Capítulo Único

Day 647

Aquele era o domingo mais preguiçoso daquelas férias que passavam juntos. Era janeiro e o sol brilhava tímido em Sidney, invadindo o quarto pela porta semi-aberta da varanda junto a uma brisa fresca e gostosa que levantava as cortinas verdes de tempos em tempos. Como se recusavam a sair da cama, o café foi tomado ali mesmo, em meio aos lençóis bagunçados, depois de uma breve ida à cozinha. Após isso, eles só rolaram pela cama novamente, aproveitando a companhia um do outro o máximo que podiam, mantendo suas pernas entrelaçadas, seus dedos passeando pela pele um do outro e trocando beijos doces.
Em algum momento que , silenciosamente, se perdeu apreciando sua companhia e admirando o corpo dela de perto, adormeceu novamente. E ele sorriu para sua feição relaxada, a bochecha pressionada contra o travesseiro macio que deixava seus lábios entreabertos, por onde ela soltava suspiros de vez em quando. Então ele se viu mais uma vez admirando-a de perto, analisando seus traços joviais e se sentindo um sortudo da porra.
Quase dois anos que estavam juntos. Mas ele estaria mentindo se dissesse que eles passaram a totalidade daquele tempo realmente juntos. Talvez apenas uns cinco ou seis meses, sendo otimista nos cálculos. Isso porque eles seguiam por caminhos completamente diferentes até as retas das suas vidas se cruzarem por um breve momento. Momento suficiente para fazer nascer neles a vontade de redesenharem suas rotinas apenas para que pudessem ficar juntos, nas circunstâncias mais adversas por algumas vezes e por um tempo tão curto que nem era o suficiente para tudo o que sentiam.
E o tempo que tinham estava acabando mais uma vez, por isso a vontade abaixo de zero de se separarem naquele dia.
Aos pouquinhos, enquanto sentia a respiração do rapaz tocar seu rosto, foi despertando e piscou várias vezes até acordar totalmente, encontrando aquela que se tornou sua visão preferida no mundo: os olhos absurdamente de . Deus, ele era tão lindo. Aquele rosto de menino que ganhava as mais diferentes expressões diante dela, uma mais apaixonante que a outra; aqueles traços tão fáceis de amar, com aquelas pintinhas cujas localizações ela já tinha de cor. Mas os olhos... Eles carregavam tanta doçura quando olhavam para ela, tanto carinho, que ela não poderia se sentir menos que lisonjeada. Aqueles olhos que, num segundo, faziam-na se sentir a mulher mais linda do mundo, a mais desejada e a mais amada. E era como ela se sentia naqueles quase dois anos que estavam juntos.
era seu sonho em prosa que a vida tornou real.
Enquanto voltava a se acostumar com a claridade, ela observou as pálpebras dele se comprimirem e ruguinhas charmosas aparecerem ao lado de seus olhos, denunciando o sorriso que brotava mais embaixo. amava a sensação de ser observado por ela, com aqueles olhos tão intensos escondidos pelos cílios escuros. tinha um olhar divertidamente sonhador e, desde a primeira vez, sentiu que eles carregavam coisas demais. E ele tinha razão. Mas fora maravilhoso desvendar cada segredo que aquele olhar guardava, todas as histórias que eles já tinham capturado e descobrir que aqueles mesmos olhos poderiam fitá-lo de forma apaixonada, como ela fazia naquele momento.
– Eu dormi demais? – perguntou preguiçosa, mas sem tirar os olhos dele.
negou em um murmúrio, balançando a cabeça e chegando mais perto dela, roçando seus lábios.
aceitou o carinho para depois levantar o tronco, empurrando o outro de leve para que deitasse as costas na cama a fim de que pudesse ver o relógio no criado-mudo. Suspirou e apoiou o queixo no peito de .
– Deveríamos levantar. Tô com fome e você ainda precisa arrumar as malas.
Terminou a frase com uma careta, já prevendo a que apareceria no rosto do namorado por ter tocado naquele assunto. Ele era o mais birrento quando chegava àquela hora. O rapaz alcançou um travesseiro e cobriu o rosto, em uma atitude boba que fez a namorada rir.
– Estou dormindo, vou dormir até amanhã e perderei o vôo.
riu mais ainda e se colocou sobre ele, subindo um pouquinho para que seus olhos pudessem ficar na mesma altura e jogou o travesseiro para longe.
– Se você dormir o resto do dia e perder o vôo os meninos te matam, te obrigam a pegar qualquer avião às pressas e o seu tempo dormindo vai ser desperdiçado quando você poderia aproveitá-lo comigo. – ela sorriu, beijando seus lábios rapidamente.
suspirou, derrotado.
– Porque essa parte tem que ser tão difícil? – perguntou, olhando para ela ainda com a expressão meio emburrada, e havia um inconformismo quase infantil em seus olhos, que se completavam com o modo como suas bochechas inflaram e um bico se formou em seus lábios rosados.
O sorriso de se tornou um pouco triste.
A resposta para aquela pergunta era óbvia: não queriam ficar separados e dependentes de telefones e conferências em vídeo. Abririam mão de toda a parafernalha tecnológica para que estivessem à distância de um grito bravo de por ele ter bagunçado seus papéis de novo, ao espaço de cinco passos largos de até a sala onde encontraria falando sozinha ou a um engatinhar do colo do outro.
Os caminhos diferentes eram a parte difícil e apesar dos atalhos, às vezes eles só desejavam que suas retas fossem justapostas.
E sempre se pegava pensando nisso. A vida já era complicada demais e ela se via na obrigação de não arrumar mais problemas para evitar toda e qualquer dor de cabeça. Ela tentava ser uma mulher prática, objetiva e sem maiores neuras, mas então porque diabos estava com a cintura de entre suas pernas?
Por incrível que pareça, essa era uma pergunta ainda mais fácil de ser respondida.
– Vai ser mais rápido dessa vez. – se inclinou para frente, arrumando o cabelo dele para o lado – Já estivemos em situações piores.
Ambos riram e se sentiu satisfeita por vê-lo tirar a carranca do rosto.
– Eu te amo.
disse assim, de repente, deixando o coração da namorada completamente aquecido. se inclinou pra ele novamente e numa resposta à sua declaração, beijou a pontinha de seu nariz perfeito e deslizou os lábios para roçar sua boca à dele. espiava quieto descer para seu queixo e pescoço, finalizando o carinho com um beijo em seu pomo de adão. Ele estremeceu de leve.
– Isso é um lembrete do que vou ficar sem durante as próximas três semanas?
negou e relaxou a cabeça no ombro dele.
– Isso é pra você não esquecer o que te espera assim que estivermos juntos de novo. – aconchegou-se mais a ele – E você tá com saudade de viajar com os meninos que eu sei.
– Você também tá com saudade, mas nem por isso vai viajar conosco.
– Alguém desse casal tem que trabalhar de verdade.
O que era pra ser uma frase implicante acabou ganhando uma conotação engraçada quando um bocejo saiu no meio das palavras, fazendo rir e acompanhá-lo.
– Ok, vamos logo antes que eu desista. ¬– sentou com ela no colo.
– Tomamos banho juntos, depois almoçamos com sua mãe e então eu te ajudo com a mala. ¬– ela arrumou a coluna e envolveu o pescoço dele com os braços.
– Você quem manda, mas não vou te largar até embarcar no bendito avião.
rolou os olhos, mas não conseguiu conter o sorrisinho e os arrastou pelo colchão até tomar um impulso para levantar carregando-a.
– Como eu aguento todo esse grude mesmo? – falsamente resmungou.
– Você adora.
Ela apertou seus ombros.
– O pior é que eu sei que sim.

Day 1

descia as escadarias do prédio às pressas enquanto tentava acompanhar Marília. A recifense era a melhor flatmate que ela poderia ter: mestre em animação, especialista em se enturmar e completamente doidinha. já tinha decidido que aquela combinação dava origem a um dos melhores tipos de pessoas e tinha certeza que grande parte da diversão que acontecera até ali havia sido por causa daquela que já poderia considerar sua amiga.
O céu limpo e que ganhava tons de alaranjado no horizonte fazia querer parar para simplesmente observar, mas naquele dia em especial ela tinha pressa. Na verdade, Marília tinha pressa. Era sexta-feira e a amiga havia adiantado toda a elaboração de um relatório para fugir do trabalho no sábado de manhã porque queria estar dormindo abraçada ao barman gato com quem teria um encontro mais tarde. Esse era o motivo da pressa: o cara do encontro que Mari conheceu em uma festa que foram na semana passada trabalhava no bar de um hotel um pouco distante dali e ela ainda precisava de um banho restaurador, escolher a roupa e então estar pronta para encontrá-lo. era só a ajudante e a acompanhante caso algo desse errado e Marília precisasse de uma companhia para o porre de honra, mas ela jurava que não ia precisar e que ainda poderia se arranjar por ali. E não ia recusar. Vai que o tal barman conseguisse bebidas de graça mesmo estando fora do horário de trabalho.
As duas entraram no prédio dos dormitórios na mesma pressa enquanto Marília falava sem parar tentando descrever as peças de roupa que estava pensando em usar. não estava muito preocupada com isso, só esperava que a amiga se desse bem e que aquela noite passasse rápido porque amanhã era dia de festival. E pra isso ela já tinha roupa separada e tudo.
Entrou em seu quarto, largou as chaves no aparador e a bolsa sobre a cadeira giratória. Para continuar na vibe pré-shows colocou pra tocar a playlist que tinha preparado na noite anterior, começou a escolher a roupa e se preparar para o banho. Teria que ser rápida para ainda ter tempo de ajudar Mari.
Pouco mais de meia hora depois ela já estava atrás da amiga que encarava o espelho e tentava decidir entre cabelos soltos ou presos. Acabaram optando por usar o modelador de cachos nas pontas e deixá-los soltos mesmo.
Seguiram de metrô até duas estações ao norte e então pegaram um táxi até o hotel. Saltaram do veículo e observaram a fachada elegante. Em comparação a outros hotéis do centro urbano de Barcelona aquele não aprecia ser um cinco estrelas, mas soube que em sua cidadezinha no Brasil ele seria considerado de luxo. A elegância do lado de fora permanecia do lado de dentro, onde vários funcionários bem arrumados ocupavam seus postos, o que fez repensar seus jeans, a camiseta lisa por baixo da jaqueta e ankle boots surradinhos. Mas Marília era quem tinha um encontro, logo, ela estava muito bem para uma acompanhante que só queria umas bebidas de graça.
Dois caras que pareciam seguranças encararam as duas enquanto elas andavam até a recepção, mas Mari já enviava uma mensagem ao seu encontro para evitar maiores problemas e minutos depois ele apareceu por uma porta à esquerda, com aquele sorriso lindo que se lembrava da festa anterior, falando algo para a recepcionista e caminhando até as duas para cumprimentá-las e levá-las até o bar.
Aquele lugar parecia ser mais despojado, com as luzes mais baixas e a música ambiente. Não estava muito cheio, então não foi difícil arrumarem uma mesa. Enquanto o rapaz foi até o balcão buscar bebidas, Mari sussurrou para a amiga:
– Nem pense em escapar agora. – riu, negando – Ele é muito gato e eu preciso entrar na frequência dele antes de te liberar pra explorar o lugar.
riu mais ainda, mas logo ajeitou a coluna ao ver o rapaz voltar com as bebidas e iniciar uma conversa. Elas falaram sobre suas experiências por ali, além de, é claro, sanarem algumas curiosidades dele sobre o Brasil.
Quando começou a sobrar no papo, avisou que iria tomar um ar na parte aberta à esquerda do bar. O cara, muito simpático, disse que ia avisar ao amigo barman que ela poderia pegar mais bebidas quando quisesse. Viu-o acenar em direção ao balcão e antes dela mesma se virar, desejou que o tal amigo fosse tão bonito quanto o que estava com a amiga, mas ao girar o corpo viu que estava mesmo destinada a ser a amiga acompanhante. Não que aquilo fosse ruim, afinal, tinha bebidas de graça.
Caminhou calmamente até passar pelo batente de madeira trabalhada, ainda cantarolando a música que tocava. O espaço era pequeno, igualmente pouco iluminado e ela pôde ver duas mulheres fumando e um homem mais distante falando ao telefone. Apoiou o quadril e o copo com o drink em um murinho baixo ao redor de uma pequena fonte e retirou o celular da pequena bolsa que carregava. Leu mensagens antigas dos amigos do Brasil e resolveu enviar um “Oi” para ver se alguém estava online.
Estava bebericando seu drink e passando o tempo no Twitter quando voltou seu olhar para o interior do bar. Marília já estava bem mais próxima do barman gato e eles riam juntos de algo que ela falava. riu, balançando a cabeça. É claro que ela se daria bem com o bonitão, Mari era uma companhia incrível e ele seria muito sem noção se não apreciasse isso.
Foi quando ela ainda estava observando o interior do local por cima da borda do copo de vidro que os viu. Quase se afogou com um pequeno gole. Apertou os olhos para enxergar melhor para depois arregalá-los em surpresa, boquiaberta.
– Fala sério. – falou para si mesma, pausadamente.
Ela olhou para os lados e notou mais algumas pessoas por ali. O lado de dentro estava mais cheio também, mas nada parecia fora do normal, exceto pelos dois caras que entraram conversando divertidamente. Um deles falava mudando as expressões o tempo todo e gesticulando muito e o outro alternava sua atenção entre o amigo e o ato de observar todo o local.
continuava não acreditando no que via. Quais as chances dela os encontrar sem que os estivesse procurando? Qualquer que fosse estava se fazendo valer ali.
– E aí, o que eu faço? – continuou sussurrando pra si mesma, com uma vontade louca de roer a pontinha das unhas, mas tinhas as mãos ocupadas no momento, uma com o celular e a outra com o copo.
Olhou o celular novamente e viu que nenhum dos amigos tinha dado sinal, mas ela precisava falar com alguém e não ia incomodar Mari. Largou o copo quase vazio no murinho e digitou com o Caps Lock ligado, o momento merecia. Depois de escrever, enviar e reler, percebeu que estava ali quase surtando e ainda não tinha ido até lá dar um “Oi”. Mas será que deveria? É claro que deveria, ela pensava. Eles têm uma banda e isso deve acontecer o tempo todo. Ou será que deveria se aproximar como se nem fizesse ideia de quem eles eram e fingir que não era uma fangirl na casa dos vinte? Tecnicamente, ela estava muito mais animada pra ver Bastille no festival.
Antes que continuasse ponderando, o celular vibrou em sua mão, com as risadas de Patrícia subindo pela tela. “Fã desses também, ? Achei que eles só tinham umas musiquinhas legais...” podia ser lido e soube que a amiga só estava tirando uma com a cara dela, como sempre. “Mas acho o moreno uma gracinha!”, ela enviou depois. riu e começou a digitar perguntando se deveria ir até lá, enquanto esticava o pescoço vendo-os andar até os bancos altos em frente ao balcão. Johnatan e Vicky apareceram na conversa também, tudo virou uma confusão e ela decidiu que não faria mal ir até lá.
Ajeitou os cabelos e checou a maquiagem pela tela do celular, rindo de si mesma em seguida. Nem com McFly ela havia feito isso e tinha saído nas fotos com cara de louca feliz.
Fez o caminho para dentro em direção ao bar, passando por Marília e seu acompanhante e acenou para a amiga que a olhou com cara de interrogação. Apontou discretamente para os dois no bar e ela fez uma cara engraçada, rindo em seguida e sibilando um “Boa sorte!”. rolou os olhos e vasculhou na memória se já havia falado da banda pra ela. Provavelmente sim, quando comprara o pass para o festival, mas Mari dificilmente teria os reconhecido.
Quando estava chegando ao balcão viu um deles pegar o celular do bolso e atender. Murchou um pouquinho e resolveu não atrapalhar naquele momento, apoiando-se ao balcão e sentando com apenas um banco entre ela e eles. Observou-os mais atenta e discretamente e, caramba, eram lindos. Chamou o barman que já conhecia e pediu algo mais forte; foi prontamente atendida. Ainda tentou ouvir um pouquinho do que eles conversavam, mas só ouvia o outro pedir pra alguém descer.
Bebericou o líquido do copo e tentou prestar mais atenção, disfarçando e fingindo que lia algo no celular, até ouvir um deles chamar o barman e pedir duas cervejas locais, alguma marca que ele julgasse boa. O rapaz fez uma careta discreta e pediu-lhes um momento, num inglês enrolado. Ele largou o pano de prato e o copo que segurava, passou por e, vendo que ela observava tudo atentamente, disse, sorrindo um pouco envergonhado:
– Sempre preciso de ajuda no inglês.
– Javíer, espera! – chamou alto, em espanhol, trazendo não apenas a atenção do barman para si, mas a dos outros dois também – Eles só querem duas cervejas locais e pediram alguma sugestão.
Entendimento se passou pelo rosto do rapaz e ele fez o caminho de volta.
– Você pode perguntar qual internacional eles gostam mais? Pra eu ter uma base do que trazer.
Ela sorriu e assentiu. Nem sequer tinha parado pra pensar quando traduziu o pedido deles ao barman, então viu o nervosismo aparecer em forma de uma tremedeira ridícula quando virou para eles e encontrou dois pares de olhos curiosos, um deles olhando-a mais atentamente.
– Ele gostaria de saber qual marca internacional vocês preferem, pra que ele possa trazer algo mais perto do gosto de vocês.
Agradeceu mentalmente por seu inglês ter funcionado.
– Heineken. – o que estava mais perto respondeu, dando de ombros.
– Stella. – o outro respondeu, mas sem tirar os olhos dela.
– Certo, já sei o que trazer. Obrigado, . – ele segurou a mão dela por cima do balcão e pela tangente a brasileira pôde ver os dois cochicharem algo – Se eu precisasse chamar o outro barman mais uma vez meu supervisor me daria uma bronca.
apenas sorriu, vendo-o andar para buscar as bebidas e contou até três antes de virar para os dois novamente.
– Ele volta logo. – sorriu novamente.
¡Gracias! – o mais animadinho respondeu e passou para o banco que estava entre eles – Sou e esse é...
. Sei quem vocês são. – ela sorriu, segurando a mão que estendia e cumprimentando-o – Sou .
Ponderou se havia agido certo em jogar assim na cara que sabia quem eles eram, porque a feição desconfiada de a assustou um pouquinho, mas logo passou assim que também estendeu sua mão, sorrindo e encarando-a com os olhos interessados.
. – ele repetiu o nome dela com certa dificuldade – É um prazer. – e apoiou-se no ombro do amigo – Você é uma fã?
deu de ombros. Ela era? Era fã de tanta coisa que já havia começado a dividir suas bandas, suas cantoras e seus cantores favoritos em níveis de fangirlização. Ridículo, ela sabia.
– Vou ver vocês amanhã no festival. E vocês têm músicas ótimas e são umas graças.
Ok, ela estava usando um eufemismo. Achava-os lindos, muito mesmo. Os dois riram e viraram por um momento para receberem suas cervejas e agradecerem, mas logo voltaram suas atenções para ela.
¬– Falta pouco então. – começou, divertido, após um gole – No nosso próximo encontro você já vai estar gritando e aqueles caras ali vão precisar interferir. – apontou para dois seguranças que tinha visto mais cedo.
– Se vocês tocarem as minhas favoritas amanhã eu provavelmente vou gritar mesmo. – riu e eles a acompanharam.
– Você é daqui? Está hospedada aqui?
perguntou e logo depois tomou um gole da cerveja, olhando-a fixamente enquanto fazia isso. sentiu um friozinho na boca do estômago.
– Não, não. Sou do Brasil e estou fazendo um semestre da faculdade em Barcelona. E só estou aqui hoje porque vim acompanhar uma amiga que tem um encontro.
Ambos pareceram animados quando ela citou sua nacionalidade.
– Brasil, sério? – verbalizou – Que máximo! Vamos pegar uma mesa? A gente só ia dar uma olhada no local, mas já que você está matando tempo para não segurar vela para sua amiga, nós fazemos esse esforço pra te fazer companhia. – piscou.
ficou um pouco surpresa, não esperava que eles fossem tão acessíveis, mas obviamente não ia recusar. Riu e os acompanhou para uma mesa do lado oposto que Mari estava, não antes de encherem seus copos novamente.
Assim que sentaram juntos a conversa fluiu de modo espantoso. Ela contou sobre o Brasil e eles falaram da vontade de visitar o país. Enquanto conversavam não deixou de notar o quanto a risada de era contagiante. E ele não deixou de notar o quanto ela era espontânea e divertidamente expressiva. Um encanto, na opinião dele.
Quando o assuntou voltou ao festival e eles falavam sobre outros artistas que iriam se apresentar, o celular de apitou e após ler a mensagem ele virou em direção aos seguranças, recebendo um aceno de cabeça de volta.
– Nosso toque de recolher. – ele anunciou.
– Tem certeza que vai ficar bem ao voltar a segurar vela para sua amiga? – brincou.
olhou ao redor procurando Mari e a encontrou quase agarrada ao seu cara.
– Tenho certeza que não vou ficar muito tempo aqui. – riu.
– Já que você vai ao festival – começou –, nós vamos nos divertir depois, aqui mesmo no hotel. Você deveria vir.
Dito isso, ele chamou um dos seguranças e cochichou algo e então o homem tirou do bolso do casaco um crachá vermelho e preto que pegou e o deslizou pela mesa na direção dela.
– Isso vai te dar acesso. – sorriu.
– E caso alguém encrenque – avisou –, é só chamar a gente.
– Fácil assim, é? – ela brincou, arqueando uma das sobrancelhas.
– Estamos te dando colher de chá, vai recusar? – usou o tom brincalhão, mas esperava que ela aceitasse.
– Bebida de graça? – seus olhos divertidos encontraram os de e o frio na barriga apareceu de novo, mesmo com o clima descontraído.
– Pode apostar! – bateu na mesa – Você vem?
– Por que não? – ela pegou o crachá e se levantou junto com eles.
– Espero que você goste do show.
– E que grite! – completou, fazendo-a rir.
Despediu-se deles com beijinhos no rosto e quando estavam prestes a saírem, ela lembrou de algo.
– Ei! – eles viraram novamente – Eu nem tirei uma foto! – fez bico.
– Calma, fã. – riu – Venha amanhã e a foto vai estar completa com os outros dois.
E ela realmente iria, mas não seria só por causa de uma foto.

Day 2

Estava um típico dia de verão. O céu claro e quase sem nuvens combinava perfeitamente com o calor do sol e a brisa leve que soprava. O acesso ao parque aonde o festival aconteceria já estava liberado e caminhava com os colegas de faculdade para dentro, em busca de bebidas.
Havia gente de todo o tipo por ali, de todos os estilos e todas as idades. amava aquela algazarra, o barulho das conversas, das risadas, dos gritos chamando por amigos, pais, filhos, namorados. Os braços levantados, os corpos leves e livres e até os eventuais choques de ombros; tudo fazia parte do clima do local e era como se o mundo lá fora não fosse nada cruel.
Pouco mais de cinco meses se passaram desde que a brasileira chegara à Espanha cheia de expectativas, planos e sonhos. Tinha passado por cada coisa, aprendido tanto. E ali, com pouco mais de um mês para deixar aquilo tudo, ela sentia que a bagagem de volta pesaria mais que uma tonelada de coisas que não poderiam ser vistas ou tocadas.
Quando a oportunidade de viajar e estudar na Universidad de Barcelona apareceu, ela a agarrou como podia, contando com a ajuda de todos que a queriam bem no Brasil. E tinha tido a sorte de encontrar em solo catalão gente disposta a ajudá-la de todas as formas. Tinha conhecido gente de várias nacionalidades, tinha festejado muito, se perdido, passado aperto com a grana da bolsa, mas ia sobrevivendo, aliás, ia vivendo da melhor forma que podia.
A partir do momento em que se apertou por entre as pessoas para assistir o primeiro show do dia, tudo foi um borrão colorido. As coisas aconteciam muito rápido, os shows acabavam rápido, só as filas para bebidas e banheiros pareciam em câmera lenta.
Na chegada do entardecer ela já estava em frente ao palco que a 5SOS se apresentaria. Uma sensação gostosa passou por todo o seu corpo, fazendo-a sentir vontade de dar pulinhos animados. Pegou-se pensando na noite anterior, quando o improvável aconteceu. Quase não tinha tido tempo de parar para pensar naquilo durante o dia, na correria para assistir os shows, mas era verdade que passara todo o seu momento antes de dormir lembrando-se dos olhos de e do gostoso frio na barriga que eles lhe trouxeram. Será que ele se lembrava dela? Claro que lembrava, não era tão insignificante assim. Mas será que ele a procuraria lá de cima? Ok, isso já era pedir demais. Quando eles entraram no palco, no entanto, e varreu todo o local com o olhar, imaginou que ele estivesse procurando por ela.
Quanto ao show, incrível. Os garotos tinham uma energia inesgotável e eram muito bons ao vivo. estava impressionada e não havia conseguido evitar que grande parte de sua atenção se perdesse em . Havia momentos em que ele era um garotinho animado correndo pelo palco, em outros era um rapaz concentrado no que fazia. só não sabia dizer qual daquelas faces a encantava mais. Talvez ambas.
Quando os shows acabaram e ela estava com os colegas em volta de uma mesa de lanchonete, comendo e falando sobre momentos engraçados, o crachá que recebera de pesou em sua bolsa. Ela o levara na intenção de ir do parque até o hotel, mas já não parecia uma boa ideia. O festival acabara há pouco, talvez eles ainda estivessem a caminho de onde estavam hospedados e ela não queria chegar cedo demais. Além de que não sabia se queria ver de novo nas condições que estava: cabelos desgrenhados e pele grudenta pela mistura de creme hidratante, cerveja e molho de batatas. Não, definitivamente não iria encontrá-los daquele jeito.
A volta para o alojamento foi sonolenta e uma dorzinha chata nos pés começou a aparecer. Estava cansada, mas quando teria uma oportunidade como aquela novamente? Se um raio caía ou não duas vezes no mesmo lugar ela não sabia, mas garotas como ela não tinham tanta sorte assim o tempo todo, era melhor não desperdiçar.
Uma hora e meia depois ela estava do outro lado da rua em frente ao hotel, observando a movimentação de fãs dos meninos por ali. Não havia alvoroço, no entanto, talvez pela hora avançada. Dentre as cerca de quinze pessoas ali, a maioria meninas mais novas do que ela, muitas estavam sentadas pela calçada e outras tentavam enxergar algo pelo portão principal.
A preocupação de naquele momento era passar por aquelas pessoas sem chamar atenção e convencer os seguranças de que havia sido convidada por e . Uma dosagem de adrenalina provavelmente fora lançada em sua corrente sanguínea porque ela sentiu uma animação incomum ao correr para atravessar a rua e fazer sua melhor cara de inabalável ao passar pelo pequeno aglomerado de pessoas. Acertou a alça fina da bolsa no ombro direito e encarou um dos recepcionistas do hotel.
– Boa noite. A senhorita é hóspede? – ele perguntou pacientemente educado, o que fez se perguntar quantas já tentaram passar por ali para encontrar os meninos se passando por hóspedes.
– Boa noite. – sorriu – Não sou hóspede, mas sou convidada de dois deles.
Então retirou discretamente da bolsa o crachá que havia recebido, fazendo o recepcionista a encarar curioso.
– A senhorita trabalha na equipe? – ela negou com um aceno de cabeça – Aguarde um momento, por favor.
Ele se retirou para falar com um homem alto que deveria ser mais um segurança e pacientemente esperou enquanto eles conversavam, até avistar do lado de dentro um dos seguranças que estava no bar. Pensou que se acenasse e ele se lembrasse dela, poderia confirmar que era uma convidada, então esperou que ele direcionasse seu olhar na direção onde estava e acenou, ainda discretamente, e o homem não demorou a avistá-la, caminhando até o recepcionista que a atendera, que prontamente voltou até ela.
– Desculpe a demora. Seja bem-vinda. – e deu passagem.
Agradeceu e entrou sem nem olhar para trás, mas esperava que ninguém tivesse a notado. Caminhou até o segurança que a reconheceu e sorriu, agradecida.
– Hey, obrigada.
Ele apenas sorriu educado e indicou o caminho.
– Quinto andar, quarto 502.
estranhou, já que achava que os encontraria no bar como na noite passada, mas caminhou até o elevador. O ventre borbulhava em ansiedade e ela se pegou rindo sozinha enquanto a máquina subia. Garotas como aquelas que estavam lá fora se imaginariam fazendo o mesmo que ela naquele momento, só que em suas histórias publicadas na internet o final seria com seu integrante favorito e a cama macia deles no hotel. Mas sabia que aquilo não era ficção e estava bem com isso.
Ainda ria sozinha quando a porta de metal se abriu, revelando um corredor largo e bem iluminado. Caminhava a passos lentos encarando o número nas portas quando uma delas se abriu num rompante, fechando num baque alto logo em seguida.
– Hey! – a saudou – Você veio!
Ele carregava uma garrafa que não soube identificar de quê era. A brasileira sorriu para ele, se aproximando.
– Você me prometeu bebidas de graça, não?
Ele riu e balançou a garrafa nos braços.
– Pareço destrambelhado, mas sempre cumpro minhas promessas. – forjou uma cara séria, mas logo voltou a sorrir, parecendo um pouco bêbado, e passou um dos braços pelos ombros dela, voltando a andar – E o show? Você demorou, achávamos até que nem viria mais. contou pra e sobre você.
havia falado dela? tentou se concentrar na pergunta que ele fizera.
– O show foi incrível! – ele olhou pra ela com um sorriso muito fofo – Sério, vocês foram demais! E eu gritei bastante, se você quer saber.
gargalhou.
– Causamos isso.
E pararam em frente à porta, onde ele passou o cartão e deixou-a entrar primeiro. Seus ombros se encolheram involuntariamente quando ela parou para observar o ambiente. Kendric Lamar tocava não muito alto e somente as luzes laterais estavam ligadas. Os sofás centrais pareciam fora do lugar, tortos, e a mesinha de centro estava abarrotada de garrafas de cerveja, latinhas de energético e pratos com petiscos. Havia algumas garotas e caras por ali também, mas o primeiro rosto a ser reconhecido na sala foi o de , que brindava com uma garota ruiva que estava em seu colo.
Então era assim que eram as afters parties?
Passara toda a adolescência imaginando como seria estar em uma com suas bandas preferidas, rindo e brindando com o guitarrista da voz mais incrível do mundo. Mas ela sempre fora somente a descabelada do lado de fora do hotel, sentada na calçada e com a cabeça apoiada no ombro de alguma amiga, esperando por um mísero aceno da varanda. Pelo menos se divertiam.
– Bem-vinda à diversão! – tocou seu ombro com o dela, mas antes que pudesse responder qualquer coisa, surgiu na frente deles.
– Você demorou! – pegou a garrafa dos braços de , só então notando a brasileira ao seu lado – Olá! – ele arrastou a palavra, malícia brilhava em seu olhar.
riu. Ele era realmente uma gracinha. E bem mais alto do que parecia do palco. Quantos anos ele tinha mesmo?
– Oi, . – aproximou-se dele para cumprimentá-lo com beijinhos na bochecha ¬– Sou .
Ele olhou rapidamente para o amigo ao lado, como se estivesse então entendendo alguma coisa.
– A garota brasileira que e conheceram ontem! Seja bem-vinda! – ele sorriu, os olhinhos se fechando de uma forma adorável – Vem, você vai ser a primeira a provar o drink milagroso do Ryan! – e puxou-a sala adentro, falando algo sobre aquela ser uma bebida dos deuses.
varreu o local com os olhos mais uma vez, esperando encontrar , mas foi só quando eles chegaram à cozinha, onde o tal Ryan prepararia a tal bebida que ela deveria provar, que o viu. Ele conversava com uma garota e ambos estavam apoiados na bancada de mármore do cômodo. se inclinava na direção dela e sorria de canto enquanto falava, provavelmente jogando todo o seu charme. invejou o quanto a morena parecia impassível, ela provavelmente não conseguiria.
– Manda a ver, Ryan! está louca pra experimentar! – piscou pra ela, que riu.
À menção de seu nome, desviou sua atenção da conversa e virou para ele no momento que ele fez o mesmo. pareceu brevemente surpreso, realmente achava que ela havia desistido de ir. sorriu e acenou, e quando ele fez o mesmo, parecendo realmente feliz por ela estar ali, se perguntou se poderia existir outra combinação tão boa de sorriso e maxilar em evidência quanto aquela.
– Achei sua convidada, . – a levou até ele, que contornou a bancada para cumprimentá-la.
– Que bom que você veio! – falou depois de receber os costumeiros dois beijinhos – Já estava achando que ia furar com a gente.
– Não mesmo. Não depois do que eu vi no palco hoje. – olhou de para – Vocês foram incríveis! Já tô querendo outro show! – riu.
Antes que os meninos falassem qualquer palavra de agradecimento, a morena que estava conversando com entrou na conversa:
– Com certeza! Espero que voltem logo com um show só de vocês. – concordou, mesmo sabendo que não estaria mais ali quando voltassem.
, essa é Atena. – as apresentou e apertou sua mão em cumprimento.
Ela ainda ia fazer mais algum comentário quando o tal Ryan gritou para que o drink estava no ponto. Ele, é claro, puxou a brasileira para beber com ele, fazendo se perguntar se ele era sempre assim ou se era porque já tinha certa porcentagem de álcool no sangue. De qualquer forma, ela o seguiu e aceitou o copo que ele lhe ofereceu, mas quando ia mandar para dentro, ele a interrompeu:
– Ei, calma. Deixa entrar suave. – fez um movimento engraçado com as mãos. riu.
– Espera! – a expressão dela era de quem havia se lembrado de algo – Você tem permissão legal pra beber, não é? – implicou, ainda rindo.
– Ei! – fez uma cara indignada, pousando o copo na bancada – Sei que tenho essa carinha de neném, mas não exagera.
gargalhou quando ele passou as mãos pelas bochechas, fazendo uma careta muito fofa.
– Ok, então vamos beber logo que eu tô curiosa sobre isso aqui. – levantou o copo e logo fez o mesmo.
Cheers, brasileirinha. – piscou.
Cheers, meu querido.
E bateram os copos, sorrindo.
– Uau! – ela lambeu os lábios – Eu adorei! O que você usa? – Virou para Ryan que ainda estava por ali.
– Segredo da crew. – falou por ele, já pegando o recipiente de inox usado para misturar o drink – Mas vem, me fala o que achou do show. Adoro ouvir elogios.
gargalhou alto enquanto ele enchia mais seu copo e caminhavam de volta à sala. E o papo rolou fácil. esteve com ela durante a maior parte da noite, sentou ao seu lado algumas vezes, sempre perguntando se o copo dela estava cheio, afinal, ele havia prometido bebidas de graça. Em algum momento e ela foram apresentados e ele parecia bem mais bêbado que todos os outros, então aproveitou para tirarem a foto que queria, gritando para se juntar a eles.
– Parecemos um monte de bêbados.
Ela queria resmungar, mas acabou rindo com a constatação. , que estava ao seu lado, riu junto, pegou o celular e apertou os olhos para enxergar melhor.
– É porque somos um monte de bêbados.
Ele passou a olhar as outras fotos dela e ficou observando.
– Não vai me tomar o celular por ser muito intrometido? – perguntou, sorrindo para uma foto dela com os braços abertos a frente da multidão do festival.
– Não tem nada de mais aí. – deu de ombros, recostando-se ao sofá.
– Olha! – recostou-se ao sofá também e inclinou a cabeça para ver o que era – Você no Camp Nou!
Ela sorriu.
– Já fui três vezes. Dois jogos pela BBVA e um pela Champions. Sem contar da vez que fui apenas pra visitar, logo quando cheguei aqui.
a olhou sorrindo, uma das sobrancelhas arqueada.
– Você gosta de futebol, então? Torcedora do Barcelona?
virou para ele, aconchegando o corpo no sofá e apoiando os pés cansados na mesinha de centro.
– Eu amo. E simpatizo com todos os times da Espanha que não sejam Real Madrid. – riu.
– Fala sério! Um dos melhores times do mundo, não?
– São competentes. – falou como se não fosse nada de mais – E eu realmente gosto de muitos jogadores que atuam lá, mas o clube não me desce.
– Pra qual time você torce então?
– Você nunca ouviu falar. – riu – É da minha cidade no Brasil. Time pequeno, estádio pequeno, mas torcida apaixonada, o que me inclui, claro.
deu uma risadinha e mostrou outra foto para ela.
– E essa aqui?
– Vicente Calderón. Estádio do Altético. – sorriu e se ajeitou no sofá – Eu tive que viajar pra ver esse jogo e se quer saber foi um dos melhores dias da minha vida. Ganharam de 4 a 0 do Real! A vida pode ser muito boa às vezes.
gargalhou e continuou passando as fotos, agora muitas delas de pontos turísticos ou outros lugares da cidade catalã e outros cantos da Espanha que ela havia visitado.
– Por que Barcelona? – ele perguntou, apoiando um dos pés sobre o joelho e deixando o celular de lado por um momento.
– Porque minha universidade no Brasil mantém um convênio com a universidade daqui e eu queria muito uma experiência na Europa. – sorriu – Londres era minha primeira e mais clichê opção, mas a Espanha tem sido incrível.
mostrou uma foto dela em frente ao Big Ben.
– Mas você já foi lá.
olhou a foto e sentiu uma saudade enorme daquela cidade.
– Digamos que eu seja muito boa em economizar a grana da bolsa que recebo. – riu e pegou o celular para lhe mostrar uma foto em especial – Fui até lá atrás da minha banda favorita.
olhou a foto em que ela estava entre os integrantes do McFly e com um sorriso enorme.
– Você mencionou no bar ser fã deles. Os caras são inspiradores, você tem bom gosto.
ficou encantada com o fato dele lembrar algo que ela mencionara na primeira conversa deles.
– Você se surpreenderia. – riu.
¬– Isso deve ser ótimo... – ele voltou ao assunto anterior – Estudar num país diferente. Foi sua primeira experiência internacional?
riu da forma como ele começou a frase.
– Você fala como se não viajasse o mundo fazendo shows. Mas bem, sim, essa foi a primeira vez tão longe.
a encarou novamente, seu rosto estava sereno, como se de repente tivesse ficado sóbria.
– Foi difícil se acostumar?
– Cara! – riu – Eu tive de me acostumar com um monte de coisas: temperatura, umidade, localizações e claro, a língua. Eu achava que era fluente em espanhol, mas cheguei aqui e ouvi toda essa gente falando tão rápido que eu tive de sair falando toda hora uma das primeiras frases que aprendi: ¿puedes hablar más despacio? Fora o catalão, nossa!
riu e continuou a observá-la. A forma como falava, o tempo todo mudando a expressão, às vezes rindo e sempre gesticulando. Ela parecia não se importar muito com qualquer outra coisa que não fosse a conversa que estavam tendo. A espontaneidade dela era algo que às vezes sentia falta nas pessoas com quem precisava lidar na correria da carreira e ele estava encantado com isso. Tanto que involuntariamente foi se arrastando para mais perto dela no sofá, sentindo uma vontade meio absurda de vê-la sorrir mais de perto.
–... mas eu fui dando o meu jeito. – parou, percebendo que parecia meio perdido em seu falatório – Desculpa, você não pediu tantos detalhes.
Brincou e riu, meio envergonhada. saiu de seu transe.
– Não, eu só...
– Relaxa, . – interrompeu-o – Eu que tô aqui falando demais e quase esquecendo que estou na presença de da 5SOS. – fez voz de radialista no final da frase, arrancando risadas dele.
– Isso é ótimo, sabia? – então ele a olhou daquele jeito que a fez sentir frio na barriga novamente – Gosto de você ser assim.
O frio na barriga se intensificou e olhar diretamente nos olhos dele já não parecia uma boa ideia. Eles pareciam verdadeiros demais, demais para sua própria sanidade e faziam com que a frase que ele dissera há pouco criasse outra conotação, parecendo lhe dizer algo além do banal, do amigável, mas como truques também são belos, ela preferiu não se deixar levar, então sorriu e falou qualquer bobagem que lhe veio à cabeça.
– E Atena? – olhou ao redor, querendo fugir dos olhos dele.
deu uma risadinha, percebendo como ela ficara um pouco abalada, mas admirando como ela achava que escondia isso.
– Já foi. – voltou a mexer no celular dela – Não antes de me dar um fora.
voltou a encará-lo sem conseguir esconder o choque.
– Fala sério.
riu.
– Toda fã tem seu preferido e o dela é o .
Deu de ombros, parecendo conformado.
– Mas e daí? – ainda parecia meio chocada – Ter um preferido em uma banda que você é fã não significa que se outro membro gato der em cima de você, você irá recusar.
gargalhou, mas ela continuava séria.
– Isso quer dizer que você pegaria todos os caras do McFly?
– Escolha uma época em que todos estão maravilhosos e eu te digo sim sem nem parar pra pensar.
E ele riu mais ainda, mas dessa vez ela o acompanhou. Ainda riram por um tempo até ele olhar para ela de lado, com a cabeça encostada no sofá.
– Você é uma figura.
Dessa vez os olhos dele só pareciam risonhos e um pouco sonolentos, talvez. sorriu para ele.
– Você pode repetir isso falando meu nome completo pra eu gravar e colocar na internet, por favor?
balançou a cabeça e eles riram juntos novamente. Então foi a vez de encostar a cabeça no sofá, o rosto virado para ele.
– Obrigada por me convidar pra estar aqui. Vocês foram muito legais. – sorriu, fazendo-o sorrir também – Prometo que pago uma rodada da melhor cerveja brasileira pra vocês quando forem por lá.
entregou o celular dela, a tela iluminada com o contato dele gravado na memória. Ela riu, meio sem acreditar naquilo.
– A gente combina isso. Porque eu com certeza vou querer estar na sua companhia de novo.

Day 268

desembarcava em Los Angeles pela segunda vez em três meses. Arrastava as rodinhas da mala pelo saguão do LAX com menos pressa dessa vez, pacientemente procurando por Isaac entre as pessoas.
e os outros meninos estavam em estúdio para a gravação do novo álbum. A pós-formatura e seu novo cargo como desocupada enquanto esperava o resultado da prova e da entrevista para o mestrado permitiram que a viagem fosse feita, em condições mais calmas que a de três meses atrás, em meio a borbulhante temporada de premiações americanas.
Avistou o conhecido segurança dos rapazes e acenou de longe, virando o corpo em sua direção e cumprimentando-o com um toque de mãos assim que chegou perto o suficiente. A caminho do carro foi avisada que todos estavam em uma rádio local e que iriam para o estúdio depois. Provavelmente só os veria à tarde.
Obviamente, estava morrendo de saudades, louca para poder abraçar e beijá-lo repetidas vezes. Mas esse é um sentimento constante no relacionamento deles. Havia algum tempo que a brasileira também carregava em seu peito certa inquietação angustiante. E ela não sabia se aquilo sumiria junto com a saudade assim que a tomasse em seus braços. Aqueles outros sentimentos eram parte de algo maior, algo que ia além do controle dos dois.
Depois de muitas indagações de fãs, matérias especulativas risíveis, acordos e testes de resistência entre eles mesmos, e eram um casal diante do mundo. E diante do mundo mesmo, não apenas de seu mundo. Segurar a mão de e tê-lo como namorado implicava para a brasileira dividir com ele a notoriedade e abrir mão do anonimato total intrínseco às pessoas comuns. não achava que conseguiria segurar a barra e ela disse isso a ele várias vezes, até, por fim, decidirem tentar, e era o que estavam fazendo, tentando seguir com aquele relacionamento nas condições mais adversas possíveis.
sabia como essas coisas funcionavam, afinal, ela esteve do outro lado durante todo o tempo até ali. Tudo o que ela já havia lido e ouvido sobre namoradas, noivas e esposas dos caras de quem era fã se repetiam, mas com seu nome envolvido. Para algumas ela era a beard contratada para que o músico famoso permanecesse com a imagem de homem perfeito ao lado da namoradinha comum, porque, fala sério, eles não poderiam ser um casal real, ele nem sequer sorri quando são fotografados juntos! Para outras ela era a groupie aproveitadora – até se permitia rir dessas –, usando o dinheiro e fama do garoto para viajar por aí. Umas simplesmente não conseguiam entender como estava com uma garota dessas, ela nem poderia ser considerada universalmente bonita, com certeza estava acima do peso e tinha um nariz grande demais; ou estava ficando cego, ou o boquete era mesmo bom.
nunca tivera a ambição de agradar a todos, em qualquer setor de sua vida, mas uma semana depois daquela bendita foto que postou no Instagram ela começou a passar mais tempo em frente ao espelho, domando possíveis fios rebeldes, escolhendo roupas para esconder aquela saliência da barriga na região do umbigo e até cogitou começar uma academia. Era irracional, uma tentativa qualquer para que a enxurrada de xingamentos cessasse. Era meio angustiante a sensação de estar diante de um tribunal juvenil, mesmo que ela tivesse os melhores dos advogados ao seu lado, mesmo que dissesse que aquilo era coisa do início, que uma hora iria passar.
De qualquer forma, tudo o que ela queria era que o namorado chegasse e ela pudesse fingir que não existia nada daquilo que tanto a incomodara nos últimos meses. Nos braços de ela talvez pudesse esquecer o mundo lá fora.
Foi com esse pensamento que adentrou o quarto do rapaz, encontrando-o completamente arrumado, o que era uma raridade. O serviço de quarto havia passado por ali depois que ele saíra, obviamente.
Deixou as malas ao lado da cama e sentou por ali, aspirando o ar como se buscasse qualquer vestígio do cheiro dele. Era tão bom quando a sensação de estar perto de não era apenas uma sensação, mas uma certeza. Naquela noite eles dormiriam e acordariam debaixo do mesmo céu. Nada mais poderia aquecer tanto o seu coração.
Depois de tomar um banho e colocar uma roupa limpa, desceu até a área aberta do hotel para esperá-los. A saudade de era gigante, mas estava morrendo de vontade de esmagar os outros três em grandes abraços de urso.
Estava começando a escurecer quando vozes escandalosas foram ouvidas, junto com risadas gostosas e infantis. levantou da espreguiçadeira à beira da piscina e sorriu na direção deles. foi o primeiro a enxergá-la.
! – ele gritou, arrastando a vogal.
Todos sorriram e quase correram na direção dela, que gargalhou ao ser envolvida em um abraço grupal.
, minha brasileirinha!
– A gente sentiu muito, muito, a sua falta!
– Tá uma gata, como sempre!
foi o único a ficar calado, esperando pacientemente seus amigos cumprimentarem-na. Enquanto isso deixava seus olhos matarem a saudade de cada pedacinho daquela figura que ele tanto amava observar.
Quando os outros finalmente deixaram o caminho livre, virou para ele, sorrindo aliviada. Era isso então, era dele que precisava para soltar o fôlego preso.
Em um passo, a tomou em um abraço saudoso, enterrando seu rosto na curva do pescoço dela e aspirando a gostosa mistura de perfume e loção hidratante.
– Jesus! Como eu senti sua falta!
A garota afrouxou o abraço e tomou o rosto dele em mãos, arrumando seu topete para o lado.
Muitas saudades! – falou em português, fazendo o namorado sorrir todo bobo e os outros amigos fazerem sons provocativos com a boca.
Ela riu e inclinou-se para lhe beijar. roçou suas bocas com calma e então a beijou como queria, fazendo todo o seu corpo responder ao alívio que era tê-la por perto. se apertou contra ele, querendo esmagar a saudade bem ali, até que ela sumisse.
– Está bom, pessoal! Guardem esse amor pra depois do jantar, no quarto e na cama de vocês, ok? Não quero ficar traumatizado! – falou, fingindo uma careta de nojo.
Os dois partiram o beijo, rindo, mas continuaram abraçados.
– A gente também precisa matar as saudades, ! – tomou seu braço livre e entrelaçou ao seu – Alguma novidade sobre aquela coisa da universidade?
Perguntou, referindo-se às provas e entrevistas para o mestrado dela, enquanto andavam para se sentarem ainda à beira da piscina. Ela estava tentando conseguir uma vaga para voltar a Barcelona e fazer o mestrado por lá. sentou entre as pernas de em uma espreguiçadeira e ao lado deles, de frente para os outros dois.
– Ainda estou esperando o resultado da seleção. – deu de ombros – Mas e vocês, dia produtivo? Alguma coisa já que possam me mostrar?
Ela bateu palminhas, animada, fazendo apertá-la em um abraço.
– Temos uma melodia nova.
– E eu disse a eles que você vai pirar. – completou a fala de .
– E cadê isso?! – remexeu-se no lugar – Já quero ouvir!
– Não temos nada aqui. – fez careta – Amanhã a gente te mostra! – sorriu para ela, que assentiu.
– Vamos falar do jantar? – mudou de assunto – Vamos comer aqui ou vamos sair?
– Eu tô mesmo morrendo de fome... – resmungou.
– O que você acha, amor? – deixou um beijinho em sua bochecha após perguntar.
– Podemos ficar aqui mesmo? Amanhã a gente pensa em algo mais elaborado. – sorriu.
– Fechou então! – levantou – Eu vou tomar um banho e encontro vocês no restaurante.
– Vamos fazer o mesmo. Não atrase a , ! – brincou, beijando-a no rosto antes de seguir pela porta.

Depois do jantar e cerca de duas horas jogando conversa fora e rindo das brincadeiras idiotas que eles faziam entre si, observava a noite iluminada em Los Angeles pela varanda do quarto do hotel, enquanto esperava sair do banho. O celular dele, que estava nas mãos dela, piscava o tempo todo devido um tweet que ele postara sobre as gravações que estavam fazendo. Fãs estavam empolgados e ela se sentia feliz por todo o amor que eles recebiam, mesmo que muitas daquelas pessoas também enviassem ódio diário a ela.
Tentou tirar aquilo da cabeça e se concentrou no aroma maravilhoso que tomou conta do cômodo assim que entrou. Virou-se e encontrou a cena adorável do namorado secando os cabelos com a toalha enquanto sorria para ela. Sorriu de volta e fechou os olhos quando os lábios dele tocaram os seus por alguns segundos.
– As fãs estão pirando. – comentou, ainda sorrindo, enquanto balançava o celular para ele.
riu, tomando o aparelho nas mãos e silenciando o aplicativo, decidindo depois desligar de uma vez o celular. Não queria ser incomodado por ninguém.
– Vamos deixar isso pra lá por enquanto.
Jogou o aparelho no criado mudo e largou a toalha pequena em qualquer canto, logo voltando para perto de . E era justamente aquilo que ela desejava, que eles deixassem todo resto pra lá por algumas horas, que fossem só e , se amando.
Ela sorriu quando sentiu a pontinha do nariz dele deslizar por sua bochecha e envolveu a cintura dele com os braços, trazendo-o para mais perto. distribuía beijinhos por todo o rosto dela, sentindo uma alegria ímpar por tê-la por perto novamente. Era insano como o pouco tempo que tinham juntos fora capaz de criar essa dependência. Mas era dessa forma que vivia, numa intensidade insana, e era ali, com ela subindo as mãos por suas costas nuas, que ele encontrava seu refúgio para toda a loucura que existia do lado de fora.
Quando ele a beijou, foi como se uma névoa baixasse sobre sua mente, como se os pensamentos que a angustiavam já não fossem tão importantes, não quando a tocava com tanto carinho, segurando sua nuca e cintura enquanto suas bocas estavam unidas.
Automaticamente, seus pés começaram a se mover até as costas de baterem contra a parede ao lado da porta ainda aberta da varanda. deslizou as unhas pelos braços dele, parando em seus ombros e apertando-os de leve, enquanto voltava a beijar seu pescoço, sugando sua pele com vontade e fazendo-a suspirar alto.
– Eu senti tanto a sua falta. – confessou, a voz falhando enquanto o pressionava ainda mais na parede – Tanto, . Tanto.
Estimulada pela saudade e pelo desejo, seu quadril se insinuava para ele, fazendo-o gemer e apoiar a cabeça na parede. No mesmo instante começou a distribuir beijos pelo peitoral do namorado, deslizando suas mãos por toda a parte de suas costas e braços. Em pequenos intervalos entre um beijo e outro, ela sussurrava suas palavras de amor, estimulando-o ao dizer como queria senti-lo. No momento em que adentrou sua camiseta com as mãos e a retirou, o beijou rapidamente antes de se virar em direção a porta da varanda para fechá-la. a abraçou, segurando-a pela cintura, enquanto ela deslizava a porta de correr e passava o trinco.
– Vamos deixar tudo isso pra lá. – ele sussurrou, os dois caminhando abraçados em direção à cama – Somos só eu e você de novo e não precisamos de mais nada.
assentiu e parou em frente a ele para desabotoar seu short, ajoelhando-se na cama logo depois, ficando de frente e na altura dele, mas antes de pudesse tocá-la, ela voltou a falar.
– Apague as luzes.
E ele o fez, voltando para ela rapidamente, abraçando-a e a sentindo sorrir sobre seus lábios. Suas mãos estimulavam seus corpos nos pontos mais sensíveis, descobrindo novas formas de dar prazer um ao outro e concentrando-se apenas nisso, nos sons que escapavam por entre seus lábios, na forma como suas costas se arqueavam e os dedos dos pés se comprimiam. se deleitava na forma como o quadril dela se movia para ampliar o contato com os dedos dele, em como prendia o lábio inferior entre os dentes e como quase urrava pelo prazer de senti-lo lhe tocar do jeito certo.
No final das contas, o mundo lá fora não era um obstáculo impossível de lidar quando as luzes estavam apagadas e seus corpos unidos. só precisava da certeza de que ele a queria tanto quanto ela o queria e só precisava saber se ela ainda queria tentar ir em frente com ele ao seu lado.
Quando seus corpos descansaram no colchão macio e eles sorriram um para o outro, não havia um por que para quebrar o silêncio, pois as respostas de que precisavam estavam mais do que claras. Só precisavam aproveitar o momento em que dormiriam e acordariam sob o mesmo céu. Sem despedidas por enquanto.

Day 134

– Eu acabei de enviar tudo ao meu orientador e é como se todo o peso estivesse escorregado das minhas costas, mas ainda estivesse descendo a ladeira, pronto para me atingir de novo! – estava em casa, conversando com por vídeo conferência.
Sua imagem cansada deixava claro o quanto estava no limite, exausta com toda a pressão que envolvia seu trabalho com a monografia. Estava sentada de frente para a tela do notebook, vestindo uma camiseta enorme do Snoopy e com os cabelos presos de qualquer jeito. a escutava falar sobre seu dia e suas preocupações, atento a tudo, mas querendo estar perto para poder abraçá-la e niná-la para uma boa noite de sono, pois era o que ela merecia.
– E se tudo estiver uma droga? Se eu tiver que reescrever aquela conclusão de novo eu vou chorar, juro!
– Ei, , calma. – sorriu, arrumando o travesseiro sobre o colo – Vai dar tudo certo, princesa. Você sabe que é capaz de qualquer coisa e se tiver de reescrever o que quer que seja, você vai fazer e da melhor forma possível! – piscou – Confio em você!
piscou algumas vezes, emocionada com o tanto que era carinhoso. Ou talvez só porque tudo estava tão à flor da pele que mal podia se controlar.
– Você é lindo! – ela sorriu – Desculpa por despejar todas as minhas neuras em você, mas eu ando tão estressada!
– Não tem problema algum. – o rostinho adorável dele na tela fez a garota suspirar – Quero que você saiba que pode dividir qualquer coisa comigo. Falo sério quando digo que quero estar com você, . Em todos os sentidos. Mesmo que parecendo tão perto, estejamos tão longe.
Mais um suspiro. continuava a deixar claro que queria levar aquele relacionamento adiante, mas ela ainda sentia certa insegurança.
– Você faz tudo parecer tão fácil. – riu fraco – Mas isso, – apontou para os dois –, isso é algo fora da minha realidade. Você está no palco e eu tô na pista comum porque a grana não deu para a premium. – riu um pouco mais e o garoto apenas negou com a cabeça.
– Há alguns meses você estava no backstage e me deu o melhor beijo de boa sorte do mundo. Isso não foi real? – ela iria contra-argumentar, mas continuou – Por favor, , aceite que estou apaixonado por você.
Um arrepio percorreu a coluna da brasileira e ela demorou um pouco para reagir. Piscou mais algumas vezes até sorrir para ele, verdadeiramente emocionada. Por que ela precisava negar o que estava acontecendo? Não, não precisava.
– É engraçado, porque também estou apaixonada por você.
O sorriso enorme de preencheu a tela e riu, deixando uma lágrima escapar, mas logo tratou de enxugá-la.
– E o que a gente faz agora? – perguntou, ainda sorrindo.
– A gente dá um jeito de se encontrar o mais rápido possível.
Antes que pudesse continuar, duas batidinhas na porta foram ouvidas e logo depois viu sua avó colocar a cabeça para dentro.
– Não vai jantar?
sorriu para ela, que estava passando uns dias em sua casa, e olhou para tela, vendo o olhar curioso de .
– Claro, vó! Eu só estava conversando com o . Falei dele para a senhora, lembra? – ela olhou novamente para a tela e o garoto apurou ainda mais sua atenção ao ouvir seu nome naquela conversa em português.
A senhora idosa caminhou até estar ao lado da neta e segurar carinhosamente seus ombros, abaixando um pouco e apertando seus olhos para enxergar bem o garoto.
, essa é minha avó. – sorriu para o garoto, que arrumou a postura e sorriu, acenando.
A senhora sorriu e pareceu analisá-lo bem antes de falar.
– Então é esse o garoto que tem feito minha netinha suspirar? – riu e voltou com o olhar curioso – Não demore aí, ficou o dia todo sem comer! – dirigiu-se à neta, que assentiu e viu a avó sair do quarto depois de acenar para .
– O que ela disse? O que você disse para ela? – ele perguntou, curioso.
– Ela veio me chamar para jantar e eu disse que estava conversando com você.
– Só isso? – ele arqueou uma sobrancelha. riu, meio sem jeito.
– Também perguntou se era você quem estava fazendo a neta dela suspirar.
– E sou eu? – sorriu.
– Talvez, , talvez.

– O que a senhora achou dele, vó?
não se conteve a perguntar enquanto estavam ali na sala, jogando conversa fora. Era sempre ótimo conversar com ela sobre qualquer coisa. A senhora olhou para a neta e riu.
– Tem cara de menino travesso, ou seja, combina com você. – deu uma risadinha e a mais nova gargalhou – Ele é lindo, minha querida. Parece esses rapazes de televisão.
suspirou.
– Ele é um desses rapazes de televisão, vó. E isso é tão espantoso às vezes.
A mais velha virou para a garota e abriu os braços, oferecendo seu colo quentinho, que aceitou de bom grado.
– Espantoso por quê? – perguntou, passando as mãos pelo cabelo dela.
– Eu sou tão comum, vó. E ele é tão lindo, talentoso, tem tantas pessoas que o admiram espalhadas por aí. E eu, vó?
A avó abanou uma das mãos e soltou um resmungo, como se tudo aquilo fosse uma enorme bobagem.
– Não diga besteira, ! Você não é assim! – ralhou – Minha neta nunca se colocaria abaixo de pessoa alguma, muito menos homem! Você é linda à sua maneira, meu amor. É talentosa à sua maneira. É tão inteligente! – a avó sorriu – Você será boa o suficiente para qualquer rapaz que for bom o suficiente para você. Esse garoto é quem precisa se preocupar em merecer você, e ele precisa ser muito bom para isso.
mal percebeu que já chorava naquele colo que a acalentou tantas outras vezes.
– Você merece o melhor, minha querida. E você sabe disso. Sempre tão sonhadora, arquitetando planos tão altos, sendo corajosa para torná-los realidade e não dando ouvidos para qualquer pessoa que dissesse que você não conseguiria. Porque achar que o afeto desse rapaz é demais para você? Você não gosta dele?
respirou fundo.
– Demais, vó. De um jeito tão bom e doído! Ele me deixa tão bem! Me sinto uma adolescente apaixonada.
A mais velha gargalhou.
– Então pronto! Deixe-o mostrar se pode amar você como você merece. Porque se ele puder, vou ficar muito feliz em recebê-lo na família.

Day 168

Era a primeira vez da brasileira em solo norte-americano. Los Angeles estava ainda mais borbulhante naquela época, em que grandes premiações reuniam artistas famosos de todo o mundo. Na mala pequena, levava mais do que a bagagem para três dias, mas uma expectativa que pesava mais do que qualquer outra coisa. Estava ali para encontrar com pela primeira vez desde que deixara Barcelona, há quatro meses.
Ainda parecia um tanto insano o que vinha acontecendo desde o dia em que se conheceram naquele hotel, com todos os esforços que vinham fazendo para manterem o contato. O fato de ela estar ali, no banco de trás de um carro particular, sendo levada ao hotel da banda no meio do seu último e mais importante semestre da faculdade era um belo exemplo de esforço. Queria estar perto dele de novo, viver de verdade o que quer que estivessem começando, porque ela sentia que aquilo era o começo de algo inédito em sua vida.
, por outro lado, não deixava os amigos em paz com o falatório sobre . Ele ainda não sabia por que diabos aquela garota estava vindo encontrá-lo – apesar de ter sido uma ideia dele –, porque às vezes só conseguia pensar em como ela era demais para ele; inteligente demais, bonita demais, madura demais. Ela deveria estar com um cara de sua idade, ou mais velho, que ouvisse sobre as coisas que ela estudava e entendesse de fato e não apenas concordasse com a cabeça, como ele fazia. Para sua sorte, os outros garotos tratavam de tirar aquelas ideias de sua cabeça com sermões e tapas. Se ele quisesse, ele seria o melhor para . E ele queria. E como queria.
Quando ela finalmente chegou, quase esqueceram que precisavam seriamente conversar. Os beijos vinham um após o outro, com risadinhas alegres entre eles e os abraços apertados eram a melhor maneira de sentir o cheiro um do outro novamente. De repente três dias parecia pouco demais.
, a gente precisa... – tentou começar, sentindo-o deixar sua boca em direção a seu pescoço. Era difícil manter o raciocínio com ele a tocando daquela maneira tão gostosa.
– Eu sei. – ele finalmente respondeu, suspirando e arrastando seus lábios para lhe dar um selinho e se recostar à cama do quarto onde ela ficaria – Mas acho que não precisamos demorar demais com essa conversa.
Sua carinha esperta fez rir enquanto arrumava o cabelo que ele bagunçara. Virou para sua frente e arrumou o topete dele também.
– Ah, é? – perguntou risonha, vendo-o fechar os olhos brevemente – Pois eu acho que a gente tem bastante coisa pra tratar. – largou as mãos sobre o colo, mas ele logo as agarrou entre as suas, entrelaçando-as.
– Eu sei o que eu quero, . Já deixei isso claro pra você.
Era absurdo como ele ficava lindo quando sua expressão se tornava mais séria e concentrada. quase perdera o raciocínio diante de seus olhos .
– Eu também quero você, . Mas isso é o suficiente para nós?
O garoto suspirou, vasculhando na mente tudo que havia pensado em dizer a ela. Sabia que ela precisava de segurança, sabia que precisava confiar nele para então seguir com aquilo. E ele mostraria a ela que faria os dois darem certo.
– Eu sei que estou por aí o tempo todo, voando de lá pra cá e que nem sempre poderemos estar juntos como a maioria dos casais, mas eu quero fazer isso dar certo. Eu vou até você nas folgas, feriados e qualquer porra dessas. Você pode vir me ver também, depois da formatura, não sei. Mas podemos dar um jeito! Da minha parte, , eu dou cem por cento de esforço, como estivemos fazendo até agora. Você só precisa me dizer que quer.
– E como fica sua carreira, sua imagem? E as fãs? , as pessoas lá fora podem ser cruéis. – ela detestava ter que dizer aquilo a ele, mas também era sua vida em jogo – Vão inventar um milhão de coisas sobre mim, vão até o inferno para descobrir qualquer coisa que possa virar polêmica ou piada. Eu vou estar no meio do furação! Como eu sei se vou aguentar?
– Você não sabe, assim como eu! Só saberemos se tentarmos! – a voz dele ainda era calma, apesar de totalmente decidida – , eu não posso parar as fofocas que virão, nem os ciúmes de fãs, mas posso dar minha palavra que estarei ao seu lado, que vou segurar a sua mão e que vou te defender se você precisar da minha defesa. Eu vou precisar que você confie em mim, , assim como vou confiar em você independente do que disserem.
Ela suspirou, absorvendo tudo o que ele dissera, analisando internamente os prós e contras pela milésima vez. esperava ansioso pela resposta dela, sentia o coração acelerar com a tensão.
– Você precisa prometer que vai ser totalmente honesto comigo, . Sobre tudo. Esse é o único caminho para isso funcionar. Se outra pessoa aparecer, se o interesse acabar, se essa coisa de distância der no saco, você precisa me dizer. Nada de sinais, de indiretas, isso não funciona comigo. Isso tem que ser uma via de mão dupla e tem que fluir dos dois lados, . Eu não vou segurar barra nenhuma sozinha.
Apesar da expressão séria dela, sorriu e assentiu.
– Isso quer dizer que você aceita? – perguntou, inclinando-se para perto dela.
– Isso quer dizer que sim, vamos tentar. – riu quando um sorrisão tomou conta do rosto do garoto, passou seus braços pelo pescoço dele e arrastou-se para seu colo. Beijaram-se calmamente, não podendo conter os sorrisos enquanto se tocavam, até separar suas bocas.
– E agora que já estamos conversados – ele começou, os rostos ainda pertinho, enquanto passava o polegar pela bochecha dela –, o que acha de sair com seu namorado e aproveitar o sol de LA?
se afastou um pouco para encará-lo melhor. Era a primeira vez que ele tratava os dois como um casal de namorados e ela já sentia como se pudesse se acostumar com aquilo. Mas a outra parte de sua fala também chamou sua atenção.
– Sair? Mas já, ?
– Na verdade é uma festa. Piscina, bebidas, inventando drink games ridículos etc. – ele juntou seus lábios rapidamente antes de continuar – Então, vamos? Os meninos já estão lá.
mordeu o lábio inferior enquanto pensava sobre. Esperava que fosse demorar um pouquinho mais até ter que estar com na frente do mundo. Queria ter um pouco mais de tempo para se preparar.
, eu não sei. Acabamos de conversar sobre todas essas coisas e você já quer que eu enfrente tudo?
– Vamos lá, . É só uma festa entre amigos, eu vou estar com você o tempo todo e os meninos também. – ela ainda parecia ponderar – Vai ser tão ruim assim segurar a minha mão na rua? Eu juro que me comporto!
Quando ela riu e se aproximou novamente, ele soube que havia dissipado a tensão.
– Está bem, . Festa de quem? Quem mais vai estar lá?
– Bom, eu não sei sobre todo mundo que vai estar lá, mas é uma festa dos caras do All Time Low e eles chamaram a gente. – ajeitou a coluna – Você conhece a banda, não é? – o olhar espertinho dele logo sumiu com o tapa que ela deu em seu braço esquerdo.
– Claro que eu conheço, seu ridículo! Puta que pariu! – ela o largou e se ajoelhou na cama, olhando ao redor a procura da mala – Preciso me trocar! Puta merda, , porque você não disse logo?
Ele gargalhou, ainda sentado na cama e vendo-a abrir a mala no canto do quarto.
– Nosso primeiro dia como namorados e você está animadinha pra ver outros caras. – fingiu resmungar, mas não conseguiu segurar o riso – Sinto que já sobrei nessa.
o olhou e apontou a escova de cabelo na direção dele.
– Você quem escolheu namorar a fangirl.

desviou sua atenção da conversa para olhá-la mais uma vez. Estava com os pés dentro da piscina, balançando-os, enquanto conversava com Rian do All Time Low e a namorada, que estavam dentro d’água. Ela parecia estar contando alguma história, porque gesticulava e mudava a expressão o tempo todo. O casal prestava atenção e vez ou outra comentava algo, principalmente o cara, que parecia achar tudo muito engraçado. sorria e às vezes gargalhava, entre um gole e outro de sua bebida.
– Relaxa que ela já está mais do que enturmada. – falou, tocando seu ombro – E parece bem feliz. – sorriu para o amigo, que tomou um gole da cerveja antes de virar em sua direção.
– Só não quero que ela fique desconfortável com nada.
, se algo a incomodar você vai ser o primeiro a saber. – riu – não é do tipo que fica calada para o que quer que seja. – riu também, desviando o olhar na direção dela.
– Você está certo, por incrível que pareça. – brincou, recebendo um soco de leve no ombro – É só que – tomou mais um gole da bebida – finalmente estamos juntos! Não posso deixar nada dar errado.
– Desencana, cara. – tocou seu ombro novamente – É só você não fazer nenhuma merda que vai dar certo.
Naquele instante, olhou em sua direção e sorriu. Pareceu se despedir do casal com quem conversava antes de levantar e caminhar até o namorado. Sorriu para e então sentou no colo de , beijando seus lábios rapidamente. Ele ficava tão maravilhoso com aqueles óculos escuros e o boné com a aba para trás. Sentia-se uma adolescente apaixonadinha que não conseguia parar de encará-lo.
, aí está você! – um dos anfitriões, Jack, a chamou e ela percebeu que ele carregava dois violões e entregou um deles ao companheiro de banda, Alex – Escolha uma música, qualquer uma, e vamos tocar especialmente pra você!
A garota não escondeu o riso abismado e olhou rapidamente para , que sorriu a incentivando. Buscou na mente qualquer música e falou, ainda sorridente:
Backseat Serenade? – os rapazes riram e assentiram, fazendo-a bater palminhas e se remexer animada no colo de .

Lazy lover, find a place for me again
You felt it once before
I know you did, I could see it


Eles começaram a cantar e tocar e a brasileira desejou ter seu celular em mãos para gravar aquilo e mostrar para as amigas, algumas certamente iriam pirar. Só nos seus sonhos ela viveria um momento assim e se sentiu mais feliz ainda quando a abraçou pela cintura, deixando um beijo em seu ombro descoberto.

Whiskey princess
Drink me under, pull me in
You had me at come over boy
I need a friend
I understand


Ele cantava baixinho ao seu lado, o queixo apoiado em seus ombros e a ponta dos dedos se movendo no ritmo da melodia sobre uma de suas coxas. também cantava junto, mas também sentia vontade de soltar gritinhos animados, mas não queria estragar a apresentação, queria guardar cada pedacinho daquele momento, daquele dia, das companhias e das sensações.

Backseat serenade
Dizzy hurricane
Oh god, I'm sick of sleeping alone
You're salty like a summer day
Kiss the sweat away
To your radio
Backseat serenade
Little hand grenade
Oh god, I'm sick of sleeping alone
You're salty like a summer day
Kiss the pain away
To your radio


O som da porta fechando foi alto, mas pouco se importou quando voltou a beijá-lo com urgência, arranhando seus braços e ombros. Ele a pressionou contra a mesma porta e abaixou-se para começar a puxar sua camiseta para cima, deixando beijinhos molhados em sua barriga. levantou os braços e largou a peça no chão, deixando seu busto coberto apenas pela parte de cima do biquíni. Com um impulso, a tomou nos braços, sentindo-a apertar as pernas ao redor de sua cintura e movimentar seu quadril no dele. Cambaleou para trás até retomar a firmeza nas pernas e seguir com ela até o quarto, que não parava beijar e morder seu pescoço.
Fecharam a porta do quarto e saltou para o chão, vendo-o tirar o boné e a própria camiseta. Ela sorriu e chegou perto novamente, passando suas mãos pelo peitoral descoberto enquanto apenas a observava. se abaixou e pegou o boné novamente, colocando-o no namorado, não antes de arrumar o cabelo dele. Observou-o assim, as bochechas rosadas pelo contato com o sol, o boné com a aba para trás e os olhos cintilando desejo. Mordeu o próprio lábio.
– Não tire o boné. – ela ordenou, segurando-o fortemente pela nuca e manteve o olhar no dele no momento que pressionou seus quadris, sorrindo de lado.
Ela os afastou minimamente apenas para desabotoar a bermuda que ele usava, empurrando-a para o chão. jogou a cabeça para trás em meio a um gemido quando ela o tocou por cima da cueca. Beijou-a logo depois, levantando sua saia enquanto dedilhava suas coxas e a sentia se arrepiar. Palavras de estímulo saiam de sua boca enquanto ele beijava seu colo e empurrava a parte debaixo do biquíni, fazendo-a estremecer. Com a peça também no chão, cambalearam até a cama, onde caiu sentado e com a visão completamente enevoada pelo desejo.
Quando se posicionou entre as pernas dele e os beijos recomeçaram, nada demorou para que tomassem a cama, livrando-se das peças de roupa que ainda restavam em seus corpos, bagunçando os lençóis branquinhos. Buscaram por pontos desconhecidos, encontraram ritmos e naquela noite fizeram amor pela primeira vez.

Day 24

Londres era mesmo um sonho. E estava ali para, quem sabe, ter mais um momento especial ligado àquela cidade. Se meses antes esteve ali para um show de sua banda favorita, agora estava com Marília dentro de um táxi indo até a Arena O2 para seu segundo show da 5SOS em menos de um mês.
e ela mantiveram o contato e quando ele fez o convite, não viu motivos para recusar. Sentia algo surgindo entre eles e rezava para que não fosse obra de sua imaginação fértil demais. Estava com o ventre borbulhando em ansiedade para vê-lo de novo, mas tentava se controlar ao máximo para não ver sua expectativa despencar de tão alto caso nada acontecesse.
Quando chegaram, Mari saltou do carro toda animada, fazendo a amiga rir. Mandou uma mensagem para e logo um segurança apareceu para levá-las para dentro, dando para cada uma um crachá personalizado que lhes permitia permanência no backstage.
– Droga, . – Mari começou, olhando ao redor antes de pegarem um corredor – Acho que não tenho outra amiga fã da banda pra me gabar sobre o dia de hoje. – falou, fazendo a outra gargalhar – Mas vou querer fotos com todos mesmo assim! Ou quem sabe eu consigo uma coisinha deles pra vender no eBay...
– Vão nos expulsar daqui desse jeito! – riu mais ainda.
Chegaram a um espaço amplo, cheio de caixas pretas de todos os tamanhos e logo viram alguém passar bem rápido em uma bicicleta.
! – gritou e deu a volta, pedalando sem sentar no banco – Que bom ver você de novo! – ele freou em frente a elas, sorrindo daquele seu jeitinho lindo.
– Bom ver você de novo também! – sorriu e o cumprimentou com beijinhos e um abraço – Essa é minha amiga Marília. Mari, esse é o . – apresentou os dois, que se cumprimentaram com beijinhos também.
– Vem comigo! está lá dentro!
Só a menção do nome já a deixou nervosa. Respirou fundo antes de voltar a caminhar. Quando ele voltou a pedalar, Mari puxou seu braço e falou ainda com o olhar no garoto:
– Acho que vou virar fã também, hein. Que gato! – comentou baixo, fazendo a amiga rir – Vou prestar mais atenção quando você falar dessas bandas, juro!
riu e viu descer da bike, chamando-as para um corredor à esquerda. As garotas o seguiram e ele parou em frente a uma porta, gritando antes de abrir:
– Não tem ninguém pelado, né? Garotas no recinto!
– Precisa se preocupar com isso não! A gente já é de casa! – Mari soltou, fazendo e rirem.
– Gostei de você! – ele apontou para ela, girando a maçaneta logo depois.
Havia mais pessoas que os outros três integrantes lá dentro, uma delas era a hair stylist que arrumava e um homem alto e tatuado que falava algo para . varreu o lugar a procura de e não demorou a encontrá-lo, passando por entre as pessoas e sorrindo para ela. Sentiu um friozinho gostoso na barriga e sorriu de volta.
Cumprimentaram-se e entraram na sala onde todos estavam. Marília foi apresentada aos outros e logo todos estavam imersos em uma conversa animada, onde os outros três zoavam , contando para o que ele falava sobre ela e como ele estava ansioso para vê-la de novo, deixando a brasileira um tanto envergonhada, mas aquecida por dentro ao saber que lembrava dela.
Com poucos minutos para entrarem no palco, as duas amigas e a namorada de , Joan, deixaram sala para que os quatro pudessem se aquecer e se concentrar. Joan pareceu gente boa e divertida, mas com um humor ácido um tanto intimidador. Além de muito bonita, tinha uma postura altiva que a fazia parecer poderosa, um corte de cabelo curtinho, acima de seus ombros, que parecia combinar perfeitamente com a expressão sempre astuta em seu rosto. Foi ela quem levou as duas para o lugar onde costumava assistir os shows. Não demorou nada para que os rapazes aparecessem por ali, já prontos para entrarem no palco. Joan saltou de uma das caixas que estava sentada e foi até . Marília cutucou logo depois.
– Vai lá, amiga! – sorriu e apontou com a cabeça para – Vai lá pegar seu bofe!
balançou a cabeça e riu, mas foi em direção ao garoto, que dava pulinhos e movia o pescoço. Ambos sorriram quando ela chegou em frente a ele.
– Animada? – ele perguntou.
– Ansiosa para saber como é assistir um show do backstage.
– No que depender de mim, você tem passe livre quando quiser. – piscou e deu uma risadinha.
– Essa é uma proposta muito boa, , espero que não esteja brincando. – ele negou com a cabeça, e ela continuou – Mas vim desejar boa sorte. Você tem uma arena lotada pra entreter.
sorriu e chegou mais perto dela, vendo naquele momento uma chance de começar as coisas.
– Sabia que beijos são ferramentas muito eficazes quando se trata de transmitir sorte?
O sorriso de lado e os olhos tão perto deixaram sem saída, não que ela quisesse escapar daquilo. Riu e se aproximou também.
– Nunca ouvi falar disso, mas acredito em você.
Aproximou seus rostos e encostou seus lábios. Ambos fecharam os olhos instantaneamente e os separou logo depois, sorrindo e vendo fazer o mesmo.
– Bom show, .

Day 60

– Essas são algumas coisinhas que os meninos mandaram pra você. – disse assim que o segurança deixou os pacotes na mesa e se afastou – O de é esse pacote verde e é o único que eu não sei o que é, então, se for alguma sacanagem, me avisa pra eu mandá-lo se ferrar.
riu e balançou a cabeça.
– Se for alguma brincadeira de mau gosto pode deixar que eu mesma envio de volta pra ele. – piscou e deu uma olhada nos pacotes bonitos, curiosa para saber o que eles guardavam – Mas agradeça aos três por mim. – sorriu.
Ainda ia dizer qualquer coisa quando tirou da própria jaqueta um pacote pequeno com o emblema de uma marca famosa.
– Esse é o meu. – ele empurrou a caixinha para ela, sorrindo como se lembrasse de algo engraçado – Eu não sabia o que comprar, mas também não queria que fosse qualquer coisa ou algo perecível. Queria algo que me lembrasse você e, se isso não soar muito pretensioso – ele coçou a nuca –, que fizesse você lembrar de mim.
sorriu, completamente encantada. Um frio gostoso surgiu em seu ventre, fazendo-a se remexer na cadeira, ansiosa. Cada vez mais deixava entrar em sua vida, estava cada vez mais apaixonada por ele e não podia evitar. Pegou a caixinha, ainda sorrindo, e a abriu, revelando um colar prata com um design delicado, mas o melhor era o pingente: um passarinho azul marinho, que parecia estar em pleno vôo, com as asas abertas e o bico empinado para cima. Sentiu seu coração acelerar instantaneamente.
– Lembra quando você me mostrou aquela música? – ele cantarolou todo sem jeito o ritmo do refrão de Passarinhos, do Emicida, que eles haviam escudado juntos em Londres – E aí você me disse que gostava muito porque havia uma identificação pessoal?
Pas-sa-ri-nhos, soltos a voar. Dispostos a achar um ninho, nem que seja no peito um do outro... – ela assentiu e cantou um trecho, sorrindo para ele.
– Então você disse que sempre sonhou em voar o mundo todo, aprendendo coisas, conhecendo gente, mas sem nunca esquecer o caminho de casa. Como os passarinhos.
estava verdadeiramente emocionada. era tão... Surreal.
– E então entrei nessa loja em Amsterdam, quase desistindo de encontrar algo significativo. – ele confessou, mas ela sabia que qualquer coisa que recebesse dele seria muito significativo – E vi esse colar. Soube que era o presente perfeito. Espero que você tenha gostado.
riu, cobrindo a boca com as mãos, completamente maravilhada. Então pegou a pequena jóia e sorriu admirando-a de perto.
– Eu amei! Quer dizer, não apenas pelo colar em si, mas, caramba, eu – ela se embolou nas palavras, fazendo-o rir –, eu amei, de verdade. Muito obrigada, .
Tocou uma mão dele por cima da mesa, que prontamente pegou para depositar um beijo carinhoso. sorriu mais ainda e recolheu a mão para abrir o fecho do colar e virar de costas para ele, que o pegou para colocar nela. Os pêlos de sua nuca se eriçaram ao mínimo toque dos dedos dele. Ciente disso, deslizou o indicador por ali, aproximando-se dela até estarem com os corpos colados. Um beijo demorado foi deixado em um de seus ombros, fazendo a brasileira se encolher.
– Senti sua falta. – ele sussurrou, deslizando a pontinha do nariz pelo pescoço dela.
– E eu senti a sua. – ela confessou, virando para ele, tocando com a ponta dos dedos o passarinho azul.
realmente sentia saudades dele desde Londres. Pensava nele bem mais que o recomendado. Mas aqueles eram seus últimos dias ali. Seria doloroso fingir que aquilo daria certo.
Os dois estavam em Barcelona, no terraço de um restaurante brasileiro, cuja dona conhecia e fizera amizade. Era aniversário dela e Patrícia, a amiga que veio do Brasil para passar aqueles últimos dias ali com ela, e Marília organizaram uma festinha de comemoração e despedida. Músicas brasileiras tocavam ao fundo e as duas amigas de espiavam o casal mais afastado dos outros convidados. Marília havia invadido uma conversa dos dois para convidar o músico, mas não confiava que ele realmente viria até aparecer ali com um segurança e sacolas com presentes.
– Quando você vai? – ele perguntou, segurando as duas mãos dela e mantendo seus corpos bem próximos.
– Em dois dias. – suspirou, dando-lhe um sorriso triste.

LS Jack – Amanhã Não Se Sabe

Como as folhas, como o vento
Até onde vai dar o firmamento
Toda hora enquanto é tempo
Vivo aqui neste momento


– Prometa que não vai me excluir da sua lista de contatos. – ele disse, em tom brincalhão, levando uma mão para fazer um carinho na bochecha dela. sorriu.
– Eu não vou fazer isso, , mas... – ela tentava deixar seu lado racional prevalecer, mas ele não facilitava em nada.
– Não quero que isso acabe aqui, . – seu tom agora era sério, assim como os olhos que a fitavam – Não quero perder essa coisa que a gente construiu nesse pouco tempo, não quero fingir que não estou sentindo nada por você só porque você vai estar longe pra cacete.
– O que você quer dizer?
Ele recuou um pouco, olhando o rosto dela com mais facilidade e tentando encontrar as palavras certas.
Eu tô dizendo que quero você. – ele se aproximou novamente, encostando suas bochechas e falando próximo ao ouvido dela – Tô dizendo o que aconteceu em Londres não ficou só lá. Tô dizendo que penso em você mais do que o normal e que não quero que isso acabe quando você embarcar de volta.

Hoje aqui, amanhã não se sabe
Vivo agora antes que o dia acabe
Neste instante, nunca é tarde
Mal começou e eu já estou com saudade


suspirou e fechou os olhos, sem saber o que falar a princípio. O que era aquilo? Ela não poderia achar que daria certo, não é? Ela voltaria logo para o Brasil, para sua vida normal onde era só o cara famoso daquela banda legal. Eles não eram compatíveis, eram peças opostas. Suas vidas não se cruzavam e o que havia acontecido naqueles dois meses era só acaso, coincidência. Não era?
Não poderia negar, no entanto, o quanto aquele cara mexia com ela, fazendo-a se sentir em um de seus sonhos de adolescente. Os beijos que trocaram em Londres ainda estavam vivos em sua mente e a faziam sorrir todos os dias. Mas apesar disso, o que ela poderia esperar?
– soltou um riso incrédulo, se afastando um pouco –, eu estou indo embora. Você não deveria me dizer essas coisas agora.
– E eu deveria dizer quando? Quando você estivesse longe o suficiente? , eu sei que você acha impossível, mas eu só – ele parou, olhando nos olhos hesitantes dela – não quero tirar você da minha vida.

Me abraça, me aceita
Me aceita assim, meu amor
Me abraça, me beija
Me aceita assim como eu sou
Me deixa ser o que for


Ela não queria ser a chata cheia de indagações inconvenientes, mas era necessário para que seu coração ficasse a salvo, preparado para o que quer que viesse a seguir.
– Você sabe que vamos ficar muito tempo separados e que não existe a mínima previsão de quando estaremos juntos novamente, não é? – ele assentiu, envolvendo a cintura dela com os braços – Eu não quero criar expectativas que podem me machucar, .
Sério, ele teve urgência em responder.
– Essa é a última coisa que eu quero. – ele segurou o queixo dela delicadamente – Estou sendo honesto com você, .
Ela sorriu.
– Então vamos com calma. – ela finalmente o abraçou de volta, colocando seus braços ao redor do pescoço dele – Vamos aproveitar o tempo que temos juntos e agir com cautela.

Como as ondas com a maré
Até onde não vai dar mais pé
Este instante tal qual é
Vivo aqui e seja o que Deus quiser


assentiu, não esperando mais para beijá-la. Aproximou seus rostos e tomou os lábios dela com carinho e saudade, espalmando as mãos em suas costas no instante em que suas línguas se tocaram. Uma pontada no coração da brasileira pareceu apitar como um alerta de que ela não teria aquilo por um bom tempo. Mas ela não poderia se negar viver algo tão bom, não poderia renunciar aquele carinho que ele lhe oferecia. Especialmente quando tudo o que ela queria era retribuir.
Com um sorriso nos lábios, ela o abraçou mais forte, sentindo muitos beijos serem deixados em seu rosto e pescoço. Era tão gostoso e tão real. E era para ela. Tudo para ela.
Decidiu esquecer pelo menos por hora que estava com vôo marcado para voltar. Não que voltar fosse algo ruim, mas ficar longe dele é que era.

Hoje aqui não importa pra onde vamos
Vivo agora, não tenho outros planos
É tão fácil viver sonhando
Enquanto isso a vida vai passando


– Você fica até amanhã? – ela perguntou, sentindo-o beijar seu pescoço com um pouco menos de delicadeza.
Um murmúrio de afirmação foi ouvido. Ela sorriu.
– Então sem despedidas por enquanto.
– Sem despedidas por enquanto. – ele repetiu, sorrindo como uma criança, o que fez segurar suas bochechas e voltar a beijá-lo, abraçando-se a ele e sentindo o peito queimar em um sentimento bom que só iria se expandir com o tempo.

Me abraça, me aceita
Me aceita assim, meu amor
Me abraça, me beija
Me aceita assim como eu sou
Me deixa ser o que for


Day 388

– É meio engraçado pensar em como tudo começou, há pouco mais de um ano. – sorriu, olhando para frente, mas sem focar em nada exatamente – Um ano. – riu, olhando para adormecido e agarrado a ela na espreguiçadeira – É um baita tempo para alguém como eu.
A brasileira afagou os cabelos do namorado e sorriu para e Joan, também abraçados, na espreguiçadeira ao lado, na área aberta do hotel. Aquela era a primeira semana das férias da 5SOS, antes de retornarem aos shows, agora na América do Norte, e com ocupada com o mestrado, decidiu passar aquele mês com ela, em Barcelona. Os outros ficariam apenas naquele final de semana, antes de voltarem a Sidney.
– E é uma conta injusta se pensarmos no tempo que ficamos separados. – a brasileira constatou.
– Essa é definitivamente a pior parte. – Joan disse e agarrou-se ao namorado com mais força, recebendo um beijo na testa – Quando a primeira turnê mundial veio foi que eu percebi no que tinha me metido. – riu.
– Mas você sempre pareceu mais tranquila em relação a isso tudo, Joan.
– Joan é muito moderninha, . – riu – No início, quando a banda começou ficar mais famosa, eu achei que nós teríamos os mesmos problemas que o e a namorada dele na época tinham. – o rapaz começou a contar, tendo a atenção das duas – Mas Joan nunca se importou com o assédio de fãs, por exemplo.
ficou um tempo em crise com isso. – ela lembrou – Ele achou que eu não gostava dele de verdade. – riu – Como se ciúme fosse algum tipo de pré-requisito para relacionamentos.
– É isso que as pessoas dizem, né? Ciúme é sinal de amor e blábláblá. – ele parou para tomar um gole de sua cerveja – E como ela nunca ligava, eu achei que ela não ligava pra mim. – as duas mulheres riram – Quando eu fui tirar satisfação, ela deu um sermão enorme sobre a falácia do ciúme e a diferença entre amor e posse.
– Foi a mesma coisa quando eu sugeri um relacionamento aberto. – Joan riu novamente.
sabia parte daquela história. Quando conheceu a banda, viu jogar seu charme para cima de algumas garotas e ele quase fez isso com ela mesma, e então foi à Londres e conheceu Joan, o que confirmava que eles ainda estavam juntos. Fez-se um nó em sua cabeça e ela chegou a xingar em pensamento até lhe explicar por alto.
– Vocês nunca me contaram isso direito! – ela se virou um pouco para o lado, interessada, e o namorado se remexeu, resmungando baixo, mas ainda dormindo.
– Foi antes do início da turnê que nos conhecemos, . – o músico começou – Tínhamos feito dois anos juntos e a gente tava brigando pra caralho. – riu, lembrando – Mas ninguém queria terminar.
– Então antes dele viajar eu perguntei se ele não queria ficar com outras garotas durante a turnê.
– E primeiro eu achei que ela estava sugerindo um ménage. – ele riu, implicante, e ela rolou os olhos – Eu lembro exatamente dela me xingando e dizendo que não ficaria com outra garota pra eu assistir porque a bissexualidade dela não é fetiche.
aplaudiu e riu.
– E depois eu fui explicar minha intenção em abrir o relacionamento e perguntei o que ele achava. Óbvio que ele deu ataque com aquele papo de machão de “Mas eu não sou o suficiente?” – Joan imitou o namorado – Até que eu fiz ele se calar e expliquei tudo, pensando que talvez fosse uma alternativa pra gente.
– Eu acabei aceitando e a gente decidiu tentar durante aquela turnê.
– E como funcionavam as regras de vocês? – perguntou.
– Bom, achamos melhor estabelecer que, apesar de podermos ficar com outras pessoas enquanto estivéssemos separados, sexo seria só entre a gente.
– E que contaríamos um pro outro quando ficássemos com alguém, pra não sermos pegos desprevenidos, ainda mais com notícias sobre nossa vida pessoal sendo espalhadas por aí. – concluiu.
– Vocês são o melhor casal! – exclamou, rindo – Não sei se isso funcionaria com e eu. – confessou, mas não porque era ciumenta em relação a , mas simplesmente porque não sentia vontade de estar com outra pessoa.
Um pouco de água espirrou neles quando e , que vieram correndo de dentro do hotel, se jogaram na piscina.
– Depende muito do casal e da situação. – Joan voltou sua atenção para a brasileira enquanto os outros nadavam até a borda – Foi proveitoso pra gente durante um tempo, não foi, amor? – perguntou ao namorado, que assentiu e juntou seus lábios por um instante – Mas de repente já não estávamos ficando com mais ninguém, então achamos melhor voltarmos ao que era antes. – sorriu.
– Já estavam chamando a Joan de chifruda na internet! – se meteu na conversa quando percebeu de qual assunto falavam.
– Eu lembro disso! – voltou à superfície e chacoalhou os cabelos molhados – Alguém viu o numa boate com uma garota e começaram a espalhar.
– Aquilo foi bem irritante. – Joan lembrou – Toda especulação sobre a nossa vida pessoal sempre me pareceu uma enorme falta do que fazer. Quer dizer, ninguém sabia de nada e de repente eu já não fazia o feliz e por isso ele estava com outra. Ou então uma campanha “Joan, largue esse cafajeste, ele está te traindo!”, como se eu fosse alguma ingênua. Sei lá, não dá pra ligar só pra música deles?
riu abertamente enquanto os meninos só soltaram risinhos, balançando a cabeça.
– Não é assim que funciona a alma fangirl, Joan.
– Olha, eu acho que já consigo encarar isso de uma forma mais branda, mas essa loucura ao nosso redor às vezes é barra.
– Eu fiquei bem preocupada com isso no início. – começou – Pensei em mil formas de não ficar maluca com toda a exposição.
– E vocês foram assumir logo nos Estados Unidos! – Joan exclamou.
– Mas as fãs gostam de você, ! – falou – Você é mais popular que a Joan, eu acho. – riu.
– Aquela pressão do início foi o choque de ter o namorando. – concluiu.
– Mas foi um inferninho, viu? – riu, lembrando de como a insegurança lhe atingira em cheio antes mesmo de começarem a namorar e como se sentiu com a reação das fãs.
– Você encarou melhor que eu, . – Joan começou a contar – Eu não assumi meu relacionamento com o nem para os meus pais nos primeiros dois meses. Tinha pavor de virar “a namorada do cara da 5SOS”. – fez careta, fazendo os outros rirem.
– Porque você não gostava da gente, né, Joan? – lembrou, fazendo a maior cara de ofendido – Fazia questão de não interagir e toda vez que ela me ignorava eu checava se não estava fedido ou com bafo.
– Ei, também não era assim! – ela se defendeu, rindo – Eu sempre fui educada, só não achava que precisava ficar de risinhos o tempo todo.
– Joan achava que éramos todos metidos a fodões por estarmos numa banda. – contou, olhando para e rindo.
– Ela não tava completamente errada, né? – implicou, fazendo lhe estender o dedo do meio e os outros lhe espirrarem um pouco de água, fazendo se remexer.
– Eles eram uns menininhos empolgados, ! – riu – Pensando nisso agora é até bonitinho, mas eu só achava um saco! – ela gargalhou com as caras ofendidas com que os três a olharam.
– Que absurdo!
sempre foi mais sensível com a gente! Sempre gostou de ouvir nossas histórias.
– É que eu nunca fui o tipo que é fã de banda e essas coisas, né? Mas claro que eu sempre fiquei feliz por eles e tudo mais. É sempre ótimo ter o empolgado com alguma coisa sobre a banda, ele fica completamente...
– Ah, por Odin, sem esses detalhes sórdidos! – gritou, jogando água nos dois.
As gargalhadas acabaram despertando , que se remexeu e levantou a cabeça, sonolento.
– Qual é a graça? – perguntou, a voz baixa e rouca.
– Joan contando como fica na cama quando a banda vai bem. – riu e arrumou seus cabelos.
– Antes de você chegar eu tinha que ouvir os dois no quarto ao lado. – fez careta – Toda noite um trauma.
– Que horror, ! – Joan exclamou e todos riram.
– Vocês dois são mais barulhentos que e , isso é verdade. – apontou. gargalhou e Joan mandou o dedo do meio ao amigo.
– Vocês são ridículos! Isso não é sério!
– Não é sério? – , já completamente desperto, arqueou uma sobrancelha para ela – Minha cara, não vou nem repetir o que já ouvi!
– Odeio vocês! – Joan colocou a língua para fora – Depois querem que eu seja legal! – cruzou os braços.
– Não liga pra eles, meu amor. – a abraçou e deixou vários beijinhos em seu rosto – Vamos fazer muito barulho hoje pra eles ficarem com bastante inveja.
Joan o olhou boquiaberta, deixando um tapa em seu braço logo depois.
– Está vendo, ? Ninguém presta aqui, fuja enquanto há tempo! – falou, fazendo a outra rir.
– Preciso fazer com que eles me apresentem mais alguns caras famosos antes...

Day 448

A boate no centro de NYC estava cheia. A luz baixa, a música pulsante, o calor irradiado dos corpos dançantes junto à fumaça que saía da cabine neon do DJ compunham a atmosfera do lugar.
, que há alguns minutos ria ao ver e dançando enquanto a brasileira brincava de seduzi-lo, agora olhava ao redor um tanto incomodado.
Zakk e Frances, membros da equipe, estavam por ali dividindo uma mesa com eles e em uma conversa animada com . Joan não estava com eles daquela vez, ficara em Sidney fazendo um curso novo de fotografia. também não estava na boate, pois ficara no hotel se recuperando de um resfriado. estava por ali, apenas fora do campo de visão dos amigos.
estava ao seu lado, mas completamente de costas para ele, de pé enquanto conversava com um cara desconhecido. Desconhecido para ele, é claro. O sujeito era um artista plástico, desenhista ou coisa assim, mas na verdade não dava a mínima. O fato é que havia reconhecido o cara no bar e eles estavam há quase meia hora conversando sem parar. sequer olhava para , empolgada na conversa com o despojado rapaz de cabelos compridos. Amava o trabalho dele. Já conhecia da internet e estava muito feliz por tê-lo encontrado e estar trocando uma ideia.
tomou um gole da cerveja e levantou, avisando a namorada que iria ao banheiro e ela assentiu, sorrindo brevemente antes de voltar sua atenção ao tal cara. rolou os olhos.
Quando voltou, já estava sentada novamente, rindo de alguma coisa que Frances contava. Pelo menos o sujeito havia ido embora, mas era tarde demais porque uma irritação sem sentido já tomava conta dele. Não é como se ele estivesse louco de ciúmes ou criando mil teorias em sua mente sobre e o tal cara, ele só... Estava se sentindo um pouco rejeitado. E poxa, iria embora no dia seguinte!
Continuou a andar até eles e sentou no espaço entre a namorada e . A brasileira tomou uma de suas mãos e o puxou para um beijo, que ele não aprofundou. voltou a beber, mas completamente calado. Ouvia-os falar sobre algo que aconteceu durante a apresentação da banda no programa de TV na manhã anterior e apenas assentia quando se dirigiam a ele. logo notou seu comportamento e o puxou para mais perto, colocando suas pernas sobre as coxas dele e segurando seu queixo para que ele a olhasse.
– O que há com você? – perguntou, olhando diretamente em seus olhos.
– Nada. Por quê?
riu e selou seus lábios por alguns segundos. Sabia que havia algo, sempre havia quando ele emburrava e resolvia se fazer de mudo. Havia aprendido a desenvolver sua intuição com , a interpretar seus humores. Foi por isso que afastou seus rostos logo depois e ficou o observando de perfil, com o queixo apoiado em seu ombro, procurando na memória algo que pudesse ter o incomodado. Então lembrou de Constantin e do tempo que ficou conversando com ele. Riu novamente. era impressionante.
O pior é que ela sabia que ele não estava se sentindo ameaçado, não havia aquilo entre eles, mas talvez pouco apreciado ou rejeitado. Ele tinha daqueles momentos bobos, em que seu humor mudava, e ele nunca falava abertamente sobre o que o incomodava. Talvez por ele mesmo não entender. Aquela sensibilidade e sutileza em às vezes se tornavam um desafio quando ele não sabia como colocá-las para fora. Mas o ajudaria nisso.
Ainda rindo fracamente, beijou seu ombro e deslizou para seu colo. Abraçou-o pelo pescoço e esperou por qualquer reação, mas ele apenas tomou um gole de sua cerveja e voltou a olhar para a pista de dança. Nem um pouco surpresa com sua resistência, e muito paciente, ela começou a deslizar suas unhas pela nuca dele, enquanto a outra mão brincava distraidamente com a correntinha que ele levava no pescoço. Inclinou o rosto para lhe beijar a bochecha, deixando uma mordida inofensiva ali. Ele continuou imóvel, mas somente até ela deslizar os lábios por seu maxilar e então chupar seu pescoço lentamente. se moveu sob ela e segurou sua cintura instantaneamente. sorriu.
Continuou ali, distribuindo beijos molhados em seu pescoço, sem pressa alguma, com uma mão ainda em sua nuca, emaranhando os dedos em seu cabelo vez ou outra. Quando sentiu os dedos dele fazendo carinho em sua cintura, sorriu novamente, sabendo que tudo estava bem de novo. Levantou a cabeça e encarou seu rosto bonito, que agora mostrava um sorriso pequeno para ela. Ainda sorrindo, se aproximou mais e roçou seus narizes antes de beijá-lo devagar, colocando todo o carinho que tinha por ele naquele ato. segurou a uma das coxas dela com precisão, mantendo-a perto de si, com a mente apitando o quanto ela era boa para ele, mesmo quando ele agia como uma criança.
Beijou-a repetidas vezes, antes dela se soltar, sorrindo sapeca.
– Eu te amo.
sorriu, deslizando o indicador pelo rosto dela.
– E eu amo você. Muito. – selou seus lábios novamente – Desculpe por ser um mimado às vezes.
A carinha que ele fez foi irresistível para . Às vezes só não parecia real. E não havia birra que pudesse fazê-la se sentir menos do que satisfeita por estar com ele, menos do que agraciada por tê-lo empenhado em fazê-la feliz e amada. Era apaixonada por ele, por cada pedacinho daquele corpo, pela forma como ele a tocava, a olhava, como cuidava dela, em como era gentil e afetuoso. Ele era tudo o que ela poderia querer.
Wanna show you how much you got you girl feeling good… cantou a música que tocava e que combinava perfeitamente com o que tinha em mente para aquela noite.
Voltaria para Barcelona no dia seguinte, enquanto a banda ainda ficaria ali para os últimos shows da turnê. Seriam mais uns dois meses sem até os feriados de final de ano, e eles precisavam se despedir em grande estilo.
Baby, let me put my body on your body. Promise not to tell nobody. – sorriu, roçando a pontinha de seus narizes – Cause it's about to go down.
riu e a beijou sensualmente, sentindo cada parte de seu corpo reagir ao dela. Talvez fosse o momento para sugerir voltarem ao hotel e quando ia fazê-lo, envolveu seu pescoço com seus braços, já se levantando, e cantou mais um trecho, como se lesse seus pensamentos.
Daddy, you know what's up.

Day 730

passou uma das mãos pelo rosto mais uma vez, bocejando logo em seguida. Estava cansava por ter ficado mais do que o esperado no aeroporto por causa de um passageiro suspeito de algo que ela não sabia o que era. Houve uma confusão que atrasou o vôo em quatro horas e estragou todo o seu cronograma.
Deveria ter encontrado com ainda no hotel e ido com ele e os rapazes para a arena, mas àquela hora o show já deveria ter começado e ela estava indo até eles no carro com Isaac, observando a paisagem conhecida de Londres passar pela janela. Distraída e sonolenta, passava uma das mãos pelo pingente de pássaro que ganhou do namorado. Apertou um botão lateral no celular e viu a tela se acender, mostrando as horas e uma foto dela e de ao fundo. Sorriu.
Maio era um mês especial para eles e era por isso que ela estava ali. Atrasara suas férias para que pudessem passar aquele mês juntos e não via a hora de estar nos braços dele novamente.
Fazia dois anos desde que eles se conheceram, naquele bar do hotel em Barcelona e mal podia acreditar que todo aquele tempo havia passado. Entre viagens, ligações durante a madrugada ou mensagens durante o dia, eles haviam compartilhado dois anos juntos. Dois anos aprendendo as sutilezas de estar tão perdidamente apaixonado, aprendendo a decorar cada pedacinho do outro, aprendendo a amar de um jeito único, com respeito, com sensibilidade, honestidade e intensidade. Dois anos desenhando pontes pelo mundo, criando roteiros malucos e encontrando brechas no calendário. Dois anos aprendendo a se desligar de tudo quando preciso, mas se mostrando para todos quando a felicidade nem cabia em si. Dois anos apenas querendo estar um ao lado do outro.
Enquanto se concentrava para o show, desejava tê-la ali para lhe dar um beijo de boa sorte, mas só de saber que ela estava a caminho já era um alívio. Só ele sabia como aquela inconstância de rotinas o afetava. Às vezes não podia evitar o mau humor e pobres dos outros caras por terem de aturá-lo. No entanto, ele tinha ideias rondando sua cabeça nas últimas semanas, porque era inevitável pensar no futuro quando se tratava de .
Quando a brasileira finalmente chegou à arena, eles estavam a uma música do encore. Havia perdido praticamente o show todo. Deixou a bolsa no camarim e caminhou até o lado oposto onde costumava ficar e pediu para ninguém dizer que já estava ali. Sentou em um cantinho e os observou sair do palco correndo quando as luzes baixaram e voltarem para mais três músicas. Na metade da última, fez o caminho de volta ao camarim e esperou quatro crianças hiperativas entrarem aos gritos e pulos, tirando a roupa sem nem se importarem se havia alguém de fora.
– Me deixa passar primeiro! Preciso mijar! – ouviu gritar e riu.
Logo depois a porta foi aberta e a encarou, surpreso. Estava com o rosto brilhando em suor.
– Meu amor, você... – ele se interrompeu, pegando uma toalha e se secando enquanto andava até ela – Por que ninguém me disse que você já estava aqui? – sorriu, pegou uma de suas mãos e beijou repetidas vezes.
– A chegou! – gritou no corredor para os outros dois, enquanto passava a camisa pela cabeça, tirando-a.
sorriu e o puxou para um abraço, mas travou o corpo.
– Estou um nojo, . – riu e inclinou a cabeça para deixar um beijo rápido em seus lábios. Ela negou.
– Não me importo.
E tomou seus lábios em um beijo saudoso, sentindo-o sorrir no início.
Estava especialmente à flor da pele naquele dia. Pouco se importava com cheiro ou suor, desde que eles não se largassem. Alargou ainda mais o sorriso quando ele a tirou do chão com o abraço ao final do beijo. Finalmente estava onde queria estar.
! Até que enfim minha parceira perferida para o FIFA! – veio todo sorridente, com uma garrafinha de água em mãos, enquanto abria os braços para abraçá-la, mas a brasileira usou o braço do namorado como escudo.
, muitas saudades de você, mas vá se trocar primeiro. – riu, despachando-o com um movimento de mãos.
– O você abraça, né? – se meteu – Obrigado pela consideração.
– Ela já tá acostumada com o suado se esfregando nela, não vocês. – apareceu pela porta, e riu da cara que a amiga fez – Oi, !
– Vocês são impossíveis! – ela riu, e logo foi envolvida num abraço grupal abafado, melado e barulhento.

– Adoro esse hotel e essas cadeiras de balanço que eles espalham por todo lugar. – comentou, distraída, enquanto penteava o cabelo molhado dele com os dedos, sentada em seu colo, ambos sobre a cadeira de balanço.
Após o show, saíram para jantar, sob resmungos dos outros três que queriam ir junto. Comeram e riram relembrando aqueles dois anos e constatou que lembrava mais detalhes do que ela, o que era especialmente encantador.
Voltaram ao hotel antes de uma da madrugada, como combinado, já que tinha o segundo show em Londres naquele dia. Depois de um banho juntos, agora aproveitavam a companhia um do outro como se o tempo fosse escapar de seus dedos mais uma vez.
– Eu sempre gostei de coisas que embalam. – ela continuou, ainda mexendo no cabelo dele, enquanto a observava com um meio sorriso – Cadeiras de balanço, redes, barcos... Parece que tudo fica mais leve.
– Nunca viajamos de barco juntos. – ele constatou, chamando a atenção dela para seus olhos.
– Precisamos fazer isso. – sorriu – No Brasil, de preferência.
Ele assentiu brevemente, tocando suas costas e a puxando para um beijo leve como a maresia das manhãs. o abraçou, sentindo o coração palpitar pela ternura que ele demonstrava. Quando ele deixou seus lábios e escondeu o rosto na curva de seu pescoço, arrepios gostosos percorreram seu corpo, tão bons como sempre foram.
Ficaram ali, abraçados sobre o embalar da cadeira, com as luzes de Londres piscando pela enorme janela de vidro à frente. Até arrumar a coluna e procurar pelos olhos dela e perguntar:
– Como você se imagina daqui a dez anos?
sorriu e contornou os lábios dele com o polegar. Queria dizer “Exatamente assim”, em referência aos dois juntos, mas optou por uma resposta mais elaborada.
– Doutora, provavelmente já envolvida com o PhD, muito bem sucedida e reconhecida na minha área. – começou, arrumando a postura ao falar, tudo sob o olhar atento do namorado – Com estabilidade financeira suficiente para dar uma velhice confortável aos meus pais e – parou, olhando para ele com uma expressão esperta – fugindo de alguns compromissos chatos pra assistir um certo cara dos mais lindos olhos lotar estádios com os amigos fazendo música. Eu provavelmente vou estar no backstage, talvez com uma barriga enorme, quem sabe. – eles riram juntos.
– Me parece um futuro promissor.
– E você? – ela perguntou.
– Você já descreveu pra mim. – sorriu – Eu quero o que você quiser também.
Emocionada, uniu seus lábios com carinho.
– Eu te amo, .
– Eu te amo, .
Ainda sorrindo, levantou e o puxou pelas mãos. Já eram quase três e ele precisava dormir. Desligaram as luzes e deitaram na cama enorme. Mas antes que ela pudesse desejar-lhe boa noite, voltou a falar.
– ele começou –, você já pensou onde vai fazer seu doutorado?
A brasileira levantou o rosto para ele, estranhando a pergunta naquele momento.
– Eu posso ficar em Barcelona mesmo. – ela virou de barriga para baixo e apoiou o rosto no peito dele – Ou voltar para o Brasil, mas...
– O que acha de Sidney? – ele a interrompeu, ansioso.
– Eu não sei. Não sei sobre as universidades de lá, mas... , o que você quer dizer?
– Eu quero dizer que com você morando em Sidney, meu lar naquela cidade estaria finalmente completo.
– Mas isso não ia melhorar nossas condições de distância. – ela sorriu, terna – Você ainda viaja o mundo quase o ano inteiro, meu amor.
– Eu sei. – ele deslizou na cama para que seus olhos ficassem na mesma altura e tomou o rosto dela nas mãos – Mas desse jeito, voltar para casa seria sinônimo de voltar para você.
sorriu, sentindo seu coração voltar a ficar inquieto no peito. Era um sentimento incrivelmente bom, como quando você navega por meses, em meio uma paisagem estonteante, brisa fresca e leve, mas finalmente vê no horizonte o seu ponto de chegada, o lugar perfeito para atracar.
– E nós poderíamos ter um apartamento – ele começou, seu sorriso aparecendo na penumbra do quarto –, e você poderia decorá-lo do jeito que quisesse.
– E ele teria uma varanda enorme onde eu pudesse colocar minha rede? – perguntou, sonhadora e entrando na dele, que sorriu ainda mais, assentindo.
– Poderíamos adotar um cachorro também, o que você acha? – ele indagou, agarrando pela cintura.
– Só se ele não for muito grande e nem soltar muitos pêlos...
Ainda perderam minutos naquela conversa, entre planos e sonhos.
O presente nunca pareceu tanto com o futuro feliz.



♥ Fim ♥



Nota da autora: Essa fic surgiu de um devaneio bobo com Beside You ao fundo e um surto de inspiração. Escrevê-la foi maravilhoso da primeira a última palavra e gostei tanto desses personagens que não queria parar! O que quer dizer que haverá continuação ;)
Derramei muito amor nessas palavras e espero que vocês tenham gostado! <3
Um agradecimento especial pra Tham Sanchis, a primeira a ler isso tudo e a mimar essa autora que vos escreve. Obrigada por me deixar compatilhar esses surtos com você, Tham.<3
Menção honrosa a um tal de Luke Hemmings que pediu pra ser inspiração + um questionamento: de onde diabos esse garoto surgiu com esses olhos tão azuis?! Uma verdadeira falta de respeito!
Obrigada por lerem e até Beside You – Happy New Year! <3
xx
Thainá M.



Outras Fanfics:

02. We All Roll Along (Ficstape #057 – The Maine: Can’t Stop Won’t Stop)
03. Drunk In Love (Ficstape #020 – Beyoncé: Beyoncé)
07. No Promisses (Ficstape#043 – Shawn Mendes: Illuminate)
08. Emily (Ficstape #51 – Catfish And The Bottlemen: The Ride)
09. Long Way Home (Ficstape #030 – 5 Seconds Of Summer)
10. Sorry (Ficstape #034 – Jonas Brothers: A Little Bit Longer)
11. Outside (Ficstape #51 – Catfish And The Bottlemen: The Ride)
12. Don’t Stop Me Now (Ficstape #011– McFly: Memory Lane)
12. Foreigner’s God (Ficstape #033 – Hozier)
14. You & I (Ficstape #023 – John Legend: Love In The Future)
Amor em Irlandês (Especial Equinócio de Setembro)
Beside You (5SOS/Shortfics)
Calling in Love (BTS/Shortfics)
Can You Feel It? (Outros/Shortfics)
Date Night (EXO/Restritas/Shortfics)
Don’t Close The Book (Jonas Brothers/Shortfics)
Love Me Love Me (Winner/EmAndamento)
Love Affair (One Direction/EmAndamento)
Mixtape: Listen To Your Heart (Awesome Mix: Volume 1: “80/90’s”)
Thankful (Especial Extraordinário)



Nota da Beta: Só queria mesmo dizer que adoro demais essa autora maravilhosa que vos escreveu essa fanfic deliciosa e dizer que foi um enorme prazer ler cada palavra dessa fic e que estou subindo pelas paredes por uma continuação! E tinha que ter o nome da Tham nesse mar de arco-irís hahaha Thainá, meu amor, como sempre tu arrasou! Espero ver milhões de comentários fofos e merecidos aqui embaixo. Conto com vocês, garotas! Xoxo-A

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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