Believe In Magic - A Fresh Start

Última atualização: 27/01/2019

Prólogo

- Vamos Luke, por favor.
- Já disse que não, .
- Você sabe que eu não vou desistir.
- É, mas vou continuar negando.
- E eu insistindo.
- Você é um saco.
- Você me ama do mesmo jeito.
- Tudo bem, podemos ir juntos.
- Obrigadaaaaa!
E eu abracei meu primo com toda força que pude.
Você não está entendendo nada, não é?
Não se preocupe, vou lhe explicar.
Meu nome é , e esse com quem converso é o meu primo dois anos mais velho, e eu tenho 11 anos. Posso parecer uma menina normal, mas não, eu não sou nada normal, a começar por ser bruxa e esse ano iria para Hogwarts, uma escola de magia e bruxaria.
Meu primo vai pro seu terceiro ano na Lufa-Lufa e eu estava convencendo ele a me deixar andar com ele e seus amigos até arranjar os meus próprios amigos e bem, eu sempre consigo.
Meus pais, Samantha e Adam, também foram para Hogwarts, minha mãe foi da Cornival e meu pai da Lufa-Lufa e eles apostaram - isso mesmo, apostaram - em qual casa eu irei ficar e é claro que o Luke participou, então se nenhum deles ganhar o lucro é todo meu.
Meu pai apostou na Lufa-Lufa. É obvio.
Minha mãe na Cornival. É claro.
Luke apostou na Grifinória só pra não apostar na Sonserina.
Eu estava torcendo para não lucrar.
Você sabe, todos os bruxos das trevas foram da Sonserina. Apesar dos meus pais falarem que não tinha problema eu ficar lá, eu não queria, não mesmo.
Agora estávamos eu e meu primo no meu quarto, ele me ajudava a arrumar minhas coisas, as dele já estavam prontas. Iríamos amanhã para Hogwarts.
Dá pra imaginar quão nervosa eu estou? Finalmente eu iria para a escola dos meus sonhos.
Fui acordada por meus pais e Luke batendo panelas na porta do meu quarto. Sim, meus pais não tiveram infância e aproveitam a minha, vai entender.
Fui resmungando até o banheiro para fazer minha higiene matinal, quando voltei para o quarto só Luke estava lá, esse menino é um grude. Tudo bem que eu também sou, mas nada se compara a ele.
Ele arrastou minha mala até o carro do meu pai, que só parou de buzinar quando todos estavam sentados e com os cintos colocados.
As vezes me pergunto se meus pais são realmente os adultos da familia.
No caminho escutamos uma música qualquer enquanto meus pais e meu primo insistiam em falar da aposta boba que fizeram, enquanto eu ria descontroladamente das brincadeiras idiotas deles.
Quando chegamos na estação, corremos até a famosa parede 9 3/4 que nos transportou direto para a plataforma do meu trem favorito, como estávamos atrasados - como sempre -, Luke e eu nos despedimos rapidamente dos meus pais e corremos até o trem que já apitava, anunciando a partida.
Logo encontramos os amigos dele e uma cabine vazia. Só havia eu de garota e eles estavam com certeza me ignorando, mas eu não estava nem ai, estava ocupada demais lendo um dos meus muitos livros trouxas que pesavam ainda mais meu malão.
Claro que uma hora a gente cansa de ficar só ouvindo a conversa alheia e foi por isso que me levantei e sai da cabine, sem avisar nem nada.
Normalmente o Luke é legal e atencioso, nunca desde que ele se mudou para nossa casa, depois da morte do pai, me deixou de lado, não importava o quão longe ele estava. No primeiro ano dele em Hogwarts eu chorei muito e ele até pensou em desistir de ir, mas eu o abracei e disse que iria sentir sua falta, mas ele não poderia desistir de ir, aquele era nosso sonho, ele só estava realizando primeiro.
Andei um pouco atrás de uma cabine vazia, mas acabei entrando em uma que só tinha uma menina, levemente conhecida, que parecia ser um ou dois anos mais velha que eu. Sentei-me na sua frente.
- Sou .
- Sou Heloisa Oliver.
Eu olhei para ela por um instante e então eu percebi porque ela é levemente conhecida, ela vivia brincando com Luke quando éramos crianças, eu sempre fui mais nova por isso eram raras as vezes que eu ia brincar com eles.
- Helo? Por Merlin que surpresa, sou eu, , prima do Luke Brown. Não acredito que ele não falou pra mim que você estuda aqui.
Bem, e a coisa que nunca imaginei que aconteceria, aconteceu, ela fechou a cara e quando falou sua voz estava carregada de ódio.
- Eu não acredito, vocês só podem estar brincando! Primeiro eu me livro de um e agora você vem e aparece? Nunca gostei de você quando éramos menores e então eu cresço, me mudo e vocês reaparecem? - nesse ponto ela estava em pé e gritava comigo, e eu estava encolhida num canto, me segurando para nã chorar. - Ele nunca falou de mim, porque não queria contar para prima mais nova, que tanto o admira, o quanto ele foi um cachorro que fez minha melhor amiga ficar com ele por causa de uma aposta, você não imagina o quanto ela ficou mal, e então você aparece tentando ser legal comigo. Quer saber? Vá a merda também.
Ela se levantou e saiu, e eu? Bom, eu fiquei ali, encolhida, chorando baixinho tentado entender o que acabou de acontecer. Meu primo nunca faria mal a alguém.
Eu fiquei alguns minutos parada, tentando digerir o que havia acabado de acontecer. Uma hora eu estou feliz da vida porque encontrei uma velha conhecida e de repente essa mesma garota esta xingando a mim e ao meu primo.
Eu continuei na mesma posição por algum tempo até uma garota loira entrar na cabine, ela tinha um sorriso simpático e falava com alguém que estava ao seu lado esquerdo, mas quando ela se virou para mim, seu sorriso sumiu.
- Meu Merlin, o que aconteceu com você?
Eu rapidamente limpei meu rosto e olhei para ela com a maior cara de desentendida que eu consegui fazer, mas eu acho que não melhorou muito minha situação, pois ela falou alguma coisa para a pessoa com quem conversava antes e se sentou ao meu lado.
- Eu sou ! - ela disse com um sorriso parecido com o que dava segundos atrás, só que um pouco menor.
- ! - eu tentei sorrir, mas eu acho que saiu mais como uma careta, pois a garota soltou uma risada que me fez rir também.
- Você é novata?
- Está tão na cara assim?
- Não é isso - ela soltou um risinho tímido -, é só porque eu nunca tinha te visto antes..
Nessa hora ela foi interrompida pela porta que foi aberta brutalmente por uma garoto loiro, parecido com ela, que tinha cara de apavorado.
- Você não vai acreditar no que eu acabei de descobrir, .
- Você parece uma menina fofoqueira, .
- Cala a boca, .
- Não me chame assim, .
- Ou o que?
Eu pigarreei, porque estava meio desconfortável com aquela cena e foi só então que o garoto pareceu me notar, seu rosto emburrado se transformou em um sorriso que talvez ele achasse ser sexy - e aqui, só entre a gente, não era nada sexy.
- Quem é a gata?
- Cai fora, , ela não é pro seu bico. Agora você vai contar ou não o que descobriu?
- Quem é fofoqueira, hum? - ela lhe lançou um olhar feio e ele fez uma careta. – Tá, tá. Você sabia que Harry Potter está nesse trem?
Eu meio que fiz cara de bunda, claro que eu sabia quem era o Harry Potter e da sua história, mas eu só não entendi o porquê daquele entusiasmo todo, eu duvido que o garoto se lembre de algo daquela noite, eu mesma não me lembro de nada do que aconteceu na minha vida até mais ou menos os meus cinco anos.
Luke sempre dizia que eu não era normal (olha aí mais um motivo para minha anormalidade), pois enquanto todas as crianças do mundo bruxo queriam ouvir a história de Harry Potter, eu queria ler ou ouvir alguma história trouxa, a única história bruxa que eu realmente gosto é a do Conto Dos Três Irmãos.
Falando no Luke, o que será que está acontecendo na cabine dele?
Voltando a minha cara de bunda, eu acho que os dois perceberam porque me olharam e perguntaram ao mesmo tempo:
- Nascida trouxa?
- Não, sangue puro, eu só não gosto dessa história.
- Você se importa se eu for lá, dá uma espiadela? – ela perguntou, com a mão já na maçaneta.
- Não, mas aposto que ele sim.
Mas ela não me escutou, já tinha saído. voltou alguns minutos depois com dois meninos, um deles era o . Ainda me perguntava o que ele era dela.
- Oi... de novo - disse o tal se jogando no banco da frente.
- Oi?! - respondi.
- , posso te chamar assim, né? Enfim, esse é o meu namorado, , mas ele é um chato que não fala muito, mas apesar disso ele é bem legal - ela disse isso muito rápido e eu acabei soltando um risinho fraco que acabou virando uma gargalhada e fui acompanhada pelos outros, fomos parando de rir aos poucos e quando isso aconteceu cumprimentei, sem fôlego, o .
- Oi, prazer.
E então a conversa fluiu tão a vontade que nem percebemos que estávamos chegando até uma voz feminina dizer que faltavam cinco minutos, trocamos nossas roupas trouxas pelo uniforme de Hogwarts.
Eu descobri que e eram irmãos, sendo - sim, já estamos íntimas - a mais velha. e se conhecem desde que entraram na escola, mas só começaram a namorar no segundo ano deles, ou seja, ano passado. Sim, - estou íntima dele também, shiu - está no segundo, eu fiquei impressionada. Ele me explicou tudo do primeiro ano e até me explicou como era Hogwarts, não que eu não tivesse perguntado aos meus pais, mas ele explicava tudo com um brilho diferente nos olhos, como se sua casa fosse aquele castelo.
Quando chegamos a plataforma tivemos que nos separar, eles iam de carruagem e eu de barquinho - eu achei ele meio sujinho, mas decidi não falar nada -, com um cara gigante que me disse se chamar Hagrid, até que eu gostei dele.
Dividi o barquinho com três garotos, Dino, Simas e outro que não falou nada o caminho todo.
Quem abriu as enormes portas do castelo foi a Professora Minerva e, bem, ela me deu um pouco de medo. Seguimos para uma sala do lado do Salão Principal onde ela explicou sobre as casas, mas como eu já sabia não prestei atenção, fiquei olhando os outros alunos. Havia dois garotos juntos, algumas vezes falando aos sussurros e um deles, o ruivo, parecia muitíssimo assustado enquanto o outro tinha uma expressão de medo, confusão e admiração e em uma de suas muitas olhadas, eu vi sua cicatriz.
É, Potter está mesmo aqui.
- Agora façam uma fila e me sigam - disse a Professora Minerva aparecendo do nada. Ela tinha saído?
Minhas pernas ficaram bambas de repente e pensei que fosse desmaiar ali mesmo, mas tudo isso era por dentro, por fora eu sorria confiante e entrei na fila na frente de Simas. Saímos da sala, tornamos a atravessar o saguão e as portas duplas que levavam ao Grande Salão. Era iluminado por milhares de velas que flutuavam no ar sobre quatro mesas compridas, onde os demais estudantes já se encontravam sentados. Vi meus três novos amigos na mesa deles e acenou pra mim, eu só sorri como resposta, procurei Luke, mas não o achei. As mesas estavam postas com pratos e taças douradas. No outro extremo do salão havia mais uma mesa comprida em que se sentavam os professores. A Professora Minerva nos levou até ali de modo que parássemos enfileirados diante dos outros, tendo os professores as nossas costas. As centenas de rostos que nos contemplavam pareciam lanternas fracas à luz tremula das velas. Misturados aqui e ai aos estudantes, os fantasmas brilhavam como prata envolta em névoa. Principalmente para evitar os olhares fixos em mim, olhei para cima e vi um teto aveludado e negro salpicado de estrelas. Notei que muitos também observavam o céu e eu escutei alguém sussurrando:
- É enfeitiçado para parecer o céu lá fora, li em Hogwarts, Uma História.
A Professoa Minerva colocou silenciosamente um banquinho de quatro pernas diante da gente. Em cima do banquinho ela pôs um chapéu pontudo de bruxo. O chapéu era remendado, esfiapado e sujíssimo.
Por alguns segundos fez-se um silencio total. Então o chapéu se mexeu. Um rasgo junto à aba se abriu como uma boca – e o chapéu começou a cantar.

Ah, vocês podem me achar pouco atraente,
mas não me julguem pela aparência
Engulo a mim mesmo se puderem encontrar
Um chapéu mais inteligente do que o papai aqui.
Podem guardar seus chapéus-coco bem pretos,
suas cartolas altas de cetim brilhoso
porque eu sou o Chapéu Seletor de Hogwarts
E dou de dez a zero em qualquer outro chapéu.
Não há nada escondido em sua cabeça
que o Chapéu Seletor não consiga ver,
por isso é só me porem na cabeça que vou dizer
em que casa de Hogwarts deverão ficar.
Quem sabe sua morada é a Grifinória,
casa onde habitam os corações indômitos.
Ousadia e sangue frio e nobreza
destacam os alunos da Grifinória dos demais;
Quem sabe é na Lufa-Lufa que você vai morar,
onde seus moradores são justos e leais
pacientes, sinceros, sem medo da dor;
ou será a velha e sábia Corvinal,
A casa dos que tem a mente sempre alerta,
onde os homens de grande espírito e saber
sempre encontrarão companheiros seus iguais;
ou quem sabe a Sonserina será a sua casa
E ali fará seus verdadeiros amigos,
homens de astúcia que usam quaisquer meios
para atingir os fins que antes colimaram.
Vamos, me experimentem! Não deverão temer!
Nem se atrapalhar! Estarão em boas mãos!
(Mesmo que os chapéus não tenham pés nem mãos)
porque sou o único, sou um Chapéu Pensador!


O salão inteiro prorrompeu em aplausos quando o chapéu acabou de cantar. Ele fez um reverência para cada uma das mesas e em seguida ficou muito quieto outra vez.
- Então só precisamos experimentar o chapéu! – cochichou o ruivo para Harry. – Vou matar o Fred, ele não parou de falar numa luta contra um trasgo.
Vi Harry Potter dar um sorriso sem graça. É, experimentar um chapéu com todo mundo olhando não deixava só a mim nervosa. Eu não me sentia corajosa, nem inteligente, nem quaisquer outras coisas naquele instante além de medrosa.
A Professora Minerva então se adiantou, segurando um longo rolo de pergaminho.
- Quando eu chamar seus nomes, vocês colocarão o chapéu e se sentarão no banquinho para a seleção. Ana Abbott!
Uma garotinha de rosto rosado e marias-chiquinhas louras saiu aos tropeços da fila, pôs o chapéu na cabeça que lhe afundou até os olhos e se sentou. Uma pausa momentânea...
- Lufa-Lufa! – anunciou o chapéu.
A mesa à direita deu viva e bateu palmas quando Ana foi se sentar à mesa da Lufa-Lufa.
- Susana Bones!
- Lufa-Lufa! – anunciou o chapéu outra vez, e Susana saiu depressa e foi se sentar ao lado de Ana.
- Terêncio Boot!
- Cornival!
Desta vez foi a segunda mesa à esquerda que aplaudiu; vários alunos da Cornival se levantaram para apertar a mão de Terêncio quando o menino se reuniu a eles.
Mádi Brocklehurst foi para a Cornival também, mas Lilá Brown foi a primeira a ser escolhida para Grifinoria e a mesa na extrema esquerda explodiu em vivas.
Mila Bulstrode se tornou uma Sonserina. Justino Finch-Fletchley foi para a Lufa-Lufa.
Simas Finnigan, o menino de cabelos cor de palha ao meu lado na fila, passou sentado no banquinho quase um minuto, antes do chapéu anunciar que iria para a Grifinoria.
- Hermione Granger!
Hermione Granger saiu quase correndo até o banquinho e enfiou o chapéu, ansiosa.
- Grifinoria! – anunciou o chapéu.
Draco Malfoy se adiantou, gingando quando chamaram seu nome e o chapéu mal tocara sua cabeça quando anunciou:
- Sonserina!
Faltava pouca gente agora.
Moon... Nott...
- Harry Potter!
Quando ele se adiantou, correu um burburinho por todo o salão como um fogo de rastilho.
- Potter, foi o que ela disse?
- O Harry Potter?
Tão previsíveis!
Alguns segundos depois o chapéu anunciou:
- Grifinoria!
Tirou o chapéu da cabeça e se encaminhou trêmulo para a mesa da Grifinoria. Um garoto ruivo, que eu adivinhei ser parente do amigo do menino, se levantou e apertou sua mão, enquanto dois gêmeos também ruivos gritavam “Ganhamos Potter! Ganhamos Potter!”. Harry sentou-se defronte do fantasma com gola de rufos.
- Mabel Smith!
E a última coisa que eu vi antes do chapéu cobrir meus olhos foi um par de olhos verdes me encarando da mesa da Grifinória.
- Realmente difícil. Você tem uma mente fantástica, garota. Você é determinada e sabe o que quer e como quer, luta pelos seus direitos e tem uma coragem invejável, além de um futuro brilhante. Você ficará em ótimas mãos na Grifinória!
Ouvi o chapéu anunciar a última palavra em voz alta para todos do salão ouvir. Caminhei até a mesa na extrema esquerda que explodia em vivas e aplausos. Ouvi e gritarem meu nome.
Lisa Turpin virou uma Cornival e depois foi a vez de Ronald Weasley - o ruivo, amigo de Harry Potter - e o chapéu anunciou que ele ia para a Grifinória!
Me juntei a alguns colegas da casa nas palmas enquanto dava gritinhos felizes quando Ronald se largou numa cadeira ao lado de Harry.
- Muito bem, Rony, excelente – disse o ruivo, que devia ser seu parente, pomposamente por cima de Harry, na mesma hora em que Blásio Zabini era mandado para a Sonserina.
A Professora Minerva enrolou o pergaminho e recolheu o Chapéu Seletor.
Dumbledore se levantou. Sorria radiante para nós, os braços bem abertos, como se nada no mundo pudesse ter-lhe agradado mais do que ver todos reunidos aqui.
- Sejam bem-vindos! – disse. – Sejam bem-vindos para um novo ano em Hogwarts! Antes de começarmos nosso banquete, eu gostaria de dizer umas palavrinhas: Pateta! Chorão! Destocado! Beliscão! Obrigado.
E sentou-se. Todos bateram palmas e deram vivas. Olhei para e tinha certeza que estava com a mesma dúvida que eu: Rir ou não?
Quando o banquete foi finalizado, tivemos que cantar o hino da escola, e bem, eu só conseguia rir.

Hogwarts, Hogwarts, Hoggy Warty Hogwarts,
Ensina-nos algo, por favor,
Quer sejamos velhos e calvos
Quer moços de pernas raladas,
Temos as cabeças precisadas
De ideias interessantes
Pois estão ocas e cheias de ar,
Moscas mortas e fios de cotão,
Nos ensine o que vale a pena,
Faça lembrar o que já esquecemos
Faça o melhor, faremos o resto,
Estudaremos até o cérebro se desmanchar.


Seguimos o ruivo parente do amigo de Harry - que eu descobri se chamar Percy - por entre os grupos que conversavam, saímos do Salão Principal e eu procurava Luke por todos os lados.
Subimos as escadarias de mármore. Estava cansada demais então desisti de procurar meu primo e continuei a seguir o garoto. Subimos outras tantas escadas, bocejando e arrastando os pés, já estava começando a me perguntar quando chegaríamos quando subitamente paramos de andar. Havíamos chegado ao fim de um corredor onde tinha um quadro de uma mulher muito gorda vestida de rosa.
- Senha? – indagou ela.
- Cabeça de Dragão – disse Percy e o retrato se inclinou para frente revelando um buraco redondo para onde dava para uma sala com aparência de ser confortável, mas como estava muito cansada subi a escada e abri a porta do dormitório que Percy indicou como sendo o feminino, não vi muita coisa. Achei minha cama, coloquei o pijama e dormi, simples como a água.


Capítulo 1

4 anos depois...

Não importava o quanto tentasse não conseguia voltar a dormir, não depois daquele pesadelo terrível.
Era diferente do que tivera no ano anterior, mas o medo era tão parecido ou até mesmo maior, pois sabia que esse seria tão real como o outro.
Nunca conversou por mais de cinco minutos com Cedrico Diggory, mas só parou de chorar dias depois. Nunca conversou mais que o necessário com Harry Potter, mas não se deixou levar pelo Ministério, tanto ela quanto Harry e Dumbledore sabiam da verdade sobre o que aconteceu no final do ano anterior.
Ela só não entendia o porquê desses pesadelos terem começado, nunca passou de uma colega de casa para o trio de ouro e nem queria, estava feliz assim, com e e como melhores amigos, e apesar de não falar com seu primo, Luke Brown, desde que descobriu como ele era realmente, estava feliz, conseguiu diminuir o vazio que inexplicavelmente sentia antigamente.
Passou os três primeiros anos de Hogwarts com algumas detenções e notas ótimas, o seu quarto ano foi perturbador, o lance do Torneio Tribruxo, os pesadelos e a morte do Diggory, e já começou o quinto ano suspeitando que seria tão surpreendente quanto o anterior.
bufou mais uma vez e se levantou, se era para ficar acordada que fosse fazendo algo útil, pegou sua pena e alguns pergaminhos e desceu para o Salão Comunal, talvez escrevesse para os seus pais ou até mesmo para Olívio Wood, o seu melhor amigo que sairá do colégio e, apesar de tê-lo visto no começo e final das férias, sentia sua falta, e foi com esse pensamento que ela começou a escrever.

Caro Olívio,
Como anda os treinos com o Puddlemere United? Gostaria muito de ver seus treinos, mas, infelizmente, estamos longe um do outro.
Minha primeira noite em Hogwarts está sendo um fiasco, meu jantar foi uma piada e perdi o sono por causa de um pesadelo. Não foi igual ao anterior, mas parecia tão real quanto e Potter apareceu de novo, será que ele está envolvido em tudo o que acontece nesse mundo? Só que agora o Prof. Lupin e Sirius Black também apareceram. Você acha que eles são amigos?
Você acredita no Potter sobre Voldemort ter voltado, não é? Eu acredito, mas estou com medo, queria você aqui para me dizer o que sempre dizia:
"Não tenha medo, nada vai lhe acontecer enquanto eu estiver com você".
Mas você não está aqui e eu tenho medo de que algo me aconteça. Não quero parecer uma garotinha frágil, mas estamos falando sobre Voldemort e seus seguidores.
Mudando de assunto, tenho uma novidade nada boa, aparentemente o Ministério está começando a interferir aqui. É, o ano vai ser longo, me deseje sorte.
Acho que é só isso, não foi lá grande coisa. Mande lembranças para Chad e venha me visitar quando puder, mas antes mande uma coruja, você sabe o quanto eu odeio surpresas, mesmo se for você, e traga o Chad, também estou com saudades dele.

Afetuosamente,
.


Só quando terminou de escrever percebeu que já amanhecera, subiu para se trocar e quando voltou ao Salão Comunal, ele estava cheio.
Encontrou que lhe disse que só está a esperando para ir ao Salão Principal, os garotos tinham ido à frente. Com a carta de Olívio no bolso, entrelaçou seu braço com o da amiga e juntas passaram pela Mulher Gorda e foram para o Salão Principal.

Não tenho certeza se o dia vai ser bom, mas eu tinha que enfrentar, nenhum dos três sentados junto de mim sabiam dos pesadelos, porque não quero deixá-los preocupados.
- Como eu amo essa escola – falou depois de uma mordida gigantesca na sua torrada.
- Não fale de boca cheia – reclamei. – , dê mais educação ao seu namorado.
- Ele é meu namorado, não meu filho.
Eu fiz uma careta e olhei para o meu lado, no intuito de mandar o me defender, mas ele comia tão rápido que eu vi à hora dele se engasgar.
- Você tem que comer mais devagar, , assim vai acabar se...
Fui interrompida por uma crise de tosse do garoto ao meu lado e não consegui segurar a gargalhada logo sendo acompanhada pelo meu casal de amigos.
Ficamos tirando onda com ele e rindo até a Profa. Minerva se aproximar, entregando nossos respectivos horários.
Fiz uma careta assim que vi minhas aulas.
- Quem faz esse horário mesmo? Quero encher essa pessoa de porrada – perguntou já recuperado da recente crise de tosse e de riso.
- Acho que é a própria McGonagall – respondeu, o repreendendo com o olhar.
Eu e rimos da careta do .
- Eu até que gostei – disse enquanto sorria sem graça.
Nos quatro rimos altos, chamando a atenção de algumas pessoas.
Depois de um tempo nos levantamos e fomos pegar nossas coisas e seguimos para nossas respectivas aulas.
Minha primeira aula seria de Defesa Contra as Artes das Trevas e cara, como uma mulher consegue ser tão rosa? Eu fico enjoada só de olhar e ela ainda parece uma sapa.
Sentei-me ao lado da Hermione Granger, atrás do Weasley e Potter, já que não tinha outro lugar vago. A sala estava em completo silêncio, ninguém conhecia aquela professora, era uma incógnita.
- Boa tarde, classe! – disse finalmente a coisa rosa (como é o nome dela mesmo?) quando todos estavam sentados.
Alguns murmuraram “boa tarde”, eu fui uma das que ficou calada.
- Tss- tss – muxoxou a professora. – Assim não vai dar, concordam? Eu gostaria que os senhores, por favor, respondessem: “Boa tarde, Profa. Umbridge.” Mais uma vez, por favor. Boa tarde classe!
- Boa tarde Profa. Umbridge – dissemos monotonamente. Agora eu sei o nome dela, mas prefiro coisa rosa, combina mais, não acham?
- Agora sim – disse com meiguice. Eu e Hermione nos olhamos com nojo, sorrimos uma para a outra para não rir. – Não foi muito difícil, foi? Guardem as varinhas e apanhem as penas.
Troquei um olhar assustado com a Granger e vi que alguns outros fizeram o mesmo; nunca à ordem “guardem as varinhas” se seguia uma aula interessante. Enfiei a minha na mochila e peguei a pena, tinta e pergaminho enquanto a sapa rosa abria a bolsa e tirava sua própria varinha, que era excepcionalmente curta –acho que para combinar com seu tamanho-, e com ela deu uma pancada forte no quadro-negro; imediatamente apareceu ali escrito:

Defesa Contra as Artes das Trevas
Um retorno aos Princípios Básicos


- Bom, o ensino que receberam desta disciplina foi um tanto interrompida e fragmentária, não é mesmo? – afirmou a Umbridge, virando-se para nós, com as mãos perfeitamente cruzadas diante do corpo, seus olhos em mim. – A mudança constante de professores, muitos dos quais não pareciam ter seguido nenhum currículo aprovado pelo Ministério, infelizmente teve como consequência os senhores estarem muito abaixo dos padrões que esperaríamos ver no ano dos N.O.M.s.
“Os senhores ficarão satisfeitos de saber, porém, que tais problemas agora serão corrigidos. Este ano iremos seguir um curso de magia defensiva, aprovado pelo Ministério e cuidadosamente estruturado em torno da teoria. Copiem o seguinte, por favor.”
Como assim em “torno da teoria”?
Ela tornou a bater no quadro; a primeira mensagem sumiu e foi substituída por “Objetivos do Curso”.

1. Compreender os princípios que fundamentam a magia defensiva.
2. Aprender a reconhecer as situações em que a magia defensiva pode legalmente ser usada.
3. Inserir o uso da magia defensiva em contexto de uso.


Por alguns minutos o único som ouvido era o de penas arranhando pergaminhos. Depois que todos terminaram, ela perguntou:
- Todos têm um exemplar de Teoria da magia defensiva de Wilbert Slinkhard?
Alguns murmuraram baixo em concordância.
- Acho que vou tentar outra vez - disse ela. - Quando eu fizer uma pergunta, gostaria que os senhores respondessem: "Sim, senhora, Profa. Umbridge" ou "Não, senhora, Profa. Umbridge". Então: Todos têm um exemplar de Teoria da magia defensiva de Wilbert Slinkhard?
Ir à merda ninguém gostaria, não é Profa. Umbridge?
- Sim, senhora, Profa. Umbridge.
- Ótimo. Eu gostaria que os senhores abrissem na página cinco e lessem o capítulo um, "Elementos Básicos para Principiantes". Não precisam falar.
- Nem pensar - falei para mim e Hermione me olhou como se concordasse, eu quase ri. Quase.
Umbridge deu as costas ao quadro e se acomodou na cadeira, à escrivaninha, nos observando, com aqueles olhos empapuçados de sapo, abri meu livro, mas não me dei ao trabalho de ler, fiquei olhando Granger que nem abrira o livro e mantinha uma mão levantada.
Vários minutos depois e eu já não era mais a única que olhava Hermione. O capítulo devia ser tão tedioso que tinha um número cada vez maior de alunos preferindo observar a muda tentativa da garota ser notada pela professora a continuar penando para ler os "Elementos Básicos para Principiantes".
Quando mais da metade da classe estava olhando para Hermione e não para os livros, a coisa pareceu decidir que não podia continuar a ignorar a situação.
- Queria me perguntar alguma coisa sobre o capítulo, querida? - perguntou ela a Hermione, como se tivesse acabado de reparar nela. Falsa.
- Não, não é sobre o capítulo - respondeu.
- Bem, é o que estamos lendo agora - disse a sapa, mostrando seus dentes estranhos. - Se a senhorita tem outras perguntas, podemos tratar delas no final da aula.
- Tenho uma pergunta sobre os objetivos do curso - disse Hermione.
Umbridge ergueu as sobrancelhas.
- E como é o seu nome?
- Hermione Granger.
- Muito bem, Srta. Granger, acho que os objetivos do curso são perfeitamente claros se lidos com atenção - respondeu em um tom de intencional meiguice. Como eu já disse antes, falsa.
- Bem, eu não acho que estejam - concluiu Hermione secamente, eu quase ri. Quase. - Não há nada escrito no quadro sobre o uso de feitiços defensivos.
Houve um breve silêncio em que muitos viravam a cabeça para reler. Pelo menos alguém notou logo de cara como eu.
- O uso de feitiços defensivos? - repetiu Umbridge, dando uma risadinha. – Ora, não consigo imaginar nenhuma situação que possa surgir nesta aula que exija o uso de um feitiço, Srta. Granger. Com certeza não está esperando ser atacada durante a aula, está?
Na verdade, estou!
- Não vamos usar magia? – perguntou Weasley, em voz alta.
- Os alunos levantam a mão quando querem falar na minha aula, Sr...?
- Weasley – respondeu Ronald, erguendo a mão no ar.
A coisa, ampliando o seu sorriso, virou as costas para nos. Harry, Hermione e eu imediatamente erguemos as mãos também. Os olhos empapuçados da professora se detiveram por um momento em Harry, antes de se dirigir a Hermione.
- Sim, Srta. Granger? Quer me perguntar mais alguma coisa?
- Quero. Certamente a questão central de Defesa Contra as Artes das Trevas é a prática de feitiços defensivos.
- A senhorita é uma especialista do Ministério da Magia, Srta. Granger?
- Não, mas...
- Bem, então, receio que não esteja qualificada para decidir qual é a “questão central” em nenhuma disciplina. Bruxos mais velhos e mais inteligentes que a senhorita prepararam o nosso novo programa de estudos. A senhorita irá aprender a respeito dos feitiços defensivos de um modo seguro e livre de riscos...
- Para que servirá isso? – perguntou Harry, em voz alta. – Se formos atacados, não será em um...
- Mão, Sr. Potter! – entoou a Profa. Umbridge.
Harry empunhou o dedo no ar. Mais uma vez, a professora prontamente lhe deu as coisas, mas agora vários outros alunos tinham erguido as mãos.
- E o seu nome é? – perguntou a professora a Dino.
- Dino Thomas.
- Diga, Sr. Thomas.
- Bem, é como disse o Harry, não é? Se vamos ser atacados, então não será livre de riscos.
- Repito – disse a professora, sorrindo para Dino de modo muito irritante -, o senhor esperar ser atacado durante as minhas aulas?
- Não, mas...
A Profa. Umbridge interrompeu-o.
- Não quero criticar o modo como as coisas têm sido conduzidas nesta escola – disse ela, um sorriso pouco convincente distendendo sua boca rasgada -, mas os senhores foram expostos a alguns bruxos muito irresponsáveis nesta disciplina, de fato muito irresponsáveis, isto para não falar – ela deu uma risadinha desagradável – em mestiços extremamente perigosos.
- Se a senhora está se referindo ao Prof. Lupin – disse, zangada, esganiçando a voz -, ele foi o melhor que já...
- Mão, Srta...?
- Smith – respondi num resmungo.
- Como eu ia dizendo: os senhores foram apresentados a feitiços muito complexos, impróprios para a sua faixa etária e potencialmente letais. Alguém os amedrontou, fazendo-os acreditar na probabilidade de depararem com ataques das trevas com frequência...
- Não, isso não aconteceu – protestei –, só que...
- Sua mão não está erguida, Srta. Smith!
Eu ergui a mão, mas a coisa virou-me as costas. Vadia.
- Pelo que entendi o meu antecessor não somente realizou maldições ilegais em sua presença, como chegou a aplicá-las nos senhores.
- Ora, no fim ficou provado que ele era um maníaco, não foi? – respondeu Dino, acalorado. – E veja bem, ainda assim aprendemos um bocado.
- Sua mão não está erguida, Sr. Thomas! – gorjeou a professora. Juro que se ela falar isso de novo eu pulo no pescoço dela. – Agora o Ministério acredita que um estudo teórico será mais do que suficiente para prepará-los para enfrentar os exames, que, afinal, é para o que existe a escola. E o seu nome é? – acrescentou ela, fixando seu olhar numa garota que, se eu não me engano, dividia o dormitório comigo, que acabara de ergue a mão.
- Parvati Patil, e não tem uma pequena parte prática no nosso N.O.M. de Defesa Contra as Artes das Trevas? Não temos de demonstrar que somos capazes de realizar contrafeitiços e coisas assim?
- Desde que tenho estudado a teoria com muita atenção, não há razão para não serem capazes de realizar feitiços sob condições de exame cuidadosamente controladas – respondeu a coisa, encerrando o assunto, mas como eu sou teimosa.
- Sem nunca ter praticado os feitiços antes? – perguntei incrédula. – A senhora está nos dizendo que a primeira vez que poderemos realizar feitiços será durante o exame?
- Repito, desde que tenham estudado a teoria com muita atenção...
- E para que vai servir a teoria no mundo real? – perguntou Harry em voz alta, seu punho mais uma vez no ar.
A Profa. Umbridge ergueu a cabeça.
- Isto é uma escola, Sr. Potter, não é o mundo real – disse mansamente.
- Então não devemos nos preparar para o que está nos aguardando lá fora?
- Não há nada aguardando lá fora, Sr. Potter.
- Ah, é? – a raiva de Harry, que parecia borbulhando sob a superfície o dia todo, agora começou a atingir o ponto de ebulição.
- Quem é que o senhor imagina que queira atacar crianças de sua idade? – perguntou a professora, num tom horrivelmente meloso.
- Humm, vejamos... – disse Harry e dava para perceber sua voz fingidamente pensativa. – Talvez... Lorde Voldemort?
Rony ofegou. Lilá Brown soltou um gritinho. Neville escorregou pelo lateral do banco. A Profa. Umbridge, porém, nem sequer piscou. Estava encarando Harry com uma expressão de sinistra satisfação no rosto.
- Dez pontos perdidos para a Grifinória, Sr. Potter.
A sala ficou parada e em silêncio. Todos olhavam para Umbridge ou para Harry.
- Agora gostaria de deixar algumas coisas muito claras.
A Profa. Umbridge ficou em pé e se curvou para a turma, suas mãos de dedos grossos e curtos abertas sobre a escrivaninha.
- Os senhores foram informados de que um certo bruxo das trevas retornou do além...
- Ele não estava morto – protestou Harry zangado -, mas, sim senhora, ele retornou!
- Sr-Potter-o-senhor-já-fez-sua-casa-perder-dez-pontos-não-piore-as-coisas-para-si-mesmo – disse a professora sem parar para respirar e sem olhar para ele. – Como eu ia dizendo, os senhores foram informados de que um certo bruxo das trevas está novamente solto. Isso é mentira.
- NÃO é mentira! – disse Harry. – Eu o vi, lutei com ele.
- Detenção, Sr. Potter! – disse a Profa. Umbridge, em tom de triunfo. – Amanhã à tarde. Cinco horas. Na minha sala. Repito isso é uma mentira. O Ministério da Magia garante que não estamos ameaçados por nenhum bruxo das trevas. Se os senhores continuam preocupados, não se acanhem, venham me ver quando estiverem livres. Se alguém está alarmando os senhores com lorotas sobre bruxos das trevas renascidos, eu gostaria de ser informada. Estou aqui para ajudar. Sou uma amiga. E agora, por favor, continuem sua leitura. Página cinco. “Elementos Básicos para Principiantes”.
A Profa. Umbridge sentou-se à escrivaninha. Harry, no entanto, se levantou. Todos o olhavam; Simas parecia meio apavorado, meio fascinado.
- Harry, não! – sussurrou Hermione, em tom de alerta, mas eu não prestei muita atenção, num impulso fiquei em pé, alguns olharam para mim.
- Então, segunda a senhora, Cedrico Diggory caiu morto porque quis, foi? – perguntei e me assustei, não pareci ser a única, não era a minha intenção falar aquilo, mas aquela mulher estava me dando nos nervos.
A turma prendeu coletivamente a respiração, porque ninguém desconfiava que eu o conhecesse muito menos que eu sabia de algo. Hermione, Harry e Ronald me olharam como se nunca tivessem me visto. Alguns olhavam avidamente para Harry, outros me olhavam curiosamente, a professora ergueu os olhos e encarava tanto a mim como a ele sem o menor vestígio do falso sorriso no rosto.
- A morte de Cedrico Diggory foi um trágico acidente – disse ela, com frieza.
- Foi assassinato – disse Harry. Olhei para ele atentamente, nunca o ouvi falar nada sobre esse assunto. – Voldemort o matou, e a senhora sabe disso.
O rosto da Profa. Umbridge estava inexpressivo. Por um momento, eu pensei que ela fosse berrar. Então ela falou, com a sua voz mais macia, mais meiga e mais infantil:
- Venha cá, Sr. Potter, querido.
Ele chutou sua cadeira para o lado enquanto eu me sentava, contornou a mim, Hermione e Ronald e foi à escrivaninha da professora. Toda a sala prendia a respiração.
A Profa. Umbridge puxou um pequeno rolo de pergaminho cor-de-rosa da bolsa, esticou-o sobre a escrivaninha, molhou a pena no tinteiro e começou a escrever curvada sobre o pergaminho. Ninguém falava. Passado um minuto e pouco, ela enrolou o pergaminho e lhe deu um toque com a varinha; ele se selou, sem emendas.
- Leve isto à Profa. McGonagall, querido – disse estendendo a ele o bilhete.
Harry apanhou-o sem dizer uma palavra e saiu da sala, sem olhar para ninguém, batendo a porta ao passar.
- Acho que o Sr. Potter precisa ir visitar o St. Mungus - comentou Umbridge como quem não que nada.
Senti Hermione ficar tensa ao meu lado e escrevi em um pedaço de pergaminho: "Pode parecer meio obvio, mas eu acredito nele". Ela sorriu de lado.
- Voltem a leitura - mandou a coisa rosa e ouvi resmungo de protesto da sala toda, mas voltaram a ler. Nem eu nem Hermione fizemos o que ela mandou, ficamos conversando pelo pergaminho até a sineta tocar.


Capítulo 2

Quando a sineta tocou, Hermione me esperou em frente a porta e me acompanhou até o Salão Principal em silêncio, mas quando eu fiz menção de ir até onde meus amigos estavam, a garota me puxou para onde Potter, Ronald e seus irmãos gêmeos conversavam.
- O que você acha que está fazendo? - perguntei me soltando dela. Nunca nos falamos e só porque odiamos a mesma professora ela acha que somos melhores amigas? Por Merlin, essa garota só pode estar tendo alucinações.
- Achei que você podia passar o almoço com a gente.
- Me desculpe lhe decepcionar, mas estou muito bem com meus amigos e sem esses olhares horrorizados direcionados para mim - eu disse, apontando descaradamente para as pessoas que me olhavam horrorizados, como se estar com eles não fosse algo para mim. - Posso acreditar no que Potter diz, apoiar vocês contra a Coisa ou até mesmo forma um grupo contra ela com vocês, mas não quer dizer que somos amigos.
Virei-me e sai de perto dela.
A maioria das pessoas olhava para mim com os olhos arregalados e a boca aberta num perfeito 'O' enquanto eu passava indo na direção dos meus amigos, e se eu não estivesse com raiva teria rindo.
Sentei-me ao lado de e coloquei um pouco de tudo que tinha ao meu redor no meu prato, coloquei meio copo de suco de abóbora e quando levantei a cabeça para beber um pouco percebi que meus amigos ainda me olhavam, e por trás deles vi o trio de ouro conversando entre sussurros e o Potter me olhando com as suas sobrancelhas arqueadas, como se tentasse me desvendar com o olhar. Boa sorte!
- O que aconteceu ali? - quebrou o silêncio me fazendo acorda do meu pequeno transe.
- Nada.
Ninguém falou nada e aos poucos voltaram a se concentrar nas suas respectivas comidas. Ficamos assim, calados, até dar a hora de irmos de volta para nossas respectivas aulas.
O jantar no Salão Principal àquela noite não foi uma experiência agradável. A notícia sobre a minha discussão com Hermione se espalhara com excepcional velocidade, mesmo para os padrões de Hogwarts. Eu ouvia cochichos a toda volta enquanto comia sentada entre e . Apesar de muito mais pessoas cochicharem a respeito do torneio de gritos de Potter com a Umbridge e não pareciam se importar que ele ouvisse o que diziam a seu respeito. Muito ao contrário, pareciam esperar que ele se zangasse e recomeçasse a gritar, para poderem ouvir a história em primeira mão.
Esse era apenas mais um dos motivos para eu não conversar com ele, apesar de ser completamente inapropriado já que eu também estou sendo alvo de críticas e fofocas.
- Srta. !
Olhei para cima para poder ver quem me chamava e dei se cara com a Coisa. Merlin, isso já é perseguição de menor, no mundo trouxa isso dá cadeia, cadê a justiça?
- Sim?
- Poderia me acompanhar, por favor? - ela falou com a voz falsamente meiga, concordei com um gesto de cabeça e ela saiu andando na frente.
Antes de ir, fingi vomitar para meus amigos que riram.
Fui seguindo ela pelo Salão Principal enquanto olhavam para mim, vi Luna Lovegood, entretida, comendo um pedaço do pudim, dei um sorriso pequeno. Vi Malfoy rindo com Goyle e Crabbe enquanto olhavam para mim. Vi Dino e Simas fazendo cara de assustados para mim e rindo logo depois, tive que me segurar para não rir. Então eu vi o trio de ouro, Granger me olhava confusa, Weasley segurava um pedaço da coxa da galinha na frente da sua boca e Potter me fitava do mesmo jeito que fez no almoço.
Sinceramente, eu estava adorando ser o centro das atenção, apesar de saber que assim que eu passar pelas grandes portas, eles vão se virar um para o outro e fofocar, se perguntado o porquê de eu estar seguindo a Coisa.
Assim que passei pela porta do escritório da Coisa eu senti vontade de vomitar. Pense num quarto pintado de rosa, agora em objetos de quarto rosa, agora junte os dois e multiplique por mil, pronto? Não vai chegar nem na metade do que era aquele lugar.
As superfícies tinham sido protegidas por capas de rendas e tecidos. Havia vários vasos de flores secas, cada um sobre um paninho, e, em uma parede, havia uma coleção de pratos decorativos, estampados com enormes gatos em tecnicolor, cada um com um laço diferente ao pescoço. Eram tão hediondos que fiquei mirando-os enquanto me sentava até a Profa. Umbridge tornar a falar.
- Você tem algo contra mim, querida?
Além do fato de você ser incrivelmente falsa, querer acabar com tudo de bom que DCADT tem, me irritar profundamente e ter a terrível mania de se vestir completamente de rosa? Não, acho não. Mas isso foi só o que eu queria falar, na verdade, o que eu falei foi algo como:
- Não conheço a senhora direito, como posso ter algo contra?
- Ah, querida. Alguns alunos vieram ao meu encontro para contar algo que eles ouviram você dizer, tem certeza que você não tentaria formar um grupo contra o Ministério?
Cara, juro que mato cada fofoqueiro que eu ver pela frente, sem me importa se foi ele ou não que falou para essa coisa rosa o que eu disse.
- Sim, senhora, Profa. Umbridge - falei fazendo minha melhor cara de inocente.
- Tem certeza?
Não.
- Sim.
Ela me olhou por um instante como se tentasse me desvendar e, por algum motivo, lembrei do Potter. Então ela desviou o olhar para uma xícara que estava em cima da sua mesa, na minha frente.
- Gostaria de uma xícara de chá, Srta. ?
- Desculpe professora, mas vou ter que recusar, estou bastante cansada e tenho que terminar alguns deveres incompletos - me levantei e caminhei até a porta. - Tenha uma boa noite.
Fui para a Sala Comunal e depois para meu dormitório, dormi assim que me joguei na cama.
Esse foi o primeiro dia em Hogwarts mais devagar da história.
O dia seguinte amanheceu tão escuro e chuvoso quanto o anterior. Fui correndo no Corujal, precisava mandar a carta para Olívio antes do café da manhã ou então esqueceria de novo.
- Onde você estava? - me perguntou quando nos encontramos em um dos muitos corredores que levam até o Salão Principal. – Não me diga que já pegou uma detenção com a Profa. Umbridge ontem à noite.
- Você tem uma imagem muito ruim minha – disse enquanto o olhava, ele riu. Riu! – E eu estava no Corujal.
- Me deixe adivinha, Olívio?
Eu simplesmente corei e concordei com a cabeça, tentando esconder meu rosto, mas ele acabou vendo e riu, mas como esse garoto está abusado.
Entramos no Salão Principal e ainda ria da minha cara. e estavam sentados no lugar mais afastado possível. Assim que nos sentamos – ao lado de e eu, do irmão dela- eles perguntaram por que da risada.
- Olívio!
Então os três estavam rindo e tirando onda da minha cara, fingi um bocejo e me servi um pouco de suco de abobora, sou viciada nesse suco. Não falei mais com eles o resto do café, mas eles só pararam de rir de mim quando finalmente fomos para nossas aulas.
Aos dois tempos de Feitiços, seguiram-se outros dois de Transfiguração. O Prof. Flitwick e a Profa. McGonagall passaram os primeiros quinze minutos de suas aulas falando à turma sobre a importância dos N.O.M.s.
- O que vocês precisam lembrar - disse o pequeno Prof. Flitwick, com sua voz de ratinho, encarrapitado como sempre em uma pilha de livros para poder ver por cima do tampo da mesa - é que esses exames podem influenciar o seu futuro durante muitos anos! Se vocês ainda não pensaram seriamente em suas carreiras, agora é o momento de o fazerem. Entrementes, receio que iremos trabalhar com mais afinco que nunca, para garantir que vocês possam provar o que valem!
Depois dessa introdução, ele passou mais de uma hora recordando os Feitiços Convocatórios, que, segundo o Prof. Flitwick, cairiam com certeza nos exames, e ele arrematou a aula passando a maior quantidade de deveres de Feitiços que eu já havia recebido.
Em Transfiguração, foi igual, se não pior.
- Vocês não podem passar nos exames - disse a Profª McGonagall muito séria - sem se aplicarem seriamente ao estudo e à prática. Não vejo razão alguma para alguém nesta classe deixar de passar no N.O.M. de Transfiguração, se trabalhar como deve. - Neville fez um muxoxinho de descrença. - E você também, Longbottom. Não há nenhum problema com o seu trabalho a não ser sua falta de confiança. Então... hoje vamos começar a estudar os Feitiços de Desaparição. São mais fáceis do que os Conjuratórios, que normalmente vocês não experimentariam até os N.I.E.M.s, mas estão incluídos entre as mágicas mais difíceis que serão exigidas nos N.O.M.s.
McGonagall tinha razão; achei os Feitiços de Desaparição difíceis, mas não impossível. No final do segundo tempo de aula, eu havia conseguido fazer a minha lesma desaparecer um pouco depois de Hermione conseguir fazer a dela desaparecer, com êxito, na terceira tentativa, ganhando, da professora, dez pontos para Grifinória. Fomos às únicas pessoas que não receberam dever de casa; todos os outros receberam ordem de praticar o feitiço e se preparar para uma nova tentativa com as lesmas na tarde seguinte.
O dia se tornara frio e ventoso, e quando descia o gramado em direção a cabana de Hagrid, depois do almoço para a aula de Trato das Criaturas Mágicas, na orla da floresta proibida, senti pingos de chuva no rosto. A Profa. Grubbly-Plank aguardava a turma a uns dez metros da porta da porta de entrada de Hagrid, em pé diante de uma longa mesa de cavalete cheio de... Tronquilhos?
Fui acordada dos meus pensamentos por grandes gargalhadas; ao me virar, vi Malfoy, que vinha na minha direção, cercado pela gangue de sempre de colegas da Sonserina. Obviamente, disse algo muito engraçado, porque Crabbe, Goyle, Parkinson e os demais continuaram a rir gostosamente ao se reunirem em torno da mesa, e como eu sou sortuda, ele ficou bem ao meu lado. Eu não precisava seguir seu olhar para saber para quem olhava, afinal, o que seria de Malfoy sem o Potter para sofrer suas brincadeiras?
- Todos presentes? – perguntou em tom seco a Profa. Grubbly-Plank, quando os alunos da Sonserina e Grifinória finalmente chegaram. – Vamos começar logo, então. Quem é capaz de me dizer o nome dessas coisas?
A professora indicou o montinho de Tronquilhos sobre a mesa. A mão da Granger se ergueu. Ao meu lado, Malfoy fez uma imitação dentuça dela dando pulinhos de ansiedade para responder as perguntas. Pansy teve um acesso de riso que se transformou quase num grito, quando os Tronquilhos sobre a mesa saltaram no ar e revelaram se parecer com minúsculos diabretes de madeira, cada um com nodosos braços e pernas marrom, dois dedos de graveto na ponta das mãos e uma cara gaiata e achatada que me lembrava cortiça, em que brilhavam dois olhinhos de besouro.
- Uhhhhh! - exclamaram Parvati e Lilá, me irritando completamente. Parecia que nunca haviam colocado os olhos em outro animal mágico.
- Por favor, falem baixo, meninas! - disse a Profª Grubbly-Plank energicamente, espalhando um punhado de algo parecido com arroz integral entre os bichos-gravetos, que imediatamente atacaram a comida. - Então... alguém sabe o nome desse bichos? Srta. Granger?
- Tronquilhos - respondeu Hermione. - São guardiões de árvores, em geral vivem em árvores próprias para varinhas.
- Cinco pontos para a Grifinória - disse a Profª Grubbly-Plank. - São tronquilhos, como disse corretamente a Srta. Granger, em geral vivem em árvores que fornecem material de qualidade para varinhas. Alguém sabe o que eles comem?
- Bichos-de-conta – respondeu prontamente Hermione. – E também ovos de fada, quando conseguem encontrá-los.
- Muito bem, garota. Fique com mais cinco pontos. Portanto, sempre que precisarem da madeira de uma árvore em há tronquilhos alojado, é bom levar um presente de bichos-de-contas á mão para distrair ou aplacar sua guardião. Eles podem não parecer perigosos, mas, se forem irritados, tentarão arrancar os olhos da pessoa com os dedos, que, como vocês veem, são muito afiados e nem um pouco desejáveis perto dos olhos. Então, se vocês querem se aproximar um pouco mais, apanhem uns bichos-de-contas e um tronquilhos. Tenho aqui o suficiente para dividi-los por grupos de três, vocês podem estudá-los com mais atenção. Quero que façam individualmente um esboço com todas as partes do corpo identificadas, até o final da aula.
Dividimos-nos em trios e eu fiz de tudo para poder sentar longe de qualquer outro grupo, Simas e Dino, que eram da minha equipe, concordaram.
O resto da aula foi normal, pra minha equipe pelo menos. Quando a sineta tocou, ecoando pelos terrenos da escola, eu enrolei meu lindo desenho, entreguei a professora junto com Simas e Dino e seguimos para a aula de Herbologia.
Fomos conversando e andando pelos canteiros de hortaliças, bem atrás do trio. O céu continuava incapaz de decidir se queria chover ou não chover.
A porta da estufa mais próxima se abriu e alguns alunos do quarto ano saíram, inclusive Gina Weasley.
- Oi – disse ela, alegremente, ao passar. Alguns segundos depois, saiu Luna, atrás do resto da turma, o nariz sujo de terra e os cabelos loiros amarrados em um nó no alto da cabeça. Quando viu Potter, seus olhos salientes pareceram se arregalar de excitação, e ela traçou uma reta até ele. Algumas pessoas da minha turma a olhavam com expressões curiosas. Luna inspirou profundamente e anunciou, sem sequer dar um alô preliminar:
- Acredito que Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado retornou, e acredito que você lutou com ele e conseguiu fugir.
- Hum... certo – disse Harry e eu achei que ele não deveria só falar aquilo, afinal, poucas pessoas acreditavam nele, então ele devia se sentir realmente agradecido quando alguém confessava, para quem quisesse ouvir, que não achava ele um mentiroso sem tamanho.
Luna estava usando brincos que pareciam rabanetes cor de laranja, algo que Parvati e Lilá pareciam ter notado, porque davam risadinhas e apontavam para as orelhas dela. Tive que morder a língua para não xingá-las de nomes feios.
Então eu simplesmente entrei na estufa, sem deixar, é claro, de esbarrar nas duas idiotas.
Não foi surpresa para ninguém que a Profa. Sprout começasse a aula fazendo um discurso sobre a importância dos N.O.M.s. Eu podia ser do tipo estudiosa, mas gostaria muito que todos os professores parassem com aquilo; estava começando a ter ataques de ansiedade cada vez que me lembrava da quantidade de deveres que ainda tinha que fazer e essa sensação piorou drasticamente quando a professora de Herbologia passou mais um trabalho no final da aula. E quando, cansados e exalando um forte cheiro de bosta de dragão, marchamos de volta ao castelo, sem querer muita conversa; fora mais um longo dia.
Apesar de estar esfomeada, fui me encontrar com meus amigos no Salão Comunal da Grifinória para irmos juntos.
Quando cheguei lá, eles quase pularam em cima de mim, e eu aposto que eles realmente fariam isso se eu não estivesse fedendo a bosta. Eles me deixaram tomar banho antes de irmos comer e quando eu estava cheirosa e linda novamente, saímos.
Nós sentamos no lugar de sempre e comemos muito -como sempre-, algumas meninas tentaram dar em cima do , mas a as expulsou, o que foi bastante engraçado.
Voltamos para o Salão Comunal, conversamos um pouco e então eu fui a primeira a ceder ao sono, fui dormir.
Eu acabei não fazendo as atividades de Runas, Aritmância ou Estudo dos Trouxas, tampouco o de Herbologia.
Dispensei o café da manhã no dia seguinte para poder terminar todos os trabalhos já que eu teria a primeira aula vaga. me fez companhia na aula vaga, porque ele não perderia seu maravilhoso café da manhã por causa de estudos.
O meu dia foi como os do ano anterior, tão calmos e produtivos como qualquer outro, apesar de ter ganhado mais deveres eu, obviamente, terminaria naquela mesma noite enquanto conversava com , e .
A quinta-feira transcorreu em um atordoamento de cansaço, voltei até os pesadelos do verão, mas -para a felicidade da nação- Olívio respondeu minha carta, disse que eu devesse contar a ele quando fosse o próximo passeio por Hogsmeade, pois ele tentaria passar por aqui, chamaria Chad, mas eu não deveria esperar muito daquele garoto, ele anda treinando tanto que mal come ou dorme. Você deve imaginar que eu fiquei extremamente feliz pelo resto do dia, certo?
Mas não se engane, minha felicidade durou até ver aquela maligna, pervertida, louco e velha Umbridge andando livremente pelos corredores do castelo.
Jamais considerei antes a possibilidade de que poderia haver um professor pior no mundo que eu odiasse mais do que eu odiei Gilderoy, mas enquanto ia para a Torre da Grifinória tive que admitir que encontrei um ser tão desprezível quanto o professor do segundo ano.
A sexta-feira amanheceu sombria e encharcada como o resto da semana. Apesar de adorar Hogwarts e magia, eu agradeci mil vezes a Merlin por já ser sexta, nunca tive uma primeira semana tão ruim nessa escola.
Não fui para o Salão Principal naquela noite, voltei para a Torre da Grifinória, mesmo sabendo que teria que escutar com seus sermões sobre minha alimentação, mas eu tinha que colocar meus estudos em dia, não podia me dar ao luxo de ficar desorganizada e tirar péssimos N.O.M.s.
Eu sabia que hoje seria o teste para o time, Angelina havia me comunicado, mas eu não iria participar de nenhum grupo extracurricular, mesmo tendo feito muito sucesso no ano anterior -o único que eu participei.
Mas foi uma surpresa enorme quando alguns garotos com cabeças baixas entraram e logo depois garotos pulando, para fechar a 'fila', três garotos ruivos entravam comemorando.
Começaram uma gritaria sem tamanho, então eu decidi subir e descansar um pouco, pois eu sabia que logo meus amigos iriam passar pelo retrato da Mulher Gorda e eu não estava com saco para ouvi-los conversando.
Fiz minha higiene e fui me deitar, dormi assim que encostei minha cabeça no travesseiro.
Fui a primeira a acorda do meu dormitório na manhã seguinte. Continuei deitada até o tédio realmente bater e eu ter certeza que não iria voltar a dormir, apesar de continuar com preguiça. A primeira semana do trimestre parecia ter se arrastado numa eternidade, como uma gigantesca aula de História da Magia.
A julgar pelo silêncio modorrento e o frescor do raio do sol, devia ter acabado de amanhecer, fiquei me questionando o porque de ter acordado tão cedo até minha velha amiga, ou, se preferir, a fome veio me visitar e eu finalmente decide levantar.
Me troquei e desci para o Salão Comunal, encontrando lá o Potter.
- Bom dia! - cumprimentei e ele olhou na minha direção com o cenho franzido.
- Bom dia!
Ele olhou para o pergaminho que segurava e depois voltou a olhar para mim. Nem preciso dizer que não entendi nada, certo?
- Eu sei que você não gosta de mim, mas poderia me fazer um favor?
Juro que pensei em responder não, mas eu cometi o erro de olhar em seus olhos, aqueles olhos puros que davam para ver o tão inocente e ao mesmo tempo perigoso aquele ato podia ser. Quem disse que eu consegui negar a ele aquele pedido.
Simplesmente concordei com a cabeça e fui até ele que me entregou uma carta. Li e não entendi nada.
- Era pra fazer algum sentido para mim? - perguntei seca.
- Então você não entendeu nada?
- Não sei se isso é bom, mas não, não entendi absolutamente nada.
- Ótimo! - ele suspirou e me deu um pequeno sorriso antes de se levantar. - Tenho que despachar a Edwiges para Sir... Snuffles.
Juro que eu tentei, mas não consegui, era engraçado então soltei uma risada e o Potter riu também. Quando eu percebi estávamos ofegantes por causa de uma crise de risos.
Eu posso não ser uma fã do Potter, mas que ele é fofo e eu não posso negar.
- Tudo bem.
- Você vai ficar aí? - perguntou ele.
- Sim, meus amigos vão demorar a acorda e eu não estou com sono.
Eu suspirei e olhei a lareira, ainda apagada.
- Porque não vem comigo? Depois podemos ir tomar café da manhã - ele perguntou, brincando com a borda do pergaminho. Eu olhei para ele com a sobrancelha levantada.
- Pode ser.
Levantei-me ainda pensando nos prós e contras da minha escolha, mas assim que passamos pelo quadro da Mulher Gorda, Harry começou um assunto qualquer e eu devo confessar que não era de todo mal.
O sol já ia alto quando entramos no Corujal, e a falta de vidros nas janelas ofuscou minha visão; grossos raios prateados de sol cortavam em todos os sentidos o recinto circular, em que centenas de corujas se aninhavam nas traves, um tanto incomodadas com a luz matinal, algumas visivelmente recém-chegadas da caça. O chão coberto de palha produzia um ruído de trituração enquanto Harry caminhava sobre pequenos ossos de animais, à procura de sua coruja.
— Ah, aí está você — exclamou ao localizá-la perto do teto abobadado. — Desça, tenho uma carta para você.
Com um pio suave, ela abriu as grandes asas brancas e voou para o ombro dele. Ela é realmente muito bonita.
Ele cochichou algo para a coruja enquanto amarrava a carta em sua pata. A coruja piscou os olhos cor de âmbar uma vez.
— Faça um vôo seguro, então — desejou-lhe Harry, e levou-a até uma das janelas; fazendo uma pressão momentânea em seu braço, a coruja levantou vôo para o céu excepcionalmente claro. Observamos a ave até ela se transformar num pontinho negro e desaparecer, mas continuei olhando para o céu azul.
As copas das árvores da Floresta Proibida balançavam a brisa suave, saboreando o ar fresco que batia em meu rosto pensei em como minha família deveria estar e em Olívio.
A porta do Corujal se abriu às nossas costas. Ele pulou assustado e nos viramos depressa, vi Cho Chang segurando uma carta e um embrulho nas mãos.>br> — Oi — disse Harry automaticamente.
— Ah... oi — respondeu ela ofegante. — Não achei que houvesse alguém aqui em cima tão cedo... Só me lembrei há cinco minutos que é aniversário da minha mãe.
Ela mostrou o embrulho.
— Certo — comentei. Nunca gostei dela, para mim ela é metida e sem graça, mas com o acontecimento do ano anterior nós conversamos um pouco, tudo bem que isso só me fez confirma minhas expectativas sobre ela, mas meu desgosto por ela diminuiu um pouco. Bem pouquinho mesmo.
— Dia bonito — disse Harry, fazendo um gesto abrangendo as janelas. E aí eu soube que ele gosta dela.
— É — concordou Cho, procurando uma coruja adequada. — Boas condições para o Quadribol. Não saí a semana toda, e vocês?
— Também não — disse Harry, enquanto eu negava com a cabeça.
Cho escolheu uma das corujas-de-igreja. Induziu-a a descer e pousar em seu braço, onde a ave esticou a perna de boa vontade para ela poder prender o embrulho.
— Ah, Grifinória já tem um novo goleiro?
— Tem. É o meu amigo Rony Weasley, você o conhece?
— Aquele que odeia torcedores dos Tornados? — perguntou Cho, sem se alterar. — Ele é bom?
— É, acho que é. Mas não vi o teste dele, estava cumprindo uma detenção.
Cho ergueu a cabeça, ainda sem terminar de prender o embrulho à perna da coruja.
— Aquela tal Umbridge não presta — disse, baixando a voz. — Lhe dar uma detenção só porque você disse a verdade sobre... sobre a morte dele. Todo o mundo soube, a escola inteira comentou. Você foi realmente corajoso ao enfrentá-la daquele jeito.
Acho que eu consegui ouvir o coração de Harry de onde eu estava, mas eu fiquei em dúvida, já que eu já estava do lado de fora do Corujal e ouvia a conversa em um tom mais baixo do que antes. Achei melhor sair antes que a situação ficasse mais constrangedora, e era uma ótima oportunidade para fugir do garoto e não precisar comer junto com ele.
Vi Filch passar correndo para o Corujal quando eu já estava mais longe.


Capítulo 3

Harry chegou uns dez minutos depois de mim no Salão Principal e foi direto se sentar com seus amigos, assim que se sentou olhou para mim e lançou um sorriso de lado, retribui.
Quando percebi o que fiz arregalei os olhos e ele riu, O DESGRAÇADO RIU!
- Porque você e o Potter trocaram sorrisos? - perguntou no meu ouvido e eu pulei de susto.
- Aí meu Merlin, você não pode assustar as pessoas desse jeito, - falei enquanto os meus três amigos riam. - Vocês são incrivelmente chatos.
- Mas você nos ama do mesmo jeito - falou me abraçando de lado enquanto mordia minha bochecha, eu soltei um gritinho que foi escondido pela chegada do correio.
Como sempre, o Profeta Diário veio voando na direção de no bico de uma coruja-das-torres, que pousou perigosamente próxima do meu suco, e estendeu a perna. Colocou um nuque na bolsinha de couro, apanhou o jornal e esquadrinhou a primeira página, criticamente, enquanto a coruja levantava vôo.
- Alguma coisa interessante? — perguntei. riu, sabendo que eu estava mais interessada em impedir que ele voltasse a me perguntar sobre o Potter.
- Não — suspirou ela —, só uma bobagem sobre o baixista da banda As Esquisitonas que vai casar.
abriu o jornal e desapareceu atrás de suas páginas. concentrou-se em se servir de uma nova porção de ovos com bacon. examinava as janelas superiores do salão, parecendo ligeiramente preocupado, provavelmente com algum dever atrasado.
Eu continuei a comer meu delicioso café da manhã.
- Espere um instante — disse de repente. — Ah, não... Black!
- Que aconteceu? — eu disse, puxando o jornal da sua mão. Por algum motivo inexplicável eu acreditava que Black não é um traidor e assassino. Como sempre, eu acredito no Potter.
- "O Ministério da Magia recebeu uma informação de fonte fidedigna que Sirius Black, notório assassino de massa... blablablá... está presentemente escondido em Londres!" — li em um sussurro angustiado.
- Como assim em Londres? - perguntou , saindo do seu mundinho.
- Shiu! - disse que por algum motivo me apoiava.
- "... o Ministério da Magia alerta a comunidade bruxa que Black é muito perigoso... matou treze pessoas... evadiu-se de Azkaban..." as bobagens de sempre — conclui, pousando o jornal e olhando para os outros.
foi o primeiro que fez algo, ele se levantou de cara fechada e saiu do Salão. Não sei o porque, mas ele odeia falar sobre o Black.
Eu e fomos juntos para a biblioteca, foi atrás do assim que ele se levantou.
- Você sabe porque do agir assim toda vez que falamos algo do Black? - perguntei ao assim que sentamos numa mesa no canto.
- Eu ia lhe fazer a mesma pergunta.
Ficamos em silêncio por algum tempo, fazendo os deveres. Por mais assustador que possa parecer, eu não estava conseguindo me concentrar, meu pensamento estava sempre indo para os belos olhos verdes de um dos garotos que eu menos gostava naquele colégio.
Suspirei e levantei, ficar ali não ia melhorar nada meu humor.
- Já vai?
- Vou caminhar um pouco, não estou conseguindo me concentrar direito.
Ele concordou e voltou a fazer o que quer que ele estivesse fazendo antes. É por isso que eu gosto tanto do , porque ele não quer explicações o tempo inteiro, sobre tudo.
Sai da biblioteca segurando minhas coisas e correndo na direção do Salão Comunal, quando entrei e não vi ninguém, fui até meu dormitório, guardei meu material e peguei minha vassoura. Não vou morrer por voar um pouco, certo?
Obviamente senti uma pontadinha de remorso ao pensar na pilha de deveres que me aguardava, mas o céu estava claro, estimulantemente azul, e eu não montava na minha Firebolt havia um tempo...
Ao me aproximar do Campo de Quadribol, olhei para as árvores da Floresta Proibida que balançavam sombriamente. O céu estava vazio, exceto por umas poucas corujas distantes esvoaçando em torno da Torre do Corujal.
Assim que pisei no campo vi Ronald guardando as três altas balizas, Harry ocupando a posição de artilheiro e tentando fazer a goles passar pelo Weasley. Harry notou minha presença assim que eu dei um passo para trás e me chamou para ajudá-lo com seu amigo. Só aceitei porque queria muito voar. Depois de umas duas horas, nos voltamos ao castelo para o almoço, durante o qual não me deixou em paz, tentando saber onde eu estava aquele tempo todo, em seguida voltei ao Campo de Quadribol para assistir ao treino da equipe.
Eu tive uma surpresa quando vi a equipe da Sonserina mais alguns desconhecidos na arquibancada, prontos para verem o treino.
Quando os grifinórios saíram do vestiário para a claridade do campo, começou uma tempestade de vaias e assobios dos sonserinos agrupados no meio das arquibancadas vazias, exceto por mim; suas vozes ecoavam ruidosamente pelo estádio.
- Que é aquilo que o Weasley está montando? — berrou Malfoy, debochando com o seu jeito arrastado de falar. — Por que alguém lançaria um feitiço de vôo num pedaço de pau velho e mofado como aquele?
Crabbe, Goyle e Pansy davam escandalosas gargalhadas. Rony montou sua vassoura, com as orelhas vermelhas, e deu impulso do chão, e Harry o seguiu.
O time se juntou no ar e conversaram por alguns segundos.
- Ei, Johnson, afinal que penteado é esse? — esganiçou-se Pansy da arquibancada. — Por que alguém iria querer parecer que tem minhocas saindo do crânio?
Angelina afastou suas longas tranças do rosto e continuou calmamente o que falava.
Harry deu meia-volta e se afastou dos outros em direção à extremidade do campo. Rony recuou para o gol oposto. Angelina ergueu a goles com uma das mãos e atirou-a com força para um dos gêmeos, que a passou para o outro, que passou para Harry, que passou a Rony, que a deixou cair.
Os garotos da Sonserina, liderados por Malfoy, urraram de tanto rir. Rony, que mergulhara em direção ao solo para apanhar a goles antes que ela tocasse o chão, saiu mal do mergulho e escorregou pelo lado da vassoura, em seguida voltou à altura normal de jogo, corando.
- Passe adiante, Rony — gritou Angelina, como se nada tivesse acontecido. Rony atirou a goles para Alicia, que a passou a Harry, que a passou ao gêmeo dois...
- Ei, Potter, como está sua cicatriz? — gritou Malfoy. — Tem certeza de que não precisa se deitar um pouco? Já deve fazer, o quê, uma semana que você esteve na ala hospitalar, isso é um recorde para você, não é, não?
O gêmeo dois passou a bola para Angelina; ela inverteu o passe para Harry, pegando-o desprevenido, mas ele apanhou a bola nas pontinhas dos dedos e emendou rapidamente o passe para Rony, que mergulhou para apanhar a bola, mas perdeu-a por pouco.
- Assim não dá, Rony — disse Angelina, aborrecida, quando ele tornou a mergulhar em direção ao solo atrás da goles. — Se liga!
Seria difícil dizer o que estava mais escarlate; se a goles ou a cara de Rony, quando ele mais uma vez recuperou a altura normal. Malfoy e o resto dos colegas da Sonserina uivaram de tanto rir.
Na terceira tentativa, Rony apanhou a goles; talvez por alívio, ele a passou com tanto entusiasmo para Katie que a bola vazou pelas mãos estendidas da jogadora e bateu com força em seu rosto.
Rony precipitando-se para a frente para ver se a machucara.
- Volte à sua posição, ela está ótima — vociferou Angelina. — Mas, quando estiver passando a bola para uma companheira de equipe, tente não derrubá-la da vassoura, tá? Deixa isso para os balaços!
O nariz de Katie estava sangrando. Do outro lado das arquibancadas, os garotos da Sonserina batiam os pés e caçoavam. Os gêmeos correram para Katie.
Um dos gêmeos entregou à jogadora alguma coisa pequena e roxa que tirara do bolso.
- Tudo bem — gritou Angelina. — Fred e Jorge, vão buscar seus bastões e um balaço. Rony vá para as balizas. Harry, solte o pomo quando eu mandar. Vamos visar o gol do Rony, é óbvio.
Harry disparou atrás dos gêmeos.
Eles voltaram ao ar. Quando Angelina apitou, Harry parou o pomo, e Fred e Jorge deixaram o balaço voar. Harry acelerou, descrevendo círculos, indo ao encontro dos artilheiros e se desviando deles, o ar cálido do outono fustigando seu rosto... mas, cedo demais, o toque do apito o fez parar.
- Para... para... PARA! — berrou Angelina. — Rony... você não está cobrindo a baliza do meio!
Virei-me para olhar Rony, que estava planando diante do aro da esquerda, deixando os outros dois completamente descobertos.
- Ah... desculpe...
- Você não pode ficar parado, observando os artilheiros! — disse Angelina. — Ou fica na posição central até que precise se mexer para defender um aro, ou então fica circulando os aros, não sai vagando para o lado, foi assim que você deixou passar os últimos três gols!
- Desculpe... — repetiu Rony, seu rosto vermelho brilhando como um farol contra o azul-claro do céu.
- E Katie, será que você não pode dar um jeito no sangramento desse nariz?
- Está piorando! — disse a garota com a voz embargada, tentando estancar o sangue com a manga do uniforme.
Olhei para o gêmeo que parecia ansioso, verificando os bolsos. Vi-o tirar uma coisa roxa, examiná-la por um segundo e então procurar Katie com o olhar, evidentemente horrorizado.
- Bom, vamos experimentar outra vez. — disse Angelina.
O pessoal da Sonserina agora inventara uma cantilena de "Grifinória é freguês, Grifinória é freguês."
Desta vez, a equipe não chegara a completar três minutos de vôo quando o apito de Angelina tornou a soar.
Vir-me-ei e vi Angelina, os gêmeos voando a toda velocidade em direção a Katie. Todos correram até ela, até eu fiquei em pé para ver melhor a situação, realmente tinha ficado preocupada. Era claro que Angelina parara o treino bem em tempo; Katie estava branco-gesso e coberta de sangue.
- Bem, não adianta continuar sem dois batedores e uma artilheira — anunciou Angelina, mal-humorada, quando os gêmeos dispararam para o castelo, amparando Katie. — Anda gente, vamos trocar de roupa.
A turma da Sonserina continuou a cantilena enquanto eu me dirigia ao castelo.
- Onde esteve? — perguntou , concentrada num livro, alguns minutos mais tarde quando me sentei ao seu lado na cama.
- No Campo de Quadribol — respondi.
- Fazendo o que? — perguntou ela erguendo as sobrancelhas para mim.
- Vendo o treino — disse lentamente, estava morta de cansaço.
- O treino ou alguém?
- Na verdade, eu estava me lembrando dos anos anteriores, quando tudo era mais fácil — respondi e ela me olhou espantada.
- Pensei...
- Você pensou que eu estava de olho no Potter, eu sei.
- Não, é claro que não! Olhe, você diz que odeia ele, não é? Eu acredito.
- Digo - respondi me deitando. - Vou dormir aqui. Boa noite.
E puf, dormi.
Passei o domingo inteiro enterrada nos livros na biblioteca. Fazia mais um belo dia de sol, e a maioria dos meus colegas de casa passou o tempo nos terrenos da escola, aproveitando o que bem poderia ser a última aparição do sol daquele ano.
Quando anoiteceu, eu, milagrosamente, acabei todos os deveres, mas tinha a impressão de que alguém andara malhando o meu cérebro contra minha caixa craniana.
- Eu provavelmente devia tentar adiantar os deveres durante a semana — murmurei para mim mesma, quando finalizei o último exercício.
Eu pensei que na manhã seguinte não teria nenhuma novidade que pudesse piorar meu humor no Profeta Diário da . No entanto, a coruja-entregadora mal levantara vôo da jarra de leite em que pousara quando minha amiga já deixava escapar uma enorme exclamação e abria o jornal todo para mostrar uma grande foto de Dolores Umbridge com um enorme sorriso, piscando lentamente para nós sob a manchete.

MINISTÉRIO QUER REFORMA NA EDUCAÇÃO.
DOLORES UMBRIDGE NOMEADA PRIMEIRA ALTA INQUISIDORA DA HISTÓRIA.

- Umbridge... Alta Inquisidora? — foi o questionamento sombrio de , que abaixou o garfo que estava a caminho da boca. — Que é que eles querem dizer com isso?
leu em voz alta:
- Ontem à noite, o Ministério da Magia surpreendeu a todos aprovando uma lei que concede ao próprio órgão um nível de controle sem precedentes sobre a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.
"Já há algum tempo, o ministro tem se mostrado apreensivo com o que acontece em Hogwarts", comentou seu assistente-júnior, Percy Weasley. "O decreto é uma resposta às preocupações expressadas por pais ansiosos que sentem que a escola está trilhando um caminho que desaprovam."
Não é a primeira vez nas últimas semanas que o ministro Cornélio Fudge tem usado novas leis para realizar aperfeiçoamentos na escola de magia. Em 30 de agosto recente, foi aprovado o Decreto de Educação n.º 22, para assegurar que, na eventualidade do atual diretor não conseguir apresentar um candidato a uma vaga de professor, o Ministério selecione uma pessoa habilitada.
"Foi assim que Dolores Umbridge acabou sendo indicada para o corpo docente de Hogwarts", disse Weasley ontem à noite. "Dumbledore não conseguiu encontrar ninguém, então o Ministério nomeou Umbridge e, naturalmente, ela alcançou imediato sucesso..."

- Ela o QUE? — exclamei em voz alta.
- Espere, ainda tem mais — disse a minha amiga séria: — "... imediato sucesso, revolucionando inteiramente o ensino da Defesa Contra as Artes das Trevas e informando em primeira mão ao ministro o que está realmente ocorrendo em Hogwarts."
É esta função que o Ministério está formalizando agora ao aprovar o Decreto de Educação n° 23, que cria o cargo de Alta Inquisidora de Hogwarts. "Inicia-se assim uma nova fase no plano ministerial para enfrentar o que alguns têm chamado de queda nos padrões de Hogwarts", diz Weasley. "A Inquisidora terá poderes para inspecionar seus colegas educadores e se assegurar de que estejam satisfazendo os padrões desejados. O cargo foi oferecido à Profª Umbridge, que aceitou a nova incumbência e a irá acumular com o cargo docente que ora exerce."
As novas medidas do Ministério receberam o apoio entusiástico dos pais dos alunos de Hogwarts.
"Eu me sinto muito mais tranqüilo agora que sei que Dumbledore está sujeito a avaliações justas e objetivas", declarou o Sr. Lúcio Malfoy, 41, à noite passada de sua mansão de Wiltshire. "Muitos de nós, que no fundo queremos que nossos filhos sejam felizes e bem-sucedidos, estávamos preocupados com algumas decisões excêntricas que Dumbledore andou tomando nos últimos anos, e ficamos contentes de saber que o Ministério está atento a situação."
Sem dúvida, entre as decisões excêntricas mencionadas encontram-se as nomeações controversas apontadas pelo nosso jornal, entre as quais se incluem a contratação do lobisomem Remo Lupin, do meio-gigante Rúbeo Hagrid e do ex-auror delirante Olho-Tonto Moody.
Naturalmente, correm muitos boatos de que Alvo Dumbledore, que no passado foi o Chefe Supremo da Confederação Internacional de Bruxos e Bruxo-presidente da Suprema Corte, não está mais à altura de administrar a prestigiosa Escola de Hogwarts.
"Acho que a nomeação da Inquisidora é o primeiro passo para assegurar que Hogwarts tenha um diretor em quem possamos depositar nossa confiança", declarou uma fonte do Ministério à noite passada.
Os juizes da Suprema Corte, Griselda Marchbanks e Tibério Ogden, renunciaram aos seus mandatos, em protesto à criação do cargo de Inquisidora de Hogwarts.
"Hogwarts é uma escola e não um posto avançado do gabinete de Cornélio Fudge", declarou Madame Marchbanks. "Trata-se de mais uma tentativa repugnante de desacreditar Alvo Dumbledore."
(Leiam a história completa das supostas ligações de Madame Marchbanks com grupos de duendes subversivos na p. 17.)

Ela terminou de ler e olhou para nós, sentados à sua frente.
- Uma coisa que eu não entendo é a confiança que Fudge tem nessa mulher, ela é uma cobra. - falei mal humorada.
- Quem sabe ele também não é uma? - fez piada, tentando quebrar a tensão do ar.
- Pelo menos agora sabemos como foi que acabamos alunos da Umbridge! Fudge aprovou o "Decreto de Educação" e forçou a sua contratação! Agora lhe concedeu o poder de inspecionar os outros professores! — falou com raiva, até eu fiquei com medo, e olha que eu não tenho medo dela. — É um absurdo!
- Sabemos disso — disse , tentando acalma-la. E pegou em sua mão direita, girou e lhe deu um beijo singelo ali.
Mas o começou a abrir um sorriso assustadoramente maroto. Esse é o seu melhor sorriso.
- Eu tenho até medo de perguntar, mas o que foi? — perguntou olhando para ele, mas ainda segurando a mão de . Eles são tão fofos que dá vontade de abraçar eles até matar.
- Ah, mal posso esperar para ver a McGonagall ser inspecionada — disse feliz. — A Umbridge não vai saber nem o que foi que a acertou.
- Ah, quer saber? Vamos logo para a aula — eu disse, levantando-me de um salto —, se ela estiver inspecionando a classe de Binns não vou querer chegar atrasada...
Mas a Profª Umbridge não estava inspecionando a aula de História da Magia, que foi tão desinteressante quanto a da segunda-feira anterior, tampouco estava na masmorra de Snape, quando cheguei para os dois tempos de Poções, em que ele entregou meu trabalho sobre a pedra da lua com um enorme "A" no canto superior.
Snape é um mala, tenho que confessar, mas as aulas dele são as melhores e tem também o fato dele ser um idiota com os alunos, menos comigo e com Malfoy... diz que eu nasci com a bunda virada para a lua. Vai entender essa língua brasileira.
- Dei a vocês as notas que teriam recebido se tivessem apresentado esses trabalhos no seu N.O.M. — disse Snape com um sorriso afetado, ao passar pelos alunos devolvendo os deveres. — Isto deverá lhes dar uma ideia realista do que esperar no exame.
Snape foi até a frente da classe e se voltou para a turma.
- O nível geral dos deveres foi absurdo. A maioria de vocês não teria passado se fosse um exame real. Espero observar um esforço bem maior no trabalho desta semana sobre as variedades de antídotos para venenos ou terei de começar a distribuir detenções para os tapados que receberem "D".
O professor riu com afetação quando Malfoy deu uma risadinha e disse num sussurro ressonante:
- Teve gente que recebeu um "D"? Ha!
Percebi que Malfoy escondia a sua prova disfarçadamente enquanto falava. Acho que alguém está mentindo sobre a nota hein?
Obviamente, não fui eu que tirei a nota mais alta, mas um "A" é muito melhor do que um "P" ou "D", e se ele realmente tiver corrigido os trabalhos com base nas correções da N.O.M.s, eu tenho uma pequena chance de tirar uma nota boa nesta matéria. Pelo menos em uma.
Mas eu estou decidida a ser motivo de orgulho para os meus pais e tirar pelo menos quatro "Os" e o resto, no máximo, "E", mesmo que para isso eu tenha que pedir a ajuda da Granger.
Quando Snape colocou as informações sobre a atividade daquele dia no quadro-negro, eu li e reli cada linha pelo menos três vezes. Minha Solução para Fortalecer ficou exatamente um turquesa-claro como a da Hermione, talvez, me arrisco a falar, melhor do que a dela, o que foi um alívio.
- Como que cor ficou a sua?— perguntei a Dino quando subíamos as escadas das masmorras para atravessar o Saguão de Entrada e ir almoçar.
- Azul - ele respondeu e riu.
- Vocês fazem uma dupla perfeita - falei para Thomas e Finnigan -, um sempre tem que explodir alguma coisa na aula e o outro não consegue fazer uma porção. O que seria de vocês sem mim?
- Por isso agradecemos todos os dias por termos conhecido você - Simas falou e me deu um beijo de despedida na minha bochecha, sendo seguido por Dino.
Fui na direção de , que comia afastado dos outros dois.
- O que houve? - perguntei sentando ao seu lado e começando a comer.
- Eu e a ...
- Brigaram de novo? Vocês andam brigando muito.
- Ela fica me cobrando coisas que eu não consigo fazer.
- Você nem tenta, , namorar é se entregar de cabeça e estar disposto a se moldar em alguns aspectos.
- E como você pode entender tanto do assunto? Nunca teve um namorado, e nenhum garoto quer saber de você.
Eu o olhei com raiva. Eu nunca havia namorado, nem mesmo sido beijada, eu não precisava disso para se feliz, mas ele tinha necessidade mesmo de falar aquilo? Eu só estava tentando ajudar.
- Já entendi você não quer ajuda de uma pessoa inexperiente, tudo bem.
Eu não sai dali, mas também não falei mais nada. Eu teria a próxima aula de Aritmância, e estava torcendo para que a Umbridge não fosse supervisionar o professor.
E como se Merlin quisesse me agradar, ela não estava lá. Mas tarde eu descobriria que ela estava na aula de Adivinhação.
Quando entrei na sala de Defesa Contra as Artes das Trevas, dez minutos depois, ela estava nos aguardando.
Ela sorria e cantarolava baixinho quando entramos. Me sentei novamente ao lado de Hermione e, mesmo a contra gosto, ouvi Harry e Rony contaram a Hermione, que estivera na aula de Aritmância comigo, exatamente o que acontecera em Adivinhação, enquanto apanhávamos os nossos exemplares de Teoria da Defesa em Magia, mas, antes que Hermione pudesse fazer alguma pergunta aos garotos, a Profª Umbridge chamara a nossa atenção e todos se calaram.
- Guardem as varinhas — mandou ela com um sorriso, e aqueles que esperançosamente haviam apanhado as varinhas, com tristeza as repuseram nas mochilas. — Como terminamos o capítulo um na aula passada, hoje eu gostaria que abrissem na página dezenove e começassem a ler o capítulo dois de "Teorias de defesa comuns e suas derivações". Não haverá necessidade de conversar.
Ainda sorrindo, aquele sorriso amplo e presunçoso, ela se sentou à escrivaninha. A turma deu um suspiro audível, como se fossemos um só aluno, quando abrimos a página dezenove. Fiquei imaginando, entediada, um modo de impedir essa mulher de dar aulas quando reparei que Hermione erguera novamente a mão no ar.
A professora também reparou e, além disso, parecia ter preparado uma estratégia para essa eventualidade. Em lugar de tentar fingir que não reparara em Hermione, ela se levantou e deu a volta na primeira fila de carteiras até ficar cara a cara com a garota, então se inclinou e murmurou, de modo que o restante da classe não pudesse ouvi-la:
- O que é agora, Srta. Granger?
- Já li o capítulo dois.
- Então passe para o capítulo três.
- Já li também. Já li o livro todo.
A Profª Umbridge piscou os olhos, mas recuperou sua pose quase instantaneamente.
- Bem, então, você deverá poder me dizer o que Slinkhard escreveu sobre as contra-azarações no capítulo quinze.
- Ele escreveu que a denominação contra-azarações é imprópria — respondeu Hermione imediatamente. — E que contra-azaração é apenas o nome que as pessoas dão às suas azarações quando querem fazê-las parecer mais aceitáveis.
A Profª Umbridge, ergueu as sobrancelhas, e percebi que estava impressionada, ainda que a contragosto.
- Mas eu discordo — continuou Hermione.
As sobrancelhas da professora subiram um pouco mais, e seu olhar se tornou visivelmente frio.
- A senhorita discorda?
- É, discordo — confirmou Hermione, que, ao contrário de Umbridge, não murmurava, falava em uma voz alta e clara, que a essa altura já atraíra a atenção do resto da turma. — O Sr. Slinkhard não gosta de azarações, não é? Mas acho que podem ser muito úteis quando são usadas defensivamente.
- Ah, então essa é a sua opinião? — disse a professora, se esquecendo de murmurar e endireitando o corpo. — Bom, receio que seja a opinião do Sr. Slinkhard que conte nesta sala de aula, e não a sua, Srta. Granger.
- Mas... — recomeçou Hermione.
- Agora basta — disse a professora. Voltou, então, para a frente da sala e se postou ali, mas toda a segurança que exibira no início da aula se perdera. — Srta. Granger, vou tirar cinco pontos da Grifinória.
Houve uma eclosão de murmúrios.
- Por quê? — perguntou Harry indignado.
- Não se meta! — cochichou Hermione para ele, ansiosa.
- Por perturbar minha aula com interrupções sem sentido — disse a Profª Umbridge suavemente. — Estou aqui para lhes ensinar, usando um método aprovado pelo Ministério que não inclui convidar alunos a darem suas opiniões sobre assuntos de que pouco entendem. Os professores anteriores desta disciplina podem ter permitido aos senhores maior liberdade, mas como nenhum deles... com a possível exceção do Prof. Quirrell, que pelo menos parece ter se restringido a assuntos apropriados para sua idade... teria passado em uma inspeção do Ministério...
- É, Quirrell foi um grande professor — eu disse em voz alta, tentando impedir que o Potter fizesse uma besteira —, exceto pelo pequeno problema de ter Lord Voldemort saindo pela nuca.
Este pronunciamento foi seguido de um dos mais retumbantes silêncios que já ouvi. Então...
- Acho que uma semana de detenção lhe fará muito bem, Srta. — disse Umbridge com voz sedosa.
- A senhora não pode dar uma detenção por ela está falando a verdade.
- Potter, será que você pode calar a boca? Eu sei o que estou fazendo - falei entredentes para o idiota.
- O senhor está questionando o meu método de ensino, Potter?
- Estou.
- Vejo que também precisa de uma semana de detenção.
Eu nunca fiquei com tanta raiva do Potter como naquele momento. Eu não era uma garotinha indefesa que precisava de um herói para me salvar, muito menos um idiota que ganhava detenção por nada. Eu sabia o que ela ia fazer comigo naquela detenção, tinha visto o estado da mão de uma garota da Cornival depois de uma detenção com aquela sapa que recebeu só porque falou para seus amigos que acreditava naquele idiota.
Eu tento ser uma boa garota, tento ajudar os outros, mas do que adiantar fazer isso se a pessoa é idiota o suficiente para não entender?
Quando o sinal tocou, fui a primeira a sair da sala, mas esperei o Harry na porta e assim que passou eu o puxei comigo, claro que as suas duas sombras nos seguiram. Empurrei ele para dentro na primeira sala vazia que passamos.
- Você tem algum problema na cabeça? - gritei assim que o Weasley e a Granger fecharam a porta.
- Do que você esta falando? - perguntou ele, também aos gritos. Ou ele é realmente burro, ou tem mesmo um problema na cabeça.
- Em você tentando bancar o herói salvando a mocinha à algum tempo atrás.
- Eu estava tentando lhe ajudar, sua mal agradecida.
- Você só pode ter algum problema na cabeça! Eu sabia o que estava fazendo.
- Você não sabe como é a detenção daquela mulher, ! Você nunca passou por aquilo, eu já, sei o quão ruim é - ele falou, agora abaixando o tom de voz.
- Eu sei como é, Potter, e estava tentando impedir que você não passasse por isso de novo, mas pelo que percebi você é um masoquista, e agora ganhei uma detenção por nada. Muito obrigada mesmo.
Passei por ele e pelos seus dois amigos, saindo daquela sala escura.
Fui para o meu dormitório, saindo de lá só para ir a detenção, sendo acompanhada por um Harry calado.
Não me queixei durante a detenção; estava decidida a não dar a Umbridge essa satisfação; repetidamente escrevi "Não devo contar mentiras", e nenhum som escapou de meus lábios, embora o corte se aprofundasse a cada letra. Harry parecia ter o mesmo plano que eu, pois era difícil ouvir até mesmo sua respiração.
Quando saímos da detenção, Harry tirou, não sei de onde, um pedaço de pano branco e enrolou na minha mão.
- Obrigada! - respondi calmamente, a última coisa que eu queria era uma nova briga, já estava cansada demais para isso.
- Me desculpe! - ele falou e eu o olhei sem entender. Eu podia não ser um exemplo de educação, mas eu sabia que quando alguém agradecia o normal era falar 'por nada'. - Pelo que aconteceu mais cedo, eu realmente estava tentando ajudar, mas normalmente as coisas não saem como eu quero.
Eu olhei para o chão, eu também estava errada, estava lhe julgando sem realmente conhecê-lo, e outra, eu havia feito o mesmo, tentei da uma de heroína.
- Me desculpe também! - agora foi a vez dele me olhar confuso. - Eu não deveria ter lhe falado aquelas coisas, eu estava fazendo a mesma coisa.
Ele sorriu de lado e negou com a cabeça, como se dissesse que não tinha sido nada.
- Você é diferente do que dizem - ele disse, agora olhando para a frente.
- Falam de mim?
- Claro que sim. Você deu um soco no seu primo quando estava no primeiro ano.
Eu ri, tive que rir. Ninguém nunca mais falava naquilo, na verdade, nem eu falava. Havia acontecido a tanto tempo, parecia que tinha sido em outra vida.
- O que foi? - ele perguntou quando eu parei de rir.
- Ninguém mais fala disso, e, em minha defesa, eu estava totalmente certa.
- Nunca disse que não estava - ele falou e levantou as mãos como quem diz "eu me rendo". - E todos falam sobre isso depois da nossa discussão com a sapa.
Eu ia lhe responder quando percebi que já estava em frente ao quadro da Mulher Gorda, entramos em silêncio e subimos as escadas, antes de nos separar ele me desejou boa noite e seguiu seu caminho.
- Você também é diferente do que dizem - eu sussurrei, mas sabia que ele havia escutado, não sei como, mas sabia.


Capítulo 4

Eu acordei no dia seguinte com a minha mão esquerda dolorida e ainda enrolada no pano não mais branco da noite anterior.
Como Granger ainda estava se arrumando perguntei se ela podia me esperasse e, surpresa, ela disse que sim. Saímos juntas do dormitório e descemos para o Salão Comunal, onde Harry e Rony a esperavam.
- O que você está fazendo com ela? - perguntou Ronald surpreso para minha colega de dormitório.
- Você é educado como um martelo, Weasley. Bom dia, Harry!
- Como está a mão? - ele perguntou enquanto caminhávamos atrás dos seus amigos em direção ao Salão Principal.
- Dolorida, e a sua?
- Não sei, não a sinto mais.
Ele riu e eu acompanhei. Era bom ter Harry como colega e ele realmente não é como dizem. Passamos pelo corredor da biblioteca e perguntei se ele podia ir comigo até lá, pois precisava devolver um livro.
- Pelo visto você gosta de ler - comentou ele quando eu terminei de contar a história de um livro trouxa que acabará de ler, já estávamos indo para o salão das comidas dos Deuses.
Assim que chegamos na mesa da Grifinória, Angelina encostou Harry contra parede, e gritava tão alto que a Profª McGonagall se levantou da mesa dos professores e correu para nós três. Por algum motivo, Angelina não me deixou sair dali.
- Srta. Johnson, como se atreve a fazer um estardalhaço desses no Salão Principal? Cinco pontos a menos para Grifinória!
- Mas, professora, ele arranjou outra detenção...
- Que história é essa, Potter? — perguntou a professora rispidamente, virando-se para Harry. — Detenção? De quem?
- Da Profª Umbridge — murmurou Harry, sem encarar os olhos penetrantes por trás dos óculos de aros quadrados.
- Você está me dizendo — perguntou ela, baixando a voz para que o grupo de alunos curiosos da Corvinal atrás não pudessem ouvir — que depois do aviso que lhe dei na segunda-feira passada você se descontrolou outra vez na aula da Profª Umbridge?
- Sim, senhora — murmurou Harry, olhando para o chão.
- Potter, você precisa se controlar! Você está caminhando para uma séria encrenca! Menos cinco pontos para Grifinória outra vez!
- Mas... quê... professora, não! — exclamou Harry, indignado com a injustiça. — Já estou sendo castigado por ela, por que a senhora precisa nos tirar pontos também?
- Porque as detenções parecem não produzir o menor efeito em você! — respondeu a professora, azeda. — Não, nem mais uma palavra de reclamação, Potter! E quanto à Srta. Johnson, no futuro restrinja os seus gritos ao Campo de Quadribol ou se arriscará a perder a função de capitã do time!
A Profª McGonagall voltou à mesa dos professores. Angelina lançou a Harry um olhar de profundo descontentamento e foi embora, me deixando sair daquela confusão. Sai quase correndo na direção de , que hoje comia sozinha, mas antes bati fracamente nas costas do Potter.
- Será que você pode me explicar? - perguntou ela me olhando profundamente curiosa. Eu ri.
- Pode ser que eu não sinta ódio pelo Potter - falei como quem não quer nada. Ela insistiu para que eu lhe contasse tudo até eu que fiz isso e assim que eu terminei de contar estava na hora de ir para a aula de Feitiços, que foi bem legal.
Quando entrei na sala de Transfiguração vi que a Profª Umbridge achava-se sentada a um canto, com sua prancheta, e essa visão apagou tudo o que estava na minha mente, a não ser do sorriso maroto do . Me sentei pensando que o iria adorar estar nessa aula, iria contar para ele quando o visse.
A Profª McGonagall entrou decidida na sala, sem dar a menor indicação de que sabia que a Profª Umbridge se achava presente.
- Agora chega — disse ela, e os alunos fizeram imediato silêncio. — Sr. Finnigan, tenha a bondade de vir até aqui e entregar esses deveres aos seus colegas... Srta. Brown, por favor, apanhe esta caixa de ratinhos... não seja tola, menina, eles não vão lhe fazer mal... e dê um a cada aluno...
- Hem, hem — fez a Profª Umbridge, usando a mesma tossezinha boba que usara para interromper Dumbledore na primeira noite do ano letivo. A Profª McGonagall, se ouviu, fingiu que não. Simas me devolveu o meu trabalho, que apanhei fazendo uma careta engraçada que foi retribuída antes dele se sentar do meu lado esquerdo, e vi, para minha alegria, que tinha conseguido um "O".
- Muito bem, ouçam todos com atenção... Dino Thomas, se fizer isto outra vez com o ratinho lhe darei uma detenção... a maioria da turma conseguiu fazer desaparecer as lesmas, e mesmo aqueles que as deixaram com vestígios do caracol entenderam o objetivo do feitiço. Hoje, vamos...
- Hem, hem — fez a Profª Umbridge.
- Sim? — disse a Profª McGonagall se virando, as sobrancelhas tão juntas que pareciam formar uma linha única e severa.
- Eu estava me perguntando, professora, se a senhora teria recebido o meu bilhete avisando a data e a hora da sua insp...
- Obviamente que a recebi, ou teria lhe perguntado o que está fazendo na minha sala de aula — disse ela, dando as costas com firmeza à Profª. Umbridge. Eu troquei olhares de alegria com Dino e Simas. — Como eu ia dizendo: hoje, vamos praticar o Feitiço da Desaparição em ratinhos, que é bem mais difícil. Bem, o Feitiço da Desaparição...
- Hem, hem.
- Eu me pergunto — disse a Profª McGonagall numa fúria gélida, virando-se para a outra — como é que você espera avaliar os meus métodos de ensino habituais se continua a me interromper? Em geral, eu não permito que as pessoas falem quando eu estou falando, entende?
A Profª Umbridge pareceu que tinha levado uma bofetada no rosto. Não falou, mas endireitou o pergaminho em sua prancheta e começou a escrever furiosamente. Parecendo supremamente indiferente, a Profª McGonagall se dirigiu mais uma vez à turma.
- Como eu ia dizendo: o Feitiço da Desaparição se torna mais difícil quanto maior a complexidade do animal a se fazer desaparecer. A lesma, como invertebrado, não apresenta grande desafio; o ratinho, como mamífero, oferece um desafio muito maior. Não é, portanto, um feitiço que se possa realizar com a cabeça no jantar. Vocês já conhecem a fórmula cabalística, então vejamos o que são capazes de fazer...
A Profª Umbridge não acompanhou McGonagall pela sala; talvez tenha percebido que a colega não permitiria. Fez um grande número de anotações, sentada em seu canto, e quando McGonagall finalmente disse aos alunos para guardarem o material e sair, ela se levantou a expressão muito séria no rosto.
Quando nos saíamos enfileirados da sala, vi a Profª Umbridge se aproximar da escrivaninha da McGonagall; eu cutuquei Harry -que estava próximo a mim-, que cutucou Rony, que, por sua vez, cutucou Hermione, e nós quatro intencionalmente ficamos para trás para escutar.
- Há quanto tempo você está ensinando em Hogwarts? — perguntou a Profª Umbridge.
- Trinta e nove anos, agora em dezembro — respondeu McGonagall bruscamente, fechando sua bolsa com um estalo. Umbridge fez uma anotação.
- Muito bem, você receberá o resultado da inspeção dentro de dez dias.
- Mal posso esperar — respondeu McGonagall, com uma voz fria e indiferente, e se encaminhou para a porta. — Andem depressa vocês quatro — acrescentou, nos empurrando à sua frente.
Eu pensei que só tornaria a ver Umbridge à noite, na detenção, mas estava muito enganada. Quando íamos descendo os gramados em direção à Floresta, para assistir à aula de Trato das Criaturas Mágicas, encontramos com ela, com a prancheta, ao lado da Profª Grubbly-Plank.
- Normalmente não é você que ensina esta disciplina, correto? — a ouvi perguntar quando se aproximaram da mesa de cavalete, onde o grupo de tronquilhos capturados se atropelava para apanhar bichos-de-conta como se fossem gravetos vivos.
- Correto — respondeu a Profª Grubbly-Plank, com as mãos nas costas e o corpo balançando sobre a planta dos pés. — Sou uma professora substituta, ocupando o lugar do Prof. Hagrid.
Malfoy estava cochichando com Crabbe e Goyle; ele certamente adoraria essa oportunidade para contar histórias sobre Hagrid a uma funcionária do Ministério.
- Humm — fez a Profª Umbridge, baixando a voz, embora eu ainda pudesse ouvi-la muito claramente. — Eu estive pensando... o diretor me parece estranhamente relutante em fornecer informações: você poderia me dizer o que está causando a prolongada licença de afastamento do Prof. Hagrid?
Eu vi Malfoy erguer a cabeça.
- Creio que não — disse a professora em tom despreocupado. — Sei tanto quanto você. Recebi uma coruja do Dumbledore, gostaria que eu desse aulas durante umas duas semanas. Aceitei. É tudo que sei. Bom... posso começar, então?
- Claro, por favor — disse a Profª Umbridge, escrevendo em sua prancheta. Umbridge adotou uma abordagem diferente nesta aula e caminhou entre os alunos, fazendo perguntas sobre criaturas mágicas. A maioria soube responder bem.
- De um modo geral — perguntou a Profª Umbridge, voltando para perto da Profª Grubbly-Plank depois de interrogar Dino longamente —, o que é que você, como membro temporário do quadro docente, uma observadora externa, suponho que poderíamos dizer, que é que você acha de Hogwarts? Você acha que recebe apoio suficiente da diretoria da escola?
- Ah, sim, Dumbledore é excelente — disse a Profª Grubbly-Plank com entusiasmo. — Estou muito feliz com o modo com que a escola é administrada, realmente muito feliz. Com um ar de educada incredulidade, Umbridge fez uma minúscula anotação na prancheta e continuou:
- E o que é que você está planejando cobrir em suas aulas durante o ano, presumindo é claro, que o Prof. Hagrid não volte?
- Ah, repassarei com os alunos as criaturas que são pedidas com maior freqüência no N.O.M. Não há muito mais a fazer: eles já estudaram os unicórnios e os pelúcios. Pensei em abordar os pocotós e os amassos, me certificar de que são capazes de reconhecer os crupes e os ouriços, entende...
- Bem, em todo o caso você parece saber o que está fazendo — concluiu a Profª Umbridge, escrevendo em seu pergaminho.
Não gostei quando a professora fez a pergunta seguinte a Goyle. — Agora, ouvi dizer que tem havido alunos feridos nesta classe - eu podia não ser amiga do Hagrid, mas gostava das suas aulas, eram as mais divertidas e legais.
Goyle deu um sorriso idiota. Malfoy se apressou a responder.
- Foi comigo. Levei uma lambada de um hipogrifo.
- Hipogrifo? — repetiu a Profª Umbridge, agora escrevendo freneticamente.
- Só porque ele foi burro demais e não deu ouvidos às instruções de Hagrid — comentou Harry, zangado.
Rony, Hermione e eu gememos ao mesmo tempo. O Potter nunca vai entender que ele está caindo no jogo dela? A Profª Umbridge virou a cabeça lentamente na direção de Harry.
- Mais uma noite de detenção, creio eu — disse brandamente. — Bem, muito obrigada, Grubbly-Plank, acho que é tudo que preciso saber. Você receberá o resultado de sua inspeção dentro de dez dias.
- Que bom! — disse a Profª Grubbly-Plank, e a Profª Umbridge começou a subir o gramado para voltar ao castelo.
O único momento em que eu e Harry conversávamos era no caminho para a detenção ou quando saímos dela, mas, naquele dia em especial, meus amigos resolveram fazer programas com seus outros amigos ou em casal, então eu mofei no Salão Comunal até o trio chegar, Hermione foi a primeira a notar minha presença e disse para os outros dois, e assim que me viu, Harry me chamou para perto deles.
Jogamos xadrez de bruxo e eu perdi mais de Rony do que ganhei, mas acabei com o Harry e Hermione.
Eu e Harry saímos juntos para a detenção e só fomos liberados quando o relógio indicava quase meia-noite. Minha mão agora sangrava tanto que manchava o lenço em que o Potter a enfaixara, assim como fez na sua.
Eu achava que a sala comunal estivesse vazia quando voltássemos, mas Rony e Hermione estavam acordados à nossa espera. Fiquei sinceramente feliz em vê-los, principalmente porque Hermione segurava algo que adivinhei que fosse melhorar a dor na minha mão.
- Tomem — disse, ansiosa, estendendo uma tigelinha para cada um de nós com um líquido amarelo —, encharquem as mãos nisso, é uma solução de tentáculos de murtisco em salmoura e depois peneirados, deve ajudar.
Coloquei a mão, que sangrava e doía, na tigela e experimentei uma maravilhosa sensação de alívio. Depois de se enrolar nas pernas de Harry, o gato de Hermione, ronronando alto, saltou para o meu colo e se acomodou.
- Obrigado — disse, agradecida, cocando atrás das orelhas do gato com a mão direita.
- Eu ainda acho que vocês deviam reclamar — disse Rony em voz baixa.
- Não — disse Harry categoricamente.
- McGonagall ia endoidar se soubesse...
- Provavelmente ia. E quanto tempo você acha que levaria para Umbridge aprovar outro decreto dizendo que quem reclamar da Alta Inquisidora será imediatamente despedido? - falei, sensata. Eles não pensavam não? O Ministério estava intervindo em Hogwarts e Umbridge estava aqui para supervisionar como está o andamento do plano, se acontecesse algo de errado, ela tinha total direito de tomar decisões drásticas, mesmo que absurdas. Rony abriu a boca para retorquir, mas não emitiu som algum e, passado um instante, tornou a fechar a boca, derrotado.
- Ela é uma mulher horrível — disse Hermione baixinho. — Horrível. Sabe, eu estava dizendo ao Rony quando vocês entram... temos de fazer alguma coisa a respeito dela.
- Eu sugiro veneno — disse Rony com ferocidade, eu balancei a cabeça, concordando.
- Não... quero dizer, alguma coisa para divulgar que é uma péssima professora, e que não vamos aprender Defesa alguma com ela — explicou Hermione.
- Bom, e o que é que podemos fazer? — perguntou Rony bocejando. — Já é tarde à beça, não é não? Ela foi nomeada e veio para ficar, Fudge vai garantir isso.
- Bom — disse Hermione hesitante. — Sabe, estive pensando hoje... — Lançou um olhar nervoso a Harry, e então prosseguiu: — Estive pensando... talvez tenha chegado a hora de simplesmente... simplesmente nos virarmos sozinhos.
- Nos virarmos sozinhos fazendo o quê? — perguntou Harry, desconfiado, mantendo a mão flutuando na essência de murtisco.
- Bom... aprendendo Defesa Contra as Artes das Trevas sozinhos — concluiu Hermione.
- Ah, corta essa — gemeu Rony. — Você quer que a gente faça trabalho extra? Você tem ideia do quanto Harry e eu estamos outra vez atrasados com os nossos deveres e só estamos na segunda semana de aulas?
- Mas isto é muito mais importante do que os deveres de casa - Harry e Rony arregalaram os olhos para ela, eu apenas balancei a cabeça, concordando com seu plano. Já disse como eu amo ter raciocínio rápido?
- Pensei que não houvesse nada mais importante no universo do que os deveres de casa! — caçoou Rony.
- Não seja bobo, claro que há — rebateu Hermione, e eu notei que o rosto da garota se tornara inesperadamente radioso — Trata-se de nos prepararmos, como disse o Harry na primeira aula da Umbridge, para o que nos aguarda lá fora. Trata-se de garantir que realmente possamos nos defender. Se não aprendermos nada o ano inteiro...
- Não podemos fazer muita coisa sozinhos — disse Rony com um quê de derrota na voz. — Quero dizer, tudo bem, podemos ir procurar azarações na biblioteca e tentar praticá-las, suponho...
- Não, concordo, já passamos da fase em que podemos aprender apenas com livros — disse Hermione. — Precisamos de um professor, de verdade, que possa nos mostrar como usar os feitiços e nos corrigir quando errarmos.
- Se você está falando do Lupin... — começou Harry.
- Não, não, não estou falando de Lupin. Ele está ocupado demais com a Ordem e, de qualquer jeito, o máximo que poderíamos vê-lo seria nos fins de semana em Hogsmeade, e eles não acontecem com tanta freqüência assim.
- Quem, então? — perguntou Harry, franzindo a testa para a amiga. Eu dei um suspiro muito profundo.
- Será que não está óbvio? Ela está falando de você, Harry.
Houve um momento de silêncio. Uma leve brisa noturna sacudiu as vidraças atrás de Rony, e o fogo oscilou.
- Falando de mim, o quê? — perguntou Harry.
- Estou falando de você nos ensinar Defesa Contra as Artes das Trevas.
Harry encarou a mim e a Hermione. Depois se virou para Rony, mas a garota estava com a testa ligeiramente enrugada, em aparente reflexão. Então disse:
- É uma ideia.
- O que é uma ideia? — perguntou Harry.
- Você. Nos ensinar.
- Mas...
Harry estava sorrindo agora, parecendo certo de que estávamos gozando com a cara dele.
- Mas eu não sou professor, não sei...
- Harry, você foi o melhor do ano em Defesa Contra as Artes das Trevas — disse Hermione.
- Eu? — Harry agora estava com um sorriso maior que nunca. — Não, não fui, você me bateu em todos os testes...
- Não é verdade — respondeu Hermione calmamente. — Você me bateu no terceiro ano: o único ano em que nós dois prestamos exames e tivemos um professor que realmente conhecia o assunto. E não estou falando de notas, Harry. Pense no que você já fez!
- Como assim?
- Sabe de uma coisa, não tenho certeza se quero alguém burro assim como professor — disse Rony a nós duas, com um sorriso afetado. Em seguida virou-se para Harry.
- Vamos raciocinar — disse, fazendo uma cara igual à de Goyle quando se concentrava. — Uh... primeiro ano: você salvou a Pedra Filosofal de Você-Sabe-Quem.
- Mas aquilo foi sorte — retrucou Harry. — Não foi habilidade...
- Segundo ano — interrompi — você matou o basilisco e destruiu Riddle.
- É, mas se Fawkes não tivesse aparecido, eu...
- Terceiro ano — disse Rony, ainda mais alto — , você enfrentou e pôs para correr uns cem Dementadores de uma vez só...
- Você sabe que aquilo foi por acaso, se o Vira-tempo não tivesse...
- No ano passado — continuei, agora quase aos gritos — , você tornou a enfrentar Você-Sabe-Quem...
- Escutem aqui! — disse Harry, quase com raiva, e eu aposto que é porque agora nos três, Rony, Hermione e eu, estávamos rindo tolamente. — Querem me escutar um instante? Parece muito legal quando vocês falam, mas foi tudo sorte: metade do tempo eu nem sabia o que estava fazendo, não planejei nada, fiz apenas o que me ocorreu na hora, e quase sempre tive ajuda...
Continuávamos a rir tolamente, e a irritação de Harry pareceu começar a crescer, porque este garoto está com raiva afinal?
- Não fiquem aí sentados com esse sorriso bobo como se soubessem mais do que eu, era eu quem estava lá, ou não? — perguntou, indignado. — Eu sei o que aconteceu, está bem? E não me safei de nada porque era genial em Defesa Contra as Artes das Trevas, me safei porquê... porque recebi ajuda na hora certa ou porque tive um palpite certo... mas fiz tudo às cegas, não tinha a menor ideia do que estava fazendo... E PAREM DE RIR!
A tigela de essência de murtisco caiu no chão e se partiu. Percebi que estava em pé. Bichento disparou para baixo de um sofá. O meu sorriso foi sumindo aos poucos.
- Vocês não sabem como é! Vocês, nenhum dos três, vocês nunca tiveram de encarar Voldemort, não é? Vocês pensam que é só decorar uma pá de feitiços e lançar contra ele, como se estivessem na sala de aula ou coisa parecida? O tempo todo você sabe que não tem nada entre você e a morte a não ser o seu... o seu cérebro ou sua garra ou o que seja... como se alguém pudesse pensar direito quando sabe que está a um nanossegundo de ser morto ou torturado, ou está vendo seus amigos morrerem... nunca nos ensinaram isso nas aulas, como é que se lida com essas coisas... e vocês três ficam aí sentados, achando que sou um garotinho sabido por estar em pé aqui, vivo, como se Diggory fosse burro, como se tivesse feito besteira; vocês não entendem, podia muito bem ter sido eu, e teria sido se Voldemort não precisasse de mim...
- Não estávamos falando nada disso, cara — disse Rony, estupefato. — Não estávamos falando mal do Diggory, não... você entendeu tudo ao contrário... - Ele olhou desamparado para Hermione, cujo rosto exibia uma expressão de choque.
- Harry — disse ela timidamente —, você não está vendo? É por isso... por isso mesmo que precisamos de você... precisamos saber como é realmente... enfrentar ele... enfrentar o V-Voldemort.
Era a primeira vez que ela dizia o nome de Voldemort, estava na cara. Ainda ofegante, ele tornou a se sentar na poltrona.
- Bom... pense no assunto — disse Hermione baixinho. — Por favor?
Concordou com a cabeça. Hermione se levantou.
- Bom, vou me deitar — disse, no tom mais natural que pôde. — Você vem, ? - eu concordei com a cabeça, me levantando. - Hum... noite.
Rony se levantou também.
- Você vem? — perguntou, sem jeito, ao amigo.
- Vou. Num... num minuto. Vou limpar essa sujeira.
Ele indicou a tigela partida no chão. Rony assentiu com a cabeça e foi embora, junto a nós duas.

Minha noite inquieta foi mais uma vez pontuada pelos longos pesadelos com e eu acordei no dia seguinte com a minha cabeça doendo outra vez.
Eu e Hermione acabamos ficando mais próximas nas duas semanas seguintes, não gostou muito da novidade, pois não se dava muito bem com a minha companheira de dormitório, mas logo ela se acostumou. Hermione me falou que não mencionou sua sugestão para Harry ensinar Defesa Contra as Artes das Trevas durante as duas semanas inteiras. Quando, finalmente as minhas detenções com a Umbridge terminaram a cicatriz na minha mão começou a desaparecer, mas na noite anterior eu acabei recebendo mais algumas noites, e quando essas noites de detenção acabarem eu duvidava que minha mão voltasse a ser o que era antes. Rony tivera mais quatro treinos de Quadribol, eu fui assistir a todos, e não levara nenhum grito nos últimos dois, e com a ajuda de Hermione, eu já estava adiantada -assim como ela- e já tentava desaparecer gatinhos, mas na maioria das vezes eu ficava com pena e não fazia nada.
Quando o assunto foi novamente abordado, em uma noite de violenta tempestade, no final de setembro, quando nós estávamos sentados na biblioteca procurando ingredientes de poções para um dever passado por Snape.
- Eu estive me perguntando — disse Hermione, de repente — se você já voltou a pensar na Defesa Contra as Artes das Trevas, Harry.
- Claro que pensei — disse Harry rabugento —, não consigo esquecer, e não daria mesmo, com aquela megera ensinando a gente...
- Estou falando da ideia que Rony e eu tivemos... — Rony lançou a Hermione um olhar assustado e ameaçador. Ela fechou a cara para ele. — Ah, tudo bem então, a ideia que eu tive... de você nos ensinar.
Harry não respondeu imediatamente. Ficou examinando uma página de Contravenenos asiáticos, atrasando ao máximo para responder.
- Bom — disse lentamente depois de um tempo —, é, eu... pensei um pouco.
- E? — perguntei pressurosa.
- Não sei — disse o garoto e olhou para Rony.
- Achei uma boa ideia desde o começo — interveio Rony, que parecia mais interessado em entrar na conversa agora que tinha certeza de que o amigo não ia recomeçar a gritar.
Harry mexeu-se pouco à vontade na cadeira.
- Vocês prestaram atenção quando eu disse que muita coisa foi sorte?
- Prestamos, Harry — confirmou Hermione gentilmente — , mas não adianta fingir que você não é bom em Defesa Contra as Artes das Trevas, porque é. Você foi a única pessoa no ano passado que conseguiu se livrar completamente da Maldição Imperius, você é capaz de produzir um Patrono, você sabe fazer uma quantidade de coisas que bruxos adultos não conseguem, o Vítor sempre disse...
Rony se virou tão depressa para Hermione que pareceu dar um mau jeito no pescoço. Esfregando-o, falou:
- É? Que foi que o Vitinho disse?
- Ho, ho — caçoou Hermione com a voz entediada. — Disse que Harry sabia fazer coisas que nem ele sabia, e olha que estava cursando o último ano de Durmstrang.
Rony ficou olhando Hermione, desconfiado.
- Você continua em contato com ele?
- E se continuar? — perguntou Hermione, calmamente, embora seu rosto estivesse um pouco corado. — Posso ter um correspondente se...
- Ele não queria ser só seu correspondente — Rony a contradisse em tom de acusação. Hermione sacudiu a cabeça exasperada e, ignorando Rony que continuava a observá-la, dirigiu-se a Harry:
- Então, que é que você acha? Vai nos ensinar?
- Só você, e Rony, está bem?
- Bom — disse Hermione, tornando a parecer um tantinho ansiosa. — Bom... agora não vai perder as estribeiras outra vez, Harry, por favor... mas acho realmente que você devia ensinar qualquer um que quisesse aprender. Quero dizer, estamos falando em nos defender de V-Voldemort. Ah, não seja patético, Rony Não parece justo que a gente não ofereça essa oportunidade a outras pessoas.
Harry refletiu por um momento, depois disse:
- Tá, mas duvido que mais alguém além de vocês três me queira como professor. Sou pirado, lembram?
- Bom, acho que você ficaria surpreso com o número de pessoas que estariam interessadas em ouvir o que você tem a dizer — eu falei, séria. — Escute — me curvei para Harry, Hermione me imitou; Rony, que continuava a observa a Granger de cara amarrada, curvou-se para frente também para escutar —, você sabe que o primeiro fim de semana de outubro é o da visita a Hogsmeade? E se dissermos a quem estiver interessado para se encontrar com a gente na vila e discutir o assunto?
- Por que temos de fazer isso fora da escola? — perguntou Rony.
- Porque sim — respondi, voltando a minha atividade incompleta. — Acho que a Umbridge não ficaria muito feliz se descobrisse o que estamos tramando.
Eu aguardava com ansiedade a viagem de fim de semana a Hogsmeade. Olívio disse que poderia ir me ver, mas eu teria de dar um jeito de fugir dele por um tempo, teria de ir à reunião. , e confirmaram no segundo depois que eu terminei de contar a ideia se Hermione.
- Pode por meu nome na lista — disse . — Se aquela mulher não nos dá aula, vamos atrás de alguém que faça isso.
concordou com a cabeça.
- O problema é que — disse — o Olívio vem me ver no mesmo dia da reunião.
- Olíviiiiio, meu doce e amado Olívio, está vindo me visitar e pedir minha mão em casamento - debochou .
- Oh! Olívio, Olívio! Mas porque és tu Olívio? Renega o teu pai, o teu nome; ou, se o não quiseres fazer, jura apenas que me amas e deixarei eu de ser uma - ajudou, citando meu livro favorito.
- Deixem ela em paz - falou com um sorriso sacana nos lábios. Depois acrescentou. - Não ligue , eles estão com inveja, pois você e o Olívio vão ter uma tarde romântica.
- Vocês ainda conseguem me surpreender na chatice. Tchau.
O dia da visita a Hogsmeade amanheceu claro, mas ventoso. Depois do café da manhã, nos enfileiramos perante Filch, que conferiu nossos nomes na longa lista de alunos que tinham permissão dos pais ou guardiões para visitar a vila.
Quando chegou a minha vez, Filch, o zelador, me olhou longamente. Depois fez-lhe um breve aceno com a cabeça e segurou a tremedeira do queixo, e eu fui em frente, desci a escada de pedra e sai para o dia frio e ensolarado.
- Hum... por que o Filch estava olhando para você? — perguntou , quando ele, eu, e saímos pela estrada que levava aos portões.
- Imagino que estivesse admirando minha beleza — disse, fazendo graça.
E o resto do caminho eles me zoaram por estar indo me encontrar com o Olívio.
- Ansiosa? — cochichou , entrelaçando nossos braços.
- Não — respondi, dando de ombros. — Ele é meu amigo, , é como ir me encontrar com o ou .
Nos quatro passamos entre os altos pilares de pedra, encimados pelos javalis alados, e viramos à esquerda, tomando a estrada para a vila, a força do vento fazendo os meus cabelos fustigarem meus olhos.
- Não? — disse ela, surpresa. — Bom... é que... talvez... não sei... eu achasse que você gostasse dele.
Eu neguei e ela me foi roubada por seus pensamentos durante todo o caminho até a periferia de Hogsmeade.
- Aonde é que vocês vão se encontrar, afinal? — perguntou , indo em duração ao Três Vassouras.
- Casa dos gritos.
- Ah... sério? — respondeu -perguntando- despertando do seu devaneio. — Achei que iam ficar conosco. Na verdade, achei que Olívio vinha aqui nos ver também.
Descemos a rua principal, passamos pela Zonko's — Logros e Brincadeiras, onde não me surpreendi de encontrar Fred, Jorge Weasley e Lino Jordan, passamos pelo correio, de onde as corujas saíam em intervalos regulares, e então eu virei para um lado e eles para o outro, pedindo para eu convidar Olívio para uma cerveja amanteigada com eles. Quando cheguei no local combinado, não havia ninguém, me sentei no chão e comecei a observar a casa que todos dizem ser mal assombrada até que alguém cobriu meus olhos.
- Olívio?
A pessoa me soltou e eu virei, dando de cara com um menino de olhos cor de mel, uma cópia pequena do Olívio. Chad.
- Você nunca acerta! - disse ele emburrado e apertei sua bochecha.
- Eu lhe disse, ela é muito burrinha - disse uma voz conhecida atrás de mim, não me dei ao trabalho de reclamar, só virei e pulei em um abraço.
- Como eu estava com saudades - falei e minha voz saiu abafada já que eu estava com o rosto em seu peito.
- Eu também, pequena. Eu também... - ele falou depois de beijar o topo da minha cabeça.
Ficamos conversando e rindo por um tempo até Chad dizer que queria ir na Zonko's.
- Vão vocês - falei e Olívio me olhou. - Tenho que me encontrar com umas pessoas. Podemos nos encontrar no Três Vassouras daqui uma hora?
- Tudo bem - disse Olívio, mas eu sabia que, quando tivesse a chance, ele iria me perguntar sobre aquilo e eu não poderia mentir. - Até daqui a pouco.
Chad me abraçou e seu irmão mais velho beijou minha bochecha e seguiram caminho até a loja enquanto me virava e ia até o lugar marcado.
Um letreiro maltratado de madeira estava pendurado sobre a porta, em um suporte enferrujado, com o desenho da cabeça decepada de um javali, pingando sangue na toalha branca que o envolvia. O letreiro rangia ao vento quando me aproximei rezando para que os outros três já estivessem dentro. E eu agradeci quando os vi sentados em uma mesa.
Não era nada parecido com o Três Vassouras, cujo grande bar dava a impressão de calor e reluzente limpeza. O Cabeça de Javali compreendia uma salinha mal mobiliada e muito suja, e tinha um cheiro forte, talvez de cabras.
As janelas curvas eram tão incrustadas de fuligem que pouquíssima luz solar conseguia chegar à sala, iluminada com tocos de velas postos sobre mesas de madeira tosca. O chão, à primeira vista, parecia ser de terra batida, mas, quando pisei, deu para perceber que havia pedra sob o que concluiu ser uma camada secular de sujeira acumulada. Havia um homem no bar que trazia a cabeça toda envolta em sujas bandagens cinzentas, embora ainda conseguisse engolir incontáveis copos de uma substância ardente e fumegante por uma fenda no lugar da boca; dois vultos encapuzados se achavam sentados a uma mesa junto a uma janela, eu julgaria que fossem Dementadores se não estivessem conversando com um forte sotaque de Yorkshire, e em um canto sombrio junto à lareira havia uma bruxa com um véu negro e espesso que lhe caía até os pés. Só era possível ver a ponta do seu nariz porque seu volume fazia o véu levantar um pouco. Antes de ir até eles, fui ao bar e o barman saiu de um aposento nos fundos e se aproximou. Era um velho de ar rabugento, com uma espessa cabeleira e barbas grisalhas. Era alto e magro, e vagamente familiar.
- Quê? — resmungou ele.
- Uma cerveja amanteigada, por favor — pedi.
O homem meteu a mão sob o balcão e tirou uma garrafa muito empoeirada, muito suja, e bateu-a em cima do bar.
- Obrigada - respondi enquanto lhe dava o dinheiro.
Aproximei-me dele, Rony me comprimentos com um aceno de cabeço, já a Hermione se levantou e me abraçou.
- Oi - disse Harry, me dando um sorriso de lado.
- Oi - retribui. Sentei-me na cadeira que Hermione havia puxado para mim.
Olhei para a bruxa com o pesado véu e me perguntei se aquela poderia ser a Umbridge.
- Não lhe ocorreu que a Umbridge possa estar embaixo daquilo? - perguntei a Hermione que lançou um olhar para a figura velada como se houve acabado de falar daquilo.
- A Umbridge é mais baixa do que aquela mulher — murmurou simplesmente.
Depois disso continuamos sentados, correndo o olhar ao seu redor e sem falar nada. Então, o homem com as bandagens cinzentas e sujas bateu no balcão com os nós dos dedos e recebeu mais uma bebida fumegante do barman.
- Querem saber de uma coisa? — murmurou Rony, olhando para o bar entusiasmado. — Poderíamos pedir qualquer coisa que quiséssemos aqui. Aposto como aquele sujeito nos venderia qualquer coisa, não ia nem ligar. Eu sempre quis experimentar uísque de fogo...
- Você... é... monitor — lembrou Hermione com rispidez.
- Ah — exclamou Rony, o sorriso sumindo do rosto. — É...
- Então, quem foi que você disse que viria encontrar a gente? — perguntou Harry, abrindo a tampa enferrujada da cerveja amanteigada e tomando um gole.
- Meia dúzia de pessoas — repetiu Hermione, verificando o relógio e olhando para a porta, ansiosa. — Pedi para chegarem por volta dessa hora, e tenho certeza de que todos sabem onde fica...
- Vejam, talvez sejam elas agora - falei quando a porta do pub se abrira. Uma faixa larga de poeira e luz dividiu momentaneamente o recinto, e em seguida desapareceu, bloqueada pela chegada de várias pessoas.
Primeiro entrou Neville com Dino e Lilá, seguidos de perto por Parvati e Padma Patil com Cho e uma de suas amigas risonhas, então - sozinha e parecendo tão sonhadora que poderia ter entrado por acaso, e talvez tenha sido realmente isso- Luna Lovegood; depois Katie Bell, Alicia Spinnet e Angelina Johnson, Colin e Dênis Creevey, Ernesto Macmillan, Justino Finch-Fletchley, Ana Abbott, e uma garota da Lufa-Lufa, com uma longa trança descendo pelas costas, que eu nunca tinha visto antes; três garotos da Corvinal que se chamavam Antônio Goldstein, Miguel Corner e Terêncio Boot, Gina, seguida de um garoto louro e magricela de nariz arrebitado, que reconheci com Miguel alguma coisa e, fechando a fila, Fred e Jorge Weasley com o amigo Lino Jordan, todos três carregando grandes sacolas de papel, cheias de artigos da Zonko's.
- Meia dúzia de pessoas? — exclamou Harry, rouco, para Hermione. — Meia dúzia de pessoas?
- É, bom, a ideia pareceu muito popular — respondeu Hermione, feliz. — Rony, quer puxar mais umas cadeiras para cá?
O barman congelara no ato de limpar mais um copo, com um trapo tão imundo que parecia nunca ter sido lavado. Possivelmente nunca vira seu bar tão cheio.
- Oi — disse um dos gêmeos, chegando primeiro ao bar e contando rapidamente os recém-chegados —, pode nos servir... vinte e cinco cervejas amanteigadas, por favor?
O barman o encarou por um momento, então, jogando no chão o seu trapo, irritado, como se tivesse sido interrompido no meio de alguma coisa importante, começou a passar as cervejas amanteigadas cheias de poeira de baixo para cima do balcão.
- Obrigado — disse Fred, distribuindo-as. — Pessoal, pode ir se coçando, não tenho ouro para tudo isso...
Eu observava, entorpecida, enquanto o enorme grupo apanhava as cervejas com o gêmeo e procurava moedas nos bolsos para pagá-las. Eu estava me perguntando se meus amigos vinham quando a porta se abriu de novo e três pessoinhas entraram rindo de algo. Foram até o gêmeo garçom e pegaram três cervejas, pagou a sua e pagou a sua e a de . Então eles fizeram as pazes?
Eu chamei e ela veio na minha direção, se sentando ao meu lado.
- Como foi? - perguntamos uma para a outra no mesmo momento e soltamos uma risadinha. Isso é tão a nossa cara.
Eu contei para ela como tinha sido a minha manhã enquanto pela minha visão periférica eu via os pares e trios dos recém-chegados se acomodaram em volta de nós, alguns parecendo muito excitados, outros curiosos, Luna mirando sonhadoramente o espaço. Quando todos terminaram de puxar cadeiras e se sentar, a conversa morreu. Eu e nós olhamos antes de, com todos, nos concentrar em Harry.
- Hum — começou Hermione, a voz ligeiramente mais alta do que normalmente, nervosa. — Bom... hum... oi.
Transferimos as atenções para ela, embora alguns olhares continuassem a se voltar a intervalos para Harry.
- Bom... hum... bom, vocês sabem por que estão aqui. Hum... bom, Harry, aqui, teve a ideia, quero dizer — (Harry lhe lançara um olhar cortante.) — eu tive a ideia... que seria bom se as pessoas que quisessem estudar Defesa Contra as Artes das Trevas, e quero dizer realmente estudar, sabem, e não as bobagens que a Umbridge está fazendo com a gente... — A voz de Hermione de repente se tornou mais forte e mais confiante. — Porque ninguém pode chamar aquilo de Defesa Contra as Artes das Trevas. (— Apoiado, apoiado — disse Antônio Goldstein, e Hermione pareceu se animar.) — Bom, eu pensei que seria bom se nós, bom, nos encarregássemos de resolver o problema.
Ela parou, olhou de esguelha para Harry e continuou:
- Com isso, eu quero dizer aprender a nos defender direito, não somente em teoria, mas praticando realmente os feitiços...
- Mas acho que você também quer passar no N.O.M. de Defesa Contra as Artes das Trevas, não? — perguntou Miguel Corner.
- Claro que quero — respondeu Hermione imediatamente. — Mas, mais do que isso, quero receber treinamento em defesa adequado porquê... porque... — ela tomou fôlego e concluiu — porque Lord Voldemort retornou.
A reação foi imediata e previsível. A amiga de Cho guinchou e derramou cerveja amanteigada na roupa; Terêncio Boot teve uma contração involuntária; Padma Patil se arrepiou; e Neville deu um ganido estranho, que ele conseguiu transformar em uma tossida; , que estava com a cadeira inclinada, se desequilibrou e quase caiu. Todos, porém, olharam fixamente, e até mesmo pressurosamente, para Harry.
- Bom... pelo menos este é o plano — eu disse, querendo amenizar a situação, mesmo sendo meio impossível. — Se vocês quiserem se juntar a nós, precisamos resolver como vamos...
- E cadê a prova de que Você-Sabe-Quem retornou? — perguntou o jogador louro da Lufa-Lufa, num tom bem agressivo.
- Bom, Dumbledore acredita que sim... — comecei.
- Você quer dizer que Dumbledore acredita nele — interrompeu o garoto louro, indicando Harry com a cabeça.
- Quem é você? — perguntou Rony, sem muita polidez.
- Zacarias , e acho que tenho o direito de saber exatamente o que faz você afirmar que Você-Sabe-Quem retornou.
- Olhe — respondi, intervindo rapidamente —, não foi bem para tratar desse assunto que organizamos a reunião...
- Tudo bem, — disse Harry. — O que me faz afirmar que Você-Sabe-Quem retornou? — ele repetiu a pergunta, encarando Zacarias nos olhos. — Eu o vi. Mas Dumbledore contou a toda a escola o que aconteceu no ano passado, e, se você não acreditou nele, também não vai acreditar em mim, e não vou perder a tarde tentando convencer ninguém.
O grupo inteiro pareceu ter prendido a respiração enquanto Harry falava. Eu tive a impressão de que até o barman estava ouvindo; continuara a limpar o mesmo copo com o trapo imundo, deixando-o cada vez mais sujo. Zacarias falou, mudando de tom:
- Só o que Dumbledore nos contou no ano passado foi que Cedrico Diggory foi morto por Você-Sabe-Quem, e que você trouxe o cadáver de volta a Hogwarts. Ele não nos deu detalhes, não nos contou exatamente como Cedrico foi morto, acho que todos gostariam de ouvir...
- Se você veio ouvir, exatamente, como é que Voldemort mata alguém, eu não vou poder ajudá-lo. — Harry não tirou seus olhos do rosto agressivo de Zacarias . — Não quero falar sobre Cedrico Diggory, está bem? Portanto, se é para isto que você veio, é melhor ir embora.
- Então — recomeçou Hermione, com a voz novamente muito esganiçada. — Então, como ia dizendo... se vocês quiserem aprender alguma defesa, então precisamos resolver como vamos fazer isso, com que freqüência vamos nos encontrar e aonde vamos nos...
- É verdade — interrompeu a garota, com a longa trança nas costas, olhando para Harry — que você é capaz de produzir um Patrono?
Correu um murmúrio de interesse pelo grupo quando ela disse isso.
- Sou — confirmou Harry, ligeiramente na defensiva.
- Um Patrono corpóreo?
- Hum... você conhece Madame Bones? — perguntou ele. A garota sorriu.
- É minha tia. Sou Susana Bones. Ela me contou como foi a sua audiência. Então... é verdade mesmo? Você conjura um Patrono em forma de veado?
- Conjuro.
- Caramba, Harry! — exclamou Lino, parecendo profundamente impressionado. — Eu não sabia disso!
- Mamãe disse a Rony para não espalhar — comentou o gêmeo garçom, sorrindo para Harry. — Disse que Harry já chamava muita atenção sem isso.
- Ela não está errada — murmurei, e algumas pessoas deram risadas. A bruxa de véu, sentada sozinha, mexeu-se ligeiramente na cadeira.
- E você matou um basilisco com aquela espada que fica na sala de Dumbledore? — perguntou Terêncio Boot. — Foi o que um dos quadros na parede me contou quando estive lá no ano passado...
- Hum... é, matei, sim.
Justino Finch-Fletchley assobiou, os irmãos Creevey se entreolharam, assombrados, e Lilá Brown exclamou baixinho: "Uau!".
- E no nosso primeiro ano — contei ao grupo — , ele salvou a Pedra Filosofal das mãos de Você-Sabe-Quem — conclui. Harry me olhou e me lançou seu sorriso de lado -o qual ele só lançava para mim- discretamente. E, assustada, descobri que gostava daquele sorriso. Resolvi parar de pensar naquele assunto e olhei para Ana Abbott, e senti vontade de ri quando vi que seus olhos estavam redondos como dois galeões.
- E isso para não mencionar — disse Cho (já falei que não gosto dela?) — todas as tarefas que ele precisou realizar no Torneio Tribruxo no ano passado: passar por dragões, sereianos e acromântulas e outros seres...
Houve um murmúrio de concordância favorável em torno da mesa.
- Escutem — disse ele e todos silenciaram na mesma hora —, não quero parecer que estou tentando ser modesto nem nada, mas... tive muita ajuda em tudo que fiz...
- Não, com o dragão você não teve — disse Miguel Corner imediatamente. — Aquilo foi um vôo super irado...
- É... bom — concordou Harry, sentindo que seria grosseiro discordar.
- E ninguém ajudou você a se livrar dos Dementadores, agora no verão — disse Susana Bones.
- Não — concordou Harry —, não, o.k., eu sei que fiz algumas coisas sem ajuda, mas o que estou tentando dizer é que...
- Você está tentando fugir do compromisso de nos mostrar tudo isso? — perguntou Zacarias.
- Tenho uma ideia — disse Rony em voz alta, antes que Harry pudesse falar —, por que você não cala a boca?
- Ora, todos viemos para aprender com Harry, e agora ele está dizendo que, no duro, não sabe fazer nada disso.
- Não foi isso que ele disse — reagi.
- Quer que a gente limpe seus ouvidos para você? — perguntou o outro gêmeo, tirando um longo instrumento metálico de aspecto letal, de dentro de uma das sacas da Zonko's. - Ou enfie isso em qualquer outra parte do seu corpo, para falar a verdade, não somos muito luxentos — acrescentou o gêmeo garçom enquanto seu irmão piscava para mim.
- Bom — disse Hermione depressa —, continuando... a questão é: estamos de acordo que queremos tomar aulas com o Harry?
Houve um murmúrio de aprovação geral. Zacarias cruzou os braços e se manteve calado, talvez porque estivesse ocupado demais em prestar atenção ao instrumento na mão do gêmeo garçom.
- Certo — disse Hermione, parecendo aliviada de que alguma coisa tivesse sido finalmente decidida. — Bom, então, a próxima questão é: com que frequência vamos ter essas aulas? Na verdade, eu acho que não adianta nada nos encontrarmos menos de uma vez por semana...
- Calma aí — disse Angelina —, precisamos ter certeza de que não vão se chocar com o nosso treino de Quadribol.
- Não — disse Cho —, nem com o nosso.
- Nem com o nosso — acrescentou Zacarias.
- Tenho certeza de que vamos encontrar uma noite que sirva para todos — disse Hermione, com leve impaciência —, mas, sabem, as aulas são muito importantes, estamos falando de aprender a nos defender dos Comensais da Morte de V-Voldemort...
- Muito bem! — bradou Ernesto Macmillan. — Pessoalmente, eu acho que as aulas são realmente importantes, possivelmente mais importantes do que qualquer outra coisa que vamos fazer este ano, até mesmo os N.O.M.s que vêm aí!
Ernesto olhou para os lados ostensivamente, como se esperasse que os colegas fossem gritar: "Claro que não são!", mas ninguém disse nada, então ele continuou:
- Pessoalmente, não consigo entender por que o Ministério nos impingiu uma professora inútil como essa, em um período tão crítico. É óbvio que se recusam a admitir o retorno de Você-Sabe-Quem, mas daí a nos mandar uma professora que está tentando nos impedir por todos os meios de usar feitiços defensivos...
- Nós achamos que a razão por que Umbridge não quer que treinemos Defesa Contra as Artes das Trevas — disse Hermione — é que ela tem uma ideia alucinada de que Dumbledore pode usar os alunos da escola como um exército particular. Acha que ele poderia fazer uma mobilização contra o Ministério.
Quase todos pareceram perplexos com essa notícia: todos, exceto Luna, que começou a falar:
- Bom, isso faz sentido. Afinal de contas, Cornélio Fudge tem um exército particular.
- Quê? — exclamou Harry, completamente perturbado com a inesperada informação.
- E, ele tem um exército de heliopatas — confirmou ela, solenemente.
- Não, não tem — retorquiu Hermione com rispidez.
- Tem sim.
- E o que são heliopatas? — perguntou Neville, sem entender.
- São espíritos do fogo — explicou Luna, arregalando os olhos saltados e parecendo mais maluca que nunca, e eu adorei — , figuras altas, grandes e flamejantes que galopam pela terra queimando tudo que encontram...
- Isso não existe, Neville — disse Hermione com azedume.
- Ah, existe, existe, sim! — repetiu Luna, zangada.
- Me desculpe, mas onde está a prova de que existe? — retorquiu Hermione.
- Há muitos depoimentos de testemunhas oculares. Só porque você tem a mentalidade tão tacanha que precisa que se enfie as coisas embaixo do seu nariz...
- Hem, hem — fez Gina, numa imitação tão perfeita da Profª Umbridge, que várias pessoas se viraram assustadas, mas em seguida caímos na gargalhada. — Nós não estávamos decidindo quantas vezes vamos nos encontrar para tomar aulas de defesa?
- Estávamos — disse Hermione na mesma hora — , sim, estávamos, você tem razão, Gina.
- Bom, uma vez por semana parece legal — sugeriu Lino.
- Desde que... — começou Angelina.
- Tá, tá, o treino de Quadribol — disse Hermione em tom tenso. — Bom, a outra coisa é decidir onde vamos nos encontrar...
Isso já era mais difícil; o grupo todo se calou.
- Na biblioteca? — sugeriu Katie Bell, após alguns instantes.
- Não consigo imaginar Madame Pince muito satisfeita vendo a gente fazer azarações na biblioteca — eu disse.
- Talvez uma sala fora de uso? — sugeriu Dino.
- É — concordou Rony. — Talvez a McGonagall nos ceda a sala dela, já fez isso quando Harry estava praticando para o Tribruxo.
Mas eu tinha certeza de que, desta vez, McGonagall não seria tão cordata. Apesar de tudo que Hermione dissera sobre a legalidade de estudos e trabalhos em grupo, eu tinha a nítida impressão de que esta atividade poderia ser considerada muito mais rebelde. Ela vasculhou a bolsa e tirou um pergaminho e uma pena, então hesitou, como se estivesse criando coragem para dizer alguma coisa.
- Acho... acho que todos deviam escrever seus nomes para sabermos quem está presente. Mas acho também — e inspirou profundamente — que todos devemos concordar em não sair por aí anunciando o que estamos fazendo. Então, se vocês assinarem estarão concordando em não contar a Umbridge nem a mais ninguém o que pretendemos fazer.
Eu estendi a mão para o pergaminho e o assinei com animação, depois passei para o gêmeo não garçom que me lançou um piscar de olhos e um sorriso encantador, eu retribui sem excitar.
- Hum... — disse Zacarias lentamente, sem receber o pergaminho que o outro gêmeo tentava lhe passar — , bom... tenho certeza de que Ernesto vai me avisar quando souber da reunião.
Mas Ernesto parecia bem hesitante em assinar, também. Hermione ergueu as sobrancelhas para ele.
- Eu... bom, nós somos monitores — desabafou. — E se descobrirem essa lista... bom, quero dizer... você mesma disse, se a Umbridge descobrir...
- Você acabou de dizer ao grupo que era a coisa mais importante que você ia fazer este ano — lembrou-lhe Harry.
- Eu... certo — disse Ernesto — , acredito realmente nisso, só que...
- Ernesto, você realmente acha que eu deixaria essa lista largada por aí? — perguntou Hermione, irritada.
- Não. Não, claro que não — disse Ernesto, perdendo um pouco da ansiedade. — Eu... é claro, vou assinar.
Ninguém mais fez objeções depois de Ernesto, embora eu tenha visto a amiga de -argh!- Cho lançar a ela um olhar de censura, antes de acrescentar o nome à lista. Quando a última pessoa — Zacarias — assinou, Hermione recolheu o pergaminho e guardou-o com cuidado na bolsa. Havia um clima estranho no grupo agora. Era como se tivessem acabado de assinar uma espécie de contrato.
- Bom, o tempo está correndo — disse o gêmeo garçom com vivacidade, ficando em pé. - Jorge, Lino e eu temos uns artigos de natureza delicada para comprar, veremos vocês depois.
Novamente em trios e pares, o restante do grupo também se despediu. Eu, , e seguimos para o Três Vassouras para nos encontrar com Olívio.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.

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