Última atualização: 12/12/2020

Capítulo 1

Ponto de vista da :

Uma semana! Faltava apenas uma semana para o dia mais importante da minha vida. Era um misto de sensações, mas de uma coisa eu tinha certeza: eu amava aquele homem!
Frederick era meu tipo perfeito de cara, parecia que ele me conhecia de vidas passadas, éramos o casal perfeito! Fazíamos tudo juntos desde que oficializamos o namoro, era para nós dois que nossos amigos pediam conselhos quando tinham problemas no relacionamento e também fomos os primeiros a firmar compromisso sério da turma.
E então, ele resolveu me pedir em casamento.
Eu não tive dúvidas, foi “sim” logo de cara. Nossas famílias se davam excelentemente bem, nossos amigos em comum não podiam ser mais chegados. Eu sentia que havia chegado ao ápice da felicidade e que apenas faltava a cereja no topo do bolo para ela ser completa, construindo uma família com o cara que eu amava e que eu sabia que me amava de volta.
Uma fucking semana. Só de pensar que faltava tão pouco para eu finalmente poder ser chamada de Lewis... mal podia esperar! Esse era meu conto de fadas se tornando realidade.
Ou pelo menos, eu achava que era.
Com tantas coisas para resolver em tão pouco tempo para a tão esperada data, resolvi passar na casa de Fred para ajustarmos os últimos detalhes da festa. Estava perto de sete horas da noite, ele já deveria ter chegado do trabalho.
Sr. Jones, o porteiro do prédio em que Fred morava, recebeu-me com seu habitual sorriso caloroso.
— Boa noite, dona . Como vai a senhora? — Perguntou, já abrindo o portão, nem se preocupando em interfonar, já estava mais que acostumado em me ver aqui praticamente todos os dias.
— Por favor, já falamos sobre esse “senhora”. Me chama de ! E eu vou muito bem e você?
— Ah, bem, bem. Falta pouco para o grande dia, não?
— Pois é, mal posso esperar! — Sorri.
— E eu desejo a vocês dois toda a felicidade. Vocês merecem! — Sorriu de volta, liberando passagem.
— Muito obrigada, Sr. Jones! — Agradeci e segui direto para o elevador, enquanto procurava as chaves do apartamento, que Fred havia me dado alguns meses no início do nosso namoro.
Esperei pacientemente o elevador chegar ao andar selecionado, sem conseguir tirar o sorriso do rosto, admirando meu anel de noivado. Eu nem sabia expressar direito tanta felicidade!
Finalmente o elevador deu sinal, indicando que havia chegado onde eu queria, imediatamente abrindo as portas, dando-me passagem para chegar ao apartamento do meu noivo. Abri a porta, encontrando a sala vazia. Franzi o cenho, estranhando. Normalmente, depois de um dia de trabalho, Frederick costumava assistir televisão até bem tarde para compensar o dia cansativo.
Dei de ombros, não notando qual o grande problema daquilo. Talvez hoje ele estivesse mais cansado do que o habitual.
Segui caminho para o quarto, notando duas taças de vinho inacabadas no balcão da cozinha. Okay, isso era estranho. Será que ele tinha recebido alguma visita?
Dando mais uma olhada ao redor, a calça que ele estava usando essa manhã, quando me deixou no trabalho, estava jogada ao chão, junto com sua blusa e sapato largados de qualquer jeito pelo cômodo, ao lado de um sutiã vermelho. Meu coração despencou ao passo que meu estômago embrulhou. Mas o que diabos?
Foi quando eu ouvi: gemidos nada puritanos vindo do quarto de Fred.
Deus, isso não podia estar acontecendo! Devia ser um sonho ruim. Um pesadelo vindo de estresse pré-nupcial, inseguranças que minha cabeça formou por algum motivo.
Isso. Não. Podia. Ser. Real.
Mesmo com medo, a respiração falha e as pernas tremendo, segui para o cômodo de onde os sons vinham. Se isso estava mesmo acontecendo, eu tinha que ver com meus próprios olhos, embora fosse bem óbvio o que estava acontecendo ali.
Em passos que pareciam de lesma, cheguei até a porta de seu quarto, notando que a mesma estava semiaberta. E foi quando eu vi. Nada no mundo poderia ter me preparado para tal visão: meu noivo, o cara que eu dediquei a minha vida, meu tempo e meu amor, sendo montado por uma outra mulher. E o modo como seu corpo se movimentava em sincronia com o dela, deixava-me saber o quanto ele estava aproveitando tudo aquilo.
Não sei de onde tirei coragem, mas consegui entrar no cômodo, não fazendo questão nenhuma de ser silenciosa. Eu queria gritar, eu queria chorar, eu queria matar os dois com as minhas próprias mãos. Eu só não conseguia acreditar no que meus olhos estavam vendo, parecia tudo uma grande pegadinha de muito mau gosto.
Ainda assim, surpreendi a mim mesma quando gritei:
O que diabos está acontecendo aqui?
A mulher, que reconheci ser sua secretária, e Frederick olharam para mim, assustados. Ele, imediatamente, jogou-a de lado na cama.
! — Deu alguns passos na minha direção e prontamente recuei, não queria que ele me tocasse, mal tinha forças para encará-lo naquele momento. — Não é nada disso que você está pensando.
— Ah, não? — Falei, irônica. — Então você pode me explicar o que eu estou pensando? Porque, para mim, parece bem óbvio o que está acontecendo. Mas, vamos lá, eu estou curiosa para ouvir suas explicações. — Cruzei os braços, sentindo meus olhos queimarem com lágrimas que eu não deixaria sair tão facilmente. Eu estava com ódio e precisava me controlar, antes que fizesse algo que me arrependesse.
Frederick ficou calado, provando que não tinha explicação. Ele tinha me traído. E sabe-se lá se era a primeira vez.
— Acabou! — Falei, tirando a aliança, que agora parecia pegar fogo em meu dedo, e atirando nele. — Nunca mais me procure. Eu não quero olhar para sua cara nunca mais! — E dei as costas, procurando a porta o mais rápido que pude. Minha cabeça girava e eu sentia que ia passar mal a qualquer momento, só não podia fazer isso aqui e agora. Precisava ficar sozinha o quanto antes.
, espera aí, vamos conversar! — Fred se meteu na minha frente.
— Eu não tenho mais nada pra conversar com você. Volta lá pra Samantha, vocês se merecem! — Mal o olhei, dando a volta e seguindo para a porta.
Mas claro que Fred não deixaria que eu fosse embora desse jeito, ele sempre tinha que ter a última palavra. Só que não dessa vez. Assim que ele colocou a mão em meu braço, em uma tentativa de impedir que eu me afastasse, toda a raiva que eu estava segurando veio à tona em forma de um tapa em seu rosto. Senti minha mão arder, embora uma leve satisfação tivesse tomado conta de mim. Fred me olhava atônito.
— E-Eu não queria. Eu só... — suspirou. — Eu queria uma última vez com outra pessoa, antes de me amarrar completamente a você. — Foi sua tentativa de explicação.
— Meu Deus! — Sorri cínica. — Só para de falar, antes que eu mate você! — Berrei. — Acabou, Frederick.
Ele me olhou por dois segundos, antes de concordar de leve e eu finalmente fazer meu caminho para a porta, pegando a bolsa de cima do sofá que havia deixado na entrada. Precisava sair daqui logo, eu não o daria o gostinho de me ver chorar por ele.
O elevador parecia nunca chegar ao térreo e naquele momento eu só queria minha casa. Passei correndo pelo Sr. Jones, que me encarou assustado, mas eu não tinha tempo para explicar nada pra ninguém.
Entrei no meu carro, dando partida quase que instantaneamente, e segui em direção à minha casa. E quando finalmente entrei pela porta, permiti-me desmoronar. Mal consegui chegar no sofá e chorei tudo o que havia segurado desde o momento em que vi Fred e Samantha juntos. Meu coração doía e meu ar faltava, mas as lágrimas não paravam de vir, as imagens e sons que presenciei ecoavam repetidamente em minha cabeça. Doía como o inferno.
Naquele momento, enquanto colocava pra fora toda a angústia que estava sentindo, eu não sabia se algum dia seria capaz de confiar em outra pessoa de novo, se seria capaz de me entregar totalmente ao amor. Não do modo que havia feito com Frederick. Nunca mais!



Capítulo 2

Ponto de vista da :

Acordei atordoada no outro dia, não entendendo direito por que eu estava no sofá, com meu celular tocando desesperadamente dentro da minha bolsa. Olhei ao redor tentando me situar, até meu olhar cair na minha mão direita, onde eu costumava sustentar um anel de brilhantes ali. A realidade me bateu como um taco de basebol na cabeça, fazendo-me arrepender de ter acordado. Então não foi um sonho ruim.
Aquele bastardo, desgraçado, cachorro, cafajeste realmente havia me traído uma semana antes do nosso casamento. Não sabia nem dizer o que estava sentindo, mas era ruim.
Senti um gosto amargo tomar minha boca e a bile subir pela minha garganta, mal dando tempo de correr até o banheiro, onde despejei todo o conteúdo do meu estômago — o que não era muita coisa, considerando que não comi nada desde a tarde anterior.
Sentada no chão como estava, pela visão periférica, algo chamou minha atenção: um saco preto pendurado ao lado do guarda roupas, que me fez levantar de meu lugar e parar frente a frente com o objeto.
Meu vestido de noiva.
Eu havia mandado entregar bem mais cedo em casa, pois assim poderia fazer as provas finais de casa mesmo, as costureiras disseram que não se importavam. E eu aceitei. Um grande erro de julgamento.
Cuidadosamente tirei a peça do cabide, colocando-o em cima da cama. Admirei o trabalho que aquelas mulheres fizeram com tanto carinho, flashbacks passando em minha mente... Deus, quanto desperdício!
Lentamente comecei a me despir, ficando apenas de calcinha diante daquele vestido. Se não ia vestir na ocasião certa, iria pelo menos vesti-lo para mim mesma.
Arrependi-me no instante que consegui fechar o zíper lateral. Não porque eu havia odiado, mas o sentimento de me olhar no espelho e perceber que tudo aquilo havia sido em vão, que gastei cinco anos da minha vida me dedicando a uma pessoa pra ela simplesmente jogar tudo para o alto. Eu merecia mais. Eu sei que sim.
Meus olhos encheram de lágrimas, mas eu decidi que ainda era cedo demais e eu já havia derramado lágrimas o suficiente ontem à noite. Era hora de me hidratar.
Ainda dentro do meu magnífico vestido, procurei todas as garrafas de bebidas intocadas que tinha pela casa e achei dois vinhos, uma meia garrafa de vodka e um whisky que Frederick havia comprado e deixado aqui, porque ele achava chique ter um desses em casa.
Babaca. Presunçoso. Mimadinho. Isso que ele era!
Em um ato de raiva pura, arremessei a garrafa de whisky contra a parede, vendo-a se estilhaçar em mil pedaços e seu conteúdo ser derramado pelo chão. Imaginar que aquilo era a cabeça de Frederick me deu alguma satisfação e eu voltei minha atenção às outras bebidas que esperavam por mim.
Optei por começar de leve, com o vinho, mas só de lembrar que esse mesmo vinho aquele desgraçado havia tomado com Samantha ontem em sua casa, antes de transarem na cama dele, causou-me náuseas.
Meu olhar caiu sobre a vodka, decidindo que já que era pra começar pesado, que assim fosse.
Entornei a garrafa sentindo o líquido queimar pela minha garganta, mas eu mal me importava. Aquela queimação não era nada comparada ao tanto que meu coração estava doendo. E numa tentativa de esquecer todo aquele caos que minha vida havia se tornado em menos de vinte e quatro horas, bebi toda a garrafa em dez minutos, ligando uma música, pronta para me mexer e sentir o efeito da bebida em meu corpo.
Joguei-me no sofá, completamente suada — e agora bêbada. Virar uma garrafa de vodka pela metade tão rápido talvez não tenha sido a melhor das minhas decisões, mas eu ia casar com um babaca de primeira linha, então, o que mais eu tinha a perder?
Olhei para o vestido em meu corpo, notando seus detalhes. Doía-me só de olhar pra ele. Eu precisava tirar esse vestido, precisava aceitar que não iria me casar.
Levantei cambaleando rumo ao meu quarto. Então uma ideia surgiu no meio do caminho, fazendo-me dar meia volta e ir para a cozinha atrás de uma tesoura. Quem se importava? O casamento já era mesmo, se era pra estragar as coisas, que fosse tudo de uma vez!
Assim que achei o que estava procurando, voltei para a sala, retirando o vestido e deixando no sofá. Avaliei minuciosamente por onde começaria minha obra de arte, decidindo começar pelas alças, mas assim que cortei a primeira tira, algo mais forte se apoderou de mim e em minutos eu havia destruído o vestido por inteiro. Não havia mais conserto, assim como meu casamento falido antes mesmo de começar.
Bom, fazer o quê?
Enchi uma taça, agora de vinho, e decidi colocar alguma roupa mais confortável. O vestido era apertado para um diabo de qualquer forma.
Assim que estava satisfeita, retornei para a sala. Não queria ficar no quarto, onde normalmente seria meu refúgio de tudo isso que estava acontecendo. Existiam lembranças demais para o meu gosto.
O relógio na parede batia cinco horas da tarde. Nossa, o tempo passa rápido quando a gente não liga a mínima, né? Eu costumava calcular minhas horas minuciosamente e de que isso me adiantou?
Meu celular, ainda perdido e esquecido dentro da bolsa, voltou a tocar, fazendo-me lembrar que ele havia tocado o dia inteiro e eu apenas o ignorei. Não seria agora que isso mudaria.
Meus amigos provavelmente deveriam estar surtando, pois faltei todos os compromissos que tinha para hoje; últimos detalhes do casamento. Eu nunca faria aquilo em sã consciência. Mas não queria falar com ninguém, não queria ver ninguém. Nada do que qualquer pessoa fizesse ou falasse me ajudaria. E eu não queria ser ajudada. Eu havia acabado de ser traída às vésperas do meu fucking casamento, eu tinha todo o direito de sofrer sozinha e quieta até quando eu bem entendesse.
E com esse pensamento, adormeci novamente, rodeada pelo meu vestido destruído e garrafas de bebidas: meus únicos companheiros a partir de agora.

Ponto de vista do Ashton

— Chega, eu não vou mais ficar esperando! — Levantei, chamando a atenção dos meninos e meninas que nos rodeavam. — Sabe Deus o que aconteceu com , eu não vou ficar sentado aqui, esperando alguém nos trazer notícias.
— O que você pretende fazer, Ash? — Mike perguntou, ao lado de Crystal, que tentava mais uma vez fazer com que atendesse ao celular.
— Sei lá, procurar ela, pra começar. Depois a gente vê se envolve polícia ou não sei... — puxei os cabelos, nervoso.
— Bom, agora o celular dela dá direto na caixa postal. — Crystal deu de ombros. — Deve ter ficado sem bateria.
— Já tentaram Frederick de novo? — Calum se manifestou.
— Também não atende. — Luke falou, retirando o celular da orelha.
— Eu vou na casa dela, é o primeiro lugar que a gente tem que procurar. Quem vem comigo? — Falei, já em direção à porta.
Michael, Calum e Luke levantaram-se imediatamente. Sierra e Crystal se entreolharam.
— Bom, a gente fica aqui então. Caso ela apareça. Nos mantenham informadas! — Crystal disse, recebendo confirmação de Sierra.
Concordamos e fomos o mais rápido que conseguimos para a casa de . O porteiro nos deixou entrar e subimos. Eu sentia que alguma coisa de muito errado estava acontecendo. Conhecemos desde crianças, ela nunca fez algo do tipo. Nunca faltou um dia de trabalho sem extrema necessidade, nunca deixou de aparecer em um compromisso sem avisar o porquê. Isso não era dela.
Tive minha confirmação assim que abri a porta com a chave que nos dera quando ela se mudou para cá. Éramos praticamente irmãos e tínhamos as chaves um da casa do outro, para caso ocorresse alguma emergência, não precisássemos esperar.
O apartamento estava escuro, fazendo Mike tatear pela parede até encontrar o interruptor. Nada poderia ter nos preparado para o que vimos.
estava praticamente desmaiada no sofá, garrafas de vinho e uma de vodka vazia na mesinha de centro, cacos de vidro espalhados por toda a sala e pelo cheiro era bebida — whisky, creio eu. Também tinha pedaços do seu vestido de casamento por toda parte. O que diabos tinha acontecido? Será que ela tinha desistido?
Calum, sem perder mais tempo, correu até ela, chamando por seu nome, sacudindo-a de leve, fazendo que todos nós nos aproximássemos cautelosamente. Ela parecia devastada e meu coração doeu por ela. Não sei o que tinha acontecido, mas para deixar nesse estado, boa coisa não poderia ser.
? — Ele chamou da forma mais carinhosa possível. Dava de sentir o cheiro de bebida emanando dela. Foi um porre e tanto. — Vou precisar que você acorde, meu bem. — Ele tentou mais uma vez, sacudindo-a levemente.
Ela se mexeu levemente, acalmando meu coração. Pelo menos não estava morta, o que já era grande coisa.
Ele mexeu com ela mais alguns minutos, até ela finalmente abrir os olhos devagar, mostrando o quanto estavam vermelhos. Seus cabelos estavam embolados e ainda tinha vestígios de maquiagem por seu rosto, indicando-nos que ela havia chorado e muito.
— Graças a Deus! — Sentei ao seu lado, vendo todos os outros rapazes se acomodarem como podiam ao seu redor, lhe dando total atenção. — , o que aconteceu? Você sumiu, a gente quase ficou doido achando que você tinha sido sequestrada.
Ela apenas nos encarava pacificamente. Honestamente, isso só me preocupava.
— É, a gente ligou pro Fred também, mas ele está tão sumido quanto você. — Mike disse e, com isso, explodiu em um choro, fazendo com que nos entreolhássemos confusos.
O que foi que a gente disse de errado?
Luke levantou, indo direto até a cozinha, enquanto Mike a sentava para lhe abraçar e passar o conforto que ela precisava, e eu e Cal nos colocávamos a sua frente, dizendo que tudo ia ficar bem, seja lá o que tivesse acontecido. Seu choro era dolorido, os soluços profundos. Odiava vê-la desse jeito.
... — Luke chegou, abaixando-se a sua altura, entregando a ela um copo de água com açúcar. — Toma, meu bem. Você precisa se acalmar.
Mesmo relutante, ela pegou o copo, tomando uns bons goles antes de desabar contra Mike novamente, que passou a mão por sua testa, tirando os cabelos que teimavam cair em seu rosto, plantando beijos por toda sua têmpora.
, o que aconteceu? — Calum perguntou, fazendo-a olhar para ele.
Ela soluçou algumas vezes antes de sentar melhor, ainda com apoio de Mike.
— Você desistiu do casamento, foi isso? Por que, meu bem, se foi isso... tudo bem, a gente dá um jeito-
— Não. Não desisti. — Praticamente sussurrou. — Frederick desistiu.
Olhamo-nos confusos. Como assim, Frederick desistiu?
— Vai ter que nos dar mais detalhes que isso, babe. — Falei calmo, olhando-a nos olhos. — Estamos tentando entender o que está acontecendo e estamos preocupados. Ajuda a gente. Estamos do seu lado sempre. Não se esqueça disso. — Segurei sua mão para lhe passar segurança.
— Encontrei Frederick fodendo com a Samantha na casa dele ontem à noite. — Foi tudo o que ela nos disse, antes dos seus olhos encherem de lágrima e começar a chorar novamente.
O quê? — Luke gritou, chamando nossa atenção.
apenas confirmou, tremendo demais para sequer pronunciar uma palavra. Ela ainda estava um pouco bêbada, eu podia dizer. E isso definitivamente explicava a confusão que essa casa se encontrava.
— Filho da puta! — Xinguei baixinho.
Nunca pensei que Frederick fosse capaz de fazer isso. Ele parecia tão... apaixonado. No fim, minha mãe tem razão quando diz que não pode confiar em nenhum cara.
ainda chorava no ombro de Mike, enquanto ele tentava confortá-la soltando alguns “shhh”, dizendo que ia ficar tudo bem. Eu não via tão destruída desde a morte de Iron, seu cachorro de estimação, há uns dois anos. Ela chorou por dias até finalmente superar, embora ainda sentisse saudades dele. Acho que isso iria demorar mais tempo que apenas alguns dias. Eu não conseguia nem imaginar como ela estava se sentindo.
, princesa, vamos tomar um banho. Você precisa descansar! — Mike esfregou seus braços após algum tempo, numa tentativa de fazê-la despertar, visto que estava quase adormecendo de novo em seus braços.
— Não quero. — Resmungou baixinho. — Estou bem aqui.
— Não, não está. E você está exalando a álcool. É um banho rápido. Eu entro com você! — Tentou mais uma vez.
— Não quero ir para o meu quarto. — Falou, deixando-nos ainda mais confusos.
— Por quê? — Luke se meteu.
— Lembranças demais. — Falou, simples.
Deus, ela estava exausta!
Eu queria tanto quebrar a cara do Frederick agora e tenho certeza de que os caras também, mas tínhamos que cuidar de primeiro, ela estava péssima!
Mike e eu apenas trocávamos olhares de piedade.
— Então a gente faz assim: você toma um banho e a gente te leva pra casa de um de nós, onde você se sentir mais confortável, que tal assim? — Ele tentou incentivar ela.
— Não, não posso abusar de vocês assim. — Resmungou.
— Você está cansada de saber que a gente não se importa, . Deixa a gente cuidar de você. Ficar aqui nessa casa se corroendo também não vai te fazer esquecer. — Luke tentou e ela ficou quieta por um tempo.
— Tudo bem, posso ir pra sua casa? — Ela perguntou olhando pro Calum, que apenas sorriu e concordou.
Depois disso, foi muito mais fácil fazer ela colaborar com a gente. Mike a ajudou com o banho, entrando com ela, quando ela reclamou chorando que estava gelada demais — não era estranho para nenhum de nós, já havíamos passados por banhos pós porres muitas vezes para isso ser um tabu.
Luke avisou Sierra que tínhamos encontrado viva e bem; ou pelo menos, inteira. Calum e eu ajeitamos a bagunça que a sala estava, limpamos os cacos de vidro do chão, jogamos as garrafas secas no lixo, assim como seu vestido completamente destruído. Talvez ela se arrependesse disso quando estivesse sóbria, mas isso não era prioridade agora.
Limpamos a sala e lavamos as louças, deixando tudo pelo menos decente para quando ela se sentisse pronta para voltar.

Meia hora depois, e Mike apareceram na sala, com ela visivelmente mais desperta, seu olhar perdido em algum lugar. Sentíamos sua tristeza de longe e isso quebrava nossos corações.
— Pronta pra ir? As meninas vão esperar na casa do Calum, pro que você precisar. — Luke falou, dando-lhe um sorriso mínimo ao qual ela tentou corresponder.
— Será que vocês podem... — mordeu o lábio, nervosamente. — Er... cancelar as coisas do casamento? — perguntou, encolhendo-se levemente.
— É claro! — Falei antes que os meninos pudessem falar qualquer coisa. — Você não precisa se preocupar com nada agora.
E eu garantiria que minha promessa fosse mantida. merecia isso!



Capítulo 3

Ponto de vista da :

Os meninos levaram-me para a casa de Cal, onde eu havia passado os últimos dois dias oscilando entre o ódio e a tristeza. Crystal e Sierra me fizeram companhia a maior parte do tempo, ajudando-me a distrair do desastre que minha vida havia se tornado. Tinha funcionando, mesmo que eu ainda derramasse algumas lágrimas escondida no banheiro. De noite, depois dos ensaios, os meninos vinham, ficávamos vendo filme até altas horas da madrugada e eu sempre acabava pedindo abrigo no meio da noite para Calum ou Ashton, quando não conseguia dormir depois das sessões de filmes.
Não conseguia entender. Se Frederick me amava tanto como dizia amar, por que diabos ele fez isso? Eu nunca havia notado pistas de traição, ele sempre se mostrou fiel, companheiro, confiável. O que tinha dado errado?
Vai ver, eu que havia entendido tudo errado e ele nunca me amou. Estava fazendo tudo isso só por... sei lá, diversão. Eu não sei.
? — Sierra estalava os dedos a minha frente, tentando chamar minha atenção. — Terra chamando! — Sorriu doce, assim que eu saí dos meus devaneios, focando totalmente nela agora.
— Oi, desculpa! — Sorri de volta. — Estava pensando em outra coisa.
— Sei bem no que você estava pensando... — pôs a mão sobre a minha. — Olha, eu sei que é difícil, mas a gente está aqui. E você não precisa passar por isso sozinha, sabe? Se quiser, se abre. A gente vai te ouvir. — Lançou-me um olhar reconfortante, o qual eu fiquei extremamente grata.
— Eu sei, obrigada. Vocês são incríveis. Eu juro que se eu precisar, eu corro pra vocês. — Puxei-lhe para um abraço, que foi prontamente retribuído.
— Ih, se está rolando abraço grupal, eu quero. — Crystal apareceu na cozinha com uma garrafinha de água na mão, pronta para sua corrida matinal.
Rimos e puxamos ela para o meio do abraço.
Eu podia reclamar do que quisesse, mas não que não tinha bons amigos.
— Bom, eu vou sair, dar uma corrida. Querem ir? Posso esperar vocês se arrumarem. — Crystal se ofereceu, saindo do nosso abraço.
Sierra e eu nos olhamos, o pensamento sincronizado.
— Eu passo! — Sorri inocente, seguida de Sierra, que concordou. — Dia de preguiça hoje. — Dei de ombros.
Crystal rolou os olhos, mas sorriu, despedindo-se de nós.
Assim que ela bateu a porta, Sierra me olhou cúmplice.
— Maratona de série? — Sugeriu.
— Na hora! — Afirmei e fomos direto para o sofá com nossos lanches nas mãos.

Depois de mais ou menos uma hora ainda estávamos jogadas, completamente empanzinadas, sofrendo pela morte de algum personagem da série adolescente que havíamos escolhido, agora com a companhia de Crystal que já havia voltado e se juntado a nós.
Levantei assim que os créditos do último episódio subiram, pronta para ir direto para o banheiro com a bexiga estourando depois de ingerir tanto refrigerante. Fiz todas as minhas necessidades e estava voltando para a sala, quando notei a voz de Crystal um pouco mais alterada, seguida de uma voz que eu não esperava ouvir tão cedo.
Frederick.
Mas o que esse cretino está fazendo aqui?
— Você não acha que já arrumou confusão demais? Vai embora! — Sierra falou séria, quando cheguei à entrada da sala, não querendo aparecer ainda.
Não sabia se estava pronta para encará-lo. Estava tudo muito recente e ainda doía muito. Fazia só dois dias.
— Eu só quero conversar com ela. Vai ser rápido! — Fred falou, parecendo aflito.
Entrei de vez no cômodo, deixando que todo mundo me notasse.
— O que você está fazendo aqui? — Perguntei, cruzando os braços, olhando-o friamente.
— Eu preciso conversar com você. Por favor, . Me dá dez minutos.
Olhei dele para as meninas, que esperavam apenas minha decisão. Okay, eu não era de ferro. Estava no mínimo curiosa para ouvir o que ele tinha para falar.
Afirmei com a cabeça e as meninas abriram espaço para ele entrar.
— Obrigado. — Falou e eu virei as costas, indicando que ele devia me seguir.
Se íamos ter essa conversa, não faria as meninas ficarem desconfortáveis.
— Você tem cinco minutos. — Falei assim que fechei a porta, virando de frente para ele.
— Eu vim para te pedir perdão. Eu fui um idiota, honestamente, nem sei como cheguei àquela situação. Uma coisa levou a outra, quando vi, estávamos bebendo e acho que a quantidade de álcool-
— Para! — Falei, de olhos fechados. Não aguentava ouvir ele me dando essa desculpa esfarrapada. — Não ouse colocar a culpa na bebida, você não é mais uma criança, Frederick.
Ele me olhou por alguns segundos, antes de concordar. Do mesmo jeito que havia feito da última vez que nos vimos.
— Eu estou arrependido, . Por favor, me perdoa. Me dá outra chance de provar que sou o cara certo para você. Tudo o que eu peço é uma segunda chance! — Frederick disse, ajoelhando-se à minha frente.
Nunca pensei durante todos esses cinco anos que veria Frederick ajoelhar diante de mim para pedir perdão. A única vez que ele fez isso, foi para me pedir em casamento. Eu não conseguia. Toda vez que olhava para ele, sentia a mesma sensação horrorosa de ter meu coração sendo arrancado do peito quando flagrei ele e a secretária juntos em sua cama. Ele poderia ajoelhar, implorar, jogar pétalas de ouro ao meu redor, era tarde demais. O que ele havia feito era sujo e baixo demais. Eu nunca mais seria capaz de confiar nele de novo.
— Sinto muito, mas eu não consigo. Você fez sua decisão, Frederick. Arque com as consequências dos seus atos.
Ele baixou a cabeça e eu vi lágrimas caírem, mas por algum motivo, não conseguia acreditar na veracidade delas. O que eu via diante de mim não parecia um homem arrependido, parecia um homem com remorso. Eram dois sentimentos completamente diferentes.
— Por favor, . Eu preciso que você me perdoe. Por favor, volta pra mim. Eu faço tudo o que você quiser, eu nunca mais vou nem sonhar em olhar para outra mulher, mas por favor, volta pra mim! — E então ele me abraçou pelas pernas. — Eu te imploro!
Aquela cena toda começou a me deixar enjoada. Eu não o queria tocando em mim de nenhum jeito. Fiz força para me desvencilhar dele, o que só o fez firmar mais seus braços ao meu redor.
— Frederick, você está começando a ser ridículo. Levanta. — Segurei seu braço levemente, indicando que queria ele longe. — Você precisa ir embora.
— Não! — Ele respondeu desesperado e beijando minhas pernas.
Deus, eu vou vomitar!
— Me perdoa, .
— Frederick, levanta, mas que inferno! — Falei um pouco mais alto, forçando seus braços a me largarem e ele acabou perdendo o equilíbrio, olhando-me com o rosto molhado. — Se você ainda tem um pingo de respeito por mim, por favor, vai embora agora.
Ele hesitou um pouco, mas levantou, fazendo seu caminho até a porta. Senti minha garganta apertar. Ainda o amava, era óbvio, mas estava magoada demais para me submeter a qualquer situação só para tê-lo de volta. Iria demorar, mas eu o superaria.
Antes de Fred encostar na maçaneta, a porta abriu, revelando Calum, que não estava com a cara mais animada do mundo em ver meu ex-noivo em sua casa.
— Que porra está acontecendo aqui? — Falou bravo e com razão — O que esse cara está fazendo aqui, ? — Colocou sua atenção em mim.
— Ele já está de saída. — Falei, simples, sem querer dar muitos detalhes do que tinha acabado de acontecer.
Calum também não parecia se importar de ver o rosto de Frederick lavado de lágrimas. Ele estava vermelho e eu podia dizer que estava se controlando muito para não partir para cima de Fred.
— Não é?
Fred apenas limitou-se a passar por Calum de braços cruzados na porta, fuzilando-o com o olhar.
— Eu sinto muito. Por tudo isso. — Foi tudo o que ele disse ao parar de frente para Calum, mal o encarando.
— Se você ousar aparecer aqui ou na casa de qualquer um de nós de novo, eu vou quebrar a sua cara! — Ameaçou Calum, que recebeu apenas um aceno envergonhado de Fred.
E então ele se foi.
Eu não sabia como deveria me sentir. Estava orgulhosa de não ter cedido, mas também estava destruída. Fred era o suposto homem da minha vida e mesmo assim foi capaz de quebrar meu coração em mil pedaços sem sequer pensar duas vezes. Eu estava desacreditada de tudo, inclusive de mim mesma.
Senti os braços de Calum ao meu redor, acolhendo-me em um abraço aconchegante e necessitado. Eu nem havia percebido que ele ainda estava aqui. De qualquer forma, amoleci dentro do abraço, retribuindo.
— Você está bem? — Perguntou, abraçando-me mais apertado.
Ele me conhecia tão bem, sabia exatamente quando precisava se afastar e quando precisava de colo. Esse era um desses momentos.
— Vou ficar. — Suspirei.
— Estou com você. Eu, os rapazes, as meninas... não vamos te abandonar. Nunca! — Afirmou, distribuindo beijos pela minha cabeça.
Eu precisava disso: carinho e afeto de pessoas que me amavam de verdade.
— Eu sei. Obrigada por não me deixarem.
— Você sempre vai ter a gente, . Sempre. Nunca duvide disso! — Falou, agora me olhando nos olhos.
Ele não precisava repetir. Eu acreditava nele. Eu ficaria bem — assim eu esperava. Mas desde que eu tivesse essas pessoas incríveis ao meu lado, seria capaz de enfrentar até chuva de canivete. E eu era muito sortuda por isso. Eles eram minha benção.



Capítulo 4

Ponto de vista da :

Hoje era o dia. Correção, hoje era para ser o dia. Era para eu estar acordando e estar nervosa sobre meu penteado, maquiagem, sobre o vestido, sobre chegar atrasada na cerimônia. Eu deveria estar preocupada sobre os mínimos detalhes se iriam sair da forma como eu planejei. Mas ao invés disso, eu estava na casa de um dos meus melhores amigos, tentando juntar os pedacinhos do meu coração, porque me noivo — agora ex — me fez o favor de me trair faltando uma semana para o nosso casamento.
Pergunto-me em que momento tudo desandou. Quando foi que Frederick decidiu que uma vida a dois não valia a pena. Ou se ele pensou que eu nunca descobriria...
De qualquer forma, ele fez uma escolha e deveria me conhecer o suficiente para saber que eu também havia feito a minha. Eu não sei quanto tempo isso vai durar ou sequer se um dia vai passar, mas de uma coisa eu tinha certeza: nunca mais queria Fred em minha vida. Em nenhuma circunstância.
Quando senti que ia sufocar olhando para o teto do quarto de hóspedes de Cal, levantei indo direto para o seu quarto, onde o encontrei enrolado nos lençóis de peito para cima, dormindo como um anjo. Devagarinho, enfiei-me debaixo das cobertas com ele, achando uma posição confortável, querendo desaparecer ali.
Ele deve ter percebido a movimentação, pois logo seus braços rodearam minha cintura, puxando-me para mais perto.
— Não queria ter te acordado, desculpa. — Falei baixinho, aproveitando a oportunidade para me aconchegar melhor.
— Eu não me importo. Você está bem? — Perguntou com a voz arrastada de sono.
Aí estava a pergunta que eu tanto evitei durante essa semana. A resposta era óbvia.
Deixei escapar um suspiro longo, virando-me de frente para ele.
— Eu não quero falar sobre isso. — Falei simples, rezando para que ele esquecesse o assunto e só me desse o colo que estava pedindo.
... — olhou-me sério. — Meu bem, você precisa colocar para fora. Eu te vi se arrastar pela casa a semana inteira, não te vi chorar, mas você também mal falou, mal comeu, não dormiu direito. Isso não é saudável. Você precisa falar sobre seus sentimentos ou eles vão te sufocar viva. — Colocou uma mecha de cabelo atrás da minha orelha, carinhosamente.
E isso foi o suficiente para fazer meus olhos encherem de lágrimas e o choro abrir caminho igual um tsunami sem que eu pudesse segurar.
Calum me abraçou forte, deixando que eu chorasse tudo o que precisava, fazendo carinho em meus cabelos. Encostei a cabeça em seu ombro e deixei que toda a angústia que vinha me consumindo ao longo dessa semana saísse em forma de lágrimas. Eu estava destruída!
Sentia que pegava um caquinho do meu coração e derrubava outro. Fred havia me quebrado de maneiras extremamente cruéis. Eu não acho que algum dia seria capaz de amar novamente. Doía muito e eu nunca mais queria sentir isso.
— A pior parte... — funguei ainda encostada no ombro do meu amigo. — É que ninguém me contou, sabe? Eu vi com meus próprios olhos. Eu vi o quanto ele queria aquilo, o quanto ele estava aproveitando cada minuto daquela mulher sentada nele. Ele me disse que queria ter a chance de estar com uma pessoa diferente uma última vez, antes de "se amarrar completamente a mim".
Senti Calum ficar tenso, afastando-me levemente para olhar em meus olhos.
— Ele disse isso? — Perguntou incrédulo e eu afirmei. Hood apertou a mandíbula, mas não falou nada, apenas me dando a oportunidade de continuar falando.
— E aí ele veio pedir perdão. Conheço-o tem cinco anos. Ele não estava arrependido. Estava desesperado. Não consigo perdoá-lo. Nunca vou esquecer o que eu vi, Calum. E isso dói demais. Dói, porque eu ainda o amo. Muito. Mas a mágoa é mais forte. Eu queria ser capaz de perdoá-lo, mas eu não consigo. Parece que tem um buraco no meu peito e que nunca vai sarar. — Tentava explicar, mas estava confusa e meus pensamentos estavam rápidos demais. — Eu só não entendo o que aconteceu, sabe? — Solucei com o rosto ainda enterrado em seu peito nu. — Em um minuto, estávamos bem, prestes a nos casar. No outro, eu estava flagrando-o me traindo com a secretária. Por que ele teve que jogar tudo pela janela desse jeito? — Eu estava ficando extremamente chateada.
Senti o peito apertar e a respiração falhar, dando-me indicação que precisava me acalmar. Minhas mãos tremiam, enquanto sentava e cobria o rosto com as mesmas, agora sendo incapaz de me controlar. Soluços profundos saíam da minha garganta, enquanto Calum sentava atrás de mim, uma perna de cada lado do meu corpo, fazendo-me encostar as costas em seu peito e deitar a cabeça em seu ombro.
— Respira fundo, ! — Falou, tranquilo. — Vamos lá, respira comigo. — Colocou a mão sobre minha barriga, puxando a respiração, mostrando como eu deveria fazer. Segui suas instruções até sentir o nó em meu peito se desfazer e eu sentir o ar entrar com mais facilidade. — Isso, isso mesmo.
Continuei naquela mesma posição, muito mais calma, mas deixando o cansaço me consumir, embora eu quisesse tudo menos dormir agora.
— Não é justo. — Continuei, sentindo Cal murmurar, indicando que ele estava me ouvindo. — Eu fiz tudo certo, fui uma boa namorada, uma boa noiva. Eu não consigo entender. Foi alguma coisa que eu fiz? Eu não sou suficiente? — Comecei a questionar, sentindo lágrimas silenciosas escaparem dos meus olhos.
— Não, é claro que não, . — Limpou meu rosto com uma das mãos, enquanto a outra ainda me segurava firme. — Você não fez nada de errado. E mesmo que tivesse feito, nada justificaria a falta de caráter dele. Não foi sua culpa. — Falou a última parte com firmeza — Tudo bem? Eu não quero que você pense nisso, porque não é verdade. Frederick é o único culpado nessa história toda. Só ele e mais ninguém.
Afirmei com a cabeça, ainda sentindo um nó na garganta. Deixei minha cabeça tombar, lágrimas ainda escorrendo dos meus olhos. Eu parecia uma torneira que foi esquecida aberta e agora não parava de jorrar.
Calum se mexeu levemente, sem nunca me soltar e ouvi ele digitar alguma coisa em seu celular.
— Você tem que ir pro estúdio? — Perguntei, tentando levantar, sendo impedida.
— Não mais, acabei de avisar os meninos que vou faltar. Vou te fazer companhia hoje.
— Calum, não! — Levantei de seu colo rapidamente. — É o seu trabalho. Eu não poss-
, já está feito. Sem discussões. — Lançou-me um sorriso sacana, que normalmente me deixaria irritada com ele, mas dessa vez só me deu vontade de chorar mais ainda.
E foi o que eu fiz. Calum não perdeu tempo em voltar a me abraçar, sussurrando pequenos encorajamentos, dizendo que tudo ia se resolver e que ele estava lá por mim. E assim, adormeci em seu abraço, ouvindo-o cantarolar alguma música que me levou até uma terra sem sonhos.

... — a voz de Calum me chamava ao longe. — , acorda! — Ele tentava, enquanto eu lutava para não sair do sono gostoso que me encontrava. — Sei que está cansada, meu bem, mas você precisa comer.
Abri meus olhos lentamente, a menção de comida, sentindo meu estômago dar sinais de vida.
— Sabia que não resistiria... — ele sorriu, levantando e pondo uma bandeja na cama, cheia de comida, chegava a ser desnecessário.
— Você é um amigo incrível! — Sorri, atacando a omelete que ele tinha feito, suspirando de prazer por estar muito boa. Mesmo com tanto tempo de amizade, ainda me surpreendia com os talentos de Calum.
Passamos o dia naquele clima gostoso, oscilando entre momentos de risos histéricos e choros compulsivos. Calum eram uma excelente companhia e entendia cada momento. Eu não me sentia julgada ou tola por chorar com as pequenas coisas. Eu me sentia segura.
— Podem começar a se curvar, pois a maior celebridade dessa cidade chegou, meros mortais! — Mike abriu — para não dizer invadiu — a casa de Calum com essas exatas palavras, arrancando de todos nós gargalhadas.
Ele tinha esse dom de levantar o astral de qualquer lugar. Não importava qual fosse a situação, Michael sempre era capaz de resolver apenas com seu bom humor.
— Isso porque a Crystal o mantém na linha, imagina se não... — Luke riu, entrando logo atrás.
— Você zoa, mas é tão pau mandado quanto! — Ash rebateu em seguida. A família estava completa.
— Você já deu uma olhada na minha namorada? Claro que eu sou pau mandado, até você seria. — Luke respondeu.
— Ele tem um ponto! — Meti-me na conversa. — Sierra meio que tem esse poder mesmo.
Ash deu de ombros, sentando ao meu lado, abraçando-me em seguida, permanecendo nessa posição por um tempo.
— Eu estou ficando com ciúmes... — Michael falou, separando-nos muito infantil.
Rimos, ao passo que ele se jogava sobre nós dois, pedindo carinho como um cachorrinho que havia caído da mudança.
Luke rolou os olhos.
— Quero saber por que vocês não estão arrumados ainda? — Reclamou, olhando de Calum pra mim. Franzi o cenho em confusão. — Você não contou, né?
Calum negou.
— Do que vocês estão falando? — Perguntei, sentindo que não ia gostar do que ia ouvir.
— Ela não vai querer. — Calum retrucou.
— Ela não tem escolha. — Luke riu.
— Vocês querem fazer o favor de responder? — Perguntei, irritada.
— A gente vai na balada hoje. — Falou, simples. — Vocês já deviam estar prontos, se aquele bocó ali não fosse um arregão.
— Ah, não. Eu passo! — Neguei prontamente. — Podem ir vocês.
— De jeito nenhum. Você vai com a gente, não vai ter graça sem você, — Michael reclamou. — Por favor? — Pediu como uma criança.
Olhei dele para Ash, que apenas deu de ombros, sorrindo. Foi ali que eu soube que tinha perdido essa batalha. Não sabia dizer não para eles.

Eu não sabia mais que horas eram, mas sabia que estava muito bêbada, completamente suada e sem me importar com tanta gente ao meu redor, dançava com Ashton no meio da pista. Ele ria, estendendo a cabeça para trás como uma criança. Eu estava feliz e me divertindo com as pessoas que amava, nem parecia que horas atrás estava afogada em uma poça de autopiedade.
— Eu quero mais um drink! — Falei alto para que Ash me escutasse por cima da música alta.
— Você não acha que já bebeu demais? — Respondeu no mesmo tom.
— Achei que o motivo de estarmos aqui era para eu me divertir... — retruquei.
— E você não está?
— Por favor, Ashy... — fiz carinha de pidona e ele riu. Rodopiou-me até eu encontrar Calum, que dançava ali por perto, pedindo para ele cuidar de mim e sumiu em direção ao bar.
Calum me abraçou pela cintura, dançando bem pertinho, tão alterado quanto eu. Envolvidos pela música, não nos importando se estávamos sendo ridículos, dei mais uma rodopiada sentindo a cabeça girar e de relance meu olhar captar uma figura conhecida do outro lado da pista.
Foquei o olhar, só para ter certeza que minha mente não estava me pregando peças, percebendo tardiamente que não.
De onde eu estava, dava para ver perfeitamente Frederick aos beijos com uma outra mulher, completamente envolvido, enquanto ela lhe agarrava sem pudor. Eu sei que disse que não o perdoaria, mas não achei que fosse vê-lo com outra pessoa — de novo — em tão pouco tempo.
Senti meus olhos encherem de lágrima, mais uma vez. Calum esbarrou em mim, notando que eu havia parado de dançar.
? — Perguntou. — Você tá bem?
— Me tira daqui. — Falei alto o suficiente para ele escutar. — Me tira daqui agora.
— O que houve, ? — Perguntou, levantando o olhar na direção que eu estava encarando, tentando entender o que havia acontecido. — Filho da puta! — Xingou baixo e eu soube que ele tinha visto o mesmo que eu. — Vem! — Passou o braço pelos meus ombros, praticamente me arrastando da pista.
— O que aconteceu? — Ash voltou com dois drinks na mão, confuso porque estávamos saindo.
Calum apenas indicou com a cabeça onde Frederick ainda estava com a tal mulher.
Vi a feição de Ash fechar completamente, enquanto seguia Calum direção à saída. Antes de chegarmos à porta, olhei novamente naquela direção, vendo Luke e Mike segurarem Ashton, impedindo que ele chegasse até Fred, que permanecia alheio a nossa presença.
Ele parecia tão íntimo com aquela mulher, sorrindo e sussurrando em seu ouvido, um contraste tão diferente do cara que eu vi uns dias atrás ajoelhado a minha frente.
O ar gelado do lado de fora não ajudava no sentimento de perda. Tentei puxar o ar, não conseguindo. Levei a mão até o peito, sentindo queimar. Isso era tudo o que eu não queria, duas crises de ansiedade no dia não era a melhor das experiências.
Calum notando o que estava acontecendo, puxou-me para mais perto, encostando-me na parede.
. — Falou com a mão no meu rosto, pedindo minha atenção.
Tentei focar em seu rosto, mesmo que a falta de ar junto com a bebida e toda aquela confusão estivesse me deixando tonta.
— Respira. Está tudo bem, você só precisa respirar. Comigo, lembra? — Trouxe minha mão até seu peito, mostrando como fazer.
Puxei o ar bem fundo e soltando devagar, sentindo-me levemente melhor, desviando seu olhar por dois segundos, vendo um flash estourar em nossa direção. Ah, não! Tudo o que não precisávamos agora era de um bando de abutres procurando qualquer oportunidade para uma matéria sensacionalista amanhã de manhã.
— Merda! — Calum xingou, olhando em volta.
Luke, Michael e Ashton finalmente saíram pela porta, logo sendo bombardeados pelos flashes de câmera. Deus, isso daria muito o que falar.
— Vamos, temos que sair daqui. — Luke falou bem perto e então me olhou. — Você está bem? — Perguntou.
Apenas concordei, não querendo chamar mais atenção.
— Ela não está. Precisamos de um táxi, agora! — Ash apareceu atrás dele, precisando só me olhar para saber que eu estava tudo, menos bem.
— Vamos! — Mike disse, voltando sabe Deus de onde. — O táxi já está aqui.
— Como você- — Luke tentou, sendo interrompido.
— Já sabemos como essa merda toda funciona, vamos embora antes que fique pior. — O loiro respondeu sério como poucas vezes o tinha visto.
— Vem, . — Calum me puxou delicadamente. — Vai ficar tudo bem. Você está bem! — Assegurou com os braços ao meu redor.
Entramos no carro, Luke pedindo para o motorista dar partida imediatamente, que graças a Deus foi obedecido.
— Eu acho que vou vomitar... — falei baixinho, recebendo atenção de todos no carro.
— Olha, moça, por favor, não vomita no meu carro. — O motorista falou com educação. — Tem saquinho no bolso do banco.
Ashton pegou o saquinho, entregando-me no momento exato que senti todo o líquido que havia ingerido voltar pelo esôfago. Recostei-me no banco, Calum tomando o saco da minha mão. Mike, que estava ao meu lado, tirou algumas mechas de cabelos grudadas em meu rosto e pescoço.
... — ele segurou meu rosto com as duas mãos. — Respira fundo!
— Eu acho que vou desmaiar. — Falei, mal acreditando que eles ouviram, de tão fraca que minha voz saiu. E antes que pudessem fazer alguma coisa, tudo ficou escuro.



Capítulo 5

Ponto de vista do Ashton:

— Mas que merda! — Calum exclamou ao meu lado, vendo desacordada nos braços de Michael, que tentava fazê-la voltar à consciência dando leves tapinhas em seu rosto.
Ele abriu a janela para circular algum ar fresco dentro do carro. Eu estava preocupado, porém entendia. estava mais que sobrecarregada emocionalmente, além de fisicamente, ela não se cuidou bem durante a semana, não comeu muito antes de sair de casa, hoje era para ser o dia mais feliz da sua vida, mas ela acabou em um bar bebendo todas, tendo crises de ansiedade durante o dia e a noite, onde era suposto ela se divertir — mesmo todo mundo sabendo que não dava para se divertir tendo um coração partido —, após ter presenciado o ex agarrado a outra mulher, quando deveria estar a caminho da sua lua de mel. Era demais para qualquer pessoa aguentar.
Isso era apenas seu corpo pedindo por um tempo.
Michael a manteve perto, impedindo que sua cabeça batesse na porta, conforme o balanço do carro. Mais dez minutos e o motorista estava estacionando em frente à casa de Calum.
Michael passou completamente mole para mim, enquanto Calum corria para abrir a porta e Luke pagava o motorista.
Estávamos todos agitados, sem saber exatamente o que fazer. Se deveríamos levá-la para o hospital ou se só deixássemos que ela descansasse.
Levei-a direto para o quarto de hóspedes, deitando-a delicadamente sobre a cama, tirando seus sapatos e ajeitando-a em uma posição confortável. Era o mínimo que eu podia fazer.
Voltei para a sala onde os rapazes estavam todos jogados em cantos diferentes, não tão bêbados, porém com certeza bem alterados.
— Acho que ela vai dormir até amanhã. — Falei, indo até a geladeira, pegando uma garrafa de água para cada um, sentando-me também no sofá, ao lado de Luke, que estava no celular mandando mensagem para a Sierra.
— Acho que é melhor. Ela precisava de um tempo, de qualquer forma. — Calum levantou, tirando seu casaco de couro e jogando em qualquer lugar. — Eu vou tomar um banho e dormir. What a day, men! — Bagunçou o cabelo. — Me acordem se precisarem de alguma coisa.
Rimos, porque Calum sempre era esse cara, o que ia cedo para cama, mesmo que nem dormisse.
— Você acha que ela vai demorar muito para superar ele? — Michael perguntou, jogado em um pufe do outro lado da sala.
— Não sei. Com sorte, ela vai esquecer essa noite, é uma dor a menos. — Suspirei. — Eu nunca quis tanto quebrar a cara de alguém na minha vida toda. — Cerrei o punho.
Eu gostava daquele babaca, antes de tudo isso. Ele era legal, tinha bom papo e o mais importante para todos nós, fazia bem para , mas ele estava se esforçando muito para conquistar a antipatia de todos e estava conseguindo.
— Achei que ia ter que chamar os seguranças pra te impedir. Parecia um touro bravo. — Mike riu, Luke o acompanhando.
— Eu sei que é humanamente impossível, mas eu juro que vi fumaça sair do seu nariz... — o loiro apontou para mim.
— Haha! — Forcei a risada. — Idiotas.
— Bom, eu vou chamar outro carro para ir para casa, minha garota me espera. — Mike disse, levantando, deixando a garrafa de água em cima da mesinha de centro. — Estou tão feliz que temos folga amanhã. Tenho certeza que a ressaca não vai ser benevolente. — Riu da própria piadinha, espreguiçando-se.
Ele se despediu, deixando apenas eu e Luke na sala, rindo dele.
— Mais comandado que esse aí, só eu... — admitiu, fazendo-me revirar os olhos, dando um soco de brincadeira em seu braço.
— Deveríamos ir dormir, isso sim. — Falei, bocejando. Eu também estava cansado.
— O outro quarto de hóspedes é meu! — Luke falou, levantando-se para impedir que competíssemos pela vaga, mas esses não eram meus planos.
— À vontade. — Retruquei. — Vou dormir com a . Não a quero sozinha, caso acorde de madrugada e precise de alguém.
Ele concordou, já caminhando para o quarto, desejando-me boa noite.
Segui para o quarto onde estava, tomando um banho antes de me deitar ao lado dela, com medo de que ela pudesse acordar a qualquer momento para vomitar ou algo assim e acabei adormecendo em algum momento da madrugada, observando seu rosto cansado.
era uma das minhas melhores amigas, eu faria de tudo para que ela voltasse a ficar bem de novo. Nem que para isso eu tivesse que quebrar a cara de um certo filho da puta. Ou pular de uma ponte, se ela me pedisse. O que quer que ela precisasse, estava disposto dar a ela.

Ponto de vista da :

Eu nem havia aberto os olhos ainda, mas já estava arrependida de ter acordado. Mexi-me devagar, como se qualquer movimento brusco fosse fazer minha cabeça explodir de dor. Deus, eu tomei gasolina ontem à noite? Fazia tempo que não tinha uma ressaca tão forte!
Grunhi, virando-me de lado, esbarrando em alguma coisa, que logo percebi ser um corpo. Congelei. Ai, meu Deus. Será que eu tinha vindo parar na casa de algum estranho? Ou pior, será que eu havia tido a cara de pau de trazer alguém para a casa do Hood?
A pessoa ao lado se mexeu, parecendo estar bem mais desperta que eu, enquanto eu nem conseguia abrir os olhos. Levei minha mão à cabeça, tentando aliviar aquela sensação de ter o capeta sambando dentro dela.
— Acho que a princesa está precisando de um remédio, huh? — Reconheci a voz de Ash.
Suspirei aliviada, embora escutar sua voz tenha feito eu querer morrer. Não acho que ele estivesse gritando, mas a essa altura qualquer mínimo barulho parecia ensurdecedor para mim.
Shh... — repreendi. — Por favor, não fala! — Sussurrei, conseguindo abrir um olho.
Ash sorriu e saltou da cama, apenas com calça de moletom. O que eu tinha aprontado noite passada? Mal lembrava quando chegamos ao clube.
Ashton voltou depois de uns minutos com um comprimido na mão e na outra um copo d'água, depositando em cima da mesinha de cabeceira. Ele me ajudou a sentar, mesmo isso sendo um grande sacrifício, seu argumento de que eu não poderia beber água deitada bastante válido.
Ele sentou-se à minha frente, assim que eu engoli o comprimido, com um sorriso idiota nos lábios. Ele estava tirando sarro do meu estado. Desgraçado.
— A gente nunca mais vai te deixar beber desse jeito. — Riu. — Você fica péssima.
— Dei muito trabalho? — Perguntei, levantando a cabeça, começando a ter alguns flashes de memória da noite passada. Era tudo muito confuso e borrado, mas estava vindo.
Nah, a gente só teve que te impedir de subir no queijo e tirar a roupa, e você apagou no caminho para casa, mas fora isso, você foi tranquila!
Arregalei os olhos, olhando bruscamente para ele, ganhando uma fisgada de dor. Ash tapou a boca para não soltar sua risada histérica.
— É brincadeira, relaxa. Mas a parte que você apagou aconteceu mesmo.
— Você é um idiota! — Resmunguei. — Onde está todo mundo? — Vasculhei ao redor com os olhos, não captando nenhum som vindo da cozinha e nem de lugar nenhum.
Ash olhou para fora, como se procurasse vestígios de alguém pela casa.
— Dormindo ainda. Todo mundo ficou meio louco ontem, acho que vão ter tanta ressaca quanto você.
Eu sabia que era mentira, mas era fofo que ele estivesse se esforçando.
— Só Luke e Calum estão aqui. Michael correu de volta para Crystal.
— Não me surpreende... — soltei uma risada nasalada. — Eu preciso de um banho. Será que você pode, por favor, me fazer um café bem forte? — Perguntei arrancando a colcha de cima de mim, sentindo-me suja por ter dormido sem um banho.
— Às suas ordens, madame! — Ironizou e eu rolei os olhos, fechando a porta com força, recebendo sua risada do lado de fora como resposta.
Deixei a água mais fria que pude aguentar, deixando que ela caísse sobre meu corpo para me acordar de vez e tirar o cheiro de álcool que parecia impregnado em mim. Quantos shots e drinks eu havia tomado? Jesus, eu precisava me cuidar ou acabaria seguindo o mesmo caminho que tio Evan! Isso era uma coisa que eu definitivamente não queria.
Tentei voltar à noite passada, queria lembrar o quão divertida ela havia sido, porque eu sabia que tinha. Nunca tinha tempo ruim quando se tem esses garotos ao seu lado. Foi quando alguns flashes mais nítidos começaram a surgir.
Lembro de chorar e ver paparazzi, assim como lembro da feição preocupada de Calum, pedindo-me para respirar após eu ter mais um episódio de ansiedade. Mas por quê? Estávamos dançando, disso eu lembro. Rindo e vendo algumas garotas flertarem descaradamente com Ash e Calum, sendo os dois únicos solteiros da banda. Elas não se meteriam com Luke e Michael, que já haviam deixando bem claro seus compromissos com suas garotas.
Então a realidade veio, batendo-me como um carro desenfreado e eu lembrei: eu havia visto Frederick com outra pessoa. No dia que era para ser do nosso casamento. Apenas alguns dias depois de ele ter ajoelhado e implorado pelo meu perdão.
Franzi o cenho, agora a água se tornando muito mais fria.
Não que eu o quisesse de volta, mas ainda assim, um pouco de respeito seria ótimo. Respeito... Como eu iria querer respeito vindo de um cara que me traiu prestes a casar comigo? Uma coisa era fato, Frederick era um belo de um babaca e eu já estava cansada de chorar por ele.
Saí do banheiro o mais rápido que pude. Não queria ficar remoendo aquela cena que parecia grudado na minha cabeça, como um CD riscado.
— Você passou mal? — Ashton perguntou assim que pôs os olhos em mim. — Está branca feito um papel.
— Frederick estava com outra pessoa ontem, não estava? — Ignorei sua pergunta. Sua expressão se fechou ao mesmo tempo que me mandou um olhar suave.
— A gente tava esperando que você não se lembrasse disso... — apertou o pescoço em um ato nervoso.
— Eu não causei nenhum problema para vocês, né? — Suspirei. — Eu lembro de paparazzi.
Ele negou, puxando-me para sentar na cama, indo até o armário de Calum, onde pegou outra toalha limpa e se colocou atrás de mim, começando a secar meu cabelo, fazendo-me sorrir leve pelo gesto adorável.
— Relaxa. Não está ruim e também não demos detalhes de nada. O máximo que vão especular é que passamos do ponto na bebida, nada mais. — Tranquilizou-me, retirando o excesso de água das pontas do meu cabelo. — Mas eu não vou mentir para você... — pôs-se sentado ao meu lado, terminando seu serviço. — Eu queria quebrar a cara dele!
Sorri com o pensamento. Ashton era sempre tão pacífico, poderia esperar isso do Calum, não dele.
— Não vale a pena. — Dei de ombros.
Ficamos calados por um tempo.
— Eu preciso saber o que fazer da minha vida a partir de agora. Já fiquei parada uma semana. Meg está sendo mais que compreensiva, mas não sei ainda se quero voltar. — Confessei.
Eu estava tão perdida ainda, embora determinada a parar de sofrer pelo meu ex idiota.
Ash se manteve calado, provavelmente sem saber o que dizer.
— Faz o seguinte: você se veste, enquanto eu vou fazer seu café, com panquecas e tudo, do jeito que você gosta... — cutucou-me de lado, arrancando uma risada de mim. — E depois que você comer e se recuperar dessa ressaca, a gente conversa. Tudo bem?
— Tudo bem! — Foi tudo o que eu disse, antes de ele sumir para a cozinha.



Capítulo 6

Ponto de vista da :

Encarava o papel em minhas mãos, não acreditando que aquilo estava acontecendo. Em poucas semanas minha vida havia mudado da água para o vinho. Antes eu estava me tornando quase Lewis, prestes a me casar e assinar um compromisso com o babaca que me traiu uma semana antes de nosso casamento, e agora eu era , a melhor amiga dos caras da banda 5 Seconds of Summer, que iria acompanhá-los em uma turnê.
Aquilo soava como uma loucura, tratando-se de quem eu era. Nunca em um milhão de anos eu iria imaginar que aceitaria participar daquilo. Quer dizer, sempre foi uma grande curiosidade saber como era a rotina dos meus amigos quando eles estavam em turnê, afinal, nesses momentos nós acabávamos nos afastando muito, pois eles viviam ocupados e dificilmente conseguíamos conversar entre uma cidade ou outra. Mas, naquele momento, eu estava embarcando naquela viagem maluca.
Precisava agradecer à Meg, por ter sido a melhor chefa do mundo e por ter me incentivado a aceitar aquilo.
Eu já estava começando a achar que o fato de o Frederick ter sido um filho da puta havia tido seus pontos positivos. Talvez umas férias em turnê com a minha banda favorita poderiam me fazer bem. Talvez eu esquecesse aquele monstro e pudesse conhecer pessoas e lugares novos que me trariam novas experiências e me fizessem agradecer por não ter me casado tão nova.
Eram tantas dúvidas, mas eu estava ansiosa para encontrar as respostas certas para tantas perguntas que matutavam na minha mente.
A turnê seria com os caras do The Chainsmokers, algo que não me agradava muito. Eu não sabia por que, mas aqueles caras não me passavam algo bom. Mas, de qualquer maneira, torcia muito por meus amigos e queria aproveitar cada momento daquela loucura.
Respirei fundo, agarrando o papel quando ouvi nosso voo ser chamado. Era certo. Era o início de uma nova fase da minha vida. E eu esperava que aquela nova pudesse me surpreender, eu mal podia esperar para conhecê-la melhor.
E assim, embarcamos, com um desejo imenso de me descobrir e descobrir uma pessoa melhor ao fim dessa aventura maluca que eu me enfiei.
Mais ou menos sete horas depois, eu estava pronta para pular pela janela de emergência. O tédio estava me consumindo, não conseguia dormir e também não queria me dopar de remédios para dormir. Iria aproveitar essa viagem da melhor forma que desse, mas era mais de dez horas de voo, eu estava começando a me arrepender.
Olhei em volta, vendo todos os passageiros apagados, assim como os meninos também estavam. Eu não os culpava, eles tinham que estar descansados, pois teriam pouco tempo de descanso antes de partirem para seu show.
Levantei sorrateiramente, encaminhando-me até o banheiro, fazendo todas as minhas necessidades, jogando uma água no rosto e aproveitando o pouco espaço para esticar minhas pernas e coluna que pareciam dormentes. Olhei-me no espelho, começando a pensar se essa tinha sido mesmo uma boa ideia.
Sacudi a cabeça, espantando aquele pensamento. Eu estava apenas ansiosa e entediada. A ideia era ótima, eu estava indo achar o caminho para minha nova vida e era isso!
Voltei para meu assento, vendo Michael acordado, com uma carinha de sono muito fofa.
Passei por cima das pernas de Luke e Michael, jogando-me ao lado da janela, onde estava sentada, olhando para ele.
— Onde você estava? — Virou-se completamente para mim, sussurrando.
— Banheiro — Ri.
— Achei que tivesse dado um jeito de fugir pela saída de emergência com um paraquedas que trouxe escondido na sua mala. — Falou, fazendo-me franzir o cenho.
— Você sabe que é um ser humano muito estranho, não sabe? — Sorri de lado.
— Eu sei. — Ele riu, acompanhando-me. — É que depois de algumas horas você começou a ficar desconfortável, estava pronto para ter que lidar com uma crise de pânico. — Cutucou-me com o ombro e eu ri.
— Estava tão na cara assim?
Ele concordou.
— Você só se esqueceu que a gente te conhece, tipo, a vida toda?! — Riu.
Encostei minha cabeça em seu ombro, onde ele imediatamente passou os braços ao meu redor para dar mais acesso e conforto.
— É só que é tudo muito novo, sabe? Uma hora minha vida estava toda perfeitamente planejada e do nada tudo estava uma bagunça. — Confessei.
— Eu entendo e imagino como sua cabeça deve estar confusa, mas, , você não pode ter medo de mudanças. — Suspirou, pegando minha mão, brincando com meus dedos. — A vida é assim mesmo. As coisas podem mudar drasticamente de uma hora para a outra e é difícil. Mas não podemos nos fechar para isso com medo de se machucar.
— Eu não estou me f-
Ele me cortou.
— O que foi que eu acabei de dizer sobre te conhecer a vida toda? — Sorriu de ladinho, passando conforto. — Eu não tive muito tempo ou oportunidade de te dizer isso antes, mas estou falando agora: você pode não verbalizar, mas eu posso sentir você se fechando, seu medo de que tudo vá escapar das suas mãos de novo, você não é tão ilegível quanto pensa que é. Não é assim que a banda toca. — Suspirou. — Eu sei que às vezes eu não sou muito presente, mas sempre que se sentir assim, você pode conversar comigo. Sei que o Frederick te machucou muito e agora você acredita que todo cara vai fazer o mesmo com você, mas não é verdade. Eu quero estar aqui por você e te ajudar a passar por isso, se você deixar.
Eu estava sem palavras. Era óbvio que eu sabia que podia contar com eles, nunca duvidei, mas eu também não queria ser a amiga chorona e triste. Ninguém merece alguém com negatividade ao redor deles.
Eu ainda estava extremamente sensível e qualquer palavra de afeto chegava até minhas vias lacrimais muito facilmente. Meus olhos encheram de lágrimas e eu pisquei rapidamente, querendo afastá-las o mais rápido possível.
— Eu sei que eu não fui incluído na conversa... — Luke falou de repente, ainda de olhos fechados, assustando nós dois. — Mas faço das palavras de Michael as minhas. Você não está sozinha, .
E assim como acordou, voltou a dormir, virando para o outro lado. Michael e eu nos encaramos e gargalhamos baixinho. Luke conseguia ser a pessoa mais aleatória possível.
Não consegui responder a Michael, mas apertei sua mão que ainda segurava a minha, massageando-a levemente, indicando que eu havia o ouvido de verdade e com certeza suas palavras haviam me tocado.
Ele sorriu e plantou um beijo no topo da minha cabeça.
— Agora vê se descansa, ainda temos umas boas horas de voo pela frente e você não vai aguentar o pique se continuar desse jeito... — ajeitou-se melhor em sua poltrona, dando-me mais acesso ao seu corpo, onde eu nem me fiz de rogada para deitar. — Dorme. Eu até faço aquele cafuné que você tanto ama. — E começou a passar os dedos por meu cabelo, atingindo-me exatamente em meu ponto fraco.
Em poucos minutos, apaguei, deixando todo o cansaço da viagem cair sobre mim.

, vamos, agora você precisa acordar... — Michael falava, enquanto me remexia levemente. — A gente vai aterrissar logo. — Eu podia ouvir o riso em sua voz.
— Cara, você a dopou? — Luke perguntou e eu senti seu toque em meu braço também. — , deixe de ser preguiçosa, docinho! — Ele tentou e eu me remexi, ficando mais desperta a cada segundo.
Irritada, grunhi, enfiando mais meu rosto no peito de Michael, que riu.
— Anda! — Ele se ajeitou numa posição mais sentada. — Prometo que a gente vai direto pro hotel e você pode descansar decentemente.
Abri um olho, vendo os dois loiros olhando-me divertidamente. Sentei, esfregando os olhos, ficando instantaneamente mal-humorada. Suspirei, olhando para a janela vendo a cidade mais perto do que imaginei. Definitivamente estávamos chegando.
Em poucos minutos, o avião aterrissou, fazendo meu estômago dar um salto. Eu odiava isso. Mas respirei fundo, acalmando a mim mesma. Logo estávamos todos fora, seguindo em direção para pegar nossas malas.
Enquanto estávamos parados lá esperando, podia ver a multidão de fãs aglomeradas, seus gritos atravessando o vidro. Eu admirava o amor das fãs e graças a Deus, a maioria delas sempre foi muito gentil comigo ao longo dos anos, mas, nesse exato momento, gritos de adolescentes era tudo o que eu menos queria ouvir. Ainda assim, pus um sorriso no rosto e acompanhei os meninos, seguindo um dos seguranças para fora do local, enquanto eles paravam rapidamente para algumas fotos e autógrafos.
Eu já estava no carro, ligando meu celular, quando eles finalmente apareceram e guardaram suas coisas no porta-malas. Depois de estarem todos devidamente acomodados, Ashton me olhou do banco de frente, assim como todos os meninos me olharam, sentados ao meu lado, depositando toda sua atenção em mim.
— E aí? Pronta para começar essa aventura? — Ele sorria abertamente, o que acabou por refletir em meu próprio rosto.
— É, vamos ver no que isso vai dar! — Sorri de volta, torcendo internamente para que isso não fosse um total desastre.



Capítulo 7

Ponto de vista da :

Tivemos apenas algumas horas para descansar e tirar um cochilo merecido, o qual eu fiquei muito grata. O hotel tinha uma cama grande e confortável, que me levou ao mundo dos sonhos quase no mesmo instante em que eu me joguei nela.
Acordei assustada com as batidas fortes em minha porta, com Luke do outro lado dizendo que estávamos atrasados e que eles me encontrariam lá embaixo. Arrumei-me na velocidade da luz, colocando só um top escuro, junto com uma saia de couro, com um coletinho também de couro e uma bota preta.
Em menos de meia hora estava pronta, entrando no elevador, em direção ao hall de entrada do hotel. Os quatro me olharam assim que as portas do elevador se abriram.
— Caramba, ! — Calum suspirou falsamente. — A gente disse pra você se arrumar, mas não era pra tanto também.
Dei uma olhada em minha roupa, não vendo nada demais.
— Não é nada que vocês não tenham me visto vestir antes. — Dei de ombros.
— É, zinha, você está uma gostosa! — Michael se pôs ao meu lado, pondo seu braço em volta do meu ombro.
— Deixa de ser idiota! — Ashton o socou de brincadeira, ganhando uma reação exagerada do loiro. — Você está linda, .
Sorri.
— E estamos atrasados. Vamos.

A viagem até ao estádio onde o show aconteceria não durou mais que vinte minutos. O local estava cheio de fãs histéricas esperando as portas se abrirem para assistirem seu tão sonhado show. Eu me lembro de ser uma delas, quando tinha a mesma idade que as mesmas, indo em shows e estragando todas as minhas cordas vocais por caras que eu sequer conheci pessoalmente.
— Ver o tanto de gente que ama vocês assim, pessoalmente, parece coisa de louco... — comentei, entrando no camarim separado para os meninos, logo após entrarmos pelas portas dos fundos.
— É, porque nós somos tipo os reis do mundo, igual o Jack... — Michael se jogou num sofá, já com uma garrafa de cerveja nas mãos.
Eu juro que parecia mágica como eles praticamente faziam bebidas se materializarem nas mãos.
Todo mundo parou para encará-lo, não entendendo a referência.
— Jack, tipo Jack Dawson, do Titanic? — Falei, recebendo sua confirmação.
Os meninos atrás de mim gemeram frustrados, resmungando algo como "Zé Mané" e "idiota". Eu ri e me acomodei, sabendo que só Michael poderia usar uma referência de Titanic e parecer um retardado.
Luke voltou ao meu campo de visão com um copo na mão, que eu poderia apostar que era vodca ou tequila.
— Meninos, está na hora! — Um cara apareceu na porta, sumindo quase instantaneamente.
Eu me perguntava como eles conseguiam se mexer tão rápido.
Levantei-me junto com os rapazes, pois havia prometido assistir ao show.
Em poucos minutos, os meninos estavam no palco, enquanto eu os olhava pelo backstage. Eles eram muito bons, super talentosos e eu tinha que admitir, se eu fosse uma daquelas garotas gritando desesperadas naquele meio, eu estaria completamente apaixonada e iludida por pelo menos dois deles. Quer dizer, eles podem ser meus melhores amigos, mas ainda eram gatos. Quem não se derreteria? Além de tudo, eram gente boa, carinhosos, amáveis, se importavam. Qualquer garota que tiver oportunidade de ter alguma coisa com eles é uma baita de uma sortuda.
Calum me olhou de onde estava fazendo caretas, fazendo-me gargalhar. Esses meninos eram uns palhaços. Eu ri e voltei minha atenção aos outros rapazes.
Se fosse eu ali, já estaria jogada, mas como eles sempre pareciam estar ligados no 220, não duvidava que ainda restasse energia quando acabasse aqui.

Mais uma hora de show, os meninos se despediram, dando lugar aos The Chainsmokers. Aproveitei para voltar ao camarim, não curtia muito as músicas deles e eu já estava cansada de estar em pé. Sim, eu era uma sedentária.
Joguei-me no sofá, aproveitando para mexer um pouco no celular. Eu já estava deitada, quase dormindo, quando os quatro passaram pela porta, lançando-me um olhar divertido, cada um buscando uma bebida.
— Caras, somos amigos de uma senhora idosa. — Calum comentou, provocando-me, enquanto levantava minhas pernas para sentar.
— Pelo visto, sim. Não acredito que você já está cansada, — Michael sentou no puff do outro lado da sala.
— Eu não tenho culpa que vocês são ligados na tomada o tempo todo. Eu sou um ser humano, sabia? — Ri, pegando a cerveja que Ashton me ofereceu.
— Pois trate de acordar, nós temos uma after para ir depois daqui. Sabe, em comemoração ao início da tour. — Luke disse, recebendo um grunhido de mim.
Eu não estava no mood para festas.
— Ah, não gente. Eu vou voltar para o hotel. Só quero um bom banho e uma cama e nada mais hoje à noite. — Respondi, confiante.
Não precisava nem dizer que meus protestos não adiantaram de nada. De alguma forma, os quatro idiotas me convenceram a acompanhá-los até aquela tal festa na casa de algum famoso que eu não conhecia. Não queria estar ali, mas também não seria a amiga insuportável que ficava com cara feia e sendo grossa com todo mundo só porque foi contrariada.
Bebi alguns drinks e dancei com todos os quatro, um pouco de cada vez e todos juntos, antes de chegarem algumas pessoas totalmente desconhecidas por mim, mas que pareciam conhecer bem os meninos e eu me afastei um pouco para lhes dar privacidade. Já era uma menina bem grandinha, não precisava ficar grudada a noite toda nos meus amigos.
Dei uma volta pelo jardim, observando o lugar, odiando o DJ que agora tinha resolvido tocar só músicas que me faziam lembrar de Frederick. Resolvi pegar outra bebida. Já que era pra sofrer, que pelo menos eu estivesse amortecida.
Entrei pela porta dos fundos, logo encontrando a cozinha, onde estava a maioria das bebidas. Estava quase alcançando uma garrafa, quando Andrew Taggart, um dos Chainsmokers, pegou antes de mim. Olhei para ele, vendo um sorrisinho em seu rosto.
— Querendo deixar a festa mais interessante, ? É uma bebida bem forte... — encheu meu copo.
— Pois é. É aquele ditado, se está na chuva... — dei de ombros, sorrindo sem graça.
— Bom ponto. Vou te acompanhar nessa! — Disse, enchendo seu próprio copo. — Então, está afim de dançar?
Olhei-o desconfiada. Não estava a fim de dançar, mas não queria ser rude.
Levei o copo até a boca, tentando achar alguma desculpa para me livrar dessa. Eu sabia o que ele queria, já tinha ouvido esse mesmo papo de outros caras antes, mas eu não estava disposta, no entanto, não tinha nada de melhor para fazer, por que não, não é mesmo?
— Tudo bem... — dei de ombros.
Fomos para a pista, onde logo começamos a dançar. Graças a Deus, o DJ havia mudado um pouco a playlist. No meio das músicas, conversamos, rimos e falamos dos planos para o resto da tour. Eu estava até me divertindo, admitia. Ele não era de todo ruim.
Após umas cinco músicas, Andrew começou a ficar perigosamente perto e eu comecei a achar que ele estava confundindo as coisas. Tentei disfarçar, virando o copo de uma vez, ingerindo todo o conteúdo que havia dentro, queimando toda a minha garganta. Foi só quando Andrew me puxou pela cintura, que eu percebi que devia deixar as coisas claras, antes que ele interpretasse as coisas bem errado.
— Andrew, acho que a gente tem que parar por aqui. — Afastei-o levemente, não querendo chamar atenção para nós.
— Qual é, , vai bancar a difícil agora? — Ele riu, claramente alterado. — Sei que provavelmente agora está descrente com qualquer cara, mas...
Levantei uma sobrancelha para ele. Como assim descrente com qualquer cara?
Ele pareceu entender meu olhar e revirou os olhos.
— As notícias correm. — Deu de ombros, como se fosse absolutamente normal que o que acontecia na minha vida corresse solto pela boca das pessoas.
— Claro que correm... — afastei-me dele, sentindo um mal-estar se instalar em meu estômago. De repente, eu já não estava mais no clima para festa.
— Peraí, . Eu não estou te pedindo em casamento, só quero me divertir. Relaxa e se permita ter diversão também! — Deu um passo mais perto.
Apenas o encarei séria, prestes a explodir com ele.
Estava quase lhe respondendo uma malcriação, quando Luke se materializou ao nosso lado.
, pelo amor de Deus, te achei! — Falou apressado, então olhou para Andrew, que sorriu inocente para ele. — E aí, cara? — E então virou-se para mim de novo. — Vem comigo, Michael está dando trabalho de novo. Só você sabe como lidar com ele quando está assim.
Respirei aliviada, agradecida pelo porre de Michael dessa vez, que me livrou de um belo escândalo desnecessário. Estava ficando sem paciência para caras ultimamente, qualquer frase mal-intencionada ou mais cínica, deixava-me borbulhando de raiva.
Estávamos um pouco mais longe da pista, quando Luke colocou o braço em meu ombro, puxando-me para perto.
— É mentira. Michael não está dando trabalho nenhum. — Murmurou, ainda olhando pra frente.
Olhei-o, confusa.
— Estava passando por perto, você parecia estressada. Quis impedir uma cena.
Não pude evitar sorrir.
— Você me conhece tão bem...
Ele deu de ombros, sorrindo convencido.
— Muito obrigada.
Nah, qualquer coisa por nós, . Qual nosso lema?
— Nossa amizade em primeiro lugar! — Respondi, relembrando do dia que fizemos essa promessa no meio do segundo ano do High School, quando a primeira namoradinha de Mike terminou com ele na frente de todo mundo e eu arrumei o maior barraco com ela depois. Desde aquele dia, fizemos essa promessa de sempre nos defendermos, não importava as circunstâncias.
Luke plantou um beijo em minha cabeça, levando-me de novo para o nosso grupinho, onde eu pude, de fato, ter a diversão da noite.



Capítulo 8

Ponto de vista da :

Dois dias depois estávamos aterrissando em Boston. Eu já sofria com o jetlag, tendo que ser praticamente arrastada pelos corredores do aeroporto, tirando cochilos praticamente em pé, enquanto esperávamos nossas malas, depois esperando os meninos serem recebidos pelos fãs, no caminho para o hotel e finalmente a tão sonhada cama. Confortável, enorme e macia como uma nuvem, da qual eu receberia meu merecido descanso.
Os meninos me zoaram o tempo inteiro, chamando-me de fracote e dorminhoca. Mas, ei, eu tinha todo o direito de estar me sentindo exausta. Eles estavam mais que acostumados com isso. Eu não. Era apenas uma fotografa em um pequeno estúdio localizado no centro de Los Angeles. Minha vidinha era pacata.
Acordei mais ou menos umas cinco horas depois de chegarmos, com um pesadelo que obviamente envolvia Frederick. Cenas confusas e distorcidas do momento que eu o flagrei com outra, mas, nesse cenário, ele não se incomodava em tentar me explicar o que eu estava vendo. Apenas me encarava, com um sorrisinho diabólico nos lábios, combinando perfeitamente com o olhar maldoso que sua secretária me lançava, mostrando o quanto os dois não estavam nem aí que estavam sendo vistos juntos, mesmo ele sendo um cara comprometido.
A dor em meu peito ainda estava lá, uma gota de suor escorrendo pela minha nuca, quando escutei batidas na porta do quarto.
Levantei-me apressadamente, querendo tirar aquelas imagens da minha cabeça o mais rápido possível. Eu imploraria por atenção até pra camareira se fosse serviço de quarto.
Abri a porta, um pouco avoada, nem me importando em como estava minha aparência.
Do outro lado da porta, estava Luke encostado, todo arrumadinho com uma carinha fofa que logo se transformou em preocupação assim que pôs os olhos em mim.
— Você está bem? — Entrou, quando eu o dei espaço.
— Estou, estou sim. — Menti. Eu sei que disse que queria atenção, mas não queria mais encher a cabeça dos meus amigos com essa história.
— Sei. Desembucha! — Sentou na minha cama, encarando-me sério.
Passei a mão no rosto, frustrada. Às vezes odiava esse loiro sem graça por me ler tão bem.
Sentei-me ao seu lado, suspirando fundo antes de soltar:
— Ai, Luke. Não foi nada demais, só um sonho ruim que eu quero esquecer. — Desconversei.
— Por isso que você está tão pálida assim? Não parece ter sido só um sonho ruim. — Olhou-me sério. — Você não pode esconder seus sentimentos assim. Sabe o que aconteceu da última vez.
Baixei a cabeça, constrangida. Ele tinha razão. Eu sempre tive essa mania de não falar tudo o que sentia e tivemos sérios problemas quando mamãe e papai se foram. Digamos que eu não soube lidar muito bem e andei por caminhos bem perigosos do qual que não me orgulho. Precisou de meses de terapia e muito apoio dos meninos para que eu conseguisse me reerguer.
— Sonhei com aquele dia em casa, Frederick e tudo mais, só que ao invés de acontecer o que aconteceu na vida real, ele só ficava me olhando e rindo. Eu sei que foi só um sonho e é coisa da minha cabeça, mas ainda dói, sabe? — Olhei para Luke, o rosto completamente sereno.
Ele juntou nossas mãos e eu encostei minha cabeça em seu ombro, onde ele deixou um beijinho em minha testa.
— Eu sei que é muito difícil tudo isso pra você agora, . E você tem todo o direito de estar sofrendo. Ninguém vai te recriminar por isso. Então sempre que tiver pesadelos de novo ou simplesmente sentir que precisa conversar, pode procurar a gente. Eu juro que a gente não acha que você está exagerando. Foi para isso que a gente te trouxe. Está tudo bem não estar bem. — Finalizou com a frase que minha psicóloga costumava falar.
Sorri para ele em agradecimento e afirmei que faria o que ele estava me pedindo.
— Aliás... — disse, já se levantando e indo em direção à porta. — Você tem meia hora para estar pronta.
— Ah, não, Luke. Me dá uma folga. Eu estou exausta e só estou acordada, porque eu tive esse pesadelo idiota. Eu não tenho pique de estrela do rock! — Reclamei e ele gargalhou.
— Tudo bem, vou avisar aos meninos que você é uma sem graça sedentária, mas no próximo show você não escapa. — Apontou o dedo ameaçador para mim, antes de sumir pela porta.
Jogando-me na cama de novo, ri comigo mesma. Luke sempre foi esse cara. Podia ser um menino brincalhão e idiota, mas sabia ser extremamente maduro quando era preciso e ele sempre esteve comigo nessas horas mais sérias. Costumava brincar que cada um daqueles retardados tinha sua função em minha vida.
Luke era o irmão mais novo, que tomava minhas dores e me deixava correr para seu quarto e dormir com ele quando tinha medo de tempestades. Ele era foi o cara da conversa, o tranquilão do grupo. Foi ele que me encontrou praticamente inconsciente no meu quarto depois de abusar dos remédios para dormir, nos meus dias sombrios o qual não conseguia superar a morte dos meus pais. Lembro-me de seu rosto contorcido em preocupação, enquanto tentava desesperadamente me manter acordada, tentando ganhar tempo para a ambulância chegar até nós. Ele era meu anjo protetor.
Ashton era o ursão. Ele tinha toda essa energia boa ao redor dele que contagiava qualquer um que estivesse ao seu redor. E não foi diferente comigo. Ele sabia me ler como ninguém, bastava olhar para mim e sabia exatamente o que estava acontecendo. Tínhamos uma piada interna que a gente lia a mente um do outro. Bastava um olhar e já estava tudo entendido. Isso facilitou muito nas poucas vezes que discutimos e fazíamos as pazes depois. Nunca havia tido muita necessidade de conversa entre nós. E isso funcionava mais que um milhão de palavras.
Michael era o palhaço da turma. Não importa qual fosse a loucura que alguém inventasse, ele estava dentro. Isso me custou alguns ossos quebrados ao longo da nossa infância por sempre segui-lo e um instinto protetor surgir entre mim e ele. Aprontávamos tanto juntos, sempre por influência dele, que perdi a conta de quantas vezes ficamos de castigo por nossas aventuras por vezes perigosas demais para adolescentes da nossa idade. O instinto protetor também se estendia as questões do coração. Ninguém jamais poderia machucá-lo e eu sempre acabava comprando briga com qualquer garota que quisesse lhe fazer de idiota. E ele retribua não me deixando chorar por nenhum babaca que ousasse brincar comigo, sempre me fazendo rir com suas idiotices e histórias malucas. Bem, até aquele momento, né. Mas ele cumpria bem seu papel de me divertir, seja lá qual fosse o ambiente em que estivéssemos, além de que seus abraços poderiam literalmente curar qualquer coisa.
E por fim, sobrava Calum, mas isso não o fazia menos importante. Calum era o mais estressadinho de nós e qualquer coisa era capaz de lhe tirar do sério. Mas era tudo capa. O garoto tinha o coração mais puro que eu já conheci. Ele era alegre, atrapalhado e tinha uma leveza quando estava perto dele que era impossível não sorrir junto quando ele sorria. Ele era o meu companheiro de conchinhas — obviamente eu sendo a maior — quando ele não estava tão bem assim. E com a gente era desse jeito. Eu o salvava das suas tempestades emocionais e ele retribuía com comidas deliciosas que inventava quando estava inspirado. Era um jogo que nunca havia perdedores. E eu adorava que tudo com Calum era assim, leve e alegre como sua presença.
Embora cada um tivesse sua importância, de jeitos diferentes, éramos unidos como um só. Nossas famílias acabaram por tornarem-se próximas graças a nossa amizade, a gente era a cola de tudo, inclusive de nós mesmos. Era nosso lema: nossa amizade em primeiro lugar. Nada poderia nos destruir, além de nós mesmos.
Eu era muito sortuda de tê-los em minha vida e nunca cansaria de ser grata por isso.
Decidindo que não conseguiria mais dormir, resolvi curtir um pouco os prazeres que um hotel de luxo poderia proporcionar. Eu tinha que tirar proveito de alguma coisa ou acabaria entrando em combustão se ficasse trancada naquele quarto por mais uma hora.
Peguei o elevador e apertei o botão que dava acesso ao terraço. Não era permitido ir lá, mas isso nunca me impediu de saber como chegar a qualquer terraço. Habilidades que Michael havia me dado.
Abri a porta do lugar, deixando semi encostada, pois também não queria morrer aqui em cima isolada. O vento gelado da noite me fez suspirar, fazendo um certo alívio se acomodar em minha pele. Eu andava por aí, sorrindo e indo a festas, bebendo e me divertindo, mas não passava de uma grande e bela mentira. A verdade era que meu coração estava sangrando e eu não fazia ideia de como fazê-lo parar. Não queria mais pensar em Frederick, mas era o mesmo que dizer "não pense no elefante branco". Era impossível.
Se eu dissesse que não o amava mais, estaria mentindo. Mas eu também o odiava. O odiava por ser tão escroto, por ter me traído, pela humilhação que ele me tinha feito passar. E o ódio era mais forte que o amor. No entanto, não me fazia sentir menos. Era ridícula toda aquela situação e eu só queria apagar tudo aquilo da minha memória. Resetar aqueles cinco anos do meu sistema e recomeçar como se nada daquilo tivesse acontecido.
Andando até a borda o prédio, sentei com todo o cuidado no parapeito, tendo visão ampla de boa parte da cidade, agora toda iluminada pelos prédios e luzes da rua. Um sorriso fraco brotou em meus lábios. Eu amava essa visão. Perdi a conta de quantas vezes tinha feito isso com Ashton ou Michael nos meus dias ruins. Ou nos dias ruins deles. Terraços eram como nossos refúgios do mundo.
Meu celular tocou no bolso do casaco e eu o peguei distraidamente, sem antes olhar para a tela ao atender. Provavelmente Sierra ou Crystal querendo saber como é que estavam as coisas e fazer planos para semana que vem quando elas se juntassem a tour.
— Telefone de ... — brinquei ao atender.
, você ficou maluca?
Paralisei ao ouvir a voz do outro lado. Olhei para a tela do celular só para ter a confirmação que eu não estava ficando louca, mas ali estava estampado o nome de Frederick. Eu não conseguia acreditar.
— Você tem muita coragem de me ligar e ainda por cima falar nesse tom comigo! — Respondi, seca.
, você se juntou em tour com seus amigos e nem avisou ninguém. Você perdeu o juízo? — Ele falava bravo.
Eu tive que rir.
— Avisei para as pessoas que importavam. Não sei se você se lembra, mas nós não estamos mais juntos. Não te devo satisfações da minha vida.
, qual é? Não acha que temos coisas a resolver? — Baixou o tom de voz, que antes me faria ceder, mas agora só me dava nojo.
As cenas do meu pesadelo mais cedo ainda estavam bem vivas na minha cabeça. Distância era tudo o que eu queria dele nesse momento e para o resto da eternidade.
— Você é muito cara de pau! — Falei, pulando de volta para a segurança do terraço, estava ficando nervosa e eu não queria correr o risco de morrer por causa desse otário.
Bom, o que você esperava que eu fizesse? Chego à casa do seu amigo, já que você abandonou sua casa e descubro que você simplesmente viajou sem aviso prévio.
— Lamento ter feito você ter perdido seu precioso tempo, é só uma recompensa pelo tempo que você me fez perder durante cinco anos. E quer saber de uma coisa? Eu não tinha nem que estar falando com você. Nunca mais me liga. Acabou, Frederick. — Respondi.
Espera aí, ... Poxa, eu estou com saudades. E arrependido do que fiz. Me dá outra chance. — Choramingou.
Eu podia jurar que minha temperatura estava até mais alta de tanta raiva que eu estava sentindo.
— Você não parecia arrependido, enquanto estava agarrado àquela mulher na boate na noite que era para ser nosso casamento! — Respondi de volta.
Ele tinha que saber que não tinha mais volta e que não adiantava insistir. Ele se manteve calado do outro lado.
— Foi o que eu pensei. Adeus, Frederick.
Sinto muito, .
— Eu também. — Respondi e desliguei.
Voltei para meu quarto, quase no automático, mas com uma única decisão: eu tiraria Frederick do meu sistema, nem que fosse a última coisa que eu fizesse na vida.



Capítulo 9

Ponto de vista da :

Estava acompanhando os meninos em uma entrevista em Chicago agora. Eu tinha dificuldades de saber que horas eram e que cidade estávamos indo em seguida. Realmente não entendia como eles conseguiam. E claro que os meninos não perdiam a oportunidade de tirar onda com a minha cara. Especialmente Michael.
— Então, rapazes, ansiosos para o show mais tarde? — A entrevistadora perguntou. — Tem muitos fãs esperando há dias por isso.
— Sim, estamos tão animados quanto eles. Esperamos ver muitos de vocês hoje à noite, Chicago! — Luke respondeu.
Um dos funcionários da rádio chegou por trás, entregando-me um copo fumegante de café com a logo do Starbucks, cheirando deliciosamente bem. Olhei estranho para ele, que deu de ombros, dando um sorriso fofo.
— Você parece precisar de um combustível... — sentou-se ao meu lado. — Eu suponho que nunca tenha acompanhado uma turnê antes.
— Está tão na cara assim? — Ri e ele concordou.
— Você parece exausta.
— Eu juro que eles não são humanos. — Ri e ele gargalhou. — Eu mal sei quando decolamos e aterrissamos em um lugar novo. Pior decisão da minha vida.
— Ah, fala sério, não deve ser tão ruim. — Recostou-se na cadeira, olhando para os meninos.
Percebi Ash olhando para nós e pelo sorrisinho sacana que brotou em seus lábios, eu sabia que ele ia me perturbar depois com isso. E iria contar para os outros.
— Não, não é! — Admiti, tomando um gole do café, que estava exatamente como eu gostava. Com leite e creme.
Olhei para ele, surpresa.
— Como você...?
— Sou bom em palpites. — Riu e deu de ombros, antes de se levantar e voltar ao seu trabalho.
Segui-o com o olhar, até desaparecer de vista. Recostei-me de novo na cadeira, sorrindo. Voltei meu olhar para os meninos, onde agora não só Ashton, como Michael, estavam me observando.
Eles trocaram um olhar e cochicharam antes de rirem cúmplices. Revirei os olhos, esquecendo a vontade de sorrir.

Duas horas depois, estávamos na passagem de som, eu estava sentada pelo meio dos instrumentos, assistindo eles andarem ao redor, fazendo gracinhas e se divertindo. Era uma coisa boa vê-los sendo tão felizes fazendo o que amavam. Eu sabia que eles estavam cansados, mas tinha tanta paixão envolvida que davam o melhor de si sempre.
Ashton levantou de seu banquinho e me puxou pela mão, rindo como um retardado. O acompanhei, não entendendo nada. Ele me fez sentar no banquinho da bateria e me entregou as duas baquetas.
Olhei para ele, sacudindo a cabeça.
— Eu não sei tocar. — Afirmei, vendo-o revirar os olhos.
— Jura? Eu nem tinha percebido. Toca, ! — Ele apontou para o instrumento — Você vai ver como é libertador.
— Ash, eu vou só fazer barulho. Seus solos são lindos, não vou estragar seu instrumento... — ri, fazendo menção de me levantar, mas ele me segurou pelos ombros para me manter sentada.
Voltando com a baqueta para minhas mãos, ele me afastou um pouco para frente e sentou atrás de mim, segurando meus pulsos.
— Já que você não quer fazer só barulho, quero que relaxe completamente. Se você resistir, eu posso te machucar. — Avisou e eu confirmei.
Relaxei meus braços o máximo que pude e respirei fundo. Ele começou a guiar as batidas na bateria. Tecnicamente, eu estava tocando, mas tipo uma marionete.
Comecei a rir quando ele aumentou o ritmo, tocando o solo de She Looks So Perfect.
— Para de rir, ! — Ash falou, mas também já estava gargalhando. — Você vai ficar toda dolorida se seus músculos estiverem tensos.
— Então para de me fazer rir! — Argumentei.
De relance, vi Calum e Luke com o celular apontando para nós, rindo igualmente. Michael já estava com a guitarra em mãos, fazendo o solo da música fazendo todos nós cairmos na risada.
Estávamos tocando todos juntos, divertindo-nos como nos velhos tempos. Era um sentimento muito reconfortante. Eu adorava esses quatro idiotas e eu sabia que era recíproco. Eles faziam me sentir como se eu fosse adolescente de novo e não me sentir estúpida por me permitir ter esses momentos de descontração.
Sem aguentar mais, Ash me deixou ir, rindo tanto quanto eu. Eu não sabia mais o que era tão engraçado, mas estávamos todos tendo uma crise de riso. Luke se jogou no chão e eu saí do colo de Ash, com a barriga doendo. Eu estava com saudade dessas aleatoriedades.
Após alguns minutos, acalmamo-nos, enxugando as lágrimas.
— Eu vou voltar para o hotel, vou ver vocês junto com o público hoje. — Avisei.
— Tem certeza, ? — Ash perguntou, preocupado. Bonitinho. — Elas te conhecem, pode rolar um pouco de assédio.
Nah, elas vão estar concentradas em vocês. Vou passar despercebida. — Dei de ombros, antes de me despedir e ir para o hotel.

Duas batidas na porta do quarto do hotel despertaram minha atenção do celular. Abri, sem nem perguntar, deparando-me com Sierra e Crystal, lindíssimas paradas lá. Soltei um gritinho, puxando as duas para dentro. Sentia saudades das minhas meninas!
Nunca havia tido muitas amigas ao longo da vida, mas depois que elas entraram em minha vida, admito que ela melhorou bastante. Eu tive um pouco de ciúmes no começo, porque fui meio deixada de canto, mas logo superamos isso. Tornamo-nos boas e grandes amigas.
— A gente tinha vindo mais cedo, mas você não estava... — Crystal explicou, soltando-se do abraço coletivo que estávamos.
— É, eu estava na passagem de som com os meninos. Vim mais cedo para me arrumar. — Expliquei.
— Luke disse que você estava planejando assistir ao show da plateia. — Sierra comentou, sentando na borda da minha cama.
— Então você já falou com o fofoqueirinho... — ri. — Não vejo qual o grande problema, gente. São pessoas comuns. — Dei de ombros.
— É, mas você sabe que elas podem ser um pouco... intensas, às vezes. — Crystal concordou com Sierra.
Suspirei. Eu entendia o medo, algumas fãs realmente passavam dos limites. Já havia recebido algum hate no passado, nada muito sério e nem comparado ao que essas meninas passavam, mas eu iria ficar bem. Não era como se eu estivesse me enfiando no meio de um bando de zumbis.
— Gente, está decidido. Eu vou ficar perto de um dos seguranças e qualquer coisa eu peço socorro. Prometo.
As meninas se entreolharam, mas acabaram por concordar.
— Mas conta pra gente: alguma novidade sobre... Você sabe quem?
Congelei por dois segundos, sabendo que Crystal estava falando de Frederick, automaticamente lembrando de alguns dias atrás quando ele me ligou.
Sentei mais para o meio da cama, dando espaço para elas se acomodarem melhor, indicando que o cantinho da fofoca iria começar.
— Sim, ele me ligou quando estávamos em Boston. — Falei devagar e elas se entreolharam. Eu sabia o que elas estavam pensando, que eu estava cogitando em voltar com ele, mas isso não aconteceria.
— E? — Sierra perguntou.
— E nada. — Dei de ombros. — Ele estava só perdendo o tempo dele.
— Os meninos contaram pra gente o que aconteceu antes de vocês viajarem, na boate.
— Você quer dizer, Michael te contou. — Eu ri e Crystal acompanhou, admitindo.
— Sinto muito que tenha visto aquilo. — Sierra pôs a mão sobre a minha, passando conforto.
— Está tudo bem! — Suspirei — Vai ficar. Em algum momento.
— Então, o que ele te falou na ligação?
Soltei uma risada irônica e amargurada.
— Nada importante. Só me ligou para cobrar que eu não tinha avisado que viajei.
— Que babaca! — Deaton se indignou.
— Pois é. Joguei na cara dele o que tinha visto no clube. Ele não falou mais nada e também não entrou mais em contato. Espero que tenha morrido. — Contei e elas riram.
— Que esteja morto e enterrado! — Crystal levantou, indo até o banheiro. — E o que você acha de a gente ir para a balada depois do show? A gente pode sair assim que acabar. Não sei qual o plano dos meninos, mas provavelmente vão fazer alguma coisa com os Chainsmokers.
— É, a gente pode ter alguma diversão... — Sierra concordou, olhando para mim, esperando confirmação.
Bom, o que eu tinha para perder?
— Claro, preciso mesmo de uns bons drinks.
Elas sorriram e comemoraram.

O show havia acabado fazia umas três horas e estávamos agora num clube super badalado da cidade. Eu já havia virado uns cinco shots e estava bem alegrinha. Dançava com Sierra, praticamente protagonizando uma cena de filme, onde duas amigas danças juntas sensualmente. É claro que eu percebia vários olhares, mas ninguém ousaria chegar na gente. Pelo menos não enquanto eu tivesse dançando com a Sierra. Ela não era muito piedosa em dar foras, chegava a ser engraçado.
Crystal estava nos olhando do bar, tão alta quanto eu estava, mas com a desculpa que precisava "se comportar". Eu achava uma bobagem, mas entendia.
— Ai, chega, vamos tomar uma água. — Falei depois que a música acabou e eu percebi que estava completamente suada.
Sierra me acompanhou e se juntou a Crystal, enquanto eu ia atrás do garçom para pegar a água. Mal deu tempo de eu tentar chamá-lo, quando um cara se pôs ao meu lado, com uma garrafa de água aparentemente lacrada ao meu alcance. Olhei da mão apoiada à minha frente para o rosto da pessoa, surpreendendo-me ao ver o carinha da rádio. Ele estava todo bem arrumado, com roupas totalmente diferentes de hoje de manhã, o cabelo mais bagunçado, dando-lhe um ar mais descontraído e charmoso.
Levantei uma sobrancelha e ele respondeu dando de ombros.
— Eu te vi na pista faz alguns minutos, achei que fosse precisar disso. Só me antecipei... — entregou-me a garrafa. — Eu juro que não abri. Pode confiar.
— Então, você é especialista em adivinhar quais bebidas as pessoas precisam? — Brinquei, tomando um gole da água.
— É, anos de experiência. A propósito, eu sou James! — Estendeu a mão em cumprimento.
.
— Muito prazer, . Você gostaria de dançar?
Pensei um pouco, olhando por cima de seu ombro vendo Sierra e Crystal nos observando. Elas levantaram os polegares ao mesmo tempo, dando sorrisos incentivadores. Quase revirei os olhos. Com certeza pegaram essa mania dos meninos.
— Claro! — Sorri e o acompanhei até a pista.
Dançamos algumas músicas, até as lentas começarem. Parei no meio da pista e olhei para James, que me encarava.
— Você não está muito afim dessas, né? — Perguntou, percebendo meu desconforto.
A música que estava tocando seria a primeira dança minha e de Frederick. Mas que inferno que esse infeliz não saía da minha cabeça!
De repente, tinha começado a me sentir vulnerável e daria tudo para ir embora.
— Quer sair daqui? — Perguntou ao meu ouvido, já que o barulho estava muito alto.
Procurei as meninas pela pista, encontrando-as no mesmo lugar, tentando disfarçar que não estavam nos observando.
Afirmei para James, que prontamente pôs as mãos nas minhas costas, guiando-me para fora. Olhei para trás, onde as meninas estavam e elas não pareciam chateadas, pelo contrário. Elas estavam apoiando essa loucura que eu sabia muito bem onde acabaria, mas, pela primeira vez na vida, decidi não me importar e viver o momento.
O vento gelado da noite me fez sentir um pouco melhor, agora que não estava sendo bombardeada de lembranças e sentimentos indevidos, deixando aquela música idiota para trás.
James abriu a porta do carro para mim, dando a volta e entrando no banco do motorista.
— Minha casa? — Perguntou e eu afirmei.
Acabei descobrindo que James era um perfeito cavalheiro, conversamos um bocado durante a noite, descobrindo várias coisas em comum. Ele até mesmo cozinhou para nós, o que foi muito legal da parte dele, pois eu estava um pouco bêbada. Aquilo me fez despertar um pouco mais.
Decidimos jogar Twister do jeito que dava, já que éramos só dois.
Em um dos movimentos, perdi o equilíbrio, caindo em cima dele. Quase revirei os olhos de tão clichê que aquilo era, parecia até planejado, mas acabei me perdendo ao olhar nos olhos de James. Engoli em seco ao vê-lo tão sério. Suas mãos rodearam a minha cintura, em um aperto firme e seguro, rodando-nos e trocando de posições.
Desceu lentamente a mão até a barra da minha camisa, parando um pouco antes de pôr as mãos por dentro.
— Você está mesmo bem para fazer isso? — Olhou-me, sincero.
Eu não pude negar. Eu o queria e estava consciente. Estava curiosa para saber o que um cara tão prestativo como James poderia oferecer.
Em alguns minutos, descobri que mesmo depois de cinco anos, Frederick nunca havia me feito sentir do jeito que James fez. E durante aquela noite, eu descobri de novo, como era se sentir mulher de verdade.



Capítulo 10

Ponto de vista da :

Abri os olhos devagar, não reconhecendo o lugar que eu estava. Sentei rápido, assustada. Meu Deus! Eu tinha dormido fora. Não avisei os meninos e a gente tinha que estar no aeroporto de tarde.
Levantei enrolada no lençol, caminhando até a cozinha. Eu nunca tinha feito a caminhada da vergonha. Fazia cinco anos que eu não sabia o que era dormir na casa de um cara que eu mal conheço. Não era o fim do mundo.
Do corredor, pude sentir o cheiro de panquecas e café. Fechei os olhos, amaldiçoando-me por ter pegado no sono. Eu deveria ter voltado pro hotel ontem mesmo. Eu não sabia nem como encarar James — pelo menos o nome dele eu lembrava.
Entrei na cozinha, vendo James de costas, terminando de passar mais uma panqueca. Eu tinha que admitir, ele era bonito.
Pigarrei baixinho e ele virou para mim, sorrindo com a espátula na mão.
— Bom dia! — Colocou o prato de panqueca em cima do balcão. — Fiz café da manhã pra gente.
Olhei pra aquilo, sem saber como me livrar dessa situação sem ser grossa. Apesar de tudo, me diverti bastante com James.
— Legal. Você sabe onde estão minhas roupas? — Apontei para mim mesma, ainda enrolada em seu lençol branco.
— Ah, claro. Eu deixei dobrada em cima do sofá. Eu pego pra você. — Fez menção de ir até a sala.
— Não! — Quase gritei e ele me encarou estranho. — Er... não precisa. Eu vou me trocar e já volto pra gente... ahn... Tomar café! — Sorri, virando as costas imediatamente, pronta para pegar minhas roupas e sumir daquele lugar.
Subi para o quarto, praticamente voando. Eu sei que ele já tinha visto tudo, mas o que eu menos queria agora era que ele me visse nua.
Encontrei meu celular, olhando as mensagens e ligações perdidas. Crystal e Sierra comemoravam, Calum perguntava onde diabos eu tinha me metido, Mike dizia que eu tinha arrasado — eu ia matar a Crystal por ser tão linguaruda! Luke me havia me mandado um gif de um cara fazendo sinal positivo e outro seguido de uma plateia aplaudindo — Sierra era outra bocuda! E, por fim, Ash dizia que se eu precisasse de qualquer coisa, era só avisar.
E foi o que eu fiz. Fiz isso uma vez por ele, quando ele queria sair da casa da garota sem magoar e eu liguei fingindo emergência. Era hora de ele retribuir o favor.
Respondi pedindo socorro e disse o que ele tinha que fazer.
Desci novamente, encontrando James sentado à mesa, esperando-me. Ah, merda. Eu conhecia aquele olhar. Era exatamente o mesmo olhar que Frederick me deu a primeira vez que dormi em sua casa. A diferença é que eu estava afim, o que não era o caso aqui. A última coisa que queria era me envolver com alguém.
— Espero que você goste! — Ofereceu o lugar à frente dele, onde eu sentei, sorrindo sem graça.
Mas que droga, por que o Ashton não ligava de uma vez?
— Claro. Certeza que deve estar uma delícia... — dei uma garfada na panqueca.
Realmente estava muito bom, mas o clima estava tenso. Eu sentia que eu não ia gostar do que estava por vir.
— Eu me diverti muito ontem, . Eu sei que você está em turnê com seus amigos e tudo mais, mas eu gostaria muito de te ver de novo. — E aí estava tudo o que eu não queria ouvir.
Droga, James!
Fiquei olhando para ele, tentando pensar no que falar, quando meu celular com o nome de Ash começou a berrar alto. Graças a Deus!
— Eu tenho que atender, desculpa! — Falei e James pareceu entender, sorrindo solene. — Alô?
, cadê você? — Ashton falou, parecendo alarmado. Isso porque era baterista, se fosse ator estaria em todos os filmes da Netflix. — Tá todo mundo desesperado atrás de você.
Eu sabia que dava de ouvir de onde James estava pelo olhar compreensivo que ele me lançou.
— Eu estou indo já, encontrei um... — hesitei. O que eu responderia? — Amigo. — Arrumei a melhor desculpa que pude. ¬— E perdi a hora. Estou chegando.
Não demora, temos que estar no aeroporto em duas horas. — Eu podia sentir que ele queria rir, mas não me trairia desse jeito.
— Tudo bem, estarei aí em meia hora. — Desliguei, olhando para James. — Bom, você ouviu, né? Eu tenho que ir. — Falei, já levantando, aproveitando a minha deixa para desaparecer dali. — Se eu fizer eles perderem esse voo, minha cabeça vai rolar. A panqueca estava ótima.
Fui para a sala, onde estava a minha bolsa, calçando meu sapato que também estava por ali.
— Claro, eu entendo! — James veio atrás de mim. — Mas eu estava falando sério. Quero te ver de novo.
Olhei para ele, apreensiva.
— Bom, eu tenho mesmo que ir agora. Mas quem sabe depois da turnê? — Sorri. Dei um beijo em seu rosto e saí o mais rápido que pude daquela casa, com o coração na boca. Nunca mais cometeria esse erro de novo, essa situação nunca mais deveria se repetir.
Peguei um táxi, parando pouco tempo depois em frente ao hotel. Corri para dentro, sentindo os leves efeitos da ressaca bater. Foi tanta adrenalina e emoção, que acho que não deu tempo de sentir nada. E também, eu não havia bebido muito, só precisaria de um comprimido e ficaria bem para enfrentar a viagem.
Arrumei minhas malas e deixei tudo pronto pra fazer checkout. Na hora combinada, saí do quarto, encontrando com as meninas e seus respectivos namorados.
— E aí, amiga, como foi a noite? — Crystal me cutucou de ladinho, fazendo-me rir.
Óbvio que ela não perderia a chance de me infernizar com isso.
— Não é da sua conta! — Respondi.
— Ai, nossa. Grossa! — Fez-se de ofendida, mas riu.
— Sabe o que é isso? Coisa de quem não quer compartilhar que a foda foi maravilhosa. — Michael se meteu.
Olhei indignada para ele e Crystal lhe deu um soquinho no braço, que ele fingiu doer.
— Ai, não está mais aqui quem falou! — Esfregou o local atingido, enquanto todos ríamos da gracinha.
— É pra ver se aprende a parar de dizer tanta besteira. — Crystal falou, antes de sair arrastando sua mala para fora.
— A gente fala sobre isso depois. — Michael sussurrou para mim, dando dois tapinhas nas minhas costas, sustentando um sorrisinho sacana e saiu andando na minha frente.
Eu não teria paz tão cedo.

Estávamos acomodados em nossos assentos. Mike e Crystal à nossa frente, Luke e Sierra mais na frente, Calum estava no outro lado do corredor, enquanto que eu e Ash pegamos os assentos juntos. Felizmente, havia pegado a janela de novo, ajudava-me a acalmar as horas que passávamos presos naquele pássaro de metal.
Acomodamo-nos e depois de quinze minutos, eu desisti de ouvir música. Tirei os fones meio agressivamente, bufando e olhando para a janela. O céu estava tão bonito, cheio de nuvens e ainda assim, não me animava nada.
— Você está bem, ? — Ash perguntou, reclinado completamente em seu assento, de olhos fechados.
Reclinei meu assento para ficar à sua altura, suspirando dramaticamente.
— Não sei, pra falar a verdade.
— Bom, claramente tem alguma coisa te incomodando... — ele respondeu, agora pondo toda sua atenção em mim. — Aliás, você não me contou sobre sua noite. O que foi aquele pedido de socorro? — Apoiou-se melhor em seu travesseiro de pescoço.
Esfreguei a mão na cara, rindo de desespero.
— Ai, Ash. Acho que eu cometi um grande erro.
— O cara era uma mala?
— Você vai rir de mim se eu contar quem é... — olhei-o de lado.
— Agora eu quero saber.
— O carinha da rádio que vocês deram entrevista ontem. — Admiti, ouvindo a risada de Ash imediatamente.
É, eu sabia que isso aconteceria.
— É claro! Vocês trocaram número que horas? Não vi mais vocês conversando depois que ele te entregou o café. — Cruzou os braços.
— Não conversamos. A gente se encontrou por acaso na balada...
Ash levantou uma sobrancelha.
— É sério. — Eu ri.
— Tá bom, vou fingir que acredito. Mas e aí? — Mexeu as mãos em sinal para eu continuar a história.
— Bom, aí fomos dançar, ficamos levemente bêbados, daí começou a tocar umas músicas lentas do John Legend e eu desanimei. — Ash pegou minha mão, dando um leve aperto, sabendo do que se tratava. — E aí ele me chamou para ir embora. Eu nem pensei. Só fui. As meninas viram e contaram pros dois fofoqueiros, é claro.
Ele riu junto comigo. Mystal e Lierra, como os fãs chamam carinhosamente os casais, eram quatro fofoqueiros.
— Claro! — Ash revirou os olhos.
— É, e foi muito legal, conversamos, jantamos e aí eu perdi completamente a minha cabeça. — Escondi o rosto com as mãos. — Não vou te contar detalhes. Eu deveria ter ido pro hotel ontem mesmo, mas eu peguei no sono. — Olhei para ele, que estava agora sério com a atenção toda em mim. — Eu entrei em pânico, Ash. Eu não sabia o que fazer. Por isso que eu liguei.
— O que ele fez? Ele foi um babaca?
— Não, pelo contrário. Ashton, ele fez café da manhã pra gente.
Ash gargalhou.
— Não ri.
— Achei que garotas gostavam disso, . — Olhou-me confuso.
— Aí que está o problema, Ash. Eu não sei mais fazer isso. A última vez que eu acordei na cama de um desconhecido foi há cinco anos. Com o Frederick.
...
— Eu sei, eu sei. Eu não deveria pensar nele, mas é inevitável. Eu me senti muito mal estando ali.
— Por que, meu bem? — Ele perguntou, passando o polegar nas costas da minha mão, passando conforto.
— Eu não sei. Eu me senti... vazia. — Franzi o cenho. — Quer dizer, na hora foi legal e eu me diverti, mas depois que a adrenalina passou e eu entendi onde estava me veio um sentimento ruim, como se eu não devesse fazer aquilo. Acho que eu estou quebrada... — ri dolorosamente, sentindo algumas lágrimas querendo abrir caminho, as quais eu dispensei rapidamente.
— Vem cá... — Ash abriu os braços e eu nem me fiz de rogada para deitar ali, sentindo-me melhor quase instantaneamente. — Meu bem, você não fez nada de errado. As coisas vão ser difíceis e eu entendo, mas eu não acho que você tenha que se privar de nada. Você é jovem, bonita... — bateu o dedo na ponta do meu nariz, fazendo-me rir e ele se juntou a mim. — Não é pecado você se envolver com um cara. Te garanto que está tudo bem.
— Ai, Ashton! — Encostei a testa em seu peito. — Eu não sei o que faria sem você, sério.
— Estou aqui por você, . Pode sempre contar comigo! — Abraçou-me mais apertado e assim ficamos até o comandante do avião dizer que estávamos chegando ao nosso destino.
Saí de lá de dentro com a ideia de que ele estava certo, estava tudo bem ter um pouco de diversão. Tudo ficaria bem.



Capítulo 11

Ponto de vista da :

Aquela era a terceira semana de turnê e eu chegava de madrugada no hotel, outra vez, essa noite acompanhada de Ashton. Depois da conversa que tive com ele no avião, a rotina tem sido basicamente viagens, hotéis, acompanhar os meninos nos ensaios, entrevistas e shows e depois alguma baladinha ou barzinho. Ashton havia virado meu parceiro depois que as meninas voltaram para casa semana passada.
Entramos no elevador, rindo de alguma coisa que eu nem sabia mais o que era. Precisei me apoiar na parede para não cair, sendo seguida pelo meu amigo, quase tão bêbado quanto eu.
— Quer dormir no meu quarto? — Perguntou, depois de se acalmar da sua crise de riso.
— Quero, alguém tem que cuidar de você quando começar a passar mal. — Ri, dessa vez me desequilibrando quando o elevador deu um solavanco, indicando que havíamos chegado ao nosso andar.
— Acho que não sou eu que vou precisar de ajuda. — Riu, estendendo a mão para me apoiar, conduzindo-nos até a porta do seu quarto.
Deitamo-nos, lado a lado, sentindo a cama girar com a gente. Coloquei um pé no chão para melhorar aquela sensação que tinha alguém me sacudindo. Assim que me senti melhor, virei de frente para Ash.
— Acho que dessa vez a gente passou dos limites... — ri leve, sentindo leves vestígios de enjoo me atacarem.
— Eu tenho certeza.
Eu ia responder, quando uma onda forte de enjoo veio e eu corri para o banheiro, derramando-me toda por ali. Senti as mãos de Ashton segurando meu cabelo, abaixando-se ao meu lado, impedindo que eu enfiasse toda a cabeça dentro do vaso.
— É oficial, você nunca mais vai misturar bebidas desse jeito! — Ele riu, depois que eu acabei.
Encostei a cabeça na porcelana do vaso, que estava geladinha.
— Vem, levanta, vamos tomar um banho! — Puxou-me por um braço, segurando-me firme pela cintura, andando comigo até o chuveiro, onde ligou a água gelada. Daquele jeito que estava mesmo, de roupa e sapato.
— Como é que eu sou a única passando mal? — Reclamei, tremendo pela temperatura da água que batia no meu corpo sem dó.
— Chama-se resistência... — gabou-se, rindo. — Eu vou pegar uma toalha, tira a roupa. — Ordenou, já saindo do banheiro.
Lentamente fiz o que ele pediu, sentando na banheira, encostando a cabeça na parede.
Ashton voltou em alguns minutos com uma toalha em mãos, lançando-me um olhar engraçado ao me ver ali.
— Você não tem jeito. — Riu, estendendo a toalha. — Vem, sai daí.
Levantei devagar e andei até ele, onde ele me enrolou na toalha, ainda rindo da minha cara. Ele me deu alguns minutos para eu me enxugar completamente, voltando apenas para me entregar um short meu e uma blusa sua. Vesti-me e voltei para o quarto, vendo-o deitado na cama, mexendo no celular.
— Melhor? — Perguntou, assim que me viu, sentando-se.
— Decente. — Respondi.
— Que bom! — Ele riu. — Agora você deita e relaxa. Eu vou tomar um banho e a gente vê o que faz depois. — Foi apontando o dedo para mim, indo em direção ao banheiro.
Deitei-me na cama, agora sem a tontura e enjoo, tentei me manter acordada para esperar por Ash, mas fui levada pelo sono sem nem perceber em questão de alguns segundos.

•••

Entrei no supermercado, acompanhada dos meninos, para algumas compras. Faríamos a próxima viagem de ônibus e precisávamos de mantimentos. Andei ao lado de Mike, que seguiu direto para a ala de salgadinhos, é claro.
— Você tem algum pedido especial, ? — Perguntou, avaliando a variedade de pacotes de diferentes marcas dispostas à nossa frente.
— Cheetos, pode ser... — dei de ombros. — O que você escolher, eu tô dentro. — Ele sorriu e voltou sua atenção para as prateleiras.
Avistei Cal indo para a parte de travesseiros e o segui. Encontrei-o olhando alguns bichinhos de pelúcia.
— Está escolhendo um presente para mim? — Brinquei, pondo-me ao seu lado, que mal me olhou.
— Não. — Respondeu, simples.
Franzi o cenho, estranhando a atitude.
Calum havia estado estranho comigo fazia algum tempo, mas eu achei que era apenas cansaço lhe atacando, mesmo que isso fosse meio que impossível, já que ele nunca perdia o bom humor, mesmo exausto.
— Calum, tá tudo bem? — Toquei em seu braço para conseguir alguma atenção, já que ele tinha se voltado completamente para os bichinhos.
— Sim, por que não estaria? — Deu de ombros, afastando-se e indo para a outra ala.
Fiquei ali parada como idiota, não entendendo nada do que estava acontecendo. O que eu tinha feito de errado?
— Achei você! — Luke veio em minha direção. — Ainda está com dor de cabeça? — Perguntou, fofo, com uma garrafa de água nas mãos, entregando-me.
— Não... — sorri para ele. — O comprimido deu um jeito.
— Vocês chegaram muito tarde?
— Não sei! — Admiti, gargalhando. — Estávamos bêbados.
— É, a gente viu os vídeos que o Ash mandou pra gente... — arregalei os olhos e ele riu. — Você não sabia? — Neguei. — Bom, estão muito engraçados, se quer saber. Você estava flertando com um carinha aleatório.
Escondi o rosto nas mãos.
— Não era pra vocês verem esse tipo de coisa. — Senti meu rosto esquentar. Não era por que tínhamos intimidade pra quase tudo, que eu não ficava envergonhada de eles me verem com outro cara.
Nah, está tudo bem. Eu achei que você estava ótima! — Cutucou-me de lado. — Vamos pegar refrigerante.

Terminamos nossas compras e fomos dar uma volta pela cidade antes de colocarmos o pé na estrada. Fomos a um restaurante e enquanto esperávamos nossos pedidos, mexi com Calum, que mexia no seu celular, sem interagir muito.
— Ei, o que você tanto mexe no celular? — Fingi espiar e ele afastou o aparelho de mim, olhando-me de lado.
— Nada. — Resmungou.
— Ih, o que você tem hoje, hein? Está insuportável. — Reclamei e ele respirou fundo.
— Nada, já disse. Quer me deixar quieto? — Respondeu mal-humorado e voltou a atenção pelo celular.
Olhei para os meninos, que olhavam estranhamente para ele. Ashton apenas deu de ombros, sussurrando para deixá-lo quieto. Eu sabia que todos tínhamos dias ruins, mas aquele não era o Calum que a gente conhecia. Alguma coisa estava acontecendo e eu descobriria o que era ou não me chamava .

Algumas horas depois, estávamos prontos para entrar no ônibus. Aproximei-me de Calum, determinada a saber que bicho tinha mordido ele.
— Hey... — sorri.
— Oi. — Respondeu seco.
— Você vai dizer pra mim o que aconteceu com você? Está estranho faz dias, Cal! — Tentei.
— Eu já disse que não está acontecendo nada, . Cuida da sua vida. — Retrucou e eu bufei.
Não desistiria.
— Qual é, Calum? — Bati o pé como uma criança mimada. — Você não pode continuar desse jeito. Eu sinto saudades do meu amigo.
— Nem me fale. — Resmungou mais pra ele, mas ainda consegui ouvir.
— O quê? — Olhei para ele, franzindo a testa. — Essa atitude toda é sobre mim?
— Não.
— O que foi que eu te fiz? — Insisti.
— Já disse que não é nada. — Tentou se esquivar para entrar no ônibus, mas eu me pus à sua frente.
— Você só entra naquele ônibus se me disser o que diabos eu fiz pra você.
Ele largou a bolsa no chão, olhando para cima, esfregando o rosto com uma das mãos, claramente puto. Eu continuava parada à sua frente, encarando-o com a sobrancelha arqueada.
— Quer saber qual meu problema? Eu não achei que pra você superar aquele babaca do seu ex, você ia ter que pegar todo mundo em cada cidade que a gente passar. Eu nem te reconheço mais! — Falou irritado, olhando-me com desprezo.
Encarei-o incrédula, descruzando os braços, franzindo ainda mais o cenho, sentindo meu coração quebrar aos poucos — se é que isso ainda era possível. Quer dizer, poderia lidar com Frederick me traindo, mas não com meu melhor amigo dizendo que eu tinha virado uma vagabunda. Ele não disse com essas palavras, mas ainda assim.
Calum pareceu perceber o que tinha falado, mas já era tarde demais. Ele já tinha dito e não dava pra voltar atrás.
... — tentou se aproximar ao mesmo passo que eu me afastei.
— Eu achei que você quisesse me ver bem e seguindo minha vida. Aliás, eu achei que você fosse meu amigo, mas pelo visto eu estava enganada. — Falei, decepção escorrendo da minha voz.
, peraí, eu não quis dizer isso...
— Não importa, já disse! — Dei as costas, passando entre os meninos e entrando no ônibus.
Tinha um nó engatado na minha garganta, mas eu não queria mais gastar lágrimas por ninguém.
Logo os meninos se acomodaram, fazendo coisas suas coisas, enquanto o ônibus dava início a sua viagem. Pluguei o fone no meu celular, sentada em uma das janelas, observando a paisagem.
Seriam longas sete horas que eu teria que aguentar sem surtar. Tinha acabado de brigar com meu melhor amigo e eu nem entendia direito o porquê. Eu estava me sentindo horrível e a pior das pessoas. Mas talvez Calum tivesse razão e essa vida de passar o rodo devesse parar.
Encostei a cabeça na janela, fechando os olhos, rezando por algum sinal do que fazer, porque naquele momento, estava mais perdida que nunca.



Capítulo 12

Ponto de vista do Calum:

Finalmente tínhamos chegado ao hotel, fazendo o check-in. foi a primeira a pegar as chaves e subiu direto, sem esperar por nós. Ela tinha passado a viagem inteira calada e quieta demais, obviamente por culpa minha. Depois de comer dois pacotes de salgadinho que o Mike praticamente tinha enfiado em suas mãos, deitou e dormiu — ou fingiu que dormiu — até chegarmos no nosso destino. Nem sei por que diabos havia dito aquelas coisas. Quando vi, já tinha falado o que não queria e deixado ela chateada. Eu oficialmente me odiava.
Olhei para Mike, que também estava observando o comportamento estranho. Suspirei, balançando a cabeça e pegando minhas chaves, subindo para meu quarto, pensando em como faria pra consertar aquilo.
Eu tinha toda essa veia protetora em volta da . Me matava saber que eu era a pessoa responsável pela carinha abatida e que tinha magoado, quando ela já estava magoada. De qualquer forma, conversaria com ela depois. Tinha que encontrar um jeito de ela me perdoar.
Deixei minhas malas no quarto antes de ir para o quarto do Luke, onde todos os meninos já estavam reunidos, exceto , claro.
— Então, quanto tempo até a entrevista? — Luke perguntou, entregando-me uma cerveja.
Sentei no sofá que tinha no quarto.
— Só amanhã pela manhã... — Ash deu de ombros. — Fá pra descansar por hoje. — Recostou-se no encosto, dando um gole na bebida. — Por que a não está aqui?
— Verdade. Vocês perceberam que ela estava estranha? Nem quis me desafiar no Mario Kart e essa é a especialidade dela... — Luke reclamou.
— Sim. Vocês acham que tem a ver com o babacão? — Mike perguntou — Ela parecia tão feliz ontem com você, Ash.
— E estava. Não sei o que aconteceu. — Ele falou.
Suspirei alto, do outro lado do quarto, bagunçando os cabelos. Que merda.
— Eu sei... — encarei meus pés, envergonhado.
— Sabe? — Mike perguntou.
Afirmei que “sim” com a cabeça.
— A gente teve uma... briga antes de viajar. — Sentei no sofá ao lado de Ash. — Eu acabei falando umas coisas que não deveria e óbvio que ela ficou chateada.
— O que você disse pra ela? — Quis saber Luke, todos os olhares caindo sobre mim.
Cocei a garganta. Eu não queria falar sobre aquilo, sabia o que eles diriam e não me orgulhava do que tinha feito. Aquele cara que falou com a não era eu.
— Que ela não podia superar o idiota do ex pegando todos os caras que encontrar durante a turnê. — Admiti.
O quarto ficou em silêncio por um tempo e eu me senti julgado. Eu merecia.
— Você sabe que é um merda, não sabe? — Ash falou, quieto, mas não parecia bravo. Ele não precisava falar, eu sabia.
— Dude, você pisou na bola e dessa vez não dá nem pra te defender... — Michael emendou e eu só podia ficar calado. Eles tinham razão.
— Bom, eu vou lá tentar consertar isso. — Ash levantou e eu olhei para ele.
— Não vai, não. — Encarei-o, que se virou para mim com o olhar de tédio. — Eu que fiz a merda, você não tem que se envolver nisso. Nenhum de vocês. — Falei firme.
— Então o que diabos você ainda está fazendo aqui? Vai falar com ela! — Ele retrucou, dessa vez irritado.
Levantei quieto, sem nem pensar em dar qualquer resposta. Eu não tinha razão nenhuma nisso. Tudo o que eles me falassem ainda seria pouco.
Levantei, deixando a cerveja em cima da mesa do frigobar, saindo do quarto. Eles estavam com raiva e eu entendia. Eu estava com raiva de mim também. Passei o caminho todo da viagem pensando em como consertar aquela merda toda, mas não queria nem estar perto de mim. Achei que deixá-la no seu canto talvez fosse melhor pra nós dois esfriarmos a cabeça.
Olhando pra trás agora, eu não sei nem por que diabos eu fui tão grosseiro. Não tinha a menor necessidade. Era minha melhor amiga ali, caralho. A pessoa que eu conhecia a minha vida inteira. Tinha vontade de dar um soco na minha cara pela idiotice que fiz.
Cheguei à porta de , hesitando um pouco antes de bater. Se ela não me perdoasse, eu não saberia o que fazer. Ela demorou uns bons segundos, deixando meu coração acelerado, até finalmente abrir.
fez sua melhor cara de entediada ao me ver, encostando-se no batente da porta.
— Ah, é só você... — cruzou os braços.
Eu admito, aquilo tinha doído. Nunca tinha sido desprezado por , nem mesmo quando brigávamos quando éramos pequenos. Sempre tinha visto babacas receberem o olhar que ela estava me dando agora e entendia como eles se sentiam. E pior é que dessa vez, eu era merecedor daquele olhar.
Cocei a cabeça, sentindo-me intimidado. Eu estava com vergonha pelo meu comportamento ridículo.
— A gente pode conversar? — Perguntei, vendo-a desarmar a postura levemente e me dar espaço para entrar.
Esperei ela fechar a porta e se virar de frente pra mim, para então andar apressado até ela e a abraçar com urgência. Senti-a tensionar e então relaxar aos poucos, retribuindo o abraço.
— Me desculpa! — Pedi com a cabeça enfiada em seu pescoço. — Eu fui um idiota, não deveria ter dito aquelas coisas pra você. — Afastei-me, segurando em suas mãos, puxando-a para sentar junto comigo.
— Foi mesmo. Você nunca tinha sido tão grosso comigo, Cal. O que foi que deu na sua cabeça? — Baixou o olhar.
Sentia-me péssimo por tê-la deixado triste.
— Eu sinto muito. Eu só queria que você ficasse bem, de qualquer forma que desse. Estava feliz que você estava finalmente seguindo em frente, não tinha mais aquela carinha abatida e eu estava feliz com isso. Mas aí você começou a sair e a chegar tarde e sair com outros caras. Eu fiquei com medo de você se machucar de novo. — Admiti. — Eu sei que não tinha nenhum direito de dizer aquelas coisas, você pode fazer o que bem entender da sua vida. Não quis que você se sentisse mal. É que você é muito importante pra mim, . Não suporto a ideia de te ver magoada como Frederick te deixou.
— Você poderia ter conversado comigo ao invés de se afastar e me tratar daquele jeito. Eu achei que tinha feito alguma coisa errada. — Desabafou ela.
Meu coração apertou.
— Eu sei, eu sei... — beijei as costas da sua mão. — Eu vacilei feio. E estou arrependido. Acho que acabei descontando em você o estresse desses dias. Tem sido tudo uma loucura. E eu sinto muito.
— Está tudo bem. — Ela me olhou nos olhos e sorriu.
Eu estava perdoado. Não pude deixar de retribuir.
— Que estresse é esse que você está falando? Os meninos parecem bem felizes.
— Eu sei. Eu sei. — Suspirei. — É que é muita pressão, sabe, ? A gente tem uma turnê ainda grande pela frente. E como você bem sabe, eu sou um merda... — baixei a cabeça. — Eu até esqueço as letras de músicas que eu mesmo compus. Tenho medo de decepcionar de alguma forma os fãs, os rapazes, os Chainsmokers. Todo mundo. Eu decepcionei você... — vi-me colocando tudo pra fora. Fiquei com vontade de me dar um soco. Isso não era sobre mim.
passou a mão pelos meus cabelos, fazendo-me fechar os olhos.
— E tem alguma coisa que você possa fazer pra relaxar? — Perguntou amorosa, apoiando uma mão no meu ombro.
— Bom, eu costumo fumar... — olhei para ela, que apenas estava olhando pra mim. — Maconha.
Os olhos dela se arregalaram levemente.
— Ah. Bom, tem alguma coisa com você aí? — Perguntou, surpreendendo-me.
— Aqui não... Tenho no quarto. — Dei de ombros.
— Se você quiser, eu posso te fazer companhia...
Eu não acreditava no que estava ouvindo. nunca foi de aprovar nossos vícios, mas eu não perderia essa oportunidade por nada.

Em alguns minutos busquei minha reserva que guardava só pra ocasiões especiais. Eu não era viciado, mas gostava de fumar pra relaxar um pouco. Era menos nocivo que cigarro comum, pelo menos.
Entrei no quarto, encontrando na varanda, sentada na mesinha que tinha ali, olhando o movimento da rua. Ela sorriu quando me viu.
Sentei junto dela, bolando o cigarro. olhava tudo atenta. Acendi e dei uma tragada, esperando pelo efeito.
Olhei para ela, que ainda me encarava curiosa.
— Você quer experimentar? — Ofereci.
Eu sabia que não devia, mas por que não? Ela estava segura e estava comigo, nada demais poderia acontecer.
me encarou por um tempo e acenou com a cabeça.
Passei o cigarro para ela, que pegou receosa.
— Como é sua primeira vez, vai com calma. Você traga, puxa pro pulmão e solta. Devagar...
Ela fez como eu pedi, tossindo um pouco. Eu ri, junto com ela.
Ficamos ali, uns minutos, dividindo o cigarro.
— E agora? — Ela perguntou.
— Agora a gente espera a onda bater... — gargalhei.
Não demorou muito. Estávamos sentados no chão da varanda, olhando a rua, quando levantou a cabeça do meu ombro, apontando.
— Você tá vendo aquilo ali, Calum?
Olhei para onde ela indicava, não vendo nada. As ruas estavam praticamente vazias.
— Vendo o que, ? — Perguntei, franzindo o cenho.
— Olha, estão subindo o prédio agora! — Apontou para o prédio em frente. — Calum, são mini filhotinhos de macacos. Eles são muito miudinhos. — Ela parecia admirada.
— Ah, meu Deus! — Entendi o que estava acontecendo. — Eu não acredito que você é das que vê coisas que não existem, . — Ri e ela me olhou estranho.
— Calum, eu não estou vendo coisas. Tem mini filhotinhos de macaco escalando o prédio. — Apontou.
— Tudo bem, eu acredito em você! — Abracei-a de lado e ela voltou a encostar a cabeça no meu ombro.
— Eles são muito fofos... — comentou depois de um tempo.
Eu apenas ri, beijando o topo da sua cabeça. Eu nunca pensei que algum dia na minha vida estaria vendo ter sua primeira experiência com maconha. E menos ainda que seria tão engraçado.
ficou super chapada, num nível muito maior que eu estava. Talvez por ser sua primeira vez ou era apenas seus organismos reagindo assim. Ela estava com o riso frouxo e volta e meia falava alguma coisa sem sentido nenhum, como, por exemplo, que achava que os sapatos perdidos na beira de estrada eram das crianças perdidas do Peter Pan, quando ele os levava para a Terra do Nunca.
Eu poderia me preocupar, mas estava engraçado e eu estava realmente relaxado ao lado de uma das minhas pessoas favoritas no mundo inteiro, não poderia ter tido uma reconciliação melhor.
Estava terminando de lavar minhas mãos no banheiro, quando ouvi a voz de praticamente berrar:
— Oiiiii, vocês chegaram! — Ela riu. — Vem, venham ver os mini filhotes de macaco brincando no prédio!
Eu ri sozinho. Ela estava obcecada com aquilo.
, que diabos você está falando? — Ashton falou, olhando da varanda, onde ela estava apontando pro prédio.
— Ah, mas que droga, você também não está vendo? — Reclamou, emburrada.
— Calum, o que você fez com ela? — Luke perguntou ao me ver na porta do banheiro.
— Nada, ué... — dei de ombros — O que vocês vieram fazer aqui?
— Ficamos preocupados que vocês estivessem quebrando o pau. Viemos ver se estava tudo bem. — Michael explicou.
— Você deu maconha pra ela? — Ash perguntou, avaliando-a mais de perto, quando ela sentou no chão, encarando um ponto fixo e rindo de alguma coisa que ninguém mais sabia o que era.
— Ela ficou curiosa. Acho que bateu demais... — dei de ombros.
Michael gargalhou, o que causou o riso de Luke também. Isso chamou atenção da .
— Vocês também estão vendo as formigas montando o esqueleto do anão? — Ela perguntou, olhando para os dois.
Nós quatro a encaramos sérios por dois segundos, antes de explodirmos em risadas. Nunca achei que ver a chapadona fosse me divertir tanto, mas eu estava feliz que tínhamos nos acertado e ainda estávamos tendo um tempo tão bom juntos, um tempo realmente nosso. E só melhorava com a presença dos rapazes.
Após termos um leve debate com , que insistia que os benditos macacos iriam embora se ela parasse de olhar, conseguimos fazer com que ela bebesse bastante água e tomasse um banho, acabando por dormir. Todos nós capotando em seguida, espremidos na única cama do quarto, amontoados igual fazíamos quando éramos adolescentes e dormíamos na casa uns dos outros.
De um jeito estranho, nossos bons tempos tinham voltado.



Capítulo 13

Ponto de vista da :

Alguns dias depois, estávamos pousando na Itália. Eu queria poder dizer que estava bem com isso. Quer dizer, era Itália, especificamente Roma, certo? Quem não estaria feliz? Aparentemente, só eu mesmo.
Os meninos quiseram dar uma volta pela cidade, antes de irem descansar para o show de amanhã. É claro que eu os acompanhei, mesmo só querendo um banho e a cama. Itália podia ser um sonho para muitas pessoas. E era para mim também, até um mês atrás.
Eu estava bem e feliz de acompanhar meus melhores amigos pelo mundo, mas essa cidade estava mexendo comigo.
Eu podia dizer que tinha superado Frederick, mas ainda não poderia dizer que estava bem com toda aquela situação. A dor e humilhação de encontrá-lo em sua cama com outra mulher continuava aqui. Machucava saber que eu não era suficiente, que ele precisava de outra pessoa para se sentir satisfeito. Eu só precisava achar uma saída para escapar desse labirinto em que eu estava.
Os meninos ficaram com fome e quiseram ir almoçar em um restaurante aleatório. Conseguimos um lugar bem junto à janela, onde eu poderia observar as pessoas do lado de fora. Todo mundo era tão bonito e elegante aqui e sempre pareciam estar felizes. Não pude deixar de me imaginar andando por essas ruas, recém-casada, vivendo meu próprio sonho de princesa.
? — Ash me cutucou com o braço de leve, dano-me um pequeno susto.
— O quê? — Perguntei, voltando à realidade.
— O que você vai pedir? — Apontou para o menu que eu nem sequer havia lido em minha frente.
Vi o garçom esperando, parecendo impaciente, com toda sua atenção voltada para mim.
— Ah... — pisquei duas vezes, tentando me concentrar novamente. — Pode ser o mesmo que você. — Respondi.
Eu nem sabia o que ele tinha pedido, mas não faria o pobre rapaz esperar eu me decidir.
— Tudo bem. — Ele me olhou de canto, entregando o menu para o garçom, que se afastou com um sorriso educado. — Então, você vai nos contar por que está tão aérea o dia todo?
Percebi o olhar de todos os outros meninos caírem sobre mim e eu quis me encolher. Soltei um suspiro, desistindo. Eu não sairia impune dessa conversa.
— Eu... É... — cocei a garganta, não sabendo como começar. — É que Itália era onde havíamos escolhido passar a lua de mel. — Falei, baixinho, vendo compreensão atingir o rosto dos meus amigos.
— Droga, ! — Luke alcançou minha mão por cima da mesa. — Eu sinto muito. Estivemos tão ocupados nessas semanas, que nem conseguimos te dar atenção que você merecia.
— Está tudo bem. Vocês têm feito melhor, me entretido. É só que... Bom. — Dei de ombros, sorrindo tentando afastar algumas lágrimas que queriam abrir caminho. — Era pra ser as melhores lembranças da minha vida.
... Está tudo bem você ainda estar triste! — Ash pôs a mão em meu ombro, puxando-me para um abraço de lado.
— É. Lembra do que a gente sempre te disse? Está tudo bem não estar bem. — Mike sorriu para mim, recebendo outro em troca.
— Estamos aqui por você, como sempre! — Calum também se manifestou.
Eu tinha os melhores amigos do mundo.

Após o almoço, fomos finalmente para o hotel, onde eu pude finalmente tomar meu merecido banho. Demorei uns bons minutos, só deixando a água quente escorrer pelo meu corpo, sentindo meus músculos relaxarem. Eu precisava me acalmar e deixar de ser tão dramática. Passado era passado. Eu precisava crescer e seguir em frente.
Estava olhando a rua pela janela do quarto, observando a paisagem, quando duas batidinhas na porta do quarto me despertaram atenção. Abri devagarinho, dando de cara com Ash todo arrumado, cabelos úmidos, uma blusa branca e casaco de couro por cima.
— Tá todo arrumado. E cheiroso... — brinquei. — Já achou uma parceira para curtir a noite?
— Já, sim! — Sorriu, convencido, com as mãos no bolso do casaco. — Você. Vai se arrumar.
— É o quê? — Ri.
— Estou falando sério! — Falou, entrando no quarto. — Eu espero você se arrumar rapidinho.
— Ash, eu não estou no mood de sair. — Suspirei. — Chama um dos meninos.
— Eu não sei onde não ficou claro que eu não estou te dando opção... — levantou uma sobrancelha, apontando pra minha mala. — Anda, .
Encarei-o e suspirei. Não tinha jeito, eu já tinha perdido essa batalha.
— Tá bom, me dá vinte minutos. — Rolei os olhos e ele sorriu do jeitinho totalmente Ash.

Em mais ou menos quarenta minutos, estávamos nas ruas de Roma, vendo muitas pessoas aproveitando a noite. Andávamos lado a lado, rindo e conversando banalidades. Ash sabia como me distrair e eu sabia por que ele havia me arrastado para a rua e estava grata.
As ruas estavam iluminadas e o clima estava meio frio. Ajustei o casaco mais aconchegado a mim. Ash passou o braço ao meu redor, esfregando por cima do meu casaco para cima e para baixo, fazendo algum calor surgir.
— Você é muito frienta! — Riu da minha cara, recebendo uma cotovelada na costela. — E agressiva.
— Você que sente calor desnecessário demais... — tentei fazer cara de brava, mas aquilo era impossível quando se tratava de Ash.
— Está se sentindo melhor? — Perguntou e eu assenti.
— Você é quente, Ash! — Ri.
— Você sabe do que eu estou falando... — respondeu, sério.
Deixei escapar um suspiro alto.
— Não me entenda mal, eu estou feliz de estar com vocês e tudo mais. Eu só não esperava que íamos passar por aqui. — Dei de ombros. — É estranho pensar que minha vida mudou tão drasticamente do dia para a noite.
Ash apenas me encarava, deixando que eu colocasse tudo para fora.
— Eu sei que não deveria, mas não consigo deixar de pensar em como estaria minha vida se tivesse mesmo casado com Frederick. Se estaríamos felizes ou se já estaríamos tendo conflitos. Eu sei que ele é um tremendo idiota, mas estávamos juntos por cinco anos, entende? — Olhei para ele, que apenas concordou com a cabeça.
— É compreensível, . Cinco anos não são cinco dias. Você não tem que se sentir culpada por pensar nisso.
— Eu sei. Eu sei. Eu só estou cansada de lembrar daquele crápula em tudo o que eu faço. — Esfreguei a mão no rosto, suspirando. — Você por acaso não tem nenhuma pílula do esquecimento aí não, né?
Ashton riu.
— Bom, eu não tenho uma pílula do esquecimento, mas conheço uma coisa que pode te fazer sentir melhor... — puxou-me pela mão, fazendo-me segui-lo até um local, onde vendia gelatos, que segundo ele, eram especiais.
Não pude deixar de sorrir pelo ato de Ash, escolhendo um de sabor chocolate. A noite estava fria, mas valia a pena.
Saímos do local com nossos gelatos em mãos. O negócio estava delicioso. Ashton tinha razão, aquele era mesmo especial.
— Viu? Você já está com uma carinha melhor! — Empurrou-me de leve com o ombro. — Eu sou muito bom nisso. Vou largar a banda e abrir uma empresa para ensinar como fazer as pessoas se sentirem bem. — Fingiu pensar. — Nah, esquece. Só funciona comigo, porque eu tenho um charme único.
Dei-lhe um soquinho no ombro, que ele fingiu doer, rindo logo em seguida.
Continuamos andando, rindo e conversando, até que encontramos um artista de rua que tocava um instrumento que eu não fazia ideia do que era, só sei que emitia um som bonito e transmitia uma sensação muito boa.
Ash e eu paramos, admirando o rapaz que tocava concentrado, atraindo a atenção de outras pessoas que também estavam parando para vê-lo tocar. Olhei para Ash, que estava hipnotizado, seus olhos brilhavam e ele tinha um sorriso sutil no rosto. Qualquer coisa que envolvesse música o deixava assim.
Olhando-o daquele jeito, tão disperso, o rosto corado pelo frio, com o vento bagunçando seu cabelo levemente, tive um sentimento estranho. Ashton era meu melhor amigo e eu o amava praticamente como um irmão, mas, nossa... eu poderia me atrair tão facilmente por ele!
Ashton desviou o olhar do rapaz e me encarou, mostrando suas covinhas bonitas com o sorriso que me deu e eu senti meu coração dar uma leve vacilada.
Desviei o olhar, balançando levemente a cabeça para tirar aqueles pensamentos da minha mente. O que eu estava pensando? Era um dos meus melhores amigos ali, alguém que conhecia praticamente a minha vida inteira. Eu estava ficando louca, isso sim.
— Pronta para ir? — Ele perguntou, recebendo só um aceno como confirmação.

— Está entregue! — Ash disse, divertido, deixando-me na porta do quarto.
Sorri para ele, passando o cartão e abrindo a porta.
— Obrigada, Ash, eu estava precisando disso.
— Que isso! Pode contar comigo sempre.
Abracei-o e ele passou os braços ao meu redor, enterrando o rosto no meu pescoço. Inalei seu cheiro que era tão único desde sempre, sentindo meu estômago revirar.
Separamo-nos devagar e não sei se foi impressão minha ou eu realmente vi algo passar pelos olhos de Ashton, algo que não soube identificar o que era, mas sabia que eu sentia o mesmo.
— É... — soltou-me, pigarreando. — A gente se vê amanhã no café! — Disse, dando-me um sorriso pequeno.
— Claro, claro! — Respondi, passando minhas mãos suadas pela calça. — Boa noite, Ash.
— Boa noite, , durma bem! — Afastou-se, dando passos para trás.
Fechei a porta, recostando-me nela, sentindo meu coração palpitando.
Seja lá o que quer que tenha acontecido na última hora, eu não sabia explicar. Só sabia o que sentia e que gostava, mas me dava medo. Talvez eu estivesse apenas carente e meu coração e cabeça estivessem me pregando peças, mas não dava para negar que alguma coisa aconteceu e mudou. Eu só esperava que isso não nos trouxesse problemas.
Decidi que talvez eu só precisasse dormir um pouco, nada além disso. Tudo estaria de volta ao normal pela manhã.



Capítulo 14

Ponto de vista do Ashton:

Encarei meu reflexo no espelho, ajeitando o casaco que tinha vestido na noite anterior, relembrando do passeio com a . Eu não sabia dizer o que tinha acontecido, mas algo havia mudado. E eu estava com medo. Conhecia há tanto tempo e ela não estava nos seus melhores dias, eu só queria ajudá-la. Ela era o tipo de garota que sempre mereceu um cara legal e por muito tempo todos nós achamos que Frederick era o cara ideal para ela.
estava tão feliz, satisfeita com a vida e a com a carreira, prestes a casar com o suposto homem da sua vida. Ela sempre foi tão cheia de si, determinada e mandona quando necessário, mas também, extremamente amorosa e adorável com qualquer pessoa, ela merecia tanta coisa boa em sua vida. Foi difícil vê-la se entregar ao fundo do poço tão rápido, doía-me o coração vê-la tão frágil e quebrada. Ela não merecia nada pelo que estava passando.
Eu estava muito feliz e agradecido de tê-la com a gente, de ela ter aceitado nosso convite de se juntar a nós em tour. Pelo menos podíamos manter um olho nela e ainda nos concentrar em nosso trabalho. Eu não conseguiria ficar em paz se estivéssemos longe uns dos outros nesse momento que ela precisava tanto de alguém.
E então ontem ela estava ali, obviamente sofrendo por estar na cidade que era para ser sua lua de mel, com os melhores amigos. Eu sabia que era difícil para ela, por mais que afirmasse gostar de estar com a gente. Por isso a levei para dar uma volta, eu sabia que se ela ficasse trancada no quarto, ia se afundar numa poça de autopiedade, reviraria na cama a noite inteira e estaria um caco mal-humorado pela manhã.
A essa altura, eu faria de tudo para vê-la bem. Só não estava contando que ela fosse estar tão linda, divertida como sempre, mesmo triste. Eu não estava preparado para o que eu tinha sentido, ao vê-la ali admirando aquele rapaz tocando. Ela estava... eu não sei nem descrever, porque linda era um fato que era, ninguém poderia negar. Mas eu senti algo mais. E aí ela me encarou e meu coração enlouqueceu. Então eu a levei de volta para o hotel, a situação só piorando quando ela se despediu.
Seu cheiro era magnífico, era tão dela, que se houvesse outro no mundo igual, deveria ser considerado crime. Meu coração bombeava tão rápido, que senti minha temperatura elevar. Praticamente fugi dali, engolindo em seco no momento em que ela me soltou.
O que diabos estava acontecendo comigo?
Cheguei no quarto transpirando, jogando-me na cama em agonia. Aqueles pensamentos nunca haviam sequer passado pela minha cabeça. sempre havia sido como uma irmã para mim, nós crescemos praticamente juntos. Então por que eu estava tendo vislumbres em um mundo onde eu e ela estávamos juntos? Um futuro em que eu era o cara que estava a fazendo feliz.
Era isso, eu tinha perdido a cabeça. Só podia estar doido!
poderia até não demonstrar, mas eu sabia que ela não estava bem. Eu não podia fazer isso com ela. Aliás, não podia fazer isso com nós dois. Era totalmente injusto.
Eu tinha que me acalmar e colocar os pensamentos em ordem, só isso.
Balancei a cabeça em negação, eu tinha que esquecer essa história. Respirei fundo, voltando a mim. Tinha muita coisa para o dia de hoje, eu não podia ficar fantasiando coisas inexistentes na minha cabeça.
Saí apressado do quarto, seguindo direto para o elevador para encontrar os meninos lá embaixo, provavelmente nos esperando.
A porta do elevador estava quase fechando quando cheguei no corredor, pedi para segurar, dando uma corridinha até lá, deparando-me com . Ela me olhou e sorriu docemente. Não preciso dizer que meu coração errou uma batida, certo?
— Bom dia, Ash! — Cumprimentou, parecendo mais animada hoje, o que me deixava aliviado.
— Bom dia, dormiu bem? — Encostei-me ao seu lado, cruzando os braços, vendo a porta fechar.
— Eu dormi, sim. Graças a você.
Engoli em seco. Eu entendi o que ela quis dizer, mas meu coração estava burro hoje e mais uma vez se agitou.
— Que nada... — disfarcei, esfregando o pescoço em sinal de nervosismo. — É pra isso que servem os amigos! — Sorri.
De repente, o elevador deu um solavanco, apagando todas as luzes, por alguns segundos, retornando apenas a luz irritante de emergência. Pude sentir tensionar ao meu lado, logo seguindo até os botões, apertando desesperadamente o que indicava o saguão. Eu sabia o que estava por vir e não gostava daquilo.
Não, não, não! me olhou apreensiva. — Só pode ser brincadeira.
, calma... — pedi, tranquilo.
Ela odiava locais muito fechados.
— Calma? Como eu vou ter calma, Ashton? Estamos presos numa fucking caixa de metal, sabe Deus em que andar! — Começou a andar de um lado para o outro.
Apertei os olhos, tentando acalmar a mim mesmo antes. Isso poderia ir ladeira abaixo muito rápido.
, ei. Ei! — Segurei em seu pulso, delicadamente, apenas para ela prestar atenção em mim. — Logo vamos estar fora daqui, okay? Está tudo bem.
— Você não sabe disso. — Respondeu com os olhos marejados e a respiração ofegante.
Pensei no que poderia fazer, eu não queria que ela tivesse uma crise de ansiedade agora.
— As pessoas podem nem ter percebido que estamos aqui, ninguém sabe o que aconteceu, Ashton. Pode demorar muito tempo! — Ela se agoniou.
, respira fundo. — Fiz ela olhar para mim, segurando seu queixo com a ponta dos dedos. — Vamos, respira fundo comigo! — Encorajei-a, observando-a me acompanhar.
Ela olhou para o lado parecendo perdida. Senti-me mal por ela.
— Tira esse casaco, vai te ajudar a respirar melhor. — Puxei levemente o tecido por seus braços, com sua colaboração. — A gente vai sair daqui antes que você perceba, tá bem?
— Okay... — ela me encarou séria, uma ruguinha de preocupação na testa.
Franzi o cenho, espalmando a mão em seu rosto, o qual ela se inclinou sobre minha palma, dando um passo mais para frente.
Dessa vez, foi minha respiração que acelerou, mas não tinha nada a ver com ansiedade. Os olhos de estavam grudados nos meus e transmitiam o mesmo sentimento que eu naquele momento.
Lutei com todas as forças do meu ser para me impedir de fazer o que eu tanto queria.
Engoli em seco, o que parecia ser a milionésima vez de ontem para hoje, sentindo diminuir o espaço entre nós dois. Seu hálito fresco bateu em meu rosto e eu fechei os olhos por dois segundos, minha mão ganhando vida própria puxando sua cintura ao meu encontro.
O que eu estava fazendo? Precisava me parar, mas eu queria tanto isso ao mesmo tempo. também.
Não, eu não podia. Eu precisava me afastar o mais rápido possível!
Contrariando todos os meus pensamentos, aproximei-me ainda mais de , olhando nos seus olhos para ter certeza do que estaria prestes a fazer e se estava sendo correspondido. Ela desviou os olhos para minha boca e eu juro, quase perdi todo meu autocontrole com aquele simples gesto.
Acariciei o polegar em seu rosto, trazendo-o para mais perto ao passo que me abaixava para ficar em sua altura.
Nossas bocas estavam a milímetros de se encontrarem, eu quase podia sentir seu gosto. E como num sonho, tudo escapou por entre meus dedos...
As luzes se acenderam, deixando-nos levemente cegos por alguns segundos, o elevador dando um solavanco leve, voltando a andar em seguida, que fez perder o equilíbrio e se apoiar em mim, fazendo-me a segurar firme.
Olhei para ela, ainda atordoado com tudo o que tinha acabado de acontecer. Ela me encarava de volta, na mesma intensidade de olhos arregalados. Eu não acho que estava muito diferente.
— Você está bem? — Perguntei, soltando-a a contra gosto.
Espera, o quê? Não, eu já disse que não podia. Isso seria loucura. Uma loucura que talvez eu estivesse disposto a cometer.
— Estou. — respondeu, consertando a garganta, abaixando-se para pegar o casaco que eu havia jogado no chão. — Ainda bem que isso voltou rápido! — Afastou-se com as mãos na cintura.
Passei as mãos pelo cabelo e rosto, sendo eu o que queria sair dali desesperadamente. Logo as portas se abriram, revelando os meninos e mais alguns hóspedes que estavam por ali, não parecendo muito contentes.
— A gente não sabia que vocês estavam presos... — Luke disse assim que saímos do elevador, tentando agir naturalmente.
Eu tinha certeza que estávamos parecendo tudo, menos normais.
— Você está bem, ? Está mais branca que o Michael. — Calum perguntou, puxando-a para perto, a qual respondeu com um sorriso estranho.
— Sim, eu só... você sabe. — Deu de ombros, recebendo aceno afirmativo do moreno.
Já havíamos presenciado alguns ataques de claustrofobia.
— Eu estou bem! — Falou, olhando para mim, que não conseguia despregar os olhos dela.
— Bom, então vamos, né? Estamos atrasados e o trânsito não deve estar muito legal com essa chuva toda... — Michael falou, só então me fazendo perceber que chovia torrencialmente lá fora.
Estava explicada a queda de energia.
Concordamos, todos entrando no carro alugado que já estava a nossa espera em frente ao hotel, seguindo caminho para nosso compromisso.
sentou na janela, seguida de Michael, Luke, Calum e eu, na outra janela. Parecia estranho e errado estarmos tão longe um do outro depois de estarmos tão perto daquele jeito, mas sabia que isso era o que tínhamos que fazer por agora. Para o bem da minha sanidade mental.



Capítulo 15

Ponto de vista da :

Enquanto os meninos davam a entrevista, eu tentava manter minha mente longe do que tinha acontecido no elevador. Pareceu tão errado, mas ao mesmo tempo tão certo. E eu queria tanto. Ashton conseguiu me acalmar com poucas palavras, mas eu não estava esperando aquele tipo de... conexão. Não sei explicar. Era novo, diferente, era bom e também era assustador.
Não sabia o que aconteceria dali para frente, mas sabia que eu não estava me sentindo confusa sozinha, pelo menos. Eu vi o desejo nos olhos dele, também pude sentir quando ele passou o braço ao redor da minha cintura, puxando-me para si, o que na hora parecia ser inevitável, mesmo que existisse alguma hesitação ali. Por alguns momentos, desejei ter continuado presa naquele elevador, apenas para saber o que poderia acontecer.
Eu sei que tínhamos muita coisa em jogo, caso isso desse errado, mas acho que éramos maiores que isso. Ao mesmo tempo que eu tinha medo. Minha mente adorava pregar truques, levando-me de volta a algumas horas atrás, quando Ashton tirou o casaco do meu corpo. Não conseguia parar de pensar em suas mãos fortes me segurando firme e sua voz suave me pedindo calma.
Céus, era isso! Eu havia perdido minha cabeça. Estava completamente atraída por um dos meus melhores amigos.
Quando o calor que eu estava sentindo começou a ser intenso demais para eu aguentar, levantei de fininho e fui tomar um ar do lado de fora do prédio ou acabaria ficando louca. Acabei indo até ao banheiro, jogando uma água na cara, encarando-me no espelho. Estava vermelha como um pimentão só de pensar novamente no quase beijo. Eu precisava me conter.

Logo a entrevista terminou e nós fomos para o local onde aconteceria o show. Resolvi ficar no camarim, enquanto os meninos faziam a passagem de som, sentia-me cansada e uma dor de cabeça fininha estava tomando conta de mim, provavelmente um resfriado se aproximava — o que não era nenhuma surpresa, devido as mudanças bruscas de temperatura.
Estava quase pegando no sono, tinha certeza que estava começando a sonhar, quando a porta abriu e por ela passaram os quatro patetas, como eu costumava chamar. Ashton me olhou e deu um sorriso contido, mas disfarçou e foi pegar uma cerveja. Tive que conter o sorriso que involuntariamente minha boca quis formar.
— Alguém já te falou que além de muito folgada, você é sedentária? — Mike se jogou ao meu lado, com uma cerveja em mãos, parecia ser quase impossível ver qualquer um desses garotos com uma long neck de enfeite.
— Eu já estou dando a vocês a honra de estarem comigo o dia inteiro e você ainda me exige disposição? — Fingi descontentamento. — Vou começar a cobrar mais caro o cachê! — Empurrei-o com o pé, que riu.
— Você é cara demais, ficamos com seu modo preguiçoso... — Luke falou do outro sofá.
Ficamos por ali, jogando conversa fora, enquanto eu fingia que não notava os olhares de Ashton direcionados a mim e quando ele estava distraído, fingia que não o encarava também. Se qualquer pessoa prestasse o mínimo de atenção, entenderia o que estava acontecendo ali. Felizmente, tinha amigos um pouco lerdos demais para isso.
— Ô, ? — Calum chamou assim que saí do banheiro, distraído com o jogo. — Você pode pegar meu celular nessa prateleira, por favor? — Pediu, com cara de cachorro abandonado.
Rolei os olhos, locomovendo-me até a bendita prateleira, desnecessariamente alta para meu tamanho comum... Isso porque eu era a folgada.
Fiquei na ponta dos pés, tentando alcançar o celular daquela praga, sem muito sucesso. Estava quase xingando o moreno dos olhos puxados, quando senti uma presença atrás de mim. Poderia ser um fantasma, um vampiro, um lobisomem, poderia ser até o Pé Grande, mas era Ashton — o que podia ser muito pior dada as nossas atuais circunstâncias — numa distância perigosamente próxima de mim, que ainda não estava preparada para estar tão perto dele depois do que havia acontecido pela manhã.
Ele estendeu o braço, alcançando o aparelho facilmente, entregando-o em minha mão, tudo isso olhando para mim com um sorrisinho sacana no rosto. Inspirei fundo, tentando clarear a mente, percebendo tarde demais que aquela tinha sido uma péssima ideia, pois o cheiro de Irwin entrou pelas minhas narinas e me deixou completamente atordoada. Levou muito autocontrole de cada célula do meu corpo para conseguir sustentar o olhar sem parecer muito abalada.
O que era aquilo? Por que ele estava fazendo aquilo comigo? Era muito injusto. Nós nem tínhamos conversado sobre e pelo visto, não estávamos preparados para ter qualquer tipo de conversa, mesmo estando bem claro para mim que aquela situação estava enlouquecendo nós dois.
— Você é muito baixinha... — riu nasalado, debochando da minha cara de tacho. — Por isso que precisa da gente perto o tempo todo. — Afastou-se devagar e eu pude respirar mais calma.
A piadinha sobre minha altura não era nova, eles adoravam enfatizar meu um metro e cinquenta e nove e esfregar na minha cara.
— Eu não tenho culpa que vocês foram criados em laboratório e são todos gigantes! — Respondi, fingindo que ele não tinha me afetado minimamente, caminhando até Calum e jogando o celular em seu colo.
— Somos de tamanho normal, . Aceita de uma vez que você é um toquinho de gente — Luke riu.
— Falou o filhote de girafa... — retruquei, ainda brincando.
Os meninos ovacionaram o loiro, que fechou a cara. Ele odiava ser chamado assim.
— Você não sabe nem brincar. — Emburrou.
— Se você não aguenta, é só não descer pro play! — Ri, caminhando até ele, bagunçando seus cachos.
Luke segurou meu pulso e puxou com força para baixo, fazendo-me perder o equilíbrio e rolar por cima do sofá, até encontrar o chão de frente para ele, que não perdeu tempo em me atacar com as malditas cócegas que eu tanto odiava.
Gritei e esperneei desesperadamente, implorando para que ele parasse. Cócegas me deixavam sem fôlego e dolorida.
— Chega, você vai matar a garota! — Michael veio em meu socorro só depois que acertei um chute nele sem querer.
— Achei que estava claro que essa era minha intenção... — Luke me largou e eu fiquei ali, jogada, tentando controlar minha respiração.
Ouvi o manager avisar que estava na hora do show e todos se levantaram, deixando-me ali, como se eu fosse nada, ainda rindo da minha cara.
Ou era o que eu pensava.
— Você tá legal? — Ashton apareceu no meu campo de visão, enquanto eu soprava uma mecha de cabelo do meu rosto.
— Estou, seu amigo só tentou me assassinar de tanto rir na frente de vocês e ninguém fez nada. — Respondi.
— Vem logo, reclamona! — Estendeu a mão para mim, que aceitei e ele me puxou para cima.
Fiquei meio tonta por me levantar tão depressa. Ash me segurou pelos ombros.
— Tudo certo? — Riu.
— Tudo certo, pode ir. — Ri junto, sabendo que isso sempre acontecia.
Olhei em seus olhos e o seu sorriso foi morrendo devagar. Ele engoliu em seco e se afastou devagar. Passei a língua pelos meus lábios secos.
— Não faz isso... — ele pediu em um sussurro.
O clima havia mudado muito rapidamente entre nós. Uma hora estávamos rindo um do outro e de repente era como se estivéssemos de volta ao elevador.
— Isso o quê? — Fiz-me de desentendida.
... — ele se aproximou, fechando os olhos — Eu... a gente... — suspirou e quando ia falar alguma coisa de novo, Mike apareceu na porta.
— Ei, cabeça de prego, vamos nos atrasar! — Falou rápido, com a guitarra já em mãos, e assim como chegou, desapareceu de novo.
Ashton me olhou sofrido e se afastou lentamente.
— Vai lá, arrasa! — Dei meu melhor sorriso, encorajando-o.
Ele virou as costas, seguindo para a porta, onde me olhou uma última vez, antes de sorrir e seguir para o palco.
Joguei-me no sofá atrás de mim, cobrindo o rosto com as mãos. Eu estava tão ferrada. E o pior é que estava amando cada minutinho disso.



Capítulo 16

Ponto de vista da :

Depois do nosso pequeno momento, resolvi me recompor e ir prestigiar os meninos, pelo menos dar o apoio moral. Não que eles precisassem de mim para arrasar, mas era meu papel de amiga.
! Você veio ver a gente! — Luke comemorou, vindo me abraçar, o qual eu desviei, indo para o lado de Mike, que prontamente me rodeou com seus braços desajeitadamente por causa da guitarra.
Luke franziu o cenho, a dúvida estampada no seu olhar.
— Você acabou de tentar me matar, perdeu o direito dos meus abraços. — Ri, sendo acompanhada por todos os outros meninos, menos ele.
— Você me chamou de bebê girafa! — Resmungou, emburrado.
— Você poderia ter me dado uma punição mais branda. — Dei-lhe a língua.
— Okay, chega dessa discussão boba, senão vocês não param nunca! — Calum interveio.
Ficamos conversando mais uns minutos, enquanto os meninos se preparavam para entrar no palco. O mal-estar que eu estava sentindo mais cedo parecia ter se intensificado. Eu começava a sentir um pouco de frio e dor de cabeça, com certeza estava prestes a encarar um resfriado, mas não queria alarmar os rapazes, sabia bem como eles ficavam superprotetores do nada e com qualquer coisa.
Mesmo assim, meu organismo traidor não me impediu de me dar três espirros seguidos, atraindo atenção dos quatro.
— O que foi isso? — Calum perguntou, passando a alça do baixo pelo pescoço.
— Um espirro? — Respondi, irônica, fazendo-o revirar os olhos. — Não foi nada, provavelmente alguma poeira — Dei de ombros, não dando muita importância para aquilo.
Mike cerrou os olhos em minha direção.
— Sei, certeza que não está ficando resfriada?
— Vocês têm que entrar no palco... — desconversei. — Eu juro que estou bem! — Sorri convincente.
Senti o olhar de Ash em mim, deixando-me com as pernas bambas. Tudo parecia ser tão intenso quando se tratava dele agora, eu parecia ser capaz de sentir cada célula do meu corpo quando ele me olhava daquele jeito, eu me sentia uma adolescente de novo.
Encarei-o de volta, dando a confirmação que ele precisava para subir ao palco. E foi o que ele fez. Entrou primeiro, arrancando gritos histéricos das fãs, logo sendo seguido pelos meninos.
Luke começou o solo de She Looks So Perfect, o que me deixou surpresa. Eles sempre terminavam o show com ela, mas as fãs não pareceram se importar nenhum pouco, já que a onda de gritos que elas deram quando ele começou o primeiro verso quase me deixou surda, só piorando a dor de cabeça que estava sentindo.
Aguentei o máximo que pude, em pé ali, curtindo o show junto com eles. Era gostosa demais a vibe que eles passavam para os fãs. De onde eu estava, dava de ver garotos e garotas rindo, chorando, dançando, curtindo uma noite incrível ao lado de amigos e ao som de sua banda favorita. Eu quase senti vontade de só sair dali quando o show acabasse, mas a pressão na ponte do meu nariz, junto ao corpo mole, a sensação febril que eu estava, dizia-me claramente que sim, eu estava ficando resfriada. O que era uma droga, eu sempre ficava insuportável quando estava doente.
Michael andava pelo palco, rindo e se divertindo, cruzando olhares comigo no meio disso. Fiz sinal que voltaria para o camarim, dizendo que tentaria tirar um cochilo. Ele franziu o cenho, mas concordou levemente e se voltou para a plateia, antes que alguém mais notasse nossa "conversa". Eu adorava como ele sempre podia ir de um fofoqueiro nato a um cara super discreto e você nunca sabia qual deles teria que lidar, dependendo da situação. Graças a Deus tive sorte e ele foi o cara discreto dessa vez.
Fiz meu caminho para o camarim, praticamente me arrastando. É incrível como resfriados e gripes funcionam, uma hora você está perfeitamente bem e feliz, de repente sente como se tivesse sido atropelado por uma manada de elefantes. O corpo doía, a cabeça latejava e uma secreção nojenta começava a ser produzida. Parecia um castigo por algo que você sequer sabe o que fez.
E sentindo-me exatamente assim, mal tive tempo de entrar no cômodo separado para os meninos, jogando-me imediatamente em um dos sofás, encontrando o casaco que Luke veio vestido jogado por ali, o qual tratei de vestir, pois além de todos os sintomas, estava com frio também. Não precisa nem dizer que aquilo ficou igual um vestido em mim, batendo no meio das minhas pernas.
Vasculhei um comprimido para a dor de cabeça dentro da minha bolsa, que eu carregava somente para casos de ressaca. Quando você é melhor amiga de uma banda de quatro homens, tem que aprender a andar prevenida. Sabia que aquilo não resolveria de nada, mas era com o que teria que me virar até achar uma farmácia para os remédios certos, praticamente capotando em poucos minutos.
? Acorda, meu bem! — Senti alguém mexendo em minha barriga levemente.
Abri os olhos devagarzinho, quase fechando de novo, incomodada pela claridade que fez minha cabeça latejar, vendo um Ashton com a feição preocupada, olhando-me atentamente.
— Ei, o que você está sentindo?
Hesitei um pouco. Não queria deixá-los preocupados, mas a essa altura não dava mais para deixar para disfarçar que estava só com preguiça.
— Acho que é só um resfriado... — encolhi-me mais no sofá. — O show já acabou?
— Faz um tempinho... — Luke respondeu. — Aliás, esse casaco é meu. — Brincou.
— Cala a boca, idiota! — Ash rebateu e Luke riu, levantando as mãos em rendição, afastando-se. — Vem, levanta. — Puxou-me delicadamente pela mão, deixando-me sentada no sofá. Ele pôs a costa da mão em minha testa, franzindo o cenho. — Você está com febre. Está baixa ainda, mas melhor cuidar disso antes que piore.
— Eu não me oponho. — Inclinei-me contra ele, mal me importando que ele cheirava a suor.
Como eu havia ficado mal tão rápido?
— Certo, a gente vai pro hotel, para em uma farmácia e você tira a noite pra se recuperar um pouco. — Ele sorriu, tirando uma mecha de cabelo do meu rosto.

Como prometido, passamos em uma farmácia pelo caminho e Calum ligou para o médico para pedir algumas dicas do que poderia ser feito. Nada que ninguém não já soubesse antes: repouso, muita água e algum remédio para amenizar a febre.
Ashton tinha se prontificado a ficar comigo, dispensando os meninos que se despediram e desejaram melhoras, antes de seguirem para seus respectivos quartos. Entramos no quarto, Ash colocando as coisas na mesinha de cabeceira, enquanto eu me livrava — a contra gosto — do casaco do Luke, sentindo frio instantaneamente.
Ashton me pediu para que eu tomasse um banho, que eu obedeci contrariada sob ameaça de que ele mesmo me jogaria embaixo da água gelada, caso eu recusasse. Eu bem sei que ele faria mesmo isso se eu duvidasse.
— Toma... — entregou-me um comprimido, assim que eu saí do banheiro, junto com um copo de água. — Vamos torcer para isso fazer efeito rápido.
— Por quê? — Perguntei, sentindo a garganta dar uma leve arranhada.
— Conseguimos dois dias de folga, os meninos querem dar uma volta pelo país. Visitar algumas cidades antes de seguir com a turnê. — Sorriu, vindo em minha direção, dando-me um abraço.
Recostei a cabeça em seu ombro.
— Vem deitar. Sua temperatura ainda está um pouquinho alta demais para o meu gosto.
Ele me acompanhou até a cama, onde eu deitei e ele me cobriu como mamãe costumava fazer toda noite quando eu era criança. Aconcheguei-me no travesseiro, sentindo-me aquecida de novo. Ashton plantou um beijo em minha testa, o lado super protetor tomando conta dele. Afastou-se devagar, desejando boa noite.
Segurei em sua mão, antes que ele se afastasse completamente, não queria que ele fosse embora.
— O que foi? — A ruguinha de preocupação se instalou em sua testa novamente.
— Você pode ficar aqui? — Perguntei timidamente.
— Você quer que eu fique? — Ele me lançou um sorriso fofo, quase esperançoso.
Dei sua resposta com um aceno de cabeça.
— Afasta aí. — Ele se colocou embaixo da colcha comigo e eu me encolhi perto dele, descaradamente.
O que eu podia fazer? Ficava carente quando estava doente.
Ashton puxou-me para mais perto ainda, fazendo-me deitar em seu peito, enquanto fazia um cafuné gostoso em meus cabelos.
— Boa noite, . Espero que você esteja se sentindo melhor pela manhã! — Plantou um beijo no topo da minha cabeça, afundando mais na cama, onde nós dois pegamos no sono pouco tempo depois.



Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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