Chains

Última atualização: 02/07/2019
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Capítulo Único

Ele acabava comigo. De todas as maneiras possíveis. Não sabia o motivo de ter me deixado levar por todos esses anos, não sabia como acabar com aquilo. Não sabia nem se queria acabar com algo que nem tinha começado.
era o diabo em forma de gente, nos conhecemos no ensino fundamental e como coisa ruim atraí coisa ruim, nos tornamos inseparáveis, chegamos a estudar na mesma universidade, ele se formou em Publicidade e eu fui fiel ao Jornalismo. Até nisso dávamos um jeito de estarmos ligados.
Eu era do tipo de garota neutra, não era nerd, mas estava sempre na média. Meus amigos eram os insignificantes em qualquer lugar – eram os melhores para mim – mas na universidade, éramos praticamente invisíveis. Até descobrirem que meu parceiro de crime era .
Ele era o garoto problema onde chegava, sempre com aquele olhar penetrante, sorriso safado, voz rouca e se vestia no melhor estilo badboy – o qual eu sempre dizia que não funcionava, porque allstar e jaqueta de couro não é nada demais – tinha a maioria das garotas por perto pelo simples fato de ser “o cara popular”.
Depois da faculdade, continuávamos nos ajudando e fazendo o que tinha que ser feito. O ponto era: o que nós tínhamos?
Desde uma das festas da faculdade, nos pegávamos sempre que tínhamos vontade, transávamos nos piores lugares e nos melhores também, mas, na maioria das vezes, quando acordávamos juntos, éramos apenas e , os amigos desde sempre que faziam algumas loucuras juntos. Ele insistia em dizer que eu via coisas boas em quem não tinha nada de bom e eu rebatia dizendo que ele não via o lado bom nas pessoas.

– Cala a porra da boca! – Ele disse enquanto enchia seu copo com mais whisky.
– Cala a boca você, retardado! – Cruzei os braços e respirei fundo.
– Você não é minha namorada, tá dando esse “piti” por qual motivo? – Escutei alguns passos e olhei de canto, ele estava se aproximando de mim
– Óbvio que não sou sua namorada, não sou idiota! – Me levantei e o olhei – Porra, ! Pegar minha prima era a única coisa que eu pedi pra você não fazer!
– Ela é gostosa pra caralho, me deu mole, queria que eu fugisse? – Ele arqueou a sobrancelha e sorriu torto, maldito.
– Claro que ela te deu mole, dá mole para qualquer um. – Dei de ombros e peguei o copo de sua mão.
– Eu não sou “qualquer um”. – Fez aspas com as mãos – Sou , filho do Carter , dono das empresas Carter.
– A qual você não tem direito de nada por ser esse lixo humano. – Cuspi as palavras. Ele realmente era podre de rico, mas por ser do jeito que era, foi tirado da empresa logo cedo.
– Continuo tendo o sangue dele, quando o velho bater as botas, alguma coisa eu vou pegar – pegou outro copo no criado mudo e encheu de whisky.
, não fale assim do seu pai. – Torci o lábio – Mesmo te tirando da empresa, não te deixou sem dinheiro, sem casa…
– PORRA! Você precisa parar de ser assim! – Deu um soco na porta – Para de ver o lado bom das pessoas, ele é um velho nojento, que matou minha mãe!
– FOI UM ACIDENTE! – Gritei – Você era um moleque mimado e até agora não entende isso.
– QUE SE FODA! – Foi a vez de ele alterar o tom de voz e sentou-se na cama, virando todo o líquido de uma só vez, garganta abaixo.
Alguns minutos em silêncio. Sempre brigávamos, sempre tínhamos problemas, sempre acabávamos na cama. Respirei fundo, caminhei até , me sentei ao seu lado e pus minha mão sob a dele.
Pude notar um olhar torto, mas a mão continuou parada, sorri fraco e acariciei o local.
– Sabe, acho que podemos esquecer o que rolou hoje e aproveitarmos a noite. – Me aproximei devagar, era meu jeito de pedir desculpas.
– Esquecer o que você falou do Carter ou da sua prima? – Ele arqueou a sobrancelha e me olhou.
– Tudo. – Deitei minha cabeça na curva do pescoço dele, mas estranhamente, ele se afastou.
– Beleza, preciso ir. – Levantou-se rapidamente, colocou o copo na estante de livros, ajeitou a inseparável jaqueta de couro e me olhou.
– Ir para onde? Já passa da meia noite! – Franzi o cenho, ele estava me ignorando?
– É a melhor hora. – piscou e deu alguns passos – Nos falamos.
Ele saiu rapidamente e pude ouvi-lo bater a porta da sala. Abaixei a cabeça e respirei fundo, ele fez merda o dia todo, eu corri atrás e acabei ignorada, por que estou tão surpresa? Para o fazer isso, algo aconteceu. Me levantei e caminhei até o espelho, fiquei alguns minutos me olhando. Eu era bonita, não era? Porra, eu era linda para caralho. Algo realmente aconteceu, provavelmente me contaria os motivos em alguns dias.

O beijo era urgente, minhas mãos bagunçavam ainda mais aquele cabelo macio que eu tanto amava. Sentia suas mãos firmes em minha cintura, me apertando enquanto seu corpo se fundia com o meu. A camisa foi jogada em qualquer canto, minhas unhas fizeram o trabalho naquelas costas largas, os lábios dele percorriam meu pescoço, deixando algumas mordidas em pontos que me tiravam do sério.
Corpos suados, roupas sendo tiradas rapidamente, as bocas se encaixando com perfeição. Nos olhávamos nos olhos algumas vezes e sorrisos brotavam, talvez pelo teor alcoólico que havia em nosso sangue, tesão, ou qualquer outra coisa. Palavras de baixo calão e eu já estava perto de conhecer o céu graças à .
Giramos mais uma vez e assumi o controle, me movimentei lentamente e ele tentava segurar os gemidos, descontando toda a força em minhas coxas e seios. Inclinei o corpo e fechei os olhos, toda vez que transávamos, era uma sensação diferente e talvez era o que nos mantinha tão conectados. Senti as mãos firmes em minha cintura e abri os olhos, ele parou o que estava fazendo, me tirou de seu colo e me beijou, dessa vez era um beijo lento, sentia sua mão em minha nuca e um carinho apareceu em seguida, mordi seu lábio e levei minha mão a seu rosto, ele sorriu torto mais uma vez e me deu um tapa na coxa. Passei a língua entre meus lábios e me posicionei de quatro na cama, ele amava isso. Segurei mais um gemido e as estocadas eram violentas, rápidas e recebia tapas em todas as vezes que tentava gemer. Nossa! Aquilo era muito bom. Ele era muito bom. Nós éramos perfeitos. Ofegantes, um do lado do outro, olhávamos o teto tentando regularizar a respiração. Pude vê-lo se apoiar na cabeceira da cama e me olhar. Gargalhamos.
– Mais uma fantasia realizada. – Ele mordeu o lábio inferior – Você é foda.
– Quem fodeu alguém aqui, foi você. – Me levantei e busquei minha calcinha – No quarto dos meus pais! Porra!
– Eu não controlo minhas fantasias, querida. – Disse do jeito mais marrento e também se levantou, buscando suas roupas.
– Se bem que sempre tem churrasco aqui, seria fácil demais realizar essa fantasia. – Dei de ombros – A do shopping foi a pior.
– Caralho, a do shopping foi a melhor! – Ele esbarrou em mim ao pegar sua calça – Aquela saia curta facilitou minha vida.
– Qual a próxima da lista? – Arqueei a sobrancelha e o olhei.
– Te aviso quando tiver, você realizou todas. – Ele se aproximou, me deu um selinho e ficou me olhando durante um tempo, como se quisesse me dizer alguma coisa.
Realizar fantasias sexuais de era meu hobbie. Eu não tinha muito tempo de arrumar homens, meu trabalho me consumia. Os que me apareciam no ambiente profissional, queriam namorar e todo aquele blá blá blá e eu não tava pra isso. Eu tinha o , não tinha? Teria sexo bom quando quisesse ter. Ou achava que teria.
Mas, no final de toda merda, era na minha cama que ele acabaria.

– VAI SE FODER! – Berrei no telefone
– VAI VOCÊ, CARALHO! – Ele explodiu – O QUE VOCÊ ACHA? QUE VOU SAIR DAQUI PRA IR VER FILMINHO COM VOCÊ? – Ouvi uma longa gargalhada
– Por favor, some da minha vida. – Praticamente sussurrei no telefone.
Desliguei o telefone e joguei-o de qualquer jeito no sofá. Me debulhei em lágrimas e não conseguia pensar em mais nada. Era mais uma das noites que nos encontraríamos pra ver um filme e jogar conversa fora, como era todas as quartas feiras, mas essa era diferente. Minha mãe havia me ligado e disse que minha avó, que estava internada há meses, faleceu. Não conseguiria ir ao funeral da minha avó, ela era tudo pra mim e a imagem que eu queria ter dela era sempre sorrindo, sempre confiante, alegre… A morte dela não me pegou de surpresa, ela estava mal, muito mal. A última vez que a vi, foi no mês passado, o médico havia me alertado que ela estava em seus últimos dias, mas a fé, a esperança era o que me mantinha bem. sabia do estado de saúde dela, quando liguei, ele mal me deixou falar, iniciando uma discussão que acabou com um sarcasmo idiota da parte dele. Eu sobreviveria. Sabia que em alguns dias, ele iria saber o que aconteceu, viria correndo até mim e como eu estaria fragilizada, aceitaria as desculpas pra não ficar sem um amigo.
Acordei com olheiras maiores do que fui dormir. Já passa uma semana desde o falecimento da minha avó e uma semana que não me deu notícias. Mandei algumas mensagens, liguei, mas ele sempre fazia algo do gênero, não estava alarmada, apenas sentia falta. Havia pegado uns dias de folga no trabalho, minha mãe me visitou, mas à mandei embora logo, duas pessoas chorando no mesmo ambiente não é a melhor coisa. Eu queria beber, transar, escutar o falar das merdas dele e só, queria esquecer o que tinha acontecido. Essa era minha vida, a porra da minha vida. Caminhei até a cozinha e tomei um café, olhei pela janela e a brisa fria bateu me fazendo tremer, fechei a janela e pensei em ir até a casa dele, talvez pra colocar uma pedra em tudo o que tinha rolado, só pra variar. Balancei a cabeça rindo e ao passar pela sala, olhei na mesa da sala de estar e pude ver algo brilhando, franzi o cenho e caminhei até lá. Havia um chaveiro, aliás, o chaveiro do estava sob a mesa, ao lado de uma folha dobrada. Por um momento, meu coração deu um solavanco.
Abri o papel com medo, talvez esperasse o que estava por vir, mas não tão cedo. A caligrafia torta, a letra grande… era tudo, reconhecível demais. Passei os olhos por aquelas linhas e nem notei quando as lágrimas começaram a cair, sei que elas estavam ali, escorrendo e alguns soluços preenchiam o ambiente. Joguei aquele pedaço de papel no chão, peguei as chaves do meu carro e foda-se o pijama, esse desgraçado vai me ouvir.

“Eu fodi com você de todas as formas. Te fodi quando fui na tua casa, bêbado, às 4h da manhã e você deixou eu te comer. Te fodi no banheiro do shopping. Te fodi no quarto dos seus pais. Eu também te fodi depois daquela briga, que mesmo a culpa sendo toda minha, você veio atrás e eu decidi te ignorar pra poder ir numa balada com meus amigos. Te fodi aquele dia que você ficou esperando eu ir na tua casa ver filme e eu não fui porque tava ocupado demais comendo aquela tua amiga. A , lembra? É esse teu problema. Você só vê o lado bom das pessoas, “não, se ele fez isso tem algum motivo, eu não devo ser boa o suficiente”. Você se anula, cara. Você se anula para eu poder me sentir melhor, você… Porra, você é boa demais. Você é tudo o que eu não mereço. E é por isso que hoje eu acordei decidido a deixar você seguir sua vida, mas não dá… Porque apesar de tudo isso, você sabe, que depois de conhecer a cama de alguma vagabunda que eu encontro por aí, eu sempre vou voltar para você. Eu sou seu, de uma forma totalmente errada, eu sou seu. E é isso que me assusta. xx .”




Fim.



Nota da autora: Hey! Essa short está guardada a muito tempo no meu drive e decidi enviar. Tive a ideia depois que li esse texto (carta que o PP deixa no final) no tumblr, no caso eu encontrei no tumblr orquestrando.tumblr.com/ e mesmo pesquisando em outras plataformas não encontrei o verdadeiro autor do texto, então se alguém souber quem é, por favor, me avise para que eu dê os devidos créditos e agradeça por escrever tão maravilhosamente ao ponto de que no dia que li, a fic saiu como se fosse automático rs
Enfim, vamos ter continuação? Vamos. Faz muito tempo que me pediam para escrever um badboy e finalmente escrevi um, chega de mocinhos, huh? KKKK Não consigo desapegar nos mocinhos, não desistam de miiiiim!
Bom, MUITO obrigada por estarem aqui e agradeço se deixar um comentário! Entre no meu grupo no facebook e fique por dentro da continuação e/ou outras fics!
Amanda, obrigada por betar minha short! ♥





Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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