FFOBS – Borboleta, por Amanda Wasilewski


Borboleta

Última atualização: 25/07/2018

CAPÍTULO 01 –

42 minutos. Fazia exatos quarenta e dois minutos que eu estava encarando o relógio. Só porque eu desejava mais que tudo que aquele relógio mostrasse 07h, ele parecia andar de ré. Faltava apenas três minutos. Três minutos para o melhor dia da minha vida começar. Eu fechei meus olhos e comecei a contar cada segundo, cada segundo que parecia passar lentamente.
— Sete, seis, cinco, quatro... — eu contava animadamente ainda de olhos fechados.
, não vai se arrumar? — a porta do meu quarto se abriu e a voz da minha mãe ecoou no cômodo.
O despertador começou a gritar incansavelmente e eu me levantei da cama sorridente.
— O melhor dia da minha vida. — estiquei meus braços me espreguiçando, enquanto via minha mãe sair do quarto.
Ela não morava comigo. Hoje foi nossa primeira noite aqui, no meu novo apartamento. Sim! Meu novo apartamento. Nossa grande família, formada apenas pela minha mãe e eu, viemos do interior dos interiores de Minas Gerais. Desde que minha nota saiu e eu soube que havia passado na faculdade dos meus sonhos, corremos para encontrar minha nova casa no Rio de Janeiro. No começo, minha mãe não gostou da ideia de me deixar morar sozinha. Por enquanto, ela não pode vir morar aqui, por causa da sua loja de flores. Mas assim que ela conseguir um bom lugar para trazê-la para cá, mamãe se mudará.
Hoje eu começo minha faculdade de psicologia. Eu sempre quis ser psicóloga, desde quando me entendo por gente. Minhas expectativas estavam altas demais e eu sabia que a minha empolgação podia não durar muito. Minha mãe bateu na porta e gritou:
, minha filha, não vai querer se atrasar. E não se esqueça que a garota do e-mail de ontem, virá às três da tarde para a entrevista.
Minha mãe havia agendado entrevistas com supostas colegas de apartamento. O lugar era grande e ajudaria com as despesas se eu dividisse com alguém. Até agora, nenhuma satisfez minha adorável mamãe. Eu ri enquanto pensava isso. Sua carranca na porta do quarto não era nada legal. Ela balançava a chave do carro e eu nem sequer tinha entrado no banheiro.

***

, tem um lanchinho na sua bolsa. Sem presunto! Eu não esqueci daquela dor de barriga no mês passado. — Santo Cristo! Bati a palma da minha mão no meu rosto quando escutei minha mãe gritar.
Todos que estavam ao redor do campus começaram a rir. Provavelmente a faculdade inteira escutou. Me virei em direção a ela e cochichei enquanto me aproximava:
— Não precisa disso, mãe. Eu não estou mais na escola. — eu disse sorrindo.
— Me desculpe, é o instinto materno falando mais alto. — ela colocou as mãos sobre a boca e conteve uma risada.
Balancei minha cabeça enquanto procurava um buraco para enfia-la. Dei um tchauzinho quase imperceptível para minha mãe e caminhei de volta a universidade. Já não bastava todos ali ainda rindo de mim, um cara muito gato – MUITO GATO – estava sentado em um dos bancos me encarando. Ele também estava rindo. Droga!

***

Eu estava indo para minha última aula, amém! Eu estava completamente extasiada com tudo. O campus era lindo, as pessoas eram na delas e ninguém riu mais do acontecido. Eu estava realmente apaixonada. Peguei o papel onde dizia o lugar da minha próxima aula e tentei me equilibrar com a bolsa e os livros na minha mão. Eu só tentei mesmo. Me espatifei no chão. Caí com tudo. E não foi aquele tombinho de filme em que seus livros caem no chão e um aluno super lindo vem te ajudar a pegar. Não. Eu estava esticada no piso frio do corredor, meus livros espalhados, alguns até na minha cara, e nenhuma alma caridosa parava para me ajudar. Alguns passavam e até chutavam minhas coisas. Merda. Me levantei e tentei ajeitar meu cabelo que estava um desastre. O papel todo pisado revelava o número da minha sala. Suspirei, enquanto me ajeitava do ocorrido.
— Você vai entrar ou vai ficar aí parada? — uma voz firme disse atrás de mim.
Eu me virei assim que ouvi.
Camisa xadrez, calça jeans apertada, sapatos impecáveis e cabelo penteado para trás. Essa descrição podia parecer patética, mas em conjunto com aquele rosto, fazia parecer a descrição perfeita para o cara dos meus sonhos.
— Você escuta? — ele disse se aproximando enquanto soltava a mão da maçaneta.
— Eu... eu escuto. E falo também. Não sou muda e nem surda. — cale a boca!
Ele estava rindo de mim. Que legal. Era tudo o que eu queria. Mais pessoas rindo de mim.
— Então está esperando o quê? Minha aula já começou. — ele nem sequer olhou pra mim enquanto falava.
O quê? Esse cara vai ser meu professor?
O homem na minha frente entrou na sala lotada e eu o segui. O quadro tinha algumas anotações, ele seguiu para sua mesa e eu olhei para as cadeiras. Todas ocupadas. A maioria por mulheres. Eu ri. Ainda estava procurando uma pequena beirada que coubesse minha bunda, mas não consegui encontrar. Escutei o professor arranhar a garganta, fazendo-me olhá-lo.
— Você chegou na aula mais cheia do dia, sente-se na minha cadeira. — escutei alguns cochichos vindo dos alunos atrás de mim, mais precisamente das alunas.
Que lindo! Já cheguei atrasada e ainda vou ter que me sentar na cadeira do professor! Lindo!
Dei um pequeno sorriso amarelo, enquanto me movia para o "meu lugar".

***

Uma longa aula em que eu perdi completamente a concentração, havia acabado de terminar. A sala já estava quase vazia, exceto por algumas meninas que estavam ao redor do professor com suas dúvidas extremamente interessantes. Terminei de guardar as minhas coisas e já estava saindo quando escutei o professor Rafael me chamar. Parei por um segundo enquanto via ele se aproximar.
— Você não é daqui, certo?
Ele me chamou pra perguntar isso?
Segurei meus livros junto a mim e balancei a cabeça negando.
— Eu percebi. — suas mãos pareciam inquietas dentro dos bolsos da calça.
Agora seu cabelo já não estava tão penteado e alguns fios estavam balançando sobre sua testa. Eu sorri e voltei a caminhar para fora da sala, mas antes que eu virasse o corredor, pude escutar sua voz de novo. Qual é? O que ele queria comigo?
— É... Você chegou alguns dias depois, se quiser a matéria que já foi passada... — antes mesmo que ele terminasse a frase, eu o interrompi:
— Se precisar, eu pego com alguém da sala. Obrigada, professor Rafael.
Por que eu disse isso?
— Uau! Ok. Eu ia dizer para pegar com a minha ajudante, Caroline. — ele sorriu um pouco sem graça e começou a se virar.
Eu fui horrível.
— Me desculpe, é que eu estou com a cabeça cheia. — tentei me explicar.
— Não me importo. Enfim, se precisar de ajuda procure Caroline.
Ele nem sequer me deixou falar algo. Segundos depois ele já havia desaparecido.

***

O relógio já mostrava 16h e a garota que tinha marcado de se encontrar comigo ainda não tinha chegado. Eu me levantei diversas vezes do sofá, olhei pela janela, caminhei pelo apartamento e nada. Nem sinal da menina. Eu já estava quase desistindo quando escutei a campainha tocar. Só podia ser ela. Tive sorte de mamãe ter ido ao mercado, as outras pobres garotas que ela havia entrevistado saíram daqui aterrorizadas. Me apressei para abrir a porta. A imagem da menina que via a minha frente era interessante. Cabelos castanhos na altura dos ombros, olhos castanhos extremamente redondos e pernas ridiculamente longas. Eu podia jurar que ela havia engolido um cabide, seu sorriso era muito maior que o normal.
— Oi, eu sou . — disse estendendo minha mão.
Ela não hesitou em puxar meus braços e me dar um abraço demorado.
— Eu sou . E adorei seu cabelo! Posso entrar? — já gostei dela.


CAPÍTULO 02 – HARRY

O som estridente da guitarra desafinada de Zayn me fazia querer vomitar. Meus olhos relutaram em abrir quando a luz me atacou de uma só vez.
— Droga, Liam! Não abre a porcaria da cortina na minha cara. — eu disse atirando uma almofada na cara dele. — Qual é a de vocês? Esse é o meu quarto, caramba!
Eu não entendia por que eles estavam rindo. Os safados me acordam do meu bendito sono e ainda zombam com a minha cara? Me levantei enquanto tentava ajeitar meu cabelo bagunçado. Não adianta, esse cabelo tem vida própria e muita personalidade.
— Santo Deus! Vista alguma coisa, não somos obrigados a ter essa vista pela manhã. — Zayn disse tampando os olhos.
Pelo menos, não usar cueca fez com que ele parasse de tocar a merda de guitarra quebrada. Eu dei risada, enquanto me levantava da cama e balançava os braços em direção ao meu melhor amigo.
— Para com isso, cara! Pelo amor de Deus! — Zayn dizia ainda com a mão na cara.
— Para, Harry! Não sabe quão ridículo está. — Liam disse saindo do quarto.
Dei longo passos até o banheiro e fechei a porta para começar o meu dia.
Um banho demorado, longos minutos me encarando no espelho e mais alguns minutos conversando com meu cabelo. É, eu sou mesmo um pedaço de mal caminho. Me enrolei em uma toalha e saí dali esperando que Liam me atacasse com xingamentos sobre a demora no banho, mas ele não estava ali. Na verdade, não tinha ninguém. Achei estranho. Caminhei para fora do quarto e vi um bilhete no balcão da cozinha.
"Querido Harry babão, temos horário e somos responsáveis, diferente de certas pessoas. Se ainda quiser cantar na banda, não se atrase mais do que meia hora. Josh está muito puto com você. Beijinhos do seu lindão, Zayn."
Merda! Eles me deixaram para trás de novo. Amassei o papel e arremessei na lixeira distante de mim. Cesta! Balancei os braços cantando vitória. Eu estava cagando se chegaria atrasado ou não. Nunca em toda a minha vida, eu me arrumaria correndo. Comecei a assobiar e cantarolar, enquanto escolhia animadamente minha roupa. Calça preta com joelhos furados, camiseta cinza e uma jaqueta jeans. A jaqueta jeans. Minha inseparável companheira. Amarrei meu coturno e saí do apartamento em direção a minha moto.

***

— Isso é hora de chegar? — Zayn gritou assim que eu entrei na sala de reuniões.
Todos me olharam, enquanto eu bati a porta e me sentei confortavelmente na cadeira macia.
— Isso é jeito de me cumprimentar? — eu disse dando um tapa na cabeça dele.
Liam como sempre, me encarava como se quisesse arrancar pedaços dos meus órgãos. Niall estava no telefone, provavelmente mandando mensagens para uma de suas garotas. Louis observava animadamente o que Josh falava. Depois de Josh me jogar olhadas matadoras, ele continuou seu discurso:
— Como eu estava dizendo, nossa turnê começará aqui mesmo em Nova York, logo iremos para o Canadá. Depois, partiremos para o México, em seguida Argentina e por fim, Brasil.
— Por que não vamos para a Europa? — eu indaguei.
— Se você estivesse chegado no horário certo, provavelmente saberia por quê. — Josh cuspiu as palavras com ódio.
Eu ri.
— Tem certeza que devemos ir para o Brasil? Odeio mosquitos e não planejo ficar doente.
— Santo Cristo, Harry! Você não pode ser normal pelo menos uma vez na vida? — Liam disse.
Eu me ajeitei na cadeira e cruzei meus braços sobre mim.
— Só estou preocupado com a nossa saúde! — levantei os braços e dei um sorrisinho pra ele.
— Já chega! Começaremos em um mês. — Josh disse se levantando. — Reunião encerrada!
As pessoas começaram a sair da sala e eu bufei. Coloquei meus pés sobre a mesa e encarei Liam.
— Qual é? Eu vim aqui só pra isso? Vocês não podiam ter apenas me dado o recado? Não acredito! — balancei a cabeça em negação.
Liam não deu uma palavra sequer enquanto caminhava para fora dali. Zayn bateu no meu ombro com força.
— Você está de TPM. Entendi. — ele riu.
Seu telefone começou a tocar desesperadamente. Assim que ele me mostrou a tela, eu joguei minha cabeça pra trás e soltei uma risada.
— Talvez ela esteja de TPM. — eu disse.
— Julie? Ela está sempre de TPM. — Zayn dizia, enquanto se levantava e atendia a ligação.
E foi assim, cada um para um lado. Antigamente não costumava ser assim.


CAPÍTULO 03 –

Era ela! Depois de alguns longos minutos conversando com , ou melhor, , eu já tinha decidido. Ela seria minha colega de apartamento. A garota era incrível e eu já me sentia a sua melhor amiga. Tínhamos tantas coisas em comum. E o melhor de tudo: ela também estuda na mesma universidade que eu! está no primeiro período de direito.
— Eu preciso voltar pra universidade. — ela disse desanimada. — Queria tanto ficar mais com você, mas ainda tenho duas aulas. Você não tem?
Balancei minha cabeça, negando.
— Já tive todas de hoje.
se levantou do sofá e pegou sua bolsa em cima do balcão da cozinha. Ela voltou até mim e me deu um beijo na bochecha.
— Estou tão feliz de ter te encontrado! Vou pedir um amigo para trazer minhas coisas hoje mesmo. — ela sorriu e foi embora, me deixando ali sozinha.
Minha mãe tinha ido resolver algumas coisas no centro da cidade, antes de ir embora. Seu voo era amanhã pela manhã. E eu já sei que ela vai chorar bastante. Me deitei no sofá e liguei a TV na Netflix. Eu sabia que tinha muita coisa pra fazer, mas agora eu só queria um descanso e minha série preferida: Friends.

***

, , . — a voz me chamava incansavelmente. Era .
— O que foi? — eu disse me espreguiçando.
— Tem uma mulher dormindo na minha cama. — o quê?
Eu me levantei apressada e corri para o quarto que ficava em frente ao meu. Abri a porta e respirei aliviada, era a minha mãe. Eu acabei pegando no sono no sofá e não vi que ela havia chegado. Comecei a rir e olhei para que estava com os olhos arregalados e apavorada.
— É a minha mãe.
— Graças a Deus. — eu dei risada da cara dela.
— Ela vai embora amanhã. — disse.
— Tudo bem. Meu amigo veio aqui mais cedo, acho que você estava dormindo. Então eu trouxe tudo agora. — ela caminhou para a porta do apartamento e apontou para as malas. Eram muitas.

***

não quis me deixar acordar minha mãe. Disse que poderíamos pedir algo para comer e depois ela arrumava suas coisas no seu quarto.
— Eu prefiro fazer minha própria comida. Vai saber se essas pessoas não vão cuspir nela. — disse me movendo até a cozinha.
— Ok. Você faz então, eu não sei fazer nem um miojo. — estendeu as mãos para o alto e sentou no banquinho de frente pra mim.
— Vou fazer um macarrão. — peguei as panelas e comecei a preparar os ingredientes.
— Adoro! Vou colocar uma musiquinha dos meus meninos pra gente. — "meus meninos?"
Eu parei para observá-la, ela ajeitava os cabelos enquanto procurava algo no celular parecendo bem concentrada. Assim que um som começou a sair do alto falante do aparelho, ela se levantou e começou a dançar pela cozinha.
— É a minha preferida. — cantava junto com a música. Uma melodia um pouco agitada, mas com a letra tão sincera e bonita.
A voz que cantava eu não conhecia, mas me encheu de uma forma estranha. Eu ouviria o dia inteiro.
— Quem canta? — eu gritei.
— Como assim você não conhece? Você vive sem internet? — ela pausou a música e me encarou. Seus olhos me fitavam, não acreditando.
— Eu não escuto muita música, só Beatles e John Mayer. — voltei para o fogão e comecei a fazer o macarrão.
— Meu Deus! São os Black Birds! A voz sedutora é do meu marido, Harry Colby. O único. — ela pegou seu celular e deu o play novamente.
A música corria sobre toda a cozinha me enfeitiçando. Eu gostei do som e, principalmente, da voz que dava vida a toda a letra e melodia.

***

A comida estava deliciosa e minha mãe acabou acordando com o barulho. Eu apresentei para ela e como eu imaginava, mamãe a amou. Elas conversaram tanto que até me deixaram de lado, enquanto eu arrumava a bagunça da cozinha. Passamos o resto da noite ajudando a ajeitar um pouco seu quarto. Assim que terminamos, fomos todas dormir. Amanhã seria um longo dia.


CAPÍTULO 04 – HARRY

Um mês depois
O jeito que o vento batia contra meu corpo, enquanto eu acelerava a minha moto me fazia sentir livre. Três outras motocicletas de alguns paparazzi estavam atrás de mim. Coitados. Eles nunca me alcançariam. Peguei o túnel a minha direita e percebi pelo retrovisor que dois carros me seguiam com câmeras de fora dos vidros. Pose para foto. Virei minha cabeça rapidamente e coloquei a língua pra fora do capacete. Essa era minha marca nas fotos desses imbecis. Assim que virei minha cabeça para frente, um carro estava parado na saída do túnel. Merda! Foi por pouco. Desviei com rapidez e quase bati em outro carro que estava mais à frente.
— Seu otário! Não se para o carro na saída do túnel! — coloquei meu dedo do meio bem a vista do rosto do homem dentro do carro.
Nesse momento, os flashes já estavam disparados.

***

— Inadmissível! — Liam jogou o Ipad no meu colo com a minha foto de hoje mais cedo, no túnel.
— Eu também acho! Meu cabelo não estava aparecendo. — fiz um beicinho enquanto dava zoom na foto.
— Você não cresce, Harry? Desde criança eu vivo limpando suas sujeiras. — Liam andava desesperado de um lado para o outro na sala.
Joguei o iPad no sofá e me inclinei para frente. Ele parou de andar e me encarou de braços cruzados.
— Se continuar assim, vamos ter que te tirar da banda. — ele terminou de dizer e eu gargalhei.
— Faça isso. Faça e não terão fã nenhum pra garantir o sucesso de vocês. — eu estiquei meus pés na mesinha.
— Você é um bosta! — Liam revirou os olhos.
— Quem é um bosta? — Zayn disse entrando com Julie na sala.
A modelo com pernas excepcionalmente grandes estava parada segurando a mão do meu melhor amigo. E único talvez. Alguns meses atrás, eu poderia dizer que tinha mais dois, Niall e Louis, mas hoje nenhum deles são como antes.
— Eu sou um bosta, segundo Liam. — eu disse.
— Eu vou sair antes que você me irrite e eu acabe socando a sua cara. — Liam disse saindo da sala e eu comecei a rir.
Zayn imediatamente caminhou até mim, ainda agarrado em Julie.
— Cara, não liga pra ele. Mas eu preciso te dizer que ultimamente suas fotos não estão muito legais. — o quê? Zayn me dando lição? Eu até me sentei para ouvi-lo melhor. — Seu cabelo está uma porcaria, suas olheiras estão horríveis...
Julie revirou os olhos e eu comecei a rir, enquanto puxava meu amigo para o sofá e socava suas costas.
— Eu não mereço isso. — ela cochichou.
Zayn se levantou rapidamente e olhou pra ela.
— Meu docinho, já estamos indo. — ele apertou a bochecha dela e fez beicinho. Não, por favor, não.
— Pelo amor de Deus, me avisem pra pegar um balde antes. Quero vomitar. — coloquei meu dedo na boca e caminhei para fora dali.
— Cara, espera aí! — Zayn veio correndo.
— Chora. — eu disse enquanto colocava minha jaqueta jeans.
— Amanhã começa nossa turnê, você sabe né? Tenta não se atrasar.
Eu dei um abraço nele e um tchauzinho pra Julie que estava nos olhando da sala de trás. Assim que Zayn começou a falar algo mais, eu abri a porta e fui embora dali.


CAPÍTULO 05 –

Já tinha se passado um pouco mais de um mês de aula e eu estava acostumada a me desconcentrar nas aulas do professor Rafael. Ele parecia ser bipolar. Às vezes, chegava um tanto fechado, frio, dava sua aula sem ao menos direcionar seu olhar para nós, os alunos. Outras vezes, ele chegava sorrindo e não tirava os olhos de mim. Eu não o entendia. Na verdade, ninguém entendia. Estava a caminho de sua aula, quando parei para ir ao banheiro. Assim que fechei a porta e me sentei no assento, escutei uma voz conhecida de uma das garotas da minha sala. Era Samanta. Já havia escutado alguns boatos que ela estava saindo com o professor Rafael, mas eu sabia que eram apenas boatos.
— Ele me deixou em casa com o carro dele. — a voz irritante dela dizia.
— E sua mãe? Ela não perguntou quem era? — pude escutar a voz de uma de suas amigas.
— Claro que não, ela não se mete na minha vida. — Samanta era um nojo de pessoa. Desprezível, mandona e nariz em pé. — Então, como eu estava dizendo antes de você me interromper, ele me levou em casa, mas antes disso nós fomos para o apartamento dele...
Eu não queria mais ouvir isso. Os boatos já estavam esclarecidos. Não eram boatos. Abri a porta com força e ela bateu, fazendo as garotas se assustarem. Samanta me olhou com aquele olhar de repulsa e se aproximou de mim.
— Escutando conversa dos outros é? Sua estranha! — ela me empurrou enquanto sua amiga ria daquilo.
Não conseguia acreditar que em uma universidade, com pessoas adultas e responsáveis, ainda existia esse tipo de coisa.
— Não vai responder, aberração? — ela disse, ainda me empurrando.
— Desculpa, eu me esqueci que estava na escola de novo. — terminei de falar e empurrei ela para longe.
Eu abri a porta do banheiro e caminhei para fora. Assim que entrei na sala de Rafael, ele estava parado em sua mesa. Estava quase me sentando quando vi que ele se aproximou de mim.
, posso falar com você depois da aula? — esse professor safado já queria dar em cima de mim?
— Não posso. — disse, enquanto me sentava e abria meu notebook.
— É importante. — seus olhos me encaravam de uma forma tão estranha. Seu olhar era profundo e me fazia querer olhá-lo por muito tempo.
— Tudo bem. — que droga! Me cedi.
Ele sorriu com um de seus maravilhosos sorrisos e caminhou de volta à sua mesa. Samanta passou rebolando por ele, o que só me fez revirar os olhos. Ele nem sequer olhou para ela. Vê-lo sentar na beirada da mesa no meio da sala e arregaçar suas mangas todos os dias, me fazia pirar. Quando suas tatuagens apareciam, meu olhar nem sequer se movia se seus braços e eu acho que ele percebia isso.

***

A aula demorou tanto a passar que eu já estava começando a ficar maluca. Permaneci na minha cadeira, enquanto observava todos irem embora. Principalmente Samanta, que não deixou de rebolar na frente de Rafael. Ridícula. Olhei para trás e não vi mais ninguém ali. Estávamos só eu e ele na grande sala vazia. Seus passos foram apressados até chegar até mim. Ele não se sentou, ficou ali em pé ao meu lado.
— Que bom que esperou. — ele cruzou seus braços e me encarou. Seu olhar era tão intenso.
— Eu não sou como as outras alunas, não sou igual a Samanta. — bufei.
— Eu sei que você não é igual a elas, por isso te chamei aqui. Eu tentei, juro que tentei. Tentei ficar longe de você, merda. Eu não posso fazer isso. — ele começou a caminhar de um lado para o outro parecendo nervoso e confuso.
— Eu não estou entendendo. — disse, me levantando.
— Eu não sou assim. — ele parou em minha frente. — Trabalho aqui há anos e nunca me interessei por uma aluna, até você chegar. — que mentiroso! O que ele estava falando? — Por favor, entenda que estou lutando muito para me afastar.
— Professor Rafael, eu não estou entendendo. — quando terminei de falar, ele se aproximou de mim.
— Me deixe terminar. — ele segurou minha mão e eu deixei. Eu deixei. — Você é diferente. Não deu em cima de mim. Eu gosto do seu sorriso, ele me faz querer rir sempre que você ri.
Eu abri minha boca para dizer algo, mas ele não permitiu.
— Não posso fazer isso, mas eu preciso. Encontra comigo essa noite, por favor.
Eu soltei sua mão da minha e me afastei. Soltei uma risada irônica e peguei minha bolsa na mesa.
— Pare de mentir. Eu sei muito bem que você sai com todas suas alunas e eu não sou como elas. Por favor, pare com isso.
Minha paixão platônica por ele não podia falar mais alto, eu não deixaria esse safado se aproveitar de mim.
— O quê? Onde ouviu isso? — ele disse, confuso.
— Não seja cínico, pare. — eu tentei caminhar para fora da sala, mas ele me segurou.
— Por favor, . Acredite em mim, eu não sou isso que eles falam. Nunca sequer saí com uma dessas alunas oferecidas. Nunca nem pensei que sairia, mas quando te vi, minhas ideias mudaram completamente. Prometo que não vai acontecer nada, se não quiser, é claro. — ele riu. Droga, ele riu! — Um cinema e nada mais.
Meus pensamentos se debatiam entre eles tentando chegar a alguma conclusão. Eu não estava acreditando no que eu estava prestes a fazer, mas eu iria fazer.
— Tudo bem, só um cinema.
Ele me olhou desacreditado e o canto esquerdo de sua boca saltou quase despercebido.
— Salva seu número no meu telefone, te ligo mais tarde. — Rafael estendeu sua mão e me entregou o celular.
Eu salvei o meu número e fui embora pra casa.

***

Todos os rostos dos "meninos da ", como ela gostava de deixar bem claro, estavam voltados para mim. Eu estava deitada na cama confortável da minha melhor amiga, como eu previ desde o início, e o teto estava repleto de pôsteres da banda Black Birds, a preferida dela. As paredes em minha volta também estava coberta deles. O garoto do meio, que eu estava cansada de saber que era Harry, o marido da , sempre me chamava a atenção. Todas as fotos a pose de maioral, o sabe tudo, sempre falava mais alto. Ele com certeza é um idiota que se acha o cara mais especial do mundo. Ridículo.
! ! ! — a porta se abriu e entrou saltitando com dois papéis nas mãos.
— Você está passando mal? — perguntei, enquanto me sentava na cama.
— Eu fui uma das primeiras, uma das primeiras... — ela alternava entre tentar respirar e tentar falar.
Eu empurrei seu frágil corpo para se sentar na cama.
— Respira, sua louca. Você foi uma das primeiras o quê?
— COMPREI! — ela berrou e se jogou na cama, enquanto balançava freneticamente suas pernas. Definitivamente ela não estava normal.
— Quando agir como uma pessoa normal, vá até o meu quarto. Preciso te contar uma coisa. — eu me levantei e ela me puxou, fazendo com que eu me deitasse na cama.
— EU COMPREI DOIS INGRESSOS PRA GENTE IR NO PRIMEIRO SHOW DOS BLACK BIRDS NO BRASIL! AH, EU VOU MORRER. — ela gritava e se contorcia enquanto me balançava loucamente. Eu apenas a encarava tentando segurar a risada.
— Eu vou sair com o professor Rafael. — ela parou de se mexer e me olhou séria.
— O quê?


CAPÍTULO 06 – HARRY

O cheiro doce que invadia minhas narinas me fez acordar. Era nojento. Assim que abri meus olhos, vi a loira enrolada no lençol ao meu lado. Seus cabelos cobriam todo o travesseiro, que provavelmente demoraria bastante para sair o cheiro do perfume barato. Nesse momento, dei graças a Deus por não ter a levado pra casa. Me levantei observando o quarto de hotel em que estávamos. Ele era grande e um tanto ajeitado.
Tomei um rápido banho e agradeci novamente pela mulher não ter acordado. Ela dormia como uma pedra. Bem melhor assim, ela falava muito quando estava acordada. Vesti minhas roupas depressa e saí do quarto sem que ela ao menos percebesse. Amarrei meu cabelo em um coque e coloquei um boné, era de manhã e provavelmente teria muitas pessoas na frente do hotel agora. Odeio a internet!
— Sr. Colby, tem um carro esperando pelo senhor nos fundos. O hotel pensou que seria útil para você. — um homem alto e de terno me disse.
Acenei com a cabeça e ele me mostrou a saída. Mesmo nos fundos, havia algumas dezenas de pessoas gritando por mim. Eles me viram e eu corri para o interior do carro. Algumas garotas batiam no vidro, gritando meu nome e esfregando a cara nele. Que malucas.

***

— Cinco minutos e vocês entram no palco. — Josh abriu a porta do camarim e enfiou a cabeça no pequeno espaço, para nos dizer.
Os garotos levantaram os dedões confirmando e eu permaneci ali, me olhando no espelho. Meu cabelo estava perfeito demais.
— Ouviu, Harry? Sem atrasos. — Josh disse, me olhando pelo reflexo do espelho.
— Sim, senhor. — balancei minhas mãos fingindo me importar e continuei me olhando, enquanto ele ia embora.
Hoje meu dia tinha sido cansativo demais. Passei horas com a chata da Laurel me mostrando roupas ridículas para o show de hoje no seu iPad. Ela não estava cansada de saber que só eu escolho minhas roupas? Niall se aproximou de mim e começou a rir.
— Está rindo do quê, nanico? — eu o encarei.
— Existe alguma coisa mais importante do que seu cabelo? — ele perguntou ainda rindo.
— Sim, claro. — eu respondi, me levantando.
— Oh, sério isso? O quê, por exemplo? — ele cruzou seus braços e continuou me olhando.
— Eu.
Ele gargalhou.
— Eu quis dizer algo que não envolva você, ou seu corpo, ou sua moto.
O empurrei, enquanto passava para chegar até o outro espelho maior. Zayn veio até mim e me levantou do chão.
— Claro que existe algo mais importante que isso pra ele, eu! — Zayn disse orgulhoso.
Niall e Louis começaram a rir. Liam ainda permanecia com a cara fechada sentado no sofá. Ele revirava os olhos e isso era uma das coisas que eu mais o via fazer.
— Vocês vão nos atrasar. Já está na hora de ir. — Liam resmungou.
A porta se abriu e era Josh de novo. Ele nos chamou e todos saímos do camarim para nosso show em Orlando.

***

— Hillary, meu nome é Hillary! — a morena que estava sentada no meu colo me dizia.
— Tanto faz! — a tirei de cima de mim e caminhei até o banheiro.
Assim que o show acabou, nós fomos para o camarim tirar algumas fotos com os fãs e essa tinha me chamado a atenção. Ela se insinuou pra mim e eu a chamei para ficar aqui comigo quando os meninos foram embora para o hotel.
— Vem pra cá, meu tigrão. — TIGRÃO? Pelo amor de Deus!
Ela veio até mim no banheiro e começou a esfregar minhas costas, enquanto mordia minha orelha. Eu empurrei suas mãos pra longe de mim e me movi dali. Vesti minha camiseta e calcei minhas botas.
— Se vista e vá embora.
— Mas já? Não! Eu não quero ir. — ela resmungou, tentando chegar perto de mim.
Eu abri a porta do camarim e saí sem ao menos olhar na cara dela.
— Harry!
Escutei sua voz irritante me gritando pelos corredores. Continuei correndo, passando pelos seguranças e funcionários do local, achei a saída mais rápido do que eu imaginava. Já fazia um bom tempo que o show tinha terminado e com certeza não haveria ninguém lá fora. Bom, eu estava errado! Assim que pus meus pés na rua, uma multidão me prendeu em um círculo e começaram a me tocar, abraçar, puxar meu cabelo e tirar fotos.
— Harry!
— Harry!
Eu escutava meu nome por todos os lados. Merda! Cadê o segurança? Cadê o carro? Eu olhava para os lados e não conseguia ver nada além das pessoas me puxando de um lado para o outro. Socorro! Cobri meu rosto com meus braços, impedindo com que eles me machucassem. Eu sabia que eles não estavam fazendo por mal, mas o excesso de carinho naquele momento estava me matando. Depois de alguns minutos sem conseguir me locomover, não havia nenhum sinal de algum segurança ou do motorista. Abaixei os meus braços e tentei ver algo. Nada. Um cara me agarrou e estava me apertando com seus braços compridos. Ele começou a me morder e eu coloquei as mãos em sua cabeça tentando tirá-lo dali. Ele não saía. Ele continuou me mordendo e me apertando. Eu não sabia o que fazer. Respirei fundo quando minha mão direita acertou com tudo o queixo dele. O garoto caiu imóvel. Todos pararam. As pessoas ao me redor me olhavam assustadas e esse era o momento em que eu tinha que correr. Corri desesperado para o carro. Taylor estava calmamente no seu banco. Ele nem sequer tinha visto alguma coisa.
— Imprestável! Você não me ajudou. Vamos embora logo! Pro hotel, rápido.
Ele não disse nada. Apenas ligou o carro e partiu para longe dali.

***

"Depois dos comerciais, vamos entrevistar o garoto que foi atacado pelo jovem cantor Harry Colby"
— Desliga essa merda. — eu chutei o sofá em que Niall, Louis e Liam estavam.
Niall pegou o controle correndo e desligou a TV. Eles me olharam assustados e eu me sentei no banco atrás deles.
— Parabéns, meu querido irmão. — Liam se levantou do sofá e deu longos passos até onde eu estava. — Está vendo o que você fez?
— Cale a boca. Me poupe das suas lições de moral. Não devo explicações pra você. — dei um gole na garrafa de cerveja que eu tinha acabado de abrir.
— Não só pra mim, mas para todos nós. — ele apontava para os dois no sofá. — Isto que você fez foi o cúmulo do absurdo. O que os fãs vão pensar de nós?
— Não desliga, meu amor. Por favor, me escuta. Não! JULIE! — Zayn entrou na sala com o telefone no ouvido.
Assim que ele desligou, olhou para a cara de todos e viu que o clima não estava nada bem.
— Agora não, Liam. Qual é? Ou vai me dizer que se você estivesse no lugar dele você também não faria o mesmo? — Zayn veio até mim e colocou seu braço sobre meu ombro. — Quer dizer, acho que você não faria isso. Você desmaiaria.
Ele começou a rir e eu gargalhei junto. Niall também se juntou conosco na risada. Apenas Louis e Liam permaneciam de cara amarrada.
— Harry, preciso falar com você. Quero você agora no meu quarto! — a voz de Josh quando ele apareceu onde estávamos, era firme e irritada.
Paramos todos de rir e eu me levantei da cadeira. Não queria mais falação. Josh saiu do nosso quarto de hotel e eu o segui até seu quarto. Isso daria merda. Muita merda!


CAPÍTULO 07 –

— Como assim você vai sair com seu professor? Você está falando sério? — se levantou da cama e começou a andar de um lado para o outro. — Tudo bem que ele é um gato e um gostoso, mas ele é seu professor...
Eu estava rindo de vê-la pensativa desse jeito, ela coloca seus pequenos dedos na boca e começa a roer unha por unha. Era engraçado.
— É só um cinema, nada mais. — balancei os meus ombros e comecei a caminhar para fora dali. — A propósito, eu odeio esse pôster, esse olhar superior dele me dá arrepios.
Apontei para o rosto de Harry, que me olhava. Escutei a risada irônica de enquanto eu saía do quarto. Já estava anoitecendo e nenhuma mensagem de Rafael havia chegado, muito menos uma ligação. Para quem não queria esse encontro, eu estava bem ansiosa. Se bem que, não era um encontro. Ele deixou bem claro! As palavras do meu professor enchiam minha mente de uma forma anormal. As suas palavras me deixaram em dúvida se ele realmente era um idiota e saía com todas as alunas, inclusive Samanta. Eu já estava de banho tomado, não que eu estivesse completamente ansiosa a ponto de ficar pronta sem ao menos ele ter me ligado. Me esparramo no sofá e balanço os pés para o alto. Vejo o controle do Xbox na poltrona ao lado e o agarro. Vou jogar FIFA — pensei. Antes que o jogo começasse, meu celular vibrou. Era uma mensagem! Uma mensagem de um número desconhecido. Desbloqueei a tela rapidamente e abri o pequeno texto. Só podia ser ele!
"Oi, . É a Caroline, você esqueceu de pegar seu caderno comigo. Peguei seu número no grupo da sala, espero que não se importe. Vai precisar dele amanhã?"
Droga, não era ele. Suspirei, enquanto digitava um "Vou sim" e enviava a resposta para ela.
Eu já estava no final do segundo tempo quando meu celular vibrou de novo, dessa vez não peguei tão rápido. Já havia desistido da ideia que ele viria me buscar. Desbloqueei a tela e li o texto:
"Oi, onde posso te buscar? Rafael aqui"
Eu estava sorrindo? Meu Deus eu estava sorrindo! Comecei a digitar rapidamente o endereço e segundos depois de enviá-lo, Rafael me respondeu:
"Ok. Daqui 20 minutos estou aí :)"
Dei um pulo do sofá e corri para o quarto de . Ela estava dormindo agarrada na almofada da cara do Harry e com os dois ingressos enrolados em suas mãos. Eu queria rir daquilo e tirar muitas fotos, mas eu precisava correr. Puxei suas pernas e ela quase caiu da cama assustada.
— Meu Deus! Terremoto, eu já sabia! — ela disse e eu comecei a rir enquanto a via ajeitar o cabelo que caíra no seu rosto.
— O quê? — sacudi seu corpo. — Um vestido! Preciso de um vestido seu.
limpou a baba de seu rosto e caminhou lentamente até seu armário, acho que ela ainda estava dormindo. Ela retirou um vestido rodado azul e me entregou sem ao menos falar nada.
— Obrigada? — eu disse enquanto segurava a roupa.
— Agora beija ele. — ela subiu na cama de uma forma estranha e se jogou nas almofadas da cara de Harry. — E eu beijo o Harry.
Fiz uma careta enquanto saía rapidamente dali. Maluca.
HARRY ME MORDE QUE EU NÃO TE SOCO!
Eu não pude deixar de rir de seu grito. Provavelmente seria da matéria que ela me enviou umas trinta vezes hoje, do garoto que mordeu — ou sei lá o que ele fez — o Harry e ele socou a cara do coitado. Tudo bem que ele foi mordido, mas nossa, não precisava socar um fã. Balancei minha cabeça e corri pro meu quarto.
Nunca me arrumei tão depressa em toda a minha vida. Quando fechei o batom, a campainha tocou. Na hora! Respirei fundo e caminhei até a porta. Eu a abri e puta merda, meus pés queriam algum lugar para flutuar. Isso tinha que ser crime! A camisa xadrez caía perfeitamente em Rafael, o sorriso naquele rosto me causava arrepios estranhos. Ele estava tão lindo.
— Está tudo bem? ? Está me escutando? — o que eu estava fazendo?
Eu não conseguia acreditar que estava de boca aberta e em um estado de transe enquanto olhava pra ele. Que droga!
— Está sim, podemos ir?
Ele balançou a cabeça concordando e então saímos dali.

***


O filme tinha acabado e Rafael nem sequer tentou segurar minha mão, ou fazer algo, ele estava certo. Se ele fosse quem as pessoas falam que ele é, com certeza não seria do jeito que foi. Enquanto saíamos da sala de cinema, ele parecia empolgado. Começou a comentar de todos os detalhes das partes de luta entre os super-heróis. Eu acabei entrando na dele e passamos o resto da noite comendo e conversando sobre tudo. Ele realmente não é quem todos falam que é. Rafael é diferente e ninguém o conhece realmente.
O carro estacionou na porta do meu prédio e ele se virou pra mim enquanto tirava seu cinto de segurança.
— Você tem que sorrir sempre? — por favor, que eu não tenha falado em voz alta.
O sorriso de lado mais maravilhoso que eu já tinha visto em toda a minha vida, apareceu.
— Você gosta? — é, eu tinha falado em voz alta.
Balancei a cabeça devagar e dei um leve sorriso. Ele suspirou e apertou as mãos no volante.
— Eu preciso ir, foi uma ótima noite. Vou esperar você entrar. — ele passou seu braço sobre mim e alcançou a maçaneta da porta, a destrancando.
— Ok. — eu disse, desanimada. — Obrigada.
Desci do carro sem ao menos olhar para trás. Assim que pisei no hall do prédio, escutei a voz de Rafael me chamar. Eu me virei rapidamente e ele veio correndo até mim. Antes que eu pudesse responder, ele agarrou meu rosto com suas mãos e me puxou para um beijo. Eu estava beijando meu professor! Não conseguia acreditar. Minhas mãos seguraram seu pescoço, o puxando para mais perto de mim. Seu beijo era intenso, mas ao mesmo tempo doce. Rafael segurou minha cintura me aproximando de seu corpo, sem parar um segundo com o beijo. Eu estava gostando de beijar meu professor. Assim que nossas bocas se separaram, ele resmungou algum xingamento. Será que eu não beijei bem? Acho que minha cara de constrangimento o atingiu, ele me olhou preocupado e balançou as mãos.
— Não, não! Não é isso. É que eu não podia ter ido pra casa sem fazer isso, mas eu não posso fazer isso. Não posso. — e lá vamos nós.
Rafael se virou e sem nem se despedir, foi embora.


CAPÍTULO 08 – HARRY

— Mais uma dessa em um mês? — a voz de Josh era grossa e fria.
Me sentei na poltrona em frente à TV e estiquei minhas pernas. Tirei o chapéu da minha cabeça e joguei na cama atrás de mim. Josh caminhou até onde eu estava e parou na minha frente.
— Primeiro, foi a garota que você empurrou.
— Ela puxou meu cabelo! — eu disse, me defendendo.
— Depois, — Josh me encarava enquanto contava em seus dedos. — teve aquela conversa de não querer tirar foto com uma menininha.
Eu me levantei e cruzei os braços.
— Ela estava toda suja de sorvete e eu tinha uma entrevista! Não podia abraçá-la.
Ele me olhou com uma cara de nojo e se sentou onde eu estava há alguns segundos. Eu bufei me encostando na parede a sua frente.
— Agora, você me vem com essa de socar a cara de um fã? Crie modos, Harry! Você precisa se tornar responsável. Por favor!
Revirei meus olhos e comecei a sair da sala. Antes que eu fechasse a porta, Josh gritou:
— Não se esqueça que embarcaremos amanhã para o México!
— Sim, senhor! — sacudi a cabeça e saí dali.
O elevador estava demorando a chegar, eu precisava sair um pouco daqui. Pegar um ar fresco, respirar novos ares. Vi minha imagem refletida na porta fechada a minha frente. O que eu me tornei?

FLASHBACK HARRY COM CINCO ANOS
— Mamãe, olha o que eu sei fazer!
Harry pegou suas pequenas baquetas e se sentou no banquinho da bateria de brinquedo. Ele começou a bater aleatoriamente nas caixas do instrumento a sua frente. Harry começou a se remexer com o som que saía de sua bateria. Sua mãe, que estava ao telefone, parou por alguns segundos e olhou o filho que a chamava.
— Agora não, Harry! — a mulher colocou o aparelho novamente na orelha e se virou apressada.
O garotinho que antes dançava, agora parou.
FIM DO FLASHBACK

O elevador se abriu e eu entrei. Tinha uma senhora lá dentro. Sorri para ela e me encostei no fundo.
— Você é aquele moço famoso que canta, não é mesmo? — olha só! Pela primeira vez nesses dias alguém me reconheceu pelo que eu faço, não pelo que eu sou.
— Sim, eu canto. — olhei pra ela, sorrindo.
— Você é muito bonito e um bom rapaz, poderia tirar uma foto para a minha neta? — acho que ela não tem internet ou TV em casa. A senhora tirou de seu casaco um celular bem velhinho.
Peguei-o em minhas mãos e ainda sorrindo sacudi minha cabeça dizendo que sim. Achei a câmera do celular, que só tinha na traseira, virei-a pra mim e me abracei junto a senhorinha. Ela me deu beijo na bochecha e eu a entreguei o celular.
— Muito obrigada, mocinho! — a porta do elevador se abriu e eu saí apressado.
Um homem que trabalhava no hotel parou diante de mim, e sorrindo meio nervoso disse:
— Senhor, acho que o senhor gostaria de ficar aqui dentro. Tem fãs lá fora. — eu o afastei com minha mão e continuei andando.
— Não me chame de senhor! E você não sabe o que eu gostaria de fazer ou não.
Peguei meu óculos escuro no bolso do casaco e coloquei-o. Os dois caras que seguravam a porta de vidro que me separava das pessoas lá fora, abriram-na pra mim. Antes mesmo que eu pudesse pisar na rua, algo me puxou para dentro do hall. Algo não, alguém. Era Liam.
— O que você está fazendo? — ele me pergunta enquanto me puxa para o sofá.
— Eu que te pergunto, o que você está fazendo? — tentei me levantar e ele me puxou para baixo.
— Mamãe vai vir nos ver, antes de embarcarmos para o México. — eu ri.
— Sua mãe. — eu disse, me levantando com força.
— Até quando vai tratá-la assim? — escuto Liam gritar quando entrei no elevador novamente.
Desta vez, não tem ninguém dentro dele.

***


Embarcaremos amanhã bem cedo, por isso não temos show hoje. Eu queria sair, andar pela cidade, mas duas coisas me impedem: Josh e Liam. Eles me trancaram no quarto. Segundo eles, foi preciso para eu participar do jantar com a mulher que se diz ser minha mãe. Agora ela diz isso, quando eu precisei ela não estava lá.
— Por que diabos você não está arrumado? Eu disse que era pra você vestir esse terno. — Liam entrou no quarto já me xingando.
Ele jogou as chaves em cima da cama e caminhou até onde eu estava sentado. Me levantei e comecei a andar para fora dali. Não adiantaria fugir, eu teria que ir nesse jantar idiota.
— Pra onde você está indo? — ele disse, correndo atrás de mim.
— Para o jantar, ué. — continuei caminhando e entrei no elevador. Liam correu e entrou também.
— Vai vestido assim?
— Queria que eu fosse pelado? — respondi rindo.
— Queria que tivesse vestido a roupa que te entreguei. — ele apertou o botão com raiva e cruzou seus braços em seu peito.
— Devia estar feliz por eu apenas ir. Meu corpo estará presente, meu espírito não. — encostei minha cabeça na parede fria do elevador.
Liam bufou exaltado.
— Caramba, Harry! Ela é a nossa mãe.
Virei meu rosto pra ele e sorri calmamente. Eu não iria me estressar hoje. Não mesmo.
— Sua. Minha não.
A porta se abriu e eu saí, dando de cara com ela. A mulher que me colocou no mundo. Suas roupas extravagantes, com colares de pérolas gigantes e aquele sorriso falso que ia até as orelhas, me encaravam.
— Oi, meus lindos filhos. Senti tanto a falta de vocês. — ela segurou o rosto de Liam e começou a beijá-lo.
Ele a abraçava, retribuindo o carinho e me olhava com um olhar de quem dizia "vamos, abrace-a". Eu ignorei, claro. A mulher o soltou e caminhou em minha direção. Ela me olhou de cima a baixo tentando esconder o olhar de reprovação com um sorriso amarelo, mas não deu certo.
— Veja você, meu filho. Está tão diferente. Já está até com barba! — ela bateu uma palma fraca e ficou me olhando.
— Claro, da última vez que me viu eu ainda estava na escola. — comecei a caminhar para o salão onde as mesas estavam preparadas.
Liam começou a puxar o meu braço dizendo coisas como "não a trate assim", "seja normal", "não seja você". Ignorei e me sentei na enorme mesa. Com tamanha elegância, Rachel se sentou em minha frente e Liam ao meu lado. Ele me encarava com tamanha raiva e eu apenas sorria, sabia que isso o irritava bastante.
A comida foi servida e eu não disse uma palavra sequer. Rachel e Liam falavam e falavam, eu apenas comia.
— Não é mesmo, Harry? — eu levantei minha cabeça quando escutei a voz dela falar meu nome.
— O quê? — respondi.
— Eu estava dizendo que você sempre quis ir para o Brasil. Lembra quando você ganhou uma ararinha azul de pelúcia e não parava de dizer que queria conhecer sua família? — ela limpou sua boca delicadamente com o guardanapo.
— Engraçado você lembrar disso. — me ajeitei na cadeira e a encarei.
— Por favor, Harry. Pare. — Liam segurou meu braço.
— Bom, eu quis dar esse jantar para contar uma novidade para vocês. — Rachel disse.
Segurei minha respiração, ela não era de dar novidades. Eu estava com medo do que seria. Liam estava apreensivo assim como eu, mas ele estava feliz e eu não. Peguei o copo de água a minha frente e coloquei na boca.
— Vou para o Brasil com vocês.
O líquido que estava na minha boca foi jogado completamente na mesa.
— O quê? — eu disse, me levantando.


CAPÍTULO 09 – BÔNUS ZAYN

Eu estava cansado de correr atrás de Julie! Que mulherzinha complicada. As onze ligações e vinte e cinco mensagens que eu tinha mandado pra ela, não foram o bastante pra me dar algum sinal de vida. Desde que, no último show na cidade, Harry trouxe umas garotas para o camarim e ela chegou na hora, Julie não quer mais falar comigo. Que droga! As garotas eram pra ele, não pra mim. Ela não não se toca que eu sou afinzão dela. Caramba, o que mais eu tenho que fazer pra ela entender isso?
Meu celular começou a vibrar, não era Julie, era Niall. Eu estava em uma padaria que tiveram que fechar para eu poder comer. As portas de vidro atrás de mim se balançavam enquanto eu mordia um pãozinho típico do local. Estava gostoso. Deslizei meu dedo na tela e atendi a ligação.
— Fala, nanico. — eu digo o apelido que eu e Harry demos a ele.
— Vamos embarcar para o México daqui a pouco.
— Eu sei, amigão. Julie está no hotel? — perguntei animado.
Acho que não. Quer ajuda para chegar aqui?
— Não, tem um carro ali na esquina. E o Harry? Apareceu? — olhei para frente e vi que a atendente atrás do balcão estava tirando fotos minha. Eu levantei o pãozinho e sorri pra câmera dela.
Apareceu e está apagado. Andou bebendo de novo. — droga!
— A mãe dele foi embora? — perguntei me levantando.
Tirei o dinheiro do meu bolso e paguei a mulher que sorria. Apontei minha cabeça para a saída dos fundos e ela me levou até lá.
Já sim, acabou de ir. Ele ficou bem mal com a visita dela. Acho que ela vai com a gente pro Brasil. — engasguei com o que ele disse. Puta merda! Harry não vai durar muito com essa mulher lá. Eu fiquei calado e Niall continuou. — Não sei por que você foi sair cedo assim, temos que ir para o aeroporto.
— Eu já estou indo!
Desliguei o telefone e a moça gentil abriu a porta pra mim. As pessoas que tinham me visto pelo vidro, correram para os fundos quando me viram saindo. Corri até o carro que já estava aberto pra mim e coloquei minha cara para fora do vidro enquanto o motorista dava a partida. Uma menina saiu correndo atrás do carro e eu sorri quando vi seu celular mirado na minha direção. Dei um tchauzinho e fechei o vidro.
Olhei meu celular no meu colo e vi uma mensagem de Julie.
"Não sei se vou com você para o México, muito menos sei se vou para o Brasil. Se não chegar no hotel em quinze minutos, eu pego o avião de volta para Nova York"
Mandona. Assim que eu gosto! Sorri para a tela do celular e a respondi, dizendo que estava a caminho. Pedi para que o motorista acelerasse e ele assim o fez.
Não demorou muito para chegamos no hotel. Liam, Niall, Louis, Josh e Julie estavam na portaria. As malas estavam no hall de entrada. Não vi Harry ali.
— Graças a Deus você chegou! — Josh disse aliviado. — Suba até o quarto onde Harry está e force-o a descer. Ele está um lixo.
Que droga.
Me aproximei de Julie, para dar um beijo nela, mas ela se esquivou. Ok. Corri até o elevador e subi até o décimo primeiro andar, onde o quarto de Harry ficava. Bati na porta umas cinquenta vezes e nada dele sequer responder. Um camareiro passava me olhando e o parei.
— Você pode abrir, por favor? Meu amigo está preso aí dentro.
Ele me encarou e disse:
— Me desculpe, mas não posso.
Eu segurei seu ombro e sorri calmamente.
— Eu preciso que abra, por gentileza.
Ele meio desconfiado, olhou para mim e tirou o cartão do bolso. Eu sorri aliviado e o agradeci, enquanto entrava no quarto. Estava uma bagunça! Garrafas de cerveja por todo lado e o cheiro do lugar não estava nada legal. Harry estava deitado esticado no tapete. Chutei suas pernas e ele com muito esforço levantou a cabeça, me olhando.
— Cara, o avião. Levanta daí. — me agachei perto dele.
— Foda-se o avião. — ele balbuciou e eu dei um tapa na cabeça dele.
— Levanta logo, bundão. — puxei seus braços o forçando a se levantar, e ele com muita dificuldade se levantou, apoiando-se em mim.
— Me deixa, não quero ir para o Brasil. — ele começou a me empurrar e eu o levei para fora do quarto.
— Nós estamos indo para o México agora. — respondi.
— Mas depois vamos para o Brasil. — enquanto eu o deixava escorado na parede, voltei para o quarto e peguei sua mala. Com certeza Laurel tinha a arrumado.
Quando voltei até onde ele estava, Liam o sacudia com violência. Corri e empurrei ele para longe de Harry.
— Para com isso, merda! Ele já está acordado.
Liam me encarou com fúria e apontou para Harry.
— Ele está estragando nossa banda, será que ninguém vê isso? — ele deu dois passos para trás e abriu a porta do elevador. — Ande logo, temos que embarcar.
Eu balancei a cabeça discordando da maneira que Liam o tratava. Eles eram irmãos e se odiavam. Segurei o corpo de Harry e coloquei seu braço sobre meus ombros. O carreguei até o elevador e corri para pegar sua mala enquanto Liam segurava a porta.


CAPÍTULO 10 –

Acordei com uma dor de cabeça terrível, eu não dormi direito essa noite. Meus olhos permaneceram fechados por duas horas ou menos. Aquele beijo de ontem à noite mexeu completamente comigo. Eu não entendia. Por que ele se afastou? Ok. Tudo bem que ele poderia perder o emprego se deixasse esse casinho entre nós ir para frente, mas eu sei que ele sentiu o mesmo que eu. Foi tão forte. Um beijo e já me enlouqueci.
Me levantei apressada, enquanto corria para me arrumar. Não queria chegar atrasada na faculdade, mesmo não tendo aula do Rafael hoje. Eu sei que ele vai estar lá, preciso vê-lo. abriu a porta do meu quarto quando estava terminando de vestir minha roupa. Ela nunca bate. Reviro os olhos para ela e sorrio.
— Você sabe que quando a porta está fechada é porque provavelmente a pessoa não a quer aberta, não sabe? — eu disse, terminando de vestir minha blusa.
— Quase um mês. — ela disse não dando a mínima e se sentando em minha cama.
— O quê? — perguntei confusa.
— Falta quase um mês pro melhor dia da minha vida. — eu agradeci por ela não se lembrar de ontem à noite.
Acho que ela estava falando sobre o show dos meninos da banda que ela tanto ama, pois percebi um papel dentro de um saquinho em suas mãos. Era o ingresso. Comecei a rir e me sentei ao seu lado.
— Acho que você está exagerando. Vai acabar perdendo isso daí. — disse, cutucando sua barriga.
— Se eu perder, ainda tenho o seu. Então trate de guardá-lo em um lugar bem seguro. — ela se deitou na cama ainda com o papel em suas mãos.
Seu telefone começa a tocar e ela o puxa de seu bolso.
— É o Heitor. — ela me diz enquanto atende.
Há algumas semanas, começou a sair com esse tal de Heitor. Eu ainda não o vi direito, apenas dentro do carro do outro lado da rua. Ele parece bonito. se levantou e começou a andar para fora do quarto, ela estava a todos sorrisos. Me levantei e terminei de me arrumar.

***


! Eu já disse que vai ser só uma festinha, só eu, Heitor, você e um gatinho pra você. Uma social de quatro pessoas! — continuei andando pelo campus da faculdade e revirei meus olhos para .
— Nunca vai só quatro pessoas a uma festa! — retruquei.
— Tá bom, vai mais alguns amigos do Heitor também. O que que tem? Por favorzinho! Vai amiga linda do meu coração, eu nunca te pedi nada.
Ela estava o trajeto todo, desde a saída do nosso apartamento até a universidade, falando na minha cabeça sobre essa tal festa em nossa casa. Minha mãe me mataria se soubesse, mas não iria desistir. Ela era bem manipuladora e insistente. Virei meu rosto pra ela e dei um sorriso torto.
— Ok, mas no máximo dez pessoas. — ela começou a me abraçar e a pular de alegria. — Nada de caras estranhos, entendeu? — eu completei.
Ela me deu um beijo na bochecha e saiu correndo para sua sala. Eu continuei andando pelos corredores, quando comecei a subir as escadas alguém me puxou. Arregalei meus olhos assustada e consegui ver o par de olhos claros me olhando. Era Rafael. Eu sorri.
— Oi, linda. — ele disse, me encarando.
Meu coração acelerou quando ouvi as suas palavras. Ele estava mexendo comigo.
— Pensei que não queria mais me ver. — consegui dizer.
Rafael colocou suas mãos sobre a parede e me prendeu ali. Seus olhos olhavam fixamente para a minha boca e por alguns segundos se dividiram entre meus olhos.
— Eu preciso parar de te ver. — qual é a desse cara? Ele consegue ser doce e sensível por alguns segundos, mas depois vira o ogro rabugento que eu conhecia da sala de aula.
— Por quê? — perguntei brava.
— Sempre que te vejo tenho vontade de te agarrar e te beijar até você não lembrar mais seu nome. — meus olhos se arregalaram e minha boca se abriram em surpresa.
Ele começou a rir. Por que ele estava rindo?
— Se quer se afastar de mim, então se afaste. — empurrei com toda a minha força seu abdômen rígido, o que me dizia que eu não era tão forte, pois ele mal se moveu.
— Não posso.
Antes mesmo que eu conseguisse me soltar, Rafael segurou meus braços com firmeza e me beijou. Seus lábios cobriam os meus novamente e seu cheiro era maravilhosamente bom. Ele soltou minhas mãos e eu pude agarrar sua nuca, fazendo com que ele se aproximasse de mim. Eu o senti por poucos segundos. Nossas bocas tomaram uma distância que eu não queria. Ele se afastou de mim.
— Por mais que essa escada seja escondida e quase ninguém a usa, não podemos fazer isso aqui. — ele disse enquanto ajeitava o cabelo.
Ele não parava de encarar minha boca. Uma de suas mãos tocou minha bochecha e a outra tocou meu cabelo. Ele provavelmente estava uma bagunça.
— Preciso ir para minha sala. — ele dizia enquanto se afastava aos poucos.
— Tem uma festa. — eu gritei.
— Que festa? — Rafael estava voltando em minha direção.
— Na minha casa, mas esquece, você não vai querer ir.
— Por que não? Você vai estar lá? — ele se encostou no corrimão da escada e cruzou seus braços com um sorriso sexy no rosto.
— Sim. — respondi um pouco baixo.
— Vai ter alunos? — ele juntou as sobrancelhas.
— Não! Na verdade, só a , minha amiga. O resto do pessoal são amigos do namorado, quer dizer, do amigo dela.
Ele deu uma risada baixa.
— Estarei lá. — observei Rafael virar as costas e sair.
Ele nem sequer se despediu de mim. Não me beijou e muito menos me olhou. Respirei fundo. Eu esperei até me recompor e caminhei para minha sala.

***


O dia passou rapidamente, o que era estranho. Eu não vi Rafael pelo resto do dia, desde que ele me deixou sozinha na escada. Deixei os copos coloridos que estavam em minhas mãos em cima do balcão da cozinha, quando escutei meu celular tocar. Era minha mãe. Caminhei até o sofá e me joguei nele, deslizando a tela para atender a chamada.
— Senhora ? — eu disse.
Minha filha! Que saudades! Como você está? — como é bom ouvir a voz dela.
— Também estou com saudades, mamãe. Estou bem e a senhora? — eu dizia enquanto empurrava o pote com amendoins para o centro da mesinha à minha frente.
Estou ótima. Tentei falar com você pelo FaceTime hoje, mas não atendeu. — sua voz era de preocupação.
— Eu estava na aula.
Tudo bem! Podemos nos falar agora. — não mesmo! Ela ia ver a bagunça de copos, taças e potes de comida, espalhada pela casa.
— Estou com sono. — disse fingindo estar sonolenta.
! São sete horas ainda. — ela parecia desconfiada.
— Sim, estou cans... — antes que eu pudesse responder, saiu de seu quarto completamente produzida.
! Onde está seu macbook? Minhas músicas estão lá. Os caras já estão chegando e você nem se arrumou.
MEU. DEUS. Ela estava berrando. Comecei a tossir tentando fazer com que minha mãe não escutasse, mas acho que não funcionou.
, minha filha, quais caras estão indo para aí? — eu engoli em seco.
— Algumas pessoas da sala da , vão fazer trabalho aqui. — eu odiava mentir pra ela.
Hum. Ok. Juízo por aí. — ela estava desconfiada.
Se soubesse que eu estaria dando uma "festa", ela definitivamente pegaria um voo imediatamente pra cá.
— Boa noite, mamãe. Te amo! — desliguei o telefone antes que ela falasse algo ou berrasse de novo.
Me levantei do sofá e olhei para trás. Ela estava com as mãos na boca e segurando o riso.
— Eu vou te matar. Minha mãe não pode saber que vamos fazer essa reuniãozinha aqui em casa. Você sabe que prometi que não ia fazer nada.
— De toda forma, eu é que estou fazendo essa "reuniãozinha". — ela fazia aspas com os dedos enquanto ria.
— Babaca.
— Vai logo se arrumar. Heitor me mandou uma mensagem falando que já está vindo pra cá com as bebidas. — ela colocou seu braço nos meus ombros. — Você vai tomar muita tequila hoje.
— Não. Você sabe que eu não bebo. — disse, me afastando.
— Larga de ser careta. Vai logo vestir sua roupa.
Eu comecei a caminhar para o meu quarto quando escutei a campainha tocar.
— Vou me arrumar. Deve ser seu namoradinho, atende lá. — gritei.
Vi correndo para a porta e voltei a caminhar para o corredor.
— É pra você. — gritou.
Pra mim?
Voltei a andar na direção contrária de onde eu estava indo. Assim que meus olhos encontraram a porta, vi Rafael. Ele veio! Mas ele veio cedo demais! Oh, não! Eu estou uma bagunça.
? — escutei a voz de me chamar. — Você não vai vir atender seu professor?
Caminhei tentando fazer minhas pernas me obedecerem e me levarem até ele. Quando nossos olhos se encontraram, eu não consegui conter um sorriso. Ele estava lindo!
— Você veio! — eu disse tentando não parecer muito animada.
— Desculpa por chegar cedo demais, você não disse a hora.
Rafael estava com seu cabelo bagunçado, como nunca vi antes. Suas mãos estavam escondidas no jeans justo e seu All Star preto balançava sem parar.
— Por que o seu professor está aqui? Você está saindo com ele? — cochichou em meu ouvido, mas claramente Rafael ouviu.
— Aqui eu sou um amigo de vocês, . Por favor, me chame de Rafael. — ele soltou aquele olhar intenso sobre ela e o sorriso torto que só ele sabia dar.
— Entra. — disse a ele, sorrindo.


CAPÍTULO 11 – HARRY

— Não acha que está na hora de cortar esse cabelo? — escuto de longe a voz de Zayn.
Ele está ao meu lado puxando fios do meu cabelo, mas eu não conseguia abrir meus olhos para ouvi-lo melhor. Desde que chegamos no México, eu mal consegui sair do quarto. Ver aquela louca da mulher que se diz minha mãe, faz minha cabeça se encher de merda.
— Cale a boca. — eu balbucio com a boca no travesseiro.
— Não, não. Você precisa levantar, temos uma entrevista daqui a pouco. Depois uma reunião com o Josh, uma sessão de fotos em um estúdio aqui perto e mais tarde o show! — Zayn disparou a falar.
— Cale a boca! — eu tentei gritar. Atirei meu travesseiro nele e ele começou a puxar meus pés.
Zayn não ficou satisfeito enquanto não me tirou da cama. Eu estava um lixo. Precisava de um banho urgente, comer algo e arrumar esse cabelo.
— Não estou a fim de fazer nada disso hoje. — rosnei.
— O problema é seu. Você não tem escolha. — Zayn se jogou na cama enquanto eu caminhava para o banheiro.
Tirei minha camisa e olhei o hematoma logo abaixo do meu umbigo. Antes que eu me virasse, Zayn o viu e se levantou rapidamente.
— O que é isso, cara? — ele parecia assustado.
— Nada que seja do seu interesse. — fecho a porta na cara dele.
Filho da mãe! — escuto os gritinhos do meu melhor amigo do outro lado da porta e começo a rir.
Termino de tirar minha roupa e relaxo debaixo da água fria do chuveiro. Deixo me levar por um bom tempo ali embaixo.
Quando termino, abro a porta branca a minha frente e vejo Zayn sentado na beirada da enorme cama.
— O que foi? — pergunto.
— Você demora mais do que uma mulher para tomar um simples banho. — ele não disse isso muito empolgado. Tinha alguma coisa errada com ele.
— O que aconteceu? Aquela vaca da Julie te traiu de novo? Pelo amor de Deus! Não acredito que vai se arrastar pra ela de novo, você pode ter a mulher que quiser e você sabe disso. — jogo as palavras para ele e pego a roupa que está sobre a poltrona preta. Provavelmente Laurel as escolheu para mim.
Não canso de falar a ela que eu mesmo escolho as minhas roupas, mas hoje eu estou cansado demais e pouco me lixando para que roupa vou vestir.
— Ela não quer abrir a porta do quarto pra mim. Disse que não quer falar comigo. Tudo culpa sua!
Eu gargalho.
— Culpa minha? O que eu fiz dessa vez? — me sento ao seu lado ainda rindo.
— Levou aquelas mulheres pro camarim e ela pensou que eu estava com elas. — ele respondeu me encarando.
— Foda-se a Julie! — dei um tapa em sua cabeça e me levantei indo em direção ao banheiro.
— Mas eu a am... — não, ele não ia falar isso.
— Nem ouse terminar essa frase. — o interrompo fechando a porta atrás de mim.
Visto minha roupa e me arrumo vagarosamente. Eu precisava de um tempo com meu cabelo. Ele estava mesmo uma merda.
Quando voltei ao quarto, Zayn não estava mais lá. Ele deve ter ido atrás de Julie. Balanço a cabeça rindo. Passo na frente do espelho e vejo meu reflexo. Paro por um instante e me admiro.
— Porra! Eu sou malditamente lindo! — dou uma piscadinha para minha imagem refletida e o canto esquerdo da minha boca se estica, aparentando ser um meio sorriso.

***


Eu já não aguento mais nenhuma foto, nenhuma pose, nenhuma olhada das assistentes horrorosas do fotógrafo atiradas em mim. Eu queria ir embora.
— Essa bosta não vai acabar, não? — digo alto tentando abafar o som da música.
— Sim, senhor Colby. Está acabando.
— Fique quieto. — Liam cochicha.
— Cale a boca. — eu atiro.
O olhar de Liam se virou para mim e ele não estava nada contente. Ah, como eu adoro irritar meu irmão.
— Não me dê essas olhadinhas, senão eu fico apaixonado. — ralho.
O fotógrafo para por um instante e nos olha com um sorriso surpreendentemente falso e ridículo.
— Com toda licença, meus amores, vocês poderiam se concentrar nas fotografias? — eu queria socar a cara desse homem à minha frente. Ele estava me irritando com esses falsos sorrisos.
Revirei meus olhos e fiz uma cara de nojo.
— Pare com isso, Harry. Até parece que você tem cinco anos. — eu ri quando escutei a voz de Liam.
— Por favor, me poupe dos seus estresses comigo.
— Fique calado, resto de aborto! — Liam gritou.
Meu sangue ferveu. Meus punhos fecharam e meu maxilar estava apertado. Não acredito que ele disse isso! Ah, mas é agora que eu acabo com a raça dele! Me virei instantaneamente e joguei com toda força a minha mão direita no rosto dele. Imediatamente, Liam colocou a mão em cima do seu olho esquerdo e começou a falar coisas que eu nem mesmo entendi. Eu queria bater mais! Ele merecia muito mais. Louis e Niall correram para ajudá-lo, e Zayn veio me segurar. Sangue fervia em mim, o ódio subia a minha cabeça e eu queria acabar com a cara dele.
— Ei, cara! Para com isso, por favor. — Zayn dizia.
Eu tentava respirar fundo, mas não conseguia. Estava difícil fazer simples ações como essa, como movimentar minhas pernas para longe daquilo. Josh apareceu no meio da sala e começou a gritar comigo. Seu dedo apontava para minha cara e ele não estava nem um pouco contente.
— Já chega! Chega! Vá para fora! Não quero você aqui e não quero você na banda! Vai embora! Volte para o hotel! — ele continuou a gritar.
— Espera aí, Josh. Temos que ver isso com calma depois, quando todos estiverem de cabeça fria. Vamos resolver depois... — Louis dizia enquanto apoiava suas mãos nos ombros de Josh.
Zayn começou a me guiar até a saída. Eu não olhei pra trás. Eu não hesitei. Eu apenas o deixei que me guiasse. Apenas segui tudo que ele me mandava fazer.
Não demorou muito até que chegássemos até meu quarto de hotel. Eu não escutava exatamente nada que Zayn dizia. Eu ainda estava em choque, eu ainda queria acabar com o rosto perfeitinho de Liam.
— Escutou? — Zayn gritou do meu lado.
— O quê? — perguntei.
— Vai tomar um banho, talvez você relaxe.
Me levantei, seguindo suas instruções e me tranquei no banheiro. Deixei a água fria cair sobre minha cabeça e chorei.
Eu nunca chorava. Me lembro bem da última vez que fiz isso. Eu tinha exatos onze anos. Prometi pra mim mesmo que não faria isso, mas eu fiz.


CAPÍTULO 12 – PARTE I

Lá estava ele, parado me olhando como se nunca tivesse me visto.
— Por que está me olhando assim? — perguntei, enquanto me encostava na parede.
— Assim como? — ele soltou um sorriso. Que sorriso!
— Não sei. Você está me encarando há um tempão.
— Eu gosto de te olhar. — Rafael deu alguns passos e se aproximou de mim. Ele sabia como me deixar sem ar.
A música estava ficando cada vez mais alta e a cada hora que eu olhava ao meu redor, mais duas pessoas apareciam. Minha casa estava ficando apertada para tanta gente e olha que tinha dito que só viriam poucos amigos do namorado, ou sei lá o que, dela. Rafael estava prestes a encostar sua mão no meu rosto quando um garoto bêbado derrubou um pouco de cerveja na minha roupa.
— Idiota! Olha por onde anda! — Rafael gritou para o garoto, enquanto ele se afastava de nós.
— Você disse que só viria alguns amigos, tem certeza que não tem ninguém da faculdade aqui? — ele voltou seu olhar para mim e me perguntou preocupado.
— Não conheço todo mundo, não faço ideia de quem são essas pessoas. Vou procurar a .
Assim que me virei, saindo do cantinho em que estávamos, ele me segurou pelo braço.
— Espera, não é melhor se trocar primeiro? Sua roupa está toda molhada.
Abaixei minha cabeça e vi que o garoto tinha realmente me ensopado de cerveja. Olhei para os lados e só então percebi como havia tanta gente. Uma multidão de pessoas bêbadas estava ao meu redor. Uns subindo no sofá, outros no balcão da cozinha, alguns deitados do chão e um monte de gente no corredor. Meu quarto!
— Eu preciso ir no meu quarto. Você me espera aqui? — perguntei.
— Posso ir com você? — o quê?
— O que você disse? — gritei por causa da música alta.
— Posso ir no seu quarto com você? — ele puxou o meu rosto até o seu e me perguntou no ouvido.
Por que ele quer ir ao meu quarto? Tentei procurar por , mas nem sinal dela. Eu não conhecia nenhuma alma sequer que estivesse ali, era só eu e ele. Rafael me olhava enquanto eu pensava no que responder. Acho que minha cara de espanto estava bem visível.
— Tudo bem, eu te espero aqui. — ele disse um pouco desanimado. — Eu só não queria que fosse sozinha no meio de tanto cara bêbado.
O que ele estava tentando dizer? Será que estava com ciúmes? Mas do quê?
— Pra falar a verdade, eu não sei por que vim aqui. Acho melhor eu ir embora, pode ter algum aluno meu nessa festa. — o que ele estava fazendo?
Eu não entendo. Ele só se preocupa com os seus alunos. Talvez seja tudo verdade o que dizem sobre ele e já que eu não o levei para o meu quarto, decidiu ir embora.
— Então vai embora. — eu disse com um pouco de raiva.
— Ei, mocinha, por que está tão brava assim? — Rafael começou a se aproximar de mim e tocou o meu queixo me obrigando a olhar pra ele.
— Eu não estou brava. Se quer ir embora, então vá. — me afastei dele e comecei a andar no meio dos corpos suados que dançavam ao som de uma música que eu nunca ouvi, acho que era daquela tal banda que a maluca da é alucinada.
Senti um puxão no meu braço assim que encostei a mão na maçaneta do meu quarto. Era Rafael.
— Vamos sair daqui? — ele me perguntou, enquanto se aproximava de mim.
Fiquei sem me mexer, eu mal respirava com a sua aproximação. O cheiro dele era tão bom! A vontade que eu estava de tocar o seu rosto e o puxar para perto da minha boca, estava explodindo dentro de mim.
— Vem comigo, . Por favor. — seu olhar não saía nem um momento do meu. Ele permaneceu me encarando até que eu conseguisse dizer alguma coisa.
— Pra onde? — foi tudo o que eu consegui dizer.
— Pra minha casa. — ele foi direto.
Que idiota. Quem ele está pensando que eu sou?
No mesmo instante empurrei o corpo dele pra longe e entrei no meu quarto. Antes que eu conseguisse fechar a porta, ele conseguiu entrar e a fechou atrás dele.
— Vai embora. Eu não sou assim, não vou pra sua casa. — joguei as palavras em cima dele.
— Não, eu não estou te chamando pra isso que você está pensando. É que aqui tem muita gente, muita bagunça, eu mal consigo ouvir a sua voz. — ele começou a se aproximar de mim e eu comecei a dar passos para mais longe dele. — ...
— Acho melhor não. — falei.
— Eu não vou fazer nada com você, a não ser que queira. — ele não parava de se aproximar e eu não tinha mais lugar para ir pra trás, já que tinha acabado de encostar na parede. — Eu gostei muito de você...
— Eu vou beijar o Harry e o Zayn, lalalalalalaala! — a porta se abriu e entrou gritando com os braços pra cima. — Eles já aceitaram o meu pedido de casamento, sabia?
Eu sabia que ela estava tonta, isso sim. Ela mal parava em pé, não sei como conseguiu abrir a porta. Desviei de Rafael e fui direto até . O cheiro de bebida estava horrível.
— O que você bebeu? — perguntei.
— Chifres. Eu bebi chifres! — ela gritou enquanto eu a sentava na cama. — O Heitor tá lá fora beijando uma tal de Niviane. Quem chama Niviane?
Ela começou a rir sem parar.
— O que você bebeu? — perguntei novamente.
Antes que ela respondesse, Rafael apareceu ao nosso lado e se ajoelhou.
— Ela usou alguma coisa, não foi só bebida. — ele começou a falar, mas o interrompeu.
— O Heitor me deu algumas coisinhas, fica tranquila amiga, foram os chifres! — ela caiu na gargalhada por alguns segundos e depois começou a chorar. — Eu terminei tudo! Disse pra ele que vou casar com o Harry.
Rafael olhou pra mim sem entender nada e se levantou.
— Fica aqui com ela, vou atrás desse idiota. Quer que eu mande o pessoal todo embora?
— Sim! Por favor, faça isso. — agradeci por ter chegado no momento certo.


CAPÍTULO 13 – HARRY

Algumas semanas depois
A turnê na Argentina já estava quase terminando. Já estamos há alguns dias aqui e eu estou apenas levando. Amanhã meu pesadelo começa: vamos para o Brasil. Não estou preocupado pelo fato de irmos para lá, mas sim com quem iremos. A mulher que fez da minha vida um inferno, ou melhor, minha querida mamãe. Tirei o terno azul e o joguei no chão do quarto de hotel. Esse era um dos piores em que eu já havia ficado. Não tem nem um ar condicionado! Me atirei na cama bagunçada e joguei meus sapatos para bem longe. Olhei na mesinha ao meu lado e fiquei encarando o relógio por um bom tempo. Já marcava quatro da manhã. Nosso show acabou tarde e depois ainda fui dar uma voltinha em uma casa de festas perto daqui. Minha cabeça estava me matando. Eu estava fedendo a bebida e a cigarro barato, esse tem sido meu cheiro nessas últimas semanas. Pelo menos eu não ouvia os sermões chatos do meu irmão careta e muito menos os de Josh. Não tinha visto muito os meninos, apenas tento comparecer às reuniões, ensaios e nos shows. Minha cabeça anda cheia demais e eu não estava com muita vontade de me irritar mais ainda. Zayn tem percebido que eu estou distante e ele tem sentido saudade, eu também, mas eu realmente precisava ficar sozinho.

***


Meus olhos se abrem devagar quando começo a escutar seguidas batidas na porta. Levanto minha cabeça e olho para o relógio, são 5h30.
— Eu não pedi nada, me deixa em paz! — gritei.
Esse serviço de quarto sempre vem quando eu não chamo, e quando eu chamo eles demoram uma eternidade. As batidas na porta continuaram mesmo depois de pedir para ir embora. Coloquei um travesseiro em cima da minha cabeça e tentei ignorar, mas não adiantou. Joguei o lençol no chão, junto com os travesseiros e saí pisando firme até a porta. Assim que abri, vi o rosto do meu melhor amigo. Ele não parecia bem.
— O que foi, Zayn? — disse um tanto seco. Eu precisava ser assim, não queria que ninguém visse que eu me preocupo com ele.
— Posso entrar? — ele perguntou já entrando.
Fechei a porta e caminhei até a cama onde ele estava sentado.
— Você está uma merda. — falei.
— Não muito diferente de você. O que houve com o seu cabelo? — ele riu um pouco. — Parece que um pombo cagou nele.
— Fala logo o que você quer, eu tô querendo dormir.
— Esse seu bom humor está me contagiando! — ele deu um sorriso falso e se levantou indo em direção a porta.
— Ei, pra onde está indo? — perguntei me levantando.
— Embora, você não está querendo conversar.
— Me poupe, anda logo. Me fala o que você tem. — empurrei o seu corpo para a cama e ele se sentou nela.
— Julie. — ele suspirou preocupado.
— Ai, essa piranha de novo?
— Não fala assim dela! Ela não quer casar comigo.
— O quê? — saltei da cama e sacudi o corpo de Zayn. — Por favor, me diz que você não a pediu em casamento.
— Então, eu queria te contar, mas você vive rabugento nos quartos. Nunca fala comigo.
— O que você tem na cabeça? Zayn! Você é um banana. Pelo amor de Deus.
Soltei minhas mãos de seus ombros e caminhei preocupado pelo quarto. Eu estou perdendo o meu único e melhor amigo.
— Mas ela não aceitou. Disse que está tudo muito bom do jeito que tá. Eu amo ela, cara. De verdade. — Zayn se levantou e ficou do meu lado, enquanto olhávamos para a vista incrível de Buenos Aires.
Eu fiquei quieto.
— Não vai falar nada? Nem me bater? — ele perguntou.
— Não. A vida é sua.
— Uau! Já saquei, você realmente não está no clima. Eu vou voltar pro meu quarto e espero que meu amigo volte. Estou com saudades dele. — Zayn caminhou devagar pelo quarto em direção a porta. Ele parou com a mão na maçaneta e eu o observei pelo reflexo do vidro. — Eu sei que a viagem para o Brasil está chegando e sua cabeça está uma merda, mas você precisa começar a pensar na banda. — ele começou a se virar quando terminou de falar. Eu não aguentei aquelas palavras, me virei e fui como um louco pra cima de Zayn.
— E desde quando eu não penso na banda? Me diga! Desde quando? Se não fosse por mim, vocês nunca estariam onde estão! Fui eu que fiz todos vocês serem o que são! Eu juntei a gente, eu criei a banda! E é a única coisa que importa pra mim, cantar! Eu amo o que eu faço e reviro o inferno para esconder as merdas da minha vida quando estou lá fora. Você não tem o direito de falar isso.
Minhas mãos estavam socando a parede ao lado de Zayn. Soquei com tanta força que senti um dos meus ossos dos dedos quebrando. Eu estava com tanta raiva que nem sequer sentia dor. Os olhos do meu melhor amigo estavam arregalados, ele nunca tinha me visto assim. Me afastei dele e o vi sair pela porta sem dizer uma palavra.


CAPÍTULO 14 – PARTE II

Já fazia tempo demais que Rafael tinha saído para procurar por Heitor e nada dele voltar. Eu já estava preocupada. começou a babar na minha coxa, enquanto resmungava alguma coisa. Ela estava apagada. Eu juro que vou matar esse imbecil! Coloquei um travesseiro debaixo da sua cabeça e comecei a caminhar desesperada de um lado para o outro do quarto. Minutos se passavam e nada. Eu já estava mais do que nervosa, comecei a caminhar para a porta e ela se abriu antes que eu pudesse dar mais um passo. Era Rafael.
Suas mãos me mostravam o que eu temia, ele havia batido no cara.
— O que aconteceu? — perguntei.
— O idiota deu comprimido pra ela. Eu peguei a cartela do bolso dele. Ela só precisa de água e dormir bastante. Não tira o olho dela. — ele disse, dando uma olhada em .
O barulho lá fora já não podia ser mais escutado, além disso, pela demora de Rafael pude imaginar que todos já haviam ido embora. Essa festa foi um desastre e eu ainda não sabia o que ele queria de mim. Fiquei calada sem ao menos olhar na cara dele, eu simplesmente não sabia o que estava sentindo.
— Bom, acho que já vou embora. Ou você quer ajuda com alguma coisa? Se quiser posso ficar pra te ajudar a limpar, tem uma bela bagunça lá fora.
Ele deu aquele sorriso que me desmonta e passou a mão nos cabelos, parecendo preocupado.
— Está tudo bem, você já fez muito. E de todo jeito eu só vou limpar as coisas amanhã de manhã.
— Certo.
Rafael colocou as mãos nos bolsos de sua calça e me encarou por alguns segundos, enquanto eu me permitia olhar pra ele.
— Desculpa se eu fiz você se sentir incomodada essa noite, não foi a intenção. Não sabia que iria ter tanta gente. Queria ter ficado mais tempo sozinho com você.
Por que agora eu não estava preocupada com ele? Agora eu só queria que não estivesse bodada no meu colo, babando, e que só estivesse nós dois ali naquele quarto.
— Tudo bem, é que já ouvi muito sobre você. — respondi, enquanto deixava na cama e me levantava em direção a ele.
— Agradeceria se não escutasse as garotas da faculdade e acreditasse em mim. Eu não sou o que elas falam.
Como eu não podia acreditar nesse rostinho lindo que falava bem na minha frente? Mas eu seria idiota se caísse nesse papinho, então parei de me aproximar dele e cruzei meus braços.
— Eu nunca faria nada que você não quisesse. Nunca. Você é importante, . Mais do que imagina.
Rafael caminhou em minha direção e eu permaneci parada e de braços cruzados.
— Eu não ligo para o que as outras garotas falam, mas me importo muito com o que você pensa de mim.
Ele parou a poucos centímetros de mim e levou sua mão até o meu rosto, tirando alguns fios de cabelo que estavam grudados no meu rosto. Fechei meus olhos e respirei fundo. Não disse nada.
— Por favor, diga algo. — ele insistiu.
— Acho melhor você ir embora.
— É, eu também acho.
Rafael tirou a sua mão de mim e eu respirei fundo pra segurar a minha vontade de puxá-lo e beijá-lo. Ele começou a caminhar em direção a porta.
— Obrigada por cuidar desse probleminha. — disse, apontando para que permanecia na mesma posição. — E obrigada por mandar todo mundo embora.
— Não precisa agradecer. Se precisar de ajuda com a sua amiga pode me chamar, se for preciso ir ao hospital ou algo do tipo. Boa noite, . — Rafael caminhou até a porta e desapareceu pelo corredor.
Por que ele tinha que ser tão educado e gentil? Não podia ser mais fácil? Mas droga, ele é meu professor.
Não me segurei e corri atrás dele. Boa, . Boa. Idiota.
— Rafael! — gritei e ele se virou com aquele sorriso bobo no rosto. — Espera.
E foi aquele clássico, quando eu vi eu já estava lá. Agarrada a ele. O beijo dele me fazia pirar. Uma de suas mãos agarrava meu rosto, me puxando como seu estivesse com medo de que eu sumisse, e a outra agarrava fortemente minha cintura.
— Nunca mais eu vou beber! Mentira, eu vou sim.
A voz que gritava e cantarolava, enquanto eu e Rafael nos beijávamos me fez olhá-lo. Era um cara, parecia ter a minha idade e eu tive quase certeza que o conhecia de algum lugar.
— Professor Rafael? — o menino perguntou cambaleando.
— Arthur? O que você está fazendo aqui? Não foi embora com o restante da turma?
AI. MEU. DEUS. Eu sabia que o conhecia de algum lugar! Ele era aluno do Rafael.
No mesmo instante Arthur se jogou nos braços dele e o copo que estava segurando saltou de sua mão em direção ao chão.
— Eu acho que eu não vou beber mais mesmo não.
Rafael segurou o garoto e me olhou como se pedisse desculpas. Seu olhar também parecia preocupado, ele não esperava nada tranquilo. Por sorte o seu aluno estava bêbado demais e mal se lembraria disso amanhã.
— Acho melhor eu o levar para casa. Depois eu te ligo. Boa noite.
Rafael se despediu, tentando carregar Arthur no colo. Corri até a porta e a abri para os dois passarem. Vi os olhos quentes e preocupados do homem que me deixou completamente apaixonada se afastarem de mim aos poucos até sumirem e voltei para o meu quarto.
— Que noite! — disse, enquanto me jogava na cama.
Por um segundo esqueci de tudo, até mesmo que estava apagada no meu travesseiro, mas eu acabei me jogando em cima dela. Pelo menos ela estava doida demais para acordar, nem se o ídolozinho dela aparecesse aqui cantando pra isso a acordaria. O beijo de Rafael e as conversas sobre ele nos corredores da faculdade me fizeram ficar remoendo tudo na minha cabeça. Eu nem sabia por onde começar a pensar. A única certeza é que eu estou apaixonada pelo meu professor.




Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Nota da beta: Ainda estou com o pé atrás com esse professor, mas só nos resta esperar os próximos capítulos para descobrir mais a respeito dele. O pp tem que dar um jeito na sua vida, resolver todos os pepinos com a mãe dele para não ficar com essa fama de encrenqueiro.

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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