Borboleta

Última atualização: 14/04/2018

CAPÍTULO 01 –

42 minutos. Fazia exatos quarenta e dois minutos que eu estava encarando o relógio. Só porque eu desejava mais que tudo que aquele relógio mostrasse 07h, ele parecia andar de ré. Faltava apenas três minutos. Três minutos para o melhor dia da minha vida começar. Eu fechei meus olhos e comecei a contar cada segundo, cada segundo que parecia passar lentamente.
— Sete, seis, cinco, quatro... — eu contava animadamente ainda de olhos fechados.
, não vai se arrumar? — a porta do meu quarto se abriu e a voz da minha mãe ecoou no cômodo.
O despertador começou a gritar incansavelmente e eu me levantei da cama sorridente.
— O melhor dia da minha vida. — estiquei meus braços me espreguiçando, enquanto via minha mãe sair do quarto.
Ela não morava comigo. Hoje foi nossa primeira noite aqui, no meu novo apartamento. Sim! Meu novo apartamento. Nossa grande família, formada apenas pela minha mãe e eu, viemos do interior dos interiores de Minas Gerais. Desde que minha nota saiu e eu soube que havia passado na faculdade dos meus sonhos, corremos para encontrar minha nova casa no Rio de Janeiro. No começo, minha mãe não gostou da ideia de me deixar morar sozinha. Por enquanto, ela não pode vir morar aqui, por causa da sua loja de flores. Mas assim que ela conseguir um bom lugar para trazê-la para cá, mamãe se mudará.
Hoje eu começo minha faculdade de psicologia. Eu sempre quis ser psicóloga, desde quando me entendo por gente. Minhas expectativas estavam altas demais e eu sabia que a minha empolgação podia não durar muito. Minha mãe bateu na porta e gritou:
, minha filha, não vai querer se atrasar. E não se esqueça que a garota do e-mail de ontem, virá às três da tarde para a entrevista.
Minha mãe havia agendado entrevistas com supostas colegas de apartamento. O lugar era grande e ajudaria com as despesas se eu dividisse com alguém. Até agora, nenhuma satisfez minha adorável mamãe. Eu ri enquanto pensava isso. Sua carranca na porta do quarto não era nada legal. Ela balançava a chave do carro e eu nem sequer tinha entrado no banheiro.

***

, tem um lanchinho na sua bolsa. Sem presunto! Eu não esqueci daquela dor de barriga no mês passado. — Santo Cristo! Bati a palma da minha mão no meu rosto quando escutei minha mãe gritar.
Todos que estavam ao redor do campus começaram a rir. Provavelmente a faculdade inteira escutou. Me virei em direção a ela e cochichei enquanto me aproximava:
— Não precisa disso, mãe. Eu não estou mais na escola. — eu disse sorrindo.
— Me desculpe, é o instinto materno falando mais alto. — ela colocou as mãos sobre a boca e conteve uma risada.
Balancei minha cabeça enquanto procurava um buraco para enfia-la. Dei um tchauzinho quase imperceptível para minha mãe e caminhei de volta a universidade. Já não bastava todos ali ainda rindo de mim, um cara muito gato – MUITO GATO – estava sentado em um dos bancos me encarando. Ele também estava rindo. Droga!

***

Eu estava indo para minha última aula, amém! Eu estava completamente extasiada com tudo. O campus era lindo, as pessoas eram na delas e ninguém riu mais do acontecido. Eu estava realmente apaixonada. Peguei o papel onde dizia o lugar da minha próxima aula e tentei me equilibrar com a bolsa e os livros na minha mão. Eu só tentei mesmo. Me espatifei no chão. Caí com tudo. E não foi aquele tombinho de filme em que seus livros caem no chão e um aluno super lindo vem te ajudar a pegar. Não. Eu estava esticada no piso frio do corredor, meus livros espalhados, alguns até na minha cara, e nenhuma alma caridosa parava para me ajudar. Alguns passavam e até chutavam minhas coisas. Merda. Me levantei e tentei ajeitar meu cabelo que estava um desastre. O papel todo pisado revelava o número da minha sala. Suspirei, enquanto me ajeitava do ocorrido.
— Você vai entrar ou vai ficar aí parada? — uma voz firme disse atrás de mim.
Eu me virei assim que ouvi.
Camisa xadrez, calça jeans apertada, sapatos impecáveis e cabelo penteado para trás. Essa descrição podia parecer patética, mas em conjunto com aquele rosto, fazia parecer a descrição perfeita para o cara dos meus sonhos.
— Você escuta? — ele disse se aproximando enquanto soltava a mão da maçaneta.
— Eu... eu escuto. E falo também. Não sou muda e nem surda. — cale a boca!
Ele estava rindo de mim. Que legal. Era tudo o que eu queria. Mais pessoas rindo de mim.
— Então está esperando o quê? Minha aula já começou. — ele nem sequer olhou pra mim enquanto falava.
O quê? Esse cara vai ser meu professor?
O homem na minha frente entrou na sala lotada e eu o segui. O quadro tinha algumas anotações, ele seguiu para sua mesa e eu olhei para as cadeiras. Todas ocupadas. A maioria por mulheres. Eu ri. Ainda estava procurando uma pequena beirada que coubesse minha bunda, mas não consegui encontrar. Escutei o professor arranhar a garganta, fazendo-me olhá-lo.
— Você chegou na aula mais cheia do dia, sente-se na minha cadeira. — escutei alguns cochichos vindo dos alunos atrás de mim, mais precisamente das alunas.
Que lindo! Já cheguei atrasada e ainda vou ter que me sentar na cadeira do professor! Lindo!
Dei um pequeno sorriso amarelo, enquanto me movia para o "meu lugar".

***

Uma longa aula em que eu perdi completamente a concentração, havia acabado de terminar. A sala já estava quase vazia, exceto por algumas meninas que estavam ao redor do professor com suas dúvidas extremamente interessantes. Terminei de guardar as minhas coisas e já estava saindo quando escutei o professor Rafael me chamar. Parei por um segundo enquanto via ele se aproximar.
— Você não é daqui, certo?
Ele me chamou pra perguntar isso?
Segurei meus livros junto a mim e balancei a cabeça negando.
— Eu percebi. — suas mãos pareciam inquietas dentro dos bolsos da calça.
Agora seu cabelo já não estava tão penteado e alguns fios estavam balançando sobre sua testa. Eu sorri e voltei a caminhar para fora da sala, mas antes que eu virasse o corredor, pude escutar sua voz de novo. Qual é? O que ele queria comigo?
— É... Você chegou alguns dias depois, se quiser a matéria que já foi passada... — antes mesmo que ele terminasse a frase, eu o interrompi:
— Se precisar, eu pego com alguém da sala. Obrigada, professor Rafael.
Por que eu disse isso?
— Uau! Ok. Eu ia dizer para pegar com a minha ajudante, Caroline. — ele sorriu um pouco sem graça e começou a se virar.
Eu fui horrível.
— Me desculpe, é que eu estou com a cabeça cheia. — tentei me explicar.
— Não me importo. Enfim, se precisar de ajuda procure Caroline.
Ele nem sequer me deixou falar algo. Segundos depois ele já havia desaparecido.

***

O relógio já mostrava 16h e a garota que tinha marcado de se encontrar comigo ainda não tinha chegado. Eu me levantei diversas vezes do sofá, olhei pela janela, caminhei pelo apartamento e nada. Nem sinal da menina. Eu já estava quase desistindo quando escutei a campainha tocar. Só podia ser ela. Tive sorte de mamãe ter ido ao mercado, as outras pobres garotas que ela havia entrevistado saíram daqui aterrorizadas. Me apressei para abrir a porta. A imagem da menina que via a minha frente era interessante. Cabelos castanhos na altura dos ombros, olhos castanhos extremamente redondos e pernas ridiculamente longas. Eu podia jurar que ela havia engolido um cabide, seu sorriso era muito maior que o normal.
— Oi, eu sou . — disse estendendo minha mão.
Ela não hesitou em puxar meus braços e me dar um abraço demorado.
— Eu sou . E adorei seu cabelo! Posso entrar? — já gostei dela.


CAPÍTULO 02 – HARRY

O som estridente da guitarra desafinada de Zayn me fazia querer vomitar. Meus olhos relutaram em abrir quando a luz me atacou de uma só vez.
— Droga, Liam! Não abre a porcaria da cortina na minha cara. — eu disse atirando uma almofada na cara dele. — Qual é a de vocês? Esse é o meu quarto, caramba!
Eu não entendia por que eles estavam rindo. Os safados me acordam do meu bendito sono e ainda zombam com a minha cara? Me levantei enquanto tentava ajeitar meu cabelo bagunçado. Não adianta, esse cabelo tem vida própria e muita personalidade.
— Santo Deus! Vista alguma coisa, não somos obrigados a ter essa vista pela manhã. — Zayn disse tampando os olhos.
Pelo menos, não usar cueca fez com que ele parasse de tocar a merda de guitarra quebrada. Eu dei risada, enquanto me levantava da cama e balançava os braços em direção ao meu melhor amigo.
— Para com isso, cara! Pelo amor de Deus! — Zayn dizia ainda com a mão na cara.
— Para, Harry! Não sabe quão ridículo está. — Liam disse saindo do quarto.
Dei longo passos até o banheiro e fechei a porta para começar o meu dia.
Um banho demorado, longos minutos me encarando no espelho e mais alguns minutos conversando com meu cabelo. É, eu sou mesmo um pedaço de mal caminho. Me enrolei em uma toalha e saí dali esperando que Liam me atacasse com xingamentos sobre a demora no banho, mas ele não estava ali. Na verdade, não tinha ninguém. Achei estranho. Caminhei para fora do quarto e vi um bilhete no balcão da cozinha.
"Querido Harry babão, temos horário e somos responsáveis, diferente de certas pessoas. Se ainda quiser cantar na banda, não se atrase mais do que meia hora. Josh está muito puto com você. Beijinhos do seu lindão, Zayn."
Merda! Eles me deixaram para trás de novo. Amassei o papel e arremessei na lixeira distante de mim. Cesta! Balancei os braços cantando vitória. Eu estava cagando se chegaria atrasado ou não. Nunca em toda a minha vida, eu me arrumaria correndo. Comecei a assobiar e cantarolar, enquanto escolhia animadamente minha roupa. Calça preta com joelhos furados, camiseta cinza e uma jaqueta jeans. A jaqueta jeans. Minha inseparável companheira. Amarrei meu coturno e saí do apartamento em direção a minha moto.

***

— Isso é hora de chegar? — Zayn gritou assim que eu entrei na sala de reuniões.
Todos me olharam, enquanto eu bati a porta e me sentei confortavelmente na cadeira macia.
— Isso é jeito de me cumprimentar? — eu disse dando um tapa na cabeça dele.
Liam como sempre, me encarava como se quisesse arrancar pedaços dos meus órgãos. Niall estava no telefone, provavelmente mandando mensagens para uma de suas garotas. Louis observava animadamente o que Josh falava. Depois de Josh me jogar olhadas matadoras, ele continuou seu discurso:
— Como eu estava dizendo, nossa turnê começará aqui mesmo em Nova York, logo iremos para o Canadá. Depois, partiremos para o México, em seguida Argentina e por fim, Brasil.
— Por que não vamos para a Europa? — eu indaguei.
— Se você estivesse chegado no horário certo, provavelmente saberia o por quê. — Josh cuspiu as palavras com ódio.
Eu ri.
— Tem certeza que devemos ir para o Brasil? Odeio mosquitos e não planejo ficar doente.
— Santo Cristo, Harry! Você não pode ser normal pelo menos uma vez na vida? — Liam disse.
Eu me ajeitei na cadeira e cruzei meus braços sobre mim.
— Só estou preocupado com a nossa saúde! — levantei os braços e dei um sorrisinho pra ele.
— Já chega! Começaremos em um mês. — Josh disse se levantando. — Reunião encerrada!
As pessoas começaram a sair da sala e eu bufei. Coloquei meus pés sobre a mesa e encarei Liam.
— Qual é? Eu vim aqui só pra isso? Vocês não podiam ter apenas me dado o recado? Não acredito! — balancei a cabeça em negação.
Liam não deu uma palavra sequer enquanto caminhava para fora dali. Zayn bateu no meu ombro com força.
— Você está de TPM. Entendi. — ele riu.
Seu telefone começou a tocar desesperadamente. Assim que ele me mostrou a tela, eu joguei minha cabeça pra trás e soltei uma risada.
— Talvez ela esteja de TPM. — eu disse.
— Julie? Ela está sempre de TPM. — Zayn dizia, enquanto se levantava e atendia a ligação.
E foi assim, cada um para um lado. Antigamente não costumava ser assim.


CAPÍTULO 03 –

Era ela! Depois de alguns longos minutos conversando com , ou melhor, , eu já tinha decidido. Ela seria minha colega de apartamento. A garota era incrível e eu já me sentia a sua melhor amiga. Tínhamos tantas coisas em comum. E o melhor de tudo: ela também estuda na mesma universidade que eu! está no primeiro período de direito.
— Eu preciso voltar pra universidade. — ela disse desanimada. — Queria tanto ficar mais com você, mas ainda tenho duas aulas. Você não tem?
Balancei minha cabeça, negando.
— Já tive todas de hoje.
se levantou do sofá e pegou sua bolsa em cima do balcão da cozinha. Ela voltou até mim e me deu um beijo na bochecha.
— Estou tão feliz de ter te encontrado! Vou pedir um amigo para trazer minhas coisas hoje mesmo. — ela sorriu e foi embora, me deixando ali sozinha.
Minha mãe tinha ido resolver algumas coisas no centro da cidade, antes de ir embora. Seu voo era amanhã pela manhã. E eu já sei que ela vai chorar bastante. Me deitei no sofá e liguei a TV na Netflix. Eu sabia que tinha muita coisa pra fazer, mas agora eu só queria um descanso e minha série preferida: Friends.

***

, , . — a voz me chamava incansavelmente. Era .
— O que foi? — eu disse me espreguiçando.
— Tem uma mulher dormindo na minha cama. — o quê?
Eu me levantei apressada e corri para o quarto que ficava em frente ao meu. Abri a porta e respirei aliviada, era a minha mãe. Eu acabei pegando no sono no sofá e não vi que ela havia chegado. Comecei a rir e olhei para que estava com os olhos arregalados e apavorada.
— É a minha mãe.
— Graças a Deus. — eu dei risada da cara dela.
— Ela vai embora amanhã. — disse.
— Tudo bem. Meu amigo veio aqui mais cedo, acho que você estava dormindo. Então eu trouxe tudo agora. — ela caminhou para a porta do apartamento e apontou para as malas. Eram muitas.

***

não quis me deixar acordar minha mãe. Disse que poderíamos pedir algo para comer e depois ela arrumava suas coisas no seu quarto.
— Eu prefiro fazer minha própria comida. Vai saber se essas pessoas não vão cuspir nela. — disse me movendo até a cozinha.
— Ok. Você faz então, eu não sei fazer nem um miojo. — estendeu as mãos para o alto e sentou no banquinho de frente pra mim.
— Vou fazer um macarrão. — peguei as panelas e comecei a preparar os ingredientes.
— Adoro! Vou colocar uma musiquinha dos meus meninos pra gente. — "meus meninos?"
Eu parei para observá-la, ela ajeitava os cabelos enquanto procurava algo no celular parecendo bem concentrada. Assim que um som começou a sair do alto falante do aparelho, ela se levantou e começou a dançar pela cozinha.
— É a minha preferida. — cantava junto com a música. Uma melodia um pouco agitada, mas com a letra tão sincera e bonita.
A voz que cantava eu não conhecia, mas me encheu de uma forma estranha. Eu ouviria o dia inteiro.
— Quem canta? — eu gritei.
— Como assim você não conhece? Você vive sem internet? — ela pausou a música e me encarou. Seus olhos me fitavam, não acreditando.
— Eu não escuto muita música, só Beatles e John Mayer. — voltei para o fogão e comecei a fazer o macarrão.
— Meu Deus! São os Black Birds! A voz sedutora é do meu marido, Harry Colby. O único. — ela pegou seu celular e deu o play novamente.
A música corria sobre toda a cozinha me enfeitiçando. Eu gostei do som e, principalmente, da voz que dava vida a toda a letra e melodia.

***

A comida estava deliciosa e minha mãe acabou acordando com o barulho. Eu apresentei para ela e como eu imaginava, mamãe a amou. Elas conversaram tanto que até me deixaram de lado, enquanto eu arrumava a bagunça da cozinha. Passamos o resto da noite ajudando a ajeitar um pouco seu quarto. Assim que terminamos, fomos todas dormir. Amanhã seria um longo dia.


CAPÍTULO 04 – HARRY

Um mês depois
O jeito que o vento batia contra meu corpo, enquanto eu acelerava a minha moto me fazia sentir livre. Três outras motocicletas de alguns paparazzi estavam atrás de mim. Coitados. Eles nunca me alcançariam. Peguei o túnel a minha direita e percebi pelo retrovisor que dois carros me seguiam com câmeras de fora dos vidros. Pose para foto. Virei minha cabeça rapidamente e coloquei a língua pra fora do capacete. Essa era minha marca nas fotos desses imbecis. Assim que virei minha cabeça para frente, um carro estava parado na saída do túnel. Merda! Foi por pouco. Desviei com rapidez e quase bati em outro carro que estava mais à frente.
— Seu otário! Não se para o carro na saída do túnel! — coloquei meu dedo do meio bem a vista do rosto do homem dentro do carro.
Nesse momento, os flashes já estavam disparados.

***

— Inadmissível! — Liam jogou o Ipad no meu colo com a minha foto de hoje mais cedo, no túnel.
— Eu também acho! Meu cabelo não estava aparecendo. — fiz um beicinho enquanto dava zoom na foto.
— Você não cresce, Harry? Desde criança eu vivo limpando suas sujeiras. — Liam andava desesperado de um lado para o outro na sala.
Joguei o iPad no sofá e me inclinei para frente. Ele parou de andar e me encarou de braços cruzados.
— Se continuar assim, vamos ter que te tirar da banda. — ele terminou de dizer e eu gargalhei.
— Faça isso. Faça e não terão fã nenhum pra garantir o sucesso de vocês. — eu estiquei meus pés na mesinha.
— Você é um bosta! — Liam revirou os olhos.
— Quem é um bosta? — Zayn disse entrando com Julie na sala.
A modelo com pernas excepcionalmente grandes estava parada segurando a mão do meu melhor amigo. E único talvez. Alguns meses atrás, eu poderia dizer que tinha mais dois, Niall e Louis, mas hoje nenhum deles são como antes.
— Eu sou um bosta, segundo Liam. — eu disse.
— Eu vou sair antes que você me irrite e eu acabe socando a sua cara. — Liam disse saindo da sala e eu comecei a rir.
Zayn imediatamente caminhou até mim, ainda agarrado em Julie.
— Cara, não liga pra ele. Mas eu preciso te dizer que ultimamente suas fotos não estão muito legais. — o quê? Zayn me dando lição? Eu até me sentei para ouvi-lo melhor. — Seu cabelo está uma porcaria, suas olheiras estão horríveis...
Julie revirou os olhos e eu comecei a rir, enquanto puxava meu amigo para o sofá e socava suas costas.
— Eu não mereço isso. — ela cochichou.
Zayn se levantou rapidamente e olhou pra ela.
— Meu docinho, já estamos indo. — ele apertou a bochecha dela e fez beicinho. Não, por favor, não.
— Pelo amor de Deus, me avisem pra pegar um balde antes. Quero vomitar. — coloquei meu dedo na boca e caminhei para fora dali.
— Cara, espera aí! — Zayn veio correndo.
— Chora. — eu disse enquanto colocava minha jaqueta jeans.
— Amanhã começa nossa turnê, você sabe né? Tenta não se atrasar.
Eu dei um abraço nele e um tchauzinho pra Julie que estava nos olhando da sala de trás. Assim que Zayn começou a falar algo mais, eu abri a porta e fui embora dali.


CAPÍTULO 05 –

Já tinha se passado um pouco mais de um mês de aula e eu estava acostumada a me desconcentrar nas aulas do professor Rafael. Ele parecia ser bipolar. Às vezes, chegava um tanto fechado, frio, dava sua aula sem ao menos direcionar seu olhar para nós, os alunos. Outras vezes, ele chegava sorrindo e não tirava os olhos de mim. Eu não o entendia. Na verdade, ninguém entendia. Estava a caminho de sua aula, quando parei para ir ao banheiro. Assim que fechei a porta e me sentei no assento, escutei uma voz conhecida de uma das garotas da minha sala. Era Samanta. Já havia escutado alguns boatos que ela estava saindo com o professor Rafael, mas eu sabia que eram apenas boatos.
— Ele me deixou em casa com o carro dele. — a voz irritante dela dizia.
— E sua mãe? Ela não perguntou quem era? — pude escutar a voz de uma de suas amigas.
— Claro que não, ela não se mete na minha vida. — Samanta era um nojo de pessoa. Desprezível, mandona e nariz em pé. — Então, como eu estava dizendo antes de você me interromper, ele me levou em casa, mas antes disso nós fomos para o apartamento dele...
Eu não queria mais ouvir isso. Os boatos já estavam esclarecidos. Não eram boatos. Abri a porta com força e ela bateu, fazendo as garotas se assustarem. Samanta me olhou com aquele olhar de repulsa e se aproximou de mim.
— Escutando conversa dos outros é? Sua estranha! — ela me empurrou enquanto sua amiga ria daquilo.
Não conseguia acreditar que em uma universidade, com pessoas adultas e responsáveis, ainda existia esse tipo de coisa.
— Não vai responder, aberração? — ela disse, ainda me empurrando.
— Desculpa, eu me esqueci que estava na escola de novo. — terminei de falar e empurrei ela para longe.
Eu abri a porta do banheiro e caminhei para fora. Assim que entrei na sala de Rafael, ele estava parado em sua mesa. Estava quase me sentando quando vi que ele se aproximou de mim.
, posso falar com você depois da aula? — esse professor safado já queria dar em cima de mim?
— Não posso. — disse, enquanto me sentava e abria meu notebook.
— É importante. — seus olhos me encaravam de uma forma tão estranha. Seu olhar era profundo e me fazia querer olhá-lo por muito tempo.
— Tudo bem. — que droga! Me cedi.
Ele sorriu com um de seus maravilhosos sorrisos e caminhou de volta à sua mesa. Samanta passou rebolando por ele, o que só me fez revirar os olhos. Ele nem sequer olhou para ela. Vê-lo sentar na beirada da mesa no meio da sala e arregaçar suas mangas todos os dias, me fazia pirar. Quando suas tatuagens apareciam, meu olhar nem sequer se movia se seus braços e eu acho que ele percebia isso.

***

A aula demorou tanto a passar que eu já estava começando a ficar maluca. Permaneci na minha cadeira, enquanto observava todos irem embora. Principalmente Samanta, que não deixou de rebolar na frente de Rafael. Ridícula. Olhei para trás e não vi mais ninguém ali. Estávamos só eu e ele na grande sala vazia. Seus passos foram apressados até chegar até mim. Ele não se sentou, ficou ali em pé ao meu lado.
— Que bom que esperou. — ele cruzou seus braços e me encarou. Seu olhar era tão intenso.
— Eu não sou como as outras alunas, não sou igual a Samanta. — bufei.
— Eu sei que você não é igual a elas, por isso te chamei aqui. Eu tentei, juro que tentei. Tentei ficar longe de você, merda. Eu não posso fazer isso. — ele começou a caminhar de um lado para o outro parecendo nervoso e confuso.
— Eu não estou entendendo. — disse, me levantando.
— Eu não sou assim. — ele parou em minha frente. — Trabalho aqui há anos e nunca me interessei por uma aluna, até você chegar. — que mentiroso! O que ele estava falando? — Por favor, entenda que estou lutando muito para me afastar.
— Professor Rafael, eu não estou entendendo. — quando terminei de falar, ele se aproximou de mim.
— Me deixe terminar. — ele segurou minha mão e eu deixei. Eu deixei. — Você é diferente. Não deu em cima de mim. Eu gosto do seu sorriso, ele me faz querer rir sempre que você ri.
Eu abri minha boca para dizer algo, mas ele não permitiu.
— Não posso fazer isso, mas eu preciso. Encontra comigo essa noite, por favor.
Eu soltei sua mão da minha e me afastei. Soltei uma risada irônica e peguei minha bolsa na mesa.
— Pare de mentir. Eu sei muito bem que você sai com todas suas alunas e eu não sou como elas. Por favor, pare com isso.
Minha paixão platônica por ele não podia falar mais alto, eu não deixaria esse safado se aproveitar de mim.
— O quê? Onde ouviu isso? — ele disse, confuso.
— Não seja cínico, pare. — eu tentei caminhar para fora da sala, mas ele me segurou.
— Por favor, . Acredite em mim, eu não sou isso que eles falam. Nunca sequer saí com uma dessas alunas oferecidas. Nunca nem pensei que sairia, mas quando te vi, minhas ideias mudaram completamente. Prometo que não vai acontecer nada, se não quiser, é claro. — ele riu. Droga, ele riu! — Um cinema e nada mais.
Meus pensamentos se debatiam entre eles tentando chegar a alguma conclusão. Eu não estava acreditando no que eu estava prestes a fazer, mas eu iria fazer.
— Tudo bem, só um cinema.
Ele me olhou desacreditado e o canto esquerdo de sua boca saltou quase despercebido.
— Salva seu número no meu telefone, te ligo mais tarde. — Rafael estendeu sua mão e me entregou o celular.
Eu salvei o meu número e fui embora pra casa.

***

Todos os rostos dos "meninos da ", como ela gostava de deixar bem claro, estavam voltados para mim. Eu estava deitada na cama confortável da minha melhor amiga, como eu previ desde o início, e o teto estava repleto de pôsteres da banda Black Birds, a preferida dela. As paredes em minha volta também estava coberta deles. O garoto do meio, que eu estava cansada de saber que era Harry, o marido da , sempre me chamava a atenção. Todas as fotos a pose de maioral, o sabe tudo, sempre falava mais alto. Ele com certeza é um idiota que se acha o cara mais especial do mundo. Ridículo.
! ! ! — a porta se abriu e entrou saltitando com dois papéis nas mãos.
— Você está passando mal? — perguntei, enquanto me sentava na cama.
— Eu fui uma das primeiras, uma das primeiras... — ela alternava entre tentar respirar e tentar falar.
Eu empurrei seu frágil corpo para se sentar na cama.
— Respira, sua louca. Você foi uma das primeiras o quê?
— COMPREI! — ela berrou e se jogou na cama, enquanto balançava freneticamente suas pernas. Definitivamente ela não estava normal.
— Quando agir como uma pessoa normal, vá até o meu quarto. Preciso te contar uma coisa. — eu me levantei e ela me puxou, fazendo com que eu me deitasse na cama.
— EU COMPREI DOIS INGRESSOS PRA GENTE IR NO PRIMEIRO SHOW DOS BLACK BIRDS NO BRASIL! AH, EU VOU MORRER. — ela gritava e se contorcia enquanto me balançava loucamente. Eu apenas a encarava tentando segurar a risada.
— Eu vou sair com o professor Rafael. — ela parou de se mexer e me olhou séria.
— O quê?


CAPÍTULO 06 – HARRY

O cheiro doce que invadia minhas narinas me fez acordar. Era nojento. Assim que abri meus olhos, vi a loira enrolada no lençol ao meu lado. Seus cabelos cobriam todo o travesseiro, que provavelmente demoraria bastante para sair o cheiro do perfume barato. Nesse momento, dei graças a Deus por não ter a levado pra casa. Me levantei observando o quarto de hotel em que estávamos. Ele era grande e um tanto ajeitado.
Tomei um rápido banho e agradeci novamente pela mulher não ter acordado. Ela dormia como uma pedra. Bem melhor assim, ela falava muito quando estava acordada. Vesti minhas roupas depressa e saí do quarto sem que ela ao menos percebesse. Amarrei meu cabelo em um coque e coloquei um boné, era de manhã e provavelmente teria muitas pessoas na frente do hotel agora. Odeio a internet!
— Sr. Colby, tem um carro esperando pelo senhor nos fundos. O hotel pensou que seria útil para você. — um homem alto e de terno me disse.
Acenei com a cabeça e ele me mostrou a saída. Mesmo nos fundos, havia algumas dezenas de pessoas gritando por mim. Eles me viram e eu corri para o interior do carro. Algumas garotas batiam no vidro, gritando meu nome e esfregando a cara nele. Que malucas.

***

— Cinco minutos e vocês entram no palco. — Josh abriu a porta do camarim e enfiou a cabeça no pequeno espaço, para nos dizer.
Os garotos levantaram os dedões confirmando e eu permaneci ali, me olhando no espelho. Meu cabelo estava perfeito demais.
— Ouviu, Harry? Sem atrasos. — Josh disse, me olhando pelo reflexo do espelho.
— Sim, senhor. — balancei minhas mãos fingindo me importar e continuei me olhando, enquanto ele ia embora.
Hoje meu dia tinha sido cansativo demais. Passei horas com a chata da Laurel me mostrando roupas ridículas para o show de hoje no seu iPad. Ela não estava cansada de saber que só eu escolho minhas roupas? Niall se aproximou de mim e começou a rir.
— Está rindo do quê, nanico? — eu o encarei.
— Existe alguma coisa mais importante do que seu cabelo? — ele perguntou ainda rindo.
— Sim, claro. — eu respondi, me levantando.
— Oh, sério isso? O quê, por exemplo? — ele cruzou seus braços e continuou me olhando.
— Eu.
Ele gargalhou.
— Eu quis dizer algo que não envolva você, ou seu corpo, ou sua moto.
O empurrei, enquanto passava para chegar até o outro espelho maior. Zayn veio até mim e me levantou do chão.
— Claro que existe algo mais importante que isso pra ele, eu! — Zayn disse orgulhoso.
Niall e Louis começaram a rir. Liam ainda permanecia com a cara fechada sentado no sofá. Ele revirava os olhos e isso era uma das coisas que eu mais o via fazer.
— Vocês vão nos atrasar. Já está na hora de ir. — Liam resmungou.
A porta se abriu e era Josh de novo. Ele nos chamou e todos saímos do camarim para nosso show em Orlando.

***

— Hillary, meu nome é Hillary! — a morena que estava sentada no meu colo me dizia.
— Tanto faz! — a tirei de cima de mim e caminhei até o banheiro.
Assim que o show acabou, nós fomos para o camarim tirar algumas fotos com os fãs e essa tinha me chamado a atenção. Ela se insinuou pra mim e eu a chamei para ficar aqui comigo quando os meninos foram embora para o hotel.
— Vem pra cá, meu tigrão. — TIGRÃO? Pelo amor de Deus!
Ela veio até mim no banheiro e começou a esfregar minhas costas, enquanto mordia minha orelha. Eu empurrei suas mãos pra longe de mim e me movi dali. Vesti minha camiseta e calcei minhas botas.
— Se vista e vá embora.
— Mas já? Não! Eu não quero ir. — ela resmungou, tentando chegar perto de mim.
Eu abri a porta do camarim e saí sem ao menos olhar na cara dela.
— Harry!
Escutei sua voz irritante me gritando pelos corredores. Continuei correndo, passando pelos seguranças e funcionários do local, achei a saída mais rápido do que eu imaginava. Já fazia um bom tempo que o show tinha terminado e com certeza não haveria ninguém lá fora. Bom, eu estava errado! Assim que pus meus pés na rua, uma multidão me prendeu em um círculo e começaram a me tocar, abraçar, puxar meu cabelo e tirar fotos.
— Harry!
— Harry!
Eu escutava meu nome por todos os lados. Merda! Cadê o segurança? Cadê o carro? Eu olhava para os lados e não conseguia ver nada além das pessoas me puxando de um lado para o outro. Socorro! Cobri meu rosto com meus braços, impedindo com que eles me machucassem. Eu sabia que eles não estavam fazendo por mal, mas o excesso de carinho naquele momento estava me matando. Depois de alguns minutos sem conseguir me locomover, não havia nenhum sinal de algum segurança ou do motorista. Abaixei os meus braços e tentei ver algo. Nada. Um cara me agarrou e estava me apertando com seus braços compridos. Ele começou a me morder e eu coloquei as mãos em sua cabeça tentando tirá-lo dali. Ele não saía. Ele continuou me mordendo e me apertando. Eu não sabia o que fazer. Respirei fundo quando minha mão direita acertou com tudo o queixo dele. O garoto caiu imóvel. Todos pararam. As pessoas ao me redor me olhavam assustadas e esse era o momento em que eu tinha que correr. Corri desesperado para o carro. Taylor estava calmamente no seu banco. Ele nem sequer tinha visto alguma coisa.
— Imprestável! Você não me ajudou. Vamos embora logo! Pro hotel, rápido.
Ele não disse nada. Apenas ligou o carro e partiu para longe dali.

***

"Depois dos comerciais, vamos entrevistar o garoto que foi atacado pelo jovem cantor Harry Colby"
— Desliga essa merda. — eu chutei o sofá em que Niall, Louis e Liam estavam.
Niall pegou o controle correndo e desligou a TV. Eles me olharam assustados e eu me sentei no banco atrás deles.
— Parabéns, meu querido irmão. — Liam se levantou do sofá e deu longos passos até onde eu estava. — Está vendo o que você fez?
— Cale a boca. Me poupe das suas lições de moral. Não devo explicações pra você. — dei um gole na garrafa de cerveja que eu tinha acabado de abrir.
— Não só pra mim, mas para todos nós. — ele apontava para os dois no sofá. — Isto que você fez foi o cúmulo do absurdo. O que os fãs vão pensar de nós?
— Não desliga, meu amor. Por favor, me escuta. Não! JULIE! — Zayn entrou na sala com o telefone no ouvido.
Assim que ele desligou, olhou para a cara de todos e viu que o clima não estava nada bem.
— Agora não, Liam. Qual é? Ou vai me dizer que se você estivesse no lugar dele você também não faria o mesmo? — Zayn veio até mim e colocou seu braço sobre meu ombro. — Quer dizer, acho que você não faria isso. Você desmaiaria.
Ele começou a rir e eu gargalhei junto. Niall também se juntou conosco na risada. Apenas Louis e Liam permaneciam de cara amarrada.
— Harry, preciso falar com você. Quero você agora no meu quarto! — a voz de Josh quando ele apareceu onde estávamos, era firme e irritada.
Paramos todos de rir e eu me levantei da cadeira. Não queria mais falação. Josh saiu do nosso quarto de hotel e eu o segui até seu quarto. Isso daria merda. Muita merda!




Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Nota da beta: O sermão do Josh será daqueles no Harry, hein? Que fã maluco, gente. E a pp? Saindo com o professor? Sei não... Mas e vocês, pessoal, estão gostando da história até agora? Deixem um comentário para a autora 😊.

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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