Contador:

- Obrigada, Cheryl! – falou para a médica que estava na porta do quarto do hospital. – Como ela está? – Ela perguntou.
- O mesmo de sempre, precisando comer por sonda, dificuldade para respirar, mas nada do que já não sabemos. – A loira sorriu para a mais nova.
- Vocês precisam de algo? Remédio, comida, alguma coisa? – A mais nova perguntou.
- Sim, precisamos que você vá para casa e tente ter uma longa noite de sono. – A médica falou. – Você é muito nova para ficar enterrada nesse hospital, ainda mais o dia inteiro. – A médica passou a mão no rosto da mais nova. – Vai para casa, vai para o trabalho, só não fique aqui, isso não vai fazer bem nem para você e nem para sua avó. – afirmou com a cabeça, fechando os olhos.
- Tudo bem, eu vou! – A mais nova afirmou com a cabeça, suspirando.
- ! – A médica virou para o menino que estava sentado no chão do corredor do hospital. – Leve a para casa, por favor! – O alto se levantou, apertando o casaco pesado sobre seu corpo e se aproximou das duas mulheres. – Cuida dela e descansem.
- Pode deixar! – Ele falou, olhando para a mais nova, que tinha os cabelos levemente bagunçados. – Vamos?
- Só vou me despedir dela. – O alto afirmou com a cabeça e viu a mais nova entrando no quarto número 5, onde sua vó estava.
Ela olhou para a idosa na cama e sentiu o mesmo pesar de sempre. Ela dormia, como fazia há dias, os olhos fechados, a boca com um respirador, o braço com a agulha e vários tubos pendurados próximos à cama. A mais nova se aproximou como fazia todos os dias, depositou um beijo na testa da mais velha e arrumou a coberta, tentando aquecê-la o máximo que podia e virou as costas, saindo do quarto que conhecia tão bem, puxando a porta em seguida.
- Vamos! - falou e simplesmente seguiu em frente pelo corredor do hospital, tendo andando há uma certa distância de si, quando ela saiu pelo tempo frio de Vail, Colorado.
A menina seguiu uma linha reta, com as mãos colocadas no bolso do casaco pesado, com a neve ficando presa em seus cabelos compridos, entrou na caminhonete Ford 1965 e bateu a porta, ouvindo barulho de lataria velha se chocar e arrepiou, como sempre.
- Aqui! - O senhor em frente ao hospital falou, entregando a espingarda de para ele.
- Obrigado, Matt! - O mais alto agradeceu.
- Ela está bem? - Perguntou, apontando para a menina que estava encolhida dentro do carro.
- O mesmo de sempre. - Ele deu de ombros e seguiu para a caminhonete, colocando sua mochila e a arma de caça na parte de trás do veículo e entrou no carro, passando a mão em seus cabelos arrepiados, tirando a neve que ficara presa nele.
Ele colocou a chave na ignição e deu a partida, guiando o carro para a saída do estacionamento do pequeno hospital de Vail e começou a seguir pela rua principal da cidade, na máxima permitida de 40 KM/h da pequena cidade do interior.
- Você pensou sobre o que eu disse? - perguntou a ela que se limitou a revirar os olhos, soltando um longo suspiro e virando o rosto para ele. - Pensou?
- Minha avó acabou de ter uma parada cardíaca e você realmente quer que eu pense sobre sair de Vail?
- Não é como se eu estivesse perguntado isso pela primeira vez. - Ele falou, apertando o volante fortemente com as mãos. - Faz quatro meses que eu te pergunto a mesma coisa e você diz que vai pensar.
- Enquanto minha família não ficar responsável pela minha avó, eu não posso fazer nada. - falou com a calma que corria pelas suas veias.
- E por causa disso você tem que ficar responsável por ela? - bufou e empurrou a porta do carro antigo com força quando ele estacionou em frente à pequena construção com a pintura desgastada e a madeira que já perdera a cor.
- Vamos fazer um negócio, então?! Vá! - falou, olhando profundamente em seus olhos azuis. - Se você não aguenta ficar em Vail e tem essa necessidade doentia de ir embora, vá! Eu realmente não sei por que você não foi ainda. - Ela falou, virando o corpo, colocou a chave na porta e abriu a mesma, raspando os pés no tapete antes de entrar em casa.
bateu a porta do carro e a seguiu para dentro de casa, pegando a porta antes de ela bater contra o fecho, sentindo o ar quente da casa imediatamente tomar seu corpo, fazendo com que ele tirasse o casaco e jogasse no sofá antigo da casa, antes de bater a porta da frente, não deixando que o frio entrasse.
- Eu ainda não fui por causa de você! - Ele falou, vendo-a parar imediatamente na porta de seu quarto. - Nós podemos ter uma vida muito melhor em Nebraska, eu tenho vários amigos, a gente tem um dinheiro guardado, não vamos começar tão de baixo. - O mais alto se aproximou dela, prendendo-a na parede. - A gente aluga uma casa pequena ou um apartamento, arranja algum trabalho o suficiente para conseguirmos pagar o aluguel. E ano que vem a gente tenta a faculdade pública. - Ele falou, olhando fundo nos olhos dela.
- Eu sei que sempre foi seu sonho, , vá! - Ela falou com a voz calma, esticando uma mão e tocando o cabelo do mais alto. - Vá! Meu sonho pode esperar um pouco, você sempre teve essa vontade de sair, conhecer o mundo, viver, você tem essa alma cigana, sei lá, e você realmente não vai fazer isso em uma cidade com pouco mais de 5 mil habitantes. - Ela abriu um sorriso de leve. - Eu te amo, mas não posso fazer isso agora, essa cidade nem tem onde eu possa deixar minha avó. Eu vou cuidar dela.
- Eu não vou sem você. - Ele falou com o tom de voz mais baixo dessa vez.
- Então, sinto dizer, mas você vai ter que atrasar esse seu sonho por um tempo. - Ela falou, se desvencilhando de seus braços por baixo e seguindo para o lado.
- , por favor, eu não consigo viver sem você! - Ele falou, puxando-a pelo braço e colando os lábios nos de sua namorada.
Ele passou as mãos pelo corpo dela, trazendo-a para mais perto dele e abaixou o rosto um pouco para ficar da altura dela, e quando ela passou os braços pelos ombros dele, ele passou as mãos pelas suas coxas, a erguendo em seu colo e caminhou com ela para o sofá, sentando com ela em seu colo.
O mais alto rapidamente passou os braços pelo tronco da mais baixa, tirando os botões um a um de seu casaco escuro e empurrou o casaco pelos ombros para fora de seu corpo. A mais baixa focou em puxar a blusa branca que ele usava para fora, se separando um pouco para puxá-la para cima.
Ele tinha pressa, ambos tinham pressa, na verdade. Ele desceu as mãos para a calça que a mais baixa usava, abrindo o jeans e virou o corpo, colocando a mais nova deitada no sofá e puxou sua calça jeans, junto com a calça de baixo que ajudava a esquentar no frio e a jogou no tapete do sofá.
A mais baixa focou em preencher o pescoço do mais alto com beijos e mordidas, fazendo-o soltar leves suspiros. Ela colocou a mão no jeans dele e desabotoou o botão e o zíper, puxando a mesma para baixo, o vendo se perder por um segundo e se levantou, puxou a calça para baixo e deitou seu corpo sobre o da menor, mantendo seus corpos quentes o máximo que conseguiam.
Ele olhou fixamente para ela, como fazia sempre, e ela deu um sorriso de leve para ele, como todas as vezes. Ele sorriu e se ajeitou em cima do corpo dela, de forma que não soltasse todo o peso em seu corpo.
- Eu te amo. – Ela falou, com a mão apoiada na base de seu tronco. – Não vá. Eu também preciso de você. – Ela falou, mordendo o lábio inferior e ele inclinou o corpo novamente, tocando seus lábios novamente, sem responder. Ela esperava que isso fosse o suficiente para fazê-lo ficar.

acordou com o barulho de um motor antigo sendo ligado, ela passou a mão no rosto e se levantou, pegando a coberta que agora estava em cima dela e cobriu seu corpo nu, correndo para a janela.
Amá-lo não era mais suficiente, amá-lo como fazia desde os 15 anos não era mais o suficiente. Ela abriu a fresta da persiana, tendo a visão comprometida por alguns segundos pelos faróis do carro que estavam virados na direção da janela. Por causa da iluminação ela não conseguiu vê-lo, e tinha certeza que não o veria por muito tempo.
Deixou seu corpo cair no chão quando as lágrimas chegaram a seus olhos e escondeu o rosto nos joelhos, soltando uma respiração forte e deixou o choro invadir a sala novamente. Ouviu o barulho do vento lá fora e logo imaginou que a neve ficara mais forte, ficou preocupada com ele, mas afinal, ela tinha deixando que ele fosse.
Fechou os olhos fortemente e pediu por proteção, como pedia para sua avó todas as noites, mas dessa vez ela pediu por ela mesma, pediu também que uma ajuda chegasse, qualquer coisa.
Ele era a razão dela, o motivo dela cuidar da sua avó desde seus 17 anos, há cinco anos. Eles se conectaram quase imediatamente quando ele repetiu o primeiro ano do ensino médio e acabou caindo na turma dela, com uma cidade tão pequena, era até surpreendente o fato deles não terem se conhecido antes. Ela sempre foi quieta, na dela, inteligente. Ele já era o oposto, atacado, intrometido e bem, não precisamos falar sobre inteligente, né?!
Os pais dela viajavam o país vendendo materiais de escritório, andavam em uma Kombi e mandavam o dinheiro para ela no começo de todo mês. Não era muito, e também não ajudava muito com os cuidados de sua avó. O hospital era público, mas era preciso que ela pagasse pelos remédios e tratamentos que eram feitos fora da cidade. Por isso ela trabalhava de garçonete no único restaurante decente daquela cidade. Por mais que fosse uma cidade turística, ela ficava mais cheia na alta temporada, o que não era o caso, por mais que estivesse nevando. Não era para estar nevando naquela época do ano.
Ele já tinha uma independência maior. Tinha a mesma idade que ela, mas começou a trabalhar com caça desde cedo, aprendeu com seu irmão mais velho, assim que aprendeu a ficar em pé sem cair. Sua mãe faleceu quando ele era bem novo, já seu pai fazia de tudo para tentar criá-los com um pouco de dignidade, claro que suas diversas namoradas tentaram ajudar também, mas nada que realmente o interessava. Ele e o irmão haviam saído de casa e moravam em um chalé na entrada da cidade. Vendiam a caça para as pousadas que recebiam turistas, e o que eles faziam com a caça era uma boa pergunta.
Ambos aprenderam a se virar desde sempre, mas sempre nessa cidade do interior, por mais que negasse ir embora, ela odiava aquela cidade e ela odiava mais ainda não poder sair dela e odiava mais ainda seus pais, por não voltarem e cuidar de sua avó. Era quase um castigo, um castigo que ela não podia se livrar. Apesar de tudo isso, ela ainda se importava. já não tinha nenhuma preocupação, seu irmão sabia da sua vontade de sair, só não saía junto pois tinha uma mulher envolvida na história, uma turista que veio e prometeu que ia voltar, algo assim. O amor faz coisas estúpidas de vez em quando.

passou a mão nos olhos, tentando impedir que as lágrimas rolassem pela sua bochecha e firmou as mesmas no volante, sentindo as mãos doerem. Olhou a mala ao seu lado e soltou um suspiro, voltando a olhar para a estrada vazia a sua frente. Ele pisou fundo no acelerador e ultrapassou os 120 KM/h permitidos, mas nem se importou, queria se afastar daquela cidade o mais rápido possível, quem sabe doeria menos quando chegasse mais perto do estado de Nebraska, estado vizinho do Colorado.
saiu do banho enrolada na toalha e ouviu o micro-ondas apitar, mas seguiu antes para o seu quarto, para colocar seu pijama quente e pentear os cabelos molhados, pendurando a toalha em uma cadeira na sala, perto do aquecedor, para ver se a toalha secava mais rápido. Seguiu para o micro-ondas, tirou sua lasanha congelada do mesmo e com pressa soltou em cima da bancada, batendo a porta do eletrodoméstico com força. Pegou os talheres, se sentou na bancada em frente a lasanha e olhou para a mesma, sentindo seu estômago embrulhar e fechou os olhos, soltando os talheres em cima da bancada, pegou a lasanha ainda quente e colocou na geladeira, talvez comeria mais tarde.
Seguiu para o armário de remédios de sua avó e procurou dentre as diversas opções algum remédio que desse sono, pois saberia que não conseguiria dormir sozinha. Achou um remédio para enjoo. Bem, de certa forma ela estava com enjoo mesmo. Jogou o comprimido para dentro da boca e o engoliu sem a necessidade de água. Ela entrou em seu pequeno quarto e deitou na cama, puxando a coberta de pele para cima de seu corpo e fechou os olhos, soltando um suspiro.
Fazia umas cinco horas que estava na estrada. Seu corpo estava rígido, suas mãos pareciam estar coladas no volante. Ele observou a placa que se aproximou e faltava 90 KM para Lincoln, Nebraska. Ele estava muito perto, chegaria em menos de uma hora se mantivesse essa velocidade, mas ele precisava parar. Ele avistou um posto de gasolina e reduziu a velocidade, entrando no mesmo. O local tinha as luzes ligadas e vários caminhões estacionados ao redor, todos querendo se aquecer na madrugada, era uma parada de caminhões.
Ele estacionou a camionete e desligou o motor, ouvindo o motor silenciar. Ele descolou as mãos no volante e esfregou uma na outra, tentando aquecê-las. Ele pegou sua carteira que estava jogada no painel do carro e colocou no bolso do casaco, saindo da mesma e entrando em uma pequena lanchonete que tinha no posto. Assim que entrou na mesma, sentiu o ar quente de dentro se misturar com o gelado de fora, ele avistou vários caminhoneiros no lugar silencioso, se direcionou para uma das mesas no canto e se sentou, olhando para o cardápio que tinha na mesma.
- Olá, boa noite! – Uma senhora veio atendê-lo e ele olhou para ela, fazendo-o se assustar com a cor de seus olhos, fazendo-o ver os de , imediatamente pensou em Colorado, e em . – Gostaria de alguma coisa? – Ela perguntou e olhou o cardápio rapidamente, balançando a cabeça.
- Uma xícara de café, por enquanto. – Ele falou, abaixando o cardápio e ela se retirou, voltando segundos depois com uma xícara grande em sua mão e colocou em sua frente.
Ele olhou para o líquido quente na sua frente e suspirou, olhando para o tempo lá fora, a noite estava tão escura quanto a cor daquele café. Ele suspirou por um momento, sentindo o cansaço em seu corpo e tomou um gole do café, abaixando a cabeça na mesa e suspirou.
Ele tirou o celular do bolso e viu sua foto com na tela inicial e suspirou, sentindo uma dor no peito. Ele não conseguia viver sem ela, ou melhor, ele realmente não conseguia viver sem ela.
Discou o número tão conhecido e ouviu o primeiro toque, esperando que ela atendesse, apesar de ser tarde da noite e ela deveria estar dormindo.

ouviu o celular tocar ao seu lado e abriu os olhos lentamente, sendo cegada pela luz que o aparelho produzia e suspirou, fechando os olhos novamente antes de pegar o aparelho. Ela abriu os olhos novamente, vendo o aparelho embaçado em sua mão e empurrou a coberta para frente, finalmente vendo o rosto de na tela, vendo o rosto dele com nitidez. Sentiu uma dor no peito.
Cogitou não atender a ligação, mas o interesse em saber como ele estava era maior, sua preocupação era maior. Ela deslizou o botão verde e colocou imediatamente no viva voz.
- Eu quero te ver de novo! – Foi a primeira coisa que disse.
- Você escolheu isso. – falou, com a voz de sono ainda e o ouviu suspirar do outro lado da linha.
- Talvez eu tenha escolhido errado. – Ele falou e ela suspirou, erguendo o corpo na cama. – Eu quero te ver.
- O que você quer que eu diga? – Ela perguntou, coçando os olhos.
- Que você quer me ver também. – Ele falou, encarando a fumaça que saia da xícara de café.
- Eu não vou dizer isso. – Ela falou, segurando o choro. – Você faz as besteiras e depois me culpa, você me culpa por ser assim, e eu não tenho nada a ver com isso. – Ela suspirou. – Não fui eu que nasci para ir embora. – Ele mordeu o lábio inferior. – Não sou eu que tenho essa alma cigana.
- , por favor. – Ele falou.
- Não , você vai ouvir. – Ela falou com o tom de voz mais alto. – Você se contradiz, você é desconexo. Você quer ir embora, decide ir embora sozinho e depois me liga querendo voltar. – Ela suspirou. – Estamos juntos há sete anos, isso é mais que muitos casamentos por aí. Eu acho que devíamos confiar um no outro. – Ela suspirou.
- Você me ama? – Ele perguntou, olhando para a janela, onde alguns flocos de neve se acumulavam.
- Você não precisa ter dúvidas disso, eu não mudo de opinião em poucas horas. – Ela falou e ele abriu um sorriso. – Se você voltar, podemos conversar. – Ela falou, suspirando. – Eu ainda estarei aqui. – Ele sorriu.
- Parece que o tempo piorou aqui. – Ele falou, suspirando. – Talvez seja melhor eu deixar para amanhã.
- Onde você está? – Ela perguntou.
- Perto de Lincoln, Nebraska. – Ela fechou os olhos, passando a mão no rosto.
- Segue em frente, . – Ela falou, suspirando. – Você está tão perto.
- Mas ...
- Pensa no seu sonho, pensa no que é melhor para você. – Ela falou suspirando. – Pensa. – Ela falou, tirando o celular do viva voz e suspirou.
- Eu te ligo amanhã. – Ele falou, ouvindo o telefone ficar mudo do outro lado. – Você é o melhor para mim.

Ele virou o café quente para dentro e bateu a xícara na mesa novamente, atraindo as atenções para ele. Ele puxou uma nota de cinco dólares na carteira e colocou no balcão, em frente à garçonete que o atendeu e correu novamente em direção a sua camionete, sentindo o vento e a neve bater contra seu corpo, mas ele não podia esperar.
Ele entrou na camionete, sem se preocupar com os pedaços de gelo em seu cabelo e ligou o carro novamente, observando o nível de combustível, teria que dar.
Ele apertou o pé no acelerador e ouviu o carro cantar pneu e seguiu para a estrada novamente, entrando rapidamente no sentido que dizia Colorado, pisando fundo no acelerador e sem se preocupar com o limite de velocidade.
empurrou as portas fortemente e deu de cara com a médica de sua avó e grande conhecida. Ela apoiou a mão no balcão e puxou fundo a respiração, pedindo um segundo.
- Eu não te disse para ter uma longa noite de sono? – Cheryl reclamou e ela mexeu as mãos.
- Eu preciso do seu carro. – falou simplesmente e Cheryl franziu a testa.
- O quê?
- Eu preciso do seu carro. – repetiu, olhando piedosamente para a médica que já estava cansada pelo seu plantão de madrugada.
- Para que você precisa do carro? Para onde você vai? O que você está fazendo aqui? Cadê o ? Você veio correndo? – suspirou.
- Para ir atrás do , atrás do , pedindo as chaves do carro, perto de Nebraska e sim. – respondeu a todas as perguntas, puxando o ar fortemente.
- O que aconteceu? - passou a mão nos cabelos nervosamente e suspirou.
- Você pode me emprestar seu carro, pelo amor de Deus? – Ela reclamou e Cheryl a olhou.
- Não. – Cheryl respondeu e virou o corpo, sentindo a mais velha puxando-a novamente. – Você vai me contar o que aconteceu, aí eu te empresto.
- O sempre quis sair de Vail, mas eu não podia por causa da minha avó, aí ele decidiu ir embora, a gente transou, o filho da puta me deixou dormindo, foi embora, agora quer voltar, mas está preso em uma nevasca. Tá bom para você? – Ela perguntou, colocando as mãos do casaco em cima do pijama.
- E por que você vai atrás dele? – A mais velha perguntou.
- Porque eu preciso fazer uma loucura pelo menos uma vez na vida. – falou, se sentindo exausta.
- Vocês dois irão me explicar essa história muito bem quando voltarem. – A mais velha esticou a chave do seu sedan e a mais nova abriu um sorriso, pegou a chave e saiu correndo.
Ela ativou o alarme do carro da médica e viu as luzes de um sedan preto acenderem e entrou no mesmo correndo, ligando o aquecedor do carro e logo em seguida o motor. Ela andou na máxima permitida dentro da cidade, mas assim que saiu da mesma, pisou fundo, sentindo uma liberdade estranha tomar conta de seu corpo e foi em frente, com um sorriso no rosto, atrás do seu corredor.

podia ver as luzes de outra cidade se aproximando e deu uma olhada no velocímetro, notando que estava a 180KM/h. Ele se assustou quando seu telefone tocou no painel e ele freou imediatamente, ouvindo os pneus cantarem de novo, direcionou o carro até a lateral da estrada e pegou o aparelho telefônico jurando que podia ser . Mas não, o nome de seu pai aparecia na tela.
- Alô? – Ele atendeu sem muita paciência, por que seu pai ligaria a essa hora, sendo que ele nem estava em casa?
- Você precisa voltar. – Ele falou, soltando um suspiro longo.
- Eu sei que você deve estar bravo comigo, pai, mas podemos discutir isso outra hora? – suspirou, passando a mão no cabelo.
- Eu não estou brigando contigo, . – O pai dele cochichou com alguém do outro lado da linha e suspirou. – Vem para casa, precisamos conversar.
- O que aconteceu? – Ele endireitou o corpo no assento e focou os olhos para frente, onde podia ver várias luzes ao longe, de outra cidade.
- Vem para casa, a gente conversa aqui. – O pai dele suspirou novamente.
- O que aconteceu, pai? – sentiu a respiração pesar e começou a sentir o ar faltar-lhe.
- Vem para casa. – Ele repetiu, não sabendo por quanto tempo mais aguentaria.
- Pai, me fala. O que aconteceu? – O mais novo puxou fortemente a respiração.
Seu pai ficou mudo no telefone por alguns segundos, ele realmente não sabia o que dizer, bem, o que dizer ele sabia, na verdade, mas não sabia como contar para seu filho.
- Pai? – perguntou novamente e o pai desmontou, soluçando com as lágrimas que chegaram em seus olhos.
- É a , filho. – Ele puxou o ar fortemente, sentindo o ar ter dificuldade para passar pelas narinas. – Ela foi atrás de você. – fechou os olhos, sentindo um aperto no peito.
- Pai...? – Ele fechou os olhos.
- Ela sofreu um acidente na saída da cidade. – prendeu a respiração. – O carro deslizou no gelo, filho. – O pai olhou para Cheryl que tinha alguns papéis em suas mãos e para as diversas pessoas na sala de espera do hospital, todas com o mesmo rosto vermelho de choro. – Ela não estava com o cinto de segurança. Ela foi arremessada do carro. – sentiu as lágrimas chegarem em seu rosto e o ar faltando em seus pulmões, o fazendo puxar o ar mais forte, mas em vão. – Ela não resistiu, querido.
sentia como se tivessem dado um tiro em seu peito, ele passou a mão pelos cabelos e não era capaz de raciocinar outra coisa, seu mundo estava desabando. O celular escorregou de sua mão e encontrou o chão do carro, ele passou a mão no rosto e abraçou o volante, tentando sentir alguma coisa, tentando fazer alguma coisa, mas em vão, ele não conseguia sentir nada e tudo era culpa dele. Se ele não tivesse ido embora, nada disso tinha acontecido. Eles tentariam se aquecer do frio na casa da vó dela, abraçados e brigando sobre alguma idiotice que ele diria. o abraçaria, o faria tentar desistir dessa ideia idiota de ir embora e eles terminariam nus novamente. Tudo que ficara no passado. Iriam, fariam, poderiam. Tudo virara uma doce ilusão.
Mas se ele chegasse logo em Vail, ele podia vê-la, pelo menos uma última vez. Ele voltou o carro para a estrada e perdeu a noção de qual era a velocidade permitida naquele momento, ele só queria chegar lá de novo.
Ele sentiu o cheiro de pinheiro quando passou por uma estrada coberta com eles dos dois lados e respirou fundo, sentindo o cheiro do perfume dela, um perfume mais forte, amadeirado, era tudo que ela gostava. E ele gostava mais ainda quando estava no corpo dela. Ele passou a mão no cabelo e olhou para o velocímetro novamente, realmente, já tinha perdido a noção do que era rápido e do que era devagar.
Ele tomou um susto ao ver uma mão apoiada na sua e olhou para o seu lado, se assustando com ao seu lado. Os olhos brilhando, o sorriso fino, as bochechas levemente coradas, era assim que ele se lembrava dela e era assim que ele sempre queria.
- Por quê? – Ele perguntou, mas ela somente mexeu com a cabeça e apontou para o velocímetro, ela não respondeu, apenas movimentou a cabeça negativamente. – Por que você me deixou? – Ele perguntou, olhando para ela e depois para a estrada. – Eu não sei viver se você. Eu que deveria ser o rebelde, não você. – Ele puxou o ar fortemente, olhando para um posto um pouco mais distante, com diversos caminhões de carga estacionados ao longo da estrada. – Eu não posso viver sem você. O fantasma de não disse nada dessa vez, ela somente esticou a mão e a apoiou sobre a de , por mais que ele não sentisse a mão, ele sentia que ela estava lá com ele, e ela sempre estaria. Ele afundou o pé no acelerador e seguiu em direção a um caminhão de combustível que estava parado no posto a sua frente, era só ele não fazer a última curva que tudo acabara. Ele respirou fundo e olhou para novamente, ela mantinha os olhos focados nos dele.
Ele olhou rapidamente em volta do local, vendo se não tinha mais ninguém, e fechou os olhos, puxando a respiração novamente e acelerou, não sentindo mais nada, até que tudo ficou preto.

Fim



Nota da autora: Oi pessoal, surpresa? Eu tirei um para escrever essa songfic de uma música que eu simplesmente amo, a música Colder Weather do Zac Brown Band, que eu acabei descobrindo quando eu pesquisei sobre o Liam Hemsworth e descobri que ele faz o videoclipe. Aí eu comecei a prestar atenção na letra da música e achei que simplesmente cabia uma história incrível ali. Então eu escrevi essa songfic/shortfic porque eu simplesmente amei a música, estava com saudades do meu tempo de drama.
Espero que gostem, não deixem de comentar!
vou colocar aqui embaixo o videoclipe e a letra da música. Espero que vocês viciem tanto quanto eu!

Videoclipe

Colder Weather (Tempo Mais Frio)
She’d trade Colorado if he’d take her with him (Ela trocaria o Colorado se ele o levasse com ele)
Closes the door before the winter lets the cold in (Fecha porta antes que deixe o frio entrar)
And ndy ou if her love is ndy o enough to make him stay (E pergunta se o amor dela é forte o suficiente para fazê-lo ficar)
She’s answered by the tail lights shining through the window pane (Ela é respondida pelas luzes de freio do carro brilhando na janela)

[Refrão]
He said I wanna see you again (Ele disse eu quero te ver de novo)
But I’m stuck in colder weather (Mas estou preso no tempo mais frio)
Maybe tomorrow will be better (Amanhã talvez seja melhor)
Can I call you then? (Posso te ligar?)
She said you’re ramblin’ man (Ela diz você é um homem desconexo)
You ain’t ever gonna change (Você nunca vai mudar)
You got a gypsy soul to blame (Você tem uma alma cigana para culpar)
ndy ou were born for leavin’ (E nasceu para ir embora)

At a truck stop diner just outside of Lincoln (Em uma parada de caminhão for a de Lincoln)
The night is black as the coffee he was drinkin’ (A noite é escura como o café que ele bebe)
And in the waitress’ eyes he sees the same ol’ light a-shinin’ (Ele vê nos olhos da garçonete o mesmo brilho)
He thinks of Colorado and the girl he left behind him (Ele pensa em Colorado e na garota que deixou para trás)

[Refrão]
He said I wanna see you again (Ele diz eu quero ver você de novo)
But I’m stuck in colder weather (Mas eu estou preso no tempo mais frio)
Maybe tomorrow will be better (Talvez amanhã seja melhor)
Can I call you then? (Posso te ligar?)
She said you’re ramblin’ man (Ela diz você é um homem desconexo)
You ain’t ever gonna change (E nunca vai mudar)
You got a gypsy soul to blame (Você tem uma alma cigana para culpar)
ndy ou were born for leavin’ (born for leavin’) (E nasceu para ir embora)

Well, it’s a winding road (É uma estrada aberta)
When you’re in the lost and found (Quando você está nos achados e perdidos)
You’re a lover, I’m a runner (Você é amante, eu sou um corredor)
And we go ‘round ‘n ‘round (Nós damos voltas)
And I love you but I leave you (Eu te amo, mas eu te deixo)
I don’t want you but I need you (Eu não quero, mas eu preciso)
You know it’s you who calls me back here, baby (É você que me chama de volta aqui, querida)

Oh I wanna see you again (Oh, eu quero te ver de novo)
But I’m stuck in colder weather (Mas estou preso num tempo mais frio)
Maybe tomorrow will be better (Amanhã talvez seja melhor)
Can I call you then? (Posso te ligar?)
Cause I’m a ramblin’ man (Porque eu sou um homem desconexo)
I ain’t ever gonna change (I ain’t ever gonna change) (E eu nunca vou mudar)
I got a gypsy soul to blame (Eu tenho uma alma cigana para culpar)
And I was born for leavin’ (born for leavin’) (E eu nasci para ir embora)

When I close my eyes I see you (Quando eu fecho meus olhos eu te vejo)
No matter where I am (Não importe onde eu estou)
I can smell your perfume through these whispering pines (Posso sentir seu perfume por estes pinheiros)
I’m with your ghost again (Estou com seu fantasma de novo)
It’s a shame about the weather (É uma pena por causa do tempo)
But I know soon we’ll be together (Eu sei que em breve estaremos juntos)
And I can’t wait ‘til then (E eu mal posso esperar)
I can’t wait ‘til then (Mal posso esperar)




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