Best Of Friends?

Última atualização: 07/07/2020

Prólogo

09/07/2009

- Harry? - Eu perguntei contra seu peito enquanto nos abraçávamos deitados no pano de piquenique, olhando as estrelas.
- Diga, princesa.
- O que você quer ser, assim, no futuro? - Perguntei enquanto me sentava.
- Alto e bonito. - Ele falou se sentando também e dando uma gargalhada.
- Não, Harry! Vamos, pense grande. – falei dando um peteleco em seu nariz.
- Eu não sei mesmo. Cantor? - Ele falou franzindo a testa e fazendo a cara mais fofa do mundo.
- É, até que pode ser. Você vai conquistar o mundo todo com essa carinha e essa voz.
- Eu sei. - Ele falou fazendo pose de super-herói.
- Idiota!
- E eu também sei que você me ama. – Ele falou me puxando pra junto de si e nós rimos.
Ficamos em silêncio algum tempo, apenas aproveitando a companhia um do outro, as estrelas e a brisa que soprava levemente nosso rosto. Não queria estragar aquele momento. Fiz de tudo para ser um dia agradável, com as risadas mais sinceras e os momentos mais incríveis, como sempre era com ele. Mas, lá no fundo eu sabia que o resto da noite não seria mais assim e uma angústia pesava em meu peito.
- Harry? – Perguntei novamente, dessa vez olhando seriamente em seus olhos do mais profundo verde.
- O que foi, ? - Ele falou preocupado.
- Eu vou ter que ir para o Brasil, sabe? Ficar com a minha mãe um pouco. As passagens já estão compradas. – Engoli a seco - Vou amanhã cedo.
- Você não está falando sério, está? - Ele perguntou com a voz falhando um pouco.
- Sim, estou. Meu pai se casou de novo e vai ter um filho, Harry, você sabe. Não tem espaço mais naquela casa para mim. – suspirei e falei olhando para longe de seu rosto – Talvez daqui a alguns anos eu volte, venha pra faculdade e...
- TALVEZ??? ANOS???? Você deve estar de brincadeira. – Ele falou se levantando. – A gente prometeu estar aqui um pelo outro. Sempre. Essa promessa foi em vão pra você?
Meus olhos começaram a marejar e o bolo na minha garganta parecia aumentar a cada segundo, a cada som que saia de sua boca.
- Como você pode dizer isso? Você sabe que eu te amo com todo meu coração, Harry. Você é meu melhor amigo. – falei já permitindo as lágrimas rolarem livremente pelo meu rosto.
Não sei por que motivo, mas quando pronunciei as palavras, o que disse pareceu uma faca no coração de Harry. Seus olhos, "minhas pedrinhas preciosas" como já chamei diversas vezes, não brilhavam mais. Seus ombros, tensionados com o rumo da conversa, caíram como se houvesse um peso que o mesmo não pudesse mais carregar.
- Como você consegue? Ir embora assim? Me avisar como se fosse algo sem importância? - Falou baixo como se pronunciasse mais as palavras pra si do que pra mim. – Como... pode?
- Harry...
Tentei dizer algo, mas nada saia de dentro de mim. Parecia que nenhuma palavra ia ser o suficiente para preencher o vazio no peito de ambos. Como pude não o avisar que iria embora? Fui consumida por esse medo estúpido de como ele iria reagir e acabei o perdendo na minha última noite aqui, minha última noite com ele.
Depois de me encarar e apenas balançar a cabeça negativamente, Harry virou as costas e apenas partiu, levando uma boa parte do meu coração junto com ele.
Sendo deixada ali, apenas com meu quintal vazio, as estrelas e o frio da noite, eu chorei. Chorei como se toda a dor pudesse ser levada embora pelas lágrimas. Chorei como se metade de mim tivesse sido levada embora para sempre. E ali, deitada naquele pano quadriculado onde me encontrei durante toda a noite, me despedacei por Harry Styles. Ali, naquela noite, foi a última vez o vi.


Capítulo 01

Quatro anos depois...

"One Direction conquista mais um Brit Award e fãs vão a locura! Os integrantes..."

"Cantor Harry Styles é visto saindo do hotel com uma morena misteriosa. Quem será a garota de sorte?"

"Estreia do documentário da banda One Direction está marcada para setembro deste ano!"


Fechei o notebook com força demais depois de passar por todos os sites de notícias possíveis.
Há alguns anos atrás a febre One Direction começou.
Logo depois de eu partir para o Brasil e tentar de todas as formas contatar o Harry ou sua mãe, descobri, por meio da internet, que ele havia sido selecionado para participar de uma banda em um reality show. O sucesso depois do programa foi quase imediato e continuou até hoje. Mas, por causa disso, o número de telefone dele mudou e ele alcançou milhões de fãs nas redes sociais, nem se eu quisesse conseguiria alcançá-lo.
Às vezes eu passava o dia inteiro procurando sobre eles. Saber como ele estava ao mesmo tempo que me deixava fe, partia meu coração um pouco mais. "Ele me esqueceu" pensava comigo, "Anos se passaram, siga em frente". Mas não conseguia deixar ele pra trás, como se fosse uma peça de roupa que esqueci de colocar na mala. Ele foi meu melhor amigo, quem me ouvia em todas as situações, quem me viu chorar mais que meus pais e quem conseguia arrancar de mim os mais sinceros sorrisos.
- Está tudo arrumado, querida? – perguntou minha mãe abrindo a porta do quarto e olhando em volta. – Vejo que não.
O quarto estava uma completa bagunça, com roupas em cima da cama e da escrivaninha. Três malas pretas abertas no chão, todas semipreenchidas e eu ainda me encontrava de pijama na cama.
Meus anos aqui no Brasil se passaram bem rápidos. Meu português era bem enferrujado e no ensino médio era conhecida como "Gringa" e "A Londrina", mas fiz ótimos amigos. Até me apaixonei por um menino, Thiago, mas durou apenas alguns meses, já que ele tinha um relacionamento comigo e com mais três garotas. Depois que me formei, percebi que mesmo amando esse país e o calor, amando viver com a minha mãe e sua família aqui, meu lugar era a 8850 quilômetros dali. Meu lugar era em Londres. Então, resolvi enviar aplicações para faculdades de lá e há uma semana atrás recebi uma carta em resposta. Aceita na University of Leeds, Jornalismo.
- Estava lendo sobre eles de novo. – Falei enquanto ela caminhava e se sentava ao meu lado na cama. Minha mãe sabia a quem eu me referia. - Queria muito que ele estivesse lá, sabe? Me esperando no aeroporto ou algo assim...
Ela afagou minhas costas e deu um suspiro.
- Filha você tem que seguir em frente. Ele seguiu. – Falou passando a mão por meus cabelos ruivos recém pintados. – Sei que não é ele que você queria, mas seu pai estará esperando você no aeroporto. E ele vai odiar essa tinta no seu cabelo.
Revirei os olhos e me levantei para terminar de arrumar minhas coisas.
Meu pai, depois de receber a notícia de que teria um filho com sua mulher, Catherine – que eu ainda não tinha certeza se desgostava de mim ou se eu era totalmente irrelevante em sua vida – percebeu que não teria dinheiro para bancar quatro pessoas em sua casa, afinal, sua esposa deixaria de trabalhar para cuidar do menino. Foi nessa época, há 4 anos atrás, que ele me chamou para conversar.

" - Sabe, ...- Ele começou a falar se apoiando no balcão da cozinha, onde eu terminava a lição de casa - Acho que seria bom você passar um tempo com a sua mãe. Você mora comigo desde os 3 anos, ela sente muito sua falta.
Vi a forma receosa como falava, vi que não era esse o real motivo dele me querer longe. Fechei o caderno em minha frente e respirei fundo.
- Tem certeza que é esse o real motivo, pai? A mamãe? – falei com um nó na garganta.
Seus olhos se fecharam e ele massageou as têmporas, e Catherine vendo o rumo da conversa, passou para seu lado e colocou a mão em seu ombro.
- Olha, as coisas estão bem complicadas aqui em casa, está bem? – Ele falou cobrindo a mão da esposa com a sua e vi que na outra mão já havia uma passagem comprada – Com o bebê a caminho, as contas não estão fechando. Preciso que você me dê um tempo pra resolver tudo. Arranjar um outro emprego que talvez pague melhor...
Ir embora? Ficar longe do país que eu cresci? Largar meus amigos? Largar o Harry? Percebi que estava prendendo a respiração enquanto ele falava, pois meus pulmões reclamaram por ar.
Fiquei alguns segundos apenas o encarando aqueles olhos claros. Tão familiares por serem iguais aos meus.
Tanta coisa mudou desde que a Catherine chegou. Eu sentia sua falta, sentia a falta de estar com ele, de como ele me tratava como se tivesse ganhado na loteria e eu fosse o prêmio mais alto. E agora, como se o mundo estivesse de cabeça pra baixo, meu pai me diz que precisa que eu vá pra longe, me deixando ir sem nem reconsiderar alguma outra possibilidade.
- Não precisa se dar o trabalho de continuar o discurso. – falei bruscamente – Agora eu que não quero mais pisar nessa casa. Espero que essa passagem seja pra no máximo para amanhã.
A arranquei de sua mão e subi às pressas escadas acima, apenas ouvindo o ressoar de meu nome no andar de baixo. Vendo que a data do voo era pra na verdade a semana seguinte, me joguei na cama e me deixei ser levada pelas lágrimas e pela esperança de que aquilo tudo fosse somente um sonho ruim."

Jogando as roupas na mala e relembrando dessa conversa, voltei a falar com minha mãe.
- Ele sinceramente não está com muito direito de odiar alguma coisa minha. – Falei fechando a primeira mala e vendo seu olhar de reprovação. – Eu o perdoei, você sabe disso. Deus! Já se passaram séculos desde que fui embora. Mas ele não me liga a meses, mãe. E não consigo deixar de pensar que se o papai não tivesse me mandado embora, eu não estaria aqui desejando que alguém que eu não falo a quatro anos lembre da minha existência.
- Sabe, filha – Mamãe falou dobrando algumas roupas que estavam ao seu lado na cama – seu pai comete os erros dele, não vou negar. Mas o que ocorreu entre você e o Harry... você sabe que o que aconteceu foi sua culpa.
Fiquei em silêncio.
Sim, eu sabia bem. Tinha certeza que seu eu tivesse falado com ele de outra forma, Harry entenderia. Ele sempre me entendia como ninguém.
Terminei de colocar o resto das roupas e preencher todas as malas e minha mãe se retirou do quarto. Troquei o pijama por uma roupa descente e confortável para a viagem e olhei ao redor. Fotos do meu tempo no Brasil estavam presas em um quadro magnético na parede. Dias na praia, fotos com pessoas em festas que eu nem me dei o trabalho de lembrar o nome, meus amigos, minha família...
As arranquei de lá e guardei no caderno que sempre carregava dentro da bolsa, e assim, arrastei as malas para fora, suspirando um último adeus.
Desci as escadas me deparando com minha mãe e minhas duas melhores amigas do Brasil na cozinha.
- O que vocês estão fazendo aqui? – falei sorrindo para Lara e Eliana.
- Elas insistiram em levar você pro aeroporto. – respondeu minha mãe dando uma gargalhada breve e as servindo um copo de suco.
- Acha que íamos deixar você ir embora assim? Sem nem uma despedida? – Disse Lara tirando a chave do carro da bolsa. – Vamos, você já está atrasada! Aproveita que aconteceu um milagre e eu consegui o carro emprestado.
- Só não mata a gente no caminho, a precisa entrar viva no avião. – Eliana disse e levou um empurrão como resposta.
Abracei minha mãe com os olhos marejados e disse que a amava. Se ao menos eu pudesse levá-la para Londres comigo. Mas eu sabia da impossibilidade daquilo. Ela precisa cuidar de minha avó aqui, as duas só tem uma a outra desde que meu avô morreu. Por isso minha mãe largou tudo em Londres, me deixou com meu pai e voltou pro Brasil, achando em seu coração que era o certo a fazer.
Saí pela porta em direção ao carro de Lara, dando uma última olhada na casa amarela em que passei 4 anos da minha vida e acenei em despedida para minha mãe. Nunca vou esquecer do que passei aqui. Das noites que chorei no primeiro ano no Brasil com saudades do Harry; a alegria de conhecer sempre um pouco mais da rotina de minha mãe; dos amigos que me acolheram como se eu tivesse os conhecido desde que nasci; vou lembrar de tudo.
Abri a porta do carro, com as bagagens já devidamente colocadas na mala e sentei-me no banco dando um suspiro. Olhando pela janela do carro em movimento, perdida em meus pensamentos percebi que estava pronta. Pronta para voltar pro meu país. Pronta pra escrever minha história de novo em Londres.


Capítulo 02

Lara e Eliana me levaram até a porta do aeroporto com lágrimas nos olhos. Eram as garotas mais incríveis que eu já havia conhecido. Assim que as encontrei, um ano depois que cheguei no Brasil, foi como se eu tivesse ganhado na loteria. Eu me sentia tão sozinha, tão perdida em um país que só conhecia pelas conversas com a minha mãe. Até que um dia, chorando no banheiro no intervalo entre aulas por ter ouvido as meninas na minha frente comentarem sobre o novo amor de suas vidas 'Harry Styles', as duas apareceram na minha frente com um copo de água e uma pequena barra de chocolate, alegando que açúcar curaria qualquer mal que alguém me fizesse. Desde então, as duas fazem presença marcante em minha vida.
Lara e Eliana me abraçaram com toda a força que conseguiam e me entregaram um presente embrulhado.
- É um caderno novo. - Disse Lara. - Vimos que carrega um pra qualquer lugar que você vai. E achamos que agora você vai precisa escrever uma história nova.
Enxuguei as lágrimas que escorriam pelo meu rosto e as abracei mais uma vez agradecendo e me despedindo. E como retribuição, retirei do meu caderno antigo uma foto nossa em minha festa de 18 anos. Completamente alteradas, descabeladas e com chapéus ridículos de festa, mas extremamente felizes.
- Pra vocês não me esquecerem tão cedo. - Fiz uma careta e elas riram.
- Como se isso fosse possível. – respondeu Eliana.
Depois de mais abraços e um interminável choro, as duas partiram e me deixaram ali para seguir meu rumo, e assim fui andando até o lugar onde eu embarcaria.
Sentei-me na poltrona da sala do embarque, com minha mala de mão entre minhas pernas e um livro de autoajuda qualquer que comprei na lojinha do aeroporto em minhas mãos. Ainda era um pouco difícil de acreditar que em algumas horas eu estaria de volta em Londres.
Não conseguia deixar de imaginar se algo estaria diferente lá, se tudo o que eu lembrava não seria mais tão bonito ou não me encantaria tanto quanto antes. Será que a vista do London Eye era mesmo de tirar o fôlego? Será que uma visita ao Big Ben ainda fazia o tempo parar, como uma visita ao passado?
Não tinha muita certeza. Todos esses momentos, todos os pontos turísticos da cidade eu tinha visitado com o Harry. Me lembrava da sua voz como se estivesse aqui do meu lado, como se tudo o que vivemos estivesse acontecendo bem aqui e agora.
" - Vamos , sorria pra foto. - ele dizia gargalhando arrancando uma risada minha também.
- Harry você tá fazendo uma câmera com a sua mão! Vamos parecer dois idiotas! - O empurrei levemente e continuamos rindo até perder o fôlego.
Harry continuou apontando sua "câmera" pelas ruas de Londres, seguindo nosso trajeto até o Big Ben, e fazia ocasionais 'clics' quando eu sorria.
- Você quer a câmera de verdade? Sabe que eu estou carregando-a nessa mochila pra isso, não é? - falei revirando a mochila enorme que eu carregava, buscando pela câmera.
Ele arrancou a mochila de mim e começou a carregá-la na frente de seu corpo.
- Eu sei o que você trouxe nessa mala de mudança, aí. - Ele gargalhou quando soltei um 'Ei" fingindo estar ofendida. - Mas isso aqui eu quero guardar na memória. Não acho que um pedaço de papel faria jus.
Lhe lancei meu maior sorriso, como ele sempre conseguia arrancar de mim, e analisei a paisagem ao nosso redor. Com o London Eye lá no fundo, os prédios antigos ao nosso redor e Harry, meu melhor amigo, uma das pessoas que mais amava nesse mundo ao meu lado, percebi que ele tinha razão. Um pedaço de papel não iria retratar isso da mesma maneira.
Levantando minhas mãos, mirei em seu rosto e imitei seu 'clic', dando para ele um sorriso em cumplicidade."
Sorri ao me deliciar com as lembranças que rondavam minha mente, mas fui tirada de meus devaneios com a chamada do voo soando pelo aeroporto. Respirei fundo ao sentir meu coração acelerar pela excitação e caminhei até o portão de embarque, contendo o sorriso que queria fugir de meus lábios.
Segui pelo avião procurando meu assento e tentei ao máximo me aconchegar naquela poltrona desconfortável. Minha cadeira era na janela, onde eu tinha uma visão privilegiada do sol que estava se pondo. Sorri com o que via e senti meus olhos se pesarem; cedendo ao cansaço cai em um sono profundo.
Com o impacto do avião com o solo, acordei às pressas e soltei um grito que não contive pelo susto. Então eu dormi 11 horas seguidas? Meu estômago roncando e meu pescoço latejando pela posição respondiam minha pergunta.
- Você fala dormindo. - Disse alguém ao meu lado com sotaque britânico carregado.
Desde quando tinha alguém sentado na cadeira ao lado da minha?
Era um menino, branco como papel, com lindos olhos azuis que contrastavam com seus cabelos castanhos. Seus olhos permaneciam focados na revista que folheava, mas suas expressões mostravam seu total desinteresse no conteúdo que lia.
- E você é um pouco inconveniente, não? - respondi enquanto me alongava e me espreguiçava, tentando me livrar do mal-estar em que me encontrava.
Ele abriu um sorriso sarcástico olhando em minha direção e voltou sua atenção pra revista.
- Pensei que tinha uma idade limite pra se gostar de boyband, sabe? Uns 12 anos mais ou menos. - Ele deu uma risada. - Incontáveis vezes que ouvi o nome daquele cantor saiu da sua boca.
Sem entender sobre o que se tratava, o fitei em busca de uma resposta e o mesmo olhou pra mim revirando os olhos.
- O nome Harry refresca sua memória? - Ele falou finalmente guardando a revista no bolso da poltrona da frente.
Senti meu rosto queimar e desviei meus olhos para a janela em busca de uma fuga da conversa, já que sair do avião naquele momento ainda não era uma opção. Murmurei um baixo "toma conta da sua vida" e o ouvi soltar uma risada abafada.
Ainda evitando qualquer tipo de contato com a pessoa ao meu lado, senti o avião parar e a aeromoça anunciar, finalmente, o desembarque. Olhei para o garoto ao meu lado e o vi fazer um gesto de "primeiro as damas" com as mãos ao me levantar para sair da poltrona. Revirei os olhos e passei por ele sem pensar duas vezes. E depois de incontáveis minutos na fila pra sair da aeronave, me encontrei na plataforma do aeroporto perdida esperando meu pai.

Onde você está? Estou esperando nesse aeroporto faz séculos.

Enviei a mensagem para ele enquanto batia os pés impacientemente.

Desculpe, fiquei preso no trabalho! Peça um táxi, pago você quando voltar para casa.

- Ótimo. Era só o que me faltava. - Falei sozinha enquanto guardava o celular de volta na bolsa.
- Algum problema, garota que fala dormindo? - Falou alguém atrás de mim.
Olhei pra trás e percebi ali o mesmo menino que estava sentado ao meu lado durante o voo e não resisti a minha tentação de revirar meus olhos.
- Você de novo? - Disse bufando. - Deve ser algum tipo de Karma.
- Ei, relaxa eu só vim me desculpar. - Ele falou parando na minha frente - E perguntar se você aceita um café.
- Garoto inconveniente, você acha que nessa altura do campeonato eu vou tomar café com você? – Falei erguendo uma das sobrancelhas e ele deu uma gargalhada.
- Meu nome é Sam Wattson, muito prazer. – falou estendendo a mão. – Vamos, só quero te pagar um café. Acho que te devo essa.
Hesitei por um momento enquanto intercalava o olhar entre sua mão e seu rosto.
- .– Apertei sua mão, suspirando em derrota – .

Harry's POV

- Boa noite, Londres! Espero que vocês tenham gostado do show! - Disse acenando pras fãs que choravam ao redor do estádio. - Dirijam com cuidado e não briguem pelas ruas.
- Obrigada pelo conselho, mamãe Styles! - Liam falou rindo do outro lado do palco. - Nós fomos a One Direction! Boa noite, galera!
E acenando em despedida, corremos para fora do palco.
- A energia aqui hoje estava surreal. - Disse Niall. - Será que tem como esse trabalho ficar melhor?
Todos nos entreolhamos sorrindo ainda maravilhados com o show de hoje. Quase 20 mil pessoas no estádio nos ouvindo, querendo nos ver, cantando nossas músicas. Era como se tivéssemos nascido pra fazer aquilo, para cantar e fazer isso juntos. "Nascido pra cantar", pensei comigo mesmo soltando um risinho sem humor. Como isso me lembrava a e a última noite que passamos juntos naquele quintal.
. A quanto tempo eu não pensava nela? Meses, talvez? Ainda não me perdoei por não ter voltado, não ter a ouvido e simplesmente ter ido embora. Eu devia apenas ter atendido suas ligações antes da minha vida se tornar essa extrema loucura.
Deus, pensando bem, como eu sentia falta daquela garota.
- Um milhão de dólares por seus pensamentos, Harry. - disse Louis sacudindo suas mãos na frente de meu rosto. - Vamos, o ônibus já está esperando lá fora. Só falta você para irmos embora.
Percebi que tinha me perdido demais nos pensamentos, pois olhei em volta e todos os meninos já haviam partido para o ônibus. Sorri em desculpa e me levantei para irmos embora.
Chegando no ônibus, sentei-me no primeiro lugar que encontrei e peguei meu celular. Emails, notificações no twitter e mensagens de números que não tenho ideia de quem são. Dei um leve suspiro e abri o instagram, sabendo que dessa vez era por um intuito diferente do que rolar sem rumo por um feed interminável de pessoas falsamente felizes. Uau. Poético.
Digitei o nome sem pensar duas vezes, e sabia que era ela apenas pela descrição de sua conta.

(@ev_)
Half Brazilian/Half British
You get the best of both worlds, right Hannah?
(Metade Brasileira/Metade Britânica
Você tem o melhor dos dois mundos, certo Hannah?)


Ri com sua piada extremamente sem graça de Hannah Montana, e segui vendo as fotos em sua conta.
Ela tinha ficado ainda mais bonita. Parecia feliz com seus amigos no Brasil, com sua mãe. Eu sabia o quanto seu pai a estava magoando aqui em Londres. Não consegui impedir a sensação de que queria ter passado um tempo com ela lá, conhecendo o outro lado de sua família, o lado brasileiro de .
Continuei vendo suas fotos, indo desde a primeira publicação até as mais recentes, e soltando ocasionais sorrisos lendo o que escrevia em suas fotos e vendo o quanto ela continuava uma criança por dentro. Até que cheguei na última foto postada, 3 dias atrás.
Era uma foto sua, sentada de pijama atrás de três malas vazias, fazendo uma careta.

Fazer malas é realmente muito divertido :( Londres, por que você não fica a um quarteirão de distância?

Gelei olhando pra imagem e engoli a seco. Então, ela estava voltando? Para ficar quanto tempo? Ou seria pra ficar de vez?
Não sei quanto tempo fiquei encarando a foto, mas senti vários corpos se juntando atrás de mim para espiar o que tinha me deixado em choque.
- Cara, quem é essa garota? Ela é linda. - Disse Niall atrás de mim e levando um tapa do Zayn em sua cabeça em resposta a sua pergunta indelicada.
Niall resmungou um 'ei' e permaneceu quieto olhando para mim de braços cruzados.
- Por que parece que você viu um fantasma? - Louis falou se sentando ao meu lado.
Suspirei bloqueando o telefone e o jogando na mesinha de centro.
- É uma amiga minha de infância. Anos atrás éramos melhores amigos, mas quando ela foi embora pro Brasil, acabamos brigando e perdendo de vez o contato. - Falei me virando para eles. - Sabe, às vezes sinto muito falta dela. Para contar e conversas sobre as coisas. Acho que ia me ajudar muito nessa nossa vida de agora.
- E por que vocês brigaram? - perguntou Liam.
Fiquei em silêncio alguns segundos, relembrando aquele dia.
Sabia que eu tinha sido egoísta. Que ela dizendo que ia embora tinha me magoado de uma forma que no impulso senti que precisava fazer o mesmo. Então disse todas aquelas coisas que a magoaram e fui embora. Se eu pudesse voltar naquele dia, fazer as coisas diferentes...
- É uma longa história. Em resumo, fui um babaca - Falei me levantando e recebendo o mesmo tapa que o Niall recebeu de Zayn. - Ei, eu tinha 15 anos, ok? Não me orgulho do que eu fiz.
- Mas por que você estava em choque agora a pouco? - Liam fez outra pergunta.
- Não sabia que eu estava sendo acusado de alguma coisa pra estar passando por esse interrogatório. - Ouvi eles resmungarem e eu revirei os olhos. - Ela está voltando pra cá. Voltando pra Londres.
- Vai atrás dela, ué. - disse Niall dando de ombros. - Se sente falta dela como você diz sentir, procura por ela aqui. Segue ela no instagram, pede o número dela...
- Não é tão fácil assim, Niall. O que garante que ela quer me ver? Que ela quer que eu procure por ela depois de tudo? - Suspirei. - Acho que vou deixar as coisas como estão. É melhor assim.
Ouvi Niall responder baixinho "E eu acho que você está sendo um idiota", mas fingi não ouvir.
Peguei meu celular, dei boa noite para todos e caminhei até o compartimento de camas do ônibus. Fiquei mais algum tempo fitando o perfil que continuava aberto em meu instagram e deixei meus pensamentos vagarem para longe dali, pra uma época em que eu não me permitia voltar depois que ela foi embora.


Capítulo 03

- Então quer dizer que sua mãe brasileira conheceu seu pai em um intercâmbio e engravidou de você no processo? – falou Sam bebericando seu café depois de me ouvir responder à pergunta "Então, qual é sua história?".
- Sim, exatamente. Mas, ela tinha 19 anos. O relacionamento não deu certo, entende? – falei gesticulando com meu copo já vazio. – 3 anos depois os dois já tinham terminado. Minha mãe tentou morar aqui algum tempo, mas minha vó precisou de ajuda no Brasil.
Ele concordou com a cabeça e me fitou como se achasse aquela conversa realmente interessante.
- Bom, acho que em trinta minutos acabei te contando toda minha vida. Espero que você não venda minhas informações online. – falei rindo.
- Acho que você deveria ficar de olho na internet, vai que acaba encontrando alguma coisa por lá? – Ele disse dando uma piscadinha e sorrindo. E que sorriso.
- Agora me conta de você. Quem é Sam Wattson? - falei corando um pouco com meu pensamento a seu respeito.
Ele riu e olhou para baixo, passando a mão por seus cabelos.
- Passei um tempo no Brasil treinando futebol. É meu sonho, entende? - ele falou com os olhos brilhando e eu concordei com a cabeça. - Mas, não queria entrar para os times de lá. Meu sonho mesmo é jogar nos daqui. Chelsea, Manchester, Liverpool... Pelo amor de Deus! acho que tem poucas coisas que eu queira mais. Mas, eu já fui recusado umas três ou quatro vezes nas peneiras. Por isso fui treinar no 'País do futebol'. Eu espero de verdade que dessa vez eu consiga algo.
Sam terminou de falar com um sorriso sem graça em seus lábios, acho que esperando ouvir algum comentário que o desencorajasse.
- Bom, tenho certeza que verei você um dia em um jogo de domingo a tarde com meu pai. - disse sorrindo verdadeiramente e recebendo o mesmo gesto em resposta. - Acho que eu devo ir, já deveria estar chegando em casa. - olhei o relógio em meu pulso.
Me levantei deixando uma gorjeta para garçonete e joguei o meu copo no lixo.
- Aceita uma carona? Meu carro está na garagem. - falou tirando a chave do bolso.
- Ah não, tudo bem. Vou pegar um táxi.
- Eu insisto, vamos! Prometo deixar você tagarelar por mais tempo. – Ele disse ajeitando sua mochila nos ombros e rindo após eu o ter empurrado.
Não sei o porquê da sensação familiar ao estar na presença de Sam.
Talvez seja o país, talvez seja o fato dele fazer pequenas coisas pra tentar me tirar do sério, como Harry fazia. Não sei mesmo dizer. Mas aqui, nas minhas primeiras horas na Inglaterra, senti falta de ter alguém com quem conversar, algum amigo por perto que me lembrasse de casa. Então, como se conhecesse Sam a anos, me permiti ser eu mesma e ser aberta com ele, como eu seria com qualquer amigo.
- Você vai carregar minhas malas por todo trajeto, até a porta de minha casa? - perguntei para ele.
- Você está me perguntando se vou ser seu mordomo extraoficial? - arqueou as sobrancelhas. - Ao seu dispor, madame.
E então, Sam fez uma reverência me fazendo rir e colocou minhas malas no carrinho que carregava.
O trajeto até seu carro no estacionamento foi silencioso. Eu apenas olhava as pessoas ao redor, ouvindo aquele inglês confortável e que eu sentia falta, vendo-as usarem roupas de frio, roupas que eu também agora usava e que ficaram guardadas no armário durante todos esses anos que estive fora da Europa.
Ao saírmos para o estacionamento ao ar livre do aeroporto, senti o vento frio em meu rosto, fazendo cócegas em meu nariz e acabei sorrindo. Conseguia ver os prédios antigos despontado ao longe e no céu as nuvens que davam a impressão de que um dia ensolarado era na realidade um milagre.
- O que foi? Por que está sorrindo? - perguntou Sam me encarando e se apoiando no carrinho em sua frente.
- Não sei, na verdade. - disse ainda com o sorriso que parecia não querer sair de meu rosto. - Acho que é a sensação de estar em casa.
- Mas, você ainda está no estacionamento do aeroporto. - ele fez uma careta e eu murmurei um "Vai a merda" o fazendo rir - Vamos, o carro é aquele ali.
Ele apontou para um carro preto caríssimo no final no estacionamento, me deixando boquiaberta.
- Por algum acaso você é da máfia? - perguntei ainda desacreditada.
- Sim, isso é um sequestro. - Ele falou rolando os olhos. - Meus pais têm uma quantidade de dinheiro... considerável. Anda, você não estava atrasada?
Considerável? Em qualquer emprego normal eu demoraria anos pra comprar um carro como aquele.
Suspirei e continuei caminhando até onde ele indicou que o carro estava.
Quando chegamos, Sam colocou nossas coisas na mala e abriu a porta do carona pra mim, ainda fazendo gestos superexagerados agindo como meu mordomo, me fazendo revirar os olhos. Ele entrou no lado do motorista, ligando o o aquecedor e arrancando de mim um suspiro em alívio. O passei o endereço de meu pai que estava em um papel e partimos daquele estacionamento.
- Então, quer ouvir alguma coisa? Quem sabe One Direction? - ele disse dando um sorriso malicioso e eu bufei. - Pensei que era fã, sabe, no avião.
Como se conta para um garoto que você acabou de conhecer que um de seus melhores amigos era na verdade Harry Styles, um dos astros da banda mais conhecida na atualidade? Você não conta.
- Eles são bem grandes aqui, não são? - perguntei olhando pra janela do carro em movimento.
- , esses caras são famosos em qualquer lugar. - ele disse ligando o rádio por fim em uma estação qualquer - Única vez que os vi aqui em Londres foi levando minha irmãzinha em um dos shows. Acho que não podem sair muito por causa do tumulto.
Acho que em algum lugar em mim, eu esperava conseguir encontrar o Harry de alguma forma. Tomando café na padaria perto de onde morávamos e onde ele trabalhou por um tempo, na loja de CD'S favorita dele, no parque onde ficávamos horas conversando usando os balanços. Senti meu peito se apertar um pouco e minha visão ficar turva com o lacrimejar de meus olhos, ao sentir a saudade de um tempo que não voltaria mais.
Sam me encarou por alguns segundos, com uma expressão de desentendimento e voltou seus olhos pra estrada, decidido a não fazer nenhum dos comentários que havia pensado.
- Chegamos. - disse ele.
Senti o carro parar em frente a uma casa branca, maior do que a da minha infância e respirei fundo. Acho que meu pai realmente conseguiu um emprego melhor dessa vez.
- Obrigada pela carona, Sam. Até que estou feliz de ter te conhecido. - dei um beijo e sua bochecha e abri a porta para sair.
- Acho que vai precisar do meu número, sabe? Caso precise de um mordomo novamente. - Ele retirou o celular do bolso e eu revirei os olhos.
- É, talvez eu precise de seus serviços. - falei pegando o celular de suas mãos.
Por que isso soou tão malicioso? Meu Deus, eu estava flertando com ele?
Devolvi seu celular, dei um sorriso corando e fechei a porta do carro. Peguei minhas bagagens na mala e as levei para porta de casa. Olhando para trás, vi Sam dar um breve aceno e partir para longe.
Respirei fundo olhando pra porta marrom em minha frente e toquei a campainha. Depois de alguns segundos Catherine abriu a porta com seu filho abraçado em suas pernas.
- Olá, . Bem-vinda de volta. - disse ela.
- Quem é essa, mamãe? - o pequeno perguntou.
- Sua irmã mais velha, Noah. - falou Catherine passando a mão pelos cabelos loiros do menino. - Entre, . Fique a vontade.
Concordei com a cabeça, sem saber o que dizer, e entrei na casa com as malas.
- Pode deixá-las aqui no canto da sala, seu pai pode subir com elas depois para o seu quarto. - Ela disse sorrindo.
"É o mínimo, né?" pensei inevitavelmente. Não soube dizer como Catherine estava tão simpática. Nossas conversas eram no máximo "Bom dia", "Acho que vai chover" e "Boa noite". Acho que ter seu filho, Noah, a ajudou a criar um pouco de sensibilidade e ser menos indiferente a meu respeito.
- Vou subir para meu quarto, então. Se não se importa. - disse deixando minhas malas no canto, levando apenas comigo o presente que recebi no aeroporto.
Ela fez um gesto de que estava tudo bem, indicou a terceira porta a esquerda no segundo andar e foi para cozinha preparar algo para Noah comer.
Subi as escadas em direção ao quarto e o adentrei quando o encontrei. As paredes eram brancas com quadros diversos pendurados, havia uma escrivaninha de madeira clara, um armário consideravelmente grande e uma cama de casal.
Sentei-me na cama admirando o quarto realmente confortável e aproveitei para desembrulhar o presente de minhas amigas. Retirei o caderno dos embrulhos e o abri vendo que algo fazia um volume dentro. Havia um saquinho com um chocolate na primeira página e uma mensagem presa.
Para curar qualquer coisa que te faça mal. Amamos você. - Lara e Lili
Sorri para o papel e deixei os presentes em cima da escrivaninha. Tinha uma sensação de que iria comer aquele chocolate em breve. Fui tirada de meus devaneios ao sentir o celular em meu bolso tremer.
- Essa foi rápida. - ri comigo mesma pensando no que Sam poderia ter me mandado. Mas quando olhei para o celular, só consegui engolir a seco.
- O quê?


Capítulo 04

Querida, pedi seu número ao seu pai em uma das vindas dele para assistir ao jogo com meu marido. Soube que está de volta. Aceita uma xícara de chá? Te espero. - Anne.

Reli aquela mensagem diversas vezes no meu celular, tentando apenas raciocinar o que estava escrito ali. Há quanto tempo não recebia alguma notícia da mãe do Harry? Tentei por tanto tempo falar com ela em meus primeiros meses no Brasil. Ela era como minha mãe aqui, e ver que eu a tinha magoado ao ter deixado Harry triste, fez toda a situação que já era ruim ficar mil vezes pior.
Na verdade, eu tinha conseguido falar com a Anne apenas uma vez em meu tempo fora. Mas quando ela atendeu, as únicas palavras que ouvi foram "O Harry está ocupado agora, desculpe ." e "Você fará falta aqui". Por eu não conseguir pronunciar mais do que soluços por estar aos prantos, a ligação rapidamente foi finalizada.
Tinha tantas lembranças com ela. Mas a que me lembro perfeitamente, é a de quando fui pra sua casa pela primeira vez.
Eu e Harry tínhamos 5 anos, havíamos acabado de nos conhecer no parquinho em frente a sua casa. Eu estava vestida com um vestido de princesa cor de rosa bufante e Harry usava a blusa, sandália e o relógio do Homem-Aranha. Por algum motivo que não me lembro, acabamos brigando (tenho quase certeza que ele tirou sarro do meu vestido), e tentando correr atrás dele, eu acabei ralando o joelho.
Harry atravessou a rua segurando minha mão, desesperado e dizendo "Vai ficar tudo bem, a mamãe sempre sabe o que fazer". Eu apenas chorava e Anne ficou preocupada por ver Harry me puxando para dentro de casa tentando explicar as coisas de forma rápida demais, soando todo embolado por estar nervoso. Anne segurou minha mão, me sentou no sofá e limpou me joelho finalizando com um band-aid cor de rosa da Hello Kitty. Secando minhas lágrimas com suas mãos, ela olhou pra mim sorrindo e disse "Está tudo bem. Até princesas se machucam as vezes.".

Claro, Anne! Eu adoraria. - xx

Respirando fundo e com borboletas rondando meu estômago pelo nervosismo, enviei a mensagem e guardei o celular de volta em meu bolso. Sabia também que não estava nervosa só por estar de novo em contato com a segunda família que eu mais amava no mundo, mas porque no fundo eu esperava encontrar ao tocar a campainha o maior sorriso com covinhas que eu conhecia. Eu esperava encontrar meu melhor amigo. Esperava encontrar o Harry.
Desci as escadas e sem esperar por meu pai carreguei as malas que trouxe para cima, uma a uma. Olhei suspirando para as três intactas e fechadas no chão do quarto, discutindo internamente se eu tirava todas as roupas de dentro ou não antes de ir para meu dormitório da faculdade em duas semanas. Meu 'eu' cansado das inúmeras horas de viagem decidiu por mim e a resposta foi um claro não. Apenas abri uma delas e retirei uma blusa de manga de lã, uma calça e o primeiro sapato preto fechado que encontrei.
Percebendo pela primeira vez que meu quarto era na verdade uma suíte, adentrei o banheiro e liguei a água quente sem esperar muito tempo antes de entrar com tudo no chuveiro. A quentura pareceu desfazer toda a tensão das minhas costas e eu sinceramente queria ficar ali até o último dia da minha vida.
Me arrumei rapidamente com a roupa separada para sair, sem me importar muito de estar arrumada ou não, apenas não me deixando esquecer a carteira e o celular. Fechei a porta e comecei a descer os lances de escada, ouvindo ao longe a porta de entrada se abrir.
- Catherine? Amor? Noah? - ouvi a voz do meu Pai ecoar.
- Arthur, estou na cozinha preparando a janta! - respondeu a voz da Catherine seguida pelo ressoar das panelas que ela usava. - Noah está tirando um cochilo no quarto!
- A já chegou?
- Estou aqui, pai. - falei terminando de descer a escada e vendo seus olhos repousarem sobre mim.
Os seus cabelos castanhos já tinham alguns fios brancos pelo estresse e ele havia ganhado alguns quilos a mais, mas ali estava ele. Meu pai. Tudo o que eu tinha em todo o minha vida aqui.
Ele ficou me encarando algum tempo, pensando no que falar pra mim, supus. Até que depois de incontáveis segundos, eu ouvi sua voz.
- Pumpkin, desculpa não tê-la buscado. Eu... - ouvir meu apelido de quando eu era criança sair de sua boca fez meu coração apertar. Não sabia o quanto eu realmente sentia sua falta. - Você está ruiva.
Ele fez uma careta.
- Tudo bem, pai. Trabalho, eu entendo. - falei fingindo um dar de ombros. - Ah, pintei no início do ano. Mamãe falou que você não iria gostar.
Dei uma risadinha sem humor e ele fez o mesmo dando de ombros.
- Eu estou indo até a casa dos Styles. Anne me chamou para um chá, disse que você deu meu número a ela. - eu disse brevemente.
- Sim, acabei dando. Você não queria? Não era pra eu ter feito isso? - falou legitimamente preocupado se aproximando.
- Não, não tem problema nenhum. - falei alternando o peso entre minhas pernas em desconforto. - Eu senti muito a falta deles nesses anos.
Ficamos em um silêncio desconfortável, apenas nos encarando, até que eu resolvi quebrá-lo.
- Acho que vou indo então. Não precisam me esperar para o jantar, devo chegar cansada demais para comer.
Me dirigi a porta.
- Posso ganhar um abraço? - perguntou antes que eu passasse por ele finalmente.
Com o nó na minha garganta aumentando cada vez mais, olhei pra ele concordando com a cabeça e o envolvi recebendo em resposta um abraço apertado.
Deus, como eu sentia sua falta!
Ficamos ali, eternos segundos, apenas aproveitando a companhia um do outro. Nenhum de nós aparentando querer sair do abraço;
- Agora vou indo. - passei a mão por meus cabelos desconfortável. - Tchau, papai.
passei por ele em direção a porta, apenas gritando um breve "Tchau" para Catherine, nem parando para ouvir sua resposta.
O endereço que recebi anexado à mensagem de Anne mostrava uma casa não muito longe dali, talvez há uns dois quarteirões, dois quarteirões e meio. Decidi que eu tinha condições físicas o suficiente para ir andando e segui pelas ruas, apenas aproveitando a agradável brisa londrina.
Mais uma vez me vi perdida pela paisagem ao meu redor, me fazendo lembrar o quanto eu amava e ficava deslumbrada pela arquitetura local. Como eu vivi tanto tempo longe de casa? Eu só queria sorrir para todas as pessoas com que eu cruzasse na rua, esperando que o mau humor londrino não estivesse instaurado nas pessoas hoje.
Continuei minha caminhada até achar o enorme portão de uma casa gigantesca. A casa era de um branco sutil com o telhado detalhado de cores escuras, uma porta que ocupava quase a parede inteira e um jardim extraordinário que cercava o lote.
- Uau. - foi a única coisa que eu consegui e me permiti dizer.
Toquei a campainha e aguardei alguns segundos lentos e dolorosos pela resposta do porteiro, apenas batucando meus dedos incansavelmente na parede e soltando suspiros cansados que somente eu podia ouvir.
- Desculpa a demora, senhorita. Abrirei o portão imediatamente. - disse a voz do interfone, um pouco sem jeito.
Nem me dei o trabalho de responder e adentrei o portão que me direcionava ao jardim mais lindo que eu havia visto. Anne sempre disse ao Harry que queria mudanças na casa e mais flores do lado de fora, eu imagino sua felicidade ao ver o quanto seu filho faria para que ela ficasse feliz. Eu não conseguia parar de sorrir ao lembrar desses dois.
Caminhei rapidamente pela parte asfaltada que entrecortava o mato ao redor. As borboletas do meu estômago me faziam agradecer por não ter comido nada há horas, se não eu estaria sinceramente cogitando colocar tudo para fora.
Antes que eu pudesse bater na porta, Anne a abriu me lançando um dos seus maiores sorrisos.
E ali estava ela. A minha segunda mãe, com os olhos mais lindos que me lembravam tanto ao meu melhor amigo, seus cabelos negros que envolviam seu rosto e o sorriso que parecia nunca querer sair de seus lábios. Parecia que meu coração ia entrar em combustão de tanta saudade que eu sentia.
- ! Como você está linda, querida. Venha aqui.- ela me chamou pelo apelido como o Harry me chamava, abrindo os braços, e eu não hesitei em abraçá-la fortemente.
- Anne, como eu senti sua falta! - eu disse ainda enlaçada em seu abraço.
Ela me soltou e analisou meu rosto, colocando meus fios de cabelo atrás da minha orelha.
- Eu também senti muito sua falta. - ela abriu caminho para casa atrás dela - Vamos, entre.
Eu concordei com a cabeça e entrei na casa lindamente mobiliada atrás dela.
Com paredes claras e móveis simples, a casa era simplesmente linda e aconchegante, como a casa dos Styles sempre foi. A única coisa que mudava era o silêncio, com Gemma e Harry fora de casa, tudo ao redor parecia quieto demais.
- Sente-se no sofá, . Eu vou trazer nossos chás e os seus cookies favoritos.
Ela correu para cozinha e eu só gargalhei levemente.
- Acredita que eu só voltei por causa dos seus cookies? - eu disse alto para que ela me escutasse da cozinha.
- Não, mas fico feliz que você goste tanto deles a ponto de mentir. - ela gargalhou e voltou com uma bandeja de prata com as duas xícaras e um prato cheio de biscoitos, colocando-a na mesinha de centro.
Eu não demorei em pegar minha xícara e tomar um longo gole do chá com leite, deixando o líquido esquentar meu corpo me fazendo sorrir com o processo.
- , eu... - Anne suspirou e bebeu um pouco do conteúdo na sua xícara. - queria te pedir desculpas por nunca ter retornado suas ligações.
Eu engoli a seco e ela continuou.
- Você sabe que sempre foi como uma filha pra mim. Você, Gemma e Harry sempre foram minha maior prioridade. - ela devolveu seu chá para bandeja para poder gesticular. - Mas quando eu vi o Harry devastado depois que você foi embora... Eu achei melhor que ele... Eu achei melhor que nós...
- Está tudo bem, Anne. Eu entendo, não sem preocupe. - falei ignorando o aperto que se formava em minha garganta. - Eu não entendi na época, fiquei arrasada na verdade, mas hoje em dia está tudo bem, estou feliz de estar aqui.
Ela segurou minhas mãos carinhosamente e deu um leve sorriso.
- Também estou muito feliz que esteja aqui.
- E como está... como ele... - fiquei meio sem jeito e enfiei um biscoito todo de uma vez na boca, me impedindo de continuar a frase.
- O Harry? - ela me perguntou e eu concordei com a cabeça. - Não o vejo com constância. Está sempre viajando, em turnê, dando entrevistas... Você sabe, vida de um astro mundial. Quem diria, não?
Eu dei uma risada desanimada e concordei com a cabeça, sentindo as borboletas no meu estômago se dispersarem finalmente. Eu sabia que no fundo eu esperava que ele entrasse pela porta, carregando nossa pizza favorita, com seus cachos cobrindo seu rosto da forma como acontecia sempre que ele corria, gritando que havia chegado em casa.
- Ah, querida. Não fique triste, eu também sinto falta dele. - ela continuou afagando minhas mãos, percebendo minha tristeza. - Sabe, sempre pensei que você e ele terminariam juntos.
- Eu e o Harry? Não! Sempre fomos melhores amigos. - ri sem jeito.
Ela riu e se levantou para retirar a bandeja que inconscientemente já tinha sido esvaziada por nós duas durante a conversa, carregando tudo junto ao seu corpo com cuidado.
- Se você diz... - ela falou indo rapidamente para cozinha e eu a acompanhei. - Ele falava tanto sobre você.
Ela sorriu como se alguma lembrança tivesse invadido a sua mente e eu não pude evitar de repetir seu gesto.
- Anne, você acha que ele vai querer me ver depois desse tempo todo? - perguntei mordendo os lábios por nervosismo e me apoiando na bancada de mármore atrás de mim. - Se algum dia eu conseguir encontrá-lo nessa loucura toda, digo.
- Se eu não consegui ficar longe de você assim que descobri que você estava aqui, você acha que meu filho consegue? - ela sorriu, enquanto lavava a louça cuidadosamente. - Pode ficar tranquila. Tenho certeza que você e o Harry vão se encontrar mais cedo do que você pensa.
Tentei concordar com a cabeça, mas a insegurança de nunca mais vê-lo ecoava com constância na minha mente.
Ouvi Anne suspirar e se aproximar de mim lentamente.
- Ok, . Me dê aquele bloco de papel ali que está em cima da bancada. - ela disse esticando a mão.
- O quê?
- Anda, confia em mim. - Anne falou calmamente ainda com o braço esticado.
Eu passei o bloco e ela retirou a caneta anexada a ele, começando a anotar algo rapidamente na folha em branco.
- Pronto. - ela destacou a folha - Aqui está.
- Aqui está o quê? - perguntei ainda não entendendo o que ela havia anotado na folha em branco.
- O telefone dele, querida. Se as circunstâncias não unirem vocês mais cedo ou mais tarde... - ela sorriu - Tenho certeza que isso aqui vai.
Fiquei um pouco estática, intercalando o olhar entre o papel e Anne diversas vezes, pensando no que responder a ela.
- Anne, eu não posso simplesmente ligar e...
- Olha só a hora! Está ficando tarde! Melhor voltar antes que seu pai começa a me ligar achando que você foi sequestrada. - ela começou a me puxar para voltar com ela para a entrada da casa, antes que eu pudesse argumentar sobre o que ela havia me entregado. - Apenas considere. Queria muito rever os dois juntos aqui, como nas inúmeras noites de filmes que vocês faziam. Você não?
Eu suspirei em derrota e concordei com a cabeça e ela mais uma vez me lançou um de seus belos sorrisos.
- As coisas vão se ajeitar, . - ela me abraçou forte. - Agora vá, antes que fique tarde.
- Muito obrigada por ter me chamado para vir aqui vê-la, Anne. - sorri segurando suas mãos. - Fiquei surpresa, mas extremamente feliz.
- Fiquei muito contente por você ter aceitado meu convite. Sei que te verei aqui mais vezes.
Nos despedimos mais uma vez, até que finalmente saí da sua casa para iniciar o trajeto de volta até a minha.
Ainda parada em frente a porta da casa dos Styles, agora fechada atrás de mim, encarei o papel com o número de Harry e retirei o celular de meu bolso. O que eu poderia falar caso resolvesse ligar? "Oi! Ainda lembra de mim? Aquela sua amiga lá que foi embora 4 anos atrás! Juro que não sou uma fã desesperada!".
Soltei uma gargalhada baixa com meus pensamentos e usei meu celular apenas para olhar as notificações mais recentes.
Tinha mais uma mensagem de um número desconhecido. Ótimo. O mundo todo resolveu entrar em contato comigo hoje.

"Olá, madame. Aqui quem fala é seu eterno servo, Sam. Você se lembra de mim, né? (Com certeza lembra, como esquecer alguém tão bonito? E também, apenas se passaram algumas horas.) Gostaria de requisitar sua presença para almoçar comigo amanhã ao 12:00. Prometo te buscar em casa e sinceramente não aceito não como resposta. Te vejo amanhã. xx Sam

Ri com a mensagem extremamente convencida e digitei com pressa uma resposta.

”Ora, ora. É o inconveniente do avião de novo?
Tudo bem, eu aceito seu convite. Mas você precisa se vestir adequadamente de terno e me buscar em um cavalo branco. Ah, e isso não é um encontro.
Te vejo amanhã, Sam.
xx "


- Que vida agitada para alguém que acabou de chegar, . - falei comigo mesma.
Respirei fundo e segui para o caminho que me levava de volta para casa.

Capítulo 5

Acordei no dia seguinte com o incessante barulho do meu despertador na minha cabeceira. É a terceira vez que ele toca e eu desligo para dormir mais cinco minutos merecidos. Até que eu decidi olhar pela primeira vez que horas realmente eram e dei um pulo da cama ao ver os números no visor. 11:30. Sam iria chegar a qualquer momento.
Corri para o banheiro, tropeçando em algumas de minhas malas que estavam no caminho e a visão no espelho não era nada agradável. Olheiras gigantes pela longa viagem, cabelo extremamente bagunçado e frizzado e o pijama amarelo que eu usava frequentemente, mas que não valorizava em nada minha aparência.
Comecei a escovar meus dentes e pentear meu cabelo ao mesmo tempo, tentado correr para otimizar os últimos minutos que eu tinha antes da hora do meu não date chegar.
Meu não encontro com Sam Wattson. Por que eu aceitei sair com ele mesmo? Eu sabia muito bem, mesmo que meu pessimismo me impedisse de aceitar. Eu havia me sentido atraída por ele; o cabelo escuro que caia em seus olhos, o seu corpo alto e levemente tonificado pelo esporte que praticava, e sua boca que fazia minha mente ir por caminhos que me davam arrepios. Até seu senso de humor extremamente sarcástico era contagiante....
- Se organiza, . - falei dando um tapa na minha própria testa para me fazer acordar de meus delírios. - Se organiza.
Terminei de deixar meu cabelo apresentável o suficiente para sair de casa e passei uma maquiagem leve que apenas destacasse meus olhos e meus lábios. Corri de volta para meu quarto e coloquei uma roupa simples, a encobrindo com um casaco para me proteger na brisa fria que assombrava as ruas naquela época do ano. Olhei novamente o relógio e já eram 12:05; eu estava atrasada, mas se ele não havia chegado ainda, estava no lucro.
Como se lesse meus pensamentos, a campainha da casa ressoou e me apressei para pegar minha bolsa que estava em cima da cabeceira para sair do quarto. Quando estava no corredor, conseguia ouvir a voz de Sam ecoando na porta, que foi aberta por meu pai.
- Boa tarde, senhor. A senhorita está? - o ouvi dizer enquanto já estava descendo as escadas.
"Senhorita?" ri comigo mesma. Ele deve estar mesmo querendo deixar uma boa impressão.
- Sam? Sam Wattson? - meu pai perguntou desacreditado. Eles se conheciam? - Meu nome é Arthur , eu sou secretário chefe da empresa de seu pai.
Secretário chefe? Não é à toa que conseguimos comprar essa casa que tem quase o triplo do tamanho da nossa antiga.
E é daí que vinha o dinheiro para comprar o carro preto extremamente extravagante dele. O pai dele tem uma empresa. Deus, possuir uma empresa que tenha posições como secretário chefe te deixa no mínimo milionário, o quão rico eles devem ser?
- Ah, muito prazer, senhor. - Vi Sam apertando firmemente a mão de meu pai em respeito, até que seus olhos finalmente se encontraram com os meus - Aí está você. Já está pronta, madame?
E ali estava ele, ainda mais estonteante do que no dia do aeroporto. Seus cabelos escuros devidamente arrumados, seus olhos acompanhados das pequenas rugas que se formavam quando sorria, e os dentes tão brancos que daria inveja em qualquer dentista. Ele usava uma roupa casual, mas que nele parecia um look de tapete vermelho. Apenas uma jaqueta jeans, uma calça preta e uma blusa branca. Simples, mas fazia um trabalho extraordinário.
- Estou, ó nobre cavalheiro. - Soltei uma risada e caminhei até eles.
- Como vocês dois se conheceram? - perguntou meu pai com o semblante confuso com a situação ao seu redor.
- Senhor , basicamente sua filha falou dormindo do meu lado no avião. - Eu dei um leve tapa em seu braço e ele me lançou um de seus sorrisos. - Ei!
- Vamos logo, motorista. Para de importunar meu pai. - falei o empurrando para fora de casa e ele gargalhou - Tchau, pai. Te vejo mais tarde.
Falei já fechando a porta atrás de mim, sem ouvir nenhuma palavra sair da boca de meu pai, provavelmente por ainda estar atônito de eu estar saindo de casa com um ricaço filho de seu chefe.
- E então? Cadê o terno e o cavalo branco que eu te pedi? - falei brincando e colocando a mão na cintura - Acho que estou sendo obrigada a voltar para casa.
- Bom, o meu terno favorito está separado para o jantar beneficente que eu tenho semana que vem. E como não estamos no século XIX para andarmos de cavalo, vim te buscar em um carro branco. Serve? - falou apertando o botão da chave do carro, fazendo com que o barulho de que a porta havia sido aberta ressoasse pela rua.
- Então seu pai é mesmo dono de uma empresa. - perguntei ainda meio em choque ao ver outro carro caríssimo, que pertencia a ele parado do outro lado da rua.
- Você estava ouvindo a conversa com seu pai, né? - ele coçou a nuca um pouco desconfortável - Sim, ele é. Vivemos confortavelmente aqui em Londres, assim posso dizer.
- Se confortavelmente é ter 1500 carros por pessoa, sim vocês vivem de forma bem confortável. - Eu dei uma gargalhada enquanto atravessávamos a rua, e enfim chegarmos ao seu carro - Então, o que você preparou pra esse não date?
- Ah eu tenho muitas coisas preparadas. - Ele deu um sorriso de canto e balançou a cabeça como se quisesse tirar algo da mente, me fazendo sentir um calafrio percorrer minhas costas - Depois de você, madame.
Eu revirei os olhos, mas senti o meu sorriso escapando de meus lábios, e adentrei o carro. Logo após fechar minha porta, ele se sentou ao meu lado e deu partida no carro, seguindo para as estradas movimentadas da cidade.
- Então, você não pretende me contar mesmo para onde vamos? - disse descruzando os braços, aproveitando o calor do aquecedor.
- Não, já, já chegaremos.
- E se você for me sequestrar? - eu disse e ele deu uma gargalhada gostosa.
- Você não acha que se fosse pra eu te sequestrar eu já teria feito isso na primeira vez que entrou no meu carro? - ele desviou o olhar da pista por um momento para olhar pra mim - E como você entrou no meu carro assim de primeira sem me conhecer? Você é suicida?
- Ei, você que veio com o papo "ah moça do avião me desculpa aí, eu fui um babaca. Posso te pagar um café? E uma carona, aceita?" - eu disse engrossando minha voz e ele bufou, mas não conseguiu esconder o sorriso - E você acha que eu ia negar um café depois de horas sem comer nada? E poxa, minhas perninhas estavam doendo. Eu aceitaria uma carona até de um cara com um saco preto dentro de uma van.
- Você me assusta um pouco sabia? - ele disse ainda sorrindo, mas concentrado no caminho para onde estava nos levando.
- Enchanté. - Eu disse brevemente e dando uma risada logo em seguida - Então, estamos chegando?
- Sim, só mais algumas ruas a frente. Apressadinha.
Seguimos o resto do caminho sem falar nada, mas um silêncio bom, confortável. Sam olhava para mim algumas vezes de canto de olho, mas desviava rapidamente. Tentei ao máximo fingir que não estava percebendo, mas sentia meu rosto corar todas as vezes que seus olhos se voltavam para mim. Senti o carro parando na frente de uma varanda aberta de um restaurante que parecia caro até demais. Ela ficava voltada para um píer, com uma visão do oceano que parecia retirada de um cartão postal.
- Uau. - Eu disse ainda boquiaberta com a vista - Se eu soubesse que você me traria aqui eu teria me vestido melhor. Tipo com o vestido que Angelina Jolie usou no Red Carpet do Oscar.
Ele riu do que eu disse e saiu do carro, quase correndo para o outro lado para abrir a porta antes que eu tivesse a chance.
- Vamos, . Estamos realmente atrasados pra nossa reserva. - Ele me estendeu a mão para me ajudar a sair do carro e eu aceitei.
Andamos até o restaurante extremamente bonito e arrumado e rapidamente um garçom veio nos receber para nos levar até nossa mesa na varanda. Todos os funcionários do restaurante pareciam conhecer o Sam e se referiam a ele formalmente e como Senhor Sam Wattson. Eu estava começando a suspeitar que ele é ainda mais rico do que eu estava achando que era. Sentamo-nos na mesa que estava reservada, um em cada ponta e os olhos maravilhosamente azuis dele pousaram em mim mais uma vez.
- Como você conseguiu fazer uma reserva tão rápida assim nesse restaurante? Ele está lotado. - perguntei olhando em volta.
- Meu pai, ele é um dos proprietários. - Sam disse meio sem jeito - Sabe como são os empresários, querem deixar o nome em todos os cantos.
Eu não tinha ideia de como eram os empresários. O mais perto que eu cheguei de ter um negócio foi quando comecei a vender brigadeiro com Lara e Eliana para irmos na viagem de formatura.
- Seus pais eles... te apoiam no seu sonho de jogar futebol? - disse bebericando um pouco da água que eles já haviam disponibiado na mesa - Porque ele simplesmente podia te mandar herdar a empresa no futuro e te forçar a algo que você não quer.
- Ah eles tentaram uma vez sabe, me forçaram a trabalhar meses na empresa. - Ele disse soltando uma risada pelo nariz por lembrar de algo - Mas não deu muito certo, eu fui péssimo, quase perdi contratos importantes e muito dinheiro. Eles acabaram cedendo, mas nunca foram em nenhum jogo ou peneira minha.
Eu apenas acenei com a cabeça ao ouvir sua resposta, mas não consegui esconder minha expressão de um pouco de pena pela falta de apoio de seus pais. Eu não me identificava diretamente com a história de não querer herdar uma empresa milionária, mas quando meu pai me mandou para o Brasil eu também tive essa experiência de abandono.
O garçom voltou para nossa mesa esperando que fizéssemos nosso pedido, mas acabamos esquecendo até de olhar qualquer coisa no cardápio. Quando o peguei para olhar os pratos, me assustei com o valor. Nem se eu lavasse pratos por uma semana aqui eu conseguiria rachar a conta com o Sam.
- Ei, fica tranquila. Você acha que eu iria te chamar para sair querendo que você pague qualquer coisa? - ele disse talvez percebendo meu olhar de desespero para o cardápio - Pode pedir o que quiser.
Acabei escolhendo uma salada com especiarias e salmão que era um dos pratos mais baratos e Sam escolheu o filet mignon. Logo o garçom se retirou e ficamos a sós de novo.
- E qual é o seu sonho ? - ele apoiou o rosto em suas mãos e chegou seu corpo para mais perto da mesa, tentando mostrar curiosidade.
- Bom, Sam Wattson meu sonho é ser jornalista. Jornalista investigativa sendo bem exata. - Senti um sorriso brotar em meu rosto pensando na profissão dos meus sonhos - Eu sempre gostei muito de ver aqueles documentários criminalistas e pesquisar sobre os casos. Minha mãe ficava um pouco preocupada quando eu dizia que queria trabalhar com essas coisas, mas hoje em dia ela morre de orgulho.
- E seu pai o que ele acha desse sonho? - ele perguntou ainda na mesma posição.
- Meu pai? Bom, ele só sabe que eu vou fazer jornalismo porque eu avisei na mensagem em que dizia que eu voltaria pra Londres. Mas depois que eu fui para o Brasil não conversamos muito, eu ainda estava muito magoada com tudo...
- Me desculpe por trazer à tona esse assunto. - Ele disse soando preocupado.
- Tá tudo bem, as coisas tiveram que se ajeitar de algum jeito. Afinal vou ter que morar com ele até encontrarem um dormitório para mim no campus. Então...- dei de ombros e abri um sorriso um pouco forçado.
Ele sorriu verdadeiramente, fazendo meu estômago revirar por ver algo tão bonito tão de perto. Senti que ele ia dizer algo, mas o garçom chegou com nossos pedidos interrompendo o rumo da conversa.
O prato estava ridiculamente delicioso. Quando pedi uma salada, não esperava que o gosto seria simplesmente inexplicável. Quem espera muito de uma salada?
Comemos tranquilamente, apenas aproveitando o momento e, pelo menos da minha parte, pensando muito no que dizer em seguida. Sem que notássemos, o prato dos dois já havia sido esvaziado e era preciso que um de nós rompesse o silêncio.
Antes de falar alguma coisa fiquei apreciando a paisagem ao nosso redor. Como o Harry iria gostar desse restaurante, de olhar pra esse mar e ficar perdido em pensamentos, até eu ficar chamando seu nome várias e várias vezes, fazendo-o fingir uma cara de bravo por tirá-lo de seus devaneios. Ou pelo menos o antigo Harry gostaria. O que eu sabia desse novo menino milionário e que lota estádios?
- Você quer chegar mais perto do píer para ver a paisagem? - disse Sam me tirando de meus pensamentos.
- Perdão? - eu disse voltando a realidade.
- Já estava encarando o mar há um tempo, pensei que quisesse ver mais de perto. - Ele falou meio sem jeito.
- Ah eu estava apenas pensativa. Muitas memórias do meu passado aqui, sabe? - eu sorri brevemente - Mas, sim. Eu adoraria ver a paisagem mais de perto.
Ele se levantou e foi até meu lado da mesa, esticando a mão para que eu o acompanhasse e eu aceitei. Sam me levou até a parte mais extensa da varanda, que dava ao início do píer. A brisa que vinha do oceano era gélida, o que me fez inconscientemente me aconchegar mais no meu casaco e quase ter o impulso de esconder meu rosto daquele vento.
- Você quer minha jaqueta? - perguntou Sam já tirando-a de seu corpo.
- Tá maluco? Aí você que vai congelar. - Eu disse empurrando a jaqueta de volta para ele.
- Anda, para de ser teimosa por um minuto. - Ele ignorou meus esforços de devolver a jaqueta e colocou-a entorno de meus ombros.
- Obrigada. - Eu disse formando um pequeno sorriso em meus lábios - Por tudo sabe. Desde a carona do aeroporto até esse lugar lindo.
Ele abriu um sorriso e colocou atrás de minha orelha alguns fios rebeldes do meu cabelo. Sam foi se aproximando e minha respiração foi ficando mais irregular a cada passo dele.
- Sabe, eu te achei linda desde o momento que você babou no meu ombro no avião. - Ele disse chegando mais perto, e mesmo sentindo arrepios percorrerem meu corpo, me esforcei para rolar meus olhos. - E ocasionalmente disse o nome de um cantor do pop.
- Sam Wattson, o que você... - eu disse mantendo meu corpo estático enquanto ele juntava nossos corpos.
- Eu espero que você diga sim... - ele disse agora quase colando nossos rostos.
Eu fechei meus olhos e senti sua respiração fazer cócegas em meu nariz.
- Você quer... - ele disse pausadamente - Ir no show da One Direction comigo e minha irmãzinha nesse sábado?
- Sim. - Eu disse ainda de olhos fechados, só depois percebendo a real proposta de Sam. - Pera o quê?
Ele deu uma gargalhada e se afastou, tirando 3 ingressos do bolso para o show. Primeira fileira.
- Minha irmã é muito nova para ir desacompanhada, então preciso ir com ela. - Ele disse ainda mostrando os tickets. - Aí pensei quando cheguei em casa, por que não levar a maior fã de Harry Styles junto comigo?
- Eu não sei se vai ser uma boa ideia. - Eu disse percebendo o que aquele show significava - Eu tenho que arrumar minha vida aqui em Londres e esse sábado é um péssimo dia...
- Ei, você já disse sim. Não tem mais volta, . - Ele disse rindo e me entregando um dos ingressos - Eu te pego na sua casa às 17:00. Os portões abrem cedo e a Sarah "precisa ficar perto de seu futuro marido Niall Horan".
Ele fez gestos exagerados imitando sua irmã e eu soltei uma risada, me esforçando para parecer ainda conectada na conversa. Mas eu só consegui olhar para o ingresso e lembrar de Harry. Será que ele vai me ver ali? Óbvio que vai, Sam é milionário, se estamos na frente significa que estamos na frente de verdade. Então será que ele vai querer falar comigo depois desse tempo todo? Ele não me odeia ainda, odeia?
É Anne, acho que não vou mesmo precisar daquele número. Verei Harry Styles ao vivo e a cores depois de 4 anos.

Capítulo 6

Eu ainda não conseguia acreditar que o dia havia chegado. Sábado. Show da One Direction. Ver o Harry ao vivo e a cores pela primeira vez depois de tanto tempo. Parece que o tempo voou desde que Sam me empurrou um de seus 3 convites e me trouxe de volta para casa, resultando em inúmeras perguntas de meu pai ainda desacreditado por eu ter almoçado ocasionalmente com um milionário e por do nada aparecer com um convite para o show mais requisitado de Londres. Mas desde aquele momento, eu não conseguia pensar em mais nada, só no meu melhor amigo. Bom, ex melhor amigo.
Peguei meu computador e pesquisei pelo nome da banda no Youtube, querendo pelo menos ouvir um pouco da setlist do show antes de ir, e não pude deixar de me sentir maravilhada pelas vozes que ouvi, principalmente a versão que faziam de Teenage Dirtbag, uma das minhas músicas favoritas de todos os tempos. Algumas das músicas eu já tinha ouvido lá no Brasil, e todas as vezes me embrulhava o estômago por não poder simplesmente ligar para o Harry e dizer o quanto eu estava orgulhosa por tudo aquilo. Mas, hoje o sentimento era diferente. Eu estava nervosa porque dessa vez eu poderia realmente dizer essas coisas para ele, dizer o quanto senti sua falta.
- Para de ser besta, . Ele nem vai te ver ali. O lugar vai estar lotado. – eu balancei a cabeça negativamente, tentando afastar os pensamentos – Você vai ouvir as músicas e depois vai voltar pra casa. E talvez comer o chocolate que veio junto com seu caderno novo enquanto chora assistindo Diário de uma Paixão.
A música Back for You deles começou a tocar no meu computador e não consegui resistir a vontade de procurar meu caderno antigo algumas memórias minhas e do Harry, enquanto a voz dele ecoava no fundo. Eu sabia qual dia em específico eu queria revisitar. O primeiro natal que passamos juntos, 25 de dezembro de 2007.

“ – Vamos, . Me diz logo o que você quer ganhar de natal. – Harry me perguntou impaciente, tirando a tigela de cereal que eu comia de perto de mim, me fazendo olhar para ele irritada.
- Harry eu já te disse que eu não quero nada. – eu disse pausadamente – A não ser meu cereal de volta. Anda, antes que eu coma sua mão de tanta fome.
Ele bufou e me devolveu minha tigela, mas se sentou do meu lado na bancada.
- Mas eu quero te dar alguma coisa. Vamos, você pode escolher qualquer coisa. – ele disse empurrando meu ombro levemente – Eu trabalho, sabe.
- Exatamente, Harry. Você não passa horas trabalhando naquela padaria, voltando cheio de farinha nesse seu cabelo, pra gastar com presente pra mim. – eu disse ainda com a boca cheia de cereal, e ele fez uma careta com a cena – Eu já amo você num nível alto o bastante para não precisar de presentes, não se preocupa.
- , se você não escolher um presente agora esse é meu primeiro e último Natal com você. – ele disse dando um sorrisinho de canto.
Eu olhei para ele boquiaberta e coloquei a tigela já vazia no canto da mesa. Ele me encarou por alguns segundos enquanto eu fingia uma cara de pensativa, analisando sua proposta. Não havia nada no mundo que eu queria do Harry. Ele já era meu melhor amigo, assistia meus filmes favoritos comigo, me trazia docinhos da padaria todas às sextas feiras, estava comigo o tempo todo. O que mais eu poderia pedir para ele?
- Então está bem. Eu posso te pedir qualquer coisa? – eu disse apoiando o rosto em minhas mãos.
- Qualquer coisa. – ele disse fazendo o mesmo gesto.
- Eu quero uma estrela da minha constelação favorita. – eu disse abrindo um sorriso e ele rolou os olhos.
- Como é que eu vou te prometer uma estrela de Natal? – ele disse já irritado, se levantando.
- Você que falou que eu poderia escolher qualquer coisa. – eu soltei uma risada e ele murmurou um “eu desisto”.
- Tudo bem Harry, já que uma estrela no momento é inviável para você. – eu disse suspirando e o virando para mim – Você me dá de natal uma garantia.
- Como assim uma garantia, ? – ele perguntou cruzando os braços.
Eu corri até a sala, achei meu famoso caderno vermelho na mesinha de canto perto do abajur e trouxe correndo de volta para cozinha, tentando ao máximo manter o equilíbrio mesmo estando somente de meia.
Parei na sua frente novamente, abri em uma página vazia do meu caderno e comecei a escrever enquanto ditava.
- Eu, Harry Styles, prometo em algum momento da minha humilde existência, trazer uma estrela de sua constelação favorita de presente para minha melhor amiga de todas as galáxias, válida como uma promessa feita no Natal de 2007 e como um presente para todos os futuros natais. – eu disse, preenchendo toda a folha com minhas palavras. – Pronto, agora você assina aqui embaixo.
- Eu te odeio, sabia? – ele bufou e pegou minha caneta, assinando onde eu deixei um X. – Mas você poderia me explicar o porquê de seu repentino desejo por uma estrela?
- É bem simples, Styles. – falei fechando o caderno e olhando para ele – Me dar uma estrela é a única coisa nesse mundo que você ainda não fez por mim“
Eu sorri analisando o contrato ainda no meu caderno, mas fui tirada de meus pensamentos com uma mensagem em meu celular que estava na cabeceira.
Eu espero que você já esteja se arrumando, minha irmãzinha está uma pilha de nervos. Te vejo em uma hora! – Sam xx

Aparentemente eu não era a única nervosa com esse show. E com essa mensagem me veio à tona que eu nem parei para pensar que conheceria a irmã de Sam. O que será que ele falou de mim para ela? Com certeza ele fez alguma piadinha de como eu era uma fã doida.
Revirei meus olhos com a ideia, guardei meu caderno e me voltei para as minhas malas, escolhendo uma jardineira jeans com alguns rasgos, um cropped amarelo simples e um coturno. Mesmo com todo o frio em Londres, uma multidão de adolescentes seria o equivalente a um aquecedor, então eu estava segura. Escolhi Little Things como a próxima música para tocar e fiz um babyliss rápido no cabelo para tirar o liso escorrido que toma conta logo depois do banho, me esforçando para não usar o aparelho extremamente quente como um microfone. Finaei meu rosto com uma maquiagem leve e estrategicamente a prova d’água, caso o dia de hoje seja um pouco demais para mim. Usei meu perfume favorito de sempre e finalmente eu estava pronta.
Fechei o computador e desci as escadas, esperando por Sam logo na sala, para não atrasar o momento especial da Sarah no show e para não ficar sozinha com meu próprio nervosismo.
- Você está linda, querida. – disse meu pai saindo da cozinha com uma xícara de chá – Então, mais um encontro com Sam. Vocês estão...
- Não, não pai. Somos apenas... amigos? – eu disse ainda meio confusa – Ele só acha que eu sou fã da One Direction então resolveu me convidar para ir ao show com ele.
Ele concordou com a cabeça e bebericou seu chá.
- Não contou para ele que Harry era seu melhor amigo de infância? – eu fiz que não com a cabeça e ele entendeu – É, eu acho que seria um pouco difícil de se acreditar hoje em dia.
Eu ri com sua conclusão e ele ficou sério por um instante.
- Você está nervosa de vê-lo hoje? – ele falou e eu engoli a seco – Ainda me sinto mal de ter separado vocês dois... o nome de vocês era quase uma fusão, do tanto que vocês eram inseparáveis.
- Pai será que a gente pode não falar disso hoje? Ainda é um pouco difícil para mim – eu disse simplesmente tentando desfazer o nó em minha garganta.
Ele sussurrou um “desculpe” e logo nossa conversa foi interrompida pela campainha.
- Bom... divirta-se, Pumpkin.
Eu sorri levemente para ele e sem controlar muito minhas pernas, corri até a porta para atendê-la.
- Ei, você foi rápida dessa vez. – Sam disse já abrindo um de seus sorrisos – Está animada pro show, né? Sabia.
Eu bufei e ele continuou.
- Bom, vamos logo porque eu deixei a Sarah no carro e ela está tão animada que se eu demorar muito ela vai dirigir sozinha até aquele estádio. – ele puxou minha mão levemente e me levou ao mesmo carro preto do aeroporto, abrindo a porta para mim.
Eu entrei no banco da frente do carro e logo olhei para o retrovisor notando a presença de Sarah que mexia freneticamente em seu celular. Ela era bem parecida com Sam fisicamente, menos seus cabelos que eram de um loiro bem claro e o fato de ela ser bem baixinha.
- Ah, oi você deve ser a Sarah né? – eu disse virando meu corpo no carro para ficar de frente para ela. – Eu sou a , muito prazer.
Ela sorriu para mim brevemente e logo voltou seus olhos para o celular, sem falar uma palavra.
- Não liga para ela, não. Ela geralmente não é assim tão antipática. Ela deve estar dando um update para as amigas de cada segundo até esse show. – Sam disse dando partida no carro – “Amigas o Niall respirou 1288 vezes durante o show, será que é preocupante?”.
Ele disse imitando uma voz fina e Sarah simplesmente levantou o dedo do meio, me fazendo gargalhar.
- Acho melhor você não mexer com o favorito dela, Sam. – eu disse brevemente ainda rindo da situação.
O caminho até o estádio foi estupidamente rápido, não sei se devido a distância ou aos meus imparáveis pensamentos. Sarah fez questão de tomar conta das músicas que tocavam no carro, reproduzindo sua playlist com suas músicas favoritas da One Direction e cantando elas com toda sua força.
Sam contornou a fila quilométrica de fãs que formava ao redor do estádio e entrou em um estacionamento exclusivo que tinha na parte de trás, me fazendo questionar se teríamos que andar todo aquele percurso novamente para chegar aos nossos assentos do lado de dentro.
- A gente não vai precisar entrar nessa fila. – disse Sam vendo meu semblante confuso – Entramos por trás. Nossos lugares são especialmente na frente.
Ele rolou os olhos e Sarah deu um gritinho em animação.
- Além disso depois do show temos acesso ao backstage! – disse Sarah em um tom completamente animado – É melhor a minha foto com o Niall ficar boa dessa vez, senão eu posso simplesmente morrer.
- Back – backstage?? – Eu perguntei desacreditada – Tipo, encontrar com eles cara a cara?
- Dã! Sam, você não tinha dito que ela era bonita e inteligente? – ela disse e Sam tirou uma mão do volante para dar um peteleco em sua testa. – EI!
Abri um sorriso sem saber se ficava lisonjeada por Sam ter falado de mim, ou extremamente ofendida por ser chamada de burra. Escolhi ficar com o elogio. Mas simplesmente não conseguia parar de pensar que não tinha mais a possibilidade de Harry não me ver. Eu encontraria com ele, cara a cara depois do show. O que eu iria falar?
- Você nem se gabou por eu ter te chamado de bonita e inteligente. – Sam disse desligando o carro finalmente. – Deve estar mesmo ansiosa para ver esse tal de Harry.
Rolei os olhos, mas quando Sam saiu do carro murmurei um “você não imagina”.
Seguimos em direção a entrada no estádio, tentando acompanhar os passos de Sarah que basicamente corria em animação. Mostramos nossas credenciais na porta e os seguranças rapidamente nos levaram aos nossos assentos no estádio. Literalmente estávamos na frente do palco. Não tinha grade como as outras fãs, estávamos na frente de todo mundo.
- Seu pai tem mesmo contatos, né? – perguntei falando mais perto do ouvido de Sam pelo barulho e ele sorriu sem jeito.
- A princesa pediu, ele atende. – ele deu de ombros.
- Bom, eu vou precisar te compensar por todas essas coisas. Na próxima vez, deixa que eu te levo em algum lugar. – eu disse ainda analisando o estádio – Não prometo restaurante caríssimo ou front row em um show, mas...
- Eu vou adorar. – Sam falou sorrindo – É sempre uma honra sair com você.
Ele fez uma reverência e eu o empurrei de brincadeira.
Depois de uma hora sentados esperando, sem eu conseguir pronunciar mais nenhuma palavra, pois estava ocupada demais inventando diversos cenários do meu encontro com Harry na minha cabeça, o show de abertura começou. 5 Seconds of Summer. Eles eram simplesmente incríveis. Tinham o estilo musical punk rock que eu obviamente amaria e curtiria mais se eu não estivesse tão nervosa. Após algumas músicas e interações com o público, eles deixaram o palco anunciando que a One Direction viria logo em seguida.
Minhas mãos estavam suando e minha perna não parava quieta na cadeira. Sam já havia desistido de tentar conversar comigo qualquer coisa que dependesse de algo a mais do que “aham” ou “não”. Até mesmo Sarah que estava uma pilha de nervos, parecia estar mais calma do que eu nessa altura do campeonato.
O vídeo de abertura que começava com “You are invited to the party of the year” já passava no telão. A gritaria das fãs ecoava pelo estádio e ressoava no meu ouvido. Fiquei de pé tão rápido que minha vista ficou levemente turva. Quando todos eles no vídeo entraram no carro verde, tudo ficou escuro e as cinco figuras apareceram no palco começando a primeira música Up All Night.
Meus olhos recaíram rapidamente no meu melhor amigo. Harry sorria abertamente enquanto cantava suas partes da música e andava por toda extensão palco. Ele estava surpreendentemente bonito, vestindo uma simples camiseta branca, uma calça preta e sua correntinha de cruz. Senti um aperto no peito imediato ao ver ele ali e meus olhos se encheram de lágrimas como eu havia previsto. Deus como eu estava orgulhosa daquilo tudo.
- Ei, você tá bem? – Sam perguntou com ternura encostando sua mão na minha.
- Ah, sim eu tô ótima. – eu disse forçando um sorriso. – Eles são bons né?
Enquanto conversava com Sam, percebi que houve uma pequena falha na música, como se alguém tivesse deixado de cantar uma parte. Olhei para o palco confusa e o vi. Harry estava parado em nossa frente, olhando surpreso em minha direção.

Capítulo 7

Olhei ainda um pouco em choque para o palco, vendo Harry ali ainda parado na minha direção. Sem pensar muito sussurrei um oi sem jeito, mas ele continuou somente parado me olhando. O loiro do grupo que reconheci como Niall, foi em direção ao amigo tentando entender o que estava acontecendo, e o porquê de terem continuado a música sem ele. Niall olhou para o Harry e olhou na direção em que eu estava e também pareceu surpreso. Ele depois de alguns segundos sussurrou algo no ouvido de Harry e os dois apenas se entreolharam e concordaram com a cabeça andando para longe dali, mas antes de irem o loiro acenou para mim, me fazendo acenar instintivamente de volta.
- Niall Horan acabou de acenar pra você? – perguntou Sarah de boca aberta. – Harry Styles estava... te encarando?
- Eu acho que sim. – falei ainda sem desgrudar os olhos do palco.
- O que acabou de acontecer aqui? – perguntou Sam me olhando surpreso.
- Talvez eles também tenham me achado bonita e inteligente? – falei tentando soltar uma piada, mas eu ainda estava tão atônita que não conseguir sustentar o momento. – É uma longa história.
Depois da primeira música, os meninos se juntaram para cumprimentar o público e interagir como eles sempre faziam. Harry tentava sorrir e agir naturalmente, mas ocasionalmente olhava e minha direção, parecendo não acreditar que eu estava ali, como se eu fosse sumir a qualquer momento.
Decidi que não iria mais ficar ali sem saber como agir e nervosa. Comecei a fingir que aquele era simplesmente um show normal e cantei as músicas que aprendi assim que o álbum saiu junto com eles. Notei Harry sorrindo algumas vezes quando ele olhava para mim e me via cantando as músicas, mas ele desviava rapidamente o olhar e eu fazia questão de não olhar muito para ele para não me deixar tão ansiosa.
- Ok, . O seu favorito não para de olhar pra cá. – disse Sam no meu ouvido, cruzando os braços – Às vezes parece que ele viu um fantasma. O que de fato tá acontecendo?
- Eu meio que não te contei... – falei mordendo o lábio em nervosismo – Eu e o Harry nos conhecemos. Éramos... amigos há alguns anos.
- O quê? – ele disse arqueando a sobrancelha. - Você não está inventando isso agora, está?
- Aparentemente não, já que isso explica todas as olhadas para cá. – eu disse rindo – Ou você pode acreditar na história da beleza também.
Ele soltou uma risadinha e balançou a cabeça negativamente.
Os acordes da música Kiss You começaram a tocar no estádio e eu notei Sam abrindo um sorriso.
- O que foi? – eu perguntei tentando entender sua reação.
- Fico aliviado um pouco que você não tem um crush platônico por Harry Styles. – ele disse em voz baixa bem perto do meu ouvido, fazendo um arrepio percorrer pelo meu pescoço.
- Ah é? – perguntei simplesmente sentindo sua mão indo parar na minha cintura.
- Eu já te falei que você está linda hoje? – ele disse ainda perto do meu ouvido.
- Da última vez que disse isso, você me surgiu com um ingresso pro show da One Direction. – eu disse sem me mexer, sentindo ele chegar mais perto.
- Eu estava pensando em algo diferente dessa vez. – ele disse chegando mais perto, quase encostando de vez nossos lábios – Algo que tem bastante a ver com essa música, até.
Senti seus lábios quase se tocando com os meus, até que percebi que a música já tinha acabado e algum deles tentava chamar a atenção de alguém.
- Ei os pombinhos estão gostando do show? – eu ouvi a voz do Harry ressoar no alto falante e me virei na direção onde ele estava.
Ele olhava para mim e o Sam, resultando em nossos rostos aparecendo no telão, e os fãs gritarem com a interação, me fazendo corar fortemente. Eu não consegui me mexer ao ouvir sua voz, mas Sam simplesmente fez um joinha com a mão.
- Que bom, espero que gostem da próxima música. – ele deu sorriso e fez um gesto apontando pro palco – O show é aqui em cima.
- Droga, Sam você só me envergonha. – disse Sarah dando um empurrão em Sam.
“O mesmo amigo narcisista de sempre” murmurei rolando os olhos.
- Disse alguma coisa? – perguntou Sam e eu fiz um não com a cabeça – Vai ser estranho encontrar com esse cara mais tarde.
- É, vai mesmo.

Harry’s Pov

Os gritos das fãs ecoavam do lado de fora e a produção já nos arrumava em nossa posição para o show começar. A adrenalina já começava a tomar conta do nosso corpo, a cada segundo que passava até entramos. A produção avisou pelo ponto o fim do vídeo de entrada e os acordes de Up All Night começaram, era hora do show.
O estádio estava lotado, milhares de cartazes e fãs chorando com nossa entrada no palco, eu não conseguia parar de sorrir e de andar para um lado e para outro cumprimentando as fãs que eu conseguia, recebendo gritos e mais gritos como resposta. Como eu amava isso.
- Katy Perry is on replay, She’s on replay – cantei indo em direção a ponta do palco para interagir, onde geralmente ficavam as pessoas que pagavam a mais pelo show e nosso management pedia mais atenção. – DJ got the floor to shake, the floor to shake
- People going all the way, Yeah all the way –
cantei animado dando um tchauzinho para as pessoas na primeira fileira – I’m still wi-
Minha voz não conseguiu sair. Ali na primeira fileira, como alguma alucinação da minha cabeça estava ela. . Minha .
Ela estava ainda mais bonita do que há quase 5 anos atrás. Seu cabelo estava pintado como eu tinha visto nas fotos, e eu via seus olhos olhando para mim com uma pontada de orgulho, como ela sempre demonstrou ter por qualquer coisa que eu fizesse. Até quando eu arranjei um trabalho naquela padaria ao lado de casa ela me olhou dessa forma. E mesmo depois de anos, ainda senti borboletas no estômago quando olhei para ela. Estúpida paixonite idiota que me fez agir como um babaca na nossa última noite juntos.
A vi formar um “oi” com sua boca, mas não consegui responder nada. Ainda estava estático ali, no mesmo lugar. Senti alguém chegar por trás de mim e colocar a mão no meu ombro, e logo vi Niall entrar no meu campo de visão.
Ele olhou para mim e depois se virou para onde eu olhava, e rapidamente identificou a menina da foto no meu telefone.
- É aquela menina, né? – ele sussurrou no meu ouvido e eu apenas concordei com a cabeça – Eu sei que vocês não se veem há anos, mas a gente precisa continuar o show.
Eu balancei a cabeça negativamente e virei de costas, voltando para a formação com os outros meninos e tentando continuar agindo normalmente, como se fosse outro show qualquer.
As músicas se seguiram, e mesmo tentando olhar para todos os lados do estádio e dar atenção para o máximo de fãs que conseguia, meus olhos sempre se voltavam para o lugar onde ela estava. Será que eu conseguiria falar com ela depois do show? Poderia ser minha única chance. Eu queria ter certeza de que ela estava realmente ali, que não ia simplesmente sumir quando eu virasse de costas. Ela cantava todas as letras e eu só conseguia ficar rindo quando a encontrava nos acompanhando. Como ela aprendeu isso tudo?
A música Kiss You começou a tocar, e mais uma vez nos dividimos ao redor do estádio para interagir com todo o público. Vi que Niall olhava muito para direção onde estava e ocasionalmente olhava de volta para mim. Andei até ele de forma descontraída, tentando fazer com que ele me falasse algo que estava acontecendo enquanto os outros meninos cantavam seus solos.
- Ei, cara. – ele falou mais uma vez no meu ouvido – Acho que ela veio acompanhada.
Ele terminou de falar e logo prestei atenção novamente naquela primeira fileira. O menino que estava ao lado dela falava extremamente próximo a seu rosto, ocasionalmente colocando a mão em sua cintura. Ela estava namorando? Ela tinha que vir aqui por mim, não para ficar se agarrando com esse cara.
Quando a música terminou, chegou a hora da interação com a plateia. Ainda olhando na direção da e vendo que os dois estavam prestes a se beijar, não me controlei muito antes de falar a primeira coisa que veio na minha cabeça.
- Ei, psiu. Vocês dois aí. – falei apontando para primeira fileira – Ei os dois pombinhos estão gostando do show?
Os dois olharam para mim sem entender muita coisa, e logo a produção os colocou no telão. Vi quase se contorcer de vergonha, enquanto o menino que estava com ela simplesmente fez um joinha.
- Harry o que você... – ouvi Liam falando ao meu lado.
- Que bom espero que gostem da próxima música. – Sorri e apontei para o palco – O show é aqui em cima.
Continuamos o show normalmente, com os meus amigos de vez em quando me dando um olhar de “O que foi isso, cara?”. Mas nem eu sei muito o que responder. Acho que foi algum impulso de alguns anos atrás, em que eu gostava de ter minha melhor amiga só para mim. Mesmo depois de tudo, vendo-a aqui, parecia que todas as coisas permaneciam as mesmas. Sendo que os dois perderam a fase mais importante da vida um do outro.
- Obrigada, Londres por essa última noite! – disse Louis se despedindo.
- Vocês foram incríveis, nós amamos cada um de vocês! – completou Liam.
- Nós fomos a One Direction! – eu disse me juntando a banda para fazermos o agradecimento final e logo em seguida corremos para os bastidores.
Saí correndo e me joguei no sofá de couro do camarim em exaustão. Fechei meus olhos ainda refletindo sobre o show de hoje, mas senti a luz do camarim sendo tampada.
- O que aconteceu nesse estádio hoje, Styles? – perguntou Zayn.
Antes que eu respondesse Niall tomou a frente.
- A menina da foto daquele dia tava na primeira fileira. – ele disse soltando uma risadinha – E acompanhada.
Os meninos soltaram várias exclamações com a boca e eu bufei.
- Ela já foi sua namorada, mate? – perguntou Liam.
- Éramos melhores amigos desde... bom desde sempre. – eu falei suspirando – Só que com o passar do tempo eu comecei a gostar dela como algo a mais do que isso. Há alguns anos, antes dessa loucura começar eu ia dizer que gostava dela. Mas no mesmo dia ela disse que ia embora pro Brasil viver com a mãe.
“Ouch” eles exclamaram em uníssono e eu concordei.
- Eu agi feito um babaca por estar magoado. Deixei-a sozinha ali e fui embora para casa chorar. Nem fui no aeroporto me despedir. – eu disse balançando a cabeça – Ela tentou ligar para minha mãe, só que eu agia como um bebê e não queria falar com ela sabendo que ela tava tão longe. Aí essa loucura começou e bom... perdemos o contato de vez.
- Bem que você disse que tinha sido um idiota... – disse o Louis e eu forcei uma risada. – E você vai deixar ela ir embora assim de novo?
- Ela deve me achar um idiota. – eu disse e dei de ombros.
- Por que ela viria se fosse assim? – Zayn perguntou confuso e eu não soube responder.
Um dos membros da produção abriu a porta do camarim antes que eu pudesse responder e analisou uma prancheta.
- Meninos antes de vocês irem, três pessoas vieram ao backstage. – ele disse ainda sem olhar para nós – Sabe como são esses filhos de empresário. Sempre dão um jeito.
Simplesmente concordamos com a cabeça e ele continuou.
- Vou mandá-los entrar. – ele disse simplesmente e fechou a porta.
- Espero que não demore muito. Estou exausto. – eu disse fechando os olhos brevemente ainda deitado.
Ouvi o barulho da porta se abrindo e um por um entrarem no camarim. Me sentei abrindo os olhos, mas só tinham dois ali, ao contrário do que um dos produtores havia falado.
- Sarah espere aqui dentro, eu vou ver se a está perdida. –o menino mais velho falou me fazendo quase pular para ficar de pé.
- ? – eu perguntei surpreso, mas logo reconhecendo ele como o menino que ela estava junto.
Antes que ele pudesse responder algo, a porta se abriu novamente e eu vi a mesma figura do show mais cedo entrando no camarim.
- Desculpa a demora, o banheiro era longe e... – ela olhou para mim e não terminou a frase – Oi, Harry.
Ela estava com a maquiagem levemente borrada e o nariz um pouquinho vermelho, deixando vestígios de que ela estava chorando. Meu coração se apertou por ver ela daquele jeito. Eu só queria abraçá-la e pedir desculpas, dizendo o quanto eu sentia saudades. Porém nenhuma palavra parecia querer sair da minha garganta, até o Niall me dar uma cotovelada, me fazendo ter alguma reação.
- Oi, . Faz um tempo, né? – eu ouvi as palavras saindo da minha boca e quase instantaneamente eu quis bater com a mão na minha testa. “Faz um tempo, né?”, sério Harry?
- 4 anos e vários meses. – ela disse soltando uma risadinha – Você... cresceu? E aposentou o karaokê imagino. Agora que você tem essa gente toda pra te escutar.
- Nem tanto, todo ano ainda faço minha apresentação no karaokê para mamãe e para Gemma cantando...
- Endless Love, eu imagino. – ela completou a frase e eu sorri.
Eu tinha esquecido o quanto ela sabia desses detalhes e o quanto eu sentia falta dela saber de tudo isso.
- Sam, porque você não me contou que a bonitinha era amiga do HARRY STYLES? – a menina mais nova falou quase gritando – Eu teria gostado mais dela.
- Acredite, Sarah. Nem eu sabia dessa. – ele riu e a fez uma careta – Muito prazer, Mate. Sou o Sam.
- Namorado da eu suponho. – falei apertando sua mão e dando um sorriso amarelo.
- Nós somos apenas amigos. – falou meio sem jeito – Mas aparentemente toda Londres deve agora pensar o contrário.
Ela falou lembrando do incidente do show e os meninos soltaram uma risada.
- Bola fora, Harryzinho. – disse Louis ainda rindo e me dando alguns tapas nas costas.
- Desculpa eu achei que... bom me pareceu que... – eu tentei me explicar, mas Sam me cortou.
- Relaxa, cara. Por mim tudo bem. – ele deu uma piscadinha para e ela o empurrou de brincadeira.
Meu estômago embrulhou de ver a cena. Eu sabia que eu não gostava mais dela daquela forma, já tinham se passado anos e no final de semana seguinte tenho um encontro com a Kendall Jenner, mas ver eles próximos enquanto nós dois agora parecemos dois estranhos incomoda bastante.
Todos os meninos me encararam vendo a cena e a sala simplesmente ficou em silêncio por alguns segundos.
- Bom a gente pode tirar minha foto agora? – perguntou a menina chamada Sarah, mostrando o telefone.
Todos concordaram rapidamente para sairmos daquela situação esquisita e nos posicionamos atrás do telefone da menina. Sam e ficaram de fora, e eu via ela me olhando, mas desviando o olhar rapidamente com frequência.
- Eu acho que eu vou tomar um ar no estacionamento. Sabe como é, multidão por muito tempo. – Eu ouvi a voz da falar e Sam ia dizer algo, mas ela interrompeu – Fica aqui com a Sarah, Sam. Ela tem que tirar as fotos com o Niall. Bom conhecer vocês, meninos.
Ela acenou para todos nós e os meninos acenaram de volta, mas eu não consegui reagir. Ela vai embora assim?
- Vai logo atrás dela, Styles. – Liam sussurrou no meu ouvido e eu saí correndo para porta, me desculpando com a Sarah.
- , espera. – eu gritei, fazendo com que ela me ouvisse e parasse de andar tão rápido.
Ela se virou confusa, mas ficou parada me esperando alcançar ela no final do corredor.
- Eu só queria... eu só vim dizer que... – eu não tinha ideia do que eu tinha ido dizer, eu só sabia que eu não podia deixar ela ir embora assim mais uma vez.
- Harry, eu só queria te pedir desculpas. – ela disse com lágrimas nos olhos e eu a encarei confusa – A última vez que eu te vi eu fui a pior melhor amiga do mundo. Eu causei esse estranhamento entre a gente, e é muito difícil para mim ver que eu perdi a pessoa que já foi mais importante para mim.
- Você causou? Eu que fui um garoto mimado e deixei de falar com você até uma altura em que os dois já tinham mudado de número de telefone. – eu falei um pouco irritado comigo mesmo – A culpa foi minha.
- Eu acho que a gente não vai entrar num consenso nessa. – ela disse rindo sem humor e limpando uma lágrima que escorria no seu rosto.
- É, eu acho que não. – eu disse soltando uma risada também.
Ficamos alguns segundos em silêncio e antes de eu poder falar algo ela me interrompeu.
- Eu estou tão orgulhosa de você. – ela disse abrindo um sorriso ainda meio triste, mas me fazendo sorrir de verdade com suas palavras – Ver você saindo daquela banda White Eskimo em que você cantou no casamento da minha prima, para ser integrante de uma boyband internacional. Eu falei que você ia conquistar o mundo com essas covinhas.
Eu balancei a cabeça rindo e não consegui responder.
- Ainda não consegue ouvir elogios. – ela riu – Pensei que com todas aquelas meninas gritando seu nome isso teria mudado.
- Eu não mudei tanto assim. – eu falei desconfortável, mexendo no meu cabelo.
- Só um pouquinho. – ela fez uma quantidade grande com a mão e eu ri – Foi muito bom te ver, Harry.
- Foi muito bom te ver também, . – eu disse seu apelido e ela abriu um sorriso grande.
Antes que ela pudesse se virar de vez para ir embora, sem pensar muito puxei ela para um abraço.
- Eu senti tanto a sua falta. – ela disse com o rosto no meu peito e eu senti um bolo se formar na minha garganta ao perceber que minha blusa estava ficando molhada pelas suas lágrimas.
- Você não imagina o quanto eu senti a sua, . – eu disse apoiando meu queixo no topo de sua cabeça.
Nos separamos do abraço e ela continuou sorrindo para mim.
- Eu tenho mais três dias aqui em Londres antes de seguir pro resto da turnê. Você quer fazer algo?
- Eu adoraria fazer algo algum dia, senhor Styles. – ela concordou. – Mas eu preciso me organizar na faculdade essa semana.
- É só me dizer o melhor horário pra você. – eu disse tirando meu celular do bolso. – Eu só vou precisar do seu telefone.
- Você nem vai precisar. – ela soltou uma risada – No momento em que pisei na casa da sua mãe, ela me deu seu telefone.
- Você foi até a casa da minha mãe? – ela concordou com a cabeça e eu perguntei cruzando os braços – E por que você não me ligou?
- Não sei, na verdade. Acho que a gente precisava disso sabe, nos ver assim e carne e osso. E cachos. – ela disse e eu rolei os olhos – Mas se não fosse por esse show, eu estaria ligando, chorando e implorando para eu ver essas covinhas outra vez.
- Acho que teria sido melhor sem o show então. – eu ri e ela me empurrou de brincadeira.
A porta do camarim em que a banda estava se abriu novamente e Sarah e Sam saíram de lá andando até nós e os meninos aparecerem na porta, fazendo gestos de que estávamos atrasados.
- Vejo que o nome do avião é mesmo seu amigo. – Sam disse e eu arqueei a sobrancelha sem entender o comentário – Acho que a Sarah vai gostar mais de você agora.
- Como assim gostar mais? Já somos muito amigas. – Sarah disse sorrindo para mim, fazendo gargalhar.
- Acho melhor nós irmos, ou seus amigos vão arrastar você daqui a força. – disse apontando pros meninos da banda. – Nos vemos depois Harry. Assim que entrar no carro te mando mensagem.
- Nos vemos depois . – eu sorri para ela – Foi bom conhecer vocês dois também.
- Eu te amo, Harry. – a Sarah disse ainda animada.
- Eu também amo você – eu disse a abraçando, notando rindo um pouco com a cena.
Os três se viraram para ir embora e eu me juntei com meus amigos novamente no camarim.
- E então? – perguntou Niall animado.
- É, cara. Vocês ficaram um tempão lá fora. – disse Zayn – Tivemos que deixar a menina grudar no Niall para vocês ficarem juntos o suficiente.
- A gente só conversou. Não deu para falar muito. Mas aparentemente os dois achavam que tinham culpa no que aconteceu. Sempre fomos muito parecidos mesmo.
- Só faltava essa, uma outra pessoa com a personalidade do Styles. – Louis disse e eu taquei uma almofada do sofá nele.
- E vocês vão se ver de novo? – perguntou Liam.
- Eu espero que sim. – eu disse sorrindo.
Senti o bolso da minha calça tremendo e corri para pegar o telefone.

Oi, é a . Espero que sua mãe não tenha anotado seu número errado, porque é bem difícil entrar em contato com gente famosa sabe.
Fiquei muito fe de te ver, espero que não seja a última vez.
Bom, esse é meu número! – xx

Eu ri da mensagem e salvei o número com seu apelido.
- É, a gente vai se ver de novo.


Continua...



Nota da autora: Talvez a mensagem não tenha sido tão esperada assim, mais o reencontro dos dois já já está chegando. Até eu, sinceramente, tô ansiosa. Espero que vocês não tenham abandonado essa história ainda, porque tem muita água para rolar. Me digam, o que vocês acham desse não date da pp e do Sam, hein? Shii... Mil beijos, e até o próximo capítulo - Jubs



Qualquer erro nessa fanfic, somente no e-mail.


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