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Última atualização: 26/07/2018

Capítulo 1


Você com certeza já se perguntou por quê toda bruxa tem um gato. Posso te explicar usando o mais simples exemplo, meus pais. Minha mãe é uma bruxa e meu pai um gato, digo, um humano que se transforma em gato, mas não é só isso. Ele é seu protetor, gatos precisam conectar sua alma com a de um humano, eles são destinados desde que nascem a uma pessoa e não há nada que possa ser feito para muda-lá. E quanto a mim, segundo eles, já que não tenho talento algum para nada que minha mãe faz, devo ser uma gata.
Eu simplesmente aceitei que devo morrer por outra pessoa há muito tempo, mas acredito que só aceito porque ainda não a conheço, quem disse que vai merecer meu sacrifício? Fato é que eu tenho me sentido estranha ultimamente, uma necessidade de ir embora de onde moro, como se alguém precisasse de mim em algum lugar. Meus pais imediatamente começaram a mudança, significa que estou pronta, que devo encontrar quem precisa da minha proteção.
Ficamos sabendo de uma cidade que está com um nível sobrenatural muito alto e que não é muito longe daqui, minha mãe diz que a sente e que o lugar é como um imã para gente como nós.
O que me preocupa é que eu não posso só me conectar, o protegido tem que me aceitar como parte dele e essa é a parte mais difícil. Sem um protegido, um gato adoece e morre.
— E se ele ou ela simplesmente não me quiser?
Estávamos dentro nosso trailer, meus pais e eu. Meu pai franziu o cenho.
— Essa opção não existe, seu protegido precisa de você.
Eu não entendia porquê e, agora que estava tudo tão perto, minha aceitação começou a diminuir.
— Eu tenho só 17 anos, eu não entendo como vocês podem aceitar que em algum momento eu vou ter que morrer por outra pessoa.
, você vai morrer de qualquer forma se não se conectar, quantas vezes a gente já falou sobre isso?
Minha mãe suspirou e eu entendi, aquilo era muito mais difícil para os dois. Fui para trás e me deitei, me sentindo muito estranha. Quanto mais chegávamos perto do lugar, mais minha euforia de chegar aumentava.
— Como se chama? O lugar? — perguntei enquanto abria uns livros de minha mãe.
— Beacon Hills. Um lugar simples, eu diria.
— Comparado com Los Angeles qualquer lugar é, mãe.

Quando chegamos era quase madrugada, meus pais haviam comprado um terreno vazio, em meio a uma aérea mais movimentada, para morarmos ali no nosso trailer mesmo, como sempre foi. Depois de tomar um banho e me vestir, me sentei no pequeno acampamento que meus pais tinham feito, eles já tinham ido dormir. Senti um cheiro forte de queimado em frente e me levantei sentindo uma forte sensação que deveria segui-lo. Era um Jeep azul, saía fumaça e o carro parou. Um garoto saiu do carro e abriu a frente, ele não parecia feliz e eu conseguia sentir sua frustração, apesar de que não era necessário ser um gato pra notar o estado emocional dele — principalmente quando jogou uma coisa no vidro carro, estilhaçando-o. Logo depois, ele sentou ao lado do carro e eu fui até ele, sem nem mesmo perceber o que estava fazendo.
— Noite difícil? — ele deu um grito de susto que eu acho que nunca dei parecido. — Com certeza não era minha intenção causar essa reação.
Ele sorriu um pouco, dava pra ver que estava chateado, inclusive pelo susto, mas também envergonhado. Quando ele se levantou e olhou pra mim, eu soube, era ele.
— Quem é você, tá tudo bem? — falei outra vez, me sentindo nervosa, quando percebi que ele ainda estava quieto, encarava o Jeep.
— Meu nome é Stiles e, não, não tá nada bem.
Era por isso que eu estava ali.


Capítulo 2


— Pra começar com o nome Stiles, né? —falei, brincando com ele. Nunca ouvi falar nesse nome. Dessa vez ele riu fraco.
— Na verdade meu nome é Mieczyslaw.
— Saúde. Stiles tá ótimo. — ri, mas logo parei quando ele ficou sem graça e ainda parecia triste. — Então… Como posso ajudar?
Ele pegou o celular e imaginei que ligava pra alguém vir guinchar o carro.
— São umas 5 horas da madrugada, você não tem que ir dormir ou algo do tipo?
Nossa, que fora.
— Hã, na verdade eu acordei cedo. — sorri. Eu não sabia mentir, mas acho que ele não tava se preocupando muito se era verdade ou não.
— Eu preciso de uma carona pra delegacia, pode ajudar com isso?
— Fica aí. — voltei correndo pra casa e peguei minha bicicleta com banquinho atrás, cheguei bem rápido até ele. Acho que nunca vi ninguém tão decepcionado quanto ele enquanto subia no banquinho atrás.

— Você pedala rápido. — ele comentou. Gatos são mais fortes do que parecem.
— Eu gosto de pedalar. — menti. Aquele menino era muito pesado.
Ele foi me indicando o caminho até a delegacia e me disse que precisava falar com o pai, o xerife. Ele não me disse o assunto e eu não seria intrometida de perguntar. Quando chegamos, descobrimos que seu pai havia saído.

— Tudo bem, vou esperar na sala dele. — ele foi indo e eu atrás. Depois de ficar um bom tempo em pé, sentei ao seu lado no sofá, ele me olhou curioso. — Não querendo ofender, mas você realmente quer estar aqui?
— Você não quer que eu esteja? — falei, parecendo ofendida. Ele sorriu, mas, como desde a hora que o conheci, ainda parecia frustrado. — Olha, eu acabei de me mudar e não conheço ninguém, também não tenho o que fazer, porque estou de férias, ficar com você parece a coisa mais interessante a se fazer.
— Sua vida deve estar realmente chata, então. — ele suspirou, olhando para o chão.
— Não mais que a sua. — falei, provocando, e dessa vez ele deu outro sorriso, mais evidente.
— Então você está em qual ano? — finalmente puxando assunto!
— Último.
— Também. Sabe, eu não conheço muito daqui, qualquer dia será que você não poderia me…
O alarme da delegacia disparou. Stiles ficou extremante alerta e correu para fora da sala. Os policiais apontavam a arma para um homem alto, com uma expressão vazia, indo para fora da delegacia.
— NÃO ATIREM! NÃO ATIREM! VÃO PRA TRÁS! SAIAM DO CAMINHO DELE — Stiles gritou e os policiais deixaram o homem passar. Ele o seguiu e eu, claro, fui atrás de novo.
O homem com certeza era uma criatura e o meu protegido sabia o que ele era, mas eu tinha certeza que Stiles era humano. O quanto ele sabia?
— Hm… Por que a gente tá seguindo o cara que fugiu da prisão? — falei subindo na bicicleta e ele sentando atrás. Por que eu que tinha que pedalar?
— Porque… É complicado.
— Não tô muito ocupada agora. — falei, pedalando bem atrás do homem, para que ele não suspeitasse de nada.
Ele suspirou, provavelmente achava que eu não acreditaria nele.
— Aquilo é um Hellhound e ele provavelmente vai nos levar pra um lugar importante.
Eu conhecia Hellhounds perfeitamente e, contanto que Stiles não estivesse em perigo, pra mim tanto fazia o que iria acontecer.
— Ah, ok.
Eu podia sentir a confusão dele pela minha reação sem nem ver seu rosto.

Ele permaneceu em silêncio o resto do caminho, já anoitecia.
— Tô com muita fome.
— Shhhhhhh. — ele fez pra mim, com desespero.
— Eu tô pedalando há muito tempo e você não é muito magro, mas… — ele gesticulou com urgência para que eu me calasse, com medo do Hellhound me ouvir, apesar de eu ter sussurrado. Ele tirou um chocolate do bolso, abriu e enfiou na minha boca.
— Adorei. — falei bem baixo, de boca cheia, e ele soltou uma risada. O homem se virou e nós caímos da bicicleta com o susto, puxei Stiles pra atrás de um carro. Nossa presença não era muito relevante pra ele, então continuou andando até uma van, abrindo as portas de trás.
Haviam caixas e pareciam ter… Pessoas?
— Eu preciso falar com Scott e preciso ser rápido.
Sem me dizer quem era Scott, ele pegou o celular e ligou para alguém vir buscá-lo.
Alguns minutos depois, vi um carro se aproximando.
— Acho que não precisa mais de mim, então? — falei, pegando minha bicicleta, sem graça. Ele tremia um pouco e me olhou com atenção.
— Eu agradeço de verdade… Eu…
Eu sorri e peguei o celular da mão dele, digitei meu número. Ele riu quando viu a tela.
— “Garota da bicicleta”. Por que você não diz seu nome? Desculpa já não ter per…
Um garoto saiu do carro apressado.
— Desculpe. Cheguei aqui o mais rápido que consegui.
Stiles começou a falar sobre o Scott de novo, enquanto o outro menino chamou a atenção dele. Eles começaram uma discussão que eu demorei pouco tempo para entender: Stiles fazia parte de uma matilha, uma matilha um pouco bizarra, mas era uma, que o outro garoto queria ser o alfa e estava querendo roubar geral do Scott. Ele estava ameaçando e eu não podia deixar isso acontecer.
— Deixa ele em paz. — minha intromissão foi bem patética, um ficou confuso e outro, o que era uma vadia pelo que eu notei, riu.
— Quem vai me impedir? Você? — eu juro que ia atacar ele, mas Stiles foi mais rápido com um bom soco no focinho dele. E depois outro, que o fez cair. Ele devia escolher entre salvar o pai e ajudar o tal do Scott, ele nos disse onde o xerife estava depois que ele fez a escolha óbvia.
— Vem, garota da bicicleta. — Stiles falou, entrando no carro do menino babaca. Joguei minha bicicleta no porta malas. — Eu sei que isso tudo deve ser bem confuso pra você…
— Ela é uma gata, seu idiota, o cheiro dela é forte demais. — o garoto levantou, achando que isso ia nos impedir de ir embora com o carro, Stiles acelerou.
— Gata? Ele tava dando em cima de você?
— Acho que isso não é relevante agora. — eu quis rir, apesar da situação, mas ele estava focado demais em achar o pai pra fazer mais perguntas.
Quando chegamos, fomos correndo. O pai estava cheio de sangue no chão.


Capítulo 3


POV Stiles
Eu acho que o único momento em que me senti tão destruído por dentro foi quando minha mãe morreu. Vendo meu pai ensanguentado daquele jeito, eu quase esqueci de que deveria ligar para uma ambulância. Tirei o celular do bolso, com as mãos cheias de sangue e tremendo, ele caiu da minha mão e senti uma vontade imensa de chorar. pegou o celular do chão e discou o número, eu praticamente havia esquecido que ela estava ali. Ela apertava meu ombro e dizia que ia ficar tudo bem. Minha vontade era gritar com ela, nada estava bem.
Scott preferiu acreditar no Theo do que em mim, não sei mais o que eu e Malia somos e meu pai está morrendo na minha frente. Mas ela se abaixou ao meu lado e dessa vez passou a mão carinhosamente em meu rosto, perdi completamente a raiva e me segurei para não chorar.
— Eu sei que é horrível. Ele vai ficar bem, você tem que confiar em mim.
Eu conhecia ela há aproximadamente 24 horas. Confiança?
— Eu não conheço você. – ela se afastou sutilmente e me arrependi. Ela assentiu.
— Desculpe, só estou tentando ajudar. Me avise como ele está, ok?
Antes que eu pudesse dizer algo, a ambulância chegou. Como só família pode ir junto, corri para dentro e dei um aceno rápido para ela, que deu outro de volta, parecendo triste.

Já haviam passado muitas horas e eu respondia às perguntas da recepcionista. Melissa apareceu para me salvar.
— Eu vou cuidar dele. — ela me afastou do balcão. — Mandei uma mensagem para o Scott, ele virá quando puder. Posso ligar para Malia.
— Não. Não ligue para ninguém. Ou talvez… — a garota da bicicleta parecia a única pessoa que se importou minimamente com o que aconteceu e eu… Era como se eu precisasse da ajuda dela. Procurei o contato, ela havia gravado o número “Garota da Bicicleta” junto com um emoji de coração.
— Alô!
!
— Oi, Mieschiev.
Com tudo que estava acontecendo, eu sorri. Melissa pareceu confusa.
— Por favor, não tente falar esse nome, nem eu consigo.
Ela ficou em silêncio por uns 5 segundos.
— Eu estou indo aí.
Eu estava pensando em ligar só para dizer como estava meu pai, como ela quis saber, mas acho que não tinha como me livrar dela agora, ninguém mandou.

POV
Deixei minha bicicleta na frente do hospital, amarrada no poste mais próximo. Corri tão desesperada, que quando cheguei na recepção todos olharam pra mim. Fui ajeitar o cabelo para perceber que ainda estava com o capacete da bicicleta.
— Oi,
Stiles estava sentado em uma das cadeiras, parecia que esteve chorando, os olhos cheios de água. Meio constrangida, tirei o capacete e botei ao meu lado quando me sentei perto dele.
— Desculpa se não era pra eu vir, eu só…
— Quis ajudar? — ele falou, suspirando e me encarando. Era a primeira vez que parecia que ele me olhava de verdade. Sem conseguir falar mais nada, só assenti. Ele abaixou a cabeça e agora parecia chorar, eu senti uma onda imensa de tristeza me atingindo. Eu sentia a dor dele.
— Stiles…
Ele levantou a cabeça e me olhou novamente, agora as lágrimas desciam pelo rosto dele. Imediatamente me aproximei e o puxei para mim, abraçando-o. Ele demorou para corresponder o abraço, mas, quando o fez, enfiou o rosto em meu pescoço e permaneceu assim, fungando um pouco. Mas eu ainda sentia que ele estava muito nervoso.

— Por que ninguém me diz o que está acontecendo com ele? — umas duas horas depois, eu sentia toda a tristeza e raiva dele. Ele falava com os funcionários. — Alguém precisa me dizer o que está acontecendo com ele!
— Nós não sabemos. — uma enfermeira morena disse, ela parecia próxima dele.
Foi quando ele viu alguém no final do corredor. Stiles emanava muita raiva e eu tive certeza de, quem quer que fosse, ele iria atacar.
Meu protegido agarrou o garoto, que, pelo forte cheiro, era um alfa. Ele o jogou contra a parede e depois no chão, não me intrometi.
— Você confiou nele, acreditou nele.
Stiles perguntava onde ele estava, muitas vezes, cada vez mais alto. Aquele deveria ser o Scott, ele parecia muito confuso com a agressividade de Stiles, e talvez até com medo. Os funcionários os separaram.
— Tá bom. Tá bom.
Ele fez sinal para que o largassem. Encarava o lobisomem, eu segurei sua mão tentando mantê-lo mais calmo e ele puxou a mão de volta. Eu avisei meu pai. Eu avisei. Não há o que fazer quando não querem que se aproxime. Scott me olhou brevemente, pude vê-lo mexer o nariz.
Ele disse que mais alguém havia se ferido. Quando Stiles entendeu, senti sua preocupação. Era claramente uma garota, e não havia mais lugar pra mim ali. Lobisomens não gostam do cheiro de gato e Stiles não precisava mais de mim, ele tinha seu alfa. Fui embora sem dizer nada.

POV Stiles
De manhã eu me preparava com Scott para tentar tirar alguma informação de Theo.
— Quem era a garota?
Nesse momento eu me lembrei que nem sequer a vi indo embora ontem.
, eu a conheço faz dois dias ou algo assim.
— Ela… Tem um cheiro forte.
Franzi a testa.
— O que quer dizer com isso?
— Eu não sei, é diferente, não acha nada estranho nela?
Pensei um pouco.
— Ela parece muito disposta a ajudar, sempre. Vira amiga rapidamente de estranhos…
Ele pareceu incomodado.
— Só tome cuidado, ok?
— Scott, ela me ajudou mais que qualquer um esses dias, enquanto você… — ele me encarou. — Você não é a melhor pessoa pra julgar. — ele sabia que eu demoraria a perdoar ele por ter acreditado no Theo.

Mais tarde, eu estava esperando pelo Theo nas escadas. Fiz do jeito que combinamos: fingi que ele havia conseguido matar Scott e lhe perguntei sobre meu pai, ele enrolava, não me dizia.
— Que estranho sua gatinha não estar aqui pra te proteger de mim, será que você não é esperto o suficiente para mantê-la por perto? — fiquei extremamente confuso e com mais raiva. Ele falava de ? Minha confusão parecia entretê-lo. — Ela é seu amuleto Stiles, é isso que gatos fazem. — ele me analisou. — Você vai demorar tempo demais pra perceber quem ela é, vai ser muito tarde…
Ele se virou para ir. Ele não poderia ir sem me dizer como salvar meu pai! Eu o agarrei e gritei.
— Me diga!
Ele me empurrou com muita força e tudo ficou preto.


Capítulo 4


POV Stiles
– Você está bem? – Scott tentou me ajudar a levantar. Só empurrei sua mão e me levantei. – Você desmaiou.
Não diga.
Ele me contou que ouviu o coração de Theo saltar quando eu disse que meu pai estava envenenado. Deduzimos que isso queria dizer que não foi ele quem o atacou, e sim outra quimera.

Entrei no carro e tranquei as portas.
– Stiles?
– Eu posso fazer o resto sozinho. – eu não o queria por perto.
– Você nem sabe por onde começar, só sabemos que é uma quimera! Você ao menos sabe onde ir? Por favor, me deixe ajudar, posso achar as pistas que você não pode! – ignorei ele e liguei o carro, ele entrou na frente. Que cara chato… – Você não pode fazer isso sozinho! Você precisa de mim, de todos nós…
– É, eu não vou fazer sozinho! – ele se calou, confuso. – peguei meu celular e liguei para o último número: Garota da Bicicleta. – Você precisa vir aqui. Agora.
Saí do carro.
– Ele disse que ela era importante.
– Você acha mesmo que é bom confiar nele agora? – cerrei os olhos.
– Eu confio nela, eu quero saber que história é essa de gata e ela vai me explicar.
Toda a minha postura confiante (e também um pouco da raiva que aquela situação me causava) diminuiu quando a vi chegar na bicicleta usando um capacete rosa. Eu sorri e Scott pareceu incomodado. Ela largou tudo no chão e correu para mim, me abraçando e quase me fazendo cair.
– Stiles! Como você tá? – ela falou, preocupada. – Como está seu pai? Oi, Scott.
Scott disse algo e me soltou. Parece estranho, mas… Esse foi o abraço mais confortante que eu já recebi, principalmente ultimamente. Os olhos dela me encaravam e ela ainda mantinha uma feição preocupada. Por que aquela garota se preocupava tanto comigo?

POV
Scott resmungou um oi e eu larguei Stiles. Ele me encarava, mas parecia que estava com a mente ocupada.
– Stiles?
Ele piscou duas vezes e deu um sorriso cansado.
– Meu pai não está nada bem, , e eu preciso da sua ajuda.
Ele. Precisa. Da. Minha. Ajuda.
– Com o quê? – tentei não parecer animada demais. Scott era um lobisomem e eu esqueci que ele estava ali, ele sorriu porque provavelmente percebeu meu coração acelerar. Meu rosto ficou completamente vermelho. – Tá calor, né?
– Na verdade, não. – Scott falou, irônico. Ele não gostava de mim e não iria esconder.
– Theo chamou você de gata outra vez, , e ele não estava dando em cima de você, ele falava sério… Disse que você é meu amuleto? – ele coçou a cabeça quando disse isso e percebi o embaraço nele, seu coração acelerou levemente. Eu não sabia o quanto devia contar.
– Eu… Eu não sei o que ele estava falando, Stiles…
– VOCÊ É ALGUMA COISA E EU TE FAÇO DEMONSTRAR QUE É, SE FOR PRECISO. – Scott se aproximou de mim de uma forma muito agressiva. Ele colocou as garras pra fora, eu me encolhi e Stiles entrou entre nós, dando um empurrão em Scott, que quase caiu pra trás. – Stiles… Desculpa, eu… – ele levantou a mão para ele se calar.
, entra no carro. – ele falou, pegando na minha mão e dando um aperto.
– Stiles, ela nem mesmo tá assustada, ela sabe o que eu sou, ela…
Ele o ignorou e abriu a porta pra mim. Eu entrei, fingindo estar com medo de Scott.
– Você acreditou nele. – me incomodava toda a tristeza que emanava de Stiles desde que o conheci e eu pude notar que a maior parte dela, tirando o pai ferido, era a briga entre ele e o alfa.
– Você também confiou nele. Theo fez isso com todos nós.
Esse Theo era realmente uma vadia.
– Você nem mesmo sabe a história real.
Scott disse tudo que eles sobreviveram, aquele discurso de melhores amigos para sempre e tal. Confesso que não sabia nem o que eram algumas coisas. No final, o coraçãozinho de Stiles amoleceu e Scott entrou no maldito carro.

Quando chegamos na escola de Beacon Hills, Scott fez uma coisa que eu acho que é ilegal: quebrou o cadeado de um dos armários, mas era pra salvar a vida do xerife, então acho que pode? Só sei que eles não ligavam.
Uma garota com um cheiro tão forte quanto o do lobisomem chegou, ela pegou a camisa, seria ela quem encontraria a quimera.
– Você ligou pra ela? – Stiles parecia incomodado.
– Nós precisamos de toda a ajuda que pudermos, deveria estar ligando pra todo mundo.
Antes de falar, ela me olhou por uns cinco segundos. Ela era um coiote, com certeza. Ela parecia saber que eu era alguma coisa também.
– O que é você?
Pude ver Stiles revirando os olhos.
– Essa é a , uma pessoa normal que é minha amiga. , essa é a Malia, não normal. – ela pareceu se ofender. – Por que todo mundo tem que ser alguma coisa? Algumas pessoas são SÓ PESSOAS. Inferno. – eu finalmente percebi que a única razão para Stiles se preocupar comigo era por ele achar que eu era como ele, ele queria alguém que entendesse como ele se sentia.
Eu entendia ele, mais do que era humanamente possível, eu sentia suas dores e sentia a frustração dele naquele momento como se fosse minha. Eu nasci pra me conectar a ele. Mas isso não era normal e eu não podia correr o risco de ele não me querer mais, de ficar desprotegido.
Ele agarrou minha mão e saiu andando rápido, eu tentava acompanhar seus passos. Scott e Malia vinham atrás, e eu sabia que estavam muito desconfiados.
Quando chegamos no tal lugar onde eles desconfiavam que o achariam, Scott e Malia foram na frente, conversando.
– Nós meio que terminamos, acho.
Ouvi Malia dizer isso e parei de prestar atenção na conversa. Era por isso que Stiles parecia incomodado com ela. No momento, ele parecia distraído.
– Eu nem sei quantos anos você tem. – ele disse, olhando para mim e depois para baixo, enquanto andava.
– 17, vou pro último ano.
Eu senti alegria emanando dele e sorri.
– Que legal, você vai estudar comigo. – ele sorriu também, mas não demonstrou tanto o quanto sentia.
Malia abriu uma grade e entrou por ela.
– Encontrei. Encontrei o cheiro dele.

Malia encontrou sangue dele, disse que ele estava perto.
– Acho que já estivemos em túneis como esses, quando procurávamos Liam e Hayden.
– E daí? – Stiles disse.
– Talvez estamos mais perto do que pensamos. Talvez tenha algo mais lá embaixo. Algo que ainda não encontramos.
– Sim, nada que ajude meu pai. Nós não podemos ficar parados aqui esperando por…
Então eu senti alguém vindo muito rápido, na direção dele, iria ferir Stiles. Em segundos, eu abandonei completamente a ideia de que ninguém saber era a coisa mais importante. Stiles era. Meus olhos ficaram verdes claros e brilhantes, meus dentes ficaram mais evidentes e minhas garras surgiram no lugar das minhas unhas. Quando ele ia encostar em Stiles, eu pulei na quimera, o joguei no chão e sibilei para ela, que era um garoto. Ele pedia que o deixasse ir.
… – eu ouvi Stiles sussurrar e senti meu coração apertar. Eu o perderia. Malia e Scott suspiraram, estressados.
– Eles estão vindo! – a quimera disse.
Foi quando eu ouvi o som, algo realmente vinha. Eu o soltei e Stiles o prendeu na parede. Ele insistia que o garoto se lembrasse de algo, enquanto a quimera dizia que não conseguia. Scott gritou.
, TIRE ELES DAQUI, VÁ PRO HOSPITAL. DESCUBRA COMO SALVAR SEU PAI, STILES.
– Vamos, Stiles. – coloquei a mão no ombro dele e ele me olhou brevemente, arrastando a quimera consigo. Íamos para a saída, quando chegamos em um portão trancado.
– Não finja que não pode abrir, Garota da Bicicleta.
Ele disse com ironia e eu senti o quanto ele estava se sentindo enganado por mim. A quimera se transformou e abriu o portão, notei que Stiles analisava suas garras. Fui na frente, não queria mais olhar para ele.

Afinal, ele havia deduzido que o veneno estava nas garras e contatou a enfermeira, que mais tarde eu descobriria que era a mãe de Scott. Quando estávamos indo para o carro, eu parei.
– Stiles… Você provavelmente não quer que eu vá.
Ele também parou e eu senti, estranhamente, um carinho emanando dele quando ele se virou pra mim.
– Você me enganou. – ele olhava para baixo.
– Se eu tivesse dito que sou uma gata – ele olhou para mim. –, que eu sou destinada desde que nasci a te proteger, porque é isso que minha espécie faz, é um… Amuleto… – ele se aproximou de mim e eu recuei. – Você teria acreditado? Você teria se aproximado de mim? Se eu não tiver quem proteger, se eu não for aceita, eu morro, Stiles. – ele franziu o cenho, tentou se aproximar de novo. – Eu preciso de você, Stiles. E eu sendo o que sou, significa que você também precisa de mim.
– Eu definitivamente preciso de você. – ele sussurrou. Ele estava muito perto e me olhava nos olhos. O carinho que emanava dele estava cada vez mais forte. – Quer dizer, você me ajudou muito esses últimos dias. – ele falou, coçando a cabeça. Ele sentia vergonha agora.
Ele tinha me aceitado e eu não podia acreditar. Pendurei meus braços no pescoço dele e o abracei com força.
– Ei. Calma, eu não vou deixar você morrer, . Não por isso.
Ele acariciava minha cabeça, achando que eu estava nervosa, e eu suspirei. Ele havia entendido errado, eu devia morrer. Por ele, quando a hora chegasse.


Capítulo 5


Quando chegamos ao hospital, descobrimos que tudo estava bem, o pai dele tinha sido operado e estava muito melhor. Antes de entrar no quarto do pai, ele me deu um abraço sem jeito.
– Obrigado. Eu vou ficar um pouco com ele, mesmo ainda não estando acordado. Hã, obrigado por ter pedido pro seu pai buscar a gente também.
Meu pai que foi nos buscar de trailer, quando eu disse que era urgente. Ele encarava Stiles durante o caminho todo, mas ele não percebeu muito, estava distraído pelo fato de estar dentro da minha casa móvel. “Isso é muito legal” ele dizia.
Eu sorri.
– Vou para casa, me fale quando ele acordar! – eu falei virando-me e indo pra saída, mas parei porque ouvi seu coração acelerar. – Tá tudo bem?
Ele provavelmente se lembrou que, assim como os outros, eu podia ouvir seus batimentos, e ficou sem graça. Ele passou a mão na nuca e olhou pra baixo.
– Você... Será que você pode voltar? – eu abri a boca para falar que é claro que eu voltaria, mas ele interrompeu. – Quero dizer, pra jantar comigo...
Eu dei um sorriso largo e ele sorriu também, relaxando.
– Todo esse nervosismo pra me chamar pra comer? – ele pareceu nervoso de novo. – Eu entendo que você não queira ficar sozinho depois de tudo que aconteceu, pelo menos pra sair.
Ele sorriu sem graça.
– Sim, é isso.
– Então já volto. – falei, acenando brevemente enquanto ele entrava no quarto do pai.

Meu pai voltava comigo para o nosso terreno.
– Então é ele?
– Sim, Stiles é quem eu devo proteger.
– Parece que é ele quem quer proteger você, eu vi como ele te olhava, quando você não estava olhando, claro. – senti minhas bochechas corarem, meu pai riu. – Mas é claro que o que aconteceu entre mim e sua mãe não é difícil de acontecer, entende?
– Pai, por favor. – cobri o rosto com as mãos e o esfreguei. – A gente não vai ter nada, eu não quero que ele se apegue a mim, uma hora eu vou ter que morrer e você sabe… – ele freiou e eu quase voei pra frente.
– Eu estou vivo, , eu não morri, nem a sua mãe, então para de dizer isso.
Ele parecia muito nervoso. Eu fui até ele na frente do trailer.
– Você também sente coisas, pai, e eu sei que você sente que esse lugar é muito perigoso.
Ele suspirou.
– Vá para trás.
– Eu sei que isso é difícil pra vocês dois...
– Vai.
Ele falou sério e, voltando a dirigir, eu sabia que ele estava triste. Meu pai era um gato experiente, eu sei que nesse lugar ele sente uma coisa horrível, muito pior do que eu sinto.
Tomei banho e coloquei um moletom, com uma calça e tênis. Minhas roupas de sempre. Peguei o capacete rosa e subi na bicicleta em direção ao hospital.

Ele me esperava na frente, estava com as mesmas roupas de antes.

POV Stiles
Eu não sei porque fiquei tão nervoso na hora de chamar ela para comer comigo. É só uma garota, Stiles, que tem a função de te proteger das coisas? Ainda é muito confuso e eu pretendo entender boa parte das coisas hoje mesmo, e esse foi... Um dos motivos para eu chamá-la para jantar. Os outros não interessam enquanto eu não souber tudo.
Quando ela chegou, o cabelo dela estava molhado e ela estava cheirosa, ela tomou banho e eu provavelmente fedia como um porco. Fiquei nervoso de novo.
– Oi! Infelizmente eu não tenho uma língua muito adaptada pra me dar banho então demorei um pouco, desculpa. Também não sou boa com piadas.
Ri e ela colocou seu braço entre o meu, como amigas andam.
– Como seu pai está? – Scott chegou, correndo e parando na nossa frente, Malia veio logo atrás, seus olhos pararam brevemente em nossos braços juntos antes de olhar para mim, me senti meio desconfortável.
– Ele foi operado e está bem, obrigado de verdade, gente... – não queria que Malia achasse nada, não tão cedo. – Eu e estávamos indo comer alguma coisa, se vocês quiserem ir também...
– Passo. Fico feliz pelo seu pai. – Malia deu um sorriso forçado e saiu dali tão rápido quanto chegou.
– Eu acho melhor não. – Scott desviou o olhar.
– Não é segredo que você não gosta de mim, Scott, mas só o que eu quero é proteger o seu amigo, eu não tenho ligação nenhuma com o Theo e eu achei que você fosse esperto suficiente, já que é um alfa, pra entender isso! – falou meio rápido e os olhos dele estavam arregalados.
– Eu combinei com minha mãe de jantarmos juntos, na verdade... E eu já percebi que você se importa com Stiles.
Ela não estava muito preparada para a resposta e vi que ela corou, me puxando.

POV
– Eu sei que você tá andando até agora porque ficou nervosa, mas o lugar que eu ia te levar fica pro outro lado. – Stiles falou após uns dez minutos.
Parei e suspirei.
– Eu fui ensinada em casa, minha mãe é professora. – era o que ela fazia já que bruxa não é considerado um emprego de fato em Los Angeles.
– Ah, legal, , mas...
– Eu não sei lidar com pessoas, não é legal. Ano que vem vai ser o primeiro que eu vou ter que lidar com gente.
– Por que você vai só agora? – ele falou e seu braço se soltou um pouco do meu. Ele me guiava para o caminho certo agora.
– Porque achei que seria bom, pra faculdade e tal...
Eu jamais falaria que era tudo por causa dele.
– Eu queria que você me explicasse melhor isso de gata... – ele falou, rindo fraco. O braço dele havia deslizado um pouco mais pra frente, eu desconfiava seriamente que ele queria pegar minha mão.
Expliquei toda a história, falei dos meus pais e o que eles me ensinaram sobre isso desde criança. Que eu e ele estávamos conectados profundamente e eu devia protegê-lo, eu sentia tudo o que ele sentia. Eu absorvia suas dores. Não falei que podia absorver sua morte.
Sua mão já havia encontrado a minha quando ele percebeu que eu estava nervosa falando daquilo, estavam entrelaçadas ao nosso lado e aquilo parecia natural pra gente.
– Não quero você absorvendo minhas dores, .
– E você acha que eu quero? – brinquei e o empurrei, soltando nossas mãos. Ele riu e parou de andar.
– Por que eu? Você disse que nasce conectada a alguém.

POV Stiles
Percebi que ela ficou mais séria e abaixou a cabeça.
– Eu já disse. Você precisa de mim.
– Por que? Por que eu preciso? – eu estava um pouco desesperado. Ela me contou uma história.
– Quando meu pai encontrou minha mãe, ela vendia os serviços de bruxa dela para lobisomens com matilhas enormes e que não eram muito bonzinhos. Eles a ameaçavam frequentemente. Até que eles acharam que não precisariam mais dela, eram fortes demais para precisarem de truques de bruxa, diziam eles. Eles queriam vender minha mãe, como uma coisa, para outro grupo, que provavelmente a faria de escrava e usaria seus poderes sem entender os limites. Foi aí que meu pai apareceu, ele a ajudou a sair daquele lugar. A questão é que ela estava em perigo, muito perigo. Você corre muito perigo, Stiles.
– Que tipo de perigo?
– Eu não sei... – levantei uma sobrancelha. – Eu juro, Stiles, eu não sei o que é, só sei que eu tenho que estar lá.
– E isso de você sentir o que eu sinto? – perguntei olhando pra baixo.
– O que tem?
– O que eu estou sentindo agora? – perguntei e olhei nos olhos dela, vi que ela ficou meio tímida. Ela me encarou por volta de 20 segundos séria, e depois começou a segurar um sorriso, como se fosse soltar uma risada.
– No momento, vontade de rir. – então eu realmente ri.
– Acho que eu tava querendo algo mais profundo. – falei, atravessando a rua com ela e parando na frente do restaurante.
Ela parou e me olhou, dessa vez com mais seriedade. Ela se aproximou um pouco mais de mim e tocou meu rosto levemente com seus dedos, fechei os olhos. Quando abri, ela ainda me olhava.
– Culpa. – meu sorriso desmanchou e eu senti um peso nos ombros. – É seu principal sentimento desde quando te conheci, por quê, stella?
– Você me chamou de estrela em latim? Ela sorriu sem graça.
– Eu disse que não sei lidar com gente... Era como minha mãe ou meu pai me chamavam quando eu era criança e queriam me confortar. Peguei o costume de chamá-los assim às vezes. Ela me deu aulas de latim também.
era encantadora.
– Pois eu digo, illuminatio mea (minha luz), que isso é um assunto para outro momento. Agora eu vou te levar no melhor lugar da sua vida! – ela riu do meu latim.
Forcei um novo sorriso e a guiei para dentro.


Capítulo 6


POV
Quando passei pela porta, senti uma nostalgia tão boa que me senti mais leve. Stiles sorria e percebi que o que eu sentia não era um sentimento meu.
– Você vinha aqui quando era criança.
Ele me olhou e acenou com a cabeça, uma moça se aproximou.
– Uma mesa para o casal?
Nós dois hesitamos.
– Ah, na verdade nós não... – Stiles me interrompeu.
– Claro, por favor. – ele passou o braço pelos meus ombros. Ele ainda se sentia bem, mas nervoso. Nos sentamos. O lugar, na verdade, era muito simples, mas aconchegante, as cadeiras eram fofas e o ambiente era um pouco escuro. – Eu só quero ser normal hoje, , não quero ser o garoto que veio jantar com uma criatura que precisa me proteger ou que tem o pai no hospital por causa de outro bicho.
Era assim que ele me via? Um animal?
– Ah... Bom, se é assim...
Ele franziu a testa com força e deu um suspiro profundo.
– Eu me sinto... Magoado, muito... Por quê? – ele olhava para as mãos e as apertava com força.
– Você está sentindo o que eu estou. Pela primeira vez, acho. Não é muito bom às vezes.
Ele abriu a boca para dizer algo, depois tornou a fechar. A mesma moça apareceu de novo na mesa.
– Já escolheram?
– Eu não sou um bicho, Stiles.
Ela levantou as sobrancelhas e saiu.
– Eu nunca achei... – ele esfregou o rosto. – Desculpa. Isso tudo do meu pai...
– Eu sei, você se sente nervoso e estressado. Eu tô cansada de sentir por duas pessoas.
– Ah, me desculpa também se eu sinto demais.
Eu suspirei.
– Stiles, por que esse sentimento de culpa tão profundo?
– Acho que isso não foi uma boa ideia.
Ele se levantou e saiu, me deixando ali, sentada. Ah, não, ele não vai não. Agarrei o braço dele quando ele estava já do lado de fora.
– Qual seu problema, Stiles?
– Meu problema é que eu matei uma pessoa, . – fiquei em silêncio, tentando processar. – A gente pode, por favor, sair daqui?
– Eu to com fome, Stiles.
Eu percebi que ele segurou um sorriso.
– Depois do que eu disse, é nisso que você tá pensando?
Puxei ele para andarmos. Depois de alguns minutos em silêncio, ele começou. Contou sobre o garoto e sobre os pais dos dois, e como ele matou o menino, puxando os ferros.
– Ele queria matar meu pai, matar a mim... Ele era uma quimera, , eu só...
– Estava tentando não morrer. Stiles, eu entendo que seja difícil, de verdade, mas não foi culpa sua.
Ele suspirou dessa vez.

POV Stiles
– Me desculpa ter saído do restaurante, te deixado. – ela só quis me ajudar desde o começo. – Pra onde estamos indo, inclusive? Tá meio deserto.
– Tá tudo bem, stella, imaginei que você iria gostar de um pouco de paz, aqui é minha casa.
Depois de andar mais um pouco, vi um terreno grande, haviam muitas árvores e um cercado baixo. Haviam três cabanas, afastadas umas das outras, e, claro, o trailer, com uma fogueira no centro, somente saindo fumaça.
– Seus pais vão gostar que eu estou aqui?
– Provavelmente já estão dormindo, mas não é só aqui que eu queria te trazer.
Ela pegou minha mão, me guiando, e eu senti uma sensação diferente. Além de sentir minha curiosidade, também sentia a animação dela. Nós dividíamos sensações e aquilo me assustava um pouco.
Comecei a ouvir um barulho suave de rio e vi o próprio quando chegamos em uma pequena ponte. Ela soltou minha mão e se sentou na beira, tirando os sapatos e colocando os pés na água fria. Ela bateu com a mão ao seu lado, querendo que eu me sentasse, então assim fiz.
– Sente a água. – ela fechou os olhos e eu também coloquei os pés. Senti um susto em como estava fria, ela riu. – Sabia que gatos também absorvem sentimentos? Energias ruins. Somos como filtros, mas bonitos, como os dos sonhos. – sim, ela era bonita. Foi o que pensei quando ela olhou pra mim. – Relaxa, Stiles.
Fechei os olhos, sentindo a água nos meus pés. Ela começou a cantar baixinho uma música, parecia de ninar, mas era outra coisa, como um mantra. Era bom ouvir ela cantar. Foi quando ela começou a passar a mão pelo meu rosto.
...
Ela pôs a mão na minha boca suavemente e eu fiquei calado. Ela passava o dedos em minha testa, como um carinho. Passou em meus olhos, bochechas, queixo, em minha boca. Eu me senti muito leve, como se tudo o que me pesa fosse embora. Quando abri os olhos, ela estava tão perto que eu sentia sua respiração em meu rosto, seus dedos ainda estavam em minha boca. Ela passou eles suavemente, até chegar em meu pescoço, depois em meu peito.
– Você sente isso?
Eu me sentia muito bem, como se eu nunca tivesse me sentido triste um dia. Mas, naquele momento, com ela tão perto, eu sentia algo mais. Mas será que o que eu sentia era meu ou era dela? Era difícil dizer. Mas eu me aproximei, meio sem jeito, como sei que sou. Ela abaixou a cabeça e sorriu.

POV
– Por que você não me conta sobre sua matilha? – puxei assunto, me afastando um pouco, percebi que ele ia tentar algo... O que é normal depois de ter os sentimentos limpos assim. Mas eu fui sincera sobre o que falei com meu pai, eu não quero magoar Stiles e me envolver com ele dessa forma, vai tornar tudo mais difícil.
– Ah... Bom, Scott é meu melhor amigo... Desde sempre. – ele tinha um brilho nos olhos falando do amigo. – Liam é um beta, que tentou matar ele... – franzi a testa.
– Isso não é muito normal.
– Foi culpa do Theo, enfim, tem a Malia... Ela é coiote.
– Sua ex-namorada. – ele me olhou e depois concordou com a cabeça.
– E Lydia, uma banshee, mas agora ela está em um hospício, também por causa do Theo, com certeza.
Essa eu ainda não havia conhecido. O coração dele acelerou levemente ao dizer o nome dela.
– Você gosta dela.
Ele abriu a boca e depois fechou, e riu.
– Ela é especial, sim. – eu engoli seco e olhei pro rio. – Você está com ciúmes.
– Você não pode ficar usando meus sentimentos assim, não é educado.
Ele sorriu de lado.
– Eu não usei.
Eu me entreguei sozinha, muito bom. Cocei a cabeça e tentei não corar.
– Não é ciúmes, você ainda não sabe entender sentimentos, não é? Eu hein, Stiles. Levantei e saí andando para o acampamento. Ele veio atrás, muito confuso.
– O que é, então? Quando eu disse que ela era especial, você sentiu... Uma revolta no estômago.
– Fome, é claro. – revirei os olhos.

Entrei no trailer e ele veio logo atrás. Abri o frigobar e peguei uma pizza congelada.
– Já falei que sua casa é muito legal?
Sorri enquanto colocava ela no microondas. Me joguei no sofá. Conversamos um pouco sobre o porquê eu morava em um trailer.
– Meus pais gostam dessa vida, meio que prontos para ir embora a qualquer momento, entende? É uma forma de se sentirem seguros, acho.
Ele concordou com a cabeça e a deitou, olhando para cima.
– Obrigado por hoje.
Fiz o mesmo, olhando para cima e deitando a cabeça. O teto do trailer era azul escuro com pontinhos amarelos, eu mesma havia feito quando era criança, por isso não era muito bonito. Ficamos assim alguns minutos.
– Eu só tive uma amiga, uma vez. – ele virou o rosto, olhando para mim ainda com a cabeça deitada. – Nós éramos crianças e estávamos brincando atrás do trailer, meus pais sempre gostaram de morar em lugares mais desertos e isso não é muito seguro, claro. Mas nós sabemos nos defender. – suspirei. – Um animal apareceu, mas não era qualquer um, era um lobisomem. Naquela época, a matilha ainda perseguia minha mãe depois de ela ter ido embora com meu pai. Ele ia nos atacar e eu... Bom, eu me transformei e saltei nele. Obviamente, ele me derrotou bem rápido, mas... – o microondas apitou. – Meu pai logo chegou e o mandou embora, com a gritaria toda que minha amiguinha estava fazendo, não foi difícil ele escutar. A questão é que ela me chamou de monstro, eu e meu pai. Ela disse que eu jamais deveria chegar perto dela outra vez.
... Eu...
– Eu achei que ninguém nunca me aceitaria como eu sou. Então obrigada você, Stiles, por hoje.
Ele sorriu e pegou minha mão, dando um aperto. Sorri de volta e levantei. Vamos comer? Na minha cabana?

POV Stiles
– Hã... Na sua cabana?
Uma hora ela se afasta do beijo e agora quer me levar pro “quarto”. Ela riu alto.
– Para de ser assanhado, menino, é só pra você conhecer.
Agora fui eu quem ri.
– É que eu não ficaria surpreso, eu sei que é difícil de resistir.
Ela me empurrou com o ombro, balançando a cabeça, e nós rimos, levando a pizza.
Entramos na cabana, que era até bem grandinha. Tinha um corte dos lados, como janelas, e muitos filtros dos sonhos pendurados. Haviam várias fotos grudadas nas paredes e, perto da “janela”, aqueles negocinhos de madeira que faziam barulho com o vento.
– Fica à vontade. – ela disse se jogando na cama dela, que era grande e fofa. Também me sentei, ambos pegamos um pedaço da pizza. – Compramos nossas camas logo quando chegamos aqui.
– Seu “quarto” é bem legal.
Falei, levantando e olhando as fotos. Haviam fotos de um gato preto grande, dos olhos azuis. Outro menor, de olhos verdes, junto com uma mulher. Outras fotos de algumas pessoas indo pra escola, de cães, do trailer. Havia uma garotinha em cima de uma árvore, chorando, os olhos delas brilhavam com forma de fenda e verdes. Meus olhos pararam em outra foto.
– Você tirou uma foto minha?
Ela abaixou a cabeça. Eu olhei pra foto de novo, era eu no dia que nos conhecemos, sentado, encostado no Jeep.
– Foi quando eu estava voltando com a bicicleta. – ela disse, sorrindo um pouco, meio envergonhada. Olhei para a câmera dela ao lado e peguei, virei pra ela com aquele pedaço de pizza na boca e tirei a foto. – Que horror. – disse ela vendo a foto depois que saiu.
– Agora estamos quites. – falei, pegando a foto e colocando no bolso, ela me mostrou a língua. – É você o pequeno gatinho, certo? De olhos verdes. – falei, sentando-me de novo ao seu lado, enfiando outro pedaço de pizza na boca.
– Sou eu, sim.
– Por que você não me fala mais de você? Até agora você só falou da sua parte gata, mas e a humana?
Ela pensou um pouco no assunto.
– Me dá seu celular. – entreguei. – Qual a senha? – franzi o cenho, peguei da mão dela e coloquei a senha, depois devolvi. – Quanta confiança.
– Minha senha é constrangedora.
– 1234? Não existe nada mais constrangedor. – soltei uma gargalhada e dei outra boa bocada na pizza. – Vou fazer uma playlist pra você, das minhas músicas favoritas agora.
– Certo. – ela fez e me deu. “Bicycle’s Girl Playlist”. – Gostei, vou ouvir enquanto volto pro hospital. – Falei, rindo. Comemos o resto em silêncio, enquanto eu ainda olhava as fotos.
Depois deitamos e ficamos olhando o teto da cabana, fechei os olhos e tentei treinar, me concentrando nos sentimos dela. Ela emanava muita paz, o que me fez suspirar. Percebi que ela havia dormido. Me levantei com cuidado.
Eu tinha que ir pro hospital antes do amanhecer, logo meu pai acordaria.
– Até logo, .
Ela dormia com a boca suja de pizza e eu ri baixo. Dei um beijo em sua testa, com cuidado para não acordá-la, e saí da cabana. Coloquei fones de ouvido e fui andando pro hospital, ouvindo a playlist.


Capítulo 7


POV
Quando eu acordei, estava sozinha e com o rosto sujo de pizza. Dei um longo bocejo.
— Bom dia, querida. — minha mãe sentou em minha cama e me olhou. — Vi que trouxe seu protegido aqui ontem.
— Pode chamar ele de Stiles, mãe. — falei, encarando o teto da cabana.
— Filha, desculpa perguntar, mas... Você e ele...
Revirei os olhos com tanta força que eles até doeram.
— Não, mãe. Além do papai, tenho que ouvir isso de você também?
— Ótimo. — o semblante dela estava firme, o que me confundiu um pouco. — Você não deveria mesmo.
— E por que você acha isso?
— Se o garoto se apegar a você, não vai deixar você fazer o que precisa, . Ele vai querer dar a vida por você e não é assim que pode funcionar. Você entendeu?
Suspirei fundo.
— É difícil acreditar que você, sendo minha mãe, quer que eu proteja um estranho com a minha vida. — eu sabia que ela ficaria magoada, mas não me importei, porque eu também estava.
, você não é mais criança. Esse é o dever da sua espécie e a do seu pai, se ele morrer, você sabe que você morre junto. E ele é um humano, fraco. Se você não tomar cuidado, ele acaba matando você sem querer.
— Não fala assim dele. Você não o conhece. — falei, me sentando na cama.
— E você conhece? — suspirei e olhei pra baixo. Eu achava que sim, mas não dava pra ter certeza. — É tão difícil assim não se aproximar dele?
— Mãe, o menino respira e eu sei que ele respirou não importa onde eu esteja.
— Então por que não ocupa sua mente com outro rapaz? Outros amigos? — minha mãe realmente achava que eu tinha tanta capacidade social assim? Não disse nada, simplesmente me levantei, fui tomar banho e me trocar. Pude ouvir o suspiro de desaprovação que ela dava quando achava que eu estava cometendo um erro.

Em minha forma felina, fui dar uma volta. Estava com saudades de andar assim.
Andei um bom pedaço e já estava cansando, quando senti um cheiro forte. Nós nos vimos ao mesmo tempo e, pelo olhar dele, ele sabia que era eu.
— Oi, gatinha. — Theo se aproximou e eu sibilei. — Você não é tão durona nesse formatinho, né?
Eu quis arranhar a cara toda do babaca, aí ele foi e me agarrou. Me debati violentamente, dando uma boa unhada na cara dele, ele me jogou no chão e eu caí de pé, claro. Ele sorriu, limpando o sangue do arranhão. — Você seria útil pra mim, uma vida extra... Seria muito bom, mas como poderíamos fazer isso?
Até onde eu sabia, era impossível eu me conectar a mais de uma pessoa. Mas, mesmo se eu pudesse, preferia morrer a ter isso com um psicopata como ele. Fui me afastando, mas olhando para ele.
— Eu descobri como, . E você não vai ter escolha, muito menos Stilinski.
Retornei para minha forma humana, com olhos ardendo em fúria, Theo recuou.
— Você não vai encostar no Stiles. — falei me aproximando, mas dessa vez ele também se aproximou, tão perto que eu sentia o calor que emanava dele.
— Eu não tenho interesse em me aproximar dele... Só de você. — ele falou, sorrindo com deboche. — Você sabe que a probabilidade de você morrer cuidando dele é... — ele olhou pra cima. — Quase máxima. Mas comigo, ... Eu aprendi coisas com os dread doctors. — ele encostou levemente em meu rosto, e eu agarrei seu pulso.
— Encoste em mim outra vez e eu arranco sua mão.
Ele riu, me dando as costas e indo embora. Resolvi deixá-lo ir, ele estava forte e eu podia sentir isso. Senti medo.

O dia seguinte passei ajudando meus pais com a pequena horta que tínhamos para tentar fazê-la crescer, hoje em dia as pessoas tinham uma facilidade quase impressionante de pagar caro em coisas “orgânicas”. Ajudei minha mãe a planejar algumas aulas dela também.
Foi um dia cansativo, mas mesmo assim eu não consegui não pensar em Stiles, eu estava preocupada com o que Theo pudesse fazer com ele, consegui dormir após muito esforço.
No meio da noite, recebi uma mensagem dele.
? Tá aí? Eu conversei com meu pai ontem, acho que está na hora de perdoar Scott... Perdoar a mim mesmo.”
“Oiiiii, Stiles! Que boa notícia!”
“Você esquece que eu sinto que você não está feliz. Há uma criatura bem estranha em Beacon Hills, amanhã vou falar com Scott, gostaria que você fosse comigo... Aproveita e me conta porquê está assim.”
Eu falei um simples ok e desliguei o telefone. Eu não sabia se deveria contar a Stiles os planos de Theo.

Assim que acordei, me tornei gata e fui para casa de Scott. Pulei a janela do quarto dele e saltei em sua cama sem muita cerimônia. Senti um cheiro de sangue, me tornei humana e segui o cheiro. Abri a porta do banheiro e Scott estava em pé, sem camisa, olhando um machucado grande em sua barriga.
— Hã, Scott. — ele pulou.
— Como você entrou aqui? — ele falou um pouco agressivo, depois suspirou. — Esquece.
— Por que você não está se curando? Me deixe ajudar. — me aproximei, pegando os curativos que ele havia preparado ao lado. Ele observou enquanto eu colocava o curativo, tentando ser delicada.
— Você não precisa fazer isso. Por que está aqui?
— Precisamos da sua ajuda, eu e Stiles.
Ele me olhou fixamente enquanto eu terminava.
— Achei que só pudesse cuidar de Stiles.
Eu me levantei, ficando em sua altura. Encarei ele e, por um breve momento, lembrei de minha mãe, “por que não ocupa sua mente?”. Ela não entende que nenhum garoto vai ser como Stiles.
— Eu posso cuidar de quem eu quiser, Scott, de quem precisa. — falei, terminando o curativo.
— Bom, obrigado. Eu... Queria me desculpar pela forma que te tratei antes, eu só estava tentando proteger meu amigo, mas vejo que também é o que você quer.
— Yay! Melhores amigos, então! — falei, lhe dando um abraço. Ele riu.

POV Stiles
— Ah... ?
Senti o meu rosto inteiro queimar, uma vergonha misturada com confusão, sentimentos meus misturados com os dela, talvez. Ela largou Scott e ele coçou a cabeça, olhando pra baixo.
— Oi, Stiles! — ela falou, saindo rapidamente do banheiro e sentando na cama dele. — A gente só estava fazendo as pazes e... — ela foi interrompida por Scott, que pareceu desconfortável com a situação. Ele me conhece há muito tempo, talvez saiba que eu sinto algo por ela.
disse que... Vocês precisam de ajuda?
Ele colocava uma camisa, vi que ele ainda estava ferido. Não consegui me concentrar muito depois do que vi. Peguei meu celular e mostrei aos dois, o vídeo que vi nas câmeras pelo notebook do meu pai.
— Sabem o cara que foi morto nas torres de comunicações? — Scott concordou, mas vi que não entendeu muito bem. — Acho que descobri algo.
Dei play no vídeo.
— Isso foi quando o técnico chegou. — ele entra na torre. — A xerife chega e entra depois dele. Depois algo realmente grande e veloz sai. Aí vem a xerife outra vez e depois os paramédicos com o corpo do técnico.
— Tudo bem, e o que há para descobrir? — disse.
— Duas pessoas entram, três saem. De onde veio essa coisa?
— Tem outra forma de entrar.

POV
Nós três andamos pelas torres, procurando uma entrada.
— Vê isso? — disse Stiles. — Tem algo embaixo.
Ele mostrou um armário caído no chão. Scott se apressou para tirá-lo, mas incrivelmente, ele não tinha força para levantá-lo. Eu e Stiles nos olhamos de relance, preocupados. Eu fui do outro lado e o ajudei a levantar.
Havia ali uma entrada para a parte subterrânea.

Stiles procurava marcas com sua lanterna ultravioleta, até que encontrou algo.
— Vejam, é latim.
— Damnatio Memoriae. — li. Eu e ele nos olhamos, tensos.
Scott pegou o celular para tirar uma foto. Senti um cheiro diferente, meus olhos ficaram verdes. Stiles estava no chão.
Aquela piranha daquela réptil o paralisou. Ela atacou Scott e eu pulei em cima dela, rasgando seu braço. Ela sangrou, soltando um grito.
, ATRÁS DE VOCÊ.
Um fulano vinha até nós e deixei Scott cuidar dela. Das mãos dele saíam... Faíscas? Eu desviava das mãos dele, mas não conseguia revidar, se eu encostasse nele seria eletrocutada.
!
Scott agarrou o pulso da garota, eu saí da frente e ele enfiou as garras dela no outro. Ele caiu paralisado, e ela eletrocutada.
Havia outro ali, invisível. Scott rugiu para ele, com olhos vermelhos. O garoto se revelou, mas estava com medo.
— Ok, ok! — Theo apareceu. — Talvez minha matilha ainda não esteja pronta para um alfa e... Companhia. Principalmente um alfa que sente cheiro de medo. — ele disse, olhando com desprezo para o garoto invisível.
— O que você fez, Theo? — desde quando ele tinha uma matilha?
— Digamos que eu não aceito bem rejeição. — ele falou, olhando Scott. Ele pisou com força onde estava escrito as palavras em latim. — Olá, Stiles. — disse ele para Stiles paralisado.
— Theo. — sibilei para ele, me colocando entre os dois. Ele levantou os braços.
— Vocês vão sair daqui acreditando que tem que se preocupar comigo. Mas vocês estão errados, na verdade estamos do mesmo lado. Porque esta coisa... — ouvimos o som da criatura, acima de nós. — É com o que temos que nos preocupar. Voltaremos à escola e fingiremos sermos adolescentes normais, mas de noite lutaremos por nossas vidas.
— O que é? — Stiles perguntou do chão.
— Não é uma quimera.
— Mas é só um garoto por baixo. Alguém como nós. — Scott disse.
— Não é mais. — Theo falou, antes de sair com a matilha.

Ajudei Stiles a se sentar, colocando seu peso apoiado em mim e me sentando ao seu lado. Scott se juntou a nós.
— Não sei o que significava e não me lembro das palavras.
— Damnatio memoriae. — Stiles lembrou Scott.
— Significa condenação da memória. — eu falei.
— Também significa que o que os dread doctors tenham criado, seja o que for que essa criatura seja, não é algo novo. É algo antigo, muito antigo.
— Então não criaram uma nova coisa. — Scott.
— Reviveram uma. — suspirei, encarando os dois.
Scott desenhou um círculo no chão.
— Precisamos de ajuda. Se Theo tem uma matilha, então precisamos da nossa. Temos que fazer com que os outros voltem.
— Os outros? — Stiles disse. — Quer dizer Kira, que está lutando contra um espírito homicida dentro dela; Malia, que não fala com nenhum de nós; Lydia, que está internada em um hospício; e Liam, que quase mata você?
Eu soltei um assovio. Eles me olharam.
— Também conhecidos como nossos melhores amigos. — Scott sorriu. — Não esqueça da garota que te segue desde quando te conheceu.
Eles me olharam.
— Da matilha? Eu?
— Você é parte do Stiles, pelo que eu entendi. Então também é parte de nós.
Eu sorri, olhando pra baixo e passando a mão pelos cabelos de Stiles, que ainda estava apoiado em mim.
— Como? — Stiles disse, desviando o olhar de mim para Scott.
— Um por um. — ele olhou para nós dois, e depois olhou para o círculo.
— Você não vai me fazer isso, né? — Stiles quis rir.
— São parte da matilha certo?
Stiles suspirou e pegou minha mão, juntos, fizemos um círculo ao redor do outro de Scott.
— Primeiro Kira. — Stiles falou enquanto Scott e eu o ajudávamos a levantar. — Ainda odeio sua tatuagem.
— Eu sei. — Scott riu.


Capítulo 8


POV
— Ok, eu vou com a pegar as coisas dela enquanto você leva o Jeep pra minha casa, pode ser, Stiles?
Eu peguei minha bicicleta no chão e coloquei o capacete. Stiles olhou de Scott para mim rapidamente.
— Ah, claro. — ele sorriu forçado. Eu senti uma pontada no peito fraca, mas eu sabia que ela era do Stiles. Ele se virou e foi andando, enquanto Scott subia atrás na bicicleta. Comecei a pedalar.
— Você não tem capacete extra? — ele perguntou, agarrando na minha cintura. — Você pedala muito rápido, .
Eu ri do medo dele. Eu realmente era ágil, ser metade gata me tornava menos forte e mais frágil a ataques diretos do que um lobisomem, mas muito mais rápida e resistente fisicamente.
— Achei que lobisomens não se machucassem fácil assim.
— Não acho que é meu caso atualmente.
Lembrei da ferida dele, que não curava. Suspirei e pedalei mais rápido.

Scott ficou me esperando enquanto eu enfiava algumas roupas na minha mochila. Quando voltei para ele, encontrei ele conversando com minha mãe.
— Ah, um lobisomem, claro! Onde vai, querida?
— Novo México. — ela me abraçou.
— Tome cuidado, .
Quando subimos na bicicleta outra vez, Scott estava muito confuso.
— Sua mãe só deixou você ir pro Novo México?
— Ela sabe que eu irei porque Stiles vai, e que é com ele que eu devo estar.
— Deve ser difícil pra ela aceitar isso. — fiquei em silêncio, não era um assunto que eu queria me aprofundar. — , eu quis vir com você pra te dizer algo.
— Sim?
— Eu conheço Stiles o suficiente pra saber que ele se importa muito com você.
— É normal que se importe, afinal eu tenho que dar minha vida por ele.
— O quê? — eu e minha grande boca.
Eu freei bruscamente, minhas garras saltaram para fora entre meus dedos, me virei para Scott e as encostei com segurança na garganta dele.
— Conte isso para Stiles e eu acabo com você, entendeu?
— E-eu... — meus olhos ficaram verdes, ele estava assustado. — Sim, eu entendi.
Voltei a pedalar como se nada tivesse acontecido.
— Esse é o final objetivo de um gato, salvar seu protegido da morte em algum momento. Talvez demore, como com meus pais, mas talvez seja amanhã mesmo.
Scott ficou em silêncio, talvez ainda em choque por ter sido quase degolado.

Chegamos e eu entrei com a bicicleta na garagem de Scott. Stiles estava terminando de consertar o Jeep azul.
— Stiles! — ele gritou fino como uma criança e bateu a cabeça no capô. Eu e Scott gargalhamos.
— Vou pegar minhas coisas.
Scott saiu e eu fui até Stiles.
— Minha cabeça dói. — ele falou, choroso.
— Pobrezinho. — eu ri, fiquei na ponta do pé e beijei sua bochecha. Ele sorriu de lado, ficando corado.
— Que experiência você tem com mecânica? — ele falou, tirando coisas de dentro do carro.
— Hã, zero. Mas sou ótima em dar apoio moral! — eu falei, lhe dando tapinhas no ombro e me sentando em um banquinho próximo. — Você consegue!

POV Stiles
A verdade era que nem eu sabia o que estava fazendo.
— Sinto cheiro de beta. — fungou .
Scott apareceu.
— É Liam, ele queria ajudar.
— Vai deixá-lo? — Stiles perguntou com a cabeça enfiada quase dentro do Jeep.
— Com o tempo, acho.
— Oi? Scott, ele é seu beta. Você não pode ter uma matilha sem ele, quero dizer, é o óbvio, certo?
— Olha, vocês não viram como ele se aproximou de mim, nem o olhar dele.
— Já estive com você na lua cheia, vi esse olhar. Se quiser que a banda se reúna, Scott, você não deixa o baterista de fora. — Stiles disse. — Ligue o carro, !
— Um “por favor” mataria? — ela falou, levantando e indo girar a chave. Lhe mandei um beijo no ar e ela revirou os olhos.
— Uhul, tá funcionando! — entrei no carro. correu e foi pro banco carona, mostrando a língua pra Scott, que riu. Ele foi indo pro banco de trás.
— Hã? Stiles? Por que tem tantos galões aqui? Onde eu sento?
— Ah... O Jeep tá com pequeno vazamento...
— Pequeno? — se virou e viu toda a parte de trás cheia de galões.
— Muito pequeno. — falei, sorrindo. — chega mais pra cá que cabe o Scott.
Ela se aproximou, quando Scott entrou, ela ficou com o corpo colado no meu.
— Uau, vocês dois são muito gordos. — ela falou, tentando se ajeitar.


— Já estamos chegando?
, nós saímos e estava de noite. Ainda está de noite. — falei. Pela terceira vez.
Soltou um bocejo.
— A gente pode pelo menos parar em algum lugar?
— Não vou parar até encontrar Kira. — Scott olhava um livro, procurando sobre Damnatio Memoriae.
Ela bocejou de novo, então recostou a cabeça no meu ombro.
— Hmm, você tá quentinho.
Scott riu baixo, nos olhando. Eu ainda não achei legal ter visto eles se abraçando... Com ele sem camisa. Algumas horas depois, quando ela havia dormido, eu não consegui me segurar.
— Só não tão quentinho quanto um lobisomem, eu imagino.
— Wow, sério, Stiles? — Scott riu. — Você não vai nem esconder o ciúme?
— Eu não preciso esconder, ela deve estar sentindo ele desde quando vi vocês.
— Eu sei que você gosta dela, você sabe que eu gosto da Kira... — eu suspirei fundo. — Se ela sabe do seu ciúme, por que não diz nada?
— Talvez ela não goste de mim.
— Eu não acho que...
Ela resmungou, quase acordando, e mudou do meu ombro para o de Scott. Eu fuzilei ele com os olhos.

POV
— Eu com certeza estou com torcicolo. — falei, acordando e me espreguiçando da forma que era possível entre os meninos. — NOSSA, TÁ MUITO CALOR.
— O Jeep tá esquentando, de novo. — Scott disse e eu amarrei o cabelo, em uma tentativa muito frustrada de me refrescar.
— Provavelmente. — Stiles disse.
— Deveríamos parar? — eu falei, me pendurando para atrás do carro, pegando água na minha bolsa.
— Não, só ligar o ar, pra pelo menos ventilar. — Scott disse, abrindo os vidros. Cada um de nós deu um gole na água.
— Já achou alguma coisa? — Stiles perguntou a ele sobre o livro.
— Principalmente as coisas que já sabia... “Damnatio memoriae era uma prática romana. Um decreto do governo para destruir as imagens dos condenados. E tiravam seus nomes das inscrições, apagavam seus rostos das estátuas. Os romanos acreditavam que era um castigo pior que a morte.”
— Ser esquecido. — falei, pegando agora um pacote de cheetos.
— “Damnatio memoriae foi usado tempo depois em um serial killer em 1598, conhecido como Demon Taillor. Atraía as crianças à sua loja em Paris, onde as matava e fervia a pele de seus ossos para comer. O tribunal considerou os crimes tão horríveis que ordenou que todos os documentos fossem destruídos. Até hoje ninguém conhece seu nome real.”
— Então os dread doctors ressuscitaram... — Stiles parou de falar enquanto eu enfiava alguns chips na boca dele. — … Ressuscitaram um assassino que foi tão horrível que literalmente deve que ser apagado da história.
— Um assassino que se transformou em lobisomem. — Scott completou.
— Ou seja, um assassino ainda melhor. Ótimo. — falei com sarcasmo.

— Ainda está sem falar com Malia? — Scott disse. Falar da ex do crush, que ótimo, adoro.
— Ah, ela não fala comigo. — disse Stiles, olhando para fora. Scott dirigia agora. — Ou com ninguém, acho.
— Acho que sei por quê. — por mim, a coiote longe do Stiles tá ótimo, tem nem que ter por quê. — Acho que encontrou sua mãe.
— Sua mãe, a Loba do Deserto?
— Sim.
— Sabia que continuava procurando. Apagou seu nome do meu quadro, mas eu sabia que não tinha parado.
— Quando estava em sua casa, tenho muita certeza de que Braenden também estava lá.
— Braenden who, gente. — seria outra ex?
— É uma mercenária. — Scott contou. — Senti o cheiro de sua moto, do escapamento.
— Que merda você acha que elas vão fazer? — Stiles perguntou.
— Algo que Malia não quer nos contar, então... Provavelmente algo ruim.
— Meu Deus. Você já sabe, não? É como... São os sinais químicos, não é?
— Agressão. — Scott disse. — Acho que a matará. Matará sua mãe.
Assoviei.
— Uau, os amigos de vocês são bem únicos, né? — foi quando o carro começou a parar.
— Scott?
— Ficamos sem gasolina. — Stiles disse. — Não tem mais gasolina.
— Diz que temos meio tanque! — eu falei, incrédula.
— Bom, não necessariamente. — ele respondeu.
— Não consertou o medidor de gasolina? — Scott perguntou.
— Não necessariamente. — Stiles falou, forçando um sorriso. Sonso.
Eu e Scott nos entreolhamos. E Stiles fingiu que não era com ele.


Capítulo 9


POV
— Bom, melhor começarmos a andar. — falei, saindo do carro, já suando e feliz por ter vindo de short e não de calça como Scott e Stiles. — Quem vai me carregar primeiro?
Eu sorri pros dois, mas eles começaram a andar. Bufei, acompanhando eles depois de pegar um galão do Jeep e mais um cheetos.
— Deve ter um posto de gasolina adiante. — Stiles falou, passando a mão na testa.
Andamos por volta de 10 minutos — nos quais eu comi em 5 —, o que me pareceu horas debaixo daquele Sol, até que chegamos em um posto.
— Está trancada. — anunciou Stiles sobre a lojinha de conveniência. Vi quando ele enfiou uma nota de dinheiro, na porta, pela gasolina.
Enquanto isso, eu e Scott enchíamos nosso galão.
— Essa Kira, o Stiles não tinha me contado dela.
— Ela é uma raposa... Ela é muito importante pra mim... E ela tem tido alguns problemas.
Nunca conheci uma raposa antes, mas sabia que elas não eram das muito confiáveis.
— Que tipo de problemas? — Stiles chegou do meu lado e respondeu:
— Resumindo, ela tem um espírito maligno.
— Ah...
O galão estava cheio.
— Havia um broche. — Stiles disse e eu senti uma inquietação nele. Segurei sua mão por impulso, ele sorriu levemente pra mim. Depois, se dirigiu a Scott. — Havia um pequeno broche de metal unido ao andaime. — houve uma pausa na qual Scott e ele se encararam. — Tentava me empurrar para baixo.
— Tentava matar você.
Parecia que Stiles finalmente estava se abrindo com ele sobre o garoto que havia matado.
— Sim, então eu puxei o broche... — ele engoliu seco, apertando minha mão, que ainda estava junta à dele. — E todos esses suportes de metal caíram. E um deles... Atravessou ele.
— Por que pensou que não podia me contar?
— Foi o jeito como me olhava nessa noite. Fiquei parado com uma chave inglesa na mão, estava... Olhando para mim como se tivesse batido na sua cabeça com ela. Como se tivesse quebrado sua regra sagrada e pronto, não havia como voltar atrás.
— Conheço a diferença.
— O quê?
— Sei o que é legítima defesa.
Stiles estava mais leve, ele e Scott trocaram olhares.
— Uau, como é bom se abrir, né, gente? Mas agora será que a gente pode sair desse lugar tão lindo, seco, quente e que parece o inferno? — sorri, dando tapinhas nas costas de Stiles, e os dois ficaram me olhando enquanto eu saía na frente carregando o galão cheio.
Eu me perguntei se realmente deveria ter vindo. Eu suava feito uma porca, enfiei o pacote de cheetos vazio no lixo do posto.
— Eu acho que alguém está de mau humor. — Scott sussurrou para Stiles, como se eu não pudesse ouvir.
— Deve ser porque acabaram todos os pacotes de chips que ela trouxe.

POV Stiles
— Vamos brincar de algo! — pediu quando já estávamos na estrada outra vez.
— O quê? — eu disse, tentando me animar. Scott dirigia.
— 20 perguntas! Eu penso em algo e vocês têm 20 perguntas pra adivinhar o que é!
— É comida? — Scott começou e ela revirou os olhos.
— Não!
— É algo importante pra você? — eu disse, sentindo que ela estava ansiosa.
— Sim. Eu acho.
— É vivo?
— Não.
— Fácil, comer. — eu falei para implicar e ela riu e apertou minhas bochechas.
— Não, Stiles.
— É algo que você gostaria de fazer com Stiles?
Eu e ela ficamos vermelhos com a pergunta de Scott.
— Não, por que seria?
— É um medo que você tem?
— Sim, mas não vale, você tá roubando.
É verdade que eu tinha parado pra prestar atenção no que ela estava sentindo. Sorri.
— De cães? — perguntei, ela me olhou como quem diz “sério?”. — De altura?
Ela arregalou os olhos e riu.
— Sim!
Scott suspirou.
— Sério? Por que você teria medo de algo tão bobo e clichê?
franziu a testa.
— E qual seu medo, então, Scott?
Ele pensou por alguns segundos.
— Perder minha matilha.
Ficamos em silêncio.
— Nem todo medo precisa ser algo sério assim. — ela disse. — Perder pessoas é o medo de todo mundo.
Ficamos em silêncio e Scott parecia nervoso.
— Eu só quero Kira de volta.
Ninguém mais disse nada por alguns minutos.
— Você não estava com medo no começo, parecia feliz, você mudou o que tava pensando, ... — eu disse.
— Na verdade era comer mesmo, mas... Eu mudei pra vocês não me zoarem. — ela falou, mordendo o lábio. Scott riu alto.

Eu e dormíamos, eu estava com o braço abraçando os ombros dela e com a cabeça encostada sobre a dela. Ela me acordou de repente.
— Ouvem isso? — ela disse, assustada.
— Sim, uma tempestade mais adiante. — Scott disse. Já estava de noite.
Ele acelerou.
— Que inferno tá acontecendo com ela lá? — eu disse.

POV
Paramos o carro, Scott e Stiles foram mais à frente. Eles estavam conversando e se reconciliando. Fiquei feliz por eles.
Me recostei no Jeep e fiquei pensando um tempo sobre os últimos dias. Dava pra considerar Scott e Stiles realmente uma matilha pra mim? Eu não sabia o quanto Scott se importava comigo de verdade ou se tinha me aceitado só para fazer as pazes com Stiles. Eu também não sabia o quanto aquilo tudo era útil, esses meninos tinham uma obsessão por salvar todos, mas por que não deixar as coisas tomarem seu rumo? Inclusive ainda não havia entendido como eles não estavam reprovados de tanta aula que perdiam. Ao menos eu, sendo ensinada em casa, poderia repor tudo com minha mãe.
Os dois pareciam estar voltando, quando ouvi um barulho estridente de metal, um metal arrastando no outro? Espadas? Fui até Stiles e Scott.
— Estão vendo isso? É Kira. — Scott disse, mostrando um clarão no meio do breu mais à frente.

Já estava amanhecendo quando chegamos. Duas mulheres asiáticas, uma mais nova e outra mais velha estavam apontando lança e espada para outras três mulheres. Cheias de poeira e vestidas com pele de animais.
— Mas que porra... — antes que eu pudesse continuar, Scott saltou do carro, dando um rugido para as mulheres, que se assustaram.
— ENTREM, ENTREM! — Stiles gritou e Kira e sua mãe se enfiaram no carro acompanhadas por Scott. Saímos de lá enquanto as mulheres observavam.
— Todos bem? — Stiles perguntou.
— Muito bem, pelo que me parece. — falei, rindo, enquanto olhávamos Kira e Scott aos beijos.
— Você voltou por mim. Eu te amo. Te amo muito. — Kira dizia pra ele enquanto lhe tascava mais beijos.
Eu e Stiles nos olhamos de canto.
— Hora de ir pra casa. — Stiles disse.

Quando já havia deixado todos os outros em casa, Stiles parou em frente ao meu trailer e saiu do carro comigo.
— Espero que não tenha se arrependido de entrar na matilha, deve estar morrendo de fome. — Stiles falou, rindo, e eu tentei não me ofender por ele pensar que eu penso tanto assim em comida. Eu também penso muito nele.
— Não, minha vida tava meio entediante, mesmo. — falei, rindo.
, e se a gente não conseguir? Faz tempo que eu e Scott não ficamos em paz por um tempo, parece que tem sempre um problema.
— A gente vai, Stiles. — eu peguei a mão dele. — Scott é um alfa, por que não confia nele?
— Eu o conheci muito antes de ele ser um alfa. Scott é tão normal quanto eu na maior parte do tempo... Ele só tenta fazer o certo.
— Então confia em mim. Nada vai acontecer com você.
Ele sorriu de leve.
— Estou tentando.
— Pois tente mais! Até mais, stella. — falei, beijando sua bochecha e lhe dando as costas, indo contar pros meus pais sobre o desastre em que eu tinha me metido.


Continua...



Nota da autora: (19/07/2018) TO DE VOLTA MANASSSSSS



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


Nota da beta: Ai, que finalzinho mais lindinho esse!! Morri com o "tentei não me ofender por ele pensar que eu penso tanto assim em comida. Eu também penso muito nele." AAAA, meu OTP está vivíssimo!!


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