dia de cada vez, cumprir uma etapa por dia e enfrentar cada desafio ao seu momento. E o meu próximo passo vai ser me despedir de você e acabar com essa tortura pra nós dois, e ir falar com a . - Liam levantou, acenou rigidamente e saiu antes que perdesse a oportunidade de ter dado a última palavra.
Aquele encontro foi exatamente o que ele havia esperado quando decidiu conversar com Satanás, porém agora tinha o bom pressentimento de que as coisas melhorariam entre ele e sua querida sogra.
De volta ao carro, ele se perguntou aonde ir em seguida porém não se delongou em tal pensamento pois viu a na janela e arrancou dali com a pressa de quem corria pela sua vida. Fora dos limites daquela casa assombrada, discou o número de e torceu para que não fosse ignorado, o que certamente iria acontecer se ela estivesse de mal humor, assistindo, comendo ou dormindo.
Mas a sorte sorriu para o feliz garoto e quando a esperança estava quase perdida, Meester atendeu a ligação com uma saudação entediada seguida de um chiado incompreensível até a morena retomar o controle do telefone que escorregou de sua sua mão.
- Você sabe onde a está? - Payne cortou o papo furado.
- No Hyde Park com o Zayn. - informou. - Espera aí! Por quê você quer saber?
- Para de ser curiosa. Você lembra quais são as flores favoritas dela?
- Eu não vou responder mais nada enquanto você continuar ignorando minha pergunta!
Liam rolou os olhos mediante a ameaça barata. Não era como se ele estivesse impossibilitado de ligar para a própria e conseguir sua localização, preferia não ter de fazê-lo para surpreender a menina todavia a resistência de Meester o levaria a isso
- , por favor.
- Por favor nada, me conta o que você está planejando.
- Evitar ir ao Hyde Park hoje, comprar qualquer flor menos as que a gosta pra decorar minha casa.
- Você vai falar com ela! Ah, meu deus! Eu preciso avisar todo mundo!
- Ei, ei, ei. Não desliga! Quais são as flores?
- Hmmm, tulipas, rosas mas só se forem brancas e girassóis. Eu particularmente prefiro…
Liam desligou, dirigiu mais uns metros e ligou novamente:
- Eu nem devia atender você, mal educado. - Meester falou primeiro cheia de enfado.
- Eu preciso de um favor.
- Por que eu deveria te ajudar?
- Porque se você não fizer o que eu pedir, vou falar pro Max que você fica falando pro mundo inteiro como quer voltar com ele.
- É um favor que você me faria.
- É mesmo?
- Não, ele é um Westwick… De qualquer maneira, eu não posso te ajudar se você não oferecer nada em troca.
- Ai, vai se foder. - Liam desligou mais uma vez.
E então apelou para a lealdade de Zayn para com ele e pediu duas coisas ao amigo em uma concisa mensagem: 1. Compartilhamento de localização em tempo real e 2. Manter segredo para .
Zayn apenas compartilhou a localização sem fazer promessas em relação à prima, porém aquilo era o suficiente para ele. Se tentasse correr, ele podia correr duas vezes mais rápido e o faria sem hesitar desde que pudesse pedir perdão por ter sido um idiota.
Normalmente Liam sentia aversão à massas e todo o ritual social envolvendo o acúmulo de personalidades distintas aglomeradas em um único ambiente, principalmente porque uma considerável parcela estava ali só para sujar, depredar o patrimônio público e encher o saco de quem só queria aproveitar o ambiente natural. Entretanto, naquele momento se encontrou desfrutando da suave brisa vinda das árvores que banhavam seu rosto com o cheiro de grama fresca e ofereciam um refúgio bem vindo do sol.
Quando encontrou a dupla, os primos estavam sentados sobre a grama e Zayn tomava um energético e de vez em quanto tentava chamar a atenção de Kelso que ignorava completamente o rapaz porque disputava um pedaço de galho com e ocasionalmente distraia-se de seu objetivo maior para tentar arrancar a flanela branca que prendia os cabelos negros da garota, e ao invés de impedi-lo, balançava os fios para provocar o pestinha.
- Você vai ficar aí a tarde inteira? – Zayn trouxe a presença de Liam à tona. – E eu imagino que essas flores não são pra mim.
Kelso abanou o rabo para Liam sem soltar o brinquedo e finalmente perdeu a guerra do pedaço de galho já que encarava entre Liam e as flores que ele carregava como se duvidasse da realidade daquela miragem, no mesmo instante o cachorro deitou e começou o processo de destruição de seu troféu.
- Hoje não. – Payne deu um meio sorriso para o melhor amigo mas seus olhos reverenciavam , derramando saudade e esperança. Se tudo terminasse bem quem sabe ele não compraria flores para Zayn também? – Eu posso falar com você? - dirigiu-se à .
- Pode. - ela confirmou e tomou impulso para sair do chão porém estava sentada há tempo demais e sua tentativa ia gerar uma situação embaraçosa do nível de seu rosto amassado contra a barriga do cachorro deitado à sua frente, não fosse o auxílio de Liam, que ofereceu mão para ela.
Zayn segurou a guia de Kelso quando ele tentou acompanhar o casal e murmurou um consolo para o animal mas que totalmente servia para o sentimento mórbido de abandono que sentia no momento.
e Liam não foram muito longe, sentaram em um banquinho há alguns metros de Malik, totalmente no campo de visão do moreno, que virou o rosto de propósito para evitar desgostos maiores em sua tarde antes perfeita.
- Essas flores são para você. - Payne ofereceu o buquê gigante de tulipas amarelas.
- Obrigada. - recebeu o presentinho e o colocou entre eles, encarando Liam ávida pra ouvir o que ele diria que era tão importante para ela receber suas flores favoritas. Primeiramente, estava impressionada que ele sequer lembrasse de um detalhe tão bobo, e segundo a sua experiência com filmes de romance, flores sempre significavam algo bom.
- , eu poderia fazer um discurso elaborado e apaixonado, mas nós dois sabemos onde vai terminar. – ele falou eloquentemente, dando-se conta de que não mais lembrava de todas as belas palavras que planejou dizer para Ortega.
O que ele sabia é que não estava procurando por nada em especial quando se apaixonou por , só percebeu que pouco a pouco passou a desejar passar mais tempo com ela. Era simples e fácil, e quando se deu conta, amava tanto a garota que temia a mera possibilidade de perdê-la, e esse sentimento tão profundo o assustava.
Mesmo agora quando ela estava de braços cruzados o fitando com aquela cara, argumentativa, e seu olhar parecia ameaçador como o cano de uma arma prestes a disparar, ele se sentia vivo como se estivesse dirigindo a mil por hora.
- Bom, eu gostaria de ouvir esse discurso infinito. Talvez assim eu entenda porque você foi tão burro. – solicitou.
- Na verdade eu não tenho tanto talento. – Liam deixou os ombros caírem, sentindo-se meio frustrado. – Só que eu preciso admitir que errei e que sou um idiota.
- Você é.
- Mas eu te amo, muito. E nesse tempo todo em que nós ficamos separados eu senti sua falta durante cada segundo, eu queria conversar com você, contar sobre o meu dia, reclamar dos idiotas ao meu redor, e depois ouvir como foi o seu dia. Você é o meu amor mas também é a minha amiga. E, deus, como eu senti falta da minha amiga!
- Se você sentiu tanto a minha falta, por que não me procurou antes? - ela questionou, soando magoada.
- Porque eu não queria admitir que estava errado.
- Eu só não sofri tanto porque a metade desse tempo eu usei pra tentar entender o que aconteceu naquele dia. O que aconteceu, Liam? Por que você não ficou e conversou? Nós poderíamos ter resolvido o problema, ou pelo menos tentado, e se você ainda quisesse ir embora depois de tudo, eu pelo menos ia entender o porquê.
- Eu acho que fiquei com medo das coisas acabarem mal entre nós e acelerei o processo. E eu não demorei muito para perceber que tinha tomado uma péssima decisão. - Liam confessou em meio a onda de vergonha que aqueceu seu rosto. Raramente era dominado por tais emoções mas doía em seu ego perceber que apesar de se considerar um ótimo namorado havia sido um lixo.
- Ainda sim foram necessários três meses pra você reconhecer isso e vir falar comigo. - Ortega contou todos os dias desde que terminaram graças a um aplicativo que ajudava a superar términos enviando mensagens diárias de motivação e gravava informações de humor diárias adicionadas pelo usuário.
De acordo com esse programa, havia superado Liam há dezessete dias. Mas estar sentada ali ao lado dele a fez notar que o aplicativo não funcionava, pois no momento em que viu o rapaz segurando flores, ela o perdoou.
- Eu fui atrás de você naquele dia. - Payne se defendeu, porém assim que terminou de falar e viu a sobrancelha de se erguer discretamente soube que não deveria trazer aquele encontro à tona.
- Quando a gente transou e você foi embora de novo sem me explicar nada?
- Eu te trouxe flores, isso não conta em nada na minha tentativa de conseguir seu perdão?
- Não coloca as flores no meio disso. Elas são perfeitas, você não. - puxou-as para seu colo. - Você falou algo sobre eu ser uma sombra da minha mãe, quando terminou comigo.
- Ehhhhh, talvez eu estivesse muito puto com a sua mãe. - Liam coçou a nuca, surpreso com a menção das acusações que ele fez meses antes. É claro que ela lembraria de cada palavra, não adiantava nem fingir que não sabia do que se tratava tudo aquilo.
- Mas você quis dizer aquilo? - quis saber.
- Em parte. Eu estava sim chateado com a sua mãe e achei que seria uma boa punição pra ela saber que você desistiu de tudo para se descobrir como indivíduo.
- Você realmente me deu o que pensar. Eu precisei sentar e questionar minhas escolhas até aquele momento e sim, eu comecei a dançar por causa da minha mãe, mas eu amo dançar, Liam. Eu gostaria de ter palavras pra expressar o quão bem eu me sinto enquanto danço, eu juro que sinto felicidade correndo pelas minhas veias! E essa é a mesma lógica para o violino, para os meus planos em Juilliard e qualquer outro escolha minha que você imagine ser uma imposição da minha mãe. Ela é terrível com você e eu tento mudar isso, mas eu não sou obrigada a fazer nada que eu já não queria muito.
- Mas eu já vi ela te obrigando a participar de eventos que você não queria!
- Não, ela não me obrigou, eu sempre posso dizer não. Mas pense na minha mãe como a minha mentora, a minha agente, ela não pode deixar que eu fique desleixada. Provavelmente sem isso eu jamais estaria preparada para Juilliard.
- E tudo isso não explica porque ela me odeia. - Liam esticou as pernas e espreguiçou como pode sobre o banco duro.
- Eu gostaria de entender também. - sorriu fraco e seus olhos navegaram pelo tecido da camiseta de Liam, que subiu a medida em que ele se esticou.
- Me desculpa por ter implicado que você só faz o que a sua mãe quer. - o garoto desculpou-se pelo acusação injusta que fez naquela tarde, pois se havia alguém que merecia ouvir palavras duas, era pessoa era Amina, e ele não cometeria novamente o erro de colocar entre o seu problema com a sogra. Ela não precisava saber que duas pessoas que ela gostava se degladiariam até a morte se possível.
Da próxima vez que a Sra. Ortega enchesse a sua paciência, ele iria descontar a frustração de uma maneira que iria chocá-la.
- Não se preocupa, você não deve ser o único que pensa assim. - a caçula deu de ombros, satisfeita com o arrependimento de Liam, era fácil amá-lo quando ele estava todo humilde pedindo desculpas e não reclamando de ninguém além dele mesmo!
- Mesmo assim, eu era o seu namorado, devia te conhecer melhor que isso! - Payne se revoltou com a facilidade com que era perdoado.
- Ou me perguntar antes de tomar decisões precipitadas. - ela deu um sorrisinho enviesado e tocou com o indicador no peito de Liam, que a encarava totalmente entregue.
- Você é toda a bondade que eu não vejo no resto do mundo. - declarou.
Liam acreditava que todo ser humano é formado pelo conjunto de pessoas que passaram por sua vida e deixaram impressões, marcas e vestígios de si mesmas. Ele sabia que gostava do cheiro de terra molhada porque o lembrava da infância quando o pai o levava para procurar iscas à beira do lago, onde um pequeno manguezal existia entre a terra seca e a água. Poderia encontrar morangos dez vezes em um dia, e nas dez vezes sorriria porque sua tia Chippy costumava aterrorizar as crianças menores dizendo que as sementes pretas na casca do morango eram filhotes que eles matavam. Ainda tinha o infame cheiro de cigarro remanescente no couro que para sempre o lembraria das nostálgicas tardes nubladas em que sentava com Zayn e eles planejavam as maiores estupidezes já inventadas ao invés de fazer a tarefa de casa.
E era responsável pela melhor parte de si, ela representava a simplicidade com que se devia ver a vida, instingava-o a não levar-se tanto a sério e aceitar que era aceitável errar ou não ser o melhor em tudo. Viver ao redor dela era simples e Liam sabia que necessitava dela como o sol precisa da lua para que sua luz seja refletida sobre a terra.
- Posso? – pediu permissão para pegar a mão dela e conseguiu o que queria após a caçula olhar brevemente para sua própria mãozinha, decidindo-se se ele merecia. – As suas mãos são lindas. - ele entrelaçou-a na dele e admirou os dedos longos e graciosos, - Você é linda, perfeita pra mim. – adicionou e beijou a parte interna do pulso, deliciando-se ao ver a pele dela se arrepiar sob o singelo toque.
- O Zayn está olhando pra gente. – puxou sua mão de volta e a pousou sobre o colo.
Liam virou-se o bastante para checar o amigo mas Malik já havia desviado o olhar deles e agora conversava com Kelso sobre suas apostas para o rumo da conversa que ocorria logo ao lado. Em sua opinião eles contavam com a vantagem de estar em público e assim Payne não tentaria seduzir sua prima em troca de perdão, Kelso discordou da ideia do dono em relação à demonstrações públicas de afeto e lambeu a cara dele para provar seu ponto.
- Eu acho que ele está torcendo pra você me agredir com essas flores. – Liam sorriu cerrado.
- Eu jamais faria isso com essas coitadinhas. – alisou as pétalas macias das tulipas amarelas, adorando cada uma delas sem nem notar que Payne observava o carinho que as flores recebiam, carinho que deveria ser dele.
- Bom, se você quiser eu compro outras. Desde que isso te faça ficar menos brava e me perdoar. – ele interrompeu a sessão de mimar mato.
- Eu não estou brava. – disse honesta. - Só estou tentando entender o que você quer.
- O que eu quero dizer é que eu não sou a pessoa que vai ler poemas pra você ou fazer grandes gestos pro mundo inteiro saber que te amo, mas eu vou estar com você nas quatro estações, vou massagear seus pés cansados, sentar na primeira fileira de todos os seus espetáculos, estudar com você quando estiver sem coragem, vou ser o seu melhor amigo e todos os dias vou olhar nos seus olhos e dizer só para você ouvir que eu te amo. E sabe o que vai acontecer? O tempo vai passar e você vai aprender a ler meus olhos, vai olhar para eles onde quer que estejamos, e vai saber que eu amo você, só você.
Ao fim daquela promessa solene, estava tão comovida pelo significado daquelas palavras que sua concentração mudou completamente do belo discurso para o controle das lágrimas iminentes.
- Ai, meu deus. Você está chorando. - Liam atestou o óbvio, preocupado que aquilo virasse uma torrente inesgotável de lágrimas.
Um família com crianças passou por eles e alguns dos mais velhos puseram olhares curiosos sobre a criança chorando sobre o banco, preocupados. Mas seguiram seu caminho ao decidir que não era nada tão sério já que a garota que chorava segurava um buquê ridiculamente grande.
- Não estou! - protestou mas o reconhecimento de seu estado a fez chorar de verdade, libertar a felicidade que pressionava seu peito e extravasar a fusão de sentimentos bons que vieram à tona ao saber que era tão amada. - Agora eu estou! Olha o que você fez! - fungou, tentando desesperadamente enxugar os olhos.
- Vem aqui, bonequinha. - ele colocou as flores para o lado e estava prestes a puxar para o seu colo mas os latidos de Kelso o fizeram lembrar de que Zayn estava logo ali atrás, portanto se contentou em passar o braço sobre o ombro dela, abraçando-a como podia. - Você sabe que não precisa chorar, não é? - sorriu ao sentir os braços dela rodeando seu torso.
- Você acha que essa é uma escolha minha, andar me debulhando em lágrimas por aí? - Orteguinha ergueu o rosto, contrariada.
- Bem… - Liam deu de ombros e voltou a contemplar a paisagem idílica.
- Sobre aquela questão do perdão, - ela fungou, mais calma. - Eu perdôo você mas acho bom você continuar com o negócio das flores pra ratificar esse negócio. - propôs.
Liam gargalhou da audácia do pedido e teve que aceitar que aquela altura do campeonato o que nada havia na nossa galáxia que ele pudesse negar um pedido de .
- Eu posso te beijar? - pediu tomado pela ansiedade de tocar os castos lábios que foram apenas um sonho distante nas últimas semanas.
- Aham. - acenou, hipnotizada, umedecendo os próprios lábios.
- Será que eu quero fazer isso? - Liam brincou, todavia a afastou dele para que pudesse levantar e espreguiçar o tronco e os braços.
- Liam! - a caçula protestou contra aquela crueldade, mas ficou de pé também e deu um tchauzinho para o primo, que estava há alguns minutos caminhando aos arredores com o cachorro, segurando sua guia enquanto ele cavava ao redor de árvores centenárias.
- O que foi?
- E meu beijo?
- Ahh, mudei de ideia.
- Como assim? Quem muda de ideia sobre beijos? - Ortega cerrou os olhos, incrédula.
- Quem sabe que não vai conseguir parar uma vez que começar. - Liam respondeu e lançou-lhe um olhar significativo que esquentou suas bochechas.
- Você é estranho. - resmungou constrangida.
- Vem pra casa comigo, . - ele pediu após beijar a bochecha da garota suavemente.
- Nós precisamos deixar o Kelso em casa primeiro. - respondeu, meio chateada porque queria mesmo ir pra casa de Liam. Estava morrendo de saudade de Karen e a perspectiva de vê-la depois de tanto tempo os colocou em movimento. Liam se ofereceu para carregar o pesado buquê, mas foi recusado e o casal voltou a caminhar até Malik. - Pode deixar que eu levo.
- O Zayn não pode fazer isso? - Payne inquiriu sobre o retorno de Kelso ao seu lar.
arqueou uma sobrancelha:
- Ir na casa da devolver o cachorro que ele deu de presente pra ela?
- O que está acontecendo? - Zayn entregou Kelso para assim que a dupla se juntou a ele, e o animal veio alegremente, rodeando Liam e cheirando sua calça, buscando o histórico de onde o rapaz esteve pelo dia.
A dúvida do bad boy era tanto relacionada à menção do nome de Hilton bem como para saber qual era o entendimento entre o casal, que estavam de bem um com o outro mas o que aquilo significava? Que eles decidiram terminar em bons termos? Era bem a cara daquele idiota do Liam querer ser amigo de ex...
- Eu vou levar essa garota comigo e você fica com esse garotão, que tal? - Liam propôs bem humorado, na expectativa de que a sorte lhe sorrisse mais uma vez e Zayn cooperasse com aquele arranjo. Mas nem Liam era tão sortudo assim.
Aí estava sua resposta! Zayn riu, e não só porque errou em considerar que e Liam eram apenas ex amigos mas porque a sugestão do melhor amigo só podia ser uma grande piada. Porém o riso durou só até ver que Liam estava falando sério e praticamente implorava com os olhos para que ele levasse em consideração o pedido sem cabimento.
- Jamais!
- Zayn, é só ir deixar ele com qualquer funcionário! Você pode pedir especificamente para não ver a . Por favor! - deu um passo à frente e segurou a mão do primo, todavia Zayn dirigiu o seu olhar a Liam e descarregou:
- Você quer que eu entre no covil da covarde da minha ex só pra você ganhar tempo transando com a minha prima? Você ficou louco, Liam? Você usou drogas?
- Puta que pariu…- Payne se queixou, sabia que Zayn não ia cooperar mas não era nenhum pouco menos frustrante ter que ouvir as reclamações constantes do melhor amigo. - Esse cachorro não vai entrar no meu carro, eu só quero deixar isso claro.
- Por que não?! - foi a vez de ficar estupefata. Seu plano era deixar Kelso em casa e seguir para os Payne e essa afirmação de Liam meio que estragava tudo.
- Porque ele gosta de cavar, tem unhas afiadas e eu tenho bancos de couro.
- Ótimo! Nós voltamos ao nosso plano original de uma tarde de primos e você vai parar de encher o saco e voltar pra casa, que tal? - Zayn entrelaçou as mãos, ansioso para terminar aquele momento estranho.
- Nós temos que devolver ele. - disse.
- Temos mesmo? Eu estou pensando em pegar meu presente de volta. - Malik coçou a barba do queixo, pensativo.
- Você quer mesmo comprar uma briga, não é, Zayn? – Liam agora era quem segurava Kelso porque podia sair correndo com ele caso Zayn tentasse roubá-lo. – o meu carro está lá fora, vamos indo. – indicou o caminho e segurou na mão de pelo simples prazer de matar a saudade do pequeno gesto.
- Você não pegou os presentes que deu de volta quando vocês terminaram? - Zayn jogava suas chaves para o alto descontraidamente, confiando que o cachorro ao lado não ia tentar abocanhar o molho.
- Claro que não!
- Isso é meio mesquinho, Zayn.
Liam e negaram com veemência, impressionados com a naturalidade com que Zayn falava sobre tornar mais difícil ainda as coisas entre ex namorados. E foi para Liam, a quem conhecia muito bem, que dirigiu sua ceticidade:
- Ahhh, vai me dizer que você nunca pensou em aparecer do nada e exigir tudo de volta, Payne?
Liam prensou os lábios, incerto sobre a admissão de que aquele pensamento lhe ocorreu quando passou pela fase da raiva nos dias que seguiram ao término.
- Talvez… - chutou uma pedrinha avermelhada.
- Eu não acredito nisso. - revirou os olhos. Por que garotos eram tão infantis?
- Se você negar que nunca pensou nisso é uma mentirosa, priminha.
- O que diabos eu faria com presentes do Liam?
- Isso não é sobre os presentes em si, e mais sobre demonstração de poder. É sobre ir lá, reivindicar tudo o que é seu e depois jogar fora, só pra deixar seu ex infeliz. - Malik justificou sua crença.
- E eu jurando que a terapia estava fazendo efeito em você. - Ortega murmurou, sem fé de que um dia Zayn conseguiria ser uma pessoa melhor, já que nem horas mensais com um psicólogo podiam fazer muito por aquela pobre alma perturbada.
- Da próxima vez que vocês terminarem, eu vou te ajudar com isso. - o badboy passou o braço ao redor dos ombros da prima, e concordou entre sorrisos, todavia seus olhos sorriam para Liam, que também sorria para ela, só para ela.


ooo


Desmond Styles lembrava exatamente do dia em que comprou a mansão que veio a se tornar seu lar, foi um dia de outono particularmente frio para a estação e a primeira coisa que lhe veio à cabeça ao vê-la pela primeira vez foi que ali teria espaço o bastante para ter três esposas e quinze filhos se quisesse e ainda sim não esbarraria neles acidentalmente.
Porém, quanto mais velho ficava e mais paz procurava, percebia que ser pai de dois adolescentes e uma esposa sociável tornava impossível para que ele colocasse os pés no corredor sem ser abordado por alguém, e a única solução viável seria se mudar para a casa da piscina e manter dois guardas lá para impedir que qualquer pessoa além dele entrasse.
E era por todo esse histórico que ele nem se deu ao trabalho de ficar bravo quando passou pela sala de visitas e viu Louis agachado desfazendo a própria mala bem ali, no meio do cômodo.
- O que você está fazendo, garoto? Por que minha sala está tomada de roupa?
- Ah, oi, Des! Eu acabei de chegar de Oxford. - Tommo levantou e apoiou as mãos nos quadris, encarando o Sr. Styles muito bem humorado por que o fim de semana havia chegado, finalmente.
- E já causou esse estrago todo? - Desmond estava impressionado.
- Você é engraçado. - Louis riu com gosto apesar do homem estar falando seríssimo. - Mas eu acho que perdi minha carteira e tinham coisas importantes nela.
- Realmente não é bom andar por aí sem seus documentos.
- Quê? Documentos são recuperáveis, eu estou preocupado com uma figurinha assinada do Pelé que eu guardava lá.
- O quê? - o Sr. Styles ficou de queixo caído. - Quer saber, eu vou só fingir que você não está aqui e vou seguir o meu caminho. - ele se dirigiu à saída.
- Considerando que eu não sei o que estou fazendo da minha vida, diria que essa é uma ótima ideia, Sr. Styles. - Louis gracejou porém soou mais miserável do que gostaria e Desmond gostava de quietude mas também era um pai, e aquele moleque que cresceu por ali era sua responsabilidade de certa forma.
- Está tudo bem, garoto?
- Minha namorada terminou comigo no início da semana.
- Oh. E você é o culpado? - Des cruzou os braços, aliviado pela falta de gravidade daquele probleminha e divertindo-se às custas do sofrimento do adolescente.
- Eu me sinto culpado por não estar triste por causa disso. - Louis sorriu sem graça pois nem os melhores dias com Angel podiam competir com a intensidade de seus sentimentos por , não importando o quanto ela o rejeitasse e das inúmeras brigas e discussões.
- Ah, mas você vai ficar. Dê tempo ao tempo. - Desmond disse e sentiu-se a voz da sabedoria nesse momento, teria que contar para Kate sobre a oportunidade perfeita para usar um ditado que seus pais sempre diziam.
- Eu acho que isso não vai acontecer já que não consigo esquecer a minha ex.
- Que terminou com você no início da semana?
- Não! Eu estou falando da agora. - Tommo adquiria um vigor no rosto ao falar da demônia de cabelos vermelhos. - Ela é perfeita…
O Sr. Styles não sabia muito bem o que dizer sem ofender o menino, portanto limitou-se a declarar o óbvio:
- Ela é… a .
- Eu sei!!! - Louis se jogou no sofá, pronto para usar a próxima hora para compartilhar seus pensamentos com o pai de Harry: - E agora que a Angelique terminou comigo, eu posso focar completamente em fazer um grande gesto pra reconquistar a !
- Você não estava brincando quando disse que não sabe o que está fazendo da sua vida. - Desmond deu tapinhas amigáveis no ombro de Louis, rindo da condição deplorável em que a cabeça do menino se encontrava. - Até depois, Louis. Juízo!
Tommo nem se despediu do Sr. Styles pois estava submerso em seus devaneios de uma realidade onde o perdoava e eles superariam aquele ano terrível, lançando-o nas profundezas do esquecimento.
Como eles estavam sobrevivendo àquele pesadelo? Até quando poderiam continuar aquela dança infernal? Ele já estava cansado de lutar, brigar, provocar, não aguentava mais ter esperanças e tinha medo que ao final de tudo aquilo, não o quisesse mais, e aquilo sim seria algo difícil de superar.
- Louis! O Zayn falou que você esqueceu sua carteira no quarto dele. - Harry entrou na sala falando alto e se jogou no outro sofá sem se importar com a bagunça que Louis fez nos dez minutos em que esteve no andar de cima se trocando.
- Graças a deus! - Louis sentia o coração menos pesado ao saber que sua carteira estava a salvo.
Podia viver sem , mas ficar sem ela e sem sua foto assinada já era demais!
- E que ele vai ficar com a figurinha do jogador lá.
- Jogador não, Pelé. Respeita o Pelé, Harry. - Tomlinson repreendeu a conduta leviana de Harry. - E eu vou bater no Zayn se ele não me entregar aquela merda intacta.
- Você precisa ir pra casa que horas? - Harry mudou subitamente de assunto já que conversar sobre futebol não era o seu tópico favorito.
- Minha mãe quer que eu esteja em casa antes do jantar, mas meu pai já falou que nós vamos comer fora e agora eles estão escolhendo um restaurante e um novo horário. Por quê? O que nós temos para fazer?
- Nada, na verdade.
- Ótimo. - Louis concordou e deitou no sofá, com uma perna pendurada para conseguir bater o pé ansioso, e tirou o celular do bolso para checar se já havia resposta para a ameaça que fez de ir até a casa de caso ela continuasse ignorando-o.
Harry ergueu os pés descalços sobre o sofá e amontoou três almofadas para ficar meio sentado, meio inclinado, pensando a mil por hora, tentado a compartilhar com Louis o seu maior segredo, todavia receava a falta de recepção de Tommo e tudo o que não precisava agora era de mais pensamentos negativos somados às suas próprias suspeitas de que havia chegado ao fim da linha com os encontros com e não sabia mais o que fazer para conseguir uma abertura naquela muralha da China que era guardava o coração da morena.
Quem sabe uma das ideias estúpidas de Louis poderiam lhe dar alguma ideia de como ter uma melhor abordagem, ou pelo menos palavras amigas que lhe dessem um pouco mais de esperança para continuar tentando.
- Louis?
- Hm?
- Eu preciso te contar uma coisa.
- Pode contar. - Louis acenou distraído e manteve o celular no rosto.
- Na verdade eu preciso de um conselho. De vez em quando eu tenho me encontrado com a , nós transamos e eu vou embora em seguida. Quando nós começamos isso eu esperava que ela fosse se abrindo com o passar do tempo mas nós já estamos há uns quatro meses na mesma e ela não quer conversar comigo. Eu não sei o que fazer pra ela me dar uma chance, apesar da garantir que eu tenho chances, eu não consigo enxergar uma saída.
Tommo jogou o celular para o canto e sentou.
- Uau, isso responde tanta coisa e ao mesmo tempo cria tantas outras perguntas. - disse, atônito. - Mas eu vou começar dizendo que essa foi uma péssima ideia. Péssima. Terrível. Horrível. Burra.
- Mais burra do que ficar perseguindo a ex como você faz com a Westwick? - Harry adorava poder trazer a tona a caçada de Louis que não foi interrompida nem mesmo por Angelique, que inclusive nem era mais citada entre eles de tão rápido que Tomlinson a esqueceu.
- Com certeza! As coisas já estão ruins o bastante como estão, imagina se nós adicionássemos sexo, cara!
- É diferente comigo e com a , nós conseguimos nos comunicar de uma forma diferente, é como se…
Louis ainda não havia relaxado a expressão facial quando Harry voltou a falar daquela aberração da natureza e ele se viu obrigado a interrompê-lo:
- Eu não acho que você está entendendo. A não está afim de você e a sabe disso, eu não sei que jogo doentio ela está jogando mas todo mundo sabe que a estava envolvida com três caras ao mesmo tempo. Ela estava ocupada demais pra sequer lembrar de você.
O chão se abriu sob Harry e ele sentia a gravidade trabalhando contra ele enquanto a terra tentava engoli-lo. Havia ele interpretado todos os sinais errados? Não havia mais esperança e ele teria que admitir a derrota? Falhou em mostrar o seu amor por e a perdeu?
- O quê?
- Pois é, e a sabe de tudo, agora me diga exatamente o que ela te disse porque você pode ter interpretado errado. - Louis continuava falando sem ter ideia da enxurrada de inseguranças e temores que oprimiam o melhor amigo.
- Três caras?! - Styles precisava ouvir mais sobre aquilo, queria ser torturado mais um pouquinho, talvez merecesse saber sobre os metros e metros de pênis que penetraram o amor da sua vida.
- É, aquele menino de Cambridge, o Max e o terceiro misterioso deve ser você.
- Max? O Vizinho do Liam? Aquele Max?
- Ele mesmo! Mas nós gostamos de nos referir a ele como primo da porque deixa a mais infeliz.
- Ele é primo da ? A estava saindo com o primo da ?
- Mas isso durou só até ela saber do parentesco dele e da . - Tommo riu sozinho sob a lembrança do escândalo que foi a tal descoberta. - O que a te falou, Harry? - sentou na beira do sofá e cruzou as mãos, como um profissional em relacionamentos.
- Ela conversou com a sobre mim, sobre a possibilidade de nós voltarmos e a mudou de assunto. - Harry contou as boas novas porém a bomba jogada por Louis já havia explodido suas esperanças e sonhos, agora ele era apenas um balão cheio de carne e sangue, nada mais.
- Oh. Mudar de assunto é bom! Tudo o que não é uma negação explícita é bom! - Louis bateu palmas, animado.
Levantou e começou a andar para lá e para cá, com a mente funcionando a todo vapor, calculando todas as possibilidades e cenários possíveis para fazer descer de seu pedestal e entregar-se ao amor!
Sim, eles podiam fazer aquilo acontecer!
- Foi o que a falou... - Harry concordou morbidamente.
- Quem sabe ela não estava saindo com todos esses caras pra não se apegar a você?
- Todos? Tem mais? - Styles sentou, desesperado.
- Essa pergunta é meio rude já que nada disso é da sua conta. - Lou reclamou.
Ia ser complicado reconquistar até mesmo a dignidade de Harry se ele continuasse com aquela atitude pessimista.
- É claro que é! Eu preciso saber com quantos problemas eu estou lidando!
- Olha, ninguém tem provas concretas mas você sabe como é, quem pega três, pega seis, nove e assim por diante. Mas você não precisa se preocupar com os outros, atualmente os seus maiores problemas são o garoto de Cambridge, que fica ao redor dela o tempo todo, e o Max, porque eles podem ter terminado por enquanto mas ninguém supera o Max fácil assim.
- Puta que pariu, viu. Eu não consigo acertar uma na minha vida, parece que quanto mais eu tento consertar as coisas, piores elas ficam. - Harry mordeu o lábio, sentindo-se extremamente frustrado.
Louis parou de caminhar e na frente do amigo, questionou preocupado:
- O que você vai fazer, cara?
- Vou confrontar ela.
E foi isso o que Harry fez!
Na verdade foi o que ele tentou fazer...
O rapaz se esforçou!
Sua vontade era adentrar o apartamento em Cambridge e revelar que sabia de tudo, revelar seus sentimentos, suas mágoas e decepções. Porém os olhos azuis de o hipnotizaram e o movimento que os lábios carnudos da garota faziam a cada vez que ela dizia poucas palavras o instigavam a tocá-los.
Por fim, Harry não a confrontou. Quando deu por si, já estava inundado pelo perfume e calor que a pele da menina emanava, já se emaranhava em seus braços e sorria a cada vez que ela gemia para ele.
Todavia, o momento de luxúria logo acabou e Styles ainda podia sentir seu coração pesado e quieto em seu peito. Portanto, sem pensar em um discurso adequado, disse sentando-se no colchão:
- Você não precisa se esforçar tanto para me machucar. - falou magoado, com o olhar preso ao chão e a expressão amargurada.
Harry não mais sustentava a postura altiva e confiante que o concediam um certo charme. Enquanto pegava sua camiseta, que até então estava jogada no chão, seus ombros mantinham-se encolhidos e seus músculos rígidos aparentavam um certo receio que até poderia descrever como medo, mas não conseguia decifrar o que assustava o rapaz e por isso ignorou a hipótese.
- O quê? - questionou com o cenho franzido, vestindo seu robe, sem entender o que se passava com o garoto.
- Eu imaginei que você continuaria vendo outras pessoas… Mas… - voltou os olhos verdes para ela por breves segundos, desviando-os novamente e sentou-se na beira do colchão para calçar seus sapatos. - Você não precisa se esforçar tanto para me machucar. - sua voz carregava revolta e seu maxilar travado evidenciava sua irritação, todavia ele conseguia sentir sua massa cardíaca carregada e pesada, o que o desesperava pois não sabia qual sentimento o dominava naquele momento, se era o ciúme, a raiva, a angústia ou a mais pura infelicidade.
- Você já disse isso e eu ainda não entendi.
- Ah pelo amor de deus, você acha que eu sou idiota?! - levantou-se num rompante, batendo as mãos nas coxas.
- Eu não te devo satisfação da minha vida, Harry. - a morena falou com um sorriso tranquilo no rosto, enquanto seu interior voltava todo seu foco para manter-se calma.
Meester sentia o nervosismo crescendo em si e não conseguia saber a razão exata daquela sensação. Se era a culpa por ter os olhos do rapaz, tão magoados, a mirando e clamando por uma explicação que não envolvesse mais mentiras e mágoa, ou se era pelo fato de ser confrontada pela pessoa que não merecia nenhum esclarecimento dos seus desejos e anseios. A pessoa responsável por toda a tempestade que caia dentro dela e a mantinha acordada noites a fio tentando afastar a dor. A pessoa que a deixou sozinha no campo de batalha em meio a uma guerra já perdida. A pessoa que ela sabia que não se importava.
- E me pergunto quais outras merdas você pode falar e pensar. - cruzou os braços e deu de ombros. - Quer saber? Esquece... - virou-se de costas para o rapaz.
- Isso não é uma guerra, ! - ouviu-o dizer e parou onde estava a fim de ouvi-lo, todavia não o fitou pois não sabia se poderia passar por aquilo se visse o rosto de quem já a trouxe felicidade um dia. - Só me diz o que você quer que eu faça e... e-eu… eu faço. - falou num baixo num último suspiro que suplicava por ajuda. - Eu errei. Eu pedi desculpa. Eu sofri. E-Eu… - mordeu os lábios, aspirando a maior quantidade de ar que conseguia, caminhando até a menina lentamente, tentando elucidar seus pensamentos. - Eu sinto sua falta. - tocou a mão dela que ainda de costas fechou os olhos porque Harry soava tão sincero naquele instante, mas não era justo! Não era justo ele fazer o que fez e se safar daquela forma. - Se você quer que te ame, só precisa falar. - se pôs na frente de , esforçando-se para sorrir mesmo que estivesse sendo tomado por uma ojeriza já que temia a resposta da garota.
- Eu já quis. - admitiu, abaixando o rosto, envergonhada. - Muito. - frisou, sentindo o toque dele em seu rosto e a respiração trancando em sua garganta. - Mas eu sei que você não se importa - repetiu seu mantra. Aquele que ecoava em sua cabeça todo o tempo dando a sensação de que uma faca rasgava seu peito. - Você nunca vai me amar, Harry. P-Porque para você eu sou apenas mais… mais um nome, um jogo, um desafio que você alcançou e se cansou. - deu um passo para trás odiando-se por tanta confusão em seu interior - Devo admitir que seu plano foi muito bom. Eu não me importava com você, muito menos com o Malik, mas então você surge com a ideia maravilhosa de uma aposta onde eu era o prêmio do seu amigo - apontou para si com um sorriso cínico nos lábios vermelhos - , porém a parte favorita dos sádicos é que você o atrapalha, fazendo a idiota se apaixonar por você. O clímax é que eu caio nessa história. Parabéns, Harry você conseguiu me usar direitinho.
- Eu errei! Tá legal?! Eu sei que eu errei e eu já te falei mil vezes, mas parece que você só quer continuar jogando isso na minha cara! - repetiu irritado, pois toda conversa que eles tentavam manter sempre voltava para o pecado que cometeu. Como um círculo vicioso que tinha como tarefa tirar a sua paz. - Eu não sei mais o que fazer para que você acredite em mim! - passou as mãos pelos cabelos, exasperado e com raiva por tanta estupidez procedente de si.
- Vai embora, Harry. - Meester pediu
- Eu te amo, idiota.
não pensou nos acontecimentos e falas da noite amarga, seu sono não foi tomado pela imagem de Styles dizendo que a amava, lágrimas de arrependimento não foram derrubadas devido o ocorrido. Sua resposta ao evento foi a mais completa desorientação e atordoamento, sua mente confusa seguiu dia após dia em profunda perturbação.
Investiu tanto tempo se convencendo que Harry não se importava com ela, que quando o rapaz revelou seus reais sentimentos, Meester não teve forças para enfrentá-lo, revelou-se completamente vulnerável diante da fala do dele. Portanto o restante de sua semana foi submersa em apatia e um conflito intenso entre memórias e emoções.
O fim de semana não demorou a chegar e feliz por poder deixar a solidão de seu apartamento em Cambridge, já que nunca estava em casa, sempre saia para estudos em grupos ou sociais com os colegas de faculdade e mesmo que estivesse não se submeteria a uma aproximação com a ruiva destruidora, Meester arrumou uma grande mala disposta a passar a semana toda na capital e ser mimada por sua mãe. Alfred ou o novo motorista poderiam fazer o caminho de uma hora e meia para levá-la às aulas todos os dias.
Na tarde de sábado pediu para ser levada até a mansão Ortega, onde passaria o fim de semana e foi recepcionada pelo mordomo, que a informou que a senhorita Ortega estava em seu quarto e o senhor Malik estava na sala de televisão.
correu escada acima, adentrando o quarto de sem bater na porta, encontrando a amiga de sapatilhas de balé e calça leggin dando piruetas no centro do cômodo.
- O que você tá fazendo? - a mais velha perguntou largando sua bolsa em uma poltrona e se jogando sobre a cama, já pegando o controle remoto para colocar em algum filme ou série que serviria de trilha sonora para o momento.
- Treinando. - respondeu rodopiando mais uma vez para então parar na mesma posição, como se não houvesse movido um músculo sequer.
- Por que aqui e não na sala de dança? - ainda encarando a TV, referia-se ao cômodo cercado de espelhos e barras que Amina havia arquitetado para que não apenas a filha treinasse, mas ela também.
- Eu estava lá, mas o Louis me achou. Então achei melhor subir para a minha mãe não pensar que ele estava me atrapalhando. - suspirando pesadamente, buscou a garrafa de água sobre o criado mudo.
- Ah o Lou, está aqui?! - tirou os sapatos e abraçou uma pelúcia, aconchegando-se ao colchão. - Foi por isso então que acharam necessário me informar que ''o senhor Malik está na sala de televisão."? - imitou o tom de voz monótono do mordomo da família.
- Sim. - riu, desatando o laço das sapatilhas, descalçando-as - Os meninos vêm para cá hoje. Parece que vai estrear a nova temporada de um desenho que eles gostam e eles vão assistir só isso durante toda a noite.
- Todos os meninos vem para cá?
- Sim. - um sorrisinho bobo inundou os lábios rosados da caçula que suspirou caindo sobre a cama.
- Olha só você, sorrindo boba porque sua vida está repleta de amor de novo! - cutucou a cintura de Ortega que sobressaltou-se devido as cócegas e sentou-se em um estupor de felicidade.
- Ai desculpa - pediu envergonhada, cobrindo o rosto com as mãos. - É só que… ai…
- Ué, você não precisa pedir desculpa. - juntou as sobrancelhas sem entender a reação da morena que baixava a temperatura do ar condicionado e se cobria com uma grossa coberta. - E caramba! - voltou-se para para o grande buquê de tulipas amarelas que ocupava a mesa de estudos de - Pelo tamanho desse buquê nós podemos ter noção do quão desesperado o Liam estava! - riu maldosa, enquanto a amiga a acompanhava rolando os olhos. - E pelas outras flores espalhadas pelo quarto da para notar que ele não consegue se contar.
Desde a tarde no Hyde Park, o casal se encontrara mais três vezes e em cada uma dessas vezes, Payne levou flores para sua garota, disposto a fazê-la sorrir.
- Ah, eu achei romântico… - a caçula desligou a televisão e pegou o celular de para acessar a playlist dela.
- E completamente desesperado. - arqueou as sobrancelhas, maldosa - Mas, com certeza, eu não reclamaria de estar no seu lugar - admitiu, com um sorriso no canto dos lábios. - O Niall também vem?
- Ele já chegou, na verdade.
- O quão incomodado ele ficaria se eu perguntasse sobre ele e a ?
- Ah, não sei! - negou com a cabeça - Eu ficaria com vergonha, mas não sei se Niall se importa com isso.
- Faz quanto tempo que eles estão nesse "tempo"?
- Mais de um mês. Tem dia que a está radiante, como se nada tivesse acontecido e tem dia que está toda deprimida. É difícil de entender… Eles trocam mensagens, ele foi almoçar com ela na Eton umas duas vezes, a disse que o Niall já está procurando o presente de aniversário da e ela só faz aniversário em Agosto! Mas das poucas vezes que eu os vi juntos, eles não se tocam, não agem mais como antigamente. É estranho.
- Talvez eles terminaram e só não querem falar pra gente.
- Não… A com certeza teria outra conduta se a decisão fosse definitiva. - as sobrancelhas grossa de Ortega foram arqueadas a medida que ela arregalava os olhos.
- Então basicamente eles realmente estão dando um tempo no relacionamento, mas não conseguem se afastar um do outro.
- Basicamente. - concordou com um aceno de cabeça, imaginando a situação difícil da amiga.
- Que merda… - também compadeceu-se do casal - Talvez se eles se afastassem definitivamente por umas duas semanas resolveriam isso mais rápido.
- Talvez… - cerrou os olhos, analisando a possibilidade - O Zayn disse que o Niall afirma que é só um tempo e que o Louis acha que Niall tem um treco se eles terminarem definitivamente. - espalhou a fofoca que havia conseguido arrancar do primo mais velho.
- Mas é claro! A é o ar que o Niall respira, mas é óbvio como ela também é louca por ele.
Um estado de melancolia as dominou e seus suspiros formavam um dueto com Bruno Mars que tocava ao fundo.
Eu te amo, idiota.
chacoalhou a cabeça a fim de desfazer a imagem de Styles que começava a dominar sua mente.
- Você está com fome? - ouviu a melhor amiga perguntar - Eu não estou com um pingo de fome, mas estou com vontade de comer alguma coisa…
- Você quer comer alguma coisa ou só está procurando alguma desculpa para passar pela sala de TV e ver o Sr. Insuportável? - cruzou os braços não convencendo-se com a alegação da caçula.
- O Liam ainda não chegou, tá? - respondeu-a com uma caretinha.
- Quem disse que eu estou falando do Liam?!
- Ah, nem vem! Eu tô vendo o que você está tentando fazer! - acusou, procurando pelos chinelos - Você vai querer alguma coisa ou não?
- Só se for alguma coisa salgado bem gostasa. Me surpreenda!
O desafio foi lançado e a anfitriã deixou o cômodo em direção ao primeiro andar a fim de procurar algo que agradasse ambos os lados daquela relação.
Meester mandou uma mensagem para a mais nova, pedindo que ela também trouxesse alguma bebida. Todavia ao sentir o colchão tremer, voltou o rosto para o lado e viu o celular da amiga ao lado do travesseiro. Irritada, frustrada e com sede, submeteu-se a deixar seu conforto e sair do quarto para encaminhar-se a cozinha e pegar algo para beber.
Não colocou o pé na escada quando viu Horan na metade do caminho. O loiro sorriu e acenou e correu os degraus que faltavam a fim de alcançá-la primeiro.
- Oi Irlanda! - sorriu, inclinando a cabeça para o lado vendo-o rolar os olhos diante do apelido.
- Oi. Quanto tempo a gente não se vê…
- Pois é. A última vez foi no aniversário da Rey e da Rosie. - concordou com a cabeça, abrindo um sorriso maligno perante a oportunidade de fazer o loiro infeliz - Quando você ainda namorava…
- Só estamos dando um tempo! - repetiu seu mantra para um novo ouvinte, percebendo que a frase não parecia mais real aos ouvidos.
- Já que você tocou no assunto…
- Foi você quem falou sobre isso primeiro! - juntou as sobrancelhas, indignado com a audácia da filha da puta que tentava confundir sua mente facilmente influenciável.
- O que está acontecendo entre você e a ?
- Olha , eu adoraria ficar aqui falando sobre os meus fracassos pessoais, mas a verdade é que eu estava indo falar com você. Eu preciso muito te falar uma coisa! - seus olhos verdes arregalados e gestos afobados evidenciavam a gravidade do assunto, entretanto estava convencida que poderia protelar o desejo de Niall por mais algum tempo.
- Que isso… - abanou a mão no ar, indicando não se importar com a fala do rapaz - Vamos comentar mais sobre o seu relacionamento.
- , é sério. Vamos para o quarto da , eu não quero correr o risco de alguém ouvir que…
- Quanto tempo você acha que vai levar para você ou a conhecerem outras pessoas? - Meester ainda zombava do amigo e desmerecia seu pedido - Porque em um mundo com sete bilhões de pessoas é muita ambição deixar a sozinha por meses e esperar que ela esteja lá sentadinha esperando você voltar.
- Acredite em mim, eu penso nisso todos os dias - posicionou-se atrás da menina, empurrando-a pelo ombro através do corredor, procurando por alguma porta aberta, afinal não sabia onde era o quarto de e duvidava ser saudável adentrar o quarto de Zayn - Agora nós vamos falar sobre outra coisa. - abriu uma das portas brancas, encontrando um escritório e a fechou o mais depressa que conseguiu, temendo dar de cara com algum dos tios do amigo
- Olha, eu nem sei por que vocês estão em crise, mas eu queria dizer que você está errado. - deixava ser guiada, assistindo o garoto abrir todas as portas que encontrava.
- O quê?! - falou um tom mais alto que o desejado e limpou a garganta repetindo a indagação - O quê? Você mesma disse que nem sabe o que aconteceu, como fala que eu sou o culpado? - abriu mais uma porta, encontrando uma sala vazia.
- Porque seus amigos são má influências.
- Alguns deles são seus amigos também! - cessou os passos, decidindo o próximo movimento.
- É verdade. Mas a minha mãe vive dizendo que eu sou uma má influência. - deu de ombros, girando sobre os calcanhares, voltando alguns passos e adentrou o quarto de Ortega.
- Finalmente! - o irlândes bufou, fechando a porta atrás de si e voltou-se para a morena já sentada na cama, com pernas de índio.
Horan colocou as mãos na cintura e cerrou o cenho, não sabendo como iniciar o assunto.
- , sobre as cartas que você estava recebendo…
- Que cartas? - franziu as sobrancelhas, dissimuladamente fazendo-se de desentendida.
- As cartas.
- Eu não sei do que você está falando.
- Não precisa negar para mim, eu sei sobre elas. - colocou as mãos sobre o peito, começando a duvidar de si, pois a menina soava tão contundente que o fez crer que não existia correspondência alguma de seu admirador secreto.
- Ah mas que merda… Foi a que te falou, não, é? - meneou a cabeça irritada - Qualquer coisa que ela tenha te falado é mentira! - com o dedo em riste tentou diminuir a veracidade de qualquer possível declaração de Westwick.
- Não, a não falou nada! Eu sei sobre as cartas porque era eu quem as estava entregando! - protestou rapidamente, temendo que o assunto fosse divergido novamente.
Meester, trancou a exclamação na garganta, colocando a mão sobre o peito estupefata.
- Niall… Eu… Eu não sei o que dizer. - seus ombros caíram, temendo magoar o amigo, sempre alegre e gentil - Por favor não me entenda mal, eu fico lisonjeada, mas eu nunca faria isso com a
- O quê? - deu um passo para trás, tomado pela surpresa da declaração da garota.
- Sem contar que o que eu estaria fazendo? Tentando ficar com todos os garotos do seu grupo? Eu não posso…
- , você não entendeu… - tentou dizer, todavia a morena afoita, não conseguia ouvi-lo.
- Você não pode! - exclamou, levantando-se - Eu sei que você e a estão passando por uma fase difícil, mas vocês se amam!
- , fica quieta! - pediu ainda ouvindo-a falar e falar. - Eu só entregava as cartas, quem as escrevia era o Harry!
Meester cessou o falatório, estancando onde estava, sentindo seu coração palpitando e sua visão ficando turva. Esforçando-se para recuperar-se cruzou os braços na frente do corpo, cerrando os olhos azuis e meneou a cabeça analisando a postura de Niall.
- Deixa eu adivinhar, a te contou sobre as cartas, você, como o grande fofoqueiro que é - ofendeu o menino que deixou o queixo cair devido o atrevimento dela - , espalhou para os seus amiguinhos e vocês acharam que seria hilário enganar a idiota aqui. - apontou para si, pronta para pular no pescoço de Horan e arrancar aqueles olhos verdes mentirosos com os dentes.
- Claro que não!
- Então por que você está aqui, Niall! - falou alto, batendo o pé no chão, sentindo-se ridícula por não conhecer outra forma de extravasar seu desgosto.
- Porque eu fodi com o meu relacionamento! - respondeu com a voz também elevada - A minha namorada não confia mais em mim. Ela não confia em mim, . - deixou os ombros caírem ao recordar-se da angústia estampada na face perfeita de princesinha Styles ao dizer aquelas palavras que ainda o magoavam - O que aconteceu foi uma merda, mas já passou um ano e a cabeça de todo mundo ainda ta ferrada por causa daquela noite! Eu perdi a por causa daquela merda! - passou as mãos pelos cabelos, bagunçando os fios loiros, devido o desapontamento e o medo do fracasso.
- Vocês só estão dando um tempo… - utilizou o mantra do rapaz a fim de tentar animá-lo.
O irlandês riu sem humor e apoiou as mãos no quadril, negando com a cabeça: - Você mesma disse, ela não vai esperar por mim. - deu de ombros, sem esperança - Um dia vai acordar e perceber que é boa demais para mim, vai perceber que eu não mereço usar como cama o chão que ela pisa!
- Isso não é verdade.
- Você sabe que é. Todo mundo sabe! - caminhou até a cama de , sentando-se na ponta do colchão, tentando recordar-se do principal motivo que o levou ali. - Eu estou uma merda e odeio estar assim, odeio saber que a está na merda e não desejo esse sentimento para ninguém. Isso inclui você e o Harry. - levantou os olhos para mirar a expressão confusa da menina que o ouvia incerta. - Nós sabemos que fomos idiotas e sabemos que vocês ficaram magoadas. Vocês estão certas por nos odiarem! Mas ninguém pode mudar o que aconteceu, então por que estamos perdendo tempo pensando sobre isso se podemos seguir em frente e superar?!
Horan a mirava esperando uma resposta, afinal Meester sempre possuía uma resposta na manga! Todavia a morena nem ao menos sabia o que pensar a respeito de tudo o que o garoto a falava, quanto mais elaborar um feedback a altura daquela revelação
O fato de Niall exigir superação irritava . Por mais de um ano aquela sujeira foi mantida encoberta e agora o rapaz falava em superação pois um ano já havia transcorrido enquanto todos sucumbiam àquela desgraça?!
Entretanto fora Harry!
O tempo toda fora Harry! Não Finn, mas Harry!
Ele investira tempo e dedicação elaborando cada frase, cada parágrafo, cada detalhe, colocando seus pensamentos, seus desejos e inseguranças em uma folha de papel destinada a ela. Fora Harry quem elogiara seu sorriso, quem dissera que a desejava, quem a queria em seu futuro, quem afirmava seu amor em cada linha!
Ele a amava!
- Foi o Harry que pediu para você falar comigo? -foi o que conseguiu dizer devido sua mente embaralhada
- Não! - Niall negou efusivamente - Ele não sabe que eu estou aqui e vai ficar muito puto se descobrir! Eu só achei que era certo você saber, você precisava saber.
- Você pode sair, por favor? - pediu, caminhando para o outro lado do recinto, fugindo dos olhos do rapaz que surpreso com o pedido apenas concordou.
- , eu não posso mensurar o tamanho do sentimento do Harry por você, mas… - falou encaminhando-se até a porta - Ele está lá embaixo e eu acho que faria bem para você se vocês conversassem.
- Tchau, Niall. - voltou-se para o garoto, confiante de que a distância seria o suficiente para esconder seus olhos marejados. - Obrigada por me falar. De verdade.
Horan sorriu, acenando com a cabeça e deixou o cômodo, descendo os degraus das escadas de dois em dois.
A tempestade dos olhos de Meester rompeu imediatamente após a saída do loiro. Cada lágrima derrubada fazia um de seus músculos estremecerem e logo seu corpo inteiro tremia. Sentou-se na poltrona próxima a ela, incerta se chorava devido a alegria ou o medo.
E se ele estivesse mentindo mais uma vez?
E se ele fosse embora novamente?
Suas incertezas e inseguranças ecoavam em seu ouvido ao mesmo tempo que uma voz bradava que era impossível aquele gesto ser uma mentira! Ele a amava!
- Olha quem chegou! - abriu a porta de seu quarto, trazendo sanduíches, bebidas e Liam a tiracolo.
A mais nova sorria para o namorado que trazia os pratos e ao encontrar rendida às lágrimas, congelou no meio do recinto, pasma e apreensiva.
- …?
- Era o Harry, ! Todo esse tempo era o Harry, não era o Finn. Na noite do baile quando ele foi na minha casa ele disse que ia provar. Ele disse, , e eu duvidei. Eu duvidei dele, mas ele provou. Ele me ama! Eu pensei que todo esse tempo enquanto nos transavamos... aquilo tudo não significava nada para ele. Mas ele me ama! E eu não sei o que fazer, eu to com medo, . Ele me ama! O que eu faço?
Seu apressado discurso ansioso foi despejado diante de Payne e Ortega que a assistiam, gesticular e soluçar entre as lágrimas, estupefatos e com o queixo caído.
- Você e o Harry estavam transando?! - foi tudo o que Liam conseguiu extrair das palavras de .
, voltou-se para ele com as sobrancelhas juntas, chocada com a insensibilidade do mais velho. A menina caminhou apressadamente até a amiga e ajoelhou-se frente a ela, disposta a entender o que Meester quis dizer com discurso confuso.
- , respira. - pediu, fazendo os exercícios de respiração a fim de servir de incentivo para a garota que começava a imitá-la - Agora fala o que aconteceu.
- O Niall veio aqui depois que você saiu e disse que era o Harry quem escrevia as cartas. - disse pausadamente, encontrando dificuldade em continuar os exercícios de respiração e falar - E você as leu, . Você sabe como elas eram bonitas, pessoas e sinceras!
- Sim, eu lembro de todas elas.
- O que eu faço agora?
- Agora você deixa ele te amar. Enquanto você o ama de volta. - a caçula sorriu, incentivando-a a entregar-se ao momento.
- Ele está lá embaixo, você vai falar com ele? - Liam aproximou-se cauteloso.
- Não! Eu não sei o que dizer, como agir… E-Eu preciso assimilar tudo, pensar e depois eu procuro ele.
- Você está querendo dizer que eu vou ter que passar a tarde toda fingindo que eu não sei de nada?! - o rapaz insistiu.
Desde que havia conseguido sua garota de volta, Liam foi submerso por uma onda de felicidade e desejava que todas a sua volta fossem engolidos por aquela alegria.
- Vou ter que sentar do lado dele e fingir que eu não sei que vocês estavam transando enquanto ele te mandava cartas! - continuou, seguindo as garotas que encaminhavam-se até a cama - Quem ainda escreve cartas em pleno século 21?!
- Quem tem coração, babe. - deu tapinhas no ombro dele, assistindo sorver de uma vez, até a última gota do suco de goiaba. - Você não entenderia. - fez piada cerrando os olhos e o garoto fez uma careta, beijando a bochecha da namorada.
- , você quer que eu fique aqui para te fazer companhia? - ele perguntou, disposto a cancelar os planos com os amigos e ouvir tudo e qualquer coisa que Meester tivesse para lhe dizer.
- Não não, Liam. Pode descer. Eu estou bem.
Payne desceu e investiu todo seu tempo tentando compreender o que de fato estava acontecendo em sua vida.
não insistiu para amiga falar com Harry, percebeu que seu estado alterado e transtornado, precisava passar para então estar apta a tomar uma decisão.
Decisão esta que só foi tomada na terça-feira..


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A menina andava de um lado para o outro do quarto, atenta ao script em suas mãos, tentando memorizar as falas para a peça do final do semestre. As lia com atenção, mas a verdade era que o fato de se mover sem cessar atrapalhava sua memorização, contudo, não aguentava mais ficar sentada.
Ouviu alguém bater a sua porta e permitiu a entrada do visitante, sem tirar os olhos das folhas de papel.
- Sim? - perguntou, incentivando a pessoa a falar, ainda balbuciando baixo suas falas.
- Oi .
- Niall! - voltou-se para ele pasma e sorriu vendo-o fechar a porta e aproximar-se dela. - Oi.
- Oi. - Horan repetiu o cumprimento, incerto do que fazer em seguida.
Abriu os braços para abraçá-la, todavia recuou um passo, aproximou-se para lhe dar um beijo, mas não sabia se tomava os lábios da garota ou sua bochecha. E ambos permaneceram nesse desconforto por alguns segundos, até Styles suspirar alto e abraçar seu namorado.
- Isso é estranho. - revelou, sentindo-se culpada por não sentir-se à vontade na presença do irlandês e no mesmo instante seu coração bateu pequenininho.
- Eu sei. - o garoto concordou, apertando-a entre seus braços, desejando nunca mais deixá-la partir. - É por isso que eu vim, para nós conversarmos. - disse levando-a até a cama, onde se sentaram. - O que é isso? - apontou para o script na mão dela.
- Eu preciso memorizar as minhas falas para amanhã. - explicou folheando o bloco de folhas - Da última vez que esqueci uma fala a professora quase jogou o leque dela em mim. - riu e Niall a acompanhou.
Os olhos azuis do rapaz ficaram pequenininhos a medida que seu sorriso aumentava e sua risada melódica e envolvente foi ouvida nostalgicamente pela loira sorriu, contente por tê-lo feito rir.
- Eu sinto sua falta, . Sinto falta de nós!
- Eu sei. Eu também. - admitiu deixando de lado o script e aninhou-se nos braços de Niall, que afundou o rosto em seus cabelos, aspirando o perfume que eles emanavam.
- Fica comigo. - pediu, sentindo o carinho que ela fazia em suas costas.
- Eu estou bem aqui! - sorriu divertida, elevando o rosto para encontrar a expressão magoada dele - Eu sou sua namorada. Nós só estamos passando por um momento ruim, mas ainda estou aqui com você.
- Mas você está triste comigo e eu não gosto de ver você assim.
- Vai passar, babe.- cutucou a cintura do menino, fazendo rir devido as cócegas - Você estava certo quando disse que nós precisávamos de um tempo, eu fiquei magoada na hora, mas agora eu vejo que você tinha razão! Por mais que eu queira deixar tudo isso para trás, eu não consigo… - tentou se desvencilhar do abraço do rapaz, que apertou seus braços ao redor dela, não permitindo que ela se afastasse - Eu não confio em você, Niall. E isso é grave. - apoiou o rosto contra o peito do garoto, que suspirou arrasado. - As vezes eu acho que o melhor era cada um seguir em frente…
- Você quer terminar comigo? - indagou aflito, afastando-se apenas o necessário para mirar o rosto perfeito da loira.
- Eu não consigo.
- O que nós vamos fazer, então?
- Eu não sei.
Permaneceram abraçados em silêncio por um longo tempo, enquanto memorizava o ritmo da respiração de Niall e ele se deixava embalar nos carinhos dela.
- Eu te amo, . - falou baixo, apenas para ela ouvir.
- Eu também te amo, Niall.


ooo


Harry fazia anotações em seu caderno enquanto o professor falava sem parar pelas últimas duas horas e quinze minutos. Em certo momento o rapaz deixou a caneta cair no chão, perdendo a linha de raciocínio, e um colega, sentado à sua frente, fora quem o ajudara, passando as informações rapidamente. Contudo, o moreno começava a achar que havia anotado alguma coisa errada!
Quando o professor finalmente informou que a aula havia acabado, Styles permitiu-se respirar e bocejar cansado, sentindo lágrimas formarem-se em seus olhos devido o sono.
- Você conseguiu pegar o que eu te passei? - o garoto a frente de Harry questionou já de pé, guardando o notebook na mochila.
- Mais ou menos. - fez uma careta e coçou os olhos, também guardando seu material - Nós ainda vamos estudar na biblioteca quinta-feira?
- Ahan. - o estudante confirmou, esperando o cacheado terminar a tarefa para juntos deixarem a sala - Eu consegui um livro que vai ajudar muito a gente! To colocando todas as minhas esperanças nesse livro, se com ele não der certo eu não sei o que vou fazer!
Harry riu, com a alça da mochila já no ombro, caminhando até o corredor, não muito movimentado. Respondeu o colega desesperado, fazendo-o rir e declarar que não havia mais esperanças para os universitários de todo o mundo. Quando Styles preparava mais uma resposta engraçadinha, sua visão foi tomada pela imagem da garota, na ponta dos pés, procurando por alguma coisa entre os estudantes que passavam por ela.
O moreno despediu-se do colega e caminhou até que ao mirá-lo acenou, todavia ao vê-lo dirigindo-se a ela esteve preste a dar as costas e correr, temendo o confronto iminente.
- Oi. - a menina sorriu, apertando a alça da bolsa entre os dedos nervosos.
- Oi. - Harry limitou-se a colocar as mãos nos bolsos do jeans, mantendo a expressão séria.
- Nós precisamos conversar.
O rapaz concordou com um aceno de cabeça e apontou para a saída do prédio, caminhando a frente, sentindo a presença do ser pequeno em estatura, em seu encalço.
Sentou-se em um banco à sombra de uma árvore, próximo ao prédio da reitoria. Conseguia ver alguns alunos adentrando a construção, tristemente, sem disposição alguma para resolver seus respectivos problemas. Sabia que seu problema estava ao seu lado, encarando-o ávida e incerta.
- Então? - foi o menino quem teve coragem de tomar a iniciativa - Tudo o que eu tinha para te falar eu já falei aquele dia.
- Eu sei. Eu que preciso falar dessa vez. - arrumou-se sobre o assento, a fim de ficar de frente para o rapaz - Eu sei sobre as cartas. - falou sucinta, assistindo-o arregalar os olhos - O Niall me falou.
- Filho da puta! - foi apenas o que Harry conseguiu dizer - Eu vou matar aquele filho da puta! - declarava sem coragem de encará-la.
- Não, esquece isso! - pediu, tentando acalmá-lo. Afinal não queria focar em Horan, aquele era seu momento! - Se ele não tivesse me falado que era você, você não teria me contado?
- Não.
- Por quê? - sua voz foi emitida em um sussurro preocupada e sua mão tocou o cotovelo do rapaz que mantinha os olhos verdes sobre a grama.
- Porque… eu só pensei que você precisava saber daquelas coisas. - voltou o rosto para a garota, sentindo um arrepio percorrer sua espinha ao constatar, que na linda face de , era evidenciado não apenas surpresa, mas também paixão - Você precisava saber como eu me sinto em relação a você, a mim, a nós e a tudo o que aconteceu. Você só precisava saber, eu não queria usar aquilo para você sentir pena de mim ou alguma coisa assim. - deu de ombros.
- Você é bom. - disse lembrando-se de algumas linhas que havia decorado - Quer dizer, nas cartas…
- Eu fiz isso só por você. - a ponta de seu dedo receoso tocou o dorso da mão da menina, que era mantida sobre a madeira do banco
- Elas pareciam ser muito sinceras. - Meester abaixou os olhos a fim de acompanhar o gesto dele. Sentiu uma fagulha se acender em sua pele, fagulha esta que se espalhou por todo seu corpo, deixando cada uma de suas células sucumbir em ansiedade.
- E eram. - o singelo toque evoluiu para um mais intenso, quando Harry entrelaçou seus dedos aos da morena, selando sua grande mão a pequena da garota.
- Você gosta do meu sorriso? - indagou, inclinando a cabeça para o lado, percebendo que o menino não a fitava, pois focava-se no que fazia.
Styles elevou os olhos até , que sorria cerrado, e concordou com um aceno de cabeça.
- Mas acima de tudo das suas mãos.
- Das minhas mãos? Por quê?
- Porque eu sinto falta de quando você mexia no meu cabelo.
- E o que mais? - questionou incentivando-o a continuar e aproximou-se dele, sem conseguir acreditar que aquele momento era real.
- Eu gosto do seu cabelo, gostava como ele era e gosto dele como está agora. - enrolou pelos dedos algumas mechas dos fios negros - Eu gosto dos seus olhos, eles são tão azuis que é possível assistir ondas se quebrando. - delineou a grossa sobrancelha escura da morena, que fitava os olhos verdes e brilhantes, como duas pedras esmeraldas, tão próximos do seu - Eu gosto do seu nariz, do seu pescoço… Eu amo tudo relacionado a você, . - revelou, por fim, seu maior segredo - Você me perdoa pelo o que aconteceu?
Perguntou, ouvindo a melodia inquieta e aflita que seu coração impunha ao chocar-se fortemente contra sua caixa torácica. Apenas alguns segundos foram necessários para confirmar com um aceno de cabeça, porém aqueles segundos duraram uma eternidade para Harry, que ao finalmente vê-la sorrindo permitiu-se expirar todo o ar trancado em sua garganta.
- Eu te amo, meu bem. - pode finalmente proferir aquelas poucas palavras com todo o carinho e devoção que elas carregavam, beijando as lindas mãos de seu bem.
concordou novamente com um aceno de cabeça e o abraçou, aninhando-se a ele, aconchegado-se em seu lugar favorito no mundo, entre os braços de Harry.
Puxou os lábios do rapaz para os seus e suspirou ao sentir, depois de tanto tempo, a textura conhecida e macia dos lábios vermelhos de Styles, que silenciosamente, jurava para si, nunca mais permitir-se perder sua garota.
Na manhã seguinte, em seu quarto em Cambridge, a menina abriu os olhos antes do despertador soar. Percebeu que ainda tinha 15 minutos e rolou para o outro lado, espreguiçando-se e bocejando, abraçou uma almofada já deformada devido anos de uso e sorriu ao sentir o tecido macio contra sua bochecha sardenta.
Levantou-se, pegando o celular e desligou o despertador sentindo a boca seca e suplicando por água. Passou em frente ao espelho e ignorou sua imagem descabelada e de olhos inchados, abriu a porta do cômodo, andando preguiçosamente pelo corredor.
Conforme se aproximava da cozinha conseguia sentir o aroma de mel e chá de camomila, e a trilha sonora ao fundo era o estalar da frigideira, provavelmente com ovos ou bacon.
Meester não tinha o costume de cozinha, muito menos de se levantar a tempo para preparar desjejum. Portanto, achou muito estranho toda aquela movimentação na cozinha. Mas não se importou, apenas esperava que a morena egoísta repartisse a refeição com ela, afinal seu estômago começava a roncar pensando na possibilidade de comer ovos mexidos com torrada!
- Ai meu deus! - um grito desesperado saiu do fundo da garganta de Westwick, ao adentrar a cozinha e não encontrar , mas sim um homem.
Um homem alto, sem camisa, cabelos enrolados, que cozinhava e a encarava malicioso!
- Bom dia, . - Harry sorriu bem humorado, assistindo-a tentar se cobrir com um pano de prato, já que seu pijama de verão era "revelador".
- Por que você está na minha cozinha? P-Por que você está sem camisa? Por que você está sorrindo? - tentava se esconder atrás da ilha, a fim de fugir do olhar ardiloso do rapaz - O que está acontecendo?! - gritou em desespero mais uma vez.
- Ai , que gritaria é essa? - aparecia ainda de olhos fechados, com os pés descalços e vestindo seu robe.
A ruiva correu para detrás de Meester, utilizando-a como escudo, e apontou para o garoto que segurava a frigideira em uma mão e a espátula na outra.
- Eu juro que eu não tenho nada a ver com isso! - falou rápido - Quando eu acordei ele já estava aqui. Eu vim para a cozinha ele já estava assim, cozinhando. Que tipo de doente invade a casa das pessoas para cozinhar, Styles?
- Você não contou para ela? - Harry perguntou para que na visão de reagia estranhamente normal aquela bizarrice que se passava no meio de sua cozinha!
- Não. - a morena deu de ombros, encaminhando-se ao armário em busca de um copo para beber água.
Westwick viu-se novamente desprotegida diante dos olhos do menino e puxou o pano de prato mais um vez a fim de se cobrir.
- Eu ia levar o desjejum para você na cama. - Harry falou, atento a toda a rotina matinal de seu bem e não percebeu o soluço perplexo que escapou da boca de .
- Own, obrigada, meu bem. Eu posso voltar para a cama se você quiser. - sugeriu, encantada com a gentileza de Styles.
Na ponta dos pés, alcançou a bochecha do rapaz, onde depositou um beijo apaixonado, vendo-o colocar os ovos em um prato ao lado das torradas amanteigadas.
- Pensando melhor, eu não acho que seja uma boa ideia… Se nós voltarmos para aquele quarto eu não deixo você sair dele nunca mais e às 10 eu tenho aula.
gargalhou, levando os pratos montados para o balcão, onde comeriam.
Westwick assistia a cena como uma criança de 8 anos assiste a um filme de terror pela primeira vez em toda a vida. Seus olhos vidrados não queriam encarar o que se passava diante deles, todavia, por mais que tentasse não conseguia desviá-los!
Harry estava em apartamento e não parecia ir embora tão cedo!
- Ah - o moreno chamou por ela, tirando-a do transe - , eu deixei seus ovos na panela.
- Você deixou meus ovos na panela?
- Ahan. - sem fitá-la, confirmou com um aceno de cabeça, ocupando uma das banquetas.
- Por que você cozinhou os meus ovos, Styles? Por que vocês estão agindo como se isso - apontou para o casal que degustava o desjejum com as sobrancelhas juntas diante do escândalo que ela fazia - fosse normal?! - Por que ninguém me explica o que está acontecendo.
- Nós estamos namorando. - o menino disse como se fosse óbvio.
- Estamos é? - sorriu para ele, sugestiva.
- Ah, pode ter certeza que sim! - com os olhos arregalados, o garoto declarou sem disposição de fazer piada sobre aquele assunto.
- Então, namorado, você precisa saber que eu não gosto de ovo. - Meester revelou, cerrando os lábios, assistindo a expressão de Harry cair em decepção.
Ele queria agradá-la na primeira manhã decente que eles tinham depois de tanta confusão! Nem imaginou que a morena não gostaria do singelo cardápio que havia preparado.
- Mas estes estão deliciosos! - falou rapidamente, sentindo-se culpada por deixá-lo triste - É sério. Eu gostei mesmo!
- Ah, meu bem… - disse cabisbaixo - Amanhã eu preparo outra coisa para você…
- Você vai estar aqui amanhã?! - foi a única coisa que conseguiu extrair do momento sincero do casal.
- Sim, . Eu vou estar aqui por um longo tempo... - informou para a ruiva que deixou o queixo devido a novidade e voltou o rosto para , em busca de ajuda, mas tudo o que encontrou foi um sorriso amplo e psicótico - E você pode ser a pessoa mais filha da puta que já pisou no Reino Unido, eu não vou me importar, porque eu estou feliz, ! Feliz! E você não vai conseguir estragar isso.
- Vamos ver então! - Westwick falou voltando correndo para seu quarto para finalmente trocar de roupa.
Harry só queria dizer que estava disposto a se afogar naquela felicidade doméstica, mas entendeu o discurso como uma declaração de guerra!
- Você sabe que ela vai foder com a nossa vida, né? - sua namorada falou mordiscando uma torrada.
- Provavelmente… - deu de ombros, roubando uma garfada do prato da menina.
- Hey! - Meester protestou, elevando para ele seus olhos chocados.
- Você disse que não gosta de ovos! - defendeu-se com a boca cheia.
- Mas eu disse que gostei desses!
- Ai, deixa de ser mentirosa, eles ficaram horríveis!
- Claro que não. Agora me deixa comer em paz.
- Meu bem, essa é a nossa primeira briga? - perguntou, tomando um pouco do seu chá - Porque eu estou disposto a passar por isso para o nosso relacionamento crescer forte e saudável.
tentou, mas não conseguiu segurar as risadas enquanto Harry escondia um sorriso divertido atrás da xícara de porcelana.
- Eu tenho aula daqui a pouco. - constatou, em plena decepção. Afinal a manhã seguia tão apaixonada, feliz e agradável que sua vontade era se manter naquela bolha pelo resto da semana.
- E eu tenho que ir para Oxford! - lembrou-se, engolindo a refeição já que precisava percorrer quilômetros e mais quilômetros para chegar a universidade.
- Você vai voltar hoje mesmo?
- Claro que sim, mulher! - seu desespero foi a causa do riso da garota - Eu vou voltar, meu bem.
Sorriu beijando os lábios quentes de , devido o chá.


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- Você entrou no Instagram recentemente? – Niall cutucou com o pé, apesar de saber que ela odiava que a tocassem com pés. E a reação da modelo foi exatamente a de se encolher em cima da poltrona para escapar daquele toque horripilante.
- Eu estou o tempo todo no Instagram. Por quê? – ela virou a tela do celular para Niall e mostrou que naquele momento mesmo ela estava usando a rede social, mais precisamente em seu perfil, lendo alguns comentários.
A dupla estava na casa de Niall há umas três horas e após ver um filme particularmente traumático, estavam dando um tempo antes de continuar a jornada pelo mundo do terror, e nada melhor do que evitar o desconforto de uma conversa honesta sobre sentimentos e essas coisas complicadas.
Niall, que estava deitado no chão, com as pernas para cima, ergueu o telefone e mostrou ao que se referia quando tocou no assunto Instagram:
- Harry e .
- Ahhhh, é muita felicidade para eu suportar. – sorriu cerrado e guardou o telefone.
- É mesmo, Kit Cat? – Niall arreganhou um sorriso malicioso ao ouvir a declaração incomum para , que era adepta da filosofia de que se você não tem algo bom para dizer a alguém, opte pelo silêncio.
- Qualquer alegria é demais pra mim ultimamente, Niall. Você sabe disso.
- Eu devia parabenizar o Zayn por conseguir destruir a sua dignidade.
A menção do bad boy causou ainda mais sofrimento à e sua expressão tornou-se ainda mais emburrada. Não sentia falta da amizade do rapaz, ele tinha razão quando falou que eles tinham amigos para fazer coisas de amigos, o que ela sentia falta era dos beijos dele, da sensação da mão dele entrelaçada à sua, dos olhares maliciosos que ele lhe dedicava. Sentia falta do namorado que ele foi, e o fato de que apreciou tanto a amizade deles foi porque conseguia extrair dali a experiência de tê-lo apenas para si, como nos velhos tempos.
- Ele não fez isso. Acredite se quiser, mas eu consegui fazer isso sozinha. - ela mordeu o lábio, frustrada com a intrusão constante que Malik fazia em sua cabeça. Carma era mesmo um filho da puta.
- Não seja tão dura com você mesma, . O Zayn é um fodido. - o irlandês decidiu que xingar o algoz da infelicidade da melhor amiga ia ser algo positivo.
- Eu acho que amo ele… - deixou a afirmação soprar entre seus lábios, tomada por uma fagulha de arrependimento por nunca ter deixado Zayn saber daquilo, mas agora já não fazia mais diferença, ele a odiava, de novo.
- Quê? - Niall engasgou com a própria saliva e precisou sentar para conseguir puxar ar fresco.
- O que foi? - Hilton franziu a sobrancelha loirinha, alheia ao choque do amigo.
- O que você disse?
- Eu disse que nós estamos no mesmo barco de solidão e falta de amor.
- Você está comparando os seus sentimentos pelo Zayn ao meu amor pela ? - Horan mantinha um sorriso zombeteiro que apenas irritou mais .
- Não, porque o que eu sinto pelo Zayn é algo real, você anda por aí achando que ama demais a quando na verdade ela é quem morre por você. - ela esticou o braço para trás e tateou até encontrar sua garrafa de água.
Deus, era assim que seria o resto de sua vida só porque ela não gostava de tomar decisões?
- , você triste é algo horrível. Você fica má! - Niall cerrou os olhos.
- Não, eu sou honesta, é diferente. - a modelo deu de ombros e bocejou alto em meio a um espreguiçamento letárgico.
- Não é diferente quando você usa sua honestidade só pra ser ruim mesmo. - Niall bagunçou o cabelo de e levantou para pegar mais uma barra do chocolate vegano orgânico sem lactose que podia comer. - Você precisa tomar uma decisão, . Ficar em cima do muro nunca vai te fazer felicidade, ou você vai falar com o Zayn e se resolvem, ou segue em frente de uma vez, supera e vai ser feliz.
- E se ele não me quiser mais? - perguntou como se estivesse falando se ia chover ou não mais tarde, mas Niall não percebeu porque estava tentando tirar o cacau do céu da boca. Era por essas coisas que ele odiava coisas saudáveis.
- Aí você vai poder seguir em frente. Não vai ser incrível? - ele finalmente conseguiu engolir o chocolate.
- Não!
- Não? Afinal de contas, você quer ficar com ele ou não?
- Eu não sei! E se der tudo errado de novo? - sentou, a cada pergunta sobre Zayn, suspirava tão tristemente que dava tristeza de assistir.
- Esse é um risco que todos nós temos que correr Kit Cat, qual seria a graça de se apaixonar sem o risco de ter o coração quebrado?
- Ia ser perfeito! Quem quer arriscar ter o coração quebrado, Niall? Que coisa horrível de desejar.
Niall percebeu então que não adiantava tentar consolar a amiga e que talvez ela só quisesse desabafar, por isso ele apenas sentou ao seu lado e ficou quieto comendo aquele negócio ruim pois ainda era melhor do que ficar sem comer.
Pegou o controle da TV e procurou o próximo filme da lista deles porque estava com medo daquele comportamento anormal da melhor amiga que nunca se deixava abalar pelas circunstâncias mas que por alguma razão foi lançada no fim do poço por causa de Zayn Malik.
Quais as chances de Zayn ser tão importante assim para alguém?
O filme começou a rodar, todavia não estava prestando atenção e interrompeu o silêncio com a lacônica afirmação:
- Eu sinto que vou morrer sozinha porque não consigo escolher o que é melhor pra mim.
- Para de ser boba. Num mundo onde alguém quer a , com certeza tem alguém especial pra você. - Horan deu um tapinha amigável na perna dela sem dar-se ao trabalho de pausar o filme.
- E se não tiver?
- Você sempre vai ter a mim. Sempre, .
acreditou nisso, porque tinha certeza de que os anos passariam, mais problemas surgiriam, mas a sua amizade com Niall a tudo prevaleceria. E isso era o que bastava por agora.

Capítulo 11

As férias chegaram primeiro para as caçulas, por uma diferença de dois dias, mas ainda sim elas fizeram questão de esfregar na cara dos amigos universitários a sua felicidade e a tão desejada agenda livre.
Na quarta-feira acordaram tarde e foram ao cinema e viram dois filmes só porque não tinham nada pra fazer, na quinta de manhã foram às compras juntas e a tarde levaram Kelso para o parque. E durante esses dois dias, a cada post no Instagram e cada atualização no Snapchat, elas recebiam enxurradas de xingamentos dos estudantes exaustos que davam a última gota de sangue e suor para encerrar os respectivos semestres.
Elas chegaram cedo no parque e cada uma teve que dar uma corrida com o filhote antes que pudessem sentar sobre a manta quadriculada que trouxe para elas. As conversas giraram majoritariamente sobre as fofocas que circundaram o baile de formatura dos veteranos e tudo o que , a única delas que foi, ficou sabendo.
Entretanto a conversa foi frustrante porque a princesinha se dedicava mais ao cachorro de do que a conversa e em certo momento Kelso decidiu que queria explorar mais da trilha que as levou até ali, e prontamente se juntou a ele na aventura, tentou tranquilizar ao alegar que preferia fazer aquilo à conversar.
- , não vai muito longe porque você não tem força pra segurar ele! - gritou mas era tarde demais, já havia desaparecido na trilha e pela risada que ecoava, a modelo torceu para que Kelso não visse nada que o instigasse a caçar.
- Ela está tão feliz que quase vale a pena deixar o Kelso estraçalhar um pombo por aí. - disse e empurrou o óculos de sol que escorregava sobre seu nariz.
O sol da tarde não atravessava a grossa copa das árvores mas os raios atravessavam as frestas entre os galhos e um desses feixes de luz iluminavam o rosto de , que elevou a face para cima a fim de receber mais calor.
se distraía descascando uma tangerina e a satisfação olfativa do gesto a lembrou de como Zayn sempre reclamava do óleo ácido que espirrava da casca toda santa vez que ele se dava ao trabalho de tentar comer a fruta. A saudade que sentiu do bad boy foi tanta que ela começou a comer tristemente, sem apreciar de fato a doçura do fruto.
- Esse negócio está doce? - Ortega perguntou ao sentir o cheiro característico.
- Muito. Quer um?
- Sim, você descasca pra mim?
- Claro. - apesar de ter oferecido apenas um gomo, pegou mais uma tangerina e começou a descascá-la para a amiga. - Você já decidiu tudo o que vai fazer nessas férias?
- Honestamente? Não. Eu só quero descansar o máximo que puder porque não sei como vou dar conta do último ano e das aplicações pra Juilliard. - cansou do sol e dedicou sua inteira atenção à , sentando de frente a modelo e abraçando os joelhos enquanto apoiava o queixo sobre eles.
- Você não devia se preocupar com isso, a sua mãe não é amiga da diretora da divisão de dança de lá? Aqui. - Hilton entregou a fruta descascada à caçula.
- Obrigada. Você está falando da Alicia? Sim, elas são bem próximas, mas vai que eu vá tão ruim que nem a amizade delas possa me salvar?
- Você não pode ser tão ruim assim!
- Nunca se sabe, ! E um erro só pode estragar tudo, minha mãe vive repetindo isso.
- Sua mãe devia saber que esse não é o método mais eficiente de encorajar alguém. - franziu o cenho. Aparentemente loucura corria solta no sangue dos Malik e não só Yaser era insano bem como sua irmã, que não era mais uma Malik, tecnicamente, todavia carregava o gene da loucura. - , eu posso te confessar uma coisa? - ela mordeu o lábio e deu uma rápida olhada para ver se não estava ao redor.
franziu o cenho, preocupada, e inclinou-se para frente:
- O que foi?
- Aconteceram algumas coisas entre o Zayn e eu, as coisas ficaram complicadas e eu não sei o que fazer. - admitiu com os ombros caídos.
- Oh. - Ortega arregalou os olhos pois e Zayn era o assunto nunca mencionado por ninguém. Nem mesmo se atrevia a questionar os motivos do casal para a brusca separação que chocou a todos.
Todavia, ali estava oferecendo-lhe a oportunidade para saber de tudo, assim, do nada.
- Por que eu estou tão infeliz desde que fiz a coisa certa? Eu sei que nós não somos bons juntos mas por que eu não sinto paz?
E lá estava a expressão confusa novamente. não tinha a mínima ideia do que diabos a amiga queria dizer com todas aquelas declarações pessimistas e um pouco tristes.
- Eu não entendi exatamente o que aconteceu, . - ela tirou o óculos escuro para enxergar melhor a modelo.
- Nós fizemos sexo e depois ele quis voltar mas eu não, pedi pra deixarmos as coisas como eram antes, mais simples, e ele ficou bravo e desde então não nos falamos. - explicou sem cerimônia alguma pois estava cansada de ter bom senso, ser sensata e reservada. Sua atitude madura foi algo de que sempre se orgulhou mas ultimamente as escolhas que ser uma pessoa madura implicavam se tornaram pesadas demais para ela.
- E eu suponho que tudo isso aconteceu na época do seu aniversário? - coçou a testa, desconfortável com os modos diretos de , embora não fosse surpreendente o alinhamento de eventos e datas porque foi nesse meio tempo em que se afastaram totalmente.
- Sim. O que eu faço?
mordeu o lábio e passou a fitar o trabalho laborioso de algumas formigas que levavam embora as migalhas do lanche delas, pois isso era melhor do que ser olhada por aqueles olhos castanhos angustiados que esperavam dela a resposta para os seus problemas, logo dela, que só levava um dia de cada vez porque não tinha certeza de qual era o objetivo real da existência humana.
Ao longo de todo o ano letivo ela viu duas pessoas queridas à ela se apaixonarem mais uma vez, viu o primo evoluir consideravelmente como ser humano, assistiu se conectar a outra pessoa tão intimamente como nunca antes em todos os anos que a conheceu, e por fim o afastamento iminente os separou.
E tudo isso porque duvidava de seu próprio coração.
- Por que você quis deixar as coisas como eram? - decidiu por uma abordagem mais prática e menos sentimental.
- Porque eu conheço o seu primo, . Eu sei que nós vamos voltar e sei onde tudo isso vai nos levar, ele não entende que uma vez que nós voltarmos a namorar, vai ser uma questão de tempo até eu perdê-lo de novo. - confessou o seu maior medo e sorriu.
- , deixa de ser boba. Não faz o menor sentido o que você está falando. - a caçula negou com a cabeça, pronta para dar uns tapinhas na cabecinha loira da menina para ajustar os parafusos soltos.
no entanto não estava encontrando a graça.
- Faz total sentido, .
- Tudo bem, pensa comigo. O motivo que criou toda essa bagunça é porque você não quer ficar sem o Zayn caso vocês voltem a namorar, certo?
- Sim.
- E você fez essa tal "coisa certa" que eu ainda não entendi o que significa, mas até onde eu vejo, você também não tem ele. E nesse cenário isso vai ser definitivo, enquanto se você der uma chance ao desconhecido, pode se surpreender com o quão longe a linha da história de vocês pode chegar.
não teve tempo de dar uma resposta à porque apareceu no campo de visão delas, sendo arrastada por Kelso, que carregava algo na boca e vinha a mil por hora na direção da dona, pronto para demonstrar toda a afeição por ela dando-lhe o singelo presente.
levantou para ajudar e juntas conseguiram controlar a besta desenfreada a tempo de salvar de ser atropelada pelo filhote feliz. No fim das contas o pobrezinho só queria lhe dar um galho velho que encontrou e o recebeu como se fosse uma varinha de ouro, beijando sua cabeça peluda e parabenizando-o.
As meninas retornaram aos assuntos do baile do ano e expectativas para as férias e dessa vez Hilton mergulhou na conversa, relaxando pela primeira vez em algum tempo. A situação poderia não ser a mais ideal, Zayn poderia ter desistido dela, mas pela primeira vez em sua vida, sabia exatamente o que queria.
E por esta razão que combinou com Ortega que, assim que o primo da morena voltasse para a capital, a menina informaria a modelo, que ansiosa e indecisa como era, investiu os próximos três dias em discursos na frente do espelho.
O problema era que Hilton vez ou outra se confundia com seus pedidos de desculpa e declarações de afeto, perdendo assim o foco principal. A garota até considerou anotar sua fala e decorar palavra por palavra, todavia tinha medo de não soar sincero, além de saber que quando estivesse frente a frente com Zayn o medo devido o confronto, provavelmente, a deixaria sem fala.
E na tarde de domingo a governanta dos Ortega batia na porta do quarto do Sr. Malik para o informar que uma visita o esperava na sala de estar. O sonolento rapaz, que assistia TV, não se apressou em levantar da cama, tinha certeza que era Louis, desesperado por já estar entediado, e procura por alguma diversão.
Passou as mãos pelo rosto, bagunçou os cabelos negros, enquanto bocejava e coçando o olho, procurou pelo celular que já estava no bolso de sua calça. Espreguiçou-se tentando afastar o sono e pegou a camiseta branca, jogada em cima da mesa do computador, deixando o cômodo enquanta a vestia.
Desceu degrau por degrau encarando suas meias pretas e ao adentrar a sala de estar e encontrar uma cabecinha loira, de costas para ele, franziu o cenho confuso.
- Ahn…? - procurava por algo para dizer, descobrindo da pior maneira que não havia nada a ser dito.
- Oi! - o cumprimentou, levantando-se rapidamente, arrumando o vestido que já estava impecável.
- Aconteceu alguma coisa com o Kelso? - juntando as sobrancelhas indagou pelo único motivo que o levava a crer que Hilton o procuraria dentro das circunstâncias atuais.
- Com o Kelso?! - perguntou surpresa, pondo a mão sobre o coração - Oh não… ele está bem!
- Então o que você quer? - mimado como era e magoado como estava, o badboy cruzou os braços, esforçando-se para evidenciar sua indiferença.
- Falar com você… - sorriu imaginando a tática que o rapaz usava, mas também nervosa com a possibilidade de ele de fato não mais se importar com a sua presença. - Se você quiser me ouvir. É claro.
O moreno mexeu a cabeça de um lado para o outro, mantendo-se ao lado da porta, apenas esperando para ouvir o que tinha para lhe dizer.
- Zayn - falou o nome dele, visando ganhar mais tempo para por os pensamentos em ordem - , eu sou péssima em tomar decisões. Não consigo escolher entre duas opções de filme para assistir, ou um sabor de sorvete, ou um par de sapato, ou o que eu quero almoçar no dia! - cresceu os olhos, desesperando-se por ter consciência que tudo aquilo era real e como era exaustivo - Eu não tenho certeza sobre nada na minha vida! Absolutamente nada! - negou veementemente - Mas eu sei que eu quero ficar com você.
Os dedos nervosos da menina não paravam e as palmas de suas mãos suadas, tremiam. Esperou que o garoto dissesse algo, desejava que ele falasse algo! Mas tudo o que recebeu foi seu olhar austero e imutável, emoldurado por sua sobrancelha arqueada e expressão severa.
- Porque… - envergonhada, a loira decidiu continuar falando, esperando que a situação embaraçosa terminasse o mais rápido possível - Porque eu sei que eu posso te contar qualquer coisa - sorriu, recordando-se de todos os momentos constrangedores que confidenciou para o moreno - Qualquer coisa! E eu adoro quando as minhas história te fazem rir porque eu amo a sua risada e amo como os seus olhos ficam pequenininhos quando você sorri. Eu me sinto confortável e acolhida quando você está por perto e me sinto segura quando você me abraça, quando você me olha nos olhos eu sinto que nada de ruim pode acontecer, porque eles me passam paz… deus eu amo os seus olhos! - fechou as pálpebras com força, ainda sorrindo nervosa - Eu adoro as nossas tardes no quintal, deitados na grama e como o seu perfume fica preso nas minhas roupas, enquanto você me conta o seu dia, eu sei que eu poderia reviver momentos como esse para sempre, porque eu amo a sua voz! Você é sempre tão paciente comigo, mesmo quando eu preciso de muito tempo pra decidir uma coisa muito simples… Me desculpa. - pediu por fim, sendo consumida pelo nervosismo, pois nem ao menos lembrava-se o que havia acabado de falar, porém ainda mirava a mesma expressão dura no rosto perfeito do menino.
Malik a fitou por alguns segundos, tempo este que para pareceram horas. Por fim, ele descruzou os braços e guardou as mãos nos bolsos, caminhando a passos lentos até a loira, que sentia o coração bater na garganta.
- Você é uma idiota. - Zayn falou sério, parando frente a garota.
- Eu sei.
- Você é a minha idiota.
- Eu sou. - concordou efusivamente com acenos de cabeça, sentindo o estômago se contrair por completo ao fitar um sorriso divertido nos lábios vermelhos de Malik.
- Você ainda vai me dar um ataque do coração, loira! - o moreno arqueou as sobrancelhas, rindo ao assisti-la começar exercícios respiratórios a fim de manter-se calma.
- Eu te amo, Zayn! - Hilton falava emotiva, coçando os olhos que ardiam devido algumas lágrimas de felicidade.
- Filha da puta…
Ele a abraçou, sentindo-a esconder o rosto na curva de seu pescoço, e passou os dedos entre os fios loiros e macios, fechando os olhos ao sentir um carinho familiar e gostoso na nuca. o encarou com aqueles olhos castanhos pacíficos e encantadores e o rapaz colou seu lábio contra o dela, sorrindo apenas por poder sentir a textura e o calor que eles emanavam. No momento que a língua da menina encontrou a do garoto, Zayn sentiu seu coração parar de bater.
- Eu te amo, . - confidenciou, com os lábios colados aos dela. - Agora fala que me ama.
A modelo riu ao ouvir o pedido e não o negou!
- Eu te amo, Zayn!
- Repete.
- Eu te amo, Zayn!
- Eu sei, loira… Eu sei.
E o sorriso feliz do moreno foi tudo o que a garota admirou pelo resto da tarde.


ooo


- Pelo amor de deus, vai ser sempre assim?
- Melhora com o tempo, eu confesso.
- O tempo de espera?
- Não, a sua paciência. Além do mais, pra que a pressa?
- Porque nós vamos perder a desgraça do filme que ela quer ver. – Liam grunhiu, prestes a pegar os dois sapatos à frente de e arremessá-los na puta que pariu, e seu tom impaciente foi captado pelas meninas que viraram rapidamente para ver o que acontecia entre Liam e Zayn, mas Malik as tranquilizou com um sorrisinho e piscou para a namorada.
À convite de e Zayn, Liam e se juntaram a eles para ir ao cinema e tudo ia bem pois Liam já havia comprado os ingressos online e agora só precisavam pegar a pipoca para ter uma tarde agradável e possivelmente divertida caso o filme suprisse as expectativas prometidas, quando passaram pela loja da Louboutin e viu na vitrine um sapato que procurava há algumas semanas.
Na verdade, viu o par e apontou, começando assim o maior pesadelo da vida de Liam.
De fato, o sapato escolhido por estava lá mesmo e na numeração da garota, para completar a sina de sorte! E como se o dia não estivesse bom o bastante, eles tinham em duas cores, preto e verde!
Todavia o que era motivo de felicidade para pessoas normais, trazia desespero ao coração de Liam, que conhecia o bastante para entender o significado oculto da existência de duas opções: eles nunca mais sairiam daquela loja. E foi por isso que ele deixou o melhor amigo e caminhou até as meninas, sentando-se ao lado de .
- E aí, mais quanto tempo você vai precisar pra escolher uma cor, ? - sorriu apesar de não se sentir muito bem humorado.
, que estava separada dele a uma de distância, tinha um sorriso paciente que compartilhava com o primo pois os dois já estavam acostumados com e seu pecado capital.
- Ah, não sei. A princípio eu queria o preto mas olha esse, que diferente! - a modelo ofereceu o calçado a Liam, em busca de uma terceira opinião. - O que você acha?
Liam olhou horrorizado para o sapato em sua mão, questionando-se como a menina o enredou para aquele tipo de conversa quando ele sentou ali com o objetivo de encurtar o processo.
- Por que você não leva os dois, loira? - Zayn parou atrás da namorada e apoiou as mãos nos ombros dela.
- Porque é desperdício. Eu não preciso de dois pares iguais.
, que já havia feito a mesma sugestão e ouvira a mesma resposta, suspirou entediada e declarou:
- Eu discordo dessa afirmação em tantos níveis…
- Você acha que precisa de dois sapatos iguais, ? - Liam franziu o cenho, intrigado com a afirmação.
- Bom, eles não são iguais, não é? Preto e verde têm efeitos completamente diferentes em roupas, então sim, eu levaria os dois. Pensando bem, levaria um de cada cor, se tivesse disponível. - a caçula justificou sua opinião enquanto olhava para o oxford vermelho que foi a primeira e única prova que fez enquanto se decidia.
- Eu realmente estou inclinada a levar o verde, mas de qualquer maneira vou experimentar o preto só pra garantir que eu tomei a decisão certa.
- Decisão certa? Você não está salvando o mundo, ! São só sapatos! Eu não acredito que nós vamos nos atrasar por causa de um par de sapatos! Puta que pariu. – Liam dirigiu seu desespero a Zayn mas o moreno apenas deu de ombros e sorriu maroto para o melhor amigo, adorando ver a aflição de Payne por causa de algo tão simplório.
Ele sabia que mais tarde, quando estivesse recebendo carinho na cabeça enquanto conversavam sobre idiotices, traria o momento à tona e eles dariam boas risadas disso, e o olhar divertido que lhe lançou ao erguer o rosto para enxergá-lo, denotavam exatamente a mesma intenção.
- O que foi, Zayn? – questionou muito interessada no bem estar do seu bad boy.
- Nada. – Zayn mentiu e inclinou-se para dar-lhe um beijo carinhoso nos lábios.
A menina ficou com as bochechas quentes e se não fosse os olhares intensos de Liam e , que a encurralavam, ela teria dito ao namorado que o amava, só porque queria fazê-lo.
- Se vocês se aproximarem mais um pouco vão acabar no colo da . – Malik atestou quando se afastou, e e Liam arregalaram os olhos pois foram pegos no flagra. - Por que você ficou envergonhado, Liam? – ele provocou o outro rapaz e foi sentar ao lado da prima.
- Porque vocês são estranhos. – Liam coçou a cabeça e desconversou. – Por que vocês não guardam os beijos pro cinema e aproveitam agora pra pagar essa merda para sairmos logo daqui?
- Nós estamos esperando a opção preta pra experimentar, Liam. – levantou e foi até Payne, exibindo para ele o sapato, mas o garoto apenas ignorou o objeto que achou feio e pegou na mão da caçula enquanto continuava sua jornada de irritação e impaciência.
- E onde foram buscar isso? Na Coreia?
- Quase, na loja que fica fora do shopping.
- O quê?!
- Eles não tinham o meu número no preto. - explicou a situação com toda a simplicidade. Todavia a justificativa só podia ser interpretada de uma única maneira para Liam:
- Esse é um sinal do céu pra você levar esse mesmo, menina! - ele se inclinou para frente e olhou dentro dos olhos da modelo, implorando silenciosamente pra eles saírem dali. Não aguentava mais os olhares dos funcionários direcionado a eles, se mais alguém se aproximasse e perguntasse se precisavam de algo, ele ia bater no infeliz com o tênis de .
- Liam, relaxa. Vai sobrar tempo suficiente pra gente chegar a tempo pro filme, nós só vamos perder os trailers… - Zayn tranquilizou os ânimos de Payne e apoiou a mão sobre a perna de para que ela soubesse que podia tomar todo o tempo que precisava que eles esperariam.
- Eu gosto dos trailers, é assim que fico sabendo de outros filmes.
- Ah, o que vamos fazer se você perder os trailers, não é, querido? – acariciou a cabeça do reclamão como fazia com o perfeito Kelso quando ele ficava emburrado porque terminou de comer o ossinho que deveria durar a tarde toda.
- Você não está com fome ou algo assim? A gente pode ir comprar algo pra você comer. - ele a abraçou ao redor da cintura, bondoso demais para o gosto do trio que o observava.
A sugestão de Payne nada tinha a ver com a sensibilidade de alimentar e sim pura e unicamente a busca de uma oportunidade para sair da loja e acidentalmente se perder do casal amigo porque sem querer entrou na sala do cinema e esqueceu de voltar para procurá-los.
A problemática de tal lógica jazia no conhecimento que a caçula possuía sobre Liam e ciente de segundas intenções na inocente sugestão, apenas negou displicentemente e assim acabou com a última esperança de Liam.
- Não, eu estou ótima. - prometeu e virou-se para o primo e para : - A contou pra , a ouviu e me disse que a Angelique parou de seguir a , o Lou e o Harry, eu fui checar e vi que ela também não segue mais você, Zayn, e você, Liam.
Os meninos pareceram ficar chocados com a notícia:
- Desde quando isso?
- Eu acho que ela nunca me seguiu, na verdade.
- Por que não? - fitou o namorado curiosamente e Zayn ostentou um sorrisinho de significado oculto para as meninas, já que Liam sabia muito bem o que havia acontecido há alguns meses, antes mesmo de Louis aparecer apaixonado por aí.
- Porque talvez eu tenha dado em cima dela antes de saber que ela era a namorada do Louis. - o bad boy explicou em tom jocoso.
- Deu em cima? Só isso e nada mais? - arqueou uma sobrancelha e cruzou os braços cheia de desconfiança sobre a alegada inocência do primo, que dificilmente encaixava-se na descrição de flertar com garotas e fim de história.
A suspeita dela foi motivo de risadas para e os garotos, mas Zayn tratou de esclarecer a situação antes que chegasse as ouvidos de Louis que Angel, que era um anjo, foi seduzida por Malik, que simplesmente não tinha tempo para outras garotas porque estava na fase de devoção do seu tempo à Hilton.
- Sim, ela riu e me dispensou, aí um mês depois o Tommo apresentou ela como a nova namorada dele.
- Uau, eu respeito ainda mais essa garota. - Liam admitiu distraidamente, esquecendo-se por um momento de sua irritação porque ninguém levava a sério o plano do cinema.
- Uma pena que eu não cheguei a conhecê-la. - lamentou estar por fora da maior intriga que envolvia os amigos ultimamente.
Todos falavam de Angelique e ela só ficava mais e mais curiosa sobre a personalidade tão comentada, mas o tempo passou, o romance acabou, Angelique se foi e a oportunidade se esvaiu, porém o que ainda estava muito vivo era o interesse em ver como reagia a todo o carnaval orquestrado por Louis.
Era uma verdadeira vitória que tivessem chegado até ali sem tentativas de assassinato ou sabotagens violentas ao melhor estilo de Westwick. Se tivesse tempo para passar com a ruiva, teria notado na verdade como a raiva dela era movida por outro propulsor muito mais poderoso: a tristeza.
E de tudo de ruim que aconteceu no ano anterior, o que mais deprimiu foi o catastrófico final de e Louis, que estavam indo tão bem, tinham planos para morar juntos e tudo o mais, e de repente estava mudando de universidade para ficar o mais longe possível de Tomlinson.
- Eu também não a conheci, mas dei uma olhada no perfil dela. Ela é bonita! - tratou de empurrar Liam para o ladinho e sentou com já com o perfil da ex de Louis em mãos.
pegou o celular de Ortega e enquanto as duas fuçavam o perfil da universitária, seus namorados automaticamente se inclinaram para frente para ver também pois a curiosidade de saber o que ela andava fazendo era irresistível.
- O que vocês perderam foi a destruindo o Louis na frente da menina. - Payne comentou quando estavam na quarta fileira de fotos.
- Ela começou se apresentando como a ex namorada dele. E como se não fosse o bastante, contou tudo sobre a aposta. - Zayn complementou.
- Não acredito! - arregalou os olhos na direção do namorado, esperando que ele contasse mais detalhes. E ele o teria feito se não tivesse interrompido, cética:
- Eu te contei isso, . A me falou e eu te contei. - ela apoiou as mãos na cintura.
- , eu já te falei que não sou confiável quando estou viajando a trabalho. - Hilton deu de ombros e voltou-se para Zayn que ainda a fitava sorridente e tomou fôlego para começar a narrar os fatos, porém foi interrompido.
- Olha quem voltou! – apontou para o anjo que retornava com a caixa de sapato tão esperada e sorria como se não tivesse corrido doze blocos entre ir e voltar das lojas vizinhas.
- Graças a deus! – Liam comemorou mais do que a própria , que levantou e foi ao encontro da vendedora para espiar o produto e, com sorte, fechar a compra.
Zayn levantou também e ficou de frente para o casal pois estava tão animado quanto o melhor amigo para sair dali, só não queria que sua loira soubesse disso.
- Por que você não tira esse sapato e leva pro caixa pra eu passar junto com as coisas da ? – ele ofereceu o presente à prima, esperando que ela caísse fora dali para poder bater um papo honesto com Payne.
o olhou horrorizada:
- Eu não vou levar isso.
- Por que não?
- Porque é a coisa mais feia que eu já calcei na minha vida!
- E por que diabos você está usando ele desde que nós chegamos aqui, garota?
- Eu não sei, ele me intriga. - esticou os pés e inclinou a cabeça, analisando distraidamente o objeto. - É tão feio que chega a ser lindo, vocês não acham?
- Talvez seja só feio mesmo, bonequinha. - Liam opinou e encolheu os ombros, realmente desinteressado quanto à estética da coisa.
- Você tem razão. Eu vou voltar pro meu sapatinho bonitinho. - Orteguinha admitiu e ainda ganhou um beijo na bochecha antes de ir procurar seu calçado e ir atrás de .
Zayn sorriu para Liam, Liam franziu o cenho, Malik brincou com as sobrancelhas e Liam ergueu as suas, dignando-se a ser o primeiro a falar:
- Eu nunca mais vou sair com vocês dois, Zayn. Você está avisado.
- Deixa de drama, ninguém queria ver esse filme mesmo, no fim das contas. - o moreno sentou ao lado de Payne para poder observar melhor sendo perfeita para ele, mas ela estava ignorante quanto à adoração prestada pois só tinha olhos para os mimos à sua frente.
- Você acha que eu saí da minha casa sob o pretexto de ver um filme só para ver você e a ? - Liam deixou o queixo cair de tamanha ousadia e confiança do amigo.
- Claro! Eu sou o seu melhor amigo!
- Pelo amor de deus, Zayn. Se nós não entrarmos naquela merda de sala nos próximos dez minutos, você vai ficar eternamente desconvidado a dormir no meu apartamento. - ameaçou e cruzou os braços sobre o peito, decidido a ver o que Zayn faria em relação a tal ultimato.
Malik encarou Liam com os olhos cerrados, esperando que o outro rapaz retratasse de sua ameaça, mas como não houve alteração do quadro, ele saiu desesperado em direção da namorada que conversava com a vendedora, e tomou a caixa da mão da mulher antes de puxar pela mão em direção ao caixa.
- , baby! Leva os dois, eu faço questão de presentear você com os dois pares! - prometeu, empurrando-a até que estivessem no balcão de atendimento, e para evitar fugas, protegeu as duas vias de saída da menina com os braços, mas nem ligou pois amava estar entre os braços de seu bad boy.
Dez minutos depois, Liam, e estavam acomodados em suas poltronas, na sala do cinema, assistindo atenciosamente ao filme, enquanto Zayn estava na fila da pipoca, pagando os pecados de toda a sua existência pois sabia que perderia a primeira meia hora do filme, entretanto sem se arrepender do rumo da tarde, pois apesar da indecisão de , o mal humor de Liam e a fome desesperadora de , ele não poderia estar cercado de melhores pessoas.

Alguns dias depois do fiasco no shopping, o quarteto fantástico se dirigiu à Manchester com os Ortega e a mãe de Zayn, como nos velhos tempos. Liam, que prometeu nunca mais sair com Malik, logo se aliou à como faziam antigamente, nos grandiosos eventos dos Malik.
viajou com a família para Marselha, cumprindo a tradição familiar de ver seus parentes favoritos, e dessa vez com Rey e Rose a tiracolo, ignorando como podia a falta que sentia de Louis misturada com raiva e desejo de vingança direcionadas ao rapaz, que se mandou para a casa do irmão mais velho assim que recebeu o aval para passar uns dias lá.
Niall desejava muito se jogar de corpo e alma nos braços da família porém não queria responder perguntas sobre , portanto permaneceu em Londres preenchendo o vazio de seus dias com vídeo games e séries ruins. Todavia, a garota em questão vivia seus melhores dias sob o sol da Toscana, permitindo que a pele fosse beijada pelo sol e os seus sentidos invadidos pelo carnaval de odores, sons e sabores que constituíam o paraíso cultural que é a Itália.
Juntamente com o irmão, a prole Styles se juntou aos Meester na peregrinação anual para o país favorito da família e já haviam jantado em Nápoles, participado de degustações de vinho em San Marino e passearam pelos canais aquáticos de Veneza (onde Harry sentiu fortes náuseas por conta do cheiro forte).
O último passeio acabou com as forças dos adolescentes, que após explorar cada ruína da velha Pompéia e também visitar o Vesúvio adormecido em um programa cansativo de dois dias, no dia seguinte não puderam acompanhar Christopher e Diane no passeio de um dia só em Mônaco.
E sob o sol da Toscana, curtindo os dias quentes embaixo de um sombreiro de palha, conversando e relaxando ao som dos gritinhos animados de algumas crianças que brincavam com água e estavam hospedadas ali antes dos Meester e os Styles chegarem, o trio de adolescentes já partia para segunda garrafa de vinho e não era nem quatro horas.
- Quando eu li sobre esse hotel, ninguém mencionou os mosquitos. – Harry resmungou enquanto removia o que restou do inseto que acabava de ser esmagado pela palma certeira do rapaz.
- Nós trouxemos repelente, Harry. – , que estava com a cabeça reclinada para o alto, relaxada e serena, repetiu a informação, que somadas às reclamações anteriores do irmão, chegava à assustadora soma de treze protestos.
- Eu sei, mas odeio o cheiro ruim. – ele deu um tapa na panturrilha direita mas não conseguiu matar o maldito bichinho. – Inferno.
até então não havia se incomodado com as queixas de Harry porque estava interessada na história que narrava sobre o pânico de Diane quando elas foram passear de balão sobre as vinícolas da região.
- Você odeia mais o cheiro do repelente ou ser picado por centenas de mosquitos? – ela empurrou um cachinho teimoso dele para cima mas foi só afastar a mão que ele voltou a cair na testa de Harry.
O raciocínio de fez com que Styles admitisse a derrota e mesmo contra sua vontade, aplicou o spray em seu corpo do pescoço para baixo e de quebra aspirou um pouco no ar só para garantir.
- Eu estava pensando aqui, - sentou corretamente na cadeira e bebericou de sua taça, - Nós podemos ir jantar na vila hoje?
- Depende. Esse jantar na vila envolve longas caminhadas? – deixou a mão livre cair sobre o colo de Harry que tratou de entrelaçar os pequenos dedos aos seus e levantou o rosto sutilmente para admirar a face dela, pois ainda necessitava fazer isso para garantir que ela estava ali e não era apenas mais um sonho frustrante.
Meester percebeu e sorriu boba.
- Não necessariamente. – princesinha Styles respondeu o questionamento da amiga.
- Não estou gostando do rumo dessa conversa, . Defina melhor esse "não necessariamente".
- Significa que existem outros meios de chegar lá mas eu acho que uma caminhada não faz mal a ninguém e ainda é uma ótima oportunidade para nós conversamos.
- Mas tudo o que nós fazemos é conversar, garota! – Harry arregalou os olhos, impressionado com o fato de que sua irmã era um buraco negro de atenção e necessidade de conexão humana. Tudo o que haviam feito ultimamente era acompanhado com muita conversa e ao fim da semana todos os tabus da sociedade foram debatidos às claras e Styles podia estar falando por si só, mas já não tinha mais o que falar.
- Isso é verdade. – prensou os lábios.
apoiou os cotovelos na mesa e o queixo sobre as palmas das mãos:
- Eu suspeitava que vocês não seriam receptivos a essa ideia, por isso já liguei e me informei, eles têm três meios de transporte: vespa, Fiat 500 edição vintage ou táxi. E como nós não somos idiotas que tiram a magia das coisas boas na vida, obviamente não vamos de táxi, o que restam a nós duas opções, o que vocês acham?
- Hmmm eu estava pensando em algo mais prático, como um helicóptero, por exemplo. – Meester expôs seu real desejo.
- Andar de vespa deve ser muito legal, . – Harry argumentou, certo de que o passeio até a vila seria realmente divertido.
- Mas eu me sinto tonta demais para dirigir...
- E você estava pensando que você é quem ia dirigir?
- E não vai ser assim? - juntou as sobrancelhas, criando um vinco de confusão.
Harry levou a mão até o rosto da namorada e carinhosamente disse:
- Meu bem, nós precisamos beber muito mais pra alguém deixar, em sã consciência, você sobre o controle de um automóvel.
- Idiota. - rolou os olhos todavia retribuiu o beijo carinhoso que Harry lhe deu, seguido do costumeiro beijinho no torso de sua mão.
- Vocês vão juntos em uma e eu vou acompanhando logo atrás em outra, galera! Vai ser uma aventura! - bateu palmas ao ver que havia sido convencida.
Harry levantou em um salto e anunciou:
- Vou colocar a bateria da câmera para carregar!
Enquanto o cachinhos estava lá dentro, inclinou-se para frente e sussurrou:
- Psiu, !
- O que foi? – respondeu sussurrando também.
O mero tom conspiratório era o bastante para fazê-la dirigir toda sua atenção ao interlocutor, e falar sobre segredos era a única coisa que tomava a atenção de , que usualmente estava sempre pensando em pelo menos três coisas diferentes ao mesmo tempo.
- Sabe uma coisa que nós não conversamos? – permaneceu usando a voz baixa, todavia um sorriso divertido já esboçava-se em seu rosto.
- O quê? – a loirinha espelhou o sorriso da outra garota.
- Ah não!
arregalou os olhos e tentou levantar com a intenção de correr para bem longe daquela varanda maldita, mas esticou o braço o suficiente para deter a amiga de fugir e o truque só funcionou porque a princesinha Styles titubeou na hora de equilibrar a taça e surrupiar a garrafa aberta.
- Onde ele está? Por que você está aqui, no melhor país do mundo, sem ele? Vocês terminaram e você ficou com vergonha de contar? – Meester atirou as perguntas do interrogatório nada sutil.
- Nós não terminamos. – retrucou, tímida. Falar de Niall era doloroso porque ele foi sua companhia constante nos últimos anos, o seu melhor amigo, no entanto os eventos ocorridos durante o baile de formatura deles serviu como um divisor de águas na relação dos dois. Colocou fim a um capítulo de muita paixão e intimidade e iniciou outro, baseado na desconfiança e distanciamento gradual. Amava Niall mas não conseguia confiar nele e por isso os dois pendiam sobre o abismo da incerteza.
- Então vocês ainda estão juntos, interessante... – cerrou os olhos e acariciou o queixo, muito reflexiva.
- Não, não é bem assim. – riu dos trejeitos maliciosos da cunhadinha.
- Vocês não estão juntos? – a morena novamente aparentou uma breve confusão. Harry, que havia voltado de sua importante missão, passou mais uma camada de repelente e acomodou as pernas no colo de , mantendo os pés o mais longe possível da mesa que parecia ser o lugar favorito dos insetos.
- Isso.
- Então vocês terminaram, garota!
- Não! Você está fazendo uma confusão, ! Nós estamos namorando sim.
- Mas não estão juntos.
- Não estamos, por enquanto.
- O que significa estar namorando mas não estar junto? Eu não estou entendendo mais nada. - Harry já estava com dor de cabeça só por tentar compreender a natureza da relação da irmã com o irlandês.
- Está vendo só? Não sou só eu que estou confusa! - tomou novo fôlego para continuar debatendo o mérito daquela questão e a paciência que tinha em tentar explicar o que estava acontecendo só tornavam a situação mais divertida do ponto de vista da morena.
- Nós ainda somos namorados, oficialmente, só que não estamos fazendo coisas de namorados porque estamos dando um tempo. - disse pela décima vez.
- Um tempo pra quê? - mantinha uma expressão cética pois era ferrenha opositora da ideia de "dar um tempo", em sua simples mente, ou duas pessoas estão juntas, ou não estão, sem meio termos.
- Para eu aprender a confiar de volta no Niall. - brincou distraidamente com uma gota de vinho que escorreu na mesa.
Harry sentia empatia pela irmã pois desejava que ela fosse feliz como ele era, e sabia que com ou sem Niall ela podia ser feliz, no entanto ficar em cima do muro e protelar uma tomada de decisão certamente não faria bem a ela, por isso salvou a tarde, mudando totalmente o rumo da conversa ao contar sobre um evento que ocorre todos os anos em Cooper's Hill onde as pessoas sobem uma colina e depois descem correndo perseguindo um queijo.
As meninas pareceram confusas a princípio, mas foi só ver os primeiros minutos de uma compilação de tombos épicos que elas se renderam a graça do vídeo e passaram a próxima hora fazendo planos para convencer Louis e Niall a participarem no ano seguinte, e quem sabe até encararia o desafio, se fosse provocada do jeito certo.


ooo


A menina aproveitava cada instante do início de suas férias como algo sagrado, naquele exato momento, deitada no sofá da sala de estar, lendo seu livro, ouvia as risadas e gritinhos histéricos de suas irmãs que brincavam com o pai, no chão, ao seu lado.
- Você está mesmo conseguindo se concentrar com todo esse barulho? - Oliver perguntou, assistindo Rey puxar a bola da mão de Rosie que caiu devido a brutalidade da irmã e voltou o rostinho ingênuo e magoado para o pai, que fingiu que não viu a cena a fim de evitar uma sessão de choro.
- Não. Mas é uma boa forma de não precisar brincar com as meninas e ainda sim estar por perto. - respondeu passando os olhos pelas linhas a sua frente, sem realmente atentar-se as palavras.
- Você passa semanas longe e quando finalmente está em casa não quer interagir com as suas irmãs? - o Sr. Westwick questionou fingindo estar ofendido, enquanto jogava a bola para Rey que a empurrava de volta.
Todavia, do outro lado do tapete, a já recuperada Rosie se distraia com um carrinho, que assim que foi avistado pela outra gêmea se tornou seu objeto de desejo. E Miranda logo se levantou para tomar o brinquedo da irmã.
Contudo dessa vez foi impedida pelo pai que chamou sua atenção, fazendo-a esconder o rosto atrás das mãozinhas rechonchudas e chorar magoada por ter sido privada da diversão.
- É por isso que eu não quero brincar com elas. Tudo o que a Rosie pega a Rey quer e eu não tenho paciência para isso. - a ruiva cruzou os braços, irritada com a injustiça que se passava diante de seus olhos negros e julgadores.
- Você fazia a mesma coisa quando tinha 1 ano, . - o homem falou, encarando a bebê magoada que chamava por ele com o rostinho vermelho e molhado, enquanto apontava para o brinquedo proibido que era utilizado por Scarlatt, que não entendia o escândalo da irmã - A diferença é que a Rey tem uma irmã para incomodar, enquanto você incomodava crianças desconhecidas no parque, na praia, na escola.
- Calúnia! - a primogênita se defendeu, tendo em mente que era capaz de ter cometido um crime como aquele. - Eu só era uma criança sociável. - deu de ombros, fechando o livro, vendo Rey encaminhar-se para o pai, fingindo choro, já que nenhuma lágrima rolava de seus olhos.
A bebê abraçou Oliver, tentando convencê-lo a atender seu desejo, mas tudo o que o homem fez foi abraçar a filha de volta ainda mantendo os olhos sérios sobre ela, dizendo-a silenciosamente que aquele joguinho de manipulação não iria funcionar.
Rey logo esqueceu o motivo pelo qual chorava e pegou um lego para brincar, deixando Rosie em paz com seu carrinho. continuou conversando com seu pai, enquanto ele servia de mediador entre qualquer desavença que as gêmeas viessem a ter e a manhã seguiu tranquila, até a ruiva visualizar em seu celular uma mensagem de .
Xx : , bem que você podia dormir lá em casa hoje, né? xX
Xx : Você vai me dar comida? xX
Xx : Uhmm… Não… xX
Xx : Paraa! Vai sim! xX
Xx : Ah, , vem aqui para casa hoje!
Xx : Eu vou sim menina! xX
Xx : Vem mesmo?! xX
Xx : Claro! xX

A garota despediu-se do pai, deu um beijo em cada cabecinha vermelha das irmãs e correu para seu quarto a fim de arrumar uma pequena bolsa pra levar para a mansão Styles. Em menos de trinta minutos o porsche cantava pneus ao sair pelos portões de ferro negro da residência Westwick.
não levou muito tempo para chegar até a casa da melhor, afinal furou algumas preferenciais, ultrapassou um ou dois sinais vermelhos e sem demora estacionou seu carro na entrada da mansão, deixando a chave na ignição para algum funcionário estacioná-lo na garagem.
Foi recebida por Emily que a cumprimentou com um sorriso no rosto e informou que a senhorita Styles havia saído com a mãe há algumas horas e não havia informado quando retornaria.
Indignada com o descaso da amiga, a ruiva subiu as escadas correndo e fechou-se no quarto de , pegando o celular no bolso para ligar para a mesma.
- Alô? - a loirinha falou do outro lado da linha.
- Você me chama para vir na sua casa e sai? - reclamava caindo sobre a cama, bagunçando a colcha que cobria o colchão. - Acabei de chegar aqui e a Emily falou que você saiu com a sua mãe e não falou que horas voltava.
- Mas, eu falei para você ir para minha casa, não para ir nesse exato momento! - princesinha Styles se defendeu, passando a mão na nuca - Eu vim no cinema com a mamãe.
- Você ainda vai ver um filme?! - a mais velha desesperou-se.
- Não! - respondeu rapidamente, visando evitar o sofrimento da outra menina - O filme já acabou, agora nós estamos procurando um relógio para a minha mãe - a risadinha divertida da loira foi ouvida do outro lado da linha.
- Vocês vão demorar muito?
- Acho que em menos de quarenta minutos nós chegamos em casa.
- Isso é muito, . - tratou de informá-la já que sabia que aquele tempo estipulado seria provavelmente dobrado.
- Nós não sabemos se vamos pegar trânsito! - arqueou as sobrancelhas, soando positiva - Estou te preparando para o pior.
- Seu pai está em casa?
- Não, ele está trabalhando. - a brusca mudança de assunto surpreendeu a garota - Por quê?
- Porque eu ia procurar por ele para conversar… Eu vou ficar sozinha por duas horas já que não tem ninguém na sua casa! - resmungou, rolando pelo colchão já sentindo o tédio tomar conta de si
- Quando nós saímos o Harry estava no quarto dele jogando video game. - informou, acreditando que a notícia seria útil de alguma forma.
- Eu vou ficar sozinha por duas horas já que não tem ninguém na sua casa! - repetiu a queixa ouvindo a risada divertida da amiga.
- Eu prometo que vai ser rápido! A mamãe já está no caixa pagando a compra. - sorriu, feliz por poder diminuir o sofrimento da melhor amiga, que bufava do outro lado da linha.
- Tudo bem… Não demorem. Tchau.
- Tchau, . Daqui a pouco nós chegamos em casa.
A ruiva suspirou, varrendo o cômodo com seus olhos negros, ávidos por algo que despertasse seu interesse. Tamborilou os dedos no colchão, pensando se valia a pena ir até o quarto de Harry jogar um pouco de video game… Riu em escárnio, concluindo que não estava desesperada aquele ponto! Levantou-se e saiu do quarto, caminhando lentamente pelo corredor, pensando em todas as travessuras que poderia fazer pela extensão da casa Styles e que seus donos levariam dias para descobrir, porém optou por apenas se dirigir até a área da piscina e tomar um pouco de sol.
Voltou ao quarto da amiga, pegou emprestado um óculos de sol e desceu as escadas rapidamente, passando pela cozinha, onde encontrou Emily e com um sorriso no rosto pediu por um suco de morango, esperando que a mulher fosse comprada com simpatia e alegremente se dirigiu para o quintal posterior. Puxou uma espreguiçadeira, sentou-se confortavelmente e respirou fundo, aspirando o cheirinho de grama recém cortada misturada com o da água da piscina.
Sacou seu celular no bolso do jeans e mergulhou em sua redes sociais, concentrada na futilidade que inundava cada postagem artificial e que ela sabia que não passava de um bom ângulo e edição, mas que não conseguia evitar passar longos minutos analisando e julgando.
Seu suco de morango geladinho não demorou a chegar e Emily ainda levou uma pequena tábua de frios e castanhos para servirem de acompanhamento, o que fez a agradecer efusivamente devido a atenção e carinho que a mulher mais velha colocava no gesto.
Apoiou uma tira de queijo entre os lábios como um cigarro, enquanto dava zoom em uma foto tentando descobrir se a cintura que julgava havia passado por uma edição sem vergonha de photoshop, pois aquela finura não era normal! Onde ficariam os órgãos daquele ser humano?!
- Oi, ! - ouviu o cumprimento e elevou os olhos por trás dos dramáticos óculos brancos de .
- Que foi? - perguntou já mal humorada, mordendo o queijo com todo o ódio que preenchia seu ser.
- Nada… - Louis deu de ombros, puxando uma espreguiçadeira para sentar ao lado da menina - Eu acabei de chegar para jogar video game com o Harry e a Emily me falou que você estava aqui, então vim te ver. Faz muito tempo que não nos vemos.
- Graças a deus… - suspirou pesadamente, ainda deslizando pelo seu feed de instagram, esperando que o rapaz não conseguisse enxergar o que ela fazia.
Permaneceram em silêncio por alguns minutos, onde a menina fingia que se concentrar em sua tarefa quando na verdade se sentia pressionada e observada e o moreno não sabia como iniciar uma conversa agradável, portanto sucumbia de vergonha.
- Bom… - Tommo tentou, batendo os dedos ansiosos na própria coxa, sentindo o jeans da bermuda esquentar devido os raios de sol - O seu fim de semestre foi tranquilo?
- O que você quer afinal, Tomlinson?! - voltou-se para ele, cruzando os braços, emburrada - Por que não vai logo incomodar o seu amigo… ou ainda melhor, a sua namorada! - sorriu sem humor, voltando a atenção para seu IPhone.
- A Angie terminou comigo. - informou constrangido, mantendo os olhos presos nos próprios pés.
- Oh… - juntou as sobrancelhas, surpresa com a informação e desconfiada o mirou, tentando ler suas ações para descobrir se estava triste, magoado, arrasado - Ela finalmente percebeu que você merece sofrer e morrer sozinho?
- Talvez…
- Como você conseguiu estragar tudo dessa vez, Tomlinson? - elevou o queixo desafiadora.
- Você me conhece - deu de ombros, sorrindo sem humor - , eu sempre consigo estragar tudo.
- É, é verdade… Você é campeão em foder com a vida das pessoas. - falou provocativa, bebericando seu suco que já estava no final.
E mais uma vez adentraram em um silêncio constrangedor e incômodo, encarando a água tranquila da piscina a sua frente, tentando afastar as memórias de bons tempos que compartilharam e sentiam-se devastados por ainda perturbar a sua mente.
- Você terminou de ver aquela série que nós deixamos pela metade? - Louis sorriu, voltando seus olhos azuis tranquilos e curiosos para a ruiva de braços cruzados que escondia sua expressão triste atrás dos óculos escuros.
- Não.
- É, eu também não consegui… Era impossível não lembrar de você. - bufou, colocando as mãos atrás da cabeça - É estranho pensar que já passou um ano desde que tudo aconteceu e eu ainda não consegui seguir em frente.
jogou a cabeça para trás forçando uma risada: - Você seguiu em frente, honey. Não era você que estava namorando até alguns dias atrás?! - arqueou as sobrancelhas vermelhas, arrumando o óculos no rosto - Eu que continuo na mesma autocomiseração.
Tommo cerrou o cenho, abaixando a cabeça e cresceu os olhos desesperado pelo fato de a cada cinco minutos falar alguma coisa que o fazia querer se afogar na piscina a sua frente.
- Ah, lembra daqueles bombons que eu tinha comprado para comer com você? - o menino tentou mais vez, iniciar um assunto - Que fim eles tiveram?
- Eu dei descarga neles. - ainda de braços cruzados, voltou o rosto para o moreno e cerrou os lábios, suprimindo uma risada, ao avistar sua expressão indignada.
- Mas você é um demônio mesmo, hein?! - acusou - Aquele é o melhor bombom que existe e você da descarga neles?! Por que não deu para outra pessoa, então?
- Porque enquanto eu fazia aquilo imaginava que eram os seus órgãos descendo pela privada.
- Ai, honey, que horror! Para que isso? - colocou a mão sobre o peito, temendo pela saúde de sua vísceras - Por favor, não me fala que você queimou aquele cobertor que eu te emprestei! - fechou os olhos, com medo da resposta, mas os abriu lentamente, um de cada vez, ao ouvir a risadinha da garota.
- Não… - negou com a cabeça - Esse ainda está intacto e guardado. - sorriu de lado, sem sentir-se envergonhada por admitir que ha ia mantido aquela recordação em seu closet entre suas roupas.
- Ufaa… - deixou o ar escapar por seus lábios e não conseguir evitar sorrir ao saber que sua garota mantinha uma lembrança sua guardada e segura.
- É realmente estranho pensar que já passou tanto tempo desde… - juntou as sobrancelhas, suspirando, concordando com o que o rapaz havia dito algum tempo atrás.
- É, eu sei.
- Aquela época era divertida. - tirou os óculos, colocando-os na mesa ao seu lado.
- Sim. Eu sinto falta… de tudo, sabe?
- Ahan. - assentiu rapidamente, seus olhos negros miravam os azuis do menino, que a observava atentamente.
Permitindo-se ser tomada por recordações, percebia que grande parte de seus momentos favoritos, suas lembranças inesquecíveis, Louis esteve ao seu lado. Ao decorrer de sua curta vida, Westwick já havia cometido muitos erros, já havia arremessado os mais variados objetos nas mais variáveis pessoas, já havia ameaçado destruir a sanidade de muitos colegas, já havia se deixado levar por provocações, discutido, brigado, quase iniciado uma guerra e em todo aquele caos, Tomlinson nunca a desmotivou.
O rapaz não apagava o incêndio que era Westwick, pois sempre estava com uma caixa de fósforos na mão.
Caso a ruiva fosse para o inferno, Louis se atiraria nas chamas apenas para segui-la, pois aquela garota era tudo o que ele próprio era! Era sua amante e melhor amiga, seu amor e ódio, sua tempestade e calmaria.
E sabia disso.
A cada vez que o mirava, conseguia ver algo novo que a deixava eufórica e a fazia o desejar mais que antes.
Sentia falta de quando apreciava tal sentimento. Porque naquele momento, enquanto encara Tomlinson, sofria ao perceber que seu amor por aquele rapaz nunca morreria.
- É estranho pensar que tanto tempo passou, mas algumas coisas continuam as mesmas. - a ruiva presseguiu.
- É, algumas coisas não mudaram… e eu acho que nunca vão mudar.
- Você acha mesmo? - questionou curiosa e receosa, imaginando se Louis se referia àquilo que ela também pensava.
E tudo o que o moreno fez foi acenar positivamente, desejando que Westwick compreendesse sua súplica silenciosa. A ruiva espelhou o gesto do menino e despediu-se, pegando seu celular e subindo para se resguardar no quarto de , que cinco minutos depois chegava em casa.

Capítulo 12

A garota mantinha os olhos compenetrados na televisão, sem movê-los ou até mesmo pisca-los, nem ao menos os abaixava para encarar o controle em sua mão. Toda sua concentração fixava-se no mistério que precisava desvendar.
Marty McFly havia voltado no tempo para salvar seu amigo Doc, e corria contra o tempo a fim de resolver os problemas e encontrar pistas para libertar o doutor antes que fosse tarde demais.
- Sua tia Amelie disse que virá nos visitar esse ano. - sua mãe informou. Com o notebook apoiado no colo Joe corria por seu email, respondendo tudo relacionado ao trabalho e ignorando qualquer coisa relacionado a promoções.
- Ahan. - murmurou automaticamente, sem ter certeza de que a mais velha se dirigia a ela.
- É claro que sua prima Hermine virá com a mãe. - Sra. Westwick continuou, arrumando os óculos de leitura que escorregavam por seu nariz.
- Ahan.
- E eu não quero brigas, ! - voltou o rosto para a filha pela primeira vez desde que o assunto iniciara e percebeu que a jovem ao seu lado era apenas um robô movido pela sede de tecnlogia.
- Ahan.
- , você está me ouvindo?! - seu tom de voz austero, deixava claro que a conversa acabava de ficar mais séria.
- Não, mãe! - respondeu sincera, pausando o jogo e virou-se para Josephine com uma expressão triste e frustrada por ter sido interrompida.
- Sua tia Amelie vem nos visitar e é claro que a Hermine virá com a mãe…
- Ah não!
- Como assim "Ah não"?! - Joe juntou as sobrancelhas, esperando uma boa explicação por parte da filha.
- A Hermine é insuportável! - reclamava como uma criança mimada, rolando os olhos e afundando-se no sofá.
- Ela é sua prima!
- Minha prima insuportável. Todo mundo tem uma!
- Eu não quero brigas, . - avisou - Você será uma boa anfitriã. E isso não é um pedido, é um lembrete.
- Eu não posso prometer nada… - deu de ombros, sugestiva, voltando para seu jogo.
- A menina tem 12 anos, pelo amor de deus!
- O que torna tudo pior, porque todos vocês ignoram o saco que ela é.
- Eu não vou discutir esse assunto com você. Só estou te avisando como as coisas serão. - Joe decretou encerrando a conversa e o decidindo o futuro comportamento do espirito rebelde também conhecido como Westwick.
Ao fim a menina até perdeu a vontade de jogar, sabendo que apenas alguns dias a separavam da chegada iminente de seu pior pesadelo, chamado Hermine Renouard.
Felizmente ao subir para seu quarto encontrou uma mensagem de pedindo para a amiga salvar suas férias do tédio e se dirigir a mansão Styles o mais rápido possível. Dentro de poucos minutos, atendia ao pedido da mais nova e entrava em seu carro com uma pequena bolsa contendo algumas mudas de roupas para a possível mudança de endereço que se seguiria pelos próximos dias, até a data final da visita da tia e da prima!
Chegando na mansão Styles, a ruiva foi levada até o jardim posterior, onde , deitada na grama, lia um livro.
- Você me chamou e eu vim. - Westwick brincou, sentando ao lado da amiga.
- É que você é um bom discípulo. - com um sorriso perspicaz a loira respondeu, fechando seu livro e rolando pela grama, usando a mão para tapar o sol que incomodava seus olhos verdes.
- Como é?!
- Brincadeira. - retratou-se rapidamente, escondendo uma risada divertida por ter constatado choque na expressão da mais velha.
- Ah, esqueci de falar! Semana passada assisti a terceira temporada de Stranger Things e falta só um episódio para eu terminar! - sorriu, orgulhosa de seu feito. Pois em pouco tempo de férias havia conseguido assistir mais coisas do que em todo o semestre letivo que transcorrera.
- Espera aí, deixa eu ver se entendi. - sentou-se com pernas de índio e o cabelo bagunçado, com algumas folhas enroscados pelos fios dourados. - Você assistiu sete episódios, ou seja, investiu sete horas da sua vida em prol dessa série, ai quando finalmente pode saber o que aconteceu, o grand finale, você para?!
- Sim, porque vai demorar muito para sair a quarta. E assim eu tenho um episódio reserva para me alegrar quando perder as esperanças!
- Não, ! Você precisa assistir tudo, se jogar de cabeça, arcar com as consequências e seguir em frente.
- Mas vai levar muito tempo para sair a quarta temporada, !
- Não importa! O importante é cumprir todas as suas responsabilidades. - deitou-se de novo na grama, bocejando preguiçosa. - Se você quiser a gente pode assistir junto.
- Tudo bem, nós vemos hoje. - deu de ombros - Sabe o que eu tava pensando? - juntou as sobrancelhas vendo a amiga voltar o rosto para encará-la - Que se a turma do Scooby-Doo estivesse em Hawkins, tudo se resolveria muito mais rápido!
Styles riu alto, batendo os pés no chão de forma displicente: - O episódio final seria eles tirando a máscara do demogorgon! - sorriu orgulhosa de sua ideia e ouviu a gargalhada da amiga - E descobrindo que o monstro é ninguém mais ninguém menos que o Hopper.
- Esse seria o melhor plot-twist dos últimos anos. O Hopper, com uma fantasia de demogorgon falando "Eu teria conseguido se não fosse por essas crianças e esse cachorro enxeridos". - engrossou a voz, fazendo uma pose caricata a fim de dar vida ao personagem que criavam. - Essa ideia é incrível, . Você deveria patentear.
- Daqui uns 10 anos eu produzo uma releitura de Scooby-Doo em Hawkins, vai ser o nome da série. - explicou, tapando o sol com um mão - E aí eu faço o papel da Winona Ryder. - sorriu, vendo a amiga aprovar sua ideia com o polegar em riste.
A conversa seguiu por mais cinco minutos, até princesinha Styles receber uma mensagem no celular e levantar rapidamente. A loira percebeu que tomava impulso para também se levantar e logo explicou que voltaria rápido, saindo as pressas, entrou em casa e desapareceu.
Sem entender o que acabava de acontecer, Westwick deu de ombros, afinal ninguém entendia os dramas da família Styles!
A garota pegou o livro de e começou a ler a sinopse a fim de descobrir o que vinha prendendo a atenção da amiga nos últimos tempos. Folheou algumas páginas, deixou o livro de lado, pegou o celular, percebeu que não havia nada de interessante em suas redes sociais, suspirou entediada e percebeu que a saída rápida da melhor amiga já marcava 8 minutos.
Enrolou as pontas dos cabelos vermelhos pelos dedos e divagou, distraidamente, com os olhos negros curiosos focados no jardim a sua frente.
- ?
- De novo você?! - cruzou os braços emburrada ao encontrar Tomlinson atrás de si com um sorriso descarado no rosto cínico.
não acordara de bom humor naquele dia.
- Faz dias que eu não te vejo!
- Tanto faz. - resmungou, pegando novamente o livro de , a fim de fingir que se ocupava com algo importante.
- Eu vou sentar para nós conversamos, tá? - Louis achou necessário avisá-la, enquanto abaixava-se lentamente a fim de ocupar um espaço no gramado a uma distância segura da garota, mas não distante o suficiente dos objetos que ela poderia arremessar nele. - Dez meses atrás nós estávamos no gramado dos Payne, você me fez chorar de tão linda que estava…
- E você me fez chorar literalmente. - passava displicentemente página por página, tendo suas sobrancelhas arqueadas emoldurando seus olhos atentos ao que fazia.
- Isso é um ponto… - limpou a garganta desconfortável - Mas a questão é que eu nunca esqueci aquela conversa, nunca esqueci a forma como você me olhou e por muito tempo eu refleti sobre tudo o que nós dissemos um para o outro…
- Você fazia toda essa reflexão enquanto assistia a um filminho com a sua namorada? - um trecho em especial chamou sua atenção e a garota fingia em dobro estar completamente entretida.
- Okay, eu mereci essa também. - sorriu constrangido, tentando recordar da onde havia parado seu discurso. - O que eu estou tentando dizer é que era só a hora que estava errada, ! - diante de tal afirmação, a ruiva sem entender, elevou os olhos para o menino que a mirava aflito. - Foi cedo demais.
- Quê? - Westwick indagou acreditando que o rapaz não se encontrava em seu estado normal.
- Eu devia ter esperado mais para falar com você! Eu fiz tudo errado!
- Isso eu sei. - respondeu esforçando-se para compreender a linha de raciocínio daquela mente singular que era Louis Tomlinson.
O moreno gargalhou devido a fala da garota, fazendo-a franzir o cenho cada vez mais confusa com o rumo daquela interação no mínimo bizarra.
- , eu fiz tudo errado e você sabe disso. - sorriu alegre, mirando aqueles olhos negros confusos, mas sempre lindos e vastos como todo o céu antes de uma tempestade - Você sempre soube que eu era idiota e ainda sim você nunca desistiu de mim, mesmo depois da noite do baile! Você me perdoou, disse que me amava, não me matou… O que é algo muito importante de ser citado considerando que estamos falando de você que tem esse jeitinho especial de traumatizar as pessoas. - forçou um sorriso, tentando convencê-la de sua culpa e arrependimento. - O fato é que eu fiz tudo no tempo errado e me arrependo disso, eu deveria ter te contado sobre a aposta antes, eu deveria ter esperado para pedir o seu perdão. Quando tentei superar você, arrastei uma terceira pessoa para essa bagunça e me arrependo de ter magoado a Angie, como também me arrependo por ter tentado te esquecer! Eu me arrependo de ter te feito chorar e por ter roubado as suas esperanças, como você me disse aquele dia no gramado dos Payne, eu me arrependo de ter feito você sofrer. Mas eu não me arrependo de ter te apostado, .
Sua sinceridade devido o assunto delicado fez Westwick perder o fôlego, afinal a sua frente erguia-se uma grande enigma e o desconhecido a amedrontava.
- , honey, você sabe que eu sou um idiota e eu fui idiota o bastante para precisar de uma aposta para me apaixonar por você e eu não me arrependo de ser estupidamente apaixonado por você. Eu não me arrependo de te amar. - aproximou-se da ruiva que acovardava-se diante tantas revelações. - Aquele dia, no gramado dos Payne, você disse que me amava. Você ainda me ama, honey?
Deparando-se com aquela pergunta considerou o longo caminho desde a noite do baile de formatura até aquele dia ensolarado no jardim da mansão Styles. Mais de um ano havia se passado, muito coisa havia mudado, ela havia mudado!
Apesar de não admitido, Westwick também se recordava daquela tarde no gramado dos Payne, lembrava da roupa que usara, lembrava de Rey em seus braços, lembrava da fala aflita de Tomlinson, lembrava do caminho tortuoso a sua frente, embaçado pelas lágrimas, lembrava que desejava o sofrimento de Louis.
Louis possuía muitos arrependimentos, mas também acumulava os seus.
Arrependia-se por ter sido tão teimosa, rancorosa e arrependia-se por ter desejado o sofrimento de Tomlinson, porque quando o rapaz sofria também sofria.
- Se eu ainda te amo? - fitava-o austera - Eu não parei de te amar por um segundo sequer - admitiu expirando todo o ar que havia prendido nos pulmões desde que Tommo sentara ao seu lado - , nem quando eu quis, nem quando eu tentei! Eu te amo, honey. - ao finalmente dizer tais palavras em voz alta o peso que carregava nos ombros esvaiu-se e mais leve, a menina pode ser abraçada por um Louis que sentia os olhos arderem devido as lágrimas de felicidade.
- Eu ainda vou fazer muita merda, , mas eu prometo nunca mais fazer uma tão grande como essa!
- Você sabe que não se deve fazer promessas impossíveis de serem cumpridas, honey. - arqueou as sobrancelhas franzindo os lábios e permitiu-se sorrir ao ouvir a gargalhada de Tomlinson.
- Eu te amo.
E Louis a deitou na grama, fazendo-os rolar por todo o jardim dos Styles enquanto beijava naqueles lábios todos os beijos atrasados.


ooo


A tarde ensolarada que antecedeu o aniversário de foi marcada pela calma antes da tempestade que foi a festa de comemoração (quando o grupo viveu quarenta e oito horas memoráveis em Ibiza), e a garota passou a maior parte da véspera em Oxford, no apartamento de Liam sob o pretexto de ajudar o amigo a fazer uma limpeza e tirar pelo menos algumas caixas de trecos velhos.
Mas como Payne previu, acabou que em uma hora e Harry alegaram fadiga e foram assistir TV na sala de jogos enquanto ele e concluíam o serviço.
Isso se deu há três horas e desde então eles já haviam comido a maioria dos snacks, tomado toda a cerveja que tinha na geladeira e até mesmo tirado um cochilo no sofá, embalados pelos sons distantes de música e conversa entre o casal que trabalhava entre segundo andar e o piso.
- Harry.
- Hm?
- Se você nunca mais precisasse dormir, o que faria com o tempo livre?
- Nossa, . - Harry bloqueou a tela do celular e baixou o olhar para a garota que descansava a cabeça em seu colo, até então entretida no celular enquanto balançava os pés no ritmo de uma canção popular que se tornou rapidamente o sucesso do verão. - Que pergunta difícil. Eu acho que depende muito.
- De quê? - franziu o cenho, curiosa.
- De qual resposta você quer ouvir, a versão nobre e socialmente aceitável ou a versão real porém muito mais egoísta e fútil.
A resposta de Styles fez gargalhar espontaneamente e ela deu um tapa sem força no peito do namorado,
- Tudo bem. - o rapaz deu de ombros e deslizou os dedos entre os fios negros do cabelo da namorada. - Para qualquer outra pessoa eu falaria algo tipo aprender um novo idioma, investir em um novo hobby, fazer mais serviços voluntários ou qualquer outra coisa genérica que todo mundo fala. Mas o que eu realmente faria é passar ainda mais tempo jogando videogame, sem dúvidas.
- Uau, como você é frívolo, Styles!
- Ei! Sem julgamentos! - ele beliscou a cintura da garota.
- É claro que eu posso. Essa basicamente é a minha maior motivação pra levantar a cada manhã.
- Eu aposto que sim.
- Harry, esse relacionamento não vai funcionar se você concordar comigo quando eu falo dos meus defeitos.
- Mas quem disse que isso é um defeito? Pra mim essa é a sua melhor qualidade. Na verdade, aos meus olhos você só tem qualidades.
- Tem certeza que não quer investir em uma carreira jurídica? Você tem potencial.
- Hmm, não. Eu vou usar a minha lábia só pra te fazer feliz.
Styles prometeu e se inclinou até alcançar os lábios rubros de , que derreteu-se imediatamente sobre o toque suave dele e ergueu a mão para acariciar seu rosto.
Quando separaram-se, os dois ostentavam sorrisinhos enamorados, Harry voltou a brincar com os cabelos de e questionou:
- E o que você faria se nunca mais precisasse dormir?
nem precisou pensar para dar sua resposta:
- Considerando o quanto eu amo dormir, provavelmente eu iria usar todas as minhas posses e energia pra encontrar uma cura pra esse mal.
- Por que eu não estou surpreso? - Harry pensou alto e foi recompensado com uma cotovelada alertando-o que fora ouvido.
- Próxima pergunta: qual foi a última vez que você subiu em uma árvore?
- O quê? O que é isso? De onde você está tirando essas perguntas?
- Eu estou tentando te conhecer, Harry.
- Fazendo perguntas bizarras?
- Nem todas são bizarras, isso aqui é só o aquecimento. São duzentas perguntas, talvez depois fique mais normal.
- Deixa eu ver isso aqui. - ele pegou o celular de e deu uma olhada no tipo das perguntas que seriam feitas. - Se você pudesse transformar qualquer atividade em um esporte olímpico, em qual você teria uma boa chance de ganhar uma medalha? Que habilidade você gostaria de dominar? Que músicas você sabe toda a letra? Você normalmente está adiantado ou atrasado? Caramba, . Você ficar sabendo até o que não quer quando isso acabar.
- Você está escondendo segredos, Styles? - cerrou os olhos, desconfiada.
- Você não? - Harry devolveu o celular dela, encarando-a com uma sobrancelha arqueada, desafiando-a a mentir na sua cara.
Mas a morena desistiu de percorrer aquela estrada perigosa e sorriu amigavelmente, optando por mudar o foco daquela conversa:
- A última vez que eu subi numa árvore foi há uns três anos na Itália. Eu lembro porque machuquei meu joelho na hora de descer.
- Por que você estava escalando árvores italianas?
- Eu queria pegar uma maçã perfeita e valeu a pena cada machucado, a foto ficou ótima.
- Você escalou uma árvore pra pegar uma maçã e nem era pra comer? Essa maçã devia ser de outro mundo.
- Era mesmo…
- Da última vez que eu fui visitar minha avó, precisei subir em uma árvore pra soltar uma bola.
- E quando foi isso?
- Sei lá, acho que ano passado.
sentou em um pulo e cruzou as pernas na posição de lótus:
- Harry, você não vê a sua avó desde o ano passado?
- Não, eu vi ela semana passada, garota. Faz tempo que eu não vou até a casa dela, mas ela vive indo visitar meu pai. Ela vai até quando ninguém quer que ela vá. - Harry começou com a intenção de limpar sua imagem mas acabou divagando sobre as visitas em horários mais inapropriados de sua avó querida que sempre alterava a rotina dos moradores da casa. - Qual é a próxima pergunta, meu bem?
- Deixa eu ver aqui. - Meester mordeu o lábio e procurou no post a pergunta seguinte. - Essa aqui é boa! Olha só, em qual universo da ficção você gostaria de viver? São tantas opções! Será que dá pra montar um multiverso com os seus mundos favoritos?
Harry não pode evitar o sorriso que desenhou-se em seu rosto ao ver a animação de cogitando todas as possibilidades e aberturas para construir um mega multiverso.
- É claro que dá. Mas primeiro você tem que se perguntar: você viveria bem num mundo pós apocalíptico nuclear? Existe uma diferença enorme entre um mundo foda e um bom mundo para se viver.
- Eu tenho a impressão de quanto mais caótico o mundo, mais chances eu tenho de ser a dona dele, mas isso não vem ao caso. Você viveria no mundo de Harry Potter?
- Quem disse que eu já não vivo?
- Ah, quer dizer que você recebeu sua carta mas resolveu ficar por aqui mesmo?
- Eu faço EAD, .
- Ahhhhh, agora tudo faz sentido! - a menina concordou e os dois começaram a rir da própria idiotice.
- Falando sério, . Eu acho que viveria em todos os universos dos video games que eu já joguei, mas se eu tiver que escolher um, provavelmente seria em Rivendell.
- Elfos? Sério, Harry?
- Elfos são muito superiores às outras raças da Terra Média!
- Pois eu prefiro mil vezes ser uma maga. - cruzou os braços.
- Claro, andar por aí com a cabeça toda cagada é realmente muito bom. - Harry zombou.
Em sua ótica era muito óbvio que o poder dos magos não compensava a vida de andarilho que eles eram obrigados a viver.
- O Saruman não tem a cabeça cagada! - retorquiu ultrajada com a terrível ofensa cometida por Harry. O único crime de Saruman era aquela chapinha agressiva que ele usava, o resto era perdoável.
- Mas você sabe que até chegar no nível do Saruman você primeiro tem que ser um Radagast, certo?
- Por que você está estragando a minha fantasia? Você me odeia? - resolveu apelar para os sentimentos de Styles por ela. E como que por um passe de mágica ela se viu derrubada e então estava de costas no sofá com Styles agigantando-se sobre si com o sorriso mais sem vergonha do mundo.
- Eu não te odeio, eu só quero que você admita que Elfos são melhores do que Magos. - ele inclinou-se o bastante para beijar o maxilar da menina, que enganchou os braços ao redor dos ombros do namorado e sorriu.
- Nunca! - retrucou mas sua resistência era minada com eficiência por Harry, que ocupava-se em convencê-la a render-se da maneira mais agradável que podia, enchendo o rosto dela de diligentes beijos.
- Vamos fazer assim, que tal se propormos um acordo de paz entre Magos e Elfos e assim nós podemos selar esse acordo com um beijo?
A proposição nunca recebeu a resposta desejada pois uma terceira voz introduziu-se suavemente e declarou:
- Ninguém aqui vai nem considerar os anões?
As palavras de , que nunca anunciou sua aproximação e apenas ficou parada na porta entre observando curiosamente a interação da dupla, causou uma comoção no casal que pensava estar sozinho e as unhas de Harry gravaram em , que gritou tanto pelo susto como pela dor do aperto do cacheado apavorado.
- Puta que pariu! De onde você surgiu, Orteguinha? - Styles, de olhos arregalados, riu de alívio ao ver que era apenas .
- Eu estou aqui há um bom tempo. - A caçula saltitou até a poltrona de Liam, carregando um sorrisinho divertido e acomodou-se tranquilamente, nunca deixando de fitar os amigos.
- Estranha do caralho… - Harry resmungou ainda com as pernas fracas do susto, sentando-se a contragosto já que teve um momento promissor arruinado da pior maneira possível.
- Meu coração acelerou aqui. - reclamou também, ajustando sua camiseta. - Você não pode fazer essas coisas, ! Eu ainda vou ter um ataque cardíaco e a culpa vai ser sua!
- Desculpa. - , que deixou Liam lá embaixo lidando com as caixas de coisas velhas que ele tirou do apartamento, cansou de fingir que queria trabalhar nas férias e subiu para fazer nada juntamente com e Harry, mas eles estavam tão entretidos que nem notaram sua chegada, e quem era ela para atrapalhar! - Então, vocês vão ignorar todas as outras raças da Terra Média assim, na cara dura?
- Não é como se existissem tantas outras opções, . - comentou casualmente, embora nem ao menos lembrasse da metade delas.
- Você está brincando? Orcs, Trolls, Hobbits, Dúnedains, quer que eu continue? - listou as raças que vieram imediatamente à sua cabeça, pronta para fazer as vezes de defensora dos pobres e oprimidos.
- Que tal se a gente ignorar tudo o que ela falou? - Harry sugeriu. - Assim a gente pode continuar uma discussão saudável sobre a superioridade entre Elfos e Magos.
- Boa ideia, Harry! - concordou animada e trocou um high-five com o namorado.
- E você, Orteguinha, quer escolher uma raça sem ter que ficar problematizando ou só quer sentar aí me assistir sendo demais?
- Bom, se eu tiver mesmo que escolher, provavelmente eu seria um dragão.
- Isso não faz o menor sentido, . - Harry estava de boca aberta com a escolha inusitada da caçula.
, que já estava acostumada com a loucura que corria na cabeça de , apenas inclinou a cabeça e esperou pelo o que viria a seguir porque tinha certeza de que seria uma explicação tão inusitada quanto a escolha anterior.
- Pensa comigo, se eu vou viver numa época onde ser humano é basicamente homem nobre e guerreiro, porque não escolher ser alguém do topo dessa cadeia alimentar? - Orteguinha explicou, colocando os pés para cima e apoiando o queixo sobre os joelhos.
- Estranhamente essa lógica é praticamente infalível. - o cacheado confirmou, abismado.
- Eu chamaria isso de trapaça.
- Até porque escolher um ser com poderes mágicos não é nenhum pouco apelão, meu bem. - Harry beliscou levemente o quadril da garota, sorrindo provocativo.
- Falou o Sr. Elfo Comedor de Mato.
Meester retrucou e levantou para espreguiçar-se, alongando os músculos como podia. - Minhas costas doem se eu ficar muito tempo em uma só posição, isso significa que eu estou muito velha?
- Não necessariamente, às vezes é só uma questão de má postura. - Harry bocejou alto. Estirando-se o bastante para alcançar uma garrafa de água meio cheia.
avisou que ia ao banheiro e sumiu porta afora com a cara enfiada no celular e o rapaz e a garota ficaram para trás, se encarando em silêncio. Quando ele percebeu que ficaria tranquilamente a próxima hora inteira fitando-o daquele jeito, ele resolveu puxar assunto:
- O que você está fazendo aqui, ? Cansou de ser escravizada durante as férias?
- Na verdade nós terminamos de separar tudo. O Liam desceu pra levar o restante das caixas pro seu carro e eu subi pra ver o que vocês estavam fazendo. - pegou o console do PS4 e ligou o videogame para colocá-lo para atualizar porque sabia que essa era a primeira coisa que Liam faria assim que entrasse ali já que aquela merda de videogame sempre precisava ser atualizado.
- Nós estávamos tendo um momento até você chegar, se você não percebeu. - Styles tentou soar sério mas assim que arregalou os olhos, ele começou a rir e frustrou seu próprio plano de embaraçar a caçula, que trocou a expressão constrangida por um sorriso aliviado.
- Sério? Porque de onde eu estava, parecia que vocês só estavam discutindo. - ela cruzou os braços
- Quem garante que se você não tivesse chegado eu ia jogar essa garota no chão e nós iriamos fazer amor loucamente pelo resto da tarde?
- Harry!
- Você quem perguntou!
- Aquela gritaria toda era aqui? - Liam chegou com uma expressão intrigada apesar de seu tom de voz ser mais acusatório do que interrogatório.
- Que gritaria? – perguntou se fazendo de desentendida.
- Não vem com essa cara de inocente porque eu ouvi a sua voz nitidamente, garota. E a sua também, Styles. Cadê a Meester?
O dono do apartamento afundou-se no sofá, ao lado de Harry, e mais uma vez olhou admirado para a camisa do amigo que era cor de rosa e bolinhas brancas, meio abotoada, meio aberta, parecendo um cafetão, o que contrastava diretamente com a personalidade alegre e mansa do amigo.
- Banheiro. E o que você ouviu foram só os nossos gritos de desespero porque a sua namorada é meio psicopata.
Liam arqueou as sobrancelhas, cético, mas não chegou a fitar a dupla porque estava distraído com seu videogame.
- É só que eles se assustaram com a minha chegada.
- Só? Você estava parada no canto da sala, olhando fixamente pra mim! - Harry interviu, horrorizado, - Eu senti arrepios na nuca e não sabia o que era!
- Eu já falei pra ela parar de fazer isso. - Payne sorriu, acostumado com o jeitinho único de ser da menina observadora. Não ia mentir e negar que algumas vezes seu coração palpitava mais forte de susto, mas quando ele não era a vítima daquele comportamento, achava engraçadíssimo.
escolheu esse momento para voltar ao cômodo e arqueou as sobrancelhas quando viu Payne.
- Olha quem resolveu aparecer!
- Meu deus, que carência. - Liam revirou os olhos. - Agora só falta eu passar os papéis na fragmentadora, mas isso eu vou fazer em casa na fragmentadora que tem no escritório do meu pai.
- Eu não preciso repetir que documento é prova, e prova não se destrói, certo? - Meester questionou pela milésima vez, empurrando o melhor amigo para tomar de volta seu lugar ao lado de Harry.
- Você está falando isso como uma mulher da lei ou como minha amiga?
- Eu jamais daria qualquer conselho jurídico de graça, Liam. Em alguns anos minhas palavras vão valer dinheiro, literalmente.
- Sou só eu que vejo o perigo disso? - Liam procurou o suporte de Harry e , mas os dois apenas encolheram os ombros, escusando-se de entrar naquela furada. - Enfim, o que vocês querem fazer agora que eu terminei?
- Eu quero saber do lado de quem vocês vão ficar quando nós descobrirmos, inevitavelmente, que o Niall e a terminaram. - cruzou uma perna sobre a outra e apoiou as duas mãos sobre o joelho, como uma verdadeira dama.
- Mas que merda?
- De novo isso, ?
- O que foi? Eu só estou me preparando porque uma hora a fase de negação passa e todo mundo aqui vai ter que escolher um lado. - a morena se defendeu dos olhares acusatórios dos meninos, já que não via problema em repetir a mesma resposta sempre que o assunto surgia à tona: "Eu acho que eles foram feitos um para o outro".
- Não necessariamente. Eu posso ser amigo dos dois. - Liam afirmou.
- Isso é ainda pior do que escolher um lado, Liam. Para de ser entediante.
- Você que tem que parar de tentar dividir o grupo!
- Tudo bem, então vamos só conversar. Mas nós temos que falar deles, porque eu não aguento mais fingir que está tudo bem. A incerteza está me matando!
- Engraçado, essa ansiedade só pode significar duas coisas: ou você faz parte do relacionamento ou no fim das contas, Meester é capaz de sentir empatia.
- Liam, foco! - estalou os dedos na frente do rosto do amigo, impaciente, enquanto Harry sorria largamente mediante a declaração sobre a possível bondade da morena.
Payne se afundou ainda mais no sofá, decidido a ficar quieto.
Mas a estratégia funcionou por um segundo, até que ele falou novamente:
- Eu só acho que a gente tem o péssimo hábito de transformar um problema privado em um problema do grupo todo.
- Eles vão ficar bem, quem nunca passou por uma fase difícil num relacionamento? - manteve sua atitude otimista e antes que ela pudesse terminar de pronunciar "fase difícil", Harry e já estavam encarando-a com toda a indiscrição possível, inclinados sobre os joelhos para poder enxergar melhor a menina.
- Você que o diga, hein, ! - Harry inclinou a cabeça na direção da caçula.
sorriu largo.
- Eu que o diga! E olha onde nós estamos agora, felizes e apaixonados! - ela concordou entusiasticamente.
- Nós estamos? - Liam arqueou uma sobrancelha e deu um meio sorriso para .
- Sim! - Ortega acenou positivamente, mas em seguida arregalou os olhos e perguntou incerta: - Ou não?
- Claro que sim, bonequinha. Eu estava brincando. - Payne prometeu e tomou a mão da garota, levando até os lábios para pressionar um beijo na palma dela, assegurando-a de sua mais eterna devoção.
- Dá pra vocês pararem de monopolizar um ao outro? Vamos falar de e Niall? - interrompeu o pequeno momento romântico. - Harry, o que você acha disso tudo? - ela segurou a mão do cacheado.
O garoto umedeceu os lábios enquanto pensava numa resposta apropriada.
- Eu acho que a tem que parar de ouvir vocês e tomar a decisão que vai fazer ela feliz.
- Nossa, Harry. Que lindo! - foi tocada pela resposta inesperadamente doce que Harry deu.
também ficou comovida com a declaração e se sentiu constrangida com a força do sentimento que invadiu seu peito ao se dar conta da sorte que tinha de ser amada por aquele garoto.
- A verdade é que apesar do que a gente acha, o melhor é que eles fiquem juntos. - Liam comentou totalmente alheio agora que o videogame foi atualizado e ele estava de fato imerso checando as notificações. - Vocês sabem, pelo grupo.
- Bom ponto, Liam. - assentiu.
- Mudando de assunto, vocês estão sabendo alguma coisa sobre a ? - perguntou sobre um tema recorrente nas entrelinhas dos planos futuros do grupo.
- Além do fato de que todo mundo aqui desejar que ela fosse embora viver em um Gulag russo? - Harry sugeriu com um sorriso amargo. Já não era o bastante se submeter às vis atrocidades daquela demônia quando ia visitar seu amorzinho, agora ela tinha que atravessar cidades inteiras para fazer sua vida infeliz em Oxford?
- Não, sobre ela vir pra cá. Eu ouvi dizer que ela vai transferir o curso pra Oxford. - Ortega ignorou propositalmente a observação maldosa.
A essa altura do campeonato, Liam desligou a TV e sentou muito ereto no sofá.
- O quê?
- Puta merda, se o Louis fizer isso, eu vou me matar.
- Quem te falou isso, ?
- A comentou que ela está considerando se volta pra Cambridge ou transfere pra cá, vocês sabem, pra ficar com o Lou.
- Isso é a coisa mais estúpida que eu já ouvi. - Harry balançou a cabeça, subitamente irritado. em Oxford ia acabar com toda a magia do lugar.
- Mas totalmente possível, afinal de contas nós estamos falando de Louis e . Eles são sempre um extremo ou outro. Ou estão separados e se odiando mortalmente, ou vão morar juntos e adotar um cachorro. - Liam disse por fim.
- Eu sei que a ainda não se matriculou para o próximo semestre. - acrescentou. Lembrava muito bem que quando inquiriu a colega de apartamento sobre o semestre seguinte, a ruiva apenas disse que não tinha motivo para ter pressa e sumiu para dentro de seu quarto.
- E quando o Zayn perguntou se ela viria pra Oxford, ela não disse nada. O que basicamente é um sim, porque a resposta fosse não ela teria gritado isso na cara de todo mundo. - contou a última das pistas que tinha sobre essa teoria da conspiração que pairava sobre eles.
- Ihhhh meu bem, você vai ficar sozinha em Cambridge? - Styles passou o braço sobre os ombros de , sorrindo maroto porque a morena não parecia nenhum pouco triste com aquela altercação.
- Talvez eu tire um ano sabático pra ir pra Nova Iorque com a . - encolheu os ombros.
- Mas eu só vou ano que vem!
- Eu devo tirar dois anos sabáticos então?
- Você devia vir pra cá. - Harry sugeriu.
- Ei! Dá pra parar de tentar roubar minha parceira de viagem? - interviu antes que pudesse ter a chance de sequer considerar aquela opção.
Era totalmente surreal que Meester abandonasse tudo para ir fazer nada na América enquanto estudava, mas ela gostava de alimentar esse sonho impossível para aplacar a melancolia da solidão dos próximos anos.
- Você não acha mesmo que ela vai pra outro país com você, acha, Orteguinha? - Harry parecia ter lido seus pensamentos.
- Isso é mais fácil do que ela vir pra cá, atrás da . - ela retorquiu sorridente.
revirou os olhos porque os dois idiotas estavam muito errados e no fim das conta estaria em Cambridge no próximo semestre para atormentá-la, comer sua comida e reclamar da presença constante de Harry mais uma vez. Provavelmente.
- Argh, eu cansei de falar da Westwick. E estou com fome. A gente não pode sair pra comer? - Ela levantou e caminhou até a única janela do cômodo, dando uma olhada no movimento la embaixo, na rua, onde uns poucos transeuntes passavam despercebidos.
- Tem uma cafeteria aqui perto, dá pra ir caminhando e a comida deles é boa.
Liam levantou também, contente com a ideia de sair e dar uma volta, respirar ar fresco e dar uma olhada na vizinhança. E consequentemente e Harry espelharam seu movimento, iniciando uma conversa sobre NBA e (o que era um excelente demonstrativo da habilidade de interligar temas já que basquetebol e não tinham absolutamente nada a ver, em teoria) enquanto desciam para calçar os sapatos e pegar casacos, bolsas e carteiras, batendo a impressionante marca de cinco minutos até que todos estivessem dentro do elevador.
Enquanto aguardavam até chegar no hall de entrada, aproveitou que estavam sozinhos para dar um recado:
- Eu juro por deus que se alguém cantar parabéns pra mim, eu vou perder minha cabeça e vou destruir tudo o que estiver na mesa.
- Você está achando que eu sou o Louis? - Liam arqueou a sobrancelha e baixou a cabeça para encarar a melhor amiga, desdenhando de seu aviso.
- Não, mas você também não fez questão em fingir que não gostou de se juntar ao coro em todas as sete vezes que vocês fizeram essa palhaçada. - argumentou entredentes.
Há algumas semanas, desde que alguém lembrou que o seu aniversário estava chegando, todas as vezes que saíram para comer fora ela foi forçada a passar pelo constrangedor momento em que a equipe do restaurante se reunia ao redor da sua mesa e começava a cantar parabéns para ela.
Da primeira vez foi muito engraçado mas agora só queria que aquilo acabasse pois das últimas duas vezes teve até bolo de verdade e a metade deles levou presentes pra ela!
- Meu bem, você está sendo irracional. Nós só queremos transformar o dia do seu aniversário numa semana de comemorações! - Harry contrapôs, apoiado relaxadamente contra a parede metálica com os braços cruzados sobre o peito.
- Vocês conseguiram transformar num pesadelo, isso sim. - a menina resmungou.
- Eu gostaria de comemorar meu aniversário por uma semana inteira. - disse na tentativa de melhorar os ânimos da garota mais velha, já que em sua concepção, aquela brincadeira nada mais era do que uma gigante prova de amor do grupo para ela. Até mesmo Zayn e participaram quando perceberam que aquilo mortificava Meester!
- Eu vou lembrar disso em novembro. - ameaçou.
- Obrigada! - abraçou a morena e beijou sua bochecha.
A essa altura da conversa, o elevador chegou no térreo e Liam já estava do lado de fora segurando a porta enquanto a pequena cena se desenrolava:
- Então nós vamos sair ou não?
- Só se vocês me prometerem que não vão fazer nada ridículo. - Meester cruzou os braços, mantendo-se dentro do elevador.
- Tudo bem. - concordou e saiu, e Liam acenou positivamente, prometendo não se dar ao trabalho.
Harry colocou as mãos nos bolsos e indicou com o queixo para que a morena liderasse o caminho.
- Você tem que parar de ser assim e deixar a gente te amar, . - ele comentou jovialmente, abstendo-se de fazer qualquer promessa.
jurava por tudo o que é sagrado que aquele garoto estava investindo na profissão errada.
- Harry. - Meester falou baixo e Harry virou-se para fitá-la, inclinando a cabeça como sempre fazia quando eles falavam sério.
- Oi.
- Por favor.
O rapaz pareceu pensar por alguns segundos e por fim chegou a um veredito:
- Tudo bem, considere isso o seu presente de aniversário então.
- Ah não, eu quero um presente de verdade amanhã!
- Você vai ver o que eu vou te dar amanhã… - ele sorriu ladino e piscou para a aniversariante, que contrariando toda a sua personalidade inimpressionável, corou, para o mais absoluto prazer de Harry, que passou um braço sobre o ombro dela e os dois saíram caminhando alegremente portão afora.
- Por mais tolerante que eu seja, Styles, existe um limite do decoro e você está ultrapassando ele. - Liam estava verdadeiramente constrangido com o fato de que seu amigo de infância havia feito Meester, sua melhor amiga, corar. Haviam certas coisas que ele não precisava saber e ele tinha a impressão de que aquilo era uma delas.
- Deixa eles se amarem, Liam. - o cutucou com o cotovelo e em seguida entrelaçou a mão na dele, encantada com o quão longe e contra todas as probabilidades a entediada e o descompromissado Harry haviam chegado.
Não podia prever o futuro, mas tinha certeza de o que estava por vir não poderia superar o presente fantástico que agora vivia.


ooo


Ao receber a carta, se recusou a abri-la. Sua mãe tentou acalmá-la, seu pai tentou lhe dirigiu palavras de conforto independente do que estivesse redigido naquele pedaço de papel e seu irmão tentou rasgar o envelope e ler seu conteúdo escondido, mas foi impedido por Sr. Styles que tirou a carta das mãos de Harry e a entregou a que ainda tremia, sentada em sua cama ao lado de Katherine.
Harry não entendia tanto nervosismo. Tinha certeza que a mais nova havia passado no curso de teatro, afinal ela era muito boa naquilo e possuía ótimas recomendações de dois professores da Eton! Mas todas as outras pessoas ao seu redor faziam um grande drama em torno do ocorrido.
- , abre logo - o cacheado pediu, aflito, apertando o lábio inferior entre os dedos ansiosos - até eu já estou ficando nervoso! - rolou os olhos, mantendo-se em pé em frente das duas mulheres.
- Para de pressioná-la. - Des falou pela quinta vez, com as mãos dentro do bolso da calça. Como o filho, mantinha-se em pé, todavia, diferente do mais novo não deixava sua ansiedade transparecer.
- E se eu não passar? - os olhos verdes da caçula Styles começavam a ser tomados por uma vermelhidão que evidenciava sua vontade de chorar devido a agonia.
- Você vai passar! - Harry batucava o pé no piso de madeira e apenas cessou os movimentos porque percebeu os olhos austeros do pai sobre si. Sorriu sem graça para o mais velho e cruzou os braços entendendo que naquele momento ele não estava ajudando.
- Você não precisa se aflingir antes de saber a resposta, filha. - sua mãe falava paciente e amorosa - Caso você não passe, nós pensamos juntas no próximo passo. Agora, abra a carta. - falou a última frase lentamente, sendo contagiada pela ansiedade de Harry.
Princesinha Styles concordou com um aceno de cabeça e respirou fundo, segurando o envelope já amassado entre as mãos suadas. Deixou o ar escapar por seus lábios de uma vez e rasgou o envelope tirando dali a famigerada carta.
Sozinha, leu seu conteúdo, seus olhos verdes correndo por toda a folha de papel freneticamente, sem piscar e sem esboçar nenhuma reação era encarado pela família Styles que mantinha os pulmões inertes, temendo atrapalhar a leitura da menina com suas respirações inconvenientes.
não levou muito tempo para ler todo o conteúdo da carta duas vezes, dobrar o pedaço de papel, acomodá-lo no colchão ao seu lado e repousar as mãos sobre o colo. Elevou o rosto inexpressivo para o trio que a mirava de sobrancelhas arqueadas esperando a notícia, no entanto, a menina encontrou tempo para fitar um de cada vez.
- Eu passei. - informou simplesmente, sem emoção na voz, pois a verdade era que ainda não acreditava no fato.
Kate exclamou cheia de orgulho, colocando a mão sobre o peito aliviada. Desmond finalmente permitiu-se respirar, imaginando em todo o trabalho de que foi poupado caso a garota não tivesse passado, sorriu para a esposa que abraçava a loirinha ainda atônita. E Harry agarrava a carta a fim de lê-la em voz alta e proporcionar ainda mais felicidade para o singelo momento pessoal.
- Eu não acredito que o meu bebê vai para Nova Iorque! - a voz de Katherine embargava-se já prevendo a separação. - Seis meses é muito tempo para você ficar sozinha naquela cidade, filha! - ainda não havia soltado a garota, dificultando o abraço que Sr. Styles tentava dar na enteada.
- Eu não acredito que vou para Nova Iorque, mamãe! - finalmente sorria, sentindo os músculos tremerem. Ao tentar levantar para receber o abraço do pai, seus joelhos fraquejaram e a menina voltou a sentar-se sobre o colchão. - Meu deus, eu não acredito que isso está acontecendo! Eu acho que eu preciso vomitar... - passou mãos pelo rosto, fazendo uma careta ao sentir seu estômago dar voltas devido as grandes emoções pelas quais havia sido submetido.
Após conseguir parabenizar a enteada, Desmond deixou o quarto, juntamente com Harry, que já havia avisado que só tomaria um banho e partiria para a casa Ortega, onde todo o grupo de amigos se encontrava. A finalidade daquele comunicado era deixar a irmã ciente de que dali à 25 minutos eles estariam saindo.
A esperança do rapaz era dirigir até a mansão da amiga dentro de 25 minutos, a verdade era que ele sabia que iria se atrasar!
A loira conversou com sua mãe sobre a viagem que logo fariam com destino a Nova Iorque a fim de realizar a matrícula no curso, encontrar um local para a menina passar os seis meses, fazer um reconhecimento de área e se sentir em casa no país estrangeiro. E não demorou para Kate mencionar um detalhe delicado. Um detalhe de olhos azuis e cabelos dourados, que sustentava um sotaque irlandês e era conhecido por Niall Horan.
A mulher sabia do estranho termo que relacionamento de sua filha se encontrava naquele momento e mesmo não desejando se intrometer tinha conhecimento que aquela brusca mudança poderia acarretar grandes consequências para a débil relação.
apenas conseguiu suspirar pesarosa antes de levantar-se de sua cama, trocar de roupa rapidamente, pegar seus pertences e avisar que estava se encaminhando a mansão Horan. Katherine a desejou boa sorte, não tendo ideia do que aquela reação determinada representava, e ficou incumida de avisar Harry que a mais nova iria mais tarde para a casa de e Zayn.
Ao chegar a casa do namorado, princesa Styles foi recebida com uma calorosa recepção por parte do mordomo e também de sua sogra que por não ter o prazer de vê-la no último mês, tinha muitas novidades para partilhar e muitos abraços para lhe dar. Após vinte minutos de sua chegada, conseguiu subir as escadas e se encaminhar até o quarto de Niall, ouvindo a permissão por parte do rapaz, para adentrar o cômodo, após dar 3 batidinhas.
- Oi. - sorriu apenas com a cabeça para dentro, vendo o menino sentado em sua cama, amarrando os cadarços do tênis, elevar os olhos para encontrá-la.
- Oi! - exclamou surpreso, levantando-se ainda descalço do pé esquerdo. - Eu pensei que ia te encontrar na casa do Zayn.
- A casa não é da ? - perguntou com as sobrancelhas juntas, abraçando o garoto que deu de ombros. - Quando eu saí de casa o Harry estava terminando de tomar banho para sair, mas aí eu pensei que você poderia me dar uma carona.
- Claro! - sorriu prestativo, procurando pelo chão o outro pé de seu tênis.
suspirou, batucando os dedos nervosos nas próprias coxas e incerta, sentou-se na pontinha do colchão.
- Nossa! - a loira exclamou, lembrando-se de uma gafe que havia cometido recentemente - Você não sabe o que eu fiz! - riu, cobrindo o rosto com as mãos - Lembra da Olivia que namorava a Rachel?
- Não… - fez uma careta forçando sua memória a funcionar.
- Ela era do time de vôlei e a era amiga dela… - apelou para as lembranças que Niall provavelmente tinha da melhor amiga na quadra da Eton. - Ela tava sempre andando com a Carmella e o Julian. E teve uma vez, na festa do Tommy que ela jogou a Amanda na piscina e ai a Amanda começou a chorar e o namorado dela ficou muito bravo…
- Ah, a Olivia! - recordou-se assim que a desgraça foi mencionada - O que tem ela?
- Ela se formou no ano anterior ao seu, lembra?
- Sim.
- Então, ela tem uma prima que se chama Chloe. E a Chloe e eu nos conhecemos nas aulas de física. - ajoelhou-se sobre a cama, empolgada para compartilhar a fofoca - Todo mundo que conheceu a Olivia na Eton, esperava que a prima dela fosse doida igual a ela, mas a Chloe é super tímida, toda quieta… Enfim, como eu disse nós fazíamos a aula de física juntas e eu gosto muito da Chloe, até apresentei ela pra e pra . Mas aí a Chlo reprovou em física! - viu o namorado arquear as sobrancelhas e concordou com um aceno de cabeça - Sim, muito grave. E eu estava falando no grupo com as meninas sobre isso e também estava conversando com a Chloe, tentando consolá-la, porque ela vai precisar fazer a escola de verão para alcançar a nota e não repetir o ano. E teve uma hora que a perguntou por que ela reprovou e eu falei, que apesar de ela ter notas razoáveis, ela nunca entregava os trabalhos na data certa. E continuei mantendo duas conversas paralelas, até que mandei "Mas a verdade é que a Chloe não se esforça". - cessou o relato para piscar significativamente, dando mais drama a sua narrativa, encarando os olhos do rapaz que já sabia onde aquilo ia parar - Eu pensei que tinha enviado essa mensagem no grupo com as meninas, então tudo, mas eu quando eu voltei para o menu e fui abrir a conversa com a Chloe, eu vi que na verdade tinha enviado para ela.
- Meu deus,
- E não tinha mais como apagar porque ela já tinha lido.
- Meu deus,
- Para piorar a situação ela respondeu "Acho que você mandou isso na conversa errada".
- Meu deus, que vergonha!
- Eu queria me enterrar viva! Porque eu sabia que ela não tinha falado aquilo por mal, a Chloe é incapaz de maldade contra qualquer ser vivo. E por isso me senti ainda pior de estar fofocando sobre elas com as meninas, que inclusive não paravam de falar no grupo porque não parava de chegar notificação. - pegou o celular, procurando pela conversa com a colega para mostrá-la ao garoto - Ai, eu fui abençoada com a luz da misericórdia e fingi que desde o começo queria enviar essa mensagem para ela!
- Como?!
- Eu enviei em seguida "E a sempre se atrasa para a aula depois do almoço". O que é uma verdade, e ela sabia, porque a aula de física é depois do almoço e eu me atrasei três vezes no último semestre e tive que ficar quarenta minutos na detenção.
- Ahhh, você fingiu que estava falando em terceira pessoa o tempo todo.
- Exatamente. E eu não sei se funcionou, mas ela não ficou brava comigo e nós chegamos a conclusão que ela realmente precisa se esforçar mais e eu preciso para de me atrasar para as aulas.
Niall gargalhou com o desfecho da história, deitando-se na cama sem descalçar os tênis, desistindo de dirigir até a casa dos amigos naquele momento.
- Você é impossível!
- Eu tento… - sorriu, dando de ombros e deitando-se ao lado dele, que rolou pelo colchão para ficar frente a frente com a loirinha.
A conversa fluiu despreocupada com o grupo de amigos que já estava reunido na mansão Ortega, ambos ignoravam os celulares e as milhares de mensagens que chegavam os ameaçando, permitindo-se envolver no momento íntimo que há muito tempo não tinham.
- A verdade é que é uma falta de educação adicionar pessoas em grupos de WhatsApp sem antes perguntar se elas querem participar! - Niall defendia sua opinião.
- Mas se você não quer fazer parte do grupo, é só sair! - falava sem entender a preocupação do namorado em torno de algo tão simples.
- Claro que não! Nada na vida é tão fácil assim. Porque a partir do momento que você é membro daquele clubinho, que você é inserido naquela família virtual, quando você sai é a mesma coisa de pedir para o seu pai para dar uma olhada no testamento dele! - o irlandês crescia os olhos - É o maior sinal de traição! Ver o testamento do seu pai é praticamente falar que você quer que ele morra logo para ficar com a sua parte. E sair de um grupo de WhatsApp é desejar a morte de todas as pessoas que ficaram para trás!
- Meu deus, você realmente se preocupa com isso! - chocada, a garota colocava as mãos em frente aos lábios, levantando as sobrancelhas.
- Mas é claro que sim! Eu sempre que faço um grupo de WhatsApp pergunto no privado antes para cada um dos membros se eles estão cientes e querem continuar!
- Mas se alguém falar que não, você não fica triste por essa pessoa negar sua amizade?
- Acredita em mim, isso é muito melhor que alguém simplesmente sair do grupo. E outra, eu odeio ser adicionada em grupos aleatórios.
- Noss, eu devo participar de uns 20… E a maior parte é inútil!
- Viu! - cresceu os olhos emoldurados por sobrancelhas arqueadas que enfatizavam seus argumentos.
- Tudo bem, você venceu essa. - riu, abraçando o travesseiro que usava, aconchegando-se em seu pequeno ninho.
Niall esticou seus dedos a fim de tocar os fios dourados que caíam como um véu sobre o belo rosto que sustentava um sorriso sereno e divertido. Afastou a mecha de cabelo para trás e acariciou a bochecha rosada e macia da menina que o mirava apaixonada e nostálgica.
- Eu vou me mudar para Nova Iorque. - finalmente revelou a novidade que a havia levado até a casa do rapaz naquela tarde.v - O quê?!
- Por seis meses.
- Por quê?! - questionou, tomando impulso para sentar-se.
O irlandês sentia-se frustrado.
As pessoas simplesmente não mudam-se de continente de uma hora para outra!
O que significava que havia arquitetado aquilo por um longo tempo e nem ao menos o comunicara. Não repartira com ele seu desejo, anseio, sonho. Não via a necessidade de incluí-lo naquele episódio de sua vida!
E Niall sentia-se traído por sua melhor amiga não repartir algo tão especial com ele.
- Há três meses eu me inscrevi em um curso de teatro em Nova Iorque e hoje chegou a minha carta de admissão. - espelhou o gesto do garoto, sentando-se na cama.
A vergonha estampava o rosto de princesinha Styles que não tinha coragem de elevar os olhos para fitar o namorado.
Possuía tantas esperanças enquanto inscrevia-se para aquele curso, ficara tão ansiosa esperando pela resposta e por fim, foi a euforia que a predominou ao recebeu a resposta positiva. Em cada um daqueles passos, seu desejo foi reparti-los com Horan, todavia nunca conseguira encontrar o momento e as palavras para revelar seu plano.
Sabia que Niall estava magoado e sentia-se péssima por tê-lo excluído daqueles complexos meses que se passaram e daquela mescla de sentimentos que havia vivido.
- Uau! - sorriu alegre e orgulhoso pela garota - Eu não sabia que você tinha se inscrito para um curso… - suas bochechas esquentaram devido o fluxo de sangue que aumentara na região, revelando o constrangimento por não ter sido mais presente e também por não ter mostrado interesse na rotina da namorada - Parabéns, ! - um novo sorriso cerrado e contente preencheu os lábios do loiro, que esticou-se para abraçar a mais nova que apertou-o em seus braços. - Eu estou muito orgulhoso de você.
- Obrigada. - esticou-se para beijar o pescoço do irlandês que acariciava os cabelos dourados dela.
- Por que você não me falou antes sobre o curso? - perguntou esforçando-se para mascarar a mágoa por ter sido deixado de lado daquele importante passo.
No entanto, não obteve êxito, pois a tristeza em seu tom de voz foi tudo o que conseguiu extrair do momento.
- Eu… Eu tive medo - admitiu embaraçada, afastando-se dele o suficiente para encontrar sua expressão confusa - de você desistir de mim quando descobrisse que eu queria me mudar.
- Eu nunca vou desistir de você, babe. Eu seria muito estúpido se desistisse! - entrelaçou seus dedos nos dela, que abaixou os olhos para admirar o singelo gesto carinhoso. - A minha única oração nos últimos meses é para que você não desista de mim.
- Eu te amo, Niall.
- Eu te amo mais, . E Nova Iorque não vai mudar isso. - negou com a cabeça, sorrindo ao ouvir a risada emocionada e alegre de sua garota.
- Promete?
- Prometo. Nova Iorque nunca vai mudar isso, mas talvez Moscou mude… A verdade é que o seu pai mudaria isso. - tentou defender-se da investida, mais ainda sim foi atingido por um forte ataque de travesseiro no rosto.
- Nós já estamos atrasados para ir para a casa da . - declarou levantando-se, procurando por seu all star azul pelo chão.
- Desculpa, querida. - respondeu entediado, encaminhando-se até o closet a fim de encarar suas roupas amarrotadas devido o breve momento com a namorada e decidir que não faria nada a respeito. - Vamos?
Sim! - terminava de amarrar os cadarços e levantou em um pulo, correndo para fora do quarto com seus cabelos dançando de um lado para o outro.
Niall permaneceu no cômodo apenas para pegar o celular e a carteira na primeira gaveta da cômoda e ao inclinar-se sobre o móvel a fim de pegar seus pertences, pode sentir o perfume da garota no lençóis.
Sorriu ao ser envolto por aquele aroma conhecido e delicioso. E decidiu que era hora de ele voltar a residir em sua cama.


ooo


- Okay, está todo mundo aqui? – bateu palmas animadamente, varrendo o cômodo para checar se finalmente havia conseguido manobrar todos para a sala.
Várias cabeças se viraram com o intuito de fazer a mesma conferência, com exceção de Louis e , que sentados no tapete, permaneciam fitando um ao outro para evitar que ocorresse alguma fraude no tabuleiro de Monopoly, que inclusive foi movido da grande mesa da sala de jantar para a mesa de centro de onde estavam.
- Eu sinto que tudo o que vai ser dito nessa reunião caberia em uma mensagem de três linhas. – Liam falou alto apesar de ter sido um dos primeiros que obedeceu ao desejo de princesinha Styles e foi se acomodar na poltrona próxima de , que juntamente com , sentavam no tapete fofinho, próximas do tabuleiro que se tornou um verdadeiro campo de guerra há pelo menos uns vinte minutos.
- Vai embora então, ninguém te quer aqui, imbecil. - Westwick revirou os olhos.
- Até porque você é muito desejada, . - Liam retrucou e uma série de suspiros desesperados ecoaram pelo ambiente. Lá no fundo deu pra ouvir a risadinha conivente de Styles e , que eram as únicas pessoas do bando que compartilhavam do desgosto de Liam contra .
- Ei! - Tommo saiu em defesa da ruiva. - Você é muito desejada sim, honey. - prometeu à ela.
- Eu sei. - afirmou simplesmente.
- Foco, galera. - Zayn repreendeu a atenção dos amigos, soando muito justo e superior só para em seguida sorrir malicioso. - Lembrando que quanto mais rápido nós começarmos isso aqui, mais rápido ficaremos livre.
balançou a cabeça, contrariada, mas acabou sorrindo quando o badboy sorriu para ela.
- Rude. - murmurou, resignada.
Atrás do quarteto que estava no chão, Niall e Zayn discutiam acaloradamente no sofá e só pararam quando arremessou uma almofada na direção deles, a pedido de Harry, que estava com os braços ocupados segurando-a.
O objeto lançado teve a trajetória desviada por Malik, que colocou a palma da mão como proteção contra o impacto e despencou no colo de , sentada aos pés do namorado, que alegremente abraçou a almofada e continuou com sua atenção focada em , aguardando pacientemente.
- Como você é insuportável. – reclamou ao ver o sorrisinho metido de Zayn por causa da façanha.
- Você nem tem o direito de ficar brava, ! Nós fomos atacados de graça! – Niall ergueu o traseiro o suficiente para puxar uma almofada e arremessar no casal diabólico mas acabou acertando o cotovelo na cabeça de e a almofada rolou sobre o tabuleiro de Monopoly, destruindo o jogo.
- Quem foi o idiota que fez isso?!
- Eu não acredito!
e Louis pularam em cima da mesa de centro, tentando salvar o que podiam do jogo em andamento, mas era tarde demais, a partida estava arruinada.
e , diferente da dupla competitiva, estavam coradas de alívio pelo encerramento inusitado de quatro horas de jogo.
- Você pagou o Niall pra fazer isso, Louis? - colocou as mãos na cintura.
- O quê? Você ficou louca? - Tomlinson parecia absolutamente ofendido com a sugestão da namorada, enquanto Horan encolhia no sofá, tentando desaparecer subitamente e se livrar do centro da discussão.
- Eu estava muito mais rica que você, Tomlinson. É óbvio que você ia tentar estragar meu jogo.
- O que está acontecendo exatamente? - Liam estava de cenho franzido, completamente confuso.
- Você não entenderia, babe. - deu tapinhas em seu joelho sem olhar para Payne para não perder nenhum segundo daquela situação.
, que era a companhia imediata de Louis, ficou com medo de ser acertada por algum objeto não identificado e em questão de segundos escalou para o sofá junto a Zayn e Niall que a receberam com boa vontade no time daqueles que não queriam estar na zona de conflito formada no tapete.
- , por que eu estragaria o jogo enquanto você está ganhando? Isso não faz o menor sentido! - Louis argumentou, resoluto a ignorar o bom senso que o incitava a deixar aquilo para lá. Desde quando Louis Tomlinson agia com bom senso?
- Porque assim eu não teria a chance de falir você! - bateu com uma almofada contra o peito do namorado.
- Ahrg, demônia, você é inacreditável! - Tommo levou as duas mãos ao rosto, frustrado.
- Irlanda, ele te pagou pra você estragar o jogo? Eu vou te matar! - agora estava de joelhos, encarando Horan com sangue nos olhos.
soltou o ar ao se ver novamente na mira do ódio da amiga e levantou a contragosto, postando-se entre o sofá e a poltrona de e Harry, enquanto buscava um lugar protegido para se acomodar.
Não era possível ficar perto de Niall já que este era o mais recente objeto de fúria de , os primos estavam fora de cogitação já que claramente não tinham medo da morte pois estavam na mira direta no caso de um possível ataque e mesmo assim pareciam maravilhados com a situação, Liam, e Harry, que poderiam ser opções seguras eram na verdade alvos constantes dos ataques de Westwick.
Concluiu que a pessoa mais segura naquele momento era e foi até a amiga que ela se dirigiu e entrelaçou o braço no dela, só para garantir.
Zayn, que assistia a jornada incansável da namorada com um sorrisinho divertido, piscou para ela assim que viu que estava finalmente satisfeita com sua atual posição.
Enquanto isso, Niall arregaçava a gola da camiseta com o dedo indicador, lutando por sua própria sobrevivência:
- Você me ameaça de morte e espera que eu te dê respostas?
- Horan...
Westwick juntou um punhado de notas do jogo e segurou forte entre os dedos, preparada para atacar o garoto.
- Está tudo bem aqui, crianças? - a voz autorit
O homem foi até a filha e deixou um beijo na testa dela, cumprimentou com um sorriso curioso pois a cada vez que encontrava a adolescente na sua casa, ela parecia ainda mais alta.
Virou-se para sair agora que se havia feito notar para os jovens ensandecidos em sua sala de estar. Mas o interpelou, claramente chateada:
- Você sabia que a sua filha namora um aceitador de subornos?
Des arqueou uma sobrancelha.
- Não dá moral pra , pai. Ela só está sem tomar os calmantes, coitada. - Harry falou seríssimo.
- Eu vou raspar a cabeça do seu filho enquanto ele dorme, Desmond. - ameaçou.
- Isso é um favor que você nos faria. - o Sr. Styles disse cheio de bom humor, olhando diretamente nos olhos do primogênito.
Harry revirou os olhos mas sorriu.
- Vocês já decidiram o que vão jantar?
- Nós provavelmente vamos comer fora. - Zayn respondeu pelo grupo.
- Meu deus. - Des não conseguiu esconder o horror à ideia. - Vocês sempre podem pedir pra entregar aqui.
- É verdade, mas é gostoso visitar ambientes novos. - comentou inocentemente.
- O que ela quer dizer é que nós já estamos acostumados a sair em bando e parecer um bando de selvagens em público. - Liam pontuou, compreendendo a preocupação do homem.
- Ah. - Des sorriu amarelo, chocado por descobrir que eles tinham consciência da própria loucura quando estavam todos juntos.
- E sim, todo mundo se comporta lá fora do mesmo jeitinho que fazem aqui. - complementou apenas pelo prazer de atormentar a paz do sogro.
- Bom, se vocês estão felizes, é o que importa. - O Sr. Styles disse apesar de não aparentar concordar com as próprias palavras. - Só nunca digam que são Styles, por favor. - apontou para suas duas proles. - E vocês todos se comportem, certo? - alertou o grupo e se retirou.
- Uau, seu pai tem vergonha de vocês. - Louis provocou os irmãos Styles, maravilhado.
- Claro que não! - Harry rebateu imediatamente.
- Desculpa mas é a verdade, Harry. - colocou a mão na bochecha do rapaz e deu-lhe um beijo, consolando-o do golpe da verdade.
- Vocês não lembram quando a mãe do Niall implorou pra ele tomar um pouco de juízo? - , que há muito havia se esquecido que queria falar, sentou no braço da poltrona onde Harry e estavam sentados, absorta no novo tema que acabava de surgir.
- Quando isso aconteceu? - franziu o cenho, chocada.
Quer dizer, sabia que Maura rezava todos os dias pra que Niall não cometesse nenhuma loucura, mas aquilo já era outro nível de desespero!
- Ah, faz tempo. Foi depois daquela festa de aniversário da Amber Threefall, que eu vomitei licor de mirtilo na porta da minha casa, lembra?
- Aquele dia foi louco. - Zayn sorriu preguiçoso.
- Eu não lembro de nada. Na verdade, eu lembro de alguém me entregando uma cerveja e a próxima coisa que eu vi foi o chão do meu quarto. - Liam comentou distraidamente pois navegava no aplicativo de delivery e estava literalmente salivando de desejo só de ver as opções de cardápios.
Por que ele se torturava assim? Não sabia. Mas também não conseguia fechar o maldito aplicativo e esperar até que fosse decidido o jantar.
- Alcoólatra. - acusou Payne.
- Olha quem fala!
- O que isso quer dizer, Payne?
- Nada… - Liam sorriu como se tivesse posse do maior segredo do universo.
grunhiu, irritadíssima.
- , o que você vê nesse idiota, hein?
Ortega olhou para Liam de cima a baixo e então deu de ombros, despretensiosa:
- Ah, ele tem um corpo sensacional. Você não acha? - concluiu.
- Quer dizer que você só está comigo pra usar o meu corpinho, garota? - Liam arqueou as sobrancelhas, divertindo-se com a honestidade daquela resposta.
- Com certeza! - replicou imediatamente e em um tom muito mais animado do que havia planejado. - Olha esses braços!
Zayn soltou um gemido alto e fechou os olhos, mortificado com as observações inapropriadas da prima (Horan, que estava ao lado do amigo, jurava que o ouviu dizer algo como "Que tipo de punição cruel é essa, deus?"), Liam abaixou a cabeça para olhar para os próprios braços, Harry e Niall apenas riam, achando a maior graça do momento e Louis ignorou aquilo tudo porque estava ocupado tirando dinheiros de mentira de cima de si.
As meninas se esticaram para frente para julgar os braços de Liam. Perri, e concordaram veementemente mas apenas revirou os olhos e afundou-se sob o abraço acolhedor de Louis, irritada porque não haviam argumentos contra o corpo ridículo de Payne.
- Se você fosse a minha filha, jamais ia namorar esse babaca. - ela cruzou os braços e declarou.
- E você não acha que a Amina tentou? - sorria abertamente, mirando o melhor amigo com a cara mais simpática do mundo, assistindo-o tentar ficar sério mas acabando por juntar-se a ela na risada.
- Coitada. Deve sofrer todos os dias porque a filha dela está envolvida com esse tipo de gente. - grunhiu mas já estava em seu humor habitual e passou a assistir Tommo mexer no celular.
- , o Louis namora você, que é completamente desequilibrada e tem problemas com com controle de raiva, e a mãe dele sobreviveu. - Liam retrucou.
- E a gente tem que considerar que o Louis já fez muita merda, né. Não é mais qualquer desgraça que vai abalar os pais dele. - Styles pontuou sabiamente.
não resistiu a oportunidade de comentar suas impressões da inabalável Johannah Tomlinson, já que de certa maneira a admirava por não ter sucumbido a pressão que era ser mãe de Louis Tomlinson, uma força da natureza a ser temido.
- Às vezes não parece que a Jay desistiu dele? - ela questionou.
- Totalmente! - Zayn concordou com entusiasmo. Foi testemunha de vários momentos onde a mamãe Tomlinson morreu um pouquinho por dentro com as peripécias de Louis, como por exemplo quando ele enfiou um canudinho pelo nariz e foi chorando até ela porque não conseguia mais tirá-lo.
Foi uma das cenas mais patéticas que Malik já viu na vida, o amigo com dezoito anos, maior do que a própria mãe, erguendo a cabeça para mostrar onde estava o canudinho.
- Ei! Minha mãe me ama, seus cuzões! - Louis se viu obrigado a interferir já que o amor de sua santa mãe estava sob o escrutínio daqueles bastardinhos.
Juntando-se ao coro de provocações, cerrou os olhos, condescendente como um terapeuta lidando com um paciente em negação:
- Ama mesmo, Louis?
- É claro que sim! Para com isso! - Tommo apontou o dedo acusadoramente na direção da amiga, que ergueu as mãos para o alto, tentando passar-se por inocente.
- Mas eu não fiz nada!
- Você está me olhando com esse seu olhar maligno, tentando me convencer de que a minha mãe não me ama!
- Eu não falei nada disso, você chegou nessa conclusão sozinho.
- Você quer que eu jogue meu celular na cara da Meester, honey? - prontamente se ofereceu para salvar a honra do namorado. Mas Tommo negou muito sorridente porque saiu em sua defesa.
- Como vocês dois são românticos, hein. - Niall observava o casal de amigos com um misto de horror e encanto.
- Obrigada! - deitou a cabeça no ombro de Louis pra completar a imagem perfeita que tinha deles em sua mente.
- Eu não estava falando sério.
- Vai tomar no cu, então.
- Ô minha filha, isso aqui é uma casa de família, olha essa linguagem! - Harry reclamou.
- Cala a boca, Styles. - esticou o braço o máximo que pôde e mostrou o dedo do meio para o dono da casa.
- Nós já podemos ir embora? - Liam perguntou para , implorando com os olhos para que a namorada aceitasse a sugestão.
O sorriso inocente de Ortega se transformou em uma risadinha maliciosa quando ela respondeu:
- Fazer o quê? Aqui está tão melhor! Não é uma delícia ter todo mundo junto de novo?
- Nós temos ideias bem diferentes do que é uma delícia, . - Payne retrucou emburrado.
, que ainda assistia a sucessão de conversas absurdas e torneio de insultos ordinários, se viu presa num looping infinito de discussões sem sentido e ameaças se não tomasse uma atitude logo.
Por isso, bateu palmas para concentrar a atenção dos amigos (técnica usada por professoras do jardim da infância para controlar seus alunos de três anos) e assim que a maioria olhou para ela, propôs:
- Gente, vamos continuar essa conversa em algum lugar que tenha comida, por favor? Eu vou morrer de fome se não comer na próxima hora.
Sua ideia foi imediatamente acatada e um pandemônio se instalou quando todo mundo levantou de uma vez e cheios de determinação começaram a catar seus pertences para ir atrás de comida.
Malik levantou-se sem pressa e ergueu os braços para o alto, espreguiçando-se como um felino, depois checou se estava com sua carteira, isqueiro e cigarros e se dirigiu à única pessoa daquela sala que fazia seu coração palpitar com a mera possibilidade de estar ao seu lado.
Parou ao lado da modelo e enfiou as mãos nos bolsos de sua jaqueta de couro, observando com ela enquanto os amigos se dividiam rapidamente nos que estavam sempre prontos para uma aventura e os que ainda nem estavam calçados.
- Nossa, loira, eu não sabia que você estava com tanta fome assim.
- Eu estou sempre com fome, Zayn. - revirou os olhos castanhos, incapaz de permanecer séria mediante o tom absolutamente malicioso que o namorado usou para fazer uma simples observação.
- Isso é uma verdade universal. - o badboy concordou e ofereceu o braço à para caminharem juntos para fora da casa para esperar o resto da turma enquanto falava uma tonelada de besteiras só para fazer a garota rir.
Mas na metade do caminho eles foram atropelados por Louis e , que estavam agindo normalmente (no limite de normalidade para a insanidade deles) quando Tommo chamou a atenção da ruiva ostentando um sorriso diabólico:
- , honey!
- O que foi, Louis?
- Quem chegar primeiro lá fora, vai dirigir! - ele anunciou e saiu em disparada rumo à porta, gargalhando maniacamente enquanto uma série de suspiros desalentados soou pelo cômodo.
- Tomlinson, volta aqui agora! - largou seu casaco no chão e saiu atrás do rapaz cheia de fúria porque ele trapaceou, mas também saiu correndo pela casa. - Argh! Eu vou bater nesse garoto!!!
- O Louis tem um desejo irresistível de morrer, é a única explicação pra ele continuar provocando essa criatura mentalmente instável. - Harry revirou os olhos.
Ele não tinha ciúmes da obsessão do melhor amigo com , mas haviam limites a serem respeitados e uma hora se tornava cansativo ver ele cutucando aquela onça com vara curta.
- Cada louco com as suas manias. - Niall deu de ombros.
- Vocês podem parar de falar assim da , por favor? - saiu em defesa da ruiva ao ver todo mundo rindo dos comentários maldosos dos rapazes, enquanto caminhava lado a lado com o irmão, liderando o restante do grupo lá pra fora, onde Zayn e estavam apoiados contra o Mustang de Payme, aguardando as próximas instruções e assistindo Tommo puxar pela cintura para impedi-la de abrir a porta e sentar no banco do motorista.
- Você pegou o carregador do seu telefone, baby? - Orteguinha questionou ao notar que o objeto não estava em sua bolsa.
- Aham, está aqui no meu bolso. - Liam concordou distraído pela cena patética entre Louis e .
foi atraída automaticamente para a briga e sem cerimônia alguma ligou a câmera do celular e começou a recordar e Louis, torcendo por alguma reviravolta que fizesse seu vídeo valer a pena.
- Alguém viu o outro lado do meu tênis? - Niall ainda era o único dentro de casa, parado na porta com um pé calçado e o outro não.
- Você é a única pessoa que deveria saber onde está o seu próprio sapato, meu querido. - Harry respondeu e se adiantou até onde e Zayn estavam e se apoiou de costas na porta do carona, esperando pra ver até onde ia aquele circo.
- Deixa pra lá, eu vou de pés descalços. - o irlandês deu de ombros e começou a descalçar o único lado que encontrou.
- Você está brincando. - riu sem o menor humor porque sabia que existia uma possibilidade de Niall sair em público só de meia e que ninguém ali ia se incomodar o suficiente para impedir tal insanidade. - Ele está brincando, certo?
Payne balançou a cabeça, declarando Horan como um caso perdido.
- Provavelmente não. Lou e Niall, vocês têm certeza que querem ir com a louca da ? - encerrou o vídeo e o procurou na galeria para vê-lo, caminhando mecanicamente até Harry distraída assistindo a filmagem inteira para decidir o que iria para as redes sociais.
- Ela é a minha namorada, caralho! - Louis até parou de discutir com para defender a honra de sua amada, e assim os dois esqueceram imediatamente porque brigavam.
encolheu os ombros, indiferente e acomodou-se inocentemente sob o abraço de Harry, que sustentava um sorriso sardônico.
- Você precisa ver isso, Harry!
- Meester, qualquer dia desses eu vou te matar enquanto você estiver dormindo. - cruzou os braços, irritada.
- Anda logo, Niall! - cruzou os braços ao sentir uma rajada de vento fresco , pressionando o grupo que apenas carregou a conversa lá para fora e simplesmente esqueceu que iam sair. Ela nem lembrava mais porque eles encerraram as atividades e se reuniram na sala, para começo de conversa.
- Calma. Já foi decidido pra onde nós vamos? - franziu o cenho.
- Ai meu deus… - Liam ergueu o rosto aos céus, tomado por um súbito desespero e a sensação de que nunca mais sairiam dali.
- Ahn, acho que não. O que vocês acham de comida japonesa? - Zayn coçou a barba que estava começando a crescer e por isso incomodava constantemente.
- Eu nem gosto tanto de comida japonesa! - se aproximou deles e logo uma roda estava formada para decidir o futuro da noite de todos.
- O problema é seu. - revirou os olhos.
- Vai se foder. - retrucou imediatamente.
- Que tal se nós formos comer tacos? Eu conheço uma taqueria excelente e nem é tão longe daqui. - Harry só sugeriu porque viu uma propaganda no seu feed e achou a foto legal.
- Não sei se estou a fim de tacos… - a ruiva rebateu imediatamente.
- Do que você esta afim, inferno? - Liam grunhiu, irritadiço, e o encarou, desafiando o rapaz a repetir aquela audácia.
Payne cruzou os braços e virou-se de maneira que pudesse fitar diretamente e os dois permaneceram se encarando naquela guerra silenciosa, esperando para ver quem seria o primeiro a desistir.
- Que tal se a gente for comer pizza? - olhou para os amigos com um sorriso gigante pois não conhecia sequer um ser humano que fosse capaz de dizer não para pizza.
- Pizza! - Niall levantou os braços e começou a fazer uma dancinha ridícula demonstrando-se totalmente a bordo daquela ideia e uma série de sussurros em concordância.
- Pizza? Pizza? Pizza? - Tommo questionou, apontando aleatoriamente para confirmar o plano e todo mundo acenava positivamente.
- Bom, se vocês perguntassem o que eu quero, eu escolheria comida italiana. - foi a única que contestou, apesar de não demonstrar estar tão contra ao plano assim como gostaria que acreditassem.
Àquela altura estava contrariando só porque estava em seu DNA não ceder facilmente.
- Ainda bem que ninguém te perguntou nada. - Styles cantarolou, guiando para longe do carro de Liam, dando espaço para quem precisava entrar.
- Cala a boca, girafa.
- Olha, eu não sei o que vocês vão fazer, mas a situação é a seguinte, quem veio comigo e pretende ir embora comigo - Liam deu a volta no carro e apontou para , e Zayn. - vai comer pizza ou vai ficar aqui porque eu não vou dirigir pra nenhum outro lugar. - avisou e entrou, ligando imediatamente o carro, pronto para sair dali antes que mudassem de ideia. De novo.
O trio que dependia da carona consultaram-se entre si e em segundos tomaram sua decisão:
- Pizza é a minha comida favorita hoje à noite. - disse, consciente de que essa seria sua resposta mesmo que não concordasse de fato com o plano.
- Eu nunca digo não pra pizza. - entrou tão rápido como se acreditasse que Payne ia realmente deixá-los para trás caso demorassem demais.
- Vamos comer pizza então! - Malik abriu a porta de trás para entrar e fez o mesmo em seguida.
O restante do grupo parou amontoado, assistindo com uma mistura de decepção e fascínio em ver quanto medo os amigos aparentemente tinham de Liam. Chegava a ser patético ver o quão rápido os três entraram no carro.
Aquele tipo de comportamento inclusive incitava os sentimentos mais revoltosos e competitivos em , que faria um protesto silencioso, sentada no pátio dos Styles por uma semana apenas para provar um ponto para Payne, mas provavelmente não obteria nenhum resultado já que o idiota não estaria ali para testemunhar seu manifesto.
- Pode liderar o caminho que nós vamos logo atrás de vocês. - Harry girava a chave do carro no dedo indicador enquanto abria a porta do carro para .
- Nós quem? - a morena arqueou as sobrancelhas, curiosa.
- Nós dois. - referindo-se a si e a , - Ou você está a fim de causar e vai se recusar a comer pizza, meu bem?
- Me respeita, garoto! - Meester puxou a porta de maneira dramática, trancando-se para dentro do veículo.
Harry revirou os olhos e dirigiu-se à irmã:
- Você vem com a gente, certo, ?
- Ahn, pode ser. - a princesinha Styles concordou e se dirigiu à porta aberta que o cacheado segurava para ela.
- Claro que não, ela vem comigo, obviamente. - protestou e parou de andar, plantada entre Harry e , esperando para ver o que ia acontecer.
- Por que obviamente, ? Eu sou o irmão dela. - Harry colocou as mãos nos quadris, pronto para matar Westwick.
- E eu sou a melhor amiga dela.
- E eu sou o irmão dela.
- Ninguém aqui acha estranha que ela não vá com o namorado dela? - Louis cerrou os olhos, achando muito suspeito tal detalhe.
Niall olhou de Tomlinson para com os olhos arregalados e as mãos erguidas para o alto, abstendo-se de qualquer envolvimento em uma briga que estava do outro lado.
- "Ela" não está entendendo o que está acontecendo aqui. - comentou para ninguém em especial.
Zayn, que havia abaixado o vidro da janela desde que entrou no carro para ele e não ficarem de fora da conversa, disse:
- Realmente, não faz sentido que vocês não vão juntos se vocês ainda estão namorando.
- É, mas tecnicamente nós estamos dando um tempo. - princesinha Styles buscou o suporte de Niall, que sorriu para ela, suportando sua explicação.
- Então isso significa que vocês não estão mais juntos? - Liam esticou-se sobre para acessar a janela dela e fazer a pergunta de um milhão de dólares.
- Não! - Horan respondeu prontamente com a expressão de dor de quem havia sido apunhalado no coração, que é como ele se sentia toda vez que conjeturava se um dia as coisas voltariam a ser como antes entre e ele.
- E por que vocês não vão juntos? - se juntou ao coro dos desconfiados. A incerteza do status de relacionamento de e Niall era quase causa de insônia entre o grupo e apostas corriam soltas sobre quando eles voltariam e se eles voltariam algum dia.
A verdade é que com a volta da felicidade doméstica para todos (até e Zayn andavam por aí se esquivando e roubando beijos como se fosse a primeira vez que se descobriram apaixonados) o grupo focava toda sua energia, e nós estamos falando de níveis e unidas em uma causa comum de energia, na vida pessoal de Niall e .
- Porque nós precisamos de tempo e à vezes de espaço também! - empurrou o cabelo para trás da orelha, mantendo a paciência em acalmar os anseios dos amigos da melhor forma possível.
- Isso não faz o menor sentido. - franziu o cenho, extremamente confusa já que não podia imaginar-se na situação da amiga. Ela não conseguiu resistir a Payne nem quando eles estavam de fato terminados, quem dirá em um cenário onde eles só estariam virtualmente separados.
- Além do mais, nós não nascemos grudados, nós podemos fazer atividades separados, certo, ? - Niall argumentou, tentando soar positivo.
- Vocês deviam falar isso pra vocês há um ano atrás. A demonstração pública de afeto era quase insuportável. - a face de exprimiu uma careta de profundo desgosto ao lembrar de como era quase impossível separar fisicamente o irlandês e a princesinha.
- Você é insuportável, . - Harry afirmou o óbvio.
- Se você falar comigo mais uma vez, eu vou passar com o carro do Louis em cima de você, Styles. - apontou o dedo indicador na direção do rosto do rapaz que era muito mais alto, e atrás dela, Louis murmurou um pedido de desculpas pq ele provavelmente não faria nada para impedir se chegassem a tal ponto.
- Gente, por favor! Se vocês querem duelar até a morte, nós temos que marcar hora e lugar certo pra isso, vamos ser ordenados, por favor. - interrompeu a dupla e os ânimos mais uma vez foram acalmados. Pelo menos até que alguém abrisse a boca novamente.
- , você ia falar alguma coisa importante antes, lá na sala? - Orteguinha lembrou-se de que em algum momento entre estar jogando Monopoly e aquela zona no pátio da casa Styles, a loirinha havia convencido todo mundo a abandonar suas respectivas atividades e reunirem-se na sala de estar.
- É verdade! Você reuniu todo mundo e nem falou nada! - Tommo também lembrou desse detalhe.
- Desde quando a tem alguma coisa importante pra falar pra alguém? - Liam franziu o cenho, intrigado, mas deu um tapa no braço dele e o impediu de continuar ofendendo os amigos inconscientemente.
- Ah, bem lembrado gente! Eu já tinha esquecido! - agora tinha um brilho no olhar e sua expressão facial havia se transformado completamente e não havia alma viva naquela calçada que não sabia o que aquele olhar significava.
- Ai, meu deus. Ela teve uma ideia. - Harry andou para trás, horrorizado.
E foi assim que três dias depois o grupo inteiro se encontrou correndo desesperados pelo Heathrow Airport, derrubando bolsas e atropelando transeuntes para não perder o vôo que os levaria de volta ao Caribe, onde tudo começou.


Continua...


Nota da autora: Para quem se perdeu na contagem, mais dois capítulos e nós nos despediremos dessa turminha maravilhosa!
Jules.






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