Contador:
Última atualização: 14/09/2020

Capítulo 1

Malik
03 de setembro de 2012, Connersville – Indiana

O alarme do celular pontualmente despertava às 6h da manhã, era primeiro dia de aula do meu último ano do ensino médio. Estava habituada ao horário, então nem protestei ao ouvir o toque familiar. Devido às minhas rotinas matinais com meus pais, envolvendo a empresa da família, acordava esse horário quase todos os dias. Vivia em uma cidade pequena e pacata de 12 mil habitantes e a única dedetizadora da região era a Malik Pest Control, então, durante as férias de verão, fiz nada além de preparar uniformes, equipamentos e conciliar agendas e endereços dos atendimentos que eles prestariam o serviço. Eu era a quebra-galho, que falava com fornecedores, clientes e ainda preparava o café da manhã. Devido ao verão, era comum o aumento de baratas e outros insetos, então era a alta temporada da empresa, deixando meus pais bem ocupados. Apesar de não ser filha única, não exigia um salário alto ou recompensas, diferente do meu irmão gêmeo, Zayn, que era preguiçoso o suficiente para passar as férias todas de molho ou saindo com os amigos e sem ajudar muito na empresa, salvo um ou outro trabalho braçal. Eu não reclamava, pois me sentia responsável por algo que era único em nossa simpática cidade, além de ganhar uma graninha extra que alimentava meu hobby de instrumentista, manutenção de instrumentos, aulas e livros são um tanto caros.
Nesse ano letivo eu tomaria coragem para fazer audição como trompetista da banda marcial da escola. Eu sei, eu sei, inconsequente, já que o último ano é sempre uma loucura de busca por bolsas de estudos, financiamentos estudantis e tantas outras coisas envolvendo o ingresso nas universidades do país, mas isso tem uma motivação. Sempre estive muito apagada de tudo relacionado à escola e à cidade e meu irmão acabava roubando a cena por ser do time de futebol americano. Mas admito ter uma parcela de culpa, pois sempre fui muito apática, nunca fui destaque bom ou ruim de qualquer evento. Era apenas... a . Notas na média, boa aluna, nada do que reclamar, porém nada muito do que elogiar. Percebi o quanto perdi com isso, nunca saía da zona de conforto e isso fez com que minha imagem e minha autoestima sempre fossem medianas. O ponto de virada que motivou minha mudança foi que, em algum ponto, essa autoestima decaiu mais do que deveria. Durante várias vezes que eu saía com a minha família, percebi as pessoas cumprimentarem Zayn e perguntar quem eu era. Algumas nem sabiam que Zayn tinha uma irmã, apesar de eu ir para a escola e voltar quase todos os dias com ele. Até amigos dos meus pais sofriam para recordar meu nome, sempre confundindo com algum outro parecido, além de somente puxarem assunto com meu irmão, perguntar dele, como estava o time de futebol etc. Não me leve a mal, não estou com ciúmes, muito menos sozinha e sem amigos, só comecei a me sentir muito invisível. O quão bem isso faz à sanidade mental de um adolescente? E preciso escolher uma universidade, preciso decidir um curso e, ao ingressar em uma universidade, não posso continuar assim por 4 anos ou mais. Esse ano seria quase um treino para a vida adulta, longe da segurança dos meus pais, do meu irmão e das minhas amigas. Por falar nelas, já possuíam um destino em mente e estavam mais adiantadas que eu nesse quesito, então eu pediria ajuda assim que chegasse à escola.
Percebi que fiquei mais de 15 minutos divagando sobre o último ano, consequentemente estava atrasada para o café.
- Por favor, que meus pais me deem um desconto, só hoje... – pedi enquanto me levantava de supetão. Eles detestavam atrasos.
A roupa estava separada desde o dia anterior, pois até isso eu me planejei para entrar com o pé direito. Antes usava roupas simples, sem estampa e cortes retos, então decidi inovar o guarda roupa com a ajuda da minha mãe e das minhas amigas. Para hoje, decidi vestir uma calça jeans preta, era meio rasgada na coxa e joelho, combinei com uma blusa de manga morcego, decote em “V” e amarração na parte da frente da cintura, com um tom de pink que eu jamais sonharia em usar. Olhei para o meu allstar surrado no canto do quarto e para o Nike todo branco recém-comprado. Com um suspiro de derrota, calcei o Nike, me avaliando no espelho do quarto. Extremamente diferente da T-shirt básica ou moletom com calça jeans azul padrão que estava acostumada. Puxava o tecido tentando cobrir mais a região do pescoço, por mais que o decote fosse decente, não estava acostumada com essa exposição. De certa forma as roupas me favoreciam, então até que me senti bem. Maquiagem nunca foi meu forte, mas também nunca foi um problema. A base, delineador, rímel e batom estavam alinhados. Meu cabelo sempre foi comprido, preto e com cortes retos, ainda não havia me decidido sobre eles, então prendi em um rabo de cavalo fazendo um topete discreto na frente. Ouvi algumas batidas na porta, típica batida que mamãe faz. Autorizei, vendo o olhar de espanto da mulher ao me ver pela primeira vez.
- Bom dia, você viu a ? – Brincou sorridente, aparentemente muito feliz com o resultado.
- Boba. – Ri, recebendo um abraço dela por trás, enquanto terminava minha avaliação no espelho.
- Amor, não esqueça os acessórios! – ela disse já correndo para a cômoda do meu quarto.
Olhei para o novo display de colares, brincos, pulseiras e anéis, entrando em desespero por não ter a mínima ideia do que escolher.
- Vem, eu te ajudo, ainda temos alguns minutos.
Minha mãe me deu algumas dicas enquanto ia escolhendo os acessórios para mim.
- Essa blusa tem decote em “V”, então tem que ser um colar mediano. Como a manga da blusa não cobre o braço todo, você pode usar uma pulseira mais grossa e chamativa, mas uma simples também já serve. Quanto aos anéis e brincos, o segredo está em ornar a cor da roupa toda, então um preto, branco ou rosa já serve para dar destaque.
Não sei se por sorte ou se minha mãe é iluminada, meu novo guarda-roupa estava todo se conversando. Basicamente poderia montar qualquer look e usar qualquer acessório que já estaria excelente, visando modelos de roupa e cores, obviamente. Eu amo minha mãe.
- Mãe, não sei como agradecer... – disse olhando novamente no espelho a nova “eu”.
- Imagina, meu amor. Sabia que eu e seu pai fomos rei e rainha do baile do último ano? Pode ser sua chance também para arrumar um pretendente! – ela falou enquanto saía do quarto saltitante, eu virei o rosto quase como a menina do Exorcista, com olhar fuzilante.
- Mãe!!!
Ela não era uma mãe convencional. Ela queria que eu arrumasse um namorado, fosse a festas e socializasse mais e eu quem estava fugindo disso. Meus contatos masculinos na escola eram com meu irmão e no máximo com os colegas dele do time de futebol americano, onde 99% já tinha ficado com, pelo menos, dois terços das líderes de torcida. O 1% é meu irmão, que também é extremamente reservado como eu, mal sabia dos rolos dele, era como se não tivesse nenhum. O que, para um jovem de 17 anos, atleta e jogador do time de futebol da escola, é impossível.
Peguei minha mochila e desci até a cozinha, me deparando com a mesa pronta que meus pais fizeram. A bela tradição de primeiro dia de aula, como eu amo. Meu irmão já estava sentado à mesa quando me olhou, desvencilhou o olhar, para, então, seu cérebro processar o que vira, voltando o olhar completamente confuso e perplexo. Nem preciso dizer que meu pai fez a mesma coisa. Acho que o dia hoje será repleto desses olhares, então vou abstrair tudo, fingir demência e apreciar a paisagem, é o que me resta. Sentei-me desejando bom dia, como se nada tivesse acontecido, um sorriso bobo brincando no canto dos lábios enquanto me servia café e pegava uma panqueca com manteiga.
- Qual é a do novo outfit? – meu irmão cutucou, querendo que eu ficasse brava.
- Gostou, amiga? Achei fabuloso, da próxima vez podemos fazer compras juntas, o que acha? – disse com entusiasmo e a voz afetada, vendo-o bufar e virar os olhos. No fundo ele só estava com ciúmes porque sabia os amigos que tinha. Como nunca dei motivo para ser assunto da rodinha, era provável que hoje eu seria e ele sabia disso.
- Está muito bonita, princesa – meu pai beijou o topo da minha cabeça – Só cuidado. – Juntou as sobrancelhas dando o sinal de bravo/preocupado e cruzando os braços, eu respondi com uma continência, seguido de um “sim, senhor”, costume que carregávamos desde a infância, fazendo-o suavizar as feições.
- Temos 5 minutos, crianças. – Mamãe nos apressou.
Depois de finalizado o café, já estava mais que pronta para o primeiro dia.
Olá, mundo, conheça a nova Malik.


Capítulo 2

Malik
Meu irmão dirigiu calmamente até a escola, uma música qualquer tocando no rádio apenas para preencher o ambiente com algum som. Por mais que fôssemos gêmeos, não nos falávamos tanto assim, mas sem dúvida existia uma conexão inexplicável, quando um ficava triste o outro imediatamente saberia, bem como se estivesse mentindo ou escondendo algo. Não precisávamos de palavras para nos comunicar, apenas com o olhar eu saberia exatamente o que Zayn gostaria de dizer ou o sentimento que ele estaria sentindo, e vice-versa. Ele me apoiava como trompetista, isso significava que não se incomodava durante minhas horas de estudo, tocando o instrumento sem parar. Ele era um dos melhores jogadores de futebol americano da escola e tentaria bolsa em alguma universidade como jogador, então eu o apoiava muito, o que também significava que eu não reclamava de esperá-lo até o fim do treino, nem quando seus amigos iam espremidos no carro, fazendo algazarras e dormiam em casa.
Por falar em amigos, meus pais me deram de aniversário um novo celular, um smartphone que estava na moda, o que significava que eu teria que aprender a mexer em redes sociais da maneira certa, o que me lembrava da melhor consultora que existe: . Estava ansiosa para reencontrá-la, bem como e . Éramos amigas há um bom tempo, mas não nos vimos muito nas férias por eu estar trabalhando e pelas viagens que as meninas fizeram. As datas se desencontraram e durante todas as férias de verão nos vimos apenas uma vez, que foi no meu aniversário.

Flashback – 15 de agosto de 2012
Nossos pais fizeram uma festa em casa comemorando o aniversário dos gêmeos, como sempre fizeram. O tema era sempre dividido, então todo ano havia dois temas para agradar a ambos: Barbie e Max Steel, Três Espiãs Demais e X-Men são exemplos da nossa infância. Depois de mais velhos acabamos por compartilhar de alguns gostos, então um ano foi todo de Harry Potter, outro apenas de Star Wars etc. Esse ano estávamos fissurados com Marvel, então o tema foi The Avengers. Apesar de estarmos completando 17 anos, a comemoração nunca ficava boba, não nos importávamos se parecia ou não infantil, era um costume que gostávamos de carregar e as festas eram muito divertidas.
Eu recepcionei minhas amigas e estávamos no momento sentadas no chão da sala jogando Uno, confortáveis no tapete felpudo. Alguma rádio pop tocando os sucessos do momento. Usávamos os dois sofás como apoio para as costas, aproveitando das almofadas para ficarmos mais confortáveis ainda. Os copos temáticos de estavam cheios de soda italiana que meu pai tinha feito e devidamente apoiados na mesa de centro ao lado dos snacks, que estavam em bandejas. Depois de muita soda italiana, cheetos e mini hamburgueres, meu irmão chegou com os amigos, todos vestidos com o uniforme do time de futebol, pareciam um clã ou máfia, já que só andavam assim. Apesar de canalhas, os garotos nos respeitavam em casa, acredito que por causa dos meus pais e do meu irmão, então conseguíamos ter uma convivência pacífica. Mas somente em casa.
- Hey, ! Parabéns! – Harry, que era meu amigo um tanto distante de infância e o capitão do time, me cumprimentou com um meio abraço.
- Parabéns, ! – Foi a vez de Niall, seguido de Liam e Louis.
- Obrigada, meninos. Fiquem à vontade, tem soda italiana, besteira, chocolate etc. – Disse apontando para a mesa, onde tudo estava servido. – Querem jogar?
Todos aceitaram, deixando a partida muito mais divertida. Tivemos que juntar mais um baralho, que Harry se prontificou a buscar em sua casa, já que éramos vizinhos. Era possível diferenciar pelo número na parte da frente, então não correria o risco de misturar.
Os meninos eram cruéis, faziam jogadas ensaiadas para derrotar as meninas, viam as cartas de quem deixasse à mostra sem querer, mas não deixava de ficar engraçado quando a gente conseguia se vingar.
- Liam, para de ver minhas cartas! Um pouco de consideração pela aniversariante, por favor! – Eu briguei, escondendo a mão de cartas no peito e jogando uma almofada em seu rosto, ele apenas gargalhava apontando o dedo para mim, o que me irritava profundamente, já que era a vigésima vez que ele fazia aquilo em uma única partida.
- Azul não é uma boa cor, Harry!!! – Ele gritava para o parceiro, que estava ao seu lado, o que foi um baita erro já que era meu turno.
- Então toma esse aqui – joguei uma carta +4 – E eu quero azul!!! – gritei a plenos pulmões, apontando o dedo em sua cara, enquanto todos caçoavam dele.
Ele fez uma feição de ofendido, colocando a mão no peito e soltando um suspiro exasperado, para logo em seguida jogar outro +4.
– Eu quero vermelho! – disse com a voz afetada, tentando imitar a minha. Que babaca! Os garotos estavam em êxtase, meu irmão riu tanto que caiu para trás, as meninas dando gritinhos desesperados.
– Como você pode, Payne? - Harry o olhou assombrado, semicerrando os olhos. Logo desfez a feição, colocando um sorriso travesso nos lábios e jogando OUTRO +4, que cairia direto em .
Todos os meninos fizeram um “oooh” colocando as mãos fechadas em punho na boca, as meninas estavam desesperadas gritando em negação, com o olhar fuzilante para Harry disse, enquanto comprava as 12 cartas:
- Você é um ridículo, Styles!
- Culpe a , ela que começou! – ele disse, apontando para mim.
logo estava rindo novamente quando jogou a carta de inverter o sentido, ela aproveitou o +4 que veio nas 12 cartas que comprara, jogando para Styles que negava com a cabeça lentamente, como se dissesse “você não fez isso”.
Depois de diversas rodadas, meus pais chamaram para partir o bolo. Acendemos as velas de 17 anos e cantamos parabéns. Mamãe fez questão de garantir mais uma foto dos gêmeos apagando as velas juntos. Comemos bolo enquanto passava um programa de comédia na televisão, algumas vezes comentando e rindo. Quando começou a ficar tarde, todos foram embora, eu e Zayn demos carona para , e Niall e Harry para , Louis e Liam. No fim, como Harry era nosso vizinho de qualquer forma, acabou dormindo em casa para jogar videogame com meu irmão. Lamentei pelas meninas não poderem ficar, mas agradeci pelo dia. Geralmente quando juntam dois grupos tão diferentes na escola, acaba sendo o maior caos. Antes de dormir, finalmente comecei a mexer no meu celular novo, que nem fiz questão de levar para o andar de baixo, pois sabia que ia tirar a atenção das meninas e ninguém ia se divertir. Não saberia como seria o ano seguinte, já que estaríamos a caminho da universidade. Será que a reunião aconteceria mais um último ano? Se não, eu sabia que tinha aproveitado bastante.
Flashback off.
Apenas percebi que já havíamos chegado quando senti o carro desligando. Olhei ao redor, meio desorientada, encontrando os olhos do meu irmão, carregados de sarcasmo:
- Tá viajando, maninha? – ele disse, percebendo meu olhar confuso. – Chegamos.
Meu estômago e suas famosas borboletas começaram a dar voltas e mais voltas. Apenas ri sem graça, descendo do carro. E o constrangimento foi instantâneo.
Durante a caminhada pelo longo parque que ficava entre o estacionamento e o portão principal da escola, os olhares de algumas pessoas encostadas pelos bancos, árvores, capôs de carro ou simplesmente paradas em alguma rodinha, foi quase fulminante. Alguns questionadores, pareciam se perguntar se eu era aluna nova; outros pareciam invejar a garota bem arrumada andando ao lado de Zayn Malik; para quem me conhecia, se perguntava se era realmente eu e o que havia acontecido nas férias. Todo esse mix de olhares questionadores faziam com que meu corpo se retraísse, eu puxava a alça da mochila e me encolhia na minha insignificância, andando um pouco atrás do meu irmão. Estava cada vez mais cabisbaixa, olhando para os meus pés, só queria cavar um buraco no chão e me enterrar, por que eu tive essa ideia tão estúpida justo no último ano? Estava tão acostumada a ser invisível, me camuflando nas garotas comuns que passam despercebido. Meu irmão claramente percebeu o que eu tentava fazer ao me encolher do tamanho de uma formiga.
- Hey – ele colocou a mão em minhas costas – Você já chegou até aqui com essa mudança, não deixe isso te intimidar. Nariz empinado, arruma a postura, relaxa os braços. – Fui acompanhando suas quase ordens, fazendo conforme ele falava. – Agora olha para mim.
Quando o fitei com a sobrancelha claramente arqueada em tom de preocupação, ele faz uma careta que sempre – SEMPRE – me fazia rir, em qualquer circunstância. Nunca perdia a graça e isso era desde criança. Quebrei toda a feição de nervoso e soltei uma gargalhada, ele me acompanhou. Nem percebi quando entramos pelo portão e os meninos do time estavam por perto para falar com meu irmão.
- A gente se vê, maninho. Obrigada – dei um abraço nele.
- Hey hey hey, Malik – Brad, um colega do time, disse colocando os braços ao redor do meu irmão, mas sequer trocou um olhar com ele, apenas me analisou de cima a baixo diversas vezes – Não vai nos apresentar a princesinha nova? – eu literalmente senti nojo do jeito que ele colocou as palavras e espero que isso tenha transparecido de alguma forma na minha feição.
Brad Matthews era loiro do olho verde, o pior dos canalhas do time todo, meu irmão não gostava de andar com ele justamente pelo caráter ser mais sujo que o banheiro masculino da escola, apenas aturava por estarem no mesmo time e o cara jogar bem. Era tudo que eu sabia sobre ele.
Quanto ao meu irmão, pude ver sua feição se transformando, o maxilar trincado, os olhos semicerrados, a sobrancelha contraída. Seus punhos se fecharam e, se não fosse pela jaqueta, o nervo do seu antebraço apareceria saltado. Seus amigos ouviram o comentário infeliz do loiro, pois no segundo seguinte estavam próximos o suficiente para apartar qualquer possível briga. Os que me conheciam por frequentarem minha casa sabiam do nosso parentesco, agora Brad, que só dava atenção para garotas que usassem decotes demais, roupas curtas demais ou fossem extremamente chamativas, não devia nem saber da minha existência até aquele momento.
- Desculpa, cara, acho que não entendi o que você quis dizer. – Meu irmão disse se soltando do meio abraço que o loiro dava, procurando encará-lo da forma mais ameaçadora possível.
- Ow, calma, eu sei que você gosta de marcar território, mas não é para tanto. – Brad, pelo amor que você tem ao seu saco, cale a boca. Percebi Liam se aproximar de Zayn, já pensando em contê-lo. Se eu conhecia meu irmão, ele detestava que falassem de suas relações com outras meninas na minha frente.
- Dude... – Niall começou a dizer para Brad, tocando em seu antebraço, em uma tentativa de avisar que eu era a irmã de Zayn e não um novo pedaço de carne.
- Vai me apresentar ou não, Malik? – Brad desvencilhou-se do toque de Horan e quase cuspiu o sobrenome, agora já transtornado pela afronta do meu irmão.
- A “princesinha nova” – meu irmão fez aspas imitando a voz do garoto – É a MINHA IRMÃ – gritou as últimas palavras pausadamente, se aproximando ameaçadoramente, todos perceberam que Brad arregalou os olhos recuando e fraquejando a pose de valentão por alguns segundos. Zayn apontou o dedo no meio dos olhos de Brad – E se você ousar encostar, conversar ou sequer olhar para ela, eu mesmo faço questão de transformar a sua vidinha de merda em um inferno, estamos entendidos?
Brad engoliu em seco, olhando para o restante do time que fazia um semicírculo em torno da confusão instaurada, tentou voltar à pose boçal que tinha sem correr o risco de levar um soco na cara de Zayn.
- Foi mal, bro, não sabia disso.
Todos perceberam a torta de climão que aquela área tinha virado, então Harry, perspicaz que só ele, me puxou pelo ombro falando.
- E aí, ! Eu vi a e a andando por ali, vou te levar até lá.
- Ah, muito obrigada Hazza. Tchau, maninho. – Dei um último aceno, seguindo Harry e abandonando a confusão.
Conforme nos afastávamos, Harry olhava para trás de maneira furtiva, vendo se a confusão tinha se dissipado ou não. Eu nem ousava acompanhar o olhar do garoto ao meu lado, apenas continuava a andar dura como uma tábua e com o olhar fixo onde e estavam sentadas.
- Hey, relaxa – Harry apoiou as mãos em meus ombros, ficando atrás de mim e me massageando desajeitadamente enquanto me guiava – Eles já foram embora.
Ao nos aproximarmos do banco de ferro ornamentado que e estavam sentadas, elas finalmente deram conta de que eu estava ali com o visual novo, mas com o rosto de quem vira um fantasma pelo episódio anterior.
- !!! – deu um pulo do banco já me esmagando em um abraço. Percebi cumprimentar Harry timidamente, visto que ambos não se falavam muito. – Amiga, você está um arraso! – ela falou a última palavra pausadamente enquanto me olhava de cima abaixo.
- Menina, essa blusa é tudo! Eu amei! – se pronunciou, também me cumprimentando com um mega abraço.
- Eu que ajudei, “tá”, meninas? – Harry disse com a voz afeminada colocando os braços nos meus ombros como se me exibisse – Esse colar aqui foi importado da Rússia e a blusa foi tecida pelas artesãs do interior do oriente médio, não tem aqui em Connersville.
As meninas riam das piadas do garoto. Apesar do grupo não se aceitar muito bem, quando estava só Harry Styles ao redor, as coisas ficavam mais leves. Também pudera, crescemos juntos, ele foi meu melhor amigo de infância por sermos vizinhos. Após o futebol, adolescência e garotas, nos distanciamos um pouco, não sendo mais frequente às vezes em que nos falávamos, mas não excluindo completamente a conexão. Parecia até que ele era uma pessoa completamente diferente quando estava sozinho com a gente, quase como se tentasse se encaixar ou como se não quisesse que o estereótipo do jogador babaca fosse aplicado a ele.
- Agora vou deixar vocês com seus assuntos de garotas, tenho algumas novatas para cumprimentar – ele deu uma piscadela para mim. E lá se foi a pose.
- Ew, Harry, poupe-nos. – disse abanando a mão e expulsando o garoto da rodinha, que saiu rindo e fazendo careta para . Ok, talvez ele só quisesse irritá-la, era a única com quem trocava farpas. Como era a mais inteligente da sala, se sentia na obrigação de ficar de nariz empinado na frente de Harry, criando uma barreira invisível para o garoto sequer cogitar se aproximar, tinha medo dele se aproveitar, achando que ela era inocente demais.
- E como você está se sentindo, nova ? – colocou os braços em volta dos meus, deitando a cabeça num gesto infantil que me fez rir.
- Por favor, não me chamem de nova , continuo sendo a mesma de sempre.
- Jamais, querida, você agora chama atenção de todos, já percebeu? – grudou no outro braço apontando disfarçadamente para algumas pessoas que olhavam de canto de olho em direção ao nosso grupinho.
Meu estômago começou a revirar, a mesma sensação que eu tive andando pela praça da escola retornou e eu dei um gemido de dor, sentando-me no banco.
- Argh, nem me fala! Estou quase desistindo. Até o babaca do Brad notou que eu existo.
- O quê?! – As meninas exclamaram e eu contei toda a história, inclusive como meu irmão quase voou no pescoço dele.
- Amiga, que autocontrole o Zayn tem, eu fico admirada. – estava praticamente chorando de rir, imaginando Brad quase apanhando do meu irmão.
Vimos que faltavam 5 minutos para iniciar a aula, como boas alunas, já estávamos com os horários em mãos e a primeira aula seria de Literatura. Quando já estávamos a caminho do interior da escola, notamos uma sombra conhecida se aproximando da rodinha. O moletom preto com capuz sobre a cabeça deixava ainda alguns fios de cabelo escapando, o jeans surrado junto com o Vans igualmente desgastado completavam o visual da pessoa que detestava acordar cedo, socializar e, sobretudo, detestava aulas de literatura no primeiro horário de uma segunda-feira. se aproximou tirando os fones de ouvido que tocavam alguma música extremamente alta, porém indecifrável, cumprimentando a todas e tendo a mesma reação que meu irmão mais cedo ao olhar para meu novo visual.
- Oh, hey, quem é a aluna nova? – riu já anunciando a brincadeira.
- Agora sim, somos um grupo completamente misto – eu a abracei, mesmo contra sua vontade – Temos a nerd – apontei para que apenas negou com a cabeça revirando os olhos – A lerda – apontei para que fez cara de dúvida em seguida – A estranha – apontei para que soltou um ruído em desaprovação – E a patricinha! – coloquei as mãos embaixo do queixo, piscando os olhos repetidamente e olhando para cima enquanto sorria largamente.
- , a gente sabe que você é tudo, menos patricinha, talvez seja até mais nerd que eu – disse apontando para a minha mochila visivelmente carregada de livros.
- Vai sonhando – disse, quando o sinal começou a soar, anunciando o início do horário.
Agora que já estava entre minhas amigas seria mais fácil encarar o restante da sala, dos professores e da escola. No intervalo procuraria qualquer anúncio da banda da escola para ser, talvez, a primeira a me inscrever para as audições. Com o pingo de coragem que reuni ao estar mais à vontade perto das meninas, faria qualquer coisa sem me retrair novamente. Até quando duraria? Isso eu não tinha ideia.


Capítulo 3

Zayn Malik
Depois da raiva que passei com o verme do Brad, os garotos conseguiram me acalmar e desviar o foco do meu pensamento para um assunto mais importante: as novatas desse ano. Era impossível o grupo de jogadores passar despercebido, já que o uniforme vermelho vivo dos Spartans era bem chamativo. A parte da frente tinha o nome “Connersville” em letras garrafais, com um bordado menor de um guerreiro com um elmo na cabeça do lado direito do peito, símbolo da nossa escola. Atrás, o nosso sobrenome com a numeração da camisa do time. E o fato era, por onde passávamos, chamávamos atenção, principalmente das meninas e mais ainda das novatas. Harry vinha ao nosso encontro com o sorrisinho maroto que eu já conhecia de anos.
- Cara, esse ano vai ser o melhor, tem muita novata bonita lá no pátio.
- Então vamos fazer a última entrada triunfal – Tomlinson disse sarcástico, pois todos os anos fazíamos isso.
- Harry, você vai no meio. – Niall puxava o garoto para o meio da roda.
- Por que eu sempre vou no meio? – ele reclamou.
- Porque você é o Quarterback e o capitão, gênio! – Liam bateu no “C” bordado no braço direito do uniforme do garoto, indicativo claro da autoridade de Harry.
Revirei os olhos entediado com aquela discussão, no fundo a mágica só aconteceria na festa de boas-vindas que seria no próximo fim de semana na casa de algum sortudo. Quando eles finalmente terminaram de decidir a ordem, adentramos o pátio do colégio. Harry com seu cabelo meio cacheado e comprido, já preparava seu super trunfo, bagunçando a parte da frente e jogando para trás, formando um topete. Como capitão e Quarterback era com certeza o mais disputado, já que tinha cara de bom moço e deveria ser o sonho de consumo de boa parte das garotas por conta do status. Ao seu lado direito, Liam juntava as sobrancelhas enquanto semicerrava os olhos, tentando seduzir com seu olhar “matador”. Funcionava a grande maioria das vezes. Niall, na ponta direita, sorria largamente fazendo sua pose de bom moço. Não era de todo errado, Niall era o menos ruim de nós, mas também aprontava das suas. Ao lado esquerdo de Harry, eu andava com as mãos no bolso, meu topete em seu devido lugar e o sorrisinho de canto também. Louis estava logo ao meu lado, também com as mãos no bolso, rosto sério e nariz em pé, gostava de bancar o durão e encrenqueiro, não era muito difícil.
Conforme passávamos no corredor lotado, o espaço a nossa frente era aberto aos poucos, algumas meninas encostadas em seus armários nos mediam de cima abaixo e, quando acontecia de cruzarem o olhar comigo, eu fazia questão de dar um pequeno aceno com a cabeça, era possível vê-las se derreterem após esse gesto. A sensação de popularidade era muito boa, apesar de os garotos do time só ficarem com as líderes de torcida ou com atletas de outros esportes por serem mais fáceis, mais atiradas e menos inocentes, eu preferia as mais distantes desse meio, geralmente encontrava somente nas festas, mal via o rosto, era caso de uma noite e pronto. Ninguém enchendo meu saco no dia seguinte.
Depois de guardarmos os livros no armário, chegamos a praça de alimentação com as mesas e bancos, fomos para a famosa mesa do time que era respeitada e ninguém ousava sentar-se lá, pois ficava numa posição mais espaçada que as outras mesas comuns, ideal para todos que se aglomeravam ali a fim de ficar no foco do colégio. Jogamos nossas mochilas na mesa, Harry e Niall sentaram-se perto delas, balançando as pernas devido à distância entre a mesa e o chão, eu fiquei de pé ao lado de Liam e Louis se sentou no banco, mexendo no celular.
- E a , está bem? – Niall perguntou, olhando de mim para Harry.
- Sim, eu acho. Deixei-a com a e a , tentei tranquiliza-la também.
- Ela deve ter ficado com vontade de enfiar a cabeça em um buraco – ri da situação, acompanhado de Harry.
- Mas qual é da mudança radical, então? – Liam perguntou despreocupado, puxando o celular da mão de Louis que gritou um “hey!”.
- Você acha que eu entendo minha irmã? – disse colocando as mãos no bolso. E estava sendo sincero, realmente não entendia o motivo daquilo.
- Payne, devolve a porcaria do celular! – Louis tentava, sem sucesso, pegar o celular de volta. Liam era bastante ágil trocando o aparelho de uma mão para a outra, segurando em uma altura que Louis não conseguia alcançar.
- Com quem você está conversando, hein? – Liam agora fuçava no celular desbloqueado do garoto com uma mão, enquanto o impedia de se aproximar com a outra.
- Não te interessa, agora devolve isso – Louis finalmente alcançou o celular em um momento de distração de Payne, porém esse foi roubado novamente por Niall.
- Hilary, huh? – agora todos nós estávamos caçoando dele, Hilary era única líder de torcida que não dava bola para o Louis, consequentemente a única que ele mais tinha obsessão.
- É, defina conversar, está mais para um diário, ela nunca me responde! – Ele pegou o aparelho da mão de Niall, guardando no bolso e fazendo cara de poucos amigos.
- Dude, supera... – Harry se levantou, colocando a mão no ombro de Louis e falando calmamente, com um sorriso sarcástico no rosto. Hilary vivia aos pés de Harry e faria qualquer coisa por ele, então o garoto se aproveitava para provocar Louis.
Quando ele quis revidar e iniciar uma discussão ali mesmo, o sinal tocou, anunciando o início das aulas. Pegamos as mochilas e rumamos em direção a sala de aula, na mesma formação que entramos.
Para ser sincero, eu estava um tanto preocupado com esse último ano. Ansioso pela faculdade e pela bolsa que eu precisava conseguir. No ano anterior um olheiro da Wayne State University conversou comigo sobre isso e esse ano ele retornaria para me acompanhar no time novamente e dar o veredito sobre a bolsa. Então, mais que tudo, eu precisava me esforçar tanto no time quanto nas notas das matérias.
Chegamos na sala da primeira aula, literatura, a disposição das mesas formava 5 fileiras de mesas todas juntas, somando cerca de 7 a 8 lugares. Nos sentamos nos lugares de costume, última fileira no centro da sala. Minha irmã já estava na sala, sentada algumas fileiras na frente, fui pedindo para as pessoas que estavam nas próximas fileiras irem se chamando, até que chegasse nela. Quando ela virou para trás, perguntei somente movimentando os lábios se estava tudo bem. Ela assentiu e sorriu fraco, e olharam para trás, provavelmente vendo com quem estava se comunicando, dei um aceno leve para as meninas e notei uma outra sentada no meio, de capuz e cabeça abaixada na mesa, provavelmente dormindo. ? Com certeza, era a única que faltava. Elas acompanharam meu olhar e fizeram gesto de quem estava dormindo, colocando as duas mãos juntas próximo ao rosto. Eu ri e abanei a mão no ar, sugerindo que elas dessem um tapa na nuca da garota para ela acordar. Elas apenas riram abanando a cabeça e virando para frente. Logo a Sra. Duncan entrou na sala, sua energia contagiante dos quase 60 anos me deixou com sono. Olhei para a esquerda, os garotos estavam com a mesma cara de descontentamento. Como o assento ao lado direito estava vazio e aparentemente ninguém mais entraria na sala, coloquei minha mochila lá, junto com algumas tralhas do Niall, que estava ao meu lado.
E então começou a tortura, a primeira aula sempre era a pior, pois apresentava o conteúdo para os semestres e era obrigatório ser passado. E os professores sempre se estendiam nessa aula, eu não achava nada produtivo. Esse ano falaríamos da idade média e dos escritores famosos dessa época até chegar aos dias de hoje. Após alguns minutos intermináveis em que ela estava divagando sobre o conteúdo do semestre, alguém bate na porta e entra. Era uma garota... nova? Nunca tinha visto aquele rosto na sala.
- Com licença, desculpe o atraso. - Ela falou um tanto baixo já rumando para algum lugar vazio. Ela tinha sotaque?
- Bom dia, senhorita...? – Sra. Duncan perguntou reticente, querendo saber o nome da garota.
- . .
Ela vestia roupas comuns, pouca maquiagem, cabelo comum... nada de extravagante, mas parecia ter atravessado o colégio para chegar na sala, já que estava meio ofegante. Com certeza estava apavorada por receber aquele nível de atenção da sala toda logo no primeiro dia, tanto por ter chegado atrasada quanto pelo misto de olhares curiosos.
- Oh querida, seja bem-vinda, de onde você vem? – A Sra. Duncan começou a estender e chamar mais ainda a atenção da classe para a garota, que estava claramente desconfortável.
- Sydney, Austrália.
- Oh, que maravilha! – A senhora parecia maravilhada com a estrangeira – Queridos, recebam bem a senhorita . Sr. Malik, poderia ajudar a senhorita?
Demorei alguns segundos para processar que a Sra. Duncan estava realmente se dirigindo a mim naquele momento, pisquei algumas vezes e murmurei um “claro”. Ela apontou o lugar ao meu lado para , que veio se sentar. Tirei as coisas que ocupavam a cadeira e percebi ela dar um meio sorriso como se dissesse “desculpe por isso” e murmurar um “hey” quando se sentou. Respondi um “bem-vinda”, retribuindo o meio sorriso e voltamos a atenção para a aula.
Então talvez eu tenha processado as intenções da Sra. Duncan. Entre os meninos do futebol, eu era o preferido dela do último ano, meus pais e a família dela eram conhecidos e ela torcia pelo meu desempenho no time e nas aulas. Só não entendi o porquê ela não ter pedido a minha irmã que ajudasse a novata, ela era tão inteligente quanto eu nas aulas. Mais, até. Enquanto tentava justificar as atitudes da mais velha, minha atenção voltou quando ela soltou a bomba:
- Esse ano teremos um projeto em dupla, ele será o mais importante do período inteiro e vocês terão até o final do segundo semestre para apresentar os resultados. Será relacionado ao estudo da evolução dos trabalhos de romancistas famosos. Preciso que estudem suas obras notórias através do tempo e apontem as principais evoluções e conexões. – Ela pegou algumas folhas e começou a distribuir entre as fileiras. – Aqui tem mais detalhes, durante o período teremos algumas aulas para discutir o que vocês já construíram, mas podem me procurar pessoalmente para tirar dúvidas. – Ela chegou a nossa fileira e contou a quantidade de alunos. – Perfeito, temos as duplas certinhas, graças à senhorita – ela sorriu abertamente para a garota, que se encolheu um pouco na cadeira. – Podem escolher escritores repetidos, mas eu saberei se vocês copiaram do coleguinha, então sem burlar, certo? Vocês terão um ano inteiro para trabalhar nisso, não é difícil assim.
Olhei para os garotos, que davam olhares sugestivos para mim, céus, como eram idiotas. Então era isso, estava sendo obrigado a fazer o trabalho com a novata. Ótimo. A Sra. Duncan tinha terminado a apresentação do conteúdo e faltavam poucos minutos para o final da aula, portanto ela deixou que nos organizássemos como duplas para o trabalho.
- Posso... procurar outra dupla, se você preferir. – Ela pareceu ler meus pensamentos, virei-me assustado olhando para ela.
- Não... não se preocupe, fico... feliz em ajudar. Então... você é de Sydney né? Por que veio para Connersville? – perguntei tentando desviar do assunto.
- Meu pai nasceu aqui e quis se mudar de volta. Seu nome é...?
- Zayn Malik. Esses são alguns dos outros membros do time de futebol – apontei para os meninos que, aparentemente, prestavam atenção no que falávamos. – Niall, Harry, Louis e Liam – apresentei na ordem, eles acenaram de longe e deram boas-vindas à garota, que acenou de volta, agora mais à vontade.
- Quais outros times vocês têm aqui? Eu era do time de vôlei no meu antigo colégio, mas vôlei de praia. – Ela riu, já sabendo que aqui com certeza não teria a modalidade.
- É, infelizmente só temos o vôlei de quadra mesmo. Mas de times femininos também tem flag, basquete, futebol de salão e natação. As inscrições para os times já devem estar abertas, então podemos olhar o mural, se você quiser.
- Sem dúvidas, quero sim.
- Vou te apresentar para minha irmã também, vai ser bom para você. – Desde quando eu estava preocupado em ajudar? Bem, ela era nova, eu não lembro a última vez em que fui novato em algo, sempre estudei aqui, sempre tive o mesmo grupo de amigos, mas talvez só estivesse tentando simpatizar com a cena que a Sra. Duncan criou. E ela me lembrava um pouco o grupo de amigas da minha irmã, talvez não se encaixaria em nenhum outro.
pareceu ler meus pensamentos, pois, ao tocar o sinal para a próxima aula, ela já estava prontamente ao nosso lado com um sorriso de interesse na garota nova.
- E essa é minha irmã, . – Elas se cumprimentaram, percebi que estava mais aberta agora, fazendo amizade com pessoas novas, sua postura também estava mais à vontade.
- Próxima aula é de história com o Sr. Miles – ela disse checando o horário. – Vamos? – sorriu novamente chamando a .
Assisti as duas andarem juntas, já conversando sobre algum assunto que não consegui decifrar. Talvez essa mudança toda que minha irmã está fazendo seja para melhorar como pessoa e para se sentir melhor ao redor dos outros. Eu sei o quanto ela sempre foi retraída e tímida, sempre fugindo da exposição. Para sua sorte, eu acabava tomando o holofote por ser do time, ela até agradecia por isso, nunca disputou comigo, então ver que ela queria evoluir nesse aspecto me trazia um certo desconforto. Ela tem um coração de ouro, muito altruísta, tenho medo de alguém se aproveitar disso e machucá-la. Nem sei o que eu faria se isso acontecesse, um exemplo disso foi hoje mais cedo, com o Brad. Eu quase perdi a cabeça ao vê-lo tratando minha irmã como uma qualquer. Minha vontade é de estar mais perto dela, ajudar a impedir que isso aconteça. Se eu compartilhar isso com os meninos, eles me julgariam e tirariam sarro de alguma forma? Harry talvez não.


Capítulo 4

Harry Styles

Durante a aula de literatura, em algum momento da explicação da Sra. Duncan, eu me perdi em pensamentos enquanto olhava para , quase irreconhecível. Quando a vi mais cedo, aterrorizada assistindo seu irmão quase arrumar briga no primeiro dia de aula, ela parecia com aquela de anos atrás, aterrorizada com a casa nova e a mudança.

Flashback – Verão de 2002
- Harry, querido, você terá novos amiguinhos para brincar, sabia? – a mulher mais velha se abaixou ao lado do garotinho que brincava com alguns bonecos de super-heróis.
- Quem, mamãe?
- Nós temos vizinhos novos, quer ir conhecê-los? – ela disse sorrindo abertamente e estendendo a mão para que o menino pudesse levantar.
Foram juntos até a casa ao lado, muitas caixas e um caminhão de mudança estacionado na calçada, uma grande movimentação de pessoas entrando e saindo enquanto carregavam móveis e caixas. A mãe do garotinho levava uma forma coberta com um pano em uma mão enquanto segurava a mãozinha do filho com a outra. Ao se aproximarem do jardim vizinho, puderam ver duas crianças sentadas na grama acompanhando o movimento das pessoas, mais a frente dois adultos conversando com um homem encostado no caminhão segurando uma prancheta. A mulher virou-se ao perceber que havia gente se aproximando, voltou-se ao marido rapidamente, avisando que voltaria em breve, caminhando em direção a mulher com o filho.
- Olá, prazer em conhecer, sou sua nova vizinha! – ela disse simpática para a mãe de Harry, que observou que as crianças sentadas o haviam notado.
- Olá, prazer é todo meu – a mãe soltou a mãozinha do menino para cumprimentar a mulher – Pode me chamar de Anne.
- Tricia – ela respondeu enquanto cumprimentava a outra com um aperto de mão – Meu marido Yaser – apontou para o marido atrás – e as crianças, e Zayn – ela fez um aceno com a mão, chamando os pequenos que logo se punham de pé e corriam para a mãe.
- Esse é o Harry – ela o colocou um pouco para a frente, apoiando seu ombro.
- Hey, mas que homenzinho! Muito prazer! – ela se abaixou, ficando da mesma altura do menino e o cumprimentando com um pequeno aperto de mãos – Esses são o Zayn e a – ela apresentou os mais novos e se pôs de pé novamente, estava escondida atrás de Zayn, apesar de serem da mesma altura.
- Eu fiz uma torta de maçã com canela, espero que gostem e sejam muito bem-vindos! – Anne disse entregando a forma para a mulher, que agradeceu prontamente – Vocês parecem bem ocupados...
- Ah, sim, pegamos um pouco de trânsito na saída da nossa cidade, viemos de Nashville, então os entregadores estão com um pouco de... Pressa – ela disse claramente incomodada com a situação, pois sabia que o marido estava discutindo o adicional que o responsável queria cobrar pelo atraso na agenda.
- Se você quiser, posso olhar as crianças, você fica menos despreocupada. Meu quintal é bem grande e Harry tem vários brinquedos, eles podem se distrair. – Ela olhou para trás, vendo a mudança, parecendo incerta sobre aceitar.
- Não vai incomodar? – ela fez uma careta de dúvida.
- Imagina, de jeito nenhum! Aqui nesse bairro quase não temos crianças da idade do Harry, vai ser bom para ele fazer novos amiguinhos, não é, filho? – o menino sorriu docemente para a mãe.
- Eu agradeço imensamente se puder, eles são obedientes, mas com tanta coisa acontecendo, a gente se distrai, não é? – Tricia disse coçando a cabeça.
- Não esquenta, estaremos logo ali se precisar. – Apontou para a própria casa atrás de si. Yaser notou a movimentação e acenou de longe.
- Muito obrigada, se tiver algo que eu possa fazer para retribuir o favor, estarei à disposição. – Ela se abaixou para as crianças. – Vocês vão passar a tarde com a tia Anne e com o Harry, tudo bem? Se comportem e obedeçam a ela. Zayn, cuide da sua irmã.
- Pode deixar, mamãe. Vem, . – Zayn estendeu a mãozinha para sua irmã, segurando-a. Tricia se pôs de pé novamente, se dirigindo a Anne.
- Quer jantar conosco amanhã? Até lá conseguimos colocar a casa um pouco em ordem e será uma forma de agradecer o favor, chame sua família também.
- Claro, avisarei Desmond. Oh, mais uma coisa, eles têm alguma restrição alimentar? – perguntou preocupada.
- Não, nenhuma, comem de tudo. – Ela riu, orgulhosa.
- Muito bem, te vejo mais tarde! – ela saiu guiando as crianças para sua casa.
- Obrigada! – Tricia deu um último aceno, levando a forma com a torta doce para dentro de casa.
- Vocês vão adorar meu parquinho, tem balanço, bicicleta, bola. – Harry foi falando empolgado, enquanto pulava na frente.
- Tem super-herói? – Zayn perguntou sem soltar a mãozinha de sua irmã.
- Tem também! – Harry virou-se, sorrindo abertamente e mostrando a janelinha pela falta de um dos dentes da frente, o que fez rir, mostrando sua própria janelinha.
- Mamãe, mamãe, a também tem janelinha, olha! – ela murchou instantaneamente quando Anne virou seu olhar para ela.
- Que princesa! Você e Harry são amiguinhos de janelinha agora. – sorriu tímida.
As crianças chegaram à casa e foram direto para o quintal. Enquanto os meninos brincavam com os super-heróis, se entretinha com algumas peças de Lego. Anne observava-os da janela da cozinha, enquanto fazia sanduíches.
- , , ele também tem a Mulher Maravilha, quer brincar com ela? – Zayn disse mostrando o brinquedo para a irmã.
A garotinha acenou timidamente, indo em direção aos garotos. Depois de alguns minutos era possível ouvir as risadinhas deles, que brincaram de correr, no balanço, com a bola e com todas as atividades possíveis que crianças naquela idade gostavam. Harry estava muito feliz pela companhia dos novos amigos e era perceptível. Quando entraram para comer os sanduíches, Harry falava sobre como era a escolinha da cidade, a mesma que os irmãos frequentariam.
- E vai ser muito legal porque vamos ser da mesma sala, aí vamos brincar de super-heróis todos os dias. – Harry dizia empolgado.
- Quantos anos vocês têm? – Anne perguntou aos irmãos.
- 7. – Zayn respondeu, mostrando o número com os dedinhos.
- E você, ?
- Ela tem 7 também, nós somos “gênios”. – Zayn disse a palavra incorretamente, arrancando uma gargalhada da mais velha.
- Com certeza, são gênios mesmo.
Anne concluiu que, por terem a mesma idade de Harry, eles estariam na mesma sala de aula, o que seria ainda melhor para Harry. Depois de comerem, foram assistir desenhos animados na TV, acabou pegando no sono no sofá. Harry acabou soltando uma gargalhada alta sem querer e Zayn o repreendeu, fazendo “shh” e apontando para a irmã dormindo no sofá. Rapidamente Harry tapou a boca com as duas mãos, arqueando a sobrancelha. Se desculpou baixo e voltou sua atenção a TV, de vez em quando olhando para no sofá, checando se ainda estava dormindo. Continuaram a assistir TV até Tricia tocar a campainha junto com seu marido, Yaser. Os adultos se cumprimentaram na porta, Anne contando como foi a tarde das crianças e o que comeram. Como estava adormecida, Yaser a carregou no colo, agradecendo mais uma vez pela ajuda de Anne.
- Mamãe, eles vão morar aqui para sempre? – Anne riu da pergunta do filho.
- Acho que sim, filho, por quê? – ela acariciou os cabelos do menino.
- Eles são meus melhores amigos! – ele ergueu os bracinhos comemorando, extremamente feliz.
- São sim, meu amor – ela beijou o topo da cabeça do mais novo.
Flashback off.

Soltei um riso nasalado após reviver a memória de quando conheci e Zayn pela primeira vez. Minha relação com Zayn não mudou quase nada, diferente de . Acho que em algum momento da pré-adolescência começamos a nos afastar, principalmente quando arrumei as primeiras namoradas. Era claro que ela ficava incomodada, mas não no sentido de... Gostar de mim. Ela se incomodava porque era outra garota recebendo minha atenção e não ela. E confesso que eu dava mais atenção para essas outras meninas, o que deve ter sido o pivô do nosso afastamento. Se ao menos Zayn soubesse o motivo dessa mudança radical do dia para a noite, logo no último ano do colégio, talvez fosse mais fácil de me reaproximar no intuito de ajudá-la.
Ao final da aula, percebi que ela se aproximou da menina nova sorrindo e puxando assunto, era a primeira vez em muito tempo que eu a via com aquela postura mais relaxada, as curvas do rosto mais suavizadas sem a constante marca de preocupação na testa, inclusive tomou a iniciativa de puxar assunto. Não reprimi o meio sorriso que se formou em meu rosto, estava genuinamente feliz de ver esse grande passo. Quando estávamos trocando de sala, fiquei mais próximo de Zayn e o chamei para conversar.
- Viu aquilo? – perguntei apontando com a cabeça para , que andava mais à frente.
- Sim, eu vi... Vi que já quer pegar a novata, não é, Styles? - ele respondeu com olhar malicioso. - Não é porque eu vou fazer trabalho com ela que vou te ajudar, quero algo em troc...
- Não, imbecil - o interrompi - Estou falando da sua irmã - dessa vez ele arregalou os olhos.
- Você quer pegar minha irmã??? - ele estava mais chocado do que bravo, era perceptível.
- Não, cara! Pelo amor de Deus, não! – me apressei em corrigir, passando a mão na testa e fechando os olhos - Estou falando sobre ela ter ido conversar com a novata, qual o nome mesmo?
- . É, eu percebi também e fiquei tão surpreso como você, acredite - ele olhou para a irmã sentando-se em seu lugar na primeira fileira quando adentramos a sala - Hey, vem comigo. - Fez um gesto com a cabeça e eu o acompanhei até o lugar que sua irmã estava.
- E aí, pirralha. - Ele disse divertido, apoiando-se na mesa. não ficava brava com o apelido, apenas ria junto.
- Pois não, querido irmão três minutos mais velho. - Apoiou o rosto nas mãos enquanto olhava para o irmão com um olhar doce extremamente irônico, o que me fez dar risada.
- Queria saber se não querem almoçar com a gente hoje. – Zayn olhou e apontou para mim, retornando para e suas amigas em seguida.
- Só vocês? O resto do time não? – perguntou, sabia que falava de Louis, os dois só sabiam brigar e era melhor deixá-los longe um do outro.
- Talvez os três ali - apontou para o fundo da sala, onde Liam, Louis e Niall estavam sentados. olhou para as amigas, incerta. As meninas também não pareciam confortáveis, Zayn percebeu e logo tratou de corrigir - Ou não, apenas nós dois, colocar o papo em dia, conhecer ... – apontou para a garota, que estava ao lado de .
- Pintar as unhas, conversar sobre menstruação, garotos... – tentei acrescentar em tom de brincadeira, mas foi a única que riu, fez cara de asco e soltou um “argh” enquanto virava para o outro lado.
- Dude... – Zayn me olhou repreensivo, apenas ergui os braços em rendição e murmurei “brincadeirinha”.
- Então tudo bem, combinado – afirmou, feliz.
- Você está fora de si? – tentou cochichar, obviamente não funcionou.
- Qual o problema? É meu irmão e o Harry, apenas. Nós já estamos... Acostumadas, certo? – revirou os olhos, estava distraída olhando as unhas.
- Tanto faz, contanto que eu almoce, já estou morrendo de fome. Hey, , tem algum snack perdido aí na sua bolsa? – , que até então estava concentrada em seu celular, levou sua atenção para a amiga – É o traste do Steve de novo? O que ele quer dessa vez?
- Bom, então nos vemos. – Zayn deu um aceno com a cabeça e eu me despedi brevemente acenando com a mão.
Nos sentamos ao lado dos garotos e, obviamente, eles perguntaram se eu estava dando em cima da novata.
- Ela está no grupinho da agora, não dá para fazer isso e vocês sabem. - Disse enquanto colocava o livro de história na mesa, era minha matéria favorita.
- Essa regra é extremamente estúpida, qual o problema? Só porque é irmã do Zayn? Não é como se algum de nós fosse se atrever a ficar com ela, certo? São só... Suas amigas – Niall direcionou o olhar para as meninas mais à frente.
- É, a é bonita até – Liam disse passando a mão debaixo do queixo, percebi o olhar fuzilante que Niall deu e ri dos dois. Logo em seguida o Sr. Miles entrou na sala, cumprimentando a turma.
- Pessoal, silêncio, por gentileza, eu quero estudar aqui, ok? – Louis disse abrindo meu livro de história em uma página aleatória e claramente fingindo estar interessado no conteúdo das folhas.
Não seguramos o riso, cobrindo com braço e nos curvando na mesa. Ouvimos os “shh” repreensivos e tentamos ficar quietos, mas sempre que voltávamos o olhar para Louis, que fazia uma cara de falso interesse na apresentação do Sr. Miles, a vontade de rir voltava. Eu adorava a matéria, de verdade, mas adorava mais ainda Louis sendo engraçado.


Capítulo 5



- É o traste do Steve de novo? O que ele quer dessa vez?
Levei a atenção para que estava irritada por me ver conversando com meu ex-namorado.
- Ele quer conversar no almoço... disse que vai me ligar.
Steve estava na faculdade em outra cidade, o que significava que não continuaríamos namorando, nem mesmo à distância. Mas aparentemente ele não desistiria fácil, já que há alguns dias veio me mandando mensagens com fotos antigas, dizendo que estava com saudades. esperou os meninos irem embora para continuar conversando comigo.
- Não acredito que você vai atender. Amiga, ele é um psicopata, quantas vezes eu já te falei...
- Ele disse que gosta de mim e que está com saudade...
- Sim, saudade de controlar alguém, só se for. Amiga, quanta coisa você já passou na mão desse cara, aproveita essa oportunidade para se livrar de vez, bloqueia, se ele vir para a cidade finge que não conhece, só... segue em frente.
- É fácil falar, – Suspirei.
Realmente, as meninas me abriram os olhos para muita coisa, principalmente com o fato dele controlar as roupas que eu vestia, a maquiagem que usava, os amigos que eu tinha. Foram diversos episódios em que ele reclamava de quando saía com minhas amigas ou quando via eu conversando com qualquer outra pessoa que ele não conhecesse, pior ainda quando eram meninos. Chegou ao ponto de ele ter ciúmes do meu primo que veio passar uma semana aqui nas férias e estava dormindo na minha casa.
Nosso relacionamento havia começado quando eu tinha 15 anos, ele era um ano mais velho e eu tinha acabado de entrar no ensino médio, era meu primeiro relacionamento de verdade e eu estava completamente cega e encantada com a imagem confiante que ele transparecia. Tudo começou muito sutil, uma proibição aqui, outra ali, o motivo era sempre disfarçado de preocupação comigo ou querendo uma prova do meu amor por ele. Depois que foi para a faculdade, ele quis terminar o relacionamento devido a distância e eu sofri muito, pois até das minhas amigas eu havia me afastado e estava muito sozinha. Só sabia chorar e não tinha forças, virava noites e mais noites acordada, ouvindo músicas que lembravam ele e nosso relacionamento, vendo nossas fotos e chorando copiosamente. As meninas descobriram meu estado quando ligaram em casa, já que eu não atendia as ligações do meu celular, e minha mãe contou. Todas foram me confortar e, desde então, me sinto um pouco melhor. Acredito que a saudade vai continuar por um tempo, mas com certeza já sei disfarçar bem.
Na mensagem que ele me enviou hoje, disse que tinha algo importante para conversar e que queria me ligar no horário do almoço, eu aceitei tão impulsivamente, mal raciocinei. tem razão, eu estou tentando mudar minha postura em alguns aspectos, portanto decidi que seria completamente rígida em qualquer fosse o tópico da conversa. Só não conseguiria controlar a ansiedade e o frio na barriga, nem como eu não parava de conferir o relógio, completamente alheia ao Sr. Miles.
Quando finalmente deu o horário do almoço, não desviava meus olhos do celular, me observando com olhar superior, como quem puxaria o aparelho e desligaria na cara do Steve. Ou falaria algumas merdas antes disso. Enquanto andávamos para o refeitório, eu segurava o celular com força, as mãos suando, o estômago revirando e a garganta seca. Quando, finalmente, vibrou. Olhei para em desespero, ela me puxou para um canto menos movimentado, avisando às meninas que já as alcançaríamos.
- Seja forte, amiga.
Assenti enquanto olhava para o visor uma última vez antes de atender.
- Alô? – Disse com a voz um pouco baixa.
- Hey, hon. – Ele usou o apelido carinhoso. Droga, ali minhas pernas já bambeavam. – Como você está?
- Bem... E você? – estava atenta, apesar de não ouvir Steve do outro lado.
- Estou muito triste... Você está tão longe de mim, seguindo sua vida... – Ele soltou um suspiro exasperado.
- Bom, isso que devemos fazer, não é? Não estamos mais juntos. – comemorou em silêncio.
- Hon, mas logo com o time de futebol? – Ele disse arrastado, minha cara de confusa quebrou a comemoração de .
- Hmm... O que quer dizer? – Perguntei visivelmente confusa.
- Eles são bonitos e fortes, não é? Diferente de mim, que sempre fui mais gordinho e feio...
Revirei os olhos. Esse truque era velho demais, ele sempre falava de sua aparência para que eu sentisse pena e não falasse com outros garotos, já que, aparentemente, ele era o homem mais feio do mundo, mesmo eu sempre afirmando o contrário. Ainda assim, o que cargas d’água o time de futebol tinha a ver com algo?
- Eu realmente não sei do que você está falando, Stev-
- Não se faça de boba, honey... – Ele me interrompeu, cuspindo o apelido carinhoso de forma que meu coração começou a palpitar – Hoje cedo você conversou com o tal do Styles, depois ele foi na sua mesinha acompanhado do Malik... eu avisei para você não fazer amizade com aquela , não avisei? – Ele falava com convicção, a voz carregada de sarcasmo, a palpitação no peito aumentou e minha visão ficou turva.
- Como você sabe disso? Quem te contou? – colocou as mãos no rosto, preocupada. Olhei ao redor no corredor por puro instinto. Ele estaria aqui, dentro do colégio? Se esgueirando por cima do muro? Bisbilhotando na janela da minha sala? Não... alguém dentro do colégio estava me espiando!
- É só uma pessoa que se preocupa comigo, sabe? Que quer o meu bem... Ela me avisou e ainda bem que foi a tempo. Talvez você ainda consiga cortar suas relações com esses babacas e aí a gente pode tentar voltar. – Eu ainda estava sem acreditar que aquilo estava acontecendo, não sabia que poderia chegar a esse ponto...
- Steve, eu vou te dar um último aviso: não me ligue ou me procure mais, tudo entre nós está acabado e sem chances de voltar!
- Então... Já aconteceu, não é? Você e o Styles?
- Do que você está falando?! – Gritei no corredor vazio – Nada aconteceu! – Percebi o rosto de se modificar, de preocupada para brava, muito brava.
- Eu já deveria saber... Foi o Malik então? Talvez o time de futebol todo! – Ele também gritava no telefone, as lágrimas atingiam o meu rosto e desciam rapidamente sem que eu pudesse contê-las.
- Para! Para de falar assim comigo! – Foi a gota d’água para , ela puxou meu celular e desligou.
Sentei-me no chão, chorando e me amaldiçoando por estar assim. Ele sempre fazia esse jogo, mas agora que está longe só piorou. Tem quase 1 mês que esse inferno se instalou e parece não ir embora, parece apenas piorar. Eu só quero me livrar dele, de uma vez por todas. se sentou ao meu lado me abraçando e murmurando coisas como “eu vou até Seattle matar esse cara”.
As lembranças dos 3 anos de relacionamento me atingiram em cheio. Eu não sou o tipo de namorada louca, apenas se a pessoa me dá motivo. Em vários episódios de desconfiança, eu consegui invadir a conta do Facebook dele pelo menos 2 vezes e descobri coisas horríveis. Não me orgulho de tal feito. A primeira vez descobri uma garota aleatória instigando a curiosidade de Steve, sugerindo que enviaria fotos íntimas para ele logo no início do nosso relacionamento. A desculpa dele foi ver até onde ela iria, mas que não estava interessado e que ela não havia enviado nenhuma foto. Realmente não havia histórico na conversa. Se eu acreditei? Óbvio. A segunda vez estávamos brigados, ele havia feito uma viagem com um grupo de amigos para um campeonato de jogos online, descobri que ele tinha ficado com alguém do time através da conversa com um amigo, mas não tinha o nome da tal garota. Quando confrontei, ele mentiu, dizendo que não tinha acontecido. Depois de muito insistir, ele admitiu, dando a desculpa de que a gente não tinha nada sério. Obviamente eu perdoei, porque ele “tinha razão”.
Em um dia dos namorados eu fiquei plantada na porta de casa, toda arrumada, com uma sacola enorme contendo seu presente na mão, enquanto ele foi passear no shopping “sozinho”, com a desculpa de que eu não me importava com ele, pois tinha ficado até tarde em um projeto de biologia e me atrasei. Outro dia, na escola, usei uma saia azul rodada que tinha ganhado de presente de aniversário, era minha favorita. Ele fez o maior escarcéu porque eu deveria usar a saia somente quando fôssemos sair, pois eu deveria ficar bonita apenas para ele. Isso quando eu não me arrumava para sair com as minhas amigas e ele sempre reclamava, pois, de acordo com ele, eu me arrumava mais para sair com elas do que com ele.
Ele tinha esse hobby de jogador de jogos online, estava quase se tornando sua profissão e eu o apoiava 100%, mesmo quando eu ia em sua casa e ele me dava quase nada de atenção, pois focava em treinar. Eu, cega, não reclamava, pois era para o seu desenvolvimento e eu o apoiava. Aos poucos fui cavando minha própria cova e me enterrando nesse relacionamento, completamente alheia à proporção do perigo que aquilo tomava, cada vez mais dependente e cega de idolatria por esse cara.
Então hoje seria o máximo que eu aguentaria, se ele está me espionando de alguma forma, então ele terá o que merece. Eu duvido que ele irá vir de Seattle até aqui para impedir, e se vier, eu já cansei e não me afetará mais. Ele terá exatamente o que quer ver, eu não ligo para o tanto de mensagens ou ligações que ele vá fazer, eu vou me vingar. E vou achar o tal do espião também, custe o que custar.
- Chega. – Respirei fundo secando as lágrimas com a manga da blusa. – Minha maquiagem está borrada? – negou lentamente com a cabeça, enquanto me olhava curiosa. – Ótimo, então vamos almoçar com o time de futebol.
Percebi que ela deu um meio sorriso enquanto semicerrava os olhos, estava gostando daquilo. Enquanto nos dirigíamos para o refeitório, contei a ela o que Steve me disse, sobre a espionagem, sobre a chantagem emocional, a calúnia de eu ter ficado com Harry ou Zayn que, honestamente, jamais passou pela minha cabeça, apesar dos meninos serem bonitos e eu os conhecer antes mesmo de Steve.
estava animada com a caça ao espião e principalmente com meu plano de vingança que... Bem, não era exatamente um plano completamente formulado, eu faria somente o que me desse na telha, falaria com quem eu quisesse e agiria da forma que eu achasse melhor, sem medo de receber qualquer tipo de repreensão por parte do Steve, ele não teria poder sobre mim de novo e eu lutaria para que se mantenha dessa forma.
Enquanto pegava meu almoço com , listávamos mentalmente as coisas que poderia fazer no último ano do colégio, ir às festas, dançar à vontade, vestir a roupa e a maquiagem que eu quisesse, o misto de liberdade com vingança nunca teve um gosto tão bom. Localizamos facilmente o grupo agora misto de dois jogadores de futebol e minhas amigas. Ao me aproximar da mesa já fiz questão de uma entrada triunfal:
- OOOOOI MENINOS!!! – se assustou com minha introdução e deixou seu lanche natural cair das mãos diretamente no prato, para sorte dela.
- E aí, ! – Zayn me cumprimentou, alegre. Olhou para e só moveu as sobrancelhas enquanto cerrou os lábios. Acho que todos os meninos tinham um certo medo dela pelas patadas gratuitas que ela distribuía.
- Ué gente, cadê o resto do bando? – Perguntei me referindo aos outros meninos do time.
- Ahm, nós não... convidamos. – Harry disse incerto, olhando para .
- E por que não? – Eu disse em tom de obviedade – Mande uma mensagem agora para o tal do Horan... É Niall, certo? Quem mais? Liam e Louis, né?
Todos na mesa se entreolharam esperando quem mandaria a mensagem, eu continuava encarando cada um com as mãos na cintura. Até que avistei mais algumas jaquetas vermelhas conhecidas e vi os três garotos de costas procurando uma mesa para se sentarem. A nossa tinha espaço de sobra, então não hesitei e fiquei de pé, acenando energicamente, até que eles me viram e começaram a caminhar em nossa direção. Me sentei completamente animada em começar novas amizades.
O clima entre os grupos da e Zayn Malik nunca foi dos mais harmoniosos quando todos estavam juntos. Apenas parte do grupo se entendia, isso incluía , Zayn, Harry e eu. detestava estar ao redor de Harry pois ele vivia com gracinhas e ela não queria jamais cair na lábia do capitão. e Louis se detestavam desde sempre. Os dois eram muito geniosos, sempre querendo ser superior ao outro, uma eterna competição até para coisas consideradas ruins, como quantas vezes foram parar na detenção no período de um mês. Niall e Liam eram os mais neutros e afastados pois sempre estavam falando sobre garotas e futebol. E, convenhamos, quem aguenta isso? Então ambos sempre acabavam dentro de sua própria bolha comentando sobre as meninas que passavam ou sobre o jogo da semana e sequer trocavam duas palavras com o resto do grupo.
Quando os meninos chegaram em nossa mesa retangular e se sentaram no banco à nossa frente, percebi que estávamos divididos, meninas de um lado e meninos do outro. Louis após se acomodar, deu de cara com , que estava justamente à sua frente.
- Ah, pelo amor de Deus – Fingiu tomar um susto, já se levantando – Niall, troca comigo. – Ele falou para o loiro que estava sentado no meio do banco, de frente para . Niall tentou argumentar, com a boca ocupada com o sanduíche recém mordido, sem sucesso.
Liam olhou para mim balançando a cabeça em negação enquanto eu me divertia. Todos olhavam para a cena de Louis, inclusive , que parecia ter faíscas saindo dos olhos. Agora, depois de todos acomodados, estavam e conversando com Zayn, Harry e Louis, comendo seu lanche silenciosamente enquanto passava a timeline do Facebook em seu celular, eu, observando tudo, Liam e Niall conversando e com cara de poucos amigos. Decidi chamar a atenção de , Liam e Niall e começamos a falar sobre os professores e as aulas, pelo menos para tentar interagir e integrar o grupo. sempre com um pé atrás em relação a jogadores de futebol americano, se limitava a fazer um aceno com a cabeça e evitar contato visual com os meninos, mas de resto a conversa fluía bem.
Depois de terminarem de comer, , Zayn, Harry, Louis e se levantaram e foram apresentar o colégio para a novata, mas nós continuamos conversando.
Senti o celular vibrar no bolso da calça e olhei rapidamente a mensagem pela barra de notificações. Era Steve novamente. Suspirei pesadamente, percebeu. A mensagem dizia “Realmente é o time de futebol todo, agora temos Niall Horan e Liam Payne para sua lista”. Guardei o celular e sorri forçada para os garotos.
- Liam, aposto que já tem par para o trabalho da Sra. Duncan, mas que tal diversificar esse ano?
Sim, eu só poderia estar fora de mim. Não era minha intenção ficar com Liam, só queria provocar esse espião infeliz até descobrir quem era, nada melhor que esse tipo de trabalho, certo? olhou para mim como quem dissesse que eu estava completamente maluca.
- Sim, vou fazer com o Louis... Precisamos ver se ele aceitaria trocar. Qual a proposta, senhorita?
- Bom, eu faria com a e...
- Nem pensar – Minha amiga já se adiantou dando uma mordida feroz em seu sanduíche, querendo descontar a raiva no pobre coitado, os meninos se assustaram e se entreolharam.
- , eu nem terminei!
- Eu já fei efatamentch onde focê quer fegar! – Ela disse com a boca cheia, completamente transtornada. Liam e Niall agora gargalhavam da garota.
- Ok, tá bom! Niall, quem é sua dupla?
- Harry, mas duvido que ele aceite, eu acabo fazendo o trabalho todo sozinho. faria isso? – A garota parou de mastigar, observando o garoto com olhar de ódio profundo. – Ok, não faria.
- Amiga!!! Me ajuda!!! – supliquei para , que respirou fundo.
- Mas qual é a de diversificar? – Niall perguntou, visivelmente interessado, apoiando os dois braços sobre a mesa e me analisando.
- É, , você só faz trabalhos com a gente, por que faria com... eles? – parecia um tanto ofendida, sempre ajudava as amigas com os trabalhos então era como se eu estivesse traindo sua ajuda.
- Eu nem sei se deveria contar para eles... – Olhei para Anne, que pareceu ponderar sobre compartilhar com os meninos. Ela deu de ombros e revirou os olhos como quem dissesse “tanto faz”, então prossegui – sabe do Steve, mas vocês lembram dele? Meu ex-namorado? – fiz questão de frisar o “ex” – Ele já foi em uma das festas do Zayn e da .
- Lembro vagamente... – Liam respondeu e Niall aparentava se esforçar para lembrar.
- Pois bem, ele está afirmando que eu saí com o time de futebol durante esse tempo que ele está na faculdade, em outro estado.
Os meninos ficaram visivelmente confusos e surpresos porque, realmente, isso não tinha acontecido ou eles saberiam.
- Alguém da nossa sala ou do colégio informa para ele cada passo que eu dou, e só por eu estar almoçando com vocês ele já supôs todas essas coisas. – Os meninos fizeram cara de assustados, falando agora, em voz alta para outras pessoas, envolve-los parecia tão estúpido, não faz sentido nenhum...
- Amiga, esse cara é um sem noção! E daí que você está almoçando e conversando com outras pessoas? Ele não está mais aqui e vocês nem namorando estão mais! – falou, indignada.
- Eu sei, acho que por enquanto quero tirar proveito disso, fazê-lo acreditar nessas bobeiras para ver se ele desiste...
- Parece promissor – Niall respondeu, interessado no plano – A gente pode te levar para assistir os treinos, tirar foto com você nos jogos, se for para irrita-lo.
- Oh, isso é bom... – Fiquei aliviada em saber que Niall poderia me ajudar e que eu não estava sendo tão sem noção assim. – Também quero descobrir quem seria esse espião que passa as informações para o Steve. Poderíamos fazer alguns testes próximos a alguns grupos da nossa sala! – respondi articulando as mãos de forma nervosa, meu plano estava tomando forma e eu adorava aquilo.
- E a gente pode se dividir também, dependendo de quem de nós dois ele falar sobre, já sabemos qual era o grupo que estávamos perto – Liam disse apoiando os cotovelos na mesa e coçando o queixo.
- Garoto esperto. – respondeu apontando o dedo para Liam.
Eu não sabia o real motivo deles me ajudarem porque nunca fomos próximos e mal trocávamos duas palavras. Até estava torcendo e colaborando com o plano e ela detestava sair da zona de conforto ou se envolver com os amigos de Zayn. Talvez fosse o universo conspirando para me ajudar pelo menos uma vez depois de todos esses anos com o Steve.
O sinal determinou o fim do almoço, levamos as bandejas para os devidos lugares e caminhamos para a última aula.


Capítulo 6

Zayn Malik
- Aqui no mural deve ter alguma informação sobre os times, – Disse o apelido da garota sem querer, franzindo o cenho em estranheza.
- Ah, excelente. Espero que tenha vagas no time de Vôlei.
- Também tem as informações da banda... – Ouvi dizer, encarando um dos anúncios do mural, ficou parada ali um tempo, com certeza em um conflito interno sobre se inscrever ou não.
- Uh, banda... é a do time? – Louis se aproximou dela, analisando o cartaz ao seu lado. assentiu, ainda presa em seus pensamentos.
- Você deveria se inscrever. – Harry se pronunciou, pegando a caneta pendurada ao lado do anúncio e oferecendo para minha irmã, sorri de canto assistindo à cena.
- Olha, tem vôlei sim! – disse da outra ponta do painel, chamando a atenção de todos – E... – Começou a escrever na ficha. – Me inscrevi! – Ela soltou a caneta e ergueu os braços em comemoração.
- Viu, , é simples. – Louis debochou, já que minha irmã estava demorando tanto para escrever seu nome em uma lista de audição, mas eu sabia que era mais que isso. Bem mais.
- Eu sei escrever meu nome, Tomlinson, por Deus. – Ela pegou a caneta da mão de Harry quase com raiva e escreveu seu nome e o instrumento que tocava.
- Yey, parabéns!!! – Louis comemorou ironicamente dando pulinhos em volta de . Ela se limitou a revirar os olhos sem graça, enquanto sorria, feliz.
No fundo ela precisou desse misto de raiva e desafio que Louis gerou com o comentário, como se provocasse uma atitude nela. Harry sorriu para mim, erguendo as sobrancelhas, nós dois estávamos muito orgulhosos dela, sabíamos o quanto ela se esforçava para aprender música e tocar seu instrumento, apesar de nunca ter se apresentado ou participado de nenhuma banda. A influência veio de ir aos meus jogos e assistir a banda do time. Ela se identificava porque, apesar de não ser a atração principal, era o momento que antecedia a entrada dos jogadores e levantava a arquibancada e os torcedores, causando o início da euforia. E nossa família sempre teve um pé musical, um primo nosso mais velho é músico profissional de orquestra, além de diversos parentes cantores ou que sabiam o básico de violão ou piano. Tudo culminou nela escolhendo trompete como instrumento, meus pais ralaram muito e deram o instrumento para ela de presente no nosso aniversário de 15 anos, desde então ela pratica todos os dias e faz aula uma vez por semana.
- Quando são as audições? – passei o braço por seus ombros e beijei a lateral da sua cabeça.
- Amanhã, após a aula.
- Uau, que rápido. – respondeu.
- Eles vão fazer várias durante a semana, aparentemente é bem concorrido... – Sua ruga de preocupação apareceu na testa e ela encarou o chão. Estava nervosa, provavelmente achando que não conseguiria.
- Você já está mais que dentro, maninha. – Apertei os ombros dela em incentivo.
- Own, vocês são tão fofos! – Louis apertou nossas bochechas e gargalhou ao seu lado. O sinal do colégio tocou, então precisávamos voltar para a sala, fomos andando os 5, lado a lado.
- , depois nós terminamos o tour, se quiser pode ser durante o treino dos meninos, eu fico por aqui mesmo. – sugeriu para a novata.
- Por mim está combinado.
- Tem carona? – perguntei por impulso, já que as duas ficariam até o fim do treino, nada mais justo que dar uma carona para ela. Percebi Harry e Louis se cutucando e rindo baixo enquanto apontavam para mim, provavelmente articulando que eu queria ficar com a por oferecer uma simples carona. Me arrependi instantaneamente de ter feito a pergunta.
- Eu moro pertinho daqui, então é tranquilo para ir andando.
- Nada disso, nós te damos carona, você já andou muito por hoje. – Foi a vez de me ajudar com a pergunta impulsiva, ainda bem. Fingi que os outros dois não existiam enquanto eles faziam coração com a mão e mandavam beijinhos silenciosos no ar, ainda bem que e não prestavam atenção.
Fomos para a próxima aula, e nos sentamos cada um em seu lugar. Percebi que Liam estava ansioso, pois não parava de balançar a perna e não estava nem um pouco concentrado na aula, já que seu olhar estava perdido na vista da janela.
- Hey, o que foi? – Perguntei baixo.
- Hm? – Ele voltou sua atenção de supetão – Ah, não é nada.
- Você está ansioso.
- É para o treino... Quero começar esse ano com o pé direito, ir para o estadual.
- Nós sempre vamos, só não ganhamos. – Cruzei os braços e fingi prestar atenção na aula.
- Esse ano nós temos que ganhar.
Liam parecia determinado, jogava em uma posição muito importante e de destaque no time. Apesar de todos possuírem suas atribuições e cada uma delas ser importante no conjunto da obra, Liam era um dos mais cobrados pela torcida, já que era o responsável pelo touchdown. Ele era o Wide Receiver mais experiente do time, quase a peça chave do jogo. Eu também era o Linebacker mais experiente do time, como já tinha uma bolsa encaminhada estava mais tranquilo, mas entendia o nervosismo do meu amigo.
- Nós vamos, Payno. – Disse suspirando.

***


Liam Payne
As aulas estavam se arrastando e eu só queria ir para o treino. Durante todo o ensino médio eu fiquei na posição de Wide Receiver do time, minha função é pegar a bola e fazer o touchdown. Simples, não é? Por ser a posição de maior destaque, esse ano seria decisivo para olheiros dos times das universidades do país, daria meu sangue para que ganhássemos os campeonatos estaduais e nosso colégio ficasse mais visível ainda.
Depois de mais uma aula tediosa, o sinal tocou e eu já sabia que iríamos para o campo treinar. Estava quase correndo em animação, tentando acelerar os meninos para irem logo.
- , me espera na arquibancada, tá? – Ouvi Zayn dizer para , que agora estava acompanhada da novata, .
- Pode deixar, bom treino meninos. – Ela deu um tchauzinho sorridente, era a primeira vez que eu a via sorrindo assim.
A observei caminhar de costas, conversando com a amiga nova, estava falando mais alto, gesticulando mais. Seu cabelo preso em um rabo de cavalo se movimentava conforme ela virava a cabeça para prestar atenção no que a outra dizia, os fios dançavam pousando em seu ombro. Agilmente, ela os colocava de volta para trás com as costas das mãos, voltando a segurar na alça da mochila.
- Terra para Payne. – Zayn estalou os dedos no meu campo de visão. – Se quiser que eu te ajude com a , entra na fila, Harry já chegou primeiro.
- Cheguei primeiro onde? – Styles ouvira seu nome e entrou na conversa.
- .
- Já disse que não tenho interesse na , Malik. Você quer se fazer de prestativo só porque é dupla dela, então acha que sua tarefa é tentar juntar um dos seus amigos com ela, o que não faz o menor sentido. Está com medo de se apaixonar? – Harry disse um tanto desafiador, alargando o sorriso aos poucos
- O que é isso? Sessão de terapia? – Louis caçoou.
- Estava enchendo o Payne, ele já estava secando a garota, a coitada nem chegou direito. – Zayn defendeu-se, visivelmente incomodado.
Ri sem graça, coçando a nuca. Mal sabia que meu foco, naquele momento, estava em sua irmã.
Nós tínhamos um acordo não escrito – também conhecido como bom senso – de que ninguém encostaria um dedo em Malik. Zayn conhecia a fama de seus amigos de serem cafajestes. Nem precisava ser de verdade, mas só de estar no time de futebol e vestir a jaqueta vermelha, você automaticamente já era rotulado assim. Querendo ou não, era o que acontecia no fim do dia, a popularidade aumentava, as garotas ficavam mais fáceis, mais atiradas e mais bonitas. É o mais perto de um paraíso que um jovem hétero pode chegar. Esse acordo acabou se estendendo também para as amigas de , não que alguém tenha decretado isso, mas como acontecia de todos se reunirem na casa dos Malik eventualmente, então seria melhor evitar a fadiga.
Voltamos a andar para o campo de futebol, o treinador já nos aguardava lá e alguns jogadores já estavam se aquecendo. Praticamente corri para o vestiário e me troquei às pressas, o treinador, Sr. Wayans, nos apressando pois estávamos um pouco atrasados. Obviamente usei essa desculpa para disfarçar meu nervosismo e ansiedade. Quando já estávamos reunidos no campo e devidamente vestidos e equipados, o treinador apresentou quem seriam os substitutos dos jogadores que saíram ao final do ano letivo anterior, pouco depois começamos o aquecimento.
O Sr. Wayans propôs um jogo amistoso dos times principais de ataque contra defesa, então fiquei na minha posição na lateral esquerda do campo, Louis agora substituía a outra posição na lateral direita, Niall, o Kicker do time adversário, estava posicionado e pronto para dar o pontapé inicial. Todo início de jogo era daquela forma, um jogador realizava o chute e, onde a bola caísse, seria onde a partida começaria. Quando o treinador apitou, vi a bola viajar o campo, chegando à endzone, que é a extremidade do campo, também o lugar onde é realizado o touchdown. Então, por regra, começaríamos a descida na marcação de 20 jardas do nosso lado do campo, dificultando o avanço e consequentemente o touchdown. Essa marcação era a mais próxima à endzone do nosso lado do campo, como o objetivo era fazer um touchdown na endzone adversária, quanto mais longe estávamos, mais difícil seria.
Quando nos agrupamos, meu time de ataque ficou frente a frente ao time adversário, Harry, como Quarterback e capitão do time de ataque, dava as indicações em alto e bom som, o jogo iniciou e a bola foi parar em suas mãos, os Guards eram responsáveis por impedir a linha defensiva de avançar e derrubar Harry. Então ele passou a bola para Louis, que era o Running Back, jogador necessário para realizar os avanços de jardas e nos deixar mais próximos à endzone adversária. Louis furou a defesa, desviando-se dos jogadores que tentavam derrubá-lo, avançando o máximo que pode. Observei Zayn, que era da equipe de defesa, correr até o garoto que segurava a bola na intenção de derrubá-lo, afinal, era seu papel como Linerbacker. Louis, já prevendo o pior, tentou avançar as jardas necessárias, conseguindo ser derrubado apenas na marcação de 45 jardas, o que já era um extremo avanço para uma primeira descida. Quando Zayn praticamente voou em cima dele, o Sr. Wayans apitou e parabenizou Louis, assim como todos do time de ataque.
- Belo voo, Superman. – Louis ironizou, brincando com Zayn, que apenas riu e foi para sua marcação.
Voltamos às posições de antes, Harry gritou a numeração já conhecida por mim, como a tática de lançar uma bola aérea na minha direção. Então, assim que o apito soou e houve a mesma disputa dos Guards contra a linha de defesa, driblei o Cornerbacker, jogador responsável por me bloquear, e comecei a correr o mais rápido que consegui. Olhei para trás enquanto a bola viajava em minha direção. Pela pouca visibilidade periférica que eu tinha por causa do capacete, foquei em não deixar a bola cair ou a jogada seria anulada e perderíamos uma das chances que tínhamos de avançar as jardas.
Agarrei a bola e segurei firme no peito, já estava na marcação de 30 jardas do campo adversário, isso era extremamente próximo para realizar o touchdown, só tinha um pequeno problema. Olhei para o lado direito e me deparei com Brad, o Free Safety, e havia me esquecido o quanto ele era grande em relação a mim. Essa posição existia justamente para impedir o touchdown no último minuto, quando todas as outras posições de defesa falharam. Ele estava correndo em minha direção como um rinoceronte descontrolado, tentei acelerar meu passo, mas não consegui, vacilei ao não notar a presença dele por perto.
Então ele me acertou em cheio, batendo com força no meu braço direito e me derrubando no chão. Nós dois saímos rolando pela linha lateral. Quando tentei me mexer para me levantar, senti uma dor lancinante na região do braço direito e urrei em agonia. Brad estendeu a mão para me ajudar, mas eu sequer conseguia focalizar seu rosto, a mão apertando o músculo do braço enquanto soltava grunhidos de dor. Meus outros companheiros do time já estavam ao redor, ouvi alguns gritos confusos, logo o Sr. Wayans estava abaixado ao meu lado.
- Consegue mexer o braço, Payne? – Ele segurou meu braço com as duas mãos e tentou movimentá-lo minimamente, a dor, ainda mais aguda, agora se estendia para a região do ombro e do cotovelo.
Senti minha visão ficar turva, comprimindo os olhos com força, parecia que iria desmaiar a qualquer momento.
- Chamem uma ambulância, ele também pode ter tido uma concussão. Liguem para os pais dele. – O treinador deu ordens para as pessoas próximas. – Liam, fique comigo. – Chamou minha atenção estalando os dedos no meu campo de visão.
Após algum tempo, eu ainda estava deitado no chão conversando com o Sr. Wayans para evitar que eu desmaiasse. Ele segurava uma bolsa de gelo na parte do músculo para aliviar a dor, sem muito sucesso, já que as pontadas insistiam em aparecer. Alguns dos meninos ainda estavam ao redor, olhando preocupados para mim. Observei Zayn, à distância, falando ao celular e tentando tirar o equipamento de futebol ao mesmo tempo. Após alguns minutos, uma equipe médica chegou e fez os primeiros socorros, me imobilizando em uma maca e me levando para a ambulância, junto com o treinador como acompanhante. Sentia pontadas fortes em todo meu braço, durante todo o caminho soltava grunhidos e fazia caretas. O socorrista, que conduzia o veículo, deve ter feito o melhor que pôde para evitar chacoalhar a ambulância, porém qualquer mínimo movimento que meu braço fazia involuntariamente era como uma barra de ferro atingindo meus ossos.
Quando chegamos ao hospital, observei a equipe de ambulância conversando com o médico ortopedista, falando diversas siglas e palavras que eu não entendia, a luz branca do hospital ofuscava minha visão e minha cabeça latejava. Ouvi a voz de Zayn à distância, chamando meu nome. Ele apareceu brevemente no meu campo de visão, acompanhado de mais alguém... ?
Então tudo escureceu.


Capítulo 7

Liam Payne
O som de um bip ritmado ecoava ao fundo, minha visão ainda estava enegrecida. Mexi os dedos dos pés, como se estivesse checando se meu corpo ainda estava no lugar. Respirei fundo e tentei abrir os olhos. A iluminação extremamente branca me impediu no primeiro momento, e logo em seguida ouvi uma voz feminina muito conhecida me chamar:
- Liam? Filho? – Senti suas mãos tocarem meu braço esquerdo e minha testa.
- Oi... mãe. – Respondi fraco, ainda tentando focalizar seu rosto em meio à claridade.
- Filho, graças a Deus. Geoff, ele acordou. – Percebi que ela chamou meu pai pela porta entreaberta.
- E aí, campeão, como está se sentindo? – meu pai perguntou após entrar no quarto acompanhado de outro homem, provavelmente um médico.
- Eu... não sei. – Respondi incerto, ainda tentando estudar quais partes do meu corpo ainda estavam móveis. Minha cabeça pesava no travesseiro, mal conseguia sustentar seu peso.
- Liam, eu sou o Dr. Scott, ortopedista, e estou cuidando do seu caso. Você já passou por alguns exames, também já passei a situação atual para os seus pais. Você tem... 17 anos?
Perguntou verificando alguns dados na ficha que carregava em uma prancheta. Confirmei, apesar de ter uma sensação ruim em meu estômago. Sentia que ele não me daria boas notícias.
- Muito bem, você joga futebol americano, certo? – assenti – Há quanto tempo?
- Desde... muito pequeno. Acho que com 10 anos já jogava na escola. – Olhei para minha mãe, buscando uma confirmação sua, pois realmente não me recordava. Ela me olhou com um semblante preocupado, assentindo e abaixando a cabeça.
- Ok... bom, o esporte, como você bem conhece, é um esporte de muito contato físico. O treinador Wayans, que te acompanhou até aqui, me contou que durante um jogo de treinamento, um dos jogadores do time adversários te atingiu em cheio, você se recorda?
Um pequeno flashback passou pela minha cabeça, Brian correndo a todo o vapor, nós dois rolando pela grama do campo e uma dor aguda em meu braço.
- Sim, recordo. – Engoli em seco, me dando conta que meu braço direito estava imobilizado em um gesso e envolto em uma tipoia para sustentação.
- Quando você chegou ao hospital, teve um desmaio decorrente da concussão que sofreu devido à queda. Realizamos uma tomografia e está tudo bem, não tem o que se preocupar, só iremos te deixar sob observação por precaução. Porém seu braço direito é o ponto principal.
- O que houve? – Franzi o cenho, estava preparado para o pior.
- Bom, – Ele disse suspirando – foi um combo de acontecimentos. Os ossos do seu cotovelo foram fraturados provavelmente durante a queda. Seu músculo do bíceps foi estirado devido ao tensionamento seguido do impacto do outro jogador. – Ele foi pontuando, me deixando cada vez mais ansioso – E, o pior, seu ombro se deslocou, o que acarretou também em uma lesão no manguito rotador, é um grupo de músculos que protegem seu ombro e são cobertos por tendões que possibilitam você levantar e abaixar o braço. – Ele deu uma longa pausa – Eu não tenho boas notícias, Liam.
Minha mãe fungou, percebi que já estava chorando disfarçadamente, meu pai olhava para o médico, uma expressão de confusão e raiva ao mesmo tempo, pois ouviu a situação pela segunda vez e provavelmente se sentia impotente, sem poder me ajudar.
- Pode prosseguir. – Disse firme, engolindo a vontade de chorar.
- Você vai recuperar os movimentos do seu braço, o tratamento é com fisioterapia e dura cerca de 6 meses. Porém... temo que você não poderá mais jogar futebol americano ou praticar nenhum outro esporte de contato sem comprometer o funcionamento total do seu braço. Eu sinto muito.
Dr. Scott disse realmente com pesar. Respirei fundo, fechando os olhos. As lágrimas queriam sair das pálpebras e atingir meu rosto e eu não conseguia contê-las. Lembrei de todos esses anos o quanto me esforcei para chegar à posição que estava hoje, a motivação que me atingiu durante as férias para vencer os campeonatos, ser notado por algum olheiro como Zayn foi ano passado. A sensação de ansiedade antes de entrar em campo com a banda tocando, toda a torcida vibrando. A concentração e sinergia que eu e meus colegas de time tínhamos em campo, as jogadas ensaiadas e treinadas dia após dia. O Sr. Wayans que era treinador e, ao mesmo tempo, pai de todos nós, brigava e ensinava. Os sorrisos dos meus amigos após uma partida bem jogada ou após uma vitória jogando em casa. As comemorações regadas a muita pizza, risadas e cerveja. Foram bons momentos, não vou negar, mas também era meu sonho. Eu queria chegar à NFL algum dia, ser um jogador reconhecido e bem pago. E tudo teve um ponto final hoje.
- Vou deixar vocês à sós, se precisarem de algo podem me chamar. Com licença. – Dr. Scott saiu da sala com uma expressão de apoio para mim.
Talvez eu ainda estivesse tentando assimilar as coisas enquanto mantinha – sem sucesso – minha respiração regulada, dando diversos suspiros seguidos.
- Mãe? O que eu faço agora? – perguntei com a voz embargada.
- Oh, querido... – Ela chegou mais perto, assim como meu pai, e me abraçaram de lado. – Você vai dar um jeito.
Depois de um tempo tentando me recuperar, a cabeça ainda cheia de pensamentos, mas o choro já contido, meu pai falou enquanto afagava o topo da minha cabeça:
- Zayn está aqui. Caso queira vê-lo.
- Está? – Meus olhos se acenderam, ele era uma das pessoas que eu mais adorava conversar e sabia que me daria força.
- Sim, vou chamá-lo. – Ele abriu a porta do quarto e chamou meu amigo, parecia estar sentado próximo ao quarto. Poucos segundos depois Zayn entrou, acompanhado de . Ele carregava balões e um ursinho.
- Vamos deixá-los conversar, estamos lá fora, tudo bem? – Minha mãe disse, dando um beijo em minha testa.
- E aí, dude. – Ele sorriu fraco, deixando os balões na mesa ao meu lado. também estava sorrindo em compaixão. Ambos estavam com a mesma roupa de mais cedo, há quanto tempo estou aqui?
- Obrigado por terem vindo, desde que horas estão aqui?
- Nós chegamos praticamente junto com você e ficamos aqui. Já... sabemos da notícia. – respondeu, tive um pequeno flash de seu rosto em minha visão turva, provavelmente quando cheguei ao hospital, logo antes de desmaiar. A expressão de Zayn fechou, triste.
- Sinto muito, Liam... Se tiver algo que possa fazer... qualquer coisa, de verdade.
- Ainda estou tentando assimilar... Vai ser difícil ficar sem te driblar vez ou outra. – Ambos sorrimos fraco. Sequei os resquícios de lágrimas que estavam em minha bochecha com a mão esquerda. – Na verdade, vou precisar de alguém para copiar a matéria. – Apontei tentando ser bem-humorado para meu braço direito enfaixado e nós três rimos.
- Eu mandei mensagem para os meninos avisando que você acordou, eles já devem estar a caminho. – Zayn disse, checando o celular.
- Não, não precisa! Que horas são? Já deve ser tarde e vocês ainda estão aqui.
- São 17h, ainda está cedo, relaxa.
- Mesmo assim, vocês foram para casa? – perguntei mais preocupado com a . Será se o Zayn não quis deixá-la em casa? Ela estaria incomodada? Não somos amigos próximos para ela me esperar acordar em um hospital, certo?
- Não fomos, mas não esquenta. Estávamos mais preocupados com você. – respondeu com uma expressão acalentadora desenhada em seu rosto, quase como se lesse meus pensamentos. Segurou o ursinho na altura de seu rosto e balançou a cabeça de pelúcia, falando com uma voz mais aguda em seguida – Amigo, estou aqui.
Nós rimos e ela me entregou o ursinho, que segurei embaixo do meu braço esquerdo. Pouco tempo depois os meninos chegaram também com alguns presentes, como chocolate, cartões e flores. Todos ficaram comigo por mais algumas horas, até o horário de visita acabar. Foi um excelente momento, me fez até esquecer toda a situação e me deu uma certeza: nós continuaríamos amigos, independente do que acontecesse.
Minha mãe passaria a noite comigo, teria que ficar em observação essa noite devido à concussão, “por precaução” de acordo com o Dr. Scott.
Demorei um pouco para pegar no sono, alternando entre olhar para o teto e refletir de olhos fechados. Estava buscando alternativas para o meu futuro, já que eu não seria mais jogador profissional de futebol americano. Eu sinceramente não me via fazendo outra coisa na minha vida, era como se eu não me encaixasse em mais nada. Não me sentia inteligente o suficiente para entrar no mundo dos negócios, ou entender física e química, era péssimo em matemática e cálculos, então não serviria para ser engenheiro ou algo do tipo, não tinha criatividade suficiente para ser algum artista, não tinha habilidade em instrumento para ser músico...
Pensar chegava a doer... mas não dor física, eu sentia a esperança se esvaindo e minha mente sendo consumida por um buraco negro lentamente, todos os planos de curto e longo prazo se esvaindo, cada direção que eu havia traçado estava bloqueada e jamais estaria disponível novamente. Nesse momento, uma lágrima solitária escorreu em direção ao travesseio, umedeci os lábios, comprimindo-os em seguida para conter o choro que poderia se desencadear.
Eu sabia que deveria traçar outro plano, e rápido. O relógio estava correndo e eu não ficaria para trás, entraria sim em uma universidade e com bolsa de mérito. Só preciso descobrir como.
Na manhã seguinte, acordei com minha mãe me chamando, o Dr. Scott estava no quarto verificando a ficha assinada pelo médico do plantão noturno. Não percebi que tinha dormido com o ursinho que a me dera no dia anterior, soltei um riso nasalado, me comparando a uma criança assustada.
- Muito bem, Liam. Não houve nenhuma complicação durante a noite, você está liberado para casa. Já passei para sua mãe antes de você acordar a agenda da fisioterapia. Será uma vez por semana, às terças-feiras e no horário da tarde, devido sua rotina escolar. Agora, uma última pergunta antes de te liberar. – Ele abaixou a prancheta, apoiou-se no colchão da cama próximo aos meus pés, suspirou fundo e perguntou – Você está bem?
Percebi que ele me olhou no fundo dos olhos, seu semblante era preocupado, alternei minha atenção para minha mãe que tinha o mesmo semblante.
- Sim... eu acho.
- O que eu quero dizer com essa pergunta é se você precisa de algum tipo de orientação. Conversei com seus pais e era seu sonho se tornar jogador profissional, o acidente obviamente atrapalhou todos os seus planos e a carreira brilhante que tenho certeza que você teria.
Ponderei suas palavras, minha cabeça estava muito confusa, era muito o que processar. Abaixei a cabeça, visualizando o braço enfaixado e envolto na tipoia azul. Realmente, ele não estava errado, eu provavelmente precisaria de orientação profissional. Mas estava tão esgotado, foi tanta coisa para um primeiro dia de aula do último ano, a pressão que eu estava me colocando era tanta, que eu só queria me enfiar em um buraco e não sair mais. Meu silêncio foi um sinal claro de confusão e estresse para o doutor, que complementou:
- Olha, eu estarei aqui à disposição sempre que você vier às terças. Quando se sentir pronto, pode contar comigo.
- Obrigado, doutor.
- Te vejo em breve, se cuide e descanse.
Ele se despediu de mim e da minha mãe e pouco depois estávamos prontos para ir embora. Meu pai nos buscou de carro e logo estávamos em casa, fui direto para meu quarto e fiquei trancado lá praticamente o dia inteiro. Fiz teste de aptidão, procurei por profissões em ascensão, até emprego eu estava procurando na minha cidade ou nas cidades vizinhas. Se eu não entraria com bolsa, pelo menos meu financiamento não ficaria tão caro se eu já tivesse uma grana reservada. Mas não conseguia negar que o desespero estava me atingindo aos poucos.


Capítulo 8

Malik
Depois de ir embora do hospital, percebi que Zayn dirigia pensativo. Ele era muito ligado a todos os meninos, mas Liam, em especial, era o que mais entendia meu irmão. Com certeza esse acidente deixou Zayn muito abalado, não ter mais o amigo dividindo o campo, as conquistas, vitórias e derrotas. Achei importante acompanhar Liam e estar lá quando ele acordasse, daria suporte para os dois, por mais que eu e Liam não sejamos exatamente amigos. Estamos em tempos de mudanças, certo? Então nada mais justo que novas amizades.
Ao pensar em mudança, minha mente automaticamente se recordou do grande evento de amanhã: a audição para a banda. Meu coração começou a palpitar imediatamente, eu não havia ensaiado pela última vez a música que preparei, “Legend”, de um compositor romeno chamado George Enescu. Era uma das mais difíceis que eu já aprendi e pensei que isso pudesse impressionar os avaliadores, quem quer que seja. Ainda bem que não demoramos muito para chegar em casa, já era hora do jantar. Como nossos pais estavam cientes do que acontecera com Liam, não levamos bronca por chegar muito tarde, então assim que jantei com minha família, tratei de me trancar no quarto e praticar algumas vezes antes de tomar banho e dormir.
Estava segura da minha apresentação? Não. Estava com expectativas de entrar na banda? Sim, muita. Seria minha primeira apresentação pública e eu não podia estar mais... agitada! Tive extrema dificuldade para dormir durante a noite e, quando peguei no sono, logo o despertador estava berrando em meu ouvido. Vesti uma blusa preta com bolinhas brancas, uma calça de sarja preta e um tênis branco. Dei uma última conferida no meu instrumento que estava devidamente acomodado na case, que era quase do mesmo tamanho de uma mochila. Carregaria aquilo comigo pelo resto do dia, assim como o aperto do coração e a ansiedade.
***

O dia passou arrastado, como eu já esperava. As aulas pareciam não ter fim, o nervosismo me dominava e meu estômago revirava a cada minuto que passava. As meninas até tentaram me distrair durante os intervalos de aulas, no almoço todos comemos juntos novamente e os meninos tentaram me fazer rir.
Até que funcionou um pouco, se Louis não tivesse provocado e ambos não tivessem brigado como duas crianças.
compartilhou conosco o que Steve andara fazendo e todos concordamos em ajudá-la com o plano de encontrar o tal espião para que ela pudesse, finalmente, viver sua vida em paz. Ela estava extremamente inconsequente, perguntando a todos onde seria a festa de sábado, aquela que inauguraria o último ano e que era tradição desde sempre. Confesso que estava animada para ir também, mas preocupada com o que poderia aprontar, certamente cuidaria dela para que não fizesse nada exagerado demais.
Após o sinal anunciando a última aula tocar, o desespero me atingiu como uma bigorna cai em um personagem de desenho animado.
- Meninas, eu estou nervosa. – Mostrei minhas mãos para minhas amigas, elas estavam trêmulas e minha feição não era das melhores.
- Amiga, calma! – segurou minhas mãos – Você sabe que é uma instrumentista fantástica e vai se dar bem, dê o seu melhor!
era, com certeza, uma das melhores intermediadoras de conflito que eu conhecia. Por mais que ela tivesse muita preguiça de se envolver, quando era por nós ela sempre fazia um esforço e dava suas palavras de sabedoria e, de uma forma que eu não conseguia explicar, ela realmente nos acalmava. Era mágica.
- Obrigada. Muito obrigada. – Respirei fundo e peguei minhas coisas. Me despedi das meninas e fiquei esperando meu irmão na porta.
- Hey, é agora, não é? – Ele perguntou com os outros meninos em volta. Apenas confirmei com um aceno, respirando fundo.
- Você vai se dar bem, . Tenho certeza. – Harry falou em um tom calmante.
- Nunca vi você tocar, mas estou ansioso para ver sua estreia nos nossos jogos. – Niall disse dando um sorrisinho simpático em seguida.
- Também nunca vi, mas você é uma Malik, e os Maliks são excelentes no que fazem. Menos o Zayn. – Foi a vez de Louis, que não perdeu a oportunidade de alfinetar o amigo. Meu irmão apenas o olhou em reprovação. – Brincadeira, my luv. – Disse para Zayn empurrando-o com o ombro.
- Obrigada pela força meninos. Vejo vocês no final do treino. – Fui caminhando para o sentido oposto que eles e acenando de longe. Era estranho ver os quatro sem Liam, pareciam tão incompletos.
Rumei para o teatro do colégio que ficava em um dos lados extremos do prédio, próximo à secretaria e diretoria. Assim que cheguei, havia um tripé com um flipchart indicando que as audições para a banda seriam ali. Uma foto de vários músicos em um dos jogos com aquele uniforme padrão e vermelho me fez até sonhar se eu poderia usar um daqueles algum dia. Não me demorei a entrar no teatro, sozinha, tentando juntar o pouco de confiança que tinha. Na sala que antecipava a entrada do público, havia mais um flipchart me direcionando para os camarins e já havia uma fila na porta. Soube que as audições estavam durando em média 5 minutos, então seria muito rápido. Como a fila estava um tanto extensa, consegui preparar e afinar meu instrumento antes de ser chamada. Permaneci sentada solfejando as notas da música mentalmente, tudo bem que já tinha decorado, mas nunca seria demais um pequeno teste para a memória, ainda mais quando eu estava tão ansiosa.
- Malik, pode entrar. – Um rapaz apareceu pela cortina que dividia o palco e o camarim que estávamos aguardando. Soube que ele era o líder da banda e estava somente no segundo ano, só não sabia seu nome.
Levantei-me e andei até o centro palco, me sentindo um tanto intimidada pelo tamanho em si e pelos professores que estavam sentados nos bancos da frente. Identifiquei o professor de música, Sr. Carlson, ele tinha uma barba comprida e grisalha e andava sempre com uma bandana, era fã de rock e cada dia usava uma camiseta de uma banda diferente. Ao lado dele estava a Srta. Montgomery, sabia que ela era professora de teatro devido a uma peça que assisti uma vez, mas não entendia o motivo de ela estar ali. Era uma madame de 50 anos muito bem conservada e elegante. O aluno líder da banda estava ao lado da Srta. Montgomery e eu ainda não sabia seu nome.
- Olá, Srta. Malik, trompetista. – O Sr. Carlson conferiu meu nome e o instrumento na folha em suas mãos – O que vai nos apresentar hoje?
- Legend, por George Enescu.
- Uau. – Ouvi o rapaz mais novo dizer, dando uma risadinha irônica e coçando a testa com a ponta dos dedos. Srta. Montgomery apenas o repreendeu com o olhar e voltou sua atenção para mim, dizendo:
- Por favor, querida. Pode começar.
Iniciei as primeiras notas com um pouco de timidez, porém sem desafinar. A primeira parte era mais simples porque as notas eram mais longas, a dificuldade estava realmente na afinação, que era uma parte grande e importante que um músico deve ter em mente ao tocar seu instrumento. Na partitura original, essa música é tocada com um piano de acompanhamento, tocar a versão solo exigia também uma concentração nos tempos e no ritmo, visto que não tinha o piano para ajudar a guiar. Quando a parte mais difícil estava se aproximando, disse mentalmente a mim mesma “você vai conseguir”. Meu coração estava louco, palpitando em ritmos acelerados, minha respiração estava controlada devido ao trompete, mas se não estivesse tocando, provavelmente estaria ofegante. Toquei as notas mais rápidas com maestria, até eu fiquei surpreendida. Não sei se foi a acústica do teatro que ajudou a propagar o som ou se, por algum milagre, eu realmente tocava bem. Por costume, eu ficava de olhos fechados, abrindo poucas vezes para ver a partitura ou a posição dos meus dedos no trompete, como não tinha partitura e a não havia tanta iluminação na plateia, não pude ver a reação dos professores.
Quando a música finalizou, abri os olhos devagar, abaixando o instrumento com cuidado. O aluno estava com o queixo literalmente caído, chocado. O Sr. Carlson estava com um sorriso singelo no rosto e a Srta. Montgomery com uma expressão indecifrável.
- Bom, eu começo. – O professor se prontificou, alisando sua barba. – você não tocou uma marcha, como esperávamos.
Pude ouvir meu coração partindo em mil pedacinhos. Excelente, , você só tinha um trabalho, ensaiar uma música e fazer audição para uma banda MARCIAL, que toca marchas! E você mostrou exatamente o que eles não precisavam ouvir, gastou o tempo precioso de todos e queimou sua reputação como musicista, que nem existia e agora não tem o mínimo de chances de vingar. Já estava quase virando as costas e indo embora, mas ouvir feedback de pessoas mais experientes e demonstrar respeito eram coisas importantes, então calei a vozinha chata da minha cabeça me forcei a ficar.
- Como somos uma banda marcial, nós tocamos... marchas. – Ele continuou. “Exatamente!” A vozinha retornou – Porém você já ultrapassou o nível de marchas há muito tempo. Você foi simplesmente brilhante, eu não tenho palavras para descrever o quão bem você controla sua respiração, quão afinada você é e a dominação que você teve da partitura e do seu trompete, estou... maravilhado. – Meu coração colou-se sozinho e voltou a bater forte, não pude evitar um sorriso. – Se você consegue tocar essa música tão difícil, com certeza uma marchinha, para você, não é nada. Inclusive, Brendan, seu cargo corre grande perigo. – Então era Brendan o nome do garoto. Ele queria me deixar de líder da banda? Sério? Uma novata?
- Então... eu passei? – Perguntei só para confirmar se não estava entendendo tudo errado.
- Sim, você está dentro! Bem-vinda! – o professor respondeu, sorrindo aberto. Comemorei brevemente e agradeci aos professores, mas quando estava prestes a me despedir, a professora pergunta ao professor:
- Frederich, você acredita que ela tem o que eu preciso?
- Olha, considerando o nível musical dela e que a banda não vai tomar tempo de ensaio quase nenhum, acredito que sim. – Ok, agora estava confusa.
- Muito bem, . Você deve me conhecer, sou professora de teatro aqui da Connersville High School. – A mais velha levantou-se da cadeira e começou a vir em minha direção pelas escadas laterais do palco. – Eu gostaria de ousar na peça teatral desse ano e decidi por nada mais nada menos que uma adaptação do musical Grease. – Ela falava e gesticulava sempre com um ar superior a todos os meros mortais do recinto.
- Eu já ouvi falar, mas nunca assisti ao filme. – Disse, me sentindo até um pouco intimidada pelo tamanho da elegância daquela mulher.
- Muito bem, Grease não é o filme exatamente. O filme é originado e adaptado de um musical da Broadway, também chamado Grease, porém ele é muito... adulto. O filme é com certeza mais sutil e suave, mais acessível, me entende? – Assenti, ela agora estava no palco e chegava perto de mim. – Pois eu preciso de alguém que me ajude na sonoplastia, já que não teremos uma orquestra toda ao vivo. – Ela suspirou, decepcionada, passando a mão no cabelo curto. Provavelmente queria um espetáculo digno de Broadway. – Então seria cuidar para que as músicas entrassem no tempo correto, fazer alguns efeitos sonoros também, tudo isso está descrito no roteiro e nós já temos os materiais necessários.
- Eu... não sei se entendi. Eu estou na banda ou no teatro? – Perguntei claramente confusa.
- Nos dois, docinho. – A professora respondeu, dando uma risada digna de madame. Não contive minha expressão de surpresa.
- Se eu conseguir conciliar a agenda dos dois... estou dentro. – Disse rindo e sendo acompanhada dos mais velhos. Brendan me olhava em dúvida, parecia estar em um conflito interno entre adorar minha presença na banda ou me odiar.
- Muito bem, ainda farei as audições para os atores, inclusive se quiser me ajudar, preciso de um bom ouvido para discernir melhor as vozes afinadas e que podem ser trabalhadas. A partir de semana que vem ficarei aqui todas as segundas, quartas e sextas.
- Os ensaios da banda são às terças e quintas, também a partir de semana que vem. Seria bom se você comparecesse pelo menos nos primeiros ensaios para sentir o ritmo da banda, conhecer as músicas e até ajudar a gente, não é Brendan? – O professor chamou a atenção do garoto ao seu lado, que soltou um ruído qualquer em confirmação. – Seu irmão é do time, não é? Seu sobrenome não me é estranho.
- Sim, ele é. Já joga há algum tempo.
- Ah, excelente, você já deve conhecer a banda então.
- Bom, nosso tempo está curto, já se passaram os 5 minutos da Srta. Malik, posso chamar o próximo? – Brendan disse um tanto irritado com a “puxação” de saco dos professores para comigo.
- Foi um prazer, , seja muito bem-vinda! – A Srta. Montgomery se despediu de mim, acenei para o professor e Brendan e saí pela cortina lateral.
Guardei meu instrumento feliz da vida, estava louca para contar para meu irmão e para o pessoal que tudo tinha dado certo e que, de quebra, ainda ajudaria no musical desse ano. As coisas estavam dando certo, afinal. Saí do teatro saltitante carregando minha mochila e meu instrumento, me dirigindo até o campo de futebol, sentei-me na arquibancada e assisti ao final do treino. Meu irmão me notou e acenou enquanto corria. Enquanto o treino não terminava, mandei mensagem para as meninas avisando que tinha passado para a banda e tentando explicar o que eu faria no teatro. Todas ainda estavam confusas sobre o musical quando o treino acabou e meu irmão veio correndo para a arquibancada, ainda com o equipamento de proteção e completamente suado.
- E aí? – Seu largo sorriso estava em grande expectativa, eu até pensei em brincar com ele e mentir falando que não passei, mas não me contive.
- Eu passei! – Ergui os braços em comemoração, ele também comemorou:
- Eu sabia! Você é demais! – Ele veio me abraçar e eu nem liguei o fato de ele estar pingando suor ou as ombreiras gigantes que ele usava.
- Tem mais! A professora de teatro gostou de mim e me chamou para ajudar no musical!
- O que? Musical? – Ele perguntou ainda animado.
- Sim, ela precisa de alguém para cuidar da sonoplastia, esse ano teremos um musical no colégio.
Os meninos chegaram atrás de Zayn, também curiosos e suados.
- E aí? – Fizeram a mesma pergunta de Zayn quase na mesma empolgação.
- Ela passou, óbvio! – Ele respondeu completamente orgulhoso. E os meninos me parabenizaram felizes, todos fazendo high five comigo.
- Eu também aceitei o convite da Srta. Montgomery para ajudar na sonoplastia do teatro, teremos um musical esse ano. – Disse colocando as mãos embaixo do queixo.
- Uh, vai cantar também? – Harry perguntou sorrindo.
- Nah, só vou colocar a música, fazer os efeitos sonoros e ajudar nas audições.
- “Só” – Louis disse fazendo aspas no ar, divertido. – Já é algo grande, estamos orgulhosos da mini Malik.
- São literalmente 3 minutos de diferença entre mim e Zayn! – Disse rolando os olhos, indignada.
Os meninos riram da minha irritação momentânea. Zayn continuava com um sorriso orgulhoso e largo no rosto e eu não poderia estar mais feliz em conseguir tal feito. Foi a evolução mais rápida que poderia acontecer e eu nem havia planejado nada, eu só tinha como meta a banda, que já era exposição demais para mim. Agora seria basicamente o braço direito da Srta. Montgomery e participaria de algo marcante e histórico para todos do colégio. Será se eu estava preparada? Seria capaz de lidar com tamanha responsabilidade?


Continua...



Nota das autoras:
OIOI!
YEY, DEU CERTO!!!
Além de musicista da banda ela também vai ficar bem atarefada com o teatro e o musical, vamos torcer ~fingers crossed
Já temos uma amizade nascendo também entre os pps, mas o contraste de realidades é perceptível, um está conquistando muitas coisas e o outro está tendo que se reerguer e reinventar sua vida... O que vem por aí?
Esperamos que estejam gostando, entrem no grupo do Facebook no ícone abaixo para não perder nenhuma atualização.
Fiquem bem e até semana que vem! <3
Beijos, Bia e Lady ;*



comments powered by Disqus